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UEPA- Centro de ciências sociais e educação

Licenciatura em história – 1º semestre


Disciplina: Metodologia Cientifica
Docente: Andréa Pastana
Discente: Gabriel Duarte

GINZBURG, Carlo. Sinais, raízes de um paradigma indiciário. In: Mitos, emblemas e sinais. São
Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 143-179

Alega-se ter nascido, taciturnamente, na esfera das ciências humanas, em meados do sec. XIX,
um espelho de estudo científico (que se denomina de paradigma, sendo esse um modelo,
único ou padrão) que por enquanto não foi adequadamente estudado. Esse paradigma talvez
possa auxiliar na diminuição nas falhas entre o “racional” e o “irracional”

Em meados de 1874 e 1876 Giovanni Morelli produziu um conjunto de artigos sobre pinturas
antigas, nos quais sugere um novo artificio de analise e compreensão, chamado de “método
morelliano”. Ele almejava por intermédio deste método diferenciar os conjuntos originais das
cópias. Para isso era necessário avaliar os mínimos detalhes das obras, os mais negados pelos
copiadores. Esse método gerava muitos resultados, porém foi muito recriminado e caiu em
desuso futuramente.

Wind escreve: “Os livros de Morelli (...) estão salpicados de ilustrações de dedos e orelhas (...)
que traem a presença de um determinado artista, como um criminoso é traído pelas suas
impressões digitais”. Associa-se a metodologia indiciária de Morelli com Sherlock Holmes.

“Vimos, portanto, delinear-se uma analogia entre os métodos de Morelli, Holmes e Freud”.
“Pistas: mais precisamente, sintomas (no caso de Freud), indícios (no caso de Holmes), signos
pictóricos (no caso de Morelli)”. Essa afinidade se explicita pelo fato de Freud, Morelli e Conan
Doyle serem médicos, percebe-se nas três circunstancias o padrão da semiótica médica.

Refere-se à uma alegoria oriental, na qual três irmão descrevem um camelo sem de a
Fato nunca o terem avistado um. Na fábula os companheiros tem um conhecimento próprio
de caçadores, mesmo que não desenvolvam tal prática. Esse saber é mostrado pela aptidão de
remontar uma realidade, narrada, através de acontecimentos que são aparentemente
insignificantes. Feito esse paralelo entre os paradigmas venatório (dos caçadores) e dos textos
divinatórios mesopotâneos (adivinhos e videntes). “a atitude cognoscitiva era, nos dois casos,
muito parecidas; as operações intelectuais envolvidas – análises, comparações, classificações -,
formalmente idênticas.”. Com o decorrer do tempo as analises foram sendo efetuadas sem
distinções e sem considerar a intervenção divina.

“E, como o do médico, o conhecimento histórico é indireto, indiciário, conjetural.”

Narrativa que expõe o trajeto do médico Mancini em sua procura nas diferenciações de obras
de pintura, tendo já uma técnica indiciária de diferenciação de literatura. “Quanto mais os
traços individuais eram considerados pertinentes, tanto mais se esvaía a possibilidade de um
conhecimento científico rigoroso.”
Têm-se então duas opções de métodos: “Sacrificar o conhecimento do elemento individual à
generalização (...), ou procurar elaborar um paradigma diferente, fundado no conhecimento
científico (...) do individual.” As ciências naturais, e bem depois as humanas também, seguiram
excluindo o saber individual. “O conhecimento individualizante é sempre antropocêntrico,
etnocêntrico e assim por diante especificando.”

A apatia qualitativa dos usuários do novo método não rompeu o vínculo com as disciplinas
indiciárias, mas dava uma abordagem matemática rigorosa a temas já estudados pelas
mesmas. A impossibilidade de a medicina chegar a própria aspereza das ciências da natureza
brotado da impossibilidade de quantificação, a não ser em funções de auxilio; a
impossibilidade da quantificação era resultado da presença ineliminável do qualitativo, do
individual.

No texto de Cabanis é notório que a medicina, utilizando técnicas indiciárias, era distinto e
tinha bastante prestígio, e outros métodos indiciários. “Ao longo do século XVIII, a situação
muda. Há uma verdadeira ofensiva cultural da burguesia, que se apropria de grande parte do
saber, indiciário e não indiciário”. A literatura cedeu oportunidades do conhecimento de
experiências à burguesia.

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