Você está na página 1de 1588

com&o PHILIPPINO

ORDENAGDES DO RE1H0 DS PORTUGAL


| ...p p f | g | | | | p ^ |
v’ , ■ V«*s«#

CODÍGO P H IL IP P IIO
ou

0RDENAÇ0ES E LEIS
DO

R E I N O OE P O R T U G A L
H E C O P IL A D A S PO R MANDADO D’E L -R E Y D. P H I L I P P E I.

DECIMA-QUARTA EDIÇÃO.
SEGUNDO A PRIMEIRA DE UiOJ, E A NONA DE COIMBRA DE mi.

ÀDD1CION ADA COM DIVERbAb NUT AS PHILULOGICAS, HISTÓRICAS E EXEGETICAS, t.M QUE SE IN DIE AO

AS D1FFERENÇAS ENTRE AQUKLLAS EDIÇÕES E A V[RENTIN'A D E l 7 l 7 , A ORIGEM, DESENVOLVIMENTO E EXTINCÇÃO DE

CADA IN S TITU IÇ Ã O , SOBRETUDO AS DISPOSIÇÕES HOJE EM DESUSO E REVOGADAS; ACOMPANHANDO

CADA PAR AG RA rilO SUA FONTE, CONFORME OS TRABALHOS DE MONSENHOR JOAQUIM JOSÉ

FERREIRA GORDO E DOS DESEMBARGADORES GABRIEL PEREIRA DE CASTRO E JOÃO

PEDRO RIBEIRO; E EM ADD1TAMENTU A CADA LIVRO A RESPECTIVA LEGISLAÇÃO BRAZ1LEIRA

CONCLRNENTE AS MATÉRIAS CODIFICADAS EM CADA U M , SENDO DE QUOTIDIANA CONSULTA,

A LLM DA BlDLIOGRAPilIA DOS JURISCONSULTOS QUE TEM ESCRIPTO SOBRE AS

MESMAS ORDENAÇÕES DESDE 1003 ATÉ O PREZENTE.

POR

CÂNDIDO MKNíJDi5fe> 13E, ALMEIDA.

ADVOGADO NESTA L O M E .

'O --

R IO D E J A N E IR O

TVPOGIIAPHIA DU INSTITUTO PH1LOMATHICO

68 — H l1A ÍETJi DE SETEMURO — 68

1870

%
jp M U P W g p —aaww s ^ BjP y ^ ' V ” ” '" ^

AO LEITOR.

R n z ã o d r a in e lir n .

0 nosso Legislador constituinte tez ao Paiz no art. 179 § 18 da Consti­


tuição a solemne promessa de, quanto antes, dota-lo com dous Codigos,
um C rim in a l, e outro Civil, fundados nas solidas bases da justiça e equi-
dade.
A prim eira parte desta obrigação foi logo satisfeita com a Lei de 16 de
Dezembro de 1830, que decretou o Codigo Criminal vigente, o trabalho
mais importante da primeira Legislatura.
Não obstante, não deixa de ser deficientissimo, e exliibe em si a prova
de que foi elaborado com pressa, e sem a madureza que taes com m elti-
mentos demandão; maxime depois dos abalos por que o Paiz acabava de
atravessar.
Havia em verdade justificado motivo no açodamento do Legislador. V i­
gorava ainda o Codigo Penal do antigo regimen, a Ord. do liv . o», cuja
penalidade, sobre modo aspera e anachronica, dava largas ensanchas ao ar­
bítrio do Juiz; mas que ainda seria supportavel, se não fosse acompanhada
do respectivo processo, inquisitorial, vexatorio, e avesso ás doutrinas que
a Constituição inaugurava.
Após vinte annos da promulgação deste Codigo decretou a Lei n. 356
— de 23 de Junho de 1850 outro, referente ás matérias de commercio.
Já era tempo para o estudo e organisação do Codigo Civil, que o Legis­
lador constituinte promeltêra organisar —quanto antes. A nova Sociedade
educada nas doutrinas da Constituição reclamava-o com anciosa solicitude,
à despeito das difflculdades á vencer em obra de tanto vulto.
Não somos dos que acredilão que um Codigo signifique o efieito da
decadência das luzes e da sciencia do Direito, como já o disse alguém, á
respeito dos de Roma. . . .
Pensamos com outros que a palavra Codigo implica uma idea de
adiantamento, de progresso nos Povos; acreditamos que he a ordem que
succede á confusão, a civilisação à barbaria.
Acreditamos também, que um Codigo, em qualquer ramo de_ Legislação,
importa a fixação de uma epocha, em que se mostra a alteração que tem
havido nas idèãs, nos costumes e no modo de viver de qualquer Nação, de
que a lei codificada he a melhor e a mais assignalada expressão.
Não desconhecemos as difflculdades de um Codigo Civil, especialmenle
na presente epocha; difflculdades que não reputamos insuperáveis. Mas
também entendemos que a obra que merecer o cunho legal, deve revestir-
se não só de sabedoria, mas de conveniência, opportunidade e madureza.
E, para conseguirmos tal desideratum, lie desculpável a demora que tiv e r
por fundamento o esforço de acertar e de aperfeiçoai.


vi
Já no sentido de dotar o Pai& de uni Codigo C iv il ussignalou-se um
dos nossos mais distinctos Mestres do nosso Direito, que oceupou a pasta da
Justiça, provocando com o Dec. n. 2318— de 22 de Dezembro de 1858 o
estudo e organisação de um tal trabalho, que soube confiar a uma das
eminências da Jurisprudência P atria.
O projeclo, por ella elaborado já foi sujeito ao exame de uma douta
Commissão, cujos estudos forão interrompidos por causas que o publico
conhece. He de presum ir que o Governo, tanto como a Nação, empe­
nhado em levar ao fim tão elevado commeltimenlo faça recomeça-los.
O que nos legou o antigo regimen com este nome não passa em geral
das Ords. dos livs. 3o e 4“ com o subsidio do Direito Romano, e as Leis e
ados do Governo que se forão seguindo á reclamo das circiimsiancias no
espaço de 267 annos, atravez de revoluções políticas e sociaes, que em
tão largo prazo tem succedido.
Compulsar uma tal Legislação, que deve ser por todos conhecida, lie
de colossal dilíiculdade ainda para os que se dedicão áo seu estudo. Ife
indispensável m uita tenacidade, e hercúleo alento para consegui-lo. Lm
Governo desvelado e patriótico, à frente da Sociedade que dirige, deve es­
forçar-se p o r m inorar, senão extinguir este mal.
Diz-se de Caligula, um dos tyrannos mais insensatos e engenhosos da
antiga Roma, que para evitar que os Cidadãos conhecessem as Leis, orde­
nava que as respectivas laboas fossem penduradas no ponto o mais alto.
Leis confusas e numerosas por oolleccionar, ou im p rim ir, e ainda em
Collccções diliiceis de possuir e de consultar, satisfazem com mais elflcacia
o ideal daquelie monstro.
Portanto, no estado em que presentemente se acha nossa Legislação
Civil, attentos os embaraços com que se luta para se levar á bom term o,
e em tempo curto o Codigo que desejamos; pareceu-nos que, como
remedio provisorio, não seria mal recebida pelos cultores de nossa
Jurisprudência uma edição das nossas Ordenações, isenta de erros, e acom­
panhada em resumo e inlegrafm ente da Legislação subsequente que alte­
rou, declarou ou alargou o circulo das suas disposições.
Consultamos com esse proposito.todas as edições das Ordenações desde
a prim eira de 1603 até a ultim a de 1865, demorando-nos no estudo das
principaes a Vicentina de 1747, e a de Coimbra de 1824, organisada pelo
Dr. José Corrêa de Azevedo Morato, Lente substituto de Leis da mesma
Universidade, o mais distinclo revisor daquelie Codigo. Na compilação da
Legislação extravagante recorremos as melhores Collecções, ainda que
despendemos algum tempo com as outras, tendo só por alvo— acertar.
Para to rn a r menos afanoso o labor da consulta e exame do respective
texto, fizemos o empenho que nossas forças perm ittião, lendo sempre em
m ira a juventude que cursa nas Faculdades de Direito, e que aliás dispõe
em seu tirocínio de tão lim itado tempo.
Assim, alem das fontes próximas que se encontrará no fim de cada
paragrapho, acharão os estudiosos, nos lugares competentes, notas phi-
lologicas, históricas e exegeticas; e, como commentario, por extenso ou
em resumo, o que expenderão os nossos Juristas discursando sobre cada
um, segundo o que nos pareceu mais adaptado, e conveniente à in te lli-
gencia daquelles para quem nos disposemos trabalhar. Nessas notas se
se achão concisa mas claramente enunciadas todas as obras, com indicação
do tomo e pagina, dos Jurisconsultos antigos ou modernos que com o as­
sumpto mais ou menos se occuparão.
%

V II

Eis a razão desla publicação; e parece que só por si nos justificará aos
olhos dos Juízes maís competentes e severos.
Mas dir-se-ha, se o Direito Civil das Ordenações está encerrado nos
livros 3o e 4o, e em alguns titulos dos livros I o e 2o, que utilidade haverá
na publicação de disposições revogadas, e em desuso ?
A esta objecção respondemos, que uma obra truncada perde grande
parte do seu merecimento ; accrescendo que as Leis obsoletas, em desuso,
ou revogadas conservão ainda o valor historico, servindo muitas vezes
o seu conhecimento para a intelligencia ainda das Leis que se achão em
vigor, contendo algumas m ui sã doutrina,e excellentes princípios de D ireilo,
’Ateis de saber.
Não he portanto um estudo de simples erudição e de ornato, tem sua
importância como o do Direito Romano, e das Leis estranhas ao nosso Paiz,
sobre tudo em relação ao mesmo Codigo Philippino tão difíicil de compre-
hensão em muitos dos seus paragraphos.

II. .

H is t o r ic o tio I.c s islu ç iH » P o r t u & n c z a , e d e s e u s C o ilig o s a té


a c p o c lm «la liM lri> e n < le iie ia . O D i r e i t o H o m a n o .

O D irèilo Civil Porluguez encerrado nas Ordenações Philippinas contem


dous elementos, a Legislação nacional, fructo das ideas, opiniões, e cos­
tumes da população em differentes epochas; e a Romana, considerada
Direito Commum, tanto a que foi incorporada, como a que o Legislador
considerou subsidiaria.
Não será indifferenle ao estudo do Direito Pátrio dar nesle_ lugar, ainda
que perfunctoriamente, uma idea da historia dessa Legislação que tanta
influencia exorcêo, e ainda exerce nados Povos civilisados, afim de po­
dermos apreciar o modo, e a epocha em que veio in flu ir e dominar no
nosso Direito.
Parece-nos entretanto escusado remontarmo-nos, para apanhar o fio
dessa historia, aos primeiros séculos do Poder Romano, tempos quasi
que inteiramente desconhecidos, ou sob a influencia da legenda; de Ro-
mulo, á fundação do regimen Consular : ainda_que a historia, sob a fé do
Jurisconsulto Pomponio, aponte uma Compilação feita na epocha de Tar-
quinio o Soberbo, pelo Pontífice máximo Sexto Papirio, denominado Jus
Civile P apirianu m , commenlado na epocha de Cicero pelo Jurisconsulto
Granio Flavio.
Tomamos o nosso ponto de partida do Codigo chamado Leis das Doze
Taboos, uma das conquistas do Povo Romano sobre o Patriciado depois
da expulsão dos Reys, no anno 300 da fundação de Roma.
Sabe-se pela historia, ainda que hoje contestada pela critica moderna,
que trez Patrícios forão mandados á Grécia para compilarem a respecliva
Legislação, afim de se fazer a applicação em Roma. Esses enviados trouxe-
rão um”a copia das Leis Atticas, e Herm ódoro, desterrado de Epheso, para
explica-las; por cujo serviço uma estatua lhe foi erigida na. cidade eterna.
Deste exemplo se vê que a codificação de uma Legislação nao lie,
como pretende certa escola, o .effeito da decadência das luzes, e da scien-
cia do Direito em uma Nação.
A codificação dn Legislação de qualquer Estado, como ja notamos, re-
VIU

■« re™-

-oucia he „
momento em que a Iribu de Israel ia c o n s titu i^ lM de Deos’ dados no
pn.r n dlZie r que a c°dificação de uma tal i p m c i 'r™ ; e nin&uem ou-
c a das luzes e da sciencia do Direito " g s açao s,§uificasse a decaden-
As Leis de Minos, de Lycureo p V i » «nl„
beis dos Povos da raça Hellenica não const;?,,°~ ’ ÍJUe erao c°dificaçôes das
(,es*a r aça, depois Ião illuslre na historia da h?™ma- ?P?cha de decadência
Depois que Roma fez a ronm s il ui? , humanidade.
epoz-se a frente dos povosTathms parle da fta lia - consolidou-;,
n d a T n f etSlaS sob o seu re g im e n T i’ n Gp?cha azada Para
! ! i i -esti ari8eJr0 as L m chamadas d a ^ h T r ) quando mandou com-
PF & a t , ° a''í' e“ ' i e coslumes « r e m e s " *’ qm im Poz a « »
I M a ç i o ? s e 7 d ™ e a,,SOde<i“ d™ “ - p r „ gre8s„ , de conso.

( l e n l r o X T S , ° o C o % / * ™ 7 í CS 7 , r iSiçao de ‘« ilo r io s fóra e


quanto durou o trabalho da c o n q u i s t S w i i n T T 80 ,ns,)fflcienle ; e em
nm í IT ú -r nosPrimeiros seculos do I m p é r i o t empo daRe-
uma codificação da Legislação u-Tn mhJ? ° ’ , ® c il senão impossível en
, , * » trabalho a p p a ^ f t o “ e a 1 ? T " * * (leC0ITi'1»
lratou-se de organisar e conservarão l e r r i S J ls c.0l" J " 'slas cessou, c

*’X1
: ssr*s
"
icita
í“
-
t i E S r ,iecessí<ia'te’ -
z fz io «»“ “ »

fS te t t g S ® e
Cldadao Romano foi conferido á t S d o s í s h a b & S ? Ll| ulot 0 Privilegio de
He mesmo nessa épocha ciue rompei lia b llanles do Império,
chamada da Jurisprudência Ro n S ? m í ’7 a embreve a idade de ouro
pon.os. Gaios ou Gaios Pani S r. que florescerao os Julianos p0m
„ 0 «asi todos e s c r e v i C ? d P S E T * Paulos- e Modestinos ’
Echcto perpetuo, sobre t udo ( lj>iar?o P‘ UdenCia era rela?ao ao famoso o

em que S ' at é Constantino,


século, quando já grande oa-fp Jn ’- j m.esn\° ale Justiniano no sexto
povos Germânicos, { * * $ % & & } > * <■* *» ™ l» era preza“ s
muitas alterações. 0 n oeb’ e bancos, soffrêo a Legislaçãao

Legis 1açã^>,1^poi-^isso°seZtfnl',T' teí* i m p o U ? 1^6 d? uma c°diflcação na


costumes e nas circmnstanciasdo P a T revnl,,^ ° na« ideas, nos

cellas, regidas por d o u s '^ u g ^ 0,11 quatro grandes par-

p a s *
heno ou Diocleciano • a qual fo l ? P, ad° res desde Adriano até G<d-
geniano a,é a épocha
I m •M k

IK

Estei? dous Codigos, oa antes compilações não linhão o caracter de Leis,


mas nem por isso deixarão de ler authoridade entre os que estudavão e#
praticavãoa Jurisprudência.
A elevação de Constantino fórma na historia do Império Romano, uma
épocha de summa importância, pela revolução radical que houve nos prin­
cípios do Governo, ou antes na religião dos Imperanles, predominando o
Christianismo, anteriormenle perseguido, sobre o Paganismo, culto até
então dominante e perseguidor.
Esta simples alteração produzio, tanto nos costumes,como na Legislação,
mudanças extraordinárias; mas os effeitos dessa reforma somente se sen­
tirão com mais efíicacia nos reinados que se seguirão.
Assim no reinado de Theodosio II o Moço tornou-se necessário codi­
ficar-se a Legislação. Estava completa a revolução inaugurada por Cons­
tantino, o Mundo Romano em menos de 120 annos estava christianisado ;
o Império dividido tendo por capitaes Roma e Constantinopla; além de
que os accommettimenlos dos barbares invasores tanto nas regiões do Da­
núbio, como na Europa Occidental de que já se havião em grande parte
apossado, alterarão toda a economia do Estado, e o modus vivendi das po­
pulações. Era indispensável não só codificar, mas harmonisar a legislação,
n’uma situação política inteiramente nova.
Foi em 429, que por um Ediclo solemne dirigido ao Senado de Constan­
tinopla, se ordenou essa compilação, authentica, das Leis dos Imperadores
desde Constantino até essa épocha, conhecida por Codigo Theodosiano.
Oito Jurisconsultos dos mais distinctos, numero que foi depois
elevado á dezeseis, á cuja frente brilhava Antiochus, personagem consular,
que por suas luzes e experiencia no exercício dos cargos de Questor e de
Pretor, occupava em Constantinopla posição mui elevada.
Nesta compilação pôz-se de lado as Leis imperiaes anteriores á épocha
de Constantino, colleccionadas nos Codigos e Gregoriano e Hermogeniano,
por isso que o mesmo Imperador abrogando as formulas e solemnidades an­
tigas dera á Jurisprudência novo aspecto, e inutilizara grande parte das
anteriores instituições.
O Codigo Theodosiano, posto que começasse á organisar-se em 429,
teve grande interrupção em consequência das desordens causadas pela he-
rezia de Nestorio, e os deploráveis acontecimentos do Concilio de Epheso :
mas recomeçado o trabalho por influencia da Princeza Pulcheria, irmã de
Theodosio II, terminou no espaço de trez annos em Fevereiro de 438,
quando foi promulgado para ter força de Lei, comojlogo teve, nos dous Im ­
périos do Oriente e do Occidente.
Neste Codigo, a que se forão additaudo Novellas, ou Leis extravagantes,
sobresahem não poucos defeitos,como era natural,sendo feito e co-ordenado
em espaço de tempo tão limitado. Notando-se, que a despeito de sua qualifi­
cação de Codigo authentico com força de Lei, nem por isso deixarão as deci­
sões dos Jurisconsultos (Responsa Prudentum) de continuar com o valor de
o u lr’ora ;0 que não deixou de complicar para diante a Jurisprudência, visto
como, depois da separação de Roma, ou antes do Império do Occidente,
bem difficil era distinguir quaes erão os princípios da Jurisprudência clás­
sica em vigor, dos que não erão.
Nointervalloque vai do reinado de Theodosio I I ao de Justiniano, ou
á épocha da publicação do Corpus Juris no anno de 534, isto he, depois de
decorrido um século, mui importantes acontecimentos tinhão alterado
Ord. 2.
X

a Legislação, tanto no Im perio Romano subsistente, como na parle occu-


patla pelos Barbaros vencedores.
• Theodorico, chefe dos Ostrogodos, apossando-se da lla lia promulgou ahi
um Codigo, á que sujeitou lauto a população Romana conquistada, como
a Gothica vencedora.
Foi no anno de 500 que se publicou o Edicto de Theodorico, em cujas
disposições abundavão as Sentenças de Paulo, consideradas o Manual pra­
tico daquelles tempos.
Poucos annos depois, em 506, os Visigôdos que se havião apossado da
Gallia Narboneza, e da Hespanha, para direcção da população Romana sob
seu dominio, promulgarão outro Codigo denominado Lex Romana, e conhe­
cido na historia por B re v ia ritm A laricianum , ou A niani, do nome do refe-
rendario.
O exemplar que chegou á nossos dias lie dirigido pelo referendario
A n ia n u s ji Tim olheo, um dos Condes do Reino,com o decreto do Rey A lari-
co I I , ao Conde Palatino Goyarico, que se diz o author da idea, em cujo
decreto se narra todo o historico desse factum.
He lnim a obra mais extensa, e mais importante que o Edicto de Theodo­
rico, não obstante comprehender sob sua jurisdicção tão sómente a
população Romana, vencida.
Sob o dominio dos Borguinhões, a mesma população também alcançou
bum Codigo chamado Lei Gombetta, do Rey Gondebaud, ou P a p in ia n i Res­
ponsa, como o appellida Cujacio na edição que publicou em 1586. Este
Codigo in fe rio r ao precedente, he comludo melhor que o Edicto de Theodo­
rico ; mas todos mais ou menos apoiavão-se nos trabalhos dos antigos Ju­
risconsultos Romanos, e nos Codigos Gregoriano e Hermogeniano, e sobre
tudo no Theodosiano; que lie largamenle aproveitado com as Novellas de
Theodosio I I , e seus suecessores, até- Sevéro, pelo B reviarium A niani.
Foi depois da promulgação destes Codigos na Europa occidental, já não
sujeita ao Poder Romano, que se fez a compilação Juslinianea.
Deve-se ao celebre Jurisconsulto Triboniano, mui valido do Im perador
Jusliniano, a idéa dessa famosa compilação, que hoje chamamos — Corpus
J u ris C ivilis.
Nessa epocha nada restava no Oriente dos costumes originários de
Roma, diz um Jurisconsulto, senão algumas palavras, algumas recordações,
e muitos vicios- O Grego era a lingua geralmente fallada, o Latim quasi
í
inteiram ente esquecido no uso vulgar.
i!
I A sciencia do D ireito em decadência, e a abundancia das Leis con­
j corria ainda mais para obscurecê-las, era um chãos.
I Para confeccionar essa obra monumental, e que só por si faz a gloria do
reinado de Justiniano, escolheu Triboniano collaboradores eminentes nas
Academias de Constantinopla, c na tão celebre de Béryto, na Phenicia,
paiz que já tinha dado ao mundo Ulpiano.
O Codigo (Codex) foi o trabalho que prim eiro encetarão os Compilado­
i
I res, cujo systema consistio em co lligir todas as Leis, os decretos e res-
1 criptos dos Imperadores, christãos e pagãos.
jí A disposição das matérias fez-se de conformidade com o Edicto perpetuo
If.
I de Adriano.
O Codex, decretado em 528, foi concluído com extrema rapidez, e pro­
m ulgado no mez de A b ril do anno seguinte, 529 ; sendo ao mesmo tempo
i revogados os Codigos Romanos precedentes.
Seguio-se o Digesto ou Pandect,as, no anno de 533. Denominotl-se assim
!


XI

esta obra, distribuída em 50 livros e 422 lilu lo s, por que abraçava toda
a Jurisprudência Romana; e Digesto por que as leis erão ahi classificadas ou
dispostas com m ethodo.
Este predicado com razão lh ’o contesta Isambert na sua H istoria de Jus­
tiniano, não lhe reconhecendo nem ordem, nem methodo ; dizendo que as
decisões ali compiladas, ora isoladas, ora approximadas, formão um chãos
de disposições, que ha dez séculos são o tormento dos Jurisconsultos de
todos os paizes.
São as Pandectas vasta compilação de leis anteriores, e decisões de Juris­
consultos [Responsa Prudentum ), que posleriormente fez esquecidas as fontes
da Legislação Romana, taes como as Leis das Doze Taboas, o Edicto de
P retor, e os trabalhos de Papiniano, Ulpiano, Paulo, e outros.
A obra das Institutos, modelada pelas que escreveu Gaio ou Caio, no
interesse do ensino do Direito, foi confiada á Triboniano,Theophilo e Doro-
theo. Elias tornarao-se o compendio do estudo do Direito nas Academias
Romanas, e o forao depois nas Universidades e Escolas de Direito da meia
idade, e ainda nos tempos modernos.
No anno de 534 fez-se huma nova edição do Codigo, a unica que chegou
até nossos d ia s ; porquanto Justiniano, tendo até então promulgado perlo
de duzentas leis, exigio que fossem inscriptas e incorporadas no Codigo,
nos lugares convenientes.
No Codigo assim reformado, forão as matérias divididas em doze livros,
e 166 titulos, comprehendendo as Constituições ou leis de 56 Imperadores,
desde Adriano.
A promulgação deste Codigo fez-se com a maior solemnidade possível;
publicando-se em todas as Igrejas do Império, e remellendo-se a cada Ma­
gistrado hum exemplar.
As leis posteriores á este acto, promulgadas em todo o tempo que
durou aindao reinadode Justiniano (27 annos), forão colligidas sob o titulo
de Novellas ou Authenticas, em numero de 168, e vierão a constituir o
Direito novo [Jus novissim um ).
Foi este o ultim o Codigo Romano, e de todos o mais importante, e
mais celebrado.
Savigny, na sua H istoria do D ireito Romano, na meia idade, emitte sobre
o Corpus J u ris a seguinte opinião que com partilham os:
« Se se compara com as instituições barbaras as compilações d e J u s li-
niano, não nos podemos guardar de certo sentimento de adm iração; toda­
via, consideradas em si mesmas, inerecerião ainda nossa estima e nosso
reconhecimento.
« Sem duvida a força creadôra foi recusada ao século de Justiniano ; os
Jurisconsultos que trabalhavãosob suas ordens, deverão ainda procurar as
fontes em huma litteratura culta, estranha à de seu proprio Paiz
[o Oriente).
« No meio de tantas circumstancias desfavoráveis, sua escolha foi tão
feliz e tão habil, que depois de 1300 annos, apezar das lacunas da historia,
suas compilações representão quasi por si só o espirito do Direito Romano
inteiro, que nenhum século livre de prevenção poded’ora avante re p e llir a
influencia deste excellente e profundo desenvolvimento do Direito.
« D ir se-ha que essa escolha fôra o effeilo do acaso, e não do saber e da
intelligencia ? Por unica resposta remetto os Contradictores aos Codigos que
nos deixarão os Gôdos e Rorguinhões.
« Não se póde sem contradizer a historia, objectar que o Codigo Jusli-
X ll

nianeoihe, obra dos Romanos, 6 que os outros Codigo&são obra dosBarba-


r o s ; porquanto no Im pério do Occidente^em Rmna^emasf-Galiiascáepleis
forão compiladas; pelos Romanosye não ,por-Godos ouiBorguinhoesyi-'! _ _
i« Temos, até aqui .considerado o Direito de ãustiniarioh em,-relação a
seieneia, mas o seu fim era,puramente pratico, e be sob ;este ponto de vista
qiffe-se deVie<>eonsiderar,aS;proppasiConstit«iiiiÇões dej^ustiniano., - -
« Sem duvida o seu m érito he desigual; mas muitas apresentão lm ina
v is ta com pleta do assumpto, \e correspond em justamente ao seu iflm i
,, <íí QbandOjellas parecem, ^ e w h a n e demoliu 0- antigo .Direito, m uitas vezes
nãOjgãQ senão «aexpressão .racional das mndaneas>que por si mesmas se in tro -
duzirão sem-a intervenção.do Legislador. Ainda aqui a comparação he em
proveito de Jusliniano. Em verdade:sua:sd^is,,m axim eias dOiCod^o; con-
fpontadasr€on|m&:. iEcfcotas- do .Godigp,Jheodosi ano,. -e,sobre Itudo as Novellas
q m -o,a©ompanhãp,i são,m u i se perio res na< form a e no fundo. ,, : ;
«í ,0 plano de Justiniano consistia/ em em-mirar em duas- obras prmcipaes.
os fragmentos oxtrahidos, dos Jurisconsultos e.das LeiSi ;-; . h - ..........
« A prim eira, i...e^-as Pm dectasj devia,,; pomo he natural e de -razão,
conter-as- bases do Direito. Desde-as Do^e- ÍVíAqms era esta a p rim eiia obra
que,só, independente.de qiualquer outra,-podia,servir de centro, eommum
ao complexo da «Legislação. - ■■ «•- 1 i;i;
« Neste sentido, lie perm ittido considerar, depois das l)oaa 'Tàbom) as
Pandectas como o unico Codigo verdadeiramente completo, ainda que a
Legislação ahi occupe menos lugar qiieo dogma, e a decisão dos casos par-
lirulaceis.^ ; t, .. ,, - / «■- >■ j
« Em vez das regras insulfioientes de -Valenliniaiio I I I , achamos ah, cus
postas por ordem de matérias extractos tirados lilleralm ente dos escripto^
de h u m iim u ltid ã o de Jurisconsultos. ',Mi' 4‘» 1 : 1 " mUi,0(i
« O Codigo foi também organisado sob um plano mais vasto que os pre-
celfentes 'rd fcre -se ia irt') aos dos Barbaras, como aos dbs Romanos).
,r J u s iíiiia n o tirih a ali reunido oS Ldirtos e os Bescriplos. G seu proposito
estavã!<# eench M b do m 1essas duãs' tfka s V hão se1deve pois considerar âs
m m m 'eómtí D tim A te rcd ira 1'cOmpilaçao,''indepèfldeiite ‘dâquelfeâ-duas
(Digesto e Codigo) ; mas como hum livro ’elementar destiiiado-A lbes servir
de'iritW idficçãó’. u " ; ,i ' !,l!l j>
‘'M«Pím tu m m a j as\fjloveilas encerraò cqm pleim nto^ jpósi^riÒEíps,(ácldic]òoes
is o p a s ; c foi'ao as rireuraslancias que impedirão que não ápparecesse no
iim do n . 4 ue s®~
rião por certo í n c o r p o r a o ^ ^ , ^ íntere.ss^,^,»
Destas, datas se vè que lendo a Lusitania,;icomo-as ,outras.pjxt.yútcias
da/Eespanha, passado ■aOidominje d,QS.Bai'baros, desde, o, prànçtipio, do il»0século
{.4D9)i!iaã0:,: voltando mais, ao Poder Romano, nunca o Codigo Theodo-
siano, :XkQVà O, Corpus J u r is tiverão força de Lei ali; nem naquellas épo-
chas-qmdião: propagar-se; o seu conhecimento e estudo. ... , ' \ .
. -Na L u s ite iia , os-primeiros Barbaras de origem Germânica que, ali se
estabelecerão, peio,conquista fo rã o ,,os -Alanos,., que pouçoL, se demo­
rarão idesbar-atados pqr,, W allia, ILejt,dos YiisigodOjS,iem, / ii$ , ,^eguindor.se,os
Vandalos que passarão logo, par,a Africa, em . 429,, .e depois; os .Suevos e
Yisigôdos. -i,*• *. 1 i i í l i í l {.'»,> I

os stevo*'eommàndado? por Hermanerieo, • estabelecerlO-se1■ali/desde


409, e :dotfôervãi1fo-sAita n to !naD usitafiiaièortioína Gállíza até S8S; quando
os:Tisigfidoè,'qhd!jã :sé’ UcbaVãb dd'-posSOGla flia io f phrte'dà Ifespànha os
XIII

subjugarão no reinado de l.eovigildo. Assim se conservou o paiz até


a^pocha da'conquista Sarracena em 7 H . -»• jt.ii >n ‘ Onsiipioq ;
Portanloiío D ireito■Romano que vigorava na antiga Lusitania não con­
sistia,* antes áo Edicto Perpetuo, semo em differentes privilégios e direitos
concedidos a diversas cidades, provavelmente Colonias Romanas, ou ele­
vadas á esse grâo; e posteriormente o rnesmo E dkio, e os f.odigos Grego-
rio)m :e iMermogeniuno. íOm . jí-.í> ■
: ■i f ; .iu *■ m u t u uv.ir,
Pelo-que respeita ao Theodosiano, promulgado depois da conquista dos
Snevos,*!tia!©.teve entrada e força* de Lei no paiZ; senão depois* da* con­
quista ' Visiigothicau em !585/ no que se havia codificado e incorporado no
■ê re v ia riu n h A n im i, que, como já vimos, somente aproveitava á popula*-
ção Romana; ouinãoiSuev-a e Vísigothica.i
E bem que ítustiniano no seu* reinado rehouvesse pela espada victoriosa
de seus gener»es*Belisario e-Nafsés.uma boa parte ilo lm pw io dO'Occi lente,
arrancada «osi'Ostrogodosi M i ’utes!®- Vandalos, a Ita lia e Africa;, nunca
conseguio a Hespanhai; e por issp a*sua*Legislação manleve-se por algum
tempo nesses paizes, e;principalmente na Ita lia meridional (Duas Sicilian),
qúe os* Normamlos por ultim o forão co nquistar; o que em parte explica a
legenda da descoberta em Am alíi da*sua oompilaçãov **
Em outro lugar diremos como o Corpus Juris penetrou e iníluio no
nosso D ire ito ., *

Lein Visisotlii*»», » Direito Canoiiico, e o Codigo da»


*•■
. !.*■■ *-Sete Partida».
.Ur,--"! " -i :lr , <i; - *■' h ■■■*:* • ■*
No domínio Visigolhico na Peninsula Ibérica bavião duas nações, dous
p O lV O S .*,!’ ji / <1 , - ; n ' ',1 1 -! i|i* ;()!•■ .1.» -> (,• . ’ • . (í • , ' : ! ! . I • *• ' ■ . <

Os conquistadores que ,erão um composto de Alános, Vandalos, Sue-


vos. e Visjgòdos, e os conquistados em que entra,vão-os indígenas Celliberios,
Eantabrios, Lusitanos, e„um m ixlo de Phenicios, Carlhaginezes e Romanos;
população,que se, reputava R ow w w ; porquanto,de ha muito vivia e regia-se
pela Legislação desse grande Povo.
A conquista Visigolbica impôz a estes um Codigo que fez organisar, ,e
que já conhecemos o— B re via riu m A la ricianm n ou A niani; mas os conquis­
tadores região-sé por Leis peculiares, ou antes por seus uzos e costumes
até o reinado dè Chindaswihdo em 652, que revogando aqueile Codigo,
fez orgánisar outro denominado FueroJusgo, em Latim Forum Judicnm,
a que sujeitou toda a população dos seus Estados.
Mais,lanle seu filho Receswindo completou esse trabalho, acrescen-
lando4hé)as;leis'prom olgadas,ou' reformadas por seu antecessor, Eurico
até E’giza, com fragmentos de Legislação, cuja origem lie desconhecida,
extrahidos provavelmente dos costumes das antigas tribus Germânicas.
O Fuero Jusgo, assim reorganisado, foi distribuído em 12 livros e por
ordem de matérias, comprehendendo 54 títulos e 585 artigos ou paragra-
phos. E-para* que se propagasse bem o seu conhecimento não se-podia
vender eie m p lá r alguim por mais de doze soldos/sob pena de-cem açoutes,
igualiflénte applicados ao comprador, e ao vendedor. * u ■■■•>-.
Devia ser im portante, nessa epocha, semelhante quantia, hoje* corres­
pondente a 100 réis,para que um exemplar desse Codigo, em copia manus-
eiiiptR; pois não, havia ainda Imprensa, podesse ser assim taxado.,
O- F m m Jusgo dominou na Hespanha christã por muitos séculos, pouco
XIV

importando para o nosso caso a Legislação Musulmana, nunca acceita e


sempre repellida pela população adversa ; ale a reforma da Legislação
„ o E 2 de Pwnandb 111, o Santo,em 1280, um dos Príncipes
eminentes que teve aquelle Paiz, por suas virtudes privadas, políticas o
guerreiras.
Mas essa reforma, que produsio o Codigo chamado das Siete P a r tuias,
realisou-se no reinado seguinte de seu filho Affonso X, cognominado o

^ S e ’«undo um escriptor, o Fuero Jusgo bem que abolisse expressamente


o Direito Romano, assim como os antigos foros ou costumes, o complexo
de suas disposições revela uma mão Romana. .
Não poucas vozes os artigos são calcados sobre Edictos Im pei íaes^ e
em vez de distinguir os povos segundo a sua origem, suas disposições
applicão-se á totalidade do te rritó rio . , ~
Os te rritó rio s Portuguezes,dependentes do Reino de Leao,logo que forao
tomados aos Mouros, e recebião a população christã, ficavao naluralm ente.e
pelos antigos hábitos, sujeitos á esta Legislação, maxime ao Fuero de Leoa
mandado observar em Portugal pelo Concilio de Coyança,_e a alguns pnv -
legios [fordes), que, por circumstancias especiaes, oblinhao algumas po-

VOa^Referindo-senacf Fuero Jusgo, diz Caetano do Amaral na sua Memória


sobre a H isto ria da Legislação, e costumes de P ortugal o seguinte =
« Este Codigo, á que bem podemos chamar Romano-Gothico■ que á
prim eira vista se nos affigura Romano já na lingua em que esta escrjplo,
e na sua mais geral divisão, já na sua mesma natureza do Codigo univer­
sal do Im pério ao avesso do uso dos Barbaras, e em infinitas das suas
disposições; mas que ao mesmo tempo na indole cia Legislação, e no
gosto da escriptura bem deixa transluzir a barbaria do tempo e dos
authores que o formarão. . . . . , .,,,
<( Este Codigo cie cujas ordenações se aproveitarao ainda outras gentes;
que servio de base aos Codigos Ilespanhóes, de algum dos quaes em razao
da visinhança assás depois participamos (refere-se ao das Sete P a r ir ia s ) ;
e que sobre tudo deixou muitas raizes da Legislação no terreno cie Por­
tugal, que em tantos lugares vegetou; deve ser um digno objecto da
nossa consideração.» , . . _
E em nota referindo as confirmações que teve esta Legislação em a iiie -
rentes reinados, depois de Pelayo, accrescenla : .
« Garibay no liv. 11 cap. 22 do seu Compendio Htstonco refere que
El-Rey D. Affonso V I, filh o de D. Fernando, o Magno, prim eiro Rey de
Casteíla, quando ganhou Toledo,- entre os muitos privilégios, que deu a
esta Cidade, o prim eiro, e principal foi, que os seus pleitos fossem ju l­
gados pelas leis deste Livro. _ .
« Quanto os Reys de Aragão as observarão também e addiccionarao,
se pòde ver em Pedro P ilhou na Epistola dedicatória do Codigo cias
Leis Visigothicas. '
« Depois de Villadiego, nas Advertências previas ao Fuero Jusgo, lazer
menção de algumas das referidas confirmações das Leis Golhicas pelos
diversos Reys das Hespanhas, accrescenla : _
((Y asi aun que en general se mandaron guardar estas Leyes en Espana
por los Reyes restauradores delia en diversos tie m p o s: con todo eso en
particular cada Província ò Ciudad asi como yba restaurando do poder
de MórOs, acostumbrava á pedir, y procuraba gabar, por particular p rivile -
'.'-if-'-1■.-

XV

gio y mandado differentes flanquezas, y liberlades (a que llam avan Fueros),


y estos tenian por Leyes, confirmadas por los Reyes, de quien recebian la
merced, con que se governaban. »
« Cousa semelhante se póde dizer de Portugal (como á seu tempo mos­
traremos), mas com a differença, que em Portugal, depois de estabelecida
a Monarchia, começarão a derogar aos Fomes particulares com Leis geraes,
e não forão buscar para fundamento destas o Codigo das Leis Visigothicas
(icomo succedêo na Hespanha). »
A par do Fuero Jusgo, e do Direito consueludinario, existia o Direito Ca-
nonico, que se infdtrava, e juxtapunha a Legislação Civil, em vista da orga-
nisação peculiar dos Estados organisados depois da dissolução do Im ­
pério Romano. E nisto havia justo fundamento ; por que o elemento Ec-
clesiastico, predominante por suas luzes, não se podia inspirar senão
daquelle D ireito, na direcção que fôra obrigado dar á uma sociedade tão
rudim ental, como era a da Europa no começo da meia idade.
Desta sorte, como se achavão no Estado entrelaçados e unidos o Civil e o
Ecclesiastico, as decisões dos Concílios Provinciaes Hespanhóes, maxime
os de Toledo, erão observadas como se fossem promulgadas pelos dous
1'oderes: nenhuma separação definida havia, senão a que resultava das
funcções peculiares que exercião o Clero, e o Rey.
No Estado Visigothico tornou-se isto mui saliente por impulso dos
proprios Keys, no interesse de se conservarem por largo tempo e paci-
flcamente no throno. Dahi a grande importância desses Concílios tão cele­
brados na meia idade ; como bem o faz comprehender um escriptor, que
pela sua linguagem he insuspeito ao Poder Civil, e cujas palavras aqui re­
produzimos :
« Virão pois os Reys Gôdos que nada era mais capaz de segurar os
seus interesses, que as decisões dos Concílios: que estes devião logo ser
as suas Cortes, ou Estados Geraes: assim tem o maior cuidado em os con­
vocar já de toda a Nação, já de alguma Província : e à sua vóz e mando
confessão os Bispos que forão congregados.
« Confessão assim elles mesmos, como os Reys, que o motivo destas
c nvocações he muitas vezes, alem do interesse da Igreja, o do Estado: e
assim o provão, mais efficazmente que as expressões, os mesmos fa cto s:
a lli se prescrevem com effeito as Leis fundamentaes para a successão do
throno, e regimento dos que à elle devem su b ir: alli se confirmão de
facto as deposições, e enthronisações dos Reys, e se defende a sua vida e
interesses -. a lli se ordena, e reforma a Legislação: a lli finalmente se
conhece dos crimes mais graves; e dos negocios, que influem tanto no
Direito Publico, como no particular.
« Assistem de ordinário os grandes da Còrte, á quem o Rey dirige ta m ­
bém a palavra ; e por fim subscrevem os Decretos: assiste muitas vezes o
Rey ; propõe a materia, e com variedade de expressões commelte o que
tem ou projectado, ou ordenado já ao ju iz o e decisão, já á modificação, e
simples approvação dos Bispos: e estes da sua parte ora enuncião os
Decretos, como de mandado do Rey, ora como determinação do Concilio ;
e lhes procurão sempre a firmeza da Regia authoridade, a qual o Prín­
cipe p re sta ; ou seja com uma simples subscripção, ou como Lei confir-
matoria, que promulga, e em cuja sancção as vezes accummula às penas
civis asecclesiasticas; da mesma sorte que os Padres o fazem nos seus Decre­
tos. Eis aqui a imagem dos Concílios das Hespanhas no reinado dos Godos.
« Não lhes chamem embora Cortes, os que por estas entendem Juntas
XIV

importando para o nosso caso a Legislação Musulmana, nunca acceita e


sempre repellida pela população adversa; ate a reforma da Legislação
n ô S S de Fernando I I I , o S m lo, em 1250, m dos Pnncpes m « s
eminentes que teve aquelle Paiz, por suas virtudes privadas, políticas e
guerreiras.
Mas essa reforma, que produsio o Codigo chamado das Siete Partidas,
realisou-se no reinado seguinte de seu filho Affonso X, cognoimnado o

Secundo um escriptor, o Fuero Jusgo bem que abolisse expressamente


o Direito Romano, assim como os antigos fóros ou costumes, o complexo
de suas disposições revela uma mão Romana. .
Não poucas vozes os artigos são calcados sobre Edictos ImpenaesL e
em vez de distinguir os povos segundo a sua origem, suas disposições
applicão-se á totalidade do te rritó rio . T _ . ( ~
Os te rritó rio s Portuguezes,dependentes do Reino de Leao,logo que torao
tomados aos Mouros, erecebião a populaçãochristã.ficavãonaluralm ente.e
pelos antigos hábitos, sujeitos á esta Legislação, maxime ao Fuero de Lean,
mandado observar em Portugal pelo Concilio de Coyança, e a alguns p n vi-
legios [fordes), que, por circumstancias especiaes, oblinhao algumas po­
voações importantes. __,
Referindo-se ao Fuero Jusgo, diz Caetano do Amaral na sua Memória
sobre a H istoria da Legislação, e costumes de Portugal o seguinte :
« Este Codigo, á que bem podemos chamar Romano-Gothico■ que a
prim eira vista se nos affigura Romano jã na lingua em que está escriplo,
e na sua mais geral divisão, já na sua mesma natureza do Codigo L n ive r-
sal do Im pério ao avesso do uso dos Barbaros, e em infinitas das suas
disposições; mas que ao mesmo tempo na indole da Legislação, e no
gosto da escriptura bem deixa transluzir a barbaria do tempo e dos
aulhores que o formarão. , _ . , n . g
« Este Codigo de cujas ordenações se aproveitarao ainda outras gentes;
uue servio de base aos Codigos Hespanhóes, de algum dos quaes em razão
da visinhança assàs depois participamos ('refere-se ao das Sete P a rtid a s );
e que so b re tu d o deixou muitas raizes, da Legislação no terreno de P or­
tugal, que em tantos lugares vegetou; deve ser um digno objeclo da
nossa consideração. » T . . .
E em nota referindo as confirmações que teve esta Legislação em ditte-
rentes reinados, depois de Pelayo, accréscenla :
« Garibay no liv. 11 cap. 22 do seu Compendio Htstonco refere que
El-Rey D. Affonso V I, filho de D. Fernando, o A'aguo, prim eiro Rey de
Casteíla, quando ganhou Toledo,' entre os muitos privilégios, que deu a
esta Cidade, o prim eiro, e principal foi, que os seus pleitos lossem ju l­
gados pelas leis deste Livro. .'
« Quanto os Reys de Aragão as observarão também e addiccionarao,
se pòde ver em Pedro Pilhou na Epistola dedicatória do Codigo das
Leis Visigothicas. „
« Depois de Villadiego, nas Advertências previas ao Fuero Jusgo, fazer
menção de algumas das referidas confirmações das Leis Gothicas pelos
diversos Reys das Hespanhas, accrescenla :
«Y asi aun que en general se mandaron guardar estas Leyes en Espana
por los Reyes restauradores delia en diversos tie m p o s; con todo eso en
particular cada Província ò Ciudad asi como yba restaurando do poder
de Mórús, acoslumbrava á pedir, y procuraba ganar, por particular p rivile -
XV

gio y mandado diiTerentes flanquezas, y liberlades («■ que llamavan Fueros),


y cslos lenian por Leyes, confirmadas por los Reves. de quieii recebian la
merced, con que se governaban. »
« Cousa semelhante se pôde dizer de Portugal (como á seu tempo mos­
traremos), mas com a differença, que em P ortugal, depois de estabelecida
a Monarchia, começarão a derogar aos Fomes particulares com Leis geraes,
e não forão buscar para fundamento destas o Codigodas Leis Visigothicas
{como succedêo na Hespanha). »
A par do Fuero Jusgo, e do Direito consuetudinario, existia o Direito Ca­
nónico, que se infiltrava, e juxtapunha a Legislação Civil, em vista da orga-
nisação peculiar dos Estados organisados depois da dissolução do Im­
pério Romano. E nisto havia justo fundamento ; por que o elemento Ec-
clesiaslico, predominante por suas luzes, não se podia inspirar senão
daquelle D ireito, na direcção que fôra obrigado dar á uma sociedade tão
rudim ental, como era a da Europa no começo da meia idade.
Desta sorte, como se achavão no Estado entrelaçados e unidos o Civil e o
Ecclesiastico, as decisões dos Concílios Provinciaes Hespanhóes, maxime
os de Toledo, erão observadas como se fossem promulgadas pelos dous
Poderes: nenhuma separação definida havia, senão a que resultava das
funcções peculiares que exercião o Clero, e o Rey.
No Estado Visigothico tornou-se isto mui saliente por impulso dos
proprios Reys, no interesse de se conservarem por largo tempo e paci-
flcamente no throno. Dahi a grande importância desses Concílios tão cele­
brados na meia idade ; como bem o faz comprehender um escriplor, que
pela sua linguagem lie insuspeito ao Poder Civil, e cujas palavras aqui re­
produzimos :
« Virão pois os Reys Gôdos que nada era mais capaz de segurar os
seus interesses, que as decisões dos Concílios: que estes devião logo ser
as suas Cortes, ou Estados Geraes: assim tem o maior cuidado em os con­
vocar já de toda a Nação, já de alguma Província : e á sua vóz e mando
confessão os Bispos que forão congregados.
« Confessão assim elles mesmos, como os Reys, que o motivo destas
c nvocações he muitas vezes, alem do interesse da Igreja, o do Estado: e
assim o provão, mais effioazmente que as expressões, os mesmos fa cto s:
a lli se prescrevem com effeito as T.eis fundamentals para a successão do
throno, e regimento dos que á elle devem su b ir: a lli se coníirmão de
facto as deposições, e enthronisações dos Reys, e se defende a sua vida e
interesses: a lli se ordena, e reforma a Legislação: a lli tinalmente se
conhece dos crimes mais graves; e dos negocios, que influem tanto no
Direito Publico, como no particular.
« Assistem de ordinário os grandes da Corte, â quem o Rey dirige la m ­
bem a palavra ; e por fim subscrevem os Decretos: assiste muitas vezes o
R e y ; propõe a materia, e com variedade de expressões commelte o que
tem ou projectado, ou ordenado já ao juizo e decisão, já á modificação, e
simples approvação dos Bispos: e estes da sua parte ora enuncião os
Decretos, como de mandado do Rey, ora como determinação do Concilio ;
e lhes procurão sempre a firmeza da Regia aulhoridade, a qual o Prín­
cipe p re s ta ; ou seja com uma simples subscripção, ou como Lei confir-
matoria, que promulga, e em cuja sancção as vezes accummula âs penas
civis as ecclesiasticas; da mesma sorte que os Padres o fazem nos seus Decre­
tos. Eis aqui a imagem dos Concílios das Hespanhas no reinado dos Godos.
« Não lhes chamem embora Cortes, os que por estas entendem Juntas
XVI

a quo se devião muitos Decretos dogmáticos e disciplinares, cujo assumpto


prp o aue na convocação principalmenle se expressava. mas permittao
mie lhea deem aquelle nome os que com elle só querem signucar, que os
Revs frôdos se servião dos Concílios dos Bispos para melhor estabelecerem
m u l f c l l s ; m te atlealos ao bom exilo das decisões, que escrupulo­
sos na competência do Tribunal. E que, ou obscurecidos pela ignorância,
os confins do Sacerdócio e do Im pério, ou confundidos pela conveniência
se accumulavão com effeilo aqui os dous Poderes, e as matérias ^ a elle.
suieitas : vindo a ser estes Concílios (e não só os Nacionaes, mas ainda o>
Provinciaes), huma das fontes assim do Direito Ecdesiastico das Hespanha.,
como do Direito C iv il dos Visigòdos, de que tratamos. » ^ •
Mas independente da acção e influencia destes Concílios, a 1 iporlancia
.lo D ireito Canonico era «raode na Peoinaola Ibérica, , â « f
. de que. he testemunha o Concilio de E lvira do anno de 303 de nossa era,
p outros congregados em Tarragona, e em Bi aga. . n
Esta importância crescèo com a publicação das Decretaes de Graciano nos
fins do ^eculo X II, de que ha muitos e notáveis documentos em prova,
desde o começo da Monarchia Portugueza, que esc^SaJ p , l eS,n t t q nem nor
Portanto Portugal separando-se do Reino de Leao desde 1133, nem p
isso deixou de observar a Legislação Yisigolhica com as alterações feitas na
metropole de que dependia, como o Fne.ro Deal, a Lei del Estúlo, o Fuero
deLeon e outras, que os successores de Affonso Henriques forao alteiando
em um ou outro ponto, conforme pedião as circumstancias.
/ OCodigo das Sete Partidas, assim denominado da respectiva divisão,
bem que fosse promulgado em Castella, á tempo que Portugal era índen-
S e qntc no reinado de D. Affonso I I I , teve nesse Pa.z força de le. nao
obstante a resistência que lhe fez aCleresia esedeprehende do art. 2 i da
respectiva Concordata com o Rey D. Pedro I, do anno de 1360.
O Codigo das Sete Partidas, era o contraposto do Fnero Jusgo, pois as-
signalava a adopção completa do Direito Romano do Corpus Ju ris que pela
prim eira vez peneirava com tanta vantagem no solo hispano. Dahi a i e
pugnancia que lhe tinha o Clero em Portugal.
E posto que em tal Legislação se houvesse incorporado em suas dispo­
sições as Leis do Fuero Real e dos Estillos ou Direito Consuetudinario,
modificativos da legislação do Fuero Jusgo, o dominio das doutrinas do
Corpus Juris era evidente; como bem demonstra um escriptor de nosso
século quando assegura que as disposições deste Codigo erao no fundo
mais Romanas que Hespanholas, sem embargo da lingua em que foi publi­
cado, sendo com justiça alcunhadas Leis Romanas traduzidas em Hes-
panhol.
« Pois accrescenta o mesmo escriptor, o que no dito Codigo se propôzEl-
Rev D. Fernando I I I , o Santo, que, já o tinha lembrado, e encommendado,
ainda que só fosse acabado no tempo de seu filho D. Affonso IX ou X ; toi
traduzir e fazer mais familiares as Leis, e Direito do Codigo, e Pandectas de
Jusliniano, de que, pela maior parte, .e exaclamenle se compõe, com mais
algumas cousas tiradas dos Costumes, Ordenanças, e Foraes de Castella,
em que lambem em parte lerião influído o Direito Ante-Justimano, que
nas Hespanhas se linha naturalisado m a is: com o que ficarão alg_umas das
Justinianeas, modificadas e interpretadas, conforme o pedia a_razão porque
o mesmo Codigo se formou ; e naturalisadas de sorte, que não inculcarão
XVI!

lanto a sujeição do Império Romano, por cujo principio, diz Faria,


aquelles Príncipes prohibirão o uso das ditas Leis. »
Mas a repugnância que sentião o Clero e a Nobreza pela Legislação deste
Codigo, era o maior incentivo para bem acolhê-la o Poder Real, e os
Ministros que o. cercavão, entbusiastas do novo Direito, que se ensinava
com grande renome nas Universidades de Bolonha e de Pariz.
O novo Direito alargava o poder e prerogalivas da authoridade Real; lá
se achava inscripla a celehre maxima de Ulpiano,— quod P rm cip i placuit,
Legis habet vigorem, que essas Legislações cuidadosamenle admittirão.
A prim eira Dynastia que reinou em Portugal era de origem Franceza,
e os Ministros quemais influirão nos seus conselhos erão Juristas daquella
nacionalidade, que forão á Peninsula procurar fortuna. Alumnos da Uni­
versidade de Pariz ou de Bolonha, quasi todos, aspiravão a demolir a antiga
Legislação impondo aos Povos modernos a que fôra codificada por
Triboniano.
Travou-se a lu la contra o antigo Direito, e contra todas as instituições
que delle dimanavão. Na proscripção erão envolvidos o Direito Feudal, o Ca­
nónico, o Consuetudinario consignado nos Fornes, e a Lei mui celebrada
sob o nome de Avoenga, relativa ao dire ito de prelação, e de rescisão na
venda dos bens da fam ilia, direito sob outra forma ainda conservado na
Inglaterra. Lula secular, mas mantida pelo Poder Real e seus Juristas com
a maior tenacidade, o que lhes assegurou o definitivo trium pho.
No fim do século 13" e começo do decimo quarto lavrava na Europa esse
enthusiasmo ou antes esse fu ro r pelo D ireito Romano, maxime em França,
depois das lulas sustentadas pelos Papas contra os Imperadores da Caza da
Suabia. A batlida a hydra n u m ponto resurgia em outro, e de onde era me­
nos esperado!
D. Affonso I I I , que vivera por muito tempo em França consorciado com
a Condeça de Boulogne, transportara para Portugal todas as tradicções que
ali bebera. Facil em promessas, foi ainda mais facil em recusar-se* a cum­
pri-las, lutando contra uma excommunhão á que somente se submetteu a
hora da m orte.
Foi no seu tempo que florescêo o Mestre ou Dr. Jacobe das Leis [ex Le-
gibus), famoso pelo compendio que organisou á modo das Instituías, para
o ensino e propagação do D ireito Romano do Corpus J u ris, escrito e coor­
denado no Portuguez daquellas éras; e bem assim D. Gomes,Doutor em Leis
e Conego de Zâmora. Erão estes Jurisconsultos successoresde outros, tão
influentes como elles nos cargos de Justiça que exercerão nos precedentes
reinados, como D. João Peculiar e os Mestres Alberto, Leonardo e Vicente,
Deão de Lisboa, Domingos, Arcediago de Santarém, Pedro, Chanceller-Mór,
Fernando, e Paio, Chantre da Sé do Porto ; Francezes, Italianos, ou Hespa-
nhóes, formados em Pariz, Bolonha e Padua.
Erão lodos propagandistas e enthusiaslas do novo Direito, que já em
Castella tinha tido tão valioso trium pho no Codigo ou Leis das Sele
P artidas.
No seguinte reinado de D. Diniz, as cousas não correrão melhor: conti­
nuou a luta entre os dous elementos que se digladiavão.
O Rey que tinha por progenitor a Affonso I I I , e pelo lado materno
descendia do promulgador daquelle Codigo, Affonso o Sabio ; augmentou
ainda o empenho pela propagação do Direito do Corpus Juris. E para pou­
par aos Porluguezes o incommodo e despezas de viagens, bem custosas
naquellas éras, fundou a Universidade de Lisboa (1289), que depois passou
O rd. 3.
X VIII
n . , ,.oao\ . nrrlpnando o ensino cio mencionado D ireito, e para

s ttU K " h r - * 6»
C h a n ^ r r M ò r , 6 h a v ^ d o oce^Pa^-0 ap - ^ ^ h a n l ^ d e 6 Evor;c e ^ ^Meslre
? » » d e “ 5 e reinado, eonro fò ra M e s lr e ft» * » . quo

já acima notamos. imnnrtancia cine suas decisões


fin f^ r » epocdaa do

Augusto e de Adriano. . • , Partidas foi traduzido

6* teil li
thoridade e uso q u e ja lin h a
e: c° n J i
como a traducçao que do• Codigc o ^
^ Partida, mandou fazer o
dito acima, pela maior
mesmo Senhor Rey D. Dimz, senão, como
parle formado do mesmo Direito. »
Emais adiante accrescenta: i embra natural-
« Posta, por tanto ja a ^ x'^ ® -^ i:\ u^ r0'^ o e propondo-se augmenlar
mente, que o Senhor Rey D. Din q «nrinuecer a nossa .Lingua;
a nossa Legislação, ainda pela maior parle do Direito
aos costumes da H « -

Codigo pelas ditas qualidades merece ^ _ C0[TL0 ml observado ;


pelos seguintes a aulhondade d e ® ,s ' , ’ 0 delerm ina-lo assim
de altrih u ir-se com razao a fazê-lo traduzir na
expressamente, e que por d l ™, in ou foSsem dahi por diante escnp-
Lingua vulgar em q u f e mesmo no dito Livro e
tas todas as Leis do R eino- entie as q hâ0 escripfas e tradu-

p - - 1— e anies

Eivas d e l3 6 0 , de que jafizemos mença , r a pelo Rey D. Pedro I,


de A b ril de 1361 dirigida a U n iv e rs id a d e ^ W m jra p e io J ^ dos
em que sedetermma ao íespeclivo C do Reino, se guiasse pelo
feitos entre os Estudantes e ou P1 R livros e Leis das Partidas.
Direito que aprendiao nas Aulas, e na p escriptor, se as ditas
« O que não succederia, prenola mnda o m e s m o ^ s c ^ ^ , ^ ^ ^
Partidas não estivessem sendo a r eg R'omanas que em varias cousas
das Leis Patrias ainda com preferencia as Romanas, que
interpretarão, modificarão, e ampharao. de tudo foi
« H e sem duvida porem que ® P " W 0V j i s ^ a n o i e com mais
o grande credito, e aulhondade do D reito de Justm , q 0ge
instica se fez transcendente as Leis das Pai tidas em que
achava reduzido á melhor, e mais °r por|nJaessa até a epocha
Conhecida a marcha que t e v e õ p h ;dade de Coimbra, vejamos
r d iK r q°"e “ á V » ç í o d» prim eiro Codigo P orfugne ,

i
XIX
IV.

Us C o ilig v s P o r lu g iie z e s —A fr o n s in o , M a ii o e lt iio , S e ltn s tin u ic o


e P liilip p in o .

Do reinado de D. Diniz em diante continuarão as cousas no mesmo pé


em materia de Legislação, mas sempre crescendo de importância o Direito
Romano do Corpus Juris, e a influencia dos que á elle se applicavão; então
já em crescido numero por haver na Patria uma Universidade.
Nos reinados de D. Affonso IV e D. Pedro I, já se exigia expressa­
mente que, para os cargos de Magistratura de certa importância, fossem
nomeados os lelerados e enlendudos, pois assim erão os Juristas conhe­
cidos.
Havia então abundancia de personagens desta classe letrada, e no Con­
selho do Rey erão poderosos e influentes. Os mais notáveis, que havião
adquirido honrosa nomeada, erão designados pelo gráo, nome de baptismo
e o appellido das Leis (ex Legibus). À historia não os commemóra de outra
sorte. Mestre ou Magister João, Vicente, Pedro, Gonçalo, Vasco das Leis,
ou das Regras, e ex Regulis, appellido com que tanto se celebrisou no
reinado de D. João I o Dr. João Fernandes de Arégas ou das Regras, ou
Mestre João ex Regulis.
Figurarão nestes dous reinados como Chancelleres-móres os Mestres
João, Vicente, e Gonçalo das Leis, e por tanto mui considerados no Con­
selho do Rey.
Na epocha de D. Fernando I o movimento foi ascendente em pi ó das dou­
trinas do Corpus Ju ris. A Universidade Porlugueza voltando de Coimbra
para Lisboa, foi augmenlada com novos Professores, ou Lêáores, mandados
contractar no estrangeiro. Parece que o padrão dos estudos linha baixado
em demasia,visto corno os Porluguezes,que podião fazê-lo,preferião ir cur­
sar o Direito em outras Universidades de incontestada celebridade como as
de Paris e de Bolonha, onde ensinava o famoso Bartholo, um dos oráculos
da sciencia, de quem João das Regras se ufanava de haver sido discipulo.
Não deixando este Principe herdeiro masculino, e havendo sua filha
desposado um Principe de Castella, sua herança foi disputada por diffe-
renles pretensores.
D. João, Mestre da Ordem m ilita r de A viz, filho bastardo de D. Pedro I,
põe-se á frente de uma revolução que lhe assegura a posse da Corôa,
depois que a fortuna o secundara na batalha de Aljubarrola.
Dous homens eminentes o auxilião efíicazmente. No campo da batalha
Nuno Alvares Pereira, e nas Cortes, e entre o povo João das Regras, como
a Historia o designa, Mestre João ex Regulis, com o seu saber, e com sua
poderosa eloquência.
A’ lu ta das espadas e das lanças succede a das letras.' Travou-se
grande comballe entre os Jurisconsultos legilimistas, e os vencedores;
entrando lambem os Castelhanos na arena, em pró da filha de D. Fernando
e de seu consorte.
Estas questões exaltão os ânimos das populações, excitadas sobretudo
pelos Juristas, que ganhavão no Paiz elevada preeminencia.
A independencia de Portugal dos Reinos visinhos de Leão e de Castella
ainda se não reputava completa, se a Legislação desses Paizes não fosse
inleiramenle abandonada, proscripta; organísando-se um Codigo Nacional,
puramente P ortugm z, o ideal dos Juristas patriotas ou revolucionários.
XX
rv íom h m ira desse Codisio foi toda de João das Regras,

« r & £ X ^ £ ^ 2 alguns c o n d ã o , e « * » « * »
riue iá havião forão preparos para a orgamsaçao ào Codigo denominado A f

instancia,_m am e o! íTeffeito 0 i „ -
“ eí l e fortuna no reinado do neto de D
João fr e n d o Regente do Reino de D. Pedro, Duque de Coimbia, em 1 u 6

° U \ 4o b r a f T c Z S
como se vê no liv . 1 S * em Tue^
assim como nao se sabe quaes não^erá destituída de fundamento
p0r D ^Jo ão Mendes, depoisda
a p r u . T P oãò das Regras em 1404, podendo-se calcular que nessa primeira
m° , ^ ^ s S e n Í t o de quarenta annos pouco mais ou menos,ou de
compdaçao gas P i 427, as penúltimas convocadas
vinte a contar d a £ i f e m l S S por quanto foi plir esses tempos (1422),
P° r ? ; K m a V r a n d e re fo r m a em Portugal, a substituição da era de Cesar
f
Jelade ChriSo e uma reforma podia ler despertado ou animado ou t u de

laRr im nre'nornr^ de levar-se á effeito o Codigo Nacional


S n n s a dataq pois no prefacio das mesmas Ordenações se diz, que
síTetln^não forão acabada^ em tempo de D. João I, a causa f o n t o -

^ ^ S l e S f o Dr^João Mendes nos primeiros tempos do reinado de


n Unarte escolhêo este Monarcha para continuar a obra encetada ao
nr C Fernandes, pessoa mui competente, e que ja bgurava com d. -

5EEW * » - 7 n
j

Pr3 T a 3 r » T 3 d r d S S g o foi em verdade .quanto a doutrina,


r P , . p nuanto ao methodo e disposição das matei ias, as Dt
o C ° . r„ precedido de quasi does seoulos
pela Lei d a síPartidas, he na opinião de abalisados Jurisconsultos, Ira-

‘ • t í B . í S i . i promulgado o « i g » d /p o » ,.» este


trabalho he um verdadeiro monumento, li he para lastimar que nao fosse
inan dado a estampa distando tão pouco a sua publicação da epocha em
mm a arte d ivin a H a imprensa fora descoberta, ou, em 1450, quando Gut-
m im soelos conseguirão pela prim eira vez im pnm .r uma obra

inteira.
XXI

Este Codigo nao foi impresso senão em 1792, durando como lei apenas
o espaço de 6a a 70 annos, quando foi promulgado o Codigo Manoelino
iornou-se por tanto um documento pouco conhecido no Paiz, e intei-
ramenle ignorado no resto da Europa.
esj a ^ircumstancia se pode em parte a ttrib u ir o que diz Benlham no
cap. d l da sua obra Vista geral de um Corpo completo de Legislação
quando assegura que o Codigo mais antigo da Europa era o Dinamarquez
de 1683, seguindo-se o Sueco de 1734, o Frederico ou Prussiano de 1751
e íinalmente o Sardo de 1770. ’
Estas indicações mostrão a ignorância em que estava Benlham, e E
Dumont, o edictor de suas obras, acerca da prioridade dos Codigos Euro­
pa0?’ visto como, antes da publicação do Dinamarquez, jã em Portugal se
havia promulgado trez Codigos completos,e um incompleto lo Sebastianico)
de 1466 a 1603. 1
A circumstancia de ser ou não completo, favorece ainda os Codigos
Portuguezes, que o são tanto quanto o perm iltião as luzes da epocha em
que forão organisados, e o Philippino muito mais que o Dinamarquez, em
vista da succinla apreciação que de suis matérias fez Bentham.
He certo que nenhum dos Codigos Portuguezes contém.a legislação fun­
damental do Estado, por que não a teve de principio, além da Bulla-;¥am-
festis probatum do Papa ' lexandre Uí, publicada em 23 de Maio de 1179;
confirmando em D. Alfonso Henriques o titulo de Rev de Portugal.
A Legislação oriunda das pretendidas Cortes de Lamêgo,he apocrypha; e
sendo fabricada depois do Codigo Alfonsino, não podia ser então codificada,
lvegia até então o Direito Consuetudinario de accordo com o Canonico, que
era seguido e praticado em outros Estados da Peninsula.
Mas nos Codigos Portuguezes encoulra-se a Legislação administrativa,
iscai, civil, commercial, crim inal, m ilitar, florestal, e até a m unicipal;
bem como a das relações entre a Igreja e o Estado.
Pela confusão que havia do administrativo com o judicial, não eslavão
descriminadas as funcções dos empregados, mas nem por isso deixavão de
estar definidas.
Faltão em todos, formulários dos contractos, de disposições de bens, e
dos differentos processos; mas existem disposições descrevendo as diversas
fôrmas por onde podia-se, com alguma segurança, redigir laes actos.
O Codigo Alfonsino, como Codigo completo, dispondo sobre quasi
todas as matérias da administração de hum Estado, foi evidenlemente o
primeiro que se publicou na Europa, e assignala huma epoclia importante.
Neste Codigo restringio-so a Legislação Feudal, e Consuetudinaria;
revogou-se a Lei chamada da Avocnga, de que já acima demos huma idéa,
e deu-se ganho de causa á Legislação do Corpus Juris, que foi equiparada
á Canónica, que aliás só podia prevalecer nas matérias em que houvesse
peccado.
Esta Codificação he o ponto em que a Legislação Feudal leve de parar
pela onda das novas ideas, e reformas que empreliendia a Realeza para
firm ar o seu completo predomínio.
Não erão decorridos ainda sessenta annos, e reinando D. Manoel,
assentou-se, mais no interesse da Realeza, do que no das outras in stitu i­
ções^ reformar-se a Legislação existente a pretexto de melhor codifica-la.
Não heexpjicavel a causa desta nova codificação em tão limitado espaço
de tempo, senão no ardor dos Juristas em fazer predominar na Legislação
a Jurisprudência do Corpus Juris, e no empenho do Poder Real em forla-
X X II

lecer o regimen absoluto fazendo-o p rim a r sobre as antigas liberdades do


Povo PorUmuez. O lle y D. Manoel deslumbrado pelas descobertasda índia
e da America, e com a felicidade que em tudo o acompanhava, entenceu
qua nadapodiano fu tu ro m ellior a s s ig n o r oseu reinado do qae huma
Legislação cunhada com o seu nome. . .. , „
Foi-elle quem deu senão os últim os, os mais decisivos golpes no Feu-

^ H e esteo caracter da sua Legislação, e dos aclos mais significativos do


seu reinado. . , „ nr.
A organisação do novo Codigo foi resolvida no anno de l o 05, e levava
nor pretexto reform ar e reduzir á melhor ordem o Codigo de D. Alfonso \ .
A Carta Regia de 9 de Fevereiro de 1505 encarregou desse co mm el imenlo
ao Chanceller-mór do Reino o Dr. Ruy Bôtto, com o Licenciado Ruy da
Grãa, Dezembargador do Paço, e o Bacharel João Cotnm, Corregedoí t
Civel da Corte, conhecidos como famosos Legislas, segundo o testemunho
de Duarte Nunes de Leão.
O trabalho destes compiladores foi terminado em breve pi aso ; p
quanto no anno de 1512 ou 13 sob a revisão de B ô t t o , o Chanceller-Mor,
foi a obra impressa em Lisboa por Joao de líempis, com o addila­
mento das sentenças e Foráes recommendado na Carla de 9 de Fevereuo
supra mencionada. Em 1514 fez-se outra impressão mais correcta e
accrescentada.
Mas a compilação sendo feita com tanta pressa obrigou a novo exame,
que foi confiado aõs Dezembargadores João Colrim, Pedro Jorge, Joao de
Faria e Chrislovão Esleves. E o Codigo, assim emendado, loi publicado em
11 de Março de 1521, ainda em vida do Rey que o authonsára; e lie u
Codigo Manoelino que conhecemos, que depois alcançou mais duas edi­
ções no reinado de D. João I I I em 1526 e 1533, e outra no de D. Sebastiao
em 1565.
Este Codigo no seu plano e distribuição geral das matérias segue o
systema adoptado no precedente, de quem se afasta já om ittindo os nomes
dos aulhores das Leis, já alterando a ordem da collocação dos tilulos, e a
distribuição dos artigos ou paragraphos, e de tal forma que parecêo uma
nova legislação e não compilação syslematisada de leis precedentes.
Mas o fu ro r de legislar ou codificar parece que invadio este século, em
que tudo como que exigia reforma ou transformação. E assim, reinando
D. Sebastião, mais uma codificação se levou á effeito, para consummar o
trium pho da Legislação do Corpus J u ris, e do absolutismo Real.
Não pouco coneorrèo para esta effervescencia. a reforma da Universi­
dade de Coimbra no reinado de D. João III , em 1537, que para este fim
lizera, como seus predecessores, convidar em outros Estados Professores
de saber incontestado. Mas nesta epocha ainda predominavão na Juris­
prudência Romana as opiniões de Barliiolo e Accursio, e a importância que
depois adquirio a Escola Cujaciana ainda era desconhecida.
A nova compilação do reinado daquelle Principe, que denominaremos
Codigo StbasLkmico, não teve o alcance das primeiras.
Duarte Nunes de Leão, Jurisconsulto de nomeada e Dezembargador da
Caza da Supplicação, encarregado desse trabalho, colligio e recopilou tão
somente as Leis extravagantes posteriores ao Codigo Manoelino.
Este trabalho, revisto pelo Regedor Lourenço da Silva e outros Juris­
consultos, foi approvado por Alvará de 14 de Fevereiro de 1569, tendo
força de Lei. Foi o Cardeal D. Henrique, quando Regente do Reino, que
X X III

ordenara a compilação, sendo o prelexlo invocado a exislencia de muitas


Leis e Provisões promulgadas depois do Codigo Manoelino, assim como
decisões da Caza da Supplicação, que abrião portas â muitas duvidas e con­
fusões no Fôro. Assim o declara aquelle Alvará, e a dedicatória do Reco-
pilador.
Os acontecimentos de 1578 resolvidos pela batalha de Alcácerquibir
collocarão Portugal em nova situação politica, tendo-se extinguido à,
Dynaslia de A v iz ; pelo que subio ao tbrono Philippe I I de Hespanha, suc­
cessor á Corôa por differenles títulos, garantidos, no momento, pela cor­
rupção e pela força.
Desde 1580 até sua m orte em 1598 differenles e importantes aconte­
cimentos tiverão lugar em Portugal em materia de Legislação, que pre­
pararão a nova codificação realisada em 1603, já no reinado de seu filho e
successor Philippe I I I de Hespanha, e I I de Portugal.
Podemos apontar entre muitos e copiosos que forão os documentos que
deixou Philippe I I do seu governo, a creação da Relação do Torto, os Re­
gimentos da mesma Relação, da Caza da Supplicação, da Chancellaria, do
Dezembargo do Paço e a importantíssima Lei da Reformação da Justiça de
27 de Julho de 1582, que he por si só um Codigo de Processo Civil e Cri­
minal, alem dos novos Estatutos da Universidade de Coimbra promulgados
pouco antes de sua morte.-
Mas parece que não foi o interesse de harmonisar a Legislação extrava­
gante depois do reinado de D. Manoel, com a nova situação politica da Mo-
narchia, nem a pueril vaidade ou calculo politico de fazer esquecer a Le­
gislação dos precedentes Monarchas, e obter a estima dos Porluguezes, o
que mais acluounoseu animo para levar a eífeilo a codificação, hoje conhe­
cida, por Codigo Philippino.
Havia um motivo mais poderoso que a isso obrigava o impulso da Rea-
lesa no seu exclusivo predomínio no Estado, e os devotos do Direito Ro­
mano ou Im perial.
Esse motivo era o Concilio de Trento, aceito e proclamado em Portugal
sem restricções, pelas Leis do reinado de D. Sebastião. Essa aceitação dava
novo realce ao Direito Canonico, collocando-o quasi no ponto em que se
achava na epocha de D. Affonso II, em que se julgava de nenhum vigor a
Legislação Civil que lhe era adversa, sem declaração authenlica.
Os architectos do absolutismo Real, os Juristas Romanistas, virão com
extremo desprazer este resultado, e indispensável era contraria-lo; ainda
pelos meios á que o Poder Civil estava habituado á servir-se para vencer
seus emulos.
Eis a verdadeira causa da codificação das Ordenações Philippinas, e
não as que aponta o Alvará de 5 de Junho de 1595, que mandou fa zê -la ;
sendo o prim eiro acto em que a Realesa Lusitana ousa revogar Leis—posto
que fossem estabelecidas e ordenadas em Còrtes.
Era difficil, e mesmo arriscado aclara luz do dia revogar as Leis de D.
Sebastião sobre o recebimento do Concilio de Trento ; facto tão recente, e
que.de chofre contrariado,podia impopularisar o novo Monarcha.e colloca-lo
em desagradavel situação com Roma.
Tomou-se o expediente de fabricar-se uma apocrypha e inepta Concor­
data do Clero com D. Sebastião, pouco antes da sua partida para Africa, em
que os pontos que se desejava restabelecer nas novas Ordenações fossem
aceitos e resolvidos.
Jorge de Cabêdo, o principal recopilador das Ordenações, presume-se
XXIV
AM» .

T ,6r7
■ultm, “ “/ f
k quem se altribue a patennílatle
\ares cie Louzaaa Maeliado, pe * h o s. sen(io ainda notasel queCa-

btdTfosse o prim eiro escrtplor q n M r io la

^ ^ í e ^ S Í fa ^o s pn,o

' " ' r S o r T a recorda ainda o procedimento de D.

S a por D Manoel no leito de mode de 1). João I I , em reference

“ 8; S % t r S o Mse e X d i a , era eqoivalente a desobriga do jn -


ram enlo de f l d e f f i e outorgada pelos Summos Ponlilices em grandes c n -

868 Fo°i nessa e°pich. que se forjou o famoso documento in tit u la d o t i» f« n -


■damentaes das Cortes de Lamego do anno de 1143, a que Ia a liu a im o . ,
descoberto no cartorio de Aleobaça, e Iranscriplo por l r . Anlon]l’J
^ ^ Z k M o m rc h M L m ila m , em 1632; do qua antes do século X V II,

S nas Côrtes da

1 ^ 0 e!^ T .n h o
de 1789 e de 31 de Janeiro de 1790, forão aquellas Leis designadas como

á im ita r Na ^ dí ® , ° u í Ç' 1 8

sòbrTa a c q lí^ ç fò ^ rb e n ^ d e S T p o r p a rladas Igrejas e Mosteiros; e alii


se ousou dizer que a Lei repressiva sempre ale aquelle momento se usdra,
praticara, e guarddm em P o rtu g a l: o que era mui contestável; pojsessa
asserção não repousa em base solida,visto como, ainda a ptopria intitulada
Concordata secunda do Rey D. Diniz, no art. 2, não d» o que expr.m.o
aquella Ordenação, e nem poderia le r a latitude que se lhe emprestou

fl eSSc6osCjmdsUs do Codigo Manoelino poderão ler aquellas liberdades,


porque serião mais escrupulosos os que se achavao encarregados da organi-

SaÇ0 CemciHo'de'Trento, destruindo o effeito de laes pretensas Concor-


dalas desmanchava o ediíicio levantado com tanto trabalho e tenacidade.
Eas lulas que se travavão nessa epocha com os ColleiloresdaSanlaSe,
as Temporalidades brulaes empregadas contra dies, regulansadas na Carta
Reaia de 21 de Julho de 1617, por causa dessa Ordenaçao e de outi as dispo­
sições de igual quilate, contrarias ao Direito Canonico, e antiga pratica do
Reino bem moslrão o espirito de que estavão possuídos os Reco-
Diladores, e o interesse que nellas usufruía o Poder temporal.
P Basta confrontar o Codigo de Philippe I I com os escr-iplos de Jorge de
Cabêdo e do seu escolar Gabriel Pereira de Castro, para se reconhecer a
XXV

sua dissidência com o Direito Canonico, e os interesses da Igreja. E, com-


ludo, Pombal na Dedmção Chronologica, e Mello Freire na sua H is to ria do
D ireito C iv il Portuguez, por má fé ou deficiente critica ousarão declarar que
essa Compdação fôra um dos grandes attentados da Companhia de Jesus,
aliás tão pouco considerada na Côrle daquelle Monarcha.
Philippe I I não vio terminar-se o Codigo que mandou organisar; o que
veio árealisar-se em 1603, quando por Lei de seu filho Philippe I I I , de 11
de Janeiro do mesmo anno, se mandou ohservar em toda a Monarchia
Porlugueza, com as Ordenações da Fazenda e Artigos das Sizas, que não
forão incorporados.
Não se despenderão oito annos com esta Compilação, que não obstante
os seus defeitos e descuidos, he trabalho de merecimento superior ao
Codigo de D. Manoel, cujos Compiladores não tinhão, nem podião dispor
de tantos recursos como os do Codigo P h ilip pino.
Não o entenderão assim alguns escriptores do século passado, empe­
nhados em desacreditar a ultim a compilação, cujos senões exageravão,
por supporem obra daquellajá notada Congregação Religiosa. Alguns do
presente século repetirão sem mór exame aquella apreciação.
lim a das accusações ineptas que se faz aos Recopiladores do Codigo
Philippino foi o preferirem na lição do Direito Romano a Escola Bartholina á
Cujaciana ; por que no fim do século 16° apenas havia começado a lu la da
nova Escola com sua antecessora : os Bartholistas erão numerosos e acre­
ditados, e Cujas ou Cujaus, como diz Dupin, havia pouco tempo bai­
xara ao tum ulo (1590); e posto que este Jurisconsulto tivesse o mérito
de vencer e inutilisar lodos os interpretes do Direito Romano, seus prede­
cessores, não podia logo em seu tempo impôr-se como authoridade á seus
contemporâneos, e emulos.
As novas doutrinas demandão tempo para se inocularem na intelligencia
e no espirito das populações; e sómente o conseguem depois de lutas sus­
tentadas com tenacidade e vigor.
O Codigo Philippino seguio no methodo e systemaUsação das matérias
o Manoelino, e a quasi totalidade das disposições deste estão ali incorpo­
radas; mas contém muitas outras extrahidas das reformas feitas durante
todo o século 16°, nos reinados posteriores á D. Manoel, além do que
colherão os Compiladores aliundè em outras fontes.
« O fundo da sua Legislação, diz Coelho Sampaio, pelo que pertence
ao Direito Particular, he todo de equidade ; nella se acha o que o Direito
Romano, entendido segundo a Glosa, tem de m elhor. »
O Livro I o contém os Regimentos dos Magistrados e Officiaes de Justiça.
Ahi se achão definidas todas as altribuições, direitos e deveres de taes
funccionarios, com excepção do Dezembargo do Paço, cujo Regimento,
posto que datado de 27 de Julho de 1582, não foi incorporado nas Ordena­
ções deste livro, onde tinha todo o cabimento no tit. 3o.
No Livro segando se achão definidas as relações entre a Igreja Calho-
lica e o Estado, os privilégios de que a mesma Igreja o u tr’ora gozava ; e,
posto que garantidos pela Constituição, forão nulliifieados pelo art. 8“ do
Codigo do Processo Criminal.
Da mesma sorte estão eomtemplados e definidos os direitos do Fisco, e
differentes privilégios da Nobreza.
O terceiro Livro occupa-se parlicularm ente com o processo Civil, que he
idêntico ao Crim inal, menos em alguns pontos definidos nas Ordenações
Oxd . 4
XXVI

dos livs. I o e 5", como se moslra nos tits . 447, 420 e 424 § 27 do

u ltim o livro . aehava regulado o Direito subsidiário, que se


J J fL jS ? I S de à S que depois foi revogado peia U ,

de K m r ô t e M S « *» P * < *» “ ic í A s ’ la n l° Ci” “

C0I1rt U v ro o iw río comprehendia os direitos das pesam e das m m , no


ponto de vista c i » e i e e o w ™ « . “ n t“ E e ffíí E s desenvolvidas.
O e c E s fS e ™ W . K SSSSSiÍ a » terras baidias

e cultivadas. „ assento no L ivro quinto, sob todas as faces,


as penai applicadas aos m ihtares,

E T e u " r g t r a l ire aspera; « n o seerdo em


branda, e n n , verdadeiro

melhoramento. aV..,nf1„ „ menos seria applicada se o—

erão raríssimas. E das ultim as ja nao , (1 de semellranles


existência, se Pomba nao y g g g » E e ,e t íjà E r n sua ló rva im a-
horrores na repressão de conspirações que e j

ginação. , , hnma hpranca do Direito Romano, e sua

jjz s t j: M s J i r » * - «*» -
0 Le8islldor parco’

E a v a t í o ! ' o E m e ro d “ q E e s E o a d s t U s á essa pena devia ser

m ui lim itado. » , rnriirrn MíuioGlino com a do P h ilip ”


Confrontada a Legislaoao penal do. Codigc' , gress0.
pino, a deste leva grande vantagem , . f , próximas e internas
Sendo as Ordenações Manoelinas Im tna das lontes^pro ^ (,as
do codigo P hilippine , este conta. amda a g costumes ou D ireito
da Supplicação « do P orto, e o

qual se comprehendem os additam ento. p f] 0 Xouro, o D ireito

"° S í S de . de Junho E S " íS £


fd e 'c ia -
não declinem os nomes dos Recopiladore , rnnselho Real sabe-se
ra r ,» e erão Desembargadores do Paço e: pessoas do Come hoReal, sa o
pela Deducção Chronologica, e por Mello Freire na nisto» m. que
X XVII

dimos,— que forão Pedro Barbosa, cognominado o Insigne, Paulo Alfonso,


Jorge de Cabêdo, e Damião de A g u ia r; todos m ui conspícuos por seu
saber, e pelas posições elevadas que occupavão.
Como jà notamos em outro trabalho de nossa lavra sobre o D ireito
C iv il Ecclesiastico B ra zile iro , o principal Compilador deste Codigo foi o
Chanceller-mór do Reino Jorge de Cabêdo, que acompanhou-o até o fim
com Damião de Aguiar, sendo também o seu principal R e viso r; trabalho
em que se empenhou, e de que dá testemunho o opusculo das E rratas que
no mesmo anno deu á estampa.
Nem Pedro Barbosa, nem Paulo Aílõnso figurão na lista dos Revisores,
que, além de Cabêdo, são Melchior do Amaral, Diogo da Fonseca, Damião de
Aguiar, e Henrique de Souza. Donde parece concluir-se, que se prim itiva­
mente não forão estes Jurisconsultos designados para a recopilação, o forão
pouco depois no reinado de Philippe I I de Portugal, ou de“ 1598 em
diante ; por quanto a sua nomeação de Revisores olliciaes estabelece pre-
sumpção favoravel no sentido do nosso asserto.
Não poremos remate á este artigo sém transcrevermos aqui as opiniões
de dous celebres Jurisconsultos deste século, sobre o estado da Jurispru-
denciaPorlugueza no fim do Século IG \ sem que aceitemos todas as illa -
ções deduzidas pelos mesmos Jurisconsultos, m uito eivados das doutrinas
do passado século, inauguradas por Pombal e sua escola:
«Decahindo as Letras entre nós, diz Villanova Portugal, no fim do
mesmo século 16°, em que mais florescerão, e introduzida, e arreigada
profundamenle na nossa Universidade, e no Fôro a Escola B a rlh o lin a ,
estudando-se só com desvelo o D ireito Civil Romano— Justinianeo,com total
desprezo, e omissão do Direito P átrio da Nação, e chegando pelos mesmos
Estatutos antigos liv. 3o tit. 4 no principio, a não poderem ser admittidos
os Estudantes ao acto de Bacharel sem justificarem , e mostrarem por
certidão, que tinlião, os Legistas Bartholos, e os Canonistas Abbades, além
dos Textos, que sempre erão acompanhados da Glossa, com o que só se
contentavão : foi forçoso ser a Jurisprudência de todos os tempos que se
seguirão, como as fontes, em que era bebida, e não se respeitarem no Fôro
outros livros, ou algum Direito m a is; sendo destituídos de quaesquer
outros conhecimentos aquelles, que no mesmo Fôro íazião uso das suas
Leiras, principalm ente por se lhes im pedirem todos os meios de os poderem
alcançar.
« E daqui nascêo insensível e necessariamente o m aior, e mais exces­
sivo gráo de autoridade,a que de facto chegou o mesmo Direito Justinianeo,
com differença, e manifesto abuso do que legilimamente se lhe concedeo,
e adjudicou sempre nas sobreditas Ordenações.
« Portanto veio a succeder, que postas em total desprezo, e esqueci­
mento as Leis Regias e Patrias, se recorria geral e indistinctamente nas
aliegações, e Decisões, só ás Imperiaes e Textos do D ireito C ivil, e aos
Doutores que os in te rp re ta rã o ; a ponto de se introduzir entre os Pragmá­
ticos, e Praxistas, e reputar bastantemente authorisada pelo uso, e pratica
continua, a celebre Regra, de que as Leis Patrias se devião restringir e
lim ita r, ou am pliar e alargar, conforme fossem, ou correctorias do Direito
Romano, ou conformes ao mesmo, e segundo as regras tiradas dos Textos
do mesmo D ireito. »
Coelho da Rocha, no seu Ensaio sobre a historia do Governo e da Legis­
lação de Portugal, sexta époclia, no a rt. 8, exprime-se por esta fôrma :
XXV I I I

« Com o desenvolvimento das letras, no seculo 16», mudou por

,0d<
aOs nossos J urisconsultos!'SmunWos' dos subsídios das antiguidades,
p íecureos da Critica, animarão-se a in terpretar por si mesmos os f e -
L libertarão-se do im pério da Glosa, cujos erros e puerilidades

e m «mD e s t chamada Cujaciana, à qual perten­


cem também os Jurisconsultos Portuguezes immediatos a reform a
« EnTe elles costuma dar-se o prim eiro lugar ao celebre Anto­
nio de Gouvêa contemporâneo e emulo de Cujacio. Cumpre porem con
Cessar que este distincto Jurisconsulto não pertence a Portugal, senão
nascimento : a sua instrucção e vida litte ra r.a fo. toda das Um ver-

. / ' t i r o s ' ^m S -o n íu R o s theoricos do mesmo seculo, cujos


e s c río to fc h e sS à nós, appltarS o-se sobretudo a o D im to
n anal fazia então o principal objecto da Jurisprudência, poi sei
« S im da E u ro p a i e I » í V ra s U d i°- »rt«em 6
d avão uma. consid6r£tçao cxtraordinana.
« Os seus Commentaries são pela m aior parle escriplos com x>
critica, e conhecimentos dos verdadeiros princípios do mesmo Direito, dos
miaes elles fazem insta applicacão as especies ordinauas.
q « O D ireito Camnico foi igualmente cultivado com diligencia, e co­
mo naauelle somente se achava favorecido o absolutismo dos Im pei ado­
res n e s t f o poder do Pontifice e as p re ro g a tiv e do Clero ; concorre-
rão 'sobretudo paca im p rim ir estes mesmos primopios no
cão, lãzeudo esquecer as antigas p re ro g a tiv e d^ borles. e d a Nobresa.
” « As Teis Patrias não erao ensinadas nas Universidades, os Juns
consultos não curavão de descobrir nas Ordenações princípios, nem sys-
tema i en«ravão-nas menos como objecto principal, do que como s m -
nles ànulicacão da Jurisprudência ainda que os P axistas, que escie
vião osPusos do Fôro, vião-se forçados não so a allega-las, mas m ui-

laS J»Nos T ro a d o s b e ste s ordinariam ente domina o espirito do C re d o


Romano,on Ccmmico, de que seus aulbores um
a f.afi a Dasso ressumbra na interpretação, mesmo daquelias Leis, que
« n h ío b o r tonle os antigos costumes nacionaes, alheios ou contradic-
t fir in g p n m 1,81 S R O lB tlQ â S OU. G c tn o n iC & S .
« Apesar deste defeito, e da confusão ordinaria ^ f j j 8 1
xistas daquelle seculo, á ellas se deve ir procurai a historia das Leis,
a n o tic ia d o s antigos Estabelecimentos, e sobretudo a origem das Opmiões
e Estylos, que formarão uma especie de J urisprudencia
que se abusou no seculo seguinte, o 17% mas de que a nda- h o j e t a s
mos uso em m uitas matérias, em que nao ha lei, ou que sao duvido
sas. »

V.

