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Título:

Coração de Adorador, Espírito de Excelência

Projeto Gráfico:
Marcus Castro

Diagramação:
Pr. Silvio Fernandes

Revisão:
Professor Jair Barbosa da Costa

Impressão:
Gráfica DelRey

R484c
Ribeiro, Raquel Emerick
Coração de adorador, espírito de excelência / Raquel Emerick Ribeiro

Belo Horizonte : Balm Editorial , 2014.


162 p;21cm.

ISBN: 978-85-88088-55-9

1.Adoração. 2.Música religiosa. 3.Igreja evangélica.


I.Título.
CDU 241.611

As citações bíblicas utilizadas nesta obra estão devidamente autorizadas e foram retiradas da versão
Alemida Revista e Atualizadas (RA), salvo versão diferente e indicada, para manter a fidelidade ao texto
original.

Copyrigth 2014 por Raquel Emerick (Edição em português)


ÍNDICE
Agradecimento e Dedicatória
Prefácio - Pr. Wellington Dias da Silva

CORAÇÃO DE ADORADOR
1. Restauração
Definindo
O processo da restauração
Tomando uma decisão
2. O perfil do adorador
I Samuel 16
Filho
Belemita
Que sabe tocar bem
Forte, valente e homem de guerra
Prudente em palavras
De gentil presença
E o Senhor era com ele
3. Motivações
Uma palavra sobre humildade
4. Falando a mesma língua
União no corpo de Cristo
A língua do músico
O caminho é a morte
Falando a mesma língua
5. Adorando a Deus em circunstâncias difíceis
Louvor em meio à dor
Louvor em meio à perda
O maior exemplo de sacrifício de louvor
O que isto tem que ver conosco?
6. Vivendo as promessas de Deus
Obediência
Um exemplo triste
Descansar
Sem questionamentos
O deserto

ESPÍRITO DE EXCELÊNCIA
7. Excelência
Excelência na Bíblia
Um exemplo bíblico de excelência
8. O conhecimento musical do ministro Vozes
Como trabalhar com as vozes
Conhecendo a voz que Deus te deu
O processo da cura
9. O conhecimento musical do ministro Instrumentos
Arranjos dos instrumentos na música
Dinâmica
Modelo para ensaio
10. A preparação do ministro
A escolha das músicas
Maneira errada
Maneira Correta
Louvor que não causa impacto nas pessoas
Louvor que causa impacto nas pessoas
11. A timidez atrapalha meu ministério
Causa número um da timidez
Causa número dois da timidez

Palavra Final
Oração
Opinião
Sobre a Autora
Agradecimento e Dedicatória

Agradeço ao meu amado esposo Alfredo, pelo amor, pela fidelidade, por
sonhar junto comigo, pelas orações, pela excelência na música, pelas risadas, por
cada momento que é tão especial! Eu o admiro por sua perseverança nas coisas
que faz, e o amo por quem você é! Vamos viver muitos momentos preciosos
ainda! Amo você demais!
Agradeço aos meus pais e a todos os meus familiares que oram tanto por
mim e acreditam nos sonhos do Senhor para minha vida! Ao ministério
“Além...” que sempre me apoia em oração – não seria possível ter liderados
melhores que vocês – instrumentistas, dançarinas e técnicos tão maravilhosos.
Suportes de oração, pessoas tão criativas, alegres e que amam tanto quanto eu o
segredo de um ministério bem-sucedido – trabalho em equipe! Obrigada! É Ele
quem nos leva ALÉM de tudo o que pedimos ou pensamos (Ef. 3:20)!
Aos meus vários amigos que me abençoam de tantas formas – vocês são
presentes de Deus!
Dedico este livro à pessoa que me inspirou a escrevê-lo: Jesus Cristo!
Obrigada, Senhor! Por ser Tudo em todos os momentos, por todas Tuas
promessas, por Tudo o que Tu és!
Ao Deus Pai, pelo amor incondicional e fidelidade imutável – que tem
trabalhado em mim a cada dia – Tu és o motivo da minha canção!
Ao Deus Espírito Santo pelo consolo em cada momento e pela certeza de
que em todos os momentos estás comigo!
Eu te amo, Deus Altíssimo – e a minha vida é para o Teu louvor!
Raquel Emerick Ribeiro
Prefácio

“Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente!”


Jeremias 48:10a
A igreja brasileira, durante muitos anos, viveu sobre uma máxima
profundamente negativa na área de louvor e adoração, quando se ouvia muito
isto: “Irmãos, eu não ensaiei, não sei tocar, não sei cantar, mas como é para o
Senhor...!” – ou seja, para o Senhor qualquer coisa serve. Felizmente uma nova
geração está se levantando, uma geração que ousa fazer a obra de Deus com
qualidade, unção e acima de tudo excelência!
E Deus, como sempre faz, presenteou-nos quando inspirou Raquel a
escrever este, que não é apenas um livro, mas um manual de vida e prática no
ministério de louvor. Tudo aquilo que está escrito neste livro transpira Raquel.
Tenho acompanhado de perto o ministério dela e posso fazer uma declaração
pública e espontânea: esta menina tem um coração de adorador e tem feito a obra
do Senhor com espírito de excelência! O que ela escreve é totalmente coerente
com sua maneira de agir e viver, por isso, creio que este será um grande
instrumento usado por Deus para tratar as “picuinhas” e “dodóis” do ministério
de louvor, bem como trazer um compromisso maior em fazer tudo para Ele com
excelência. Este é um livro em que, desde seu início, você poderá identificar a
autora dizendo: “faça o que eu faço e não somente o que eu digo!”
Indico este livro para leitura e aplicação a todos os que estão envolvidos no
ministério de louvor da igreja e também para os meus colegas pastores, para que
possamos entender melhor a dinâmica e os conflitos deste ministério, nos
tornando, assim, pedra de passagem e não pedra de tropeço.
Obrigado, Senhor! E parabéns, Raquel!
Você, leitor, seja grandemente abençoado com a leitura deste livro!
Wellington Dias da Silva
Diretor Executivo
Seminário Cristo Para as Nações
Capítulo I

Restauração

P or que iniciar um livro sobre louvor e adoração com o tema restauração?


Por que falar disso e não de música?
Sabe, querido leitor, eu entendo tal questionamento. Todavia, tenho sentido
no meu espírito, que precisamos mais ser restaurados do que reconhecidos.
Precisamos mais ser moldados do que usados, se é que podemos dizer desta
forma. A verdade é que o segundo processo sempre depende do primeiro. O
Espírito Santo tem me mostrado que o grande problema de qualquer ministério
na Igreja, incluindo o ministério de música, não é talento, não é dom.
Hoje em dia existem muitas pessoas talentosas dentro da Igreja. Há muitas
pessoas cheias de habilidades vindas de Deus. O problema da Igreja não é este.
O problema da Igreja hoje tem somente um nome: “CARÁTER”.
Muito dom, pouca integridade. Muito talento, pouco caráter. E o caráter
tem que ser trabalhado, restaurado e moldado de acordo com o caráter de Deus.
Deus se importa mais com quem nós somos do que com o que podemos fazer
‘para Ele’. Você consegue ouvir o bater do coração do Pai, clamando por
restauração no meio de Seu Povo?
DEFININDO
Primeiramente precisamos entender o que é restauração. O que significa
esta palavra que hoje é tão usada no meio cristão, perdendo às vezes o seu
significado tão forte? Vejamos algumas de suas definições.
Restauração significa restabelecimento, conserto, renovação.
E restaurar significa instaurar novamente, reintegrar, consertar, fazer
voltar AO ESTADO ORIGINAL, AO ESTADO PRIMITIVO.
Uma coisa é certa: com a entrada do pecado no mundo, a natureza humana
foi deteriorada. Hoje, nós temos que ser transformados a cada dia mais, tendo o
nosso caráter trabalhado. É somente nos nossos momentos diários com o Senhor
que esta transformação ocorrerá. Somente o Pai pode fazer com que uma obra
tamanha como essa venha a acontecer em nosso interior.
Caráter nada mais é do que tudo aquilo que nós somos! É aquilo que você
faz na ausência de todos. É quem você é quando está sozinho e ninguém está
olhando você. É aquilo que você diz quando somente algumas pessoas estão a
ouvi-lo. Caráter é a sua essência. É quem realmente você é, e não a imagem que
você passa ser.
Oh, como precisamos ser transformados! Quanto do Egito ainda precisa
ser retirado de nossos corações, de nossos púlpitos, de nossas vidas e dos nossos
ministérios! A Palavra diz que “todos nós, com o rosto desvendado,
contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,SOMOS
TRANSFORMADOS, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo
Senhor, o Espírito” II Co. 3:18.
De glória em glória!
Transformação!
À sua própria imagem!
Sim, eu sei, querido leitor! Consigo ver seu rosto de questionamento!
Quanta coisa há dentro de nós que não agrada ao Senhor. De quantas coisas nós
ainda precisamos nos livrar, para – quem sabe – um dia podermos ser chamados
“alguém segundo o coração de Deus”. Não é este o nosso desejo? Não é este o
sonho de qualquer adorador?
E eu lhe afirmo que é possível! É certamente possível! Como alguém,
como Davi, que fez tantas coisas certas, mas também tantas erradas, pôde ser
chamado de ‘alguém segundo o coração de Deus?’ Será que não haveria para nós
também essa chance? Essa oportunidade? Eu creio que sim! Estou certa de que é
possível. Mas haverá muito trabalho que se fazer. Lágrimas irão regar nosso
clamor. Joelhos no chão irão lançar o alicerce de nossas orações. Inúmeras vezes
levantaremos nossas mãos em busca do Pai Celestial. O preço a se pagar não é
nada barato! Aliás, o preço que Ele pagou também não foi nada barato!
Creio que, com muito clamar, muito adorar, muito buscar, seremos, pouco
a pouco, dia a dia, momento após momento, transformados. Mudados de glória
em glória, de vitória em vitória, e de força em força. Caráter transformado.
Coração restaurado. Lembre-se do significado de restauração: fazer voltar ao
estado original. Estado de comunhão e de intimidade com o Pai!
Nós somos o templo do Espírito Santo hoje. Mas este templo, por mais que
esteja abrigando algo tão poderoso e sagrado precisa ser restaurado. Não pelo
que abriga, pois Este é perfeito. Mas o templo em si. A casa. A morada. Esta sim
precisa ser limpa, preparada a cada dia, para ser digna de abrigar alguém tão
Santo. Sabemos que nosso corpo é o ‘templo do Espírito Santo’, que Ele habita
em nós, e que não somos de nós mesmos, mas fomos comprados por um bom
preço.
Já entendemos que este templo precisa ser bem cuidado, ou melhor,
restaurado. Mas como isso acontece? Como esta restauração é gerada dentro de
nós? Uma coisa é certa: podemos afirmar que restauração = limpeza. Mas como
alcançar isto?
Uma das passagens mais fortes da Bíblia sobre restauração nos conta sobre
um rei, no livro de II Crônicas, capítulo 29.
Sim, um rei. Algum rei de parentesco direto com Davi? Não! Na verdade,
Davi já estava morto quando este rei nasceu. O interessante de se notar é o início
deste capítulo que diz:
‘E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera
Davi, seu pai’, sendo que Davi não era seu pai. Mas este rei foi muito sábio. Ele
‘adotou’ Davi, por assim dizer, para ser seu exemplo maior, para lhe servir de
incentivo. E eu fico na verdade muito feliz quando vejo pessoas estudando sobre
a vida de Davi, querendo ser como ele foi, querendo aprender com seus acertos e
também com seus erros. É um grande passo para quem quer se tornar alguém
segundo o coração de Deus. Essa uma das matérias que eu mais amo lecionar no
nosso Webnário.
Isso também é um bom exemplo para você que, talvez, não teve um bom
pai natural, ou até mesmo espiritual. Talvez você tenha adquirido este livro
porque não sabe mais onde buscar. Talvez frustrado com liderança, com pastores
e ministros, dentre outros. Mas não abandone a carreira da fé. Siga o exemplo de
Ezequias, que tomou alguém como seu ‘pai’ espiritual, mesmo nunca o tendo
conhecido.
Ezequias não havia conhecido Davi. Mas ele seguiu seu exemplo. E a
Bíblia diz que ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, exatamente como fez
Davi, seu pai, seu exemplo.
Neste momento, a Bíblia narra o que ele fez de tão importante, logo após
ter sido coroado rei.
O PROCESSO DA RESTAURAÇÃO
A primeira coisa que o rei Ezequias fez não foi montar uma equipe de
louvor para ir ao templo do Senhor e fazer uma grande conferência de Louvor e
Adoração. Antes disto, outras coisas eram mais importantes; uma restauração era
necessária! Devemos ter em nossos corações que a música vinda de um
instrumento não restaurado será apenas música, e não louvor ou adoração. Por
isso, a importância deste processo.
Lembro-me de uma vez em que estava em minha casa e o Senhor me falou
algo tremendo. Eu estava na sala quando peguei o violão e comecei a tocar. O
problema é que ele estava sem uma de suas cordas. E você deve saber a sensação
de se tocar um violão sem uma corda. Além do mais, não era uma corda ‘menos
importante’, se é que posso dizer assim. A corda era uma das principais, a
primeira corda mais grave, Mi. Mas mesmo assim, queria cantar ao Senhor e não
me importei, embora o incômodo para os dedos fosse grande. Mas continuei
cantando. Depois de alguns minutos louvando a Deus, coloquei o violão de lado
e comecei a orar pela equipe de louvor que lidero. Então, o Senhor me disse:
Filha, olha para este violão.
Eu obedeci.
Por que esta corda arrebentou? – Sua voz suave continuou.
Fiquei alguns segundos em silêncio. Quando Deus me faz uma pergunta eu
me sinto muito pequena para responder. Às vezes prefiro ficar em silêncio, mas
percebi que Ele estava aguardando uma resposta minha. Por fim, disse:
– Não sei ao certo, Pai. Será que é por causa da tensão que foi feita sobre a
corda?
Não – Deus me respondeu claramente. Ela não foi maleável o suficiente a
quem a estava afinando. Sabe, filha. É sempre assim. Quando Eu tenho um
instrumento em minhas mãos que não é maleável, que não se deixa afinar, Eu
tenho dificuldades em usá-lo. Se Eu não puder afiná-lo, a harmonia não será
perfeita, e por fim o colocarei de lado por causa da dificuldade em usá-lo, como
você o fez. E se a corda quebrada for apenas uma área da vida da pessoa que
precisa ser tratada, mesmo que as outras áreas estejam perfeitas, isto irá
comprometer o som que sairá daquele instrumento.
Que lição eu aprendi naquele dia! Eu me derramei diante do Senhor,
buscando mais uma vez ser moldada, afinada por Deus! Será que alguma área de
sua vida não é como uma corda quebrada de violão? Será que você não tem
resistido ao que Deus quer fazer no seu interior?
Antes que a música seja tocada, o instrumento precisa ser afinado.
Antes de tudo, deve haver restauração. Continuemos aprendendo com o rei
Ezequias.
A Palavra diz que este rei, no primeiro ano de seu reinado, no primeiro
mês, abriu as portas da Casa do Senhor e as reparou (ou restaurou, de acordo
com algumas versões – II Cr. 29:3). Sim, no primeiro ano, no primeiro mês, ou
seja, assim que ele ‘tomou posse’, se puder colocar desta forma para
entendermos melhor; Ele priorizou esta decisão!
No momento em que ele se tornou rei, sua primeira providência foi ir até a
Casa do Senhor, abrir as portas e as reparar, restaurando o Templo do Deus
Altíssimo.
Todos sabem que, se quisermos manter uma casa limpa, ela não poderá
ficar fechada. O contrário é que é verdadeiro. Quando fechamos uma casa é que
todo tipo de sujeira virá: poeira, mofo, lodo e tudo o mais. Para mantermos um
local limpo, devemos abri-lo, mantê-lo arejado e ventilado.
Se nós somos o templo do Senhor, hoje, e quisermos permanecer
restaurados e limpos, devemos seguir o exemplo deste rei. Ele abriu as portas,
reparou as portas e o que lá dentro estava, restaurando tudo o que era necessário!
Quantas vezes nós fechamos a porta do nosso coração para o Senhor.
Quantas vezes Ele fala conosco ou nos mostra algo dentro de nós que precisa ser
transformado, nosso caráter, nosso temperamento, nossa personalidade, e nós
fingimos não estarmos ouvindo. Isto é fechar a porta!
Muitos músicos têm usado a questão do temperamento como desculpa para
não buscarem os frutos do Espírito. Alguns dizem que sua personalidade é forte
demais, que não aceitam ofensas, que não levam desaforo para casa. Mas Jesus
não se vingou em momento algum,mesmo sabendo que Ele estava correto. O
verdadeiro cristão quando é ofendido busca o reto Juiz, e não tenta julgar sua
própria causa. Músicos dizem que são coléricos e, usando desta desculpa, não
buscam frutos do espírito. Outros usam o fato de serem sangüíneos como
justificativa para ações que não agradam ao Senhor, quando o correto seria
buscar frutos do Espírito como longanimidade e benignidade, encontrando
equilíbrio em Deus para sua personalidade. Vemos que todos os discípulos de
Jesus foram transformados em suas personalidades, tendo seu temperamento
equilibrado ao aprenderem de Jesus!
É tempo de reabrirmos nossas portas! É tempo de reabrirmos nosso
coração. É tempo de deixar que o Dono do Templo repare e restaure nosso
coração.
Antes que houvesse um momento de adoração, era necessário que
houvesse um momento de restauração. Ó, querido leitor, o quanto o Senhor nos
fala de restauração em Sua palavra! O quanto Ele quer nos purificar! Como o
ouro em seu processo de purificação, precisamos passar pelo fogo para sermos
transformados e moldados alcançando assim o nosso propósito original,
propósito este de comunhão e intimidade, sem barreiras que são colocadas por
nós mesmos. O fogo precisa vir primeiro! E o próprio Deus se encarrega de fazer
isto! O Pai nos permite passar por situações difíceis, por momentos em que nos
sentimos dentro do fogo. Tudo isto para nos ensinar alguma lição. Às vezes
precisamos aprender a ter fé que Suas promessas se cumprirão. Às vezes Ele
quer nos ensinar a termos mais paciência. Outras vezes Ele irá nos testar se
estamos prontos a perdoar nossos irmãos. E outras vezes ainda Ele irá moldar
nosso caráter, tirando toda escória, tudo que polui, tudo que é sujo e não provém
Dele! Como está escrito, Ele ‘assentar-se-á, como derretedor e purificador de
prata; purificará os filhos de Levi (os levitas) e os refinará como ouro e como
prata; e eles trarão ao Senhor justas ofertas... então, a oferta... será agradável ao
Senhor, como nos dias antigos e como nos primeiros anos’. (Ml. 3:3).
Restauração.
Purificação.
Limpeza.
Ezequias entendeu isto. Sabe o que ele faz antes de restabelecer o serviço
levítico? Ele reúne os levitas e os sacerdotes em plena praça pública e diz em
alta voz:
– “Ouvi-me, ó levitas! Santificai a Casa do Senhor, Deus de vossos pais;
tirai do santuário a imundícia” (v. 5).
Incrível, não é? Mas é verdade! Dentro do próprio santuário havia
imundícias! “Tirai do santuário toda imundícia!” Como você já está ciente, você
mesmo é este santuário hoje. Você compreende?
O seu santuário vai precisar passar por um processo de limpeza para que
depois possa ser cheio do Espírito. Somente assim poderemos ser alguém
segundo o coração de Deus. Somente quando nos esvaziamos de nós mesmos
podemos ser cheios da glória do Pai.
Sabe, o coração do homem é uma terra tão estranha! É um lugar que nem
nós mesmos conhecemos.
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente
corrupto; quem o conhecerá?” (Jr. 17:9). Quem conhece o nosso coração, se nem
nós mesmos o conhecemos?
O próximo versículo nos dá uma resposta a esta pergunta tão intrigante:
“Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto
para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações”
(v.10).
Então, se o nosso coração é desesperadamente corrupto, como faremos?
Eu creio que Davi foi muito sábio, pois ele orou algo muito interessante:
“Quem há que possa discernir os próprios pecados? Purifica-me dos que me são
ocultos” (Sl. 19:12).
Se nunca saberemos tudo o que se passa em nosso coração, se nunca
poderemos discernir e conhecer nosso próprio interior, devemos então orar como
Davi: “Perdoa-me, Senhor, dos pecados que tenho cometido contra ti, e que eu
mesmo nem sei”.
E o discurso em praça pública continua.
“Porque nossos pais prevaricaram e fizeram o que era mal perante o
Senhor, nosso Deus, e o deixaram” (v. 6).
Ezequias começa a descrever o que foi feito, como o santuário ficou cheio
de imundícia e o povo de Deus O abandonou. E dentro de uma lista de coisas,
ele enumera o PECADO como sendo a primeira delas.
“Nossos pais prevaricaram”. “Nossos pais fizeram o que era mal perante o
Senhor”.
A primeira coisa que acontece em nossas vidas, quando começamos a nos
afastar do Senhor, é o pecado. O primeiro passo para trazer imundícias para o
santuário do Senhor é um ‘pequeno’ pecado. Uma coisinha de nada! Algo que
ninguém sabe. E é assim que as coisas começam.
É a famosa frase que ouvimos tanto hoje em dia: “Não tem nada a ver...”
“Não tem problema”.
A você, jovem, neste ponto, quero dizer que muitas coisas parecem
pequenas, e irão atraí-lo. Mas eu lhe peço em Nome de Jesus, que você não olhe
somente para o agora; olhe para este ‘pequeno’ pecado como se fosse O
PRIMEIRO PASSO para se distanciar do Senhor. Uma coisinha mínima sobre a
qual você talvez esteja pensando: “ah, mas todo mundo fala assim; mas todo
mundo faz assim; todo mundo age assim, etc”. Saiba que esta coisa, por menor
que pareça, é o início de tudo; é o começo de uma ladeira. Se você se lembra
bem, a Palavra diz que um abismo chama outro abismo (Sl. 42:7).
Ezequias continua seu discurso em plena praça oriental, em alta voz,
exortando levitas e sacerdotes. Depois de haver comentado sobre o pecado dos
que viveram antes deles (dizendo que eles fizeram o que era mal diante do
Senhor), Ezequias diz algo mais. Eles “desviaram o seu rosto do tabernáculo do
Senhor e lhe deram as costas” (v. 6).
Você mesmo sabe o que significa dar as costas a alguém. Quando você
conversa com uma pessoa e ela de repente lhe dá as costas, você sabe como isso
dói. Você sabe como é que se sente.
Ignorar.
Agir com descaso.
Virar o rosto.
Dar as costas.
Que triste! O povo de Israel não havia somente cometido pecado. Depois
de pecar, os judeus deram as costas para a correção do Senhor. Eles viraram o
rosto. Quantas vezes vemos na Palavra de Deus relatos de como o povo de Israel
abandonava ao Senhor, e só se lembrava Dele quando os inimigos os
perseguiam, quando a nação estava morrendo, quando tudo estava ruim! Será
que nós não agimos da mesma forma? Será que não fazemos o mesmo para com
Deus? Será que nós O buscamos incansavelmente, em todo o tempo, com toda a
nossa força, com toda a nossa alma, com tudo o que somos, ou somente quando
os inimigos nos cercam e a situação se torna difícil?
O povo de Israel agiu assim com Deus. Não somente pecou, mas deu as
costas para o templo do Senhor.
Assim também é conosco quando pecamos e decidimos não dar ouvidos à
voz da correção do Espírito Santo, que é tão amável em nos corrigir.
Deus disciplina o filho que ama.
“Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho,
assim te disciplina o Senhor, teu Deus” (Dt.8:5)
“Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois,
a disciplina do Todo-poderoso” (Jó 5:17).
Estas são apenas duas das várias passagens que dizem respeito ao amor
que o Pai tem em nos corrigir. É claro que ser corrigido não é algo prazeroso.
Ninguém gosta de ver seus próprios erros. Mas quando entendemos o amor
infinito de Deus, a ponto de se preocupar em nos corrigir, vemos a importância
disto em nossas vidas. Se o Pai não nos amasse, certamente não nos corrigira.
Ele nos deixaria ao léu, perecendo, caminhando na direção errada. Mas a sua
Voz nos mostra o caminho correto a se seguir. Ele nos corrige, pois acredita que
somos capazes de algo melhor.
“Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda,
os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai
por ele” (Is. 30:21).
Quantas vezes o Senhor nos mostra algumas coisas que devemos mudar, e
nós damos as costas para o santuário, para o Espírito Santo, e nos recusamos a
fazer uma limpeza no nosso templo? Sabe o que acontece quando ignoramos o
que Deus nos está dizendo?
Ezequias descreve no versículo seguinte.
“Também, fecharam as portas do pórtico (alpendre)”.
Quando pecamos e não ouvimos a voz do Pai, dando as costas para o
templo, acabamos, mais cedo ou mais tarde, fechando as portas do santuário
(que somos nós). Essa atitude demonstra nossa dureza de coração.
Fechamos as portas.
Ninguém entra, ninguém sai.
E deixamos Jesus do lado de fora. Ou às vezes, do lado de dentro, mas O
proibimos de entrar em todos os cômodos. Você já notou alguns pensamentos
que temos como: “Jesus, o Senhor pode mexer em tudo dentro de mim. O
Senhor pode mudar o que o Senhor quiser, de menos esta área. Aqui não, Jesus.
Tudo de menos meu emprego”; “tudo, menos o meu namorado”, “tudo menos
ser missionário e ir morar fora”. Você se lembra quando você pensou isto a
primeira vez? Era uma porta, ou uma das portas do templo que você fechava.
Talvez a porta do alpendre, talvez a porta do quarto; talvez a porta da cozinha;
talvez a porta daquele ‘quartinho da bagunça’ onde ninguém vê, que ninguém
conhece. Qual foi a porta que você fechou para Ele? Qual área de sua vida você
não entregou completamente? Quando é que você orou “Senhor, faça a Tua
vontade, contanto que a Tua vontade seja essa...”.
Portas fechadas. E Jesus? Do lado de fora. É por isso que Ele diz: “Eis que
estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em
sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap. 3:20).
Se Jesus está à porta, batendo, é porque Ele está do lado de fora!
Jesus tem comunhão para nos oferecer. Jesus tem uma ceia para colocar
diante de nós. Mas nós devemos abrir a porta primeiramente. Quantas vezes o
temos expulsado de algumas áreas de nosso coração; quantas vezes o temos
pedido para ficar do lado de fora de algumas situações. E ele tem esperado. Às
vezes, repousado do lado de fora, esperando pelo dia em que abriremos a porta
novamente.
E o rei Ezequias percebeu que não somente a porta foi fechada, mas
também algo ainda pior foi feito. Tudo é um processo. São ações que vão se
desencadeando. Observe, querido leitor.
“Também fecharam as portas do pórtico, apagaram as lâmpadas”.
Agora, não somente as portas foram fechadas. Agora as lâmpadas, fonte de
luz, foram apagadas! E chega um momento em que, se insistirmos em virar as
costas para Deus, endurecer nossos corações e fechar as portas,
conseqüentemente acabaremos apagando as lâmpadas. Acabaremos em densas
trevas.
E o que é a lâmpada? Você se lembra. Você já leu. “Lâmpada para os meus
pés é a Tua palavra. E luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105). E outra
passagem diz: “A exposição das tuas palavras dá luz; dá entendimento aos
simples” (Sl.119:130).
A Palavra de Deus é nossa luz em meio às trevas. É ela que ilumina o
nosso caminhar. Quando não temos direção, ela nos aponta o rumo para o qual
devemos seguir. Mas quando fechamos as portas para a palavra de Deus, para
sua correção e seu ensinamento, inevitavelmente acabamos apagando as luzes.
Dentro de pouco tempo, não teremos mais prazer em ler e meditar na Palavra do
Senhor. Apagaremos as lâmpadas. Desligaremos as luzes e portanto, perderemos
a direção, o sentido de todas as coisas. Não teremos mais fome espiritual. Não
teremos mais vontade de ler a Palavra de Deus. Ela não nos atrairá como antes.
E o erro, obviamente não é dela. Ela nunca deixou de ter seus tesouros
escondidos. Nós é que não temos mais aquela fome. E vale lembrar que se você
está nesse estágio, não começou aí. Começou com um pequeno pecado, e depois
dele você virou as costas para a correção divina, para depois fechar as portas do
seu coração e por fim apagar toda e qualquer luz!
A lista que Ezequias proclama em praça pública diante dos levitas e
sacerdotes não acabou com as lâmpadas desligadas.
O versículo sete descreve a continuação do processo. “Também fecharam
as portas do pórtico, apagaram as lâmpadas, não queimaram incenso, nem
ofereceram holocaustos nos santuários ao Deus de Israel”.
Tudo começou com um ‘pequeno’ pecado. E agora a situação ficou mais
séria!
Não há mais queima de incenso diante do Senhor. O que é o incenso na
Bíblia?
Apocalipse 5:8 “... os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos
prostraram-se diante do cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de
ouro, cheias de incenso, que são as orações dos santos”.
Sem sombra de dúvida, a Bíblia diz que o incenso representa as orações
dos justos.
Davi disse: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso” (Sl.
141:2).
Primeiro pára-se de ler a Bíblia (lâmpada). Conseqüentemente pára-se de
orar (incenso). Eu não sei quantas pessoas estão no altar do Senhor, que não têm
uma vida diária com Ele. Como queremos ser ministros do Senhor? Como
queremos dar o que não temos? Como daremos se não buscarmos e não tivermos
para nós mesmos? Querido adorador, abra seus ouvidos para o clamor do
Espírito de Deus. Seu ministério não é em frente a outros. Seu ministério público
não é a coisa principal! A plataforma não mede quanta comunhão você tem com
Deus! Os seus melhores momentos com Deus devem ser os momentos a sós!
Sozinhos! Você e Ele! Seu ministério público será um subproduto de sua vida
diária com Ele! Ministrar louvor é pegar sua vida particular e torná-la
pública durante alguns minutos.
Adore no seu quarto; cante para Ele no seu quarto, dance para Ele no seu
quarto; faça seus solos para Ele somente; toque seu instrumento para que Ele
ouça. Por que os músicos querem tanto ser ouvidos? Por que os músicos querem
tanto colocar seus dons à mostra? Por que se busca tanto reconhecimento? Por
que o ministério de louvor se transforma em uma espécie de ‘vitrine’, exibindo
dons e habilidades?
No Tabernáculo de Moisés, nem no Tabernáculo de Davi havia cadeiras,
nem plataforma, nem lugar para se assistir a um ministro. Cada um ministrava ao
Senhor. Devemos voltar a esta essência, aprendendo a sermos os verdadeiros
sacerdotes. O seu sacrifício de louvor deve ser entre você e Deus. Por que tanta
necessidade de aplausos, de público, de platéia?
O ministério público de Jesus foi uma conseqüência, um subproduto da
vida particular Dele com o Pai. Muitas vezes a Bíblia diz que Ele se retirava para
orar; Ele acordava mais cedo, antes de todos, para buscar o Pai; Ele ia para os
montes, se distanciava, para ministrar sozinho ao Pai.
Um grande amigo meu me contou algo interessante. Um dia, ele estava
adorando a Deus no Seu quarto, e Deus lhe disse: “Vista sua melhor roupa.
Apronte-se como você se apronta para ir à igreja”. E ele me contou que vestiu
um terno, o melhor que tinha, se aprontou todo e cantou e tocou para Deus como
nunca, com o que Ele tinha de melhor. E segundo ele, foi uma das melhores
experiências que teve até então.
Ó, adorador, não deveria ser esta a nossa vida diária? Não deveríamos agir
assim para com o nosso Rei? E quantas vezes não damos a Deus o nosso
melhor? Oramos no final do nosso dia, uma pobre oração dos cinco últimos
minutos que temos, e vamos dormir, e não ficamos acordados para ouvir o som
do coração do Pai se partindo, despedaçado e desejoso por comunhão com seu
filho? Entramos em profundo sono e não presenciamos suas lágrimas de tristeza
e saudades caindo? “Eis que estou à porta e bato”. Jesus, várias vezes, fica do
lado de fora. E nós, chamados cristãos, não percebemos!
Não queimamos incenso. Aí as coisas começam realmente a piorar. Digo
piorar sim, porque sem uma vida de oração, não podemos ter vitória. De repente
nos perguntamos por que tudo dá errado em nossa vida; porque as coisas dão
certo para outros e nunca para nós.
Nos momentos difíceis, quando deveríamos buscá-lo ainda mais, quando
deveríamos louvar em meio a circunstâncias difíceis, não oferecemos sacrifício.
Não oferecemos holocaustos ao Deus de Israel.
No momento pior, não damos a Ele um sacrifício de louvor. Por quê?
Porque na verdade já O abandonamos há muito tempo.
O povo de Israel pecou. Fez o que era mal aos olhos de Deus. Em seguida,
desviou o rosto e deu as costas para o templo do Senhor. Também fechou as
portas e apagou as lâmpadas. Parou de queimar incenso. Deixou de oferecer
sacrifícios, holocaustos.
Não sei lhe contar quantas vezes ouvi frases assim: “Olá, meu irmão! Você
pode ministrar em meu lugar hoje? Eu não estou bem. Estou precisando
receber!”.
Que desculpa! Quanta mediocridade! Querido leitor, grave algo para
sempre em seu coração: No Reino de Deus não há lugar para mediocridade!
A Palavra diz: “O Reino de Deus é tomado por esforço, e os que se esforçam se
apoderam dele” (Mt 11:12).
Por que paramos de queimar incenso? Por que paramos de oferecer
holocausto e sacrifício? Por que temos dificuldades de abrir mão quando as
coisas nos custam? Deus se agrada quando damos a Ele algo que nos seja um
sacrifício. Seja nosso tempo, seja a oferta, sejam amizades, ou principalmente
um sacrifício de louvor quando tudo está difícil. Falaremos disto mais adiante,
mas, por agora, quero que você leia o versículo seguinte:
“Porque não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me
custem nada”. (II Sm. 24:24). Palavras do rei Davi.
Quando nós nos fechamos para Deus de uma forma tão séria, tudo começa
a dar errado. O povo de Israel começava bem. Em pouco tempo, depois das
vitórias, todos se esqueciam de Deus e começavam a servir outros deuses
novamente. E novamente desagradavam ao Pai. E o Senhor permitia guerras,
fomes, problemas. Para quê? Para que o coração de Seu povo se voltasse a Ele
novamente. E sempre funcionava! O povo voltava-se novamente a Deus, e
depois de jejuns e oração, Deus os livrava. Eles reconheciam que estavam longe
do Senhor, e o buscavam novamente. Mas infelizmente o processo se repetia.
Quanto tudo estava bem, passava-se um tempo e o povo de Israel caía no mesmo
erro.
Ezequias primeiramente disse, naquela praça, tudo o que o povo havia
feito contra o Senhor. Depois, ele mostrou a eles quantas catástrofes havia
ocorrido como conseqüência de tudo o que fizeram. Caos total. Nos versículos 8
e 9 ele diz:
“Pelo que veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou
ao terror, ao espanto e aos assobios, como vós o estais vendo com os próprios
olhos. Porque eis que nossos pais caíram à espada, e por isso, nossos filhos,
nossas filhas e nossas mulheres estiveram em cativeiro”.
Será que nós, hoje, o Israel de Deus, não fazemos as mesmas coisas? Será
que você tem passado problemas? Por qual motivo seria? Será que é Deus
permitindo tudo isso, para que você se volte a Ele novamente, para que você
volte a buscá-lo pelas madrugadas? Será que Ele quer que você volte a jejuar
como antes, a investir mais tempo na leitura da Palavra e em oração?
“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz” (Ap. 3:6).
TOMANDO UMA DECISÃO
Quero lhe dizer que existe uma solução. Existe uma saída para o que você
está vivendo. Deus sempre nos mostra um caminho de escape, dando-nos
esperança e solução. O caminho em direção à vitória sempre passa pelo
arrependimento, pelo reconhecimento de que precisamos de Deus em nossas
vidas.
Ezequias fez algo muito sério. Nesta mesma praça, depois de tudo o que
falou, ele finalizou dando a solução a tantos problemas: “Agora, estou resolvido
a fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor
da sua ira” (v.10). Quero que leia esta expressão tão forte novamente: ‘Estou
resolvido’.
Ezequias não esperou um momento de louvor, ou um momento quando ele
sentisse um arrepio do Espírito Santo para dizer: ‘Ah, agora eu vou mudar,
Senhor. O Senhor está falando comigo.’ Não! Ele tomou uma DECISÃO.
Ele disse: estou resolvido no meu coração a fazer uma aliança com o
Senhor, Deus de Israel.
Se você está lendo, e não sente que precisa mudar nada em sua vida, nada
mesmo, nenhuma área, então você não precisa ler os próximos parágrafos. Você
pode ir diretamente para o próximo capítulo!
Mas se você está lendo este livro e precisa mudar algo em sua vida, e sente
que o Espírito Santo está falando ao seu coração, eu quero lhe perguntar: O que
você está esperando? Não espere mais! Não espere mais uma noite de louvor,
para você sentir um arrepio, chorar e resolver mudar. Não espere mais uma
conferência, congresso ou retiro. Não espere que um profeta chegue até você e
Deus o use para te ordenar mudar! Ezequias não esperou um momento a mais
sequer. Aliás, ele resolveu isto no primeiro ano do seu reinado, no primeiro mês,
no primeiro dia! Que nós sigamos o exemplo dele.
“Agora, estou resolvido a fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel, para
que se desvie de nós o ardor da sua ira. Filhos meus, não sejais negligentes, pois
o Senhor vos escolheu para estardes diante dele para o servirdes, para serdes
seus ministros e queimardes incenso” (v. 10 e 11).
Que resolvamos fazer aliança. Que possamos permitir que o Espírito Santo
nos restaure. Que novamente venhamos a abrir as portas, acender as luzes,
queimar incenso, oferecer sacrifícios, e renovar nossa aliança com o Senhor
Jesus Cristo.
Para terminar esta parte, preciso dizer algo. Se você ler todo este capítulo
de II Crônicas, você vai perceber que os levitas e os sacerdotes saíram animados,
para abrir o templo do Senhor, limpar tudo, restaurando o santuário. E a Bíblia
diz que eles fizeram isto por oito dias inteiros. Oito dias de purificação! E por
fim, eles foram até o palácio, contar ao rei Ezequias que haviam terminado de
fazer tudo o que ele lhes havia ordenado. A Bíblia diz que isto aconteceu de
madrugada, mas o rei se levantou naquele mesmo momento, no meio da
madrugada, se reuniu com os príncipes da cidade e subiu à Casa do Senhor.
Então, ele mandou trazer animais para oferecer a Deus como sacrifício, e os
sacerdotes aspergiram o sangue sobre o altar da Casa do Senhor, que agora já
estava limpa e restaurada. Sabe o que Ezequias faz, logo em seguida, depois de
oferecer esses holocaustos de animais? Leia com o máximo de atenção possível
a seguinte passagem:
“Também estabeleceu os levitas na Casa do Senhor com címbalos, alaúdes
e harpas, segundo o mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta
Natã; porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas. Estavam,
pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as
trombetas. E Ezequias deu ordem que oferecessem o holocausto sobre o altar; e
ao tempo em que começou o holocausto, começou também o canto do Senhor,
com as trombetas e com os instrumentos de Davi, rei de Israel. E toda a
congregação se prostrou, quando entoavam o canto, e as trombetas eram tocadas;
tudo isto até o holocausto se acabar. E acabando de o oferecer, o rei e todos
quantos com ele se achavam se prostraram e adoraram. Então, o rei Ezequias e
os príncipes disseram aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de
Deus, e de Asafe, o vidente. E o louvaram com alegria e se inclinaram e
adoraram”. (v. 25- 30).
Que momento de adoração perfeito! Depois de tanto arrependimento,
restauração do templo, oferta de sacrifícios e expiação pelos pecados, os levitas
não precisaram forçar as pessoas a adorar, nem a se ajoelhar. A Bíblia mostra que
eles se prostraram. Todos. Cantaram, louvaram, adoraram. Por quê? Porque
houve uma restauração antes. Quando se tem restauração, se tem adoração
verdadeira! Não precisa ser algo forçado, ou imposto pelos sacerdotes e levitas.
Será uma reação à tamanha obra de limpeza que o próprio Espírito Santo faz em
nosso interior. É como se a chama de amor por Deus se reacendesse, à medida
que as trevas vão se dissipando.
Por fim, Ezequias diz mais uma coisa depois de toda essa adoração
maravilhosa:
“Agora vos consagrastes a vós mesmos ao Senhor; chegai-vos e trazei
sacrifícios e ofertas de louvor à casa do Senhor. E a congregação trouxe
sacrifícios e ofertas de louvor, e todos os dispostos de coração trouxeram
holocaustos”. Se você continuar lendo, você vai ver que o povo trouxe tanta
oferta (espontaneamente e não forçosamente), que os levitas tiveram que ajudar
os sacerdotes a imolar os animais, mesmo que pela lei somente os sacerdotes
pudessem fazê-lo. Era mais oferta do que homens para aceitá-las e apresentá-las
diante do Altar do Senhor!
Depois de muito tempo de ofertas e adoração, a Bíblia finaliza este
acontecimento descrevendo: “E assim se estabeleceu o ministério da Casa do
Senhor. E Ezequias, e todo o povo se alegraram, por causa daquilo que Deus
fizera para o povo”.
Depois de tamanha restauração, houve tamanha adoração, oferta,
holocausto, prosperidade!
E a Bíblia registra que assim, ou seja, depois de tudo isso, é que se
estabeleceu o ministério da Casa do Senhor.
Sim, os levitas precisavam ser restaurados! O ministério da Casa do
Senhor precisou passar por um momento de restauração. Somente depois disso é
que as coisas voltaram a funcionar.
Você está precisando ser restaurado? Sua equipe de louvor precisa de
transformação? De restauração? Por que não estudar esta passagem, juntos,
promover um jejum e uma busca maior de uma restauração? Não é algo difícil
demais! Lembre-se que tudo começou com uma decisão chave de Ezequias:
‘estou resolvido em meu coração’.
Ele tomou a decisão! E fez uma limpeza.
Faça uma limpeza em seu próprio coração. Deixe que o Espírito de Deus
sonde o seu mais íntimo.
Depois de um momento de restauração é que o ministério da Casa do
Senhor é estabelecido. Depois, somente depois!
Espero que você entenda agora, querido leitor, a razão pela qual decidi
começar um livro sobre louvor com o tema restauração, e não com algo sobre
música. Você entende o que Deus quer de todos nós antes de tocarmos, antes de
cantarmos? Ele quer nos restaurar! Aleluia!
“Portanto, assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te restaurarei, para
estares diante de mim; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha
boca”. (Jr. 15:19)

