Você está na página 1de 80

Relatório Anual 2009

Relatório Anual
2009

FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos


Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.485, 15º andar
CEP 01452-002 – São Paulo – SP

www.febraban.org.br
Créditos
Coordenação
Mário Sérgio Fernandes de Vasconcelos
Diretor de Relações Institucionais

Apoio
Apresentação Ricardo Terenzi Neuenschwander
Diretor Setorial da Comissão de Responsabilidade Social e Sustentabilidade

Para a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), relato, consideramos ter alcançado o nível C Consultoria GRI
um sistema financeiro saudável, ético e eficiente de aplicação das diretrizes. Ao selecionar as Report Comunicação

é condição essencial para o desenvolvimento informações que seriam relatadas, tivemos


econômico, social e sustentável do País. A atuação de considerar a disponibilidade dos dados já Redação e Edição
Report Comunicação
dos bancos está alinhada aos princípios que monitorados pelos bancos, tendo como desafio
estimulam o comportamento responsável, o que a consolidação dos diferentes formatos utilizados
Projeto Gráfico, Diagramação e Produção Gráfica
inclui, necessariamente, a transparência em suas por eles. Tal complexidade nos levou a publicar o Report Comunicação
ações e o diálogo permanente, comprovando relatório apenas em novembro de 2010. Assim,
o compromisso com o desenvolvimento e a para o próximo ano, as metas são antecipar o Ilustração
criação de valor para toda a sociedade. Por isso, planejamento das atividades e incluir um número Denis Freitas (página 34)
a federação vem publicando, desde 1993, um maior de bancos no levantamento de informações.
balanço anual de suas atividades. Revisão
Para atender ao princípio da GRI referente Assertiva Produções Editoriais
A partir desta edição, em mais uma etapa de à inclusão dos stakeholders, a FEBRABAN
aperfeiçoamento, o relatório da FEBRABAN convidou especialistas externos a dar seu
Fotos
passa a seguir as diretrizes internacionais da parecer sobre o conteúdo produzido e, assim,
Banco de Imagens FEBRABAN – págs. 3 (presidente), 5, 13 (superior), 17, 32, 33
Global Reporting Initiative (GRI). Para cada tema promover a melhoria contínua do processo de (inferior), 45, 47, 49 (superior), 56, 60, 61 (esquerda), 62, 63, 64 e 66.
identificado, há o posicionamento da FEBRABAN, relato. Essas declarações estão publicadas ao
NaLata – págs. 3 (fundo), 7, 8, 9, 10, 13 (inferior), 14, 15, 23, 29, 30, 33
as iniciativas institucionais em andamento e, final do relatório, onde você também encontra (superior), 34, 36, 37, 38, 39, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 57, 58, 59 e 61 (direita).
sempre que possível, as metas e os compromissos os detalhes sobre como ele foi idealizado e
©Thinkstock – índice, págs. 4, 26 e 49; ©Thinkstock/Stockbyte – págs.16, 28 e
assumidos para os próximos anos. O desempenho produzido. Para mais informações, estamos à 62; ©Thinkstock/Yamini Chao – pág.19; ©Thinkstock/Jupiterimages – pág.20;
qualitativo e quantitativo consolidado do setor disposição no e-mail respsocial@febraban.org.br. ©Thinkstock/Rayes – pág.21; ©Thinkstock/Felipe Dupouy e ©Thinkstock/
Hemera – pág.41, ©Thinkstock/Jupiterimages – pág.42, ©Thinkstock/James
bancário de acordo com os indicadores da GRI Woodson – pág.43, ©Thinkstock/Hemera – pág.44, (inferior).
também integra a publicação. Para este primeiro Boa leitura!
©iStockphoto/blackred – Capa (números)

Tiragem
1.000 exemplares

Impressão
Garilli Gráfica e Editora Ltda.
Papel capa: Couché Fosco Matte, 240 g/m2
Selo FSC
Papel miolo: Couché Fosco Matte, 115 g/m2
Produto impresso em papel certificado FSC.
Índice
Mensagem da Presidência 2
Perfil Institucional 4
Governança 8

O Setor Bancário em 2009 16


Atendimento e Serviços a Clientes 28
Inclusão Financeira 36
Finanças Sustentáveis 44
Relações de Trabalho 52
Diversidade 58
Investimentos Sociais 62

Sobre o Relatório 66
Índice Remissivo GRI 68
Parecer dos Especialistas 71
Créditos 77
2 Febraban – Relatório Anual 2009

O ano de 2009 foi um marco para o Uma das necessidades mais prementes dos clientes carro ou a TV de LCD. A experiência dos diversos bancos
sistema financeiro brasileiro. A crise que durante os anos de instabilidade crônica – a de dispor revela que, quanto mais as pessoas conhecem os
fez a economia mundial encolher 6%, de recursos o mais cedo possível para prevenir ou produtos e serviços financeiros, melhor tiram proveito
segundo estimativa do Fundo Monetário mitigar a corrosão inflacionária – tornou o sistema de deles. A transparência é, portanto, o caminho para
Internacional (FMI), permitiu que o Brasil pagamentos brasileiro um dos mais ágeis do mundo. o bom relacionamento entre bancos, consumidores,
efetivamente colhesse os frutos de, O progresso tecnológico dos bancos favoreceu a reguladores e o conjunto da sociedade.
pelo menos, 20 anos de aprendizado e criação de produtos e serviços eficientes, enquanto
profunda transformação institucional. No seu pioneirismo em termos de tecnologia da Ter uma relação melhor com o dinheiro vale também
período entre as décadas de 70 e 90, o informação acelerou a disseminação das inovações por quando se trata de crédito para as empresas.
setor bancário foi um dos mais exigidos toda a sociedade. Sabemos que a orientação e o incentivo ao crédito
em termos de adaptação aos cenários ambientalmente e socialmente responsável são mais
instáveis da economia brasileira. A mais recente delas é o DDA (Débito Direto consistentes do que a simples negativa e a exclusão de
Autorizado). Lançada em 2009, a novidade superou clientes. Quanto mais claro for esse relacionamento
rapidamente a expectativa para os primeiros sete com o crédito, melhor será para os clientes, para os
meses, com um grau de adesão surpreendente. As bancos e para o nosso país. Todos ganham.
empresas, principalmente, logo perceberam que a
apresentação eletrônica do boleto de pagamento Para tanto, os bancos creem que seja imprescindível
bancário representa economia, agilidade e segurança. estimular os mecanismos de mercado. Daí a criação
Para os próximos anos, os bancos brasileiros poderão de um sistema de autorregulação bancária a partir da
dispensar o papel na compensação de cheques com própria FEBRABAN. Essa foi uma das diversas iniciativas
a introdução de processos de captura e distribuição tomadas nos últimos anos que mudaram o perfil da
digital dos documentos entre os bancos. A próxima entidade, posicionando-a em um novo patamar de
fronteira é o banco no celular, o uso da telefonia móvel interação com os diversos segmentos da sociedade.
para serviços de transferência de valores e pagamentos. Como reflexo dessa abertura, tornou-se necessário
modificar nossos mecanismos de governança, com o
Nos últimos dez anos, o número de contas-correntes, projeto de contratação de um executivo profissional
que hoje passa de 120 milhões, cresceu 127%. A para a Presidência, de modo a permitir que ele esteja
quantidade de cartões de crédito foi multiplicada por mais presente no dia a dia da federação.
quatro e supera os 130 milhões. Os bancos também
aumentaram em quatro vezes a oferta de empréstimos Os bancos podem e devem desempenhar um papel
e financiamentos, que totaliza R$ 1,4 trilhão. Como fundamental na construção do Brasil que queremos,
parcela do PIB, isso significa que o crédito cresceu de com oportunidades para todos e a serviço do processo
menos de 30% para 45%, sem interrupção mesmo na de desenvolvimento econômico e social. Acreditamos
crise, pois, ao contrário de outros países, os bancos que esse novo modelo seja uma demonstração de
brasileiros continuaram emprestando, o que reforça a maturidade, que fortalece a disposição da FEBRABAN
contribuição do setor para a evolução da economia. de participar mais ativamente desses movimentos –
que envolvem não só os destinos do sistema financeiro,
Esses números indicam, ainda, uma vigorosa inclusão mas de toda a sociedade brasileira.
de consumidores nos serviços bancários – o que nos
apresenta o desafio de orientá-los para o melhor uso Cordialmente,
dos produtos e serviços financeiros, seja para guardar
Fabio Colletti Barbosa
seu dinheiro ou para financiar a casa própria, o primeiro Presidente da FEBRABAN
Febraban – Relatório Anual 2009 3

Mensagem da Presidência
A transparência é o caminho para
o bom relacionamento entre bancos,
consumidores, reguladores e o conjunto
da sociedade.
4 Febraban – Relatório Anual 2009

Perfil Institucional

04
Febraban – Relatório Anual 2009 5

O novo papel
dos bancos
Quarenta e três anos após sua fundação, A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) é De lá para cá, as instituições e os mercados evoluíram
a FEBRABAN vive o desafio de mudar sua a principal entidade de classe sem fins lucrativos e amadureceram.
imagem de “uma federação que protege os representativa do setor bancário, com 125 bancos
bancos” para uma “federação que dialoga associados, de um total de 178 registrados no Banco Na recente crise financeira internacional, entre os
com a sociedade”. Central do Brasil até o fim de 2009. O seu objetivo anos de 2008 e 2009, o sistema bancário nacional
é fazer a ponte entre as instituições financeiras em mostrou sua solidez, sua qualidade de gestão e a
todas as esferas – Poderes Executivo, Legislativo adequação à regulação, atuando como um dos pilares
e Judiciário e organizações da sociedade civil – do bom desempenho da economia brasileira nesse
para o aperfeiçoamento do sistema normativo, a período. Sempre presente nesse processo, a federação
contínua melhoria da oferta de produtos e serviços, a auxiliou os bancos, desde sua fundação, a cumprir
ampliação do crédito e da informação ao consumidor suas três funções básicas: rentabilizar a poupança
e a redução dos níveis de risco. que lhe é confiada pelos indivíduos e pelas empresas,
financiar o consumo e o investimento e viabilizar
Fundada em 9 de novembro de 1967, na cidade pagamentos e recebimentos.
de São Paulo, com o compromisso de fortalecer o
sistema financeiro e suas relações com a sociedade, a
FEBRABAN busca contribuir para o desenvolvimento
econômico e social do País, concentrando esforços
que favoreçam o crescente acesso da população
aos produtos e serviços financeiros. Ao longo de
mais de quatro décadas, testemunhou as profundas
mudanças sociais, econômicas e políticas do País,
marcadas pela consolidação da industrialização, pelo
amadurecimento político e pelo fortalecimento das
instituições democráticas e da economia de mercado.

Questões fundamentais como a crise da dívida


externa, o uso de sete moedas distintas e a difícil
passagem da hiperinflação para a estabilização da
moeda – etapa imprescindível para possibilitar o
resgate do imenso passivo social do Brasil – foram
vivenciadas, e suas soluções, encaminhadas.
6 Febraban – Relatório Anual 2009

A FEBRABAN revisou, em 2009,


sua missão e seus valores e
lançou uma nova logomarca

R$ 1,4 trilhão
foi o volume total de crédito concedido pelos bancos em 2009
Portas abertas
Hoje, a FEBRABAN busca a melhoria de sua imagem
perante a sociedade. O desafio é mostrar que é uma
entidade que dialoga com a sociedade e fortalece
os indivíduos, mantendo a defesa dos interesses dos
associados. Para atender a esse objetivo estratégico,
revisou, em 2009, sua missão e seus valores e lançou
Principais indicadores do setor uma nova logomarca.

Ativos totais: R$ 3,6 trilhões A valorização das pessoas e da diversidade, a promoção


de valores éticos e morais, o diálogo e a transparência
Patrimônio líquido total: R$ 293,8 bilhões em sua atuação, a defesa da livre iniciativa e do
empreendedorismo e o respeito aos consumidores,
Índice de Basileia: 19,8% assim como o incentivo a práticas de cidadania e
responsabilidade social, norteiam a nova missão da
Crédito total: R$ 1,4 trilhão FEBRABAN. As novas exigências da sociedade e o novo
cenário econômico, que emergiram nos anos recentes,
Depósitos totais: R$ 1,9 trilhão exigem que a FEBRABAN e o setor bancário respondam
a desafios como o crescimento sustentado e sadio
Municípios atendidos: 5.657 do crédito, a inclusão financeira de consumidores
de baixa renda, a implementação de um sistema
Funcionários: cerca de 460 mil de autorregulação, o contínuo aperfeiçoamento do
atendimento diante de um volume cada vez maior de
Investimentos sociais e culturais: aproximadamente R$ 1 bilhão clientes e transações, a capacitação do profissional
bancário e, por fim, o fortalecimento de uma política de
Nota: dados consolidados referentes a 31 de dezembro de 2009 portas abertas em relação à sociedade.
Febraban – Relatório Anual 2009 7

Visão, Missão e Valores Objetivos estratégicos


• Representar os seus associados perante os poderes • Coordenar, quando necessária, a contratação de
Visão constituídos e as entidades representativas da sociedade profissionais para a defesa de legítimos interesses
Um sistema financeiro saudável, ético e eficiente dos associados
é condição essencial para o desenvolvimento • Interagir com autoridades e instituições na elaboração
econômico, social e sustentável do País. e no aperfeiçoamento do sistema normativo • Realizar e divulgar estudos e pesquisas visando ao
aperfeiçoamento do sistema financeiro
Missão • Desenvolver iniciativas para a contínua melhoria
Contribuir para o desenvolvimento econômico, social e da produtividade do sistema e a redução dos • Comunicar o papel e a atuação do sistema financeiro,
sustentável do País representando os seus associados e níveis de risco de forma pró-ativa
buscando a melhoria contínua do sistema financeiro e
de suas relações com a sociedade. • Zelar pela eficiência da intermediação financeira e • Manifestar-se, quando for o caso, sobre temas de
aumentar a sua contribuição para a sociedade, interesse da opinião pública
Valores inclusive desenvolvendo esforços que viabilizem o
• Promover valores éticos, morais e legais crescente acesso da população a produtos e • Desenvolver programas de formação e qualificação
serviços financeiros para os funcionários dos associados
• Valorizar as pessoas, o trabalho e o
empreendedorismo • Transmitir à sociedade o papel e a contribuição do • Implementar programas de autorregulação
sistema financeiro para o desenvolvimento econômico,
• Incentivar práticas de cidadania e responsabilidade social e sustentável do País • Divulgar aos associados informações relevantes sobre
socioambiental assuntos que são objeto de sua atuação
Linhas de atuação
• Defender a iniciativa privada, o livre mercado e a • Propor e defender mudanças ou edição de normas • Incentivar e apoiar projetos voltados à preservação da
livre concorrência que aumentem a eficiência do sistema financeiro e biodiversidade e ao uso racional dos recursos naturais
aprimorem seus instrumentos
• Defender o diálogo, o respeito e a transparência • Incentivar e promover o financiamento de iniciativas
nas relações com os clientes e com a sociedade • Desenvolver e manter canais de comunicação com o que estejam em harmonia com o desenvolvimento
Executivo, o Legislativo, o Judiciário, as associações sustentável
• Atuar com profissionalismo e transparência de classe, os órgãos de defesa dos consumidores, os
sindicatos e demais entidades e organismos nacionais
• Valorizar a diversidade e a inclusão social e internacionais
8 Febraban – Relatório Anual 2009

Governança

08
Febraban – Relatório Anual 2009 9

Compromisso com
a transparência
OUTROS SETORES
O desenvolvimento de novos A evolução do modelo de governança da FEBRABAN
mecanismos de governança confirma a ganhou impulso a partir de outubro de 2008, com Abram Abe Szajman – Fecomercio (Federação do
disposição da FEBRABAN para ampliar a criação do Conselho Consultivo, formado por Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo)
a participação dos stakeholders em representantes de outros setores da economia e da
Jackson Schneider – Anfavea (Associação Nacional dos
seus processos de gestão. sociedade civil. A existência de um conselho consultivo é
Fabricantes de Veículos Automotores)
tida como uma boa prática, sobretudo para organizações
João Batista Crestana – Secovi/SP (Sindicato da
da sociedade civil. O papel dessa nova instância é
permitir que conselheiros independentes contribuam Habitação de São Paulo)

para a promoção do diálogo e a participação da José Roberto Mendonça de Barros – MB Associados


sociedade nos processos de tomada
Luiz Fernando Furlan – Brasil Foods S.A.
de decisão da FEBRABAN.
Paulo Skaf – Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo)

Conselho Consultivo Roberto Rodrigues – Fundação Getulio Vargas

Viviane Senna – Instituto Ayrton Senna


PRESIDENTE
Fabio Colletti Barbosa – Banco Santander (Brasil) S.A. Além do Conselho Consultivo, integram a governança
da FEBRABAN o Conselho Fiscal, o Conselho Diretor,
SETOR BANCÁRIO o Conselho de Representantes e o Conselho de

Aldemir Bendine – Banco do Brasil Autorregulação (saiba mais na página 11). Esses
grupos definem as orientações estratégicas que
Conrado Engel – HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo
serão executadas pela Diretoria Executiva, composta
José Ermírio de Moraes Neto – Banco Votorantim por 13 representantes de bancos associados. A
Luiz Carlos Trabuco Cappi – Banco Bradesco entidade conta, ainda, com o apoio de três comitês
executivos e 31 comissões técnicas, que desenvolvem
Maria Fernanda Ramos Coelho – Caixa Econômica Federal
estudos e trabalhos voltados a orientar as atividades
Pedro Moreira Salles – Itaú Unibanco S.A. da FEBRABAN e de seus associados. Ao todo, 96
Roberto Egydio Setubal – Itaú Unibanco S.A. funcionários atuam no dia a dia da gestão da entidade.
10 Febraban – Relatório Anual 2009

31
comissões técnicas
desenvolvem estudos que orientam
as atividades da FEBRABAN

Comitês executivos
Relações Institucionais Suporte e Controles Negócios
Hélio Ribeiro Duarte (HSBC) Oswaldo de Assis Filho (BTG Pactual) José de M. Berenguer Neto (Santander)
Coordenador Coordenador Coordenador
Diretores
Carlos Alberto Vieira (Safra) Marcos de Barros Lisboa (Itaú Unibanco) José Luiz Acar Pedro (Bradesco)
executivos
Márcio Percival Alves Pinto (CEF) Milton Roberto Pereira (Votorantim) Renato Martins Oliva (Cacique)
Angelim Curiel (Citi) Ricardo José da Costa Flores (Banco do Brasil)

Economia Assuntos Contábeis e Fiscais Correspondentes


Tomás Málaga (Itaú Unibanco) Daniel José Liberati (Bradesco) Frederico G. F. de Queiroz Filho (Banco do Brasil)

Marketing e Comunicação Auditoria Interna Financiamento de Veículos


Fernando Byington Egydio Martins Paulo Sérgio Cavalheiro (Safra) Luis Félix Cardamone (Santander)
(Santander)
Compliance Operações de Tesouraria
Relações Institucionais Fernando Ribeiro (Santander) André Guilherme Brandão (HSBC)
Vasco Azevedo (Bradesco)
Prevenção a Fraudes Operações Internacionais
Responsabilidade Social e Marcelo Ribeiro Câmara (Bradesco) Richard Allen Bird (ING)
Sustentabilidade
Ricardo Terenzi (Itaú Unibanco) Gestão de Riscos Política de Crédito
Frederico Willian Wolf (Bradesco) Oscar Rodriguez Herrero (Santander)
Recursos Humanos
Lilian Maria Ferezim Guimarães Numerário Produtos de Financiamento
(Santander) Laerte Paulo Viana (Caixa) Máximo Hernández González (Itaú Unibanco)

Ouvidorias e Relações com Clientes Segurança Bancária Bancos Internacionais (Associação


Francisco Calazans Araújo Jr. Pedro Oscar Viotto (Bradesco) Brasileira de Bancos Internacionais – ABBI)
Diretores (Itaú Unibanco) Luis Eduardo Ramos Lisboa
setoriais Serviços Bancários
Jurídico Iézio Ribeiro Sousa (Bradesco) Cartões (Associação Brasileira de Cartões
Arnaldo Penteado Laudísio (Santander) de Crédito e Serviço – Abecs)
Tecnologia e Automação Bancária Paulo Rogério Caffarelli (BB)
Assuntos Latino-Americanos Gustavo José C. Roxo da Fonseca
Ricardo Villela Marino (Santander) Crédito Imobiliário e Poupança
(Itaú Unibanco) (Associação Brasileira das Entidades de
Tributária Crédito Imobiliário e Poupança – Abecip)
Pequenos e Médios Bancos Carlos Pelá (Safra) Luiz Antonio França (Itaú Unibanco)
vago
Custos Associação Brasileira das Empresas de
vago Leasing (Abel)
Osmar Roncolato Pinho (Bradesco)

Associação Nacional das Instituições de


Crédito, Financiamento e Investimento
(Acrefi)
Adalberto Savioli (PanAmericano)
Febraban – Relatório Anual 2009 11

Conselho de Autorregulação
Em linha com o objetivo de fortalecer os vínculos Geraldo José Carbone – Presidente (Itaú Unibanco) José Vicente (Afrobrás)*
de confiança com a sociedade, a FEBRABAN criou, Élcio Aníbal de Lucca – Vice-presidente (Luccra) Luiz Horácio da Silva Montenegro (Toyota)
em dezembro de 2008, o Sistema Brasileiro de Affonso Rodrigues Vianna Neto (Banpará) Ademar Schardong (Sicredi)
Autorregulação Bancária (saiba mais na pág. 29), Alencar Burti (Associação Comercial de SP)* Alexandre Correa Abreu (BB)
cujo conselho é formado por 15 representantes Carlos Augusto Borges (CEF) Angelim Curiel (Citi)
de bancos e cinco membros da sociedade civil. A Carlos Eduardo Monteiro (Safra) Henrique Frayha (HSBC)
autorregulação tem como foco a harmonização da Décio Carbonari de Almeida (Volkswagen) Luiz Carlos Everton de Farias (BNB)
oferta de serviços pelo setor bancário às pessoas José de Paiva Ferreira (Santander) Luiz Lara (Lew Lara)*
físicas, especificando e elevando o padrão das condutas José Luiz Acar Pedro (Bradesco) Milto Bardini (BIC)
que devem ser adotadas pelos bancos nos artigos José Pastore (Concord Relações do Trabalho S/C Ltda.)* * Conselheiros independentes

previstos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).


Em 2009, 18 conglomerados financeiros, que reúnem
os maiores bancos do varejo, eram signatários do
Sistema de Autorregulação.

Estrutura Geral

Febraban FeNaban

Assembleia Geral Assembleia Geral Sindicatos


regionais

IBCB Conselho Fiscal Conselho Fiscal


Sindicatos
SP PR MT MS
Conselho Diretor Conselho de
Assembleia Geral Representantes

Conselho Consultivo Assembleia Geral

Conselho de
Autorregulação Conselho Fiscal
Conselho Fiscal

Diretoria Executiva

Diretoria Geral

Diretoria de Relações
do Trabalho
Secretaria Geral
Diretoria de
Autorregulação

Diretoria de Administração, Diretoria Diretoria Diretoria de Diretoria Diretoria de Diretoria de Diretoria de


Finanças e TI Jurídica de Eventos Educação Financeira Técnica Assuntos Econômicos Relações Institucionais Comunicação
12 Febraban – Relatório Anual 2009

Estruturas de governança

Assembleia Geral
Órgão deliberativo máximo, a Assembleia Geral é integrada por todas as suas associadas,
que se reúnem ordinariamente, nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, e,
extraordinariamente, sempre que os interesses sociais o exigirem.

