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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
CARGA-HORÁRIA EM EAD

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

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CURSO DE
CARGA-HORÁRIA EM EAD

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 CARGA-HORÁRIA PARA CURSO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
2.1 CRITÉRIOS
3 RECURSOS TECNOLÓGICOS UTILIZADOS EM EAD
4 SALA DE AULA VIRTUAL
5 CONTEUDO ON-LINE
6 MATERIAL
7 MURAL
8 FÓRUM
9 ATIVIDADE
10 REVISÃO DE CONTEÚDOS
11 VIDEOCONFERÊNCIA
12 PROVA
13 AVALIAÇÃO DO CURSO
14 CONSIDERAÇOES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 INTRODUÇÃO

A todo o instante nos deparamos com o horário. Ele faz parte da nossa vida
onde quer que estejamos. Nas atividades diárias o horário dirige o tempo, tornando
o sabedor das coisas: para ir ao banco, ao supermercado ou farmácia, médicos,
dentistas, escola etc.

Ao final de semana nos


deparamos com ele, quando
queremos ir ao cinema assistir
a um filme, ou mesmo ir a um
aniversário, há sempre um
horário estabelecido e previsto
para isso. Também a escola
está se enquadrando dentro
deste perfil que gira em torno
das horas. Para se concluir o
ensino fundamental, médio ou
superior, precisou cumprir a
carga-horária total prevista e
definida para ele, para
obtermos a certificação.

FONTE: Disponível em: <http://www.thinkstockphotos.com/image/78320913>. Acesso em: 28 jul.


2010.

Os cursos administrados nas modalidades, presencial ou a distância


também estão vinculados a carga-horária que devem ser cumprida para se obter a
certificação.

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Este curso tem por objetivo analisar critérios para se estabelecer carga-
horária para cursos de educação a distância.

2 CARGA-HORÁRIA PARA CURSO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

O curso de educação a distância é ministrado de Maneira diferenciada com


apoio de recursos humanos, materiais e tecnológicos para permitir que a
informação, cultura e conhecimento atinjam a todos.
Em cada curso trabalhado são atribuídas horas de estudo calculadas
criteriosamente de acordo com a previsão estabelecida em sua elaboração.
Para um curso na modalidade de ensino a distância a carga-horária precisa
ser estabelecida com base no conteúdo previsto e as ferramentas que serão
disponibilizadas para que ele aconteça. Todas elas serão computadas para o total
de horas a ser estabelecido.
Assista a entrevista com o secretário do Ministério da Educação Carlos
Bielschowaky, sobre o ensino a distância e seu crescimento no Brasil, acessando o
endereço abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=jvqCsqva
DYI&NR=1

O curso de educação a distância está amparado pela Lei de Diretrizes e


Bases da Educação Nacional, pelo decreto nº 5622 de 20/12/2005; que em grande
escala está sendo difundido em todo território brasileiro, levando educação e
conhecimento, sobre uma diversidade de temas para milhões de brasileiros,
espalhados por este país e para os que moram em outros países.
Os desafios deste tempo modernizado e informatizado nos tornam agentes
dos processos educativos. Percebe-se que é necessário adequar espaço e tempo
para se conseguir um objetivo.

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Nos processos educativos fazer e refazer são procedimentos que
contribuem de maneira significativa para este aprendizado. Aprender a aprender e a
articulação dessa ação, oportuniza maior flexibilidade, menos conteúdos fixos e
processos dinâmicos de pesquisa e interação.

2.1 CRITÉRIOS

A carga-horária é o tempo, que se leva em média, para concluir um curso.


Respaldados legalmente, os cursos do ensino regular para se concluir o ensino
fundamental, médio ou superior segue-se a determinação da LDB. Para o ensino
fundamental segue-se o que cita a Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB), em seu artigo 24.

I – a carga-horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por


um mínimo de 200 dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos
exames finais, quando houver.

FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pceb015_07.pdf>. Acesso


em: 2 ago. 2010.

Na Educação a Distância, são considerados vários critérios a ser seguidos


para se validar um curso e consequentemente, a promoção dos alunos. Na
modalidade de graduação ou capacitação todo o desenvolvimento do aluno,
levando-se em conta as diferenças individuais de compreensão e que a nossa
tecnologia é capaz de registrar esses números de acessos, é considerado para se
estabelecer a carga-horária final do curso.
Os critérios citados neste material são de fundamental importância para que
se estabeleça a carga-horária nos cursos de educação a distância, também há
necessidade de se estabelecer um planejamento com metodologia a ser utilizada, os
recursos pedagógicos adotados, aliados a tecnologia e mídias disponíveis.

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3 RECURSOS TECNOLÓGICOS UTILIZADOS EM EAD

FONTE: Disponível em:


<http://4.bp.blogspot.com/_4ZNOqkQnLNo/SpKmXhAhoHI/AAAAAAAAAMU/p-
o2aQLdSVo/s400/tecnologia1.jpg>. Acesso em: 2 ago. 2010.

Em um curso de educação a distância a principal ferramenta de acesso ao


espaço sala de aula é por meio do computador e seu acesso a internet. Estabelecido
esse contato, já em sites de pesquisas é possível encontrar cursos grátis, pagos
com valores variados. Normalmente, os preços são planejados de acordo com a
carga-horária do curso que compreende a sua duração, período de estudo efetivo,
pesquisas e interações de aprendizagens, sendo o próprio cursista formador do seu
conhecimento. Cabe a ele aproveitar o tempo disponibilizado para estudo e
apreender a informação.
Acesse ao endereço eletrônico proposto e confira a importância da
tecnologia nesse processo de aprendizagem.

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http://www.youtube.com/watch?v=pg-dpgoz9dU&NR=1&feature=fvwp

Estudar a distância depende muito mais da busca do conhecimento. Cada


aluno se envolve em estudos orientados, previstos para serem realizados em
horários mais adequados para seu estudo e se utilizar das ferramentas de
aprendizagens virtuais que estão a sua disposição, dentro de seu espaço sala de
aula.

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4 SALA DE AULA VIRTUAL

FONTE: Disponível em:


<http://www.mamutemidia.com.br/alua/themoon/3_4_conteudo/aula_virtual/av_aula_
virtual_prof.gif>. Acesso em: 2 ago. 2010.

A sala de aula virtual é um ambiente de estudo interativo com múltiplas


funções: ensinar, aprender, interagir, acertar, errar...
Ao escolher o curso de sua preferência e adquirir acesso ao seu espaço sala
de aula você terá uma metodologia planejada por uma competente equipe de apoio
e suporte técnico e pedagógico, com horas de estudos estabelecidas e planejadas
para serem cumpridas durante o período de curso, quer seja 30, 45, 60 dias ou
mais, ou de 5h, 20, 50, 100h ou mais.
No espaço sala de aula há um ambiente onde o cursista terá uma visão
generalizada do trabalho de aprendizagem: conteúdos, materiais, mural, fórum,
atividades avaliativas e prova.
Acesse o endereço eletrônico abaixo e assista como acontece a realização
do trabalho na Sala Virtual do Portal Educação.

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http://www.youtube.com/watch?v=tfS7OnkAX58

5 CONTEUDO ON-LINE

FONTE: Disponível em: <http://www.infonova.com.br/images/Solucoes/sites_conteudo.jpg>. Acesso


em: 2 ago. 2010.

Os conteúdos on-line são elaborados em textos de formato virtual com


animações, videoaulas, jogos interativos e de aprendizagens. Os conteúdos on-line
são elaborados em formato HTML e permite interação direta com o cursista, quando
eles respondem aos exercícios, assistem as videoaulas que complementam a
aprendizagem textual, quer seja por meio de entrevista com profissional ligado a
área e ao assunto ou uma aula expositiva, sobre determinados conteúdos.
Neste espaço os jogos interativos enriquecem a aprendizagem com tema
sugestivo para a construção do próprio conhecimento, por meio da diversão e do
lazer os jogos contribuem para a fixação dos conteúdos de maneira divertida,
tornando-se um aliado na aprendizagem.

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Ainda os conteúdos on-line apresentam os objetos de aprendizagem que
podem ser por meio de animações em vídeo, entrevistas, leituras de artigos; nesse
espaço são apresentados os assuntos que completam a aprendizagem.
A cada uma das ferramentas citadas é computado o tempo referente ao
estudo individualizado e interativo do cursista, que compõe a carga-horária
estabelecida para o curso.
É conveniente considerar para cada duas (2) páginas de texto o tempo
correspondente a uma hora (1h) de estudo efetivo. Lembrando que estudar é
adquirir conhecimentos, formar conceitos e elaborar considerações. A leitura é um
instrumento de estudo importante para que a aprendizagem aconteça.

6 MATERIAL

FONTE: Disponível em: <http://hsm.updateordie.com/files/2010/06/ead_sebrae.jpeg>.


Acesso em: 2 ago. 2010.

Por meio da sala de aula virtual está disponibilizado todo o material


elaborado em textos, distribuídos em módulos, disponíveis para serem copiados; a
esse tempo de leitura, registro e estudo individualizado estão previstos horas que
serão somadas para se atingir a carga-horária estabelecida para o curso. De posse

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desse material o cursista poderá imprimi-lo e dessa forma ter os textos para estudos
em ambientes a sua escolha, quer seja no intervalo do trabalho ou enquanto
aguarda para ser atendido, na praça, no sítio onde não há possibilidade de visualizar
o curso on-line.
O material deve ser rico em informações fundamentadas com teóricos
renomados e atualizadas periodicamente; sendo desenvolvido visando o sucesso do
cursista. O período de leitura e estudo soma a carga-horária estabelecida para se
concluir o curso.

7 MURAL

FONTE: Disponível em: <http://www.sindqfgo.org.br/images/MuralVirtual.gif>.


Acesso em: 2 ago. 2010.

O espaço mural direciona a aprendizagem do cursista. Por meio das


informações disponibilizadas neste espaço o cursista acompanha os acontecimentos
previstos e participa do processo de maneira atuante e proveitosa. Horários de
videoconferência, gravação de videoconferências, enquetes interativas, mensagens,
ficarão postadas no espaço Mural para serem monitoradas pelos participantes.

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8 FÓRUM

FONTE: Disponível em: <http://portalbbw.uol.com.br/wp-content/uploads/2008/05/blackberry-


forum.jpg>.
Acesso em: 2 ago. 2010.

O fórum é a oportunidade de contato virtual entre os participantes do curso.


Nele poderão ser postados comentários referentes a temas propostos em enquetes,
comentados, discutidos e rebatidos durante o período de curso.
Consiste num espaço de interação com o tutor e com os colegas de turma. É
comum se adotar fórum Café, Atividade e Notícia.
Por intermédio do Fórum Café o cursista interage com seus colegas de
turma, em horários que podem ser agendados entre eles para conversarem diversos
assuntos.
O Fórum Atividade que é exclusivamente um ambiente de interação e
aprendizagem. Nesse são comentados assuntos de conteúdos referentes ao tema
em estudo com interação do tutor que acompanha as postagens durante todo o
período de curso.

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Em fórum notícia são comentadas notas publicitárias referentes ao tema de
seu curso ou relacionado a ele.
A carga-horária de um curso passa por pesquisas, por tempo de estudo, por
construção e busca de conhecimento. E o fórum é uma ferramenta de aprendizagem
virtual que permite debate e argumentos variados sobre um mesmo tema. Para se
atribuir carga-horária ao fórum computa-se que o cursista entre pelo menos dez (10)
minutos por semana.

9 ATIVIDADE

Em cada módulo há atividades de fixação da


aprendizagem, que poderão ser analisadas, pesquisadas,
feitas e refeitas, caso for necessário. Eles te auxiliarão na
elaboração dos conceitos que serão citados nos módulos.

FONTE: Portal Educação

Use registros em blocos de notas para te auxiliarem no processo de revisão,


ao final do curso e antes de realizar a prova.
Em um curso de Educação a Distância há sempre uma atividade avaliativa,
ou seja, que exige do cursista reflexão estudo e pesquisa para a sua elaboração. E
será enviada para análise e correção da tutoria que apoia o trabalho. Há nota e
prazo estabelecido para sua execução e envio. Sempre computado no tempo de
estudo e aprendizagem.
Para se definir a carga-horária destinada para realização, resolução e estudo
de cada atividade, deve ser levado em consideração um tempo de três (3) a cinco
(5) minutos, dependendo do grau de dificuldade que apresenta.

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10 REVISÃO DE CONTEÚDOS

Todo conhecimento adquirido em um curso precisa


ser revisto. É conveniente que se registre todas as
conclusões que forem sendo elaboradas ao longo do estudo
em blocos de notas; registre dúvidas e as questione ao
tutor; revise seus registros para fixar os conceitos que vão
sendo adquiridos com as leituras. Se possível, faça uma

FONTE: Portal Educação revisão geral antes de realizar a prova.

A revisão é uma importante etapa do processo que deve ser vista com
seriedade, pois ela absorve uma carga-horária significativa em seu estudo num
curso a distância.
A carga-horária prevista para a revisão de todo o conteúdo trabalhado é
determinada pelo número de páginas e a duração do curso, levando-se em
consideração o bom-senso, pode-se atribuir uma (1) hora de revisão semanalmente,
para registros, pesquisas e construções significativas.

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11 VIDEOCONFERÊNCIA

FONTE: Disponível em: <http://www.meumentor.com.br/images/videoconferencia.JPG>. Acesso em:


2 ago. 2010.

A videoconferência é uma atividade de aprendizagem que permite a


complementação e enriquecimento do conteúdo. É realizada com auxílio de um
profissional da área de atuação de um curso a distância, previamente agendada e
planejada para garantir a qualidade do processo. Para a videoconferência se
estabelece uma carga-horária equivalente ao tempo de duração da apresentação,
que varia de acordo com o sistema de transmissão, também permite a realização de
chat ao final do trabalho, para que o videoconferencista possa sanar possíveis
dúvidas. É conveniente que se atribua um tempo de 40 min de explanação do tema
e 20min para chat e esclarecimento de dúvidas.

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12 PROVA

FONTE: Disponível em <http://gestaofinanceira.files.wordpress.com/2009/08/matematica-financeira-


01.jpg>. Acesso em: 2 ago. 2010.

A atividade denominada prova é atribuída aos critérios para a obtenção da


conclusão de um curso em Educação a Distância, com notas mínimas para se obter
a certificação.
Por isso, é necessário que se prepare para realizá-la com a leitura dos
módulos, estudos dos seus conceitos registrados em blocos de notas, revisão dos
conteúdos.
Não seja impulsivo e realize a prova, somente ao término do prazo, para
aproveitar todo o tempo disponível para estudo.
Em um curso de Educação a distância com um grande tempo previsto para
estudo, torna-se necessário que seja elaborada uma prova com questões que
avaliem o conhecimento. A ela é estabelecido um número de questões e peso
equivalente para a aprovação e certificação.

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13 AVALIAÇÃO DO CURSO

Ao término de seu curso é conveniente que faça a avaliação de todo o


trabalho que lhe foi ofertado. Sua colaboração e avaliação permitem a qualidade do
processo em toda a sua extensão. A ela é atribuído um peso para a empresa que
você contratou e visa analisar o trabalho que está sendo realizado.

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14 CONSIDERAÇOES FINAIS

A carga-horária de um curso de Educação a Distância é importante etapa do


trabalho de realização do curso. É a etapa principal desse processo, pois envolve
análise de todos os recursos elencados na metodologia adotada e nos critérios
estabelecidos para a sua realização.
Ao trabalho realizado não se pode esquecer que aos dias estabelecidos para
estudo de um curso a distância, é previsto horas planejadas a partir das ferramentas
de elaboração. Há um planejamento criterioso na elaboração de cada atividade de
fixação, desde a escolha do tema até aos profissionais para desenvolver este
trabalho.
A Educação a Distância traz conhecimentos sem fronteiras, oportunizando a
garantia de um estudo interativo e capacitação constante, levando conhecimento e
informação aos lugares mais distantes, por meio do auxílio da tecnologia.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Educação A Distância. Decreto n 2.494, de 10 de


fevereiro de 1998.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo:
Atlas,2002.

MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos & BEHRENS, Marilda. Novas


Tecnologias e Mediação Pedagógica. 10. ed. São Paulo: Papirus, 2006.

MORAN, José Manuel. Formação de tutores em educação a distância.


Florianópolis: Sead/UFSC, 2006.

SANTOS, Gisele do Rocio C. M. et al. Orientações e dicas práticas para


trabalhos acadêmicos. Curitiba: Ibpex, 2007.

TÍTULO. Disponível em:


<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pceb015_07.pdf>. Acesso em: 2
ago. 2010.

FIM DO MÓDULO

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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

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CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do
mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são
dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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SUMÁRIO

MÓDULO I
1 HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1.1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO MUNDO
1.2 A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL

MÓDULO II
2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS
2.1 ABORDANDO CONCEITOS
2.2 CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
2.3 ENSINO E APRENDIZAGEM COM QUALIDADE NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
2.4 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
2.4.1 Características de alguns ambientes virtuais de Aprendizagem
2.5 LEGISLAÇÃO QUE FUNDAMENTA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MÓDULO III
3 TECNOLOGIAS UTILIZADAS EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
3.1 FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA NA INTERNET NO
PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
3.2 POR QUE UTILIZAR UMA FERRAMENTA COLABORATIVA?
3.3 DIDÁTICA NO USO DE FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM
COLABORATIVA: PROCESSO E AVALIAÇÃO

MÓDULO IV
4 FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM
4.1 BLOG
4.1.1 Quando utilizar um blog?
4.1.2 Como proceder didaticamente com blog?

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4.2 CHAT
4.2.1 Quando utilizar um chat?
4.2.2 Como proceder didaticamente com chat?
4.3 FÓRUM
4.3.1 Quando utilizar um fórum?
4.3.2 Como proceder didaticamente com fórum?
4.4 WIKI
4.4.1 Quando utilizar um wiki?
4.4.2 Como proceder didaticamente com wiki?
4.5 ALGUNS EXEMPLOS DE PRÁTICAS EDUCATIVAS COLABORATIVAS
4.6 CONHECENDO E EXPLORANDO AS FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM
COLABORATIVA NA INTERNET
4.6.1 Blog
4.6.2 Chat
4.6.3 Fórum
4.6.4 Wiki
4.6.5 Alguns sites interessantes

MÓDULO V
5 DOCÊNCIA, DISCÊNCIA E TUTORIA EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
5.1 DOCÊNCIA: O PERFIL DO EDUCADOR
5.2 O ATOR DO PROCESSO: O DISCENTE
5.3 TUTORIA: NOVO PERSONAGEM NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.
5.4 AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
5.4.1 Instrumentos de avaliação
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MÓDULO I

1 HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Educação a Distância no Brasil não é uma prática recente. Existem hoje


instituições conceituadas com milhares de alunos a distância, em cursos que
utilizam diversas mídias e estruturas (RODRIGUES, 1998).
No Brasil, desde a fundação do Instituto Rádio Monitor, em 1939, várias
experiências na área de Educação a Distância foram iniciadas. Esses cursos
utilizam diferentes mídias e materiais para levar a Educação a Distância aos mais
diferentes locais do Brasil, permitindo assim o acesso e a democratização do ensino
superior àqueles que por diversos motivos encontram-se impossibilitados de
frequentar a universidade diariamente.
Partindo do pressuposto de que a formação acadêmica é uma questão de
suma importância, a Educação a Distância deve então ser vista como uma
estratégia e uma possibilidade democratizadora de acesso à universidade.
A humanidade sempre produziu conhecimentos, mas hoje com um
expressivo diferencial, o acesso e a rapidez da transmissão dessas informações
acontecem em tempo real. E esses são fatores fundamentais que devem ser
levados em consideração quando se faz uma análise do processo de conhecimento,
informação e educação que a universidade se propõe a oferecer aos seus
acadêmicos em cursos a distância.
O avanço tecnológico imposto pelo mercado capitalista e as transformações
sociais ocorridas em virtude dessas tecnologias e das rápidas transformações do
mercado e da sociedade. Tais mudanças certamente forçaram mudanças no modo
de vida da população e em consequência essas mudanças também atingiram os
sistemas de ensino, que buscam por inovações e novas formas de trabalhar as
necessidades educacionais que não podem ser satisfeitas somente pelos sistemas
tradicionais de ensino.

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O século XXI pode caracterizar-se por uma particularidade no âmbito
educacional: a demanda sem precedentes pelo acesso a educação. Essa demanda
deve-se à consciência do direito à educação e a certeza de que sem escolarização
não contribuímos com uma sociedade justa e igualitária.
Saímos do século da produção e iniciamos o século do conhecimento,
século que exige da sociedade uma revisão e reavaliação de posicionamentos, de
atitudes e posturas. Exige também maior abertura de espaços educativos para que
possa agregar maior número de pessoas possíveis. Prosseguindo nesse
pensamento, podemos levantar questionamentos, tais como: As escolas, em seu
espaço físico, estão capacitadas para atender a essa demanda? Que escola estaria
preparada para atender uma diversidade cultural tão grande? Como a escola pode
superar possíveis limitações de tempo, de espaço e a falta de profissionais
qualificados?
Percebemos então que a escola, na forma que se encontra estruturada hoje,
não consegue atender à demanda pela educação que a sociedade necessita. É
necessário que se (re) pense em uma nova modalidade de educação, que seja
capaz de atender ao grande contingente de pessoas existente, esperando pelo
acesso à educação.
De tal modo, a Educação a Distância, como modalidade de educação, surge
de forma surpreendente nos últimos tempos e alcança os mais diferentes lugares do
mundo, em razão do uso das novas tecnologias da informação e da comunicação.
A diferença entre a educação presencial e a educação a distância se dá pelo
fato de que na modalidade presencial o aluno tem acesso ao conhecimento em um
espaço previamente determinado, ou seja, todos os dias na universidade, em um
espaço físico determinado.
Na modalidade a distância o aluno desenvolve capacidades e habilidades no
tempo e no local que lhe são adequados, com mediação de professores e tutores,
utilizando-se de variados materiais didáticos, como: cadernos pedagógicos, fitas de
vídeo, teleconferências, videoconferências, teleaudiovideoconferências,
acompanhamento tutorial, internet, utilização de hipertextos e todas as formas
disponíveis dos meios de comunicação.
O desafio de educar e educar-se a distância é grande, pois o acadêmico
deve desenvolver competências e habilidades inerentes a sua profissão, ser mais

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reflexivo quanto a sua ação e mediação, uma vez que será ele próprio o autor das
práticas educativas que serão embasadas nas teorias estudadas. No ensino a
distância, o aluno faz uso da teoria para amparar sua prática pedagógica ou então a
sua prática será início de uma nova teorização. Todavia, ambas – teoria e prática –
deverão estar pautadas nos pilares da reflexão/ação/reflexão.
Os cursos superiores buscam por indicadores de qualidade para se firmar no
mercado e a educação a distância não é diferente. Viabilizar cursos na modalidade
de Educação a Distância no Brasil – onde a diversidade de contextos e experiências
malsucedidas na educação criou uma imagem de descrédito e resistência perante
as universidades – implica um trabalho cauteloso de pesquisa e avaliação das
iniciativas que estão surgindo, na busca da estruturação de modelos que sejam
adequados à realidade brasileira e que consolidem a Educação a Distância
enquanto prática educativa (RODRIGUES, 1998).
A Educação a Distância é caracterizada pela separação do professor e aluno
no espaço e no tempo, pelo controle do aprendizado realizado mais intensamente
pelo aluno do que pelo instrutor distante, pela comunicação entre professores e
alunos sendo mediada por documentos impressos ou alguma forma de tecnologia.
O Módulo I apresenta a Educação a Distância no mundo e destaca
principalmente sua trajetória no Brasil. O Módulo II traz as características e os
conceitos sobre Educação a Distância que vêm sendo utilizadas nas universidades,
empresas, iniciativas públicas e privadas como forma de democratização e acesso
ao ensino superior. O Módulo III apresenta as principais tecnologias da informação e
da comunicação usadas na Educação a Distância. O Módulo IV descreve os objetos
utilizados na aprendizagem colaborativa. O Módulo V aborda os principais
elementos constituintes desse sistema tutorial, definindo seus papéis e formas de
comunicação entre o professor, o tutor e aluno.

1.1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO MUNDO

Quando falamos em Educação a Distância nos parece ser um elemento


inovador e uma proposta mágica no cenário educacional, porém, a Educação a

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Distância apresenta uma longa história. Nessa trajetória, destacam-se modelos de
Educação a Distância que foram marcados pelo sucesso da atividade realizada, bem
como pelo fracasso no processo, devido a vários fatores. Sua origem remonta as
experiências de educação por correspondência iniciadas no final do século XVIII e
com amplo desenvolvimento a partir de meados do século XIX. De acordo com
alguns autores, Educação a Distância (EAD) é uma modalidade de ensino tão antiga
quanto às primeiras epístolas bíblicas.
Segundo Chaves (1999), a Educação a Distância (EAD) é uma modalidade
de ensino bastante antiga, sendo uma forma de ensino que ocorre quando o aluno e
professor se encontram separados no tempo ou no espaço, entre outros vários
fatores também determinantes e decisivos para o sucesso ou fracasso desse
modelo de educação. Obviamente, para que possa haver Educação a Distância, é
necessária a utilização de alguma tecnologia.
A primeira tecnologia que permitiu às pessoas comunicar-se sem estarem
face a face foi a escrita. A tecnologia tipográfica, posteriormente, ampliou
grandemente o alcance da Educação a Distância. Landim (1997) menciona que as
mensagens trocadas pelos cristãos para difundir a palavra de Deus são a origem da
comunicação educativa, por intermédio da escrita, com o objetivo de propiciar
aprendizagem aos discípulos.
De acordo com Chaves (1999, p. 24):

A invenção da escrita possibilitou que as pessoas escrevessem o que antes


só podiam dizer e, assim, permitiu o surgimento da primeira forma de EAD:
o ensino por correspondência. As epístolas do Novo Testamento
(destinadas a comunidades inteiras), que possuem nítido caráter didático,
são claros exemplos de EAD. Seu alcance, entretanto, foi relativamente
limitado – até que foram transformadas em livros.

A modalidade de Educação a Distância, impulsionada pelos avanços das


novas tecnologias deslanchou em meados do século XX, embora os registros
apontem para as cartas de Platão e as Epístolas de São Paulo.
A Educação a Distância começou no século XV, quando Johannes
Gutenberg, em Mogúncia, Alemanha, inventou a imprensa, com composição de
palavras com caracteres móveis. Dessa forma, o livro manual deu lugar ao livro
copiado, sendo desnecessário ir às escolas para assistir ao venerando mestre ler,

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na frente de seus discípulos, o raro livro copiado, surgindo assim à possibilidade de
a leitura acontecer fora da sala de aula.
Para Sartori (2002) e Saraiva (1996), um dos primeiros acontecimentos da
Educação a Distância foi o anúncio publicado na Gazeta de Boston. No início do
século XVIII, o professor de taquigrafia Cauleb Phillips anunciava que toda pessoa
da região, desejosa de aprender a arte da taquigrafia, podia receber em sua casa
várias lições semanalmente e ser perfeitamente instruída, como as pessoas que
vivem em Boston.
Rodrigues (1998) ao fazer referências a vários autores em seu texto diz que
dentro da evolução da comunicação baseada na escrita, o marco importante foi a
criação, em 1840, na Inglaterra, do Penny Post (Moore e Kearsley, 1996; Mattelart
1994), que entregava correspondência, independente da distância, ao custo de um
penny, o equivalente a dez centavos.
Landim (1997) também menciona o anúncio da Gazeta de Boston, de 1728,
que oferecia material para ensino e tutoria por correspondência. Alves (1994, apud
Rodrigues, 1998) considera como a primeira experiência de Educação a Distância
um curso de contabilidade na Suécia em 1833.
Sartori (2002) ressalta que no final do século XIX, foi criada a divisão de
Ensino por Correspondência no Departamento de Extensão da Universidade de
Chicago, sendo que já haviam sido capacitados professores de escolas dominicais
com a utilização de correspondência. Na mesma época, Hans Hermond, diretor de
uma escola que ministrava cursos de línguas e cursos comerciais, publicou o
primeiro curso por correspondência, inaugurando o famoso Instituto Hermond, na
Suécia.
Rodrigues (1998) faz menção aos cursos por correspondência formalmente
reconhecidos quando o estado de Nova Iorque autorizou o Chatauqua Institute, em
1883, a conferir diplomas por meio deste método.
Alves (1994, apud Rodrigues, 1998) menciona a Illinois Wesleyan University
como a primeira Universidade Aberta no mundo, tendo iniciado, em 1874, cursos por
correspondência. Landim (1997, apud Rodrigues, 1998) considera que a primeira
instituição a fornecer cursos por correspondência foi a Sociedade de Línguas
Modernas, em Berlim, que, em 1856, iniciou cursos de francês por correspondência.

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9
Em 1938, na cidade de Vitória, no Canadá, realizou-se a Primeira
Conferência Internacional sobre Educação por Correspondência e mais países
foram adotando a Educação a Distância, os quais abrigam culturas diferentes e
sistemas políticos diferentes, como: África do Sul e Canadá, em 1946; Japão, em
1951; Bélgica, em 1959; Índia, em 1962; França, em 1963, Espanha, em 1968;
Inglaterra, em 1969; Venezuela e Costa Rica, em 1977. Nesses países, os cursos
superiores a distância tornaram-se bastante populares. Os programas e cursos
adotados nessas universidades foram decisivos para validar a Educação a
Distância, dando-lhes credibilidade e aceitabilidade.
Sartori (2002) destaca a importância das universidades que oferecem cursos
a distância. Ressalta que foi a partir de 1969, com a criação da pioneira
Universidade Aberta (Open University) na Inglaterra, que teve como objetivo
principal a democratização da educação, que ocorreu a significativa expansão dessa
modalidade de educação.

Mesmo que possa haver divergências quanto à primeira instituição e ao


primeiro curso a distância, a bibliografia é unânime quanto à importância da
Open University da Inglaterra, criada em 1969 como um marco e um modelo
de sucesso, que tem atuação destacada até hoje. A novidade foi o uso
integrado de material impresso, rádio e Televisão (por meio de um acordo
com a BBC) e de contato pessoal. Por meio de centros de atendimento
espalhados no país, o fato dos alunos não necessitarem apresentar
certificado de formação escolar anterior (ter 21 anos é suficiente para
ingressar na universidade) e o alto nível dos cursos (RODRIGUES, 1998,
p.29).

A seguir serão destacadas algumas das maiores e mais tradicionais


instituições que têm programas de Educação a Distância nos três últimos séculos.
Os dados a seguir são de autoria de Rodrigues (1998) e Sartori (2002). Como
destaca Rodrigues (1998, p. 30):

A análise de algumas das maiores e mais tradicionais universidades que


têm programas de Educação a Distância contribui para um referencial
teórico e operacional, onde estão apresentadas num panorama para
destacar as várias formas possíveis de atuação em diferentes contextos. O
contato com outras experiências permite a visão de procedimentos e
técnicas que, com certeza, criam atalhos e indicam caminhos que podem
ser considerados quanto à viabilidade de implantação no Brasil.

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10
 1856: em Berlim foi criada a Sociedade de Línguas Modernas, que ensina
Francês por correspondência.
 1892: Penn State University - USA. Uma das Universidades pioneiras em
cursos a distância, tendo iniciado o primeiro curso por correspondência em 1892.
Hoje, a Universidade oferece cursos com e sem créditos, especialmente modelados
para EAD com o objetivo de ajudar as pessoas a aprender sem interromper suas
agendas de trabalho, compromissos de família, responsabilidades na comunidade
ou outros interesses educacionais. As metodologias de educação a distância
incluem aprendizado independente e aberto; teleconferências; televisão interativa;
programas internacionais e de pesquisas especialmente contratados. A Penn State
sedia o CREAD - Inter-American Distance Education Network, um consórcio de mais
de sessenta universidades e outras organizações no Canadá, Estados Unidos,
México e América do Sul.
 1910: professores rurais do curso primário começam a receber material
de educação secundária pelo correio, em Vitória, Austrália;
Nasce o centro Nacional de Ensino a Distância na França (CNED).
A rádio Sorbonne transmite aulas de matérias literárias da Faculdade de
Letras e Ciências Humanas de PARIS.
 1951: A Universidade de Sudafrica dedica-se exclusivamente a
desenvolver cursos a distância.
 1958: University of Wisconsin – EUA. A University of Wisconsin iniciou
seu programa de Educação a Distância em 1958. Gerencia uma rede com pontos de
videoconferência e sites com teleaudioconferência no estado. A Cooperativa de
Extensão desenvolve programas educacionais especialmente modelados para as
necessidades locais e baseados no conhecimento e pesquisa da universidade.
 1962: a Universidade de Dehli cria um departamento de Estudos por
correspondência.
 1963: inicia-se, na França, o ensino universitário, por rádio, em cinco
faculdades de letras.
 1971: Canadá, Athabasca University – a Universidade iniciou seu
programa de educação a Distância em 1971 e sua missão, formulada em 1985,
apresenta como objetivo a remoção das barreiras que tradicionalmente restringem o
acesso e o sucesso em estudos de nível universitário e aumentar a igualdade de

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11
oportunidades de educação para todos os seus cidadãos adultos, independente da
sua localização geográfica e currículo acadêmico anterior. Em comum com todas as
Universidades, Athabasca University tem comprometimento com excelência em
ensino, pesquisa e auxílio financeiro aos alunos e na prestação de serviços ao
público em geral.
 1971: Open University, Inglaterra. A Open University é possivelmente a
maior e mais tradicional instituição de Educação a Distância do Ocidente. Em 1971,
os primeiros 24.000 estudantes ingressaram em diversos cursos. Em 1996, mais de
150.000 alunos matricularam-se em cursos de graduação e pós-graduação da
universidade. Foram vendidos mais de 50.000 pacotes de materiais de aprendizado.
 1972: cria-se em Madri, Espanha, a Universidade Nacional de Educación
a Distância (UNED). Canadá inicia uso de satélites de telecomunicações só para
educação.
 1974: cria-se a Universidade Aberta de Israel.
 1974: Fernuniversität, Hagen, Alemanha. A universidade iniciou seus
trabalhos em 1974 e funciona igual às demais instituições alemãs em termos de
estrutura, pessoal, pesquisa, currículo, critérios de admissão e avaliação dos alunos.
 1979: cria-se o Instituto Português de Ensino a Distância, cujo objetivo é
lecionar cursos superiores para os professores.
 1979: Rádio e Television Universities, China. A Rede Nacional de Rádio e
Television Universities (RTVU) foi criada em 1979 para atender à crescente e
urgente demanda por pessoas qualificadas em educação de adultos que o sistema
convencional não conseguia satisfazer.
 1983: implanta-se a Associação Sueca de Educação a Distância.
 1984: The Open University of the Netherlands, Holanda. A Universidade
Aberta da Holanda iniciou suas atividades em 1984. O governo holandês criou uma
instituição independente com o objetivo de tornar acessível a educação científica
para todas as pessoas com os interesses e capacidades compatíveis, para as
pessoas que não podem ou não querem frequentar cursos regulares porque elas
não têm a formação acadêmica adequada ou porque não dispõe do tempo
necessário. Assim, a Open University se dirige a dois grupos principais: os que
necessitam de uma "segunda chance" e os que preferem uma "segunda alternativa".

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 1987: Indira Gandhi National Open University, Índia (IGNOU). A
programação acadêmica da IGNOU começou em 1987 com o objetivo de prover
oportunidades de educação superior a grandes segmentos da população, incluindo
os grupos em desvantagem educacional (mulheres, deficientes físicos e pessoas
com baixa renda), promover o conceito de Educação a Distância e prover educação
de alta qualidade a nível universitário.
 1988: o Instituto Português de Ensino a Distância origina a Universidade
Aberta de Portugal.
 2000: cria-se a Universidade Virtual Euromediterrânea.

Para Volpato (2005, p. 2):

A sistematização da Educação a Distância deu-se com a necessidade de


treinamento dos recrutas durante a II Guerra Mundial, quando o método foi
aplicado tanto para a recuperação social dos vencidos egressos desta
guerra, quanto para o desenvolvimento de novas capacidades profissionais
para uma população oriunda do êxodo rural. Porém, a Educação a Distância
não ficou restrita ao momento pós-guerra. Foi amplamente utilizada por
diversos países, independentemente do seu poder econômico ou detenção
de tecnologia, tendo sempre como escopo a minimização de seus
problemas sociais. Atualmente, mais de 80 países atendem milhares de
pessoas, com sistemas de ensino a distância em todos os níveis, em
sistemas formais e não formais.

A Educação a Distância no mundo protagonizou um dos papéis mais


distintos no setor educacional, o acesso e a democratização universal do ensino
para as pessoas que por diversos motivos não conseguiram terminar ou quem sabe
começar um curso, seja ele superior, técnico profissionalizante ou do ensino
fundamental.

1.2 A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL

A Educação a Distância brasileira é uma novidade que causa dúvidas


quanto a sua eficiência, conforme nos alerta Sartori (2002), ao afirmar que desde a
fase de implantação até o momento, algumas iniciativas de Educação a Distância
tiveram sucesso e outras não. Embora não haja, ainda, uma tradição dessa

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modalidade educativa, ela já se fez presente no processo educacional brasileiro, em
instituições públicas e privadas.
No Brasil, o início da Educação a Distância não está associado ao material
impresso, e sim ao rádio. Sartori (2002) aponta a fundação da Rádio Sociedade do
Rio de Janeiro, em 1923, por Roquete Pinto, como o marco inicial da Educação a
Distância que tinha como objetivo utilizar o rádio como forma de ampliação do
acesso à educação, ou “transmitindo programas de literatura, radiotelegrafia e
telefonia, de línguas, de literatura infantil e outros de interesse comunitário” (ALVES,
1994, p. 25). A emissora foi doada ao Ministério da Educação e Saúde em 1936, e
no ano seguinte foi criado o Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da
Educação (ALVES, 1994).
Para Volpato (2005) a Educação a Distância no Brasil surgiu por volta do
ano de 1936, com a criação do Instituto Rádio Monitor, seguida das experiências do
Instituto Universal Brasileiro, a partir de 1941. Destaca ainda que, na década de 50,
outras instituições motivadas pela necessidade de democratizar o saber e tomando
como realidade às dimensões continentais brasileiras, passou a fazer uso do ensino
a distância via correspondência.
Para Alves (1994, p. 27):

Inexistem registros precisos acerca da criação da Educação a Distância no


Brasil. Tem-se como marco histórico a implantação das “Escolas
Internacionais” em 1904, representando organizações norte-americanas.
Entretanto, o Jornal do Brasil, que iniciou suas atividades em 1891, registra
na primeira edição da seção de classificados, anúncio oferecendo
profissionalização por correspondência (datilógrafo), o que faz com que se
afirme que já se buscavam alternativas para a melhoria da educação
brasileira, e coloca dúvidas sobre o verdadeiro momento inicial da
Educação a Distância.

Alves (1994, p. 29) ressalta que a crise na educação nacional já era notada
na época, buscando-se desde então opções para a mudança do status quo.
Transcreveu a citação contida no relatório de 1906, do Dr. Joaquim José Seabra,
Ministro da Justiça e Negócios Interiores (que abrangia a Educação), ao Presidente
da República. Textualmente, assim manifestava o titular da pasta: “O ensino chegou
(no Brasil) a um estado de anarquia e descrédito que, ou faz-se a sua reforma
radical, ou preferível será aboli-lo de vez”.

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A educação a distância começou, portanto, em um momento bastante
conturbado da educação brasileira, tendo sua instituição em 1936, com a criação do
Instituto Rádio Técnico Monitor, com programas dirigidos ao ramo da eletrônica
(RODRIGUES, 1998).
Em 1939, a Marinha e o Exército brasileiros utilizavam a Educação a
Distância para preparar e admitir oficiais na Escola de Comando do Estado Maior,
utilizando basicamente material impresso, via correspondência (SARTORI, 2002).
Em 1941, foi criado o Instituto Universal Brasileiro dedicado à formação
profissional de nível elementar e médio utilizando material impresso – instituído
como entidade livre, com sede em São Paulo e filiais no Rio de Janeiro (SARTORI,
2002).
Em 1943, Alves (1994) destaca que a Igreja Adventista lançou, no Brasil,
programas radiofônicos pela Escola Rádio-Postal de “A Voz da Profecia”, com a
finalidade de oferecer aos ouvintes cursos bíblicos por correspondência.
Em 1946, tem início às atividades do SENAC - Serviço Nacional de
Aprendizagem Comercial - que desenvolveu no Rio de Janeiro e em São Paulo, a
Universidade do Ar, que em 1950 já atingia 318 localidades e 80 alunos; em 1973,
iniciou os cursos por correspondência, seguindo o modelo da Universidade de
Wisconsin - USA (ALVES, 1994).
Rodrigues (1998) aponta a Diocese de Natal, no Rio Grande do Norte como
criadora das escolas radiofônicas que deram origem ao Movimento de Educação de
Base – MEB, em 1959, e coloca entre as experiências de destaque em Educação a
Distância não formal no Brasil.
Rodrigues (1998) cita Nunes (1992) quando o mesmo diz que a
preocupação básica do Movimento de Educação de Base - MEB era alfabetizar e
apoiar os primeiros passos da educação de milhares de jovens e adultos,
principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O projeto foi desmantelado
pela ação do governo pós 1964.
De acordo com Sartori (2002) na década de 60, foi criado o Programa
Nacional de Teleducação (Prontel) no Ministério da Educação e Cultura, sendo
responsável por coordenar e apoiar a Educação a Distância no país, sendo
substituída pela Secretaria de Aplicação Tecnológica (SEAT), extinta
posteriormente.

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Em 1962, foi fundada, em São Paulo, a Ocidental School, de origem
americana, sendo atuante no campo da eletrônica. Possuía, em 1980, alunos no
Brasil e em Portugal (ALVES, 1994).
Na área de educação pública, o IBAM – Instituto Brasileiro de Administração
Municipal – iniciou suas atividades em EAD em 1967, utilizando a metodologia de
ensino por correspondência (ALVES, 1994).
Em 1970, surge o Projeto Minerva irradiando cursos de Capacitação Ginasial
e Madureza Ginasial, produzidos pela Fundação Padre Landell de Moura - FEPLAM
e pela Fundação Padre Anchieta. Foi um programa implementado como possível
solução para os problemas do desenvolvimento econômico, social e político que o
país atravessava. Tinha como cenário um período de crescimento econômico,
conhecido como o milagre brasileiro, em que a ênfase na educação era preparar
mão de obra para atender a esse desenvolvimento e à competição internacional.
Esse projeto foi mantido até o início dos anos 80, apesar das severas críticas e do
baixo índice de aprovação – 77% dos inscritos não conseguiu obter o diploma
(RODRIGUES, 1998).
A história da Educação a Distância no Brasil registra também que, nas
décadas de 60 a 80, novas entidades foram criadas com fins de desenvolvimento da
educação por correspondência, sendo que algumas já estão desativadas. Um
levantamento feito com apoio do Ministério da Educação, em fins dos anos 70,
apontava a existência de 31 estabelecimentos de ensino, utilizando-se da
metodologia de EaD, distribuídos em grande parte nos Estados de São Paulo e Rio
de Janeiro (ALVES, 1994).
Podemos destacar as seguintes unidades educacionais:
 Associação Mens Sana, com cursos a partir de 1967;
 Centro de Ensino Técnico de Brasília, em 1968;
 Cursos Guanabara de Ensino Livre, em 1969;
 Instituto Cosmos, em 1970;
 Centro de Socialização, em 1972;
 Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, em 1973;
 Universidade de Brasília, em 1973;
 Centro de Estudos de Pessoal do Exército Brasileiro, em 1974;
 Universal Center, em 1974;

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16
 Fundação Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos, vinculado
ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1975;
 Cursos de Auxiliares de Clínica e de Cirurgia, em 1975;
 Instituto de Radiodifusão da Bahia, em 1975;
 Empresa Brasileira de Telecomunicações - EMBRATEL, em 1976;
 Banco Itaú, em 1977;
 Associação Brasileira de Tecnologia Educacional - ABT, em 1980;
 Centro Educacional de Niterói, em 1980;
 Banco do Brasil, em 1981;
 Universidade Federal do Maranhão, em 1981;
 Colégio Anglo-Americano, em 1981;
 Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior, em 1982;
 Escola de Administração Fazendária, em 1985;
 Projeto Rondon, em 1986.

Sartori (2002) destaca a importância do projeto LOGUS II, desenvolvido nas


décadas de 70 e 80, habilitando mais de 60 mil professores em todo o Brasil
especificamente em Santa Catarina. Destinava-se à habilitação de professores
leigos para atuarem nas séries iniciais do ensino fundamental. Posteriormente foi
substituído pelo Programa de Valorização do Magistério, sendo que o mesmo está
praticamente desativado.
No início dos anos 70, o número de analfabetos no Brasil foi um obstáculo à
modernização do país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. O governo
optou pela adoção das primeiras experiências de educação por satélite, baseado no
relatório Advanced System for Comunications and Education in National
Development - ASCEND, idealizado pela Stanford University, que preconizava a
eficácia de um protótipo de sistema total de utilização do audiovisual com a
finalidade de educação primária (RODRIGUES, 1998).
Em 1974, surge o projeto SACI que atendia às quatro primeiras séries do
primeiro grau. O projeto foi interrompido em 1977-1978 sob o pretexto oficial de que
seria demasiado dispendioso comprar outro satélite; colocando em evidência às
contradições nas diferentes instâncias do Estado brasileiro entre as estratégias em
matéria de telecomunicações, educação e política científicas (RODRIGUES, 1998).

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Em 1974, a Fundação de Teleducação do Ceará - FUNTELC, também
conhecida como Televisão Educativa - TVE do Ceará, desenvolve ensino regular de
quinta a oitava série e, em 1993, tinha 102.170 alunos matriculados em 150
municípios (ALVES, 1994).
Em 1978, a Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e a Fundação Roberto
Marinho lançaram o Telecurso Segundo Grau, utilizando programas de TV e material
impresso vendido em bancas de jornal, para preparar os alunos para o exame
supletivo. Em 1995, foi lançado o Telecurso 2000, nos mesmos moldes (ALVES,
1994).
Em 1991, foi lançado o programa Um Salto para o Futuro, uma parceria do
Governo Federal, das Secretarias Estaduais de Educação e da Fundação Roquette
Pinto dirigido à formação de professores e veiculado por meio de emissoras de
televisão educativas. Esse programa vem crescendo e aprimorando o atendimento
aos professores, aumentando o número de telepostos organizados pelas Secretarias
de Educação dos Estados, contando com orientadores de aprendizagem nos
telepostos. Esses orientadores assumem o papel de tutores do curso (SARTORI,
2002).
O MEC, por meio da Secretaria de Educação a Distância, oferece o curso
Proformação, que presenta como objetivo habilitar professores em nível de ensino
médio.
Mas e a Educação Superior? Em que momento da história brasileira a
Educação Superior a Distância surgiu? Na década de 70, uma das primeiras
experiências com Educação Superior a Distância ocorreu na Universidade de
Brasília, que ofereceu cursos na área de ciências políticas. Porém, somente no final
da década seguinte foram credenciadas as primeiras universidades brasileiras para
desenvolver cursos superiores de graduação, na modalidade a distância:
 Em 1988, a Escola do Futuro-USP: um laboratório interdisciplinar de
pesquisa da Universidade de São Paulo, que iniciou seus trabalhos e teve como
meta investigar tecnologias emergentes de comunicação e suas aplicações
educacionais (RODRIGUES, 1998).
 Em 1995, a Universidade Federal de Santa Catarina estruturou o
Laboratório de Ensino a Distância no Programa de Pós-Graduação em Engenharia

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18
de Produção. Os cursos são customizados e permitem atender às necessidades de
diversas clientelas (RODRIGUES, 1998).
 Em 1999, a Universidade Federal do Pará – UFP.
 Em 1999, a Universidade Federal do Paraná.
 Em 2000, a Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.
 Em 2001, a Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT.

A Educação a Distância tem avançado de forma gradativa e muitas foram às


experiências observadas. No cenário internacional adquiriu com o passar dos
tempos qualidade e credibilidade para a sua expansão. No Brasil, a Educação a
Distância, principalmente com relação ao ensino superior, ainda é vista com
resistência e descrédito, sendo motivada pela forte concorrência com as instituições
privadas de ensino. Por ser uma modalidade que irá atender à grande massa
populacional, necessita passar por ajustes que deem condições de transitar de
forma normal pela sociedade, de ser aceita como uma modalidade inovadora e
democratizadora do ensino e da educação.

FIM DO MÓDULO I

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19
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

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20
CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MÓDULO II

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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21
MÓDULO II

2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS

2.1 ABORDANDO CONCEITOS

Para Chaves (1999) faz-se necessário distinguir o que seja Educação a


Distância, Aprendizagem a Distância e Ensino a Distância. Ele caracteriza Educação
e Aprendizagem como sendo processos que acontecem dentro das pessoas e não
há a possibilidade de ser realizada a distância. Portanto, considera as expressões
Educação a Distância e Aprendizagem a Distância, totalmente inadequadas ao
propósito a que se propõem. Pois educação e aprendizagem acontecem onde quer
que o indivíduo esteja educando-se ou aprendendo. Segundo o autor, não há como
fazer e entender teleducação e teleaprendizagem.
Ainda segundo Chaves (1999), o Ensino a Distância é perfeitamente
possível acontecer, pois ocorre o tempo todo, como, por exemplo, quando utilizamos
um livro que foi escrito para nos ensinar alguma coisa, ou quando assistimos ou
temos acesso a uma informação. Para ele, a expressão “Ensino a Distância” faz
perfeito sentido porque quem está ensinando, o ensinante, está espacialmente
distante (geograficamente) de quem está aprendendo, o aprendente. Percebe-se,
portanto, divergências sobre o que seja Educação, Ensino e Aprendizagem a
Distância. Assim, é necessário buscar auxílio em outros autores para reforçar ou
refutar tais ideias ou termos utilizados.
Se educar e aprender são processos internos e que independem do espaço
e do tempo, podemos então pensar que esses processos acontecem a distância
sim. Aprendemos ou educamos e também ensinamos com o auxílio de tecnologias,
por meio da nossa postura e de nossas palavras e até mesmo com o nosso silêncio.
Então, dependendo da estrutura que o curso adota, com certeza também adotará

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uma terminologia, como Ensino, Educação e Aprendizagem a Distância, mas é
interessante pensarmos que independente de lugar, espaço, tempo, tecnologias ou
denominações, quando falamos em educação, estamos automaticamente falando
em ensino, aprendizagem e educação, pois esses são termos que não podem ser
desvinculados, um está interligado ao outro.
Para Barros (2003), na sociedade da informação e do conhecimento todas
as definições expressas sobre o que seja Educação a Distância trazem diversas
formas de relação entre tecnologia, educação, processo ensino-aprendizagem e
ação docente, em um determinado tempo e espaço diferenciados.
Várias são as discussões conceituais
Ensino-Aprendizagem sobre os termos utilizados, e para Barros
É o método baseado na solução (1999), em relação ao conceito de Educação a
de problemas.
Distância, as diferenças estão presentes na
terminologia educação e ensino a distância.
Barros (1999) chama a atenção para a diferença entre ensino e educação.
Para ele, o ensino caracteriza-se pela instrução, transmissão de conhecimentos e
informações, adestramento, treinamento. Ainda segundo o autor, a educação é o
processo de ensino-aprendizagem que leva o indivíduo a aprender a aprender, a
saber, pensar, criar, inovar, construir conhecimentos, participar ativamente de seu
próprio crescimento. Para que possamos entender as diferenças conceituais é
interessante observar o que dizem diferentes autores, iniciando por Niskier (apud
BARROS, 1999, p.17).

Educação a distância é a aprendizagem planejada que geralmente ocorre


num local diferente do ensino e, por causa disso, requer técnicas especiais
de desenho de curso, técnicas especiais de instrução, métodos especiais de
comunicação através da eletrônica e outras tecnologias, bem como arranjos
essenciais organizacionais e administrativos.

Netto (apud BARROS, 1999, p. 17):

Educação a distância refere-se a ensino e aprendizagem em circunstâncias


nas quais o professor e o aprendiz estão separados um do outro no tempo e
no espaço; inclui telecursos, estudos por correspondência, ensino
aprendizagem por meio de computador como parte de um sistema
abrangente de educação ou treinamento que culmina com a
complementação de uma tarefa, curso, currículo ou programa de
treinamento.

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23
Chermann e Bonini (apud BARROS, 1999, p. 18):

Educação/ensino a distância é um método racional de partilhar


conhecimentos, habilidades e atitudes através da aplicação da divisão de
trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo de
meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir
materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um
grande número de estudantes. Ao mesmo tempo, enquanto esses materiais
durarem é uma forma industrializada de ensinar e aprender.

Aretio (apud SARTORI, 2002, p. 36):

Educação a distância é um sistema tecnológico e de comunicação de


massa bidirecional, que substitui a interação pessoal, em aula, de professor
e aluno, como meio preferencial de ensino, pela ação sistemática e conjunta
de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização tutorial, que
propiciam a aprendizagem autônoma dos estudantes.

Segundo Laaser (apud SARTORI, 2002, p. 36), “o termo educação a


distância é usado para abranger variadas formas de estudo, em todos os níveis, nas
quais os estudantes não estejam em contato direto com os seus professores”.
Para Lobo (apud SARTORI, 2002, p. 37), “a educação a distância é uma
modalidade de realizar o processo educacional quando [...] promove-se à
comunicação educativa, por meios capazes de suprir a distância que os separa
fisicamente”.
Sartori (2002, p. 37) fazendo referência ao Ministério de Educação e Cultura
– MEC, por meio do Decreto nº. 2494/98, em seu artigo primeiro, oferece a seguinte
definição oficial para Educação a Distância:

A EaD é uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a


mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados,
apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados
isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de
comunicação.

Moore (apud RODRIGUES, 1998, p. 45) diz:

O ensino a distância é o tipo de método de instrução em que as condutas


docentes acontecem à parte das discentes, de tal maneira que a
comunicação entre o professor e o aluno se possa realizar mediante textos
impressos, por meios eletrônicos, mecânicos ou por outras técnicas.

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24
Para Holmberg (apud RODRIGUES, 1998, p. 45):

O termo “educação a distância” esconde-se sob várias formas de estudo,


nos vários níveis que não estão sob a contínua e imediata supervisão de
tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local.
A educação a distância se beneficia do planejamento, direção e instrução
da organização do ensino.

E, pela Lei Francesa, “ensino a distância é o ensino que não implica a


presença física do professor indicado para ministrá-lo no lugar onde é recebido, ou
no qual o professor está presente apenas em certas ocasiões ou para determinadas
tarefas” (FRANÇA apud BELLONI, 2001, p. 25).
Se observadas as diferentes bibliografias, veremos que os conceitos são os
mais variados possíveis para o termo Educação a Distância. Não é nossa intenção
aqui definir qual seja o mais correto, pois isso cabe à instituição que oferece os
cursos nessa modalidade. Apenas gostaríamos de ressaltar que ambas as
definições estão preocupadas em destacar o sistema que cada instituição oferece. O
que faz a diferença em cursos a distância não é o conceito adotado pela instituição,
mas sim a credibilidade e a seriedade com que a empresa apresenta e dirige o seu
trabalho.

2.2 CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Educação a Distância é caracterizada basicamente pela separação do


professor e aluno no tempo e no espaço (geograficamente), sendo que o controle do
aprendizado é realizado de forma mais intensa pelo aluno, o que caracteriza o
estudo como independente. A comunicação entre alunos e professores é mediada
por documentos impressos ou alguma forma de tecnologia, sendo o tutor o elo entre
universidade, professor e aluno.
Sartori (2002) destaca pontos fundamentais que caracterizam a Educação a
Distância. Um dos pontos é a simultaneidade que ocorre entre o estudo e o trabalho.
O aluno consegue estabelecer horários de estudo que não impliquem em seu

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25
trabalho, criando a autonomia em seus estudos, uma vez que não precisa estar
presencialmente na universidade para estudar.

