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TREE 0F LIFE

0 SEG ED0 UN E SAL


Luciano Gonçalves

Delta Iguassu Publicações

©2016

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Copyright ©2016 by Luciano Gonçalves

Todos os direitos reservados.

Este livro ou qualquer parte dele não poderá ser reproduzido


integralmente ou parcialmente sem a expressa autorização do
escritor ou publicador, exceto para o uso de sucintas cotações ou
referências em obras literárias e trabalhos acadêmicos.

Primeira impressão: 2016

Delta Iguassu Publicações – www.deltaiguassu.com


deltaiguassu@gmail.com

ISBN: 978-1-365-11478-6

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PREFÁCIO
O objetivo central deste livro é oferecer um completo guia teórico
e prático que lhe ajudará a desvendar os maravilhosos e complexos
Segredos Universais Cabalísticos. Abertamente abordaremos temas
relevantes e curiosos como: A origem do universo, a concepção do
espírito e da alma, os mundos sobrenaturais, a cristalização material
no plano físico, os fenômenos psíquicos e paranormais, a projeção
da consciência, a morte física e a desintegração dos elementos cor-
póreos, a continuidade da vida extrafísica nos planos evolutivos e
ainda mais; abordaremos exercícios práticos, extremamente úteis e
saudáveis para uma vida feliz em harmonia com o nosso Espírito.

Há muitos anos comecei uma busca teológica por respostas, apesar


dos métodos e doutrinas tradicionais terem me oferecido importantes
dicas, eu decidi que já era hora de responder minhas questões mais
profundas e inquietantes. Foi então que, estudando os mistérios da
antiguidade - Egito, Babilônia, Pérsia e Israel - me foi apresentada a
chave mestra, a qual destrancaria todas as portas dos seus arcanos,
pois suas heranças e legados tinham muito a nos ensinar.

Poderia eu publicar os seus mistérios?

Na antiguidade, governos teocráticos exerciam total influência sobre


as massas, governadas através de métodos de intimidação religiosa,
assim perpetuavam suas hegemonias. Logicamente, a arte de domi-
nar sempre foi reservada à poucos - Sacerdotes, Principados, Reis,
Mestres, Generais - eram a ponta da pirâmide, a elite global de sua
época, seus métodos eram terríveis e eficazes.

Estes segredos (metodologia) bem guardados, foram transmitidos de


boca ao ouvido, de geração em geração e com muita discrição e
seletividade. Nossa missão neste livro é democraticamente publicá-
los sem demagogia, para que seu poder construtivo possa estar ao
alcance de todos que assim almejem receber a alforria da Luz.

Por intermédio de um enfoque contemporâneo, vislumbraremos cada


tema proposto. Gradualmente o leitor poderá avançar conforme seu
esforço pessoal, pois aos olhos do progresso contínuo, não há nada
impossível a se contemplar e completar.

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Apresentarei um conjunto de estudos e pesquisas baseados em
escrituras sagradas, códices canonizados pelo tempo, fonte de gran-
de poder e fascínio entre as potentes nações de outrora. Minhas
pesquisas tem-se baseadas em fontes tais como: The Talmud, The
Kybalion, The Teachings of Zoroaster, The Zohar, The Vedas, The
Book of Enoch, The Book of Dead, The Divine Pymander, The Zend-
Avesta, The Holy Bible; entre tantos outros de incalculável valor.
Alguns destes códices são datados desde a formação das primeiras
sociedades e religiões do mundo antigo, e todas merecem nosso
respeito por suas heranças filosóficas, teológicas e históricas.

Agradecimentos:

Todo este conhecimento não poderia ser humanamente acessado e


qualificado ao curso de uma vida, porém com o apoio indescritível
destes autores, minha missão tornou-se possível. Gostaria de citar
alguns espíritos iluminados que através de suas literaturas me
ofereceram um importante background: Dion Fortune, Arthur Eduard
Waite, Gareth Knight, J.F.C. Fuller, McGregor Mathers, John Michael
Green, Chico & Sandra Cicero, Israel Regardie, Albert Pike, W. L.
Wilmshurst, C. W. Leadbeater, Donald J Degracia, Helena P.
Blavatsky, Manly Palmer Hall, Mark Stavish, Max Heindel, Robert
Bruce, W. W. Westcost, Willian Heckethorn. Suas obras literárias me
ofereceram relevantes e cruciais informações em minha caminhada
e empreita, a eles(as) meus agradecimentos sinceros e profundos.

Meus agradecimentos especiais:

Aos Amores da minha vida - minha esposa K. aos nossos amados


filhos J&J - aos meus pais. Aos nossos verdadeiros amigos e irmãos,
pois quando digo amigos e irmãos, eles sabem quem são.

Ao incentivador de nosso trabalho - Bro. B∴ B∴, por sua amizade e


companheirismo, ao Fr. E∴ A∴, por sua fidelidade e apoio indes-
critíveis em nossa caminhada, muito obrigado.

Finalmente gostaria de dedicar este trabalho ao Grande Mestre e


Iluminador, sem Ele nada disto seria possível! Receba a nossa mais
reconhecida gratidão, por sua inspiração e apoio nas horas mais
difíceis, por sua providência, graça e confiança,

Muito Obrigado Jesus!


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Conteúdo

Introdução pag. 11

Capítulo I

Glifos, A Árvore da Vida pag. 13


Microcosmo, pag. 16
Macrocosmo, Adam Kadmon, pag. 19
Os Quatro Mundos (Planos), pag. 20

Capítulo II

A Tetragramação, pag. 21
A Pentagramação, A Árvore da Vida e suas Esferas, pag. 22
A Tríade Supernal, Kether, pag. 24
Chokmah, Binah, pag. 25
Daath, pag. 26
A Tríade Astral, Chesed, pag. 27
Geburah, pag. 28
Tiphareth, pag. 29
A Tríade Etherica, Netzach, pag. 30
Hod, Yesod, pag. 31
A Materialização Final, Malkuth, pag. 32
O Abismo, O Véu, pag. 34

Capítulo III

A Parábola do Jardim do Éden, pag. 36


Explicação da Lenda do Jardim, pag. 37
Recapitulando, pag. 40

Capítulo IV

Os Sistemas Cêntricos, pag. 43


A Cosmogonia Cabalista, Curiosidade, pag. 46
Rápida Dinâmica, pag. 47
Os Corpos Celestes e suas relações, pag. 50
As Cores e suas influências psicológicas, pag. 51

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Capítulo V

Nomes de Poder, pag. 53


O Leve engano Hermético, pag. 54
Relativo ao Espírito Universal, Nomes Divinos, pag. 55
Relativo aos Espírito Pessoal, Nomes Arcangelicais, pag. 56
Relativo à Alma, Nome Angelicais, pag. 57
Relativo ao Corpo Físico, Nomes dos Plexos/Orbes, pag. 58

Capítulo VI

As Letras Hebraicas, pag. 60


Os Paths (Caminhos), pag. 61

Capítulo VII

Os Messias Históricos, Os “deuses” messiânicos, pag. 62


Esotérico x Exotérico, pag. 63
A agenda de Jesus, pag. 64
Vós sois deuses, pag. 65

Capítulo VIII

Os fenômenos psíquicos e paranormais, pag. 66

Capítulo IX

Os Mundos sobrenaturais, Os Planos Astral e Etherico, pag. 71


Habitats Astrais, pag. 73
O Qlipoth, pag. 74
Elemental, pag. 76
O Pós-morte, pag. 77
O Paraíso e o Inferno, pag. 78

Capítulo X

Uma vida em harmonia, pag. 80


Como equilibrar, pag. 81

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Parte Prática

Exercícios, pag. 84
O Pilar Central, pag. 88
Pathworking, pag. 91
A Técnica de Ascensão, pag. 95
Como tirar proveito das esferas, pag. 97
Subindo a Árvore, pag. 98
Lista dos Paths, pag. 99
Templos Geométricos, pag. 111
Vidência Direta (Scrying), pag. 113
Técnica de Cura, pag. 114
Técnica de Projeção Astral, pag. 115
A Shekinah, pag. 118

Conclusão pag. 119

As Figuras

Figura 1: A Árvore da Vida, pag. 14


Figura 2: Microcosmo (O Homem), pag. 15
Figura 3: Macrocosmo (O Universo), pag. 18
Figura 4: As Esferas, pag. 23
Figura 5: O Caminho do Relâmpago, pag. 33
Figura 6: O Abismo e o Véu, pag. 34
Figura 7: Involução polarizada, pag. 35
Figura 8: Os Sistemas Cêntricos, pag. 42
Figura 9: A Árvore da Vida Astronômica, pag. 45
Figura 10: A Árvore Cosmogônica e o Ser, pag. 49
Figura 11: A Árvore e as Cores Astrais, pag. 52
Figura 12: Plexos, pag. 59
Figura 13: A maçã, pag. 72
Figura 14: Os Pilares, pag. 86
Figura 15: O Pilar Central, pag. 87
Figura 16: A Árvore da Vida na Tradição Hermética, pag. 93
Figura 17: Ascensão, pag. 94
Figura 18: Templos Geométricos, pag. 112
Figura 19: A Shekinah. pag. 118

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10
Introdução

Nosso livro começará descrevendo a mais importante de todas


as artes que este mundo já conheceu - A Cabala Universal - uma
ciência filosófica e transcendental, capaz de religar terra e céu numa
fração de segundo, num piscar de olho. Segundo uma importante
linha tradicional - Abraão, o famoso patriarca Hebreu - teria sido o
primeiro receptor desta tecnologia. Obviamente tal lenda oferece um
especial incentivo ao homem de hoje, que estando disposto a
receber com graça, lhe será outorgado a Luz, assim como o Abraão
bíblico, um homem simples com um coração sincero entre milhões
de sua raça, o qual se dispôs a receber a mais alta dádiva revelada
a um ser humano - O Segredo Universal da Árvore da Vida.

Nota: O Torah e o Talmud, ambos importantes referências Judaicas,


são coleções de escrituras e/ou pensamentos israelitas repletos de
mistérios. Estes foram propositalmente redigidos e transmitidos em
forma de parábolas cabalísticas, seus segredos eram somente des-
velados oralmente aos escolhidos. Também no Novo Testamento
Cristão - desde os evangelhos canônicos até o fantástico livro do
Apocalipse - textos refletem-se neste prisma multicolor tal pattern.

Na presente era, trabalhos Cabalísticos como: The Zohar e o Sepher


Yetzirah, são de grande importância ao tema, assim como referên-
cias de origem Rosacrucianas, Herméticas e Maçônicas, que discre-
tamente transmitem ou revivem importantes aplicações da filosofia
cabalística em seus rituais, símbolos, liturgias e psicodramas.

Muitos mestres, profetas, reis e sacerdotes de outrora eram caba-


listas, a tradição nos conta que Abraão teria recebido os seus ensi-
namentos por intermédio de um rei chamado Melchizedek; no Novo
Testamento um importante texto sustenta a tese de que o próprio
Mestre Jesus teria um ministério de herança Melchizedekiana, Ele
em seus ensinamentos revelou-nos em suas parábolas, segredos
cabalísticos importantes para nossa evolução pessoal, ensinamentos
certamente ignorados pelas tradições cristãs por motivos sórdidos e
óbvios, os quais fazem parte das temáticas e do escopo deste livro,
onde em tempo oportuno os desvelaremos.

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Dentre os discípulos do Mestre Jesus, o mais íntimo e habilidoso foi
o Apóstolo João, um verdadeiro conhecedor da arte. Ele, João, nos
rendeu verdadeiras amostras do mundo astral em seus enigmáticos
depoimentos escatológicos, descrevendo-nos com grande qualidade
acerca dos mistérios inefáveis dos mundos além deste mundo.

Mas o que é Cabala?

A Cabala pode ser compreendida de muitas maneiras, são inú-


meras aplicações possíveis dado ao vasto range de seu limiar. Uma
vez sendo um perfeito mapa entre as interações universais de todas
as escalas da criação, por intermédio da Cabala compreenderemos
toda a natureza material, etherica, astral ou espiritual, a complexa
maquinaria sobrenatural que envolve nosso mundo físico ou extra-
físico, desvelando as leis universais as quais sustentam o universo.

No bojo deste livro abordaremos as práticas salutares desta arte, no


interesse específico de promover o bem pessoal de nossos leitores!

Desde já exercito minha reprovação à todo tipo de relacionamento


imoral com a arte, sendo um alerta expresso a todos que desejam
seus conhecimentos, aplicações e/ou poderes; inescrupulosamente,
irresponsavelmente e malignamente, não são poucas as histórias
reais de pessoas que se perderam no caminho do egoísmo, assim
gostaria de acrescentar ao nobre leitor nosso bom conselho: “Não se
iluda com o glamour da ilusão (mágica), busque com humildade o
conhecimento para seu crescimento e iluminação pessoal, sabendo
sempre que tudo o que plantarmos, certamente colheremos”

Humildemente, gostaria de apresentar este trabalho como sendo o


marco de uma conquista pessoal deste autor, peço que levem em
consideração minha vontade de ajudar, bem como meu profundo
desejo de ensinar. Assim o leitor fará bem, se procurar extrair de
forma paciente cada ensinamento aqui apresentado.

Peço que tomem nota de cada tópico e capítulo, até mesmo qual-
quer dúvida, desta maneira será possível um perfeito entendimento
de nosso livro, bem como uma valiosa análise do seu progresso
durante vossa caminhada em rumo a Luz!

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Capítulo I

Glifos

O uso de glifos tem sido empregado como uma maneira eficaz na


assimilação de ideias. Subconscientemente conseguimos absorver
os significados tanto quanto processar imagens em forma de asso-
ciações, por exemplo, o desenho de uma circunferência. O círculo é
um símbolo que nos remete à ideia do infinito sendo confinado ao
finito, ou da inexistência sendo expressada pela simbologia da
ausência. Este é o caso do numeral zero, o qual expressa este sím-
bolo numa neutralidade numérica manifestada.

Desta maneira expressa-se suas máximas e segredos, através de


desenhos, ideogramas e/ou símbolos. Visualmente, computamos
suas dimensões, subconscientemente estabelecemos conexões psí-
quicas, emocionais e mentais, com suas formas e forças, facilitando
muito o trabalho de integração entre as partes numa via de duas
mãos, num perfeito diálogo, numa complexa interação entre os ex-
tremos - assim entenderemos suas máximas e segredos, através de
seus Glifos.

A Árvore da Vida

Ela é o mais importante dos Glifos concebidos pela Cabala, ela


aparece nos textos Bíblicos de Gênesis plantada ao meio do Jardim.
Seu significado é pouco compreendido pelas massas e obviamente
desvelaremos seus segredos de maneira oportuna neste capítulo.
Antes de iniciarmos, gostaria de pontuar que cada homem/mulher é
uma árvore da vida; fisicamente, psiquicamente, emocionalmente e
espiritualmente.

Nosso estudo começará sob a ótica onde o homem (o microcosmo),


será interpretado de acordo com o símbolo de sua árvore da vida,
nas esferas e planos das simbologias pertencentes a cada grau
existencial do seu ser. Na figura 1, apreciaremos o glifo da Árvore da
Vida segundo a tradição Hermética, logo na figura 2, apreciaremos a
Árvore da Vida de acordo com a representação do microcosmo.

13
Figura 1 - Árvore da Vida

14
Figura 2: Microcosmo (O Homem)

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Microcosmo, o homem é uma miniatura do universo.

O Homem é composto de três partes: o espírito, a alma e o corpo


físico. Devido sua complexidade estrutural, estudaremos cada parte.
Para prosseguirmos em nossos estudos de maneira satisfatória, as
dividiremos de acordo com sua estrutura glífica já apresentada.
(Figura 2)

O Espírito:
Num primeiro momento o espírito do homem estava originalmente
unido à origem, sendo parte do Infinito e Eterno. Então ocorreu uma
graciosa separação, uma centelha de “luz” destacou-se da Infinitude,
emanando uma partícula ativa de vida espiritual, uma fagulha ainda
inconsciente, porém capaz. Então somente após uma mudança vi-
bratória surgiu a dualização oscilatória capaz de gerar consciência
espiritual individual.

Podemos descrever o espírito em três estados existenciais:

1 – Yechidah, é a mais alta esfera espiritual do Ser, onde existíamos


em união com a raiz antes de nossa manifestação individual, antes
de nos separarmos da unicidade. Portanto Yechidah está inacessível
para nossas consciências enquanto indivíduos, porém acessível en-
quanto uníssonos e íntegros à origem de todas as coisas.

2 – Chayyah, é a segunda esfera espiritual do Ser, onde nossa


separação espiritual de fato ocorreu. É onde o estado de consciência
divina manifesta-se ativamente e positivamente. Antes era a perfeita
união, agora é a criativa separação, entretanto ainda em processo
de emancipação individual e existencial.

3 - Neshamah, é a terceira esfera espiritual do ser, é quando a


mente espiritual passiva é formada, onde o espaço/tempo se inte-
gram”. Em Neshamah a mente espiritual já individualizada está cons-
ciente de ser e existir, aqui o ser espiritual encontra-se polarizado e
atuante.

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A Alma:
Ela é o veículo moral, emocional, inteligente e psíquico (o ego).
Dividida em duas camadas, a primeira é conhecida por Ruach,
a alma espiritual (a máscara), a segunda por Nephesh,
a alma animal.

1 – Ruach (Alma Espiritual ou Corpo Astral):


Ruach é o produto energético do espírito, formado para a mani-
festação independente dele. Ruach é a psique, uma máscara social,
o ponto focal onde a individualização está sempre em construção e
evolução, mesmo que ciclicamente.

2 – Nephesh (Alma Animal ou Corpo Etherico):


Nephesh é a matriz interdimensional que interliga o ego ao corpo
físico. Nephesh absorve as energias ethericas e as transformam em
diferentes tipos de fluxos utilizáveis nos corpos astral e físico.
Nephesh é uma matriz composta a partir destes fluxos energéticos,
devido sua ligação direta ao corpo biológico, ela é a portadora de
seus instintos, paixões e desejos animais. Nephesh é a casca ethe-
rica do ego, por isto também registra em sua camada memórias e
características do ego.

O Corpo:
Ele é o veículo biológico.

Gouph, é o corpo físico, cristalizado para ser o envelope de nossa


manifestação no plano material. Gouph é a carne, a matéria bruta de
nossa existência corpórea, é a nossa morada temporária enquanto
homens, num privilégio sensorial e comunitário da ignorância. Gouph
é uma cópia fiel e mais densificada de sua Ruach, segundo suas
características e também de acordo com fatores genéticos ou sub-
raciais.

Obs.: Na sequencia explicaremos melhor este tema com o auxilio


das relações e correlações de cada parte como um todo, sem pre-
juízos ao entendimento.

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Figura 3: Macrocosmo (O Universo)

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Macrocosmo, o universo.

A Cabala nos mostra a origem do Macrocosmo através dos famosos


véus de existência negativa:

1.AIN, 2.AIN SOPH, 3.AIN SOPH AUR.

São compreendidos como véus de existência negativa:

AIN: Sem
AIN SOPH: Sem Limite
AIN SOPH AUR: Luz Sem Limite

Foi “onde e quando” o Criador existiu eternamente antes de sua


auto-manifestação, antes da criação de qualquer dimensão cósmica.
Se o universo foi criado a partir de um Big Bang (um ponto inicial), os
véus de existência negativa são o que precederam qualquer advento
de tempo ou espaço.

Este conceito não nega a pré-existência de um Projeto Maior, sim-


plesmente reforça-o, retirando da equação o tempo e o espaço, que
são apenas coordenadas concretas e racionais na condição limitada
do pensamento e da percepção humana, onde tudo se baseia por
estas dimensões.

Entre os três véus e a manifestação Supernal Cósmica, antes dos


projetos e ideais acerca do universo visível e mensurável; A Luz
Criacional se manifestou, ela foi simbolizada pelos Cabalistas de
“Adam Kadmon”.

Nota: Para o Cristianismo seu título é ‫יהשוה‬, o primeiro Adam.

Adam Kadmon, O Ser Primordial.

Adam Kadmon é a metáfora antropomórfica "Adam", denotando a


forma de um homem embora ainda não manifesto em carne.
"Kadmon" significa primazia, a primeira emanação intocada ainda
unida com a fonte. É a Suprema Coroa de pura luz e vontade, sem
polaridade, mas potencialmente ativa. É a manifestação do Divino
Espírito Criacional do Universo, entretanto acima dos demais quatro
mundos cabalísticos que estudaremos na sequência deste tão im-
portante capítulo.

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Os Quatro Mundos (Planos)

1. Atziluth, é o primeiro plano da Criação Universal (blueprints).


Atziluth é o mundo dos conceitos primordiais, é a energia fonte
irradiada em arquétipos originais. Em Atziluth estão as sementes e a
essência de todos os mundos a seguir. Neste plano os seres
emanados da criação ainda não dão conta de suas individualidades,
porém já estão ativos e criativos. Correspondências: A letra Yod da
Tetragramação, o elemento Fogo, o estado de energia contínua, o
sêmen universal.

2. Briah, é o segundo plano da Geração Universal.


As ideias e conceitos emanados de Atziluth agora estão sendo
revestidos com uma substância mental muito sutil. Em Briah surge a
oposição dual entre tempo e espaço, positivo e negativo, ativo e
passivo, luz e trevas, macho e fêmea, estático e oscilatório. Neste
plano os seres emanados do Cosmo já dão conta de sua própria
individualidade. Correspondências: A primeira letra He da Tetra-
gramação, o elemento Água, o estado de energia alternada ou osci-
latória, o óvulo universal fecundado.

3. Yetzirah, é o terceiro plano da Gestação Universal.


Aqui as Criações e Gerações Cósmicas tomam aspectos tangíveis,
onde as energias oscilatórias são finalmente moduladas; seus
comprimentos de ondas ganham novas densidades computáveis.
Yetzirah é o ventre progressista envolvendo o fruto universal. Neste
plano a consciência participa ativamente através dos pensamentos,
palavras e realizações.

Correspondências: A letra Vav da Tetragramação YHVH, o elemento


Ar, o estado de energia modulada, o útero universal frutificante, a
Shekinah.

4. Assiah, é o quarto plano da materialização, das aparências.


Assiah é Yetzirah cristalizado em estado de solidez material. Tudo o
que é fisicamente manifesto no universo pertence ao plano de
Assiah. Neste plano estamos sujeitos a todas as leis naturais e
físicas do universo. Correspondências: A última letra He, o elemento
Terra, o estado de energia demodulada / aterrada, o Emanuel.

Assim temos: 1-Criação, 2-Geração, 3-Gestação, 4-Materialização.

20
Capítulo II

A Tetragramação

YHVH - Yod, He, Vav, He – Pronúncia: Ye-ho-vá

Assim é conhecido o poderoso e inefável nome ou fórmula universal.


A Cabala atribui a cada letra um significado específico:

1. Yod: é a força ativa e masculina do espírito em processo de


criação, é o sêmen criador ativo capaz de fecundar a vida, é a
centelha divina.

2. He: é a forma passiva e feminina do espírito em processo de


geração, o óvulo fecundado, a fôrma mental que individualiza o ser.

Estas são as duas primeiras letras da Tetragramação, delas surgem


o Ser Espiritual consciente de Ser. Este é o processo espiritual
fecundante da Força Criativa na Forma Gerativa.

Nota: Na sequência surge um abismo entre o espírito e a alma, uma


separação entre a ideia e a conclusão. Neste abismo não há contato
direto entre a arquitetura e a construção, há somente uma ponte de
pura luz onde o objetivo central de nossas vidas será alcançado.

