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LONDON COLLEGE OF CLINICAL

HYPNOSIS
L.C.C.H.

Abordagens
psicanalíticas no
uso da hipnose
Trabalho nº 3

Ana Marques Covas


Lisboa, 30 de Abril de 2010
O Papel de Freud, Jung, Adler e Perls na Hipnose Clínica

A – INTRODUÇÃO

ABORDAGENS PSICODINÂMICAS - TEORIAS, IDEOLOGIAS, CONCEITOS E


METODOLOGIAS

FREUD E A PSICANÁLISE

A psicanálise nasceu no século XIX com Sigmund Freud que, lançou luz sobre a
enigmática mente humana: o psiquismo não seria redutível ao plano da consciência
(formulação dos processos inconscientes) e o corpo não seria redutível a uma porção
somática/biológica.

Freud prosseguiu numa linha de pensamento própria ao descobrir que o ser humano é
dividido entre o Consciente e o Inconsciente, lançando as bases da:

Psicanálise: O objectivo é desconstruir e resolver os conflitos


intra-psíquicos gerados pelo sofrimento psíquico. Analisa mensagens que o
inconsciente envia ao consciente, através de metodologias como: Actos falhados,
Interpretação de sonhos, das fobias e dos desvios comportamentais.

Freud estudou hipnose com Joseph Breuer e desenvolveu o método da catarse


mental. O paciente “punha para fora” os seus problemas, revivendo ou
relembrando as circunstâncias em que os sintomas apareceram, ao mesmo
tempo que libertava e “limpava” emoções subjacentes. Por vezes, quando há
bloqueios, essas emoções surgem de forma intensa, causando o que é
conhecido como “ab-reacção”. Ao trabalhar com pacientes em estado
hipnótico, Freud verificou que ocorria uma melhoria quando as suas ideias e
impulsos eram trazidos à consciência, ficando os pacientes capazes de falar
livremente. Assim, desenvolveu a sua teoria da “associação livre” para ajudar
os pacientes a trazerem a informação guardada no inconsciente para o
consciente, de forma a ser compreendida.

Conceitos e principais descobertas

• A Descoberta do Inconsciente (motivações inconscientes) e a noção de dinâmica


inconsciente do aparelho psíquico (Conflito interno – inconsciente), que trouxe uma
revolução à Psicologia. Actos voluntários estariam dependentes de uma fonte
motivacional inconsciente e, serem resultado de conflito e sofrimento interno.

• Este conflito interno, é induzido inicialmente pela ansiedade que, fica associada aos
pensamentos e desejos geralmente proibidos na infância. A criança recorre ao
recalcamento e expulsa esse material da consciência

• Sexualidade Infantil: A base da sua teoria assenta na premissa de que a neurose


está enraizada em desejos sexuais reprimidos e experiências sexuais na infância.

• O desejo e a insatisfação são elementos inerentes à nossa vida psíquica. Temos


duas polarizações antagónicas:

- A Libido, o desejo sexual


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- Impulso de morte, ligado à agressividade (auto e hetero-dirigida).

• “A Infância deixa marcas”: é um período que nos “persegue”. Passamos por


períodos de crise, de ruptura e de reconfiguração das nossas estruturas
psíquicas. Por esta razão estamos sujeitos a traumas e conflitos intrapsiquicos
que, ficam guardados no inconsciente e marcam a forma como nos
relacionamos com os outros.

ESTRUTURA DA PERSONALIDADE

ESTRUTURA DA PERSONALIDADE

Freud distinguiu 3 subsistemas da personalidade humana:

• O Id, uma força cega que visa a satisfação biológica e obedece ao princípio do
prazer.
• O ego, um sistema de reacções que procura conciliar as necessidades do id
com as realidades do mundo, de acordo com o princípio da realidade.
• O superego, que representa os princípios interiorizados dos pais e sociedade
e, pune os desvios com o sentimento de culpa.

A Barreira ou a censura é responsável pelo recalcamento de alguns conteúdos que


tentam aceder à consciência (mecanismo de reparação da Psique). Esta instância
daria lugar aos mecanismos de defesa do Ego quando Freud desenvolveu a sua teoria
da Psicanálise.