A Legislação Port«ig«ie»a «lepols «le 1 « 0 3 ‘ operações até


a epoelia «la lndepen«leiicla «lo Bra*tl.
epo-
A codificação da Legislação Portugueza em 1603 creou uma nova
o Brazil estava ligado por
cha para a Jurisprudência dessa nação, à que
vínculos m ui fortes.
XXIX

De 1603 a 1823, isto he, no espaço de 220 annos, podemos conside­


ra r quatro phases notáveis na marcha da Legislação. De 1603 a 1640,
á 1750, á 1778 até 1823.
Nestas quatro epochas a Legislação soffrêo não poucas modiíicacões, já
pelas grandes mudanças políticas havidas no Estado, já pelas novas idéas
que se ião desenvolvendo na sociedade civilisada, depois dos abalos do
século 1 6 ; e após a revolução de 1789, deque tanto Portugal como o
Brazil ião ressentindo os effeitos.
He o que iremos, senão demonstrando, descrevendo neste artigo, se­
gundo os recursos de que dispomos.
Um díslincto Jurisconsulto do nosso século, Villanova Portugal, a cujo
auxilio já recorremos, aprecia toda a Legislação Porlugueza desde o princi­
pio da Monarchia nos seguintes te rm o s:
« No principio da nossa Monarchia, a Legislação era perfeita, e a Ju­
risprudência toda era F e u d a l; e por tal conto lodo o tempo desde o prin­
cipio até o reinado de D. João I, que eu reputo a epocha certa da entrada
do Direito Romano em P o rtu g a l: e nesta epocha considero o reinado de
D. Diniz como o tempo medio que preparou a mudança ; pois uma Legisla­
ção não muda sem que os costumes e a educação tragão circumstancias
que dependão de novas Leis.
« Desde o tempo de D J o ã o l até El-Rey D. Manoel conto a segunda
em que supponho o D ireito Romano estabelecido no Fôro ; porem como
uma Legislação nova, que se entranhava com a Legislação n aciona l: e nes­
te tempo ainda que ha o Codigo de D. Affonso V, esse não he cousa nova,
mas a publicação do que mandou fazer D. João 1 e D. Duarte.
« 0 caracter desta epocha he o de um combate e vacillação, que fazia o
choque das duas Legislações contrarias, a Romana e a Feudal, igualmenle
recebidas; a Feudal como a prim eira na Lei, a Romana como prim eira na
educação dos executores da Lei.
« A terceira epocha principiando no tempo do El-Rey D. Manoel deve
du ra r até o reinado de Senhor D. José, mas neste espaço diversos caracteres
fazem os diversos tempos da preparação para a posterior.
« Até El-Rey D. Sebastião, o seu caracter lie a vacillação das opiniões,
que suscitou o com bate; o que fez necessária a Escola de Bartholo, á qual
se deve o caminho mais seguro para a concordia. 0 resultado he a Juris­
prudência dos Ârestos, que principiando em D. Sebastião, durou muito
tempo ; e esta he m elhor que a antecedente, pois mostrando aos olhos a
opinião adoptada, se lhe deve m aior certeza.
« 0 ultim o he do tempo do Senhor D. João V, em que os trabalhos de
uma Academia protegida, fazendo commoção nos espíritos, fizerão buscar
livros de gosto para as questões da H is to ria ; porem que por um consenso
natural de toda a L itte ra tu ra , fizerão achar entre elles á Montesquieu, á
Grocio, á Natal Alexandre, e à outros.
« Isto preparou a epocha actual (quarta) desde o reinado do Senhor
D. José, em que o Direito Publico, e a Economia com os seus diversos ramos
sobre In d u s tria , Policia, etc., fizerão ao Direito Romano o mesmo choque,
que este tinha feito ao Feudal.
« Esta Legislação não podia repentinamente entrar em system a; cada
Lei he a pedra de um bello edifício, que por melhores cortes que tenha,
não pode ter lugar, sem que o risco interesse ao edifício inteiro.
« Reputou-se que o combate nascido deste choque era cansado pelo
Direito Romano, e elle foi proscriplo na Lei de 18 de Agosto de 1769: se-
XXX

I'in to se distinguio em nosso Paiz no governo do Lslado_, laremos some as


nuatro enochas que descriminamos, algumas considerações.
^ U p 1603 á 1640 ou á revolução que eolloeou no throno a Dynaslia Bi a-
„ „ ntína^ não houve deviação no espirito que dirigia a Leg.slaçao que era
S K i l o Poder Real, pondo-o em relevo em formulas

S e n t e se dirigem todas as manifestações de despeito do Poder in va so r,


o qual, tendo lodo o Clero indígena amordaçado, revoltava-se conli a as
reclamações e resistências estranhas.
He celebre esta epocha pela abnndancia e abuso das
maAas— Temmralhdades, ou torturas impostas ao Cleio a tim cie coaei ío
ro b e d e c e as Let e às decisões dos Magistrados temporaes contra-
m fa l r e U o Canonico e ás reformas do recentiss.mo Concilio. O que
15? e l o « pra U ca » co.no uma M M h
que com ellas utilisava não ousava confessar, loi regulansado poi u
Lei, com vigor e audacia executada. .
As Temporalidades abundarão nesta epocha, como depois no domínio
dp Pombal mui inclinado a medidas de cruesa.
E “ a une as cloulrinas do Governo corressem parelhas com as da
U niveísidaíe, fez-se uma nova reforma nos respective® ts ta lu lo s (161-1,

mui aftagada pelos Rega-


listás de lòdos^os malises, e reputada como medida de progresso, e de
liberdade do mais puro quilate. _ , . . .
lip 1640 á 1750 a Legislação e a Jurisprudência solfrerao a principio
um neaueno retrocesso; por que era uma reacção contra o detestado
domínio Castelhano, e seu duro regímen, Essas , T ' w T “ e7»Pe W J *
nas fo rte s de 1641 e 1643, e ainda nas de 1668, 1674, l b / 9 e t o u / ,
quando o Rey D. Pedro 11 procurava legitim ar a rebelhão que o levou ao
throno, e assegurar a sorte de sua Dynastia.
A lin « w e m dos Juristas desses tempos, de toda a ultim a metade do
século 17“ he inle'-ramenle differente das do principio, e do século 18 ,
em que se reatou com duplo vigor a corrente do predomínio do Podei

“ " I s l ã confrontar os escriptos de João Pinto Ribeiro, denB»mmgos M t u -


nes Portugal de Francisco Velasco de bouvea, e de Antonio de bouza t e
Macedo com os das epochas que apontamos. A liberdade de uns contrasta

C° \ 0lleTObiçao°deC1640 dava legitim o fundamento para uma recopilação


da I egislação ou organisação de um novo Codigo compatível com as ideas
vencedoras naquelle grande acontecimento. Mas o bom senso, o tmo
politico, ou antes a fortuna do Poder Real inu liliso u qualquer com m etli-
XXXI

jnento com esle in tu ito , não obstante tudo quanto os Trez Estados nas
Cortes de 1641 neste sentido reclamarão.
A Lei de 29 de Janeiro de 1643 a pretexto do estado de guerra em
que se achava o paiz, adiou o trabalho da organisação do novo Codigo,
determinando o Rey de certa sciencia, Poder Real e absoluto revalidar,
confirm ar, promulgar, e de novo ordenar e mandar que as Ordenações de
1603 se observa'ssem, como até então se havia feito.
Era o Irium pho do partido absolutista apoiado em um fundamento
especioso, mas á prim eira vista mui acceitavel.
O Poder Real, que se achava tão bem fortificado naquelle Codigo, p ra ti­
caria um erro palmar se deixasse de mão semelhante Legislação ; expondo
o Paiz e o predomínio da Realesa aos azares da Revolução, e ás elucu­
brações fluctuantes do patriotism o, que deveria ser somente aproveitado no
que havia de frucluoso aos interesses da Dynastia.
Parece que aos conselhos do Romanisla u ltra Thomé Pinheiro da
Veiga, se deve esta medida. He este o famoso Procurador da Corôa, tão
festejado pelos Regalislas, discípulo e m ui aproveitado successor de
Jorge de Cabêdoede Gabriel Pereira de Castro.
Se nesta epocha um novo Codigo se organisasse, já alguma rasão terião
os Censores do Codigo P hilippino se na lição do Direito Romano fosse pre­
ferida a Escóla fía rlh o lin a á C ujaciana; mas, forçoso he dize-lo, ainda
no meado do decimo sétimo século, a Glosa sentia-se com vigor, não só
em Portugal como em outros pontos da Europa.
De então por diante sua importância declinou, deixando o campo á sua
rival. Mas foi esse o tempo em que o Direito Romano gozou de tão elevada
protecção como na meia idade, emqueaCodificaçãoJustinianease apresen­
tava aos olhos das populações como o maior monumento de civilisação. Em
torno delia se grupavão lódas as litte ra ta ra s : a historia, as linguas a n ti­
gas, a c ritica ,'a philosophia, etc. E foi o elevado conhecimento destas
disciplinas na epocha de Cajás, que habililou-o a fazer a grande revolução
na intelligencia dos textos do Direito Romano e na elegante exposição da
d o u trin a ; estudo que tomou avantajado interesse com a polemica á que
derão origem as innovações do grande Jurisconsulto Francez.
Passada a effervescencia do patriotism o, mortos os coriphêos da Re­
volução, nunca mais se tratou d i reforma do Codigo Philippino, idéa que
a medida provísoria de 1643 sepultara.
O Poder Real absoluto alçando cada vez mais a fronte, deslumbrado
com os exemplos dos Estados conter, aneos de que era typo a França de
Luiz X IV, não conhecêo mais óbices á sua vontade,
D. João V illu d io e pôz termo á convocação das Cortes, lançando im ­
postos sem ouvi-las. E 1). José I, ou antes o seu potente Ministro,
desconheceu-as, desconsiderou-as~e proscreveu-as; reconhecendo em si
a alta e independente Soberania, que recebia immediatamente de fíeos afim
de tra n s m itli-la ao seu Ministro para bem usufrui-la, pois neste regimen o
Rey reina, e os Ministros ou validos gooernão e adm inistrão.
No reinado de D. João V o perfume de liberdade dos Juristas, que acima
notamos, desapparece ; o servilismo mais vulgar occupa as posições; e se
transparece alguma liberdade em escrever lie nas lutas contra a Santa Sé,
qvie a Realeza affaga e auxilia com mais ou menos empenho, segundo per-
m itte o estado de suas relações com Roma. Dando esse desafogo aos espí­
rito s , a Realeza suppunha ter em suas mãos os odres de Eólo; mas só con-
XXXII

segaio crear Juristas adversos á Igreja, e a rc h ite c ts da desorganisação de


toda a ordem social. .. , •
Os que não trilh a rã o esta senda virão seus escriptos sopitados nos a i-
chivos das Bibliothecas, como manuscriptos sem prtstim o, quando a Cen­
sura Real de todo não os repellia. Podemos considerar como taes as obras
do distincto Jurisconsulto Paulo Rebello, Professor na Universidade de
Coimbra de m érito incontestado, que escrevendo um importantíssimo fra
tado sobre o D ireito Natural, Civil e das Gentes (De ju re C entum , n atu-
r a li ei civUi) nunca obteve as honras da im pressão; com quanto seja Ju­
rista da épocha de Pinto R ibeiro e de Velasco, de Portugal e de Macedo.
Cheo-amos à 1750,quando á Realezae o seu predomínio absoluto de mãos
dadas °com o Regalismo subio ao m aior apogêo. Esse triu in p h o assigna-
lou-o o tempo com um espantoso terrem oto, coincidência notável com os
estrabos que outro pela mão dos homens ia fazer-se.
^ 0 campo ficou alastrado de cadaveres, alguns torturados por cruéis sup-
plicios que o século já não perm iltia, nem mesmo em Paiz, de civihsaçao
chrislã pouco adiantada. 0 sólo de toda a Monarchia Lusitana ficou co-
berto de sangue e de cinzas, e durante um quarto de século de u m teluco
ooverno verdadeiro regimen de Moloch, a população vivia inquieta acor­
dando todos os dias com a descoberta de imaginarias conspirações, sepul­
tadas depois no sangue dos cadafalsos.
0 trium pho foi sem duvida da Realeza absoluta, mas a honra da lu la
ficoq aos vencidos. _ T .
A Legislação e a Jurisprudência tomou nova direcçao ; as Leis íespnao
um ar de iactancia, uma linguagem de vaniloquencia e de rodomontadas
bem dispensáveis; e o que be s in g u la r^ Direito Romano, que fora o vebi-
culo em que se transportara durante séculos o regimen absoluto, loi com
notável ingratidão injustamente amaldiçoado, como bem o prova a Lei de
18 de Agosto de 1769.
Mas essa culpa venial, exhalação de trium pho da Escola C u ja cia m con­
tra sua competidora a B a rth o lim , em breve foi rem ida. 0 Direito Romano
sob os hombros mais robustos da nova Escola, menos christiamsada que sua
predecessora, subio de novo ao Capilolio nos hstatutos da Universidade de
Coimbra, de 1772. _
Não desconhecemos o incremento que houve,as reformas que se lizeiao
uos vinte e seis annos do reinado de D. José ; mas estamos persuadidos de
que em tão longo estádio percorrido, poder-se-ia tentar tanto na Legis­
lação como em outras matérias, reformas mais perduráveis e u te is ; com
outro methodo e ordem, e sem o estrepito que se fez, e sangue que se
derramou
0 novos estudos implantados naquella Academia, o espirito de toda a
Legislação inaugurada na longa administração de um Ministro omnipotente
e p a rlid a rio fazião salienlissimo contraste com a antiga; e demanda-
vão senão uma reform a completa da Legislação em vigor, recopilação de
todas as conquistas feitas e sua harmonisaçao com o que de aproveitável
na velha Legislação existisse.
No reinado de D. Maria I, predominando, como era natural, os aluirmos
ou sectários das novas doutrinas,resolveo-se a organisação do novo Codigo,
publicando-se para esse fim o Decreto de 31 de Março de 1778.
Alle»ava-se em defeza da medida a m ultiplicidade das leis, a antigui­
dade de muitas, e a mudança dos tempos. Creou-se uma Junta presidida
pelo Ministro do Reino o Visconde de Villanova da Cerveira, composta de
XXXHI

seis Conselheiros, na Magistratura allamente collocados: os Drs. José R i-


calde Pereira de Castro, Manoel Gomes Ferreira, Bartholomeu José Nunes
Cardozo Giraldes de Andrade, Gonçalo José da Silveira Preto e João Pe­
reira Ramos.
O systema adoptado consistia no seguinte :
1. °— Exame das leis dispersas e extravagantes até então publicadas, e
o^corpo da Ordenação do Reino, que, diz o Decreto, não era da Real inten­
ção a b o lir de todo, constando da bôa aceitação, com que era recebida por
todos os vassallos.
2. ° Exame das Leis antiquadas, e, pela mudança das cousas, inúteis para
o presente e para o futuro.
3. °— Idem , das Leis revogadas em todo, ou em parte.
4. °— Idem, das que na pratica tem soffrido. diversidade de opiniões na
sua intelligencia, causando variedade no estylo de ju lg a r.
3<° Idem , das que pela experiencia pedião reforma, e innovacão em
beneficio publico.
O trabailho de organisação, compilação e exame foi distribuído da se­
guinte fó rm a :
Do liv ro I, ao Dr. L u iz Estanisldo da S ilva Lobo, Dezembargador dos
Aggravos da Caza da Supplicação.
Do liv ro I I, ao Bispo eleito de Faro D. João Teixeira de Carvalho, e ao
D r. Estanisldo da Cunha Coelho, Dezembargador da Caza de Supplicação.
Do liv ro I I I , aos Drs. Marcellino X avier da Fonseca P into, é Bruno
Manoel Monteiro, Dezembargadores das Cazas da Supplicação e do Porto.
Do liv ro IV até o tit. 79, ao Dr. Duarte Alexandre Holbeche, Lente subs­
tituto de Coimbra, e Dezembargador honorário da Relação do Porto.
« Para o que he necessário estabelecer, diz o Decreto, e deferir sobre os
Direitos mercantis, navegação, Cambios, Seguros, e Avarias, e parao mais
que respeita á Nautica e ao Commercio, que deve entrar no mesmo liv ro
IV , á Diogo Carvalho de Lucena; Advogado da Caza da Supplicação,
e Deputado da Real Junta do Commercio. »
Para o restante do livro referido na parte que trata dos Testamentos,
Successões, Morgados e Tutelas aos Drs. L u iz Rebello Quintella, Juiz dos
Feitos da Corôa e Fazenda.
Os trabalhos do livro V forão confiados aos Drs. Manoel José da Gama
e O liveira e José de Vasconcellos e Souza, um Deputado da Meza da Cons­
ciência e Ordens, e o outro Dezembargador dos Aggravos da Caza da
Supplicação.
Segundo o mesmo Decreto os Compiladores devião apresentar os
trabalhos que fossem successivamente preparando, e discutindo-os em con­
ferencias ; de modo que funccionassem lodos com tal melhodo e ordem,
que os trabalhos fossem mutuamente conhecidos, e apreciados para que
não houvessem repetições e antinomias.
Um dos primeiros resultados desta Junta foi o Decreto de 17 de Julho
do mesmo anno declarando e suspendendo provisoriamente a execução de
algumas Leis do ultim o Reinado até a conclusão do novo Codigo, o que infe­
lizm ente nunca se conseguio.
Os trabalhos dessa Junta forão correndo com regularidade, por isso que
por Decreto de 12 de Janeiro de 1784 forão reguladas as suas sessões,
nomeando-se-lhe um Vice-Presidente.
Em 1789 os trabalhos quanto ao Direito Publico, Commercial e Testa-
m enlario estavão term in a d o s; mandando-se revêr, examinar e censurar os
Ord. 5
XXXIV

ensaios, por hama Commissão de cinco Revisores e Censores ad hoc no­


m eada-segundo se lê no Decreto de 3 de Fevereiro do mesmo anno.
Além da Commissão de Censores presidida pelo Dr. João Pereira Ra
mos de Azeredo Coutinho, cujas luzes o Decreto m uito encarece, havia a
Conferencia Superior de approvação final presidida pelo Visconde Moí
domo-Mór, e na sua falta pelo Ministro do Reino Jose de Seabra da Silva, e
de oito vogaes, J urisconsultos de prim eira cathegoria na alta Magistratura.
A essa Conferencia assistião os Censores, e o author do trabalho approvado
na revisão e exame, sendo este ouvido nos pontos eontradictados.
Entretanto para resalvar a orlhodoxia da doutrina, por Aviso de .) de
Fevereiro do mesmo anno, fôra o trabalho organisado, rem ettido a Meza da
Commissão Geral da Censura dos Livros.
Dessa épocha em diante nada mais se sabe, quanto ao resultado desse
nroieclo de Codigo, em que se libravão tantas esperanças ainda em 1 / d l ,
segundo o que refere Villanova Portugal, no trecho que acima copiamos.
Parece que a moléstia da Rainha (1792),e os acontecimentos extraordiná­
rios da França ennublando a situação política da Europa, não deixarao de
in flu ir poderosamente em P o rtu g a l; e impedirão talvez que os trabalhos
executados, e já tão adiantados, chegassem a termo. Entretanto nao pouco
se trabalhou nesse exame e revisão, se attentarmos que o eminente lute
rato Portuguez, e não menos distincto Jurisconsulto Antonio Ribeiro dos
Santos filh o das escolas de Humanidades dos Jesuilas do Rio de Janeiro ;
só por sua parte escrevêo oito volumes em quarto de censuras sobre o pro­
ject*) do Codigo, que ainda existem in é d ito s ; conhecendo-se alguma cousa
pelo corre impresso nos projectos de Mello Freire.
Não obstante no intervallo entre 1780 á 1790, ou pouco depois Pas-
choal José de Mello Freire, já vantajosamente conhecido pelos seus escrip ■
tos jurídicos, offerecêo projectos de um Codigo C rim in a l, e outro de u ir e iw
P u b lic o ; assegurando-se que o prim eiro fôra organisado por ordem da
Rainha. Esses trabalhos, que forão impressos depois da sua m orte (17 J8), e
em nossos dias, o author recorda-os na introducção ao_seu D ireito Criminal-,
lastimando que, no projecto do prim eiro Codigo, não se legislasse sem
contemplação com a antiga Legislação e costumes. O seu ideal era um
Codigo ou Legislação mais philosophica.
Mello Freire era um espirito eminenlemenle innovador, e, se Jne dei­
xassem as mãos livres, faria na épocha taboa rasa na Legislação antiga
de Portugal. ,
Esquecida a obra do novo Codigo que tanto alvoroço excitou nas u lti­
mas dezenas do século passado, e que seria o mais bello producto da os­
tentosa reforma dos Estudos de 1772, uma das glorias immarcesciveis com
que arreião Pombal os seus devotos; tentou-se em 1802, por Decreto de
21 de Março, levar a effeito hum Codigo Penal M ilit a r ; e com esse propo-
sito creou-se também uma Junta. Por Decreto de 23 de fe ve re iro de 180»
determinou-se que a mesma Junta, augmentada com alguns vogaes, oig a -
nisasse o Codigo M ilita r da Marinha.
Era membro dessa Junta o mesmo Antonio Ribeiro dos Santos; e, in­
cansável trabalhador como era, compôz sobre essa m ateria differedtes
artgos que os curiosos podem consultar no Jo rn a l de Coimbra, revista
interessante á muitos respeitos. Servia nella de Secretario o eximio Juris­
consulto Manoel Borges Carneiro.
Portanto pouco ou nada se fez no espaço de 1778 á 1808; toda a aza-
fama que houve foi em pura perda. Parece que o que mais abundava
XXXV

nesses tempos era a vacillação e a incerteza, o desfallecimenlo e desgosto


por obras serias de Legislação, e comtudo havião Jurisconsultos dignos de
ser aproveitados.
Mas nessa epocha, como na que se lhe seguio, Portugal não teve Esta­
distas; e o balouço da velha Europa, e dos thronos carcomidos não lhes
deixavão momento para pensarem ern assumptos, que suppunhao poder
deixar reservados para melhores tempos.
Em 1807 a Côrle espavorida abandona as praias da Metropole, e
acolhe-se ao Brazil. Começava o anno de 1808.
Dessa epocha, que lie memorável nos fastos Brazileiros, porque lie pre­
cursora da de sua independencia, até 1822 ; nenhum monumento de Le­
gislação assignala a estada da Dynastia Bragantina. Nenhum Codigo se fez,
nem se projectou. Reinava em tudo o provisorio, com a incerteza, e a idéa
da volta á Portugal.
Os Estadistas que nesse periodo íiguravão, erão mediocres, e m ui
abaixo de sua missão, apenas se nota um ou outro recommendavel por sua
litte ra tu ra . A Bealesa estava e vivia sò,ninguém, pode-se dizer, auxiliava-a.
Excluamos a creação de altos Tribunaes, á guisa dos de P o rtu g a l; orna­
mentos indispensáveis cá nova Côrte : nesse periodo em que tão grandes
cousas podia rememorar a estada da ltealesa Européa pela prim eira vez
na America, apenas se destacão dous actos de alto interesse para o Bra­
zil ; o Decreto de 28 de Janeiro de 1808, e a Carla de Lei de 16 de Dezem­
bro de 1816. 0 mais lie secundário.
0 prim eiro datado da Bahia abre as portas do Brazil ao commercio es­
trangeiro, e deve-se aos conselhos e pertinácia de José daSilva Lisboa, que
morrêo Yisconde de Cayrú. Por essa grande medida ficou o Brazil logo
nessa parte equiparado á Metropole, e em posição independente.
A segunda equiparou-nos completamente : não era já um Principado,
titu lo de uma Província da Metropole, era um Reino ligado pelo laço tão
somente do Governo, mas dislincto dos outros. 0 Paiz, a antiga Colonia
assim organisada, era um corpo politico, que facilmente se poderia desta­
car com todos os seus componentes dos dous á que se achava concatenado.
Dahi á completa independencia pouco distava. Apenas decorrido um lus­
tro o facto consummou-se, como uma deducção lógica.
Mas esta transcendente medida, via providencial para um grande acon­
tecimento, não era o íructo espontâneo nem da Realeza, nem de seus Mi­
nistros. Em seu estreito, mas desculpável patriotismo, não podião te r inte­
resse em quebrar a unidade da Monarchia, creando e constituindo mais
um elemento de divisão, origem de futuros desastres.
Devemos a creação do Reino do Brazil, ou a organisação do nosso ter­
ritó rio em um corpo politico senão á vaidade do Monarcha, por certo ao
despeito dos seus Representantes no Congresso de Vienna; onde não podião
ter assento, corno liverão, porque Portugal não era, e nem podia conside-
rar-se <jmn4e Potência, ligurando tão somente o território Europêo or-
v ganisado em Reino. Por isso antes que aqui fosse promulgado o documen­
to, que citamos, já o Brazil tòra como Reino contemplado naquelle Con­
gresso, como se vê dos arts. 105, 106 e 107 do respectivo Tratado de 9 de
Junhode 1815 e do de Alliança de 8 de A b rild o mesmo a n n o ; o que secon-
seguio depois de prévios ajustes particulares, em que officiosamente in ­
terveio a Grã-Bretanha.
O Brazil, portanto, já eslava reconhecido Reino pelas grandes Potências
da Europa, muito antes da Carla Regia de 16 de Dezembro de 1815.

'
XXXVI

Fóra destes actos, os mais salientes, nada existe em Legislação que dê


realce á estada da Côrte Porlugueza no Brazil, durante quasi quatorze
annos de 21 de Janeiro de 1808 á 26 de A b ril de 1821; quando retirou-se
para a Motropole forçada pela Revolução cio P orto de 24 de Agosto de
1820,prom otora de uma Constituição, que foi aqui, á contragosto, jurada
em 26 de Fevereiro de 1821. .
Não nos parece serio invocar neste lugar como serviço im portante
0 Codigo Braziliense, simples encadernação de actos do Governo impressos
em avulso na Ofíicina ou Imprensa Regia desde 1811, cici instciv das Collec-
ções Joscphinas do ultim o século. Era trabalho dos Empregados da Secre­
taria do Ministério do Reino, por ordem do Principe Regente. Mas o umco
esforço destes Funccionarios consistia no índice chronologico que pospunhao
ao rosto do tomo.
A’ retirada, da Côrte Porluguezaseguirão-se differentes acontecimentos
que affrouxando cada vez mais o laço que nos prendia á Metropole, trouxe
em resultado a explosão de 7 de Setembro de 1822 Independencia ou
Morte, e a convoeação de uma Assembléa Constituinte. . . . .
Um dos prim eiros e mais importantes actos dessa Assembléa foi a Lei de
20 de Outubro de 1823, mandando vigorar no novo Im pério as Ordenações,
Leis, Regimentos, Alvarás, Decretos e Resoluções promulgadas pelos Reys
de Portugal, e pelas quaes se governava oPaiz até o_dia25de A b ril cie 18-1,
em quanto senão organisavct w n novo Codigo, ou não fossem especialmenle
alteradas
Tal he o documento que assegurou á antiga Legislação e, ao Codigo Phi­
lippine, a vitalidade que tem fruido, ha 47 annos.
Como se vê a promessa de um novo Codigo, lie ainda mais antiga que
a da Constituição. . _
Poremos aqui remate á este esboço historico da nossa Legislação paia
servir de inlroducção ao estudo do Codigo, que entendemos conveniente
editar e annotar.

VI.

Conelusão.

Ha cinco annos lembramo-nos de coordenar differentes notas que sobre


a Legislação Patria fomos reunindo, desde que começamos o estudo do
nosso Direito Civil, e o fomos praticando. Erão notas com destino ao pro-
prio e privado estudo.
Amadurecendo a idéa, e animado por conselhos de collegas, cultores
do mesmo Direito, tomamos a deliberação, talvez temeraria, de entregar
aquelles rascunhos, ainda que melhor trajados, ao conhecimento do Pu­
blico, sob a forma de annotações ao Codigo P hilip p in o , ou Ordenações do
Reino, addilando-lhe a Legislação extravagante em vigor, que com essa
compilação tivesse inteira ou próxim a connexão.
Tal he a obra que ousamos apresentar ao Publico, e offerecer a moci­
dade estudiosa que cursa as Faculdades de D ire ito ; não só com o proposito
de fa cilitar-lhe o conhecimento do nosso DireHo Civil, mas como tenue
reembolso que fazemos a Patria pela instrucção que nos dispensou em
nossa juventude.
XXXVII

Se não resgatamos toda a divida, como desejáramos,, sobrão-nos o


melhores e mais gratos desejos de fazê-lo.
O que podemos assegurar he, que o pouco que offertamos custou-nos
agro labor, e não raras vigílias. Ousaríamos mais se a Providencia fosse
comnosco menos parca, e nos achasse dignos de mais elevada missão.
Não sabemos qual o acolhimento que fará o Publico a trabalho tão im­
perfeito ; mas qualquer que seja nos sujeitamos ao verdict, com a cons­
ciência tra n q u illa de que emprehendemos esta obra sob o pensamento de
sua utilidade pratica, suppondo ter bem interpretado e satisfeito senão
uma necessidade publica, ao menos académica.
Se infelizm ente nos enganamos, fica aberta a senda para outros mais
denodados, e não tão desfavorecidos de dotes de espirito e de solida cu l­
tura. O assumpto não nos parece abaixo dos mais robustos talentos, as­
sim como das mais prendadas intelligencias.
Se assim acontecer não nos arrependemos do labor improbus com que
arcam os; e não podendo alcançar a meta que nos enlevava a mente, con­
sola-nos a recordação de que, por amôr da causa publica, outros melhor
inspirados, o conseguirão, He um bello certamen em que a P alria Com-
mum, que todos idolatramos, colherá maior proveito.

Taes são os votos do Editor.

Cândido Mendes de A lmeida .

Rio de Janeiro, I o de Fevereiro de 1870.


B IB L IO G R A P H I A

LEGISLAÇÃO E OBRAS JURÍDICAS CITADAS NESTA OBRA.

I.e iK ig ln ç ilo e R e p e r t o r io t t

1 .—Ordenações do Senhor Rey D. Alfon­ 5. —Ordenações do Reino de Port ugal,


so V. C oim bra, na R eal im prensa da U n i­ recopiladaspor mandado de El-Rey D. Phi­
versidade, 1792, em 8 .° 5 vol. lippe I de Portugal. Lisbòa, impressão de
Foi esta a prim eira edição destas O rdenações, feita Pedro Craesbeck, 1603. H u m vol. em folio.
por mandado e diligencia tie D. Francisco Raphael de Foi esta a prim eira edição das O rdenações Philip-
Castro, Principal da Ig re ja Patriarchal de Lisboa, e
Reitor e Reformador da Universidade de Coimbra nessa
pinas, á cargo do Mosteiro de S. Vicente de Fóra da
Ordem dos Concg03 Regulares ou Regrantes de SaTilo
epocha. Agostinho; ao qual fez Philippe I I mercê da impres­
A direeção e cuidado da impressão forão confiados são, por espaço de 20 annos, por Alvará de 1C de No­
ao D r. Luiz Joaquim Corrêa da Silva, Lente substi­ vembro de 1602.
tu to da dita Universidade, author da prefaeção (Vide Vimos e consultamos dous exemplares que existem na
Innocencio— Dice. Bibliog. de El-Uey
a rt. Ordenações Bibliotheca Nacional, sendo hum im perfeito.
D Alfonso V).
. Jorge de Cabêdo, que foi um dos Revisores, publicou
•2.—Ordenações do Senhor Rey D. Ma­
no mesmo anno de 1603 uma taboadade Erratas,
que
se encontrão encadernadas com alguns exemplares nas
noel, C o im b ra, na R e a l im p ren sa da U n i­ ditasOrdenações.
versidade, 17 9 7, em 8 .° 3 vo l. • 6. — Idem.—2“ Edição. Ignora-se a data,
Destas Ordenações íizerão-se cinco edições em 1514, posto que fosse e d ilo r o mesmo M o s te iro ,
1521, 1526, 1565 e 1797. em virtu d e do p riv ileg io de 1602. Edição
Conhecemos sómente a ultim a, cujo trabalho foi d ir i­
gido pelo D r. Francisco Xavier de Oliveira Mattos, em folio. 1 vol.
coadjuvado pelo Dez. João Pedro Ribeiro. Innocencio no D ice. Bibl. não menciona esla edição,
Ordenações
Destas publicou em Lisboa, no anuo de
de que aliás dá noticia o author da Prefaeção da nona
Repertório
1560, hum Duarte Nunes de Leão. edição de Coimbra.
3. — Leis Ext) avagantes colligidas e re­ 7 . — Idem.— 3 .a E d ição , im pressa em L is ­
latadas pelo Licenciado Duarte Nunes de bòa no M osteiro de S. V ic e n te de F ó r a ,1636,
Leão, por mandado do muito alto e muito 1 vol. in folio como a precedente.
poderoso Rey D. Sebastião, nosso Senhor. O author da Prefaeção da nona edição de Coimbra
C o im b ra, na R eal im prensa da U n iv e r s i­ diz, que a Ordem Regular de S. Vicente de Fóra o b ti­
dade, 1796. vera de Philippe IV , no Alvará de t7 de Setembro
de 1633, prorogação do seu privilegio por mais dez
Esta coUecção foi pela prim eira vez impressa em L is- annos; por cujo motivo se reim prim irão as Ordenações
bôa no anno de 1569. pela terceira vez, sendo os impressores Jorge R odri­
A de que que nos utilisamos e possuímos, he a segunda gues e Lourenço Craesbek, que era do Rey.
e ultim a. 4 O privilegio de 1633, depois da Revolução de 16 40,
foi confirmado pelo Rey D, João IV , por Alvará de 26
4 . —Leis e Provisões que El-Rey D. Se­ de Janeiro de 1643.
bastião, nosso Senhor fez depois que come­ Innocencio noDice. Bibliographico, Ordenações,
art.
etc., diz o seguinte :
çou a governar, impressa em Lisboa por « Quando El-Rey subio ao throno não se fez nova
Francisco Corrêa em 1 5 7 0 ; agora nova­ edição do CodigoPhilippino ; só sim o dito Monarcha
encarregou o Procurador da Coroa Thomé Pinheiro da
mente impressa por ordem chronologica, e Veiga de mandar im p rim ir meias folhas soltas, para
com a numeração de §§, que em algumas substituir com o seu nome o de Felippe IV no titu lo ,
faltava, seguidas de mais algumas Leis, Re­ e prologo a Lei da Confirmação.
<r Isto consta de uma carta do mesmo Thomé P i­
gimentos, e Provisões do mesmo Reinado, nheiro da Veiga, datada de 10 de Março de 1648, e
tudo conforme as primeiras edições. vista por João Pedro Ribeiro, de quem he esta
Ajuntou-se-lhes por A p pen dicé a Lei da noticia. »
Em nota diz o mesmo author da Prefaeção :
Reformação da Justiça por Philippe II de « Temos esta edição por terceira, segunda,
e não por
2 7 de Juího de 1582. C o im b ra, na im p ren sa como outros, por que rcalmente o lie, como precedida
da U n ive rs id a d e , 1 8 1 6 . 2 vo l. em 8 ?. ja p o r outra com o mesmo frontespicio, e anuo de 1603,
e com o mesmo numero de paginas que a primeira e
Como se vft lie huma segunda edição da CoUecção
pu­ terceira ; mas realmentc diflerentes de uma e de outra ,
blicada por Francisco Corrêa, e organizada por Joaquim em muitos lugares, segundo o exame critico que nella
Ignacio de Freitas, Brazileiro, e natural da villa de fizemos, confrontando-a com a primeira em todo o
Guimarães, na Província do Maranhão, outros dizem curso de nossa edição.
do Pará. » Nella se achão já emendadas algumas (34) das
Era Bacharel formado em Cânones, Professor de Erratas que se havião estampado no fim da primeira , e
Rhetoriea e Philosophia, e posteriormente de Latim , no igualmente algumas (17) da Errata de Jorge de Cabôdo,
Collegio das Artes. impressa em Lisboa, em eaza de Pedro Craesbeck, no
Exercia o cargo de Revisor da Imprensa da U n ive r­ mtsmo anno de 1603.
sidade desde 1814, « Entre os muitos exemplares que vimos da prim eira
b ib l io g r a p h ia

LEGISLAÇÃO E OBRAS JURÍDICAS CITADAS NESTA OBRA.

L e ftiftln c ito e R e p e r t ó r io s

1 .—Ordenações do Senhor Rey D. Alfon­ 5 . —Ordenações do Reino de Portugal,


so V. C oim bra, na Real im prensa da U n i­ recopiladaspor mandado de El-Rey D. Phi­
versidade, 1792, em 8 ." 5 vol. lippe l de Portugal. Lisbòa, impressão de
Fo; esta a prim eira edição destas Ordenações, feita Pedro Craesbeck, 1603. H um vol. em folio.
por mandado e diligencia de D. Francisco Raphael de Foi esta a primeira edição das O rdenuões Philip-
Castro, Principal da Igreja Patriarchal de Lisboa, e
Reitor e Reformador da Universidade de Coimbra nessa
pinas, á cargo do Mosteiro de S. Vicente de Fóra da
Ordem dos Concgos Regulares ou Regrantes de Satito
epocha. Agostinho ; ao qual fez Philippe I I mercê da impres­
A direcção o cuidado da impressão forão confiados são, por espaço de 20 ânuos, por Alvará de 16 de No­
ao Dr. Luiz Joaquim Corrêa da Silva, Lente substi­ vembro dc 1602.
tuto da dita Universidade, author da prefacção (Vide Vimos e consultamos dous exemplares que existem na
Innocencio— Dice, fíibliog. de El-Rey
a rt. Ordenações Bibliotheca Nacional, sendo hum imperfeito.
D. Affonso V). Jorge de Cabôdo, que foi um dos Revisores, publicou
•2.— Ordenações do Senhor Rey D. Ma­
no mesmo anuo dc 1603 uma taboadade Erratas,
que
se encontrão encadernadas com alguns exemplares das
noel, C oim bra, na Real im prensa da U n i­ ditas Ordenações.
versidade, 1797, em 8 .° 3 vol. ■ 6. — Idem.— 2 a Edição. lgnora-sea data,
Destas Ordenações fizerão-se cinco edições em 1514, poslo que fosse e d ilo r o mesmo M osteiro,
1521, 1526, 1565 c 1797. em virtude do p rivileg io de 1602. Edição
Conhecemos somente a ultima, cujo trabalho foi d ir i­
gido pelo D r. Francisco Xavier de Oliveira Mattos, em folio. 1 vol.
coadjuvado pelo Dez. João Pedro Ribeiro. Innocencio no D ice, líibl. não menciona esla edição,
Ordenações
Destas publicou em Lisboa, no anno de
de que aliás dá noticia o author da Prefacção da nona
Repertório
1560, hum Duarte Nunes de Leão.
edição de Coimbra.
3 . —Leis ExUavagantes colligidas e re­ 7 . — Idem.— 3 .a Edição, impressa em L is ­
latadas pelo Licenciado Duarte Nunes de bòa no M osteiro de S. V icente de F ó ra ,1636,
Leão, por mandado do muito alto c muito 1 vol. in folio como a precedente.
poderoso Rey D. Sebastião, nosso Senhor. 0 author da Prefacção da nona edição dcCoimhra
C oim bra, na R eal imprensa da U n iv e r s i­ diz, que a Ordem Regular de S. Vicente de Fóra obti­
dade, 1796. vera de Philippe IV , no Alvará de 17 de Setembro
de 1633, prorogação do seu privilegio por mais dez
listacollccçãofoi pela primeira voz impressa em L is- annos; por cujo motivo se reimprimirão as Ordenações
bôano anno dc 1569. pela terceira vez, sendo os impressores Jorge Rodri­
A de que que nos utilisamos e possuímos, he a segunda gues e Lourenço Craesbek, que era do Rey.
e ultima. O privilegio de 1633, depois da Revolução de 1640,
foi confirmado pelo Rey D. João IV , por Alvará de 26
4 . —Leis e Provisões que El-Rey D. Se­ de Janeiro de 1643.
bastião, nosso Senhor fez depois que come­ Innocencio no Dice. Bibliographico, Ordenações,
art.
etc., diz o seguinte :
çou a governar, impressa em Lisboa por « Quando El-Rey subio ao throno não se fez nova
Francisco Corrêa em 1370; agora nova­ edição do CodigoPhilippino ; só sim o dito Monarcha
encarregou o Procurador da Corôa Thonió Pinheiro da
mente impressa por ordem chronologica, e Veiga de mandar im prim ir meias folhas soltas, para
com a numeração de §§, que em algumas substituir com o seu nome o de Felippe IV no titu lo ,
faltava, seguidas de mais algumas Leis, Re­ e prologo a Lei da Confirm ação.
« Isto consta de uma carta do mesmo Thomé P i­
gimentos, e Provisões do mesmo Reinado, nheiro da Veiga, datada de 10 de Março de 1648, e
tudo conforme as primeiras edições. vista por João Pedro Ribeiro, de quem he esta
Ajunlou-se-lhes por Appendice a Lei da noticia. »
Em nota diz o mesmo author da Prefacção :
Reformação da Justiça por Philippe II de terceira,
i< Temos esta edição por segunda,
e não por
27 de Julho de 1582. Coim bra, na im prensa como outros, porque realmente o lie, como precedida
da U n iversid ade, 18 1 6. 2 vol. em 8 ?. ja por outra com o mesmo frontespicio, e anno de 1603,
e com o mesmo numero de paginas que a primeira e
Como se vê he huma segunda edição da Collecção
pu­ terceira ; mas realmente diíferentes de uma c (le outra,
blicada por Francisco Corrêa, e organisada por Joaquim em muitos lugares, segundo o exame critico que nella
Ignacio de Freitas, Brazileiro, e natural da villa de fizemos, confrontando-a com a primeira em todo o
Guimarães, na Província do Maranhão, outros dizem curso de nossa edição.
do Pará. * Nella se achão já emendadas algumas (34) das
Era Bacharel formado em Cânones, Professor de Erratas que se havião estampado no fim da primeira, e
Rhetoricae Philosophia, e posteriormente de Latim, no igualmente algumas (17) da Errata de Jorge de Cabêdo,
impressa cm Lisboa, em caza de Pedro Craesbeck, no
Collegio das Artes.
Exercia o cargo de Revisor da Imprensa da U niver­ nu smo anno dc 1603.
«( Entre os muitos exemplares que vimos da primeira
sidade desde 1814.

9
XL

edição, nenhum topamos do qne temos Por


gunda de Decretos e C a rta s ; e a , terceira
senão o de qne nos servimos e tiremos sempri.. a de Assentos da Caza da S u p p licação e R e ­
vista, o qual pertence 4 llvra r,a do H eal. Lollegio (la9 lação do P o rto .
Ordens M ilitares. » « P o r m andado do m u ito a lio e pode­
8. — Idem.— L is b ò a , no M o steiro de S . V i ­ roso R e y D . João V, n o sso S e n h o r. »>
cente de F ó ra , im presso por M an o el Lopes
F e r re ir a , 1 6 9 5 , 2 vols.em folio. 4aEdição. Innocencio no Dice. Dibl.
diz o seguinte :
« Esta lie a que mais geralmente se conhece com o
No frontespicio lò-se o seguinte • nome de Viccntina,mandada fazer com todo o luxo e
magnificência por El-Rey D. João V .
« Ordenações e L eis do R e in o de F o r tu - « Foi d irigida pelo Advogado Jcronymo da Silva,
tral confirm adas e estabelecidas pelo S en h o r que lhe ajuntou as leis extravagantes
publicadas desde
R e y D . João I V , e agora impressas por 1603 até 1747, colloeando-as segundo o lugar dos
livros e títulos que mais accomniodados lhe parecerao,
m andado do m u ito alto e poderoso R e y U . no que não foi m uito feliz, além de lhe escaparem
P edro I I . L isb òa, no R e a l M o s teiro de S . nW m as Leis, como refere Francisco Coelho de Souza
V ic e n te dos Conegos R egu lares de S. A g o s ­ Sampaio nas Prelacies deDireitoPátrio,
p art. 2 pag.
tin h o , e com as licenças necessartas, p o r 1B« A juntou mais o Repertório
das matérias em dons
M an o el Lopes F e r r e ir a , anno d e M U L X L V .» tomos, e ainda hum Appendice
com as Leis prom ulga­
das de 1747 em diante, acompanhado ainda de hum
9. — Idem.—L is b ò a ,n o M o s teiro de S. V i­ Supplemcnto, em quo inserio as qne havião escapado
cente, 17 0 8. 3 vo l. em oitavo. 4a Edição. (não todas) nas antecedentes compilações. Veja-so as
observações e reparos appresentados a este respeito
O author da Prefacção da nona Edição de Coimbra neto D r. Vicenlo José Ferreira Cardoso na sua Compi­
d iz ío b re esta Edição o seguinte :
« Deixamos de mencionar aqui e por extenso a Ldiçao
- lação systematica das I.eis Extravagantes de Portugal
(Discurso prelim inar) impressa em 1799,de pag. 6 a j I.
de H 08, in 8», 3 vo ls., sem embargo de v ir ella men­
Hist. Jur. « Esta e lição compõe-se ao todo, com o Repertono a
cionada na Cio. L«s. § X C IX nola, na9 Appendice, ia seis tomos. Quando falta o Appendiceos
Preleccões de DireitoPátrio Publico Particular
e p. exemplares diminuem consideravelmente de valor. »
(t), e
t it t 8 13 nota Demetrto Mo-
anteriormonte no Nesta edição alterou-se toda a linguagem antiquada
den DibHographo JurídicoPortuguês, etc. liv.
io'ou 0 i
da prim eira.
cap 8 nag. S3, por estarmos quasi persuadidos de sua
inexistência, baldada toda a possível diligencia que 12. — Idem. C oim bra na R e a l im p re n s a d a
paca descobri-la temos feito em Livrarias publica» e
particulares, e modernamente na Ileal Bibliotheca Pu
U n iv e rs id a d e , 1789. 3 vol era 8 ». Sétima
blica desta Còrte (Lisbòa), e na do mesmo Real Mos­ Edição.
teiro do S. Vicente de F ó ra ; onde, main que em nenhu­ 0 privilegio do Mosteiro de S. Vicente de Fóra ces­
ma outra, era de esperar se encontrasse, se realmente
sou com o Alvará de 16 de Dezembro de P /3 , pas­
existira. >• sando para a Universidade de Coimbra. Parece que
È conclue explicando a cansa do erro ou engano no
pela Resolução de 2 de Setembro (lo 1786 foi de novo
art. de Joãodas Regras DM. lus.
na . garantido á Universidade, o mesmo p rivilegio.
Parece que no mesmo erro calno Innocencio, pois
6 O A lv .d e 1773, que não vom nas Col.lecçoes, acom­
ainda a contempla como existente. panha as edições de Coimbra, logo no p rincipio.
10 . — Idem.
— L is b ò a o rie n ta l, no R eal
Esta edição, a primeira de Coim bra, toi a fiel repro-
M o steiro de S. V ic e n te dos Conegos Regu^ ducção da ultim a Vicentina do 1747.
lares de S. A g o stin h o com as licenças ne­ 13 . —idem. C.oimbra, na R eal im p ren sa
cessárias. „ . da U n iv e rs id a d e ,1806. 3 v o l. e m 8 “. Oitava
P ela P a tria rch a l O fficina da M u s ic a , anuo
Edição.
de 1 7 2 7 . 6 v o l. em 16. 5 a Edição. Está nas condições da precedente, com traças a lte ­
lie a quarta Ficeiitma. No frontespicio 16-so : rações.

« Ordenações e L eys do lle y n o de P o r­


14. — Idem. C o im b ra ,n a R e a l im prensa
tugal confirm adas e estabelecidas pelo S e n ­
da U n iv e rs id a d e , 18 2 4. 3 vo l. em 8 °. Nova
h o r R e y D . João I V , e agora impressas Edição.
por m andado do m u ito alto e poderoso R e y Esta edição, segundo so diz na respectiva Prefacção,
D . João V . » foi feita sobre a prim eira do 1789, confrontada e ex­
purgada pola o riginal de 1603. De todas as Edições lie
Cumpro notar que estas Ordenações, posto quo im ­ esta por sem luvida am ollio r, e a quo seguimos con-
pressas em formato Ião reduzido,e numeração separada iunetomonte com a prim eira de 1603.
em cada um dos livros, tem um sô frontespicio.
Innocencio no Dice. Dibl.
diz quo sao trez os voiu-
Innocencio no Dice. Dibl.
a rt. Ordenações
diz 0 se-
«cuinte ;

1 1 .— Idem.— Lisb òa, 1747 e 1748. No


« No presente século forõo as Ordenações do Reino
varias vezes reimpressas em Coimbra, na Im prensada
M o steiro de S . V ic e n te de F ó ra , Lam ara Universidade, e no formato de * • (oitavo fruncez),
R eal de Sua M ag eslad e. Com as licenças ne­ sendo a prim eira destas reimpressões (a presente) com-
mettida ao cuidado do Dr. José Corròa de Azevedo
cessárias , e p riv ile g io R e a l. 3 v o l. em Morato Lente Substituto de Leis, e possóa muito com­
folio. 6 a Edição. petente (diz F e rre ira Gordo); o que não obstou á que
a edição sahisse com mais erros do que era de esperar
He esla a quinta e ultim a edição Viccntina, e, a co­ de sua txaclidão. «
mo ta l, assim geralmente conhecida. O juizo de Innocencio he demasiado severo quanto a
Tem a seguinte inscripção : este trabalho. . . . . ,
Nesla edição conservou-se, quanto foi possível, a
« Ordenações e Leis do R eino de P o r ­ edição da prim eira.
tugal confirm adas o estabelecidas pelo S e n ­
i g . _ Idem. C o im b ra, 1 8 3 3 . Decima
h o r R e y D . João I V ; n o vam en le im p re s ­
sas, e accresccntadas com trez collecções : Edição. 3 v o l. cn: 8 °.
He reimpressão da precedente sem alteração.
a primeira de L eis E xtravagan tes j a sc-
XLI
Nesta, como na precedente, se declara que he feita
segundo a nona de Coimbra. de na sua. Lei de 2 8 de Agosto deste presente
í® : Idem. C oim bra, 18 5 0. Duodécima pamo (1 7 7 2 ). Lisb ôa, na R egia O lficin a t y ­
o g raph ical 1772. 3 vol. em 4».
hdiçao. 3 vols. in 8 o.
Como a precedente. innocencio no Dice. Bibl. diz o seguinte.
« Diversas opiniõeB se manifestarão acerca de quem
}?•_ Idem. C oim bra, 1847. Undécima tossem os collaboradores destes Estatutos.
Edição. 3 vols. « Se devemos porem dar peso ao testemunho do P.
Antomo Pereira de Figueiredo, qne ninguém deixará
Idem. C o im b ra, 1865. Decima ter­ de suppôr bem informado, foi delles seu principal coor-
ceira Edição. 3 v o l. i n 8 o. denador o Dez Joao Pereira Ramos de Azeredo Cou-
Como a precedente. Differe no tjp o que he mais tmho (coadjuvado,disem outros, por sou irmão D. F ra n ­
pequeno, e por tanto o corpo dos volumes he menor cisco de Lemos de Faria) com excepção da parte, que
ainda que o formato seja igu a l. ' diz respeito as Sciencias Naturaes , á qual íoi e ic lu -
sivamente compilada por José M onteiro da Rocha, Je-
1 9 .—Ordenações da India do Senhor Reu egl° da para cuJa cidade viera a in -
D. Manoel. Lisbòa, 1539 e 1 8 0 7 .1 v o l. em da na ínfancia, cursando alli os estudos no respectivo
16. 17S0ef>'°’ aexPulsao dos mesmos Padres em 1759 ou
Destas Ordenações apenas sahirão duas edições: a
prim eira em 1539, impressa por Luiz Rodrigues, e a 24. Syslema ou Collecção dos Regimentos
segunda em 1807, tendo por E d ito r Antonio Lourenco
Caminha. 5
Heaes : contem os Regimentos pertencentes
Se fossem compendiadas todas as Leis e actos do Go­
a administração da Fazenda Real. D ado á
verno sobre a Índia Portuguesa desde a epocha da luz por José R o b e rlo M o n te iro de Campos
descoberta seria obra importante. Vide Innocencio— Coelho de S ouza. L is b ô a , 1783. 6 v o lu ­
Dice. Bibl.neste art. mes em folio.
Entretanto a Carta da Lei de 15 de Janeiro de
t774 no § 3 chamou Codigo Indiano
as Leis e ordens No principio do século 18 entre 1718 e 1724 o im­
sobre o regulamento da ín d ia desde o anno de 1762 pressor Antomo Manescal publicou outra obra com o
em que se estabeleceu a Junta da Fazenda. Mas mesmo nome, em dous volumes, mui defeituosa.
nunca se formou compilação.
2o . Collecção da Legislação Portugueza
.—Collecção chronologica de Leis extra­ desde a ultima compdacão das Ordenações,
20
vagantes, posteriores d nova Compilação das re d ig id a pelo D e z . A n to n io D elgado da
Ordenações do Reino publicadas em 1603, S ilv a . Lisb ôa, 1825 a 18 3 0. 6 volum es em
desde esse anno até o de 17 6 1. C oim bra folio.
1 8 1 9 .6 v o lu m e s e m 8 °.
Comprehende o espaço de 1750 á 1820.
Esta compilação também se deve ao D r. Joaquim
2 6 .—Supplemented Collecção da Legisla­
Ignacio de Freitas, de quem já acima tratamos no n. 4.
çãoPortugueza, p elo mesmo D ez. Delegado.
Desta compilação sómente se publicou uma edição.
21. —Collecção chronologica dos Assentos
Lisbòa, 1842 á 1 8 4 7 , 3 volum es em folio.
daCaza da Supplicaçáoedo Cível. Coim bra Comprehende o mesmo espaço de tempo.
na im p ren sa da U n ive rs id a d e : 1791.1 v o l.’ O Dez. Delgado depois da instauração do regimen
em 8 o g ra n d e . Constitucional em Portugal foi encarregado pelo Go­
verno de continuar sua collecção depois do anno de
A lembrança da publicação destes Assentos
deve-se 1820, sob 0 titu lo deCollecçãodaLegislaçãoPortuguesa-
a D. Francisco Raphael de Castro, Principal da Pa­ trabalho que depois da sua morte em 29 de Agosto de
triarchal de Lisboa, e R eitor da Universidade de 1850, foi confiado ao Dr. José Maximo de Castro Neto
Coimbra. Leite e Vasconcellos, Juiz da Relação de Lisbôa.
A segunda edição publicada em 1817 deve-se aos
cuidados do D r. Joaquim Ignacio de Freitas, que além 2 7 .—Collecção chronologica da Legislação
de emendar e revêr a prim eira, augmentou-a com mais
37 Assentos. Portugueza, compilada e annotada desde
Á terceira edição fez-se em 1842, comprehendendo 1 6 0 3 ,p o r José Justino de A n d rad e e S ilv a ,
cinco Appendices. Nãose sabe quem organiscu-a. B acharel em D ire ito pela U n ive rs id a d e de
A quarta e ultim a edição publicada em 1852 com-
quanto fie l reproducção da precedente, está melhor C oim bra, e T ab ellião de Notas em Lisbòa,
organisada. etc. Lisb òa, 18 5 4. 10 vo ls . em folio.
No nosso Auxiliar Juridico
inscrevemos todas estas
Por ora tem publicado dez volumes até 1700,e infeliz-
Decisões desde o anno de 1523.
mente não tem continuado.
2 2 . Collecção de Leis, Alvarás, e Decretos Não obstante os bons serviços que presta esta collec­
ção he ainda deficiente.
do Senhor Rey D. José I, e da Senhora D.
Maria I. 2 8 .—Codigo Braziliense, ou Colleção das
Era trabalho dos que reunião os impressos avulsos
das Leis publicadas na Imprensa Real, de que depois
Leis, Alvarás, Decretos, Cartas Regias, etc.
o impressor Galhardo fazia im prim ir os rostos e ín ­ promulgadas desde a feliz chegada do Prin­
dices, segundo diz Innocencio. cipe Regente Nosso Senhor d estes Estados
São collecções incompletas, e que de todo porderão
a importância com a publicação da collecção do Dez.
em 1808, até o anno de 1 8 3 7. R io de Jan eiro ,
Antonio Delgado daSilva. 1811 â 1 8 3 6 . 12 volumes em folio.

2 3 .—Estatutos da Universidade de Coim­ Esta Collecção principiou á organisar-se no anno de


1811, por ordem do Principe Regente, conforme se lê
bra compilados debaixo da immediata e no rosto dos primeiros volumes. Começa de 1808.
suprema inspecção de El-Rey D. José I, Erão encarregados deste trabalho os Ofiiciaes da Se­
nosso senhor, pela Junta da Providencia cretaria d Estado do M inistério do Reino, que fazião
encadernar os exemplares avulsos das Leis, Alvarás e
Litteraria creada pelo mesmo Senhor Decretos que se publicavão na Imprensa Regia ; tendo
para restauração das Sciencias, e a rles Li­ somente o trabalho de addicionarem um índice chro-
berties nestes Reinos, e lodos seus domínios, nologico. E assim continuou até 1837.
A compilação era mui imperfeita, e sem methodo al­
utlimamente roborados por Sua Magesia- gum organisada.

Or D. 6
X L!!
leção,a fim de que o tomo 6o e seguintes servissem de
Nabuco»

S S if lll
continuação á de # . .
Ilo je são mui raros os primeiros cinco tomos.

32.__ Legislação Brazileira ou Colleccão


mato de quarto, vulgarmente conhecido por oita
29
chronologica das Leis, Decretos, Resolu­
.
ções de Consulta Provisões e t c . do /m p e -
— Colleccão de Leis do Império do Bra­
rio do Brazil desde o anno de 1808 ale 1831
zil desde 1834 à 1 8 6 8 . R io de Janeiro, na inclusive,contendo; além do que se acha pu­
,
T yp o g ra p h ia N acion al. 5 4 vol ■ em 8 . blicado nas melhores Collecçóes, para mats
Esla « . chamada de duas mil pecas inéditas, cnlligidas pelo
C onselheiro José P au lo de lM^i»Mrfta Na_-
existiao, em razao do pnvitóg ^ buco de A ra u jo .R io de J a n e iro ,1836 a 1 8 « .

corroborado pelo Dec. n. « 9 1 - d e 30 do Setembro de


7 v o l . em folio.
lie um trabalho importante e que honra a memó­
ria deste Jurisconsulto Brazileiro, natural da Provín­
cia do Grão-Pará ; como outros que deixou impressos,
lufelizmente falta-lhe o índice, o que tir a a obra
l in ^ d ^ ^ S o S ^ c o m que se luta- grande parte de seu merecimento, tornanilo-se para
muitos um livro fechado. . . .
" ^ ^ “ ■ p re c e d e n te a rtig o ^ ta C ^ u s u c - Esta Collecção veio substituir os primeiros cinco to ­
mos da Colleccão Planclier-Seignot.
ced6o ao Coiigo Braalw
w«, mas -'m i outro
thodo, e distribuição de m a ™ ; » ™ 1^ “ ‘^ i p h i a 3 3 .— Colleccão das Leis Brasileiras desde
a chegada da Corte até á epocha da Inde­
deo ! t t o são orgauisados de conformidade com o
pendência, etc. O uro P re to , na typ o g rap h ia
do S ilv a , 1834 à 18 4 1. 15 vo l. em 8o.
art. 12 de Decreto ou Reg. citado.
Esta C olleccãolie a denominada de OuroPreto, a mais
30 —Colleccãochronologica systematica de importante depois da N acional. .
Leqislacão de Fazenda no Impeno Brazdien- Õ Compilador era Luiz M ana da Silva Pinto, ha
se.ojfericidaaos verdadeiros amigos da pio - pouco faliecido.e dono da mesma typographt»-
r.nmnrehende o espaço decorrido desde 1808 a 180).
peridade e engrandecimento g 0,„l ° s" . J O Dec. n. 1— de 1 de Janeiro de 1838 poz termo ao
mesmo Império-, p or José Paulo d e F ig n e iiò a trabalho deste e de outros Compiladores.
Nabuco de A ra ú jo . R io de J a n e iro , 1830.
3 4 _ Repertório dos cinquo livros das Or­
2 v o l. em 4 o.
denações do Senhor Bey D. Manoel com ad-
Ileobteve
thor trabalho re'esta
para aÍ Í Jobra
bj™prtTilprio^po^^ lhe
p m U ^ P Uezerabro £ mQ dicãô das Leis extravagantes.
D irig id o ao m uito illu s tre Sen ho r \).
de conformidade' com a Lei do 28 de Agosto do mesmo Francisco C o u tin h o , Conde do R edo n do ,
anno.
no. ^ . , Regedor da Justiça deste R eino pelo L ic e n ­
31 _ Colleccão das Leis e Decretos do
Duarte de Leao
ciado N unes ,
Império do Brazil, desde a feliz epocha da Edi
Caza da S o pricação . C o im b ra , 18 2 0. 2
sua Independendo, obra dedtcad. ^ A^ m cão. 1 v o l. em 8°.
bica Geral Legislativa, precedida de um " A prim eira edição desta obra publicou-se em 1560,
discurso preliminar, etc. 'n , ; nn typographia de João Blavio de Colonia, em Lisboa.

3 3 __Repertório das Ordenações do Rei­


ein quarto g ra n d e .
no de Portugal novamente recopiladas, com
He a C olleccãoconhecida pelo nome de Plancto-S.»?- as remissões dos Doutores lodos do Reino,
que as declarão, e concordia das Leis de
not, que não Ç0Bt‘í “ ° d ^ s n ta typographia os ’sue- Partida de Castella, c o m p o s to pelo L ic e n c ia ­
í ^ ^ r P u S T - S . W U S V i l l e n e u v e * Ca.
do M anoelM endes de C astro . C o im b r a , 1 6 J D .
3 a edição. 1 v o l. em folio.
FcM he a odicão que possuímos, e a terceira sob a
d ir e c ç ã o l fium do author o Licenciado M a rtin, A l-

!5:,Sl:S » E " £ í;?SiáC'5=


semelhantes rn^enas^ d m l d ^ 0ulubr() de 18.2a dia
1,aív s te <3trabalho houve em vida do author as edições
deToof e 1608 : e sob a d ire c ç io de seu filhe>on em seu
epochas: a prjm eira uesac ^
Brazil, olé ains-
nome as edições de 1623 o 1661, 1699 e 1 1 .o.
i nrti-ia «nn n mar trem c mui resumidas.
;% fo d a p H m íira Assembléa Geral Legislativa: a
Parece qne Mendes de C istro aproveitou para esta
obra Todo o Trabalho de Duarte Nunes de Leao.

30 Repertório das Ordenações e Leis do


m
que então
im
existiao, assegu
m
4
ã
Politicoa, c nao
Reino de Portugal novameale correclo: a c -
h tíS S ^ V ^ rfÁ . .... crescentado com m uitas conclusões tiradas
das Ordenações, e com um novo index no
íim delle dás m atérias das Collecçoes, que
diversos documentos, que as outras ooneu, se”ajuntarão aos liv ro s da Ordenação n o v a -
monto im n re s s a : illu s tra d o com copiosas re­
P iCumpre notar que o p ro p rie ta ry
missões dos D o u to re s,c o n c o rd ia das O rd e n a -
Co1-
•' ITTTt— .. -------- --— , — — —— .-rJ. -

XIlll
çòes, Leis extravagantes, Decretos Reaes, e Francisco S ilv e ira d a M o tta , R acharei em
Assentos da Relação, que se tetn expedido e D ire ito . Paris, 1 8 6 5 . 1 v o l. e m 8 o grande.
feito desde a nova com pilação das O rd ena­
Ue um lim itado Repertório de Legislação, que não
ções; e com muitas notas de casospracticos deixa de ter utilidade.
e A restos, q u : deixarão apontados nas suas
Ordenações alguns grandes M in istro s deste 40. — Synopsis chronologica de subsídios
R e in o L isb oa, 1749 e 1 7 5 4 .2 v o l.e m folio. ainda os mats raros para a historia e es­
7a Edição. tudo critico da Legislação Portugueza :
mandada p u b licar pela A cadem ia R eal das
Foi Jeronyino da Silva Pereira, o editor e reforma­
dor desta Edição como se vô no finalMo torno 2o; p0r que Sciencias de Lisbòa, e ordenada p o r José
fez nesta obra uma completa transformação, sobre tudo Anastacio de F ig u eired o , ctc. L isb òa, 1799.
aproveitando as excedentes notas praticasdos Dezs. do 2 vols. em 8°.
Paço— Diogo Marchão Thomudp, Manoel Lopes de O li­
veira, Lopo Tavares de A ra újo , Manoel da Cunha Esta obra he muito interessante para o estude da
Sardinha, Thomé Pinheiro da Veiga, e o u tro s ; como Legislação Portugueza , anterior aos Codigos , peia
mui bem diz o E ditor na sua advertência do tomo p ri­ contém o transumpto de Leis desde o anno de 111:5
meiro. até 1603.
Com quanto possuamos esta edição,e a consultássemos João Pedro Ribeiro Fez no anno de 1829 importantes
não lie e lla a que seguimos nas notas á este Codigo, addilamenlose retoques á esta obra, qne convém con­
mas a oitava edição, publicada em Coimbra em 1795, sultar.
na imprensa da Universidade sob o tilu lo —Repertório ,
— índice Chronologico remissivo da
das Ordenaçõese Leis doReino dePortugal, em 4 vol. 41.
Publicou-se pofteriorniento outra edição em 1837, Legislação Portugueza, posterior d publica­
também em Coimbra, que será a nona, ção do Codigo Philippino,com um appendicv
e talvez a ultim a
deste trabalho.
Mello Freire na suaHistoriadoDireitoCiotl Português até 1 8 2 0 : coordenado pelo D ezem bargador
Repertório, João P e d ro R ib e ir o . Lisboa , de 1805 á
§ 100 scholio, trata muito mal ao editor deste
chamando-o não Jurisconsulto, mas Leyuleio. Asse­
1830. 6 v o l. e m 8 .°
gura que suas melhores notas forão extrahidas das edi­
ções de Manoel Mendes de Castro, sendo as de sua la­ Esta obra que devia acompanhar a precedente [Aò/*
vra inferiores, ccrebrinase confusas.E aponta exemplos nopsisChronologica) por sera sua continuação, não deixa
em que são contrarias ao espirito e palavra do Le­ de ter utilidade"; podendo prestar maior se fosse ela­
gislador. borada com outro methodo, menos confusamente.
Coelho da Rocha no seu Ensaio sobre a Historiado — Remissão das Leis nominaes, Decre­
Governoe Legislação dePortugal acompanha no § 253 42.
infine o ju izo de Mello Freire. tos, Avisos, e mais disposições, que se pro­
mulgarão nos reinados de D. José l,e co­
Apesar dos seus defeitos tem sido esta obra de grande
utilidade aos que cultivão o nosso D ire'to.
meço de D. M anai: com as Ordenações
37. —Reperlurio Geral on índice alphabe-revogadas, reform adas, lim itad as, a m p lia ­
lico das Leis extravagantes do Ileino de Por­ das, declaradas, e reco m m end ad as, e da
tugal, publicadas depois das Ordenações, mesma form a as L eis extravagantes, coin
comprehendendo lambem algumas anteriores todos cs Assentos da Caza da Supplicaçào:
que se achão em observância : ordenado pelo p o r Jo séR o berto M o n teiro de Campos Coe­
D esem bargador M an o el Fernandes l h o m a z . lho e Souza. Lisboa, 1 7 7 8 . 1 v o l. em 8 ° .
C o im b ra,na im prensa da U n iv e rs id a d e ,1843. Esta obra lie feita em ordem alphabctica, e não deixa
2 v o l. em q u a rto . 2 a Edição. de ter algum merecimento.
A prim eira edição deste importante auxilia r do D i­
4 3 . —Mappa chronologico das Leite mais
reito Pátrio, anterior á independencia do Brazil, sahio
á luz em 1815 e 1819. disposições do Direito Porluguez publica­
38. —RepertorioGeral ou índice alphabt- das desde 1603 até 1817, p o r M an o el B o r­
ges C arn eiro . Lisboa, 1818. 1 v o l. em 8°.
tico das Leis do império do Brazil, publica­ Era um aperfeiçoamento do índice de João Pedro
das desde o começo do anno de 1808 até o Ribeiro.
presente em seguimento ao Repertório Geral
do. Dezembargador Manoel Fernandes Tho- 44. — Resumo chronologico das Leis mais
maz : com prehendendo todos os A lv a rá s , uleis no Fôro e uso da vida civil, contendo
A p ostillas, Assentos, A visos,C artas de L e i, Leis até 1660. P elo m esm o. Lisb oa, 18 2 0.
Cartas R égias, Condições, Convenções, D e­ 3 vol. em 8".
cretos, E d itaes,E statu to s, Instruceòes, Leis,
O brigações,O fficios, O rdens, Portarias, P ro ­
ÍS.—Extra-cto das Leis,Avisos,Provisões,
visões,"Regim entos, R egulam entos, Reso­
Assentos e Editaes publicados nas Cârtes de
luções e Tratados : ordenado p o r F rancisco
Lisboa e Rio de Janeiro, desde a epocha da
M a ria de Souza F u rtad o de M endonça, D o u ­
partida de El-Rey nosso Senhor paru a
to r em sciencias ju ríd ic a s e sociaes, e
Brazil em 1807, até Julho de 18 1 6. Pelo
mesmo. Lisbòa, 1816. 1 v o l. em 8 o.
Len te substituto às Cadeiras da Academ ia
de S . P a u lo . R io de Janeiro , n a liv r a v r ia 46. — Âppendice ao Exlracto das Leis,
U n iversal de E . e H . Laen nn ert, 1847 a Avisos, etc. publicados desde 1 8 0 7 até Ju-
1860. 4 v o l. em q u a rto . llw de 1816. Lisb òa, 1816. 1 v o l. em 8 °.
He sem duvida um trabalho de muito merecimento, 47. — Additamento geral das Leis, Reso­
mas ainda deficiente. Precisa de nova revisão e de me­
lhor methodo.
luções, Avisos, etc., desde 1603 ate O pre­
Este Repertório supplautou todos os que liavião. sente. Id e m . Lisbòa, 1817. 1 v o l. em 8 ".
39. —Apontamentos Jurídicos,por Ignacio 4 8 . —Segundoadditamento gemidas Leis,
XL1V

Resoluções, e tc desde
1 603 ate 18 1 7. Id e m . n h o r celebrou em 12 de J un ho do anno de
17 0 7. L isb òa, 1719 e C o im b ra 1 7 2 0 . 1 v o l.
Lisb òa, 1817. 1 vol. em 8 o.
49. — Resumo chronologico de vanos ar­ emNafolio .
Província de S. Paulo fez-se outra edição,impr3Esa
tigos da Legislação Palria, que para sup- com nitidez no anno de 1853, sendo editor o Conego Dr.
plemenlo da Synopsis, e índices c hron olo - Ildefonso Xavier Ferreira,Lente de Theologia Dogmatica.
gicos, do E x tra c to , seu A p pen dice, e A d - O Conego Joaquim Cajueiro de Carnpoa publicou na
aitam entos geraes das L eis, etc ., offerees Bahia em 1847 um resumo dessas Constituições sob o t i ­
tulo : Doutrina da Constituição Synodal do Arcebispado
aos estudiosos da Jurisprudência e His­ da Bahia, redusidaáum TratadodeMoralcasuístico;out-
toria Portuguesa, A n to n io Joaquim de G ou­ recido ao fallecido Arcebispo, Marquez do Santa Cruz.
Nesta obra limita-se o author a resnm ir o que nas
veia P in to , etc. Lisb oa, 1 8 1 8 .1 v o l. e m 8 ». Constituições se acha em vigor, supprimmdo o restante.
Atem destas obras existem os additamentoa que fez
56. — Copilação em índice alphabetico das
Primeiras
Joaquim José Caetano Pereira e Souza nas
LinhasdoProcesso Criminal do Civil
e . disposições das Leis Civis Brasileiras que re­
5 0 . — Compilação systematicadas Leis ex­ gem materia Canónica pelo p ad re D r . A n to ­
travagantes de Portugal ojferecida ao Prín­ n io da R o ch a V ia n a , L en te de D ire ito Ca­
cipe Regente nosso Senhor, pelo D r . V ic e n - nónico do S em inário A rch iep isco p al, P arro -
cho collado e D ezem bargador da R elação
te José F e rre ira Cardoso da Costa. Lisboa
M etro p o litan a. B ahia, 1867. 1 vol. em 8o.
1806. 1 v o l. em q u a rto .
Está compilação que promettia o celebre Juriscon­
5 7 ._Regimento das Mercês, e Direitos
sulto Cardoso, ficou sómente no 1 vol. que traz syste- relativos: pelo D e z. José P au lo de F ig u e irò a
matisada a Legislação M ilita r até a epocha da ímpres- Nabuco de A r a u jo . R io de J a n e iro , 18 2 6. 1
Virissimo Antonio Ferreira da Costa continuou sob vo l em 8o.
o utra forma este trabalbo, publicando em 1816 a (,oI- festa obra foi publicada em anonymo.
leceãosystematica das Leis Militares de Portugal,
dedi­
5ft—Digesto Brasileiro, ou extraio e com-
cada ao Principe Regente, e por ordem deste publi­
cada. Lisboa, 4 vol. em 8°. . mentarios das Ordenações e leis posteriores
He obra que, como a precedente, tem hoje pouca u ti- até o presente: terceira edição c o rrig id a , m e­
lh o rad a e harm onisada com a Legislação até
‘ Sí.—Repertório da Legislação Militar
o p resente,por L u iz d a S ilv a A lves d e A za m -
aclualmente em vigor no Exercito e Arma- buja S uzano. R io de Ja n e iro , 1866. 2 v o l.
da do Império do Brazil; com pilad o p o r
R aym u n d o José da C unha M atto s . R io de em 8 o.
No catalogo das obras de Jurisprudência de Laemmert
Janeiro , 1 840 . 3 v o l. em 8o. lê-se o seguinte sobre esta obra: ,.
Este trabalho hoje lie mui deficiente, necessitava ser « Esta primorosa compilação contem todas as leis e dis­
reorganisado e revisto. . . . . . , posições dos livros 1, 3 e 4 das Ordenações que ainda se
O filho do author o Conselheiro Libamo Augusto da achão em vigor no B ra z il; e justamente todas as leis pos-
Cunha Mattos, continuou esta obra no opusculo— Rrcee teriormonte promulgadas, que do alguma sorte ps ez-
Índicealphabetic ia LegislaçãoBrasileira, cujo connect- plicão ou amplião . <
mento mais interessaaos Empregados da Repartição da 59 .—Direito CivilEeclesiástico Brasileiro
Guerra, comprshendendo as disposições impressas desde e tc .e tc .(o b ra do a u th o r).R io d e J a n e iro ,1866
1837 ate 1860. Rio de Janeiro, 1864. 1 vol. em 8°.
32.—Esboço de um Diccionario Juri- 1 » tom . em 8o. d iv id id o em tre z p a r te s .E d i­
co, theoreticô e pratico, remissivo ás Leis tor B . L . G a m ie r.
compiladas e extravagantes : p o r Joaq uim 6 0 .— Regimentos do Santo Officio da In­
José Caetano P e re ira e S o u z a .L is b o a , 18 2 7. quisição dos Reinos de Portugal; tanto o de22
2 v o l. em folio. de Outubro de 16 4 0, como o do I o de Se­
Este trabalho sahio posthumo,por diligencias do filho
tembro de 1770 impresso em L isb òa, na
do author. Hoje he mui deficiente. ofíicina de M ig u el M an escal. 2 v o l. em 8 .°
53, — Diccionario Juridico-Commercial, Regimentos
Estes dous não se encontrão nas Collec-
Narration daperseguição
Cões, mas achão-se na Obra—
p o r José F e r re ir a Borges. L isb òa, 1 8 3 9 . 1 de HyppolytoJosephdaCosta Pereira Furtado de Men­
v o l. em 8 o. . . ... donça, natural da Colonia do Sacramento, no Rio da
He trabalho superior ao precedente, ainda no methodo Prata, preso e processado e Lisbòa pelo pretenso c r i­
e coordenação das matérias. ... , me de Fra-M acon, ou Pedreiro livre. Londres, 1811.
54. - 0 Sacrosanto eEcuménico Concilioae 2 v o l. em 8o.

Trento en Latim e Português. D edicado ao 6 1 — Consultor Jurídico qu Manual de


Episcopado da Ig re ja Lusitana p o r João B ap- apontamentos,na fôrma de Diccionario sobre
tis ta R e y c e n d . L isb òa, 1785 e 1807. 2 v o l. variados pontos de Direito Pratico, etc.
p o r J. M . P . de Vasconcellos. R io de Ja­
Diz Innocencio no Dice. Bibl. qne esta tradueçao lie n e iro , 1861. 1 v o l. em 8 o.
com pouca alteração a que do mesmo Concilio hzéra no
século 17 Francisco F e rre ira da Silva, reíormada na 62, —índice pelas matérias, civil, criminal,
disDOsicão, e mais correeta na phraze. , orphanologica e definanças, etc. p o r D o m in ­
Reycend era um L ivreiro litterato da particular ami- gos A lves Branco M on iz B a rre to . R io de
sade do Arcebispo D. F r. Caetano Brandão.
folio.
Janeiro, 1815. 1 vo l. em
5 5 .— Constituições primeiras do Arcebis­
6 3 . — índice alphabetico das Leis do
pado da Bahia, feitas e ordenadas pelo IUm. Brazil em conlinmcao ao Repertório geral
e Revm.Sr. D. Sebastião Monteiro da 1 ide, de Manoel Fernandes Thomaz, p o r A lb e r to
5°. Arcebispo do dito Arcebispado, e do Con­ A n to n io de M oraes C a rv a lh o . R io de Ja­
selho de Sua Magestade; propostas e accei-
n eiro , 1 8 4 0 . 1 v o l. em folio.
tas em o Synodo D iocesano, que o d ito se-
X IV

64. —-Repertório alphabetico das Leis do dos Senadores, e Deputados que nella to­
Brazil promulgadas desde 1829 até o fim marão parte, pelo Bacharel Á n to m o M a­
do anno de 18 4 0, emcontinuação do Reper­ noel Fernandes J u n io r. N ic th e ro y , e R io
tório geral de Manoel Fernandes Thomaz, de Janeiro , 1849 a 1 8 5 1 . 4 v o l. em folio.
e ao índice alphabetic do Bacharel Alberto
An lonio de Moraes Carvalho. P o r **** 6 6 .—índice de matérias ds quaes tem ap-
A dvogado B ra z ile iro . R io de J a n e iro ,1842. plicação aLegislação Patria concernente aos
1 v o l. em folio. annos 1851, 1852, e 18 5 3, coordenado pelo
D r . João Joaquim da S ilv a . B ahia, 1 8 5 9 . 1
65. —índice chronologic, explicativo e
remissivo, da Legislação Brazileira desde v o l. em 8 o.
1822 até 1 844 precedido cada anuo, além Existem differentes pequenos Repertórios dos Codigos
do reinado, que à elle presidio dos nomes Crim inal, do Processo, Commercial, da Constituição e
outras Leis, os quaes com os precedentes forão sup-
dos Ministros que dirigirão as respectivas planlados pelos dous grandes Repertórios de Fernanae
Repartições, e cada Legislatura dos nomes Thomaz e de Furtado.

Historia do D ireito R om ano, Feudal e Portuguez.


1. — Histoire du Droit Romain, suivie 1 1 . — Compendio historico do estado da
de Vhistoire de Cujas, p a r M r . J. B e rry a t Universidade de Coimbra, no tempo da
S a in t- P r ix . P a riz , 1821. 1 v o l. em 8 . ° invasão dos denominados Jesuítas, e dos
2. — Precis historique du. Droit Romain
estragos feitos nas Sciencias e nos Profes­
depuis Romulus jusqu’a nos jours, p ar M r . sores e Directores que a região pelas maqui­
nações e publicações dos novos Estatutos
D u p in a in é . P aris, 18 3 5. 1 v o l. em 8 °.
por elles fabricados, acom panhado de um
Acha-se no M anual dos Estudantes de Direito, do Appendice. Lisbòa, 1772.1 v o l. em 4 ° ,e em 8 ° .
mesmo autor.
Ue o trabalho da Junta chamai a da Providencia
3. —Resumé de Vhistoire de la Legislation Litteraria, creada pela Carta Regia de 23 de Dezembro
Romaine, suivi de Vexplication historique de m o , a qual se compunha de seis vogaes, e um Presi­
des In s titu tes de J u stin ien , avec le lexte, la dente, o Bispo de Béja, F r. Manoel do Cenáculo.
Nella figurarão os dous irmãos D r. Francisco de Lemos
traduction en regard, el les explications sous de Faria, depois Bispo de Coimbra, e o D r. João Pe­
chaque paragraphe, comprenant la Legisla­ reira Ramos de Azeredo Coutinho, os principaes au-
tion sur les persomes et sur les choses; par thores da obra, segundo Innocencio no Dice. Bibl.
M r . O rto la n . P a riz , 1863. 7 a edição. 3 vols. 12. —Deducção Chronologica e analydca,
em 8°. dividida em duas partes com as respectivas
« Esta obra, diz Dupin, em que o autor ae faz histo­ Provas: dada á luz pelo D r . José de Seabra
riador para ser melhor Jurisconsulto, he rica de sciencía. da S ilv a . Lisbòa, 1767 e 1768. 3 vols. em 4°
« Ortolan apresenta á mocidade um plano de estudos
e 5 vols. em 8°.
inteiramente novo. »
Esta obra he um libello lançado contra os Jesuítas
4. —Histoire du Droit Romain à Vusage para apressara sua extineção no século passado. Mas
des élevès en Droit, par M r . L . A . W a r - contém muitos factos interessantes á historia do D i­
reito Pátrio, que em outro lugar não se encontraria.
koenig. B ru x e lles , 1 8 3 6 .1 v o l. em 8 °. José de Seabra da Silva figura como author, mas Bar­
5. — Esprit des Lois, p ar M o n te s q u ie ubosa
. Canaes declara que este Jurisconsulto, tendo-se
P a riz , 1 8 4 9 .1 v o l. em 16. desharmonisado com Pombal, negára na Bahia, na volta
do seu desterro, a paternidade da obra.
6. —Histoire de Justinien, p ar M r . Is a m - O Padre Antonio Pereira de Figueiredo assegura em
b ert. P a riz , 1856. 2 vols. em 8 °. uma de suasCartas aos seus confrades de Gôa, que a
7. — Historiw Juris Civilis Lusitani. obra era da lavra de Pombal, talvez para lisongear o
M inistro.
líber singularis: auctore Paschalio Josepho O que nos parece mais acertado he que a obra íora
M e llio F r e ir io . Lisboa, 1 788 e 1 8 0 6 .1 v o l. trabalho de muitos, isto he, do Circulo Jansenista de
em 8 o. que Pombal vivia rodeado no tempo do seu dominio.
8. —Ensaio sobre a historia do Governo Prelecções de Direito Pátrio, Pu­
13. —
e da Legislação de Portugal, para servir de blico e particular offerecidos ao sereníssimo
introducção ao estudo do Direito Pátrio, Senhor D. João, Principe do Brazil, e com-
p o r M an o el A n to n io Coelho da R ocha, ostas por Francisco Coelho de Souza e
Len te n a Faculdade de D ire ito na U n iv e rs i­ am paio, L en te de H is to ria de D ire ito R o -
dade de C oim bra. C o im b ra, 1861. 4 1 edição. m an o -P atrio em a U n iversid ade de C oim bra.
1 v o l. em 8 o. C o im b ra, 1793. 2 v o l. em 8 .°
9. — Historia de Portugal, Introducção ao novo Codigo ou
por A le x a n d re 1 4 . —
Dissertação critica sobre a principal causa
H e rc u la n o . Lisbòa, 18 6 4. 3 a edição. 4 vo l.
em 8 °. da obscuridade do nosso Codigo authentico,
p o r José V iris sim o A lv a re s da S ilv a , P r o ­
10. — Curso de Direito Civil Brazileiro fessor em erito de P h ilo s o p h ia . Lisbòa,
(parte g era l), pelo D r . A n to n io Joaquim
1780. 1 v o l. em 8 . °
Ribas. R io de Janeiro, 1865. 2 vols. em 8 ° .
He um dos mais bem elaborados trabalhos que t«m
15. —Discurso sobre os delictos e penas,
publicado Jurisconsultos Brazileiros. e qual foi a sua proporção nas differen-
XLV1
2 2 . — M e m ó ria : sobre as fontes do Codi-
tes epochas da notsaJansprudencw.pnnci- go Philippino, p o r Joâo P edro R ib e iro .
paln ente nos trez séculos primeiros daM -
narchia Portugueza ; p o r I- rancisco F re ire Esta interessante Memória encontra-se no to. 4 da
de M e llo , L icen ciad o em U ir e it o ^ e la U i collecção—Memória» de Litteratura, assim como as se­
guintes deste laborioso e sabio Jurisconsulto.
versidade de C o im b ra, em 1 7 8 6 . L o n d ies,
18 1 6, e Lisbòa, 1 8 2 2 .1 v o l. em 8.» 2 3 . — M e m ó r ia : sobre as Behetrias, Hon­
E ra sobrinho de Paschoal José de Mello J ' re' CL ’Ji ras, Coutos, e sua differença. (no t o .2 ).
quern organisou o Indioe de anas obras, melhorando
edições respectivas. 2 4 . — M e m ó r ia : sobre o Direito de Cor­
A edição de Lisboa ho nreferisei á de Londres por
spr maia correcta e annotaaa pelo autor. A de L
reição usado nos antigos tempos, e nos mo­
foi feiU por José Liberate Freire de Carvalho, a pedido dernos, equal seja a sua naturesa. (Id e m ).
do autor.
2 5 . — M e m ó ria sobre o p ro g ra m m a : Qual
16 ,__ Demetrio Moderno ou oRibliographo seja a epocha da introducçào do Direito das
Jurídico Portuguez; o qual em uma breve Decretaes em Portugal, e o influxo que o
dissertação histórica e critica propoe, e da mesmo teve na Legislação Portugueza.
uma clara e dislinctaidéa de todas as precio­ ( n o t o . 6 ).
sas relíquias,e authenticos monument 's anti­
gos e modernos da Legislação Portugueza, 2 6 . __M e m ó r ia : sobre os inconvenientes
etc. Lisbòa, 1 7 8 1 . I v o l . em 8 .» e vantagens dos Prazos, com relação á
O autor desta obra, Antonio Barnabé de Elescano, agricultura de Portugal, ( n o to . 7 ).
oue se não annuncia no losto delia, assigna-se na de
dicatoria Innocencio no D ice. Bibl. diz que o sen nome 27. __________M em ó ria : sobre a economia de
era Antonio Barnabé de Elescano Barreto e Aragao, Juizes deprimeira instanciano nosso Reino
Bacharel formado em D ireito.
He trabalho de fraco merecimento.
desde o governo dos Reys de Leão.
■ Também escreveu e publicou em m l um aHwíorta
da Jurisprudência Natural desde a sua origemate os çôesEsta Memória encontra-se no to. 5 das Disserta-
seus progressos, perfeição e estado actual, considerada chronologicasdo author.
comonecessáriae utilíssimadsciencia. n e um opusculo 2 8 . — M e m ó ria : sobre a divisão das Cor­
de algumas dezenas de paginas.
reições no reinado do Senhor Rey D.
IT.—Memórias sobre a fôrma de Gover­ João III, e cadastro das Provindas, á que
no, e dos Povos que habitarão o terreno Lu­ se procedeu no mesmo Reinado,
sitano, desde os primeiros tempos conheci­ Foi publicada no n. 25 do JornaldeCoimbra de 1814,
dos, até ao estabelecimento da Monor­ e também nas Reflexões históricas do mesmo a uthor,
chia Portugueza ; por A n to n io Caetano do segundo refere Innocencio no Dice. Bibl.
A m a r a l.
29. — M e m ó ria ao p ro gram m a: Qual foi
O autor desse interessante trabalho era formado em
Cânones, o occupou grandes posições em Portugal.
a origem, quaes os progressos e as varia-
Infelizmenle a obra não pode concluir-se por haver ções da Jurisprudência dos Morgados em
lallecido em 1819.
Ouatro Memorias , „ . . ,
achao-se nos tomos. 1, 2, tie i
Portugal? p o r T b o m az A n to n io de V i lla -
da Colleção denominada —Memórias deLitteratura Por­ nova P o rtu g a l.
tuguesa: a quinta que devêra ser importantíssima, por
Esta Memória com a seguinte da mesma im por­
tratar da influencia da Lei dasPartidas
em Portugal,nao
tância, se encontrão nas Memórias da Litteratura, to.
foi terminada; mas, o que pôde escrever, se acha nos
to. d p. 2 e to. " das Memórias da Academia Heal ae 3 e 4.
Sciencias de Lisbòa.
3 0 . — M e m ó ria ao p ro g ra m m a : Qual seja
sobre a origem dos nossos a epocha fixa da introducção do Direito Ro­
1 8 .— M e m ó r ia :
Juizes de Fóra, p o r José Anastacio de F i­mano em Portugal, e o seu grão de autori­
g u eired o . dade em diversos tempos. (Id e m ).
Acha-se no to. 1 das Memórias ie Litteratura.
Do mesmo autor ezistem também as seguintes na 3 1 ,— M e m ó r ia : sobre a forma dos Juizos
mesma Collecção. nos primeiros séculos d a M o n a rc h ia Por­
49 , — M e m ó ria : sobre qual seja o verda­
tugueza, p o r José V iris sim o A lv e s da
deiro sentido da palavra— Façanhas, que S ilv a .
expressamente se achão revogadas em al­ Acha-sc esta M emória do author da Introducçào ao
gumas Leis eCarlas de doação. {no to. 1). novo Codigono to. 6 das Memórias deLitteratura.
20. — M em ória: para dar uma idéa justa 3 2 . —Influencia do conhecimento das nos­
do que erão as Behetrias, e em que differião sas Leis antigas em os estudos do Jurista
dos Coutos e Honras. (Id e m ). Portuguez, p o r V ic e n te José F e r re ir a C ar­
doso da Costa.
21. — M em ó ria: sobre qual foi a épocha
exacta da introducção do Direito de Jus- He uma M emóriapublicada no to. 6 das de Littcra*
tiniano em Portugal, modo da sua intro­ prelim tura. A este trabalho poder se-ia ju n ta r o Ditcurso
inar da Collecção systematica de Leis deste Ju­
ducção,egrãos de autoridade que entre nós risconsulto^ que notamos no o. 50 á pag. 44.
adquirio. Por cujaoccasiãose trata todaaim-
portante materia da Ord. liv.Ztit. 6 4 .(id e m ). 3 3 . — M e m ó r ia : sobre a origem e juris-
XLV11

dicção dos Corregedores das Comarcas, por 3 5 .—Primeiro Ensaio sobrea hislorialil-
José A n to n io de S á. teraria de Portugal, desde a sua mais remoía
Está publicada no to. 7 das M emórias deLitteratura. oriqem até o presente tempo, seguido de
3 4 .— M e m ó r ia : sobre a Camara Cerrada,
differenles opusculos, que servem para sua
maior illustração, e offerecido aos amado­
pelo D r . L e v y M a ria Jo rd ã o .
Esta M emóriase acha na collecção denominada His­ res da Litteratura Portugueza em todas as
toria eMemóriasi/aAcademia Real de Seiencias, to . 2 Nações; por F rancis' o F re ire de C a rv a lh o .
da noya Serie, parte 2. Lisb òa, 18 4 5. l v o l . em 8 o.