3. Vav: após o abismo ocorre a gestação, Vav é o útero universal


que condensa e frutifica as estruturas astrais do cosmo. Neste nível
são manifestadas todas as leis do universo em funcionamento,
espacialmente/temporalmente. Aqui não se cristalizou a matéria bru-
ta, não há estruturas físicas, porém as energias capazes de soli-
dificá-las já estão se densificando.

4. He: finalmente o Cosmo se materializa nesta ultima letra, onde


cada corpo físico existente é uma cópia exata e fiel de seu original
no mundo Astral de Vav.

Cada entidade passa por um processo assim: 1. Criado em Yod,


2. Gerado em He, 3. Gestado em Vav, 4. Solidificado em He.

21
A Pentagramação

YHShVH -Yod, He, Shin, Vav, He – Pronúncia: Yehoshua

Assim é conhecido o operante e eficaz nome ou fórmula universal.


Note que este nome contém as quatro letras da Tetragramação com
a adição da letra Shin entre elas, denotando uma Shekinah, ou a
presença do Espírito Divino, numa analogia ao Emanuel com seu
acento entre a criação, ou seja: O homem comum, sendo ele habi-
tado pelo Shin (Espírito) - o verdadeiro dono do ser - fonte de cons-
ciência singular. Cada um de nós, somos seres divinos, encarnados
ou não, o que muda é nossa consciência deste fato.

A Árvore da Vida e suas Esferas

Na Cabala explica-se o processo criativo detalhadamente através de


suas esferas, emanações ou manifestações, chamadas de Sephi-
roth. Na Árvore da vida, encontramos as famosas bolinhas conhe-
cidas por Sephiroth ou Emanações/Esferas. No total elas são dez,
nem nove, nem onze, porém é reconhecível a adição de uma Sephi-
rah extra/oculta, nominada como Daath (Conhecimento).

As Sephiroth representam as emanações das forças/formas divinas


através de um complexo sistema de condensações conhecido como
“O Caminho do Relâmpago”, isto é, o caminho da força criativa-
gerativa até sua manifestação nos planos extrafísico e físico.

Nos próximos parágrafos estudaremos em detalhes cada Sephirah,


nas esferas encontraremos mais do que símbolos e alegorias, porém
verdadeiros esquemas de funcionamento das estruturas universais.

Os nomes em língua hebraica representam suas titularidades únicas,


eles nos ajudarão a percebermos sua sequência neste intrincado e
complexo glifo, no entanto os nomes foram mantidos em sua língua
mãe para facilitar o trabalho de pesquisa e continuidade, porque o
leitor certamente continuará a estudar o tema em outras fontes.

Tradução:
Sephiroth “emanações, esferas”,
Sephirah: “emanação, esfera”.

22
Figura 4: As Esferas

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A TRÍADE SUPERNAL

A Tríade Supernal: a semente, o óvulo, o verbo.

0 - Kether, significando “Coroa”, é a mais alta sephirah da árvore da


vida. Kether é a sublimidade, a força primaz ilimitada. É o equilíbrio
harmonioso de toda a vasta criação antes mesmo dela ser revelada
ou emanada. Se concebermos o universo através de um ponto de
partida, Kether é capaz de render energia para sua realização.

Em analogia à física clássica, Kether é pura energia, sem polaridade,


nem positiva, nem negativa, sendo a força monódica universal.
Kether é o ponto de pura consciência cósmica.
Correspondência: a Glândula Pineal.

Cor Astral: Branca (Intenso). Astro: O Firmamento.

Texto Yetzirático: O primeiro caminho é chamado de A Inteligência


Admirável ou Oculta, porque ela é a luz que dá o poder de
compreensão do Primeiro Princípio, o qual não teve início. É a Glória
Primordial, porque nenhum ser criado pode alcançar sua essência.

Títulos dados a Kether: Existência das Existências. Oculto do


Oculto. Antigo dos Antigos. Ancião de Dias. O Ponto Primordial. O
Ponto dentro do Círculo. O Altíssimo. O Grande Rosto. A Cabeça
Branca. A Cabeça a qual não é. Macroprosopos. Lux Occulta. Lux
Interna.

Experiência Espiritual: União com a Unicidade.

24
1 - Chokmah, significando “Sabedoria”, é a segunda sephirah da
árvore da vida. Chokmah é a mais alta sephirah do pilar Yakin
(Graça). Chokmah é a manifestação da chama divina que aquece
todo projeto ou arquétipo Criacional, é a energia manifesta na
polaridade positiva, ativa, masculina, criativa. Através de Chokmah o
Ser se revela Único e Plural, Dele emana a letra hebraica Yod, a
centelha Divina que não se apaga. É o sêmen singular e/ou plural
capaz de fecundar a existência universal. Correspondência: a face
esquerda do rosto humano.

Cor Astral: Branca (suave). Astro: O Zodíaco.

Texto Yetzirático: O segundo caminho é chamado de A Inteligência


Iluminante. É a Coroa da Criação, o Esplendor da Unidade,
igualando-se. É exaltado acima de toda cabeça, é nomeado pelos
Cabalistas como a Segunda Glória.

Títulos dados a Chokmah: Poder de Yetzirah. Ab. Abba. O Pai


Supernal. Tetragramação. O Yod da Tetragramação.

Experiência Espiritual: A visão divina face a face.

2 - Binah, significando “Entendimento”, é a terceira sephirah da


árvore da vida. Binah é a mais alta sephirah do pilar Boaz (Justiça).
Binah é a feminilidade divina, é o óvulo universal fecundado, onde a
concepção espiritual ocorre. É a mãe geradora de morte e vida
paradoxalmente. Morte, porque a semente antes de brotar tem que
morrer. Vida, porque o broto é o seu renascimento. Aqui a energia
masculina é fecundada, represada, transformada, conformada,
oscilada e dualizada.

Tais distúrbios produzem picos negativos em sua amplitude, assim


podemos afirmar que Binah é a causadora da polaridade negativa,
onde a individualidade pela primeira vez ocorre, numa síntese
embrionária ela poderia ser comparada à multiplicação celular.
Em Binah a letra hebraica He representa a feminilidade universal.
Correspondência: a face direita do rosto humano.

Cor Astral: Preta. Astro: Saturno.

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Texto Yetzirático: O Terceiro Caminho é chamado de A Santificante
Inteligência, a Fundação da Sabedoria Primordial; também é
chamada de a Criadora de Fé, e suas raízes estão no Amém, de
onde emana a fé. É a mãe da fé, de onde a fé emana.

Títulos dados a Binah: Ama, a sombria mãe estéril. Aima, a


brilhante e fértil mãe. Khorsia. O Trono. Marah. O Grande Mar.

Experiência Espiritual: Visão de Sofrimento.

3 - Daath, significando “Conhecimento”. Daath está oculto na árvore


da vida, ele é o espírito inteligente e consciente, sua palavra
determina a estruturação e o surgimento da vida astral e/ou material.
Daath é o produto (o resultado) da semente de Chokmah e o óvulo
de Binah. Podemos afirmar que tanto Chokmah e Binah são as duas
faces de uma única esfera: Daath. Outra forma de colocarmos a
mesma coisa é dizer que Daath é uma cópia de Kether, porém
individualizada. Daath é expresso como uma cabeça com duas faces
olhando para os dois lados.

Daath é a representação individualizada da primeira esfera (Kether);


Daath é a soma da segunda e terceira esferas (Chokmah + Binah);
Daath é o espírito individual, manifesto e consciente no plano
espiritual.

Na prática, Daath é o espírito do homem ou de qualquer outro ser


consciente individualizado. No homem espiritual, Daath representa o
verdadeiro Ser, que está acima de qualquer ego ou matéria física.
Daath é conhecido como O Anjo Protetor ou o Mais Alto Ser.
Correspondências: Medula Oblongada. Laringe.
Cordas Vocais. O Shin da Pentagramação.

Cor Astral: Purpura. Astro: Sirius (estrela ardente)

É necessário lembrar que Daath não habita nos planos inferiores


como Astral ou Físico, ele apenas se faz conectado através da Alma
Espiritual. Daath é a ponte de luz acessível ao ego humilde.

Títulos dados a Daath: O Sephirah Místico. O Cenáculo.


O Sephirah invisível. A Mente Cósmica Escondida ou não Revelada.

Experiência Espiritual: Visão além do Abismo.


26
A TRÍADE ASTRAL

A Tríade Astral: a graça, a severidade e o equilíbrio.

4 - Chesed, significando “Favor”, é a quarta sephirah da árvore da


vida. Chesed é a segunda sephirah do pilar da graça. É a
manifestação do amor divino através da alma espiritual, é a
benevolência ilimitada e sublime. Chesed surge aqui como um
derramamento da energia espiritual através do abismo, no mundo da
causalidade.

Chesed é a primeira das sete sephiroth inferiores que dão forma ao


astro. Neste sentido estão relacionados conceitos e leis como:
justiça, generosidade, proteção e nutrimento. Chesed é o Favor
Personificado. Correspondência: braço e mão esquerda do corpo
humano.

Cor Astral: Azul. Astro: Júpiter.

Texto Yetzirático: O Quarto Caminho é chamado de A Inteligência


Coesiva ou Receptiva, porque contém todos os Poderes Santos, e
deles emanam todas as virtudes espirituais com as mais exaltadas
essências. Eles emanam uns dos outros pela virtude da Emanação
Primordial, a Mais Alta Coroa, Kether.

Títulos dados a Chesed: Gedulah. Amor. Majestade. Magnificência.

Experiência Espiritual: Visão do Amor.

27
5 - Geburah, significando “Poder”, é a quinta sephirah da árvore da
vida. Geburah é a segunda sephirah do pilar da justiça. É a
manifestação da severidade divina através da alma espiritual, é a
austeridade crua e parcial, a qualidade contrativa que permite o
progresso, eliminando tudo o que é inútil e vil.
Geburah é a Severidade Personificada.
Correspondência: braço e mão direita do corpo humano.

Cor Astral: Vermelha. Astro: Marte.

Texto Yetzirático: O Quinto Caminho é chamado de A Inteligência


Radical, porque relembra a Unidade, unindo si próprio com Binah,
Entendimento, a qual emana das profundezas primordiais de
Chokmah, Sabedoria.

Títulos dados a Geburah: Din: Justiça. Pachad: Medo.

Experiência Espiritual: Visão do Poder.

Obs.: Geburah contrabalança seu oposto Chesed, polariza a sua


força e modifica de acordo com seus padrões doutrinários em poder,
força e coragem. Chesed sensibiliza, afaga e aquece Geburah,
oferecendo alternativas positivas e construtivas ao seu rigor.

Como vimos, em Chesed há uma efusão de energias em forma de


amor, em Geburah estas mesmas energias estão sendo controladas,
limitadas e contrapostas, formando um par ou um casal. Chesed e
Geburah estão em contraposições equilibrantes entre a expansão e
a contração.

Chesed sem Geburah é amor cego e graça sem limites que acabam
virando conivência. Geburah sem Chesed é a justiça austera sem
misericórdia e a vontade sem limites que não enxerga seu próprio
rastro destrutivo. Nossa alma para estar em harmonia universal
precisa do equilíbrio destes dois polos opostos, sua perfeita
harmonia só é possível pela atuação do espírito sobre o ego, viz.: a
próxima sephirah.

28
6 - Tiphareth, significando “Beleza”, é a sexta sephirah da árvore da
vida. Tiphareth é a sephirah central de toda a árvore, localizada
horizontalmente e verticalmente nela. Em Tiphareth o espírito em
operação tem seu assento ou trono. Aqui encontramos o equilíbrio
desta tríade. Tiphareth é o sol interno, representado nos mistérios
pela figura do Filho. Tiphareth é correlacionado com a letra hebraica
Vav. Correspondência: Peito, Coração.

Cor Astral: Amarela. Astro: Sol.

Tiphareth pode ser a esfera adornada, glorificada e exaltada com a


presença do santo espírito nela. “Santo é o fruto do seu ventre”.

Em Tiphareth podemos encontrar lugar para a expressão: “Haja luz,


e houve luz”. Tiphareth pode equilibrar a compaixão de Chesed e a
austeridade de Geburah, balanceadas por Sua Vontade. Tiphareth
também pode exercer um balance muito importante na próxima
tríade inferior, entre Netzach e Hod.

Nota: Como visto, Tiphareth ocupa um lugar central no pilar da


consciência “o pilar do meio”, onde nosso ego se encontra entre
Kether e Malkuth. Tiphareth pode ser representado como a Shekinah
do Emanuel, para isto basta a consciente autonegação do ego, onde
subserviente, ele está em perfeita comunhão com seu espírito, caso
contrário este conceito está apenas em construção ou em negação.
Assim poderíamos afirmar que o ser encarnado não passa de anjo
caído, um demônio encarnado, uma criatura egoísta e vil, domada
por sua bestialidade e desbalanceada em seus instintos animais...

Texto Yetzirático: O Sexto Caminho é chamado de A Inteligência


Mediadora, porque dentro dele são multiplicados os influxos das
Emanações; pois ele faz com que essa influência venha a fluir para
todos os reservatórios das bênçãos, com os quais ele mesmo está
unido.

Títulos dados a Tiphareth: Zeir Anpin, o Rosto Menor. Melekh, o


Rei. Adam. O Filho. O Redentor, O Sol.

Experiência Espiritual: Visão da harmonia das coisas. O Mistérios


da Crucificação.

29
A TRÍADE ETHERICA

A Tríade Etherica: a emoção, a razão e a conexão.

7 - Netzach, significando “Vitória”, é a sétima sephirah da árvore da


vida, é a esfera basal do pilar da graça, o lugar das emoções,
sentimentos, paixões, expirações criativas, como as belas-artes, os
poderes que estimulam a criatividade e a paixão.

Netzach é a sephirah que emana a atividade emocional no seu mais


apaixonante sentido, é a energia por de traz de todo instinto. Na
reprodução etherica de todas as formas astrais, ela é a esfera das
energias responsáveis por se fazerem condensar o ether de todos os
átomos manifestos neste nível. Sem Netzach o nosso mundo físico
não se cristalizaria. Correspondência: quadril e perna esquerda.

Cor Astral: Verde. Astro: Vênus.

Texto Yetzirático: O Sétimo Caminho é chamado de A Inteligência


Oculta, porque é o esplendor refulgente das virtudes intelectuais as
quais são percebidas pelos olhos do intelecto e as contemplações da
fé.

Título dado a Netzach: Vitória, Firmeza. Valor

Experiência Espiritual: Visão da beleza triunfante.

30
8 - Hod, significando “Esplendor”, é a oitava sephirah da árvore da
vida, é a esfera basal do pilar da justiça. Hod contrapõe as energias
emocionais de Netzach através de seus poderes intelectuais. Hod
está associada com a lógica, razão, pensamento. O Intelecto e as
emoções precisam equilibrar-se mutuamente, por isso Tiphareth usa
das qualidades inerentes de Hod para estabilizar e fixar os fluxos
energéticos livres de Netzach. Correspondência: quadril e perna
direita. Cor Astral: Laranja. Astro: Mercúrio.

Texto Yetzirático: O Oitavo caminho é chamado de A Inteligência


Absoluta ou Perfeita, porque é o meio Primordial, o qual não tem raiz
pela qual pode unir-se ou descansar, salvo nos lugares ocultos de
Gedulah, do qual emana sua apropriada essência.

Título dado a Hod: Esplendor. Glória.

Experiência Espiritual: Visão do Esplendor.

Obs.: Expressar emoções sem pensar é equivalente ao externalizar


ações descontroladas, mais natural em animais irracionais ou seres
humanos dirigidos por instintos. Pensar intelectualmente sem levar
em conta emoções, leva-nos a praticar o egoísmo meramente lógico
e vil. O conhecimento prático e a lógica bem dosados nos levam ao
reconhecimento de um supremo propósito, que serve de fonte de
inspiração, esplendor e majestade, porém a lógica nos afasta da
verdade, do amor e da inspiração manifestada na vitória de Netzach.

9 - Yesod, significando “Fundação”, é a nona sephirah da árvore da


vida, é a esfera somatória e simétrica de Netzach e Hod. Yesod é
geralmente vista como o mundo astral inferior. Yesod é o plasma
bem conhecido nos fenômenos paranormais. É uma emanação de
energia sutil e vivificante, coordenadora, integradora e estimulante
no plano. Relacionada com as energias reprodutivas dos órgãos
sexuais no corpo humano, Yesod é o ponto instintivo de conexão
entre a alma e o corpo físico. Através de Yesod nosso cérebro tem
acesso imaginário, ilusões, sonhos e atividades extra-sensoriais.
Yesod proporciona-nos uma conexão ou comunicação, um contato
com a realidade astral. Todas as energias mais elevadas das oito
primeiras Sephiroth têm que passar por Yesod ao expressar-se no
mundo físico. Correspondência: Órgãos Sexuais.

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Cor Astral: Violeta. Astro: Lua.

Texto Yetzirático: O Nono Caminho é chamado de A Inteligência


Pura, porque purifica as Emanações. Prova e corrige o desenho de
suas representações, e dispõe a unidade com as quais foram
desenhadas sem diminuição ou divisão.

Título dado a Yesod: Fundação. Casa do Tesouro das Imagens.

Experiência Espiritual: Visão da maquinaria do universo.

A MATERIALIZAÇÃO FINAL

10 - Malkuth, significando “Reino”, é a decima e última sephirah da


árvore da vida. É a síntese de todas as outras Sephiroth. Malkuth é a
expressão materializada do universo. É o mundo físico onde as
energias/formas emanadas foram cristalizadas a fim de tornar esta
vida física possível. Malkuth é o receptor final das emanações
Divinas. Malkuth é a manifestação da ultima letra hebraica He, é
onde o relâmpago da Providência Maior toca o solo da existência.
Malkuth é uma cópia de Yesod devidamente fixada.
Correspondência: Órgão excretor, os pés.

Cor Astral: Citrina, Oliva, Castanha e Preta. Astro: Terra.

Texto Yetzirático: O Décimo Caminho é chamado de A Inteligência


Resplandecente, porque é exaltado acima de cada cabeça e senta-
se sobre o trono de Binah. Ilumina os esplendores de todas as luzes,
e faz com que uma influência venha emanar do Príncipe dos Rostos,
o Anjo de Kether.

Títulos dados a Malkuth: O Portão. O Portão da Morte. O Portão da


Sombra da Morte. O Portão das Lágrimas. O Portão de Justiça. O
Portão da Oração. O Portão da filha dos Poderosos. O Portão do
Jardim do Éden. A Mãe Inferior. Malkah, a Rainha. Kallab, a Noiva. A
Virgem.

Experiência Espiritual: Visão do Sagrado Anjo Guardião (H.G.A.),


ou seja, a visão astral de nosso próprio espírito.

32
Figura 5: O Caminho do Relâmpago.

33
Figura 6: O Abismo e o Véu

O Abismo. Entre a Alma e o mais Alto Espírito, encontramos um


abismo intransponível para nossa consciência humana cruzar e se
religar à Fonte, “onde” somente poderemos chegar através de nosso
espírito, ou seja, Daath – A Ponte de Luz. O mistério do Batismo de
Fogo e da Assunção do Redentor parabolizam bem a travessia do
Abismo.

O Véu. Entre o Cérebro Físico e a Alma Espiritual encontramos uma


verdadeira barreira psíquica que separa-nos de uma perfeita visão e
compreensão de nossa essência Astral. Por causa deste fino véu
conseguimos enxergar apenas uma penumbra da realidade, uma
imagem “velada”. O mistério do Batismo do arrependimento nas
Águas e/ou da Crucificação, parabolizam o rompimento deste Véu.
34
Figura 7: Involução polarizada.

35
Capítulo III

A Parábola do Jardim do Éden

Diz a lenda que o Criador plantou na terra um lindo e fértil jardim,


nele formou o homem do pó da terra. Do homem tirou uma costela e
dela formou sua companheira, Eva. Juntos, Adam e Eva poderiam
desfrutar e se alimentar de tudo que lhes conviessem, exceto do
fruto de uma peculiar árvore plantada bem no meio do Jardim, a
saber, a árvore do conhecimento. Na verdade, existiam duas árvores
no meio do jardim, uma maldita e outra bendita, uma era fonte de
vida, saúde, abundância, enquanto outra era fonte de conhecimento
e separação, da inocência à individualidade. Segundo a lenda neste
paraíso maravilhoso, existiam todos os tipos de animais, inclusive,
Adam foi o responsável por nomear cada espécie existente.
Entre eles havia um “animal” muito astuto, “a serpente”.
Um belo dia Eva passeava pelo Jardim e deparou-se com “a árvore”,
que lhe aguçou a vista, então a serpente lhe tentou dizendo: “Ignore
o aviso de Deus e coma do fruto desta árvore, porque comendo você
será igual a Ele e certamente não morrerá, mas terá o conhecimento
do bem e do mal”. Eva então seduzida pela possibilidade, comeu e
ainda convenceu seu companheiro - Adam a fazer o mesmo. Vindo
Deus passear como de costume ao final da tarde, procurou e
chamou Adam pelo nome, porém o homem muito envergonhado de
sua repentina nudez escondeu-se do Criador. Deus lhe perguntou:
“Adam, por acaso vocês comeram do fruto proibido?” Adam se
esquivou e colocou a culpa em Deus, por lhe ter dado uma mulher.
Após isto, o Senhor ainda os ajudou fazendo para eles roupas
orgânicas, mas sobre eles proferiu um castigo, uma separação por
causa de sua ambição. Ambos foram expulsos do paraíso e as suas
portas permaneceram bem guardadas por um anjo com uma espada
de fogo, para evitar o retorno deles. O homem teve que do seu
esforço e dificuldades, trabalhar pelo próprio alimento numa terra
amaldiçoada por sua causa. Eva recebeu uma punição ainda maior,
teve que se submeter à vontade de seu marido e do seu ventre gerar
filhos com fortes dores de parto. O Senhor colocou inimizade entre a
mulher e a serpente, e ainda profetizou sobre ela, estabelecendo
que um dia do seu ventre lhe nasceria um filho que esmagaria a
cabeça da serpente danada. Finis

36
Explicação da Lenda do Jardim

Aos olhos comuns esta parábola tem um significado dramático e


literal, mas isto não representa uma verdade devidamente arraigada.
Explicarei com riqueza de detalhes o significado esotérico e oculto
desta mensagem cabalista codificada em Gênesis:

1. O Jardim é o mundo espiritual onde todos os seres são criados e


gerados a fim de se individualizarem e terem consciência própria.

2. O homem - Adam (Yod - Chokmah) é formado figuradamente do


pó da terra. A matéria prima do jardim é o espírito, assim o homem
descrito aqui é essencialmente e exclusivamente espiritual, Adam é
Chokmah – a masculinidade criativa e divina.

3. Da costela de Adam (Chokmah) é gerada a mulher - Eva (Binah),


a feminilidade gerativa e divina. Involutivamente o ser quer tornar-se
indivíduo, independente, inteligente, único. Assim a serpente astuta
(sua vontade), tentadora, sedutora, inteligente; convida Eva a comer
do fruto da árvore do “Conhecimento”, gerando uma separação
automática entre a inocência e a consciência do espírito.

Esta é a consumação entre os opostos, o verdadeiro sexo espiritual


na união do sagrado masculino ao sagrado feminino na tríade
Supernal. Antes tudo era único, agora Yod se separa da fonte, Yod
quer conhecer e fecundar He. Chokmah e Binah se conhecem,
assim fazem-se um só, a consciência. Este é o processo motriz.

