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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA


SECRETARIA DE GESTÃO E ENSINO EM SEGURANÇA PÚBLICA
DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA

COORDENAÇÃO-GERAL DE ENSINO
COORDENAÇÃO DE ENSINO A DISTÂNCIA

CONTEUDISTAS
Ricardo de Oliveira Betat
Gelson Luis Garcia
Wilmen Vieira
João Moreira Lobo

REFORMULADOR
Daniel Pinheiro Spinelli

CÂMARA TÉCNICA/REVISORES
Thiago César Fagundes Santos
Viviane Oliveira Rodrigues

REVISÃO PEDAGÓGICA
Gizele Ferreira dos Santos Siste

SETOR DE CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

PROGRAMAÇÃO E EDIÇÃO
Lúcio André Amorim
Renato Antunes dos Santos

DESIGNER
Ozandia Castilho Martins
Fagner Fernandes Douetts
Renato Antunes dos Santos

DESIGNER INSTRUCIONAL
Wagner Henrique Varela da Silva

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Sumário
Apresentação do Curso ............................................................................................... 8

Objetivos do Curso .................................................................................................... 12

Estrutura do Curso .................................................................................................... 12

Módulo I - LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO .................................................................. 15

Apresentação do módulo ....................................................................................... 15

Objetivos do módulo .............................................................................................. 15

Estrutura do módulo .............................................................................................. 16

Aula 1 - Categoria de habilitação e relação com veículos conduzidos .................. 17

1.1 Compreendendo as categorias .................................................................... 21

Aula 2 - Documentação exigida para condutor e veículo; Sinalização Viária ........ 45

2.1 Documentos exigidos para o veículo............................................................ 46

2.2 Documentação do condutor ......................................................................... 51

2.3 Sinalização Viária ......................................................................................... 54

AULA 3 — Infrações, crimes de trânsito e penalidades ............................................ 60

3.1 Infrações ...................................................................................................... 61

3.2 Penalidades ................................................................................................. 65

3.3 Crimes de Trânsito ....................................................................................... 70

AULA 4 — Regras gerais de estacionamento, parada e circulação .......................... 79

4.1 Estudo de Caso ............................................................................................ 80

4.2 Estacionamento e Parada ............................................................................ 81

4.3 Circulação .................................................................................................... 84

4.4 Principais normas de circulação e conduta, referentes à condução de veículos


de emergência ................................................................................................... 86

AULA 5 — Legislação Específica e responsabilidades do condutor de veículo de


emergência. ........................................................................................................... 92

5.1 Estudo de Caso ............................................................................................ 92

3
5.2 Veículos de Emergência .............................................................................. 94

5.3 Legislação específica para veículos de emergência .................................... 95

Finalizando ............................................................................................................ 99

Módulo II - DIREÇÃO DEFENSIVA ......................................................................... 100

Apresentação do módulo ..................................................................................... 100

Objetivos do módulo ............................................................................................ 100

Estrutura do módulo ............................................................................................ 101

Aula 1 - Direção defensiva: mais que um conceito, um ato de cidadania ............ 102

1.1 Dados e informações sobre o trânsito ........................................................ 104

1.2 Definindo Direção Defensiva ...................................................................... 110

1.3 A importância do comportamento seguro na condução de veículos


especializados.................................................................................................. 111

AULA 2 — Condições adversas: como reduzir os riscos ..................................... 118

2.1 Tipos de condições adversas ..................................................................... 119

AULA 3 — Comportamento seguro na condução de veículos de emergência .... 135

3.1. Definindo acidente de trânsito ................................................................... 135

3.2 Acidente evitável ou não evitável ............................................................... 136

3.3 A importância de ver e ser visto ................................................................. 137

3.4 A importância do comportamento seguro na condução de veículos


especializados.................................................................................................. 140

3.5 Comportamento seguro e comportamento de risco — diferença que pode


poupar vidas..................................................................................................... 142

3.6 Como ultrapassar e ser ultrapassado......................................................... 144

3.7 Principais causas de acidentes de trânsito ................................................ 149

3.8 Como evitar acidentes com outros veículos — Tipos de acidentes e como
evitá-los ............................................................................................................ 149

3.9 O acidente de difícil identificação da causa (Colisão Misteriosa): .............. 153

4
3.10 Como evitar acidentes com pedestres e outros integrantes do trânsito
(motociclistas, ciclistas, carroceiros, esqueitistas) ........................................... 156

Finalizando .......................................................................................................... 167

MÓDULO III — NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS, RESPEITO AO MEIO


AMBIENTE E CONVÍVIO SOCIAL .......................................................................... 169

Apresentação do módulo ..................................................................................... 169

Objetivos do módulo ............................................................................................ 170

Estrutura do módulo ............................................................................................ 171

AULA 1 - Primeiras providências ......................................................................... 172

1.1 Gerenciamento de risco: primeiras ações .................................................. 172

AULA 2 — Cinemática do Trauma ....................................................................... 184

2.1 Colisão frontal ............................................................................................ 185

2.2 Colisão traseira .......................................................................................... 186

2.3 Colisão transversal ..................................................................................... 187

2.4 Capotamento .............................................................................................. 188

AULA 3 — ‫ؙ‬Verificação das condições gerais da vítima de acidente ou do enfermo


............................................................................................................................. 189

3.1 EPI Básico para socorro às vítimas............................................................ 189

3.2 ABC da vida para Suporte Básico de Vida (SBV) — Exame Primário ....... 194

3.3 Controle da cervical.................................................................................... 202

AULA 4 — Controle de hemorragias ................................................................... 203

4.1 Hemorragias externas ................................................................................ 204

4.2 Choque....................................................................................................... 208

4.3 Cuidados com a vítima ou enfermo (o que não fazer)................................ 210

AULA 05 — Respeito ao Meio Ambiente ............................................................. 211

5.1 O veículo como agente poluidor do meio ambiente ................................... 212

5.2 Regulamentação do CONAMA sobre poluição ambiental causada por veículos


......................................................................................................................... 214

5
5.3 Manutenção preventiva do veículo para preservação do meio ambiente:.. 219

5.4 Infrações e crimes que têm relação com a poluição .................................. 220

AULA 06 — Noções de convívio social ............................................................... 222

6.1 O indivíduo, o grupo e a sociedade ............................................................ 223

6.2 Relacionamento interpessoal ..................................................................... 225

6.3 O indivíduo como cidadão .......................................................................... 227

6.4 A responsabilidade civil e criminal do condutor e o CTB............................ 228

Finalizando .......................................................................................................... 229

MÓDULO IV — RELACIONAMENTO INTERPESSOAL ......................................... 231

Apresentação do módulo ..................................................................................... 231

Objetivos do módulo ............................................................................................ 232

Estrutura do módulo ............................................................................................ 232

AULA 1 — Aspectos de comportamento e de segurança na condução de veículos


de emergência ..................................................................................................... 233

1.1 O impacto da qualidade das relações interpessoais no ambiente de trabalho


do profissional de segurança pública ............................................................... 233

1.2 Comportamento preventivo versus comportamento de risco ..................... 237

1.3 Urgência ..................................................................................................... 239

1.4 Equilíbrio emocional ................................................................................... 241

1.5 Síndrome de Burnout ................................................................................. 243

1.6 Agressividade e insegurança no trânsito.................................................... 247

1.7 Fatores relacionados à agressividade ........................................................ 248

AULA 2 — Comportamento solidário no trânsito ................................................. 252

2.1 Convivência................................................................................................ 253

2.2 Por que conviver? ...................................................................................... 258

AULA 3 — O condutor e os demais atores do processo de circulação ............... 260

3.1 Tolerância .................................................................................................. 263

3.2 Intolerância................................................................................................. 264

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AULA 4 — As Normas de segurança no trânsito e os agentes de fiscalização de
trânsito ................................................................................................................. 266

4.1 Respeito aos outros ................................................................................... 266

4.2 Respeito às normas estabelecidas para segurança no trânsito ................. 269

4.3 Papel dos Agentes de Fiscalização de Trânsito ......................................... 271

AULA 5 — Atendimento aos usuários ................................................................. 273

5.1 Características dos usuários de veículos de emergência .......................... 273

5.2 Expectativas dos usuários.......................................................................... 275

5.3 Atendimento às diferenças e especificidades dos usuários (pessoas com


necessidades especiais, pessoas de determinadas faixas etárias/de outras
condições) ........................................................................................................ 276

5.4 Trauma ....................................................................................................... 278

5.5 Cuidados especiais e atenção que devem ser dispensados aos passageiros
e aos outros atores do trânsito, na condução de veículos de emergência ....... 279

Finalizando .......................................................................................................... 280

Referências Bibliográficas ....................................................................................... 282

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Apresentação do Curso

Caro(a) aluno(a),

Olá!

Seja bem-vindo(a) ao curso de Condutores de Veículos de Emergência (CVE)!

Nós, da Rede EaD-Segen, estamos muito felizes em poder disponibilizar esta


capacitação para os profissionais que integram o Sistema Único de Segurança Pública
(Susp).

De antemão, pedimos licença para adotar um tom mais informal ao longo do


curso; isso porque pretendemos tornar a sua experiência de aprendizagem mais leve
e dinâmica, dessa forma você poderá ter um contato mais próximo com as lições e
com as experiências compartilhadas pelos conteudistas. Trata-se de um material
especialmente pensado para você, agente do Susp que conduz viaturas em geral,
unidades de resgate e de atendimento, que presta serviços de urgência e emergência
que se preocupa com seu bem-estar e com o de terceiros. Além disso, o curso é uma
exigência legal prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mas você já se
perguntou qual a importância desse curso?

Saiba que não se trata de mera formalidade. É uma estratégia, na verdade,


que busca reduzir a violência e as fatalidades registradas no trânsito. Assim sendo, a
lei considera essencial preparar o condutor para o adequado exercício da atividade
profissional.

O treinamento e a constante capacitação dos agentes por meio de cursos


especializados são importantes medidas de segurança para si e para terceiros.

O trânsito de viaturas, ambulâncias ou unidades de resgate, por exemplo,


possuem prerrogativas que outros veículos não detêm. As excepcionalidades,
portanto, demandaram tratamento especial pelo legislador.

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Haja vista a natureza emergencial dos serviços, o atendimento ao cidadão
deverá se dar num curto espaço de tempo, e a demora em responder alguns pedidos
de ajuda pode resultar na continuação da vida ou na morte de alguém.

O CTB, ciente dessa necessidade, conferiu algumas prerrogativas para o


trânsito e para a circulação desses veículos.

No atendimento de emergências, o legislador definiu que algumas normas não


são aplicáveis aos seus condutores. Trata-se, portanto, de uma previsão que deve
obedecer a condicionalidades específicas e que devem ser analisadas pelo condutor,
quase sempre em situações de estresse, sob forte emoção.

Determinar a velocidade, a escolha da faixa, a mudança na direção ou a


parada repentina de um veículo de emergência deve ocorrer, na maioria das vezes,
em frações de segundos. Trata-se de decisão técnica que requer perícia e treinamento
do condutor, sempre em busca da segurança pessoal e de terceiros.

Você deve ter percebido, a essa altura, que a condução desses veículos
envolve grandes responsabilidades e a atividade, portanto, exige a aprovação em
curso especializado. Nesse sentido, a característica principal da especialização é a
qualificação prévia para seu exercício. Esse é um assunto que não costuma pautar as
discussões em quartéis ou delegacias, por exemplo. Isso se deve, em grande parte,
por conta da própria natureza da função desempenhada, na qual dirigir assume um
status de tamanha normalidade que se incorpora à rotina do operador de segurança.
Dirigir se torna mecânico e deixa de contar com a atenção necessária do motorista.

A situação é diferente, porém, quando um colega, ou até mesmo você,


envolve-se em um acidente. A partir daí, o tema toma conta das unidades de trabalho
e, muitas vezes, da própria vida do agente. Então, o que se vê em seguida é uma
sucessão de fatos que prejudicam o relacionamento pessoal e profissional e a saúde
dos envolvidos.

Procedimentos administrativos são abertos e, algumas vezes, ações civis e


criminais acontecem paralelamente. Ocorrem licenças médicas, desgaste físico e
mental, afastamentos para o comparecimento em oitivas e em tratamentos médicos.

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Nesse momento, aparecem as perguntas: o que poderia ter sido feito? Como evitar
novos casos?

Atualmente, o Brasil sofre com um tipo de violência diferente daquela


abordada nas páginas policiais dos jornais, uma violência distinta daquela
comumente combatida pela segurança pública. Trata-se da violência no trânsito.

Acidentes no trânsito são a terceira maior causa de mortes no mundo (ficando


atrás apenas das doenças cardíacas e do câncer), e o número de óbitos decorrentes
da violência pública no Brasil praticamente se iguala àquele registrado devido a
acidentes de trânsito, conforme levantamento feito pelo Observatório Nacional de
Segurança Viária.

Dessa forma, como sugestão, solicitamos que se dedique efetivamente à


leitura e siga com seus estudos em um ambiente tranquilo e de fácil concentração.
Afaste-se das distrações das redes sociais e, o mais importante: aproveite as aulas
de cabeça aberta, sem resistências desnecessárias, pois, ao disponibilizarmos o
ensino para o público adulto é notório que o interesse e autonomia são fundamentais
para o aprendizado.

Da nossa parte, buscamos a descontração e a apresentação de um conteúdo


personalizado, para atender o dia a dia do agente da segurança pública com base na
educação a distância, que permite uma melhor organização pelo aluno do tempo e do
local para sua realização. Tudo isso para que você possa despertar a curiosidade,
conservar o interesse e se identificar com o material apresentado.

Registramos que essa capacitação é destinada aos agentes do Susp que


nunca tenham realizado o curso de Condutores de Veículos de Emergência (CVE).
Seja pela própria Rede EaD (no antigo ambiente) ou por outro meio (presencial ou a
distância).

A validade do curso é de cinco anos, após esse período, o profissional deverá


passar por um processo de atualização frequentando o curso: Atualização de
Condutores de Veículos de Emergência (ACVE).

Alguns esclarecimentos sobre o curso:

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Ele possui 60 horas, é exclusivo para agentes que integram o Susp e
encontra-se dividido em 4 (quatro) módulos.

Observe que para o efetivo aproveitamento da capacitação é necessário que


o discente esteja com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida em qualquer
categoria.

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Objetivos do Curso

 Proporcionar ao condutor que atua no Sistema Único de Segurança Pública


condições para atuar de forma consciente, ética e legal na direção de veículos
de emergência;
 Destacar a importância de agir de forma adequada e correta no caso de
eventualidades, preparando-o para adoção de iniciativas responsáveis no
trânsito;
 Capacitar agentes para o relacionamento harmonioso com os demais
componentes do sistema viário, tais como pedestres e outros condutores; e
 Oferecer segurança no trânsito, além de conhecer, observar e aplicar
disposições contidas no CTB, na legislação de trânsito e legislação específica
sobre o transporte especializado de veículos de emergências.

Estrutura do Curso

Este curso compreende os seguintes módulos:

Módulo 1 - Legislação de Trânsito (15 horas-aula).

Módulo 2 - Direção Defensiva (15 horas-aula).

Módulo 3 - Noções de Primeiros Socorros, Respeito ao Meio Ambiente e Convívio


Social (15 horas-aula).

Módulo 4 - Relacionamento Interpessoal (15 horas-aula).

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Mensagem do Reformulador

Ouça o ÁUDIO 1

Caro Colega,

Desculpe-me pela intimidade, mas é que ser da segurança pública e ter a


oportunidade de desenvolver um conteúdo voltado para esse segmento torna a
atividade especial. Na realidade, somos colegas de trabalho, pessoas que lidam com
as mesmas situações e isso fica evidente durante a leitura do material.

Não quer dizer que alguém de fora do ramo da segurança pública não
pudesse ter atuado como conteudista de um curso como este; está cheio de bons
profissionais nas universidades, nas empresas e no setor público. Mas o olhar interno,
de quem vivencia o dia a dia da profissão, agrega um tipo de conhecimento da
realidade que aqueles profissionais citados anteriormente não têm. Nosso trabalho
possui particularidades, excelências e, também, as suas dificuldades.

Mas, seja você um agente da segurança pública experiente, com muitos anos
de bons serviços prestados à sociedade, seja você um novato na atividade, é possível
imaginar que tenha tido o pensamento: este curso não passa de uma besteira!
Como um curso online vai me ensinar a conduzir uma viatura policial ou uma
ambulância? Isso deve ser coisa de algum teórico que não tem o que fazer!
(Sejamos sinceros, a maioria, nesta altura do curso está pensando isso – EU estava
pensando assim quando fiz o curso pela primeira vez!)

Então, vamos a alguns esclarecimentos e combinados: o primeiro deles é:


este curso NÃO VAI ensinar você a dirigir! Muito menos ensinar a dirigir um veículo
de emergência! E nem é a finalidade dele fazer isso, até porque este é um curso
teórico. Na verdade, um dos pressupostos deste curso é que você JÁ SABE DIRIGIR!
A ideia aqui é fornecer dicas para que você possa ser um motorista mais prudente;
informações para que você conheça um mínimo de legislação para desempenhar bem

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sua função (e não se meter em problemas); e, finalmente, algumas técnicas que
podem salvar a SUA vida, a vida de seus colegas de profissão e, inclusive, a vida de
seus familiares. Nosso objetivo é ajudar você a cumprir a sua missão, finalizando seu
plantão ou turno de serviço são e salvo e sem broncas a responder! Parece bom para
você?

O segundo esclarecimento é que, sim, este curso é uma exigência legal para
a nossa profissão, prevista no art. 145, inciso IV, da Lei n. 9.503/1997, mais conhecida
como Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Se vocês forem olhar esse inciso, verão
que ele fala de dois cursos: do “curso especializado” e do “curso de prática veicular
em situação de risco”. No caso, este que você está cursando é o “curso especializado”,
que é teórico. O detalhe é que este é oferecido, lá fora (na modalidade presencial ou
a distância), por um valor de algumas centenas de reais. Aqui, a Secretaria de Gestão
e Ensino em Segurança Pública (Segen) está oferecendo a você gratuitamente,
pensando na sua capacitação!

Já o curso de prática veicular em situação de risco, apesar de ainda carecer


de uma regulamentação nacional, está sendo oferecido por algumas instituições,
como a Polícia Rodoviária Federal ou as Polícias Militares, com nomes como
“Condução Veicular Policial” ou “Condução Policial”.

O conhecimento dos dois cursos (prático e teórico) se completa. Se você tiver


oportunidade, faça o outro curso: você não vai se arrepender!

E agora, o combinado: pare de torcer o nariz e abra a sua mente! Todos


podemos aprender e crescer profissionalmente, se quisermos. Se você enxergar o
curso como uma obrigação ou como uma formalidade, seu desempenho será
prejudicado. Mas, se você vier com o espírito disposto a aprender, vai ver que aqui
tem muita coisa boa e que são aplicáveis ao SEU trabalho, ao nosso trabalho!

Por fim, desejamos a você um excelente curso! Certamente, você vai


adquirir conhecimentos úteis para a sua profissão e para a sua vida! Vocês
merecem o melhor, pois são os guerreiros e guerreiras que zelam e protegem
o nosso Brasil!

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Módulo I - LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO

Apresentação do módulo
Neste primeiro módulo, você estudará regras importantes relacionadas à
condução de veículos de emergência previstas na legislação de trânsito (como as
categorias de habilitação e a relação delas com os veículos, as regras de circulação,
os documentos de porte obrigatório referentes ao condutor e ao veículo, os aspectos
importantes sobre a sinalização viária etc.) e, ainda, infrações, penalidades e crimes
relacionados à direção de veículo de emergência. Daremos uma especial atenção às
modificações recentes sobre o tema, para que você possa permanecer atualizado!

Objetivos do módulo
Ao final deste módulo, o aluno deverá ser capaz de:

• Conhecer quais são as categorias de habilitação e qual a relação delas com


os veículos conduzidos;

• Saber identificar quais os veículos est apto para conduzir;

• Identificar qual a documentação exigida para o veículo de emergência e seu


condutor;

• Conscientizar-se da importância de prestar atenção à sinalização viária;

• Conhecer as principais infrações de trânsito ligadas aos veículos de


emergência;

• Revisar as principais regras gerais de estacionamento, parada e circulação;

• Conscientizar-se das responsabilidades do condutor de veículo de


emergência.

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Estrutura do módulo
Este módulo compreende as seguintes aulas:

Aula 1 — Categoria de habilitação e relação com veículos conduzidos;

Aula 2 — Documentação exigida para condutor e veículo; Sinalização Viária;

Aula 3 — Infrações, crimes de trânsito e penalidades;

Aula 4 — Regras gerais de estacionamento, parada e circulação; e

Aula 5 — Legislação Específica e responsabilidades do condutor de veículo de


emergência.

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Aula 1 - Categoria de habilitação e relação com veículos
conduzidos

Introdução

Caro colega profissional de segurança pública, hoje estamos iniciando o


nosso curso de Condutores de Veículos de Emergência (CVE). Temos certeza de que
o conteúdo estudado será útil para a sua capacitação e para seu crescimento pessoal
e profissional.

A primeira coisa que temos que nos perguntar é: eu posso conduzir um veículo
de emergência? Eu posso conduzir a viatura da corporação? Existem requisitos para
isso? Ou qualquer policial, independentemente de ter feito cursos ou treinamentos,
pode conduzir? Se o seu órgão tiver como competências o atendimento de acidentes
e o socorro de vítimas, você está habilitado para conduzir uma ambulância, caso seja
preciso?

Não se preocupe. Todas estas perguntas serão respondidas no decorrer


deste módulo!

Vamos começar. Em primeiro lugar, pegue a sua carteira de habilitação e


verifique:

● A validade da sua habilitação; e


● A categoria à qual você está habilitado.

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Figura 1: Cédula da Carteira de Motorista
Fonte: DENATRAN.

Validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH)

A validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) está atrelada à validade


do Exame de aptidão física e mental. Sabia que muita gente se esquece de observar
a validade deste exame que dá validade à habilitação? Então, a primeira coisa que
devemos ter em mente é saber se a nossa CNH está dentro da validade, até porque
é infração de trânsito, de natureza gravíssima, conduzir com a CNH vencida há mais
de trinta dias.

O artigo 162, parágrafo V, do Código de Trânsito Brasileiro Lei nº 9.503/97 traz


a seguinte redação:

Art. 162. Dirigir veículo


[...] V- com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida
há mais de trinta dias:
Infração- gravíssima;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – recolhimento da Carteira Nacional de
Habilitação e retenção do veículo até apresentação de condutor
habilitado.

18
Você sabia?
A Lei n. 14.071/2020, de 13 de outubro de 2020, entrou em vigor, no dia
12 de abril de 2021. As CNHs expedidas após essa data passarão a
contar com a validade do exame de aptidão física e mental de dez anos,
para condutores com menos de 50 anos; e com a validade de cinco anos
para os condutores com idade igual ou superior a 50 (cinquenta) anos e
inferior a 70 (setenta) anos de idade.

Para os condutores com idade igual ou superior a 70 (setenta) anos o


prazo de validade passa a ser de 03 (três) anos, conforme o §2, inciso III
do Artigo 147 do CTB.

Restrições da CNH

Outro fator importante é a possível existência de restrição, expressa no campo


de observações da CNH. Caso tenha encontrado uma letra isolada neste campo da
Carteira de Habilitação é sinal de que você possui alguma restrição para a condução
de veículo automotor na via pública.

Para saber a relação completa dos códigos e das restrições previstas,


devemos consultar a tabela 1, a seguir, retirada da Resolução do CONTRAN n.
425/2012, com redação dada pela Resolução do CONTRAN n. 474/2014:

Acesse o Material Complementar e confira o Anexo XV da Resolução do


CONTRAN n. 425/2012.

Vamos a alguns exemplos:

a) Um Policial Federal observa a própria CNH e percebe que no campo de


observações há uma letra “A” maiúscula. Isso indica que ele só pode conduzir
veículos automotores utilizando lentes corretivas (óculos ou lentes de contato).

19
b) Um Policial Penal observa a própria CNH e percebe que no campo de
observações há uma letra “D” maiúscula. Isso indica que ele só pode conduzir
veículos com transmissão (marcha) automática.

A violação das condições estabelecidas no campo de observações da


CNH, conforme tabela acima, configura infração de trânsito de natureza gravíssima,
prevista no art. 162, inciso VI, do CTB (com exceção das restrições “T” e “U”, punidas
com a infração do art. 195).

O artigo 162, parágrafo VI, do Código de Trânsito Brasileiro Lei nº 9.503/97


traz a seguinte redação:

Art. 162. Dirigir veículo


[...] VI- sem usar lentes corretoras de visão, aparelho auxiliar de
audição, de prótese física ou adaptações do veículo impostas
por ocasião da concessão ou da renovação da licença para
conduzir:
Infração- gravíssima;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – recolhimento do veículo até o
saneamento da irregularidade ou apresentação de condutor
habilitado.

O artigo 195, do Código de Trânsito Brasileiro Lei nº 9.503/97 traz a seguinte


redação:

Art. 195. Desobedecer às ordens emanadas da autoridade


competente de trânsito ou de seus agentes:
Infração- gravíssima;
Penalidade – multa;

20
Mas qual veículo você pode conduzir? Você estudará sobre essa questão
a seguir.

1.1 Compreendendo as categorias


As categorias indicam o tipo de veículo que o motorista está habilitado a dirigir.
As regras a respeito das categorias de habilitação estão definidas no artigo 143 do
Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que estabelece uma gradação entre as
categorias: “Os candidatos poderão habilitar-se nas categorias de A a E, obedecida a
seguinte gradação: [...]” (BRASIL, 1997, n.p).

Contudo, não é bem assim, uma vez que o texto do CTB é complementado
pelo anexo I da Resolução do CONTRAN n. 789, de 18 de junho de 2020. Vejamos,
agora, cada uma das categorias de CNH e quais os tipos de veículos que podem ser
conduzidos com cada uma delas:

1.1.1 Categoria A
Inicialmente, vejamos o que está disposto no inciso I do art. 143 do CTB: “Art.
143. I - Categoria A - condutor de veículo motorizado de duas ou três rodas, com ou
sem carro lateral” (BRASIL, 1997, n.p.).

Ou seja, a categoria A permite que o condutor conduza motocicletas e


motonetas, com motor à combustão ou elétrico, independentemente da potência do
motor, além dos triciclos motorizados, dos ciclomotores e dos ciclo-elétricos.

Saiba mais:

Conforme o Anexo I do CTB, a motocicleta é o “veículo automotor de


duas rodas, com ou sem sidecar, dirigido por condutor em posição
montada”; já a motoneta é o “veículo automotor de duas rodas, dirigido
por condutor em posição sentada.” Veja a seguir, figuras que
exemplificam os três tipos de veículos:

21
Figura 2: Motocicleta
Fonte: canva.com; SCD/EaD/Segen.

Figura 3: Motocicleta com sidecar


Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Horex_sidecar_in_Rovigo_02.JPG

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Figura 3.1: Motoneta
Fonte: canva.com; SCD/EaD/Segen.

Importante!

Complementando o CTB, o Anexo I da Resolução nº 789, de 18 de junho de


2020, diz que a categoria A pode conduzir: “Veículos automotores e elétricos, de duas
ou três rodas, com ou sem carro lateral ou semirreboque especialmente projetado
para uso exclusivo deste veículo” (BRASIL, 2020, n.p.), deixando claro que a categoria
A também permite a condução de motocicletas e motonetas elétricas e o
tracionamento de semirreboques especialmente projetados e para uso exclusivo
desses veículos.

Os ciclomotores, que são veículos que possuem motor de combustão interna


com no máximo 50 cilindradas e atingem no máximo 50 km/h, e os ciclo-elétricos
também podem ser conduzidos por condutor que possua a Autorização para Conduzir
Ciclomotores (ACC), que é uma espécie de habilitação “simplificada”. Lembrando que
os ciclomotores também estão incluídos no rol de veículos que podem ser conduzidos
com a categoria “A”.

23
Quando o veículo possuir quatro ou mais rodas, não será mais possível
conduzi-lo apenas com a categoria A, será necessária uma categoria “superior”.
Contudo, se você possuir a categoria B, C, D ou E, não está autorizado a conduzir
veículos da categoria A.

Assim, você verificará que até há uma gradação entre as categorias, mas
apenas a partir da categoria B. Deste modo, a categoria C é superior à B; a D é
superior à C e B; e a E é superior às demais. Isso quer dizer que se você possui
habilitação em uma categoria superior pode conduzir veículos da(s) categoria(s)
inferior(res), com exceção da categoria A. Esta categoria, por sua vez, engloba a
ACC.

Por isso, o condutor habilitado a conduzir qualquer tipo de veículo terá,


em sua carteira de habilitação, no campo destinado à categoria, a anotação AE,
pois se o veículo tiver duas ou três rodas ele precisará da categoria A.

Mas, você pode se perguntar: existem veículos de emergência abrangidos


pela categoria A? A resposta é sim! As motocicletas utilizadas pelas polícias para as
atividades de escolta/batedor, policiamento ostensivo e patrulhamento ostensivo são,
sim, veículos de emergência.

Figura 4: Motocicletas Harley Davidson utilizadas pela Polícia Rodoviária Federal


Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Polícia_Rodoviária_Federal#/media/Ficheiro:Motociclista_PRF01.jpg.

24
Figura 5: Motocicletas utilizadas pela Polícia Militar do Piauí
Fonte: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/policia-amplia-projeto-voltado-para-policiamento-com-
motos.ghtml.

1.1.2 Categoria B

Conforme o inciso II do Art. 143 do CTB, a categoria B autoriza você a


conduzir veículo “motorizado, não abrangido pela categoria A, cujo peso bruto total
não exceda a três mil e quinhentos quilogramas e cuja lotação não exceda a oito
lugares, excluído o do motorista” (BRASIL, 1997, n.p.); ou seja, com capacidade para
até nove ocupantes.

Boa parte dos concursos públicos para ingresso nas instituições de segurança
pública já preveem, como requisito, que o candidato seja habilitado na categoria B.
Talvez tenha sido esse o seu caso.

Assim, é necessário verificar dois requisitos para se certificar de que você,


habilitado na categoria B, pode conduzir determinado veículo. São eles:

• Número de ocupantes (capacidade total);

• Peso Bruto Total (PBT).

Veja sobre cada um deles!

25
Número de ocupantes (capacidade total)

Para saber a capacidade total de ocupantes de um veículo, devemos verificar


o seu Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). O CRLV, seja no
documento impresso, seja no documento eletrônico, traz, no campo “lotação”, a
indicação precisa a respeito do número de ocupantes do veículo. Caso o condutor não
esteja portando o CRLV, será necessário consultar bancos de dados informatizados
para verificar esta informação. É baseada na informação do documento que a
fiscalização verifica a correspondência entre a habilitação do condutor e o veículo
conduzido.

Figura 6: CRLV (padrão novo) com destaque ao número de ocupantes do veículo


Fonte: https://www.detran.mg.gov.br/veiculos/documentos-de-veiculos/crlv-digital.

Peso bruto total (PBT)

Antes de mais nada, cabe uma explicação do que é o Peso Bruto Total (PBT)
e como chegamos a esse número.

Primeiramente, temos que saber o conceito de Tara, que é o “peso próprio do


veículo, acrescido dos pesos da carroçaria e equipamento, do combustível, das
ferramentas e acessórios, da roda sobressalente, do extintor de incêndio e do fluido
de arrefecimento, expresso em quilogramas.” (Conforme Anexo I do CTB).

Também precisamos saber o conceito de Lotação, que é a “carga útil máxima,


incluindo condutor e passageiros, que o veículo transporta, expressa em quilogramas

26
para os veículos de carga, ou número de pessoas, para os veículos de passageiros.”
(Conforme Anexo I do CTB).

Já o Peso Bruto Total (PBT), nada mais é do que o peso do veículo (tara)
+ capacidade de carga do veículo.

Mas o PBT nem sempre está expresso no CRLV, apesar de haver um campo
destinado ao registro da capacidade. Além disso, esse registro, na maioria das vezes,
não é preciso, haja vista ser preenchido de modo diverso pelos órgãos de trânsito.

Para saber qual o PBT você tem duas opções:

a) Verificar o manual do proprietário do veículo.

b) Procurar uma plaqueta, com a indicação de Tara e PBT, afixada no veículo.


Esta segunda opção é válida especialmente para os veículos de carga.

Figura 7: Plaqueta
Fonte: do conteudista.

Deixando claros os critérios, vamos agora falar dos tipos de veículos que
podem ser conduzidos com a CNH de categoria B.

Automóvel

O tipo de veículo mais comum que pode ser conduzido pelo condutor com a
categoria B é o Automóvel. Conforme o CTB, quando o veículo é destinado ao
transporte de passageiros e a sua lotação não exceda oito lugares, excluído o

27
condutor (9 ocupantes), ele é chamado de automóvel. Boa parte das viaturas que
utilizamos em nossas atividades policiais se enquadram como automóveis.

Figura 8: Viatura utilizada pela Polícia Federal


Fonte: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADcia/mais-de-500-novas-
viaturas-blindadas-ser%C3%A3o-entregues-%C3%A0-pol%C3%ADcia-federal-1.519272

Figura 9: Viatura da Polícia Ferroviária Federal


Fonte: SILVA (2012).

O quadriciclo é um tipo de ciclo motorizado que possui quatro rodas. Devido


a esta particularidade, a sua categoria de habilitação é a B. Existem dois tipos de
quadriciclos: os de cabine aberta e os de cabine fechada.

Veja o que diz a Resolução do Contran nº 573/2015 - Art. 2º, inciso I.

Art. 2º Para os efeitos desta Resolução, entende-se como


quadriciclos de cabine aberta:
I - o veículo automotor com estrutura mecânica similar às
motocicletas, possuindo eixo dianteiro e traseiro, dotado de
quatro rodas, com massa em ordem de marcha não superior a
400kg, ou 550kg no caso do veículo destinado ao transporte de

28
cargas, excluída a massa das baterias no caso de veículos
elétricos, cuja potência máxima do motor não seja superior a
15kW.

Figura 10: Quadriciclos de cabine aberta


Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/quadriciclo-4-rodas-ve%C3%ADculo-sujeira-1604190/.

Por sua vez, o quadriciclo de cabine fechada, também conhecido como UTV
(Utility Task Vehicle):

Veja o que diz a Resolução do Contran nº 573/2015 - Art. 2º, inciso II:

II - o veículo automotor elétrico com cabine fechada, possuindo


eixo dianteiro e traseiro, dotado de quatro rodas, com massa em
ordem de marcha não superior a 400kg, ou 550kg no caso do
veículo destinado ao transporte de cargas, excluída a massa das
baterias, cuja potência máxima do motor não seja superior a
15kW.

29
Figura 11: Quadriciclo de Cabine Fechada (UTV)
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/utilit%C3%A1rio-ve%C3%ADculo-do-terreno-utv-
2539173.

Por fim, uma última informação sobre os quadriciclos.

Veja o que diz a Resolução do Contran nº 573/2015, Art. 4º, inciso IV:

Art. 4º Devem ser observados os seguintes requisitos de


circulação nas vias públicas para os veículos previstos no Art. 3º
desta Resolução:
IV - Circulação restrita às vias urbanas, sendo proibida sua
circulação em rodovias federais, estaduais e do Distrito Federal.

Caminhonete

Conforme o anexo I do CTB, o veículo de carga com PBT de até 3.500 kg é


definido como caminhonete. É importante, aqui, saber fazer a distinção entre
caminhonete, camioneta e utilitário.

Conforme já vimos, a caminhonete é um veículo de carga.

Veja o que diz o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, a definição de


Veículo de Carga:

30
VEÍCULO DE CARGA - veículo destinado ao transporte de
carga, podendo transportar dois passageiros, exclusive o
condutor.

Todas as caminhonetes podem ser conduzidas com CNH na categoria B. No


entanto, em razão da limitação da capacidade de passageiros, não é comum a
utilização de caminhonetes como viaturas policiais.

Figura 12: Caminhonete


Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fiat_Strada_1.4_Trekking_2012_(12825350303).jpg.

Camioneta

Conforme o Código de Trânsito Brasileiro, a camioneta é um “veículo misto


destinado ao transporte de passageiros e carga no mesmo compartimento” (BRASIL,
1997, n.p). Logo, o que caracteriza as camionetas é a inexistência de separação física
entre o habitáculo de passageiros e o compartimento de carga.

A maioria das camionetas possui PBT inferior a 3500 kg; logo, podem ser
conduzidas por condutor habilitado na categoria B. No entanto, existem algumas
exceções. Na dúvida, consulte o PBT do veículo antes de conduzir.

31
Figura 13: Camioneta utilizada pela Polícia Civil de SP
Fonte: https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2019/08/novo-departamento-de-elite-da-
policia-civil-de-sp-comeca-a-funcionar.shtml.

Figura 14: Camioneta utilizada pela Polícia Rodoviária Federal


Fonte:
https://estadodeminas.vrum.com.br/app/noticia/noticias/2013/07/31/interna_noticias,48081/chevrolet-
trailblazer-passa-a-integrar-a-frota-da-policia-rodoviaria-federal.shtml.

Utilitário

Conforme o Código de Trânsito Brasileiro, o utilitário é um “veículo misto


caracterizado pela versatilidade do seu uso, inclusive fora de estrada” (BRASIL, 1997,
n.p). Trocando em miúdos, podemos afirmar que, nos utilitários, diferentemente das

32
camionetas, há uma separação física entre o compartimento de carga e o habitáculo
dos passageiros.

A maioria dos utilitários possui PBT inferior a 3500 kg, logo, podem ser
conduzidas por condutor habilitado na categoria B. No entanto, assim como no caso
das camionetas, existem algumas exceções. Na dúvida, consulte o PBT do veículo
antes de conduzir.

Figura 15: Ford/Ranger utilizada pelo Corpo de Bombeiros Militar do estado de Santa
Catarina
Fonte: https://notiserrasc.com.br/tv-ns-corpo-de-bombeiros-adquire-nova-viatura/

Figura 16: Viatura da Polícia Penal do estado do Ceará


Fonte: https://jcconcursos.uol.com.br/noticia/concursos/concurso-policia-penal-ce-80381

Nota: Alguns órgãos de trânsito, por desconhecimento da


legislação, costumam embaralhar os conceitos de caminhonete,
camioneta e utilitário. Logo, pode ser que, na sua prática, você

33
encontre veículos registrados de modo diverso ao que está previsto
na legislação.

Conforme exposto anteriormente, não significa que o condutor habilitado na


categoria B poderá conduzir apenas automóvel, quadriciclo ou caminhonete. Não é
isso. Mas, é correto afirmar que se o veículo for um automóvel, um quadriciclo ou uma
caminhonete, certamente a habilitação exigida será, no mínimo, a categoria B, em
virtude da definição destes veículos.

No caso das camionetas, dos utilitários e dos veículos especiais


(ambulâncias), por exemplo, para saber se você pode conduzi-los com CNH de
categoria B, é necessário verificar o PBT e a lotação do veículo.

Observação: existem algumas exceções às regras apresentadas


anteriormente. A Lei n. 12.452/2011 alterou o CTB e autorizou os condutores da
categoria B a conduzirem veículos do tipo motor-casa de até 6.000 kg, cuja lotação
não exceda a oito lugares, excluído o condutor. E, por sua vez, a alteração da Lei n.
13.097/2015 autorizou a condução, com categoria B, de tratores de roda e de
equipamentos automotores destinados a executar trabalhos agrícolas.

1.1.3 Categoria C

Conforme previsão legal do art. 143, inciso III, do CTB, a categoria C permite
conduzir “veículo motorizado utilizado em transporte de carga, cujo peso bruto
total exceda a três mil e quinhentos quilogramas”.

É importante dizer que não existe limite de peso para o condutor da categoria
C. Assim, um caminhão do tipo simples, ou seja, que não está rebocando nenhum
outro veículo, pode ter qualquer PBT e ainda assim poderá ser conduzido com a
categoria C.

34
Importante!

O anexo I da Resolução do CONTRAN n. 789/2020 deixa bem claro que o


condutor habilitado na Categoria C pode conduzir todos os veículos da categoria B.

Embora os veículos da categoria C normalmente não sejam utilizados para


atividades ordinárias de policiamento e patrulhamento ostensivo, eles costumam ser
utilizados para atividades específicas como combate a incêndios, recolhimento de
animais ou reboque de veículos.

IMPORTANTE!
Como o anexo I da Resolução do CONTRAN n. 789/2020
deixa bem claro que o condutor habilitado na Categoria C pode
conduzir todos os veículos da categoria B.

Embora os veículos da categoria C normalmente não


sejam utilizados para atividades ordinárias de policiamento e
patrulhamento ostensivo, eles costumam ser utilizados para
atividades específicas como combate a incêndios, recolhimento
de animais ou reboque de veículos.

35
Figura 17: Caminhão do Corpo de Bombeiros do Paraná
Fonte: http://www.bombeiros.pr.gov.br/Noticia/Caminhao-de-Bombeiros-de-alta-tecnologia-reforcara-
atendimentos-em-Curitiba-e-regiao.

Figura 18: Caminhão-prancha utilizado pela Polícia Militar do Distrito Federal


Fonte: http://www.pmdf.df.gov.br/index.php/institucionais/26284-pmdf-recebe-novos-caminhoes-
guincho.

O CTB, ao se referir à categoria C, menciona apenas veículos de carga com


PBT superior a 3500 kg, mas, na prática, é necessário entender que qualquer veículo
— seja de carga ou não — com PBT superior a 3.500 kg necessita de condutor da
categoria C — exceto motor-casa — salvo quando há a exigência de categoria
superior.

36
As camionetas, utilitários e veículos especiais cujo PBT supera 3500 kg
devem ser conduzidas por condutor habilitado, no mínimo, na categoria C.

Exemplificando:

Figura 19: Ambulância veículo com PTB de 4.000 kg


Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Servi%C3%A7o_de_Atendimento_M%C3%B3vel_de_Urg%C3%AAncia#/
media/Ficheiro:SAMU_(5641372633).jpg.

Na foto, vemos um veículo com PBT de 4.000 kg adaptado para ser utilizado
como ambulância. Não é um veículo da espécie carga, mas sim definido como
especial. Mesmo não sendo de carga, para conduzi-lo será necessária a categoria C,
pois ultrapassa o limite de PBT da categoria B.

Por fim, o trator de roda (exceto os tratores agrícolas, para os quais se exige
categoria B), o trator de esteira, o trator misto ou o equipamento automotor destinado
à movimentação de cargas ou à execução de trabalho agrícola, de terraplenagem, de
construção ou de pavimentação só podem ser conduzidos na via pública por condutor
habilitado, no mínimo, na categoria C (conforme Art. 144, caput, do Código de Trânsito
Brasileiro).