Outro fator destacado é a possibilidade


Educação tradicional ou
convencional - de acesso à educação por uma população mais
Em EaD, geralmente quer dizer
educação presencial. ampla, que se encontra geograficamente
Ver “conventional education”.
distante. Também há a possibilidade de os
estudantes percorrerem trajetórias diferentes de
estudo, de acordo com suas necessidades sociais, culturais e
educacionais.
Percebemos que o acadêmico da Educação a Distância desenvolve
habilidades que implicam certas capacidades que não são observadas na educação
presencial. O aluno desenvolve a autonomia em seus estudos, pois é possível
estabelecer horários e locais que lhe são convenientes e oportunos, respeitando o
seu ritmo de aprendizagem. Desenvolve a capacidade auto-organizativa e o
aprendizado autodirigido, justamente pelo fato da distância geográfica que impede
que professores e alunos estejam no mesmo espaço e no mesmo tempo.
Uma das características essenciais da Educação a Distância são a
interatividade e o trabalho colaborativo que surge entre os alunos. Essa
interatividade acontece entre professores, por meio de alguma tecnologia, com o
tutor e aluno-aluno, o que faz com que o termo “a distância” indique apenas a
separação física entre ambos, sendo superada pela mediação e a interatividade.
O autoconhecimento, a disciplina e a determinação são fatores
característicos da Educação a Distância, desenvolvidos e motivados pela separação
física e geográfica entre professores e alunos. Esses fatores são desenvolvidos
conforme as necessidades de cada indivíduo, que inseridos em contextos
diferenciados e diversificados apresentam também graus diferentes de
necessidades.
Também podemos destacar como característica da Educação a Distância o
fato do aluno adequar-se aos modelos de ensino propostos pela instituição,
utilizando diferentes meios tecnológicos. São competências que o indivíduo
desenvolve para viver em sociedade, principalmente em uma sociedade que a todo

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26
instante modifica-se e exige indivíduos capazes, capacitados para viver em grupo e
desenvolver atividades voltadas para o coletivo.
Belloni (2001, p. 5) enfatiza que os indivíduos das sociedades
contemporâneas necessitam desenvolver competências múltiplas, aprender a
trabalhar em equipe, capacidade de aprender e de adaptar-se a situações novas.
Para sobreviver na sociedade e integrar-se no mercado de trabalho, o indivíduo
precisará desenvolver uma série de capacidades novas, como: autogestão,
capacidade de resolver problemas, adaptação e flexibilidade diante de novos
desafios, responsabilidade, aprender por si próprio e constantemente a trabalhar em
grupo de modo cooperativo e pouco hierarquizado.
Os cursos em Educação a Distância priorizam essas competências e
habilidades, que por si só são desenvolvidas pela necessidade imposta pelo curso: a
superação do ensino presencial.

2.3 ENSINO E APRENDIZAGEM COM QUALIDADE NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Educação a Distância, contemplada no Plano Nacional de Educação


(PNE), recebe especial atenção como forma de atingir com qualidade um número
cada vez maior de beneficiários, vencendo as barreiras das distâncias geográficas e
obtendo melhor adaptação aos horários de vida dos trabalhadores que necessitam
estudar.
Para Oliveira (2001), são diversos os condicionamentos e circunstâncias que
estão interferindo na consolidação da educação superior a distância. A Educação a
Distância vem consolidando-se como alternativa para o aperfeiçoamento profissional
e a aprendizagem inicial e continuada, na dimensão da educação permanente.
De acordo com Delors (2000), a experiência do ensino a distância
demonstrou que, no nível do ensino superior, uma dose sensata de utilização dos
meios de comunicação social, de cursos por correspondência, de tecnologias de
comunicação informatizadas e de contatos pessoais pode ampliar as possibilidades
oferecidas, a um custo relativamente baixo se comparado à educação presencial.

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27
Alguns países, entre eles o Brasil, atendem hoje a um segmento da
sociedade de forma significativa, graças às instituições de ensino superior a
distância. Ampliar e democratizar o acesso ao ensino superior é uma necessidade
cada vez maior, e os estabelecimentos encontram-se pressionados para poder fazer
jus a uma demanda sempre mais acentuada na oferta dessa forma de estudo.
Sendo assim, cria-se uma expectativa muito grande quanto a um ensino de
qualidade que está sendo apresentado à sociedade, uma vez que a exigência de
qualidade tornou-se uma preocupação essencial no ensino superior por parte dos
órgãos competentes e da própria sociedade. Educar dentro do contexto da
educação a distância requer desenvolver princípios, diretrizes ou critérios que
possam assegurar um ensino de qualidade.
Para se mencionar garantia de qualidade na educação, um leque de
estratégias se faz presente para que o progresso de um projeto em Educação a
Distância possa incluir alguns tópicos como: o desenvolvimento do curso, a
formação dos professores, o atendimento oferecido aos estudantes, os recursos de
aprendizagem, a infraestrutura e os resultados da avaliação de forma substancial.
A exigência de qualidade tornou-se uma preocupação essencial no ensino
superior. A exigência da qualidade e de políticas que busquem assegurar qualidade
exige que se procure melhorar simultaneamente cada um dos componentes da
instituição, considerada como entidade global que funciona como um sistema
coerente (UNESCO, 1998).
Ao mencionar ensino de qualidade, Moran (1999), estabelece algumas
variáveis:

 Uma organização inovadora, aberta, dinâmica, com um projeto


pedagógico coerente, participativa com infraestrutura adequada,
atualizada, confortável; tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas;
 Uma organização que reúna docentes preparados comunicacional,
intelectual, emocional e eticamente bem remunerados, motivados e com
boas condições profissionais;
 Uma organização que tenha alunos motivados, preparados intelectual e
emocionalmente com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal;

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28
 Ainda que para designar qualidade, educação tem sido o termo para tal
função, Demo (1994) aponta uma série de razões por considerar;
 Como instrumento, demonstrando a construção do conhecimento e, como
fim, a preocupação em torno da realidade e da vida;
 Como expediente formativo, apresenta procedimentos pertinentes em
termos de qualificar a população tanto para fazer os meios quanto para
atingir os fins;
 Estando na base da formação do sujeito histórico crítico e criativo,
educação perfaz a estratégia mais decisiva de fazer oportunidade.

Os dois termos, educação e qualidade se implicam intrinsecamente, já que


não há como chegar à qualidade sem educação, bem como não será educação que
não se destina a formar o sujeito crítico e criativo.
No futuro, ninguém sobreviverá, em meio à competitividade crescente do
mercado, sem uma educação fundamental que lhe entregue os instrumentos para a
satisfação de suas necessidades básicas de aprendizagem no que se refere a
competências mínimas e flexíveis, no fundo, é a isso que se refere a questão da
qualidade (ASSMANN, 1998).
Em termos de qualidade voltada para o cenário da universidade, apontados
por Demo (1994), podem ser retratados também nas iniciativas que tomar a serviço
da sociedade, demonstrando utilidade prática, destacando:
 Socialização do conhecimento construído: a universidade deve colocar
à disposição o conhecimento que constrói, por meio de publicações, seminários e
conferências, eventos de promoção, atingindo, sobretudo a grande população.

 Educação a distância: com o objetivo de diplomar ou conferir certificados,


dirigida ao aperfeiçoamento do conhecimento, baseando-se em didáticas
construtivas realizadas por meios eletrônicos como também por correio ou similares.

 Cursos de formação permanente: a primeira necessidade é atender


profissionais da ativa (privada ou pública) que reclamam capacitação; ex-alunos que
pretendem regressar do ambiente acadêmico para aprimoramentos, recapacitação;

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29
quem necessite de competência sempre atualizada, como a economia competitiva,
as empresas públicas, as entidades de serviço público e assim por diante.

 Pesquisa básica ligada à pesquisa operacional: a universidade deve


dominar o processo de gerar o conhecimento; caso contrário, as empresas tendem a
substituir as instituições acadêmicas com a intenção de pesquisar apenas o que as
interessa economicamente. Desse modo, permite valorizar de modo incisivo a forma
universitária de pesquisar, que privilegia, sobre o fazer e o saber fazer.

 Fomento à criatividade empresarial: tendo em vista que, diante dos


desafios econômicos modernos, a oferta de trabalho tenderá a decrescer, há
universidades que se propõem a fomentar entre os diplomados empreendimentos
próprios, sob todas as formas, individuais ou em grupo, tornando o conhecimento
adquirido uma fonte produtiva.

 Humanização do progresso: uma das expectativas mais explícitas da


sociedade é que a universidade tenha a devida competência para dominar a técnica
e fazê-la instrumento de humanização do progresso.

A qualidade do ensino superior é uma noção pluridimensional, que depende


muito do ambiente de um dado sistema, da missão de cada estabelecimento ou
ainda das normas e condições que regem as diversas disciplinas.
A aptidão para responder às necessidades e expectativas da sociedade
depende, em última análise, da qualidade do pessoal, dos programas e dos
estudantes, como também da infraestrutura e do ambiente universitário (UNESCO,
1998).
A educação, em sua etimologia – de educare (ato de criar, de alimentar) ou
também de educere (conduzir para fora) no sentido de ser para fora da “forma” da
estrutura – propondo uma relação muito íntima e até afetiva entre o educador e o
educando, ambos influenciando-se e transformando-se mutuamente. Na visão de
Landim (1997), educação é a prática educativa na sua essência, o processo ensino-
aprendizagem, que leva o indivíduo a aprender a aprender, ao saber pensar, criar,
inovar.

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30
Portanto, é um processo de humanização que alcança o pessoal e o
estrutural, partindo da situação concreta em que se dá a ação educativa em uma
relação dialógica. Portanto, quando falamos em educação, estamos nos referindo a
todas as concepções que ela nos envolve na vida, nas relações sociais, pessoais,
políticas e juntamente com a natureza.
A educação, porém, não é um conceito moralmente neutro. Educar (alguém
ou a si próprio) é, por definição, fazer algo que é considerado moralmente correto e
valioso. Usamos outros conceitos para nos referir a processos de certo modo
parecidos com a educação, mas que não são moralmente aprovados, como, por
exemplo, doutrinação.
A aprendizagem está presente em qualquer atividade humana em que
possamos aprender algo. A aprendizagem pode ocorrer de duas formas: casual,
quando for espontânea, ou organizada, quando for aprender um conhecimento
específico.
Com isso, concluímos que ensino-aprendizagem com qualidade é um
processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e
mental. Isso significa que podemos aprender conhecimentos sistematizados,
hábitos, atitudes e valores. Nesse sentido, temos o processo de assimilação ativa
que oferece uma percepção, compreensão, reflexão e aplicação que se desenvolve
com os meios intelectuais, motivacionais e atitudes do próprio aluno, sob a direção e
orientação do professor. Podemos ainda dizer que existem dois níveis de
aprendizagem humana: o reflexivo e o cognitivo. Isso determina uma interligação
nos momentos da assimilação ativa, implicando nas atividades mentais e práticas.
O ensino-aprendizagem com qualidade é uma atividade planejada,
intencional e dirigida, não sendo em hipótese alguma casual ou espontânea. Com
isso, podemos pensar que o conhecimento se baseia em dados da realidade.
Para que esse processo de aprendizagem com qualidade ocorra na
Educação a Distância se faz necessário dois componentes fundamentais: a
interação a autonomia. Interação é a troca de informação
entre os participantes do processo
A comunicação e interação estão de ensino/aprendizagem.
Em EAD, existem várias formas de
intimamente relacionadas. A teoria de Piaget interação: (guidance; conversation;
guided conversation; feedback;
afirma que a interação interindividual é concebida feedforward; etc).

em uma dimensão coletiva, estabelecida por relações sociais, permitindo um

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31
entendimento na direção de uma explicação, não apenas psicológica, mas também
sociológica, da construção do conhecimento. Belloni (1999) reforça afirmando que a
aprendizagem é um processo social que envolve a atividade de construção de novo
conhecimento e compreensão por intermédio do trabalho individual, em grupo e
também por meio de interação entre os pares. Tal afirmação é apoiada por Peters
(2001) com a adição de que, para este autor, a socialização dos indivíduos se dá
pela aprendizagem de símbolos e papéis.
Ramos (1996, p. 245) define autonomia como sendo a capacidade de
pesquisar, de se organizar e de pensar de forma crítica e independente. De acordo
com o autor, a autonomia não significa isolamento, pelo contrário, “é a capacidade
de superação de pontos de vistas, de compartilhamento de escalas de valores e de
sistemas simbólicos, de estabelecimento conjunto de metas e estratégias, que está
presente nas relações cooperativas”.
Assim sendo, a autonomia significa assumir a aprendizagem por meio das
metas e propósitos da mesma. Essa atitude leva a uma mudança externa de
consciência, na qual o estudante vê o conhecimento como contextual e livre de
perguntas do que foi aprendido.
Na educação a distância, a possibilidade de comunicação caracteriza não
somente uma importante interação humana, mas também a interatividade com o
material de ensino. O conceito de interação envolve a ação recíproca entre dois ou
mais sujeitos e ela pode ser direta ou indireta (quando mediada por algum veículo
técnico de comunicação). No contexto da educação a distância, a interação entre os
indivíduos tende a ser indireta devido ao fato de dependerem do uso de alguma
tecnologia de comunicação.
A interatividade, por sua vez, é a atividade humana frente à máquina, isto é,
o sujeito age sobre a máquina e esta lhe envia de volta uma retroação (BELLONI,
1999). O grau de interatividade é permitido de acordo com a flexibilidade oferecida
por cada componente didático utilizado em uma determinada atividade, apesar de
permitir uma adaptação das necessidades individuais. Por outro lado, a flexibilidade
exige novos perfis, tanto do professor quanto do aluno.
Há uma conexão conceitual entre educação e aprendizagem: não há
educação sem que ocorra aprendizagem; ou, invertendo, se não houver
aprendizagem, não haverá educação. A aprendizagem, entretanto, pode resultar de

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um processo “de fora para dentro”, como o ensino, ou de um processo gerado “de
dentro para fora”, autoaprendizagem, ou aprendizagem não decorrente do ensino.
Aprendemos muitas coisas sem que ninguém nos ensine.
Tanto o ensino como a aprendizagem são conceitos moralmente neutros.
Podemos ensinar e aprender tanto coisas valiosas como coisas sem valor ou
mesmo nocivas, pois a aprendizagem é um processo que ocorre dentro do indivíduo.
Mesmo quando a aprendizagem é decorrente de um processo bem-sucedido de
ensino, ela ocorre dentro do indivíduo, e o mesmo ensino que pode resultar em
aprendizagem, em algumas pessoas pode ser totalmente ineficaz em relação a
outras.

AUTOAPRENDIZAGEM

Modalidade em que o
aprendiz, a partir de
material didático
disponível e orientações
pedagógicas específicas,
aprende e constrói seu
próprio conhecimento.

2.4 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM

A expressão Ambiente Virtual


Ambiente Virtual de Aprendizagem -
de Aprendizagem (AVA) refere-se ao É um site ou ambiente na Internet cujas
ferramentas e estratégias são elaboradas
amplo conceito de espaço de para propiciar um processo de aprendizagem,
por meio de trocas entre os participantes,
aprendizagem possibilitado pelas incentivando o trabalho cooperativo.
tecnologias informáticas e que se
caracteriza por ser, antes de tudo, um espaço “onde acontecem interações
cognitivo-sociais, possibilitadas pela interface gráfica” (VALENTINI; SOARES, 2005).

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33
Esses espaços propiciam o uso de ferramentas especialmente produzidas ou
adaptadas para a finalidade educativa, criando oportunidades para que a
aprendizagem aconteça de formas diversas.
A origem dos sistemas de gerenciamento de aprendizagem remonta aos
anos 80 e aos sistemas de conferência por computador, bulletin board ou
groupware, que rodavam em redes internas, já que ainda não existia a Internet.
Esses meios caracterizavam-se como ferramentas de comunicação
predominantemente assíncronas, que viabilizavam o envio de mensagens em
tempos e espaços diversos. A criação da Internet, no final dos anos 80 e, mais tarde,
a tecnologia de janelas gráficas, alteraram significativamente a funcionalidade
desses sistemas.
Atualmente, os ambientes de aprendizagem se configuram e se
caracterizam como espaços que organizam recursos e ferramentas que englobam
elementos técnicos – como computadores, softwares e servidores, entre outros;
humanos – alunos, professores e demais profissionais envolvidos no processo; e
suas relações – troca de e-mails, discussões em fóruns e listas, construção coletiva
de texto, etc.
Se inicialmente as experiências educativas por meio de computador
preocupavam-se em disponibilizar materiais, privilegiando experiências mais
diretivas, aproximando-se da modalidade a distância até então praticada, como o
envio de materiais por correspondência ou aulas por meio de TV ou rádio, o uso das
ferramentas viabilizadas pelas tecnologias de informação e comunicação fez com
que, rapidamente, “interatividade” se tornasse a palavra de ordem e as experiências
colaborativas e cooperativas passaram então a ganhar espaço, em uma sociedade
que deseja a criação de comunidades virtuais e valoriza as construções conjuntas e
as trocas de conhecimento.
Os ambientes virtuais de aprendizagem devem estar em sintonia com um
projeto político-pedagógico construído de forma lúcida e criativa por interessados em
EaD. Dessa maneira, o AVA precisa refletir em suas estratégias de ensino e
aprendizagem o esboço de mundo desejado e atualizar a expectativa de constituir
um elo para a inovação pedagógica. O uso de ambientes virtuais de aprendizagem
vem se destacando, nos mais diversificados contextos educativos, como forma de
aumento dos espaços pedagógicos, promovendo o acesso à informação e à

AN02FREV001/REV 4.0

34
comunicação em tempos diferenciados e sem a necessidade de professores e
alunos partilharem os mesmos espaços geográficos.

2.4.1 Características de alguns Ambientes Virtuais de Aprendizagem

AulaNet:
O AulaNet é um ambiente baseado na web, desenvolvido no Laboratório de
Engenharia de Software - LES - do Departamento de Informática da PUC-Rio, para
administração, criação, manutenção e participação em cursos a distância. Os cursos
criados no ambiente AulaNet enfatizam a cooperação entre os aprendizes e entre
aprendiz e docente e são apoiados por uma variedade de tecnologias disponíveis na
Internet. Ao criar este ambiente, a equipe do LES tinha como objetivos contribuir
com mudanças pedagógicas, promover a adoção da web como um ambiente
educacional e criar comunidades de conhecimento.
O AulaNet se fundamenta nas seguintes premissas:
 O autor do curso não precisa ser um especialista em Internet;
 O autor do curso deve enfatizar a interatividade de forma a atrair a
participação intensa do aprendiz;
 Deve ser possível a reutilização de conteúdos já existentes em mídia
digital, por meio, por exemplo, da importação de arquivos. O ambiente AulaNet é
encontrado em diversas universidades como na UFRGS
(http://aulanet.cinted.ufrgs.br/aulanet2/). O AulaNet também possui seu próprio
domínio (http://www.aulanet.com.br/) e oferece diversos cursos e tutoriais para os
alunos cadastrados.
O sistema possui dois perfis de usuários:
 Professores: Nesse ambiente os professores possuem acesso aos
recursos para administrar o grupo, avaliar o progresso do aluno e acesso ao
ambiente educacional.
 Alunos: Ambos possuem acesso ao ambiente educacional que dispõe os
meios para que haja um aprendizado colaborativo.

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Moodle:
O Moodle (http://moodle.org) é um ambiente de gerenciamento de
aprendizagem (LMS – Learning Management System) ou ambiente virtual de
aprendizagem de código aberto, livre e gratuito. Os usuários podem baixá-lo, usá-lo,
modificá-lo e distribuí-lo, seguindo apenas os termos estabelecidos pela licença
GNU GPL. O ambiente possui poucas restrições quanto às especificações técnicas
do ambiente, ele pode ser executado, sem nenhum tipo de alteração, em vários
sistemas operacionais como o Unix, Linux, Windows, Mac OS X, Netware e outros
sistemas que suportem a linguagem PHP. Os dados são armazenados em bancos
de dados MySQL e PostgreSQL, mas também podem ser usados Oracle, Access,
Interbase, ODBC e outros. Além disso, o sistema conta com traduções para
cinquenta idiomas diferentes, dentre eles, o português (Brasil), o espanhol, o
italiano, o japonês, o alemão, o chinês e muitos outros.
O Moodle possui três perfis de usuários:
 Administrador: responsável pela administração, configurações do sistema,
inserção de participantes e criação de cursos;
 Tutor: responsável pela edição e viabilização do curso;
 Estudante/Aluno: ambiente de aula; os usuários do Moodle são globais no
servidor; isso significa que eles têm apenas um login para todos os cursos. A função
permite, por exemplo, que um usuário seja aluno em um curso e professor/tutor em
outro curso. O Moodle permite criar três formatos de cursos: Social, Semanal e
Modular. O curso Social é baseado nos recursos de interação entre os participantes
e não em um conteúdo estruturado. Os dois últimos cursos são estruturados e
podem ser semanais e modulares. Esses cursos são centrados na disponibilização
de conteúdos e na definição de atividades. Na estrutura semanal, informa-se o
período em que o curso será ministrado e o sistema divide o período informado,
automaticamente, em semanas. Na estrutura modular informa-se a quantidade de
módulos. Algumas das instituições brasileiras que utilizam o Moodle são: UFLA,
UNB, PUC-SP, USP, UFBA e UFV.

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TelEduc:
O ambiente de ensino TelEduc está sendo desenvolvido conjuntamente pelo
Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) e pelo Instituto de Computação
(IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O NIED, como uma de suas linhas de pesquisa, tem realizado diversos
cursos a distância, por meio do TelEduc desde 1998, acompanhando
progressivamente o desenvolvimento do ambiente. Da mesma forma que os outros
ambientes analisados, o TelEduc possui um esquema de autenticação de acesso
aos cursos, com um usuário e uma senha que é fornecido quando se cadastram no
ambiente. O TelEduc é um software livre, portanto pode ser redistribuído e/ou
modificado sob os termos da General Public License (GNU) versão 2, como
publicada pela Free Software Foundation.
O sistema oferece dois perfis de usuários:
 Alunos: É o ambiente educacional em que os alunos possuem os
recursos para trabalhar e estudar seus conteúdos dos cursos. Os usuários com
perfis de alunos possuem os seguintes recursos:
o Diário de Bordo: o aluno pode descrever, registrar, analisar seu modo
de pensar, expectativas, conquistas, questionamentos e suas reflexões
sobre a experiência vivenciada no curso e na atividade de cada dia.
o Portfólio: os participantes do curso podem armazenar textos e arquivos
a serem utilizados ou desenvolvidos durante o curso, bem como
endereços da Internet.
o Mural: espaço reservado para todos os participantes disponibilizarem
informações consideradas relevantes no contexto do curso.
o Listas de Atividades: apresenta as atividades a serem realizadas
durante o curso.
 Formadores: Permite aos formadores disponibilizar materiais nas diversas
ferramentas do ambiente, bem como configurar opções em algumas delas, permite
ainda gerenciar as pessoas que participam do curso. Os usuários com perfis
formadores possuem os seguintes recursos:
o Acessos: permite aos fornecedores acompanhar a frequência de
acesso dos usuários ao curso e as suas ferramentas.

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o Intermap: permite aos formadores visualizar a interação dos
participantes do curso nas ferramentas, Grupos de Discussão e Bate-
Papo.
o Administração: permite aos formadores disponibilizar materiais nas
diversas ferramentas do ambiente, bem como configurar opções em
algumas delas. Permite ainda gerenciar as pessoas que participam do
curso.
o Suporte: permite aos formadores entrar em contato com o suporte do
Ambiente (administrador do TelEduc) por e-mail.
o Grupos: permite a criação de grupos de pessoas para facilitar a
distribuição de tarefas.

BlackBoard:

É um programa desenvolvido pela University of British Columbia, que


permite a criação de ambientes educacionais baseados na web. Mais de três mil
instituições de ensino utilizam esta ferramenta para o gerenciamento de cursos a
distância. Possuindo cerca de 70% do mercado nos Estados Unidos.
O professor pode criar caminhos de aprendizagem personalizados, de
acordo com o perfil dos alunos e das disciplinas. O docente pode estabelecer
critérios como: data, usuário, afiliação a grupo específico, instituição, perfil, notas,
desempenho em testes ou trabalhos ou histórico de visualização de conteúdo para
disponibilizar itens de conteúdo, para discussões avaliações ou tarefas ao aluno.
Permite criar cursos sequenciais e determinar se os estudantes devem
progredir por esta sequência ou se podem escolher qualquer tópico. Os docentes
podem organizar grupos de alunos com áreas próprias para troca de arquivos, painel
de discussão, sala virtual e e-mails entre membros.

Perfis de disciplina:

 Conceptor da disciplina – O utilizador pode aceder a várias áreas do


painel de controle, mas não pode aderir às notas dos alunos;

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 Avaliador – Este tipo de utilizador pode aceder a todas as áreas dentro
dos assessments e a algumas ferramentas da disciplina;
 Visitante – Podem aceder a conteúdos da disciplina que não estejam
bloqueados pelo docente da disciplina;
 Aluno – Este utilizador pode aceder a todos os conteúdos do curso e vai
ser avaliado por meio de assessments (trabalhos, exames e inquéritos);
 Docente – Este utilizador controla a disciplina, é ele que disponibiliza os
conteúdos e controla os acessos à disciplina;
 Assistente – Este utilizador pode controlar alguns aspectos da disciplina
por meio do painel de controle. Não podem alterar o perfil de um utilizador
da disciplina e não podem modificar a password do docente.

Perfis administrativos:

 Gestor de disciplina – Este tipo de utilizador consegue aceder a


ferramentas, existentes na área de administração, que permitem
administrar as disciplinas.
 Visitante – Este perfil de utilizador não tem acesso à área de
administração. Têm acesso às áreas das disciplinas se os docentes assim
o permitirem.
 Nenhum – Este perfil de utilizador não tem acesso à área de
administração, aos alunos e docentes, por default lhes é atribuído esse
perfil.
 Observador – Este perfil pode fazer de sombra a outro utilizador do
sistema. Um observador pode visualizar todas as disciplinas do utilizador
a que está associado. Não tem acesso à área de administração. Esse
perfil pode ser atribuído a uma equipe de monitorização do docente da
disciplina.
 Gestor do portal – Este perfil de utilizador tem acesso à área de
administração do portal.
 Suporte técnico – Este perfil limita o acesso à área de administração a
tarefas de administração das disciplinas.

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 Administrador de sistema – Este perfil acede à área de administração e
ao painel de controle de todos os cursos. Em certas áreas das disciplinas
o administrador pode inscrever-se na disciplina de forma a ter acesso, a
essas áreas, basta aceder ao realizar inscrição, podendo depois fazer ou
anular inscrição.
 Assistente de sistema – Este perfil tem acesso a todas as ferramentas da
área de administração, mas não tem acesso ao painel de controle de
cada disciplina.
 Gestor de utilizadores – Este perfil de utilizadores acede à área de
administração, mas só as ferramentas relacionadas aos utilizadores.

2.5 LEGISLAÇÃO QUE FUNDAMENTA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Educação a Distância é a modalidade educacional na qual a mediação


didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios, tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diferentes.
Essa definição está presente no Decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005 (que
revoga o Decreto 2.494/98), que regulamenta o Art. 80 da Lei 9394/96 (LDB).
Vale salientar que antes da Lei nº. 9.394 de 1996, Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, a Educação a Distância não era nem sequer mencionada.
Com a promulgação da LDB, pela primeira vez se fala em incentivo ao
desenvolvimento e veiculação de programas de ensino a distância.
As bases legais da Educação a Distância no Brasil foram estabelecidas pela
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de
1996, pelo Decreto nº. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, publicado no Diário Oficial
da União de 11 de fevereiro de1998, também pelo Decreto nº. 2.561, de 27 de abril
de 1998, publicado no Diário Oficial da União de 28 de abril de 1998 e pela Portaria
Ministerial nº. 301 de sete de abril de 1998 publicada no Diário Oficial da União de 9
de abril de 98, que tratam do sistema de credenciamento de instituições de ensino
para oferta de cursos a distância.

AN02FREV001/REV 4.0

40
O decreto nº. 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, que regulamenta o Art. 80
da lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, versa o seguinte conteúdo: “Art. 80 - o
poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino
a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação
continuada”.

FIM DO MÓDULO II

AN02FREV001/REV 4.0

41
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

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CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MÓDULO III

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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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MÓDULO III

3 TECNOLOGIAS UTILIZADAS EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diante de tantas inovações, o cenário social, tecnológico, político e


econômico têm sofrido grandes mudanças, promovendo o surgimento de novas
atividades, ao mesmo tempo em que outras funções desaparecem ou são
transformadas. O crescimento exponencial do volume de informação, a geração de
novos produtos, o advento de novas teorias ou a nova aplicação de teorias já
conhecidas, têm acarretado constantes reavaliações do processo de trabalho, e por
consequência o processo de educação.
A tecnologia está mudando tão rápido, a competição global está forçando
uma dramática redução nos tempos decorridos entre o surgimento de uma inovação,
sua entrada no mercado, eliminando a oportunidade do sujeito compreender e
acompanhar as novas tecnologias da informática e da comunicação. Atualmente,
uma das soluções para a globalização dos mercados, são as associações. Portanto,
os conceitos-chave desta nova era é a colaboração/cooperação entre os sujeitos e a
comunicação virtual, eliminando distâncias, aproximando as pessoas e aumentando
a produtividade por meio de métodos cooperativos de trabalho virtual.
Fato esse marcado por fazermos parte da sociedade do conhecimento, da
informação e da comunicação, o que pressupõe que vivemos em rede. Rede no
sentido de estarmos constantemente interligados entre a informação e a
comunicação e o processamento dessa gama de informações em conhecimento.
Estamos em rede em tempo real e virtual.
Com isso, vislumbramos que a sociedade tem passado por transformações
radicais. Essas transformações se dão em âmbito político, social e educacional.
Parte dessas transformações ocorre devido ao desenvolvimento tecnológico que de
forma qualitativa e quantitativamente melhoram a capacidade de comunicação entre

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instituições, organizações e indivíduos. Esse é o sentido da rede, a capacidade de
comunicação.
A Educação a Distância faz uso dessa comunicação, e retrata os diversos
períodos da evolução tecnológica ao longo da história, por meio das mídias como
telefone, televisão e internet (comunicação digital), tecnologias essenciais de todo o
processo evolutivo. As novas tecnologias não são apenas um meio para distribuir as
informações e conhecimento, mas têm o papel de facilitar a interação em qualquer
processo educativo, dando a visão de novas atitudes e novos enfoques
metodológicos.
Devemos entender por tecnologia o conjunto de ferramentas – livros, giz e
apagador, papel, caneta, lápis, televisor, telefone, videocassete, computador – e os
usos destinados a elas em cada época (TV NA ESCOLA, 2001, p. 8).
Diferentemente, em cada época da nossa história percebemos que as
tecnologias exerceram e exercem influência no comportamento do indivíduo e na
sociedade, modificando concepções e paradigmas existentes.
Essa nova realidade redefine o perfil do sujeito deste fim de século. É
preciso formar profissionais que aprendam de forma não convencional e que saibam
trabalhar cooperativamente para gerar soluções inovadoras e competitivas.
O ensino convencional não tem dado condições aos sujeitos de se
prepararem no tempo adequado a todas essas transformações. O conceito de
Educação ainda está associado ao treinamento, baseado fisicamente em
instituições, restrito a cronogramas predefinidos de cursos; essa estrutura implica
deslocamento de aprendizes e de professores. Nessa estrutura é difícil manter-se
constantemente atualizado em relação a novas informações que acarretam novas
relações e, portanto, a geração contínua de conhecimentos.
E a Educação, conhecida pelo espaço escola, universidade? Como ela
responde ou deve responder ao desafio de preparar o homem para este novo
mundo onde a cooperação substitui a competição e o presencial o virtual, como
modelo básico nas relações entre os sujeitos? Essa é uma das questões
importantes para pensar em um novo modelo de formação e atualização profissional
do indivíduo da nova era.
Cabe à escola formar o novo sujeito que será capaz de participar ativa e
criativamente desse processo, criticá-lo e refiná-lo. A Educação precisa se

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reorganizar para incluir em seu processo educativo uma pedagogia, metodologias,
técnicas e recursos que permitam um novo paradigma que substitui a competição
pela cooperação entre os sujeitos e a necessidade do físico pelo virtual.
Sabemos que uma das alternativas para modificar este quadro é trabalhar
com uma tecnologia de ponta aplicada à educação, que é a Educação a Distância,
como uma possibilidade para construção de um novo modelo educacional. A
Educação a Distância constitui-se em necessidade pelas razões que sempre a
justificaram e ainda porque o ritmo acelerado de mudanças sociais, políticas,
econômicas, culturais, educacionais, entre outras, passa a exigir uma educação
continuada de todos os sujeitos.
Nesse cenário de mudanças, alguns historiadores dizem que a humanidade
passou por três revoluções industriais. A primeira ocorreu no século XVIII, com a
substituição das ferramentas manuais por máquinas a vapor, o tear mecânico e o
surgimento de ferrovias. A segunda revolução data do século XIX, com a
combinação de avanços múltiplos, entre eles a geração da eletricidade, o motor de
combustão interna, o telefone e o telégrafo sem fio. E a terceira revolução industrial
– talvez a mais polêmica, contundente e até mesmo excludente – é a revolução da
tecnologia da informação, possibilitada pelo desenvolvimento da eletrônica
(PERRENOUD, 2004).
Atualmente, na passagem da sociedade industrial para a sociedade do
conhecimento, a educação tem funções fundamentais como: garantir a atualização
de informações e o desenvolvimento de novos talentos em todas as áreas,
impedindo que as defasagens aumentem; ajudar a desenvolver novas habilidades
para uma mesma profissão cujas atividades variam e se transformam rapidamente; e
ajudar a desenvolver competências que permitam mudanças de uma profissão para
outras emergentes, no curso da vida.

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FIGURA 1

FONTE: Acervo Pessoal

Assim, a Educação a Distância assume novas concepções, não só podendo


atender a sujeitos em interação social de modo cooperativo, mas também passando
a servir à aprendizagem contextualizada, na vida. Tanto para as novas gerações
como para os sujeitos em atividades que precisam constantemente reaprender o
antes aprendido, ou aprender novas representações e novas formas de
conhecimentos e de práticas.
Plataforma de comunicação de EaD com valor agregado e o aluno no centro
do processo educacional. A Educação a Distância introduz novas concepções de
tempo e de espaço em educação e contribui para mudanças substanciais nas
instituições de ensino. Essa pode ser desenvolvida para formar profissionais,
desenvolvendo com eles novos talentos, mecanismos cognitivos, atitudes, valores e
novas teorias, que dizem respeito à autonomia na aprendizagem e na construção de
conhecimentos dos sujeitos. Mas para isso, é preciso utilizar as novas tecnologias
da informática e da comunicação na Educação a Distância.

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Porém, é preciso ter cuidado quando falamos em tecnologia, para não
restringirmos o termo ao computador e à internet. Analisando que toda a tecnologia
empregada na educação deve ser utilizada com a visão de formação do pensamento
crítico de professores e estudantes para a resolução de problemas, por isso é
necessário avaliar e escolher a mídia adequada de acordo com o tipo de aluno e
infraestrutura disponível.
Na atualidade, a Educação a Distância mostra-se como um componente
fundamental de mudanças com relação à educação, associando transformações não
só no educar, mas também no aprender.

A integração de meios de comunicação de massa tradicionais como a


internet, associada à publicação de materiais didáticos provocou a
expansão da educação a distância a partir de instituições de ensino e
produção de cursos, os quais emitem as informações de maneira uniforme
para todos os alunos (ALMEIDA, 2003, p.327).

O aparecimento de cursos on-line no mundo globalizado vem possibilitando


a oferta de conhecimento em todas as áreas. Surge então, a necessidade do
refinamento tecnológico no decorrer do tempo para acompanhar as inúmeras
transformações educacionais. É muito importante e necessário, ainda que existam
profissionais com conhecimento de informática, princípios da Educação a Distância
e principalmente uma visão atualizada e progressista da educação.

O advento das tecnologias de informação e comunicação reavivou as


práticas de Educação a Distância devido à flexibilidade do tempo, quebra de
barreiras espaciais, emissão e recebimento instantâneo de materiais, o que
permite realizar tanto as tradicionais formas mecanicistas de transmitir
conteúdos [...] (ALMEIDA, 2003, p. 4).

O texto impresso, telefone, correio terrestre e aéreo, gravador, retroprojetor,


rádio, televisão, fax, videocassete, todas são tecnologias já testadas. Mas essas
tecnologias não serviram para alterar a hierarquização do ensino. Suas
possibilidades de uso expressam um paradigma empiricista de dependência do
aprendiz a uma organização lógica, social, psicológica de ensino, que concebe a
aprendizagem como uma mudança imposta de fora para dentro.

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FIGURA 2

FONTE: Acervo Pessoal

Como vimos anteriormente, tecnologia é o conjunto de ferramentas e o uso


que fazemos delas, portanto, o livro e até mesmo o giz são ferramentas da
tecnologia. E na educação, que visão tem a tecnologia?
Parece restringir-se ao uso do computador e da internet. Se considerada
dessa forma, então veremos que existe mesmo a exclusão e que negamos nossa
história, pois é grande o número de escolas que não dispõem dessas ferramentas. E
o que entendemos e consideramos tecnologia em Educação a Distância?
Para termos uma noção da evolução da comunicação a distância vale
salientar que em Nova Escola, setembro de 2005, foi destacado:
 1440: invenção da imprensa;
 1844: primeira transmissão pública por telégrafo elétrico;
 1876: invenção do telefone;
 1896: patente do telégrafo sem fio;
 1915: primeira transmissão de voz a longa distância pela rádio;
 1936: começam as transmissões públicas de TV;
 1943: invenção do computador digital eletrônico;

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 1962: lançado o primeiro satélite internacional de telecomunicações;
 1973: TV a cabo comercial começa a operar;
 1975: surgimento do computador pessoal;
 1977: primeiras aplicações comerciais de fibra óptica;
 1980: padronização mundial dos aparelhos de fax;
 1983: lançamento dos primeiros celulares;
 1991: surge a World Wide Web.

Notamos que em pequenos intervalos de tempo a evolução da tecnologia


ascendeu de forma extraordinária, proporcionando aos indivíduos maior acesso e
rapidez às informações, por isso estamos na era da comunicação, do conhecimento.
De acordo com Sartori (2002), o século XIX trouxe grandes avanços
científicos e tecnológicos que deram impulso inigualável para a capacidade humana
de se comunicar, contribuindo também para Educação a Distância. E é na tecnologia
que a Educação a Distância se sustenta, quebrando paradigmas, como por exemplo,
que só se aprende e se ensina na escola, especificamente entre quatro paredes, na
sala de aula. O telégrafo, por exemplo, criado por Morse, é um dos primeiros passos
para o crescimento rumo aos meios de comunicação modernos que utilizamos hoje.
Como a humanidade passa por estágios, e estes estágios caracterizam-se
por determinadas revoluções e invenções, a Educação a Distância utilizou material
impresso quando a imprensa era a tecnologia mais moderna, entregando seus
impressos via correio postal. Hoje também permanece esta forma de comunicação
na Educação a Distância, são os chamados cadernos pedagógicos ou fascículos,
que dão sustentação aos cursos, devido à facilidade e a linguagem acessível usada
para transmitir as informações.
Para Sartori (2002), do texto impresso, a Educação a Distância passou a
utilizar todos os meios de comunicação que já forem inventados. Dos meios de
comunicação individual, como o fax, o videotexto e o telefone, aos meios coletivos
como videoconferência e teleconferência, até meios de comunicação de massa,
como o rádio e TV. Porém, a Educação a Distância utiliza, também, os meios de
comunicação que são portadores de conteúdos e mensagens, como fitas-cassete,
fitas de vídeo, CD-ROM, cadernos pedagógicos, esses últimos são chamados de

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recursos tecnológicos ou recursos didáticos e suas contribuições para Educação a
Distância são mais conhecidas entre nós.
Em seguida, com o surgimento do cinema, foi a vez dos filmes instrucionais
cumprirem com seu papel educacional. Posteriormente, foi a vez do rádio, por volta
de 1915, primeira grande tecnologia eletrônica de comunicação de massa. O rádio
reinou e ainda é um meio muito utilizado como tecnologia que consegue transmitir a
notícia ao vivo, imediatamente. Transmitiu muitas aulas e orientações pedagógicas
em países diversos como a Alemanha, EUA e muitos outros. Cedeu espaço, no
entanto, para a televisão. De acordo com Sartori (2002) o uso da TV, como recurso
educativo data da década de 40.

A imagem televisiva superpõe linguagens e mensagens, somando-as, sem,


entretanto separá-las. Isso facilita a interação com a audiência e aumenta
seu poder de influência. Somos tocados pela comunicação televisiva
sensorial, emocional e racionalmente. Sua linguagem poderosa, dinâmica,
responde tanto à sensibilidade das crianças e dos jovens quanto a dos
adultos, dirigindo-se antes a afetividade que a razão, interferindo nas
atividades perceptivas, imaginativas e comportamentais. (TV NA ESCOLA,
2001, p.10).

Percebemos o grande potencial e influência que exerce a televisão na


educação de forma geral, mas parece que ainda é um meio pouco explorado. O
vídeo tem um papel tão importante quanto às aulas presenciais, os cadernos
pedagógicos e os recursos de informática aplicados a distância por meio da internet.
Os vídeos têm como função o enriquecimento dos temas e das atividades
propostas aos alunos, significando, pois, que a tônica dos encaminhamentos
pedagógicos está centrada no material escrito. Derivando dele as solicitações de
esclarecimento pelo aluno junto à equipe orientadora, procedimento fundamental
que possibilita o acompanhamento constante do aluno em todo o seu percurso
acadêmico.
O computador e a Internet são ferramentas que estão contribuindo para
aumentar as possibilidades comunicativas entre estudantes, professores e tutores,
com o uso do correio eletrônico, dos fóruns e das listas de discussão, dos ambientes
virtuais de aprendizagem e outros.
Para Sartori (2002) essas são formas não simultâneas de estabelecer
comunicação, no entanto, a Internet está permitindo que a comunicação ocorra de

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forma simultânea, o que é possível por meio da sala de bate-papo, das
videoconferências e teleconferências.
Quando falamos aqui de novas tecnologias, referimo-nos às tecnologias
interativas da informática e da comunicação, às tecnologias eletrônicas que estão
tornando possível a inteligência distribuída na sociedade, à inteligência coletiva, aos
computadores, aos sistemas de simulações, aos hipertextos, às multimídias, às
redes de computadores que asseguram a interconectividade, ultrapassando os
limites de espaço e tempo físico.
Essas novas tecnologias, os computadores e as redes internacionais de
computadores, aportam recursos completamente inusitados e transformadores que
poderão dar à Educação a Distância uma concepção totalmente nova.
Aretio (2001) destaca que assim como outras tecnologias como imprensa,
telefone, rádio, cinema e televisão causaram autênticas revoluções quando
surgiram, as novas tecnologias possuem maior impacto devido às suas
características de globalização, rapidez e capacidade de crescimento.
A área educacional, inserida na base da sociedade, não pode ignorar essa
realidade tecnológica e deverá incorporar gradativamente a modalidade de
Educação a Distância em suas atividades didático-pedagógicas, como forma de
atender a um grande número de pessoas e de democratizar o acesso ao
conhecimento.
Entretanto, é necessário ressaltar que os alunos que cursam a Educação a
Distância ainda não desenvolveram totalmente o hábito de se comunicar via
computador e internet, e preferem com certeza o material impresso, que lhes dá
maior segurança.
Para Sartori (2002, p. 46):

Na medida em que as tecnologias foram sendo desenvolvidas, a Educação


a Distância as incorporou de modo mais ou menos imediato. A busca em
proporcionar o acesso ao conhecimento a pessoas geograficamente
distantes dos centros de ensino, ou com qualquer outro impedimento para
freqüentar a escola presencial, fez com que fossem utilizados todos os
recursos tecnológicos existentes que viabilizam a troca eficiente de
informação, a comunicação multidirecional e a crescente interatividade entre
alunos, corpo docente, tutoria e administração do curso. Desta maneira, a
Educação a Distância está profundamente relacionada aos meios de
informação e comunicação, sejam eles meios de comunicação de massa ou
não. Quem está ganhando com isso é o aluno de curso a distância, pois o
grau de interatividade está cada vez maior.

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De forma efetiva, a tecnologia foi absorvida pela Educação a Distância. Não
só as tecnologias mais recentes, mas a primeira forma de comunicação, a escrita. O
caderno pedagógico e os guias de estudo são materiais com características
autoinstrucionais, que contêm resumos, exercícios, bibliografias para
aprofundamento de estudos e apresenta função formadora.
As fitas de vídeo e de áudio com aulas elaboradas pelos professores da
disciplina têm como objetivo o enriquecimento dos temas e atividades propostas aos
alunos para melhor compreensão dos cadernos pedagógicos.
O Telefone, fax, videoconferências, teleconferências, e-mail, chats, fóruns,
internet, computador são instrumentos que devem ser usados para sanar dúvidas
referentes aos conteúdos abordados nos cadernos pedagógicos ou nos vídeos.
Esses meios de comunicação e informação devem ser utilizados de forma
harmônica, entendidos como meios facilitadores de aprendizagem, de interação,
cooperação e uma forma de superar as distâncias geográficas, umas usadas com
maior intensidade do que outras, de acordo com a realidade de cada turma, cada
município e de cada aluno.
No ambiente virtual, podem ser disponibilizados vários espaços que
permitem ao professor interagir com os alunos, respondendo as dúvidas, enviar e-
mail, receber e corrigir trabalhos, atribuir notas, editar e publicar avisos, participar de
fóruns. Disponibiliza também os conteúdos da disciplina, com indicativos de sites
para acesso a conteúdos complementares, dados da turma, lista de alunos, enfim,
uma forma de interação e permanente comunicação que ameniza a distância
geográfica (CECHINEL, 2000, p. 9).

FIGURA 3

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FONTE: Portal Educação.

Cabe destacar que o foco de todo o programa educacional é o aluno, e


independente das tecnologias utilizadas é a interação entre professores e alunos um
dos grandes pilares para garantir à qualidade do trabalho pedagógico de um curso a
distância (FERREIRA REZENDE, 2003).

3.1 FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA NA INTERNET NO


PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Vamos abordar as ferramentas de aprendizagem colaborativa no processo


de ensino-aprendizagem escolar. Você irá conhecer melhor cada uma delas, suas
contribuições, especificidades e saber como e quando recorrer ao seu uso
pedagógico para dinamizar, estimular e potencializar suas aulas.
Conhecendo as ferramentas de aprendizagem colaborativa na Internet (wiki,
blog, chats e fóruns), no processo de ensino-aprendizagem. Antes de iniciarmos a
descrição das ferramentas colaborativas de aprendizagem na Internet, vamos
entender melhor o que é uma aprendizagem que ocorre de forma colaborativa.

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Seu embasamento teórico está calcado na teoria construtivista de
aprendizagem, pois visa em primeiro lugar à interatividade como fonte para a
aquisição do conhecimento.

Todo e qualquer crescimento cognitivo só ocorre a partir de uma ação,


concreta ou abstrata, do sujeito sobre o objeto de seu conhecimento. Por
conseqüência a teoria construtivista de aprendizagem baseada na
Epistemologia Genética tem este pressuposto como sua pedra estrutural,
colocando a ação, ou mais especificamente a interação como requisito
fundamental para sua prática (NITZKE, CARNEIRO, GELLER, 1999, p. 1).

Por isso o trabalho de forma cooperativa, com o sujeito da aprendizagem em


interação com o objeto de conhecimento e os outros sujeitos, faz com que o
pensamento e o convívio social aumentem e melhorem, pois é necessário elaborar
regras comuns, colaborar com pensamentos e ideias úteis ao grupo sendo que estas
devem circular sem hierarquia, havendo respeito e liberdade para expressão.
Desenvolvendo essas atitudes o trabalho do grupo cresce e cada indivíduo
amadurece, tanto no sentido individual quanto o sentimento de estar e fazer parte de
uma comunidade.
Um “ambiente colaborativo de aprendizagem” com o uso do computador
é aquele que permite uma comunicação e uma ação igualmente divididas e
hierarquizadas, com o suporte de alguns recursos tecnológicos, auxiliando várias
pessoas a manterem suas participações.
Essa participação deverá, portanto, ocorrer de forma não linear, em “mão
dupla”, assim todos podem interagir no processo de comunicação. Por isso, os
ambientes colaborativos dizem respeito ao processo, ao produto e à avaliação.
Dessa forma, há um único objetivo a ser alcançado por todos os participantes
que deverão trabalhar juntos para a execução deste.
Portanto, diferente de trabalhos em grupo tradicionais cujas tarefas são
divididas e os resultados posteriormente agrupados, na aprendizagem
colaborativa todas as tarefas são executadas por todos os participantes.
Como estamos abordando a tecnologia para potencializar os processos
de ensino-aprendizagem, vê-se que nos últimos tempos a Internet tem oferecido
diversos recursos que permitem a interação entre os usuários. Com isso, surge a
possibilidade de utilizar tais recursos para criar ambiente de aprendizagem
colaborativa.

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Dentre estes recursos estão os blogs, chats, fóruns e wiki; cada um
possui uma lógica de utilização diferente, por isso cada um é indicado para
situações pedagógicas específicas, porém pode haver diferentes conjugações
entre eles.
Esses recursos possuem em comum um aspecto dinâmico de
comunicação, se mostrando atraente, pois têm o poder de aproximar as pessoas,
seus pensamentos e sentimentos. Assim, podem ser utilizados como grandes
aliados no processo educacional, pois são motivadores e fazem parte do mundo,
do repertório e das necessidades de grande parte dos estudantes.

É importante destacar também que o uso de tais ferramentas é mais bem


utilizado quando integrado a um projeto interdisciplinar. Dessa maneira, para que
o trabalho colaborativo funcione é preciso trabalhar uma visão holística da realidade,
uma vez que a vivência em comunidade é muito complexa (todos juntos, em prol de
um objetivo), tornando qualquer situação de aprendizagem muito mais significativa,
por isso o trabalho por projetos se justifica. Os projetos irão dar o suporte para que
os conteúdos deixem seu estado estanque e assumam uma visão transdisciplinar,
cuja aquisição se fará por meio do diálogo e interações, ou seja, uma aprendizagem
que se dá de forma ativa.

3.2 POR QUE UTILIZAR UMA FERRAMENTA COLABORATIVA?

Essa é uma questão que pode ser respondida por diversos ângulos. Um
deles é o desenvolvimento do “aprender a conviver”, uma das competências
fundamentais para o cidadão do século XXI. Nos trabalhos colaborativos, os
estudantes aprendem a conviver, a debater, a discernir e a elaborar regras.
Trabalham com o diferente (pensamentos, posturas, valores, etc.), para chegar a um
pensamento: o pensamento coletivo. Esse é mais que todos os outros juntos, é fruto
da interação e da aprendizagem.
Outro motivo para a utilização das ferramentas colaborativas é seu aspecto
dinâmico, criativo, divertido e lúdico. Aspectos estes que estimulam e motivam os

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alunos. Hoje existem muitos recursos que possibilitam criar páginas com visuais
diferentes, utilizando fotos, vídeos e animações, criando espaço para o aluno deixar
a criatividade livre.
Um terceiro fator é o grande potencial que as ferramentas colaborativas
oferecem para o desenvolvimento da linguagem. Nas conversas síncronas o
pensamento deve ser rápido e o uso da linguagem escrita se funde com a linguagem
oral, ocasionando um processo de comunicação extremamente ágil e complexo,
fazendo com que o aluno seja levado a organizar pensamentos e a comunicar-se de
forma clara e rápida. Nas outras ferramentas assíncronas o desenvolvimento da
linguagem escrita é estimulada e com isso os alunos são levados a fazerem maior
uso da leitura, pois precisam ler as contribuições dos outros colegas e precisam
redigir também, melhorando a capacidade de lógica e estrutura da língua formal.
Um quarto fator é desenvolver uma Educação e uma Cultura Digital nos
alunos, esta tão importante no nosso tempo. Sabe-se que o mundo atual é
dominado por tecnologias que facilitam e incluem sujeitos nos processos sociais,
econômicos e políticos, por isso temos que integrar e unir a escola e as práticas
pedagógicas a esta nova lógica, formando cidadãos que saibam utilizar e que sejam
críticos no uso destas novas tecnologias.
Há ainda a possibilidade das ferramentas colaborativas “quebrarem os
muros” da escola devido às suas possibilidades temporais e geográficas. Assim, os
alunos de uma escola podem conversar em diferentes horários (extraescolares) e
manter contato com povos e pessoas de outros contextos.
Essas ferramentas serão sempre úteis quando o objetivo do processo de
ensino-aprendizagem for a construção coletiva de conhecimentos, que sejam
construídos por conteúdos significativos e pelo diálogo, que busquem uma
aprendizagem verdadeira, na qual todos podem participar.
Outros fatores você irá constatar, aplicando e avaliando as ferramentas
colaborativas nas suas aulas. Há muitas outras possibilidades. Mãos à obra!

3.3 DIDÁTICA NO USO DE FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM


COLABORATIVA: PROCESSO E AVALIAÇÃO

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Alguns aspectos didáticos devem ser observados quando se aplicam
ferramentas colaborativas no processo de ensino-aprendizagem. Veja abaixo alguns
deles e adapte à sua prática.

Num ambiente colaborativo os papéis são relativizados, há


uma flexibilização de papéis, dessa forma o professor
aprende junto com os alunos e estes aprendem em
interação uns com os outros.

Devem-se valorizar diferentes autorias e ideias elaboradas


pelos alunos.

O ambiente colaborativo é democrático.

As colaborações podem ser individuais ou coletivas.

Questões e as situações de aprendizagem devem levar a


novos debates e ideias.

A avaliação deve ser contínua, tanto dos grupos quanto


individualmente. Devem-se avaliar posturas, colaboração e
contribuições individuais e o crescimento cognitivo e afetivo
do grupo.

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A avaliação deve servir para reorientar e dar feedback.
Dessa maneira, os erros são corrigidos a tempo e os
resultados são positivos. Além disso, o professor pode
acompanhar o processo de aprendizagem e pensamento do
grupo.

Todas as situações de aprendizagem devem ser


devidamente planejadas e ter objetivos claros. Assim os
alunos poderão construir metas e não correr o risco de se
perderem.

Deve-se escolher a ferramenta interativa mais apropriada


para cada situação de aprendizagem, ou seja, escolher uma
ferramenta síncrona ou assíncrona e suas devidas
variações de estilo, combinando-as com os objetivos das
aprendizagens.

Preocupação em garantir o máximo de comunicação e boas


relações interpessoais.

Combinar avaliação qualitativa com avaliação somativa, ou


seja, a quantidade de participações e sua produção
caminham junto com a postura do grupo.

Construir o sentimento de confiança e respeito nos


companheiros de grupo.

Para o trabalho colaborativo (e por projetos) dar certo, os

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professores trabalham em equipe.

O tamanho dos grupos é um fator decisivo para os trabalhos


colaborativos. Com até duas pessoas há forte interação
social; a partir daí, quanto mais componentes tiver o grupo,
maiores são as diversidades de opiniões, porém a partir de
dez participantes o grupo poderá ficar disperso.

Avaliar com suporte das ferramentas escolhidas e a partir


dos objetivos esperados. Lembramos que as ferramentas
tecnológicas permitem um monitoramento de frequência de
acesso, postagens, etc., por isso fica muito mais fácil avaliar
continuamente e monitorar participações e contribuições.

O professor precisa conhecer as características da


aprendizagem colaborativa e manipular a ferramenta
escolhida para poder facilitar o processo de ensino-
aprendizagem.

A utilização destas ferramentas pode ocorrer tanto nos


Laboratórios de Informática da escola (ou em um
computador que esteja disponível) quanto em horários
extraescolares. A escolha dependerá dos objetivos a serem
atingidos ou da proposta de aprendizagem. Mas é preciso
lembrar que antes do aluno manipular estas ferramentas em
horário extraescolar, o professor deverá ter orientado o
aluno anteriormente, para que este faça o bom uso dos
recursos colaborativos.

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Portanto, agora que você já conhece alguns dos benefícios de se trabalhar
utilizando ferramentas colaborativas de aprendizagem, acompanhe no próximo
módulo um a um sua descrição.

FIM DO MÓDULO III

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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Aluno:

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CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MÓDULO IV

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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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MÓDULO IV

4 FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM

4.1 BLOG

Um blog é uma espécie de diário virtual, mas que tem sua lógica invertida,
ou seja, em um diário tradicional o autor não tem a intenção de que leiam suas
anotações. Porém, em um blog a intenção é justamente contrária, quanto mais lido e
visitado é um blog, melhor ele é.
“Um weblog ou blog é uma página da web com notas colocadas em ordem
cronológica inversa, de forma que a anotação mais recente é a primeira que aparece
(GONZÁLEZ, 2005, p. 3)”.
Os serviços de blog permitem atualizações (que podem ser quase que
instantâneas), comentários por parte dos visitantes, postagem de fotos e músicas, e
possui também um recurso chamado lista de links. Nessa, o autor do diário pode
colocar links para outros blogs, formando uma teia de comunicação.
Esse recurso é um meio de comunicação bastante democrático e difundido
pelos usuários da web, pois em sua maioria são oferecidos de forma gratuita e
permitem aos usuários a possibilidade de expressarem suas ideias na rede, vendo e
sendo vistos, criando até redes de interesses e relacionamentos.

