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Índice

IBAMA
Analista Administrativo
Vol. II
EDITAL Nº 1 – IBAMA, DE 21 DE MARÇO DE 2013

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

LEGISLAÇÃO DO SETOR DE MEIO AMBIENTE

1 Lei nº 7.735/1989 (Criação do IBAMA)...........................................................................................................................01


2 Decreto nº 6.099/2007 (Estrutura regimental do IBAMA).............................................................................................01
3 Lei nº 6.938/1981 e alterações, Lei nº 10.165/2000 e alterações (Política Nacional do Meio Ambiente).....................09
4 Lei nº 9.605/1998 (Crimes Ambientais)............................................................................................................................24
5 Lei Complementar nº 140/2011 (Competências ambientais)..........................................................................................31
6 Lei nº 12.527/2011 e Decreto nº 7.724/2012 (Acesso a informação)...............................................................................36

ADMINISTRAÇÃO GERAL E PÚBLICA

1 Evolução da administração. .............................................................................................................................................01


1.1 Principais abordagens da administração (clássica até contingencial)........................................................................01
1.2 Evolução da administração pública no Brasil (após 1930); reformas administrativas; a nova gestão pública.....01
2 Processo administrativo.....................................................................................................................................................08
2.1 Funções de administração: planejamento, organização, direção e controle..............................................................08
2.2 Processo de planejamento...............................................................................................................................................09
2.2.1 Planejamento estratégico: visão, missão e análise SWOT........................................................................................ 11
2.2.2 Análise competitiva e estratégias genéricas...............................................................................................................14
2.2.3 Redes e alianças............................................................................................................................................................16
2.2.4 Planejamento tático......................................................................................................................................................17
2.2.5 Planejamento operacional...........................................................................................................................................17
2.2.6 Administração por objetivos.......................................................................................................................................17
2.2.7 Balanced scorecard......................................................................................................................................................18
2.2.8 Processo decisório.........................................................................................................................................................18
2.3 Organização.....................................................................................................................................................................19
2.3.1 Estrutura organizacional.............................................................................................................................................19
2.3.2 Tipos de departamentalização: características, vantagens e desvantagens de cada tipo......................................20
2.3.3 Organização informal..................................................................................................................................................22
2.3.4 Cultura organizacional................................................................................................................................................22
2.4 Direção.............................................................................................................................................................................25
2.4.1 Motivação e liderança..................................................................................................................................................25
2.4.2 Comunicação................................................................................................................................................................28

Didatismo e Conhecimento
Índice
2.4.3 Descentralização e delegação......................................................................................................................................29
2.5 Controle............................................................................................................................................................................30
2.5.1 Características..............................................................................................................................................................30
2.5.2 Tipos, vantagens e desvantagens.................................................................................................................................30
2.5.3 Sistema de medição de desempenho organizacional.................................................................................................30
3 Gestão da qualidade e modelo de excelência gerencial...................................................................................................32
3.1 Principais teóricos e suas contribuições para a gestão da qualidade.........................................................................33
3.2 Ferramentas de gestão da qualidade.............................................................................................................................33
3.3 Modelo da fundação nacional da qualidade.................................................................................................................39
3.4 Modelo do gespublica......................................................................................................................................................39
4 Gestão de projetos..............................................................................................................................................................40
4.1 Elaboração, análise e avaliação de projetos..................................................................................................................40
4.2 Principais características dos modelos de gestão de projetos.....................................................................................41
4.3 Projetos e suas etapas......................................................................................................................................................41
5 Gestão de processos............................................................................................................................................................41
5.1 Conceitos da abordagem por processos........................................................................................................................42
5.2 Técnicas de mapeamento, análise e melhoria de processos.........................................................................................42
5.3 Processos e certificação ISO 9000:2000.........................................................................................................................43
5.4 Noções de estatística aplicada ao controle e à melhoria de processos........................................................................44