37
1.1.4 Categoria D
Conforme previsão legal do Art. 143, inciso IV, do CTB, a categoria D permite
conduzir “veículo motorizado utilizado no transporte de passageiros, cuja lotação
exceda a oito lugares, excluído o do motorista”.

Ou seja, se você for habilitado na categoria D, você pode conduzir micro-


ônibus (veículos de passageiros entre 10 e 20 lugares), vans (pelo CTB, as vans são
consideradas um tipo de micro-ônibus) e ônibus (veículos de passageiros com mais
de 20 lugares).

Os órgãos de segurança pública costumam utilizar esses tipos de veículos


para o transporte de seu efetivo. No entanto, como eles, em geral, carecem de luzes
intermitentes e dispositivos de alarme sonoro, não são considerados veículos de
emergência.

Figura 20: Ônibus da Força Nacional


Fonte: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2016/05/reuniao-vai-definir-operacao-da-forca-nacional-de-
seguranca-no-ceara.html.

38
Figura 21: Micro-ônibus da Polícia Militar de Rondônia
Fonte: https://folhanobre.com.br/2017/06/14/policia-militar-recebe-06-micro-onibus/49564/.

Resumindo:

Quando o veículo tiver lotação superior a oito lugares, excluído o condutor, é


necessário que o condutor possua habilitação na categoria D. Perceba que as
categorias C e D são facilmente compreendidas a partir da categoria B.

Para pensar:

A categoria B permite a condução de veículos com PBT não superior a 3500


kg e cuja lotação não exceda a oito lugares, excluído o condutor. Certo?

Quando ultrapassado o limite de peso, o condutor deverá possuir qual


categoria? Resposta — “C”.

Já, se o limite de ocupantes (lotação) da categoria B for ultrapassado, será


então necessária qual categoria? Resposta — “D”.

IMPORTANTE!
O anexo I da Resolução do CONTRAN n. 789/2020 deixa
bem claro que o condutor habilitado na Categoria D pode
conduzir todos os veículos das categorias B e C.

39
1.1.5 Categoria E

A categoria E é exigida apenas quando trata-se de uma combinação de


veículos e, ainda assim, a partir de determinadas situações. Veja o texto da lei:

Art. 143 [...] V - categoria E - condutor de combinação de


veículos em que a unidade tratora se enquadre nas categorias
B, C ou D e cuja unidade acoplada, reboque, semirreboque,
trailer ou articulada tenha 6.000 kg (seis mil quilogramas) ou
mais de peso bruto total, ou cuja lotação exceda a oito lugares
(BRASIL, 1997, n.p.).

De maneira mais simples, pode-se dizer que configura uma combinação de


veículos quando houver um conjunto de dois ou mais veículos.

Exemplificando:

Um automóvel rebocando um trailer é uma combinação de veículos.

Um caminhão-trator (“cavalinho”) atrelado a um semirreboque também é uma


combinação de veículos.

Figura 22: Combinação de veículos: caminhão-trator com semirreboque


Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Carreta_VW_no_Brasil.JPG.

40
Quando for necessário conduzir uma combinação de veículos, você deverá
certificar-se se a lei exige ou não categoria E. Para isso, basta verificar a unidade
tracionada.

Por exemplo, veja este semirreboque:

Figura 23: Semirreboque para transporte de cargas


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Semirreboque#/media/Ficheiro:Presenningstrailer.JPG.

Caso o PBT, somente da unidade tracionada, for igual ou superior a 6.000 kg,
será exigida a categoria E. No exemplo acima, o PBT deste semirreboque é de 25.500
kg, logo, para conduzir um veículo capaz de tracionar este semirreboque o condutor
deverá possuir categoria E.

Caso a unidade tracionada seja destinada ao transporte de passageiros, você


deve verificar a capacidade (lotação). Se a unidade tracionada possuir lotação maior
que oito lugares, também será exigida a categoria E.

41
Ou seja, a lei exige categoria E apenas quando se tratar de uma combinação
de veículos e, ainda assim, quando a unidade tracionada possuir determinada
configuração. Quando houver uma combinação de veículos e não for exigível a
categoria E, haverá a necessidade de se verificar qual a categoria adequada ao peso
e à lotação do conjunto.

IMPORTANTE!
O anexo I da Resolução do CONTRAN n. 789/2020, deixa
bem claro que o condutor habilitado na Categoria E pode
conduzir todos os veículos das categorias B, C e D.

Ouça o ÁUDIO 2

1.1.6 Combinações de Veículos — aprofundando o assunto

Até este momento, você estudou as informações básicas a respeito das


categorias e dos veículos. Nesta parte inicial, a fiscalização se mostra uniforme na
cobrança das regras expostas. Contudo, devido a certa falta de profundidade da lei,
há casos em que a maioria das pessoas tem dificuldade em definir a categoria
adequada ao veículo. No entanto, o condutor de veículo de emergência deve dominar
o assunto, a fim de verificar se é habilitado a conduzir determinado veículo.

Esses casos normalmente ocorrem quando há uma combinação de veículos


e a categoria E não é exigível.

42
Exemplificando:

Veja a figura a seguir:

Figura 24: Reboque para jet ski


Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/jetski-salva-vidas-resgate-praia-446958/.

Considere, para fins didáticos, que este semirreboque possua um PBT de


1200 kg. Agora imagine que você está conduzindo uma viatura, uma camioneta com
lotação de cinco lugares e PBT de 1800 kg; e que você está rebocando aquele
semirreboque com PBT de 1200 kg. Somando o peso bruto total da combinação,
temos 1800 + 1200 = 3000 kg. Logo, para este caso, a categoria E não é exigível.

Observe que esta é uma combinação de veículos, mas que a categoria E, que
seria exigível apenas quando a unidade tracionada (reboque) tivesse a partir de 6.000
kg de PBT, não é necessária, pois a unidade tracionada (semireboque que carrega o
jet ski) possui apenas 1200 kg de PBT.

No exemplo acima, qual a categoria mínima necessária para conduzir a


combinação de veículos?

Resposta: Categoria B.

43
Contudo, se o reboque for um pouco maior, a situação é diferente.

Figura 25: Combinação de veículos: utilitário mais reboque


Fonte: https://pxhere.com/pt/photo/1351990.

No exemplo acima, para fins didáticos, considere que o utilitário tenha um PBT
de 1950 kg e que o reboque de carga tenha um PBT de 2400 kg.

Perceba que a soma dos PBTs (1950 kg + 2400 kg = 4350 kg) ultrapassa o
limite da categoria B (3.500 kg). Nesse caso, o condutor terá que ser habilitado, no
mínimo, na categoria C.

O mesmo ocorre se o veículo rebocado for destinado ao transporte de


pessoas. Você deve somar a lotação do veículo trator e do veículo tracionado para
verificar a categoria adequada.

No entanto, o CONTRAN, a fim de alinhar o entendimento, previu a


necessidade de se considerar a unidade acoplada na verificação da categoria
necessária à condução, ou seja, é necessário somar a capacidade da unidade
tracionada.

Essa previsão está no anexo I da Resolução do CONTRAN n. 789/2020,


denominado “Tabela de Abrangência dos Documentos de Habilitação”. Ao se referir à
categoria B, a redação é a seguinte:

44
- Veículos automotores e elétricos, não abrangidos pela
categoria A, cujo Peso Bruto Total (PBT) não exceda a 3.500 kg
e cuja lotação não exceda a oito lugares, excluído o do motorista;

- Combinações de veículos automotores e elétricos em que a


unidade tratora se enquadre na categoria B, com unidade
acoplada, reboque, semirreboque, trailer ou articulada, desde
que a soma das duas unidades não exceda o peso bruto total de
3.500 kg e cuja lotação total não exceda a oito lugares, excluído
o do motorista; […] (BRASIL, 2020b, n.p.).

Aula 2 - Documentação exigida para condutor e veículo;


Sinalização Viária

Introdução

Caro aluno, profissional de segurança pública, em nossa primeira aula você


estudou quais são as categorias de habilitação, previstas em lei, e quais veículos
podem ser conduzidos com cada uma delas. Isso é de suma importância na hora de
avaliar se você está habilitado a conduzir o veículo disponibilizado pela sua
corporação.

Dando continuidade aos nossos estudos, agora, nós veremos quais são os
documentos exigidos, para o condutor e o veículo, durante a condução. Também
estudaremos os elementos mais importantes da Sinalização Viária e como o
conhecimento dela é imprescindível para a condução com segurança, seja da viatura,
seja de seu carro particular.

Testando o conhecimento:

45
Antes de iniciar o estudo deste capítulo, pare e reflita:

Figura 26: Pare e reflita


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

2.1 Documentos exigidos para o veículo

Conforme a legislação de trânsito brasileira, o Certificado de Registro e


Licenciamento de Veículo (CRLV), também chamado de Certificado de Licenciamento
Anual (CLA) é de porte obrigatório.

Outros documentos também podem ser de porte obrigatório para o veículo,


como por exemplo, a Autorização Especial de Trânsito (AET), necessária para os
veículos cujas dimensões e peso excedam o previsto na Resolução do Contran n°
210/2006.

Certo, mas aí você pode se perguntar: o que vem a ser este documento, o
CRLV? Em que condições ele vem a ser emitido? Como ele se parece? Ele deve,
obrigatoriamente, ser emitido em papel-moeda? Ele pode ser apresentado em formato
digital?

Antes do licenciamento, cabe lembrar que todos os veículos devem ser


registrados, conforme nos ensina o Código de Trânsito Brasileiro:

Art. 120. Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque


ou semirreboque, deve ser registrado perante o órgão executivo
de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, no Município de

46
domicílio ou residência de seu proprietário, na forma da lei
(BRASIL, 1997, n.p.).

Para comprovar o registro, o órgão executivo de trânsito do Estado ou do


Distrito Federal emite um documento chamado Certificado de Registro de Veículo
(CRV – chamado popularmente de “DUT”). O CRV NÃO É (e nunca foi) documento
de porte obrigatório! Ele nada mais é do que um documento que comprova que o
veículo é registrado e quem é o seu proprietário. Na verdade, há diversos especialistas
que orientam, taxativamente, a não portar o CRV, devido ao risco de fraude caso ele
venha a cair em mãos erradas. No entanto, não é proibido portar este documento e
não é incomum que ele seja apresentado pelos condutores em fiscalizações de rotina.

Até recentemente, o CRV era emitido apenas em meio físico (papel-moeda).


Mas, atualmente, o CRV passou a poder ser emitido em meio digital e, mesmo o
documento físico, não precisa mais ser emitido em papel-moeda. Preste atenção no
Art. 121 do CTB, com a redação dada pela Lei n. 14.071/2020, que entrou em vigor
no dia 12 de abril de 2021:

Art. 121. Registrado o veículo, expedir-se-á o Certificado de


Registro de Veículo (CRV), em meio físico e/ou digital, à escolha
do proprietário, de acordo com os modelos e com as
especificações estabelecidos pelo CONTRAN, com as
características e as condições de invulnerabilidade à falsificação
e à adulteração (BRASIL, 2020a, n.p).

É importante ressaltar que os CRVs emitidos até a entrada em vigor da


alteração legislativa não perdem a sua validade; e que só há a necessidade da
expedição de um novo documento nos seguintes casos: se for transferida a
propriedade, se o proprietário mudar o município de domicílio ou de residência, se for
alterada qualquer característica do veículo ou se houver mudança de categoria
(conforme previsto no Art. 123 do CTB).

47
Dica:

Uma maneira fácil de o profissional de segurança pública se


familiarizar com o modelo e com as especificações do CRV é por meio
da observação do CRV do seu veículo. Se o documento for no modelo
antigo (papel-moeda), vale a pena observar o documento com uma
lupa (para verificar os itens de segurança) e, se possível, colocá-lo em
uma luz ultravioleta. Desse modo, ao ser exposto a um documento
falso, o profissional pode saber como identificá-lo ou, ao menos,
levantar a suspeita de que há algo errado.

No entanto, diferentemente do registro, o licenciamento do veículo deve ser


realizado anualmente pelos órgãos executivos de trânsito do Estado ou do Distrito
Federal onde estiver registrado o veículo.

Veja o que diz o Artigo 130 do Código de Trânsito Brasileiro:

Art. 130. “Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque


ou semirreboque, para transitar na via, deverá ser licenciado
anualmente pelo órgão executivo de trânsito do Estado, ou do
Distrito Federal, onde estiver registrado o veículo.”

Conforme o CTB, o veículo somente será considerado licenciado estando


quitados os débitos relativos a tributos, a encargos e a multas de trânsito e ambientais,
vinculados ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações
cometidas (conforme o Art. 131, § 2º do CTB). Somente após a verificação da quitação
é que será expedido o CRLV, também chamado de CLA (Certificado de Licenciamento
Anual):

Art. 131. O Certificado de Licenciamento Anual será expedido


ao veículo licenciado, vinculado ao Certificado de Registro de
Veículo, em meio físico e/ou digital, à escolha do proprietário, de
acordo com o modelo e com as especificações estabelecidos

48
pelo CONTRAN. (Redação dada pela Lei n.º 14.071/2020)
(BRASIL, 2020a, n.p).

Conforme o art. 133, caput, do CTB, o CRLV é um documento de porte


obrigatório, ou seja, durante a condução do veículo, o condutor deve estar em posse
dele. No entanto, a dispensa do porte pode ocorrer em algumas situações. Vejamos:

Art. 133. É obrigatório o porte do Certificado de Licenciamento


Anual.
Parágrafo único. O porte será dispensado quando, no momento
da fiscalização, for possível ter acesso ao devido sistema
informatizado para verificar se o veículo está licenciado (Incluído
pela Lei n. 13.281, de 2016) (BRASIL, 2016, n.p.).

Em relação ao modelo do CRLV, cumpre informar que, recentemente,


ocorreram alterações importantes, e que você, condutor de veículos de emergência,
deve conhecer.

Até recentemente, os CRLVs deviam ser emitidos em papel-moeda, conforme


o modelo e as especificações estabelecidas pelo CONTRAN. O modelo a seguir é
aquele previsto na Resolução do CONTRAN n. 16/1998, com as alterações dadas
pela Resolução do CONTRAN n. 775/2019:

Figura 27: CRLV — Modelo Anterior


Fonte: do conteudista.

49
Os últimos CRLVs impressos em papel-moeda foram emitidos em 31 de julho
de 2020. No entanto, dependendo da situação e do calendário de licenciamento
aplicável (nacional ou estadual), eles podem ser válidos até dezembro de 2021.

De agosto de 2020 em diante, entrou em vigor um novo modelo de CRLV.


Atualmente, o modelo do CRLV é dado pela Resolução do CONTRAN n. 809, de 15
de dezembro de 2020. A característica mais marcante desse novo modelo é que ele
pode ser impresso em papel comum; e que até mesmo o particular pode imprimi-lo:

Figura 28: Modelo de CRLV Atual, impresso em papel comum


Fonte: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-809-de-15-de-dezembro-de-2020-
296178226.

Vale salientar que não é exigido o porte do comprovante do pagamento do


seguro obrigatório e IPVA, informações essas, via de regra, inseridas no próprio
documento do veículo.

Por fim, ainda existe a possibilidade da emissão e do porte do documento do


veículo em meio digital.

50
Saiba mais:
Caro profissional de segurança pública, para tirar todas as suas dúvidas
acerca da emissão do CRLV-e (digital), acesse o site:
https://campanhas.serpro.gov.br/cdt/

É importante que você tenha consciência de que essas mudanças (CRLV


impresso em papel comum e CRLV-e) fazem parte do esforço de desburocratização
do Governo Federal, para facilitar a vida dos cidadãos e provê-los com soluções
digitais mais baratas e confiáveis.

Por fim, vale salientar que o fato de o veículo ser classificado como de
emergência não faz com que seja necessário o porte de qualquer outro documento do
veículo. Contudo, é necessário verificar se o veículo possui os dispositivos luminosos
intermitentes e os dispositivos de alarme sonoro (sirene), e é indispensável que ele
seja um daqueles identificados no artigo 29, inciso VII do CTB, pois somente eles
podem utilizar tais dispositivos.

Exemplificando...
Um veículo conhecido como van, com capacidade para doze
pessoas, é utilizado para o transporte de pacientes entre as cidades do
interior e a capital do estado. A prefeitura proprietária do veículo o equipa
com dispositivo luminoso vermelho sobre o teto e alarme sonoro (sirene).
Contudo, no CRLV, o veículo está identificado como micro-ônibus e não há
qualquer referência à ambulância. No caso citado, o veículo não poderia
estar equipado com o que Paulus e Walter (2013) chamam de dispositivos
de prerrogativas. Apenas os veículos de emergência podem ser equipados
com tais dispositivos.

2.2 Documentação do condutor

51
No que diz respeito à documentação do condutor, você deverá sempre estar
portando a sua Carteira Nacional de Habilitação, podendo ser aquela emitida em meio
físico ou em meio digital, conforme está previsto no CTB:

Art. 159. A Carteira Nacional de Habilitação, expedida em meio


físico e/ou digital, à escolha do condutor, em modelo único e de
acordo com as especificações do CONTRAN, atendidos os pré-
requisitos estabelecidos neste Código, conterá fotografia,
identificação e número de inscrição no Cadastro de Pessoas
Físicas (CPF) do condutor, terá fé pública e equivalerá a
documento de identidade em todo o território nacional (Redação
dada pela Lei n. 14.071/2020) (BRASIL, 2020a, n.p.).

Da mesma forma que ocorre com o CRLV, o porte da CNH será dispensado
quando, no momento da fiscalização, for possível ter acesso ao sistema informatizado
para verificar se o condutor está habilitado (conforme previsto no § 1º-A, do art. 159
do CTB, inserido no CTB pela Lei n. 14.071/2020).

Saiba mais:
Para saber como você pode solicitar a sua Carteira Nacional de
Habilitação em formato digital, acesse:
https://campanhas.serpro.gov.br/cdt/

Figura 29: Modelo de CNH Digital (CNH-e)


Fonte: https://campanhas.serpro.gov.br/cdt/.

52
No caso específico da condução de veículo de emergência, também é
obrigatório o porte do certificado correspondente a esse curso.

A comprovação da conclusão do curso ocorre pelo porte do certificado de


conclusão, até que a informação seja inserida em campo específico da carteira de
habilitação.

Figura 30: Exemplo de Certificado de Conclusão do Curso de CVE


Fonte: SCD/EaD/Segen.

IMPORTANTE!
O Curso de Condutor de Veículo de Emergência possui
validade de cinco anos, quando, então, é necessário fazer a
atualização, cuja carga horária é de dezesseis horas-aula
(16h/a).

53
IMPORTANTE!
Quando você for renovar sua carteira de habilitação,
lembre-se de apresentar o comprovante da conclusão do curso
de condutor de veículo de emergência, para que seja realizada
sua inclusão na CNH.

Caro condutor de veículo de emergência, antes de iniciar o deslocamento,


certifique-se de estar portando os documentos obrigatórios do condutor e do veículo,
seja em sua forma física ou digital, pois não portar tais documentos incorre na infração
prevista no artigo 232 do CTB, que, além de prever multa referente à infração de
natureza leve, ainda determina a retenção do veículo até a apresentação do
documento (BRASIL, 1997).

Lembre-se também que, além da sua CNH (física ou digital) é necessário


portar o certificado do curso de Condução de Veículos de Emergência, caso o mesmo
ainda não tenha sido inserido no campo de observações de sua CNH.

2.3 Sinalização Viária


Não é exigido de você, condutor de veículo de emergência, nenhum
conhecimento específico no que tange à sinalização viária, além daqueles exigidos
para o condutor comum. Mas, na condução do veículo de emergência em situação de
urgência, é primordial que você conheça as determinações, advertências e indicações
da sinalização viária para prever a conduta esperada dos demais condutores da via,
já que, nessa situação excepcional, o veículo de emergência possui livre circulação.

É claro que você também deve estar preparado para as situações em que os
condutores não obedeçam às regras estabelecidas pela sinalização. Por este motivo,
o condutor do veículo de emergência deve desenvolver características específicas
para tornar o deslocamento de emergência menos perigoso.

De modo geral, então, não se esqueça de que a Sinalização Vertical de


Regulamentação tem por finalidade informar aos usuários as condições, proibições,

54
obrigações ou restrições no uso das vias. Sua forma padrão é a circular, e suas cores
são vermelha, preta e branca.

Exemplificando:

Figura 31: Placas de Regulamentação


Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004; SCD/
EaD/Segen.
Saiba mais:
Quanto ao formato, as exceções entre as placas de regulamentação são
as de “Parada Obrigatória” (formato octogonal) e a de “Dê a Preferência”
(triângulo, com um dos vértices apontando para baixo). A razão disso é
permitir que elas sejam identificadas mesmo por quem vem em sentido
contrário da via (de costas).

Por sua vez, a Sinalização Vertical de Advertência tem por finalidade


alertar os condutores sobre condições com potencial risco existentes na
via ou nas suas proximidades, tais como escolas e passagens de
pedestres. Sua forma padrão é quadrada (com um dos vértices para
baixo) e suas cores são amarela e preta.

Exemplificando:

55
Figura 32: Placas de advertência
Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004; SCD;
EaD/Segen.

Embora o desrespeito à sinalização de advertência não se constitua em


infração de trânsito, o condutor de veículo de emergência deve prestar bastante
atenção a elas, pois indicam situações potencialmente perigosas à frente, como
curvas fechadas ou cruzamentos.

Por fim, a Sinalização Vertical de Indicação pode indicar direções,


localizações, pontos de interesse turístico ou de serviços e transmitir mensagens
educativas, entre outras, de maneira a ajudar o condutor em seu deslocamento.

Exemplificando:

Figura 33: Placas de indicação


Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004;
SCD/EaD/Segen.

Tão importante quanto a sinalização vertical (placas) é a sinalização


horizontal, composta pelas marcas viárias pintadas ou aplicadas sobre o pavimento.
Esta sinalização tem a finalidade de transmitir e orientar os usuários sobre as
condições de utilização adequada da via, compreendendo as proibições, restrições e
informações que lhes permitam adotar comportamento adequado, de forma a
aumentar a segurança e ordenar os fluxos de tráfego.

56
Para saber mais

Conforme o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito - Volume 4 -


Sinalização Horizontal (conforme Resolução do CONTRAN nº 236, de 11 de maio de
2007), a sinalização horizontal deve adotar as seguintes combinações de traçados
(formas) e cores:

Padrão de traçado (formas):

● Contínua: corresponde às linhas sem interrupção, aplicadas em trecho


específico de pista;

● Tracejada ou Seccionada: corresponde às linhas interrompidas, aplicadas


em cadência, utilizando espaçamentos com extensão igual ou maior que o traço;

● Setas, Símbolos e Legendas: correspondem às informações


representadas em forma de desenho ou inscritas, aplicadas no pavimento, indicando
uma situação ou complementando a sinalização vertical existente.

Padrão de traçado (formas)

Contínua:

corresponde às linhas sem interrupção, aplicadas em trecho específico de pista;

Tracejada ou Seccionada

corresponde às linhas interrompidas, aplicadas em cadência, utilizando


espaçamentos com extensão igual ou maior que o traço;

57
Setas, Símbolos e Legendas:

correspondem às informações representadas em forma de desenho ou inscritas,


aplicadas no pavimento, indicando uma situação ou complementando a sinalização
vertical existente.

Padrão de cores:

● AMARELA, utilizada para:

– Separar movimentos veiculares de fluxos opostos;

– Regulamentar ultrapassagem e deslocamento lateral;

– Delimitar espaços proibidos para estacionamento e/ou parada;

– Demarcar obstáculos transversais à pista (lombada).

● BRANCA, utilizada para:

– Separar movimentos veiculares de mesmo sentido;

– Delimitar áreas de circulação;

– Delimitar trechos de pistas, destinados ao estacionamento regulamentado


de veículos em condições especiais;

– Regulamentar faixas de travessias de pedestres;

– Regulamentar linha de transposição e ultrapassagem;

– Demarcar linha de retenção e linha de “Dê a preferência”;

– Inscrever setas, símbolos e legendas.

● VERMELHA, utilizada para:

– Demarcar ciclovias ou ciclofaixas;

58
– Inscrever símbolo (cruz).

● AZUL, utilizada como base para:

– Inscrever símbolo em áreas especiais de estacionamento ou de parada para


embarque e desembarque de idosos e pessoas com deficiência física.

● PRETA, utilizada para:

– Proporcionar contraste entre a marca viária/inscrição e o pavimento,


(utilizada principalmente em pavimento de concreto) não constituindo propriamente
uma cor de sinalização.

IMPORTANTE!
Em relação à Sinalização Horizontal (marcas no
pavimento), o condutor de veículo de emergência deve prestar
atenção especial à marcação contínua amarela, indicando
proibição de ultrapassagem, especialmente em locais sem
visibilidade, como aclives e curvas, pois, embora durante o
deslocamento de urgência o condutor não cometa infrações de
trânsito, a ultrapassagem em tais locais pode gerar risco de
acidentes graves, tais como colisões frontais.

Da mesma forma, o condutor de veículos de emergência


deve prestar atenção especial à sinalização horizontal na cor
vermelha, pois a mesma é utilizada na marcação viária de
ciclovias e ciclofaixas. Considerando que o modal cicloviário vem
recebendo importante incremento nos últimos anos, é
importante que você se conscientize da importância de zelar
pela segurança dos ciclistas, especialmente quanto à

59
manutenção de uma distância segura ao passar por eles (no
mínimo, 1,5 metro).

Esteja sempre atento à sinalização viária, pois ela é indispensável à boa


condução do veículo, sobretudo em situação de emergência.

AULA 3 — Infrações, crimes de trânsito e

penalidades

Introdução

Caro profissional de segurança pública, na aula anterior você viu quais são os
documentos exigidos para o condutor e para o veículo de emergência, assim como
estudou sobre a importância de prestar atenção à sinalização viária para poder se
antecipar a possíveis riscos para o seu deslocamento.

Nesta aula, veremos algumas infrações que envolvem os veículos de


emergência, além de revisarmos quais são as penalidades e os crimes de trânsito.

Recordando:

60
Figura 34: Recordando
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

3.1 Infrações

Do mesmo modo que nas aulas anteriores, você estudará regras específicas
para os condutores de veículos de emergência, além de outras situações que
envolvem a condução de veículos de emergência.

Antes de mais nada, cabe informar que, nas “condições normais de


temperatura e pressão”, ou seja, em deslocamentos “normais”, fora de situações de
urgência e emergência, você, enquanto condutor especializado, estará sujeito a todas
as regras comuns, embora existam algumas regras específicas que envolvem os
veículos de emergência.

A única infração do CTB voltada especialmente para os condutores de


veículos de emergência é a prevista no artigo 222:

Art. 222. Deixar de manter ligado, nas situações de atendimento


de emergência, o sistema de iluminação vermelha intermitente

61
dos veículos de polícia, de socorro de incêndio e salvamento, de
fiscalização de trânsito e das ambulâncias, ainda que parados:
Infração - média; Penalidade - multa. (BRASIL, 1997, n.p.).

Vamos pensar um pouco sobre a razão da existência dessa norma. Ela visa,
antes de mais nada, resguardar a segurança da própria equipe que está realizando o
atendimento de emergência. Uma vez que o veículo está em uma via pública, sem as
luzes intermitentes ligadas, os outros condutores podem não perceber que a viatura
está imobilizada e podem colidir contra ela ou mesmo vir a atropelar algum membro
da equipe ou a vítima que está sendo socorrida. Essa preocupação é especialmente
importante no período noturno!

IMPORTANTE!
Dependendo da situação, especialmente quando do
atendimento de ocorrências em rodovias ou vias de trânsito
rápido, é importante que a equipe providencie sinalização
adicional, por meio de cones, triângulo de segurança e/ou meios
de fortuna. Aqui, não há uma infração de trânsito associada, mas
lembre-se que a sua segurança vem em primeiro lugar!

E se o acidente ou a emergência envolver a imobilização da viatura sobre o


leito viário, você saberia como proceder nestes casos?

A resposta, caro colega, é que você deve providenciar ao menos a sinalização


mínima prevista na norma, que é a seguinte:

- Acionar, imediatamente, as luzes de advertência (pisca-alerta); e


- Providenciar a colocação do triângulo de sinalização ou equipamento
similar (pode, inclusive, usar os cones de sinalização) à distância mínima

62
de 30 metros da parte traseira do veículo (de acordo com a resolução
do Contran nº 36, de 21 de maio de 1998).

IMPORTANTE!
Fique atento, também, ao fato de nunca utilizar o pisca-
alerta do veículo ligado durante os deslocamentos de
urgência/emergência. A sinalização do veículo que indica a
situação de emergência é o alarme sonoro (sirene) e o
dispositivo luminoso intermitente sobre o teto.

Veja o que está previsto no art. 40, inciso V, alínea “a” do CTB no tocante aos veículos
“normais”:

Art. 40. O uso de luzes em veículo obedecerá às seguintes


determinações:
V - O condutor utilizará o pisca-alerta nas seguintes situações:
a) em imobilizações ou situações de emergência;

É indispensável que suas manobras sejam percebidas e entendidas, com


antecedência, pelos demais usuários da via, por isso a utilização da sinalização
indicativa de mudança de direção (setas) é primordial. O uso do pisca-alerta em
desacordo com as regras estabelecidas na legislação configura infração de natureza
média. Além disso, a não indicação com antecedência da mudança de direção ou
manobra de ultrapassagem configura a infração do artigo 196 do CTB, de natureza
grave.

Por fim, cumpre informar a existência de duas infrações que envolvem a


condução de veículos de emergência, mas que são cometidas não pelo condutor do
veículo de emergência, mas sim pelos demais condutores:

63
Art. 189. Deixar de dar passagem aos veículos precedidos de
batedores, de socorro de incêndio e salvamento, de polícia, de
operação e fiscalização de trânsito e às ambulâncias, quando
em serviço de urgência e devidamente identificados por
dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação
vermelha intermitentes:
Infração - gravíssima;
Penalidade – multa.

Art. 190. Seguir veículo em serviço de urgência, estando este


com prioridade de passagem devidamente identificada por
dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação
vermelha intermitentes:
Infração - grave;
Penalidade – multa (BRASIL, 1997, N.P.).

IMPORTANTE!
Caso o seu órgão tenha atribuições relacionadas com a
fiscalização de trânsito, a exemplo da Polícia Rodoviária
Federal, dos batalhões de trânsito da Polícia Militar ou,
dependendo do caso, das Guardas Municipais, é importante
salientar que podem ser lavrados, contra os demais condutores,
os autos de infração referentes às condutas dos artigos 189 e
190 do CTB. No entanto, se você está atendendo uma
ocorrência de urgência, o recomendado é que você somente
anote as placas e as características dos veículos e faça as
autuações em momento posterior, na modalidade “sem
abordagem”.

64
3.2 Penalidades

As penalidades administrativas às quais você, como condutor de veículo de


emergência, está sujeito, são as mesmas de qualquer outro condutor não
especializado. Não existe a previsão de penalidade específica para o condutor de
veículo de emergência. Mas você lembra quais são as penalidades
administrativas previstas no CTB? Vamos recordar:

O rol de penalidades está listado no art. 256, in verbis:

Art. 256. A autoridade de trânsito, na esfera das competências


estabelecidas neste Código e dentro de sua circunscrição,
deverá aplicar, às infrações nele previstas, as seguintes
penalidades:
I - advertência por escrito;
II - multa;
III - suspensão do direito de dirigir;
IV - (Revogado pela Lei nº 13.281, de 2016);
V - cassação da Carteira Nacional de Habilitação;
VI - cassação da Permissão para Dirigir;
VII - frequência obrigatória em curso de reciclagem (BRASIL,
19997, n.p.).

Gostaríamos de enfocar as duas penalidades que, em tese, são as mais


importantes de conhecer quando se vai conduzir um veículo de emergência, a multa
e a suspensão do direito de dirigir. Vamos enfocar essas duas em virtude das
novidades trazidas com a entrada em vigor, no dia 12 de abril de 2021, da Lei n.
14.071/2020, que alterou diversos dispositivos da Lei n. 9.503/1997 (CTB).

Art. 258. As infrações punidas com multa classificam-se, de


acordo com sua gravidade, em quatro categorias:

65
I - Infração de natureza Gravíssima, punida com multa no valor
de R$ 293,47 (duzentos e noventa e três reais e quarenta e sete
centavos);
II - Infração de natureza Grave, punida com multa no valor de R$
195,23 (cento e noventa e cinco reais e vinte e três centavos);
III - Infração de natureza Média, punida com multa no valor de
R$ 130,16 (cento e trinta reais e dezesseis centavos);
IV - Infração de natureza Leve, punida com multa no valor de R$
88,38 (oitenta e oito reais e trinta e oito centavos) (BRASIL,
2020, n.p.).

Além do valor pecuniário da multa, conforme a sua gravidade, são atribuídas


a cada infração cometida as seguintes pontuações:

Art. 259. A cada infração cometida são computados os


seguintes números de pontos:
I - gravíssima - sete pontos;
II - grave - cinco pontos;
III - média - quatro pontos;
IV - leve - três pontos (BRASIL, 2020, n.p.).

A Lei n. 14.071/2020 passou a isentar o condutor da pontuação de algumas


infrações de trânsito.
Veja o que diz o § 4º do Art. 259 do CTB:

I - praticadas por passageiros usuários do serviço de transporte


rodoviário de passageiros em viagens de longa distância
transitando em rodovias com a utilização de ônibus, em linhas
regulares intermunicipal, interestadual, internacional e aquelas
em viagem de longa distância por fretamento e turismo ou de
qualquer modalidade, excluídas as situações regulamentadas
pelo Contran conforme disposto no art. 65 deste Código;
(Incluído pela Lei nº 14.071, de 2020) (Vigência)

66
II - previstas no art. 221, nos incisos VII e XXI do art. 230 e nos
arts. 232, 233, 233-A, 240 e 241 deste Código, sem prejuízo da
aplicação das penalidades e medidas administrativas cabíveis;
(Incluído pela Lei nº 14.071, de 2020) (Vigência)
III - puníveis de forma específica com suspensão do direito de
dirigir. (Incluído pela Lei nº 14.071, de 2020) (BRASIL, 2020,
n.p.).

Outros quesitos que tiveram alterações provocadas pela Lei n. 14.071/2020


foram os critérios para a imposição da penalidade de Suspensão do Direito de Dirigir
(SDD). Conforme o CTB, a suspensão do direito de dirigir pode ocorrer por decisão
administrativa ou judicial. O texto que segue trata apenas da SDD administrativa.
Quanto à SDD por decisão judicial, ela só pode ser determinada, como pena ou de
forma cautelar, por um juiz; e seu descumprimento incorre no crime do Art. 307 do
CTB. Como é importante que você se mantenha atualizado, vamos dar uma olhada
em como ficou essa questão.

Basicamente, a penalidade de suspensão do direito de dirigir pode ser


aplicada em duas situações:

I. Quando se atinge uma determinada pontuação.


II. Quando se comete uma infração que preveja, especificamente, a pena de
suspensão do direito de dirigir.

Vamos dar um exemplo do segundo caso, para que você possa entender
melhor. Veja a seguinte infração:

67
Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor:
I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de
proteção e vestuário de acordo com as normas e especificações
aprovadas pelo CONTRAN;
[…]
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir; (BRASIL,
2020a, n.p.) (grifo nosso).

Nesse caso, um condutor que seja flagrado conduzindo uma motocicleta sem
o capacete de segurança, além do valor pecuniário da multa, estará sujeito também a
ter a sua CNH suspensa.

Quanto à questão da suspensão do direito de dirigir por pontuação, ela ocorre


quando o condutor atingir, no prazo de 12 meses, a seguinte contagem de pontos:

I. 20 pontos, caso constem duas ou mais infrações gravíssimas na pontuação;


II. 30 pontos, caso conste uma infração gravíssima na pontuação;
III. 40 pontos, caso não conste nenhuma infração gravíssima na pontuação.

Para os profissionais que exercem atividade remunerada, o limite será


de QUARENTA pontos, independentemente da gravidade das infrações
cometidas, conforme o §5º do Artigo 261.

Vamos dar um exemplo prático para você entender:

68
Na Prática
Marcelo cometeu, no espaço de doze meses, as seguintes infrações:
dirigir veículo sem o cinto de segurança (art. 165 – infração grave – cinco
pontos), estacionar nas vagas de deficiente, de forma irregular (art. 181,
inciso XX – infração gravíssima – sete pontos), deixar de dar passagem a
veículo de urgência (art. 189 – infração gravíssima – sete pontos) e seguir
veículo de urgência (art. 190 – infração grave – cinco pontos); totalizando
24 pontos.
Caso Marcelo seja um condutor comum, como ele cometeu duas
infrações gravíssimas, o limite para a suspensão do direito de dirigir seria
de 20 pontos. Neste caso, como ele superou esse limite, será aplicada a
ele a penalidade de suspensão do direito de dirigir.
No entanto, caso Marcelo fosse um motorista profissional, alguém
que exerce atividade remunerada na direção do veículo, como um taxista
ou caminhoneiro, a sua habilitação não seria suspensa, pois, neste caso,
ainda não teriam sido atingidos os 40 pontos.

Por fim, outra importante mudança advinda com a Lei n. 14.071 é a criação
do Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), administrado pelo órgão
máximo executivo de trânsito da União (Denatran). Os condutores que não cometerem
infração de trânsito sujeita à pontuação prevista no art. 259 do CTB, nos últimos 12
meses, podem solicitar a sua inclusão no RNPC.

Mas, além de ser reconhecido, publicamente, como bom condutor, quais


vantagens o cidadão pode auferir com o seu cadastro no RNPC? Vejamos:

Art. 268-A […] § 6º A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão utilizar o RNPC para conceder benefícios
fiscais ou tarifários aos condutores cadastrados, na forma da
legislação específica de cada ente da Federação (BRASIL,
2020, n.p., grifo nosso).

69
Fica a dica:
Por se tratar de uma inovação, o RNPC ainda carece de
regulamentação por parte do Conselho Nacional de Trânsito
(CONTRAN). No entanto, é importante que você procure se
manter informado sobre a efetivação do RNPC para que possa
desfrutar dos benefícios concedidos aos bons condutores.

3.3 Crimes de Trânsito

Prezados alunos, antes de começarmos a tratar dos crimes de trânsito, em si,


gostaria de fazer uma observação: como este curso é voltado, especificamente, para
profissionais de segurança pública, este item tem um foco diferente daquele de um
curso voltado para condutores “comuns”.

Em relação aos crimes de trânsito cometidos pelo condutor do veículo de


emergência, em caso de condenação, ou até mesmo para fundamentar uma decisão
condenatória, pode o magistrado levar em consideração a especialização requerida
do condutor de veículo de emergência por meio deste curso.

Mas, além de conhecer ações que você deve evitar para que não se envolva
em situações que podem te prejudicar pessoal e profissionalmente, há um outro
aspecto: em diversas vezes, na nossa luta diária contra o crime, encontramos
criminosos e infratores sociais que cometem, também, crimes de trânsito. E é
importante que você conheça isso, para que eles possam ter a punição merecida por
seus atos torpes.

No trabalho policial, não raras vezes, o criminoso, quando está de posse de


um veículo automotor, empreende fuga para tentar se evadir da polícia e fugir das
consequências de seus atos, o que desencadeia um acompanhamento tático, que é
quando a equipe policial diligência por alcançar o veículo do infrator ou do suspeito.
Vale a pena lembrar que o acompanhamento tático é um tipo de deslocamento de

70
urgência, devendo ser feito com a as luzes intermitentes e com a sirene ligadas, para
a própria segurança e integridade da equipe policial.

Na imensa maioria das vezes em que o criminoso opta por fugir, ele acaba por
cometer um ou mais crimes de trânsito. Se ele vier a ser capturado e levado para a
Polícia Judiciária, esses crimes também devem ser relatados, para que o criminoso
receba a pena devida pelos seus atos. Note que isso é válido mesmo no caso de
veículos roubados ou furtados, pois a pena do crime não fica vinculada ao veículo,
não gerando nenhum ônus para a vítima.

Vejamos, agora quais são os crimes de trânsito previstos no Código de


Trânsito brasileiro, bem como algumas de suas características principais:

a) Homicídio Culposo praticado na Direção de Veículo Automotor:

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a


permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1º No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é


aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente: (Incluído pela Lei nº 12.971, de
2014)
I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação; (Incluído pela Lei nº
12.971, de 2014)
II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada; (Incluído pela Lei nº 12.971, de
2014)
III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do
acidente; (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014)
IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de
transporte de passageiros. (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014)
[...]

§ 3º Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de qualquer


outra substância psicoativa que determine dependência: (Incluído pela Lei nº 13.546,
de 2017)
Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se
obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. (Incluído pela Lei nº
13.546, de 2017).

71
Comentário: Este tipo penal se aplica apenas para o homicídio cometido de
forma culposa (seja por Imprudência, Negligência ou Imperícia), na direção de veículo
automotor. Se o veículo tiver sido usado de forma intencional para matar alguém, o
autor do crime responderá pela forma dolosa do crime de homicídio (art. 121 do
Código Penal).

Atentar para a forma qualificada pela influência do álcool, prevista no § 3º.

b) Lesão Corporal Culposa praticada na Direção de Veículo Automotor:

Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a


permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se ocorrer qualquer das hipóteses
do § 1o do art. 302. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.546, de 2017)

§ 2º A pena privativa de liberdade é de reclusão de dois a cinco anos, sem prejuízo


das outras penas previstas neste artigo, se o agente conduz o veículo com capacidade
psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância
psicoativa que determine dependência, e se do crime resultar lesão corporal de
natureza grave ou gravíssima. (Incluído pela Lei nº 13.546, de 2017)

Comentário: Este tipo penal se aplica apenas para a lesão corporal cometida
de forma culposa (seja por Imprudência, Negligência ou Imperícia), na direção de
veículo automotor. Se o veículo tiver sido usado de forma intencional para lesionar
alguém, o autor do crime responderá pela forma dolosa do crime de lesão corporal
(art. 129 do Código Penal).

Atentar para a forma qualificada pela influência do álcool, prevista no § 2º. A


lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) não se aplica para as formas
qualificadas deste tipo infracional.

72
c) Omissão de Socorro:

Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato


socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de
solicitar auxílio da autoridade pública:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento
de crime mais grave.

Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo, ainda
que a sua omissão seja suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte
instantânea ou com ferimentos leves.

d) Afastar-se do local do acidente:

Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à


responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

e) Embriaguez ao Volante:

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão
da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência:
(Redação dada pela Lei nº 12.760, de 2012).

