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EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE

CONTAS DO DISTRITO FEDERAL.

REF: Processo nº 16.950/08 – 2ª ICE


DECISÃO Nº 8184/2009-TCDF

Gilza Marques Guimarães, então Chefe da Central de Compras


da Subsecretaria de Suprimentos da Secretaria de Estado de Planejamento e
Gestão do Distrito Federal à época da ocorrência dos fatos inspecionados, em
atendimento à determinação contida na DECISÃO Nº 8184/2009, de 15 de
dezembro de 2009, vem apresentar, tempestivamente, as razões de
justificativas compreendidas na esfera de competência da Pasta pela qual
respondia, no tocante aos procedimentos adotados na licitação destinada à
aquisição de livros paradidáticos para a Rede Pública de Ensino do Distrito
Federal, Pregão Eletrônico nº 571/2008-CECOM/SUPRI/SEPLAG, cujo
Edital é objeto de exame no Processo nº 16.950/08 - 2ª ICE.

Preliminarmente informa que, em cumprimento à anterior


DECISÃO Nº 2959/2008, de 05 de junho de 2008, o Pregão Eletrônico nº
571/2008-CECOM/SUPRI/SEPLAG foi objeto de suspensão cautelar até ulterior
determinação dessa Corte. A suspensão alcançou o processo licitatório logo após
a publicação do Edital, antes que qualquer sessão fosse realizada, e é mantida
pela atual Chefia da Central de Licitações da Subsecretaria de Suprimentos da
Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Distrito Federal, até ulterior
determinação.

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Desta feita, passa-se à apresentação dos esclarecimentos
determinados à ora justificante, seguindo a mesma seqüência tópica da Decisão
em referência:

a) DO DESCUMPRIMENTO DO PARECER Nº 086/2008-


PROCAD/PGDF PELA SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
a. Descumprimento, por parte da Secretaria de Estado de
Educação, das orientações expedidas pelo Parecer nº 086/2008-
PROCAD/PGDF, da Procuradoria Geral do Distrito Federal, que
apontou infrações às normas emanadas do Ministério da
Educação/Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação –
MEC/FNDE para a seleção do material segundo critérios objetivos e
transparentes.

O PARECER Nº 086/2008-PROCAD/PGDF foi prolatado em


atendimento a consulta da Central de Compras que submeteu ao exame e
pronunciamento daquela Casa jurídica a contratação direta da ALLEGRA
EDITORA E COMÉRCIO DE LIVROS LTDA, que a Secretaria de Estado de
Educação pretendia realizar, no valor estimado de R$ 13.640.000,00 (Despacho
à fl. 186), através do Processo nº 080.010.425/07.

Na ocasião, a despesa foi estimada ao abrigo das dotações


orçamentárias destinadas à Manutenção do Ensino Fundamental (R$
8.140.000,00) e Manutenção do Ensino Especial (R$ 5.500.000,00), conforme
informação que consta à fl. 183.

De forma peremptória, o PARECER Nº 086/2008-


PROCAD/PGDF (fls. 189/199) posicionou-se pela impossibilidade, na
ausência de enquadramento legal, da contratação direta para aquisição
dos livros paradidáticos pretendidos, ressaltando que tal aquisição deveria, após
seleção prévia das obras pelos professores, ser precedida de licitação e destinar-
se às bibliotecas e não aos alunos do DF.

Foi ainda evidenciado que a pretendida aquisição daqueles


livros paradidáticos: i) não obedecia a critérios técnicos; ii) não possuía
comprovação de valores de mercado; e, iii) não guardava compatibilidade com a
aquisição de livros didáticos feita pelo FNDE em 2006.

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Quando se referiu ao preço estimado para a aquisição o
PARECER Nº 086/2008-PROCAD/PGDF ressaltou:, “...não há fundamento
para o preço apresentado, que parece estar muito acima do preço de mercado,
em comparação com a compra de livros didáticos.” Noutro trecho, a i
Procuradora já declinara que “O preço definido, por seu turno, não possui base
de comparação com obras semelhantes disponíveis no mercado. O total a ser
gasto, porém, é muito maior do que aquele investido pelo FNDE para a aquisição
de livros didáticos para alunos do Ensino Infantil e Fundamental do Distrito
Federal.”

Considerando que as questões tratadas no PARECER Nº


086/2008-PROCAD/PGDF são afetas à competência do órgão requisitante, e em
cumprimento às orientações nele contidas, os autos foram restituídos à
Secretaria de Estado de Educação com a informação de que o Parecer fora
desfavorável à aquisição direta pleiteada. (fl. 200)

Naquele órgão, a i. Subsecretária de Educação Básica proferiu


o Despacho de fl. 202, onde ratificou “...que persiste a necessidade de aquisição
das coleções e dos kits complementares.”