Conselho Diretor
Composto por no mínimo 18 membros e no máximo 30, com mandato de três anos. Sua missão é Diretoria Executiva
estabelecer a orientação geral das atividades da FEBRABAN para a execução de suas finalidades; F abio Colletti Barbosa – Presidente
deliberar sobre as propostas submetidas pela Diretoria; fiscalizar e orientar a atuação da Diretoria; e (Banco Santander Brasil S.A.)
convocar reunião do Conselho Diretor ou da Assembleia Geral. José Luiz Acar Pedro – Vice-presidente
(Banco Bradesco S.A.)
Conselho de Autorregulação  arcos de Barros Lisboa – Vice-presidente
M
É o órgão normativo e de administração do Sistema de Autorregulação Bancária. É composto (Itaú Unibanco S.A.)
por representantes dos bancos signatários e representantes da sociedade civil. Cabe a ele editar Adalberto Savioli
normativos; estabelecer, por meio de resoluções, as diretrizes, as políticas e os procedimentos do (Banco Panamericano S.A.)
Sistema de Autorregulação Bancária e efetuar a revisão periódica das regras; e deliberar sobre os Angelim Curiel
assuntos relevantes ao sistema, entre outros. O mandato dos conselheiros é de três anos. (Banco Citibank S.A.)
 arlos Alberto Vieira
C
Diretoria Executiva (Banco Safra S.A.)
Composta por até 15 membros eleitos, com mandato de três anos. É formada por um presidente,  élio Ribeiro Duarte
H
até dois vices-presidentes e os demais diretores, sem designação específica. Ela é responsável pela (HSBC Bank Brasil S.A.– Banco Múltiplo)
administração e pela gestão das atividades da FEBRABAN, cumprindo as deliberações do Conselho J osé de Menezes Berenguer Neto
Diretor e da Assembleia Geral. A Diretoria se reúne a cada quinzena ou extraordinariamente. (Banco Santander Brasil S.A.)
Márcio Percival Alves Pinto
Conselho Consultivo (Caixa Econômica Federal)
É integrado pelo presidente do Conselho Diretor e por 15 representantes, ou mais, escolhidos Milton Roberto Pereira
pelo Conselho Diretor, com mandato de 18 meses e podendo ser reeleitos por igual período. Esses (Banco Votorantin S.A.)
representantes são dos segmentos empresariais, da sociedade civil e do pensamento financeiro, Oswaldo de Assis Filho
econômico e jurídico, do País ou do exterior. O Conselho Consultivo será presidido pelo presidente (Banco BTG Pactual S.A.)
do Conselho Diretor da FEBRABAN. Compete ao Conselho Consultivo manifestar-se sobre quaisquer  enato Martins Oliva
R
temas, por convocação do seu presidente. (Banco Cacique S.A.)
 icardo José da Costa Flores
R
Conselho Fiscal (Banco do Brasil S.A.)
Formado por três membros efetivos e três suplentes, o Conselho Fiscal tem como atribuições fiscalizar a
gestão da administração e examinar os registros, os títulos e os documentos da entidade; acompanhar
os trabalhos da auditoria externa contratada; e examinar as demonstrações financeiras, as contas e o
relatório anual de gestão apresentados pela Diretoria, entre outras. O Conselho Fiscal se reúne sempre
na primeira quinzena de abril de cada ano ou extraordinariamente. Seu mandato é de três anos.
Febraban – Relatório Anual 2009 13

Os stakeholders da FEBRABAN
Associados
Sociedade
Bancários
Sindicatos
Associações de classe
Reguladores do sistema financeiro
Poderes constituídos
Entidades representativas da sociedade
Formadores de opinião
Imprensa
Outros setores econômicos
Organismos internacionais

Conselho Diretor A FEBRABAN defende o respeito


F abio Colletti Barbosa – Presidente
(Banco Santander Brasil S.A.) e a transparência em todos os
Aldemir Bendine seus relacionamentos
(Banco do Brasil S.A.)
André Santos Esteves
(Banco BTG Pactual S.A.)
 arlos Alberto Vieira
C
(Banco Safra S.A.)
 onrado Engel
C
(HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo)
Gustavo Carlos Marin Garat
(Banco Citibank S.A.)
J oão Heraldo Lima
(Banco Rural S.A.)
J osé Bezerra de Menezes
(Banco Industrial e Comercial S.A.)
Louis Marie Antoine Bazire
(Banco BNP Paribas Brasil S.A.)
L uiz Carlos Trabuco Cappi
(Banco Bradesco S.A.)
Luiz Horácio da Silva Montenegro
(Banco Toyota do Brasil S.A.)
 aria Fernanda Ramos Coelho
M
(Caixa Econômica Federal)
P aulo Guilherme Monteiro Lobato Ribeiro
(Banco Alfa S.A.)
Pedro Henrique Mariani Bittencourt
(Banco BBM S.A.)
Roberto Egydio Setúbal
(Itaú Unibanco S.A.)
Tito Enrique da Silva Neto
(Banco ABC Brasil S.A.)
Wilson Massao Kazuhara
(Banco Votorantim S.A.)
14 Febraban – Relatório Anual 2009

Um plano integrado de
comunicação orienta o diálogo
com os stakeholders

Comunicação e engajamento
A comunicação da FEBRABAN com seus stakeholders foi
intensificada nos últimos anos. A partir de uma pesquisa
sobre a percepção dos seus públicos de relacionamento,
a entidade elaborou um plano integrado de comunicação
para fortalecer a imagem do setor bancário e da
federação, com monitoramento e análise sistemática das
iniciativas envolvendo ferramentas de relacionamento
com a mídia, relações públicas, propaganda e
comunicação com os funcionários do setor.

As diretrizes do plano contemplam o compromisso da


FEBRABAN com a transparência, concretizado por meio
de iniciativas que englobam os seguintes temas:

• Promoção da cidadania e educação financeira,


abrangendo microfinanças e bancarização, educação
financeira, Programa de Valorização da Diversidade e
Programa de Inclusão e Capacitação de Pessoas com
Deficiência;

• Diálogo com a sociedade, explorando e explicando a


economia bancária (juros, tarifas, crédito, concorrência,
filas), planos econômicos e a autorregulação para cartões;

• Compromisso com o desenvolvimento


socioeconômico sustentável, por meio da criação da
Brain (Brasil Investimentos & Negócios), em conjunto

Pesquisas indicam que a falta de informação com a BM&FBovespa e a Anbima (Associação


Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e
sobre os serviços prestados pelos bancos gera de Capitais). A agenda inclui, ainda, a Best (Brazil
problemas de relacionamento com os clientes Excellence in Securities Transactions), a expansão
do crédito de longo prazo e os protocolos e acordos
visando a práticas socioambientais;
Febraban – Relatório Anual 2009 15

GRI SO5: Posição e participação na elaboração de políticas públicas e lobbies

• Aperfeiçoamento do sistema financeiro nacional,


com benefício para a sociedade, como o Selo de As iniciativas dos bancos brasileiros no incentivo às políticas públicas são diversificadas, com diferentes focos
Autorregulação, o desenvolvimento de estudos para de atuação. Algumas se destacam pelo apoio e pela criação de projetos para benefício e desenvolvimento
a implementação do mobile payment e o lançamento das comunidades onde os bancos atuam, além de contribuir por meio de suas fundações e de seus institutos.
de novos serviços, como o Star (sistema que informa Em relação ao meio ambiente, o Protocolo Verde foi assinado pela FEBRABAN, junto do Ministério do Meio
tarifas de instituições financeiras) e o DDA (Débito Ambiente, para promover a sustentabilidade no setor financeiro.
Direto Autorizado).
Para apoiar o combate ao trabalho escravo nas operações e nas cadeias produtivas, alguns dos maiores bancos
Esse diálogo vem sendo realizado por meio de brasileiros participam do Comitê de Mercado de Capitais do Fórum Latino-Americano de Finanças Sustentáveis
participação em fóruns, eventos e congressos, (Lasff) e da Round Table on Responsible Soy – associação global sobre produção responsável de soja. Já no
atendimento à imprensa e disponibilidade de porta- combate à corrupção, há representantes dos bancos nas reuniões de elaboração da Estratégia Nacional de
-vozes, além da geração e divulgação de informações Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, inclusive como responsável pela execução de programas do
e notícias, pesquisas, comunicados e agenda da governo para o segmento de agronegócios do País.
entidade, por meio de site e outros canais de
comunicação, defendendo, assim, o respeito e a Os institutos e as fundações materializam o compromisso do setor com os maiores desafios do desenvolvimento
transparência em todos os relacionamentos. Em 2009, sustentável da sociedade e são importantes canais de posicionamento quanto às políticas públicas, investindo
foram realizados 29 congressos e seminários, com a em áreas como educação e democratização do acesso à cultura. São exemplos de ações estaduais as parcerias
presença de 7.911 participantes. para a inclusão digital, o incentivo às micro e pequenas empresas, o apoio à agricultura familiar e a promoção
da economia e da cultura de comunidades regionais – como a promoção da cidadania e da autonomia
O CMEP (Congresso Brasileiro de Meios Eletrônicos econômica das trabalhadoras rurais, dos assentados da reforma agrária, dos quilombolas, dos extrativistas, das
de Pagamento) – realizado em parceria com a Abecs pescadoras artesanais e das populações ribeirinhas.
(Associação Brasileira das Empresas de Cartões
de Crédito e Serviços) –, o Semarc (Seminário
de Marketing e Relacionamento com Clientes), Sugestão de pauta
o Seminário de Economia e o Fórum de Saúde
Ocupacional, assim como os Congressos FEBRABAN de A FEBRABAN deu início, em 2009, à divulgação de uma série de sugestões de pautas à imprensa,
Recursos Humanos, de Direito Bancário e de Auditoria conhecidas como “Você Sabia?”, com informações sobre como os clientes podem fazer melhor uso
Interna, Compliance e Gestão de Riscos, são eventos dos serviços bancários. Pesquisas da FEBRABAN indicam que a falta de informação sobre os serviços
tradicionais, que atraem um público qualificado e prestados por ela e pelas instituições financeiras é fonte comum de problemas de relacionamento dos
diversificado. Já o Ciab FEBRABAN – Congresso e clientes com os bancos. Exemplos de temas abordados no ano foram a utilização do cheque especial,
Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições a cobrança de tarifas e a segurança nos caixas eletrônicos. A utilização consciente do crédito também
Financeiras se tornou um fórum internacional de foi abordada, em especial com o lançamento do portal “Meu Bolso em Dia”, como parte do programa
excelência na discussão dos temas de negócios mais de educação financeira (saiba mais na pág. 37). A cada 40 dias, a FEBRABAN realiza também uma
importantes e atuais, além de ser berço de lançamento coletiva de imprensa, com conexão em sistema de teleconferência para todo o País, para a divulgação
das principais inovações tecnológicas do setor. da Pesquisa de Indicadores, realizada com os bancos associados, sobre as projeções de crescimento
econômico, a evolução do crédito e a taxa de juros, entre outras expectativas.
16 Febraban – Relatório Anual 2009

O Setor Bancário em 2009

16
Febraban – Relatório Anual 2009 17

Quando a solidez
faz a diferença
A forte capitalização e a baixa exposição A solidez do sistema financeiro foi fundamental para Em meio ao cenário de instabilidade, os bancos
dos bancos ao risco, aliadas a uma atenuar os efeitos da crise internacional na economia brasileiros demonstraram forte resiliência em 2009.
rigorosa regulamentação e às políticas brasileira. Enquanto nos Estados Unidos e na Europa os O setor não registrou problemas de insolvência,
anticíclicas do governo, foram decisivas bancos foram os geradores da instabilidade, as instituições como em outros países, nem interrompeu a oferta
para que o País superasse rapidamente financeiras no Brasil foram as aliadas do governo federal de crédito. Alguns fatores, como a forte capitalização
os efeitos da crise internacional. na administração da crise, contribuindo positivamente dos bancos, a pouca exposição ao risco em derivativos
para injetar dinheiro na economia. Mesmo em um cenário e em empréstimos imobiliários e a regulamentação
adverso, as operações de crédito, em 2009, somaram ampla e rigorosa realizada pelo Banco Central, explicam
R$ 1,4 trilhão. a robustez dos bancos com atuação local. Com isso,
o setor bancário brasileiro ganhou importância no
As redes de atendimento continuaram a se expandir, e cenário internacional, após a crise global.
as transações realizadas pelos bancos brasileiros, entre
as mais rápidas e eficientes do mundo, subiram 7% em É fato que o ritmo de crescimento dos bancos caiu
relação a 2008, chegando a 47,5 bilhões. O patrimônio em relação aos anos anteriores, que registraram
líquido somou R$ 293,8 bilhões. Os 50 maiores bancos rentabilidade média em torno de 20% do patrimônio,
brasileiros mantêm o Índice de Basileia em 19,8%, bem de acordo com o anuário Valor 1000. Em 2009, essa
acima do mínimo exigido, de 11%. Esse índice mede a rentabilidade ficou na faixa de 15%, segundo a revista
solidez dos bancos e é calculado pelo valor do patrimônio Exame, um resultado considerado bom, levando-se
líquido ajustado dividido pelo valor do ativo ponderado em conta que foi um ano de muita turbulência, com
pelo risco. No total, o setor encerrou 2009 com captação a economia mundial enfrentando dificuldades. Esse
de R$ 1,9 trilhão. O número de contas-correntes atingiu desempenho positivo do setor bancário é um indicador
133,6 milhões, aumento de 6,3% sobre o ano anterior, e importante de boa gestão. Além disso, uma série de
os clientes com conta poupança somaram 91,1 milhões, medidas adotadas pelo governo federal foi relevante
aumento de 1,2% no período. para o setor ultrapassar com relativa tranquilidade o
período mais conturbado da crise global.
Cenário econômico
Apesar dos inevitáveis reflexos ainda sentidos no primeiro Embora os bancos brasileiros não registrassem
semestre de 2009, o Brasil reagiu bem à crise financeira problemas de insolvência, o risco de liquidez era
global. O fato de a economia estar pouco alavancada, alto, particularmente entre os bancos médios e
apresentar indicadores estáveis e contar com reservas pequenos. Para fazer frente a isso, o Banco Central
cambiais adequadas ajudou a atenuar os efeitos externos e, realizou leilões de dólar e de swap de dólar, liberou o
a partir do segundo semestre do ano, a dar início à retomada depósito compulsório em dinheiro para a compra de
do crescimento, com o aumento da atividade econômica. carteira de CDB (Certificado de Depósito Bancário)
18 Febraban – Relatório Anual 2009

Evolução de clientes

Em milhões
Variação
Período 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
2009/2008
Contas-correntes (1) 63,7 71,5 77,3 87,0 90,2 95,1 102,6 112,1 125,7 133,6 6,3%
Movimentadas (1) 48,2 53,6 55,7 61,4 66,9 70,5 73,7 77,1 82,6 81,1 -1,8%
Não movimentadas (1 e 2) 15,5 17,9 21,6 25,6 23,3 24,6 28,9 35,0 43,1 52,5 21,8%
Clientes com contas de poupança (3)* 45,8 51,2 58,2 62,4 67,9 71,8 76,8 82,1 90,0 91,1 1,2%
Clientes com Internet banking (4)
8,3 8,8 9,2 11,7 18,1 26,3 27,3 29,8 32,3 35,1 9%
Pessoas físicas -  -  -  -  -  -  -  25,3 27,5 30,2 10%
Pessoas jurídicas  - -  -   -  - -  -  4,5 4,8 4,9 2%
Clientes com mobile banking (4)  - -  -  -  -  -  -  -  -  1,3 - 
Pessoas físicas -  -  -  -   - -   - -  -  1,3 - 
Pessoas jurídicas  -  -  -  -  -  -  - -  -  - - 

Fontes: (1) Banco Central do Brasil; (2) Contas inativas há mais de seis meses; (3) Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança); (4) FEBRABAN
*
Número de 2008 revisado pelo Bacen

Internacionalização

das instituições menores e autorizou a emissão de CDB


À medida que a economia brasileira cresce e se internacionaliza, os bancos
com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
também tendem a aumentar sua presença no exterior. Para viabilizar um projeto
Outros fatores relevantes no ano foram a aquisição da
multissetorial, que integre iniciativa privada e poder público para, no longo
Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, a abertura de capital prazo, consolidar o Brasil como polo internacional de investimentos e negócios na
realizada pelo Santander – esta foi a primeira vez que América Latina, foi criada a Brain (Brasil Investimentos & Negócios), em março
um banco de capital estrangeiro efetua tal operação – e de 2010. A iniciativa envolveu a FEBRABAN, a Associação Brasileira das Entidades
a queda do juro básico da economia, a Selic. dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) e a Bolsa de Valores,
Mercadorias & Futuros (BM&FBovespa).
As perspectivas do setor para 2010 são otimistas. A
previsão é de que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça A Brain foi criada para catalisar iniciativas e coordenar esforços dos diversos
cerca de 7%, puxado principalmente pelo consumo setores da economia, identificando problemas comuns e propondo soluções
e pelos investimentos. O País encontra-se em uma convergentes para qualificar o Brasil como uma ponte entre os mercados latino-
posição diferenciada, atraindo o capital externo. -americanos e os mercados mundiais. A associação também incentivará pesquisas
Nesse ambiente positivo, a preocupação é quanto ao e estudos, patrocinará fóruns de discussão, participará de entendimentos com o
aquecimento econômico, com a discussão centrada na poder público em todas as suas esferas e instâncias e buscará a aproximação dos
sustentabilidade desse crescimento. Os primeiros sinais interesses dos diversos setores da economia em torno de propostas convergentes.
apontam para pressão inflacionária, capacidade de
produção das indústrias próxima ao limite e aumento
no déficit em conta-corrente do País. Uma medida
esperada pelo setor para conter o consumo é a elevação
da Selic. A expectativa é de que a taxa encerre 2010
entre 11,75% e 12% ao ano.
Febraban – Relatório Anual 2009 19

Em meio ao cenário de
instabilidade, os bancos
brasileiros demonstraram
forte resiliência em 2009

GRI EC1: Distribuição do valor adicionado

Em R$ mil Part.%  Part.%   Part.%  Part.%   Part.% 


1. Distribuição do valor adicionado 2005 2006 2007 2008 2009

1.1 Recursos Humanos 33.055.399 37,9 36.661.986 39,6 45.510.058 33,2 51.978.955 37,2 50.995.808 35,5

1.1.1 Salários e honorários 18.577.723   20.180.641   24.620.044   27.094.797   27.950.836  

1.1.2 Encargos sociais (30%) 9.288.861   10.090.321   12.310.022   13.052.448   13.309.260  

1.1.3 Benefícios (10%) 3.096.287   3.363.440   4.103.341   4.350.816   4.436.420  

1.1.4 Participações (funcionários e minoritários) 2.092.528   3.027.584   4.476.651   7.480.894   5.299.292  

1.2 Governo 21.884.869 25,1 23.976.949 25,9 33.211.547 24,3 26.137.275 18,7 39.267.364 27,3

1.2.1 Despesas tributárias 7.914.813   9.135.230   12.014.572   10.944.112   13.564.856  

1.2.2 Imposto de renda e Contribuição social 7.003.410   7.273.979   11.964.458   5.403.827   15.720.563  

1.2.3 INSS sobre salário (22,5%) 6.966.646   7.567.740   9.232.517   9.789.336   9.981.945  

1.3 Líquido para acionistas 32.305.947 37,0 31.850.668 34,4 58.175.993 42,5 61.559.171 44,1 53.441.865 37,2

1.3.1 Dividendos distribuídos 8.292.455   8.256.006   14.626.988   15.723.382   14.171.459  

1.3.2 Lucro retido 24.877.366   24.768.017   43.880.963   48.266.540   40.664.627  

1.3.3 Prejuízos -863.874   -1.173.354   -331.958   -2.430.751   -1.394.222  

Valor adicionado bruto 87.246.215 100,0 92.489.603 100,0 136.897.598 100,0 139.675.401 100,0 143.705.036 100,0

Amostragem 127 bancos   146 bancos   150 bancos   150 bancos   157 bancos  
Fonte: Austin Asis
20 Febraban – Relatório Anual 2009

Evolução do crédito
O volume de crédito total no Brasil somou R$ 1,4 por parte do segmento pessoa física, e somaram
trilhão em 2009, um crescimento de 15,2% em relação R$ 459,8 bilhões, no ano passado. A política dos
a 2008. Com isso, o volume total das operações bancos públicos de elevar a oferta de recursos para
representou 45% do PIB em 2009, acima dos 40,8% empréstimos e financiamentos resultou na sua maior
do ano anterior. Esse desempenho, mesmo positivo, participação no segmento de crédito. A participação
ainda sentiu os impactos do cenário global. Até 2008, os de mercado dessas instituições no total das operações
recursos livres registravam aumentos acima de 25% ao de crédito subiu de 36% em 2008 para 42% no
ano. No caso das empresas, houve queda de 1,5% em ano passado.
2009, pois o segmento foi o mais afetado pela crise. Em
2009, os empréstimos referenciados em recursos livres Para 2010, as projeções apontam para uma expansão
totalizaram R$ 954,5 bilhões, 9,6% acima do registrado superior a 20% no total da carteira de crédito do
no ano anterior. Sistema Financeiro Nacional. É esperado um crescimento
mais significativo nos empréstimos com recursos livres
Já as operações de crédito direcionado aumentaram para pessoa jurídica, de 20,8%. O crédito destinado às
29,1%, sustentadas por maior renda e maior consumo pessoas físicas deve crescer na faixa de 20,7%.

Em R$ milhões
Crédito total Dez/03 Dez/04 Dez/05 Dez/06 Dez/07 Dez/08 Dez/09 Var. % 09/08
Recursos livres (1)
255.642 317.917 403.707 498.331 660.811 871.177 954.524 9,6%
Pessoa jurídica 154.638 179.355 212.976 260.363 343.250 476.890 469.863 -1,5%
Pessoa física 101.004 138.562 190.731 237.968 317.561 394.287 484.661 22,9%
Direcionados 162.617 180.805 203.317 234.259 275.163 356.117 459.820 29,1%
Habitação 23.673 24.694 28.125 34.479 43.583 59.714 87.361 46,3%
Rural 34.576 40.712 45.113 54.376 64.270 78.304 78.754 0,6%
BNDES 100.182 110.013 124.100 138.984 159.974 209.259 283.032 35,3%
Outros (2) 4.186 5.386 5.979 6.420 7.336 8.840 10.673 20,7%
Total 418.259 498.722 607.024 732.590 935.974 1.227.294 1.414.344 15,2%
Fonte: Banco Central
(1) Incluem leasing, cooperativas de crédito rural não direcionado e parcela das faturas de cartão de crédito não financiada
(2) Incluem créditos de bancos de desenvolvimento e agências de fomento
Febraban – Relatório Anual 2009 21

O volume de crédito chegou a Tempus magna libero nulla,


45% do PIB em 2009 tellus aliquet risus. Eget diam
vitae, ultrices wisi.