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se


obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1º As condutas previstas no caput serão constatadas por: (Incluído pela Lei nº


12.760, de 2012)
I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual
ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou (Incluído pela Lei nº
12.760, de 2012)
II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade
psicomotora. (Incluído pela Lei nº 12.760, de 2012)

73
§ 2º A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste de
alcoolemia ou toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros
meios de prova em direito admitidos, observado o direito à contraprova. (Redação
dada pela Lei nº 12.971, de 2014)
§ 3º O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia ou
toxicológicos para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo. (Redação
dada pela Lei nº 12.971, de 2014)
§ 4º Poderá ser empregado qualquer aparelho homologado pelo Instituto Nacional de
Metrologia, Qualidade e Tecnologia - INMETRO - para se determinar o previsto no
caput. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)

Comentários: O crime de Art. 306 ocorre quando um condutor é flagrado


conduzindo um veículo automotor com a capacidade psicomotora alterada pelo álcool
ou uma substância psicoativa que determine dependência.

Se o condutor sob o efeito de álcool tiver se envolvido em acidente com vítima,


ele responderá pelos crimes previstos nas formas qualificadas do Art. 302 e 303,
conforme o caso.

A caracterização deste tipo infracional implica, necessariamente, no


cometimento da infração de trânsito prevista no art. 165 do CTB.

Via de regra, a fiscalização de alcoolemia se dá através da utilização de


etilômetros. No entanto, o crime do Artigo 306 pode ser materializado mesmo sem o
uso do etilômetro, tendo nas provas testemunhais, vídeos e imagens algumas das
formas atualmente admitidas no direito.

f) Dirigir com a CNH Suspensa:

Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação


para dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código:

Penas - detenção, de seis meses a um ano e multa, com nova imposição adicional de
idêntico prazo de suspensão ou de proibição.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar, no
prazo estabelecido no § 1º do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de
Habilitação.

74
g) Disputar corrida em via pública:

Art. 308. Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida,


disputa ou competição automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de
perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade
competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada: (Redação
dada pela Lei nº 13.546, de 2017)

Penas - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, multa e suspensão ou proibição


de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. (Redação dada
pela Lei nº 12.971, de 2014)

§ 1º Se da prática do crime previsto no caput resultar lesão corporal de natureza grave,


e as circunstâncias demonstrarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o
risco de produzi-lo, a pena privativa de liberdade é de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis)
anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo. (Incluído pela Lei nº
12.971, de 2014)
§ 2º Se da prática do crime previsto no caput resultar morte, e as circunstâncias
demonstrarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo,
a pena privativa de liberdade é de reclusão de 5 (cinco) a 10 (dez) anos, sem prejuízo
das outras penas previstas neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014)

h) Conduzir sem possuir CNH, gerando perigo de dano:

Segundo o CTB, em seu Art. 309:

Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir
ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa (BRASIL, 1997, n.p.).

Comentário: Parte significativa dos criminosos e infratores sociais têm um


desrespeito contumaz pelas normas básicas de convivência em sociedade. Por isso,
não é nenhuma surpresa o fato de que boa parte deles não se preocupe em seguir as
normas necessárias para tirar uma habilitação.

No entanto, quando esse criminoso, inabilitado, está de posse de um veículo


automotor e empreende fuga, invariavelmente, ele vai cometer atos que colocam a
vida de outras pessoas em risco, no seu afã de se evadir das forças policiais.

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Para a configuração deste tipo penal, não há a necessidade da ocorrência de
um acidente ou da existência de uma vítima, mas sim que se comprove que houve o
chamado “perigo de dano”. O perigo de dano, neste caso, se caracteriza por meio de
um comportamento ou manobra que seja caracterizado como infração de trânsito
(avançar sinal vermelho, transitar pela contramão) ou que, efetivamente, coloque
outras pessoas em risco (tirar “fino” de pedestres, fazer com que o carro que segue
no sentido contrário tenha que sair da pista, etc.). É imprescindível que o policial
conste essas informações na narrativa do boletim de ocorrência!

Vale salientar que a tese majoritária da jurisprudência tem reconhecido a


validade e a constitucionalidade do tipo penal do art. 309 do CTB:

TJ-RS – Recurso Crime RC 71001406065 RS (TJ-RS)


Jurisprudência – Data de publicação: 21/09/2007

APELAÇÃO CRIME. FALTA DE HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR.


ART. 309 DO CTB. DELITO DE TRÂNSITO. PERIGO DE
DANO. SENTENÇA CONDENATÓRIA MANTIDA. Conduta
caracterizada como ilícito penal, quando o condutor invadiu a
pista contrária em manobra de conversão à esquerda e, com
esta, atravessou-se à frente do outro veículo, concretizando o
perigo com a colisão. NEGADO PROVIMENTO À APELAÇÃO.
UNÂNIME. (Recurso Crime Nº 71001406065, Turma Recursal
Criminal, Turmas Recursais, Relator: Nara Leonel Castro
Garcia, Julgado em 17/09/2007 (BRASIL, 2007, n.p). […] § 6º A
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão
utilizar o RNPC para conceder benefícios fiscais ou tarifários aos
condutores cadastrados, na forma da legislação específica de
cada ente da Federação (BRASIL, 2020, n.p., grifo nosso).

Vale salientar que o mero ato de conduzir sem habilitação, sem o cometimento
de infrações ou de manobras perigosas, não se constitui no tipo penal do art. 309. É
o caso, por exemplo, de condutor abordado em blitz, sem possuir CNH, mas que vinha

76
conduzindo de forma correta e que obedeceu aos comandos emanados pelos policiais
ou agentes de trânsito.

i) Entregar a Direção de Veículo a pessoa não habilitada:

Art. 310. Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não
habilitada, com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a
quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em
condições de conduzi-lo com segurança:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Comentário: O Artigo 310 visa punir os proprietários que emprestam os


seus veículos automotores a pessoas não habilitadas, com CNH cassada, com o
direito de dirigir suspenso e para aqueles que não puderem conduzir devido ao seu
estado físico e mental.

Trata-se de um crime de mera conduta. Não é necessário que o condutor


tenha cometido nenhum ato imprudente ou tenha gerado “perigo de dano”.

Trata-se de uma forma de responsabilizar àqueles que permitam que


criminosos se utilizem do veículo automotor para o cometimento de crimes, não
deixando impune os proprietários que, direta ou indiretamente, contribuem para a
intranquilidade pública.

j) Velocidade Incompatível:

Segundo o CTB, em seu Art. 311:

Art. 311. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de


escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros,
logradouros estreitos, ou onde haja grande movimentação ou concentração de
pessoas, gerando perigo de dano:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa (BRASIL, 1997, n.p.).

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Comentário: Na maioria das vezes em que o criminoso decide fugir da polícia,
ele o faz em alta velocidade e executando diversas manobras arriscadas ou perigosas
para os pedestres e/ou para os demais veículos na via. Quando esta situação ocorre
nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de
passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande movimentação ou
concentração de pessoas, gerando um perigo de dano para as pessoas, nós temos
caracterizado o crime do art. 311.

Note que não é necessário que haja, efetivamente, um atropelamento ou um


acidente. Não é necessária a existência de uma vítima determinada. Basta que a
conduta tenha, efetivamente, exposto outras pessoas ou veículos a riscos. Para a
caracterização deste tipo infracional também não há a necessidade de qualquer
aparelho para medição de velocidade, bastando a análise subjetiva do agente
considerando também o tipo de via (Trânsito rápido; Arterial; Coletora; Local;
Rodovias e Estradas) em que o fato ocorreu.

Nesses casos, é importante que a equipe policial descreva,


pormenorizadamente, as condutas cometidas e o local no qual isso aconteceu.

Vale a pena frisar que a tese jurisprudencial dominante é pelo reconhecimento


da validade jurídica do crime do art. 311 do CTB:

TJ-RS - Recurso Crime RC 71001553239 RS (TJ-RS)


Data de publicação: 14/02/2008

APELAÇÃO CRIME. TRAFEGAR EM VELOCIDADE


INCOMPATÍVEL COM A SEGURANÇA. ART. 311 DO CTB.
DELITO DE TRÂNSITO. PERIGO DE DANO. REINCIDÊNCIA.
CONDENAÇÃO. 1. Comprovadas a existência e a autoria do
delito, e a direção com velocidade incompatível à segurança,
mediante manobras perigosas com o veículo, em via pública,
onde havia circulação de pessoas, gerando perigo de dano. 2.
Circunstâncias judiciais adequadamente analisadas e

78
suficientes para embasar a pena base fixada além do mínimo
legal, mas em quantidade menor que a fixada na origem. 3.
Reincidência aplicada em face da comprovação de anterior
condenação. PROVIDO EM PARTE À APELAÇÃO. UNÂNIME.
(Recurso Crime Nº 71001553239, Turma Recursal Criminal,
Turmas Recursais, Relator: Nara Leonor Castro Garcia, Julgado
em 11/02/2008) (BRASIL, 2008, n.p.).

k) Inovar artificiosamente:

Segundo o CTB, em seu Art. 311:

Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na


pendência do respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou
processo penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o
agente policial, o perito, ou juiz:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo, ainda que não iniciados, quando
da inovação, o procedimento preparatório, o inquérito ou o processo aos quais se
refere.

AULA 4 — Regras gerais de estacionamento, parada

e circulação

Introdução

Caro profissional de segurança pública, na aula passada, nós estudamos as


principais infrações de trânsito relacionadas à condução dos veículos de emergência;
também revisamos as penalidades para as infrações de trânsito previstas no CTB e
vimos as novas regras referentes à pontuação das infrações e da suspensão do direito

79
de dirigir; e, por fim, vimos alguns crimes de trânsito que têm conexão com o trabalho
policial.

Nesta aula, nós vamos revisar as principais regras referentes ao


estacionamento, à parada e à circulação de veículos, já que esse conhecimento é
imprescindível para a condução, com segurança, dos veículos de emergência.

Recordando:

Um veículo que não cede passagem a uma viatura policial em deslocamento


de urgência comete alguma infração de trânsito?

4.1 Estudo de Caso

Caro colega profissional de segurança pública, analise a seguinte situação


hipotética:

Denílson está indo ao centro da cidade, com a sua esposa, apenas para deixar
um documento. Quando ele chega lá, percebe que o único local disponível para
estacionar é um pouco antes da seguinte placa de trânsito:

Figura 35: Placa R6-A – Proibido Estacionar


Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004.

Percebe, também, que, no local, o meio-fio está pintado na cor amarela.

80
Para não ser autuado, Denílson pede que sua esposa desça e vá deixar o
documento. Ele, no entanto, permanece no veículo, na posição do motorista, com o
motor ligado e com o cinto de segurança, atento para procurar não atrapalhar nenhum
dos demais veículos. Sua esposa vai e volta em menos de três minutos; e eles saem.

Na situação acima descrita, você saberia dizer se Denílson cometeu


alguma infração?

Ficou na dúvida? Sem problemas! Ao final deste capítulo essas situações e


outras ficarão bem claras para você.

4.2 Estacionamento e Parada

Antes de mais nada, gostaríamos que você tomasse conhecimento da seguinte


norma prevista no CTB (Lei n. 9.503/1997), que foi recentemente alterada (12 de abril
de 2021) pela Lei n. 14.071/2020:

Art. 29. [...]


VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento,
os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as
ambulâncias, além de prioridade no trânsito, gozam de livre
circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de
urgência, de policiamento ostensivo ou de preservação da
ordem pública, […] (Redação dada pela Lei n. 14.071/2020)
(BRASIL, 2020, n.p.).

Para estudarmos a aplicação desse conceito às situações práticas, devemos


ter em mente em que exatamente consiste a “circulação”, a “parada” e o
“estacionamento”.

A compreensão do que é trânsito é o primeiro conceito indispensável ao


entendimento das manobras de estacionamento, parada e circulação:

81
Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos
e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins
de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou
descarga (CTB, Art. 1º §1º) (BRASIL, 1997, n.p.).

Então, quando um veículo está parado, estacionado ou circulando, ele está


transitando. Como diferenciar quando um veículo está parado ou estacionado?
Será que a presença ou não do condutor define o assunto?

Na verdade, o CTB define que a manobra de parada é a imobilização do veículo


com a finalidade e pelo tempo estritamente necessário para efetuar embarque ou
desembarque de passageiros (BRASIL, 1997).

Situação 1:

Um ônibus de uma empresa de turismo está levando passageiros para o


aeroporto. Todos os assentos estão ocupados e, entre os passageiros, há
alguns idosos e pessoas com mobilidade reduzida, inclusive cadeirantes.
O motorista imobiliza o veículo em um determinado local no qual o
estacionamento é proibido. Os passageiros começam a descer,
ordenadamente, e um preposto da empresa os ajuda a pegar as suas
bagagens no bagageiro do ônibus. Enquanto isso, o motorista ajuda os
passageiros que têm mais dificuldade em desembarcar, inclusive tendo que
acionar a plataforma elevatória para os cadeirantes. Ao final, o motorista
prontamente retira o veículo do local.

A situação descrita corresponde a uma manobra de parada ou de


estacionamento?

Resposta: Parada.

82
Vejamos, agora, o conceito de Estacionamento.

Conforme o CTB, estacionamento é a “imobilização de veículos por tempo


superior ao necessário para embarque ou desembarque de passageiros”.

Ou seja, quando a imobilização ocorrer por tempo superior ao definido para a


parada, o veículo será considerado estacionado, mesmo com a permanência do
condutor no veículo.

Vejamos mais uma situação hipotética:

Situação 2:

Um motociclista está levando um passageiro, na garupa, para o aeroporto.


Ele imobiliza o veículo em um determinado local no qual o estacionamento
é proibido, que, por coincidência, é o mesmo local descrito na situação 1.
O garupeiro desceu, despediu-se e dirigiu-se ao aeroporto. Nesse
momento, o motociclista percebe que um conhecido está passando pelo
local e o cumprimenta. Eles conversaram por cerca de 40 segundos. Em
seguida, o motociclista sai.

A situação descrita corresponde a uma manobra de parada ou de


estacionamento?

Resposta: Estacionamento.

Para deixar bem claro: não existe um tempo determinado para diferenciar as
manobras de parada e de estacionamento. O que as diferencia é o tempo necessário
para a sua finalidade: o embarque e o desembarque de passageiros.

E quando um veículo está transitando e tem que se imobilizar devido à


sinalização ou ao trânsito como, por exemplo, em um engarrafamento? Nesse caso,
o veículo está parado ou está estacionado?

83
Na verdade, não se trata de nenhum dos dois casos. Quando o veículo estiver
utilizando a via em deslocamento ou imobilização não definida como parada ou
estacionamento, como é o caso da interrupção da marcha, estará em circulação.

4.3 Circulação

Conforme você estudou anteriormente, o veículo de emergência goza de livre


circulação, estacionamento e parada quando em serviço de urgência, de policiamento
ostensivo ou de preservação da ordem pública. Por isso, o condutor de uma viatura
policial não comete infração de trânsito ao avançar um sinal vermelho em
deslocamento de urgência, para atender uma ocorrência. Da mesma forma, não
comete infração o condutor do caminhão do Corpo de Bombeiros que circula por
passeio público para chegar ao local de um incêndio, e assim por diante, desde que
estejam acionados os dispositivos próprios dos veículos de emergência, sem prejuízo
de todo o cuidado necessário à segurança do trânsito.

Veja o que diz o CTB, em seu artigo 29, inciso VII, alíneas “a” e “b”:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à


circulação obedecerá às seguintes normas:
VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento,
os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as
ambulâncias, além de prioridade no trânsito, gozam de livre
circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de
urgência, de policiamento ostensivo ou de preservação da
ordem pública, observadas as seguintes disposições:
a) quando os dispositivos regulamentares de alarme sonoro e
iluminação intermitente estiverem acionados, indicando a
proximidade dos veículos, todos os condutores deverão deixar
livre a passagem pela faixa da esquerda, indo para a direita da

84
via e parando, se necessário; (Redação dada pela Lei nº 14.071,
de 2020)
b) os pedestres, ao ouvirem o alarme sonoro ou avistarem a luz
intermitente, deverão aguardar no passeio e somente atravessar
a via quando o veículo já tiver passado pelo local; (Redação
dada pela Lei nº 14.071, de 2020).

No dia a dia, você percebe que, muitas vezes, é impossível seguir exatamente
o que está no Código. Quando os veículos se encontram todos imobilizados no
congestionamento e uma viatura policial ou ambulância precisa passar, os condutores
muitas vezes não conseguem sequer mover seus veículos, muito menos deslocarem-
se para a direita. Por isso, é comum que o condutor do veículo de emergência procure
os espaços disponíveis para seu deslocamento.

Contudo, quando você estiver conduzindo um veículo de emergência e o


trânsito estiver normal, em vias com mais de uma faixa no mesmo sentido, procure
sempre deslocar-se pela faixa da esquerda, destinada aos veículos de maior
velocidade e ultrapassagens. A faixa da esquerda é exatamente aquela que os
condutores dos demais veículos devem deixar livre quando perceberem a
aproximação do veículo de emergência.

Dessa forma, você estará contando com o procedimento padrão a ser adotado
pelos demais condutores, e eles poderão adotar os procedimentos que você espera
deles. Evite “costurar” entre os veículos, pois essa conduta pode causar confusão aos
demais condutores.

IMPORTANTE!
Utilização do Acostamento: alguns condutores de veículos de
emergência, quando em rodovias ou em vias urbanas dotadas
de acostamento, ficam na dúvida, em caso de engarrafamento
ou de trânsito intenso, se eles podem transitar com o veículo
pelo acostamento ou se isso consistiria em uma infração de
trânsito.

85
Conforme já vimos, o veículo de emergência, quando em
serviço de urgência, de policiamento ostensivo ou de
preservação da ordem pública possui livre circulação,
estacionamento e parada. Logo, é lícita a utilização do
acostamento nos casos citados.

Obviamente, há que se tomar certas cautelas, já que o


acostamento pode estar sendo utilizado para a parada ou
estacionamento de veículos, em caso de emergência, e para a
circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local
apropriado para eles.

É justamente por esses motivos que o CTB pune, com


severidade, os condutores de veículos “normais” por transitarem
pelo acostamento. Eles estão sujeitos à multa por infração
gravíssima, agravada três vezes (conforme previsto no art. 193
do CTB)!

4.4 Principais normas de circulação e conduta,


referentes à condução de veículos de emergência

4.4.1 Sinalização de Manobras

É essencial também sinalizar todas as manobras. Elas podem ser indicadas por meio
do sistema de sinalização do veículo (setas indicadoras de mudança de direção) ou
mediante gestos do condutor.

Veja como o condutor pode sinalizar, por meio de gestos, as manobras a seguir.

86
Figura 36: Gestos dos condutores
Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004.

Para pensar:

Figura 37: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Pense! E se você tem dúvida, verifique a alínea “a” do inciso XI do artigo 29 do


CTB. Aproveite e leia também todo capítulo destinado às regras de circulação e
conduta.

4.4.2 Distância de Segurança

A distância de segurança entre os veículos e entre o veículo e o bordo da


pista fazem parte de outra regra de circulação que merece sua atenção. No dia a dia,
o respeito à regra vai diminuir o risco de colisões, especialmente na direção de veículo
de emergência.

87
Como condutor de veículo de emergência, você vai perceber que vários
condutores ao notarem a presença do veículo com os dispositivos ligados
imediatamente atrás, têm como primeira reação frear o veículo. Por isso, sempre que
possível mantenha uma distância de segurança frontal e lateral em relação aos
demais veículos.

Perceba que, regra geral, não há um valor específico para a distância de


segurança dos veículos que seguem à frente ou ao lado, pois esta vai variar de acordo
com a velocidade, as condições do tráfego, da via, de clima, presença ou não de
luminosidade natural, etc.

No entanto, em um caso específico, existe um valor determinado para a


distância de segurança: ao passar ou ultrapassar bicicleta devemos manter uma
distância de segurança lateral de 1,5 metro (conforme Art. 201 do CTB).

Figura 38: Respeite o ciclista


Fonte: studio46.com.br.

O descumprimento desta norma é penalizado com uma infração de trânsito de


natureza leve. A razão da existência desta norma é o fato de que o ciclista é muito
mais frágil do que os veículos motorizados.

Você, na condução de veículos de emergência, deve ter um cuidado especial


ao transitar em vias com ciclistas, pois os mesmos podem se assustar com a sirene
e/ou a velocidade do seu veículo e vir a cair ao solo, o que pode ocasionar acidentes
muito graves.

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Quanto ao bordo da pista, a manutenção de uma distância segura visa,
sobretudo, à proteção dos pedestres e dos usuários que transitam por locais fora da
pista de rolamento, como passeios, calçadas, acostamento etc.

4.4.3 Equipamentos Obrigatórios e Combustível

Conforme previsto no art. 27 do Código de Trânsito Brasileiro:

Antes de colocar o veículo em circulação nas vias públicas, o condutor deverá


verificar a existência e as boas condições de funcionamento dos equipamentos de uso
obrigatório, bem como assegurar-se da existência de combustível suficiente para
chegar ao local de destino (BRASIL, 19997, n.p.).

Essa regra é válida para todos os condutores e para todos os veículos, mas ela
se reveste de importância especial para os veículos de emergência, pois tais veículos
são submetidos a condições de operação desgastantes, como a circulação durante
longos períodos e/ou a circulação em vias sem pavimento ou com pavimento em más
condições.

Dessa forma, é importante que você, profissional de segurança pública, ao


assumir o serviço, faça uma boa conferência referente aos itens de segurança
obrigatórios para os veículos. O mais interessante seria você, ou a sua corporação,
adotar uma espécie de checklist (que pode ser em papel ou mesmo por um simples
aplicativo de texto de celular) para que não se esqueça de conferir.

Lista mínima de checklist de itens de segurança:

I.Combustível;
II.Nível do óleo do motor;
III.Nível do óleo da direção hidráulica;
IV.Água do limpador de para-brisa;
V.Funcionamento do sistema de iluminação e sinalização do veículo: farolete; faróis
(baixo e alto); setas (esquerda e direita); pisca-alerta; luz de freio, luz de ré e farol de
neblina (se existente);

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VI.Estado dos pneus (inclusive do pneu sobressalente) quanto à conservação, a
desgastes etc. (dica: se possível, faça a calibragem dos pneus da viatura a cada
plantão);
VII.Existência de macaco, triângulo e chave de roda;
VIII.Estado e regulagem dos espelhos retrovisores;
IX.Regulagem do banco, de acordo com a altura e a compleição física do motorista;
X.Funcionamento da buzina;
XI.Funcionamento da sirene; e
XII.Funcionamento das luzes intermitentes.

Seja diligente e cuidadoso! A ideia aqui, antes de cumprir uma norma ou evitar
uma infração, é garantir a sua segurança e a segurança de toda a equipe! Um pneu
careca, um farol queimado ou um defeito na direção hidráulica podem vir a causar um
acidente grave, pois, muitas vezes, temos que conduzir em situações limite.
Insistimos: faça o checklist! A sua família e a de seus companheiros agradecem.

Caso você se depare com algum item faltando, inoperante ou com mau
funcionamento, contacte o gestor de frota de sua instituição para que ele tome as
providências necessárias.

4.4.4 Ultrapassagem em locais proibidos ou perigosos


O CTB tem diversas regras referentes à proibição de ultrapassagens. Vejamos
aqui uma delas:

Art. 32. O condutor não poderá ultrapassar veículos em vias com


duplo sentido de direção e pista única, nos trechos em curvas e
em aclives sem visibilidade suficiente, nas passagens de nível,
nas pontes e viadutos e nas travessias de pedestres, exceto
quando houver sinalização permitindo a ultrapassagem
(BRASIL, 1997, n.p., grifo nosso).

90
Vamos refletir um pouco: já vimos que o veículo de emergência, quando em
serviço de urgência, de policiamento ostensivo ou de preservação da ordem pública
possui livre circulação, estacionamento e parada; o que implica dizer que o condutor
não seria autuado por condutas como não parar para no sinal vermelho ou transitar
pelos acostamentos.

No entanto, o fato de termos o direito à “livre circulação” não nos dá motivo para
adotar atitudes perigosas ou imprudentes, que colocam nossa vida, a vida da equipe
ou a vida dos demais usuários da via em risco. E, se existe um quesito que merece
uma atenção especial de sua parte são as ultrapassagens em local proibido.

A indicação da proibição de ultrapassagem se dá por meio da utilização de


sinalização horizontal de faixa contínua amarela ou, de modo subsidiário, por meio de
sinalização vertical (placa proibido ultrapassar).

Figura 39: Placa R-7 – Proibido Ultrapassar


Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004/
SCD/EaD/Segen.

Vamos pensar por um momento: o engenheiro que projetou aquela via e


determinou que fosse implementada aquela sinalização não fez isso à toa.
Normalmente, a sinalização de proibição de ultrapassagem indica que, naquele local,
uma ultrapassagem pode causar risco de acidentes graves. Este é precisamente o
caso de aclives, declives e curvas sem visibilidade suficiente.

Lembre-se que se a equipe policial vier a se envolver em um acidente, ela não


poderá cumprir a sua missão. Se os bombeiros se envolverem em um acidente, quem
apagará o incêndio?

91
Lembre-se que se a equipe policial vier a se envolver em um
acidente, ela não poderá cumprir a sua missão. Se os bombeiros se
envolverem em um acidente, quem apagará o incêndio?

Assim, embora, em um deslocamento de urgência, o veículo de emergência


possua livre-circulação, isso não significa que qualquer manobra deve ser realizada.
A segurança e o bom-senso devem prevalecer, sempre!

AULA 5 — Legislação Específica e responsabilidades do


condutor de veículo de emergência.

Introdução

Caro profissional de segurança pública, em nossa última aula nós estudamos


as principais regras gerais referentes à circulação, ao estacionamento e à parada de
veículos e como elas impactam o nosso trabalho na condução dos veículos de
emergência, especialmente quanto à questão da segurança.

Nessa aula, nós vamos abordar as normas de trânsito específicas para os


veículos de emergência e quais são as responsabilidades de seu condutor. Em
especial, vamos abordar as modificações legislativas trazidas pela Lei n. 14.071/2020
e como elas impactam positivamente o trabalho dos órgãos e das entidades de
segurança pública.

Recordando:

O que é que vai diferenciar as manobras de estacionamento e de parada?


Existe um limite de tempo para diferenciar as duas manobras.

5.1 Estudo de Caso

92
Caro colega profissional de segurança pública, antes de iniciar o estudo deste
capítulo, vamos analisar a seguinte situação hipotética:
Estudo de Caso

Beatriz é uma viúva que mora em uma fazenda, que fica a alguns
quilômetros da sede do município, com suas duas filhas, de sete e de
quatro anos de idade. Em uma noite, ela acorda com um barulho e
percebe, pela janela do primeiro andar, que três malfeitores estão
forçando a entrada dos fundos da casa.

Desesperada, Beatriz liga para a Polícia Militar e relata a situação


que está ocorrendo, ressaltando o risco que ela e sua família estão
correndo. A Central informa a ocorrência para a equipe de policiamento
com circunscrição pelo trecho, que é a viatura na qual Adalberto é o
condutor.

Temendo pela vida e pela integridade física daquela família,


Adalberto inicia um deslocamento tático na intenção de chegar ao local
com a maior brevidade possível; deslocamento esse que se processa
em velocidade bem acima do limite de velocidade permitido das vias.
Felizmente, a equipe policial chega ao local em tempo hábil e consegue
frustrar o intento dos criminosos, vindo a prendê-los em flagrante delito.

Inclusive, conforme a investigação posterior feita pela Polícia Civil,


descobriu-se que a intenção dos criminosos também incluía abusar
sexualmente e assassinar Beatriz e suas filhas.

Algum tempo depois, chega à sede do batalhão no qual Adalberto


é lotado, três multas por excesso de velocidade, todas de natureza
gravíssima, totalizando R$ 2.641,23, fora a penalidade da suspensão
do direito de dirigir.

Na situação acima descrita, é razoável que Adalberto seja penalizado com


essas infrações, tendo que suportar, com o seu salário, o prejuízo financeiro das

93
multas? É razoável que ele tenha sua habilitação suspensa? Existe amparo legal para
a conduta de Adalberto?

Muita calma nessa hora! Ao final deste capítulo, você vai entender que nossa
legislação ampara situações como essas de modo a resguardar o bom andamento do
trabalho dos órgãos de segurança pública em defesa da sociedade!

5.2 Veículos de Emergência

Os veículos de emergência são aqueles definidos no inciso VII do artigo 29 do


CTB — desde que possuam dispositivos regulamentares de alarme sonoro e
iluminação intermitente. Conforme esse dispositivo legal, são considerados como
veículos de emergência:

a) Veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento:

— Viaturas dos Corpos de Bombeiros Militares, incluindo caminhões-tanque e demais


viaturas operacionais.

b) Veículos de polícia:

— Viaturas operacionais da Polícia Federal;


— Viaturas operacionais da Polícia Rodoviária Federal;
— Viaturas operacionais da Polícia Ferroviária Federal;
— Viaturas operacionais das Polícias Civis;
— Viaturas operacionais das Polícias Militares;
— Viaturas operacionais das Polícias Penais Federal, Estaduais e Distrital; e
— Viaturas operacionais das Guardas Municipais.

c) Veículos de fiscalização e operação de trânsito:

— Viaturas operacionais do órgão executivo rodoviário da União (Departamento


Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT));

94
— Viaturas operacionais dos órgãos executivos rodoviários dos Estados
(normalmente chamados DERs – Departamento de Estradas de Rodagem);
— Viaturas operacionais dos órgãos executivos rodoviários dos Municípios;
— Viaturas operacionais dos órgãos ou entidades executivos de trânsito dos Estados
e do Distrito Federal (DETRANs); e
— Viaturas operacionais dos órgãos ou entidades executivos de trânsito dos
Municípios.

d) Ambulâncias:

— Do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU);


— De órgãos estaduais e municipais de saúde; e
— De empresas particulares.

IMPORTANTE!

Somente esses veículos poderão estar equipados com os


dispositivos regulamentares de alarme sonoro (sirene) e dispositivo
luminoso intermitente.

5.3 Legislação específica para veículos de emergência

Você deve ficar atento às regras definidas pelo CTB no que tange à condução
de veículos de emergência, especialmente quando se tem em conta que boa parte
destas regras foram alteradas pela Lei n 14.071/2020. Vamos ver como ficou a
legislação:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à


circulação obedecerá às seguintes normas:
[…]
VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento,
os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as
ambulâncias, além de prioridade no trânsito, gozam de livre
circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de
urgência, de policiamento ostensivo ou de preservação da

95
ordem pública, observadas as seguintes disposições: (Redação
dada pela Lei n. 14.071/2020)
a) quando os dispositivos regulamentares de alarme sonoro e
iluminação intermitente estiverem acionados, indicando a
proximidade dos veículos, todos os condutores deverão deixar
livre a passagem pela faixa da esquerda, indo para a direita da
via e parando, se necessário; (Redação dada pela Lei n.
14.071/2020)
b) os pedestres, ao ouvirem o alarme sonoro ou avistarem a luz
intermitente, deverão aguardar no passeio e somente atravessar
a via quando o veículo já tiver passado pelo local; (Redação
dada pela Lei n. 14.071/2020)
c) o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação
vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva
prestação de serviço de urgência;
d) a prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se
dar com velocidade reduzida e com os devidos cuidados de
segurança, obedecidas as demais normas deste Código;
e) as prerrogativas de livre circulação e de parada serão
aplicadas somente quando os veículos estiverem identificados
por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação
intermitente; (Redação dada pela Lei n. 14.071/2020)
f) a prerrogativa de livre estacionamento será aplicada somente
quando os veículos estiverem identificados por dispositivos
regulamentares de iluminação intermitente; (Redação dada pela
Lei n. 14.071/2020) (BRASIL, 1997, n.p.).

Perceba que os veículos de emergência, conforme a situação, podem dispor


de quatro prerrogativas:

96
Figura 40: Quatro prerrogativas
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Quando acionados ambos os dispositivos (luzes intermitentes e sirene), o


veículo terá prioridade de passagem e livre circulação, estacionamento e parada.

No entanto, para a prerrogativa do livre estacionamento, basta que sejam


acionadas apenas as luzes intermitentes do veículo. Esta prerrogativa foi adicionada
por solicitação dos órgãos que realizam policiamento ou patrulhamento ostensivo
(Polícias Militares e Polícia Rodoviária Federal) que, muitas vezes, em especial nos
grandes centros urbanos, tinham dificuldade em achar locais de estacionamento
permitidos para suas viaturas, quando estavam em serviço.

O próprio atendimento de ocorrências ficava, às vezes, comprometido, já que


nem sempre existia a possibilidade de estacionar a viatura policial em local
regulamentado diante de uma situação urgente que, por conseguinte, exige o pronto
emprego

Com essa alteração, uma viatura da polícia militar, por exemplo, realizando
policiamento ostensivo, pode estacionar sobre a calçada ou em praças sem que isso
constitua nenhuma infração de trânsito. É importante frisar que essa alteração
legislativa veio para dar retaguarda jurídica ao trabalho policial, pois muitas vezes a
sociedade questionava os locais onde as viaturas ficavam postadas.

Ouça o ÁUDIO 3

97
IMPORTANTE!

Observe que, apesar da prioridade de passagem e da livre


circulação, você deverá ter cuidado especial ao passar por
cruzamento, devendo fazê-lo em velocidade reduzida e com os
devidos cuidados de segurança.

A utilização simultânea dos dispositivos (sonoro e luminoso) só poderá ocorrer


quando da efetiva prestação de serviço de urgência. O desrespeito, apesar de não
configurar infração específica, poderá configurar uma infração de trânsito de natureza
leve (conforme o Art. 169 do CTB), referente a dirigir sem os cuidados indispensáveis
à segurança do trânsito, além de todas as demais verificadas durante o deslocamento.

O uso do dispositivo sonoro (sirene) somente deverá ocorrer quando da efetiva


prestação do serviço de urgência, uma vez que sua utilização fora desta circunstância
gera a banalização e o consequente descrédito perante a sociedade.

Outra regra define a obrigatoriedade da utilização do dispositivo luminoso em


situação de atendimento, mesmo com o veículo parado (imobilizado). O interessante
é que para o desrespeito a esta regra há infração de trânsito específica, de natureza
média (conforme o Art. 222 do CTB).

IMPORTANTE!

Entenda que somente a utilização simultânea dos dois


dispositivos confere a prioridade de passagem, a livre circulação e a
livre parada. Por isso, ao efetuar deslocamentos de urgência, mesmo
não percebendo veículos ou outros usuários nas proximidades,
durante todo o percurso mantenha os dois dispositivos ligados, pois
são eles que alertam os demais veículos e os pedestres sobre a
aproximação dos veículos de emergência.

98
Finalizando
Neste módulo, você estudou que:

 As categorias de habilitação e sua relação com o veículo a ser conduzido é de


grande importância para a condução do veículo de emergência, dentro das
normas legais;
 Não é necessário o porte de nenhum documento adicional do veículo pelo fato
de ele ser caracterizado como de emergência. Já em relação ao condutor, ficou
sabendo que é necessário portar o comprovante do curso de condutor de
veículo de emergência até que a informação seja inserida na carteira de
habilitação;
 É necessário conhecer as principais infrações de trânsito, relacionadas à
condução de veículos de emergência, assim como as penalidades e os
principais crimes de trânsito;
 É importante conhecer as regras gerais de estacionamento, de parada e de
circulação, suas diferenças e a razão de sua existência; e que
 É preciso conhecer a legislação específica para o deslocamento dos veículos
de emergência, estando ciente das responsabilidades de seu condutor.

99
Módulo II - DIREÇÃO DEFENSIVA

Apresentação do módulo
Caro profissional de segurança pública, conforme você estudou no módulo
anterior, a legislação de trânsito brasileira regulamenta aspectos importantes para a
circulação de veículos de emergência, sendo ressaltado que a correta observância às
regras de circulação e de conduta, mesmo que em situação diferenciada, é
preponderante para reduzir os riscos de acidentes de trânsito.

Com os conhecimentos adquiridos, principalmente em relação aos agentes


públicos em serviço, você pode refletir sobre as graves consequências às quais a
condução agressiva pode levar, como ao cometimento de infrações ou até mesmo de
crimes de trânsito.

Neste módulo, você terá acesso a dados estatísticos que apresentam um


cenário de guerra nas cidades e rodovias brasileiras. A partir do estudo dessas
informações, você será capaz de fazer uma análise mais consciente de seu papel
neste contexto. A partir do conhecimento dos riscos das condições adversas, das
técnicas de condução segura e da dinâmica dos acidentes rodoviários, você
acrescentará à sua vivência ferramentas e atitudes importantes para evitar acidentes
de trânsito, em uma convivência mais harmoniosa, com foco no respeito e na
preservação da vida humana.

Pronto para começar?

Objetivos do módulo
Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

• Analisar dados e informações sobre o atual cenário do trânsito brasileiro e


sobre a atuação dos agentes de segurança pública nesse contexto;

• Reconhecer a importância da direção defensiva na condução de veículos de


emergência, para evitar o envolvimento em acidentes;

100
• Diferenciar procedimentos de comportamento seguro em relação às ações
de comportamento de risco na condução de veículos de emergência;

• Identificar os principais sinais de alteração física e mental do condutor sob o


efeito de bebida alcoólica e de substâncias psicoativas;

• Listar os procedimentos para uma ultrapassagem segura; e

• Compreender os principais fatores de acidentes de difícil identificação da


causa.

Estrutura do módulo
Este módulo compreende as seguintes aulas:

Aula 1 — Direção defensiva: mais que um conceito, um ato de cidadania;

Aula 2 — Condições adversas: como reduzir os riscos; e

Aula 3 — Comportamento seguro na condução de veículos de emergência.

101
Aula 1 - Direção defensiva: mais que um conceito, um
ato de cidadania

Introdução

O Brasil é um país de dimensões continentais. Para conectar as diversas


regiões de nossa nação e para realizar o transporte de passageiros e de cargas entre
elas, o país optou por priorizar o modal de transporte rodoviário.

Mas nem sempre foi assim, até a segunda década do século XX o modal
ferroviário havia sido a opção de transporte predominante. Esse paradigma começou
a ser alterado a partir do governo do presidente Washington Luís (1926 - 1930). Ele
acreditava que as rodovias seriam o meio pelo qual se conseguiria realizar o
desenvolvimento nacional e se tornou conhecido pelo lema: “Governar é Abrir
Estradas”, sendo, por este motivo, apelidado como o “Estradeiro”. Em seu governo,
foi pavimentada a primeira rodovia brasileira, a rodovia Rio-Petrópolis (atual BR 040).

Figura 41: Washington Luís


Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Washington_Lu%C3%ADs#/media/Ficheiro:Washington_Lu%C3%ADs_(fo
to).jpg.

102
A partir de então, e progressivamente, os governos brasileiros foram ampliando
o alcance e escopo de importância do modal rodoviário, contribuindo para sua
consolidação enquanto modal predominante. Dentre os governos com atuação
destacada neste sentido, temos o governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-
1961), que dentre outras medidas, consolidou a indústria automobilística no Brasil,
com a criação do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística).

Figura 42: Juscelino Kubitschek


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Juscelino_Kubitschek#/media/Ficheiro:Juscelino.jpg.

Dentre os motivos que levaram à consolidação do modal rodoviário no Brasil,


podemos optar, dentre outros, os seguintes:

Em primeiro lugar

Havia o propósito de integrar as mais diversas regiões brasileiras,


principalmente para efetivar a transferência da nova capital que estava sendo
construída, Brasília, para o centro do nosso território. Por esse motivo, logo após a
implantação de Brasília, foram implantadas importantes rodovias como a Belém -
Brasília, Brasília - Rio Branco e Cuiabá - Porto Velho, para incrementar as relações
comerciais das regiões Centro-Oeste e Norte.

103
Em segundo lugar

A opção pelo modal rodoviário levou em consideração aspectos de natureza


política e econômica. A expansão da malha rodoviária possibilitou a atração de
grandes empresas automotivas internacionais. E, conforme os teóricos da economia,
em especial aqueles que defendem a Teoria dos Pólos Econômicos, a participação
de certas indústrias, como a automobilística, tem um efeito de escala, pois atrai
empresas vinculadas ao ramo central. Ou seja, para viabilizar a indústria automotiva,
precisam ser criadas empresas de autopeças, fabricantes de pneus, vidros
automotivos, lubrificantes etc., sem falar no desenvolvimento da indústria petrolífera
e, inclusive, do setor de serviços (concessionárias, oficinas mecânicas, empresas
seguradoras etc.). Assim, em nome dessa estratégia de atração de capitais e de
geração de empregos, as ferrovias, que, até então, concentravam o transporte de
cargas e de passageiros, foram abandonadas e negligenciadas para facilitar o tráfego
rodoviário.

1.1 Dados e informações sobre o trânsito


Conforme dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), compilados
por meio do Anuário CNT do Transporte 2020, o Brasil possui, atualmente, mais de
1,7 milhões de km de rodovias, somando as federais, estaduais e municipais, embora
a maioria ainda não seja pavimentada:

Figura 43: Evolução da malha rodoviária por ano segundo o tipo de jurisdição - 2001 – 2019
Fonte: https://anuariodotransporte.cnt.org.br/2020/Rodoviario/1-3-1-1-1-/Malha-
rodovi%C3%A1ria-total

104
Segundo os dados da CNT, no ano de 2020, a malha rodoviária federal do
Brasil possuía uma extensão total de 73.181,6 km, dos quais 64.022,4 km são
rodovias (vias rurais pavimentadas) e 9.159,2 km são estradas (vias rurais não
pavimentadas), desse total apenas 47.438,6 km são de vias planejadas. Minas Gerais
concentra 12,6% de toda a extensão pavimentada, seguido da Bahia, com 9,9%.

De acordo com dados oficiais do Ministério da Infraestrutura (MINFRA), entre


os diversos modais de transporte, o rodoviário ocupa posição de destaque no país,
tendo respondido por cerca de 65% do volume do transporte de carga em 2015.

Evidentemente, a opção que a nossa nação fez — priorizar o transporte de


cargas e de passageiros por meio do modal rodoviário — tem seus ônus e seus bônus.
Vejamos agora um pouco mais sobre as consequências dessa escolha.