TRATADISTAS E PRAXISTAS

SÉCULO X V I (1 ). 4. — C t tld tt» (F r a n c is c o d e . . .P e re ira de


C astro). C om m entarius analyticus ad L e ­
gem —si Curatorem habens, de in in­
Cod.
1. ~ Caminha» (G rego rio tegrum reslitutionem minorum.
M a rtin s ). Lisbòa,
Forma de Libellos, e Àllegações e forma ; 1 5 8 3 . 1 v o l. em folio.
de proceder no Juizo Secular, a Ecclesias- Syntagma universi Juris Emphyleutici.
tico, e dos Contractos com suas Glossas, e L isb òa, 1585 e 1604. 2 v o l. em folio.
Cotas de Direito. C o im b ra , 1 5 4 9 . l v o l . Solemnis et analylica relectio tituli Ins-
em 4 o . litutse— de inofficioso testamento. Lyão ,
Esta obra apesar da sua antiguidade, ainda ir.je tem 1 6 7 0 . 1 v o l. em folio.
merecimento, depois da organisação e notas que lhe Receptarum sentenliarum sive quwstio-
juntou João Martins da Costa. num Forensium. F ra n c k fu rt, 1672. 1 v o l.
em folio.
2. — Gama (A n to n io da). Tractatus de Analyticus commentarius, sive ad Typum
Sacramentis prcesiandis ultimo supplicio instrumenti,Emplionis et Venditionis trac­
damnatis,de eorum testamentis,anatomia, et tatus. Lisbòa, 1 6 1 5 .1 vo l. em folio.
de sepulturis. L is b o a ,15 5 4. 1 v o l. em folio. Consilia in quibus varii casus ad Pra-
Decisiones Supremi Senatus Regni Lwsi- xim Forensem perutiles enodanlur, et re-
taniw, centuries IV,omnibus Juris Pontificu rumjudicatarum in Supremo Lusitanice Se-
et Cessarei Professoribus, Judicibus,et Advo- natui auclorilale confermentur. Lisb òa,
catis perutiles et necessaries ad casus cum Car 1 5 9 3 . 1 v o l. em folio.
nonicos,tum civilesjeudales quoqueet crimi • Relectio nova ad Diocletiani et Maximia-
minales plene cognoscendos. Lisboa, 1 5 7 8 . ni Imperatorum Augustissimorum deci-
1 v o l. em folio. sionem in legem unicam Cod. ex delicto de-
Esta obra teve muitas edições, sendo a u ltim a em funcli in quantum hwredes conveniantur.
1135, e, posto que escripta tendo em vista o Codigo F ra n c k fo rt, 1 6 3 0 .1 vol. em folio.
Manoelino, pode-se, e de feito sempre se compHiendeu
o author, como interprete do Philip pino, cujas disposi­
5. — V a a (Thom é Valasco oo). Allegatio­
ções, em geral, erão idênticas ás daquelle.
n s super varias matérias. P o rto , 1612.
3 . — Vai asco {A lv a ro ). Praxis Partition 1 v o l. em folio.
num et Collalionum inter hmredes. C o im ­ nesLocuplelissima} et utilissimai exploratio-
in novam Justiticereformationem magna
b ra , 1 6 0 5 . 1 v o l. em folio. Doclorum auclorilale, et juris ornamento
Qucestionum Juris Emphyteutic^. Lisbòa, ccmdeeoralce. Lisbòa, 1 6 5 6 .1 vo l. em folio.
1 5 9 1 . 1 v o l. em folio.
Com quanto as obras deste Jurisconsulto fossem publi­
Consultationum et Decisionum, ac rerun» cadas no Século iT>, pertencem ao anterior em que elle
judicatarum. Lisboa, 1588. 1 vo l. em folio. vivêo e escrevêo.
Valasco passa pelo primeiro Jurisconsulto Portu-
truer do século decimo sexlo, laoto na exposição da 6. — C a b è d o (Jorgede). Errata da nova
doutrina, como na elegancia de linguagem ; < í ' ' “ recopilacão das Leis e Ordenações deste Rei­
segundo Mello Freire, pertence á classe dos que maia
se approximão da escola de Cujas ou Cujncto.
no de Portugal: com algumas outras adver­
Notamos tão sómente as suas primeiras edições, ten­ tências necessárias e subslanciaes. Lisbòa,
do os sens trabalhos merecido outras em Portugal,e em 16 0 3. 1 vo l. em folio.
differentes Paizes.
He um opusculo do formato da prim eira edição das
Ordenações, e que de ordinário vem com ellas enca-
(1) Contemplamos nesta Bibliographia algumas obras^Jo s é Anastacio de Figueiredo rcimprimio-o no to, 2
de autores deste século, porque tratarão de matena.
similares ás da O rd. P h ifipp.na.c a seu estudo apro-
da Synopsis Chronologica
a pag. 297.
Em 1825 os Editores da nona edição das Ordenações
veitarão.
XLV1
2 2 . — M e m ó ria : sobre as fontes do Codi-
tes epochal da notsa J urisprudencia: princi­ go Philippino, p o r João P edro R ib e iro .
pal a ente nos trez séculos primeiros da Mo­
Esta interessante Memcria encontra-se no to. 4 da
riarchia Portugueza ; Porn Fra." clsncp° ,J fT „• collecção— Memóriasde Litteratura, assim como as se­
de M e llo , L icenciado em D ire ito , Pr fnL " s guintes deste laborioso e sabio Jurisconsulto.
versidade de C o im b ra, em 1 7 8 6 . L o n d ie s ,
1816, e L isb ôa, 1 8 2 2 .1 v o l. e m 8 .° 23. __________M e m ó r ia : sobre as Behetrias, Hon­
Era sobrinho da Paschoal José de Mello Freire ; e
qufrá organisou o Indica de snas obras, melhorando as
ras, Coutos, e sua àifferença. (no t o .2 ) .
edições respectivas. 2 4 . — M e m ó r ia : sobre o Direito de Cor­
A edição de Lisboa he preferirei á de Londres por
ser mais corrects e annotada pelo autor. A de Londre,
reição usado nos antigos tempos, e nos mo­
foi feita por José Liberato Freire de Carralho, a pedido dernos, equal seja a sua naturesa. (Id e m ).
do autor.
2 5 . — M e m ó ria sobre o p ro g ra m m a : Qual
1 6 .—DemetrioModerno ou oBibliographo
seja a epocha da introducção do Direito das
Jurídico Portuguez; o qual cm uma breve Decretaes em Portugal, eo influxo que o
dissertação histórica ecritica propoe, e da mesmo teve na Legislação Portugueza.
uma clara edistinctaidéade todas as pi ecio-
sas relíquias,eauthenticos monument'isami- (n o to . 6 ).

aos e modernos da Legislação Portuguesa, PU, _ M e m ó r ia : sobre os inconvenientes


etc. L isb ôa, 1 7 8 1 . 1 v o l. em 8 .» e vantagens dos Prazos, com relação á
O antor desta obra, Antonio Barnabé de Elescano, agricultura de Portugal, ( no to . 7 ).
que se não annuncia no tosto delia, assigna-se na de­
dicatória. Innocencio no Vice.B tb l. diz que o sen nome 27. __________M em ó ria : sobre a economia de
era Antonio Barnabé de Elescano Barreto e A ra.ao, Juizes deprimeira instanciano nosso Reino
Bacharel formado em D ireito.
He trabalho de fraco merecimento. . .
desde o governo dos Reys de Leão.
’ Também escreveu e publicou em m l uma Historia Esta Vem oria cncontra-se no to. 5 das D»$sería-
da Jurisprudência N a tu ra l desde a sua origem ate os
seus progressos, perfeição e estado actual, considerada
çôcs chronologicasdo author.
como necessária e utilíssim a á scienci a. He um opuscn o 2 8 . — M e m ó ria : sobre a divisão das Cor­
de algumas dezenas de paginas.
reições no reinado do Senhor Rey D.
IT.—Memórias sobre a forma de Gover­ João III, e cadastro das Provindas, á que
no, e dos Povos que habitarão o terreno Lu­ se procedeu no mesmo Reinado.
sitano, desde os primeiros tempos conheci­ Foi publicada no n. 25 do Jornalde Coim brade 1814,
dos, até ao estabelecimento da Monar- e também nas R eflexões históricas do mesmo author,
chia Portugueza ; p or A n to n io Caetano do segundo refere Innocencio no D ice. Bibl.
A m a r a l.
2 9 . - M e m ó ria ao p ro g ram m a : Qual foi
O autor desse interessante trabalho era formado em
Cânones, e occupou grandes posições em Portugal.
a origem, quaes os progressos e as varia­
Infelizmenle a obra não pôde concluir-se por haver ções da Jurisprudência dos Morgados em
fallecidoem 1819.
Quatro Memórias . „ n
- _
achao-se nos tomos. 1, 2, o e
Portugal? p o r T b o m a z A n to n io de V illa -
da Colleção denominada— Memórias deLitteratura Por- nova P o rtu g a l.
tuquexa : a quinta que devêra ser importantíssima, por
Esta M emória com a seguinte da mesma im por­
LeidasPartidas
tra ta r da influencia da em Portugal,nao
tância, se encontrão nas M emórias da Litteratura, to.
foi terminada; mas, o que pôde escrever, se acha nos
to. ti p. 2 e to. 7 das Memórias da Academia Real ae 3 e 4.
Sciências de Lisbôa.
3 0 . — M e m ó ria ao p ro g ra m m a : Qual seja
18. — M e m ó r ia : sobre a origem dos nossos a epocha fixa da introducção do Direito Ro­
Juízes de Fóra, p o r José Anastacio de F i­ mano em Portugal, c o seu grão de autori­
g u eired o . dade em diversos tempos. (Id e m ).
Acha-se no to. 1 das M emórias deLitteratura.
Do mesmo autor existem também as seguintes na 3 1 . — M e m ó r ia : sobre a forma dos Juízos
meBma Collecção. nos primeiros séculos da Monorchia Por­
19. — M e m ó ria : sobre qual seja o verda­
tugueza, p o r José V iris s im o A lv e s da
deiro sentido da palavra— Façanhas, que S ilv a .
expressamente se acháo revogadas em al­ Acha-se esta M emória do author da Introducção ao
gumas Leis eCarlas de doação.[ao to. 1). novo Codigo no to. 6 das Memórias deLitteratura.
20. — M em ória: para dar uma idéa justa 3 2 . — Influencia do conhecimento das nos­
do que erão as Behetrias, e em que differião sas Leis antigas em os estudos do Jurista
dos Coutos e Honras. (Id e m ). Portuguez, p o r V ic e n te José F e r re ir a Car­
doso da Costa.
21. — M em ó ria: sobre qual foi a épocha
exacta da introducção do Direito de Jus- He uma Jfemoria publicada no to. 6 das de Ltííera-
tiniano em Portugal, modo da sua intro­ prelim tura. A este trabalho poder-se-ia ju n ta r o Discurso
ducção,e grãos de autoridade que entre nós risconin ar da Collecção systematica de Leis deste Ju­
su lto ^ que notamos no n. 50 à pag. 44.
adquirio. Por cujaoccasião se trata todaaim-
portantemateria da Ord. I w . 3 ít f . 64.(id e m ) 33. — M e m ó r ia : sobre a origem e juris-
XLvn

dicção dos Corregedores das Comarcas, por 3 5 . —Primeiro Ensaio sobrea historia lit-
José A n to n io de Sã. teraria de Portugal, desde a sua mais remota
Está publicada no to. 7 das Memórias deLitteratura. origem até o presente tempo, seguido de
3 4 .— M e m ó r ia : sobre a Camara Cerrada,
differentes opusculos, que servem para sua
maior illustração, e offerecido aos amado­
p elo D r . L e v y M aria J o rd ã o .
Esta M emóriase acha na collecçao denominada His­ res da Litteratura Portugueza em todas as
toria eMemóriasdaAcademia Real de Sciencias, to . 2 Nações; por F ran cis' o F re ire de C a rv a lh o .
da nova Serie, parte 2. Lisb òa, 18 4 5. 1 v o l. em 8 o.

TRATADISTAS E PRAXISTAS

SÉCULO X V I (1 ). 4. — f)a l« l» » ( F r a n c is c o d e . . .P e re ira de


C astro). C om m entarius analyticus ad L e ­
gem— si Curatorem habens, de in in­
C o d.
1 .— C a m in h a (G rego rio M a rtin s ). tegrum restitutionem minorum. Lisbòa,
Forma de Libellos, e Allegações forma
; e 15 8 3. 1 v o l. em folio.
de proceder vo Juizo Secular, e Ecclesias- Syntagma universi Juris Emphyleutici.
tico, e dos Contractos com suas Glossas, e Lisb òa, 1585 e 1604. 2 v o l. em folio.
Cotas de Direito. C o im b ra , 1 5 4 9 . l v o l . Solemnis et analylica relectio lituli In s ­
em 4 o . t i t u t e — de inofficioso testamento. L yão ,
Esta obra apesar da sua antiguidade, ainda lr-je tem 1 6 7 0 . 1 v o l. em folio.
merecimento,depois da organisação e notas que lhe Receptarum sentenliarum sive queestio-
juntou João Martins da Costa. num Forensium. F ra n c k fo rt, 1672. 1 v o l.
em folio.
2 . — G a m a (A n to n io da). Tractatus de Analyticus commentarius, sive ad Typum
Sacramentis praestandis ultimo supplicio instrumenti, Eihplionis et Venditionis trac-
damnalis,de eorum testamentis,anatomia, et tatus. Lisbòa, 1615. 1 vo l. em folio.
de sepulluris. L is b o a ,1 5 5 4 . 1 v o l. em folio. Consilia in quibus vani casus ad Pra-
Decisiones Supremi Senatus Regni Lusi­ xim Forensem perutiles enodanlur, et re-
tania’, centuries IV,omnibus Juris Ponlificii rumjudicalarum in Supremo Lusitanice Se-
et Ccesarei Professoribus, Judicibus,et Advo- natui auclorilale confirmentur. Lisb òa,
catis perutiles et necessários ad casus cum Car 15 9 3. 1 v o l. em folio.
nonicos,tum civiles.feudales quoque et w j m i ■ Relectio nova ad Diocletiani etMaximia-
minales plene cognoscendos. Lisb oa, 1 5 7 8 . ni Imperalorum Auguslissimorum deci-
1 vol em folio. sionem in legem unicam Cod. ex delicto de-
Esta obra teve muitas edições, sendo a u ltim a em funcli in quantum hwredes conveniantur.
1735, e, posto que escripta tendo em vista o Codigo F ra n c k fo rt, 1 6 3 0 .1 vol. em folio.
Manoelino, pode-se, e de feito sempre se compHiendeu
o author, comO interprete do Philippino, cujas disposi­
5. — V a z (Thom é Valasco ou). Allegatio­
ções, em geral, erão idênticas âs daquelle.
n s super varias matérias. P o rto , 1612.
3 . — V » I a s c o ( A lv a ro ). Praxis Parliiio- l v o l . em folio.
num et Collalionum inter hceredes. C oim ­ nsLocuplelissimce et utilíssima; exploratio­
in nuvam Justitice reformationem magna
b ra , 1 6 0 5 . 1 v o l. em folio. ......
Quosstionum Juris Emphyteutici. Lisboa, Doclorum auclorilale, et juris ornamento
condetoralce. Lisbòa, 1656. 1 v o l. em folio.
1 5 9 1 . 1 v o l. em folio.
Com quanto as obras deste Jurisconsulto fossem publi­
Consultatiònum et Decisionum, ac rerum cadas no Seeulo 11", pertencem ao anterior em que elle
judicatarum. Lisboa, 1588. 1 vo l. em folio. vivêo e escreYÔo.
Valasco passa pelo primeiro Jurisconsulto .Porta-
guez do século decimo sexto, tanto na exposição d 6. — r . n b è i l o (Jorge de). Errata da nova
doutrina, como na elegancia delinguagem ; e_ pormiss recopilacão das Leis e Ordenações deste Rei­
segundo M ello Freire, pertence â classe dos que mais no de Portugal: com algumas outras adver­
se approiimão da escola de Cujas ou Cujacio.
Notamos tão sómente as suas primeiras ediçoM, ten­ tências necessárias e subslanciaes. Lisbòa,
do os seus trabalhos merecido outras em Portugal,e em 1603. 1 vol. em folio.
differentes Paizes.
He um opusculo do formato da prim eira edição das
Ordenações,e quede ordinário vem com ellas enca-
(t) Contemplamos nesta Biblmgraphia algumas obras José Anastacio de Figueiredo reim prim io-o no to, 2
de autores deste seeulo, porque tratarão de matarias
similares às da O rd. Philippina, e a seu estudo ap.o-
da Synopsis Chronologicaa pag. 297.
Em 1825 os Editores da nona edição das Ordenações
veitarão.

'X
XLV1
2 2 . — M em ó ria : sobre as fontes do Codi-
tes epochas da n otsa Jurisprudencia:princi­ go Philippino, p o r Joâo P ed ro R ib e iro .
p a l mte nos trez seculos p n metros d a M o -
narchia Portugueza; p ° r Francisco F re Esta interessante Memória encontra-se no to. 4 da
collecção— M emóriasde Litteratura, assim comó as se-
de M e llo , Licenciado em D ir e ito , pelai U m
guintes deste laborioso e sabio Jurisconsulto.
versidade de C oim bra, em 1786. L on dies,
1816, e Lisbôa, 1 8 2 2 . 1 v o l. em 8. 23. __________M e m ó r ia : sobre as Behetrias, Hon­
Era sobrinho de Paschoal José de Mello Freire ; e ras, Coutos, e sua differença. (no t o . 2 ).
quem organUou o índice de suas obras, melhorando as
edições respectivaí-. 24. — M e m ó r ia : sobre o Direito de Cor­
A edição de Lisboa lie preferível á de Lomdres^por reição usado nos antigos tempos, e nos mo­
ser mats correcta e annotaaa çelo autor. nedido
foi feita por José Liberato Freire de Carvalho, a pedido dernos, e qual seja a sua naturesa. ( Id e m ) .
do autor.
2 5 . — M em ó ria sobre o p ro g ra m m a : Qual
IQ.—DemetrioModerno ou oBibliographo seja a epocha da introducção do Direilo das
Jurídico Portuguez; o qual em uma breve Decretaes em Portugal, e o influxo que o
dissertação histórica e critica propoe, e da mesmo teve na Legislação Portugueza.
uma clara edistinctaidéa de todas as precio­
(n o to . 6 ).
sas relíquias,eauthenticos monument-santi-
qos e modernos da Legislação Portugueza, 26. sobre os inconvenientes
— M e m ó ria :
etc. Lisb ôa, 1 7 8 1 . I v o l . cm 8 .» e vantagens dos Prazos, com relação á
O autor desta obra, Antonio Barnabé de E n c a n o , agricultura de Portugal, ( n o to . 7 ).
uue se não annuncia no msto delia, assigna-se na de
T a to r ia Innocencio no Dire. Bill, dis que o seu nome 2 7 . — M em ó ria : sobre a economia de
era Antonio Barnabé de Elescano Barreto e A ra Dao, Juizes deprimeira instanciam nosso Reino
Bacharel formado em D ireito.
desde o governo dos Reijs de Leão.
He trabalho de fraco merecimento.

da Jurisprudência Natural desde a sua origemate os Esta Memória encontra-se no to. 5 das Disserta­
■ Também escreveu c publicou em t i l l uma Historia

seus progressos, perfeição t estado actual, com.deraia ções chronologicasdo author.


como necessáriae utilíssim ad sciencea. He um opusculo 2 8 . — M e m ó ria : sobre a divisão das Cor­
de algumas dezenas de paginas.
reições no reinado do Senhor Rey D.
17 . —Memórias sobre a forma de Gover­ Jodo III, e cadastro das Provindas, á que
no, e dos Povos que habitarão o terreno Lu­ se procedeu no mesmo Reinado.
sitano, desde os primeiros tempos conheci­ Foi publicada no n. 2b do JornaldcCoimbra de 1814,
dos, até ao estabelecimento da Monar- e também nas Reflexões históricas do mesmo a u th o r,
chia Portugueza ; por À n to n io Caetano do segundo refere Innocencio no Dice. Bibl.
A m a r a l.
29. - M e m ó ria ao p ro gram m a: Qual foi
O autor desse interessante trabalho era formado em
Cânones, e occupou grandes posições em Portugal.
a origem, quaes os progressos e as varia­
Infelizmenle a obra não pôde concluir-se por haver ções da Jurisprudência dos Morgados em
fallecido em 1819.
Quatro Memóriasacliao*se nos tomos.
. „
1,1, oe
, Portugal? p o r T h o m a z A n to n io de V i l l a -
da Colleção denominada—Memórias deLitteraturaPor­ nova P o rtu g a l.
tuguesa: a quinta que devêra ser importantíssima, por
Esta Memóriacom a seguinte da mesma im por­
tratar da influencia da Lei dasPartidas
em Portugal,nao
tância, se encontrão nas Memórias da Litteratura, to.
foi terminada; mas, o qne pôde escrever, se açhanos
to. li p. 2 e to. 7 das Memórias <fa Academia Beat ae 3 o 4.
Sciencias de Lisbôa.
3 0 . — M e m ó ria ao p ro g ra m m a : Qual seja
18. sobre a origem dos nossosa epocha fixa da introducção do Direito Ro­
— M e m ó r ia :
Juizes de Fóra, por José A nastacio de F i­ mano em Portugal, e o seu grao de autori­
g u eired o . dade em diversos tempos. ( Id e m ) .
Acha-se no to. 1 das Memórias de Litteratura.
Do mesmo autor existem também as seguintes na 3 1 .— M e m ó r ia : sobre a forma dos Juizos
mesma Collecção. nos primeiros seculos da Monarchia Por­
1 9 . — M em ó ria : sobre qual seja o verda­
tugueza, p o r José V iris sim o A lv e s da
deiro sentido da palavra— Façanhas, que S ilv a .
expressamente se achão revogadas em al­ Acha-se esta M moria do author da Introducção ao
gumas Leis eCarlas de doação. (no to. 1). novo Codigo no to. 6 das Memórias deLitteratura.
20. — M em ória: para dar uma idéa justa 3 2 . — Influencia do conhecimento das nos­
du que erão as Behetrias, e em que differião sas Leis antigas em os estudos do Jurista
dos Coutos e Honras. (Id e m ). Portuguez, p o r V ic e n te José F e r r e ir a C ar­
doso da Costa.
21. — M em ória: sobre qual foi a epocha
exacta da introducção do Direito de Jus- He uma M emóriapublicada no to. 6 das da Liltera-
tiniano em Portugal, modo da sua intro­ prelim tura. A este trabalho poder-se-ia ju n ta r o Discurso
inar da Collecção systematica de Leis deste Ju ­
ducção,egrãos de autoridade que entrenós risconsulto, e que notamos no n. 50 à pag. 44.
adquirio. Por cujaoccasiãose trata todaaim-
portantemateria da Ord. liv.Slit. 6 4 .(id e m ). 3 3 . — M e m ó r ia : sobre a origem e juris-
^ -----

XLVI1

dicção dos Corregedores das Comarcas, por3 5 . —Primeiro Ensaio sobreahislorialit-


José A n to n io de S á . teraria de Portugal, desde a sua mais remota
Está publicada no lo . 7 das Memórias deLitteratura. oriqem até o presente tempo, seguido de
3 4 .— M e m ó r ia : sobre aCamara Cerrada,
differenles opusculos, que servem para sua
pelo D r . L e v y M aria Jo rd ã o .
maior illustração, e offerecido aos amado­
Esta M emóriase acha na collecção denominada His­ res da Litteralura Portuguesa em todas as
toria eMemórias4aAcademia Real de Scieneias, to . 2 Nações; por F ran cisi o F re ire de C a rv a lh o .
da nova Serie, parte 2. Lisbòa, 1845. 1 v o l. em 8 o.

TRATADISTAS E PRAXISTAS

SÉCULO X V I (1 ). 4. — C t tld a s ( F r a n c is c o d e . . .P e re ira de


C astro). C om m entarius analyticus ad L e ­
gem— si Curatorem habens, de in in­
Cod.
1. —Caminha (G regorio M a rtin s ). tegrum resiilutionem minorum. Lisbòa,
Forma de Libellos, e Allegações ; e forma 15 8 3. 1 v o l. em folio.
de proceder no Juizo Secular, e Ecclesias- Syntagma universi Juris Emphyteutici.
tico, e dos Contractos com suas Glossas, e Lisbòa, 1585 e 1604. 2 v o l. em folio.
Cotas de Direito. C o im b ra , 1 5 4 9 . l v o l . Solemnis et analylica relectio lituli Ins-
em 4 o . titutse— de inofficioso testamento. L yão ,
Esta obra apesar da sua antiguidade, ainda lr-je tem 1 6 7 0 . 1 v o l. em folio.
merecimento, depois da organisação e notas que lhe Receplarum sententiarum sive quceslio-
juntou João Martins da Gosta. num Forensium. F ra n c k fo rt, 1672. 1 v o l.
em folio.
2. — Gama (A n to n io da). Traclatus de Analyticus commentarius, sive ad Typum
Sacramentis proestandis ultimo supplicio instrumenti,Emplionis et Venditionis trac-
damnatis,de eorum testamentis,anatomia, et, tatus. Lisbòa, 16 1 5. 1 vo l. em folio.
de sepulturis. L is b o a ,1 5 5 4 . 1 v o l. em folio. Consilia in quibus vadi casvs ad Pra-
Decisiones Supremi Senatus Regni Lusi­ xim Forensem perutiles enodanlur, et re-
tania., centurice IV,omnibus Juris Ponlificii rum.judicatarum in Supremo Lusitanice Se-
et Coesarei Professoribus, Judicibus, et Advo- natui auctorilale confirmentur. L isb òa,
catis perutiles et necessarioe ad casuscum Ca­ 1 5 9 3 . 1 v o l. em folio.
nónicos,turn civiles.feudalesquoqueet c rjm t ' Relectio nova ad Diocletiani et Maximia-
minales plene cognoscendos. Lisboa, 1 5 7 8 . ni Imperalorum Augustissiniorum deci-
1 v o l. em folio. sionem in legem unicam Cod. ex delicto de-
Esta obra teve muitas edições, sendo a ultim a em funcli in quantum hoeredes conveniantur.
U 35, e, posto que esoripta tendo em vista o Codigo F ra n c k fo rt, 1630. 1 vol. em folio.
Manoelino, pode-se, e de feito sempre se com preendeu
o author, comb interprete do Philippino, cujas disposi­ 5 . — V a z (Thom é Valasco ou). Allegatio­
ções, em gerai, erão idênticas ás daquelle.
n s super varias matérias. P o rto , 16 1 2.
3 . — ' V a l a » c o ( A lv a ro ). Praxis Parlilio- 1 v o l. em folio.
num et Collalionum inter hceredes. C oim ­ nesIsocuplelissimm et utilissimce exploralio-
in novam Justiticereformationem magna
b ra , 1 6 0 5 . 1 v o l. em folio. Dodorum auctorilale, et juris ornamento
Qucestionum Juris Eniphyteutici. Lisbòa, condeeoralce. Lisb òa, 1656. 1 vo l. em folio.
1 5 9 1 . 1 v o l . em folio.
Com quanto as obras deste Jurisconsulto fossem publi­
Consultationum et Decisionum, ac rerum cadas no Século 17°, pertencem ao anterior em que elle
judicatarum. Lisboa, 1588. 1 vo l. em folio. vivêo e escrevêo.
Valasco passa pelo primeiro Jurisconsulto Portu-
euer do século decimo sexto, tanto na exposição da 6. — C l » b è t l o (Jorge de). Errata da nova
doutrina, como na elegancia de linguagem ; e por■isso recopilação das Leis e Ordenações deste Rei­
segundo Mello F reire, pertence a classe dos ijuc mais
se approximão da escola de Cnjas ou Cuiacio.
no de Portugal: com algumas outras adver­
Notamos tão sómente as suas primeiras edições, ten­ tências necessárias e substanciaes. L isb òa,
do os seus trabalhos merecido outras em Portugal,e em 1603. 1 vo l. em folio.
differentes Paizes.
He um opusculo do formato da primeira edição das
Ordenações,e quede ordinário vem com ellas enca-
(1)
dernado. . . . . „ 0
Contemplamos nesta Bibliographia algumas obras José Anastacio de Figueiredo reimpnmio-o no to, í.
de autores deste século, porque tratarão de materas da Synopsis Chronologica a pag. 297.
similares ás da O rd. P h ilip p in e ,e a seu estudo apro- Em 1825 09 Editores da nona edição das Ordenações
Yeitarão.

V
XLVII1
edição em 1637 com addicçõe* de sua lavra, que o
derão destas Erratas
uma edição, com algumas breves
Demetrio Modernotrata com severidade.
notas; como disem na respectiva Prefaeçao.
Entretanto Ionocencio no Dire. BiH. Par“ V " i ' 1 2 . — Pliwbo ou Febog (B e lc h io r
nar-se á opinião de que esta u lte rio r edição foi obra do
Dr. Joaquim Ignacio de Freitas. ou M e lc h io r).Decisiones Senatus Regni
De Palromtibus Ecelesianm Re9ios Co' Lusitanice. Lisbòa, 1616 e 1 6 2 5 . 2 v o l.
ronce Regni Lusitaniw. L isb o a, 1 6 0 3 .1 vo l. em folio.
O Dez. José dos Santos Palma publicou em 1713
em folio. uma edição com alguns additam entos.
Praticarum observationum, seu Decisio-
num Supremi Lusitanice Senatus. Lisb oa, 13. — Barbosa (M an o el). Remissiones
16 0 4. 2 v o l. em folio. Doctorum ad contractus, ultimas volunla-
tes et delicta speclantes in libris lV et V
7 . —Gonçalves ( R u y .......... da G rà). Constitutionum Regiarum Lusitanice. L isb òa
Privilégios e’ prerogativas que o genero 1 6 1 8 . 1 v o l. em folio.
feminino tem por Direito Commum, Or­ ' Remissiones Doctorum Ofliciis publicis,ju­
denações do Reino, mat's que o genero mas­ risdictions et ordine judiciário inearum-
culino. Lisbòa, 1657. 1 v o l. em 8°. dem lib. í, I I et 1TI, cum concordantiis
Houve outra edição em 1185 do mesmo formato.
utriusque Juris, legem Partitarum, Ordi-
namenti, ac novai Recopilationis Hispano-
Tratado sobre a expedição dos perdões rum. Àccessere casligationes et additamenta
que concedem os Reys ae Portugal. Lisb òa, ad Remissiones prmdictas lib. I V el V . L is ­
1 5 . . . 1 vo l. em 4°. b ò a , 1620. 1 v o l. em folio.
SÉCULO X V I I . O Dr. Agostinho Barbosa, filho do autor, que de­
pois foi Bispo deUghento, em Nápoles, accrescentou
nessa épocha diversas — Castigationes et additamenta,
,
8 . —Pereira (G a b rie l........ de C astro). que se achão no fim das edições posteriores.
Decisiones Supremi eminentissimique Sena­ Em 1730 o D r. Manoel M oreira de Souza fez-lhe dif-
ferentes annotações com a concordância da3 Ordena­
tus Portugallia}. Lisbòa, 1 6 2 1.1 vo l. em /'oito. ções em vigor com as Manoelinas, recopilando as que
De Manu Regia Tractatus, in quo expli- pendião de Concordatas, com os privilégios dos Gapel-
cantur omnes Leges Regiae Regni Lusitanice, lães-móres.
Em 1732 o D r. Francisco Xavier dos Santos da Fon­
in quibus Regi cognoscendi de materiis Ec- seca fez-lhe na ultim a edição outros additamentos.
çlesiasticis potestas tribuitur. L is b ò a , 1622. Manoel Barbosa foi o prim eiro annotador das Orde­
nações que levou á cabo a empreza, e, não obstante os
2 v o l. cm folio. elogios que lhe fez Gabriel Pereira de Castro, a obra
Esta obra está no índice Komano. era e ainda he mui deficiente.
Monomachia sobre as Concordias que fize- 1 4 .— C o s t a (João M artin s d a ) . Tratado
rão os Reys com os Prelados de Portugal, da forma dos Libellos e allegações judicia­
nas duvidas de Jurisdicção, Ecclesiastica e rias; do Processo do Juizo secular e Eccle-
temporal. Lisbòa, 1 7 3 8 . 1 v o l. em folio. siaslico, e dos contractos com suas glossas,
Publicou-se pela primeira vez no reinado de D.João V, reformado de novo com addicções e annota­
mas distribuirão-se poucos exemplares: os curiosos
podem iô-la no nosso D ireito Civil Ecclesiastico Brasi­ ções copiosas ás Ordenações do Reino, Leis
leiro, to. 1 primeira parte. de Castella, e modernas, e outras formas de
Libellos, petições, allegaçõesjudiciarias com
9 . — C a s t r o (M anoel Mendes d e). Pra­ a conferencia das Ordenações antigas e
tica Lusitana omnibus utroque Foro ver- modernas, e Processo do Tribunal do Santo
sanlibus, utilíssima et necessária. Lisbòa, Officio, Legacia e Revistas. L is b ò a , 1608.
1 6 1 9 . 2 v o l. em folio. 1 v o l. em folio.
Foi a primeira e mais importante obra de Praxe Fo­ Esta obra teve muitas edições, sendo a ultim a de
rense que se publicou em Portugal, após a promulgação 1824, em Coimbra, na imprensa da Universidade. O
das Ordenações Philippinas. Mello Freire elogia-a na editor he João Antonio dos Ri-ys, R eitor de V erim .
sua Hist. Jur. Civ. Lus. Esta não he mencionada por Innocencio no Dice. Bill.
No século 18 Feliciano da Cunha França fez-lhe d if- O seu formato he em 8<>.
ferentesaddições. O Jurisconsulto J. I I . Corrôa Telles deu á esta obra
Mendes de Castro he também autor do primeiro Re­ em 1841 outra organisação.
pertório das mesmas Ordenações de que já demos no­
ticia á pag. 42 n. 35. Domus Supplicalionis Curice Lusitania;
10.
Stylique
—Cardoso (A n t o n io ...do A m aral).
supremi Senatusconsulta. L is b ò a ,
1608 e 1 6 2 2 . 1 v o l. em folio.
Samma, seu Praxis Judicum et Aivocalo-
rum à sacris Canonibus deducta, et ipsismel additou Houve em 1745 segunda edição desta obra, á que se
outra do Dez. Leonel de Parada Tavares, in­
confirmata. Lisbòa, 1610. 2 v o l. cm folio. titulada—Pratica, sive modusproccdendi inDelegatio-
Esta Praxe foi organisada em fórma de Diccionario. nibus crijninalibus, vulgo— Alçadas.
1 1 .— R e y n o « o ( M i g u e l d e). Observatio­ 1 5 .— Ilaeedo (A n to n io de Souza de).
n s pratica; inquibua multa, quce in contro­ Decisiones Supremi Senatus Justitice Lusi-
vertiam in forensibus Judichsadducantur, tanioe et Supremi Concilii Fisci. Lisb òa,
fetid stylo pertractanlur. Lisbòa, 1625. 1 1 6 6 0 .1 v o l. em folio.
v o l. em folio. Lusitania Liberata. L on dres, 1 6 4 3 .1 vol.
Lourenço de S i Souto-maior dou desta obra uma em folio.
XtlX
Perfectus doctor in quacumque scientia, 2 2 —P o r t u g a l (D om ingos A n tu n e s ).
maximein Jure Canonico et Civili sum- Tractatus de Donationibus Regiis, Jurium,
rnorum auctorumcircinis, lineis, coloribus. et bonorum Regia Coronas. Lisboa, 1 6 8 3 .
et penicillis /ig u ra ftts . Londres, 1 6 5 3 .1 v o l. 3 v o l. em folio.
em folio.
Sobre o antigo D ire ito Publico de Portugal he
Foi este Jurisconsulto not dos principaes Ministros do mui importante obra. E concorre vantajosamente
infeliz D . Affonso V I, e que com elle foi supplantado. com as de Macedo e Velasco de Gouvêa.

1 6 . — T h e iiitu lo ( M a n o e l.......... da 2 3 .— O l i v e i r a (Sim ão d e . . . . . . da


Fonseca), Decisiones Senatus Archiepis- Costa). De munere Provisoris; praticum
copalis Ulyssiponensis. Lisbòa, 1643. 4 vol. compendium. Lisboa, 1670. 1 vo l. em folio.
era folio, encadernados em d o u s .
24 — O s o r i o (B ento Cardoso). Praxis
He importante em matérias ecclesiastico— civis; de Patronatu R egio et seculari. Lisb oa,
mas esta obra está no IndiceRomano desde 18 de De­ 1726. 1 vol. em folio.
zembro de 1646, com a benevola formula— doneecor*
rigantur, Esta obra he de não pequeno merecimento, mas
deve-se ler com cuidado, pois sahio a luz posthuma
por occasião das lutas de D. João V com a Santa
17. — A r o u c a (A n to n io M endes). Alle-
Se. E mesmo não podemos saber, se com effeito o
gationes Juris, in quibus quamplurima ». manuseriqto foi respeitado.
et valde utiles queestiones in Lusitania Tri-
bunalibus disceptatce proponunlur, et junta 25. — P e r e i r a t i e S o u s a (Ign acio ).
facti contingentiam pro advocationis ma- Tractatus de Revisionibus. Lisboa, 1 7 6 8 .
nere enuclcanlur. Lisbòa, 1690. 1 v o l. em 1 vol. em folio.
folio. Apesar dos elogios que lhe fes Portugal, esta obra,
Adnotationes pratica ad librum fere pri- sobre as antigas Revistas, hoje não pode ter utilidade.
mum Pandectarum Juris Civilis, in qui­ 26. —N e g r e ir o s (M anoel F ig u e ira
bus per singulos textos, et versículos ca d e). Inlroduclio ad ultimas voluntates
tantum, quod pro fori exercitio èt Lusila- continents omnianecessaria ad confectionem
nice advocationis munere utilia visa sunl, Testamenti. Lisboa, 1 6 1 3 .1 vo l. em folio.
etc. Lisb òa, 1701 e 1702. 2 v o l. em folio.
Ile trabalho de fraco mérito.
18. — V e l a s c o d e G o i i v é o (F r a n ­
27. — N e t o (M anoel R ib e iro ). Commen-
cisco). Justa acclanmção do Sereníssimo taria in Jus Civile m quibus universa ul-
Rey de Portugal I). João IV: tratado timarum voluntatum materiam, tam spe­
analytico dividido em trez partes, ordenado culative quarn praticè explicatin'. Lisb oa,
e divulgado em nome do mesmo Reino, em 1 6 7 8 . 1 v o l. em folio.
justificação di. suas acções. Lisb oa, 1644.
1 v o l. em folio. 28. — C a r v a l h o (João de). Novus et
IIa mais uma segunda edição em 8o do anno melhodicus tractatus de una et altera
de 1846. Quarta deducendas, vel non legitima
Falcidia, et Trebellianica earumque im­
19. — P i n t o R i b e i r o (João). Obras putation?, ad Cap. R eynald us de Testa­
varias sobre vários casos, com trez relações mentis, in quatuor partes divisus
de Direito e lustre do Dezembargo' do I n quo e lu c id atu r u n iv e rs a m ateria suc-
Paço, as eleições, perdões e pertenças, e sua cessionum filio ru m tam leg itim o ru m , quam
jurisdicçào. C o im b ra, 17 2 9. 1 vol. em folio. n a tu ra liu m , quam etiam s p u rio ru m , de
He este Jurisconsulto o João das R egras da Re­ n ob ilitatc et alienatione p ro h ib ita p er c o n ­
volução de 1640.
tractual ; de in v e n ta rio , de bonorum pos-
20. —- O l i v o ( F e lic ia n o d e __eSouza). sessionibus, et de im p utaton ib us. C o im b ra
De Fôro Ecclesice tractatus, materiam 1631. 1 vo l .em folio.
utriusque potestatis, spiritnalis scilicet et He obra hoje pouco consultada, e pareça que sua
importância baixou com a publicação da de Pinheiro
temporalis, respiciens. Pars I , I I e t I I I . sobre Testamentos.
C o im b ra , 1648. 1 vo l. em folio.
29. — R o d r i g u e s (A m a d o r). Tracta­
He trabalho que ainda hoje dá proveito á quem o con­
tus de modo et forma videndi et examinandi
sulta ; ainda que a obra por suas doutrinas quasi Gal-
licanas foi lançada no Index Romano processam in causis civilibus, via ordinaria,
por Decreto de
Donee in prima instantia intentatis. M a d rid ,1609.
14 de A b ril de 1682, com a formula benevola —
corrigantur. 1 v o l. em folio.
21. — P i n h e i r o (Francisco). De Censu Tractatus de executione sententice, et
et Emphyteusi. C oim bra, 1655. 1 v o l. em eorum quas paratam habet executionem. M a ­
folio. d rid , 1 6 1 3. 1 v o l. em folio
Ha nma rccopilação dos trabalhos de Caídas e Ve­ Tractatus de concursu et privilegiis cre-
lasco sobre esta matéria. dilorum in bonis debiloris, el de preelationi-
Tractatus de Testamentis. C oim bra, 1681. íius eorum, atque de ordine et gradu quo
1 vo l. em folio. solutio fieri debet. M a d rid , 1 6 1 6 . 1 v o l.
em folio.
Nesta materia he o Jurista mais completo e minu­
cioso que eiiste. H ello Freire elogia muito estes trabalhos.
O»». 1
I.

30. —L e ltà o (A n to n io Lopes). Praxiscimento,


çalves.
sob a direcção do livreiro Domingos Gon­
de judicio fmium regundorum. Lisbôa,
1634. Tractatus de competentiis inter Archiepis-
O DemetrioModernoju lg a mui importante esta obra copos, Episcopos et Nuntium Apostolicum,
pela sua erudição.
cum polcstate Legati à latere. L y ã o 1 6 7 5 ,
L isb ôa, 1728. 1 vo l. em folio.
31. — B e n ta P e r e ir a . Promptua-
rium juridicum.quod scilicet inpromptu ex- tiva Nesta obra vem reunida outra: O pusculumde alterna­
hibébilrite, ac diligenter qucerentibus omnes 1697.BeneficiorumProvisionesedePapali plena. Lisbôa,
resoluliones circa universum Jus Pontifi- Tractalus de exclusione, inclusione, sue-
cium, Imperiale,ac Regium,secundum quod cessione^et ereclioneMajoralus. L isb ôa, 1686.
in Tribunalibus Lusitania; causw decidi so- 6 vol. em folio.
lent. É vo ra, 16 9 0. 1 v o l. em folio. No 6° volume desta obra se acha contemplado o tra ta ­
t lie um resumo dos trabalhos dos Prasistas desde do de Spuriis, obra posthuma do autor, que he um
(lama até Macedo, disposto em ordem alphabetica. amplo com . da Ord. do liv. 4 t it . 93.
E ra Jesuíta, maia conhecido como autor da P ro io d ia , Alem destas obras,que são as mais importantes,escre*
e de outras obras de Litteratura. veu e publicou Pégi9 muitas A llegações Juridieas, que os
curiosos podem ver na Bibliotheca Lusitana de Barbosa
Machado.
32. —G i l ou E g ii lio (B en to ). Trac­ Pégas he o mais fecundo dos Jurisconsultos Portu-
tatus de jure, et privilegiis honestatis, etc. guezes, e, como ta l, he a figura mais proeminente do
Lisbôa, 1618. 1 v o l. em folio. século em qne viveu.
Devemo* lastim ar que elle fallecesse ainda moço, sem
Direclorium Advocatorum, et de privile­ poder u ltim a r a obra dos C om. ás Ordenações.
giis eorum. L isb ôa, 1 6 1 3 . 1 vo l. em 8 o. Deve-se á Manoel Alvares Solano do V alle os copio­
Releclio in L eg . Tilice, 100 Dig. de con- sos índices que fez destas obras.
Joaquim da Silva Pereira fez o resumo ou Index dos
dict. etdemonst. Lisbôa, 1608. 1 vo l. em Alvarás, Cartas, Decretos, Fnrae-q Leis, privilégios,
folio. Provisões e Regimentos, etc., de que faz menção Pôgas
Comment, in L e g . ex hoc Jure, D ig . de na obra dos Com. Este trabalho íoi pnblieado em
Just, et Jure: hoc esl, de universa Conlrac- Coimbra, em 1786. 1 vol. em 16.
tuwmmateria. Lisb ôa, 1696. 1 vol. em folio.
Este celebre Jurisconsulto ho urn dos typos do per­ S É C U L O X V J I I.
feito Advogado,
Escreveo ainda outras obras, commentando differcu-
tes leis Romanas. 36. — G u e r r e i r o (D io g o .. . . C am a­
De munere Judieis Orpha-
cho de A b o y m ).
3 3 — D i a s (M an oel).Promptuarium Ju­ norum opus. obra d iv id id a em cinco T r a ­
ris. Lisbôa, 1 7 6 4 .1 vo l. em folio. —de inventario: —de Divisioni-
tados: I II
Este Jurisconsulto era Jesuíta, para cuja congregação bus: —de dalioneel obligatione Tutorum
III
entrou na Bahiá, depois de estudar em suas escolas,sen­ et Curalorum: —de rationibus reddendis,
IV
do no lim de sua vida R eitor do Collegio do Rio de
Janeiro.
distrahendisque: —de Processu civili et
V
Além do Prom ptuariumannotou aa obras dos Juris­ criminali. C oim bra e Lisbôa, 1 699 a 1735.
consultos Barbosa, Themudo, e PCgas. folio.
5 v o l. em
Os dous primeiros Tratados forão publicados em sua
34. — L e t t ã o ( M a n o e l R o drigu es). Tra­
vida, e os outros depois de fallecer.
tado analylicn e apologético sobre os Provi­ De privilegiis Familiarium Sanctae In-
mentos da Corôa de Portugal. Lisbôa 1715 quisitionis. C oim bra, 16 9 9. 1 v o l. em
e 1750. 1 vol. em folio. folio.
Foi esta obra publicada depois da morte do author,
quando a Còrte de Lisbôa,no tempo de 1). João V,estava
Tractalus de Recusationibus omnium
em luta com a Santa Sc. Esta no caso de oulras publi­ Judimm, oflktaliumque, etc. C o im b ra, 1699.
cada# nesta epocha, e com o mesmo fim. 1 v o l. em folio.
Decisiones et queestiones Forenses ah
35. — P è j s a B (M anoel A lv a re s ). Com- amplíssimo integerrimoque Portuensi Sena-
mentaria ad Ordinationes Regni Porlugal- tui decisai, partimexuratm, partim collecttv.
lice. Lisbôa, de 1669 a 1703 e 1 7 5 9 .1 5 v o l. L isb ôa, 1 7 3 8 . 1 v o l. em folio.
em folio.
O India gent doa cinco Tratados orphanologicos
Ostomos 13a U forão publicação posthuma organisada deste Jurisconsulto foi organisado por Manoel Alvares
pelo filho do author Luiz Pégas e B 6 jn ,q u e o s fez im­ Solano do Valle.
p rim ir em 1703. O tomo 15 se acha nas mesmas circums-
tancias, pois foi impresso em 1759 por diligencia de
Henrique da Silva e Araujo. 37. — llo r n e i (S ilv e stre Gom es de).
Com este additamento os Com. Tractatus de executionibus instrumenlorum
de Pegas alcancão o
tit. 45 do liv , 3 .
et sentenliarum. Lisbôa, 1706. 3 v o l. em
Resoluliones Forenses, praticahiles inqui- folio.
bus muUaquce in utroque Foro controversa A obra deste Jurisconsulto, tão recto quão diguo
quolidie versantur ubérrima legum, et Docto- Advogado, he uma das mais importantes que se publi­
rum allegatione resolvuntur. Lisboa, 16 6 8. carão neste século ; o anteriormente não ha nada qne,
no ponto por elle escolhido, se lhe avantaje. ’
7 v o l. em folio.
Os trez primeiros volumes desta obra forão impressos 38. — F e r r e ir a (M anoel A lv a re s ).
durante a vida do a uto r; os outros depois do seu falle*
De nororum operum wdificationibus, eo-
It
rum que mntiationibus, et adversus cons- em um e outro Juizo, ele. Lisboa, 1748
truere volentes ex alterius prrejudicium 1 v o l. e m 4 .°
Opus in sex libros distributum. P o rto .
1749. 2 v o l. em folio. ’ Apezar ae ser mui deficiente esta obra, teve não
50u,Coaeoe“ 1S0e*i 6 a ultim a que conhecemos tem a data
de 863 com as notas do Dez. Joaquim Raphael do
3 9 .— C o r d e i r o (Jo ão R o d rig u e s ). Valle. O juízo de M ello Freire he severissimo.
Dubitatiqnes in Foro frequentes, modo ju­ Dissertações Jurídicas sobre a intelligen-
rídico disputatm, et secundum jus nostrum cia de algumas Ordenações do Reino. L is -
resolutw et in multis fortusse nova illius bôa, 1756. 1 v o l. em 8 .°
intelligentia .O pus in cjuatuor partes d ivisim : O juízo do DemetrioModernohe m .is favorável á este
[—de Testamentis: 11—de Naturalium suc­ trabalho, prefenndo-o com razão ao Manual.
cessions : I I I —de jure EmpbyUuUco: I V
—de Inierdictis. C o im b ra, 1713. 1 vol. em 4 5 . — L i m a (A n to n io Telles L eitão de).
folio. Lommentaria ad artículos Gabellarum
0 D emetrio Modernohe severo no juízo que fez deste (Sizas),ac regimen incapitationum (Enca-
trabalho, que não deixa de te r merecimento, não obs­
tante as subtilezas e argúcias de sua argumentação.
.^Enme!ilto ^ Iie9niPoríugalliai,etc. Lisbôa,
1759. 1 v o l. em folio.

40. — B e n » F e r r e i r a ( A g o s t i n h o d e).
46. — B r e m e n (A n to n io Cortes). Uni­
Summa da Instituía com remissões ao Di­ verso Jurídico, ou Jurisprudência univer­
reito, de que se deduz as Ordenações com sal Canónica e Cesarea regulada pelas dis­
que se conforma, e doutrinas praticas. L is - posições de ambos os Direitos Commum,
íiôa, 17 3 9. 4 v o l. em 8 .°
e Pátrio, etc. Lisbôa, 1749. 1 vo l. em
Esta obra teve depois em 17Í6 outra edição em folio.
2 vols. em folio, mais correcta e addicionada pelo
author. Nao he obra de grande merecimento, e hem orea-
O Demetrio Moderno , em geral, tão áspero e parcial nisada.
nos seus juizos, he neste caso favoravel, elogiando a
traducção.
47. —P a iv a e P o n a (A n to n io de).
Orphanologia Pratica, em que se descreve
4 1 . — S o l a n o (M anoel A lv a re s ...........
do V a lle ) . Commentariaad Fodinarum re­ tudo o que respeita aos inventários, parti­
gimen, in quibus, quoo de fodinis necessária, lhas e mais dependencias depupillos. L is ­
alque utilia stint ai controversas foren­ bôa, 1 7 1 3 . 1 v o l. em 8 .»
ses, decidendas plane discutiuntur, mul- Depois da obra de Carvalho o pequeno mérito deste
trabalho acabou. Todavia no século passado teve duas
taque alia obiter explananlur, proutElen- edições,umaem 1759,com annotações deManoel Antonio
chus materiarum, enrumque Gnomologta Monteiro^ de Campos, e outra em 1761 pelo filho do au­
indicant. Lisbôa, 1739. 1 v o l. em folio. thor José de Bar ros Paiva MoraesPona.
Sua linguagem he reputada classica.
Cogilationes juridical, atque Forenses,
m quibus multa, quw in ulroque Foro con­
troversa quotidie versari possunt, miro or- 4 8 . — V a n g u e r v e ( A n to n io .............
dine absoluta apparent. Lisboa, 1739. 1 C abral). ProUca Judicial muito util e ne­
v o l. em folio. cessária para os que principiào os officios de
Sobro outros trabalhos deste Jurisconsulto, vide
julgar e advogar,e para lodos que sollicitão
supra os ns. 35 e 36. causas em um e outro Fôro. Lisbôa, 1712
e 1 7 2 7 .1 v o l. em folio.

42. — F ra n ç a (F elician o da C u nh a). Esta obra dividida em sete partes, obteve apezar
Additiones site annotaliones ad Emma- de sua inferioridade, seis edições sendo a ultima de
1843.
nuelis Mendes de Castro Praticam Lusi- Mello Freire eolloca esta obra na mesma posição que
tanam. Lisb ôa, 1755. 2 v o l. em folio, a de Gomes,
Esta obra pouco melhorou o trabalho de Mendes de
Castro.
49. — C a m p o s (M an oel A n to n io d e ....
Tractado pratico
Coelho da Costa F ranco ).
_ 4 3 . — F e r r e i r a (M anoel L o p es ). Pra­ jurídico, civil e criminal, dividido em
tica criminal expendida na forma dapraxe trez parles. Lisbôa, 1763 e 17 6 8. 2 v o l. em
observada neste nosso Reino de Portugal, folio.
e illustrada com muitas Ordenações, Leis lie trabalho mal organisado, por falta de methodo
extravagantes, Regimentos e Doutores. L is - e digestão das matérias.
bòa, 17 3 0. 4 v o l. em folio.

Esta obra, apezar de ser sem methodo, e mui con­ 50. - S i l v a P e r e i r a (Jeronym o da).
fusa, obteve outra edição em 1767 no Porto, segundo V id esupra os arts. 11 e 3 6 á pags. 4 0 e 42.
Dice. Bibl
affirm a Innocencio no .
Asprimeiras linhas doProcesso Criminal,de Pereira
Souza, a inutilisarão. 51. — L e i t ã o ( M a t h e u s H o m em ). DeJure
Lusitano in tres Tractatus. I — de Gra-
4 4 .— G o m e s (A lex a n d re C aetano}.— vaminibus: I I —de Securitatibus: I I I . — da
Manual Pratico Judicial, Civil e Criminal, Inquisitionibus. C oim bra, 1 6 4 5 . 1 vol. em
em que se descrevem os meios de processar folio.
L1I

Sebastião de Magalhães Brandão publicou em 1749


Rddições ou notas á esta obra; trabalho de que sómente 5 6 .— Q u l i i t e l l a (Ig n a c io da C osta).
apresentou um volume, promcttendodous. Bibliotheca Jurisconsultorum Lusitanorum,
in qua continentur illustrium Professorum
52. Conimbricensium scholia, Tractatus, et com-
— S i l v a ( M a n o e l Gonçalves d a). Com-
mentaria ad Ordinationes Regni Porlugallioe mentana ad Jus Civile, Canonicum et Re­
in quibus, dilucide singula; leges expla- giam, quw ad Commentariorum norrnam
nantur, ac enucleantur secundum Juris, ac rediguntur, etnotis accuratissimis illuslran-
P r a x is in utroque foro laico, et Ecclesias- tur. Lisbôa, 1 7 7 0 . 1 v o l. em folio.
tico tkeoricam, continuando scilicet exlibro O titu lo promeUe não pouco, mas o trabalho (icou
I I I tit. 13 ad perfxcimdum opus Commen- muito abaixo, e razão teve em sua apreciação o D tme-
tariorum ab Emmanuele Alvares Pegas edi- tno Moderno,
lum, usque ad lit. 12 lib. 3 . Lisbòa, 1731
ã 1 7 4 0 . 4 v o l. em 4 . ° 57 . — M o n t e i r o d e C a m p o s (José
R o b e rto ............... C oelho e S o u sa). V id e
Silva he o continuador de Pêgas nos Com.
ás Orde­ supra os n s . 2 4 e 4 2 á p ags. 41 e 43.
nações, e posto que inferior á este na elegancia do
estylo, fecundidade, e vasta erudição gosão seus tra­
balhos de justa apreciação. 58. —N o g u e ir a C o e lh o (F e lip p e
M ello Freire no § 118 scholio da sua Historia de Di­ José). Princípios do Direito Divino, Na­
reitoCivil Portuguez d iz : que ainda que Silva não se
tural, Publico universal e das Gentes adap­
possa comparar á Pêgas no conhecimento do D ireito
Pátrio e Romano, iguala-o quanto ao dos casosjulgados tados pelas Ordenações e Leis novissimus,
e outras cousas, sendo muitíssimo superior aos seus e tc . Lisboa, 1773 e 1 7 7 7 . 1 v o l.e m 8 ”.
continuadores Pantaleão de Araujo Neto e Guerra,
e Amaro Luiz de Lima.
Esta obra não desempenha o titu lo , e teve na ultimo
Silva morrêo quasi na mesma idade que Pêgas: os século duas edições.
seus Com. i
não passão do liv . t it . 35 pr.
Compõe-se de aziomas de D ireito, e brocardos e itra -
hidos das mesmas Ordenações e Leis publicadas até a-
quella data.
53. —G u e rra ( Pantaleão de A ra u jo
N eto e).Commentaria ad Ordinationes Por-
tugalliw Regni libri I V , in quibus omnia 59. — A lm e id a (Francisco d e ................
dilucidantur, resolvuntur, et explanantur. J ordão ). Arte legal para estudar a Ju­
Tom us p r im a s : in quo tractatur de em- risprudência, com a exposição dos tilulos
ptione, el vendilione, de procuraloribus, de da In s titu ía do Impei ador Justiniano,
factis sub arrhis contractibus, de consuetu- pelo licenciado Francisco Bermudez de
dme, et ejus rçquisilis, de arbilns, et ar- Pedraça, traduzida da lingua Castelhana,
bitratoribus, etlaudi reductions, hypothecis e accrescentada com varias addições utilís­
expressis, et tacitis, de excussione débito- simas, e um novo Appendix da origem
rum, et fideijussorum, de dote, et ejus privi- das leis de Portugal. Lisb ôa, 1 7 3 7 . 1 vol
em 4 o.
legiis, proescriptionibus, aliisque quwstioni-
busvariis. C o im b ra, 1 7 4 0 . 1 vol. em folio. Posto que não seja mui lisongeiro o juízo que faz
DemetrioModerno,
desta obra o he mui favoravel a apre­
Parece que a morte do author, ou outra circums- ciação de Mello Freire, e a do D r. Abranches na Bi-
tancia notável impedio que esta obra continuasse. bhothecadoAdvogado, á que subscreve Innocencio.
Os seus Com,, que Mello Freire colloca muito abaixo
aos de Silva, não passão do liv. 4 tit. 3 § . i 60. C r u z (Jo séFelipp e d a). Dissertação
sobre os deveres dos Juizes, com um com­
54. — L i m a (A m aro L u iz de). Commen- pendioso Tratado das violências publicas
taria ad Ordinationes Regni Portugallio), e particulares. L isb ô a,1 8 9 8 .1 v o l. em 8 '.
in quibus dilucide singula; Leges explanan­
tur, secundum Juris, ac Praxis in utroque 6 1 . — C o r r ê a d a S i l v a (L u iz Joa­
foro laico, et Ecclesiastico tkeoricam, con­ q u im ). V id e supra n. 1 à p a g . 3 9 .
tinuando scilicet ex lib. IV tit. 36 ad per-
ficiendum opus Commentariorum ad Emma­ 6 2 . — M a t t o » ( F r a n c i s c o X a v i e r de O li­
nuele Gonçalves da Silva, editorum usque v e ira ). V id e supra n. 2 á p ag . 39.
ad tit. 35 lib. IV. Lisbôa, 17 6 1. 1 vol
em folio. 63.— C o e lh o S a m p a i o (F ra n c is -
co............“ e Souza e ............... ) V id e supra o
Estes Com. so alcançarão ao tit. 79 § 3 do liv . IV e I n . 13 á pag. 4 5 .
o author não pôde continua-los, talvez por haver de­
pois fallecido.
Tanto Mello Freire como oDemttrioModernolhes são 6 4 . — R a m o s (João P e r e ir a ............ de
desfavoráveis em suas apreciações. A zered o C o u lin h o ). V id e supra
os ns 2 3 ,
11 e 12 á pags. 41 e 4 5 .
5 5 — S a n c h e s ( L u i z ..........de M ello ).
Tractatus in Induciis debitorum à credi- 65— L e m o o (D . Francisco d e ..
toribus suis, aliisque personis concedendis de F a n a P e re ira C o u lin h o ). V id e supra os
vel non; ad Justinianum Ccesarem in libro n s . 2 3 , l i e 12 à pags. 41 e 4 5 .
ultimo Cod. qui nobis cederepossint, et mu- 66— R e b e llo (B a rth o lo m eu Coelho
nicipales leges Regni Caslellce, et Lusitanice. Discurso sobre a inutilidade
I; e ves....... )■
M alaga, 16 4 2. I v o l. em 4o.
dos esponsae dos filhos, celebrados, sem
s
L !I!
0 cmsmtimento dos pais. Lisboa, 1 7 7 3 . i
»o i. cm o • SÉCULO X I X .

(José de......... da S ilvai V il!’ ( ^ n t°n io Caetano d o).


V id e supn o n . 12 à pag. 45 . Vide supra n . 17 à pag. 46.

7 2 .— C a r d o s o d a C o s t a (V icente
A 6 c 7 Ív í í ‘í 8 l , , m » ( J o s é .... Alvares J o s e F e rre ira ). V id esupra n . 3 2 ã pag. 46.
da S ilv a ). V id e supra
n. 14 à pag. 45 .
J1 /8l9 ,er1 vnl? Juni
o l. em 8 " .
EfnPhyl™t‘CÍ. C oim bra,
A,®9 ' ~ ~ (A n to n io Barnabè Analyse das theses de Direito Emphiteu-
1 « iji,“SP* 4ra«io1' ™* hco, que se defenderão na Universidade de
Coimbra, etc. C o im b ra, 1816. 1 v o l. em
70.—M e llo F r e i r e (Paschoal José
, • v R eys)- Hislorim Juris Civilis
Memória sobre a avaliação dos bens de
Lusitani. hber stngularis. Lisbôa, 1788 1 Prazo. L isb ôa, 1802. 1 v o l. em 4».
vol. em 4.° Quf \ e o Çodigo Civil ? Lisbôa, 1 8 2 2, e
R io de J a n e iro , 18 2 8. I v o l. em 4o.
O que he singular nesta H istoria, he que boa narle Explicação da arvore que representa o
das apreemçoesde Mello Freire sâó bebidas no Com Loaigo Civil Portuguez, etc. Lisbôa, 1822.
Triom o na Deduc^° Chronologic, e no Demc 1 v o l. em 4°.
Institulionum Juris Criminalis Lusitani. Memória Juridica sobre a applicacáo do
hber stngularis. L isb oa, 1719 1 vol disposto nas Ordenações do liv. 2 tit. 35 8 19
em 4 . " ' aos bens vagos, quando S. M. delles faz
merce antes de serem na Coroa incorpora­
do « « > 0 as Instituições de dos, real ou verbalmente. Lisbôa, 1820 1
n» fTni f ara o ™ai)dada8 adopt»r como C ompendio vo l. em 4 °.
Seiro dèTsò"ai e d e J 01m.bra P°r Alvará de 1G de Ja-
n tn 0rT e 1^®°» mu,t°depois de sua morte. Observações sobre a inUlligencia das Or­
cõ s deVl ire
çoesdeD h Í0rCriminal
ireiio A 'ljert0, d,e Sousa « » •»
dosannosde em8"
1844e a» Prelcc-
45 naquella
denações do livro V, em que se lê— m orte,
Universidade, adaptou-as ao Compendio de Mello Freire. — m orte n atu ral para sem pre, m orra p n r
eilo , e m o rra p o r isso. Lisbôa, 1801. 1 v o l.
Institulionum Juris Civilis Lusitani. em 4 °. de 17 paginas.
cum pubhch tum privaíi. Lisboa, 1789 â Não conhecemos este opusculo que menciona In n o -
1 7 9 4 .4 v o l. em 8». cencio no Dice. Bibl.
no a rt. respectivo.
Esta obra contem quatro livros assim distribuídos:
de Jure Publico: II—de Jure perscnarum III—de
:
Memonasobre Licitações. Lisboa, 1804.
JureRcrum; IV—deobligalionibus et actiunibus. Não podemos examinar esto trabalho do auctor, que
lid o 1d im 1- nas diffci'entes edições que até hoje tem o Catalogo do G abinete Portuguez enumera.
lido formão um corpo de 3, 5 e 6 volumes.
10 Ir e ir e publicou outras obras, e deixou iropor- 73 — R i b e i r o (João P edro). V id e su­
marnua';r l Pt?9’ c“ j ° s títulos pode-se ver no nosso pra ns. 2 2 á 2 7 á pags. 46.
Au^,l'iarJurídico a pag. 781 c seguintes.
Este Jurisconsulto he oprincipe da sua classe entre ^ 7 4 . — F r e i t a s (Joaquim Ignacio de).
os rortuguezes, maxime os do seu século, não obstante V id e supra ns. 4 , 2 0 e 21 á pags. 3 9 e 41.
as opimoes que professara em Religião e em Polilica.
o presente suas opiniões são recebidas com extremo 7S-— F i í» ie ir e d o ( J o s é A n a s t a c io d e ; .
respeito.
V id e supra ns. 18 à 21 â pags. 4 6 .
,i„I^!í <Sbra ^ 1 ue nl?s referimos podem-se lér os juízos 7 6 . — M o r a t o (José Corrêa de A ze v e ­
de ditierentes escriptoresá seu respeito.
Useu sobrinho Francisco Freire de Mello deu em do). V id e supra
n. 14 á p ag s .40.
ISO. e cm 1816 duas edições das obras supra menciona­ 77. - V l l l a n o v B P o r t u g a l (T h o -
das, acompanhadas de um índice alphabetico, edoElen-
ebo dos respectivoa titulos, capítulos eSS; alem de uma maz A n to n io de). V id e supra ns. 29 e 3 0 á
laboa de concordância das Ordenações Philippinas, Ma- pags. 4 6 .
noelinas, e AfFonsinas, e do elogio do author, por Fran-
C1Sí? ?,e 5 0r-la GarCSo Stockier, traduzido em Latim . 78. — !D e l g a d o (A n to n io .. . .da S ilva).
M ello fr e ir e he o ultim o Jurisconsulto que adoptou a
V id e supra ns. 25 e 2 6 â pag. 41.
ele^ncia ma n°8 SeUS escnptos’ e 0 fez com «ununa
79. — P e r e i r a e S o u s a (Joaquim Jo ­
Pronunciando-se emjmas obras como extremado Janse-
nista e (rallicano, forão postas no Index Romano
por sé Caetano). Primeiras Linhas sobre o
Civil de 7 de Janeiro de 1836 as InstituiçõesdeDireito Processo Criminal. Lisbôa 1785. 1 vol
em 8 o.
Seguindo estas Instituições
publicarão-se duas im ­
Mello Freire, que he tão parco em elogios, nãoduvidou
portantes obras. No Brazil o l) r . Lourenço Trig o de
JLoureiro. Em Portugal o D r. Antonio Ribeiro de Liz tecêl-os no prologo do seu DireitoCriminalá Pereba
Teixeira. e Souza; cuja obra antecede á de Mello Freire de irvz
annos.
Manoel de Almeida e Souza publicou em 1818 Notas O antigo D ireito C rim inal Portuguez he nas suas ri
criticas aos trez primeiros livros destas Instituições do cas notas copiosamente desenvolvido: e mostra que na-
DireitoCivil-, como se verá no artigo respcctivo ao mes­ quella epocha estava este Jurisconsulto mui senhor d a
mo Jurisconsulto. sciencia Criminal da Europa culta .
Estas mesmas Instituições forão traduzidas no Brazil Alem de um importante índice alphabetico, juntou o
pelos Bacharéis Francisco Pereira Freire, Manoe! Cor­ author o Repertono chronologico de toda a Legislação
rêa Lima, e José Nicolau Regueira Costa. Portuguesa sobre materiaCriminal desde o auno 1 i ::í
LJV

até 1818, e outro ín d ice alphabetico dos Regimentos phyteutico dos bens da Corôa, de Corpora­
promulgados pelos Reys de Portugal.
A melhor edição desia obra he a quarta do 183 1, or-
ções, e de outros Senhorios singulares.
ganisada por seu filho o D r. Francisco Joaquim Pereira Lisbòa. 18 2 5. 1 vol. em 8 o.
e Souza. Lisboa, 1802. 1 vol. em8o.
8 4 . — R iu n e s F r a n k lin (F ia n c is -
Classes de Crimes. Lisboa, 1802. 1 v o l, eo).Memória para servir de indice dos
em 8 o. Foraes das terras do Reino de Portugal,
Pode-se considerar esta obra, como appendice da pre­
eseus dominios. L isb o a, 1 8 2 5 . 1 vol.
cedente. A melhor edição lie de 1839. em 4o.

Primeiras Linhas sobre o Processo Civil. 85. — G o u v é n P in to (A n to n io Joa­


Lisboa, 1 8 . . . 4 v o l . em 8 o. q u im de).Tralado regular e pratico deTes-
Appendice á mesma obra. Lisboa, 1824
tamentos esuccessões, ou compendio metho-
,
á 1829. 4 vol. em 8o.
dico das principaes regras e princípios que
se podem deduzir das Leis teslamentarias,
Nesta obra organisada pelo filho do author já re fe ri­
do, se achão compiladas todas as Leis, Alvarás, Decre­
tanto paírias, como subsidiarias, illus-
tos, Provisões etc. citadas nas Primeiraslinhas, de 1363 tradas e acclaradas com as competentes
á 1764 . notas.Lisbòa, 1813. 1 v o l em 8 o.
lie esta producção a que mais honra lhe faz; e que
ainda hoje gosa de grande estimação tanto em Portugal, Sobre a materia, em l ’ ortuguez, he o trabalho mais
como no Brazil. importante que possuimos.
Não se sabe a epoclia em que publicou a prim eira No Brazil tem-se feito dessa obra duas edições : uma
edição. pelo Dr. Francisco M aria de Souza Furtado de Men­
Vide suprao n. 52 a pag. 44 ; e o que dissemos sobre donça ( editoresE. HLacmmert
& ); e outra pelo Dr. Tho-
este Jurisconsulto no AuxiliarJurídico. editor G, Guimarães
maz José Pinto de Cerqueira ( A. ),
as quaes andão em mão dos estudiosos.
80. — A l m e i d a e S > o n s » (i\Ia n o e l de). Manual de Appellações eAggravos, ou de-
Notas de uso pratico e criticas, addições e ducção systematica de prtncipios mais so-
remissões (a im ilação das de M u lle r á S tru - lidos e necessários relativos á sua materia,
v io ), sobre todos os títulos dos livros 1 , 2 e fundamentada nas Leis do Reino de Portu­
3 das Instituições do Direito Civil Lusi­ gal, etc. L isb òa, 1 8 1 3 . 1 vol.. em 8 o.
tano do Dr. 1‘aschoal José de Mello Frei­ Esta obra também teve no B razil uma edição, que he
re. Lisbòa, 1 8 1 8 á 1824. 4 vol. em 8 ». a terceira, consideravelmente accrescentada com toda a
A obras de Almeida e Souza, vulgarmente conhecido Legislação Brazileira, por um Bacharel Formado (cdjío-
por Lobão , umas publicadas em sua vida e outras depois res E II. Laemmert
& ) em 1846.
de sua morte, formão um corpo, com o índice Direc­
eo Memória sobre overdadeiro direito epra­
tors de 30 volumes era 8.°,e alguns grossos.
tica das Licitações. L isb òa, 18 2 1. 1 v o l.
Almeida e Souza he o Pêgasmoderno em fecundidade
e sciencia do D ire ito . em 8 ".
No nosso Auxiliar Jurídico
tem os leitores uma am ­
Exame critico e histórica sobre os direitos
pla e detalhada noticia de suas obras, assim como de
suas importantíssimas Dissertações. estabelecidos pela Legislação antiga e mo­
derna, tanto patria como subsidiaria, e das
81. — N o v a e s (Joaquim de A lm e i­
d a ... e Sousa). índice geral das obras de
Nações mais visinhas e cultas, relativamen­
Manoel de Almeida e Soma, de Lobão. L is ­ te aos Expostos ou Engeitados para servir
de base á um Regulamento geral adminis­
bòa, 1829. 1 vo l. em 8 o.
trativo,i a favor dos mesmos. Lisb òa, 1828.
Era filho do precedente, e o editor desvelado de 1 vol. em 8 o.
suas obras.
Neste genero he o melhor trabalho que possuimos.
82. —F u rta d o G a lv ã o (L u iz G u i­
lherm e P eres). Directorio das obras de gico Memória histórica ou catalogo chronolo-
Manoel de Almeida e Sousa, de Lobão. rios dos Escrivães da Puridade e Secretá­
Lisb òa, 1 8 3 7 . 2 v o l. em 8o.
do Rey ou Estados, que conste terem
servido nos differentes e legitimos reinados
83. — M e n e z e s (A lb erto Carlos áe).Pra­ da Monarchia Portuguesa. Lisbòa, 1833
tica dos Juízos Divisórios, ou formulários 1 v o l. em 8 o.
dos inventários, partilhas, contas, marca­
ções, tombos, e outros processossummarios. 86 . — P e r e i r a e S o m a (Francisco
Lisbòa, 1 8 1 9 .1 v o l. em 8 o. Joaquim ). Tratado sobre a Aposentadoria,
Esta obra tem tido varias edições, sendo a|ultim a em á que se ajuntão as Leis respectivas. Lisbòa
1810, com variante no titu lo. 1 8 1 8 .1 vo l. em 8 o.
Pratica dos Tombos c medições, mar­ Erao filho do grande Jurisconsulto Pereirac Sousa ',
cações dos bens da Coroa, Fazenda Real, mas seu verdadeiro mérito consiste em haver publi­
cado edições correctas das obras de seu Pai.e dos ma-
bens das Ordens Militares, ou Commen- nuscriptos que deixou.
Em razão deste interesse filial sahirão á luz o A
das, Morgados, Capellas, etc. Lisbòa, 1819. otce ppcn-
1 vol. em 8o. as Linhas Civis, e o Esboço do DiccionarioJurídico.
sua memória he pois grata aos Juristas.
Esta obra tem mais uma edição em 1843, com va­
riante lio titu lo. He considerada segunda parte da 87. —G o rd o (Joaquim José F e rre ira ).
precedente.
Fontes próximas da Compilação Philippi-
Plano de reforma de Foraes, Direitos ba- na, ou índice das Ordenações do Codigo
naes, fundado em um novo systema em- Manuelino e Leis extravagantes, de que pro-
LV
ximamente se derivou. e tc .,L isb ò a , 1792 e
1829. . 9 1 -— F e r r e i » - » B o r g e a (José). Ju-
ispjudencia do contracto mercantil de So­
Todo o trabalho deste Jurisconsulto, conhecido nor
ciedade segundo a Legislação, e arestos dos
Monsenhor Gordo, se acha contemplado nesta edição
por baixo de cada § das Ordenações. Çodigos e Tnbunaes das Nações í
tas da Europa, Londres, 1 8 3 0 .1 vo l. em 8 »
8 8 .— A n o n y m o . Synopsis do Co- Synopsis juridica do Contracto de Cam-
digo do Processo Civil conforme as Leis e Jr L i inai, ltT°rl ■vuh armente denominado
estylos actuaes do Foro Portuguez. Paris Contiaclo de Risco. Londres, 1820 1 vol
1825. l v o l em 1 2 . em 8 o ’ > vu l-

8 9 - — P e n i * (José Ig n a c io da R o ­
Instituições de Direito Cambial Portu-
ch a ). Elementos de Pratica ou breves en­
yue- com referencia ds Leis, Ordenações e
saios sobre a praxe do Foro Portuguez, costumes das principaes praças da Europa
escriptosno anno lectivode 1807 para 1808.’ i Vo™em 8 “Í,0 S Fambio. Londres, 1825.
L isb ôa, 1 8 1 6 . 1 v o l. em S».
Commentarios sobre a Legislação Portu­
0 trabalho que deixou 1'eniz sobre o nosso Processo
Civil he incomplete ; mas o pouco que possuímos revela
gueza acerca ie Avarias. Londres, 1825
1 v o l. em 8 o.
o talento e sciencia daquelle Jurisconsulto.
Deve-se a publicação desta e da seguinte obra aos Commentarios sobre a Legislação Portu-
cuidados de seu irmão Vicente Ignacio da Gosta Peniz. gueza acerca e Seguros marítimos. Lisbôa,
Breve historia critica m qual se mostra 184-1,1 vo l. em 8 S.
como e quando os fíeys de Portugal adqui­ Allegação Juridico-Commercial sobre a
rirão a prerogaliva de nomearem Bispos clausula—livre de Avaria no contracto de
de seus Reinos. L is b ô a , 1813. 1 vol. em 8n. risco; na causa e d favor de Manoel José
Este trabalho saliio impresso no Jornal de Coimbra de Oliveira contra Isidoro de Almeida e
n. !3 . tdnos; publicado p o r um amigo do Corn-
m e m o . Lisbôa, 1828. 1 v o l. em 8 o.
9 0 . — S i l v a L i s b ô a (José da). Prin­
Vide supra o n. S3 á pag. u.
cípios de Direito Mercantil e Leis da Ma­ i J t e^ Aeuaf isconmho Commerculista he o au-
rinha, para uso da mocidade Portugueza, tor do Codigo do Commercio Portuguez.
dedicada ao Commercio; divididos em
oito Tratados elementares, contendo ares- 9 2 .— C a r v a lh o (José P ereira de). Pri­
pectiva Legislação Palria, e indicando as meiras Linhas sobre o Processo orphanolo-
fontes originaes dos Regulamentos maríti­ gico. Lisbôa, 1 8 1 6 . 2 a edição. 1 v o l. em 8".
mos dasprincipaes praças de Europa, e tc. Ignoramos a data da prim eira edição. Possuímos a
Lisbôa, 1801 a 1818. 2 vol. em folio. terceira de 1833 pelo autor ainda organisáda, e a
sexta corrigida, melhorada e augmeutada com a L e ­
Depois dos irmãos Azeredos Cóutinhos lie Silva Lis- gislação orphanologica do Brazil, pelo D r. José Afaria
boa, o prim eiro Brazileiro, que se assignala no cultivo rrcderico de Souza Pinto, publicada em 18S1
da Jurisprudência: e, na especialidade á que se dedi- ■Estas Primeiras Linhas , diz o mesmo Doutor Ião cêdo
,sò teve por predecessor á Pedro de Smtarem , co­ roubado as letras, são de classica repulação nos T ri-
nhecido na Jurisprudência por Pedro Sanierna , sendo bunaes, e entre os Jurisconsultos do Brazil e de Portugal
sua obra a prim eira que se publicou em Portuguez. constituindo uma obra prima no sou genero, e riva-
M uito deve o Brazil á este grande cidadão, que mor­ lisantlo com as Primeiras Linhas sobreoProcesso Civil
:—ViscondedeCayrú.
reu titu la r por Pereira e Souza.»
Sobre o merecimento de sua obra, e sua importân­
cia e actualidade limitamo-nos a c ila r o que diz Inno-
cencio no Dice. Bibl . no art. que lhe respeita, e naui co­
n 93- ~ ® o r «'es C a r n e ir o (M an oel).
piamos: LHmto Civil de Portugal contendo trez li­
* S® nas primeiras cinco partes da obra (diz um bom vros : I —das pessoas: I I —das cousas: I I I
entendedor) pouco haveria ainda agora que accrescen- —das obrigações e acções. Lisbôa, 1828 e
tar, nao assim nas ultimas trez, em queascircumstancias 1848. 4 vo l. em 8 °.
variando notavelmente de então para ca, tôem tornado
antiquadas certas ópinjões do author, que elle abando­ Os trez primeiros volumes desta obra, que infeliz-
naria de certo, se em tempos mais recentes houvesse mente nao foi terminada, se publicarão entre 1826 e
de rever o seu trabalho. 1828 . O 4o volume sahio a luz posthunio, em 1847
«Nota-se-lhe também o silencio absoluto que guardou graças ao zelo de Emygdio da Costa, da Associaçãodos
na matéria de quebras e bancas*ôtas. Advogados de Lisbôa.
« Entretanto, e a apesar dessas faltas e defeitos, a Desta obra houve outra edição em i858, em 4 tomos
obra he um deposito de todos os princípios e noções de em 8.U
JJ ire ito 'le rc a n til, princípios noções que conservão na . Borges Carneiro he um dos mais proeminentes J u ­
actualidade o mesmo interesse que lográra na epochada risconsultos Portuguezzes deste século.
sua publicação ; e será sempre necessária para consulta supra
Vide os ns. 43 á 48 á pag. 43.
e estudos de todos os que procurão interessar-se na Ju­
risprudência Commercial. i 9 4 .— C o r r ê a T elleg i (José H o m e m ).
k He um monumento txtraordinario de erudição Ju ­
rídica e philantropica, que inscrevfio o nome do author
Theoria da interpretação das Leis, e ensaios
no livro de ouro destinado á im m ortalidade» sobre a natureza do Censo consignativo.
Lisbôa, 1815. 1 v o l. e rn 8 °.
Regras da Praça ou bases do Regula­ Contemplamos este trabalho no nosso Auxiliar Ju­
mento Commercial conforme aos novos rídico, dando delle uma nova edição.
CodigoS' de Commercio de França e Hespa- Doutrina das Acções, accomodada ao F ó -
nha, e á Legislação palria, etc!, pelo V is ­ ro de Portugal. Lisb ôa, 1 8 4 5 . 1 v o l. em 8 °.
conde de C ayiU (José da Silva Lisboa).
Esta obra teve em Portugal trez edições, e no Brazil
Rio de J a n e iro , 1832. 1 v o l. em 8 .» não menos de trez, com dilíerentes additamentos.
LV1

Duas sob a direcçíodo Dr. José Maria Frederico de 9 5 — F e rn a n d e s » Thom az (M a ­


Souza Pinlo no intervallo de 1846 a 1865, e a terceira
ou sexta nesse anuo sob a direcção do Dr. Joaquim Observances sobre o discurso que es­
n oel).
José Pereira da Silva Ramos. creveu Manoel de AImeida eSousa em favor
Addicções a Doutrina das Âcções com seu dos Direitos dominicaes da Coroa, Dona­
appendice contendo diversas regras do Di­ tários e particulares. C o im b ra, 1 8 1 4 .1 vo l.
reito Civil porordem alphabetical e notas em 4 ..*
ás Leis do Registro hypothecario. C oim bra, Vide suprao n . 37 a pag. 43.
18 4 5. 1 v o l. em 8 o.
Commentario critico a Lei da boa razão 9 6 . — C o e lh o d a R o e l i a (M anoel
em data de 18 de Agosto de 176 9; e discur­ A n to n io ). Instituições de DircitoCivil Por­
so sobre a equidade, para servir de supple­ tuguez para uso de seus discípulos. C o im ­
ment ao preambulo desta lei. Lisbôa, 1824. b ra , 1 8 4 8 .2 v o l. em 8 o.
1 v o l. em 8 o. Ile um dos mais bellos trabalhos que neste século
se tem publicado sobre o nosso D ireito C ivil. Aqui
Contemplamos este opusculo no nosso Auxiliar Ju­ se encontra concisão e elegancia na exposição, cla­
rídico, dando uma nova edição, que com as de P ortugal reza e senso jurídico ,
lie terceira. A lli addicionamos também as Regras da A superioridade do author nesta obra, desapparece no
interpretaçãodos Contractos de Potbier, pelo autor tra ­ seu EnsaioHistorico, que fica notado no n. 8 a pag. 45.
duzidas.

Manual doTabelliào ou ensaio de Juris­ C ap v a lh o (B ernardo José de).


97. —
prudência eurematica, contendo a collecção Tratado theorico epratico sobre os Tombos,
de minutas dos contractos, instrumentos modo de se levantar as plantas, oucartas
mais usuaes, etc. Lisboa, 1 8 1 9 . 1 v o l. topographicas de terrenos sem maior ap-
em 8 o. paratu de Engenharia. C o im b ra, 1 8 2 7. 1
Esta obra teve depois em Portugal differentes vo l. cm 8 o. grande.
edições.
No Brazil o Sr. José Marcellino Pereira de Vascon- 98. — L ls e T e ix e ir a (A n to n io R ib e iro
cellos, refazendo este trabalho segundo as necessi­
dades do nosso Foro,publicou em 18(i4 uma nova e d i­
de).Curso de Direito Civil Portuguez, ou
ção do Manual de Corrôa Telles, denominando o seu Commentario ás Instituições do Sr. Pas-
novíssimo. choal José de Mello Freire sobre o mesmo
O C atalogode Laeinmert aponta um opusculo in titu ­ Direito C oim bra, 1845 e 1848. 3 v o l. em
lado— A ddições ao AfanuaJ do Tabelliáo, por F . V. da 8 o. I a. e 2 a. edição.
S. B., que não conhecemos.
lie trabalho im portante, mas inferior ao de Coelho
Digesto Portuguez ou tratado dos direi­ da Rocha.
tos e obrigações civis accommodado as
99. — L o b a to ( Raym undo F e lip p e ).
Leis e costumes da Nacão Portuqueza.
Lisbôa, 1 8 3 5 . 3 v o l. e m ’8 o. Princípios ou primeiras noções de Direito
Desta obra tem havido em Portugal quatro edições.
Positivo. M ara n h ã o , 1828. i vo l. em 8 o.
O autor desta obra era natural do Maranhão, e fal*
Manual do Processo Civil: supplement leceu Dezembargador da rcspectiva Relação.
ao Digesto Portuguez. L isb ôa, 1 8 4 2 . 1 vol.
em 8 o. 100. — N a z a re th (Francisco José
Elementos do Processo Criminal,
D u arte).
Desta obra publicarão-se tre i edições. No Brazil tem
ella prestado pouca utilidade. para uso de seus discípulos. C o im b ra , 1844.
1 v o l. em 8 °.
Formulário de Libellos e petições sum- Elementos do Processo Civil para uso
marias a imitação do Formulário de Gre­ de seus discípulos. C oim bra, 1850. 1 vol.
gorio Martins Caminha accommodado á em 8 o.
nova reforma de 21 de Maio de 1 8 5 1 . C o­
1 0 1 . —S o u s a P i n t o (B asilio A lb e rto
im b ra , 18 4 3. 1 v o l. em 8 o.
de). Lições de Direito Criminal feitas no
Esta obra também tem tido em Portugal mais de
uma edição. E lla foi incluída na ultim a edição da
anno lectivo de 1S 44 e 1845 e adaptadas
Doutrina das Acçr>es, aqui publicada. ás Instituições d$ Direito Criminal Por­
Tratado das obrigações pessoaes e recipro­ re, tuguez do Sr. Paschoal José de Mello Frei­
cas nos pactos, contractos, convenções, etc. que redigidas
Couto e
por Francisco de Albuquer­
Lopo José Dias de Carvalho,
que se fazem á respeito de fazendas, de di­
nheiros, segundo as regras do fôro da cons­ estudantes do 5 o anno de Direito. C o im b ra,
ciência e do fôro externo, por Mr. Potlder. 1 8 5 0 .1 v o l. em 8 o.
T ra d u zid o da edição de M r . B e rn a rd i, com Possuímos a edição de Pernambuco de 1847, que so
diz mais corrocta que a de Coimbra.
as addições da Legislação Portugueza feita
pelo tradu cto r. Lisbôa," 18 3 5. 2 vol. em 8 o. 102. —S a r a i v a d e C a r v a lh o (O ví­
Desta obra só existe uma edição. Considerações sobre a Legis­
d io . .. e S ilv a ).
Questões e varias resoluções de Direito lação Civil e Criminal du Império do Bra­
emphyteutic: obra poslhum a e mandada zil, e le . R io de Jan eiro , 1837. 2 vo l. em 8 °.
p u b licar p o r sua íilh a , com um ind ice a l­ Este Jurisconsulto era natural de Piauliy, e não do
p h a b e t ic las m atérias p o r José R ib e iro Hio de Janeiro como suppãe Innocencio.

R osado. C o im b ra , 1 8 5 1 . 1 v o l. em 4 °. 103. —A n o n y m o . Pecúlio de autos e


LVH
tem os eiveis e crimes, form alidades de se
exh aturem do Processo sentenças. carias e a agrieuUwa em Portugal.
qualquer outro titu lo ju d ic ia l; 'organisacão
Lisboa, 1814. 1 vol. em 8o.
cios autos em acçao cível o rd in á ria , e em
109.—J u l i ã o «la C o s ta (Antonio).
livram entos crimes. Lisboa, 182-2 1 vol
em 4.° ’ Systerna da lei sobre Seguros m arítim os
etc. pelo Juiz A lla n Parch, Traduzido do
tngiez da sétima edição. Liverpool, 1822.
, * * a l (A- X. deBarros). 2 vol. em8o. ’
Collecçao dos Accordãos que contém m atéria
legislativa proferidos pelo Supremo T ribu - L lO .- B a p tis ta P e r e ir a a o s é Ber-
n a l de JuUiea, desde a epocha da sua in s-
tallaçao. Lisboa, 1859. 2 vol. em8." c n m h a í'' ' ' Y de ^ lmeidaJ- dissertação
analyíica sobre a Legislação p ra tica o r-
phanologica. Rio de janeiro, 1824 1 vol
C a S Z S S e r " '• M. em 4.°

105.—M o r a c s C a r v a l h o (Alberto i A r o u c h e (José............ de To-


Antunio de). Praxe Forense ou Directorio edo Rendon). Elementos de Processo C ivil,
I icthco do Processo C ivil B rasileiro confor- pi ecedidos de mstrucções para os Juízes Mu-
me a actual Legislação do Império. Rio de mcipaes com annnlações rem issivas,eexpli-
Janeiro, 1850. 2 vol. em 8.° grande. ca tvas acompanhadas da Legislação B ra -
zileirci novíssima sobre a m a te ria f S . Pau-
se pubHcou'no*Brazil^11 ^ 1 vol. em 8o (opusculo).
Trabalho pouco suceuiento.
Observações sobre a p rim e ira parle cio
projecto do Codigo C ivil Português do Exm.
í>r. Conselheiro Antonio Lu iz de Seabra. , r í “i , e (Francisco).
n i/mçoes do Direito C ivil Lusitano, tanto
Lisbòa, 1857. 1 vol. em 8o. grande.
d . v n coJ.no.Pa rh c u lu r, por Paschoal José
Resposta á p rim e ira AposlUlâ do S r. An­ „ Mello Freire, traduzidas do L a tim pelo
tonio L u iz de Seabra. Lisboa, 1801. 1 vol Bacharel etc. Pernambuco, 1834. 1 vol
em 8o. em 8.°
Resposta a segunda Apostilla do Sr. An­
tonio Lu iz de Seabra, Lisboa, 1863 1 vol terreím ^*™ ».^*- nloan?°? 8611161110 os livros segundo a
em 8o. ' g gVj y ’ ma8 nao conclu.0 este, pois não passou do tit:

O autor foi outr'ora Advogado nesta Cnrle, e publi­ ..J ?111 f e,1'llaml,llco houve outra edição em 1848 ac-
cou também em 184 í- um índice alphabetico das Leis do Uvro'seffundo0!»-a ®umas notas- Mas esta não passou do
,, ** ern continuação ao Repertório ijeral de Manoel o segundo. Iguoru-se quem seja o autor dessas notas.
í r n "Flrtadõ.03’ h0je i“toiranlento osfl‘"--cido pelo
113.—C °rs *è a L i m a (Manoel). Ins­
Vida supra n. G3 á pag. Í.Í. tituições do Direito C iv il Lu sitan o , tanto
publico como p a rtic u la r, por Paschoal
106.—S o u z a P in « o (José Maria Fre­ Jose de M ello F reire, traduzidas do Latim
derico de). Prim eiras Linhas sobre o Pro- pelo estudante do 4» anno da Academia do’
ÇÇ? C ivil B ra z ile iro . Rio de Janeiro, Ulincla, etc. Pernambuco, 1839.1 vol .em 8.°
18o5. 5 vol. em 8.°
Esta tratluççao he continuação da precedente; e co-
O autor, distinoto Advogado como ora, publicou t í t 5°^ ° 1V' ^ *'*' 8 S 1 L acaba no fim do liv . 40
alem deste trabalho, que be importante, duas edições
la obra de Jose Pereira de Carvalho sobro o Processo O tradnctor omittio no seu trabalho os tits. 9 e 10
Urphanologico, e também duas da Doutrina das Accõcs que Iralao dos Morgados e Capellas, por entender nuò
de Corrêa Telles. eraouiuteis em consequência da publicação da Lei de
b de Outubro de 183o, que appresson a morte daquel-
Eserevfo também um Curso de Direito Cambial Brasi­ las instituições. H
leiro, segundo o actual Codigo Commercial, de que não
damos roais detalhada noticia por ser materia estranha
*i este trabalho. 1 1 4 . —R e g u e i r a C o s ta (José N i-
coláu). Instituições de D ireito C ivil L u si­
tano, tanto publico como p a rtic u la r, por
107.—S o a r e s (Caetano Alberto). Me-
Paschoal José de Mello F reire, traduzidas
m o n a sobre o casamento como contracto
ao L a tim pelo Bacharel Form ado etc
c iv il, formação, e estabilidade e direitos
Pernambuco, 1839. 1 vol. em8.°
da fa m ília . Rio de Janeiro, 1848. 1 vol.
em 8o, grande. He continuação da precedente a presente traducção.
Começa no t i t s d o liv . 4o e vai até o fim das lu«-
O autor, que era Ecclesiastico, fez no nosso Fôro fugúez63 J<i D lre ,toC ,vil do famoso Jurisconsulto Por-
lig u ra proeminente. Infelizmente pouco M o ao prelo.