RESTAURAÇÃO
© Raquel Emerick Ribeiro

“Vem com Teu sopro, Senhor


Sobre Tua Igreja, sobre o vale de ossos secos.
Restaura o Teu povo, Senhor
Os Teus sacerdotes, Tua Noiva, Tua Igreja
Por causa de Tua glória as nações saberão
Que habitas no meio de nós
Porém a Tua glória não virá sobre corações
Destruídos, marcados pela dor.
Ergue os altares quebrados

Restaura os muros caídos


Levanta Tua Igreja, e mais uma vez seremos
O povo que se chama “POVO TEU”.

QUESTÕES PARA ESTUDO

Defina a palavra restauração.


Estude com sua equipe de louvor o texto de II Crônicas 29.
Qual área de sua vida precisa ser restaurada e atualmente encontra-se em ruínas?
Em qual parte do processo você se encontra?
O pecado não foi tratado.
Você tem dado as costas para a correção do Senhor.
Você fechou alguma porta (área) do seu coração para Jesus.
A lâmpada não tem sido acesa (a Palavra).
O incenso não é mais queimado (oração).
Você não tem oferecido holocaustos e sacrifícios de adoração.
Defina "MINISTRAR LOUVOR".
Tenha um momento a sós com o Senhor. Faça uma renovação de aliança com Ele. Busque
primeiramente ser restaurado. O ministério será um subproduto do seu relacionamento com Deus!
Tome a decisão de viver num contínuo estilo de vida sempre restaurada.
Capítulo II

Perfil do Adorador

Q uando pensamos em um exemplo de adorador, pensamos logo em Davi. E


é sobre ele que iremos falar. Estudaremos um pouco sobre o que outras
pessoas da Bíblia falaram dele.
A Palavra nos diz: ‘seja o outro que te louve, e não a tua própria boca’ (Pv.
27:2). Seria muito fácil se Davi tivesse dito de si mesmo: “Sabe, eu reconstruí o
tabernáculo, e eu fui um homem segundo o coração de Deus, eu fui um ótimo
rei, fiz o que era reto diante do Senhor, eu fiz isso, isso e aquilo outro”. Mas não,
Davi não louvou a si mesmo. Veremos uma passagem Bíblica na qual outra
pessoa descreve Davi.
I SAMUEL 16
Antes de falarmos das características mencionadas que descrevem Davi,
observe o seguinte: quem está falando tudo isso é um dos servos de Saul, o rei
que antecedeu a Davi.
“Disse Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem que saiba tocar
bem e trazei-mo. Então, respondeu um dos moços e disse: Conheço um filho de
Jessé, o belemita, que sabe tocar e é forte e valente, homem de guerra, prudente
em palavras e de gentil presença; e o Senhor é com ele” (I Sm. 16: 17-18).
Que versículo maravilhoso! Existem tantas coisas escondidas nele! Vamos
analisar cada uma destas características.
FILHO
A primeira descrição que encontramos para Davi é que ele era filho de
Jessé. Filho. Davi era filho de alguém. Trazendo isto para a óptica espiritual,
vemos que isso é uma figura de autoridade sobre a vida dele. Ele tinha alguém a
quem responder, mesmo imperfeito, pois o ser humano é imperfeito. Mas havia
alguém na vida dele a quem ele era submisso. E como podemos ver a
característica de submissão na vida de Davi! Devemos nos espelhar neste
homem segundo o coração do Pai.
Hoje em dia vejo muitas pessoas que fogem da figura de autoridade em
suas vidas, um pai espiritual, seja um líder, seja um pastor, alguém que não
somente goste da pessoa, mas alguém que falará a verdade em amor quando ela
estiver errada e precisar de correção. Eu tenho visto esta dificuldade muito mais
presente na área da música. Tenho trabalhando com músicos por cerca de treze
anos. Fui colocada em posição de liderança em uma idade ainda muito jovem.
Quando tinha quinze anos me pediram que fosse presidente do departamento de
louvor da igreja da qual era membro desde minha infância. Esta congregação era
de um número consideravelmente grande, e também de um departamento de
música semelhante, onde tínhamos, entre instrumentistas, cantores, e
sonoplastas, cerca de 100 pessoas. Agora imagine isto, tantos adultos sendo
liderados por uma garota de 15 anos?! Eu até hoje não entendo porque Deus fez
isto desta forma. Sei, com certeza, que isto foi uma grande preparação para mim,
para o que faço hoje.
Hoje, quando reflito sobre estas coisas, honestamente não acredito que
estaria onde estou se não houvesse me submetido a várias correções, a trabalho
árduo e respeito à autoridade espiritual em minha vida. Eu tive que dar ouvidos a
muitos conselhos, e muitas correções e exortações em todo este processo. E nem
todas foram agradáveis no momento. Mas eu me segurava ao versículo que diz:
“E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de
tristeza, mas, depois, perdoa um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”
(Hb. 12:11). Você só aprende isto na prática, ou seja, sendo submisso.
Vejo que submissão é uma grande questão hoje em dia. Você sempre deve
ter um líder sobre sua vida, um pastor, alguém que possa ver pontos fracos que
você mesmo nunca verá. Alguém a quem você deve prestar contas de tudo que
faz, e da motivação pela qual você faz. Mesmo que você seja o pastor titular de
sua igreja, e talvez você pense: “Ah, mas quem vai estar acima de mim? A quem
eu posso recorrer?” Se não há ninguém acima de você no contexto de sua igreja,
procure por esta pessoa fora da igreja, seja numa associação, num conselho, ou
um mentor espiritual que você possa ter. Vejo que este problema tem assolado
muitas igrejas, pois os líderes (geralmente de cargos mais altos) não têm a quem
responder. Com o passar dos anos, simplesmente por não haver deixado que seu
caráter fosse tratado, eles acabam caindo. Quase inevitavelmente isso acontece.
Esses líderes caem no erro de falsa doutrina, ou em orgulho, ou até mesmo em
pecado. Por quê? Porque ninguém tem autoridade sobre eles, para os corrigir.
Que tamanho perigo!
“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há
autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por
Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que
resistem trarão sobre si a condenação. Porque os magistrados não são terror para
as boas obras, mas para as más. Queres tu, não temer a autoridade? Faze o bem e
terás louvor dela. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a
quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm. 13:1-
3,7).
Qual é o problema que o ser humano tem com esse assunto? Por que tanta
resistência quanto à autoridade e submissão? Por que essas palavras geram tanto
medo no povo de Deus hoje em dia?
Sabe o que significa SUBMISSÃO? Significa sub-missão. Significa que
você está abaixo de alguém, dentro da mesma missão. O seu pastor, o seu líder
foi ordenado por Deus para estar onde está. Deus não errou. E ele está ali para te
proteger. Você coopera com ele, estando sob a missão que o Senhor o concedeu.
Talvez você pense: “Mas meu líder faz isto, e isto é errado”. Se o que ele
estiver fazendo não for algo que obrigue você a pecar, então você deve obedecer
a ele. Independentemente de você gostar de seu estilo de liderança ou não. Você
está lá como resposta de oração do seu pastor, como resposta à visão que Deus
colocou no coração dele. Cumpra a missão! E não seja obediente externamente e
insubmisso internamente.
Obediência não é necessariamente submissão. Você pode obedecer, mesmo
sendo insubmisso. Isso foi algo que Deus teve que tratar no meu próprio
coração. Não adianta obedecer ao seu pastor ou líder, e por dentro estar
murmurando. O que Deus espera não é o exterior somente. Você obedece a seu
líder, mas continua insubmisso por dentro, dizendo “Ah, essa pessoa não sabe de
nada. Se eu estivesse em seu lugar faria tudo diferente. Eu vou obedecer porque
tenho que obedecer, mas não dou a mínima para o que ele pensa!” Isto é
rebeldia, mesmo que por fora se tenha a impressão de que se é obediente.
Obediência e submissão são totalmente diferentes.
“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor, quer ao
rei, como superior; quer aos governantes, como por ele enviados para castigo dos
malfeitores e para louvor dos que fazem o bem. Honrai a todos. Amai a
fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei” (I Pd. 2:13,14,17).
“Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes o rei, nem tampouco no mais
interior da tua recâmara amaldiçoes o rico; porque as aves dos céus levariam a
voz e o que tem asas daria notícia da palavra” (Ec. 10:20).
Às vezes as pessoas se passam por obedientes e são insubmissas. Não seja
obediente externamente e insubmisso em seus pensamentos. Obedeça em
submissão! Estes dois princípios precisam caminhar juntos!
BELEMITA
O interessante é que a segunda característica é uma continuação da
primeira. Davi era belemita, ou seja, vinha das terras de Belém. Ele tinha um
lugar específico de origem.
Como é interessante ver como Deus fez as coisas de modo tão perfeito. O
povo de Israel era dividido em tribos, de acordo com sua descendência. Ninguém
estava de fora. Ou a pessoa era de uma tribo, ou de outra, ou de outra. Do
contrário, ele era um estrangeiro. Mas os de Israel tinham tribo. Sem exceção!
O cristão deve ter uma tribo. Sim, somos todos o Corpo de Cristo. Sim,
somos todos comprados pelo mesmo Sangue. Mas devemos ter um lugar onde
somos plantados, onde criaremos raízes e produziremos frutos (e ali, teremos
uma liderança sobre nossas vidas).
“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os
que estão plantados na Casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na
velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes, para anunciarem que o
Senhor é reto; ele é a minha rocha, e nele não há injustiça” (Sl. 92:12-15).
Se quisermos dar frutos, precisamos estar plantados, enraizados em um
lugar específico.
Mas hoje vejo pessoas que não se decidem por uma tribo, um local para
crescerem. Pessoas que, a cada dia, estão em um lugar diferente. Não estou
falando sobre ministério itinerante, missionário ou coisas parecidas. Eu mesma
lidero um ministério de louvor itinerante. Mas nesse grupo prezamos pela igreja
local, prezamos pela respectiva ‘tribo’ de cada um. Apesar de sermos de igrejas
diferentes, dentro da nossa agenda, em determinados finais de semana não temos
nenhuma programação ou ministração. Este final de semana inteiro fica
reservado para cada um estar em sua igreja, participando da Santa Ceia do
Senhor, entregando seus dízimos, se assentando para receber de sua liderança, de
seu pastor, revendo as pessoas de sua ‘tribo’, testemunhando das boas coisas que
o Senhor tem feito, se alegrando, tendo comunhão, enfim, tudo o que é
necessário para o crescimento da pessoa como parte do Corpo.
O problema é que muitas pessoas nem isso fazem. Montam às vezes uma
banda, um grupo, e nunca mais voltam em suas igrejas.
Errado! Querido, se você é um destes, não falo para machucálo, mas para o
seu próprio bem. Sirva a Deus em um lugar específico. Coloque-se debaixo da
autoridade de alguém. Alguém que vai te abençoar, que vai orar por sua vida,
servindo-lhe de cobertura espiritual.
Se você observar, este já era um problema existente na igreja primitiva. O
escritor de Hebreus disse: “Não deixemos de congregarnos, como é costume de
alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se
aproxima” Hb. 10:25.
Nós devemos estar plantados. A razão para isso, é porque somente
plantados, podemos florescer. Vejo muitas pessoas que saem da igreja antes de
começarem a florescer e a dar frutos.
Que o Espírito Santo esteja sondando seu coração e lhe mostrando com
amor, como Ele sempre o faz, as áreas onde Ele ainda precisar trabalhar. Eu oro
para que o que estou compartilhando com você sirva de encorajamento para sua
vida.
QUE SABE TOCAR BEM
Alguém de repente descreve Davi como uma pessoa que sabe tocar bem!
Como isto é maravilhoso para mim! Sabe, eu tenho falado muito sobre a área de
excelência. Aonde vou tenho levado esta mensagem. Dos artigos que escrevo
para alguns websites, os que mais geram repercussão são os artigos sobre
excelência. É sobre eles que recebo mais respostas, comentários e reclamações
sobre os grupos de louvor, etc. Um, em especial, foi um artigo que chamei de
“Louvor Mal Feito”. Foi impressionante como recebi e-mails comentando sobre
os problemas que os leitores enfrentam em suas igrejas! Músicas mal arranjadas,
mal tocadas, mal organizadas, etc, etc, etc. Por quê? Por que fazemos as coisas
de Deus com tanto descaso? Por que vejo nas igrejas aonde vamos, grupos de
louvor que chegam em cima da hora, sem ao menos terem ensaiado, fazendo
tudo em cima da hora, e além de tudo, mal feito? Por que não se ensaia uma
divisão de vozes? Por que não se aprende músicas novas? Por que algumas
igrejas estão cantando todas as mesmas músicas por mais de dez anos?
Quero aqui abrir um pequeno parêntese. Por favor, entenda bem o que eu
quero dizer. Não estou aqui desprezando as músicas antigas. São canções
também nascidas no coração de Deus. Mas creio que cada geração é tocada por
Deus numa certa área, precisando ser tratada em certos aspectos. E as canções
expressam isto. Não vejo problema em manter canções antigas no repertório de
uma igreja. Pelo contrário. Existem tesouros para nós nestas músicas. Mas
acredito que é necessário haver equilíbrio. As músicas novas junto com as
antigas.
Voltando a Davi, sabe porque ele foi chamado até o palácio? Não era
porque ele era profeta. Não era por ser sacerdote. Saul não mandou chamar
alguém ungido por Deus. Ele não mandou chamar um sacerdote. “Então, disse
Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem que toque bem e trazei-mo” (I
Sm. 16:17)
Ele queria alguém que tocasse BEM! E Davi foi escolhido por ser um bom
músico. Ele estava sendo um bom mordomo de seus dons. Certamente ele já
havia tocado muito para Deus, sozinho enquanto cuidava de ovelhas. Ele havia
trabalhado seu dom. No capítulo sobre excelência falaremos disto mais a fundo.
Mas agora gostaria de dizer algo: O meu sonho, uma das coisas que eu mais
anseio ver, é o povo evangélico tocando tão bem, cantando tão bem, produzindo
músicas tão bem, que o mundo é que vai ouvir nossos CDs pra ver o que é
música boa. E não o contrário. O povo secular é que vai comprar nosso material
em busca de música de boa qualidade, de bons solos instrumentais, de boas
vozes, e de boa técnica!
Davi foi chamado para estar diante do rei porque tocava bem. Mas além de
tocar bem havia uma unção de Deus sobre a vida dele, e embora a música
maravilhosa o tenha levado lá, o propósito de Deus era maior em tudo aquilo.
Deus usou sua música apurada para entrar no palácio. Esse é o meu sonho: que a
música evangélica seja tão boa, que entre em lares de ímpios, pelo fato de ser
boa. Mas quando chegar lá, que ela cumpra o seu propósito maior: a libertação.
Isso é o que acontecia com Davi: o espírito maligno abandonava Saul enquanto
ele tocava sua harpa!
Aleluia! Usa-nos, Senhor. Ajuda-nos! Que a TUA criatividade flua em nós!
Que a música dos céus seja ouvida aqui na terra!
FORTE, VALENTE E HOMEM DE GUERRA
Essas características são interessantes: forte, valente e homem de guerra.
Sabe quantas guerras Davi tinha guerreado antes deste versículo:
NENHUMA! Se você não acreditar, olhe por si mesmo. Davi não fazia parte de
nenhum exército, não tinha ido a guerra nenhuma, mas algo havia acontecido
para que alguém (lá dentro do palácio de Saul) notasse seu potencial como
guerreiro e valente. Ele não tinha participado de guerras, mas mesmo sendo tão
jovem já tinha se mostrado valente e guerreiro.
No capítulo 17, Davi decide ir guerrear contra Golias, o gigante filisteu.
Quando ele pede ao rei para lhe autorizar lutar contra Golias, (bem depois de
tocar harpa dentro do palácio), o rei lhe pergunta se ele já tinha saído a guerrear
antes. Em resposta à pergunta do rei, Davi relata o que aconteceu certo tempo
antes deste episódio. E o que ele conta é o que provavelmente espalhou sua fama
por Israel, para que assim alguém no palácio soubesse que aquele menino era
valente, forte e homem de guerra.
“Porém Saul disse a Davi: Contra este filisteu não poderá ir para pelejar
com ele; pois tu ainda és moço, e ele homem de guerra desde a sua mocidade.
Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando
vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho, eu saía após ele e o
feria, e livrava-a da sua boca; e quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe
mão da barba, e o feria e o matava. Assim feria o teu servo o leão, como o urso;
assim será este incircunciso filisteu como um deles, porquanto afrontou os
exércitos do Deus vivo. Disse mais Davi: O Senhor me livrou das garras do leão,
e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Então disse a Davi: Vai, e o
Senhor seja contigo” (I Sm. 17:33-37).
Acredito que essas palavras dispensam comentários. Note também que
Davi teve garra suficiente para entrar numa guerra naturalmente impossível de se
ganhar. E esta garra, nem mesmo o exército inteiro teve. E de todos os detalhes,
o mais importante é que sua confiança não estava em si mesmo. Ele disse que o
Senhor o livraria, como o havia feito com o leão e o urso. Davi reconheceu sua
dependência. E isto é muito visível nos salmos de sua autoria.
“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O
Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (Sl. 27:1).
“O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia,
nele fui socorrido; por isso, o meu coração exulta, e com o meu cântico o
louvarei” (Sl. 28:7).
“Em Ti, Senhor, confio; nunca seja eu confundido. Sê tu a minha habitação
forte, à qual possa recorrer continuamente; deste um mandamento que me salva,
pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza. Livra-me, meu Deus, das mãos do
ímpio, das mãos do homem injusto e cruel, pois tu és a minha esperança, Senhor
Deus; tu és a minha confiança desde a minha mocidade” (Sl. 71:1, 3-5).
Estes são apenas alguns dos vários versículos que Davi escreveu
declarando sua confiança no Senhor.
Precisamos ser como Davi. Crer em Deus. Confiar que o Senhor nos salva.
Infelizmente todos temos esta dificuldade, que na verdade chama-se
incredulidade. Duvidamos das promessas do Senhor. Duvidamos que Ele esteja
vendo e que venha nos socorrer a tempo. Duvidamos de que Ele é fiel para
cumprir o que prometeu. Vemos pessoas na igreja que têm medo de batalhas,
medo de guerras espirituais. Davi era homem de guerra. Ele não tinha medo.
Não por ser o ‘homem melhor para a batalha’, mas por ter tido intimidade com
Deus o suficiente para conhecer quem estava ao seu lado: ‘Aquele que nunca
perdeu uma batalha’! Davi sabia em quem confiava. Esta certeza só vem quando
conhecemos por nós mesmos, e não somente de ouvir falar.
Precisamos ser adoradores guerreiros, que vão persistir, que vão ter garra
de chegar até o fim, haja o que houver.
Muitos ministros, instrumentistas, dançarinos, cantores, desistem no meio
do caminho.
“Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão.
Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a
vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo,
aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé, e: Se
retroceder, nele não se compraz a minha alma” (Hb. 10:35-38).
É claro que enfrentamos problemas, e sempre será assim enquanto
estivermos em nosso corpo mortal. Mas precisamos crer e declarar vitória.
Quando ficamos doentes, precisamos encontrar na Palavra versículos que
funcionam como uma injeção de fé, e começarmos a declará-los sobre nossas
vidas.
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes
contra as astutas ciladas do diabo. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para
que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois,
firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da
justiça, e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo
o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do
maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a
palavra de Deus...” (Ef. 6:11,13-17).
Quando nos encontramos tristes ou com vontade de desanimar, precisamos
encontrar passagens bíblicas que nos animam a seguir, e assim por diante. Nós
vencemos pela palavra. Para cada problema podemos encontrar versículos
adequados. Note algo interessante. Temos seis armas nesta armadura de Deus:
- Cingir os lombos (uma espécie de cinturão) da verdade
- Vestir a couraça da justiça
- Calçar os pés com a preparação do evangelho da paz
- Tomar o escudo da fé
- Tomar o capacete da salvação
- Ter nas mãos a espada do Espírito, que é a palavra de fé.
São seis armas que devemos ter. Mas cinco armas, destas seis, são armas
de defesa: cinturão, couraça, calçado, escudo e capacete. Somente a última arma
é uma arma de ataque. O restante é somente para se defender.
E o grande erro do cristão no geral é exatamente este: não ter a sua arma de
ataque afiada. Quantos ministros de louvor não estudam a Bíblia, a ESPADA do
Espírito. Acham que só precisam estudar salmos, estudar sobre louvor e artes na
Bíblia. Na hora da luta, temos que guerrear e neste momento precisamos ser
como Jesus, vencendo o diabo pela palavra como Ele fez: “Assim está escrito”,
“Assim está escrito”, “Assim está escrito” (Lc. 4:4,8,12).
A nossa arma é a Palavra de Deus. Nossa espada precisa ser afiada! Em
todo o tempo! Ela nos garante a vitória. As armas de defesa irão, no máximo,
nos dar um empate! Mas a arma de ataque nos garantirá o resultado vitorioso!
Aleluia!
Não precisamos ter medo de guerras. Não devemos temer em momento
algum. As promessas de Jesus são claras. Ele está conosco nisso. Ele estará até o
fim. Mas precisamos lutar. Precisamos ser fortes. Se há alguma guerra espiritual
ferrenha ao seu redor, na sua vida pessoal, na sua família, no seu ministério ou
igreja, respire fundo, revista-se da armadura de Deus e comece a guerrear. Não
perca sua batalha. Não perca seu alvo ou objetivo. Você vai vencer.
Desembainhe a espada do espírito, tenha em mãos o escudo da fé. Use a arma da
oração. Resista o dia mau. A nossa guerra não é neste mundo. A sua postura
espiritual e confiança no Senhor irão movimentar o ambiente espiritual a seu
favor. Crê somente!
PRUDENTE EM PALAVRAS
É claro que falaremos disso. Ah, a nossa língua!
Como temos um capítulo para falar mais profundamente sobre isso, quero
deixar aqui somente alguns pensamentos breves.
“A vossa palavra seja SEMPRE agradável, temperada com sal, para
saberdes como deveis responder a cada um” (Cl. 4:6).
“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe; e sim unicamente a que
for boa para a edificação, conforme a necessidade, e assim, transmita graça aos
que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o
dia da redenção” (Ef. 4:29-30).
Nós todos sabemos o versículo 30, que fala sobre não entristecer o Espírito
Santo. Mas raramente paramos para ler o versículo anterior que nos diz o que
exatamente entristece a Deus. E surpresa ou não para você, trata-se novamente
da língua.
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe; não entristeçais o Espírito
de Deus.
De acordo com essa passagem, não é um momento de louvor de poucos
minutos que entristece a Deus. Não é uma liderança que não entende louvor e
adoração. É a LÍNGUA! A nossa língua entristece o Espírito Santo!
Falaremos mais sobre isto adiante, mas o exemplo de Davi fica para nós
até hoje. Ele era alguém prudente em palavras, e como a Bíblia nos diz em Tiago
3:2 – “Porque todos tropeçamos em muitas cousas. Se alguém não tropeça no
falar, é perfeito varão, capaz de refrear todo o corpo”.
DE GENTIL PRESENÇA
Davi era alguém de presença gentil. Os outros queriam ficar perto dele.
Isso é provado no livro de Samuel, além de Crônicas e Reis. Davi não era
alguém que se isolava, evitando ficar perto de outros. Eu creio que à medida que
o Espírito Santo trabalha nossos corações, vamos amar ainda mais as pessoas.
Acredito que alguém que não consegue amar seu próximo, amar os perdidos, os
mendigos, os bêbados, prostitutas e drogados, ainda precisa passar por um
processo de quebrantamento genuíno nesta área.
Afirmo isso com certeza, pois é algo que Deus tem me mostrado, e
quebrado dentro de mim mesma. Quando somos tocados por Deus, amamos as
pessoas. E as pessoas sentem-se à vontade ao nosso redor. Como é triste ver
pessoas na igreja, que se dizem convertidas há trinta, quarenta anos, e são
carrancudas, de semblante fechado, sem a alegria do Senhor, sem conseguir dizer
um ‘muito obrigado’ ou ter um sorriso nos lábios quando (pelo menos) algo bom
acontece. Pessoas irritadiças, sem senso de humor, sem saber apreciar momentos
de comunhão. Mais triste ainda, pessoas que, com o passar do tempo, ou com a
‘fama’ da sua carreira ou ministério, não podem mais conversar com pessoas que
não conheçam.
As pessoas gostavam de estar ao redor de Davi. Davi também valorizava
relacionamentos. Quão precioso é ver nos livros do Antigo Testamento que o rei
Davi era UM com o povo, ou seja, se você quisesse encontrar Davi, você o
acharia entre o seu povo.
Ao contrário do que vemos hoje, quando pessoas se tornam ‘reis’ (leia-se
pastores, líderes, ministros), se distanciam, se separam do seu povo. Alguém já
disse que pastor precisa ter cheiro de ovelha. Eu diria que líder precisa liderar
através do exemplo. E para ser um exemplo vivo, é necessário viver no meio dos
liderados, assim como Davi!
Todas estas coisas servem para classificar alguém de gentil presença.
Existem pessoas, com as quais você conversa, em cuja vida é possível sentir a
presença do Espírito Santo, seja num simples olhar, seja num simples sorriso.
São pessoas de espírito manso, de coração doce, pessoas tratadas e trabalhadas
por Deus. Pessoas que, quando começam a falar sobre as coisas de Deus, os
olhos brilham, e você pode sentir o fogo de Deus ardendo em seu coração. Creio
sinceramente que Davi era alguém assim. Alguém que tinha histórias de
bênçãos, de vitórias e de livramento para contar. Não alguém que murmurava,
que praguejava, cuja companhia era indesejável e amizade infrutífera.
Eu quero ser alguém que espelha o caráter de Deus, até mesmo estando em
silêncio. Devemos buscar a cada dia mais sermos um reflexo claro e puro do
amor de Deus. O desejo do Pai é que sejamos o templo verdadeiro do Espírito
Santo, ou seja, pessoas que ‘carreguem’ a presença d’Ele aonde forem!
E O SENHOR ERA COM ELE
A última qualidade de Davi (e a mais importante de todas) não ficou
esquecida. Aquele servo de Saul, quando descreveu Davi, falou de várias coisas,
desde suas habilidades musicais até sua maneira de falar. Mas a característica
fundamental não foi ignorada. Aliás, nem sabemos se este servo de Saul
conhecia o Deus vivo ou não. No entanto, ele reconhece que o Senhor, o Deus
dos Exércitos, era com Davi. E esta é a chave de toda a nossa vida, de todo o
nosso ministério, de todos os nossos sonhos.
Nada é mudado se apenas soubermos tocar bem! Nada é mudado se apenas
formos prudentes em nossas palavras, ou formos valentes, perseverantes ou até
mesmo de gentil presença. O segredo é conhecer a Deus e sermos conhecidos
por Ele! Moisés é um grande exemplo para nós. Quando o Senhor lhe oferece
um Anjo para que acompanhe o povo até a terra prometida (pois o próprio Deus
já estava cansado de toda a murmuração), Moisés responde em uma fervorosa
oração:
“Então lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir
daqui. Como, pois, se saberá que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu
povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o
teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra?” (Ex. 33:15-17).
Tenho certeza de que se o Senhor tivesse feito esta oferta aos filhos de
Israel, de enviar um anjo que lhes guiasse até a Terra Prometida, eles
rapidamente teriam aceitado. Isso fica claro por todas as atitudes que eles
tiveram para com Deus durante todo o tempo no deserto. Eles queriam mesmo ir
para a terra prometida e sair do deserto. Mas Moisés conhecia a Deus. O foco
dele não estava no ‘hoje’, nem mesmo nas bênçãos ou promessas de Deus. Ele
queria mais do que isso! Ele queria o próprio Senhor Deus ao seu lado. A
presença de Deus era imprescindível, quer fosse no deserto, quer fosse na terra
que manava leite e mel. Ele, em outras palavras, diz que era melhor estar num
deserto, sem água nem comida, mas com a Presença de Deus, do que subir dali
para um lugar melhor, onde o Senhor não estivesse.
Que profundo! Que parâmetro para nossas vidas! Nada menos do que a
presença de Deus! Nada nos preenche, nos satisfaz, nos dá sentido de viver além
de conhecer ao Senhor!
Conhecer a Deus e fazê-Lo conhecido! Esse deve ser o nosso alvo!
Leia a passagem seguinte. Sei que você a conhece, mas olharemos para ela
sob outro foco.
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas
aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele
dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não
fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci;
apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt. 7:21-23). NUNCA VOS
CONHECI.
A palavra ‘conheci’, do verbo ‘conhecer’ é derivada de ‘yaha’, original
grego. Significa conhecer, perceber, distinguir, ter conhecimento, conhecer
intimamente, isto é, sexualmente. Esta palavra é empregada como conhecer na
intimidade, e aparece na Bíblia várias vezes com o sentido de relação sexual.
Quando a Bíblia diz que tal homem ‘conheceu’ a tal mulher, este verbo é
empregado. E aqui, nesta passagem, Jesus usa esta expressão para dizer o que o
Pai falará no último dia às pessoas que somente fizeram sinais e maravilhas em
Nome do Senhor. Ele dirá que nunca as ‘conheceu’, que nunca teve ‘intimidade’
com elas.
Na intimidade deste nível, ou seja, de relação sexual, sempre a vida é
gerada, quando falamos do mundo natural. Deus criou o ser humano para
procriação através da intimidade do casal. E o que Jesus quer dizer nesta
passagem é que o mesmo princípio natural deve-se aplicar à vida espiritual.
Devemos ter a vida gerada em nós, quando nos relacionamos com Deus.
Nós precisamos conhecê-lo a ponto de termos Sua vida gerada em nosso homem
interior. A verdadeira adoração é uma troca. O altar da adoração é o lugar onde
abandonamos um pouco de nós mesmos para recebermos um pouco mais de
Cristo em nós.
Quando nos relacionamos intimamente com Deus, somos transformados. A
vida é gerada, mudança é aflorada. Eu não quero chegar no último dia e ouvir o
Senhor dizendo que ‘nunca me conheceu’, que nunca gerou vida em mim,
independente de quantos dons, milagres, libertações, curas etc.