Distribuição do crédito – Pessoa física (recursos livres)

3% 1%
6%
16%

Aquisição de bens e leasing


Crédito pessoal e consignado
4%
Cooperativas
36%
Outros
Cheque especial
Financiamento imobiliário
Cartão de crédito

34%

Fonte: Banco Central do Brasil

Distribuição do crédito – Pessoa jurídica (recursos livres) Inadimplência

15% Por conta da crise internacional, a


inadimplência aumentou 5,5% em 2009,
1% puxada principalmente pelo segmento
3% Hot money, capital de giro e conta garantida de pessoas jurídicas, que registrou índice
Descontos de duplicatas e promissórias de 3,8% no ano passado, diante de 1,8%
54%
Leasing e aquisição de bens em 2008. O segmento de pessoas físicas
9%
Vendor encerrou o ano em 7,7%, ligeiramente
ACC e repasses externos abaixo dos 7,9% registrados em 2008.
2%
Financiamento a importações e outros Para 2010, o percentual esperado para a
Rural inadimplência é de 4,6%.
Outros
13%

3%

Fonte: Banco Central do Brasil


22 Febraban – Relatório Anual 2009

Bancos por origem de capital

Variação
Período 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
2009/2008
Número de bancos(1) 192 182 167 165 164 161 159 156 159 158 -0,6%
Privados nacionais com ou sem participação estrangeira 105 95 87 88 92 90 90 87 85 88 3,5%
Privados estrangeiros e com controle estrangeiro (2)
70 72 65 62 58 57 56 56 62 60 -3,2%
Públicos federais e estaduais(3) 17 15 15 15 14 14 13 13 12 10 -16,7%

Fonte: Banco Central do Brasil – Departamento de Organização do Sistema Financeiro


(1) Bancos múltiplos, bancos comerciais e Caixa Econômica
(2) Filiais de bancos estrangeiros e bancos múltiplos e comerciais com controle estrangeiro
(3) Caixas Econômicas Estaduais e Caixa Econômica Federal

Composição do spread bancário – 2008


Concorrência em alta Com o movimento de fusões e aquisições, o número de
O aumento da concorrência bancária está associado bancos registrou queda de 159, em 2008, para 158, no
ao recente movimento de concentração no setor. ano passado, retração de 0,6%. O setor está dividido em
Essa é a conclusão de um estudo da FEBRABAN, 88 bancos privados nacionais, com ou sem participação
divulgado em abril de 2010, que mostra que o estrangeira, 60 estrangeiros e/ou com controle
aumento na concentração bancária, ao contrário do estrangeiro e 10 públicos federais estrangeiros e com
11,8%
que possa sugerir, não reduziu a concorrência nem controle ou federais e estaduais, que tiveram 16,7% de
33,6%
gerou condutas menos competitivas no setor. Também redução em relação a 2008. O principal motivo foi a
constatou que a concentração não é alta no Brasil em aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil.
relação aos outros países.
Spread em queda
O estudo também não apontou evidências de que Ao lado das tarifas (veja mais na pág. 30), o spread 23,3%
o setor tenha uma rentabilidade fora dos padrões bancário é alvo de muitas discussões e análises. Para
internacionais. O indicador de retorno sobre o esclarecer a sociedade sobre o real comportamento
patrimônio (ROE) para a média do setor bancário dos spreads, a FEBRABAN vem divulgando, desde
brasileiro, em 2007, era de 14,9%, bem próximo ao novembro de 2009, estudos relativos ao spread
registrado para a média dos países de renda alta e média, bancário no Brasil, suas tendências de longo prazo, as
1,9%
de 14,7% em ambos os casos. A Tendências Consultoria questões metodológicas e a evolução recente.
Integrada foi a responsável pela elaboração do estudo,
29,4%
cuja coordenação foi realizada pelo coordenador técnico O levantamento, referente a março de 2010, mostra
e professor da FEA-USP Márcio Nakane. que permanece a tendência de queda nos spreads em
Fonte: Elaborado por FEBRABAN com dados do
Banco Central do Brasil

Composição do spread
Impostos

Uma série de variáveis compõem o spread bancário brasileiro. Entre elas, destacam-se os (encargos fiscais + FGC + impostos diretos)

depósitos compulsórios – a prazo e à vista. A incidência desses depósitos compulsórios no País Custos de direcionamento

é de 47%, enquanto na Argentina a alíquota é de 19% e, nos Estados Unidos, de 10%. Os cinco (compulsório + subsídios cruzados)

itens que fazem parte da composição do spread são: custos administrativos (11,8%), impostos Margem líquida, erros e omissões

(23,3%), custo de direcionamento (1,9%), margem líquida, erros e omissões (29,4%) e Inadimplência

inadimplência (33,6%). Custo administrativo


Febraban – Relatório Anual 2009 23

25,7%
foi o crescimento da rede
de atendimento bancário

Redes de atendimento
operações de crédito para pessoas físicas. Em janeiro atual. Também prevê, para os próximos meses, em expansão
de 2004, eles representavam 50% da taxa de juro mudanças mais lentas e de intensidade menor. Em O setor bancário está presente em todos os 5.657
cobrada, e caíram para 31,9%, em dezembro de 2007. relação ao longo prazo, o estudo mostra que, para municípios, de acordo com o Instituto Brasileiro de
Em dezembro de 2008, no auge da crise financeira reduzir os spreads, é preciso haver desoneração Geografia e Estatística (IBGE). Em 2009, a expansão da
internacional e da exposição ao risco, o spread subiu fiscal sobre o crédito, redução da inadimplência rede de atendimento foi de 25,7%, em relação a 2008.
para 44,9%. Em março de 2010, esse percentual foi e dos custos associados, redução dos depósitos O número de agências registrou aumento de 4,7%,
reduzido para 29,7%. compulsórios, queda nos custos administrativos, somando 20.046. Os correspondentes não bancários
inclusive nos associados à regulação, ambiente subiram de 108.074 no final de 2008 para 149.507 em
A conclusão do estudo aponta para spreads mais macroeconômico estável, ganhos de eficiência e 2009, o que representou aumento de 38,3%. O número
próximos do ponto de equilíbrio no cenário econômico de escala e avanços no marco regulatório. de postos eletrônicos cresceu 7,1%, totalizando 41.472.

Evolução da rede de atendimento

Variação
Período 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
2009/2008
Número de agências 16.396 16.841 17.049 16.829 17.260 17.627 18.087 18.572 19.142 20.046 4,7%

Postos tradicionais (1)


9.495 10.241 10.148 10.054 9.856 9.985 10.220 10.555 11.661 12.131 4,0%

Postos eletrônicos 14.453 16.748 22.428 24.367 25.595 30.112 32.776 34.669 38.710 41.472 7,1%

Correspondentes não bancários 13.731 18.653 32.511 36.474 46.035 69.546 73.031 95.849 108.074 149.507 38,3%

Total de dependências 54.075 62.483 82.136 87.724 98.746 127.270 134.114 159.645 177.587 223.156 25,7%

Fonte: Banco Central do Brasil/Desig


(1) Incluem postos de atendimento bancário (PAB), postos de arrecadação e pagamentos (PAP), postos avançados de atendimento (PAA), postos de atendimento cooperativo (PAC), postos de
atendimento ao microcrédito (PAM), postos avançados de crédito rural (Pacre), postos de compra de ouro (PCO) e unidades administrativas desmembradas (UAD)
24 Febraban – Relatório Anual 2009

Transações em elevação
Em 2009, foram realizadas 47,5 bilhões de transações As operações na “boca do caixa” têm menor peso,
bancárias, 7% acima do total registrado em 2008, como com participação de 9,2%, índice que já representou
reflexo do aumento da bancarização e da atividade 20%. As transações realizadas por correspondentes
econômica. O autoatendimento continua sendo o canal não bancários e em pontos de venda do comércio
mais utilizado pelos clientes, com 33,2% do total das apresentaram elevação de 20,1% e de 22,1%,
transações, seguido pelo Internet banking, com 19,6%. respectivamente.

 Transações bancárias por origem 2000  2001  2002  2003  2004 

Em milhões de transações Quant. Part. Quant. Part. Quant. Part. Quant. Part. Quant. Part.
Automáticas de origem externa (1) 557 2,8% 653 2,8% 599 2,8% 610 2,3% 667 2,2%
Automáticas de origem interna (2) 3.585 18,1% 3.805 16,2% 3.893 18,0% 6.758 25,7% 7.514 25,0%
Autoatendimento 6.616 33,5% 7.766 33,1% 6.094 28,2% 7.585 28,8% 9.891 32,9%
Com movimentação financeira (3)                      
Sem movimentação financeira (4)                      
Internet banking 729   1.484   2.109   2.631   3.906  
Internet banking pessoa jurídica 359 1,8% 664 2,8% 970 4,5% 1.174 4,5% 1.862 6,2%
Com movimentação financeira (5)                      
Sem movimentação financeira (6)                      
Internet banking pessoa física 370 1,9% 820 3,5% 1.139 5,3% 1.457 5,5% 2.045 6,8%
Com movimentação financeira (7)                      
Sem movimentação financeira (8)                      
POS – Pontos de Venda no Comércio (9)* 314 1,6% 380 1,6% 549 2,5% 581 2,2% 1.002 3,3%
Transações nos caixas de agências* 4.027 20,4% 5.188 22,1% 4.463 20,6% 4.451 16,9% 3.609 12,0%
Com movimentação financeira                      
Sem movimentação financeira (8)                      
Cheques compensados 2.638 13,3% 2.600 11,1% 2.397 11,1% 2.246 8,5% 2.107 7,0%
Call center 1.294   1.568   1.513   1.315   1.151  
Com intervenção de atendente 130 0,7% 242 1,0% 380 1,8% 321 1,2% 301 1,0%
Com atendente e com movimentação financeira                      
Com atendente e sem movimentação financeira                      
Call center (Unidade de Resposta Audível) 1.164 5,9% 1.326 5,7% 1.133 5,2% 994 3,8% 850 2,8%
Com movimentação financeira                      
Sem movimentação financeira                      
Correspondentes não bancários (10)             125 0,5% 187 0,6%
Com movimentação financeira                      
Sem movimentação financeira                      
Total 19.759 100,0% 23.444 100,0% 21.617 100,0% 26.302 100,0% 30.034 100,0%

Fonte: FEBRABAN
* Dados de 2008 retificados
(1) Débitos automáticos, crédito de salários, proventos de aposentadoria, DOCs, TEDs, cobranças etc.
(2) Tarifas, taxas, IOF, CPMF etc.
(3) Saques, depósitos, transferências, pagamento de contas e boletos bancários, resgates, investimentos etc.
(4) Consultas de saldo, extrato, bloqueio e desbloqueio de cheque etc.
Febraban – Relatório Anual 2009 25

O autoatendimento é o canal
mais utilizado pelos clientes, com
33,2% do total das transações

2005 2006 2007 2008 2009 Variação 2009/2008

Quant. Part. Quant. Part. Quant. Part. Quant. Part. Quant. Part.
1.412 4,0% 1.479 4,0% 1.748 4,3% 1.824 4,2% 2.217 4,7% 21,6%
8.639 24,6% 7.516 20,5% 7.961 19,4% 8.296 19,1% 8.496 17,9% 2,4%
10.790 30,7% 11.901 32,4% 13.735 33,5% 14.363 33,1% 15.811 33,2% 10,1%
      9.491 23,1% 9.595 22,1% 10.567 22,2% 10,1%
      4.244 10,3% 4.767 11,0% 5.243 11,0% 10,0%
5.849   6.163   6.937 16,9% 7.933 18,3% 9.338 19,6% 17,7%
2.682 7,6% 2.885 7,9% 3.479 8,5% 3.929 9,0% 4.758 10,0% 21,1%
      2.192 5,3% 2.367 5,5% 2.807 5,9% 18,6%
      1.287 3,1% 1.562 3,6% 1.951 4,1% 24,9%
3.167 9,0% 3.278 8,9% 3.458 8,4% 4.005 9,2% 4.579 9,6% 14,4%
      1.608 3,9% 1.727 4,0% 1.896 4,0% 9,8%
      1.850 4,5% 2.278 5,2% 2.684 5,6% 17,8%
1.117 3,2% 1.492 4,1% 1.700 4,1% 1.670 3,8% 2.038 4,3% 22,1%
3.719 10,6% 3.799 10,4% 4.281 10,4% 4.360 10,0% 4.357 9,2% -0,1%
      3.544 8,6% 3.747 8,6% 3.728 7,8% -0,5%
      737 1,8% 613 1,4% 629 1,3% 2,5%
1.940 5,5% 1.709 4,7% 1.533 3,7% 1.396 3,2% 1.235 2,6% -11,5%
1.362   1.194   1.319 3,2% 1.275 2,9% 1.292 2,7% 1,4%
348 1,0% 393 1,1% 445 1,1% 468 1,1% 521 1,1% 11,4%
      131 0,3% 111 0,3% 93 0,2% -15,5%
      314 0,8% 357 0,8% 428 0,9% 19,7%
1.014 2,9% 801 2,2% 874 2,1% 807 1,9% 771 1,6% -4,4%
      220 0,5% 218 0,5% 138 0,3% -37,0%
      654 1,6% 588 1,4% 634 1,3% 7,7%
296 0,8% 1.429 3,9% 1.845 4,5% 2.307 5,3% 2.772 5,8% 20,1%
      1.672 4,1% 2.133 4,9% 2.572 5,4% 20,6%
      173 0,4% 174 0,4% 200 0,4% 14,5%
35.124 100,0% 36.682 100,0% 41.059 100,0% 43.425 100,0% 47.555 100,0% 7,0%

(5) Transferências, pagamentos, investimentos, financiamentos etc.


(6) Consultas em geral, solicitações, remessas de arquivos, instruções de cobrança etc.
(7) Transferências, pagamentos, investimentos, empréstimos, agendamentos de transações etc.
(8) Consultas em geral, solicitações, desbloqueios, senhas etc.
(9) Pagamentos no comércio em lojas, supermercados, postos de gasolina etc.
(10) Estabelecimentos comerciais, correios, casas lotéricas etc.
26 Febraban – Relatório Anual 2009

2,5 bilhões
de transações com
cartões de crédito

Variação
Período Unidade 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
2009/2008

Cartões de crédito milhões 29 38 42 45 53 68 82 104 124 136 10%

Transações com cartões de crédito bilhões 0,6 0,7 0,8 0,9 1,1 1,3 1,6 1,9 2,2 2,5 14%

Valor total de transações com cartões R$ bilhões 45 60 69 83 95 115 142 174 215 256 19%

Fonte: Abecs – Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços

Pagamentos com celular

O crescente uso dos cartões de débito e de crédito


A FEBRABAN está estudando a padronização de uma plataforma tecnológica, como meio de pagamento provocou redução na
para a utilização por todo o mercado, que poderá aumentar a oferta dos serviços utilização de cheques, cuja compensação está em queda
de pagamentos via celular (mobile payments, ou m-payment) no Brasil. Hoje, nos últimos anos. Em 2009, foram compensados 1,2
pelos dados da entidade, há 1,3 milhão de clientes pessoa física usuários do bilhão de cheques, contra 1,3 bilhão registrados em
serviço. A padronização é necessária porque existem vários modelos no mercado 2008. No total das transações, os cheques compensados
– japonês, asiático, filipino, queniano – e diversas tecnologias, como a NFC (Near representam apenas 2,6%, percentual que superava 13%
Field Communication), para o pagamento sem contato, apenas por proximidade em 2000. As transações com cartão de crédito chegaram
(modelo japonês), mensagens SMS, WAP e Browsers. a 2,5 bilhões, aumento de 14% sobre o volume de 2008.
Em valores, essas operações cresceram 19%, subindo
A definição de um padrão tecnológico deverá ser norteada pelas características de de R$ 215 bilhões em 2008 para R$ 256 bilhões no
formalização das operações, observação dos melhores princípios de governança, ano passado. O valor médio das transações, em 2009,
segurança, facilidade no uso e garantia de inclusão financeira da população. superou a cifra de R$ 100, enquanto o gasto médio
mensal ficou em R$ 156 por cartão.
Febraban – Relatório Anual 2009 27

O Débito Direto Autorizado


(DDA) é um exemplo de
vanguarda e eficiência do setor
bancário brasileiro

Eficiência na vanguarda
As transações realizadas pelo sistema financeiro O serviço proporciona ao cobrador (cedente)
brasileiro estão entre as mais eficientes, seguras e comodidade (ao ter todas as informações num único
confiáveis do mundo. Para se ter uma ideia, as TEDs são lugar), agilidade (o ciclo comercial poderá ser reduzido
realizadas online em tempo real; os DOCs, em um dia para dois dias), rapidez, certeza da entrega, integridade
útil; e a compensação de cheques, em 24 horas a 48 dos dados e segurança e facilidade no envio de
horas, mesmo em relação a cidades distantes entre si. instruções. Para o pagador (sacado), os benefícios são
Em outros países, como nos Estados Unidos, esse prazo facilidade de acesso, sigilo, segurança e certeza do
pode superar uma semana. Tal agilidade é resultado recebimento – e em tempo –, além de automação do
de três décadas de investimentos em infraestrutura processo da área de contas a pagar, no caso específico
logística e do uso constante da tecnologia da de empresas.
informação nos sistemas e nos processos. Nos anos
80, período marcado pelas altas taxas de inflação,
os bancos passaram a aumentar a velocidade e a
eficiência do processamento das transações financeiras.
Mesmo com a estabilização monetária, a partir de
1994, continuaram agregando inovações. Em 2009, os
investimentos em tecnologia da informação superaram
a cifra de R$ 19,4 bilhões, um aumento de 6% em
relação ao ano anterior. As despesas correntes, que Nos seis primeiros meses de operação, o DDA registrou
representam 75% desse montante e são direcionadas um total de 3,5 milhões de clientes cadastrados e 85
para o atendimento da crescente demanda por serviços, milhões de boletos eletrônicos gerados. Essa marca
cresceram 22% no período. superou as expectativas, que inicialmente eram de
alcançar esses montantes em 11 meses. No total,
O Débito Direto Autorizado (DDA), lançado em novembro 33 bancos integram o DDA, responsáveis por 99,2%
de 2009, é um exemplo recente da vanguarda do setor. do volume de boletos emitidos no Brasil, e estão
Trata-se de um sistema inédito no mundo que permite trabalhando para conscientizar seus clientes sobre as
a apresentação eletrônica de boletos de cobrança. O vantagens de aderir ao DDA. A previsão da FEBRABAN
sistema foi desenvolvido pela FEBRABAN, com o apoio é de que, em três anos, 50% dos boletos de cobrança
do Banco Central, tendo a CIP (Câmara Interbancária de sejam eletrônicos. Atualmente, esse percentual está
Pagamentos) como seu braço tecnológico. entre 7% e 8%.
28 Febraban – Relatório Anual 2009

Atendimento e Serviços a Clientes

28
Febraban – Relatório Anual 2009 29

Ajustes de rota
Os bancos trabalham para adotar uma A FEBRABAN intensificou, nos últimos anos, o Até dezembro de 2009, aderiram ao Sistema de
atitude mais equilibrada na construção desenvolvimento de ações que imprimem maior Autorregulação Bancária o Banco do Brasil, a Nossa Caixa,
de relações com seus clientes, buscando transparência, visando à melhoria do relacionamento o Banpará, o BIC, o Bradesco, a Caixa Econômica Federal,
a excelência nos serviços prestados e na com seus clientes. Essa trajetória ganhou força, o Citi, o HSBC, o Itaú Unibanco, o Santander, o Safra, o
gestão dos canais de atendimento. especialmente, a partir de 2007, com o lançamento Sicredi, o Toyota e o Votorantim. Além do próprio Código
do Star (Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços de Autorregulação, que define as bases de operação
Financeiros), e, em dezembro de 2008, passou a do sistema, já foram implementadas oito normas, que
contar com mais um importante aliado: o Sistema de regulam, de forma voluntária, a conduta dos bancos nos
Autorregulação Bancária. seguintes aspectos:

Com regras norteadas pela ética e pela legalidade, • Atendimento: nas agências, por telefone, no caixa
pelo respeito ao consumidor, pela comunicação eletrônico, na Internet e pela Ouvidoria;
eficiente e pela melhoria contínua, o sistema de
autorregulação formaliza os princípios comuns a todo • Oferta e publicidade: práticas comerciais, taxa de
o setor bancário no que se refere ao cliente pessoa juros e tarifas;
física. A elaboração das regras foi baseada nas leis e
nos regulamentos do Sistema Financeiro Nacional, • Contratação: procedimentos e cancelamento de contratos;
nos princípios do Código de Defesa do Consumidor
e nas demandas dos clientes registradas nos canais • Conta-corrente: abertura de contas, conta simplificada e
de atendimento dos bancos e nos Procons de todo conta especial de registro de salário;
o País. O sistema é monitorado pelo Conselho de
Autorregulação da FEBRABAN (saiba mais na pág. 11). • Movimentação de conta-corrente: extrato bancário,
depósito e transferência de valores, débito automático e
O projeto de autorregulação é de longo prazo cartão de crédito;
e pretende complementar a regulação vigente,
especificando as condutas que devem ser seguidas • Encerramento de conta: encerramento de conta sem
pelo setor bancário. Em 2009, as estruturas movimentação espontânea ou iniciativa do consumidor,
normativas foram ampliadas, e os primeiros encerramento de conta por iniciativa do banco;
processos de supervisão começaram a ser
executados em 2010, incluindo a criação de uma • Crédito: dificuldades financeiras, cadastro e serviços de
central de atendimento que atuará como um canal proteção ao crédito;
de denúncias para os consumidores que quiserem
comunicar à FEBRABAN eventuais infrações dos • Sigilo e segurança: confidencialidade, segurança de
bancos às normas de autorregulação. informações e operações e responsabilidade por perdas.
30 Febraban – Relatório Anual 2009

Ações de atendimento bancário

Sistema “STAR” Canais de atendimento Encerramento de Sistema Diretiva de atendimento


conta-corrente “BuscaBanco” em agências
09/2007 09/2007
Ferramenta, no site da Numa só página no site da Febraban, 01/2008 06/2008 12/2008
Febraban na Internet, de o consumidor tem informações Lançamento do Roteiro Localização Lançamento da Diretiva de
informação ao consumidor sobre sobre o acesso aos diversos canais de de Procedimentos para o imediata, pelo site Atendimento em Agências,
tarifas de serviços bancários. atendimento de mais de 30 bancos. Encerramento de Contas- da Febraban, de estabelecendo novos e
Permite a comparação, numa só Estão disponíveis endereços eletrônicos, correntes, que busca qualquer agência ou mais elevados padrões de
tela, dos valores praticados para números de telefone e horários de padronizar o serviço em posto de atendimento atendimento na rede de
um mesmo serviço por mais de funcionamento de atendimentos pela todo o sistema bancário. bancário, em todas as agências bancárias.
30 bancos. Internet, SACs e ouvidorias. cidades do País.

