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GEAD – GRUPO DE ENFRENTAMENTO ANSIEDADE E DEPRESSÃO


PROPOSTA DE ATIVIDADE
HBSF SQ 11/12 – Cidade Ocidental - GO

INTRODUÇÃO

A depressão e a ansiedade são os problemas de saúde mental mais comuns no


mundo e acompanham a humanidade por toda a sua história. Considerada pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) como o "Mal do Século". A depressão é um
distúrbio afetivo que afeta o emocional da pessoa, que passa a apresentar tristeza
profunda, falta de apetite, de ânimo e perda de interesse generalizado.  No sentido
patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com
frequência e podem combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico
tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado. A ansiedade, também
considerada uma doença dos tempos atuais, se caracteriza reação que todo indivíduo
experimenta diante de algumas situações do dia a dia, porém, vivenciam esta reação de
forma mais frequente e intensa, que pode ser considerada patológica e comprometer a
saúde emocional.

Estas doenças provocam ainda ausência de prazer em coisas que antes faziam
bem e grande oscilação de humor e pensamentos, que podem culminar em
comportamentos e atos suicidas. O tratamento é feito com auxílio médico profissional, por
meio de medicamentos e acompanhamento terapêutico conforme cada caso. O apoio da
família é fundamental.

A literatura médica e científica mundial que a depressão e a ansiedade incitam


alterações fisiológicas no corpo, sendo porta de entrada para outras doenças. Pessoas
acometidas por depressão podem, além da sensação de infelicidade crônica e prostração,
apresentar baixas no sistema de imunidade e maiores episódios de problemas
inflamatórios e infecciosos. A depressão, dependendo da gravidade, pode desencadear,
também, doenças cardiovasculares, como enfarto, AVC e hipertensão. Por sua vez a
ansiedade pode acometer o indivíduo com dores musculares, síndrome do pânico,
alterações de comportamento, alterações do estado mental, problemas digestivos e outros
sintomas físicos, aumento da irritabilidade e alterações do sono.

Ainda segundo a OMS, o número de pessoas com transtornos de ansiedade era de


264 milhões em 2015, com um aumento de 14,9% em relação a 2005. A prevalência na
população é de 3,6%. É importante observar que muitas pessoas têm tanto depressão
quanto transtornos de ansiedade. O Brasil é recordista mundial em prevalência de
transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o problema. Ao todo, são 18,6
milhões de pessoas.
Segundo a OMS, o número de pessoas com transtornos mentais comuns, como a
depressão e o transtorno de ansiedade, está crescendo especialmente em países de baixa
renda, pois a população está crescendo e mais pessoas chegam às idades em que
depressão e ansiedade são mais frequentes.

Em Cidade Ocidental-GO, os levantamentos prévios indicam que uma parcela


significativa da população sofre ou apresentam os primeiros sintomas dos transtornos de
humor e ansiedade. São jovens, profissionais de diversas áreas, estudantes e pessoas que
já são acompanhadas por equipe multidisciplinar no tratamento dos distúrbios emocionais.
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VISÃO GERAL

O tratamento da depressão/ansiedade em grupo possui sessões estruturadas e o


grupo deve ser composto de 10/15 (dez/quinze) pacientes e conduzido por profissionais da
área de saúde (Psicólogos, Terapeutas, Fisioterapeutas, Fonoaudiólogos, entre outros). O
programa de tratamento deve ter em média de 10 sessões. A eficácia do tratamento, neste
estudo, deverá ser avaliada pelo inventário qualitativo e quantitativo, “Escores de Beck” de
depressão e ansiedade. (Escala de Depressão de Beck ou Inventário de Depressão de
Beck (Beck Depression Inventory, BDI, BDI-II).

Abordagem Bifatorial da Depressão/Ansiedade.