ADMINISTRAÇÃO ORÇAMENTÁRIA, FINANCEIRA E ORÇAMENTO PÚBLICO

1 O papel do Estado e a atuação do governo nas finanças públicas; formas e dimensões da intervenção da administração
na economia................................................................................................................................................................................. 01
2 Orçamento público e sua evolução...................................................................................................................................02
2.1 Orçamento como instrumento do planejamento governamental...............................................................................02
2.2 Princípios, diretrizes e classificações orçamentários....................................................................................................02
2.3 Orçamento público no Brasil.........................................................................................................................................12
2.3.1 Plano Plurianual...........................................................................................................................................................12
2.3.2 Orçamento anual..........................................................................................................................................................13
2.3.3 Outros planos e programas.........................................................................................................................................13
2.3.4 Sistema e processo de orçamentação..........................................................................................................................13
2.3.5 Processo orçamentário.................................................................................................................................................13
2.3.7 SIDOR e SIAFI............................................................................................................................................................ 18
2.3.8 Receita pública: categorias, fontes, estágios; dívida ativa........................................................................................29
2.3.9 Despesa pública: categorias, estágios.........................................................................................................................33
2.3.10 Suprimento de fundos................................................................................................................................................35
2.3.11 Restos a pagar.............................................................................................................................................................35
2.3.12 Despesas de exercícios anteriores..............................................................................................................................38
2.3.13 A conta única do Tesouro...........................................................................................................................................38
3 Programação e execução orçamentária e financeira.......................................................................................................39
3.1 Acompanhamento da execução......................................................................................................................................39
3.2 Sistemas de informações.................................................................................................................................................39
3.3 Alterações orçamentárias...............................................................................................................................................43
3.4 Créditos ordinários e adicionais....................................................................................................................................44
4 Receita pública: categorias, fontes e estágios; dívida ativa............................................................................................45
5 Despesa pública: categorias e estágios; restos a pagar; despesas de exercícios anteriores; dívida flutuante e fundada;
suprimento de fundos..................................................................................................................................................................50
6 Lei nº 10.180/2001 (Sistema de Planejamento e Orçamento Federal)...........................................................................55
6.1 Decreto nº 3.591/2000 (Sistema de Controle Interno)..................................................................................................61
6.2 Instrução Normativa MF/SFC nº 01/2001....................................................................................................................66
6.3 Instrução Normativa CGU nº 07/2006..........................................................................................................................66

Didatismo e Conhecimento
Índice
6.4 Instrução Normativa CGU nº 01/2007..........................................................................................................................68
7 Conceitos básicos de SIAPE, SIAFI, SIDOR, SIASG, SCDP e CADIN........................................................................70
8 Noções de Direito Financeiro e Tributário.......................................................................................................................79
8.1 Lei nº 5.172/1966 (Sistema Tributário Nacional)..........................................................................................................79
8.2 Lei nº 4.320/1964 (Normas Gerais de Direito Financeiro)..........................................................................................79
8.3 Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal)..........................................................................................104
8.4 Instrução Normativa IBAMA nº 17/2011 (Regulamentação da TCFA - Taxa de Controle e Fiscalização
Ambiental).................................................................................................................................................................................. 112

GESTÃO DE PESSOAS

1 Conceitos, importância, relação com os outros sistemas de organização.....................................................................01


2 Fundamentos, teorias e escolas da administração e o seu impacto na gestão de pessoas............................................01
3 A função do órgão de gestão de pessoas. 3.1 Atribuições básicas e objetivos. 3.2 Políticas e sistemas de informações
gerenciais......................................................................................................................................................................................02
4 Comportamento organizacional. 4.1 Relações indivíduo/organização. 4.2 Liderança, motivação e desempenho. 4.3
Qualidade de vida no trabalho. 4.4 Programas de qualidade de vida no trabalho. 4.5 Promoção de saúde ao servidor. 4.6
Políticas de inclusão.....................................................................................................................................................................04
5 Competência interpessoal. 6 Gerenciamento de conflitos.........................................................................................12/13
7 Gestão da mudança............................................................................................................................................................14
8 Recrutamento e seleção. 8.1 Tipos de recrutamento: vantagens e desvantagens. 8.2 Técnicas de seleção: vantagens,
desvantagens e processo decisório..............................................................................................................................................17
9 Análise e descrição de cargos: objetivos, métodos, vantagens e desvantagens.............................................................19
10 Gestão de desempenho. 10.1 Objetivos. 10.2 Métodos de avaliação de desempenho: características, vantagens e
desvantagens.................................................................................................................................................................................20
11 Desenvolvimento e capacitação de pessoal. 11.1 Levantamento de necessidades. 11.2 Programação, execução e
avaliação. 11.3 Educação corporativa. 11.4 Desenvolvimento do capital intelectual.............................................................22
12 Administração de cargos, carreiras e salários...............................................................................................................25
13 Regime dos servidores públicos federais: admissão, demissão, concurso público, estágio probatório, vencimento
básico, licença, aposentadoria.....................................................................................................................................................25
14 Gestão por competências. 14.1 Conceito, levantamento, mapeamento e descrição de competências......................49
15 Tendências em gestão de pessoas no setor público........................................................................................................51
16 Qualidade no atendimento ao público: comunicabilidade, apresentação, atenção, cortesia, interesse, presteza,
eficiência, tolerância, discrição, conduta, objetividade............................................................................................................54
17 Lei nº 11.788/2008: Estágio Supervisionado..................................................................................................................58
18 Lei nº 10.410/2002: Criação da carreira de especialista em meio ambiente...............................................................60
19 Lei nº 11.156/2005: Criação da GDAEM.......................................................................................................................66
20 Decreto nº 7.133/2010: Avaliação de desempenho individual.......................................................................................71
21 Decreto nº 7.203/2010: Vedação do nepotismo..............................................................................................................79
22 Decreto nº 5.707/2006: Desenvolvimento de pessoal.....................................................................................................80
23 Decreto nº 6.833/2009: Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público Federal - SIASS..............82