Star

Antes mesmo que a regulamentação sobre tarifas entrasse em vigor, a FEBRABAN


já havia lançado, em setembro de 2007, o Star (Sistema de Divulgação de
Tarifas de Serviços Financeiros). O sistema, disponível na Internet e que recebe
aproximadamente 3 milhões de visitas ao ano, fornece informações e permite a
comparabilidade entre tarifas de serviços praticadas por 30 bancos. O consumidor
tem acesso aos valores individuais de serviços e dos pacotes e à indicação sobre o
que é gratuito, além de um simulador que permite ao cliente estimar o quanto ele Tarifas: o que são
vai pagar pela utilização dos serviços adicionais que pretende utilizar. e por que cobrá-las
Um dos temas de maior visibilidade na relação dos
Inicialmente, foram identificados os 46 serviços mais utilizados pelos clientes bancos com o consumidor é a cobrança de tarifas.
pessoa física. Desde 2008, a classificação segue uma norma do Banco Central para Atualmente, existe um vasto leque de serviços prestados
tais serviços, que estabeleceu quatro grupos: essenciais, prioritários, especiais e pelas instituições financeiras, que vai desde crédito de
diferenciados. No site www.febraban-star.org.br estão os preços de tabela, ou seja, salários, transferências eletrônicas disponíveis (TEDs) e
sem eventuais descontos que as instituições podem dar aos clientes, bem como agendamento de transações e investimentos até saques,
a regulamentação existente. Para 2010, a meta é incluir no sistema os preços dos depósitos e pagamentos de aposentadorias. A busca por
pacotes oferecidos pelas instituições.
esses serviços cresceu significativamente nos últimos
anos. Em 2009, as transações realizadas em bancos
somaram 47,5 bilhões, crescimento de 7% sobre 2008.

Como toda prestação de serviços, aqueles oferecidos


pelos bancos também são tarifados. Por muitos anos,
na época da hiperinflação, não era possível calcular com
segurança o real custo dessas ofertas. A partir de 1994,
com a estabilização monetária, foi possível fazer essa
mensuração e iniciar a cobrança pelos serviços prestados,
de forma clara e justa, buscando o equilíbrio econômico-
financeiro do negócio.

A última regulamentação sobre cobrança de tarifas foi


editada pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco
Central em dezembro de 2007, entrando em vigor em
abril de 2008. As medidas padronizaram a nomenclatura
dos serviços mais utilizados pelas pessoas físicas e a
que as tarifas se referem. Além disso, foram definidos
os serviços essenciais gratuitos, tanto os relacionados
à conta-corrente – como fornecimento de cartão de
Febraban – Relatório Anual 2009 31

Autorregulação Workshop “Aprimorando o Campanha “Falando Cartilha “Use Melhor o seu


bancária Atendimento nas Agências Bancárias” com seu Banco” Banco”

01/2009 03/2009 03/2009 04/2009


Todos os normativos Evento voltado a gestores de qualidade Anúncios no rádio e na mídia Dirigida ao público em geral, com
do Sistema, na de rede de agências e de varejo, para impressa que incentivam a orientações e dicas para melhor
íntegra, no site da mostrar em detalhes o trabalho em população a utilizar os canais utilização dos serviços prestados
Febraban, para parceria com o Sistema Nacional de Defesa de comunicação que os bancos pelos bancos, de modo a propiciar um
pleno acesso por do Consumidor. Nele foi apresentada colocam à disposição de seus atendimento mais célere e eficaz.
todos os usuários e discutida a “Diretiva de Atendimento clientes, como as agências, os
da rede. em Agências Bancárias”. SACs e as ouvidorias.

As tarifas cobradas pelos bancos como remuneração dos serviços prestados


são distribuídas para outros agentes econômicos, ou seja, eles não ficam com
todo o recurso. De cada R$ 1 recebido em receitas brutas de tarifas, apenas
12% a 15% são revertidos, efetivamente, em lucro líquido para os bancos

Canais de solução
débito e dois extratos mensais – como aqueles ligados da conta poupança (diminuição de 5,8% para as Construir e manter um relacionamento transparente
à poupança, como consultas via Internet e dois saques transações realizadas nos caixas das agências e de entre o setor e o Sistema Nacional de Defesa do
mensais. As novas regras determinam que os valores 8,2%, nos caixas eletrônicos); extrato mensal de Consumidor (SNDC) também está entre as metas
podem ser alterados a cada seis meses e que a criação de conta-corrente ou conta poupança no caixa das da FEBRABAN. Para isso, promove a aproximação
novas tarifas só pode ocorrer com a aprovação do Banco agências (15,8%); e segunda via de cartão de débito e o debate constante de ideias com o SNDC,
Central. Os principais objetivos da regulamentação foram (10,9%). No intervalo de tempo avaliado, apenas seis participando ativamente de todos os eventos e
possibilitar a comparação entre os serviços oferecidos serviços registraram aumento nas tarifas, como a fóruns direcionados aos direitos dos consumidores.
pelos bancos e, assim, aumentar a transparência para as confecção de cadastro para início de relacionamento A contratação de profissionais com experiência no
pessoas físicas e a escolha consciente entre as ofertas (56,2%) e o adiantamento a depositantes (4,2%). tema para ocupar cargos executivos na entidade
disponíveis. A regulamentação não impede os bancos de Para um serviço (emissão de folha de cheque), a tem contribuído para a construção do diálogo e a
criar pacotes específicos para atender às necessidades variação foi zero. Para efeito de comparação, no promoção de uma prestação de serviços dentro dos
de cada público, às suas estratégias de marketing e à período de abril de 2008 a março de 2010, a inflação, padrões de conduta que os clientes querem e de
demanda de seus clientes. Com isso, a concorrência medida pelo IPCA, do IBGE, foi de 10,5%. que precisam.
manteve-se acirrada.
Outro ponto relevante é o questionamento quanto A implementação das ouvidorias, criadas pelo Banco
Após dois anos de vigência da regulamentação, um à participação das tarifas cobradas de pessoas Central em 2007, e as mudanças do SAC (Serviço de
levantamento elaborado pela FEBRABAN com 20 físicas em relação às receitas totais das instituições Atendimento ao Consumidor), regulamentado pelo
instituições financeiras apontou um balanço geral do financeiras. Segundo cálculos dos grandes bancos Decreto 6.523, em 2008, são exemplos de como os
comportamento das tarifas bancárias no período. Dos que atuam no varejo, elas representam apenas um bancos estão trabalhando para rever seu papel e suas
30 serviços bancários cuja cobrança foi regulamentada, terço da receita total com tarifas. A maior parte responsabilidades na defesa do consumidor, em uma
23 registraram redução de tarifas. Os destaques das receitas provém, na verdade, de serviços que atitude positiva em relação à busca de excelência
foram os serviços de transferências entre contas de têm crescido de forma expressiva nos últimos anos, nos serviços prestados. Os resultados dos esforços
uma mesma instituição financeira no terminal de como arrecadação, administração de recursos de de adequação às novas regulamentações já
autoatendimento e em outros meios eletrônicos terceiros, lançamento de ações, debêntures e notas começaram a render bons frutos. O diálogo e a
(redução de 42,8%). promissórias e operações de comércio exterior e construção de soluções conjuntas para os principais
câmbio, como resultado da abertura e da maior problemas identificados representam fatores
As tarifas de outros serviços bastante utilizados pelos exposição da economia brasileira ao mercado de primordiais desta nova etapa de relacionamento
clientes também caíram: saque da conta-corrente e capitais e ao comércio internacional. entre os bancos e o SNDC.
32 Febraban – Relatório Anual 2009

Ainda há grandes desafios


para melhorar a comunicação
com os clientes

BuscaBanco

O serviço BuscaBanco (www.febraban.org.br/buscabanco), da FEBRABAN,


registrou 4,8 milhões de acessos em 2009, um aumento de mais de 70% A FEBRABAN reconhece que ainda há grandes
sobre os 2,8 milhões registrados em 2008. A ferramenta foi criada em 2007, desafios, como melhorar a comunicação com os
para fornecer informações a respeito de feriados bancários e localização clientes. Em 2009, o lançamento das campanhas
de agências e postos de atendimento. Por meio de mapas e serviços de publicitárias “Falando com seu Banco” e “Fala que eu
localização por satélite, os usuários podem identificar o endereço das cerca Resolvo” procurou demonstrar a disposição dos bancos
de 19 mil agências e dos 41 mil postos de atendimento, com a opção de não só em resolver os problemas gerados na prestação
seleção por banco. de serviços, mas também em oferecer fácil acesso
às soluções. Por isso, foram apontadas as diferenças
entre os diversos canais de atendimento disponíveis.
Fundamentalmente, o atendimento telefônico é muito
utilizado para se fazer negócios ou operações do dia
a dia – é o chamado “banco por telefone”. Já o SAC
tem como função receber reclamações e pedidos de
cancelamentos e dar esclarecimentos sobre produtos e
serviços ofertados ou contratados.

Atualmente, do total de
ligações recebidas pelos
SACs dos bancos, as
reclamações representam
apenas entre 5% e 8% das
demandas dos clientes
Com relação às ouvidorias, o foco da FEBRABAN
é entender a dinâmica das reclamações. Os temas
que ganham dimensão sistêmica são tratados
pelas comissões da entidade, como é o caso do uso
consciente do crédito (saiba mais na pág. 37). A
meta é criar um sistema de indicadores setoriais de
desempenho dos serviços de atendimento aos clientes
e, assim, poder monitorar de perto os principais
Febraban – Relatório Anual 2009 33

6,7
é a satisfação
média dos clientes com os serviços
prestados pelas ouvidorias

problemas. Uma pesquisa inicial, realizada em 2009,


pelo Instituto GfK Brasil, com uma amostra de 851
pessoas, identificou que a satisfação média dos clientes
com o atendimento prestado pelas ouvidorias é de
6,7, numa escala de 0 a 10 pontos. Apesar disso, a
satisfação desses clientes com relação ao atendimento
do seu banco de forma geral é de 5,8. O principal
motivo de reclamação está relacionado à deficiência
no atendimento prestado na agência, seguido do canal
telefônico. Outros motivos, em ordem de importância,
foram tarifas e assemelhados, conta-corrente, cartão de
crédito e operação de crédito.
34 Febraban – Relatório Anual 2009

EXE
• Co MPLOS:
n
sald sulta de
• Saq os
• Tra ues
n
• Ap sferênc
li ia
• Ped cações s
de c ido de ta
hequ l
es ão
1
O cliente deve
optar pelo canal
de relacionamento
com o banco, de
acordo com sua
2 Nos dois casos, o cliente
pode optar pela rede
bancária ou pelo site do
banco na internet

3
necessidade

Caso o cliente
opte por entrar
EXECUÇÃO em contato
com o banco Custo da Horário de Identificação Atendimento
REGULAR por telefone, chamada funcionamento
DE SERVIÇOS há dois tipos de
canais distintos:

Ligação A critério Número da agência, Ênfase no


BANCO tarifada e/ou de cada conta, senha atendimento
gratuita instituição pessoal, entre eletrônico
POR TELEFONE outros dispositivos
S re c.
PLO es sob fas et s de segurança
EXEMlamaçõnto, tari produto
• Recendime ento de
a t am s
ncel Ligação gratuita 24 horas por dia, Não há obrigatoriedade Ênfase no
• Ca serviço obre o e diariamente de identificação prévia atendimento pessoal
ou das s nto d ços
vi e ervi SAC
• Dúncionam e para ter acesso ao através de contato
us es d
fu dutos o telefons
Agências

Sites dos
bancos

Caixas
eletrônicos

e atendimento direto com operador


o
pr reços ncári a
e ba
• Endências

5
ag

4
Para todas as
reclamações e pedidos de
PROBLEMA cancelamento, o cliente
OUVIDORIA receberá um número de
Representa os NÃO protocolo, para que possa
interesses dos RESOLVIDO acompanhar o andamento
consumidores do processo. O banco tem
até cinco dias úteis para
SOLUÇÃO DE dentro da fornecer uma resposta à
PROBLEMAS instituição. É demanda do cliente
também a última
instância de solução
dos problemas
não resolvidos nos
canais anteriores
Febraban – Relatório Anual 2009 35

O treinamento e capacitação
dos vigilantes das agências
é um dos pontos de atenção
dos bancos

Combate aos crimes virtuais

Os bancos brasileiros investem,


anualmente, cerca de R$ 1,5 bilhão em
sistemas de segurança eletrônica, o que
Segurança dos clientes dos comandantes dos batalhões responsáveis pelo inclui o desenvolvimento e a distribuição
Os investimentos do setor bancário na segurança física policiamento nas regiões onde os bancos estão presentes. de mecanismos geradores de senhas
de seus clientes e funcionários superaram os R$ 7,5 instantâneas (tokens), cartões com chips
bilhões, em 2009. O resultado é a redução em 73% no O treinamento e capacitação dos vigilantes também e equipamentos identificadores a partir
número de casos de roubos a bancos, de 2000 a 2009. é um dos pontos de atenção do setor. Os cursos de de biometria. Por meio de uma comissão
Os investimentos têm como foco o trabalho preventivo formação são regulamentados pela Polícia Federal, que técnica específica sobre o tema e de suas
e visam criar cada vez mais dificuldades aos criminosos. determina a reciclagem desses profissionais a cada dois subcomissões, os bancos trocam informações
anos. A grade curricular também prevê a qualificação e discutem as medidas que precisam ser
O sistema de segurança das agências bancárias está dos vigilantes em temas como direitos humanos e adotadas para conter o volume de fraudes e a
disciplinado na lei federal nº 7.102/83 e é fiscalizado, relações humanas no trabalho. Adicionalmente, os ação criminosa de hackers.
anualmente, pelo Departamento de Polícia Federal. bancos ministram palestras e formações específicas, de
A FEBRABAN mantém uma comissão técnica de acordo com suas políticas individuais de segurança. Em dezembro de 2009, a FEBRABAN assinou
assuntos de segurança patrimonial que, entre outras um convênio com a Polícia Federal para a
questões, discute práticas e procedimentos relativos Mesmo com todas essas iniciativas, muitos infratores troca de informações sobre a ocorrência
à segurança nas agências. A entidade e os bancos ficam à espera de um consumidor desatento que possa de crimes eletrônicos em todo o território
associados têm trabalhado em estreita parceria com os ser abordado. Por isso, a FEBRABAN tem buscado nacional, possibilitando o rastreamento de
órgãos policiais na prevenção e repressão dos crimes. reforçar a orientação aos clientes bancários para que toda a transação. O fato de o Brasil ainda não
Em 2009, em parceria com a Polícia Militar do Estado adotem uma atitude segura na utilização dos serviços, possuir uma lei que reconheça, especifique e
de São Paulo, implementou o programa Conheça o seu seja dentro das agências ou fora delas, como nos caixas tipifique as fraudes virtuais dificulta as ações
Oficial, buscando aproximar os gerentes das agências eletrônicos e ATMs. de combate e prevenção a esses crimes.

Do ponto de vista do consumidor, a


FEBRABAN vem realizando um intenso
trabalho de divulgação na imprensa, com
GRI PR6 e PR7: Códigos voluntários de comunicação de marketing orientações sobre o uso seguro dos serviços,
alertas sobre e-mails suspeitos e uso correto
Os bancos seguem as diretrizes do Conselho de Autorregulamentação Publicitária de senhas e recomendação para que os
(Conar) e também dos órgãos de regulamentação do setor financeiro. Alguns bancos clientes não façam transações em lan houses.
delegados com serviços públicos seguem também as diretrizes estabelecidas pelo
governo federal. Em 2009, não houve casos de não conformidade com regulamentos
e códigos voluntários relativos à comunicação de marketing.
36 Febraban – Relatório Anual 2009

Inclusão Financeira

36
Febraban – Relatório Anual 2009 37

Educação já O crescimento da economia e a implementação de Para a FEBRABAN, o acesso ao crédito e aos serviços
programas sociais pelo governo estão permitindo ao bancários é, sem dúvida, uma ferramenta de inclusão
Para prestar serviços à sociedade Brasil viver uma grande evolução social, marcada pelo social. Com essa visão, a entidade exerce um papel de
e prevenir e combater o aumento nos níveis de emprego e pela elevação do coordenação e compartilhamento de práticas e desafios
superendividamento, um dos efeitos poder aquisitivo das classes mais baixas, fomentando comuns, no que se refere a estimular os bancos a
colaterais da forte expansão do o consumo interno das famílias. A emergente classe oferecer produtos mais adequados aos vários perfis de
crédito, a FEBRABAN propõe a C lidera esse movimento, graças à maior renda e clientes. Uma das ferramentas que ajudam a nortear
disseminação de uma nova cultura ao acesso à educação, fatores que provocaram uma esse processo é a adesão dos bancos a compromissos
de educação financeira. mudança em seus hábitos e a tornaram apta a utilizar e pactos voluntários (saiba mais na pág. 45) que
mais serviços, inclusive os financeiros. contribuem para o desenvolvimento de práticas,
produtos e serviços sustentáveis.
A crescente bancarização pode ser constatada pela
evolução no número de contas-correntes, que subiu de Ainda assim, é preciso reconhecer que o efeito colateral
63,7 milhões em 2000 para 133,6 milhões em 2009. O do aumento expressivo do acesso ao crédito pode ser
acesso ao crédito para pessoa física também aumentou: o superendividamento, que compromete a capacidade
representava 5,5% do PIB em janeiro de 2001 e, em de pagamento dos cidadãos. O consumidor brasileiro
janeiro de 2010, correspondia a 14,7%. Uma pesquisa acredita que sua vida melhorou e que vai continuar
realizada pelo Datapopular em 2009, com pessoas de melhorando nos próximos anos. Esse otimismo quanto
mais de 16 anos, mostra que, do total de contas- ao futuro estimula as compras a prazo e desperta a
-correntes, 60,2% pertencem à classe C; 25,3%, à classe necessidade de um planejamento maior dos gastos
D/E; e 14,5%, à A/B. A classe C também lidera em outros e de controle dos diferentes meios de pagamento. As
serviços: poupança (57,8%), cartões (61%), planos de estratégias de educação financeira não podem, portanto,
saúde (63,6%) e seguros (61,9%). caminhar na direção contrária a esse otimismo.

A bancarização de 2003 a 2009


Maior acesso
223 mil pontos de atendimento ao público (+154%)
136 milhões de cartões de crédito (+203%)
35,1 milhões de clientes com acesso à Internet (+200%)
Maior bancarização
133,6 milhões de contas-correntes (+54%)
91,1 milhões de clientes de poupança (+46%)
2,5 bilhões de transações com cartões de crédito (+188%)
47,5 bilhões de transações bancárias (+81%)
3 bilhões de transações de utilidade pública (+31%)
38 Febraban – Relatório Anual 2009

A FEBRABAN propõe disseminar


uma nova cultura no que se
refere à educação financeira

Variação 2009/2008 Evolução das contas simplificadas


Serviços à sociedade
Por meio da estruturação de uma nova proposta de
educação corporativa, composta por quatro frentes de
atuação, que atendem a públicos distintos (veja box na
2%
10.037 pág. 39), a FEBRABAN propõe disseminar uma nova
9.872
cultura no que se refere à educação financeira. A intenção
Abertas 7.622 é direcionar esforços para a prestação de serviços à
6.292 6.793 sociedade, definida como um dos pilares estratégicos
no fortalecimento da imagem da FEBRABAN e do setor
4.021 5.772 5.714 bancário, de acordo com os resultados de uma pesquisa
-1%
Ativas 4.467 4.590 4.488 de opinião realizada com os principais stakeholders da
3.884
entidade. Em 2009, a iniciativa levou à realização de 42
cursos, que reuniram 2.068 participantes.
Dez/04 Dez/05 Dez/06 Dez/07 Dez/08 Dez/09

O desenvolvimento do projeto, conduzido com a


Fonte: Bacen/Microfinanças
consultoria de Marisa Pereira Eboli, professora doutora
da Universidade de São Paulo (USP), ainda levou em
consideração a experiência acumulada desde 1976
pelo Instituto Brasileiro de Ciências Bancárias (IBCB) na
formação técnica de profissionais do setor (saiba mais
na pág. 54) e, principalmente, o reconhecimento da
importância de orientar os novos clientes, provenientes do
processo de bancarização, sobre como ter uma boa relação
com o dinheiro e estabelecer um canal de diálogo aberto e
transparente com seu banco sobre os produtos e serviços
ofertados, diminuindo, assim, os índices de reclamações.