Conforme os dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), em


janeiro de 2021, o Brasil possuía uma frota circulante de mais de 108,2 milhões de
veículos, entre caminhões, ônibus, automóveis, motocicletas etc. Infelizmente, a
estrutura viária urbana e rural disponível não acompanhou o crescimento vertiginoso
da frota: um aumento de mais de 50% nos últimos dez anos, a despeito da redução
da taxa de crescimento da frota a partir da crise econômica de 2016.

Figura 44: Tabela do Crescimento da Frota Brasileira


Fonte: do conteudista, com base em dados encontrados em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-denatran/estatisticas-frota-de-veiculos-denatran.

105
Essa expansão tem gerado sérios problemas para a circulação viária,
principalmente nas áreas urbanas. A disputa por espaço e o desrespeito às regras de
circulação e de conduta, aliados ao estresse dos motoristas, têm acarretado muitos
conflitos e graves acidentes.

Na verdade, o crescimento desenfreado das mortes e de feridos em acidentes


de trânsito não é uma situação que é exclusiva do Brasil, mas um problema que ocorre
em escala mundial, em especial nos países pobres e nos países em desenvolvimento.
Observando o gráfico a seguir, você terá uma ideia clara do quanto é expressivo esse
fenômeno. Uma guerra é travada diariamente, numa escala planetária, com milhares
de mortos por ano.

Figura 45: Dados de morte de trânsito por ano, segundo a OMS


Fonte: GLOBAL STATUS REPORT ON ROAD SAFETY (2018); SCD/EaD/Segen.

Os acidentes de trânsito são, atualmente, a principal causa de mortes para


crianças a partir dos cinco anos de idade, e para adolescentes e jovens adultos (até
os 29 anos de idade).

Conforme dados de uma pesquisa anterior, realizada pela OMS em 2013, em


números absolutos, o Brasil está no quarto lugar do ranking de países com maior
quantidade de mortes ocasionadas por acidentes de trânsito. Veja a tabela a seguir:

106
Figura 46: Mortes no trânsito - 2013
Fonte: do conteudista com dados do GLOBAL STATUS REPORT ON ROAD SAFETY (2013).

IMPORTANTE!
Em 2015, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), realizou, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal
(PRF), o estudo “Custos dos acidentes de trânsito no Brasil:
estimativa simplificada com base na atualização das pesquisas
do IPEA sobre custos de acidentes nos aglomerados urbanos e
rodovias”. Este estudo estimou o custo anual com acidentes de
trânsito no Brasil em, no mínimo, R$ 47 bilhões (utilizando
números conservadores; com números “pessimistas” o custo
seria estimado em R$ 56 bilhões de reais). Essa pesquisa foi
realizada com dados tabulados pelo Ipea em 2014. Dentro desse
número está o custo com acidentes em aglomerados urbanos,
superior a R$ 9,3 bilhões, e o custo dos acidentes em rodovias
(federais, estaduais e municipais), de aproximadamente R$ 37,7
bilhões.

107
O progressivo agravamento da violência no tráfego viário levou as Nações
Unidas a proclamarem a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011/2020, um
conjunto de ações a serem implementadas pelos seus estados-membros, com a
intenção de reduzir as mortes no trânsito em 50% ao final do período. Desde o início,
o governo brasileiro apoiou a iniciativa com ações de diversos ministérios, iniciando
uma árdua luta pela redução do número de acidentes e das vítimas no trânsito.

No período de 2011 a 2020, devido ao esforço conjunto do Governo Federal com


os governos estaduais e municipais e com as organizações da sociedade civil em
implementar ações que aumentaram a segurança no trânsito, o número de acidentes
de trânsito, por ano, apresentou uma queda sensível, que resultou na preservação da
vida de milhares de brasileiros. No entanto, ainda é cedo para comemorar, pois os
números ainda permanecem bastante elevados.

Conforme dados oficiais disponibilizados pelo Departamento de Informática do


Sistema Único de Saúde (DATASUS); em 2019, mais de 31,3 mil vidas foram
ceifadas em acidentes de trânsito no Brasil./ E essa é uma estimativa
“conservadora”; pois, se levarmos em conta o número de indenizações por morte
pagas pelo consórcio de seguradoras do Seguro DPVAT, o número sobe para mais
de 40,7 mil mortos.

Figura 47: Sinistros de trânsito


Fonte: Portal do Trânsito (2019).

108
Os danos causados pelos acidentes de trânsito constituem um importante
problema de saúde pública. Sua prevenção eficaz exige esforços concentrados. Os
problemas de trânsito estão entre os mais complexos e perigosos com os quais as
pessoas se defrontam no dia a dia. Conforme já apontamos, estima-se que:

Figura 48: Dados OMS (2018) de mortes e feridos em acidentes de trânsito


Fonte: conteudista;SCD/EaD/Segen.

No Brasil, os acidentes de trânsito apresentam um alto custo social, cultural e


intelectual. Profissionais no auge de sua capacidade produtiva e jovens promissores
encontram-se entre os que mais morrem no trânsito. Um levantamento feito pelo
Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) indica que jovens do sexo
masculino e de idade entre 18 e 25 anos compuseram mais de 28% das vítimas fatais
nos acidentes de trânsito em 2013.

Recentemente, a Terceira Conferência Global das Nações Unidas sobre


Segurança no Trânsito, realizada em Estocolmo em fevereiro de 2020, definiu o
período de 2021 a 2030 como a Segunda Década de Ação pela Segurança no
Trânsito. A meta, mais uma vez, é reduzir pelo menos 50% dos acidentes e mortes no
trânsito em todo o mundo. Será que dessa vez nós conseguiremos ter sucesso?

109
Para refletir:

Como profissional de segurança pública, reflita acerca do seu papel nessa


ação e a contribuição que você pode dar em relação à segurança do
trânsito em sua cidade e em seu local de trabalho.

Entre as vítimas do trânsito, atualmente, há um grande número de


policiais, agentes penitenciários, bombeiros e guardas municipais que
estavam a serviço na maioria das situações.

Figura 49: Acidente com viatura em serviço


Fonte: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2021/04/16/acidente-envolvendo-viatura-da-
pm-deixa-tres-feridos-em-sorocaba.ghtml.

1.2 Definindo Direção Defensiva

Caro profissional de segurança pública, antes de continuarmos o nosso estudo,


gostaríamos que você parasse por alguns instantes e respondesse: para você, o que
é Direção Defensiva?

110
Vamos lá: talvez você, como a grande maioria dos condutores brasileiros,
normalmente responda usando a famosa frase: “Direção Defensiva é dirigir por si e
pelos outros”. É uma resposta automática, está na ponta da língua.

Leia a definição em destaque, e, em seguida, compare com as suas ações na


condução de seu veículo particular e de veículos de emergência.

Direção Defensiva é...


Dirigir de modo a evitar acidentes, apesar das ações incorretas dos
outros e das condições adversas, proporcionando o máximo de segurança
a si mesmo, aos seus passageiros e aos demais usuários do trânsito.

A definição de dirigir defensivamente transcende ao ato de dirigir em si, pois


vai muito além do mecanicismo de conduzir um veículo: é um estado de espírito. Em
termos comparativos, dirigir defensivamente, na essência, é dar a outra face sem
revidar.

O ato de dirigir é quase automático para muitos condutores. Você entra no


veículo e desloca-se de um ponto ao outro e muitas vezes não percebe o quão
complexo e cansativo é dirigir. Para uma condução segura de veículos de emergência,
você deve evitar cometer erros e se valer dos elementos da Direção Defensiva.

1.3 A importância do comportamento seguro na


condução de veículos especializados

1.3.1 Erros que devem ser evitados no trânsito

Os erros que devem ser evitados no trânsito, dizem respeito:

I. A infrações de trânsito;

111
II. Ao abuso do veículo;
III. A atraso de horário; e
IV. À descortesia.

Veja a seguir sobre cada um deles!

Infrações de trânsito

Você, como condutor habilitado e que conduz veículo de emergência, tem o


dever de conhecer e de obedecer à legislação de trânsito (cumprir e fazer cumprir).
Contudo, há razões maiores para você respeitar as regras, pois:
• Foram feitas para a sua proteção e possuem como objetivo a segurança de
todos; e
• Você deve ser exemplo positivo para a sociedade, e será cobrado em caso
de desrespeito.

Abuso do veículo

Em decorrência das características da sua atividade de emergência, em muitas


situações, você necessita executar manobras que exigem mais do veículo. As mais
comuns são: o uso indevido da embreagem; o uso indevido do freio e das arrancadas
e manobras bruscas que prejudicam partes vitais do veículo, reduzindo a vida útil do
equipamento e comprometendo a segurança. Use o veículo com foco na preservação
do patrimônio público e do meio ambiente.

Atraso de horário

Planeje seu deslocamento com antecedência, saindo um pouco mais cedo,


para ter uma folga de tempo, a fim de compensar os imprevistos que surgirem. Evite
empreender velocidade que ponha em risco a sua vida e a dos demais somente para
recuperar o tempo de atraso, devido às situações inesperadas (congestionamento,
problemas no veículo etc.).

112
Descortesia

Em condições normais, você deve desenvolver atitudes de cortesia, ou seja,


respeitar os outros condutores de veículos e os pedestres. Ao demonstrar cortesia,
você evita um ambiente de animosidade e descrédito. Portanto, “cortesia gera
cortesia”, diminuindo a possibilidade de envolvimento em acidentes. E, mesmo que
tenhamos o acidente de trânsito, a descortesia dificulta a mediação de conflitos,
podendo além dos transtornos ocasionados pelo acidente evoluir para uma
desinteligência entre as partes e uma possível posterior violência física.

IMPORTANTE!
Lembre-se: o mais importante em uma ocorrência de
emergência é você conseguir chegar ao seu destino em
segurança; pois, caso se envolva em acidente no percurso, de
nada terá adiantado a pressa, além da impossibilidade de
socorrer quem necessita de auxílio. A sua segurança, a de sua
equipe e a dos demais atores envolvidos no trânsito vêm em
primeiro lugar!

Situação Hipotética:

Se Caro profissional de segurança pública, analise a seguinte


situação: os policiais militares Paulo Marcelo, S. Duarte e Z. Maia estão de
serviço, realizando o policiamento ostensivo em determinada região da
cidade, quando recebem a notícia de que está acontecendo o
arrombamento de um estabelecimento comercial.
Paulo Marcelo, que é o motorista da viatura, começa um
deslocamento tático para atender à ocorrência e tentar surpreender os
criminosos em flagrante delito. Como ele quer surpreender os criminosos,

113
ele resolve desligar a sirene da viatura durante este deslocamento. No
entanto, durante o deslocamento, ao se aproximar de um cruzamento com
pouca visibilidade, Paulo Marcelo não reduziu a velocidade da viatura e
nem tomou outras precauções, de modo que um veículo que seguia pela
via transversal colidiu lateralmente contra a viatura e fez com que ela
girasse sobre a via.
Com o impacto, S. Duarte, que estava no banco do passageiro
(comandante da viatura) sem o cinto de segurança, foi arremessado para
fora do veículo e sofreu ferimentos graves.

O que você pensa acerca da situação hipotética descrita acima? Será que valeu
a pena ignorar normas básicas de segurança no afã de atender uma ocorrência? Será
que você, em algum momento, já arriscou sua segurança de modo semelhante?

1.3.2 Elementos da direção defensiva

São elementos da direção defensiva:

I. Conhecimento;
II. Atenção;
III. Previsão;
IV. Decisão; e
V. Habilidade.

Veja a seguir sobre cada um deles!

Conhecimento

• Aplique suas experiências vivenciadas em situações anteriores;


• Tenha domínio da legislação de trânsito; procure manter-se atualizado;
• Identifique os riscos causados por condições adversas (chuva, neblina etc.);

114
• Conheça as características de segurança, dirigibilidade e utilização dos
controles do veículo que está conduzindo;
• Conheça os limites de sua habilidade (autoconhecimento); e
• Conheça as características do percurso que você vai fazer.

Atenção!

• Mantenha-se atento à sinalização, tanto à vertical como à horizontal;


• Perceba seu posicionamento em relação aos demais veículos;
• Observe as ações dos pedestres para protegê-los;
• Perceba as condições do pavimento (buracos, ondulações, objetos etc.); e
• Em longos trechos rodoviários, faça pausas, no máximo, a cada duas horas
de condução contínua, para evitar o cansaço visual e a hipnose rodoviária, que
progressivamente diminuem a sua atenção.

Figura 50: Obras na pista


Fonte: https://www.flickr.com/photos/pacgov/6011424093/.

115
IMPORTANTE!
A atenção difusa é a mais adequada para a condução
veicular. Você deve estar sempre com a mente alerta, olhar à
frente, à retaguarda, para todos os lados e até mesmo à frente
do veículo que se desloca na dianteira. Os condutores de
veículos não devem dirigir com atenção fixa ou dispersiva.

A Previsão se divide em mediata e imediata:

Previsão mediata (antes de iniciar os deslocamentos):

• Vistorie os níveis de óleo lubrificante e hidráulico, fluido de freio e líquido de


arrefecimento;
• Verifique a quantidade de combustível: deixar faltar combustível no veículo
além de aumentar riscos de acidentes pela imobilização no leito viário, constitui
infração de trânsito de natureza média (art. 180 do CTB).;
• Verifique o estado de conservação e a calibragem dos pneus, inclusive do
estepe;
• Solicite a reposição das peças importantes para o funcionamento do veículo,
caso seja necessário;
• Cheque a sua documentação e a do veículo; lembre-se que a sua
documentação e a do veículo podem ser válidas, também, por meio de documentos
digitais; e
• Planeje os deslocamentos (itinerário principal e alternativo).

Previsão imediata (durante os deslocamentos)

• Reduza a velocidade próximo aos cruzamentos e às áreas de risco;


• Observe as indicações de mudança de direção dos demais condutores; e
• Mude rapidamente a forma de condução em situações adversas, redobrando
os cuidados.

116
Decisão

• Considere o tempo de reação para executar a manobra;


• Evite a hesitação (você tem frações de segundos para agir); e
• Escolha uma ação que esteja alinhada à sua habilidade ao volante e às
características do veículo que está conduzindo (estabilidade, freios, peso e
dimensões).

Habilidade

• Realize treinamentos de condução veicular, sempre que possível e/ou quando


oferecidos pela sua corporação;
• Desenvolva os automatismos corretos;
• Efetue as manobras necessárias, em situações de risco, para evitar acidentes;
e
• Não exceda os limites do veículo, da via e os seus próprios durante a
execução das manobras.

IMPORTANTE!
Com os conhecimentos necessários, dedicando toda a
atenção possível ao ato de dirigir, você poderá prever situações
de risco. Estando devidamente treinado, terá habilidade para
decidir e agir defensivamente, de modo a evitar acidentes,
preservando a sua segurança e a dos demais participantes do
trânsito.

117
AULA 2 — Condições adversas: como reduzir os riscos

Introdução

O condutor de veículos de emergência, em muitas situações, tem de trafegar


sem as condições ideais de segurança para atender as mais diversas ocorrências,
independentemente das condições climáticas, da luminosidade, do trânsito e da
qualidade da via. É importante que você seja capaz de identificar esses riscos
rapidamente e agir corretamente diante dessas situações, adotando os procedimentos
adequados para cada uma delas.

Mas o que são condições adversas?

Pense e leia o conceito em seguida:

Condições adversas são:


Fatores ou combinação de fatores que contribuem para aumentar as
situações de risco no trânsito, podendo comprometer a segurança
(www.portaldotransito.com.br).

Exemplificando:

Fatores combinados que aumentam os riscos de acidentes:

I. Veículo com suspensão defeituosa + pista danificada;


II. Pneus desgastados + pista molhada + excesso de velocidade;
III. Excesso de velocidade + via sem sinalização;
IV. Tráfego intenso + desatenção; e
V. Álcool + sono + excesso de velocidade.

118
2.1 Tipos de condições adversas
Algumas das condições adversas são oriundas do(a):

Figura 51: Condições adversas


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Veja a seguir, a descrição dessas condições adversas:

2.1.1 Condições adversas de clima

Algumas condições climáticas podem interferir na segurança do trânsito, pois


alteram as condições da via (diminuindo a sua capacidade visual) e os padrões de
comportamento do veículo em relação à aderência dos pneus e à estabilidade.

119
IMPORTANTE!
É importante que você preste atenção às condições a
serem apresentadas, pois elas podem se agravar a ponto de
impedir o seu deslocamento seguro.

Veja algumas delas a seguir:

Chuva

Reduz a visibilidade, diminui a aderência dos pneus, principalmente nas curvas,


aumenta o espaço percorrido nas frenagens e dificulta as manobras de emergência.
Se houver uma lâmina de água sobre a pista, também há o risco de aquaplanagem.

O que fazer em caso de condução sob chuva?

Compare as alternativas relacionadas às suas atitudes na condução de veículo de


emergência:

I. Obrigatoriamente, acenda o farol de luz baixa do veículo (CTB – Art. 40, inciso
I, alínea “b”, conforme a redação dada pela entrada em vigor da Lei n.
14.071/2020);
II. Acione o limpador do para-brisa e mantenha as palhetas em bom estado;
III. Reduza a velocidade, de acordo com as condições de segurança;
IV. Aumente a distância do veículo que segue à frente;
V. Redobre a atenção;
VI. Mantenha os vidros limpos, desengordurados e desembaçados;
VII. Redobre o cuidado nas curvas e durante frenagens; e
VIII. Evite passar em poças ou em lugares com acúmulo de água.

120
IMPORTANTE!
Em situações de chuva intensa, um cuidado especial deve
ser tomado ao passar por poças de água, pois, dependendo do
caso, pode ser difícil estimar a profundidade delas. Se a
profundidade for tal que chegue a invadir o compartimento do
motor, pode ser que ocorra o chamado calço hidráulico. O calço
hidráulico é uma situação ocasionada pela entrada de água no
interior da câmara de combustão, que impede o pistão de
comprimir a mistura no seu interior, ocasionando um travamento
abrupto e consequente empeno ou ruptura das bielas. Isso pode
ocasionar sérios danos ao motor, com o consequente prejuízo
financeiro.

Recomendamos que você evite passar em poças cuja profundidade seja


superior à metade da altura das rodas do veículo.

Figura 52: Dirigindo na chuva


Fonte: https://www.publicdomainpictures.net/pt/view-image.php?image=50300&picture=ceu-
dramatico-ao-dirigir.

121
No momento em que está chovendo, ou logo após, pode ocorrer a
aquaplanagem, fenômeno no qual o veículo não consegue remover a lâmina d’água
e perde o contato com a pista, de modo que o condutor pode perder o controle do
veículo.

Quais são as causas que levam à aquaplanagem?

• Excesso de água na pista;

• Calibragem inadequada dos pneus;

• Tipo de pista;

• Velocidade incompatível; e/ou

• Pneus desgastados (lisos).

Quando você não sabe o que fazer em situações de aquaplanagem,


normalmente perde o controle do veículo e se envolve em acidente.

O que você deve fazer quando o veículo aquaplanar?

Compare as suas respostas com alguns procedimentos indicados.

O que fazer durante a aquaplanagem?

• Tirar o pé do acelerador até retomar o controle completo da direção;

• Não frear; pois, se as rodas estiverem travadas no momento em que voltar o contato
dos pneus com a pista, o veículo poderá desgovernar; e

• Segurar o volante com firmeza, mantendo-o alinhado.

122
Neblina

A neblina reduz significativamente a visibilidade; sendo assim, você deve ter


muito cuidado ao conduzir o veículo nessas condições. Normalmente, os acidentes
são gravíssimos, podendo envolver vários veículos.

Figura 53: Acidente com viatura da Polícia Rodoviária Federal


Fonte: Divulgação/PRF.

Em caso de neblina, quais os cuidados que você normalmente adota?

Compare se suas ações estão adequadas, lendo algumas recomendações a


seguir.

Ações do condutor ao dirigir sob neblina:

I. Obrigatoriamente, acenda o farol de luz baixa do veículo (CTB – Art. 40, inciso
I, alínea “b”, conforme redação dada pela entrada em vigor da Lei n.
14.071/2020);
II. Acenda os faróis de neblina, caso o veículo seja equipado com eles;
III. Se o veículo possuir a lanterna de neblina traseira, acenda-a;

123
IV. Reduza a velocidade, mantendo um ritmo constante sem acelerações e/ou
reduções bruscas;
V. Redobre a atenção;
VI. Mantenha os faróis de luz alta desligados;
VII. Deixe o pisca alerta desligado, para não confundir os demais motoristas; e
VIII. Evite realizar ultrapassagens.

Ouça o ÁUDIO 4

2.1.2 Condições adversas da via

O condutor de veículos de emergência deve estar sempre atento às condições


adversas que possam existir nas vias, pavimentadas ou não. Mesmo que você
conheça o percurso, não deve desconsiderar a possibilidade de ser surpreendido, sob
risco de causar danos ao veículo ou até mesmo de envolver-se em acidente de
trânsito. A realidade nos mostra uma série de deficiências que aumentam as
probabilidades de o condutor se acidentar.

Figura 54: Estrada esburacada


Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/estrada-danos-repara%C3%A7%C3%A3o-perigo-414462/.

124
Veja abaixo as situações mais comuns com que você pode se deparar:

Principais condições adversas da via:

I. Largura da via insuficiente;


II. Ponte estreita;
III. Trechos escorregadios;
IV. Aclives e declives acentuados;
V. Má conservação do pavimento (buracos);
VI. Queda de barreiras e objetos na via (pedras);
VII. Animais sobre a via;
VIII. Falta de acostamento;
IX. Drenagem deficiente (acúmulo de água, areia);
X. Depressões, ondulações e desníveis;
XI. Falta de sinalização vertical ou horizontal; e/ou
XII. Lombadas (nas rodovias, principalmente).

IMPORTANTE!
Muitas vezes, a sinalização vertical de advertência (placas
amarelas com símbolos pretos, de formato quadrado com um
dos vértices apontando para baixo), informam-nos sobre
algumas das condições adversas das vias. Esse é um dos
motivos pelos quais devemos prestar bastante atenção à
sinalização quando conduzimos os veículos de emergência.

125
Veja alguns exemplos:

Figura 55: Exemplos de Placas de Sinalização de Advertência


Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004;
SCD/EaD/Segen.

Vias com conservação deficiente

Vias sem conservação danificam o veículo, principalmente a suspensão e os pneus.


São consideradas como fator de risco para a ocorrência de acidentes, podendo causar
lesões irreparáveis e a morte de pessoas, além de danos materiais.

O que fazer ao se deparar com uma via malconservada?

I. Conduza o veículo em velocidade compatível com a condição da via;


II. Tenha cuidado com objetos e buracos, eles podem danificar os pneus;
III. Tenha cuidado para não bater o veículo por baixo, isso poderá danificar o
cárter; e
IV. Tenha cuidado para não se envolver em acidente com outro veículo ao tentar
frear ou desviar de buracos na pista.

Vias com sinalização deficiente ou sem sinalização

No desempenho de sua atividade, normalmente você trafega em vias urbanas e rurais


em boas condições de tráfego, trazendo todas as informações ao condutor; no
entanto, algumas vias podem apresentar sinalização deficiente, por vezes encoberta
pela vegetação, ou totalmente inexistente, tanto vertical quanto horizontal.

126
O que você deve fazer ao conduzir por vias com sinalização deficiente ou
inexistente?

• Conduzir o veículo com velocidade compatível e com atenção redobrada;

• Sempre que possível, evitar viajar à noite; e

• Ajustar-se às condições da via.

IMPORTANTE!
Conforme previsto no artigo 72 do Código de Trânsito
Brasileiro, todo cidadão tem o direito de solicitar por escrito
melhorias e sugestões que julgar necessário aos órgãos do
Sistema Nacional de Trânsito. Então, seja na viatura policial ou
em seu carro particular, se você está transitando por uma via
esburacada ou com sinalização deficiente, você pode acionar o
órgão competente para solicitar a regularização da situação.

2.1.3 Condições adversas de trânsito

As condições adversas de trânsito estão relacionadas à quantidade, ao tipo e


ao tamanho dos veículos e aos horários de circulação, podendo apresentar
congestionamento ou não.

Existem períodos do dia que afetam as condições de trânsito, tais como a hora
do rush, que significa o período de maior movimentação de veículos e pedestres,
provocando congestionamentos, além de dias de chuva, épocas de festas, férias
escolares, feriadões etc.

Ocasionalmente, acontecem condições adversas de trânsito na presença de


rebanhos de animais, maquinário agrícola, obras, carroças, funerais etc.

O trânsito pode ser alterado, ainda, por: batedores, escoltas, desmoronamento,


acidentes, bloqueio parcial de pista, rompimento de estrada, fiscalização etc.

127
O que fazer ao se deparar com essas condições de tráfego?

I. Nos horários de entrada e de saída de aula, evite transitar em ruas onde


existam colégios;
II. Quando você souber que há obras numa via de tráfego intenso, procure outro
caminho;
III. Tenha sempre em mente um roteiro alternativo para o caso de engarrafamento
inesperado, mesmo se for mais longo. Você economiza tempo e combustível
num trajeto maior que esteja livre;
IV. Se possível, utilize dispositivos e/ou aplicativos de navegação, tais como o
Waze® ou o Google Maps®; eles ajudam a ganhar tempo e a economizar
combustível; certifique-se de que os suportes que prendem o smartphone
estejam instalados em local que não prejudiquem a visibilidade do condutor; e
V. Mantenha-se calmo.

Figura 56: Aplicativos de navegação (Waze® ou o Google Maps®)


Fonte: SCD/EaD/Segen.

128
2.1.4 Condições adversas de veículo

Caro colega profissional de segurança pública, qual foi a última vez que você
realizou uma inspeção de primeiro escalão (utilize o checklist disponível no item 4.4.3
da Aula 4 do Módulo 1), aquela realizada pelo motorista, antes de iniciar o serviço?

Como um condutor defensivo, você deve manter o veículo em que trabalha


sempre em condições de reagir instantânea e eficientemente a todos os comandos,
inspecionando-o antes de iniciar o serviço. Acima de tudo, este procedimento garante
a SUA segurança e a segurança de todos os colegas que estão com você na viatura!

Defeitos mais comuns em veículos que facilitam os acidentes

I. Pneus desgastados;
II. Limpador de para-brisa com defeito;
III. Espelho retrovisor danificado/inexistente;
IV. Suspensão defeituosa;
V. Defeito na direção (folga e desalinhamento);
VI. Falta de balanceamento e cambagem;
VII. Ausência de sirene e de luzes de emergência;
VIII. Freios desregulados; e
IX. Lâmpadas queimadas.

129
Figura 57: Viatura com defeito
Fonte: Arquivo – Blog A Palavra.

2.1.5 Condições adversas de condutor

Em muitas ocasiões, a jornada de trabalho extenuante do condutor de veículo


de emergência pode interferir na maneabilidade, aumentando os riscos de
envolvimento em acidentes de trânsito. Os aspectos físicos e psicológicos influenciam
diretamente na atuação do condutor. Como exemplos, temos: fadiga, sono, estado
alcoólico, audição deficiente, visão deficiente, perturbações mentais e emocionais,
preocupações e medo (MASLACH; JACKSON, 1981).

Estado físico e mental do condutor, consequências da ingestão e do consumo


de bebida alcoólica e de substâncias psicoativas.

A bebida alcoólica

Atualmente, o álcool é a substância psicoativa que mais causa acidentes e


mortes no trânsito no Brasil e no mundo (PECHANSKY, 2014).

Relativamente à absorção e distribuição do álcool, Pechansky (2014, pg. 53),


escreveu que:

130
“O etanol, quando ingerido, é absorvido rapidamente no estômago (20%) e no
intestino delgado (80%) - órgão cheio de vasos e membranas permeáveis. O maior
pico na concentração plasmática ocorre em torno de meia hora após a ingestão. A
velocidade com que a pessoa bebeu, o tempo de esvaziamento gástrico e o início da
absorção intestinal podem ser considerados os principais fatores determinantes das
taxas variáveis de absorção de álcool encontradas em diferentes indivíduos ou
circunstâncias.

Se o indivíduo possuir alimentos no estômago (estado alimentado), isso


retardará a absorção de etanol. Caso ele esteja sem alimento no estômago (estado
de jejum), a absorção do etanol será de forma mais rápida, alcançando o pico
plasmático maior do que no estado alimentado. Porém, quando o álcool chega no
intestino delgado, sua absorção para a corrente sanguínea é rápida e completa, não
importando a presença de alimentos.”

A dosagem alcoólica distribui-se uniformemente em todos os órgãos e líquidos


orgânicos, mas, principalmente no cérebro, afetando de maneira significativa a
capacidade de conduzir veículos automotores.

Relativamente aos efeitos da ingestão do álcool na condução de veículos,


Pechansky (2014, pg. 58) escreveu que:

“Dentre as habilidades necessárias para adequada condução de


veículo automotor, o tempo de reação, ou seja, o tempo
decorrido entre o indivíduo perceber a situação e reagir a ela foi
diferente entre indivíduos alcoolizados e sóbrios. Os estudos
apontam que o tempo de reação de um condutor que ingeriu
álcool é maior que em um condutor sóbrio, interferindo
negativamente na capacidade de condução. Por exemplo, diante
de uma situação inesperada, durante o dia, um condutor que não
consumiu bebida alcoólica leva até 1,75 segundos para iniciar
uma reação. Se este condutor estiver a 80Km/h ele percorrerá
cerca de 39 metros até efetivar sua ação. Já um condutor sob
efeito de álcool, na mesma velocidade, passa a reagir em até 5,1
segundos, percorrendo uma distância de 113 metros antes de
tomar qualquer decisão. Isso significa que o motorista

131
alcoolizado pode percorrer 74 metros a mais do que o condutor
que não bebeu.

A acuidade visual e o processamento da informação também


ficam prejudicados. Um estudo realizado na Austrália identificou
que o condutor embriagado demora mais tempo na identificação
de outro veículo, fato que aumenta o risco e pode ocasionar um
acidente.

Além dos prejuízos na habilidade para a condução, o uso de


álcool interfere negativamente na percepção de risco do
condutor. Mesmo embriagado, o motorista acredita que sua
conduta não representa perigo, tendendo a culpar os outros,
atribuindo uma maior habilidade e autoconfiança na sua
capacidade de condução.”

Evidentemente, um bom profissional de segurança pública JAMAIS iria se


apresentar a serviço para conduzir uma viatura estando alcoolizado; pois, além do
perigo que isso causa, trata-se de uma infração de trânsito de natureza gravíssima
(conforme o Art. 165 do CTB) e, dependendo do caso, até mesmo um crime de trânsito
(de acordo com o Art. 306 do CTB).

Vale salientar que a grande maioria das corporações policiais impõe,


corretamente, sanções administrativas em seus regimes disciplinares aos
profissionais de segurança que se apresentam para o serviço sob o efeito de álcool
e/ou que ingerem bebida alcoólica estando a serviço.

Por fim, um cuidado especial deve ser tomado no dia seguinte ao qual foi
ingerida uma grande quantidade de bebida alcoólica: se a pessoa está de ressaca,
isso significa que o seu corpo ainda não conseguiu metabolizar todo o álcool que está
em sua corrente sanguínea. Ou seja, a pessoa AINDA se encontra sob o efeito de
álcool!

132
Figura 58: Etilômetros - “passivo”, à esquerda, e o tradicional, à direita
Fonte: José Carlos Schaeffer.

Substâncias psicoativas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera droga toda substância que,


por sua natureza, afeta a estrutura e o funcionamento de um organismo vivo.

Por sua vez, as Substâncias Psicoativas (SPAs) são aquelas que, quando
ingeridas, inaladas ou inseridas na corrente sanguínea, afetam os processos normais
de sentir, de pensar e de agir.

No trânsito, este é um aspecto de vital importância, uma vez que tanto as


drogas lícitas (medicamentos, por exemplo) quanto as ilícitas causam transformações
químicas no organismo (distribuição, ação, armazenamento e saída) e atuam
diretamente no sistema nervoso central, gerando alterações no nível de consciência
do espaço e do tempo, desvirtuamento sensorial, perda do equilíbrio, psicoses e
delírios.

O uso de drogas pode ser fatal se ingeridas com álcool. Muitos condutores
profissionais, por imposição da carga horária de trabalho, utilizam artifícios para não
dormir nas viagens. As mais comuns são os chamados “arrebites” ou “rebites”, que

133
consistem em uma perigosa mistura de medicamentos (anfetaminas) que, a longo
prazo, são extremamente prejudiciais à saúde.

Nem toda substância psicoativa é ilícita. Muitas são medicamentos prescritos


para situações específicas, como insônia ou défice de atenção. Caso o profissional de
segurança pública esteja tomando alguma medicação com efeitos depressores do
sistema nervoso central (SNC), a exemplo dos benzodiazepínicos (Rivotril®,
Alprazolam etc.), ele não deve conduzir veículos de emergência, salvo se houver
permissão médica.

Figura 59: Exemplo de benzodiazepínicos (Rivotril® e Alprazolam)


Fonte: SCD/EaD/Segen.

É IMPORTANTE:

Que você converse com o seu médico sobre os efeitos de


quaisquer medicamentos que você estiver utilizando, no tocante
à capacidade de dirigir veículos e máquinas; pois, dependendo
da substância e da dosagem, elas podem ser mais perigosas do
que o álcool.

134
Por fim, embora você já saiba disso, vale o conselho de que você não deve se
automedicar; e nem modificar as dosagens ou interromper o tratamento sem a
supervisão médica adequada.

AULA 3 — Comportamento seguro na condução de


veículos de emergência

Introdução

Nesta aula, você conhecerá as principais causas de acidentes e os


procedimentos adequados para a realização de manobras como a ultrapassagem.
Aprenderá também como evitar o envolvimento em acidentes ao adotar
procedimentos seguros na condução de veículos de emergência.

3.1. Definindo acidente de trânsito

Mas você deve estar se perguntando: afinal, o que é acidente de trânsito?

Acidente de trânsito é:

Todo acontecimento, casual ou não, tendo como consequências


danos físicos ou materiais, envolvendo veículos, pessoas e/ou animais nas
vias públicas.

Em sua opinião, quais as principais causas dos acidentes de trânsito?

135
3.2 Acidente evitável ou não evitável

Caro profissional de segurança pública, a primeira coisa que devemos pensar


quando tratamos sobre acidentes de trânsito é: afinal, os acidentes são evitáveis ou
não evitáveis?

De acordo com as pesquisas realizadas sobre o assunto, confira as definições


dos acidentes evitáveis e dos acidentes inevitáveis:

Acidentes evitáveis

São aqueles que ocorrem apenas porque pelo menos uma das pessoas
envolvidas não agiu corretamente ou não tomou as medidas de segurança cabíveis.

Acidente inevitável

É aquele no qual as pessoas envolvidas tomam todas as medidas de segurança


possíveis e o acidente ocorre mesmo assim.

Levando-se em consideração que os acidentes de trânsito são o resultado de


múltiplos fatores e que, em quase 90% dos acidentes, o erro humano é o principal
motivo (de acordo com pesquisas na área de acidentologia, os defeitos em veículos
respondem por cerca de quatro por cento das causas principais e os defeitos nas vias
por cerca de 6%), fica claro que a grande maioria dos acidentes é completamente
evitável. Praticamente todos os acidentes de trânsito são evitáveis. Na maior parte
das vezes, só acontecem porque alguém é negligente de alguma forma, como, por
exemplo, quando alguém dirige em alta velocidade, com os pneus carecas, sem
manter uma distância de segurança, realizando ultrapassagens em faixa contínua.

Qual a sua opinião a respeito disso? Você concorda comigo que a


esmagadora maioria dos acidentes de trânsito são evitáveis?

A violência dos graves acidentes está presente nas vias urbanas e rurais de
todo o país. Aproximadamente 90% dos acidentes têm como causa a falha humana
e, normalmente, ela recai sobre três aspectos jurídicos que caracterizam a
culpabilidade:

136
Figura 60: Três aspectos jurídicos que caracterizam a culpabilidade
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

O acidente é um evento — de certa forma, intencional —, que pode ser evitado.


É causador de lesões físicas e, muitas vezes, emocionais; no âmbito doméstico ou
nos ambientes sociais. O acidente de trânsito visto como uma violência poderá ajudar
na elaboração e na implementação de políticas públicas que possam prevenir sua
ocorrência.

3.3 A importância de ver e ser visto

Como é sabido, nós, seres humanos, possuímos cinco sentidos que


possibilitam a nossa interação com o mundo:

Figura 61: Cinco sentidos


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

137
Do ponto de vista do trânsito e da condução de veículos, a visão acaba tendo
um papel primordial!

Assim, para transitar com segurança, é necessária a capacidade do condutor


para ver o que está à sua volta, e também é primordial que o seu veículo seja visto
pelos demais atores envolvidos no trânsito. Isso porque, conforme já sabemos, a falta
de visibilidade, isto é, a falha em ver o que está na pista a tempo de tomar as decisões
adequadas, é uma das principais causas de acidentes.

Vejamos, agora, algumas dicas gerais para aumentar nossa capacidade de


vermos e sermos vistos, assim como alguns aspectos específicos para os veículos de
emergência.

3.3.1 Aspectos gerais


a) Sistema de Iluminação dos Veículos:

O sistema de iluminação dos veículos é fundamental para o nosso esforço de


vermos e sermos vistos.
Tanto é que o Código de Trânsito Brasileiro determina que o condutor deverá
manter acesos os faróis do veículo, por meio da utilização da luz baixa, durante à
noite. Do mesmo modo, quando transitamos por túneis e no caso de chuva, neblina
ou cerração, os faróis de luz baixa devem permanecer acesos, ainda que esteja
durante o dia (conforme o Art. 40, inciso I do CTB, de acordo com a redação dadapela
Lei n. 14.071/2020).
Da mesma forma, os veículos que não dispuserem de luzes de rodagem diurna
deverão manter acesos os faróis nas rodovias de pista simples situadas fora dos
perímetros urbanos, mesmo durante o dia (conforme o Art. 40, § 2º do CTB, de acordo
com a redação dada pela Lei n. 14.071/2020).
Mas, por que devemos manter os faróis ligados em rodovias mesmo durante o
dia, se há a presença de iluminação natural? Uma série de estudos mostra que os
faróis acesos ajudam a aumentar a visibilidade dos veículos quando estão transitando
em rodovias, o que faz com que eles sejam percebidos a uma distância maior,
diminuindo, assim, o risco de colisões frontais e de atropelamentos de pedestres.

138
Podemos, inclusive, pensar que, no caso de deslocamentos de emergência, é
recomendado que os faróis estejam continuamente acesos, de modo a aumentar a
visibilidade do veículo e reduzir o risco de acidentes.
Por sua vez, o uso da luz alta é obrigatório nas vias não iluminadas, exceto ao
cruzar com outro veículo ou ao segui-lo (conforme art. 40, inciso II do CTB).

b) Use o sistema de sinalização (setas) corretamente:

Durante nossos deslocamentos, compartilhamos o percurso com outras


pessoas que podem caminhar, dirigir, pilotar moto, andar de bicicleta etc. Portanto, o
uso correto das setas torna-se essencial para a convivência harmoniosa, pois ela é
uma forma de envio de mensagens no trânsito. Então, sempre que você pretender
realizar quaisquer deslocamentos laterais, ultrapassagens, conversões à esquerda ou
à direita, mudanças de faixa de rolamento, retornos, desvios de obstáculos; ou quando
for estacionar, use as setas para indicar a sua intenção. Comunicar-se no trânsito é
importante!

c) Regulagem dos espelhos retrovisores:

Uma das regras básicas da direção defensiva é que o motorista tenha uma
atenção difusa, ou seja, que esteja focado, simultaneamente, na condução do veículo
e atento a tudo o que está acontecendo ao seu redor. Isso ressalta a importância da
regulagem correta dos espelhos retrovisores, que devem ser mantidos sempre em
uma posição estratégica e em perfeitas condições. Na verdade, uma das melhores
maneiras de melhorar a visibilidade é ajustar os espelhos retrovisores (espelhos
centrais e laterais) para minimizar os pontos cegos do veículo.

d) Luz certa em caso de neblina:

Conforme já vimos anteriormente, em situação de neblina, a visibilidade pode


ser seriamente comprometida. Nesses casos, a recomendação é diminuir a
velocidade, acender os faróis de luz baixa e, se o seu veículo dispuser, acender os
faróis e a lanterna de neblina. Em caso de neblina, não acenda os faróis de luz alta,

139
pois o facho de luz vai se refletir na neblina e vai diminuir, ainda mais, a sua
visibilidade.

3.3.2 Aspectos específicos para os veículos de emergência

a) Uso das luzes intermitentes:

Conforme vimos no módulo anterior, as luzes intermitentes são uma das


características distintivas dos veículos de emergência, devendo ser, obrigatoriamente,
acionadas para que o veículo desfrute das prerrogativas de prioridade de passagem,
de livre-circulação, de estacionamento e de parada. No caso de deslocamento de
urgência, elas devem ser usadas em conjunto com os dispositivos de alarme sonoro.

O uso correto das luzes intermitentes vai aumentar sobremaneira a visibilidade


do veículo de emergência, evitando que você se envolva em acidentes de trânsito,
especialmente durante o período noturno.

b) Padronização visual do veículo:

Em geral, os veículos de emergência apresentam uma caracterização visual


distintiva dos veículos “comuns”, destacando-os dos demais e aumentando sua
visibilidade.

3.4 A importância do comportamento seguro na


condução de veículos especializados

Caro profissional de segurança pública, como você já está ciente a esta altura
de nossos estudos, os veículos de emergência possuem características e regras bem
específicas para a sua condução com segurança.

140
Conforme vimos anteriormente, existem vários tipos de acidentes e de fatores
de risco para a condução. No entanto, um dos fatores mais comuns para a ocorrência
de acidentes é não ser capaz de desviar ou parar seu veículo a tempo de evitar a
colisão. Por isso, é importante que você tome medidas que possam garantir a sua
segurança, tais como:

a) Manter a distância de segurança:

Sempre aumente a distância do veículo que segue à frente caso as condições


de tráfego sejam desfavoráveis, por exemplo em dias de chuva ou em caso de neblina.

b) Antecipar a frenagem:

Assim que você vir a luz de freio do veículo que segue à frente, mantenha o
seu pé apoiado no pedal do freio, de modo a manter uma distância segura, para que
não seja necessária uma frenagem repentina.

c) Controlar a situação:

Aplique os princípios de direção defensiva já vistos e esteja atento,


antecipando-se às ações dos outros condutores e prevenindo situações que possam
causar acidentes. Você não tem controle sobre as ações dos outros, mas você tem
controle sobre as suas ações na condução do veículo!

d) Prestar atenção redobrada nos cruzamentos:

Embora os veículos de emergência tenham prioridade de passagem nos


cruzamentos, essa manobra deve ser executada com velocidade reduzida e com os
devidos cuidados de segurança. Isso porque, muitas vezes, os automóveis que estão
cruzando com o veículo de emergência não possuem visibilidade para perceber a
aproximação dele, devido a carros, a árvores, a mobiliário urbano ou à própria
geometria da via. Além disso, por conta do barulho do trânsito ou por estarem
escutando música em volume alto, os condutores podem não escutar a sirene. Boa

141
parte dos acidentes que envolvem os veículos de emergência acontecem, justamente,
nos cruzamentos. Todo cuidado é pouco neste quesito!

