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Didática nos

Anos Iniciais
1. Didática: Concepções e Contextos Históricos 4
A história da didática no Brasil 5
Análise das pesquisas sobre
a trajetória e a finalidade da didática 8

2. A Escola, o Planejamento e o Ensino. 17


Etapas do Planejamento Escolar 20
Plano de Escola 21
Plano de Ensino 22
O Plano de Aula 23
O Planejamento na Educação Infantil 24
A Gestão Democrática e suas implicações
na Educação Infantil 29

3. As Categorias da Didática Segundo ds PCN’s 34

4. Referências Bibliográficas 40

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

1. Didática: Concepções e Contextos Históricos

A história da Didática no Brasil


revela que sua trajetória procu-
rou atender às necessidades educa-
importante da Pedagogia e trata de
uma disciplina fundamental na
formação de professores. Libâneo
cionais de cada época e contexto (1994, p. 25) a denomina como
social. Inicialmente fundamentada "teoria de ensino" porque a Didática
de maneira prescritiva e instrumen- investiga os fundamentos e as
tal trazendo teorias que mantives- condições adequadas para essa
sem esse status e, posteriormente, atividade.
com uma visão mais individualista Após muitos anos de domínio
que pudesse organizar e manter o no campo educacional e em
saber sistematizado. decorrência das mudanças sociais e
O termo Didática foi instituído econômicas em evidência, houve
pelo teórico João Amós Comênius, necessidade de romper a Didática
na obra Didática Magna e significa a com seu caráter prescritivo, instru-
"A Arte de Ensinar". O termo foi se mental e tentar sua remodelação
modificando ao longo dos tempos e, para que houvesse uma evolução
atualmente, refere-se a uma área junto às mudanças ocorridas.

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

Nesse contexto prevaleceu a Diante dessa necessidade de


ideia de criticar o que até então era adequação entre o antigo e atual, é
aceito como certo e inviolável, e, nos que este estudo teve como objetivo
últimos dois decênios do século XX, analisar a trajetória e a finalidade da
vários movimentos mobilizaram a Didática priorizando a necessidade
sociedade na busca de soluções para de uma revisão crítica, a fim de
seus conflitos econômicos, sociais e, buscar sua melhoria e excelência
também, educacionais. Desses mo- necessárias para sustentar a atual
vimentos resultaram produções formação docente no ensino
científicas, debates e discussões em superior.
torno da Didática. O estudo utilizou como mé-
todo a pesquisa bibliográfica junto
às obras publicadas sobre o tema.

A história da didática no
Brasil

Nos penúltimos decênios do


século XX ocorreu um marco histó-
rico para a Pedagogia no Brasil,
Nos primeiros anos do século quando teóricos engajados na dis-
XXI houve um momento de ruptura, cussão sobre o rumo da Educação e
avanço, revisão de valores e busca de da Didática trataram da proble-
sustentabilidade para manter a matização do esvaziamento teórico-
qualidade de vida da produção em político da Didática nos cursos de
prol da sobrevivência humana. formação de professores e da
Nesse sentindo, o conhecimento superação da Didática instrumental
tornou-se o elo entre os meios de rumo à construção de uma Didática
produção, as culturas e as fundamental de acordo com Candau
necessidades econômicas, exigindo (1997).
dos indivíduos uma formação de A autora ora citada tratou em
nível superior que atendesse a essas outra obra sobre o rumo da nova
necessidades, mas que também Didática e afirmou:
soubesse utilizar o conhecimento de
maneira adequada e criasse sinergia “A Didática passa por um
momento de revisão crítica.
entre o velho e o novo, entre o que
Tem-se a consciência da neces-
existia e o que precisava de avanço. sidade de superar uma visão

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

meramente instrumental e verifica-se uma constante evolução


pretensamente neutra do seu
conforme demonstra Damis (1988):
cotidiano. Trata-se de um mo-
mento de perplexidade, de
denúncia e anúncio, de busca “Desde os jesuítas, passando
de caminhos que têm de ser por Comênio, Rosseau, Her-
construídos através do trabalho bart, Dewey, Snyders, Paulo
conjunto dos profissionais da Freire, Saviani, dentre outros, a
área com professores de 1º e 2º educação escolar percorreu um
graus. E pensando a prática longo caminho do ponto de
pedagógica concreta, articulada vista de sua teoria e sua prática.
com a perspectiva de trans- Vivenciada através de uma
formação social, que emergirá prática social específica - a
uma nova configuração para a pedagógica -, esta educação
Didática (CANDAU, 2002, p. organizou o processo de
14).” ensinar-aprender através da
relação professor aluno e
sistematizou um conteúdo e
Em decorrência dessa traje-
uma forma de ensinar
tória histórica da Didática no Brasil (transmitir-assimilar) o saber
e da tentativa dos teóricos em erudito produzido pela huma-
nidade. Este conteúdo e esta
discutir sobre o seu caráter funda-
forma geraram diferentes teo-
mental em detrimento do caráter rias e diferentes práticas
instrumental, torna-se relevante pedagógicas que, ao enfatiza-
rem ora quem ensina, ora quem
afirmar que sua identidade primária aprende, ora os meios e os
se constituiu como instrumental recursos utilizados, sintetiza-
conforme afirma Soares (1986, apud ram diferentes momentos da
produção da sobrevivência
DAMIS, 1988): humana (DAMIS, 1988, p. 13).

“Se pensar na história da Para Damis, (1988) a produz-


Didática, concluir-se-á que
negar o seu conteúdo instru- ção que possibilita a sobrevivência
mental, normativo e pretensa- humana se concretiza por meio da
mente neutro e, de certa forma relação social determinada pelas
negar a própria disciplina, de
prescrição. [...] outra coisa não instituições sociais. Essas institu-
tem sido senão um conjunto de ições, tais como a escola, a igreja, a
normas, recursos e procedi-
família, dentre outras, possuem
mentos que devem (deveriam?)
informar e orientar a atuação funções específicas que contribuem
dos professores (SOARES, para o estabelecimento, desen-
1986, apud DAMIS, 1988, p.
volvimento e sustentação de uma
28).”
sociedade.
Quando se observar o contexto A educação é, portanto, uma
histórico da Educação e da Didática instituição que tem contribuído para

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os processos formadores da sociais para uma mudança funda-


sociedade "desde o início da história mental na história da existência
da humanidade, os indivíduos e humana: o advento do capitalismo”
grupos travavam relações recíprocas (DAMIS, 1988, p. 14).
diante da necessidade de trabalha- A partir desse advento a
rem conjuntamente para garantir escola, que antes era privilégio e
sua sobrevivência" (LIBÂNEO, necessidade de determinada classe
1994, p.21). social, passou a ser institucio-
Ocorre que a escola, nalizada como um direito de todos.
institucionalizada para atender uma Foi a partir do capitalismo, em que
necessidade de se organizar e trans- transformações da produção da
mitir o saber que a humanidade sobrevivência da população ocor-
sistematizou ao longo de sua reram de forma mais intensa, é que
existência, ficou temporariamente a democratização do ensino se
impossibilitada de ampliar esse tornou uma bandeira levantada
direito pelo fato de que na sociedade como responsabilidade do Estado de
antiga e medieval “a escola como acordo com Damis (1988) que
instituição pública de responsa- afirma:
bilidade do Estado praticamente
não existiu” (DAMIS, 1988, p. 14). “É agora defendida a
escolarização para todos, pois a
Nesse sentido, a Educação
burguesia necessitava de de-
como finalidade social era uma senvolver um novo homem que
prática praticamente inexistente e pudesse contribuir para trans-
formar, através do trabalho, as
“o pouco de educação escolar que antigas relações sociais predo-
existia aliado ao incipiente desen- minantes. A educação escolari-
volvimento científico e tecnológico zada deveria agora ser um
direito de todos uma vez que o
do momento, dificultava a comu- triunfo do capitalismo pressu-
nicação, veiculação e expansão de punha, também, o desenvol-
novas ideias e concepções vimento de certo nível inte-
lectual de compreensão de
produzidas” (DAMIS, 1988, p. 14). mundo (DAMIS, 1988, p. 16).”
Diante desse contexto, nessa
função e nessa lentidão até o século De acordo com Damis (1988),
XVI, a educação sistemática tinha a educação sempre esteve a serviço
uma função reprodutivista. No da produção da sobrevivência
Renascimento e a partir do modo de humana. Os contextos foram e são
produção feudal foram desenvol- formados conforme as necessidades
vidas “condições e necessidades de desenvolvimento e das ações

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humanas para essa transformação. junto às políticas públicas educa-