Na prática, as iniciativas de orientação financeira


existentes hoje para esse público ainda são muito
focadas em ações de consultoria financeira, que fogem
à realidade da maior parte da população. Por isso, a
FEBRABAN lançou, em março de 2010, o portal Meu
Bolso em Dia (www.meubolsoemdia.com.br), para ajudar
pessoas e famílias a administrar sua vida financeira de
forma consciente, produtiva e saudável. A inovação está
no fato de aliar educação com práticas de consumo, em
uma linguagem acessível.
Febraban – Relatório Anual 2009 39

R$ 7 milhões
investidos no desenvolvimento do
portal Meu Bolso em Dia

As quatro escolas

O programa, primeira iniciativa da escola de Cidadania A FEBRABAN investiu R$ 7 milhões no desenvolvimento


Financeira, foi orientado e ganhou consistência a partir do portal. O próximo passo é levar esses ensinamentos Escola de Formação Profissional: destinada aos
de subsídios obtidos por meio de pesquisa qualitativa para as escolas públicas. Um projeto piloto, do governo bancários e demais públicos corporativos, essa
realizada pelo Data Popular, com 400 consumidores, que federal, está capacitando 3 mil professores em 800 escola forma o profissional nas competências
procurou identificar e entender os hábitos de consumo escolas de ensino médio de São Paulo, Minas Gerais, técnicas e comportamentais ligadas ao setor
e de uso do dinheiro por parte da população. Com Tocantins, Brasília, Rio de Janeiro e Ceará, como parte financeiro e aos demais setores empresariais.
foco na nova classe média, o levantamento constatou da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef). Os programas abrangem as principais áreas
que o brasileiro é cuidadoso na pesquisa de preços e Trata-se de uma iniciativa do Comitê de Regulação e de conhecimento para formar um profissional
tem consciência das suas dívidas e dos compromissos Fiscalização dos Mercados Financeiros, de Capitais, de versátil e preparado para as novas demandas
mensais, mas necessita de orientação para controlar Seguros, de Previdência e Capitalização (Coremec), do dos negócios.
o orçamento na ponta do lápis. Gastos com lazer, Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM),
pequenas despesas do dia a dia e imprevistos escapam da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) e da Escola de Líderes: forma gestores ou profissionais
do planejamento e do controle do orçamento individual Superintendência de Seguros Privados (Susep). De forma que irão exercer liderança no Sistema Financeiro
e familiar. Isso faz com que muitas dessas pessoas e multidisciplinar, o portal www.meubolsoemdia.com.br está Nacional. São programas de média e longa
famílias vivam no limite de seus orçamentos, e qualquer sendo usado como ferramenta pedagógica e serviço de duração, em nível de extensão e pós-graduação.
fato inesperado pode levá-las à inadimplência. orientação online para a formação dos professores.
Escola de Cidadania Financeira: busca formar
o cidadão e seus familiares nos princípios da
educação financeira, a fim de que estejam
preparados para fazer decisões conscientes
Conheça o portal quanto ao uso do dinheiro e do crédito e à
aquisição de produtos financeiros.
No Meu Bolso em Dia, os internautas têm acesso a um bem ou serviço (máquina de lavar, celular, moto,
planilhas para controle de gastos, dicas para o uso viagem de lazer e faculdade). Outras sessões do portal Escola de Finanças para Públicos Estratégicos:
consciente do dinheiro e informações a respeito são Orçamento Financeiro, Entenda o Banco, dicas de braço do projeto de educação corporativa voltado
de produtos e serviços bancários. Com ferramentas como fazer economia em datas específicas (Dia das a juristas, jornalistas, sindicalistas e funcionários
e linguagem acessíveis a diferentes segmentos Mães, Páscoa, Natal), chat com especialistas e dicas de do setor público com o objetivo de capacitá-los
da sociedade, o portal é de fácil navegação e traz como comprar melhor (utilizando bônus de cartões e nos temas financeiros, com conteúdos específicos
informações úteis para todos os perfis de consumidores. outros programas de recompensas). para cada área de atuação desses profissionais.
A primeira experiência aconteceu em março de
O portal traz ainda jogos, que aumentam a interatividade A meta é expandir o acesso da população ao portal 2010, com a realização de um fórum de economia
e tornam mais fácil e prazeroso o acesso e o uso das por meio do lançamento contínuo de conteúdos para 50 lideranças sindicais, procurando informar,
informações. O Simulador de Sonhos, por exemplo, e serviços de utilidade pública. A estratégia de debater e desmistificar temas como juros, tarifas,
é uma ferramenta para calcular em quanto tempo, divulgação do portal inclui interações nas redes sociais, planos econômicos, provisões, lucros e resultados
poupando certa quantia mensal, é possível adquirir como blogs e Twitter. dos bancos.
40 Febraban – Relatório Anual 2009

É preciso rever as normas dos


programas de microcrédito,
alinhando-as à nova realidade
socioeconômica do Brasil

Quem é quem

Microcrédito produtivo orientado: Microcrédito


crédito concedido para o atendimento das O setor bancário está comprometido com as ações Interfinanceiro Rural (DIR). Com eles, o banco que não
necessidades financeiras de pessoas físicas do governo federal para a expansão do microcrédito, tem para quem emprestar nessa modalidade repassa
e jurídicas empreendedoras de atividades destinado à baixa renda, mas faz algumas ressalvas. A os recursos para cooperativas ou outras entidades de
produtivas de pequeno porte. Com ele, é Lei nº 11.110, de 24/04/2005, que instituiu o Programa microcrédito. Mesmo assim, ainda ficam retidos R$ 1,6
possível obter recursos para financiar desde o Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), bilhão, no caso do microcrédito direcionado, e R$ 300
capital de giro até a compra de equipamentos. estabelece que 2% da média diária dos depósitos à milhões, no caso da atividade rural, sem aplicação em
Para ter acesso ao microcrédito, é preciso vista das instituições financeiras seja direcionada ao atividades produtivas.
que o empreendedor atenda a uma série de microcrédito. Esse percentual foi estabelecido sem que
requisitos, como não ultrapassar determinados houvesse um estudo aprofundado que identificasse Para resolver essas distorções, a FEBRABAN propõe
valores em transações no banco nem manter a demanda por recursos, a localização dos potenciais e defende mudanças nas normas, de maneira que
aplicações financeiras. tomadores e sua real necessidade, para então definir aumentem a eficiência do sistema financeiro e
uma política para o setor. Considerando a crescente aprimorem seus instrumentos, como a revisão do perfil
Microfinanças: modalidade que envolve o atividade econômica, os recursos disponíveis aumentam, necessário para o tomador de crédito, em linha com
cidadão de baixa renda que é cliente bancário, mas o número de tomadores não. O mesmo acontece a nova realidade da economia brasileira. Em termos
mas não é tomador de crédito. Ele usa o banco com o Microcrédito Rural, do Programa Nacional de mais amplos, apoia também a criação do Cadastro de
para fazer pagamentos e tem conta poupança, Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), cujos Crédito, que compõe um conjunto de medidas que
seguro e cartão de débito. Vale ressaltar recursos provêm do montante equivalente a 10% da aperfeiçoarão o sistema de crédito brasileiro, com
que há uma linha muito tênue separando média diária dos depósitos à vista. impactos positivos para toda a sociedade (saiba mais ao
o microcrédito da microfinança. No Brasil, lado). Para se ter uma ideia, no caso do microcrédito, em
essa questão evolui para a ampla e inclusiva Na visão da FEBRABAN, isso engessa o processo de que a inadimplência atinge 28%, não há como avaliar o
utilização dos serviços bancários, como o repasses, mesmo com as tentativas do Banco Central de risco do tomador de dinheiro, uma vez que os bancos só
pagamento, via banco, de tributos e benefícios ampliar o emprego desse dinheiro por meio do Depósito conseguem obter o perfil de crédito e de endividamento
aos aposentados e pensionistas. Interfinanceiro de Microcrédito (DIM) e do Depósito das operações com valores acima de R$ 5 mil.

Microcrédito rural: criado em 1999, atende


famílias agricultoras, pescadoras, extrativistas,
ribeirinhas, quilombolas e indígenas que GRI FS16: Iniciativas para melhorar a educação financeira
desenvolvam atividades produtivas no meio
rural. Elas devem ter renda bruta anual Em 2009, a educação financeira foi tema de campanhas e materiais de comunicação dos maiores
familiar de até R$ 6 mil, sendo que até 70% bancos no Brasil, com a publicação de cartilhas e programas voltados ao público interno. Os bancos
da renda pode ser proveniente de outras realizaram também parcerias com ONGs para atingir um maior número de beneficiados e levar
atividades além daquelas desenvolvidas no informações sobre o consumo consciente de produtos e serviços e divulgar o funcionamento do setor
estabelecimento rural. financeiro para empreendedores, alunos de escolas públicas e privadas, universitários e comunidades.
Febraban – Relatório Anual 2009 41

Cadastro de crédito A regulamentação de um histórico de crédito


Adotado há décadas por mais de 120 países, como
Estados Unidos, Inglaterra, Chile e Colômbia, o cadastro
facilitaria a concessão de dinheiro a preços
único de informações, ou “positivo”, é uma ferramenta mais justos e garantiria o direito à privacidade
importante para ampliar a oferta de crédito, combater
o superendividamento e promover a inclusão financeira.
das informações dos clientes
Atualmente, o sistema de informações e dados
cadastrais utilizado no Brasil limita-se às informações
negativas de crédito – quando o indivíduo ou a
empresa interrompeu o pagamento de uma dívida.
Embora relevante, essa informação é insuficiente
quando se trata de avaliar os tomadores de crédito de
forma mais justa e equilibrada, pois omite o histórico
dos bons pagadores e exclui aqueles de alto risco que
já acumularam muitas dívidas, mas que ainda não
falharam em seus pagamentos.

Segundo a IFC (International Finance Corporation),


ligada ao Banco Mundial, em sua publicação Credit
Bureau Knowledge Guide, de 2006, menos de 25% das
pessoas que vivem em países em desenvolvimento
têm acesso aos serviços financeiros, enquanto nos
mercados desenvolvidos esse percentual atinge 90%.
Para a FEBRABAN, a regulamentação de um histórico
de crédito facilitaria a concessão de dinheiro a preços
mais adequados aos consumidores e às empresas com
bons antecedentes de pagamentos e, ao mesmo tempo,
garantiria o respeito aos direitos à privacidade e à
veracidade das informações cadastrais.

Para o médio prazo, a combinação de informações


positivas contribuiria para a redução agregada dos
spreads bancários, dos quais a inadimplência é um
dos principais componentes (saiba mais na pág. 22),
42 Febraban – Relatório Anual 2009

120 países
já adotaram o cadastro único
de informações

além de aumentar a concorrência entre instituições


Efeito da inclusão de informações Efeito da inclusão de financeiras. Com base em estudos estatísticos dos
positivas na taxa de inadimplência informações positivas no
(simulação com dados dos EUA) volume de operações aprovadas dados dos cadastros de crédito dos Estados Unidos,
a IFC identificou que a inclusão de informações
positivas nos modelos de rating diminui as taxas de
inadimplência de 3,35% para 1,9%, uma diferença de
43% em relação àquelas derivadas de análises baseadas
apenas nas informações negativas. O mesmo exercício
Informações negativas

Informações positivas e negativas

Informações negativas

Informações positivas e negativas

com informações da Argentina e do Brasil revelou que


a inclusão de informações positivas produziria uma
diminuição de 22% e 45%, respectivamente, na taxa de
inadimplência para os bancos.

As simulações com os dados norte-americanos


mostram também que, mantendo-se a taxa de
inadimplência em 3%, a utilização de informações
positivas faz com que o número de créditos aprovados
salte de 39,8% para 74,8%.
3,35%
74,8%
Ainda de acordo com a IFC, a partilha de informações
positivas entre os diversos credores proporciona a
melhoria da eficiência operacional, seja por meio da
Aumento de 88% das aprovações
Queda de 43% na inadimplência

redução dos custos decorrentes da inadimplência


ou pelo aumento nos volumes de empréstimo para
novas categorias de clientes. De fato, os cadastros de
crédito existentes hoje em todo o mundo incluem, na
maioria dos casos, informações não só dos bancos, mas
1,9%
também de emissores de cartões de crédito, varejistas
39,8%
e concessionárias de serviços públicos, como água,
Taxa de inadimplência

energia e telecomunicações. Isso significa uma redução


Taxa de aprovações

de 38% na taxa de inadimplência dos varejistas e de


outros credores e um aumento de 11% no volume de
créditos aprovados.

Fonte: Credit Bureau Knowledge Guide, 2006, IFC


Febraban – Relatório Anual 2009 43

Segundo estimativas da IFC,


a inclusão de informações
positivas na avaliação de crédito
reduziria em 45% a taxa de
inadimplência no Brasil

GRI FS7: Produtos e serviços para benefício social

Para democratizar o acesso ao crédito, os Nacional de Desenvolvimento Econômico


bancos vêm desenvolvendo carteiras de e Social (BNDES). Entre elas estão o apoio
microcrédito a partir da criação de novos a projetos de implantação, ampliação,
produtos e da adequação das políticas e recuperação e modernização de empresas
dos processos internos. Mas ainda há um (instalações e capacidade produtiva) e
caminho longo a percorrer, pois a maioria das à aquisição de máquinas, equipamentos
instituições financeiras ainda tem como foco e veículos pesados, novos, nacionais e
apenas o cumprimento da determinação do credenciados. Com foco na redução do
Banco Central, que prevê a destinação de impacto ambiental das pequenas empresas
2% do saldo dos depósitos à vista em e no estímulo ao agronegócio sustentável,
operações de microfinanças para a são oferecidas, ainda, linhas de crédito para
população de baixa renda (consumo) e para o apoio a projetos de eficiência energética
microempreendedores (produtivo). e plantio ou recuperação de florestas para
uso industrial ou agrícola, ou tidas como
Entre as iniciativas atuais de destaque áreas de preservação e reserva legal – que
estão as operações de crédito para agregam características de eficiência e de
microempreendedores com dificuldade de boas práticas de produção e preservação.
acesso às linhas de financiamento tradicionais,
como microcrédito produtivo orientado para a Alguns bancos desenvolvem projetos
concessão direta de empréstimos em parcerias especiais de disseminação de boas práticas
com organizações da sociedade civil (Oscips) – para que pequenas empresas possam
que operam como instituições de microcrédito melhorar o uso da tecnologia e aumentar
em comunidades carentes. Há também práticas sua eficiência. Uma iniciativa interessante é
de concessão de microcrédito para correntistas a realização de uma consultoria específica
com menor nível de renda. de sustentabilidade, que prevê aplicação
de conceitos de ecoeficiência, menor
O aumento das opções de crédito para geração de resíduos e melhor utilização dos
empreendedores também se dá com o repasse recursos naturais, além da incorporação da
de diversas linhas de financiamento do Banco sustentabilidade aos negócios.
44 Febraban – Relatório Anual 2009

Finanças Sustentáveis

44
Febraban – Relatório Anual 2009 45

Construção coletiva
Com a assinatura do Protocolo Verde, Os bancos no Brasil estiveram atentos às questões da básico universal, promover a igualdade entre os sexos
a FEBRABAN dá um passo importante responsabilidade socioambiental ao longo da década e a autonomia das mulheres, reduzir a mortalidade
para incentivar os bancos associados e aderiram maciçamente a pactos internacionais e infantil, melhorar a saúde materna, combater o
a adotar práticas que promovam as nacionais. Essa adesão está ligada ao posicionamento HIV/aids, a malária e outras doenças, garantir a
mudanças necessárias rumo a uma institucional das empresas, ao reconhecimento da sustentabilidade ambiental e estabelecer uma
economia mais sustentável. importância desses pactos, à postura ética, à reputação Parceria Mundial para o Desenvolvimento. O esforço
e à imagem. Alguns exemplos desses compromissos, coletivo deve garantir, até 2015, o atingimento desses
assumidos gradualmente e em escala variada pelos objetivos;
diversos bancos no Brasil, são:
• PRI: uma das realizações do Unep FI, em conjunto
• Princípios do Equador: estabelecem critérios com o Pacto Global, foi a criação da declaração
socioambientais para avaliação de crédito em projetos Princípios para Investimento Responsável (PRI, na
que exigem investimentos acima de US$ 10 milhões; sigla em inglês). Com essa iniciativa, o objetivo é
que os investidores de todo o mundo incorporem,
• Pacto Global: orienta as organizações a redefinir suas voluntariamente, aspectos ambientais, sociais e
estratégias e ações e estabelece dez princípios nas de governança corporativa no momento em que
áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e efetuarem suas aplicações;
combate à corrupção;
• Pacto Empresarial pela Integridade e contra a
• United Nations Environment Programme Finance Corrupção: lançado em 2006 durante a Conferência
Initiative (Unep FI): braço do Programa de Meio Internacional do Ethos, o pacto contém um conjunto
Ambiente das Nações Unidas para o setor financeiro. de sugestões, diretrizes e procedimentos para
Sua missão é identificar e promover as melhores serem adotados pelas empresas e entidades no seu
práticas relacionadas à sustentabilidade. Todos os relacionamento com o poder público;
membros assinam uma declaração por meio da
qual se comprometem a integrar, cada vez mais, o • Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo
desenvolvimento sustentável às suas operações; no Brasil: criado em maio de 2005, é coordenado
e monitorado pelo Instituto Ethos de Empresas e
• Objetivos do Milênio: os Objetivos de Responsabilidade Social, pelo Instituto Observatório
Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecem Social, pela ONG Repórter Brasil e pela Organização
compromissos aprovados entre líderes de 191 países- Internacional do Trabalho. Sua missão é implementar
-membros das Nações Unidas em 2000. Para alcançar ferramentas para que o setor empresarial e a
os ODM, foram definidas oito Metas do Milênio: sociedade brasileira não comercializem produtos de
erradicar a extrema pobreza e a fome, atingir o ensino fornecedores que utilizam trabalho escravo;
46 Febraban – Relatório Anual 2009

Para implementar uma agenda


de sustentabilidade do setor, a
FEBRABAN está construindo uma
matriz de indicadores para as
instituições financeiras

Protocolo Verde
• Carbon Disclosure Project (CDP): é um requerimento Um passo mais concreto no compromisso dos bancos FEBRABAN e o questionário de avaliação do Índice de
coletivo formulado por um grupo de 534 investidores com as finanças sustentáveis foi dado em abril de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa.
institucionais responsável pela administração de um 2009, com assinatura de um protocolo de intenções Além da participação dos bancos associados, esse
patrimônio estimado em US$ 64 trilhões. O projeto entre a FEBRABAN e o Ministério do Meio Ambiente processo de construção coletiva conta com a
foi idealizado para que empresas e investidores em conhecido como Protocolo Verde. Ele é fruto do esforço colaboração de representantes de organizações da
todo o mundo tenham acesso a informações sobre o comum para adotar políticas socioambientais que sociedade civil.
impacto provocado pelas emissões de gases de efeito sejam precursoras, multiplicadoras, demonstrativas
estufa e pelas mudanças climáticas nos resultados das ou exemplares de práticas bancárias e que estejam O objetivo é oferecer uma ferramenta de gestão que
companhias. O CDP é coordenado por uma entidade em harmonia com o objetivo de promover o trace um diagnóstico do desempenho individual e
sem fins lucrativos financiada pelo Carbon Trust, desenvolvimento sustentável. setorial, avaliando a contribuição dos bancos para a
do governo britânico, e por um grupo de fundações geração de riquezas com o olhar da sustentabilidade.
liderado pela Rockefeller Foundation. Para construir e implementar uma agenda comum de Pretende-se ainda que a matriz sirva de instrumento
sustentabilidade no setor, alinhada aos princípios e de comunicação e de prestação de contas à sociedade,
A postura da FEBRABAN é de incentivar os bancos às diretrizes do Protocolo Verde, a FEBRABAN, com o incluindo o desenvolvimento de novos produtos e
associados a adotar práticas que promovam as apoio da Fundação Getulio Vargas (FGV), deu início, em serviços que contribuam para a transição rápida a uma
mudanças necessárias aos modelos de negócios e aos 2009, à construção de uma matriz de indicadores de economia verde e mais inclusiva. Individualmente,
processos internos para que os compromissos com sustentabilidade para as instituições financeiras. Além de os bancos devem confirmar seu comprometimento
os diversos pactos sejam, de fato, efetivos. Além de criar índices próprios, o projeto irá se inspirar em outras com as diretrizes do Protocolo Verde. Tornaram-se
manter uma comissão técnica específica para tratar do referências existentes e reconhecidas no mercado, como signatários do documento os bancos Bradesco, Cacique,
tema, a entidade deu início, em 2007, a uma série de o suplemento setorial para instituições financeiras da Citi, Itaú Unibanco, Safra, Santander, BNP Brasil,
encontros conhecida como Café com Sustentabilidade, Global Reporting Initiative (GRI), os indicadores Ethos/ Votorantim e Bancoob - Banco Cooperativo do Brasil.
com o objetivo de discutir temas relacionados à
sustentabilidade que afetam o dia a dia dos bancos e
de seus stakeholders. São convidados para o evento
representantes dos bancos associados, de organizações Princípios do Protocolo Verde
sociais e governamentais e de federações e formadores Os bancos signatários comprometem-se a:

de opinião. Em 2009, a FEBRABAN realizou três Produtos e Serviços: oferecer linhas de financiamento e programas que fomentem a qualidade
de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente;
encontros, em um total de 15 promovidos em dois
Crédito: considerar os impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas
anos, discutindo os pactos e os compromissos do setor
análises de risco de projetos, tendo por base a Política Nacional de Meio Ambiente;
bancário, as finanças sustentáveis e o Fundo para a
Ecoeficiência: promover o consumo consciente de recursos naturais e de materiais deles
Infância e Adolescência, o FIA (saiba mais na pág. 63). A derivados nos processos internos, nas compras e na contratação de serviços;
cada evento, prepara-se uma sistematização do debate,
Engajamento: informar, sensibilizar e engajar continuamente as partes interessadas (clientes,
cujo papel é disseminar e multiplicar conhecimentos funcionários e fornecedores) nas políticas e práticas de sustentabilidade da instituição;
e experiências relatadas durante o encontro. Esses Cooperação: promover a integração de esforços entre os bancos signatários do protocolo.
relatórios estão disponíveis em www.febraban.org.br.
Febraban – Relatório Anual 2009 47

GRI FS1 a FS5 e FS9: Práticas socioambientais

Políticas e critérios
Alinhados às principais tendências internacionais, os maiores bancos do Os bancos que não possuem uma política específica para o meio
Brasil possuem critérios socioambientais para a concessão de crédito ambiente e as relações sociais fazem referência à responsabilidade
e a realização de investimentos. As iniciativas, ainda que não incluam socioambiental em seu código de ética e na política institucional
todas as modalidades de operações, buscam integrar os valores de de patrocínio.
responsabilidade corporativa – como empréstimos para empresas e
governos, empréstimos para agências de exportação e multilaterais, Avaliação e monitoramento dos riscos
financiamentos para aquisições, investimentos em participações Para avaliar e classificar os riscos socioambientais nas linhas de
acionárias e operações de subscrição de ações e cartas de crédito – ao negócios, a ferramenta mais utilizada pelos bancos é o questionário
dia a dia do setor. socioambiental, que inclui checagem de informações relacionadas
a compliance, exigência de licenças ambientais e visitas in loco. Há
Alguns bancos já possuem políticas específicas para riscos bancos que aprofundam essas avaliações por meio de análise dos
socioambientais nos financiamentos com base em critérios potenciais riscos socioambientais do cliente, setor ou projeto com a
internacionalmente reconhecidos: os Padrões de Desempenho da gestão da prática por equipe especializada, que realiza a pesquisa de
International Finance Corporation (IFC). Esses critérios buscam a informações públicas, com consultoria e auditoria independentes e,
exclusão de clientes que não estejam em conformidade com as quando necessário, com assessoria técnica para o financiamento de
práticas de direitos humanos, como aqueles que utilizam mão de melhorias socioambientais.
obra infantil ou análoga à escrava. Na gestão de ativos, os bancos
incorporam cada vez mais os critérios dos Princípios para Investimento
Responsável (PRI), que incluem aspectos ambientais, sociais e de O processo de auditoria
governança para o alcance de melhores retornos de longo prazo e o
socioambiental ainda é um desafio
desenvolvimento de mercados de capitais mais sustentáveis.
para o setor bancário
Já os Princípios do Equador são aplicados quando o banco atua na
assessoria de project e corporate finance, o que implica análise e Já para assegurar que o cliente esteja de fato cumprindo as exigências
monitoramento socioambiental de empreendimentos de grande socioambientais previstas em contrato, os bancos realizam auditorias
porte. Nas operações de valor total igual ou superior a US$ 10 ambientais, visitas técnicas, avaliações das propriedades, monitoramento
milhões, o monitoramento é obrigatório para projetos de alto risco das carteiras de crédito e reavaliação dos projetos. Apesar de todas essas
socioambiental e, conforme necessário, também nos projetos de médio práticas, o processo de auditoria para políticas e riscos socioambientais é
risco socioambiental. Para a concessão de crédito, os bancos podem ainda um desafio do setor. A maioria dos bancos não possui verificação
avaliar, ainda, se a empresa atua de forma antiética, identificando seu com foco em sustentabilidade, mas tem a intenção de estruturá-la nos
envolvimento com lavagem de dinheiro ou terrorismo, ou ainda se não próximos anos. O objetivo é prevenir riscos e incentivar a adoção de
desenvolve as melhores práticas ambientais. melhores práticas entre os clientes.