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

1 Ética e moral...................................................................................................................................................................... 01
2 Ética, princípios e valores................................................................................................................................................. 03
3 Ética e democracia: exercício da cidadania. ...................................................................................................................05
4 Ética e função pública. ......................................................................................................................................................07
5 Ética no Setor Público. ......................................................................................................................................................08
5.1 Código de Ética Profissional do Serviço Público - Decreto nº 1.171/1994..................................................................09

Didatismo e Conhecimento
Índice
5.2 Lei nº 8.112/1990 e alterações: regime disciplinar (deveres e proibições, acumulação, responsabilidades,
penalidades)..................................................................................................................................................................................15
5.3 Lei nº 8.429/1992: Improbidade Administrativa..........................................................................................................21
6 Lei nº 9.784/1999: Processo administrativo disciplinar..................................................................................................30

ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS

1 Classificação de materiais. 1.1 Atributos para classificação de materiais. 1.2 Tipos de classificação. 1.3 Metodologia
de cálculo da curva ABC........................................................................................................................................................01/02
2 Gestão de estoques.............................................................................................................................................................05
3 Compras. 3.1 Organização do setor de compras. 3ª Etapas do processo. 3.3 Perfil do comprador. 3.4 Modalidades
de compra. 3.5 Cadastro de fornecedores..................................................................................................................................05
4 Compras no setor público. 4.1 Modalidades, dispensa e inexigibilidade de licitação pública. 4.2 Objeto de licitação.
4.3 Edital de licitação. 4.4 Pregão. 4.5 Contratos e compras. 4.6 Convênios, contratos de gestão e termos similares.......07
5 Recebimento e armazenagem. 5.1 Entrada. 5.2 Conferência. 5.3 Objetivos da armazenagem. 5.4 Critérios e técnicas
de armazenagem. 5.5 Arranjo físico (leiaute).......................................................................................................................17/18
6 Distribuição de materiais. 6.1 Características das modalidades de transporte. 6.2 Estrutura para distribuição....19
7 Gestão patrimonial. 7.1 Tombamento de bens. 7.2 Controle de bens. 7.3 Inventário. 7.4 Alienação de bens. 7.5
Alterações e baixa de bens......................................................................................................................................................20/32

Didatismo e Conhecimento
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Didatismo e Conhecimento
Artigo
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A DOBRADURA DOS LENÇOS

Por William Douglas, professor, escritor e juiz federal.

