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BIOESTATÍSTICA

CONCEITOS BÁSICOS DE ESTATÍSTICA


Cátia C. de Almeida

-1-
Olá!
Você está na unidade de Conceitos básicos de Estatística. Conheça aqui a importância da estatística e a

Biostatística como um campo de pesquisas envolvendo ferramentas metodológicas ou técnicas utilizadas em

soluções de problemas das áreas de saúde. Serão apresentados os principais conceitos de estatística que

auxiliaram na compreensão dos termos, linguagens e metodologias de pesquisa científica. O trabalho estatístico

é uma metodologia aplicada em pesquisas que consistem em fases que abrangem a coleta de dados, tratamento e

análise a fim de proporcionar reflexões diante da informação estatística.

Bons estudos!

-2-
1 Introdução
Os estudantes que irão estudar estatística pela primeira vez, geralmente, imaginam que ela está apenas

associada a números, porcentagens, construção de tabelas e gráficos ou dados de uma pesquisa. Entretanto, a

estatística constitui, de fato, uma metodologia que pode estar presente em diversas etapas de uma pesquisa,

desde o seu planejamento até a interpretação de seus resultados.

No nosso cotidiano, todos temos um pouco de cientistas ou pesquisadores, mesmo que de maneira inconsciente.

Em muitas situações diárias, emitimos palpites com relação a um todo ou acontecimentos futuros, com base em

situações vivenciadas ou experiências do passado.

Como os exemplos temos: quando vamos ao supermercado ou feiras, experimentamos uma uva para decidirmos

se devemos ou não comprar uma porção daquele lote disponível nas prateleiras, quando as cozinheiras verificam

se o prato que está preparando tem ou não a quantidade adequada de sal, provando um pouco do tempero,

quando votamos em algum candidato que promete resolver os problemas de nossa cidade, baseando-nos na

simpatia ou confiança que colocamos no perfil do candidato, ou quando tomamos algum remédio para reduzir os

incômodos de um resfriado, pensando na eficácia do medicamento. Em qualquer uma destas situações, pode-se

observar algum conceito ou aplicação de técnicas de estatística.

Assista aí

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1.1 Estatística e bioestatística

A crescente demanda de informação quantitativa que é requerida em todas as áreas da ciência faz com a

estatística tenha um papel fundamental no auxílio de metodologia de planejamento de pesquisa e técnicas de

análise de dados. Considerada como uma ciência, a estatística não é matemática e nem uma forma de aplicação

da matemática e, sim, uma ciência com seus métodos de lidar com dados, que permite tirar conclusões.

A palavra ou termo “estatística” é usada em vários sentidos, pode-se referir não apenas a tabulação e

manipulação simples de informações numéricas, mas também como relatórios contendo números e

análises de previsões, como um conjunto de técnicas usadas para analisar os dados (FREUND, SIMON,

2000).

Vários autores procuram definir a estatística com definições desde as mais simples até as mais complexas.

Martins e Donaire (1990, p. 17) definem a estatística de uma maneira simples, como “um conjunto de métodos e

processos quantitativos que serve para estudar e medir os fenômenos coletivos”.

Entende-se aqui, como fenômenos coletivos, os que se referem à população, universo e compreende um grande

número de elementos, pessoas, animais ou objetos. Entretanto, quando cientistas e pesquisadores das disciplinas

científicas relacionadas às áreas da saúde (medicina, enfermagem, ou fisioterapia, por exemplo) estudam

problemas específicos dessas áreas e envolvem soluções com base nos métodos e técnicas da estatística,

denomina-se como área de estudo de bioestatística.

Dessa forma, a bioestatística é considerada um ramo bem amplo da estatística. Em outras palavras, de forma

mais simples, segundo Vieira (1980), a bioestatística é a estatística aplicada às ciências médicas e biológicas.

Assim, para fins didáticos, iremos referir sempre aos métodos e técnicas de organizar dos dados, analisar e

tomar decisão em ambientes de incertezas com ferramentas da estatística, no contexto que envolve problemas e

soluções nas áreas da saúde.

Saiba mais

Ressalta-se que é muito comum referir a expressão “dados” em estatística, como sendo números, medidas ou

valores, ou seja, informação estatística não tradada. Após o tratamento os dados são chamados de informação

estatística.