O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE.

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A noção de estádio está inseparavelmente ligada à concepção de Freud do aparelho


psíquico. Nas suas premissas – do inconsciente e da sexualidade – descreveu, então
três períodos subdivididos em 5 estádios de desenvolvimento psico-sexual:

1º Período (0-5 anos) 2º Período (6-13 anos) 2º Período (13 anos - ….)

- Fase oral (0-2 anos) - Fase de latência - Fase genital

- Fase anal (2-3 anos)

- Fase fálica (3-5 anos)

MECANISMOS DE DEFESA

Freud, tentou aplicar a teoria do conflito inconsciente a muitos campos da vida


quotidiana. Por exemplo, os sonhos seriam a tentativa de realização de desejos. Como
muitos desses desejos provocam ansiedade, a sua expressão completa é censurada.
O Recalcamento é o primeiro e principal mecanismo de defesa. Deste modo, o sonho
latente subjacente transforma-se em sonho manifesto em que as pulsões proibidas
emergem de uma forma disfarçada.

Para expulsar pensamentos e desejos do consciente, entram em jogo outros


mecanismos como o deslocamento, a formação criativa, a projecção, a racionalização,
o deslocamento, a regressão, a compensação, o deslocamento e a sublimação.

CARL JUNG

Teoria da Personalidade

Considerado o pai da Psicologia Humanista e transpessoal, demonstrou as evidências


da existência de um “inconsciente colectivo” partilhado pelos seres humanos.
Discordou sobre a primazia das pulsões sexuais e elaborou uma explicação alternativa
que incluiu as necessidades filosóficas e espirituais da pessoa. (Sheehy, 2006).

Jung apresenta uma nova visão do aparelho psíquico. Apresenta alguns conceitos
primários:
• Consciência: É uma tomada de consciência de pensamentos, sentimentos e
experiencias individuais.
• Ego: Conjunto de informação composta por consciência geral do corpo e
memórias.

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• “Inconsciente pessoal”: Experiências guardada que, podem ser prontamente


trazidas à consciência (sensações físicas, acontecimentos do quotidiano). É
organizado por complexos.
• “Inconsciente colectivo”: É organizado por arquétipos - "padrões instintivos de
comportamento e de percepção". É um reservatório de experiências, que não
podem ser trazidas à consciência, nem ser directamente examinadas. As
evidências da sua presença e influência, podem ser detectadas nas
consequências das nossas acções.
• Os arquétipos agem como um "princípio organizador" e, funcionam da mesma
forma que os instintos e as pulsões na teoria de Freud. O conjunto da
organização arquetípica da pessoa, para Jung, é chamado de Self, a unidade
do todo para que o processo de individuação se esforça para o equilíbrio e
harmonia.
Principais arquétipos: Persona, anima, animus, sombra e self.
• Trabalhou dicotomias da personalidade como a introversão e a extroversão.

A dinâmica da Psique, para Jung, assenta em três princípios: (Sheehy, 2006).


1. O princípio dos opostos: Todo o desejo sugere o seu oposto e, é fonte de
energia libidinal ou psíquica.
2. Princípio da equivalência: Questiona até que ponto estamos preparados para
reconhecer a presença dos estados opostos – factor de crescimento. A
supressão ou negação destas oposições dará origem aos complexos
(Pensamentos e sentimentos suprimidos que se agrupam em torno de um
tema proporcionado pelo arquétipo)
3. Princípio da entropia: Tendência para os opostos se juntarem.
O Objectivo da vida é perceber o Self. Este, é também um arquétipo que
representa a transcendência de todos os opostos, de modo que cada aspecto
da personalidade é expresso igualmente.

ALFRED ADLER

“o maior perigo da vida são as preocupações excessivas”

Adler foi fundador do sistema holístico da Psicologia Individual. O seu principal


postulado foi ver o homem como um todo. A pessoa é um organismo unificado, que
tem uma experiência de vida organizada e que avança para uma meta por meio de
padrões significativos.