No caso específico da Didática, que é cionais.
uma disciplina pedagógica funda- Esses movimentos foram uma
mentalmente criada para elaborar “tentativa de superar a cultura
um método universal que possibi- tecnicista instalada no meio
litasse ensinar tudo a todos, sua educativo e politizar o pensamento
contribuição não está no fato da pedagógico” (SILVA, 2008, p. 2).
análise dos seus conteúdos técnicos A autora enfatiza, contudo,
e sim na sua relação com a prática que “o referencial marxista se firma
social e a necessidade de cada nas análises no interior da
momento histórico. Pedagogia, tornando como princípio
Essa teoria é reforçada por a relação entre realidade educa-
Libâneo, (1994, p.21) que ressalta as cional e realidade social; de modo a
influências educacionais e didáticas explicar as concepções e práticas
como fatores fundamentais das pedagógicas que foram sendo
desigualdades entre os homens, norteadas pela visão liberal da
sendo o contexto sócio histórico da sociedade” (SILVA, 2008, p. 2-3).
comunidade um traço fundamental Em se tratando dessas duas
no desenvolvimento dos atos coleti- realidades Libâneo (1994) acredita
vos que contribui na politização da que a ênfase no aspecto cultural
prática educativa. esconde a realidade das diferenças
de classes da população, pois, em-
Análise das pesquisas so- bora difundida a ideia de igualdade
bre a trajetória e a finalida- de oportunidades, não se leva em
de da didática conta a desigualdade de condições
sociais existentes no País.
Nos últimos dois decênios do Neste contexto Saviani (2001)
século XX, mais especificamente ao lançar o seu livro “Escola e
após o fim da Ditadura Militar no Democracia” analisou as mais
Brasil, com a abertura política, marcantes tendências pedagógicas
situação econômica desfavorável e tradicionais e novas e fez alguns
resquícios da repressão, surgiram esclarecimentos:
vários movimentos das classes
operárias em busca de melhorias “[...] se as pedagogias
tradicionais e novas podiam
sociais. E nesse cenário os alimentar a expectativa de que
professores sentiram- se também no os métodos por elas propostos
direito de reivindicar participação poderiam ter aceitação
universal, isto se devia ao fato

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

de que dissociavam a educação Silva (2008) afirma que a


da sociedade, concebendo esta
Pedagogia Histórico Crítica é ideal
como harmoniosa, não
contraditória. Já o método que como proposta de ação concreta
preconizo deriva de uma para a escola pública, pois preconiza
concepção que articula
educação e sociedade e parte da
a democratização dos conteúdos
consideração de que a socioculturais, científicos e artís-
sociedade em que vivemos e ticos para as classes populares. A
dividida em classes com
interesses opostos (SAVIANI,
autora acredita que isso influenciou
2001, p. 75-76).” os educadores brasileiros e o meio
acadêmico em geral.
Quando Saviani (2001) argu-
menta sobre essa nova necessidade
da disciplina Didática para a
Educação, o autor demonstra como
o capitalismo e seus modos de
produção constroem a sociedade
com reflexos junto às suas insti-
tuições, dentre as quais, a Educação.
Sobre essa questão o autor afirma:
A autora afirma, também, que
“Trata-se, portanto, de lutar
também no campo pedagógico
desde o marco pedagógico que se
para fazer prevalecer os interes- iniciou na década de 80 do século
ses até agora não dominantes. E XX e a referência marxista na Peda-
esta luta não parte do consenso,
mas do dissenso. O consenso é
gogia Histórico Crítica surgiram
vislumbrado no ponto de pesquisas na década seguinte que
chegada. Para se chegar lá, analisaram esse “movimento de
porém, é necessário, pela prá-
tica social, transformar as rela-
reconstrução da Didática” (SILVA,
ções de produção que impe- 2008, p.3).
dem a construção de uma socie- Dentre essas pesquisas desta-
dade igualitária. A pedagogia
por mim denominada ao longo cadas por Silva (2008) se em-contra
deste texto, na falta de uma a de Marilda da Silva (1995), na
expressão mais adequada, de controvérsia Didática, que analisa o
“pedagogia revolucionária” não
é outra coisa senão aquela movimento A Didática em questão e
pedagogia empenhada decidi- acredita que é necessário dar conti-
damente em colocar a educação nuidade a esse movimento que, na
a serviço da referida transfor-
mação das relações de produz- opinião da autora, se encontra
ção (SAVIANI, 2001, p. 75-76).” quebradiço.

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

Já para Libâneo (1994, p. 40), fundamentos comprometeu o seu


de acordo com o contexto do processo de reconstrução.”
movimento da década de oitenta, os Ao analisar esse movimento
"métodos de uma pedagogia crítico- Oliveira (1998) afirma:
social dos conteúdos não partem,
então, de um saber artificial, “[...] as posições defendem a
ruptura com as propostas
depositado a partir de fora, nem do
prescritivas do movimento
saber espontâneo", mas de uma liberal; o compromisso com o
relação direta com a experiência do ensino voltado para os
interesses das classes
aluno, confrontada com o saber populares; a importância do
trazido de fora, em que o professor não-desconhecimento do papel
valoriza os conhecimentos adqui- que o ensino e a escola vêm
assumindo no sentido de
ridos anteriormente e parte desses favorecer, ao mesmo tempo, a
conhecimentos para novas apren- reprodução e a transformação
dizagens. social.”

Quanto ao conteúdo e com-


cepção do ensino, diversas são as
posições e tendências teóricas dos
especialistas em Educação conforme
afirma Silva (2008):

“Duas grandes posições se


dividem: a primeira com base
na psicologia, trata o ensino na
perspectiva da aprendizagem; a
segunda com base na sóciolo-
Silva (2008, p. 3) acredita que gia, trata o ensino na perspecti-
va da prática social. Nestes
“o movimento, a problematização troncos destacam-se as pesqui-
sobre a natureza técnica da Didática, sas com aporte no construti-
e a necessidade de situá-la histori- vismo, nos estudos etnográficos
sobre o cotidiano escolar,
camente, contextualizando a prática temáticas em torno da avalia-
pedagógica mediadora entre a ção, fatores subjetivos e cultu-
sociedade e a escola”, devem ser rais no processo de formação
docente. Assim sintetiza “(...)
valorizadas. Porém, na opinião da no presente momento de
autora esse movimento “levantou desenvolvimento, uma forte
questões de cunho epistemológico, tendência na disciplina Didá-
tica é de se discutir com os
mas a falta de definição dos futuros professores a prática
docente, buscando instrumen-

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

talizá-los para a construção de amalgama especial matéria e


uma nova prática”. pedagógica que é uma área
exclusiva de professores, sua
própria forma especial de
Da Pedagogia Histórico Crítica
entendimento profissional; Co-
até os dias atuais, a Didática desfra- nhecimento dos alunos e suas
gmentou o seu fundamento, primei- características; Conhecimento
dos contextos educativos, que
ro com a ruptura da sua função vão desde o funcionamento do
prescritiva e instrumental, depois grupo ou classe, gestão e
com a variação entre as didáticas, financiamento distritos escola-
res para o caráter de comuni-
criando várias didáticas e método- dade e culturais, e; Conheci-
logias, principalmente nos cursos de mento dos objetivos, propósitos
Pedagogia e de Magistério. e valores educacionais e da sua
filosofia e histórica (SHUL-
Quanto à didática em sala de MAN, 2005).”
aula, no texto “Conhecimento e ensi-
no: fundamentos da nova reforma”, Para Shulman (2005) entre
Shulman (2005) ressalta alguns essas categorias, o conhecimento
pontos importantes para a prática pedagógico refere-se ao conteúdo
profissional em sala de aula, ao adquirido de interesse particular,
verificar, por meio da observação de pois identifica os órgãos distintos do
alguns professores, que o professor é conhecimento para o ensino. O
um ser único e tem um entendi- conhecimento pedagógico represen-
mento de acordo com sua formação ta a mistura entre a matéria e o
pessoal e profissional. ensino, que leva à compreensão de
Shulman (2005) ressalta que como temas e questões são
alguns conhecimentos devem ser organizadas, que representam e se
essenciais para a prática profissio- adaptam aos diversos interesses e
nal, conforme explana: habilidades dos alunos, quando
expostas ao ensino.
“Conhecimento do conteú- Para o autor ora citado o
do: conhecimentos gerais, em
material didático, especialmen- conhecimento do conteúdo peda-
te tendo em vista os princípios e gógico é a categoria mais susceptível
estratégias de gestão e à distinção entre o entendimento de
organização a classe para além
do âmbito do sujeito. Conhe- um especialista e de um professor.
cimento do currículo, com um Há que se concordar com Schulman
domínio especial de materiais e (2005) quando o autor afirma que o
programas que servem como
ferramentas para o trabalho de professor com base nos conheci-
professores. Conhecimento do
conteúdo pedagógico, que o