4. Primeiramente, Eva come do fruto do desejo, depois oferece a


Adam, agora ambos, juntos tornam-se um só, conhecedores do bem
e do mal. A consequência é a consciência, e agora eles se notam
nus (separação). Deus então faz para “eles” roupas orgânicas.
(vestimentas físicas).

5. A expulsão do plano espiritual agora é o único e óbvio caminho a


ser trilhado, o espírito conquista sua independência individual e
como “castigo” passa a experimentar o peso denso de planos
inferiores, uma consequência esperada e oportuna, onde tudo é real,
inclusive o trabalho, as dores, o aprendizado, o convívio com outros
seres, tudo é pura experiência e aprendizado, parte de um plano
Divino e Evolutivo muito importante para o desenvolvimento do ser.

37
6. Uma vez individualizado e consciente, o novo ser não pode voltar
à origem, pois certamente encontrará resistência pelo caminho com
o anjo de espada flamejante, pois seu propósito primaz é ganhar
experiência, conhecimento, crescimento para usar em benefício
comum, rendendo-se ao espírito do amor, integralmente.

7. Eva foi punida das seguintes formas:

A: Submissão total ao marido: Eva, o aspecto divino feminino,


(FIGURADAMENTE) teve a missão de envolver a semente para que
sua gestação se concluísse. Agora, uma só entidade, juntos deverão
vencer o individualismo, por meio do domínio das emoções, instintos
e intelecto, tudo devidamente equilibrado no espírito. O ego, uma
mera máscara, precisa submeter-se ao espírito a fim de balancear o
peso da equação, a saber, sua anulação simétrica.

B: Gerar filhos com dores: A maternidade com dores exemplifica


bem o processo de separação entre o Éden espiritual e a Terra. Sua
individualização é alegorizada pelo processo da perda, pois para o
Imanifesto, um pedaço lhe é arrancado e/ou manifestado. Esta perda
simbolizada pela dor de parto justifica este sentimento de separação,
mas é contrabalançada pelo simbolismo da alegria profunda no pós-
parto, quando a mãe segura em seus braços sua criatura e logo
esquece suas dores. Assim é para o principio feminino do Criador,
onde a dor da separação é compensada pela alegria do nascimento
de um novo Ser no mundo dos espíritos.

C: A Inimizade com a Serpente danada: A Serpente é o estímulo


reprodutivo ou individualizador, é a força motriz que seduz o óvulo
tornando-o atrativo. É também a força sedutora que atrai o sêmen
criador ao óvulo gerador a fim de fecundá-lo, juntos geram a
consciência individual (FIGURADAMENTE). A inimizade entre a
mulher e a serpente nada mais é do que a vontade de derrotar a
involução através da evolução, ou vencer o individualismo por meio
da renúncia e entrega, o que leva o ego a trabalhar em sua redenção
pessoal. O caminho para isto é através do Espírito ao invés do
Instinto. Este é um mistério messiânico que estudaremos no próximo
item desta explicação.

38
8. O Messias: Para vencer, o fruto bendito (o Emanuel, espírito)
pisará a cabeça da serpente, que é o próprio ego, com o seu pé
físico, no mundo físico. Esta profecia messiânica é uma alegoria
redentora, na mensagem redentora do Cristianismo encontramos um
profundo segredo esotérico velado no mistério da crucificação do
filho do homem, do ego primeiramente provado no deserto, contrito
três anos e finalmente derrotado na Cruz do Calvário, triunfando e
ascendendo aos altos céus, ou seja, cada um de nós está em rota
de colisão com esta renúncia pessoal a fim de um dia liberar-se das
amarras mortais e inferiores do seu próprio eu.

Concluindo:

Quando a Providência Maior manifestou o seu poder Criacional, sua


vontade não se restringiu em gerar apenas coisas inanimadas e
autômatas sem desejo progressista, mas o projeto era voltado a
criação de vida inteligente. Assim surgiram os espíritos com livre
arbítrio e vontade, emanados para serem independentes e únicos.
Somos um pedacinho, uma cópia em pequena escala do universo.
Ganhamos consciência de nossa existência através da involução,
que é a separação e individualização do próprio princípio primaz de
todas as coisa manifestas, ou seja, somos sua manifestação viva.

O Amor se manifestou no mundo físico, não como uma punição por


nos “rebelarmos” contra um deus vingativo, não por supostamente
queremos ser iguais ou melhores que ele, no entanto o desejo do
Pai é frutificar e criar vida inteligente, para isto fomos criados e não
punidos conforme a explicação infantil de gênesis.

Não posso conceber como uma maldição ou um castigo tão severo


estarmos encarnados neste planeta, muito pelo contrário, para mim
é uma dádiva, uma oportunidade maravilhosa de conhecimento e
evolução. Na parábola do jardim, a estorinha é realmente contada
num tom de velório, mas apenas para ficar bem claro que o grande
objetivo para cada um de nós é não contentar-se com a matéria,
porém trabalharmos por nosso retorno à Casa do Pai, exatamente
como na parábola do filho pródigo, lembrando que a vida na Terra
não é um fim, é um meio!

Nota: Cada um de nós deve se preocupar em negar a si mesmo e


andar conforme o plano primaz, sendo capaz de retornar a fonte um
dia, porém durante esta caminhada devemos respirar amor...

39
Recapitulando

O Universo é composto de quatro mundos (planos) vibracionais,


primeiramente Atziluth, que é totalmente Criativo, depois Briah, que
é a totalmente Gerativo, depois Yetzirah, que é totalmente formativo,
finalmente Assiah, que é exclusivamente físico.

O Microcosmo, significa simbolicamente o homem/mulher, que é


um universo em pequena escala. Então se compararmos o homem
ao universo, como sendo uma cópia exata em pequena escala dele,
poderemos facilmente explicar o Macrocosmo – O Universo.

Obs.: Assim explicaremos minuciosamente toda a Criação, detalhe


por detalhe, bastando-nos compreender o homem para que todas as
outras coisas sejam compreendidas, respeitadas as proporções e
qualidades inerentes de cada qual.

As manifestações: Estrelas, Planetas, Animais, Homens, Energias,


Leis e etc; podem estar relacionados com um, dois, três ou quatro
mundos vibracionais, dependendo das suas classificações.

O Homem Involutivo: Foi originado em Yechidah, de onde todos os


espíritos emanaram, onde éramos uma união completa com a Fonte
Criadora, então a partir de um ato manifestativo, uma partícula
espiritual se destacou da Fonte manifestando uma parte do todo.

Neste estágio surge a segunda emanação em Chayyah, onde o Ser


ainda não tem forma nem consciência. Depois vem a terceira
emanação em Neshamah, onde o espírito ganha forma mental e
então passa a ter consciência de sua individualidade, onde o Espírito
individualiza-se, onde o divino manifesta-se individualmente.

Na quarta emanação em Ruach, é formado um invólucro energético


envolvendo o espírito, onde se constrói a partir dele o seu ego/alma
ou máscara, a qual será sua manifestação no mundo das formas
astrais. Depois lhe é acrescido uma camada etherica a qual será
responsável pela cristalização material posterior nos processos
cíclicos da vida na terra ou no pós-morte astral.

O corpo etherico é conhecido como a emanação de Nephesh, a


camada mais densa e instintiva do ego, Nephesh é uma matriz, que
formará uma aliança com a última camada externa, Gouph, ou Corpo
Físico, ou sua forma física e temporária no plano físico e extrafísico.
40
O Homem Evolutivo: enquanto encarnado, o espírito permanece
ligado de maneira indireta à matéria biológica, assim tem que lidar
com suas emoções e instintos animais, ou seja, quando a alma está
atrelada ao corpo físico temporariamente.

No momento da morte física (ou após) acontecerá uma separação


entre Nephesh e o corpo físico carnal. Ainda no mundo astral, o
espírito permanecerá fortemente cativo ao domínio de Ruach, e
temporariamente à Nephesh. Dependendo de suas densidades, o
espírito expenderá mais ou menos tempo com estes estágios de
consumação etherica e de depuração astral, o que também gerará
frutos e experiências construtivas ao espírito.

Em casos raros onde o ego é submisso à vontade do espírito, ele é


rendido ainda mesmo enquanto encarnado, sua assimilação total e
simétrica poderá ocorrer instantaneamente no momento de sua
morte física, porque não desejoso de vida terrena, ele logo se
desapegará do ether denso deste mundo físico e seguirá sua
jornada. Verdadeiramente, Ruach deixará para traz sua Nephesh
sem criar embaraços ao Espírito.

Na maioria dos casos o ego é altivo e materialista, e só vem a ser


totalmente depurado, balanceado e assimilado no pós-morte, após o
que podemos chamar de purgação ou tempo de reflexão, onde as
energias impuras de Ruach são contrabalanceadas. Por decisão do
ego, a casca etherica (Nephesh) é deixada para traz nas regiões
extrafísicas inferiores (Qlipoth), para que sua decomposição etherica
ocorra naturalmente.

Uma vez equilibrado, o ego restante torna-se parte do espírito, todas


as suas experiências e memórias são simetricamente registradas e
continuam a exercer forte caráter no Ser, é o que chamamos de vida
eterna da alma, um aproveitamento inteligente da psique.

Livre de qualquer amarra etherica, o espírito continuará sua missão


evolutiva: aprendendo, ensinando, sendo servido e também servindo
aos seus irmãos, até que um dia possa perfeitamente unir-se à
Fonte Original de todas as coisas, a saber, O Todo Imanifesto.

41
Capítulo IV

Figura 8: Os Sistemas Cêntricos

42
Os Sistemas Cêntricos (Curiosidade)

Se observarmos os Sistemas Cêntricos da figura 8, sentiremos falta


dos planetas Urano e Netuno, que estão ausentes por causa das
impossibilidades de suas observações a olho nu sem o auxilio de
telescópios na antiguidade. Os Astrônomos de outrora estudavam os
céus por meio de seus cálculos, ângulos e justaposições.

Eles organizaram e estabeleceram conceitos astronômicos orbitais


dos planetas, lua e sol, peculiares ao método mecânico empregado.

No sistema solar mais antigo, o geocêntrico, notamos que o Sol se


encontra orbitando na sexta órbita em ordem decrescente a partir da
Terra, que era o ponto observatório de nossos antigos astrônomos.
Eles olhavam para o céu e de fato viam os anéis orbitais tal como na
figura 8. Assim conforme a sua ilustração, note que o Sol está na
orbita central do sistema, o mesmo ocorre na Árvore da Vida, onde a
esfera magistral de Tiphareth representando o Sol está no centro de
toda a Árvore. Já no sistema heliocêntrico de Copérnico, o qual foi
“observado” a partir de um ponto de vista externo, o observador não
mais olha para o céu, ele “sai do sistema solar”, olhando de fora para
dentro dele, como num todo, neste sistema a Terra ocupa a sexta
órbita, em lugar do Sol.

Se analisarmos filosoficamente estes dois sistemas, o geocêntrico


de maneira alguma negará que o Sol seja a figura central de nossas
vidas. Mecanicamente o heliocentrismo passou a ser aceito como
máxima cientifica em nossa era, porém com o surgimento da Física
Quântica as coisas ficaram um pouco mais agitadas. Deixe-me
colocar desta forma, ninguém aqui duvida que a lua esteja circulando
a Terra ou a Terra ao Sol. Na Física Quântica entretanto, objetos
quânticos se comportam como se eles fossem criados pelo simples
ato da observação.

Longe do escopo deste livro explicar leis físicas, no entanto, quando


comparamos os dois sistemas, tais conceitos ou leis se contrapõem.
Os cabalistas da antiguidade sabiam do que estavam falando, e
seus pontos de observação filosóficos eram geocêntricos, nunca
desmerecendo o caráter físico das interações motoras das órbitas de
nosso sistema solar. Aqui estamos falando de filosofia apenas!

43
Logo o sistema geocêntrico reflete uma poética disposição espacial
dos corpos celestes de nossa vizinhança. Isto de forma alguma nega
que o Sol esteja no centro de nosso sistema, muito pelo contrário,
assim se olharmos o glifo da Árvore, o Sol continua no centro dela, e
de fato nunca se cogitou a ideia da Terra estar neste centro, pois no
Cabalismo a Terra é descrita como a décima esfera, a última e de
menor grandeza.

O que houve de fato, foi que na visão popular das massas, este
sistema era interpretado de forma literal, como na figura, sem levar
em conta seu significado oculto e filosófico. Veja novamente a figura
8, se compararmos do ponto de vista relativo veremos que eles são
exatamente correlatos, onde filosoficamente o antigo está correto,
porém, mecanicamente o moderno é que está correto. Relativos e
perfeitos, ambos descrevem duas realidades, onde o antigo é
filosófico e o moderno é científico, mas ambos afirmam a mesma
coisa, que o Sol é o centro do Sistema, assim como a alma humana.

Outro importante ponto a ponderar é o religioso. O clero comparava


o Sol como um deus pai, que sustentava a vida aqui na terra, por isto
nunca se pretendeu afirmar que a Terra fosse a figura central do
sistema solar, porém meramente um planeta filho, ainda menos
importante do que a Lua - a mãe. Quando se olha ao sistema
geocêntrico sem levar em conta estes fatores, facilmente se afirma
uma coisa distante da realidade cabalística dada ao pensamento e
conhecimento astronômico antigo.

Este capítulo é dedicado especialmente ao homem de visão limitada,


onde tudo aos seus olhos é literal, nunca levando em consideração
as variáveis, os motivos e/ou as necessidades. Pensando nisto, os
sábios de outrora guardavam estrategicamente a verdade ocultada
em símbolos e parábolas, evitando a profanação do conhecimento,
entretanto, para os aprendizes intelectuais e merecedores nada era
segredo, pois em seu esforço mental, cada alegoria era desnudada.

Quer um exemplo atual? Vá a um púlpito hoje e fale sobre vida


inteligente em outros planetas, mas somente se tiver coragem sufi-
ciente, e não se esqueça de correr logo após, pois as pedras serão
atiradas em sua direção, não importando quão lógico seu ponto de
vista pareça ser! Imagine o astrônomo de antigamente, tentado ex-
plicar aos incautos que o Sol estava ao centro do sistema, certa-
mente ele seria ridicularizado e perseguido, pois uma coisa certa é o
que os olhos dizem, outra é o que eles não entendem...
44
Figura 9: A Árvore da Vida Astronômica

45
A Cosmogonia Cabalista

A Cosmogonia Cabalista tem comunicado a inefabilidade de um Uno


Criador, defendendo em seu modo operante um Único Ser Universal,
que se manifestou pluralmente através dos mundos vibracionais.
Como já visto cada sephirah manifesta uma distinta emanação.

Da Árvore Original se originam novas árvores, esta cosmogonia


provou-se muito popular entre os ocultistas, o que de fato formou a
base sólida do pensamento hermético Ocidental. As interligações
das esferas chamadas “caminhos” foram ordinariamente associadas
à viagens astrais ou "pathworking". É muito comum à respeito destas
tais “viagens astrais” serem reportadas experiências extracorpóreas.
Neste trabalho analisaremos com grande riqueza de detalhes os
planos vibratórios, seus respectivos sephiroth, desde o plano físico
até sua mais alta origem relacionada à Cosmogonia Cabalista.

Na Árvore Astronômica da figura 9, os sephiroth se correspondem


aos planetas, as estrelas e a lua, assim encontramos correlações
diretas ou indiretas com a natureza física, astral e espiritual do
homem. Cada emanação desde Kether/Malkuth, possui um diferente
corpo celeste assinalado a uma diferente esfera. Por exemplo, em
Malkuth, o sephirah de número 10 da base da Árvore: no nível
material representa o mundo físico de toda a criação, mas também
representa a Terra ou o corpo humano (como um todo), ou
especificamente seus pés/ânus.

Sob a ótica da figura oito os sephiroth do sistema solar encontram-se


decrescentemente correlacionados da seguinte maneira: 10.Terra,
9.Lua, 8.Mercúrio, 7.Vênus, 6.Sol, 5.Marte, 4.Júpiter, 3.Saturno,
2.Zodíaco, 1.Firmamento.

Curiosidade:

Quando os antigos astrônomos olhavam para o céu e reverenciavam


os corpos celestes, não estavam de forma alguma adorando aos
deuses, eles possuíam um perfeito entendimento que nos céus se
escreviam as mais ricas fórmulas e mapas para todo o conhecimento
universal. Assim quando olhavam para o Firmamento, Zodíaco,
Planetas, Sol e a Lua, estavam estudando um tecnológico e
complexo sistema filosófico de emanações do plano Universal,
primeiramente no plano físico, depois astral e finalmente espiritual.

46
Nota: Somente hoje a ciência moderna reconhece e qualifica certas
temáticas: os campos oscilatórios planetários, novas dimensões,
dobras de tempo e espaço e etc; porém com reservas e muita
discussão. A Física Quântica indica um excelente caminho além das
atuais fronteiras convencionais, mas tudo ainda está engatinhando.

Rápida Dinâmica:

1. Imagine uma grande bacia cheia d’água;

2. Boiando no centro da bacia está uma bola amarela (O Sol);

3. Em volta do “Sol”, estão dezenas de pequenas bolinhas que se


movimentam circularmente em volta dele, elas representam os
planetas e corpos celestes no sistema solar;

4. Note que durante o movimento constante destas bolinhas dentro


da bacia d’água, muitas ondas se formam. As ondas se colidem e
geram novas refrações e movimentos oscilatórios secundários,
terciários e assim por diante.

5. Cada bolinha (planetas) tem sua própria frequência oscilatória,


que somada à sua portadora, interferem de maneira direta e indireta
nas oscilações adjacentes de suas vizinhas.

Desta forma todas as bolinhas deste intricado sistema se comunicam


e interferem-se continuadamente, é como a máquina de um relógio,
onde as engrenagens se tocam através de pequenos dentes, só que
no caso de nosso sistema solar as engrenagens dos planetas e
satélites se “tocam” ou comunicam-se através de fatores como:
massa, gravidade, tempo, rotação, translação, frequência oscilatória
e ressonância; devido aos seus movimentos orbitais tempo/espaço e
outros fatores ainda desconhecidos.

Nesta dinâmica, ficou claro que não importa onde estejamos no


sistema solar, certamente seremos afetados pelas influências de
nossos vizinhos, não importando suas distâncias em relação à Terra.
Um exemplo comprovado e estudado por vários campos da ciência é
o da nossa Lua. A Lua exerce forte influência gravitacional sobre a
Terra, veja sua influência nas marés e consequentemente nos
ventos, na temperatura, na humidade, no clima em geral, e assim
por diante.
47
Há ainda crenças populares e religiosas à respeito de sua influência
na maternidade ou gestação, ciclos menstruais, plantio, colheita,
religião, mágica e etc. Obviamente a ciência pouco ou quase nada
sabe a este respeito e a negativa tem sido sua mais ampla defesa.

Porém os antigos governos cuidadosamente atentavam acerca


destes detalhes astronômicos, onde nada era feito e/ou realizado
sem antes levar em consideração tais conjunções e interferências
celestiais em seus sistemas astrológicos.

Outro exemplo muito simples é a carta astrológica de nascimento.


Tais conjunções quando calculadas devidamente fornecem uma
identidade completa do sujeito, numa forma muito precisa e real.
Chega a ser impressionante como estas leituras são tão originais, da
mesma forma são os comportamentos e tendências pessoais em
relação a estas interferências, revelando probabilidades astrológicas.

O sistema solar é uma grandiosíssima máquina, suas interligações


energéticas e oscilatórias são tão complexas e importantes para um
perfeito funcionamento. Contudo nos resta acrescentar que todos
estamos conectados a um só main frame e somente tiraremos maior
proveito de nossas experiências individuais quando o coletivo estiver
equilibrado. O firmamento encontra-se de fato acima da criação,
nosso esquemático e comunitário sistema solar necessita ser visto
com uma única consciência evolutiva, acima da terra, acima do in-
dividual, conforme criado.

E nas palavras de Dr. Michael Laitman:

“Para este fim, nova consciência científica juntamente com antigos


ensinamentos de sabedoria podem mostrar-nos que:

Toda a humanidade é um corpo integrado;


Estamos todos conectados e interdependentes;
A Consciência não somente reside no cérebro;
A globalização demonstra ainda mais que somos uma grande aldeia;

Nós funcionamos como um todo, mas não experimentamos essa


integração; Devemos desenvolver a consciência desta unidade
global; Devemos experimentar o amor universal”.

48
Figura 10: A Árvore Cosmogônica e o Ser

49
Os Corpos Celestes e suas relações.

O Firmamento está relacionado com a conclusão, a realização da


grande obra, a união total com a Providência Maior.

O Zodíaco está relacionado com a pluralidade manifesta de seres,


diversidade de caráteres, diversificação de egos e personalidades.

Saturno está relacionado com a geração de vida, renascimento,


composição mental, separação, morte, castigo, carma e o silêncio.

Júpiter está relacionado com a graça, assuntos eclesiásticos,


caridade, compaixão, graça, misericórdia, fé, dogmatismo, hipocrisia,
inveja e gula.

Marte está relacionado com o progresso, assuntos militares ou


policiais, ações judiciais ou tribunais, coragem, ousadia, guerra, ódio,
violência, tirania e destruição.

O Sol está relacionado com o amor, devoção ao grande trabalho,


obediência à lei, nobreza, realeza, governo hierárquico, equilíbrio,
soberba e orgulho.

Vênus está relacionada com as paixões humanas, matrimônio,


sensualidade, perfumes, música, artes esculturais, artes dramáticas,
poesia, lascívia, incastidade e luxúria.

Mercúrio está relacionado com o intelectualismo, com a sabedoria,


empreendedorismo, com os negócios, ciências, lógica, falsidade,
desonestidade, descrença, frieza e o manipulismo.

A Lua está relacionada com o mundo dos sonhos, fenômenos,


independência, viagens, romances, sexo, reprodução, maternidade,
agricultura, fecundidade, pesadelos, preguiça e depressão.

A Terra está relacionada com a materialização, discriminação,


avareza, cobiça, sensações físicas e interações/conflitos sociais.

50
As Cores e suas influências psicológicas

As cores têm fortes influências sobre a psique humana. Quando


visualizamos suas ondas/fótons como impulsos elétricos em nossos
cérebros, somos influenciados de maneira muito peculiar:

BRANCO, DO FIRMAMENTO (unidade),

BRANCO, DO ZODÍACO (pluralidade).


Positivo: atividade, higiene, clareza, pureza, simplicidade, paz.

PRETO, SATURNO (a ausência da luz),


Negativo: passividade, individualismo, egoísmo, peso, frieza,
separação, morte, opressão, vazio.

AZUL, JÚPITER (490~450 nm / 610~670 Thz),


Positivo: confiança, eficiência, serenidade, reflexão, generosidade.
Negativo: complacência, indiferença, hipocrisia, frigidez e inimizade.

VERMELHO, MARTE (700~635 nm / 430~480 Thz),


Positivo: coragem, força, calor, sede de conquista, estimulação.
Negativo: conflito, raiva, ódio, agressão, destruição e tensão.

AMARELO, SOL (590~560 nm / 510~540 Thz),


Positivo: amor, harmonia, equilíbrio, otimismo, confiança, controle.
Negativo: soberba, fragilidade, ansiedade, auto-sabotagem.

VERDE, VÊNUS (560~520 nm / 540~580 Thz).


Positivo: inspiração, paixão, sensualidade, feminilidade, criatividade.
Negativo: claustrofobia emocional, lascívia e promiscuidade.