Introduziu conceitos como "sentimento de inferioridade" ou, mais popularmente,


"complexo de inferioridade" – Defendeu que o motivo do comportamento humano é a
busca pela perfeição mas, que pode tornar-se uma busca por superioridade como
compensação para sentimentos de inferioridade. É neste processo de

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desenvolvimento que se dá o crescimento individual. Os obstáculos que se observam


no processo são principalmente os de superprotecção na infância.

A explicação do comportamento a este nível tem um enfoque finalista ou teológico


(organização do actual em torno de um objectivo futuro). Adler acreditava que somos
orientados por um objectivo de superioridade, perfeição e domínio do meio onde, a
cooperação e o sentimento comunitário são muito importantes.

A opinião do indivíduo sobre si próprio e, sobre o mundo, influencia todo o seu


processo psicológico. E, porque todos os problemas importantes da sua vida são
problemas de natureza social, eles precisam ser vistos no seu contexto social (família,
valores e constelação familiar). A socialização pode ser obtida através do
desenvolvimento duma inclinação social instintiva (onde primeiros 5 anos de vida
muito importantes).

A função do psicanalista, em consequência, seria descobrir e racionalizar esses


sentimentos, para terminar com o desejo de poder compensatório e neurótico
(influencia de Freud) e, reequilibrar o todo. Problemas e traumas interiores não podem
ser trabalhados isoladamente.

Para o autor, torna-se fundamental na terapia: ajudar o paciente a compreender o seu


estilo de vida, fomentar o insight em relação a metas e condutas equivocadas;
Introduzir alternativas e estabelecer compromissos de mudança.

FRITZ PERLS

A Psicoterapia Gestalt foi desenvolvida no início dos anos 1950 pelo médico Fritz Perls
(1893-1970) e, concentra-se na abordagem psicoterapêutica que considera os
fenómenos psíquicos na sua totalidade (Leal, 2005). Apesar da sua forte ligação a
Freud, Perls, influenciado por Adler, vê o indivíduo como um todo.

O propósito do comportamento individual seria a procura de saber “quem é”. Trata-se


de uma actividade de auto-actualização individual, de necessidades biológicas e
sociais influenciadas e, determinadas pelo meio envolvente ao indivíduo. Ou seja, a
pessoa não pode ser separada do “todo” que a envolve.

O desenvolvimento e o crescimento individual dá-se por ajustes às necessidades


internas e às pressões do meio, funcionando, a pessoa, como um todo.

Perls usava a fantasia, a imaginação e a espontaneidade para incorporar actividades


do hemisfério direito. Encorajava a criatividade tanto do paciente como do terapeuta,
dando inicio a algumas técnicas de teatro e drama em psicoterapia.

A sua Psicologia da Gestalt deixou alguns construtos e técnicas como: o exagero;


Focar a atenção na relação da comunicação verbal e não-verbal; Desempenhar
múltiplos papéis (trabalho com 2 cadeiras); Dramatizar fantasias e sonhos e, fazer aos
outros o que a pessoa faz a si própria para clarificar alguns comportamentos.

B – APRESENTAÇÃO
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TÉCNICAS HIPNOTERAPÊUTICAS E A TEORIAS PSICODINÂMICAS

A abordagem psicodinâmica refere-se a uma compreensão do psiquismo nos seus


processos dinâmicos, orientando o trabalho terapêutico na direcção do insight.

A função primordial da psicoterapia psicodinâmica e das técnicas hipnoterapêuticas


será o propiciar ao paciente um espaço seguro e confiável para que ele possa partilhar
o seu mundo interno e encontrar outras expressões para o sintoma. As técnicas
utilizadas visam resolver conflitos intra-psiquicos, reestruturar e reorganizar aspectos
da personalidade, considerando-se o sintoma como uma comunicação dos conflitos
subjacentes à dinâmica da psique.

Um dos objectivos terapêuticos nesta abordagem será, que o paciente (orientado pelo
terapeuta) descubra quais as necessidades que estarão por trás de um
comportamento que, o levam a agir de determinada maneira e, verificar que razões
inconscientes motivam esse comportamento particular.