>>
48 Febraban – Relatório Anual 2009

A capacitação e o engajamento do
público interno é o desafio para
a integração da sustentabilidade
no dia a dia dos negócios

>>

Alguns, no entanto, já desenvolvem esse processo para algumas linhas de cursos práticos sobre os conceitos e as ações socioambientais
de projetos, com base nos Princípios do Equador. O destaque é a na grade de cursos corporativos. A maioria dos bancos, entretanto,
aplicação periódica da política de risco socioambiental para o crédito ainda realiza treinamentos com foco em aspectos relacionados aos
pessoa jurídica, com supervisão técnica do comitê de auditoria interno códigos de conduta e campanhas pontuais de conscientização sobre
e aplicação de testes de efetividade. Os resultados dessas avaliações ecoeficiência.
são reportados aos principais executivos, como os membros do
conselho de administração e do comitê de sustentabilidade. Engajamento de stakeholders
De forma mais ampla, o engajamento e a interação com os
Capacitação do público interno stakeholders são realizados de forma segmentada por uma área
A capacitação e o engajamento dos profissionais em políticas específica dos bancos. Algumas iniciativas já apontam evolução
socioambientais é outro desafio para a incorporação e a avaliação de e buscam contribuir para a educação e a conscientização de
critérios de sustentabilidade, tornando-se meta estratégica das áreas clientes, funcionários e demais públicos sobre temas como finanças
de negócio dos bancos. Entre as principais iniciativas existentes estão sustentáveis, uso consciente do dinheiro, mudanças climáticas e boas
treinamentos conceituais e de análise de risco socioambiental para práticas de negócio. Mas já há bancos que vão além, com a criação
as gerências de relacionamento, para as auditorias internas e para os de áreas de Desenvolvimento de Negócios Sustentáveis e de Gestão
analistas. No entanto, a maioria dos bancos tem como meta ampliar e Monitoramento Socioambiental de Projetos, com o objetivo de
a oferta de capacitações para uma parcela maior do público interno. auxiliar na geração de negócios, identificar oportunidades e oferecer
suporte conceitual, estratégico e ferramental às áreas comerciais
Em 2009, alguns destaques podem ser evidenciados, como e de produtos.
treinamentos específicos sobre riscos socioambientais para auditorias
internas e para os gerentes de relacionamento de diferentes Dentre os destaques de 2009, a parceria com organizações de
segmentos, como atacado, gestão de ativos e compliance. A diversas partes do mundo para financiar projetos, pesquisas e
capacitação de gerentes e analistas para disseminar a política de risco atividades de engajamento e conscientização sobre as mudanças
socioambiental e promover a avaliação de riscos socioambientais climáticas tornou-se uma das referências da atuação brasileira, já
em toda a área de crédito foi outra importante prática realizada em reconhecida internacionalmente. Os maiores bancos participam
2009, com o objetivo de instruir as equipes para identificar riscos em também de eventos e fóruns de discussão sobre o tema, como os da
grupos econômicos e setores considerados críticos, como de petróleo, FEBRABAN, a Câmara Temática de Finanças Sustentáveis – CTFin, a
químico, petroquímico, de celulose e siderúrgico. Câmara de Mudanças Climáticas – CTClima, o Comitê Brasileiro para
o Pacto Global, o IFC Performance Standards Community of Learning,
Tiveram destaque, ainda, as iniciativas de capacitação de a Reunião Anual dos Princípios do Equador e a Reunião Anual da
multiplicadores em diversos países latino-americanos e a inserção Unep FI (United Nations Environment Programme Finance Initiative).
Febraban – Relatório Anual 2009 49

GRI FS8: Produtos e serviços para benefício ambiental

Os produtos oferecidos pelos bancos têm foco em programas


de financiamento, fundos de aplicação e cartões de afinidade
com anuidades destinadas a ONGs que se dediquem à questão
ambiental. Entre os destaques estão os fundos de ações de empresas
que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da
Bovespa e os programas de financiamento para conservação do meio
ambiente e recuperação ambiental, com o objetivo de regularizar
e recuperar áreas de reserva legal e de preservação permanente
degradadas. Foram criadas, ainda, novas linhas ambientais para o
financiamento de reflorestamento, o desenvolvimento de sistemas
agroflorestais e o investimento em energias renováveis.

Os bancos também oferecem linhas de crédito para a aquisição de


máquinas e equipamentos com taxa de juros reduzida às empresas
que queiram desenvolver processos produtivos mais limpos. Para a
redução do impacto ambiental, há ainda programas voltados para
despoluição de bacias hidrográficas, compensações ambientais,
implantação e manutenção de Unidades de Conservação e uso de
biodiesel e produção orgânica. Existem exemplos de fundos criados
para destinar 30% da taxa de administração a ações de redução
da emissão de carbono e também de investimentos relacionados a
índices de créditos de carbono.

Outros dois fundos são voltados para o reflorestamento. O primeiro


deles é um fundo de investimento em participações que tem por
objetivo a valorização das cotas por meio de ações ou participações
em empresas que atuem nas áreas de florestamento, manejo
florestal, industrialização, processamento e comercialização de
produtos florestais e demais atividades relacionadas aos setores
florestal e madeireiro. O segundo é um fundo de renda fixa que
assegura aos cotistas o direito de receber o valor financeiro em reais
referente aos créditos de carbono gerados por um programa florestal.
50 Febraban – Relatório Anual 2009

Campanhas para evitar o


desperdício e políticas de compras
que privilegiem o selo FSC são
iniciativas dos bancos para o
consumo adequado de papel

GRI EN1, EN4 e EN8: Consumo de papel, água e energia

Promover atitudes que reduzam o consumo de água, O monitoramento do consumo de energia elétrica,
papel e energia e as emissões de gases de efeito estufa por sua vez, é realizado por quase todos os bancos,
em suas operações também faz parte das iniciativas mas os dados referem-se, em sua maioria, às unidades
dos bancos. No entanto, eles ainda consomem um administrativas. O acompanhamento e a sistematização
grande volume de papel em campanhas promocionais do consumo em agências, caixas eletrônicos e unidades
e nos escritórios. Somente as seis maiores instituições independentes ainda são uma meta para os próximos
financeiras do Brasil consumiram, em 2009, mais anos. Em suas principais unidades, os bancos realizam
de 20 mil toneladas do material em suas unidades ações de eficiência energética com o objetivo de
administrativas. Para reduzir a quantidade de papel para propiciar o uso adequado dos espaços e a redução do
impressão, os bancos realizam anualmente campanhas consumo. As iniciativas estão centradas na substituição
de conscientização dos funcionários, que buscam evitar de equipamentos e da estrutura de tecnologia da
o desperdício e racionalizar o uso do insumo. Outra informação, como a consolidação e a virtualização de
importante iniciativa envolve a política de compra servidores e a certificação da eficiência dos sistemas
do papel. A maior parte dos bancos já dá prioridade com os selos EnergyStar e Procel. O consumo de
ao material certificado pelo FSC (Forest Stewardship energia é realizado por fontes renováveis fornecidas
Council), seja branco ou reciclado. No entanto, o por concessionárias, totalizando, em 2009, 7.287.471
monitoramento do consumo de papel para fins GJoules. Os geradores representam uma parcela muito
promocionais ainda é um desafio de todo o setor. O pequena do consumo total.
único banco que conseguiu fazer o levantamento dessa
informação em 2009 informa que o volume utilizado Já entre as boas práticas do setor para a diminuição
ficou em mais de 2 milhões de toneladas. do consumo de água estão os projetos de substituição
Febraban – Relatório Anual 2009 51

As iniciativas de eficiência energética contemplam


substituição de equipamentos, uso adequado dos
espaços e redução do consumo

de válvulas de sanitários e a utilização de água de GHG Protocol Brasil, padronizado e adaptado para
reúso em torres de refrigeração e na irrigação de a realidade brasileira, especialmente nas questões
áreas verdes. Em 2009, o consumo de água foi de relacionadas à matriz energética e de combustíveis,
5.423.159 m , sendo a maior parte proveniente da rede
3
bem como a participação no programa brasileiro
de abastecimento. Nesse total não é considerado o do Carbon Disclosure Project (CDP) e na iniciativa
consumo de água mineral comprada em galões, ainda Empresas pelo Clima (EPC), uma plataforma nacional
utilizado por alguns bancos. destinada a criar as bases regulatórias para o processo
de adaptação econômica às mudanças climáticas.
Por outro lado, não foi possível consolidar o volume Para compensar ou diminuir as emissões, esses
de emissões de gases de efeito estufa (GEE) do bancos realizam iniciativas pontuais, como projetos
setor, uma vez que ainda são poucas as instituições de reflorestamento, compra de créditos de carbono,
financeiras que realizam o inventário e possuem campanhas de conscientização e programas que
metas para a redução dessas emissões. Dentre aquelas incentivem o uso do transporte alternativo e solidário,
que já têm a prática, destaca-se a utilização do como a bicicleta e a carona.

GRI EN30: Investimentos em proteção ambiental


2009 (em R$)
Tratamento e disposição de resíduos, tratamento de emissões e despesas com compra e uso
18.800.840
de certificados de emissão
Educação e treinamento, serviços externos de gestão ambiental, certificação externa de sistemas
3.936.785
de gestão, pessoal para atividades gerais de gestão ambiental e pesquisa e desenvolvimento
Total do indicador 22.737.626
52 Febraban – Relatório Anual 2009

Relações de Trabalho

52
Febraban – Relatório Anual 2009 53

Celeiro de talentos
A alta escolaridade e o contato Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e agências. Com isso, a FEBRABAN aponta tendência de
diário com o público e com a Desempregados (Caged), o setor bancário encerrou aumento na geração de empregos para o setor, tanto
tecnologia avançada criam um 2009 com aproximadamente 460 mil trabalhadores. diretos quanto indiretos, como reflexo do aumento da
diferencial que torna o bancário um Embora tenha sido um ano marcado por incertezas, atividade também em outros setores da economia.
dos profissionais mais atraentes do principalmente durante o primeiro semestre, em
mercado de trabalho. função da desaceleração econômica causada pela crise O nível de rotatividade do sistema bancário é considerado
financeira internacional, o quadro total do setor teve baixo, quando comparado com as demais categorias
variação abaixo de 0,5%. profissionais. Ele fica em torno de 7% a 8%, enquanto a
rotatividade média do mercado de trabalho é de 33%,
A variação refletiu principalmente o movimento de podendo chegar a 120% em alguns setores. O tempo
grandes fusões e aquisições de bancos – BB/Nossa de permanência médio dos profissionais em bancos é de
Caixa, Itaú/Unibanco e Santander/Real. As instituições 11 anos, permitindo um bom desenvolvimento de sua
financeiras procuraram absorver seu excedente em carreira e o crescimento profissional.
outras áreas de atuação, como negócios e vendas de
produtos. Outro fator fundamental que possibilitou Como estratégia de atração e retenção de talentos, os
a absorção de profissionais foi o crescimento bancos têm como foco a contratação na base para o
orgânico dos bancos, estimulado pelo alto nível de desenvolvimento dos funcionários dentro das próprias
competitividade no setor. instituições financeiras. Dentro desse processo, são
realizadas avaliações de desempenho e potencial para
O esperado crescimento do PIB brasileiro, o ganho de a identificação dos talentos que são priorizados nos
escala alcançado pelas fusões e o aumento nos índices de programas internos ou externos de desenvolvimento
bancarização contribuirão para a elevação no número de das futuras lideranças.

GRI LA1: Distribuição dos colaboradores por cargo %


0,1%
12,6%
27,3%
3,7

Diretoria Técnica/Supervisão
17,6% Gerência Administrativo
Chefia/Coordenação Operacional

Nota: Total de colaboradores 446.920 (dados reportados por


15 bancos conforme escopo informado na pág. 69). Total de
38,7% estagiários: 29.478
54 Febraban – Relatório Anual 2009

Mobilidade educacional

Distribuição de colaboradores Escolaridade atual


Por região
Outros 0,63% 0,45% 0,79% 1,92% 2,04% 100%
Região Sul 12,5%
MBA 6,98% 5,58% 8,01% 8,52% 97,96%
Região Sudeste 62,5%
Pós-graduação 8,46% 9,00% 14,90% 89,56%
Região Centro-Oeste 8,6%
Superior 51,94% 63,98% 76,30%
Região Nordeste 12,8%
Médio 24,05% 20,99%
Região Norte 3,4%
Fundamental 7,94%
Fundamental Médio Superior Pós-graduação MBA Outros
Escolaridade admissão

Treinamento e desenvolvimento
Banco de Talentos
Nos últimos anos, o perfil do trabalhador bancário
Sucesso desde 1994, o Banco de Talentos da FEBRABAN é uma iniciativa de valorização de mudou significativamente. Esse movimento ocorreu
pessoas que, além de profissionais do setor bancário, sejam artistas amadores. As inscrições na esteira dos avanços tecnológicos, que levaram
alternam as categorias de fotografia e pintura, nos anos pares, com as de artesanato, escultura à substituição das funções burocráticas pelos
e literatura (contos e poesia), nos anos ímpares. Apenas a categoria música é mantida todos os procedimentos automatizados. Os bancos passaram
anos. Os trabalhos são escolhidos por comissões integradas por artistas, críticos e profissionais a demandar profissionais mais capacitados para lidar
de destaque nos meios artístico e cultural. com processos complexos e com o relacionamento
com o consumidor. Com isso, o nível de escolaridade
Em 2009, foram 553 inscritos, para as categorias artesanato (15 trabalhos selecionados), aumentou, acompanhando a evolução do setor.
escultura (8), música (11) e literatura (49). Para prestigiar os trabalhos selecionados, 1.000 Alguns fatores explicam essa mobilidade educacional,
pessoas estiveram presentes no Citibank Hall, em São Paulo, e assistiram ao espetáculo de como o incentivo dos próprios bancos para melhorar
música. De acordo com as estatísticas, o evento já atingiu mais de 22 mil bancários, espalhados o nível escolar de seus colaboradores, com a oferta
em 150 municípios, de 19 estados do Brasil. de programas de bolsas de estudos, e os desafios e
as oportunidades de carreira dentro das instituições
financeiras. Os programas de desenvolvimento
permitem ainda o preparo do bancário para exercer
outras funções no mercado de trabalho. O treinamento
e o contato diário com a tecnologia avançada dos
bancos, aliados à forte ligação com o público, criam
um diferencial que o torna bem-visto pelo mercado,
aumentando a sua empregabilidade.
Para apoiar seus associados na constante capacitação dos
trabalhadores do setor, a FEBRABAN oferece um projeto
de educação corporativa composto por quatro escolas que
atendem públicos estratégicos (saiba mais na pág. 39).

Para a Escola de Formação Profissional e a Escola de


Líderes, que substituíram os trabalhos desenvolvidos
pelo Instituto Brasileiro de Ciências Bancárias (IBCB), a
entidade teve o cuidado de criar programas de educação
que aliassem o desenvolvimento humano à estratégia
competitiva de cada banco, considerando os aspectos
técnicos e comportamentais do funcionário, além da
criação de um ambiente favorável ao aprendizado.
Febraban – Relatório Anual 2009 55

100 cursos
de capacitação são oferecidos pela
FEBRABAN aos trabalhadores do setor

São mais de 100 cursos em 22 áreas de conhecimento,


como gestão de riscos, contabilidade, câmbio e
Com os avanços tecnológicos, os bancários
comércio exterior, agronegócios, gestão de pessoas e tornaram-se mais capacitados para lidar com
tecnologia da informação.
processos complexos e direcionar esforços para o
Remuneração relacionamento com o cliente
As políticas de remuneração comuns a todos os
bancos referem-se ao piso salarial, aos reajustes
coletivos e a benefícios da convenção coletiva de
trabalho, que são revisados anualmente. As demais
políticas de compensação são específicas de cada
instituição financeira, pois variam em função do
mercado de atuação e das iniciativas para atração e
retenção de seus talentos.

O setor bancário é um dos poucos que realizam


convenção coletiva nacional As demandas sindicais são
estudadas e negociadas a cada ano, por meio da avaliação
de uma extensa pauta de reivindicações. A negociação
envolve a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban),
braço sindical das instituições financeiras, e mais de 230
sindicatos, ligados a variadas correntes trabalhistas. Há
décadas, a negociação ganha visibilidade na época da
data base da categoria, em setembro de cada ano.

Os resultados das negociações geram garantias


mínimas iguais para todos em um contrato coletivo,
como a definição de patamares de piso salarial,
benefícios e participação nos lucros e resultados
(PLR). A PLR pode representar um significativo
aumento na remuneração total do bancário. Um
operador de caixa, por exemplo, pode chegar a
quatro salários, o que representa, se calculado por
meses, um incremento de 30% no salário, vinculado
ao resultado do banco.
56 Febraban – Relatório Anual 2009

O setor bancário é um dos poucos que realizam Promoção da saúde


convenção coletiva nacional. A participação nos Desde 1996, a FEBRABAN mantém uma comissão
com especialistas na área de saúde ocupacional para
lucros e resultados pode representar, no ano, um identificar problemas comuns aos bancos e propor

incremento de quatro salários na remuneração soluções. Assim, já foram realizados vários programas
e campanhas de prevenção de doenças e conflitos,
de um operador de caixa como aids, LER/Dort e assédio sexual. Anualmente,
os bancos realizam a vacinação em massa dos seus
funcionários contra a gripe, atingindo mais de 400
mil pessoas e investimentos da ordem de R$ 13
milhões. As negociações com planos de saúde, para os
funcionários e seus familiares, envolvem cerca de 1,5
GRI HR3 e HR4: Direitos humanos milhão de vidas.

O tema dos direitos humanos é abordado pelos bancos nos treinamentos sobre Em 2009, teve início um programa de reabilitação com
políticas e procedimentos internos, como Código de Conduta e Ética, Políticas de o objetivo de resgatar a autoestima e a convivência
Contratação de Fornecedores e Políticas de Compras. São adotados também programas profissional e social dos funcionários afastados das suas
que atendem aos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, do Pacto atividades diárias. Por meio de um convênio que será
Global das Nações Unidas e do SA8000, além de iniciativas para o desenvolvimento de assinado com a Previdência Social, esses profissionais
aprendizes e pessoas com deficiência e dos Cursos de Libras I e II. passarão por uma avaliação médica para identificar
as suas limitações e as possibilidades de trabalho. O
Em parceria com a área de compliance, são realizadas palestras sobre assédio próximo passo é identificar nos bancos atividades
moral para a prevenção e o tratamento de casos de discriminação. Em 2009, foram compatíveis com a capacidade laboral e treiná-los para
registrados 111 casos, dos quais apenas 13 foram julgados como procedentes. exercer suas novas funções progressivamente e sem
Denúncias de racismo, assédio moral e comportamento inadequado no ambiente de prejuízo à saúde.
trabalho foram apresentadas às ouvidorias internas por colaboradores, pela Comissão
de Ética, por fornecedores e também por anônimos. Como medidas corretivas, foram Canais de denúncia
adotadas advertências formais e, em alguns casos, demissões. Os bancos possuem em suas estruturas áreas
especializadas e canais específicos para receber
denúncias de seus trabalhadores. A Federação Nacional
dos Bancos (Fenaban), que representa os sindicatos
patronais do setor, orienta e estimula todos os
Febraban – Relatório Anual 2009 57

1,5 milhão
de funcionários e seus familiares
são cobertos pelos planos de saúde
oferecidos pelos bancos

GRI SO4: Casos de corrupção

Para prevenção de casos de corrupção, os bancos possuem uma série de políticas, auditorias
e ferramentas de controle. Outra tendência do setor é a segmentação de produtos e serviços
considerados como de risco operacional, que requerem atenção diferenciada nas áreas de
associados a desenvolver esses canais como uma compliance. Para a capacitação do público interno quanto às fraudes e à corrupção, os bancos
forma de diagnosticar práticas e procedimentos que, realizam palestras e treinamentos em temas relacionados à prevenção, além de implementar
eventualmente, levem a ajustes em suas políticas de programas, grupos e comitês que propõem medidas educativas e ações corretivas nos casos
recursos humanos. identificados. Em 2009, são exemplos de casos registrados pelas instituições denúncias de
funcionários que buscavam vantagens financeiras e/ou favorecimento pessoal no relacionamento
Em 2009, a Fenaban sugeriu às representações com fornecedores e clientes. Todas as transações identificadas como suspeitas são encaminhadas
sindicais dos bancários a inclusão de uma cláusula de a comitês de prevenção e compliance, que, após análises e comprovação de evidências, decidem
Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho na medidas corretivas em conformidade com a legislação vigente – como demissões por justa causa,
convenção coletiva anual. Assim, seria implementado além de informar a ocorrência aos órgãos reguladores.
mais um canal de comunicação entre o trabalhador e
seu banco, de maneira a corrigir ou prevenir situações
que apresentem desajuste entre as políticas e as
eventuais práticas na gestão diária do quadro de
profissionais. No entanto, bancos e sindicatos não
chegaram a um consenso, e a cláusula não foi incluída.
A ideia é retornar ao tema na próxima negociação
com a categoria, a partir de agosto de 2010.