3.5 Comportamento seguro e comportamento de risco


— diferença que pode poupar vidas.

O trânsito em condições seguras é um direito de todos (CTB – art. 1º, § 2º)


(BRASIL, 1997), cabendo aos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito as medidas
que assegurem a efetivação desse direito.

Veja o que diz o CTB, em seu artigo 1º, inciso 2º:

Art. 1º, § 2º “O trânsito, em condições seguras, é um direito de


todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema
Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das
respectivas competências, adotar as medidas destinadas a
assegurar esse direito”.

Mas, além de ser um direito, o comportamento seguro no trânsito também é um


dever de todos os cidadãos usuários das vias terrestres, seja na condição de condutor,
de pedestre ou de passageiro. E VOCÊ, profissional de segurança pública, tem um
papel importante nesse quesito.

Entre as causas que influenciam o comportamento de risco no trânsito, temos


o ser humano, as vias e os veículos. Conforme já falamos anteriormente, mais de
90% dos acidentes de trânsito decorrem da adoção de comportamentos
inseguros ou imprudentes por parte dos condutores de veículos motorizados.
Reconhecer estes comportamentos é um passo muito importante para que se obtenha
atitudes prudentes e seguras.

Comportamentos de risco do condutor

Muitas vezes, durante a viagem, o motorista adota comportamentos de risco,


geralmente na intenção de completar sua jornada no menor tempo possível. Na

142
grande maioria das vezes, o ganho de tempo é ínfimo e isso não chega nem perto de
compensar os riscos assumidos. Entre os diversos comportamentos inadequados
adotados pelos condutores dos veículos motorizados, podemos citar os seguintes:

I. Não sinalizar as mudanças de faixa de rolamento, as manobras de


conversão à esquerda e à direita e os retornos;
II. Não usar o cinto de segurança; ou não exigir nem orientar que os
passageiros usem;
III. Não manter a distância de segurança em relação aos demais veículos e/ou
ao bordo da pista de rolamento;
IV. Não respeitar os limites de velocidade da via;
V. Fazer ultrapassagens bruscas e repentinas;
VI. “Costurar” entre os veículos;
VII. Andar muito próximo (“colado”) da traseira do veículo que segue à frente; e
VIII. Aproveitar os últimos segundos antes do fechamento do semáforo,
acelerando o veículo de modo a forçar a passagem no cruzamento; esse
comportamento pode provocar acidentes muito graves e deve ser evitado.

Muitos acidentes de trânsito acontecem não por incapacidade ou por falta de


habilidade dos condutores, mas como consequências de escolhas e de decisões
erradas, que fazem com que o condutor cometa infrações e dirija de forma imprudente.

IMPORTANTE:

Caro profissional de segurança pública, é importante que


você avalie as suas atitudes de modo a perceber se, na sua
condução, você adota comportamentos de risco ou
comportamentos seguros. Devemos ter autocrítica e estar
sempre avaliando o nosso comportamento. Lembre-se: o
primeiro e principal interessado na sua segurança é VOCÊ! Além

143
disso, sua família e seus companheiros de trabalho agradecem
a sua prudência.

3.6 Como ultrapassar e ser ultrapassado

3.6.1 Ultrapassagem, uma manobra arriscada

Quando você se desloca em um veículo de emergência (ambulância, viaturas


de socorro e salvamento, viatura policial, viatura de fiscalização de trânsito), por ruas,
avenidas e rodovias de pista simples, necessita, em muitos momentos, realizar uma
manobra arriscada: a ultrapassagem.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) nos traz a seguinte definição:

“ULTRAPASSAGEM - movimento de passar à frente de outro


veículo que se desloca no mesmo sentido, em menor velocidade
e na mesma faixa de tráfego, necessitando sair e retornar à faixa
de origem” (Anexo I) (BRASIL, 1997, n.p.).

A ultrapassagem é uma manobra perigosa, pois, por alguns instantes, o veículo


adentra a faixa de trânsito dos veículos que transitam em sentido contrário e, caso
ocorra algum erro de cálculo por parte do condutor que realiza a ultrapassagem, pode
ocorrer uma colisão frontal, um acidente que muitas vezes gera vítimas fatais.

A urgência da ocorrência, o som agudo da sirene, o estresse do motorista e,


dependendo da velocidade, uma redução significativa da visão periférica são fatores
que podem alterar o senso crítico do agente que conduz o veículo.

144
IMPORTANTE:

Visão periférica: observe o desenho e entenda o que


ocorre com a visão periférica quando você se desloca em alta
velocidade. Quanto mais veloz você estiver, mais seu campo de
visão se reduz, entrando num efeito túnel (visão de túnel) e
deixando de captar, por exemplo, a presença de ciclistas e de
pedestres que trafegam pelas margens da via.

Quanto maior for a velocidade, menor será o campo de


visão do condutor, trazendo, como consequência, sérios riscos
à segurança.

Figura 62: Visão periférica x velocidade


Fonte: do conteudista.

3.6.2 Etapas para uma ultrapassagem segura

Para que a manobra de ultrapassagem ocorra com segurança, você deve seguir
as seguintes etapas:

145
a) Mantenha a distância de segurança em relação ao veículo que segue adiante;

b) Se houver dificuldade de visualização, aproxime-se da linha divisória e verifique


o trânsito do sentido contrário, não esquecendo dos veículos que seguem atrás;

c) Identifique a distância entre o seu veículo e o veículo que vem em sentido


contrário; observe se há espaço suficiente para efetuar a manobra com segurança;

d) Observe os veículos que vêm atrás, antes de iniciar a manobra de


ultrapassagem; caso o veículo que vem atrás já tenha iniciado o processo de
ultrapassagem, você deverá aguardar um outro momento para realizar a manobra;

e) Sinalize sua intenção antes de se deslocar para a outra faixa de direção;

f) Caso necessário, dê um leve toque de buzina, para alertar o condutor à sua


frente quanto às suas intenções em ultrapassá-lo (à noite, utilize os faróis);

g) Saia para a faixa da esquerda e acelere o veículo à medida que vai


ultrapassando;

h) Sinalize a sua intenção para retornar à sua faixa de trânsito;

i) Entre na faixa de trânsito depois de observar (por meio do retrovisor interno do


seu veículo) o farol esquerdo do veículo que está ultrapassando; e

j) Retorne à velocidade normal (se for o caso), assim que tiver completado a
ultrapassagem.

Saiba mais:
As normas que regem o comportamento adequado dos condutores de
veículos que realizam a manobra de ultrapassagem estão dispostas no
art. 29, inciso IX, X e XI do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

146
3.6.3 Como ser ultrapassado

Em condições normais de operação de um veículo de emergência,


especialmente quando as viaturas policiais estão realizando atividades de ronda e de
patrulhamento, em velocidade moderada, poderá ocorrer que outros veículos que
seguem atrás queiram ultrapassar a viatura.

Saiba mais:
As viaturas de polícia quando em atividades de patrulhamento ou
policiamento ostensivo deverão, de uma forma geral, adotar uma baixa
velocidade. Por este motivo, recomendamos que estes deslocamentos
sejam feitos pela faixa mais à direita da via quando esta comportar mais
de uma faixa de rolamento.

Nesses casos, o condutor de veículo de emergência, ao perceber que outro


veículo que o segue deseja ultrapassá-lo, deve deslocar-se para a faixa da direita
(sem acelerar a marcha), caso esteja circulando pela faixa de rolamento da esquerda.

Se o veículo de emergência estiver nas demais faixas (que não aquela da


esquerda) ou estiver transitando em rodovias de pista simples, ele deve manter-se na
faixa que está circulando, sem acelerar a marcha.

Nunca acelere enquanto está sendo ultrapassado, especialmente em rodovias


de pista simples e duplo sentido de circulação, pois isso prolonga o tempo que o outro
veículo fica no sentido contrário, aumentando o risco para ambos.

Quanto antes o veículo que ultrapassa o veículo de emergência conseguir


completar a manobra com segurança, tanto melhor para todos os envolvidos.

147
Saiba mais:
As normas que regem o comportamento adequado dos condutores de
veículos que estão sendo ultrapassados estão dispostas no art. 30 do
Código de Trânsito Brasileiro.

3.6.4 Fatores de risco em ultrapassagens

Além das etapas para realizar a ultrapassagem, você precisa levar em


consideração diversos fatores que podem influenciar nessa manobra, como, por
exemplo:

I. Motorização do veículo que está conduzindo (potência e combustível);


II. Peso que está transportando (ocupantes e equipamentos);
III. Condições climáticas e de luminosidade;
IV. Tipo de pista e obras de arte*; e
V. Dimensões e velocidade do veículo a ser ultrapassado.

*Obs.: As obras de arte mencionadas em tal dispositivo não são, entretanto, ornamentos ou esculturas
a serem apreciadas pelos transeuntes, mas sim as intervenções viárias criadas justamente para a
travessia viária, de forma aérea ou subterrânea. O Anexo I do Código de Trânsito denomina estas duas
obras de arte como sendo, respectivamente, as PASSARELAS e as PASSAGENS SUBTERRÂNEAS.

Veja o que diz o CTB, em seu artigo 203, inciso III:

Art. 203. Ultrapassar pela contramão outro veículo:


§ 3º - nas pontes, viadutos ou túneis;
Infração- gravíssima;
Penalidade - multa (cinco vezes).

148
3.7 Principais causas de acidentes de trânsito

I. Excesso de velocidade;
II. Dirigir sob efeito de álcool ou de outra substância psicoativa;
III. Ultrapassagens mal realizadas;
IV. Falta de distância segura para o veículo que segue à frente; e
V. Desrespeito à sinalização.

3.8 Como evitar acidentes com outros veículos — Tipos


de acidentes e como evitá-los

No desempenho da atividade de condução de veículos de emergência, os


riscos de ser envolvido em acidentes de trânsito aumentam exponencialmente. Para
que você possa reduzir esses riscos, além da atenção redobrada, deve utilizar
técnicas de condução operacional defensivas.

3.8.1 Colisão Frontal


Esse acidente ocorre quando os dois veículos se chocam frontalmente. Trata-
se de um acidente muito perigoso, pois os vetores de velocidades são somados,
gerando, não raras vezes, graves danos aos ocupantes dos veículos, geralmente
resultando em morte. Normalmente, ela ocorre em rodovias de pista simples como
resultado de ultrapassagens mal calculadas ou realizadas em locais proibidos e/ou
sem visibilidade.

149
Figura 63: Colisão frontal
Fonte: https://www.metropoles.com/distrito-federal/transito-df/batida-frontal-entre-carro-e-viatura-da-
pm-deixa-dois-mortos-no-df.
Para evitar a colisão frontal, você deve:

I. Prever com antecedência o risco de erro na manobra;


II. Ser o primeiro a tomar a decisão, tão logo constate o perigo, para não gerar
dúvida;
III. Sinalizar sua intenção (alternando a luz do farol alto e baixo ou acionando
a luz indicadora de direção); e
IV. Reduzir a velocidade e desviar para o acostamento.

IMPORTANTE:

Em caso de colisão, o uso do cinto de segurança por


todos os ocupantes aumenta em até seis vezes a chance de
sobrevivência. Você, como todos os seres humanos, possui
um corpo frágil que sofrerá sérias lesões ou irá a óbito em
caso de acidente. Então, se você deseja voltar para casa em
segurança, o uso do cinto aumenta essa probabilidade.

150
Existem muitos profissionais de segurança pública, em especial os policiais, que
têm receio de usar o cinto de segurança por temer que, em caso de situações de
confronto com criminosos armados, o cinto de segurança possa interferir na
mobilidade e no desembarque dos ocupantes da viatura. No entanto, embora em
situações excepcionais isso possa ser verdade, nas condições normais de trabalho, o
risco de se envolver em um acidente de trânsito é muitas vezes maior do que o risco
de ser surpreendido por um ataque repentino. Além do mais, o uso do colete balístico
pode dar ao profissional uma segunda chance de reação, ao passo que a não
utilização do cinto, em caso de acidentes, impede qualquer tipo de reação. Se você
tiver alguma dúvida, consulte a doutrina de abordagem e patrulhamento da sua
corporação.

Assista o vídeo:
E reflita sobre a sua decisão pelo uso ou não do cinto de
segurança. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=KhUJqpAKCHo

3.8.2 Colisão Traseira


De acordo com a análise de boletins de acidentes de trânsito, uma das
principais causas desse tipo de acidente é motivada por condutores que têm o hábito
de dirigir muito próximos aos veículos da frente (“colado”); e, por isso, nem sempre é
possível avisá-los da manobra que se pretende fazer, principalmente nas
emergências. Outros motivos são a falta de consciência dos condutores em sinalizar
suas manobras de conversão e paradas repentinas.

Observação: como você estudará no próximo módulo, esse tipo de acidente


pode causar grave lesão no pescoço (coluna cervical) dos ocupantes do veículo
colidido por trás, ocasionada pelo movimento do “efeito chicote”.

Quando possível, uma providência a ser tomada dentro das técnicas defensivas
é “livrar-se” do condutor que o segue a curta distância, incentivando-o a ultrapassá-lo,
facilitando a ultrapassagem com a redução da velocidade e/ou com o deslocamento
ao acostamento, ou até mesmo com a parada em tal faixa.

151
Figura 64: Colisão traseira
Fonte: https://portalespigao.com.br/corolla-atinge-traseira-de-viatura-da-prf-na-br-364-em-porto-
velho/.

Atitudes para evitar colisão traseira:

1. Fique alerta:

Não desvie a atenção do que está acontecendo. Observe os sinais do condutor


da frente, tais como: luz do freio, luz indicadora de direção (pisca-pisca), alternância
do ritmo da marcha etc. Esses sinais indicam o que ele pretende fazer.

2. Domine a situação:

Procure olhar além do veículo da frente, para identificar situações que podem
obrigá-lo a fazer manobras bruscas. Se você observar a situação ao mesmo tempo
que o condutor da frente, terá condições de melhor controlar seu veículo e de evitar
um acidente.

3. Mantenha a distância:

Utilize uma distância segura. Não se esqueça de que, nos dias de chuva ou de
neblina, em caso de via danificada ou sem sinalização, essa distância deve ser
aumentada, por causa da redução da aderência, da baixa visibilidade e de possíveis
manobras bruscas.

152
4. Comece a parar mais cedo:

Pise no freio com cuidado, evitando paradas bruscas ao avistar algum tipo de
perigo, para que não ocorram derrapagens que possam causar risco para os veículos
que o seguem, pois os condutores de trás talvez desconheçam estas normas de
prevenção.

5. Saiba o que fazer:

Não fique indeciso, principalmente para entrar à direita ou à esquerda. Planeje


o seu trajeto com antecedência para não confundir o condutor que vem atrás.

6. Sinalize suas intenções:

Informe ao condutor que o segue o que você vai fazer, não deixe que ele tente
adivinhar o que você pretende.

7. Pare suave e gradativamente:

Muitos condutores, ao passarem do local onde iriam parar, pisam


repentinamente no freio, sem lembrar que existem outros veículos deslocando-se no
mesmo sentido.

3.9 O acidente de difícil identificação da causa (Colisão


Misteriosa):

É chamado de acidente de difícil identificação da causa ou de Colisão


Misteriosa o acidente de trânsito que envolve apenas um veículo e que apresenta
dificuldade para se definir a causa provável. Os principais elementos causadores são:

I. Pista de rolamento;

153
II. Condições climáticas;
III. Correntes aerodinâmicas;
IV. Veículo;
V. Outro condutor; e/ou
VI. Estado físico e mental.

Estude a seguir cada um deles!

Pista de rolamento

Algumas pistas apresentam diversos fatores que podem desgovernar um


veículo, como as curvas, as lombadas, o acúmulo d’água e/ou de areia, as
ondulações, os desníveis, as depressões, os buracos e o óleo na pista. Dependendo
da velocidade, do tipo de veículo e de suas condições de manutenção, esses fatores
podem projetar o veículo para fora da pista, levando-o a capotar ou a chocar-se com
algum obstáculo.

Condições climáticas

As complicações mais comuns, no que se refere ao clima, são: chuva, geada,


neblina, neve e granizo. Ao se deparar com essas condições, procure se adaptar
rapidamente ao novo cenário, reduzindo a velocidade, acionando os equipamentos
necessários e redobrando a atenção.

Correntes aerodinâmicas

Todo veículo, ao se deslocar, movimenta o ar que se encontra à sua frente,


provocando uma área de turbulência com correntes aerodinâmicas que se deslocam
pelos lados, por cima e por baixo do veículo, provocando a formação de um colchão
de ar entre o assoalho e a pista, tornando-o mais leve.
Quando um veículo está ultrapassando ou sendo ultrapassado; ou quando um
veículo passa por outro que transita em sentido oposto — principalmente quando um
destes veículos é de grande porte —, frequentemente, o veículo de menor porte

154
balança para os lados, fazendo com que o condutor, em muitas ocasiões, perca o
controle do volante.
Isso ocorre devido a ondas laterais de ar, que tornam mais leves a parte traseira
de um veículo menor. As oscilações podem ser maiores ou menores, de acordo com
a velocidade e com o local. São maiores em locais descampados na estrada, em locais
que permitem a canalização de vento etc.

IMPORTANTE!
Ao se deparar com situações que permitam a ocorrência dos casos
citados, reduza a velocidade, segure firme o volante e mantenha os vidros fechados
para reduzir a influência do deslocamento de ar e evitar que você possa perder o
controle da direção.

Veículo

O veículo também pode ser um causador de colisão misteriosa. As principais


causas são: pneus lisos, limpadores de para-brisa com defeito, freios com deficiência
e mal regulados, faróis desregulados, lâmpadas queimadas e amortecedores
deficientes.
Sendo assim, você deve encaminhar a demanda de manutenção dos itens
defeituosos ao setor responsável, para não ter que realizar deslocamentos ajustando-
se às condições negativas do veículo que, de um momento para outro, pode envolvê-
lo em acidente.

O outro condutor

A causa de colisão de um só veículo pode ser provocada pelo condutor que


dirige em sentido contrário. A maneira como ele dirige, entra em curvas, ultrapassa,
desvia de obstáculos etc. pode fazer com que o veículo entre na contramão ou, pelo
menos, ameace a entrada, fazendo com que você tenha que sair para o acostamento
ou tenha que desviar bruscamente, sendo que essa manobra pode causar um
acidente.

155
O estado físico e mental

Tanto as drogas ilícitas como as lícitas (medicamentos) podem ser fatais para
o condutor, principalmente se ingeridas com bebidas alcoólicas. Essas drogas afetam
o comportamento do condutor, chegando, em algumas ocasiões, a provocar diversos
efeitos como desmaios, sono, euforia, confusão mental, desvirtuamento sensorial,
perda do equilíbrio, psicoses e delírios.

IMPORTANTE!
Como profissional consciente, você deve evitar a automedicação e sempre
perguntar ao seu médico quais os efeitos colaterais da medicação prescrita,
principalmente para o desempenho de atividades de condução de veículos. Uma
atenção especial deve ser prestada em relação aos medicamentos da classe dos
benzodiazepínicos (rivotril, diazepam etc.), pois eles são medicamentos depressores
do sistema nervoso central e, dependendo da dosagem, podem ser piores do que o
álcool para a condução de veículos.

3.10 Como evitar acidentes com pedestres e outros


integrantes do trânsito (motociclistas, ciclistas,
carroceiros, esqueitistas)

3.10.1 Atropelamento de pedestres

Os impactos das colisões de veículos com pedestres são responsáveis por


muitas mortes anualmente. A diferença de peso e de resistência que há entre uma
pessoa e um veículo provoca um encontro bem desigual, resultando, na maioria dos
casos, em ferimentos graves.

Como o comportamento do pedestre pode ser imprevisível, a melhor regra para


evitar atropelamentos é ser cuidadoso, concedendo-lhe o direito de passagem. Um
número considerável de pessoas atropeladas estava alcoolizada no momento do
acidente.

156
Quase todos os adultos atropelados são pessoas que não sabem dirigir,
portanto, não têm noção da distância de parada ou desconhecem seus deveres como
parte do trânsito no tocante à legislação. O CTB, em seu artigo 254, prevê algumas
situações que consistem em infrações de trânsito para o pedestre, como permanecer
ou andar nas pistas de rolamento ou atravessar fora da faixa. No entanto, a falta de
regulamentação deste artigo compromete a sua aplicabilidade.

IMPORTANTE:

Como condutor defensivo, você deve dedicar atenção


especial às crianças, pessoas idosas e aos deficientes
físicos, pois estes grupos são mais suscetíveis de
envolverem-se em acidentes.

3.10.2 Como evitar acidentes com motociclistas

Cada vez mais, aumenta a quantidade de motocicletas em circulação em nosso


trânsito. Um dos motivos que levam a isso é a precariedade do transporte público;
além disso, os preços desses veículos são mais baixos que os dos automóveis, e o
consumo de combustível também é mais econômico.

Ocorre que, ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de motocicletas


e de outros ciclos motorizados (motonetas, ciclomotores, triciclos motorizados, etc.),
também aumenta, a cada ano, a quantidade de acidentes envolvendo esses tipos de
veículos. Em geral, esses acidentes têm, ao menos, um ferido: o próprio motociclista.
Isso decorre da fragilidade estrutural de tais veículos, que não possuem a proteção
fornecida pelo habitáculo da cabine de um automóvel ou de uma camioneta, por
exemplo.

157
Por esse motivo, a recomendação é ter bastante cuidado com a aproximação
de motocicletas; pois, por vezes, seus condutores fazem manobras imprevisíveis. E,
nos grandes centros urbanos, um cuidado especial deve ser dispensado à questão
dos “corredores”, que se formam entre os carros, nos congestionamentos. Não é
incomum que os motociclistas transitem em alta velocidade neles, sem cuidados com
a distância de segurança.

Veja o que diz o CTB, em seu artigo 29, inciso II:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à


circulação obedecerá às seguintes normas:
§ 2º - Respeitadas as normas de circulação e conduta
estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos
de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos
menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela
incolumidade dos pedestres.

E quando o profissional de segurança pública é o motociclista?

Não é incomum que policiais, agentes de trânsito, bombeiros e socorristas


sejam motociclistas. Muitos procuram utilizar-se de motocicletas para deslocar-se ao
trabalho devido ao custo mais baixo na aquisição e ao menor consumo de combustível
de tais veículos.

Além disso, como vimos no Módulo 1, além da utilização para fins pessoais, a
motocicleta também pode ser um veículo de emergência. Vários órgãos de segurança
pública utilizam-se das motocicletas para o policiamento/patrulhamento urbano ou
rodoviário, em razão de sua versatilidade e facilidade de deslocamento.

Isso nos leva a uma pergunta:

158
Figura 65: Para refletir
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Vamos colocar aqui algumas dicas e conselhos que estão longe de esgotar o
assunto:

a) Ponto cego:

O espelho retrovisor de uma motocicleta pode pregar peças em você. Antes de


mudar de faixa ou mesmo virar, além de olhar pelo retrovisor, olhe para trás. Os pontos
cegos dos espelhos retrovisores podem trazer surpresas desagradáveis.

b) Distância de segurança:

Você já pode ter aprendido isso, mas muitos motoristas esquecem algumas das
regras básicas, por isso vamos reforçá-las: mantenha uma distância segura do veículo
que segue à sua frente; pois, em caso de frenagem brusca, por exemplo, você tem
tempo para tomar medidas para evitar um acidente.

c) Farol aceso:

Essa é mais uma condição essencial para os motociclistas praticarem uma


direção defensiva: dirigir sempre com os faróis da motocicleta acesos, mesmo durante
o dia (conforme o art. 250, inciso I, alínea d), do CTB, com a redação dada pela Lei nº
14.071/2020, diz que conduzir motocicleta, motoneta ou ciclomotor com os faróis
apagados durante o dia é infração de natureza média, punida com multa). Os faróis
acesos facilitam a visualização do seu veículo pelos motoristas ao seu redor.

159
d) Buzina:

a buzina é uma ferramenta muito importante e deve ser usada com cautela. É
importante lembrar a outros veículos da sua presença e prevenir acidentes. Mas
cuidado: o uso excessivo incomoda e pode acabar por ter um efeito oposto em termos
de segurança, sendo inclusive infração de trânsito, conforme previsão do art. 227 do
CTB:
“Art. 227. Usar buzina:
I - em situação que não a de simples toque breve como advertência ao pedestre
ou a condutores de outros veículos;
II - prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto;
III - entre as vinte e duas e as seis horas;
IV - em locais e horários proibidos pela sinalização;
V - em desacordo com os padrões e frequências estabelecidas pelo
CONTRAN:
Infração - leve;
Penalidade - multa.”

e) Correntes Aerodinâmicas:

As correntes aerodinâmicas, especialmente aquelas provenientes de veículos


de grande porte, podem derrubá-lo da motocicleta. Fique atento, se você foi
ultrapassado por um ônibus, por um caminhão ou por outro veículo de grande porte,
como uma carreta, preste atenção para evitar o risco de desequilíbrio.

f) Capacete e roupa adequada:

Além de cumprir a lei, o uso de capacete pode salvar sua vida em caso de
acidente, diminuindo o risco de que você venha a sofrer um traumatismo
cranioencefálico (TCE). Todas as corporações policiais preveem que seus
motociclistas usem capacetes quando em serviço! Outros itens de segurança
opcionais também são muito importantes para proporcionar viagens menos perigosas,
como luvas, óculos de sol, roupas impermeáveis, calçados adequados etc. Pode não

160
parecer, mas, além de esses objetos proporcionarem um prazer de dirigir inesperado,
eles também podem protegê-lo em casos de acidentes.

g) Manutenção adequada do veículo:

preste muita atenção à manutenção da sua motocicleta (ou daquela fornecida


pela sua corporação para o seu trabalho); mantenha as revisões em dia e não corra
riscos. Procure sempre um mecânico de confiança ou o revendedor autorizado da
marca. Consertos mal feitos e peças de má qualidade são o barato que pode sair
(bem) caro.

Assista o vídeo:
Assista ao vídeo “6 dicas de pilotagem defensiva”, para aprender
mais algumas dicas de como conduzir sua motocicleta de
maneira defensiva. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=QlglLdJYp1s

3.10.3 Como evitar acidentes com ciclistas, carroceiros e esqueitistas:

Ciclistas

Uma parcela cada vez maior da população vem optando pelo uso da bicicleta
no trânsito, não apenas para as finalidades de lazer, mas também para os seus
deslocamentos cotidianos para trabalhar, para estudar etc.

A grande questão, aqui, é que o sistema viário brasileiro foi concebido, em sua
maioria, para acomodar apenas os veículos motorizados. Esse paradigma tem sido
reescrito em algumas cidades que estão investindo em infraestrutura cicloviária, tais
como Fortaleza/CE, Santos/SP e Rio de Janeiro/RJ, as quais vêm se destacando

161
pelos espaços cada vez maiores e mais adequados para a circulação de ciclistas; mas
essas cidades, no Brasil, infelizmente, ainda são as exceções, não a regra.

Sendo assim, para um bom convívio dos veículos motorizados com os


ciclistas e para minimizar o risco de acidentes, recomendamos as seguintes
dicas:

a) Ao ultrapassar um ciclista, o motorista deve sempre observar uma distância


mínima de 1,5 m. Passar muito próximo (tirar “finos”) dos ciclistas pode assustá-
los e causar quedas ou acidentes mais graves. Conforme o art. 201 do CTB,
deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinquenta centímetros ao
passar ou ultrapassar bicicleta, constitui infração de natureza média, punida
com a penalidade de multa;

b) Não abuse da buzina para alertar os ciclistas, eles perceberão a existência


do carro por meio do som do motor. A buzina pode assustar o ciclista e fazer
com que sua atitude seja imprevisível;

c) Respeite a preferência do ciclista ao fazer a conversão de uma determinada


forma. Se o motorista estiver atento, ele pode reduzir lentamente a velocidade
do veículo para que o ciclista possa atravessar a estrada com segurança;

d) Não ultrapasse o ciclista em alta velocidade, pois o deslocamento de ar


poderá causar o desequilíbrio dele;

e) Tenha cuidado e preste atenção especial ao mudar de faixa, ao sair de


prédios ou de estacionamentos e ao abrir portas de carros. O uso dos espelhos
retrovisores é essencial para perceber a aproximação dos ciclistas; e

f) Sempre use as luzes indicadores de direção do veículo (setas). A


comunicação entre os usuários da via é feita por meio desta sinalização.
Ciclistas ou pedestres não podem prever mudanças nos veículos, se estas não
forem sinalizadas.

162
Figura 66: Ciclistas
Fonte: canva.com; SCD/EaD/Segen.

Carroças

Quanto às carroças e aos demais veículos de tração animal, a norma de trânsito


diz que eles devem ser conduzidos pela faixa mais à direita da pista de rolamento,
junto à guia da calçada (meio-fio) ou pelo acostamento, sempre que não houver faixa
especial a eles destinada. Devemos ter cuidado quando nos aproximamos deles; pois,
em geral, eles desenvolvem uma velocidade muito abaixo da desenvolvida pelos
veículos motorizados.

Veja o que diz o CTB, em seu artigo 52:

Art. 52. Os veículos de tração animal serão conduzidos pela


direita da pista, junto à guia da calçada (meio-fio) ou
acostamento, sempre que não houver faixa especial a eles
destinada, devendo seus condutores obedecer, no que couber,
às normas de circulação previstas neste Código e às que vierem
a ser fixadas pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a
via.

163
Figura 67: Carroça
Fonte: https://www.jornalterceiravia.com.br/2019/07/22/lei-nao-e-cumprida-e-carrocas-circulam-
livremente-pelas-ruas-de-campos/.
Esqueitistas e patinadores

Em determinados locais, o condutor de veículo de emergência pode se deparar


com esqueitistas, patinadores ou com outros usuários de brinquedos e/ou de
acessórios esportivos nas vias públicas. Apesar de o CTB ser omisso em relação a
eles, as normas de direção defensiva ensinam que eles devem ser considerados como
pedestres (e, portanto, deveriam transitar na calçada ou passeio); então, devemos
aplicar as mesmas regras de segurança que devemos ter com relação aos pedestres.

O que deve ser levado em conta é que os esqueitistas e patinadores podem


ser bem rápidos em algumas ocasiões, especialmente em declives, o que demanda
atenção e cuidado redobrados.

164
Figura 68: Squeitista e patinador
Fonte: canva.com; SCD/EaD/Segen.

3.10.4 Como evitar o atropelamento de animais

Em todos os anos, morrem muitos condutores em consequência de acidentes


com animais. Fique atento e dirija com muito cuidado em regiões de fazendas ou em
campos abertos, principalmente à noite, pois podem surgir animais na pista. Os
animais, diante do frio proporcionado pela noite, procuram o asfalto ou as adjacências
dele neste período, já que se trata de um local que absorveu calor durante o dia.

Mais uma vez, fique atento à sinalização vertical de advertência, pois ela pode
vir a indicar locais onde há um grande risco de acidentes envolvendo animais
domésticos ou selvagens.

165
Figura 69: Sinalização Vertical de Advertência indicando risco de acidentes com animais
Fonte: Anexo II do Código de Trânsito Brasileiro - Resolução do Contran nº 160/2004;
SCD/EaD/Segen.

IMPORTANTE:

Assim que você perceber animais na via, quaisquer


que sejam seus tamanhos, reduza a velocidade até que os
tenha ultrapassado. Se possível, auxilie na retirada deles;
caso contrário, informe ao órgão competente, pois compete
à Autoridade de trânsito ou seus agentes o recolhimento de
animais da via, conforme o Artigo 269 do CTB.

166
Figura 70: Atropelamento de animal
Fonte: https://www.didigalvao.com.br/acidente-veiculo-bate-em-vaca-na-br-116-na-altura-do-km-47-
em-salgueiro/.

Finalizando
Neste módulo, você aprendeu que:

 É muito preocupante o atual quadro mundial e, particularmente, brasileiro, no


que se refere ao trânsito rodoviário. Como servidor público e como cidadão,
você pode contribuir, em sua comunidade, para minimizar esse grave
problema, buscando soluções em conjunto com as instituições em que trabalha
e com a sociedade organizada, visando tornar o trânsito de sua cidade mais
seguro e humanizado;

 Utilizando procedimentos e técnicas de direção segura, você poderá reduzir


significativamente a chance de se envolver em acidentes. Aplicar os elementos
da direção defensiva, evitando cometer erros nos deslocamentos, é decisivo
para a proteção da sua equipe, da sociedade e de você mesmo;
 Ao conhecer as restrições impostas pelas condições adversas e as ações para
se adaptar rapidamente ao novo cenário, você estará mais preparado para
enfrentar as mudanças com mais confiança e segurança; e

167
 Você tem uma importante tarefa no desempenho de sua profissão: servir à
sociedade. Não coloque em risco a sua vida, a de sua equipe e as das demais
pessoas no trânsito.

168
MÓDULO III — NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS,

RESPEITO AO MEIO AMBIENTE E CONVÍVIO SOCIAL

Apresentação do módulo

Caro profissional de segurança pública,

Nos módulos anteriores, você estudou a legislação referente à atuação do


condutor de veículo de emergência e aprendeu como agir defensivamente no trânsito.

“O destino do traumatizado está nas mãos de quem faz o primeiro curativo”,


com essa frase, Nicholas Senn (apud PHTLS) - (1844-1908) cirurgião americano,
fundador da Association of Military Surgeons of the United States - resumiu o papel
daquele que primeiro aborda uma vítima de trauma, pois de nada adianta esperar pelo
socorro se a vítima não respirar ou se ela estiver com uma abundante hemorragia. Em
pouco tempo, ela morrerá.

Neste módulo, você estudará a conduta mais adequada de um agente de


segurança pública frente a uma situação que exija o socorro de pessoas vítimas de
trauma. Estudará também como prover a segurança do local, preservando a sua vida
e a de terceiros. Até porque as pessoas presentes no local do sinistro esperam do
agente público uma ação de controle e de coordenação em relação ao cenário de
crise, principalmente no que concerne aos primeiros socorros dos feridos e à
segurança do lugar.

Em seguida, você revisará alguns conceitos básicos sobre o meio ambiente e


sua preservação, aprendendo a adotar medidas e procedimentos que ajudarão a
evitar a poluição e a degradação ambiental, preservando a natureza e legando um
mundo melhor para as futuras gerações: seus filhos e netos.

Por fim, embora você já saiba, nunca é demais voltar a estudar algumas
noções gerais sobre o convívio social, sobre os conceitos de indivíduo, de grupo social

169
e de sociedade, bem como a maneira pela qual podemos desenvolver um bom
relacionamento interpessoal.

Bons estudos!

Objetivos do módulo
Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

• Entender a necessidade de sinalizar adequadamente um local de acidente;

• Conhecer os procedimentos para prover a segurança pessoal e de terceiros;

• Identificar a necessidade de solicitação de recursos adequados à situação;

• Conhecer os procedimentos de avaliação inicial e o suporte básico de vida


(SBV), quando necessário, bem como a adoção de medidas para o não agravamento
das lesões;

• Compreender a importância das ações do agente público em um cenário de


crise, que levam à manutenção da vida e à segurança, em consonância com os
anseios da sociedade;

• Conhecer a regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente


(CONAMA) sobre a poluição ambiental causada por veículos, envolvendo a emissão
de gases, a emissão de partículas (fumaça) e a emissão sonora;

• Conscientizar-se de suas atitudes, enquanto condutor, para a preservação


do meio ambiente, com o intuito de legar um mundo melhor às futuras gerações; e

• Revisar conceitos e princípios de relacionamento interpessoal,


conscientizando-se de seu papel como cidadão.

170
Estrutura do módulo
Este módulo compreende as seguintes aulas:

Aula 1 — Primeiras providências;

Aula 2 — Cinemática do trauma;

Aula 3 — Abordagem ao vitimado;

Aula 4 — Controle de hemorragias;

Aula 5 — Respeito ao meio ambiente; e

Aula 6 — Noções de convívio social.

171
AULA 1 - Primeiras providências

Introdução

Você, servidor de segurança pública, que conduz veículos de emergência, já


refletiu sobre as seguintes perguntas?

• Estou preparado para efetuar o primeiro atendimento em vítimas de acidentes


de trânsito?

• Sinto-me apto a responder aos anseios da sociedade quando me deparar com


uma ocorrência do gênero?

• Tenho o conhecimento necessário para dar o suporte e manter a vida da


vítima até a chegada do socorro especializado, contribuindo para evitar o
agravamento das lesões?

As reflexões realizadas auxiliarão a percorrer esta aula, na qual você estudará


os elementos que caracterizam a correta abordagem à cena de um acidente, primando
pela segurança pessoal e pela de terceiros, correspondendo ao que a sociedade
espera de você como servidor público.

Pronto para começar?

1.1 Gerenciamento de risco: primeiras ações

É muito comum, em deslocamentos administrativos ou de serviço operacional,


você se deparar com acidentes de trânsito, com danos materiais ou com vítimas, que
podem apresentar as mais diversas lesões. Nessas situações, você, como servidor
de segurança pública, deverá efetuar a primeira assistência às vítimas desses
eventos.

Ao se aproximar do local, você deve atentar para o gerenciamento dos riscos,


observando os seguintes aspectos:

I. Sinalização do local;

172
II. Vazamento de combustível;
III. Eletricidade;
IV. Produtos perigosos;
V. Incêndios;
VI. Veículo em posição instável;
VII. Perigos do veículo; e
VIII. Acionamento de recursos adicionais.

Estude sobre cada um deles a seguir!

1.1.1 Sinalização do local do acidente

No atendimento de ocorrências de acidentes de trânsito, a sinalização é a


primeira ação a ser realizada.

Um local mal sinalizado está propício a gerar outras ocorrências, além de


colocar em risco a vida dos profissionais e dos curiosos que podem estar no local.

Possíveis formas de sinalização:

I. Com cones, se houver no veículo. Obs.: Alguns tipos de veículos, como os


veículos que transportam produtos perigosos ou os veículos precedidos de
batedores para o transporte de cargas indivisíveis têm que possuir, por força
da legislação, cones de sinalização. Se for o caso, a equipe pode usá-los
para sinalizar a via;
II. Com o triângulo de sinalização do próprio veículo de emergência e/ou dos
demais veículos envolvidos na ocorrência;
III. Galhos e arbustos arrancados da margem da rodovia (meios de fortuna),
sendo esta uma sinalização de fácil visualização e entendimento pelos
outros motoristas e ao final da ocorrência, a equipe deve retirar o material
utilizado para sinalização da via, sob pena do cometimento da infração do
art. 226 do CTB; e

173
IV. Se o veículo for caracterizado e possuir sinalizadores de emergência, estes
devem ser utilizados para sinalizar o local, após a linha de cones ou da
sinalização com meios de fortuna.

IMPORTANTE:

A sinalização de acidentes em trechos urbanos pode


ser feita com:

- O próprio veículo, se este for caracterizado;

- O desvio do trânsito, se necessário, para garantir a


segurança, já que a velocidade será menor e o socorro mais
rápido.

Figura 71: Sinalização de atendimento de acidente


Fonte: https://extra.globo.com/noticias/brasil/transito-seguro/em-caso-de-acidentes-sinalizar-bem-
local-fundamental-9583900.html.

Você deve colocar a sinalização a uma distância que permita aos condutores
diminuir a velocidade com segurança. Em região de serras, coloque a sinalização mais

174
afastada do local. Havendo curvas, a sinalização deve ficar antes desta, de modo que
os condutores sejam alertados que existe algo de anormal logo à frente.

IMPORTANTE:

Caso sua corporação tenha atribuições de


patrulhamento rodoviário (Polícia Rodoviária Federal ou
Polícia Rodoviária Estadual) ou, ainda, tenha atribuições
que envolvam o atendimento de acidentes de trânsito, é de
suma importância que você confira, ao entrar em serviço, se
a sua viatura dispõe de cones em quantidade suficiente para
o atendimento de ocorrências.

Na verdade, a nossa recomendação é que todo veículo


de emergência dos órgãos e das entidades de segurança
pública possua, ao menos, alguns cones de sinalização.
Nunca se sabe quando eles serão precisos!

1.1.2 Vazamento de combustível

Você pode gerenciar o risco determinado por vazamentos de combustíveis, em


locais de acidentes, por meio das seguintes medidas:

I. Identificando imediatamente a presença de vazamento de combustível;


II. Isolando o local e afastar fontes de ignição (fumantes, equipamentos
eletrônicos, veículos etc.);
III. Deixando de prontidão os equipamentos de combate a incêndio (extintores),
seja os do veículo de emergência, seja os do veículo acidentado (caso ele
possua);

175
IV. Contendo pequenos vazamentos, se possível; e
V. Retirando, se possível, o cabo preto (polo negativo) da bateria do veículo
acidentado.

IMPORTANTE:

Embora o extintor de incêndio não seja mais


equipamento obrigatório para os automóveis, utilitários,
camionetas e caminhonetes (de acordo com a o art. 1º,
caput, da Resolução do CONTRAN n. 157, de 22 de abril de
2004, com a redação dada pela Resolução do CONTRAN n.
556, de 17 de setembro de 2015), recomendamos que todo
veículo de emergência disponha de extintores de incêndio.
Lembre-se que é sempre melhor ter e não precisar do que
precisar e não ter! Se a sua viatura possui extintor de
incêndio (a maioria possui), sempre confira o estado do
extintor quanto a danos e a avarias e a validade da carga ao
entrar em serviço.

Veja o que diz a Resolução do Contran nº 556/2015 - Art. 1º, parágrafo 4º.

Art. 1º, § 4º É obrigatório o uso do extintor de incêndio para


caminhão, caminhão-trator, micro-ônibus, ônibus, veículos
destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos,
gasosos e para todo veículo utilizado no transporte coletivo de
passageiros.