• Estatística descritiva (descrição e exploração dos dados)

Os dados coletados são organizados/sumarizados para evidenciar informações relevantes em termos

dos objetivos da pesquisa. Quando se procede uma análise de dados busca-se alguma forma de

regularidade ou padrão das observações.

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• Inferência estatística

O ato de generalizar ou deduzir os resultados para o todo, através da tomada de decisões baseada em

dados coletados para uma amostra. Envolve-se, assim, a estimação de parâmetros (característica dos

elementos da população). Outra forma de inferência estatística é a categoria dos testes estatísticos de

hipóteses ou testes de significância.

Além dessas duas funções, a estatística conta com o auxílio da fundamentação teórica de seus métodos e

técnicas da probabilidade, que é uma teoria baseada na matemática utilizada no estudo de fenômenos de

incerteza, principalmente de caráter aleatório. Ela tem suas origens ligadas jogos de azar ou jogos que se referem

a ações de lançar um dado, lançar uma moeda, girar uma roleta ou escolher cartas de um baralho, com

característica de incertezas de ocorrência de determinados eventos, permitindo prever o número de vezes que

pode ocorrer sucessos ou fracassos.

1.2 Crescimento da Estatística

O desenvolvimento da estatística ficou mais acentuada nos últimos 50 anos e os estudiosos apontam diversas

razões para isso. Uma delas é a crescente demanda das áreas científicas, por, cada vez mais, utilizar os dados

na tomada de decisões. As técnicas estatísticas, então, são usadas na investigação do efeito de novos remédios,

na avaliação de metodologias de ensino e aprendizagem, controle de poluição e dos eventos do meio ambiente,

análise do comportamento dos consumidores, estudos governamentais de longevidade da população, e dentre

outras várias situações que cabem o seu suporte.

Outro fator é que a nossa capacidade de lidar com os dados aumentou com o advento da tecnologia e

computadores cada vez mais poderoso, além de um aumento no interesse por informação, por parte da

população. Assuntos ligados à estatística são apresentados e veiculados de várias formas na internet, mídias

sociais, redes sociais e assim por diante.

Em relação a este último fator, no entanto, há uma preocupação por parte dos estudiosos sobre de que forma o

público, sendo cidadão, consegue avaliar criticamente as informações estatísticas, uma vez que não se pode

avaliar de maneira crítica uma informação quando não se tem o conhecimento relativo aos conceitos. Assim, em

que contextos essas informações aparecem? E estão sendo informadas de maneira adequada?

Desta forma, convido você, aluno, a uma discussão dos principais conceitos de estatística que estão presentes em

muitas situações do nosso cotidiano.

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1.3 Aplicação da Estatística

Como vimos, a bioestatística é aplicação da estatística na área médica e biológica, sendo essencial o

planejamento, coleta, avaliação e interpretação dos dados obtidos nessas áreas por meio de métodos e técnicas,

que são fundamentais para áreas como epidemiologia, ecologia, psicologia, medicina etc. A maior parte dos

estudos, nessas áreas, são baseados em evidências, novos padrões e exigências, que vem marcando as práticas

médicas.

Em muitos estudos na área de ciências médicas, o auxílio da bioestatística é fundamental saber a frequência do

aparecimento das doenças ou para desenvolver novos tipos de tratamento, por exemplo. Na indústria

farmacêutica, por sua vez, estatística pode ser usada para planejamento, desde o estudo de implantação da

fábrica até a necessidade de produção de produtos e equipamentos, testes com a eficácia dos produtos, controle

quantidade e qualidade, estudos de produtividade etc.

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2 Conceitos Básicos
Para que possamos entender melhor de estatística e, assim, fazemos uma leitura mais adequada dos dados e seus

métodos, um passo importante consiste na definição e entendimento dos principais conceitos de estatística.

Vejamos a seguir:

2.1 População

Definida por um conjunto de elementos de todas as observações possíveis (FREUN, SIMON, 2000), e pode ser

compreendida de duas formas:

População finita

Consiste em um número finito de elementos ou observações.

População infinita

Consiste em um número infinito de elementos ou observações

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2.2 Amostra

Consiste em uma parte de observações da população (FREUN, SIMON, 2000), ou seja, é uma parte representativa

da mesma, que possui as mesmas características do restante.