Desta forma, existem técnicas hipnoterapêuticas que demonstram ser eficazes


neste desbravar até ao insight e, têm tido resultados na mudança de comportamento,
diminuição do conflito logo, na expressão do sintoma. Descrevo, as que melhor
exemplificam abordagens das teorias psicodinâmicas.

1. Técnica de Regressão:

É uma técnica analítica que permite que o paciente de uma forma segura, retroceda
no tempo a experiências ou memórias, reais ou imaginárias. Orienta o paciente para o
seu interior.
Antes da aplicação da técnica, é importante recolher o historial do paciente, incluindo
todos os problemas de saúde do passado e presente. É importante obter uma
narrativa consciente da memória, sintoma ou acontecimento a aceder.

É uma técnica muito solicitada actualmente e, desta forma, recolhem-se inicialmente


as expectativas do paciente relativamente à sua aplicação e, deve ser o terapeuta a
determinar a sua relevância terapêutica.

A regressão é eficaz em casos, por exemplo, de fobias, em que o acumular de


experiências negativas e ansiogénicas no passado possam ter dado origem a um
estado aumentado de medo e alerta, culminado numa fobia. As fobias também podem
ter origem em traumas do passado, recalcados ou reprimidos no inconsciente, ou em
experiências emocionais dolorosas que, no presente, se reflectem em fobias às mais
variadas coisas ou situações.

A avaliação e intervenção hipnoterapêutica, deve ir no sentido de permitir ao paciente


estabelecer uma ligação entre a resposta/ vivência fóbica e algum conflito intra-
psiquicos com origem no passado.

• Acontecimento real ou confabulação? A expressão da memória deverá ser


respeitada e assumir-se que, esta será uma forma da mente representar a

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matéria vinda do inconsciente e, que será depois trabalhada. Respeitamos


assim, a individualidade e intenção (consciente ou não) do paciente.

• A sugestão indirecta, muito presente nesta técnica, inicia uma busca


inconsciente e facilita processos inconscientes conduzindo a pacientes
surpreendidos pelas próprias respostas (Erickson e Rossi, 1976). Elas são
enriquecedoras para explorar potencialidades e facilitar respostas autónomas,
sem o controlo da consciência.

• As técnicas intercaladas parecem, ajudar e facilitar este processo


inconsciente. Utilizar a palavra livremente, intercalada na sugestão, leva a
uma associação automática de uma valência positiva de liberdade. Poderá
ser utilizada esta técnica com pacientes com assuntos recalcados ou
reprimidos. Ajuda a diluir mecanismos de defesa e, permite o insight de forma
desprendida, sem amarras conscientes.

• ab-reacção: Pode verificar-se durante a regressão. Normalmente significam


uma libertação de emoções reprimidas no momento em que esta ficou
gravada no cérebro.

• Perguntas abertas: evitam que o terapeuta contamine a informação a aceder


(por exemplo: “Onde está ?”, “Onde vai?”, “Está alguém consigo?”)

• Truísmos: Milton Erickson reparou que as fases da procura inconsciente e os


processos que levam à resposta hipnótica requerem diferentes espaços de
tempo, dependendo do paciente. (Erickson e Rossi 1976). Diminuem as
resistências e facilitam a aceitação das sugestões.

• Regresso ao presente: No final, trazer o paciente à idade cronológica actual

Recorremos a diferentes valências de regressão consoante o objectivo


e contracto terapêutico:

Em todos os casos induzir um estado de transe tão profundo quanto possível e, não
utilizar a técnica numa primeira sessão.

a) REGRESSÃO ESPECIFICA DA IDADE: A idade cronológica é definida (e


anotada) segundo o historial do paciente (ou pela escala de diagnóstico)

b) REGRESSÃO ATRAVÉS DA ESCALA DE DIAGNÓSTICO


Não existe memória acerca da origem do sintoma. Localiza acontecimentos
significativos para o surgimento e manutenção do sintoma.

c) REGRESSÃO POR FLUTUAÇÃO LIVRE


Esta técnica, desenvolvida por Peter Blythe (1976), permite à mente
inconsciente determinar a idade a que o paciente deve regredir. Está associado
ao sintoma e, à primeira vez que surgiu.