176
1.1.3 Eletricidade

Você pode gerenciar o risco determinado por envolvimento de eletricidade no


acidente por meio de algumas medidas:

I. Identificando a presença de fios, de postes ou de transformadores atingidos


pelo acidente;
II. Tratando toda fiação elétrica como energizada;
III. Tendo cuidado na aproximação, para que o próprio veículo de emergência
não toque os fios; e
IV. Orientando as pessoas no interior do veículo energizado, ou em contato
com fios, para não desembarcarem ou tocarem em nenhuma parte metálica
externa do veículo.

Não execute nenhuma manobra em relação à parte elétrica sem a presença de


pessoal e de equipamentos especializados, o que normalmente só é possível com a
presença da companhia de energia elétrica.

1.1.4 Produtos perigosos

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), veja a


definição de Produto Perigoso conforme a Resolução nº 5232/2016, com redação
dada pela Resolução nº 5581/2017:

“Produto Perigoso: é aquele produto que tenha potencial de


causar dano ou apresentar risco à saúde, à segurança e ao meio
ambiente.”

Os produtos perigosos são divididos em classes, conforme a sua classificação


de risco (explosivos, inflamáveis, corrosivos, radioativos etc.); e, para o seu transporte
terrestre, devem ser apostos no veículo transportador painéis e rótulos de risco,

177
indicando qual o produto transportado (por meio de codificação internacional da ONU)
e qual o risco que ele oferece.

Veja, a seguir, alguns exemplos de rótulos de risco:

Figura 72: Exemplos de Rótulos de Risco (da esquerda para a direita): Substâncias ou Artigos
Explosivos (classe 1), Líquidos Inflamáveis (classe 3) e Substâncias Infectantes (classe 6 – subclasse
6.2)
Fonte: Resolução ANTT 5232/2016; SCD/EaD/Segen.

Você pode gerenciar os riscos do envolvimento de produtos perigosos no


acidente por meio das seguintes medidas:

I. Anotando os números constantes nos rótulos e informando ao serviço de


emergência local;
II. Seguindo as orientações da equipe especializada;
III. Se for necessário chegar mais perto para ver os rótulos, aproxime-se
somente o suficiente, e sempre com o vento soprando pelas suas costas;
IV. Adentrando a área quente (a área do acidente em si) somente quando for
considerada segura por um técnico ou especialista; e
V. Sempre considerando a possibilidade da presença de produtos perigosos.

Nota:

Na Rede EaD-Segen, você encontra o curso de Atendimento às


Emergências com Produtos Perigosos, que tem como finalidade criar
condições para que você saiba como agir quando estiver entre os
primeiros a chegar em locais de ocorrências envolvendo produtos

178
perigosos em áreas públicas. O escopo do curso é facilitar e orientar
as ações da assistência especializada, minimizar os danos ao meio
ambiente e os efeitos decorrentes de vazamentos, de explosões e de
incêndios nas comunidades, e explicar sobre o devido gerenciamento
do local sinistrado. Caso queira aprofundar seus conhecimentos
sobre o tema, lembre-se de se matricular.

Saiba mais:

No site da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), você


encontrará mais informações sobre produtos perigosos.

Confira: https://abiquim.org.br/abiquim

1.1.5 Incêndios

O risco determinado por incêndios pode ser gerenciado por você, por meio de
algumas medidas:

I. Combatendo imediatamente o foco com extintores de incêndio, sempre


tendo como prioridade a própria segurança e a da pessoa a ser atendida,
e, como segundo objetivo, a preservação do patrimônio;
II. Utilizando equipamento de proteção individual, se disponível, para o
combate a incêndios em desenvolvimento; e
III. Recorrendo ao Corpo de Bombeiros, para o combate a incêndios de
grandes ou médias proporções, evitando se expor a riscos desnecessários.

179
1.1.6 Veículo em posição instável

O risco determinado pela posição instável do veículo no acidente pode ser


gerenciado por você, por meio das seguintes medidas:

I. Estabilizando o veículo antes de adentrá-lo;


II. Utilizando procedimentos especiais de estabilização em veículo
lateralizado, capotado ou em terrenos inclinados, podendo ser com pedaços
de madeira ou com cordas;
III. Murchando os pneus para que não andem quando você estiver em seu
interior. Esta é uma estabilização eficiente em veículos sobre a pista;
IV. Acionando, sempre que possível, o freio de mão;
V. Solicitando a caminhoneiros pedaços de cordas para amarrar o veículo a
uma árvore ou a um caminhão que esteja carregado, quando se tratar de
automóveis à margem de ribanceiras; mas
VI. Nunca amarrando um automóvel a outro automóvel, pois o veículo
acidentado poderá arrastar o outro.

1.1.7 Perigos do veículo

Bateria

Risco: descarga elétrica, podendo produzir incêndio.

Conduta: desconectar o cabo negativo (preto) da bateria.

180
Figura 73: Bateria automotiva, mostrando os polos positivo (vermelho) e negativo (preto)
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/carro-motor-moto-autom%C3%A1tico-1564300/.

Airbag

Risco: o acionamento retardado pode provocar o agravamento das lesões em


vitimados posicionados próximos ao airbag. Ao se aproximar da vítima, verifique se o
veículo possui airbag e/ou se este foi acionado. Obs.: Em todos os automóveis
fabricados a partir de 1º de janeiro de 2014 é obrigatória a presença de, no mínimo,
airbag para o condutor e para o passageiro do banco dianteiro.

Conduta: ficar distante do alcance do airbag, ou usar um dispositivo ou um


outro meio para neutralizar o acionamento, como, por exemplo, executar uma
amarração firme em volta do volante.

Figura 74: Indicação do local do veículo onde está localizado o airbag


Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/textura-air-bag-carro-ve%C3%ADculo-860666/.

181
IMPORTANTE:

No caso do airbag do passageiro, em alguns


modelos de veículos, o equipamento pode ser desativado
utilizando-se da chave de ignição, na lateral do painel
frontal, próximo à porta do carona.

Saiba mais:

Acesse o link abaixo e você encontrará mais informações sobre Airbag:

Confira: https://pt.wikipedia.org/wiki/Airbag

Cintos de segurança com pré-tensionadores

Os cintos de segurança com pré-tensionadores são dispositivos de segurança


passiva que reduzem abruptamente a distância entre o cinto de segurança e o usuário
durante o momento do impacto em acidentes com grande dissipação de energia,
proporcionando a redução das possíveis lesões. Os cilindros acionadores são
geralmente interligados ao sistema dos airbags.

Risco: Geram movimentação abrupta adicional ao ocupante vitimado, podendo


agravar as lesões. Oferecem risco adicional de incêndio e explosão; pois, ao acionar,
pode ocorrer ignição no habitáculo se houver a presença de gases inflamáveis (p. ex.
da gasolina do veículo).

Conduta: Tratar com as mesmas precauções do airbag. Retirar o mais rápido possível
do vitimado o cinto de segurança conectado. O uso de uma faca, de um canivete e/ou
de uma tesoura é recomendado. Sempre corte o cinto acima da cabeça da vítima;
pois, com sua retração rápida, ele pode lesioná-la.

182
1.1.8 Acionamento de recursos: bombeiros, polícia, ambulância,
concessionária da via e outros

Após providenciar a segurança do local, você deve verificar quais recursos


serão necessários: ambulância, bombeiros, outras organizações policiais, órgão com
circunscrição sobre a via, perícia, veículos de remoção de cadáveres, concessionários
de serviços públicos etc.

IMPORTANTE:

Jamais realize o atendimento se o risco não for


aceitável!

Os números de emergência:

Figura 75: Números de emergência


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

183
É importante que você procure se informar dos telefones das guardas
municipais e dos órgãos estaduais e municipais de trânsito de sua região.

AULA 2 — Cinemática do Trauma

Introdução

Figura 76: Colisão de dois veículos


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Colis%C3%A3o_frontal#/media/Ficheiro:Verkehrsunfall1.jpg.

Caro profissional de segurança pública, ao se deparar com uma cena como a


da figura acima, você seria capaz de estimar as possíveis lesões sofridas pelos
ocupantes do veículo? Se você ainda não sabe, não se preocupe; pois, ao final desta
aula, você já terá boas noções sobre este tema.

184
Definindo cinemática do trauma

Uma técnica que auxilia na estimativa das possíveis lesões é a análise da


cinemática do trauma, que nada mais é do que observar o veículo, visualizando onde
as forças atuaram na colisão. De acordo com a localização dos danos, você poderá
prever onde se encontram as principais lesões nas vítimas.

Cinemática do trauma é:

O processo de avaliar a cena de um acidente para determinar as


prováveis lesões, com base nas forças e nos movimentos envolvidos no
trauma.

A seguir, você irá conhecer os principais padrões de colisões necessários a um


bom entendimento da cinemática do trauma.

2.1 Colisão frontal

O veículo colide de frente, podendo a trajetória da vítima ser para frente e para
cima, quando desce à margem da estrada, por exemplo, ou para frente e para baixo,
quando sobe um barranco. Na figura a seguir, os pontos amarelos indicam os
prováveis locais das lesões:

185
Figura 77: Colisão Frontal - Danos ao Condutor. Prováveis locais das lesões provocadas pela colisão
frontal
Fonte: NAT/UFSC

A – Para frente e para cima: Lesões: Principalmente crânio, cervical, tórax e pelve.

B – Para frente e para baixo: Lesões: Principalmente pelve, fêmur e joelho.

2.2 Colisão traseira

O veículo é colidido por trás, o que geralmente ocorre em congestionamentos.


Nestas situações, o veículo é subitamente acelerado para frente, provocando uma
hiperextensão do pescoço, com possível lesão de cervical devido ao efeito chicote.
Se o motorista não estiver contido pelo cinto de segurança, poderá bater com a parte
frontal do crânio no para-brisa, sofrendo uma lesão típica de colisão frontal.

IMPORTANTE:

Em toda colisão traseira com grandes estragos no


veículo, deve-se suspeitar de lesão cervical.

186
2.3 Colisão transversal

Ocorre quando o veículo é atingido em um dos lados, podendo essa colisão ser
no centro de gravidade, ou fora do centro de gravidade.

Geralmente, as lesões ocorrem no lado em que o veículo foi colidido, mas


podem ocorrer lesões secundárias no lado oposto. A gravidade das lesões varia de
acordo com a invasão do habitáculo pela lataria do veículo. Ocorrem geralmente em
cruzamentos.

2.3.1 Impacto no centro de gravidade

Quando o impacto ocorrer no centro de gravidade do veículo, a energia será


absorvida principalmente pela estrutura do veículo, causando grandes estragos e
lesões em seus ocupantes.

2.3.2 Impacto fora do centro de gravidade

No impacto fora do centro de gravidade, o veículo sofre uma rotação, o que faz
com que o ocupante gire no mesmo sentido; e, dependendo da velocidade e da força
envolvida, pode haver lesão cervical, por rotação.

IMPORTANTE:

Quando o impacto é fora do centro de gravidade, a


energia é dissipada pelo movimento de rotação do veículo,
o que causa menos danos na estrutura do veículo.

187
2.4 Capotamento

O veículo sofre impactos de diferentes direções e ângulos, o que torna difícil


prever os tipos de lesões; mas, normalmente, a vítima apresenta lesões por todo o
corpo, especialmente se ela estiver sem o cinto de segurança.

Nota:

Nesta aula, você conheceu os principais tipos de colisões com


suas prováveis lesões, mas existem muitos outros que não serão
abordados neste curso. É possível citar as colisões com motocicletas,
que são responsáveis por um número significativo de mortes em
todos os anos. No motociclista, as lesões são agravadas em virtude
de a energia, em sua maior parte, ser dissipada no corpo do condutor
devido à ausência de estrutura que lhe absorva. O atendimento é o
mesmo prestado aos condutores de automóveis.

IMPORTANTE:

Quando solicitar recursos adicionais, é muito


importante que você informe a cinemática do trauma, ou
seja, aquilo que você está vendo, os estragos no veículo e
o tipo de veículo e de acidente. Assim, o profissional da
saúde responsável poderá prever o dimensionamento da
cena e alocará os recursos necessários.

188
Ouça o ÁUDIO 5

AULA 3 — ‫ؙ‬Verificação das condições gerais da vítima de


acidente ou do enfermo

Introdução

Caro colega profissional de segurança pública, nas aulas anteriores, você


estudou sobre os perigos presentes na cena de um acidente e como gerenciar seus
riscos. Também conheceu os tipos de colisões automobilísticas mais frequentes e as
lesões decorrentes de acordo com o tipo de colisão.

Agora, você irá estudar como efetuar a abordagem de um vitimado de forma


correta, mantendo as funções vitais e evitando o agravamento de lesões. Como,
hipoteticamente, você já chamou os recursos adicionais, deverá, agora, aproximar-se
da vítima a fim de verificar quais as suas necessidades.

3.1 EPI Básico para socorro às vítimas

Figura 78: Luvas de procedimentos, máscara facial e óculos de segurança


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

189
Antes de iniciar o atendimento do acidente e o socorro às vítimas, no entanto,
você deverá tomar as precauções universais, que são medidas de proteção contra
agentes biológicos. O equipamento de proteção individual (EPI) básico para efetuar o
socorro a uma vítima que apresente trauma com sangramentos é a luva de
procedimentos.

As luvas de procedimentos são itens de segurança indispensáveis para o


condutor de veículo de emergência. Além disso, para uma melhor proteção contra
fluídos corporais, você deve usar, ainda, máscara facial e óculos de segurança.

O uso da máscara de proteção facial se torna ainda mais importante dentro do


contexto de uma pandemia causada por um agente transmissível por gotículas de
saliva, como é o caso da Covid-19, a doença causada pelo vírus SARS-Cov2.

Ouça o ÁUDIO 6

Saiba mais:

Caro colega profissional de segurança pública, em relação à pandemia de


Covid-19, você deve procurar por fontes de informação confiáveis, haja
vista que existem muitos boatos e informações inúteis sendo
disseminadas.

190
Conforme o Site do Ministério da Saúde, as recomendações de prevenção à
Covid-19 são as seguintes:

I. Lave com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão,
ou então higienize com álcool em gel 70%. Essa frequência deve ser
ampliada quando estiver em algum ambiente público (ambientes de
trabalho, prédios e instalações comerciais etc.), quando utilizar estrutura de
transporte público ou tocar superfícies e objetos de uso compartilhado;
II. Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com lenço ou com a parte interna
do cotovelo. Não tocar olhos, nariz, boca ou a máscara de proteção facial
com as mãos não higienizadas. Se tocar olhos, nariz, boca ou a máscara,
higienize sempre as mãos como já indicado;
III. Mantenha distância mínima de 1 (um) metro entre pessoas em lugares
públicos e de convívio social. Evite abraços, beijos e apertos de mãos.
Adote um comportamento amigável sem contato físico, mas sempre com
um sorriso no rosto;
IV. Higienize com frequência o celular, brinquedos das crianças e outros
objetos que são utilizados com frequência;
V. Não compartilhe objetos de uso pessoal como talheres, toalhas, pratos e
copos;
VI. Mantenha os ambientes limpos e bem ventilados;
VII. Se estiver doente, evite contato próximo com outras pessoas,
principalmente idosos e doentes crônicos, busque orientação pelos canais
online disponibilizados pelo SUS ou atendimento nos serviços de saúde e
siga as recomendações do profissional de saúde;
VIII. Durma bem e tenha uma alimentação saudável; e
IX. Recomenda-se a utilização de máscaras em todos os ambientes. As
máscaras de tecido (caseiras/artesanais), não são Equipamentos de
Proteção Individual (EPI), mas podem funcionar como uma barreira física,
em especial contra a saída de gotículas potencialmente contaminadas
(Ministério da Saúde, 2020).

191
Veja a seguir medidas não farmacológicas na prevenção da infecção pelo vírus
da covid-19, indicadas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2021):

Distanciamento social:

Limitar o contato próximo entre pessoas infectadas e outras pessoas é


importante para reduzir as chances de transmissão do SARS-CoV-2. Principalmente
durante a pandemia, devem ser adotados procedimentos que permitam reduzir a
interação entre as pessoas com objetivo de diminuir a velocidade de transmissão do
vírus.
Trata-se de uma estratégia importante quando há indivíduos já infectados, mas
ainda assintomáticos ou oligossintomáticos, que não se sabem portadores da doença
e não estão em isolamento.
Além disso, recomenda-se a manutenção de uma distância física mínima de
pelo menos 1 metro de outras pessoas, especialmente daquelas com sintomas
respiratórios e um grande número de pessoas (aglomerações) tanto ao ar livre quanto
em ambientes fechados.
Garantir uma boa ventilação em ambientes internos também é uma medida
importante para prevenir a transmissão em ambientes coletivos. Segundo o CDC19 e
a OMS20, aglomerações representam um risco alto para disseminação do SARSCoV-
2. Para isso, considera-se o aglomerado de várias pessoas num mesmo local, onde
se torna difícil para as pessoas permanecerem a pelo menos um metro de distância
entre elas.
Quanto mais pessoas interagem durante este tipo de evento e quanto mais
tempo essa interação durar, maior o risco potencial de infecção e disseminação do
vírus SARS-CoV-2. Lugares ou ambientes que favorecem a aglomeração de pessoas
devem ser evitados durante a pandemia.

Higienização das mãos:

A higienização das mãos é a medida isolada mais efetiva na redução da


disseminação de doenças de transmissão respiratória. As evidências atuais indicam
que o vírus causador da covid-19 é transmitido por meio de gotículas respiratórias ou

192
por contato. A transmissão por contato ocorre quando as mãos contaminadas tocam
a mucosa da boca, do nariz ou dos olhos.
O vírus também pode ser transferido de uma superfície para outra por meio das
mãos contaminadas, o que facilita a transmissão por contato indireto.
Consequentemente, a higienização das mãos é extremamente importante para evitar
a disseminação do vírus causador da covid-19. Ela também interrompe a transmissão
de outros vírus e bactérias que causam resfriado comum, gripe e pneumonia,
reduzindo assim o impacto geral da doença.

Etiqueta respiratória:

Uma das formas mais importantes de prevenir a disseminação do SARS-CoV-


2 é a etiqueta respiratória, a qual consiste num conjunto de medidas que devem ser
adotadas para evitar e/ ou reduzir a disseminação de pequenas gotículas oriundas do
aparelho respiratório, buscando evitar possível contaminação de outras pessoas que
estão em um mesmo ambiente.
A etiqueta respiratória consiste nas seguintes ações:
• Cobrir nariz e boca com lenço de papel ou com o antebraço, e nunca
com as mãos ao tossir ou espirrar. Descartar adequadamente o lenço utilizado.
• Evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Se tocar,
sempre higienize as mãos como já indicado.
• Manter uma distância mínima de cerca de 1 metro de qualquer pessoa
tossindo ou espirrando.
• Evitar abraços, beijos e apertos de mãos. Adote um comportamento
amigável sem contato físico.
• Higienizar com frequência os brinquedos das crianças e aparelho celular.
Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos.
• Evitar aglomerações, principalmente em espaços fechados e manter os
ambientes limpos e bem ventilados.

Uso de máscaras em serviços de saúde:

O uso universal de máscaras em serviços de saúde deve ser uma exigência


para todos os trabalhadores da saúde e por qualquer pessoa dentro de unidades de

193
saúde, independente das atividades realizadas. Todos os trabalhadores da saúde e
cuidadores que atuam em áreas clínicas devem utilizar máscaras cirúrgicas de modo
contínuo durante toda a atividade de rotina.
Em locais de assistência a pacientes com covid-19 em que são realizados
procedimentos geradores de aerossóis, recomenda-se que os profissionais da saúde
usem máscaras de proteção respiratória (padrão N95 ou PFF2 ou PFF3, ou
equivalente), bem como demais equipamentos de proteção individual.

Uso de máscaras na população em geral:

O uso de máscara facial, incluindo as de tecido, é fortemente recomendado


para toda a população em ambientes coletivos, em especial no transporte público e
em eventos e reuniões, como forma de proteção individual, reduzindo o risco potencial
de exposição do vírus especialmente de indivíduos assintomáticos.
As máscaras não devem ser usadas por crianças menores de 2 anos ou
pessoas que tenham dificuldade para respirar, estejam inconscientes, incapacitadas
ou que tenham dificuldade de remover a máscara sem ajuda. Recomenda-se lavar as
mãos antes de colocar a máscara, colocando-a sobre o nariz e a boca, prendendo-a
sob o queixo.
A pessoa deve ajustar a máscara confortavelmente pelas laterais do rosto, e
certificar-se que consegue respirar normalmente. As máscaras não devem ser
colocadas em volta do pescoço ou na testa, e ao tocá-la, deve-se lavar as mãos com
água e sabão ou álcool em gel 70% para desinfecção. Para pessoas sintomáticas
recomenda-se o uso de máscaras cirúrgicas como controle da fonte.

3.2 ABC da vida para Suporte Básico de Vida (SBV) —


Exame Primário

194
Para uma correta e segura abordagem, você irá efetuar o atendimento da vítima
em uma sequência que, tecnicamente, chama-se de protocolo. Esse atendimento
inicial é chamado de exame primário, ou ABC da vida para suporte básico de vida
(SBV), e é executado na seguinte ordem:

Figura 79: Ordem do ABC da vida para suporte básico de vida (SBV)
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Além do atendimento envolvendo os aspectos acima, faz-se necessário


controlar a cervical. Estude, a seguir, cada um deles!

A — Abertura das vias aéreas

A abertura das vias aéreas é o primeiro passo essencial na assistência e no


tratamento de uma pessoa, pois permite a entrada de ar nos pulmões, para ser levado
pelo sangue até os órgãos vitais.

Uma das técnicas utilizadas para abertura das vias aéreas em vítimas de
trauma é a técnica de tração da mandíbula.

195
Para execução da técnica de tração manual da mandíbula siga os seguintes
passos:

I. Deite a pessoa de costas e posicione-se ao lado;


II. Estabilize a cabeça e pescoço com uma das mãos;
III. Coloque o polegar e o indicador em forma de pinça no mento (queixo) ou
nos dentes inferiores e no mento; e
IV. Efetue a manobra, puxando a mandíbula, como mostra a figura abaixo.

Figura 80: Técnica de tração da mandíbula


Fonte: Polícia Rodoviária Federal.

Tal manipulação não deve ser feita em vítima consciente, pois ela poderá morder
sua mão.

IMPORTANTE:

— Use este método sempre que a vítima apresentar


suspeita de lesão cervical;

— Outros passos são inúteis se você não mantiver as


vias aéreas permeáveis;

— Se você for leigo em primeiros socorros, trate todas


as vítimas de trauma como portadoras de lesão cervical.

196
Saiba mais:

Acesse o link abaixo e confira outros métodos de abertura de vias aéreas:

Confira: https://www.youtube.com/watch?v=SOcy3S73W7Y

B — Respiração

O segundo passo da avaliação é verificar se a vítima está respirando, por meio


dos passos VOS (Ver-Ouvir-Sentir), explicados a seguir:

Figura 81: Passos VOS (Ver-Ouvir-Sentir)


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

197
Figura 82: Avaliação da respiração
Fonte:
https://c.pxhere.com/photos/d9/1e/first_aid_first_aid_kid_check_breathing_airway_management-
814601.jpg!s.

Dependendo da intensidade da respiração, é possível verificar simplesmente


contando os movimentos respiratórios.

A ausência de respiração requer manobras de reanimação cardiopulmonar


imediatas. As diretrizes para reanimação cardiopulmonar foram recentemente
alteradas pela AHA (American Heart Association).

Saiba mais:

Para conhecer as novas diretrizes da AHA para reanimação


cardiopulmonar, leia atentamente o texto Destaques das diretrizes de
RCP e ACE - AHA 2020, da American Heart Association, disponibilizado
como material complementar.

C — Circulação

Após constatar que a vítima respira, você deverá verificar a circulação. Nessa
etapa, siga os seguintes passos:

I. Verifique o pulso carotídeo;

198
II. Verifique a presença de hemorragias externas; e
III. Verifique evidências de hemorragia interna.

Estude a seguir sobre cada um deles.

Verifique o pulso carotídeo

Com seus dedos médio e indicador, sinta a artéria carótida no pescoço da


vítima. Se não houver pulso, inicie a Reanimação Cardiopulmonar (RCP)
imediatamente.

Se você é leigo e nunca fez RCP, faça apenas compressões. Comprima forte
no centro do peito, no mínimo 100 compressões por minuto, sem efetuar respiração
boca a boca.

Figura 83: Pulso Carotídeo


Fonte: Polícia Rodoviária Federal.

Verifique a presença de hemorragias externas

Com suas mãos devidamente protegidas por luvas, apalpe as costas do


vitimado, olhando as mãos a cada apalpada a fim de identificar sangramentos. Na
parte visível, levante as roupas ou corte se for necessário.

199
Figura 84: Verificação de hemorragias externas
Fonte: Polícia Rodoviária Federal.

Verifique evidências de hemorragia interna

Não há muito o que fazer quanto a hemorragias internas fora do ambiente


hospitalar; no entanto, sua identificação indica que a vítima deve ser transportada
imediatamente a um hospital.

A verificação dos seguintes sinais vitais pode dar uma indicação da presença
de hemorragia interna:

Pulso radial: Com os dedos indicador e médio apalpe o pulso radial. Valores acima
de 100 batimentos por minuto podem indicar estado de choque;

200
Figura 85: Pulso radial (valores normais de pulso radial estão entre 60 e 100 minutos batimentos por
minuto)
Fonte: https://enfermagemmaisamorsemfavor.wordpress.com/tag/pressao-arterial/.

Respiração: Verifique e conte a respiração da vítima. Valores acima de 20


respirações por minuto também são um indício de choque;

Temperatura: Uma pele fria e úmida significa que a vítima está perdendo sangue e,
consequentemente, calor corporal.

D — Desabilitado (avaliação neurológica)

Após executar o ABC, você pode verificar o estado neurológico da vítima por
meio de algumas perguntas, num processo chamado Escala de Coma de Glasgow
(ECG).

Saiba mais:

Acesse o link abaixo para conhecer sobre a ECG, leia o texto Escala de
Coma de Glasgow:

Confira: https://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_coma_de_Glasgow

201
E — Exposição

Com cuidado, retire as roupas da vítima a fim de verificar possíveis lesões, pois
roupas espessas podem mascarar uma hemorragia grave.

IMPORTANTE:

Ao retirar a roupa de uma pessoa vitimada seja


discreto e retire somente o necessário ao atendimento. Aja
com ética e discrição.

3.3 Controle da cervical

Ao abordar a vítima, mantenha a coluna cervical imobilizada. Se estiver só,


peça ajuda a outra pessoa. A imobilização manual deve ser mantida até que a equipe
de socorro chegue para substituí-lo.

Figura 86: Controle da cervical


Fonte: Polícia Rodoviária Federal.

202
AULA 4 — Controle de hemorragias

Introdução

Prezado profissional de segurança pública, na aula anterior, você estudou o


exame primário em uma vítima e também os passos do atendimento inicial, que são:

I. Abertura das vias aéreas;


II. Verificação da respiração;
III. Verificação da circulação; e
IV. Verificação das hemorragias.

Agora você irá aprofundar seus conhecimentos sobre o controle das


hemorragias.

Você estudou que, quando o exame primário é executado, o controle das vias
aéreas é o primeiro passo na assistência ao vitimado, porque permite a entrada de ar
nos pulmões, que será levado pelo sangue até os órgãos vitais. É o sangue que
transporta o oxigênio a todas as partes do corpo humano; por isso, qualquer
hemorragia deve ser controlada. O sistema circulatório é um sistema fechado. Uma
hemorragia abundante faz com que o sistema entre em colapso em curto espaço de
tempo. A perda de sangue provoca a falta de oxigenação nos órgãos vitais,
principalmente no cérebro, levando a vítima a sofrer um choque hipovolêmico.

IMPORTANTE:

O choque hipovolêmico é caracterizado pela perda de


grande quantidade de sangue e de líquidos, o que pode
levar à morte em poucos minutos.

203
Saiba mais:

Acesse o link abaixo para saber mais sobre choque hipovolêmico:

Confira: http://www.tuasaude.com/choque-hipovolemico/

4.1 Hemorragias externas

Uma hemorragia externa pode ser visualizada pelo sangue que sai do corpo
através de um ferimento. Os sangramentos são classificados em:

Hemorragias Capilares:

Causada por escoriações. Geralmente, cessam rapidamente sem interferência


externa;

Hemorragias Venosas:

Provêm das camadas mais profundas do tecido, e são controladas com pressão
direta. Em geral, não ameaçam a vida, a não ser que não sejam controladas. O sangue
tem uma coloração escura; e

Hemorragias Arteriais:

São as mais importantes e as mais difíceis de serem controladas porque o


sangue sai sob pressão. O sangue é vermelho-vivo e jorra do ferimento. Mesmo um
pequeno ferimento em uma artéria pode ameaçar a vida.

204
Figura 87: Tipos de hemorragias externas
Fonte: http://bombeiroscivisscc.blogspot.com/2013/03/tipos-de-hemorragias-saiba-diferenciar.html.

4.1.1 Controle de hemorragias externas

A hemorragia externa pode ser controlada por meio das técnicas de pressão
direta e de torniquete.

Veja cada uma delas!

Pressão direta

Como o nome já diz, é aplicada uma pressão sobre o ferimento. Em uma


emergência, a pressão pode ser inicialmente feita com a mão, daí a importância de
sempre ter alguns pares de luvas descartáveis consigo. A pressão também pode ser
feita com compressas de gaze ou com uma parte da roupa da própria vítima, como
uma camiseta, por exemplo.

Figura 88: Demonstração da técnica de pressão direta


Fonte: https://pt.slideshare.net/Gilcedaiane/07-ferimentos - (Página 12 de 32).

205
Torniquete

Antes considerada como a técnica do “último recurso”, após experiências


militares no Iraque e no Afeganistão, somadas ao uso rotineiro e seguro pelos
cirurgiões, foi feita uma reconsideração dessa posição. Os torniquetes são muito
eficazes no controle de hemorragias, e devem ser usados quando a pressão direta
e o curativo de pressão não conseguem controlar uma hemorragia de extremidade
(SAMU, 2016, p. 157).

Figura 89: Demonstração do uso do torniquete


Fonte: https://md.uninta.edu.br/geral/primeirossocorros/.

Leia, a seguir, as considerações sobre o uso do torniquete publicadas no Prehospital


Trauma Life Support (PHTLS):

O uso de torniquete, que já foi considerado um tabu, agora é


padrão no tratamento pré-hospitalar de lesões de extremidade
com hemorragia potencialmente fatal. Essa mudança de
paradigma no tratamento de trauma de extremidade se deve
principalmente à experiência militar dos EUA nos conflitos no
Iraque e Afeganistão. Dados militares mostram que a principal
causa de mortes evitáveis em campo de batalha foi a hemorragia
não controlada de trauma de extremidades. A partir da

206
implementação de amplo treinamento e aplicação de
torniquetes, a taxa de mortes evitáveis devido a trauma de
extremidade isolado caiu de modo significativo. Resultados
similares foram observados em um estudo com civis nos EUA,
que descobriu que 86% dos doentes que morreram de lesão
penetrante isolada de membro, com hemorragia fatal, tinham
sinais de vida na cena, mas não tinham pulso ou pressão arterial
perceptíveis quando da chegada no hospital. Nenhum paciente
nessa série tinha um torniquete pré-hospitalar aplicado.
Preocupações antigas quanto a potenciais complicações do uso
do torniquete, como paralisia (comprometimento da função
nervosa), formação de trombos e isquemia do membro levaram
ao medo infundado quanto ao seu uso. Torniquetes são
comumente usados em centro cirúrgico por cirurgiões de
trauma, vasculares e ortopédicos, por até várias horas, sem
sequelas posteriores a longo prazo. As forças armadas dos EUA
analisaram seus resultados e não encontraram importantes
complicações secundárias ao uso do torniquete. Complicações
menores ocorreram em menos de 1% dos casos, todas
resolvidas posteriormente (NAEMT, 2019, n.p.).

Devido aos possíveis efeitos adversos de torniquetes e à dificuldade de sua


correta aplicação, seu uso para controlar hemorragias das extremidades é indicado
somente se a aplicação de pressão direta não for eficaz ou possível e se o prestador
de primeiros socorros tiver treinamento no uso de torniquete.

Motivo: São várias as experiências com o uso de torniquetes para controlar


hemorragias em campos de batalha e não há dúvida de que eles funcionam nas
circunstâncias corretas e com o treinamento adequado. No entanto, a sua eficácia
está relacionada com a habilidade em executá-lo corretamente e é parcialmente
dependente do tipo de torniquete. Em geral, torniquetes especialmente projetados são
melhores do que os improvisados.

Note que, conforme o publicado no PHTLS, bem como nos protocolos do


SAMU, o uso do torniquete, apesar de eficaz no controle de hemorragias, só é

207
aconselhado nos casos em que a pressão direta não for eficaz para controlar uma
hemorragia.

IMPORTANTE:

Qualquer gota de sangue é importante; por isso, o


controle das hemorragias deve ser feito por você o mais
breve possível; pois o socorro pode demorar, e uma
pequena perda de sangue, por muito tempo, pode levar a
pessoa à morte ou deixar sequelas irreversíveis pela falta de
oxigenação em órgãos vitais.

Evidentemente, você nunca deve realizar torniquetes e/ou outros


procedimentos de atendimento pré-hospitalar complexos sem o treinamento prático
adequado, sob risco de agravar as lesões da vítima. Se possível, procure realizar
treinamentos práticos na área, fornecidos pela sua corporação ou, ainda, feitos em
parcerias com instituições como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)
ou o Corpo de Bombeiros.

4.2 Choque

O choque possui muitas definições, mas, para o primeiro atendimento, é mais


importante saber que é um estado de hipoperfusão celular, em que o nível de oxigênio
nas células é inadequado para atender o metabolismo. Existem vários tipos de
choque, e os sinais e sintomas são os mesmos. Neste curso, você irá estudar o
choque hemorrágico.

208
4.2.1 Choque hemorrágico

Quando o organismo perde sangue, ele tenta compensar essa perda de alguma
maneira, pois precisa manter a oxigenação de órgãos vitais. Uma perda acentuada de
sangue irá desencadear alguns sinais e sintomas (PHTLS, 9ª Edição).

Conforme citado na Aula 3 deste Módulo, é necessária a verificação dos sinais


vitais para detectar possíveis sinais de hemorragia interna e de estado de choque,
quais sejam:

Pulso rápido e fraco:

Pulso entre 100 e 120 batimentos por minuto (bpm) indica que a vítima está em
fase inicial de choque. Acima de 120 bpm, você deve considerar o choque como
instalado.

Respiração:

Respiração acima de 20 respirações por minuto (rpm) indica uma situação


limite. Acima de 30 rpm, considere a vítima em choque.

Pele fria e úmida:

O organismo diminui a circulação periférica, a fim de compensar a perda de


sangue.

O estado de choque é irreversível no ambiente pré-hospitalar e pode levar à


morte; por isso, o controle das hemorragias externas é tão importante.

Após o choque instalado não será possível reverter, mas você pode tratá-lo
para que não evolua. Para tanto, atue da seguinte maneira:

I. Mantenha as vias aéreas permeáveis;


II. Mantenha o calor corporal;
III. Trate as hemorragias externas; e
IV. Avalie a possibilidade de transporte.

209
IMPORTANTE:

Caso você identifique uma situação de choque e esteja


em local em que o socorro demora muito a chegar, avalie a
possibilidade de imobilizar a vítima e transportá-la, indo ao
encontro da ambulância, pois o choque pode matar em
curto espaço de tempo.

4.3 Cuidados com a vítima ou enfermo (o que não fazer)

Ao abordar uma vítima, você deverá efetuar o exame primário e atender a


vítima com ética e profissionalismo, mas deve atentar-se para o seguinte:

I. Não retire a vítima do automóvel ou da posição em que se encontra se você


não tiver equipamentos. A não ser que seja necessário para o atendimento
ou que o local ofereça riscos;
II. Não se aproxime se o local não oferecer segurança;
III. Quando atender motociclistas, só retire o capacete caso a vítima não esteja
respirando;
IV. No caso de queda de ocupantes de motos e similares, atropelamentos de
pedestres e/ou vítimas (sem cinto) que foram ejetadas de um veículo,
considere sempre a possibilidade da existência de lesão na coluna; neste
caso, oriente a vítima a permanecer deitada, aguardando pela chegada da
ambulância; se ela estiver desacordada, realize apenas o exame primário
ABC da vida para suporte básico de vida (SBV) e o controle cervical;
V. Ao iniciar o atendimento, não abandone a vítima, a não ser que isso seja
indispensável para pedir auxílio;
VI. Não exponha a vítima em sua intimidade, pois em qualquer ocorrência
poderá haver registro por meio de fotos ou filmagens; e

210
VII. Caso seja extremamente necessário retirar a vítima do veículo, devido ao
risco de incêndio, veículo instável ou parada cardiorrespiratória, utilize a
técnica conhecida como Chave de Rautek.

4.3.1 Passos para execução da Chave de Rautek:


Assista o vídeo:
Inicialmente, para que você possa visualizar a técnica, assista ao
vídeo “Chave de Rauteck”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=Ly3pcd0hih4

Veja também as seguintes dicas:

I. Liberar o cinto de segurança e os pés da vítima;


II. O socorrista, mantendo o rosto voltado para a frente do carro, deve passar
o braço direito por trás do ombro direito da vítima e, em seguida, sob sua
axila;
III. Pressionar a face da vítima contra a do socorrista com a mão esquerda,
para garantir estabilidade ao pescoço;
IV. Segurar, com sua mão direita, a vítima pela roupa (cinto da calça, por
exemplo) junto com seu braço direito; e
V. Girar a vítima 90º para a direita e removê-la vagarosamente.

AULA 05 — Respeito ao Meio Ambiente

Introdução

Caro colega profissional de segurança pública, para preservar a vida (nossa e


a dos demais) também devemos procurar preservar o meio ambiente. Sem essa

211
preocupação, jamais poderemos legar uma vida digna às gerações futuras (nossos
filhos e netos).

Vamos ver como podemos contribuir neste sentido?

5.1 O veículo como agente poluidor do meio ambiente

Figura 90: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

O número equivale a 23% de todos os falecimentos deste tipo no mundo.


Esse mesmo relatório aponta que em 80% das grandes cidades do mundo, o ar não
atinge parâmetros de saúde adequados.

Atualmente, não há como se imaginar a sociedade sem a utilização de veículos


automotores, sobretudo, aqueles movidos a combustíveis fósseis. O futuro talvez
apresente uma forma de substituir grande parte da, ou mesmo toda, frota de veículos
atualmente utilizados.

Cada vez mais, a tecnologia vai se desenvolvendo e vão surgindo veículos


menos poluidores. O carro elétrico já é uma realidade bem presente na Europa e nos
Estados Unidos. No entanto, no Brasil, ele ainda tem uma presença bastante tímida.

212
Enquanto o futuro não chega, você deve conhecer o potencial poluidor dos
veículos que utiliza.

São várias as formas de poluição causadas pelos veículos automotores, seja


em razão da sua utilização normal, seja decorrente da fabricação, da destinação final,
ou, ainda, da sua má utilização.

Nem todos os combustíveis possuem o mesmo potencial poluidor. Por


exemplo, o Álcool polui menos que a Gasolina e o Diesel; o Gás Natural Veicular
(GNV) é menos poluente que o Álcool, Gasolina e o Diesel. Recentemente, foram
lançados os veículos elétricos, que causam ainda menos poluição.

Figura 91: Veículo elétrico


Fonte: canva.com

Algumas cidades investem também em formas alternativas e mais ecológicas


de mobilidade urbana, como a construção de ciclofaixas e ciclovias, incentivando o
uso da bicicleta, que é considerado o veículo mais ecológico.

Outra forma pela qual as políticas públicas podem contribuir para a diminuição
da poluição é através de incentivo ao uso do transporte coletivo.

A poluição pode ser causada no ar, na água, no solo, ou, ainda, ser visual ou
sonora.

213
Gases expelidos por veículos automotores e seus efeitos

Monóxido de carbono (CO):

Sem cor ou cheiro. Esse gás, quando aspirado, associa-se à hemoglobina no


sangue, causando dor de cabeça e redução da capacidade respiratória. Em altas
concentrações, provoca asfixia e pode até matar.

Material particulado (MP):

Sob esta denominação, temos a fuligem, a poeira, a fumaça e todo material


suspenso no ar, gerados, principalmente, pelo motor a diesel.

Óxidos de nitrogênio (NOx):

Na atmosfera, esses gases formam oxidantes como o ozônio (O3), que


provocam irritabilidade nos olhos e no sistema respiratório e constituem a névoa de
poluição que dificulta a visibilidade. Contribuem para o aquecimento global (efeito
estufa) e para a chuva ácida.

Dióxido de enxofre (SO2):

Oriundo da queima do enxofre, com maior concentração no óleo diesel, ele


reduz a visibilidade atmosférica e também causa a chuva ácida, corroendo
construções e destruindo a vegetação.

5.2 Regulamentação do CONAMA sobre poluição


ambiental causada por veículos

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), instituído pela Lei Federal


n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, é um órgão colegiado, responsável por tomar
medidas consultivas e deliberativas sobre o sistema ambiental nacional.

214
Entre outras coisas,

O CONAMA é:

O órgão responsável por definir os limites de emissão de gases, de


emissão de partículas (fumaça) e de emissão sonora para os veículos
automotores fabricados no Brasil ou importados para cá.

5.2.1 Emissão de gases

A Resolução n. 18, de 6 de maio de 1986, do CONAMA criou o Programa de


Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE). Depois, a
Resolução n. 418, 25 de novembro de 2009 do CONAMA (alterada pela resolução n.
451, de 3 de maio de 2012) estabeleceu limites para a emissão de gases,
especialmente para a emissão do monóxido de carbono (CO).

O PROCONVE abrange automóveis, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.


Para motocicletas e similares, há o Programa de Controle da Poluição do Ar por
Motociclos e Veículos Similares (PROMOT).

Atualmente, o PROCONVE já está na sua sétima fase (P7), e os limites estão


ficando cada vez mais baixos, em relação aos limites previstos do PROCONVE para
a emissão do monóxido de carbono (CO), veja a tabela a seguir:

Figura 92: Tabela dos limites previstos do PROCONVE para a emissão do monóxido de carbono
(CO)
Fonte: Proconve (2009); SCD/EaD/Segen.

215
Observe que, com o passar dos anos, a tolerância à emissão de gases vem
diminuindo substancialmente, dando conta da gravidade do problema.