108—E s t e v e s t le C a r v a l h o (Vi­ 1 1 5 . —T r i g o d e L o u r e i r o (L o u -
cente Antonio). Observações históricas e renço). Instituições de D ire ito C iv il B ra -
critica s sobre a nossa Legislação a g raria zileiro exlrahidas das Instituições de D irei­
chamada com mu m mente das Sesmarias. to C ivil Lusitano do exim io Jurisconsulto
Lisboa, 1815.1 vol. em 8.“ Portuguez Paschoal José de Mello F reire
na parte compatível com as instituições da
Progressos da Emphyteuse, e sua in~ nossa Cidade , e augmentadas nos lugares
OltD, 8
LVlIl
competentes com a substancia das Leis Bra­ mais perfeito, claro e importante de todas
sileiras. Pernam buco, 1 8 5 1 . 2 v o l. em 8 .° as atlribuições que estão a cargo destas au­
Esta obra, sem duvida de reconhecida utilidade, e
toridades,‘etc. etc. R io de J a n e iro , 1 8 5 9 .
que muito honra o autor, já obteve maia duas edições 2 v o l. em 8 o.
em 1857 e em 1861; mas o autor fazendo-lhe grandes Canhenho dos Depositários Públicos, ou
melhoramentos, alterou o titu lo , limitando-o^ tão so­
mente—as Instituições de D ireito Civil Brazileiro.
Collecção dos Alvarás,Leis, Avisos, e Regu­
Elementos da theuria e pratica do Pro­ lamentos destes
publicados d cerca das obrigações
funccionarios. V ic to r ia , 1 8 6 2 . 1 v o l.
cesso. P ernam bu co , 1850. 1 v o l. em 8 .° em 16 (ópusculo).
116 — M a i a (José A n to n io da S ilv a ). Regimento das Custas Judiciarias: edição
Apontamentos de Legislação, para uso dos correcta com todos os A viso s, L e is e O r ­
Procuradores da Corôa e Fazenda Na­ dens que tem explicado a m a te ria até o
cional. R io de Janeiro, 1 8 5 0 . 1 v o l. presente (Agosto de 18 6 2). R io de J a n e iro ,
em 12. 1 8 6 2 . l v o l . em 8 o (opusculo).
Memória da origem, progressos e deca­ Novíssimo Manual dos Tabelliães ou Col­
dência do quinto do ouro na Provinda lecção dos actos, atlribuições diversas destes
de Minas-Geraes. R io de J a n e iro , 1 8 2 7 . 1 Funccionarios, contendo a collecção das
v o l. em 8 . “ minutas de contractos e instrumentos os
O autor que foi pur longos annos Procurador da mais usuaes, das cautelas m ais precisas nos
Corôa no B razil publicou outros trabalhos sobre Le­
gislação moderna financeira que, por não interessarem
Contractos, testamentos,etc. R io de J a n e iro ,
it esta obra, deixamos de aqui contemplar. 18 6 4. 1 v o l. em 8 o.

1 1 7 . — P a u l a B a p t i s t a (Francisco). V id esupraon. 6 i á pag. 44.


Compendio da Theoria e Pratica do Proces­ Província O author destas obras, Advogado provisionado da
so Civil para uso das Faculdades de Direito escriptoresdodeEspirito Santo, he hum dos mais fecundos
Jurisprudência que temos tid o de 20
do Império. R io de Janeiro, 1 8 5 7 . 1 v o l. annos para cá; principalm ente em materia eurema-
em 8 o. tica e de pratica, a que se tem dedicado.
Não mencionamos as outras obras que tem produ­
Não conhecemos a prim eira edição, que provável- zido, por que não dizem respeito á esta publicação.
mente foi impressa em Pernambuco.
H g . — V a l l e (Joaquim R aph ael d o). Ad- 1 2 0 . — G a l v ã o (M ig u e l A rc h a n g e lo ).
dicionamento ao Manual Pratico, em que se Dizima da Chancellaria. Reflexões sobre a
apontão as mudanças introduzidas pela Le­ historia e Legislação desta renda e sua ar­
gislação e pratica actual. Lisbòa, 1 8 4 5 . 1 recadação até 1 855 e 1 8 5 6, e Legislação que
v o l. em 8 o.
regula a sua applicação e percepção. R io de
Jan eiro , 1858. 1 vo l. em 8 o. {opusculo).
Não conhecemos este trabalho, e o notamos somen­
te para completar esta Btbliographia de D ire ito C ivil
Pátrio; pOBto que, pelo que indica o titulo,esta produc- 121. — S u s a n o (L u iz da S ilv a A lv e s
ção aproveitaria ma is á Portugal do que á nós.
Este author também publicou em 1842 uma Classifi­ de A za m b u ja ). Repertório das Leis, Regu­
caçãogeral daLegislação PoríuguesadesdeoCodigoPhi- lamentos e ordens da Fazenda para servir
lippino: divididaemreinados,ramos legislativos, matérias de guia díodos os Administradores, Thezou-
eartigos, com earns oòseruaçães. reiros, Colleclores, Juizes, etc. etc. R io de
1 1 9 .— V a s c o n e e l l o i » (José M a r c e lli- J a n e iro , 1 8 5 4 . 2 v o l. em 8 o.
no P e re ira d e). Manual do Leigo em maté­
ria civile criminal, ou apontamentos sobre Codigo das Leis e regulamentos orphano-
legislação, e assumptos forenses. R io de logicos, com todas as Leis, decretos,etc. etc.
Jan eiro , 1855. 1 v o l. em 8 o. R io de Ja n e iro , 1 8 4 7 . l v o l . em 8 o.
Artenova de requerer em Juizo, conten­ Vide supra o n. 58 á pag. 44.
do uma grande e preciosa copia de formas
122. — T r i n d a d e (José M a ria d a). Ins­
de petições para mais dc cento e cincoenta
casos diversos, eiveis e crimes, seguida de tituições do Direito Publico Eeclesiástico,
formulários de despachos e sentenças, etc. circa Sacra, por Xa vier Gmeiner, traduzi­
R io de Janeiro , 1 8 5 5 . 1 v o l. em 8 . °
das e acompanhadas de algumas notas para
Livro das terras, ou collecção de Leis, illustraçáo do escripto do author. R e c ife ,
regulamentos e ordens, expedidas á respei­ 1 8 4 9 . 1 v o l . em 8 o (opusculo).
to desta matéria até o presente, e tc. R io de Compilação de todas as disposições sobre
Janeiro, 1 8 5 6 . 1 vol. em 8 o. o aforamento dos terrenos de Marinha do
Publicou n ota edição em I860.
Brazil, desde 1820 até 1 8 5 3 , illustrada com
um indice alphabetico. R e c ife , 1 8 5 4 . 1 v o l.
Guia pratica do Povo no foro civil e cri­ em 8 o ( opusculo) .
me Brazileiro: contendo o primeiro um for­ Collecção de apontamentos jurídicos sobre
mulário de libellos e petições summarias, á as Procurações extra-judiciaes, seguida da
imitação do formulário de Caminha; e o se­ recopilação das decisões do Governo, acerca
gundo um pecúlio de autos e termos civis e das mesmas Procurações. P e rn a m b u c o ,
eriminaes, etc. etc. R io de Ja n e iro , 1 8 5 7 . 1 8 5 5 . 1 v o l. em 8 o.
2 v o l. em 8 o. He a mais avantajada producção do author, da qual
Nova Guia Iheorica e pratica dos Juízes já deu nesta Gòrte, segunda edição em 1862, mui
Municipaes e de Orphaõs, ou Compendio o accrescentada.
L IX

123. —Sobrei r» (Emilio Xavier..... 128. —P im e n ta B u e n o (José A n ­


de Mello’) . Commentario á Legislação Bra- Apontamentos sobre asformalidades
to n io ).
zileira sobre os bens dos defunctos e ausen­ do Processo Civil. R io de Jan eiro , 1850.
tes, ragos e do evento. Rio de Janeiro, 1859. 1 v o l. em 8 o.
1 v o l. em 1 2 . Em 1858 publicou o author outra edição muito aug-
A este trabalho está annexo um Appendice,em que o mentada desta notável obra.
author expõe a ordem e gráos das successões ab intes- Direito internacional privado e applica-
tado. ção de seus princípios com referencia ds
1 2 4 . — Nabnco (José P au lo d e F ig u e i- leis particulares do Brazil. R io de Jan eiro ,
Guia dos Juizes dos
ròa...... de Araujo). 1863. 1 v o l. em 8 .°
Orpháos, Tutores e Curadores, e de todos os O author, dislinctissimo Jurisconsulto, hoje titu la r—•
Escrivães. Rio de Janeiro, 1833. 1 vol. Visconde de S. Vicente , tem publicado outras obras es­
tranhas á esta Bibliographia, e por isso aqui não as
em 8o. contemplamos.
Guia ou novo Manual dos Colledores e Direito Publico Brazi*
Sobresahe entre todas o seu—
Colledados. Rio de Janeiro, 1835. 1 vol. leiro, eanalysedaConstituiçãodo Império.
em 8o. 129. —R ib a s (A n to n io Jo aq u im ). Vide
Estes trabalhos estão muito abaixo do mérito deste supra o n . 1 0 ápag . 45.
Jurisconsulto. Alem da obra que já acima notamos, tern o douto
Vide supra na. 30 e 32 á pag. 42. Professor publicado outra sobre o Direito A d m in istra ti­
vo Brazileiro que, por não se prender a materia
125. — Cordeiro (Carlos Antonio).desta Bibliographia, não a registramos aqui.
Abecedario Jurídico ou Collecção de princí­
pios, regras, maximas e axiomas de Direito 130. — Teixeira de Freitas (A u ­
divino, natural, publico, das gentes, civil, gusto). Consolidação das Leis Civis (pu ­
etc. Rio de Janeiro, 1856. 1 vol. em 8o. blicação autorisadá pelo G o vern o ). R io de
J a n e iro , 1858. 1 v o l. em 8 o grande.
Antes desta publicação, outra menos importante
havia dadoá luz em 1850, sob o titu lo — C ollecçãode Em 1865 publicou-se outra edição mais augmen-
princípios, regrascaxiomas, deDireito divino, natural, tada.
civil, etc. E ra um pequeno opusculo, no formato de 16, Esta obra lie a prim eira, e a mais importante, que se
com 120 paginas. tem publicado no Brazil em materia de Jurisprudência
C ivil. . „ . ,
Assessor Forense ou formulário de todas Aqui se encontra além da concisão, e elegancia de es-
as acções eiveis, precedido da formula dos tylo, ordem e senso jurídico tão difficeis de achar nos es-
criptos sobre assumpto tão espinhoso; e amplo e pro­
processos por locação de serviços, e seguido fundo conhecimento do nosso D ireito. Se nossa palavra
dos processos dc conciliação que cabem na fosse authorisada, e reconhecida nossa competência, ou­
alçada, etc. Rio Janeiro, 1868.1 vol. em 8". saríamos denominar o author o CujacioBrazileiro.
Teixeira de Freitas he author do Projectodo Codigo
Além deste Form ulário publicou o autor outro para CivilBrazileiro ; producção tão rica de saber e de e.xpe-
criminal.
0 processo riencia, que por si só revela a vastidão dc conhecimen­
tos dessa grande e bella intelligencia.
Consultor civil acerca de todas as acções, Consolidação A servio de pródromo para o trabalho do
seguidas no Foro Civil, segundo o systema Projecto do Codigo C ivil.
adaptado por Corrêa Telles, em sua obra Nova Apostilla á censura do Sr. Alberto
intitulada—Manual do Processo Civil, com Antonio de Moraes Carvalho sobre o pro­
as suppressões, alterações e accrescimos jecto do Codigo Civil Portugucz. R io de Ja­
exigidos pela Legislação, estylos e pratica n e iro , 1859. 1 v o l. em 8 o.
do foro Brasileiro. Rio de Janeiro, 1863.
Este opusculo parecendo ser uma critica do projecto
1 vol. em 8o. do Codigo Civil Portuguez, lie lambem uma justiBca-
He o Assessor Forense melhorado, mas com novo ção do systema adoptado na obra do author.
editor.
Como este Consultor,
publicou o author outros sob os Codigo Civil. Esboço. R io de Jan eiro ,
títulos de orphanologico, commercial e criminal,
com o 1860 e 1861. 2 v o l. em 8 o.
mesmo formato, no anno de 1864. Este magno trabalho, ainda quando não sejaadopjado
Director do Juízo de Paz ou formulário como Lei do Paiz, até porque hoje, diflerentes jàsaoas
ideas do author, será sempre considerado como um dos
de todas as acções e mais incidentes, que se monumentos da Jurisprudência Patria.
dão nesse Juizo com toda a Legislação res­
pective, elo. etc. llio de Janeiro, 1864. 131. —Rebouças (A n to n io P e re ira ).
1 vol. em 8o. A’ Consolidação dàs Leis Civis, segunda
He hum Form ulário como os precedentes com outro edição augmentada pelo Dr. Augusto Tei­
titu lo. xeira de Freitas. Observações do Advogado
Conselheiro Antonio Pereira Rebouças, con­
126.—« le s u iu o (Manoel...... Ferreira). firmando e ampliando as da primeiia
Regimento das Custas Judiciaes, approrado edição. R io de Janeiro , 1 8 6 7 . 1 v o l. em 8 o.
pelo Dec.n. 1569— de 3 de Março de 1855,
augmentado com as decisões do Governo. As Observações do Conselheiro Rebouças são indispen­
Rio de Janeiro, 1864. 1 vol. em 12. sáveis á quem possue e estuda a Consolidação de Tei­
xeira de Freitas.
lie um certamen calmo, cheio de saber e de cortesia,
127. —Macedo Soares (A. J. de).entre dons grandes vultos da nossa Jurisprudência.
Regimento dos Distribuidores do^ Geral. Os cultores da scion cia não perdem seu tempo no
Rio de Janeiro, 1868. 1 vol. cm 16. exame destas polemicas.
LX

He para sentir que am Jurisconsulto como Reboa­ de Castro Tavares). Instituições de Direito
ras, possuindo tão hello talento, o tantos dotes ju ríd i­ Publico, Ecclesiasiico, precedidas de uma
cos se limitasse á rica amostra que possuímos, introduccão, em que se explicão os funda­
13-2. —S ilv a R. » mios (Jo a q u im José
mentos da Revelação Chrislã, etc. Recife,
Curso de Direito hypothecano 1856. 2 vol. em 8 \
P e re ira da).
Brazileiro ou compilação de tudo oquemais mesma
, Esta obra não passou (la introducção, 0 nem essa
fui concluída. A morte do author, parece, que
convém saber sobre tão importante matéria, privou o Paiz de trabalho de não vu lg a r merecimento.
etc. etc. R io d e Ja n e iro , 1866. i vo l. em 8 o. lnnocencío confunde este escriptor com o author do
Apontamentos jurídicos sobre Contractos. Compendio de D ireito Ecclesiasiico, irmão deste, o D r.
Joronytno Y ille la de Castro Tavares.
R io de Janeiro, 1868. 1 vo l. em 8 °.
Regulamento do imposto do bello e de 138. —G » *n » L o l» o (O v id io da). índice
sua arrecadação, mandado executar pelo De­ alphabetic das Leis, Decretos e a visos rela­
creto cie 26 de"Dezembro de 1860, etc. R io de tivos á incompatibilidade na acnimulaçào
Janeiro, 1 8 6 4 . 1 v o l. em 1 6 . dos cargos e empregos públicos. Maranhão,
0 author,um dos mats fecundos e intelligentes escnp- 1862. 1 vol. cm 12.
lores jurídicos de nossa epoelia, tem publicado outros Me trabalho curioso ede utilidade.
trabalhos, que não comportão no nosso quadro, e por
isso não os contemplamos aqui. 139. — Moura (Antonio Ribeiro de).
A elle também sc deve a ultima edição da Doutrina
Manual do edificante, do proprietário e do
das Acções dc Corrôa Tclles, revista, melhorada orga-
nisada conforme a ultim a Legislação Brazileira ate 1865. inquilino, ou novo Tratado dos direitos
e.obrigações sobre a edificação de cazas c
1 3 3 . — P e s ' e i r a O l i v e i r a (L u iz da acerca do arrendamento ou aluguel das
S ilv a ). Privilégios da Nobreza c Fidalguia mesmas, conforme o Direito Romano, Pátrio
de Portugal. L is b ô a ,1 8 0 6 .1 v o l. em 8 o. e uso das Nações, seguido da exposição das
acções judiciaes que compelem ao edificante,
134. — B e i j a (João R ern ard o d e ) . Tract,a-
ao proprietário, e ao inquilino. Rio de Ja­
do Jurídico de Pravos, escripto segundo a
Legislação vigente á morte de El-Rey D. neiro, 1858. lv o l.e m 8 °.
João IV, e tc .,p u b lic a d o por J . R . dc F a ria 140. —R a i i i a l l t o (Joaquim Ignacio).
G uim arães. P o rto , 1849. 1 v o l. em 8 o. Pratica Civil cCommercial. Rio deJaneiro,
grande. ( opusculo). 1861. 1 vol. em 8o. grande.
Tratado Jurídico de Vínculos, escripto 0 rlistincto Professor publicou nova edição desta obra
segundo a Legislação vigente no dia cm que ! em 1868, sob o titu lo de PraxeBrazileira, consideravel­
El-Rey D. João VI deixou de ser compa­ mente augmentada mas Ião somente om relação a parte
nheiro dos Portuguezes, indo morar na Civil. Em materia de Pratica Civil lie o trabalho de rnais
náu ingleza Windsor-Castle, em 1834. vulto que tom escripto Jurisconsultos Brasileiros.
L is b ô a , 18 5 4. 1 v o l. e m 8 o. grande. ( opus­ Também deu áluz os E lementos doProcessoCriminal,
que não tem o alcance das precedentes.
culo).
Tratado jurídico das pessoas honradas, 141. —S e a lir a (AntonioLuiz de). A pro­
escripto segundo a Legislação vigente á priedade Philosophic^ do Direito : para ser­
morte de El-Rey D. João VI. Lisbôa, vir deintroducção ao Commentariosobre as
1 8 5 7 . 1 v o l, em 8 o. Leis dos Foraes. Coimbra, 1850.1 vol. em
135. — M o n t e (D . M anoel d o . . . . R o 8o.
­ grande.
Elementos dc Direito
drigues de A ra u jo ). Esto Jurisconsulto lie o author do Codigo Cioil Por­
tuguês, liojo em observância em P o rtu g a l: 11aseco nesta
Ecclesiasiico publico e particular,em relação Còrteem 17%, e lie hoje titu la r : — Visconde dc Seabra.
á disciplina geral da Igreja, com applicação Em defesa do sou Codigo publicou ainda o seguinte ;
aos usos da Igreja do Brazil. R io de Ja ­ Novíssima Apostilla em resposta á dia­
n e ir o , 1857 . 3 v o l. em 8 o. tribe do Sr. Augusto Teixeira de Freitas,
Trabalho de elevado merecimento em que o author contra o projecto do Codigo Civil Porluguez.
patenteia,aléin do outros dotes, melliodo e muita clare- Lisboa, 1862. 1 vol. em8o.
sa na exposição da doutrina.
lnfelizmente a sagrada Congregação do Index Ro­ 142. —R e n r i q u e s í-iece® (Antonio
mano condemnou-o no anno de 186'),mas com a benévola
form ula —Doneecorrigatur. Luiz de Sousa). Manual de Orphanologia
Nós esperamos que o Episcopado Brazileiro faça pratica. Coimbra, 1850. 1 vol. em 8o.
expurgar as obras desta luminosa intelligenciacios erros
Este escriptor também ali publicou um Manual Histó­
de doutrina, que nellas existem.
rico do Direito Romano, dividido emtrezparles ; obra
mais estimada que a precedente. Não a conhecemos.
136. — 1T a v a r e s (M a n o e l.................. da
S ilv a ).Manual Ecclesiasiico ou collecção 143. —C o r o a íá (José Prospero Jeho­
de formulas para qualquer pessoa eedesias- vah da Silva). O Vademecum Forense. Rio
tica ou secular poder regular-se nos nego­ de Janeiro, 1866. 1 vol. em 8o.
cias que tiver a tratar no fôro, gracioso nu Mc um FormulárioCivil, que não deixa de ter u tili­
livre, e contencioso dalqreja. S. L u iz , 1860. dade.
1 v o l . em 8 o. 144. —L e y v a (Antonio Joaquim Fer­
Ile obra em que author mostra qpurado estudo e co­ reira d’Eça e). Memórias theoricas e pra­
nhecimento da materia.
ticas do Direito Orphanologico. Porto, 1846.
137 — J o i H i u i n i V ile lln ( ............ 1 vol. em8o.
1X1

145. - f u m a r a L e n i (Luiz Francis­ Publicou outra edição em 1862, maís correcta e ac-

co da). Apontamentos sobre suspeições e crescenlada.


Alem desta obra deu ao prélo em 1869 trabalho mais
recusações no Judiciário e. administrati­ importante intitula d o : — Processo administrativo no
vo, e sobre o impedimento por suspeição no ThesouroNacional, etc. t vol. em 8<>.
serviço simultâneo dos funcionários paren­ 152. — C a r v a l h o M o r e i r a (Fran­
tes nii semelhai tes. Rio de Janeiro, 1863. cisco Ignaciode). Da Revisão geral e codi/i-
1 \ o l. em 8o. cação das Leis civis e doprocesso no Brazil.
(memória). Rio de Janeiro, 1846. 1 vol.
146. — P e r d i g ã o M a l h e i r o (Agos­
em 8. (opusculo).
tinh o Marques). Commentaria á Lei n. 463
0 seu author lie hoje um titu la r — 0 B arão doPenédo.
— de2 deSelembro deiSVI sobre asuccessão Publicou ainda outra M emóriaem 18-18 intitulada : Do
dos fúhos naturaes e sua filiação, llio de Suprem o Tribuna l deJustiça, suaco m po sição, organisação,
Janeiro, 1857. 1 vol. cm 8o. c competência.
Manual do Procurador dos Feitos daFa- 153. — A n o n y m o . Pecúlio do Pro­
senda Nacional nos Juízos de primeira Ins­ curador de Segunda Instancia, ou collecçáo
tancia. Rio de Janeiro, 1859. 1 vol. em contendo a Lei da creação do Supremo Tri­
8°. grande. bunal de Justiça e os Regulamentos das Re­
A Escravidão no Brazil. Ensaio historico lações; Tribunaes do Commercio, Dizima,
juridico-social. Rio de Janeiro, 1859. 1 Ferias, publicadas, addiccionadas de notas
vol. em 8o. indicativas das Leis, Decretose Avizos publi­
Todas estas importantes M onographtas exhibem ta­ cados até 1866, que lhessão relativos, por um
lento, applicaçao, c grande sonima de conhecimentos. Bacharel. Bahia, 1867.1 vol . em8o(opusculo).
Os cultores da Jurisprudência Patria ainda muito es-
perão da penna do illustrado Jurisconsulto. 154. —Barro» (José Maurício Fernan­
des Pereira de....... ). Apontamentos de Di­
147. —V i l e l l a T a v a r e s (Jeronymo reito Financeiro Brazileiro. Rio de Janeiro,
.... de Castro...... ). Compendio de Direito
Eeclesiástico. Recife, 1853. 1 vol. em 8o. 1855. 1 vol. em 8".
Quando as obras sobre Finanças não são puramente
O author foi muito cedo arrebatado pela morte á Ju­ tac?, ese prendem por alguma face ao D ireito C ivil,
risprudência Patria, e á que especialmente cultivava. contemplamos nesta Bibliographia. Este interessante
trabalho acha-se neste caso.
148.—Íli6ii»|»« s (Joaquim José de..... da
Costa de Medeiros e Albuquerque). Deflexões 155. - P a r a n a g u á (João Lustosa da
sobre o ensino e estudo de Direito, seguidas ) . Reforma Hypolhecaria.
C u n h a ............
d’algumas regras sobre o modo de sustentar Projectos e pareceres mandados colligir pelo
thesesem aclns públicospor Dupin, traduzi­ Conselheiro.... enleio Ministro da Justiça.
das, annotadas, e acompanhadas de outros Rio de Janeiro, 1860. 1 vol.em 8o. grande.
artigos sabre o mesmo assumpto. Recife, 156. —Silva rosta (José da). Estudo
1868. 1 vol. em8o. ( opusculu) . historico sobre asatisfação do damno causa­
He trabalho interessante, em que o author mostra es­
tudo, meditação e conhccimpnto do ensino do D ireito
do pelo delido. Rio de Janeiro, 1867. 1 vol.
entre nós. em 8o.
A these defendida pelo autor he de D ireito C rim inal:
149. - C a m a r g o (Joaquim Augusto mas,prendendu-se por uma de suas faces ao D ireito Civil,
entendemos dever contemplar aqui esta curiosa e inte­
de). Apontamentos sobre a marcha dos Pro­ ressante Memória.
cessos summarissimns e executivos. Rio de
Janeiro, 1864. 1 vol em 8o. 157. — S e ix a s (Romualdo Antunio de).
Ensaio de um tratado regular e pratico sobre
150 — A q u i n o (Olegano Herculano o divorcio segundo o Direito Synodal, Ca-
de....... e Castro). Praticadas Correições ou nonico, e Civil Brazileiro, contendo o For­
commentario ao Regula ento de 2 de Ou­ mulário das acçõesrespectiyas e notas pro­
tubro de 1851; comprehendendo as Leis, veitosas ao assumpto. Bahia, 1867. 1 vol.
Decretos, decisões, consultas do Conselho em 8o grande.
de Estado, julgamentos dos Tribunaes su­ lie um trabalho de utilidade, e cuja falta se sentia,
periores, Avisos, Ordens, instrucções c Por­
tarias que até hoje. se tem expedido, expli­ 158. —Anonymo. Apanhamenlo de
cando.| ampliando ou alterando as dispo­ Decisões sobre questões da liberdade, publi­
sições relativas aos aclos e uttnbuições cadas em diversos periódicos Forenses da
civis e eriminaes dos Juízes de Direito. Rio Curte, feito pelo Bacharel J . P . «*• da b . I».
laneiro, 1862. 1 vol. em 8o. Bahia, 1867. 1 vol. 8o [opusculo).
Importante monographia ju rid ica , que bem demonstra O trabalho he dividido em questões, não eicedcndo o
i cultivada intellig e n ce do author, e os estudos que numero a 26. lie curioso, e tem utilidade.
em feito na sciencia do Direito.
Nenhum Juiz de D ireito pode dispensar este Manual. 159 — V e i g a (Didtnto Agapitoda). Ma­
nual das custas do Processo, contendo o Re­
151. — A r n a j o e S i l v a (Luiz Ferrei- gimento de 3 de Março de 1855, e a Legisla­
ra (] e ............... ). Roteiro dos Colleclores, di­
vidido em trez partes, etc. Rio de Janeiro, rão relativa, etc. Rio de Janeiro e Parts,
I 1868. 1 vol. em 12,
1853.1 vol. em 8.
Lxn
tema: distribuirão a materia alphabeticamente, meio
NOVAS PUBLICAÇÕES. nroprio de fa cilita r a consulta.
Um dedicou-se ao estudo das decisões do Governo ;
outro ao das dos Tribunaes. Ambos mostrarão laborioso
160 —llotta (José ( l a . . . de A zevedo estudo e intelligencia; e suas elucubrações são um va­
Relatorio geral e synlhetico dos
C o rrêa ). lioso auxiliar para os cultores do D ireito Pátrio.
Avisos do Ministério da Justiça, explican­ 1 6 2 . — Lafayette (.. . .. . . R odrigues
do disposições de DireitoCivil, Commercial, P e re ira ). Direitos de Familia. R io de Ja­
Criminal e Orphanologico desde a glorio­ n eiro , 1869. 1 vol. em 8 o g rand e, etc.
sa epochada Independência alè o presente.
Estamos em presença do uma notável Monogra-
R io de Janeiro e Paris, 1869 . 2 vol. em 8 o. phia. He o melhor trabalho que, de alguns annos á esta
parte, tem publicado Jurisconsultos Brazileiros.
161.— D f w f r a (Manoel da S ilv a ). Juris­ Rcune-se aqui lucidez na exposição das questões, es-
prudência dos Tribunaes compilada dos ac- lylo correcto, methodo, c sobre tudo senso ju ríd ic o ; do­
tes raros na exhibição e desenvolvimento destas maté­
cordãos dos Tribunaes superiores publicados rias, de ordinário áridas.
desde 1841. R io de Janeiro e P a riz, 1869. Deve-se entretanto lamentar que um talento tão v i­
3 v o l. em 8 o. goroso pareça afastar-se das doutrinas da Ig re ja , em
assumpto de casamentos, e aliás tratando dos Vireitosda
Nestas duas obras os autores seguirão o mesmo sys- Familia.

JORNAES E REVISTAS.

anno de sua existência, e nem ao 30 numero. Foi seu re­


ESTRANGEIROS.
dactor o fallccido Escrivão João Getulio Monteiro de
Mendonça.
1. — Jornal de Coimbra.
Bem que sob este nome, era publicado em Lisboa, e
7 .—Chronica do Fôro. R evista de J u ris p ru ­
lendo começado em 1812, terminou em 1820. 16 vol. dência e d eb atesju d iciaes: do R io de Janeiro.
em 8o. Este jorn a l principiou em 5 de Janeiro 1859, sendo
Contem alguns artigos de Jurisprudência, curiosos e seu redactor o D r. Bernardo Teixeira de Moraes
de interesse real. Leite Velho.
2. — Gazêtu dos Tribunaes: de Lisboa. Pouco durou; tendo-se o redactor ausentado para
Portugal. Parece que não se publicou no anno de I860.
Começou no I o de Outubro de IS II .lie u m a colleeção
importantíssima, e mui valioso auxiliar em qualquer O programma destes jornaes de ephemera e obscura
dos ramos da Jurisprudência. existência consislia em publicar as actas das Sessões
dos Tribunals, e suas decisões. Raros artigos de dou­
NACIONAES. trina, e alguns annuncios judiciários. Não tin hão in ­
dices. O melhor foi o primeiro.
,3.—Gazeta dos Tribunaes, dos Juizos As Reoistas de Jurisprudência Jurídica
e , parece que
e factos judiciaes do Fôro e da Jurispru­ acabarão de uma vez com elles.
dência : do R io de Jan eiro . 8 . — Revista de Jurisprudencia e de Le­
Começou em 10 de Janeiro de 1843, c era redigida gislação, sob a direcção do In s titu to da
pelo Conselheiro Francisco Alberto Teixeira de Aragão O rdem dos Advogados B ra zile iro s .
e oulros.
Fallecendo o redactor terminou a Gazeta
em 1846, Começou em Janeiro de 1862. lie interessante, mas
em A b ril ou Maio desse anno. inielizmente não tem sido regular; maxiine depois que
Reapparecêo depois de 1849 sob a redacção do Con­ deixou de ser adm inistrada pelo D r. Luiz Alvares de
selheiro Gustavo Adolpho de A guilar Pantoja, e do Dr. Azevedo Macedo.
Bernardo Teixeira de Moraes Leite Velho, sob a admi­
nistração de Antonio Manoel Cordeiro. Mas sob esla nova
í).— Revista Jurídica.
phase, pelo que nos consta, não passou do anno de 1854. Começou a sua existência em S. Paulo em 1862 sob
a direcção do D r. José da Silva Costa, quando estu­
4 .— Nova Gazeta dos Tribunaes: do R io dante do 5° anno, com a collaboração do D r. José Car­
do Janeiro . los Rodrigues, então estudante do 3o anno.
Voltando para aCòrte os dous Redactores, continuarão
Menos importante que a precedente e, pois, pouco
a sua obra em 1865, mas hoje sómente está á cargo do
durou.
prim eiro.
Esta Gazeta começou em 8 de Julho de 1818, e não
O seu programma he tratar da Doutrina, da Legisla­
passou do mez de Janeiro (29) de 1819. Não tinha re-
dactores ostensivos, e era administrada por Antonio ção, da Jurisprudência, ou pratica do D ireito, e critica
das obras Jurídicas.
Manoel Cordeiro.
Em 1867 soffreu uma interrupção pela ausência do
3. —Gazela Judiciaria. Jurisprudência redactor,
e mas hoje continua desempenhando satis-
factoriamente o programma adoptado, que aliás he tam ­
debates ju d ic iá r io s : do R io de Janeiro.
bém o da precedente Revista.
Fundou-a Henrique Augusto Frederico Leal em 23 de
Novembro de 1852, e não passou do mez de Junho de Recorremos a estes Repositories todas as vezes que o
1854. podemos fazer, e nem sempre forão infructiferos os es­
En» 7 de Setembro de 1831 restabeleceu-a Francisco forços que empregamos, no interesse de explicar ou jus­
Pedro de Arbues daSilva Moniz e Ábrõu, intitulando-a tificar um texto do Codigo que publicamos.
Jornal forense, litterario, recreativo e noticioso. Acabou Para tornar mais completa a presente Bibliographia
em 15 de Outubro de 1862, em razão de fallecer o re­ incluímos algumas obras que não forão citadas nesta
dactor. obra, mas essas são em diminuto numero.
6 .—Gazêta Forense. Jornal de D ire ito ,
I*- S.— Por erro ou lapso typographic se 16 non 12
Ju risprud ência e Legislaçào : do R io de Ja­ da pag. xi desta Bibliographia que a primeira edição
n e iro . das Ordenações impressa sob a direcção da Universidade
de Coimbra, fòra a fiel reproducção da ultimaVicentina
Esta publicação começou em 20 Agosto de 1857, e de 1747, devendo dizer-se da quintaou sexta Vicentina
pouco durou, pois parece que não passou ao segundo de 1727.
o r d e n a ç õ e s p h il ip p in a s

COMPILADORES :

PEDHO B A R B O SA
PAULO AFFONSO
JO R G E D E G ABÈDO
DAMIÃO DE AGUIAR

REVISORES :

MELCHIOR DO AMARAL
JORGE DE C A B Ê D O
DIOGO D A FONSECA
D A M IÃ O D E A G U IA R
HENRIQUE DE SOUZA

d e z e m b a r g a d o r f .s d o paço.
LX

He nara sentir que urn Jurisconsulto eomoRebou- Instituições de Direito


de Castro Tavares).
Publico, Ecclesiaslico, precedidas de uma
ç,s possuindo tão hello talento, o tantos dotes ju ríd i­
introducção, em que se explicão os funda­
cos se limitasse á rica amostra que possuímos.

132.—S i l v a R a m o s (Joaquim José mentos da Revelação Christã, ele. Recife,


Pereira da). Curso de Direito hypothecario 1856. 2 vol. em 8°’.
Brazileiro, ou compilação de tudo oquemais mesma
Esta obra não passou da introducção, e nem essa
convém saber sobre tão importante matei ia, privou ofuiPaiz
concluída. A morte do author, parece, que
de trabalho de não vulgar merecimento.
etc. etc. Rio de Janeiro, 1866.1 vol. em 8o. Innoccncio confunde este escriptor com o author no
Apontamentos jurídicos sobre Contractos. C ompendio de Direito Ecclesiaslico, irmão deste, o D r.
Jeronymo V ille la do Castro Tavares.
Rio de Janeiro, 1868. 1 vol. em 8o.
Regulamento do imposto do bello e de 138.—G a m a L o l i o (Ovidio da). índice
sua arrecadação, mandado execular pelo De- alphabetico das Leis, Decretos e avisos rela­
ereto de 26de Dezembro de 1860, etc.liio dc tivos d incompatibilidade na acrumulação
.Janeiro, 1864. 1 vol. em 16. dos cargos e empregos públicos. Maranhão,
O author,um dos mais fecundos e intelligentes escrip- 1862. 1 vol. em 12.
lores jurídicos de nossa epoclia, tem publicado outros lie trabalho curioso ede utilidade.
trabalhos, que não comportão no nosso quadro, o por
isso não os contemplamos aqui. 139 — M o u r a (Antonio Ribeiro de).
A Doutrina Manual do edificante, do proprietário e do
A elle também se deve a u ltim a edição r
das Accões dc Corrêa Telles, revista, melhorada e( orga-
inquilino, ou novo Tratado dos direitos
nisada conforme a ultim a Legislação Brazileira ate 1865.
e. obrigações sobre a edificação de cazas e
133.—Pereira Oliveira (Luiz da acerca do arrendamento ou aluguel das
Silva). Privilégios da Nobreza c Fidalguia mesmas, conforme o Direito Romano, Pátrio
de Portugal. Lisbòa, 1806.1 vol. em 8o. e uso das Nações, seguido da exposição das
134. —B e ja (João Bernardo de). 7'mela­
acções judiciâes que competem ao edificante,
do Jurídico de Prasos, escriplo segundo a ao proprietário, e ao inquilino. Rio de Ja­
neiro, 1858. 1 vol. em 8o.
Legislação vigente á morte de El-Rey fí.
João IV, etc.,publicado por J . R. de Fatia 110 —R a n i a l l i o (Joaquim Ignacio).
Guimarães. Porto, 1849. 1 vol. em 8o. Pratica Civil eCommercial. Rio de Janeiro,
grande. (opusculo) . 1861. 1 vol. em 8o. grande.
Tratado Jurídico de Vínculos, escriplo 1 0 distincto Professor publicou nova edição desta obra
segundou Legislação vigente no dia em que em 1868, sob o titulo de PraxeBrasileira, consideravel­
E\-Rey D. João Í’I deixou de ser compa­ mente augmentada mas tão somente om relação a parte
nheiro dos Portugueses, indo morar na C ivil. Em materia de Pratica Civil lio o trabalho de mais
náu inglesa Windsor-Caslle, em 1824. vulto que tem escripto Jurisconsultos Hraziieiros.
Lisbòa, 1834. 1 vol. em8o. grande, (opus­ Também deu a luz os E lementos doProcessoCriminal,
que não tem o alcance (las precedentes.
culo) .
Tratado jurídico das pessoas honradas, 141.—S e a l» ra ( Antonio Luiz de). Apro­
escripto segundo a Legislação vigente á priedade Philosophicu do Direito : para ser­
morte de iil-Rey D. João VI. Lisbòa, vir deintroducção ao Commcntariosobre as
1857. 1 vol. em 8o. Leis dos Foraes. Coimbra, 1850.1 vol. em
135. —Monte (D. Manoel d o .... Ro­8o. grande.
drigues de Araujo). Elementos de Direito tugEsto Jurisconsulto he o author do C odigo Civil Por­
uês, hoje em observância em P o rtu g al: nascèo nesta
Ecclesiaslico publico e particular,em relaçao '.-—Visconde dc Seabra.
Côrtoem 1196, e he hoje titu la r
d disciplina geral da Igreja, com applicação Em defesa do seu Codigo publicou ainda o seguinte :
aos usos da Igreja do Brazil. Rio de Ja­ Novíssima Apostilla cm resposta á dia­
neiro, 1857. 3 vol. em 8o. tribe do Sr. Augusto Teixeira de Freitas,
Trabalho de elevado merecimento em que o author contra o projecto do Codigo Civil Portuguez.
patenteia,além do outros dotes, melliodo e muita clare- Lisboa, 1862. 1 vol. etn8°.
sa na exposição da doutrina.
infelizmente a sagrada Congregação do índex Ro­ 142.—H e n r iq u e s & e c e ® (Antonio
mano condemnou-o no anno de 1 8 0 ,mas corn a benevola
Luiz de Sousa). Manual de Orphanologia
furm ula—Doneecorrigatur.
Nós esperamos que o Episcopado Brazileiro faça pratica. Coimbra, 1850. 1 vol. em 8o.
expurgar as obras desta luminosa intelligenciados erros Este escriptor também ali publicou um Manual Histó­
de doutrina, que nellas existem. rico do Direito Romano, dividido cmtrezparles; obra
mais estimada que a precedente. Não a conhecemos.
136.—'T avares (Manoel.................da
Silva). Manual Ecclesiaslico ou collecção 113.—C o r o a íA (José Prospero Jeho­
de formulaspara qualquer pessôa ecclesias- vah da Silva). O Vademecum Forense. Rio
tica ou secular poder regular-se nos negó­ de Janeiro, 1866. 1 vol. em 8o.
cios que tiver a tratar no furo, gracioso ou IIc um FormulárioCivil, que não deixa de ter u tili­
livre, e contencioso dalareja.S. Luiz, 1860. dade.
1 Vol. em 8o. 144.—(L e y v a (Antonio Joaquim Fer­
He obra em que author mostra qpurado estudo e co­ reira d’Eça c). Memórias theoricas e pra­
nhecimento da materia. ticas do Direito Orphanologico. Porto, 1846.
1 3 7 .— Joaquim Vilelln ( 1 vol. em8o.
LX1

145 —Camara Leal (L u iz F ra n c is ­ Publicou outra edição em 1862, maia correcta e ac-
co d a ). Apontamentos sobre suspeiçôes e crescentacla.
Alem desta obra deu ao prélo em 1869 trabalho maia
recusações no Judiciário e administrati­ importante intitula d o : — Processo administrativo no
vo, e sobre o impedimento por suspeição no ThesouroNacional, etc. 1 vol. em 8°.
serviço simultâneo dos funcionarias paren­ 152. — Carvalho Moreira ( F r a n ­
tes ou semelha’ les. R io de Janeiro, 18 6 3. cisco Ignacio d e). Da Revisão geral e codifi­
1 \ o l . em 8 o. cação das Leis civis e doprocesso no Brazil.
(m em ó ria). R io dc Janeiro , 1846. 1 v o l.
1 4 6 .— Perdigão MalSieiro (A gos­
em 8 . {opusculo).
tin h o M arq u e s ).Commcnlario d Lei n.463
O seu author lie hoje um titu la r—o liarão doPenedo.
— de2 deSctembro sobre asuccessdo Publicou
d c l8 4 7 ainda outra M emóriaem 18-5-8 intitulada : Do
dos filhos naturae e sua filiação.
s R io de SupremoTribunal deJustiça, suacomposição, organisaçào,
J a n e iro , 18-37. 1 v o l. cm 8 o. ecompetência.
Manual do Procurador dos Feitos da Fa­ 153. — Anonyino. Pecúlio do Pro­
zenda Nacional nos Juízos de primeira Ins­ curador de Segunda instancia, ou collecçãu
tancia. R io de Janeiro , 1 8 5 9 . 1 v o l. em contendo a Lei dacreaçào do Supremo Tri­
8°. g ran d e. bunal de Justiça e os Regulamentos das Re­
A Escravidão no Brazil. Ensaio historico lações; Tribunaes do Commercio, Dizima,
juridico-social. R io de Janeiro, 1 8 5 9 . 1 Ferias, publicadas, addiccionadas de notas
vol. em 8o. indicativas das Leis, Decrelose Avizos publi­
Todos estas importantes M onographim eihibem ta­ cados até 1866, que lhessão relativos, por u m
lento, applicação, c grande somroa do conhecimentos. B acharel. B ahia, 1 8 6 7 .1 v o l. em 8 o (opusculo).
Os cnltores da Jurisprudência 1’atria ainda m uito es-
perãoda penna do illustrado Jurisconsulto. 154. —Barro» (José M a u ríc io F ern a n ­
147. — Vilellw Tavares (Jeronym o
des P ereira d e ......... ). Apontamentos de Di­
. . . . de C astro ........ ). Compendio de Direito reito Financeiro Brasileiro,
R io de Janeiro,
18 5 5. 1 v o l. em 8 ".
Eeclesiástico. R ecife, 1853. 1 v o l. em 8 o.
Quando as obras sobre Finanças não são puramente
O author foi muito cedo arrebatado pela morte à Ju­ tac?,ese prendem por alguma face ao D ireito Civil,
risprudência Patria, c á que especialmente cultivava. contemplamos nesta Bibliographia. Este interessante
trabalho acha-se neste caso.
1 4 8 . — Campas (Joaquim José d e ....... da
Beflexões
Costa d eM e d e iro s e A lb u q u e rq u e ). 155. - P a r a n a g u á (João Lustosa da
sobre o ensino e estudo de Direito, seguidas C u n h a ............. ). Reforma fíypothecaria.
d’algumas regras sobre o modo de sustentar Projectos e pareceres mandados coliigir pelo
theses em act-ns públicospor Ihipin, traduzi­ Conselheiro ... então Ministro da Justiça.
das, annotadas, e acompanhadas de outros R io de Jan eiro , 1860. 1 vol. em 8o. grande.
artigos sobre o mesmo assumpto. R ecife, 156. — Silva Costa (José d a). Estudo
1 8 6 8 . 1 v o l. e m 8 o. ( opusculo).
historico sobre asatisfação do damno causa­
He trabalho interessante, cm quoo author mostra es­ do pelo delicto. R io de Janeiro, 1 8 6 7 . 1 vo l.
tudo, meditação e conhecimento do ensino do Direito
entre nós. em 8 o.
A these defendida pelo autor he de D ireito Crim inal:
149. - C a m a r g o (Joaquim Augusto mas,prendendo-se por uma de suas faces ao Direito Civil,
entendemos dever contemplar aqui esta curiosa e inte­
Apontamentos sobre a marcha dos Pro­
d e ). ressante Memória.
cessos summarissimos e executivos. R io de
J a n e iro , 1 8 6 4 . 1 vo l em 8 o. 157 . — S e i v a s (R om ualdo A n tu n io de).
Ensaio de um tratado regular e pratico sobre
ISO — A q u i n o (O leg arto H erculano <>divorcio segundo o Direito Synodal, Ca­
|e ..........e C astro). Pratica das Correições ou nónico, e Civil Brasileiro, contendo o For­
lommentario ao Regula• ento de 2 de Ou- mulário das acçõesrespectiyas e notas pro­
ubro de 1 8 5 1 ; comprehendendo as Leis, veitosas ao assumpto, B ahia, 1 8 6 7 . 1 vol.
Decretos, decisões, consultas do Conselho em 8o g ran d e.
le Estado, julgamentos dos Tribunaes an­ llc um trabalho de utilidade, c cuja falta se sentia.
teriores, Avisos, Ordens, inslrucções c Par­
arias que até hoje, sc lent expedido, expli- 158. — Anoiiymo. Apanhamento de
'ando, ampliando ou alterando cts dispo­ Decisões sobre questões da liberdade, publi­
sições relativas aos aclos e attnbmções cadas em diversos periódicos Forenses da,
iivis e crimimes dos Juízes de Direito. R io Curte, feito pelo Bacharel J . P . J . da S. C.
la n e iro , 1 8 6 2 . 1 v o l. em 8o. B ahia, 1 8 6 7 . 1 v o l. 8 o (.opusculo).
Importante monographia jurídica, que bem demonstra O trabalho hc dividido em questões, não excedendo o
i cultivada intelligenria do author, e os estudos que numero a26. He curioso, e tem utilidade.
,em feito na sciencia do D ireito. ,
Nenhum Juiz de Direito pode dispensar este Manual.
159. —Veiga (D id tm o A gapito d a). Ma­
nual das custas do Processo, contendo o Re­
151 — A r a i s J o e S i l v a (L u iz F e rre i­
Roteiro dos Collectores, di­ gimento
ra de ............. ).
ção
de 3 de Março de 1855, c a Legisla­
relativa, etc. R io de Janeiro e P a rts ,
vidido cm trez parles, etc. R io de Janeiro,
1868. 1 v o l. em 12 .
1 8 5 3 .1 v o l. em 8.
L X ll
tema: distribuirão a materia alphabeticamente, meio
NOVAS PUBLICAÇÕES. proprio de fa cilita r a consulta.
Um dedicon-se ao estudo das decisões do Governo ;
outro ao das dos Tribunaes. Ambos mostrarão laborioso
160. — Motta (José d a . . . de A zevedo
estudo e inlelligencia; e suas elucubrações são um va­
C o rrêa ),Relatorio geral e synthetico dos lioso auxiliar para os cultores do D ireito Pátrio.
A visos do Ministério da Justiça, explican­ 1 6 2 . — Laíayette ( ............... R odrigues
do disposições de Direito Civil, Commercial, P e re ira ). Direitos de Familia. R io de Ja­
Criminal e Orphanologieo desde a glorio­ n e iro , 1869. 1 vol. em 8 o g rand e, etc.
sa epocha da Independência até o presente. Estamos em presença de uma notável Monogra-
R io de Janeiro e Paris, 1869. 2 vo l. em 8 o. phia. He o melhor trabalho que, de alguns annos á esta
parte, tem publicado Jurisconsultos Brazileiros.^
161. — DIafra (M anoel da S ilv a ). Juris­ Rcune-se aqui lucidez na exposição das questões, cs-
prudência dos Tribunaes compilada dos ac- t.ylo correcto, methodo, e sobre tudo senso ju ríd ic o ; do­
tes raros na exhibição e desenvolvimento destas maté­
cordãos dos Tribunaes superiores publicados rias, de ordinário áridas.
desde 1841. R io de Janeiro e P a riz , 1869. Deve-se entretanto lamentar que um talento tão v i­
3 v o l. em 8 o. goroso pareça afastar-se das doutrinas da Ig re ja , em
assumpto de casamentos, e aliás tratando dos Direitosda
Nestas duas obras os autores seguirão o mesmo sys- Familia.

JORNAES E REVISTAS.

anno de sua existência, e nem ao 30 numero. Foi seu re­


ESTRANGEIROS.
dactor o fallecido Escrivão João G etulio Monteiro de
Mendonça.
1. — Jornal de Coimbra.
Bem que sob este nome, era publicado cm Lisboa, e
7 .—Chronica do Fôro. R ev is ta de J u ris p ru ­
lendo começado em 1812, terminou em 1820. 16 vol. dência e debales ju d ic ia e s : do R io de Janeiro.
em 8o. Este jornal principiou em 5 de Janeiro 1859, sendo
Contem alguns artigos de Jurisprudência, curiosos e seu redactor o D r. Bernardo Teixeira de Moraes
de interesse real. Leite Velho.
2. — Gazela dos Tribunaes: de Lisbôa. Pouco durou; tendo-se o redactor ausentado para
Portugal. Parece que não se publicou no anno de I860.
Começou no I o de Outubro de 181-1 . He uma collecção
importantíssima, e mui valioso auxiliar em qualquer O programma destes jornaes de ephemera e obscura
dos ramos da Jurisprudência. existência consistia em publicar as actas das Sessões
dos Tribunaes, e suas decisões. Raros artigos de dou­
NACIONAES. trina, c alguns annuncios judiciários. Não tinhão in ­
dices. O melhor foi o primeiro.
3. —Gazeta dos Tribunaes, dos Juizos Reoistas de Jurisprudênciaa Jurídica,
As parece que
e factos judiciaes do Fôro c da Jurispru­ acabarão de uma vez com elles.
dência : do R io de J a n e iro . 8. — Revista de Jurisprudencia- c de Le­
Começou em 10 de Janeiro de 1813, e era redigida gislação, sob a direcçào do In s titu to da
pelo Conselheiro Francisco Alberto Teixeira de Aragão O rdem dos A dvogados B ra zile iro s .
e oulros.
Fallecendo o redactor terminou a Gazetaem 184G, Começou em Janeiro de 1862. H e interessante, mas
em A b ril ou Maio desse anno. iníelizniente não tem sido regular; maxime depois que
Reapparecôo depois de 1849 sob a redacção do Con­ deixou de ser adm inistrada pelo Dr. Luiz Alvares de
selheiro GustavoÀdolpho de A guilar Pantoja, e do Dr. Azevedo Macedo.
Bernardo Teixeira de Moraes Leite Velho, sob a admi­
nistração de Antonio Manoel Cordeiro. Mas sob esta nova
9. — Revista Jurídica.
phase, pelo que nos consta, não passou do anno de 1854. Começou a sua existência emS. Paulo em 1862 sob
a direcção do D r. José da Silva Costa, quando estu­
4. — Nova Gazeta dos Tribunaes: do R iodante do 5«J anno, com a collaboração do D r. José Car­
dc Janeiro. los Rodrigues, então estudante do 3o anno.
Voltando para a Gòrte os dous Redactores, continuarão
Menos importante que a precedente e, pois, pouco
a sua obra em 1865, mas hoje sómente está á cargo do
durou. primeiro.
Esta Gazeta começou em 8 de Julho de 1848, e não
0 seu programma lie tratar da Doulrina, da Legisla­
passou do mez de Janeiro (29) de 1849. Não tinha re­
ção, da Jurisprudência, ou pratica do Direito, e critica
d a cto rs ostensivos, e era administrada por Antonio
das obras Jurídicas.
Manoel Cordeiro.
Em 1867 soffreu uma interrupção pela ausência do
5. —Gazeta Judiciaria. Jurisprudência redactor,
e mas hoje continua desempenhando satis-
factoriamente oprogranima adoptado, que aliás lie tam ­
debates ju d ic iá r io s : do R io de Janeiro. bém 0 da precedente Revista.
Fundou-a Henrique Augusto Frederico Leal em 23 de
Novembro de 1852, e não passou do mez de Junho de Recorremos a estes Repositorios todas as vezes que 0
1854. podemos fazer, e nem sempre forão infruotiferos os es­
Em 7 de Setembro de 1861 restabeleceu-a Francisco forços que empregamos, no interesse de explicar ou jus­
Pedro de Arbues daSilva Moniz e Abrõn, intitulando-a tificar um texto ao Codigo que publicamos.
Jornal forense, litte ra rio , recreativo e noticioso. Acabou Para tornar mais completa a presente Bibliographia
em ío de Outubro de 1862, em razão de fallecer o re­ íiicluimos algumas obras que não forão citadas nesta
dactor. obra, mas essas são em diminuto numero.
6. —Gazela Forense.Jornal de D ire ito ,
P. S.—Por erro ou lapso typographico se 16 n o n 12
Jurisprud ência e Legislação : do R io de Ja­ 5a x i desta Bibliographia que a primeira
edição
n e iro . das Ordenações impressa sob a direcoão da Universidade
ultimaVicentina
rie Coimbra, fòra a fiel reproducção da
Esta publicação começou em 20 Agosto de 1857, e
pouco durou, pois parece que não passou ao segundo
, 1747, devendo dizer-se da
de 1727.
quinta sexta Vicentina
ou
ORDENAÇÕES PH ILIPPJN A S

COMPILADORES :

PEDRO BA R B O SA
PAULO AFFONSO
JO R G E D E C A BÊD O
DAM IÃO DE AGUIAR

REVISORES :

MELCHIOR DO AMARAL
JORGE D E G A B ÊD O
DIOGO DA FONSECA
D A M IÃ O D E A G U IA R
HENRIQUE DE SOUZA

DEZEMBAROADORF.S DO PAÇO.
O rdenará a cm e llia n te n ie n tc (oProfmor) as suas Lições pela m esm a o r ­
dem e serie dos L iv ro s e T itu lo s da s o b re d ita C o m p il a ç ã o p im l ip p in a ;

p o r se r esta a F o n te A u th e n tic » das Leis, que se devem s u b s ta n c ia r


e e x p lic a r m e th o d ic a m e n le aos O uvintes; p a ra n in is os o b r ig a r a que
re c o rrâ o a ella : para a u x ilia r-lh e s a m e m ó ria ; e para la c ilita r-lb e s o
in d is p e n s á v e l e c o n tin u o uso, que delia deve rã o sem pre fa ze r.

Estatutos da Universidade, 1ÍV. 2 t it. G cap. 3 S 3.


PRIVILEGIO DA UNIVERSIDADE DE GOIMRRA.

ALVARÁ D E 16 D E D E Z E M B R O Supplicação; Conselhos da m in ha R eal F a ­


D E 17 7 3. ze n d a , e” dos meus Dpm inios U ltra m a r i­
nos; Meza da Consciência e O rd en s; G o ­
Concede d Universidade de Coimbra privile­ vernador da Relação e Caza do P o rto ; S e­
gio exclusivo sem termo para imprimir nado da Camera: e bem assim a todos os
as Ordenações do Reino. Dezembargadores, Corregedores, P ro v e d o ­
res, O uvid o res, Juizes, Justiças, e mais
pessòas destes meus Reinos e D om ínios
E u E l-R e y faço saber aos que esle A l­
a quem o conhecim ento deste A lv a rá deva
vará virem : que”havendo cessado pela sup-
pertencer, que o cum prào e guardem , e fa ­
pressão do ex tin c to M osteiro de S . V ic e n ­
ção c u m p rir e guardar sem duvida, ou em ­
te de F ó ra, antes oecupado pelos Conegos
bargo algum , qualquer que elle seja:
Regrantes de Santo A gostinho, o P r iv ile ­
E esle valerá, como se passasse pela
gio exclusivo da impressão do Codigo de
C hancellaria, postoque por ella não ha de
D ire ito P á trio , chamado Ordenações do passar, e o seu effeito haja de d u rar mais
Reino , que havia sido p riv a tiv a e restricta-
de hum e muitos annos; não obstante
mente concedido ao sobredito Mosteiro :
quaesquer Ordenações, que o contrario
E tendo pela nova Fundação da U n iv e r­ determ inem , as quaes h ei por derogadas
sidade de C oim bra estabelecido a Corpo­ para este effeito sóm ente, ficando em tudo
ração mai's p ro p ria para v ig ia r sobre a im ­ o mais no seu vigor.
portante Edição de hum Corpo de Leis, Dado no Palacio de Nossa Senhora da
que constitue o Codigo de Direito Pátrio ; A ju da em 16 de D ezem b ro de 1773 —
regulando-se pelos lum inosos e bem depu­ REY .—Marquez de Pombal.
rados Estudos, que nella m andei fundar:
A lv a rá , p or queVossa Magestade ha por
H e i p o r bem , que do d ia da data deste
bem fazer mercê á U n iversid ade de C oim -
por diante fique pertencendo á dita U n iv e r­
b ar do P riv ile g io exclusivo para a im p res­
sidade o referid o P riv ile g io , que teve o
dito M osteiro extin cto ; p o r quanto delle
são das Ordenações do Reino, que antes
lia v ia sido concedido ao R eal M o steiro de
faço merçê ã mesma U niversidade para o
S. V icente de F ó ra, e ficou cessando pela
gozar, e delle se servir tão amplamente,
extincção do mesmo M osteiro; na fôrma
como o fez o dito M osteiro até o tempo
acima d eclarad a.
da sua extincção: do tal m aneira, que ainda
que o sobredito Codigo das Ordenações sostomo de Faria e Souza.—João Chry-
Para Vossa Mages! ade ver
de Vasconcei-
do Remo haja de ter para o diante ou m u ­
dança, ou revogação, ou am pliação em p ar­ los de Sá o fez.
te, ou em todo, que o faça alterar sensivel­ Cumpra-se, e re g is te -s e.— Nossa Senho­
mente; sempre a impressão delle será p r i­ ra da A ju d a em 4 de Janeiro de 1 7 7 i —
vativa e exclusivam ente feita pela sobre­ Marquez Visitador.
dita U n ive rs id a d e . No L iv ro da P ro v id e n c ia L itte ra ria desta
Pelo que m ando ao M arqu ez de Pom bal Secretaria de Estado dos Negocios do Reino
do meu Conselho de Estado, e meu L u g ar- fica registado este A lv a rá . Nossa Senhora
Tenente na Fundação da Universidade de Joao
da A ju d a em 3 de Janeiro de 1 7 7 4 .—
• Coim bra; á M eza do Dezembargo do Paço; Chrysoslomo de Faria e Sousa de Vascon-
Beal M eza Censória; Regedor da Caza da cellos de Sá.
PEEFAÇÃO
Da nona edição de Coimbra de 1824*

Havpmlo-se de re im p rim ir pela terceira vez nesta Real imprensa da


U , r , » S a d e as O n U n u ç ls . éo ã,
com ioda e qualquer mudança, revogaçao ou i ? 5 S « ? m e n i e w r -
mente as allere, em parle on em lodo, 1» pnva .* .8 esc n ramen e
lença sua, em v irln d e do P íivilegio de q»e o S . lle y b. Jose d e ^ lo n o s a

' a qoem da nova edição se

rSsrkoT
S i U n i v e r s i d a d e déra no prec.den.e

^ P tY rrF iS S S rS ^ 1003,/oiío; a cuja Ordem t o r n

da dita impressão por P hilippe _n Ordenações' pela terceira vez

Crasbeeck, impressor d’El-Rey, no anno de 1636, joUo U )._____________

(1) Tem os esta edição p o r 3% e ^ S d r i K T c o m 11? mesmo n u -


p re c e d id a jà p o r o u tra com o mesmo fro P , d e h u m a e d e outra em m uitos

lugares^ S S X T i i e o r T ^ u e T e l l . fizemos, confrontando-a ■com a 1* em todo o


curso de nossa edição. aue se havião estampado no tim

dl í 6 ' a , b M o ’ im p re ” ” “ L l ! b í ' ’ "


caza de P ed ro Crasbeeck, no mesmo anno de nenhum topamos da que temos

„» r“ r r . t Sq » T » " .P^ « T « t l s e m p re a vista, » , u l H * ™ » à U - r a m


S. V ic e n te de F ó r a ; sendo a t , a cjue
em Lisbôa p o r Manoel Lopes F e r ie i a , e
p
m sa!i.K»i
tn.fuiio ■a 5 a,
f o ffic in a
a que por mandado ao S r .
P a tria rc h a l da M usica, no
»«í V n ^ i ^ T E r p l u S Í ! . » ! . í ç " . , , ™ » ! . » . im p r im i, p o r ~ n -

dado do mesmo Augusto S e n h o r, em 1747, o ,A ^ a „ 3 voj 8< seia embargo de


D eixam o s de m encionar aqui » P « k * a edição d 1 i >g Preleccões do Direito Palno
v ir ella m encionada na . Ihsl Jur. tw.
lus a i a a .$ ,
LXV1II PKEFAÇÀO

Sem embargo, porem, cie ser o texto da I a edição o que se lin h a de


representar nesta, pareceu conveniente tomar por base della a prim eira
feita nesta Real Imprensa em 1789, in 4o, 3 vols., como aquella que, não
menos que sua reimpressão em 1806, se acha mais derramada e manu­
seada entre nós, pela commodidade de sua manual fórma e pouco tomo,
confrontada, porém, e expurgada por aquella I a de 1603, em ordem a
poder servir a nova E rra ta a uma e outra edição académica, em beneficio
e utilidade publica (1).
Nella se referem individualmente as mais notáveis, com que progressi­
vamente se foi bastardeanclo e depravando a pureza e integridade do texto
original em todas as edições Vicentinas posteriores, cuja 6a de 1727 m 8°,
já m uito adulterada e viciada, foi a de que indiscrelamente se lançou mão
e servio de base á I a Conimbricense de 1789, copiada quasi fielmente na
2a de 1806, sendo certo, m uito para estranhar, que em todas as Vicentinas
se achem ainda por emendar muitas, não só das primeiras erratas in d i­
cadas no fim da I a edição, mas ainda mesmo das da E rra ta mais copiosa,
que fizera e publicara no mesmo anno de 1603 em que as Ordenações
sahirão, o Dezembargador Jorge deCabêdo, coadjutor quefôra nellas; cuja
E rra ta , por quão rara se tem feito em nossos dias, ainda que reproduzida
em parte no fim do tomo 2oda Synopsis Chronologica, pags. 296 e seguintes,
donde se emendarão algumas nas Erratas da 2a edição Conimbricense de
1806, pareceu conveniente e necessário acompanhar, reimpressa com
algumas breves notas, juntam ente com a I a, esta 9a edição, em cuja nova
E rra ta vão apontadas as que de huma e outra nas antecedentes se achão
ainda por emendar (2).
Não obstante, porem, ser o texto original o que nos propôzeramos
lielm enle representar, emendado já por huma e outra E rra ta , foi comtudo
muitas vezes necessário e forçoso emendar o dito texto contra a fé daquella
I a edição, cuja minguada prim eira E rra ta (não passão de 43), não menos

Publico e Particular, p a r t. I a tit I o § 13 nota (í), e an terio rm en te no Demetrio Moderno


ou o Bibliographo Jurídico Português, e tc ., liv . 1“ cap 8 ° pag. 5 6 , por estarmos quasi
persuadidos de sua existência, baldada toda a possível d ilig encia que para descubril-a
tem os feito em L iv ra ria s publicas e p articu lares, e nom eadam enle na R e a l B ibliotheca
P u blica da Còrte, e na do mesmo R eal M osteiro de S. V icen te de F ó ra , onde, mais que
em nenhum a outra, era de esperar se encontrasse, se realm ente e xistira.
Parece-nos ter derivad o este erro da Bibliotheca Lusitana, das Regras—,
a rtig o — /o ã o
onde, im p ró p ria e deslocadamente, se faz inexacta menção das edições dos Codigos
M an u elin o e P h ilip p in e , dando-se p o r u ltim a deste aquella supposta edição, deixada em
silencio a de 1727, que cerlam ente já existia ao escrever o dito artigo o a u th o r da Biblio­
theca, cujo tomo 2° se p ub licara em 1717.
(1) Esta Errata vender-se-ha separadam ente, como necessária e u til aos que tem
q ualqu er das edições anteriores de 1789 e 18 0 6, cujas paginas quasi sem pre se corres­
pondem com as da presente edição.
(2) Tam bém se vend erá separadam ente a Errata de Jorge de Cabêdo, sobre cuja m u ita
raridad e he um pouco exagerado o autor da d ita Synopsis Chronologica, quando a líirm a
não constar ter-se visto em nossos dias, ou e x is tir, senão um e x e m p la r; porque, alèm
de um que possuím os, temos visto não menos de trez.
H e tam bém pouco exacto o mesmo auto r em a lli-m a r que, em quanto ás letras e
palavras, se acha p ela m ó r p arte emendado nas edições posteriores, e aind a na u ltim a ,
fe ita na U n iversid ade em 1789; e que p o r isso só conservaria o que ain d a nesta falto u
p o r emendar.
P orquanto, não só ficarão por em endar algumas (7) da p rim e ira Errata
n aq u e lla
Conimbricense e nas anteriores, como se vê e in d ica nos Relatórios
da nossa com a
abbreviatura de— 1. E r .— , mas tam bém não poucas ( 12) da de Cabêdo, indicadas com
e s to u tra de— 2. E r .
PREFAÇÃO LX1X

que a 2a Cabediana mais copiosa (andão quasi pelo mesmo), não abrangêrão
o grande numero de erros, que coarão na impressão, sobre os do m a-
nuscripto original, que certo havia de te r não poucos, como transumpto
que era em grande parte de Leis Extravagantes e Regimentos, não só das
Ordenações Manuelinas, que são as que constituem o mór fundo das ditas
P hilippinas.
A estas fontes próximas, pois, sempre que suspeitámos erro, nos soc-
corremos, guiados a cada passo pelo utilíssimo Índice, que delias nos
deu hum illu stre e affeiçoado cultor de nosso Direito ; e á vista delias
os descobrimos e emendamos, sem perdermos jamais daquella os justos
lim ites da critica discreta, cuja alçada fizemos por não exceder ousados,
como já em parle o tinhão feito e indicado em alguns lugares os Editores
Vicentinos e outros escriptores nossos, cujo exemplo e indicação se­
guimos e aproveitamos discretos.
Restituímos, portanto, á sua integridade original o texto da I a edição,
emendado sómente contra a fé delia o que a toda a luz da critica era erro
typographic»}, falta, ou salto de palavra, ou palavras, além de muitos
outros torpes erros de temerárias, pretensas emendas de linguagem mal
entendida, e peior substituída contra o theor daquelle texto, genio e syn-
taxe de nossa Lingua, cujo estudo, como tão necessário ao Jurista, he la r­
gamente inculcado e recommendado nos Estatutos dos Cursos Jurídicos,
liv. 2° tit. 3° cap. 3° § 44 e seguintes.
Fôra largo processo re fe rir individualm enle os erros J.ypographicos de
escriptura e pontuação, que á cada passo se emendarão, restituindo e
conformando pela m ór parte aquella com o original, e rectiíicando esta,
segundo o contexto, e sentido o requeria.
Destes erros, portanto, e emendas, por quão frequentes são, apenas
damos conta em nossa E rra ta de hum ou outro mais notável e transcen­
dente a todas as edições Vicentinas e Conimbricenses que tivemos sempre
à vista, e nunca deixámos de consultar, não menos que suas fontes,
antes de toda e qualquer emenda que fizemos (4).
Emquanto, porem à falta, ou salto de palavra, ou palavras,, e as indis­
cretas emendas de linguagem mal entendida, assentáramos .de dar, como
com eífeito damos, individual conta de todas ellas em nossos Relatórios,
para que em todo o tempo conste quaes erão e como se emendarão; e a
nós se atlribua e im pute o erro da temeraria e im pertinente emenda, se
porventura, nelle incorrermos, repondo-se em futura edição o antigo texto.
Sobre cujas emendas, emquanto ás faltas, ou saltos, ainda que m d ivi-
dualmente referidas nos ditos Relalorios, cumpre ^reunir aqui algumas das
mais notáveis, e dizer em seu abono e justificação o que as pode salvat
da nota de arrojadas e arbitrarias, pois cerlamente o não forão, como
feitas sobre o texto original e suas fontes, seguindo o exemplo do illustre 1

O/fictaes
(1) T aessão, entre outros m u itos indicados nos R e l a t ó r io s , por Officios,
valos
e v ic e -v e rs a ; Juízes
p o r — v a lia s ; vender
p o r — Juízos; causas
p o r — reven der;
p o r — cousas, e vice-versa; fretes Comarcas
por — fe it o s ; apropriedado
p o r — Cameras;
borregados
p o r — a p ro p ria d o ; Corcelhos e terras
p o r — barreg ueiro s; p o r— Concelhos
de te rra s ; emcadadous lugares inquirições, devassas
p o r - e m cada h um dos lugares;
p o r — inquirições — devassas ; julgado fructos noros e rendas
p o r — Julg ado r; por —
Procurador á lide
fru cto s, novos e re n d a s ; andai
em vez d e — p o r C urador á l i d e ; por
— m a n d a r; procedeo desvariados
p o r — precedeo ; da regalia
p o r — desvairados; por
lhe pagarem a mór valia
— de re c a ta ria : valiosa E em
p o r '— lh Jo pagarem a m ór v a lia ; .
tal Açor terço
caso p o r — v a lio s a : E m tal caso; accusador e accusado-
p o r - A ç ò r te rç ó ;
res p o r — accusado e accusados; com os Juizts p o r— como os Juizes, etc.
PREFAÇÃO
txx
Magistrado em sua E rra ta , com o dos Editores V rn n th m nas
edições, em que de volta com muitas indiscretas, impertinentes emend ^
se S ã o algumas com muito acerto e descrição contra a fe da edição

Or'fo o o ^ n o tit6 l “ d o \iv . 1“ § 30 apparece huma notável falta de palavia no

uu'm “ ??rioí v é t «;
co m o a folha,etc. segando se a c lia n a f0" ^ sal °
paragraphic que t e o 57 í a t f > « k <‘a J m l w de * / de Ju,“ ° •
1582 : e assim-o emendámos. , „ psraoou no
Outra falta inda mais notável, como de pa avias lie a ^ e escapou
s io do til. 6 aonde depois da oração: e os despacham emRelaçaod
salto desl’outra • e assim despacham em Relação,como se le na fonte,que
S T i í d o tU V n a O r d . Man. ; e assim orepozem os: como igualmente
temos mie se deve repôr aquell’outra falta, não menos notável, que .
» “ 6™ i r d a mesmaP p ila m , como no lugar a o le c e ta te e de o n l,-
nario acontece em copiai e composiçoes typographius, facd Lua no à ,
do tit. 5, aonde logo no principio do segundo ponodo, ^ j
se o Julgador, de que se a parte ar,grava for tal, etc., se d e u .o u tro i&ua
salto de oração inteira, pois se deve er como em sua íon e, que he ^
mesma Ord. Man. (5, 58, 3) : E se o Julgador, deque se a pa> te a m a v a ,
ou o caso, de que se aggrava, fô r tal, etc. ; e assim o deixamos indicado
nas Emendas por fazer do Relalorlo liv. I o. .
conforme a esla mesma ( l, n . pr.) se inteirou no principio do tit. U
do mesmo liv . a ultim a clausula, cuja minguada hçao lie : ass m pat a as
contraditas, ou provas em vez de— e assim para a s 011
reprovas ds provas. He outra falta mui notável e transcendente, como as
de mais, a todas edições V ic m tim s e Coninbncenses a que passou no
s 40 do tit. 88 do mesmo liv ., aonde no periodo segundo se le : o Pt ove-
dor dos Orphãos em vez de —o Provedor com o Ju iz dos Orphãos ; como
vem na propria fonte deste paragraplio, que he a Lei 22 das Cortes dc
1538, relatada por Duarte Nanes de Leão (1, 19, 2,11) aonde lambem
Dor erro se le ; o Provedor do J u iz dos Orphãos, contta a fe da edição
original das ditas Cortes, impressa em Lisboa por Germão Galharde em
1539, folio, de que possuimps hum exemplar, a cuja vista hzemos a emenda
do dito erro, indigitada pelas ultimas palavras do mesmo § 40, í b i : /Vo
qual termo assignarâo o Provedor e Juízes, etc. .
Este mesmo erro da edição original de Leão se acha com outios muitos
na nova de Coimbra de 1796, aonde se deve emendar e lêr, como na
quella citada fonte se lê : a qual certamente nao vio o author da In tro ­
duced o ao Novo Codigo, que aventando e indicando a falta, athrma
(pag. 201) que se deve lêr, como em Leão : o Provedor do J m z dos

(11 Taes são, entre outras, as de Officios por — O flieiaes; d’ante elles p o r — diante
demandar p o r - m a n d a r ; ontro tanto por - outros ta n to s ; e quanto ao paga­
e lle s •
mento dos feitos por - e quanto aos feitos ( 1 ,2 , 1 7 ); por dous mercadores em vez de -
p o r mercadores ( 1 ,1 0 , 1 1 ,); pessoa alguma p or - p e s s ò a (l, 68 , 3 0 ); e sem custas, ou
custas do pvocesso somente por — e sem custas do processo sómente ( L f L o*)» se~
nhorios p o r — senhores; (2 , 5 5 , p r . ) ; molhe poderá p o r - l h e poderá ; petições geraes
p o r — partições geraes; ao dar das roças p o r— ao das roças; e defesas em alguns casos,
porém p o r — e defesas em alguns casos, p o rém ; de qualquer qualidade por' — de qua­
lidade (5, 3 , p r.); superiores por — priores (5, 31 ); criadores p o r — criados (6 ,1 1 5 , 1 1 9 ) ;
accusado p o r — aecusador ( 3 ,1 1 7 , 2 2 ); oppoentes p o r — appoentes (3,84, 1 2 ); Desem­
bargadores dos aggravos p o r — Desembargadores do a g g ra v o ,etc .
PREFAÇÃO LXXÍ

Orphãos, cuja lição diz falsaraenle ser a dita Lei 22 das Cortes de
1538. ' , . , ,
E bastem estes lugares, individualm ente apontados e declarados,
em quanto ao liv. I o, em cujo largo e copioso Relatorio se acharáõ outros
muitos, pelo mesmo teor emendados e suppridos; e dejxando os do
liv . 2° por menos notáveis, demos somente conta e razao de alguns,
que mais o são, nos Livros seguintes. _ „ .
No 3o, além da evidente falta de palavras que escaparao no & 5 do
lit. 63, aonde a concurrencia da palavra Tutor fez dar o salto de hnma
oração inteira, pois em vez da lição : sem lhes ser dado Tutor, no caso
que o tivessem, se deve ler, como emendamos, e se acha na fonte (Ora.
Man. 3, 49, 5) : sem lhes ser dado Tutor, ou sem ser citado seu Tutor,
no caso que o tivessem; he mui notável a emenda, que contra a fé do
do texto original e sua fonte fOrd. da Nova Ordem d o Juizo, de 18 de No­
vembro de 1577 § 2) ousamos fazer, ainda que sobre mui reflexo exame,
no principio do tit. 88, aonde pela a ffirm a tiv a : se dará o feito a
seu Procurador, damos a negativa : não se dará o feito a seu P ro-
ouvador •
Temos este pretenso Philippismo por gratuito e mal imposto, sem
embargo do que sobre este lugar escrevera o sobredito autor da In tro -
ducção ao novo Codigo, Cap. 3 § 8, seguido pelo das Prel^ d e
D ireito P á trio , já citado, Part. 1“ tit. 1 § 12 nota [q), e por forçosa e
necessária a negativa «ão, que cerlamente escapou ao copiar ou im pri
m ir como o contexto e construcção da phrase o esta indicando, sem
p o r’conseguinle haver a pretensa contradicção e implicância deste lugai
com o do § 11 do tit. antecedente.
Confirmaremos nosso juizo e emenda com exemplos p a ra lle ls do
mesmo Codigo Philippino, em cuja edição original coara mais de huma
vez aquella negativa, cuia falta escapara não so na prim eira E rrata, mas
afnda\nesmo na segunda ao laborioso Magistrado, que zeloso a ordenara,
desejando (são suas quasi formaes palavras) não 'T i^ n n ev
(se possivel fosse) em obra, na qual muitos annos por mandado de u -H e y

ai t o p o u l a « im e in vez neste mesmo liv. 3 lit. 54 S 1, cujo se-


gtmdo período assim p rin cip ia : d l(dilação)
,m
n f o J a r , etc. He evidente a falta de n e g a lm qne se achana.lonle (O d.
Man. 3, 41 pr.), e que continuou na 2a e 3 edição, ale que na » e
guintes discreta e advertidamenle se reslituio. priirão e
De antiga mão se acha ella suppnda em nosso exemplai da l ediça°, e
igual mente no da 2% que acima dissemos pertencei ao Real Collegio das

^E scapou'a seminda vez no liv . 4 lit. 61 § 7, aonde em vez da affirma­


tiva S m Qozardo beneficio do Velleano, damos a negativa : m o podem
qoza rd o beneficio do Velleano, contra a fé de Joda^as edicoes Vwenh
e Conimbricenses, em que por discurso de tantos annos ha noje )
se tem c o n s e r v a d o ^ J r0ximas como remotas,

tal a das A ffo n s íh , 18 10) . advertida e indicada pelo mesmo


Esta mesma falta e emenda ioi ja auve f
autor da Introducção ao novo Codigo (pag. m ) , cuja edição ne
anterior ás duas Conimbricenses.
PREFAÇÃO
LXXIJ

No mesmo 4." liv ro , e o Ire outras muitas feitos, h(


notáveis a do til. 59 p r., aonde a concorrência da. mesma, palavia tez
lomalmente traspassar não poucas, de que ate agora se nao deu ie em
edição alguma pois que em todas se tem constantemente lido : até que
o p rin c ip a l devedor seja prim eiram ente demandado e
n d i t a execução etc., devendo le r-se : ate que o prin cip a l devedor seja
p rim eiro demandado e condemnado e feita execução
moveis, como de r a i z ; e feita a d ita execução etc segundo se acha na
propria fonte deste lugar, que he o % 1 do tit. 46 na^ Chã Man.
tlliim am ente por não deixarmos de apontai algum entie os muiios
do liv 5 referidos em seu competente Relatorio, baste mencionar aqui
o salto mie se deu no § 2 do tit. 89, aonde em vez de ametade pa ra quem
accusar 2 descobrir se deve lê r : ametade para nossa Camera e a'. outra
para quem accusar e descobrir, se deve le r : ametade para nossa Cometa e
a outra para quem accusar e descobrir, como vem na sua fonte, que he a
mesma Ord. Man. (5, 109, 2).
Resta finalmente darmos conta das indiscretas, temeranas_ e unperh-
nentes emendas de linguagem, que progressivamente se forao fazendo e
introduzindo nas edições Vicentmas e Commbricenses contra a le do texto
orimnal genio e synlaxe de nossa Lingua, como acima dissemos, e agora
faremos por mostrar, enfiando simples e mdividualmente as mais no­
táveis daquellas pretensas emendas, que em nossa h rra k i se achao de
m istura com as demais (1). . , . , •
Taes são á nosso juizo as com que se loi alterando a ortographia
antiga do dito texto original, cuja integridade e pureza muito por certo
soffreo á conta da grande falta de Critica e pouca intelligence da língua,
que taes emendas e substituições argúem em seus A utores; mcoherentes
comsigo mesmos, pois ora emendavão, ora deixavão de emendar a
mesma orthographia, fôrma ou phrase da lingua, cuja ignorância os to i-
nava taes.
São, portanto indiscretas e impertinentes as emendas de Chancelleres
por— Chancereis ; data por — dada; Marechal por Manchai -, detido
pov deteíido ; nest'outro por— nistroutro ; die por— e llo ; paus por—
paúes ; antes por — ante ; Almolaccis por Almolaces ; Out iyes poi
Ouriveses ; tal por— a l; recolher por— colher ; Tutora por— T u to r; C iru r-
qiões por^—Cirurgiães; encanamentos por— encámentos; acoutar por
coutar, e vice-versa ; alheado, alhear, alheação por— emlheado, emlhear,
emlheàção; graduado por— agraduado ; parecer por — parece ; Cartas
p o r_ q u a rta ' Carla ; inim igo por— ím igo; pregoar por—pregar; assi
mesmo por— isto mesmo ; causa por— caso ; intrincado por— intricado ;
perjuro por— perjúrio ; sommar por— assomar ; empreslimo por— em-
preslido ; renovos por— novos ; bastar por— abastar ; avó por avóa;
haver por — avir ; lig a r por— legar ; aljabeira por— aljubeira ; credores
por acredores; boiz por — b o i; peditórios por — p e tito rio s; barça por
— barça; Marchante por— Merchante; senhas, capellas por—senhas-ca,-1

(1) E n tre as m u itas, que em endám os, e de que não damos conta em nossa E r r a t a ,
são as seguintes: acostumado p o r— costumado; a fo ra p o r— fóra; amostrar p o r—
m ostrar; antre arrecear
p o r— entre; p o r— recear; atéli, aléqui p o r— até a lli, até
aqui; carrego, encarrego p o r— cargo, encargo; desdo por — desde, hi p o r — ah i;
menagem requere
p o r— homenagem; p o r— requer; são p o r— sou; summa p o r—
somma; trédor Viso-Rey
por— traido r; por— V ic e -R e y , etc.
prefacao LXXIH

pellas ; Impressor, L iv re iro por — Im pressor-Livreiro ; comprometter-se


por— comprometter (3, 16, 7), cuja mal entendida emenda se fez contra
a fé das primeiras quatro edições na 5a e 6a, seguidas pelas posteriores
Conimbricenses. .
E p o r occasião desta indiscreta emenda faremos aqui menção de
outras duas, não menos indiscretas que ridículas, de linguagem m al en­
tendida e peior substituída, mandadas fazer nas E rratas, ^estampadas á
testa da 4a edição Vicentina de 1695, aonde por apenhdrão se manda
emendar apanharão (1, 65, 62), e por desencabeçardõ, se desencabeçarão
(2,33,1), tudo contra a fé do texto original e suas fontes, sendo certo
m uito para notar a incoherencia de taes emendas, deixadas de fazei
n’outros lugares, como se deixou de fazer no § 15 deste mesmo tit., em
que se lê desencabeçarão igualmente neutro, como no citado § 11.
E ainda lie mais notável achar-se a primeira de taes emendas feita na
5a edição Vicentina de 8°, e a segunda não só nesta 5a, mas até mesmo na
6 a de 1747. Foi consequência deste erro achar-se em nosso Diccionario
falsamente autorisada a significação reflexa e neutra deste verbo com
aquelle, e e sfo u tro lugar dos §§11 e 15.
De tanta im portância e momento, não so dtfficuldade, he a edição
critica de hum livro clássico em qualquer lin g u a ; e a esta conta muito
por certo ha que lim par na nossa, tão corrupta e viciada em quasi toc as
as edições e reimpressões de nossos bons autores, com que se acha auto-
risado hum sem numero de artigos e accepções falsas e erróneas em nosso
Diccionario, para cujo trabalho indiscretameute se tem lançado mao de
incorrectas, depravadas edições, como se lançou daquella 4a Vicentina,
ià sobremodo corrupta e adulterada. .
' Nella, e na subsequente de 8“ he onde pela prim eira vez no Regimento
novo dos Dezembargadores do Paço se substituio ao nome de Philippe I I
o do Sr. Rev D. João IV , subtrahicla porém n’huma e n outra a clausula
de meu sobrinho, que só áquelle Principe podia quadrar a respeito do
Sr. Rev D. Sebastião, e não ao substituído, como depois íalsa e temera-
riamente se repôz na 6a e ultim a edição Vicentina de 1747, com eviden e
rUicich romsmo •
Fizemos quanto em nós foi por que esta sahisse mais correcta, accurada
e u til, que nenhuma das antecedentes, como se nos não enganamos, nos
parece que sahe em grande beneficio e utilidade publica, tanto de nosso
Fôro como e principalmente da Universidade; e em ordem a este fim , e
a fa c ilita r mais o indispensável e continuo uso que OS Estatutos delia
requerem e ordenão, no lugar anteposto por epigraphe a esta ed çao
que da Compilação P hilippina , como Fonte authentica das Leis devem
fazer os Ouvintes dosCursos Jurídicos he que emendamos e
rectificámos as epigraphes dos Titulos e iniciaes dos paragraphs a cada
passo í n ^ a c la e desvairadamente citados, ajuntando a hn„s e on ros m
parenthesis os seus competentes numeros, tornada assim mui prompta e

^ AdverUiUM p o ru ítim o que nenhuma emenda fizemos sobre as fontes,


que não fosse em suas edições originaes, cujas antigas e modernas re-
i i S e s sempre tivemos e temos por suspeitas; e por isso ainda
m e E sobre a1Ordenação Manuelina de 1521 dêmos sempre lugar a de
1 5 lT quando em seu contexto concertavao por inteiro, e se respondiao.

OíD. 10
ORDE NAÇÕE S PHI LI PPI NA3

EXPLICAÇÃO

BAS ABREVIATURAS USADAS NESTA EDIÇÃO.

M. — Codigo M a n u e lin o , ou O rd ena­ O. — O rd em .


ções d 'E l-R e y D . M an o el. Reg. — Regimento.
S. — Codigo Sebastiánico, ou E x t r a ­ Ass. — A ssento.
vagantes,com piladas e e x tra c la - A r. — A res lo .
das por D uarte N u nes de L eã o . A c c . — Accordão.
R e i. — L e i da Reform ação de 27 de A post— A p o stilla.
Julho de 1382, p rom ulgada p or dec. — Decisão,
E l - R e y D . P h ilip p e 1. p. — 1Parte,
L. — L e i. liv . — L iv r o .
C. R . — Carta R é g ia . ]. — L e i.
D . ou D ec.— D ecreto t. — T it u lo ,
À l. — A lv a rá . p r. — P rin c ip io .
R . ou R es. — Resolução. C . T . — C oncilio T rid e n tin o .
Av. — A v is o . D . C. — D ire ito C anonico.
P. — Provisão. D . R . — D ire ito R om ano.
LEGISLAÇÃO B M ZIL E1R A E POETUGUEZA
O R D E N A ND O A E X E C U Ç Ã O DAS O R D E N A Ç Õ E S P H 1 L I P P I N A S.