Uma das principais características do Blog é que estes pequenos textos,


nele apresentados, podem ser lidos e comentados pelas pessoas que
tenham acesso ao mesmo. Os Blogs podem ser utilizados no contexto
educacional (em instituições acadêmicas ou empresariais) para várias
finalidades. Dentre elas é possível destacar os trabalhos em equipe,
anotações de aula, discussão e elaboração de projetos acompanhados ou
não de imagens. Estas possibilidades, além da facilidade de utilização,
organização de conteúdos e comentários, ampliam as possibilidades de
complementar as aulas dos professores de forma inovadora e atraente
(BERTOCHI, 2004, on-line).

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4.1.1 Quando utilizar um blog?

Se o objetivo da proposta de atividade ou do projeto forem as descritas


abaixo, o blog é uma boa ferramenta e permitirá:

 Aumentar e aproximar a relação professor-aluno, professor-família, ou


escola-família, pois o blog permite uma interação que ultrapassa o
horário escolar, ou seja, as interações podem ser feitas em casa, onde
os alunos poderão mostrar tudo o que é produzido nas aulas,
permitindo à família maior participação no processo.
 Incentivar o uso de diários e agenda. Um blog é uma ótima ferramenta
para estimular organização e reflexão diárias. Pode ser utilizado como
auxiliar na organização dos estudos e do acompanhamento por parte
do professor.
 Organização de portfólios (webfólios). Os webfólios poderão ser
ótimas medidas avaliativas do tipo qualitativas, visto que valoriza as
produções dos alunos de forma a criar uma reflexão destes sobre sua
própria ação.
 Alfabetização digital. Uma vez que estimula à escrita e a leitura, essas
que possuem também suas características próprias do uso da Internet,
como: ícones, abreviações e palavras próprias do meio.
 Utilizar diferentes níveis de linguagem, aproximando e favorecendo o
diálogo e a interatividade (por meio dos comentários) de alunos em
diferentes fases de desenvolvimento, assim todos poderão aprender
mutuamente. Outra vantagem é a possibilidade de utilização de
diversos gêneros, como: relatos, narrações, descrições, etc.
 Criação de jornal ou revista on-line. O blog permite atualização
constante. Essa atividade possibilitará aos alunos estarem sempre
atualizados e criará a noção de responsabilidade, à medida que o
jornal for visitado por outras pessoas.

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 Desenvolver a noção de tempo. O blog, pelo caráter temporal, permite
aos alunos criar e estimular a noção de tempo. Deve-se ressaltar que
o tempo na Internet é muito “ágil”, por isso é importante manter o blog
sempre atualizado.
 Publicar produções. O blog permitirá a publicação dos materiais
produzidos pelos alunos, dando papel de destaque e relevância a
estes, o que estimula e motiva os alunos no processo ensino-
aprendizagem.
 Cria identidade (individual ou grupal). O aluno e o grupo se sentirão
responsáveis por criar e manter a atualização do seu blog, criando sua
identidade, utilizando e criando para isso o visual do blog, seu estilo de
publicação, sua relação de links, etc.;
 Espaço para o aluno se expressar livremente, valorizando suas ideias
e suas produções. Esta medida aumenta a autoestima e estimula o
aluno.
 Criar redes de afinidade. Esse é um dos objetivos ao se implantar o
blog no processo educativo, pois os alunos poderão se concentrar em
assuntos do seu interesse, mantendo e estabelecendo contato com
outras pessoas de diversos lugares, idades, classes, etc.

4.1.2 Como proceder didaticamente com blog?

Há diversos tipos de blog, com diversos tipos de gerenciamentos e


criações:

 Blog criado pelo professor: nele coloca-se o programa, com conteúdos e


orientações de estudo, materiais para suporte, atividades propostas,
espaço para sugestões, tira-dúvidas, resolução de exercícios, etc. Ele
deve estar aberto às opiniões dos alunos e da família.
 Blog criado pelo aluno: é importante salientar que o aluno pode ter um
blog na Internet, independente da ação do professor, porém deve ser

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estimulada a criação de um blog específico para o uso educativo, seja
para desenvolvimento de um projeto, para a realização de uma atividade
ou como meio avaliativo. Nele o professor interage, encaminhando,
sugerindo, elogiando e questionando os trabalhos. A família também deve
interagir e acessar, mantendo-se atualizada, participando da vida escolar
de seus filhos.

Veja como deve ser a ação do professor e sua postura diante do blog como
ferramenta colaborativa de aprendizagem:

 Avalie os temas dos blogs. São relevantes? Os blogs partirão de uma


atividade direcionada ou poderão ser de criação e responsabilidade do
aluno? Promova, sempre que possível, debates e questionamentos nos
blogs. Incite-os a acessarem e comentarem o blog dos outros colegas.
 Crie regras de utilização, como o código de conduta. Exemplifique como
poderão ser as postagens e os comentários. Para um blog em comum
para toda turma, crie uma única senha para todos os blogs ou divulgue as
senhas, dessa maneira todos terão acesso e com isso evitarão comentar
e postar materiais indevidos.
 O professor pode ainda, montar vários grupos, com blogs com um mesmo
tema, (confrontando as diferentes visões dos diversos blogs) ou para
discutir diferentes áreas (diversificando as atividades). Nessa última
opção pode-se fazer um rodízio, sempre trocando os blogs para que
todos tenham a oportunidade de abordar diferentes assuntos.
 Coloque “medidores de acesso” nos blogs dos seus alunos. Esta medida
irá estimulá-los.
 Avalie a escrita (hipertextual), a capacidade de fazer ligações entre as
diversas postagens e publicações e sobre os comentários nos outros
blogs. Você como professor pode permitir o uso próprio da linguagem da
Internet (com abreviações e códigos) ou não, estimulando o uso da
linguagem formal. Porém, não se esqueça de que a linguagem típica da
Internet irá motivar, pois faz parte da cultura dos alunos.

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 Como o blog é uma ferramenta assíncrona (pode ser utilizado em
diferentes momentos, por diversas pessoas), potencializa a união do
grupo, por isso estimule seus alunos a acessarem o blog fora da escola.

Assíncrona

O que não é síncrono, que não se realiza ao


mesmo tempo. Processo de comunicação em que
a mensagem emitida por uma pessoa é recebida
e respondida mais tarde pelas outras. Exemplos:
curso por correspondência (correspondence
course); correio eletrônico (e-mail); algumas
teleconferências computadorizadas (computer
conference). Contrastar com comunicação
sincrônica (synchronous communication).

Síncrona

O que se realiza ao mesmo tempo, em tempo real.


Termo utilizado em educação a distância para
caracterizar a comunicação que ocorre
exatamente ao mesmo tempo, simultânea. Dessa
forma, as mensagens emitidas por uma pessoa
são imediatamente recebidas e respondidas por
outras pessoas. Exemplos: ensino presencial,
conferências telefônicas e videoconferências. É o
oposto de comunicação assíncrona.

 Não se esqueça de que um blog pode ser gerenciado por e-mail e só os


comentários autorizados pelos usuários estarão no ar. Dessa maneira,
você irá criar responsabilidade e respeito entre os usuários dos blogs.
 Avalie também a atualização de um blog e seu número de postagens, o
que é imprescindível. Esta avaliação pode ser considerada somativa e
qualitativa, uma vez que observa as atitudes e ações (construções de
pensamento) dos alunos.
 Avalie o nível de análise crítica por meio dos comentários e de
publicações.

AN02FREV001/REV 4.0

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 Avalie também a capacidade de trabalhar em grupo, verificando se todos
os componentes do grupo comentam e postam materiais.

4.2 CHAT

O chat ou a sala de bate-papo é uma ferramenta colaborativa na qual o


diálogo é feito de forma síncrona. É utilizada e conhecida há algum tempo pelos
internautas. Muito utilizada para entretenimento e conversas informais. Porém, pode
ser utilizada como recurso educativo.
Em um chat a conversa é feita por trocas de mensagens escritas, entre duas
ou mais pessoas, mas com o desenvolvimento de novas tecnologias outros recursos
além da escrita podem ser usados, tais como: áudio, vídeo e envio de arquivos.
Tudo isso “aproxima” os participantes, pois podem ouvir, ver e serem vistos.
É preciso lembrar que chats são meios comunicacionais que exigem rapidez
e velocidade de pensamento. Por isso seu ritmo é bastante ágil, como em uma
conversa real.

4.2.1 Quando utilizar um chat?

Os chats serão úteis quando:

 a atividade planejada requerer um diálogo rápido e/ou informal, como um


bate-papo;
 há interpretação e formulação de ideias que se deem em curtos espaços
de tempo, auxiliando no desenvolvimento da linguagem (oral e escrita que
se fundem neste tipo de comunicação);
 a criação e a execução de regras forem necessárias para o
amadurecimento do grupo – este tipo de ferramenta o cumprimento de
regras é essencial para o bom funcionamento da conversa;

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 houver um especialista ou quando um ou mais estudantes forem tratar de
algum assunto específico;
 a intenção é aproximar os participantes do chat e, por consequência, da
Internet – por ser uma ferramenta que possibilita conversas informais, ela
aproxima e cria laços afetivos nos participantes.

4.2.2 Como proceder didaticamente com chat?

Veja alguns procedimentos úteis ao utilizar um chat como recurso


educativo:

 Diferente de outras ferramentas, o chat (uma ferramenta síncrona)


depende de agendamento prévio para acontecer, pois todos os
convidados devem estar conectados ao mesmo tempo e alguns deles
podem estar geograficamente distantes.
 O chat é mais bem utilizado quando os estudantes são divididos em
pequenos grupos. Assim, a interação e a comunicação ocorrem com
mais facilidade e objetividade.
 Como já foi dito anteriormente, este é um recurso no qual é
fundamental estabelecer regras claras para sua boa utilização, tais
como: o autor e os diferentes grupos do chat devem utilizar cores
(para a digitação) diferentes, facilitando a identificação dos autores
das mensagens; não utilizar letras maiúsculas, pois sinalizam que o
usuário está “gritando”; utilizar emoticons (ícones como rostos felizes,
beijos, etc.) sempre que possível, identificando e facilitando a
interpretação das mensagens; combinar regras de conduta e de
linguagem.
 É importante um estudo prévio quando o chat for abordar um assunto
específico, pois assim a conversa poderá ser mais bem direcionada,
proporcionando maiores esclarecimentos.

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 O professor ou o aluno (ou grupo de alunos) responsável por guiar a
conversa deverá ter um domínio amplo sobre o assunto tratado, pois
no momento da conversa várias perguntas e direcionamentos podem
ser tomados.
 Deve-se explorar a conversa de maneira que todos dialoguem entre si,
não hierarquizando nenhum participante ou ideia debatida.
 Divida previamente os alunos em grupos que ficarão responsáveis por
algumas funções, tais como: observação e síntese/ problematização/
conclusão. Dessa maneira, ao término ou no momento do chat estes
deverão elaborar relatórios e/ou agir de acordo com suas funções.
Esta providência irá contribuir para uma melhor organização e
aproveitamento do chat. Por exemplo: o aluno responsável pela
problematização deverá questionar e criar situações que estimulem o
diálogo; o aluno responsável pela conclusão, ao final do chat, pode
encerrar a discussão e “fechar” os assuntos discutidos, clareando e
organizando-os; já o aluno responsável pela observação e síntese
elaborará um relatório ou uma ata do chat que pode ser publicado
posteriormente.
 Elabore junto com os alunos um planejamento ou cronograma dos
temas a serem abordados. Estipule o início e o término da conversa e
ainda o tempo necessário para conversar sobre determinados
assuntos.
 Eleja um mediador. Este aluno ou especialista irá encaminhar as
discussões.
 No início do chat todos os participantes devem apresentar-se. E ao
final do mesmo, todos devem despedir-se. Com esta medida a
harmonia e o respeito irão perpassar toda a conversa.
 O professor pode pedir relatórios e autoavaliações posteriormente à
execução dos chats. Por ser um meio comunicacional muito dinâmico,
não permitindo muita reflexão, é necessário que esta se dê
posteriormente à sua realização.
 O professor pode elaborar uma tabela para avaliar a performance dos
alunos. Veja o exemplo:

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Participante/aluno Participação (nº de Grau de pertinência das
opiniões colocadas). contribuições para o assunto.
Nenhuma – 0 Nenhuma – 0
Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3
Média – 4 a 7 Média – 4 a 7
Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10
José Média Muita

Muitas atividades podem ser desenvolvidas com o uso dos chats. Pode-se
utilizá-lo na culminância de projetos, os pais conectados ouvem e conversam com
seus filhos a respeito de suas produções, sendo que essas podem ser enviadas
como arquivos durante a conversa. Outra opção são as conversas, os debates e os
seminários “intersalas” ou entre colégios diferentes. Escolhe-se um tema em comum
aos estudantes e esses trocam informações. O uso de “palestras” ou debates com
especialistas sobre um determinado assunto também funcionam muito bem. O chat
também pode ser usado como recurso para “plantão”, no qual o professor dispõe de
um horário marcado (extraescolar) para tirar dúvidas. Agindo assim o professor
extrapola sua ação pedagógica em horários e locais diferentes da escola.

4.3 FÓRUM

Os fóruns e as listas de discussão são espaços on-line que permitem


discussões assíncronas. Eles funcionam a partir de temas específicos. As listas de
discussão são socializadas por meio do correio eletrônico e os fóruns funcionam
com espaço próprio, onde as contribuições são arquivadas em uma sequência que
mostra a continuidade de uma discussão. Possuem ainda facilidades, como poder
visualizar mensagens que já foram lidas, o que colabora para o acompanhamento do
debate. Alguns deles permitem também anexar arquivos (textos, fotos, slides, etc.)
que podem complementar o diálogo.

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O fórum, por ser assíncrono, permite ao usuário um maior aprofundamento
do tema para o debate. Sua linguagem é semelhante à escrita, porém pode-se
utilizar emoticons ou recursos próprios do meio, pois o esperado é se fazer
compreender e compreender também os outros participantes.
Esses recursos são muito eficientes para a criação de comunidades virtuais,
isto é, pessoas que possuem algo em comum e desejam compartilhar
conhecimentos.
Como nos fóruns ocorre a interatividade e discussão sobre determinados
assuntos, esses se mostram como ambientes muito ricos no processo de ensino-
aprendizagem, pois as participações, as interpretações e as trocas de ideias, fazem
mais que um somatório de opiniões, sendo o produto desta interação superado,
contribuindo com as ideias iniciais.

4.3.1 Quando utilizar um fórum?

A grande diferença entre um fórum e um chat é o seu modelo temporal, ou


seja, o fórum é um meio assíncrono e o chat é síncrono. O que decorre disso é que
nos fóruns os debates são mais embasados teoricamente e também mais
elaborados, permitindo maiores reflexões e estudos, enquanto o chat, pela sua
agilidade, não permite este tipo de aprofundamento.
Por isso, quando a intenção das atividades for um maior aprofundamento a
respeito de um determinado assunto, sendo promovido por meio de debates e trocas
de ideias, o fórum é a melhor opção.
Veja abaixo outros objetivos que podem ser alcançados com o trabalho nos
fóruns:
 Criar hábito de pesquisa para fundamentação teórica no diálogo nos
debates;
 Aprimorar o uso da linguagem escrita – nos fóruns é preciso habilidade
para escrever e interpretar, pois o que se deseja é firmar sua opinião e
discutir visões e posições com outros participantes;

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73
 Alfabetizar digitalmente, pois com a utilização dos fóruns os alunos irão se
apropriar de hábitos, particularidades e linguagem, próprias do meio
digital;
 Criar laços afetivos com os participantes, que por meio dos debates irão
firmando pontos em comum;
 Aprimorar a capacidade de argumentação, fundamental para a
participação em fóruns;
 Adquirir espírito de equipe e trabalho colaborativo, em que todos
aprendem juntos – nos fóruns a própria aprendizagem e a aprendizagem
dos colegas dependem da participação de cada um;
 A utilização do fórum é sempre interessante quando aborda um tema
inquietador, desafiador, com múltiplas visões, ou quando engloba temas
do interesse do público-alvo, que se mostrará motivado em participar.

4.3.2 Como proceder didaticamente com fórum?

Abaixo estão algumas maneiras de proceder didaticamente em fóruns ou


listas de discussão.

 O professor pode ser o moderador da discussão ou escolher um aluno


para assumir esta função – o moderador encaminha o debate, interfere
quando há divergências, sugere leituras e provoca novas
problematizações;
 O tema de um fórum deve ser desafiador e estimulante, preferencialmente
formulado por questionamentos;
 Escolha um aluno ou um grupo para fazer uma síntese ao final do fórum,
contendo os pontos de vista discutidos e se possível alguma conclusão
sobre o tema;
 Utilize no fórum um tipo de tabela para avaliar o desempenho dos alunos.
Veja o exemplo:

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Participante/ Participação (nº de Grau de pertinência das
aluno opiniões colocadas). contribuições para o assunto.
Nenhuma – 0 Nenhuma – 0
Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3
Média – 4 a 7 Média – 4 a 7
Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10
José Média Muita

 O fórum pode utilizar grupos pequenos ou vários alunos para discutirem


os temas. Caberá ao professor definir quantos integrantes poderão
debater ao mesmo tempo. Essa variável depende da complexidade do
tema e dos objetivos a serem alcançados;
 Utilize os fóruns para realizar enquetes na escola ou fora dela. Para isso,
use um tema de grande amplitude, que esteja sendo mostrado pela mídia
ou que faça parte do cotidiano dos participantes;
 Como o fórum é uma ferramenta assíncrona, a família também pode
participar das discussões, o que a aproxima da escola e do aluno;
 Outra opção é entrar em uma lista de discussão ou grupo já criado, dessa
maneira os alunos irão precisar conhecer e adaptar-se a pessoas
diferentes e novas;
 Os fóruns também servem para aplicar o modelo de “plantão” na escola.
A diferença é que este pode ser permanente, diferente dos chats que
devem acontecer em um determinado horário;
 Um fórum pode movimentar e incluir a opinião de toda uma escola, entre
classes, entre pais, entre professores, enfim, escolha a melhor opção, não
se esquecendo de planejar cuidadosamente sua atividade, para avaliá-la
corretamente.

4.4 WIKI

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Um wiki (significa rápido em havaiano) é uma página web colaborativa. É
elaborada através do trabalho coletivo de diversos autores. É similar a um
blog na sua lógica e estrutura, porém nesse caso, qualquer um pode editar
seus conteúdos mesmo que estes tenham sido criados por outra pessoa.
Permite que se vejam rascunhos ou modificações do texto até que se tenha
a versão definitiva. O termo wiki se refere tanto ao site web como ao
software utilizado para criar e manter o site (GONZÁLEZ, 2005, p. 7).

É uma ferramenta colaborativa assíncrona que se destina ao registro e


produção de comentários e textos com caráter coletivo, facilitando e possibilitando
sistematizar e explorar ideias, formando um único texto, com a colaboração de
todos.
Sua vantagem é a possibilidade de edição de textos hipertextuais e publicá-
los posteriormente (em páginas específicas). O wiki é uma ferramenta muito
interessante ao processo educativo uma vez que sem ela a realização de
determinadas atividades on-line seriam impossíveis, pois nela os alunos podem ser
ao mesmo tempo, leitores, editores e autores de um texto.
Permite ainda postar textos e fotos, colocar links para outras páginas e para
desdobramentos da própria página do wiki. Alguns wikis permitem também postar
comentários.
No wiki não existe um mecanismo de revisão, esta fica por responsabilidade
dos autores do texto. Um wiki famoso é o site do Wikipédia, uma enciclopédia on-
line colaborativa, ou seja, qualquer usuário pode editar e modificar seu conteúdo,
num trabalho de aperfeiçoamento contínuo.
Há duas visões a respeito desse tipo de ferramenta. Em uma delas estão os
que não acreditam na veracidade das informações, devido à possibilidade de edição
por qualquer usuário, porém há outros que afirmam que quanto mais pessoas
acessam e modificam um texto, mais correto e atualizado ele fica.

4.4.1 Quando utilizar um wiki?

O wiki poderá ser útil quando a atividade proposta for um trabalho em grupo.
Dessa maneira, o professor pode acompanhar todo o processo de construção,
elaboração e edição. É uma forma nova de realizar trabalhos em grupo e irá motivar

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os alunos, pelos recursos que oferece e também porque torna o trabalho
colaborativo mais fácil e ágil.
Veja algumas competências e objetivos a serem alcançados pelos alunos ao
usarem wikis:

 A utilização de wikis leva e proporciona a oportunidade de aprimorar a


organização, a reflexão e a cooperação;
 Com o wiki há a possibilidade dos alunos construírem e terem a cocriação
de conteúdos de apoio para seu próprio estudo;
 O professor e os alunos em conjunto, por ser uma ferramenta
colaborativa, são responsáveis pelo site e por seu gerenciamento;
 Como um wiki pode ser modificado por qualquer usuário, deve-se
trabalhar a confiança mútua;
 Para utilizar um wiki deve-se fazer um planejamento do seu assunto,
materiais que estarão disponíveis, quais serão seus componentes,
etc.;
 O professor deve criar nos alunos uma familiaridade com a ferramenta
antes de sua utilização, pois é preciso aprender a colaborar e editar os
conteúdos;
 Um wiki pode ser usado também pela equipe de professores para
elaborar colaborativamente os planejamentos escolares;
 A utilização de wikis irá formar alunos autônomos, participativos e com
senso crítico;
 Escolha junto com os alunos as discussões, temáticas, reflexões e
sínteses para os wikis.
Em um wiki não existe autoria. Os tratamentos e papéis assumidos são
horizontais. O que existe é o “nosso”.

4.4.2 Como proceder didaticamente com wiki?

Observe algumas sugestões de procedimentos didáticos para utilizar wikis:

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 Os trabalhos em grupo poderão ser feitos fora do horário escolar e com
supervisão do professor e de outros colegas;
 Crie um ambiente lúdico, com colaborações espontâneas e de forma
prazerosa;
 Compartilhe ideias, sentimentos, conteúdos, informações, etc., criando
um espaço livre para a turma;
 Publique trabalhos e produções. Os pais também podem colaborar
postando produções elaboradas colaborativamente;
 O professor deve acessar e comentar as produções e as interações dos
alunos, acompanhando de perto a produção dos trabalhos;
 Crie um wiki todo ano para cada turma e mantenha-o como forma de
nutrir a comunicação entre os alunos e os professores;
 Crie regras para a utilização de wikis – esta ferramenta, como as
demais, também irá proporcionar a vivência destas;
 Avalie participações, contribuições e intermediações feitas pelos
alunos; observe ainda sua criatividade ao elaborar e postar materiais,
seu espírito de equipe, respeito com o colega, etc.

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4.5 ALGUNS EXEMPLOS DE PRÁTICAS EDUCATIVAS COLABORATIVAS

Webfólio: o portfólio da era digital

Sônia Bertocchi (26/03/2004)

Antes de falarmos de Webfólio, temos de relembrar o conceito de portfólio:


porta-folha, ou álbum usado geralmente por artistas para guardar seus esboços,
ensaios e trabalhos mais significativos.
Em uma situação de ensino-aprendizagem, o portfólio funciona como um
recurso para registro organizado de projetos e trabalhos produzidos por alunos
durante um período. Constam dele também os instrumentos de observação e
avaliação aplicados. Assim, o portfólio proporciona uma visão geral das atividades
desse aluno e demonstra o desenvolvimento de suas competências.
Encarado dessa forma, o portfólio tem sido utilizado pelos educadores como
um excelente instrumento de avaliação. Quando bem planejado, permite ao
professor visualizar o percurso do aluno e ajustar suas intervenções; possibilita
avaliar o produto e acompanhar o processo de aprendizagem.
Com a chegada da Internet à escola, surgiu a versão eletrônica do portfólio:
o Webfólio, ou seja, no lugar da publicação em papel, páginas publicadas na Web.
Assim, o Webfólio é um instrumento de avaliação que oferece condições
para o aluno revelar habilidades e competências que não são facilmente observáveis
por outros meios de avaliação.
Durante o trabalho de construção de seu Webfólio, ele torna-se agente
efetivo do seu processo de aprendizagem. Para o professor, o Webfólio apresenta-
se como um recurso oferecido pela tecnologia para observação de percursos em
constante revisão e avaliação.

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Uma das maneiras mais simples de fazer essa publicação na Web é por
meio de blogs. Para saber mais sobre blogs, como e onde criar, como publicar,
inserir comentários e ter uma lista completa de FAQ´s sobre o assunto, você pode
visitar os sites Interney ou The Blog. Neles você encontrará também endereços de
blogs interessantes para visitar e avaliar.
Outra maneira é participar de projetos colaborativos que oferecem a
ferramenta para registro do percurso, como a Oficina de Criação do EducaRede.
Para começar, o professor poderia criar um blog para sua disciplina ou
projeto e convidar os alunos a visitarem e participarem dele. Aproveitar esse
momento e mostrar o caminho das pedras para a publicação de blogs. Com certeza,
cada aluno ou grupo vai querer construir o seu, e o professor contará com uma boa
e agradável opção para usar a Internet como recurso pedagógico.
Bom trabalho!

FONTE: Adaptado de Sônia Bertocchi, 2004. Disponível em:


<http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=internet_e_cia.informatica_principal&id_inf_escola
=53>. Acesso em: 12. set. 2007.

É conversando que a gente se entende

Daniela Bertocchi Seawright (28/05/2002)

Imagine um grupo de pessoas compartilhando informações e debatendo


temas de interesse comum. E de forma assíncrona, ou seja, na hora e até mesmo
no local que for mais conveniente para cada uma. Essa comunicação bidirecional
existe. E fica aqui mesmo, neste mundo digital, neste vai e vem de mensagens
eletrônicas entre servidores (computadores). Refiro-me aqui aos grupos de
discussão da Web, as "mailing lists" (listas de endereços eletrônicos).

A ideia é simples e barata: uma pessoa se cadastra em uma lista de

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discussão disponível na Internet, sobre Educação Infantil, por exemplo, e passa a
receber, por e-mail, mensagens de outros usuários que se interessam pelo mesmo
assunto. Essa pessoa pode, por outro lado, enviar suas opiniões, dicas, críticas e
sugestões para todos os membros do grupo por meio de um único endereço
eletrônico.
Está criado um espaço virtual de intercâmbio de experiências. Começa aí,
podemos arriscar, uma forma de educação continuada a distância, a partir de uma
multiplicidade de conexões. A melhor notícia é que os profissionais da educação
estão dentro deste processo.
O uso educativo dos GD nem de longe está descartado. O espanhol Victor
Feliu Jornet, especialista em educação a distância, aponta pelo menos duas
atividades que podem ser desenvolvidas entre professores e alunos.
A primeira é a comparação entre língua escrita e oral. É possível encontrar
nas mensagens eletrônicas características dessas duas modalidades, como os
"emoticons", símbolos que servem para expressar emoções tradicionalmente usadas
em linguagem oral e mesmo não verbal.
E a segunda diz respeito aos projetos colaborativos que podem ser
desenvolvidos entre alunos de diferentes classes, escolas e até países. Jornet
considera ainda que os GD, de um modo geral, ampliam o debate participativo entre
os estudantes fora do horário da aula e facilitam o contato individualizado entre
professor e aluno.
Da mesma forma, as listas podem ser usadas por escolas para melhorar a
comunicação entre os profissionais de educação. Estão aí várias formas de
estimular uma cultura de participação na escola.
Um exemplo de lista para o(a) caro(a) leitor(a) se interessar mais: Temas
Transversais espaço promovido pela revista Nova Escola Online para o debate e a
troca de informações.

FONTE: Adaptado de Daniela Bertocchi Seawright, 2002. Disponível em:


<http://www.educarede.org.br/educa/internet_e_cia/informatica.cfm?id_inf_escola=6>.
Acesso em: 12 set. 2007.

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No mundo dos blogs – o diário virtual na escola
(26/07/2007)

Blog é uma abreviação da palavra Weblog: Web (rede, teia) e log (registro).
É um diário virtual que pode ser educacional, familiar, pessoal e comunitário. Sua
principal característica é a facilidade de criação e publicação de novos conteúdos na
Internet pelo criador do blog e pelos visitantes, possibilitando a comunicação rápida,
simples e organizada.
No âmbito educacional, o uso do blog pode potencializar processos de
colaboração, o exercício da expressão criadora, a valorização da produção com
significado social, a autoria e o protagonismo. Estimula também a leitura, a escrita e
produção em outras linguagens, podendo constituir redes sociais e de saberes.
Nesse sentido, é uma importante ferramenta que possibilita o
desenvolvimento de aprendizagens relativas à comunicação digital e à postura
autoral na Internet, por meio da publicação de conteúdos.

PÚBLICO–ALVO

4º ano do Ciclo I, Ciclo II do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

OBJETIVOS

 Exercitar a produção e troca de mensagens entre os alunos no meio


virtual.
 Potencializar a colaboração e o intercâmbio de ideias entre os alunos.
 Conhecer e explorar os recursos das ferramentas de blogs.

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 Desenvolver práticas de leitura e escrita que contribuam na produção de
textos e compreensão do que se lê.
 Aprender a criar blogs e ser produtor de conteúdo na Internet.

RECURSOS NECESSÁRIOS

Computadores conectados à Internet, projetor multimídia, câmera digital,


escâner e programa de edição de fotos.

PROGRAMAS UTILIZADOS

Sites de produção de blogs, processador de texto e navegador de Internet


(Internet Explorer).

FONTES DE PESQUISA

Para criar seu blog, sugerimos os seguintes sites:


http://www.blogger.com/start
http://weblogger.terra.com.br/
http://www.blogs.com.br/oqueeblog.php

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METODOLOGIA

ANTES

Conhecendo o que os alunos sabem e o que desejam saber a respeito de


blogs e dos recursos utilizados para sua elaboração.
Exponha o projeto aos alunos, seus objetivos e duração. Em seguida, faça
um levantamento dos conhecimentos prévios da classe. Salve o registro dessa
conversa. Peça aos alunos que também registrem, individualmente, o que sabem
sobre blogs e salvem em pasta própria.

Sugestão de roteiro para registro:

 O que você sabe sobre blogs?


 Quais blogs você conhece e visita?
 Você costuma enviar textos para blogs?
 Quando você visita um blog, seu objetivo é...
 Você já criou um blog?
 Você já utilizou um blog na escola? Como?

DURANTE

Conhecendo blogs e combinando algumas regras


 Converse com a classe para a definição do tema do blog.
 Exponha aos alunos quais programas serão utilizados no projeto,
explicando o uso do Internet Explorer e a criação de pastas nas quais cada aluno
salvará seus textos.

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 Combinem posturas necessárias ao publicar e comentar na Internet e
estabeleça regras de ética e de utilização do blog, formuladas juntamente com eles.
 Para ampliar o repertório dos alunos, indique a leitura de textos sobre
blogs e aproveite para indicar exemplos de blogs na Internet.

Dica

No Portal EducaRede, você encontra conteúdos que podem ajuda-lo na


realização da atividade.
No canal Ensinar com Internet, veja os textos:

 “Educar para o uso responsável dos meios digitais”.


 “Blog: diário virtual que pode ser usado na escola”.

No canal Educalinks, confira as categorias:


 Blogs de Professores.
 Blogs de Projetos.

Criando o blog

 Defina com os alunos o nome do blog, o tema a ser trabalhado, a


descrição e o template (modelo da página).
 Com auxílio do projetor multimídia, crie o blog com os alunos,
acompanhando o processo.
 Construam o texto de apresentação do blog coletivamente.
 Os alunos devem se cadastrar no site que hospeda o blog da turma.

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Produzindo os textos

 Apresente as ferramentas de edição e publicação, divida os alunos em


duplas e oriente-os para a elaboração de um texto e de uma imagem a serem
publicados no blog.
 Para produzir os textos, é importante dividir os temas entre as duplas. Os
alunos digitam o texto no Word e salvam na pasta indicada anteriormente pelo
professor.
 As duplas devem revisar o texto produzido, preocupando-se com a norma
culta da língua.
 Os alunos também devem escolher uma imagem na Internet, cuja
reprodução seja autorizada, nomeando-a, salvando no computador. Eles devem
indicar crédito (o site do qual copiou a imagem) e legenda (uma breve descrição da
foto).

Publicando os textos

Quem publica?

Esse é um blog coletivo e, geralmente, algumas ações só podem ser feitas


pelo criador do blog, no caso, o professor. São elas: publicar texto inicial, publicar
mensagens, publicar imagens. Por isso, esses materiais serão publicados pelo
professor. Em alguns provedores de blog, o “criador” pode alterar as configurações
para permitir que outros usuários também publiquem imagens e mensagens.
Para publicar o texto inicial de cada tema, peça aos alunos que enviem o
material por e-mail para o professor. Com esse material em mãos, o criador do blog
deve inserir as novas postagens (cada uma apresenta o título do subtema da dupla).
Copie o texto, insira a imagem e publique no blog.

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Comentando as produções

Após publicar as primeiras mensagens no blog, peça aos alunos que


comentem os textos dos colegas. Todos os usuários podem comentar as
mensagens.

Organização das mensagens

Esse é um blog coletivo e está dividido em temas. Portanto, oriente os


alunos na organização das mensagens e comentários.

DEPOIS

Sistematizando o processo

Esse projeto pode ser estendido até o professor achar que é a hora de parar
ou iniciar outro tema. Para finalizar, proponha à classe a construção de um texto
coletivo sobre o processo de construção e uso do blog, retomando os registros
iniciais para serem publicados no blog.

AVALIAÇÃO

Retomando registro inicial

A sistematização coletiva do processo de criação e uso do blog pode ser um


instrumento de avaliação do professor.

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Outra estratégia possível e complementar são os alunos fazerem uma
autoavaliação, retomando seus registros iniciais e respondendo a questão: “O que
aprendi com esse projeto?” Eles podem comparar com o que já sabiam e avaliar se
suas expectativas de aprendizagem foram contempladas.

Retomando os objetivos

Depois que os alunos retomarem seus registros individuais, amplie a


conversa com a classe e socialize os ganhos que os alunos apontam as dúvidas e
dificuldades no processo.
Aproveite para retomar os objetivos e problematizar se eles:
 Exploraram blogs;
 Ampliaram o repertório sobre funções e recursos dos blogs;
 Produziram conteúdo para publicação na internet;
 Inseriram comentários nos textos e imagens dos colegas;
 Pesquisaram imagens na internet;
 Publicaram imagens no blog;
 Criaram as legendas e citaram os créditos das imagens.

DESDOBRAMENTOS DA PROPOSTA

 Utilizar o blog com outros objetivos educativos: relato diário de projetos


escolares, trabalhos em equipe com as diferentes áreas do conhecimento,
anotações de aula, etc.
 Lançar uma proposta de blogs individuais com temas livres. Se o blog for
individual, os alunos devem trocar o endereço entre eles (registram no caderno, no
processador de textos e inserem no recurso “Favoritos” do navegador de Internet).
Em duplas, eles podem comentar o blog um do outro.

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 No caso dos blogs individuais, cada aluno ou dupla será o “criador” do
blog. Com esse perfil será permitida a publicação de fotos digitais. Essa é uma boa
oportunidade para exercitar com os alunos o processo de criação e publicação de
imagens digitais. Pode-se utilizar máquina digital ou escâner.
 Utilizar o fotoblog (um registro publicado na Internet com fotos colocadas
geralmente em ordem cronológica, de forma parecida com um blog). Nesse caso,
explore um site de publicação de fotos (por exemplo:
http://fotolog.hyperfotos.com.br/), discutindo as diferenças entre blogs e fotoblogs e
os objetivos de cada um, e inicie a produção nessa outra ferramenta.
 O professor também pode utilizar o blog como um roteiro de aula. Ele
constrói o blog com orientações para atividades e fontes para pesquisas e os alunos
registram comentários e resultados das atividades.

DICAS

 É preciso tomar muito cuidado com direitos autorais, principalmente no


que se refere às imagens pesquisadas na Internet. Combine com os alunos o uso de
legendas e créditos.
 O professor deve ter uma ficha com todo o cadastro dos alunos: nome, e-
mail, nome do blog, assunto, endereço do blog. Oriente os alunos a registrarem suas
senhas.
 Sempre registre os nomes dos blogs utilizados e pesquisados.
 Combine com eles a utilização da norma culta. Esteja sempre
intermediando esta questão (uso de maiúsculas, acentuação, pontuação, ortografia
etc.).
 Oriente para que os textos não sejam muito curtos (duas linhas, por
exemplo) ou muito longos, respeitando as características dessa ferramenta.

FONTE: Adaptado. Disponível em:


<http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=internet_e_cia.informatica_principal&id_inf_escola
=639>. Acesso em: 12 set. 2007.

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Tecnologia ao alcance de todos

Débora Menezes, de Mangaratiba (RJ) e Joinville (SC) (setembro 2006).

Alunos de Joinville usam blog para conversar com estudantes de outras


cidades. Interação é a palavra-chave dos projetos nesse estágio

Crianças e jovens em rede trocam informações e experiências ou


simplesmente participam de conversas animadas graças ao projeto “O Lugar Onde
Moro”, uma iniciativa do Caic Mariano Costa, de Joinville (SC), voltado para 3ª e 4ª
séries. Assim, em Cataguases, na Zona da Mata mineira, Lorena Narciso de
Oliveira, nove anos, da 4ª série da EE Guido Marliére, descreve o bairro onde vive e
o compara com o de amiguinhos virtuais. Não só de Joinville, mas também de
Fortaleza, Marabá (PA), Charneca de Caparica e Vila do Conde (ambas em
Portugal). São alunos de escolas onde os computadores não constituem novidade e
que já desenvolvem projetos interativos, trabalhando diretamente com publicação e
edição de textos e imagens (fotos, desenhos e animações). É o que se pode chamar
de estágio intermediário da utilização de tecnologia digital no ensino.
A garotada se sente estimulada a pesquisar, ler e escrever melhor com o
bate-papo e uma farta produção de textos publicados em blogs - ferramenta do
mundo virtual que permite aos usuários colocar conteúdo na rede e interagir com
outros internautas, enriquecendo os relatos com links, fotos, ilustrações e sons. Mas
só há ganhos em aprendizado se os professores desempenharem seu papel de
mediadores, isto é, se acompanham e sugerem atividades, ajudam a solucionar
dúvidas e estimulam a busca de novos conhecimentos. É o que afirma Gládis Leal
dos Santos, professora de Língua Portuguesa que coordena o laboratório de
informática do Mariano Costa. Ela é autora dos projetos que formaram a rede de
escolas interligadas. "Quando os alunos veem que estão escrevendo para outros

AN02FREV001/REV 4.0

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colegas lerem, e não só para o professor avaliar, preocupam-se mais com a
qualidade e a precisão do texto", afirma.
Para elaborar essas experiências de escrita colaborativa, Gládis utiliza
recursos gratuitos disponíveis na internet. O projeto “O Lugar Onde Moro” é
realizado como auxílio do Writely, editor de texto com recursos de formatação, além
de inserção de imagens e tabelas.
Já a “Palavra Aberta” é um blog. Nele, grupos do Ensino Fundamental e do
Médio comentam vídeos, animações e reportagens que Gládis seleciona. A reflexão
sobre o preconceito é o eixo central dessa atividade. Um dos debates recentes foi
em torno de uma charge animada. Nela, pessoas passam por uma rua indiferente à
visão de uma família miserável e, mais adiante, param para ver um jogo de futebol
nas TVs de uma vitrine. "Existem pessoas que dão importância ao futebol, mas não
aos pobres", comentaram no blog as estudantes Camila Jaini Schmidt e Morgana
Floriano, ambas de doze anos e cursando a 6ª série.

Anéis de Saturno

Os participantes dessas atividades em rede perceberam que seu alcance vai


aumentando como uma bola de neve de conhecimento. Fabrícia Ricobom, também
professora de Língua Portuguesa do Mariano Costa, transportou a ideia da “Palavra
Aberta” para trabalhar com classes de outra escola em Joinville, a EM Avelino
Marcante, e montou o blog “Mergulhando nas Palavras”, com as turmas de 5ª, 6ª e
7ª séries. "O blog é um ótimo complemento para as aulas", atesta Fabrícia. "Os
alunos percebem a função social da escrita e entendem que escrever é comunicar."
Já a turminha de 4ª série do Guido Marliére, de Cataguases - que não tem
laboratório próprio, mas usa o da biblioteca digital do Instituto Francisca Floriano
Peixoto, do outro lado da rua -, aproveitou a inclusão no projeto “O Lugar Onde
Moro” para realizar uma grande pesquisa de campo sobre o entorno. Orientados
pela professora Mônica Rodrigues, eles entrevistaram ex-alunos, antigos moradores
das proximidades e funcionários da prefeitura e, entre outras coisas, descobriram a
origem do nome da instituição, publicando em seguida o resultado na internet.

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Mônica, que aprendeu a usar o computador há quatro anos, encontra na
tecnologia um meio de ao mesmo tempo saciar e provocar a curiosidade da
meninada. Para responder à pergunta dos estudantes sobre como são formados os
anéis de Saturno, ela e a classe de 2ª série escreveram um e-mail para o
Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. O recurso das entrevistas virtuais
passou a fazer parte de projetos de pesquisa posteriores.

FONTE: Adaptado. Revista Nova Escola. Disponível em:


<http://www.iia.com.br/educacaoampliada/Revistaescola.abril.com.br(educa%C3%A7%C3%A3o).do>.
Acesso em: 12 set. 2007.

Pesquisa e bate-papo na Internet

Mílada Tonarelli Gonçalves (21/10/2004)

Fórum, bate-papo, blog, comunidade virtual, busca... são tantas as opções


disponibilizadas pela Internet que, às vezes, ficamos sem saber qual e como usá-las
nas aulas.
O professor Antonio Sérgio Pereira Ramos, de São Paulo, conhece todas
essas ferramentas e, diante da variedade, não escolheu uma só, mas duas.
Resolveu integrar bate-papo e pesquisa para trabalhar com os alunos da 8ª série da
Escola Municipal de Ensino Fundamental Pracinhas da FEB.
O professor de Ciências já tinha decidido pedir a eles que realizassem
pesquisa na Internet quando viu na Agenda de Bate-Papos do EducaRede um chat
marcado com o especialista em Energia Vinícius Ítalo Signorelli. Era o mesmo tema
que ele iria trabalhar com os alunos naquele semestre.
Para aproveitar a oportunidade, o professor preparou o cronograma das
aulas de modo que, até a data do bate-papo, os alunos já tivessem aprendido o
conteúdo e pudessem participar da discussão.

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92
As atividades

O estudo sobre Energia começou na sala de aula, mas a primeira atividade


foi realizada na sala de informática. Os alunos navegaram na seção “Assunto é...” do
portal EducaRede e leram os materiais a respeito.
Na segunda semana, os alunos foram divididos em grupos. Cada um ficou
responsável por um subtema: calor, energia sonora, magnetismo, eletricidade e luz.
Na sala de informática, eles realizaram pesquisas na Internet a respeito do subtema
de seu grupo. O professor Sérgio teve a preocupação de, antes dessa aula, escolher
os sites nos quais os alunos deveriam realizar a busca.
É importante que o educador faça esse trabalho para poder orientar os
estudantes a navegarem em conteúdos confiáveis. No dia da atividade, os
estudantes tinham 28 endereços selecionados por Sérgio e puderam realizar um
bom trabalho.
Depois das pesquisas sobre Energia, os alunos estavam preparados para o
“grande dia”. E, para que tudo corresse bem, o educador pediu-lhes que
organizassem as perguntas a serem feitas ao especialista, antes de irem para a sala
de informática. Também combinou regras de comportamento no ambiente virtual.
O bate-papo foi agendado pela equipe do EducaRede e, por isso, contou
com a participação de um moderador, cujo papel é selecionar as perguntas que são
enviadas pelos internautas e repassá-las ao entrevistado.
Para usar o bate-papo, os professores não precisam esperar que ele seja
agendado pelo EducaRede. Com o trabalho planejado, basta escolher uma data,
reservar uma sala para discutir virtualmente e utilizar essa ferramenta com os
alunos. No lugar do especialista, o educador pode convidar um colega para ser
entrevistado ou ele mesmo responder às questões. Uma das vantagens é que, em
uma conversa virtual os estudantes ficam mais desinibidos para fazer os
questionamentos.

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Dicas para incluir o bate-papo nas aulas

Antes do bate-papo:

 Faça uma motivação com a turma fora do computador;


 Oriente os alunos durante as pesquisas sobre o tema;
 Teste a ferramenta antes da aula para entender todos os recursos;
 Combine regras de conduta durante o bate-papo.

Durante o bate-papo:

 Peça aos alunos para que se identifiquem pelo nome e não por apelidos
para que você possa acompanhar a participação deles;
 Oriente os estudantes no envio das perguntas ao entrevistado.

Depois do bate-papo:

 Retome o tema a partir da íntegra do bate-papo disponível no Baú dessa


seção (só para os agendados pelo EducaRede);
 Avalie com os alunos as dúvidas não respondidas;
 Organize atividades nas quais os alunos tentem responder às dúvidas
restantes;
 Oriente os estudantes para que registrem mensagens no Fórum do
EducaRede, de acordo com o tema debatido.

FONTE: Adaptado. Disponível em:


<http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=internet_e_cia.informatica_principal&id_inf_escola
=78>. Acesso em: 12 set. 2007.

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Integre wiki, vídeo e blog para alunos e professores

Fátima Cechinel (19/09/2007)

Notícia - A professora Fátima Cechinel enviou o relato de uma experiência


que muitos professores e alunos irão achar interessante. O projeto “Rolando na
Minha Escola” integra um wiki, vídeo, relatos e desafios de uma maneira simples e
divertida. O wiki, um espaço colaborativo, foi criado no Wikispaces.com. Já o vídeo,
foi embutido na página do projeto que tem ainda relatos e fotos de oficinas e aulas
com professores e alunos.
"Acho relevante e importante às oportunidades em tecnologia e educação
para trabalharmos com professores e alunos", conta Fátima. "Atuo com oficinas de
inclusão digital junto aos professores e alunos, e sempre busco montar um blog, ou
trabalhar com vídeos", relata ainda a professora.
O vídeo da oficina de inclusão digital é leve e animado. Um relato da
experiência pode ser lido rapidamente e é escrito de modo descomplicado e leve.
Estão em foco também os participantes e alunos.

FONTE: Adaptado. Disponível em:


<http://br.buscaeducacao.yahoo.com/mt/archives/2007/09/integre_wiki_va.html>.
Acesso em: 12 out. 2007

4.6 CONHECENDO E EXPLORANDO AS FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM


COLABORATIVA NA INTERNET

4.6.1 Blog

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Veja abaixo os sites indicados para a utilização de blogs. Há muitos outros
sites disponíveis, porém os indicados aqui são gratuitos. É importante lembrar que
para alguns deles você terá que possuir uma conta de e-mail.

- Blog Terra

Esta opção tem o visual interessante e pode ser bem utilizado com fins
educativos, pois existe uma opção na qual há explicação sobre blogs e pode-se
buscar um blog pelo mundo ou por diversos países.
Qualquer pessoa pode utilizar o blog do Terra, pois esse aceita usuários de
qualquer provedor. A inscrição é fácil e o site oferece ainda diversos templates
(layout da página).
Acesse: http://blog.terra.com.br

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96
FIGURA 4

FONTE: <http://blog.uol.com.br/> Acesso em: 17.Abril.2013.

- Blog Uol

Nessa opção também se pode fazer busca de blogs. A inscrição no blog


UOL é bastante simples e o site oferece ainda diversos templates (layout da página),
além de oferecer diversos recursos como: criar um perfil, comentários sobre as
postagens, colocar lista de links preferidos, editar mensagens, postar fotos, etc.
Acesse: http://blog.uol.com.br

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97
FIGURA 5

Recursos que o
Uol oferece para
o seu blog.

Clique aqui para


cadastrar-se.
Depois de
cadastrado é só
entrar com login
e senha.

Serviço de busca
de blogs.

FONTE: <http://blog.uol.com.br/> Acesso em: 17.Abril.2013

- Blog Ig

Essa opção tem o visual simples e instrutivo e pode ser usada com fins
educativos, pois existe uma opção que oferece uma explicação sobre blogs.
Para usar o blog da Ig você terá que usar uma conta de e-mail da Ig
também. Quando for fazer a inscrição já existe uma opção que facilita esse
processo, pois na mesma janela existe um “botão” no qual você cria um e-mail ig.
O site oferece ainda diversos templates (layout da página) e outros recursos
como: moderador, contador, podcasting, agendamento, newsletter e outros.

AN02FREV001/REV 4.0

98
Você ainda pode dar maior visualização para seu blog usando o recurso de
“seleção Blig”.
Acesse: http://blig.ig.com.br

FIGURA 6

Depois de cadastrado é só
entrar com login e senha.

Clique
aqui
para se
cadastrar

Clique aqui para se Recursos que o


informar sobre o Ig oferece para
serviço de blog. o seu blog.

FONTE:< http://blig.ig.com.br> Acesso em: 26.Fev.2012.

Acesse: http://www.maisblog.com para usar mais recursos como templates,


cursores, relógios, calendários, etc.

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99
4.6.2 Chat

Veja as indicações dadas para a utilização dos chats. Há dois deles que são
sites em que você pode abrir uma nova sala de bate-papo gratuitamente e agendar
sua conversa e existe também a indicação de dois programas próprios para este fim.

- Brasil Chat

Nesse site, para abrir sua sala de bate-papo, você terá que primeiramente
se cadastrar. O cadastro é simples e é necessário ter uma conta de e-mail. Outra
opção é utilizar as salas já abertas, mas observe o tema e se a interação é própria
para fins educativos. Acesse: http://www.brasilchat.com.br

FIGURA 7

Clique aqui para criar


Clique aqui iniciar seu sua sala de bate-papo.
cadastro.
Salas oficiais do site.
Depois de
cadastrado é
só entrar com
senha e login.

FONTE: Disponível em: < http://www.brasilchat.net.br/ >. Acesso em: 17.Abril.2013

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100
- Sala de Aula Interativa

Este é um site bastante interessante, pois trata do assunto “interatividade” e


quem o administra é o professor Marco Silva. Possui textos, entrevistas, entre
outros. Nele você também terá que fazer um registro (com conta de e-mail) para
usar o Chat. A janela de registro é em inglês. Nela você escolhe o idioma em que o
bate-papo ocorrerá.
Acesse: http://www.saladeaulainterativa.pro.br

FIGURA 8

Clique em chat.

Clique em
entrar no chat.

Se já for
cadastrado é
só entrar com
login e senha.

Para se cadastrar
clique aqui.

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101
FONTE: Disponível em: <http://www.saladeaulainterativa.pro.br>. Acesso em: Acesso em:
17.Abril.2013.

- Comic Chat

O Comic Chat ou Microsoft Chat é um programa desenvolvido pela Microsoft


Corporation. Para utilizá-lo, o usuário deve ter o programa cliente Comic Chat
instalado em seu computador e acessar um dos servidores existentes disponíveis
em rede.
Por ser um produto Microsoft, a ferramenta segue o padrão Windows, o que
facilita o acesso ao ambiente. Os ícones são intuitivos e correspondem às funções
mais utilizadas, semelhante a um editor de textos, porém com algumas funções
específicas de chat como sala, participantes e favoritos. Na opção de salas podem-
se configurar diversas propriedades, por exemplo, criar uma sala com senha e com
um número máximo de usuários.
Esse ambiente tem duas opções de comunicação: modo texto e modo
quadrinhos. A segunda opção propicia um diálogo semelhante às histórias em
quadrinhos, pois permite que o usuário escolha um, entre os vários personagens
disponíveis no ambiente, com diferentes expressões faciais, assim como permite a
escolha de um cenário onde o diálogo se desenvolve.
Desse modo, é possível se expressar usando alguns gestos padrões como
apontamento com as mãos sempre que é mencionada a palavra você e o ato de
acenar quando usado tchau e oi. "Os sinais de pontuação quando usados ao final de
uma frase alteram a face dos personagens. Por exemplo, vários pontos de
exclamação seguidos (!!!!!) fazem o personagem expressar ira. Além dos sinais de
pontuação, quando são utilizados os emoticons, as expressões faciais também são
alteradas de acordo". As mensagens são enviadas dentro de balões, semelhantes
às histórias em quadrinhos, e podem representar uma fala, pensamento, sussurro ou
ação.

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102
Embora a opção em quadrinhos seja mais lúdica e interessante que a
textual, só é recomendável quando há poucas pessoas na sala, pois o
acompanhamento da conversa se torna difícil com muitas pessoas.

O modo texto possui as características comuns aos diversos chats: as


mensagens são enviadas sequencialmente, as conversas podem ser de um para
todos ou em particular. Porém, dependendo do que se quer comunicar, é necessário
conhecer alguns comandos, por exemplo, "/msg Paulo Tudo bem?" resulta no envio
da mensagem "Tudo bem?" em particular para Paulo. No modo texto também é
possível configurar a cor e o tipo de letra utilizada, fator que ajuda a comunicação
dentro de uma sala com muitas pessoas.
Esse programa permite que as conversas sejam gravadas, tanto no modo
texto quanto no modo quadrinhos.

FONTE: Disponível em:


<http://www.ccuec.unicamp.br/ead/index_html?foco2=Publicacoes/78095/121137&focomenu=Publica
coes>. Acesso em: 12 out. 2007.

O Microsoft Chat é gratuito e seu download pode ser efetuado no endereço:


http://www.tucows.com/preview/193891.

- The palace

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103
FIGURA 9

FONTE:< www.reocities.com/Paris/9420/progra.htm> Acesso em: 12 out. 2012

THE PALACE é um Chat com interface gráfica de excelente qualidade e


vários recursos, como: Script, Multimídia e comandos.
Esta modalidade de Chat (Bate-papo) se difundiu rapidamente pelo mundo e
também no Brasil, aqui você encontrará uma lista de endereços de server's do
Palace, como também um questionário com as dúvidas mais frequentes dos
usuários iniciantes.
Existem atualmente várias modalidades de Chat; como, o NetMeeting, IRC e
outros. O IRC é na atualidade o mais difundido por sua facilidade de criação do
ambiente nos servidores e também por ter sido um dos primeiros nesta modalidade,
mas o IRC não oferece nenhuma interface gráfica ou imagem dos seus visitantes.
Estas imagens são denominadas de avatar, sem levar em consideração que cada
servidor de Palace pode ter imagens de diferentes ambientes ou lugares, imagens
estas que na sua maioria são de ótima qualidade e grande beleza.
Aqui você encontrará as respostas para as dúvidas mais frequentes para
quem quer começar a utilizar o THE PALACE:

1- Onde consigo o software?

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104
Você pode fazer um download na minha área de download ou ainda ir direto
ao SITE do THE PALACE (http://www.thepalace.com).

2 - Como me conecto?
Clique no ícone do programa e vá à opção FILE, em seguida na opção
CONNECT e digite um dos endereços que você pode pegar na minha lista de
endereços de servidores Palace.

3 - Como entrar nas salas existentes nos Palaces?


Observe quando o cursor se transforma em mão e dê um clique ou então vá
à opção OPTIONS e clique GOTO e dê um duplo clique sobre a sala escolhida.

4 - Quantas salas existem no Palace?


Existem mais de vinte salas, podendo ser criadas outras salas, caso o
servidor preferir.

5 - O que é um avatar?
Avatar é uma imagem que você usa quando está em um chat na internet,
esta figura representa você dentro do chat.

6 - Como escolho minhas roupas e outros acessórios (prop's) no Palace?


Observe que existe um ícone de uma maleta no rodapé direito da tela, clique
nessa maleta e irá se abrir no lado direito da tela várias opções de roupas e
acessórios para você escolher. Dê um duplo clique sobre o prop escolhido e ele
automaticamente será transferido para o seu avatar, lembre-se que você pode usar
vários itens ao mesmo tempo. Para tirar um prop que está sobre o seu avatar, basta
dar um clique sobre ele e arrastá-lo para a lixeira – não se preocupe, pois você não
o perderá, pois o mesmo continua na sua maleta. Caso você deseje pegar algum
prop deixado por outra pessoa, basta clicar sobre o prop e arrastá-lo para cima do
seu avatar.