Os bancários são
treinados em políticas e
procedimentos internos,
que incluem as questões
de direitos humanos
58 Febraban – Relatório Anual 2009

Diversidade

58
Febraban – Relatório Anual 2009 59

Quebra de paradigmas
Ao posicionar a diversidade como um A crença de que os bancos são fomentadores do FEBRABAN de Capacitação Profissional e Inclusão
valor transversal, o setor bancário abre desenvolvimento social do País levou a FEBRABAN de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário. A
espaço para promover a inclusão social a lançar, em 2008, o Programa de Valorização iniciativa, única no País promovida por uma entidade
e aumentar sua capacidade de inovar e da Diversidade, para promover a igualdade de representativa setorial, é uma ação afirmativa da
melhor atender os seus clientes. oportunidades de trabalho para todas as pessoas, FEBRABAN que tem como objetivo garantir a oferta
independentemente de raça ou cor, gênero ou de profissionais qualificados para o setor bancário.
orientação sexual, idade e eventual deficiência. Cerca de 80% das pessoas com deficiência no
O programa procura realizar ações afirmativas Brasil têm menos de oito anos de estudo, fator
e posicionar os bancos em um tema sensível à limitante para o desenvolvimento pessoal e
cidadania, construir coletivamente uma ação de profissional dessa população.
responsabilidade e gerar iniciativas que sensibilizem
os demais setores da sociedade. Em 2009, 497 pessoas participaram do piloto do
programa, sendo 48% delas com deficiência física,
O primeiro passo foi a realização do Censo de 28% visual e 24% auditiva. Elas foram divididas em
Diversidade, em 2008, com a participação de dois grupos: aprimoramento, concluído em outubro
17 bancos e mais de 200 mil colaboradores. A de 2009, e supletivo. Esse segundo grupo recebeu,
iniciativa inédita, que será renovada periodicamente, em maio de 2010, seus certificados – todos os
contribui para acelerar o trabalho que já é realizado estudantes foram aprovados nos exames. O índice
individualmente pelos bancos, como a inclusão de médio de evasão foi de apenas 4%, com 476 alunos
critérios de diversidade nos processos internos de completando o curso, sendo 342 no aprimoramento
recrutamento e a inserção de cláusulas de valorização educacional e 134 no supletivo ensino médio. A nota
da diversidade nos contratos com fornecedores média no exame do Ministério da Educação (MEC) foi
e parceiros. Nesse quesito, um grupo de trabalho de 6,87 – o mínimo exigido para aprovação é 5,0.
da FEBRABAN pretende realizar pesquisas com os
profissionais de recursos humanos das empresas Todos os alunos, desde o primeiro dia de aula, já
que integram a cadeia de valor dos bancos, como estavam contratados pelos bancos, recebendo
as do segmento de tecnologia e de administração o equivalente ao salário inicial da categoria dos
patrimonial. A meta é preparar um guia prático sobre bancários, para uma jornada de quatro horas, durante
diversidade que apoie os fornecedores a trilhar o os períodos de escolarização e formação profissional.
mesmo caminho das instituições financeiras. Esses trabalhadores também têm direito a todos os
benefícios assegurados na convenção coletiva, tais
Entre os principais desafios identificados no censo como vale-refeição, cesta alimentação, participação
está a inclusão de pessoas com deficiência, o que nos lucros e resultados (PLR), vale-transporte, seguro
levou à implementação, em 2008, do Programa de vida e plano de saúde.
60 Febraban – Relatório Anual 2009

As ações afirmativas relacionadas


à diversidade procuram
posicionar os bancos em um
tema sensível à cidadania

GRI LA13: Indicadores de diversidade Participaram do projeto piloto os bancos BIC, Bradesco, tem sido positivo, fazendo com que o setor bancário seja
Citi, Indusval, Itaú Unibanco, Safra, Santander e hoje um significativo empregador de jovens iniciantes no
Votorantim. A iniciativa contou com a parceria da mercado de trabalho. A média de contratação pelos bancos
Total de colaboradores Prefeitura de São Paulo, por meio das Secretarias subiu de 42% no biênio 2004/2006 para 62% entre 2007
Por faixa etária
Municipais do Trabalho e da Pessoa com Deficiência e e 2009. A FEBRABAN mantém um Acordo de Cooperação
Até 30 anos 31,6%
Mobilidade Reduzida, da Universidade Uni Sant’Anna, do Técnica com o Ministério do Trabalho e Emprego, revisado
Entre 30 e 50 anos 58,6% Cursinho da Poli e da Consultoria i.Social. A FEBRABAN a cada biênio, que determina as metas e as condições
Acima de 50 anos 9,7% pretende realizar uma nova edição do programa, para específicas para a contratação desses jovens aprendizes no
capacitar cerca de 400 pessoas com deficiência, em 2011. setor bancário.
Também está nos planos da entidade formatar um curso
destinado a pessoas com deficiência intelectual. O índice de efetivação dos jovens aprendizes, nos bancos,
Total de colaboradores
destaca-se pela capacitação desenvolvida: o programa
Grupos de diversidade
Negros 15,0%
A vez dos jovens abrange 2 anos de aprendizagem, com a duração diária de
As iniciativas de valorização da diversidade remetem 4 horas para os adolescentes e de 6 horas para os jovens,
Pessoas com deficiência 1,4%
também à questão da idade. Por isso, a FEBRABAN criou o compreendendo 25% de aprendizagem teórica e 75% de
Programa Jovem Aprendiz do Setor Bancário, direcionado a aulas práticas. Os temas da grade curricular observam, no
jovens de 14 a 24 anos de idade que estejam cursando ou já quadro geral, as exigências do Ministério do Trabalho e
concluíram o ensino fundamental. O programa é conduzido Emprego e do Ministério da Educação, abordando os temas
Composição dos colaboradores por gênero (%) de acordo com a Lei da Aprendizagem, tem duração de “empresa, empregado, cidadania e globalização”.
dois anos e prevê aprendizagem teórica e prática. Ao fim
do treinamento e da qualificação, o jovem está apto a Já os temas específicos, voltados à formação bancária,
trabalhar no próprio banco ou buscar outras oportunidades são abrangentes e cobrem desde os conceitos básicos na
no mercado de trabalho. conceituação da “moeda”, a estrutura do sistema financeiro
nacional com todas as respectivas políticas, produtos e
46,5%
53,5% Para o setor bancário, a aprendizagem é uma associação serviços, até a educação financeira pessoal.
de objetivos: além de ser uma oportunidade para
empregar jovens em situação de vulnerabilidade social, Mulheres para o topo
treina profissionais para atuar na base dos bancos, com A presença das mulheres nos bancos já é equivalente à dos
possibilidades de crescimento na carreira. No site da homens, segundo dados do Censo de Diversidade realizado
FEBRABAN, há uma cartilha para os bancos cujo objetivo pela FEBRABAN em 2008. Do total de funcionários
Homens
é oferecer orientações gerais sobre o programa, incluindo a do setor, 48,4% são mulheres e 51,6%, homens, em
Mulheres
legislação vigente e uma seção de perguntas e respostas. proporção um pouco abaixo da média nacional da
População Economicamente Ativa (PEA), em que 50,8%
Entre 2004 e 2009, os programas desenvolvidos contaram dos trabalhadores são do sexo feminino. As mulheres já são
com a participação de 6 mil jovens. O aproveitamento maioria nos cargos funcionais (53,3%).
Febraban – Relatório Anual 2009 61

GRI FS14: Iniciativas para melhorar o acesso de pessoas com deficiência

Apesar de o setor bancário remunerar igualmente homens e O outro lado da moeda na valorização da diversidade é promover a acessibilidade das pessoas com
mulheres que ocupam a mesma função, as mulheres ainda deficiência aos serviços bancários. Em outubro de 2008, a FEBRABAN assinou um Termo de Ajustamento
têm rendimento médio por hora equivalente a 77,7% do de Conduta de Acessibilidade (TAC) com os Ministérios Públicos Federal e Estaduais de São Paulo e de
que recebem os homens, o total do mercado de trabalho Minas Gerais, com a Secretaria Especial de Direitos Humanos e com a Coordenadoria Nacional para
formal (RAIS 2007 – Relação Anual de Informações Sociais) Integração da Pessoa com Deficiência. Em 2009, os estados do Ceará, Paraná e Rio de Janeiro aderiram ao
aponta proporção de 56,5% do rendimento masculino no TAC Acessibilidade e, até agosto de 2010, outros seis Ministérios Públicos estaduais também formalizaram
caso de mulheres que têm curso superior completo e 64,6% sua participação: Rondônia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia, Espírito Santo e Pará.
no caso de superior incompleto.
Mais de 20 bancos (saiba quais no índice remissivo GRI, na pág. 66) vêm realizando as adaptações
Atualmente, as mulheres representam perto de 40% das necessárias para garantir a adequada utilização dos serviços, em todo o território nacional, por pessoas
funções de nível técnico superior (gerentes e supervisores). com deficiência. O número de caixas eletrônicos (ATMs) adaptados já totalizou 76 mil equipamentos em
Vale ressaltar que são os profissionais que ocupam hoje 2009, um crescimento de 118% em relação a 2008. Os caixas eletrônicos adaptados já representam 44%
essas posições que irão comandar os bancos daqui a dez do parque de ATMs do Brasil, composto por 173 mil máquinas.
anos. Ainda assim, a FEBRABAN reconhece que é preciso
ampliar a consciência sobre os desafios e os anseios da As principais medidas previstas no TAC são:
mulher no mercado de trabalho e buscar ações afirmativas • Agências: adaptadas e com atendimento preferencial e instalação de rampas, móveis e vagas especiais
que permitam sua ascensão aos altos cargos executivos de estacionamento;
em números maiores do que os existentes hoje.
• Caixa Eletrônico Universal: no mínimo, um por agência, instalado segundo as normas da ABNT
15.250/2005 e 9.050/2004, com adequação total das máquinas em até dez anos;
Igualdade racial
Apesar de alguns bancos já promoverem, • Folhetos e porta-cartões: escritos em braile e alto-relevo e com letras ampliadas, que possibilitarão
individualmente, práticas para a inclusão o uso de cartões magnéticos;
e a capacitação de negros, a FEBRABAN e
a Secretaria de Políticas de Promoção da • Extrato mensal de conta-corrente: escrito em braile ou com caracteres ampliados;
Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência
da República, iniciaram em 2010 um convênio • Internet banking: página adaptada às pessoas com deficiência visual que tenham equipamentos
de cooperação para implementar ações compatíveis (softwares de voz);
afirmativas que promovam maior participação
dessas pessoas nos quadros de funcionários dos  entrais de atendimento telefônico: pontos de recepção acessíveis às pessoas com deficiência auditiva;
•C
bancos. A proposta pretende também buscar
sinergias com outros programas e iniciativas de • Atendimento nas agências: funcionários capacitados com o curso básico de libras.
valorização da diversidade, com recortes como
gênero e idade.
62 Febraban – Relatório Anual 2009

Investimentos Sociais

62
Febraban – Relatório Anual 2009 63

Um olhar adiante
Apesar de já ter avançado A promoção da cidadania e do desenvolvimento 2006. Ela busca estimular os bancos associados, seus
significativamente na conscientização social está na agenda da FEBRABAN, seja por meio funcionários e outras empresas integrantes de sua cadeia
sobre a defesa dos direitos das de iniciativas implementadas pelos seus bancos de valor a destinar até 1% do imposto de renda devido ao
crianças, os bancos colocam-se em associados ou pelos projetos desenvolvidos pela própria Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA). Os
posição de avançar nos mecanismos entidade. Esses temas são debatidos na Comissão recursos são direcionados para a execução de programas
de apoio e melhoria das condições de Responsabilidade Social e Sustentabilidade, e projetos que cumpram políticas de atenção aos direitos
da infância no Brasil. que vem ampliando seu escopo nos últimos anos. da criança e do adolescente, visando à diminuição da
Tradicionalmente voltado para questões relativas ao evasão escolar, à promoção da nutrição e da saúde, à
investimento social, o grupo passou a tratar de forma prevenção ao trabalho infantil e a abusos e exploração
ampla as questões ligadas à sustentabilidade, atuando sexual, entre outros.
de forma transversal em relação às demais Comissões
Técnicas da FEBRABAN. Atualmente, a comissão conta A FEBRABAN oferece em seu site um manual técnico
com 42 representantes, de 28 bancos associados. com informações sobre o FIA, esclarecendo dúvidas e
apoiando a divulgação desse mecanismo legal. Também
O carro-chefe das ações institucionais da FEBRABAN estão à disposição das empresas e pessoas interessadas
voltadas ao investimento social é a “Campanha pelos uma cartilha e um fôlder informativo, além do hotsite
Direitos da Criança e do Adolescente”, criada em http://www.febraban.org.br/fia.
64 Febraban – Relatório Anual 2009

Projeto Cisternas
A atuação da FEBRABAN também está presente no e a estruturação do programa, garantindo assim sustentável com o ecossistema do semiárido
Programa de Formação e Mobilização Social para sua operacionalização e êxito. Apoiou a montagem nordestino, por meio do fortalecimento da
a Convivência com o Semiárido: Um Milhão de de 52 unidades gestoras microrregionais e de uma sociedade civil e da mobilização, do envolvimento
Cisternas Rurais. Desde o lançamento do projeto, em unidade central, fornecendo automóveis, motocicletas, e da capacitação das famílias. Cada cisterna tem
2003, os bancos contribuíram com R$ 39,4 milhões computadores e mobiliário. capacidade de armazenar 16 mil litros de água,
para a construção de 29.629 reservatórios de água, captada das chuvas por calhas instaladas nos
beneficiando 141.533 pessoas em 554 municípios O projeto, gerenciado pela organização civil AP1MC telhados, e é construída pelos pedreiros das próprias
das regiões Nordeste e Sudeste. A entidade também (Associação Programa Um Milhão de Cisternas), localidades. Com o reservatório em casa, a família
ofereceu os recursos necessários para o planejamento é um movimento de articulação e de convivência não precisa gastar horas por dia para buscar a água
suja dos açudes ou depender de terceiros. Aprende
noções básicas de saúde, higiene e ecologia e não
precisa migrar, além de ficar menos sujeita a doenças
como amebíase, diarreia, verminoses, tifo e cólera.
GRI EC8: Investimentos em serviços públicos e projetos voltados para a comunidade

Ao completar 6 anos em 2009, o projeto amadureceu


e, agora, entra em uma nova fase. A FEBRABAN
Em 2009, os bancos investiram cerca de alterou o enfoque de seu apoio à iniciativa para
R$ 960 mil em projetos com fins sociais. torná-lo autossustentável. Nos próximos dois anos,
O foco comum são os recursos destinados fará os últimos aportes financeiros para a construção
à educação, principalmente nas cidades de cisternas e investirá na sistematização da
e comunidades com maior dificuldade de tecnologia social, na realização de um processo de
acesso a escolas de qualidade. Por meio de auditoria independente que verifique sua viabilidade
seus institutos e fundações, investem na e aderência às boas práticas de gestão, em processos
construção de escolas, centros educativos e equipe de marketing. Nos próximos dois anos,
e centrais de informática e desenvolvem concentrará esforços para que a AP1MC esteja apta
cursos presenciais e a distância e materiais para captar diretamente os recursos necessários à
didáticos, além de implantar e disseminar manutenção e à expansão de suas atividades junto a
metodologias e tecnologias educacionais investidores nacionais ou internacionais. Com isso, o
que visam aprimorar a política pública de programa ganhará autonomia e terá continuidade no
educação no Brasil. longo prazo. A FEBRABAN considera que esse é um
passo tão importante quanto o seu apoio inicial para
a estruturação do programa.
Febraban – Relatório Anual 2009 65

Além de melhorar a saúde das


comunidades locais, ao facilitar o
acesso à água de qualidade, o projeto
Cisternas conseguiu aumentar a
frequência escolar e permitir uma
maior mobilização social

Em 2007, por acreditar na importância da mensuração de resultados como instrumento de gestão, a FEBRABAN investiu na Avaliação
de Impacto Socioeconômico do Projeto Cisternas. O estudo foi realizado pelos professores Naércio Menezes Filho (Ibmec São Paulo
e Universidade de São Paulo – USP) e Elaine Pazello (USP) e pela Sensus Pesquisa e Consultoria. Os resultados mostram que, além
de melhorar a saúde das comunidades locais, ao facilitar o acesso à água de qualidade, o programa conseguiu aumentar a frequência
escolar entre as crianças e os jovens e permitir uma maior mobilização social da comunidade, que ganhou independência e tempo
para se dedicar a outras atividades, como buscar novas maneiras e técnicas de conviver com o semiárido de forma sustentável. Além
do retorno social, foram medidos os resultados econômicos gerados pelo projeto. O benefício total gerado pelo programa em um ano
chegou a R$ 1 milhão, com uma taxa interna de retorno de 4,8% ao ano, tendo como base o valor investido em 2004.

Avaliação de impactos socioeconômicos

Indicadores de interesse Impactos avaliados Resultados obtidos

Melhoria no acesso à água Diminuição do tempo médio para buscar água Beber e cozinhar 40 min
Lavar louças e roupas 18 min
Tomar banho 24 min
Incidência de doenças Diminuição da incidência de doenças Asma 3,90%
Chagas 2,60%
Verminoses 4,20%
Dengue 3,60%
Hepatite Não significativo
Diarreia Não significativo
Frequência escolar e probabilidade Aumento na probabilidade de frequentar a escola
Frequência escolar 7,50%
de trabalho para crianças e jovens de 7 a 17 anos
Aumento na probabilidade de trabalho Probabilidade de trabalho Não houve
Mobilização social Participação em atividades comunitárias Participação dos beneficiários em reuniões 28%
Mobilização com vizinhos para resolver problemas comuns 17,50%
Trabalho voluntário 14%
Número de moradores membros de alguma organização 12%
Sim 75%
Qualidade da cisterna A água da cisterna é suficiente?
Não 25%
Sim 42%
Divide água da cisterna com outras famílias?
Não 58%
Alguém da família recebeu treinamento para Sim 46%
construção da cisterna? Não 54%
Cálculo baseado no tempo adicional na escola para
Retorno econômico cada criança e no ganho adicional por ano de escola
Taxa Interna de Retorno (TIR) 4,8% ao ano
66 Febraban – Relatório Anual 2009

Sobre o Relatório

66

A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) publica seu primeiro relatório de sustentabilidade


de acordo com os parâmetros da Global Reporting Initiative (GRI). Consideramos que a publicação
atende ao nível C de aplicação das diretrizes, sendo destaque a utilização do suplemento setorial para
o setor financeiro. A elaboração do relatório de sustentabilidade GRI da FEBRABAN é parte de um
ciclo de aprendizados para promover o desenvolvimento sustentável do setor bancário.

 
   
C C+ B B+ A A+
Responder a todos os
Responder aos itens:
critérios elencados para
1.1;
o nível C mais:
2.1 a 2.10; O mesmo exigido
1.2;
Perfil da G3 3.1 a 3.8, 3.10 a para o nível B
3.9, 3.13;
3.12; 4.1 a 4.4;
4.5 a 4.13,
4.14 a 4.15
Com verificação externa

Com verificação externa

Com verificação externa


Conteúdo do relatório

4.16 a 4.17
Informações sobre a Forma de gestão
Forma de
Não exigido forma de gestão para cada divulgada para cada
gestão da G3
categoria de indicador categoria de indicador
  Responder a um Responder a um mínimo Responder a cada
Indicadores de mínimo de 10 de 20 indicadores de indicador essencial da
Desempenho indicadores de desempenho, incluindo pelo G3 e do suplemento
da G3 & desempenho, menos um de cada uma das setorial, com a devida
Indicadores de incluindo pelo seguintes áreas: econômica, consideração ao Princípio
Desempenho menos um de ambiental, direitos humanos, da Materialidade, de uma
do Suplemento cada uma das práticas trabalhistas, das seguintes formas: (a)
Setorial seguintes áreas: sociedade e responsabilidade respondendo ao indicador
  social, econômica e pelo produto. ou (b) explicando o
ambiental. motivo da omissão.
Febraban – Relatório Anual 2009 67

90%
dos ativos
totais do setor estão
representados neste relatório

A publicação busca O desafio na construção deste panorama setorial foi A coleta de dados para o relatório foi realizada em

destacar as iniciativas das consolidar informações distintas sem perder a legitimidade


do aprendizado e garantir a representatividade do segmento.
três etapas distintas. As informações institucionais da
federação foram levantadas em 18 entrevistas realizadas
instituições financeiras Os bancos já respondiam anualmente a um questionário de com os gestores de núcleos, e os indicadores GRI foram

e divulgar as melhores dados baseado nos Indicadores Ethos de Responsabilidade consolidados a partir de informações divulgadas pelos
Social, e, a partir desta publicação, a FEBRABAN busca a bancos. Os indicadores buscam dar um panorama dos
práticas que contribuam evolução para o padrão internacionalmente adotado pela principais impactos sociais, ambientais e econômicos
para disseminar o GRI – também já aplicado pelos maiores bancos brasileiros. dos bancos brasileiros – no período de 1º de janeiro a

desenvolvimento Além do alinhamento com as melhores práticas, os objetivos


são é simplificar processos de preenchimento e envio
31 de dezembro de 2009. No entanto, com a divulgação
da publicação no segundo semestre de 2010, algumas
sustentável no setor. de informações e estabelecer uma base que possa ser informações qualitativas relevantes do ano foram
comparada ano a ano. incluídas, por contribuírem para a contextualização do
panorama e das iniciativas da entidade.
A definição dos indicadores a serem relatados em 2009 foi
realizada com a avaliação dos relatórios já divulgados pelos, Todos os bancos associados foram convidados a
bancos, e, como nem todos possuíam dados monitorados participar, e enviaram os seus relatórios o Banco do
no padrão GRI, foram utilizados os dados já disponíveis. Brasil, o Banrisul, o Bradesco, a Caixa Econômica Federal,
A publicação busca referenciar as iniciativas de destaque o Citi, o HSBC, o Itaú Unibanco, o Santander, o Safra e
das instituições financeiras e divulgar as melhores práticas o Votorantim. Na terceira etapa, a FEBRABAN convidou
que contribuam para disseminar o desenvolvimento todos aqueles que ainda não publicam relatórios GRI
sustentável no setor. para uma oficina. Participaram representantes de todo
o País – Banco Alfa, Banco da Amazônia, Banco De Lage
Para que o relatório abordasse os assuntos mais relevantes Landen Brasil, Banco do Nordeste, Banco do Estado
e de maior impacto para o setor, representantes dos bancos do Espírito Santo, Banco Indusval, Banrisul, Deutsche
foram convidados a uma oficina realizada em 12 de abril de Bank, Rabobank, Safra e Votorantim. As informações
2010, em São Paulo. Como resultado, foram sugeridos os reportadas por eles também estão contempladas
temas que norteiam esta publicação – como governança, nesta publicação.
educação financeira, relações de trabalho e diversidade,
ecoeficiência, qualidade do serviço etc. Para cada tema Considerando que, na composição dos dados, tivemos
identificado, o relatório apresenta o posicionamento da a participação dos maiores bancos do País, assim como
FEBRABAN e as iniciativas institucionais em andamento. Na representantes de médias e pequenas instituições
reunião, também ficou definida a avaliação do relatório por financeiras, é possível estimar uma representatividade
um grupo de especialistas, promovendo, assim, a melhoria de mais de 90% dos bancos, se considerarmos os ativos
contínua do processo de relato. As pessoas convidadas totais do setor. As diferenças de escopo e as limitações
são representantes dos principais stakeholders – ONGs, específicas estão observadas nas notas relacionadas a
fornecedores e entidades ligadas ao governo e ao setor. cada indicador no índice remissivo.
68 Febraban – Relatório Anual 2009

Índice Remissivo GRI

Item Assunto Capítulo Página

1 ESTRATÉGIA E ANÁLISE

1.1 Declaração do presidente Mensagem da Presidência 2

2 PERFIL ORGANIZACIONAL

2.1 Nome da organização Perfil Institucional 5

2.2 Produtos e serviços, incluindo marcas Perfil Institucional 5

2.3 Estrutura operacional Governança 10

2.4 Localização da sede da organização Perfil Institucional 5

2.5 Países e região onde a organização atua Perfil Institucional 5

2.6 Tipo e natureza jurídica da propriedade Perfil Institucional 5

2.7 Mercados atendidos Perfil Institucional 5

2.8 Porte da organização Perfil Institucional 5

2.9 Mudanças durante o período coberto pelo relatório Sobre o Relatório 65

2.10 Prêmios recebidos no período coberto pelo relatório *

3 PARÂMETROS PARA O RELATÓRIO

3.1 Período coberto pelo relatório Sobre o Relatório 67

3.2 Data do relatório anterior Sobre o Relatório 67

3.3 Ciclo de emissão dos relatórios Sobre o Relatório 67

3.4 Dados para contato em caso de perguntas relativas ao relatório e a seu conteúdo Apresentação 1

3.5 Definição do conteúdo do relatório (temas, prioridades e stakeholders) Sobre o Relatório 67

3.6 Limite do relatório Sobre o Relatório 67

3.7 Limitações específicas quanto ao escopo ou ao limite do relatório Sobre o Relatório 67


Base para o relatório no que se refere a outras instalações que possam afetar
3.8 Sobre o Relatório 67
significativamente a comparabilidade entre períodos e/ou entre organizações
3.10 Reformulações de informações fornecidas em relatórios anteriores Sobre o Relatório 67

3.11 Mudanças significativas em comparação com anos anteriores (escopo e/ou medições) Sobre o Relatório 67

3.12 Tabela que identifica a localização das informações no relatório Sobre o Relatório 68

4 GOVERNANÇA, COMPROMISSO E ENGAJAMENTO

4.1 Estrutura de governança da organização Governança 12

4.2 Presidência do grupo de governança Governança 13

4.3 Porcentagem dos conselheiros que são independentes, não executivos Governança 9

4.4 Mecanismos para acionistas fazerem recomendações ao Conselho de Administração Não se aplica –

ENGAJAMENTO DOS STAKEHOLDERS

4.14 Relação dos grupos de stakeholders engajados pela organização Governança 13

4.15 Base para a identificação e seleção de stakeholders com os quais engajar Governança 14

* 2.10 – Como instituição de classe, a FEBRABAN não se candidata a prêmios e reconhecimentos