LARANJA, MERCÚRIO (635~590 nm / 480~510 Thz),


Positivo: lógica, razão, inteligência, sobriedade, verdade.
Negativo: frieza, falsidade, frustração, frivolidade e imaturidade.

VIOLETA, LUA (450~400 nm / 670~750 Thz),


Positivo: comunicabilidade, visibilidade, imaginação, sexualidade.
Negativo: irracionalidade, introversão, decadência, inferioridade.

MIX (oliva, citrino, castanho-avermelhada, preta), TERRA


Positivo: mix...
Negativo: mix...

51
Figura 11: A Árvore e as Cores Astrais.

52
Capítulo V

Nomes de Poder

Neste capítulo estudaremos um grande mistério acerca dos Nomes


de Poder. Os religiosos têm traduzido estes nomes ao pé da letra
sem nunca levar em conta muitas questões simbológicas de seus
significados e funções. Como já estudado anteriormente, existem
quatro diferentes mundos ou planos vibracionais, por onde as
emanações da vida se manifestaram. Recapitulando: Atziluth, Briah,
Yetzirah e Assiah. Em analogia a uma gravidez temos os seguintes:
Em Atziluth destaca-se o mais delicado e sutil aspecto da vida, “Yod”
a semente; em Briah ocorre a fecundação do óvulo gerativo, sendo
uma camada revestidora e formadora da individualidade e intelecto
espiritual; após este processo, o zigoto sente-se atraído ao processo
involutivo emancipatório; em Yetzirah é formado seu corpo astral e
sua alma/ego; finalmente em Assiah tudo se solidifica e cristaliza-se,
como uma quase perfeita cópia no mundo físico, onde o processo
involutivo encontra o seu ponto nadir. Comparando o microcosmo
com o resto da formação universal, podemos claramente entender
cada energia: ativa/passiva, elétrico-magnética, todas as formas de
ondas energéticas, desde a simples luz visível aos raios de maior
frequência e menor comprimento de onda, todas as combinações
atômicas e subatômicas no Macrocosmo são similares.

Começando por Atziluth, encontramos o arquétipo na figura da letra


Yod, a centelha divina e plural figurada no Zodíaco. Em Briah a letra
He representa Saturno em seu aspecto gerativo e solidificador. Em
Yetzirah a letra Vav representa o Sol em seu aspecto emocional e
astral. Em Assiah, a última letra He representa a Lua e a Terra, onde
a Lua (Nephesh) e a Terra (Gouph) correspondem respectivamente
ao corpo etherico e o corpo físico. Quando estudamos Cabala,
principalmente Cabala Ortodoxa, a teologia dos nomes de poder e
hierarquias celestiais explicam bem em detalhes os mistérios das
manifestações. Assim quando assinalamos ou destinamos estes
nomes aos mundos e/ou esferas a que se correspondem, estamos
estabelecendo novas conexões espirituais, mentais, morais, inte-
lectuais, emocionais e físicas entre eles nos níveis de suas
correspondências. Para isto devemos primeiramente entender cada
relação / aplicação de maneira satisfatória, somente assim evita-
remos superstições e mal entendidos, fugindo da literalidade do
tema.

53
Nota: Não quero defender nenhum tipo de organograma celestial,
nem muito menos estabelecer uma doutrina arcangelical, basta-nos
entender que (correspondentemente) o homem ou mulher ao nível
espiritual é um Arcanjo, ao nível Astral é um Anjo e ao nível físico um
complexo de plexos. Igualmente são as estrelas, planetas, satélites e
etc; pois estes representam a manifestação embrionária do cosmo, e
como tal, são (figuradamente) compostos de espírito, alma e corpo.

O Leve Engano Hermético

Não são os “nomes/formulas” os responsáveis por estas interações,


eles apenas são usados como muletas, mantras e/ou pontos de
contato. Assim como os símbolos religiosos, egrégoras, santos e
imagens, todos não passam de meios para um devido fim. O nosso
trabalho é alcançar este fim sem artifícios ou intermediários.

Obs.: Devemos levar em consideração a cultura hebraica antes de


afirmarmos qualquer coisa, pois o nome (shem) significa uma função
e nunca uma mera configuração sonora de poder. Por exemplo: o
meu nome em português não tem significado algum além de sua
sonoridade, já no idioma original, “Luciano” significa “Filho da Luz”,
se fosse “Lúcio”, significaria “Luz”.

Na cultura hebraica os Nomes Divinos, Nomes Arcangelicais, Nomes


Angelicais ou Nomes dos Plexos/Orbes - são construções fonéticas,
gráficas e numéricas que representam forças e formas em ação.
Quando um ignorante ouve um destes tantos nomes, esta pessoa
imediatamente antropomorfiza a ideia em forma de um ícone ou
imagem, convertendo-a em algo entendível aos seus “olhos”, isto é o
que comumente chamamos de sincretismo, a raiz do politeísmo.

Existem nomes desbalanceados, que são emanações espúrias ou


desequilibradas das forças divinas em geração ou formação. Neste
trabalho não abordaremos estes nomes, nem para fins acadêmicos.
Basta dizer que por de traz de cada nome há um contraste negativo-
positivo (inteligente ou não). Suas funções das mais variadas tem
serventia no plano digestivo da economia astral da humanidade, no
entanto um contato direto ou indireto poderia significar problemas
gigantescos ao operador em desbalance e despreparo, assim como
dores, opressões, escravidão, morte física e muito mais...
Ou seja, você já foi avisado, com fogo não se brinca.

54
Relativo ao Espírito Universal (Coletivo)

Na primeira categoria estão os Nomes Divinos. Um contato direto


com a Fonte do Espírito Maior se dá nas mais altas expressões de
poder e pureza espiritual. Se tivermos esta capacidade, as nossas
meditações e/ou orações já não serão mais necessárias, pois uma
conexão entre a Fonte e o espírito se estabeleceu intimamente.

Faz-se necessário lembrar que neste nível o contato é tão intenso


que o ser humano é capaz de realizar todo tipo de “milagre”, pois ele
exercita o poder ativo da Providência, onde o ego não é mais ele, o
Espírito é. Os Nomes Divinos não são títulos propriamente ditos,
eles são na verdade formulações, que explicam detalhadamente
cada poder manifestado nas diferentes esferas do Ser.

As dez esferas emanam as mais puras expressões compreendidas


nos Nomes Divinos. Podemos perceber suas energias diretamente e
puramente sem a necessidade do intermédio intelectual, porque
neste contato o próprio espirito universal é o intelecto. Para que isto
venha acontecer o ego/indivíduo precisará anular a si mesmo e estar
em comunhão total com o seu próprio espírito, a fim de integrar-se a
fonte completamente, sem restrições individuais.

Para considerações acadêmicas ao tema

Nomes Divinos:

0. Aiéh: EU SOU.
1. Yah: A Consumação/União Divina.
2. YHVH + Elohim: Tetragramação + deuses(as) “forças”.
3. YHShVH: Pentagramação - Deus encarnado.
4. El: Deus.
5. Elohim Gibor: Os poderes dos deuses(as) “forças”.
6. Eloah Va Daath: O Poder do Conhecimento de Deus.
7. YHVH Tzabaoth: O Senhor dos Exércitos.
8. Elohim Tzabaoth: Os deuses(as) “forças” dos Exércitos.
9. Shaddai El Chai: O Onipotente Poder do Deus Vivo.
10. Adonai ha Aretz: O Lorde da Terra.

55
Relativo ao Espírito Pessoal (Individual)

Na segunda categoria estão os Nomes Arcangelicais, onde as


mesmas expressões encontram-se revestidas de aspectos mentais,
totalmente individualizadas. Quando buscamos uma conexão mental
com estas forças já condicionadas, fazemos de forma indireta, ou
seja, através de uma mente espiritual intermediária, ou nossa própria
unidade. Neste processo indireto temos duas opções:
1. Estabelecer uma conexão através de nosso próprio espírito.
2. Estabelecer uma conexão através de outra mente espiritual.

As dez esferas emanam os mais diversos poderes compreendidos


nos Nomes Arcangelicais. Podemos conectarmos indiretamente atra-
vés da mente espiritual. Desta maneira seu acesso é intelectual,
mental e personalizado. Podemos ainda dizer que esta conexão
ocorre de forma individual, não é o Intelecto Divino que opera em
meu lugar, é o intelecto individual quem opera as Suas forças, ou
seja, o espírito intermediário, delas consciente e ativo.

Para considerações acadêmicas ao tema

Nomes Arcangelicais:

0. Metatron: (A Servidão diante do trono de Deus) União, Comunhão.


1. Ratziel: (A Criação que vem de Deus) Fecundação, Expansão.
2. Tzaphkiel: (A Geração que vem de Deus) Fertilidade, Mentalidade.
3. YHShVH (A Salvação que vem de Deus): Conexão Espiritual.
4. Tzadkiel: (A Graça de Deus) Perdão e Liberdade.
5. Khamael: (A Justiça de Deus) Severidade e Depuração.
6. Raphael: (A Cura que vem de Deus) Equilíbrio, Saúde.
7. Haniel: (A Alegria que vem de Deus) Prazer e Satisfação.
8. Michael: (A Ciência que vem de Deus) Raciocínio, Lógica.
9. Gabriel: (A Força que vem de Deus) Visões, Revelação.
10. Sandalphon: (A Sandália de Deus) Sentidos, o Contato físico.

Importante: Para um aprendiz não é recomendado o contato indi-


reto com intermediários, porque isto se dá sempre em alto risco, uma
vez que o contato em si abre uma janela de possibilidades psíquicas
das quais o estudante não tem a menor ideia de como usa-las,
podendo ser certamente usado e influenciado nesta relação arris-
cada...

56
Relativo à Alma

Na terceira categoria estão os Nomes Angelicais, onde as expre-


ssões da Providência Maior podem ser contatadas num nível astral e
instintivo, porém passivamente. Quando estamos no mundo dos
sonhos é muito comum experimentarmos nestas ocorrências os se-
guintes: formas enigmáticas, símbolos ou visões, sons ou cheiros,
emoções ou inspirações (indiretas e passivas).

Em Yetzirah, as forças formativas do universo encontram-se em


pleno desenvolvimento, onde podemos molda-las e influenciá-las,
mesmo muitas vezes sem perceber, fazemos despropositadamente,
inconscientemente. A alma/ego, é quem limitadamente opera nestas
condições. O mesmo ocorre por exemplo quando somos inspirados
artisticamente ou influenciados cientificamente. Um contato ativo e
proposital poderá ser conquistado, graças ao entendimento técnico e
a prática astral, em operações controladas.

Para considerações acadêmicas ao tema

Nomes Angelicais:

0. Chaioth ha Qadesh: (Santas Criaturas Vivas) A Santidade.


1. Auphanim (As Rodas de Ezequiel): A Diversidade/pluralidade.
2. Aralim (Tronos): A Consciência que toma seu lugar por direito.
3. YHShVH (Emanuel): O Conhecimento de si mesmo.
4. Chashmalim (Grande nuvem de flashes de fogo): A Força Astral.
5. Seraphim (Seres angelicais a lado): A Forma Astral.
6. Malachim (Reis): O Controle sobre as emoções e razões do Ser.
7. Elohim: (deuses) A Força emocional.
8. Beni Elohim: (filho dos deuses) A Força Racional.
9. Cherubim: (O Forte) Os Instintos humanos.
10. Ishim: (Almas de Fogo) A Bioenergia.

Importante: Não use os nomes angelicais como pontos de contato,


pois uma relação direta sem a devida experiência e cuidado com o
mundo astral pode significar problemas em desbalance energético
e/ou riscos psíquicos.

57
Relativo ao Corpo Físico

Na quarta categoria estão os Nomes dos Plexos/Orbes, onde as


mesmas expressões cósmicas podem ser contatadas ou utilizadas,
só que num nível estritamente físico ou pessoal. Em Assiah as
forças já cristalizadas no plano físico podem ser “manipuladas” e
alteradas a fim de produzir bem estar, equilíbrio, saúde, longevidade,
vigor e etc; mas o oposto também é possível. Quem nunca sentiu um
frio na espinha ou na boca do estômago? Ou um aperto no coração,
ou um nó na garganta?

Todas essas sensações eletroquímicas estão ligadas diretamente às


forças que circulam em nossas terminações neurais e glandulares,
elas são apenas reflexos e sensações físicas que originalmente
começaram em Yetzirah ou ainda em planos superiores, chegando
ao físico num efeito em cascata. Os dez plexos do mundo físico
emanam as sensações compreendidas originalmente nos planos
superiores. As dez esferas com suas dez definições são cristalizadas
através dos Nomes dos Plexos/Orbes em suas emanações.

Aqui compreendemos suas expressões pessoalmente:


Os Plexos podem receber correlações indiretas com os Orbes de
nosso sistema solar, em parte já explicado na teoria das oscilações e
vibrações planetárias. Esta é uma questão muito pessoal e cada um
pode por si mesmo aferir suas correlações, bastando estudar o tema
de forma aprofundada.

Para considerações acadêmicas ao tema

Nomes dos Plexos/Orbes

0. Rashith ha Gilgalim (Firmamento): Glândula Pineal.


1. Mazloth (Zodíaco): Face Esquerda / Hemisfério Direto do Cérebro.
2. Shabbathai (Saturno): Face Direita / Hemisfério Esq. do Cérebro.
3. Kokab (Sothis, Sirius): Medula Oblongata. Laringe/Cordas.
4. Tzedek (Júpiter): Braço e mão, lado esquerdo.
5. Madim (Marte): Braço e mão, lado direito.
6. Shemesh (Sol): O Peito, Coração.
7. Nogah (Vênus): Vísceras, bacia, perna lado esquerdo.
8. Kokab (Mercúrio): Vísceras, bacia, perna lado direito.
9. Levanah (Lua): Órgãos reprodutores (Macho e Fêmea).
10. Cholem ha Yesodoth (Esfera dos Elementos, Terra): Anus. Pés.
58
Figura 12: Plexos

59
Capítulo VI

As Letras Hebraicas

As 22 letras hebraicas são o grande mistério Cabalístico a meu ver,


não porque produzem apenas palavras, mas porque cada qual tem
uma forma, um valor numérico, uma correspondência e um peso.

“Três Letras Mãe, Sete Letras Duplas e Doze Letras Simples. Estas
são as Vinte e Duas Letras as quais com que Deus engravou e fez
os Três Sepharim, e com eles Ele criou seu universo. E com elas Ele
formou tudo o que já foi formado, e tudo o que haveria de ser
formado”. O Sepher Yetzirah.

As Três Letras Supernas

A primeira letra é ‫ א‬Aleph, representa o Princípio em União ou o


Espírito Universal Imanifesto antes da separação da Fonte, Ar.
A segunda letra é ‫ ש‬Shin, representa a masculinidade da criação, o
fogo e a força universal em ação, a manifestação dos arquétipos.
A terceira letra é ‫ ם‬Mem, representa a feminilidade da geração, a
água universal da fecundação, a individualização/geração espiritual.

As Sete Letras Duplas

‫ ב‬Beth, ‫ ג‬Gimel, ‫ ד‬Daleth, ‫ ך‬Kaph, ‫ ף‬Pe, ‫ ר‬Resh, ‫ ת‬Tav.

Correspondências:
7 qualidades, defeitos, dias, noites, tons musicais, 7 cores do arco-
íris, 7 Igrejas, 7 Anjos do Apocalipse e etc.

As Doze Letras Simples

‫ ה‬He, ‫ ו‬Vav, ‫ ז‬Zayin, ‫ ח‬Cheth, ‫ ט‬Teth, ‫ י‬Yod, ‫ ל‬Lamed,


‫ ן‬Nun, ‫ ס‬Samech, ‫ ע‬Ayin, ‫ ץ‬Tzaddi, ‫ ק‬Qoph.

Correspondências:
12 constelações Zodiacais, meses, horas, semitons musicais, tribos
de Israel, apóstolos e etc.

60
Os Paths (Caminhos)

Os Paths são circuitos de interligações entre as esferas na Árvore da


Vida, onde temos 10 esferas e ainda 22 interligações entre elas, com
a adição de Daath – A Ponte de Luz.

Desta maneira se totalizam 32+1 paths, coincidentemente este é o


numero de graus maçônicos em um determinado rito, ou ainda a ida-
de de todos os messias históricos nos momentos finais de suas
vidas, ou ainda o numero de vértebras na coluna (espinha) do ho-
mem.

Curiosidade: A Yoga teoriza que na base da espinha há uma força


chamada Kundalini, que repousa como num reservatório aguardando
para ser liberada. Teoricamente ela poderia reativar capacidades
extraordinárias no homem, como as do sexto sentido e etc.

A prática Cabalista

Nossas atividades cerebrais nos permitem sentir apenas o que é


relativo ao corpo físico e biológico, deixando de fora qualquer outra
sensação. Então para alcançarmos um contato superior, como por
exemplo, com o mundo Astral ou Espiritual, devemos exercitar
através dos Paths nosso ponto focal de consciência. Para esta tarefa
na parte prática deste trabalho abordaremos em detalhes a temática.

Nota: Não é possível realizar nada sem conhecimento prévio e é


com isto que estaremos preocupados agora. Peço ao leitor que
continue tomando nota de tudo, pois cada detalhe contará muito
quando chegarmos à parte de exercícios do nosso trabalho.

Cada um dos 32+1 paths apresentados terão suas correspondências


assinaladas. Quando realizamos um trabalho focal nos paths será
necessário afinar nossa consciência com eles. Exemplo: Se eu
quiser me inspirar artisticamente, basta visualizar/meditar sobre o
path específico, até a esfera de Netzach. O processo é complexo,
porém com prática tudo é possível, tudo mesmo. Este era o segredo
do Mestre Jesus, tantos milagres, revelações, sinais, prodígios;
como Ele conseguia operá-los? A Cabala nos oferece o método,
inclusive através da formulação pentagramada de YHShVH (Jesus).

61
Capítulo VII

Os Messias Históricos

Não poderíamos passar adiante sem antes estudarmos algumas das


mais importantes figuras messiânicas de nossa história religiosa.
Reais ou legendários? Em termos de milagres, sinais, prodígios e
maravilhas, os messias de outrora eram famosos por seus poderes
espetaculares, como: milagres, sinais no céu, mágicas, levitações,
revelações, ressuscitações...

Estes fenômenos serão devidamente abordados em nosso livro,


assim buscaremos entender seus segredos, na mesma fonte esoté-
rica que nutriu cada um destes homens especiais, chamados de
deuses sol, filhos unigênitos, redentores, emanueis.

Aos meus queridos irmãos(as) em Cristo, que me desculpem, mas


preciso falar de história aqui; o nosso amado Mestre Jesus com
certeza não se ofenderá com a verdade, verdade que Ele mesmo
conhecia, que no advento de sua missão redentora reviveu a mesma
“tradição”, para que assim se completasse toda a justiça humana.
Ele cumpriu cada passo-path de sua caminhada, repetindo a mesma
via sacra de seus antecessores, salvo uma diferença crucial, a
saber, a sua agenda, que oportunamente explicaremos.

Os “deuses” messiânicos

Tammuz (Suméria), Krishna (Índia), Mitras (Babilônia), Hórus (Egito),


Zoroaster (Pérsia), Dionísio (Grécia) e muitos outros tantos...

O que eles tinham em comum, seriam o mesmo Ser?

1. Concebidos virginalmente,
2. Nasceram em dezembro, ao solstício de verão,
3. Foram meninos prodígios tendo seus starts aos doze anos,
4. Operaram milagres, sinais e maravilhas (históricos ou lendários),
5. Tiveram seus apogeus ministeriais aos 30 anos de idade,
6. Morreram aos 33 anos assassinados, aos equinócios de março,
7. Ressurgiram e ascenderam aos céus, todos ao terceiro dia.

Isto tudo lembra Alguém?

62
Cada grande civilização do mundo antigo, de uma forma ou de outra
tiveram um messias estandarte de seus próprios mistérios, os quais
inspiraram e motivaram as crenças populares rumo a paz, sendo
parte importante no equilíbrio social e religioso de cada nação. Não
distante de nossos dias, os ministérios messiânicos de outrora nos
dão uma amostra muito peculiar de como os sistemas religiosos de
maneira exotérica ou pública, catequizavam as massas usando a
figura de um redentor e salvador como símbolo maior de submissão.

Esotérico x Exotérico

1. Esotérico (oculto), ensinavam às mais altas castas reais um rico


psicodrama messiânico, demonstrando os segredos universais mais
importantes codificados na parábola do homem-deus.

2. Exotérico (público), tinham um rígido controle religioso sobre as


massas (moral e comportamental). Desta maneira proporcionavam a
esperança através da figura salvadora de um messias solar.

Decifraremos o psicodrama messiânico, identificaremos sua secreta


mensagem Cabalística de maneira simples e pontual, assim sendo:

1. Concepção Virginal: Alusivo à emanação do espírito singular.


2. Nascimento no solstíco de Verão: Alusivo à incarnação.
3. Prodígios aos 12 anos: Alusivo à maturação do ego (cíclico).
4. Milagres: Alusivo à possiblidade do carater divino.
5. Apogeu aos 30 anos: Alusivo aos paths necessários para contatar
o próprio espírito, quando o ego negando-se, faz-se um com ele.
6. Martírio aos 33 anos: Alusivo ao número da completação, onde o
espírito entrega-se ao plano maior, doando sua vida ao próximo.
7. Ascensão ao terceiro dia: Alusivo à desintegração etherica, para
ocorrer a continuidade da missão espiritual no pós-morte.

63
A agenda de Jesus

Antes de Cristo, os mistérios mais importantes eram velados em


formulações e arcanas messiânicas, eram muito bem mantidos em
segredo pelos governos teocráticos. Estes governantes conheciam
muito bem o “lado B da força”, egocêntrica, vil e dominadora. Num
exemplo muito simples encontramos no Egito a parábola de Moisés
e Faraó, ambos formados nas mesmas artes mágicas do Egito,
ambos eram príncipes, porém Faraó representava a escravização do
povo Israelita, entretanto Moisés representava a sua salvação. Suas
lendas nos mostram claramente o contraste de forças e o resultado
final entre elas... Moisés e seu sucessor Joshua são evidentes
exemplos de redenção. Todas estas similaridades vistas entre tantos
messias encontram muitos paralelos sincréticos que nos levam a
refletir profundamente. Os messias da antiguidade e suas lendas
eram como filmes de língua estrangeira sem legenda ou explicação,
seus mistérios eram somente compreendidos e endereçados aos
iluminados das mais altas castas reais e sacerdotais. Seus segredos
eram de profundo mistério aos olhos do povão, eram uma coleira
espiritual no pescoço das massas. O povo só compreendia o que o
clero dominante interessava-se em ensinar e/ou divulgar.

Nota: Somente a partir do advento do Mestre Jesus, destacou-se


visivelmente uma nova proposta messiânica e pública. Ele veio a
romper com estes ciclos dominantes, oferecendo ao homem faminto
e sedento uma gratuita possibilidade de simples iluminação. Jesus
democraticamente veio para rasgar o véu do templo humano, de alto
a baixo, propondo erradicar a ignorância religiosa. Jesus demonstrou
através de seus ensinamentos que qualquer homem comum é capaz
de operar milagres e maravilhas, mais do que isto, Ele demonstrou o
caráter divino do homem comum, nos demonstrando o Pai Celestial
– dentro de nós. Jesus é este divisor de águas entre o segredo e a
revelação, entre a escravidão e a alforria, entre o jugo e a graça,
entre as trevas e a luz. Foi Ele quem corajosamente nos ensinou a
cerca de nossas divindades, por saber que àquele a quem a palavra
veio foi transformado eternamente.