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105
7 - Como faço para conversar com as outras pessoas?
Escreva a mensagem e dê um ENTER. Sua mensagem irá aparecer em
forma de balão como nos gibis (quadrinhos).

8 - Como faço aparecer pensamento para minha mensagem?


O balão em forma de pensamento é feito usando dois pontos (:) antes da
sua mensagem.
: hoje tem muita gente !!!!

9 - Como deixo uma mensagem fixa até que escreva outra mensagem?
Na mesma filosofia do item oito, digite o acento circunflexo (^), antes da sua
mensagem.
^Estou no telefone!!!!

10- Para a frase aparecer no canto esquerdo superior da tela, como faço?
Digite o símbolo arroba (@) antes da sua mensagem.
@Tchau pessoal!!!!

11- Como posso ver os nomes das pessoas que estão no Palace?
Use a tecla F3 ou simplesmente clique sobre a lixeira, que está localizada no
canto inferior direito da sua tela.

12- Como sei quantas pessoas estão no Palace naquele momento?


Observe que na parte inferior direita da sua tela existe uma numeração
separada por uma barra, o primeiro valor indica a quantidade de pessoas que estão
na sala com você e o segundo valor indica a quantidade total de pessoas que se
encontram no Palace neste momento.

13- Como emito sons no Palace?


Digite ")" antes de um dos nomes de sons que existe no Palace. Exemplo:
)kiss

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Outros sons existentes: - amen, belch, boom, crunch, debut, fazien, guffaw,
kiss, no, ow, pop, teehee, weti, wind e yes.

FONTE: Disponível em: <http://www.nlink.com.br/~harlanfr/palace.htm>. Acesso em: 12 out. 2007.

- Breeze

O Breeze fornece um sistema de comunicação pela web que permite aos


usuários promover reuniões em tempo real, aulas e seminários, assim como
disponibilizar apresentações sob demanda e cursos de e-learning.
Acesse: http://www.classroom.com.br/breeze/index.php

Você pode optar por usar um sistema de Messenger

- Yahoo! Messenger

Seu ponto forte realmente é a conferência de voz, inexistentes em outros


grandes mensageiros. Em uma janela de bate-papo é possível conversar por
mensagens de texto ou voz. Além disso, possui muitos plugins interessantes e você
pode personalizá-lo do modo que quiser.
Quem quer apenas teclar, pode usar emoticons animados, mandar
mensagens animadas com som, semelhantes aos winks do MSN, compartilhar fotos
e consultar o histórico de mensagens das pessoas com quem conversou.
Acesse: http://br.messenger.yahoo.com/webmessengerpromo.php

- MSN Messenger

É hoje o programa de bate-papo instantâneo mais popular da Internet. Ele


permite conversar em tempo real com seus amigos, familiares e colegas. Com ele

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107
você pode ainda, por meio de webcam, transmitir sua imagem, mostrando seu rosto
para as pessoas com quem você conversa. Se essa pessoa também possuir uma
webcam será possível vê-la e manter conversas com imagem e som! Com um
microfone e caixas de som, a experiência também fica próxima do real,
possibilitando uma interação parecida com uma conversa por telefone.
Acesse: http://get.live.com/messenger/overview

4.6.3 Fórum

Nesta lista de indicação existem opções nas quais você pode montar um
fórum e outras para montar um grupo ou participar de um já existente. Experimente
as diversas opções e escolha qual é a melhor para suas aulas.

- Fórum Now

Para iniciar a construção de um fórum você deve ter uma conta de e-mail. O
cadastro neste site é bastante simples e gratuito. Você também pode ter acesso a
outros fóruns e ficar por dentro do assunto, pois o próprio site traz informações sobre
os fóruns. Há ainda uma opção de busca de fóruns.
Acesse: http://www.forumnow.com.br

FIGURA 10

AN02FREV001/REV 4.0

108
Você pode
administrar e
entrar no fórum
em que está
cadastrado.

Clique aqui
para se
cadastrar.

FONTE: Disponível em: <http://www.forumnow.com.br>. Acesso em: 12 out. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

109
- Meu Grupo

Nesse site você também deve ter uma conta de e-mail. O cadastro neste site
é bastante simples e gratuito. Você pode ter acesso a outros grupos e ainda buscar
por grupos.
Acesse: http://www.meugrupo.com.br

FIGURA 11

Depois de
cadastrado
crie um
grupo.

Depois de
cadastrado é só
entrar com e-
mail e senha.

Cadastre-se.

Procure um
grupo.

FONTE: Disponível em: <http://www.meugrupo.com.br>. Acesso em: 12 out. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

110
- Quero um Fórum

É um site gratuito no qual o cadastro é fácil (é necessário ter endereço de e-


mail) e oferece várias vantagens, tais como: suporte técnico, oferecido pelo próprio
site; não tem limite de espaço; pode ser usado em três línguas (português, inglês e
espanhol); entre outras.
Acesse: http://www.queroumforum.com/web/index.php

FIGURA 12

Para criar um fórum.

Sistema de busca de
fóruns.

Para administrar o
fórum depois de
cadastrado.

FONTE: Disponível em: <http://www.queroumforum.com/web/index.php>. Acesso em:


Acesso em: 12 out. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

111
Você pode optar por usar o sistema de Grupos do Yahoo! e do Google.

- Yahoo Grupos

Funciona como os outros sistemas de grupos, mas você deve ter um e-mail
do Yahoo.
Acesse: http://br.groups.yahoo.com

FIGURA 13

Cadastro para novo


usuário.

FONTE: Disponível em: <http://br.groups.yahoo.com>. Acesso em: 12 out. 2007..

- Google Grupos

Também funciona como os outros sistemas de grupos, mas você deve ter
um e-mail do Google (Gmail).
Acesse: http://groups.google.com.br

AN02FREV001/REV 4.0

112
FIGURA 14

Cadastro para
novo usuário.

FONTE: Disponível em: <http://groups.google.com.br>. Acesso em12 out. 2007.

4.6.4 Wiki

Abaixo está a lista de indicação de wikis. Você também precisará ter conta
de e-mail para se cadastrar nos wikis. Os sites estão disponíveis em inglês, porém é
fácil o seu uso. Siga as orientações e escolha a melhor opção.

- Pb wiki

Este wiki é gratuito para uso educativo e ainda dá ideias, exemplos e dicas
pedagógicas (em inglês).
Acesse: http://pbwiki.com/business.wiki

AN02FREV001/REV 4.0

113
FIGURA 15

Escolha o Depois de
modo cadastrado use o
Educação. login.

Clique aqui para se


cadastrar.

FONTE: Disponível em: <http://pbwiki.com/business.wiki>. Acesso em: Acesso em: 12 out. 2007.

- Wiki spaces

Neste site para criar um wiki público o serviço é gratuito (é necessário ter um
endereço de e-mail). Também dá auxílio e dicas pedagógicas do uso de wikis (em
inglês).
Acesse: http://www.wikispaces.com

AN02FREV001/REV 4.0

114
FIGURA 16

Depois de
cadastrado é só
clicar aqui.

Clique aqui para


se cadastrar.

FONTE: Disponível em: <http://www.wikispaces.com>. Acesso em: 12 out. 2007.

- Zoho

É gratuito criar um wiki, de forma bem simples. É necessário ter um


endereço de e-mail.
Acesse: http://wiki.zoho.com/jsp/wikilogin.jsp?serviceurl=%2Fregister.do

AN02FREV001/REV 4.0

115
FIGURA 17

FONTE: Disponível em: <http://wiki.zoho.com/jsp/wikilogin.jsp?serviceurl=%2Fregister.do>.


Acesso em: 12 out. 2007.

4.6.5 Alguns sites interessantes

 Escola 2000
Agende um Chat:
http://www.escola2000.org.br/interaja/reuniao/reuniao_agende.aspx
Participe dos Fóruns: http://www.escola2000.org.br/interaja/forum/forum.aspx

 Revista Nova Escola


Participe dos Fóruns: http://din.abril.com.br/novaescola/forum/forum_index.asp

 Educacional
Participe dos Fóruns e Chats: http://www.educacional.com.br/comunicacao

 Educa Rede

AN02FREV001/REV 4.0

116
Agende um Chat:
http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=batepapo.ds_home&id_comunida
de=0

Participe dos Fóruns:


http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=forum.ds_forum&id_comunidade=
0

 Revista Veja
Participe dos Fóruns: http:// www.vejaonline.abril.com.br

Blogs que tratam de Educação e Tecnologias:

 Educação Digital: http://educacao-digital.blogspot.com


 Blogosfera Marli: http://blogosferamarli.blogspot.com
 Blog da Professora Andréa: http://professoraandrea.blogspot.com
 Adoro Física: http://www.adorofisica.com.br
 Trocando Letras: http://www.trocandoletras.blogspot.com
 Internet e Web na Educação: http://www.internetnaeducacao.blogspot.com

É possível imaginar aprendizagem sem professor? Há quem questione que


isso seja possível de acontecer, outros garantem que sim, que a aprendizagem
ocorre em diferentes ambientes e utiliza diferentes ferramentas, sem
necessariamente a presença de um professor. Quebram-se paradigmas e procura-
se romper com a linearidade do ensino tradicional.
Para aprender algo sem professor, podemos utilizar vários meios e recursos.
Desse modo, em um curso de Educação a Distância, no qual o professor está
distante geograficamente do aluno, é possível também estudar e aprender. E
podemos estudar na escola, na biblioteca, em casa ou no local de trabalho. Prova-se
então que a aprendizagem não depende da presença de um professor, não que ele

AN02FREV001/REV 4.0

117
não seja necessário, mas pode encontrar-se geograficamente distante, fazendo-se
presente por meio de tecnologias, como espaço virtual ou videoconferências.
A Educação a Distância apresenta certas características, entre as mais
significativas podemos destacar a ausência física do professor durante o processo
de aprendizagem. O aluno estuda de acordo com seu próprio ritmo de
aprendizagem, no local e horário que lhe são mais convenientes, também devemos
destacar a simultaneidade entre o estudo e o trabalho. O estudo autônomo, o
atendimento ao aluno que está distante da instituição de ensino, utilização
sistemática de meios e recursos tecnológicos de comunicação, apoio de uma
organização de caráter tutorial e comunicação bidirecional.
Uma das características fundamentais da Educação a Distância é o fato de o
aluno adulto poder autogerir seus estudos sem a presença física do professor, o que
lhe proporciona capacidades e habilidades que deverão ser desenvolvidas no
decorrer do curso, como a autonomia.
A Educação a Distância iniciou suas experiências de formação educacional,
com o uso de material impresso, enviado pelo correio. Posteriormente, utilizou-se de
multimeios, como a TV, o rádio, a telefonia e fitas de áudio e vídeo. Mais
recentemente agregou os recursos da informática e das telecomunicações.
Enquanto modalidade educacional ofereceu desde cursos rápidos de
atualização ou aperfeiçoamento até cursos superiores de graduação e mesmo de
pós-graduação, atendendo geralmente alunos adultos, público-alvo principal da
Educação a Distância. Pode-se dizer que as grandes empresas estão optando por
aperfeiçoamento via internet, ou seja, a distância.
A Educação a Distância teve muitos projetos voltados à formação
profissional, atendendo, em sua maioria, alunos adultos, consolidando-a como
modalidade educacional capaz de responder aos desafios da educação
contemporânea.
Nessa modalidade de ensino o professor da disciplina tem o papel de gestor
do conhecimento. Com relação ao professor tutor, é fundamental compreender o seu
papel de mediador, pois estará indicando caminhos para a aprendizagem.
Na Educação a Distância, os alunos geralmente são adultos e estão
afastados das salas de aula por um grande período. Sabemos que o adulto de hoje
precisa estar preparado para situações que exigem constante renovação,

AN02FREV001/REV 4.0

118
precisando continuar a aprender – e aprender bem – por toda a sua vida. Isso
motivou o aumento do número de adultos buscando cursos, com a expectativa de
mudar para melhor, e a Educação a Distância mostrou-se uma modalidade
educativa apropriada para adultos.
O aluno adulto enfrenta dificuldades quando retoma seus estudos, inclusive
por ter pouco tempo livre para estudar. Por outro lado, tem ampla experiência de
vida e profissional, o que lhe possibilita uma aprendizagem mais significativa,
permitindo uma maior aproximação entre a teoria e a prática.
É importante ressaltar aqui a preocupação com a crescente demanda e
oferta de cursos da modalidade a distância. Por isso, faz-se necessário que um fator
primordial seja analisado constantemente: a qualidade dos cursos ofertados, pois
devido à demanda, muitas são as instituições que oferecem esses cursos e a
qualidade fica muito distante do mínimo exigido pelo mercado.
Na Educação a Distância, as aulas presenciais foram substituídas pelo
material autoinstrucional (cadernos pedagógicos, fitas de vídeo), permitindo ao aluno
determinar horários e locais para realizar seu estudo autônomo. Isso requer do aluno
capacidade de organização, é preciso também determinar objetivos claros do que
realmente quer e que técnica de estudo melhor se adéqua a sua condição de
estudante.
É possível adquirir a habilidade de estudar sozinho. Adquire-se essa
habilidade planejando suas atividades, desenvolvendo o hábito de leitura,
escolhendo o ambiente de estudo, buscando interação junto ao tutor e participando
dos encontros presenciais com os professores das disciplinas.
De modo geral, a Educação a Distância utiliza textos didáticos e científicos,
a técnica para estudar esses textos divide-se em etapas que vão desde a pré-leitura,
passando pela primeira leitura, para inteirar-se do assunto, fazendo uma segunda e
mais cuidadosa leitura. Destacando as partes mais importantes e chegando a
síntese, identificando as ideias principais e fazendo seu próprio resumo. Com isso, o
aluno que ficou distante da sala de aula por muito tempo consegue desenvolver
suas estratégias de estudo, geralmente obtendo êxito nas atividades.
A utilização de tecnologias em processos educativos tem como objetivo,
desde tornar uma aula mais atraente e motivar os alunos, como usos de vídeo e
aparelhos de som, por exemplo, até atingir um grande contingente populacional.

AN02FREV001/REV 4.0

119
Para cumprir essa última tarefa, necessitamos de tecnologias de informação e
comunicação.
As tecnologias da informação e da comunicação são nossas conhecidas do
dia a dia, algumas mais, como a TV, o rádio; outras menos, como por exemplo, o
ambiente virtual. A Educação a Distância é difundida no mundo todo e se serve de
todas as tecnologias já desenvolvidas em prol da educação.
A Educação a Distância sempre incorporou as tecnologias da informação e
da comunicação à medida que foram sendo desenvolvidas. Do texto impresso à
videoconferência, a Educação a Distância passou a utilizar todos os meios de
comunicação que já foram inventados, os quais possibilitam a troca eficiente de
informação, a comunicação multidirecional e a crescente interatividade entre alunos,
corpo docente, tutoria e administração do curso.
Atualmente, o computador e a internet estão contribuindo para aumentar as
possibilidades comunicativas entre estudantes, professores e tutores, com o uso do
correio eletrônico, dos fóruns e das listas de discussão, dos ambientes virtuais de
aprendizagem e outros.
Fala-se em inclusão digital, em utilizar tecnologias como ferramentas de
aprendizagem na Educação a Distância, mas é preocupante o fato de que as
tecnologias são vistas apenas como ferramentas ou como um fim em si mesmo,
fazendo com que sejam deixadas de lado e que prevaleça o material impresso
somente.
A Educação a Distância encontra-se em franca expansão no Brasil e no
mundo, essa expansão deve-se, por um lado, ao crescente papel que as novas
tecnologias da informação e da comunicação vêm desempenhando junto à
educação e, por outro, a crescente demanda por um trabalhador com formação
diferenciada. Esse trabalhador precisa desenvolver a capacidade de aprender novas
funções, para acompanhar o ritmo das mudanças que vêm ocorrendo no mundo do
trabalho.
O sistema educacional vem sendo desafiado a formar esse trabalhador,
capacitando-o e fornecendo possibilidade de aperfeiçoamento permanente. Como
resposta a tal desafio, a Educação a Distância tem se revelado como modalidade
educativa consistente e eficiente. Isso decorre de suas características básicas de
atender ao contingente de trabalhadores adultos que não podem frequentar cursos

AN02FREV001/REV 4.0

120
presenciais ou se encontram geograficamente distanciados dos centros
fornecedores de educação ou, ainda, que prefiram estudar com metodologia
diferenciada da convencional.
Para cumprir sua tarefa, a Educação a Distância desenvolve sistemas de
tutoria responsáveis pela produção, acompanhamento e avaliação de programas,
bem como acompanhamento direto dos estudantes, baseando sua estrutura em
meios de comunicação eficientes e utilizando toda a tecnologia disponível.
Com mais de dois séculos de tradição, essa modalidade de educação
atinge, atualmente, a formação superior, despontando como promessa de levar a
educação a um número maior de pessoas.

FIM DO MÓDULO IV

AN02FREV001/REV 4.0

121
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

122
CURSO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MÓDULO V

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0

123
MÓDULO V

5 DOCÊNCIA, DISCÊNCIA E TUTORIA EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

É necessário refletirmos acerca da função e do perfil do educador na


Educação a Distância, bem como o ator desse novo processo de ensino e
aprendizagem. O aluno, que na Educação a Distância é chamado a desempenhar
um novo papel, sendo ator de sua própria trajetória de ensino, em que é amparado
pela figura do tutor, elemento mediador do Internet - A internacional "rede das
processo. redes" de computadores que
possibilita a comunicação global
entre milhões de usuários.
Recentemente, a Internet, e
especialmente a WWW ou World-
Wide-Web virou o meio de EAD de
5.1 DOCÊNCIA: O PERFIL DO EDUCADOR maior crescimento.

A formação a distância supre as mesmas necessidades que a formação


presencial? Como selecionar a informação na internet? O que é preciso incluir na
sala de aula informatizada e o que é preciso manter da escola tradicional para que
ambas trabalhem embasadas em parâmetros de qualidade e não de quantidade? De
que maneira o papel do professor vai transformando-se com a inclusão da escola na
cibercultura?
O professor deve repensar a sala de aula e sua própria função como um
espaço que não seja fechado e isolado do mundo. Dessa forma, pode destacar que
na figura do professor foram agregadas novas habilidades e competências, e
podemos dizer também que o professor não perdeu seu espaço, apenas esse
espaço redimensionou-se e ampliou-se, e com o advento da tecnologia, tomou
novas proporções e significações.

AN02FREV001/REV 4.0

124
De acordo com dados do Ministério da Educação (2000, p. 12) é engano
considerar que programas a distância podem dispensar o trabalho e a mediação do
professor. Nos cursos de graduação a distância, os professores veem suas funções
se expandirem. Essa expansão se dá pelo fato de serem também produtores
quando elaboram suas propostas de cursos; conselheiros quando acompanham os
alunos; parceiros quando constroem com os especialistas em tecnologia,
abordagens inovadoras de aprendizagem. Portanto, são muito mais que simples
tutores, como tradicionalmente e de forma reduzida os professores-orientadores que
atuam a distância vem sendo denominados.
O professor passa a desempenhar um novo papel na Educação a Distância,
vê o redimensionamento de sua função. Não é mais o centralizador do saber, mas
sim descentralizador, ou seja, delega poderes e competência a quem está a sua
volta e assume também a coordenação de um novo projeto, mais dinâmico e
ousado. O espaço de sala de aula é ampliado, tendo o mundo e a tecnologia como
janela e ferramenta.
Pelo fato de não estar presencialmente em sala de aula, deve preocupar-se
com a forma que seu conhecimento e sua disciplina chegarão até seus alunos, que
pode ser por meio de material impresso, audiovisual, telefone, e-mail, ou outra
tecnologia adotada pela universidade. Para isso, é primordial que a linguagem
utilizada seja acessível a quem é destinada, pois o aluno a distância apresenta
características distintas, e muitas vezes é aquela pessoa que se encontra fora da
sala de aula há muito tempo.
Para Alava (2002) a expansão dos sites de formação na internet e o
crescimento dos campos numéricos na tela estimulam-nos a diversificação das
práticas escolares. Nesse novo redimensionar da educação e facilidade de acesso
aos meios de comunicação, é pertinente dizermos que o professor com certeza
também deverá estar aberto a novas práticas educativas.
O ciberespaço é um vetor de abertura das formações e de valorização das
formas autônomas de aprendizagem. Será o fim do professor? Na sua estrutura
atual, detentor do saber, sim. Com certeza esse perfil passará por transformações
radicais, passando a adotar a postura de um agente coletivo, em contínua formação,
por isso a importância de vivermos em rede, conectados (ALAVA, 2002).

AN02FREV001/REV 4.0

125
Na visão de Alava (2002, p. 9):

Em uma situação de formação presencial se observa um conjunto de


condutas, onde o professor é ao mesmo tempo o produtor de seu curso, o
responsável pela midiatização do conteúdo e mediador da situação. Às
vezes, em situações midiatizadas, ao contrário, as posições do professor
são distribuídas entre pessoas complementares. Nesse caso, ele participa
das primeiras fases das práticas midiáticas, e é desincumbido da
engenharia pedagógica e da animação da situação de aprendizagem. Ele é
idealizador do curso e às vezes autor, mas não acompanha a animação do
curso, os fóruns ou as sessões de correção. Essa virtualização das
posições do professor produz não só um questionamento sobre seu
estatuto, mas também nos esclarece sobre distribuições diferentes da
mesma função de ensino.

A inovação da prática pedagógica na Educação a Distância supõe uma


renovação pedagógica, uma divisão no trabalho docente, e reflexão acerca das
práticas, concepções e mecanismos de ensino e aprendizagem e paradigmas
educacionais.
Para Belloni (2001), como resultado desta divisão de trabalho, as funções
docentes vão separar-se e fazer parte de um processo de planejamento e execução
dividido no tempo e no espaço. As atividades de selecionar, organizar e transmitir o
conhecimento, que acontecem nas aulas presenciais, corresponde na Educação a
Distância, à preparação e autoria de unidades curriculares, de textos que constituem
a base dos materiais pedagógicos realizados em diferentes suportes.
A função de orientação do processo de aprendizagem passa a ser exercida
não mais em contatos pessoais e coletivos de sala de aula ou atendimento
individual, mas em atividades de tutoria a distância, em geral individualizada,
mediatizada por diversos meios acessíveis.
O ato de ensinar é um ato coletivo e comunicativo. Os processos de ensino
e aprendizagem são dois processos de interação em situação mediadora. Na
verdade, não se ensina no absoluto, assim como não se aprende sem um espaço e
uma base de informação. Até porque aprender é um ato intrínseco, você aprende
quando se sente motivado para algo e ensina quando a condição para esse fato
esteja estabelecida.
Para Alava (2002, p. 11) o professor terá que aprender a comunicar-se com
as “máquinas”, ou seja, com o computador. Essa fase de recontextualização das
habilidades comunicativas geralmente é difícil, requer instrumentalização. O

AN02FREV001/REV 4.0

126
ciberespaço afeta o modo de comunicação dos atores, abre possibilidades, mas
também impõe uma dinâmica e especificidades comunicativas que devem ser senão
dominadas, pelo menos de conhecimento do professor.
A questão da transformação ou redimensionamento do ofício do professor é
colocada, então, tanto pela introdução das mídias e das tecnologias, quanto pela
diversificação das situações de formação e pelo momento que a sociedade se
encontra, com certeza não é mais possível ser professor como há certo tempo. Para
alguns profissionais, esse novo momento representa sinal de perigo, para outros,
sinal de abertura das equipes pedagógicas e de uma diversificação das modalidades
de acesso aos saberes.
Sabemos que a pedagogia da transmissão prevalece também na
universidade e nos cursos a distância, fato este constatado e explicado por dois
motivos. Primeiro, o professor sente-se o todo poderoso, o centro do processo de
ensino e aprendizagem, centralizador de conteúdos, conhecimento e conceitos, e
não existe a interação com o aluno. Detalhe esse que requer especial atenção na
elaboração do material pedagógico, para que o mesmo não se torne apenas um
veículo de transmissão quando na verdade deveria ser um elemento capaz de fazer
com que o aluno obtenha uma visão mais crítica acerca dos fatos estudados.
Os conteúdos estão distantes da realidade e devem ser decorados e
cobrados em provas, infelizmente esse fato é comprovado diariamente, não só no
ensino fundamental, mas também na universidade. Ainda vivemos a cultura da nota,
e nada melhor para isentar a responsabilidade do professor do que um instrumento
chamado prova.
O segundo motivo é que a oferta atual de informação e conhecimento é cada
vez maior e melhor fora da escola, graças aos novos recursos tecnológicos, em
especial a internet e a multimídia interativa.
Percebemos então a dicotomia existente entre o modelo tradicional de
ensino e os recursos informacionais disponíveis no cotidiano dos alunos. O
professor da Educação a Distância nesse processo faz a diferença porque passa a
interagir com os alunos de forma diferenciada, age entre o saber e o fazer. Passa a
existir uma mudança de paradigmas, do paradigma instrucional, aquele no qual o
conhecimento é passado ao aluno, para o paradigma construtivista, aquele que
enfatiza a aprendizagem e não o ensino – o aluno constrói seu conhecimento.

AN02FREV001/REV 4.0

127
Na Educação a Distância preconiza-se que o aluno seja o próprio elemento
construtor de seu conhecimento. Por isso, mesmo no modo construtivista, faz-se
necessária atenção especial, porque nesse processo corre-se o risco de instruir o
aluno, dando “dicas” de como fazer, tornando-o dependente no processo.
Nessa mudança de paradigmas, de instrucional para construtivista, a figura
central passa a ser a do aluno e a palavra-chave é aprender a aprender, e o
professor do ensino a distância tem a missão de conduzir esse processo. Seja por
meio da linguagem acessível oferecida pelo material impresso ou das facilidades
tecnológicas disponibilizadas.
Para Belloni (2001), todo o processo é sintetizado com a fórmula ensinar a
aprender. As consequências desta nova lógica com relação ao papel do professor
são facilmente identificáveis: de um lado, as múltiplas facetas deste papel,
desempenhadas no ensino presencial por uma pessoa próxima do aprendente, que
se separam em funções diferentes mais ou menos afastadas do aluno. E, por outro
lado, a perda da posição central do professor e de seu status de mestre e sua nova
posição de parceiro, de prestador de serviço, recurso ao qual o aluno recorre
quando sente necessidade, ou conceptor, realizador de materiais. Esse novo
professor atuará diante de um novo tipo de estudante, mais autônomo, e mais
próximo do usuário/cliente, que do aluno protegido e orientado do ensino
convencional.
Para Martin Barbero (2000, apud SILVA, 2003, p. 12) os professores só
sabem raciocinar transmissão linear, separando emissão e recepção. É preciso
reinventar a comunicação na Educação a Distância, o professor precisa dialogar em
rede, abrir espaços, como se estivesse trabalhando em um hipertexto, no qual as
ideias se complementam e realmente o aluno aprende a aprender.
Silva (2003, p. 13) faz uma severa crítica aos modelos de ensino
apresentados até o momento e também ao modelo de Educação a Distância que se
encontra no mercado, quando diz que:

Realmente, a obsolescência do modelo tradicional de ensino escolar vem


agravando-se na cibercultura. Na sala de aula presencial do ensino básico e
da universidade, prevalece à centralidade do mestre, responsável pela
produção e pela transmissão do conhecimento. Na Educação a Distância
via internet, os sites educacionais, os ambientes virtuais de aprendizagem
continuam estáticos, ainda centrados na transmissão de dados, desprovidos
de mecanismos de participação, de criação coletiva, de aprendizagem

AN02FREV001/REV 4.0

128
construída. Ou seja, também na educação on-line o paradigma permanece
o mesmo do ensino presencial tradicional: o professor-tutor-conteudista é o
responsável pela produção e pela transmissão do conhecimento. As
pessoas permanecem como recipientes de informação. A educação
continua a ser, mesmo na tela do computador conectado a internet,
repetição burocrática ou transmissão unidirecional de conteúdos
empacotados.

Realmente, na Educação a Distância é bem comum incorrer neste erro, pois


o professor-tutor tem em sua formação esta base de professor repassador de
conteúdos. Na EAD, considerando a sala de aula virtual, Palloff e Pratt (2003, p. 23)
destacam que:

Ensinar no ciberespaço envolve muito mais do que simplesmente utilizar os


velhos modelos pedagógicos em outro meio. A sala de aula eletrônica é um
meio de ensino e aprendizagem potencialmente poderoso em que novas
práticas e novos relacionamentos podem gerar contribuições significativas a
aprendizagem. Diferentemente da sala de aula convencional, na Educação
a Distância é preciso dar atenção ao desenvolvimento de um sentido de
comunicação entre os participantes para que o processo de aprendizagem
seja bem-sucedido. Nesse meio, os instrutores precisam ser flexíveis e
capazes de jogar fora suas ordens do dia e sua necessidade de controle a
fim de ajustar o processo para todos que dele participam. Isto significa que
a discussão pode tomar um rumo com o qual o instrutor precisa orientar
essa discussão em outra direção, talvez fazendo uma pergunta aberta que
permita aos aprendizes examinar a interação.

É nesse momento que o professor da Educação a Distância precisa quebrar


os velhos paradigmas da educação tradicional. Não que a educação tradicional seja
descartada, até porque foi muito útil nos contextos em que se deu ênfase a este
modelo de educação, mas atualmente, nos modelos atuais de sociedade, muita
coisa precisa ser mudada. E a figura do professor também passa por essa
ressignificação. E que ressignificação é essa? Que qualidades e atributos um
professor precisa ter para ser bem-sucedido?
Palloff e Pratt (2003) citando Collins e Berge (1996) categorizam as diversas
tarefas e papéis necessários ao professor on-line, que se evidenciam em quatro
áreas gerais: pedagógica, social, gerencial e técnica.
A função e a tarefa pedagógicas estão relacionadas com o educacional. A
função e a tarefa sociais estão atreladas à questão da promoção de um ambiente
social amistoso essencial à aprendizagem. Já a função gerencial envolve a
estipulação do curso, definição de objetivos, de regras e de normas para a tomada

AN02FREV001/REV 4.0

129
de definições. E a função técnica está diretamente relacionada com a tecnologia –
os professores precisam ser competentes com a tecnologia para facilitar o curso.
Novas habilidades são necessárias ao professor nesse modelo de
educação, e Belloni (2001, p. 83) destaca pontos cruciais para a função de
professor:

 Formador, aquele que orienta o estudo e a aprendizagem. É a função


pedagógica destacada por Palloff e Pratt (2003) anteriormente;
 Conceptor e realizador de cursos e materiais, ou seja, é a função
gerencial de Palloff e Pratt (2003);
 Professor pesquisador; deve estar constantemente se atualizando com
teorias e metodologias de ensino e aprendizagem;
 Professor tutor, no sentido de orientação aos alunos;
 Professor tecnólogo educacional é o responsável pela organização
pedagógica dos conteúdos e por sua adequação aos suportes técnicos a
serem utilizados na produção do material, é a função técnica defendida
por Palloff e Pratt (2003);
 Professor recurso, espécie de suporte, ou “balcão de respostas” a dúvidas
pontuais dos alunos;
 Professor monitor, sua função se relaciona menos com o conhecimento
dos conteúdos e mais com sua capacidade de liderança.

Na Educação a Distância, o professor tem, portanto, o papel de gestor de


conhecimentos. É sua atribuição manter-se atualizado de modo a produzir estudos e
pesquisas em sua área de conhecimento. Além disso, cabe ao professor e ao tutor
avaliar permanentemente os materiais pedagógicos, para que mantenham os
padrões de qualidade do curso.
Para Belloni (2001, p. 85):

Para fazer frente a esta nova situação, o professor terá necessidade muito
acentuada de atualização constante, tanto em sua disciplina específica,
quanto em relação às metodologias de ensino e novas tecnologias. A
redefinição do papel do professor é crucial para o sucesso dos processos
educacionais presenciais ou a distância. Sua atuação tenderá a passar do
monólogo sábio de sala de aula para o diálogo dinâmico dos laboratórios,
salas de meios, e-mail, telefone e outros meios de interação mediatizada:

AN02FREV001/REV 4.0

130
do monopólio do saber a construção coletiva do conhecimento, através da
pesquisa; do isolamento individual aos trabalhos em equipe
interdisciplinares e complexos; da autoridade a parceria no processo de
educação para a cidadania.

Sabemos que o professor da Educação a Distância precisa desempenhar


várias funções e nos perguntamos: o professor está apto a desempenhar essas
novas funções?
Sabemos que falta muito ainda para que o professor da Educação a
Distância esteja pronto para atuar nesse cenário, até porque os modelos existentes
de EAD estão constantemente se aperfeiçoando, e atendem clientelas distintas.
Então, podemos dizer que se faz necessária uma formação continuada, embasada
nas inovações tecnológicas e em suas consequências pedagógicas, que
desenvolvam habilidades essenciais para ser educador a distância; entre elas
pontuamos as seguintes:

 Entender a natureza e a filosofia da Educação a Distância;


 Identificar e desenvolver cursos interativos para satisfazer cada nova
tecnologia;
 Adaptar as estratégias de ensino para transmitir instruções a distância;
 Organizar recursos instrucionais de uma forma satisfatória ao ensino a
distância;
 Treinar e praticar o uso de sistemas de telecomunicações;
 Ficar envolvido na organização, planejamento colaborativo e decisões;
 Avaliar realizações, atitudes e percepções dos alunos a distância;
 Trabalhar com questões de direitos autorais.

Ou seja, estar praticando as quatro categorias destacadas por Palloff e Pratt


(2003): pedagógica, social, gerencial e técnica.

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131
5.2 O ATOR DO PROCESSO: O DISCENTE

Pensar em educação hoje implica rever conceitos pré-elaborados a respeito


do que seja educação, seja nos moldes tradicionais ou mais recentes. Implica
também repensar o currículo, ressignificar na práxis o componente “o que é
aprender” e o “que é ensinar”. Em que pressupostos a avaliação está embasada e
para quem é dirigida? Para os alunos ou para o corpo docente? A que realmente se
destina a avaliação dentro do contexto educacional?
Pensar em educação e na formação do futuro acadêmico hoje implica
também analisar em que contexto a escola está inserida. Qual clientela está
atendendo? Quais objetivos e anseios esta população está almejando? O
profissional da educação está preparado para atender a demanda e as
necessidades desta clientela?
Movidos pelo desejo de aprender ou por alternativa proposta pelas
instituições de ensino, cada vez mais alunos utilizam cursos não presenciais como
alternativa de ensino. Esses cursos combinam recursos educacionais tradicionais
com modernos meios de telecomunicação, oportunizando acesso quase imediato a
uma grande massa da população.
Os alunos que utilizam a Educação a Distância trazem na bagagem pessoal
uma diversidade de culturas que refletem suas origens, conhecimentos adquiridos
na história de vida, formação acadêmica e fatores inerentes ao ser humano. Essa
diversidade impossibilita a adoção de fórmulas para elaboração e aplicação de
cursos, que possam ser aplicadas a todos os casos. À medida que aumenta a
demanda por Educação a Distância cresce a necessidade de diversificação e
personalização, segundo Lévy (1999, p. 169):

Os indivíduos toleram cada vez menos seguir cursos uniformes e rígidos


que não correspondem as suas necessidades reais e à especificidade de
seu trajeto de vida. Uma resposta ao crescimento da demanda com uma
simples massificação da oferta seria uma resposta “industrializada” ao modo
antigo, inadaptada à flexibilidade e à diversidade necessária de agora em
diante.

AN02FREV001/REV 4.0

132
Moore e Kearsley (1996) mencionam vários fatores extracurriculares que
podem influenciar o desempenho do aluno a distância como: trabalho, família, saúde
e interesses e obrigações sociais. O melhor indicador do sucesso de um aluno a
distância é sua formação acadêmica; quanto mais graduado o aluno, mais chance
tem de completar com sucesso o curso. O trabalho autônomo do aluno na prática do
ensino a distância se dá como em nenhuma outra área educacional.

FIGURA 18

FONTE: Disponível em: <www.fcjp.edu.br/iead.asp>. Acesso em: 12 out. 2007.

De acordo com Peters (2003), análises nessa área dão uma impressão
discrepante: por um lado, os estudantes trabalham autonomamente como em
nenhuma outra área educacional, por outro lado, o estudo a distância é muito mais
predeterminado, estruturado, amarrado a fatores preestabelecidos e mais
regulamentado do que o estudo com presença, e, portanto em alto grau
heteronômico.
A autonomia concede aos estudantes a possibilidade de tomarem iniciativas
no planejamento e organização do seu espaço físico, tempo e métodos de estudo
que irão seguir para pesquisar conhecimentos correlatos de seu interesse,
acompanhar o programa proposto, seguir o roteiro e cronograma predeterminados
pelo curso.

AN02FREV001/REV 4.0

133
Ao assumir a responsabilidade de estudar longe das salas de aula
presenciais, o aluno se obriga a ter um ambiente e tempo para estudar. Os mesmos
são flexíveis e o ritmo é estabelecido pela capacidade e necessidade individual, mas
para a diversidade de possibilidades que o mesmo encontra em adquirir novos
conhecimentos o tempo de estudo é fundamental. No aprendizado presencial ou a
distância, determinação e disciplina são fatores motivadores, pois o não
entendimento dos conteúdos e a perda da sequência do andamento do curso são
desestimuladores que podem levar ao isolamento e ao abandono dos estudos.
Não podemos desconsiderar que o ritmo individual de cada um deve ser
respeitado na Educação a Distância e no ensino presencial. Compromissos com
trabalho, família e atividades sociais requerem maior tempo dos adultos e,
consequentemente, dificultam o acompanhamento do cronograma.
Peters (2003) argumenta que um sistema de ensino que tem respeito pela
liberdade e autonomia dos estudantes não deveria prejudicá-lo por meio de
imposições exteriores. Até porque, é fundamental levar em conta que vivemos em
processo de globalização, de informação em tempo real e virtual, e que a facilidade
do acesso à informação tem provocado significativas mudanças na educação. A
instituição que não considerar esses fatores com certeza perderá este aluno.
Nesse cenário surge então a Educação a Distância, que acompanha os
avanços da sociedade e da tecnologia e, é vista como uma alternativa para atender
a demanda do grande contingente de alunos que necessitam de formação superior e
por vários motivos são excluídos dos cursos presenciais.
Mas o que caracteriza a Educação a Distância? O que a diferencia do ensino
presencial? A Educação a Distância caracteriza-se e difere-se da Educação
Presencial pelo fato do aluno ter autonomia na forma de estudar, liberdade para
escolher os melhores horários e locais para que possa realizar seus trabalhos, não
precisando necessariamente estar presente em um espaço e tempo previamente
definidos.
O desafio de educar e educar-se a distância é grande, pois o acadêmico
deverá desenvolver competências e habilidades, ser mais reflexivo sobre sua
prática, uma vez que será ele próprio o autor das práticas educativas que serão

AN02FREV001/REV 4.0

134
embasadas em teorias estudadas. No ensino a distância, o aluno realmente fará uso
da teoria para modificar sua prática ou então sua prática será início de uma nova
teoria, mas ambas deverão estar pautadas nos pilares da reflexão e da ação
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2000).
A base principal das práticas de qualidade nos projetos e processos de
educação superior é garantir continuamente melhorias na criação, aperfeiçoamento,
divulgação de conhecimentos culturais, científicos, tecnológicos e profissionais que
contribuam para superar os problemas regionais, nacionais e internacionais e para o
desenvolvimento sustentável dos seres humanos, sem exclusões, nas comunidades
e ambientes em que vivem (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2000).
É importante ressaltar que o aluno da Educação a Distância, principalmente
o aluno adulto, embora pareça isolado do processo educacional, pelo fato de não
estar presencialmente na universidade, tem a oportunidade de estudar de forma
independente, organizar seu tempo e interagir com os professores das disciplinas,
com os colegas do curso, com o tutor por meio da incorporação das tecnologias,
cadernos pedagógicos, telefone, videoconferências, fitas de vídeos, e-mails, chats,
fóruns e internet.
Há um grande número de recursos disponíveis para que o aluno sinta-se
realmente aluno de um curso superior e para que possa superar as dificuldades
iniciais desta modalidade de ensino.
Cavalcanti (1999) destaca que a idade adulta traz a independência. O
indivíduo acumula experiências de vida, aprende com os próprios erros, percebe-se
o que não sabe e o quanto este conhecimento faz-lhe falta. Para esse aluno torna-se
imprescindível o desenvolvimento da capacidade de autorregulação da
aprendizagem.
Perrenoud (1999, p. 96) conceitua a autorregulação da aprendizagem como
"capacidades do sujeito para gerir ele próprio seus projetos, progressos, estratégias
diante das tarefas e obstáculos". Nesse sentido, é necessário apostar na
autorregulação que "consiste em reforçar as capacidades do sujeito para gerir ele
próprio seus projetos, seus progressos, suas estratégias diante das tarefas e
obstáculos".
Percebemos que desta forma o aluno desenvolve uma atividade de
aprendizagem de forma independente e ao mesmo tempo uma intensa atividade de

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135
interação. Mas, o que é uma atividade de aprendizagem independente? Uma
atividade de interação que o aluno deverá desenvolver no decorrer do curso?
Cechinel (2001) destaca que a atividade de aprendizagem independente
ocorre quando o aluno estuda o material didático escrito, assiste a uma fita de vídeo,
escuta um programa de rádio, vê um programa de televisão educativo, elabora um
trabalho ou realiza uma experiência em casa.
Perrenoud (1999) aponta ainda, com insistência, a importância da
participação direta e planejada do aluno no próprio projeto de aprendizagem. Para
isso, utiliza-se dos termos autoavaliação, autodesenvolvimento, autoaprendizagem,
Projeto Pessoal do Aluno e autorregulação da aprendizagem.
Realmente, o aluno da Educação a Distância, necessita estudar o caderno
pedagógico ou material didático e buscar subsídios em outros meios disponíveis
para elaboração dos trabalhos exigidos pela disciplina, apropriar-se das informações
ali contidas e aplicar na sala de aula, sempre procurando refletir acerca de sua
prática.
Cechinel (2001) diz que uma atividade é interativa quando o aluno assiste às
orientações tutoriais e reúne-se com o tutor e com os colegas do curso. Recebe
assessoria para realizar um trabalho prático, quando recebe ajuda sobre como
organizar seus estudos, quando consulta o professor da disciplina por telefone, fax,
correio eletrônico, chats, quando se vale do ambiente Virtual, participa de
videoconferências e desenvolve atividades coletivas.
Nesse sentido, o aluno está constantemente assessorado quando conta com
o trabalho tutorial – uma espécie de suporte presencial para sanar suas dúvidas em
relação a qualquer assunto condizente com os cadernos estudados. Prioriza-se
muito a atividade coletiva, colaborativa, pois se entende que assim o aluno
desenvolve a capacidade de trabalho coletivo, essencial para a educação nos dias
atuais e já se prepara para desenvolver futuros projetos em equipe, de forma
interdisciplinar.
Percebe-se então que o aluno que frequenta esta modalidade de ensino,
apesar de ocorrer a distância, encontra aspectos da educação presencial, o que
exige habilidades e capacidades para que se possa desenvolver essa forma de
estudo.

AN02FREV001/REV 4.0

136
O fato de o aluno participar de um curso na modalidade a distância não
reduz em nada a qualidade do ensino, pois, com a incorporação dos avanços
tecnológicos, o acesso à informação se dá de forma imediatizada, bastando ao
aluno processar essas informações e gerenciá-las de acordo com suas
necessidades.
Diante desta “nova modalidade de ensino”, é necessário também que o
aluno desenvolva e se aproprie de novos hábitos, habilidades, atitudes e
competências que serão necessárias para desenvolver as atividades propostas e
que o tornará um profissional competente e comprometido com a educação.
Assim, é necessária especial atenção ao processo “aprender a aprender”
levando-se em consideração o ritmo de aprendizagem de cada aluno/acadêmico,
visto que muitos se encontram afastados de sala de aula há muito tempo. Também é
primordial muita atenção aos fundamentos e métodos de conhecimento, buscando a
apropriação pelos alunos, e não a simples repetição do conteúdo, pois o objetivo
principal ao se trabalhar determinado conteúdo é que o aluno construa conceitos e
conhecimentos, que compreenda e contextualize o assunto, e não simplesmente
que memorize e não consiga refletir acerca do mesmo.

FIGURA 19

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137
FONTE: Disponível em: <www.fcjp.edu.br/iead.asp>. Acesso em: 12 out. 2007.

Podemos deduzir que para aprender o indivíduo não deixa de operar


regulações intelectuais. Na mente humana, toda regulação, em última instância, só
pode ser uma autorregulação, pelo menos se aderirmos às teses básicas do
construtivismo: nenhuma intervenção externa age se não for percebida, interpretada
e assimilada por um sujeito.
Para isso, é necessário buscar apoio no material impresso e demais
tecnologias oferecidas pelas universidades. Com esse auxílio é possível despertar
nos alunos a capacidade de autoaprendizagem, fazendo com que o aluno perceba
que o maior responsável por sua aprendizagem é ele mesmo, com auxílio dos
materiais impressos, tutor, material audiovisual e demais tecnologias disponíveis.
Perrenoud (1999) enfatiza que nessa perspectiva, toda ação educativa só
pode estimular o autodesenvolvimento, a autoaprendizagem, a autorregulação de
um sujeito, modificando seu meio, entrando em interação com ele. Não se pode
apostar, afinal de contas, senão na autorregulação.
Percebe-se, no início dos cursos a distância, a dependência que os
acadêmicos demonstram em relação à figura do professor-tutor, pois a função
tutorial não está em ministrar aulas, mas sim em ser facilitador e mediador do
processo de aprendizagem. Esse profissional procura familiarizar o aluno com a
metodologia e o material didático apresentado durante o curso, sejam eles cadernos
pedagógicos, textos auxiliares e as tecnologias propriamente ditas.
A ligação aluno-professor ainda é, no imaginário pedagógico, uma
dominante, o que torna a tutoria um ponto-chave em um sistema de ensino a
distância (MAIA, 1998, apud NISKIER, 1999).
Para sanar essa dependência do aluno, o tutor deve ser um motivador,
orientador e avaliador no sentido de reforçar o processo de autoaprendizagem,
orientando os alunos constantemente quanto ao que fazer para atingir os objetivos
específicos de cada disciplina, sempre primando pela prática dialógica.
Na avaliação está a responsabilidade maior do tutor e do próprio aluno, pois
este instrumento servirá como termômetro para analisar até que ponto houve

AN02FREV001/REV 4.0

138
avanços ou recuos. De acordo com Cechinel (2001), a avaliação é uma atividade
que deve ser realizada com seriedade e qualidade, para efetivamente contribuir com
a melhoria de todo o processo de ensino-aprendizagem.
A prática do profissional competente, reflexivo e atuante deve caminhar
pelas seguintes habilidades e competências (CECHINEL, 2001, p. 25):

 Compreensão ampla e consistente do fenômeno e da prática educativa


que se dá em diferentes âmbitos e especialidades;
 Compreensão do processo de construção do conhecimento no indivíduo
inserido em seu contexto social e cultural;
 Capacidade e habilidade de formular e encaminhar soluções de
problemas educacionais, condizentes com a realidade sociocultural;
 Capacidade e habilidade de estabelecer diálogo entre a área educacional
e as demais áreas do conhecimento;
 Capacidade e habilidade de articular ensino, pesquisa e extensão, na
produção do conhecimento e da prática pedagógica;
 Capacidade e habilidade de desenvolver metodologias e matérias
pedagógicas adequadas à utilização das tecnologias da informação e da
comunicação nas práticas educativas;
 Capacidade e habilidade de desenvolvimento de uma ética de atuação
profissional, e a consequente responsabilidade social;
 Capacidade e habilidade de articulação da atividade educacional nas
diferentes formas de gestão educacional, na organização do trabalho
pedagógico escolar, no planejamento, execução e avaliação de propostas
pedagógicas da escola;
 Capacidade e habilidade de desenvolvimento do projeto pedagógico,
sintetizando as atividades de ensino e administração, caracterizadas por
categorias comuns, como: planejamento, organização, coordenação e
avaliação e por valores comuns como solidariedade, cooperação,
responsabilidade e compromisso;
 Capacidade e habilidade de identificar problemas socioculturais e
educacionais e de propor ações criativas às questões da qualidade do
ensino e medidas para superar a exclusão social.

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139
A concepção de competência profissional, por sua vez, implica mudanças
nas práticas de formação, que irão se refletir na organização das
instituições formadoras, nas novas modalidades educativas, nas
metodologias, na definição de conteúdos e na organização curricular. A
competência profissional passa, também, pela formação inicial em nível
superior e pela formação continuada ao longo da atuação docente
(FAGHERAZZI, 2002, p. 33).

Sabemos que o perfil do profissional, hoje, deveria ser de um profissional


comprometido com as questões educacionais, sociais, culturais e ambientais, que
deveria incorporar em sua prática as características inerentes às atividades, ser
consciente da importância do seu papel social. Isso implica uma postura
investigativa e de constante pesquisa, ultrapassando, portanto, os muros escolares e
estendendo sua ação para a comunidade na qual está inserida. Ou seja, ser um
transmissor do ensino, pesquisa e extensão, tripé este que deveria nortear todo o
trabalho acadêmico do aluno e da própria instituição formadora dos profissionais da
educação.
Perrenoud em uma entrevista a Revista Nova Escola (2000, p. 9) identificou
os saberes que considera fundamental para autonomia das pessoas. Chegou a oito
grandes categorias:

 Saber identificar, avaliar e valorizar suas possibilidades, seus direitos,


seus limites e suas necessidades;
 Saber formar e conduzir projetos e desenvolver estratégias,
individualmente ou em grupo;
 Saber analisar situações, relações e campos de força sistêmica;
 Saber cooperar, agir em sinergia, participar de uma atividade coletiva e
partilhar lideranças;
 Saber construir e estimular organizações e sistemas de ação coletiva do
tipo democrático;
 Saber gerenciar e superar conflitos;
 Saber conviver com regras, servir-se delas e elaborá-las;
 Saber construir normas negociadas de convivência que superem as
diferenças culturais.

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140
Na Educação a Distância o aluno desenvolve a capacidade de estudo
individualizada, independente. Os alunos reconhecem-se na capacidade de construir
seu caminho, seu conhecimento, de se tornar autodidata, ator e autor de suas
práticas e reflexões.
O uso dos recursos técnicos de comunicação disponíveis, que hoje têm
alcançado avanço espetacular, permite interatividade; a Internet permite romper com
as barreiras das distâncias geográficas – dificuldades de acesso à educação – e dos
problemas de aprendizagem por parte dos alunos que estudam individualmente.
Os alunos não estão isolados, sozinhos, pois aprendem a ser solidários e a
formar grupos de estudos. Com a comunicação bidirecional, o estudante não é um
mero receptor de informações, de mensagens. Apesar da distância, busca
estabelecer relações com a instituição e com grupos de discussões, o que fortalece
o elo de comunicação, interação e motivação para os estudos.
A interação entre aluno e mídia é a linha vital dos cursos a distância. É
preciso tornar a tecnologia acessível e transparente para o aluno, a informação
recebida pela mídia precisa ser processada e transformada em conhecimento.
Outra forma de interação que acontece é entre o aluno e o conteúdo,
chamada de interação intelectual, que é aquela em que o entendimento, a
percepção e as estruturas dos alunos são transformados.
Temos também a interação que acontece entre aluno e tutor. O papel do
tutor é o de dirigir o fluxo da informação para o estudante, de estimular e motivar o
aluno, manter o seu interesse, dar apoio encorajando-o no processo de
aprendizagem.
As interações aluno/aluno acontecem de maneiras diversificadas,
possibilitando contatos com caráter educativo, com trabalhos em grupo, soluções de
problemas e de discussões de casos. Essas interações quando bem projetadas
oferecem a oportunidade para o estudante expandir e aplicar o conhecimento do
conteúdo.

5.3 TUTORIA: NOVO PERSONAGEM NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.

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141
A tutoria tem sua origem em cursos de educação presencial superior. A
princípio, tratava-se do acompanhamento dos alunos com mais tempo de estudo
para com os alunos que estavam iniciando um curso. Com o passar dos tempos,
essa função ganhou especial atenção e a figura do aluno que acompanhava foi
substituída por um professor. A tutoria foi introduzida na Educação a Distância com
o objetivo de prestar atendimento individual a cada aluno em particular ou a grupos
de alunos.
Sá (1998) destaca que a tutoria como método nasceu no século XV na
universidade, onde foi usada como orientação de caráter religioso aos estudantes,
com o objetivo de infundir a fé e a conduta moral. Posteriormente, no século XX, o
tutor assumiu o papel de orientador e acompanhante dos trabalhos acadêmicos, e é
com este mesmo sentido que foi incorporado aos atuais programas de educação a
distância.
De acordo com Cechinel (2001) podemos definir tutoria como um conjunto
de ações educativas de apoio e orientação aos alunos, não apenas de caráter
acadêmico, mas também de caráter pessoal. Desenvolvida individualmente ou em
grupo, por um educador, com o objetivo de ajudá-los a apropriarem-se do
conhecimento sistematicamente organizado e a desenvolverem a interação e a
autonomia na aprendizagem.
Sartori (2002) ressalta que a tutoria compõe-se de diversos profissionais que
propõem, acompanham e avaliam programas, cursos e aprendizagem discente.
Também podem produzir materiais didáticos, organizar eventos, publicações, do seu
âmbito de ação. Assim, fazem parte do sistema tutorial a coordenação, os
professores de disciplina, os professores tutores e o secretário acadêmico do curso.
A ideia de guia é a que aparece com maior força na definição da tarefa do
tutor. Podemos definir tutor como o “guia, protetor ou defensor de alguém em
qualquer aspecto”, enquanto o professor é alguém que “ensina qualquer coisa”
(LITWIN, 2001, p. 93).
Alves (2003) esclarece que a palavra professor procede da palavra
“professore”, que significa “aquele que ensina ou professa um saber”. O tutor, ao
assumir suas funções, estará buscando construir caminhos para facilitar o processo
de ensino e aprendizagem. Dessa forma, não cabe a ele ministrar aulas, mas criar

AN02FREV001/REV 4.0

142
condições para que o aluno, a partir dos materiais instrucionais, tenha condições de
construir sua aprendizagem com autonomia.
Sartori (2002) ressalta que a atividade do tutor é diferente do professor
convencional, porém está estreitamente vinculada à ação docente. Ao tutor cabe a
função de mediar e facilitar aos alunos a aprendizagem dos conteúdos científicos,
além de outras tarefas sumamente importantes, portanto, não lhe cabe transmitir
conteúdos, mas reforçar o processo de autoaprendizagem. Para isso, deve indicar
aos alunos o que devem fazer e que caminhos seguir para o alcance dos objetivos
pretendidos em cada momento de seus estudos.

FIGURA 20

FONTE: Disponível em: <www.fcjp.edu.br/iead.asp>. Acesso em: 12 out. 2007.

A diferença entre o docente e o tutor é institucional, que leva a


consequências pedagógicas importantes. As intervenções do tutor na Educação a

AN02FREV001/REV 4.0

143
Distância demarcadas em um quadro institucional diferente distinguem-se em função
de três dimensões de análise (LITWIN, 2001, p. 102):

 Tempo – o tutor deverá ter a habilidade de aproveitar bem seu tempo,


sempre escasso. Ao contrário do docente, o tutor não sabe se o aluno
assistirá à próxima tutoria ou se voltará a entrar em contato para consultá-
lo; por esse motivo aumentam o compromisso e o risco da sua tarefa.
 Oportunidade – em uma situação presencial, o docente sabe que o aluno
retornará; que caso este não encontre uma resposta que o satisfaça,
perguntará de novo ao professor ou a seus colegas. Entretanto, o tutor
não tem essa certeza. Tem de oferecer a resposta específica quando tem
a oportunidade de fazer isso, porque não sabe se voltará a ter.
 Risco – aparece como consequência de privilegiar a dimensão tempo e
de não aproveitar as oportunidades. O risco consiste em permitir que os
alunos sigam com uma compreensão parcial, que pode se converter em
uma construção errônea sem que o tutor tenha a oportunidade de adverti-
lo. “O tutor deve aproveitar a oportunidade para o aprofundamento do
tema e promover processos de reconstrução, começando por assinalar
uma contradição” (LITWIN, 2001, p. 102).