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mentos explicitados, precisa conhe- utilizar diferentes recursos didáticos


cer o território de ensino. para o trabalho em sala de aula.
Para Schulman (2005, p. 13) Por sua vez, André (2000) faz
“a literatura especializada educa- uma análise da trajetória de cons-
cional é mais dedicada ao trução do conhecimento utilizando
entendimento dos processos de como base a produção acadêmica do
escolarização, de ensino e aprendi- Grupo de Trabalho - GT, da
zagem.” O autor afirma que esses Associação Nacional de Pós-
estudos demonstram os métodos e graduação e Pesquisa em Educação
conclusões de pesquisa empírica na (ANPED):
área de ensino e aprendizagem e
desenvolvimento humano, como “Seu significado está no foco
de expressar as tendências da
também demonstram os funda-
área, por ser um grupo temático
mentos filosóficos e éticos da é ideal para canalizar a pro-
educação normativa. dução específica de Didática e
por receber pesquisadores de
Schulman (2005), acrescenta: todo país “possibilita acolher
uma grande variedade de
“[...]os aspectos “normativos textos, tendências e autores”
e aspectos teóricos do (ANDRÉ, 2000, p. 487).
conhecimento acadêmico sobre
a educação são talvez, o mais
importante”, e a mais dura- Oliveira (1997) e Pimenta
doura e poderosa influência (2000) (apud ANDRÉ, 2000)
acadêmica sobre professores,
também debruçaram seus estudos
provavelmente, a imagem que
eles enriquecem e a forma do no final do século XX sobre estudos
seja possível por muito tempo; integrativos, do tipo balanços do
as suas visões do que constitui
conhecimento, ou metanálises, a fim
uma boa educação, ou como um
aluno bem-educado, se desdo- de tomarem conhecimento da
bra oferecidas oportunidades e situação atual da pesquisa em
estímulos (SHULMAN, 2005,
p. 13).
Didática.
Andre (2000) afirma que
O autor citado analisa a Candau (2000) e Oliveira (2000)
questão da habilidade do professor fizeram um balanço da produção
em gerir seu conhecimento com o acadêmica dos ENDIPES das duas
desenvolvimento profissional e pes- últimas décadas do século XX e
soal, sua necessidade de saber diag- observaram que esses estudos
nosticar, conhecer o seu ambiente revelaram as temáticas mais
de trabalho, conhecer seus alunos e frequentes, indicaram tendências e
problemáticas da educação, levanta-

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

ram questões a serem debatidas Esse movimento levou os


entre os educadores e sugeriram educadores a organizar eventos aca-
uma agenda de trabalho para os dêmicos e, também, a criação do GT
anos posteriores. da ANPED que resultou numa
Soares (2000 apud ANDRE, grande substancial produção acadê-
2000) também contribuiu com sua mica por meio de debates e pro-
pesquisa ao discutir a configuração postas de ensino (ANDRÉ, 2000).
do campo da Didática em suas No último decênio do século
vinculações e desvinculações com XX houve grandes transformações
outros campos do conhecimento, em quase todos os aspectos do
tais como os currículos e as práticas cenário mundial, conforme se obser-
utilizados nas escolas e, sobretudo, a va:
formação dos professores.
Ainda segundo André (2000) “O processo de globalização,
a transformação do mundo do
Oliveira (1997) e Pimenta (2000)
trabalho, a afirmação da socie-
relatam os resultados de análises dade da informação, a dialogia
integrativas de suas pesquisas na do fim da história e do pensa-
mento único, o desenvolvimen-
área de Didática nas últimas duas to de novas formas de exclusão
décadas do século XX. e desigualdade levam a um es-
André (2000) relembra o texto tado de perplexidade e de falta
de clareza sobre os caminhos e
de Candau (2000) ao afirmar que no as possibilidades de futuro
início dos anos 80 o cenário da (CANDAU, 2000, apud
educação no Brasil era “propício ao ANDRÉ, 2000, p. 488).”
movimento de crítica da Didática e
No que se refere à Educação
ao surgimento de propostas
foi nesse período que ocorreram as
alternativas para seu redimen-
reformas que acompanharam um
sionamento” (ANDRÉ, 2000, p.
esquema similar às demais ativida-
488).
des sociais e econômicas, apoiadas
Segundo ao autor, isso ocorreu
nas políticas neoliberais e resulta-
em virtude de o país passar “por um
ram em questionamentos sobre o
movimento de luta pelo resta-
posicionamento e alternativas des-
belecimento da democracia, e os
sas reformas que não foram simples
educadores se sentiam desafiados a
e claras.
colaborar com a redemocratização
Nesse contexto de mudanças,
da sociedade” (ANDRÉ, 2000, p.
incertezas e convicção em que toda
488).
reflexão pedagógica exige um hori-
zonte utópico, Candau (2000, apud

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

ANDRE, 2000) propôs uma agenda tes da didática. No terceiro


ponto apontado por Oliveira
de trabalho para o ano 2000 e
(2000) revela sua perplexidade
subsequentes que implicaria em: em face de constatação de que,
a menos que fosse o aluno em
“Enfrentar-se como a crítica formação para o magistério, “o
pós-moderna, romper frontei- aluno teria deixado de ser
ras epistemológicas e articular importante na escola.” Isso
saberes; favorecer a multidi- porque ela verificou que
mensionalidade do processo embora os estudos focalizassem
educativo; apostar na diversi- o tema da sala de aula, o sujeito
dade; e revisitar os temas clás- aluno praticamente não estava
sicos da Didática (planeja- presente (ANDRÉ, 2000, p.
mento, disciplina, avaliação, 490).
técnicas didáticas) (CANDAU,
2000, apud ANDRÉ, 2000, p. André (2000) afirma que ao
489).
examinar as produções existentes
observou que há predomínio nas
Diante das preocupações de
discussões em torno da formação do
Candau (2000 apud ANDRÉ, 2000)
professor reflexivo, que há um
e em consequência de suas contem-
consenso em torno da concepção do
plações sobre as pesquisas educaci-
ensino enquanto prática reflexiva.
onais que analisou, Oliveira (2000
Essa constatação fez com que a
apud ANDRE, 2000) trouxe
autora indagasse se as produções
elementos importantes para análise
nas áreas pedagógicas e didáticas
das pesquisas educacionais que
“não estariam se apropriando
mostram os desafios que ainda
acriticamente dessa concepção,
precisam ser superados conforme se
contrariando aquilo que prega, ou
verifica:
seja, a formação de um sujeito
crítico- reflexivo” (ANDRÉ, 2000, p.
“O primeiro ponto diz
respeito aos resultados dos 490).
estudos e pesquisas, que Já no século XXI, e com um
segundo a autora ainda são
cenário altamente tecnológico e
muito evasivos como respostas
às questões concretas da conhecimento amplamente divulga-
prática pedagógica. Outro do a sociedade se encontra com seu
ponto destacado por Oliveira
(2000) é a ênfase na formação
campo educacional sendo revisto
do professor reflexivo e na novamente. O que vem sendo
concepção de ensino como questionado na atualidade é a
reflexão na ação, o que,
segundo ela, tem levado a um
formação dos professores de ensino
certo obscurecimento de outros superior e seu conhecimento sobre a
aspectos igualmente importan- didática e como utilizá-la ou que

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

finalidade tem numa sociedade em vez mais, tende a sustentar-se no


que se prioriza o conhecimento. conhecimento, dado o tipo, o
Nesse novo contexto Aquino e alcance e o ritmo das transfor-
Puentes (2011) apontam alguns mações ocorridas na atualidade,
caminhos que devem ser analisados segundo os autores ora citados.
nas instituições de ensino superior, Segundo Aquino e Puentes
que estão sendo priorizadas, pois (2011), a sociedade atual tem
são corresponsáveis pela formação vislumbrado na ciência o alcance de
dos profissionais na atualidade, e, melhores condições de vida, razão
no caso dos professores, repercutem pelo qual busca no ensino superior e
nos resultados insatisfatórios da na pesquisa o desenvolvimento
educação brasileira. cultural, socioeconômico e ecológi-
camente sustentável da humanida-
“O contexto econômico- de. Analisando o texto e as propostas
social em que se desenvolve a
de Shulman (2005) verifica-se que a
educação superior, no início do
século XX, pode caracterizar-se formação docente se tornou o
da seguinte maneira: vive-se elemento de ligação entre o conheci-
sob forte impacto da globali-
zação, que tem integralizado o
mento e as formas de produzir a
comércio, as relações econô- sobrevivência humana. Para isto
mico-financeiras e a política torna-se necessário que o professor
internacional. Gerou-se a ideia
global, produziu-se a interco-
universitário saiba trabalhar com
municação por meio de seus alunos todos os conhecimentos
satélites e redes eletrônicas, apontados para que esses tenham,
multiplicaram-se os saberes e
aumentou o papel do conheci-
na sua formação, as habilidades de
mento na produção material e conhecer, gerir, administrar e
espiritual da sociedade. Por estimular o novo conhecimento.
outro lado, cresceram também
a expansão descontrolada do
próprio saber e sua desigual
socialização, os desequilíbrios
sociais e econômicos, desata-
ram-se guerras imperialistas,
as forças de esquerda aumen-
taram sua resistência no plane-
ta e o gênero humano passou a
viver cada vez mais ameaçado
por crises diversas (AQUINO;
PUENTES, 2011, p. 11).