• Amostragem probabilística ou aleatória: é um procedimento de seleção dos indivíduos baseado em
um sorteio (aleatório). Nesta técnica, todos os indivíduos da população têm a mesma probabilidade ou
chance de ser selecionado. A partir dessa técnica de seleção, decorrem outras técnicas, tais como
amostragem aleatória com e sem reposição, amostragem estratificada, amostragem sistemática,
amostragem por conglomerado etc. Estas são usadas dependendo da necessidade do estudo ou do plano
amostral.
• Amostragem não probabilística: é um procedimento de seleção que não é aleatório, sendo que o
pesquisador pode escolher os indivíduos que irão compor a amostra.
O outro levantamento é o chamado levantamento censitário. O levantamento censitário ou levantamento de

inventário abrange todos os elementos da população. No Brasil, a coleta de dados de toda população é chamada

de censo, sendo de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um órgão ligado ao

governo federal (MARTINS, DONAIRE, 1990).

Atualmente, um novo tipo de levantamento passou ser usado nas pesquisas, principalmente nas quantitativas.

São elas:

Survey
As características são observadas por meio de questionário (ou entrevista), sem interferência do pesquisador.
Pesquisa experimental
O pesquisador exerce controle sobre o método que será aplicado.

2.3 Parâmetros

Se refere quando necessitamos usar a amostra obtida para produzir características específicas do estudo. Assim,

de acordo com Bussab e Morettin (2002):

Estatística: é uma característica da amostra, pode entendida como uma medida em função das observações da

amostra. Exemplo: Cálculo da média amostral ( ).

Parâmetro: é uma medida usada para descrever uma característica da população, pode se entendida como uma

medida em função das observações da população. Exemplo: Cálculo da média populacional ( e variância

populacional ( ), que resulta em um valor chamado de parâmetro.

Estimativa: é uma medida usada para descrever uma característica da amostra. Exemplo: cálculo da média

amostral ( ), que resulta em um valor chamado de estimativa.

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2.4 Variáveis

O conceito de variáveis tem muitos significados diferentes, dependendo da área. Nas áreas médica e biológica é

costume realizar estudos experimentais, então, coleta-se dados de pessoas, animais, fenômenos físicos e

químicos. Assim, dos dados denominam-se as variáveis do estudo (VEIRA, 1989).

As variáveis podem ser entendidas como características observadas ou medidas de cada elemento da população.

Uma variável observada (ou medida) num elemento da população deve gerar um e apenas um resultado.

Algumas variáveis parecem ser intuitivas e facilmente respeitadas, como, por exemplo, idade, gênero, estatura,

número de filhos e estado civil. No entanto, outras variáveis parecem ser não tão intuitivas como, por exemplo,

formas de lazer, esportes praticados, motivos da escolha para cursar determinada faculdade, preferências

musicais etc. Nestes casos, há diferentes formas de transformá-la em uma ou mais variáveis.

As variáveis podem ser classificadas quanto ao tipo de mensuração, sendo qualitativa ou quantitativa. Quando

os resultados possíveis de uma variável são atributos ou qualidades, a variável é dita qualitativa, enquanto,

quando os resultados possíveis de uma variável são números resultantes de uma escala de contagem ou

mensuração é denominada variável é quantitativa.

Dentre as variáveis qualitativas, podemos ainda fazer uma distinção entre dois tipos: nominal ou ordinal. Na

variável qualitativa nominal não existe nenhuma ordenação nos possíveis resultados que a variável possa

assumir, enquanto na variável ordinal, existe uma ordem, segundo a natureza da variável.

Assim, o nível nominal de mensuração envolve o ato de nomear ou rotular a resposta dos indivíduos, ao passo

que, quando o pesquisador vai além desse nível de mensuração, ele procura ordenar seus sujeitos em função do

grau que apresentam de uma determinada característica no nível ordinal de mensuração.

Alguns exemplos de variáveis nominais são:


• Gênero: masculino, feminino;
• Estado civil: solteiro, casado, divorciado, viúvo;
• Prática de exercícios físicos: sim, não;
• Esporte praticado: futebol, basquetebol, voleibol, natação etc.
Em uma pesquisa, quando se trabalha de questionário para coletar os dados, é comum associar variáveis a uma

numeração, a fim de facilitar a contagem, como, por exemplo: (1) futebol, (2) basquetebol, (3) voleibol e assim

por diante. Outra possibilidade, é definir a variável em “esportes que pratica”, tendo como possíveis respostas

todas as combinações de modalidades de esportes, porém, a análise destas respostas seria difícil, dado o grande

número de possíveis alternativas.