Tais conhecimentos em geral nos conduzem à situação específica dos


saberes requeridos ao tutor da Educação a Distância. Nesses ambientes, os
contextos educacionais assumem um valor especial, que requerem do tutor uma
análise fluida, rica e flexível de cada situação, vista sob o ângulo do tempo,
oportunidade e risco, que imprimem as condições institucionais da Educação a
Distância.
Sá (1998) elabora um paralelo entre as diferenças das funções do professor
convencional e do tutor nos ambientes de Educação a Distância (Tabela I). A atual
tendência de caracterização dos professores de ambientes de Educação a Distância
é a de reprodutora do docente tradicional ou como um suposto tutor, cuja função se
limita a auxiliar na aprendizagem, sem nenhuma identidade específica.

Tabela 1 – Paralelo entre as Funções do Professor e do Tutor

AN02FREV001/REV 4.0

144
EDUCAÇÃO PRESENCIAL EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Conduzida pelo Professor. Acompanhada pelo tutor.

Predomínio de exposições o tempo Atendimento ao aluno, em consultas


inteiro. individualizadas ou em grupo, em
situações em que o tutor mais ouve do
que fala.

Processo centrado no professor. Processo centrado no aluno.

Processo como fonte central de Diversificadas fontes de informações


informação. (material impresso e multimeios).

Convivência, em um mesmo ambiente Interatividade entre aluno e tutor, sob


físico, de professores e alunos, o tempo outras formas, não descartada a ocasião
inteiro. para os “momentos presenciais”.

Ritmo de processo ditado pelo professor. Ritmo determinado pelo aluno dentro de
seus próprios parâmetros.

Contato face a face entre professor e Múltiplas formas de contato, incluída a


aluno. ocasional face a face.

Elaboração, controle e correção das Avaliação de acordo com parâmetros


avaliações pelo professor. definidos, em comum acordo, pelo tutor e
pelo aluno.

Atendimento, pelo professor, nos rígidos Atendimento pelo tutor, com flexíveis
horários de orientação e sala de aula. horários, lugares distintos e meios
diversos.

FONTE: Sá (1998).

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145
Nesse contexto, pode-se redefinir o papel do professor: “mais do que
ensinar, trata-se de fazer aprender [...], concentrando-se na criação, na gestão e na
regulação das situações de aprendizagem” (PERRENOUD, 2000, p. 139). O tutor
atua como mediador, facilitador, incentivador, investigador do conhecimento, da
própria prática e da aprendizagem individual e grupal (ALMEIDA, 2001).
Como mediador e facilitador do
Facilitador - Orientador de aprendizagem.
processo de aprendizagem, o tutor Geralmente usado quando o processo de
orientação é voltado para facilitar o
tem como função familiarizar o processo de construção do conhecimento
pelos próprios alunos. Em alguns sistemas
aluno com o material didático e com a de EAD, como, por exemplo, o Telecurso.
É o responsável pela coordenação,
metodologia adotada no curso. Também
orientação, acompanhamento, controle e
tem como função auxiliar no avaliação da prática pedagógica
desenvolvida na telessala e no centro
planejamento do estudo individualizado controlador.

ou em grupo, acompanhando de forma a


superar as dificuldades apresentadas e orientar na resolução de suas possíveis
dúvidas, em atendimento individual ou em grupo.
O novo papel do tutor precisa ser repensado para que não se reproduzam
nos atuais ambientes de Educação a Distância concepções tradicionais das figuras
do professor/aluno. É preciso superar a postura ainda existente do professor
transmissor de conhecimentos. Passando, sim, a ser aquele que imprime a direção
que leva à apropriação do conhecimento que se dá na interação. Interação entre
aluno/aluno e aluno/professor, valorizando-se o trabalho de parceria cognitiva.
Elaborando-se situações pedagógicas nas quais as diversas linguagens estejam
presentes. As linguagens são, na verdade, o instrumento fundamental de mediação,
as ferramentas reguladoras da própria atividade e do pensamento dos sujeitos
envolvidos.
O papel do professor como repassador de informações deu lugar a um
agente organizador, dinamizador e orientador da construção do conhecimento do
aluno e até da sua autoaprendizagem. Sua importância é potencializada e sua
responsabilidade social aumentada. “Seu lugar de saber seria o do saber humano e
não o do saber informações” (ALVES; NOVA, 2003, p. 19), sendo a comunicação
mais importante do que a informação. Sua função não é passar conteúdo, mas
orientar a construção do conhecimento pelo aluno.

AN02FREV001/REV 4.0

146
Para que o curso prime pela qualidade e encontre parâmetros para se
pautar, o tutor desenvolve as atividades necessárias à manutenção dos níveis de
qualidade do curso. Faz isso participando da avaliação do curso ou programa quanto
à metodologia, a orientação acadêmica e ao material didático. Função importante
também do tutor é cuidar da parte administrativa do curso, que envolve o
cumprimento de cronogramas, garantia de fluxos de informação, organização do seu
ambiente de trabalho, manutenção e preservação de materiais e equipamentos.
Acrescentando, Litwin (2001, p. 103) enfatiza que para exercer
competentemente estas funções, o professor necessita de formação especializada.
Hoje, a ideia da formação permanente vigora para todas as profissões, mas
especialmente para os profissionais da educação. O tutor se encontra diante de uma
tarefa desafiadora e complexa.
Grossi e Bordin (1992) contribuem esclarecendo que o bom desempenho
desses profissionais repousa sobre a crença de que “só ensina quem aprende”, o
alicerce do construtivismo pedagógico.

Construtivismo é uma posição teórico-filosófica/teoria de aprendizagem. O


construtivismo considera a construção pelo aluno do seu próprio saber como o
aspecto mais importante do processo de ensino-aprendizagem. A visão
construtivista de cognição não é uma situação nova, já que suas raízes filosóficas
antecedem a moderna psicologia de aprendizagem; mas está, hoje, recebendo
maior atenção por parte dos educadores. Alguns estudiosos do assunto
(FOSTNOT, 1991, por exemplo,) mencionam que, enquanto a epistemologia
construtivista vem sendo bem entendida pelos educadores, suas implicações
para o ensino/design instrucional ainda não estão no mesmo patamar.

Com certeza, a figura do tutor passou a desempenhar um papel essencial na


vida acadêmica e pessoal de cada aluno, o tutor tornou-se um porto seguro para
todos. Sá (1998, p. 46) diz que se exige mais do tutor de que de cem professores
convencionais, pois este necessita ter uma excelente formação acadêmica e
pessoal. Na formação acadêmica, pressupõem-se capacidade intelectual e domínio
da matéria, destacando-se as técnicas metodológicas e didáticas. Além disso, deve
conhecer com profundidade os assuntos relacionados com a matéria e área
profissional em foco, por esse motivo a necessidade da formação continuada. Faz-

AN02FREV001/REV 4.0

147
se necessário também a habilidade para planejar, acompanhar e avaliar atividades,
bem como motivar o aluno para o estudo. Na formação pessoal, deve ser capaz de
lidar com o heterogêneo quadro de alunos e ser possuidor de atributos psicológicos
e éticos, tais como maturidade emocional, empatia com os alunos, habilidade de
mediar questões, liderança, cordialidade e, especialmente, a capacidade de ouvir.
Collins e Berge (1996, apud PALLOFF; PRATT, 2002) classificaram as
várias tarefas e papéis exigidos do professor on-line (tutor) em quatro áreas:
pedagógica, gerencial, técnica e social.

FIGURA 21

FONTE: Acervo Pessoal.

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148
Diz respeito ao fomento de um
ambiente social amigável, essencial à
aprendizagem on-line. O papel do professor em
qualquer ambiente educacional é o de garantir
que o processo educativo ocorra entre os
alunos. No ambiente on-line, o professor torna-
se um facilitador. Ele conduz o grupo de
maneira mais livre, permitindo aos alunos
explorar o material do curso, ou a ele
relacionado, sem restrição.
Função pedagógica
O docente pode trazer assuntos gerais
para serem lidos e comentados, além de fazer
perguntas visando a estimular o pensamento
crítico sobre o assunto discutido. É importante
que o professor comente adequadamente as
mensagens dos alunos, as quais servirão para
estimular debates posteriores. Nesse contexto,
o professor atua como animador, tentando
motivar seus alunos a explorarem o material
mais profundamente do que o fariam na sala de
aula presencial.

Envolve normas referentes ao


agendamento do curso, ao seu ritmo, aos
objetivos traçados, à elaboração de regras e à
tomada de decisões. O professor de um curso
Função gerencial on-line é também seu administrador. Ele é
responsável por enviar um programa para o
curso com as tarefas a realizar e as diretrizes
iniciais para discussão e adaptação. Palloff
(2002) sugere que no começo do curso sejam
enviados um plano de ensino, as diretrizes e o

AN02FREV001/REV 4.0

149
código de normas de comportamento que deve
ser seguido. Em seguida, os participantes
podem comentar e debater sobre suas
expectativas em relação ao curso.

Depende do domínio técnico do


professor, sendo então capaz de transmitir tal
domínio da tecnologia aos seus alunos. Os
professores devem conhecer bem a tecnologia
que usam para atuar como facilitadores do
curso. Além disso, deverá haver um suporte
técnico disponível, de modo que, mesmo um
professor menos proficiente, possa ministrar um
curso on-line. Semelhante ao espaço
comunitário, Palloff sugere que seja destinado
um espaço em separado para acompanhar o
fluxo da aprendizagem em todo o processo.
Conscientes de que os professores
Função técnica precisam ensinar diferentemente nesse meio e
de que os alunos também atuam
diferentemente, esse espaço adquire grande
importância. Todos precisam estar conscientes
do impacto que a Educação a Distância on-line
tem na aprendizagem e facilitar a mudança de
paradigma necessária ao aluno para que ele
tenha maior impacto. “Usar a tecnologia para
aprender exige mais do que conhecer um
software ou do que se sentir à vontade com o
hardware utilizado” (PALLOFF; PRATT, 2002, p.
109).

Função social Significa facilitação educacional. O

AN02FREV001/REV 4.0

150
professor é responsável por facilitar e dar
espaço aos aspectos pessoais e sociais da
comunidade on-line. Collins e Berge (1996,
apud PALLOFF; PRATT, 2002, p. 104),
referem-se a essa função como estímulo às
relações humanas, com a afirmação e o
reconhecimento da contribuição dos alunos;
isso inclui manter o grupo unido, ajudar de
diferentes formas os participantes a trabalharem
juntos por uma causa comum e oferecer aos
alunos a possibilidade de desenvolver sua
compreensão da coesão do grupo. Esses
elementos são a essência dos princípios
necessários para construir e manter a
comunidade virtual.

Para dar um sentido de comunidade ao grupo, o tutor poderá usar algumas


estratégias, como, por exemplo: iniciar seus cursos pelas apresentações dos alunos,
para que todos se conheçam. Dessa forma, cria-se uma atmosfera confiante e
aberta, tornando real o fato de que o grupo é composto por pessoas, com sua
própria experiência de vida e saberes. Outra estratégia utilizada é a de elaborar
previamente uma atividade em grupo, com simulações ou projetos, criando a
sensação de trabalho em equipe. É essencial que o grupo on-line desenvolva uma
atitude de confiança, fundamental para a qualidade da aprendizagem na sala de
aula on-line, concluem Palloff e Pratt (2002).
Gutiérrez e Prieto (1994) nomearam de “assessor pedagógico” o professor
de Educação a Distância. Para ele, sua função é a de fazer a ligação entre a
instituição e o aluno, acompanhando o processo para enriquecê-lo com seus
conhecimentos e experiências.

AN02FREV001/REV 4.0

151
Segundo Gutiérrez e Prieto (1994), as características desse profissional são:
ser capaz de uma boa comunicação; possuir uma clara concepção de
aprendizagem; dominar bem o conteúdo; facilitar a construção de conhecimentos
por meio da reflexão, intercâmbio de experiências e informações; estabelecer
relações empáticas com o aluno; buscar as filosofias como uma base para seu ato
de educar; e constituir uma forte instância de personalização. Dentre as tarefas
prioritárias do “assessor pedagógico”, destacam-se a de estabelecer redes,
promover reuniões grupais e a de avaliar.
Niskier (1999) colabora dizendo que o educador a distância reúne as
qualidades de um planejador, pedagogo, comunicador, e técnico de informática.
Participa na produção dos materiais, seleciona os meios mais adequados para sua
multiplicação e mantém uma avaliação permanente a fim de aperfeiçoar o próprio
sistema. Nessa modalidade de ensino, o educador tenta prever as possíveis
dificuldades, buscando se antecipar aos alunos na sua solução.
O tutor de Educação a Distância deve ser valorizado, pois sua
responsabilidade, além de ser maior por atingir um número infinitamente mais
elevado de alunos, torna-o mais vulnerável a críticas e a contestações em face dos
materiais e atividades que elabora.
Niskier (1999, p. 393) pontua que o papel do tutor é:

Comentar os trabalhos realizados pelos alunos;

Corrigir as avaliações dos estudantes;

Ajudá-los a compreender os materiais do curso por meio das


discussões e explicações;

Responder às questões sobre a instituição;

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152
Ajudar os alunos a planejarem seus trabalhos;

Organizar círculos de estudo;

Fornecer informações por telefone, fac-símile e e-mail;

Supervisionar trabalhos práticos e projetos;

Atualizar informações sobre o progresso dos estudantes;

Fornecer feedback aos coordenadores sobre os materiais dos


cursos e as dificuldades dos estudantes;

Servir de intermediário entre a instituição e os alunos.

De acordo com Sá (1998), o tutor em Educação a Distância exerce duas


funções importantes, a primeira informativa, provocada pelo esclarecimento das
dúvidas levantadas pelos alunos, e a segunda, orientadora, que se expressa
ajudando nas dificuldades e na promoção do estudo e aprendizagem autônoma.
Para Sá (1998, p. 45) “No ensino a distância o trabalho do tutor fica de certo
modo diminuído considerando-se o clima de aprendizagem autônoma pelos alunos”,
pois muito da orientação necessária já se encontra no próprio material didático, sob
a forma de questionário, recomendação de atividades ou de leituras
complementares. Constata-se que a função do tutor deve ir além da orientação. O

AN02FREV001/REV 4.0

153
tutor esclarece dúvidas de seus alunos, acompanha-lhes a aprendizagem, corrige
trabalhos e disponibiliza as informações necessárias, terminando por avaliar-lhes o
desempenho.

FORMADOR:
Função pedagógica, PROFESSOR:

estímulo à Concepção e realização

aprendizagem por de cursos e materiais

meio das interações, didáticos.

concepção e
realização de cursos
e materiais didáticos.

PESQUISADOR: TECNÓLOGO
PERFIS DO
Atualização EDUCACIONAL:
TUTOR
contínua, Especialização em
investigação e tecnologias
reflexão sobre a educacionais.
própria prática.
TUTOR:
Orientação e Avaliação
da aprendizagem a
MONITOR:
Distância.
RECURSO DIDÁTICO: Exploração de
Resposta às dúvidas materiais específicos,
dos alunos em grupos de
aprendizagem.

AN02FREV001/REV 4.0

154
Litwin (2001) pontua que os programas de Educação a Distância privilegiam
o desenvolvimento de materiais para o ensino em detrimento da orientação aos
alunos, das tutorias, das propostas de avaliação ou da criação de comunidades de
aprendizagem. Os materiais de ensino convertem-se em portadores da proposta
pedagógica da instituição.
Esse material torna-se objeto de reflexão e análise no âmbito da tutoria. É
necessário que exista coerência entre a atuação do tutor e os objetivos da proposta.
A falta de coerência pode significar um dos problemas mais sérios que pode
enfrentar um programa dessa modalidade. O tutor pode mudar o sentido da proposta
pedagógica pela qual foram concebidos o projeto, o programa ou os materiais de
ensino. Sua intervenção poderá melhorar a proposta, agregando-lhe valor. Se o tutor
tiver formação adequada estará apto a entender, melhorar, enriquecer e aprofundar
a proposta pedagógica oferecida pelos materiais de ensino no âmbito de um
determinado projeto (LITWIN, 2001).
Todas as atividades, tarefas e exercícios propostos devem ser
cuidadosamente corrigidos em tempo hábil, para que o tutor tenha a chance de
interferir na aprendizagem e fazer o acompanhamento necessário, mediando o
processo. O tutor, ao avaliar o processo de ensino e aprendizagem, compara o grau
de satisfação do aluno com o curso por meio de métodos estatísticos, fichas de
avaliação e de observação.
A tutoria é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, e é
de grande importância na avaliação do sistema de ensino a distância. Os tutores se
comunicam com seus alunos por meio de encontros programados durante o
planejamento do curso. O contato com o aluno começa pelo conhecimento da
estrutura do curso, e é preciso que seja realizado com frequência, de forma rápida e
eficaz. A eficiência de suas orientações pode resolver o problema de evasão no
decorrer do processo.
Maia (2002) destaca que na Educação a Distância é preciso pontuar outra
diferença: entre o professor-autor e o professor-tutor, embora ambos sejam
profissionais virtuais. O professor-autor desenvolve o teor do curso, escreve e
produz o conteúdo e atua na organização dos textos e na estruturação do material.
É preciso que ele conheça as possibilidades e ferramentas do ambiente, pois deverá
interagir com a equipe de desenvolvimento para entender a potencialidade dos

AN02FREV001/REV 4.0

155
recursos a serem utilizados e elaborar o desenho de texto e do conteúdo do curso,
de forma a contemplar todas essas potencialidades.
Após a conclusão do conteúdo pelo professor-autor, entra em ação o
professor-tutor cujo papel é o de promover a interação e o relacionamento dos
participantes. Maia (2002, p. 13) enfatiza certas habilidades e competências
necessárias ao tutor:

 Competência tecnológica: domínio técnico suficiente para atuar com


naturalidade, agilidade e aptidão no ambiente que está utilizando. É preciso ser um
usuário dos recursos de rede, conhecer sites de busca e pesquisa, usar e-mail,
participar de listas e fóruns de discussão, ter sido mediador em algum grupo. O tutor
deve ter um bom equipamento e recursos tecnológicos atualizados, inclusive com
plug-ins de áudio e vídeo instalados, além de uma boa conexão com a Web. O tutor
deve ter participado de pelo menos um curso de capacitação para tutoria ou de um
curso on-line; preferencialmente, utilizando o mesmo ambiente em que estará
desenvolvendo sua tutoria.
 Competências sociais e profissionais: deve ter capacidade de
gerenciar equipes e administrar talentos, habilidade de criar e manter o interesse do
grupo pelo tema, ser motivador e empenhado. É provável que o grupo seja bastante
heterogêneo, formado por pessoas de regiões distintas, com vivências bastante
diferenciadas, com culturas e interesses diversos, o que exigirá do tutor uma
habilidade gerencial de pessoas extremamente eficiente. Deve ter domínio sobre o
conteúdo do texto e do assunto, a fim de ser capaz de esclarecer possíveis dúvidas
referentes ao tema abordado pelo autor, conhecer os sites internos e externos, a
bibliografia recomendada, as atividades e eventos relacionados ao assunto. A tutoria
deve agregar valor ao curso.

O tutor deve deixar claras as regras do curso; ser capaz de comunicar-se


textualmente, com clareza, não deixando margem para questões e colocações
dúbias que venham a prejudicar a aprendizagem.
A tutoria é a função necessária para orientar, dirigir e supervisionar o ensino-
aprendizagem. Ao estabelecer o contato com o aluno, o tutor complementa sua
tarefa docente transmitida por meio do material didático, dos grupos de discussão,

AN02FREV001/REV 4.0

156
listas, correio-eletrônico, chats e de outros mecanismos de comunicação. Assim,
torna-se possível traçar um perfil completo do aluno: por via do trabalho que ele
desenvolve, do seu interesse pelo curso e da aplicação do conhecimento pós-curso.
O apoio tutorial realiza, portanto, a intercomunicação dos elementos
(professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema e os reúne em uma função tríplice:
orientação, docência e avaliação.

5.4 AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A avaliação em EAD tem algumas características que são resultado do


paradigma educacional proposto ao processo de ensino-aprendizagem e à natureza
do processo específico.
Para Gonçalves (1996, p. 140):

A avaliação, não importa a missão que se lhe proponha cumprir, parece ter
o dom de despertar nas pessoas suas defesas mais escondidas. É, na
educação, um processo revestido de rituais complexos, que resulta por
torná-la um mito. No caso da avaliação da aprendizagem, tal mitificação ao
invés de possibilitar às pessoas maior consciência de como está se
desenvolvendo internamente o processo de construção do conhecimento,
termina por confundi-las, tornando-as dependentes de algum veredicto
externo que determine se estão aprendendo ou não.

Um ensino centralizado no aluno, como é a EAD, traz intensas


transformações no processo de avaliação. Algumas dessas transformações são
fontes de intermináveis debates entre educadores, políticos e empresários da área
de ensino. Dentre elas podemos citar:

Adoção e consequente valoração de uma navegação por


a.
hipertexto dentro do contexto da Internet.

Aceitação de múltiplas tecnologias nos diferentes


b.
momentos de EAD.

Ênfase em tecnologias que estimulem a ambientação e o


c. apoio socioafetivo, como resultado de pesquisas sobre a
contextualização nos países latinos e africanos.

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157
Previsão de contínuo e permanente apoio ao estudante,
d.
com frequentes feedbacks.

Entendimento e a prática de vivência de trabalho como um


e.
time integrado.

Necessidade de coordenação e apoio das atividades em


geral e nos diversos ambientes e "sites" em particular;
f.
além da permanente necessidade de avaliação do Ensino
a Distância e da Educação a Distância em particular.

De acordo com Medeiros (1999), cabe a cada ambiente de aprendizagem,


no seu sentido estrito e amplo, a existência de processos do tipo alavancagem,
como proposto por Vygotsky em seu delineamento dos níveis de desenvolvimento
proximal em relação ao real/potencial e em direção a uma aprendizagem autônoma
e emancipatória, em que se incluem as ideias de Habermas.
Na medida em que o desenvolvimento emancipatório e autônomo implica em
um resgate dos conceitos de participação qualificada, de compromisso, de
colaboração, esses pressupõem uma relação equilibrada, de busca de igualdade
real, sem perda da qualidade, da autoridade, mas, principalmente, sem perda da
autoria e da autonomia social e individual construída pela criação de argumentos. É
com base na construção de argumentos que se trabalha processualmente a
aprendizagem e, nela, a avaliação. Nessa perspectiva, a aprendizagem é
continuamente buscada na ação dos sujeitos.
O comentário segundo Gonçalves (1996), tantas vezes repetido, de que não
é séria a ação de Ensino a Distância, dispensa a exigência da avaliação presencial
da aprendizagem, confirma a percepção de uma relação de desconfiança, entre
professor e aluno, além de a educação ser vista como algo externo ao indivíduo.
Prossegue ainda em suas assertivas afirmando que há situações em que a
presencialidade na avaliação é uma condição de aperfeiçoamento da aprendizagem,
por exemplo, aquelas que envolvem algumas habilidades motoras complexas. Em
tais situações, a não previsão de avaliação ou de avaliação presenciais poderia ser

AN02FREV001/REV 4.0

158
tida como irresponsável; pois, se é imprescindível para a aprendizagem, torna-se um
direito do aluno que deve ser respeitado.
Na maioria das vezes, para fins de avaliação da aprendizagem na EAD, a
presença é exigida. Isso acontece menos por ser necessário e mais porque não se
conseguiu desenvolver uma forma de avaliar que supere a presencialidade. Uma
situação de avaliação que, por exemplo, permita consultas a documentos de
qualquer natureza, não tem porque ser presencial – no entanto, a lógica demonstra
que, no Ensino a Distância, é muito difícil avaliar mudanças de comportamento,
memorização e atitudes que não de forma presencial.
O sistema de ensino-aprendizagem tradicional prioriza a transmissão de
informações e imagens mediante definições que devem ser armazenadas
progressivamente, considerando o aluno como receptador passivo. No entanto, esta
perspectiva, ainda existente na EAD, muitas vezes, considera a avaliação como um
momento determinado, separado do processo de aprendizagem.
A avaliação realiza-se a partir de instrumentos de mensuração do
conhecimento adquirido em determinados períodos. Muitas vezes é estabelecida
uma data para aplicação do instrumento de avaliação, tais como prova, trabalho,
seminário, cujos resultados são julgados pelo professor, que estabelece os critérios
de julgamento. Na maioria das vezes, esses critérios não são conhecidos pelos
alunos, tornando-os subjetivos no entendimento dos estudantes, o que pode levar à
desconfiança em relação à avaliação e provocar desordens entre professor e aluno.
Esse modelo possibilita o aparecimento de desconfianças quanto às preferências e
simpatias pessoais dificultando, ainda mais, o relacionamento e o processo de
ensino-aprendizagem.

Embora persista o processo baseado em conceitos tradicionais que


privilegiam a relação de autoridade e dependência e objetivam o controle sobre os
alunos, distanciando o professor e conferindo-lhe poder total para julgar. Nesse caso
são esquecidos fatores importantes que podem influir negativamente na avaliação,
tais como a inadequação do momento, tempo e local para sua realização.
A avaliação é um processo natural e contínuo, no qual o ser humano está
constantemente sendo avaliado e avaliando. Na EAD, devido às questões de
distância, o professor deve perceber que a avaliação independe de utilizar ou não

AN02FREV001/REV 4.0

159
técnicas formais, quando distribui tarefas, define as normas para sua execução,
estabelece o assunto a ser pesquisado, aprova ou não o trabalho. Necessita
perceber que a avaliação é um processo contínuo, cumulativo e compreensivo,
decorrente do ensino-aprendizagem e que procura verificar as mudanças no
comportamento, no sentido de valorizar e motivar o desenvolvimento de habilidades
e atitudes.
O professor não deve somente comparar resultados obtidos com aqueles
esperados. Para causar um efetivo aprendizado, o aluno deve identificar suas
deficiências de aprendizagem e as causas dessas deficiências, para isso é
necessário estabelecer objetivos claros a serem alcançados dentro do aprendizado
referente ao conteúdo de determinada disciplina e acima de tudo estar determinado.
Ao iniciar um curso na modalidade de EAD imediatamente devem estar
idealizadas as formas avaliativas no manual do aluno, com o intuito de tornar
melhores os objetivos a serem atingidos. Além dos objetivos é preciso estabelecer o
conteúdo, avaliação, quais os padrões mínimos de desempenho esperados do aluno
e que formas serão utilizadas para alcançar as metas educacionais.
A avaliação é parte do processo de ensino-aprendizagem, e possibilita o
acompanhamento dos alunos em diferentes momentos, evidenciando os avanços
necessários para que eles continuem no seu processo de crescimento. É um tema
de vital importância na EaD, destaca-se como um recurso de: medidas, objetivos do
ensino, de métodos, conteúdos, currículos, programas e das próprias habilidades do
professor.
Os indivíduos buscam seu autodesenvolvimento, procuram atingir seus
objetivos, vencendo limitações e desafios. Porém, a forma como atuam tentando
atingir suas metas é diferente. As pessoas têm comportamentos e objetivos
diferentes, por isso devem ser tratadas de formas diferentes. Os educadores devem
dar atenção às diferenças individuais, pois por este ângulo há uma grande
possibilidade de fazer com que os alunos produzam com maior satisfação,
alcançando o nível de aprendizagem.
Quando o professor utiliza técnicas abertas para avaliar o crescimento no
processo de aprendizagem do aluno, ele pode obter informações que demonstrem
as dificuldades ou o avanço que cada um atingiu. Essas evidências criam
referências para identificar qual a melhor maneira de desenvolver a potencialidade

AN02FREV001/REV 4.0

160
do estudante, satisfazendo também suas necessidades de estima e autorrealização
pela valorização dos esforços pessoais, pela abertura de espaços para a criatividade
individual.
O educando deve ser motivado a satisfazer sua necessidade de
autorrealização aprendendo que concorrência pode significar a superação de suas
próprias dificuldades, não valorizando excessivamente os resultados obtidos pelos
outros. Cabe ao professor oferecer condições aos alunos de satisfazê-las. Nesse
caso, o docente deve considerar como verdadeira motivação, aquelas necessidades
que são internas, intrínsecas ao indivíduo como a sua própria constatação de
crescimento, o reconhecimento pelos seus esforços, a possibilidade de empreender
algo novo.
As necessidades extrínsecas, mais perceptíveis, são aquelas que promovem
a satisfação a partir de fatores externos à própria pessoa, como a nota atribuída pelo
professor ou as condições ambientais para realizar trabalhos. Assim, o aluno poderá
deixar de motivar-se a partir do aprendizado em si, que é o fator responsável pelo
seu autodesenvolvimento e que permite a satisfação de suas necessidades internas
de autoestima e autorrealização.
É essa forma de satisfação que leva o aluno a envolver-se com o processo
de aprendizagem motivando-se a partir de suas próprias carências intrínsecas.
Confirma-se, então, para o aluno que o significado do processo de avaliação é o seu
desenvolvimento pessoal e não apenas a nota obtida em momentos determinados.
O feedback é uma ferramenta disponível para que o aluno tome
conhecimento dos resultados alcançados durante o processo de ensino-
aprendizagem, pois analisando os resultados é possível corrigir falhas, reformular o
planejamento proposto e evidenciar os acertos e resultados positivos, elevando a
autoestima. Permite ao indivíduo o julgamento de seu comportamento e as
correções necessárias para alcançar o objetivo final.
Para tanto, o feedback deve ser contínuo, reforçando os acertos, elevando a
autoestima e identificando as falhas, possibilitando com isso uma revisão e uma
modernização eficiente por parte do professor ou do tutor. A avaliação contínua e
cumulativa é parte do processo de aprendizagem em EAD, e não somente um
momento determinado, desvinculado do processo.
Dessa forma, as fontes de satisfação e recompensa ocorrem a partir do

AN02FREV001/REV 4.0

161
próprio aprendizado, desencadeando a motivação interna que surge e se mantém,
principalmente, quando os alunos sabem o que se espera deles e como será
orientado e avaliado pelo professor. Quando o estudante conhece o objetivo e o
conteúdo da disciplina e os padrões de desempenho mínimos que são exigidos,
tende a se comprometer buscando realizar um bom trabalho, e sentindo a alegria de
ser bem-sucedido.
O educador/tutor deve estar sempre atento aos progressos dos alunos
procurando orientá-los e incentivá-los para o desenvolvimento de suas
potencialidades, levando-os a atingir os objetivos propostos. O educador/tutor deve
assumir uma postura de motivador do processo, promovendo a aprendizagem
progressiva e efetiva do conteúdo abordado.
O professor deve demonstrar certeza na capacidade dos alunos, elogiar os
progressos obtidos antes de apontar as deficiências, que devem ser analisadas
conjuntamente, indicando sua disposição de auxiliar o aluno na busca por resultados
positivos. Deve destacar a importância do desenvolvimento da aprendizagem e a
satisfação do bom trabalho. Deve ser um bom ouvinte e comunicador, pois por meio
da participação de um diálogo construtivo, possibilita a efetivação da aprendizagem
de forma mais apropriada e satisfatória.
Quando se pretende avaliar aprendizagens, deve-se primeiro compreender o
que é aprendizagem, como ela ocorre e o que ela acarreta. Diante disso, temos a
afirmação de que a aprendizagem é um processo de aquisição e formulação de
novos conhecimentos, de desenvolvimento de competências e que de certa forma,
produz modificações no comportamento das pessoas. A aprendizagem necessita de
fatores e estímulos internos do indivíduo, bem como dos estímulos externos.
Para se iniciar um processo de avaliação de aprendizagens, em qualquer
modelo de ensino, é imprescindível o planejamento. Por meio dele pode-se ter
claramente a visão dos objetivos que se pretende alcançar. Para isso, se considera
todos os aspectos do processo de ensino-aprendizagem e todos os elementos que
permeiam esta relação. Acompanhar o desenvolvimento do aluno, conhecer sua
postura e procedimento, saber como ele aprendeu o conteúdo, como o utiliza em
determinados contextos e situações requer auxílio de ferramentas, meios e
procedimentos que auxiliem o professor na busca destas respostas.

AN02FREV001/REV 4.0

162
Classificar o aprendiz (aluno) neste processo é uma exigência legal dos
órgãos de educação. Entretanto, não é um fim da avaliação, que se propõe a muito
mais. Aqui entram também os aspectos éticos do ato de ensinar, de formar cidadãos
conscientes, de dar condições para que o indivíduo se desenvolva, cresça como
pessoa e busque sua autonomia e possa atuar em prol do conhecimento,
modificando realidades, principalmente na Educação a Distância.
Por meio de uma visão holística, que considera um todo e transcende o fator
“nota”, é possível utilizar a avaliação para diagnosticar problemas no aprendizado e
propor as melhorias, fornecendo o feedback propulsor de ajustes e de
potencializações das práticas e métodos pedagógicos utilizados no processo de
ensino-aprendizagem.
Dessa forma, além de ser constante, formativa, a avaliação deve ser
diagnóstica, levantar questionamentos e buscar respostas para promover a melhoria
dos processos de ensino-aprendizagem, verificando os sucessos e insucessos de
determinadas ações, dos meios, materiais e recursos utilizados, bem como da
atuação.
Segundo Peters (1997), nas universidades a distância se desenvolvem
cursos que estabelecem o caminho da aprendizagem dos estudantes, nos quais
esses podem acompanhar os conteúdos oferecidos e exercer sua autonomia. Com
esse princípio, os cursos são planejados, desenvolvidos e experimentados conforme
esta concepção, apresentando, além dos conteúdos, intervenções didáticas.
No ambiente de EAD, a avaliação precisa ser específica e estender sua
análise sobre os outros tipos e variedades de aprendizados como a questão da
tecnologia empregada e sobre seu mecanismo próprio de ensino-aprendizagem.
Atualmente, tanto a percepção e o modo de se avaliar exigem uma nova postura,
uma nova atuação dos avaliadores. Os processos mudaram e com eles as
oportunidades de se levar conhecimento às mais remotas partes do país e do
mundo.
Há diversas formas de avaliação que englobam tanto as condições
qualitativas quanto as quantitativas. Não se deve restringir o método de avaliação a
uma ou outra modalidade. Na verdade, as combinações de diversos instrumentos
podem oferecer subsídios ao avaliador, dotando-o de conteúdos que possam ajudá-
lo a formular um conceito mais aproximado do real e do ideal.

AN02FREV001/REV 4.0

163
Não há fórmulas, e cada caso é um caso. Há de se avaliar o projeto
pedagógico proposto e seus objetivos, o ambiente onde será realizada determinada
ação educativa, os recursos e tecnologias envolvidas e muitos outros itens para
planejar a melhor estratégia de avaliação.
Devemos considerar o processo de aprendizagem centralizado no aluno,
para humanizar o processo, tendo em vista seu desenvolvimento contínuo. Avaliar
dentro dessas possibilidades prevê o melhoramento do processo educacional,
admitindo as expressões do conhecimento do indivíduo e o enriquecimento em
todos os sentidos.
Na Educação a Distância (on-line), a avaliação de aprendizagem demanda a
estruturação e a construção de novos conceitos e práticas pedagógicas que possam
considerar os recursos interativos e os processos colaborativos de aprendizagens
com as práticas de avaliação que vislumbrem a construção do conhecimento, e não
apenas a sua reprodução memorizada, como vemos em muitos cursos na
modalidade a distância.
A prática avaliativa deve fazer parte do processo de aprendizagem durante
todo o percurso, e não apenas ser vista como uma atividade externa ao processo
pedagógico. Deve ser formulada especificamente para atender a determinadas
características dos cursos e contextos próprios para poder avaliar de forma a
considerar as individualidades e o real processo de construção do conhecimento, no
qual se torna mais importante o significado do instrumento dentro do processo
avaliativo, do que o tipo a ser utilizado.

AN02FREV001/REV 4.0

164
5.4.1 Instrumentos de avaliação

Considerando a variedade de instrumentos em suas interfaces, os mais


usuais em EAD são:

Realizadas para promover a discussão de temas específicos do


Discussões
curso. Essas discussões podem ser realizadas de três formas.
Discussão assíncrona, conduzida pelos formadores, que
incentivam a troca de ideias e experiências. Favorece a reflexão
Fórum
e a elaboração das participações, possibilitando maior qualidade
e aprofundamento.
Semelhante à atividade Fórum, no entanto nesta modalidade um
Seminário ou dois grupos ficam responsáveis por propor as questões
Virtual discutidas, conduzir as discussões do fórum, fazer uma análise e
avaliar a participação dos colegas.
Discussão síncrona que gera participações curtas e pouco
Bate-Papo
elaboradas, no entanto possibilita aumentar a proximidade entre
(chat)
os participantes do curso, aumentando a colaboração.
Onde todo processo pode ser comentado pelos formadores e
aprendizes de forma colaborativa e construtiva. O aprendiz é
Portfólio
motivado a entrar em um ciclo de revisões, no qual tem a
oportunidade de construir e depurar os novos conhecimentos.
As provas a distância consistem em exercícios contendo
questões que os estudantes terão que responder e enviar ao
Provas a centro do curso/tutor. As presenciais, por sua vez, podem ser de
distância ou vários tipos: de ensaio ou de resposta livre, prova prática ou de
presenciais execução, prova objetiva e prova oral, sendo essa última
raramente utilizada nesta modalidade de ensino, exceto em
provas de idioma, podendo ser feita por meio de áudio ou vídeo.

AN02FREV001/REV 4.0

165
Reflexões do aprendiz sobre o próprio processo de
aprendizagem por meio de relatos de suas experiências. Uma
Relatos ferramenta interessante é o Diário de Bordo, que permite leitura
e comentário apenas de formadores e também os Blogs que
permitem a inserção de fotos, imagens, links, enquetes e outros.

Na avaliação em Educação a Distância o feedback é apontado como um


importante elemento para a aprendizagem independentemente da teoria de
educação que o embasa, embora existam diferenças substanciais na forma como é
usado e no lugar que ocupa para cada diferente referencial teórico. Considerando a
EAD, o feedback apresenta importância central no processo de aprendizagem,
potencializando os resultados e motivando o sujeito cognoscente, pois permite ao
“curso” estabelecer um diálogo pelo qual o estudante interage com o objeto de
aprendizagem. Sem esta interação, a solução torna-se apenas uma lista de
informações publicada na rede. São formas de feedback:

Informal
É normalmente dado de forma oral, em uma conversa com o
aluno ou o grupo de alunos. Em EAD normalmente é utilizada a
comunicação por e-mail, fórum ou chat, quando o professor/tutor
dá uma resposta na discussão para estimular a participação ou
corrigir o rumo.

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166
Formal
Nele se encontram todos os testes de aprendizado. E pode ser
encontrado nas respostas aos exercícios de fixação, na
avaliação final e nos medidores de desempenho.

Direto
Quando é direcionado a um aluno, a um grupo (sendo o
trabalho de grupo) ou por consequência de uma determinada
atividade/tarefa. O ideal, quando falamos de um ensino a
distância, é que a comunicação sempre seja feita diretamente
ao aluno, pelo seu desempenho. Isto se torna essencial nos
cursos com pouca interação, pois neste caso o aluno está
sozinho no processo de ensino e algo direcionado ao grupo, do
qual ele pouco ou nada sabe, aumenta ainda mais a distância
entre ele e o conteúdo.

Indireto
Direcionado a toda a turma ou para avaliar o desempenho geral.
Não menciona nomes nem tarefas específicas.

FIM DO MÓDULO V

AN02FREV001/REV 4.0

167
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TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE. Curso de extensão para professores


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AN02FREV001/REV 4.0

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FIM DO CURSO

AN02FREV001/REV 4.0

173
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE

REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0
CURSO DE

REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do
mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são
dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0
SUMÁRIO

MÓDULO I

1 INTRODUÇÃO
2 COMO REDIGIR
3 LINGUAGEM ORAL E LINGUAGEM ESCRITA
3.1 NÍVEIS DE LINGUAGEM
3.2 A ESCOLHA DA PALAVRA
4 SENTIDO DENOTATIVO E CONOTATIVO
5 COMO ADQUIRIR BOM VOCABULÁRIO
5.1 O PERÍODO ADEQUADO

MÓDULO II

6 APRESENTAÇÃO DO PARÁGRAFO
7 CONTEÚDO ARGUMENTATIVO
8 COERÊNCIA E COESÃO ENTRE AS IDEIAS
9 DICAS SOBRE CLAREZA TEXTUAL
10 COMPETÊNCIA TEXTUAL

MÓDULO III

11 AS PRINCIPAIS FALHAS TEXTUAIS


11.1 PROLIXIDADE
11.2 FRASES FEITAS
11.3 USO DE TAUTOLOGIA
11.4 ESTILO TEXTUAL: PARALELISMO
11.5 QUEÍSMO
11.6 AMBIGUIDADE

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11.7 PLEONASMO
11.8 CACÓFATO
12 TEXTO
12.1 GRAU DE COMPREENSÃO DOS TEXTOS
12.2 METÁFORA
12.3 COMPARAÇÃO
12.4 METONÍMIA
12.5 EUFEMISMO
12.6 PROSOPOPEIA OU PERSONIFICAÇÃO
12.7 HIPÉRBOLE
12.8 ANTÍTESE
12.9 GRADAÇÃO
12.10 ALITERAÇÃO
12.11 ONOMATOPEIA
13 MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO E DISCURSO
13.1 NARRAÇÃO
13.1.1 Tipos de narrativa
13.1.2 Elementos da narrativa
13.1.3 A Narração Objetiva
13.1.4 A Narração Subjetiva
14 DESCRIÇÃO
14.1 DESCRIÇÃO DE PESSOA, DE AMBIENTE E DE OBJETO
14.2 DESCRIÇÃO DE PESSOAS OU A TÉCNICA DO RETRATO
14.2.1 Sequência de descrição
15 DISSERTAÇÃO
15.1 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO
15.1.1 A Introdução
15.1.2 São Requisitos Básicos Para Uma Introdução
15.1.3 O Desenvolvimento
15.1.4 A Conclusão
15.1.5 Objetividade e Subjetividade
15.2 DISSERTAÇÃO SUBJETIVA
15.3 MODELO DE DISSERTAÇÃO

AN02FREV001/REV 4.0
15.4 A ABORDAGEM DE TEMAS POLÊMICOS
16 TÉCNICAS DE REDAÇÃO
16.1 TEMPO DE DURAÇÃO E EXTENSÃO DO TEXTO
16.2 ORDEM DE RESOLUÇÃO DA PROVA DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO
16.3 PARTES DE UMA REDAÇÃO
16.4 AVALIAÇÃO DA REDAÇÃO
16.5 O CONTEÚDO
17 A CORREÇÃO GRAMATICAL
18 LINGUAGEM TÉCNICA
18.1 PROCESSO DE CORRESPONDÊNCIA
19 RESUMO
19.1 PREPARAÇÃO DO RESUMO
20 RESENHA CRÍTICA
21 ATAS
22 POEMA
23 POESIA
24 TEXTOS LITERÁRIOS

MÓDULO IV

25 REDAÇÃO OFICIAL: PRINCÍPIOS E NORMAS


25.1 O QUE É REDAÇÃO OFICIAL?
25.2 REGRAS DE LINGUAGEM
25.3 PRONOMES DE TRATAMENTO
25.4 COLOCAÇÃO PRONOMINAL
25.5 CONCORDÂNCIA
25.5.1 Concordância Nominal
25.5.2 Concordância Verbal
25.6 ORTOGRAFIA
26 FECHOS PARA COMUNICAÇÕES
26.1 IDENTIFICAÇÃO DO SIGNATÁRIO
27 OS TEXTOS E AS FUNÇÕES DE LINGUAGEM
27.1 FUNÇÃO INFORMATIVA

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27.2 FUNÇÃO REFERENCIAL OU DENOTATIVA
28 FUNÇÃO LITERÁRIA
29 FUNÇÃO APELATIVA
30 FUNÇÃO EXPRESSIVA
31 FUNÇÃO FÁTICA
32 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA
33 FUNÇÃO POÉTICA
34 TEXTOS LITERÁRIOS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO I

1 INTRODUÇÃO

FIGURA 1

FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?tbm=isch&hl=pt-


BR&source=hp&biw=1152&bih=556&gbv=2&oq=+O+ATO+DE+ESCREVER+E+LER&aq=f&aqi=&gs_
upl=400l12457l0l12725l28l28l2l17l18l0l419l1824l3-
4.1l5l0&q=O%20ATO%20DE%20ESCREVER%20E%20LER>. Acesso em: 17 set. 2011.

Sabemos que ultrapassar a barreira entre o pensamento e o papel em


branco não é uma tarefa fácil. Portanto, você tem todo direito de ter dificuldades em
redigir um texto. O fundamental você já possui: a capacidade de pensar.
Basta agora aliar sua força de vontade à prática de escrever. Vamos
começar? Então, pegue o lápis, o papel e…o que foi? Está difícil começar? Vamos
pensar um pouco: A característica principal de um texto bem redigido está na
qualidade de seu conteúdo.

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7
Para tanto, é imprescindível estar bem informado sobre o tema a ser
discutido. A veracidade das informações sejam elas históricas, científicas, culturais,
devem ser respeitadas. Isso não significa que você deixe de questionar a respeito,
pois um bom texto depende muito do seu teor crítico acerca da realidade. Assim,
podemos dizer que:
Você pode apoiar-se no conhecimento já existente da nossa cultura
ocidental ou poderá questionar o conhecimento já existente, desde que conheça
bem o tema.
O ideal é nos esforçarmos para escrever nossas próprias ideias,
preocupando-nos com o bom-senso, mas sem manter uma postura reacionária –
contrário a mudanças sociais e políticas, conservador (HOUAISS, 2008),
acreditando numa verdade absoluta. É bom lembrar que não existe um conteúdo
neutro: sempre existe um questionamento a se fazer, tanto do leitor quanto de quem
redige o texto.
Prática: Antes de começar a escrever, lembre-se que o importante é
dialogar com seu leitor. Primeiro, faça a lápis, deixando suas ideias esboçadas no
papel, sem se preocupar com a estrutura formal. Só reescreva, quando sentir-se
mais seguro. O tema é "As dificuldades que tenho para escrever", seu leitor será um
aluno cursando o segundo grau. No máximo 20 linhas.

Para lembrar:
 Não se critica ou reformula algo que não se conhece bem.
 Se não houvesse questionamento ainda viveríamos em cavernas.
 O diálogo (do grego dia =movimento através, logos =palavra) com o leitor
é fundamental.
 É preciso antecipar os questionamentos possíveis do leitor, no sentido de
manter um diálogo aprofundado e inteligente.
 Já para os gregos, a arte do diálogo tinha o sentido de convencer por
meio da palavra.

São muitas as ideias que permeiam nosso pensamento. Tudo o que você
leu, viu e ouviu fazem parte do seu repertório pessoal. Como abordado
anteriormente, há um conhecimento preexistente acerca dos fatos históricos,

AN02FREV001/REV 4.0

8
culturais e científicos em nossa cultura ocidental, compreendidos como verdadeiros.
Aceitar ou não é uma questão de juízo de valores. Todo juízo de valor implica em
outro que o questiona ou contradiz.

Saiba mais...

Os juízos de valor, os juízos morais e as avaliações, tal como os


hábitos e os costumes, ligam-se ao plano das convenções sociais, de acordo
com a cultura e a moralidade de uma sociedade. Os juízos sobre a validade e
a normatividade das ações são juízos de valor que fundamentam as normas e
os deveres. Pronunciar um juízo, assim como categorizar uma pessoa,
pronunciar uma sentença, elogiar ou injuriar alguém, dar uma ordem, constitui
um ato. Pelo juízo, o indivíduo é capaz de decidir do bem e do mal, do belo e
do feio, do justo e do injusto.

FONTE: Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$juizo-de-valor>. Acesso em: 24 set. 2011.

Esse procedimento do pensamento em se questionar e contradizer chama-


se dialético. É uma oportunidade de observar a realidade sob vários pontos de vista.
Há três momentos no processo dialético do pensamento.
A estrutura básica do texto que você escreve corresponde aos três
momentos do raciocínio dialético. A princípio, há a introdução, ou seja, a descrição
do tema ou ideia inicial. Em seguida, o desenvolvimento: O questionamento em
relação à ideia inicial. Finalmente, a conclusão, ou seja, a união dos argumentos
mais decisivos de cada ideia.
As três partes que estruturam o texto, também podem ser denominadas:
prólogo, corpo e epílogo; começo, meio e fim; introdução, miolo e final; primeira,
segunda e terceira parte. O mais importante é compreender que um bom texto
depende de uma boa estrutura.

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9
Para lembrar:
Dialética é um conceito que define a arte do diálogo.

Saiba mais...

Sobre alguns filósofos:

A DIALÉTICA EM PLATÃO
Para Platão a dialética é o único caminho que leva ao verdadeiro conhecimento, pois a
partir do método dialético de perguntas e respostas é possível iniciar o processo de busca da
verdade. Em sua Alegoria da Caverna, Platão fala da existência de dois mundos: o mundo
sensível e o mundo das ideias. Sendo o segundo alcançado apenas por meio da dialética, da
investigação de conceitos.

A DIALÉTICA EM HEGEL
Em Hegel, a dialética se movimenta da seguinte forma: primeiro existe a TESE, que é a
ideia, gerando uma ANTÍTESE, que se contrapõe à TESE, surgindo assim a SÍNTESE, que é a
superação das anteriores.
Hegel aplicava esse raciocínio à realidade e aos diferentes momentos da história
humana. Desde as antigas civilizações do Oriente até a concepção de Estado Moderno,
constando nesse ínterim, acontecimentos como o surgimento da filosofia, o iluminismo e a
Revolução Francesa. Ou seja, a história estaria dividida em três etapas, correspondendo
exatamente à TESE, ANTÍTESE e SÍNTESE. A SÍNTESE representa a superação da
contradição.

A DIALÉTICA MARXISTA
Karl Marx reformula o conceito de dialética em Hegel, voltando-o para a sociedade, as
lutas de classes vinculadas a uma determinada organização social, surgindo assim, a chamada:
dialética materialista ou materialismo dialético.
A dialética materialista une pensamento e realidade, mostrando que a realidade é
contraditória ao pensamento dialético. Contradições estas, que é preciso compreender para
então, transpô-las por meio da dialética. Marx fala da dialética sempre em um contexto de luta de
classes, diferentes interesses, que geram a contradição. Sendo assim, o materialismo dialético é
uma das bases do pensamento marxista.

FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/filosofia/dialetica/>. Acesso em: 24 set. 2011.


Introdução, desenvolvimento e conclusão são as partes que estruturam um

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10
ensaio. O raciocínio dialético deve ser aberto para novas ideias, mas possuir valores
sólidos para resistir aos questionamentos.
A estrutura do texto é muito importante. É como a estrutura de um edifício,
de uma casa, etc. Imagine o que aconteceria se não existisse?
O texto bem redigido certamente faz o seu leitor pensar sobre o assunto.
Portanto, clareza e objetividade acerca do tema escolhido são fundamentais. As
dificuldades iniciais para escrever o texto podem estar justamente na delimitação do
tema. Às vezes, o tema escolhido pode ser amplo demais e uma delimitação se faz
necessária a fim de evitar divagações – desvio do tema principal, digressões
(HOUAISS, 2009). A delimitação da ideia central a ser desenvolvida se encontra
geralmente logo na introdução.
Ela pode ser explícita, quando o autor se faz presente no texto. Ex.: "O que
pretendo com esse trabalho é tecer algumas considerações…". Utilizam-se as
primeiras pessoas do singular (eu) e do plural (nós) do verbo. A delimitação pode
estar implícita, quando o autor não se faz presente, mas o leitor pode deduzir que o
assunto está sendo delimitado. Ex.: "Esta obra pretende ensinar a todos que
queiram aprender a redigir corretamente um texto…".
Delimitado o tema, a introdução deve ser sucinta, apenas citando o
argumento inicial. Não deve ultrapassar oito ou dez linhas, ou seja, um quinto do
texto. Exceto em um ensaio curto (10, 15 linhas), cuja introdução pode se fundir com
o desenvolvimento. Os demais argumentos, os dados, as ideias, o questionamento,
entram no desenvolvimento do texto.
Este é maior, ocupando três quintos do texto no mínimo. Aqui, você terá a
oportunidade de mostrar toda sua capacidade de argumentação e exposição de
ideias. Cuidado para não desviar do tema principal ou colocar opiniões desconexas.
Você deverá pensar o desenvolvimento como uma ponte que levará o leitor
da introdução à conclusão. Essa última deve ter um quinto do texto e encerrar a
discussão. A não ser quando propositalmente, o autor queira deixar a conclusão
para o próprio leitor.

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11
Para lembrar:

A delimitação do texto seja implícita ou explícita deve ser decisão


sua. Todavia, há preferência por situações impessoais, pois pode parecer
arrogância usar "eu acho, eu penso". No vestibular, por exemplo.
Evite introduzir o texto com expressões muito usadas (lugar-
comum), chavões. A introdução deve ser um convite ao leitor para continuar
lendo o texto.
Os argumentos do desenvolvimento devem surpreender o leitor.
Suas ideias devem ser interessantes para atrair sua atenção. Quando a
proporção do texto que você escreve não corresponder ao ensinado, você
pode estar com problemas em delimitar o tema. Às vezes, terminamos
"enchendo linguiça" ou o contrário: ficamos sem ter o que dizer.

2 COMO REDIGIR

FIGURA 2

FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?hl=pt-


BR&biw=1152&bih=556&gbv=2&tbm=isch&sa=1&q=Como+redigir+reda%C3%A7%C3%B5es&oq=Co
mo+redigir+reda%C3%A7%C3%B5es&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=e&gs_upl=5837l9253l0l9394l9l9l0l8l
8l0l329l329l3-1l1l0>. Acesso em: 17 set. 2011.

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12
Escrever é ter coisas para dizer (Darcy Ribeiro).

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é


porque um dos dois é burro (Mário Quintana).

Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil
(Jorge Luis Borges).

Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível


(Camilo José Cela).

Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém.


Provavelmente a minha própria vida (Clarice Lispector).

Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e


uma dificuldade adquirida (Joseph Joubert).

Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes,


outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar
posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer
de escrever (Lêdo Ivo).

Escrever é sacudir o sentido do mundo (Roland Barthes).

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13
O ato de redigir
Não tenhas medo das palavras grandes, pois se referem a pequenas coisas.
Para o que é grande os nomes são pequenos:
assim a vida e a morte, a paz e a guerra, a noite, o dia, a fé, o amor e o lar.
Aprende a usar, com grandeza, as palavras pequenas.
Verás como é difícil fazê-lo, mas conseguirás dizer o que queres dizer.
Entretanto, quando não souberes o que queres dizer,
usa palavras grandes, que geralmente servem para enganar os pequenos.

Arthur Kudner.

A redação para concurso/vestibular traz em si as bases de qualquer tipo de


composição. Como, no entanto, ela se encontra a serviço de um objetivo próprio e
bastante específico, seu estilo apresenta características peculiares, que a
distinguem da redação literária, técnica ou rotineira. O texto para um
concurso/vestibular tem função primordial de desenvolver ideias, sejam informativas,
argumentativas, narrativas ou descritivas. Assim, o objetivo é que você adquira
capacidade de expressar com competência suas ideias em redações organizadas,
objetivas, claras e corretas gramaticalmente.

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14
3 LINGUAGEM ORAL E LINGUAGEM ESCRITA

FIGURA 3

FONTE: Disponível em: <http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/acordoortografico/u2a2.shtml>.


Acesso em: 17 set. 2011.

Comunicar-se é ação de tornar comum uma ideia. Ela ocorre de várias


formas. Basicamente, o interesse neste curso é diferenciar bem a comunicação
realizada por texto oral e por texto escrito. É comum o candidato levar para a prova
características orais indesejadas. Em contato direto com o falante, a língua falada é
mais espontânea, mais viva, mais concreta, menos preocupada com a gramática.
Conta com vocabulário mais limitado, embora em permanente renovação. Já na
linguagem escrita o contato entre quem escreve e quem lê é indireto. Por isso, exige
permanente esforço de elaboração com maior preocupação em relação à correção
gramatical, clareza, objetiva e estrutura textual.

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15
3.1 NÍVEIS DE LINGUAGEM

FIGURA 4

FONTE: Disponível em: <http://www.concurseirosonlines.com/2010/06/download-apostila-de-


tecnicas-de.html>. Acesso em: 17 set. 2011.

A eficiência da comunicação depende do uso adequado do nível de


linguagem. Certamente, você não escreveria da mesma forma um texto para um
adulto e para uma criança. São pessoas com capacidade de entendimento diferente.
Também o seu texto deve ser diferente para cada um deles. É necessário, assim,
preocupar-se e muito com quem receberá o seu texto. A redação de uma prova ou
concurso público é direcionada para um professor que domina corretamente as
regras gramaticais e entende o assunto solicitado na prova. Assim, procure fazer
uso de um nível de linguagem apropriado. Use uma linguagem formal e não a
coloquial.