A educação superior ganhou


relevância porque a sociedade, cada

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

2. A Escola, o Planejamento e o Ensino.

E m qual intento para se obter


êxito, não há outra saída senão
“Planejar é uma atividade
humana [...] significa decidir
previamente e organizar uma
planejar. “O ato de planejar faz parte ação, antevendo possibilidades,
da história do ser humano”, como acontecimentos, almejando ser
bem-sucedido”.
afirmam Roman e Steyer (2001,
apud MAIA; SCHEIBEL; URBAN,
São várias as definições encon-
2009, p.103). “Planejava o homem
tradas sobre planejamento escolar,
das cavernas, em busca do sustento,
onde cada autor procura expor sua
do abrigo, da proteção. Planejava o
visão sobre esse assunto que é
homem da era virtual, para
fundamental para a organização e o
sobreviver num mundo massificado,
sucesso de uma escola.
repleto de modismos”.
Para Vasconcellos (1995, apud
Ferreira (2009, p.1,2)
MAIA; SCHEIBEL; URBAN, 2009,
concorda com os autores citados
p.103, 104), ao planejar sua ação
acima e afirma que:
educativa, o professor interfere de
algum modo na realidade, pois

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

acredita que esta pode ser mudada, “[...] planejar em educação


implica elaborar, executar e
e busca aquilo que deseja. Além
avaliar. Executar consiste em
disso, entra em contato com a teoria atuar de acordo com o que foi
e a utiliza para compreender sua proposto; avaliar é examinar
constantemente cada uma das
prática pedagógica, pois planejar vai ações das dimensões elaborar e
além de elencar conteúdos e executar.”
atividades: envolve a pesquisa e a
construção própria de argumentos e Ainda em Libâneo (2013,
concepções. E acrescenta: ‘planejar p.246) é possível ver que o planeja-
é antecipar mentalmente uma ação a mento “é um processo de racionali-
ser realizada e agir de acordo com o zação, organização e coordenação da
previsto; é buscar fazer algo incrível, ação docente, articulando a
essencialmente humano: o real a ser atividade escolar e a problemática
comandado pelo ideal’. do contexto social”, sendo que os
Libâneo também nos fala elementos que o compõem –
sobre o planejamento escolar e com- objetivos conteúdos e métodos -
corda com Vasconcellos em que o estão fundamentados em opções
planejamento envolve a pesquisa: político-pedagógicas, tendo como
referência as situações didáticas
“O planejamento escolar é concretas, ou seja, “a problemática
uma tarefa docente que inclui social, econômica, política e cultural
tanto a previsão das atividades que envolve a escola, os professores,
didáticas em termos de sua
organização e coordenação em os alunos, os pais, a comunidade,
face dos objetivos propostos, que interagem no processo de
quanto a sua revisão e ade-
ensino”. E para que os planos sejam
quação no decorrer do processo
de ensino. O planejamento é realmente instrumentos para a ação,
um meio para se programar as devem apresentar as seguintes
ações docentes, mas é também
características: ordem sequencial,
um momento de pesquisa e
reflexão intimamente ligado à objetividade, coerência e flexibi-
avaliação. (LIBÂNEO, 2013, lidade.
p.245).”
Libâneo explica: o plano deve
ter uma ordem sequencial, ou seja, a
Gandin (1994, apud MAIA;
ação docente deve obedecer a uma
SCHEIBEL; URBAN, 2009, p. 104)
sequência lógica para alcançar os
também concorda que cada uma das
objetivos; precisa ter objetividade,
ações educacionais precisa ser
sendo que o plano deve corres-
revisada:
ponder com a realidade; tem que ter

18
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

coerência entre os objetivos gerais e do estado com vista ao alcance de


específicos, entre os conteúdos, objetivos de um plano de governo”.
métodos e avaliação; e, por último, Dessa forma, o planejamento é visto
deve ter flexibilidade, sendo que o como uma prática que “visa à
professor, durante o ano, vai implantação das políticas educacio-
fazendo as alterações necessárias no nais, através de atividades educacio-
seu trabalho. Na medida em que vai nais técnicas, operacionais, pedagó-
acumulando e registrando novas gicas, culturais”.
experiências e conhecimentos, “vai Segundo a autora, o planeja-
criando e recriando sua própria mento em educação acontece em
didática, vai enriquecendo sua prá- dois âmbitos: o do sistema educativo
tica profissional e ganhando mais e o da escola. No sistema educativo,
segurança”. (LIBÂNEO, 2013, “temos como resultante do plane-
p.250). jamento, não só as políticas de
Vasconcellos (2000 apud educação, mas as leis, os pareceres e
MAIA; SCHEIBEL; URBAN, 2009, resoluções, os parâmetros curricula-
p.106), porém, diz que há uma res, os fundos, entre outros”.
diferença entre planejamento e No âmbito da escola,
plano e que “o planejamento, como
processo, é permanente. O plano, “[...] temos desde os
planejamentos decorrentes das
como produto, é provisório”, como é
orientações e exigências legais
possível notar a seguir: até os planejamentos criados a
partir do contexto da institui-
“[...] planejamento é o ção, a saber: Regimento Esco-
processo, contínuo, dinâmico e lar, Projeto Pedagógico e, de-
flexível, de reflexão, tomada de corrente dele, o currículo, os
decisão, colocação em prática e planos de cursos, os planos de
acompanhamento. componentes curriculares, os
Plano é o produto dessa planos de aula. (FERREIRA,
reflexão e tomada de decisão, 2009, p.3).”
que, como tal, pode ser
explicitado em forma de Segundo Ferrari e Guirro
registro, de documento ou
(2006, apud NOVA ESCOLA, 2006)
não.”
o planejamento envolve três fases. A
De acordo com Ferreira primeira fase é fazer um balanço do
(2009, p.2), o planejamento é uma ano que passou, tanto individual
atividade individual e coletiva. Essas quanto em grupo, a fim de saber
atividades sofrem influência das quais metas se realizaram e quais
políticas públicas que “são as ações não. O planejamento deve partir das

19
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

diretrizes e políticas públicas vigen- ser previstas e o calendário é


tes, sendo que nas reuniões de início definido. Definir como se dará o
de ano da equipe escolar os acolhimento dos alunos novos e dos
professores são apresentados uns que já frequentam a escola, além de
aos outros, as atividades começam a como as turmas serão formadas, são
boas iniciativas. Cabe destacar que a Etapas do Planejamento
direção da escola deve envolver toda Escolar
equipe escolar na discussão das
questões gerais do ano letivo, para Todos os educadores devem
que todos participem efetivamente. ter em mente que ao desenvolverem
A segunda fase é eleger os sua metodologia e prática peda-
conteúdos e criar o plano anual dos gógica precisam respeitar o Projeto
professores. Nessa etapa do planeja- Político Pedagógico escolar, uma vez
mento, professores e coordenadores que nele estão contidas informações
se reúnem para discutir o trabalho referentes à prática dos mesmos. O
didático e trocar informações sobre PPP é o documento mais importante
o desempenho dos estudantes no da escola, é ele que dá direção e
ano anterior, dificuldades de apren- sentido ao processo educativo. Nele
dizagem e estratégias que deram estão contidas as necessidades, os
certo, além de escolher os objetivos anseios, os problemas de uma
gerais, os conteúdos, as formas de comunidade escolar, uma vez que
avaliação e metas por disciplina ou contempla a realidade do contexto,
área de atividade. das pessoas que de forma coletiva
A terceira etapa ocorre no construíram essa proposta. Mas,
âmbito da sala de aula. O professor acima de tudo, pode-se encontrar os
organiza o horário semanal, prepara objetivos, os ideais, as metas que se
as atividades e faz um levantamento deseja alcançar e os caminhos para
dos recursos materiais necessários que isso se concretize. Por ser uma
para as aulas. Isso porque de nada proposta, está em constante refor-
adianta planejar as atividades se a mulação. É um documento que
escola não disponibiliza os materiais precisa ser analisado e conhecido
necessários e se o espaço não é por todos, e não deve ficar esquecido
adequado. em uma gaveta, conforme afirma
Na sequência, farei uma Lück (2008, apud LÜCK, 2009,
abordagem sobre cada etapa do p.33):
planejamento escolar.
“Planos nas gavetas e que

20
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

não são cotidianamente consul- na orientação do seu trabalho, por


tados para a orientação das
isso, eles precisam sempre tê-lo em
ações a serem realizadas e para
o monitoramento e avaliação mãos. Deve ser elaborado coleti-
das já realizadas, têm valor vamente e deve ser consensual entre
meramente formal.”
o corpo docente, expressando um
objetivo comum. Dele fazem parte o
Para tanto, para que os
Projeto Político Pedagógico e o
professores realizem suas práxis
Regimento Escolar.
pedagógica de forma efetiva, é
Assim, também pensa Vascon-
necessário que desenvolvam o seu
cellos:
planejamento de forma organizada e
“O planejamento da escola
sistêmica, baseando-se em todos os trata-se do que chamamos de
documentos legais existentes. Para projeto político- pedagógico ou
projeto educativo, sendo esse
facilitar o trabalho do professor, o
plano integral da instituição, o
planejamento costuma ser mesmo é composto de marco
elaborado por etapas, que envolvem referencial, diagnóstico e pro-
gramação. Este nível envolve
tanto o individual quanto o coletivo,
tanto a dimensão pedagógica
conforme é possível observar em quanto a comunitária e admi-
seguida. nistrativa da escola. (VASCON-
CELLOS, 2000, p.95).”