Quero que você leia novamente:

CONHECER AO SENHOR E FAZÊ-LO CONHECIDO !

E é por isso que a Presença de Deus precisa vir acima de todas as coisas.
Acima de nosso conforto pessoal, acima de nossa vida, trabalho, ministério,
igreja, família. Devemos buscar ao Senhor em primeiro lugar. O resto encontrará
o seu lugar em nós, quando estivermos preenchidos e completamente saturados
por Sua graciosa Presença! Aleluia!

QUESTÕES PARA ESTUDO

Quais são as sete qualidades de Davi, descritas pelo servo de Saul?


Você tem sido uma pessoa fiel e submissa (e não somente obediente) às autoridades em sua
vida?
Você tem valorizado sua ‘tribo’, lugar onde você foi plantado por Deus? Você tem permitido que
suas raízes se aprofundem, dando bons frutos?
Você tem desenvolvido suas habilidades artísticas (voz, instrumento, dança, pintura e outros
tipos de artes)? Você tem buscado a excelência?
Você tem sido forte, valente e homem (ou mulher) de guerra? Em alguma área de sua vida, você
tem retrocedido diante das batalhas que enfrenta? Você tem combatido o bom combate ou
freqüentemente se sente desanimado, com vontade de desistir do seu chamado? Leia Hebreus
10:39,40.
As palavras que saem de sua boca são prudentes? Se alguém filmasse sua rotina e palavras todos
os dias e projetasse este filme em sua igreja, você se sentiria em paz ou envergonhado?
Você tem sido uma pessoa de gentil presença? As pessoas desejam estar ao seu redor ou são
afastadas pela falta dos frutos do Espírito em ação? Leia Gálatas 5:16-26.
O Senhor tem sido contigo (não somente porque Ele prometeu estar – mas você tem atraído Sua
presença com uma vida de adoração)?
A vida do Senhor tem sido gerada em você?
Compare o seu dia de hoje com os de um ano atrás. Como sua vida cristã pode ser avaliada?
Você tem se santificado ainda mais ou tem deixado sua fome pela presença e Palavra de Deus se
esfriar?
Leia Apocalipse 22:11,12.

CANÇÃO SEM FIM


© Raquel Emerick Ribeiro

“Eu vim te dar meu coração


Tu tens lugar em mim
Sou Teu altar de adoração
Minha vida é uma canção que não tem fim
Jesus, toma o Teu trono de glória
Exaltado e bem alto Te erguerei
Não há outro igual a Ti, não há outro Rei que reine em mim
Tu és Soberano em meu coração, Jesus!”.
Capítulo III

Motivações

O que é essa palavra que tanto está em nossos púlpitos, pregações, canções,
e até mesmo em nossos próprios lábios?

Por que ouvimos: “Qual foi a motivação de fulano para fazer isto ou
aquilo?”, especialmente quando se trata de algo relacionado ao ministério de
louvor?
É isto que discutiremos nos próximos parágrafos. Creio que há uma
mensagem importante do Espírito Santo para sua vida à medida que você lê o
que se segue, pois é algo que realmente tem transformado, na verdade,
revolucionado minha vida.
Primeiramente, o que vem a ser MOTIVAÇÃO? Penso que muitas pessoas
têm falado esta palavra sem nem mesmo entender o que ela quer dizer... Parece
que ela é mais uma das palavras ‘em alta’ no momento.
Motivação, segundo o dicionário moderno da língua portuguesa, significa:
exposição de motivos ou causas de uma determinada ação. Motivação é a razão
da ação; é aquilo que MOTIVA-AÇÃO. Toda ação tem sua motivação, a razão
pela qual decidimos tomar aquela atitude. E como isso se aplica a nós que
servimos ao Senhor? Vejamos a importância de analisarmos nossas motivações.
Bem, em primeiro lugar, a Bíblia nos diz em Jeremias 17:9: “Enganoso é o
coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto; quem o
conhecerá?” E no versículo seguinte temos a resposta: “Eu, o Senhor,
esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um
segundo o seu proceder, segundo o fruto de suas ações”.(v.10).
Se TODA (guarde isso: TODA) ação, tem uma motivação, um motivo por
trás dela, devemos ser cautelosos e deixar que o Espírito de Deus esquadrinhe
nosso coração, sondando o porquê de nossas ações!
Qual é a sua motivação de estar no louvor de sua igreja? Qual é sua
motivação em preparar um solo ou tocar num grupo de louvor? Qual é a sua
motivação em preparar uma mensagem? Qual é sua motivação em estudar seu
instrumento ou voz? É saber mais, para que os outros te reconheçam, ou saber
mais para fazer melhor para o Reino? É para ensinar a outros, ou mostrar a eles
que você é quem sabe mais, para assim ser admirado? Qual é sua motivação de
profetizar? QUAL É SUA MOTIVAÇÃO DE BUSCAR A DEUS?
Sabe, queridos, eu não estou falando das ações em si. Algo que é certo
pode ser feito no espírito errado, com a motivação errada. Você pode compor
uma música. Você pode até mesmo profetizar. Mas qual sua motivação nisso?
Abençoar a pessoa, ou querer que ela saia falando: “Olha, fulano é uma benção!
Ele me entregou tal e tal palavra! Como aquele irmão é usado por Deus!” Qual é
o pensamento que PRECEDE sua ação? O que passa em sua mente
ENQUANTO você age?
Você pode até mesmo entrar para seu quarto para orar e para buscar
intimidade com Deus. Mas qual é sua motivação? Ter mais unção, para que os
outros falem isto de você? Qual é sua motivação de estudar a palavra de Deus? É
ver outros comentando do quanto você conhece as Escrituras, e quantos
versículos você sabe recitar? Qual é sua motivação em fazer uma linha bonita no
seu instrumento durante o louvor, ou cantar algo bonito? É para ser notado? Ou
para glorificar ao Senhor?
Meu querido, em Nome de Jesus, deixe que Deus sonde seu coração.
Deixe que Ele te mostre o que está por trás de sua ação! Ele esquadrinha o seu
coração, Ele conhece seus pensamentos.
A Palavra nos diz em Hebreus 4:12: “Porque a Palavra de Deus é viva, e
eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a
ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os
pensamentos e intenções do coração”.A Palavra diz que não devemos agradar a
homens, e sim a Deus, que prova nosso coração (ver I Ts. 2:4).
Quando observei isto um dia, pensei: qual é a divisão entre ALMA e
ESPÍRITO? Quem sabe falar até onde é alma e até onde é espírito? Existe esta
divisão? Claro que sim, e a Palavra de Deus penetra até ao ponto onde está esta
divisão. Deus discerne o que é alma e o que é espírito!
A Bíblia diz que a Palavra de Deus faz esta divisão entre pensamentos e
intenções do coração! É onde quero chegar. As motivações são sondadas pela
Palavra de Deus. Quantas vezes você ouviu uma pregação, Deus lhe tocou, e
você saiu dali sabendo que deveria mudar? Ou você simplesmente estava
orando, a sós. Ninguém estava pregando para você, mas simplesmente a
PALAVRA VIVA, o VERBO de Deus, estava presente! Jesus, sendo a Palavra,
sondou seu coração e lhe mostrou algo que deveria ser mudado.
Até mesmo as coisas certas podem ser feitas com a motivação errada.
Lembra-se dos fariseus? Davam dízimo. Mas para serem vistos por homens.
Jejuavam. Mas para serem notados. Oravam em alta voz. (Até a oração pode
cheirar mal diante de Deus, quando feita com a motivação errada!). Mas a
oração era para que os homens ouvissem, e não o Senhor.
Quero lhe contar algo que aconteceu em minha igreja. Em um determinado
culto, durante o louvor, um querido irmão nosso estava se ‘esforçando’ para
louvar. Digo esforçando, porque ele estava com o coração aberto, mas por mais
que ele tentasse, parecia como que algo no meio entre os outros músicos não
deixava com que o louvor fluísse. E todos nós sabemos quando o louvor está
fluindo. Podemos sentir e ver Deus se movendo. E naquela noite de domingo
isto simplesmente não estava acontecendo. Fechei os meus olhos, e Deus me deu
uma visão naquele mesmo momento. A visão era de um homem tapando seus
ouvidos com as mãos, como que não querendo ouvir o louvor. Seu semblante era
horrível, como se estivesse sentindo dor. De imediato pensei que era algum
espírito maligno lutando contra o louvor, mas não senti paz, não senti que era
realmente aquilo. Fechei novamente meus olhos, e vi uma harpa, linda, porém
vazia, abandonada. Foi aí que Deus falou comigo uma referência da Palavra:
AMÓS 5:21! Ele falou tão claramente comigo, que me assustei, e fui correndo
pegar a Bíblia, já que era uma passagem que não me era familiar. Não tinha a
mínima idéia do que iria encontrar pela frente! Leia abaixo!
“Aborreço, desprezo as vossas festas e nas vossas assembléias solenes não
tenho nenhum prazer. E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de manjares,
não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais
cevados. Afasta de mim o barulho dos teus cânticos, porque não ouvirei as
melodias das tuas HARPAS”.
Na hora, chamei o pastor e lhe contei o que o Espírito Santo havia me
mostrado. Ao final do culto, o ministério de louvor se reuniu, e pude
compartilhar o que Deus havia falado. Houve um momento de arrependimento
entre todos nós, oração, e conserto com Deus.
Este é o doce tratamento do Espírito Santo!
Espero sinceramente que possamos analisar nossas motivações antes de
chegarmos ao ponto onde Deus não irá ouvir nosso louvor, ou nossa oração. Que
possamos deixar com que nossas motivações sejam purificadas pelo Sangue de
Jesus para estamos diante Dele irrepreensíveis (ver Judas 24).
Eu oro para que você possa, a partir de hoje, antes de qualquer ação, dar
ouvidos à voz do Espírito Santo, que discerne suas intenções e motivações.
Receba esta palavra com muito amor, em Nome de Jesus!
“Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros.
E assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; e purificará os filhos de
Levi [levitas], e os refinará como ouro e como prata; então ao Senhor trarão
justas ofertas. Então, a oferta de Judá [louvor] e de Jerusalém será agradável ao
Senhor, como nos dias antigos e como nos primeiros anos!” (Ml.3:2-4)
UMA PALAVRA SOBRE HUMILDADE
Não poderia finalizar este capítulo sem deixar de falar sobre este tópico tão
forte e tão necessário principalmente no meio dos músicos.
Sempre achei a área da música um tanto quanto perigosa. Talvez pareça
estranho ler isto, mas é verdade. Os dons e talentos da pessoa sempre estão
expostos. As habilidades estão visíveis, expostas, ‘à mostra’ (se é que você me
permite colocar desta forma), mesmo que seja à mostra para a glória de Deus,
ainda assim não deixam de estar em um lugar de evidência!
Daí o problema: muitos músicos começam a se achar os ‘bons’, ou ‘os
donos do pedaço’, como se tivessem de ser notados, observados, admirados...
Infelizmente (ou felizmente) a vida cristã diz o contrário. O chamado para
estar na obra de Deus é um chamado de MORTE.
Achamos muito linda a imagem que nós mesmos criamos em nossas
mentes sobre o Santo dos santos e o que nele existiu. Cremos que era um lugar
onde a glória de Deus residia, onde a presença de Deus habitava, diante da qual
o sacerdote deveria comparecer. Achamos que este deve ser nosso alvo como
adoradores!
Sim, este deve ser nosso alvo: contemplarmos a glória de Deus. Mas existe
um grande ‘porém’. Existe um caminho a se percorrer antes de chegarmos no
‘Santo dos santos’.
Sabe, amado leitor, precisamos entender o princípio do Tabernáculo de
Moisés. Somente depois de entendermos todo o caminho necessário até o Santo
dos santos, poderemos compreender o que o Senhor quer de nós.
O Tabernáculo de Moisés (e nem o Templo de Salomão), que tanto falamos
como uma figura da adoração completa não começava com o Santo dos santos,
como nós gostaríamos que fosse. O Santo dos santos era parte do Tabernáculo
sim, mas era a parte mais interior dele. Era na verdade a última repartição.
Se hoje você estivesse diante das portas do Tabernáculo, e as abrisse, sabe
o que você encontraria? Você não veria músicos, não veria a cena do ‘louvor’ da
sua igreja, todos felizes, entoando louvores ao Senhor, celebrando, ou coisa
assim. Você veria uma adoração que acontece de outra forma. A adoração que
precisamos conhecer! A adoração expressada em forma de sacrifício!
Ah, se você abrisse tais portas! Você se depararia com um grande e
expressivo altar, o chamado ALTAR DO SACRIFÍCIO! Este era o primeiro
instrumento do Tabernáculo. Neste altar, animais eram mortos. A vida e o futuro
deles era entregue por causa da adoração.
E o som neste altar? Bem, acho que não ouviríamos canções alegres. Não
ouviríamos sons harmoniosos, equipes de louvor bem ensaiadas com todas as
variedades de instrumentos! Ouviríamos o grito destes animais sendo imolados,
sendo entregues à morte, sendo sacrificados; o som agudo de animais relutantes.
Este era o som que ouviríamos no Tabernáculo da adoração. Ouviríamos quando
entrássemos.
E maior ainda será a surpresa se estudarmos o Pentateuco, pois
descobriremos que este instrumento de morte é o maior de todos os objetos que
havia dentro do Tabernáculo, em termos de medidas de tamanho. Creio que a
Igreja verdadeira, a Noiva que Jesus procura é aquela que está disposta a se
achegar ao Altar do Sacrifício, pois no altar do sacrifício é que entendemos a
Cruz!
Não a cruz de Cristo, que representa a salvação, mas a NOSSA Cruz, onde
Cristo não é somente Salvador, mas também Senhor!
E é neste mesmo altar (que é a nossa cruz) que precisamos crucificar
algumas coisas: nosso egoísmo, nosso orgulho, nossa vontade própria, nossa
auto-suficiência, nossos desejos maus, nossos pensamentos incrédulos, todas as
obras da carne e tudo o que não agrada a Deus! Inclusive a vontade de ser
reconhecido musicalmente para glória própria! São estes os animais, são estas
bestas-feras que precisam ser sacrificadas, levadas para esta CRUZ, para este
ALTAR!
Você acha que o preço é alto demais? Jesus disse que deveríamos tomar a
nossa cruz a cada dia. O preço da cruz é consideravelmente menor se comparado
ao preço da glória! Ele sabe o que veremos no Santo dos santos! Esta é a
recompensa. Mas antes da glória, o fogo! O fogo do altar! A morte para o eu!
Em um trabalho de Seminário, o meu professor de canto escreveu algo que
realmente me chamou atenção, por ser tão verdadeiro. Com a permissão dele
transcrevi abaixo:
“Sacrifício é uma palavra muito forte, principalmente porque para nós não
existe sacrifício sem morte, e, de acordo com a Bíblia, devemos nos apresentar
como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus! Daí eu me pergunto como algo
morto pode ser vivo, santo e agradável!!! (...) O fato é que precisamos morrer
todos os dias. Eu tenho visto que os músicos morrerem para o mundo não é o
grande problema, pois vejo dentro da igreja pessoas que não têm nenhum tipo de
relacionamento com o mundo. Pelo contrário, elas conseguem fugir do mundo
com uma convicção muito grande do perigo que ele representa. Mas não
conseguem morrer para si mesmos! Para um músico, talvez o ego seja o maior
dos adversários a ser vencido.”
Que verdadeiro!
Sabe, precisamos saber quem somos em Cristo, mas aí é que está o perigo:
muitos músicos têm ciência de quem são, mas não têm ciência de quem são EM
CRISTO. Acham que podem tudo sozinhos, e que não precisam TOMAR A
SUA CRUZ A CADA DIA para seguir a Jesus! Somos totalmente dependentes
Dele!
O apóstolo Paulo fala com uma clareza incrível quando diz:
“Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido?
E, se o recebeste, porque te vanglorias, como se não o tiveras recebido?” (I
Coríntios 4:7).
Isaías completa: “povo que diz: Fica onde estás, não te chegues a mim,
porque sou mais santo do que tu” (capítulo 5 verso 5).
Por que não tomamos para nós o exemplo de pessoas que tiveram a
humildade presente em suas vidas? Deveríamos nos inspirar em Jesus, nosso
maior exemplo, e também em homens como o apóstolo Paulo, que soube
reconhecer sua dependência total no Senhor Jesus!
O que mais me chama a atenção é o fato de que ele trilhou o caminho da
humildade. Eu creio firmemente que ele foi usado por Deus de forma tão
maravilhosa por saber reconhecer que tudo vinha Dele, e não de si mesmo! Este
é o segredo: reconhecer e depender!
Veja como ele percorreu esta caminhada ao longo do tempo.
Em I Coríntios 15:9, Paulo disse: “Porque eu sou o menor dos apóstolos,
que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de
Deus”. Observe algo: o livro de I Coríntios foi escrito no ano 56.
Em Efésios 3:8, ele diz: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada
esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de
Cristo”. Observe também: este livro foi escrito no ano de 60 ou 61.
Em I Timóteo 1:15, uma das últimas cartas que Paulo escreveu, lemos:
“Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo veio ao mundo para salvar
os pecadores, dos quais eu sou o principal”. Esta carta foi escrita no ano 64.
Como é interessante vermos na vida de Paulo a sua caminhada em
humildade, em crescente dependência do Senhor. Na segunda carta que Paulo
escreve, ele diz ser o menor dos apóstolos. Quatro ou cinco anos depois, ele não
mais se considera o menor dos apóstolos, mas sim o menor dos santos! Deus
havia trabalhado sua vida para que ele fosse encontrado mais humilde, mais
dependente do Senhor! Pouco tempo antes de morrer, numa de suas últimas
cartas, ele não mais se considera o menor dos santos, mas o maior dos
pecadores! Como é possível, alguém que a cada dia crescia mais em Deus,
alguém que realizava mais milagres a cada dia, que fazia mais para que o Reino
do Senhor pudesse avançar, se considerar o maior dos pecadores? Certamente é
obra do Espírito Santo!
E o mesmo Espírito quer trabalhar na minha e na sua vida. Não podemos
seguir exemplos que vemos hoje, de pessoas que começam humildes e ficam, a
cada ano que se passa, mais e mais arrogantes; mais e mais orgulhosas. A cada
CD que vendem, a cada DVD que gravam, a cada livro que publicam, a cada
Congresso que ministram, exigem mais, cobram mais, se exaltam mais, são mais
amantes dos prazeres e do dinheiro.
A nós não cabe o direito de julgar, muito menos o de difamar. Este não é o
papel do verdadeiro cristão. Não quero discutir aqui este assunto. Quero que
você leve para uma aplicação pessoal. Não aponte o dedo para outros. Aponte o
dedo para si mesmo! Tudo dentro de nós precisa passar pelo altar, precisa passar
por esta cruz. Os nossos sonhos, nossas ambições, nossas habilidades e prazeres,
nosso direitos, etc. Tudo o que ostenta ambição deve ser destruído!
Precisamos seguir o exemplo de Paulo: a cada ano que se passava, embora
Deus o estivesse usando mais e mais, e milagres maiores eram feitos por meio de
sua vida, isso não era motivo para que ele se orgulhasse de ser apóstolo. Quanto
mais eu e você caminharmos com Cristo, mais entenderemos nossa maior
dependência Dele, e que se o Espírito Santo não trabalhar nosso caráter, a
natureza humana nos envenenará com o veneno chamado ORGULHO. E este é o
perigo. A Palavra nos aconselha:
“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus” I Pedro 5:6
“Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” Tiago 4:7
Que o Senhor encontre abertura em nós para trabalhar em nosso caráter!