Em relação às variáveis ordinais, temos:


• Classe econômica: baixa, média, alta;
• Nível de satisfação: muito satisfeito, pouco satisfeito, insatisfeito;

• Grau de concordância: discordo plenamente, discordo, indiferente, concordo, concordo plenamente;

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• Grau de concordância: discordo plenamente, discordo, indiferente, concordo, concordo plenamente;
• Nível de escolaridade: ensino fundamental, ensino médio, ensino superior.
No caso da variável ordinal, aparece a informação sobre a ordenação das categorias, mas não indica a magnitude

das diferenças entre elas. A percepção é da ordem das categorias, bem como a indicação da distância exata entre

elas. Os resultados possíveis dessas variáveis são números de uma determinada escala. Sendo assim, as escalas

quantitativas implicam unidades constantes de medida, as quais comportam intervalos iguais entre os vários

pontos da escala.

Da mesma forma, as variáveis quantitativas podem ser classificadas em variáveis discreta ou contínua. As

variáveis quantitativas discretas assumem os resultados possíveis por meio de contagem (identificada por

número inteiro). Nas variáveis quantitativas contínuas, os resultados possíveis assumem um conjunto finito ou

enumerável de números e os valores formam um intervalo de números reais (identificada geralmente por

números decimais).

Desse modo, seguem os exemplos de variáveis quantitativas discretas:


• Número de filhos: 0, 1, 2, 3, 4...
• Tempo (em dias) de internação: 1, 2, 3, 4, 5...
• Número de abortos: 0, 1, 2, 3...
• Número de cigarros fumados por dia: 0, 1, 2, 3, 4, 5...
Agora veremos exemplos de variáveis quantitativas contínuas:
• Peso do indivíduo: 0 < peso ≥ 200 kg
• Estatura: 0 < estatura ≥ 2,50m
• Índice de massa corpórea (IMC): 0 < IMC ≥ 100
• Frequência cardíaca: 0 < frequência cardíaca ≥ 130 bpm
As variáveis quantitativas são mais informativas que as qualitativas. Dizer que um funcionário trabalha há 30

anos em uma empresa é mais informativo que dizer que ele trabalha há muito tempo, ou dizer que uma pessoa

tem 17 anos ou tem 65 anos é mais informativo que dizer que ela é adolescente ou que é da 3ª idade. Além disso,

com as variáveis quantitativas, é possível calcular medidas estatísticas tais como: média, mediana, moda,

variância, desvio padrão, entre outros cálculos.

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3 Planejamento de pesquisas
Nas pesquisas científicas, geralmente é preciso coletar dados que possam fornecer informações capazes de

responder os questionamentos da pesquisa. Para que os resultados da pesquisa tenham confiabilidade, tanto

fase coleta dos dados, quanto na análise, devem ser feitas de forma criteriosa e objetiva.

Esses cuidados tornam-se fundamentais na etapa do planejamento da pesquisa. O planejamento consiste em

seguir as fases do trabalho de pesquisa denominada trabalho estatístico. As fases do trabalho estatístico

consistem na forma de organização dos caminhos em que o pesquisador percorrerá para atingir os objetivos da

pesquisa.

Fique de olho
Recomenda-se que a metodologia do trabalho estatístico seja aplicada em estudos com a
necessidade de coleta de dados. Como exemplo: estudos experimentais que tenham objetivos
de descrever, comparar e analisar dados. Em contrapartida, os estudos teóricos não são
aplicados as fases do trabalho estatístico.

Assista aí

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3.1 Definição do problema

A definição do problema de pesquisa refere-se ao questionamento que a pesquisa pretende, para buscar

respostas. Para formular o problema, precisa-se pensar no tema de pesquisa e procurar um questionamento

proposto na investigação. Como exemplo temos: “quais os fatores que estão envolvidos no déficit de

aprendizagem dos alunos da turma “A” em relação a turma “B” de uma determinada escola?”. O início do

planejamento de uma pesquisa é a definição do tema de estudo. Antes de definir a temática de estudo, é

importante pesquisar as informações disponíveis sobre o tema da pesquisa. O interesse é consultar, na literatura

da área do tema, para verificar o que vem sendo publicado na área científica.