Plano de Escola
Maia, Scheibel e Urban defi-
nem o que é o Projeto Político Peda-
Conforme Libâneo (2013,
gógico:
p.255) “O Plano de Escola é o plano
pedagógico e administrativo da
“O Projeto Político
unidade escolar”. Nele é possível Pedagógico (PPP) é a diretriz
encontrar a concepção pedagógica das ações educativas na escola,
dos docentes, os princípios teórico- expressando as concepções de
homem, sociedade, educação,
metodológicos da organização conhecimento, escola, dentre
didática, a caracterização da clien- outras que justificam e funda-
mentam as práticas da
tela escolar, os objetivos gerais da
instituição. (MAIA; SCHEI-
escola, a estrutura curricular, orga- BEL; URBAN, 2009, p.109).”
nizacional e administrativa, o
sistema de avaliação e o contexto da Esse documento necessita ser
escola em suas diferentes dimen- construído de forma participativa
sões: social, econômica, política e entre escola, família e comunidade,
cultural. O plano de escola serve atendendo às crianças em seus
como um guia para os professores desejos e necessidades, organizando

21
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

experiências enriquecedoras e signi- disciplina e os objetivos prioritários,


ficativas, e desenvolvendo, por fim, e por fim, as formas metodológicas
a criança em todos os aspectos: para atingir os objetivos, que é a
social, afetivo, motor e cognitivo. assimilação dos conhecimentos e a
Sobre o regimento escolar, as aprendizagem.
autoras afirmam: “É o instrumento Vasconcellos (2000), ao se
formal e legal que regula a organi- referir ao plano de ensino, define-o
zação e o funcionamento da institui- como planejamento curricular e diz
ção quanto aos aspectos pedagógi- que o mesmo significa:
cos, com base na legislação do
ensino em vigor”. (MAIA; SCHEI- “A proposta geral das
experiências de aprendizagem
BEL; URBAN, p.127).
que serão oferecidas pelas
Escolas incorporados nos
Plano de Ensino diversos componentes curricu-
lares, sendo que a proposta
curricular pode ter como
De acordo com Libâneo referência os seguintes elemen-
(2013), o Plano de Ensino, também tos fundamentos da disciplina,
denominado plano de curso ou área de estudo, desafios
pedagógicos, encaminhamento,
plano de unidades didáticas, é um proposta de conteúdos, proces-
roteiro que apresenta a justificativa sos de avaliação. (VASCONCE-
LLOS, 2000, p.95).”
da disciplina, os conteúdos divididos
por unidades, as metas ou objetivos
Segundo Lück (2009, p.39) o
e estratégias metodológicas de um
Plano de Ensino “organiza o
ano ou semestre.
conjunto das experiências de sala de
aula e extraclasse a serem promo-
vidas sob a orientação do professor,
em um ano letivo”. Mesmo que seja
o professor o responsável pela
implementação dessa proposta, na
sua elaboração deve ter a parti-
cipação do diretor, da coordenação e
No tópico, justificativa da
supervisão. No plano de ensino e no
disciplina, citado por Libâneo
plano de aula “o objetivo deve
(2013), está a importância e o papel
sempre propor uma aprendizagem
da matéria de ensino para o conheci-
por parte do aluno, em vista do que
mento dos alunos. Na sequência,
ele será o sujeito do processo mental
surgem os conteúdos básicos da
proposto” (LÜCK, 2009, p.42).

22
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

O Plano de Aula sempre sofrendo modificações para


se adequar à realidade. Nem sempre
Na visão de Vasconcellos as coisas acontecem conforme o
(2000, p.96) o projeto de ensino professor planeja, e nesse momento
aprendizagem “é o planejamento é preciso refletir sobre a sua prática,
mais próximo da prática do revisar e replanejar o seu trabalho,
professor e da sala de aula, diz devido aos imprevistos que surgem
respeito mais restritamente ao no decorrer das aulas.
aspecto didático. Pode ser O plano de aula é, enfim, o
subdividido em projeto de curso e instrumento pedagógico de trabalho
plano de aula”. diário do professor, sendo, portanto,
Segundo Libâneo (2013, indispensável no processo de ensino
p.267) “o plano de aula é um aprendizagem.
detalhamento do plano de ensino”. De acordo com Ferrari (2005,
É a previsão de conteúdo a ser apud NOVA ESCOLA, 2005, pp.28-
desenvolvido em uma aula ou um 29), o primeiro item que deve cons-
conjunto de aulas. O autor define o tar no plano de aula é o assunto a ser
termo aula e destaca a sua impor- abordado. Em seguida, “os objetivos
tância: da atividade e que conteúdos serão
desenvolvidos para alcançá-los”. E
“[...] é a forma predominante por fim, as intervenções do profes-
de organização do processo de
ensino. Na aula se criam, se sor, os materiais que serão utilizados
desenvolvem e se transformam e o tempo previsto para cada
as condições necessárias para atividade. Para o autor, “uma
que os alunos assimilem
conhecimentos, habilidades, previsão bem-feita do que será
atitudes e convicções, e assim, realizado em classe melhora muito o
desenvolvem suas capacidades aprendizado dos alunos e aprimora
cognoscitivas. (LIBÂNEO,
2013, p.195).” a sua prática pedagógica”.
Lück (2009) concorda com
Para o mesmo, o plano de aula Ferrari e afirma que: “Sem um bom
deve resultar num documento escri- e criativo plano de aula, dificilmente
to, para orientar as ações do haverá uma boa aula, bom aprovei-
professor e ajudá-lo a avaliar sua tamento do tempo e aprendizagens
prática aprimorando-a a cada ano. O significativas para todos os alunos”.
plano é um guia de orientação da (LÜCK, 2009, p.40).
prática, que está sujeito a mudanças, Na opinião de Schimidt
pois o processo de ensino está (2005), planejar requer: pesquisa,

23
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

criatividade na elaboração da aula, (2010, p.11) reúnem princípios,


estabelecer prioridades, estar aberto fundamentos e procedimentos que
a realidade dos alunos e suas orientam as políticas públicas e a
diferenças, e flexibilidade para re- “elaboração, planejamento, execu-
planejar. Ao planejar, o professor ção e avaliação de propostas pedagó-
deve definir: o que ensinar, como gicas e curriculares de Educação
ensinar, quando ensinar, o que, Infantil”. Nas Diretrizes é possível
quando e como avaliar. encontrar uma definição sobre a
Em todas as etapas do Educação Infantil:
planejamento, a instituição de ensi-
no baseia-se em documentos oficiais “Primeira etapa da educação
básica, oferecida em creches e
como os PCNS (Parâmetros Curricu-
pré-escolas, às quais se carac-
lares Nacionais), criados para terizam como espaços instituci-
orientar as práticas escolares. onais não domésticos que cons-
tituem estabelecimentos educa-
cionais públicos ou privados
O Planejamento na Educação que educam e cuidam de
Infantil crianças de 0 a 5 anos de idade
no período diurno, em jornada
integral ou parcial, regulados e
Alguns documentos foram supervisionados por órgão
criados pelo Ministério da Educação competente do sistema de
para orientar os sistemas de ensino ensino e submetidos a controle
social. (DIRETRIZES, 2010,
infantis, como as Diretrizes Curri- p.12).”
culares Nacionais para a Educação
Infantil (DCNEI) e o Referencial O Referencial Curricular Naci-
Curricular Nacional para a onal para a Educação Infantil
Educação Infantil (RCNEI). (RCNEI, 1998, vol 1, p.13), por sua
vez, possui “referências e orienta-
ções pedagógicas que visam a
contribuir com a implantação ou
implementação de práticas educati-
vas de qualidade que possam pro-
mover e ampliar as condições neces-
sárias para o exercício da cidadania
das crianças brasileiras”.
De acordo com esse docu-
As Diretrizes Curriculares mento, a Educação Infantil tem
Nacionais Para a Educação Infantil como objetivos a formação pessoal e

24
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

social, desenvolvendo a identidade e participação no processo de


autonomia, e o conhecimento de aprendizagem, tais como: os centros
mundo, abordando o movimento, a de interesses, os projetos e as
música, as artes visuais, a linguagem unidades didáticas.
oral e escrita, a natureza e a socie- Nos centros de interesse, cria-
dade, e o raciocínio lógico- matemá- dos por Decroly, os conteúdos eram
tico. A integração das diversas áreas organizados a partir de uma
do conhecimento se dá através da pesquisa sobre o que era de interesse
Pedagogia de Projetos, explorando do aluno. A pedagogia de projetos
as diferentes linguagens, sendo que teve como representantes o filósofo
ao finalizar a Educação Infantil, as e educador John Dewey, juntamente
capacidades cognitivas, de relação com seu seguidor William Kilpa-
interpessoal, motoras, de atuação trick. Esse método foi utilizado
social e de equilíbrio pessoal devem inicialmente na Universidade de
ter sido adquiridas. As ações de Chicago e, posteriormente, expan-
cuidar e educar são indispensáveis e diu-se na América do norte, e
indissociáveis e também fazem parte “reflete o pensamento de uma escola
do desenvolvimento infantil, por ativa, onde meninos e meninas
isso, devem ser contempladas pelo aprendem sobretudo ao partilhar
professor em suas práticas pedagó- diferentes experiências de trabalho
gicas, assim como afirma a Lei de em comunidade”. (BARBOSA;
Diretrizes e Bases da Educação HORN, 2008, p.17).
Nacional (LDBEN 9394/96) em seu Um novo modo de organização
artigo 5º: “a educação Infantil tem do ensino surgiu, com o intuito de
como finalidade o desenvolvimento superar a concepção tradicional
integral da criança, em seus aspectos escolar e obter um controle sobre o
físicos, psicológicos, intelectual e tempo de duração dos projetos, “a
social, complementando a ação da unidade didática, controlando
família e da comunidade”. temas e tempos de realização, dando
De acordo com Barbosa e maior poder aos adultos na
Horn (2008) alguns fundadores do organização e na proposição das
movimento educacional denomina- atividades”. (BARBOSA; HORN,
do Escola Nova criaram algumas 2008, p.19). Atualmente, agregam-
formas de organizar o ensino na se como proposta de organização de
Educação Infantil, que atendessem o ensino os temas geradores, de Paulo
interesse e as necessidades dos Freire (1967). Nessa perspectiva, a
alunos e que oportunizassem a ação pedagógica gira em torno de