d) REGRESSÃO A VIDAS PASSADAS: Quando mergulhamos no nosso


inconsciente e encontramos lá respostas que não se justificam diante de

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nossas experiências pessoais, isso não significa que sejam resultantes de


"vidas passadas", "reencarnações" ou quaisquer outras explicações (assim
chamadas) místicas, podem simplesmente ser resultantes de arquétipos
oriundos de vivências de nossos antepassados, a nós transmitidas através do
DNA (operamos no terreno das pressuposições).

e) TÉCNICA DA BIBLIOTECA
f) TÉCNICA DO CALENDÁRIO
g) TÉCNICA DO TEATRO
Entre outras….

2. Dissociação

O conceito de dissociação surgiu relacionando-se com vários fenómenos hipnóticos


mas também com o mecanismo subjacente por detrás de várias perturbações
psicológicas (Waxman 1989). Em termos psicológicos a dissociação é por si um
mecanismo de defesa recorrente. A nossa mente responde a acontecimentos
dissociando. Depois, a informação é gradualmente
reintegrada pelo pensamento, cognição, emoção etc..

2.1 A técnica de dissociação:

A) Assumindo que o ponto de partida e chegada é o todo (a estrutura da mente), o


processo visa a divisão da mente consciente e, isolar uma parte responsável
pelo problema ou, uma parte recurso.
B) Ao manter o canal de comunicação aberto e, fomentando a partilha entre a(s)
parte(s) e o todo, o paciente tenderá ao insight. O objectivo é trabalhar a parte
para atingir a sua funcionalidade e integração no todo.
C) A reintegração da(s) parte(s) é essencial para reestruturar o equilíbrio do todo.

Em terapia, as técnicas de dissociação permitem que o paciente ganhe uma


perspectiva mais objectiva do seu problema. Uma vez que isto ocorre, o paciente é
capaz de alterar a percepção e, encontrar uma solução.

2.2 Valências da Dissociação

Dissociação por fases


Refere-se ao número de fases usadas quando se dissocia um paciente. Numa
fase dissocia-se o paciente uma vez; Em duas fases fá-lo em duas vezes. A
dissociação em duas fases vai permitir uma abordagem mais
objectiva da resolução para o problema. Permite maior
distanciamento dos conteúdos emocionais e de factores de
distracção conscientes.

Dissociação de uma ou múltiplas partes

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A dissociação permite que o paciente trabalhe uma imagem. Esta imagem


pode representar uma situação ou pode representar uma parte do paciente
responsável por um problema, um recurso, etc.
Também permite que se trabalhem duas partes, onde o paciente cria duas
imagens e, pode colocá-las em ecrãs, espelhos, cadeiras, dissociação do
jardim etc…
Em terapia promove-se o diálogo entre partes e trabalham-se os recursos
internos.
Utilizar as modalidades de representação e modelação vocal ajudam a
intensificar a experiência de dissociação.

Estas técnicas ajudam o paciente a lidar com sintomas de ansiedade que, incluem,
incluir fobias, memórias perturbadoras, imagens intrusivas,
preocupação sobre eventos futuros, etc.

No trajecto hipnocomportamental, promove-se a intenção positiva. O paciente deve


reconhecer e aperceber-se do que a ‘parte’ está a tentar fazer por ele. Ao deparar-se
com essa percepção, agradecer o que a parte tem feito por ele facilita a integração, o
equilíbrio do todo. Isto, promoverá a percepção de necessidade de mudança.

Exemplo: Na base da Perturbação Obsessivo-Compulsiva está a dissociação de


uma certa parte do indivíduo – fora do alcance do pensamento consciente, mas
facilmente reconhecida num estado de sonho ou de consciência alterado, induzido
por hipnose. Estas perturbações reagem bem à hipnose ou a qualquer técnica
dissociativa que procure reintegrar a componente da personalidade dissociada.