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3.2 Formulação dos objetivos

Após a investigação do problema, que merece ser tratado na pesquisa, é preciso definir os objetivos do estudo. A

formulação dos objetivos é uma maneira de delimitar os caminhos da pesquisa. Sugere-se, então, fazer a reunião

de materiais do que já foi publicado sobre o assunto, obter relatórios sobre atividades semelhantes, checar

mapas da região geográfica, uma vez que o pesquisador provavelmente não será o pioneiro sobre o tema da

pesquisa, logo, não deverá partir do “nada” e, sempre que possível, procurar analisar a referência de trabalhos

anteriores para não cometer erros de pesquisa.

Os objetivos de uma pesquisa devem ser elaborados de forma bastante clara e principalmente delimitar

objetivos. Como exemplo de objetivo temos: “Objetivo geral da pesquisa: conhecer o perfil de trabalho dos

profissionais da área de saúde pública do estado de S. Paulo, no ano de 2017, para orientar políticas de recursos

humanos.”

Para dar sequência nessa pesquisa, precisa-se, então, especificar melhor o que se pretende conhecer da

população dos profissionais da área de saúde pública do estado de S. Paulo. Neste caso, alguns destes objetivos

podem ser traduzidos como objetivos específicos, exemplo:

Conhecer o tempo de serviço do profissional.

Conhecer o grau de instrução/formação do profissional.

Verificar o interesse do profissional em participar de programas de treinamento, tais como cursos de extensão,

aperfeiçoamento e especialização.

Avaliar o grau de satisfação com o trabalho.

Após a formulação dos objetivos da pesquisa, o próximo passo é a elaboração de procedimentos

metodológicos e uma das maneiras de fazê-la é se baseando nas etapas do trabalho estatístico.

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3.3 Fases de um trabalho estatístico

O trabalho estatístico é uma maneira de organizar as fases de construção da pesquisa científica. O trabalho

estatístico é constituído por fases que se iniciam pela coleta de dados e vai até a conclusão da pesquisa.

A seguir, são apresentadas as fases do trabalho estatístico resumidas em um desenho esquemático.

#PraCegoVer: A imagem mostra um desenho esquemático com as fases do trabalho estatístico sendo a primeira

a coleta, a segunda o tratamento, a terceira apresentação, quarta a análise e a quinta conclusão. Vemos

retângulos em azul claro, ligados por setas em azul escuro, formando uma cadeia de fases.

Cada fase mostra um procedimento que envolve a transformação de dados em informação estatística relevantes

na pesquisa. São elas:

Figura 1 - Representação de amostragem


Fonte: Elaborado pelo autor, 2020

A escolha da fonte de obtenção dos dados está diretamente relacionada ao tipo do

problema, objetivos do trabalho, escala de atuação e disponibilidade de tempo e recursos.

A coleta de dados pode ser direta ou indireta, sendo na coleta direta, dados são obtidos
Coleta de
diretamente da fonte primária, como os levantamentos de campo através de questionários
dados
e, na coleta indireta, os dados são “inferidos” a partir de elementos conseguidos na coleta

direta, por meio do conhecimento de fenômenos ou comportamentos relacionados com o

propósito do estudo.

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É um procedimento de apuração ou sumarização dos dados que consiste na contagem das

variáveis. Pode-se dizer que este trabalho é a tabulação dos dados que chegam para o
Tratamento
pesquisador de forma desorganizada, tornando impossível a tarefa de apreender todo o

seu significado pela simples leitura.

Aresentação das informações em forma de tabelas ou gráficos, facilitando a visualização

do fenômeno e comparação dos dados. Quando é realizado um levantamento de dados


Apresentação
sobre um fenômeno ou variável, obtemos como resultado uma série estatística que precisa

ser disposta em tabelas ou gráficos.

É a penúltima fase do trabalho estatístico e a mais importante e delicada, uma vez que

Análise consiste em analisar os dados estatísticos e está ligada essencialmente ao cálculo de

medidas estatísticas, com a finalidade principal de descrever o fenômeno de estudo.

É a última fase do trabalho estatístico e nela o interesse maior é tirar conclusões que
Conclusão
auxilie o pesquisador na resolução do problema de pesquisa.

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3.4 Elaboração do questionário de pesquisa

O planejamento de pesquisa também envolve a condução de procedimentos metodológicos e construção de um

questionário, que são etapas longas e devem ser executada com muita cautela. Um aspecto fundamental, nesta

fase da pesquisa, é o planejamento do uso das respostas dos diversos itens do questionário para responder às

indagações da pesquisa.