64
Vós sois deuses

Veja em: João 10:33-36 Os judeus responderam-lhe assim: “Por


nenhuma boa obra nós te apedrejaremos, mas sim por sua
blasfêmia, e porque, sendo tu um simples homem, te fazes passar
por Deus.” Jesus lhes contestou: “Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu
disse: sois deuses?’ Se Ele chamou ‘deuses’ àqueles a quem veio a
Palavra de Deus, como vós dizeis daquele a quem o Pai santificou e
enviou a esse mundo: ‘Tu blasfemas!’, porque vos declarei: ‘Eu Sou
o Filho de Deus?’

A mensagem codificada de Cristo nos versículos acima demonstra-


nos o caráter divino do trino deus-homem na terra. Somos todos nós
sem distinção realmente deuses encarnados. O problema básico é o
nível da consciência de cada um, pois podemos vivenciar nossa
divindade para o bem ou mal. Todos os dias podemos assumir as
duas faces desta moeda: deuses ou bestas? anjos ou demônios?
Quem somos nós amanhã? Tudo depende de nosso comportamento
presente, mais do que isto, de nossa resolutividade na busca de um
compromisso ético e moral, como nosso Mestre Jesus, o qual nos
mostrou o caminho. O objetivo de todo cristão é ser “salvo”, salvo de
suas transgressões morais e concupiscências carnais. Para isto
Jesus nos deixou na lição magistral da Cruz uma fórmula muito
simples: o perdão! Primeiramente ao próximo e também a nós
mesmos. A consciência do erro é sem dúvida a arma mais letal
contra a humanidade, uma verdadeira armadilha involucional e
egoística que nos acorrenta diariamente a este plano, infelizmente.

Se desejarmos crescer necessitaremos de ferramentas. A Cabala é


este tool kit eficaz, se bem discernida como no exemplo ministerial
de Cristo, poderemos gerar frutos maravilhosos. Assim como Jesus
devemos negar nosso ego e assumirmos o verdadeiro papel Divino
de nosso Ser. Desta maneira todas as possibilidades tornar-se-ão
realidade em nossas vidas: cada milagre, cada prodígio, cada mara-
vilha, cada gesto de amor e graça. O Grande Projeto da Providência
Maior finalmente será concluído, a saber, o Vosso Reino na Terra
que ostentará o Título de Terra de Paz e Amor!

65
Capítulo VIII

Os fenômenos psíquicos e paranormais

Neste capítulo veremos os mais importantes fenômenos psíquicos e


paranormais, que tanto impressionam e aguçam nossa curiosidade.
Não abordaremos suas técnicas e práticas, pois isto fugiria do foco
deste trabalho, entretanto pincelaremos sobre o tema.

1. Mediunidade: É a capacidade passiva de sublocar o corpo físico


para que outra entidade tome acento e controle temporário, o
médium vai literalmente para o banco do caroneiro enquanto seu
hóspede toma as rédeas do animal. Ao meu ver esta é uma
atividade de risco e que tem sérias consequências. O médium utiliza-
se deste tipo de paranormalidade nas práticas de necromancia e
adivinhação, também é comum a prática de resgate, onde o médium
“supostamente” recebe entidades em sofrimento, a fim de ajudá-las
e/ou resgatá-las de planos inferiores.

2. Necromancia: É a capacidade mediúnica passivo-receptiva ou


ativo-comunicativa de contatar no mundo astral espectros em de-
composição etherica. Esta prática gera laços mórbidos com o sub-
mundo sub-astral. Ninguém, ao meter as mãos nas tripas do Qlipoth
sai com os dedos limpos, CUIDADO!

3. Manteías: São as diversas modalidades adivinhatórias existentes.


Podem ser através de necromancia ou por intermédio de leitura
astral. Escolas esotéricas modernas sustentam que no plano astral é
possível localizar arquivos Akásicos pessoais ligados diretamente ao
interessado. Segundo estas escolas, os arquivos Akásicos livres,
podem oferecer informações úteis e importantes sobre o passado,
presente e inclusive o futuro desta pessoa. Entre as técnicas mais
conhecidas está a cartomancia, a qual se baseia em interpretações
emocionais e psíquicas das energias e formas astrais manifestas no
mundo físico através de seus componentes. Existem outras dezenas
de métodos que vão de A - Z no dicionário da previsão.

66
4. Audividência: É a capacidade passiva de escutar sons do mundo
astral. Nesta modalidade o indivíduo passa a ser um canal por onde
as entidades manifestam os seus pensamentos e até mesmo
influências. O indivíduo afina o seu ponto focal de consciência atra-
vés de sua alma no mundo astral. Se bem capacitado o indivíduo
realmente torna-se um canal audividente. A Audividência pode ser
uma prática moderadamente perigosa.

5. Clarividência: É a capacidade passiva de enxergar formas, cores


e imagens do mundo astral. O Clarividente afina o seu ponto focal de
consciência, assim o indivíduo passa a ser um canal por onde as
entidades se manifestam. Há casos onde as imagens são belas e
prazerosas, ou densas e ameaçadoras. Tudo depende da orientação
moral do indivíduo, pois o campo energético e vibratório sempre está
sintonizado com uma estação correspondente no mundo astral.
A Clarividência pode ser uma prática moderadamente perigosa.

6. Telepatia: É uma capacidade comunicativa entre dois ou mais


indivíduos de enviar/receber informações audiovisuais. Poderíamos
dizer que estes indivíduos classificam-se como clariaudividentes. Os
telepatas projetam e oscilam imagens e sons, podendo enviá-los a
grandes distâncias para alvos definidos. É totalmente possível que
dois telepatas venham a interagir entre si formando uma perfeita
telecomunicação. Os receptores passivos destas mensagens nem
sempre estão atentos e conscientes delas, muitos deles acabam
recebendo suas influências durante sonhos ou estados letárgicos.

7. Telecinese: É a capacidade de mover objetos “mentalmente”.


Nesta modalidade o indivíduo tem o controle de seu corpo etherico e
de maneira muito sutil pode projetar uma parte dele, como por
exemplo sua mão, para alcançar a contraparte extrafísica de outro
objeto. Quando isto acontece, dependendo da energia envolvida e
do peso físico do objeto, a telecinese pode ocorrer. É possível até
deformar ou quebrar um objeto, tudo depende da perícia e da força
envolvida. Há casos onde o indivíduo apenas evoca outra entidade
para realizar a demanda. Há casos ainda onde o indivíduo manipula
os fluxos elementais através de mantras ou gestos, como por
exemplo o vento, podendo ser manipulado para causar o movimento
miraculoso.

67
8. Pirocinese: É a capacidade física ou extrafísica de criar e/ou
manipular calor. Nesta modalidade o indivíduo através de seu corpo
etherico condensa os fluxos energéticos internos do corpo dele ou
fluxos externos (elementais), produzindo calor em sim mesmo, em
outrem ou no ambiente a sua volta. A combustão de objetos pode
ser uma consequência, pois o processo é exponencial, diferenciando
apenas a quantidade de energia gasta. Comparativamente, o
resfriamento ou congelamento também pode ser o resultado desta
operação in-versa. Como na telecinese, existe a real possibilidade
de entidades ou fluxos elementais estarem envolvidos direta ou
indiretamente nesta operação.

9. Levitação: É a capacidade opositora de eliminar a gravidade a fim


de suspender algo ou alguém. No exemplo “andando sobre as
águas”, recebemos uma dica importante, onde nas águas o operador
encontra um condensador gigante de energias eletromagnéticas e
delas pode drenar uma corrente necessária para sua sustentação e
levitação. Este é somente um exemplo bem possível, bastando
entender a extrafísica por de traz da física. Um experiente levitador
poderia muito bem em qualquer lugar levitar. Leve em consideração
a explicação dada no exemplo sete, só que desta vez o objeto
suspenso pode ser o próprio corpo. A gravidade é uma força con-
trária, pois usa o mesmo fluxo elementar para nos atrair em direção
positiva ao seu vórtice, assim o levitador apenas altera a própria
polaridade gravitacional para ser suspendido ou expelido.

10. Hipnose: É a capacidade de induzir a mente a um estado de


consciência alterada, que certamente pode colocar o cérebro em
ponto neutro, podendo ser empurrado ladeira a cima ou a baixo.
Algumas pessoas tem este poder de influência aguçada, muito eficaz
nos negócios, política, religião, relacionamentos afetivos e etc.
A hipnose é uma ferramenta na reprogramação ou investigação
psicológica. Existe ainda a auto-hipnose, onde o indivíduo induz a si
mesmo num estado de consciência alterada, a fim de projetar a
mente externamente ou introjetar realidades extrafísicas em sua
psique. Toda prática de hipnose é perigosa ou arriscada, devendo
ser cuidadosamente avaliada sua necessidade real, exceto quando a
auto-hipnose é aplicada de maneira segura e treinada gradualmente
em trabalhos ou exercícios de meditação ou pesquisa no campo
extra-físico. Apresentaremos algumas práticas na ultima parte deste
livro, a fim de ajudar nossos leitores em seu desenvolvimento.
68
11. Materialização: É a capacidade fenomenal de condensar formas
astrais a um ponto cristalizável no plano físico. O operador através
de sua imaginação visualiza o objeto a se condensar a partir de
fluxos energéticos provindos do seu próprio corpo ou de elementos
externos. Das materializações mais comuns temos as produções de
cheiros, luzes ou formas espectrais. Há fenômenos complexos como
a materialização de líquidos, sólidos e complexidades em forma de
animais e/ou pessoas.

12. Projeção: A projeção é simplesmente a possibilidade de nossa


saída do corpo físico enquanto conscientes, onde o cérebro biológico
ainda ativo permanecerá conectado ao ego durante seu passeio
extrafísico, registrando suas sensações e emoções em real-time.
Existem condições necessárias para uma projeção consciente, entre
elas destacam-se: a memória, o tempo gasto durante o experimento,
a amplitude e o alcance da viajem realizada. Resumidamente posso
acrescentar que uma projeção pode ser realizada em nosso mundo
físico, onde podemos observar nossa vizinhança, ou até mesmo
viajarmos grandes distâncias em frações de segundos. A projeção
pode ocorrer em diversos planos astrais, onde o ego pode vivenciar
experiências incríveis como as reportadas pelos Apóstolos João e
Paulo nos seus relatos “celestiais e infernais”. Projeção é coisa séria,
para pessoas experientes, há sérios riscos envolvidos...

13. Possessão: é um fenômeno muito comum nos dias de hoje, nem


sempre a vítima apresenta sinais claros de domínio. A entidade
acoplada à vítima pode ser muito sutil e sorrateira. Os motivos são
dos mais variados: vampirismo energético, necessidades sexuais,
vícios, prazeres, materialismo e etc; o repertório é longo e variado. O
ego enquanto encarnado, tende a seguir os instintos mais animais
do corpo humano, a saber: autopreservação, prazer e poder.
Quando o ego desencarna do corpo físico, ele geralmente fica ainda
apegado ao material e tenta através da obsessão evitar sua degra-
dação energética, saciando-se de outras fontes nutritivas, bem como
tirando proveito das sensações e emoções de seu hospedeiro. Há
casos diferenciados, onde as entidades são elementares, mas isto
foge do alvo de nossa explicação. Possessões são quebradas facil-
mente, dependendo mais da vítima do que do vitimador ou operador,
é nossa atitude perante a vida que evitará tal condição.

69
14. Aparições: elas são muito comuns em certos lugares e sob
alguns aspectos. Fenômenos como este são causados por diversas
razões: 1.Projeções seguidas de materializações. 2.Faculdades
psíquicas ou estados alterados de consciência que invadem outros
planos. 3.Manifestações propositais de egos desencarnados (raro)
ou espíritos amigos (comum). 4.Manifestações de stress imaginativo
coletivo ou individual, muito comuns em cemitérios, templos, igrejas,
sítios sagrados, montes, casas abandonadas, no campo e florestas.
Enfim, poderíamos exemplificar muitas outras possibilidades reais.
O que mais nos interessa saber é que nem sempre as aparições são
malignas, no entanto uma investigação mais aprofundada é sempre
bem vinda, principalmente na vida pessoal dos envolvidos, ou no
lugar ocorrente delas.

15. Curas: quem nunca pediu para a Providência Divina uma cura?
Jesus quando curava sempre dizia: “A tua fé te salvou”. Em outra
passagem também sugeriu que as doenças são frutos de desordens
psicológicas ligadas ao rancor ou remorso. Se compreendermos que
nosso corpo físico não passa de uma cópia solidificada de nosso
corpo astral, concluiremos que toda somatização é uma decorrência
natural neste processo. Assim se nossa alma estiver bem, nosso
corpo físico também estará.

Obs.: Físico e Alma estão conectados intimamente.

Se porventura uma doença natural abater ao físico, a alma também


se abaterá, os remédios e drogas são o caminho mais simples para
a solução, mas com o auxílio da espiritualidade maior, o corpo emo-
cional pode se recompor e por somatização o físico também. Há
casos em que um órgão pode ser totalmente reconstituído. Há casos
em que a própria vida pode ser restituída, tudo depende do Espírito,
que é Soberano.

Em nossas células temos o DNA da vida humana, que é um mapa


que descreve nossa constituição física e genética. No corpo astral o
“DNA Astral” oferece ao físico uma verdadeira instrução a respeito
da melhor forma e condição para a saúde. Basta aplicarmos o
comando de reconstituição astral apropriadamente, que o processo
de manutenção se iniciará de fato automaticamente, dependendo é
claro de fatores espirituais, pois a Providência Maior sempre é bali-
zadora nestas questões carmáticas...

70
Capítulo IX

Os Mundos sobrenaturais

A ciência já questiona suas velhas teorias quanto à existência de


míseras três ou quatro dimensões físicas, levando-se ainda em
consideração o tempo como uma variante espacial. A teoria das
cordas é um exemplo da ciência tentando reexplicar o “inexplicável”,
a qual postula a existência de 10 ou 11 dimensões. Qualquer
similaridade com o sistema cabalístico é mera especulação.

No entanto, estando esta proposta correta ou não, só nos resta crer


na inconclusão cientifica, onde afirmações tidas como infalíveis
outrora, são sacudidas fortemente hoje. (Viz. Física Quântica)

A Cabala descreve um universo manifesto em 10 planos, ou melhor,


10 emanações, das quais a mais densa de todas é o mundo físico,
onde se cristalizam as forças e formas de estâncias superiores ou
menos densas. Destas esferas superiores muito pouco podemos
mensurar e compreender, entretanto pouco é muito se levarmos em
consideração o quão diminutos somos em relação ao Universo.
No centro de nossa abordagem está o mundo astral, a palavra astral
vem da raiz áster (astro) ou estrela, é um termo ocultista muito
comum que correlaciona a forma/força expressada e vice-versa.

Os Planos Astral e Etherico

Como estudado em capítulos anteriores, nosso mundo físico não


passa de uma mera cópia do mundo astral, onde cada objeto ou ma-
terial é uma solidificação de sua originária forma energética.

Veja a figura 13.

Note a figura da maça astral, quase que esfumaçada. Obviamente


isto não corresponde à realidade de uma visão etherica, porém como
numa licença artística, usei este artifício – o desenho borrado dela -
para diferenciarmos a original de sua cópia, onde a astral é original,
e a física é uma mera cópia. Mas na realidade é quase impossível vi-
sualmente encontrarmos diferença entre a astral e a física, somente
quando experimentamos o tato no plano astral, é que poderemos
sentir esta diferença prática, não no objeto, porém no toque.
71
Figura 13: A maçã

Se fecharmos nossos dois olhos naturais e abrirmos o sobrenatural,


poderemos apreciar a nossa volta reconhecendo os mesmos objetos
do mundo físico presentes, só que desta maneira veremos suas
formas energéticas originais neste plano paralelo conhecido como a
zona etherica da terra. Neste plano, na periferia de nosso mundo
físico, tudo é pura realidade. É comum enxergarmos a vida alheia,
principalmente se a clarividência for praticada em conglomerados à
luz do dia. Este tipo de externalização da consciência não respeita
obstáculos físicos, sendo possível cruzar paredes e flutuar ao ar livre
sem maiores impedimentos, exceto quanto à energia despendida
para tal e o tempo gasto no processo ou experimento.

Exemplo: Se eu projetar dentro de minha casa, claramente verei


minha família, se eles estiverem dormindo ou acordados assim os
verei, se eles também estiverem projetando teremos uma reunião
astral familiar. Parece brincadeira, mas não é.

Pergunta: é possível encontrar gente “morta” na zona etherica?

Resposta: Sim, porém entidades desencarnadas nesta esfera estão


no lugar errado, pois quando alguém morre fisicamente há sempre
um forte magnetismo arrastando-os para outras instâncias, tornando
as suas permanências aqui bem complicadas e dependentes de
muita energia. Tais entidades forçam sua permanência neste plano
de forma ilícita e imoral, através de vampirismos energéticos ou
simples obsessões corpóreas. há casos bizarros como hospedagem
animal, deturpando violentamente a ordem das coisas estabelecidas.
72
Habitats Astrais

A Cabala explica que em nosso sistema solar há muitos habitats


astrais, de modo a afirmar por exemplo, que a Lua, como sendo um
corpo físico, tem também um anima mundi (um corpo astral), desta
forma ela tanto erradia sua influência astral quanto serve de morada
astral, pois em sua superfície uma zona etherica é possível. Assim
são com todos os corpos celestes, eles possuem corpos astrais dos
quais se irradiam suas influências e em suas superfícies habitats são
possíveis, porém não somente nestes planetas, pois habitats astrais
não dependem exclusivamente de coordenadas físicas ou espaciais.

Certamente existem vários habitats ethericos em nossa vizinhança,


eu pessoalmente durante projeções visitei alguns e posso relatar que
uns foram de tirar o fôlego por sua beleza e harmonia, já outros de
tirar o sono por sua horripilância. Certo é que cada qual pode tirar
suas conclusões se tiver disposição e ferramentas para tal empreita.

A Bíblia descreve sete céus e sete infernos, onde a consciência


humana desfruta de refrigério e paz ou punição e dor. Vejamos a um
exemplo do Apóstolo Paulo, Coríntios 12:1-4: "Se é necessário que
me glorie, ainda que não convenha, passarei às visões e revelações
do Senhor. Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi
arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não
sei, Deus o sabe) e sei que o tal foi arrebatado ao paraíso e ouviu
palavras inefáveis, as quais não são lícitas ao homem referir".

Logicamente o apóstolo referido estava falando de si mesmo, de


maneira humilde e conveniente. Importa-nos refletir neste relato fide-
digno - tal projeção é possível, positivamente confirmada pela tradi-
ção Cristã. O texto bíblico nos revela uma disposição numérica e
organizativa das instâncias celestiais, note que o texto fala de um
terceiro céu. Para um bom cabalista o terceiro céu é a esfera Binah,
alcançada somente através da projeção espiritual consciente, algo
muito difícil e raro.

Estes “sete infernos ou sete céus” podem ser visitados pelo projetor
a qualquer tempo, o que delimita esta ação é somente nossa real
capacidade vibracional, ou seja, o nosso comportamento ético e
moral, que é como um rádio, que se sintonizado em AM, recebe
apenas AM, e não FM, a assim por diante (comparativamente).

73
Enquanto ancorados em terra firme somos facilmente influenciados
por estas esferas, tudo depende mesmo é de nossa conexão com
elas; assim para a pessoa violenta, sua leitura da esfera Marciana é
destrutiva; já para o nobre de coração, sua leitura da mesma esfera
é progressista e conquistadora. O mesmo acontece no pós-morte.
Assim as esferas nos são ajustadas, fazendo valer como ouro o
antigo ditado: “aos olhos dos bons, todos são bons, mas aos
olhos dos maus, todos são maus”. Ou seja, de acordo com minha
moral e comportamento, as suas influências poderão ser,
boas ou ruins...

Alguém já disse:
“O inferno e o paraíso são aqui na Terra mesmo”.
Esta pessoa não estava longe da verdade.

O Qlipoth

O Qlipoth (O inferno) é uma palavra Hebraica denotando o contraste


desbalanceado de cada sephirah, especificamente as esferas do
mundo astral de Yetzirah, uma vez que elas podem ser alternadas.
Note que a primeira esfera (Kether) não tem polaridade, a esfera 2-
Chokmah é polarizada em positivo-negativo, a esfera 3-Binah é
polarizada negativo-positivo, nos restando outras sete esferas, as
quais emanam forças e formas de maneiras positivas ou negativas
como já vistas anteriormente.

Tenhamos em mente que cada sephirah de 4 a 10 tem virtudes e


defeitos a elas correlacionadas, num exemplo, Chesed, é a sephirah
da graça, do amor e perdão. Se o relacionamento da minha cons-
ciência com Chesed for desbalanceado e ausente de Geburah, meu
comportamento será displicente e complacente, onde em vez de
oferecer perdão e misericórdia ao próximo (ou para mim mesmo),
praticarei o descaso, a negligência e a impunidade.

Assim uma qualidade logo torna-se um defeito. O problema não está


na qualidade da esfera, está na polarização dela, por isso cada
sephirah tem uma outra esfera que a contrabalança, e no meio delas
está situado o ego/alma (máscara) em Tiphareth, o qual se portando
equilibradamente terá o domínio sobre todas as esferas.

74
O Qlipoth é a árvore “infernal”, ou melhor dizendo, na condição de
desequilíbrio e desbalance da psique humana em relação às forças
emocionais de nosso universo astral, poderemos ser atraídos para
sub-habitats astrais peculiares ao nosso enfoque. Num exemplo
simples, para o suicida ou homicida há um lugarzinho especial.

Nestes lugares infernais do Qlipoth, se é que podemos chamá-los de


lugares, o ego é depurado até que possa prosseguir sua jornada
evolutiva. Quando o processo terminar, o corpo astral deixará para
traz uma casca quase vazia chamada Nephesh, a qual tem prazo de
validade curto por se tratar de um corpo energético que logo se
decomporá e voltará aos rudimentos de sua origem etherica,
restando apenas uma casca vazia: o corpo etherico.
Nephesh em decay de nada mais serve ao ego.

A tradição judaica descreve estas cascas ambulantes como Shedim.


A palavra Shed (Sombra) significa demônio na língua Hebraica.
Muitas vezes o Shed (casca) vazio deixado para traz nestas regiões
inferiores do Qlipoth é tomado por forças radicais e espúrias, natu-
rais do processo da imaginação humana. Um elemental pode ser
autômato até certo nível e consciente de sua individualidade, que no
seu mais íntimo instinto de sobrevivência poderá ocupar uma casca
etherica a fim de assumir sua identidade entre os entes queridos.

O grande problema é que o corpo etherico deixado para traz ainda


guarda fragmentos em decomposição, características de seu antigo
morador (ego), como por exemplo suas feições físicas, qualificações
intelectuais e emocionais, suas memórias mais íntimas, ainda arma-
zenadas neste corpo etherico.

Então quando o elemental adentra ou toma posse dele, incorpora


estas características e memórias de maneira muito convincente,
passando a agir como se fosse o próprio antigo dono, porém não
passando de um Shed. Os Shedim são comumente atraídos para o
plano físico em sessões de necromancia ou em trabalhos mágicos
de teurgia, em evocação ou invocação de entidades.

Quando isto ocorre, os operadores / médiuns tem a falsa impressão


de estarem lidando - ou sendo lidados pelo espírito original que de-
sejam manifestar, no entanto estas entidades não passam de som-
bras demoníacas e ethericas com uma agenda própria, a saber, o
domínio do elemento que lhes convém.