QUESTÕES PARA ESTUDO

Defina MOTIVAÇÃO.
Qual tem sido sua motivação para estar no ministério de louvor de sua igreja? Conceitue com
clareza, sem rodeios.
Deus tem recebido suas motivações independente de suas ações? Leia novamente I
Tessalonicenses 2:4.
Qual era o primeiro objeto encontrado portas adentro do Tabernáculo de Moisés? O que este
objeto simboliza? Leia Êxodo 27:1-8 e 38:1-7.
Você tem andado em humildade perante o Senhor? Leia e medite em Miquéias 6:8.

CANÇÃO DO CÉU
© Raquel Emerick Ribeiro

“Eu serei quem o Pai procura


Cantarei Tuas obras entre os povos
Correrei sem olhar pra trás
Tocarei minha geração pra Ti
Faz meus pés dançarem ao ritmo da Tua canção
Afina os meus ouvidos com o tom da Tua voz
Faz meu coração bater junto com o Teu coração
E ecoar na terra a canção do céu!”.
Capítulo IV

Falando a mesma língua

M uito se tem falado sobre união. Muito já foi escrito sobre este tema. Mas
é impressionante notar que todos os volumes já publicados não
conseguiram resolver o problema encontrado nos ministérios, nos grupos de
louvor e no meio do povo de Deus em geral. Infelizmente a união tem estado em
falta na Igreja do Senhor Jesus.

Existe solução?
UNIÃO NO CORPO DE CRISTO
Será que este é um problema dos tempos modernos? Cada um se
preocupando consigo mesmo, ficando cada vez mais incapaz de observar o que
acontece ao seu redor?
Por volta de 60 anos depois de Cristo, certas igrejas também tiveram
problemas com essa área. O fator ‘UNIÃO’ parecia não estar presente entre eles.
E isto aconteceu a ponto de um apóstolo ter de escrever e enviar uma carta,
corrigindo-os severamente. A situação parecia estar tão difícil que ele chega a
usar de ironia para corrigi-los (talvez já os houvesse advertido antes; talvez não
houvesse funcionado). Estou falando das igrejas da Galácia.
Paulo disse:
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis a
liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.
Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede
que não sejais mutuamente destruídos.” (Gl. 5:15).
A última frase sempre me chama a atenção: “Se vós, porém, vos mordeis e
devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos”. Paulo
precisou falar ironicamente!
Mas infelizmente isto é verdade ainda hoje. Ministros brigando com
ministros. Cantores brigando com instrumentistas e vice-versa. Sem contar com
os comentários deste tipo: “Se fulano for cantar, eu não canto!” “Se fulano tocar
no meu lugar, eu nunca mais faço parte do louvor!” “Se o pastor mudar o líder
de louvor, eu saio da igreja”, “Se eu não for o líder do ministério a coisa não
anda”, etc. Tenho certeza absoluta de que algum comentário desse gênero você
já ouviu.
É claro que somos seres humanos, erramos e somos falhos. Mas não vemos
esse tipo de atitude na vida de Jesus. Aliás, os discípulos tinham tais tendências,
mas em todas as ocasiões, Jesus os repreendia. Uma das passagens marcantes é
quando Jesus lava os pés dos discípulos e diz:
“Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra
vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre
e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei
os pés, vós devíeis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o
exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Se sabeis estas coisas,
bem-aventurados sois se as fizerdes” (Jo. 13:12-15,17).
Jesus não nos chama para simplesmente ‘aturarmos’ as pessoas que estão
ao nosso redor. Jesus nos diz para SERVIRMOS uns aos outros, lavarmos os pés
em sinal de comunhão e submissão.
Todos nós gostamos do Salmo 133 - “Oh! Quão bom e quão suave é que os
irmãos vivam em união” - mas raramente queremos viver esta verdade.
Fico triste ao ver irmãos cantando canções de comunhão tão abençoadas,
como por exemplo, “Corpo e Família”, mas sem conseguir sequer olhar para
quem está assentado ao seu lado. Cantamos canções como esta do nosso amado
irmão Daniel de Souza, que dizem: “Somos corpo, e assim bem ajustados,
totalmente ligados, unidos, vivendo em amor. Uma família, sem qualquer
falsidade, vivendo a verdade... Uma família, vivendo o compromisso do grande
amor de Cristo, EU PRECISO DE TI, QUERIDO IRMÃO, PRECIOSO ÉS
PARA MIM...”.
Talvez você já pensou logo após ter cantado esta música: “Meu Deus,
quem dera se aquela irmã não fosse desta igreja” “Quem me dera se aquele
irmão não me conhecesse”. Será que Jesus agiria assim? Você consegue
imaginar Jesus evitando as pessoas, fingindo não conhecê-las?
Analisemos o Salmo 133.
“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o
óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que
desce à orla de suas vestes. Como o orvalho de Hermom, que desce sobre os
montes de Sião porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.
Se você, como eu, tem buscado a unção de Deus, o óleo do Espírito Santo,
este é o caminho! Precisamos ser mais unidos uns com os outros.
É uma análise simples e fácil de se fazer. No versículo dois lemos que “é
como o óleo precioso”. Poderíamos fazer a pergunta: “O que é como o óleo?”.
O versículo primeiro nos responde: “Que os irmãos vivam em união”.
Para sermos ungidos, temos que viver a vida de Cristo:
1. “Cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Fp. 2:3)
2. “De sorte que haja em nós o mesmo sentimento que houve também em
Cristo Jesus que... esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fp. 3:3-
4)
3. “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos
outros” (Jo. 13:35)
4. “E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender,
perdoa-lhe”(Lc. 17:3)
5. “E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra
alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.
Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não
perdoará as vossas ofensas” (Mc. 11:25- 26)
6. E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse
tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não
perdoardes, cada um a seu irmão” (Mt.18:34-35)
7. “Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos
amemos uns aos outros” (I Jo. 3:8)
8. “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (I Jo.
4:8)
9. “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não
viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu
irmão” (I Jo. 4:20-21)
Se quisermos que o versículo 3 deste capítulo se cumpra em nossa vida,
precisamos colocar em prática o versículo 1: ser unidos. A nossa vida precisa
estar tão fundida com a do nosso irmão a ponto do Senhor Deus poder olhar dos
céus e ver somente uma imagem: UM SÓ CORPO!!!
Existe uma promessa para a nossa união: “ali o Senhor ordena a bênção e a
vida para sempre”.
O resultado é simples: VIDA e BÊNÇÃO.
E não somente uma vida qualquer, mas a vida do próprio Deus!
Não estou me colocando em postura de julgar nada ou ninguém, mas não
sabemos até que dimensão nossas vidas são influenciadas por não resolvermos
situações que nos separam. No entanto, existem chances de muitas bênçãos que
tanto aguardamos das mãos de Deus, não serem liberadas por não termos nosso
coração limpo nesta área da união.
Estas são apenas algumas passagens que resolvi citar, embora existam
muitas outras sobre este princípio. Espero que você dê ouvidos ao Espírito de
Deus – que é Santo – e resolva ainda hoje perdoar a todos que lhe ofenderam.
A LÍNGUA DO MÚSICO
Músicos, dançarinos, pessoas que trabalham com artes são geralmente
melancólicos e perfeccionistas. A pessoa que lida com o perfeccionismo tem
problemas com criticismo. Ela se sente no direito de criticar outras formas de
música, de dança, de pintura, de artes em geral. Mas em todo o momento
devemos guardar nosso coração, pensamento e língua.
Na verdade a ciência nos explica que pessoas extremamente críticas são
extremamente inseguras. Precisam diminuir outros para se sentirem afirmados.
Muitas vezes a pessoa crítica pode não ser a ‘melhor’, mas ela faz isto para não
se sentir inferior.
Vejamos alguns detalhes que a Bíblia deixou para nós, como sabedoria,
como pedras preciosas para nossa vida cristã.
1. “A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos
perversos” (Pv. 10:11)
2. “Na multidão de palavras não falta pecado, mas o que modera os seus
lábios é sábio” (Pv. 10:19)
3. “Os lábios do justo apascentam a muitos, mas os tolos morrem por falta de
entendimento” (Pv. 10:21)
4. “Há alguns que falam como espada penetrante, mas a língua dos sábios é
remédio” (Pv. 12:18)
5. “O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que abre muito os
seus lábios se destrói” (Pv. 13:3)
6. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv.
15:1)
7. “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza comerá do
seu fruto” (Pv. 18:21)
8. “Que um outro te louve, e não a tua própria boca; o estranho, e não os teus
lábios” (Pv. 27:2)
9. “Tens visto um homem precipitado no seu falar? Maior esperança há para
um tolo do que para ele” (Pv. 29:20)
10. “Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes
engana o seu coração, a religião desse é vã” (Tg.1:26)
11. “Porque quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do
mal, e os seus lábios não falem engano. Aparte-se do mal, e faça o bem; busque
a paz, e siga-a” (I Pe. 3:10-11)
Sabemos da dificuldade em guardarmos nossos pensamentos, nossa língua
e nosso coração. Às vezes pensamos que nós devemos estar no lugar de outras
pessoas e falamos mal de situações, ocorridos, pessoas, ministérios, ministros,
pastores, liderança, etc. Mas isto não é agradável diante do Espírito Santo.
Se você me permite parafrasear uma passagem da Bíblia, o farei com
reverência e temor no meu coração. Não porque acho que deveria ter sido escrito
de outra forma – por favor, me entenda bem. Mas resolvi fazer isto somente
porque já ouvimos esta mesma passagem inúmeras vezes, e acabamos perdendo
de vista o impacto que ela possui e deve possuir em nossos corações. Ao invés
de usar o termo “Enchei-vos do Espírito”, usarei o contrário.
“...mas esvaziai-vos do Espírito, falando entre vós com comentários
malignos e reclamações, murmurando e falando mal uns dos outros no vosso
coração; levantando sempre calúnias e falsas acusações, achando-se melhor do
que o próximo”.
É de assustar! Mas infelizmente este é o evangelho que muitas vezes tem
sido vivido no meio dos músicos.
Para que você entenda, a passagem da forma correta é: “...mas enchei-vos
do Espírito, falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais;
cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por
tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef.5:18b-21).
Se você observar bem, o uso de sua língua está diretamente ligado ao
processo de ser cheio do Espírito de Deus! A Palavra diz para sermos cheios
do Espírito e nos ensina como podemos fazer isto: falando em salmos, cantando,
dando graças – tudo ligado a nossa língua e nossa maneira de falar e louvar a
Deus.
Outra passagem que confirma isto é: “Não saia da vossa boca nenhuma
palavra torpe, mas só a que for boa para promover edificação, para que dê graça
aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais
selados para o dia da redenção”.
Geralmente vejo músicos usando esta passagem totalmente fora de seu
contexto. Já vi alguns usando este versículo quando o pastor diz que eles só têm
alguns poucos minutos para louvarem a Deus com música. Eles pensam: “O
pastor não pode entristecer o Espírito Santo!”.
Mas observando o contexto, entristecemos o Espírito Santo com nossa
língua, quando falamos palavras torpes, quando a nossa linguagem não é a
linguagem de Sião (mas de acordo com a linguagem do mundo), ou quando não
edificamos outros com nossas palavras. Também não encorajamos os irmãos no
Senhor, falando-lhes palavras que os façam crescer em Deus.
Se for possível, gostaria que você seguisse minha sugestão. Creio que seria
um momento de crescimento muito grande se a sua equipe de artes, dança ou
música pudesse estudar o capítulo 3 do livro de Tiago. Este é o capítulo que mais
pode falar-lhe ao coração com respeito ao uso da nossa língua. Quero deixar aqui
alguns versículos para sua meditação pessoal.
“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em
palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós
pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos
dirigir todo o seu corpo (...) Assim também a língua é um pequeno membro, e
gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo
incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está
posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da
natureza, e é inflamada pelo inferno (...) mas nenhum homem pode domar a
língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela
bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à
semelhança de Deus. De uma mesma boca prodece bênção e maldição. Meus
irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura deita alguma fonte de um
mesmo manancial água doce e água amargosa?”(Tg. 3:2,3,5,6,8-11)
Os nossos pensamentos estão ligados às nossas palavras. Isto porque, às
vezes, não falamos, mas pensamos em nosso coração. E quero deixar aqui um
único versículo sobre nossos pensamentos. Este versículo para mim se parece
com uma peneira. Se um determinado pensamento pode passar pelos requisitos
deste versículo, significa que vale a pena. Do contrário, deve ser descartado.
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto,
tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa
fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp. 4:8).
O CAMINHO É A MORTE
Precisamos morrer para nós mesmos, se quisermos verdadeiramente viver
uma vida sem egoísmo, tratados por Deus, perdoados e prontos a perdoar. Como
podemos não tropeçar no nosso falar? Como podemos ter pensamentos puros e
lábios que não falam o que não agrada o coração de Deus?
O caminho para esta vida livre é a morte. Por que a morte?
Uma pessoa que está morta tem reações? Se você vê um corpo morto,
estirado, por exemplo, no meio da rua e resolve pisar no pé deste morto, qual a
reação que ele terá?
Se você resolve dizer palavras de insulto a este morto, falando mal de sua
vida, de sua família e mencionar defeitos que este morto possuía, qual será a
reação dele? Será que ele vai ressuscitar e dizer que não gostou do que você
disse?
Se você se dirige a um corpo morto, e diz que não gosta da voz dele nem
da forma como ele canta, que não consegue aturá-lo, ele terá alguma reação? Ou
continuará morto?
Você consegue entender onde quero chegar?
O apóstolo Paulo já havia alcançado este estágio, de viver pensando nas
coisas que são do alto, de viver como morto para o mundo, de viver numa outra
dimensão. Ele disse em sua carta aos cristãos da Galácia: “Já estou crucificado
com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora
vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si
mesmo por mim” (Gl. 2:20).
“Sabemos isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que
o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Assim
também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus
em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm. 6:6 e 11).
Se nós estamos mortos com Cristo, e nossa vida está escondida em Deus,
devemos viver como quem já morreu, como quem já foi crucificado com Ele.
Não devemos ‘descer’ da cruz quando formos ofendidos. Não devemos
‘ressuscitar’ para o pecado quando ficamos irados e queremos brigar com outras
pessoas.
Lembre-se: você está morto! E morto não tem reação quando algo lhe
chateia ou entristece. Morto não exige seus direitos! Morto não é tentado! Se
ainda somos tentados pelo pecado, talvez seja porque não estamos totalmente
mortos para ele! E quando entendemos isto, encontramos a chave da vitória!
“Digo, porém, Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da
carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e
estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois
guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são
manifestas, as quais são: “adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria,
feitiçaria, inimizade, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,
invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca
das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas
não herdarão o reino de Deus” (Gl. 5:16-21).
Devemos nos apresentar diante de Deus como sacrifício. Somos sacrifício
vivo. Sacrifícios são coisas sacrificadas, coisas mortas. E o desejo de Deus é
este: “Rogo-vos, pois, irmãos pela compaixão de Deus, que apresenteis os
vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto
racional” (Rm. 12:1).
A Bíblia de louvor e adoração diz: (Praise and Worship Study Bible –
Tyndale House Publisher)
“Rogo-vos, pois, irmãos pela compaixão de Deus, que apresenteis os
vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois este é o vosso
ato espiritual de adoração”.
Nosso culto ao Senhor, nosso ato espiritual de adoração é este:
Apresentarmo-nos diante Dele, como sacrifícios vivos.
Que a nossa vida seja um eterno sacrifício vivo – mortos para o pecado,
vivendo para o Senhor Jesus! Aleluia!
FALANDO A MESMA LÍNGUA
Quando falamos a mesma língua, como Corpo, como equipe, seremos
vitoriosos. Lembra-se do óleo da unção, do Salmo 133? O princípio espiritual
desta passagem está também como que ‘escondido’ num dos capítulos do livro
de Gênesis.
“E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. E
aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e
habitaram ali. E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los
bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal. E disseram: Eia,
edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-
nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens
edificavam; E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma
língua; e isto é apenas o começo; e agora, não haverá restrição para tudo o
que eles intentarem fazer” (Gn. 11:1-6).
Você conhece o episódio da torre de Babel. O Senhor desceu e confundiu
as línguas, pois eles tentaram estabelecer o nome deles, tentaram fazer algo que
chegasse até o céu, onde o Senhor habita, o mesmo desejo que Satanás teve antes
da sua queda.
O fato de que eles estavam errados é indiscutível. Mas quero lhe mostrar
algo.
Eles estavam errados, mas o próprio Deus deixou para nós um segredo
nesta passagem, quando disse: “Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma
língua; e isto é apenas o começo; e agora, não haverá restrição para tudo o que
eles intentarem fazer”.
O povo era um.
E falava a mesma língua.
Eles tinham uma só intenção, e estavam UNIDOS em um só propósito! O
próprio Deus, o Senhor declara que TUDO o que eles quisessem fazer não seria
impedido, pois eles estavam unidos e falavam uma mesma língua.
Tanto é verdade, que Deus decidiu descer até a terra e confundir as línguas
(v. 8), do contrário, (se este elemento da união não representasse uma ameaça se
usado de forma errada) Deus os teria deixado de lado. Mas se eles usaram isso
para o mal, por que nós, cristãos, não usamos para o avanço do Reino de Deus?
Por que não nos unimos, independentemente de bandeiras denominacionais, para
fazer conhecido o Nome de Jesus?
Por que não nos unimos e falamos a mesma língua? Se estivermos unidos,
se formos um, e se falarmos a mesma língua, não haverá restrição para o que
intentarmos fazer em prol do Reino de Deus.
O próprio Jesus declara de outra forma: “Em verdade vos digo que tudo o
que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será
desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra
acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está
nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou
eu no meio deles” (Mt.18:18-20).
Jesus deixou para nós o princípio da união, o princípio de falarmos a
mesma língua. E se houver dois concordando, será feito.
A união é a chave que libera a unção de Deus sobre nossas vidas!
Precisamos falar a mesma língua!

QUESTÕES PARA ESTUDO

Defina MOTIVAÇÃO.
Você tem escolhido a união em todo o tempo?
Você tem se envolvido em conflitos ultimamente, dentro e fora de sua equipe de louvor?
Você tem resolvido essas questões, perdoando e escolhendo perdoar?
Estude com sua equipe a passagem de João 13:1-20.
No Salmo 133, o que o óleo simboliza?
Qual é o caminho para se viver uma vida pura e íntegra? Qual é o caminho para termos uma
língua purificada pelo Senhor?
Sua equipe tem falado a mesma língua? Por quê? Que solução prática pode ser dada?
Estude Tiago 3:1-12 individualmente. Em seguida, estude com sua equipe de ministério.

CORPO E FAMÍLIA
© Daniel de Souza

“Recebi um novo coração do Pai


Coração regenerado, coração transformado
Coração que é inspirado por Jesus.
Como fruto deste novo coração
Eu declaro a paz de Cristo, te abençôo, meu irmão
Preciosa é a nossa comunhão.

Somos corpo, e assim bem ajustado


Totalmente ligado, unido, vivendo em amor
Uma família sem qualquer falsidade, vivendo a verdade
Expressando a glória do Senhor
Uma família vivendo o compromisso
Do grande amor de Cristo
Eu preciso de ti, querido irmão
Precioso és para mim, querido irmão!”.
Capítulo V

Adorando a Deus em circunstâncias difíceis

A dorar a Deus quando tudo está ruim. Cantar quando não sentimos vontade
de cantar. Levantar nossas mãos quando queremos, na verdade, usá-las
para limpar nossas lágrimas de choro desesperado. Como podemos viver este
conceito? Como poderemos algum dia entender o princípio da adoração em meio
à tribulação?