L E I D E 20 D E O U T U B R O D E 1823. Carta de L e i, pela qual V . M I . manda


Manda vigorar no lm p c io as Ordenações, Leis e De­ executar o Decreto da Assem bléa Geral
cretos promulgados pelos Reys de Portugal até 25 C onstituinte e Legislativa do Im p é rio do
de A b ril de 1N2I ; e, depois dessa epocha> as do
B ra z il, que declara o Codigo, L eis , Decretos
Regente D . Pedro e as das Côrtcs Portuguezas,
enumeradas em hurna tabella. e Resoluções que provisoriam ente ficão em
D . P edro I , p o r graça de Deós e unanim e v ig o r para terem observância nesle mesmo
acclamaçuo dos Povos, Im p e ra d o r C o nsti­ Im p é rio , tudo na fôrm a acim a exposta.
tu cio n al e P erpetuo D efensor do B ra z il, a Para V . M . I . v ê r.
todos os nossos fieis súbditos, saúde. A
José Joaquim dos Santos Marrocos a fez.
Assem bléa G eral C o nstitu inte e L eg islativa
do Im p é r io do B razil tem decretado o Nesta S ecretaria de Estado dos negocios
seguinte : do Im p é rio a íl. I do L iv . 4 o de L eis, A l ­
A Assem bléa G eral C onstituinte e Legis­ varás e Cartas Régias fica registrada esta.
lativa do Im p é rio do B raz il decreta: R io de Janeiro, 27 de O u tu b ro de 1823.
A r t. l . ° As Ordenações, L eis , R e g im e n ­ José Pedro Fernandes.
tos, A lv a rá s , Decretos e Resoluções p ro ­ Monsenhor Miranda.
mulgadas pelos R eys de P o rtu g a l, e pelas
F o i publicada esta Carta de L ei nesta
quaes o B razil se governava até o dia 25
C h an eellaria-m ór da Côrte e Im p é rio do
de A b r il de 18 2 1, em q u e S . M . F id e lís ­
B r a z il.
sim a, actual R e y de P ortugal e A lgarves
se ausentou desta C ôrte, e todas as que R io , 30 de O utu bro de 1823.
forâo prom ulgadas daquella data em diante Francisco Xavier Raposo dé Albuquerque.
pelo S r. D . Pedro de A lc a n ta ra como R e ­
gente do B raz il em quanto lte in o , e como Registrada nesta C h an cellarià-m ó r da
Im p e ra d o r C onstitucional d elle , desde que Côrte e Im p é rio do B razil a fl. 31 v . do
se erig io em Im p é rio , ficão em in te iro vigor liv . I o das Leis e A lvarás.
na parto em que nào tiverem sido revo ­ R io de Janeiro , 30 de O u tu b ro de 1823.
gadas, para p o r ellas se regularem os negó­
em quanto
cios do in te rio r deste Im p é rio , Floriano de Medeiros Gomes.
se não organisar hum novo Codigo , ou não
fòrem especiabn ente alteradas.
TABELLA DAS LEIS QUE ACOMPANHA 0 DECHETO
A r t . 2 .° Todos os Decretos publicados
DE 27 DE SETEMBRO DE 1823.
pelas Còrtes de P o rtu g al, que vão especi­
ficados na tabella ju n ta , ficão igualm enle Decreto de 12 de Março de 1821, e x tiu -
valiosos em quanto não fòrem expressa­ guindo todos os ordenados, pensões, g ra ­
mente revogados. tificações e outras quaesquer despezas que
Paco da Assem bléa, em 2 7 de Setem bro não se acharem estabelecidas por L e i ou
de 1823. Decreto.
M andam os, p o rta n to , á todas as a u to ri­ D ito de 25 do mesmo m ez e anno, d eter­
dades c iv is, m ilita re s e ecclesiasticas que m inando que aos credores do Thesouro Pu­
cum prâo e fação c u m p rir o referid o Decreto b lico se adm iltão encontros a respeito de
em todas as suas partes, e ao Chancellery seus débitos.
m ó r do Im p é rio que o faça publicar na D ito de 10 de M aio do mesmo anno, de­
C h an eellaria, passar por e lla e reg istrar nos clarando os Bacharéis Form ados em Leis
livro s da mesma C haneellaria a que locar, ou em Cânones, habilitados para os Lugares
rem ettendo os exem plares delle a todos os de M ag istratu ra, sem dependencia de le i­
lugares á que se costumão rem etter, e tura. Devendo eslender-se a disposição
deste Decreto ás informações da U n iv e rs i­
ficando o original ah i alé que se estabeleça
o A rc h iv o P u blico , para onde devem ser dade, de m aneira que a Carta de form atura
rem ettidos taes diplom as. só de per si h ab ilita o B acharel F o rm ad o .
D ada no Palacio do R io de Janeiro, aos D ito de 11 de M aio do mesmo anno,
fixando a determ inação vàga do A lv a rá de
2 0 dias do m ez de O utubro de 1823, 2 o da
7 de Janeiro de 1 7 5 0 , relativam ente às ro u ­
In d ep en d en cia e do Im p é rio .
pas, camas e outras cousas q ue se dão aos
I mpeiíador com guarda. M in istro s a titu lo de aposentadoria, indo
José Joaquim Carneiro de Campos. em Correição ou d ilig encia.
leg isla ç ã o b r a z il e ir a
LXXVl
de 1823 — Marlim Francisco Ribeiro de
D ito de 17 do mesmo m ez e ann o, e x tin - tira d a , P residente. - João Severiano
a u in d o os Juízos de Commissões. Maciel da Cosia, 1“ Secretario. - Miguel
g D ito da mesma d ata, a bo lind o o estylo Caiman da Pin e Almeida, 2° S e c re ta n o .
Palacio do R io de Jan eiro , em 2 0 de
d . 18-21, 2 »« e * b « -
O utu bro de 1 8 2 3 . . r
toco nova m archa para os recursos in te r­ José Joaquim Carneiro de Campos.
postos para o Juízo da C o rò a. D evendo
ser extensiva a disposiçãu deste D ecreto a
todos os Juizos da C o r ò a , estabelecidos pelo LEI DE 29 DE J A N E IR O DE 1643.
A lv a rá de 18 de Janeiro de I 7 b 5 . Confirma o revalida as Ordenações Vhilippinas.
D ito de 25 do mesmo mez e anno, abo­
lin d o os p rivilég ios de aposentadoria, assim D João, p o r graça de Deos, R e y de P o r ­
tugal e dos A lg arves,d ’aquem e d alem m a i,
acliva como passiva, fóra dos casos e x p res­
em A fric a Senhor de Guiné,e<1a C onquista,
sos no mesmo D ecreto.
Navegação, Com m ercio de E th io p ia , A ia
D ito de 2 9 do mesmo mez e anno para se
ilia , Persia, e da In d ia e B ra zil.
não assignar com rubricas. A todos os súbditos e vassallos destes
D ito de 9 de J u n ho , facilitan d o aos de­
meus R eino s, Senhorios e Estados de l o r -
vedores fiscaes, in cu lp avelm en te im possi­
bilitados de pagar, o poderem pagai poi tugal, saúde, ele.
Considerando E u quão necessana h e em
prestações ou letras sem vencim cntod e ju i o.
todo o tempo a ju s tiç a , assim na paz como
D ito de 2 8 do dito mez e anno, p e rm il-
na guerra, para governança e conservação
tind o a qualquer o te r Escída aberta de p r i ­
da R epu b lica e do Estado R e a l, a qual ao
m eiras letras, sem d ep e n d e n c e de exame ou
R e v p rin cip alm en te convém , como v irtu d e
de algum a licenca.
sobre todas as outras m ais excel ente, e em
Carta de L e i "de 5 de Julh o do mesmo
a q ual, como em verdadeiro espelho, se (le­
anno, extinguindo todas as taxas e condem -
vem sempre rever e e s m e ra r; porque assim
nações provenientes delias.
como a justiça consiste em ig u aldad e, e
D ita de l i do d ito mez e anno, decla­
rando o Decreto de 17 do M aio que e x ­ com insta balança dar a cada h um o seu,
assim o bom R ey deve ser sempre b um e
tin g u iu os Juizos de Com m issois.
D ita de 25 de Agosto do d ito anno, para igual a todos em d is trib u ir e_ a p rem iar
se d is trib u íre m por duas Secretarias os cada hum segundo seus m erecim entos.
negoeios que conlinuao pela Secietaria dos E assim como a ju stiça lie v irtu d e , nao
para si, mas para o utrem , p or ap ro v e itar
Negocios do R eino.
somente áquelles a quem se faz, dan do -se-
D ita de 21 de O utubro do d ito anno, 1 a J _ ^ m m
lhes o seu, e fazendo-os bem v iv e r,
v a i* âO S
para que os Secretários de Estado vençao o
bons com prém ios e aos mans com tem or
ordenado de 4 :8 0 0 $ 0 0 0 .
D ita de 12 de N o vem bro do mesmo anno, das penas, d o n d e resulta a paz e concordia
extin gu ind o iodas as devassas geraes que a na R epublica (porque o castigo dos maos
he conservação dos bons), assim deve tazei
L e i incumbe a certos Julgadores (1).
D ita de 19 do mesmo mez e anno, m an­ 0 bom Rey,"pois que p o r Deos fo i dado,nao
dando executar o Decreto das Còrles que para si nem para seu p a rtic u la r p ro ve ito ,
restilue aos Clérigos regulares seculansados mas para bem governar seus povos e a p ro ­
aquelles direitos civicos q ue sao com patí­ v e ita r a seus súbditos como a p ro p rio s hl hos.
E como quer que a R epu b lica consista e
veis com o seu estado.
D ita de 28 de D ezem bro do mesmo anuo, se sustente em duas cousas p n n c ip a lm e n te
ad m ittin d o nas Alfândegas as lazendas da em as armas e em as Leis,e hum a h aja m ister
A sia m anufacturadas com eòres,sejão tecidas, a outra, porque assim como as L eis com a
pintadas ou estampadas, sem d ep e n d e n c e forcadas arm asse m anlern, assim a arte m i­
de vivem despachadas pelas Alfândegas de lita r com a ajuda das Leis he segura.
Gòa, D io e D am ão, ou de quaesquer outros Portanto, ainda que nas arrnas e guerras
portos além do Cabo da Boa-Esperanoa. em defensão do R e in o , e contra os inim igos
D ita de 19 de D ezem b ro do dito anno dello e da nossa Santa F é C atholica em d i­
mandando executar o Decreto das CiVtes, versas partes me acho occupado ; desejando
que determ ina que os Juizes que assigna- j m anter e conservar meus súbditos e bons
vem por vencidos os Accordàos, possào do- 1 vassallos em perpetua p_az, am o r e bons
clarar essa circum stancia. costumes, tanto que e n tre i na le g itim a suc-
D ita de l i de O utu bro de 1822, na qual cessão e restituição da Coròa destes meus
se com bin io o respeito d evido ácaza do cida­ Reinos de Portugal, houve p o r necessário
dão com a adm inistração da Justiça. entender sobre o governo da ju s tiç a , que,
Paço da Assem bléa, em 27 de Setem bro não menos que as armas, faz ve n c e r, pela
concordia e socego que delta se segue.
(1) Videinfra as Ords. do liv. 1 lit . 60 pr. 0 do liv. 4 Pelo que, vendo que depois da reco p ila-
tit. 90 § 13. , , cão dos cinco livro s das Ordenações que o
A Res. de 11 de Setembro de 18-20 declarou que este S r. R ey D . M an o el, m eu P ro g e n ito r e tr e s -
Derreto coniprehendia as devassas geraes das residên­
cias dos Magistrados.
A vò, de gloriosa m em ó ria , m andou fazer,
tx x v n
E PORTUGEEZA
se podem m udar e alterar com os te m p o s ,
succedendo fazerem -se depois m uitas Leis
se mandou que so não incorporassem nos
que andavào fóra das Ordenações, se fez
ditos cinco livros da O rdenação.
nova recopilaçao e reform ação das ditas O r ­
As quaes Leis separadas, e sem elhantes,
denações no ãnno de 15 9 5, publicadas no
que até o presente estão em observância, c
anuo" de 1 603 pelos lle y s Catholicos de
não são feitas co n tra a lib e rd a d e, p r e r o ­
C âstella, meus prim os (tendo occupado esta
gatives e franquezas desta C oròa, quero se
C oròa, R einos e Senhorios d e lla com v io ­
guardem como nellas se contém ; resal •
lê n c ia ), das quaes se usou até o presente.
Logo ao tem po de m in h a le g itim a accla-
vando outrosim as Ordenações de m in h a
mação, restituição e ju ra m e n to solem ne,
Fazenda (1), e Artigos de Siias ( 2 ) , que se
e posse destes meus Reinos e Coròa de
guardarão inteiram en te, e Foraes e 1 ro v i-
sò;s de privilégios particulares e R e g im e n ­
P o rtu g a l, tendo p rin c ip a lm e n te presente,
tos legitim am ente feitos e observados.
com o cuidado da defensão d elle com as
Dada em Lisbòa a 2 9 de J a n e iro , anno do
arm as, o zelo de bòa adm inistração de Jus­
nascimpnto de Nosso S enhor Jesu C hristo
tiça na paz e socego da R e p u b lic a , que p re-
liro a todo o utro resp eito ; houve por bem
de 1 6 4 3 Balthazar Rodrigues de Abreo a
d e m a n d a r p o r L ei g eral, que tudo o que íiz escrever.
R ey.
estava ordenado, feito e observado ate o
1» de D ezem b ro de 1640 (em que fu i accla-
m ado e re s titu íd o à le g itim a successão desta L E I D E 11 D E J A N E IR O D E 1 6 0 3 .
Coròa) se cum prisse e guardasse, como se
Confirma, e manda observar as Ordenações compiladas
p o r m im e pelos Srs. lle y s naturaes, meus por determinação d'El-Rey O- Philippe I.
predecessores, fòra feito em q uan lo não o r­
D . P h ilip p e , per graça de Deos, R e y de
denasse o con trario .
Portugal e dos A lgarves, d’ aquem e d a le m
E porque a occasião da g u e rra , p reven ­
m ar, em A frica S en h o r de G u in é e da C o n ­
ção, e disposição da segurança o defensão
quista, Navegação e C om m ercio de E t h io ­
do R e in o para" meio da paz e socego publico
p ia , A ra b ia , P ersia, e da In d ia , etc.
delle e confederação e com m ercio dos P r ín ­
A todos 'nossos súbditos e vassallos destes
cipes Christãos não dão lu g ir para logo
nossos R einos e Senhorios de P ortugal.
satisfazer ao que pelos trez Estados em L ô r -
Porquanto E l- R e y meu S en ho r e P a i, que
tes se m e tem pedido, de entend er na re­ santa gloria haja, pelas causas que a isso
formação e nova recopilaçao das O rdena­
o m overão, m an do u por pessoas do seu
ções com s u p p le m e n t das le is , que depois
Conselho e Dezem bargo c o m p ila ra s O rd e ­
se íizerào, e com a alteração, que com a occa­
nações e Leis que forâo feitas em tem po
sião presente fò r necessário h a v e r, p ro ve r
d’ È l-R e y D . M a n o e l, de gloriosa m e m o n a ,
c re fo rm a r, e o que aceresceu p o r c a p itu -
meu bisavô, e fazer nova C om pilação, a q u a l
los de Cortes dos trez Estados e p a rtic u ­
se não acabou de im p r im ir em dias de sua
lares dos povos, sendo sem pre minha, ten­
ção que as que u ltim a m e n te eslavào feitas
* Vendo Nós quão necessária obra e r a ,
tenhão vig o r e se g u ard em .
mandámos que se acabasse de im p r im ir , e
l i e i p o r b em , de m io b a certa scíencia,
publicasse na fôrm a e m ido em que estava
P o d e r R eal e absoluto, de re v a lid a r, con fir­
feita em tem po d 'E l-R e y m eu Sen ho r e P a i.
m a r, p ro m u lg a r, e de novo o rd en ar e m an-
a qual approvam os e confirm am os, e q u e re ­
d ar que os ditos cinco liv ro s das O rd ena­
mos que em todos nossos Reinos e b e n h o -
ções e L eis , que nelles andào, se cu m p rão e
rios de P o rtu gal se guardem e p ra tiq u e m , e
guardem , como se até o presente praticàrao
vai hão para sem pre, e per as ditas Leis se
e observarão, como se p o r m im novam ente
iu l° u e m , determ inem e decidao todos os
forâo feitas e ordenadas, prom ulgadas e es­
casos que occorrerem ; para o que r e g a ­
tabelecidas, em tudo o que não estiver por
mos e annullam os quaesquer outras O rd e ­
m im feito em m in has Leis e P rovisões, e
nações e L eis, postoque estabelecidas e o r­
o utras, valid am en te depois deltas^ feitas,
denadas fossem em Còrtes que te a q u i
praticadas e observadas em quanto não m a n ­ fòrem feitas, que fóra desta Compilação se
d ar faze r a d ita recopilacào, e não m andar o acharem , salvo as que andarem escriptas
c o n tra rio . , . em hum liv ro , que estara na C a z a d a S u p p li
E quero e mando que em todos meus cacão aue p o r serem sobre cousas q u e sc
R einos e Senhorios se guardem e p ratiq uem podem revogar e m udar pelos tem pos, m a n ­
com o até a q u i; e p o r ellas se ju lg u e m e d e­ ja m o s que se não incorporem nestes cinco
te rm in e m os casos, que o cc o rre re m ; para o livro s das O rd e n a ç õ es ; as quaes L e is se -
ciue revogo e an n u llo todas e quaesquer paradas queremos que se guaidem com o
Leis e Ordenanças, postomie ordenadas em se nellas contém . ,
Cortes, que alé o tem po da pubhcaçao das E resalvando o utrosim as Ordenações de
ditas Ordenações em U de .k n e ir o do d to
anno de 1603 estavão feitas, e fora delias (O Regimento e Ordenações da Fazenda de n de
fossem achad as; salvo as que se acharem
escriptas em hum liv r o daC aza da s u p p li-
° U(!>)^Artigos ou Regimento do Sizas de H de Se­
tembro de 1176.
cação, que por serem sobre as cousas que
LEGISLAÇÃO BKAZ1LE1RA E l’ ORTUGL'EZA
L X X V III
nossos súbditos e vassallos em p erpetua p a z
nossa Fazenda, e dos Artigos das Sizas,
que
e bons costum es: vin d o a succeder na L o r ôa
andão fóra destes cinco livro s, porque «s
destes R einos e Senhorios, houvem os p o r
taes Ordenações se guardarão inteiram ente
m ui necessário entend er sobre o governo
como em ellas se contém .
da Justiça, que, não menos que as arm as,
D ada em Lisboa, a t l de J a n e iro . 1e- faz vencer, pela concordia e assocego que
ro de Seiras a fe z , anno do nascimento
se d elia segue : polo q u a l, vendo Nòs que de­
de Nosso Senhor Jesu C hristo de lb lM .
pois da recopilacão dos cinco liv ro s das Orde­
Ue .
y
nações,que E l -R e y D . M a n o e l, m eu S en h o r
e Á v ò , de gloriosa m em ória, m andou fazer,
D E I D E 3 D E J U N H O D E 1395. se lizerão novam ente outras m uitas Leis
Munda fazer lnmia nora compilação das Ordenações pelos S rs. R eys nossos antecessores e por
d’El-Rey D. Manoel, o da Legislação p o s le rW (l). Nós, as quaes andavão de fóra dos ditos
D . P h ilip p e , per graça de Deos, R e y de cinco livro s espalhadas, em modo que os
Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’alem Julgadores não tinhão delias n o ticia , do que
m a r, em A fric a S enhor de G u in é, e da Con­ se seguia ás partes grande p re ju ízo , e em
quista, Navegação o Com m ercio de E th io ­ algumas havia diversos enten d im eh to s, e
p ia , A ra b ia , Persia e da In d ia . p er outras não era p ro vid o a m uitos casos
A todos nossos subditus e vassallos destes que o cco rriào .
nossos R einos e Senhorios de Portugal, Querendo a isso p ro ver, d eterm in am o s,
saúde, etc. com pessoas do nosso Conselho e D ezem b ar-
Considerando Nós quão necessária lie em go (1), re fo rm a ra s ditas Ordenações e fazer
todo o tempo a justiça, assim na paz como nova recopilacão, de m aneira q ue de todos,
na guerra, para boa governança e conserva­ assi dos Letrados, como dos que não o são,
ção da Republica e do Stado R eal, a qual se possão bem e n te n d e r: a qual obra bem
aos Reys convém como v irtu d e p rin c ip a l, e exam inada e emendada, red uzid a em cinco
sobre todas as outras mais excellente, e em liv ro s , mandámos im p rim ir e p u b lic a r, e a
a qual, como em verdadeiro espelho, se de­ approvam os e coníirinam os, e querem os que
vem ellas sempre rever c e s m e ra r; porque em todos nossos Reinos e Senhorios se
assim como a Justiça consiste em igualdade, guardem e pratiquem , e vai hão para sem p re,
c com justa balança dar o seu a cada h u m , e pelas ditas Leis se julguem e decidâo todos
assim o bom R ey deve ser sempre hum e os casos que occorrerem : para o que re v o ­
igual a todos em "retribuir e a p re m ia r cada gamos e annullam os quaesquer outras O r­
hum segundo seus m erecim entos. denações e L eis, postoquefossem estabele-
E assi como a Justiça lie v irtu d e , não eidas e ordenadas em Curtes , que té aq u i
para si, mas para o utrem , por a p ro v e ila r fòrem feitas que fóra desta recopilacão sc
sómente áquelles á que se faz, dan do -se- acharem , salvo as que andarem scriptas
lhes o seu, e fazendo-os bem v iv e r, aos em h u m liv ro que stará na Caza da S u p p li-
bons como prém ios, e aos mãos com tem or caçâo, que por serem sobre cousas, que se
das penas, d’ondo resulta paz e assocego na podem revogar e m udar pelos tem pos, m an­
R epublica (porque o castigo dos mãos he dámos que se não incorporassem nestes
conservação dus b o n s ); assi deve fazer o cinco liv ro s das Ordenações, as quaes Leis
bom R e y , pois p er Deos foi dado p riu c i- separadas querem os que se guardem , como
palm ente, não para si nem para seu p arti­ se nellas c o n té m ; e resaívando outrosi
cular p ro ve ito , mas para bem governar seus as Ordenações da nossa Fazen da e dos Ar­
Povos e aproveitar a seus súbditos corno tigos das Sizas, que andão fòra dos cinco
a proprios filh o s ; e como q u er que a R e ­ liv ro s , porque as taes Ordenações se g u a r­
publica consista e se sustente em duas cou­ darão in te ira m en te.
sas; p rin c ip a lm e n te em as armas e em as D ada em M a d rid , a 5 dias de J u n h o .—
Leis, e hum a haja m ister à o u t r a ; porque Thomé dcAndrada a fez, anno do nascim en­
assi como as Leis com a força das armas to de Nosso Sen ho r Jesu C hristo de 1395.
se m antém , assi a arte m ilita r com a ajuda
REY.
das Leis he segura.
P ortanto, postoque nas armas e continuas (1) A DeducçàoChronologka, c Mello Freire na sua
guerras contra os inim igos da nossa Santa ílistoriudo Direito Civil Português assegurãoque os
Fé C atholica em diversas partes sejamos compiladores forão : — Pedro Barbosa, Paulo Aflbnso,
Jorge de Cabôdo, e Damião de Aguiar, Desembarga­
occupados: desejando conservar e m anter dores do Paço.
Forão Revisores os seguintes : M elchior do Amaral,
Jorge deCabêdo, Diogo da Fonseca, Damião de Aguiar,
(1) Nas edições Portuguezas c^ta Lei tem o titu lo dee Henrique de Souza : todos nas condições dos prece­
— Prólogo. dentes.
PR IM E IR O LIVRO
DA.S
111" •— *T- T.
>• ' •:
£

• 'f i. ' ^ "■ V ' , ; K ,/


PRIMEIRO LIVRO ^ * ''

• DAS ORDENAÇÕES

T IT U L O I M .- lív . 1 t. I pr.

Do Itegedov da Casa da Supplicação ( I) . 1. T an to que o Regedor fô r p ro vid o do


officio, antes que comece a servir ou faça
^ Como a Casa da Supplicação seja o m aio r cousa algum a que a elle pertença, lh e será
T rib u n a l da Justiça de nossos R eino s, e em dado ju ram en to p elo C h an celler-m ó r em
que as causas de m aio r im p ortân cia se vem nossa presença, naquella fô rm a que se con­
a a p u rar e d e c id ir, deve o R eged or delia ter tém no liv ro da R e la ç ão , em que está
as qualidades, que para cargo de tanta con- s c rip to : e ao pé do juram en to assinará o
iiança e autoridade se req uerem . Regedor com os que se acharem presentes
P e lo que se deve sempre p ro cu rar, que como testemunhas do tal acto.
seja hom em fidalgo, de lim p o sangue ( 2), de M . - liv . 1 1 . 1 §§ l e 2.
sã-consciência, p ru d en te, e de m u ita auto­ S. - p . 1 1 . 1 1 .1 8 13.
rid a d e , e letrad o , se fô r p o s s iv e l: e sobre­
2. O R egedor, todos os dias que não fo­
tudo tão in te iro que sem respeito de am or, rem feriados, pela m anhã v ir á ã Relação, e
o d io , ou perturbação o utra do anim o, possa fará v ir os Desembargadores cedo (1), por­
a todos guardar justiça igualm ente. quanto o desembargo dos feitos ha de durar
E assi deve ser abastado de bens tem - quatro horas inteiras ao m e n o s , passadas
poraes, que sua p a rtic u la r necessidade não pelo relo gio de arêa, que será posto n a mesa,
seja causa de em alguma cousa p erv e rte r a onde o Regedor s tá : o qual tempo se não
in te ire z a e constância com que nos deve gastará em praticas, ou occupações outras,
se rv ir.
não necessárias ao acto, em que stâo.
Isso mesmo deve o R egedor ser nosso
n a tu ra l, para que como b om e leal de­ M . - liv . 1 1 .1 §§ 9, 11 e 12.
seje t» serviço de nossa pessoa e stado. 3. O Regedor elegerá u m sacerdote, que
E assi deve /tem perar a severidade que seu todos os dias pela m anhã diga Missa n o ora­
cargo pede, com p aciência e b ran d u ra no to rio da Relação, antes de se começar o des­
o u v ir as partes, que os homens de baixo pacho (2 ).
stado, e pessôas m iseráveis achem nelle facil
M . - liv . 1 1 .1 §7.
e gracioso acolhim ento, com que sem pejo o
v ejam , e lh e req ueiram sua ju s tiç a , para que 4. A cabada a M issa, os Desembargadores
suas causas se não percam ao desam paro, entrarão logo em desp ach o ; e tanto que en­
mas hajam bom e breve despacho (3). trarem , não consentirá o R egedor, que se le­
E para que o R egedor, que ora he, e qual­ vantem das mesas, em que stiverem , para
q u er que pelo tem po f ô r , possa m elh o r outra algum a p arte , salvo p o r tal necessi­
c u m p rir com sua obrigação, e nosso serviço, dade, que se não possa escusar. A qual sendo
deve te r sempre ante os°olhos nossas O rde­ assada, se tornarão logo a seus assentos e
nações, e specialmente este seu R eg i­ esembargos, de m aneira que se não possa
m e n to , e sempre v iv a a lem brança do p erd er tem po algum .
f grande cargo, que dèlle confiamos, para assi M . - liv . I t . 1 § 10.
ser mais attento e solicito no que deve
5. T an to que os Desembargadores come­
fa z e r, e desencarregar nossa consciência e
çarem de entrar em despacho, o Regedor
a sua, e com seu exem plo in c ita r aos outros
não consentirá que algum dos Serivães,
Ofliciaes a nos bem servirem .
G uarda-m ó r da Relação, P orteiros ou outros

(1) O Regedor das Justiças era o Presidente da an­


tiga Casa da Supplicação. Extinguindo-se esse T ri­ <1) Vide C. R. de 24 de Dezembro de 16)8, 20 de
bunal com a creação do Supremo Tribunal de Justiça, Julho de 1622, 25 de Fevereiro, e 23 de Março de
e a nova reorganisação das Relações do Im pério em 1628; Carla do Governo de 19 de Novembro de 1033;
1828 e 1833, deixou de existir aquelle cargo. Vide Lei e D. de 9 de Agosto.de' 1668, e de 19 de Julho de
de 18 de Setembro de 1828, Codigo do Processo Cri­ 1110; e Ass. de 11,de Agoslo de 1663.
minal art. 8, e Disposição Provisória arts. 18 e 22. (2) Pela C. H. de 7 de Março de 1609, dando Regi-
(21 Vide C. R. de 13 de A b ril de 1636. mento á Relação do Brasil, se impunha também este
(3) Vide A l. de 31 de Março de 1742, Carta do Go­ dever aos respedivos Desembargadores. O Aviso de
verno de 12 dè Janeiro de 1639, e D. de 23 de No­ 12 de Março de 1834 p6z termo a essa obrigação que
vembro de 1662, e de 11 de Junho de 1668. nenhuma Lei abrogára.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

M . - liv . I t . 1SS 9 0 29.


quaesquer Offieiaes e n trem n ella (1 ), salvo | S. - p . 1 t. 5 1. 5.
quando fò rem chamados p o r cam painha. R
8. E quando seis Desembargadores fò re m
tan to que lhes fò r dito o p ara que lo rao cha­
em algum feito de m o rte , e quatro delles fò ­
m ados, se sahirãõ , e não se chegarão as m e­
rem em voto de condem nar, postoque d ille -
sas, onde os Desembargadores stiverem des­
rentes nas condem nações, e dous em ab­
pachando. E os Po rteiro s starao sempre à
solver, p on ha-se a sentença conform e aos
p o rta da banda de fó ra, p ara acudirem a cam­
quatro votos, que fò rem em condem nar, re ­
p ain h a . N em isso mesmo consentira, que
duzindo a m aio r condemnáção â m en o r, sem
fidalgos, ou outras pessoas, venhao a n e ia -
o feito i r a m ais Desembargadores. E a
_ cão, salvo quando fôrem cham ados.
mesma ordem se guardará, sendo todos os
M . - liv . 1 . 1 .1 § 13.
A l. de 1G de Setembro do 158G. seis em voto de condem nar, postoejue a iiie -
rentes nas condem nações, red uzin do os
g. P a ra despacho dos feitos, o Regedor
r e p a r t ir á os D e s em bargad ores p e r todas as quatro votos da m a io r condemnaçao a m e­
mesas dos Officios ordenados, dando a cacla n or dos ditos quatro votos. E a m esm a
mesa (2) os que bem lh e p arecer, segundo a concordia se terá nos votos dos outros le i­
q ualidade e n um ero dos fe ito s ; dando po­ tos, que p e r menos Desembargadores h o u ­
ré m nos feitos crim es, em que alguma pes­ verem de ser despachados ( 1).
soa seja accusada p o r caso, que provado m e­ s .-p .1 1 . 5 1 . 10
reça m o rte n a tu ra l, cinco Desembargadores, L. de 18 tie Nov. de 1577 § 14.
Ass. dé 8 de A b ril de 1591.
para com o Ju iz do fe ito serem seis, e não
m enos. E não sendo os quatro delles con­ o. E sendo caso que os Desembargadores
form es em condem nar, ou absolver, m etterà das mesas sejão de votos d iffe re n te s , de
mais Desembargadores em num ero igual, de tal m aneira que se não possa p ò r desem­
b a r g o , o R egedor fará aju n tar com elles ou­
modo que nunca se vença, ou condem nar
ou absolver, o u rcm etter ás ordens, ou outio tros, que vejam o fe ito , sobre que fò r a d itle -
q u a lq u e r caso, em que se h o u ve r do p ô r no re n c a : e o que a m a io r parte delles ju n to s
feito sentença d e fin itiv a , ou in te rlo c u to ria , acordar, se cum pra. E quando e m a lg u m le ito ,
que tenha força d e fin itiv a , senão por mais visto p e r todos os Desem bargadores, que
dous votos ao menos. E como quatro Des­ presentes fòrem (2), as vozes fôrem iguaes, o
embargadores fòrem concordes, logo se p orá Regedor dará sua v o z , e a p arte , a que se
desemíiargo, e se assinará, e dará á exécm- acostar, p re v a le c e rá; e segundo ella, se
ção. E para m ais b reve despacho, havemos porá a sentença, e assinaráõ som p o s tu la ,
p o r bem , que parecendo ao J u iz do feito nem outra declaração, p er que se possa saber
pelo allegado e provado n elle , que o réo quaes forão em oiiitro p a re c e r; o que não
está em absolvição, ou em condemnáção, haverá lug ar nos feito s, que se despacharem
que não exceda cinco annos de degredo, p er tenções scriptas nelles, p orqu e nas taes
possa p ô r o fe ito com dous Desembargadores, sentenças assinaráõ sómente os que fò rem
para com elie serem tres. E sendo todos tres no parecer, p er que a sentença fo i vencid a
conformes em absolvição, ou em pena, que e não os o u tro s ; p o rém poderão p ò r ju n to
não passe de cinco annos de degredo, se aos seus signaes— p r o v o t o , se em suas
p orá sentença. E sendo differentes, dará o tenções não fòrem em todo conformes á sen­
Regedor o utro Desem bargador, ou Desem­ tença, mas sómente em alguma p arte.
bargadores, em modo que se sejão tres em
M . - l iv . l. l i i §27.
u m acôrdo, e conforme a elle se p orá a sen­ S. - p . 1 t. 5 1. 4.
tença.
“ M .- liV . 1 1. 1 § 9. io. E se o Regedor v ir alguns feito s a r-
S . - p . l t . 5 1. 5. duos, assim eiveis, como crim es, que em R e ­
h. de 18 de Nov. do 1577 § 14. lação se houverem de despachar, e s e n tir
7. E mandamos, que nos outros feitos, que que h a nelles algumas taes duvidas, q ue lh e
em R elação se houverem de despachar, sem­ pareça ajun tar mais Desem bargadores, que
p re faça 1 n o r d ar os Desembargadores em os ordenados ao despacho dos taes feito s,
num ero d es ig u a l, assi como tre s , cinco, fará ajun tar aquelles, que suspeitos n ão fô­
sete. E nos feitos crim es, onde não se m e­ rem , e lhe p arecerem necessários, e com elles
receria m o rte , postoque provados fossem, o se desembarguem os ditos feito s, e is to fará ,
Juiz do feito o p oderá despachar com outro cada vez que necessário lh e p arecer. P o ré m
Desem bargador, p aracom elle serem dous (3); se o despacho do feito p en der sobre em b ar­
e sendo ambos conform es, se porá a sen­ gos a algum desembargo, ou sentença, não
tença, e não o sendo, o R egedor dará o utro m etterà outros Desembargadores no despa­
D esem bargador, o u Desem bargadores, e cho, senão os que fo ra m no p rim e iro desem­
como fòrem dous conform es, se porá a sen­ bargo, ou sentença. E se lh e p arecer que
tença, e se dará à execução.*2 3 alguns dos ditos Desembargadores são sus-
(t) Vide C. R. de H do Setembro de 1622.
(2) Vide G. R. de 18 de Outubro de 1614, e Asa, da
29 de A bril de 1659, e de 18 de Julho de 1691. (1) Vide Asa. de 9 de Janeiro do 1646, de 29 de
(3) Vide Al. de 4 de Outubro do 1649, e Asa. de 29 A bril de 1659, e de 18 de Julho de 1691.
do A bril de 1659. (2) Vide D. de 14 de A b ril de 1682.
TITULO I 3
peitos ( 1) de tal suspeição, que a parte a não Relação se despacharem pelas mais vozes,
possa p ro v a r, ou p o r outra razão (2) , que o como d ito h e , sempre a sentença, assi defini­
m o va a nol-o fazer saber, então fará sobres­ tiv a , como in te rlo c u to ria , será” scripta pelo
ta r no despacho, e nos in fo rm ará da razão, Juiz do fe ito , posto que seja em differente
p o r que lh e pareceo que se devem m etter v o t o ; e sera outrosi assinada p er todos os
m ais Desembargadores no despacho dos d i­ que no feito fo rem , e n elle derem sua voz,
tos embargos, para Nós nisso proverm os posto que alguns delles fossem de contrario
como nos bem parecer. p a re c e r, e assinarão sem apo s tilla , nem
outra declaração, p er que se possa saber
M .- liV . 1 t. 1 § 28.
quaes foram de outro vo to . E tirand o-se a
11. E quando no despacho de alguns fei­ sentença do processo, será assinada pelo
tos, que perante Nós (3) se despacharem dito Juiz do feito só m en te; e sendo ab-
em R e la ç ã o , forem alguns Desembarga­ sente, passará pelo D esem bargador, que
dores d o ° P a ç o , e as partes v ierem com p o r eíle s e rv ir, ou p er aquelle, a quem o
embargos â sentença, ou despacho, o Rege­ Regedor o com m etter. E se a sentença fôr
d o r dará em lug ar delles outros Desem bar- de qualidade, que quando se tira r do pro­
dores da Casa, que dos ditos embargos co- cesso, haja de ser assinada per dons Des­
nheção. embargadores, e h um delles fò r absente,
D. do 23 dc Janeiro de 1512. passará pelo que presente fô r, e o Scrivão
porá no fim da sentença, como não assinou
12. E não consentirá que feito algum dos o o utro, p o r ser absente.
quo m andamos desem bargarem Relação, seja
M . - liv . 1 t. 1 § 23.
despachado, ou visto pelas casas dos Desem­ S. - p . 1 1. 5 1. 4.
bargadores, ou fóra da R elação,m as sómente
u. E quando algum a das partes tiver
p elo Juiz que fô r do feito, o qual depois de
suspeição a algum dos Desembargadores ao
o te r vis to , o le v ará á Relação, para ahi o
tempo que o feito se h o u ve r de desembar­
despachar segundo seu R egim ento. E p ro ­
gar em Relação, fará disso per palavra in ­
vand o-se que fo i despachado pelas casas,
formação aò’ R e g e d o r; e elle com acordo
ou fó ra da R elação, ainda que o despacho
dos oiltros Desembargadores (1), que stive­
seja posto n e lla ,”a la i sentença, ou despa­
rem no despacho do d ito feito , a desembar­
cho seja n u llo , e alem disso o Regedor lho
gará, como virem que he d ir e ito ; e segundo
stran h ará segundo a qualidade do caso
p er elle com a m a io r p arte dos Desembar­
re q u e re r. P o rém sendo os feitos p rim e iro
gadores fo r acordado, assi o mandará
vistos em Relação, se algum Desembarga­
c u m p rir. E achando que he suspeito, com-
d o r, p o r não stâr bastantemente instru íd o ,
m etterá o R egedor o tal feito a outro Des­
os q u iz e r le v a r p ara os v e r em sua casa,
em bargador, que suspeito não seja. E em-
p o d e l-o -h a fazer com licenca do R egedor.
quanto stiverem ás vozes sobre a dita
Os quaes to rn ará tra z e r ã Relação em um
suspeição, o Desem bargador, a que fòr
b reve term o , que lh e o R egedor assinará,
p o s ta,” se apartará para outra p a rte , até
e em o utra m an eira não.
sobre ella se tom ar conclusão.
M .- liV . l t . l g 33.
M . - liv . i t . i § 25 e t. 2 §7.
ia. E os feitos crim es e eiveis, que em
15. E quando se h o u ver de commetter
R elação h ou verem de ser desembargados,
algum feito de novo a algum Desembarga­
ou em que forem dados certos Juízes para
d or, no caso onde não houve suspeição
ju n ta m e n te despacharem , sejam lidos pelo
procedida pelo C hanceller, e assi quando os
J u iz que fò r de cada h um delles, perante os
Desembargadores se lançarem de suspeitos,
Desem bargadores, que para despacho delles
antes de lhes v ire m com suspeição, ou
fo re m deputados. O qual Juiz le rá as in­
quando, depois de ih a intentarem', se lan­
q uiriçõ es e scripturas, que aos ditos feitos
çam, antes de ser procedida, o Regedor
p erten cerem . É acabado de ler o feito , o
eleve com m etter os taes feitos a quem lhe
J u iz dará n elle sua voz p rim e iro , e d ah í bem parecer (2), que suspeito não seja, não
p o r d ian te os outros Desembargadores, que
adm ittindo ás partes roes de pejados, como
ao fe ito s tiv e re m ; e o que p ela m aio r parte
atéqui se fazia.
fò r acordado, se c u m p rirá e dará â execu­
M . - liv . 1 1 .1 § 2s.
ção, sendo porem no despacho dos feitos
S. - p . 1 1. 5 1. 18.
eiveis ao menos tres (4) Desembargadores. L. de 21 de Março de 1590 § 3.
E .em todos os feitos sobreditos, que em 16. E se acontecer algum delicto, que se
h ou ver de despachar na Casa da Supplica-
(1) Sobre a suspeição dos Desembargadores, veja-se
o que dispõe a C. R. de l i de Setembro de 1614.
(2) Sobre outros impedimentos, veja-se o Ass. de (1) Vide Ass. cie 20 de Outubro de 1623 e 18 de
Maio de 1732. Todos referem-se ao modo de julgar-se
21 de Julho de 1797.
(3) A respeito da assistência do Rey ao despacho de as suspeições do Regedor, e de outros membros do
feitos na Casa da Supplicação, consulte-se o Ass. de Tribunal. , .„
(2) Vide Ass. de 22 de Setembro de 1629, e de 18
11 dc Agosto de 1663.
(4) Vide Ass. de 5 de Julho de 1663. de Maio de 1732.
Ord. 6
4 PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

ção, em que pareça que se deve proceder sempre na R elação stô h u m sacco de dous
sum m ariam ente, o R eged or fará aju n ta r emrep artim en to s. E em h u m delles fará m e t-
Mesa grande seis Desem bargadores; e vista te r as petições despachadas, e em o utro as
a qualidade do caso, e p ro va , e todo bem que o não f o r e m : de m odo q u e , quando se
considerado, se parecer que se deve nelle acabar a Relação em cada h u m d ia, fiquem
proceder su m m ariam ente, se procederá. todas as petições recolhidas no d ito sacco.
P o rém (1), sendo o reo C avalleiro, ou d’ah i E as despacíiadas tira rá o P o rte iro , e nâo
p ara cim a, e condenado em m orte n a tu ra l, as darà da sua mão âs p artes, mas as le v ará
nâo se fará nelle execução, sem n o l-o faze­ a cada hum a audiência dos aggravos, p ara
o Desem bargador, que a fiz e r, as m andar
re m saber.
en treg ar ás p arte s , ou á seus procuradores.
C. R. de 6 de Julho de 1579.
Apost. de 21 de Junho de 1576. E não stanuo presentes, as to rn e o P o r­
teiro a re c o lh e r e m e tte r n o d ito sacco,
17. E p ara os Desem bargadores dos A g -
donde as tir o u , p ara as le v a r à outra au­
gravos despacharem todos os feito s, que
d iên cia seguinte com as m ais, que forem
p e r bem do seu R egim ento hão de despa­
despachadas.
char em R elação, o R eg ed o r ordenará hum a
mesa âs terças fe ir a s , quintas e sabba-
M .-liv . 1 1 1S 49.
dos (2), p ara n ella despacharem os taes fe i­ 20. Ite m o R egedor terá cuidado de faze r
tos : e n a d ita mesa os Desembargadores não despachar nos derradeiros dias antes do
se occuparão em o u tra cousa nos taes dias. spaço todos os fe ito s , que stiverem em
R elação, que p e r petição ju n ta aos autos
M .-liv . i t . 1 § 17.
S .-p . 1 t. 51. 3 §3. se mandassem a ella v i r : em m odo, que
n en h u m delles fique no spaço das feria s
is. It e m mandamos que n en hu m Desem­
bargador tom e petição algum a, em que se p o r despachar.
re q u e ira m andar i r os autos á R e la ç ã o ; e a M .-liv . 1 1 .1 S48.
p arte , que a q u ize r d ar, aggravando-se p e r 81. E no mesmo fim de cada anno m an ­
tal petição dos Corregedores da C o rte, e dará faze r h u m ro l a cada h u m dos S c ri-
Julgadores da Cidade de Lisb oa, ou dos lu ­ vães de todos os fe ito s , que na Casa da
gares d en tro de cinco legoas d ella , a dê ao Supplicacão no ta l anno se despacharam
R eged or, ou aos P o rte iro s da R elação, para finalm en te, e de quantos lh e ficaram p o r
ue lh a dèm na m esa, e elle a veja com os
S
desembargadores dos A ggravos. E os ditos
P o rte iro s , quando taes petições lhes forem
despachar, p ara pelo d ito r o l sabermos os
feito s, que cada h u m Desem bargador des-
achou, e os que ficam p o r despachar, e
dadas, as tom em , e com d ilig encia as ap-
presentem ao R eg ed o r, sem p o r isso leva­
E íes m andarm os d ar despacho no anno
seguinte.
rem cousa alguma. E as petições, que se M .-liv . 1 1. l S 45.
despacharem ( 3) , p e r que m andem le v a r os
22. E bem a s s i, antes que e n trem as
autos à R elação, que fo rem sem sinal do
f e r ia s , elegerá h u m D e sem b arg ad o r, que
R eged or, havemos p o r b e m , que não va­
no tem po delias v e ja os fe ito s , e carton os
lh a m , n em se faça obra algum a pelo tal
dos Scrivâes do C r im e , e faça execu tar
desem bargo: e o s c riv ã o , que as a ju n ta r ao
todas as penas e condenações de d i­
fe it o , seja suspenso do O fficio p er seis
n h e iro (1 ), que naquelle anno se aplica­
mezes. E posto que o R eged or seja em
ra m p ara as despesas da R elação , ou para
o p in iã o , que os autos nâo ven h am à R e ­
outras obras pias (2).
lação, se os Desem bargadores dos A g g ra-
vo*s forem em m ais vozes que ven h am , porá L. de 18 de Novembro cie 1577 § 53.
seu sinal na d ita p etição. E s e no m an dar (4) 23.
E quando fallecer algu m Desm barga-
aju n tar estas petições h o u v e r desvairo entre
d o r, que tiv e r Officio n a d ita Casa, o R e­
os Desembargadores, de m an eira que tres, gedor n o l-o fará logo s a b e r, p ara Nós
ou m ais votem , todos assinarão no des­ p roverm os n a p ro pried ade , ou se rv in tia ,
pacho. como fo r mais nosso serviço. E em quanto
M . - liv . 1 1 . 1 S 47. não p roverm os, m andam os, q ue sendo vago
o O fficio de C hanceller, o s irv a o Desem ­
19. E p ara o R eg ed o r m e lh o r ordem ter
bargador dos A ggravos m ais antigo . E sendo
no despacho das p etiç õ e s , o rdenará que
o de algum dos Corregedores do C rim e da
C orte (3), o u do C iv e l, o s irv a o com pa-
(1) Monsenhor Gordo sustenta em sua obra que o
final deste paragrapho fo i extrahido do A l. de 6 de
Julho de 1569, segundo a Apost. de 21 de Junho (1) O Ass. de 23 de A| rosto de 1719 providenciou
sobre o modo de arrecat [ação dessas penas, e mais
de 1576. propinas do Tribunal.
(2) A Carta do Governo de 17 de Março de 1634 dava
providencias sobre o modo de acudir-se ao serviço re- (2) A arrecadação das penas e condemnações com
commendado neste paragrapho, sem prejuízo de outros destino aos captivos foi regulada pelo D. de 16 de
extraordinários ou fóra dos dias aqui designados. Maio de 1640.
(3) Sobre a substituição no impedimento dos Corre-
(3) Sobre o dia da apresentação dos autos em Rela­
ção, e respectiva suspensão, consulte-se os Ass. de 25 gedores consulte-se os Ass., de 11 de Janeiro de 1628,
10 de Julho de 1653s 6 de Julho de 1655, e 5 de Julho
de Agosto de 1701, e de 18 de Novembro de 1719.
(4) Vide Gabedo Dec. p. 2 A r. 92. de 1674.
TIT13LÔ 1 s
n h e iro , e o mesmo será, fallecendo algum e outras não. P o ré m nos Officios de M e i­
dos Juizes de nossos feitos. E sendo vago rin h o s , A lc a id e s , e seus Scrivâes poderá
o O flicio de algum dos Desembargadores p ro v e r as pessoas, que lh e p a re c e r, que
dos A ggravos, ou dos O uvidores do C rim e, m e lh o r podem s e rv ir, não passando o dito
se d istrib u irão de novo os feitos pelos tem po de dous mezes.
outros. E nos m ais O fficios, que se ser­ Ref. de 27 de Julho de 1582 g 10.
ve m p e r Desembargadores, o R egedor en-
26. E poderá d ar os Officios dos S o lici­
com m endará a se rv in tia a outros Desem­
tadores, Cam inheiros e Pregoeiros da Casa
bargadores da Casa, que Officios não
da Supplicaçâo às pessoas, que para ello
ten h am , até Nós proverm os. lh e parecerem pertencentes, e lhes passará
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 6. suas cartas.
24. E sendo algum D esem bargador, que M . - liv . 1 1 .1 §37.
O fficio te n h a , absente, ou im p e d id o , de S. - p . 1 1. 29 1.1 pr. e § 5.
m a n e ira que não possa s e rv ir, ou desem­ 27. E se algum Desembargador, ou Offi­
b argar os feitos, que a elle p erten cem , ou cial tiv e r alguma tal necessidade, p o r que
os que lhes stiverem com m ettid os; o Rege­ lhe convenha d e ix a r de s ervir na Relação
d o r p o rá o utro em seu lu g ar, que os des­ algum tem po, o R egedor lh e poderá dar
em bargue, segundo pertencia fa z e r ao tal lugar e licença (1) p er alguns dias, com
Desem bargador absente, ou im p ed id o , de tanto que não passem de vin te em partes,
m a n e ira que p o r fa lta dos ditos Desem bar­ ou ju n tam en te p e r todo o anno. E havendo
gadores p rincip aes os feitos não sejam re­ causa para lh e serem dados mais que os
tardados. E tanto que cessar o d ito im pe­ ditos v in te dias, será p er nossa special P ro ­
d im e n to , ou absencia, o Desem bargador visão (2). E quanto â licença, que póde dar
reco lh erá seus feitos no p on to e stado, em aos Scrivâes da Corte, guardará o que he
que os achar, sem ficar algum feito áquelle, Dos Scrivâes
conteúdo no T itu lo ( 2 4 ) :
a quem o d ito O flicio fo r com m ettido. E dante os Desembargadores do Paço.
fazendo o Regedor commissão, seja sempre M . - liv . I t . 1 § 38.
á pessoa, que ten h a letras e partes para Ref. de 27 de Julho de 1582 § 7.
bem s e rv ir o ta l cargo, que assi lh e fò r 28. A s audiências dos aggravos e appel-
c o m m e ttid o ; p o rém não fará a ta l com - lações, e Juizo da C hancellaria se farão ás
missâo á D esem bargador, que O flicio outro terças feiras, q uintas e sabbados de cada
ten h a n a Casa ( i ) . E vind o algum a das semana. E as do Juizo dos feitos da Coroa
partes com embargos â alguma sentença in - e Fazenda, e O uvidores do C rim e, se farão
te rlo c u to ria , ou d efin itiv a , dada p e r aquelle, ás segundas, quartas e sextas. E quando
a quem o d ito O flicio fo i com m ettido, elle arecesse ao R egedor, que as audiências se
conhecerá dos taes embargos (2), se na casa
s tiv e r ; e não stando n ella , então conhecerá
S eviam faze r em outros dias (3), p o r taes
necessidades, ou casos, que sobreviessem,
defies o J u iz p ro p rie tá rio do O flicio . o rd en al-o -h a, como fò r m ais nosso serviço,
M —liv . 1 1. 1 § 30. e bom despacho dos feitos e das partes, em
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 6. m an eira que os feitos se não retardem ,
25. E quando algum O flicio de S crivão, antes sejam com mais brevidade despacha­
E n q u e re a o r, D is trib u id o r, C o ntador, M e i­ dos, porque este he o mais p rin c ip a l res­
rin h o , A lc a id e , o u o utro sem elhante da p eito , que se deve ter.
Casa da S upplicaçâo, se não s e rv ir, polo
M .—liv . 1 t. 1 §§ 16, 17 e 18.
p ro p rie tá rio ser m o rto , absente, o u im pe­
d id o , o R egedor não p ro verá pessoa alguma 29. O R egedor se in fo rm ará cada m ez, se
d a s e rv in tia dos taes O fficio s; e stando Nós as audiências da Casa são bem feitas, e se
n a cidade de L isboa (onde temos ordenado os Scrivâes de cada hum a audiência vão
que a Casa sempre resida), n o l-o fa rá saber, continuadam ente p rim e iro que o Desem­
p ara N ós proverm os a quem houverm os bargador, e se tom am os termos nas au­
p o r bem . É não stando Nós na d ita cidade, diências, e os screvem logo nellas em seus
poderá o R eged or p ro v e r na se rv in tia dos liv ro s e cadernos, que para isso terão. E
ditos O fficios p er tem po de dous mezes só- assi, se o M e irin h o das cadêas vai ás au­
m ente ( 3 ) , os quaes acabados, os não refor­ diências, como he o b rig a d o ; ou quando
m ará : e as pessoas, a que assi p ro ve r, he occupado, se m anda lá os hom ens, que
serão das que já tem semelhantes Officios, são ordenados. E achando que os Desem -

(1) As providencias tomadas ácerca de taes commis-


(t) O A l. de 2 de Março de 1613 providenciou ácerca
sôe8 podem vôr-se na C. R. de 6 de Março de 1623,
los Desembargadores que se ausentavão sem licença, ou
e D. de 29 de Julho de 1668.
(2) Pelo que respeita ao recebimento e processo dos ixeedião as concedidas. , ,
(2) . A C. R. de 3 de Julho de 1618 e D. de 10 cie
embargos, veja-se os Ass. de 10 de Março de 1640, 25
Agosto de 1667 regulão o modo de se passarem, essas
de Janeiro de 1642, 10 de Julho de 1653, 7 de Feve­
reiro de 1658, 17 de Novembro de 1711, 4 de Novem­ Provisões.
(3) O Ass. de 15 de Novembro de 1727 marcava o
bro de 1860, e 21 de Julho de 1797. tempo em que se podião prete rir as audiências da
(3) Este praso foi strictamente recommendado na
R. de 26 de Julho de 1633. rribunal.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

bargíulores, que fazem as audiências (1), T itu lo (2 4 ): Dos Scrivães danie os Desem­
não olham p o r isso, os amoestc que o fa­ bargadores do Paço e dos Aggravos.
çam c u m p rir, castigando os que achar n e- M .-liV. 1 1. 1 § 42, Ct. 20
gliçentes, como fo r d ir e ito ; do que m anda- S .-p . 11. 281. 1 §9, e t. 29 1. 1 § 5.
inos ao R egedor, que ten h a m u ito cuidado, 32. E tira rá cada anno devassa dos A d v o ­
porque de os Scrivães o não fazerem assi, gados, que são negligentes e faltam nas
se retardam os despachos dos feitos. A u diências, e dos que retard am os feitos (1),
M .-liv. 1 1. 1 S 21. e dos .1uizes, que não dão â execução a O r­
30. E o R eged or com os Corregedores do denação, que m anda, que os Advogados
Crim e e seus S c r iv ã e s ,c o m os Desem bar­ sejam condenados em dez cruzados, não
gadores, que lh e parecer, vis ita rá as ca­ dando os feitos nos term os, qne lhes fo r
dêas (2) hum a vez ao menos em cada m ez, m andado. E assi tira rá devassa de todos
na d errad eira sexta fe ira , ou sabbado delle, os m ais Officiaes da Casa, p a ra so saber
fazendo audiência geral aos presos, e tra ­ como cada h um cum pre com sua obrigação.
b alhando, quanto fò r possivel, p o r se des­ L. de 1C do Setembro de 158G § 6.
pacharem as suas causas com justiça e b re­ 33. T ra b a lh a rá de saber, como o M e ir i­
vidade (3), p rin c ip a lm e n te dos que fo rem nho da C o rte, e o das cadêas servem seus
presos p o r casos leves. E a p rim e ira cousa, Officios, e se nelles satisfazem com as cou­
de que se in fo rm arã o , será, se se correo sas, que são o b rig a d o s , e se trazem os
a fo lh a , conform e ao que se d irá no L iv ro hom ens, que lhes são ordenados, c se são
q u in to , T itu lo (12 5 ): Como se correrá a taes, como cum pre p ara as cousas da ju s ­
folha: castigando os que acharem culpados. tiça. E achando que o M e irin h o da Corte
Ref. (te 27 de Julho do 1582 § 57. fa*z o que não deve em seu O fficio, amoes-
31. E p ro verá sobre os Scrivães da Casa ta l-o -h a ; o sendo suas culpas taes, p o r
da S u p p licação , se fazem íielm ente seus ue se deva p ro ced er contra e lle , m an-
O fficios, e se são diligentes no serviço alo-ha faze r, segundo ellas m erecerem . E
d elle s , ou de m á resposta ás partes, ou se achar que os hom ens, que tem , não são
scandalosos, ou lhes levam de suas scrip - os que devem , e do que não h o u v e r boa
turas mais do que lhes he ordenado. E inform ação, m an dar-lh os-ba d esp edir, e to­
bem assi dos D istrib u id o res e So licitado ­ m a r outros, que hem s ir v a m .. E quanto ao
res da Justiça, se cum prem com as obriga­ M e irin h o das cadêas, se achar que faz o
ções de seus Officios, tira n d o em cada h um que não deve, e fò r com prendido em erros,
ânno sobre isso devassa delles (4). E assi p o r que lho pareça razão suspendel-o do
poderá tira r as testemunhas, que lh e bem O fficio, pod el-o-h á fa ze r, e m andará p ro ­
parecer, quando algum a parte se lh e quei­ ceder contra e lle , como lh e parecer ju s ­
x a r de algum Scrivão. E o que achar que tiça, e n o l-o fará s a b e r, para pro verm o s,
fazem m al, fa rá em endar, em m odo que como fo r nosso serviço. E acerca dos ho­
elles satisfaçam com o que devem . E mens guardará o que ° d ito h e nos do M e i­
achando alguns com prendidos em erros, rin h o da Corte.
p o r que m ereçam castigo nas pessoas ou M. - liv . i t . l § 41.
nos Officios, rem etterá as culpas ao Juiz 34. Ite m , p ro verá m u ito a m iú do sobre
da Ch-ancellaria. E podel-os-ha suspender, o C arcereiro da C o rte , sabendo se serve
quando pela devassa, ou in q u iriç ão lhes bem seu O ffic io , ou faz n elle o que não
achar tal culp a, p o r que com razão o deva deve, m andando tir a r sobre isto devassa:
fazer. E tan to que fo rem suspensos, nol-o e trabalh ará que p o r descuido, ou negli­
fará saber, p ara mandarmos proceder con­ gencia não possa faze r o q ue não deve.
tra elles p ela m an eira, que nos parecer, E poderá castigar o Pregoeiro da Corte,
não tolhendo porém ao C hanceller da Casa se não fize r seu O fficio, como he obrigado.
e ao Juiz da C hancellaria poderem entender
M .-liv . l t . 1§43, e t . 25S3.
nos ditos Scrivães, segundo em os R e g i­
mentos de seus Officios he declarado. E 35. E p ara que os feitos crim es se des­
assi mais conhecerá o R egedor com os pachem mais m teiram en te, o R eged or de­
Desembargadores, que lh e bem parecer, da clarará p e r sua le tra os nomes dos O u v i­
culpa do Julgador, ou S crivão , em cuja d o res , que hão de conhecer delles. Os
mão se perderem os feito s, como se d irá no quaes o D is trib u id o r d is trib u irá cm nu­
m ero igu al ( 2 ) , sem fazer o u tra algum a
(1) Vide o Ass. de l i de Novembro de 1127. declaração.
(2) No § 7 do A l. de 31 de Março tie 1742 se re- L. de 18 de Novembro de 1577 § 54.
commenda que se faça nas cadêas repetidas visitas á
bem da repressão dos delictos.
(3) O D. de 25 de Janeiro de 1668, o A l. de 18 de
Maio de 1734, o Ass, de 4 de Dezembro de 1637 re - (1) Esta medida foi também reproduzida no § 3 do
commendão a brevidade dos despachos e julgamento A l. de 31 de Março de 1742.
dos presos, tomando-se providencias á respeito da es- (2) O A l. de 22 de Novembro de 1613 providenciava
cripturação das prisões. sobre a distribuição dos feitos, exigindo que em tres
(4) Essa devassa foi de novo recommendada ao Re­ dias da semana fosse o Distribuidor á Relação para
gedor em D. de 14 de Julho de 1654. desempenho do encargo cm presença do Chanceller.
TÍTULO I 7

36. E quando algum a p arte p er inform a­ v e r á , não stando a Casa, onde N ós sti-
ção se aggravar de algum Official da Jus­ verm os. O que tudo de novo lh e torna­
tiç a , e no aggravo apo ntar cousa, que o mos a encom m endar e m andar,
in fa m e , o R egedor em Relação com acordo
M .-liv . 1 1. 1 § 44.
dos Desembargadores conheca deite. E se
acharem que a in fa m ia não *he verd adeira, 40. Ite m ao R egedor pertence m andar
a farão em endar ao que a poz, p er p risão, fazer os pagamentos (i) aos Desembarga­
e p er pena c o rp o ra l, ou p e c u n iá ria , ou dores aos quartéis, p er ro l per elle assi­
p e r reprehensão de p a la v ra , segundo a qua­ nado. E no m antim ento delfes se não fará
lid ad e do caso e das pessoas.' E achando embargo (2) a req uerim ento de credor al­
q ue o O fficial fo i infam ado com ra z ã o , o gum , senão p er mandado do R e g e d o r; e
R eged or o deve re p reh en d er publicam ente o thesoureiro, que o h o u ve r de pagar, não
p erante os outros Officiaes da R e la ç ão ; e guardará algum outro embargo feito no
se m erecer m ó r pena que reprehensão, d ito m a n tim e n to ; o qual lh e não m andará
com acordo dos Desembargadores lh e faça o Regedor embargar p o r d ivid a alguma,
todo em endar, e castigar com a pena, que senão quando achar que o Desembargador
v ire m que m e re c e , conform e a qualidade fez em seu Officio cousa, p o r que lhe
d a culpa. deva ser embargado.
M .-liv . i t . 1 § 14. M .-liv . 1 1.1 § 34.
37. A o R egedor pertence p ro ve r e con­
41. E p er seus A lv a rá s m andará pagar (3)
servar os stilos (1) e bons costumes acerca
ao Scrivão de nossos feitos, Carcereiros,
d a ordem dos feito s, que sempre se cos­
Guardas da cadêa, M in is tro s da Justiça,
tu m ara m e g uardaram n a d ita Casa. E
P o rte iro s , Cam inheiros da Relação, Cor­
não consentirá que Desem bargador algum
red o r das folhas, S o licitad o r da Justiça, e
e n tr e , nem stê n a Relação com spada,
quaesquer outros Officiaes da C asa, que
p u n h a l, adaga, ou o u tra q ualqu er arm a.
tive re m m a n tim e n to , ou ordenado. E
M .-liv . 11. l S 19. quando m andar pagar aos Cam inheiros,
38. E bem assi lh e pertence p ro cu rar Corredores das folhas, e S o lic ita d o r, o fará
h o n ra e mercê aos Desembargadores e ou­ com certidão do P ro m o to r da Justiça, de
tros Officiaes da Justiça da Casa (2), sobre como tem servido como d e v e m , o sem
ue tem o R eg im en to , e fazer-lhes guar- ella não. E bem assi m andará pagar do
a r seus p riv ilég io s . d in h e iro das despesas da Relação ao Ca-
pellào delia. P o rém a n en hu m Desembar­
M .-liv . i t . 1 § 15.
gador, nem Official m andará pagar o tempo,
39. E se alguns Senhores de terras, ou ue não s e n d o , salvo stando doente na
pessoas, que tem jurisdições, usarem de o rte, ou indo p er nossa licença, ou sua
m ais ju ris d iç ã o , que a que pelas doações das
fó ra (4).
d itas terras lhes he dada., o Regedor lh o não
consinta, e proceda con tra elles, como p er M .-liv . 1 1. 1 §§ 7. 34 e 35.
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 55.
d ire ito deve fa z e r. E olhe p o r isto, como
p o r cousa mais p rin c ip a l, e as mais vezes 42. I t e m , m andará pagar das despesas
q u e lh e fô r possivel, p ara se p ro v e r, como da Relação ás testem unhas, que p o r bem
f ò r nosso serviço. E sendo as pessoas, que de justiça forem mandadas v ir á Corto teste­
isto fizerem , dé q ualidade que nol-o deva m u n h ar. A s quaes nunca mandarão v ir
fa z e r saber, o d ir á a N ó s, ou nol-o scre- p ara se pagarem das despesas da R ela-

(1) A manutenção desses estylos c costumes antigos


fo i também consagrada pelo Ass. do 11 de Agosto (1) As C. R. de 4 de Junho de 1614, 16 de Dezem-
de 1663. ro de 1615, e 15 de Agosto de 1620, e D. de 29 de Ja-
A Lei de 18 de Agosto de 1769 § 3 confirmou eiro.de 1641 providencidrão sobre o pagamento dos
em parte c alterou os estylos estabelecidos quanto aos rdenados dos Desembargadores.
Juizes que tinhão de ju lg a r as sentenças á que o Consulte-se ainda o A l. de 13 de Maio de 181 o,
Chanceller oppunha glosa. A R. de 20 de Fevereiro 'ort. dc 5 de Dezembro de 1815, R. de 3 e 8 de Feve-
de 1818 mandou manter á prescripção legal. eiro de 1825, D. de 17 de Fevereiro e 29 de Novem-
Por Port, de 11 de Novembro de 1824 se orde­ ro do mesmo anno, R. de 14 de Novembro de 1826,
nou que o Regedor, em casos de pena capital, p arti­ 8 de Maio de 1827, e Av. de 16 de Agosto de 1828,
ciparia logo a decisão dos embargos que se oppu- 2 de Março de 1830, e 14 dc Julho de 1831.
(2) O D. de 6 de Fevereiro de 1642, e Ass. de 27
zessem.
Sobre diíferentes estylos e praticas da Casa da c A b ril de 1634 c de 25 de Agosto de 1674 obstarao
que se pudesse pôr embargo ao recebimento dc taes
Supplicação cousulte-se os Acc. de 26 de Fevereiro e
rdenados em casos ali previstos. , oa .
5 de Julho de 1825, Portarias de 25 de Agosto de
( 3) O D. de 19 de Agosto de 1644, e Ass. de 22 de
1825, P. de 30 de Junho de 1827, R. de 24 de Março
lezm b ro do mesmo anno estabelecérâo providencias no
de 1825. entido de faserem effectivos aos empregados nomeados
( 2) Sobre os privilégios e honras de que trata este
paragrapho consulte-se o Ass. já citado de H de este paragrapho os seus vencimentos.
Consulte-se também o A l. de 11 de Fevereiro de
Agosto de 1663, e C. R. de 30 de Dezembro de 1611.
815, D. de 16 de Agosto de 1825, e A v. de 27 de
Consulte-se também o Av. de 3 de Fevereiro de
1818, R. de 24 de A b ril do mesmo anno, Port, de 20 igosto de 1828. , .
(4) A Port, de 19 do Novembro de 1824 determmoo
de Outubro, e 7 de Dezembro de 1821, A l. de. 17 de
s casos em que se fazia indispensável a certidão de
Janeiro de 1822, Port, de 25 de Agosto de 1825, e 6
de Março de 1828, e R. de 26 de Julho de 1831. ledico.
Ord . 7
8 PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

ção (1), senão p e r m andado do R egedor, , fam a, que disso h aja, cham ará o D esem ­
que o m andará com acordo da Mesa grande, | bargador, ou O ffic ia l, que nos ditos de­
ou quando fo rem cinco Desembargadores feitos, ou em cada h u m delles fò r c o m -
Juizes da causa, sobre que as m andam p re h e n d id o , ou in fam ad o , e apartadam ente
v ir , todos conformes, como se d irá no T i­ o amoeste que se emende (1 ), e considere
Dos Ouvidores do Crime da Casa
tu lo (11 ): como p o r respeito do O fficio, que de Nós
da Supplicação. tem , he h on rado e stim ado e n tre os b o n s,
e recebe de N ó s m ercê, e com outras m ais
M . - liv . l t . 1 § 20.
palavras de am oestação, que segundo a
43. E ordenará h um R ecebedor, que te­qualidade da pessoa ê do caso lh e p arecer.
n h a carrego de receber o d in h e iro , que se É não se em endando p ela p rim e ira v e z ,
app licar ás despesas da R e la ç ã o , e h um d ir-lh o -h a a segunda em presença de ou­
Scrivão da sua receita e despesa, e p er tros Officiaes de sem elhante O fficio, p ara
A lv a rá s p e r clle assinado se farão as des­ que a vergonha o o brig ue a em endar-se.
pesas d e lle , e se levarão em conta ao E quando d ah i em d ian te se não achar
R ecebedor (2). E as contas das despesas em endado, e co n tin u ar em seu m áo cos­
to m ará e lle , ou quem elle o rd en ar. E man­ tu m e , o R eged or n o l-o fará s a b e r, p ara
dará fazer a quitação da conta, e com sua Nós com seu conselho lh e darmos o cas­
vista será assinada p e r N ós. tigo, que p o r sua culpa m erecer. P o ré m ,
M . - liv . 1 1.1 §36. sendo o R eg ed o r info rm ad o p er certa in ­
form ação, ou p e r fam a p u b lic a , que o D es­
4-t. E mandamos que n a R elação haja
em b arg ado r, o u O fficial recebeo algum a
h u m liv r o assinado e num erado p e r hum
dadiva, ou fez algum e rro em seu O fficio ,
D esem b arg ad or, que o R egedor o rd en ar,
^nol-o fará saber logo, sem lh e faze r amoes-
que o mesmo R eged or terá fechado de sua
tação, para, sabida a verd ad e, lh e darmos
m ã o ; no qual todos os Tabelliães e S c ri-
a pena, que p o r tão graves casos m erecer.
vães das Cidades, V illa s , Concelhos e L u ­
E os que ach ar, que v iv e m b em , e fazem
gares do districto da Casa da Supplicação,
seus Officios como d e v e m , lo u v a l-o s -h a
quando tira re m as Cartas de seus Officios,
entre os o utro s, e n o l-o fará saber, para
farão os sinaes p ú b lic o s , de que houve­
receber de Nós a h o n ra , fav o r e m ercê,
rem de u s a r, e n u m term o de sua le tra ,
que m erecer, p ara que a h o n ra e m ercê,
p ara na R elação, quando c u m p rir a bem
que os taes de Nós receberem , e o castigo,
íle ju s tiç a , se" poderem v e r e cotejar os
que dermos aos que taes não fo rem , p o r
ditos sinaes c le tra (3). E outro ta l liv ro
suas culpas, seja a outros exem p lo , para
haverá na Casa do P o rto , para os Tabelliães
se guardarem de mãos costumes, e v iv e re m
e Scrivães dos Lugares e Concelhos do seu
como devem .
d istricto.
M . - liv . 1 1 .1 § 8 .
L. de 18 do Novembro de 1577 § 19.
46. N o d errad eiro d ia de A gosto em cada
45. E n tre as cousas princip aes do Officioh u m anno m an dará fix a r n a p o rta da R e ­
de Regedor h e , com cuidado e vig ilâ n c ia lação A lv a rá , p e r que n o tifiq u e aos D es­
saber como os Desembargadores e Officiaes, embargadores , que h e concedido spaço
que p ara adm inistração da justiça são de­ pelos dous mezes seguintes, e que ao te r­
putados, v iv em e usam de seus (jfficios (4), ceiro d ia de N o vem bro venh am c o n tin u a r
convém a saber, se são negligentes e re­ seus Officios á d ita Casa na cidade de
missos em seus despachos, ou se são scan- Lisboa, onde reside. E m andará aos S c ri­
dalosos às partes, ou se h a nelles outros vães e outros Officiaes d elia , que ao d ito
defeitos taes, p o r que seus Officios não term o sejam presentes. E naquelle tem po
sejam s e rv id o s , como o devam ser. E do spaço levan tará as residências aos q ue
quando assim o achar p e r inform ação, ou andarem p e r carta de se g u ro , ou sobre
alvará de fiança. E os que andarem presos
(1) A providencia deste paragrapho, aliás de summa sobre suas tíom enagens, ficarão na d ita
importância, foi reforçada com a declaração do Ass. cidade. E assi a h u n s , como a o u tro s,
de 22 de Dezembro de 1644. m andará, que pareçam n a R elação ao d ito
(2) O Ass. de 28 de Setembro de 1751 declarava que
as condemnações para despezas, pagas pelos Réos, term o.
não serião restitui das pelo rcspectivo Thesoureiro, ainda M .-liv . 11.1 §39.
que se reformassem as sentenças. Ref. de 27 de Julho de 1582 pr.
Consulte-se ainda sobre as despezas e propinas da
Casa da Supplicação, a C. R. de 14 de Dezembro de 47. E quando p o r algum caso m an darm o s,
1815, e R. de 9 dc A b ril de 1821.
(3) As Camaras Municipaes devem te r um livro que a Casa da Supplicação se m ude da c i-
onde os Tabelliães lancem os seus signaes públicos.—
Port, de 9 de Setembro de 1829.
Vido O rd. do liv . 1 t. 90 § 1, e 97 § 5. Corrêa (1) A C. R. de 8 de Junho de t622 providenciou
Tellcs —Manual do Tabellião Cap. 1 p r. pag. 8. acerca da suspeição dos Desembargadores, e do modo
(4) Por A v. de 27 de Julho de 1820 exigia-se do de proceder com elles por parte do Regedor. Consul­
Regedor annualmente informações particulares dos te-se também os D. de 14 de Fevereiro de 1648, 29 de
Ministros e Officiaes da Casa da Supplicação. Maio de 1654, e 16 de Junho de 1669 sobre as preemi­
Vide também a Port, de 24 de Julho, e A v. de 2 nência» do Regedor; e bem assim a C. R. de 7 de
de Outubro de 1829. Junho de 1605.
TITULO II 9

dade de Lisboa para alguma outra parte (1),acolhimento às partes, para que os que
mandará aposentar os Officiaes da Casa com elle tiverem que negociar, sem alguma
per hum Scrivão, que irá diante fazer o difficuldade o possam faze r: e de tal en­
aposento, como o faz o nosso Aposenta- tendimento e memória, que saiba conhecer
dor. E se alguma pessoa se aggravar delle, os erros e faltas das scripturas, que per
o Regedor conhecerá do aggravo. elle hão de passar, e que- se lembre, que
M . - liv . 1 1. X ss 51 e 52. não sejam contrarias humas a ou tra s; e
de tão bons costumes e auctoridade, que
43. E quando o Regedor fò r absente,
seja merecedor do lugar, cm que per Nós
ficará em seu lugar o Chanceller da Casa.
lie posto.
E não stando ahi o Chanceller, o Regedor
E deve amar a Nós e a nosso Stado,
deixará em seu lugar o Desembargador
de maneira que possa e saiba servir o dito
dos Aggravos, que fò r mais antigo (2), ou
Oíficio, corno he obrigado, e como cumpre
nol-o fará saber, para provermos nisso,
a nosso serviço, e a bem de nossos \as-
como fò r nosso serviço.
sallos c povo.
M . - liv . i t . 1 §53.
M .- liv . 1 1. 2 p r.
1. E tanto que o dito Officio fò r pro­
T IT U L O I I
v id o , antes de o s e rv ir, nem delle em
cousa alguma usar, o Presidente da Mesa
Do Chanceller M ór (3).
do despacho dos Desembargadores do Paço
lhe tomará juramento na dita Mesa diante
O Officio de Chanceller M ór he do grande
os Desembargadores; e em ausência do
confiança, e de que m uita parte da Justiça
Presidente lhe tomará o juramento o Des­
pende.
embargador mais antigo da dita Mesa.
P or tanto devemos para elle escolher
pessoa, que seja de boa linhagem e de bom M .- liv . 1 1 .2 § 2 .
entendimento, virtuoso, letrado e de bom 1 3
2 2 . Ao Chanceller M ór pertence ver com
boa diligencia todas as cousas, que per
qualquer maneira per Nós, ou pelos Des­
(1) A Casa da Supplicação desde o reinado dos P hi­
lippes nunca mais mudou-se de Lisboa até a sua ex- embargadores do Paço, Vedores da Fa­
tincção em 1826, mas com a vinda da Fam ilia Real zenda, Desembargadores delia, Provedor
em 1808 para o Brasil creou-se outro Tribunal da M ór das obras e terças, Anadeis Móres
mesma natureza e designação, a que ficárão subordi­
nadas as causas que se julgavão na antiga Relação do dos Espingardeiros e JSésteiros, Monteiro
Rio de Janeiro. M ór, Physico M ór, Cirurgião M ór forem
Este novo T ribunal foi creado por A I. de 10 de passadas e assinadas, ou per quaosquer
Maio de 1808, soffrendo diversas, mas pouco im por­
tantes modificações, até sua extíncção em 1833. Os mem­ outros OíTiciaes da Corto, cujos despachos
bros daquella Relação passárão a servir como Desem­ houverem de passar pela Chancellaria, t i­
bargadores da Casa da Supplicação do B rasil, sendo rando as cartas e sentenças, que forem
por esta substituída a mesma Relação do Rio de Ja­
neiro, que foi cxtincta.
passadas na Casa da Supplicação, e pelos
Yide D. de 29 de Julho de 1808, A v. de 30 do Desembargadores della. E vendo o Chan­
mesmo mez e anno, A I. de 6 de Maio de 1809, e de celler M ór pela decisão da carta ou sen­
13 de Maio dc 1813.
(2) O Ass. de 20 de Julho de 1606 providenciou
tença , que na do sellar, que vai expres­
ácerca da substituição do Regedor na ausência do samente contra as Ordenações, ou D ireito,
Chanceller da Casa da Supplicação. sendo o erro expresso na dita carta, ou
Depois da creação da nova Casa da Supplicação do
Brasil tomárão-se differentes providencias sobre taes
sentença, per onde conste scr nenhuma,
substituições o impedimentos. não a ° sellará, mas ponha-lhe sua glosa,
Vide Av. dc 17 -de A b ril de 1823, Port, de 28 de quando as cartas, ou sentenças forem as­
Fevereiro de 1825 e A v. de 3 de Janeiro de 1831.
(3) Este cargo fo i abolido, e suas obrigações, menos
sinadas pelos ditos Officiaes. E stando a
as glosas, são exercidas pelo Supremo Tribunal de Corte fóra da cidade de Lisboa, o Chan­
Justiça, em vista da L . de 22 de Setembro de 1828 celler M ór passará as cartas e sentenças
a rt. 2 § 9. dos feitos e causas, que o Corregedor "da
E ra um dos primeiros empregos da antiga Monar­
chic Portugucza. Corte despachar, postocrue a Corte stê
Pelo D. de 19 de Novembro de 1766 não tinha dentro das cinco legoas donde a Casa da
substituto necessário; nas vagas occupava o lugar o Supplicação stá. E indo o Corregedor do
Desembargador mais antigo.— D. de 6 de Novembro
de 1794. lu g a r, donde stivermos, á Casa da Sup­
Com a mudança da Córte Portugucza para o Brasil plicação despachar algum feito, passará a
em 1808 fo i creado um Chanccller-mór privativo por cartaj ou sentença pelo Chanceller da Casa.
A l. de 22 de A b ril do mesmo anno § 9, servindo nos
seus impedimentos o mais antigo Desembargador da S .-p . i t . 11 .1 § § 2 e 3 l . 2.
Casa da Supplicação. —A l. de 10 de Maio de 1808 § 8.
Pela L . de 4 de Dezembro de 1830 a Chancellaria-mór 3. E quando o Chanceller M ó r tive r
foi também abolida, e transferindo-se para a Secretaria dúvida a haver de passar pela Chancellaria
de Estado dos negocios da Justiça o grande e o pe­ algumas Provisões assinadas per Nós de
queno 8ello (art. 5), passou o respectivo M inistro a
servir de .ChaneeUer-mór, ou como diz aquella L e i, cousas despachadas pelos Desembargadores
Chanceller do Im pério. do Paço, ou per outros Officiaes da Corte,
As outras attribuições ficárão a cargo das diflercn- as praticará com os Desembargadores do
tes Secretarias de Estado, e as receitas de certos im ­
postos cobradas pelo Thesouro Nacional. Paço, para com elles ver se passarão. E
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
10
M .- liv . 11. 2 s 4.
assentando, que não devem passar, as S. - p . l t . 1 1 .1SS4C12.
romperá logo , pondo nas costas delias*
como foram rotas, por se determinar, que 5. O Chanceller M ó r mandará aos Scri-
não haviam de passar. E quando lhes vães, que façam as Cartas e sentenças
parecer, que devem passar com alguma bem scriptas, e po r sua mingua não sejam
declaração, ou limitação, põr-se-ha o des­ glosadas, nem as partes p o r isso detidas.
pacho conforme ao que assentarem, e disso E sendo alguma glosada de modo, que se
se fará Provisão para se assinar per INos. deva fazer outra de n o v o , se o erro tô r
E quando o Chancellor M ór tive r dúvida p o r culpa do Scrivão, o Chanceller M or
em haver de passar pela Chancellana al­ lhe fará logo tornar â parte o dinheiro,
gumas Provisões feitas em nosso nome, ou fazer-lhe outra de graça. E se fò r por
e assinadas pelos ditos Desembargadores culpa dos Desembargadores, que a pas­
do Paço, ou outros Officiaes da Corte, de saram, elles pagarão ao Scrivâo, e o Chan­
cousas, que elles podem assinar, praticará celler M ó r determinará p o r cuja culpa se
as taes dúvidas com os ditos Desembar­ glosou.
gadores, e se cumprirá o que elles deter­ M .-liv . 1 1.2§ 5.
minarem, assi acerca de haverem de passar s. - p . 1 1 .1 1 .1 S 5.
pela Chancellaria, ou não, como em se c. Tanto que as Cartas forem vistas pelo
fazerem em outra fórma com alguma li­ Chanceller M ó r, e achar que nellas nao
m itação, ou declaração. E para se isto ha dúvida, para deixarem de passar, pora
assi c u m p rir, irá em cada semana hum nellas seu sinal costumado, segundo os
dia á Mesa do despacho dos ditos Desem­ sellos forem , e as mandará sellar perante
bargadores do Paço com as dúvidas; e si ao Porteiro da Chancellaria , e metter
quando assi fò r , não se tratarã .0 outros cm um sacco, que o dito Porteiro cerrará
negocios, até sc tomar determinação nellas. e sellará, e o levará direitamente á Casa
No despacho das quaes serão todos os da Chancellaria sem detença alguma^para
Desembargadores, que se acharem na Mesa se darem às partes perante o Recebedor
com o dito Chanceller M ó r, e não será e Scrivâo delia.
presente nenhum Scrivâo da Camera, salvo M . - liv . 1 t . 2 § c .
sendo chamado. E sendo as glosas, ou S. - p . 1 1. 11. 1 § 6.
dúvidas postas ás Cartas, ou Provisões, 7 . O Chanceller M ór conhecerá de todas
que passarem os Vedores da Fazenda, as suspeicões (1), que forem postas aos
ou outros Officiaes delias, parecendo aos Desembargadores do Paço, Védores da Fa­
ditos Desembargadores do Paço, que deve zenda, e Desembargadores delia, e a t°uos
ser ouvido o Procurador de nossa Fa­ os mais Officiaes acima nomeados (z). F,
zenda, lhe mandarão recado, para se achar commetterà os feitos, em que houver os
presente o dia, em que o Chanceller M ór ditos Desembargadores e Oíiiciaes p o r sus­
as levar â Mesa dos ditos Desembargado- peitos, ou se elles lançarem, depois de ser
res do Paço. a suspeicâo procedida per e lle ; e fará as
S .- p . 1 1. 11. 3. commissões à outros Juízes, que lhe hem
Al. de 22 de Dezembro de 11354. parecer: salvo nas suspeicões, que julgar,
Ref. de 27 de Julho de 1582 pr. dos Védores da Fazenda, porque depois
Al. de 8 de Maio de 1580.
de julgados por suspeitos, não commetterà
4. Achando o Chanceller M ór algumas os feitos a outrem em seu lugar, mas as
Cartas ou Provisões de graça, contra nos­ partes neste caso, ou lançando-se cada hum
sos d ireito s, ou contra o p o vo , ou Cle­ dos ditos Officiaes por suspeito, antes
re zia , ou outra alguma pessoa, que lhe da suspeição procedida, nol-o requererão,
tolha, ou faça perder seu direito, não as para nomearmos outro O fficial, que do
assinará, nem mandará sellar, até que fatie negocio conheça.
conmosco. E as Cartas, em que dermos S .-p. 1 1.11.1 §7 e t . 3 1. 3.
alguma cousa do nosso, não as sellará,
8. E poderá ju lga r as suspeicões postas
sem prim eiro serem registradas na Fa­
a cada huma das pessoas acima ditas,
zenda pelo Scrivão, que para isso fò r
postoque lhe seja suspeito, não se tratando
ordenado, e as Nós desembargarmos pela
nas suspeicões da h o n ra , ou interesse
emmenta, sendo taes, que pela dita em-
menta devam passar. E as Cartas, que
per ella passarem, não as assinará, até ver (1) O A l. de 16 de Agosto de 1644 declarava que o
a dita emmenta, a qual o Scrivão da Chan­ Chanceller-mór era competente para conhecer das
cellaria lhe mandará mostrar. E o mesmo suapeições intentadas ao Commissario geral da Bulia
da Cruzada, quando procedesse na cobrança do seu ren­
fará nas Cartas, que passarem per quaes- dimento ; bem como lhe competia conhecer das que
quer Officiaes, que houverem de i r á em­ crão postas aos Desembargadores do Conselho U ltra ­
menta. E as Cartas, que passarem pelos m arino.—Ass. de I I de Dezembro de 1674.
(2) Também conhecia o Chanceller-mór das suspei-
Desembargadores do Paço, que houverem ções postas ao Regedor da Supplioação, Presidente e
de levar nosso passe, as não passará, sem Governador da Casa do Porto, por virtude da C. l i ­
ve r o dito nosso passe. de 13 de Fevereiro de 1606.
TITULO II 1Í
considerável da tal pessoa recusada: e que se déve pagar (1) da Chancellaria de
tratando-se de qualquer das ditas cousas, quaesquer Cartas, ou Alvarás, que per
não conhecerá da suspeição, e será dado ella passarem, com os Desembargadores,
outrem em seu lugar. E havendo dúvida, que Nós para isso ordenarmos, sem ap-
se se trata de alguma das ditas cousas, a pellaçâo, nem aggravo. E todos os outros
pessoa, a que fò r posta a suspeição, ao casos”, de que o conhecimento lhe per­
tempo de aepôr a ella poderá allegar as tence, despachará per si só. E cada huma
causas, por que o dito Chanceller M ór não das partes, que delle se sentir aggravada,
deve conhecer della, com as quaes a sus­ poderá aggravar per petição á Mesa dos
peição irá logo aos Desembargadores do Desembargadores do Paço.
Faço, que determ inarão, se deve conhe­ M . - liv . 1 t. 2 S§ 27 e 34, e t. 13 § 3.
cer delia, ou não. E entretanto não irá S. - p . 1 1. 1 1. 1 § 10.
com a suspeição por diante. 12. O Chanceller M ór dará juramento a
Ass. de 12 de Dezembro de 1572. todos Officiaés e pessoas abaixo declara­
das, quando Nós os provermos novamente
9. Ao Chanceller M ó r pertence saber, de (M eios, e passarem suas Cartas pela
se alguns Scrivães, ou Tabelliães da Corte, Chancellaria : convém a saber, ao Condes­
ou do lugar, onde ella stiver, levam mais tabre , Regedor da Casa da Supplicação,
de suas scrip turas, ou buscas, que o con­ Governador da Casa do P o rto , Vedores
teúdo em seus Regimentos e nossas Or­ da Fazenda, Scrivão da Puridade, A lm i­
denações, e lhes fará tornar o que mais rantes, Marichal, Capitães dos lugares de
levaram. E se por isso merecerem outra A frica e das Ilhas, e a todos os Officiaés
mais pena, os remetterá ao Corregedor do Móres de nossa Casa e do Reino, Fron­
Crime da Corte, que conhecerá disso, e os teiros M óres, Desembargadores da Casa
despachará em Relação. E isto se não en­ da Supplicação e do Porto, e aos Corre­
tenderá nos Officiaés das Casas da Suppli­ gedores das” Comarcas, Ouvidores, Prove­
cação, ou do Porto, postoque a Corte stê dores e Juizes de fóra. E quanto he ao
no” lugar, onde cada numa das ditas Casas Regedor e Governador, e Vedores da Fa­
ha de re s id ir, porque então o conheci­ zenda, e Desembargadores, e Corregedores
mento pertence aos Chancereis das ditas das Comarcas, Ouvidores c Provedores, e
Casas. Juizes de fóra, dará o juramento na fôrma
S.-p. 1 t. 1 1. 1 § 8. conteúda no liv ro dos juramentos da Casa
da Supplicação. E ao Condestabre, e a
10. Item o Chanceller M ór ha de pu bli­
todos os outros Officiaés acima nomeados
car (1) as Leis e Ordenações feitas per Nós,
dará juramento, que bem e fielmente sir­
as quaes publicará per si mesmo na Chan- vam seus Officios, segundo per seus Re­
cellaria da Corte no dia da dada das Cartas,
gimentos lhes he ordenado, e guardem
e mandará o traslado delias sob seu sinal inteiramente nosso serviço, e direito e ju s­
e nosso sello aos Corregedores das Co­
tiça ás partes.
marcas. E tanto que qualquer L e i, ou
Ordenação fò r publicada na Chancellaria, M .- liV . l t . 2 § 37, e t. 1 § 6.
S. - p . 1 t. 1 1. 1 § 13.
e passarem tres mezes depois da publica­
13. E assi dará o dito Chanceller M ór
ção, mandamos, que logo haja effc.to e v i­
gor, e se guarde em tudo, postoquè não seja juramento a todos os que Nós fizermos.de
publicada nas Comarcas, nem em outra nosso Conselho, o qual lhes será dado ao
alguma parte, aindaque nas ditas Leis e tempo, que tirarem suas Cartas da Chan­
Ordenações se diga, que mandamos, que cellaria, os quaes jurarão em esta fó rm a :
se publiquem nas Comarcas; po r quanto Que bem e fielmente nos darão seu con­
as ditas palavras são postas para se me­ selho, quando per Nós lhes fò r requerido.
lh o r saberem, mas não para ser necessário, E que inteiramente guardarão nossos se­
e deixarem de ter força, como são publica­ gredos sem os descobrirem em tempo al­
das na nossa Chancellaria, passados os ditos gum, senão quando lhes fò r mandado per
N ós, ou elles forem publicados. E assi
tres mezes. Porém em nossa Corte have­
qualquer cousa de nosso serviço, que toque
rão effeito e v ig o r, como passârem oito
a nossa pessoa e stado, elles nol-o farão
dias depois da publicação.
saber o mais prestes que podérem.
M .-liy. 1 1. 2 § 9. M .-liv . l t . 2§37.
S .-p . i t . 1 1.1 §9. s. -p. 1 t. 1 1.1 § 13.
11. O Chanceller M ór determinará quaes-
quer dúvidas, que sobrevierem sobre o (1) Vide os Regimentos da Chancellaria do 10 de
Janeiro de 1S89, e dos Novos Direitos de 11 do A b ril
de 1661, e Ais. do 18 de Fevereiro de 1683, de
23 de Setembro de 1653, de 20 de Outubro de 1665,
(1) O que dispõe o Legislador neste paragrapho
passou para as diflerentes Secretarias de Estado, eia c de 8 de Maio de 1745.
Consulte-se mais acerca da materia deste paragra­
vista do a rt. 2 do D. de 3 de Dezembro de 1830. pho os Ds. de 19 de Novembro de 1661, 3 de Agosto
Pelo D. de 23 de Junho de 1833 na Chancellaria do
de 1678, 3 de Dezembro de 1721 e 8 de Junho de
Im p é rio transitão as Resoluções da Assembléa Geral
1725, e bsm assim o Ass. de 30 de Março de 1666 .
Legislativa, como quaesquer Leis.
Ord . 8
12 PRIMEIRO I.IVRO DAS ORDENAÇÕES