75
Elemental

O Elemental é uma aberração astral provida de instintos, a qual


não tem condições de auto subsistência e pode vir à ser destruído
quando não alimentado. Os elementais são criados a partir do pen-
samento humano, por intermédio de devoções e/ou imaginações em
práticas criativas (mágicas).

Exemplo 1: (sucubus) Um garoto(a) tem o hábito da masturbação


utilizando uma parceira imaginária, com a qual diariamente exercita
relações sexuais imaginárias. Durante as suas masturbações a
imaginação é tão vívida e poderosa que no mundo astral estas
energias externalizadas criam um “ser” elemental. Ao passar dos
anos a parceirinha(o) passa a ter instintos e emoções iguais a de
seu criador(a). Já bem consciente de sua existência, busca estimular
o relacionamento com seu dono(a) continuadamente. Uma des-
conexão é muito difícil e dura, pois através do clímax, o elemental
sucubus/incubus tem sua nutrição vital garantida. Para as meninas
ou meninos homossexuais, o processo é o mesmo, onde o elemental
masculinizado é chamado de incubus.

Exemplo 2: (Santos/Egrégoras) Um grupo de pessoas reunidas


começam a adorar uma imagem ou um ícone religioso a ponto de
externalizarem e/ou visualizarem energias astrais tão potentes que
por consequência criam ao ícone uma persona sacra. Os “santos” e
egrégoras não passam de consciências coletivas das emoções e
pensamentos pertencentes à grupos, que se condensaram a um
ponto crítico passando a serem conscientes e ativos(as) enquanto
adorados (alimentados).

Exemplo 3: (Corpo de luz) É a criação de um elemental através de


artes mágicas com a intenção de acumular energias ethericas para
práticas extrafísicas ou fenomenais. Dependendo da orientação do
corpo criado ele pode se tornar autômato. Com o tempo o mago
pode perder seu poder de controle ou até mesmo ser atacado pelo
elemental. Muitos elementais são criados sem a data de validade e
após o falecimento de seus mestres passam a ter autonomia total.
Alguns elementais existem a centenas de anos, sendo poderosos e
conscientes. As religiões têm classificado-os como demônios, conhe-
cidos popularmente por diversos nomes e hierarquias.

76
O Pós-morte

Logicamente o pós-morte gera muito medo nas pessoas, pois somos


programados instintivamente a evitar a morte física, mas quando
cremos nos ensinamentos religiosos a respeito da morte, passamos
a confortar nossa condição passageira nesta vida, por crermos na
possibilidade da continuidade existencial futura.

O espírito desejoso de individualidade, recebe no mundo astral uma


oportunidade de evoluir-se através do ego. O ego temporário por sua
vez é revestido de uma tênue camada etherica que é a matriz de
contato entre a alma e a matéria, a qual mais tarde se manifestará
no plano físico e material. O ego (mascara) uma vez encarnado, aqui
desfrutará de experiências sensoriais, emotivas e racionais. Neste
processo receberá aprendizado e poderá nutrir laços afetivos muito
importantes em seu desenvolvimento moral e ético em sociedade.

Cabe ao ego o trabalho de evolução e aprendizado, ao espírito cabe


a administração deste processo. Estas experiências logicamente são
compartilhadas entre os dois, principalmente no momento do sono,
onde o espírito pode fazer sem maior dificuldade um contato mais
profundo com o ego, e ainda realizar ajustes nele, conforme suas
necessidades de melhorias e reparos salutares.

Quando o tempo da morte física chegar, a matriz etherica será des-


ligada do corpo físico, então o corpo astral passará por um novo
processo de depuração. O espírito fará um registro das ultimas
memórias emotivas e racionais do ego enquanto este estiver em
processo de depuração, para mais tarde servirem de base de dados
em futuros planejamentos. A vida e o pós-morte do egoísta é sempre
dolorosa, pois ele tentará de todas as maneiras evitar sua primeira e
a segunda morte. A primeira sendo a morte física, a segunda sendo
a decomposição etherica de sua casa. Este decay é necessário para
que aja a liberação do ego etherizado, ligado ainda ao plano físico
pela matriz desconexa do mundo material.

Obs.: Se o ego/alma for humilde e cativo ao espírito, uma conexão


importante será estabelecida ainda em vida física e a experiência
existencial será muito proveitosa. Se o ego for altivo, esta conexão
nunca se formará, havendo apenas uma frágil linha de comunicação
entre eles. Este é o caso de bilhões de seres humanos egoístas...

77
A grande diferença é que o espírito é eterno e imortal, entretanto o
ego é passageiro e temporário. Por isto a palavra revelada diz que o
salário do pecado é a morte. Para o ego humilde e cativo à vontade
do espírito, a vida física é uma constante serventia em perpétua
união com o espírito. O pós-morte do ego humilde é rápido e indolor,
bastando apenas uma liberação consensual do ego no ato de seu
desligamento etherico, então o espírito o absorverá completamente,
suas memórias, emoções, intelecto, experiências e qualidades, sem
a necessidade de depuração e/ou exclusão. Entretanto, na maioria
dos casos a recondução a novos ciclos involutivos se faz necessária,
num loop entre involução e evolução continuada, até que o apogeu
espiritual seja conquistado e as amarras eliminadas.

O Paraíso e o Inferno

No mundo astral existem habitats em desbalance ou não. Sejam elas


esferas infernais ou paradisíacas, são de extrema necessidade, pois
durante os ciclos a alma espiritual precisará de arrependimento,
correção, suporte, amor, apoio, orientação, descanso, paz, preparo,
estudo, engajamento e trabalho, a fim de progredir no processo.

Afinal, não é porque a vida física chegou a um fim que vamos estar
prontos e devidamente capacitados, ou iremos parar de trabalhar e
desfrutar dos Serviços Celestiais 24h, aquela conversa de que a
alma dorme e espera por Deus é pura demagogia, principalmente se
encararmos os textos religiosos com os olhos da ignorância e da
prepotência teológica (convenientemente).

Para exemplificar este tema, basta-nos analisar nossa vida pessoal.


Se você é uma pessoa proativa e um recurso humanitário valioso na
economia social, certamente você já está sendo dirigido diretamente
por seu alto espírito, de maneira a realizar sua mais íntima vontade,
caminhando conforme os planos e altos desígnios do “deus do seu
coração”, incutidos na sua direção.

Ao desencarnar, sua vida no além será tão produtiva e útil quanto


hoje, pois é o que você define fazer hoje de sua vida, que certa-
mente definirá o que será feito dela amanhã. Nada acontece por
acaso, tudo o que o homem plantar, certamente colherá!

78
O “paraíso e o inferno” não são simplesmente lugares ou habitats
astrais de localizações geográficas ou temporais, eles mais são
aglomerados de consciências ou coletividades pertencentes a uma
faixa oscilatória, ou seja, uma faixa vibratória existencial.

O paraíso é um estado vibracional de nossa consciência, se de fato


estivermos moralmente afinados e sintonizados aos preceitos e
princípios supremos, a saber, o amor ao próximo e a harmonia com
a Providência Maior, sendo Dela servos fiéis e humildes, assim
encontraremos refrigério e “descanso” no mais lindos e perfeitos
“lugares” celestiais, onde nossas consciências se iluminarão mais e
mais a cada dia.

Lucas 23:43 “E disse-lhe Jesus:


Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. Na cruz,
juntos de Jesus, haviam dois homens crucificados, os famosos
ladrões da cruz. Um deles foi humilde frente sua situação, a este foi
conferido o perdão incondicional, já o outro ladrão ali zombava e
escarnecia. Qual foi seu “destino” no pós-morte?

Assim da maneira que olhamos para o mundo, ele nos será, bom ou
mal, isto se deve ao fato de que o céu e o inferno são leituras
diferenciadas do mesmo livro, ou das mesmas forças. Não obstante
acrescentar que as irradiações e emanações das esferas astrais nos
são por demais importantes, tanto em vida como no além dela.
Ninguém come arroz e arrota caviar, de modo que o que vivemos
hoje, também será vivido amanhã. Não é uma questão de mere-
cimento, entretanto é uma questão de afinidade; da mesma maneira,
o destino do vapor d’água é ascender ao encontro do céu azul.
Podemos ser este “vapor” espiritual, que por nossa leveza de ações
ou pensamentos estamos temporariamente ligados ao estado físico
de nossa existência, no entanto ao final deste ciclo nossa ascensão
será uma consequência natural e garantida.

Mais uma vez frisarei este ponto: Conforme nos relacionarmos com
as esferas faremos o bem ou o mal, tudo depende de nós, afinal não
existe o puro mal, o que existe é apenas a ausência do bem, como
da mesma maneira não existem trevas, porém a ausência da luz.
Somos como um rádio transceptor, que recebemos e enviamos infor-
mações, ondas. Conforme forem as ondas que irradiarmos serão as
mensagens que receberemos. Hoje e também amanhã no pós-
morte, esta matemática é precisa e certeira.

79
Capítulo X

Uma vida em harmonia

Harmonia é o mais intrincado equilíbrio entre acordes de uma


composição. Se analisarmos o que são acordes, veremos que são
junções de notas musicais, os quais se completam a fim de equilibrar
suas relações. Poeticamente falando, comparamos o ser humano a
um acorde, assim entre tantos acordes de nossa sociedade moderna
precisamos de muita harmonia para que nossa razoável convivência
possa ocorrer. Figuradamente, o nosso ser é uma composição de
notas musicais, onde em nosso corpo físico ressona-se a mais grave
nota musical de uma escala - Dó. Na sequência temos Ré, Mi, Fá,
Sol (Tiphareth) que é o centro de nossa alma solar. Então temos Lá
e finalmente Si, que é a última nota de nossa soma astral.

Um perfeito contraste de notas entre as sete cores sonoras de nosso


acorde multicolor causam resultados harmônicos elegantes, deste
modo operante uma possível harmonia em sociedade ocorre, onde
cada acorde deve estar no lugar correto de uma escala social.

Vida é música, música é harmonia, harmonia é paz, paz é equilíbrio


racional/emocional, numa execução magistral, dirigida ou conduzida
pelo supremo maestro de nossa orquestra, O Supremo Compositor.

Moisés nos ensinou através da lei sagrada dez perfeitos preceitos de


justiça e equilíbrio. O Mestre Jesus simplificando e cumprindo toda a
lei os sintetizou em dois mandamentos:

“Amarás teu Deus sobre todas as coisas


e ao próximo como a ti mesmo”.

Tão simples seria se todos nós vivêssemos de acordo com estes


“doze” parâmetros de condutas, negando nossa própria vontade e
servindo ao propósito maior, amando ao próximo, todos os dias de
nossas vidas sem cessar.

Este é o verdadeiro equilíbrio entre a Providência Divina (O Alfa) e o


Emanuel (O Ômega), onde o deus de nosso coração está a
persuadir-nos hoje de sua vontade, a saber, Boa, Perfeita e
Agradável – a perfeita musica celestial.

80
Como Equilibrar

As religiões tradicionais / reformadas de nossos dias presentes,


insistentemente tentam incutir na humanidade um sentimento de mu-
dança e/ou harmonia por meios repetitivos e vãos como: orações,
louvores, ordenanças, sacrifícios, doutrinas e fórmulas mirabolantes
impossíveis de se entender. Bem sei da importância destes artifícios
“sacros” e de seus frutos, que de maneira acanhada são as “únicas”
armas ou ferramentas as quais dispomos para um melhoramento
coletivo e pessoal.

Sempre gostei muito de estudar, entretanto doutrinas e orações


nunca foram atraentes ao meu gosto pessoal, sei que sacrifícios e
ordenanças são de uma ineficiência absurda, pois eles mais abs-
traem do que acrescentam. Para mim, ser um Cristão, foi muito difícil
no começo de minha vida religiosa, pois nunca me encaixei direito
na manada, sempre sendo um problema no meio dela, sempre
tentando apontar uma alternativa e sempre sendo apontado como
um rebelde problemático.

Voltando meus olhos para as escrituras, pude observar dois pontos


importantes, no primeiro, Jesus sempre condenou abertamente este
sistema de ordenanças, obrigações, doutrinas, regras inúteis, e
orações repetitivas e intermináveis. No segundo ponto, Jesus
mostrava ao contrário de sua pregação, que teria um hábito contínuo
de orar, veja o exemplo na noite a qual ele e seus discípulos pela
ultima vez se reuniram no jardim das oliveiras, para orar por horas
antes da prisão e execução dele. Não parece um contra-senso?
Não era ele contra a oração interminável e repetitiva?
Mas porque orava tanto?

Ora, Jesus publicamente ensinou o valor da oração curta e sincera,


veementemente condenando as vãs repetições, por que raios Ele
tinha o costume de orar por horas e horas nos lugares solitários?

“Jesus frequentemente retirava-se para lugares solitários e orava”

Mais uma vez a resposta estava na Cabala, pois se analisarmos


de perto os textos Bíblicos, veremos que em dezenas de versos no
VT e NT, a contradição se desfaz por completo. Descobriremos o
real caráter destas orações intermináveis, e mais, qual resultado
práticos elas traziam ao “orador”.

81
Acompanhe o seguinte em Inglês:
(KJV) Acts 22:17: And it came to pass, that, when I was come again
to Jerusalem, even while I prayed in the temple, I was in a trance.
(Eu estive em transe)

Numa famosa versão Brasileira vemos a seguinte discrepância:


Atos 22:17 E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando
orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. Cadê a frase
“Eu estive em transe” da tradução inglesa? Que discrepância hein?

Aliás, é muito comum “eles” suavizarem termos e palavras perigosas


nas versões terceiro mundo, supostamente para evitar perguntas
desnecessárias dentro da igreja.

Nota: Eu poderia citar outros versos semelhantes e exaustivamente


comprovar meu ponto, no entanto já estou cansado de tentar con-
vencer gente preguiçosa a pensar por si mesma...

Pois bem, chegamos ao ponto importante, o que é Transe? Ou se


preferir na versão mais light (arrebatamento)? A resposta desfazerá
o paradoxo das orações intermináveis de Jesus, pois o que Ele tanto
fazia nos lugares à ermo em reclusão e solidão na verdade não era
orar, porém meditar, e quando meditava entrava em transe, ou se
preferir, era arrebatado, numa tradução explícita: Ele Projetava!

Mas porque Jesus fazia tanto isto?

Meditar ajuda equilibrar nossa psique, ajuda organizarmos as ideias,


ajuda encontrarmos soluções para problemas importantes, ajuda a
formarmos conexões extrafísicas estratégicas com a espiritualidade
maior. Veja o exemplo da transfiguração de Jesus no monte perante
Elias, Moises, Pedro e companhia limitada.
O que realmente aconteceu?

Obviamente ambos estavam em outra dimensão, em um estado de


consciência alterada, ou melhor, consciência projetada. Assim fácil-
mente poderiam reencontrar com os espectros dos falecidos profetas
Elias e Moises, os quais já eram da clientela do Mestre Jesus. Não
sejamos néscios, como tantos profetas Bíblicos se comunicavam
com os “anjos”? Quais eram seus métodos?

E Jesus, qual era seu sistema miraculoso de falar e ouvir seu Deus?

82
A mim não importa tentar provar coisa alguma ao nobre leitor, pois o
motivo de você estar lendo este livro, é por querer saber a verdade,
então deixemos de lado a crítica partindo logo para a lógica.

Da mesma maneira que o Mestre Jesus ensinou seus discípulos, hu-


mildemente ensinarei a você, porque creio em vosso merecimento
de receber tal dádiva e presente, caso contrário você certamente
não teria sido conduzido por seu espírito a esta oportunidade pre-
ciosa. Porém antes de passarmos à parte prática de nosso trabalho,
gostaria de frisar que todo exercício meditativo é uma atividade dura.
Pessoas muito preguiçosas e desequilibradas encontrarão muita difi-
culdade em continuar deste ponto em diante. Se você por acaso não
se sentir bem, recomendo que feche o livro e continue sua vida reli-
giosa do jeito que ela é, onde você sempre estará do lado de fora do
lugar santíssimo, ou seja, na arquibancada.

Há alguns anos tive a rica oportunidade de acordar para este te-


ma, confesso que não estive em paz comigo mesmo, sabendo que
sempre quando estamos em nossa zona de conforto o desejo é
permanecer. Sem dúvida, algo falava mais forte dentro de mim, era
uma vontade inexplicável de experimentar mais, na época não tive
apoio algum, na verdade tive que buscar em tantas fontes filosóficas
que as dúvidas me apertavam constantemente, entretanto sempre
uma mão amiga me alcançava nos momentos de dificuldade. Hoje
estou estabelecido e de posse deste conhecimento, habilitado na
experimentação. Desta maneira posso testemunhar a mudança radi-
cal e real em minha vida, para melhor!

Convido você a conhecer mais dos segredos e mistérios escon-


didos e guardados para os discípulos, como eu e você. Os requeri-
mentos: moral, disciplina e entrega. O que buscamos primordial-
mente nestes exercícios é estabelecer uma conexão estável com
nosso espírito, a fim de ouvi-lo, entendê-lo, obedecê-lo e servi-lo.
Quando realizarmos isto, nossa fiel conexão com o Criador se fará
simples e estável, nossa vida nesta terra se transformará da água
para o vinho, nossos sonhos e projetos serão convertidos e aper-
feiçoados pelo Altíssimo de nossas vidas e no poder e na autoridade
Dele. Poderemos operar sinais, maravilhas, prodígios, curas e mila-
gres, assim como o Mestre operou, tudo depende é claro da permi-
ssão da Providência Maior, e de nossa determinação e confiança
nela, pois assim tudo será possível...
83
PARTE PRÁTICA

Exercícios

Iniciaremos agora a parte prática de nosso trabalho, sem dúvidas


um bom cabalista domina tanto a teoria quanto a sua aplicabilidade.
Como já estudamos anteriormente todo simbolismo cabalístico, che-
gamos a um determinado ponto onde cada tema abordado fará so-
mente sentido se iniciarmos nossos passos escada acima, de ma-
neira gradual.

Como já visto, o Ser humano compõem-se de: corpo físico, corpo


astral e espírito. Nossa tarefa de casa consiste em exercitá-los um a
um, começando obviamente por nossas condições físicas antes de
treinarmos os demais. Mas o que devemos treinar no físico? A base
de todo trabalho de meditação está no controle dos seguintes:

1.Ambiente, 2.Relaxamento, 3.Postura, 4.Respiração,


5.Concentração, 6.Visualização, 7.Vocalização.

Sem estes passos é quase impossível para um aprendiz realizar


bem qualquer prática cabalista avançada.

1. Ambiente. Logicamente devemos nos sentir bem no lugar esco-


lhido para nossos exercícios, uma boa dica é uma sala ou um quarto
com iluminação reduzida e climatização controlada, livre de ruídos
externos ou internos. Se precisarmos de isolamento acústico um
simples par de tampões de borracha para os ouvidos já resolverá
muitos problemas.

2. Relaxamento. Devemos usar de um breve alongamento muscular


sobre as juntas dos membros, principalmente na coluna vertebral e
no músculo do maxilar, pois qualquer tensão produzirá bloqueios.

3. Postura. Devemos escolher uma poltrona confortável e levemente


reclinada para sentarmos relaxadamente, os membros superiores
devem descansar sobre as coxas, mãos espalmadas para baixo e
bem à vontade sobre as pernas. Os membros inferiores devem estar
ligeiramente alinhados, pernas juntas sem pressão muscular. Nunca
devemos cruzar as pernas/pés. Nossa cabeça deve estar confortável
todo o tempo sem pressão sobre o pescoço ou sua musculatura
periférica.

84
4. Respiração. Por intermédio do músculo diafragmático iniciaremos
nossos exercícios de respiração 4x4, sempre inspirando e expirando
pelo nariz, sem fechar a glote (campainha) da garganta, apenas
mantendo-a aberta relaxadamente. Evite o uso da musculatura para-
costal e intercostal (peito).

1. Comece a inspirar pelo nariz profundamente, porém sem muito


esforço, lentamente. Conte até quatro mentalmente inspirando.
2. Segure o oxigênio uns poucos segundos dentro dos pulmões, ou
num tempo menor e confortável, o máximo é quatro segundos.
3. Vagarosamente expire todo o oxigênio, de preferência sem pressa
para esvaziar completamente os pulmões.
4. Antes de reiniciar o próximo ciclo inspiratório aguarde um breve
instante, no começo é difícil, pois na gana de respirarmos outra vez
sentiremos muita necessidade de reinício do ciclo, mas aos poucos a
respiração se tornará quadrática (4x4) e continua...

Uma vez dominado a respiração quadrática, passaremos ao controle


mental, que será o nosso próximo desafio nesta jornada cabalística.
Um controle decente no processo mental é muito difícil, dada nossa
inquietação e stress, entretanto é altamente necessário!

5. Concentração. Alguns praticantes avançados afirmam que o con-


trole da concentração é um dos mais difíceis, e não vou aliviar à este
respeito, concentrar é complicado, ainda mais nos dias de hoje,
quando a mente humana está sempre tão cheia e agitada com a
velocidade das coisas corriqueiras e materiais. Pensando nisto a
concentração em si já é uma forte aliada ao combate da ansiedade,
pois ao desenvolvermos esta habilidade nosso controle psíquico se
tornará relativamente exequível.

Após os passos anteriores estaremos devidamente relaxados a um


ponto mental próximo do sono leve. Sem que venhamos a cair no
sono devemos controlar nossos pensamentos (nossa voz interna).
Uma técnica é fixarmos nossa mente na seguinte afirmação mental:

“Não estou pensando em nada, não estou pensando em nada”...

Depois de algumas repetições deveremos lentamente diminuirmos a


curva da velocidade e intensidade delas, ao ponto de paramos por
completo de falarmos mentalmente. No início é bem difícil, mas após
muita prática o controle mental será realizável.
(Preferivelmente de manhã cedo)
85
Figura 14: Os Pilares

Os Pilares da figura 14 são apresentados da seguinte maneira:


1. Pilar (+) Positivo – Masculino – Ativo - Yakin - Graça.
2. Pilar (-) Negativo – Feminino – Passivo - Boaz - Justiça.
3. Central (Neutro) – Fruto - Equilíbrio – Consciência.

Nota: Com o controle e domínio mental dominado, passaremos aos


próximos passos: 6.Visualização e 7.Vocalização, no pilar central.
86
Figura 15: O Pilar Central

87
O Pilar Central

O Pilar Central é sem dúvida o mais famoso exercício cabalista, pois


sua efetividade é largamente aprovada, este exercício originalmente
foi proposto pelo Ocultista Israel Regardie. Através deste exercício
balancearemos nossas esferas e energias, a fim de dominarmos em
nosso proveito pessoal estas expressões que emanam ao nosso
redor, ou dentro de nós. Com isto reforçaremos nosso canal de
comunicação espiritual. É muito comum neste exercício a ampliação
espontânea das capacidades sensitivas, por isso pegue leve nele.

Advertência: Só comece este exercício após um controle regular


dos cinco primeiros passos propostos, para evitar desiquilíbrio. Após
um breve e relaxante exercício muscular deveremos sentar e nos
acalmar através da respiração quadrática seguida do controle mental
ao ponto de total relaxamento físico e mental.

Começaremos os passos 6.Visualização e 7.Vocalização (JUNTOS):

I - Visualize com olhos fechados uma esfera de luz branca e intensa


tocando o alto de sua cabeça, esta esfera de luz irradiará uma
grande paz e harmonia divina provinda da presença da Providência.
Vocalize (com a voz) o Nome Divino (Aiéh) por algumas vezes
seguidas, sinta sua vibração expressiva aumentar, até que sua
vocalização torne-se apenas mental. Visualize sua esfera de luz ir
ganhando mais intensidade a cada entonação. O Nome/fórmula
Hebraico AHYH – (Aiéh), significa: Eu Sou, o Altíssimo Nome Divino.