Eu não posso dizer que já tenha alcançado isso, mas o Senhor tem-me
levado a trilhar por uma pequena parte deste caminho tristemente desconhecido
por muitos cristãos. Digo tristemente sim, pois a Bíblia deixa muito claro como a
aflição, a tribulação, os problemas e as dores nos fazem chegar mais perto do
Pai, como funcionam para, na verdade, imprimir mais do caráter de Deus em
nós. Existe uma igreja nos Estados Unidos em cuja porta de entrada existe uma
pedra enorme ao lado direito. Uma pedra realmente gigante, que chama a
atenção de qualquer pessoa que passar por perto. Saindo desta pedra, o líder de
louvor colocou um aviso, uma espécie de ‘balãozinho’, conforme o que vemos
em histórias em quadrinhos. Neste ‘balãozinho’ estava escrito: “Se você não
quer clamar ou adorar, deixe que eu faça isto por você”!
Que afirmação forte!!! Mas verdadeira. Quantas vezes nos calamos, e
decidimos não adorar ou clamar ao Senhor quando estamos enfrentando
situações difíceis.
Um dos versículos que quero ressaltar neste ponto é o do nosso exemplo
de adorador: Davi.
Davi faz uma declaração muito forte no Salmo 119:
“Foi-me bom ter eu passado por aflição, para que aprendesse os teus
decretos” (v. 71).
Foi bom. Como assim? Foi bom passar por momentos horríveis? Prossiga,
querido leitor. Prossiga.
LOUVOR EM MEIO À DOR
A Bíblia nos conta a história de dois homens que podem servir de exemplo
para nós. Paulo e Silas! Eu sei que você a conhece, mas vamos observar alguns
aspectos diferentes deste episódio.
Primeiramente, a prisão não foi o início de tudo. Paulo e Silas já estavam
passando por sofrimentos antes disso. Os pretores (magistrados, que na Roma
antiga executavam a justiça), já haviam rasgado as vestes de Silas e também de
Paulo, quando estes começaram a ser açoitados com vara. Se houve sangue, não
sabemos; mas certamente gerou sofrimento e agonia. Talvez não tenha doído nos
que assistiam, mas certamente doeu no coração do Pai também. E como se não
bastasse, eles foram levados para a prisão pelo carcereiro e tiveram seus pés
presos num tronco. A prisão veio depois de muitos gemidos, de muita dor.
O mais interessante é que não foi no momento inicial que a Bíblia
menciona o louvor deles. Depois de tudo, depois dos açoites, de serem levados
para o cárcere e presos em troncos, é que a Bíblia diz:
“Por volta de meia-noite”.
A Bíblia não descreve por quanto tempo eles ficaram cantando. De uma
coisa podemos ter certeza: não foi por pouco tempo. Lemos que eles foram
julgados em praça pública e, de acordo com o costume da época, esses
julgamentos geralmente aconteciam antes das 18:00h.
Mas ‘por volta de meia-noite’...
Por volta do momento mais escuro. Por volta daquele momento em que às
vezes pensamos ser o fim. Com dores, pés presos, vergões, açoites, e talvez até
mãos presas também.
Por volta de meia-noite, a Bíblia diz que eles estavam orando e cantando
louvores.
Quantas pessoas, ministros de louvor, chegam à igreja dizendo a outros:
“Você pode ministrar no meu lugar? Hoje eu não estou bem”, ou “Você pode
ministrar por mim? Eu é que estou precisando receber hoje”.
Meu irmão, quando nós precisamos mais de receber, é aí que mais
precisamos dar! É dando que se recebe, e este princípio também se aplica ao
nosso espiritual.
Como queremos experimentar mais de Deus em nossas vidas se temos
dificuldade em dominar nossa própria carne, nossa própria alma, deixando que
nosso louvor seja impedido pelas circunstâncias externas?
Quando damos, somos os primeiros a receber de Deus! Quando
precisamos receber, é aí que o Pai mais derrama. Quando estamos fracos (física
ou emocionalmente), aí é que somos fortes espiritualmente (II Co. 12:10). Este é
o verdadeiro significado de sacrifício de louvor. Paulo e Silas se deram, e a
Bíblia conta que a liberdade deles foi restaurada através do louvor deles. “De
repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão;
abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos” (Atos 16:26).
Mas quero que você observe duas coisas interessantíssimas.
1) O louvor, em meio a situações difíceis, só trará liberdade quando os outros
ouvirem o seu louvor. Sabe por que eu posso afirmar isso com tanta certeza?
Porque é assim que Deus faz. Deus permite que o povo Dele passe por certas
situações, e enquanto isso as outras pessoas ficam observando a nossa reação.
Principalmente aqueles que não O conhecem. Por quê? Para que eles possam ver
a glória de Deus manifesta, quando Deus mudar a sorte daquele que sofre. “Por
volta de meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os
demais companheiros de prisão escutavam”. Eu consigo enxergar os prisioneiros
pensando: “O que é que estes dois estão fazendo? Quando é que eles vão parar
de orar e cantar ao Deus deles?” “Não adianta; uma hora eles vão se cansar, vão
se calar e ir dormir”. Provavelmente Silas e Paulo até mesmo sofreram críticas.
Pode ser que alguém tenha gritado, ofendendo-os e blasfemando, pedindo para
que eles se calassem. Talvez alguém tenha insultado a Paulo. Quem sabe, Silas
recebeu afrontas.
E a Bíblia também não diz em que hora sobreveio o terremoto. Por volta de
meia noite, eles já estavam orando e cantando; mas não sabemos se eles fizeram
isso por uma, duas, três ou mais horas. O louvor sacrificial é o louvor que nos
livrará de nossas próprias algemas!
Quando os outros ouvirem um louvor que não faça sentido para eles, aí sim é
que uma libertação virá a nosso encontro! E o próprio Deus permite que isto
aconteça. Pessoas dizendo: “Que é isso? Você viu? Ela está cantando e louvando
a Deus mesmo depois de ter sido traída”, ou “Ele está louvando a Deus em meio
às dores de câncer”, “Eles estão louvando a Deus mesmo depois de terem seus
bens roubados”, ou ainda, “Ele está adorando a Deus enquanto o filho está
seqüestrado. Você viu?”, seja qual for a sua situação.
Os companheiros de prisão escutavam! Para quê? Para que a glória de Deus
fosse maior ao final! Para que outros testemunhassem tamanho livramento e
salvação.
2) A segunda coisa a ser observada é que a Bíblia não diz que com o
terremoto, somente as cadeias de Paulo e Silas foram soltas. A Bíblia diz que
este tamanho terremoto sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as
portas, e soltaram-se as algemas de todos.
Aleluia! As algemas de todos foram soltas! Todas as portas se abriram. As
cadeias de todos foram abertas! Por causa de duas pessoas que resolveram louvar
em meio às circunstâncias adversas! Quando louvamos em nosso momento de
‘meia-noite’, as pessoas que estão sob as mesmas circunstâncias que nós também
são libertas. O nosso louvor liberta outros que estão enfrentando os mesmos
problemas, as mesmas dores. Quantas vezes eu passei por momentos difíceis e
pensei: por que preciso passar por isso? E Deus sempre me dava músicas e dizia:
estas músicas servirão para outros. Quanto poder pode ser liberado através de
um louvor que se torna um sacrifício a Deus! Que a Igreja do Senhor Jesus se
desperte para isso!
LOUVOR EM MEIO À PERDA
Um outro exemplo muito interessante foi de um homem que viveu em
Chicago, nos Estados Unidos. Casado, pai de quatro filhas, trabalhava de
advogado. E a família resolve sair de férias, numa viagem de navio que prometia
ser inesquecível, no ano de 1873. Agora, imagine a empolgação e ansiedade da
família toda, quanto à viagem tão esperada, principalmente pelas pequenas
garotinhas (e eu consigo imaginar como elas deveriam estar ansiosas pelo
momento, assim como qualquer criança).
Porém, algo inesperado acontece: o patrão deste homem o chama para ficar
mais alguns dias no serviço, pois algumas coisas extras precisavam ser
resolvidas. Este homem, com dor no coração, diz para a esposa: “Querida, eu
não poderei ir agora, eu terei que trabalhar mais alguns dias. Vá à frente, você e
as meninas, e eu as encontrarei”. E a esposa, relutante, concorda pelo bem das
meninas e paz do marido e das tão esperadas férias.
Dois dias depois, este homem tão amável e leal a sua família, recebe um
telegrama de sua esposa. Ele o abre em desespero e consegue ler algumas
palavras rapidamente:
... naufrágio...
.... me salvei...
E ele fica aliviado, mas quando resolve ler o documento inteiro, seu
coração fica apertado outra vez:
“Meu amor, aconteceu um terrível naufrágio no navio em que estávamos.
Só eu me salvei. As meninas estão mortas. Venha me buscar”.
Como você ficaria? Não foi a filha dele que morreu. Foram AS filhas!
Quatro! Todas! Nenhuma delas havia se salvado! Como seria seu futuro?
Ao contrário do que a maioria de nós faria, este homem, chamado Orates
Gates Spafford, pegou um barco, e foi em busca de sua esposa. No momento em
que entrou no barco, em meio a tanta confusão de sentimentos, ele se aquietou, e
compôs o hino que hoje conhecemos e cantamos, sem imaginar a dor do
momento em que nasceu:
“Sou feliz, com Jesus. Sou feliz com Jesus, meu Senhor”.
Será que eu e você cantaríamos isto, meu amado? Será que teríamos a
força para fazer algo tão memorável, que tem servido de exemplo para tantas
gerações, mesmo depois da morte do próprio autor?
Ele não murmurou; pelo contrário, seguiu cantando:
“Se paz a mais doce me deres gozar; se dor a mais forte sofrer; oh, seja o
que for, Tu me fazes saber, que feliz com Jesus sempre sou.”
Será que cantaríamos isso?
Jó disse: “Eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a
terra” (Jó 19:25).
Eu sempre admirei este versículo. E no dia em que pesei na balança o
momento em que Jó o disse, passei a entender a sua profundidade e não só a sua
beleza. Jó passou por coisas que a maioria de nós nunca irá passar. Se eu tivesse
que passar por tudo o que Jó passou, sinceramente, não sei se teria tido as
mesmas reações que ele teve. Jó não esperou que tudo se resolvesse para
levantar suas mãos aos céus e dizer: “Ah! Agora eu posso louvar a Deus! Eu sei
que o meu Redentor vive!”. Não, querido leitor! Ele não disse isso no final de
tudo, quando Deus lhe restituiu todas as coisas, e tudo voltou a ficar bem! Não!
Em meio aos problemas, e sentimentos que podem ser expressos por
algumas palavras como: dor, solidão, ataques físicos, confusão, perda de
familiares e bens, posses e posição social, desespero, sentimento de abandono e
incompreensão, além de acusações e questionamentos - em meio a todas essas
coisas, antes de realmente poder ver a mão de Deus agindo novamente a seu
favor - no meio (e não no final de tudo), eu consigo imaginá-lo levantando suas
mãos, tirando força da fraqueza, e dizendo: “Eu sei que o meu Redentor vive, e
que por fim se levantará sobre a terra!”.
Que maravilha!
Sabe, meu amado, quantas vezes temos atitudes ruins para com nosso Pai.
Quantas vezes, em meio à tribulação, fechamos nossos lábios e decidimos não
louvá-lo. Independente daquilo que você esteja passando agora, abra seus lábios,
abra seu coração. Ofereça a ele um sacrifício de louvor. Ofereça a Ele algo que
lhe custe (ver II Sm.24:24).
Há alguns anos, passei por um momento difícil de minha vida, quando
Deus me fez passar por um deserto de um longo período, de cerca de três anos.
Lembre-se de que situações de deserto são criadas por Deus. É o Espírito Santo
quem nos leva lá (ver Lucas 4:1). Deus usa o tempo de deserto para falar ao
nosso coração e nos atrair para Ele.
Oséias 2:14 diz: “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto,
e lhe falarei ao coração”.
Às vezes passamos por momentos assim e dizemos em nosso desespero:
“Senhor, me tira disso. Resolve esta situação! Me tira deste deserto”. E Deus está
dizendo pacientemente: “Não, filho! Ainda não. Fui Eu que coloquei você aí.
Não vou tirá-lo! É para o seu bem, para o seu crescimento!”. E em meio a este
momento de deserto, Deus me deu uma canção que hoje vejo sendo cantada em
vários lugares do país. Mas decidi compartilhar aqui algo que nem todos que
cantam esta canção sabem.
Realmente, foi em meio a muitas lutas que esta canção nasceu. E ela ficou
meio que ‘guardada’ por um tempo, pois não senti que havia nada de ‘diferente’
nela.
No dia 23 de abril de 2003, estava indo para minha casa após um dia de
trabalho. Quando estava a três ruas de minha casa, fui abordada por quatro
homens armados, carregando pacotes de drogas. Mandaram-me assentar no
banco de trás do meu carro. Não posso negar que senti a paz do Senhor em meu
espírito, mas, ao mesmo tempo, podia sentir a presença do mal, do próprio
inimigo dentro daquele carro.
Esses homens dirigiram meu carro, comigo dentro, por cerca de 30
minutos. Creio que estavam vindo de um assalto ou algo assim, e pegaram
minha bolsa. No percurso, eu ficava imaginando: ‘eu não sei o que pode
acontecer comigo, uma jovem, num carro com quatro homens’ – provavelmente
drogados. Eu me lembro que cheguei a pensar: ‘morrer, eu sei que eu não vou,
pois as promessas de Deus não se cumpriram em minha vida ainda!”. E num
impulso (hoje eu sei que foi pelo Espírito Santo), disse a eles: “Olha: façam o
que vocês quiserem, me deixem onde vocês quiserem, mas depois de me
deixarem, procurem uma Igreja, pois a vida de vocês está nesta miséria porque
vocês não conhecem a Deus!!!”. E o homem que estava ao meu lado direito, no
banco de trás, abaixou a cabeça e me perguntou em voz baixa, como se estivesse
sentindo vergonha: “Você é evangélica?”, ao que eu respondi: “Sou sim!”.
Ele comentou envergonhado: “Minha mãe também é.”
“Você sabe que sua mãe está orando por você neste exato momento, não
sabe???” – eu disse com voz forte, como se estivesse reprovando-o por estar ali,
num assalto (com certeza impulsionada pelo Espírito de Deus, pois do contrário
não teria falado assim naquele momento).
Ele continuou de cabeça baixa, ainda mais envergonhado. Mas depois, ele
me defendeu verbalmente contra os outros assaltantes, dizendo: “Por que não a
deixamos com o carro? Ela pode nos deixar em algum lugar. Deixa que ela leve
o carro”. É claro que os outros não concordaram com a sua idéia.
Em um determinado momento, eles pararam num posto de gasolina e
pegaram os R$ 9,00 que tinha comigo. Aquele rapaz disse: “Por que você não
deixa o dinheiro dela para ela pegar um ônibus?”, ao que os outros responderam:
“De jeito nenhum!”. Mas eu vi que Deus já estava falando ao coração dele.
Sabe o que eu pensei depois desse acontecimento? O carro, o seguro irá
repor! Para glória do nome do Senhor, aqueles homens não encostaram um dedo
sequer em mim. Pegaram coisas materiais: anéis, o pouco dinheiro que eu tinha e
celular; mas nem mesmo os meus documentos eles levaram. E quando eles me
deixaram em um lugar bem longe de onde moro, me mandaram sair, e levaram o
carro. Imediatamente, saí correndo e procurando algum lugar na rodovia onde
me deixaram, e ao longe avistei um posto da receita federal. Corri até lá, e contei
a história toda. O rapaz perguntou:
– Menina? Você está normal?
– Sim – eu disse. Por quê?
– Isso não acontece no Brasil hoje em dia. Eles não fizeram nada com
você?
– Não! Nem encostaram um dedo em mim!
O policial seguiu contando que nos últimos vinte minutos tantas notícias
tinham chegado de assaltos e mortes. E pela expressão de seu rosto, ele
realmente estava admirado do que havia acontecido. Aproveitei a oportunidade e
disse:
– Você sabe o que é isso?
– Não – ele respondeu.
– É o Anjo do Senhor, que me guardou.
Ele me perguntou se eu era cristã, me dizendo que estava desviado. Eu não
perdi tempo, e falei para que ele voltasse para a igreja urgentemente.
Meus pais me buscaram onde estava, fui para casa, dormi uma noite
perturbada, sonhando e me lembrando das cenas todas. Mas no dia seguinte,
quando acordei e fui orar, liguei o som, com um Cd de adoração e me coloquei
de joelhos, mas o Senhor disse:
“Filha, desliga o som”.
Eu me levantei, meio sem entender, mas não questionei; e o Senhor falou:
“Eu quero que você cante. Cante para mim. Cante a música ‘Nada Vai’”.
Lembro-me de ter pensado: “Puxa vida, Deus. Será que não teria uma
música com uma letra mais fácil pra eu cantar num momento como este não?
Tem que ser ‘Nada Vai’?”.
Mas não demorei a obedecer... Comecei a cantar aquelas palavras, e
preciso confessar que, no início da música, fiquei meio que engasgada. E foi
difícil. Parecia que Deus estava colocando à prova a sinceridade das minhas
palavras naquela canção.
Mas à medida que eu ia cantando aquela letra, que havia também surgido
em meio a tanta dificuldade, em meio a tanta dor, eu senti que Deus estava me
provando, vendo se eu iria adorá-lo em meio àquela situação tão difícil. E eu
senti uma presença de Deus tão confortadora ao meu redor! Senti um consolo tão
grande do Espírito, um refrigério e um renovo que chega a ser difícil de traduzir
em palavras! Senti uma renovação da minha fé muito grande, e pude enxergar a
fidelidade de Deus de uma forma clara. Talvez você não consiga enxergar a
fidelidade do Senhor em alguns momentos. Mas vemos a fidelidade de Deus não
somente no que acontece, mas que aconteceria se o Pai não fosse fiel em nos
guardar e livrar! E naquela manhã, cantei ao Senhor de todo meu coração pela
fidelidade e livramento Dele, mas acima de tudo, ofereci um louvor que me
custou em meio a sentimentos tão confusos!
Amado leitor, eu não sei o que você está passando enquanto você lê estas
páginas. Mas uma coisa eu sei: É momento de você dizer: “Eu sei que o meu
Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra, sobre a minha situação!”. É
momento de você erguer suas mãos e liberar o mais alto louvor, mesmo que em
meio a traição no ministério, descrença de liderança, doença, solidão, confusão,
diagnóstico ruim, morte de familiares, etc. Não importa! Importa que Ele é
digno, e que ‘Nada Vai’ nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus,
nosso Senhor.
O MAIOR EXEMPLO DE SACRIFÍCIO DE LOUVOR
Bem, nós que trabalhamos com música na Igreja falamos tanto sobre
louvor e adoração. Defendemos com tanta garra este ministério que às vezes os
outros até se assustam. Pois um dia, eu pensei: “E Jesus?” “Será que Jesus
cantou? Será que a Bíblia fala alguma coisa sobre Jesus adorando com música?”
E fui pesquisar.
Finalmente, achei um versículo declarando que Jesus cantou. Um só
versículo. Com certeza Jesus adorou ao Pai com cânticos mais vezes, mas o fato
interessante é de que a Palavra só deixou registrado o louvor de Jesus num
momento crítico. Vamos meditar juntos.
“E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” Mateus
26:30, Marcos 14:26. Talvez não seja fácil perceber a profundidade deste
versículo, mas vamos olhar o contexto – o antes e o depois do cântico que Jesus
entoou.
É necessário que você entenda algo: o jardim do Getsêmani é parte do
monte das Oliveiras, e isto é até mesmo confirmado no evangelho de Lucas.
Jesus resolve sair da ceia onde ele estava, e ir para o monte das Oliveiras orar.
Mas a história da ceia você conhece. Jesus indica que vai ser traído, e a Bíblia
até mesmo diz que Satanás entrou em Judas (João 13:27). Mas e Jesus? Como
ele se sentiu, após declarar que seria traído, após compartilhar de como ele se
sentia, de como sua alma estava? Jesus estava celebrando sua morte. Você
consegue imaginar isto?
É como se você fosse se despedir de sua família, indo morrer, e resolvesse
ter uma ceia, e cantasse ao Senhor, louvando a Deus. E mais do que isto. Jesus
cantou após ‘celebrar’ sua morte, mas também antes de ir para o jardim do
Gestêmani. Jesus cantou após revelar que seria traído, depois do traidor se
manifestar, e antes de ir para ser torturado até a morte. Mas isto não impediu que
Jesus, após cear com os discípulos, se levantasse e cantasse um hino, uma
música de louvor, uma canção escrita por homens, em adoração ao nosso Deus!
Será que Jesus não nos serve como o exemplo maior? Aquele que sofreu o
que nunca conseguiríamos sofrer! Aquele que tomou o lugar que era nosso, a
morte que seria nossa – se levantou para adorar a Deus, pois seu louvor não era
ditado pelas circunstâncias externas.
A lição que podemos aprender não pára por aí. Você sabe que Ele se
levantou e foi para o jardim do Getsêmani, no monte das Oliveiras.
Mas sabe o que significa o nome “Getsêmani”? Sabe qual a tradução da
palavra?
Lugar do azeite ou prensa de óleo!
Não era um lugar de gozo, de regozijo em Deus, onde todos estavam
felizes, celebrando ao Senhor! Era um lugar de dor, de morte, de provação, de
teste, de tentação, de traição, de tudo o que se pode nomear de mais terrível!
Eu preciso lhe dar algumas informações valiosas, para que você entenda o
acontecimento melhor. O lugar é chamado de prensa de azeite. Você sabe como o
azeite é feito?
Existem várias formas de se extrair o azeite. A prensagem com máquina, a
prensagem com pés humanos, a manual, em vasilhas, com utensílios domésticos,
com pedras etc. O método principal é o da prensa através de máquinas. O fruto
da oliveira, a azeitona, é levado para grandes prensas hidráulicas, onde é
prensado algumas vezes, e a cada estágio o nível de qualidade é pior. O óleo
mais valioso, mais qualificado, é o primeiro óleo extraído. Este é também o mais
caro. O óleo da primeira prensagem é também conhecido como óleo virgem,
sendo que a primeira gota extraída é a mais cara de todas. O nome ‘gotamãe’, ou
‘madre-gota’ é aplicado para esta gota que se rende tão facilmente à primeira
pressão.
E Jesus, o nosso exemplo de adorador em meio a circunstâncias adversas,
nos ensina algo precioso: Ele cantou no momento mais crítico de sua vida: entre
a traição e a prensa de óleo. E quando ele foi para o lagar, ou prensa, sabe o que
Ele fez? Ele não resistiu; ele entregou a primeira gota, a madre-gota, sem resistir,
dizendo para que somente a vontade do Pai fosse feita, e não sua vontade
própria! Que poderoso! O quanto nós ainda temos que caminhar, o quanto nós
ainda temos que aprender com Cristo!

E Jesus, o nosso exemplo de adorador em


meio a circunstâncias adversas, nos ensina
algo precioso: Ele cantou no momento mais
crítico de sua vida: entre a traição e a prensa
de óleo.

E Ele foi prensado, ferido por nossas transgressões! Ele foi o verdadeiro
fruto da oliveira, prensado por nós! Ele não somente sobreviveu em meio a esses
momentos: Ele os viveu intensamente, cantando ao Pai em meio a tantas coisas,
num momento em que Ele estava ciente do seu destino: a Cruz! Por mim! Por
você!
O QUE ISTO TEM QUE VER CONOSCO?
Nosso Deus, Eloí, precisa nos fazer passar pela prensa de azeite. O óleo,
que é algo tão amargo e inútil em seu estado natural, quando pressionado e
totalmente destruído, torna-se uma fonte de vida (nutrição) e luz. Era com este
óleo que o sacerdote iluminava o candelabro todos os dias (ler Ex. 27:20).
Quando nós passamos por nosso Getsêmani pessoal, o Senhor consegue nos
refinar e nos ‘prensar’, e tudo o que é amargo é extraído de nós, trazendo à tona
a vida do óleo puro, sem resíduos do velho homem, e então a imagem do
Messias pode ser revelada em nós!
As pedras trabalham no lagar do azeite, esmagando as azeitonas. Ao
mesmo tempo Jesus, a Pedra Angular, trabalha, levando-nos ao deserto, levando-
nos a um lugar onde ficamos frente a frente com quem nós somos e com a
seriedade do chamado de Deus para nós. A Pedra é que prensa o azeite. Lucas
29:18 diz: “Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre
quem ela cair ficará reduzido a pó” (ver também Mateus 21:44).
Que possamos também cantar e adorar enquanto entregamos nosso melhor,
nossa gota-mãe ao Senhor, o óleo mais precioso de nossa adoração, o sacrifício
de louvor que não depende de nossas circunstâncias externas.

NADA VAI
© Raquel Emerick Ribeiro

“Não serão principados ou potestades


Nem a morte ou a vida, presente ou porvir
Não serão tempestades, ou perigos
Nem angústia, problema ou tribulação
Que vão me afastar do que eu tenho encontrado em Ti
Da vida abundante que Tu conquistaste pra mim
E nada vai me separar
Do amor que encontro em Ti
Nem me impedir de Te buscar
Eu quero mais de Ti!”

QUESTÕES PARA ESTUDO

Qual situação você tem enfrentado que a seus olhos parece difícil?
Qual tem sido a atitude de seu coração quanto a isso – louvor ou murmuração?
Duas coisas acontecem enquanto louvamos a Deus em meio a situações difíceis (de acordo com
Atos 16:25 e 26). Cite-as.
Qual o maior exemplo de sacrifício de louvor na Bíblia? Em que contexto este exemplo
aparece?
Separe um tempo de oração sobre este capítulo. Faça um compromisso com o Senhor de louvá-
Lo independente das circunstâncias.
Capítulo VI

Vivendo as promessas de Deus

T odos nós temos dentro de nossos corações promessas de Deus pelas quais
aguardamos. Temos palavras, visões, profecias ou, no mínimo, sonhos! E
às vezes nos deparamos com a ansiedade, com aquele desejo de que tudo se
cumpra o mais rápido possível.

Mas como já sabemos, o tempo do nosso Deus é perfeito. Ele sabe quando
estamos preparados para vivermos as promessas que Ele mesmo nos fez.
Se quisermos criar uma espécie de ‘atalho’, nada dará certo, pois, enquanto
esperamos, Deus molda nossas vidas, trabalha o nosso caráter. Quero ressaltar
que Deus está mais interessado em seu caráter do que em seu conforto!
É aí que muitas pessoas se perdem. Elas querem tanto chegar ao lugar da
promessa de Deus, tentam pular etapas e acabam frustrando-se; ou mesmo
quando alcançam o que desejam, continuam frustradas.
O processo é muito mais importante para Deus do que o produto final.
Antes de estudarmos algumas ações necessárias para vivermos os sonhos
de Deus, quero lhe dizer que eu ainda não vivi tudo o que o Senhor já me
prometeu. Também estou em momentos de espera. Mas o que aprendi esperando
algumas promessas que já se realizaram até agora é o que se aplica a cada passo.
O caminho é sempre o mesmo, porém em dimensões maiores, pois as bênçãos e
conquistas que Deus nos proporciona são cada vez maiores, exigindo cada vez
mais responsabilidade.
Então, junte-se a mim, querido adorador. Quanto mais aprendemos de
Deus, mais vemos que muito ainda nos falta!
“Quão profundas riquezas...” (Rm. 11:33).
OBEDIÊNCIA
Como não poderia deixar de ser, uma das primeiras qualidades necessárias
para sermos aprovados por Deus é a obediência. E isso é tão importante para o
Senhor, que até mesmo no mundo natural vemos como os seres humanos (feitos
à semelhança de Deus) negam algumas coisas a seus filhos naturais, quando
estes são desobedientes.
Não quero de forma alguma incitar um comportamento externo de
obediência para com Deus somente para ‘barganhar’ alguma bênção de Suas
mãos. Da mesma forma que pais naturais conseguem ‘farejar’ de longe quando
os filhos se aproximam beijando, abraçando e elogiando com intenções de
receber alguma coisa, nosso Pai Celestial também conhece o nosso coração. Ele
sonda o nosso mais profundo interior, conhecendo nossas motivações e desejos.
Nosso coração deve ser movido por amor. Obedecer a Deus não pelo que Ele
pode nos dar em troca, mas porque verdadeiramente O amamos.
As atitudes do povo de Deus no Antigo Testamento estavam tão erradas,
que o Senhor chega a ponto de exortar da seguinte forma:
“O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a
minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo?” (Ml. 1:6)
Não se deixe enganar. Em todas as circunstâncias, Deus sempre escolhe a
obediência, independente das razões que você apresentar como justificativa para
suas ações!
“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em
holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o
obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de
carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como
a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele
também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (I Sm. 15:22-23).
A questão entre obediência e sacrifícios pode parecer contraditória. Mas os
sacrifícios eram aceitos por Deus, ou, na verdade, exigidos por Deus. Mas um
sacrifício, mesmo sendo correto, não era agradável, nem aceito por Deus quando
o coração não era obediente.
Davi explica isso.
“Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor. Pois
não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os
sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e
contrito não desprezarás, ó Deus.
Então (ou seja, depois da obediência) te agradarás dos sacrifícios de
justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos
sobre o teu altar” (Sl. 51:15-17,19 – parênteses da autora).
De nada nos adianta tentar oferecer a Deus enormes sacrifícios, se o nosso
coração não quer obedecer a Ele nas pequenas coisas. Não adianta tentar entrar
para o seu quarto e orar durante horas seguidas se você sai de lá nervoso com
tudo e todos e continua a não amar a seu próximo. A vida com Deus é um todo!
E Ele a observa como um todo!
De que adianta estar no altar de Deus cantando, tocando ou dançando, sem
obedecer a Deus dentro de sua própria casa, sendo um filho ou filha
desobediente portas adentro de sua casa?
Novamente a vida de Davi nos serve de exemplo. Davi não era uma pessoa
em casa e outra totalmente diferente fora dela.
“Portar-me-ei com inteligência no caminho reto. Quando virás a mim?
Andarei em minha casa com um coração sincero. Não porei coisa má diante
dos meus olhos” (Sl. 101:2-3).
É fácil cantar ao Senhor quando nos reunimos. Mas vida cristã é realmente
ser alguém amoroso dentro de casa; é não se envergonhar do evangelho, é ser
obediente a Deus pregando a todos que nos cercam. Ser cristão é ser uma pessoa
de palavra, que honra o que promete, nunca prometendo algo que já sabe que
não irá cumprir. Ser cristão é honrar os líderes e não ser insubmisso. É guardar
os lábios de falar enganosamente. Ser obediente é a chave da aprovação de Deus
sobre nós!
UM EXEMPLO TRISTE
Vemos na Palavra um exemplo de alguém que não entendeu a importância
que Deus dá para a obediência, e que mesmo apresentando razões aparentemente
boas foi rejeitado por Deus. Saul ofereceu um holocausto perante o Senhor, que
não deveria ter sido oferecido. Ele não esperou por Samuel, o profeta. Quando
ele viu que o profeta se demorava em voltar, resolveu ‘dar uma mão’ a Deus.
Podemos perceber isto em suas palavras.
“Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: “Porquanto via que o povo
se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se
tinham ajuntado em Micmás, Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a
Gilgal, e ainda à face do Senhor não orei: e constrangi-me e ofereci holocausto.
Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o
mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria
confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; porém, agora não
subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o
seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo,
porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou. (I Sm. 13:11-14)
Quando lemos cuidadosamente esta passagem, percebemos que este era
um teste para a vida de Saul. Vemos também que ele não passou neste teste tão
importante para seu reinado. Samuel disse que, se ele tivesse obedecido, o
Senhor teria confirmado, naquele exato momento, o reino de Saul sobre Israel
para sempre. Mas naquele dia, por causa da desobediência para com algo
aparentemente simples, Deus rejeitou a Saul.
E a desculpa usada por Saul não foi reta diante do Senhor. A obediência a
Deus é mais importante do que as ‘boas intenções’. Nas coisas simples, Deus
está nos testando, nos observando. E as pequenas coisas devem servir de lição
para nós.
“Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste
fiel, sobre muito te colocarei” (Mt. 25:23).
Talvez você esteja ansioso para que as promessas de Deus se cumpram em
sua vida. Mas enquanto elas não se cumprem, seja fiel onde você está. Talvez
Deus prometeu usá-lo como um grande pregador. Mas enquanto isso não se
cumpre, aprenda, leia, estude e seja fiel onde você está. Talvez você possua um
chamado pastoral forte. Mas enquanto o dia não chega, seja fiel sendo um
obreiro, um missionário ou diácono da sua igreja. Não queira ‘pular’ etapas. Não
busque atalhos! O tempo de Deus é correto. Seja obediente. Seja fiel. Talvez
você também esteja passando por um teste, assim como Saul estava. Não deixe
sua ansiedade privá-lo do que Deus quer fazer em sua vida no futuro. Seja
obediente! Quando somos obedientes, as janelas dos céus se abrem sobre nossas
vidas. Este princípio é verdadeiro não somente na nossa vida financeira, com
nossos dízimos e ofertas, mas em todos os aspectos.
“Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dá graça e glória;
nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sl. 84:11). “Se quiserdes e me
ouvirdes, comereis o melhor desta terra” (Is. 1:19).
Novamente quero dizer que não devemos obedecer simplesmente para
sermos abençoados, mas porque somos Seus filhos; porque O amamos.
Abraão foi provado em sua obediência. Ele seria, sim, pai de muitas
nações. Mas antes do cumprimento das promessas de Deus em sua vida, ele foi
provado e obedeceu.
“Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo
para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a
quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque
considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos” (Hb.
11:17-19).
Jesus também precisou viver em obediência ao Pai enquanto esteve aqui na
terra. “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a
Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se
em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se
humilhou, tornandose obediente até a morte e morte de cruz”(Fp. 2:5-8).
Guarde o seu coração, querido leitor! A obediência é a chave que abre as
portas que Deus tem para nós. Caminhemos em obediência diante Dele!
DESCANSAR
Como é difícil aguardar o cumprimento das palavras específicas dadas por
Deus para nossa vida! A maior tentação é tentar resolver na nossa própria força,
do nosso próprio jeito. Esta tentação realmente apela à nossa carne. Esta foi a
tentação na qual caíram Abraão e Sara. Deus lhes prometeu um filho e por muito
esperar, eles tentaram fazer com que a promessa de Deus se cumprisse no
momento deles.
“Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; tendo, porém, uma
serva egípcia, por nome Agar, disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem
impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei
com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai” (Gn. 16:1,2).
Ele quis dar uma “mãozinha” para Deus, e isso nunca funciona! Na sua
vida, não tente resolver sozinho. Não tente cumprir as promessas de Deus! Quem
promete é quem deve cumprir! Ele nos dá Suas promessas, portanto Ele é quem
irá cumprir, e não nós!
“Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio” (Lm. 3:26).
Este é um assunto tão grande para ser explorado que seria material para
todo um livro. Mas há alguns tópicos interessantes que quero mencionar aqui.
A primeira característica, como disse, é a obediência. E a segunda
característica que Deus tem colocado em meu coração para que seja observada é
descansar em Deus! E descansar no Senhor anda junto com nossa obediência
para com Ele!
Mas temos um entendimento muito errado sobre o verdadeiro significado
de descansar. Acreditamos que descansar é ficar totalmente ‘parado’, ‘estático’,
‘passivo’, naquela postura de ‘o que for pra ser, vai ser’.
Descansar em Deus é entregar tudo nas mãos Dele. Mas algumas coisas
Ele mesmo espera que nós façamos. Vou explicar melhor.
Descansar é decidir não agir externamente, mas não desistir de lutar
internamente!
Decidir não agir EXTERNAMENTE: não tentar resolver com nossas
próprias forças.
Não desistir de lutar internamente: agir em fé, agir em perseverança.
Descansar é como dormir. Dormir, na verdade, é descansar fisicamente.
Enquanto dormimos, nosso exterior não age – com exceção de
sonâmbulos, mas até a ciência define isso como um distúrbio do sono – uma
pessoa normal não caminha, não telefona, não come, não toma decisões, não
muda a direção das coisas enquanto dorme. Ela simplesmente dorme. Ela
descansa! No entanto, mesmo enquanto dorme, suas atividades internas não
param: a pessoa não é simplesmente desligada na tomada; suas funções vitais
continuam em funcionamento. E o mais interessante é que ela sonha!
Internamente ela continua em atividade, embora o seu exterior esteja
descansando.
E enquanto descansa, ela continua sonhando. Só porque está dormindo não
significa que tudo é bom. Mesmo descansando, acontecem pesadelos, acontecem
sonhos, tribulações, etc.
Devemos descansar em Deus, mas isto não é promessa de que estaremos
livres das adversidades da vida. Teremos lutas a enfrentar – estaremos em
constante atividade interna, mesmo não agindo externamente!
A chave é continuar lutando (espiritualmente) enquanto descansamos. Não
adianta parar. Não podemos parar de guerrear.
Vemos um episódio na vida de Daniel em que ele precisou aguardar,
esperar em Deus por uma resposta.
(Dn. 9:1. Dn. 10:13)
Mas ele não parou em momento nenhum de orar ou jejuar. Devemos seguir
seu exemplo. Embora a resposta de sua oração tivesse sido liberada por Deus
desde o primeiro dia em que ele começou a clamar, por causa de uma batalha
travada no mundo espiritual, Daniel não recebeu sua resposta até o vigésimo
primeiro dia.
Ele poderia ter desistido de tudo e dizer: “Ah, Senhor! Vou entregar este
jejum que fiz. Já orei, o Senhor sabe do que eu preciso. Agora vou somente
aguardar!”.
Esta não é a postura de um soldado. Um soldado legítimo não abandona o
campo de batalha enquanto não vê o resultado da vitória. Enquanto há guerra,
ele permanece lá, a postos, lutando e cumprindo o seu papel.
Somos soldados espirituais (II Tm. 2:4). Nossa guerra é espiritual (Ef.
6:12). Nossas armas são espirituais (II Co. 10:4). Mas não devemos agir no
mundo natural.
Para vivermos os sonhos de Deus para nossas vidas, precisamos abrir mão
de querer resolver tudo com nossas próprias mãos; aprender a deixar tudo nas
mãos do Senhor, mas continuar em oração e lutar espiritualmente, não desistindo
das promessas do Senhor para nossas vidas, mas crendo que no momento certo,
tudo se cumprirá.
Se o Senhor lhe prometeu que você será um grande ministro de louvor
nesta nação, na sua cidade, ou um pregador reconhecido – não tente fazer com
que as coisas aconteçam. Se fizermos isto, estaremos buscando atalhos – e
atalhos podem até ser mais rápidos, mas nosso caráter só é tratado quando
percorremos o caminho completo! E o que parece lucro quando chegamos mais
rápido, nos dará muita dor de cabeça depois, por não estarmos preparados e não
sabermos o que fazer (já que pulamos todo o processo e preparação). Ore,
busque, se consagre! Mas não tente se exaltar, buscando conhecer as pessoas
corretas, os contatos ideais, enfim.
O Senhor tem a habilidade maravilhosa de promover encontros marcados
no céu para nós. Quando é o momento certo, Ele trará para nosso ministério as
pessoas corretas, nos levará a conhecer aqueles a quem tanto admiramos e com
quem tanto podemos aprender. Ele promoverá o momento em que conheceremos
aquele ‘contato’ que nós achamos tão importante – SE nós abrirmos mão de
fazermos com nossas próprias mãos.
É difícil aguardar! Sim, eu sei que é! Uma das promessas de Deus para o
meu ministério se cumpriu há pouco tempo, mas levou seis anos para se
concretizar. Seis anos não são seis meses! Foi um tempo de muitas lágrimas,
muitos sonhos, muita oração!
Mas eu tenho certeza de que não movi nada com minhas próprias mãos!
Como foi maravilhoso há algum tempo atrás poder olhar para meu passado e
dizer com tamanha alegria e fé: “Eu consegui! Eu venci! Eu soube esperar até
este momento em que o Senhor cumpriu suas promessas! Eu não fiz os meus
planos, mas aguardei os planos e o tempo do Pai para que a vontade Dele se
fizesse em mim!”.
Esta é a melhor sensação do mundo após um longo momento de espera –
sensação de vitória!
SEM QUESTIONAMENTOS
Eu me lembro de um dia estar num momento de louvor e, quando abri
meus olhos em direção a um ministro grande amigo nosso, o Senhor me deu uma
visão de um enorme ponto de interrogação sobre sua cabeça, e Deus começou a
ministrar ao meu espírito algo que devia falar com ele depois. Ao fim daquele
momento de louvor, me aproximei dele e falei tudo o que o Senhor tinha
colocado em meu espírito – Deus estava chamando-o a confiar mais! Deus sabia
que havia muitos questionamentos em sua mente, mas ele não deveria estar com
tantas perguntas assim; Deus disse para que ele se tornasse como uma criança. E
a criança, quando seu pai a convida para ir ‘ali’ junto com ele, ela não questiona
‘onde é o ali’. Ela simplesmente vai, porque sabe que está segurando a mão do
pai, e o pai sempre sabe de tudo!
Eu aprendi também com este acontecimento. Temos que ter fé como de
criança – crer que Deus conhece tudo e que Ele cumprirá suas promessas no
momento devido.
Descansar em Deus significa confiar absolutamente nEle e não buscar
conselhos de homens nem confiar na própria habilidade, dom ou talento;
descansar é seguir o conselho perfeito do Senhor.
“Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de
mim; e que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu espírito... Que
descem ao Egito, sem pedirem o meu conselho; para se fortificarem com a força
de Faraó, e para confiarem na sombra do Egito. Porque a força de Faraó se vos
tornará em vergonha, e a confiança na sombra do Egito em confusão... Porque o
Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; por isso clamei acerca disto: NO
ESTAREM QUIETOS SERÁ A SUA FORÇA... Porque assim diz o Senhor
Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na
confiança estaria a vossa força... bem-aventurados todos os que nele esperam...
Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro, e se estribam em cavalos; e têm
confiança em carros, porque são muitos; e nos cavaleiros, porque são
poderosíssimos; e não atentam para o Santo de Israel, e não buscam ao Senhor...
Porque os egípcios são homens, e não Deus; e os seus cavalos, carne, e não
espírito; e quando o Senhor estender a sua mão, tanto tropeçará o auxiliador,
como cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos... Senhor, tem
misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã,
como também a nossa salvação no tempo da tribulação” (Isaías 30:1-3,7,15,18;
31:1,3; 33:2,22).
“Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o
meu clamor!” (Sl. 40:1)
O DESERTO
Existem momentos em que o chão parece estar sumindo de debaixo dos
nossos pés. Nos sentimos como se estivéssemos sem rumo, como se os céus
estivessem em silêncio, e Deus permitisse que as lutas e provações viessem
sobre nós como uma avalanche.
Se você tem se sentido assim, quero lhe dizer: “Bem-vindo ao deserto!”
Muito se tem falado sobre o deserto, mas todos sabemos como é difícil
passar por estes momentos.
Precisamos ter a consciência e certeza de que é o próprio Deus que nos
leva ao deserto, nos leva a este momento a sós com o Pai.
“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao
coração” (Oséias 2:14)
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto” (Mateus 4:1a)
No deserto somos purificados, somos moldados segundo o caráter de
Cristo. E não devemos fugir destes momentos. São situações nas quais o caráter
de Cristo é formado em nós.
Mas o resultado só virá depois de uma transformação interna. Deus nunca
resolve o exterior primeiramente. Ele sempre quer transformar o interior, nos
mudar de dentro para fora! Se não somos transformados por dentro primeiro,
mesmo que a situação se resolva, ficaremos frustrados, pois nosso interior
continua o mesmo!
Acredito sinceramente que a qualidade mais valiosa que podemos ter é um
coração aberto para os tratamentos de Deus – um coração que vê em TODO
momento uma oportunidade de crescer, de aprender. Mesmo quando vivemos
circunstâncias difíceis, precisamos entender qual lição o Senhor quer nos ensinar
através daquilo. Sempre podemos aprender algo de Deus! SEMPRE existe uma
lição! E esta é a chave.
Quando entendemos o motivo do deserto, nos deixamos ser tratados, e o
resultado vem logo! É interessante ver como isso acontece! Mas o oposto
também é verdadeiro. Enquanto não entendemos o propósito de Deus para nosso
deserto, e não nos deixamos ser moldados, aprendendo a lição que podemos,
ficaremos como o povo de Israel depois de ter saído do Egito: dando voltas!
Às vezes estamos num deserto para aprender a ter mais fé, às vezes para
sermos mais organizados. Às vezes para perdoar mais, às vezes para sermos
mais submissos mesmo quando nossos líderes não estão certos! Às vezes
achamos que é um deserto, mas na verdade são conseqüências de coisas erradas
que plantamos e precisamos, portanto, lidar com as mesmas. Cabe a nós
discernirmos o motivo pelo qual estamos passando por uma situação e
aprendermos tudo o que é necessário.
O Espírito Santo, como sempre em seu infinito amor, nos ensina todas as
coisas, nos levando a toda verdade (Jo.16:13). Leia novamente:
“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao
coração” (Oséias 2:14)
O deserto não é lugar de punição – é lugar de privacidade, onde estamos
totalmente a sós com Deus; onde estamos mais sensíveis, mais dependentes.
Nunca devemos achar que Deus está nos castigando quando nos leva ao
deserto. Ele somente faz isso porque acredita em nós, porque sabe que podemos
e devemos crescer mais!
Veja a seqüência dos fatos.
Jesus recebe uma palavra de Deus, uma aprovação do Pai (Mt 3:17).
O Espírito vem sobre Ele – a unção do Senhor (Mt. 3:17).
Logo em seguida – você já sabe – o deserto! (Mt. 4:1).
Mas quando saímos como vitoriosos, somos mais fortes, estamos firmes e
entendendo nosso propósito mais claramente! Glória a Deus!
Na escola de Deus não pulamos etapas. Ele tem os momentos e degraus
que precisamos subir e não podemos mudar a ordem!
Somos como crianças aprendendo a ler e a escrever. Quando aprendemos a
escrever a letra “A”, em seguida, não aprendemos o “J”. Aprendemos o “B”.
Não adianta querermos aprender o alfabeto inteiro. Deus sabe do que somos
capazes de suportar ou não – Ele conhece nossa estrutura e sabe que somos pó
(Sl. 103:14).
Aprenderemos o “A”, em seguida o “B”, depois o “C”, etc. Quando
erramos uma letra, não adianta tentarmos seguir – Ele nos levará a treinar aquela
letra algumas outras vezes até a aprendermos, pois Ele sabe do que iremos
precisar. Ele só faz isto por amor, pois Ele ensina ao filho que ama!
No deserto somos aprovados ou reprovados – e o resultado depende de
nós.
Que não descansemos nem nos desanimemos em nossa caminhada!
“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na
obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (I Co.
15:57-58).
O silêncio também faz parte do aprendizado. Mesmo os céus estando em
silêncio, devemos saber que Ele continua conosco – Ele nunca nos abandonará!
“Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb. 13:5b).
Seja fortalecido! Abrace as lutas, abrace os momentos difíceis como
enormes oportunidades de sermos transformados e mais parecidos com Jesus!
Deus o abençoe!