O questionário precisa ser feito de forma a facilitar a análise dos dados. Tendo os objetivos da pesquisa definidos

e a população ou amostra a ser estuda, por exemplo. Alguns aspectos da construção do questionário devem ser

levantados, como:

•1

Separar as características a serem levantadas: em uma pesquisa sobre saúde do paciente, por

exemplo, as características a serem levantadas são: gênero, diabetes, pressão arterial, estilo de vida

(alimentação, exercícios, atividade profissional, horas de sono etc.), doenças anteriores, histórico

familiar, idade, entre outros.

•2

Fazer uma revisão bibliográfica: é necessário para verificar a forma de mensuração das variáveis ou

de algumas características. Como exemplo: grau de concordância (como medir concordância?), classe

socioeconômica (como medir? Pelo IBGE? Por outra escala?).

•3

Estabelecer uma maneira de mensuração das variáveis a serem levantadas: a unidade de medida

deve acompanhar as respostas, no caso das variáveis qualitativas. Sugere-se a construção de uma lista

completa das alternativas, inclusive, quando necessário, as categorias “outras” e “não tem opinião”.

•4

Elaborar uma ou mais questões para cada característica a ser observada: algumas questões mesmo

bem formuladas, às vezes, são respondidas de maneira imprecisa. Ao perguntar a idade do indivíduo, há

uma tendência dos respondentes arredondarem a idade. Assim, sabendo dessa possibilidade, pode-se

formular uma ou duas formas de pergunta, por exemplo, “Qual é a sua idade?”, “Data de nascimento” ou,

ainda, “Qual é o ano de seu nascimento?”. Logo, resultará em respostas mais confiáveis.

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5

Elaborar uma ou mais questões para cada característica a ser observada: algumas questões mesmo

bem formuladas, às vezes, são respondidas de maneira imprecisa. Ao perguntar a idade do indivíduo, há

uma tendência dos respondentes arredondarem a idade. Assim, sabendo dessa possibilidade, pode-se

formular uma ou duas formas de pergunta, por exemplo, “Qual é a sua idade?”, “Data de nascimento” ou,

ainda, “Qual é o ano de seu nascimento?”. Logo, resultará em respostas mais confiáveis.

•6

Verificar se a questão está formulada de forma clara e objetiva: deve considerar os aspectos de

linguagem compreensível para todos os indivíduos da população ou amostra. As questões devem ser

expressas de maneira mais simples e clara possível, uma vez que uma questão mal formulada pode

conduzir a resultados inconclusivos e desperdício de tempo e dinheiro da pesquisa.

•7

Verificar se a forma da questão não está induzindo algumas respostas ou se a resposta não é óbvia

: existem questões que podem induzir o respondente a dar uma determinada opinião, como por exemplo,

“suponho que a causa do seu desemprego seja a recessão econômica”. Nesse caso, a grande maioria dos

respondentes pode dizer que sim, sendo dado a resposta pronta para ele. O ideal seria “qual a causa do

seu desemprego”.

•8

Evitar certos tipos de questões: existem questões que não precisam ser formuladas, pois pode deixar o

respondente suscetível a não responder ou desistir de participar da pesquisa ou, ainda, dar informações

que não correspondem a veracidade dos fatos.

Como exemplo, uma pesquisa sobre a saúde da mulher questionou se as mulheres casadas vivam ou não

com os legítimos maridos e se tomam banho com eles. Esse questionamento leva os respondentes a dar

uma resposta de aceitação geral, nesse caso todas as mulheres responderam que sim. Nenhuma

demonstrou em sua resposta algo diferente e é possível que a resposta não corresponda aos fatos.

•9

- 16 -
Ordem da questão e o tamanho do questionário: a disposição das questões dentro do questionário

devem obedecer a uma ordenação, ou seja, questões mais simples e genéricas até as questões mais

pessoais, seguindo uma sequência lógica e aumentando o grau de profundidade. Além disto, as questões

não devem passar rapidamente de um assunto para o outro.

O pesquisador deve ter em mente que não pode formular um questionário com muitas questões porque,

além de ser estressante, o tempo disponível para o respondente pode não ser satisfatório. Isto poderá

acarretar respostas que não correspondem com a realidade. Caso seja necessária uma pesquisa extensa,

é preferível dividir em etapas para não cansar o respondente.