II - Agora visualize um fluxo de luz descendo e passando por dentro


de sua cabeça até chegar em seu pescoço na região da laringe. Ali
formará uma menor esfera (cor branca). Neste momento você
deverá estar visualizando simultaneamente a grande esfera sobre
sua cabeça, a esfera em sua laringe, e um pilar de luz conectando
ambas. Saiba que este pilar é o link formado entre o seu mais Alto
Eu e sua consciência humana. Agora vocalize o Nome Divino
(Yehová Elohim) por algumas vezes seguidas, sinta sua vibração
expressiva até que sua entonação seja apenas mental, visualize sua
esfera de luz ir ganhando mais intensidade a cada vocalização.
A composição dos Nomes/fórmulas Yehová + Elohim significa no
conceito Hebraico: a encarnação de um(a) deus(a).

88
III - Agora visualize o fluxo de luz branca descendo e passando por
dentro de seu peito até chegar em seu coração. Ali formará uma
nova esfera (cor branca). Neste momento você deverá visualizar
simultaneamente a grande esfera sobre sua cabeça, a esfera em
sua laringe, a esfera em seu coração e o pilar de luz conectando
ambas. Saiba que este novo link é formado entre sua consciência e
seu ego humano. Agora vocalize o Nome Divino e Bíblico (Yehová +
Eloah Va Daath) por algumas vezes seguidas, sinta sua vibração
vital, visualize sua esfera de luz ir ganhando mais intensidade a cada
entonação mental. O Nome Hebraico Eloah Va Daath significa:
Senhor do Conhecimento.

IV - Agora visualize o fluxo de luz branca descendo e passando por


dentro de seu abdômen até chegar em seu órgão sexual. Ali formará
uma nova esfera (branca). Neste momento você deverá visualizar
simultaneamente a grande esfera sobre sua cabeça, a esfera em
sua laringe, a esfera em seu coração, a esfera em seu sexo e o pilar
de luz conectando ambas. Saiba que este novo link é formado entre
seu ego e sua força vitalizadora. Agora vocalize o Nome Divino e
Bíblico (Shaddai El Rhai) por algumas vezes seguidas, sinta sua
vibração etherica, visualize sua esfera de luz ir ganhando mais
intensidade a cada entonação mental. O Nome Hebraico Shaddai El
Chai significa: Onipotente Deus Vivo.

V - Agora visualize o fluxo de luz branca descendo e passando por


dentro de suas pernas até chegar em seus pés. Ali formará uma
nova esfera (cor branca). Neste momento você deverá estar
visualizando simultaneamente a grande esfera sobre sua cabeça, a
esfera em sua laringe, a esfera em seu coração, a esfera em seu
sexo, a esfera em seus pés e o pilar de luz conectando ambas.
Saiba que este novo link é formado entre sua força vitalizadora e seu
devido aterramento energético no plano físico. Agora vocalize o
Nome Divino e Bíblico (Adonai ha Aretz) por algumas vezes
seguidas, sinta sua vibração receptiva, visualize sua esfera de luz ir
ganhando mais intensidade a cada entonação mental. O Nome
Hebraico Adonai ha Aretz significa: Lorde da Terra. Neste momento
sua visualização se completará, tendo formado um perfeito pilar de
luz branca reluzente, que por onde passou, interligou todas as
esferas de alto a baixo.

Veja a figura 15 para uma explicação ilustrada.

89
VI - Visualize o Pilar Central Completo e Belo, então comece a
circular a luz que você trouxe até embaixo envolta do seu corpo
inteiro, fortificando e brilhando cada vez mais sua aura, realize esta
circulação algumas vezes até que todo seu corpo esteja envolvido
por esta linda luz. Use a respiração 4x4 para circular a luz sincro-
nizadamente, lado à lado, inspire e sinta a luz subir pelo lado direito
do corpo, expire e sinta a luz descer por outro lado, num processo
cada vez mais irradiante. Da mesma maneira visualize e sinta a luz
circular por de traz e por frente do seu corpo, inspire e sinta a luz
subir por de traz do corpo, expire e sinta a luz descer por frente do
corpo, circulando cada vez mais forte. Isto formará uma aura oval
envolvendo o corpo inteiro.

VII - Agora visualize em seus pés um faixo de luz muito forte e


poderoso subir até o alto de sua cabeça, então do alto começara
uma forte chuva de partículas de luzes brancas derramando até seus
pés. Seu corpo físico será totalmente iluminado por esta chuva de
luz, inspire e sinta a luz subir até Kether, expire e sinta ela banhar
você e assim continue o ciclo por algumas vezes. Após isto você
visualizará uma forte e intensa onda de luz subir espiralmente em
volta de seu corpo até o alto de sua cabeça e condensando-se em
Kether (na coroa).

VIII - Para o fechamento, você focará alguma energia provinda da


esfera de sua cabeça retornando para dentro de seu coração, que é
o acento de sua consciência astral, lentamente você visualizará a luz
do pilar e das esferas enfraquecerem-se e dissiparem-se no ar,
deixando seu corpo suavemente iluminado e iluminando seu quarto.
Ficará no ar uma sensação maravilhosa. Termine esta prática com
um sentimento de agradecimento e respeito pelo íntimo contato
astral e espiritual realizado, agradeça à Providência Maior por isto.

IX - Após este belíssimo exercício, abra seus olhos e levante-se


tranquilamente, coma algo leve para garantir seu aterramento no
nosso plano. Este exercício deve ser praticado diariamente todas as
manhãs antes do desjejum. Você pode acordar uns 15 minutos antes
de seu costume. O Pilar Central é a base de todo e qualquer tra-
balho cabalístico avançado, devendo ser praticado antes de toda e
qualquer meditação. Eu poderia afirmar sem sombra de dúvidas que
este é o mais importante exercício cabalístico existente, tanto para
iniciantes como para experientes, pois nele reforçamos de forma
muito especial nossa conexão com o Divino, além de salutarmente
recarregarmos nossas baterias astrais.
90
Curiosidade: No inicio fiquei muito intrigado com esta história de
visualização e vocalização, pois não entendia o seu real porquê.
Somente após minhas práticas iniciais pude comprovar seu caráter
prático, pois quando visualizamos as forças em ação, praticamos o
gatilho necessário, dando o comando psíquico em nosso sistema
nervoso e glandular, gerando/modulando as frequências oscilatórias
capazes de afinar nossa consciência com os mundos: astral e
espiritual. Quando vocalizamos os nomes, reforçamos o mesmo
processo, porém desta vez ativa e autoritariamente, como numa
perfeita oração, pois não só invocamos a presença do Espírito Divino
Maior, como também verbalizamos suas forças manifestando-as
integradamente em nós, dentro de nós. Neste processo geramos
memórias “psíquicas” em nossa consciência humana.

Pathworking

Uma vez tendo dominado o exercício anterior, devemos explorar


nossas conexões secundárias com as esferas circunvizinhas. Um
bom trabalho no Pilar Central pode levar 90 dias, por isto recomendo
sua conclusão prévia, sob pena de insucesso na sequência do
pathworking a se realizar. Outro risco desnecessário é o desbalance
emocional e astral, pois quando lidamos com esferas polarizadas
diretamente, é altamente recomendado nosso devido balance.

Como já vimos ao todo são 32+1 paths e o trabalho de percorrermos


estes caminhos é muito válido quando queremos experimentar e
apreender mais dos mistérios da vida, dos poderes milagrosos e
fenomenais, da comunicação irrestrita com a Providência e seus
emissários, com nosso total conhecimento próprio.

São muitas as vantagens oferecidas por este método de meditação.


Todo pathworking para iniciantes começa em Malkuth, a última
esfera, o corpo físico, a consciência biológica e cerebral, o reino da
Terra, onde nossa alma habita carnalmente. Por isto darei um exem-
plo inicial simples e prático para vosso entendimento.

91
Importante: O profeta Daniel tinha o hábito de invocar “arcanjos”
quando na atribuição de suas funções proféticas, porém, o Mestre
Jesus não! Em partes porque toda a proposta do Mestre Jesus era
baseada num contato direto sem intermediações, exceto pela fór-
mula pentagramada, ou seja, através do seu próprio espírito. Por isto
prefiro lidar com as forças das esferas em seus estados puros e
espirituais, com as ferramentas espirituais acessadas através do
meu espírito e não através de intermediários. Saiba que lidar com
intermediários tem seus riscos e isto eu não recomendo, o ego pode
ser facilmente enganado e dominado quando operando no plano
Astral através de outras entidades. Porém através do seu espírito, o
ego opera com segurança, por preferirmos sempre uma abordagem
segura para que aos poucos possamos lidar ativamente com as
forças divinas em suas esferas emanativas. Podemos usar as cores
astrais das esferas, porém devemos invocar juntamente sempre os
Nomes Divinos, diretamente, sem artifícios ou intermediários.

O primeiro passo é visualizarmos em nossos pés a esfera de


Malkuth. Para sairmos de Malkuth e subirmos a nossa árvore da vida
devemos primeiramente fazer o caminho ascendente, 10~9~8 e
etc... Então o primeiro caminho a tomarmos é de 10~9, de Malkuth à
Yesod, e assim por diante: de 9~8, 8~7, 7~6, 6~5, 5~4, 4~3, 3~2,
2~1, 1~0, principalmente para os iniciantes, pois este é o caminho
natural de ascensão.

Nota: Tão somente depois de desbloquearmos todas as fases deste


“game” poderemos realizar caminhadas livres e/ou ascensões
diretas nos planos entre as esferas/caminhos de nossa árvore, veja
a figura 16, a Árvore da Vida é vista com suas 10 Esferas, 22
caminhos e a ponte de luz.

Cada esfera “sephirah” tem um nome hebraico, cada caminho o qual


interliga duas esferas é assinalado a uma respectiva letra hebraica.
Desta maneira quando fazemos um caminho (path) de uma esfera à
outra, visualizamos sua correspondente letra (sinal). Memorizando
sua forma gráfica treinaremos nossa consciência emotiva e psíquica
no path. Este processo confere à consciência humana o recurso da
memorização, um verdadeiro gatilho visual, que de fato nos auxiliará
em futuros trabalhos, quando aí então faremos as devidas conexões
de forma direta, sem muletas como mantras, cores e etc...

92
Figura 16: A Árvore na Tradição Hermética

93
Figura 17: Ascensão

94
A Técnica de Ascensão

1. Devemos realizar prioritariamente o exercício completo do Pilar


Central, para preparo, limpeza, equilíbrio, relaxamento e sintonia da
consciência. Não prossiga na ascensão da árvore sem antes concluir
bem o Pilar Central.

2. Começando de 10~9, Malkuth~Yesod. Visualize a esfera de


Malkuth em seus pés na cor/forma astral dela, vocalize o Nome
Divino respectivo de Malkuth (Adonai ha Aretz) algumas vezes
enquanto você visualiza esta esfera crescer e crescer, até que você
fique totalmente dentro dela.

3. Dentro da esfera, visualize uma porta de saída rumo a Yesod, na


porta visualize uma grande letra (Tav) em cor de ouro brilhante, a
qual estará intensamente iluminando seu caminho até a porta.
Obs.: Você poderá encontrar as letras hebraicas desenhadas nas
páginas 100 à 110 para colorir e memorizar, uma a uma.

4. Quando você passar pela porta, um caminho a sua frente se apre-


sentará, nele você terá experiências visuais muito intensas as quais
já podem não ser mais fruto de sua imaginação, aqui começa um
nova realidade em sua jornada espiritual.

Obs.: O Caminho se apresentará porta à fora, como um tubo de luz,


um canal por onde você prosseguirá seu pathworking. Se preferir
você poderá pedir à Providência Maior que lhe envie um ajudador,
bastando solicitá-lo verbalmente e aguardá-lo por um instante, logo
um ajudador se apresentará. É muito importante que você teste o
ajudador quando ele chegar, vibre ou vocalize o nome espiritual
Yehoshua - respeitosamente. Se o “ajudador” mostrar-se a vontade
com o Nome siga-o, mas se ele agir de maneira desconfortável ou
negativa, expulse-o imediatamente com a vocalização do mesmo
Nome, pois certamente é uma entidade etherica inferior. Mas fique
tranquilo, seu espírito está na direção, e sempre o ajudará, mesmo
que seu primeiro contato seja negativo. É possível você não con-
seguir ver o ajudador, porém é comum sentirmos uma presença ami-
ga durante os paths e nas visitas às esferas, como se fosse um
professor ou um anjo de luz. Mesmo assim, sempre teste a entidade,
sempre quando em dúvida ou ameaçado vibre o Nome Divino
Yehoshua, visualizando uma forte luz branca envolvendo-o(a) todo
(a), esta é a maior proteção existente no universo.

95
5. Seguindo o caminho (o túnel de luz) 10~9, agora visualize a
Esfera Yesod na cor Violeta, vocalize o seu Nome Divino (Shaddai El
Chai), nela visualize uma porta de entrada e entre. Uma vez dentro
de Yesod, sua primeira experiência será inesquecível, pois Yesod é
fantasticamente rica em imagens e formas astrais, dependendo de
sua companhia e/ou ajudador você poderá realizar experimentos
extrafísicos muito intensos e criativos, e isto é só um pequeno
exemplo de Yesod, a saber, o primeiro degrau conquistado no
mundo extrafísico, porque Yesod é considerada a casa das imagens
astrais, dos arquivos Akásicos, das forças/formas ethericas, a Lua.

6. Para finalizarmos nossa meditação num processo inverso e se-


guro, devemos evitar interrupções abruptas e danosas ao psíquico.
Para isto basta seguirmos o caminho de volta através da porta de
saída de Yesod, caminhando de volta até a esfera física de Malkuth.
Dentro de Malkuth visualizaremos sua esfera diminuir até o tamanho
inicial, dissiparemos sua luz gradualmente. Sinta o peso do seu
corpo físico novamente e abra seus olhos carnais lentamente, não
tenha pressa em se levantar, gaste algum tempo para se aclimatar
com a realidade física e psíquica de nosso plano terrestre, a pressa
é inimiga da perfeição.

Faça um lanche logo após o exercício para aterrar sua consciência


de maneira eficaz e segura, pois é muito importante selarmos bem a
porta astral após seu acesso para evitarmos tais distúrbios de
consciência alterada no plano físico. Comida sempre é bem vinda
após o pathworking, funciona muito bem!

Uma oração ao início e ao final no Nome/fórmula (Yehoshua) é muito


importante para mostramos dependência e gratidão pela Providência
Divina, pelo contato íntimo com nosso espírito, portanto faça!

Importante: Uma dica valiosa é tomarmos nota e registro no papel


de todas as meditações, experiências, encontros, conversas, acon-
tecimentos, dificuldades, curiosidades, resultados e etc. Assim você
estará produzindo um jornal muito valioso para futuras pesquisas,
comparações e resoluções de dúvidas ou conflitos.

Vale a pena, este é o verdadeiro tesouro destes experimentos, pois


nossas lembranças costumam a apagar com o tempo, tinta e papel
não. Em futuros trabalhos, antigas anotações serão de grandiosa e
inestimável ajuda, portanto mãos à obra.

96
Como tirar proveito das esferas

As esferas (sephiroth) emanam influências muito importantes em


nosso desenvolvimento pessoal ou coletivo, suas energias astrais
podem ser exploradas de maneira ativa com o auxílio dos caminhos
(pathworking) ou das ascensões em visões diretas (Scrying).

O método de contato não importa, desde uma simples meditação à


uma projeção, quando de maneira íntima e equilibrada tocamos uma
esfera(s), podemos aprender muitas experiências importantes com
elas ou ainda estreitarmos nossos laços comportamentais com elas.

Exemplo: Um contato direto com Hod pode ser muito útil à uma
pessoa com problemas de raciocínio ou dificuldade de aprendizado,
pois muitas vezes esta pessoa sofre de problemas psíquicos.
Uma revitalização neste contato se faz muito eficaz, pois quando as
barreiras psíquicas forem transpostas e um justo contato equilibrado
alcançado, o sujeito ganhará um forte desenvolvimento intelectual.

O contato direto com cada esfera pode muito nos ajudar a crescer na
vida, pois as barreiras psíquicas realmente nos impedem de viver
uma vida melhor, entretanto um desbalance pode ser causado por
um contato direto ultra-polarizado. Deixe-me explicar melhor, lembre-
se do contraste entre esferas; se o seu relacionamento com uma
esfera for polarizado sem a contraposição de outra esfera vizinha,
sua relação com a esfera em detalhe pode ser desequilibrada.
Exemplo: Se eu tentar um relacionamento com a esfera marcial de
(Geburah), precisarei da mesma forma me relacionar bem com sua
esfera contrária (Chesed - Gedulah). Se isto não ocorrer na mesma
proporção, minha psique será fortemente abalada pelas forças de
Geburah sem nenhum controle de Chesed. Seria a mesma coisa que
tomar limonada sem açúcar, onde nesta comparação o acidulante é
Geburah e o açúcar é Chesed, e vice-versa.

Pessoas ásperas ou violentas precisam de um contato com Chesed


para balancearem sua psique num comportamento gentil e bondoso,
sem perder seu vigor ou pujança. O mesmo é verdade no caso de
pessoas complacentes e preguiçosas, que precisam melhorar sua
capacidade ativa/gerativa, um contato com Geburah certamente
balanceará a equação, for good.

97
Subindo a Árvore

Para chegarmos até a esfera de Hod (8), o caminho será mais


longo, pois precisaremos da mesma maneira anterior chegarmos até
Yesod antes de prosseguirmos. Dentro de Yesod visualizaremos
outra porta, na porta visualizaremos uma grande letra (Resh) na cor
de ouro brilhante, intensamente iluminada. Passando porta à fora
estaremos no caminho 9/8 rumo à Hod.

De Yesod à Hod (9~8) o processo é o mesmo, você pode solicitar


ajuda, você pode aproveitar para explorar intimamente a paisagem.
Lembre-se que cada esfera possui uma cor e um Nome Divino
diferente, no caso de Hod a cor da esfera é laranja e o Nome é
(Elohim Tzabaoth), você precisará visualizar a cor e vocalizar o
nome para entrar em sintonia com a esfera, o mesmo vale para as
outras esferas guardando as respectivas diferenças. O Caminho de
retorno é mais longo, tendo que humildemente retornar por Yesod,
Malkuth e terminar o processo da forma que já expliquei. Não se
afobe, pois o retorno súbito é desconfortável e danoso!

Obs.: No mundo Astral as esferas são como Templos, Verdadeiros


lugares de poder/forma, que podem ser encontrados, acessados e
adentrados pelo simples fato de visualizarmos suas geometricidades
e vocalizarmos seus nomes, assim, afinando nossa consciência em
sintonia com estas esferas. Numa simples comparação, as esferas
são como os sites de internet, que você precisa de um método
visualizador (uma tela de computador), e um método localizador (um
endereço ou nome). No mundo astral podemos contatar e relacionar
com estes “sites” (esferas) igual no mundo virtual da internet, porém
nele estamos dentro do sistema e dependemos de muita técnica
para acessá-lo, mais ao final a experiência será REAL.

Recomendo um trabalho gradual, de esfera em esfera, seguindo a


rota ascendente como na figura 17, ou seja, 10~9, 9~8, 8~7 e assim
por diante. Na próxima pagina você encontrará uma lista completa
de todas as 10 esferas, os 22 caminhos e a ponte de luz.

Também os números dos paths, seus nomes de acesso, afirmações


chaves e suas respectivas numerações interligadoras. Lembrando
que 1~2 é o mesmo que 2~1, só que 2~1 é ascendente, e 1~2 é
descendente. Bom trabalho!

98
Lista dos Paths

N. Path Esfera/Letra Gematria/Letra


00 Kether
01 Chokmah
02 Binah
03 4~2 Daath (A ponte de luz)
04 Chesed
05 Geburah
06 Tiphareth
07 Netzach
08 Hod
09 Yesod
10 Malkuth
11 1~0 Aleph 1 A
12 2~0 Beth 2 B
13 6~0 Gimel 3 G
14 2~1 Daleth 4 D
15 6~1 He 5 H
16 4~1 Vav 6 V
17 6~2 Zayin 7 Z
18 5~2 Cheth 8 Ch
19 5~4 Teth 9 T
20 6~4 Yod 10 I
21 7~4 Kaph 20 K
22 6~5 Lamed 30 L
23 8~5 Mem 40 M
24 7~6 Nun 50 N
25 9~6 Samech 60 S
26 8~6 Ayin 70 O
27 8~7 Pe 80 P
28 9~7 Tzaddi 90 Tz
29 10~7 Qoph 100 Q
30 9~8 Resh 200 R
31 10~8 Shin 300 Sh
32 10~9 Tav 400 Th

99
Aleph
Aleph é a letra Hebraica correspondente à letra A de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 0.Kether e 1.Chokmah. Aleph na gematria
é o numero 1. Aleph liga a Consciência Divina Universal ao hemis-
fério mental positivo do espirito.

Beth
Beth é a letra Hebraica correspondente à letra B de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 0.Kether e 2.Binah. Beth na gematria é o
numero 2. Beth liga a Consciência Divina Universal ao hemisfério
mental negativo do espírito.

100
Gimel
Gimel é a letra Hebraica correspondente à letra G de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 0.Kether e 6.Tiphareth. Gimel na gematria
é o numero 3. Gimel liga a Consciência Divina Universal ao centro
emocional do ego (alma espiritual).

Daleth
Daleth é a letra Hebraica correspondente à letra D de nosso
alfabeto, utilizada no caminho entre 1.Chokmah e 2.Binah. Daleth na
gematria é o numero 4. Daleth liga os hemisférios mentais do
espirito: positivo e negativo.

101
He
He é a letra Hebraica correspondente à letra H de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 1.Chokmah e 6.Tiphareth. He na gematria
é o numero 5. He liga o hemisfério mental positivo do espírito ao
centro emotivo do ego (alma espiritual).

Vav
Vav é a letra Hebraica correspondente à letra V de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 1.Chokmah e 4.Chesed. Vav na gematria
é o numero 6. Vav liga o hemisfério mental positivo do espírito ao
hemisfério criativo da alma espiritual.

102
Zayin
Zayin é a letra Hebraica correspondente à letra Z de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 2.Binah e 6.Tiphareth. Zayin na gematria
é o numero 7. Zayin liga o hemisfério mental negativo do espírito ao
centro emotivo do ego.

Cheth
Cheth é a letra Hebraica sonorizada (Ch ou Rrr), utilizada no
caminho entre 2.Binah e 5.Geburah. Cheth na gematria é o numero
8. Cheth liga o hemisfério mental negativo do espírito ao hemisfério
lógico da alma espiritual.

103
Teth
Teth é a letra Hebraica correspondente à letra T do nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 4.Chesed e 5.Geburah. Teth na gematria
é o numero 9. Teth liga os hemisférios: criativo e lógico do ego (alma
espiritual).

Yod
Yod é a letra Hebraica correspondente à letra I de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 4.Chesed e 6.Tiphareth. Yod na gematria
é o numero 10. Yod liga o hemisfério criativo da alma espiritual ao
centro emocional do ego.

104
Kaph
Kaph é a letra Hebraica correspondente à letra K de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 4.Chesed e 7.Netzach. Kaph na gematria
é o numero 20. Kaph liga o hemisfério criativo da alma espiritual ao
hemisfério criativo da alma animal.