25
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

temas relacionados com a realidade Adolescente (ECA) apoia a gestão


socioeconômica e cultural em que o participativa na escola:
indivíduo está inserido. Esses
modos de organizar o ensino “[...] quando reforça a ideia
da participação das crianças e
possuem pontos em comum, mas
adolescentes na tomada de
também diferenças. decisão no que diz respeito à
Na Educação Infantil, nos dias sua vida e de seu direito à
liberdade de opiniões e
atuais, o trabalho pedagógico expressão, atribuindo também
costuma ser organizado também em o direito aos pais ou
forma de projetos, levando em responsáveis de estarem a par
do processo pedagógico, bem
consideração os dois lados do como participar da definição
planejamento: “o que as crianças das propostas educacionais
‘precisam’ aprender (objetivos do (BUSS, 2008, p.45).”
professor) e o que elas ‘querem’
aprender (interesses e necessidades Percebe-se que a participação
reveladas pelas crianças)”. (FILHO, é condição fundamental para me-
2011, p.69 apud HOFFMANN 2012). lhoria da qualidade pedagógica do
A prioridade, ao planejar, deve ser processo educacional das escolas.
dada ao que é mais importante para Conforme Barbosa e Horn (2008,
as crianças, valorizando suas p.90) os pais e a comunidade são
experiências de vida, cultura, raça, “ótimos parceiros de estudo e infor-
religião, linguagens e as várias áreas mantes para as crianças”. A escola
do conhecimento. deve mantê-los informados sobre os
temas e projetos que estão sendo
estudados e desenvolvidos, para que
possam acompanhar os trabalhos
escolares, participar do envio de
materiais e na partilha de
experiências e saberes.
As autoras, afirmam, por fim,
Segundo Buss (2008) essa que os projetos de hoje possuem
autonomia conquistada pelo aluno, ‘uma nova versão’ daqueles da
escola, família e comunidade deve- Escola Nova, e eles devem contem-
se à gestão democrática, cuja função plar o contexto sócio histórico, o
é atender as necessidades da conhecimento dos alunos
clientela e da comunidade onde a envolvidos e a diversidade, e enfocar
escola está inserida. Até mesmo o
Estatuto da Criança e do

26
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

temáticas pertinente à vida das está ligada ainda a uma outra


história de nacionalidade.”
crianças.
Conforme o RCNEI, para que
Na Educação Infantil, o
se tenha uma proposta curricular de
planejamento por meio de projetos
qualidade, o professor deve planejar
“tem por fundamento uma aprendi-
suas ações e compartilhá-las com os
zagem significativa para as crian-
demais profissionais da instituição,
ças”. (HOFFMANN, 2012, p.77). Os
construindo projetos educativos de
projetos podem surgir de brincadei-
qualidade junto aos familiares e às
ras, da leitura de livros infantis, das
crianças, levando em consideração
necessidades da criança dentre
que a construção de um projeto
outros e “envolvem momentos de
educativo é um processo “inacaba-
exploração, investigação, planeja-
do, provisório e historicamente
mento, coleta de informações,
contextualizado que demanda
definição do problema, realização,
reflexão e debates constantes com
comunicação de resultados e
todas as pessoas envolvidas e
avaliação”. (BARBOSA, 2012, p.52
interessadas”. (RCNEI, 1998, vol.1,
apud HOFFMANN, 2012, p.78).
p.41).
Constance Kammi (1991, p.55
Sampaio (in GARCIA, 1993,
apud HOFFMANN 2012, p.71),
p.59 apud HOFFMANN, 2012, p.77)
baseando-se na teoria de Piaget,
nos fala sobre a importância de uma
aponta dois objetivos no que se
‘Pedagogia de projetos’ em Edu-
refere a aprendizagem das crianças
cação Infantil:
na Educação Infantil: os objetivos
socio afetivos e os objetivos cogniti-
“Nesse tipo de atividade que
mobiliza todas as crianças, e em vos, afirmando que o desenvolvi-
que cada uma é mobilizada mento cognitivo ‘requer um contex-
como totalidade, não é apenas o
to de relações adulto/criança carac-
seu aspecto cognitivo que está
envolvido - são a sua emoção, o terizado por respeito mútuo, afeição
seu sentimento e o seu prazer, e confiança’. Declara que esses
são as suas intuições que se
materializam na realização do
objetivos são indissociáveis e que o
projeto. O tempo todo, a trabalho pedagógico deve propor-
criação, o individual e o coletivo cionar à criança um ambiente que
estão presentes, pois falar em
criação coletiva não significa
permita o seu desenvolvimento
anular o ser único que é cada intelectual e moral.
criança. À medida que a criança Assim sendo, o que deve
interfere no projeto, ela o faz
carregando consigo toda a sua
pautar o planejamento em Educação
história: história de classe, que Infantil “é o favorecimento da inici-

27
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

ativa, da autonomia, da imaginação diversos; [...] desenhar, pintar,


amassar, rasgar, recortar, colar,
das crianças, da sua segurança e
modelar; cantar, dançar; [...]
confiança em expressar diferentes brincar de correr, pegar, pular,
pontos de vista, ou seja, a garantia esconder; alimentar-se; fazer a
higiene; organizar o material e
de um espaço pedagógico desafia- o ambiente; [...] (HOFFMANN,
dor” (HOFFMANN, 2012, p.72), um 2012, p.75).”
ambiente alegre, espontâneo, com
brincadeiras, que permita a Todos esses componentes
exploração de objetos, a liberdade curriculares articulam-se com o
de escolher brinquedos ou parceiros propósito de buscar os objetivos
e o direito de aprender no seu ritmo, citados anteriormente, consideran-
sem pressões ou expectativas dos do a criança como um sujeito social,
adultos. produtor do seu próprio conheci-
Segundo Hoffmann, no mento a partir de situações viven-
cenário da Educação Infantil, o ciadas dentro e fora da escola. “Daí a
planejamento é composto por al- importância do planejamento: ser-
guns componentes curriculares vir de suporte para o encaminha-
articulados entre si, que são: mento das mudanças que se fazem
necessárias; ajudar a concretizar
“a) áreas do desenvolvimento aquilo que se almeja e, em certa
infantil: desenvolvimento mo- medida, criar, para nós, as
tor, conhecimento físico, possibilidades de interferir na
conhecimento lógico-matemá-
tico, conhecimento social, co- realidade”. (GEMERASCA; GAN-
nhecimento espaço-temporal, DIN, 2004, p.15).
linguagem e representação
De acordo com Hoffmann
(gráfica, plástica, musical,
corporal e outras), desenvolvi- (2012), muitos acreditam não ser
mento socio afetivo; possível trabalhar com projetos de
b) áreas de conhecimento:
trabalho nas creches, devido a essa
língua portuguesa e literatura,
matemática, história, geografia, etapa de ensino estar preocupada
ciências naturais, música, com cuidados com a saúde e a
dança, teatro, desenho, pintura,
escultura, religião, educação
higiene e não com a aprendizagem.
física, informática e outras Além disso, há a crença de que as
ciências; crianças muito pequenas não
c) atividades, práticas e pro-
jetos pedagógicos: ouvir, contar
necessitam de um trabalho didático
e representar histórias; conver- organizado porque não têm
sar sobre fatos do cotidiano; condições de aprender. Mas com os
brincar de faz de conta; jogar,
explorar jogos e materiais
avanços nas pesquisas, Piaget,

28
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

Wallon e Vygotsky demonstraram A Constituição Federal de


que as crianças aprendem desde que 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases, lei
nascem, em interação com o meio. 9394/96, são fatores decisivos para
Sendo assim, precisam de uma essas mudanças, sendo que o artigo
organização do trabalho pedagógico 3º, inciso VIII da LDBEN trata da
e do ambiente físico, e os projetos Gestão Democrática do ensino
podem contribuir como um instru- público. Já os artigos 14 e 15, respec-
mento de trabalho para os educa- tivamente, garantem a participação
dores que atuam nessa faixa etária. da comunidade escolar como um
Os projetos também podem ser todo na elaboração do Projeto
desenvolvidos na pré-escola, perío- Político da escola, e dão autonomia
do em que as crianças possuem sua pedagógica e administrativa e de
oralidade desenvolvida e têm gestão financeira aos sistemas de
domínio sobre o seu próprio corpo, ensino. (LDBEN 9394/96). Essas
possibilitando a sua participação mudanças afetam direta e indireta-
tanto na escolha das temáticas como mente na organização dos sistemas
na construção dos projetos, e de ensino e na maneira de gerir a
aprendendo através das diferentes educação. Dessa forma, é difícil falar
linguagens. A autora afirma também sobre a Escola sem associá-la a
que quando a escola trabalha com a questões como democracia, autono-
Pedagogia de projetos, todos mia e descentralização (BUSS,
aprendem: alunos, professores, 2008).
funcionários, pais e, enfim, toda a
sociedade.