Linguagem formal: utilizam-na as classes intelectuais da sociedade, mais na


forma escrita e, menos, na oral. É de uso nos meios diplomáticos e científicos; nos
discursos e sermões; nos tratados jurídicos e nas sessões do tribunal. O vocabulário
é rico e são observadas as normas gramaticais em sua plenitude.

AN02FREV001/REV 4.0

16
O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio imediato dos bens de
todos os diretores envolvidos no escândalo do Banco do Brasil. A priori, a instituição
deverá prestar contas dos gastos de seis diretorias que foram aliciadas por meio de
propina para a liberação de verbas a agências publicitárias.

Linguagem coloquial: utilizada pelas pessoas que, sem embargo do


conhecimento da língua, servem-se de um nível menos formal, mais cotidiano. É a
linguagem do rádio, da televisão, meios de comunicação de massa tanto na forma
oral quanto na escrita. Emprega-se o vocabulário da língua comum e a obediência
às disposições gramaticais é relativa, permitindo-se até mesmo construções próprias
da linguagem oral. Observe um texto coloquial.

Brother, dentro dessa nova edição do Concurso 500 testes tem tudo para
que minha prova role na maior. Só de português são mais 800 questões. Ah, tem
uma lista de livros e dicas para todos ficarem por dentro do que é moleza que caiu
na prova. Vou encarar este estudo.

3.2 A ESCOLHA DA PALAVRA

FIGURA 5

FONTE: Disponível em: <http://ideiasdapamc.wordpress.com/2010/11/05/escolha-as-palavras-


certas/>. Acesso em: 17 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

17
A palavra é o início da expressão. Então, não queira escrever textos longos
de forma adequada sem antes observar o uso dos termos em seu texto. A escolha
da palavra é o início de um bom texto.
O termo exato a ser empregado deve levar em conta o leitor. Imagine o seu
leitor. Trata-se de um desconhecedor do assunto a ser escrito, um especialista, uma
pessoa com conhecimentos limitados de vocabulário, etc. A palavra adequada
depende da capacidade de compreensão do leitor.
Assim, para expressar uma ideia é a escolha do termo adequado para
indicar sua ideia de forma clara e objetiva. Dê sempre preferência ao termo menor e
mais fácil de ser compreendido pelo leitor. Em geral, os concursos esperam do
candidato uma prova com palavras pequenas, objetivas e em sentido denotativo. Em
provas técnicas e específicas, é necessário muitas vezes recorrer ao uso específico.
Por exemplo, em texto jurídico, certamente a banca examinadora observará a
diferença de sentido entre "domicílio, residência e habitação" assim como em
"posse, domínio ou propriedade". No entanto, isso ocorre em provas técnicas e não
de maneira geral. Evite expressões como:

 Estribado no escólio do saudoso mestre baiano, o pedido contido na


exordial não logrou agasalho.
 A peroração do discurso do advogado foi clara ao pedir a absolvição por
legítima defesa.
 Procura o réu escoimar-se da Jurisdição Penal, por suas pueris
alegações.
 Todas essas ações e querelas judiciais só têm por consequência mangrar
o desenvolvimento da sociedade.

 Abreviaturas: Em nenhuma hipótese devem ser usadas abreviaturas. O


mesmo, obviamente, não se aplica a siglas e símbolos.
Ex.: p/ abreviatura
INSS - sigla
h – símbolo

AN02FREV001/REV 4.0

18
 Cacofonia: O conjunto de palavras deve ser harmonioso. Por isso, evitam-
se expressões como "Por cada", "a vez passada", "me jogou", "dormi já",
"uma mão", etc.

 Expressões que diminuem o impacto da novidade:


Ontem, manter, permanecer, continuar ...
Se algo continua, permanece ou se mantém, não há nada de novo. Logo,
não há informação; apenas, faticidade.

 Frases Negativas: Deve-se optar pela afirmação, tendo em vista a maior


clareza e a maior certeza expressa por essa fórmula.
Ex.: "A Previdência Social não irá pagar este ano o reajuste de 147%
pretendidos pelos trabalhadores que não estão na ativa".
Ex.: "A Previdência Social pagará apenas no próximo ano o reajuste de
147% pretendidos pelos aposentados".

 Orações Intercaladas: Deve-se optar pela ordem direta da frase e/ou do


período (Sujeito + verbo + complementos + adjuntos adverbiais).
Ex.: "O Presidente da República, que vai abrir a colheita nacional de
arroz, na próxima quinta-feira, em Jaquarão, no interior, do Rio Grande do
Sul, pretende anunciar um novo pacote para a agricultura".
Ex.: O Presidente da República pretende anunciar um novo pacote
agrícola na próxima quinta-feira, quando abrirá a colheita nacional de
arroz em Jaguarão, Rio Grande do Sul.

 Eco: A ser evitado, ainda, vemos o eco, aproximação ou sequência de


sons finais idênticos em uma oração.
Ex.: "Cinquenta por cento de aumento", "elevação da inflação".

AN02FREV001/REV 4.0

19
4 SENTIDO DENOTATIVO E CONOTATIVO

FIGURA 6

FONTE: Disponível em: <http://andarape.net/?cat=16>. Acesso em: 17 set. 2011.

Saiba bem a diferença entre sentido denotativo e conotativo. Evite o sentido


conotativo em sua redação.

FIGURA 7 - SENTIDO DENOTATIVO

FONTE: Disponível em: <http://veredasdalingua.blogspot.com/2011/06/denotacao-e-conotacao.html>.


Acesso em: 17 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

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Sentido denotativo: é o uso de um termo em seu sentido primeiro, real, do
dicionário. Ao pensarmos em joia, logo nos vem ao pensamento uma pedra preciosa
ou algo semelhante.

FIGURA 8

FONTE: Disponível em: <http://www.analisedetextos.com.br/2010/04/utilidade-da-lingua-e-seus-


sentidos.html>. Acesso em: 17 set. 2011.

Na tirinha acima a expressão "pescoço de galinha" foi utilizada das duas


formas: ao perguntar para alguém que trabalha em um açougue se lá tem pescoço
de galinha o significado é denotativo no entendimento de quem recebeu ao telefone,
mas na resposta, observamos que a palavra foi utilizada com valor conotativo para
passar um trote.

Sentido conotativo: é o uso de um termo em seu sentido figurado. Ao


caracterizar alguém como uma pessoa "joia", houve uma transferência de sentido
facilmente compreensível, mas inadequada para um concurso.

AN02FREV001/REV 4.0

21
FIGURA 9

FONTE: Disponível em: <http://www.alunosonline.com.br/portugues/denotacao-conotacao.html>.


Acesso em: 17 set. 2011.

Evite também palavras que possam apresentar polissemia (vários sentidos


no contexto), neologismos (criações artísticas ou inovadoras), arcaísmos (palavras
em desuso) ou gírias. Nossa preocupação é apresentar uma ideia de forma clara e
não produzir um texto literário.

AN02FREV001/REV 4.0

22
5 COMO ADQUIRIR BOM VOCABULÁRIO

FIGURA 10

FONTE: Disponível em: <http://boanoticia.com/redacao-como-fazer.html>. Acesso em: 17 set. 2011.

Para adquirir um bom vocabulário, o candidato deve buscar informações e


vocabulário em revistas, jornais, palestras, etc. A leitura se torna fundamental. Não a
leitura desatenta, interessada apenas em amenidades esporádicas ou no
imediatismo da rotina. Leitura séria e continuada, com o auxílio de lápis e dicionário,
a fim de marcar e procurar o sentido de palavras desconhecidas. Leitura para
observar diferentes construções sintáticas e semânticas.
Por fim, necessário se faz redigir, redigir, redigir. É de muita importância que
a pessoa passe a praticar a escrita. Ao escrever, você se encontra na situação de
escolher palavras e construções para expressar suas ideias.

AN02FREV001/REV 4.0

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5.1 O PERÍODO ADEQUADO

FIGURA 11

FONTE: Disponível em: <http://garotas-nobre.blogspot.com/2010/05/como-redigir-uma-boa-


redacao.html>. Acesso em: 18 set. 2011.

Procure sempre frases curtas. Uma, duas ou, no máximo, três orações por
período sintático. A frase curta tem várias vantagens. A primeira é diminuir o número
de erros, principalmente em pontuação. A segunda é tornar o texto mais claro. A
terceira é apresentar a ideia de forma mais objetiva. Vinícius de Moraes afirmava
que "uma frase longa não é mais que duas curtas". Períodos longos geralmente
estão associados a ideias incertas e facilitam falhas na compreensão.

Qualidades de um bom período:

 Seja direto ao apresentar a ideia;


 Busque ser claro;
 Procure usar a ordem direta (sujeito-verbo-complemento);

AN02FREV001/REV 4.0

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 Dê preferência à voz ativa;
 Construa seu texto com afirmativas;
 Evite gerúndio;
 Use até três verbos para formar seu período.

 Seja direto ao apresentar a ideia

A prolixidade é um problema que compromete a escrita. Mas o que vem a


ser um texto prolixo?
A tendência deste tipo de produção é abusar da escrita, do prolongamento
desnecessário do discurso, é o exagero de argumentos e de palavras. Isso não é
bom, pois o texto fica confuso, monótono, entediante.
O escritor não sabe a hora de parar, de pontuar, tampouco consegue
organizar as ideias de maneira concisa e clara.

 Busque ser claro

Você já fez alguma redação em que o comentário do corretor foi: Falta


clareza das ideias, texto confuso, falta de coesão, parágrafo confuso?
É muito ruim quando lemos algo e não entendemos com exatidão o que
aquele escritor quis dizer. Os argumentos se emendam uns nos outros, uma nova
ideia surge a cada vírgula e em um mesmo período, o parágrafo parece não ter mais
fim!
Uma redação é clara quando há transmissão do conteúdo ao interlocutor de
maneira que este compreenda a mensagem. Logo, redações mais concisas, ou seja,
objetivas, tendem a possuir mais clareza.
Se você tem dificuldade em estruturar bem seus pensamentos, utilize um
rascunho. Leia sobre o assunto e busque na memória o conhecimento que já tem
sobre ele. Então, reflita sobre o que vai escrever e como vai fazê-lo. Para isso,
delimite o tema geral em um específico como, por exemplo: Tema geral: Amazônia,
Tema específico: Manifesto Amazônia para sempre.

AN02FREV001/REV 4.0

25
Quando você restringe o tema, restringe também o que vai escrever. Não
que o texto deva ficar pequeno, mas sim objetivo, a fim de que seja desenvolvido
plenamente. O escritor também deve ficar atento ao número mínimo de 15 linhas e
máximo de 30 ou 35 (dependerá do processo seletivo).

O rascunho é muito importante, pois nele os erros poderão ser corrigidos


antes de serem passados para a folha de redação definitiva. Quanto à clareza, tente
cumprir com os seguintes aspectos:

a) Faça frases curtas, pois períodos longos geralmente ficam confusos.

b) Não tente parecer mais culto, empregando palavras que desconhece, pois
correrá o risco de errar quanto ao significado. Portanto, use palavras simples e
precisas.

c) Tenha cuidado com a ambiguidade, que é quando uma oração pode ter
mais de um sentido: Peguei as chaves da Ana. (peguei as chaves que estavam com
Ana ou as chaves que pertenciam a Ana?).

d) Coesão: As partes devem estar interligadas, ou seja, relacionadas. Não


comece falando de alguma coisa e parta para outra, sempre termine a ideia inicial
sem delongas. Frases com muitas vírgulas são indício de falta de coesão. Outra
questão é não tentar passar as ideias de acordo com o que vão aparecendo em sua
mente, pois o fluxo mental é intenso. Na hora de escrever, concentre-se e sempre
leia cada parágrafo que acabou de redigir para verificar se está claro!

FONTE: Disponível em: <http://textoredacao.blogspot.com/2011/02/clareza-de-um-texto.html>.


Acesso em: 17 set. 2011.

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O exemplo a seguir foi uma circular interna do Banco Central. Observe a
falta de clareza do autor ao desejar apresentar a ideia.

Os parentes consanguíneos de um dos cônjuges são parentes por afinidade


do outro; os parentes por afinidade de um dos cônjuges não são parentes do outro
cônjuge; são também parentes por afinidade da pessoa, além dos parentes
consanguíneos de seu cônjuge, os cônjuges de seus próprios parentes
consanguíneos.

Recebi há poucos dias uma mensagem eletrônica com exemplos do assunto


que tratamos agora. Alguém coletou falhas de clareza na paróquia da cidade.
Observe.

Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na paróquia uma
área especial para crianças.

Quinta-feira, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo das mães. As


senhoras que desejem formar parte as mães, devem dirigir-se ao escritório do
pároco.

Na sexta-feira, às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da


obra Hamlet, de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está
convidada para tomar parte nessa tragédia.

Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É


uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam seus
maridos.

 Procure usar a ordem direta (sujeito-verbo-complemento)

A ordem direta facilita o entendimento. Certamente, você não a usará em


todos os períodos. Em alguns momentos, é importante intercalar uma ideia ou

AN02FREV001/REV 4.0

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antecipar um adjunto adverbial, por exemplo. No entanto, procure escrever em
ordem direta, principalmente no início do parágrafo.
Evite iniciar a redação com: “Nos dias de hoje...”; “Atualmente...”; “No
Brasil...”. Evite também oração intercalada logo no início: “O governo Lula – como
todos sabem – demonstra insegurança...”.

 Dê preferência à voz ativa

As construções em voz ativa demonstram que o sujeito é o agente da ação e


dão firmeza ao pensamento.

Adequado: O governo adotou a medida.


Inadequado: A medida foi adotada pelo governo.

Adequado: O cidadão deve combater a violência.


Inadequado: A violência deve ser combatida pelo cidadão.

Você deve usar voz passiva quando o sujeito paciente é mais importante do
que o agente da passiva.

Adequado: O Congresso foi invadido por manifestantes.


Inadequado: Manifestantes invadiram o Congresso.

Adequado: O Supremo decidiu o assunto.


Inadequado: O assunto foi decidido pelo Supremo.

 Construa seu texto com afirmativas

Apresente sua ideia com afirmativas sobre o tema. Diga o que é. Não o que
não é. Evite usar o "não" em redações.

Inadequado: Ele não acredita que o ministro chegue a tempo.


Adequado: Ele duvida que o ministro chegue a tempo.

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28
Inadequado: O presidente diz que não fará alterações na política econômica.
Adequado: O presidente nega alterações na política econômica.

 Evite gerúndio

FIGURA 12

FONTE: Disponível em: <http://fiorellasozim.blogspot.com/2010_04_01_archive.html>.


Acesso em: 18 set. 2011.

Você consegue substituir o gerúndio por ponto em quase todas as situações.


Observe o exemplo a seguir:

AN02FREV001/REV 4.0

29
FIGURA 13

FONTE: Disponível em: <http://www.revistaharmonya.com/materias.asp?id=127>.


Acesso em: 18 set. 2011.

Funcionários contratados pela empresa poderão cursar universidade no


segundo semestre podendo, se forem estudiosos, concluir o curso em quatro anos,
fazendo em seguida um curso de pós-graduação.

Observe como fica melhor:


A empresa contratou funcionários que poderão cursar universidade no
segundo semestre do ano. Se forem estudiosos, concluirão o curso em quatro anos
e, em seguida, poderão fazer uma pós-graduação.

Embora o gerúndio seja correto em diversas situações em nossa língua,


procure evitar seu uso em redação. A tendência é o uso incorreto. Além do erro
gramatical que geralmente provoca, o gerúndio costuma alongar as frases. O
publicitário Ricardo Freire escreveu um manifesto "antigerundista".

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando,
estar imprimindo e estar fazendo diversas cópias, para estar deixando discretamente
sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa
praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo.

AN02FREV001/REV 4.0

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 Use até três verbos para formar seu período

O período longo é o principal erro em redação. Acredito que com prática e


dedicação você perceberá como ele impede o bom texto. Observe o exemplo com
período longo:

Mesmo fervidas diariamente, as lentes de contato gelatinosas ficam


impregnadas de sujeira, o que pode até causar conjuntivite, mas, desde o começo
do ano, os míopes da Califórnia podem resolver o problema jogando as lentes no
lixo, pois lá acabam de ser lançadas lentes descartáveis que custam apenas 2,5
dólares cada, que só em julho estarão disponíveis no Brasil.

Veja como fica melhor:

Mesmo fervidas diariamente, as lentes de contato gelatinosas ficam


impregnadas de sujeira, o que pode causar conjuntivite. Desde começo do ano,
porém, os míopes da Califórnia podem resolver o problema. Acabam de ser
lançadas lentes descartáveis que custam apenas 2,5 dólares cada. Em julho, elas
estarão disponíveis também no Brasil.

Muitas vezes, o período longo fragmenta o pensamento. Sem perceber, o


autor acaba por tratar de diversos assuntos diferentes e sem continuidade. Veja um
exemplo a seguir.

Quando paramos para pensar sobre quem foi o responsável por todas as
mazelas que sofremos nos últimos anos no Brasil, gerando desordem na área da
saúde e da educação principalmente e poucos resultados eficientes na área do
crescimento, aquele que permitiu que toda esperança se perdesse e fosse por água
abaixo, deixando escapar uma oportunidade para o Brasil ocupar um assento
permanente na ONU e em diversas representações internacionais importantes e não
dando prosseguimento ao projeto de exportação de nossos produtos agropecuários,
perdendo o foco do que realmente interessa para o povo brasileiro.

AN02FREV001/REV 4.0

31
Bom texto é texto objetivo e claro. O período curto facilita o entendimento
rápido por parte do leitor. O texto a seguir foi editorial do jornal Correio Braziliense.
Observe a separação das ideias nos períodos.

A União Europeia completa 50 anos hoje como a mais bem-sucedida


experiência de integração regional do planeta. Quando a Guerra Fria começava a
mergulhar Estados Unidos e União Soviética numa era de autossuficiência e
competição, os europeus concretizavam sua aposta na cooperação como diferencial
para enfrentar desafios do século 21. Os problemas do bloco são vários, mas os
benefícios inegáveis dão a outros países duas importantes lições sobre
desenvolvimento.

1. Desenvolva um período inicial com as ideias sugeridas a seguir.

O governo Dilma.
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

A violência no Brasil.
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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32
Brasil – País de contrastes
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

A importância da educação no desenvolvimento de uma nação.


_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

As tragédias naturais.
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

A violência urbana.
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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33
O voto: exercício de cidadania.
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Ficha limpa.
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Política e responsabilidade social.


_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

FIM DO MÓDULO I

AN02FREV001/REV 4.0

34
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0
CURSO DE
REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

MÓDULO II

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO II

6 APRESENTAÇÃO DO PARÁGRAFO

FIGURA 14

FONTE: Disponível em: <http://superreforco.blogspot.com/2011/05/tipos-de-introducao.html>. Acesso


em: 24 set. 2011.

A folha em branco a sua frente, o tempo passando e o desespero tomando


conta do candidato. Essa é uma cena que você vai presenciar em inúmeras pessoas
no dia da prova, mas com dedicação é possível o candidato ficar tranquilo e
confiante em suas ideias e no seu texto final.
O primeiro parágrafo da redação dissertativa é a porta de entendimento para
aquele que está lendo. É o parágrafo mais importante do texto. Nele, está contido o
"tema" que será desenvolvido nos outros parágrafos.

AN02FREV001/REV 4.0

37
Não existe redação em concurso feita em dez minutos. A ideia e o texto
devem seguir um processo de elaboração consistente e progressivo. Uma boa
redação pede planejamento, organização. Escrever um texto não significa apenas
preencher o papel com frases soltas. Escrever pressupõe uma série de operações
anteriores.
As qualidades de um parágrafo podem ser reunidas em quatro
características:

 Clareza na abordagem inicial;


 Conteúdo argumentativo adequado;
 Unidade coerente e coesa entre as ideias;
 Objetividade.

AN02FREV001/REV 4.0

38
MELHORES REDAÇÕES DO VESTIBULAR FUVEST

FONTE: Disponível em: <http://estadualmarmeleiro.blogspot.com/2009_06_01_archive.html>.


Acesso em: 18 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

39
FONTE: Disponível em: <http://elieldepaula.com.br/blog/2008/09/dicas-para-uma-boa-redacao/>.
Acesso em: 18 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

40
FONTE: Disponível em: <http://elieldepaula.com.br/blog/2008/09/dicas-para-uma-boa-redacao/>.
Acesso em: 18 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

41
FONTE: Disponível em: <http://elieldepaula.com.br/blog/2008/09/dicas-para-uma-boa-redacao/>.
Acesso em: 18 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

42
7 CONTEÚDO ARGUMENTATIVO

FIGURA 15

FONTE: Redação dissertativa. Disponível em: <argumentativahttp://www.zun.com.br/redacao-


dissertativa-argumentativa/>. Acesso em: 18 set. 2011.

A argumentação do candidato deve sempre fundamentar de maneira clara e


convincente as ideias que apresentou na introdução. Sustentam-se os argumentos
por meio de duas formas: evidência ou raciocínio. Imaginemos um tema para
dissertação relacionado com a industrialização. O candidato deve, então, posicionar-
se frente ao tema. Observe a seguir com falha de argumentação.

A industrialização é um fenômeno característico das sociedades modernas.


Industrialização é criação de indústrias. As indústrias produzem bens de consumo e
bens de produção.
O Brasil está se industrializando. Existem países mais industrializados que o
Brasil, como os Estados Unidos, Japão, Inglaterra, etc. Há outros atrasados, como o
Paraguai e o Haiti, por exemplo. Algumas indústrias poluem o meio ambiente. Mas
as indústrias dão emprego a muita gente. As indústrias se concentram nas regiões
industriais. Enfim, a industrialização é a alma do progresso.

AN02FREV001/REV 4.0

43
Veja como o texto poderia ser bem argumentado.

O estímulo à industrialização promovido pelo mundo globalizado apresenta


consequências irrecuperáveis ao planeta e à sociedade. Se por um lado, é por meio
do desenvolvimento econômico industrial que os países obtêm recursos para
financiar suas despesas e investir para uma qualidade de vida melhor para seus
habitantes. Por outro, o crescente ritmo desorganizado de industrialização provoca
danos ao meio ambiente que comprometem nosso futuro.

Falha comum é a pessoa produzir um texto complexo em que o leitor perde


a linha do raciocínio facilmente. Observe o exemplo a seguir.

Para além das razões de método, pode-se aduzir à tolerância uma razão
moral: o respeito à pessoa alheia. Também nesse caso, a tolerância não se baseia
na renúncia à própria verdade, ou na indiferença a qualquer forma de verdade. Creio
firmemente em minha verdade, mas penso que devo obedecer a um princípio moral
absoluto: o respeito à pessoa alheia.
As boas razões da tolerância não nos devem fazer esquecer que também a
intolerância pode ter suas boas razões. Todos nós já nos vimos, cotidianamente,
explodir em exclamações do tipo “é intolerável que...”, “como podemos tolerar que
...”, etc.
Nesse ponto, cabe esclarecer que o próprio termo “tolerância” tem dois
significados, um positivo e outro negativo, e que, portanto, também tem dois
significados respectivamente, negativo e positivo, o termo oposto. Em sentido
positivo, a tolerância se opõe à intolerância em sentido negativo; e, vice-versa, ao
sentido negativo de tolerância se contrapõe o sentido positivo de intolerância.
Intolerância, em sentido positivo, é sinônimo de severidade, rigor, firmeza,
qualidades que se incluem todas no âmbito das virtudes; tolerância em sentido
negativo, ao contrário, é sinônimo de indulgência culposa, de condescendência com
o mal, com o erro, por falta de princípios, por cegueira diante dos valores. É evidente
que, quando fazemos o elogio da tolerância, reconhecendo nela um dos princípios
fundamentais da vida livre e pacífica, pretendemos falar da tolerância em sentido
positivo.

AN02FREV001/REV 4.0

44
Tolerância em sentido negativo se opõe a firmeza nos princípios, ou seja, à
justa ou devida exclusão de tudo o que pode causar dano aos indivíduos ou à
sociedade. Se as sociedades despóticas de todos os tempos e de nosso tempo
sofrem de falta de tolerância em sentido positivo, as nossas sociedades
democráticas e permissivas sofrem de excesso de tolerância em sentido negativo,
de tolerância no sentido de deixar as coisas como estão, de não interferir, de não se
escandalizar, nem se indignar com mais nada.
Noberto Bobbio. A Era dos Direitos.

Todas as partes de um texto devem estar voltadas a um objetivo principal.


Ao sair do parágrafo introdutório, deve o candidato acrescentar novas informações
baseadas em argumentos sólidos e coerentes. A coerência é a manutenção da
mesma referência escolhida pelo candidato no parágrafo inicial (a abordagem).
Todas as partes do texto devem estar relacionadas com ela. Isso torna o texto claro
e compreensível.

O que deve ser apresentado em uma boa argumentação?

 Manter relação com a abordagem do texto;


 Apresentar informações novas, claras, corretas e coerentes;
 Não exemplificar apenas suas ideias;
 Ser objetivo;
 Lembre-se de que na argumentação é que fundamentamos nossa ideia.

8 COERÊNCIA E COESÃO ENTRE AS IDEIAS

Um bom texto expressa uma boa relação entre as ideias. Observe que uma
boa comunicação é aquela em que o receptor reconhece com facilidade o assunto
tratado e o posicionamento do emissor. Para tal, o primeiro passo para uma boa
redação é a unidade entre as ideias. Todas as ideias devem estar relacionadas com
um foco principal, com uma intenção do comunicador.

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45
 Primeiro período

O primeiro período é fundamental para um bom parágrafo. Lembre-se de


que o primeiro passo para que o parágrafo tenha unidade é a formulação de uma
ideia inicial clara e objetiva. Se a primeira ideia não ficar clara, certamente as demais
ficarão comprometidas ou sem relação entre si ou com a ideia central. Exemplo:

Brasília é a capital do Brasil. A cidade é muita seca e alguns moradores


reclamam disso. A cidade foi construída por um presidente que muita gente sente
saudade dele. A cidade tem um lago e muitos parques, mesmo assim existe pouca
área de lazer. Os principais órgãos do poder público estão em Brasília. Sendo
assim, a cidade agrada a uns e não a outros.

Como você pôde observar, as ideias estão relacionadas com Brasília, porém
não apresentam uma ideia central, uma unidade. Encontram-se apenas
informações soltas e não dando suporte a um posicionamento maior.
De acordo com Siqueira (1990), a unidade de um texto se define, em
princípio, pela sua completude - sem o que o texto não poderá ser reconhecido em
sua totalidade, nem por suas partes.

A primeira ideia apresentada no parágrafo deve ser definida para servir aos
propósitos do parágrafo e do texto como um todo.

Observe o parágrafo abaixo:


O corpo humano divide-se em três partes: cabeça, tronco e membros. A
cabeça é a mais importante de todas, pois contém o cérebro e os principais órgãos
do sentido. O tronco aloja o coração, os pulmões, o estômago, os intestinos, os rins,
o fígado e o pâncreas. Finalmente, os membros, que podem ser superiores (braços
e mãos) e inferiores (pernas e pés).

Como você percebeu, a ideia central está totalmente relacionada com as

AN02FREV001/REV 4.0

46
ideias dos demais períodos. É um parágrafo com unidade em que os períodos se
completam. Os períodos devem se auxiliar e, mesmo apresentando ideias
independentes, devem manter uma relação bem próxima.

Exercício:

Leia o texto.

Destruir a natureza é a forma mais fácil de o homem se aniquilar da face da


terra. Dizimando certas espécies de animais, por exemplo, interfere na cadeia
alimentar, causando desequilíbrios que produzirão a extinção de seres essenciais à
harmonia do planeta. Jogando diariamente toneladas de produtos químicos
poluentes, o ser humano causa a destruição do meio ambiente.

Qual a ideia principal?


_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________

Quais as ideias secundárias que dão suporte à ideia principal?


_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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47
9 DICAS SOBRE CLAREZA TEXTUAL

FIGURA 16

FONTE: Disponível em: <http://textoredacao.blogspot.com/2011/07/dicas-para-arrasar-na-redacao-


do.html>. Acesso em: 18 set. 2011.

Torna-se relevante salientar que a escrita, consoante à concepção de


muitos, é algo difícil em virtude de sua complexidade. Tal estigma relaciona-se a
fatores distintos, desde a relação enraizada nas bases familiares até a conduta
efetivada na educação formal.
Atendendo ao propósito de sermos mais precisos no que se refere à
afirmativa em evidência, a desenvoltura quanto à aptidão para a escrita ocorre de
forma gradativa. Para isso, influências externas, tais como, incentivo, convivência
pautada pelo emprego de um bom vocabulário, dentre outros, são fatores que
incidem diretamente no perfil de um bom escritor.
Neste ínterim, a figura do professor de Redação também ocupa lugar de
destaque mediante a eficácia de procedimentos metodológicos que visem ao
despertar do interesse pelo ato de redigir. Dentre os subsídios dos quais ele deverá
usufruir é exatamente o estímulo no que tange a leitura, promovendo o processo de
aquisição do conhecimento linguístico, bem como do conhecimento de mundo frente
à realidade social circundante.

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48
Enfatizados todos os fatores que corroboram para a aquisição da referida
competência, é chegado o momento de enumerar nossos argumentos, organizando-
os por meio de nossas ideias e, finalmente, transpô-las para o papel, uma vez que
essas precisam estar claras, coerentes e coesas. Mas não sem antes analisarmos
alguns aspectos que, de forma negativa, podem comprometer o nosso discurso, aos
quais devemos nos atentar constantemente. Dentre esses, destacamos:

 Coerência e coesão

Coerência e coesão são fundamentais para o parágrafo. Enquanto a unidade


seleciona as ideias, central e secundárias, escolhendo as mais importantes, a
coerência organiza a sequência dessas ideias, de modo que o leitor perceba
facilmente “como” elas são importantes para o desenvolvimento do parágrafo.
Mesmo que todos os períodos do parágrafo estejam relacionados entre si, ou deem
suporte à ideia central, se faltar a organização dessas ideias, o parágrafo será
confuso, sem coerência. Ser coerente é ser organizado. A coesão é a relação
adequada entre ideias ou vocábulos. Observe o texto abaixo:

O São Paulo venceu muito bem os últimos três jogos que disputou. Semana
passada, goleou o Flamengo por 5-1. Ontem, venceu mais uma vez: 4-0 no Vasco.

Ele citou no período inicial três jogos e só abordou dois. Faltou coerência.
Observe outro texto:

A cidade do Rio de Janeiro já foi sede de três representações significativas


do poder público: prefeitura municipal, governo estadual e governo federal. O
governo estadual (...). A prefeitura municipal (...). O governo federal (...).

Ele citou as três sedes em ordem crescente e abordou de forma


desorganizada. Leia o texto a seguir:

Brasília é a melhor cidade do Brasil. A qualidade de vida apresenta dados


que se destacam no cenário nacional: baixa criminalidade, alto poder aquisitivo e

AN02FREV001/REV 4.0

49
boas opções de lazer. Também o clima propicia agradáveis dias durante o ano
inteiro. Infelizmente, muitas pessoas que moram aqui reclamam dos preços
cobrados nos aluguéis de apartamentos apertados.

O parágrafo aborda inicialmente uma visão positiva em relação à cidade e,


no final, explora uma ideia contrária à ideia principal.

As falhas de coesão estão quase sempre relacionadas a uso inadequado de


conectivos ou pronomes anafóricos. Estude bem o uso das conjunções e dos
pronomes relativos (porque, visto que, porquanto, posto que, conquanto, que, o qual,
onde, aonde, etc.) e dos pronomes (este, esse, aquele).

 Objetividade

O tempo disponível que se tem para escrever não permite que você perca
tempo com coisas sem importância para o desenvolvimento de sua ideia principal.
Mesmo aos argumentos e informações importantes, deve-se dedicar o tempo
estritamente necessário.
Ser objetivo é dizer apenas o que precisa ser dito. A objetividade textual se
traduz mediante o uso de linguagem direta, sem rodeios ou preciosismos. Hoje há
uma predominância da ordem direta, não se recomenda o uso de parágrafos longos
com excessivos entrelaçamentos de incidentes e orações subordinadas que possam
causar dificuldades à análise e ao entendimento do interlocutor.
Mensagens concisas contribuem para que o candidato tire o máximo
proveito do espaço no papel. As frases extravagantes nada acrescentam ao
conteúdo. Pior: prejudicam.
Em nome da concisão, é claro, não se devem sacrificar as ideias
importantes nem eliminar as considerações pertinentes. O ideal está no perfeito
equilíbrio entre os dados que se pediram e aqueles que se oferecem. Detalhes
irrelevantes são dispensáveis: o texto deve ir direto ao que interessa, sem rodeios
ou redundâncias, sem caracterizações e comentários supérfluos, livre de adjetivos e
advérbios inúteis, sem o recurso à subordinação excessiva. A seguir, um exemplo
de período mal construído, prolixo:

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50
O assassínio do Presidente Kennedy, naquela triste tarde de novembro,
quando percorria a cidade de Dallas, aclamado por numerosa multidão, cercado pela
simpatia do povo do grande Estado do Texas, terra natal, aliás, do seu sucessor, o
Presidente Johnson, chocou a humanidade inteira não só pelo impacto emocional
provocado pelo sacrifício do jovem estadista americano, tão cedo roubado à vida,
mas também por uma espécie de sentimento de culpa coletiva, que nos fazia, por
assim dizer, como que responsáveis por esse crime estúpido, que a História, sem
dúvida, gravará como o mais abominável do século.

Nesse texto, há vários detalhamentos desnecessários, abusou no emprego


de adjetivos (triste, numerosa, grande, jovem, etc.), o que lhe confere carga afetiva
injustificável, sobretudo em texto oficial, que deve primar pela impessoalidade.

O assassínio do Presidente Kennedy chocou a humanidade inteira, não só


pelo impacto emocional, mas também por um sentimento de culpa coletiva por um
crime que a História gravará como o mais abominável do século.

 A estrutura do texto

Iniciaremos agora a adequação de sua ideia na organização de um texto


para prova ou concurso. Em primeiro lugar, deve-se escrever apenas sobre o que o
autor domina. Com base no tema solicitado pela banca examinadora, procure
apresentar uma ideia principal com consistência, ou seja, com domínio claro e
objetivo do assunto proposto. Muitas vezes, o candidato procura escrever sobre
diversos assuntos ao mesmo tempo e acaba por produzir um texto confuso. A partir
dos temas abaixo, procure apresentar uma ideia completa em apenas uma frase.

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1. A corrupção no Brasil.
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

2. Brasil: país do futuro.


_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

3. A importância da boa educação no desenvolvimento da nação.


_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

4. Qualidade de vida e trabalho.


_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

5. A felicidade está em pequenas coisas.


_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
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6. O governo atual do Brasil.
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

10 COMPETÊNCIA TEXTUAL

FIGURA 17

FONTE: Disponível em: <http://alquimiadaspalavrassm.blogspot.com/2010/02/competencia-textual-o-


que-e.html>. Acesso em: 24 set. 2011.

Competência textual é a capacidade que alguém adquire pela prática


constante e persistente em busca de uma expressão adequada. Escrever bem para
prova e concurso é questão técnica. Talvez seja necessário ter dom para produzir
literatura ou poesia. No entanto, não é o caso para uma prova. Ocorre que muitos
desistem ou sequer praticam. Obtêm algum conhecimento teórico e desistem, sem
ao menos continuar praticando, pois só com o tempo, perceberá melhora notável em
seus textos.

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53
Ao escrever sobre os temas sugeridos anteriormente. Verifique se o que
você escreveu apresenta ideia completa, correta gramaticalmente, clara, objetiva e
coerente sobre o tema proposto. Caso perceba alguma falha, reescreva novamente.
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa
redação. Não se faz um bom texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias
principais e secundárias. Chegou a hora de fundamentar sua ideia.
Uma boa redação é dividida em ideias relacionadas entre si e ajustadas a
uma ideia central que norteia todo o pensamento do texto. Em uma livraria,
encontramos um local todo dividido em áreas de interesse. Em um supermercado,
há diversas divisões. Em uma escola, há espaço reservado para diretoria, para os
alunos, etc. Mesmo em nossa vida, temos horário para trabalho, descanso,
alimentação. Também um bom texto necessita ter ideias bem divididas em
parágrafos independentes entre si. Leia atentamente o texto abaixo.

Texto I

A política afina o espírito humano, educa os povos no conhecimento de si


mesmos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a
energia, apura, eleva o merecimento.
Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, a que entre nós se
deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do
objeto significado. Não há dúvida que rima bem com ladroagem. Mas não tem o
mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará com o batismo
adequado? Politiquice? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo
queima como um ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.
Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam
uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente. A política
é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas,
ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de
interesses pessoais.
Rui Barbosa

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Indique a ideia central de cada parágrafo:

Primeiro parágrafo:
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Segundo parágrafo:
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Terceiro parágrafo:
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Texto II

A demissão é um dos momentos mais difíceis na carreira de um profissional.


A perda de um emprego costuma gerar uma série de conflitos internos: mágoa,
revolta, incerteza em relação ao futuro e dúvidas sobre sua capacidade. Mesmo
sendo uma possibilidade concreta na vida de qualquer profissional, somos quase
sempre pegos de surpresa pela notícia. Apesar de ser uma situação delicada, é
possível, sim, transformar esse fantasma em algo bem menos assustador e,
consequentemente, dar a volta por cima de forma mais rápida.

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55
Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que ninguém é intocável.
Não no mercado competitivo de hoje. Esteja, portanto, preparado para essa
possibilidade. Isso nada tem a ver com o pessimismo. Trata-se de manter os pés no
chão e saber que as empresas trabalham com equipes cada dia mais enxutas. As
mudanças acontecem em um ritmo frenético e há sempre risco de alguém não se
adaptar a uma determinada filosofia.
Em segundo lugar, não espere ser demitido para começar a pensar nessa
possibilidade. Mesmo estando bem empregado, construa sua network. Ou seja:
mantenha contato permanente com pessoas que possam ajudá-lo futuramente a
uma possível colocação. “Geralmente, a pessoa só se lembra de que precisa
desenvolver sua network quando está desempregada”, afirma Carlos Monteiro,
diretor de recursos humanos. “Essa, no entanto, é uma lição de casa que deve ser
feita todos os dias”. Ele recomenda ainda manter o currículo, permanentemente
atualizado, criar o hábito de retornar todos os recados e responder aos e-mails
rapidamente. Em resumo, é fundamental ser acessível. Um exemplo disso foi a carta
que Monteiro recebeu recentemente de um executivo que comunicava sua mudança
de empresa. Ele falava do novo desafio em sua carreira e informava o número de
seu novo telefone. “Ele tinha um novo emprego, mas nem por isso abandonou os
contatos. O melhor momento para a network não é quando se precisa dela, mas
quando se está bem colocado. Isso faz a demissão ser menos traumática”.

Indique a ideia central de cada parágrafo:

Primeiro parágrafo:
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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Segundo parágrafo:
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Terceiro parágrafo:
_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

 Modelos para organizar parágrafos dentro de um texto.

Antes de iniciar o texto, procure fazer um esboço de como você apresentará


a ideia na redação. É comum que o candidato escreva sem qualquer organização
mental antes sobre a divisão dos parágrafos. Isso geralmente não é bom.

Modelo A

Um modelo básico muito aprendido nas escolas e útil para concursos


tradicionais é imaginar seu texto com quatro parágrafos. O primeiro introduz a ideia
e apresenta duas ideias que serão desenvolvidas na argumentação. Logo após vem
a conclusão.

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Texto A

A decisão do governo em negociar aumento de salário com os controladores


de voo por causa da paralisação nos aeroportos abre um precedente perigoso para
o bom funcionamento de serviços essenciais à população. Outras categorias podem
se sentir no direito de agir da mesma forma para exigir suas reivindicações. Também
a hierarquia em órgãos – como a Aeronáutica – que asseguram a estabilidade é
comprometida com atitudes precipitadas.
Diversos sindicatos ameaçam organizar greve em busca de melhores
salários. É o caso dos agentes e delegados da Polícia Federal. A classe, que já
suspendeu suas atividades por 24 horas na semana passada, se mobiliza para
recorrer à operação padrão ou mesmo paralisação total caso não obtenha reajuste
salarial. Ao se dar conta das consequências do acerto com os controladores, o
governo enfraquece seu poder de punição e compromete a segurança de setores
fundamentais.
Outro fato de relevante importância é o respeito às normas estabelecidas
para o bom funcionamento das instituições. As forças armadas consideram qualquer
movimento grevista por parte de seus membros – como é o caso dos controladores
de voo - como motim e julgam os participantes por legislação penal militar própria.
Não cabe ao governo interferir da forma como fez. Tal atitude enfraquece a
autoridade militar diante de sargentos, tenentes e tantos outros militares que
esboçam movimentos civis.
A prudência nos orienta que o governo deve conduzir situações com mais
rigor e respeito. Se houve falhas anteriores aos fatos, essas devem ser solucionadas
com diálogo e negociação. Determinados serviços não podem ser paralisados em
hipótese alguma, como é o caso dos controladores de voo, da assistência médico-
hospitalar e da segurança.

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Modelo B

O segundo modelo independe do número de parágrafo. O autor preocupa-se


em apresentar a ideia no parágrafo inicial e desenvolvê-la com progressividade de
um parágrafo para o outro. Nesse caso, deve-se tomar o cuidado de não fugir do
tema abordado inicialmente.

Texto B

Destino errado

O governo brasileiro já havia inovado ao tratar com passividade os arroubos


do presidente da Bolívia, Evo Morales, quando da nacionalização compulsória das
refinarias da Petrobras naquele país. Cristalizou-se, então, a ideia de que, para o
Itamaraty, parece mais valer a cordialidade gratuita com os países vizinhos do que a
pronta e necessária defesa dos interesses nacionais.
Tal conceito foi aprofundado com a edição da Medida Provisória 354, de 22
de janeiro passado. Ela abre crédito extraordinário de R$ 20 milhões para o
Ministério das Relações Exteriores. O dinheiro será usado para fazer reforma agrária
na Bolívia. São, conforme o próprio texto da norma expõe, recursos ordinários do
Tesouro Nacional, significa que têm origem nos pesados impostos pagos pelo
contribuinte brasileiro.
Os questionamentos surgem por todos os lados quando se trata desse
assunto. De acordo com o governo, o “grande potencial de tensões que se criaram
na fronteira, como o desalojamento intempestivo de centenas de famílias
brasileiras”, é relevante e urgente o suficiente para demandar a edição de uma
medida provisória, como requer a Constituição.
Ocorre que, se o assunto é relevante e urgente para o Brasil, não o parece
ser para a Bolívia. O país vizinho acordou em usar os recursos na implementação de
cooperativas extrativistas na região fronteiriça com o Acre, mas até agora não

AN02FREV001/REV 4.0

59
formulou sequer o cronograma dos projetos. Mais que isso, o presidente Evo
Morales nem assinou os acordos bilaterais de fortalecimento da agricultura familiar e
da formação profissional rural. A aplicação do dinheiro prescinde dessa formalidade.
Sobre o mérito da iniciativa, é de salientar que a saída encontrada pela
diplomacia do nosso país em nenhum momento levou em conta o fato de que os
conflitos na fronteira surgiram de um decreto do governo boliviano, anulando a
posse de terras por estrangeiros. Isto é, em vez de lançar mão de tratativas em
defesa dos brasileiros contra a agressão a seus direitos – muitas das 7 mil famílias
brasileiras na região têm filhos ou ao menos um dos cônjuges bolivianos –, o Palácio
do Planalto preferiu mandar para o estrangeiro soma considerável de recursos,
justamente numa área tão carente em nosso próprio território como a da reforma
agrária.
Visto que nossa política externa parece despreocupada em assegurar
benefícios para o Brasil e para os brasileiros, é de se pedir que o Senado Federal,
onde a MP 354 tramita atualmente, o faça, rejeite a norma e impeça sua realização.

Correio Braziliense, 3/3/2007 (com adaptações).

FIM DO MÓDULO II

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60
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0
CURSO DE
REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

MÓDULO III

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO III

11 AS PRINCIPAIS FALHAS TEXTUAIS

Agora, trataremos de erros que prejudicam o bom texto.

11.1 PROLIXIDADE

FIGURA 18

FONTE: Disponível em: <http://cursostecnicosienhig.blogspot.com/2011/05/10-erros-cometidos-na-


elaboracao-de.html>. Acesso em: 24 set. 2011.

É imprescindível que se suprimam termos desnecessários e detalhes


excessivos. Muitas vezes, o autor acredita que, escrevendo bastante, utilizando
frases de impacto, tornará o texto mais rico. Na verdade, isso só atrapalha. Elimine
as ideias sem importância, as repetições, os exemplos demasiados, os adjetivos
supérfluos.

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Reescreva o período a seguir, eliminando as expressões e os pormenores
excessivos (Manual de Estilo da Editora Abril):

“Nada mais justo de que os milhões de jovens brasileiros não adultos, de


norte a sul e leste a oeste, poderem exercer seu legítimo direito de cidadania, tendo
direito ao voto para todos os cargos políticos, de vereador, de prefeito, de deputado
e, inclusive, de presidente, influindo dessa maneira nos destinos tão obscuros da
nossa querida e amada Nação, chamada Brasil, nome recebido justamente por
causa de um produto da natureza também bonito”.

_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
________________________________________________________________

11.2 FRASES FEITAS

FIGURA 19

FONTE: Disponível em: <http://luanalinhares.blogspot.com/2011_01_01_archive.html>.


Acesso em: 24 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

64
Os lugares-comuns e os clichês demonstram falha de estilo e linguagem
limitada.

 Porque o futuro é de todos nós;


 Devemos unir nossos esforços;
 Fechar com chave de ouro;
 A nível de;
 Chegar a um denominador comum;
 Deixar a desejar;
 Estourar como uma bomba;
 Fortuna incalculável;
 Inserido no contexto;
 Levantar a cabeça e partir para outra;
 A esperança é a última que morre;
 Os jovens são o futuro da nação.

11.3 USO DE TAUTOLOGIA

FIGURA 20

FONTE: Disponível em: <http://vendavaldasletras.wordpress.com/category/curiosidades-de-nossa-


lingua/>. Acesso em: 24 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

65
É o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de
linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras
diferentes, mas com o mesmo sentido.

O exemplo clássico é o famoso ‘subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’.


Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

 Elo de ligação.
 Acabamento final.
 Certeza absoluta.
 Quantia exata.
 Nos dias 8, 9 e 10, inclusive.
 Juntamente com.
 Expressamente proibido.
 Em duas metades iguais.
 Sintomas indicativos.
 Há anos atrás.
 Vereador da cidade.
 Outra alternativa.
 Detalhes minuciosos.
 A razão é porque.
 Anexo junto à carta.
 De sua livre escolha.
 Superávit positivo.
 Todos foram unânimes.
 Conviver junto.
 Fato real.
 Encarar de frente.
 Multidão de pessoas.
 Amanheceu o dia.

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66
 Criação nova.
 Retornar de novo.
 Empréstimo temporário.
 Surpresa inesperada.
 Escolha opcional.
 Planejar antecipadamente.
 Abertura inaugural.
 Continua a permanecer.
 A última versão definitiva.
 Possivelmente poderá ocorrer.
 Comparecer em pessoa.
 Gritar bem alto.
 Propriedade característica.
 Demasiadamente excessivo.
 A seu critério pessoal.
 Exceder em muito.

Observe que todas essas repetições são desnecessárias. Por exemplo:


“surpresa inesperada”. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Deve-se
evitar o uso das repetições desnecessárias. Atente-se aos termos utilizados
cotidianamente.

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67
11.4 ESTILO TEXTUAL: PARALELISMO

O princípio do paralelismo facilita a leitura do enunciado e proporciona


clareza à expressão. Na maioria das vezes, é percebido pelo próprio falante.
Há certas expressões – por exemplo, os pares correlativos "não só... mas
também", "tanto... como", "seja... seja", "quer... quer", "antes... que" – que
criam no leitor a expectativa de uma construção simétrica ou paralela. Assim,
dizemos: "Ele não só trabalha, mas também estuda". Mas possivelmente não
diríamos: "Ele não só trabalha, mas também é estudante".

FONTE: Português: Paralelismo sintático torna texto mais preciso. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u10687.shtml>. Acesso em: 24 set. 2011.

Quando se coordenam elementos (substantivos, adjetivos, advérbios,


orações), é necessário que eles apresentem estrutura gramatical idêntica. Observe:

Inadequado: Procuravam-se soluções para satisfazer os operários e que


agradassem aos empresários.
Adequado: Procuravam-se soluções para satisfazer os operários e agradar
aos empresários.

Inadequado: As cidades paulistas e as cidades do Paraná apresentam


muitas afinidades.
Adequado: As cidades paulistas e as paranaenses apresentam muitas
afinidades.

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Exercício:

As frases a seguir apresentam erros por falta de paralelismo. Reescreva-as


corrigindo.

O relevo da América do Sul é muito semelhante ao norte-americano.


___________________________________________________________________
___________________________________________________________________.

Atualmente observa-se uma retração no consumo entre a classe média e as


camadas mais favorecidas.
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

11.5 QUEÍSMO

Queísmo é o nome comum que se dá para um problema estilístico muito


comum nas redações. O queísmo consiste no uso indiscriminado do pronome
relativo “que” em produções textuais. Seu excesso denota falta de criatividade,
prejudicando a clareza textual.

Reescreva as frases abaixo eliminando o “que”.

Você tem que ter uma letra que todos possam entender o que está escrito.
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________.

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69
O diretor afirmou que o relatório que foi escrito denuncia que tudo foi feito
errado.
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________.

Os amigos que ouvem o programa que você produz dizem que as notícias
que você comenta são falsas.
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________.

11.6 AMBIGUIDADE

FIGURA 21

FONTE: Disponível em: <http://www.analisedetextos.com.br/2010/09/ambiguidade-nas-tirinhas-de-


hagar-o.html>. Acesso em: 23 set. 2011.

Ambiguidade, na frase, é a ausência de clareza de sentido. Frases


ambíguas permitem duas ou mais interpretações diferentes, devendo, por isso, ser
evitadas em textos que devem primar pela clareza e precisão, conforme é o caso

AN02FREV001/REV 4.0

70
dos textos legais e dos expedientes administrativos. Entretanto, a ambiguidade é
precioso recurso expressivo na linguagem poética, no humorismo e na
publicidade.

Exemplo de frase com sentido ambíguo:

Ambíguo: O Deputado discutiu com o Presidente da Comissão o seu


descontentamento com a aprovação do projeto.

A ambiguidade dessa frase está no pronome possessivo seu: o


descontentamento é do Deputado ou do Presidente da Comissão? Para que o
sentido fique claro, o pronome deve ser eliminado.

Claro: O Deputado, descontente com a aprovação do projeto, discutiu o


assunto com o Presidente da Comissão.

Claro: O Deputado discutiu com o Presidente da Comissão o


descontentamento deste com a aprovação do projeto.

Ambíguo: O Líder comunicou ao Deputado que ele está liberado para apoiar
a matéria.

Claro: Liberado para apoiar a matéria, o Líder comunicou o fato ao


Deputado.

Claro: O Líder liberou o Deputado para apoiar a matéria.

AN02FREV001/REV 4.0

71
11.7 PLEONASMO

FIGURA 22

FONTE: Disponível em:


<http://hotsites.tvtribuna.com/tvtribuna/blogcameraeducacao2011/?idblog=17&idCategoria=2>.
Acesso em: 23 set. 2011.

FIGURA 23

FONTE: Disponível em: <http://www.willtirando.com.br/?post=95>. Acesso em: 23 set. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

72
Pleonasmo é a redundância ou a repetição de um termo ou de uma ideia.
Seu emprego é adequado quando, com fins de ênfase, o emissor quer realçar uma
ideia ou uma imagem, como nestes exemplos:

 O Deputado quis ver os acontecimentos com os próprios olhos.


 Um sonho que se sonha coletivamente está fadado a transformar-se em
realidade.
 A questão foi debatida por horas, sem que se chegasse a uma conclusão
final.

Entretanto, quando a redundância ou repetição é desnecessária, ou seja,


quando não traz reforço algum à ideia, o pleonasmo é antes um vício de linguagem
que denota ausência de conhecimento quanto ao sentido das palavras e descuido
para com a língua. Exemplos:

 Descer para baixo;


 Subir para cima;
 Hemorragia de sangue;
 Consenso geral;
 Opinião individual;
 Sonhar um sonho;
 Amanhecer o dia;
 Elo de ligação;
 Acabamento final;
 Certeza absoluta.

11.8 CACÓFATO

Cacófato é “o som ou palavra desagradável que se forma do encontro de


sons de palavras vizinhas” (HOUAISS, 2009, p. 121). Necessita, na medida do
possível e do razoável, ser evitado, sobretudo quando demasiado flagrante e

AN02FREV001/REV 4.0

73
grosseiro. Não cabe, no entanto, suprimir da língua combinações corriqueiras, como
da Nação, por cada, por razões, etc.

Exemplos de cacófatos (e de como evitá-los): Ele havia dado tudo de si à


frente da Comissão (Ele tinha dado...).
"Vou-me já".
Ela tinha previsto tudo o que está ocorrendo (Ela havia...).
Uma minha parente foi quem teve a ideia (Uma parente minha...).

Com os acordos, a América ganha fôlego para retomar o crescimento


econômico (... a América adquire...).

12 TEXTO

Texto não é um aglomerado desorganizado de


palavras. O fato de se escreverem palavras existentes
na língua, em uma sequência, não significa que se
construiu um texto.
Para ser um texto ele deve ter coerência de
sentido. É por isso que, nele, o sentido de uma frase depende do sentido das
demais com que se relaciona. Se não levarmos em conta as relações de uma frase
com as outras que compõem o texto, corremos o risco de atribuir a ele um sentido
oposto àquele que efetivamente tem.
Uma mesma frase pode ter sentidos distintos dependendo do contexto
dentro do qual está inserida. O contexto pode ser explícito, quando está introduzido
na situação em que é produzido.
Um texto é um todo organizado de sentido, ou seja, o sentido de uma frase
depende das outras.

AN02FREV001/REV 4.0

74
Para fazer um conjunto de frases formar um texto, o fator principal é a
coerência, harmonia de sentido de modo que não haja nada sem lógica,
contraditório ou desconexo.
Para ser considerado um bom leitor é necessário perceber e compreender a
intenção textual. O escritor sempre escreve com uma intenção, seja para informar,
convencer, emocionar, esclarecer o seu próprio texto.
Há alguns elementos que nos dão indícios sobre a intenção textual, podendo
criar expectativas e formular hipóteses, antes mesmo de iniciar a leitura, que serão
confirmadas ou não no decorrer da argumentação.
O contato preliminar com um texto, seja um livro de muitas páginas ou um
pequeno texto, é importante. Procure conhecer o livro, o autor, a editora, folheie-o,
veja o número de páginas, o tipo de papel, analise o título geral e os títulos dos
capítulos no índice. O contato material inicial prepara como deverá ser a leitura,
gerando expectativas em relação ao conteúdo, ao vocabulário, à forma de
construção do texto, conduzindo-o para uma boa leitura.

12.1 GRAU DE COMPREENSÃO DOS TEXTOS

Os textos nascem do mundo de acordo com o contexto sociocultural. O grau


de compreensão dos textos varia com a faixa etária, não se espera de uma criança a
mesma compreensão de um adulto, pois ele tem uma bagagem superior à da
criança.
Todos nós devemos passar por um processo de amadurecimento físico,
intelectual e linguístico natural pelo qual uma criança deve passar.
Ninguém poderá ou mesmo deverá vivenciar todas as experiências do
mundo, por meio da leitura será possível preencher algumas dessas experiências,
sentindo parte dela na leitura.
Na escola podemos adquirir diversas experiências, pois os conhecimentos
são orientados e organizados de acordo com os livros e a série que está cursando.

