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Prática 1: O Pêndulo Simples

Objetivo
Usar um cronômetro de mão para obter a melhor estimativa do perı́odo de um pêndulo
de comprimento fixo, bem como a melhor estimativa da incerteza nesse valor. Investigar
a possibilidade de diminuir a incerteza no perı́odo medindo vários perı́odos juntos. Usar o
perı́odo calculado para obter uma estimativa da aceleração local da gravidade e a incerteza
nesse valor.
Introdução
O resultado de uma medida possui uma incereteza que decorre da limitação da precisão
de qualquer instrumento de medida utilizado. De um modo geral, se a menor divisão de um
instrumento de medida é ∆x, haverá um incerteza de 0, 5 ∆x. Por exemplo, se usamos uma
régua milimetrada para medir o comprimento de uma corda, provavelmente conseguiremos
dizer (por exemplo) que esse mede entre 437mm e 438mm, mas não conseguiremos ser mais
precisos. Assim, seria razoável relatar o comprimento com a incerteza instrumental como
437, 5 mm ± 0, 5 mm.
Além da incerteza intrı́nseca ao equipamento (± metade da menor divisão), existem
outros fatores que influem no resultado de uma medida. Para exemplificar os problemas que
podem surgir em fazer uma medição simples, nesta experiência tentamos medir o perı́odo de
um pêndulo.
Passo 1
Monte um pêndulo simples com o equipamento disponı́vel em sua bancada, usando um fio de
comprimento de aproximadamente 30 cm (não precisa ser esse comprimento exato). Anote o
comprimento do pêndulo (indicando a incerteza nessa medida) no espaço reservado no inı́cio
da Guia do Experimento.
Passo 2
Solte o pêndulo de tal forma que o ângulo inicial entre o fio e o vertical não seja muito
grande (≤ 15◦ ). Meça com o cronômetro (pode ser o cronômetro do relógio de pulso, ou do
seu celular) um perı́odo completo do pêndulo (o tempo gasto para ir e voltar). Anote o valor
que você obtem em tabela 1 da Guia do Experimento. (Repare que a unidade de medida,
no caso segundos (s), aparece em cada coluna da tabela).
Passo 3
Repita passo 2 um total de 10 vezes, procurando soltar o pêndulo sempre da mesma altura,
assim tentado evitar que as condições da experiência sejam modificadas.
Provavelmente os valores que você obteve para o perı́odo do pêndulo são diferentes. Em
outras palavras, as variações encontradas entre as medidas são maiores do que a incerteza
(desvio) do instrumento de medida (o cronômetro).
Podemos ver que nem sempre a incerteza da experiência corresponde à incerteza in-
strumental. Há ainda uma margem de erro, não devida ao instrumento apenas, mas devida
ao próprio processo de experimentação, que podemos chamar de incerteza ou desvio experi-
mental.
Às vezes, algumas medidas do valor do perı́odo coincidem. Pode ser que todas coinci-
dam. Mas mesmo se todas as medidas fossem iguais (digamos 0,93s) isso não significa que

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não haveria uma incerteza associada a esse valor. Na verdade significaria que seria razoável
concluir que o perı́odo fosse entre 0,925s e 0,935s, ou seja (0, 930 ± 0, 005) s. Em geral, não
podemos esperar medir uma grandeza com uma precisão maior (incerteza menor) do que o
instrumento de medida!
Deixando de lado a incerteza instrumental por enquanto, em face dos valores diferentes
para “o perı́odo”, surge a questão do qual é o valor “verdadeiro” do perı́odo. Devem estar
começando a perceber que nunca saberemos o valor “verdadeiro” do perı́odo (se é que isso
existe), então seria melhor perguntar qual é nossa melhor estimativa do perı́odo.
O consenso é que a melhor estimativa do valor de uma grandeza é a média das medições
feitas. Assim se medirmos uma grandeza fı́sica, t digamos, n vezes, obtendo valores t1 , t2 ,
. . . , tn , a melhor estimativa de t é
n
1X
Valor Media de t = t = ti .
n i=1

(É comum escrever t ou <t> para denotar o valor médio de t.)