Na fase atual do PROCONVE (P7), os veículos de grande porte (peso bruto


total superior a 3.856 kg) fabricados a partir de 2012 e equipados com motor a diesel
devem possuir sistema destinado ao controle de emissão de gases poluentes,
utilizando a tecnologia SCR (Selective Catalytic Reduction, isto é, catalisador de
redução seletiva — que usa o Arla 32) ou EGR (Exhaust Gas Recirculation, isto é,
recirculação de gases de escapamento). Essas tecnologias são obrigatórias
(conforme a Resolução do CONTRAN n. 666/2017) para reduzir a emissão de óxidos
de nitrogênio (NOx).

Veja o que diz a Resolução do Contran nº 666/2017 - Art. 1º, inciso IV.

Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre a fiscalização do sistema


destinado ao controle de emissão de gases poluentes, para os
veículos pesados com motorização ciclo diesel, produzidos a
partir de 2012 usando as seguintes definições:
IV - ARLA 32 - é a abreviação para Agente Redutor Líquido de
NOx Automotivo, solução aquosa composta por água
desmineralizada e ureia em grau industrial, com presença de
traços de biureto e presença limitada de aldeídos e outras
substâncias, características e especificações definidas na
Instrução Normativa do IBAMA nº 23, de 11 de julho de 2009,
com concentração de 32,5% ureia técnica de alta pureza em
água desmineralizada, reagente, usado para o controle da
emissão de óxidos de nitrogênio (NOx) no gás de escapamento
dos veículos e motores diesel equipados com os sistemas de
Redução Catalítica Seletiva (SCR - Selective Catalytic
Reduction).

216
5.2.2 Emissão de partículas (fumaça)

O PROCONVE também procura limitar a emissão de partículas (fumaça) pelos


motores a diesel, que são aqueles predominantemente encontrados em ônibus, em
caminhões e em outros veículos de grande porte.

Saiba mais:

No Brasil, automóveis e similares são proibidos de terem motores a diesel


por força da Portaria DNC n. 23, de 06 de junho de 1994, que diz em seu
art. 1º que “fica proibido o consumo de óleo diesel como combustível nos
veículos automotores de passageiros de carga e de uso misto, nacionais
e importados, com capacidade de transporte inferior a 1.000 kg (mil
quilogramas), computados os pesos do condutor, tripulantes, passageiros
e da carga”. A finalidade dessa proibição é reduzir a poluição ambiental,
já que o motor a diesel é muito mais poluente do que o motor a gasolina.

Veja a tabela a seguir, para conhecer os limites de emissão de Material


Particulado (MP) conforme o ano de fabricação dos veículos e as fases do
PROCONVE:

217
Figura 93: Limites das emissões para veículos pesados a diesel
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Saiba mais:

Recentemente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)


publicou no Diário Oficial da União (DOU) uma nova regulamentação, a
Resolução n. 490, de 16 de novembro de 2018. Esta Resolução vai
estabelecer uma nova fase (a oitava fase — P8) do Programa de Controle
da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), limitando as
emissões de gases poluentes e de ruído para veículos automotores
pesados novos de uso rodoviário.

No entanto, apesar de estar em vigor, a Resolução do CONAMA n. 490, de 16


de novembro de 2018 só começa a produzir efeitos para veículos fabricados a partir
de 2022 ou 2023, conforme o caso.

218
5.2.3 Emissão sonora

No que tange aos limites de emissão de ruídos, a Resolução n. 418/2009 do


CONAMA, estabelece os limites de emissões de ruído.

Figura 94: Limites de emissão de ruído


Fonte: Res. 418/2009 – CONAMA; SCD/EaD/Segen.

5.3 Manutenção preventiva do veículo para preservação


do meio ambiente:

I. Utilize apenas o tipo de combustível recomendado pelo fabricante. Observe


que, em alguns casos, o fabricante vai orientar o uso, por exemplo, somente
de combustível aditivado (ou vice-versa).
II. Mantenha o veículo balanceado e alinhado para evitar o desgaste prematuro
dos pneus.
III. Realize a troca de óleo lubrificante do motor e do filtro dentro da quilometragem
prevista pelo fabricante.
IV. Antes de iniciar suas atividades, faça a inspeção veicular de primeiro escalão
na viatura, seguindo uma lista de verificação (utilize o checklist disponível no
item 4.4.3 da Aula 4 do Módulo 1).
V. Procure manter a manutenção de seu veículo em dia, fazendo as revisões
recomendadas pelos fabricantes. No caso da viatura policial, consulte a gestão
de frota de sua instituição para que o veículo seja mantido corretamente.

219
VI. Caso o veículo de emergência seja de grande porte, com motor a diesel, atente
especialmente para a cor da fumaça que sai do escapamento. Uma fumaça
excessivamente escura indica um mal funcionamento que pode estar causando
mais poluição do que o normal.

5.4 Infrações e crimes que têm relação com a poluição

5.4.1 Código de Trânsito Brasileiro

Art. 227. Usar buzina:


I - em situação que não a de simples toque breve como
advertência ao pedestre ou a condutores de outros veículos;
II - prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto;
III - entre as vinte e duas e as seis horas;
IV - em locais e horários proibidos pela sinalização;
V - em desacordo com os padrões e frequências estabelecidas
pelo CONTRAN:
Infração - leve;
Penalidade - multa.

Art. 228. Usar no veículo equipamento com som em volume ou


frequência que não sejam autorizados pelo CONTRAN:
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.

Art. 230. Conduzir o veículo: [...]


XI - com descarga livre ou silenciador de motor de explosão
defeituoso, deficiente ou inoperante;
Infração - grave;
Penalidade - multa;

220
Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.

Art. 231. Transitar com o veículo: [...]


III - produzindo fumaça, gases ou partículas em níveis superiores
aos fixados pelo CONTRAN;
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para regularização
(BRASIL, 1997, n.p.).

5.4.2 Decreto-Lei 3.688, de 3 de outubro de 1941 (Lei das


Contravenções Penais)

Art. 42. Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheio:


I - com gritaria ou algazarra;
II - exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo
com as prescrições legais;
III - abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
IV - provocando ou não procurando impedir barulho produzido
por animal de que tem guarda;
Pena - prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa (BRASIL,
1941, n.p.).

5.4.3 Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei dos Crimes Ambientais)

Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que


resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que
provoquem a mortandade de animais ou a destruição
significativa da flora:

221
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa (BRASIL,
1998, n.p.).

Figura 95: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

AULA 06 — Noções de convívio social

Introdução

Prezado colega, profissional de segurança pública, na aula anterior, você


estudou algumas noções básicas sobre a proteção ao meio ambiente e viu também
as consequências que a poluição pode ocasionar.

Em relação à poluição, como em muitas outras ações que afetam nossa vida,
a atuação do indivíduo, isoladamente, pode ter impactos na qualidade de vida de todos
os membros de uma determinada sociedade; da mesma forma, as ações da
sociedade, normalmente, também causam um grande impacto na vida do indivíduo
em particular.

222
Nesta última aula do Módulo 3, nós vamos lançar algumas reflexões sobre a
relação do indivíduo com a sociedade.

6.1 O indivíduo, o grupo e a sociedade

Cada um de nós, seres humanos, é um indivíduo. Cada pessoa é única,


singular, tem suas próprias características e tem seu próprio valor intrínseco. Cada
ser humano tem sentimentos, pensamentos, preferências e percepções variadas,
frutos das nossas diferenças de personalidade, de valores e de cultura.

A singularidade do indivíduo é fruto de uma complexa interação de fatores


intrínsecos e inatos, dados pela nossa herança genética, com todas as nuances
sociais, políticas, comportamentais, culturais e religiosas da sociedade na qual
nascemos e crescemos. Finalmente, o nosso ser também é moldado e lapidado em
contato com os outros e com as experiências de vida pelas quais passamos no
decorrer de nossa existência.

Figura 96: Uma das principais características do indivíduo é a singularidade: ele é um ser único
Fonte: https://pixabay.com/pt/vectors/homens-indiv%C3%ADduo-grupo-comunidade-311308/.

223
Por sua vez, podemos chamar de grupo social, o agrupamento de indivíduos
que possuem interações recorrentes, causadas por objetivos ou interesses comuns.

Como exemplos de grupos sociais, podemos citar: a família; o grupo de colegas


da escola; os membros de uma determinada instituição (policiais militares, bombeiros
etc.); os membros de corporações profissionais (médicos, advogados etc.); os grupos
de lazer (times de futebol, equipes de corredores etc.); os membros de uma
determinada igreja ou religião; os sócios de um clube de atiradores esportivos; etc.
Em todos os casos citados acima, os membros apresentam uma estabilidade no
relacionamento entre si.

Por meio dos exemplos acima, você deve ter percebido que você faz parte de
numerosos grupos sociais ao mesmo tempo, pelos motivos mais diversos. Cada grupo
social tem suas regras, escritas ou não, sobre o que você deve fazer ou possuir para
ser considerado parte dele, sobre como você deve se comportar, se vestir, se
alimentar ou se relacionar com outros membros do mesmo grupo ou com pessoas
externas ao grupo, entre outras.

Exemplificando...
Um indivíduo pode fazer parte de um grupo de jogadores que se
reúne aos domingos para jogar bola na praia, ser membro de um grupo
tático de uma corporação policial militar e, também, ser membro de um
grupo de casais que se reúne na paróquia da igreja de seu bairro. No
exemplo citado, cada grupo espera que aquele indivíduo ajuste e adapte
seu comportamento ao do grupo. Ninguém esperaria, por exemplo, que ele
tratasse seus colegas de jogo com a mesma formalidade com que trata
seus colegas de trabalho, nem que ele usasse os mesmos trajes no jogo
de futebol e nas missas.

224
Figura 97: Todo grupo tem suas regras, formais ou informais, escritas ou não.
Fonte: https://pxhere.com/pt/photo/1555417.

Por sua vez, podemos dizer que a sociedade é o conjunto formado pela soma
de todos os grupos sociais e de todos os indivíduos. Nela, estão inseridos os grupos
sociais mais diversos e se desenrolam as complexas relações que os indivíduos
mantêm entre si; as relações entre os grupos e os indivíduos isolados, sejam eles
membros do grupo ou não; bem como a interação entre os diversos grupos sociais.

A sociedade, como um todo, acaba por desenvolver algumas características:


língua, cultura, leis etc. que a singularizam e a diferenciam entre as demais
sociedades.

Com exceção de ascetas extremos e de algum eventual náufrago, todos os


seres humanos vivem em alguma sociedade. O humano (o indivíduo) é um ser social
que vive em grupo. Daí lembrarmos aquele antigo aforismo que diz: “Nenhum homem
[ser humano] é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte de um todo”.

6.2 Relacionamento interpessoal

No filme “Náufrago” (2000), Tom Hanks interpreta um personagem que, após


um acidente aéreo, vê-se isolado em uma ilha desabitada no meio do Pacífico Sul.

225
Com o passar do tempo, para aplacar sua necessidade de se relacionar com outras
pessoas e para manter a sua sanidade, ele imprime a palma de sua mão em uma
bola, desenhando olhos e uma boca, e chamando-a de “Wilson”, para que possa
“interagir” com ela.

Figura 98: Bola de vôlei “Wilson” do filme Náufrago


Fonte: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-27770/fotos/detalhe/?cmediafile=21434235.

O ser humano é um animal social; a necessidade de socialização nos


acompanha desde os primórdios de nossa existência. Assim, o relacionamento
interpessoal é uma necessidade básica para a nossa existência, haja vista termos
necessidade de outras pessoas para satisfazer as nossas necessidades afetivas,
materiais e profissionais.

No entanto, como acabamos de estudar, cada indivíduo traz em si seu próprio


conjunto de valores e de idiossincrasias. Algumas vezes, quando as diferenças entre
os indivíduos são causadas por questões políticas, religiosas ou culturais, nem
sempre o entendimento entre esses indivíduos ocorre facilmente.

E isso remete ao que dissemos lá no início: ao perceber que cada indivíduo tem
a sua singularidade e o seu valor intrínseco, nós podemos exercitar atitudes de
entendimento, de tolerância e de aproximação. A nossa habilidade nas relações
interpessoais também pode ser aprimorada quando aprendemos a dominar as nossas
próprias emoções.

226
6.3 O indivíduo como cidadão

Caro profissional de segurança pública, nós já estudamos que o indivíduo é um


ser humano em sua singularidade única, com seu valor intrínseco. Vimos também que
todos os indivíduos fazem parte de um ou mais grupos sociais e que eles interagem
entre si por meio do relacionamento interpessoal, em que as diferenças entre os
indivíduos devem ser toleradas e respeitadas.

Vimos também que os indivíduos fazem parte e estão inseridos na sociedade.


Pois bem, para fazer parte e para desempenhar um papel na sociedade, os indivíduos
devem possuir e exercer alguns direitos, bem como cumprir e respeitar alguns
deveres. Essa faculdade social, que o indivíduo possui, enquanto portador de direitos
e de deveres, é chamada de cidadania.

Continuando a nossa linha de raciocínio, podemos dizer, sem sombra de


dúvida, que o trânsito é um local privilegiado em termos de relações interpessoais,
pois o espaço viário deve, forçosamente, ser partilhado entre diversos atores:
condutores de automóveis, pedestres, ciclistas, motociclistas e caminhoneiros, que
conduzem veículos de portes e de velocidades diferentes.

O trânsito é um local onde os diversos indivíduos, membros da sociedade,


relacionam-se constantemente. Todos necessitamos nos locomover para o
atendimento de nossas necessidades básicas, para estudar, para trabalhar ou, ainda,
para fins de lazer.

Para garantir a boa convivência social entre os diversos atores envolvidos no


trânsito, a legislação brasileira estabeleceu normas de conduta que contemplam os
direitos e as obrigações dos cidadãos, que foram codificadas na Lei n. 9.503/1997 –
Código de Trânsito Brasileiro.

No trânsito, como na sociedade, o comportamento do indivíduo interfere, direta


ou indiretamente, no convívio, na qualidade de vida e na segurança de todos. Quando
um indivíduo dirige de forma imprudente, o seu comportamento não coloca em risco
apenas a si mesmo, isso interfere no trajeto e na segurança de todos. Por outro lado,

227
quando agimos com prudência e com cortesia, esse comportamento se reflete em um
trânsito mais harmonioso para todos.

Reforçando:

Figura 99: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Assim, podemos entender por que atitudes como o individualismo, o egoísmo,


a falta de solidariedade e o desrespeito ao outro interferem de forma negativa no
trânsito!

Desse modo, para um bom relacionamento interpessoal com os demais atores


envolvidos no trânsito, procure desenvolver e fomentar atitudes de respeito, de
cooperação, de paciência, de solidariedade, de tolerância e de obediência às normas
de trânsito. Por meio de suas ações, contribua para uma boa convivência e para
a segurança de todos no trânsito./

6.4 A responsabilidade civil e criminal do condutor e o


CTB

O condutor tem responsabilidades civis e criminais previstas nos artigos 291 a


312 do CTB, descritas no Capítulo XIX – Dos Crimes de Trânsito.

228
A responsabilidade civil é a obrigação do motorista de cumprir as obrigações
de direito privado e pessoais. Por outro lado, a responsabilidade penal é a
responsabilidade que o condutor tem de respeitar as normas de direito público e os
interesses da sociedade. Se um condutor infringir uma regra capitulada como crime
de trânsito, ele estará sujeito a julgamento criminal por suas ações.

Saiba mais:

Para saber o rol de crimes de trânsito previstos no CTB, veja os artigos


302 a 312 deste diploma legal.

Finalizando
Neste módulo, você estudou que:

 Ao se aproximar do local do acidente, você deve atentar para o gerenciamento


dos riscos, observando os seguintes aspectos: sinalização do local; vazamento
de combustível; eletricidade; produtos perigosos; incêndios; veículo em
posição instável; perigos do veículo; e acionamento de recursos adicionais;

 A cinemática do trauma é o processo de avaliar a cena de um acidente para


determinar as prováveis lesões, com base nas forças e nos movimentos
envolvidos no trauma;

 O equipamento de proteção individual (EPI) básico, para efetuar o socorro a


uma vítima que apresente trauma com sangramentos é a luva de
procedimentos. Em tempos de pandemia de Covid-19, o uso da máscara de
proteção facial também se mostra indispensável para a proteção do profissional
de segurança pública;

229
 Para uma correta e segura abordagem, você irá efetuar o atendimento em uma
sequência que, tecnicamente, chama-se de protocolo. Esse atendimento inicial
é chamado de exame primário, ou ABC da vida para suporte básico de vida
(SBV), e é executado na seguinte ordem: A — Abertura das vias aéreas; B —
Respiração; C — Circulação; D — Desabilitado (avaliação neurológica); e E —
Exposição. Além disso, é necessário realizar o controle da cervical;

 Uma hemorragia abundante faz com que o sistema circulatório entre em


colapso em curto espaço de tempo. A perda de sangue provoca a falta de
oxigenação nos órgãos vitais, principalmente no cérebro, levando a vítima a
sofrer um choque hipovolêmico;

 As atitudes que tomamos na condução de veículos automotores podem


contribuir para diminuir a nossa emissão de poluentes, contribuindo para uma
melhor qualidade do ar; e

 Podemos melhorar as nossas relações interpessoais e melhorar a nossa


comunicação quando decidimos adotar atitudes de respeito, de tolerância e de
paciência. E isso é ainda mais válido quando pensamos em termos de trânsito.

230
MÓDULO IV — RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

Apresentação do módulo

Como você estudou nos módulos anteriores, a legislação de trânsito brasileira


regulamenta aspectos importantes para a circulação de veículos de emergência. A
Direção Defensiva orienta a forma e as técnicas mais seguras de condução dos
veículos para minimizar os riscos de acidente. Os Primeiros Socorros são ações
importantes para garantir a vida dos envolvidos em situações com vítimas.

Neste módulo, você é convidado a refletir sobre as relações interpessoais, a


postura mais adequada, as causas que podem levar ao conflito e as possíveis atitudes
que o previnem, resultando em uma relação harmoniosa e em um convívio de respeito,
de tolerância e de cuidado com o outro.

Neste momento inicial, você deve saber que a implementação de uma


capacitação pode almejar transformações a partir da atuação consciente do próprio
participante que, uma vez conhecendo seus recursos pessoais, planeja novamente
sua estratégia comportamental, visando ao melhor ajustamento de si mesmo àqueles
com que convive e às circunstâncias que cercam seu trabalho.

Ou seja, somente o próprio agente de segurança pública pode modificar o seu


comportamento. O trabalho de capacitação limita-se a criar situações que facilitem a
mudança de comportamento para conscientizar e para qualificar profissionalmente,
mas somente haverá sucesso se você estiver disposto à reflexão e à mudança de
atitude, em busca do melhor desempenho na missão de conduzir um veículo de
emergência.

231
Objetivos do módulo
Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

• Desenvolver o comportamento solidário no trânsito;

• Valorizar a responsabilidade do condutor em relação aos demais atores do


processo de circulação;

• Respeitar as normas estabelecidas para a segurança no trânsito;

• Identificar o papel dos agentes de fiscalização de trânsito;

• Reconhecer a importância do atendimento adequado às diferenças e


especificidades dos usuários;

• Identificar características dos usuários de veículos de emergência; e

• Refletir sobre o comportamento e a segurança na condução de veículos de


emergência e sobre os cuidados especiais e a atenção que devem ser dispensados
aos passageiros e aos outros atores do trânsito, na condução de veículos de
emergência.

Estrutura do módulo
Este módulo compreende as seguintes aulas:

Aula 1 — Aspectos de comportamento e de segurança na condução de veículos de


emergência;

Aula 2 — Comportamento solidário no trânsito;

Aula 3 — O condutor e os demais atores do processo de circulação;

Aula 4 — Normas de segurança no trânsito e os agentes de fiscalização de trânsito;


e;

Aula 5 — Atendimento aos usuários.

232
AULA 1 — Aspectos de comportamento e de segurança
na condução de veículos de emergência

Introdução

Prezado profissional de segurança pública, como você estudou na última aula


do módulo passado, as relações que se desenvolvem a partir da interação entre as
pessoas são chamadas de relações interpessoais.

Antes de iniciar este módulo, reflita:

Figura 100: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

1.1 O impacto da qualidade das relações interpessoais


no ambiente de trabalho do profissional de segurança
pública

Relações interpessoais e o respeito mútuo

No ambiente de trabalho, há situações de relação pré-determinadas, em que


necessariamente ocorrerão interações. Para que essas interações com os nossos

233
colegas de profissão transcorram de forma a se criar um bom ambiente de trabalho,
são essenciais à comunicação, a cooperação e o respeito entre os pares.

E se, nas ocupações “normais”, um bom ambiente de trabalho é salutar e


ajuda a aumentar a produtividade da organização; dentro das carreiras ligadas à
segurança pública, a confiança e a camaradagem entre os pares são essenciais; afinal
de contas, a cada turno de serviço, nós confiamos a nossa vida aos homens e às
mulheres que estão trabalhando conosco; assim como eles também confiam a vida e
a integridade física deles a nós.

No entanto, nem sempre é fácil de manter um bom relacionamento com


pessoas que, não raras vezes, nasceram e se desenvolveram em meio a grupos
sociais diversos e que, muitas vezes, têm uma forma de enxergar o mundo
completamente diferente da nossa, seja por questões culturais, religiosas ou
idiossincráticas. Geralmente, tratamos as pessoas de modo igual, mas o resultado
disso pode vir a ser posturas e respostas diferentes. Segundo Moscovici (1995),
quando se trata de pessoas, é difícil prever resultados de forma homogênea, pois cada
pessoa reage de forma distinta aos mesmos estímulos. Assim, à medida que as
relações humanas se desenvolvem, inevitavelmente, podem surgir sentimentos
diferentes daqueles previstos.

Nesse sentido, o ideal é que sempre estejamos tentando provocar naqueles


que nos cercam sentimentos positivos, pois esses sentimentos provocarão o aumento
da interação e da cooperação entre as pessoas, resultando no aumento da qualidade
do nosso ambiente de trabalho.

Para conviver com alteridade, é necessário exercitar algumas virtudes tais


como a tolerância com o pensamento distinto do nosso; o respeito às pessoas,
considerando que, mesmo diferentes, todas têm um valor intrínseco; e, muitas vezes,
a paciência. Por fim, uma forma de procurar aproximação e empatia com os colegas
de trabalho é por meio da busca por características comuns, por aquilo que nos une.

No entanto, assim como os sentimentos positivos têm um bom impacto no


nosso ambiente de trabalho, quando deixamos nos dominar por (ou contribuímos por
gerar) sentimentos negativos, como antipatia e rejeição, haverá uma sensível queda

234
na qualidade das interações dentro do grupo, resultando em um maior distanciamento
dos envolvidos e, por consequência, diminuição da qualidade do serviço e provável
queda na produtividade.

Lembre-se: o seu comportamento irá definir sua interação com o outro!

Saiba mais:

Acesse o link abaixo para saber mais dicas sobre como desenvolver seu
relacionamento interpessoal e para alavancar seu crescimento
profissional:

Confira: https://www.youtube.com/watch?v=V9LjLAn_C14

Segurança: arriscando a própria pele e pensando em si e nos outros

Além das questões relacionais tratadas anteriormente, um dos aspectos mais


importantes das relações humanas dentro do ambiente das organizações que
trabalham na segurança pública é a adoção de comportamentos e de protocolos de
segurança. Isso vale não somente para a condução de veículos de emergência, mas
para a maioria dos aspectos de nosso trabalho.

Como já foi tratado em outros momentos deste curso, nossa atividade tem
algumas peculiaridades que a diferenciam das demais profissões. Uma dessas
peculiaridades é que nós, servidores de segurança pública (pelo menos aqueles que
trabalham na área operacional, na “linha de frente”), estamos constante e
cotidianamente “arriscando nossa própria pele”, conforme o conceito defendido pelo
filósofo Nassim Nicholas Taleb (2018).

Isso quer dizer que os servidores que estão trabalhando na atividade-fim da


área de segurança pública não têm a possibilidade de transferir os riscos de suas
ações para outras pessoas. Por exemplo, durante uma abordagem a pessoas

235
suspeitas, a desatenção ou um procedimento policial realizado de forma errada pode
expor o servidor e toda a sua equipe a riscos pessoais bem tangíveis.

A maior implicação de perceber esse conceito reside no fato de que, quando


temos consciência disso, essa consciência nos leva a agir com responsabilidade para
com a segurança própria e para com a segurança de nossos pares.

Saiba mais:

Considerando os conceitos de assimetrias na sociedade, conforme a


classificação proposta por Taleb, o servidor de segurança pública (policial,
bombeiro, guarda municipal etc.) está incluído na categoria daqueles que
“arriscam a própria pele pelos outros” (TALEB, 2018. p. 65, grifo nosso).
Esse aspecto dá um peso ainda maior para a nossa responsabilidade no
ambiente de trabalho; pois, se, por algum motivo, deixarmos de cumprir a
nossa missão por causa de um evento externo (p. ex. ao se envolver em
um acidente de trânsito ao atender uma ocorrência), este fato pode ter
reflexos negativos (físicos ou patrimoniais) para aqueles que vamos
deixar de atender.

E, considerando os riscos existentes na condução de veículos de emergência,


a adoção de comportamentos errados ou imprudentes pode vir a ter um preço
demasiado caro: às vezes, o preço pode ser pago com a nossa própria vida ou com a
vida de algum de nossos companheiros de trabalho.

É IMPORTANTE:

Pensar que nós, servidores da segurança pública,


temos várias missões; mas talvez uma das mais
importantes seja, ao final de cada turno, devolver nossos
colegas de trabalho, sãos e salvos, para as suas famílias!

236
Ouça o ÁUDIO 7

Vejamos, a seguir, mais alguns aspectos de comportamento e de segurança


que têm impacto direto para a condução de veículos de emergência:

1.2 Comportamento preventivo versus comportamento


de risco

Reflita:

Figura 101: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

No Módulo 2 deste curso, estudamos que os principais fatores que


influenciam nas ocorrências dos acidentes de trânsito são o condutor, o veículo e a
via. E, entre esses três, o fator humano (condutor) é o preponderante, pois a falha
humana é a causa de mais de 90% dos acidentes de trânsito. Você, condutor do
veículo de emergência, é, no momento de trabalho, o maior responsável pela sua
própria segurança, pela segurança da equipe (que depositou a vida em suas mãos!)
e, também, pela integridade física dos demais atores envolvidos no trânsito.

237
Vimos também que o ato de conduzir um veículo é muito complexo e que isso
exige sua total atenção e cuidado; principalmente se esse ato de conduzir for realizado
sob condições-limite, com alto grau de pressão e quando a vida de outras pessoas
pode estar em risco.

Por fim, também sabemos que quanto maior o risco apresentado pelas
condições adversas de veículo e da via (para saber mais sobre o gerenciamento das
condições adversas, consulte o módulo 2), maior deverá ser o seu cuidado como
condutor do veículo de emergência.

Racionalmente falando, todos nós sabemos tudo isso que acabou de ser dito.
Mas, se sabemos disso, por que, então, muitos de nós, policiais ou bombeiros,
optamos por correr riscos desnecessários no trânsito?

A resposta a essa pergunta é um tanto complexa; pois, para sua resposta,


teremos que entender que nem todo o nosso comportamento é ditado por questões
de ordem puramente racional. Somos seres complexos e a constituição de nosso
comportamento deriva tanto de fatores internos, ligados à nossa personalidade e
formação básica, como também de influências externas, recebidas dos mais diversos
locais e dos grupos sociais a que fazemos parte.

Porém, ao desenvolvermos a consciência de nosso papel e do valor relevante


que temos para a manutenção do estado de “normalidade” dentro da sociedade,
salienta-se a importância de, ao menos nas “condições normais de temperatura e
pressão”, seguirmos todas as técnicas de Direção Defensiva aprendidas neste curso,
a fim de evitarmos nos envolver em acidentes.

Assim, mantenha o comportamento preventivo ao conduzir, evitando os riscos


desnecessários; pois, de outra forma, você poderá tornar-se parte da triste estatística
de agentes de segurança pública mortos ou incapacitados em acidentes de trânsito,
seja no trabalho ou fora dele.

238
Desenvolvendo a consciência:

Gostaríamos que você dedicasse alguns minutos para a seguinte reflexão.


Responda, para si mesmo, algumas perguntas:

I. Quantas pessoas próximas de você (familiares, amigos, ou colegas de


escola ou de faculdade) já morreram vítimas de acidentes de trânsito?
Alguma dessas pessoas sobreviveu, mas ficou com alguma sequela?
II. Em sua organização, já aconteceram acidentes de trânsito envolvendo
colegas de trabalho em serviço? Algum dos colegas faleceu ou ficou com
sequelas em decorrência desse acidente?

Quando dizemos que morrem mais de 30 mil pessoas por ano em


acidentes de trânsito no Brasil, isso é apenas um número. Um número
terrível, é verdade, porém frio e impessoal. Quando começamos a colocar
nomes e rostos nesses números, todo o horror e o sofrimento subjacentes
a eles começam a vir à tona.

A adoção de protocolos de segurança ao dirigir implica que sempre teremos


que dirigir em velocidade moderada e compatível com a via, prestando muita atenção
e seguindo todas as normas de trânsito? Nas “condições normais de temperatura e
pressão” (tal como durante o serviço de ronda ou em deslocamentos administrativos
etc.), sim! No entanto, existe um tipo de situação determinada que exige uma
condução mais vigorosa: a urgência.

1.3 Urgência

Para os fins da legislação de trânsito, o conceito de urgência está previsto no


§2º do art. 1º da Resolução do CONTRAN nº 268, de 15 de fevereiro de 2008, in
verbis: “Entende-se por prestação de serviço de urgência os deslocamentos

239
realizados pelos veículos de emergência, em circunstâncias que necessitem de
brevidade para o atendimento, sem a qual haverá grande prejuízo à incolumidade
pública” (BRASIL, 2008, n.p., grifo nosso).

Podemos afirmar que as urgências são aquelas situações que fogem da


normalidade (tais como acidentes, ocorrências criminais e socorro a enfermos), nas
quais o tempo de reação é não apenas importante, mas vital!

Para a maioria das pessoas, urgências “reais” ocorrem (felizmente) apenas


algumas vezes no decorrer de suas vidas. No entanto, para o profissional de
segurança pública, as urgências são uma parte integrante de seu trabalho.

A situação de urgência demanda uma resposta rápida de parte do órgão, sob


risco de algum membro da sociedade ter a sua vida, a sua integridade física e/ou seus
bens patrimoniais violados. E é precisamente por esse motivo que a sociedade
outorga aos veículos de emergência as prerrogativas tratadas no Módulo 1: a
prioridade de passagem, a livre circulação, parada e estacionamento (conforme a
figura 40 do módulo 1).

Evidentemente, mesmo em casos de deslocamentos de urgência, devemos


aplicar os princípios da Direção Defensiva, bem como todos os procedimentos de
segurança cabíveis. Nesses deslocamentos, a perícia do condutor no volante,
obviamente, é importante; mas, ainda, mais importante é a habilidade do profissional
de segurança pública em manter, em tal situação, o seu equilíbrio emocional.

IMPORTANTE:

O condutor do veículo de emergência precisa


desenvolver o autoconhecimento e saber reconhecer os
seus limites e limitações ao volante.

É importante destacar que, na análise documental sobre as urgências,


realizada por meio do documento intitulado “Política Nacional de Atenção às
Urgências” (BRASIL, 2006), aparece, muitas vezes, a expressão “equilíbrio

240
emocional”, sem, no entanto, especificar-se como se adquire, como se desenvolve ou
como se “aplica” o equilíbrio emocional.

Vamos, a seguir, fazer algumas considerações sobre o equilíbrio emocional.

1.4 Equilíbrio emocional

O equilíbrio emocional está diretamente ligado à inteligência emocional, que


possui cinco elementos comumente aceitos:

• Autoconsciência:

É a capacidade que o indivíduo possui de refletir sobre as suas próprias ações,


atitudes e vida, aumentando o autoconhecimento e usando-o para se aprimorar e até
para superar ou para compensar fraquezas. A autoconsciência envolve estar atento a
diferentes aspectos do nosso ser, incluindo aos sentimentos, ao temperamento, aos
comportamentos, às crenças e aos valores. Quando desenvolvemos essa habilidade,
nós aumentamos o conhecimento sobre o que sentimos e de que forma essas
emoções afetam, positiva ou negativamente, o nosso desempenho no contexto
pessoal e profissional.

• Motivação pessoal:

A motivação lida com o que realmente nos empolga — a visão, os valores, os


objetivos, as esperanças, os desejos e as paixões que formam nossas prioridades. A
motivação é o que leva uma pessoa a fazer algo, servindo como um impulso ou um
catalisador para que o indivíduo possa correr atrás de seus sonhos e objetivos. A
motivação pode vir por meio de fatores externos ou internos (automotivação).

• Autorregulação:

É a nossa capacidade de nos gerenciarmos para atingirmos nossa visão e


nossos valores; ela se traduz na capacidade de controlar e monitorar nossos próprios

241
pensamentos, emoções e comportamentos, alterando-os de acordo com as
exigências da situação.

• Empatia:

Nossa capacidade de ver e de sentir como outras pessoas veem e sentem as


coisas; é saber se colocar no lugar do outro. Ao exercitarmos a empatia, podemos
passar a compreender escolhas, alegrias, medos, hesitações, agressividade e
fraquezas.

• Habilidades de comunicação social:

Lidam com a forma pela qual resolvemos nossas diferenças e nossos


problemas; como chegamos a soluções criativas; e como interagimos de modo
satisfatório com os outros para alcançarmos os objetivos comuns.
Na prática, no cotidiano dramático das ações de segurança pública, o equilíbrio
emocional é responsável pelo sucesso do trabalho, tanto a curto quanto a médio
prazo, o que faz com que nós permaneçamos mentalmente saudáveis e permite o
distanciamento de doenças psicossomáticas e de outras consequências mais graves,
como a neurose de trabalho denominada (Síndrome de Burnout).

Saiba mais:

Acesse o link abaixo para saber mais dicas de como manter a saúde
mental em tempos difíceis, a exemplo de uma pandemia de coronavírus:

Confira: https://saudebrasil.saude.gov.br/eu-quero-me-exercitar-
mais/habitos-que-podem-ajudar-a-sua-saude-mental-em-tempos-de-
coronavirus

242
1.5 Síndrome de Burnout

A palavra burnout se origina da união de burn, que significa queima, e de out,


exterior. Ela nomeia uma síndrome, a Síndrome de Burnout, ou Síndrome do
Esgotamento Profissional; essa síndrome é o resultado direto do acúmulo excessivo
de estresse, de tensão emocional e de trabalho, e é bastante comum entre
profissionais que trabalham sob pressão constante, como policiais, bombeiros,
socorristas e agentes de trânsito.

Os autores que defendem que a Síndrome de Burnout é algo diferente do


estresse alegam que essa doença envolve atitudes e condutas negativas com
relação aos usuários, aos clientes, à organização e ao trabalho, enquanto o estresse
seria mais como um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito, e
não, necessariamente, na sua relação com o trabalho. Entretanto, a Síndrome de
Burnout também pode ser a consequência mais depressiva do estresse
desencadeado pelo trabalho.

Você conhece a dificuldade de manter-se equilibrado como agente


de segurança pública na condução de um veículo de emergência, mas
pense na importância desse equilíbrio para cumprir sua missão de proteger
vidas.

Seu equilíbrio definirá sua atuação em situações normais de condução, o


ajudará a praticar a direção defensiva, e fará com que você seja visto como um modelo
de atitude no trânsito. Mesmo em situações-limite, como em um acompanhamento
tático, em um atendimento de uma situação de emergência que pode ser um crime,
um acidente envolvendo feridos, um incêndio, ou em tantos outros tipos de
ocorrências, manter o equilíbrio emocional será de suma importância para que você
desempenhe a missão com sucesso.

Quando somos submetidos a situações-limite, nosso organismo ativa um


mecanismo de defesa conhecido como “fugir ou lutar”, então são despejados, em
nossa corrente sanguínea, uma série de hormônios que preparam nosso corpo para

243
o desempenho dessas atividades. Após o encerramento da situação de urgência,
nosso organismo começa a se preparar para retornar à normalidade.

Ocorre que, na nossa profissão, as situações-limite acabam por se repetir,


várias vezes, em cada plantão, provocando desgastes físicos, mentais e emocionais.
E esses desgastes acabam se repetindo por anos a fio, minando silenciosamente
nossa saúde mental. A maioria de nós, profissionais de segurança pública, acaba
desenvolvendo alguma forma de lidar com o “lixo” emocional acumulado, seja por
meio de terapia, do envolvimento em algum grupo ou atividade que dê apoio ou
sentido (clubes, igrejas etc.), seja por meio de alguma atividade física para
“descarregar as tensões”. Mas a maioria de nós acaba desenvolvendo, pelo menos
uma vez no decorrer de nossa carreira profissional, uma doença psicossomática.

Saiba mais:

Não faltam estudos mostrando que as profissões ligadas à área de


segurança pública têm índices de suicídios, de doenças psicossomáticas
como depressão e ansiedade e de abuso de álcool muito acima da média
da população em geral. Isso, por si só, deveria servir de alerta para a
necessidade de cuidarmos de nossa saúde mental.

Sintomas de síndrome de Burnout

Como a Síndrome de Burnout é uma doença psicossomática, ela apresenta


tanto sintomas físicos quanto mentais, incluindo:

I. Cansaço mental e físico excessivos;


II. Insônia;
III. Dificuldade de concentração;
IV. Perda de apetite;
V. Irritabilidade e agressividade;
VI. Lapsos de memória;
VII. Baixa autoestima;
VIII. Desânimo e apatia;

244
IX. Dores de cabeça e no corpo;
X. Negatividade constante;
XI. Sentimentos de derrota, de fracasso e de insegurança;
XII. Isolamento social;
XIII. Pressão alta; e
XIV. Tristeza excessiva.

Se você estiver sofrendo da Síndrome de burnout e estiver encarando o


usuário do trânsito, ou qualquer outro envolvido na ocorrência, de forma negativa, será
muito difícil que sua atuação seja efetiva nos padrões necessários e esperados.

Os sintomas básicos da Síndrome de burnout estão associados às


manifestações de irritação e de agressividade numa espécie de “exaustão emocional”,
quando a pessoa sente que não pode dar mais nada de si mesma. É expressa por um
comportamento negativista e por uma “aparente insensibilidade afetiva”.

IMPORTANTE!

Para dar conta desse desafio diante das situações-


limite, você pode iniciar revisando os seus próprios
conceitos. O fator que mais dificulta a solução de conflitos
de ordem psicológica é a negação do problema e a recusa
em encará-lo.

Você precisa estar consciente de como está agindo cotidianamente. Se


perceber que está fora de seu equilíbrio, com dificuldades de relacionamento, talvez
até com estresse muito elevado durante a condução de veículo de emergência no
trânsito, cabe, aí, a procura de ajuda.

Se você desconfia que está sofrendo de Síndrome de burnout, estresse


excessivo, depressão, ideação suicida ou qualquer outro distúrbio semelhante, não
hesite em procurar ajuda! Muitas corporações de segurança pública têm núcleos de

245
atenção à saúde do servidor, se esse for o caso, eles saberão como encaminhá-lo
para o tratamento adequado.

IMPORTANTE!

Muitas vezes o problema não é conosco, mas com


algum dos nossos companheiros de trabalho. Assim como
devemos zelar pelo bem-estar e pela integridade de nossos
colegas nas ocorrências criminais e nos deslocamentos de
urgência, nós precisamos cuidar do bem-estar mental e da
saúde deles. Se você perceber que um companheiro está
ficando doente e está precisando de ajuda, não vire as
costas para ele nem finja que o problema não é seu. Com
muito tato, converse com ele, demonstrando genuíno
interesse por seu bem-estar e tente persuadi-lo a se cuidar.

Saiba mais:

Acesse o link abaixo para saber mais informações sobre a Síndrome de


burnout e sua relação com outras doenças psicossomáticas como a
depressão:

Confira: https://www.youtube.com/watch?v=iILq_7rOGbc

246
1.6 Agressividade e insegurança no trânsito

Existem diversos fatores que podem causar riscos à segurança na condução


de veículos de emergência. Um dos fatores que mais vem crescendo como causa de
insegurança no trânsito é a agressividade, mesmo por parte de pessoas que, em
outras situações cotidianas, costumam manter sempre uma atitude tranquila.

Você percebe diariamente a violência presente no trânsito. Essa violência não


se traduz apenas em acidentes de trânsito: essa talvez seja apenas a face mais visível
e dramática do problema. Se nos atentarmos, cada vez mais, vemos as pessoas
conduzindo de forma ofensiva, tratando os demais atores do trânsito de forma
displicente, quando não como inimigos. Isso se traduz, numerosas vezes, no
desrespeito e na agressividade entre os usuários do sistema, culminando, geralmente,
em agressões verbais, físicas e, até mesmo, em assassinatos.

De olho na tela!

Assista o vídeo:
Acesse o link abaixo e assista o vídeo “Briga de Trânsito”, que
mostra o conflito entre dois condutores no trânsito. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=TU0fhSFzxFQ

Segundo o verbete do dicionário (Bueno, 2007), agressividade é a capacidade


para agredir. Existem numerosas teorias psicológicas que procuram explicar como
surgiu e como se desencadeia a agressividade, embora uma discussão aprofundada
sobre o tema fuja dos propósitos deste curso de condução de veículos de emergência.

247
Reflexão

Caro aluno, reflita sobre a charge mostrada a seguir:

Figura 102: Charge sobre o trânsito de Salvador


Fonte: http://grooeland.blogspot.com/2008/09/sobre-o-trnsito-de-salvador.html

Após ver a charge, pense: de onde vem esse comportamento tão agressivo,
que transforma cidadãos pacatos e tranquilos no trato social em verdadeiros monstros
ao dirigir?

1.7 Fatores relacionados à agressividade

Uma grande discussão, travada entre os acadêmicos, é sobre a agressividade


ser inata ao ser humano ou se as pessoas se tornam agressivas como resultado da
influência do meio externo e/ou de sua própria frustração.

Para compreender mais sobre essa questão, estude, a seguir, dois fatores
que, em algumas teorias largamente abordadas em pesquisas, são apontados como
possíveis causas que geram agressividade nas relações interpessoais. Assim, você
poderá identificar a presença deles no seu dia a dia: o medo e a raiva.

Medo

A emoção do medo e o sentimento que dele emana, embora subjetivos,


surgem quando algo ameaçador (real ou imaginário, podendo também ser fruto do
condicionamento) estimula, no nosso sistema nervoso, estruturas que fazem

248
desencadear respostas adaptativas a esses estímulos, o que a fisiologia denomina
“reação de luta ou fuga”.