14. E quando a cada h uma das ditasquaesqner bens de raiz atè a dita quantia,
pessoas aer o juram ento, porá nas costas e mais não, com condição que os ditmbens
da Carta sua fé per seu sinal, como lhes não sejam em nossos*lieguengos, nem em
deo o dito juramenta. E a Carta, que terras Jugadeiras, nem bens, ^que a Nós
passar, sem levar a dita fê, será nenhuma, sejam obrigados fazer algmn fóro, ou tri­
o não se cum prirá, e ficará a Nós prover buto. E que os nossos Contadores e A lm o­
do tal Officio, como. fò r nossa mercê. xarifes façam registrar a dita Carta de
licença nós livros dos proprios. E ás
M .-liv. 1 t. 2§ 38. compras, que p o r vigor delia se fizerem,
s. -p . 1 1.11.1 § ia sejam presentes os ditos Alm oxarifes. As
ir.. E os Corregedores, Ouvidores, Pro­ quaes Cartas farão registrar no dito liv ro ,
vedores e Juizes de fó ra , que servirem em maneira que em todo tempo se possa
seus Officios, antes de lhes ser dado o. dito saber, como as taes compras não passaram
juramento, serão obrigados às partes a toda da dita quantia per Nós outorgada. E
a perda e dano, que p o r isso se lhes causar, sendo caso, que sem as ditas clausulas
l i todo per elles feito será nenhum, e de passem, havemos por bem que sejam ne­
nenhum vigor, como de não Juizes, nem nhumas e de nenhum vigor.
Officiaes, postoque nossas Cartas tenham. S .- p . 1 (. 1 1. 1 § 19.
M.-liv., H . I § 6. 20. E não passará pela Chancellaria Carta
alguma de p rivile g io de Bésteiro, passada
16.
E não passará Cartas, ou Alvarás al­ pelo Anadel M ó r, em que se contenha,
guns, que não levarem postas as pagas do que não pague Jugada de pão. E quando
que os Scrivâes, que as fizeram, levaram lhe fò r ter á mão a tal Carta, fará tira r
de feitio delias. a dita clausula.
s .- p . 1 1 .1 1.1 S u - s . - p. i t . t l . i s 20.
17.
E quando a nossa Corte não stiver 21 . P o r se evitarem alguns inconvenien­
na cidade de Lisboa, onde a Casa da Sup- tes de o Chanceller M ór passar pela Chan­
plicacão reside, mandará o Chanceller M or cellaria as sentenças, que em alguns casos
contar os feitos dos presos pobres, que der, e Cartas, que per si passar, nos casos,
na Corte se tratarem, e cum prirá em tudo em que o póde fazer, ou nos feitos, ern
0 que se contém na Ordenação T itu lo (24) : que fò r autor, ou reo, mandamos que o
1)os Serivãcs dante os Desembargadores do Desembargador do. Paço mais antigo no
Paco, no § (4 3 ): E quanto ao pagamento O llicio passe as ditas Cartas e sentenças.
dos feitos.' E sendo o Contador das custas E tendo o d ito Desembargador do Paço
suspeito, ou impedido, que não possa fazer alguma duvida,, ou glosa, as determinará
a dita conta, ou depois de feita a dita na Mesa, como acima fica dito que o ha
conta, as partes allegarcm erros sobre ella, de fazer o Chanceller M ór (1).
o Corregedor da Corte, que comnosco an­ S .- p . 1 1. 11. 4 p r.
da r, commctterá as taes contas a huma
pessoa, que bem e sem suspeita as possa 22. E quando o Chancellor M ór fò r im ­
fazer. E no caso dos erros, o dito Cor­ pedido, ou tiv e r necessidade de se absentar
regedor conhecerá delles, e os determinará, da Corte, nol-o fará saber, para nomearmos
como lho bem parecer. E quando alguma quem po r elle sirva, em quanto durar seu
parte se aggravar de sua determinação, impedimento, ou absencia.
Nós proveremos quem disso haja de co­
S .-p . i t . 11.1 s ii-
nhecer.
S .-p . 1 1. 11.. 1 §§ 15 e 16. T IT U L O I I I
is. Poderá o Chanceller M ó r mandar ci­
tar em todo caso, que a seu Officio per­ Dos Desembargadores do Paço (2).
tencer, até cinco legoas, onde a Corte
s tiv e r, per seu A lv a rá , ou Porteiro. E Aos nossos Desembargadores do Paço
nos casos, em que p o r bem de seu Officio
póde mandar citar alguma pessoa, poderá
(1) Esta attribuíção do Chaneeller-Mór passou para
dar licença á parte, ou â qualquer outra o M inistro mais antigo do Supremo T ribunal dc Jus­
pessoa em seu nom e, para poder citar tiça, em vista do § 9 2a parte do a rt. 2 da Lei de 22
perante huma testemunha ao menos. de Setembro de 1828.
(2) O Tribunal ou Mesa do Desembargo do Paço
S .- p . 1 1 .11.1 §S 1“ e 18. era em Portugal o de maior graduação e auctoridade.
Ao Rey D. João I I devia-se a sua creação, e foi
19. E não sellará as Cartas, que perquem lhe deu o seu prim eiro Regimento.
Era o Rey quem o presidia até a epocha dc D. Se­
Nós forem assinadas, em que dermos l i ­ bastião, quando começou a ter presidente.
cença -a algumas Igrejas, ou Ordens, para E ra mn Tribunal de. graça e de justiça, e reunia
comprarem hens de raiz até certa quantia, muitas funeções, hoje disseminadas por outros T rib u -
naes e auetoridades subalternas, depois da sua extinc-
sem nas ditas Cartas ser posta clausula, ção por Lei de 22 dc Setembro dc 1828.
que lhes damos licença, que possam comprar Com a vinda da Fam ilia Real Portugueza para o
TITULO I I I 13

p ertence despachar as petições de graça, Cartas do m anterem em posse os ap p el-


que nos fò r pedida, em causa, q ue ã Jus­ lantes, ou tornarem a e lla , se depois da
tiça possa tocar, assi como Cartas de p ri­ appellação forem esbulhados. E Cartas res-
vilégios e liberdades ás pessoas, a que per titu to riá s de quaesquer possuintes e es­
nossas Ordenações forem outorgadas, que b u lh a d o s , postoque appellantes não se­
não sejam, nem toquem a d ireito s, rendas ja m ( 1).
e trib u to s nossos. M.— li*. 11. 3 §§23 c 21.
M.-liv. 1 1.3 pr. e $ 16. 7. E Cartas de em ancipação, e supple-
m ento de idade (2). A s quae“s não passarão
1. Ite m , Cartas de legitim ações, confir­
er outros Desembargadores, nem Olfieiaes
mações de perfilham entos ( 1) , e de doa­
e Ju stiça, nem p er outras pessoas, do
ções, que algumas pessoas (izerem a ou­
q u a lq u e r qualidade que sejão , que q ual­
tras ( 2).
q u e r jurisdição tiv e re m , nem p er seus
M.-liv. lt . 3 § 17.
O uvidores. E passando-se p e r qualquer
2. Ite m , Cartas de restituição de fama, pessoa, que não fò r pelos ditos Des­
e de q ualqu er o u tra h ab ilitação. embargadores do P a ç o , seja nen hu m a,
e de n enhum e tfe ito ; e o que a passar,
M.-liv. 1 t. 3 § 18.
perca o O fficio, que tiv e r , e nunca mais
3. Ite m , Cartas de fintas (3), c Cartas de o h a ja ; c mais pague cincoenta cruzados,
Officios de sesmarias nos lugares, em que ametado para quem o accusar, e a o utra
a Nós pertence a dada (4), e lião p ertencer para os C a tiv o s : c se fò r Sen ho r dc terras,
a outros nossos Officiaes p er seus R egi­ perca a ju ris d iç ã o , que tiv e r.
m entos.
M .-liv . 1 t. 1 §25.
M.-liv. 1 1.3 SS 19 o 20.
8. E passarão o utro si, com nosso passe,
i. E bem assi Cartas do confirmações as Cartas dos perdões, que se dão aos ho­
das eleições dos Juizes O rd in á rio s , ou dos m iziados e aos condenados (3). E no rece­
Ó rfãos, “quando a clles v ie re m (3). b e r das petições dos ditos perdões terão a
M.-liv. 1 1. 3§ 31. m an eira seguinte.
M.—liv. 11. 3 § 1 e 2.
5. I t e m , Cartas de in im iz a d e ( 6) nos
casos, em que p o r stilo de nossa Côrte se 9. E m todo o caso, em que h o u ve r p arte ,
(levem d ar. A s quaes não darão contra não tom arão p etição, sem se offerecor com
Corregedores, O uvid ores, Juizes, nem ou­ e lla perdão de todas as partes, a que tocar,
tros Julgadores. ou se forem dos casos conteúdos no (L iv . 5)
M . - liv . 1 1. 3 § 22. Como se perdoará aos mal­
T itu lo (1 1 6 ):

o. O u tro si darão -Cartas tu itiva s (7), e


feitores, que derem outros á prisão. E pos­
toque as partes d ig a m , que não querem
accusar, ou que deixam o feito á Justiça,
Brasil, crcou-se por À l. de 22 do A b ril de 1808 outra e o fe re ç a m disso certidão, não lhes serão
Mesa do Desembargo do Paço, com organisaçfio espo­
recebidas as p etiçõ es, nem as taes c e rti­
ei al adaptada a este Paiz, mas com as attribuiçõès do
Tribunal, cuja residência era em Lisboa. dões, havidas p o r p e rd ã o ; mas será ne­
Além do que se acha decretado neste titu lo , teve este cessário trazerem expresso perdão das
T ribunal o seu novo e ultim o Regimento dado pelo Rey
partes,
1). Philippe I em 27 de Julho de 1582, que está an-
nexo ao L ivro 1« destas Ordenações. M .-liv . I t. 3 § 3.
Vide sobre as funeções deste Trib un a l as C. R. de 9
de Março de 1605, 5 cíe Março de 1621, e 23 de Outu­ ío. E quando algum p e d ir perdão de
bro de 1623, A l. de 18 de Janeiro de 1613, e D. do 18 m o rte em rix a , passados oito annos, façam
c 23 de Março de 1643, c de 10 de Setembro de 1646.
(1) Cabcdo em suas Erratas diz o seguinte: « Ila de v i r as devassas: e tendo perdão das partes,
advertir-se que estas confirmações se não passão por p rovando-se a inorte em rix a , seja-lhe dado
estylo que ha em contrario, como também se não con- p e rd ã o , com tanto que v á s e rv ir aos lu ­
lirrnão doações dc mulheres, pelo Rctjimcnto «oro do
Desembargo do Paço § 12. » gares de A fric a cinco annos cum pridos *2 3
Consulte-se sobre as matérias deste pnragrapho o
interessante commenlario de Pegas á Ord. t. 2 da
pag. 0 usque 94. qual o Buy fazendo uso do seu direito de proteger os
(2) Em virtude do art. 2 & 1 da L . de 22 de Setem­ sens súbditos, os defendia das violências ecclesiasticas*
bro de 1828 passarão estas funeções a ser exercidas e lhes manlinha o uso e posse dos seus bents.
pelos Juizes ue 1» instancia. Confronte-se este paragrapho com© 116 do Regi­
(3) Fintas, collectas ou impostos eeclcsiasticos. mento do Desembargo do Paço, e a Ord, do L iv . 2
(4) Dada—i, c ,—doação. t. 10, c 1. 3 t, 85 g i .
Vide L. n. 601 de 18 de Setembro de 1850, e D. Vide Corrêa Telles—• Doutrina das Mções — nota 3
n. 1318 de 30 de Janeiro de 1854. ao 8 193.
(5) H oje taes Juizes não se elegem. Os de Orphãos 41) São attribuiçõès abrogadas, e que nenhum T r i­
são de nomeação do Poder Executivo, e os Ordinários bunal herdou.
forão cxtinctos. (2) He hoje da eompetencia do Jui» de Orphãos, —
Vide a rt. 2 § t t da L . de 22 de Setembro de 1828. A rt. 2 § 4 da L . de 22 de Selembro de 1828.
(6) Revogado por A l. de 10 de Março de 1608. Confronle-se este paragrapho com 0 § 27 do t. G2
(7) Vide a rt. 8 do Codigo do Processo C rim inal, que deste liv . § 3 do t. 9, e t. 42 do liv. 3.
acabou com os Tribunaes Ecclesiasticos a que se (3) He attribuição que hoje compete á Secretaria de
prende esta attribuição. Estado dos negocio» da Justiça pela L . de 22 de Se*
As cartas tuitivas erão um meio extraordinário, pelo tembro de 1828, mas sob outra fórma.
■t

PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES


14
R egedor e G overn ad o r o façam in te ira ­
co n tin uad am en te, sem lh e ser dada licença
p ara s a ir do lu g a r para outras partes. E m ente c u m p rir e guardar.
não lh e será mudado este degredo para M .-liV . l t . l'§ 50, e t. 29 §25 '
o utro C o u to , nem d im in u íd o o tem po
Apost. de 7 de Dezembro de 1582.
d elle. E se as m ortes forem p o r cajão (1), H . E tom arão conhecim ento dos in s tru ­
mentos de aggravo ou Cartas testem unhá­
m andarão tra z e r as in q u iriçõ es, que sobre
ellas fo rem tira d a s ; e tendo perdão das veis, que tira re m algumas pessoas, p o r se
p artes, sejam vistas e e x a m in ad as, e se­ q uererem escusar de s e rv ir os Officios de
gundo as provas delias, e culpas dos m a­ V eread ores, e os mais da G overnança das
tadores, assi lh e sejam dados os perdões, cidades e v illa s (1). E isto sendo nomeados
no Desem bargo do Paço para servirem os
ou liv r e m e n te , ou com algum a p e n a , se­
gundo o caso m erecer. taes O ffic io s , conform e as p a u ta s , que a
elle v e m , e os despacharão finalm en te,
M .-liv . 1 t.3 § 4 .
como fô r ju stiça. E dos ditos instrum entos
li. E porque nas in q u iriçõ es devassas,
se não tom ará conhecim ento em nenhum a
que assi são tiradas, ás vezes se não p ro va
das R e la ç õ e s , nem p e r o utro algum J u l-
claram ente a culpa p o rém m ostram -se al­
guns im lic io s e presunções sufficientes para
to rm e n to , ou outros ind ícios, que não são Al. de 27 de Agosto de 1504.
sufficientes p a ra os culpados serem m et- 15. E p orqu e alem das cousas declaradas
tidos a torm ento (2) -. havemos p o r bem que nesta Ordenação, lh e temos com m ettido o
em taes casos possam ser perdoados com despacho de "outros casos p er h um R e g i­
algum a pena de degredo de certos annos m ento , que lhes d êm os, para andar no
para Á f r ic a , ou para o Couto de Castro Desembargo do P a ç o , mandam os que o
M a r i m , segundo forem as c u lp a s ; com cum pram e g u a rd e m , como em elle se
tan to que sejam as mortes em rix a , e os contém .
oito annos sejam passados, e que tenham
T IT U L O I V
perdão das partes.
M.—liv. 1 1. 3 § 5. Do Chanceller da Casa da Supplicação (2).
S .-p . 1 t. 22 1. 4.
12. N a petição de alevantam ento de de­ O Officio de Chanceller da Casa da S u p -
gredo se dcclárarà o te m p o , que o con­
plicação lie o segundo della. E tanto que
denado tem servido o d eg re d o ; e se fo i o C hanceller fò r d elle p e r Nós p ro v id o ,
p ara lu g a r certo, offereça certidão auth en - antes de o s e rv ir, o R egedor da d ita Casa
tica com o traslado da verb a do liv ro , lh e dará ju ra m e n to na Mesa g ran d e, pe­
em que se assentou, quando começou a ser­ ran te todos os Desembargadores, que p re ­
v ir o d eg red o, e com p ro va de testemu­
sentes fo rem .
nhas, que p er juram en to digam , que sabem
ter servido na m aneira declarada em sua S .-p . 1 1.2 1.1 § 1.
p etição. E offerecerâ a sentença de sua
1. A o d ito C hanceller pertence v e r com *2
condenação, da qual se fará menção na
C arta dê perdão.
(t) Sendo as Camaras Municipaes, que substituirão
M .-liv . 1 t. 3 § 13. os antigos Senados da Camara, meras corporações ad­
ministrativas, o recurso contra suas deliberações com­
13. H avem os p o r bem que quando se pete ao governo im perial, que exerce por si essa a t­
m o verem algumas duvidas antre os Des­ tribuição na Côrte, D. n. 346 de 30 de Março de
embargadores da Casa da Supplicação e 1844 art. 15 § 13 j e nas Províncias por seus Delega­
dos, cabendo-lhe a decisão final.
os da Casa do P o rto sobre feitos, se p er­ As eleições dessas corporações são dependentes da
tencerem a cada qual das Casas, os Des­ approvação do mesmo Governo, quando impugnadas.
embargadores do Paço sejam disso ju ize s (3). L . n. 387 de 19 de Agosto de 1846 art. 118, e Av.
de 13 de Março de 1854.
E h av id a a inform ação necessária, nos A approvação de suas Posturas e despezas compete
d arão conta, e com nossa auctoridade de­ nas Províncias ás Ássembléas Provincjaes, mas as da
term in arão em quaes das Casas se devem Côrte estão sob a dependencia do M inistério do Im ­
pério pelo D. já citado de 1844.
tra ta r os taes feitos. E o que acerca disso (2) Foi extincto este cargo com a creação do Su­
p e r elles fò r d e te rm in a d o , mandamos ao premo Tribunal de Justiça, e a nova organisação das
Relações do Im pério,
Vide Disposição Provisória art. 32, e Reg. de 3 de
(1) Cajá o, expressão antiquada, desastre, desgraça, Janeiro de 1833 arts 1 e 7 § 4.
caso accidental, occasião. Morte por cajão distingue-se As attribuições dòs Chancelleres das Relações do
da feita era rixa nova, e não á sinte, ou sobre caso Brasil passárão para os respectivos Presidentes, menos
as glosas.
pensado. 0 da Casa da Suplicação do Brasil teve o tratamento
Vide Moraes — Diccionario — na palavra — ta ja o .
( 2) Mettcr a tormento, sujeitar á to rtu ra , dar tratos de —senboria— por A l. de 12 de Janeiro de 1811.
á um accusado para confessar o crime. A Constitui­ E sobre suas attribuições e deveres v id e -P o rt, de 5
ção no art. 179 § 19 abolio a tortura. de Janeiro de 1822, A l. de 17 de Janeiro do mesmo
(3) Compete hoje esta attribuição ao Supremo T r i­ anno, Prov. de 10 de Novembro de 1824, Res. de 7 de
bunal de Justiça, em vista do art. 164 § 3 da Consti­ Junho de 1825 e de 26 de Setembro de 1827, Avs. de
tuição, e art. 5 §§ 3, 34 e 35 da L . do 18 de Setem­ 19 de Outubro e 24 de Novembro de 1831, e Res. de
25 de Novembro do mesmo anno.
bro de 1828.
TITULO IV 15

b oa diligencia todas as Cartas e sentenças, a. E tan to que as Cartas forem vistas


ue passarem pelos Desembargadores da pelo C h a n c e lle r, e achar que nellas não
ita Casa, antes que as selle (1). E vendo ha d u vid a para deixarem de passar, porá
p e la decisão da C a rta , ou sentença, que nellas seu sinal costum ado, segundo os
v a i expressamente contra as Ordenações, sellos fo rem , e as m andará perante si sellar
o u d ire ito , sendo o d ito erro expresso (2), ao P o rte iro da C hancellaria, e p ò r em hum
p e r onde conste pela mesma C a rta , ou sacco, q ue o d ito P o rte iro cerrará e sel­
sentença, ser cm si n u lla , a não sellará, lará. E assi bem cerrado e sellado o le­
e p ò r-íh e -h a sua glosa (3), e a levará á R e­ vará logo direitam ente e sem detença á
lação , e fa lla rá com o Desem bargador, ou Casa da C h an cellaria, para se darem as
Desembargadores, que a ta l Carta, ou sen­ ditas Cartas perante o Recebedor o Scri­
tença passaram. E se entre o d ito C lian- vâo d elia.
c elfer e O fficiaes, que o ta l desembargo S. — p. 11.2 1.1 §3.
assinaram , h o u v e r sobre a d ita glosa d if-
fe re n ç a , d eterm inar-se-ha perante o R e­ 4. E conhecerá de todas as suspeições
gedor com os Desembargadores, que para postas aos Desembargadores, e a todos os
outros Officiaes da Casa da Supplicacâo (1);
isso lhes parecerem necessários, e passará
e corametterá os feitos, em que clle h o u v e r
como pela m aio r p arte delles fò r deter­
p o r suspeitos os ditos Desembargadores e
m in ado . E tanto que o d ito C hanceller
Officiaes, ou se elles lançarem p o r suspei­
p ro p o zer a glosa, se a p a rta rá , como se
tos, depois de ser a suspeiçâo procedida,
apartam os Desem bargadores, que nas taes
e fará as commissôes a outros Desembar­
sentenças e Cartas foram , e não será pre­
gadores, que lhe bem parecer. E isto fará,
sente ao v o ta r sobre c ila , para que os
quando se h o u ver de fazer commissão per
D esem bargadores, que as houverem de
bem de suspeiçâo, posta a algum Desem­
d ete rm in a r, o façam liv re m e n te , como lhes
b a rg a d o r, ou a outro O fficial da Casa.
parecer ju stiça. E isto haverá lu g a r, assim
P o rém , onde fò r posta suspeiçâo em pre­
nas cartas e “sentenças, que forem desem­
sença do R egedor a algum Desembargador,
bargadas em R e la ç ã o , como nas que p er
que“ ao despacho dç» feito s tiv e r em R e­
h u m , ou dous, ou mais passarem.
lação, o u no caso, cm que se o Desem­
S. —p. 1 t. 2 1. 1§2. bargador der p or suspeito, antes da sus­
AI. de 10 de Setem bro de 1581. peiçâo ser p ro ced id a, clle não conhecerá
2. M an d ará aos Scrivães, que façam as disso, nem com m ctterá, p o r quanto p er­
sentenças e Cartas em m an eira, que sejam tence ao Regedor.
bem feitas c scriptas, e p o r sua culpa não S . - p . 1 1.21. 1§4.
sejam glosadas, nem as partes p o r isso 5. E sendo o C hanceller suspeito ao Des­
deteudás. E sendo algum a sentença, ou em bargador, ou O fficial, de cuja suspeiçâo
C arla glosada justam ente, de modo que se se tra ta r, se guardará o que dissemos no
deva fazer o u tra , se o tal erro fò r p o r culpa T itu lo 2 : Do Chanceller Mór, no § 8 :
do S crivâo , o C hanceller fará logo to rn ar E poderá ; e os acompanhados com outro
á parte todo o d in h e iro , que p o r cila re - Desem bargador, em lugar do dito Chan­
cebeo, ou faze r o utra de graça (4). E se fò r c e lle r, determ inarão se se trata de hon ra,
p o r culpa dos D esem bargadores, que a ou interesse considerável do tal recusado,
passaram, elles a pagarão ao Scrivâo, que para o d ito Chanceller h av e r de conhecer
a fizer. E o C hanceller determ inará p o r da suspeiçâo, ou se d ar o utrem em, seu
cuja culpa se glosou. lug ar (2 ). li o Chanceller não starà presente,
S. - p. 1 1. 21. 1 S 2. quando se v o tar na tal determ inação.
Ass. de 12 de Dezembro de 1572.

As Relações da ín d ia ou do Gôa, do Brasil, poste- 6. A o Chanceller pertence saber,_ se al­


riormente da Bahia, do Rio lie Janeiro, Maranhão e guns Scrivães da Casa, ou Tahelliães do
Pernambuco tinhão nos Vice-Reys e Capitães-Gcne-
raes os seus respectivos Governadores, mas o verda­
lugar-, onde cila stiver, levam mais de suas
deiro chefe era o Chanceller. , scripturas, ou buscas, que o conteúdo cm
Vide D. de 2 de A b ril de 1778, e Regs, dc 7 do seus R egim entos, e nossas Ordenações, as.
Março do 1009, 13 de Outubro dc 17ÍÍ1 e 13 de Maio
de 1812, e Al. do 0 de Fevereiro de 1821.
Em cada um deslcs Regimentos se aclião enumera­
(11 Pelo Ass. de 6 de Novembro de 1649 0 Clisn-
das as atlribuiçõcs de seus respectivos Chnnccllcres. llc r podia fazer as conimissões, ainda no caso de
Segundo o a rt. 22 da Disposição Provisona, já ci­ s . _______ „ Tb/,,,r\v,vi\nt*irn/líip pncnrruíratlo DC10
tado as Relações são presididas por um dos tres Des­
embargadores mais antigos, nomeado tnennalmente «embargo do Paço.
Vide Ass. dc 23 do Agoslo de 1606.
(21 Pelo Ass. do 20 dc Julho de 1606 resolveu-se
^Yhb'1 art- 7 § 4 do D. de 3 de Janeiro de 1833, le suspeito o Chanceller e o Desembargador dos
nue contém o Regulamento das Relações do Império. agravos mais antigo, o immcdiato, sem embargo de
121 Vide o t. 2 § 2, t. 5 § 4 e t. 36 § 1 deste liv ., r adiunto na causa principal, não commetlia as sus-
e t.7 S do liv . 3», e Pegas á Ord. liv. 1 t. 2 5 2 ijções, ainda que servisso de Regedor, conhecendo
(3) Sobre o julgamento dc suas glosas consulte-so a
dias como Chanceller. „ . ,,
a R. de 20 de Fevereiro de 1818. . _ Consulte-se também sobro esta malena a P. de 10
(41 Esla disposição não caducou quanto aos Escrivães. ; Novembro do 1824, e Av. do 3 de Janeiro de 1831.
' Vide O rd. do liv. 1 t. 36 § 0 e t. 66 § C.
Ord. 9
16 PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

quaes fa râ c u m p rir e guardar, e lhes fará soa em seu nom e, p ara p o d er c ita r perante
to rn a r o que m ais le v ara m ; e se p o r isso hum a testem unha ao menos ( 1).
m erecerem o utra m ais pena ( 1), os rem etterâ S . - p . 1 1. 2 1 .1 § 12.
ao Ju iz da C h an cellan a (2). P o rém , stando
12. E poderá m andar c ita r (2) em todo o
Nós em Lisboa, onde a Casa re s id e , co­
caso, que a seu O lficio p erte n c e r, até cinco
n h ecerá sómente do que toca aos Scrivães
legoas donde a Casa s tiv e r , p e r seu A l ­
da d ita Casa, para lhes fazer to rn a r o que
v a rá , ou P o rte iro .
m ais levaram , e m ais não. P o rq u e quando
Nós stiverm os na d ita cidade, o Chancel­ S . - p . 1 1. 21. 1 § 13.
le r M ó r p ro verá sobre os Oíliciaes d elia , 13. It e m , o C h an celler despachará em
como em seu T itu lo 2 se contém . Relação com os Desem bargadores, que lh e
o R egedor ord en ar (3), as suspeiçòes, de que
S . - p . 1 1. 21. 1 § 5.
p o r bem de seu R egim ento lhe p erten cer
7. Ite m , desem bargará em Relação quaes- o conhecim ento. E quando algu m a pesssoa
q uer dúvidas, que sobrevierem sobre o que se aggravar de algum desem bargo, que o
se deve pagar de C h an cellaria (3) de quaes- d ito C hanceller p e r si só d e r, e elle s tiv e r
q uer Cartas, que p e r ella passarem, segundo na M esa ao tem po , que se h o u v e r de des­
Do Scrivão da
he declarado no T itu lo 20 : p a c h a r, se apartará para o u tra p a r te , em
Chancellaria da Casa da Supplicação. quanto se derem as vozes sobre o d ito
aggravo.
S . - p . i t . 21 .1 §7.
S.— p. l t . 21. 1 § 15, e 1. 3.
8. I t e m , stará ao exame dos P ro cu ra­
14. E não passará as Cartas testem unhá­
dores (4), que h o u verem de e n tra r na Casa da
veis, que se derem de alguns autos, e assi
S upplicação, e lhes passará suas certidões
as Cartas, que se fizerem p ara tira re m in ­
de como fo ram ex a m in a d o s , e se achou
quirições p e r artigos, sem ire m concerta­
serem aptos. E os Desembargadores do
das pelo Scrivão (4), que as fez, com o utro
Paço p e r ella lhes m andarão fazer suas
S crivão , que assinará ao p é da tal C arta,
C artas, e as a ssin arão , e serão selladas
como a concertou.
pelo C hanceller M ó r .
S— p. l t . 21. 1§ 16.
S . - p . l t . 2 1. 1 § 9.
15. E as sentenças, que d e r, e as Cartas,
9. E não passará Cartas algu m as, sem que p er si passar, e as em que fô r auto r,
levarem postas as pagas do que os Scri­ ou r é o , as passará e assinará o Desem­
vães, que as fiz e ra m , levaram do feitio bargador dos Aggravos da d ita Casa mais
delias (3). antigo no O íficio. E as glosas, que o dito
S . - p . 1 t. 2 1. 1 § lo. D esem bargador p o ze r, ou dúvidas, que t i­
v e r ás ditas sentenças, ou Cartas, despa­
10. Ite m , m andará contar os feitos dos
chará (5) com os mesmos Desem bargadores,
presos pobres (6) da d ita Casa da S u p p lica-
com que o C hanceller as h o u ve ra de des­
cão, e c u m p rirá em tudo a Ordenação deste
p achar.
Dos Scrivães dante
L iv ro no T itu lo 2 4 :
os Desembargadores do Paço, no § 43 : S.— p. 1 t. 11. 4 pr., e a d il. t. 2 pag. 7GG.
E quanto ao pagamento dos feitos. io. E quando o R egedor fò r absente, o
C hanceller ficará cm seu lugar.
S . - p . 1 t. 21. 1§ 11.
S . - p . 1 1.21 .1 § 14.
11. E nos casos, em que pôde m andar
17. E sendo o C hanceller im p e d id o , ou
■ citar p e r bem de seu O lficio , poderá dar
tendo necessidade de se absentar da Casa,
licença â p arte, ou á qualquer o u tra pes- 1
d eixará o Sello (6 ) a hum dos Desem barga­
dores dos Aggravos (7), com parecer do R e ­
(1) Vide o art. 7 §§ 6 e 8 do D. de 3 de Janeiro gedor. E fallecendo o C h an c e ller, o R e ­
de 1833, que contém 0 Regulamento das Relações do
gedor n o l-o fará saber, para p roverm os
Império, que dá essas attribuições do Chanceller ao
na p ro pried ade, ou se rv in tia . E em quanto
Presidente das mesmas Relações.
(2) Hoje o Juiz competente he o de D ireito de qual­
quer das varas criminaes.
(3) Vide o a rt. 7 § 4 do Regulamento das Relações,
e (1) Esta disposição eslá hoje sem uso.
Ord. deste liv. t. 20 p r. c t. 36 § 7. Vide a Ord. deste liv . t. 2 § 18, e liv . 3 t. 1.
Pelo Ass. de 13 de A b ril de 1618 o Chanceller po­ (2) Vide O rd. deste liv . t. 2 § 18, e liv . 3 t. 1 § 1, e
dia conhecer ainda daquellas duvidas que respeitavão 0RegimentodasRelações a rt. 7 § 7.
aos salarios e direitos da Chancellaria que se lhe (3) O Ass. de 21 de Maio de 1616 determinava que,
devião. Mas sendo serventuário, por ausência e legal sendo suspeito o Regedor, o Chanceller, para despa­
nomeação do proprietário, exercitando toda a ju ris - cho das suspeições, devia pedir adjuntos ao Desem­
dicção da Chancellaria, não podia substituir o officio bargador dos Aggravos mais antigo.
de Regedor, se não fosse o rnais antigo Desembarga­ (í) Vide Ord. deste liv . t. 24 § 10.
dor dos Aggravos.— Ass. de 29 de Julho de 1673. i5) Vide Cabedo — p. 1 Dec. 44.
(4) Vide L . de 22 de Setembro de 1828 a rt. 2 § 7, e (6) Vide D. de 4 de Dezembro de 1830 a rt. 4.
Regulamento das Relações art. 7 § 5. Os embargos á antiga Chaneeliaria-mór são hoje
(5) Vide Ord. deste liv . t. 2 § 6, e t. 36 § 6. apresentados á autoridade, cujos actos se houverem
(6) Esta disposição não vigora hoje. de embargar.
Vide a Ord. deste liv . t. 24 §§ 43 e 44, e t. Õ6 § 2. (7) Vide nota 3 ao § 7 desta Ordenação.
TITULO V 17

Nós não proverm os, servirá o d ito Officio da Justiça, e q u in ze Desembargadores E x ­


o Desem bargador dos Aggravos mais an ­ travagantes ( 1).
t ig o , como temos d ito no T itu lo 1 : Do
Regedor (1). S.— p. 1 t. 5 1. 14
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 4.
S . - p . l t . 21. 1 § 8 .
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 0. 1. E os Letrados, que tomarmos para a
Casa da S u p p licação , entrarão p rim e iro
T IT U L O V na Casa do P o rto (2), e n ella terão servido
algum tem po.
Dos Desembargadores da Casa S . - p . 1 1. 5 1. 17.
da Supplicação (2). Al. de 24 de Setembro de 1582.

2. E tanto que algum Desembargador


Q uerendo Nós d ar ordem , que as causas, fo r p er Nós p ro vid o de algum O fficio, o
que na Casa da Supplicação (3) se tratam , servirá p er si (3), como he obrigado, do dia
sejam brevem ente despachadas, mandamos que fo r p ro vid o a dez dias p rim eiros se­
que na d ita Casa haja os Desembargadores guintes. E não servindo no dito tempo,,
s egu intes: H u m C hanceller da d ita Casa, o R egedor o não consentirá que vá a ro l (4),
dez Desembargadores dos Aggravos e A p - para lhe ser pago seu ordenado, e n o l-o
pellações, dous Corregedores do Crim e da fará saber, para proverm os do tal O fficio,
C o rte , dous Corregedores das Causas ei­ como fo r nossa m ercê.
veis d elia, dous Juizes dos F eitos de nossa
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 6.
Coroa e F a z e n d a , q u atro O uvidores das
A p p ellações de casos crim es, h u m P ro ­ 3. E quando tom armos algum L etrado
curado r “dos Feitos de nossa Coroa, h um ara a casa da Supplicação p o r Desem -
P ro c u ra d o r dos F eitos da nossa Fazenda, a rg a d o r, antes que feito algum desem­
h u m Ju iz de C hancellaria, h um P ro m o to r 1
3
2 bargue, o R egedor lh e dará ju ram en to na
M esa grande perante todos os Desembar­
gadores, o qual ju ra m e n to fará na fô rm a ,
(1) Consulte-se sobre este titu lo tanto os commenta­
ries de Barbosa e de Pegas, como as annotates de que stá scrip to no liv ro da Relação. E
Costa de Stylisann. 1, 2 e 3. tanto que o d ito ju ra m e n to to m a r, p o rá
(2) Consulte-se sobre as disposições deste titu lo , seu sinal ao pé do que está scripto. E
Barbosa e Pegas nos respcctivos commentaries, e Costa
de Síylis, annotaçuo I V . sem se screverem outros juram entos de
O D. de 30 de Junho de 1632 determinava que os n ovo, assinarão da mesma m aneira os Des­
Desembargadores trajassem roupas compridas e g o r­ embargadores, que pelo tem po forem p ro ­
ras, denominadas garnachas. vidos.
O de 23 de Julho de 1698 não permitte que dous
Desembargadores irmãos possão ser Juizes na mesma
causa. E os de 27 de Novembro de 164-3, 9 de Janeiro
M . - liv . 1 1 .1 §§ 3 e 5.
de 1644, e 12 de Novembro de 1650 vedão-Ilies o mora­
rem fóra das cidades, e nem suas famílias. 4. E mandamos, que todos nossos Des­
Consulte-se sobre a rubrica e texto do principio do embargadores, que não cum prirem e guar­
titu lo os DD. de 7 de Junho de 1659, 18 de Fevereiro darem nossas Ordenações in teiram en te,
de 1706, 23 de Maio de 1656, 5 de Junho de 1637, 8
de Outubro dc 1704, 25 de Janeiro de 1724, e 25 de sendo-lhes allegadas, paguem ás partes,
Maio de 1728; c Cartas d’E l-R e y, de 23 de Setembro em cujo favo r fo rem allegadas, vinte cru­
e 14 de Dezembro de 1623, e de 31 de Julho de 1626. zados (3), e sejam suspensos de seus Officios
Quanto á posse, exercício, prioridade e precedencia
dos Desembargadores nos Tribunaes convém lêr os até nossa m e rc ê , e p o r esse mesmo feito
Ass. da Casa da Supplicação dc 7 de Junho de 1636, 6 ficarão suspeitos ás ditas partes em os
de Julho dc 1655, 24 dc A b ril de 1687, 23 de Dezem­ fe ito s , de que assim forem Juizes. È os
bro de 1713, 18 de Janeiro de 1718, 12 de Maio de
1725, 2 de Março de 1726, 22 de A b ril de 1728,14 dc
desembargos (6) c sentenças, em que assi não
Junho de 1740, 25 de Fevereiro de 1745, 30 de Julho guardarem as. ditas Ordenações, sejam ne­
de 1748 e 30 de Janeiro de 1749. nhu ns. E o mesmo mandamos a todos os
(3) A Casa da Supplicação, não obstante ser o p r i­
meiro Tribunal de Justiça da Monarchia Portugueza, Desembargadores da Casa do Po rto , Cor-
não passava de uma Relação graduada, cujas sentenças
podião ser reformadas pela Mesa do Desembargo do
Paço. (1) A Disposição Provisória no a rt. 22 acabou com a
Excluida a sua presidência pelo Regedor, e ficta- distineção de Desembargadores Aggravistas e E x tra ­
mente pelo Soberano, e a autoridade dos seus Assen­ vagantes.
tos, a sua importância era no fundo igual á das outras (2) O Ass. de 23 dc Novembro de 1666 determinava
Relações da Asia e America, e Casa do Porto. que o Desembargador ordinário preferia ao titu la r ou
Chamava-se CasadaSupplicação, porque supplioa ou honorário em antiguidade.
supplicação he a petição dirig id a ao Principe, que se (3) Vide Ord. deste liv . t . 19 § 7, e t. 96.
suppunha sempre presidir aquellc Tribunal, para re - ’ (ÚIr arol, inscripto na folha para cobrar ordenado.
parar o rig o r da justiça. E erão os seus membros quem (6) O Ass. de 28 de Novembro de 1634 declarou
rcsolvião sobre as infraeções ou gravames das Leis. que os Desembargadores não podem ser demandados
Vide — Gama — Dec.1 n. 10, Cabedo — p. 1 Dec. 1 pelas sentenças que derem, ainda que as partes se
n. 2, e Costa — de Stylis,ann. 1 ns. 5 e 6. considerem com ellas prejudicadas.
As disposições deste titu lo pelo Regulamento das (6) Desembargos e sentenças . O desembargo diíTere
Relações de 1833, em geral estão revogadas: assim da sentença, porque esta entende-se a definitiva, e o
como as dos Regimentos das antigas Relações do B ra­ outro corresponde á interlocutoria.
sil, na Bahia, Rio de Janeiro, Maranhão c Pernam­ Vide Gosta — de Stylis ann. 4 n. 2.2, e Pegas cttf
buco, não reproduzidas naquelle Regulamento. Ord. deste liv. t. o § 9 n. 3.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
18
a p p ellação , houvera de v ir á d ita Casa,
regedores, O uvidores e Julgadores, sob a
o G overnador com outros tantos Desem ­
mesma pena. bargadores delia conhecerão disso, e darão
M .-liV . 5 t. 58 pr. á execução as penas desta Ordenação.
5. E havemos p o r bem , que quando os M . - liv . 5 1.58 § 3 .
Desembargadores, que forem no despacho 7. E porque as partes se não aggra-
de algum "feito , todos ou algum delles ti­ v e m , como não d evem , m andam os, que
v erem alguma d uvida em alguma nossa achando-se pelos Superiores, que do ag­
Ordenação do entendim ento d e lia , vão gravo lião de co n h e c e r, que se não ag-
com a ” duvida ao R e g e d o r; o qual na gravaxam bem , sejam condenados nas custas
M esa grande com os Desembargadores, em d ob ro , que se p o r causa do retard a­
que lhe bem parecer, a determ inará, e se­ m ento seguirem ás • partes contrarias. E
gundo o que ah i fo r determ inado, se porá não havendo ah i p arte c o n tra ria , sejam
a sentença. E a determ inação, que sobre condenados em dous m il reis para as des-
o entendim ento da d ita Ordenação se to­ pesas da Relação.
m a r, mandará o R egedor screver no liv ro
M .-liv . 5 1. 58 §4.
da Relação, para depois não v ir em duvi­ L. de 21 de Março de 1590 § 17.
da (1). Ê se na d ita Mesa forem isso mesmo
8. E mandamos a todos nossos Desem­
em duvida, que ao R egedor pareça, que
bargadores, que não conheçam dos feitos,
he bem de n o l-o fazer sabor, para a Nós
que lhes claram ente não p ertencerem , e
logo determ inarm os, n o l-o fará saber, para
os rem ettam a seus Juizes com petentes,
nisso proverm os. E os que em outra ma­
tanto que requeridos forem p er cada hum a
n e ira in terp retarem nossas Ordenações (2),
das partes, do d ia, que pozerem n elle o
ou derem sentenças em algum fe ito , tendo
p rim e iro desem bargo, até oito dias p r i­
algum delles d uvida no entendim ento da
m eiros, sob pena de pagarem às partes as
Ordenação, sem ir ao R egedor, será sus­
custas em dobro de todo o retardam ento,
penso até nossa mercê.
e dos autos, que perante esses Juizes in ­
M .-liv . 5 1.58 § 1. competentes fo rem fe ito s , p o r quanto os
6. E havemos p o r bem , que quando se havemos por nenhuns. E o mesmo cum­
alguma parte q u izer aggravar de algum p rirã o os Desembargadores da Casa do
Julgador, que lh e não guarda c cum pre al­ P o rto , Corregedores, O uvidores, Juizes de
gum a nossa Ordenação, se o caso, em que F ó ra , e Juizes O rd inários da nossa cidade
d iz , que se não guardou (3), fo r de qualida­ de L isb oa, sob a mesma pena.
de, que se logo póde aggravar p er petição, ou M .—liv. 5 1. 58 §2.
instrum ento de aggravo, ou Carta testemu-
n h avel, o. Juiz ou Juizes superiores, que 9. M andam os, que no caso, onde forem
do aggravo podem con hecer, proverão cerlos Desembargadores Juizes de algumas
tam bém sobre a execução desta Ordenação, causas, assi como os do ag g ra v o , e em
e darão a pena delia aos in fe rio re s , não alguma in te rlo c u to ria , ou incid ente v a ria ­
sendo o in fe rio r nosso Desem bargador. E rem , p o r onde seja necessário m e lte r-s e
se o Julgador, de que se a parte aggrava, no feito outro D esem bargador, ou Des­
fo r t a l, que delle não possam aggravar, embargadores, que os concordem , depois
assi p o r ser in te rlo c u to ria , em que ao que fo r posta a d ita in te rlo c u to ria , o feito
tem po, em que se p ro nu ncia, não se possa tornará áquelle, que fo r de d iíferen te pa­
aggravar, como p o r caber em sua alçada, recer ( 1) ; e conhecerá delle com os outros
quando fo r d efinitiva, ou sendo o Julgador em tudo o m ais, que no feito se h o u ve r
nosso D esem b arg ad or; nestes casos, ou de processar, assi como conhecêra, se dos
cada h um d e lle s , o R egedor com cinco outros não v a riâ ra , e será obrigado seguir
Desembargadores conhecerá do tal aggravo, o desembargo (2), quo pelos outros fo i acor­
em que se a parte aggrava do lh e não dado, postoque elle fosse de o utra o pinião .
ser guardada nossa Ordenação, e executará 15 isto mesmo se guardará nos outros fe i­
em todo as penas nesta L ei contcúdas. tos, que se despacharem nas mesas pelos
E se o aggravo fo r do algum Desembar­ Desembargadores, que o R egedor cada chá
gador da" Casa do P o r to , ou de algum o rd e n a , onde m uitas vezes as in te rlo c u -
Julgador de caso, que se delle houvera torias são despachadas p er diversos Des­
embargadores ; porque serão obrigados os
que derradeiram ente v ierem aos despachos
(1) Desta disposição resulta a força dos Ass. da dos ditos feito s, seguir as interlo cu to rias
Casa da Supplicação, o que fo i positivamente decla­
rado por D l), de 4 de Fevereiro de 1681 e dc 20 de
pelos outros postas, ou postoque já o utra
Junho dc 1703, e posteriormente confirmou o § 6 da vez stivessem ao despacho das in te rlo c u -
L . dc 18 de Agosto dc 1769.
(2) Havendo entre os membros do Trib un a l duvidas,
devem ser submettidas ao Soberano.— Ass. de 14 de
Dezembro de 1724, e Carta d'El-Rey do 6 de Setem­ (1) Vide Ass. de 15 de Agosto de 1603, c 2 de
bro de 1616. Agosto de 1639. c
(3) Vide sobre esta disposição o Ass. dc 16 de Julho (2) V ide Ord. do liv . 5 t. 124 § 25, liv . 1 t. 19 8 9.
de 1812. t. 23 § 2, 0 t. 58 § 2.
TITULO V 19

torias, e fossem de contraria opinião. E Que os Julgadores julguem por


tu lo 6 3 :
isto se não entenderá quanto ao que toca a verdade sabida.
à substancia da causa nas sentenças finaes, P. de 23 de Novembro de 1582.
porque os Desembargadores, que houve­
13. E p o r se evitarem os inconvenientes,
rem de despachar os fe ito s , em que são
que poderia h aver, se os Desembargado­
postas interlocutorias p er o u tro s , porão
res, que estão em hum a M esa, só p er in ­
suas sentenças definitivas, como lhes pa­
formações e relações de outros assinassem
recer ju stiça, sem serem obrigados seguir
os despachos, que se poem em outra Mesa,
as ditas interlocutorias postas p er outros.
assi em feitos c rim e s , como e iv e is , sem
M . - liv . 1 1. 1 §§ 30 e 31. serem presentes aos ditos despachos, para
S. - p . 1 t. 5 1. 8 §2.
ouvirem e conferirem huns com os outros
10. Ite m , mandam os, que postoque o Des­
as razões, p er que se m o v e m : mandamos
em bargador, que da causa conhecia, seja
que nenhum Desembargador assine no des­
m udado, o feito não sáia da mão do S cri-
pacho, que se pozer em o utra M es a , em
vão ordenado, salvo p o r suspeiçâo ou por
que não fo r presente, e o Regedor o não
o utro semelhante im p e d im e n to /
consentirá.
M .-IÍV . 1 t. 1 § 32.
L. de 16 de Setembro de 1586 § 2.
11. E para b om despacho e brevidade
dos feitos eiveis, mandamos, que quando 14. E quando os Desembargadores, que
em algum feito finalm ente concluso e visto são obrigados tir a r as inquirições nos fei­
em Relação se p o zer in te rlo c u to ria , para tos, de que são J uizes, conforme a Or­
se haver* de fazer alguma diligencia, o Juiz
denação no T itu lo 8 6 : Dos Enqueredores,
p rin c ip a l do feito ponha em lembrança,
§ 3 : E quando, forem occupados de
modo que p er si as não possam tira r,
assinada pelos Desembargadores, que nelle
ou sendo as testemunhas de tal qualidade,
fo r e m , o que se fa rá , tanto que a in ­
que não devam i r a casa dos Desembar­
terlo c u to ria se c u m p rir, e a diligencia
gadores, ou acontecendo caso, p o r que pa­
v ie r feita de hum a m a n e ira , ou de outra,
reça ao R egedor, que elles o não poderão
para então se screver a sentença no feito,
f a z e r : commetterá o tira r das ditas inq u i­
e se assin ar, segundo a d ita lembrança,
rições á outros Officiaes, que para isso lhe
vend o-se sómente o que novamente accres-
parecerem idoneos.
c e r , sem se to m a r a le r todo o fe ito , a
uai lem brança ficarã em poder do Juiz S .-p . 3 1 .11.4.
o fe ito . E * quanto ás lembranças dos 15. It e m , m andam os, que dous Desem­
feitos c rim e s , se terá a o rd e m , que se bargadores , que pelo tem po forem mais
d irá no L iv ro q u in to , T itu lo 1 2 4 : Da modernos na Casa da Supplicação, façam
ordem do Juizo nos feitos crimes, § 25: as audiências aos feito s, que pertencem
E em todos. ao Juizo dos Aggravos e A p pellações, e
M .- liV . 1 1. 1 $ 24. ao Juizo dos F eitos da Coroa e da F a ­
12. E quando p er app ellação , ou ag- zenda, e dos Ouvidores do Crim e e Juiz
gravo, ou p e r q ualqu er outro modo forem da C hancellaria. E tendo algum delles im ­
alguns feitos crim es á R e la ç ão , em que p ed im e n to , p or que as não possam fazer,
fa lta r algum a solem nidade, oú se proceder succederão nisso em seu lug ar os Desem­
nelles p er v ia de devassa, não sendo bargadores , que ante delles forem mais
os casos, de que p o r bem de nossas modernos. E mandarão m etter os feitos,
Ordenações se póde devassar, ou que per que houverem de p ub licar, em um sacco
q u a lq u e r outra causa se possam an n u llar, perante si na Relação, o qual os Porteiros
conform e ás Ordenações e D ire ito , sendo levarão á audiência. E depois que os Des­
embargadores stiverem na séda, mandarão
os casos taes e tão provados, que pareça,
que convém a bem de justiça castigarem- a b rir o sacco, e tira r delle os feito s, e
se os culp ado s, se não annullem os ditos publicarão p er si todas as sentenças, que
nelles stiverem postas, e nãs as poderão
feitos e autos: e o Desem bargador, que
h aver p o r publicadas. E não commetterao
delles fo r Ju iz, dará conta ao R egedor, o
as audiências, que são obrigados a fazer,
q u a l p o rá o caso em Mesa com os Des­
p o r serem mais m odernos, a algum dos
em bargadores, que lhe parecer, para com
Advogados. E tendo justo im pedim ento,
inform ação do Desembargador Ju iz da
o farão saber ao Regedor, para que pro­
causa se sup prirem os ditos defeitos ( 1),
veja outro Desembargador, que ante delles
como fo r assentado pela m aio r parte dos
fo r mais m oderno, que as faça. E o dito
Desembargadores, e se castigarem os d elin ­
Regedor as não commetterá a alguin A d ­
quentes conform e a qualidade de suas cul­
vogado, e os Advogados não acceitarão as
pas. E quanto aos feitos eiveis, se guardará
taes commissões, sob pena de suspensão
o que se dispõe no L iv ro te rc e iro . T i­
de seu Officio.
L. fie 18 de Novem bro de 1577 § 51.
l l ) Pelo Ass. de 20 de Marco de 1006 se declarou Ref. de 27 de Julho de 1582 § 9.
que, depois de senteeciados os feilos em Relação, se S . - p . 1 1. 5 1. 11S2.
não podião supprir, nem revalidar os defeitos.
L. de 16 de Setembro de 1586 § 1.
Ord . io
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

16. E os Desem bargadores, que Nós marão conhecim ento, segundo he conteúdo
aposentarmos ou escusarmos de i r á R e ­ no terceiro L iv r o , no T itu lo 84 : Dos
lação, indo a e lla , não terão v o to , nem aggravos das sentenças definitivas: e isto
poderão ser em despacho a lg u m , salvo se não entenderá nós aggravos e app el-
tendo para isso especial Provisão nossa. lações, que saírem dante os Oíficiaes, q u e
conhecem dos feitos d a F azen d a da U n i­
S , - p . 1 1. 5 1. 16.
versidade de Coimbra entre ella e os re­
17. E porque os hospedes, que vão pou­ cebedores de suas rendas e seus fiadores
sar com os Desembargadores, lhes im pe­ e abonadores, e quaesquer outras pessoas:
dem o despacha dos fe ito s , m andam os, porque estes hão de v ir direitam en te ao
que nenhum Desembargador agazalhe hos­ Juizo de nossa Fazenda, com o se d irá n o
pede em sua casa ( 1) , salvo se fo r seu ascen­ T itu lo 10 : Dos Juízes de nossos feitos
dente, ou descendente, ou irm ão seu, ou da Fazenda. E a m an eira, que terão no
de sua m u lh e r ou criados seus, ou amos ; despacho dos ditos A g g rav o s , he a se­
e fazendo o con trario , Nós lh o estranha­ guinte.
rem os, e daremos a p e n a , que nos bem
L. tie 27 de Julho de 1582.
parecer. E o Regedor nos d irá , quando S.— p. 5 t. 1 1. 5.
os Desembargadores assi o não cum prem . L , de 26 de Novem bro de 1582 S t.
Não tolhemos p o ré m , que os Desembar­
1. Sendo o feito sentenceado pelos Ju l­
gadores pousem (2) huns com os outros,
gadores acima declarados, ou p er o utro ,
porque se não podem estorvar em seu des­
de que se possa aggravar p ara a Casa da
pacho.
Supplicação, se dous Desembargadores dos
M .-1ÍV . 6 t. 56 § 9-, Aggravos se acordarem com a sentença
dada pelos sobreditos, e a confirm arem ,
T IT U L O V I logo esse feito p er esses dous assi con­
cordantes seja findo e d e te rm in a d a , e se-
Dos Desembargadores dos Aggravos e Ap- ponha a sentença. E se os ditos dous
pellaçãcs da Casa da Supplicação (3). Desembargadores” se acordarem ambos cm
revogar a tal sentença ( 1) , v á o feito a o utro
Aos Desembargadores dos Aggravos da Desem bargador dos Aggravos p o r te rc e iro ;
Casa da Supplicação pertence conhecer e se acordar com os d o u s , porão sen­
igualmente p er distribuição dos feitos, que tença conforme a seu a c o rd o ; e . se este
p er aggravo a elles vierem da Relação da terceiro fo r differente dos dous, vá o feito
Casa do P o rto , de casos eiveis, qué pas­ a q u a rta ; e se concordar com as p ri­
sarem de q uantia de cem m il reis em bens m eiros dous a re v o g a r, ponha-se- a sen­
m oveis, e de oitenta em bens de raiz (4). E tença p e r elles t r e s ; e se o quarto con-
tomarão outrosi conhecim ento dos aggra­ corãar com o te rc e iro , ou fo r em o utra
vos, que saírem do Ju iz das auçòes novas differente ten ç ã o , vá a q u in t o ; e se o
da d ita Casa do P o rto , passando das ditas q u in to concordar com algum a das duas
quantias. E conhecerão dos Aggravos dos tenções, ou a re v o g a r, ou a. confirm ar,
Corregedores da nossa Corte (5), e do Juiz ponha-se sentença, segundo o que pelos
da ín d ia e M in a , e dos Corregedores da ditos tres fo r concordado. E se fo r em
cidade de Lisboa, Juiz dos A lem ães, Con­ outra tenção differente , em m aneira que
servadores das Universidades de Coim bra não sejam conformes tres em hum a ten­
e E v o ra , nos casos, que não couberem ção, corra os mais do- A g g ravo , se os h i
em suas alçadas. Dos quaes Aggravos to- fiou v e r , até se acordarem tres em hum a
ten ção, como fica dito. E tanto que os
ditos tres forem acordados em hum a ten­
(1) Vide Cartas d’ El-Rcy do 22 de Fevereiro de ç ã o , logo se ponha sentença, ou a con­
1616 o de 6 de Outubro de 1633, determinando que os f ir m a r , ou a revogar. E sendo visto o
Desembargadores não respondão a cartas de preten­
dentes. feito p er todos os dós A g g ra v o s , e não
(2) A Carta d’El-Rey de 16 de Dezembro de 1620 concordando os que assi são necessários
recommenda a observância da L. de 9 de Novembro do para se p ô r a sentença, e não h o u ver
1612, que veda aos Desembargadores visitarem outras
pessoas que não sejão de sua classe. mais Desembargadores dos A ggravos, assi
(3) Vide sobre estes Desembargadores o a rt. 22 da p o r algum ser suspeito, como p o r o utra
DisposiçãoProvisória, e o t. 4 do Reg. de 7 de Março qualquer m a n e ira , o d errad eiro deites o
de 1609, da Relação e Casa do Brasil, e do Reg. de
13 de Maio de 18.13., da Relação do Maranhão. p orá em mesa perante o R eged or, o qual
Quanto á precedencias, emolumentos e antiguidades verá se póde concordar os ditos Desem­
destes Desembargadores, consulte-se os Ass. ae 21 de bargadores, q ue suas tenções tem postas,
Janeiro de 1631, 20 de Julho de 1632, 5. de Julho de
1710, 17 de Junho e 8 de Julho de 1747. para se p ò r sentença; e não os podendo
Além dos commentaries de Barbosa e de Pegas c o n co rd ar, chamará à d ita mesa os mais
sobre esta O rd ., consulte-se Costa deStylisann. 5.
(4) O D. de 26 dc Junho de 1696 augmentou a al­
çada destes Desembargadores e mais Ministros do
Reino, alterando portanto, esta Ordenação. (1) O Ass. de 17 de Março de 1718 explica, esta,
(5) O Ass. de 27 de Fevereiro de 1635 confirmou e Ord. e a concilia cora os §§ 13 e 14 deste titulo..
corroborou esta disposição-. Vide — Pegas, Com. á esta O rd.
TITULO VI 21
Desembargadores, que lh e bem parecer, e Ordenações pertençam a outros Julgado­
tomadas as vozes aos ditos Desembarga­ res. E como forem dous concordes (1) a
dores dos A g g ravo s, que já tem visto o con firm ar, ou revogar, porão o desembargo
fe ito , e postas tenções com os m ais, que segundo suas tenções. E se forem diffe-
na mesa stiverem , o determ inarão segundo rentes, irá a terceiro , ou quarto, e dahi
fo rem as mais vozes, e assi se porá a p o r diante até serem dous concordes. E
sentença. quando os aggravos forem do Ju iz receber
M.— liv . 1 1. 4 pr. e § 1. appellacão à parte con traria, q uer de sen­
tença d e fin itiv a , q uer de in terlo cu to ria,
2. E em caso que os prim eiros dous
tomarão os ditos Desembargadores conhe­
Desembargadores sejam diíferentes em suas
cimento do tal instrum ento, ou Carta tes-
tenções, e h um fo r em con firm ar as sen­
tem unhavel, e não outro algum Julgador.
ten ças, e o utro em re v o g a r, será o feito
E no caso que alguns instrum entos forem
dado a terceiro . E acordando-se com o
tirados dante alguns Desembargadores, que
que fo r em c o n firm a r, p o rá logo a sen­
a algumas partes mandarmos com alçada,
tença confõrm e ao acordo de ambos. E
postoque Presidente le v e m , não tornarão
se ô terceiro se acordar com o que he em
conhecimento dos taes aggravos, mas virão
re v o g a r, ou fo r em o u tra nova tenção,
a Nós direitam ente.
então ir á á q u arto , e se terá a fô rm a , que
dissemos no paragrapho precedente. M . - liv . t t. 4 § 5, e t. 59 § 24.

M . - l iv . 1 t . 4 § 2 . 5. E não tomarão conhecim ento dos re­


querim entos de aggravos (2 ), sem as partes
3. E porque m uitas vezes nas tenções nelles fazerem declaração, como aggravam
são concordes em p a r te , e differentes em
para os ditos Desembargadores. A qual
o utra p arte, ou concordes no p rin c ip a l, e
declaração farão nos ditos requerim entos,
diíferentes nas custas, p o r bem da qual ou p e tiç õ e s , ou p er term o nos autos.
ditferença vai a outros m ais Desembargado­
res, segundo acim a tica d ito ( 1) : mandamos, s.-p. 2t. í 1
.n.
que o- Desem bargador, a que assi fo r por 6. Os. Desembargadores dos Aggravos
te rc e iro , q u a r to , ou q u in to , p onha sua conhecerão das petições de aggravo, que
tenção sómente na p a r te , em que fo r a forem dadas ao Regedor (3), segundo em seu
d iifê re n ç a ; porque quanto na p a r te , em titu lo he ordenado, e assi dos feitos, que
que já "os outros Desembargadores ficam p er desem bargo, posto nas ditas petições,
concordes, lie adquirido d ire ito âquelle, vierem, á Relação. E conhecerão (4) dos
p o r q u em são concordes; e segundo as aggravos, que a"elles vierem , p er petições,
ditas tenções se h a de p ô r a sentença p er ou instrum entos e Cartas testemunháveis,
os que con co rd aram , postoque na outra de quaesquer lugares, que estejam dentro
p arte , ou nas custas, cm que era a diffe- das cinco legoas da cidade de Lisboa. E
rença, se haja de p ô r pelos mais Desembar­ os aggravos, de que p er petição podem
gadores, que pozeram as mais tenções: a conhecer, são os seguintes.
qual sentença se porá em a q u illo , que M . - l i v . 1 1. 4 § 9 , e t. 6 §10.
acordarem sobre a d iffe re n ç a , que foi a
d ie s . E porque ás vezes são conformes 7. De todas as interlocutorias e manda­
tres Desembargadores na decisão do caso dos de quaesquer Juizes (5), ou Justiças da
p r in c ip a l, e diíferentes nas custas, tanto cidade de Lisboa (nos casos, de que se
que dous se acordarem nas custas, porão defies pôde aggravar p er petição, que se­
sentença, sem i r a mais Desembargadores. rão declarados no L iv ro terceiro , T itu lo
E senão todos diíferentes n a condenação 20; Da ordem do Juízo) não tom ará co­
das custas, ir á o feito a outro Desem­ nhecim ento o utro algum Julgador da dita
bargador, n o que toca ás ditas custas so­ cidade, nem os Corregedores da C o rte ; mas
m ente ; e como dous forem confórm es, se irão direitam ente aos Desembargadores dos
ponha a sentença.
M .- liv . 1 t. 4 §4., (1) O: Ah de 16 de Maio dfe 1608, e Carta d'El-R ey
S. — p. 1 t. 5 1. 20. de 5 de Dezembro, de 1613 cxplicão as duvidas a que
deu causa a intelligentsia desta Ord.
4 . E os ditos Desembargadores dos A g ­ (2) Vide Ord. do liv., 3 t. 20 § 46.
gravos despacharão p er tenções todos os Estes aggravos devem ser interpostos em audiência,
como resolveu o Ass. de 9 de A b ril de 1619.
instrum entos de aggravo, e Cartas teste­ Consulte-se Pegas no respectivo Commentario, e
m unháveis, que a elles vie re m dos Julgai- Costa de Stylis ann. 5 n. 12;
dores das Comarcas da repartição e dis- (3) Os Ass, de 10 de Novembro de 1644,. 25 de
Agosto de 17.01. e 18 de Novembro de 1719 resolvem
tric to da Casa da Supplicação, como- abaixo diversas questões sobre a inlelligencia desta Ordenação.
se d irá , não sendo instrum entos ou Cartas (4) Segundo Monsenhor Gordo, esta parte do para­
grapho foi derivada da ultima Manuelina in fra cilada,
testem u nh áveis, que pertençam a feitos
e de um Estylo da Casa da Supplicação, referido por
c rim e s , ou que specialmente per- nossas Cabedo Dtc. 13 da p. 1 n. 10 e seguintes*
(5) Os DD. de 3 de Julho de 1637,5 de Dezembro
de 1643 e 28 tte Maio de 1644, e Ass. de 10 de No­
( i) As duvidas que suscitou esla Ord. forão resolvi­ vembro do mesmo anno C9tabelecêrão differentes lim i­
das pelo Asa., de 21 de Fevereiro de 1619... tações á este paragrapho,.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
22
h av ia de ser despachado, p o r tolh erem o
A ggruvos, não sondo sobro cousas de nossa
F a z e n d a , ou de nossos d ire ito s , p orqu e
i
aggravo querendo e v ita r isso, mandam os,
que se cada h u m dos Desembargadores,
destes conhecerão os J u iz e s , a que p er­
que as audiências fazem , nos term os, que
tencer.
nas audiências se sôem m andar, assi como
M —liv . 1 t. 4 § 10.
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 13. dilações ás partes, e outros sem elhantes,
e bem assi nas cousas, que p e r seu R e -
8. Item , de todos os termos e mandados, gim ento hâo de despachar cada hum» p e r
[ue quaesquer Desembargadores da Casa
s i, e de que podem ag g ravar, despacha­
I
da Supplicação mandarem cada hum per
si só nas audiências (1), ou fóra delias em
rem os ditos term os, mandados, ou sen­
tenças em R e la ç ã o , que em taes casos,
feito civel, ou crime, que se lua de des­
sem embargo de serem despachados em
pachar em Relação, e de que não ha de
Relação, as partes possam aggravar^ (1) dos
haver aggravo da sentença d e fin itiv a : e
taes ” despachos postos em R e la ç ã o , assi
bem assi de qualquer iníerlocutoria, que
como poderão aggravar, se p er si só des­
cada hum dos Desembargadores, que per
embargaram ta l in te rlo c u to ria , ou term o
seu Regimento per si só póde p ô r em
na audiência.
feito crime, postoque o haja de despachar
em Relação, e pozer a dita interlocutoria M . - liv . i t . 4 § 14.
pe r si só, poderão aggravar per petição l i . E as petições, p er que se aggrava-
para os ditos Desembargadores. rem de cada h u m dos sobreditos Desem ­
M . - liv . 1 1 .4§ 11. bargadores, ou Julgadores, conteúdos neste
titu lo , serão assinadas pelo P ro cu rad o r
9. E bem assi se p od erá aggravar das
do feito . E achando-se que h e co n traria
interlo cutorias e mandados, que o C orre­
aos autos, e não he feita n a verdade do
gedor da Corte dos feitos eiveis p o ze r,
que no feito se contém , ou lie feita m a-
ou m an dar nos feitos, de que elle conhe­
nifestam ento con tra D ir e it o , ou que he
cer p er aucão nova, ou o utro D esem bar­
friv o la , e de m ateria, p er que pareça que
gador, a qúe commettermos algum feito ,
não he a p arte aggravada , jia g a r á o tal
que p e r si só desembargue, sendo as ditas
P rocu rad or p o r cada p e tiç ã o , que assi
in terlo cutorias, ou mandados, cm que se
fizer, dous m il reis p ara as despesas da
não receba p er cada h um dos sobreditos
Relação (2), e não será adm ittido a se rv ir,
alguma contrariedade, defesa, re p lic a, tre ­
sem m ostrar como os tem pago.
p lic a , ou parte de cada hum a delias, ou sendo
a in te rlo c u to ria , ou mandado sobre d ila­ M . - liv . 1 t. 4 §15.
L. de 24 de Março de 1590 § 17.
ção grande, ou pequena, que se d er para
fó ra do R e in o , ou sendo sobre incom pe­
tência do ju iz o , q uer pro nu ncie que re­
Appellações.
cebe a excepcão, q uer não, e assi depois
12. Ite m , os ditos Desembargadores dos
de recebida, q u w se pronuncie p o r Juiz
Aggravos tom arão conhecim ento de todas
com petente, quer não. E assi mais se po­
as appellações de casos eiveis (3), que saí­
derá dos sobreditos aggravar nos casos
rem , e v ie re m a elles dante os Juízes do
conteiidos no L iv ro te rc e iro , T itu lo 2 0 :
C ivel, e dos Órfãos da cidade de Lisb oa,
Da ordem do Juizo. e do O u v id o r da A lfa n d e g a , P ro v e d o r dos
M . - liv . 1 1. 4 § 12. Residues e Capellas, e do P ro v e d o r dos
S . - p . 3 t . 11. 7 §6.
Ass. de 29 de Janeiro de loTO. Ó rfã o s , e do C onservador da M o e d a , e
L . de 18 de Novem bro de 1577 § 10. das Ilh a s , e do R e in o do A lg a rv e , e das
io. E por quanto ás vezes os Desem:Comarcas de antre T ejo e G uadiana, e da
bargadores, que as audiências fazem, e assi E s tre m a d u ra , tirand o as Correições de
os que per seu Regimento cada hum per Coim bra e Esgueira, que hão de i r â Casa
si só ha de despachar, po r as partes não do P o rto ; e assi conhecerão das appella­
poderem aggravar dos termos e mandados, ções da Comarca de Castel-branco, e dos
que na audiência se haviam de mandar, feitos de aggravo do Conservador da U n i­
e assi das interlocutorias, que per elles só versidade de C oim bra nos casos, que não
haviam de passar, de que podiam aggra­ couberem em suas alçadas. E assi tom arão 123
var, não querem mandar sobre o que lhe
requerem na audiência, nem querem des- (1) Sobre a intelligencia deste paragrapho e duvidas O
pachar cada hum per si só, conforme a que occorrêrão, consulte-se o Ass. de 13 de Julho
de 1816.
seu Regimento, mas mandam fazer os fei­ (2) Vide Ass. de 16 de Novembro de 1700, e Ord.
tos conclusos sobre os taes term os, e os deste liv . t. 48 §§ 6 e 7, e liv . 5 t. 5 § 7.
despacham em Relação, e assi despacham (3) Pegas no Commentario á esta Ord. diz que a
Casa da Supplicação também conhecia das appellações
em Relação o que per cada hum sómente e aggravos respeitantes á Ig re ja de Braga e Arce­
bispo Primaz sobre materia ao jurisdicção, postoque
tal attribuição competisse á Casa do Porto, por se
( 1) O D. de 4 de Junho de 1G8S e Ass. de 5 deachar Braga no seu districto, sendo esta uma conces­
Março de 1611 explicão diuvidas á que deu eausa a são especial feita ao Arcebispo D. F r. Agostinho de
inteííigcncia deste paragrapho. Jesus, por um Decreto de 1606.
tlTC LO VI 23

conhecim ento dos instrum entos de aggravo ] o feito de despachar fin a lm e n te , assi se
c Gartas testem unháveis de casos eiveis, ! p o rá o desembargo, e to rn ará o feito ao
tju e v ierem de todos os sobreditos, e que I Desem bargador, que o p rim eiram ente v io ,
não couberem em suas alçadas. para que ponha nelle sua tenção final.
P o ré m se a d ita dilig encia e interlo cuto ­
L. rte 27 de Julho de 1582 §S 2, 3 e 7.
L. de 2Gde N ovem bro de 1582 § 6. ria não fo r pedida p er algum a das partes,
S . - p . 2 t. 1 1. 5. mas o Desembargador a m o ver de seu Of­
ficio, e fo r acordado pelos outros que he
. 13. N o despacho das appellações terão eseusada, far-se-ha assento disso, assinado
a m aneira seguinte. Nas que "forem até no feito pelos Desem bargadores, que na
q u a n tia de dez m il reis afora as custas, d ita in terlo cu to ria forem , para depois não
como fo rem dous conform es a confirm ar, v ir em duvida aos outros Desembargado­
ou a revo gar, porão sentença; e não sendo res, que o feito houverem de v e r, se se
c o n fó rm e s , irá o feito a te rc e iro , e aos devia fazer a d ita diligencia. E sem pu­
mais que c u m p rir. E passando a q uantia blicação da dita determinação e assento,
de dez m il reis até dezaseis m il reis nos ficará logo o feito com elle, para p ô r sua
bens de ra iz , e v in te nos bens m oveis, se tenção fin a l, sem se fazer a d ita diligen­
porá a sentença, tanto que fo rem dous cia. E esta mesma m aneira se terá, pos-
confórm es em c o n firm ar, ou tres em revo­ toque o p rim e iro tivesse posto sua tenção
gar (1). E os dias de apparecer (2) despacha­ f in a l, se o segundo, ou terceiro fo r em
rão em mesa, e sendo dous confórm es, se parecer de in te rlo c u to ria : porque o que
porá a sentença; e no con form ar dos votos de tal parecer f o r , levará o feito á R e ­
das appellações e dos instrum entos de lação, para se ver p er elle, e pelos outros
aggravo, ou" Cartas testem unháveis, e con­ p rim e iro s , que tenção final tiverem posta,
denação de custas, se terá a o rd e m , que se se podem concordar; e se n ã o , com
acima stá d ito nas tenções dos feitos de outros Desembargadores dos A ggravos; e
aggravo. não os havendo, ou sendo suspeitos, p er
Al, de 31 de O utubro de 1587. outros, que o Regedor o rd en ar, e sempre
se terá a m aneira, que no p rim eiro Des­
H . Nos fe ito s , que vie re m p e r aggravo em bargador he d ito . E isto mesmo se
aos D esem bargadores, sendo o p rim e iro , guardará nas sentenças, que vem p er ag­
a que fo r d is trib u id o , em p arecer, que o gravo da Relação do P o rto , em que não
feito não stá em term os para se despachar receberam alguns artigos de embargos, ou
finalm en te, mas que he necessário fazer- de nova razão, ou negaram licença á parte
se algum a d ilig en cia, para a qual se deva para os poder f a z e r ; se o p rim e iro Des­
p ô r algum a in te rlo c u to ria , não dará o feito em bargador, a que o feito fo r d istrib u id o ,
a outro D esem b arg ad o r; mas lev a-lo -h a á ou o segundo, fo r em recebim ento dos
Relação, e com o utro Desem bargador dos ditos artigos, o porá em mesa, e não porá
A g g rav o s , se a d ita in te rlo c u to ria não tenção.
tiv e r respeito a re v o g a r, ou se o tiv e r,
S .- p . i t . 51 .3 pr.
com dous Desembargadores dos Aggravos,
quaesquer que, na mesa se acharem , vejam 15. E quando algum dos ditos Desem­
o feito , e d eterm in em a d ita in terlo cu to ­ bargadores, a que fo r distrib uid a alguma
ria , como lhes parecer ju stiça. E concor­ appellação, e passar da q uantia de dez
dando n ella , se p on ha o desembargo, como m il reis afora as custas, fo r de parecer,
fo r acordado. E não concordando os outros que se haja de fazer alguma diligencia, a
Desembargadores na in te rlo c u to ria , da m a­ le v ará â Relação, e a p o rá em mesa com
n eira que era tenção do p rim e iro Ju iz, se dous Desembargadores dos Aggravos, ora
p onha o desem bargo, segundo pelos mais a in terlo cu to ria leve tenção a revogar, ou
fo r acordado, sendo sempre dous confór­ a confirm ar a sentença. E sendo todos
mes n a in te rlo c u to ria , que não tiv e r res­ tres confórm es, se porá o desembargo
p eito a re v o g a r, e n a que o t iv e r , serão como fo r acordado. E não concordando,
tres confórm es (3). E sendo os outros Des­ se porá com tantos, até que haja tres con-
embargadores em parecer que se não deve fórm es, guardando em todo o mais a or­
de p ò r in te rlo c u to r ia ,. mas q ue se deve 1 3 dem e form a, que he dada acima nos feitos
2
dos. aggravos. E nos feitos, que não pas­
sarem de dez m il reis, o Desembargador,
que fo r cm parecer da in te rlo c u to ria , a
(1) Os Ass. de S de Julho de 1003 e 17 de Março de
1718 resolvem duvidas acerca desta disposição. p o rá com o u tro : e sendo ambos confór­
(2) Vide Ord. deste liv . t. 27 § 3 e t. 92 § 7, e mes, porão o desembargo, e não o sendo,
infme,
liv . 3 t. 68 §§ 2 c G, e t. 70 § 3 e g 4.
o p o rá com te rc e iro , para que sejam dous
Costade Stylis aim. 5 n. 34 declara que estes dias
não tinhão lugar nas causas crlminaes. confórmes.
(3) Para confirmação da sentença que vinha por ag­
gravo ordinário á Relação erão sufficientes dous votos lo. E tanto que o feito fo r concluso,
conformes, sendo indispensáveis tres para recebimento depois de o Desembargador o te r visto ,
de embargos, dirigidos á revogar a mesma sentença.
screverâ sua tenção em hum papel apar-
Ass. de 20 de Dezembro de 1783.
Ord. 11
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

18. E mandamos, que se depois de al-


tado (1), O qual não ajuntará ao feito, e no gum Desembargador ter posta sua tenção,
íim da tenção porá o d ia , mez e anno,
se fin a r, ou for privado do O lfic io , tal
em que a screveo, e a assinara; e elle
tenção seja havida por nenhuma, e ira o
mesmo a levará á Relação, e mandara
feito a outro Desembargador dos Aggra-
levar o fe ito , e em Relação o entregará
vos seguintes (1). E esta maneira se tera em
ao Desembargador seguinte, e com elle
todos os outros feitos, que per quaesquer
lhe entregará a tenção, declarando ao pe
outras Desembargadores se houverem de
delia o dia, mez e anno, em que lh a en­
despachar per tenções. E sendo algum
trega com o feito. E o Desembargador,
Desembargador, que tenha posta sua ten­
que o dito feito e tenção receber, a le­
ção, suspenso, será sua tenção valiosa. E
vará para casa em seu poder, sem a en­
sendo absente do Reino, não valera a ten­
tregar a pessoa alguma. E depois de o
ção, que tive r posta, salvo se, stando Rós
segundo Desembargador ter visto o leito,
fora deste Reino, o dito Desembargador
se concordar com a tenção do prim eiro,
fo r á nossa Corte per nosso mandado, ou
porá a sua, e a levará á Relação com o a seus requerimentos, ou negocios, porque
feito . E se fo r de qualidade, que baste
não he razão, indo a ella negociar o que
serem dous conformes, porão nelle sen­
lhe cumpre, com animo de torna r, haver
tença ; e não o sendo, irá a terceiro,
de ser nulla a tenção, que tive r posta,
o qual terá a mesma ordem. E farão co­
ser as tenções perante s i, o depois de M. —1ÍV, 11. 4§ 8.
cosidas, porão a sentença, e no hm delia S.— p. 1 t. 5 1. 13.
Ass. tie 5 de Novembro tie 1585.
declararão o dia, mez e anno, cm que se Al. de 5 de Maio' tie 1588.
screveo, e assinarão. O que se fará no
dia da audiência, em que a sentença se 19. Item , darão ajuda do braço secular
houver de pu blicar, para que antes de em Relação no districto da dita Casa, ci­
publicada não ande o feito em poder de tadas as partes, e visto o processo, achando
pessoa alguma, que possa saber e desco­ que fo i ordenadamente feito. A qual darao
b rir o conteúdo nas tenções e sentença. nos casos, e na fôrm a, que se dira no
E esta mesma maneira terá o terceiro, L iv ro segundo, T itulo 8 : Da ajuda de
quarto, ou mais Desembargadores, a quem braço secular.
o feito houver de i r , até serem confor­ M.—liv. 1 t. 4 s 7.
mes tantos, que bastem para se a sentença S .-p . 2t. 2 1. 13 §4.
haver de pôr, como acima dito lie. E o
que se diz nos feitos do aggravo, se fará
SO. Item , os ditos Desembargadores não
tomarão conhecimento das appellações, ca­
isso mesmo nos feitos das appellações.
bendo na alçada dos Julgadores, postoque
P .-p . 11. 5 1.11 pr., e§§ 1 o 3.per alguma das partes lhes não seja apon­
17. E os Desembargadores, que os ditostado (2); e todo o processado depois do re­
feitos despacharem, terão em m uito se­ cebimento da appellação será nenhum , e
gredo as tenções (2), antes dc as sentenças mandarão cum prir as sentenças, de que
serem publicadas, sem as praticar com assi fo r appellado. E a parte, que do tal
pessoa alguma, postoque seja Desembar­ sentença appellou, postoque o Julgador
gador da Casa, não sendo algum dos que recebesse a appellação, e a outra parte o
no feito forem Juizes, porque com esses não contradissesse, pagará as custas, ou o
poderão praticar o que lhes parecer ne­ Julgador, que a mal recebeo, qual aos
cessário para despacho do dito feito. E ditos Desembargadores parecer. E o mesmo
em quanto tiverem as tenções em suas será d o s aggravos das sentenças definitivas.
casas, as terão fechadas de sua mão, de
S .-p. 2 1. 11. 3 § 10.
maneira, que as não possa ver pessoa al­
guma. E sendo negligentes no segredo, e 21. E quando os Desembargadores hou­
cousas acima ditas, llies será estranhado, verem do emendar alguma sentença, quo
segundo a qualidade da culpa, ou negli­ a elles v ie r per aggravo, ou appellação,
gencia, que nisso tiverem (3). não d irão : Emendando nisto., e accres-
centando nistoutro ; mas d irã o , que não
S . - p . 1 1 , 51.11 § 2.1
3
2
he bem julgado pelo O uvidor, ou Juiz, ou
p e r lodos; e emendando as ditas senten-
( 1) Vide os Ass. de 7 de Agosto de 1635 e de 7 de
Julho de 1637.
O primeiro impõe a pena de mulidade as tenções
(1) Sobre o valor das tenções nas (hias especies
não escriptas pelo proprio Desembargador, e o se­
apresentadas pelo Legislador consulte-se os Ass. de
gundo validava a tenção do Desembargador falleoido,
se ao tempo da morte tinha passado o feito ao. imme- 28 de Agosto, de 1556, de 19 de Maio de 1620, de 7
de Julho de 1637 e 24 do Janeiro de 1730.
diato. Pegas, na Commentario á esta O rd., assevera que
(2) O Ass. de 20 de Março de 1811 fixou regras
se julgava valida uma tenção feita por Desembargador
para acautelar o augmento de oasos de commissões em
aposentado pouco depois, ou transferido para outras
Feitos de tenções, demoras no seu despacho e perigo
Delações: cita os accôrdãos respectivos.
no segredo da Justiça. (2) Vide Ord. deste liv. t. 8 § 2 , t. 37 § 1> e t. 58
(3) Vide Ord. deste liv . t. 1 §§ 13 c 34, t. 58 § 2, e
g 25, e liv . 3 t. 70 § 6 .
t. G5 § 9.
TIT U IO V II 25

eas, ou revo gan do , declararão as causas, mandamos que lb e seja re m e ttid o , ora
p o r que se assi m ovem ( 1). seja accusado p re s o , ora so lto , postoque
S . - p . l t . 5 1. 3. a o u tra parte o não consinta. Porém
quando ambas as partes consentirem , que
22. E quando m andarem em endar alguns o feito se trate perante os Juizes do d ito
artigos, não declararão as cousas, em que
lu g a r, conhecerão delle.
se hão de e m e n d a r, p o rq u e não devem
ensin ar ás p a rte s , nem a seus P ro cu ra­ M . - liv . 1 1 .5 § 1.
dores, como hão de fo rm a r seus artigos. 2. E se o lai delinquente q u ize r to m ar
S . - p . 1 1 .5 1. 1. Carta de seguro, a poderá tom ar perante
o Corregedor da Corfe. E querenuo-a to­
m ar perante os Juizes do lu g a r , onde o
T IT U L O Y I I
crim e (stando ahi a Corte) fo r com m ettido,
o Corregedor lh e dará com clausula, que
Dos Corregedores da Corte dos feitos
se a p arte antes o q u ize r accusar perante
crimes (2). elle C o rreg edo r, que o venha accusar a
certo te m p o , que lh e n a d ita Carta será
Á o s Corregedores da Corte do Crim e assinado. E se p arte alguma não accusar
pertence o conhecim ento p er nova aução, tal d elin q u en te, o u -p o r a não h a v e r, ou
de todos os malefícios com mettidos no não q uerer accusar, e fo r tal caso, em
lu g a r , onde Nós s tiv e rm o s, e de red or que h aja lug ar a Ju stiça, querem os, que
cinco legoas (3 ): com tal declaração, que se se não liv re , senão perante o Corregedor
h um Cortezão com m etter algum m aleíicio da Corte.
no lu g a r, onde a nossa Corte s tiv e r, con­
M . - liv . 1 1 .6 § s.
tra o utro C ortezão, ou contra algum mo­ Ass. ile 13 ile Novem bro de 1579.
ra d o r no mesmo lu g a r, e a cinco legoas
3. E se e s te , que o crim e com m etter
de re d o r, ou contra algum de fó ra do dito
no lu g a r , onde assi stiver a C o rte , não
lu g ar, e este Cortezão fo r accusado p o r o
fo r C ortezão, q uer seja m orador no lugar
taí crim e perante o C orregedor, onde quer
do m alefício, q uer em outra p arte, poderá
irue a Corte então stê, que elle não possa
ser accusado na C o rte , ou no lugar do
d ec lin ar seu ju iz o , e p e d ir que o rem ettam
m aleíicio, como o accusador antes q u ize r,
aos Juizes do lu g a r , onde o delicto fo r
q uer o tal accusador seja Cortezão, quer
com m ettido.
m o rad or no lu g a r, onde a Corte stiver,
M.— liv. 1 1. 5 p r. ou fóra d elle, em q ualqu er o u tra parte.
i. E se a p a r te , ou Justiça o q u ize r
M . - liv . 1 t.. 5 S 3-
accusar perante os Juizes do lu g a r, onde
o delicto fo r com m ettido, o elle req u erer 4. E se o tal delinquente q u izer-to m ar
que o rem ettam ao C orregedor da Corte ( i) , Carta de seguro, e o olfendido fo r mo­
rad o r no lug ar do m alefício , ou em seu
term o , d ê-lha o Corregedor p ara os Juizes
(1) Vide O ld . do liv . 3 t. 66 § 7. do d ito lu g ar do m alefício com a sobredita
(2) Nestas Ordenações encontramos quatro emprega­ clausula, que se o ante q u iz e r accusar pe­
dos com o titu lo dc Corregedor; os da Còrtc dos feitos
rante elle C orregedor, que o venh a accu­
crimes e eiveis, t. 7 e 8 5 os cia Casa do Porto, t. 38 e
39; os da cidade (te Lisboa, t. 4 9; o os da Comarca, sar a certo tem po, que lhe na Carta seja
t. 58. Equivalião ao antigo Pretor Romano. assin ado ; se o olfendido f o r m o rad or fóra
Os primeiros, em numero duplo, funccionavão na
Casa da Supplicação, t. 5 p r . ; os segundos na Casa do lu g a r, onde fo r feito o m alefício, e o
do Porto, t. 35 § 3, e em todas as Relações havia d elinquente q u iz e r Carta de segu ro , dè-
empregados em idênticas c-ircu instancias. A cidade Ih a o Corregedor p ara si. E se depois que
de Lisboa, por privilegio especial, tinha dons Corre­
gedores, um para o crime, o utra para o eivei, por­ perante elle o. offendido v ie r â citação,
quanto só por si constituía uma Comarca. disser que antes q uer accusar o d elin ­
0 Corregedor era o prim eiro Magistrado jra Co­ quente no lug ar do m alefício, remetta-os
marca, superior aos Juizes que nclia existião, com
exténsa jurisdicção, tanto, no crim e, como no. eivei..
l á , assinando certo tem p o , a que lá pa­
0 Juiz de D ireita, creado pela Constituição, t. 6 , reçam . E se não h o u v e r p arte , queremos,
art. 153, o substituio em grande parte de suas a ttn - que o tal delinquente possa ser accusado
buições: a Disposição Provisória a r t . i&supprim io-os.
Quanto á origem dos Corregedores e numero de
perante as Justiças do lugar, onde o crim e
suas attribuições, vide Pegas á O rd. do liv . 1 t. 58 fo r com m ettido, ou perante os Corregedo­
p r., Mello Fre ire — Inst. Juris Cioilis Lusitanv liv . 2 res da C orte, como elle antes quizer.
§ 41 nota, J. A . de Sá— Memóriasobre a origemdos.
Corregedores no t. 7 das Mem.da Litt. Port. pag. 297, iv i.- liv .it. 5 §4.
e Almeida e Souza — Fascículo, t . 2 Diss. 1 § 38 coror. Ass. ile 13 de Novem bro ile 1579.
Consulte-se o D. de 16 de Janeiro de 1678, e Ass.
de 16 de Maio de 1642, 6 de Julho de 1655 (òw), 12 5. P o rém não tolhem os, que em todos
de Fevereiro de 1664 e 1726, 22 dc Novembro de os casos sobreditos os ditos Corregedores
1749 e 9 de Março de 1.7.58, sobre assentos, prece­ com parecer do R egedor em R e la ç ão , e
dências, fórmulas dos mandados dos Corregedores, etc.
(3) Vide Ass. de 18 de Agosto de 1703;.. acordo dos Desembargadores, que elle or­
(4 ) 0 Ass. já citado na nota precedente estabelecia denar, possam m andar v ir á Corte os ditos
os casos em qtie essa avocação era perm ittida ex-o/pcio feitos, quando entenderem , que p o r algum
ou a requerimento de parto.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
26
b o m re s p e ito , e b em da Justiça se deve
Como serão presos os malfeitores.
Os quaes
A lv a rá s não assin arão , até lhes as partes
assi fa z e r, ora os delinquentes sejam p ie -
m ostrarem os traslados das querelas, scrip -
sos, ora soltos, m andando isso mesmo v ir
tas e assinadas pelo S c rivã o , que as t i v e r ;
as pessoas dos accusados ã Corte soltos, ou
e nos ditos A lv a rá s se fará m enção, como
presos ( 1) , como lhes bem e razão parecer.
as partes querelosas levam os ditos tras­
M.-liv. l t . 5 §5. lados. P o ré m , se elles tiv e re m info rm ação ,
6. E bem assi, se alguns Procuradores, que os m alfeitores são taes pessoas, ou
o u Scrivães, que p ro cu ram e servem em acostadas a ta e s , que razoadam ente os
nossa Corte e Casa da Supplicação pe­ Juizes dos ditos lugares não possam delles
ran te os nossos Officiaes d a Justiça, e os fazer cum prim en to de ju s tiç a , com m ettel-
nossos m oradores, que de N ós hão m o ra­ os-hão aos Corregedores das Comarcas,
d ia, ou m an tim ento no tem po , em que o que façam delles d ire ito , em modo que a
vencem : e bem assi todos os outros, que justiça não pereça. E esta mesma m an eira
com cada h u m dos sobreditos eon tin ua- terão” nos m a le lic io s , de que lhes forem
dam ente v iv e re m , e com elles andarem em requeridas Cartas de seguro.
nossa Corte e Casa da Supplicação, com - M . - liv . 1 t. 5 § 7, e liV. 2 t. 20 § 8.
m etterem q ualqu er m alefício fóra da C orte,
o. E sendo as partes ambas m oradores
poderão ser accusados p erante os ditos
nas Comarcas assinadas â Casa do P o rto (1),
Corregedores, não os querendo antes ac-
não poderão q uerelar d ian te dos Corre­
cusar as partes nos lu g a re s , onde corn-
gedores da C orte, nem elles lhes receberão
m etteram os malefícios. E não havendo
querelas, salvo quando pela qualidade das
partes, que os accusem, poderão ser ac­
causas, ou das pessoas Nós o com m etter-
cusados perante as Justiças do lug ar, onde
mos a cada h u m delles em p a rtic u la r. P o ­
os m alelicios com m etteram , ou perante os
rém se algum m orador das ditas Comarcas
Corregedores da C o rte , como elles antes
com m etter algum delicto nas Comarcas do
■quizerem. d istricto da Casa da Supplicação, poderá
7. Ite m , m andarão p re n d e r, e tra ze r a a parte oífendida q u e re la r diante dos Cor­
cadêa da Corte todos a q u e lles , de que regedores da C o rte , c elles tom arão co­
lhes fo r querelado de m alefícios com m et-
n hecim ento das ditas culpas, e as deter­
lidos na Corte, e cinco legoas de re d o r,
m inarão como fo r ju stiça.
sendo as querelas taes, p o r que devam
ser presos, com tanto que sejam p rim e iro L. de 7 de Junho de 1583 § 4.
certificados, que na C o rte, ou dentro das io. Ite m , darão Cartas do seguro (2) em
cinco legoas foram com mettidos os taes caso de m orte de hom em (3), com m ettido nos
malefícios, e conhecerão delles no m odo, lugares do d istricto da casa da Supplicação,
que em cima dissemos. e o u tro algum Julg ado r as não passará,
e irão dirigidas para elles mesmos. E
M . - l i v . 1 1 . 5 § o.
das m ortes acontecidas na ín d ia passarão
8. E assi mesmo (2) m andarão p ren d er e Cartas de seguro d irig id as para Juizes
trazer á cadêa da Corte os de que lhes fo r com petentes, p erante os quaes se os ditos
querelado, ou forem culpados em casos de seguros liv ra rã o . E aos moradores das
traição, heresia, a le ive , moeda fa ls a , so­ Ilh a s , e stantes em e lla s , darão Cartas
d om ia, tira d a de presos da cadêa, aindaque de seguro em todos os casos com m etti­
na Corte não hajam com m ettido os taes dos n e lla s , postoque sejam de m o r te , e
m alefícios, sendo commettidos no d istricto
da Casa da Supplicação. E destes casos
(1) V ide Carta d’El-R ey de 9 de Novembro dc
não darão C arta de seguro, senão os Cor­ 1623, explicando esta Ordenação.
regedores da C orte, as quaes passarão d i­ Consultc-se também os DD. de 15 de Outubro de
rigidas para si mesmos. E nos outros 1646 e de 2 de A b ril de 1664 com a consulta da Sup­
plicação do lo do mesmo mez e anno.
m alefícios fóra da Corte, de que lhes fo r (2) A Carta de Seguro, que entre nós cessou com
dada querela, ou elles tive re m culpas o b ri­ o Codigo do Processo Crim inal, era uma especialidade
gatórias, para deverem ser presos, m an­ da Legislação Portugueza antiga, e era cousa mui d i­
versa da Fiança, que usamos, ou do Sulvo-Conducto,
darão que o sejam , e se despachem nas
outr'ora praticado em certas nações.
terras e lugares, onde se disser haverem E ra essa carta uma promessa jud icia l, pela qual o
com m ettido os m alefício s; os quaes m an­ réo, sob certas condições, deixava de ser preso até
finalisar o processo. Havia a Carta de Seguro nega­
darão p re n d e r p e r seus A lv a rá s , como
tiva e confessativa: a p rim eira quando o réo negava
direm os no L iv r o q u in to , no T itu lo 1 1 9 : o facto de que era arguido, e a segunda quando con­
fessava-o allegando legitim a defesa. Em certos crimes
não era concedida.
E ra, emfim, um recurso que tinha sua utilidade, e
(1) Pelo A l. dc 18 de Janeiro de 1624 não podiao 09
não houve discrição em extingui-lo de todo entre nós.
Governadores ou Ministros Ultramarinos mandar para
(3) Y ide sobre a limitação destas cartas e duvidas
o Reino, por culpas que lhes houvessem formado, reos
occorridas quanto á execução deste paragrapho o Ass.
presos, sem prévia participação ao Rey. ,
de 9 de Agosto de 1639, Ais. de 20 de A b ril de 1671,
(2) Vide Carta d'El-Rey de 5 de Setembro de 1626,
determinando as obrigações dos Ministros inferiores 19 de Fevereiro de 1674 e 10 de Janeiro de 1692, e
DD. de 3 de Outubro de 1672, dc 25 de Janeiro de
em relação ás ordens dadas pelos Corregedores do
1679 e 19 de Maio d# 1695.
Crime.
Titulo víi 2?