Terapia: É necessário um procedimento em dois passos para uma


eliminação rápida e eficaz desta perturbação. O 1º Passo - trabalhar o
‘factor causador inconsciente’ (parte dissociada) precisa ser identificado e
tratado.
2º Passo- Os ‘sintomas manifestados’ (elemento hábito) devem ser
erradicados, como uma tarefa separada.

3. A utilização de perguntas

Penso que, a eficácia terapêutica das técnicas que permitem trazer à consciência
conteúdos inconscientes depende, em grande parte, das técnicas de comunicação e
das perguntas que vamos colocando ao longo da sessão.

A busca inconsciente e a consequente activação de processos mentais automáticos, é


a essência da abordagem indirecta da hipnose, através da qual nós procuramos usar
as potencialidades da mente inconsciente do paciente para estimular fenómenos
hipnóticos e respostas terapêuticas.

CONCLUSÃO

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Para o bem ou para o mal, vivemos num mundo profundamente marcado por Sigmund
Freud e seus seguidores. Antes dele o homem acreditava que tudo o que fazia era
produto da sua consciência. Ao afirmar que as acções e os desejos humanos não são
frutos da vontade e da vaidade humana, mas sim do nosso inconsciente, Freud abalou
o mundo científico e, criou uma nova maneira de entender a psique humana.
Demonstrou que existem partes da nossa mente que funcionam no mais obscuro
segredo e que podem até comandar a nossa vida

Embora actualmente alguns aspectos da teoria psicanalítica não tenham sido testados
empiricamente, principalmente os relacionados com os resultados da hipnose, a
maioria dos constructos continua a ter predominância na prática actual. As abordagens
psicodinâmicas, breves ou não, continuam em busca da maior ou melhor forma de
alcançar o inconsciente e aliviar a ansiedade.

Para o mundo actual, Freud deixou o recado de que as nossas escolhas, as nossas
motivações podem estar a dar-se, sem nós darmos por isso, e que elas são tomadas
de decisão com fundamento inconsciente e, possivelmente conflituoso. Um outro
“recado” é de que o nosso sistema cognitivo não está preparado, dirigido ou atento ao
tratamento, reformulação ou reestruturação de informação inconsciente. Tudo seria
óptimo se o inconsciente fosse um computador racional e razoável que, nos guiasse
no nosso real interesse.

Parece-me que, O processo de “levantar o recalcado” permite entender o papel do


mundo interior no nosso equilíbrio diário, mas o facto da psicanálise permitir atingir um
novo equilíbrio entre o mundo interior e exterior, mais adequado e gratificante para o
indivíduo não chegará para a cura.

Tornar conscientes alguns mecanismos psíquicos e padrões repetitivos ancestrais,


facilitarão o processo de mudança de comportamentos que causam sofrimento. O que
observamos é que, com algumas técnicas hipnoanalíticas, se chega a resultados de
uma forma breve e dinâmica. Não é apenas por se revelarem conteúdos traumáticos
inconscientes (à luz de Freud) que se acaba com o sofrimento. O diálogo entre partes
e recursos do paciente, supera a supremacia do insight e, revela os excelentes
resultados do dinamismo intra-psiquicos e, que é possível e fácil de aceder num
estado de profundo relaxamento.

Referências:

Apontamentos LCCH, (2010). Curso Diploma Hipnose Clínica

Gleitman, H.(1986) Psicologia. Ed. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa

Bleichmar, N.M; Bleichmar C.L (1992) A Psicanálise depois de Freud – Teoria e


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C. G Jung (1976). Os Arquétipos e o inconsciente colectivo. Editora Vozes (2ª ed.


2002. São Paulo. Brasil

Fadiman, J. ; Frager R. (1986) Teorias da Personalidade. Editores Harra Lda.


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Irvington Publishers, Inc., Nova York

Erickson, M, H. & Rossi, E. L (1981) Experiencing Hypnosis: Therapeutic approaches


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N. Sheehy ( 2006). 50 Grandes psicólogos – suas ideias, suas influências. Editora


Contexto. São Paulo. Brasil

Waxman, D (ed) (1989) Hartland´s Medical and Dental Hypnosis 3rt edition Bailliere
Tindall.

http://pt.wikipédia.org/

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