Para refletir:

Figura 103: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Assim, diante de um estímulo de perigo, real ou imaginário, haverá respostas


de ordem comportamental e fisiológica:

Resposta Comportamental

Alerta, luta, fuga e congelamento.

Resposta Fisiológica

Aumento da frequência cardiorrespiratória, midríase (pupila dilatada),


piloereção (ereção dos pelos), liberação de cortisol e adrenalina.
Para Sampaio (2011, n.p.), “o medo inato salva e o medo condicionado
escraviza”. Assim, dois são os mecanismos de que dispomos para responder à
emoção do medo:
• O racional, gerido pelas informações que chegam à nossa consciência; e

249
• O irracional, formado por estímulos do nosso passado evolutivo sem que
tenhamos consciência, gerando uma resposta mais rápida.

Assista o vídeo:
Acesse o link abaixo para saber mais sobre estratégias de como
lidar com a emoção do medo. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=3wsL5FklCFc

Raiva

Paralelamente à emoção do medo, pode também surgir a emoção da raiva,


como uma forma de preparo para uma resposta de defesa agressiva, visando
assegurar a sobrevivência. Raiva é o comportamento humano agressivo de ataque,
podendo ser ofensiva ou defensiva. A raiva também pode surgir a partir do medo. Ela
também é subjetiva e apresenta componentes comportamentais e fisiológicos.
(SAMPAIO, 2011)

Ainda para Sampaio (2011), os aspectos comportamentais das emoções de


medo e de raiva são bem distintos. Embora possam ter a mesma origem, o indivíduo
com raiva é barulhento, enquanto aquele que está com medo é mais controlado e, por
vezes, chora. Os gestos na raiva são de ataques, ofensivos; no medo, são de fuga ou
de defesa contra o agressor.

Na raiva, como também na emoção do medo, há situações em que agimos


primeiro e pensamos depois. A sua agressividade inicial pode vir de sua natureza,
mas o limite de suas ações depende sempre da decisão tomada por você, podendo
resultar desde a legítima defesa até o assassinato (SAMPAIO, 2011).

IMPORTANTE!

Você também está sujeito às normas de conduta e a


treinamentos que irão condicioná-lo a determinadas ações
em resposta às situações-limite. Assim, é de sua

250
responsabilidade procurar conhecer bem essas normas,
mantendo-se atualizado e preparado para responder de
forma adequada ao momento.

Para refletir:

Agora que você já estudou as origens da agressividade, já pode criar


estratégias de controle para sua canalização mais adequada. Quando surgir uma
emoção ditada pela cultura, por exemplo: pelo dito popular de que “você não deve
levar desaforo para casa”, ou pelo antigo código do “olho por olho, dente por dente”,
lembre-se que a emoção, que foi em nós colocada, também pode ser modificada.

Assista o vídeo:
Acesse o link abaixo para se aprofundar sobre como surge o
sentimento da raiva e sobre como podemos lidar com ele.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3jYjR8-YHmw

251
AULA 2 — Comportamento solidário no trânsito

Introdução

Figura 104: Mãos em formato de estrela significando solidariedade


Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/star-dedo-m%C3%A3os-coes%C3%A3o-5031540/.

Como você já estudou anteriormente, o seu comportamento em relação ao


outro pode gerar consequências positivas ou negativas. Nesta aula, você estudará a
base do comportamento solidário, por meio da compreensão de como ocorre a
convivência, de modo a oportunizar relacionamentos interpessoais saudáveis e
harmônicos.

252
Vamos refletir:

Figura 105: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

2.1 Convivência

Leonardo Boff (2006) traz alguns princípios necessários para uma convivência
saudável, que serão apresentados e comentados a seguir.

Conviver significa:

Viver em comum, ou seja, viver com o outro.

Vimos, na aula 6 do Módulo 3, que o ser humano é um ser social. Nós temos
uma necessidade intrínseca de viver em grupos. A relação com o outro é parte
essencial da nossa sobrevivência. Ao mesmo tempo, somos todos diferentes, únicos.
Chamamos os outros de semelhantes; mas semelhança não significa sermos
totalmente iguais.

O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, em seu livro “Do Contrato Social”


(Rousseau, 2018), afirma que, para preservar a liberdade natural do ser humano, seu

253
bem-estar e sua segurança, os humanos teriam feito um contrato social. Tratava-se
de um pacto legítimo pautado na alienação total da vontade particular, em prol da
constituição de um Estado, como condição de igualdade entre todos.

Saiba mais:

Devemos ter em mente que para Rousseau, o contrato social não é uma
realidade histórica concreta, mas sim uma metáfora útil em termos
explicativos.

Figura 106: Jean-Jacques Rousseau


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau#/media/Ficheiro:Jean-
Jacques_Rousseau_(painted_portrait).jpg.

Para refletir:

Aqui, cabe um destaque para que você reflita sobre a ideia apresentada por
Rousseau e sobre o trânsito. Comparando-os, você terá a possibilidade de perceber

254
que o trânsito em condições seguras é um tipo de “contrato social” e que só é possível
materializar o nosso direito de ir e vir se as normas legais e as de conduta social forem
seguidas, não é mesmo? Se não houvesse normas de trânsito, se cada um transitasse
como bem lhe aprouvesse, o risco de se envolver em um acidente, com danos
materiais e/ou com ferimentos ou morte, aumentaria exponencialmente para todos os
envolvidos. Isso acabaria por criar uma imprevisibilidade em termos de relações
sociais.

A convivência, por sua vez, é uma das melhores formas de aprendizado. Você
observa o outro, interage com ele, ensina e aprende, muda, desenvolve-se. Mas, para
isso, você precisa estar disposto, aberto à convivência, ao grande exercício do
despojamento de seus conceitos para evoluir com o outro (BOFF, 2006).

Para refletir:

Você percebe que não pensa somente com os seus próprios pensamentos,
mas que absorve e repete aquilo que se aproxima por todos os lados, seja pela cultura
de massa, seja pelos grupos dos quais participa?

Quando você entra em um grupo, assume um pouco da identidade dele. Para


exemplificar isso, basta que você se recorde do quanto você mudou ao ser aprovado
para o concurso da sua instituição de segurança pública. Ou do quanto a sua vida
mudou quando você ingressou em uma faculdade. Cada grupo tem seus valores, seu
ethos, e você se adapta, de forma consciente ou inconsciente, ao meio que o circunda,
pois precisa conviver com o outro.

A forma de conviver pode variar muito, de grupo para grupo, mas sempre deve
haver o respeito. O outro, assim como você, possui seu espaço. Aí, se apresenta uma
grande questão: “Como pode haver a convivência sem a invasão do espaço do
outro?”

Vista dessa maneira, a convivência ocorre sempre no limite. Preciso ir até o


meu limite para alcançar o outro, mas sem ultrapassá-lo!

255
Lembre-se do ditado popular que diz:

“A minha liberdade termina onde começa a liberdade


do outro”.

Assim, quando o encontro com o outro tem êxito, os limites não são mais
rígidos, não separam mais, tornam-se fluidos e negociados saudavelmente. Cada um
retorna desse encontro um pouco melhor, mais sábio, enriquecido pela experiência
no limite. Em última instância, você é responsável pela qualidade de suas interações
com o outro e pelas experiências, positivas ou negativas, desta interação.

Exemplificando...

Uma pessoa irritada age de maneira agressiva com você no trânsito.


Se você se sentir ofendido e responder de forma semelhante, terá permitido
a invasão e a perda do seu equilíbrio, mas, por outro lado, se você não
responder à agressão, seu equilíbrio permanecerá a salvo.
Todos somos seres humanos; todos estamos sujeitos a erros e
somos influenciados por nossas emoções e pelas circunstâncias de nossas
vidas. Às vezes, o outro pode estar em um dia ruim. Todos têm o direito de
errar (até certo ponto, claro). Se foi ofendido no trânsito, procure não
revidar, procure se colocar no lugar do outro, pense como ele gostaria de
ser tratado. Às vezes, vale mais a pena estar bem consigo mesmo do que
provar que está certo!
Eventualmente, mesmo que você haja corretamente, pode vir a
surgir alguma desavença ou conflito. Se isso acontecer, procure não
agravar o conflito, mas sim procurar um jeito de resolvê-lo.

256
Observe, a seguir, um esquema de resolução de conflitos:

Figura 107: Esquema de resolução de conflitos


Fonte: do conteudista.

De acordo com o esquema de resolução de conflitos acima, há, em geral, três


saídas para um conflito:

I. A procura de solução violenta; que gera reações violentas: rompimento,


dispensa, raiva, rejeição, agressões verbais ou físicas, ou guerras.
II. A passividade completa, sem nenhuma procura de saída. Esse laissez-
faire (deixar-se fazer) pode levar a uma situação de crise permanente
ou prolongada, mágoas, ressentimentos, relações interrompidas e
congeladas.
III. A procura de soluções pacíficas e não violentas, por meio do diálogo
direto com empatia, da negociação, da mediação e da arbitragem.

257
No processo de convivência, nós podemos assumir diferentes papéis sociais,
que podem ser classificados de maneiras distintas.

Assim, podemos resumir os possíveis papéis sociais dos indivíduos de uma


comunidade em “vítima” (aquele que foi enganado ou iludido), “algoz” (desumano,
cruel) ou “curador” (aquele que traz a cura). Dessas opções, em qual você entende
estar o seu papel principal?

Lembre-se que todos circulam pelos três papéis; mas


é você, agente de segurança pública, que precisa vencer
todas as dificuldades relacionais para bem conduzir um
veículo de emergência com efetividade, e que deve perceber
a agressividade, controlando-a e dissipando-a.

Assim, você afastar-se-á dos papéis de “vítima” e de “algoz” e estará


assumindo o papel de “curador”, afinal de contas você ocupa o cargo de Servidor
Público.

2.2 Por que conviver?

A convivência permite sentar juntos, coexistir e intercambiar. A convivência é


uma experiência enriquecedora, pois lhe proporciona conhecer o outro, seu perfil, sua
postura perante as situações, fazendo com que você possa lidar melhor com as suas
questões.

Você é responsável em fazer, ou não, do outro seu próximo. A partir desta


ideia, é possível seguir alguns passos rumo à convivência.

258
Exemplificando...
• Se o condutor do outro veículo realizar uma manobra errada ou até
mesmo de forma muito lenta, você deve manter a calma e entender que
somos humanos e falhamos. Talvez não ajude em nada uma reclamação
ou qualquer forma de manifestação, podendo até provocar um risco ainda
maior.

Fazendo isto, você exercitará a compreensão em relação ao outro, exercício


essencial na convivência pacífica.

Exemplificando...
• Não julgue o condutor do outro veículo por sua condição financeira,
pelo seu gênero, pela sua idade, pela sua etnia etc.

Com esta postura, você não estará gerando preconceitos que só dificultam
as relações entre as pessoas, e tornam a convivência insuportável.

Exemplificando...
• Observe o contexto, e seja um condutor que contribui positivamente
para um trânsito mais seguro.

Agindo dessa forma, você demonstrará observação participante e


comprometida.

Exemplificando...
• Não alimente uma atitude competitiva, e sim, cooperativa. Assim,
você estará criando aliança com o outro.
• Seja cortês e educado.

Assim, você promoverá a identificação com o outro. “Cortesia gera cortesia”,


já dizia o provérbio português.

259
Quando você está na condução de um veículo, seja ele de emergência ou
não, você está sujeito a vários estímulos, afinal de contas, os outros condutores,
normalmente, também estão com pressa, e querem a preferência, assim como você.

É normal que você tenha alguns impulsos negativos e que seja estimulado a
pensar em coisas desagradáveis, mas eis o momento em que precisa se conscientizar
e lembrar que também faz parte de um contexto de trabalho.

Você precisa se adequar àquele momento e não perder o verdadeiro foco do


seu objetivo, que é chegar ao destino da forma mais segura e rápida possível, caso
contrário, pode causar danos bem maiores e, ao invés de ajudar, acabará por
atrapalhar todo o processo.

Conforme os escritos de Leonardo Boff (2006, p. 36), a convivência não


apaga nem anula as diferenças, pelo contrário, é a capacidade de acolhê-las, de
deixá-las ser diferentes e, mesmo assim, viver com elas e não apesar delas.

A convivência envolve também a quebra de uma visão estruturalista e


sistêmica, que apenas vê o funcionamento do sistema, sem perceber os atores
concretos, carregados de emoção e de sentido humano, sem os quais o sistema não
funcionaria.

Aqui, você pode imaginar os outros como máquinas, veículos feitos de lata e
outros materiais; mas, ali, na situação concreta, existem pessoas, lembrando que você
também é um ser humano, e assim deve ser sua atitude, também humana.

AULA 3 — O condutor e os demais atores do processo de


circulação

Existe para você, agente de segurança pública, uma postura diferenciada em


relação ao cidadão comum no tocante aos níveis de alerta que se mantêm durante
seu dia a dia. Assim é mesmo em situações cotidianas, como, por exemplo, ao
escolher um lugar em um restaurante — quando, por vezes, você procura um lugar

260
onde as costas fiquem protegidas e onde tenha uma visão geral, principalmente dos
acessos de entrada e de saída do ambiente.

Quando em serviço, isso se intensifica; pois você fica identificado enquanto


agente responsável pela segurança alheia (por vezes, armado), — o que gera
situações ainda mais complexas.

No treinamento para abordagem de pessoas ou de veículos, uma das


posições preconizadas para o agente é um tipo de “posição de entrevista”, em que o
agente fica na posição em pé, com as pernas um pouco afastadas e com as mãos à
frente do corpo para poder rapidamente sacar a arma, afastar-se ou agir de forma a
neutralizar uma ameaça (pronto para fuga ou luta).

A postura na condução de um veículo diferenciado, e destinado ao uso em


situações-limite, altera seu nível de alerta, gerando uma prontidão permanente,
elevando o estresse e a possibilidade de alteração súbita de humor, podendo resultar
numa resposta agressiva, que, em algum momento, pode ser demasiada e pode gerar
consequências negativas para você.

As decisões que você toma a cada instante o levarão à conduta certa e


justa ou à falha em sua missão de assegurar sempre a segurança dos cidadãos.

No trânsito, os espaços são, na imensa maioria, coletivos.

Parece haver, também, um permanente embate por território, por vantagem,


ou por supremacia; o que pode levar à competição, causando conflitos e riscos à
segurança.

IMPORTANTE!

Os veículos de emergência possuem preferência


garantida pelo Código de Trânsito, mas isso não os torna
superiores aos demais. A conduta do agente de segurança

261
pública tem que ser equilibrada para não assumir uma falsa
condição de poder, principalmente fora das emergências.

Quando em situações-limite, você deve ter claro em sua mente que a referida
preferência poderá não ser atendida por algum condutor, e que, portanto, poderá
haver riscos iminentes, os quais sua perícia e sua atenção poderão minimizar.

Reflita sobre a seguinte situação: em um deslocamento de urgência, ao


solicitar a passagem a um veículo que trafega pela faixa da esquerda, o condutor
deste veículo, a depender das condições de tráfego viário, poderá não ter a
possibilidade de, naquele momento, realizar a transposição de faixa.

Em situações como esta, o mero acionamento do dispositivo sonoro do


veículo de emergência, para que seja liberada a passagem, pode não contribuir para
resolver a situação, posto que aumentará a tensão do condutor que segue à frente,
que pode agir de modo a desencadear um possível acidente.

Mantenhamos a calma sempre. Lembre-se que essas pessoas poderiam ser


um familiar nosso.

Na função de condutor de veículo de emergência, você faz parte de uma


equipe composta por colaboradores e por outros agentes de segurança pública, que
interagem na administração e na organização do trabalho ou durante os
deslocamentos. Essas relações dependerão muito de sua postura e do seu tipo de
interação. Além disso, você faz parte do sistema de trânsito, onde todos têm objetivos
comuns, como deslocar-se de um local para o outro. Essa interação resultará em um
relacionamento que, da mesma forma, dependerá muito da sua atitude para funcionar,
no que se relaciona à segurança; resultará também em uma relação mais harmônica
entre todos os envolvidos, evitando conflitos desnecessários.

262
Figura 108: Pense nisso
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

3.1 Tolerância

A convivência, o respeito e o pluralismo do encontro das culturas no processo


de globalização não abolem conflitos e tensões que ocorrem entre pessoas e grupos.
Nem todas as coisas agradam a todos. Nem todas as filosofias de vida e religiões
conseguem responder aos anseios das pessoas e das comunidades concretas, já que
há sempre diferenças culturais, filosóficas e religiosas que acabam gerando conflitos.
No trânsito, aparecem representantes de várias culturas; podendo, assim, ocorrer
conflitos. É aqui que entra a tolerância.

A tolerância pode ser definida como a capacidade de manter, de


forma positiva, a coexistência difícil e tensa de dois polos, sabendo que
eles podem até se opor, mas que compõem a mesma realidade dinâmica.

263
Para refletir:

Figura 109: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

3.2 Intolerância

A intolerância constitui uma das principais causas de violência em nossos


dias. Assim é no trânsito. Imagine, agora, alguns pensamentos que flutuam e passam
por algumas cabeças que conduzem veículos por aí:

I. “Os causadores dos problemas no trânsito são os motoboys, que ficam


aos zigue-zagues arrancando espelhos.”
II. “Os causadores dos problemas no trânsito são os caminhões, que
andam devagar e que estragam as rodovias.”
III. “Os causadores dos problemas no trânsito são os carros de passeio, que
são guiados por motoristas de final de semana.”
IV. “Os causadores dos problemas no trânsito são os ônibus e os táxis, que
não respeitam ninguém.”
V. “Os causadores dos problemas no trânsito são os pedestres, que
atravessam a rua na frente dos veículos.”

264
E, assim, pode-se continuar com mais acusações, mostrando que buscamos
como culpados de um problema bem complexo apenas os outros, gerando barreiras,
conflitos e intolerância.

Para refletir:

I. • Será que não existe uma parcela própria de responsabilidade sobre


esses problemas?
II. • Será que você consegue ser tolerante e aceitar que o outro também
merece tolerância de sua parte?
III. • Pense e use o bloco de notas: qual foi a última vez que você foi
tolerante com alguém? Quem foi a pessoa com quem você exercitou a
tolerância? Qual foi a situação? A pessoa percebeu a sua atitude?

Sempre que existe um conflito, existem ideias divergentes e pessoas que não
conseguem aceitar a opinião do outro, ou seja, que não são tolerantes. Ao aceitar e
respeitar o espaço do outro, você está exercitando a tolerância, e, além disso, gerando
bons sentimentos, demonstrando uma postura socialmente adequada e respeitável.
Isso gera, a partir do outro, no mínimo, respeito por você; afinal de contas, não se
pode cobrar gentileza e respeito sem primeiro ter demonstrado esses sentimentos.

IMPORTANTE!

Você deve ser um agente de segurança pública que,


realize a tarefa de conduzir um veículo de emergência,
independentemente da atitude irracional de outros usuários
do sistema de trânsito, da forma mais segura possível,
tornando sua atitude um exemplo de conduta ética no
cuidado com o outro e na valorização e preservação da vida.

265
AULA 4 — As Normas de segurança no trânsito e os
agentes de fiscalização de trânsito

Você, agente de segurança pública responsável pela condução de veículos


de emergência, possui, como todos os indivíduos, condicionamentos adquiridos pela
sua história pessoal, e recebe influência da lei que regulamenta sua atividade e se
depara com inúmeras situações que exigirão sua decisão de como agir.

Nesta aula, você irá identificar seu papel de agente de Segurança Pública,
como condutor de veículo de emergência, em relação às normas legais, aos demais
usuários e ao papel dos agentes de Fiscalização de Trânsito, destacando a
importância destes últimos na prevenção de acidentes e na manutenção das
condições mais seguras.

4.1 Respeito aos outros

Quando você era criança, provavelmente ouviu ou foi orientado pelos seus
pais a “respeitar os mais velhos”, não é mesmo? E, hoje, de uma forma ou de outra,
você espera que as outras pessoas o respeitem. Mas, você já parou para pensar que
esse sentimento precisa ser recíproco?

266
Figura 110: Para pensar
Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

Veja, a seguir, alguns itens essenciais sobre respeito.

Boff (2006) ressalta que:

“1. Em relação ao reconhecimento do outro, nenhum fim ou


propósito, nenhuma condição étnica, de gênero, econômica ou
social é superior, em dignidade, ao ser humano.

2. A própria consciência é a voz interior que nos aponta o bem


e nos desaconselha o mal, premiando com louvor o bem feito e
castigando com o remorso o mal praticado. Podemos
desobedecê-la, mas não podemos destruí-la, cada pessoa sabe
o bem e o mal que faz ou deixa de fazer.

3. A Laicidade do Estado é a liberdade de crença religiosa aos


cidadãos. Numa sociedade autenticamente democrática, a
laicidade deve ser sua constituição, tendo como valores
fundamentais a liberdade de consciência e a igualdade jurídica.

267
A laicidade remete à aceitação de todas as religiões. Assim,
aqui, você pode perceber esse princípio como um norte que o
leva a respeitar as diversas crenças e, consequentemente,
respeitar a todas as pessoas, independentemente das
diferenças que tiverem em relação a você.”

Você, com certeza, sabe a importância do respeito, principalmente quando se


sente desrespeitado por qualquer pessoa ou circunstância.

Para refletir

Figura 111: Para refletir


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.
Preste atenção na história a seguir:

Síndrome de Procusto

Na mitologia grega, um gigante chamado Procusto era muito hospitaleiro,


convidava pessoas para passarem a noite em sua cama de ferro. Nessa hospitalidade,
no entanto, havia uma armadilha: ele insistia que os visitantes coubessem com
perfeição em sua cama. Assim, se eram muito baixos, ele os esticava; se eram altos,
cortava suas pernas.

268
Por mais artificial que isso possa parecer, será que você não gasta um bocado
de energia emocional tentando alterar ou “enquadrar” outras pessoas de formas
diversas, embora menos drásticas?

Não espera, com frequência, que os outros vivam segundo os seus padrões
ideais?

A verdade é que grande parte dos atritos que existem nos relacionamentos
acontece quando você tenta impor a sua vontade aos outros, buscando administrá-
los e controlá-los.

É preciso entender que ninguém muda até que esteja disposto a fazê-lo e
pronto para tomar as atitudes necessárias para efetuar a mudança. Por esse motivo,
o resultado de seu “procustianismo” é sempre o mesmo. Você pode auxiliar
estimulando e oportunizando ao outro, mas não impondo; cada um tem seu tempo,
não seguem o seu (SAMPAIO, 2011).

Ao respeitar o outro você está demonstrando um essencial valor: a tolerância.


Além de estimular — por meio do exemplo e sem articular uma só palavra — que o
outro lhe respeite e seja tolerante com você também.

4.2 Respeito às normas estabelecidas para segurança no


trânsito

O Código de Trânsito Brasileiro, em seu artigo 1º, define que: “O trânsito,


em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades
componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das
respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.”
(BRASIL, 1997, n.p.)

269
É neste sentido que você deve refletir sobre seu papel em relação ao
cumprimento das leis e normas de trânsito, pois ninguém está acima da lei e, no seu
caso, como agente de Segurança Pública, você é alvo de observação constante e
deve ser exemplo de postura ética.

Reflita agora sobre a utilização do cinto de segurança:

• Nandi (2011), em seu livro Cinto de Segurança: indispensável à vida,


afirma: “com eficácia já comprovada por inúmeras pesquisas, o cinto de
segurança, quando utilizado, apresenta considerável redução no índice de
mortos e de feridos em acidentes de trânsito. Resta-nos identificar o motivo
pelo qual o cidadão brasileiro apresenta tamanha relutância em habituar-se a
usar esse dispositivo, que tem como único objetivo salvar-lhe a vida;” (NANDI,
2011, n.p.);
• A lei obriga o condutor a utilizá-lo e também o torna responsável por garantir
seu uso por todos os ocupantes do veículo quando estiver trafegando no
trânsito. Assim, espera-se de um agente de segurança pública o exemplo para
os demais;
• Existe uma cultura de que, devido ao risco de enfrentamento com indivíduos
armados, por exemplo, o cinto poderia ser dispensado, pois atrapalharia na
hora do desembarque;
• Analisando novamente as questões referentes ao medo, vejamos: na
condução do veículo em condições de risco extremo, por exemplo, mesmo com
a utilização do cinto de segurança, aparece o medo inato que pode o levar, em
um primeiro momento, a utilizar estratégias de preservação da vida, mas, como
estará usando cinto, a cultura, que o condicionou, será preponderante.

IMPORTANTE!

Lembre-se, a sua atuação como agente de Segurança


Pública condutor de veículo de emergência faz a diferença

270
na segurança e na preservação da vida de muitas pessoas,
você é IMPORTANTE!

4.3 Papel dos Agentes de Fiscalização de Trânsito

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I, o Agente da


Autoridade de Trânsito é a “pessoa, civil ou policial militar, credenciada pela
autoridade de trânsito para o exercício das atividades de fiscalização, operação,
policiamento ostensivo de trânsito ou patrulhamento.”

Igualmente, a Resolução do CONTRAN n. 371, de 10 de dezembro de 2010,


(Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito) também vai colocar algumas
condições para o trabalho de fiscalização dos agentes de trânsito:

O agente da autoridade de trânsito competente para lavrar


o auto de infração de trânsito (AIT) poderá ser servidor civil,
estatutário ou celetista ou, ainda, policial militar designado pela
autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via no âmbito
de sua competência.
Para que possa exercer suas atribuições como agente da
autoridade de trânsito, o servidor ou policial militar deverá ser
credenciado, estar devidamente uniformizado, conforme padrão
da instituição, e no regular exercício de suas funções.
O veículo utilizado na fiscalização de trânsito deverá estar
caracterizado.
O agente de trânsito, ao constatar o cometimento da
infração, lavrará o respectivo auto e aplicará as medidas
administrativas cabíveis.
É vedada a lavratura do AIT por solicitação de terceiros,
excetuando-se o caso em que o órgão ou entidade de trânsito

271
realize operação (comando) de fiscalização de normas de
circulação e conduta, em que um agente de trânsito constate a
infração e informe ao agente que esteja na abordagem; neste
caso, o agente que constatou a infração deverá convalidar a
autuação no próprio auto de infração ou na planilha da operação
(comando), a qual deverá ser arquivada para controle e consulta.
O AIT traduz um ato vinculado na forma da Lei, não
havendo discricionariedade com relação a sua lavratura,
conforme dispõe o artigo 280 do CTB.
O agente de trânsito deve priorizar suas ações no sentido
de coibir a prática das infrações de trânsito, devendo tratar a
todos com urbanidade e respeito, sem, contudo, omitir-se das
providências que a lei lhe determina (BRASIL, 2010, n.p.).

Infração de trânsito

Constitui infração a inobservância a qualquer preceito da legislação de


trânsito; às normas emanadas do Código de Trânsito e do Conselho Nacional de
Trânsito; e à regulamentação estabelecida pelo órgão ou entidade de trânsito
competente.

A tarefa de fiscalizar, que, em alguns casos, resulta em notificação e em


posterior multa, é a função mais lembrada pela maioria dos condutores, eles a
interpretam apenas como uma punição, criando a imagem do fiscalizador carrasco.
Mas a função da multa é, na verdade, preventiva e pedagógica, pois serve para
condicionar o usuário ao cumprimento das normas, garantindo, assim, a segurança
do trânsito, e, em última instância, prevenindo conflitos, tumultos e acidentes.

IMPORTANTE!

O papel de educador do agente de trânsito também se


dá por meio da orientação e do auxílio aos usuários que

272
transitam diariamente pelas vias. Sua atuação organiza esse
espaço complexo que é o trânsito e socorre vítimas e auxilia
usuários em casos de acidentes. Ele atua, ainda, na
sinalização em locais de ocorrências ou de eventos, lugares
que necessitam de seu precioso trabalho. Infelizmente, é
mais lembrado somente como um fiscalizador, mas é, na
verdade, um promotor de segurança.

AULA 5 — Atendimento aos usuários

Introdução

Caro profissional de segurança pública, para finalizar este módulo, referente às


relações interpessoais, vamos tratar agora sobre alguns princípios básicos para o
atendimento dos usuários dos nossos serviços.

Nossa profissão, via de regra, tem que lidar com pessoas provenientes das
mais diversas classes sociais, desde pessoas em situação de rua, que não têm o que
comer, até empresários riquíssimos.

5.1 Características dos usuários de veículos de


emergência

Podemos pensar que, didaticamente falando, nossa profissão atenderá os


seguintes grupos de pessoas:

273
a) Cidadãos “comuns”:

Apesar de nossa profissão trabalhar diuturnamente com situações-limite,


inclusive com criminosos e malfeitores, na maioria das vezes lidaremos com pessoas
comuns e ordeiras, em alguma situação de ordem cotidiana. Por exemplo, em
momentos de pedidos de informação, ou quando o órgão está realizando alguma
fiscalização administrativa, como, por exemplo, a de um estacionamento em local
proibido (trânsito).
Nesses casos, devemos ter o tratamento mais respeitoso e cortês possível. Via
de regra, quando bem tratados, os cidadãos comuns acabam por responder de forma
educada, guardando uma boa e duradoura impressão da instituição.

b) Vítimas de acidentes e enfermos:

Apesar de esse tipo de atendimento ser mais comum em caso de instituições


que atuam em atividades de socorro e de salvamento (como o Corpo de Bombeiros e
a Polícia Rodoviária Federal), eventualmente, os membros de outras organizações
precisam lidar com acidentados e com doentes.
Aqui, a primeira coisa que temos que pensar é que essas pessoas estão
passando por uma situação-limite de forte impacto emocional. O nosso tratamento
para com elas deve ser firme e profissional, demonstrando interesse genuíno em
ajudá-las.

c) Vítimas de Crimes Violentos:

Muitas vezes, a vítima de crime procura o apoio da polícia ou de outra


instituição de segurança pública logo após o ocorrido. Via de regra, a vítima está
nervosa e sob forte impacto emocional, principalmente se tiver sido vítima de algum
tipo de violência. Procure demonstrar empatia e profissionalismo, transmitindo
acolhimento e segurança.

d) Criminosos:

274
Em muitas situações, a equipe policial vai se deparar com criminosos que estão
em flagrante delito, em crimes como roubo e tráfico de drogas. Aqui, todos os
procedimentos de segurança policial devem ser obedecidos, de modo a resguardar a
integridade física da equipe policial e, também, da sociedade.

Lidar com situações de emergência exige, sobretudo, uma ótima capacidade


de lidar com mudanças, pois, nas situações-limite, o desafio é a superação da
impotência e do desamparo, que, quase sempre, estão presentes nas vítimas e nas
pessoas envolvidas.

Todo o trabalho com urgências e emergências exige uma grande quantidade


de teorias e de habilidades. É um saber entre a “cruz e a espada”, com infinitas
implicações, exatamente por ser um assunto localizado no limite entre a vida e a
morte. A vulnerabilidade humana, diante da natureza e das próprias ações humanas,
coloca esse tema no centro das contradições do mundo contemporâneo.

Em muitas instituições, o desejo de aprimorar a qualidade do atendimento se


resume a muitas horas de “treinamento de sorriso”, em que o segredo para satisfazer
as necessidades dos usuários se resume a um cumprimento caloroso e a uma
expressão alegre no rosto. Cortesia, boas maneiras e educação, obviamente, são
essenciais, mas, principalmente nesses casos, não são substitutos para a
competência e a capacidade.

5.2 Expectativas dos usuários

O usuário espera que você conheça as peculiaridades da sua função e que


atue de acordo com o previsto, proporcionando-lhe confiança e segurança. Acredita
que você sabe como funciona toda a rotina de emergência e que está apto a realizá-
la da melhor forma. Além disso, ele tem a expectativa de que você o ouça, de que
preste atenção nele, de que entenda que ele está sob forte estresse, e de que faça
algo para satisfazer as necessidades dele. Espera também que você esteja atento,

275
que entenda corretamente o que ele está lhe perguntando, e que responda da forma
mais simples e clara possível.

Na expectativa do usuário, você é capaz de reconhecer as necessidades dele,


atendendo-as sempre de forma segura e tranquila, sendo ágil nas suas ações e, ainda,
esclarecendo todas as suas dúvidas sobre os procedimentos.

IMPORTANTE!

Para atender a todas as expectativas dos usuários, é


imprescindível que você esteja preparado e equilibrado
suficientemente para conseguir se colocar no lugar do
outro. Utilizando a empatia, será mais fácil exercitar a
tolerância, compreendendo seu nervosismo, não deixando
se influenciar e mantendo mais uma vez o foco do seu
trabalho: atender o usuário e conduzi-lo da forma mais
segura e rápida possível.

5.3 Atendimento às diferenças e especificidades dos


usuários (pessoas com necessidades especiais, pessoas
de determinadas faixas etárias/de outras condições)

Muitas vezes, o usuário está com acompanhantes: familiares ou amigos, que


estão, naquele momento, naturalmente alterados, visto o estado físico e emocional.
Mas é necessário, mais uma vez, manter-se em equilíbrio, seguindo os procedimentos
e as normas de segurança, a fim de que o objetivo seja atingido. Nos casos de
acompanhantes, também é necessário manter a atenção e solicitar que eles sigam

276
também as normas de segurança previstas para a ocasião, evitando transtornos
desnecessários.

É essencial que o condutor esteja preparado para atender a todos os tipos de


usuários, como crianças, adultos, idosos e pessoas com necessidades especiais,
mantendo o cuidado para respeitar suas limitações e, quando for necessário, solicitar
o auxílio de algum acompanhante que possa dar o suporte na comunicação e na
assistência desse indivíduo.

Veja, a seguir, alguns exemplos:

Figura 112: Tipos de usuários


Fonte: do conteudista; SCD/EaD/Segen.

IMPORTANTE!

Uma situação inesperada significa um momento de dor


e de sofrimento, mas também pode representar uma
oportunidade de crescimento, contribuindo para a formação
de novas posturas em relação à vida.

277
5.4 Trauma

Outro elemento muito presente nas emergências é o trauma.

A palavra trauma provém do grego e quer dizer ferida. Cabe lembrar


que, de um modo geral, na área da saúde, a palavra "traumatismo'' é usada
para referir-se ao aspecto físico e a palavra ''trauma”, ao aspecto
psicológico.

Eventos adversos, denominados, na defesa civil, como incidentes críticos,


revés, situações-limite, acidentes, extremo estressor traumático, desastre, são
expressões utilizadas referentes aos acontecimentos considerados traumáticos que,
inevitavelmente, ocorrem na vida.

O trauma é uma experiência que atinge a capacidade de suportar um revés,


traz a perda de sentido, desorganização corporal e paralisação da consciência
temporal. Além disso, pode deixar marcas que influenciam a criatividade e a
motivação para a vida, pois produz bloqueios que se estendem por toda a sua
existência. De fato, trata-se de um acontecimento muito difícil na vida da pessoa.

Se você passou por situações-limite, pode ter sofrido um trauma que, às vezes,
não percebe, mas que interfere em sua conduta atual, assim é importante para você,
um agente de segurança pública, procurar uma condição saudável física e emocional,
para poder atuar de forma efetiva na preservação do bem maior — a vida —, que,
afinal, é sua maior missão.

Leonardo Boff (2006) destaca que a compaixão possui dois momentos:

I. O despojamento, em que ocorre o esquecimento de si mesmo e dos


próprios interesses para concentrar-se totalmente no outro, vendo o
outro realmente como outro e não como prolongamento de si ou do
círculo do eu; e

278
II. O cuidado que se expressa pela saída de si em direção ao outro e se
traduz em solidariedade, em serviço e em hospitalidade para com o
outro.

Assim, a compaixão é capaz de superar preconceitos, interesses e medos.

E lembre-se que quando alguém estiver envolvido em uma situação-limite,


como, por exemplo, ferido em um acidente de trânsito, ou acompanhando alguém que
está em risco, a sua atuação poderá, além de salvar essa vítima dos males físicos,
também, amenizar o trauma que a acompanhará após o fato.

Você faz a diferença na forma como essa situação ficará marcada


interferindo na vida do outro.

Para refletir:

Assista o vídeo:
Acesse o link e assista ao vídeo “Pateta no trânsito”. Disponível
em: https://www.youtube.com/watch?v=_Tlk6e61E6w e reflita
sobre as seguintes questões:

Quais as possíveis causas e consequências do comportamento desse


motorista? Você se identifica com ele em algum momento? Como é possível
prevenir esse comportamento?

5.5 Cuidados especiais e atenção que devem ser


dispensados aos passageiros e aos outros atores do
trânsito, na condução de veículos de emergência

279
Em relação aos passageiros:

• Tratamento cortês e profissional;


• Saiba escutar o outro em seu momento de necessidade; e
• Solicite que ele use o cinto de segurança, sempre que possível.

Em relação aos demais atores do trânsito:

• Sempre dê preferência ao pedestre;


• Afaste-se um metro e meio ao ultrapassar ou passar por um ciclista;
• Mantenha uma velocidade em que você possa imobilizar seu veículo em caso
de algum imprevisto;
• Mantenha a distância de segurança dos outros veículos, quando estiver
transitando; e
• Muita atenção ao passar pelos cruzamentos.

Finalizando
Neste módulo, você estudou que:

 O trânsito é um espaço em que ocorrem diversas formas de relações


interpessoais e de convívio social. A sua atitude errada pode aumentar os
riscos e ser um mau exemplo, prejudicando, assim, a sua imagem e a de sua
instituição. De outra forma, a sua atitude pode prover a segurança e ser um
bom exemplo, estando de acordo com a regulamentação e com a filosofia
institucional de conduta para os Servidores Públicos;

 O medo é um elemento determinante para a agressividade, assim como a raiva.


Por meio desse conhecimento, a primeira barreira já foi transposta, cabe a você
controlar e dissipar a agressividade que o leva ao conflito e à dificuldade para
as relações interpessoais saudáveis;

280
 A convivência, o respeito e a tolerância são atributos necessários para uma
relação interpessoal saudável, servindo aos usuários e suprindo suas
necessidades, e respeitando suas características próprias;

 Seu comportamento positivo irá humanizar o trânsito, que, ainda em nossos


dias, tem como elemento principal o veículo, possibilitando, assim, um novo
paradigma focado no cidadão;

 Nas situações de emergência, de onde se originam muitos traumas, sua ação


pode minimizar o sofrimento das vítimas, no momento e após as situações-
limites; e

 Você tem como missão precípua servir e preservar o bem maior, a vida. No
desempenho de sua profissão, deve evitar colocar a si próprio em risco, assim
como sua equipe e as demais pessoas, mantendo sempre suas decisões
voltadas à relação interpessoal equilibrada e buscando a segurança e a paz no
trânsito. Desempenhando verdadeiramente o seu papel de SERVIDOR!

281
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Contran nº 425, de 27 de novembro de 2012. Dispõe sobre o exame de aptidão
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https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=247963#:~:text=Disp%C3%B5e%20sobr
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Contran nº 474, de 11 de fevereiro de 2014. Altera o Anexo XV da Resolução n. 425
de 27 de novembro de 2012, do Contran, que dispõe sobre o exame de aptidão física
e mental, a avaliação psicológica e o credenciamento das entidades públicas e
privadas [...]. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 11 fev. 2014. Disponível em:
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=265522#:~:text=Altera%20o%20Anexo%

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20XV%20da,do%20C%C3%B3digo%20de%20Tr%C3%A2nsito%20Brasileiro.
Acesso em: 11 mai. 2021.

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Contran nº 268, de 15 de fevereiro de 2008. Dispõe sobre o uso de luzes
intermitentes ou rotativas em veículos [...]. In: Diário Oficial da União, Brasília, DF:
Ministério da Infraestrutura, 25 fev. 2008. Disponível em:
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BRASIL. Conselho Nacional de Trânsito/Ministério das Cidades. Resolução do


Contran nº 371, de 10 de dezembro de 2010. Aprova o Manual Brasileiro de
Fiscalização de Trânsito, Volume I - Infrações de competência municipal, incluindo as
concorrentes dos órgãos e entidades estaduais de trânsito, e rodoviários. In: Diário
Oficial da União, Brasília, DF: Ministério da Infraestrutura, 22 dez. 2010. Disponível
em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=112970. Acesso em: 11 mai. 2021.

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Resolução nº 18, de 6 de maio de 1986. Dispõe sobre a criação do Programa de
Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE. Brasília, DF:
Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2002.

BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Ministério do Meio Ambiente.


Resolução nº 418, de 25 de novembro de 2009. Dispõe sobre critérios para a
elaboração de Planos de Controle de Poluição Veicular - PCPV e para a implantação
de Programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso [...] Brasília, DF:
Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2012.

286
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Ministério do Meio Ambiente.
Resolução nº 451, de 3 de maio de 2012. Altera os limites de emissão da tabela 3
do Anexo I da Resolução nº 418, de 25 de novembro de 2009, que dispõe sobre
critérios para a elaboração de Planos de Controle de Poluição Veicular-PCPV [...].
Brasília, DF: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 2012.

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Resolução nº 490, de 16 de novembro de 2018. Estabelece a Fase PROCONVE P8
de exigências do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores
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setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), para modificar a composição do
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289
outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível em:
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BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Recurso Crime 71001406065.


Apelação crime. Falta de habilitação para dirigir. Art. 309 do CTB. Delito de trânsito.
Perigo de dano. Sentença condenatória mantida. Conduta caracterizada como ilícito
penal, quando o condutor invadiu a pista contrária em manobra de conversão à
esquerda e, com esta, atravessou-se à frente do outro veículo, concretizando o perigo
com a colisão. Negado provimento à apelação. Unânime. Relator: Nara Leonor Castro
Garcia, Julgado em 17/09/2007. Disponível em: https://tj-
rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/8034686/recurso-crime-rc-71001406065-rs. Acesso
em: 13 mai. 2021.

BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Recurso Crime 71001553239.


Apelação crime. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança. Art. 311 do
CTB. Delito de trânsito. Perigo de dano. Reincidência. Condenação. 1. Comprovadas

290
a existência e a autoria do delito, e a direção com velocidade incompatível à
segurança, mediante manobras perigosas com o veículo, em via pública, onde havia
circulação de pessoas, gerando perigo de dano. 2. Circunstâncias judiciais
adequadamente analisadas e suficientes para embasar a pena base fixada além do
mínimo legal, mas em quantidade menor que a fixada na origem. 3. Reincidência
aplicada em face da comprovação de anterior condenação. Provido em parte à
apelação. Unânime. Relatora: Nara Leonor Castro Garcia, julgado em 11/02/2008.
Disponível em: https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/8050719/recurso-crime-rc-
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CHAVE de Rauteck. [S. l.], 2018. 1 vídeo (1 min). In: Diretoria de Ensino CBMSC.
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