irã o dirigid as para os Juizes das d ita s ' os instrum entos e Cartas testemunháveis
Ilh a s , onde os delictos fo rem com m ettidos. sobre feitos c rim es, que vierem p er ag-
M .-liv . 1 1. 5 § 8 . gravo dos lugares e Comarcas da jurisdição
S .- p . 1 t. 6 1. 3. da Casa da Supplicação. E quaesquer ou­
L. do 26 de Novembro de 1582 § 1. tros feitos crim es, que dante outros quaes­
'S.— p. 2 t. 11.18 7.
q u er Juizes â Corte vierem p er remissão
11. D arão assi mesmo Cartas de seguronos casos, em que p er bem de nossas
de resistência, ou offensa, que se diga ser Ordenações se póde fazer a tal rem issão ;
fe ita contra algum O fficial da Justiça; e os quaés desembargarão em Relação com
o u tro algum Julgador as não passará em os D esem bargadores, que pelo Regedor
nossos R e in o s , salvo o Corregedor do forem em cada hum dia ordenados, con­
C rim e da Casa do P o rto no seu districto, form e ao que fica dito no T itu lo 1 : Do
e irã o dirigidas para elles mesmos. Nas Regedor. E no despacho dos ditos feitos
uaes Cartas se p o rá clausula, que se o terão a o rd e m , que he dada aos O u v i­
ito O fficial da Justiça antes q u ize r ac- dores do Crim e da d ita Casa. E as in -
cusar o d elin qu ente no lu g a r , onde fo r terlocutorias dos ditos feitos e processos,
fe ito o m a le fíc io , que o possa fazer. E ue perante elles se tratarem , poderão os
não querendo o d ito O fficial accusar, ou orregedores p er si sós p ô r. E quando
accusando na te rra , desistir da accusação, as assi sós p o ze re m , poderá cada huma
m andam os, que o feito seja rem ettido aos das partes aggravar para a Relação per
ditos Corregedores da C o rte , para nelle petição. E as contrariedades, ou defesas
procederem , e o d eterm inarem em Relação, de íeitos crim es despacharão sempre em
como fo r d ire ito . Relação, conform e ao que se d irá no L ivro
M .-liV . 1 1. 5 § !), e liv . 5 t. 3(i§ 12. q u in to , T itu lo 1 2 4 : Da ordem do Juizo
L. de 26 de Novembro de 1582 8 1. nos feilos crimes.
12. E de todos os outros m alefícios com­ M . - liv . i t . 5 812.
m ettidos fó ra da C o rte , nas Comarcas e S . - p . 3 1. 11.11.
lugares da jurisdicção da Casa da S u p p li- is. It e m , conhecerão de quaesquer ag-
cação, darão assi mesmo Cartas de seguro, gravos ( 1), que a elles p er petição vie re m ,
dirigid as para os Juizes dos lugares, onde de feilos crim es, dante quaesquer Julga­
se disserem os m alefícios serem com m et­ d o res , que do casos crim es conhecerem
t id o s : com tanto que não sejam dos m a­ no lu g a r, onde a Corte stiver, e até cinco
lefícios acima d ito s, de que as Cartas de legoas ao red o r (tirando aquelles, que, per
seguro lião de passar para si mesmos, special p riv ile g io , tiverem de não respon­
nem dos com m ettidos pelos m oradores das derem p er petição aos ditos C orregedores);
Ilh a s , nos lugares deste R e in o , dos cpiaes os quaes p er si sós poderão m andar, que
havem os p or b e m ,, que d irija m as Cartas respondam , e desembargarão os ditos ag-
p ara si, e conheçam dos ditos casos. gravos em Relação. E isto não sendo ag-
M. - liv . 11. 5 s to. gravos, que sàiatn dos Julgadores da ci­
S.— p. 2 t. 1 1 .1 87. dade de Lisboa, porque destes pertence o
13. E não darão Cartas de seguro nos conhecim ento aos Desembargadores dos
erros dos Officios aos T a b e lliâ e s , porque Aggravos.
d a r as taes Cartas pertence ao Ju iz da
M . - liv . 1 1.5 8 13.
C h a n c e lla ria : salvo quando a Corte stiver Ref. de 27 de Julho de 1582 8 13.
apartada da Casa da S upplicação, porque
17. E se algum m alfeitor de grave feito
então o Corregedor, que na Corte andar,
vier perante cada hum dos ditos Correge­
d ará as ditas Cartas de seguro aos Officiaes
dores, do que elles hajam tal informação
da C o rte, e do lu g a r, onde ella stiver, e
per evidentes indícios, per que lhes pa­
cinco léguas ao re d o r, daquelles erros, de
reça, que deve logo ser mettido a tor­
ue o conhecim ento p erten cera ao Juiz
m ento, e quo sendo spaçado, se poderá
a C h an cellaria, se a Casa stivera no lu g ar
aperceber o dilo preso cm tal maneira,
da C o rte : o qual Corregedor conhecerá
que depois a verdade não poderia ser tão
dos feitos dos ditos Ofliciaes com os J u l­
bem sabida: cin tal caso, se o quizer
gadores, que Nós ordenarm os.
m etier a tormento, falle prim eiro com o
S .- p . 11. 31.1 8 s, e p. 3 1. 3 1.2. Regedor, e com alguns Desembargadores,
w. E q ualqu er pessoa, que tiv e r des­que o dito Regedor para isso fará apartar
em bargo para C arta de s e g u ro , poderá logo, e com acordo dos sobreditos o po­
and ar com elle seguro tres dias, como d i­ derá fazer, e de outra maneira nao.
rem os no L iv r o q u in to , no T itu lo 129: M . - liv . 1 t. 5§ 14.
Das Carias de, seguro.
M .-liV . 1 1. 5 § 11.
m o Ass. do 1» de A b ril de 1621 declarava one o»
15. Ite m , os ditos Corregedores desem­aenravos interpostos do Juizo do Civel de _ Lisboa
bargarão todos os feitos c processos c ri­ sobre crimes incidentes em causas eiveis cstavaocom-
m es, que perante cllcs se tratarem , e assi prchendidos nesta disposição.
Oed . 12
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
28
is. Ite m , tom arão conhecim ento, e des­
terras stêm (1) seus Ouvidores (2). P o rq u e
onde os ditos Corregedores stão, que p rm -
pacharão p e r si sós p e r aução n o va na
cipalm ente representani nossa pessoa, nao
C o rte , e a cinco legoas ao re d o r, as penas
póde o u tra algum a Justiça faze r correição,,
ele sangue, assi de ferid as, como de m ortes
nem conhecer dos feitos (3), que aos ditos
de hom ens, e penas de arm as, e das armas
p e rd id a s , e de excom m ungados, q ue p er Corregedores pertencem .
23. O u tro s i, mandamos aos ditos C orre­
nossos M eirin h o s forem p reso s: e de todas
gedores, que em todas as C artas, que pas­
as outras penas, que p e r nossas O rdena­
sarem , para se h averem de fa ze r algumas
ções, ou mandados forem postas p o r al­
execuções, ou diligencias,, seja posto term o
guns casos, em que não seja posta outra
razoado aos Corregedores das Comarcas,
pena de degredo, ou c o rp o ra l, sómente a
p ecu niária. E das outras penas pecuniárias, O u v id o re s , ou J u iz e s , que as ditas exe­
cuções, ou diligencias h ou verem de faze r,
que com pena de d eg re d o , ou corporal
que as façam no dito te rm o , e as enviem
fo rem postas, conhecerão em R elação. E
pelos C am in heiros, que lhes as Cartas p re -
das que p e r si sós hão de conhecer, não
sentarem , sob alguma razoada p e n a , que
farão longos processos. E do que sobre
lhes p e r elles Corregedores seja posta, se­
isso d eterm inarem , poderão as partes ag-
gundo a qualidade do n e g o c io , ou caso.
gravar p er petição á Relação para os Des­
embargadores cios A g g ra v o s .^ E o que per
A. qual pena será para os ditos C am in hei­
ros, se a elles dem and arem ; e não a de­
d ie s fo r acordado em R e la ç ão , serão os
mandando e lle s , seja para q uem a dem an­
ditos Corregedores obrigados c u m p rir e
dar. Â s quaes Justiças m an dam os, que
m an dar d ar á execução.
cum pram em tudo o que pelos ditos Cor­
M . - liv . 1 1. 5 § 15. regedores lhes fo r m a n d a d o , dentro n o
19. I t e m , passarão as C artas, p e r que term o, que lhes fo r assinado, sob as penas
damos os Officios de M e irin h o s das cadôas postas pelos ditos Corregedores.
da Corte (1) e dos M e irin h o s das Comarcas M . - liv . 1 1. 5 § 19.
e C arcereiros, quo Nós dermos. 24. I t e m , os ditos Corregedores farão
M . - liv . 1 1.5 § 10. duas audiências publicas em cada sem ana,
20. Ite m , darão Cartas do segurança R eal ás terças e sextas-feiras â tarde. E as não
na fó rm a , que direm os no L iv ro q uin to , com metterão a pessoa a lg u m a ; e ten d o
T itu lo 1 2 8 : Das seguranças lteaes. im p e d im e n to , o farão saber ao. R e g e d o r
para p ro v e r nisso.
M . - liv . 1 1. 5 § 17.
M . - l i v . l t . 5 §20.
21. Ite m , enquererâo nos lugares, onde Ref. de 27 de Ju llio de 1582 § 9.
Nós stiverm os, e onde a Casa da S u p p li- L . de 10 de Setembro de 1'586 § t.
cação som Nós s tiv e r, sobre todos os O ffi- 25. T ira rã o p er si as devassas das m o r­
ciáes da Justiça, p e r os C apítulos, e na te s , ou fe rim e n to s , que acontecerem no
fó rm a contenda no T itu lo 6 5 : Dos Juizes lug ar, onde Nós stiverm os, ou a Casa da
Ordinário s. E se já sobre elles as in q u i­ S u p p licaçào , acudindo a isso com m u ita
rições forem tiradas naquelle anno pelos d ilig e n c ia , a qualquer h ora que o caso
Corregedores das Comarcas, ou Juizes, pro­ acontecer. E farão todas as diligencias para
vejam as ditas in q u iriç õ e s ; e achando que os culpados serem presos, tom ando in fo r­
não foram tiradas como deveram (2), tirem mação pelos feridos e pelos parentes dos
outras, e procedam contra os culpados em m ortos, e donde procederam os casos, e
m an eira, que hajam castigo de seus erros se sabem, ou presum em quem são os cul­
e culpas. E assi devassarão cada seis Ine­ pados, perguntando todas as testem unhas,
zes sobre os Carcereiros e Guardas da que tive re m p er inform ação, que do caso
Cadêa da Corte, se vendem p ã o , v in h o ,
ou o u tra cousa algum a aos presos p er si,
ou p e r o utrem . È procederão contra os (t) À edição Yicentina de 1747 dí»— estejão.
(2) Os Juizes dos Senhores de terras, outr'ora Se­
culpados á execução das penas conteúdas
nhores Feudaes, e depois Donatários da Corôa, não
no T itu lo 3 3 : Do Carcereiro da Corte. podião nomear em seus domínios Corregedores, direito
da Suprema Soberania, mas Ouvidores que tinhão uma.
M . - l iv . 1 1. 5 § 18.
jurisdicção mais lim itada. Como as terras do Brasil
S— p . 4 t. 2 1 1 .7 .
pertenciao á Ordem de Christo, por isso o Rey não
nomeava Corregedores, mas Ouvidores, que tinhão, por.
22. I t e m , farão, correição nos lugares, faculdade Régia, a prerogativa de Corregedores.
onde Nós stiverm o s, e o utra algum a Jus­ Pegas, no commentary á Ord. deste liv . t. 6 n. 6,
tiça não fa rá , postoque o lu g a r, onde Nós exprime-se, á respeito dos Ouvidores, desta sorte:
stiverm os, seja da R a in h a , ou de q u a lq u e r «Nos plerumque dicimus vel qui' à. Rege,
auditores

o u tro S en ho r de terras, ind aqu e nas ditas


non tamqugmRege, jurisdictionemhabet. *
Os Ouvidores não representavão o Rey, como os
Corregedores, o que hem exprime este paragrapho,.
c o 8 do liv . 2 t. 45.
(1) O D. de 16 de Aço&to de l82S.mandava aagraen- "Vide Ord. deste liv,. t. 88, 59 e 60, e liv . 2 t. 45, e
tar o numero dos Meirinhos destes funccionarios. Pegas á O rd. tom. 2; pag. 1.48 glosa 40.
(2) Vide O rd. deste liv . t. 5 8 .§ 2 ; e Pegas, no com­ (3) À I a edição das Ord. dizia— nera conhecer no»,
m entary a este paragrapho. feitos— , o que Cabpdo. rectificou,.
TITULO V II 29
podem saber. E as devassas de morte não rem citados perante quaesquer Justiças,
commetterão a ninguém. Porém as dos logo devem ser remettidos aos ditos Cor­
ferimentos, depois de terem per si feitas regedores da Corte, salvo se dos taes de­
as diligencias acima ditas, constando-lhes lictos tiverem tomadas Cartas de seguro,
que os ferimentos não são de m orte, nem porque em tal caso serão remettidos a
de pessoas de qualidade para elles pe r quem suas Cartas forem dirigidas, postoque
si as haverem de tira r, as poderão com- na Corte sejam achados. E dos crimes
metter a qualquer Julgador ao lugar, onde commettidos nas Ilhas, e dos que os mo­
Nós stivermos,. ou a dita Casa da S uppli- radores delias commetterem nestes Reinos,
cação, ou a hum Enqueredor (1), que as tire tomarão querelas, e por ellas mandarão
com hum Scrivâo dante elles. E os outros prender, sendo obrigatórias. Porém não
Julgadores, que per obrigação de seus Of­ tolhemos que. as outras Justiças, que poder
ficios hão de tira r as devassas de mortes tenham de as tomar, o possam fazer, sendo
e ferimentos, as tirarão per si pelo sobre­ pelas partes requerido, guardando em tudo
dito modo, sem as commetterem a outrem, seu Regimento e nossas Ordenações.
s.—p. 11 . c l. 2. S .-p . 2 t. 11.1 §S 6 e 11.
26 . Item , cada hum dos ditos Corregedo­ 30. Quando Nós stivermos apartados dá
res correrá a cidade de Lisboa de noite (2), Casa da Supplicação, o Corregedor, que
liuma vez ao menos cada semana. comnosco andar,* passará as Cartas das
A l. de 16 de Setem bro de 1586. execuções das dizimas das sentenças, que
se derem pelos Oííiciaes, que comnosco
27 . E quando Nós stivermos fóra da ci­ andarem. E conhecerá dos feitos delias
dade de Lisboa, e o Contador das custas com os Desembargadores, que para isso.
for suspeito (3), ou per algum impedimento lhe ordenarmos.
outro não podér fazer as contas, o Cor­
regedor da Corte, que comnosco stiver, as S-—p. 1 t. 3 1.1 § I-
commetterã a huma pessoa, que bem e sem 31. E os Corregedores da Corte poderão
suspeita as possa fazer. E se depois da avocar a si os feitos dos Juizes do Crime
conta feita, as partes allegarem sobre ella da cidade de Lisboa, sendo da qualidade
algum erro, o aito Corregedor conhecerá dos que os Corregedores das Comarcas per
delle, e o determinará, como lhe bem pare­ seu Regimento podem avocar (1). E os Cor­
cer. E aggravando-se alguma parte de sua regedores da dita cidade os não avocarão..
determinação, Nós proveremos quem do s. — p. 2.t. 11. c§ 5.
dito aggravo haja dc conhecer. E assi co­
nhecerão dos salarios, que tem os Procura­ 32. Ite m , darão Cartas para as nossas
dores, Scrivâes, e Enqueredores, que na Justiças guardarem as Cartas de seguro,
Corte andarem, para o que poderá mandar que ôs Clérigos de Ordens Sacras, ou Be­
citar as partes, assi na Corte, como fóra neficiados houverem de seus Prelados,
delia, como póde fazer o Juiz da Chan- sendo-lhes pelas partes requerido (2). E hem
cellaria na Casa da Supplicação. assi, quando pelos Clérigos, ou Beneficia­
dos lhes fo r requerido, que lhes mandem
S . - p . 1 t. 3 1. 1 § 10.
guardar as sentenças, per que forem livres
28 . E bem assi conhecerá dos erros dos diante seus Juizes, passar-lhes-hão para
Scrivâes da Corte, e dos Tabelliâes e Scri- ■isso nossa Carta, como se dirá no Livro
vães do lugar, onde a Corte stiver, sobre segundo, T itu lo prim eiro.
levarem mais salario de suas scripturas, M . - l i V . 2 t . l g § 9 e 12.
ou buscas, que o conteúdo em seus Regi­
mentos e Ordenações, quando por isso 33. Item, aos Corregedores dà Corte per­
merecerem outra m aior pena, que resti- tence tomar querelas das mulheres soltei­
tuirem o que assi mais levarem, sendo-lhe ras no lugar, onde stiver a Corte, e na
remettidos pelo Chanceller Mór. cidade de Lisboa, por serem amancebadas
29. E os ditos Corregedores da Corte com pessoas, a que perbem.de nossas Or­
tomarão conhecimento per aução nova dos denações pelo dito caso são postas penas.
feitos crimes dos moradores das Ilh a s, que
na Corte forem demandados,, por nella se­
(1) O Ass. de 18 dé Agosto dé 1703 eiplica aid
rem achados, postoque os delictos fossem onde chegava a attribuição dos Corregedores da Corte,
commettidos nas Ilhas. E assi quando forem de avocar causas, dentro on fóra cinco léguas ao redor
demandados em alguns lugares do Reino do te rritó rio de soa jurisdieção.
por delictos, que em. cada hum defies hou­ i) Vide Ord. do- mesmo. liv. t. 58 § 22.
A Constituição, no art. 179 § 12, acaliou com esse
vessem; commettido ; porque tanto que fo­ *2 3 dire ito . „ . . . „
; (2) Esta Ord. tem sua fonte pritaitiva- nas Goneor-
V datas dos Keys D. Pedro I e D’. João I com o Clero
Português em 1360 e 1427,sob n. 11 arts. 13 e 14, e
i l ) O Ass. de 7 de Julho de 1714 determinava que
essa commissão nunca devêra ser confiada á Advogados. . n. 13 arts. 25 e 27.
Essas Concordatas podem lêr-se na nossa Compila­
(2) Como se vê, o antigo Corregedor reunia as func-
ç5es judiciarias as policiaes.
ção do Direito Civil EcoksiásticoBrasileiro
t. 1 pags.
(3) Vide O rd. do t. 90 deste liv ­ I 106 e 1.38-

rRIMEIUO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

E serão Juizes dos ditos casos, e as des­ T IT U L O V I I I


pacharão em Relação. E o utro algum Jul­
g ad o r não tom ará as ditas querelas, nem
Dos Corregedores da Corie dos feitos
serão presas as taes pessoas, senão p er eiveis (1).
m andado dos ditos Corregedores, sob pena
d a pessoa, que perante o utro Julgador as Os Corregedores da C orte dos feitos ei­
•dem andar, pagar dez cru zado s, ametade veis usarão in teiram en te de todo o R egi­
p a ra o accusador, e a o u tra para as des­ m e n to , que ternos ordenado aos Corre­
pesas da Relação. gedores cias C om arcas, cm quanto não
contradisser ao que se contém em este
■S.— p. 1 1. 61.1 pr. e s 1.
R egim ento, specialm ente a idles dado, não
3-i. E quando Nós stiverm os apartados tocando em causas crim es. E farão os
d a Casa da Supplicaçâo, o Corregedor do ditos Corregedores cada h u m em huma
C r im e , que comnosco a n d a r, conhecerá semana dous dias audiências p u b lic a s ;
das causas e iv e is , usando do Regim ento convém saber, á segunda-feira, c á quinta
dos Corregedores dos feitos eiveis da Corte. á ta r d e ; e as não com m etterão a outrem .
E quando Nós partirm o s do dito lug ar, E sendo im pedidos, o farão saber ao R e­
d eixará os feitos no dito lu g a r, e guardará gedor, para p ro ve r conform e a seu R egi­
a fó r m a , que he dada aos Corregedores m ento.
das Comarcas.
35. Ite m , quando algum nosso m orador, M . - liv . 1 1. c pr.
Ilef. de 27 de Ju llio de 1582 § 9.
q ue andar em nossos liv ro s , e fo r Clérigo L. de 10 de Setembro de 1580 § 1.
d e Ordens M enores, ou Sacras, ou Bene­
ficiado, com m etter algum crim e cm qual­ 1. I t e m , tom arão conhecim ento geral­
q u e r lugar de nossos Reinos e senhorios, m ente no lu g a r, onde a Casa da S u p p li-
responderá perante o Corregedor da Corte, cacão s tiv e r, c a cinco legoas ao redor,
uanto ao civ el, que descender de alguns per an cão nova, do todas as causas eiveis.
ano s, ou crimes p er elle com mettidos, E de fó ra das cinco legoas poderão man­
p ara satisfação da p arte, como diremos no dar citar nos casos d a L ei D ijfam ari a
segundo L iv r o , no T itu lo 4 : Quando os req uerim ento da p a rte , que m o ra r no lu ­
moradores da Casa del liei, etc. gar, onde a C orte, ou Casa da Supplicaçâo
stiver, ou cinco legoas ao re d o r, como se
M .— liv . 1 1. S § 21, e liv . 2 t. 3 § 2.
d irá no L iv ro te r c e iro , T itu lo l i : Dos
30. It e m , o dito C o rreg ed o r, quandoque podem ser citados perante os Juizes
nossa Corte se h o u ver de m udar de qual­ Ordinários, etc.
q u er cidade, ou v illa , m ande pregoar p er
M. - l i v . 1 1. 6 S 1.
q uinze dias antes, que q ualqu er pessoa, S .- p . 3 1 .11. 2.
a quem tive re m tomadas casas, ou camas
p o r aposentadoria (1), que algum dano tiv e r 2. E os feitos e iv e is , que a seu Officio
recebido dos que nellas pousaram , se vá pertencem , desem bargal-os-lião fó ra da R e ­
ao Scrivão dante e lle, que lh e vá v e r os lação, p o r se não to lh e r o aggravo defies
danos das ditas casas, ou camas, ao qual para os Desembargadores dos A g gravo s;
m andam os, que tanto que lhe requerido salvo sc p er nossa special P rovisão lhes
f o r , vá a isso. E sendo-lhe mostrado o concedermos, que o« despachem em R ela­
d an o, que lh e fiz era m , e affirm ando p er ção. E da sentença d e fin itiv a , que d ies
ju r a m e n to , que lh e será dado pelo Scri­ p er si sós d ere m ,” as partes, que se sen­
v ã o , lh ’o faça avaliar p er dous Officiaes tire m aggravadas, poderão a g g ra v a r; e se-
juram en tad os, para lh e ser pago p er man­ jam -lhes recebidos os aggravos, se não cou­
dado do d ito Corregedor (2). berem em sua alçada, que he até oito m il
réis cm bens do ra iz , e dez nos bens m o-
M . - l i v . 1 1. 5 § 22.

(1) Este direito de Aposentadoria


também compelia (1) Estes funccionarios tampem forão abolidos pelo
art. 18 da Disposição Provisória de 1832, e art. 8 do
aos Advogados da Casa da Supplicaçâo.— Phcbo p. 1
A r. 68. , . , Codigo do Processo Crim inal.
Para estas Aposentadorias havia um Regimento da A Legislação antiga que versava sopre os sens p ri­
epocha do Rey D. Philippe I de 7 de Setembro de vilégios, vencimentos e extensão do suas attribuições,
1590, que Pegas traslada no Commcntario á esta Ord., tanto cm Portugal como no Brasil, depois do A l. de 13
que os estudiosos podem lftr com a glosa 39. _ de Maio de 1808 consta dos seguintes actns : DD. dc 1
(2) A legislação posterior á Independencia do Im ­ de Maio dc 1002, 12 de A P ril c 22 de Julho de 1073, 13
pério que respeitava estes funccionarios reduz-se aos dc Setembro dc 1808,17 de Fevereiro de 1825, e 25 de
seguintes aclos : DD. de 20 de Outubro a rl. 24 § 11, Janeiro 1832, A l. de 31 dc Março de 1810, e Av. de
de 22 de Novembro de 1823, 17 de Fevereiro e 28 de 13 de Maio de 1813 § 2 supprimindo dous destes Cor­
Dezembro de 1825 ; Port, de 12 de Fevereiro do regedores da Corte e Casa em Lisboa, que liavião sido
mesmo anno, Prov. de 4 de Novembro de 1826, L . do creados por D. de 3 de Fevereiro de 1770.
I o de Outubro de 1828 art. 65, explicado por Av. de Temos ainda á addir a L . dc 7 de Março de 1701
9 de Setembro de 1829 § 2. Cumpre ainda accrcscen- 1. 10 § 2, e os Ass. de 28 de Março de 1043, 13 de
ta r os DD. de 9 de Julho de 1831 art. G e de 25 de Ja­ Novembro de 1070, 23 de Dezembro dc 1715, 22 de
neiro de 1832, e Av. de 22 de Agosto 1831. Fevereiro de 1727 e 1742.
TITULO V III 31 1

veis (1), afó ra as custas. E das intevlocu- D ire ito s R eaes, porque tocando a elles,
. to rias , ou mandados, que nos ditos feitos pertence o conhecim ento ao Juiz dos nos­
p o zerem , poderão aggravar p er petição á sos feitos;. -
R elação nos casos, que dissemos no T i­ S.— p. 1 1. 7 !. 9.
tu lo 6 : Dos Desembargadores dos A ggravos,
8. E p er aucão nova conhecerão dos fei­
e direm os no L iv ro 3 T itu lo 2 0 : Da or­
dem do Jwizo. E nos outros casos pode­ tos dos moraefores das Ilh a s , que forem
rão aggravar no auto do processo. demandados na Corte, ou na Casa da Spp-
plicação, p o r serem achados n ella, posto-
M . - l i r . 1 1. G S2, e 1 .1 S 22.
Al. de 31 de Outubro de 1587. que os contractos sejam feitos nas Ilhas.
E assi quando forem demandados em al­
3. Ite m , tom arão conhecim ento de todos
guns lugares do R eino p o r contractos, que
os feitos eiveis, p er nova aução, dos P re ­
nelles tenham feitos, ou p er razão de cou­
lados isentos, que nestes Reinos não tem sas situadas nos ditos lugares do R e in o ;
S u p e rio r Ecclesiastico, que de seus feitos porque tanto que forem citados perante
possa co n h e c e r, como se contém no se­ quaesquer Juizes, logo devem ser rem et-
gundo L iv r o , no T itu lo p rim e iro . tidos aos ditos Corregedores da Corte na
M .- liv . 1 1. 6 § 3. Casa da S u p p licação ; os quaes conhecerão
d efies, e os determ inarão finalm ente pela
4. D arão cartas para serem citadas quaes-
o rd em , que despacham, os outros feitos.
q u e r pessoas, que tiverem ju ris d iç ã o , ou
lugares de senhorio, quando os autores os S . - p . 2 t . 1 1 .1 § 6 .
q u iz e re m perante elles d em an d ar, não o. O utrosi conhecerão de quaesqúer ag-
.sendo .cousas, que pertençam ao Juizo dos gravos, que a elles vierem de feitos eiveis
nossos F eitos da Coroa, òu Fazenda. p er petição dante os Julgadores no lugar,
M.— liv . 1 1. 6 § 4. onde stiver à Casa da Supplicação, e ao
re d o r até cinco legoas (não sendo dante
5. Conhecerão de todos os feitos eiveis, os Julgadores da cidade de L is b o a ); e do
que p er nosso special mandado vierem á que elles nos ditos aggravos mandarem,
C orte p er remissão, antes da sentença de­ poderão as partes aggravar para os Des­
fin itiv a , dante quaesquer Julgadores, e nos embargadores dos Aggravos. E dos ag­
casos, em, que p o r nossas Ordenações ex­ gravos dos ditos feitos eiveis, que vierem
pressam ente lhes dermos lu g a r, que os p er ins tru m e n to s , ou Cartas testemunhá­
ditos Julgadores os rem etiam . v e is , de qualquer lu g a r, postoque seja
dentro das cinco legoas, conhecerão os
M . - l iv . it.es 5.
Desembargadores dos Aggravos, e não os
c. E tom arão conhecim ento dos feitos Corregedores.
eiveis das viuvas e orfàos, e pessoas m i­
M .- liv . 1 t. G § 10.
seráveis (2), e de outras pessoas, que tem se­ Ref. de 27 de Julho de 1582 § 13.
m elh ante p riv ile g io , se os escolherem p o r
J u iz e s ; p o r quanto tem p riv ileg io de pe­ io. E mandamos aos ditos Corregedores,
ra n te elles dem andarem , ou se defenderem , I que em todas as C artas, que passarem,
q uand o em seu Juizó quizerem litig a r. E para se h averem de fazer algumas execu­
dos feitos das mais pessoas conteúdas no ções, ou diligencias, as passem na fôrm a
L iv r o terceiro , T itu lo q u in to e seis e doze, e com as clausulas, que dissemos no T i ­
tu lo 7 : Dos Corregedores da Corte dos
com o ah i h e declarado.
feitos crimes, no paragrapho 2 3 : Outrosi
M . - l iv . l t . 6 §7. mandamos.
7. E darão Cartas para os Desembarga­ M . - l iv . 1 t. 6 § 11.
dores da Casa da Supplicação trazerem seus
contendores perante elles, donde q uer que T IT U L O I X
fo re m m oradores, aindaque seja sobre que­
re re m dem andar algumas pessoas, p o r lhes Dos Juizes dos feitos del Bei da Coroa (*1).
ire m co n tra seus p riv ilég io s , ou sobre os
encoutos (3) em casos, que não toquem a0 3 Aos Juizes dos nossos feitos da Coroa
pertence conhecer em Relação p er aução

(11 Vide A l. de 26 de Junho de 1696.


h) Vide O rd. do L iv . 3 t. S § 3, e Ass. de 7 de
(1) Estes Juizes forão abolidos cm virtude do art. 18
A b r il de 1607, declarando qne por effeito de trazerem
da Disposição Provisória de 29 de Novembro de 1832,
03 sens contendores á Côrte não erão os Religiosos
mendicantes — pessoasmiseráveis, e art 1» do Regal, do 3 de Janeiro de 1833.
O ’l) de 7 de A b ril de 1728 vedava á estes Juizes o
(3) Segundo Cabedo p. 1 Da. 213 n. 3. esta parte
exercício das funeções de Conservador de Nações Es-
da Ord. foi derivada de nma determinação on assento
da Supplicação lançado no L ivro Verde, cuja data não ^ o ta T a o r ig é m e importância das attribuições destes
memora.
Encouto,
, . ✓ Juizes consulte-se Cabedo p. 2. Dec. 118, C os ta .*
m ulta ou pena pecuniária imposta por leis SO/lis, ann. 8, Ge vêu P into— Manual de Appellaçoes e
■antigas, prohibindo o uso de determinada cousa.
V ide Ord. deste liv . t. 11 § 18, e liv . 2 t. S9 g§ 7 e
Aggravos cap. 18, e sobretudo Pegas no respectivo com-
mentario.
8, e t . 62 § 6 . Ord. 13
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
32

nova o p er petição de aggravo n a cidade


2. E per instru m en to s de aggravo , on
de L is b o a , onde" a Casa da Supplicaçào Cartas testem u nh áveis, não darão d eter­
reside, e cinco legoas ao re d o r, e de fó ram inação final em casos sobre ju ris d iç ã o ,
da Corte dos lugares e Comarcas do dis- ou D ire ito s R e a e s , assi acerca d a posse,
como da p ropriedade. Sóm ente poderão
tricto da Casa da Supplicaçào p er ap p el-
lação e p er instrum entos de agg ravo , ou dar determ inação acerca das in te rlo c u to -
Cartas testem unháveis, de todos os feitos r ia s , de que couber aggravo. P o ré m as
e demandas, que pertencem á Coroa dos pessoas, que tive re m doações de ju ris d i­
nossos R ein o s, assi p er razão de R eguen- ções, ou D ire ito s Reaes, poderão v ir com
embargos aos mandados e despachos, e
gos (1), como de Jugadas (2), e de todos os
outros bens, que a Nós pertencem . E assi, auto s, que as Justiças fiz e re m , parecen-
sobre D izim as, Portagens e outros quaes- do-lhes que são contra as ditas doações,
quer D ireito s R c a e s , postoque dos ditosou posse, que pretenderem te r nas ditas
bens e D ire ito s tenham os le ito mercê a jurisdições, ou D ire ito s . E sendo-lhes os
algumas pessoas. E isto aindaque sejam embargos recebidos pelas ditas Justiças, o
demandaclos com nom e e qualidade de P rocu rad or de nossos fe ito s , ou^ A lm o ­
x a rife , que na te rra stiver, poderão con­
fo rç a , ou p e r q u a lq u e r o utra m an eira,
salvo nos feitos das Sisas, e das rendas, tra ria r os ditos embargos, E depois de
1'óros e trib u to s , que se para Nós arreca­se tra ta r p o r esta m an eira o caso perante
dam ; porque nestes casos, quando se não as ditas Justiças, e elles o d eterm in arem
fin a lm e n te , sendo a determ inação final
tra ta r sobre a p ro pried ade delles, mas só­
m ente sobre as rendas, conhecerão os J u í ­ sobre a posse, ou sobre a p ro p ried ad e,
zos dos nossos feitos da F azen da. E em poderão as ditas pessoas ap p e llar das sen­
todos os casos sobreditos^ os ditos Juizes tenças finaes, sendo o caso de appellação.
con hecerão , aindaque seja entre partes, E s"endo as sentenças dadas c o n tra o P ro ­
se direitam en te a esse tem po , ou depois curador dos nossos fe ito s , que na terra
tocarem nossos d ireito s, e a elles possam s tiv e r , e lle , ou o A lm o x a rife appeilarão
tra ze r algum p ro v e ito , ou dano. P orquedelias, e as taes appellaçòes v irã o ao Juiz
se a demanda fo r entro p a rte s , que não dos nossos fe ito s , onde se d eterm inarão
neguem nossos D ir e ito s , não pertence o e se cum prirão as sentenças, que nelle
conhecim ento do tal caso aos Juizes dos forem d ad as: e não recebendo as Justiças
os taes embargos, ou pondo no processo
nossos feitos da Coroa.
delles alguma in te rlo c u to ria , de que haja
M . - liv . 1 1.7 § i. lugar aggravo, poderão as ditas partes ag-
Ass. de 5 do Dezembro de 1572.
g ravar, e tir a r instrum entos p ara os Juizes
1. E não tolhem os, se os autores antes dos nossos feito s, onde se p ro n u n c ia rá o
uizerem dem andar as partes perante os que fo r ju stiça acerca das in te rlo c u to ria s
uizes, a que p erten cia o conhecim ento, sóm ente, sem darem pelos ditos in s tru ­
se ah i não stivera a Corte e Casa da S u p - mentos final determ inação nos ditos casos;
plicação, que as possam perante elles de­ e d an d o -se , será nenhum a e de n enhum
m andar. E as appellações e aggravos v irã o v ig o r. E os taes in s tru m e n to s , que ao
aos Juizes dos nossos feitos. Juiz de nossos feitos v ie re m , não se des­
M .-liV . l t . 7 S 3.*1
2 pacharão, sem se d ar vista ao nosso P ro ­
curador.
S . - p . 1 1. 7 1. 8.
Segundo Cabedo, estes Juizes forão creados naepo-
elia do Rey D. Alfonso IV , e erão denominados —
3. E nos in stru m en to s, de que o conhe­
Ouvidoresdos feitos d’El-Rey, cim ento perten cer ao Juizo dos nossos
Consulle-se ainda as CC. RR. de 24 de Março de fe ito s , se não dará determ inação final,
1708, 7 de Dezembro de 1709, c 8 de Março de 1715, e
Ais. de 14 de Fevereiro de 1772 § 3, 29 de Agosto e
sem o nosso P ro c u ra d o r ácerca disso ser
18 de Setembro de 1801 § 1, D. de 16 de Setembro o uvido o rd in ariam en te. E dando-se em
de 1763, e Prov. de 16 de Junho de 1788. o utra m aneira a sentença, p e r que o caso
Por Prov. de 4 de Junho de 1813 erão estes Juizes
ccmpetentes para conhecerem das cousas pertencentes seja finalm ente d eterm inado, será nenhum a
aos índios, assim como pela de 17 de A b ril de 1815 e de nenhum efifeito. P o ré m , sendo o tal
podião devassar e conhecer dos culpados em córtes de instrum ento tirado sobre algum a in te rlo ­
Páo-Brasil,
(1) Regucngos erão os bens que desde o principio da cu to ria, não sendo das que se contém no
Monorchia Portugueza até a epocha do Rey I). Pedro I paragrapho p re c e d e n te , despachar-se-ha,
forão appliçados ao Príncipe para as despezas e gastos como for ju s tiç a , no que sóm ente tocar
particulares da sua casa.
Erão o que constituía a sua dotação ou lista c iv il. á tal in te rlo c u to ria , não tendo força de defi­
Estes bens tinhão muitos privilégios. n itiv a , sem ser necessário dar-se vista ao
Vide Ord. do liv . 2 t. 30. dito P rocu rad or. 1
(2) Jugada, era um antiquíssimo imposto cobrado pelos
Reys de Portugal das terras novamente conquistadas S . - p . 1 1. 9 1.5.
aos inimigos, e que erão dadas aos novos possuidores
para cultiva-las, com o onus de pagarem certa quanti­ 4. Não tom arão conhecim ento dos feitos,
dade de fructos por cada jugo de bois com que as la­
que se tratarem en tre partes sobre prazos,
vrassem.
Yide Ord. do liv. 2 t. 33. que os D onatários dos Reguengos fazemy
TITULO IX 33

se se podem v e n d e r, ou não, em p reju ízo constrangidos a s ervir em nossas A rm a ­


'dos filhos mais v e lh o s ; porque não se tra ­ das, p er mandado dos Vedores da Fazenda,
tando de p re ju ízo considerável, que possa ou de quaesquer outros nossos Officiaes,
v ir à nossa Coroa, não pertence o conheci­ nem de os obrigarem a ter a rm a s ; e p re­
m en to ao Juizo dos nossos feito s, mas ao tendendo haverem de ser escusos p er razão
dos A ggravos. de seus p riv ilé g io s , poderão req uerer sobre
s . - p . 1 1. 7 l. 6. elles aos ditos Vedores da Fazenda.

5. E conhecerão de todos os feitos, que At. de 27 de Junho de 1570. i’­


os R end eiro s das Sisas da casa das h er­ ll. O utrosi conhecerão das causas sobre
dades de Lisboa tive re m com os Comm en- as jurisdições (1), e de quaesquer feitos e
dadores e C avalleiros da Ordem do Nosso cousas, que a elles pertençam . E assi dos
S e n h o r Jesus C h ris to , sobre se quererem instrum entos de aggravo, ou Cartas teste­
escusar de pagar Sisa das propriedades, m unháveis, que se tira re m dante os Juizes
que com pram , o u vendem . seculares, que se derem p o r inhibidos pelas
S . - p . 1 1. 7 1. 2. in h ib ito ria s (2) dos Juízes Eeclesiasticos,
dos qilaes não tomarão conhecimento os
e. E pelo dito modo conhecerão de to­
Desembargadores dos Aggravos.
dos os feitos, postoque sejam e n tre partes,
que se ord en arem p er razão de doações M — liv . 1 1.7 § 8.
s. - p. 1 1.71. 3.
p e r Nós feitas, assi de bens, que a Nós
perten çam de a lg u m , que m o rre u abin- 12. P o rém não tom arão conhecim ento
te s ta d o , ou outros quaesquer vago s, ou de aggravo, que. as partes tira re m de Juizes
outras cousas, a Nós devolutas p o r quaes­ Ecclesiasticos nos casos, do que o conhe­
q u e r causas, de que íizessemos (1) mercê, cim ento lhes p e rte n c e ; salvo quando se
ou doação a algumas pessoas. aggravarem de n o to ria oppressão, ou forca,
que se lhes faça (3), ou de se lhes não guardar
M . - l iv . 1 1. 7 §2.
o D ireito N a tu ra l, p orqu e nestes casos Nós,
7. Ite m , conhecerão em Relação de lo ­ como R e i e Senhor (4), temos obrigação de
dos os feitos de passadores (2).
M . - l i v . 1 1 .7 § 4.
8. E não m andarão v ir citadas á Corte ( 1) Esta attribuição lie hoje da competência das Re­
lações do Im pério, em virtude do art. 9 § 9 do Reg. de
nenhum as partes de fóra da C o rte, e de
3 dc Janeiro de 1833.
cinco legoas ao re d o r, até p rim e iro serem (2) Inhibilorias; erão rescriptos pelos quaes o Juiz
vistas em Relação as inform ações, ou in ­ Ecelesiaslico vedava ao Secular ou C ivil o conheci­
mento de algunms causas sob a pena da excominunhão.
q u iriçõ es, p er que entendam , que devem Forão aclmittidas cm Portugal no anno de 1200 pelo
ser citadas. E quando fo r acordado p er Pontifico Innocencio I I I .
a m a io r parte dos Desembargadores, que Vide Ord. do liv. 2 t. l i , e o que dizem: Gouvèa
com cada h um delles forem no despacho,
Pinto — Manual dc Appcllaçõcs e Aggravos p. 4 cap. 18
§ 13 notas (a) e (ò); Sampaio —Prelecções de Direito
então dêm Cartas, p er que citem , segundo Pátrio p. 1 cap. 9 ; e Almeida e Souza—SegundasLi­
fo r acordado e posto p er desembargo. P o­ nhas t. 2 pags. 241, 393 e seguintes.
(3) Vide sobre a doutrina desta Ord. as Cartas d E l-
ré m , se as citações se h ou verem de fazer Rey de 27 de Junho e 29 de Setembro de 1617, 28 de
p a ra as partes v ire m faltar a fe ito s , que Julho de 1620 e de 1626, e 30 de Julho de 1694, e
Já sejam tratados perante e lle s , poderão D l), de 16 de Dezembro de 1675, de 4 de Outubro de
16SC, de 18 de Novembro de 1690, de 30 de Maio de
p e r si sós m andar passar as Cartas sem 1708, de 22 de Março de 17.19, de 14 e 15- de Junho
acordo da Relação. dc 1744.
Aos referidos cumpre accresoentar os DD. de 9 ae
M . - l i v . 1 1 .7 § 5.
Outubro de 1695 e de 9 de Maio de 1654.
9. E tom arão conhecim ento dos instru­ Consulte-se além disto Pegas, no Commentario á esta
m entos de a g g ravo , ou Cartas testemu­ Ord., interessante á muitos respeitos; e Gouvêa Pinto
n h áveis, que os Desembargadores e mais
—Manual citado p. 4 cap. 18 § 14, e p. 3 cap. 1 § 6
nota (a) e § 7 nota (6).
pessoas p rivileg iadas tira re m de lhes não Sobre osRecursos á Coroa convém ainda consultar a
g u ard arem seus p riv ilé g io s , quando os Legislação subsequente ao reinado de D. João V , como
o Reg. de 13 de Outubro de 1751 § 94, C. R. de 23 de
ditos instrum entos tocarem a cousas cie Ju- Agosto de 1753, DD. de 3 de A b ril de 1755, 28 de Se­
g adas, ou de quaesquer outros D ireitos tembro de 1761, 16 de Setembro de 1763 e 21 de Jidho
Reaes. P o rq ue dos instrum entos, que não de 1779 e A l. de 18 de Janeiro de 1765, 11 de OutuUro
de 1786*§ 6, e Av. de 2o Junho de 1790 e 27 de No­
tocarem aos ditos D ireitos Reaes, tomarão vembro de 1797. , .
conhecim ento os Desembargadores dos .Ag­ Para facilita r os Recursos a Coroa crearao-se no
Brasil, por virtude do A l. já citado de 18 de Janeiro
gravos. de 1765, Juntas de Justiça, nos lugares onde havia
S.-p. lt. 7 1.9. Ouvidores, que tomavão por Adjuntos dous Ministros
letrados, e na falta Bacharéis formados. As suas fu n o
10. N ão tom arão conhecim ento de ins­
ções cessarão nas Capitanias onde se creavao Relações.
trum entos de a g g ravo , que alguns M a­ Vide A l. de 13 de Maio de 1812 t. 7 § 6.
reantes, ou Pescadores tirarem de serem 2 1 (4) Rei eSenhor, e não por via de jurisdicção, conhe-
cião os Reys dos Recursos á Coroo .
Vide ainda sobre os mesmos Recursos a Res. ae 17 de
Maio de 1821 , o D. n. 10 de 19 de Fevereiro de 1838.,,
(1) À edição Yiccntina diz — fisemos. a L n. 234— de 23 de Novembro de 1841 art. 7 § 5*
(2)Passadores, i. e., contrabandistas. Reg. ii. 124 — de 5 de Fevereiro de 1842 art. 30, DD.
Vide O rd. deste liv . t. 76 § i , e liv . 5 t. 115 & 1.
FRIME1R0 LIVRO DAS ORDENAÇÕES
31
16. E os feitos, que em outros quaesquer
a c u d ir a nossos Yassallos. E depois de
Ju íz o s (1) se tra tare m , assi na C o rte, com o
os Juizes de nossos feito s ju lg a re m , que
fóra delia, em que o P ro cu rad o r dos nos­
o conhecim ento p ertence a nossas Justi­
sos feitos da Casa da Supplicaçâo se o p -
ças, e não ás Ecclesiasticas, m andarão às
p o zer, ou a s s is tir, serão logo rem ettido s
íiossas Ju stiças, que não e vitem as taes
lios term os, ent que stiverem , aos Juizes
pessoas, nem lhes levem penas do excom -
dos nossos feitos, dos quaes tom arão co­
írtungados (1), p o r sempre assi se costum ar,
nhecim ento, e os despacharão em R elação,
e não h av e r o u tro meio p ara se não tom ar
pç isto se não entenderá nos feitos, que
nossa ju ris d iç ã o .
vie re m p er aggravo dante o Ju iz da ín d ia
I>. de 18 de Março de 1578 §§ 15 e 16. e M in a , p o r quanto o conhecim ento destes
is. E tom arão conhecim ento das causas taes feitos pertence aos Desembargadores
tocantes á apresentação das Igrejas do nosso dos Aggravos da Casa da S upplicaçâo,
Padroado (2), que se“ h o u verem de tra ta r no postoque delles se m ande d a r vista ao
Ju izo secular, postoque sejam do districto P rocu rad or dos nossos feitos, e nelles a l-
da R elação do P o rto . legue p o r nossa p arte . E conhecerão dos
Al. do 0 de Março do 1596. aggravos, que v ie re m do Ju izo da Coroa
Al. de 3 de Agosto dc 1596. da Casa do P o r t o , e os despacharão em
1 4 . O u tro si, os Juizes dos nossos feitos
Relação, como despacham os mais feitos,
tom arão conhecim ento de todas as app el- que lhes pertencem .
laçòes de armas (3), e penas delias. E assi Al. de 28 de N ovem bro de 1578.
das appellaçòes ué condenação da pena, P. de 24 de O utubro de 1598.
e p erdim entó de armas depois do sino (4), e 17. E despacharão em R elação os feitos
dos aggravos das ditas a rm a s , e penas o instrum entos, que lhes perten cerem , com
delias, assi da Corte e cidade de Lisboa, os D esem bargadores, que pelo R eged or
como de fá ra delia, salvo dos aggravos, lhes forem ordenados. E porão nelles as
que das ditas armas e penas v ie re m dante sentenças e desembargos, segundo p e r to­
o C orregedor da Corto dos feitos crim es, dos, ou a m aio r p arte delles fo r acordado,
p o rq u e destes pertence o conhecim ento sem h aver outro aggravo p ara nenhum a
aos Desembargadores dos A g g rav o s , se­ o utra p arte . E nos feitos, em que o nosso
Dos Corre­
gundo dissemos no T itu lo 7 : P ro cu rad o r fo r p a r te , serão pelo ntenos
gedores da Corte dos feitos crimes. tres conformes (2), como se d irá nos feitos
M . - l i v . 1 1 .7 S 6. da F azen d a, no T itu lo 10 : Dos Juizes dos
Ass. ile 27 de Março de 1573. feitos delia.
15. O u tro s i, clarão Cartas, que pertençam M.— liv . 1 1 .7 pr.
ás abertas e V allado res (3) nossos, e conhe­ s. - p . 5 1 .11.1 §3.
cerão dos fe ito s , que ás ditas abertas e 18. E m andam os, que os Juizes dos nos­
valias pertencerem . E assi conhecerão dos sos feitos da Coroa em todas as Cartas,
feito s, que se processarem sobre as terras que passarem , p a ra se h averem de faze r
das L ezírias (6), e Paúes nossos, ora o nosso algumas execuções, ou diligencias, as pas­
P ro cu rad o r seja p arte, ora n ão , postoque sem na fôrm a c com as clausulas, que dis­
delias tenham os feito m ercê a algumas semos no T itu lo 7 : Dos Corregedores da
pessoas. Corle dos feitos crimes,no paragraph o 2 3 :
M .- liv . 1 1.7 § 7. Outrosi mandamos.
M . - l iv . 1 1 .7 § 9 .

n. 1406 — (lc 3 de Jullio de 1854, e n. 1911 — de 28 de T IT U L O X


Março do 1857 art. 24.
Consultc-se o a rl. —Recursos á Cor(in,—m nossa
Compilação do DireitoCivil Ecclesiastico Brasileirot. 1 Dos Juizes dos feitos del Rei
3» p. pag. 1263, bem como na Introducção o art. 11, e
na 1® p. as Concordatas dos Roys D. Diniz, n . Pedro I
da Fazenda (3).
e D. João I a pngs. 33, 127 e 206.
(1) Vide a nota precedente. Os Keys Calholicos tor- Os Juizes dos feitos da F azen d a despa-
navão-se ignacs, senão superiores aos Papas, por esta
aftribuição que se arrogarão.
(2) Segundo Gabriel Pereira de Castro, esta Ord.
tem sua fonte no art. 8 da Segunda Concordata do
Hey D. Diniz, e da Segunda de D. João I e da de (1) Vide Ord. deste liv . t. 12 § 2 e t, 40 pr.
(2) Vide Ord. deste liv . t. 40 § 1, c Ass. de 28 de
D. Sebastião.
Convém também lCr o art. 10 da Introducção da Março de 1624. ,
nossa compilação do Direito Civil Ecclesiaslico Brasi­ (3) Estes Juizes também forão suppritmdos pelo
leiro sobre a materia desta Ord. art. 18 da Disposição Provisória, e art. 1 do Reg. do
3 de Janeiro de 1833.
(3) Vide Ord. do liv. 5 t. 80 p r., A I. de 4 de Ou­
tubro de 1649, e Ass. de 18 de Fevereiro de 1683. Nas antigas Delações e Supplicaçâo do Brasil o Juizo
(4) Depois do toque de recolher. O rd. do liv . 5 t. 79 da'Coroa andava ligado com o da Fazenda, e denomi­
§ 2, e t. 80.
nava-se o magistrado —Juiz do Fisco. Na Casa do
(5) Valladores,i. c., os que abrem valias e abertas Porto não havia Juiz Privativo da Fazenda.
Pela L . n. 242 — de 29 de Novembro de 1841 e à t .
(sanias á margem dos rios).
(6) Vide Ord. do liv . 2 t. 33 § 24, e Ass. de 22 dc n. 6—de 12 de Janeiro de 1842 creou-se de novo este
Agosto de 1614. Juizo entre nós, tão sómente em prim eira instancia.
TITULO X 38

charão em Relação (1) pela m an eira, que Sisas dos encabeeamentos ( 1 ) , nem assi
dissemos no T itu lo 9 : Dos Juizes dos feitos mesmo dos que se tira re m sobre a ordem e
da Coroa, os feitos e instrum entos de ag­ reeadação delias. P orque o conhecim ento
g ra v o , que pertencem a nossa Fazenda. dos taes instrum entos e despacho delles
É naquelles, em que o nosso P rocu rad or pertence aos Védores da F azen d a (2 ): pos-
d a F azen da fo r p a r te , se não porá sen­ toque as partes se queiram p e r p rivilég io s,
ten ça, salvo havendo tres votos conformes que digam te r, isentar na d ita repartição
e m * h u m parecer. E havendo variedade de pagar Sisa em todo.
nos votos, se darão tantos Juizes, de que
S . - p . 5 t. 1 1. 1 §§ 1 O 2.
a m ó r p arte seja ao menos de tres votos
conform es. E na d ita sentença assinarão 2. E conhecerão dos feitos, que se tra ­
tam bém os D esem bargadores, que forem tarem entre algumas pessoas sobre Offi­
de voto co n tra rio . E nos feitos entre par­ cios, de que forem passadas Cartas, assina­
tes se p o rá s en ten ça, como forem dous das p er Nós (3), ou pelos Védores de nossa
votos confórm es. E não porão differença F a z e n d a , e os despacharão em Relação,
algum a nos sinaes, p e r que se possa sa­ da m an eira que despacham os mais feitos,
b e r, que foram de co n trario parecer em de que o conhecim ento lhes pertence, e
p a rte , ou em todo. E tendo os ditos Jui­ h averá delles vista o P ro cu rad o r dos nossos
zes para .despachar alguns feitos do nego­ feitos da Fazenda.
cio dos Contos ( 2 ) , os despacharão p r i­
S . - p . 5,t. 11. 1 § 4 .
m e iro , que outros alguns.
3. E sendo necessário p ara despacho
S.— p. 5 t. 1 1. 1 §§ 1,2 D 3. dos ditos feitos fazerem-se algumas’ d ili­
gencias nos*Contos do R e in o e Casa, e
l. E despacharão assi mesmo (3) os feitos
nas Casas da ín d ia , M in a e A rm azéns, e
da F a z e n d a , assi do negocio do R e in o ,
na A lfândega da cidade de Lisboa, e em
como da I n d i a , A fric a e C o n to s, e assi
quaesquer outras casas, onde se rccadein
os feitos da F a z e n d a , que se tratarem
nossos D ire ito s na d ita cidade, ou dar al­
entre p a rte s , eiveis e c rim e s , e in s tru ­
guns papeis, ou certidões dos liv ro s delias,
m entos de aggravo, para o despacho dos
ou responderem os Officiaes dos Contos
quaes o R egedor lhes ordenará hum a, ou
e das ditas Casas algumas cousas, perten­
duas mesas, com os Desem bargadores, que
centes ao despacho dos ditos feito s, e
lh e parecer serem necessários, segundo _a
que nelles se mandem fazer c aju n tar, assi
qualidade dos negocios e fe ito s , que t i­
p er despacho, posto p er acordam em R e ­
verem p ara despachar. E ao d'espacho dos
la ç ã o , como p o r mandado cm audiência
feitos,' em que o nosso P ro cu rad o r da F a ­
pelos ditos Juizes sómente : passarão para
zenda fo r p arte, starà sempre presente ( i ) .
isso P re c a tó rio s , dirigidos ao Contador
M as não tom arão conhecim ento dos ins­
M o r e P ro v e d o res , e mais Officiaes Su­
trum entos de aggravo, que se tira re m dos
p eriores das ditas Casas, na fô rm a , em
Officiaes e L an ç a d o re s , que repartem as*2 3
que os Corregedores da Corte os passam
para os ditos Provedores e Officiaes Su­
p eriores. E a mesma ordem terão nos P re ­
Mas as Relações conhecem (los aggravos o appcllações catórios , que passarem para o P rovedor
nas causas que respeitão ao Thesouro Nacional, com
assistência do Procurador da Coroa s Soberania, das V a lia s e Contador das Jugadas, L e z í­
que he também da Fazenda Nacional. Era a antiga rias (4) e Paúes. E sendo passados na dita
pratica. fô rm a , os cum prirão os ditos Officiaes in ­
Vide Reg. de 30 de Janeiro de 1833 art. 00, L . de te ira m e n te , como p er nossas Ordenações
20 de Dezembro do 1830 a rt. 17, A t. de li de Junho de
1 83 4 , e D. de 23 de Junho do mesmo anno. são obrigados.
Como Juizes da C orda, não podião accumular o
cargo de Conservadores de Nações estrangeiras.— P. S . - p . 5 1. 11. IS 5.
da 7 de A b ril de 1728.
Consulte-se sobre estes funccionarios: Cabcdn p. 2 a. E havendo-se de aju n tar alguns tras­
dec. de Stytís
118 ; Costa, ann. 11 ; Gouvêa Pinto, lados de Regim entos, P rovisões, ou outras
Manual deAppellações Re­
p. 4 cap. 19; e Furtado, no quaesquer cousas,’ que sliverem registra­
pertório Geral, Juiz dos feitos da Coroa.
artigo —
das nos livro s da Fazenda, que se hajam
(3) O D. de 29 de Fevereiro de 10-4-4 exigia qun os
leitos que se despachassem no Conselho da Fazenda
de d ar delles, feitos pelos Porteiros delia,
(ho.je extincto) se processassem perante os Juizes dos o J u iz do feito passara P recato no na fôrm a
feitos delia. acostumada, dirigido aos V édores da F a -
(2)Contos, referia-sc ao E rário ou Thesouro Nacio­
nal, que então se chamava Casados Contos.
(3) A edição de 1824 usa sempre da locução — isso
mesmo — , de preferencia á do texto que se lê na V i- (1) Encabeçamcnto, i. c., lançamento do imposto (la
centina de 1747.
S l(oj Funccionarios que têm hoje <t seu equivalente nos
(4) Vide sobre esta O rd. e necessidade do comparo- Inspectores (las Thesourarias, diminuídas algumas at-
cimento do Procurador da Fazenda no julgamento dos
feitos que á mesma interessavão as Carias d El-Rey iribuições. , _ , , , '
de 23 de A b ril do 1614, 16 de Dezembro do 1615, e
()3 Vide A l. de 26 de Outubro de 160<.
(4) Lczirias, diz-se, a terra marginal situada ao longo
DD. de 16 de Junho de 1059, 5 dc Maio de 1663 o 26
de Janeiro de 1686, c A l. dc 28 de Março de 1617. dos rios, sujeita ás alagações.
Ord. H
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
36
a quantia de sessenta m il réis (1), sendo a p -
zenda, para mandarem dar os ditos tras­
lados, por quanto dos livro s da nossa Fa­ pellado pelas partes condenadas, ou pelo
zenda não se deve dar traslado algum sem Procurador dos feitos da dita Alfandega;
ao qual mandamos que sempre appelle p o r
mandado dos Vedores delia.
parte de nossa Fazenda nos ditos feitos,
S . - p . 5 1. 11. 1 § 6. não sendo as partes condenadas em tudo
5. Item, os ditos Juizes tomarão conhe­ o que contra ellas p e d ir, para o que os
cimento per simplices petições dos aggravos Scrivães dos ditos feitos lhe notiiicarão
que as partes disserem (1), que lhes fazem as sentenças. E não passando a quantia
os Olíiciaes, de que os ditos Juizes podem de sessenta m il réis, não entrando nisso
conhecer per appellação, ou aggravo. E a pena do dobro ou tresdobro, terá alçada
isto sómente, aggravando-se do despacho, o dito Provedor e Ófficiaes sem appellação
que alguns Ófficiaes pozerem em alguns e aggravo. E quanto á pena crim e, em
fe ito s, ou sobre o que mandarem nas que as partes encorrem (2) por os ditos des­
caminhados, ou por outros delictos, que
audiências.
sobre cousas e direitos da dita Alfandega
S . - p . 5 t. 11. 1 § 7 . se commetterein, não tomará o Provedor
<5. E não conhecerão das petições, em e Ófficiaes conhecimento ; mas logo remet-
que as partes se aggravarem- dos Alm o­ terão os taes feitos aos Juizes da Fazenda,
xarifes, ou outros alguns Ófficiaes os obri­ para elles os despacharem em Relação (3).
garem a pagar direitos de cousas, que não
S .- p . 5 1. 11.1 § 12.
devem, ou mais daquelles, que devem, ou
de lhes não guardarem acerca disso os 10. E os ditos feito s, de que assi po­
privilégios, que tiverem, ou lhes não fa­ dem conhecer per appellação e aggravo,
zerem pagamento (2) de suas tenças, ou d i­ por passarem de sessenta m il réis, pode­
nheiro, que de nossa Fazenda hão de ha­ rão ser avocados pelos ditos Juizes em
ver, ou tratando-se nas ditas petições da quaesquer termos, em que stiverem, pa­
jurisdição de alguns feitos da Fazenda: recendo-lhes que ha justas causas para isso.
por quanto o conhecimento e despacho das E não passando da quantia de sessenta
taes petições pertence ao Tribunal do Con­ m il réis, não poderão ser avocados pelos
selho da Fazenda. E o mesmo será nas ditos Juizes antes da sentença, nem depois
appellaçòes e instrumentos de aggravo, delta.
que se tirarem sobre os ditos casos. S . - p . 5 t. 1 1. 1 S 13.
S . - p . 5 1 . 11. 1 $8. 11. E para se saber, se a valia dos des­
Al. de 23 de Junho de 1571.7
9
8
caminhados chega à quantia dos sessenta
7 . E havendo por bem que alguns feitos m il réis sem a pena do dobro e tresdobro,
do dito Juizo se despachem perante Nós, fará o Provedor da Alfandega fazer ava­
serà presente ao despacho delles o Y é d o r liação delles p o r dous mercadores sem
da Fazenda, que servir. suspeita, hum, em que se elle para isso
S . - p . 5 t. 1 1 .1 § 10.
louvará, e outro, em que se louvarão as
partes; aos quaes o Provedor dará ju ra ­
8. E assi tomarão conhecimento de to­ mento dos Santos Evangelhos, e pelo dito
dos os feitos, em que o Procurador de juramento farão a dita avaliação, de que
nossa Fazenda (3) se oppozer, ou assistir, e se fará termo nos autos, assinado per elles,
lhes serão rem ettidos, tanto que o dito para se saber se cabe na alçada do P ro­
Procurador se oppozer, ou assistir, sem vedor e Ófficiaes, ou se se póde appellar
mais Juiz algum tomar delles conheci­ de sua determinação, como atraz he decla­
mento, assi em lodos os Juizos da Corte, rado. E não concordando os dous louva­
como de todos nossos Reinos e Senhorios. dos, se louvarão em terceiro, que o de­
S . - p . 5 1. 11.1 § 11.
termine. E o que os ditos dous louvados
assentarem, isso se cum prirá àcerca da dita
9. Item , conhecerão das appellaçòes e avaliação.
aggravos, que saírem dante o Provedor e S . - p . 5 t . 11. 1 § 14.
Ófficiaes da Alfandega de Lisboa, sobre
descaminhados das mercadorias e cousas, 12. Item , conhecerão de todos os feitos
que à dita Alfandega pertencem, passando de injurias feitas, ou ditas aos Rendeiros
de nossas rendas, ou Ófficiaes delias, sobre
a recadação de nossas rendas, ou sobre
(!) Vide D. de 4 de Junho de 1685. seus Officios, per aução nova na Corte e1 3
2
(2) O A l. de 31 de Outubro de 1602, que transcreve
Cabedo no fim de suas Erratas,
explica esta O rd., en­
tendendo-se, como nota o autor da Synopsis Chronolo-
gica,que esse Alvará se achava em vigor por virtude (1) Esta taia foi elevada ao triplo por Al. de 16 de
Setembro de 1814.
da L . de 29 de Janeiro de 1643.
A edição Yicentina usa da expressão— fasempaga
- (2) A edição Yicentina diz — incorrerem.
gamentos — em lugar de — faserem. (3) Yide Cartas d’El-Rey — de 23 de Abril de 1614,
e 16 de Dezembro de 1615.
(3) Vide D. de 20 de Junho de 1685.
TITULO X I 37

Casa da Supplicação, ou fó ra d elia cinco causas sobre a renovação dos prazos dos
legoas ao re d o r, q u er sejam autores, quer ditos A rm azéns (1), ou arrecadação d osfóros
re o s : e p e r a p p ellação , quando vierem d elles; porque tratando-se da propriedade
dante algum C o n ta d o r, o u A lm o x a rife . dos ditos prazos e validade dos titu los
P o ré m tratando-se os feitos sobre os ditos delles, ou commissos, ou sobre se h aver
casos ante os Julgadores o rd in á rio s , as de tom ar posse p er nossa p arte, p o r se­
appellaçòes, que delles s a íre m , irão aos re m as vidas acabadas, em taes casos p er­
O uvidores dos feitos c rim e s , e não aos tence o conhecim ento ao Ju iz dos nossos
Juizes de nossos feitos. feitos da Coroa.

S . - p . 5 t. 11. 2 e 3. Al. de 15 de A b ril de 1583.


L. de 16 de Setembro de 1586 § 4.
13. E conhecerão de todos os feitos e
causas, assi crim es, como eiveis, em que 17. E sendo caso, que Nós p o r algum
p e r o P ro cu rad o r de nossos feitos da respeito m andem os, que alguns feitos da
F azen da forem accusados, ou demandados, Fazenda se despachem perante os Vedores
p o r com m etterem casos, ou culpas contra delia, os.Juizes, que forem dos ditos feitos,
seus Regim entos ( i) e obrigações de seus os irão despachar ao Conselho da F azen ­
Carregos (2), os Oííiciaes das Casas da ín d ia da (2); e nem por. isso deixarão de ficar o r­
M in a e A rm a z é n s , e C apitães, Scrivães, dinários de seu Juizo ,,co m o eram , nem se
M estres, P ilo to s das Nãos da ín d ia , M in a , m udará a natureza d e lle s , para se poder
G u in é , A n g ó la, B ras il, Capitães das F o r­ d ize r, que são de sportulas, mas levarão
talezas, Alcaides M ores, Juizes das A lfâ n ­ sómente a assinatura d ire ita .
degas, F eito re s , A lm o x a rife s , Recebedores 18. E mandamos aos ditos Juizes da F a ­
e Scrivães dos ditos Carregos das partes zenda, que em todas as Cartas, que pas­
da ín d ia , M in a , G u in é , A n g ó la e B rasil. sarem, p ara se haverem de fazer algumas
E conhecerão o u tro si das culpas das de­ execuções, ou d ilig e n c ia s , as passem na
vassas, que lh e o Ju iz da M in a p e r bem fórm a e com as clausu las, que dissemos
de seu R egim ento he obrigado rem etter, no T itu lo 7 : Dos Corregedores da Corte
e as despacharão em Relação : e p ro cu rará dos feitos crimes, no paragrapho 2 3 : Ou­
nos ditos feitos o P ro cu rad o r de nossa trosi mandamos.
F azen da.

S.— p. 1 1. 131. 4 pr. e § 1. T IT U L O X I .

14. E os feitos, que se tratarem contra Dos Ouvidores do Crime da Casa


os Oííiciaes da F a z e n d a , p o r cu lp as, ou
da Supplicação (3).
erros de seus Officios, se despacharão, assi
o que toca ao c rim e , como ao civel, pelos
Juizes da F azen da. E isto se não enten­ Aos O uvidores do Crim e da Casa da
derá, quando as appellaçòes vie re m dos Supplicação pertence o conhecim ento de
Corregedores, O uvidores e Juizes do R e in o , todas as appellaçòes (4) de feitos crimes dos
p orqu e vind o dante elles, pertence o co­ lugares do districto da d ita Casa, que não
nhecim ento ao Ju iz da C hancellaria, como p ertencerem a o utro J u iz o , não cabendo
em seu T itu lo 14 se d irá . na alçada dos Julgadores, de que saírem ,
como dissemos no T itu lo 6 : Dos Desem­
S . - p . 5 t. 1 1. 4.
Ass. de 31 de Agosto de 1584.
bargadores dos Aggravos no paragra­ ,
pho 1 2 : Item os ditos Desembargadores.
15. Ite m , tom arão conhecim ento das ap­
M . - l i v . 1 1. 9 pr.
pellaçòes e ag g ra v o s , que saírem dante L. de 18 de jNovembro de 1577 g 56.1
3
2
as Justiças e O ííiciaes, que conhecem dos
feitos (ía F aze n d a da U n iversid ad e de
C o im b ra, entre a d ita U n ive rs id a d e e os
R endeiros e Recebedores, Fiadores e A b o -
(1) Vide D. (ie 21 de Junho de1646.
(2) Vide Cartas d’El-Rey — de 14 de Dezembro de
nadores de suas rendas, e quaesquer outras 1615,28 de Setembro de 1622 e 6 de A b ril de 1623,
DD. de 19 de Outubro de 1646 e 12 de Março de 1665,
pessoas. e R. de 4 de Junho de 1731.
S . - p . 5 1 . 1 1 .5. A I a edição desla Compilação dizia —nempor isto
deixarão—, com suppressão da conjuucção — e—, que
16. Tom arão outrosi conhecim ento das Cubedo restabeleceu.
(3) Vide, quanto á origem destes Magistrados, o
causas, que tocarem aos nossos A rm azéns que diz Pegas, no Commentario á esta O rd .; Costa
da cidade de Lisb oa, as quaes desembar­ — de Stylis ann. 10; e Gouvèa Pinto — Manual ds
garão p ela ordem acim a d ita , sendo as taes Appellaçòes p. 4 cap. 15.
Os arts. 8 do Codigo do Processo c 18 da Disposição
Provisuria extinguio-os.
Consulte-se também a nota (2) ao § 22 da Ord. deste
(1) Vide Carla d'E I-H ey — de 11 de Outubro de
1618, e DD. de 12 de Maio de 1643 e 4 de Dezembro
lV(í) Vi'de, além da Ord. do Irv. 5 t. 80, o Ass. de 19
de Junho de 1664, e Ais. de 4 de Outubro de 1649, 10
de 1716.
(2) Córrego,i. e., cargo, oflicio ou emprego com de A b ril de 1660, 23 de Julho de 1678 e 20 de Março
de 1719.
vencimentos.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
38
1. E para m e lh o r e m ais b reve despa­
p o rão : Tal testemunha diz tal, em tal
cho dos feito s, cada h um dos ditos O u v i­
artigo; tem contradita; procede, ou não.
E assi v á cotando e assommando o feito
dores, cada feito que h o u ve r de despachar,
de fó r a ; e se a c h a r, que a testem unha
o v e rá do p rin c ip io até o f im , cotando
não d iz cousa, que ao feito to q u e , p o n h a
cada cousa, que de substancia f ô r , para
quando h o u ve r de d ar delle relaçao, com
no comeco d e lla : Nihil; e acabado assi
o feito dê v e r, e cotado, guarde a fo lh a ,
facilidade p od er m o s tr a r ' e achar o que
que tem em m em orial de fó ra , e o leve
necessário f o r ; assi com o, onde lo i dada
querela, p on ha na m argem d e lia : Querela ; á R elação, onde será despachado.
e se fo r Jurada, p o rá n a m a rg e m : Jurada; M . - l i v . 1 1 .9 § 6.
e onde stiverem as testem unhas nomeadas,
s. E as appellacões, que v ierem das
p o rá : Testemunhas; e stando a querela
Ilh a s , ou de outros lugares, a que se lia
p e rfe ita , p o rá no fim d e lia : Perfeita; e
de i r p er m a r , desembargarão p rim e iro ,
assi cotará as outras cousas substanciaes
que as outras do R e in o , p o r as partes não
do mesmo feito . E esta regra terão todos
perderem embarcação. E as o u tra s , que
os D esem bargadores, que feitos crimes
v ie re m do R e in o , despacharão p ela ordem ,
h o u verem de v e r. que vie re m , o que poderão v e r pelos te r­
mos das presentações, salvo nos feitos,
M . - l i v . 1 1. o,§§ 5 e 8.
que tive re m já conclusos, que despacha­
2. E se fo r denunciação sem juram en to rão p rim e iro .
e sem tes tem u n h as, ou com ellas e sem
M . - l i v . 1 1. 9 § 7 .
ju ra m e n to , assi o cotará, e pora na c o ta : S . - p . 2 t. I M S 12.
Pallece tal cousa, E cotará o lih e llo ,
conclusão, contestação, e os artig o s, n u ­ 4. E bem assi todas as Cartas, que pas­
m erando cada h u m defies, confissões, de­ sarem , para se haverem de faze r algumas
execuções, ou diligencias nos feitos dos
poim entos. E em hum a fo lh a de fó ra porá
presos, as passem na fôrm a e com as clau­
quaes artigos se p ro va m , e p er que ma­
n e ira , e p e r que testem unhas, pondo em
sulas , que dissemos no T itu lo 7 : Dos
lem brança, se as testem unhas, que foram Corregedores da Corte dos feitos crimes,
nom eadas, são p erg u n tad as, e se faltam
no paragrapbo 2 3 : Outrosi manda/mos.
algu m as; ou sendo perguntadas como não M . - l i v . 1 1. o § o.
deviam , o com m unicarà com seus compa­ 5. E terão cuidado de saberem , se se
nheiros. E parecendo-lhes que devem ser fazem as d ilig e n c ia s , que p e r bem de
perguntadas outra v e z , ou cm o utro lugar, ju s tiç a (t) são mandadas faze r. E p ed irão
onde mais livrem en te possam d ize r a v e r­
disso" conta aos Scrivães dante elles. E
dade, passarão para isso Cartas. E se o achando-os negligentes, procederão contra
feito fo r no lu g a r, onde Nós stiverm os, elles conform e ao que direm os no t i ­
ou a cinco legoas de r e d o r , p ergu ntem - tulo 2 4 ; Dos Scrivães dante os Desembar­
nas elles p e r si. E sendo de m ais longe,
parecendo-lhes que cum pre v ire m d ar seus
gadores do Paço.
L . de IS de N o v e m b ro de 1577 § 1G.
testemunhos á C orte, m andarão v ir as que
lhes parecerem necessárias para bem de e. Os O uvidores farão liv ro s (2), em que
ju stiça, se todos os Desembargadores, que p on ham cada h u m , quando v ir os feitos
ao desembargar do feito s tiv e re m , forem e in q u iriç õ e s , os m a lfe ito re s , que acha­
nisso concordes, não sendo porém menos rem culpados (3), e dal-os-hâo em scripto
de cinco. E não sendo todos concor­ ao. Corregedor da C o rte , p ara os m an dar
des, ou sendo no despacho menos de cinco p ren d er e tra z e r, se taes pessoas e feitos
Desembargadores, o dirão ao R egedor em fo rem , que sc hajam de liv r a r na C orte,
M esa grande, e com seu acordo e dos da ou os m andará liv r a r nas terras, onde os
d ita M e s a , farão o que entenderem ser m alefícios fo rem feitos.
justiça. E as testem unhas, que p er cada
M. - l i v . 1 1 .9 § 11.
hum dos ditos acordos á Corte vie re m ,
serão pagas das desposas da Relação. E 7. E cada h u m dos ditos O uvidores des­
m andando-as v ir de o u tra m an eira, o R e ­ pacharão em sua mesa apartada, e não des­
gedor as m andará pagar pelo m antim ento pacharão huns com o u tro s , para o que
dos D esem bargadores, que as m andarem pedirão Desembargadores ao R egedor.
v ir . E o que d ito he no m andar v ir as L . de 16 do S e te m b ro de 1586 § 3.
testemunhas, h averá lu g a r nos Corregedo­
res da Corto em todos os outros Desem­
bargadores. E quando assim v ie re m as (1) Vide o nrt. 10 da Segunda Concordata do Rey
testemunhas e in q u iriç õ e s , e p e r ellas se D. Diniz, a pag. 81 da nossa Compilação do Direito
p ro v a r algum a cousa do f e ito , verão se Ecclesiastico,
etc.
j(2) Vide Ord. deste liv . t. 12 p r., e t. S8 § .1-
tem contraditas, e se procedem , ou não, ou (3) Achando o Ouvidor nos autos, que subissem por
se stão provadas. E o que acharem , co­ appellação, prova contra algum Réo, podia com seus
tarão n a m argem , e de fó ra em hum a fo lh a Adjuntos pronuncia-lo. —Ass. do I o dc Agosto de 168*.
TITULO X II 3!)

8. E os ditos O uvidores saberão, se oslh e dêm em ro l os que te m , e que se


S crivães, que ante elles screvem, guardam tratam ante os Juizes de nossos feitos
as Ordenações e Regim entos de seus Of­ sobre Jurisdições, Reguengos, Jugadas e
ficios ; e se dão liv ra m e n to e despacho outros D ireitos nossos. E saberá em que
ás partes sem delonga, ou se lhos re ta r­ tem po foram começados, e o por que se
d am , ou lhes dão más respostas, ou levam não dá nelles despacho, e o d irá a Nós,
m ais do que devem levar. E achando al­ ou ao R egedor, para se dar ordem , como
guns culp ado s, procederão contra elles, em breve sejam desembargados. E as in ­
ou o digam ao R egedor, para em Relação quirições, que p o r nossa parte h o u ve r de
lhes ser dada a p e n a , que m erecerem . d ar, as fará tira r com d iiig encia; para o
que saberá dos Desembargadores do Faço,
M .- liv . l t . 9 § 1 2 .
Vedores da F a z e n d a , Juizes, Contadores
e A lm o xarifes a m elhor inform ação que
T IT U L O X I I
pod ér, para form ar os artigos. E assi sa­
berá p er elles, ou p o r onde m elh or podér,
Do Procurador dos feitos da Corôa (1). os nomes das testemunhas para p ro va de
nossos D ire ito s , e assi para as contradi­
A o P ro c u ra d o r dos nossos feitos da Co­ tas, ou reprovas às provas (1), dadas con­
ro a perten ce com grande d ilig encia e m uito tra Nós.
a m iude re q u e re r aos Desembargadores do
M . - liv . 1 1. l i pr,
P a ç o , V ed ores da F aze n d a , Contadores,
J u iz e s , A lm o x a rife s e quaesquer outros 1. E mandamos que o nosso Procurador
O íficiaes, que lh e dêm as inform ações, não responda a citação algum a, que lho
que h ou verem de nossos D ire ito s , nos fe i­ em nosso nome seja fe ita , para começar
tos, que se tratarem perante os Juízes dos novam ente feito contra else; nem eile
nossos feito s da C o ro a , ou que se hou­ mande citar em nosso nome pessoa al­
verem de ordenar p e r razão de nossas j u ­ guma, nem se opponha, nem assista a feito
risdições, bens e D ire ito s , segundo in fo r­ a lg u m , sem nosso special mandado (2).
m ação , que lhe fo r dada (2). E razoará E quando souber que algum feito se trata,
o uT os feitos, como entender que cum pre ou lhe parecer que deve citar alguém por
a nosso serviço, assi perante o d ito Juiz, cousa, que a. Nós pertença, nol-o fará sa­
como p erante "outros quaesquer Juízes, que b e r , para mandarmos o que houvermos
delles houverem de conhecer. E reque­ p or nosso serviço. Porém nos feitos, em
re rá aos Scrivães de nossos fe ito s , que que lhe for mandado p er desembargo da
R ela ç ão , que haja vista d elle s , poderá
pro cu rar, oppor-se, ou assistir, como lhe
(1) Esto cargo anda aunexo ao de Procurador da parecer, que conformo a d ireito deve fa­
Fazenda Nacional desde a creação da Casa da Suppli- zer, e mais c u m p rir a nosso serviço, sem
r.ação do Rio de Janeiro, como se vè do § 4 do Ai. de
para isso ser necessário outro nosso spe­
10*de Maio de 1808, e já se acliava na antiga Delação
da mesma cidade. cial mandado. E postoque nos tacs feitos
Depois da Independendo do Im pério accrescenton- assista, ou razoe, não serão as partes es­
se-lhcs o da Procuradoria da Soberania, que outr’ora
cusas do serem condenadas nas custas (3),
estava englobada na da Corôa.
Hoje cada Relação tem o sen Procurador da Coroa, se o m erecerem . E não levará salario das
Soberania c Fazenda Nacional, que não he contado no partes, a que assistir, ou p o r cuja parte
numero dos doze Desembargadores necessários. — D.
de 23 de Junho de i 834 art. 1.» razoar.
Os primeiros documentos ofíiciaes que derão no Pro­ M .- liv . l t . 11SS 1 e 2.
curador da Coreia o titulo de Procurador da Soberania S. —p. 11. 9 1. 1 c 3.
Nacional forão os DD. de 5 de Junho de 1823 e 21 de
Fevereiro de 1824, o que foi confirmado pelo art. 4S 2. E nos feitos, em quo fo r a u tor, rec,
da Constituição do Império. oppoentc, ou assistente, será presente ao
Por DD. de 21 de Maio e 28 de Novembro de 1614 dar das vozes c desembargar delles. E
podião os Procuradores da Corôa mandar escrever por
outra pessoa as respostas que dessem, não se devendo bem assi será presente ao despacno das
entregar ás partes os papeis que lhes fossem remetUdos suspeicòes, que pelas partes, ou pelo dito
nara responderem ou interporem parecer. nosso P rocurador forem postas a quaes-
1 Por D. n. SM— do 18 de Julho de 184! foi-lhes con­
cedido o tratamento i t — BunUemia. F, o utr’ora so quer Desembargadores, que forem Juizes,
algum advogado ou parte não lhes dósse o titulo de e conhecerem dos ditos feitos e causas,
— Senhor— nos autos, incorria em pena _ em que cllc seja parte, assistente, ou op-
As aUribuições destes funreionnrios alargaruo-se
■consideravelmente denois da Independência. Por muito p o e n te ; e não sendo presente aos dosem-
tempo o da Delação ‘da Cúrte administrava, com seus
pareceres, o Império.
Consulle-se sobre este cargo : Cabedo, p. 2 Dec. 119 ,
Costa, de Slylis, ann. I I ; Pegas. Commenla.no o esta
(1) A edição Yicentina diz— ou reprovas
Ord. t. 8 ; e sobretudo Maya, Apontamentos de Let/ista- A l. .Ir 7 (lo Agosto do 1599 o Proeurador
pão para uso dos Procuradores da Corôa, Soberania e da Corôa sem « ta ^O rde n a ção p od r. roque-
Fazenda Nacional. ..... r n n ir i O » i n t r u s o s nos P a d r o a d o » d a Co.ua, o»
(2) Vide II. de 28 de Novembro de 16,4. huapen- qua n e n i t a v ã o BeneBeio» da m io d e esjrangcnros mqH-
dem-se, por cslylo da Casa da Supplicação e costume travão os dc homens vivos, e citavao paia Ijonui
immemorial, os termos dos autos, emquanlo o Procura­
prim eira instancia,
dor da Corôa solicita informações.— Cabedo, Vcc. 11J (3) Vide Ord. do hv. 3 t. 67 § 3.
n. 17 ; e Pegas, Com. glosa 2 n. 2. ' Ord. 15
40 PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

bargos, que nos ditos feitos e suspeiçòes competente para conhecer, se a jurisdição
forem postos, sejam nullos (1). pertence a nossas Justiças. E o mesmo
será, quando alguma pessoa se aggravar
L. ile 26 de N ovem bro de 1582 § 8. dos Juizes Ecclesiasticos, e fo r leigo, ou
S . - p . 1 t. 9 1. 4.
L. lie 5 cie Dezembro cie 1588. a causa de tal qualidade, que pertença ás
nossas Justiças o conhecimento delia, pos­
3 . E podcr-se-há oppor e assistir em toque as partes sejam pessoas Ecclesiasti-
quaesqucr feitos e causas, que se tratarem cas, porque cm taes temos a nossa ju ­
na Casa da Supplicação per razão de al­ risdição fundada em D ireito. E por assi
guns Juizes Ecclesiasticos, ou Apostolicos ser, pôde o Juiz dos nossos feitos mandar
quererem im pedir com excomrnunhões e n o tilica r aos Juizes Ecclesiasticos, que res­
censuras o effeito e execução de nossos pondam (1) a razão, que tem para tomar
mandados, e sentenças dadas em nossas conhecimento dos taes casos, por assi ser
,Relações. E requererá sobre isso todo o confórme a D ireito, e sempre se praticar
que cum prir. E assi sobre se haverem de e usar nestes Reinos.
guardar c dar á execução as nossas Or­
denações, que faliam nos que impetram M.— liv . 1 1 .11 § 4.
P. ile 18 de Março de 1578 § 11.
em ítoma Benefícios de nossos Vassal-
los (2) e naturaes destes Reinos, e aceitam 6. E quando os Juizes Ecclesiasticos
procurações e requerem contra dies. O não quizerem desistir de tomarem nossa
que poderá fazer, postoque as partes ve­ jurisdição, os Juizes de nossos feitos darão
xadas contra a fôrma das ditas Ordenações Cartas áquelles, contra quem os ditos J u i­
não requeiram, ou não possam ácerca disso zes Ecclesiasticos procederem, nas quaes
requerer sua justiça. lhes encornmcndarão (2), que não procedam
contra d ie s , e nellas declararão, que a
S.— p. 1 t. 9 1. 2.
jurisdição pertence a Nós. E mandarão
4.E dará ordem, com que se façam as ás nossas Justiças, que não guardem seus
diligencias, que so mandarem fazer, e in ­ mandados, como de Juizes incompetentes,
quirições, que se houverem de tira r per e que não os e vite m , nein prendam per
Cartas (.']) dos Juizes dos nossos feitos, como suas censuras, nem levem dellcs penas de
nellas for conteúdo. excominungados, nem guardem, nem exe­
5 . Informar-se-há se se tratam alguns cutem suas sentenças. E quando os Pre­
feitos perante os Prelados, ou seus Vigá­ lados, ou Juizes Ecclesiasticos, som em­
rios, ou outros Juizes Ecclesiasticos,_que bargo das ditas Cartas, não quizerem deixar
sejam contra nossos Direitos c jurisdição, de proceder contra os leigos, ou não de­
para os defender por nossa parte, assi por sistirem dos procedimentos, que tiverem
nossas Ordenações e artigos acordados (4) feitos contra elles: Nós, como Rei e Se­
e approvados pelos Reis, que ante Nós fo­ nh or, os chamaremos (3) per Cartas per Nós
ra m , como per Direito commum e per assinadas, stando elles fóra da Corte, e
qualquer outro modo ju ríd ico . E se v ir donde stà o Desembargo do Paço; o stando
que usurpam nossa ju risdição , ou algum onde a Corto s tiv e r, per recado nosso,
Direito nosso, poderá requerer sobre isso para nos darem razão de como tomam
ao Juiz dos nossos feitos, o qual he Juiz nossa jurisdição, e para sobre isso serem
ouvidos perante os nossos Desembargado­
res do Paço com o Juiz e Procurador dos
(1) Na edição Vicentina de 1747 ha ainda o seguinte nossos feitos (4), os quaes fallarão c dispu­
additamento de conformidade com a la edição das Or­
denações, mas que Cabedo nos suas Erratas entendeu
tarão sobre o caso; e não querendo o
dever supprimir, declarando que esse additamento fôra Juiz Ecclesiastico reconhecer, que a tal
escripto por inadvertência, visto como fazia parle do p r i­ .jurisdição pertence a Nós, se guardará o
meiro Regimento da Casa do Porto, revogado por «ma
Provisão de 24 dc Outubro de 1598- E neste sentido,
diz o mesmo Cabedo, já se havia emendado no t. 9 § 16
e t. 40 deste livro , dando-se antinomia com essas O r­ (1) Vide DD. de 16 de Dezembro de 1675 e de 7 de
denações, se o resto deste paragrapho não fosse sup- Maio de 1699, e Ass. de 30 de Março de 1694.
prim ido. (2) Vide a riota precedente, e O liva — de foro Ec-
Eis o additamento: clcsicBp. 1 q. 24.
« E o mesmo será nos feitos, que vierem por ag- (3) Vide nota (4) á Ord. do § 12 do t. 9 deste liv ro ,
gravo do Juizo da Coroa da Casa do Porto ao Juízo e bem assim os atts. 48 e 83 da segunda Concordata
dos Aggravos da Casa da Supplicação. E razoará em do Rey D. João I , e arts. 10, 11 e 12 da de D. Sebas­
os ditos feitos, mandando-se-lhe dar vista por desem­ tião a pag. í 48, 164 e 210 da nossa Compilação do
bargo da Relação. E posto que ellc razôe nos tacs DireitoCivil Ecclesiastico.
feitos se despacharáõ no Juizo dos Aggravos. » Consulte-se também Borges Carneiro — Direito Civil
Não ha lei autorísando esta suppressão nas edições tomo 1 pag. 263.
de 1824 e de 1850. (4) V id e L . de 22 de Setembro de 1828 a rt. 2 § 6,
(2) Vide A l. de 17 de Novembro de 1617. Os Procu­ A v. de 24 de Outubro de 1833, DD. de 2 de Janeiro
radores da Corôa podião requerer contra os im petran­ de 1838 a rt. 12, e n . 1911— de 28 de Março de 1857
tes de Benefícios dos Ordinários, sendo da apresenta­ a rt. 10. i
ção dos Priores. Pelo a rt. 3 deste Decreto só o Conselho de Estado
(3) Vide Ord. deste liv . t. 9 § 18, t. 13 § 5 e t. 24 he competente para conhecer dos Recursos á Coroa.
§ 29, e liv. 2 t. 53 § 10. Consulte-se sobretudo Maya — Apontamentos de Le­
(4) Refere-sc ás Concordias Concordatas
ou com os gislaçãopara uso dos Procuradores da CorôaeFazenda
Prelados de Portugal. Nacional p. 1 §§ 2, 3 e 4.
TITULO X III 41

que pelos ditos Desembargadores do Paço são; e fazendo-se as ditas Provisões cm


em nosso nome fo r determinado. outra maneira, mandamos, que se não
cumpram, nem se faça per ellas obra
M . - liv . 1 1. 11 § i.
P. de 18 de Março de 1578 § 11. alguma.
S . - p . 5 t . 1 1 .1 § 9-
7. E quando as Justiças Ecclesiasticas
procederem per suas censuras contra os 2 . Item, mandamos ao dito nosso Pro­
nossos Desembargadores e Justiças, por curador, que em nenhum feito venha com
tirarem , ou mandarem tira r algum preso lib e llo , ou contrariedade, sem prim eiro
da Igreja (1), ao Procurador dos nossos feitos dar disso conta no Tribunal do Conselho
da Coroa pertence procurar e defender a da Fazenda, para ahi fazerem tomar em
nossa jurisdição na fórm a acima dita. lembrança as clitas causas em bum liv ro ,
que nelíe para isso haverá, onde se lhe
M . - liv . 1 1. 12 § 1.
dará a informação, que for necossaria. E
terá cuidado dé ir no princip io de cada
T IT U L O X I I I mez ao Conselho da Fazenda dar conta
dos term os, em que stão os fe ito s, em
D o P r o c u r a d o r dos F e ilo s d a F a z e n d a (2). que elle for pa rte , e da diligencia, que
se nelle faz, e dar informação do que nelles
O Procurador dos feitos da nossa Fa­se mais deve fazer, e pedir a que for
zenda irá todos os dias á Relação, para necessária para se prover, como parecer
ser presente ao despacho dos feitos delia, nosso serviço. ■
que a Nós pertence. E para o melhor S . - p . 5 t. 11. 1 § 9.
poder fazer, o escusamos de continuar
com o Tribunal do Conselho da Fazenda, 3. E mandamos, que tanto que o nosso
salvo quando della for mandado chamar Procurador se oppozer, ou assistir, por o
para o dito Conselho, ou no princip io de que toca a nossa Fazenda, em quaesquer
cada mez, como adiante diremos. feito s, que penderem em qualquer outro
Juizo, logo sejam remettidos ao Juizo dos
S . - p . 5 t. 1 1. 1 § !).
Ref. ile 27 de J u lh o de 1582 § 8. ditos feitos da Fazenda, em quaesquer ter­
mos que stiverem (t), sem mais Juiz algum
1. Ite m , não poderá citar pessoa al­ tomar dellcs conhecimento, assi em todos
guma, nem ser citado para nenhuma causa os J u íz o s de nossa Corte e Casa da Sup-
ou demanda, nem se poderá oppor, nem as­ plicação, como em outros quaesquer de
sistir a cila, senão per nossas Provisoes (11). nossos Reinos c Senhorios.
E o despacho das petições, que as partes
S . - p . 5 1 .11. i § I I .
fizerem, per que peçam licença para po­
derem citar o dito Procurador, on para 4. Item, será presente ao despacho dos
se o p p o r, ou assistir a algumas causas, aggravos dos feilos eiveis, que a Nós to­
pertence ao T ribunal do Conselho da Fa­ carem (2), que forem dante o Juiz da índia
zenda sómente; no q u a l, prim eiro que e M ina á Casa da Supplicação aos Des­
dôm a tal licença, examinarão bem as embargadores dos Aggravos della, a quem
causas, e se verá, se se pódc escusar fa­ pertencem. E razoará nelles, mandando-
zer-se sobre cilas demanda, e determina­ se-lhe dclles dar para isso vista per des­
rem-se per outra via. E parecendo que pacho da Relação (3): e no dito Juizo dos
se deve conceder a tal licença, se lhe Aggravos se despacharão, sem embargo
dará despacho, per o qual se fará P ro vi- *2 3 de d i e haver vista e razoar nelles. E
assi será presente ao dar das vozes nos
feitos, em que fo r parle, e nas suspeiçòes,
( j) Vide Ord. do liv . 2 t. !». da maneira que temos dito no T itulo 12:
Acerca desla disposição « cumpre notar, diz Mon­
senhor Gordo, que, pelo lugar do Codigo Manuelino Do P r o c u r a d o r d a C o ro a .
apontado como fonte, pertencia ao Promotor da Jus­
tiça defender a jurisdicção Real perante o Regedor e S.— p. 1 t. 9 1. 4.
Desembargadores da Suppltcação por esta nomeados, A i. (le 28 do .N ovem bro (te 1578.
quando as Justiças Ecclesiasticas procedião por suas
censuras contra os Ministros Reaes, por mandarem 5 . E hem assi, dará ordem, com que
tira r algum preso da Ig re ja . Com o conhecimento do se façam as diligencias, que sc mandarem
semelhantes causas pessoaes para os Juizes dos feitos fazer," e inquirições, que se houverem de
da Corôa pela Provisão de 1S78, passou tambem este
officio para o Procurador delia por uma razão de ana­
logia. »'
(2) Vide o qúe dissemos em nota acerca do Procu­
deSlylis
rador da Corôa no t. 12 deste liv ., e Costa — (1) 0 Ass. (le 29 ile Meio de 1151 dá a verdadeira
intelligcncin desta Ordenação, cohibindo oa abusos ijoe
ann. 12.
Pelo D. de 7 de A b ril de 1728 tambem os Procura­ se praticarão no avocatncnlo dos 1eitos em (]ue inte­
dores da Fazenda erão incompatíveis com os cargos de ressava a Fazenda.
( 2 ) Vide nota (1) ao § 1 desta Ordenação.
Conservadores de Nações estrangeiras.
(3) Pelo D. de 7 de Maio de 1078 tinha o Procura­ (S) O Ass. do UI de Dezembro de i t»65 impnnlm ao
1'rocurador da Fazenda u obrigação de responder cin
dor da Fazenda, assim como o da Corôa, jus á ser
todos os feitos em que. os Desembargadores dos A g­
ouvido no Juizo das Capcllas da mesma Corôa sobre
gravos Ibe mamiavão dar vista por accórdão.
os feitos delias.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
42

tira r per Cartas dos Juizes da Fazenda, outro Julgador as não passará, postoque
como nellas fo r conteúdo. sejam os Corregedores do Crime da Corte (1).
As quaes Cartas de seguro irão dirigidas
6. Item , o Procurador da nossa Fazenda
para os Juizes dos lugares, onde se disser
não levará salario algum á custa das partes, serem os ditos erros commettidos, para
a que assistir, ou ajudar, po r conservação
perante elles se liv ra re m ; os quaes darão
de nosso direito, ou por quem razoar per appellação e aggravo para o dito Juiz da
despacho da Relação. Chancellaria nos casos, em que se deve
S . - p . 1 1 . 91. 3. da r: e nos casos commettidos dentro das
cinco legoas passará as Cartas dirigidas
TIT U LO X IV para si mesmo, para perante elle se l i ­
vrarem. E per este modo poderá conhe­
Do Juiz da Chancellaria da Casa cer per auçào nova dos sobreditos casos
na cidade de Lisboa, onde a Casa da Sup­
da Supplicação (1). plicação stá, e cinco legoas ao red or; e
fóra "das cinco legoas conhecerá per ap­
A o Desembargador, que servir de Juiz pellação e aggravo nos casos commettidos
da Chancellaria, pertence passar as Carlas no districto da Casa da Supplicação. E
das execuções das dizimas das sentenças (2), todos os feitos e instrum entos, assi de
que se derem na Casa da Supplicação. E auçào nova, como de appellação e aggravo,
conhecerá dos feito s, que sobre cilas se despachará em Relação: e isto, postoque
ordenarem, e os desembargará em Re­ os taes feitos sejam de Moedeiros, ou de
lação. pessoas, que tenham privilegio de Moe­
S .-p. it.3 1.1Sl- deiros, por ser o Juízo da Chancellaria
lim itado, e nenhum outro Julgador poder
1. Item , dará Cartas de seguro aos Ta- conhecer de erros de Scrivães, senão elle,
belliães e Scrivães, e aos outros Officiaes, nem o p rivile g io dos Moedeiros se esten­
de cujos Officios temos ordenado, que^ os
der aos taes Officiaes.
Desembargadores do Paço passem as Car­
tas, quando as ditas pessoas as quizerem S . - p . 1 1 .31. I S 2, e I. 4, c p. 3 t. 3 1.2.
tomar, de erros, ou falsidades, que se diga 2 . E conhecerá dos aggravos, que vie­
terem commettido em seus Officios, ou nos rem dos Contadores das custas e dos
casos, que aos ditos Officios tocarem, e salarios dos Procuradores, Scrivães, Ta-
belliâcs, Porteiros e Enquercdores. E
quando os Procuradores, Scrivães, e En­
(1) Este cargo foi supprimido por virtude do art. IB quercdores da Casa da Supplicação quize­
da Disposição Provisória, e art. i do Reg. de 3 de Ja­
rem demandar por seus salarios algumas
neiro dc 1833. _ , _
As funcções deste Juiz nas antigas Relações da 13a- partes de fóra da Corte, o Juiz da Chan­
hia, Rio de Janeiro e Maranhão erão desempenhadas cellaria as poderá mandar citar, po r quanto
pelos respectivos Chancellercs.— Reg. de 12 de Setem­
bro de 11352 § 23 e seguintes, de 13 de Outubro de
as ditas pessoas podem trazer seus con­
1751 a rt. 38, e de 13 de Maio de 1812 t. 3. tendores á Corte sobre os ditos salarios
Vide Cartas d’ El-Rey — de 20 de Setembro de 1624, e scripturas.
e 22 do mesmo mcz de 1G28, e A l. de 2 de Junho de
Í625. Por este A l. cessou em Portugal a existência de S. — p. lt . 3 1 . 1 § § 3 e 10.
um Juiz dos peccados públicos, cujas funcçõcs des­
empenhava o Juiz da Chancellaria. 3 . Item , conhecerá de todas as suspei-
Consulte-se Costa, de Stylis aim. 13; Cabedo, p. 1 cõcs, que forem postas aos Corregedores,
Dec. 16 e 17; e Gouvéa Pinto, Manual de Appcllaçõcs
Ouvidores, Juizes, Justiças e Officiaes da
p. 4 cap. 20.
(2) Vide Ais. de 13 de Novembro de 1626 e de 23 de cidade de Lisboa, e ao Juiz dos Alemães:
Fevereiro de 164-4. as quaes despachará em Relação corn os
A dizima da Chancellaria era um imposto lançado
aos litigantes, e cobrado pelo Fisco contra os que fa-
Desembargadores, que o Regedor para isso
zião má demanda. lie invenção romana, admittida lhe ordenar. E sendo o dito Juiz da
por nossa Legislação desde longa data. Consistia na Chancellaria suspeito ao Official, a que se
decima parte do valor da cousa demandada e custa?,
mas hoje está reduzida a 2 o/0 do valor demandado, intenta a suspeição, se guardará o que fica
em virtude da L. n. 99 — de 31 de Outubro de 1835 dito no T itu lo 4 : Do Chancellor da Casa
art. 9 § 2, e L . n. 70 — de 22 de Outubro de 1836, da Supplicação, no paragrapho 5 : E sendo
a rt. 14* § 21, que são logo pagos por quem tive r in­
teresse no adiantamento da causa, na mesma oocasião o Chancellor. Mas não conhecerá das sus-
em que se tem de pagar o sello dos autos (Reg. peicòes, postas aos Officiaes de fóra da
d . 150 — de 3 de A b ril de 1842 art. 2) se a divida não cidade de Lisboa, postoque sejam dos lu ­
exceder de 1:000,0000, averbando-se o imposto para
ser atinai pago pc:o vencido, excedendo aquella somma.
gares, que estão dentro das cinco legoas.
Vide Ord. deste liv . 1. 20 § 3, t. 31 § 2, c t. 58 § 23. Nem conhecerá das suspeiçòes dos Offi­
Consulte-se sobre esta pena e imposto Pegas, Com. ciaes do lu ga r, cm que a Casa da Sup-
t. 3 pags. 406 c 468, onde vem compilada a respcctiva
legislação, maximc o Regimento da Dizima — de 10 de
Janeiro de 1589 ; Pereira e Souza, Diccionario Jurídico,
a rtig o — D i z i m a Pereira de líarros, Apontamentos (1) A attribuição de processar os Tabclliães e Es­
de Direito Financeiro Brasileiro pag. 237; e M . A. crivães e outros funccionarios não privilegiados per­
Galvão — Dizima da Chancellaria— Reflexões sobre a tence ao Juiz dc D ireito da Comarca. L . n. 261 — de
historia e legislação desse imposto. l 3 de Dezembro de 1841 a rt. 25 § 1.
-T^'- ■ 'g-v