Lamed
Lamed é a letra Hebraica correspondente à letra L de nosso
alfabeto, utilizada no caminho entre 5.Geburah e 6.Tiphareth. Lamed
na gematria é o numero 30. Lamed liga o hemisfério lógico da alma
espiritual ao centro emotivo do ego.

105
Mem
Mem é a letra Hebraica correspondente à letra M de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 5.Geburah e 8.Hod. Mem na gematria é o
numero 40. Mem liga o hemisfério lógico mental da alma espiritual
ao hemisfério lógico da alma animal.

Nun
Nun é a letra Hebraica correspondente à letra N de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 6.Tiphareth e 7.Netzach. Nun na gematria
é o numero 50. Nun liga o centro emotivo do ego ao hemisfério
criativo da alma animal.

106
Samech
Samech é a letra Hebraica correspondente à letra S do nosso
alfabeto, utilizada no caminho entre 6.Tiphareth e 9.Yesod. Samech
na gematria é o numero 60. Samech liga o centro emotivo do ego ao
centro psíquico da alma animal.

Ayin
Ayin é a letra Hebraica correspondente à letra O de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 6.Tiphareth e 8.Hod. Ayin na gematria é o
numero 70. Ayin liga o centro emotivo do ego ao hemisfério lógico da
alma animal.

107
Pe
Pe é a letra Hebraica correspondente à letra P de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 7.Netzach e 8.Hod. Pe na gematria é o
numero 80. Pe interliga os hemisférios psíquicos: criativo e lógico da
alma animal.

Tzaddi
Tzaddi é a letra Hebraica sonorizada (Tza), utilizada no caminho
entre 7.Netzach e 9.Yesod. Tzaddi na gematria é o numero 90.
Tzaddi liga o hemisfério criativo da alma animal ao centro psíquico
dela (subconsciente).

108
Qoph
Qoph é a letra Hebraica correspondente à letra Q de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 7.Netzach e 10.Malkuth.
Qoph na gematria é o numero 100. Qoph liga o hemisfério criativo da
alma animal ao centro físico (cerebral/consciente).

Resh
Resh é a letra Hebraica correspondente à letra R de nosso alfabeto,
utilizada no caminho entre 8.Hod e 9.Yesod. Resh na gematria é o
numero 200. Resh liga o hemisférios lógico da alma animal ao centro
psíquico dela (subconsciente).

109
Shin
Shin é a letra Hebraica sonorizada (Sh), utilizada no caminho entre
8.Hod e 10.Malkuth. Shin na gematria é o numero 300.
Shin liga o hemisfério lógico da alma animal ao centro físico
(cerebral/consciente).

Tav
Tav (Tau) é a letra Hebraica sonorizada (Th), utilizada no caminho
entre 9.Yesod e 10.Malkuth. Tav na gematria é o numero 400. Tav
liga o centro psíquico da alma animal (subconsciente) ao centro
físico (cerebral/consciente).

110
Templos Geométricos

As Sephiroth (esferas) podem ser observadas astralmente como


figuras geométricas por causa de seus valores numéricos e formas
energéticas.

Uma forma geométrica representa exatamente o real valor numérico


de emanações, determinando o quadro emanativo de cada esfera.
Desta maneira temos o seguinte: Kether (o círculo), Chokmah (um
ponto), Binah (dois pontos ou uma linha), e assim por diante,
sabendo que a cada emanação se acrescentará uma nova face ao
glifo evidenciando um desdobramento entre cada sephirah, pura
matemática cabalística.

Curiosidade: Cada forma geométrica tem sido usada rotineiramente


em nossa cultura, como o pentágono, sendo uma figura geométrica
alusiva ao planeta marte. Não obstante tem sido usado marcialmente
para reverenciar a guerra, como nos Estados Unidos, que usam sua
forma geométrica no prédio do seu ministério de guerra. Ao aden-
trarmos em templos astrais (nas esferas), suas paredes poderão
assumir formas geométricas, dependendo da capacidade de visua-
lização e do relacionamento pretendido. Fato é, que nenhuma esfera
apresentará uma forma geométrica diferente de sua natureza astral,
pois no plano astral as formas geométricas representam suas cre-
denciais matemáticas e justas.

Um trabalho de pathworking guiado por psicodramas pode ser muito


útil, em grupo podemos desfrutar de visualizações guiadas a partir
de um texto apresentado, ou individualmente o texto para a indução
da auto-hipnose pode ser reouvido eletronicamente. Nestes psico-
dramas as formas geométricas podem ser empregadas com grande
êxito, como por exemplo, se imaginarmos a esfera Malkuth sendo
um Templo na forma de um decágono. Logo este glifo poderá assu-
mir um comportamento energético muito apropriado ao seu formato,
onde nossa psique humana absorverá esta condição, formando
memórias e gatilhos visuais.

As formas geométricas ao longo do tempo farão o pesado trabalho


de assimilação se abreviarem, ao ponto de não precisarmos mais de
maçantes trabalhos de visualização, necessitando apenas de um
simples acesso ao símbolo memorizado em nosso cérebro.

111
Figura 18: Templos Geométricos

112
Vidência Direta

Diferentemente de quando trilhamos os paths, a vidência direta


(Scrying) é uma técnica totalmente avançada que somente pode ser
bem executada por estudantes experientes. Por tratar-se de um
sistema que envolve total controle sobre a memória psíquica e
emotiva do ego, apenas descreverei aqui parcialmente seu método e
aplicabilidade, pelo motivo óbvio, não adiantando nada dar asas para
quem não sabe voar. Mas isto não é motivo de tristeza, porque basta
ao estudante se aplicar bem no básico que o avançado no tempo
oportuno se conquistará.

Para efeitos acadêmicos:

1. O estudante deve antes buscar o seu equilíbrio e profunda calma.


Relaxadamente sentado iniciará a respiração 4x4, limpando sua
mente de pensamentos, emoções, stress. Uma oração inicial no
Nome/formula de Yehoshua e a realização do pilar central total são
importantes fatores prévios à projeção direta.

2. Em mãos, o estudante segurará uma gravura com a letra hebraica


de sua escolha, fitando seus olhos nela buscará fundir sua mente
com o simbolismo da letra respectiva ao caminho escolhido. Num
exemplo, se a pessoa desejar projetar direto na esfera de Tiphareth,
a letra escolhida deverá ser Resh, assim o cabalista fitando seus
olhos intensamente na letra induzirá seu estado de consciência a fim
de o afinar e sintonizar com a esfera de seu destino (Tiphareth), a
devida sonorização do Nome Divino de Tiphareth se faz necessária
também.

Obs.: Para o iniciante esta técnica não é muito proveitosa, pois ele
não tem memória emotiva e psíquica com um path inédito ou o
símbolo da letra, nem tão pouco da esfera, da forma geométrica e do
nome dela. Qualquer trabalho de projeção direta é ineficaz ao
imaturo, entretanto se o experimento se der num path já trabalhado
anteriormente como de Malkuth à Yesod (10~9), a vidência direta
(Scrying) será possível. O estudante poderá usar o escaneamento
da letra respectiva para projetar onde ele já tem alguma experiência
ou memória psíquica, no entanto em esferas superiores e inéditas à
ele é outra história, não adiantando nada sua tentativa prematura.

113
Técnica de Cura

Como seres espirituais temos a capacidade de manifestar no plano


físico a vontade do nosso espírito, podendo afirmar francamente que
toda a manifestação de vida no plano físico são frutos da vontade
espiritual. O processo de adoecimento físico pode ser o resultado
somático, onde o corpo astral desequilibrado pode afetar ao físico de
maneira par. Entretanto o processo inverso também é possível, se
conseguirmos balancear as energias ethericas que alimentam nossa
casa astral, devolvendo a elas toda a harmonia necessária para uma
boa somatização harmônica.

O Pilar Central é um ótimo exercício de cura interior/física, assim


como a oração ou o louvor, todas são maneiras muito eficazes de
balance e equilíbrio astral/físico. Gostaria de descrever aqui uma
técnica muito especial de cura, através da formulação energética do
Nome YHShVH durante a prática do pilar central, só que desta vez
daremos para a força uma modulação especial, uma ordem de rees-
truturação salutar.

Durante a parte final do Exercício do Pilar Central (acumulação),


enquanto estamos circulando a energia por nosso corpo, é possível
direcionarmos nossa visualização sobre algum membro ou órgão
doente, visualizando sobre este(s) uma porção de luz maior, com o
íntimo desejo de cura ou restituição. A fórmula (Yehoshua) deve ser
vocalizada durante este processo com autoridade, devendo ser
acompanhada de uma ordem expressa de recomposição e saúde
sobre o membro ou órgão a ser curado. Tanto a fé quanto a visua-
lização do fenômeno são tremendos métodos de cura. Se você não
souber onde está a enfermidade poderá apenas aplicar o comando
sobre o corpo todo, ou a uma região maior específica.

Nunca dispense a busca de um serviço profissional de saúde em


primeiro lugar. Esta técnica não deve ser aplicada em outras pesso-
as; ao iniciante bem intencionado, o melhor mesmo é o ato da ora-
ção ou da imposição de mãos. Recomendo cautela, pois nem tudo o
que queremos estará nos planos da Providência Maior, sempre tere-
mos que lidar com a responsabilidade dos atalhos e soluções impo-
sitivas, pois nem sempre nos é permitido agir, e se agimos por conta
própria poderemos assumir eventuais ônus, e muitas vezes eles nos
serão debitados...

114
Técnica de Projeção Astral

Toda projeção astral envolve certos riscos, pois neste ato estaremos
de maneira consciente abrindo nossos olhos a uma realidade nova,
um mundo nunca antes explorado, exceto em sonhos ou pesadelos.

A grande diferença, é que durante o sono nosso contato com estas


dimensões se dá de maneira passiva e extremamente indireta, onde
raramente o indivíduo percebe estar consciente nele. Durante uma
projeção astral literalmente estamos conscientes dele, extremamente
a par de um novo panorama, onde as formas astrais podem ser
amistosas ou não, inofensivas ou não, passivas ou não... Nossa
proteção neste território se dará por conta de nossa experiência e
principalmente por nossa moral.

Uma projeção astral simples pode ser realizada dentro de nosso


quarto, onde obviamente nos sentiremos à vontade com o ambiente.
Um horário muito bom para uma primeira tentativa é ao amanhecer,
pois as luzes darão ao experimento uma segurança maior, pois pro-
jeções ao escuro podem ser desagradáveis ao extremo.

Outra coisa importante é o nosso tempo, pois as primeiras projeções


devem ser curtas, a fim de uma perfeita lembrança do evento, alguns
segundos pra começar, pois a tendência é de registrarmos pouco
tempo nas primeiras ejeções. Lembre-se que toda projeção só tem
sentido se pudermos experimentá-las conscientes com boa memória
ao retorno, caso contrário seriam inúteis ao experimento e prática.

Minha técnica mais simples consiste em acordar num domingo mais


tarde, ao ponto de estar cansado de dormir, este não é o meu
horário habitual de acordar dia a dia, então quando desperto neste
horário meu corpo está extremamente mole, sonolento e fácil de
projetar. Vou ao banheiro, tomo um copinho d’água e rapidamente
retorno para a minha cama, nela deito-me barriga para cima confor-
tavelmente, deixo só o corpo voltar a dormir, porém desta vez com
um forte desejo de projetar. Mantenho minha mente focada o tempo
todo na vontade forte de sair de meu corpo, quando sinto a total
sonolência do meu corpo tento me levantar da cama muito rápido, ou
rolar para fora dela, porém sem mover um músculo físico. O resul-
tado na maioria das vezes é uma projeção rápida e eficaz.

115
Algumas vezes sinto o peso do meu corpo, muito parecido quando
tentamos correr em um sonho sem conseguir, no entanto quando
isto ocorre numa tentativa de projeção, é sinal de que meu corpo
está muito ativo ainda, o remédio é uma espera maior até que meus
músculos estejam relaxados o bastante. Tentamos atingir o ponto
R.E.M. em nossas ondas cerebrais.

A média de sucesso para a grande maioria das pessoas é sete em


dez, mas isto não quer dizer que todas as pessoas sejam iguais, por
isto se você tiver uma dificuldade maior é sinal de que suas ten-
tativas devem estar sendo frustradas por outros fatores, como o
stress, a fadiga mental, a ansiosidade ou até mesmo o medo.

Uma vez projetado, você poderá sentir um forte empuxo de volta


para o corpo, como um imã puxando um metal, principalmente nos
primeiros metros de separação do corpo, entretanto este empuxo
diminuirá gradualmente, quanto maior for a distância entre as partes.
Você poderá sentir uma espécie de vibração durante suas tentativas,
esta vibração é semelhante a uma cadeira de massagem, em outros
casos um forte zumbido agudo no ouvido poderá ser sentido, mas
também será passageiro.

Durante a separação é possível termos alguma dificuldade visual,


porém com o tempo uma melhoria gradual acontecerá. Outra dica
importante é mantermos a calma, sem muita euforia ou alterações
de humor, pois um pico nestas emoções podem significar o fim do
experimento, e você será puxado para o corpo com uma rapidez
incrível. Por isto mantenha o controle do experimento e limite-se a
alguns segundos nas primeiras ejeções, pois memória é o ponto
chave para o desenvolvimento da técnica.

Para voltarmos ao corpo físico é muito fácil, basta pensarmos nisto


ou visualizarmos nosso retorno ao corpo, não importando o quão
longe estejamos dele, sempre funcionará. Uma vez de volta ao
corpo, os primeiros segundos nele podem ser interessantes, pois
poderemos sentir uma leve paralisia nele, ficando imóveis na cama
por alguns segundos. Relaxe, pois logo você conseguirá se mover
normalmente, uma dica é começarmos a mover os dedos das mãos
ou do pés antes, pois assim forçaremos o corpo a uma resposta
mais rápida. É neste momento quando letárgicos e/ou paralisados
temporariamente, que alguns ataques imbecis podem ocorrer, geral-
mente causados por entidades brincalhonas ou inimigas, mas relaxe,
lembre que a atitude mental é a chave do experimento...
116
Quando projetando, nunca tente acordar outra pessoa no seu quarto
como por exemplo seu cônjuge, pois o resultado para a outra pessoa
será muito assustador, limite-se em explorar seu quarto, sua sala,
sua cozinha, seu terreno externo. Os objetos astrais poderão lhe
parecer iguaizinhos aos mesmos objetos físicos ou levemente alte-
rados por sua consciência, evite tocá-los ou manuseá-los, pois nesta
tentativa você poderá derrubar algo, digo, derrubar no mundo físico
também.

Pessoas que moram em prédios densamente habitados devem ter


muita discrição e respeitarem os limites da privacidade alheia,
lembrem-se, todo cuidado é pouco no mundo astral, se nossa in-
tenção for inadequada poderemos pagar caro por isto, pois na mes-
ma frequência que nossos pensamentos andarem, na mesma
frequência nossa mente viajará, na mesma companhia também.

Com o tempo as viagens astrais podem ser uma ótima atividade


relaxante, pois é literalmente possível visitar qualquer lugar de nosso
planeta, numa fração de um segundo, pois ao viajante a velocidade
de sua jornada é como a rapidez de um pensamento. Por isso
podemos desenvolver um forte laço vicioso com os experimentos,
devendo sempre vigiar nossas intenções para evitar exageros e/ou
dependência (fuga).

No caso de projeções indesejadas em lugares estranhos e sombrios,


ou na companhia de figuras ameaçadoras, meu conselho é o retorno
rápido através da forte visualização de nosso corpo físico. Se não for
possível, devido ao stress da situação, a segunda alternativa é
encarar a coisa com ousadia e coragem, pois provas sempre nos
são impostas, mesmo no mundo astral. Meu conselho especial é
utilizarmos respeitosamente e com autoridade o Nome Yehoshua,
vibrando suas letras com intensidade e confiança, visualizando uma
luz branca poderosa que certamente iluminará qualquer “lugar” ou
qualquer situação. Não existe entidade que esteja disposta a
disputar contra uma força assim, pois o Nome de Poder Yehoshua é
imbatível em qualquer situação, sempre!

Obs.: Tome nota de todas as suas experiências, de tudo que puder


ser útil para as próximas consultas, pois o maior tesouro que
trazemos do mundo astral são suas memórias e sensações, por isto
bom trabalho e boas projeções!

117
Figura 19: A Shekinah

A Shekinah é o símbolo maior, quando há um verdadeiro encontro


entre os triângulos, ou seja, o espírito e a alma. Uma completa união
entre as partes formam um círculo divino que envolve o ser, é o que
ocultamente chamamos de presença de Deus ou Shekinah...

118
Conclusão

Quem sou eu? Eu sou apenas o ego, uma manifestação individual.


Eu não sou o espírito, sou apenas sua individualidade, formado no
ventre de minha progenitora, evoluindo ao longo dos meus anos
vividos em carne e ossos. Eu sou a alma, o ego, uma mera máscara
social, mas eu não sou eterno, o meu espírito que não é meu, este
sim é eterno, se eu deixá-lo entrar em meu coração, anulando a
máscara, ele será um comigo e eu serei um com ele, eternamente.

Esta afirmação já dita antes em outras palavras pelo Mestre Jesus,


nos mostrou de uma forma bastante velada o verdadeiro caráter do
relacionamento entre o ego (alma) e o espírito, como a Bíblia diz:
Eclesiastes 12:7 “e o espírito volte a Deus, que o deu”...
Impreterivelmente, livre de todo julgamento, pois o espírito é puro!
Obviamente a letra é cabalística, cheia de meias palavras.
O Mestre Jesus nos dá uma importante dica a este respeito, através
do seu Nome/formulação, como já abordado neste livro.
Viz. Tetragramação e Pentagramação (ambas).

O verdadeiro papel do ego já individualizado é fornecer ao espírito a


experiência astral, etherica e física nos três planos referidos, onde a
oportunidade é mister para o total aprendizado e experimentação do
ser, por isto os egos são tão importantes neste processo gradual e
cíclico. O espírito, uma vez manifesto (Criado/Gerado), é atraído
automaticamente ao processo involutivo/evolutivo de aprendizagem,
entretanto ele é muito sutil e sem densidade suficiente para uma
relação direta com planos inferiores, assim logo lhe é formado um
corpo emocional, por contato limitado. Ele (o espírito) passará a
experimentar níveis de densidades energéticas com interações
coletivas através do(s) ego(s), no entanto limitadas.

Ao ego emocional (a máscara), lhe será conferida uma oportunidade


de nascimento no plano físico. No momento da concepção entre o
sêmen e o óvulo, a gestação de uma nova psique será iniciada.
O novo ego é formado a partir de um complexo planejamento prévio,
pela Providência Maior e o Espírito. O ego certamente trará consigo
uma carga emocional e intelectual (como portador), pois ele é
programado com missões e objetivos específicos. O ego terá uma
autonomia muito importante, porém o espírito sempre estará em
contato indireto, controlando-o, quando possível ou acessível.

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A verdade é que o ego é altivo, arrogante e insubmisso, pois como
sendo a representação da individualidade, suas características mais
comuns são inerentes a esta prerrogativa primaz. O processo do
aprendizado espiritual poderá desencadear uma vontade íntima de
auto negação, que em alguns casos produzirá uma mudança radical
na relação entre o ego e o espírito (para melhor).

O alvo maior de um adepto seria receber Deus em seu coração,


tanto em Ordens Filosóficas como nas Religiões. Entretanto há uma
grande diferença de ensinamentos entre estes dois afluentes, onde
na Religião toda a simbologia Crística se dá por intermediação,
enquanto que nas Ordens dão-se por união direta. Certamente o
engodo Clérigo é intermediar e beneficiar-se desta relação, pois
infelizmente a mensagem redentora foi engarrafada e colocada à
venda por alto custo. Contudo, em Ordens filosóficas o ensino é
democrático, uma relação direta entre o ego e o espírito resume a
máxima buscada por cada novo membro, onde ao “terceiro dia”, o
aspirante finalmente receberá a luz almejada – O Espírito.

O grande segredo é que o “nosso” espírito é divino, ele é uma parte


individualizada e manifestada do Projeto Maior, assim podemos
verdadeiramente afirmar que cada espírito é um deus.

Quando Jesus afirmou aos seus apóstolos que Ele e o Pai eram Um,
dizia isto literalmente de fato. O Mestre afirmou que aquele que o
convidasse para entrar em seu coração, faria UM com Ele, ou Um
com o Pai. Ora, se nosso espírito é parte relevante de um Criador
Maior, logo uma perfeita união entre o ego (alma) e o Shin (espírito)
poderia produzir nesta consumação o apogeu existencial, tornando
ambos um único Ser, onde voltaríamos a origem, a unidade.

Note que o Nome/fórmula: Yehoshua, traduzidamente explicado, nos


revela uma relação de união entre as partes, onde Yod+He+Vav+He
(o ser encarnado), recebendo dentro do seu coração o Shin (o Ser
Espiritual), formulará a palavra: (Yehoshua) Yod+He+Shin+Vav+He,
descrevendo um casamento triunfante entre o espírito e a alma.
Shekinah: A presença de Deus. Emanuel: Deus Conosco.

Quando lemos na Palavra que a noiva espera por seu amado,


devemos traduzir que a alma espera por seu espírito,
para ambos consumarem sua união final!

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Uma doce realidade é poder experimentar este contato íntimo e
revelante com o nosso próprio espírito, o qual sempre tem muito a
nos ensinar, e também muito a aprender com nossos erros e
acertos. Esta relação, mesmo que ainda tímida e incompleta pode
ser melhorada e aproximada ao longo de uma vida, no entanto um
verdadeiro casamento é muito difícil, pois ao ego imaturo, esta
completa união se faz quase impossível. Longe de mim tentar
desestimular nossos leitores num contanto espiritual, contudo é meu
papel esclarecer certos pontos cruciais nesta possível relação.

O mais puro contato se dá por consumação, ou seja, por auto


negação e aceitação integral do plano Divino, mas nunca se dará
100% antes de uma importante ascensão ou maturação, no que se
refere às interações e relações sociais, intelectuais, morais e
emocionais vividas nos planos inferiores, as quais são conquistas do
ego para o espírito. Obviamente, uma aproximação entre as partes
poderá resumir e facilitar o curso deste, num processo gradual de
emancipação e reunião, note de que quanto maior for a nossa
dedicação ao nosso plano Divino, maior será nosso índice de
acertos e maior será nossa capacidade de representar a Providência
Divina no papel cosmogônico e social em que nos encontramos.

Sejamos sábios, hábeis e práticos, não existem limites nos poderes


conferidos ao ser experimentado, justo e consciente, especialmente
quando ele está perfeitamente integrado ao seu ego. Aferimos esta
máxima quando observamos a verídica história do Mestre Jesus,
pois seu caminho ministerial foi trilhado e coberto de feitos, sinais e
acontecimentos miraculosos, com missão e objetivos concretamente
impessoais, nunca visando notoriedade, poder ou dinheiro. Sua vida
modesta foi dedicada ao bem maior, a saber, compartilhar com o
mundo inteiro seus ensinamentos de caridade, graça, fé, justiça,
amor, auxílio, compaixão, humildade, coragem, renúncia.

Que seu exemplo moral possa nos servir de inspiração e conduta,


pois se assim o imitarmos, tão rápido proporcionaremos o encontro
entre o eu de baixo e o Nós de cima. Quer receber a luz? Deseje-a
da mesma maneira que a noiva sã aguarda ao seu noivo;
em pureza e desejo espiritual.

Ora et Labora!
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