Após a juntada do esboço do novo Pedido de Aquisição de


Material (PAM), fls. 204/205, que descreve a mesma Coleção “Aproximando as
Diferenças”, da Editora Allegra, a reestimativa da despesa foi solicitada pela i.
Diretora de Compras e Serviços da Secretaria de Estado de Educação, “...para a
realização de procedimento licitatório pertinente.”

A nova Pesquisa de Preços foi encartada às fls. 207/222, o novo


esboço de PAM preenchido em relação ao preço unitário e total do objeto
pretendido, de R$ 26.817.466,67 (fl. 223/224), e a requisição do item no
Sistema e-Compras – PAM 0124/2008 consta à fl. 226/227.

A seguir, fl. 228, o Gerente de Compras solicitou que o processo


fosse encaminhado à Diretoria de Programação Orçamentária e Financeira da
Secretaria de Estado de Educação para que fosse juntada a informação de
disponibilidade orçamentária, e posteriormente à Unidade de Administração
Geral daquele órgão para deliberação, entendimento acolhido no Despacho da
Diretora de Compras e Serviços/SE, fl. 229.

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Desse ponto em diante, o processo saiu do trâmite da Unidade de
Administração Geral/SE, órgão responsável pela ordenação da despesa, e,
contrario sensu, o Despacho seguinte é da Subsecretária de Educação Básica/SE,
dirigido ao Gabinete da Secretaria de Estado de Educação, solicitando “revisão na
aquisição direta”, observando o Parecer da PGDF. A avocação prosseguiu.

No Despacho seguinte, fl. 231, a Excelentíssima Senhora


Secretária Adjunta da Secretaria de Educação restituiu os autos à Secretaria de
Estado de Planejamento e Gestão, nos termos da Ordem de Serviço nº 001, de
05 de janeiro de 2006, “solicitado verificar a viabilidade de aquisição de
materiais e contratação de serviços na modalidade de pregão”, uma vez que a
Procuradoria-Geral entendera impossível a aquisição pretendida por
inexigibilidade de licitação.

Ressalte-se, por oportuno, que a Ordem de Serviço nº 001, de


05 de janeiro de 2006 (DOC 01), dispõe sobre os elementos que devem
instruir os processos para fins de licitação, e condiciona o seu envio à conclusão
da fase interna de responsabilidade do órgão requisitante. Tais providências
incluem, dentre outras, que os autos sejam instruídos com projeto básico,
pesquisa de preços, informação de dotação orçamentária e autorização para a
realização da despesa.

Neste sentido, foi diante do fato de que o processo fora avocado


pela autoridade superior, e da afirmação da Senhora Secretária Adjunta da
Secretaria de Educação, no Despacho de fl. 231, de que o retorno à Central de
Compras se dava nos termos da Ordem de Serviço nº 001, de 05 de janeiro de
2006, é que o mesmo foi conferido pela Assessora da Central de Compras, que o
restituiu à origem para aposição de assinatura dos responsáveis nos documentos
de fls. 202, 203 e 228 que se encontravam apócrifos. Aqui cabe um adendo:

a) à fl. 202, a i. Subsecretária de Educação Básica proferiu o Despacho onde


ratificou “...que persiste a necessidade de aquisição das coleções e dos kits
complementares.” ;

b) à fl. 203, o Gerente de Multimídia da Subsecretaria de Educação Básica


ratifica o Parecer da Diretoria de Ensino Fundamental e assegura que a

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aquisição da coleção e dos kits complementares visa ampliar o acervo das
salas de leitura das Escolas Públicas;

c) à fl. 228, o Gerente de Compras solicitou que o processo fosse encaminhado


à Diretoria de Programação Orçamentária e Financeira para que fosse juntada
a informação de disponibilidade orçamentária, e posteriormente à Unidade de
Administração Geral para deliberação.

Naquela Secretaria de Educação, a i. Diretora de Compras e


Serviços/SE encaminhou os autos à Subsecretaria de Educação Básica/SE,
solicitando assinatura dos despachos contidos à fl. 202 e 203, ignorando que fora
solicitado o mesmo para o Despacho de fl. 228. Sem qualquer justificativa, e
dizendo ter atendido ao requerido, restituiu os autos à Central de Compras “para
prosseguimento”. Ora, se não compete à Central de Compras informar dotação
orçamentária, justificar e autorizar despesa de qualquer órgão ou ente desta
Administração, qual a razão que justificaria lhe encaminhar qualquer processo,
senão para licitar?

Presume-se que a Excelentíssima Senhora Secretária-Adjunta de


Educação não esperava beneficiar-se de um lapso de conferência que poderia ser
cometido, à luz e tantas idas e vindas processuais, de modo que o retorno do
processo, pela terceira vez, à Central de Compras, somente se poderia presumir
que fosse para licitar.