QUESTÕES PARA ESTUDO

Qual é a primeira atitude necessária para sermos aprovados por Deus?


O que Saul perdeu por desobedecer a Deus? (I Samuel 13:11-14)
Explique o conceito de descansar em Deus.
Em qual área de sua vida você tem descansado no Senhor?
Em qual área ainda precisa aprender a descansar?
Durante esta semana, leia e medite nos capítulos 30, 31, 32 e 33 de Isaías.
O que o deserto faz com nosso homem interior? Quem nos conduz a ele?
Procure explicar a diferença entre situações enfrentadas que são deserto e outras que são
simplesmente conseqüências colhidas do pecado e falta de sabedoria.
Ore com fé pedindo ao Pai que o fortaleça, assim como fortaleceu a seu Filho Jesus enquanto
este passava pelo deserto.
Busque uma revelação do Senhor como lugar de refúgio. Estude Salmos 90 e 91.

REFÚGIO
© Raquel Emerick Ribeiro

“Ó Senhor Tu tens sido meu refúgio


Meu socorro em tempos de tribulação
Quando há sombras e o caminho é escuro
Tua mão é que segura a minha mão

Quando tudo parece cair e eu só vejo a tempestade ao meu redor


Em Teus braços eu encontro abrigo
És meu refúgio
Eu me esconderei em Ti.

Ó Senhor Tu tens sido meu escudo


És a minha luz e eu nada temerei
Encontrei o esconderijo do Altíssimo
E debaixo de Tuas asas cantarei.”
Capítulo VII

Excelência

D eve ter sido maravilhoso! Fico imaginado a cena. Os súditos do rei com
os ouvidos grudados na porta da sala onde o rei descansava. Acredito que
se podia ouvir uma melodia maravilhosa que fugia, dançando, pelas frestas das
portas e janelas. O som devia tocar a alma dos que o ouviam. Não sei, quem sabe
uma cozinheira passando, ou o responsável por limpar as armaduras do rei.
Talvez alguém, dentro daquele palácio enorme, estivesse passando no momento,
sem saber que o rei havia mandado buscar alguém que tocasse bem, para que
dele fosse afugentado aquele espírito atormentador. Mas imagino a cena de
algum servo da corte real caminhando rumo a seu serviço, e, ao ouvir o som
magnífico daquela harpa, som de técnica, som de um dedilhar perfeito, de horas
de treino e estudo, mas também um som ungido de quem havia tido ‘aula’ com o
Mestre da Música; a pessoa que estivesse passando perguntaria aos guardas
quem era o músico que estava fazendo um concerto particular ao rei. O nome do
harpista era desconhecido. Talvez não havia tocado em festivais de música e
danças israelenses. Mas certamente o seu nome foi lembrado, quando o rei
precisou de alguém que tocasse bem.

A Bíblia não diz que o rei pediu para que lhe trouxessem um profeta. O rei
Saul não pediu para trazerem até ele um juiz ou sacerdote. Ele pediu um músico.
E dos bons. Ele não queria alguém ruim. Ele estava perturbado e queria ouvir
boa música. Só isso! É aí que Davi entra em cena. Alguém já o tinha ouvido
tocar. E esse alguém falou com outro alguém sobre o talento musical de Davi.
Esse comentário provavelmente passou por vários ouvidos e bocas até chegar na
sala do trono real de Saul.
Mas o que fez com que o nome de Davi fosse lembrado? Nessa ocasião ele
era simplesmente um pastor de ovelhas, ofício tão desprezado na cultura judaica.
Somente os servos, escravos ou pessoas de classe baixa exerciam esse tipo de
profissão. Mas isso não foi empecilho para que Davi fosse apreciado como
músico; ou seja, o fato de seu nome ter sido lembrado pode ser resumido em
uma só palavra – EXCELÊNCIA!
Esta foi a chave que Davi usou para, mesmo sem saber, abrir uma grande
porta. É claro que Deus poderia tê-lo usado de outra forma para chegar até o
trono. Talvez o rei estivesse precisando de uma pessoa com mente administrativa
para cuidar de alguma área que o estivesse perturbando, ou lhe trazer
interpretação de algum sonho, como foi com José e Daniel. Mas lembre-se de
que o propósito de Davi não era somente ser um rei. Deus o havia chamado para
construir um Tabernáculo onde o louvor e exaltação ao Senhor fosse possível.
Davi teve um coração de adorador. E a adoração dele foi aprimorada com muito
estudo e treino.
Não sei se você sabe, mas ovelhas são animais muito interessantes.
Quando elas estão soltas, não vão correr, fugir (a menos que exista sinal de
perigo) ou vagar. Elas vão se alimentar e passar muito tempo no mesmo lugar.
Além disso, está cientificamente provado hoje, que ovelhas não enxergam mais
que cerca de um palmo a frente de suas cabeças. E provavelmente, se Davi
andava com sua harpa, ele ficava muito tempo no mesmo lugar, observando
aquelas ovelhas comendo no mesmo pasto, dormindo, sem ir a lugar algum. Esse
tempo lhe possibilitava tocar muito, estudar muito e desenvolver tanto técnica
musical, quanto um coração que adora a Deus através da música. Talvez você
pense que isso é apenas uma suposição, e na verdade o é. Mas o fato é que Davi
era um bom músico, e para tal ele estudou, quer seja nos pastos, quer seja em
casa.
Mas hoje a vida é diferente. Os músicos que vejo nas igrejas não querem
saber de estudar. Acham que o Espírito Santo irá fluir através de seus dons mal
desenvolvidos. Não acham que Deus irá cobrar-lhes o talento não trabalhado.
Sim, eu creio que Deus nos usa no nível em que estamos. Quantas vezes eu
já vi momentos de louvor e adoração muito ungidos no meio de um grupo onde
não havia músicos, ou então onde os músicos eram iniciantes, sem muito
conhecimento. Deus nos usa no nosso nível, porém, Ele não deseja que
estejamos estagnados, parados, sempre no mesmo nível. Os talentos que Ele nos
deu nos serão cobrados um dia. Eu não quero ser encontrada como aquele servo
que escondeu o talento e não o multiplicou por falta de disciplina própria.
Temos que buscar excelência em tudo o que fazemos para o Senhor! Ele
merece o melhor de nós. Não porque queremos impressioná-Lo. Nem mesmo o
melhor cantor ou instrumentista poderia impressionar a Deus. Mas quando
damos a Ele o melhor que podemos fazer, isto mostra que nosso coração sente
vontade de oferecer sacrifícios de louvor, de dar a Ele algo que nos custe; isso
mostra a gratidão de nosso coração, além de espelhar, na verdade, uma
característica do próprio Senhor Jesus: EXCELÊNCIA!
EXCELÊNCIA NA BÍBLIA
Sempre ouvimos falar muito sobre excelência, mas o que a Bíblia diz sobre
isto? Vejamos:
Deus é excelente – “E com a grandeza da tua excelência derrubaste aos
que se levantaram contra ti”. “Ó Senhor, quem é como tu dentre os deuses?
Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando
maravilhas?” (Ex. 15:7,11).
“Atribuí a Deus fortaleza; a sua excelência está sobre Israel e a sua
fortaleza nas mais altas nuvens” (Sl. 68:34).

A Casa do Senhor deveria ser construída com excelência – “Porque dizia


Davi: Salomão, meu filho, ainda é moço e tenro, e a casa que se há de
edificar para o Senhor deve ser magnífica em excelência, para nome e
glória em todas as terras; eu, pois, agora lhe prepararei materiais. Assim
preparou Davi materiais em abundância, antes da sua morte” (I Cr. 22:5).
A grandeza de Deus é excelente – “Louvai-o pelos seus atos poderosos;
louvai-o conforme a excelência da sua grandeza” (Sl. 150:2).
O nome do Senhor é excelente – “E direis naquele dia: Dai graças ao
Senhor, invocai o seu nome, fazei notório os seus feitos entre os povos,
contai quão excelso é o seu nome” (Is. 12:4). “E ele permanecerá, e
apascentará ao povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor
seu Deus, e eles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins
da terra” (Mq. 5:4). “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto
herdou mais excelente nome do que eles”(Hb. 1:4).
A graça de Deus é excelente – “E pela sua oração por vós, tendo de vós
saudades, por causa da excelente graça de Deus que em vós há” (II Co.
9:14).
O poder de Deus é excelente – “Eis que Deus é excelso em seu poder;
quem ensina como ele?” (Jó 36:22).

Enfim, inúmeras passagens poderiam ser citadas sobre tudo o que Deus
faz, sobre a criação, sobre as obras de Deus, etc. Tudo o que Deus fez Ele disse
que era bom! Mas acredito que com estes exemplos já conseguimos ter uma
visão maior de como o Senhor Deus leva a sério a questão da excelência.
Como comentei antes, o meu sonho pessoal é que um dia a cena atual seja
o oposto. Hoje vemos muitos instrumentistas e vocalistas ouvindo CD’s
seculares em busca de qualidade musical. Infelizmente na igreja não temos o
número de músicos de qualidade assim como no meio secular. Isto é fato, porém,
meu sonho é que chegue o dia em que será exatamente o contrário: músicos não-
cristãos ouvindo os CD’s dos evangélicos, simplesmente porque o ‘CD da igreja
tal tem um guitarrista maravilhoso’, ou ‘no CD da igreja tal o baterista é o
melhor do país’ ou ‘no CD de tal igreja, o tecladista é considerado o melhor do
mundo’. Por quê? Por que isso demora tanto a acontecer? Por que nós não
tomamos a posição de resgatar a música (a boa música, a música bem feita) para
o Senhor?
Por que em tantas igrejas os violonistas só sabem tocar seu instrumento se
os tons não forem, por exemplo, Fá sustenido, ou Si bemol, ou qualquer um
diferente de Dó, Ré, Mi e Sol? Por que os tecladistas fogem de músicas em tons
mais complexos, sempre dando desculpas de que o tom da música é difícil de se
cantar, usando este argumento da mediocridade para cobrirem sua falta de
disciplina e estudo?
Na parábola dos talentos (ver Mt. 25:14 a 30), o senhor não lhes deu
somente os talentos a serem desenvolvidos. O senhor daqueles servos lhes deu
TEMPO. E este é o problema de músicos que não querem crescer. Usam tarefas,
empregos, ministérios, etc, como desculpas para falta de tempo para estudar.
Sinto muito ter que lhe dizer que, isso não é uma justificativa aceitável. Quando
é algo que nos interessa, independente de como nossa agenda estiver,
conseguiremos o tempo necessário para fazê-lo. Talvez você não tenha cinco
horas disponíveis por dia, por exemplo. Mas uma hora de sono a menos que você
tiver durante alguns meses, ou quinzenas específicas do ano, ou qualquer outra
opção, serão vitais para seu crescimento musical. Além do mais, hoje em dia é
muito mais fácil obter acesso a informações preciosas. Existe a Internet, existem
métodos, livros, vídeos, Dvd’s, etc. O fato é que o ser humano sempre corre atrás
do que lhe interessa, e o dia em que você se interessar por seu crescimento
musical, isto se tornará uma prioridade em sua vida. Sinto muito se estas
palavras o ofendem, mas infelizmente são poucas as pessoas na Igreja que têm
coragem de dizer algo dessa forma, e acho que isso acarretou tanta mediocridade
musical em nosso meio. Que bom seria se tivéssemos mais pessoas lutando pela
excelência.
Não estou condenando alguém que está iniciando. Como disse, Deus nos
usa no nível em que estamos. Mas isto não é desculpa para que não passemos a
um outro nível. Não é desculpa para ficarmos estagnados. O problema não é o
quanto você sabe hoje. O problema é se você, ano após ano, continua no mesmo
nível de conhecimento musical.
Eu comecei a estudar piano com seis anos de idade. E é lógico, tenho
consciência de que ainda há muita coisa que preciso aprender. Ninguém é
perfeito, e sempre existem coisas a aprimorar. Tenho muita consciência de meus
pontos fracos musicalmente falando, e tenho trabalhado neles. Mas para chegar
onde estou (e reforço que ainda falta um longo caminho) muitas horas de estudo
foram necessárias. Muitas e muitas horas de escalas, exercícios de independência
para os dedos, exercícios de velocidade, de interpretação, livros, métodos,
clássicos, partituras, cifras, incontáveis horas ouvindo CDs, analisando,
estudando, cifrando, transpondo, etc. Sei que se não fosse por isso Deus não me
teria confiado momentos preciosos que eu vivi, tocando para ministros
mundialmente conhecidos, como Ron Kenoly, Bob Fitts, Paul Baloche, Keith
Hulen, sem mencionar os nomes nacionais.
Minha intenção não é lhe oferecer um ‘curriculum’ extenso, falando de
nomes e pessoas importantes. Minha intenção é, com sinceridade em meu
coração, encorajá-lo a encarar seu estudo musical com seriedade e diligência.
Meu desejo é que você possa ‘ir além’ como músico. Meu sonho é que você
contribua para o crescimento da música do Reino de Deus!
Isto só será feito com muitas horas de treino e prática.
Quando estudei no ‘Christ For The Nations’, em Dallas, Texas, eu tinha
que estudar no mínimo duas horas e meia por dia. Mas as peças que meus
professores me passavam eram tão difíceis que muitas vezes eu ficava mais de
quatro horas estudando, e, antes das provas com a banca avaliadora, me lembro
de ter estudado várias vezes até seis horas no meu instrumento. Mas foi de
intenso crescimento para mim! Hoje dou graças a Deus por ter crescido muito, e
também por ter compreendido o princípio de que devemos ser bons mordomos
de nossos dons, desenvolvendo-os ao máximo até que o Senhor retorne! Abrace
seu dom, abrace seu chamado! É uma aventura e tanto! Vale a pena!
“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec.
9:10).
“Viste o homem perito (diligente) em sua obra? Perante reis será posto;
não permanecerá entre os de posição inferior” (Pv. 22:29).
“Disse Davi aos chefes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, os
cantores, para que, com instrumentos músicos, com alaúdes, harpas e címbalos
se fizessem ouvir e levantassem a voz com alegria (...) Zacarias, Aziel,
Semiramote, Jeiel, Uni, Eliabe, Maaséias e Benaia, com alaúdes, em voz de
soprano; Matitias, Elifeleu, Micnéias, Obed- Edom, Jeiel e Azazias, com harpas,
em tom de oitava, para conduzir o canto. Quenanias, chefe dos levitas músicos,
tinha o cargo de dirigir o canto porque era perito nisso” (I Cr. 15:15, 22-22).
“Todos estes estavam sob a direção respectivamente de seus pais, para o
canto da Casa do Senhor, com címbalos, alaúdes e harpas, para o ministério da
Casa de Deus, estando Asafe, Jedutum e Hemã debaixo das ordens do rei. O
número deles, juntamente com seus irmãos instruídos no canto do Senhor, todos
eles mestres, era de duzentos e oitenta e oito” (I Cr. 25:6,7).
Imagine que coral?! Duzentos e oitenta e oito mestres do canto, peritos no
que faziam! Posso quase que ver sua expressão: “Ah, se minha igreja tivesse um
coral como este, com todos estes instrumentos e até divisões de vozes!”.
Vamos fazer disto o nosso alvo! Vamos tomar nossa postura e inspirar
outros para que cresçam na obra do Senhor!
Excelência!

O propósito de Davi não era somente ser um


rei. Deus o havia chamado para construir um
Tabernáculo onde o louvor e exaltação ao
Senhor fosse possível. Davi teve um coração
de adorador. E a adoração dele foi
aprimorada com muito estudo e treino.

UM EXEMPLO BÍBLICO DE EXCELÊNCIA


Temos na palavra de Deus um exemplo de um rei que entendeu o poder da
excelência. Não foi o rei Davi, apesar de este ter exercido tudo o que fez de
forma excelente. Mas foi um outro rei, que na verdade, aprendeu com o rei Davi.
Estou falando do rei Salomão, seu filho. Davi conseguiu ensinar excelência a
seus descendentes.
“Tendo a rainha de Sabá ouvido a fama de Salomão, com respeito ao nome
do Senhor, veio prová-lo com perguntas difíceis. Chegou a Jerusalém com mui
grande comitiva; com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro, e
pedras preciosas; compareceu perante Salomão e lhe expôs tudo quanto trazia
em sua mente. Salomão lhe deu resposta a todas as perguntas, e nada lhe houve
profundo demais que não pudesse explicar. Vendo, pois, a rainha de Sabá toda a
sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, e o lugar
dos seus oficiais, e o serviço dos seus criados, e os trajes deles, e seus copeiros, e
o holocausto que oferecia na Casa do Senhor, ficou como fora de si” (I Rs. 10:1-
5).
Vemos aqui um exemplo de excelência. A rainha de Sabá ficou
impressionada, ficou como fora de si, ao ver tanta beleza e excelência. Ela
observou a roupa dos criados, o serviço deles, a comida excelente da mesa, o
lugar dos oficiais, seus copeiros, os holocaustos da Casa do Senhor, a sabedoria
de Salomão, a casa que este edificou, etc. E tudo isto lhe mostrou toda a
excelência dele.
“E disse ao rei: Foi verdade a palavra que a teu respeito ouvi na minha
terra e a respeito de tua sabedoria. Eu, contudo, não cria naquelas palavras, até
que vim e vi com meus próprios olhos. Eis que não me contaram a metade:
sobrepujas em sabedoria e prosperidade a fama que ouvi. Felizes os teus
homens, felizes estes teus servos, que estão sempre diante de ti e que ouvem a
tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te
colocar no trono de Israel; é porque o Senhor ama a Israel para sempre, que te
constituiu rei, para executares juízo e justiça” (v. 6-9).
O capítulo continua contando todos os presentes que ela deu ao rei
Salomão por tudo o que viu. E o rei Salomão também deu muitas dádivas,
generosamente, de acordo com tudo o que ela desejou, e ainda além.
Mas vemos em toda esta descrição do seu reinado que a excelência era um
elemento presente. Muitos estudiosos, na verdade, acreditam que a rainha de
Sabá era uma rainha pagã que não conhecia ao Deus vivo. Mas o que me
impressiona é a declaração que ela fez no início do versículo 9:
“Bendito seja o Senhor, teu Deus”. Ela louvou ao nosso Deus quando seus
olhos viram tudo o que Salomão tinha feito. A excelência de Salomão fez com
que ela louvasse a Deus!
Esse é meu desejo! Creio que os ímpios podem vir a conhecer a Deus,
quando abrirmos a porta da excelência em tudo o que fizermos.
Que esta palavra seja impressa no seu coração. Que nós não façamos a
obra do Senhor de qualquer forma, relaxadamente, mas que possamos refletir o
nosso Deus como Ele é: um Deus excelente, criativo, detalhista, que completa
tudo o que inicia, e tudo o que Ele faz é bom!
Não se acomode com pouco. Não aceite a mediocridade. Busque a
excelência e seja a inspiração de outras pessoas!
E quando começarmos a crescer nesta área, que tenhamos a humildade
para reconhecer que TUDO, absolutamente TUDO vem dEle, pois dEle vem
tanto o QUERER fazer alguma coisa, quanto o REALIZAR deste ‘querer’ que
Ele tem colocado em nosso coração em primeiro lugar!

QUESTÕES PARA ESTUDO

Cite os atributos excelentes de Deus.


Busque excelência em tudo o que faz, não somente no ministério de música. Durante as
próximas semanas, seja um aluno excelente, um profissional excelente em seu emprego, um
membro de sua família excelente, um cidadão excelente, etc. Procure refletir a excelência de Cristo
no seu dia a dia.
Cite alguns personagens bíblicos que viveram em excelência.
Leia os próximos capítulos com atenção. Identifique as dicas práticas de excelência e
implemente-as em sua equipe, adaptando o necessário.
Capítulo VIII

O conhecimento musical do ministro Vozes

C omo já tratado nos capítulos anteriores, o conhecimento musical é algo


totalmente necessário na vida do ministro de louvor, quer seja ele o líder,
quer seja um ‘backing-vocal’ ou um instrumentista.

Se você é do tipo que pensa “Ah! Sou somente o violonista da equipe. Eu
não preciso conhecer nada sobre os outros instrumentos, nem mesmo sobre
vozes” – quero encorajá-lo a mudar de opinião. Esta é uma idéia errada que
temos muitas vezes. Não deve haver lugar para a mediocridade em nossa vida,
principalmente no que diz respeito ao chamado de Deus para nós. É importante
você ter no mínimo uma boa noção de outros instrumentos, de quais suas
funções na música, suas possibilidades, etc. Da mesma forma, as vozes – os
‘prós’ e ‘contras’ de se usar um tipo de voz num determinado tipo de ritmo, suas
possibilidades, etc.
É claro que um assunto tão complexo como esse não poderia ser esgotado
neste capítulo tão resumido. Porém, decidi deixar aqui algumas sugestões.
COMO TRABALHAR COM AS VOZES
Sempre onde estou trabalhando procuro avaliar as vozes e instrumentos
com os quais posso contar. Sem uma avaliação inicial não há como ter idéia do
que é possível ser realizado. No Seminário Cristo para as Nações, onde liderei o
departamento de música durante seis anos, tinhamos uma avaliação semestral
das vozes que ingressavam no departamento de louvor. Era a nossa obrigação
classificar as vozes a fim de podermos trabalhar com segurança. Embora nossa
avaliação fosse rápida, já que precisávamos avaliar cerca de 120 pessoas por
semestre, sempre tentavamos descobrir a extensão da voz não somente para
saber em qual naipe ela se encaixaria melhor, mas também para ver o progresso
daquela voz de um semestre para o outro.
Os avaliadores recebiam um formulário que os ajudava a pensar em termos
práticos nas vantagens e deficiências de cada voz. Sempre notei que as igrejas,
em geral, não avaliam bem as vozes que estão no ministério de louvor. Avaliar
não significa simplesmente encontrar as vozes bonitas. Se você colocar alguém
em uma classificação de voz errada, poderá estar, a longo prazo, causando
grande dano àquela voz. E mesmo que você não conheça sobre divisão de vozes,
extensões, timbres, etc, poderá pesquisar e descobrir. Existem muitos livros e
artigos na Internet que falam sobre a extensão normal de uma voz feminina:
contralto, soprano, mezzo-soprano, e das vozes masculinas: tenor, contra-tenor,
barítono, baixo, e todas suas subdivisões.
Nosso alvo, como líderes no Corpo de Cristo, não deve ser ‘usar’ o dom
das pessoas. Não podemos usar o dom de alguém, de forma que ela só seja útil
enquanto estiver produzindo. Devemos cuidar das pessoas. Cuidar de seus dons.
Devemos nutrir o chamado de Deus em sua vida. Não podemos somente exigir
que trabalhem na obra, participem, cantem, ensaiem, façam muito para o Senhor,
e privá-las de serem instruídas em como melhorar e como trabalhar com saúde –
isto inclui saúde vocal também.
Uma sugestão muito interessante é convidar um profissional
fonoaudiólogo para instruir sua equipe de louvor. Muitos que atuam nessa área
são cristãos e quando vão a alguma igreja nem sequer cobram, pois têm em
mente que estão fazendo algo para a obra do Senhor com a profissão que Ele
lhes deu. Vale a pena tentar. Esta pessoa trará informações específicas sobre
cuidados com as pregas vocais e com todo o aparelho fonador, ou seja, a saúde
vocal em geral – informações, estas, que nem sempre um professor de canto tem
com tanta precisão quanto um fonoaudiólogo.
Sempre gosto de sugerir aos líderes que ouçam muitas músicas, de muitos
estilos diferentes. Primeiro porque você reproduz o que ouve. Se você somente
ouve música de qualidade ruim, infelizmente somente reproduzirá isto. Ouça
música de qualidade, instrumentos bem tocados, vozes boas, arranjos bons, etc.
Comece a estudar música – música no geral; não somente sua voz, não
somente seu instrumento. A música muda a cada década. Na verdade, a cada
dia. Mas a título de estudo, podemos ver, a cada década de forma mais gritante o
quanto a música vai sendo transformada. Hoje, até mesmo a divisão de vozes
(nomeada moderna) tem mudado muito. Nos estilos e tendências modernas (de
onde vem a influência musical que está atualmente na igreja), geralmente temos
três divisões. Não se usa mais a divisão antiga (salvo exceções), de quatro vozes
(soprano, contralto, tenor e baixo). Ainda assim, acontece muita inversão
(contraltos cantando a parte dos sopranos, sopranos cantando a parte dos tenores
e tenores cantando a parte dos contraltos em uma oitava acima). E essa é
simplesmente UMA das tendências. O ideal é você estudar vários CDs de estilos
e grupos diferentes. Muita coisa fará com que sua mente se abra para a tendência
musical, que é tão inevitável. Assim como a língua de cada país evolui a cada
dia, surgindo novas palavras, expressões e provérbios, assim também o universo
musical.
Tomei também a liberdade de incluir a avaliação que fazemos das vozes.
Fique à vontade para adaptar para sua igreja, e lembre-se de fazer esta avaliação
periodicamente, para detectar progressos ou problemas nas vozes de sua equipe.
Cuide da saúde vocal deles!