• 10

Instruções e definições da pesquisa: o pesquisador não deve ter dúvidas dos objetivos, termos e

unidades que devem ser usados na pesquisa. Exemplo: em uma pesquisa sobre habitação, faz-se a

pergunta “quantos cômodos tem sua casa?”. O termo “cômodo” inclui todas as dependências da casa,

inclusive a lavanderia e outros quartos fora de residência. O pesquisador deve ter em mente que pode

surgir dúvidas de interpretação do conceito usado. Além de estar ciente disso, se ele precisar de uma

outra pessoa na aplicação do questionário, é necessário esclarecer as definições dos termos encontrados

nas questões.

• 11

Planejamento da tabulação das questões: as questões devem ser pensadas em como será o formato de

tabulação dos dados. Assim, as questões devem ser formuladas para que sejam fáceis de categorizar e

tabular as questões após a coleta de dados, denominando tratamento dos dados.

Na fase do tratamento de dados, o pesquisador transforma os dados brutos (formato que o respondente

preencheu o questionário) em dados cadastrados e digitados, em um arquivo ou software.

Recomenda-se evitar muitas questões abertas no questionário, substitua por questões fechadas para

possibilitar uma apuração mais rápida.

• 12

Realizar o pré-teste ou pesquisa piloto: após o término da formulação do questionário, antes de ser

utilizado na pesquisa é necessário fazer um pré-teste ou pesquisa piloto. O pré-teste corresponde a uma

- 17 -
experimentação do questionário, com propósito de verificar se as questões foram formuladas de

maneira clara e se não há nenhum problema com o entendimento das questões por parte dos

respondentes.

O questionário deve ser aplicado com alguns indivíduos com características similares aos indivíduos da

população. Somente com a aplicação teste do questionário é que é possível detectar algumas falhas que tenham

passado despercebidas em sua elaboração, tais como: interpretação das questões por parte dos respondentes,

ambiguidade de algumas questões, resposta que não havia sido prevista etc. Também é uma maneira de analisar

de forma crítica os dados da pesquisa. Além disto, o pré-teste também pode ser usado para estimar o tempo de

aplicação do questionário efetivo.

Ao trabalharmos com questionário devemos estar cientes que este deve ser completo e abranger características

necessárias para atingir os objetivos da pesquisa. Assim, não deve conter questões que fujam destes objetivos,

pois, quanto mais longo o questionário, menor tende a ser a qualidade e a confiabilidade das respostas. Após a

realização do pré-teste, o questionário poderá ser aplicado com os indivíduos participantes da pesquisa.

3.5 Análise dos resultados da pesquisa

É importante relembrar que, para chegar na fase do trabalho estatístico de análise dos resultados, é necessário

realizar a coleta de dados, fazer o tratamento dos dados com a cadastramento e digitação e, em seguida,

apresentar os dados em forma de tabela e gráfico. A partir daí, realiza-se a fase de análise de dados.

Na fase da análise de dados, o pesquisador pode determinar as características dos participantes do estudo por

meio de cálculos (quantidade, proporção, porcentagem etc.), calcular as medidas estatísticas, tais como: média,

mediana, moda, variância, desvio padrão, entre outras medidas e verificar hipóteses estatísticas (aplicação de

testes estatísticos).

Para finalizar a pesquisa, deve ser feito um relatório informando todos os passos percorridos, ou seja, todas as

fases do trabalho, indicando objetivo, metodologia da pesquisa, as fases do trabalho estatístico, dificuldades e

limitações da pesquisa, além de apontar os resultados obtidos, sejam positivos ou negativos.

Assista aí

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é isso Aí!
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer o que é estatística e bioestatística;
• saber os principais conceitos de estatística;
• a importância do planejamento de pesquisas científicas;
• as fases do trabalho estatístico quando se realiza uma pesquisa;
• um bom desenvolvimento de questionário de pesquisa.

Referências
BLAIR C. R., TAYLOR A. R. Bioestatística para ciências da saúde. Tradução de Daniel Vieira. São Paulo: Editora

Pearson Education, 2013.

BUSSAB O. W., MORETTIN A. P. Estatística básica. 5 ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2002.

FREUND E. J., SIMON A. G. Estatística Aplicada a Economia, Administração e Contabilidade. 9 ed., São Paulo:

Bookman, 2000.

MARTINS A. G, DONAIRE D. Princípios de Estatística. Rio de Janeiro: Atlas, 1990.

VIEIRA S. Introdução à Bioestatística. 3 ed., Rio de Janero: Elsevier, 1980.

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