Há momentos em que o velho se revela em mim, e isto acontece cada vez mais. Antigamente, eu era o mais novo nas conversas e
mesas... o que já não é tão comum. Já dei aula para juízes, professores, que passaram por mim há alguns anos e, agora, sentam-se comigo.
Anoto: uma honra gratificante. E nem falo das palestras sobre concursos, onde cada vez mais recebo a “visita” de concurseiros já aprovados,
que vão apenas levar o abraço e a notícia, sempre alvissareira, de seus merecidos sucessos. Sou amigo dos pais de vários profissionais com
que lido. Bem, fui amigo primeiro dos pais, entende?
Em um relance mais difícil, recebo do oftalmologista novos bilhetes, com números mais altos, que me obrigam a fazer novas lentes.
Curiosamente, quando começo a entender um pouco mais do mundo pelos olhos da emoção, os olhos físicos vão ficando mais frágeis.
Há alguns anos disse que possuía todas as respostas para o mundo no meu bolso, que só me faltava achar os botões da calça. Sigo
tentando achar os botões, estou certo, mais uns duzentos ou trezentos anos, e eu finalmente entenderei tudo: o amor, os filhos, a alma
humana, esse meu maior desafio.
Bem, se você pretendia ler algo objetivo sobre concursos, já viu que não é hoje, rs. Pois é, há textos motivacionais, outros técnicos,
assuntos institucionais, há cartas de leitores respondidas e, vez ou outra, apenas reflexões entre amigos. Melhor seria se estivéssemos num
bar, numa mesa alegre, serena, divertida, com algum vinho ou coisa parecida, além de alguns petiscos. A internet ainda chega lá, um dia.
Por ora, só temos a conversa, mas isso já significa que partilhamos a mesma mesa, embora estejamos distantes geograficamente falando.
Sobre envelhecer, minha mulher, sete anos mais jovem, me lembra disso algumas vezes. Ela insiste em que eu abandone os lenços de
tecido, trocando-os pelos de papel – muito mais práticos, higiênicos, modernos etc.
Curiosamente, a habilidade dos lenços e sua descartabilidade não me dizem coisa alguma. Explico. Minha mãe, já ida, não me deixava
sair sem um lenço limpo, que em sua mente materna, julgava indispensável para um homem correto. Ela ensinou coisas mais sérias, como
não sair de casa nem fazer refeição sem camisa, sobre ser honesto, tratar bem as pessoas e a não fechar as portas, pois o mundo é pequeno.
Mas também tinha essas coisas pequenas, ou aparentemente pequenas, como achar que uma boa esposa devia tocar piano e eu tinha que ter
sempre um lenço limpo no bolso. Havia, também, algumas coisas ruins, como não se cuidar e morrer de câncer.
Mas falarei apenas dos lenços. Eu não saía de casa sem um deles, e era um presente comum eu receber dela outra caixa. Logo, enquanto
houver lenços de pano eu desprezarei os de papel, porque, de alguma forma muito louca, quando os tenho no bolso, tenho um pouco da mãe
partida, e quando o assôo é como se os próprios dedos de minha mãe tocassem a ponta de meu nariz, quando me seco é como se a sua mão
passasse novamente pela minha face.
E, não tenham dúvidas, qualquer homem daria seu braço direito para ser tocado, novamente, na face pela mãe já morta. Por isso mesmo,
no livro A última carta do tenente, é que alerto: todos os que não estiverem com a mãe morta ou no CTI, corram, ainda é tempo!
Sim, eu visitei, liguei e conversei com ela menos do que podia e devia, e o concurso foi parte disso. Imaturo, jovem, como só uma mãe
pode entender, cuidei mais da carreira do que era sensato. E, agora, o que posso fazer é consolar-me pelos acertos que de fato tive e alertar os
amigos: liguem, visitem, passeiem, tolerem, riam, façam agrados e vontades. Eu os invejo, e invejarei cada dia, bem como alertarei a todos
que estiverem com a mãe viva: corram, ainda é tempo!
Mas falemos dos lenços.
Um dia destes recebi da gaveta um lencinho pequeno, sensivelmente menor que de costume, um quadradinho. Protestei com a esposa
por terem trocados meus lenços. A dimensão normal deles é de 10 x 10 cm, estes que peguei estavam com 7 x 7 cm.
Não é coisa de velho, é que abertos os primeiros se encaixam no meu rosto, já que não sou lá muito pequeno, e o novo modelo não era
tão bom para cobrir meu nariz.
A esposa, paciente, alertou-me que era o mesmo lenço, que apenas tinha sido dobrado de forma diferente. Imediatamente, meu lado
cientista e pesquisador foi fazer as conferências. Percebi que realmente ele era mais “gordinho” que o modelo tradicional, aquele que além
de útil, me lembra a senhora minha mãe. Suspeitei, então, estar passando ao largo de uma verdade essencial e desejei bebê-la.
“Verdade essencial” é qualquer grande conclusão, aprendizado, lição ou frase que você pode assimilar na vida. Estão por aí, nos livros,
filmes, peças de teatro, nas conversas com sábios, idosos e crianças, ou, por vezes, em situações vividas, ou escondidas numa paisagem no
horizonte. Sou um caçador delas. O livro Como passar em Provas e Concursos, por exemplo, é uma coleção de verdades essenciais sobre
como passar em provas e concursos; o Última carta, uma coleção de verdades essenciais sobre o sentido da vida; o Maratona, sobre as
corridas da vida e da superação pessoal, e assim por diante.
Hoje, já concluí que depois de escrever para mim, aos outros, às editoras etc., finalmente escrevo aos meus filhos, desejando que eles
– caso leiam meus livros – encontrem mais facilmente algumas das verdades essenciais que demorei e sofri muito para, enfim, apreender.
A verdade essencial escondida no lenço é que, me corrijam se estiver errado, conforme nos dobramos, podemos ser maiores ou menores.
Nosso tamanho é influenciado pela forma como nos dobramos. E, curiosamente, daí também deriva um segundo enunciado filosofal: de um
modo ou de outro, os lenços continuam tendo o mesmo tamanho quando se desdobram.