Background Vocal
(Para uso exclusivo dos avaliadores)

Nome do candidato: Turno:


escala de
1 a 10

Expressão / Presença de palco (muito importante)

Afinação

Ritmo

Qualidade - Timbre

Dinâmicas (sensibilidade, apropriação)

Expressão vocal

Habilidade de harmonizar (contraltos e tenores somente) A pessoa está



permanecendo na harmonia corretamente?
TOTAL: ___ / 70pts.
Comentários adicionais:
Indicamos o candidato para:
( ) Grupo A ( ) Grupo B ( ) Líder de naipe ( ) Coral ( ) Equipe Externa
Naipe:
Avaliado por:
Música(s) cantada(s) na avaliação:

CONHECENDO A VOZ QUE DEUS TE DEU


Tenho visto homens e mulheres de Deus enfrentando dificuldades com
relação a sua própria voz por não acharem que ela esteja no padrão de hoje em
dia. A mentira precisa ser quebrada: “NÃO EXISTE PADRÃO!” – sua voz não
precisa ser igual à do irmão ‘tal’, ou da irmã ‘tal’.
Nossa voz é como nossa impressão digital. Se você for a qualquer
profissional fonoaudiólogo, ele lhe dirá que nenhuma voz é igual a outra.
Absolutamente nenhuma! Cada voz tem sua peculiaridade, assim como nossa
impressão digital.
Deus tem um propósito especial no uso de cada voz! Posso lhe afirmar que
sua voz está diretamente ligada a seu ministério!
Uma pessoa cuja missão aqui neste mundo é resgatar almas através do
louvor (evangelista) possui uma voz diferente de alguém cujo ministério é
restauração; a voz de um ministro que tem um chamado principal na área de
louvor como arma de guerra espiritual e libertação é diferente das outras duas
citadas antes! E assim por diante! Todos nós devemos exercer o ministério de
forma completa, mas temos chamados e focos específicos vindos de Deus – e é
nisso que devemos nos ancorar no que diz respeito a nossa voz.
Deus não errou quando fez você! Também não errou quando colocou sua
voz aí dentro! É claro que precisamos estudar técnica vocal. Isso vale para todos
nós que temos este chamado.
Mas nunca é aceitável diante do Senhor que você tente ‘imitar’ a voz de
algum outro ministro. É como se você dissesse ao Pai que não gosta do que Ele
colocou em você, que você prefere ser outra pessoa ou até mesmo ter o
ministério que ela tem! Este não é nosso papel no Corpo!
Já vi pessoas imitando outras de uma forma tão clara que meu coração
partia! E não foram poucas pessoas! Já presenciei coisas assim várias vezes, em
igrejas e eventos diferentes! E como é triste.
O meu medo é que um dia, depois de vários anos, estas pessoas olhem para
trás e percebam que não foram elas mesmas, que não foram autênticas, e
deixaram o tempo passar sem cumprir verdadeiramente o chamado do Senhor
em sua vida.
O PROCESSO DA CURA
1º Passo – Aceite sua voz como ela é! Isso mesmo! Não tem como
escapar. Enquanto não aceitar isso, não irá caminhar livre na carreira proposta
por Deus para você.
“Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui
formado; maravilhosas são as tuas obras e a minha alma o sabe muito bem” –
Salmos 139:14.
2º Passo – Busque de Deus um entendimento maior do seu ministério. Se
eu lhe perguntasse hoje: “Qual o motivo DE DEUS (e não o seu) para que você
esteja aqui na Terra?” – você saberia responder com precisão? Você tem certeza
de qual é o chamado de Deus para você? Você sabe falar precisa e
especificamente o seu propósito espiritual aqui neste mundo? Quando você
começa a entender isto (e para cada um é diferente, mesmo que na mesma área
ministerial), começa a caminhar de acordo com os sonhos do Senhor para sua
vida!
“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” – I Coríntios 12:4.
3º Passo – Nunca se compare com os outros! Afinal, você é único. Este
passo depende do anterior. Você só para de se comparar com outros quando
entende quem é você no plano global de Deus. Este entendimento só virá no seu
tempo pessoal com o Senhor. No Reino de Deus não devemos, ou ainda melhor,
não podemos nos comparar com outros. Devemos viver como Ele nos chamou
para viver, agindo, buscando e realizando o nosso ministério, e não o dos outros!
Sejamos fiéis, como o apóstolo Paulo, à visão de Deus para a NOSSA vida,
individualmente falando.
“Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão” – Atos 26:19.
4º Passo – Busque crescimento de acordo com seu chamado. Tenha aulas
de voz, mas sempre tenha em mente o desejo de Deus para você. Conheça suas
limitações – se Deus o quer na área de batalha espiritual através do louvor, não
tente fugir! Mas dentro do que o Senhor lhe concedeu, aprimore seu dom!
Estude! Faça o melhor com o que Ele lhe deu!
“Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente! – Jeremias
48:10.
Capítulo IX

O conhecimento musical do ministro Instrumentos

D a mesma forma que com as vozes, precisamos ser criteriosos com os


instrumentistas que fazem parte da equipe de louvor de nossas igrejas. E
isto, tanto na área do caráter quanto na área da habilidade técnica. Mas neste
momento falaremos mais sobre a parte técnica.

Precisamos ter em mente que uma equipe deve ser a mais homogênea
possível em termos de nível musical. Isto porque, se nós temos um determinado
instrumentista, um baterista, por exemplo, excelente no seu instrumento, e na
mesma equipe temos alguém iniciante em outro instrumento, essa situação
precisa ser muito bem administrada pelo líder de louvor. E esse entendimento é
tão precioso, que evitará competição, frustração e desânimo entre os membros.
Se o líder souber como agir, irá, além de incentivar o mais novato a estudar
muito, também dar uma palavra de sabedoria ao músico que está num nível além
dele. O músico mais experiente precisa entender (e isto é conquistado quando a
iniciativa parte do líder) que os mais novos estão em processo de crescimento.
Eles precisam aprender sobre o conceito do Corpo, como devemos ajudar uns
aos outros e qual seria o papel deles em servir e ensinar o músico novato.
É claro que não se deve ensinar um instrumento ou estudar escalas e
exercícios durante o período de louvor. Esta não é a hora. Disso, conclui-se que,
se o instrumentista não consegue manter o nível musical mínimo em um período
de louvor, que é tocar sem errar, sem perder o tempo em que o baterista está, ou
os acordes sobre os quais as vozes estão cantando, ele então não está apto para
estar atuando no ministério. Algum tempo de prática assídua lhe proporcionará
um crescimento rápido para que seja capaz de conduzir algo, ainda que simples,
porém sólido.
Os instrumentos básicos necessários para um arranjo simples
congregacional seriam:

Bateria
Teclado (ou piano)
Violão
Contra-baixo
Guitarra

Embora nem todas as igrejas possuam um guitarrista propriamente dito


(guitarrista – e não um violonista que toca violão na guitarra, pois são duas
coisas extremamente diferentes), eu incluí este instrumento como básico, pois
quando se não o tem, deve ser um dos primeiros a ser buscado pelo líder de
louvor, devido à diferença que se tem com o som da guitarra, quando bem
tocada.
Alguns instrumentos seriam considerados como adicionais:

Teclado 2 (com outros sons como cordas, pads, órgão, efeitos,


loops, etc)
Violão 2
Guitarra 2
Percussão
Instrumentos de cordas (violino, viola, violoncelo, etc)
Instrumentos de sopro (saxofone, trompete, trompa, oboé,
clarinete, etc).

E novamente algumas instruções são vitais no que diz respeito a esses


instrumentos. Quando se trata de instrumentos iguais, eles só devem ser tocados
se forem complementares um ao outro.
Um violão 2 não deve estar fazendo exatamente a mesma coisa que o
violão 1, e esta lógica vale para guitarras, teclados e percussão.
O alvo destes instrumentos é adicionar sem saturar uma música. Deve-se
observar que a batida ou dedilhado dos violões são complementares; não devem,
de forma alguma, competir entre si.
Uma sugestão é o uso do ‘capo’, mais conhecido como pestaneira. É usado
como uma pestana, onde se tocam alguns semitons abaixo do que se ouve
(dependendo da casa onde for posicionado). E este pequeno e barato acessório
pode mudar o som de uma equipe de louvor. Um dos violões usando-o e o outro
não (embora seja bonito usar-se algumas vezes para deixar o som mais agudo em
termos de tonalidades) fará com que seja ouvido um som mais completo e
abrangente em termos de altura na escala.
Outra questão é a dos teclados. Não existe nenhuma necessidade de se ter
dois teclados fazendo a mesma coisa ou usando o mesmo som. É impraticável.
Deve-se então, procurar usar com entendimento os sons como algo a adicionar e
embelezar. Mas precisa-se ter em mente que o segundo tecladista não toca nada
mais que um complemento (eu não disse que ele não passa de um complemento.
Eu disse que o que ele TOCA não passa de um complemento. Se você é segundo
tecladista, quero lhe dizer que você é precioso demais para o Reino. Não é a sua
pessoa. É o que você está tocando numa determinada música).
Por exemplo, se numa música mais tranquila, outro tecladista está
utilizando sons de piano ou piano elétrico, você poderá usar som de ‘pads’,
‘strings’, ou algum efeito mais complexo que encaixe perfeitamente na música.
Mas 90% das chances são de que você não irá tocar o tempo inteiro na música, e
isto precisa ficar bem esclarecido na mente do músico: Se ele não tocar a música
inteira, não quer dizer nada. Quer dizer que o arranjo da música ‘pede’ que ela
seja assim.
E o princípio vale para outros sons. Aliás, vale também para percussão e
bateria. A percussão deve sempre complementar a idéia da bateria. Nunca se
deve levar a mentalidade de bateria (que é fazer base) para a percussão (cuja
função é adicionar).
Tomei novamente a liberdade de incluir aqui o formulário que uso para
triagem musical sempre que preciso avaliar instrumentistas. Mesmo sendo
simples para uma avaliação complexa, seus fundamentos são os básicos a serem
exigidos. Outro formulário deverá ser preenchido para violão 2, teclado 2,
guitarra 2 e percussão.

Instrumentistas:
(Para uso exclusivo dos avaliadores)

TECLADO
escala de 1 a 10
Tempo (estabilidade 4/4, 3/4)

Preenchimento (groove)

Economia de notas

Acordes (oitavas e inversões corretas)

Criatividade

Dinâmica (audível)

Sensibilidade a outros músicos

TOTAL: ___

VIOLÃO
escala de 1 a 10

Tempo (estabilidade 4/4, 3/4)

Preenchimento (groove)

Acordes (oitavas e inversões corretas)

Dedilhado

Batida

Afinação

Dinâmica (audível)

Sensibilidade a outros músicos

TOTAL: ___
GUITARRA
escala de 1 a 10

Tempo (estabilidade 4/4, 3/4)

Preenchimento (groove)

Sons utilizados

Lead (solo)

Afinação

Dinâmica (audível)

Sensibilidade a outros músicos

TOTAL: ___

BATERIA
escala de 1 a 10

Tempo (estabilidade 4/4, 3/4)

Preenchimento (groove)

Trabalho bumbo

Trabalho pratos

Trabalho tons (uso, frequência)

Trabalho caixa

Dinâmica (audível)

TOTAL: ___
CONTRABAIXO
escala de 1 a 10

Tempo (estabilidade 4/4, 3/4)

Preenchimento (groove)

Técnica (habilidade)

Afinação

Economia

Dinâmica (audível)

Sensibilidade a outros músicos

Adaptação ao bumbo

TOTAL: ___

INSTRUMENTO SOLO
escala de 1 a 10

Tempo (estabilidade 4/4, 3/4)

Preenchimento (groove)

Técnica (habilidade)

Afinação

Habilidade para solar

Sensibilidade a outros músicos


TOTAL: ___

Vale a pena lembrar do cuidado necessário na escolha de um instrumento e


também o estilo a ser executado. Tenho visto instrumentos que acabam
prejudicando o som da equipe no geral por serem de baixa qualidade, somente
porque se observa o preço. Além disso, podem comprometer a integridade física
do instrumentista, pois instrumentos de baixa qualidade tendem a possuir falhas
em sua construção, gerando, até mesmo, problemas musculares. Um
posicionamento errado das notas no instrumento também prejudica o
desenvolvimento da percepção musical. Esta é uma dica para a qual se deve
sempre estar atento com relação a todo equipamento da igreja, desde a mesa de
som até um simples triângulo.
ARRANJOS DOS INSTRUMENTOS NA MÚSICA
Cada instrumento exerce um papel fundamental dentro da música,
independente da quantidade de notas que ele deve executar. Alguns exemplos a
seguir.
Bateria – A bateria como instrumento percussivo tem um papel chave no
fundamento de qualquer estilo musical; a bateria é responsável diretamente pelo
andamento rítmico em que a harmonia inteira é construída. Esta estabilidade
rítmica, a meu ver, é uma das características que mais demonstram a qualidade
de um baterista. Já tive a oportunidade de tocar com muitos bateristas de vários
lugares, com especializações em vários estilos musicais. Existem bateristas que
são muito talentosos, possuem muita agilidade e uma boa mente musical, mas
que deixam os outros músicos completamente inseguros; a música fica com um
ar ‘amador’, pois é levada em um andamento oscilante em que não existe
segurança nos acentos rítmicos. Por outro lado, já toquei com bateristas não tão
talentosos, que não possuíam tanta agilidade, mas possuíam muita precisão
rítmica, o que dá uma segurança simplesmente essencial à música e traz o ar de
‘profissionalismo’, pois o andamento é respeitado, os acentos rítmicos são
precisos e as notas são encaixadas exatamente onde elas deveriam estar.
O que diferencia a estabilidade rítmica dos dois tipos de bateristas? A
resposta é simples: a prática com metrônomo! O metrônomo é um equipamento
indispensável para aqueles músicos, não só bateristas, como também todos os
que querem ter esta segurança. O metrônomo é um equipamento que marca de
forma precisa o andamento nele configurado; este equipamento mantém o ritmo
estável sem atrasar ou acelerar.
Por onde passo, costumo sugerir aos bateristas que sempre estudem com
metrônomo, rudimentos, exercícios rítmicos e ritmos propriamente ditos. Não
interessa o que você está estudando, o metrônomo é sempre bem-vindo!
A bateria também exerce papel fundamental na dinâmica de uma música. A
dinâmica é responsável diretamente pela VIDA da música. Uma música sem
dinâmica, ou seja, sem altos e baixos (em termos de volume), é uma música
quadrada em que você sente como se a música inteira estivesse ainda na primeira
frase. Mais à frente darei um exemplo.
Contrabaixo – O contrabaixo acústico ou elétrico desempenham um papel
muito importante diretamente ligado à bateria; como muitos dizem, baixo e
bateria são a cozinha da música. Em uma banda onde os dois instrumentos estão
entrosados 80 % da música está pronta. O baixo tem o papel de fechar a base da
música, ou seja, ele dá segurança à parte harmônica, com notas graves ou
agudas, executando uma nota por compasso ou um groove, ele sempre é a parte
que faltava da música. Por isso, em alguns estilos musicais, executa várias notas
e em outros onde existe muita vazão ao piano, por exemplo, se executam poucas
notas. Aos baixistas, deixo os seguintes conselhos: sempre toquem junto com o
bumbo da bateria, o que gera uma maior sustentação rítmica à música. No caso
de outras técnicas como o famoso SLAP, o de costume é que você execute as
partes graves do slap junto com o bumbo e as agudas, junto com a caixa da
bateria, mas sempre trabalhando em conjunto. Não se atente somente às notas
graves – procure a mistura perfeita que a música precisa sempre para participar
da dinâmica musical.
Guitarra – A guitarra tem sido um instrumento muito requisitado por
aqueles que querem aprender algum instrumento; mas nem todos sabem
realmente tocar “guitarra”. A guitarra usada em meio profissional tem duas
formas de atuação, base e solo, os guitarristas ‘solo’ têm o papel de, durante a
música, fazerem efeitos QUE NÃO ATRAPALHEM o restante da banda ou da
dinâmica, sem tocar os acordes completos como o violão, e na hora designada
atuar solando de forma melódica ou harmônica. O guitarrista base tem como
papel preencher de forma condicional as lacunas da música e exercer um papel
direto na construção harmônica da música, trazendo as notas-base com efeitos
estilizados e trabalhando em conjunto com acordes do piano ou violão. Aos
guitarristas, nunca ajam como se fossem o principal agente da construção
musical. Atue dentro do que a música lhe pede. E não estude somente o que os
outros criaram, assim como exercícios. Crie seu próprio estilo!!! Esse é o
diferencial. Você pode ouvir muitos estilos, muitos guitarristas, mas todos os
guitarristas renomados só são reconhecidos porque desenvolveram seu próprio
estilo. Não tente imitar ninguém. Deus tem um som específico para você! E você
precisa descobrir isto nos seus estudos e nos seus momentos com Deus.
Violão – O violão, na tendência atual, representa uma peça-chave dentro
da banda. Há uns bons dez anos, a tendência musical era totalmente voltada para
teclados e piano. Este cenário mudou e o violão ganhou um espaço significativo
nas partes base das músicas. Por exemplo, introduções e pontes têm sido
voltadas para violão, o que requer do violonista uma atenção muito grande à
dinâmica e a qualidade do som que o mesmo produz. Resumindo, o violão
trabalha em cima dos acordes da harmonia da música observando as batidas
rítmicas (mão direita) bem voltadas para o ritmo proposto pela bateria. A você,
violonista, deixo os seguintes conselhos: estude em todas as tonalidades
primeiro, sem a utilização da famosa ‘pestaneira’ (capo); aprenda harmonia, e,
além de tudo, entenda o que você esta fazendo – entenda um acorde e não decore
o seu desenho. Do que adianta saber tocar um acorde e não saber o nome dele?
Você confiaria num médico que não sabe o nome dos remédios que lhe receita,
ou das partes internas do corpo humano? Se a sua área é a música, seja diligente
e honre ao Senhor com o privilégio que Ele lhe deu.
Teclado – Um dos instrumentos mais variados hoje em dia é o teclado.
Devido à variedade de sons incluídos nos teclados, suas funções são quase que
ilimitadas! Órgãos, ‘pads’, efeitos, ‘loops’, sons aéreos, ‘strings’, além de todas
as variações de outros sons normalmente usados são alguns dos recursos que um
teclado de boa qualidade já dispõe. Mas saber usar o seu instrumento não é o
suficiente. O que fará a grande diferença é saber COMO e QUANDO usar cada
som que julgar necessário. A primeira dica que quero deixar é para que você
OUÇA muita música. E ouça música de qualidade. Você vai começar a perceber
o porquê de alguns sons aparecerem onde aparecem. Você vai ver o que encaixa
melhor em cada estilo e também em cada parte da mesma canção. Durante uma
mesma canção, podese usar vários sons. O importante é entender a função deles.
Algumas coisas são a base (por exemplo um som de piano acústico ou piano
elétrico). Outros são somente sons de efeitos, para embelezar ou ressaltar
acordes, melodias ou até mesmo a letra da música!
Não existe como colocar aqui uma fórmula, por exemplo: “Se a música for
de compasso 4/4, e o andamento for de 121 bpm do metrônomo, no tom de Eb,
você pode usar um piano elétrico!” Não existe isso. Não tenho como montar uma
regra para isso. Cada canção pede uma coisa diferente. Use o bom senso.
Pesquise! Ouça música! Estude música! Seja um eterno aluno de música (no
termo geral).
Um cuidado essencial para o tecladista é não pesar na mão esquerda! Para
momentos em que você estiver tocando sozinho, como, por exemplo, o início de
uma música, certamente você poderá se sentir mais livre. Mas no contexto que
entendemos numa equipe de louvor comum, onde já existem outros instrumentos
reforçando o grave, o tecladista deve pensar antes de fazer sobressair a mão
esquerda. O contra-baixo e as peças mais graves da bateria (como bumbo e
surdo, por exemplo) já se encarregam da extensão grave da música. Não adianta
pesar a mão esquerda e esperar que a música não fique ‘embolada’, porque
certamente ficará!
A outra questão é a mão direita. Nos momentos de base, onde as vozes
estão cantando, pode-se usar alguns preenchimentos, mas nunca faça isso se
você não tem capacidade de manter o ritmo na sua mente. Quantos tecladistas
tenho visto que tentam mostrar na mesma música tudo o que sabem, fazendo
dedilhados, escalas, arpejos, etc. Mas quando vão finalizar o arranjo, estão
totalmente fora do tempo da música. E o que é pior, é que geralmente fazem com
que outros percam o tempo, por exemplo, as vozes. Volto a reforçar a questão do
metrônomo. O bom tecladista precisa ter um metrônomo em casa e treinar
MUITO, fazendo uso dele.
O estudo do clássico é indispensável, pois uma técnica apurada vem
somente do estudo de músicas por partitura, sinais de dinâmica, estudo de
harmonia, etc. Se você não quer estudar clássico pelo fato de que nem todos
compositores eram evangélicos, estude história da música e a história dos
grandes compositores. Muitos deles tiveram uma experiência real com o Senhor
Jesus, e suas composições foram frutos do seu encontro com o Nosso Deus.
Existem até mesmo alguns livros que falam somente sobre a vida espiritual de
grandes compositores. Busque a informação antes de rejeitar o estudo.
Por fim, o mesmo conselho para os guitarristas serve também para
tecladistas. Não procure copiar ninguém! Desenvolva seu estilo! Identifique seu
som.
DINÂMICA
A dinâmica, como citada acima, é responsável direta pela vida da música.
É a dinâmica que faz os nossos ouvidos terem a sensação de que a música é
agradável, é diferente, tem um coro contagiante, etc. A equipe que domina
dinâmica pode fazer o simples se tornar algo grandioso.
A música precisa ‘respirar’ (este termo define bem). Ninguém conversa
gritando o tempo inteiro. E nem sussurrando o tempo inteiro. A nossa própria
fala tem dinâmica. Observe uma conversa, sem prestar atenção nas palavras. Há
momentos em que as palavras são pronunciadas mais devagar, dando uma
sensação maior de ‘espaço’. Mas, dependendo dos detalhes da conversa, das
palavras a serem usadas, o volume da voz aumenta, ou as palavras são
pronunciadas mais rapidamente, ou sussurradas, ou faladas juntamente com o
riso, e – quem sabe? – até mesmo o choro. A importância da dinâmica é
exatamente esta: tornar a música algo real, e não algo robótico, mecânico, sem
altos e baixos em termos de volume.
A introdução de uma música nunca deve ser tocada no mesmo volume do
que a parte principal da música, em que a letra expressa a idéia principal da
canção! Se os instrumentistas começam a música no volume máximo permitido,
quando o coro chegar, para onde eles irão crescer em termos de dinâmica? Não
será possível, porque já se saturou a possibilidade de crescer! Mais uma vez a
dica é ouvir músicas, prestando atenção em suas variações de dinâmica. Estude
isto também!
MODELO PARA ENSAIO
Durante muito tempo, tive problemas para organizar uma forma de ensaio
com vários músicos ao mesmo tempo. Sempre tive problema em fazer o tempo
render e de mostrar para os músicos o que esperava das canções, e até mesmo
em ouvir a idéia de todos e demonstrar quais eram válidas e quais não o eram.
O modelo de ensaio que vou propor é o modelo que uso atualmente e que
tem funcionado muito bem.
Segue exemplo:
O ensaio é marcado para às 13:30.
Os músicos chegam às 13:00, montam seus instrumentos e fazem o
barulho que querem, testam os sons que querem, mostram as músicas que
querem, estudam o que querem, etc.
13:30 – Todos os instrumentistas deixam seus instrumentos e prestam
atenção (sem fazer barulho) às coordenadas do líder. Esta atitude foi tomada,
pois o tempo que se perde é muito grande tentando explicar uma idéia para um
músico enquanto o outro continua passando sua parte da música, e você tem que
gritar para a pessoa te ouvir enquanto outros dois estão conversando a respeito
de um exercício novo que aprenderam, etc. Todas estas atitudes consomem
muito tempo, e os nervos ficam à flor da pele. Então, nos períodos de ensaio, o
silêncio só é interrompido pelos instrumentos ou quando uma pessoa quer dizer
alguma coisa ou mostrar sua idéia; então, todos fazem silêncio e fecham o
volume de seu instrumento para ouvir. Isso agiliza e torna o ambiente mais
saudável. É uma questão de ensino e prática.
Ensaio 13:30 – Temos nosso período de oração, pedindo inspiração e
agradecendo a Deus pelas bênçãos e pelo privilégio de estar ali naquele lugar.
Temos um momento com o Senhor, geralmente um período de devocional em
grupo, onde cada dia uma pessoa da equipe traz uma palavra que aprendeu de
Deus durante sua semana. Várias vezes temos mais um momento de oração após
a palavra, recebendo o que o Senhor nos falou, orando e pedindo para que
coloquemos em prática, etc. Enfim, cada dia é diferente. É um momento do
ensaio onde deixarmos o Espírito Santo agir, embora tenhamos nossas reuniões
de oração separadamente.
O Alfredo, responsável pela parte musical sempre tem um plano para cada
ensaio. Ele chega preparado, pois o tempo é curto em relação ao que precisamos
aprender. Ele já tem uma lista das músicas que precisamos ensaiar, dos assuntos
que precisamos tratar, das músicas que precisamos repassar, etc.
Quando vamos aprender uma música nova, ele usa o quadro branco e lá
desenha o gráfico da música, ilustrando a sua idéia de dinâmica da música. Ele
passa a música para todo mundo, com letra, modulações e todas as informações
que são necessárias. O gráfico que ele desenha é simples; a música é dividida em
suas partes: INTRO, PRIMEIRA ESTROFE, SEGUNDA ESTROFE, PRÉ-
CORO, CORO, SEGUNDA ESTROFE, CORO, PONTE, CORO, CORO, FIM
(exemplo somente – cada música varia). Nesta divisão o Alfredo desenha uma
linha contínua, que sobe ou desce de acordo com a idéia de dinâmica para aquela
parte, fazendo com que os músicos consigam visualizar isto melhor. Quando os
músicos visualizam, compreendem qual volume irão usar em cada parte.
Combinamos e anotamos em qual parte cada instrumentista irá entrar (não
adianta guardar somente na memória – em algum momento você irá esquecer).
Discutimos e fechamos as idéias.
Ensaiamos separadamente (instrumentistas em um local e vocal em outro;
a equipe de dança também ensaia separadamente), quando é um ensaio de
músicas novas ou que estão em seu início. Nos ensaios gerais, todos ensaiam no
mesmo local. Isto é melhor para finalizar e ‘polir’ a música.
Nos ensaios separados, passamos as partituras ou cifras para os
instrumentistas que começam a ensaiar. O Alfredo observa se os instrumentos
estão obedecendo à dinâmica para a parte que estamos ensaiando, se o
contrabaixo esta tocando junto com a bateria, se o primeiro violão está fazendo
algo que combina, mas diferente do segundo violão, se a guitarra não está
fazendo o mesmo que o teclado, etc.

O músico mais experiente precisa entender


(e isto é conquistado quando a iniciativa
parte do líder) que os mais novos estão em
processo de crescimento. Eles precisam
aprender sobre o conceito do Corpo, como
devemos ajudar uns aos outros e qual seria o
papel deles em servir e ensinar o músico
novato.

Ensaiamos até que fique bom e esteja um som sólido e entrosado. Depois
passamos a mesma música muitíssimas vezes até que cada detalhe desagradável
apareça e seja eliminado. Depois passamos uma outra música que precisamos
ensaiar e voltamos na primeira, ensaiando mais algumas vezes. A prática leva à
excelência.
Para o backing-vocal – aquecemos e ensaiamos as linhas que o backing
faz, criamos linhas novas, pensamos em quem irá fazer a voz principal da
música, se o backing será simples ou iremos inverter alguma voz, verificando o
timbre das combinações. OBS. Cantar bem não significa ser um bom back vocal.
Cantar bem agiliza as coisas; um bom backing deve doar-se para o restante dos
músicos, abrindo mão de se fazer aparecer e fazendo a sua voz entrar em
conjunto com as outras vozes. Backing faz backing e não fica fazendo linhas
esporádicas na música fora do que foi ensaiado.
Temos uma pausa e nos unimos para um ensaio geral, caso possível. Se a
música ainda estiver insegura ou incompleta, ensaiamos juntos somente no
próximo ensaio.
Usamos o tempo final para algum outro alvo da equipe, como, por
exemplo, estudar ‘solfejo’ juntos, ouvir alguma música ou ver algum vídeo, ou
discutir algum assunto ou decisão. Enfim, usamos o tempo para propósitos
internos.
Lembre-se que estas são somente dicas que se aplicam à nossa realidade.
Sinta-se livre para adaptá-las, de acordo com as necessidades de sua equipe.
Capítulo X

A preparação do ministro

A lgo precioso e de grande importância na vida do ministro é a preparação


que ele precisa ter no aspecto prático para a hora em que ele estará
ministrando, inspirando outros a adorarem ao Senhor.