A depressão pode ser entendida como tendo dois componentes: o componente
afetivo (humor) e o componente físico ou "somático" (por exemplo, perda de apetite). A BDI-
II reflete esta abordagem e pode ser entendida em duas subescalas. O propósito destas
subescalas é determinar a causa primária da depressão do paciente.
A subescala afetiva contém oito itens: pessimismo, perdas passadas, sentimentos
de culpa, sentimentos de punição, autodesprezo, autocrítica, pensamentos ou desejos
suicidas e pensamentos de desvalor. A subescala somática consiste de outros treze itens:
tristeza, alterações no apetite, perda de prazer, choro, agitação, perda de interesse,
cansaço ou fadiga, indecisão, perda de energia, alterações nos padrões de sono,
irritabilidade, dificuldades de concentração e diminuição da libido. As duas subescalas são
moderadamente correlacionadas, o que sugere que os aspectos físicos e psicológicos da
depressão são relacionados ao invés de completamente distintos.
Portanto, o tratamento, deve ser entendido de uma forma globalizada levando em
consideração o ser humano como um todo holístico e suas diversas dimensões. Desta
forma, a terapia deve abranger todos esses pontos e utilizar a psicoterapia, mudanças no
estilo de vida e a terapia farmacológica. A conduta, portanto, deve ser individualizada.

OBJETIVO GERAL

O presente projeto tem como objetivo orientar os pacientes sobre os sintomas da


Ansiedade/Depressão, orientar sobre o Modelo Cognitivo de enfrentamento, propor um
tratamento em grupo e mostrar os resultados obtidos. Reconhecer e estabelecer estratégias
de reconhecimento e enfrentamento dos sintomas da depressão e da ansiedade. O
tratamento em grupo possui sessões estruturadas e o grupo deve ser composto de 10/15
(dez a quinze) pacientes e conduzido pela equipe multidisciplinar. O programa de
tratamento deve ter em média 10 sessões. A eficácia do tratamento, neste estudo, será
avaliada pelos escores de Beck de depressão e ansiedade aplicados no início, durante e no
final da das atividades.

MÉTODO

Participantes. O tratamento em grupo será realizado na HBSF SQ11/12 da Cidade


Ocidental – GO, após terem passado pela triagem, serão selecionados na supervisão de
equipe para participarem do grupo, somente aqueles pacientes que preenchiam critérios
para depressão/ansiedade, segundo o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos
Mentais, DSM-IV ou CID 10. Selecionados dez a quinze participantes para o Grupo 1. Os
grupos realizarão atividades terapêuticas pelo período de 10 semanas. Findado este grupo,
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inicia-se um novo grupo de 10/15 pacientes novos seguindo o critério de seleção. Portanto,
teremos grupos novos a cada 2 meses aproximadamente.

DEZEMBRO
AVALIAÇÃO/REFORÇO
JUN/JUL GRUPO 1 AGO/SET GRUPO 2 OUT/NOV GRUPO DOS GRUPOS GERAL.

Procedimento. As sessões de grupo são estruturadas, orientadas focalizadas nos aspectos


do reconhecimento dos sintomas, no desenvolvimento do tratamento, no fortalecimento das
estratégias de enfrentamento e na prevenção.

Os profissionais de saúde (facilitadores) terapeutas tipicamente são bastante ativos -


questionadores, desafiadores, exploradores e instrutivos. Os grupos serão conduzidos por
dois a três, observados os temas a serem abordados, com contatos semanais de 60 min a
80 min. O programa de tratamento deve ter em média 10 sessões e os grupos devem ser
fechados, ou seja, após o início do programa nenhum paciente a mais poderá participar do
grupo ativo, mas poderá se inscrever para os próximos grupos vindouros. O conteúdo do
programa é descrito a seguir, especificando-se as atividades e conceitos.

Justificativa
Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão
afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Em dez anos, de 2005 a 2015, esse número
cresceu 18,4%. E esse total, que representa cerca de 5% da população mundial, só deve
aumentar com o tempo, fazendo com que a doença se torne a segunda maior preocupação
em termos de saúde pública no planeta. "A depressão já é a maior causa de piora da saúde
e incapacitação no mundo, e está crescendo", ressalta Teng Chei Tung, médico doutor em
Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a OMS, apenas metade
das pessoas com quadros depressivos trata a doença, seja com sessões de terapia - em
casos considerados leves - ou com uso de medicamentos destinados à doença - em
situações moderadas e graves.