Febraban – Relatório Anual 2009 69

INDICADORES DE DESEMPENHO Escopo Capítulo Página

Essencial EC1 DVA 157 bancos O Setor Bancário em 2009 19


Banco da Amazônia, Banco do Nordeste,
Essencial EC8 Investimento em serviços públicos Banco Votorantim, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú Investimento Social 64
Unibanco, Rabobank e Santander
Banco Alfa, Banco da Amazônia, Banco do
Brasil, Banco do Nordeste, Banco Mercantil,
Banco Votorantim, Banese, Banpará, BNP
Paribas, Bradesco, Caixa, Citi, Itaú Unibanco,
Essencial LA1 Total de colaboradores Rabobank e Santander Relações de Trabalho 53
Nota: o total de colaboradores por região é
equivalente a 443.681, pois um dos bancos
participantes não considera os colaboradores
das unidades externas
Banco Alfa, Banco da Amazônia, Banco do
Brasil, Banco de Brasília, Banco Mercantil,
Banco do Nordeste, Banco Votorantim, Banco
do Estado de Sergipe, Banpará, BNP Paribas,
Bradesco, Caixa, Citi, Rabobank e Santander
Nota: na distribuição dos trabalhadores por
faixa etária, foi considerado um total de
Essencial LA13 Diversidade 342.518 trabalhadores, de 14 bancos. Já o Diversidade 68
indicador de gênero considera um universo
de 348.414 colaboradores, de 15 bancos.
Para os negros, foram contemplados 52.492
colaboradores, de 12 bancos que reportaram
o indicador. Para as pessoas com deficiência,
o universo foi de 5.072 colaboradores, de 13
bancos participantes do indicador
Banco do Brasil, Banco Fibra, Caixa, Citi, HSBC,
Essencial EN1 Materiais consumidos Finanças Sustentáveis 50
Itaú Unibanco e Santander
Banco Alfa, Banco da Amazônia, Banco do
Brasil, Banco do Nordeste, Banco Votorantim,
Essencial EN4 Total de energia elétrica consumida Finanças Sustentáveis 50
BNP Paribas, Caixa, Citi, HSBC, Itaú Unibanco,
Rabobank e Santander

Banco Alfa, Banco do Brasil, Banco do


Essencial EN8 Total de água consumida Nordeste, Banco Votorantim, BNP Paribas, Finanças Sustentáveis 50
Caixa, Citi, HSBC, Itaú Unibanco e Santander

Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Banco do


Essencial EN30 Investimento em meio ambiente Finanças Sustentáveis 51
Nordeste, Caixa, Itaú Unibanco e Santander
Banco Alfa, Banco do Brasil, Banco Votorantim,
Adicional HR3 Treinamento em direitos humanos Caixa, Citi, HSBC, Itaú Unibanco, Rabobank e Relações de Trabalho 56
Santander
Banco Alfa, Banco do Brasil, Banco Votorantim,
Número total de casos de
Essencial HR4 BNP Paribas, Bradesco, Caixa, Citi, HSBC, Relações de Trabalho 56
discriminação e as medidas tomadas
Itaú Unibanco, Rabobank e Santander
Banco Alfa, Banco do Brasil, Banco Votorantim,
Medidas tomadas em resposta a
Essencial SO4 BNP Paribas, Bradesco, Caixa, Citi, HSBC, Itaú Relações de Trabalho 57
casos de corrupção
Unibanco, Rabobank e Santander
70 Febraban – Relatório Anual 2009

INDICADORES DE DESEMPENHO Escopo Capítulo Página

Posição quanto a políticas públicas Banco Alfa, Banco do Brasil, Banco Votorantim,
Essencial SO5 e participação na elaboração de Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco, Rabobank e Governança 15
políticas públicas e lobbies Santander
Programas de adesão às leis, normas
e códigos voluntários relacionados à Banco Alfa, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Atendimento e Serviços
Essencial PR6 35
comunicação de marketing, incluindo HSBC, Rabobank e Santander aos Clientes
publicidade, promoção e patrocínio
Número total de casos de não
conformidade com regulamentos
Banco Alfa, Banco Votorantim, BNP Paribas,
e códigos voluntários relativos à Atendimento e Serviços
Adicional PR7 Bradesco, HSBC, Itaú Unibanco, Rabobank e 35
comunicação de marketing, incluindo aos Clientes
Santander
publicidade, promoção e patrocínio,
discriminado por tipo de resultado
Banco do Brasil, Banco Brasília, Banco
Setorial FS1 Políticas socioambientais Votorantim, Banpará, Bradesco, Caixa, Citi, Finanças Sustentáveis 47
HSBC, Itaú Unibanco, Rabobank e Santander
Procedimentos para avaliação e Banco do Brasil, Banco Votorantim, Banpará,
Setorial FS2 classificação de riscos ambientais e Bradesco, Caixa, Citi, HSBC, Itaú Unibanco, Finanças Sustentáveis 47
sociais nas linhas de negócios Rabobank e Santander
Processos para o monitoramento
da implantação por parte do cliente Banco do Brasil, Banco Brasília, Banco
Setorial FS3 do cumprimento de exigências Votorantim, Bradesco, Caixa, Citi, HSBC, Itaú Finanças Sustentáveis 47
ambientais e sociais incluídas em Unibanco, Rabobank e Santander
contratos ou transações
Banco do Brasil, Banco Votorantim, Banpará,
Capacitação em políticas
Setorial FS4 Bradesco, Caixa, Citi, HSBC, Itaú Unibanco, Finanças Sustentáveis 47
socioambientais
Rabobank e Santander
Interações sobre riscos/ Banco do Brasil, Bradesco, HSBC, Itaú
Setorial FS5 Finanças Sustentáveis 47
oportunidades socioambientais Unibanco, Rabobank e Santander
Banco do Brasil, Banco Brasília, Banco do
Produtos e serviços para benefício
Setorial FS7 Estado de Sergipe, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú Inclusão Financeira 43
social
Unibanco e Santander
Banco do Brasil, Banco Brasília, Banco do
Produtos e serviços para benefício
Setorial FS8 Nordeste, Banco Votorantim, Banpará, Finanças Sustentáveis 49
ambiental
Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander
Banco do Brasil, Banco Votorantim, Banpará,
Auditorias de políticas
Setorial FS9 BNP Paribas, Bradesco, Caixa, Citi, HSBC, Itaú Finanças Sustentáveis 47
socioambientais
Unibanco, Rabobank e Santander
Pontos de acesso em áreas pouco
Setorial FS13 populosas ou em desvantagem Disponível no indicador pág. 23 O setor bancário em 2009 23
econômica
Banco Alfa, BMG, Bradesco, Calyon Brasil, Citi,
Citicard, Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ Brasil,
Banco do Brasil/Nossa Caixa, Banco Industrial
Iniciativas para melhorar o acesso
e Comercial, Itaú Unibanco, Banco Mercantil do
Setorial FS14 aos serviços financeiros de pessoas Diversidade 61
Brasil, Rabobank, Safra, Santander/Real, Banco
com deficiência
de Brasília, Caixa Econômica Federal, HSBC,
Banco do Nordeste, Banrisul, Safra, Sofisa e
BPN Brasil
Iniciativas para melhorar a educação Banco Alfa, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa,
Setorial FS16 Inclusão Financeira 40
financeira HSBC, Itaú Unibanco, Rabobank e Santander
Febraban – Relatório Anual 2009 71

Parecer dos Especialistas

Reinaldo Bulgarelli

Especialista em Sustentabilidade
e Responsabilidade Social
Txai Consultoria e Educação

“O tema da valorização da diversidade ganhou relevância no Brasil por meio da atuação dos bancos. Foi o setor
que primeiro compreendeu a importância de agir a favor da diversidade na composição de seu público interno,
bem como a importância de divulgar essas ações como forma de mobilizar a sociedade. No entanto, ainda é um
desafio perceber os públicos-alvos dos programas como clientes ou potenciais clientes. É preciso, assim, ampliar o
trabalho para o aprimoramento de processos e educação para a diversidade. O não investimento nesses temas pode
comprometer os bons resultados que estão sendo obtidos, por exemplo, na capacitação de pessoas com deficiência.

A ascensão social da população negra, demonstrada nos dados sobre a nova classe média brasileira, oferece
desafios às empresas em geral e, portanto, aos bancos. O enfrentamento da questão do racismo, com suas
múltiplas faces e impactos no cotidiano das organizações, torna-se cada vez mais estratégico, em sintonia com
valores universais de direitos humanos. A mesma relevância tem a questão da mulher, para a qual não há a
justificativa da baixa escolaridade para explicar os números ainda tímidos na ascensão a postos de liderança. As
mulheres são maioria na sociedade brasileira e, em pouco tempo, serão maioria na população economicamente
ativa, como já acontece em outros países.

O tema do bullying ou assédio moral, bem como outras formas de assédio, deve ser cada vez mais incorporado
aos programas de valorização da diversidade do setor e dos bancos. Quando analisados os casos que chegam
à Justiça, há uma combinação dessa prática com aspectos de intolerância, racismo, machismo e homofobia,
entre outros. Algumas características, como raça, deficiência, gênero e orientação sexual, geram maior
vulnerabilidade em relação a práticas de assédio. Investir na qualidade das relações e na construção de um
ambiente de trabalho inclusivo e respeitoso é cada vez mais uma exigência que encontra nos programas de
diversidade a possibilidade de maior sucesso.

Além de oferecer dados relevantes para o entendimento da situação atual nos temas tratados no relatório, há
também um pouco do histórico das ações e do contexto, o posicionamento e a indicação de melhoria prevista.
É o melhor relatório do setor realizado até o momento, pela qualidade das informações e pela forma como
contribui para um melhor entendimento dos avanços, dos desafios e dos resultados alcançados na agenda de
sustentabilidade, com seus muitos temas. Ele permitirá maior visibilidade do setor e, ao mesmo tempo, atende
ao papel de mobilização da sociedade que esse setor vem realizando nos últimos anos.”
72 Febraban – Relatório Anual 2009

Roland Widmer Aloisio L. P. de Melo

Coordenador do Programa Eco-Finanças e Especialista em Agricultura e Meio Ambiente


Membro do BankTrack Secretaria de Política Econômica –
Amigos da Terra – Amazônia Brasileira Ministério da Fazenda

“A inclusão de declarações de stakeholders no presente relatório é “Parabenizamos a iniciativa da FEBRABAN de divulgação do Relatório
louvável. Essa consulta pontual pode aumentar a conformidade do Anual 2009, elaborado sob as diretrizes internacionais da Global Reporting
relatório com as diretrizes da GRI, mas o que é necessário mesmo é cultivar Initiative (GRI). O documento registra o reconhecimento, pelos bancos
um engajamento contínuo com as partes interessadas. Para ilustrar essa que atuam no Brasil, do seu papel diante dos desafios econômicos, sociais
questão, mencionamos a consulta pública sobre o Protocolo de Intenções e ambientais a serem enfrentados no processo de desenvolvimento do País.
assinado pela FEBRABAN e pelo MMA, em que stakeholders fizeram
contribuições construtivas e substanciais. Mais de quatro meses depois, Em especial, o capítulo ‘Finanças Sustentáveis’ revela a disposição
não há retorno sobre o aproveitamento dessas contribuições, e, um ano e dos bancos que atuam no Brasil de assumir compromissos e participar
meio após a assinatura do Protocolo, a prática dos bancos continua aquém voluntariamente de iniciativas como os Princípios do Equador, o Pacto
dos compromissos assumidos. Nesse sentido, seria bom dar mais ênfase à Global, os Objetivos do Milênio e o Carbon Disclosure Project. Destaco as
transparência e ao engajamento contínuo. iniciativas da FEBRABAN de assinatura do Protocolo Verde e de elaboração
de uma matriz de indicadores de sustentabilidade para as instituições
Sobre o conteúdo, o relatório às vezes frisa assuntos sem tocar na essência financeiras. Esse capítulo traz ainda interessante mapeamento de práticas
dos pontos levantados. Por exemplo, a mera existência de um produto inovadoras no sentido da concretização dos princípios de sustentabilidade.
ou serviço para suposto benefício ambiental (GRI FS8) em si não diz
muito. É essencial conhecer o peso relativo desses produtos dentro das Os avanços relatados apontam para os desafios da disseminação dessas
carteiras e segmentos respectivos. No mais, como o maior impacto dos iniciativas e do monitoramento da sua incorporação pelos bancos. Os
bancos na sociedade é indireto, seria bom abordar questões essenciais, a próximos relatórios poderão trazer novas informações e análises sobre
exemplo da questão das emissões de gases de efeito estufa financiadas os avanços nesse campo, inclusive quanto à incidência dos parâmetros
pelo setor financeiro. Isso fortaleceria a postura bem-vinda da FEBRABAN ambientais sobre a gestão de ativos, a análise de risco de projetos, os
de ‘incentivar os bancos associados a adotar práticas que promovam as processos internos e ainda sobre a interação dos bancos com clientes,
mudanças necessárias aos modelos de negócios e aos processos internos’.” funcionários e outras instituições.”
Febraban – Relatório Anual 2009 73

Aerton Paiva

Negócios Sustentáveis
Gestão Origami

“O resultado está bastante consistente. Vejo uma total conexão do setor financeiro como um agente indutor da
sustentabilidade, em primeiro plano: seja pelo crédito, pelo segmento de investimentos e mercado de capitais, seja
pelo varejo. Mas, como sempre, há muitas oportunidades para aprimoramentos, motivo este que me fez ser mais
crítico (construtivamente) quanto à percepção sobre o primeiro relatório de sustentabilidade GRI da FEBRABAN:

1. Os temas centrais em que o setor financeiro deve prestar maior atenção quando nos referimos à sustentabilidade são:
• Pessoa jurídica (grandes corporações): intensificar a adoção de práticas de análise de risco socioambiental,
norteadas pelos Princípios do Equador;

• Pessoa jurídica (pequenas e médias empresas): desenvolver aplicações dos produtos bancários para fomentar as
práticas de sustentabilidade;

• Pessoa física: educação financeira, mas sobretudo a proatividade de antecipar o impacto negativo do crédito em
demasia quando este compromete o desenvolvimento básico do núcleo familiar.

2. Dado que a premissa do relatório é que seja lido pela sociedade, penso que deveriam evitar conceitos técnicos,
como por exemplo o quadro em que é mostrado o Índice de Basileia. Ao mesmo tempo, informar os ativos totais,
o patrimônio liquido etc. sem dar uma noção comparativa global (comparando com outros países) acaba por
disponibilizar uma informação sem muita praticidade interpretativa.

3. No item ‘Portas Abertas’, quando mencionado que a FEBRABAN busca a melhoria de sua imagem perante a
sociedade, penso que a sociedade não está interessada na imagem da FEBRABAN, mas sim na efetividade de suas
ações no que se refere à ponte entre a sociedade e os bancos. Um exemplo disso é o próprio Conselho Consultivo,
cuja representação da pessoa física não está ali colocada, sendo que, para tanto, sugiro para o futuro
a participação de um representante do SNDC.

4. Stakeholders da FEBRABAN – Onde estão os clientes pessoa física? Não considero ‘sociedade’ como estes, dado
que os demais setores estão ali representados.

5. Por fim, mas não menos importante, penso ser necessário a FEBRABAN conduzir a criação de um modelo de
reporte que permita a comparação da performance em sustentabilidade entre os bancos. Sei que isso não é
simples, muito menos fácil de se fazer em um ambiente concorrencial como é a realidade vivida pela entidade,
considerando-se seus integrantes concorrentes em suas atividades. Mas é necessário para o movimento da
sustentabilidade avançar na direção almejada. Imagino que se focar nos principais temas e desenvolver um ‘one
page report’ para o setor seria de grande valia para a sociedade.”
74 Febraban – Relatório Anual 2009

Shigeo Shiki – FEBRABAN

Prof. Instituto de Economia, UFU


Gerente do Departamento de
Economia e Meio Ambiente/MMA

“Com a assinatura do Protocolo Verde com o MMA em 2009, a Febraban demonstrou


que o seu compromisso com a sustentabilidade não é mais retórica e ação isolada
de alguns bancos, com suas estratégias de responsabilidade socioambiental,
acompanhando a evolução da crise ambiental mundial, enfatizada pelo debate das
mudanças do clima. Instrumentos que estão sendo desenhados, como a Matriz de
Indicadores de Sustentabilidade Aplicáveis ao Setor Financeiro, é uma inovação que
fortalece o compromisso, tornando mensurável o progresso dos bancos signatários do
Protocolo, mostrando à sociedade a evolução real no campo da sustentabilidade.

O tema das mudanças do clima, já inevitável em todos os setores da economia e que


requer fortes ações públicas e privadas para uma transição real para a economia verde,
tem de ter forte apelo e compromisso do setor financeiro, que a FEBRABAN representa.
É a clareza o que o setor financeiro brasileiro está demonstrando ao assumir o Protocolo
Verde e seus princípios como norteadores de suas ações de ecoeficiência, mas também
no encorajamento ao desenho de produtos e serviços financeiros de apoio à economia
verde. A esse respeito, o governo está lançando uma proposta ousada para a segunda
fase da Política de Desenvolvimento Produtivo, que tem como diretriz estratégica a
sustentabilidade. Esse pode ser o tema-chave para a atuação da FEBRABAN, sem se
esquecer da adoção de práticas bancárias de redução dos riscos ambientais locais.”
Febraban – Relatório Anual 2009 75

Ricardo Algis Zibas

Gerente da Área de Sustentabilidade


KPMG

“Nos últimos anos, é possível notar que as questões relacionadas à sustentabilidade têm permeado, cada vez
mais, as discussões que envolvem o setor financeiro. Nesse sentido, é visível uma demanda cada vez maior
por parte da sociedade (principalmente nos países desenvolvidos) em relação à prestação de contas e à
transparência na divulgação de informações, especialmente após a crise deflagrada em setembro de 2008,
em que muitas organizações passaram a contar com o apoio estatal para a continuidade de suas operações,
ou simplesmente deixaram de existir da noite para o dia.

A partir desse contexto, os temas centrais que envolvem o setor financeiro passaram a exigir não só um maior
controle das demonstrações contábeis, mas também um relato mais detalhado das informações de cunho
não monetário, visando permitir uma análise mais aprofundada das organizações e de sua perenidade.

Assim, alguns temas passaram a ter maior protagonismo, quando falamos desse setor especificamente: o uso
consciente do crédito, o acesso universal aos serviços bancários, a análise dos impactos socioambientais dos
projetos financiados, a distribuição de valor para a sociedade como um todo e o relacionamento com todas
as partes interessadas, não apenas os acionistas, mas também órgãos reguladores, funcionários, sindicatos e
a sociedade civil em geral.

Dessa forma, este primeiro relatório de sustentabilidade da FEBRABAN é uma iniciativa bem-vinda, pois
caminha na direção de sistematizar e divulgar de forma transparente as questões relativas aos temas de
sustentabilidade discutidos por seus membros. Como todo relatório de sustentabilidade, é o início de uma
jornada, pois o uso de indicadores globais, como no caso da GRI, é também uma forma de mensuração e
gestão das informações socioambientais que permitirá, ao longo do tempo, o aprofundamento nos temas
sensíveis e materiais e a comparabilidade com outras organizações.”
Créditos
Coordenação
Mário Sérgio Fernandes de Vasconcelos
Diretor de Relações Institucionais

Apoio
Apresentação Ricardo Terenzi Neuenschwander
Diretor Setorial da Comissão de Responsabilidade Social e Sustentabilidade

Para a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), relato, consideramos ter alcançado o nível C Consultoria GRI
um sistema financeiro saudável, ético e eficiente de aplicação das diretrizes. Ao selecionar as Report Comunicação

é condição essencial para o desenvolvimento informações que seriam relatadas, tivemos


econômico, social e sustentável do País. A atuação de considerar a disponibilidade dos dados já Redação e Edição
Report Comunicação
dos bancos está alinhada aos princípios que monitorados pelos bancos, tendo como desafio
estimulam o comportamento responsável, o que a consolidação dos diferentes formatos utilizados
Projeto Gráfico, Diagramação e Produção Gráfica
inclui, necessariamente, a transparência em suas por eles. Tal complexidade nos levou a publicar o Report Comunicação
ações e o diálogo permanente, comprovando relatório apenas em novembro de 2010. Assim,
o compromisso com o desenvolvimento e a para o próximo ano, as metas são antecipar o Ilustração
criação de valor para toda a sociedade. Por isso, planejamento das atividades e incluir um número Denis Freitas (página 34)
a federação vem publicando, desde 1993, um maior de bancos no levantamento de informações.
balanço anual de suas atividades. Revisão
Para atender ao princípio da GRI referente Assertiva Produções Editoriais
A partir desta edição, em mais uma etapa de à inclusão dos stakeholders, a FEBRABAN
aperfeiçoamento, o relatório da FEBRABAN convidou especialistas externos a dar seu
Fotos
passa a seguir as diretrizes internacionais da parecer sobre o conteúdo produzido e, assim,
Banco de Imagens FEBRABAN – págs. 3 (presidente), 5, 13 (superior), 17, 32, 33
Global Reporting Initiative (GRI). Para cada tema promover a melhoria contínua do processo de (inferior), 45, 47, 49 (superior), 56, 60, 61 (esquerda), 62, 63, 64 e 66.
identificado, há o posicionamento da FEBRABAN, relato. Essas declarações estão publicadas ao
NaLata – págs. 3 (fundo), 7, 8, 9, 10, 13 (inferior), 14, 15, 23, 29, 30, 33
as iniciativas institucionais em andamento e, final do relatório, onde você também encontra (superior), 34, 36, 37, 38, 39, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 57, 58, 59 e 61 (direita).
sempre que possível, as metas e os compromissos os detalhes sobre como ele foi idealizado e
©Thinkstock – índice, págs. 4, 26 e 49; ©Thinkstock/Stockbyte – págs.16, 28 e
assumidos para os próximos anos. O desempenho produzido. Para mais informações, estamos à 62; ©Thinkstock/Yamini Chao – pág.19; ©Thinkstock/Jupiterimages – pág.20;
qualitativo e quantitativo consolidado do setor disposição no e-mail respsocial@febraban.org.br. ©Thinkstock/Rayes – pág.21; ©Thinkstock/Felipe Dupouy e ©Thinkstock/
Hemera – pág.41, ©Thinkstock/Jupiterimages – pág.42, ©Thinkstock/James
bancário de acordo com os indicadores da GRI Woodson – pág.43, ©Thinkstock/Hemera – pág.44, (inferior).
também integra a publicação. Para este primeiro Boa leitura!
©iStockphoto/blackred – Capa (números)

Tiragem
1.000 exemplares

Impressão
Garilli Gráfica e Editora Ltda.
Papel capa: Couché Fosco Matte, 240 g/m2
Selo FSC
Papel miolo: Couché Fosco Matte, 115 g/m2
Produto impresso em papel certificado FSC.
Relatório Anual 2009
Relatório Anual
2009

FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos


Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.485, 15º andar
CEP 01452-002 – São Paulo – SP

www.febraban.org.br