Sem dúvida ele é uma pessoa que estará em ‘evidência’, se é que podemos
dizer desta forma. Fato é que ele estará sendo observado sim, e ele precisa
entender a seriedade disso e fazer o BOM uso disso, sendo uma inspiração e não
uma distração. Em poucas páginas, quero dar algumas dicas. Espero que sirva de
bênção em sua vida.
A ESCOLHA DAS MÚSICAS
Um dos grandes dramas que vejo entre as pessoas que vão ministrar
através da música é a escolha. Várias vezes recebo e-mails de pessoas que estão
indecisas, confusas sem saber como proceder.
Eu cresci numa igreja em que antes dos cultos, todas as pessoas que iriam
cantar e tocar se reuniam para perguntar uns aos outros quais as suas músicas
preferidas. E a escolha era feita assim: cada um dava uma idéia das músicas que
gostava, que sabia tocar, que achava bonita, e o resultado: um louvor até bonito,
mas sem uma linha lógica, sem um motivo e que muitas vezes poderia causar um
impacto espiritual maior se esta relação de músicas fosse montada sob direção
da voz do Senhor e não do gosto pessoal (egoísmo).
Já vi muita gente perguntando antes do momento de louvor: “Qual música
você gosta?”. Tenho convicção que a pergunta correta seria: “Senhor, qual
canção Tu queres ouvir hoje? Com quais músicas desejas ser adorado por Teus
filhos?”, afinal, para quem é dedicado o momento da adoração? É um momento
em que nos derramamos diante Dele, oferecendo nossa vida, ou são minutos de
puro entretenimento, em que escolhemos o canal (música) que mais nos chama
atenção e nos desperta, nos anima?
Que o Senhor se revele a você como Ele verdadeiramente é. Deus tem
falado ao meu coração como o nosso egoísmo muda a imagem que temos do
próprio Deus.
Achamos que servimos a um Deus que vive com problemas de baixa auto-
estima, pedindo a Seus filhos que O adorem, que O elogiem. Mas Deus não
precisa do nosso louvor. Ele não deixa de ser Deus se não O adorarmos. Não é a
adoração que O faz ser quem Ele é. Ele é o Eu Sou, e ponto final – fim de
questão, desde a fundação do mundo, e pelos séculos dos séculos.
Mas o nosso Deus é tão bom que nos ensina a adorar PARA O NOSSO
PRÓPRIO BEM! Entenda isto: enquanto adoramos a Deus, NÓS somos
beneficiados. Nós somos transformados de glória em glória (ver I Co. 3:17-18) e
no lugar onde Deus se manifesta (entre os louvores) é que Ele nos molda, nos
restaura, nos exorta, nos leva ao arrependimento, nos ensina, nos encoraja, nos
dá refrigério – enfim, tudo de que no momento precisamos!
Quão errada é a nossa percepção, às vezes, achando que Deus PRECISA
ser louvado! Mas Ele está tão absolutamente longe de ser egoísta, que nos
ordena que nós O louvemos para o nosso próprio crescimento espiritual.
No entanto, nós, como seres egoístas, achamos que Deus é como nós, que
Ele é egoísta, quando na verdade, pensamos desta forma porque o egoísmo
reside em nós, em nosso coração enganoso.
Infelizmente isso nos mostra o nosso egoísmo. Que o Senhor nos ajude.
Podemos ver que até mesmo para adorar ao Senhor da forma correta precisamos
da ajuda Dele! E é o Seu desejo nos ensinar a sermos adoradores verdadeiros!
Vejamos a diferença entre a maneira correta e a maneira errada de se
escolher as músicas:
MANEIRA ERRADA
- Escolher as músicas favoritas, as músicas mais populares.
- Escolher músicas dos estilos de que gostamos.
- Não considerar a congregação e o que o Senhor quer falar ao coração de
seu povo.
MANEIRA CORRETA
- Orar e procurar ouvir o que Deus diz.
- Orar sobre um tema específico para o culto ou evento em questão.
- Escolher músicas que a igreja conheça e lhe ajudará a adorar.
Nunca devemos pensar em escolher uma música somente por ser uma boa
música – esta é a mentalidade de rádio, mentalidade de ibope. Precisamos
escolher músicas que tenham um propósito de Deus para aquele dia, cuja letra
traga a revelação do que o Senhor deseja realizar naquele momento.
LOUVOR QUE NÃO CAUSA IMPACTO NAS PESSOAS
- Voz principal cantando o tempo TODO – todos solos, todos
preenchimentos, etc.
- Distrações visuais (como roupas, enfeites demais no altar, etc).
- Distrações sonoras (som alto demais, atrapalhando, ou baixo demais,
causando sonolência).
- Ministro falando demais.
- Música difícil para o público cantar.
- Anúncios no meio das músicas.
- Muitas músicas novas no mesmo dia.
- Adoração passiva demais, muito tempo cantando a mesma canção sem
direção de Deus (repetir por modismo e não porque Deus quer).
LOUVOR QUE CAUSA IMPACTO NAS PESSOAS
- Ministros que adoram.
- Ministros que buscam servir de inspiração e não distração.
- Canções escolhidas de acordo com o que o Senhor quer – acabam
cumprindo um propósito Divino naquele dia e momento.
- A congregação precisa entender porquê e como se adora.
- Liderança humilde, que sabe seguir cada orientação do Espírito Santo.
- Uma visão da Cruz – nunca esquecer de ser grato pelo sacrifício de Jesus
por nós.
- Preparação espiritual e musical dos cantores e instrumentistas.
O fato é: se você quer um ‘mover’ de Deus, deixe Deus ‘mover’ você!
Costumo dizer sempre que cristão não fala mentira (ou pelo menos não
deve – infelizmente alguns falam). Mas mesmo não falando mentira, muitas
vezes cantamos mentira! Estamos tão acostumados a cantar as músicas depois
de um tempo, que não pensamos na seriedade do que estamos proclamando. O
louvor que entoamos são nossas ‘orações cantadas’. Sempre que proclamamos
algo em nossas canções o Espírito Santo leva a sério.
Se cantarmos uma canção que pede para que Ele nos mude, nos
transforme, tenha certeza de que Ele fará isso.
Se cantarmos uma canção pedindo que Ele nos ensine a amar o nosso
próximo, a perdoar nossos irmãos, certamente Ele nos ensinará a perdoar,
permitindo que talvez até mesmo sejamos ofendidos, para que possamos
aprender a perdoar – oração que fizemos cantando.
Se cantarmos que queremos morrer para nós mesmos, que nos dispomos a
servi-lO e entregar tudo por causa de Seu chamado para nós, certamente seremos
provados se isso é realmente verdade.
Não cante somente por cantar! Devemos realmente cantar entendendo o
que estamos proclamando e, assim, cantarmos de TODO o nosso coração!
Capítulo XI

A timidez atrapalha meu ministério

G eralmente, quando abordo este tópico em workshops, artigos na Internet


ou em qualquer outra ocasião, percebo que isso tem assolado mais
pessoas do que eu mesma imaginava. Daí a idéia de trazer no livro este assunto
de uma forma mais aprofundada.

Todos concordamos que, pelo menos alguma vez, já tivemos aquele
‘friozinho’ na barriga, incômodo, que nos faz querer sair correndo de onde
estamos, à procura do primeiro buraco no chão. Algumas pessoas têm uma
dificuldade menor nesta área. Porém, são poucos os felizes. A maioria de nós,
pobres mortais, costuma se preparar bem numa tentativa de que esta sensação vá
embora no momento em que estivermos diante do público. E preparamos. E
oramos. E nutrimos a expectativa de que, com a devida preparação, não teremos
a sensação de ‘borboletas no estômago’. Mas, apesar de todo esforço, chegamos
no momento tão esperado, somente para perceber que... todo o processo de
nervosismo reiniciou-se.
Quantas pessoas tremem de medo quando sabem que vão ministrar louvor.
Quantas ficam com suas mãos hiper-geladas ao pegarem um microfone ou
instrumento. Não temos como negar. Todos nós já passamos por momentos
como estes, quando nossas pernas já ameaçaram não responder ao nosso
comando de permanecer em pé.
Haverá alguma solução?
Se você, leitor, me permite, irei compartilhar da minha própria experiência.
Eu era tímida demais. Era algo além do normal. Quem hoje me observa falando
em conferências, congressos, workshops e eventos do gênero, não sequer
imagina o meu perfil no passado. Eu não conseguia conversar sem olhar para o
chão e nunca sentia confiança em nada que fazia. E quando penso no meu
próprio exemplo, tenho certeza de uma coisa. Se eu tenho conseguido me ver
livre disto a cada dia mais, todos conseguem, pois o meu caso parecia extremo.
É claro que não sou o protótipo da pessoa extrovertida. Sempre sinto
aquele ‘friozinho’ tão familiar. Mas eu percebo que hoje isto é um pouco mais
equilibrado em mim, e não aquela coisa tão desajustada. Acredito até que nunca
devemos perder este tipo de ‘temor’, se é que podemos nomeá-lo assim. Seria
um sinal de perigo tamanha confiança em si próprio. Mas consigo ver diferença
entre o meu passado e o meu presente, e na verdade, uma diferença um tanto
quanto positiva.
Existem muitas causas para reações indesejáveis como esta. Não podemos
ignorar fatores biológicos (como cansaço, noite mal-dormida, alimentação
incorreta, descarga de adrenalina, nível baixo de oxigênio no organismo, baixo
nível de açúcar, dentre outros) e fatores emocionais e psicológicos (como falta
de preparação adequada, preocupação excessiva, baixa auto-estima, traumas
passados, olhares recebidos do público, imprevistos diversos, etc).
Como você pode ver, muitos são os fatores. É perceptível a complexidade
deste problema. Por isso vemos que nem sempre a preparação antecipada é
suficiente para amenizar o nervosismo. Se o ambiente onde você estiver for, por
exemplo, mal ventilado, as chances são de que o seu organismo reaja de alguma
forma. E este é somente um dos exemplos.
Embora os fatores biológicos e emocionais sejam importantes, quero aqui
mencionar duas causas principais para a ‘timidez’ no momento em que você está
frente a frente com o público alvo. Ao final, mencionarei algumas outras dicas
importantes que devem ser observadas e que acabam abrangendo todos os outros
fatores.
CAUSA NÚMERO UM DA TIMIDEZ – temor de homens! Exatamente.
Ficamos com vergonha ou intimidados quando nosso foco está nos outros. “O
que eles irão pensar?”, “E se eu errar? E se não der certo? E se não sair assim? E
se...? E se... ?”, e por aí vai a lista infindável. Algumas preocupações podem ser
eliminadas de antemão. Alguns exemplos são: conferir a afinação do
instrumento, verificar pedais, cabos, baquetas, cordas novas, aquecer a voz
adequadamente e não somente nos cinco últimos minutos, etc. Outras
providências podem ser tomadas antes mesmo de se sair de casa, como
certificar-se de que sua roupa está em condições boas; verificar se, ao levantar
suas mãos, nenhuma parte do seu abdômen ficará em evidência, ter todo o
material necessário em mãos, como metrônomo, afinador, ‘capo’, e quaisquer
outros que façam parte do seu ‘arsenal pessoal’, cifras, partituras, enfim, o que
você deverá ter em mãos no momento em questão.
Porém, como disse antes, nenhuma preparação parece eliminar o
nervosismo. E é neste ponto onde quero chegar. Parte desta sensação é saudável
e parte dela será destrutiva ao seu ministério, pois ela é um sinal de que o seu
foco pode não estar totalmente em Deus. O temor de homens é algo destrutivo.
Não temos como agradar totalmente a Deus e aos homens ao mesmo tempo.
Nosso foco deve estar no Senhor.
“O temor do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto
em alto retiro” – Pv. 29:25.
“Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a
homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” –
Gl. 1:10.
Devemos exercitar, levar todos os nossos pensamentos cativos ao Senhor.
Afinal de contas, estamos fazendo tudo para Ele. Se sentirmos que Ele está
sendo adorado e louvado como deve ser, não importa o que os homens pensem.
Teremos cumprido o nosso propósito maior.
CAUSA NÚMERO DOIS DA TIMIDEZ – problemas anteriores não
resolvidos. Infelizmente eu passei por isso. Quando eu tinha entre 12 e 13 anos
de idade, eu e outras três amigas da igreja nos reunimos e ensaiamos uma música
para ser cantada num dos cultos. Mesmo sendo jovem, já tinha aprendido nas
aulas de piano e teoria alguma coisa sobre divisão de vozes. Então, nós
ensaiamos várias vezes. No dia do culto, subimos ao altar e começamos a cantar.
De repente, ouvi que uma delas estava cantando a voz errada. Tentei ajudar,
mudando da minha voz para a dela. Acho que isto desestruturou as outras. Para
resumir a história, ninguém sabia o que cantava. Nenhuma das quatro. Por fim,
uma irmã se levantou, pegou um microfone e tentou ajudar, mas infelizmente ela
não sabia toda a letra da música. Acho que você já conseguiu imaginar a
catástrofe musical que aconteceu. Ao final do culto, a mãe de uma destas amigas
me chamou para conversar. Na verdade, tudo aquilo me causou um trauma muito
forte. As palavras que ela usou não foram bem escolhidas. Entre outras frases,
me lembro de ouvi-la dizer-me que eu nunca mais deveria cantar, pois eu a havia
feito passar a maior vergonha de sua vida. Ela disse que eu não deveria ter
apresentado algo tão horrível diante de Deus, pois quando não temos condições
de fazer algo bom, não devemos apresentar um ‘lixo’ como aquele.
Hoje eu me sinto normal ao contar este episódio. Mas no dia em que isto
aconteceu, entre estas frases e outras piores (que não encaixariam bem num
livro) ficaram em minha mente durante anos. Eu não queria sequer olhar para as
pessoas do ministério de música. Minha vontade era, também, de nunca mais
tocar piano, ou, se possível, nem mesmo aparecer na igreja. Eu me lembro de ter
ido embora para minha casa aos prantos, dizendo para mim mesma que nunca
mais iria cantar. Repeti isso no mínimo algumas centenas de vezes nos meses
seguintes.
Quando analisamos acontecimentos como este a longo prazo, vemos que
eles nos servem de crescimento, independente da dor que causam. Durante os
sete anos seguintes, nunca mais tive coragem de cantar, e o trauma era tão
grande que não me aventurava sequer a falar em público. Agora não somente
minha voz cantada era um tormento para mim, como também quando falava, me
sentia acusada novamente. Lembre-se de que eu tinha treze anos quando isto
aconteceu, a fase em que o adolescente tem mais necessidade de auto-afirmação
e aceitação. Era como se um rolo compressor tivesse passado sobre os meus
sonhos musicais.
O Senhor, em toda Sua misericórdia e sabedoria, sabia que este era
exatamente um dos dons por meio dos quais Ele iria me usar: canto e ensino –
em que o veículo da mensagem, cantada ou falada, é a voz! Vejo também como
o nosso inimigo tentou, desde o início, inibir algo que Deus já havia ordenado
para Sua glória.
Sete anos depois, em Dallas, Texas, onde ninguém (absolutamente
ninguém) conhecia meus medos e traumas, Deus resolveu trazer cura a minha
vida de uma forma totalmente sobrenatural.
Durante os momentos de louvor e adoração (que acontecem diariamente
em qualquer uma das escolas do ‘Christ For The Nations’ espalhadas pelo
mundo), todos nós sentimos uma presença poderosa do Senhor sobre o auditório.
Eu estava tocando piano naquele dia. Eu me lembro de que o diretor da escola se
dirigiu ao microfone e ordenou que todos ficassem em silêncio diante da
presença majestosa de Deus. E assim aconteceu. Não sei quantos minutos
ficamos ali, sem música, sem uma palavra sequer. Eu me lembro de ter aberto
ligeiramente os meus olhos e vi várias pessoas da nossa equipe de louvor
prostradas, chorando e clamando. A impressão que se tinha era de que nenhum
movimento corporal, por menor que fosse, deveria ser feito. Havia um ‘peso’,
uma ‘nuvem’, uma ‘glória’, impossível de ser descrita num livro. Depois de
longos minutos, o diretor disse para que todos alunos estendessem suas mãos em
direção aos músicos. Ele nos convidou para nos posicionarmos no centro da
plataforma para recebermos aquela oração. Tentarei descrever o que senti.
De repente, alguma coisa do ambiente Eterno pareceu invadir o nosso
tempo e espaço. Parecia que o céu havia se rasgado sobre nossas cabeças. Eu me
lembro de ouvir o baterista gritando sob o impacto do poder de Deus, enquanto
tocava ‘no ar’, no vazio, com suas baquetas. Sei que depois disso não conseguia
mais ficar em pé. Senti algumas pessoas impondo as mãos sobre mim, e cerca de
seis vozes diferentes em momentos diferentes orando sobre mim. Por isso não
tenho idéia de quanto tempo se passou. Sei que muita coisa aconteceu na vida de
todos nós, músicos, naquele dia. Era um dia que o Senhor tinha separado para
nos ‘carimbar’ com Sua Presença Poderosa. O diretor anunciou que aquele dia
era uma espécie de ‘divisor de águas’ nos ministérios de todos nós da equipe.
Por fim, passou-se muito tempo, e alguém subiu para me tirar da
plataforma, pois a primeira aula iria iniciar. Eu mal podia caminhar, tamanho o
impacto do poder de Deus sobre nós. De longe, eu pude ver o líder de nossa
equipe me chamando. Quando me aproximei, ele começou a dizer, com lágrimas
nos olhos:
– “Raquel, o Senhor me mostrou que com treze anos de idade, você passou
por tal situação em que lhe falaram tal e tal coisa, e você disse que nunca mais
iria cantar, etc” – e ele começou a descrever exatamente como tudo aconteceu!
Alguém que não conhecia meu passado nem meus traumas, nem o que
havia acontecido em minha igreja! Deus tem suas formas de agir! O Senhor
escolheu usar alguém em outro continente para cicatrizar uma ferida antiga que
ainda não havia sido curada! Glória a Deus!
Dias depois, os outros alunos me contaram coisas semelhantes. Parece que
Deus havia escolhido aquele dia para curar o interior de todos nós, nos liberando
para o ministério e nos ungindo de forma maravilhosa.
O que quero que você entenda com toda esta experiência minha: muitas
pessoas sofrem críticas, ouvem frases que ficam armazenadas em sua memória,
passam por momentos de vergonha, frustração, comparação inadequada e
acusação.
Deus cura tudo isto! Ele pode escolher curar em frente a outras pessoas,
como no meu caso, ou no seu momento particular com Ele, se você o permitir.
Eu já ouvi muitas pessoas compartilhando histórias de como o Senhor as curou,
dentro de seu quarto, sozinhas com o Pai.
Quero lhe pedir que abra mão de sua ferida. Deus foi verdadeiramente
misericordioso comigo. Mas – quem sabe? – se tivesse aberto meu coração mais,
não precisaria ter esperado sete anos para que isto acontecesse!
Deus tem o momento certo. Se hoje você ouvir a voz do Espírito Santo,
pedindo-lhe para perdoar as pessoas que o ofenderam, não endureça o seu
coração. Abra mão da sua ferida. Perdoe! Deixe que o Senhor restaure você
completamente. Se passou por algo que tentou inibir seu dom, provavelmente é
porque o diabo sabe o valor que este dom terá para o Reino dos Céus no futuro.
É verdade que ele não conhece o nosso futuro, mas ele observa quando os céus
se movem em direção a alguém, escolhido e chamado por Deus para fazer
diferença em sua geração.
Infelizmente o músico em geral é um tanto crítico. Quão freqüente é a cena
de alguém que cantou ou tocou, sendo elogiado e dizendo: “Misericórdia! Eu
errei tantas vezes!” – e aquele que elogia diz: “Ah, eu não percebi não; acho que
ninguém percebeu”.
Não estou incentivando de forma alguma o tocar mal ou cantar mal, pois a
preparação é o primeiro passo para se ministrar diante do Senhor, e Deus é um
Deus de excelência, como disse anteriormente. Mas não podemos ser tão críticos
com nós mesmos a ponto de não enxergarmos nada ao nosso redor além do
nosso erro.
Mas o fato é que depois de acontecimentos como este é quase que
inevitável não cultivar pensamentos de inadequação, insegurança, timidez, etc. E
temos vontade de fugir do púlpito ou altar e nunca mais subir lá ou ver tantas
pessoas olhando para nós ‘esperando’ que façamos algo.
Sei que nunca chegará o dia em que vamos subir ao altar com tanta
confiança que não dependamos do Senhor! Devemos sempre ter aquele friozinho
na barriga, pois a responsabilidade é enorme e o privilégio também, e disto nós
não devemos nos esquecer jamais.
Mas ao mesmo tempo temos que ter o nosso foco em Deus. Temos que
estar preparados musical e espiritualmente, e fazermos TUDO o que nos é
possível, o nosso MELHOR e nada menos do que isso, e crer em Deus.
Dicas práticas:
1) Sorria! Nada melhor do que sorrir quando se está nervoso! Libera parte
da nossa adrenalina. Não devemos nos levar tão a sério!
2) Tente melhorar sua personalidade. Talvez você tenha nascido tímido.
Mas isso também pode ser resolvido. Existem muitos livros sobre personalidades
que podem ser de grande ajuda. Eu tive que fazer escolhas conscientes, para
vencer o desafio interior que tinha. Propositalmente, comecei a tentar quebrar
hábitos antigos. Posso dar-lhe um pequeno exemplo. Morria de medo de
conversar com novas pessoas, fazer novas amizades, me apresentar (ter
iniciativa, etc). Então, já que percebi isto em mim, comecei a, de propósito, fazer
tudo o de que antes tinha medo. Foi difícil no início, mas é somente assim que
vencemos nossos medos. Uma fala que me libertou muito: “Só porque estamos
com medo de algo, não significa que não possamos fazê-lo. Podemos fazer
mesmo com medo”.
3) Pedir ao Senhor que te cure de tudo aquilo que você já viveu. Alguns
traumas e experiências sempre acontecem, mas precisamos que tudo isto seja
cicatrizado. Isso nos vai ajudar a ministrar de um lugar de autoridade e
restauração no Senhor, por termos vivido isto nós mesmos.
Acima de tudo, guarde sempre seu coração. Tanto do temor de homens,
timidez e frustrações passadas, quanto do outro extremo, que é nunca sentir o
peso da responsabilidade de ministrar diante do Senhor. O temor dos homens
não deve existir dentro de nós, mas o temor do Senhor deve sempre estar
presente em nossos corações.
“O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a
humildade” – Provérbios 15:33.
Palavra Final
Não poderia finalizar sem deixar uma palavra a vocês, queridos leitores.
Nunca desista do processo de aprendizado! Nunca sabemos o suficiente.
Sempre há mais. Seja um eterno aluno, um eterno aprendiz!
Sempre busque um coração totalmente puro, pois de todas as promessas,
esta é a maior e mais valiosa “Bem-aventurados os limpos de coração, porque
eles verão a Deus”(Mt. 5:8).
Nunca desista dos sonhos de Deus para você. O Senhor o ungiu para ser
diferença em sua geração. O seu chamado é de ir ALÉM e fazer o Reino do
Senhor avançar!
Viva para a eternidade e não para os aplausos do homem! O que importa é
ser aprovado pelo Pai!
Sempre é momento de recomeçar. As misericórdias do Senhor são eternas
“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as
suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.
A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele. Bom é o
Senhor para os que esperam por Ele, para a alma que o busca” (Lm. 3:22-25).
Esqueça o passado, olhe sempre em direção ao alvo.
“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa
faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as
que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação
de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3:13-14).
Deus abençoe você.
Se durante a leitura deste livro Deus lhe tocou o coração profundamente, e
você gostaria de compartilhar conosco, ficaríamos gratos em poder ouvir o seu
testemunho.
Oração

Se você sente que não tem uma experiência firme com Cristo, que tem
somente cantado, dançado ou tocado um instrumento na sua igreja, peço que
faça esta oração.
Se você não está no ministério de música de sua igreja, ou talvez nem
mesmo tenha entrado numa igreja, e este livro chegou em suas mãos, peço que
também faça esta oração.

“Senhor Deus,
Eu preciso de Ti! Neste momento decido entregar minha vida em Tuas mãos.
Decido Te conhecer. Preciso do Teu Espírito Santo.
Revela-te a mim, ó Deus!

Reconheço meus pecados, reconheço minha necessidade de salvação. Escreve o


meu nome no Livro da Vida. Perdoe meus pecados e transgressões. Dá-me fome
e sede de Tua Palavra, a Bíblia. Toca-me com Teu poder e faz de mim um filho,
pois para isto morreste na Cruz, Senhor Jesus! Eu aceito o Teu sacrifício por
mim; cobre-me com Teu sangue. Em Nome de Jesus eu oro.

Amém!”

(Rm. 10:9-10).
Se você fez esta oração pela primeira vez, escreva-nos (veja endereço e
telefone em Sobre a Autora). Estaremos orando por você e lhe enviando uma
literatura. Procure a igreja mais próxima de sua casa – certamente alguém irá lhe
ajudar na sua caminhada cristã.
Deus abençoe você!
Em Cristo Jesus,
Raquel Emerick Ribeiro
Opinião

“É fato que hoje a igreja do Senhor tem sido despertada para uma vida de
adoração e intimidade com Deus. Neste momento de restauração, o ingrediente
mais importante que traz bases e gera raízes (sustentação) é a Palavra de Deus.
Tenho percebido cada vez mais a necessidade de se lançarem fundamentos que
tragam sustentação para este despertamento. Vejo que nesta área da adoração
muitos equívocos têm surgido por falta do conhecimento da Palavra. Fico feliz
por ver o Senhor levantando pessoas dispostas a trabalhar na construção dessas
bases. Raquel tem sido uma dessas pessoas, e o Senhor tem usado sua vida para
trazer formação fundamentada para a vida de muitos ministros. Recomendo este
livro a todos aqueles que têm buscado conhecimento que traz bases para suas
experiências vividas com o Senhor em sua vida de louvor e adoração”.
Christie Tristão
Ministério Asas da Adoração
“‘Excelência’ tem-se tornado uma palavra cada vez mais indispensável no
vocabulário Cristão. Além de conhecimento e poder de Deus, é necessário que o
adorador se prepare mais em todas as áreas. Servir com excelência é servir com
a motivação e caráter de Cristo, sempre em comunhão direta com o Pai.
“Coração de Adorador Espírito de Excelência” ensina exatamente isso. Com
linguagem atual, simples e objetiva, traduzindo tudo aquilo que ela é, Raquel nos
traz a realidade da Igreja Moderna. Guiada pelo Espírito Santo, ensina-nos como
ADORÁ- LO EM ESPÍRITO com espírito de excelência.”
Felipe Barros
Ministério Fluir
Sobre a Autora

Raquel Emerick nasceu no dia 09 de outubro de 1980 em Belo Horizonte,
onde reside atualmente. É casada com o contrabaixista e arranjador Alfredo
Ribeiro e são membros da Igreja Batista Graciosa Paz, em Contagem – MG.
É líder, vocalista e pianista do Ministério Além – ministério de louvor
itinerante que tem viajado pelo Brasil e pelas nações levando uma mensagem de
excelência e de poder. Os CDs e DVDs do Ministério Além podem ser
encontrados através do site www.ministerioalem.com.br.
Raquel Emerick é autora de quatro livros até o momento. Este é o seu
primeiro livro, "Coração de Adorador, Espírito de Excelência", e tem sido
uma ferramenta usada como ensino para ministros de louvor e instrumentistas.
Seu segundo livro, “Vaso Restaurado” é um livro de confronto e trabalho
profundo sobre o processo do vaso dentro da olaria de Deus, baseado em
Jeremias 18. O livro trata os diversos tipos de vaso de forma simbólica: vaso
rachado, vaso quebrado, vaso endurecido e um estudo sobre as profundezas da
olaria. O leitor é levado a ponderar se o vaso tem estado cheio de Deus ou cheio
de si mesmo. Uma leitura quebrantadora e convidativa à devoção e oração.
Seu terceiro livro "Profeta e Adorador" nasceu após uma intensa
sequência de noites sem dormir. A mensagem de Deus ficou clara: somos
chamados a ir além de apenas tocar e cantar. Nossa música deve mover céus e
terra. Devemos ser profetas dos sons, tangedores que, ao tocar e cantar,
testemunham céus abertos. A experiência intensa com a escrita deste livro foi
selada pelas palavras diretas de Deus: ‘Este livro não é para ser vendido. Este
livro é para ser distribuído gratuitamente’. O livro encontra-se em vários lugares
da internet para download gratuito, e em pouco tempo espalhou-se por vários
lugares, mostrando o quão urgente é esta mensagem do coração de Deus.
Seu quarto livro “Neemias, lições de um avivalista aos músicos e
líderes” traz lições aprendidas no livro de Neemias que são tão atuais que nos
impressionam. Tópicos urgentes a todo aquele que deseja ver um avivamento
genuíno acontecendo em sua vida e sua nação. Lições sobre: ousadia, liderança,
restauração da Palavra, mordomia, gratidão, lutas, ira do inimigo, trabalho em
equipe, restauração no sustento financeiro dos músicos no fim dos tempos – são
apenas alguns dos tópicos trabalhados nesta literatura. Uma leitura obrigatória
aos músicos e líderes.
Raquel Emerick é formada pelo "Christ for the Nations", Dallas, Texas,
EUA. Suas canções, livros e artigos na internet têm recebido testemunhos de
vidas, famílias e ministérios restaurados. Raquel Emerick tem desafiado a Igreja
de Cristo a uma busca por mais de Deus e restauração através da adoração e
intimidade com Deus.
Raquel Emerick também é diretora e fundadora do Webnário Além - o
primeiro seminário pela Web (online) de louvor e adoração no Brasil - com
alunos de mais de 22 estados e de 6 países até o momento. O Webnário Além é
fruto de muitos anos de ensino e estudo com um currículo 100% online que
trabalha a parte espiritual, musical (vocal e instrumental), organizacional e os
relacionamentos no meio de músicos. O Webnário Além também realiza
palestras ao redor do país com finais de semana de capacitação e treinamento
intensos. Para conhecer e se inscrever no Webnário Além:
www.webnarioalem.com.br.
Para agenda, convites, contato e outras informações:
www.ministerioalem.com.br ou envie-nos um e-mail através do
contato@ministerioalem.com.br