Quando nos voltamos ao Brasil, temos 5,8% da população sofrendo de depressão,


ou seja, um total de 11,5 milhões de brasileiros. Ainda de acordo com a OMS, entre os
países da América Latina, o Brasil é o que possui maior número de pessoas em depressão.
"São números assustadores e, ainda sim, nos deparamos com muito preconceito
disseminado culturalmente. Por exemplo, é comum ouvir pessoas dizendo que depressão
não é doença e sim, frescura; que para ficar bom é só ter força de vontade; que para se
ajudar tem que sair de casa; entre tantas outras falácias do mundo pós-moderno".

Ao propormos um grupo terapêutico para o enfrentamento das questões


relacionadas ao tratamento dessas doenças que afetam centenas de pessoas em nosso
município, estamos reafirmando as ações das políticas públicas de saúde, discutindo a
estigmatizarão dos transtornos mentais, o cuidado que afeta o indivíduo e toda sua família e
a comunidade a qual está inserido e finalmente oferecendo um recurso a mais, dentro dos
equipamentos municipais, no trato das doenças mentais que tanto trazem sofrimento ao
seus portadores com a suas famílias.
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Estratégia de execução
A estratégia de execução incorpora metodologias comprovadas e desenvolvidas se
utilizando de instrumentos e técnicas psicológicas, respostas fisiológicas, autoconhecimento
das estruturas corporais e emocionais, evidenciando os vários tipos de respostas pessoais
adequadas/inadequadas a situação problema, buscando a qualificar uma abordagem
baseada em uma avaliação e compreensão dos sintomas, aprimoramento das respostas
corporais e emocionais, desenvolvimento de habilidades de enfrentamento e o
gerenciamento dos resultados finais. Veja a seguir uma descrição dos nossos métodos de
projeto, incluindo como o projeto será desenvolvido, uma linha do tempo de eventos
proposta e os motivos pelos quais sugerimos o desenvolvimento do projeto conforme
descrito.

Linha do tempo para execução

Sessões Objetivos/Metas Duração


01  Apresentar-se e cada membro do grupo também. Orientar sobre os 60 min
objetivos e metas do grupo
 Preencham o inventário de Beck de depressão.
 Estabelecer as regras básicas: CONFIDENCIALIDADE, PRIVACIDADE,
RESPEITO AOS DIREITOPS DOS OUTROS. Abordar o tema
diretamente, solicitando que cada paciente concorde em relação aos
direitos dos outros pacientes à privacidade. Uma diretriz geral é que todos
os pacientes são livres para discutir suas próprias metas específicas, o
progresso e os procedimentos que eles estão aprendendo com quem quer
que eles escolham, mas que nenhum outro membro seja jamais
identificado, nem quaisquer de suas preocupações mencionadas fora do
cenário do grupo.
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 Avaliar e discutir as expectativas de cada um e se todos sentem-se bem


em terapia de grupo.

02  Motivo da procura do tratamento. Deve-se ter o cuidado para que exista 60 min
tempo suficiente para que todos se apresentem e relatem suas
dificuldades e expectativas.
 Explicar o modelo cognitivo, utilizando exemplos citados na sessão 1.
Duração da terapia, metas e funcionamento: preencher o inventário de
Beck em todas as sessões, a importância em realizar as tarefas
sugeridas, pontualidade, frequência, a agenda de cada sessão.
Destacamos que, no início de cada sessão, é desejável estabelecer uma
agenda flexível que permitirá aos pacientes e aos terapeutas visar áreas
específicas para discussão. E útil consultar cada participante para obter
sugestões a fim de que todos possam começar a sessão de grupo com
algum tipo de participação ativa.
 Aprendendo o conceito de "FAZER A VOLTA", uma frase que significa que
o grupo concorda em estruturar seu tempo de tal modo que cada membro
possa ter uma oportunidade para trazer uma de suas preocupações para
discussão. Aprender a reconhecer as situações/pensamentos que
resultam no aparecimento dos sintomas desagradáveis.
 Orientar sobre anotação de eventos desencadeantes –RDPD.