AN02FREV001/REV 4.0

75
O hábito da leitura é bastante incentivado, pois quanto mais lemos, mais
adquirimos experiências, desenvolvemos nosso potencial e melhoramos nosso
desempenho como leitor. Além de adquirirmos vocabulário.
Nem sempre o vocabulário adquirido é utilizado em nosso cotidiano, mas
quando lemos podemos saber o significado das palavras, desenvolvendo outros
domínios linguísticos como diferentes formas de construção sintática.
É adequado ressaltar que não há textos isolados, existe a intertextualidade:
um texto determinado dialoga com outros textos que já foram escritos sobre o
mesmo tema. Dificilmente há um texto inteiramente original, sobre um assunto que
ninguém ainda tenha escrito. O que diferencia um texto do outro é o enfoque, o
ponto de vista. Assim, um texto é o acúmulo de outros textos. É nesse sentido que
se dá a importância da leitura para que gradualmente adquiramos um bom nível
intelectual.
Iniciamos a definir as propriedades de um texto:

Coerência de sentido: Isso quer dizer que ele


não é um aglomerado de frases, ou seja, nele, as
frases não estão pura e simplesmente dispostas uma
após as outras, mas estão relacionadas entre si. É por
isso que, nele, o sentido de uma frase depende do sentido das demais com que se
relaciona. Se não levarmos em conta as relações de uma frase com as outras que
compõem o texto, corremos o risco de atribuir a ela um sentido oposto.
Uma mesma frase pode ter sentidos distintos dependendo do contexto
dentro do qual está inserida. Então, o conceito de texto será a unidade maior em que
uma unidade menor está inserida. Dessa forma, a unidade maior será o contexto, as
frases ganham sentido, porque estão correlacionadas umas às outras.
Um texto é um todo organizado de sentido. É o mesmo que dizer um
conjunto formado de partes solidárias, ou seja, que o sentido de uma depende das
outras.
O sentido em primeiro lugar é a coerência, isto é, a harmonia de sentido de
modo que não haja nada ilógico, nada contraditório, que nenhuma parte não se
solidarize com as demais. Em princípio, seria incoerente um texto que dissesse
Paulo está muito triste. O quadrado da hipotenusa é a soma dos catetos. Essa

AN02FREV001/REV 4.0

76
incoerência seria dada pelo fato de que não se percebe a relação de sentido entre
as duas frases que compõem o texto.

Dois brancos: um texto é delimitado por dois brancos. Se o texto é um todo


organizado de sentido, ele pode ser verbal (um conto) ou visual (um quadro); porém,
em todos esses casos, será delimitado por dois de não sentido, dois brancos, um
antes de começar um texto e outro depois do término deste – é o tempo de espera
para que o filme comece e o que está depois da palavra Fim.

Sujeito: O texto é produzido por um sujeito num dado tempo e em


determinado espaço. Esse sujeito, por pertencer a um grupo social num tempo e
num espaço, expõe em seus textos as ideias, os anseios, os temores, as
expectativas do seu momento e de seu grupo social. Geralmente, os textos têm um
caráter histórico, revelando os ideais e as concepções de um grupo social em uma
determinada época. Cada período histórico coloca para os homens certos problemas
e os textos pronunciam-se sobre eles.
Todos os textos mostram seu tempo. Cabe lembrar, no entanto, que uma
sociedade não produz uma única forma de ver a realidade, um único modo de
analisar os problemas colocados num dado momento. A mesma sociedade que
proíbe o trabalho infantil, também escraviza as crianças.
Devemos entender as concepções existentes na época e na sociedade em
que o texto foi produzido para não correr o risco de compreendê-lo de forma
equivocada.
Podemos tirar as seguintes conclusões; uma leitura não pode basear-se em
fragmentos isolados do texto, não pode levar em conta o que não está no interior do
texto e, de outro, deve levar em consideração a relação, assinalada, de uma forma
ou de outra, por marcas textuais, que um texto estabelece com outros.
Começaremos a falar de algumas tipologias textuais com dois tipos básicos
de textos: literário e não literário. Para analisar um texto literário é necessário
conhecer as figuras de linguagem. A linguagem figurada demonstra a necessidade
de dar expressividade, apresentando intenções literárias e artísticas sensibilizando o
leitor.

AN02FREV001/REV 4.0

77
As figuras de linguagem auxiliam o trabalho artístico da forma de escolha e
combinação das palavras na frase, saindo do racional, da lógica, do comum. As
principais figuras de linguagem são:

12.2 METÁFORA

FIGURA 24

FONTE: Disponível em: <http://icarlydaredacao.blogspot.com/2010/05/metafora.html>.


Acesso em: 23 set. 2011.

Usamos palavras que apresentam uma proximidade simbólica de sentidos.


No conceito de metáfora uma palavra é substituída por outra com que tem relação
de semelhança.

“Fernanda é um doce de menina”.

Nesta metáfora transferimos os sentidos possíveis da palavra doce,


simbolicamente, para a menina Fernanda. O doce, sentido denotativo, literal, que
tem sabor como o mel, o açúcar, algo suave, agradável. Fernanda também é
agradável, suave e meiga.

AN02FREV001/REV 4.0

78
12.3 COMPARAÇÃO

FIGURA 25

FONTE: Disponível em: <http://anovaguerra.blogspot.com/2010/03/figuras-de-linguagem.html>.


Acesso em: 23 set. 2011.

É a figura de linguagem que constitui uma relação de semelhança entre


duas palavras ou expressões, atribuindo características de um termo a outro por
meio de um elemento comparativo explícito. Normalmente, percebe-se a
comparação com a conjunção como ou outros elementos comparativos (tal qual,
assim como, tão... quanto..., etc.).

“A tua mão é dura como casca de árvore.


Ríspida e grossa como um cacto”.
Cassiano Ricardo

“Tal qual o sol que deseja a vinda do dia, eu desejo sua presença”.

AN02FREV001/REV 4.0

79
12.4 METONÍMIA

FIGURA 26

FONTE: Disponível em:


<http://www.aridesa.com.br/servicos/click_professor/jose_maria/charges_tirinhas.asp>.
Acesso em: 23 set. 2011.

É a substituição de uma palavra por outra com a qual tenha relação de


semelhança de sentido.
São várias as relações metonímicas, como:

- à parte pelo todo.


As velas aproximam-se. (barcos)

-o autor pela obra.


Li todo José de Alencar.

-o recipiente pelo conteúdo.


Tomei um copo de água.

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80
-o produto pela marca.
Vou tomar uma Skol (cerveja, refrigerante).

-a causa pelo efeito


Respeite os meus cabelos brancos (idade avançada).

12.5 EUFEMISMO

FIGURA 27

FONTE: Disponível em: <http://www.pimentanamuqueca.com.br/tag/comunicologo/>.


Acesso em: 23 set. 2011.

É a substituição de uma palavra ou expressão para suavizar ou atenuar


intencionalmente seu significado.

“Foi desta vida para outra melhor” (morreu).


“Você disse uma inverdade” (mentira).
“Vivia de caridade pública” (esmolas) (Machado de Assis).

AN02FREV001/REV 4.0

81
12.6 PROSOPOPEIA OU PERSONIFICAÇÃO

FIGURA 28

FONTE: Disponível em: <http://viajandonostextos.blogspot.com/2011/05/trabalho-do-1-ano-escola-


professora_10.html>. Acesso em: 23 set. 2011.

É a atribuição de características humanas a seres irracionais ou de seres


animados a seres inanimados.

“Mil línguas de fogo devoravam as canas maduras, com fome canina”


(José Lins do Rego).

“Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:


- Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
(Machado de Assis)

AN02FREV001/REV 4.0

82
12.7 HIPÉRBOLE

FIGURA 29

FONTE: Disponível em: <http://www.blogdobauru.com.br/2008/10/dia-de-eleio-assim-mesmo.html>.


Acesso em: 24 set. 2011.

Expressão que exagera os fatos a fim de impressionar o leitor. “Realce


expressivo que resulta do exagero de um significado (p.ex. morrer de rir)”
(HOUAISS, 2009, p. 395).

“Rios de pranto e de sangue que pareceram tão grandes” (Cecília Meireles).

AN02FREV001/REV 4.0

83
12.8 ANTÍTESE

FIGURA 30

FONTE: Disponível em: <http://duvidasredacao.blogspot.com/2009/09/antitese.html>.


Acesso em: 24 set. 2011.

É o uso de palavras de sentidos opostos (antônimos) para expressar


contradição.
Exemplos:

“Não sou alegre nem triste, sou poeta”.


“Morte e Vida Severina”.
“Uns buscam o bem; outros o mal”.

12.9 GRADAÇÃO

É a colocação de ideias na ordem crescente (chamada de clímax) ou na


ordem decrescente (chamada de anticlímax).

Exemplos:

AN02FREV001/REV 4.0

84
“Na manifestação popular começaram a chegar dez, cem, mil, dez mil
pessoas parando o trânsito” (clímax).

“Começou a ficar pobre, perdeu milhões de dólares na Bolsa de Valores;


cem mil reais na Jockey; a poupança de 30 mil do filho; as joias da mulher; a
primeira casa humilde em que morava antigamente” (anticlímax).

12.10 ALITERAÇÃO

FIGURA 31

FONTE: Disponível em: <http://www.superradiopiratininga.com.br/falandodalingua/?tag=aliteracao>.


Acesso em: 24 set. 2011.

É a repetição abundante de consoantes dentro da frase, com intenção de


sugerir certos sons ou ruídos, criar certo clima, agitação, tranquilidade, por exemplo.

Exemplo:

“Vozes veladas, veludosas vozes


volúpias de violões, vozes veladas”.
(Cruz e Sousa)

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12.11 ONOMATOPEIA

FIGURA 32

FONTE: Disponível em: <http://veredasdalingua.blogspot.com/2011/09/processos-de-formacao-de-


palavras-ii.html>. Acesso em: 24 set. 2011.

É uma figura sonora que procura reproduzir ou imitar sons ou ruídos.

Exemplos:

 Tique-taque, tique-taque.
 Monotonia das horas.

13 MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO E DISCURSO

Há três modos básicos de organização de um


texto: o narrativo, o descritivo e o dissertativo.
Narração – quem fala, narrador, o conteúdo são
ações, acontecimentos com objetivo de relatar.
Descrição – quem fala, observador, o conteúdo
são os seres, objetos, cenas e o objetivo de identificar,
localizar e qualificar.

AN02FREV001/REV 4.0

86
Dissertação – quem fala, argumentador, o conteúdo são as opiniões,
argumentos e o objetivo é discutir, informar e expor.
Não há textos exclusivamente narrativos, descritivos ou dissertativos. Mas
há o predomínio de um dos três modos sobre os demais.

13.1 NARRAÇÃO

Narrar é contar um ou mais fatos que ocorreram com determinados


personagens, em local e tempo definidos. Em outras palavras, é contar uma história,
que pode ser real ou imaginária.
Ao contrário da descrição, que é estática, a narração é totalmente dinâmica,
predominando os verbos. O importante está na ação – no “o que aconteceu”.
Para narrar um fato ou uma história é importante decidir se você vai ou não
fazer parte da narrativa. Essa decisão determinará o tipo de narrador a ser utilizado
em sua composição. O narrador pode ser de dois tipos:

- Narrador em 1ª pessoa: é aquele que participa da ação, ou seja, que se


inclui na narrativa, portanto tem seu campo de visão limitado, podendo ser chamado
de narrador-personagem.

Exemplo:

Estava andando pela rua quando de repente tropecei em um pacote


embrulhado em jornais. Peguei-o vagarosamente, abri-o e vi, surpreso, que lá havia
uma grande quantia em dinheiro.

- Narrador em 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou seja, não


se inclui na narrativa. Sendo seu campo de visão imparcial é chamado também de
narrador-observador.

AN02FREV001/REV 4.0

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Suas características principais são:

a) onisciência: o narrador sabe tudo sobre a história;


b) onipresença: o narrador está presente em todos os lugares da história.

Exemplo:

Um homem estava andando pela rua quando de repente tropeçou em um


pacote embrulhado em jornais. Ele pegou vagarosamente, abriu e viu surpreso, que
lá havia uma grande quantia em dinheiro.

Veja outro exemplo de narrador-observador no trecho extraído da obra de


Érico Veríssimo, “O tempo e o vento”, num dos episódios em que se fala de Ana
Terra e Pedro Missioneiro:

(...) Pedro sentou-se, cruzou as pernas, tirou algumas notas da flauta,


como para experimentá-la e depois, franzindo a testa, entrecerrando os olhos,
alcançando muito as sobrancelhas, começou a tocar. Era uma melodia lenta e
meio fúnebre. O agudo som do instrumento penetrou Ana Terra como uma
agulha, e ela se sentiu ferida, trespassada (...).
Tirou as mãos de dentro da água da gamela, enxugou-as num pano e
aproximou-se da mesa. Foi então que deu com os olhos de Pedro e daí por
diante, por mais esforços que fizesse, não conseguiu desviar-se deles. Parecia-
lhes que a música saia dos olhos do índio e não da flauta – morna, tremida e
triste como a voz duma pessoa infeliz (...).

(O continente. In: ______________. O tempo e o vento.


Rio de Janeiro, Globo, 1963. t. 1. p. 88).

AN02FREV001/REV 4.0

88
13.1.1 Tipos de narrativa

As narrativas mais difundidas são o romance, a novela, o conto e a crônica


(sendo que esta última não é totalmente narrativa).

Romance: descrição ou enredo exagerado ou fantasioso, narrativa longa


que envolve um número considerável de personagens (em relação à novela e ao
conto), maior número de conflitos, tempo e espaço mais abertos.
Os romances podem ser classificados de acordo com sua temática. Os tipos
mais conhecidos são de amor, de aventura, policial, ficção científica, psicológico,
etc.

Novela: é um romance mais curto, isto é, tem um número menor de


personagens, conflitos e espaços, ou os tem em igual número ao romance, com a
diferença de que a ação no tempo é mais veloz na novela. Difere em muito da
novela de TV, a qual tem uma série de casos paralelos e uma infinidade de
momentos de clímax.

Conto: é uma narrativa mais curta que tem como característica central
sintetizar o conflito, tempo, espaço e reduzir o número de personagens. Tanto o
conto quanto a novela podem abordar qualquer tipo de tema.

Crônica: as características distintas da crônica são: textos curtos, leves, que


geralmente abordam temas do cotidiano.

13.1.2 Elementos da narrativa

Após escolher o tipo de narrador, é necessário conhecer os elementos


básicos de qualquer narração.

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Todo e qualquer texto narrativo conta um fato que se passa em determinado
tempo e lugar. A narração só existe na medida em que há ação; esta é praticada
pelos personagens.
Os fatos em geral acontecem por uma determinada causa e desenrola-se,
envolvendo certas circunstâncias que o caracterizam. É necessário, portanto,
mencionar o momento como tudo aconteceu detalhadamente, isto é, de que maneira
o fato ocorreu.

Os elementos básicos de textos narrativos são:

 Fato (o que se vai narrar);


 Tempo (quando o fato ocorreu);
 Lugar (onde o fato se deu);
 Personagens (quem participou do ocorrido ou o observou);
 Causa (motivo que determinou a ocorrência);
 Modo (como se deu o fato);
 Consequências.

Após conhecer esses fatos, é preciso saber organizá-los para elaborar a


narração. Sugerimos o modelo a seguir:

Título:

Introdução: 1° parágrafo – explicar que fato será narrado. Determinar o


tempo e o lugar.

Desenvolvimento: 2° e 3° parágrafos – causa do fato e apresentação dos


personagens, modo como tudo aconteceu em detalhes.

Conclusão: consequências dos fatos.

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90
Ao utilizar os recursos acima, poderá narrar qualquer fato, desde os
incidentes que são noticiados nos jornais como; ocorrências policiais, assaltos,
atropelamentos, sequestros, incêndios e até fatos corriqueiros.
Não se esquecendo de que o modelo apresentado é apenas uma sugestão,
sendo possível inverter a ordem dos elementos nele existentes. O fundamental será
contar uma história de modo satisfatório.
Os três elementos mencionados, na introdução, ou seja, fato, tempo e lugar,
não precisam necessariamente aparecer nessa ordem. Podemos especificar, no
início, o tempo e o local, para depois enunciar o fato que será narrado.

13.1.3 A Narração Objetiva

Observe agora um exemplo de narração sobre um incêndio, criado com o


auxílio do esquema estudado. Lembre-se de que, antes de começar a escrever, é
preciso escolher o tipo de narrador. Optamos pelo narrador em 3ª pessoa.

O incêndio

Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, em um apartamento de


propriedade do Sr. Marcos da Fonseca.
No local, habitavam o proprietário, sua esposa e seus dois filhos. Todos
eles, na hora em que o fogo começou, tinham saído de casa e estavam jantando em
um restaurante situado em frente ao edifício. A causa do incêndio foi um curto-
circuito ocorrido no precário sistema elétrico do velho apartamento.
O fogo despontou em um dos quartos que, por sorte, ficava na frente do
prédio. O porteiro do restaurante, conhecido da família, avistou-o e imediatamente
foi chamar o Sr. Marcos. Ele, mais que depressa, ligou para o Corpo de Bombeiros.
Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não conseguiram
impedir que o quarto e a sala ao lado fossem inteiramente destruídos pelas chamas.
Não obstante o prejuízo, a família consolou-se com o fato de aquele incidente não
ter tomado maiores proporções, atingindo os apartamentos vizinhos.

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Observaremos as características dessa narração. O narrador está na 3ª
pessoa, pois não toma parte da história; não é nem membro da família, nem o
porteiro do restaurante, nem um dos bombeiros e muito menos alguém que passava
pela rua na qual se situava o prédio. Outra característica que deve ser destacada é o
fato de a história ter sido narrada com objetividade: o narrador limitou-se a contar os
fatos sem deixar que seus sentimentos, suas emoções transparecessem no decorrer
da narrativa.
Este tipo de composição denomina-se narração objetiva. É o que costuma
aparecer nas “ocorrências policiais” dos jornais, nas quais os redatores apenas
informam os fatos, sem se deixar envolver emocionalmente com o que estão
noticiando. Este tipo de narração apresenta um cunho impessoal e direto.

Exercício:

1- Agora imagine que você é redator em um jornal e precisa redigir uma


narração, informando sobre um assalto ocorrido. Faça uma narração objetiva.

13.1.4 A Narração Subjetiva

Existe também outro tipo de composição chamada narração subjetiva. Nela


os fatos são apresentados levando-se em conta as emoções, os sentimentos
envolvidos na história. Nota-se claramente a posição sensível e emocional do
narrador ao relatar os acontecimentos. O fato não é narrado de modo frio e
impessoal; ao contrário, são ressaltados os efeitos psicológicos que os
acontecimentos desencadeiam nos personagens. É, portanto, o oposto da narração
objetiva.
Daremos agora um exemplo de narração subjetiva, elaborada também com
o auxílio do esquema estudado. Escolheremos o narrador na 1ª pessoa. Essa
escolha é perfeitamente justificável, visto que, participando da ação, ele envolve-se
emocionalmente com maior facilidade na história. Isso não significa, porém, que uma
narração subjetiva requeira sempre um narrador em 1ª pessoa e vice-versa.

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O desaparecido

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente


que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade
muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um
bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando
dentro de mim.

(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 1988.

Com a fúria de um vendaval

Em certa manhã acordei entediada. Estava em minhas férias escolares do


mês de julho. Não pudera viajar. Fui ao portão e avistei, três quarteirões ao longe, a
movimentação de uma feira livre.
Não tinha nada para fazer, e isso estava me matando de aborrecimento.
Embora soubesse que uma feira livre não constitui exatamente o melhor
divertimento do qual um ser humano pode dispor, fui andando, a passos lentos, em
direção àquelas barracas. Não esperava ver nada de original, ou mesmo
interessante. Como é triste o tédio! Logo que me aproximei, vi uma senhora alta,
extremamente gorda, discutindo com um feirante.
O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a nervosa
senhora. Não sei por que brigavam, mas sei o que vi: a mulher, imensamente gorda,
mais do que gorda (monstruosa), erguia seus enormes braços e, com os punhos
cerrados, gritava contra o feirante. Comecei a me assustar, com medo de que ela
destruísse a barraca (e talvez o próprio homem) devido à sua fúria incontrolável. Ela
ia gritando e se empolgando com sua raiva crescente e ficando cada vez mais
vermelha, assim como os tomates, ou até mais.

AN02FREV001/REV 4.0

93
De repente, no auge de sua ira, avançou contra o homem já atemorizado e,
tropeçando em alguns tomates podres que estavam no chão, caiu, tombou,
mergulhou, esborrachou-se no asfalto, para o divertimento do pequeno público que,
assim como eu, assistia àquela cena incomum.

Exercício:

1- Vamos treinar. Elabore uma narração subjetiva, com narrador em 1ª


pessoa, utilizando os elementos básicos do texto narrativo (todos ou alguns). Conte
um fato inteiramente inesperado que aconteceu com você dentro de um ônibus. Não
se esqueça de criar um título interessante.
Ao comparar os modelos de narração em 1ª e 3ª pessoas, é possível
perceber a diferença entre os narradores, a maneira como se elabora uma narração,
utilizando o esquema estudado, a existência da narração objetiva em oposição à
narração subjetiva a alguns outros aspectos.
É importante observar outro fato sobre o qual ainda não fizemos qualquer
comentário. Lendo as narrações O incêndio e Com a fúria de um vendaval, você
notará com facilidade que o narrador contou cada uma das histórias com suas
próprias palavras. Ele não introduziu diálogos na redação registrando a fala dos
personagens. Essas duas narrações foram elaboradas sem que o narrador
introduzisse o discurso direto, isto é, o diálogo entre os personagens.
Não se esqueça também de que o esquema de narração estudado não
precisa ser seguido à risca. Se julgar importante fazer qualquer alteração, nada o
impede de fazê-lo, desde que sua composição não perca as características de
organização e clareza imprescindíveis a todas as narrações.

Exercícios:

1- Elabore uma ou mais narrações baseando-se nos títulos propostos (você


agora pode escolher o tipo de narrador e optar por uma narração objetiva ou por
uma narração subjetiva; note, entretanto, que alguns títulos sugerem uma narração
subjetiva, e outros, uma narração objetiva):

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94
 Um incidente no colégio.
 O dia mais feliz de toda a minha vida.
 A maior lição que aprendi de minha mãe.
 Eu, um negro na África do Sul.
 Quando eu fui professor por um dia.
 O grande sonho da minha vida.
 O fato mais emocionante que presenciei
 Uma lição de fraternidade.
 Meus colegas de classe.
 A tragédia que se abateu no planeta.
 A inesquecível manhã em que fui chamado para a diretoria de minha
escola.
 O dia em que a cidade parou.
 A primeira visita de um índio a cidade de São Paulo.

2- Agora vamos aprimorar sua capacidade de redigir essa modalidade de


composição. Faça uma narração objetiva, com narrador em 3ª pessoa, contando:

 um sequestro;
 uma colisão;
 um atropelamento;
 um atentado terrorista.

3- Elabore uma narração subjetiva, com narrador em 1ª pessoa, sobre:

 uma briga entre torcidas de futebol;


 uma passeata de protesto;
 uma festa de aniversário;
 um susto terrível.

AN02FREV001/REV 4.0

95
14 DESCRIÇÃO

FIGURA 33

FONTE: Disponível em: <http://ratinhodaweb.blogspot.com/2011/06/modos-de-organizacao-de-


composicao.html>. Acesso em: 24 set. 2011.

É a exposição falada ou escrita, ato de descrever é traduzir com palavras


aquilo que se viu e se observou. Na descrição, o ser, o objeto ou o ambiente são
mais importantes, ocupando lugar na frase o substantivo e o adjetivo. A
caracterização é imprescindível, daí a forte incidência de adjetivos no texto.
É necessário observar, na descrição, a quase ausência de processos
verbais finitos (indicativo ou subjuntivo) o que dá à descrição um tom de imobilidade
do objeto. Também na descrição não há narrador e sim um observador.

Características da descrição:

 Ausência de progressão temporal;


 Presença de adjetivos e locuções adjetivas;
 Predomínio de verbos de estado;

AN02FREV001/REV 4.0

96
 Emprego de figuras de linguagem: metáfora, prosopopeia, sinestesia,
antítese, etc.;
 Uso de elementos sensoriais: visão, audição, olfato, paladar, tato;
 Emprego de frases nominais (sem verbo).

A descrição pode ser objetiva e subjetiva:

Descrição objetiva: o observador apresenta o tema-núcleo de maneira


impessoal, fazendo a representação fiel do aspecto exterior.
Na maioria das vezes, a descrição aparece misturada a outras modalidades
de texto (narração ou dissertação), caracterizando uma personagem, ressaltando
um pormenor, descrevendo um objeto ou um cenário.

a) Exemplo de texto descritivo:

A moça tinha ombros curvos como os de uma cerzideira. Aprendera em


pequena a cerzir. Ela se realizaria muito mais se se desse ao delicado labor de
restaurar fios, quem sabe se de seda. Ou de luxo: cetim bem brilhoso, um beijo de
almas. Cerzideirinha mosquito. Carregar em costas de formiga um grão de açúcar.
Era ela de leve como uma idiota, só que não o era. Não sabia que era infeliz. É
porque ela acreditava. Em quê? Em vós, mas não é preciso acreditar em alguém ou
em alguma coisa - basta acreditar. Isso lhe dava às vezes estado de graça. Nunca
perdera a fé.
Lispector, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Descrição subjetiva: é aquela em que o observador apresenta o tema-


núcleo de maneira pessoal, empregando a imaginação e demonstrando suas
impressões pessoais.

AN02FREV001/REV 4.0

97
14.1 DESCRIÇÃO DE PESSOA, DE AMBIENTE E DE OBJETO

O objeto da produção de um texto determina o modo de organização que


predomina sobre os demais. A linguagem descritiva exige vida e o relevo do tempo
forte, exato, concreto. Na descrição de pessoa é importante ressaltar as
características físicas e psicológicas, sendo a escolha dessas características a partir
da necessidade que elas podem ser apresentadas dentro de uma história. Na
descrição de um ambiente ou paisagem é necessário animação dos seres vivos e
com a presença do homem, deve ser real e detalhada. Já na descrição de um objeto
é importante lembrar sua cor, formas, contornos e outros detalhes.

14.2 DESCRIÇÃO DE PESSOAS OU A TÉCNICA DO RETRATO

Descrever uma pessoa não é tão simples quanto parece. São inúmeros os
fatores que precisam ser levados em conta quando nos dispomos a fazê-lo.
Entretanto, todo o conjunto de elementos que compõem o perfil de um ser humano
pode ser dividido basicamente em dois grupos: o das características físicas e o das
características psicológicas.
Compreendemos por características físicas a aparência externa, isto é, tudo
o que pode ser observado externamente quando analisamos alguém: a altura, o
peso, a cor da pele, a idade, os cabelos, os traços do rosto, a voz e o modo de se
vestir, isso tudo não é componente físico e sim externo.
Já as características psicológicas são tudo que se associa ao
comportamento da pessoa, ou seja, a personalidade, o temperamento, o caráter, as
preferências. Tudo aquilo que caracteriza seu modo de agir ou ser.
Sabendo levar em conta os detalhes que mais nos impressionam e mais
fielmente podem fornecer um retrato da pessoa, de modo que o leitor do nosso texto
possa visualizá-lo ou reconhecê-lo.

AN02FREV001/REV 4.0

98
Mostraremos um esquema de descrição de pessoas, que tem por finalidade
auxiliá-lo a organizar suas ideias – assim, ele é um ponto de partida para a sua
descrição.

14.2.1 Sequência de descrição

Título:
Introdução: 1° parágrafo – primeira impressão ou abordagem de qualquer
aspecto de caráter geral.

Desenvolvimento: 2° parágrafo – Características físicas: altura, peso, cor


da pele, idade, cabelos, traços do rosto (olhos, nariz, boca), voz e vestuário.
Características psicológicas: personalidade, temperamento, caráter, preferências,
inclinações, postura e objetivos.

Conclusão: 4° parágrafo – Retomada de qualquer outro aspecto de caráter


geral.
Explicaremos detalhadamente a sequência. No primeiro parágrafo, ou seja,
na Introdução, você deve fornecer uma ideia geral da pessoa a ser descrita. Assim,
evite, nesse momento, a referência de pormenores pouco significativos. Comece sua
descrição por um aspecto capaz de apresentar o ser descrito como um todo em
aspecto geral.
Ao iniciar o segundo parágrafo, o desenvolvimento, você descreverá
detalhadamente as características físicas da pessoa em ordem que nos pareça mais
adequada.
Observaremos inicialmente o que está à altura de nossos olhos, ou seja, o
rosto de alguém. Abordando as características físicas, falaríamos inicialmente da
altura e do peso. Não há necessidade de especificar precisamente, faça apenas
referências vagas.

AN02FREV001/REV 4.0

99
Ao se tratar de elementos como cabelos e olhos é bom ressaltar a riqueza
de detalhes. Não só falar da cor, mas especificar outros aspectos além da cor. Pode-
se falar do comprimento, se são ondulados, lisos ou crespos, de sua cor e do brilho,
da forma como estão cortados e penteados. Na descrição dos olhos, é interessante
mencionar, além da cor, seu formato e, dependendo do caso, outros detalhes
complementares, como seus cílios e sobrancelhas, detalhes que contribuem para a
expressividade do rosto. Já os outros elementos que compõem os traços do rosto
não precisam ser descritos com tantos detalhes.
Logo se fala da voz. Tom, entoação e volume. Se a pessoa fala rapidamente
ou de modo mais pausado, em um tom alto ou mais baixo e se tem sotaque
característico de qualquer região.
Em seguida, as roupas, o modo como a pessoa se veste. Devemos
comentar se costuma usar roupas esportivas ou sociais, fazendo referência aos
detalhes mais significativos das vestes. É possível perceber aspectos psicológicos
de acordo com a forma que a pessoa está vestida. Muitas vezes, podemos fazer
uma ideia do que a pessoa pensa ou de como se comporta por meio de suas vestes.
Para analisar as características psicológicas, inicia-se com a personalidade
de alguém, faça comentários sobre a maneira como defende suas ideias se tem
personalidade forte e crítica, ou se é influenciável pelas opiniões dos outros. Se o
comportamento é passivo ou se tem vocação para liderança de algum grupo.
Quanto ao temperamento, observaremos se a pessoa é alegre, expansiva
em suas emoções ou introvertida, calada, se dificilmente deixa transparecer seus
sentimentos e emoções. Com relação ao caráter ressaltam-se suas qualidades ou
defeitos. Aspectos como honestidade, sinceridade, lealdade e solidariedade devem
ser levados em conta.
As preferências são importantes como: músicas, artes, esportes, leituras,
lazer, etc. Sobre suas tendências ou inclinações, diríamos a respeito de algumas
aptidões possíveis de serem observadas. Algumas pessoas demonstram interesse
para atividades artísticas, facilidade em comunicação, e assim por diante.
O próximo item é a postura consigo e com os outros. Observaremos como
ela se vê, enquanto ser que faz parte de um grupo, e como entende que deva ser
sua atuação junto à sociedade a que pertence. O que espera para o futuro e quais

AN02FREV001/REV 4.0

100
são suas metas e projetos. Todos esses fatores demonstram sua visão de mundo e
ideologia.
Ao concluir, encerrar com uma afirmação de caráter geral, como na
introdução.
Veja a seguir um exemplo de descrição de pessoa:

[...] o Major Saulo, de botas e esporas, corpulento, quase um obeso, de


olhos verdes, misterioso, que só com o olhar mandava um boi bravo se ir de castigo,
e que ria, sempre ria – riso grosso, quando irado; riso fino, quando alegre, e riso
mudo, de normal.
(Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976).

15 DISSERTAÇÃO

Consiste na exposição de um assunto, no esclarecimento das verdades que


o envolvem, na discussão da problemática que nele reside, na defesa de princípios,
na tomada de posições.

15.1 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

Uma dissertação geralmente se divide em três partes:

1ª Introdução
2ª Desenvolvimento
3ª Conclusão

AN02FREV001/REV 4.0

101
FIGURA 34

FONTE: Disponível em: <http://dc317.4shared.com/doc/NMhgK-1G/preview.html>.


Acesso em: 8 out. 2011.

15.1.1 A Introdução

A introdução é onde se anuncia o assunto ela encerra toda a exposição. A


introdução é o espaço onde se anuncia, se coloca, se promete, se desperta [...]

(BOA VENTURA, Edvaldo. Como ordenar as ideias. São Paulo: Ática, 1998).

15.1.2 São requisitos básicos para uma introdução

Definir a questão, situando o problema. Vamos trabalhar com o tema


minoria. O termo minoria supõe grupo organizado e, na maior parte dos casos, uma
organização de natureza étnica.
O segundo passo é indicar o caminho a seguir. Assim, as minorias podem
ser definidas por si mesmas, construindo limites (...), e pelos outros, que impõem
sua exclusão de certas áreas da vida social.

AN02FREV001/REV 4.0

102
Indicar o caminho a seguir também é fundamentar o assunto com alguma
teoria, modelo ou raciocínio e fornecer ideias diretrizes. A resposta mais comum a
essa exclusão (que costuma envolver questões de cidadania) é a mobilização. Tais
limites apontam para a formulação de identidades.

15.1.3 O Desenvolvimento

O desenvolvimento é a análise da introdução, por meio da argumentação.


Nessa parte da dissertação, cabe defender a ideia proposta na introdução. Devem
ser apontadas semelhanças de ideias, divergências, devem ser feitas, comparações,
ligações, buscas, enfim, comprovações da ideia inicial.

15.1.4 A Conclusão

O encerramento de uma dissertação deve ser breve e marcante. A


brevidade no concluir exige fórmulas precisas que começam com:

É assim que...
Vê-se por isso que...
Pode-se dizer que...
Em poucas palavras...
Ninguém negará que...
Em suma...
Resumindo tudo...
Somos de opinião...
Em conclusão...
Em resumo...
Em consequência...

AN02FREV001/REV 4.0

103
Não basta que a conclusão tenha os argumentos maciços; é preciso saber
nela plantar o ponto de vista (BOA VENTURA, Edvaldo. Op. Cit. p. 45).

15.1.5 Objetividade e Subjetividade

Ao expor um problema, ao discutir um assunto, você pode agir de duas


maneiras; objetiva e subjetivamente.
Na dissertação objetiva a exposição oral ou escrita supõe o exame crítico de
uma questão. Os assuntos da dissertação situam-se no elevado plano do que
chamamos cultura, ou seja, ciência, técnica, arte, filosofia. A dissertação objetiva
transmite conhecimentos e tem como finalidade instruir e convencer. As ideias são
organizadas em forma de um raciocínio, frequentemente das gerais para as
particulares (como silogismos). Dedutivamente, os posicionamentos devem ser
aceitos por todos ou por uma maioria.
Mais raramente, é utilizado o plano indutivo, em que dos fatos particulares
se chega a conclusões gerais. Sendo a dissertação de caráter universal, abstrato,
científico, devendo a exposição ser impessoal.

15.2 DISSERTAÇÃO SUBJETIVA

O autor externa sua visão pessoal, manifestando o que seria apenas sua
opinião ou suas impressões. Opinião é o modo pessoal de ver e de julgar;
impressão é o fato produzido nos órgãos dos sentidos e na alma pelo mundo
exterior. Manifestando opinião ou impressões, a dissertação se torna subjetiva: a par
dos argumentos e do raciocínio, surgem elementos de ordem psicológica colhidos
na vivência do autor intuitivamente e dispostos de modo criativo, com a finalidade de
conquistar a participação afetiva do leitor. A exposição é, agora, pessoal: o autor
aparece, podendo inclusive empregar-se a primeira pessoa.

AN02FREV001/REV 4.0

104
O verbo na 1ª pessoa, o EU como foco expositivo, dá, normalmente, à
dissertação subjetiva um caráter literário.
Em síntese, diríamos que a dissertação objetiva fala à inteligência do leitor; a
dissertação subjetiva busca, também, sensibilizá-lo, a fim de que ele comungue com
os sentimentos do autor.

15.3 MODELO DE DISSERTAÇÃO

Título:
Introdução:
1° parágrafo = tema + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3.

Desenvolvimento:
2° parágrafo = desenvolvimento do argumento 1.
3° parágrafo = desenvolvimento do argumento 2.
4° parágrafo = desenvolvimento do argumento 3.

Conclusão:
5° parágrafo = expressão inicial + reafirmação do tema + observação final.

O modelo acima será útil para que você possa estruturar satisfatoriamente
os argumentos; garantirá ainda organização e coerência à sua composição.
Observando essas orientações, você usará o número de parágrafos adequado,
certificando-se de que cada um deles corresponda a uma nova ideia e de que,
sobretudo, os diferentes parágrafos evidenciem as partes componentes de sua
dissertação.
Esse é apenas um modelo, no entanto é o mais geral e pode ser usado para
desenvolver qualquer tema dissertativo.

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105
15.4 A ABORDAGEM DE TEMAS POLÊMICOS

Entendemos por tema polêmico aquele que costuma dividir as opiniões de


tal modo que dificilmente conseguimos chegar a um posicionamento capaz de
satisfazer a grande maioria das pessoas. Exemplos como a pena de morte, o aborto,
eutanásia e outros.

Não fuja ao tema

O tema sugere uma dissertação sobre a economia mundial, mas você insiste
em escrever algumas linhas sobre seu time do coração. Quando a redação possui
um tema, o examinador espera que escreva sobre esse tema. Fugir do tema é zero
na redação, e consequentemente um adeus a sua vaga na faculdade, por melhor
que tenha sido seu desempenho na prova.
O examinador não espera que você seja um perito em economia mundial,
muito menos que saiba todos os detalhes sobre o processo de reestruturação
econômica dos países subdesenvolvidos.
O examinador quer saber se você consegue se expressar de forma
compreensível e eficiente por meio de uma folha de papel, é claro que, sempre
focalizado no tema.
Geralmente os temas abordados são relativos ao cotidiano e não necessitam
de nenhum conhecimento específico para serem desenvolvidos. Dificilmente você
encontrará grandes dificuldades em fazer uma redação por ter pouca ciência a
respeito do tema.
Portanto, mesmo que você tenha pouco conhecimento sobre o assunto, não
tente enganar o examinador se desviando do tema pedido e direcionando sua
redação para assuntos com os quais você se sinta confortável. Lembre-se: Fugir ao
tema é zero na redação, não importa o quão bem escrita ela esteja.

FONTE: Disponível em: <http://textoredacao.blogspot.com/2011/07/redacao-nao-fuja-ao-tema.html>.


Acesso em: 8 out. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

106
Exercícios

1- Para que possa treinar um pouco, citaremos alguns temas polêmicos:

a. O alto índice de criminalidade, em nossos dias, deve-se basicamente às


péssimas condições de vida da maioria dos brasileiros.
b. A atuação da Igreja Católica junto à comunidade deveria visar
exclusivamente à evangelização do povo, ajudando-o a encontrar os
valores espirituais da fé cristã.
c. Muitos acreditam que a televisão deixa de desempenhar um papel
educativo na difusão de arte e da cultura nacionais.
d. Alguns acreditam que o sistema de governo parlamentarista só pode ser
implantado em países onde existem partidas políticos com plataformas
bem-definidas e características diferenciadas.

Escolha um dos temas polêmicos mencionados e elabore uma redação,


procurando analisar seus aspectos favoráveis e contrários. Cite um título adequado.

2- (Enem-MEC)

O que é o que é
“(...)
Viver
E não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei
Que a vida deveria ser bem melhor
E será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita(...)”
Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha).

AN02FREV001/REV 4.0

107
Redija um texto dissertativo, sobre o tema “Viver e Aprender”, no qual você
exponha suas ideias de forma culta da língua, sem se remeter a nenhuma
expressão do texto motivador. “O que é o que é”. Dê um título a sua redação.

16 TÉCNICAS DE REDAÇÃO

Esse aspecto é um dos mais importantes, principalmente no julgamento de


um trabalho escrito. Na verdade, a apresentação é um elemento estético que se
manifesta em quase todos os momentos de nossa vida. Da mesma forma que nós
precisamos de uma boa aparência, pois a nossa imagem pode ser motivo de críticas
em um determinado meio social.
Isso acontece também com uma redação. O primeiro contato do corretor –
(examinador) com uma redação é feito por meio da clareza e da limpeza do texto
apresentado. Lembre-se em todos os momentos de que a primeira impressão pode
ser definitiva. Um corretor que se depara com uma redação incompreensível pelos
“garranchos” em forma de palavras não terá, certamente, boa vontade no momento
da correção.
Não é preciso, que o aluno possua uma letra caligráfica perfeita, porém ela
deve ser “legível”.
Evite as rasuras e os borrões, pois existe muita subjetividade na atribuição
da nota final e o professor, com certeza, ficará mal impressionado, com uma
redação toda rasurada. Para modificações, existe uma redação preliminar chamada
“rascunho”, que você poderá usar convenientemente.
A distribuição dos períodos em uma folha de papel deve ser centralizada e
homogênea. Existem as margens da folha e elas devem eliminar rigorosamente o
espaço utilizável.
Existem dois tipos de letras: letras tipográficas e letras caligráficas. Nas
redações, o aluno deve utilizar-se de letras caligráficas (de próprio punho ou
cursivas).

AN02FREV001/REV 4.0

108
Além disso, evite:

 Letra muito grande;


 Letra demasiadamente pequena;
 “Bolinhas” no “i” ou no “j” (no lugar de pingos);
 Acentos demasiadamente grandes ou pequenos.

16.1 TEMPO DE DURAÇÃO E EXTENSÃO DO TEXTO

Nas provas de redação, você deve ter a maleabilidade e a versatilidade


necessárias para se adaptar às normas de tempo e quantidade de linhas exigidas,
que variam de lugar para lugar.
Normalmente, você deverá fazer uma redação baseando-se num texto dado.
Sendo assim é importante que você entenda bem a mensagem do texto para que
possa fazer seu trabalho sem fugir da temática exposta no texto ou sugerida pelo
título dado.
Poderíamos argumentar que isso limitaria a criatividade do aluno, mas não
podemos esquecer que, quando fazemos um concurso ou exame, devemos adaptar-
nos às exigências ou regras do examinador.
É justamente na padronização do tema e na quantidade de linhas que você
poderá mostrar sua criatividade e versatilidade. Você sabe que seu trabalho será
julgado por outras pessoas e, portanto, deve adaptar-se às normas estabelecidas
pela comissão organizadora dos exames.
Desenvolva o seu texto dentro dos limites solicitados. Qualquer exagero,
mesmo aquele repleto de boas intenções, resultará em pontos negativos na nota
final de seu trabalho. Quem escreve muitas linhas, a não ser que possua grande
vivência de linguagem escrita, geralmente repete ideias (o que chamamos
vulgarmente de “encher linguiça”). É importante que você não se alongue em sua
redação para não atrair a antipatia do corretor. Existe, ainda, o fator tempo, que é
fundamental para você que vai prestar exames.

AN02FREV001/REV 4.0

109
16.2 ORDEM DE RESOLUÇÃO DA PROVA DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

Em geral, uma prova de Português deverá ter questões de Gramática e de


Literatura, e redação. Uma prova de Português que pretenda ser completa é claro.
Quem vai redigir não pode estar preocupado com o relógio. Resolvidos os casos
gerais de Gramática e de Literatura, o aluno deverá encontrar todo um tempo à sua
disposição, para, com mais tranquilidade, dedicar-se à tarefa da redação. Portanto,
em qualquer exame de Português, ele atacará primeiro as questões de Gramática e
de Literatura. A redação deve ficar para o fim.

16.3 PARTES DE UMA REDAÇÃO

Os grandes escritores possuem tal convívio e domínio da linguagem escrita


como maneira de manifestação que não se preocupam mais em determinar as
partes do texto que estão produzindo. A lógica de estruturação do texto vai
determinando, simultaneamente, a distribuição das partes do texto, que deve conter
começo, meio e fim.
O aluno, todavia, não possui muito domínio das palavras ou orações;
portanto, torna-se fundamental um cuidado especial para compor a redação em
partes fundamentais. Alguns professores costumam determinar em seus manuais de
redação outra nomenclatura para as três partes vitais de um texto escrito. Ao invés
de começo, meio e fim, elas recebem os nomes de introdução, desenvolvimento e
conclusão ou, ainda, início, desenvolvimento e fecho.

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110
16.4 AVALIAÇÃO DA REDAÇÃO

A redação vale, no vestibular, 50, 100, 200 pontos ou mais, dependendo da


área a que o aluno se destine. No exame de Letras ou Direito, é claro, o peso será
maior que no de Engenharia ou Medicina: Assim tem sido na prática, embora o
critério seja discutível para aqueles que acham que a redação deve ter equivalente
importância, independente de cursos ou áreas.
O professor, responsável de lhe dar nota, deverá apreciá-la sob aspectos
principais: conteúdo, forma e correção sofrível. É possível até que uma redação,
embora excelente no conteúdo ou na forma, seja bastante desfavorecida por motivo
de erro grave de concordância... Os critérios de atribuição de nota variam de
professor para professor, de colégio para colégio, de faculdade para faculdade. Uns
são mais rigorosos no que diz respeito à correção, e outros atentam mais ao
conteúdo. Há quem dê valor todo especial à forma. Acreditamos, no entanto, que o
ideal é o critério que considera, num julgamento mais harmonioso, os três elementos
– conteúdo, forma e correção. Eles podem ser organizados da seguinte forma:

Quanto ao conteúdo:
1. O toque pessoal de enfoque;
2. O número de ideias expostas;
3. A ligação lógica entre elas;
4. A observação dos fatos da atualidade;
5. A dialética da exposição.

Quanto ao estilo:
1. A concisão, a clareza e a precisão;
2. A variedade das formas de língua;
3. A fluência das frases;
4. O domínio e riqueza do vocabulário;
5. O toque criativo.

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111
Quanto à gramática:

A correção quanto ao emprego da:


1. Acentuação gráfica;
2. Ortografia das palavras;
3. Crase;
4. Pontuação;
5. Concordância pronominal;
6. Conjunção verbal;
7. Sintaxe de concordância (verbal e nominal);
8. Sintaxe de regência;
9. Sintaxe de colocação pronominal.

Os critérios estabelecidos sejam eles de qualquer espécie, são variáveis,


como já dissemos, de corretor para corretor, em virtude de seu temperamento, de
sua concepção própria sobre a comunicação escrita e outros fatores. Isso nos faz
pensar no elemento Subjetividade na correção das redações.
As pessoas que criticam a inclusão das redações nos exames vestibulares
têm no aspecto subjetividade do corretor a sua mais forte argumentação para provar
possibilidades de injustiça no resultado final. Apesar disso, acreditamos que, embora
reconhecendo a subjetividade como o fator de desarmonia no julgamento das
provas, é possível alcançar-se uma nota com base, na sua quase totalidade, em
aspectos mais objetivos.
Com relação a essa pretensa injustiça de que pode ser vítima o aluno, você
não deve se envolver. Faça a sua redação da melhor maneira possível. O que
acontecer no julgamento não é problema a ser pensando antes da elaboração do
texto.

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112
16.5 O CONTEÚDO

Espera-se que exista uma média de conhecimentos considerados razoáveis


para uma pessoa que pretende tornar-se universitária.
É ideal ter contato com bons livros, de preferência os que discutam os
assuntos mais atuais, mas leitura exige tempo, exige tranquilidade. Os alunos, às
voltas com teoremas matemáticos, com leis físicas ou com as reações químicas,
amedrontados com a carranca do vestibular, não dispõem de tempo e nem mesmo
de condições psicológicas para uma leitura atenta e proveitosa. Resta-nos, daí, uma
saída – os jornais, as revistas e alguns bons programas de TV.

* Não seja extremista ou radical

Por serem mais agressivos em seu temperamento, por terem desenvolvido


certas neuroses ou frustrações durante a sua vida, certos alunos quando chamados
a desenvolver uma redação sobre um tema polêmico como política, religião, moral,
esporte, passam a definições ou argumentações violentas e comprometedoras.

* Atente-se com a força dos vocábulos

Existem profundas diferenças entre a linguagem falada e a linguagem


escrita. Às vezes, uma palavra utilizada na expressão escrita adquire uma força
negativa acentuada.

* A repetição de ideias

Por vezes, o candidato vê-se vazio de ideias. Após imenso esforço mental,
aparecem-lhe algumas, surradas e insuficientes ideias para preencher as linhas
exigidas. Que faz ele? Recurso muito usado é escrever em letras bem maiores ou
deixar espaço grande entre as palavras. Nada disso, porém, passará despercebido
ao corretor. Estratégia mais comum é a repetição de ideias ou insistência em

AN02FREV001/REV 4.0

113
pormenores de pouca importância, anteriormente expressos. Esses recursos são
condenáveis. Não passam de maneiras veladas de disfarçar a incapacidade para
enfrentar o tema. Não desconhecemos, no entanto, que muitos alunos poderão
encontrar-se em situações semelhantes. É claro que, nesse caso excepcional, ele
deve apelar para a repetição, desde que feita de maneira habilidosa. É preferível
insistir numa ideia nova, a entregar a prova em branco, ou apresentar algumas
poucas linhas, bem abaixo do limite exigido.

* A Forma

Compreende-se como forma de um texto o conjunto de recursos que vão


determinar a parte externa, a “roupagem” desse mesmo texto. Alguns professores
preferem usar a palavra ESTILO para determinar essa importante parte da redação.
Outros preferem inserir a maneira pessoal, a característica própria de cada um
escrever, o estilo, dentro da forma, que seria esse caso mais genérico, envolvendo
outros elementos mais.
Poderíamos, por outro lado, dizer que a forma de um texto é a adequação:
estilo + correção gramatical + adequação da linguagem.
Para adquirir um estilo pessoal e atraente, o aluno precisaria, além da
tendência inata, de um convívio estreito e constante com a linguagem.
As pessoas que mantêm uma leitura diária assistem a bons programas na
televisão, conversam com pessoas cultas, esclarecidas e bem-informadas, possuem,
sem dúvida, mais elementos para escrever com desenvoltura e precisão.

*Alguns Componentes da Forma

- Simplicidade: Alguns pensam que utilizando palavras difíceis e rebuscadas


conseguirão “impressionar” os corretores. Enganam-se, pois as palavras devem
manter um nível de simplicidade. O rebuscamento na utilização dos vocábulos só
contribui para a confusão dos períodos.

AN02FREV001/REV 4.0

114
- Clareza: A elaboração dos períodos muito longos produz dois defeitos
graves. Primeiro, o leitor se cansa do texto e não compreende bem as mensagens
nele contidas. Segundo, as ideias misturam-se exageradamente. Elabore períodos
curtos. É preferível abusar do ponto final a construir períodos extensos.

FIGURA 35

FONTE: Disponível em: <http://textoredacao.blogspot.com/2011/02/clareza-de-um-texto.html>.


Acesso em: 8 out. 2011.

- Precisão: Certifique-se do significado correto das palavras que vai utilizar


em determinado período e verifique se existe adequação desse significado com as
ideias expostas. A vulgaridade de termos ou impropriedade de sentido empobrece
bastante um texto.

- Concisão: Ser conciso ao elaborar um texto significa usar as palavras com


economia, com critério. Quanto mais você transmitir, usando palavras, mais concisa
será a redação.

- Originalidade: o uso excessivo de certas figuras de linguagem, certos


provérbios, acarreta o empobrecimento da redação. Como tudo que existe, as
palavras também se desgastam. É preciso criar novas figuras para expor essas
ideias. Dizer que “a namorada é uma flor”, ou que o “filho de peixe, peixinho é”, não

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115
realça a redação de ninguém. Use a imaginação para não precisar desses “chavões”
antigos e pobres.

Defeitos gravíssimos da forma:

 Períodos muito longos;


 Repetição desnecessária de palavras;
 Frases confusas, desconexas e ilógicas;
 Palavras vulgares e gírias;
 Chavões, palavras desgastadas pelo uso constante;
 Eco (Ex.: “Vicente frequentemente está contente”);
 Hiato (Ex.: “vai a Ana à aula”);
 Cacofonia (Ex.: “Meu coração por ti gela”);
 Colisão (Ex.: “Se cedo você se sentasse, cansar-se-ia menos”).

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116
Um dos piores erros que os candidatos podem cometer em uma prova de
redação é a extrema preocupação com a forma, com a gramática.
Já faz tempo que o segredo de escrever uma boa redação deixou de ser
o fato de não errar a gramática. Na opinião de especialistas, acima de tudo, uma
boa redação de vestibular – que nada mais é do que um teste para averiguar a
capacidade do estudante em opinar e refletir – deve conter argumentação bem
colocada e bem fundamentada.
Para se sair bem em sua "defesa", os especialistas dizem que os
candidatos não devem ficar "em cima do muro" (ora a favor, ora contra o tema),
tampouco comprar opiniões do senso comum. Se o candidato não estiver certo
do que está dizendo e não expuser razões para pensar daquela forma o texto fica
vazio. O texto tem que ter posicionamento, se for exclusivamente informativo não
é bom. Aliás, não dá nem para começar a escrever um texto se não tiver uma
opinião. Um texto sem opinião não existe.
Para entender melhor por que os especialistas defendem essa ideia é
fácil: imagine que as drogas acabaram de ser legalizadas pelo governo. Segundo
os especialistas, se as pessoas abrem o jornal e procuram um artigo sobre a
questão e encontram um texto sem nenhuma argumentação ou opinião, elas não
refletirão, além de chato de ler. Para eles, aquilo que o leitor espera de um
articulista é o mesmo que um examinador de vestibular espera de um futuro
universitário (especialmente se for de universidade pública): opinião e reflexão.
Para seu texto causar impacto, porém, a opinião deve estar muito clara.
Por isso, a construção da redação deve valorizar seus argumentos. A ordem é
apostar na organização da estrutura textual para não perder o fio da meada.
Organizar as informações é o segredo para fazer que a opinião apareça.

FONTE: FORMA (com adaptações). Disponível em: <http://textoredacao.blogspot.com/2011/07/dicas-


para-arrasar-na-redacao-do.html>. Acesso em: 8 out. 2011.

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117
17 A CORREÇÃO GRAMATICAL

Todo o aluno que se preza acompanha com muito interesse e atenção as


aulas de gramática da escola que frequenta. Afinal, é a partir do estudo da
morfologia, da sintaxe, da semântica que alguém domina o “código” necessário para
sua expressão escrita ou falada.
Embora todos os itens gramaticais sejam igualmente importantes uma
redação correta ressalta-se certos aspectos. Como o cuidado com:

• Concordância nominal;
• Concordância verbal;
• Partícula se;
• Regência verbal;
• Colocação pronominal;
• Imperativos;
• Ortografia;
• Crase;
• Acentuação gráfica;
• Pontuação.

18 LINGUAGEM TÉCNICA

A correspondência é o diálogo escrito entre as pessoas ou entidades.


Classificação da correspondência:

a) Oficial – serve-se dela a Administração Pública.


b) Comercial – serve-se dela o Comércio e a Indústria.

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118
c) Bancária – derivada da comercial simplificou-se pelo emprego de
numerosos formulários, possíveis porque os bancos trabalham com uma
só mercadoria: o dinheiro.
d) Particular – serve a qualquer pessoa, desvinculada de toda formalidade
administrativa.

Os documentos e papéis da correspondência constituem o expediente das


empresas, que deve ser registrado em livro próprio, a que se chama a protocolo.
A nossa vida moderna não pode existir sem o papel, é o papel que
representa os documentos. Nem poderia haver o grande avanço da ciência sem o
sustentáculo do papel. O papel guarda todo o nosso saber, todas as nossas provas.
A movimentação dos papéis na administração pública ou nas empresas particulares
recebe o nome de burocracia. Burocracia essa importante, principalmente para o
profissional burocrata no qual depende nossa vida. Portanto, é um trabalho sério que
deve ser executado sem erros e sem omissão da verdade, evitando também demora
desnecessária, para não prejudicar os interessados.

18.1 PROCESSO DE CORRESPONDÊNCIA

O processo da correspondência varia entre as empresas, dificultando a


aprendizagem. A correspondência oficial é regulada por decretos ou portarias, que
também constituem documentos oficiais de correspondência.

19 RESUMO

Resumo é uma síntese das ideias, fatos e argumentos contidos num texto.
Para fazê-lo você deverá empregar suas próprias palavras, evitando, na medida do
possível, fazer cópias do texto original. Aprender a resumir vai auxiliá-lo bastante na
redação de textos dissertativos, na seleção de informações e no estudo de várias

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119
disciplinas. Quem resume aprende a relacionar as ideias principais e entender com
clareza o assunto de que se trata e a mensagem ou solução que o autor busca
transmitir. No resumo aprende-se a distinguir o sentido próprio (lógico, denotativo e
científico) das palavras, do significado figurado (psicológico, conotativo e artístico)
que os vocábulos assumem no texto literário. E não apenas o estudante precisa
fazer resumos; muitos profissionais, que têm na leitura as fontes principais de
informação, devem ter adquirido facilidade para sintetizar o que se expõe em textos
amplos.