Passo 4
Usando suas medidas do perı́odo do pêndulo, calcule a melhor estimativa do perı́odo e escreva
esse resultado no espaço reservado em baixo da tabela 1. Por enquanto mantenha todos os
algarismos, uma vez que só saberemos onde fazer o arredondamento quando conhecemos a
incerteza experimental.
Após decidir qual é a melhor estimativa do perı́odo, devemos fornecer também uma
idéia da incerteza em nosso resultado, ou a melhor estimativa da incerteza. Um bom ponto de
partida é calcular quanto cada medição difere do valor médio, ou seja o valor de δti ≡ ti − t
(e comum usar o sı́mbolo δ para denotar o desvio no objeto seguinte). Chamamos essa
diferença o desvio da medida. Se uma medição for maior que a média, essa medição terá um
desvio positivo; se for menor do que a média, terá um desvio negativo.
Passo 5
Preencha coluna 3 de tabela 1 com os desvios, ti − t, de cada medição da média. Mantenha
dois algarismos significativos por enquanto.
Parece que um valor razoável para a melhor estimativa da incerteza no perı́odo seria
a média dos desvios. Porém, já que o desvio mede a diferença (com sinal) de cada valor da
média, e haverá aproximadamente tantos valores acima da média quanto abaixo, os valores
positivos e negativos dos desvios se cancelem e a média dos desvios será zero. Para se
convencer disso, tente isso com seus resultados (devido a arredondamento pode ser que essa
média não seja exatamente zero.)
Pensando bem, o que nos interessa é a magnitude da incerteza, que podemos entender
como o valor absoluto da incerteza, assim dispensando o sinal. Portanto propomos como a
melhor estimativa da incerteza, a media dos valores absolutos dos desvios individuais.
Passo 6
Preencha coluna 4 de tabela 1 com os valores absolutos dos desvios, |ti − t|. Use 2 algarismos
significativos.
Passo 7
Calcule a melhor estimativa do incerteza como a média dos valores na coluna 4. Escreva
esse valor no lugar reservado em baixo da tabela 1. Assim como a incerteza instrumental, o
desvio médio deve ser arredondado para conter apenas um algarismo significativo.

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Passo 8
Já que a incerteza experimental não pode ser menor do que a incerteza instrumental, compare
o desvio médio e a incerteza instrumental. Escolhendo o maior, coloque esse valor à direita
da última linha em baixo de tabela 1.
Passo 9
Arredonde o valor do perı́odo para que o último algarismo significativo do perı́odo seja na
mesma casa decimal da incerteza do experimento. Essa linha é sua melhor estimativa do
perı́odo do pêndulo, com a melhor estimativa da incerteza.
Reduzindo a Incerteza na Medição do Perı́odo
Não podemos contornar diretamente o limite de precisão imposto por nosso instru-
mento de medida, mas às vezes (dependendo do experimento) é possı́vel contornar esse
limite indiretamente. O experimento do pêndulo é um dos casos onde isso é possı́vel.
A idéia é o seguinte: em vez de incluir somente um perı́odo do pêndulo em nossa
medida, medimos dez perı́odos contı́nuos. A incerteza instrumental continua a ser ±0, 005 s
para a medida no total . Mas, já que essa medida abrange dez perı́odos, a incerteza cai para
±0, 0005 s por perı́odo.
Se repetirmos essa medida dez vezes (isto é deixamos o pêndulo balançar ida-e-volta
dez vezes, e fazemos isso dez vezes), podemos usar o mesmo raciocı́nio para diminuir o desvio
médio por perı́odo. Idealmente, a incerteza experimental no perı́odo deve diminuir por um
fator de dez.
Passo 10
Repita os passos anteriores mas, desta vez, medindo 10 perı́odos juntos dez vezes. Anote os
resultados em tabela 2. A partir desse valores, calcule sua melhor estimativa de um perı́odo
(com melhor estimativa da incerteza) nos espaços reservados em baixo da tabela.
Teoricamente, para pequenos ângulos, o perı́odo, t de um pêndulo e seu comprimento,
l, obedecem a relação s
l 4π 2 l
t = 2π ⇒g= 2 ,
g t
onde g é a aceleração local da gravidade. Usando os valores do comprimento do seu pêndulo
e do perı́odo, junto com as incertezas desses, calcule sua melhor estimativa de g e a melhor
estimativa da incerteza absoluta. (Lembre que, para produtos e quocientes, a incerteza
relativa do resultado é a soma das incertezas relativas dos fatores).
Relatório
Além de elaborar um relatório conforme as normas (você deve incluir a guia do exper-
imento onde você colocaria os dados e cálculos), no fim do relatório, responda às seguintes
perguntas:
1 Quais as incertezas relativas e percentuais para o perı́odo nas duas partes do experimento?
2 Por que a incerteza no comprimento do pêndulo pode ser maior do que a incerteza instru-
mental da régua usada para medi-lo?
3 Aumentar o número de perı́odos medidos juntos para 10 realmente diminuiu a incerteza
por um fator de 10? Senão, como explicar isso?
Lembre! A melhor estimativa do perı́odo do pêndulo é uma conclusão do experimento,
bem como sua estimativa da aceleração local da gravidade.

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GUIA DO EXPERIMENTO Nome:
Estimativa do comprimento do pêndulo: mm Estimativa da incerteza
no comprimento do pêndulo: mm

Tabela 1: Medindo Um Perı́odo do Pêndulo


Medida no i Perı́odo ti (s) Desvio ti − t (s) |ti − t| (s)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10

Melhor estimativa do perı́odo, t: s.


Incerteza instrumental: ± s.
Desvio médio: ± s.
Melhor estimativa do perı́odo (com incerteza): s ± s.

Tabela 2: Medindo Dez Perı́odos do Pêndulo


o
Medida n i 10 Perı́odos Ti (s) 1 Perı́odo ti (s) Desvio ti − t (s) |ti − t| (s)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10

Melhor estimativa de 1 perı́odo, t: s.


Incerteza instrumental: ± s.
Desvio médio de 1 perı́odo: ± s.
Melhor estimativa de 1 perı́odo (com incerteza): s ± s.