03  Revisar sessão anterior – Palavra Livre - Relatos pessoais, fazendo com 60 min
que cada paciente fale e que os outros participem de forma que, olhando
o problema de fora, possam dar contribuições e facilitar a reestruturação
cognitiva do outro e depois transferir para si (se colocando no lugar do
outro).
 Discutir as preocupações individuais de cada paciente.
 Focar treinamento de habilidades de automonitoração e/ou experimentos
comportamentais. Trabalhando O DESEJO DE MUDANÇA.
 Avaliar o registro de atividade de cada paciente, pedindo a colaboração
dos demais. (Relatório Diário Pensamentos Disfuncionais – RDPD)

04  Trabalhar com registro de pensamentos disfuncionais (RDPD) pedindo 60 min


para que cada paciente relate uma situação em que houve mudança de
humor com o objetivo de introduzir e trabalhar com os pensamentos
automáticos. E importante que dê tempo de todos chegarem a uma
situação e a um pensamento automático. Reforçar novamente a ideia do
modelo cognitivo e tirar dúvidas quanto ao preenchimento destes três
quadros do registro.
 Observar se a emoção está compatível com o pensamento.
Orientar/discutir.

05  Revisar sessões anteriores. Palavra Livre. 60 min


 Avaliar as evidências contra e a favor e solicitando que cada um pense nas
suas evidências e que as escreva. Expor o que fez para, se necessário,
fazer correções. AVALIAR / MUDAR / AGIR.
 Explicar o pensamento alternativo e deixar que cada um tente fazer o seu.
Se houver grande dificuldade, os terapeutas ajudarão e cada um falará
para o grupo a sua conclusão. Preenchimento do registro, cada um irá
colocar o grau da emoção após o pensamento alternativo.
 Orientar e iniciar Técnicas e Atividades Relaxamento.

06  Apresentar e Discutir as crenças de Albert Ellis, identificando o que se 60 min


aplica ao grupo. Discutir as crenças. Verificar ocorrências no grupo.
 Orientar sobre Cartão de Enfrentamento.
 Realizar atividade de Relaxamento.

07  Revisar sessões anteriores. Palavra Livre. 60 min


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 Enfrentando a Depressão/Ansiedade.
 Orientar sobre técnicas de enfrentamento: pensamentos alternativos/
atividades físicas/treinamento assertivo/
 Rediscutir preocupações individuais, fazer role play. Reforço modelo
cognitivo.
 Aprendendo técnicas de Respiração.

08  Avaliar e Reforçar o progresso do grupo. 60 min


 Refazer Escala de Beck (reavaliando)
 Trabalhar pensamentos disfuncionais negativos (se ainda ocorrem).
 Realizar atividade de Relaxamento/Respiração.

09  Discutir texto sobre prevenção e recaída. 60 min


 Reconhecer evoluções do tratamento e treinamento assertivo.
 A importância do das atitudes/ mudança de hábitos/alimentação
saudável//qualidade vida/sono/etc no tratamento
 Realizar atividade de Relaxamento/Respiração.

10  Avaliação/Fechamento grupo. 60 min


 Discutir o “caminhar com autoconfiança e determinação enfrentando novos
desafios emocionais”.
 Refazer Escala de Beck (reavaliando)
 Realizar atividade de Relaxamento/Respiração.

RESULTADOS ESPERADOS E CONCLUSÃO.

Avaliar a eficácia do tratamento proposto, observando-se os resultados obtidos


através dos escores dos inventários de Beck de ansiedade e de depressão. Além desta
análise quantitativa, será realizada uma análise qualitativa baseada na impressão clínica
dos terapeutas, conforme os critérios diagnósticos do DSM-IV/ CID 10

Os resultados buscam confirmar a hipótese de que esta proposta de tratamento


baseado na terapia cognitiva pode ser eficaz. Ao utilizar o inventário de Beck, como
instrumento prévio de avaliação e mensuração podemos validar que o recurso terapêutico
apresentou os resultados desejados ao termino do tratamento.

Existem evidências crescentes de que a terapia cognitiva é um tratamento eficaz, de


curto prazo, para pacientes ambulatoriais com depressão. A terapia ensina os pacientes a
evocar seus pensamentos automáticos e esquemas primitivos mal adaptados. Essas
cognições são "postas à prova" e reestruturadas. Assim, os pacientes começam a ver-se e
aos seus problemas mais realisticamente, sentem-se melhor, mudam seus padrões de
comportamento mal adaptados e dão passos para resolver as dificuldades da vida real.

Projeto desenvolvido por:


Dalton Salles – Psicólogo
Ana Paula Ribeiro Pontes – Fisioterapeuta
Bharbara - Fonoaudiologa
Jessika de Jesus Oliveira - Fisioterapeuta

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