A Gestão Democrática e
suas implicações na Edu-
cação Infantil

As políticas educacionais no
Brasil vêm sendo demarcadas por
importantes mudanças de ordem
legal e institucional. Na área educa- A escola cumpre uma função
cional, o termo “gestão democrática” social: preparar os alunos para o
passou a ser usado com a intenção mercado de trabalho, ampliando
de romper com o tradicionalismo da suas capacidades através do conhe-
administração escolar vigente. cimento científico e da tecnologia da

29
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

informação, partindo da realidade Gadotti (1997), afirma que há


cultural do aluno. Conforme Witt- pelo menos duas razões que justi-
mann (2004, p.16 apud BUSS, fiquem a implantação de um proces-
2008, p.8), a ‘[...] função da escola é so de gestão democrática na escola:
garantir educação aos estudantes,
contribuindo para que se tornem (1º) A escola deve formar para a
cidadania e, para isso, deve dar
sujeitos, isto é, autores e senhores de
o exemplo. A gestão democrá-
suas vidas. Isto significa criar tica da escola é um passo
oportunidades para que eles deci- importante no aprendizado da
democracia. A escola não tem
dam, pensem, tornem-se livres e um fim em si mesma, pois ela
responsáveis, autônomos, emanci- está a serviço da comunidade.
pados’. O desenvolvimento dessas Nisso, a gestão democrática da
escola está prestando um
competências depende de uma serviço também à comunidade
gestão competente e autônoma, que que a mantém. (2º) A gestão
sabe manter uma parceria entre a democrática pode melhorar o
que é específico da escola, isto
escola e a comunidade. Todos os é, o seu ensino. A participação
agentes diretos ou indiretos são na gestão da escola proporcio-
gestores da educação. nará um melhor conhecimento
do funcionamento da escola e
Segundo Mello e Cóssio, (apud de todos os seus atores; propor-
CAMARGO, 2006, p.37), a conce- cionará um contato permane-
pção de gestão da educação em uma nte entre professores e alunos,
o que leva ao conhecimento
perspectiva democrática pode ser mútuo e, em consequência, a-
entendida como: proximará também as neces-
sidades dos alunos, dos conteú-
dos ensinados pelos profes-
“[...] processo de aprendi-
sores.
zado e de luta política que não
A gestão democrática deve estar
se circunscreve aos limites da
impregnada por certa atmos-
prática educativa, mas vislum-
fera que se respira na escola
bra, nas especificidades dessa
com a circulação de informa-
prática social e de sua relativa
ções, na divisão de trabalho, no
autonomia, a possibilidade de
estabelecimento do calendário
criação de canais de efetiva
escolar, na elaboração de novas
participação e de aprendizado
disciplinas ou cursos, na for-
do ‘jogo’ democrático e, conse-
mação de trabalhos em equi-
quentemente, do repensar das
pes ou grupos e na capacitação
estruturas de poder autoritário
de profissionais ou grupos de
que permeiam as relações
estudos. (GADOTTI, 1997,
sociais, e, no seio dessas, as
p.56).
práticas educativas (DOURA-
DO apud FERREIRA, 1998,
p.79).”

30
DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

Segundo Lück et al. (2010, “[...] conduzindo sua equipe de


trabalho para que esta participe
p.18) a gestão escolar participativa,
das ações da escola como
no contexto de uma gestão demo- coautores da gestão escolar. [...]
crática, é fundamental para”: é responsável pela adminis-
tração e política realizadas den-
 Melhorar a qualidade pedagó- tro de uma instituição de ensi-
gica do processo educacional no. Esse profissional precisa
das escolas. estar bem preparado profis-sio-
 Garantir ao currículo escolar nalmente, consciente de sua
maior sentido de realidade e fundamental importância no
processo político pedagógico da
atualidade. Escola, na qual se encontra à
 Aumentar o profissionalismo frente (BUSS,2008,pp.33-34).”
dos professores.
 Combater o isolamento físico, Segundo Blumberg e Green-
administrativo e profissional field (1980 apud LÜCK et al., 2010,
dos gestores e professores. p.52), diretores eficazes definem
 Motivar o apoio das comuni- objetivos claros, discutem fatos
dades escolar e local às esco-
abertamente, ouvem o ponto de
las.
vista dos outros, utilizam a gestão
 Desenvolver objetivos comuns
na comunidade escolar. participativa para conseguir a ajuda
dos outros.
De acordo com Cóssio (apud Lück nos fala sobre o papel do
CAMARGO, 2006, p.32), para que diretor:
haja uma gestão democrática na
escola é preciso oportunizar mo- “Devido a sua posição central
na escola, o desempenho de seu
mentos de reflexão e debates coleti- papel exerce forte influência,
vos, a participação em Conselhos tanto positiva como negativa,
Escolares e Grêmios estudantis, a sobre todos os setores e pessoas
da escola. É do seu desempenho
eleição direta para diretores e a e de sua habilidade em influen-
construção do Projeto Político ciar o ambiente que depende,
Pedagógico de forma coletiva, com em grande parte, a qualidade
do ambiente e clima escolar.
todos os segmentos da comunidade. (LÜCK, 1982, p.16, 17).”
Essas ações precisam ser desenvol-
vidas em todas as etapas da Educa- Em Alarcão (2001, p.19)
ção Básica, inclusive na Educação observa-se a seguinte fala de Freire,
Infantil, que é a primeira etapa de ‘não se muda a cara da escola por um
ensino segundo a LDBEN. ato de vontade do secretário’, ou
O gestor exerce um papel seja, é necessário que haja a parti-
fundamental nesse processo, cipação de todos os envolvidos no

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

processo educacional, tanto na referido planejamento”. (BUSS,


tomada de decisões quanto na 2008, p.43). O planejamento
resolução dos problemas. coletivo, além de integrar a escola, a
A autora citada anteriormente família e a comunidade, tem como
afirma que: objetivo transformar a comunidade
na qual a escola está inserida.
“A mudança de que a escola A proposta pedagógica das
precisa é uma mudança para-
instituições de Educação Infantil
digmática. Porém, para mudá-
la, é preciso mudar o pensa- deve prever estratégias para o
mento sobre ela. É preciso compartilhamento de decisões e
refletir sobre a vida que lá se
vive, em uma atitude de diálogo
informações, e a efetiva implemen-
com os problemas e as tação das ações que foram decididas
frustrações, os sucessos e os coletivamente. Os profissionais
fracassos, mas também em
diálogo com o pensamento, o
apoiam-se na legislação pertinente,
pensamento próprio e o dos que define que o direito de todos à
outros. (ALARCÂO, 2001, educação “deva ser concretizado por
p.15).”
meio de uma gestão institucional
que se paute por princípios de
igualdade, liberdade, pluralismo,
valorização dos profissionais e
garantia de padrões de qualidade.
Além disso, nas instituições públi-
cas, deve ser garantida a gratuidade
de ensino e a gestão democrática
com a participação de toda a
comunidade escolar”. (SALLES;
FARIA, 2012, p.46).
Enfim, o gestor, na função de
diretor, precisa conduzir o planeja-
mento participativo, buscando
envolver os diversos segmentos que
compõem a comunidade escolar a
“opinar, planejar, avaliar e imple-
mentar a proposta de educação a ser
efetivada na escola, ampliando-se
assim, a possibilidade de sucesso do

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

3. As Categorias da Didática Segundo ds PCN’s

A Didática, consoante Libaneo


(2008), consiste em uma
atividade de cunho de mediação
vos, na organização dos conteúdos,
nos processos avaliativos e nas
práticas de ensino, remetendo,
entre os objetivos de ensino e os assim, à Didática.
conteúdos do ensino, abrangendo, No que concerne aos objetivos,
assim, os mais diversos compo- um dos primeiros aspectos abor-
nentes dos processos de ensino e de dados na introdução desse docu-
aprendizagem. Todos esses compo- mento oficial diz respeito ao fato de
nentes aparecem nos mais recentes o foco da Formação do Discente
documentos oficiais que norteiam/ estar diretamente voltada para a
orientam o processo de escolari- prática da cidadania. Outro aspecto
zação brasileiro [Parâmetros Curri- abordado diz respeito à autonomia
culares Nacionais - PCNs, Orienta- do aluno. Esta assume duas
ções Curriculares Nacionais - OCNs perspectivas intimamente relacio-
etc.]. Os Parâmetros Curriculares nadas. A primeira tem como
Nacionais - PCNs focam nos objeti- objetivo levar o aluno a pensar em