Contrario sensu à ciência da instrução inadequada a licitar,


insistiu em dar prosseguimento a uma questionável aquisição, à revelia do teor
do PARECER Nº 086/2008-PROCAD/PGDF e dos Despachos proferidos por
servidores da própria Secretaria de Educação que alertavam para a necessidade
de instruir adequadamente os autos. Ressalte-se que o processo passou pelos
setores competentes da Secretaria de Educação, e em todos foi evidenciada a
ausência dos elementos necessários ao prosseguimento do feito.

Em relação às justificativas apresentadas através do OFÍCIO


Nº 88/2008 – GAB/SEADJ – SEDF, já devidamente tidas por improcedentes
pela 2ª ICE, na Informação nº 32/09-2ª ICE/TCDF, caso a Secretaria de
Educação não tivesse mais interesse na aquisição dos livros paradidáticos da
Editora Allegra, porque autuaria posteriormente mais dois processos com o

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mesmo objeto e reiterados vícios? Sim, porque existem mais dois processos,
posteriores à suspensão cautelar pelo TCDF e à solicitação de “cancelamento” do
certame pela Secretaria de Educação, por “ausência de interesse”, que devem
ser considerados pela pertinência com a presente inspeção. Trata-se dos
processos administrativos de nºs 080.020.798/2008 e 080.004.274/2009, cujo
objeto deve ser cotejado à luz do ora inspecionado.

Oportuno esclarecer que a Lei Distrital nº 2.340, de 12 de abril de


1999, com a redação da Lei nº 2.568, de 20 de julho de 2000, criou a Central de
Compras e Licitações do Distrito Federal "com a finalidade de centralizar as
licitações de compras, obras e serviços da Administração Direta, Autárquica e
Fundacional, e das Empresas Públicas do Distrito Federal”, e submeteu as
contratações no âmbito da Administração Direta e Indireta do Distrito Federal à
anuência deste órgão, em cujas atribuições encontram-se as de coordenar,
controlar e executar procedimentos licitatórios e processos de dispensa e
inexigibilidade de licitação.

Assim é que, ao coordenar, controlar e executar procedimentos


licitatórios, à Central de Compras não compete definir o objeto do interesse de
qualquer órgão ou entidade da Administração direta ou indireta do Distrito
Federal. Não se afigura, dentre as atribuições regimentais da então Central de
Compras, a definição de objeto pretendido por qualquer das Unidades
Administrativas do Distrito Federal, a pesquisa de preços correspondente ou a
informação de dotação orçamentária necessária à realização da despesa.
Competia à Central de Compras, agora Central de Licitações (renomeada pelo
Decreto nº 31.249, de 14 de janeiro de 2010), a realização do procedimento
licitatório que possibilitará a aquisição ou contratação pretendida, e não a
compra em si, uma vez que trata-se de órgão que centraliza as licitações, nada
compra.

Por conseguinte, o Projeto Básico da licitação ora inspecionada foi


elaborado pelo órgão interessado na aquisição dos livros paradidáticos objeto do
Pregão Eletrônico nº 571/2008-CECOM/SUPRI/SEPLAG, Secretaria de Estado de
Educação, cujos esclarecimentos deverão adentrar o mérito da escolha. Nesse
sentido, já se posicionou a que informação que fundamentou a Decisão que ora
se cumpre, Informação nº 32/09-2ª ICE–TCDF, que concluiu, de forma

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peremptória, serem improcedentes as Razões de Justificativa apresentadas pela
Excelentíssima Senhora Eunice de Oliveira Ferreira Santos*, Secretária Adjunta
da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal no Ofício nº 88/2008-
GAB/SEADJ (*servidora nominada no § 4º da Decisão nº 2.959/2008).

b) DA DEFICIENTE PESQUISA DE PREÇOS


b) deficiente pesquisa de preços, que levou à estimativa de preços
83% superior (acréscimo de R$ 11.370.000,00 àquela obtida em
dezembro de 2007, em ofensa aos princípios da economicidade e
do atendimento ao interesse público.

Consoante Ordem de Serviço editada para regulamentar a


instrução dos processos licitatórios, a pesquisa de preços encontra-se a cargo do
órgão interessado na aquisição ou contratação. Dessa forma, a existência da
pesquisa de preços nos autos é condição suficiente para admissão do processo, à
qual é atribuída a presunção de legalidade, veracidade e legitimidade, em razão
de tratar-se de ato administrativo.

A pesquisa de preços que culminou com uma estimativa de


preços 83% superior à obtida para o mesmo produto 3 (três) meses antes foi
elaborada pelo órgão interessado na aquisição dos livros paradidáticos objeto
desta inspeção, razão pela qual compete exclusivamente à Secretaria de Estado
de Educação adentrar, esclarecer e justificar o ocorrido.

Quanto à Central de Compras, que não divulgava, à época, os


preços de referência, a licitação na modalidade pregão era tida como suficiente
para conduzir a valores de mercado preços eventualmente superestimados.

Diante do exposto, a Justificante vem, perante essa Egrégia Corte


de Contas, requerer o acatamento das presentes razões de justificativa.

Em de março de 2010.

Gilza Marques Guimarães

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