TITULO XV 43

plicação stiver, quando po r algum caso se Contadores c Alm oxarifes, e outros Offi­
mudar da dita cidade ; porque entào co­ ciaes da dita Fazenda, não tomará delias
nhecerão as Justiças ordinárias, conforme conhecimento, por quanto pertencem aos
a nossas Ordenaçòes. Juizes da Fazenda.
S.— p. i t. 2 1. 3, e t. 3 1. 3. Ass. de 31 de Agosto dc 1584.
Ass. dc 10 de Julho de 1561.
Ass. de 17 de Julho de 1571.
T IT U L O X V
4. Ite m , quando algum Contador das
custas fo r suspeito, ou por algum impe­ Do Promotor da Justiça da Casa
dimento não podêr fazer a conta, ou de­ da Supplicação (1).
pois de fe ita , as partes allegarem erros
sobre ella, commetterá a tal conta a huma
Ao Desembargador da Casa da Suppli­
pessoa, que bem e sem suspeita a possa
cação, que servir de Promotor da Justiça,
fazer. E no que tocar aos erros da dita
pertence requerer todas as cousas ^ que
conta, elle conhecerá delles, e determinará
tocam á Justiça (2), com cuidado e diligen­
per si só o que lhe bem parecer, postoque
cia, em tal maneira que por sua culpa e
seja entre pessoas dos Mestrados (1). E o
negligencia não pereça. E a seu Olficio
Chaneeller dos Mestrados se não entre-
pertence form ar libellos contra os seguros,
metterá nos ditos casos de erros de cus­
ou presos, que por parte da Justiça hão
tas, quando as sentenças forem dadas per
de ser accusados na Casa da Supplicação
outros Julgadores, c não pelo mesmo Clian-
per acordo da Relação (3). E levará de cada
celler. E do que o dito Juiz da Chan-
fibello cem ré is ; c onde houver querela
cellaria determinar per si só, assi neste
perfeita, ou ,quando o seguro confessar o
caso, como nos outros todos, em que lhe
malefício na Carta de seguro, em cada hum
não he ordenado, que despache em ltela-
dos ditos casos o faça per mandado dos
ção, poderão as partes aggravar (2) per pe­
Corregedores da Corte dos feitos crimes,
tição para a ltolaçào, sem por isso paga­ ou de qualquer outro Desembargador, que
rem dinheiro do ággravo (3). do feito conhecer. O qual libello fará no
S. - p . 1 1. 31.1 §7, e 1.2. caso da querela o mais breve que podér,
conforme a ella. Porém nos casos, onde
5. E não conhecerá de culpas e errosnão houver querela, nem confissão da
de Scrivães (4) e Officiaes culpados em autos parte, porá sua tenção na devassa, pare­
de residência, por quanto o despacho dos cendo-lhe, que per ella se não deve pro­
ditos autos, que vem per residência, per­ ceder, para com elle dito Promotor se ver
tence aos Desembargadores, a quem o Nós em Relação, se deve ser accusado, preso,
commettermos, e não ao ju iz da Chan- ou absoluto. E assi fará nos ditos feitos
cellaria. quaesquer outros artigos e diligencias, que
s.-p. it.3 1.1 §6. forem necessárias por bem da Justiça. Po­
rém não razoará os ditos feitos em final,
c. E em todo o caso, que a seu Officio salvo em algum feito de importância, sen­
pertencer (5), poderá mandar citar fóra da do-lhe mandado per acordo da Relação.
cidade de Lisboa, onde a Casa da S uppli-
caçâo stã, e cinco legoas ao redor. E assi M .-liv. i t . 12 pr. e§3. (I)*3
poderá dar licença á parte, ou a qualquer
pessoa em seu nome, para poder citar
dentro da cidade perante huma testemu­ ( I) O cargo de Promotor da Justiça da antiga Gasa
nha ao menos, parecendo-lhe ser neces­ da Supplicação anda hoje annexo ao de Procurador da
Corôa, cm vista do Reg. de 3 de Janeiro de 1833
sário ; e a tal citação será valiosa. arts. I, 16, 18 e 20, fado que aliás já se tinha dado
na antiga Relação do Rio de Janeiro.
S . - p . 1 t. 3 1.1 § s 8 e E>. Além das a ttr ib u te s consignadas nesta Ord. e re­
produzidas no D. de 13 de Maio de 1809, compete ao
7. E assi tomará conhecimento das ap- mesmo Promotor as que constão do art. 25 da D- de
pellaçòes, que vierem á Casa da Supplica- 18 de Setembro de 1828, art. 20 do D. de 30 de De­
zembro de 1830, e art. 37 do Codigo Criminal, que
câo sobre erros de Scrivães da Fazenda forSo colleccionadas por May a—Apontamentos,
etc.,
ãc todo o R e in o , vindo as taes appolla-
ções dante os Corregedores, Ouvidores e P’ OunnU> á Legislação antiga «ubsequente á esta Ord.,
e concernente a este cargo, vide A l. de 31 de Março
Juizes O rd in á rio s: mas vindo dante os de 1742 8 o, o D. do I o de Março de 1758.
Consulte-se auida o D. de 5 do Maio de 1814, A l.
de 4 de Junho dc 1823, D. de 5 de Junho do mesmo
anno, e Avs. do I» de Agosto e 6 de Dezembro
(t) R efirc-se aos Mestrados da3 Ordens do Christo,
Santiago e Aviz. . y jílç — Costa,deStylis, ann. 14, e Pegai — Com. t. 3
(2) Vide Ass. do 23 de Fevereiro de 103».
(3) Vide Ord. do liv. 3 t. 84 § 1, c Pegas Com.
t. 3
rtan- 411 e t. 14 additiones pag. 15.
r ( 2 ) Vide Carta d E l - R e y - l e 27 de Julho de 162,,
pag. 410. e t. 14 pag. 15. encarregando o Promotor da Justiça de denunciar dos
Vh) Os DD. de 24 de Julho de 1114 e de o0 de naturaes do Reino de Portugal que commetlessem c ri­
Agosto dc 1134 mandavão devassar duas vezes no
mes no Brasil. .
anno dos Escrivães, Alcaides, Meirinhos, etc. (3 ) Vide Am. de 12 do Fevereiro de 1604.
(5) A edição Vicentina diz— pertence. O r d . 16
(4 PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES

1. Item , será obrigado ve r todas as in ­ Justiça , salvo nas Casas da Supplieaçâo


quirições devassas, que vierem á Corte e do” P o rto , e assi nas Correições em cada
aos Scrivães do Crime d e lla , os quaes h u m a haverá h u m P ro m o to r dado p e r N ó s,
serão obrigados a lhas entregar do dia, que P o rq u e nas outras cidad es, v illa s e luga­
as receberem, a oito dias, sob pena de res o T a b e lliã o , ou S c riv â o , que fo r do
privação de seus Officios. E tanto que o fe ito , fará o lib e llo , e dará as testem unhas,
d ito Prom otor v ir qualquer das ditas in ­ como se contém n o q u in to L iv r o , n o T i­
quirições, tirará a ro l todas as pessoas, tu lo 1 2 4 : Dii ordem do Jwizo nos feilos
que per ellas achar culpadas; o qual ro l crimes. E esta mesm a o rd em de d a r as
mostrará a hum dos Corregedores da Corte, testem unhas terão os ditos P rom oto res.
e lhe requererá, que os mande prender, E do que o T a b e lliã o o u S crivâo fize r
e que proceda contra elles. como P ro m o to r, não lh e será contado sa-
la rio de P ro m o to ria , sóm ente lh e contarão
M . - liv . i t . 12§2. às regras, como o u tra serip tu ra do fe ito ,
2. Ite m , o dito Prom otor entregará as que como T ab e lliã o screve.
Cartas, que saírem dos feitos da justiça, M . - liv . l t . 12 §7.
e assi as dos presos pobres e desampara­
dos, e todas as outras, que a bem da Jus­
T IT U L O X V I
tiça pertençam, aos Caminheiros da dita
Casa, que ás levem aos lugares, para onde
forem dirigidas, e tragam logo certidão da
Do Juiz dos feilos da Misericórdia e Hos­
obra e diligencia, que per ellas fizerem.
p ita l de Todos os Santos da cidade de
E o Sollicitador da Justiça porá em lem­ Lisboa (1).
brança perante o Prom otor o dia, em que
as ditas Cartas foram dadas aos Caminhei­ A o Desem bargador da Casa da S u p p li-
ros, e o tempo, em que com as respostas cação, que fo r Ju iz dos feitos da M ise­
delias tornaram, para se ver se pozeram ric ó rd ia e H o s p ita l da cidade de Lisb oa,
nisso a diligencia que deviam. E os que pertence conhecer dos feito s, que se trata­
forem negligentes, a.pontal-os-ha o dito Sol­ re m entre partes sobre as cousas ( 2) da d ita
M is e ric ó rd ia , e sobre os bens e p ro p rie ­
licita d o r, e dil-o-ha ao Regedor, o qual lhes
descontará de seus mantimentos aquillo, dades do d ito H o s p ita l, e dos que a M i­
que por suas negligencias não mereceram. sericórdia e H o s p ita l m overem contra al­
gumas partes, ou as partes contra as ditas
M . - liv . 1 1 .12 § 4. Casas sobre bens, propriedades e cousas
s. Terá assi mesmo (1) cuidado de ver nas d e lia s , e os processará p o r si s ó , e as
respostas, que os Caminheiros trouxerem, in te rlo c u to ria s , de que p e r bem das O r­
se os Corregedores, Juizes, ou quaesquer denações se pôde aggravar p er p etição,
outras pessoas, a que as Cartas iam d i­ ou píer in s tru m e n to de aggravo, e assi as
rigidas, foram negligentes em cum prir o sentenças finaes despachará em R elação
que lhes per ellas era mandado, e reque­ com os Desem bargadores, que lh e o R e ­
rer aos Julgadores, per quem taes Cartas gedor d er. E depois de os feitos starem
passaram, que procedam contra elles. E conclusos em fin a l, o d ito Juiz p o rá sua
todavia mande cum prir todo o que das
ditas Cartas ficou p o r fazer.
(1) O Juiz dos Feitos da Misericórdia da Corte do
M . - liv . i t . 12 §5. Rio de Janeiro fo i creado por Á l. de 8 de Julho
4. Item , o Prom otor ha de dar certidões de Este 1811.
cargo foi abolido em vista do a rt. 18 da Dis­
aos Caminheiros, como tem servido como posição Provisória, e art. 1 do Reg. de 3 de Janeiro
deviam , para per ellas o Regedor lhes de 1833.
A Confraria da Misericórdia, creada á instancias da
mandar pagar os mantimentos. Rainha D. Leonor, m ulher de D. João I I , em 1492,
obteve desde o seu começo para si privilégios Pontifí­
M.—liV. 11. 12 § 6. cios e Reaes, sendo um delles o ter Juiz privativo em
5. E irá com o Sollicitador da Justiça Tribunal Superior, precedendo aos maÍ3 Juizes.
Sobre estes Juizes e privilégios daquelle Hospital,
em o prim eiro dia de cada mez às cadeas, dos quaes em parte ainda gozão os da mesma especie
e tomarão em ro l todos os presos, que no Brasil, maxime o do Rio de Janeiro, vide — A l.
de ib de Março de 1614, á que se acha annexe o do
nellas houver, para o Regedor lhes mandar Metropolitano de Lisboa — de 3 de Setembro de 1609.
dar livram ento com brevidade (2). e a Rulla Exponi nos do Papa Clemente V I I I — de 5
de Fevereiro de 1698, Ais. de 21 de Janeiro e de 22
L. de 18 de Novembro de 1577 § 52. de Outubro de 1642, e DD. de 22 de Maio de 1693 a
de 10 de Junho de 1739, e Ass. de 22 de Agosto
o. E mandamos, que em nenhuma ci­ de 1614.
dade, v illa , ou lugar haja Prom otor da Além disto consulte-se os D D. de 17 de Junho de
1632 e de 10 do mesmo mez de 1739, e Ass. de 12 de
Fevereiro de 1783.
Vide — Costa, de Stylis,ann. l b ; Pegas, Com.
t. 3
( t) Vide a nota (3) ao § 1 da O rd. deste liv . t. iO. pag. 416; e Cabedo, p. 1 Dec.
b i, e de Patronatibus
(2) Vide o § I t do Reg. da Casa da Supplicação — Degice Corona* caps. 44 e 46.
de 7 de Junho de 1605. (2) A edição Vicentina d iz— causai.
T

TITULO XVI

tenção {!), e assios mais Desembargadores, ditas Casas servirem, porque isso pertence
que pelo Regedor lhe forem dados. E ao Provedor e Irmãos.
tanto que tres. forem conformes nas ten­
ções, porão a sentença conforme a ellas, s . -p . 1 1. u 1 . 1 § 6.
e se cumprirá e dará á execução, sem mais 4. E se ao Provedor e Irmãos parecer,
appellação, nem aggravo de q"ualquer quan­ que he necessário entender algum Letrado
tia, ou valia que seja. E o dito Juiz (2) em alguma cousa, que tocar ao governo
screverâ a sentença, postoque seja ven­ e administração do Hospital e Misericór­
cido ; e quando se tirar do processo, irá dia, o dito Desembargador o fará per sua
per elle assinada. commissão, como seu Ouvidor, e despa­
S. - p . 11. U 1. 1 § 1. chará as ditas cousas com o parecer do
L . de 27 de J u lh o de 1582 § 8. Provedor e de tres Irmãos da mesa ao
menos, de maneira que sejam cinco no
1. E quanto ás outras interlocutorias e despacho; e do que pela maior parte delles
mandados, de que se não póde aggravar for determinado, não haverá appellação,
per petição, ou instrumento, as despa­ nem aggravo.
chará per si só, e as partes poderão delias
aggravar no auto do processo. E quando S . - p . 1 1. H 1.1 § 7 .
o feito stiver concluso em final, os Des­ 5. E dos feitos, que tocam ás Capellas
embargadores, antes de pôrem final sen­ da cidade de Lisboa e seu Termo, não
tença, proverão em Relação sobre os ag- tomará conhecimento, nem entenderá nas
gravos do auto do processo, que as partes contas e cousas, que ás ditas Capellas
requererem, que se despache. E depois pertençam, nem em encarregos de Mor­
de cumpridos os despachos, que se poze- gados, "porque isso pertence ao Provedor
rem sobre os ditos aggravos, despacharão das Capellas e Residuos da mesma cidade.
os ditos feitos finalmente na maneira so­
bredita. S . - p . 1 1 .141.1 § 8.

S . - p . I t . H l . 1 § 2. 6. E quando algum herdeiro de algum


defunto tangomáo (1), qne fallecesse nas
2 . E fará as demarcações e medições de partes de Guiné, demandar ao Hospital,
todos os bens e propriedades do dito Hos­ para que lhe restitua a fazenda, que do tal
pital, e das Capellas, que se a elle an- defunto ficou, e que o Hospital recadou
nexaram antigamente, por não terem por lhe pertencer, e lhe ser applicada per
Administradores, a que pertencesse a ad­ Provisões e Regimentos dos Reis nossos
ministração delias. As quaes medições e antecessores, por o tal herdeiro dizer,
demarcações fará, citadas as partes, com que não foi citado, nem requerido, ou
que os bens partirem e confrontarem, e que faltou alguma solemnidacle das que
com as mais solemnidades, que de Direito conforme a Direito se requerem antes das
se requerem. E movendo-se algumas du­ ditas fazendas serem julgadas por perdi­
vidas acerca das ditas medições e demar­ das, e se poderem entregar ao dito Hos­
cações, conhecerá delias, e as determinará pital, a que são applicadas: o dito Juiz
e as despachará em Relação pela maneira procedei! ordinariamente, ouvindo ácerea
acima declarada sem appellação, nem ag­ disso o Procurador do Hospital, até no
gravo, para, depois de acabadas, se lan­ caso tomar final determinação, a qual não
çarem no livro do Tombo dos bens e publicará, sem primeiro nos dar do caso
propriedades do Hospital, que para isso e delia conta. E fazendo-o em outra ma­
ha, com o traslado (los titulos das ditas neira, as sentenças, em que se não fizer
propriedades. menção, como delias nos foi dado conta,
S . - p . 1 t. U 1. 1 § 4 .
se não darão á execução.
S . - p . 1 1. u 1. 2.
3. E o dito Juiz não entenderá no go­
verno e administração da Misericórdia e 7 . E o Juiz do Hospital fará as audiên­
Hospital, nem nos” arrendamentos, nem cias ás partes no lugar, onde se fazem as
na despesa e receita das esmolas, rendas da Casa da Supplicação, dous dias em cada
e foros, que tiverem, nem nas pagas e semana, ás horas, que o Regedor ordenar.
satisfações dos Officiaes e pessoas, que as s. -p . 1 1. 141. 1 §3.

(1)Tangomáo, segundo Moraes, .he o que na Costa


(1)Tenção era o parecer ou voto do Juiz de Tribunal d' A frica vai ao sertão resgatar e comprar escravos.
Superior, que seannexava aos autos, de ordinário es- Lento Pereira diz ser o fugitivo da p a tria , e que
cripto em latim . Forão abolidas no Ilegul. de 3 de deste modo he que se deve entender esta Ord.
Janeiro de 1833, como se deprchende dos arts. 29, Na P. de 13 de Julho de 1363, fonte desta Ord.,
30 e 92. codificada por Duarte Nunes de Leão, deprehende-se
Vide o t. 6 deste liv . §§ 1, 16 17 o 18. que Tangomáo era o traíieante que ia á Guiné negociar
(2) Segundo Monsenhor Gordo, este versículo, que em cousas prohibida.s, muitas vezes levando para o
comprehende lodo o resto do paragrapho, foi formado sertão fazendas alheias, de que nunca^ dava conta, e
por analogia do Codigo Manuelino liv. 1 t. 1 § 23. d’alii resultava a pena cm que incorria seu espolio.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
46
mantimentos, e que se obriguem a servir
T IT U L O X V I I
com as mais azemalas e melhores, que
poderem. E lhes dará Cartas de seus pri­
Do Meirinho Mór (1). vilégios, per elle assinadas, as quaes pas­
sarão em nosso nome, e irão á emmenta (1),
O Meirinho Mór devo ser homem muitoos quaes privilégios farã inteiramente guar­
principal e de nobre sangue, que as cou­ dar ; e aos ditos Regatães se não guar­
sas de muita importância, quando lhe por darão os ditos privilégios, até terem as
Nós forem mandadas, ou per nossas Jus­ Cartas delles passadas pela nossa Chan-
tiças requeridas, possa bem fazer. cellaria: os quaes Regatães elle mandará
M . - liv . 1 1. 14 pr. assentar em hum livro, que para isso terá,
para saber quantos são, e para se haver
1. E a seu Officio pertence prender pes­ ae prover acerca de seus serviços, se­
soas de stado, e grandes Fidalgos e be- cundo a necessidade, que disso houver. E
nhores de terras, e taes, que as outras bem assi os constrangerá (2), que cumpram
Justiças não possam hem prender. E assi em todo o que são obrigados, assi pelas
levantar forcas, que per as taes pessoas Cartas de seus privilégios, como per este.
sejam feitas, quando per Nós lhe lor Regimento.
mandado.
M.— liv. 1 1 .15 pr.
M.—liv. 1 t. U § 1.
1. E serão obrigados os Regatães trazer
2. Item, ao Meirinho Mór pertence pôr à nossa Corte em qualquer lugar, que Nós
de sua mão hum Meirinho, que ande con- stivermos, pão, vinho, carne, pescado e
tinuadamente na Corte, o qual será Scu- todos os outros mantimentos abastada-
deiro de boa linhagem, e conhecido por mente, que necessários forem, os quaes
born, e posto per nossa auctoridade, e de não trarão de dentro de cinco legoas,
que tenhamos conhecimento, para o ap- donde stivermos: e achando-se que os trou­
provar por pertencente para servir no dito xeram de dentro de cinco legoas, manda­
Officio. mos , que sejam perdidos, ametade para
M . - liv . I t . 14§2. as despesas da almotaçaria, ou para algu­
mas obras publicas do lugar, onde nós
TITULO X V III stivermos, que a Nós hem parecer, e a
outra para o Meirinho da Corte, quando
elle accusar; c quando não accusar, nao
D o Almotacó Mór (2). leve mais que a quarta parte, e quem ac­
cusar, a outra quarta parte. E esta detesa
O Almotacó Mór ha dc andar continua- não haverá lugar, quando Nós andarmos
damente em nossa Corte; e terá cuidado caminho : porque então poderão trazer os
de buscar tantos e taes Regatães, com que ditos mantimentos a huma legoa de redor.
a Corte sempre seja abastada de todos os E outrosi não haverã lugar nos pescados,
os quacs os ditos Regatães poderão com­
prar em quaesquer portos de mar, ou rios,
(1) Segundo Pereira e Souza, no Dkáonario Ju­
rídico, M eirinlio-m ór quer dizer — homem que ja postoque Nós em elles, ou perto delles
stemos (d). E os ditos Regatães venderão os
linha maioria para fazer justiça. Havia em lo rtu g a i
Meirinhos-mores ern cidades, -villas e comarcas, o o mantimentos, que assi trouxerem d alem
Mnirinho-m ór do Reino, que he o de que trata esta Ora. do dito lim ite, por almotaçaria, que o
Este funcccionario tinha á seu cargo Meirinhos
i . e., os OfRciaes do Justiça, encarregados ae pren­ Almotacó Mór lhes porá, segundo lhe justo
der, citar, penhorar e executar mandados judiciacs. parecer. E defendemos que se não par­
Antigarnenie o M cirinho-mór era nas Comarcas o tam da Corte sem licença do Almotace
prim eiro Magistrado, que posterioimente se chamou —
Co(2)
rregA
edlm
or.olací ou Almotaccl era um antigo
. . . .
Mór, o qual lha dará, se lhe parecer ne­
runccionario cessário, deixando porém seus mancebos (á)
eleito pelas Camaras, que liuha a seu cargo cuidar na
igualdade dos pesos o medidas, taxar, e ás vezes dis­
tr ib u ir mantimentos e outros generos que se coinprao
e vendem á miude. Esta expressão vem do arnbc —
Al-mohtacel, que se deriva do verbo — haçaba—, con­
1)Ementa cu Emmenta, breve apontamento por
iripto, lembrança breve, ro l. Também significa rc-
ta r, calcular. no, summario do que contém a Lei, D ecido, 1
Este funccionario equivale ao E d il Romano.
A qui trata-se do Almolacé-mór , Official da Casa
ão, que se escreve por baixo do contexto, para o n e j
Chefe do Estado vêr, approvar, despachar ou assig-
Real, e á quem pertencia a policia e economia da r, c que vê para pôr o seu — passe. Ordinariamente
Nas antigas Relações do Rio de Janeiro, do Mara­
ama-se Ementa o resumo da le i, coinprenendenao
i a sua data e numeração. Esse resumo entre no
nhão e de Pernambuco este cargo andava annexo ao
[nbem se lança no começo da Lei, Decreto ou Aviso.
de Juiz da Coróa.— Reg. de 13 dc Outubro de 1751
§ 98, e Ais. de 13 de Alaio de 1812 l. 7 § 9 e de 6 dc
Vir à ementa, i. c., receber o passe ou ordem, ae-
Fevereiro de 1821. indo a ementa. ' „
(2) À L . de 22 de Outubro do 1604 vedava ao A i-
Tanto o cargo de Almotacfi-mór, como dos^Almota-
otacé-mór o conhecimento das culpas dos Regatoes e
cês, forão abolidos pelo a rt. 18 da Disposição Provi-
lo ria . e a rt. 1 do Reg. de 3 de Janeiro de 1833, como is mais da Almotaceria.
(3) A edição Viccnlina diz —estejamos.
pela Res. de 26 de Agosto de 1830.
Vide O rd. deste liv . t. 68.
Mancebo,
(4) i. e., o servidor por soJdada, ou cnaae.
TITULO X VIII V
e bestas, que sirvam na Corte, em quanto arado, e dahi para cima com trilhoada,
elles forem absentes. ou singel (i), faça palheiro da palha, que-
M.-rlÍV. 1 t. 15 pr. houver, de que se não ha de aproveitar.
’ S .- p . l t . 35 1. 1. E qualquer que palheiro não fizer, ç deir
xar perder a pallia, pague de pena qua­
2 . E aos Regatães e vendeiros dos lu­
trocentos réis. E isto se entenda em Termo
gares, onde formos, o Almolacé Mór fará de Lisboa, Cintra, Alemquer, Santarém,,
vender os mantimentos pelo Regimento e Torres-Novas, Coruche, Salvaterra, Bena-
stado da terra, em que estavam antes de vente, e assi em os outros lugares, a que
nossa chegada (1). E sobrevindo alguma mór for mandado dizer pelo Almotacé Mór,
carestia, fallará comnosco, para Nós pro­ que Nós havemos de ir ter o invertio.
vermos ácerca do crescimento dos preços.
M .-liv. 1 1 .15 § i. M .- liV . 1 1. 15. §4. ’

3. E o Almotacé Mór saberá de Nós os 6. O Almotacé Mór mandará pôr huma


lugares, per onde e para onde havemos balança publica com pesos à porta do
de i r , para mandar recado a cada hum açougue, onde o nosso Carniceiro cortar
delles, que façam prestes mantimentos em a carne, com a qual stará o Porteiro da,
tal maneira, que quando chegarmos, haja Almotaçaria, ou hum homem do Meirinho,
em abastança o que for necessário. E para ver se pesa bem, e como deve, á,
tanto que chegarmos ao lugar, faça ajuntar carne, que corta. E achando, que não
os Juizes, Vereadores e Procurador e Al- pesa bem, e como deve, haja as penas,
rnotacés, e saiba delles, como stá o lugar que forem postas pelo Regimento da ci­
provido de Carniceiros (2), Almocreves, dade, ou villa, onde isso for, aos que são
Padeiras, Taverneiros, e de outras cousas, comprehendidos em não pesar bem. E da
que necessárias são para mantimento de pena do dinheiro haverá ametade o que tiver
possa Corte. E proverá onde achar falta a balança, e a outra será para a piedade (2).
uo necessário, e obrigará a cada hum dos E esta mesma maneira terão com os Car­
sobreditos, que sirva com aquillo, que a niceiros das villas e lugares, onde stiver-
seu oíficio pertencer. E proverá que o mos, quando a balança do Concelho hi
nosso Carniceiro corte cada dia a carne, não stiver.
que for obrigado. M .- liV . I t . 15 §5.
M.-1ÍV. 1 t. 15 §2. 7. Quando o Almotacé Mór vir que he
4.E cm cada lugar, onde formos, haverá necessário, fará vir os mantimentos per
logo do Scrivão da Camera os nomes das seus Alvarás dos termos dos lugares, onde
vintenas (3), ou dos lugares o casas, se hi stivermos, e assi das Comarcas de redor,
vintenas não houver; e saberá parte de não passando de oito legoas. E a cada
todos os palheiros, e per seus Alvarás vintena (3) darà certidão do que trouxerem,
mandará dar palha aos da nossa Corte; feita pelo Scrivão de seu cargo. E se al­
e o seu Scrivão levará de cada Alvará guma pessoa em particular quizer certidão
quatro réis. E no dar da palha haverá do que trouxe, lna dará. E das ditas cer­
respeito á stada, que hi houvermos de tidões não levará o Scrivão cousa alguma,
star, segundo a que na Comarca houver, por quanto por esse respeito lhe foi ac-
dando a cada besta para vinte dias huma crescentado o mantimento.
rede (4), e pagar-se-ha ao dono da palha o M . - liv . l t . 15 §62.
que pelo Almotacé Mór for taxado. E o
Azemél (5), que tomar a palha sem Alvará,
ou sem a pagar, seja preso, e da cadea (1) Trilhoada ou singel, lavrar com uma junta de
pague quinhentos réis, ametade para quem bois, ou com um boi na guia e uma junta.
o accusar, e a outra para o dono da palha.
{2) Piedade, ou melhor, Arca da Piedade, era um
cofre cm que antigamente se guardavão as multas im ­
postas pelos Juizes, e se despendião em obras pias.
M .-liv. 1 t. 15 §3. Estava na Casa da Supplicação, segundo diz Pegas na
Ref. do 27 de Julho de 1582 S 32. Commentario ao § 51 do t. 58 deste l iv „ tendo as
quantias depositadas na dita arca o déstino de perem
5 . E queremos, que cada Lavrador, que applicadas ao resgate dos captivos.
lavrar com huma charrua, ou com hum Mas o Desembargador do Paço Oliveira, Juriscon­
sulto mui autorisado, e a que quasi sempre se soecorre
o Repertório das Ordenações, diz, na nota (0) do tomo
segundo pags. 82 e 83, a respeito desta arca,
o «e-
(1) As LL. do 5 do Julho do 1821 e do I» de Outu­
^ T E i n muitas Ordenações ’ ha applicações de penas
bro de 1828 art. 66 § 10 prohibirão o almotaçamento
nara captivos, e em outras para despezas da Relaçao,
de géneros ou viveres expostos á venda. e nestas não ha duvida. Ha também algumas penas,
(2 ) A edição Vieentina diz — Carreiros. que se applicão para a ArcadaPtedaie. e estas parece
(3) Vintena, i. o., são vinte vizinhos ou casaes, os que se devem entregar no Desembargo do Paço, por­
quaes tinliâo um Juiz, denominado ánvintena. que assim se acha eipressamente no § 22 (lo « p i ­
(1) Rede. Ignoramos qual a quantidade de palha cor­
mento do Presidente. » . . . .
respondente á esta medida. Os lexicographos nada Vide 5 10 infra, e as Ords. deste liv . t. 24 ; 4, t. 5*
dizem. , S 5 1 , t. 65 § 30, t. TS g 23, e t. ~9 § 20.
(5) Ascmíl, i. e., o almocreve que anda ao ganho
(3) Vide nota (1) ao § 4 desta Ord.
com azémalas: bestas dc carga.
o*», n
48 PRIMEIBO LIVRO DAS OBDENAÇOES

Ê se algum tom ar p e r força alguns còes fo re m postas aos que com pram para
m antim entos ou bestas nós lugares e Co­ revender (1). E quando o A lm otacé M ó r v ir
marcas, onde stiverm os, pagará as penas, que os dito s m an tim en to s são poucos,
que direm os no segundo L iv r o , no T i­ mande-os re p a rtir.
tu lo 5 0 : . Que os Senhores de terras, M . - l i v . 1 1 . 15 § 63.
nem oittras pessoas não tomem mantimen­
tos: a das ditas penas serão q u in hen tos 11. A o A lm o ta cé M o r pertence m andar
réis: (se a tanto chegarem as penas), ame­ nos lugares, onde a Corto s tiv e r, c u m p rir
tade pa ra as despesas da A lm o ta ça ria , e a as posturas feitas sobre ca n o s , fontes,
o u tra para o M e irin h o da Corte. E o chafarizes, poços e ste rq u e ira s : e m andar
que mais fo r de qu in h e n to s réis nas ditas p e n h o ra r os jílm o ta c é s , que achar n e g li­
penas, será applicado para as partes, ou gentes, cada h u m por, trezentos réis (2) pol­
lugares a h i d ito s. eada vez, a qual pena será ametade para
as despesas da A lm o ta ça ria , e a o u tra para
M l- liv . 1 1 .15 §62.
S. — p. 1 1. 35 1. 1. o M e irin h o . E não achando sobre isso
posturas, elle com os O fficiacs desse lugar
9. Havemos p o r hem , que todos os que
em Camera façam postura, e ponham as
de alem de cin co legoas do lu g a r, onde
penas, que lhes bem p a re ce r, as quaes
Nós stiverm o s, tro u xe re m m antim entos á
logo fará apregoar e c u m p rir.
Corte, não paguem mais que meia Sisa (1),
com tan to que não sejam moradores den­ M.— liv . 1 t. 15 § 65.
tro das ditas cin co legoas. Porém se os s.-p. 1 t. 35 1. 1.
que m orarem d e n tro das cinco legoas, fo ­ 12 . E bem assi m andará pregoar, tan to
rem pelos m antim entos além das cinco que a algum lu g a r chegarm os, que te­
legoas p e r co n stra n g im e n to , pagarão só- nham os vísin h o s as praças e ruas lim pas,
m ente a meia Sisa, com tan to que os não e que ninguém lance sugidade (3) alguma
tragam dos term os dos lugares, onde v i­ nos dito s lugares, sob a pena, que lh e bem
v e re m , postoque os term os sejam além parecer, não passando de q u in hen tos réis,
das cinco legoas. E vendel-os-hào em lu ­ e mais serem obrigados a pagar o que
gar apartado nos lu g a re s, onde bem se custar a a lim p a r a d ita sugidade.
póde fazer, em m aneira que se não m is­
turem com os da v i l l a : os quaes venderão M . - l i v . l t . 15 §66.
pelo m iu do ás pessoas, quo os houverem 13. O u tro si ao A lm otacé M ó r pertence
m is te r, e não a Regatães, nem a ontras m andar a lim p a r e refazer os cam inhos,
pessoas para re v e n d e r; e se os venderem calçadas e pontes nos lu g a re s, onde s ti­
cm grosso, paguem toda a Sisa. E isto, verm os, e de re d o r até cinco legoas, cons­
que dizemos do pagar da m eia Sisa, não trangendo para isso os Officiaes dos Con­
se entend erá , quando Nós stiverm os na
celhos.
cidade de Lisboa.
M . - l i v . 1 t. 15 § 67.
M . - liv. 1 t. 15 §§ 63 e 64.
14.
E para o A lm o ta cé M ó r c u m p rir in ­
io. E defendemos aos das v illa s e luga­
teiram ente o que pertence a seu O fficio,
res, onde stiverm os, e assi aos Regatães,
mandamos ao M e irin h o de nossa Corte, e
que não com prem para revender cousa
aos Corregedores das Comarcas, O uvidores
alguma dos d ito s m antim entos. E os que
dos M estrados, e a todos os Juizes e Jus­
o co n tra rio fiz e re m , percam o que assi
tiç a s , Alcaides e M e irin h o s das cidades,
com prarem , ametade para quem os accu-
v illa s c lugares de nossos R e in o s , que
sar, e a ou tra para a piedade (2). E isto
cum pram seus mandados acerca do que
alem das penas, que p e r nossas Ordena-
pertence a seu O ffic io , como e pela ma­
n e ira que cum prem os mandados dos Cor­
regedores da Corte. E da condenação das
(1) Esto imposto foi introduzido cm Castella pelo penas não haja delle appellaçao, nem ag-
Rey D. Sancho em 1283, segundo affirma Pereira e
Souza no D iccionario Jurídico, passando d’ahi para gravo até qu an tia de m il réis.
Portugal. He uma porcentagom que o Fisco cobra
das compras e vendas. M . - l i v . 1 1. 15 § 68.
D. All'opso l í fo i o Introductor do imposto, e D. A f-
fpnsó V o. qne regulou a cobrança por meio de um is. M andam os, que todas as penas de
llegimentò — de 27 de Setembro de 1476, que D. Se­ d in h e iro , que elle pozer nas cousas, que
bastião reforfiloii. São os celebres Artigos de Sisas, a seu O fficio pertencem , ametade seja para
em grande parte em vigor.
Foi a principio um trib uto temporário, com destino o M e irin h o de nossa Corte, e a o u tra para
ás despezas da guerra. as despesas da A lm o ta ça ria . E para isto
Sisa Sisa
A palavra ou vem do latim meidere, cortar,
separar, etc. Em outros Paizes diz-se — o imposto da
áccisa excise.
ou No Brasil só foi admittido depois do
D. de 3 de junho de 1809.
Além de Pereira e Souza— 1)LecionariaJurídico, a r- (1) Vide Orrl. do liv. 3 U. 76 e 77.
figoSisa, consulte-se Berros — Apartamentos do Di­ (2) Estas multas forão elevadas ao trip lo pelo A l.
reito Financeiro Brasileiro, pag. 207. de 10 de Setembro de 1814.
(3) Falta de limpeza, immundtcias.
(?) Vide nota (2) itò'§ 6.
TITULO X V III 49

que d ito he, lhe damos ju risd içã o e alçada 25. Ite m , valendo a noventa ré is , vem
atê a d ita quantia de m il réis. a cada pão do d ito peso a cinco réis e
m eio e um oitavo de real. _
lil.— liV. 1 t. 15 § 69.
26 . Ite m , valendo a cem ré is , vem a
S . - p . 1 t. 35 1. 1.
cada pão a seis réis c hum quarto de real.
16 . O d ito A lm otacê M ó r não pôde fazer 27 . Ite m , valendo a cento e v in te réis.,
co rre içã o das cousas (-1) sobreditas, que a vem a cada pão do d ito peso a sete réis
seu O ííicio pertencem, senão no lu ga r, onde e m e io : c este respeito se terá soldo â
Nós stiverm o s, ou nossa Corte, e até cinco liv r a (1), valendo o trig o a móres preços.
íegoas de red or.
M .- liv . 1 1. 15 §70. Padrões da Corte.
17. E terá h u m P o rte iro , para faze r as 28 . E mandamos, que todas as medidas,
cousas, que lhe m a n d a r, no que a seu pesos, varas e covados sejam tamanhos,
O ffic io p e rte n ce r, o qual haverá m a n ti­ como os da cidade de L is b o a ,.e não se­
m ento e v é s tia ria , assi como o hão os ja m m a io re s, nem m en ore s: e o A lm o -
P o rte iro s dante os Corregedores da Corte. tacé M ó r trará comsigo os Padrões de
todos os pesos e m edidas, os quaes se
M . - liv . 1 1 .15 § 71.
farão á custa de nossa C h ancellaria, e
da h i se pagará hum a besta para os le v a r;
Peso do Pão das Padeiras. e em cada hum anno duas vezes, huma
em Janeiro, e o u tra em Ju lh o , no lu ga r,
is. E mandará âs Padeiras que dêm pão onde stiverm os, fará a ffila r (2) e igualar
em abastança, segundo a ordenança, que áquolles, que p o r necessidade de seus Offi­
lh e p e r eliê será dada. E não o fazendo cios hão de ter pesos, ou medidas, per que
ellas assi, paguem as penas, em que achar com pram o vendem , assi da Corte, como
que caíram , as quaes serão para as des- do d ito lu ga r. E qu alque r que fo r com-
esas da A Ím o ta ç a ria , ou obras publicas pre lie n d id o p e r duas testemunhas, ou per
o mesmo lu ga r, ou para o M e irin h o , se sua confissão, com m edida ou peso não
p rim e iro as com prehender. E sendo achado marcado e não concertado e concordante
pelos Alm otacés do lu g a r, sejam para o com o Padrão, ou postoque seja ju sto e
C oncelho. concertado com o Padrão, se marcado não
fo r, pacue duzentos e oitenta réis, e mais
M .-liV . 1 t. 15 § 6.
S . - p . l t . 35 1. 1. seja preso e p u n id o conform e a nossas
Ordenações c D ire ito , segundo a falsidade,
19. Cada alqueire de t r ig o , depois de ou m alicia, em que fo r achado. Porém no
fe ito em pão, tem de peso os pães para caso em que fo r achado o d ito peso e medida
se venderem duzentas e sessenta onças, marcada, e não concordante com o Padrão,
que são dezaseis arrateis e quatro onças, se se m ostrar que fo i p o r culpa do A n i-
de dezaseis onças cada a rra te l; e con­ la d o r, será relevado da d ita pe na , e o
fo rm e a isto se fará avaliação e conta de A ffila d o r a pa ga rá: e levará o Alm otacê
cada pão pela m aneira seguinte (2). M ó r de affila r os pesos e medidas o que
20 . V alen do o trig o a quarenta ré is o se acostumar le va r nos lugares, onde sti­
a lq u e ire , fazendo delle dezaseis pães de vermos.
h u m a-1 atei e hum a quarta de onça cada M .- liv . i t . lá §§2i e 60.
p ã o , vem a 'c a d a pão dous réis e meio. 29 . E os C arniceiros e Pescadeiras, assi
21. Ite m , valendo a cincoenta ré is , vem da Corte, como do d ito lugar, serão o b ri­
a cada pão do d ito peso tres réis e hum gados a affila r os pesos cada dous mezes
o ita v o de real. huma vez.
22 . Ite m , valendo a sessenta ré is , vem M . - liv . 1 t. 15 §25.
a cada pão a tres réis e tres quartos de 30 . Se os pesos e medidas forem mar­
re a l. cadas com as marcas do Concelho, ou com
23 . Ite m , valendo a setenta ré is, vem a a marca, que traz o A lm otacê M ó r, e nao
cada pão do d ito peso a quatro ré is e tres
o ita vos de real.
rn Soldo á livra, proporcionadamçnte ao principal,
24. Ite m , valendo a oitenta réis, vem a ítros dizem que esta ezpressão significa pro, ™to
cada pão do d ito peso a cinco réis. Até o fim do século x iv os Portuguezes tnerap a
ieda libra, dividida em vinte soldos. .
Vide P e g as-C o m . á esta Ord., e F r . Joaquim de
nto Agostinho — Memória sobreas moedas doRemo
ConquZToo tom. 1 das Memória, ia Lmeratura
(1) A edição Viccntina diz — causas.
(21 Sobre esta Ord., e as outras que se seguem ate o '(^Ãmlar^Àpador, antiquadas: hoje diz-se Afcnr
6 21, diz Monsenhor Gordo, çue no Codigo Aferidor, i. e „ cotejar os pesos e medidas pelos pa
1
liv . I t. 15 desde o § ate o 23 se trata do mesmo
assumpto, mas sem todas aquellas mudanças quoezi- SobrepewTe0 medidas consulte-se Almeida e Souza
gia a alteração do preço, a que subira i.trig o , na
epocha em que le faria a Compilação Philippine.
AetBcs Summarias
t. 2 Diss. 13.
§& PRIMEIRO LIVRO DAS ORDEKAÇÕES

forèm justos e concertados com os Pa- o u lugares, sejam as ditas penas para os
Rrões, :sc no almude de vinho fo r achado Concelhos, e além disto as pessoas, em
erro de Canada, pague aquelle, em cujo cujo poder as ditas medidas, ou pesos
poder fo r achado, duzentos è oitenta ré is : forem achados, sejam presos e punidos
■é po r erro de meia canada, cento e qua­ per D ireito segundo a falsidade, ou ma­
renta r é is : e p o r erro de quartilho no lícia, em que forem achados.
alm ude, setenta ré is : e dahi para baixo M . - l iv . l t . 15§29.
'não pagará cousa alguma. S. —p. 1 t. 35 1. 1.
M.—liV. l t . 15 §§ 25 e 27. 35 .
O M eirinh o da Corte poderá trazer
Padrões de pesos e medidas, para ^ ver
31. E se na arroba fo r achado de erro
mais a m iude, se os Regatães da Corte
hum arratel , pague de pena duzentos e pesam e medem verdadeiramente: e achan­
Oitenta ré is : e por erro de meio arratel
do-os em erro, leve-lhes toda a pena. Po­
na arroba pague cento e quarenta ré is :
rém o Almotacé M ór proveja cada mez
o dahi para baixo, soldo à liv ra (1). os Padrões do d ito M e irin h o , e outrosi
M . - liV . l t. 15 §27. se o fez he m : e se achar que o fez como
nâo deve, applique para as obras públicas
32 . E se na vara, ou covado fo r achado
as penas de quem o malfizer, e diga-o a
erro de dous dedos, pague' aquelle, em Nós para o castigarmos como merecer.
Cujo poder fo r achada, duzentos e oitenta
r é is : e po r erro de hum dedo, cento e M . - l i v . l t . 15§81.
quarenta ré is : e p o r erro de meio dedo, S. —p. 1 1. 35 1.1.
setenta réis.
Padrões dos Concelhos (1).
M . - l iv . 1 t. 15 § 23.
36. E porque os Officiaes dos Concelhos
33.Se no marco de prata fo r achado saibam quaes e quantos padrões, medidas
erro de meia Onça, pague aquelle, em cujo e pesos são obrigados ter, e isso mesmo
poder fo r achado, quinhentos e sessenta as pessoas, que per razão de seus Officios
ré is : e po r erro de quarto de onça pague são obrigados te r pesos e medidas, o de­
duzentos e oitenta ré is : e por erro de claramos na maneira seguinte. Em as ci­
oitava de onça pague cento e quarenta dades e villas de nossos Reinos e Senho­
r é is : e por erro de meia oitava de onça rios, que forem de quatrocentos visinhos,
pague setenta ré is: e dahi para baixo a e dahi para cim a , terão os Padrões de
esse respeito. E nos pesos de ou ro, se metal seguintes, convém a saber, hum
fo r peso de cruzado, e fo r em elle achado quintal, que pesa cento e vinte oito ar­
eíro de hum grão, pague aquelle, em cujo ráteis de dezaseis onças o arratel, e tem
poder fo r achado, cento e quarenta ré is : em si dezaseis peças, convém a saber, a
e po r erro de dous grãos pague duzentos maior poça, que he a caixa, com sua co­
e oitenta ré is : e dahi para cim a, a esse berta do ° mesmo m etal, que pesa meio
respeito. E se fo r peso de qualquer outra quintal. Item , tem outra peça de arroba.
moeda de ouro, e fo r erro de hum grão, Ite m , outra peça de meia arroba. Item ,
pague setenta ré is: e por erro de dous outra peça de quarta, que pesa oito ar­
grãos, cento e quarenta réis: e dahi para ráteis. Ite m , outra peça de oitava, que
cim a, a esse respeito: e de grão para pesa quatro arraieis. Ite m , outra peça,
baixo não deve haver pena nos pesos que pesa hum arratel. Ite m , outra peça,
de ouro. que pesa meio arratel, que he hum marco,
M . - l iv . l t . 15 §23. que são oito onças. Ite m , outra peça,
que pesa quarto de arratel, que lie meio
31 . E quanto ás outras medidas e pesosmarco, que são quatro onças, que he oi­
miúdos, que aqui nâo são declarados, que tava de arratel. Ite m , outra peça, que
forem marcados e não concertados com o pesa huma onça. Item, outra, que pesa
Padrão, guarde-se ácerca disso a Postura,
meia onça. Item , ou tra , que pesa duas
o il Usança de qualquer cidade, v illa , ou
oitavas. Ite m , outra, que pesa huma oi­
lugar, em que Nós stivermos: e não se tava. Ite m , duas peças de meia oitava
levem outras móres penas, do que pelas
cada huma.
ditas posturas, ou usanças se soem le v a r:
e estas penas sejam para as despesas da M .-liv . l t. 15 §30.
Almotaçaria, sendo o Almotacé M ór o que 37. E os Concelhos, que forem de du­
as achou, ou para o M e irin h o , se p ri­ zentos visinhos até quatrocentos, terão
meiro os ditos erros achar: e sendo acha- sómente meio q u in ta l, e todos os pesos
Mos pelos Almotacés das cidades, villas, dahi para baixo acima declarados. E os
Concelhos, que forem de duzentos visi-

( 0 Vide supra a nbta (1) ao § 27,-eOrd. deste liv .


t, *8 § 17, e lív. 1 1. (01 pr. (1) Concelho, i. e., a antiga Camara M unicipal.
TITULO XV11I Si

nh os, e dahi para baixo terão sómente gue cousa algum a; e todos comprem,
huma arroba, e todos os outros pesos de vendam, e entreguem per arratel de deza-
arroba para baixo, que ficam acima de­ seis onças, e â este respeito o quintal, em
clarados. E não serão obrigados a ter ue ha cento e vinte oito arrateis das ditas
pesos nenhuns de ouro. ezaseis onças, e pelos outros sobreditos
pesos. E qualquer que for achado ter os
M . - liV . l t . 1B§ 31.
ditos pesos desordenados, e não affiladós
38. Ite m , todas as cidades e villas de pelos ditos Padrões, ou com outros pesar
nossos Reinos e Senhorios, de qualquer qualquer cousa, por cada vez que nisSo
numero de visinhos que sejam, terão Pa­ for comprehendido, ou lhe fo r provado
drão de vara e covado, e medidas de páo (1) per verdadeira prova, seja condenado nas
de alqueire, meio alqueire, quarta de al­ penas, que per nossas Ordenações são
queire, e medidas de vinho, almude, meio postas aos que pesam com pesos falsos (i).
almude, Canada, meia canada, quartilho,
M . - liv . r t . 15 § 34.
meio quartilho. E medidas de azeite de
alqueire, meio alqueire e quarta de al­ Pesos e medidas dos particulares.
queire. E as outras medidas miúdas, se­
gundo costume dos lugares. 41. E as pessoas particulares, que são
M . - l iv . l t . 15 § 32. obrigadas a ter pesos e medidas, são as
seguintes.
39. E estes Padrões de pesos e medidas
starâo em huma arca, ou almario do Con­ M . - l iv . 1 1. 15 § 35.
celho com duas fechaduras, a qual arca, 42. Item , os Ourivezes (2) terão huma
ou alm ario , starà na Camera, e o Pro­ pilha (3) de quatro marcos, convém a sa­
curador do Concelho terá huma chave, e b e r, dous marcos na p ilh a , e dous nos
o Scrivão da Camera ou tra : e per esses outros pesos miúdos.
Padrões se concertarão quaesquer pesos e
medidas outras, que se derem para o dito M . - l iv . l t . 15 §36.
Concelho, ou para fóra d e lle ; e serão 43. Os Regatães da Corte, que vendem
marcados da marca do Concelho, assi pescado, terão oito arrateis, e quatro ar­
estes, como outras quaesquer medidas, ou rateis, e dous arrateis, e hum arratel, e
pesos, que per elles fizerem. As quaes meio arratel, e duas quartas de arratel,
marcas aos pesos e medidas starão com os pelo Padrão da Corte. E os das cidades,
Padrões bem guardadas na dita arca, ou villas e lugares terão estes pesos affiladós
almario. E serão avisados, que os ditos pelos Padrões dos Concelhos.
Padrões não sairão fóra da dita arca, só­
M . - l iv . 1 1 .15 §37.
mente para a Casa da Camera, quando
forem necessários. E não os emprestarão 44. Os Carniceiros terão arroba, e meia
a nenhuma pessoa, nem para per elles arroba, e quarto de arroba, e quatro ar­
afiliarem outros fóra da Camera, nem para rateis, e dous arrateis, e hum arratel, e
per elles pesarem, sómente ne lla , como meio arratel, e duas quartas de arratel.
dito he. E por cada vez que o contrario
M . - l iv . l t . 15 §38.
fizerem, pagarão m il réis os Ofíiciaes, que
nisso forem culpados; a qual pena será 45. Os Cerieiros terão arroba, e meia
para as despesas da Ahnotaçaria, ou para arroba, e quarto de arroba, e quatro ar­
o M eirinho da Corte, se prim eiro os com- rateis, e dous arrateis, e hum arratel, e
prehender na tal culpa, ou para o Con­ meio a rra t*!, e duas quartas de arratel,
celho, se o Procurador do Concelho o e dezaseis onças pelo miudo, que são hum
prim eiro requerer. Porém os Affiladores arratel.
terão outros pesos e medidas concordantes M . - l i v . 1 t. 15 §39.
com os sobreditos, para per elles afiliarem
ao Concelho, tirando meia arroba, c dahi 46. Os que fazem candêas de sèvo (4),
para cima, porque estes não terá o A fii- terão dous abateis, e hum arratel, e meio
Ia d o r, antes quando algum quizer affilar arratel.
meia arroba, e dahi para cima, irà affilar M . - l iv . lt.< J5 § 10.
á Camera. 47. Os Caldeireiros terão arroba, e meia
M . - l i v . 1 t. 15 §33.
S . - p . 1 t. 35 I. 1.
40. E mandamos, que pessoa alguma, de (11 Vide Orel, do liv. 5 t. 58, e R. de 9 de. Rezem-
qualquer stado e condição que seja, não bro de 1553. Almeida e Souza, Arções Summaries,
tenha outros differentes pesos, nem per t. 2 pag. 350. _ .
(2) A edição Vicentma diz — (Jurtvcs.
elles venda, com pre, receba, nem entre­ (3) Ghama-se pilha cedo numero de peso» enconcna-
dos uns nos outros. . , ,
(4)Sèvo, i. e ,sóbo. A edição Vicentioa usa do termo
moderno.
(t) A edição Yicentina d iz — pdo.
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
52
vezes no anno, como dito he, sob a dita
arroba, e quarto de arroba, c quatro ar­
ráteis, o dous arrateis, e hum arratel, e pena.
meio arratel, e duas quartas. M . - l iv . l t. 15 §47.

M . - l iv . l t . 15 §11. 54.
E estas pessoas acima scriptas serão
obrigadas ter cadá huma os pesos acima
48 . Os que fazem bêstas (1) de aço, terão
declarados, e não os lerão dobrados. E
um peso ae quatro arrateis, dous arra­
os irão affilar duas vezes no anno, como
teis, hum arra te l, meio arra te l, e duas
dito h e , pelos Padrões dos Concelhos,
quartas de arratel. onde forem moradores; e os que andam
M . - liv . l t . 15§42. em nossa Corte, pelos Padrões do Alm o-
lacé M ór. Porém os Regatães, que ven­
49. Os Boticários (2) terão dous arrateis, dem pescado, e os Carniceiros serão obri­
e meio arratel, duas quartas de arratel, e gados a alíilar cada dous mezes huma vez,
dezaseis onças pelo m iudo, que são arra­ como acima lie dito. E qualquer das ditas
te l, e oito oitavas pelo m iudo, que são pessoas, que os ditos pesos não tiv e r, ou
huma onça, para pesarem as mezinhas. tive r dobrados, ou os não alíilar no dito
M . - l iv . 1 t. 15 § 43. tempo, pague por cada vez duzentos e
oitenta réis.
50. A F ruiteiras, que vendem fru ita a
peso, terão dous arrateis, hum arratel, M . - l iv . l t . 15 §48.
meio arratel, e duas quartas de arratel. 55 . Os Tecelães de panno de lin h o terão
M .- liV . 1 t. 15 §14. meia arroba, quarto de arroba, quatro ai-
rateis, dous arrateis, hum arratel, c meio
51. Os que vendem sabão a peso, terão arratel, e duas quartas de arratel.
arratel, meio arratel, e quarto de arratel.
M . - l iv . l t . 15 §49.
M.— liV. 1 t. 15 § 45.
50. Os Tecelães de panno de lã terão
52. Os Marceiros (3) e Speeieiros (i) terão arroba, meia arroba, e quarto de arroba,
arratel, meio arratel, e duas quartas de ar­ quatro arrateis, dous arrateis, e hum ar­
ratel, e hum arratel pelo miudo de onças ratel , e dous pesos do meio arratel cada
c oitavas. hum.
M . - l iv . 1 t. 15 §40. M .- liV . 1 t. 15 § 50.
57.
Os Tintoreiros terão huma arroba,
53. Os Moleiros e Atafoneiros (5) e Ace-
nheiros (ti) serão obrigados ler meio al- meia arroba, quarto de arroba, quatro ar­
queire c maquia (7), e serão afíilaclos unas rateis, dous arrateis, hum a rra te l, dous
meios arrateis, e outro arratel, feito em
onças e oitavas.

(1) Bestas, i. c., arma» de a tira r settas c pelouros, M . - l iv . l t . 15 §51.


outr'ova mui usadas antes da descoberta da polvora.
Havia de diversas especies, umas de madeira, ou­ 58 . As Tecedeiras de véos (1) lerão oito
tras de aço, de maior ou menor preço, segundo a arte onças, quatro onças, duas onças, huma
com que erão fabricadas. Os selvagens, especialmcntc
onça, e meia onça.
os da America, ainda delias se utilisão.
O u lro ra algumas nações crão celebres pelos seus M . - liv . l t . 15 §52.
archeiro» ou bésteiros.
Em Portugal as Iropas armadas com semelhante 59. Porém os ditos Tecelães e T intore i­
arma deixarão de fazer parte do exercito no reinado
de D. Manoel, que cxlinguio-as por A l. de 14 de ros e Tecedeiras não serão obrigados a
Março de 1498. . . , ,, affilar seus pesos mais que huma vez em
As guardas do Paço, antigamcnte armadas de hes cada hum anno, no mez de Janeiro: mas
tas, passárão a usar da alabarda, que ainda conservão.
Vide Ord. deste liv. t. 33 § 3. se não tiverem os ditos pesos todos, por
(2) Vide Ord. deste liv . t. “ 2 § 10, e liv . 5 t qualquer que lhe fa lta r, pagarão a dita
p r. e § 2. _ pena, e assi se os não affilarem em caaa
Os Boticário» ou Pharmaceuticos figurão aqui como
Officiaes mecânicos, ainda que Phajfio no A n 65 aa hum anno ao dito tempo.
p. 1 de suasDecisiones declara nobre o seu oFhcio.
M.— liv. 1 t. 15 § 53.
Mavceivos Mevcicivos
(3) ou «t os que têm ^loja de
miudezas, como fitas, botões, tesouras, etc. São os que oo. Outrosi os Mercadores de panno de
na Côrte do Rio de Janeiro chamão-sc negociantes de
armarinho. , . còr terão vara e covado (2); e os Trapeiros,
Speciciro
* (4) on Especiciro, os que vendera drogas
aromaltcas, como canella, cravo, cominho, massas, p i­
menta, etc., que servem para adubar. No Brasil nao
existem mercadores que se dediquem tão somente a
(1) Tecedeiras de cios, mulheres que tecião com tea­
res baisos, cfBcio oulr'ora de senhoras nobres, se­
tal especialidade. cundo attests Pegas.
(5) Atafoneiro, i. e., o que possue ou dirige atalona, (21 São os mercadores á retalho, de que também
mó ou moinho dc braço. trata a Ord. deste liv . t. 72 6 10. Sobre a qualidade
(6) Acenfotro ou Azenheiro, o dono de azenha ou desta profissão oonsulte-se Barbosa — flemissione» a
moinho tocado por agua.
Maquia,
(7)
, .
medida de grão» correspondente a oitava
Ord. do liv . 4 t. 92 p. n. 13, Plicebo p. 2 Dec. 16-
parte de um alqueire, ou a dous selamins.
n. 30, e Pegas — Forenses cap. 1 n. 30 e seguintes.
T I T U L O X I X

q ae costumam vender panno de lin h o , ou Alm otacés das cidados, v illa s o lugaros,
b u rel, almafega ( 1), ou outra qualquer m er­ sejam para o Concelho.
cadoria, que se costuma vender p er varas,
terão varas, e as varas, ou covados serão
rÁ:' M.— liv . 1 t. 15 § 59.
S. — p. 1 1. 351. 1.
duas vezes no anno affdadas, hum a em
Janeiro e o utra em J u lh o , pelos Padrões 66. E as pessoas, que se sentirem ag-
do C oncelho, sob a d ita pena. gravadas do A lm otacé M ó r , se poílerão
aggravar p er petição a Nós, para no caso
M.— liv . 1 1 .15 § 51.
mandarmos o que' fo r justiça. E não se
aggravarão delle para T rib u n a l algum, por
ei. Os que costum am com prar, ou ven­
quanto assi se costumou sempre ( 1).
d er vinhos em grosso, terão almudes e
meios alm udes. E os que venderem v i­ A l. do 23 de Dezembro do 1588. •
nhos a tavern ad o s, terão canadas, meias
canadas, q u a rtilh o s , e meios quartilhos. T IT U L O X I X
M.— liv . 1 t. 15 § 55.
Do Scrivão da Chancellaria do Reino (2).
62. E os que costum arem com prar e
vend er azeite em grosso, terão alq u eire, Quando proverm os do Officio de Scrivão
meio a lq u e ire , e quarta de alqu eire. E os da C hancellaria, ju ra rá antes de o servir,
que venderem pelo m iu d o , terão aquellas que bem e verdadeiram ente o servirá,
medidas pequenas, que nas cidades, villas guardando inteiram en te seu Regim ento a
e lugares, onde vend erem , se costumam ter. serviço de Deos e nosso, e bem das p ar­
M.— liv . 1 1 .15 § 56. tes. E nesta fôrm a tomará p er si ju ra ­
mento aos que forem providos de Officios,
63. P o ré m todas as sobreditas pessoas de que na d ita Chancellaria devem ju r a r,
particulares, que p er este Regim ento são não sendo os Officios da q u a lid a d e , a
obrigadas ter pesos, se viverem fóra das que o Chanceller M ó r per seu Regimento
cidades, ou v illa s , não serão obrigadas a p er si só o haja de d a r ; o que fará nos
affilar mais que hum a vez no a n n o , no dias das dadas das Cartas, que com elle
mez de Janeiro . E não as affilando ao depois de vistas e passadas pelo Chancel­
dito te m p o , inco rrerão nas sobreditas le r M ó r se hão de dar e despachar ás
penas. partes.
M.— liv . 1 1 .15 § 57. M.— liv. 1 1. 13 pr. e § 1.
6 t. E as pessoas, que não costumam 1. E tomado assi p er elle o dito ju ra ­
com prar e vend er p er razão de seus Offi­ mento aos taes Officiaes, assentará p er sua
cios, não serão constrangidas a ter pesos, mão, e sob seu sinal nas costas das Car­
ou m edidas. E aquelles, que as quizerem Eu N. tomei per mim
tas dos O fficios:
ter p o r suas vontades, não serão obriga­ juramento a N.. e dou disso fé. E sem
dos a as affilar, nem m arcar, senão hum a isto não passará C arla de algum Officio.
só v e z, quando as h o u ve re m ; e poderão E sc não levar a fé do dito Scrivão nas
delias usar, em quanto boas e verdadeiras costas da dita C a rta , de como lhe deu
forem , depois que assi marcadas forem e juram en to da m aneira que d ito h e , não
affiladas. P o rém sendo-lhes achadas não lhe será tal Carta guardada, nem poderá
marcadas, ou não justas e verdadeiras com servir o tal Officio. E servindo-o, o po­
os P a d rõ e s , inco rrerão nas penas acima derão p ed ir a Nós, como se nolle fizesse
declaradas. taes e rro s , p o r que p er bem do nossas
Ordenações o deva perder.
M — liv . 1 t. 15 S 58.
M . - l i v . 1 1. 13 S3. *2
65. E as sobreditas penas serão a p p li-
cadas p ara as despesas da A lm o taçaria, ou
para algum a o bra p u b lica, a que Nós as (J) Vide Pegas no respectivo Commentario, e no
t. 14 additamenta n. 3 ; Gouvôa Pinto, Manual de Ap-
applicarm os, sendo o A lm otacé M ó r o que pellaçõcs 4a p. cap. -10; e Almeida e Souza, Segundas
os erros a c h a r, ou para o M e irin h o da Linhas t. 2 pags. 212 e 213 arts. 1 e 2.
Corte, se elle os achar p rim e iro . E isto (2) A L . de 4 de Dezembro de 1830 abolindo a
Chancellaria-mór do Reino, e posteriormente do Im pé­
se entenderá, onde a Corte stiver, e não rio, sendo annexado o respectivo cargo ao Ministério da
cm o u tra p arte . E sendo achadas pelos Justiça, também abolio o Officio de Escrivão da mesma
Repartição. No transito das Cartas de Lei, Patentes e
outros documentos que dependem dessa formalidade
sorve de Escrivão da Chancellaria o Director Geral
(1) Trapeiros,
i. c., silo os mercadores definidos nesta da Secretaria de Estado dos Negocios da Justiça.
Orrl. c que em Portugal se chamíio hoje Fanqueiros. Vide nota (3) á rubrica do t. 2 deste liv.
Presentemente Trapeiro tem outra significação; he o A legislação antiga ácerca deste Officio consta dos
seguintes actos: A\.
de 24 de Agosto de 1613, D. de
negociante de roupas velhas, e o apanhador de trapos
nas ruas. 11 de Agosto de 1809, L L . de 18 de Outubro do dito
Burel he o panno grosseiro de lã churra, pardo, ou anno e de 23 de Fevereiro de 1810, D. de 22 de A b ril
de 1816, R. de 4 de Dezembro de 1824 e de 14 de
côr do castanha; e ainda branco e preto com que se
cobrem albardas, tendo o nome especial de ahnáfega. Novembro de 182tb
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
34
vâes, que p o r elle screverem , m erecerem
2. I t e m , dará as C a rta s , como forem
p o r quaesquer erros, que nos ditos Officios
selladas, p eran te o R ecebed or, e não sem
fizerem . E desque a C arta p e r m ile , ou
elle. E ponha em ellas a paga p er sua pelos ditos Scrivães fo r registrada, a con­
mão segundo fôrm a do R egim ento da
certará, e assine p e r sua mão em fim do
taxa da C hanceliaria. E como p o ze r a
registro de cada hum a Carta. E se n
paga na Carta, screverà no liv r o , p e r que
registro h ou ver alguma d uvida, ín te rlin h a ,
esse Recebedor ha de d ar conta do que respancam ento, ou b orrad u ra, resalve-a o
receber. O qual liv ro guardará b em , p o r
d ito S crivão em fim do d ito re g is tro , e
quanto afóra essa recadaçao se podem dar
assine per sua mão de m an eira, que nisso
p er elle m uitos despachos. E se elle du­ se não possa faze r falsidade, e se se fize r,
v id a r ou a p arte se aggravar delle, eve-a
que logo pareça. E tudo isto cu m p rirá
* o Chanceller M ó r, o qual dará. d ete rm i­
assi o d ito Scrivão p r in c ip a l, sob pena
nação pela m aneira, que fica dito em seu
de privação do O fficio.
R egim ento.
M.—l i v . i t . 13 S 5.
M . - l i V . l t . 13 § 3.
6. E todas as Cartas que forem de graça,
3 E no d ar das Cartas terá esta ordem . aue p er Nós não forem assinadas, e o
A s Cartas de pergam inho ( l ) , que fo rem de forem p er nossos Officiaes, que p er bem
re g is tro , se darão p rim e iro , e depois os de seus Officios e R egim entos as taes
perdões, e assi outras em p ap el, que tam - Cartas devem passar, ponha em h um a em -
| e m forem de registro. E após os perdoes m enta ( 1 ) , e a trará a N o s , ao menos
e Cartas se darão outras quaesquer h ar­ duas vezes na semana. E p o n h a nessa
ta s , que forem de sello redondo epor em m enta todas as forças das Cartas, e p er
derradeiro se darao os A lvarás e I r o v i quem p assam ; e as que Nós m andarm os,
goes, sem nisso in te rv ir fa y o r de se da que passem, ou não, segundo o que Nós
rem p rim e iro huns que outros. m andarm os, assi o screverá logo na em­
m enta, a qual Nós assinaremos, e o dito
s.—p. 1 1.11- 6.
Scrivão a guardará m u ito b e m ; e depois
4. Ite m , registrará todas as Cartas, que aue p er Nós fo r assinada r & lu v a iá , ou
para registrar forem , convém a saber : to­ m andará m ostrar ao C hanceller M ó r , para
das as que passarem com sello pendente (-), ao tempo do sellar das Cartas as concer­
não sendo sentenças, Cartas de seguranças ta r com e lla , e logo se to rn a rá ao dito
R e a e s , Cartas de mercês de cousas mo­ S crivão.
veis. E registral-as-bâ de boa le tra cm
M.-liv. 1 t. 13§ G.
liv ro s , que para isso h a v e rá , convém a
saber: em h um liv ro registrará doaçoes, 7. E p orqu e a em m enta he a m a io r con­
padrões, Officios e a fo ra m e n to s : e em ou­ fiança ( 2 ) , que no d ito Officio h á , se o
tro todas as C artas, que passam pelos dito" Scrivão fo r doente, ou occupado em
Desembargadores do P a ç o : e em outro outras cousas, que p er si a não p odér
p riv ilé g io s , lib e rd a d es , presentaçoes de despachar com nosco, não dará carrego a
Ia re ia s , e todas as outras de quaesquer qua­ n en h u m , que a traga a N ó s, salvo se io r
lidades. E terá h u m liv r o apartado, em hom em de Nós bem co n h e c id o , o p er
que registrará as Cartas, p er que fizermos nosso A lv a rá approvado. E aqu clle, que
mercê a algumas Ordens e Ig r e ja s , que comnosco despachar a d ita em m enta, dará
possam com prar bens de ra iz . Cartas d elia, e lh e p o rá as pagas.
M .-liv . i t . 1 m S i, e l i V . 2 t . 8 § 4 . M .-liv. l t . 13 §7.
5. E não consentirá, que p arte alguma
8. E quando acon tecer, que na dada
das Cartas algum a das partes não v ie r re­
registre sua Carta, nem outra pessoa, mas
q u erer as suas, e ficarem p o r u a r , m an­
todas as Cartas, que forem para reg istrar,
damos ao d ito S c riv ã o , que as que fica­
registre-as elle, ou outros seus Scrivaes,
rem , p onha todas em hum a arca, de que
que para isso tenham nosso A lv a r á , e
elle ten h a hum a c h a v e , e o Recebedor
e que sejam juram entados. E qualquer
outra. E quando em o utro d ia h o u ver
pessoa, que sem nosso A lv a rá no dito
de dar as Cartas, que novam ente sellarem ,
Officio screver, h averá a pena de falsan o.
P o rém 0 S crivão da C hanceliaria não será então dem as o u tra s , que fic a re m ; e as
desobrigado das penas, que os ditos S c n - 12 que ficarem p o r d a r , sem pre fiqu em em
sua guarda fechadas na d ita a rc a , cm tal
m aneira, que se não possam f u r t a r , nem
fazer em ellas o utra m aldade algum a.
(1) Vide Ord. deste Ur, t. 23 § .13, e os DD. de -9
de Agosto de 1S09, de 26 de Maio de 1821, deiS3de M .-liv. lt . 13§§8e9.
Junho de 1833, e n. 5 2 6 - d e 11 de Junho de 1841
art. 15, R. de 30 de Setembro de 1831, e Reg. de 14
de A b ril de 1834 art. 5. _ , (!) A ementa das Leis e Decretos está hoje a cargo
(2) Pelas Port, de 11 de Setembro e 6 de Outubro
do Presidente do Conselho de M inistros.
de 1823 ordenou-se que, em lugar de p ta encarnada, ( 2 ) Vide nota (I) ao precedente pnragrapho.
se usasse, nos scllos pendentes, d j verde e avnarel.a.
TITULO XX 55

9. Ite m , fará todas as Cartas dos des­ Desembargadores, que para isso o Regedor
em bargos, que pertencem ao C hanceller lh e o rd en ar.
M ó r, e screverã os processos, que forem
ordenados perante e lle, que a seu Officio M .- liv . 1 1 .35 § 1.
S .-p . 11.2 1.1§7.
e rte n c e rem : e faça de m an eira, que seja
em d ilig ente nas cousas, que toquem a 1. E quando n a dada das Cartas algu­
seu O fficio, e req ueira ao C hanceller M ó r mas ficarem p o r d ar, p o r as partes as não
p e r seus desembargos, e falle com elle, ire m req uerer, o d ito Scrivão as ponha
cada vez que c u m p rir, sobre as duvidas, em hum a arca, de que tenha hum a chave,
que tiv e r , ou quando as partes se aggra- e o Recebedor o utra, p e r m aneira que se
varem das p ag as, como acim a d ito he, não possam f u r ta r , nem fazer em ellas
outra m aldade. A s quaes dará na outra
M . - liv . 1 1. 13 §§ 10 e l i .
dada seguinte, com as que se depois sel-
10. E na recadação das dizim as (1) das la re m , e darão as Cartas, que ficarem de
sentenças, que se derem na Corte pelos hum a dada p ara outra.
O fficiaés, que n e lla a n d a re m , quando a M .-liv . 1 t. 35 § 2.
Corte s tiv e r fó ra da cidade de Lisboa,
onde a Casa da Supplicação reside, terá 2. Ite m , deve ser d ilig en te, e bem man­
a m an eira, que se contém no R egim ento dado nas cousas, que a seu Officio per­
do Scrivão da C hancellaria da dita Casa. tencem, e req ueira ao C hanceller, e falle
com elle cada vez que c u m p rir, sobre as
M . - liv . 1 t. 13 § 12. d ú v id a s , que tiv e r em seu O ffic io , ou
11. M andam os ao S crivão da Chancella­ quando se as partes aggravarem das pagas,
r i a , que p onha nas costas das Cartas e como dito he.
A lv a rá s , que p e r ella passarem , com o M.—1ÍV. 1 t. 35 § 3.
sinal da paga, os dias do m ez e anno, em
que fo rem despachados pela C hancellaria. 3. E para o d ito Scrivão saber como
se hão de arrecadar as dizim as (1) das sen­
M .-liV . 1 t. 18 S3. tenças, além do que na taxa (2) da Chancel­
la ria lie conteúdo, e assi para a todos ser
T IT U L O X X n o to rio , ordenamos que as dizim as, v in ­
te n a s , ou quarentenas de todas as sen­
Do Scrivão da Chancellaria da Casa tenças se arrecadem p e r esta m aneira. Se
da Supplicação (2). a sentença condenatoria não passar de
q u a n tia de trin ta m il r é is , o vencedor
pague logo ao tira r da sentença da Chan­
O Scrivão da C h an cellaria da Casa da cellaria toda a d izim a , que neíla m o n tar,
Supplicação dará as C a rta s , como fo rem salvo se logo ah i m o strar e fizer certo,
selladas, perante o R ecebedor, e não sem como o condenado não tem b e n s , nem
elle, e p o rá em ellas a paga p er sua m ão, fa z e n d a , p er que se possa h aver o que
e screverá no liv ro da re c e ita ; e se h o u ve r lh e he julg ado , e mais a d izim a, se a pa­
diivida entre elle e a p arte sobre a paga (3) gasse pelo dito condenado; porque neste
da C h a n c e lla ria , leve logo a Carta ao caso será entregue a sentença ao vence­
C hanceller, o qual a levará á Relação, e d o r, sem pagar a d izim a , e ficará resguar­
nella d eterm in ará a d ita d ú vid a coin os*2 3 dado ao nosso R ecebedor, ou R en d eiro ,
pod er arrecadar a tal d izim a pelo conde­
n a d o , se depois tiv e r b en s, p er que a
(]) Vide nota (2) ao t. 14- p r. deslc liv . A Dizima da possa pagar. E sendo a condenação de
Chancellaria tendo sido sempre um imposto, antiga-
m aio r q uantia, tira r-s e -h a a verba da d ita
mente era qualificada de pena aos que fazião má de­
manda; mas o Aviso n. 244— de 25 de Outubro de condenação, para p e r ella se fazer Carta
1852 declarou que era imposto e não pena. de execução, e se arrecadará a d izim a,
Entretanto o D. n. 2743 — de 13 ae Fevereiro de vin ten a, ôu q uarentena, que em tal caso
1861, no art. 1, elevando o imposto de 2 á 4 oj0> deno­
couber, pelos bens do condenado, e não
minou-o multa, imposta ao vencido, se appellar. Con­
seguintemente, hoje a Dizima da Chancellaria tornou se tira rá , nem desfalcará cousa alguma do
a tomar o seu caracter de pena, como era antigamente. que ao vencedor fo i julgado. E não se
(2) A extineção da Casa da Supplicação trouxe como
consequência a de todos os cargos e officios da mesma achando tantos b e n s , p er que se possa
Repartição. tudo h aver, será p rim e iro pago o vence­
Vide nota (2) á rubrica do t. 4 deste liv ,, e arts. 7 d o r do que lh e fo r julg ado , e pela mais
§ 4, 56, 57 e 58 do Reg. de 3 de Janeiro de 1833, Dis­
posição Provisória a rt. 22, Ports, de 21 dc Maio de
1324 e do lo de Setembro de 1831, e Reg. de 14 de
Fevereiro de 1832 a rt. 2. (1) Vide A l. de 18 de Fevereiro de 1653, determi­
(3) Vide Àss. de 13 de A b ril de 1618. nando, que decahindo os autores também devem pagar
Segundo Monsenhor Gordo, o pr. e §§ 1, 2 e 3 deste a pena da Dizima.
titulo, parece haverem sido tirados dos §§ 1,2 e 3 do (2) Esta taxa, pela L . n. 1114 — de 27 de Setembro
t. 35 do Codigo Manuelino, em que se tratava do Es­ de 1860 art. 11 § 5, e D. n. 2743 — de 13 de Fevereiro
crivão da Chancellaria da Casa do Civel, que era a p ri­ de 1861, foi elevada á 4 o/o, com o caracter de multa.
vativa de Lisboa, assim como depois o ficou sendo a da Vide notas (1) ao § 10 da O rd. do t. 19, e (2) ao
Supplicação por determinação do Rev D. Felippe I I . t. 14 pr. deste liv .
O r b . 18
PRIMEIRO LIVRO DAS ORDENAÇÕES
36
cadêa, leval-os-ha perante o C orregedor.
fazenda do condenado (se a tiver) se ar­
E geralmente prenderá todos aquelles, que
recadará para N ó s , ou para o R e n d e iro , p er o Corregedor lh e fo r m andado, o u p e r
eme nesse tem po fo r, a d ita d izim a , v in ­ quaesquer Oííiciaes nossos, p e r A lv a ra s
tena, ou quarentena, sem p o r isso o con­
p er elles assinados, no que a seus Odim os
denado poder ser p re s o ; ficando resguar­
p erten cer, e poder tiverem p ara m andar
dado ao nosso R ecebed or, ou R en d eiro ,
prender.
se ao tem po, que se devem arrecadar as
dizim as, se não acharam bens do conde­ M .-liv. i t . 16 §17.
nado, fazer execução pelos bens, que de­ 2. Ite m , será obrigado co rrer de noite
pois lh e forem achados, em q u alq u er tempo o lu g a r, em que Nós stiverm o s, aque las
que seja. horas, que p e r o Corregedor da Corte he
M .-liv. 1113 §12. fo r ordenado, e com elle ira s e m p ie h u m
Scrivão, que para isso tiv e r nossa I lo v i-
4. E mandamos, que quando algum hn-
são, e não o utro : salvo sendo o d ito Sc
aecusado pela Justiça, e fo r absoluto ( i ) , e
vão im pedido.
que pague as custas de seu liv ra m e n to ,
de taes custas se não pague d izim a. M .-liv. i t . 16S 20.
S . - p . 3 1.8 1 .1. 3 E irá fazer execuções de p en ho ra,
quando lh e fo r mandado pelo C orregedor,
5 N em outrosi se arrecadarão as d iz i­ ou p er o utro algum Julgador com o 1 o r-
mas das sentenças das partes condenadas
teiro e Scrivão. E levará o M e irin h o
n ela p rim e ira sentença, quando delia se
de cada pen ho ra e execução , sendo na
a g r a v a r , antes se sobrestará na execução
cidade de Lisboa e seus arrab ald es, tre ­
e^arrecadacão das ditas dizim as, em quanto
zentos réis á custa da p arte condenada
p en der o ággravo, assim como se sobresta
para cllo e para seus h o m e n s : com tanto
na causa p rin c ip a l. que os ditos trezentos réis nao excedam
Rof. de 27 de Julho de 1582 § 25. a vin te n a p a r te ; mas não haverá nunca
menos de cento e cincoenta re is , as duas
n. Ite m , não se pagará d izim a das sen­
partes para si, e a terceira p arte p ara seus
tenças, que os Corregedores das Comarcas
homens. E quando fo r fazer a d ita d ili-
e Ouvidores derem em feitos, de que co­
gencia fora do lu g a r e seus arrabaldes,
nhecerem como Juizes, nos casos, em que
levará para si e para seus homens o que
lhes he perm ittido p er seus Regim entos,
que vierem p er appellação ás nossas R e ­ lhe fo r arbitrado pelo Regedor com clous
Desembargadores em R e la ç ã o , havendo
lações, como diremos no íit u lo 0 8 : V o s
respeito ao tra b a lh o , que nisso levarem .
C o r r e g e d o r e s d a s C o m a r c a s , § «o.
O que tudo assi haverá á custa das partes
S.— p. 1 t. 11 1. 3. condenadas, ou contra quem se fizerem
as taes diligencias. O qual salan o nao
T IT U L O X X I levará ás partes, sem p rim e iro com efleito
ter feitas as ditas penhoras. E todo o
J) 0 Meirinho, que anda na Corte (3). sobredito se guardará nas execuções, que
forem feitas pelos Alcaides na cidade de
O M e irin h o M ó r h a de p ò r do sua mão Lisboa.
h u m M e irin h o , que ande contm uadam ente M . - l iv . l t . 16 § 21.
na Corte, para alevantar as forças e sem- S. — p. 1 t. 26 1. 4.
Ref. de 27 de Julho de 1582 § 28.
razões (-Vi, que nclla forem feitas, e p ic n d e r
os m alfeitores, e fazer as cousas conten­ 4. E o dito M e irin h o da Corte e os A l­
das neste T itu lo . E este deve ser Sen­ caides e seus h om en s, sendo requeridos
deiro de boa lin h a g e m , e conhecido p o r dc nossa parte pelo S o llicitado r dos feitos
b om , e posto p er nossa auctoridade, e de da Fazenda, assi para prend er algum a pes­
que tenhamos conhecim ento, p ara o ap­ soa, que os Oííiciaes delia, ou da Relaçao
proval' para servir o dito Othcio. m andarem p re n d e r, m o strand o-lhe m an-
M.— liv . 1 1. lo pr. dados para is s o , ou para chegarem algu­
mas testem unhas, que em nossos leitos
i . 0 M e irin h o da Corte prenderá os que
hajam de testem unhar, ou fazer outras d i­
achar nos malefícios e a rro id o s , ou lhe ligencias, o farão logo, e cu m p rirão com
fo r requerido p or q ualqu er pessoa nos brevidade o que lh e pelo d ito b o llic ita d o r
ditos arroidos. E antes que os leve á
fo r req uerido , sem por isso le v are m sala-
rio algum.
(1) Absoluto,a n t, i. e., absolvido. S . - p . 1 t. 26 1. 1.
(2) Vide Pegas Com. á esta O rd.f onde se acha colli-
gida a Legislação antiga sobre a Dizima.
(3) Este Officio também cessou com a nova organi- m Vide Peças no respective» Commentario 1. 3
sação judiciaria do Império. _ . pac. 493 o as Oriís. deste liv . t. 48 § 11, •• #3 p r.,
(4)Alenantar asforças esemrazõcs, 1. c., tolher, obs­
t. is § 21, t. 19 § 14, c liv . 3 t. 86_.
tar as oíTensas qjie um faz á outro.
TITt'LO XXI 57

5. Item , o M eirinho he obrigado a de­ de cada carrega, até quatro carregas. E