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

uma perspectiva de cunho político, Os PCNs trazem à tona uma


levando-o a refletir, a analisar, a concepção de construção do
avaliar e, sobretudo, a se posicionar conhecimento inacabada, isto é, algo
criticamente em face dos mais que está sempre em construção. À
diversos contextos. A segunda pers- luz dessa concepção, o conhe-
pectiva assumida pela autonomia cimento é alçado à condição de algo
atribui ao aluno um papel ativo na provisório, remetendo, assim, à
construção da aprendizagem e na reconstrução e, conseguintemente,
construção social do conhecimento. ao conceito de Conhecimento
Outro aspecto abordado [ainda no Ressignificado. Este documento ofi-
âmbito dos objetivos] concerne ao cial também faz menção ao Conheci-
fato de esse documento ter como mento Acabado, proveniente de
pretensão levar o docente a refletir e modelos teóricos tradicionais de
a repensar sua prática pedagógica. ensino, que preconizavam um co-
Para tanto, ele é estimulado a rever nhecimento imediato e permanente.
sua postura, focando, sobretudo, Outro aspecto abordado concerne à
nos seus objetivos, nos conteúdos a contemporaneidade dos conteúdos
serem abordados/ trabalhados, no abordados. Deve fazer parte dos
enfoque/ tratamento dado a esses conteúdos escolares, temáticas re-
conteúdos, na forma como ele avalia centes e relevantes para a formação
a construção do conhecimento do do aluno. Outro aspecto abordado
aluno etc. Outro aspecto [ainda na diz respeito à abordagem dos
dimensão dos objetivos] abordado conteúdos [Reprodução de Conteú-
tange a uma perspectiva de dos X Atribuição de sentidos aos
equidade de acessos, por meio da conteúdos]. No tocante à abordagem
qual o discente, independente da dos conteúdos, os PCNs trazem um
sua origem e cultura, ele tenha tratamento inovador que preconiza
acesso aos bancos escolares e, a atribuição de sentidos e a cons-
sobretudo, aos bens de cunho trução de significados em face dos
coletivo. Para isso, os PCN’s levam conteúdos. Essa postura se opõe à
em conta a diversidade em suas perspectiva tradicional de ensino,
inúmeras formas [cultural, étnica, por meio da qual os processos de
linguística, religiosa, sexual etc.]. ensino e de aprendizagem se
No que tange aos conteúdos, o baseavam da Recepção Mecânica de
primeiro aspecto abordado diz Conteúdos, na Memorização e, em
respeito à concepção de conheci- especial, na Reprodução.
mento [Acabado X Ressignificado].

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

Outro aspecto abordado tange No tocante às orientações


ao enfoque e ao tratamento dado às didáticas, os PCNs preconizam que o
temáticas/ problemáticas sociais. Os professor passe a ser concebido
PCNs preconizam uma abordagem enquanto mediador na construção
transversal e, principalmente, de social do conhecimento do aluno.
cunho interdisciplinar. Com isso, Essa nova concepção da função
eles pretendem extinguir a visão de docente surge em contraposição à
desarticulação e separação entre os postura preconizada pelos modelos
componentes curriculares do teóricos tradicionais, por meio da
processo de escolarização, estabele- qual o professor era concebido como
cendo, assim, a articulação e o “Centro” dos processos de ensino e
contato entre tais componentes. O de aprendizagem. Com isso, o em-
que, por sua vez, contribui para a sino focava no docente, estando o
construção conjunta do conheci- discente limitado a um papel pas-
mento. Entretanto, essa perspectiva sivo, que se restringia à Recepção/
interdisciplinar não se limita à Reprodução Mecânica de Conteú-
junção de disciplinas de um dado dos. Outro aspecto abordado refere-
sistema formal de ensino, mas, se à Avaliação. Esta, com base nos
sobretudo, abrange a utilização dos PCNs, está diretamente vinculada à
saberes provenientes dessa junção qualidade social da educação, bus-
nas práticas corriqueiras do dia a cando melhorias para os processos
dia. Em outras palavras, a aplicação de ensino e de aprendizagem. O
dos saberes na realidade social último aspecto abordado tange aos
circundante. Atrelado a isso, os Recursos Didáticos. Os PCNs pre-
PCNs trazem à tona as discussões conizam a utilização de uma gama
atinentes aos Temas Transversais [a de recursos didáticos, isto é, a
Diversidade (cultural, étnica, lin- diversidade e a multiplicidade de
guística, religiosa e sexual), os linguagens. Dentro desse contexto,
Direitos Humanos e Cidadania, a esse documento oficial se volta para
Questão Ambiental, a Política, a uma perspectiva de diversidade de
Ética, o Trabalho, o Consumismo recursos didáticos, preconizando,
etc.]. Esse documento oficial pre- assim, o uso de múltiplas linguagens
coniza a abordagem dessas temá- nos processos de ensino e de apren-
ticas com o propósito de levar o dizagem, como, por exemplo, Char-
aluno refletir acerca de questões de ges, Cinema, Histórias em Quadri-
cunho social, contribuindo, assim, nhos [HQs], Jogos, Jornais, Lite-
para sua formação. ratura de Cordel, Redes Sociais

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

[Facebook, MSN, Orkut etc.], ensino que priorizava uma


Revistas, Tirinhas etc. (GOMES & perspectiva Aditiva (BRASIL, 1997),
NASCIMENTO NETO, 2009). Isso focando na adição/ junção de letras,
representa a inserção estratégias de sílabas e frases com o propósito de
ensino inovadoras para a construção chegar ao texto.
social do conhecimento da criança. No que diz respeito à Leitura,
No que concerne aos Parâ- os PCNs de Língua Portuguesa
metros Curriculares Nacionais de preconizam a Formação de Leitores
Língua Portuguesa, este documento Competentes, que consigam cons-
oficial preconiza que o ensino desse truir significados a partir da dife-
componente curricular passe a focar rentes gêneros textuais. Para isso,
nos elementos: Ensino [alçado à este documento oficial preconiza
perspectiva de atividade sócio- uma abordagem que articula a
interacionista que ocorre por meio leitura e a escrita, elencando a estas
da mediação], a língua [alçada à o papel de atividades articuladas e
perspectiva de diversidade, multi- complementares. À leitura é, com
plicidade e plasticidade] e o aluno base nos PCNs, atribuído o papel de
[sujeito do processo de ensino e de atividade de Construção e
aprendizagem]. O ensino de língua Elaboração de Sentido (KOCH,
passa a primar pela perspectiva de 2002; KOCH & ELIAS, 2006). Essa
formar um falante competente, que posição surge com a pretensão de se
consiga utilizar as mais diversas opor à prática da leitura como
modalidades da língua. Decodificação. Nessa nova
O aspecto que se destaca, perspectiva, este documento oficial
sobretudo, neste documento oficial orienta vários tipos de leitura
diz respeito ao fato de o ensino de [silenciosa, em voz alta, individual,
Língua Portuguesa passa a conceder em conjunto etc.], como também o
primazia aos Eixos/ Níveis de desenvolvimento de diversas
Ensino de Língua Portuguesa [Lei- atividades relacionadas a essa
tura, Produção de Texto, Oralidade e competência linguística, tais como:
Análise Linguística]. Partindo desse projetos de leitura, atividades
pressuposto, é atribuído ao texto o sequenciadas etc.
papel de Unidade/ Objeto de Ensino No que tange à Produção de
(BRASIL, 1997; CARDOSO, 2003; Texto, os PCNs orientam a
CEREJA, 2002; SANTOS et al, articulação entre a leitura e a escrita
2006; SANTOS, 2007). Essa postura para a promoção de atividades
surge em contraposição à prática de didáticas. A leitura, com base nos

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DIDÁTICA NOS ANOS INICIAIS

PCNs (1997), fornece subsídios para Destaca-se, sobretudo, a utilização


a linguagem escrita. Ora, dos gêneros textuais como suporte
fornecendo argumentos [isto é, O didático na prática pedagógica,
que escrever (BRASIL, 1997)], ora focando nas suas particularidades e
modelos de referência [ou seja, especificidades. Isso possibilita que
como escrever (BRASIL, 1997)], o aluno compreenda o funcio-
remetendo, assim, à namento desses gêneros de texto
intertextualidade. Com isso, os presentes nas práticas corriqueiras
PCNs têm como objetivo formar do dia a dia.
escritores competentes. Nesse sentido, percebe-se que
No que se refere à Oralidade, os Parâmetros Curriculares Nacio-
os PCNs primam pela formação de nais – PCNs, no tocante à Prática
falantes competentes, que saibam Docente do Ensino de Língua Portu-
utilizar as mais diversas guesa, trazem consigo as marcas e os
modalidades da linguagem oral – traços dos mais recentes estudos das
forma e informal. Isso, de acordo Ciências da Educação [Pedagogia],
com a situação comunicativa. Para Ciências da Linguagem [Linguística]
tanto, este documento oficial propõe e das Ciências Psicológicas [Psico-
a abordagem de atividades, que logia], rompendo, assim, com as
foquem na fala, na escura e na práticas tradicionais de escolari-
reflexão linguística. Destaca-se, zação, que preconizavam a ênfase
sobretudo, o fato de os PCNs dada às nomenclaturas da Gra-
trazerem consigo uma concepção de mática Normativa. Esses estudos, no
Oralidade de cunho sociointeraci- dizer de Albuquerque (2006) e
onista, opondo-se, veementemente, Albuquerque et al (2008), emergem
à concepção dicotômica em face da nos anos 80, trazendo à tona uma
escrita. Este documento oficial gama de teorias, que almejam
assume, então, uma postura de promulgar mudanças substanciais
equidade nos espaços e tratamentos nas práticas pedagógicas presentes
dados a essas competências no processo de escolarização
linguísticas. brasileiro.
No tocante à Análise
Linguística, os PCNs preconizam a
utilização do texto como Unidade de
Sentido, a fim de levar os discentes a
refletir acerca da língua e dos mais
diversos recursos linguísticos.

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