Didatismo e Conhecimento
Artigo
Começarei pela segunda observação: todos os homens têm valor igual. Como aprendi na Faculdade de Filosofia, UFRJ, o homem
que souber todas as coisas não saberá o que é ser ignorante. O homem repleto de bens e propriedades não tem a tranqüilidade do pescador
humilde; o grande executivo pode não ter a vida pausada do porteiro. Não existe nada de graça: todas as coisas possuem seu preço e seu
respectivo ônus.
No nosso campo, o servidor público não poderá ter seu iate, mas, em compensação, tem um horário de trabalho definido e uma
qualidade de vida irrealizável para a maior parte dos empresários e executivos. Eu reduzi minhas palestras à metade para ficar com meus
filhos, reduzindo a velocidade de expansão profissional em troca de uma outra expansão, não mensurável pelas mesmas vias. São apenas
escolhas. Durante muito tempo viajei e curti menos os dias em trocas de conhecimento para hoje, aprovado nos concursos, fazer estas coisas
em outro patamar de vida. São apenas escolhas.
Mas, no final, todos os homens valem a mesma coisa. Como diz a Declaração Universal dos Direitos do Homem, todos nascemos iguais
em dignidade e direitos, e devemos nos comportar uns em relação aos outros com espírito de fraternidade.
O sábio não pode valer mais do que o tolo, nem o abastado mais que o miserável. O bondoso não é, e isso me assusta, mais importante
que o canalha, e suspeito que todos tenhamos mesmo o bondoso e o canalha, o malvado e o filantropo, escondidos em nossas carnes.
Mas falemos dos lenços.
Há alguns homens que não se dobram aos estudos, não se dobram à disciplina, não se dobram aos movimentos necessários para vencer
os próprios obstáculos. São pessoas que serão pequenas, ou, melhor, menores do que poderiam.
Mas quem se dobra mais não fica menor? Não. Depende do ângulo que você olha: o mais dobrado, visto de lado, é mais alto. A questão
não é se dobrar ou não, mas a forma como se dobra e o ângulo de visão escolhido.
Sempre existirão obstáculos entre um homem e seu sonho. Mas, como já foi dito: “obstáculos são aquelas coisas assustadoras que você
vê quando deixa de focar os seus sonhos”. Algumas pessoas se dobram, se curvam mesmo, para pegar o que desejam. Outras não.
Lembro de minha adolescência e primeira juventude, quando era ridicularizado pelos que me consideravam bobo e tolo de estudar
tanto, de acreditar tanto, de perder tanto. Eu apenas estava me dobrando como um lenço que desejava ser grande. Dobrar-se humildemente,
dobrar-se com paciência e perseverança, dobrar-se ao som do sonho. E a vida e o tempo me recompensaram pelos meus esforços. A vida
sempre recompensa.
Não me dobrei tanto quanto devia aos cuidados com a mãe, nem com a saúde, e fiquei menor, tendo que pagar um preço sobre isso.
Felizmente, cuidei alguma coisa de minha genitora, o que me consola, e estou vivo ainda, o que me permite recuperar a saúde que me for
possível.
Há quem se dobre e faça reverência à preguiça, à omissão, à apatia, ao medo do fracasso ou aos outros temores naturais de qualquer
empreitada, e ficam menores, menores mesmo, comparados ao que poderiam. Como dizia Renato Russo, muitos temores nascem do cansaço
ou da solidão. Mas se o cansaço é de estudar, e a solidão é por estar estudando, daí também nascem plantas boas: conhecimento, competência,
aprovação, sucesso.
Volto ao tema: assim como todos valemos intrinsecamente por sermos humanos, assim como sempre temos escolhas enquanto estamos
respirando, todos nós, homens e lenços, nos dobramos. Não há como não nos dobrarmos. Como disse o filósofo Rocky Balboa, a quem,
junto com Ferris Bueller, Forrest Gump e Rod Tidwell, homenageio em um de meus livros, o fato é que “ninguém bate mais forte do que a
vida”. É vero. Ninguém bate mais forte do que ela... e, ao mesmo tempo, ela é tudo o que nós temos, e é bonita. Um espetáculo sem ensaio,
irresistível e que estréia todos os dias.
Logo, já que a vida é irrecusável, você terá que se dobrar como qualquer lenço. Mas pode escolher a que se dobrar, como e quanto. E
dessas suas decisões sairá desenhado e definido o seu tamanho. E, sempre que quiser, você poderá se desdobrar e fazer um outro desenho.
A vida é um lenço, flexível, que você tem no seu bolso.

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller “Como
passar em provas e concursos” . Passou em 9 concursos, sendo 5 em 1º Lugar

Didatismo e Conhecimento

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