Para fazer um resumo você deverá seguir alguns procedimentos básicos:

 Ler o texto sem interrupções para ter uma noção geral do que o autor
pretende expressar;
 Reler, de preferência, o primeiro e o último parágrafo, para descobrir a
ideia central do texto. Sublinhe o que você achar mais importante;
 Ler, com bastante atenção, parágrafo por parágrafo, procurando a ideia
básica de cada um. Escreva com suas próprias palavras o que você
achou fundamental, tentando eliminar os adjetivos e outras expressões
que julgar desnecessárias para a compreensão global do texto;
 Redigir o resumo a partir das frases que escreveu sobre cada parágrafo.
Procure relacionar as ideias, não fazendo uma simples enumeração.

19.1 PREPARAÇÃO DO RESUMO

a) Numa dissertação, os parágrafos marcam as partes da estrutura do


raciocínio geral; além disso, cada parágrafo inclui parte da doutrina (tópico frasal) e
o desenvolvimento (exemplos e explicações). Por essa razão, podemos fazer o
resumo de cada parágrafo e um resumo do nosso próprio resumo, a fim de
encontrarmos a maneira mais econômica e concisa de expressão.

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120
b) Após o resumo dos parágrafos, leiamos a sequência dos resumos, para
ajustar a linguagem de acordo com o esquema geral das ideias.

c) Não devemos opinar, pois estamos fazendo apenas um resumo e não um


comentário ou uma interpretação.

d) O bom resumo deve conservar os traços do estilo do texto original, como


por exemplo, nível de linguagem, ironia, humor, etc.

e) A extensão de um resumo é estabelecida pelo professor ou examinador.


Normalmente, deve ter de 10 a 15 por cento da extensão do texto original.

20 RESENHA CRÍTICA

Resenhas são resumos de trabalho científico, literário ou artístico, que


apresentam também a opinião do autor. Quando você deseja ir ao cinema, ao teatro
ou assistir a um show, pode ler uma resenha crítica para obter mais informações e
saber a opinião de outras pessoas sobre o filme, a peça ou o espetáculo em
questão.
A resenha tem como intuito conter um resumo das informações e o ponto de
vista do autor com a devida argumentação.

I. Objetivos da resenha crítica

A resenha crítica é uma leitura analítica e tem como objetivo:


 Exercitar o ato de pensar.
 Desenvolver o pensamento reflexivo e a compreensão.
 Estimular a independência intelectual e a interpretação crítica.
 Fortalecer a liberdade de pensar e de julgar.

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121
II. Etapas de uma resenha crítica

Para elaborar uma resenha crítica, deve o estudioso estar imbuído de que é
necessário acrescentar ao resumo e ao conhecimento da obra um julgamento.

As etapas da resenha são:

 Análise textual: é a leitura da obra. Para se realizar, com proveito, essa


leitura, é preciso que o leitor tenha: curiosidade, interesse, reflexão,
atenção, concentração e persistência.

 Análise temática: é o momento de “conhecer” o assunto. É preciso


apreender o sentido do texto, as ideias principais, os detalhes mais
importantes. Rever as anotações e confrontá-las com o texto. Qual a
posição do autor? O que ele defende?

 Análise interpretativa: é o momento de confrontar os pontos de vista do


autor com os próprios. Colocar as ideias principais em sequência. Levar
em conta o alcance, a validade e a contribuição das ideias do autor.
Resumir essas ideias.

 Problematização: é necessário nesse momento que se discuta em grupo


ou com alguém as ideias do autor. É o confronto de ideias, sem perder a
fidelidade ao autor. Retorna-se o texto e faz-se levantamento dos
problemas, dos argumentos, da forma ou estilo.

 Síntese final e pessoal: é a composição e a fusão do pensamento do


autor e da mensagem da obra. É a reelaboração pessoal da mensagem.
Aqui, nosso pensamento se vê influenciado por tendências,
conhecimentos e experiências.

 Conclusão: De cunho pessoal. É o fechamento do trabalho.

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122
III. Exigências da resenha crítica

Para se elaborar uma resenha crítica alguns passos são obrigatórios, tais
como:

 Leitura da obra – global e parcial.


 Conhecimento do assunto.
 Capacidade de juízo crítico.
 Independência de juízo.
 Correção e fidelidade do pensamento do autor.

IV. Estrutura da resenha crítica

Necessariamente não existe uma forma fixa para a resenha crítica, mas o
professor Ângelo Domingos Salvador em sua obra “Métodos e Técnicas de Pesquisa
Bibliográfica” recomenda que os iniciantes em elaborar resenhas se utilizem de um
modelo básico para maior segurança e eficácia.

 Descrição bibliográfica: indicar os elementos da referência bibliográfica


que identifique o autor, o título, editor.

 Conhecimento: demonstrar conhecimento e resumir as principais ideias


do autor com termos próprios.

 Compreensão: consiste na capacidade de expressar as principais ideias


do autor com termos próprios.

 Aplicação do assunto: consiste em situar a obra e o autor dentro de um


determinado contexto histórico, político, filosófico, social.

 Análise: consiste em decompor o assunto em suas partes essenciais.

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123
 Síntese: determina a tese ou a mensagem defendida pelo autor da obra.

 Apreciação: é o momento do julgamento. Julga-se o conteúdo, a


organização das ideias, o método.

 Criatividade: em face dos conhecimentos adquiridos ou da mensagem


recebida, como agir? Como pensar? Que novas ideias o conhecimento da
obra proporcionou?

Como se viu, por este roteiro, o pensamento reflexivo deve ser uma
constante em nossas vidas para uma boa formação do espírito crítico e criativo
conduzindo-nos a um sólido crescimento intelectual.

21 ATAS

Secretariar uma reunião é muito mais do que tomar notas e posteriormente


preparar e distribuir a ata. O secretário ou a secretária designada precisa exercitar a
sua voz ativa, pois pode e deve assumir a responsabilidade de registrar quem está
presente, controlar o horário de início e término, solicitar que pontos expostos sem
clareza suficiente sejam adequadamente reexpostos ainda durante a reunião,
acompanhar as questões não concluídas ao longo da reunião, sumarizando-as antes
do encerramento e propondo que se delibere a respeito delas, e muitos outros
papéis de grande importância operacional para a reunião.
O essencial é lembrar que a ata não é uma transcrição de tudo o que foi
falado, mas sim um documento que registra de forma resumida e clara as
deliberações, resoluções e demais ocorrências de uma reunião ou outro evento.
Após assinada pelo secretário e por todos os presentes, a ata constitui prova de que
houve a reunião, das decisões nela tomadas, e das manifestações de todos os
participantes.

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124
Devido a ter como requisito não permitir que haja qualquer modificação
posterior, o seu formato renuncia a quebras de linha eletivas, espaçamentos
verticais e paragrafação, ocupando virtualmente todo o espaço disponível na página
e reduzindo sua legibilidade, sob o ponto de vista tipográfico.

As características básicas da formatação de atas são:

 Texto completamente contínuo, sem parágrafos ou listas de itens – ou


seja, reduzido como se o texto inteiro fosse um único e longo parágrafo;
 Números, valores, datas e outras expressões sempre representadas por
extenso;
 Sem emprego de abreviaturas ou siglas;
 Sem emendas, rasuras ou uso de corretivo;
 Todos os verbos descritivos de ações da reunião usados no pretérito
perfeito do indicativo (disse, declarou, decidiu, etc.);

Caso a ata esteja sendo registrada diretamente em livro de atas manuscrito,


os confortos da edição do texto não estarão disponíveis. Neste caso, se houver erro
do Secretário, o mesmo deverá ser imediatamente corrigido sem rasurar ou
emendar, mas sim usando o “digo”, como no exemplo: “(…) O diretor propôs adquirir
imediatamente vinte mil, digo, trinta mil unidades de matéria-prima (…)”. Caso
perceba-se o erro apenas ao final da composição da ata, mas antes que a mesma
seja assinada, pode-se retificar no término do texto, como no exemplo: “Em tempo:
onde consta ‘vinte mil unidades de matéria-prima’, leia-se ‘trinta mil unidades de
matéria-prima’”.

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125
Modelo de ata de reunião

Ata da reunião extraordinária para aprovação de despesa imprevista, realizada


pela diretoria colegiada e conselho fiscal da Empresa X em nove de março de
dois mil e oito, no gabinete da Direção-Geral da empresa, em seu edifício-sede
situado em Marília – São Paulo. A reunião foi presidida pelo Diretor-Financeiro,
José Luz da Rocha, secretariada por Antônio Meira e contou com a presença do
Diretor de Recursos Humanos, Marcelo Firmino, do Diretor de Operações, Afonso
Quezada, e de todos os integrantes do Conselho Fiscal da empresa, à exceção
do Sr. Rogério Meira, cuja ausência foi previamente justificada. Inicialmente foi
lida e aprovada a ata da reunião anterior, à exceção da seguinte ressalva: onde
constou ‘vinte mil unidades de matéria-prima’, leia-se ‘trinta mil unidades de
matéria-prima’. Em seguida, o Diretor-Financeiro solicitou ao Diretor de
Operações que apresentasse suas estimativas de necessidade de realização de
serviço extraordinário nas unidades fabris do estado do Paraná para o próximo
trimestre, sendo atendido na forma de uma apresentação audiovisual que definiu
os motivos para a realização de sete mil e duzentas horas extras por um total de
mil e duzentos funcionários no período. Os aspectos relacionados com a
legislação trabalhista foram integralmente aprovados pelo Diretor de Recursos
Humanos, e colocou-se em votação aberta junto ao conselho fiscal a
disponibilização dos recursos para pagamento desta despesa não incluída no
Plano Plurianual da Empresa X, resultando em aprovação unânime e imediata
autorização de desembolso concedida ao Diretor-Financeiro. O Conselheiro
Aníbal Pinheiro propôs a recomendação de que uma metodologia para estimativa
de realização de serviço extraordinário seja incorporada a futuros planos
plurianuais, tendo a moção sido aprovada por todos os presentes, e
imediatamente incluída na pauta da próxima reunião ordinária da Diretoria
Financeira. Nada mais havendo a tratar, foi lavrada por mim, Antônio Meira, a
presente ata, assinada por todos os presentes acima nominados e referenciados.

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126
Nota-se que a ata acima não é um texto complexo de redigir, embora seja
pouco legível devido à ausência de parágrafos. Secretariar a reunião, entretanto,
exige destreza para acompanhar a discussão ao mesmo tempo em que se tomam
notas suficientemente detalhadas.

22 POEMA

É um texto geralmente escrito em verso, com uma distribuição espacial


particular. As linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão relevância aos
espaços em branco; o texto emerge da página com um contorno especial que nos
prepara para sermos introduzidos nos misteriosos labirintos da linguagem figurada.
Pede uma leitura em voz alta, para captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa
de abordagem que pretende extrair a significação dos recursos estilísticos
empregados pelo poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, sua emoções,
sua versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo, relatar
epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apresentar
ensinamentos morais (como nas fábulas).
Os versos são a unidade rítmica constituída por uma série métrica de sílabas
fônicas. Para medir o verso, devemos atender unicamente a distância sonora das
sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas diferenças das sílabas ortográficas.
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos, pois existem
versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequente na poesia moderna).
A rima consiste na coincidência total ou parcial dos últimos fonemas do
verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coincidência total de vogais e
consoantes a partir da última vogal acentuada) e a assonante (coincidência
unicamente das vogais a partir da última vogal acentuada). A métrica mais frequente
dos versos vai desde duas até dezesseis sílabas. Os versos monossílabos não
existem, já que, pelo acento, são considerados dissílabos.

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127
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas diferentes
combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à progressão temática
do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade informativa vinculada ao tema
central. Veja os exemplos:

O poeta e a poesia
“Não é o poeta que cria a poesia.
E sim, a poesia que condiciona o poeta.

Poeta é a sensibilidade acima do vulgar.


Poeta é o operário, o artífice da palavra.
E com ela compõe a ourivesaria de um verso.

Poeta, não somente o que escreve.


É aquele que sente a poesia,
Se extasia sensível ao achado
De uma rima, à autenticidade de um verso.

Poeta é ser ambicioso, insatisfeito,


Procurando no jogo das palavras,
No imprevisto do texto, atingir a perfeição
[inalcançável.
O autêntico sabe que jamais
Chegará ao prêmio Nobel.
O medíocre se acredita sempre perto dele.

Alguns vêm a mim.


Querem a palavra, o incentivo, a apreciação.
Que dizer a um jovem ansioso na sede precoce
[de lançar um livro...

Tão pobre ainda a sua bagagem cultural,


Tão restrito seu vocabulário,
Enxugando lágrimas que não chorou,
Dores que não sentiu,
Sofrimentos imaginários que não experimentou.”

CORALINA, Cora. Vintém de cobre, meias confissões de Aninha.


São Paulo: Global, 1991.

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128
23 POESIA

FIGURA 36

FONTE: Disponível em: <http://www.jornallivre.com.br/82236/qual-a-definicao-de-poema.html>.


Acesso em: 7 out. 2011.

“Arte de compor e escrever em versos” (HOUAISS, 2009, p. 586).

A poesia é a expressão do «eu» por meio de palavras polivalentes e


metáforas. A linguagem da poesia é essencialmente conotativa. Isso significa que a
palavra poética pode reduzir-se a seus componentes primários (os sons), a suas
relações sinestésicas (a cor, o perfume, a musicalidade, a forma) ou a significações
irracionais, mágicas, oníricas, delirantes, extravagantes, etc., ou pode ganhar
«precisão», próxima da linguagem filosófica.
A poesia tem um caráter imaterial e transcendente.

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129
24 TEXTOS LITERÁRIOS

São textos que privilegiam a mensagem pela própria mensagem. Neles,


interessa primordialmente como se combinam de acordo com padrões estéticos. Os
diferentes elementos da língua dão uma impressão de beleza.
São textos opacos, não explícitos, com muitos vazios ou espaços em
branco, indeterminados. O leitor deve unir todas as peças do jogo: a trama, os
personagens e a linguagem; têm de preencher a informação que falta para construir
o sentido, exigindo que o leitor compartilhe do jogo da imaginação para captar o
sentido de coisas não ditas, de ações inexplicáveis, de sentimentos não expressos.

FIM DO MÓDULO III

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130
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação

CURSO DE
REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

129
CURSO DE
REDAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO

MÓDULO IV

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do
mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são
dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0

130
MÓDULO IV

25 REDAÇÃO OFICIAL: PRINCÍPIOS E NORMAS

25.1 O QUE É REDAÇÃO OFICIAL?

FIGURA 37

FONTE: Disponível em: <http://office.microsoft.com/pt-br/images/educacao-


CM079001901.aspx?qu=comunica%C3%A7%C3%A3o&Download=MC900155881&ext=WMF&AxInst
alled=1&c=0#>. >. Acesso em: 8 out. 2011.

Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o
Poder Público redige atos normativos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do
ponto de vista do Poder Executivo.
Conforme o Manual de Redação da Presidência da República, a redação
oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem,
clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos
decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: "A administração pública direta,
indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência (...)". Sendo a publicidade e a impessoalidade
princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem
igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.

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133
Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de
forma confusa, que dificulte ou impossibilite sua compreensão. A transparência do
sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são requisitos do próprio
Estado de Direito: é inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos
cidadãos. A divulgação implica, pois, necessariamente, clareza e concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a forma dos atos normativos
obedece a certa tradição. Há normas para sua elaboração que remontam ao período
de nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade – estabelecida por
decreto imperial de 10 de dezembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses
atos, o número de anos transcorridos desde a Independência. Essa prática foi
mantida no período republicano.
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão
e uso de linguagem formal) aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem
sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais e uniformes,
o que exige o uso de certo nível de linguagem.
Nessa definição, fica claro também que as comunicações oficiais são
necessariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o Serviço
Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso
de expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou
instituições tratados de forma homogênea (o público).
Outros procedimentos rotineiros na redação de comunicações oficiais foram
incorporados ao longo do tempo, como as formas de tratamento e de cortesia, certos
clichês de redação, a estrutura dos expedientes, etc. Mencione-se, por exemplo, a
fixação dos fechos para comunicações oficiais, regulados pela Portaria no 1 do
Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937, que, após mais de meio século
de vigência, foi revogado pelo Decreto que aprovou a primeira edição do Manual.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se buscou fazer das
características específicas da forma oficial de redigir não deve ensejar o
entendimento de que se proponha a criação – ou se aceite a existência – de uma
forma específica de linguagem administrativa, o que coloquialmente e
pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma distorção do que deve ser a
redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês do jargão
burocrático e de formas arcaicas de construção de frases.

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134
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida e infensa à
evolução da língua. É que sua finalidade básica – comunicar com impessoalidade e
máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira
diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência particular, etc.
Apresentadas essas características fundamentais da redação oficial,
passemos à análise pormenorizada de cada uma delas.

25.2 REGRAS DE LINGUAGEM

Texto no padrão oficial:

 Impessoalidade

Evite marcas de impressões pessoais do tipo “na minha opinião” ou “e aí,


como é que vai?”

 Clareza

Princípio que consiste na habilidade de transpor com exatidão uma ideia ou


pensamento para o papel. Mais que inteligível, o texto deve ser claro de tal forma
que não permita interpretação equivocada pelo leitor. A compreensão do documento
deve ser imediata. Para alcançar esse objetivo, é importante redigir orações na
ordem direta, utilizar períodos curtos e eliminar o emprego excessivo de adjetivos.
Além disso, devem-se excluir da escrita qualquer ambiguidade, obscuridade e
rebuscamento. O texto claro pressupõe o uso de sintaxe correta e de vocabulário ao
alcance do leitor.

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135
Recomendações:

 Releia o texto várias vezes após escrevê-lo, para assegurar-se de que


está claro.
 Empregue a linguagem técnica apenas em situações que a exijam e
tenha o cuidado de explicitá-la em comunicações a outros órgãos ou em
expedientes voltados para os cidadãos.
 Certifique-se de que as conjunções realmente estabeleçam as relações
sintáticas desejadas, no entanto, evite o uso excessivo de orações
subordinadas, pois períodos muito subdivididos dificultam o entendimento.
 Utilize palavras e expressões em outro idioma apenas quando forem
indispensáveis, em razão de serem designações ou expressões de uso já
consagrado ou de não terem exata tradução. Nesse caso, grafe-as em
itálico.

 Concisão

Consiste em informar o máximo em um mínimo de palavras. No entanto,


contenção de palavras não significa contenção de pensamentos; por essa razão,
não se devem eliminar fragmentos essenciais do texto com o objetivo de reduzir-lhe
o tamanho. Os itens que nada acrescentam ao que já foi dito é que necessitam ser
eliminados. A concisão colabora para a correção do texto, pois as chances de erro
aumentam na mesma proporção que a quantidade de palavras. Mais que curtas e
claras, as expressões empregadas devem ser precisas. Para redigir um texto
conciso, é fundamental ter conhecimento do assunto sobre o qual se escreve.

Recomendações:

 Revise o texto e retire palavras inúteis, repetições desnecessárias de


ideias, desmedida adjetivação e períodos extensos e emaranhados.
 Não acumule pormenores irrelevantes. Ex.: Solicito cópia a Vossa
Senhoria e Solicito a Vossa Senhoria a informação em vez de Solicito os

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136
bons préstimos de Vossa Senhoria de enviar cópias e Solicito a Vossa
Senhoria o obséquio de informar.
 Não hesite em usar verbos no imperativo quando necessário. Ex.: Redija,
no mínimo, dez linhas em vez de Seria bom redigir pelo menos dez linhas,
por favor.
 Dispense, sempre que possível, os verbos auxiliares, em especial ser, ter
e haver, pois a recorrência constante a eles torna a redação monótona,
cansativa. Prefira resolvera reescrever a carta em vez de estava disposta
a reescrever a carta.
 Prefira palavras breves. Entre duas palavras opte pela de menor
extensão. Em vez de: acima citado; acusamos o recebimento; como
dissemos acima; conforme segue relacionado; devido ao fato de que; no
Estado de Pernambuco; ocorrido no corrente mês; prefira: citado;
recebemos; mencionado; relacionado a seguir; por causa; em
Pernambuco; ocorrido neste mês.
 Redija um texto capaz de transmitir o máximo de informações com um
mínimo de palavras. Para isso, tenha domínio do assunto.

 Pronomes de tratamento

Use corretamente os pronomes de tratamento. Ao escrever uma


comunicação a um Ministro do Tribunal Superior, por exemplo, use Vossa
Excelência ao longo do texto.

 Expressões artificiais

Não confunda respeito e impessoalidade com o uso de expressões artificiais


que estão em desuso como “Venho por meio desta”, “Tenho a honra de" ou
"Cumpre-me informar que". Tais expressões devem dar lugar à forma direta, à
objetividade.

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137
 Fechos

Os fechos dos textos oficiais devem cumprimentar o destinatário, além de


fechar o texto. O documento deve levar assinatura e identificação do signatário. Há
dois fechos diferentes para todas as modalidades do texto oficial:

o Respeitosamente, (para autoridades superiores, inclusive o Presidente da


República);
o Atenciosamente (para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia
inferior).

25.3 PRONOMES DE TRATAMENTO

 Emprego dos Pronomes de Tratamento

Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento obedece à secular


tradição. São de uso consagrado.

Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:

Do Poder Executivo:

o Presidente da República;
o Vice-Presidente da República;
o Ministros de Estado, Governadores e Vice-Governadores de Estado e do
Distrito Federal;
o Oficiais-Generais das Forças Armadas;
o Embaixadores;
o Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de
natureza especial;

AN02FREV001/REV 4.0

138
o Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
o Prefeitos Municipais.

Do Poder Legislativo:

o Deputados Federais e Senadores;


o Ministros do Tribunal de Contas da União;
o Deputados Estaduais e Distritais;
o Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
o Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.

Do Poder Judiciário:

o Ministros dos Tribunais Superiores;


o Membros de Tribunais;
o Juízes;
o Auditores da Justiça Militar.

O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de


Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo:

o Excelentíssimo Senhor Presidente da República;


o Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional;
o Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal.

As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, seguido do


cargo respectivo:

o Senhor Senador;
o Senhor Juiz;
o Senhor Ministro;
o Senhor Governador.

AN02FREV001/REV 4.0

139
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades
tratadas por Vossa Excelência, terá a seguinte forma:

A Sua Excelência o Senhor


Fulano de Tal
Secretário de Estado da Saúde
00000-000 – Natal. RN

A Sua Excelência o Senhor


Deputado Fulano de Tal
Assembleia Legislativa
00000-000 – Natal. RN

A Sua Excelência o Senhor


Fulano de Tal
Juiz de Direito da 10ª
Vara Cível
Rua ABC, nº 123
00000-000 – Natal. RN

Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssimo


(DD) às autoridades arroladas na lista anterior. A dignidade é pressuposto para que
se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida evocação.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para
particulares. O vocativo adequado é:

AN02FREV001/REV 4.0

140
Senhor Fulano de Tal, (...)
No envelope, deve constar do endereçamento:
Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua ABC, nº 123
12345-000 – Natal. RN

Como se depreende do exemplo acima fica dispensado o emprego do


superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa
Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor.
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título
acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral, empregue-o
apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem
concluído curso universitário de doutorado. É costume designar por doutor os
bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais
casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações.
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, empregada por força da
tradição, em comunicações dirigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o:

Magnífico Reitor,
(...)

Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierarquia


eclesiástica, são:

Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo


correspondente é:

AN02FREV001/REV 4.0

141
Santíssimo Padre,
(...)

Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, em comunicações


aos Cardeais. Corresponde-lhe o vocativo:

Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminentíssimo e


Reverendíssimo Senhor Cardeal,
(...)

Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigidas a


Arcebispos e Bispos. Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima
para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. Vossa Reverência é
empregada para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.

Umas das características do estilo da correspondência oficial e empresarial


é a polidez, entendida como o ajustamento da expressão às normas de educação ou
cortesia.
A polidez se manifesta no emprego de fórmulas de cortesia ("Tenho a honra
de encaminhar" e não, simplesmente, "Encaminho..."; "Tomo a liberdade de
sugerir..." em vez de, simplesmente, "Sugiro..."); no cuidado de evitar frases
agressivas ou ásperas (até uma carta de cobrança pode ter seu tom amenizado,
fazendo-se menção, por exemplo, a um possível esquecimento); no emprego
adequado das formas de tratamento, dispensando sempre atenção respeitosa a
superiores, colegas e subalternos.
No que diz respeito à utilização das formas de tratamento e endereçamento,
deve-se considerar não apenas a área de atuação da autoridade (universitária,
judiciária, religiosa, etc.), mas também a posição hierárquica do cargo que ocupa.

AN02FREV001/REV 4.0

142
Veja o quadro a seguir, que agrupa as autoridades universitárias, judiciárias,
militares, eclesiásticas, monárquicas e civis; apresenta os cargos e as respectivas
fórmulas de tratamento (por extenso, abreviatura singular e plural); indica o vocativo
correspondente e a forma de endereçamento.

Autoridades Universitárias

Cargo ou Abreviatura Abreviatura


Por Extenso Vocativo Endereçamento
Função Singular Plural
Reitores Vossa V. Mag.ª ou V. Mag.as ou Magnífico Ao Magnífico
Magnificência V. Maga. V. Magas. Reitor Reitor
ou V. Exa. ou Ou
as
Vossa Excelência V. Ex.ª V.Ex. ou ou ou
V.Exas.
Excelentíssimo Ao Excelentíssimo
Senhor Reitor Senhor Reitor
Nome
Cargo
Endereço
as
Vice-Reitores Vossa Excelência V.Ex.ª, ou V.Ex. ou V. Excelentíssimo Ao Excelentíssimo
V.Exa. Exas. Senhor Vice- Senhor Vice-Reitor
Reitor Nome
Cargo
Endereço
as
Assessores Vossa Senhoria V.S.ª ou V.S. ou Senhor + cargo Ao Senhor
Pró-Reitores V.Sa. V.Sas. Nome
Diretores Cargo
Coord. de Endereço
Departamento

AN02FREV001/REV 4.0

143
Autoridades Judiciárias

Abreviatura Abreviatura
Cargo ou Função Por Extenso Vocativo Endereçamento
Singular Plural
Auditores Vossa V.Ex.ª ou V. V.Ex.as ou Excelentíssimo Ao
Excelência Exa. V. Exas. Senhor + cargo Excelentíssimo
Curadores Senhor
Nome
Defensores Públicos Cargo
Endereço
Desembargadores

Membros de Tribunais

Presidentes de
Tribunais

Procuradores

Promotores
Juízes de Direito Meritíssimo M.Juiz ou V.Ex.as Meritíssimo Ao Meritíssimo
Juiz V.Ex.ª, V. Senhor Juiz Senhor Juiz
ou Exas.
ou ou
Vossa
Excelência Excelentíssimo Ao
Senhor Juiz Excelentíssimo
Senhor Juiz
Nome
Cargo
Endereço

AN02FREV001/REV 4.0

144
Autoridades Militares

Cargo ou Abreviatura Abreviatura


Por Extenso Vocativo Endereçamento
Função Singular Plural
Oficiais Vossa V.Ex.ª ou V. V.Ex.as, ou V. Excelentíssimo Ao Excelentíssimo
Generais (até Excelência Exa. Exas. Senhor Senhor
Coronéis) Nome
Cargo
Endereço
Outras Vossa V.S.ª ou V. Sa. V.S.as ou V. Senhor + patente Ao Senhor
Patentes Senhoria Sas. Nome
Cargo
Endereço

Autoridades Eclesiásticas

Abreviatura Abreviatura
Cargo ou Função Por Extenso Vocativo Endereçamento
Singular Plural
Arcebispos Vossa V.Ex.ª V.Ex.as Excelentíssimo A Sua
ma mas
Excelência Rev. ou V. Rev. ou Reverendíssimo Excelência
Reverendíssima Exa. V. Exas. Reverendíssima
Revma. Revmas. Nome
Cargo
Endereço
as
Bispos Vossa V.Ex.ª V.Ex. Excelentíssimo A Sua
ma mas
Excelência Rev. ou V. Rev. ou Reverendíssimo Excelência
Reverendíssima Exa. V. Exas. Reverendíssima
Revma. Revmas. Nome
Cargo
Endereço
Cardeais Vossa Eminência V.Em.ª, V. V.Em.as, V. Eminentíssimo A Sua Eminência
ou Vossa Ema. Emas. Reverendíssimo Reverendíssima
Eminência ou Nome
Reverendíssima ou ou Eminentíssimo Cargo
Senhor Cardeal Endereço
as
V.Em.ª V.Em
ma mas
Rev. , V. Rev. ou
Ema. V. Emas.
Revma. Revmas.

AN02FREV001/REV 4.0

145
Cônegos Vossa V. Rev.ma V. Rev.mas Reverendíssimo Ao
Reverendíssima ou V. V. Revmas. Cônego Reverendíssimo
Revma. Cônego
Nome
Cargo
Endereço
ma mas
Frades Vossa V. Rev. V. Rev. Reverendíssimo Ao
Reverendíssima ou V. ou V. Frade Reverendíssimo
Revma. Revmas. Frade
Nome
Cargo
Endereço
ma mas
Freiras Vossa V. Rev. V. Rev. Reverendíssimo A
Reverendíssima ou V. ou V. Irmã Reverendíssima
Revma. Revmas. Irmã
Nome
Cargo
Endereço
ma mas
Monsenhores Vossa V. Rev. V. Rev. Reverendíssimo Ao
Reverendíssima ou V. ou V. Monsenhor Reverendíssimo
Revma. Revmas. Monsenhor
Nome
Cargo
Endereço
Papa Vossa Santidade V.S. - Santíssimo A Sua Santidade
Padre o Papa
ma mas
Sacerdotes em Vossa V. Rev. V. Rev. Reverendo Ao
geral e pastores Reverendíssima ou V. ou V. Padre/ Pastor Reverendíssimo
Revma. Revmas. Padre / Pastor

ou

Ao Reverendo
Padre / Pastor
Nome
Cargo
Endereço

AN02FREV001/REV 4.0

146
Autoridades Monárquicas
Cargo ou Abreviatura Abreviatura
Por Extenso Vocativo Endereçamento
Função Singular Plural
Arquiduques Vossa Alteza V.A. VV. AA. Sereníssimo + A Sua Alteza
Título Real
Nome
Cargo
Endereço
Duques Vossa Alteza V.A. VV. AA. Sereníssimo + A Sua Alteza
Título Real
Nome
Cargo
Endereço
Imperadores Vossa V.M. VV. MM. Majestade A Sua Majestade
Majestade Nome
Cargo
Endereço
Príncipes Vossa Alteza V.A. VV. AA. Sereníssimo + A Sua Alteza
Título Real
Nome
Cargo
Endereço
Reis Vossa V.M. VV. MM. Majestade A Sua Majestade
Majestade Nome
Cargo
Endereço

AN02FREV001/REV 4.0

147
Autoridades Civis

Abreviatura Abreviatura
Cargo ou Função Por Extenso Vocativo Endereçamento
Singular Plural
Chefe da Casa Vossa V.Ex.ª ou V.Ex.as Excelentíssimo Ao
Civil e da Excelência V. Exa. ou V. Exas. Senhor + Excelentíssimo
Cargo Senhor
Casa Militar Nome
Cargo
Cônsules Endereço

Deputados

Embaixadores

Governadores

Ministros de
Estado

Prefeitos

Presidentes da
República

Secretários de
Estado

Senadores

Vice-Presidentes
de Repúblicas
Demais Vossa V.S.ª ou V.S.as Senhor + Ao Senhor
autoridades não Senhoria V. Sa. ou V. Sas. Cargo Nome
contempladas Cargo
com tratamento Endereço
específico

AN02FREV001/REV 4.0

148
25.4 COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Será oportuno relembrar a posição das formas oblíquas átonas dentro do


quadro geral dos pronomes pessoais:

Retos: Oblíquos átonos:


eu me
tu te
ele, ela se, lhe, o, a
nós nos
vós vos
eles, elas se, lhes, os, as
Oblíquos Tônicos:
mim, comigo
ti, contigo
si, consigo
conosco
convosco
si, consigo

Trata-se, aqui, de examinar a colocação das formas oblíquas átonas, que


constitui com o verbo um todo fonético. São colocados, frequentemente, após a
forma verbal (ênclise); muitas vezes, antes (próclise); mais raramente, -se a ela
(mesóclise).
A Gramática tradicional tem disciplinado a matéria – para a linguagem
escrita formal da maneira como se expõe a seguir.

AN02FREV001/REV 4.0

149
 Ênclise

As formas verbais do infinitivo pessoal, do imperativo afirmativo e do


gerúndio exigem a ênclise pronominal.

Ex.:
Cumpre comportar-se bem.
Essas ordens devem cumprir-se rigorosamente.
Aqui estão as ordens: cumpra-as.
Aventurou-se pelo desconhecido, afastando-se dos objetivos iniciais.

Se o gerúndio vier precedido da preposição em, antepõe-se o pronome


(próclise):

Ex.:
Em se tratando de uma situação de emergência, justifica-se a mobilização
de todos os recursos.

A ênclise é forçosa em início de frase. Ou seja: não se principia frase com


pronome átono.

Ex.:
Pediram-lhe (e não *Lhe pediram) que comparecesse à reunião do
Congresso.

AN02FREV001/REV 4.0

150
A ênclise é usada quando:

a) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo.


Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos.

b) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal.


Ex.: Não era minha intenção machucar-te.

c) Quando o verbo iniciar a oração.


Ex.: Vou-me embora agora mesmo.

d) Quando houver pausa antes do verbo.


Ex.: Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo.

e) Quando o verbo estiver no gerúndio.


Ex.: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.

 Próclise

Como norma geral, deve-se colocar o pronome átono antes do verbo,


quando antes dele houver uma palavra pertencente a um dos seguintes grupos:

a) Palavras negativas: não, nada, nunca, jamais, nem, nenhum,


ninguém.

Ex.:
O assessor não lhes forneceu detalhes do projeto?
Jamais nos afastaremos das promessas de campanha.

AN02FREV001/REV 4.0

151
b) Relativos: quem, o qual, que, quanto, cujo, como, onde, quando:

Ex.:
Os homens que se prezam sabem que devem pensar antes no interesse
público que nos pessoais.
O chefe de departamento com quem nos entrevistamos afirmou que o
problema está resolvido.

c) Interrogativos: quem, (o) que, qual, quanto (a)(s); como, onde,


quanto.

Ex.:
Quem nos apresentou o projeto?
Quanto tempo se perde!

d) Conjunções subordinativas: quando, se, como, porque, que,


enquanto, embora, logo que, etc.

Ex.:
Lembrei de confirmar a reserva no voo quando me despedia do chefe da
divisão.
Se eles se dispusessem ao diálogo...
Logo que o vi, chamei-o para o despacho.

O infinitivo precedido de uma das palavras ou expressões mencionadas


acima admite o pronome átono em próclise ou ênclise.

Ex.:
Nada lhe contamos para não o aborrecer (ou para não aborrecê-lo).

AN02FREV001/REV 4.0

152
A próclise é usada:

a) Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o


pronome para antes do verbo. São elas:

o Palavra de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc. Ex.:


Não se esqueça de mim.

o Advérbios. Ex.: Agora se negam a depor.

o Conjunções subordinativas. Ex.: Soube que me negariam.

o Pronomes relativos. Ex.: Identificaram duas pessoas que se


encontravam desaparecidas.

o Pronomes indefinidos. Ex.: Poucos te deram a oportunidade.

o Pronomes demonstrativos. Ex.: Disso me acusaram, mas sem


provas.

b) Orações iniciadas por palavras interrogativas.


Ex.: Quem te fez a encomenda?

c) Orações iniciadas por palavras exclamativas.


Ex.: Quanto se ofendem por nada!

d) Orações que exprimem desejo (orações optativas).


Ex.: Que Deus o ajude.

AN02FREV001/REV 4.0

153
 Mesóclise

Usa-se o pronome no meio da forma verbal, quando esta estiver no futuro


simples do presente ou do pretérito do indicativo.

Ex.:
Quando for possível, transmitir-lhes-ei mais informações.
Ser-nos-ia útil contar com o apoio de todos.

Fica prejudicada a mesóclise quando houver, antes do futuro do presente ou


do pretérito, uma das palavras ou expressões que provocam a próclise:

Ex.:
Nada lhe diremos (e não *Nada dir-lhe-emos) até termos confirmação do
fato.
Essa é a resposta que lhe enviaríamos (e não *que enviar-lhe-íamos) caso
ele voltasse ao assunto.
Espera o Estado que a União lhe dará (e não *que ... dar-lhe-á) mais verbas.

A mesóclise é usada:

a) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do


pretérito, contanto que esses verbos não estejam precedidos de
palavras que exijam a próclise.

Ex.:
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no
mundo.
Não fosse os meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.

AN02FREV001/REV 4.0

154
 Casos Especiais

 É inviável a ênclise com o particípio. Ex.:

Ex.:
A inflação havia-se aproximado (nunca: *havia aproximado-se) de limites
intoleráveis.
Jamais nos tínhamos enfraquecido (e não: *tínhamos enfraquecido-nos)
tanto.
Tê-lo-ia afetado (e não *Teria afetado-lhe) o isolamento constante?

 Colocação do pronome átono em locuções e combinações verbais.


Nas combinações de verbo pessoal (auxiliar ou não) + infinitivo, o pronome
átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo, ou depois do infinitivo.

Ex.:
Devemos-lhe dizer a verdade.
Ou: Nós lhe devemos dizer a verdade. Ou, ainda:
Devemos dizer-lhe a verdade.

No caso, a próclise com o infinitivo é própria da linguagem oral, ou escrita


informal: Devemos lhe dizer...

Evite-se esta colocação na redação oficial. Se, no caso mencionado, houver


palavra que exige a próclise, só duas posições serão possíveis para o pronome
átono: antes do auxiliar (próclise) ou depois do infinitivo (ênclise).

Ex.:
Não lhe devemos dizer a verdade.
Não devemos dizer-lhe a verdade.

AN02FREV001/REV 4.0

155
É a parte da gramática que trata da correta colocação dos pronomes
oblíquos átonos na frase.
Embora na linguagem falada, a colocação dos pronomes não seja
rigorosamente seguida, algumas normas devem ser observadas, sobretudo na
linguagem escrita.
Existe uma ordem de prioridade na colocação pronominal: primeiro tente
fazer próclise, depois mesóclise e em último caso ênclise.
O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo estiver precedido de
preposição ou palavra atrativa.

Ex.:
É preciso encontrar um meio de não o magoar./ É preciso encontrar um meio
de não magoá-lo.

 Colocação pronominal nas locuções verbais

 Quando o verbo principal for constituído por um particípio:

a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar.

Ex.:
Haviam-me convidado para a festa.

b) Se, antes da locução verbal, houver palavra atrativa, o pronome


oblíquo ficará antes do verbo auxiliar.

Ex.:
Não me haviam convidado para a festa.

AN02FREV001/REV 4.0

156
c) Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do
pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja antes dele palavra
atrativa.

Ex.:
Haver-me-iam convidado para a festa.

 Quando o verbo principal for constituído por um particípio:

a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar.

Ex.:
Haviam-me convidado para a festa.

b) Se, antes da locução verbal, houver palavra atrativa, o pronome


oblíquo ficará antes do verbo auxiliar.
Ex.:
Não me haviam convidado para a festa.

c) Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do


pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja antes dele palavra
atrativa.

Ex.:
Haver-me-iam convidado para a festa.

 Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio:

a) Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo


auxiliar ou depois do verbo principal.

Ex.:
Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido.

AN02FREV001/REV 4.0

157
Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo
alto-falante.

b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do


verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Ex.:
Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o
ocorrido.
Não estavam chamando-me./ Não me estavam chamando.

Observações importantes!

Emprego de o, a, os, as:

 Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral os pronomes o, a, os, as


não se alteram. Ex.: Chame-o agora. Deixei-a mais tranquila.

 Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se


para lo, la, los, las. Ex.: (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

 Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os


pronomes o, a, os, as alteram-se para no, na, nos, nas. Ex.: Chamem-no
agora. Põe-na sobre a mesa.

 As formas combinadas dos pronomes oblíquos mo, to, lho, no-lo, vo-lo,
formas em desuso, podem ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise. Ex.:
Ele mo deu (Ele me deu o livro).

AN02FREV001/REV 4.0

158
25.5 CONCORDÂNCIA

25.5.1 Concordância Nominal

 ANEXO, EM ANEXO

• ANEXO – adjetivo (deve concordar)


Ex.:
Encontramos o registro anexo à certidão.
A nota e o troco vão anexos.
Segue anexa a redação.

• EM ANEXO – (invariável)
Ex.:
Anexos (ou em anexo) seguem os formulários.
O formulário segue anexo (em anexo).

 É PROIBIDO, É PROIBIDA

• É PROIBIDO – ausência de artigo


Ex.: É proibido entrada de estranho.

• É PROIBIDA – presença de artigo


Ex.: É proibida a entrada de estranho.

 CONFORME, CONFORMES

• CONFORME – segundo, como (é invariável)


Ex.: Fez tudo conforme os procedimentos estabelecidos.

AN02FREV001/REV 4.0

159
• CONFORMES – conformados
Ex.: Ficaram conformes com a atual situação.

 PERMITIDA, PERMITIDO

• PERMITIDA – Ex.: A bebida alcoólica não é permitida.


• PERMITIDO – Ex.: Bebida alcoólica não é permitido.

 HAJA VISTA, HAJA VISTO

• HAJA VISTA – (invariável)


Ex.: Ele foi dispensado haja vista os pontos atingidos.

• HAJA VISTO – NÃO EXISTE

 MEIO, MEIA

• COMO NUMERAL (= metade), deve concordar:


Ex.:
Tomou meio litro de leite.
Tomou meia garrafa de água.
Tomou uma garrafa e meia de suco.
Leu um capítulo e meio.
São duas e meia da tarde.
É meio – dia e meia (hora).

• COMO ADVÉRBIO – (= mais ou menos), é invariável:


Ex.:
A aluna ficou meio nervosa.
A diretora está meio insatisfeita.
Os clientes andam meio aborrecidos.

AN02FREV001/REV 4.0

160
 MENOS, MENAS

• MENAS – NÃO EXISTE

• Use sempre MENOS.


Ex.: Isso é de menos importância.

 OBRIGADO, OBRIGADA

• OBRIGADO – homens
• OBRIGADA – mulheres

 UM TELEFONEMA, UMA TELEFONEMA

Não se usa uma telefonema, pois telefonema é um substantivo masculino.

25.5.2 Concordância Verbal

 ACONTECEU/ ACONTECERAM

O verbo deve concordar com o sujeito.


Ex.:
Aconteceu um acidente na esquina.
Aconteceram uns acidentes na esquina.

 HOUVE/ HOUVERAM

O verbo haver, usado como “existir” é impessoal, ou seja, só deve ser usado
no singular.
Ex.: Houve dois acidentes.

AN02FREV001/REV 4.0

161
 PRECISA-SE/ PRECISAM-SE

O SE torna o sujeito indeterminado, portanto o verbo permanece no singular.


Ex.:
Precisa-se de operários.
Necessita-se de profissionais competentes.

 É, SÃO (horas)

O verbo SER concorda com as horas.


Ex.:
É uma hora da tarde.
São treze horas.

Já que estamos falando em horas, observe a forma correta de se abreviar as


horas.
Sete horas e vinte e cinco minutos = 7h25min
Dezenove horas = 19h

 A GENTE VAI/ A GENTE VAMOS

A gente vamos/nós vai – NÃO EXISTEM


Ex.:
A gente vai assistir aos jogos.
Nós vamos assistir aos jogos. (mais adequado)

AN02FREV001/REV 4.0

162
 SAIU/ SAÍMOS/ SAÍRAM

O verbo concorda com o núcleo do sujeito.


Ex.:
Um de nós saiu.
Um bando de marginais saiu.
Nós saímos.
Eles saíram.

 PODE HAVER/ PODEM HAVER

O verbo haver, como “existir” deve haver.


Ex.: Pode haver mais dúvidas.

 EXISTE/ EXISTEM

Concorda com o sujeito.


Ex.: Existem no Brasil dois tipos de caipira

 JÁ FAZ/ FAZEM

O certo é já faz quando se refere a tempo decorrido.


Ex.: Já faz dois anos que não nos vemos.

 VAI FAZER/ VÃO FAZER

Vai fazer é a forma correta. Fazer quando se refere a tempo decorrido deve
ser usado sempre no singular.
Ex.:
Vai fazer dois meses que ele viajou.
Fazia alguns minutos que ele não tocava na bola.

AN02FREV001/REV 4.0

163
 ALUGA-SE/ ALUGAM-SE

O uso da partícula SE, faz com que o sujeito sofra a ação do verbo.

Ex.:
Alugam-se apartamentos.
Aluga-se este carro (está no singular porque carro está no singular).

 MAIORIA/ METADE

Quando o núcleo do sujeito é um substantivo que indica parte (parte,


maioria, metade...) o verbo pode ficar no singular ou no plural.
Ex.:
A maioria dos brasileiros já votou.
A maioria dos brasileiros já votaram.
A metade dos candidatos desistiu.

 FALTA, FALTAM

O verbo deve concordar com o sujeito.


Ex.:
Faltam dois exercícios.
Falta resolver dois exercício (frase com verbo).

 DEU, DERAM (HORAS )

Deve concordar com as horas.


Ex.: Deram dez horas.

Quando houver sujeito, o verbo concordará com ele.


Ex.: O relógio deu dez horas.

AN02FREV001/REV 4.0

164
25.6 ORTOGRAFIA

A correção ortográfica é requisito elementar de qualquer texto, e ainda mais


importante quando se trata de textos oficiais. Muitas vezes, uma simples troca de
letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de toda uma frase. O que na
correspondência particular seria apenas um lapso datilográfico pode ter
repercussões indesejáveis quando ocorre no texto de uma comunicação oficial ou de
um ato normativo. Assim, toda revisão que se faça em determinado documento ou
expediente deve sempre levar em conta a correção ortográfica.
Com relação aos erros de grafia, pode-se dizer que são de dois tipos: os que
decorrem do emprego inadequado de determinada letra por desconhecimento de
como escrever uma palavra, e aqueles causados por lapso datilográfico.
A seguir, as principais dúvidas relativas aos erros do primeiro tipo; as do
segundo, só a revisão atenta pode resolver.

 Emprego do h

O h é uma letra que se mantém em algumas palavras em decorrência da


etimologia ou da tradição escrita do nosso idioma. Algumas regras, quanto ao seu
emprego devem ser observadas:

a) Emprega-se o h quando a etimologia ou a tradição escrita do nosso


idioma assim determina.
Ex.: homem, higiene, honra, hoje, herói.

b) Emprega-se o h no final de algumas interjeições.


Ex.: Oh! Ah!

c) No interior dos vocábulos não se usa h, exceto:


- nos vocábulos compostos em que o segundo elemento com h se une por
hífen ao primeiro.

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165
Ex.: super-homem, pré-história.

- quando ele faz parte dos dígrafos ch, lh, nh.


Ex.: Passarinho, palha, chuva.

 Emprego do s

Emprega-se a letra s:

- nos sufixos -ês, -esa e –isa, usados na formação de palavras que indicam
nacionalidade, profissão, estado social, títulos honoríficos.
Chinês, chinesa, burguês, burguesa, poetisa.

- nos sufixos -oso e -osa (que significa “cheio de”), usados na formação de
adjetivos.
Ex.: delicioso, gelatinosa.

- depois de ditongos.
Ex.: coisa, maisena, Neusa.

- nas formas dos verbos pôr e querer e seus compostos.


Ex.: puser, repusesse, quis, quisemos.

- nas palavras derivadas de uma primitiva grafada com s.


Ex.:
análise: analisar, analisado
pesquisa: pesquisar, pesquisado.

 Emprego do z

Emprega-se a letra z nos seguintes casos:

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166
- nos sufixos -ez e -eza, usados para formar substantivos abstratos
derivados de adjetivos.
Ex.: rigidez (rígido), riqueza (rico).

- nas palavras derivadas de uma primitiva grafada com z.


Ex.:
cruz: cruzeiro, cruzada.
deslize: deslizar, deslizante.

 Emprego dos sufixos –ar e –izar

Emprega-se o sufixo – ar nos verbos derivados de palavras cujo radical


contém –s, caso contrário, emprega-se –izar.
Ex.:
análise: analisar
eterno: eternizar

 Emprego das letras e / i

Algumas formas dos verbos terminados em –oar e –uar grafam-se com e.


Ex.: perdoem (perdoar), continue (continuar).

Algumas formas dos verbos terminados em –air, -oer e –uir grafam-se com i.
Ex.: atrai (atrair), dói (doer), possui (possuir).

 Emprego do x e ch

Emprega-se a letra x nos seguintes casos:

- depois de ditongo: caixa, peixe, trouxa.

- depois de sílaba inicial en-: enxurrada, enxaqueca (exceções: encher,


encharcar, enchumaçar e seus derivados).

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167
- depois de me- inicial: mexer, mexilhão (exceção: mecha e seus derivados).

- palavras de origem indígena e africana: xavante, xangô.

 Emprego do g ou j

Emprega-se a letra g:

- nas terminações: ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: prestígio, refúgio.


- nas terminações: agem, -igem, -ugem: garagem, ferrugem.

Emprega-se a letra j em palavras de origem indígena e africana: pajé,


canjica, jirau.

 Emprego de s, c, ç, sc, ss.

- verbos grafados com ced originam substantivos e adjetivos grafados com


cess.
Ex.:
ceder: cessão.
conceder: concessão.
retroceder: retrocesso.

Exceção: exceder: exceção.

- nos verbos grafados com nd originam substantivos e adjetivos grafados


com ns.
Ex.:
ascender: ascensão
expandir: expansão
pretender: pretensão.

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168
- verbos grafados com ter originam substantivos grafados com tenção.
Ex.:
deter: detenção
conter: contenção.

26 FECHOS PARA COMUNICAÇÕES

O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de


arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os modelos para fecho que vinham
sendo utilizados foram regulados pela Portaria nº 1 do Ministério da Justiça, de
1937, que estabelecia quinze padrões. Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los,
foi estabelecido o emprego de somente dois fechos diferentes para todas as
modalidades de comunicação oficial:

a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República:


Respeitosamente,

b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:


Atenciosamente,

Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades


estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios, devidamente disciplinados no
Manual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.

26.1 IDENTIFICAÇÃO DO SIGNATÁRIO

Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas


as demais comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que

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169
as expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser a
seguinte:

(espaço para assinatura)


NOME
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
(espaço para assinatura)
NOME
Ministro de Estado da Justiça

Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página


isolada do expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior
ao fecho.

27 OS TEXTOS E AS FUNÇÕES DE LINGUAGEM

É possível reconhecer nos textos, diversas funções de linguagem, ou seja,


diferentes intenções do emissor: procuram informar, convencer, seduzir, entreter,
sugerir estados de ânimo, etc. Em correspondência a essas intenções, é possível
categorizar os textos, levando em consideração a função da linguagem que neles
predomina.

27.1 FUNÇÃO INFORMATIVA

Uma das funções mais utilizadas em textos escolares é a de informar, a de


fazer conhecer, por meio de uma linguagem precisa e concisa, o mundo real,
possível ou imaginário, ao qual se refere o texto. Essa função ocorre quando o

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170
destaque na comunicação é o referente, ou seja, o objeto da mensagem ou a
situação nela abordada. A intenção do emissor é transmitir informações sobre o
referente. Os textos científicos, jornalísticos e didáticos representam exemplos dessa
função da linguagem. Veja o exemplo:

O mundo sem petróleo

Em breve, os seres humanos terão de aprender a viver sem o petróleo. Não


porque ele vá acabar no futuro próximo – os especialistas garantem que as reservas
mundiais são mais do que suficientes para satisfazer as necessidades do planeta
por até 75 anos. Mas porque continuar usando o combustível que move a economia
mundial com essa voracidade faz mal à saúde da Terra (...)

Almanaque 2003 – Superinteressante. São Paulo: Abril.

27.2 FUNÇÃO REFERENCIAL OU DENOTATIVA

Quando o objetivo da mensagem é a transmissão de informação sobre a


realidade ou sobre um elemento a ser designado, diz-se que a função predominante
no texto é referencial ou denotativa. Exemplo:

FIGURA 38

FONTE: Disponível em: <http://duvidasredacao.blogspot.com/2009/10/funcao-referencial-ou-


denotativa.html>. Acesso em: 08 out. 2011.

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171
28 FUNÇÃO LITERÁRIA

Os textos com predomínio da função literária da linguagem têm uma


intencionalidade estética. Seu autor emprega todos os recursos oferecidos pela
língua, com liberdade e originalidade para criar beleza e recorre a todas as
potencialidades do sistema linguístico para produzir uma mensagem artística.
A interpretação de textos literários obriga o leitor a desvendar o alcance e a
significação dos diferentes recursos usados como: metáforas, comparações,
símbolos, etc.
O som, o ritmo, os jogos de ideias e de imagens são explorados no texto, e a
linguagem pode atrair o leitor. Observe esta mensagem.

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:


Ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
E o lance a outro; de um outro galo
Que apanhe o grito que um galo antes
E o lance a outro; e de outros galos
Que com muitos outros galos se cruzem
Os fios de sol de seus gritos de galo,
Para que a manhã, desde uma teia tênue,
Se vá tecendo, entre todos os galos
(...)
MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

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172
29 FUNÇÃO APELATIVA

Quando o objetivo da mensagem é persuadir o destinatário, influenciando


seu comportamento, diz-se que a função predominante no texto é a conativa ou
apelativa.
A linguagem da propaganda é a expressão típica da função conativa. As
expressões linguísticas com vocativos e formas verbais no imperativo também
exemplificam essa função.
Observe no texto a seguir, extraído de um anúncio publicitário, uma
característica típica da função apelativa: verbos empregados no modo imperativo e
pronomes na 2ª ou na 3ª pessoas.

Fuja do engarrafamento

UMA SEMANA EM BÚZIOS A PARTIR DE R$ 290,00. É MAIS DO QUE


UM PACOTE. É UM PRESENTE.
Vinte e seis praias numa cidade-resort. O primitivo em harmonia com o
sofisticado a poucas horas de São Paulo. Escolha a pousada com café da manhã
e um passeio de barco grátis. Procure o seu agente de viagens e conheça este
pacote nos mínimos detalhes.

30 FUNÇÃO EXPRESSIVA

Quando o objetivo da mensagem é a expressão das emoções, atitudes,


estados de espírito do emissor com relação ao que fala, diz-se que a função da
linguagem predominante no texto é emotiva.
Veja este poema de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa) e
observe como são explorados pronomes e verbos na 1ª pessoa.

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173
O guardador de rebanhos

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?


Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?


Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo? (...)

PESSOA, Fernando. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1982.

31 FUNÇÃO FÁTICA

FIGURA 39

FONTE: Disponível em: < http://duvidasredacao.blogspot.com/2009/11/funcao-fatica-ou-de-


contato.html>. Acesso em: 08 out. 2011.

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174
Quando o objetivo da mensagem é simplesmente o de estabelecer ou
manter a comunicação, ou seja, o contato entre emissor e o receptor, diz-se que a
função predominante no texto é a fática.

32 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

Quando o objetivo da mensagem é falar sobre a própria linguagem, diz-se


que predomina no texto a função metalinguística.
Exemplos: verbetes encontrados nos dicionários.

33 FUNÇÃO POÉTICA

Vinculada na própria mensagem, valorizando a informação pela forma. A


mensagem é mais fim do que meio. É uma verdadeira oposição à função referencial
porque nela predomina a Conotação e o Subjetivismo. É a função do belo, do
estético, mas não é exclusiva da poesia, podendo existir também na prosa.

Exemplos:

“... a lua era um desparrame de prata” (Jorge Amado).

“Quem cabritos vende, e cabras não têm, de algum lugar lhe vêm”
(provérbio).

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34 TEXTOS LITERÁRIOS

Os textos literários caracterizam-se pela linguagem subjetiva, assim exigem


mais atenção e, necessariamente, várias leituras para o seu entendimento. Não é
como o texto científico que tem uma linguagem objetiva, clara, de fácil entendimento,
a linguagem literária é conotativa, uma palavra pode ter várias significações na
frase, o que dificulta na hora de uma interpretação, o ideal é fazer uma análise
sintática e semântica para saber que significado o autor queria dar à frase, o que
levou ele a colocar a palavra em determinado local no contexto.

FIM DO MÓDULO IV

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176
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABL. Academia Brasileira de Letras. Disponível em:


<http://www.academia.org.br//>. Acesso em: 25 set. 2011.

ABAURRE. Maria Luiza; PONTARA. Marcela. Texto: Análise e Construção de


Sentido. Volume único. São Paulo: Moderna. 2006.

BOA VENTURA, Edvaldo. Como ordenar as ideias. São Paulo: Ática, 1998, p. 11.

BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 1988.

CAMARGO, Thaís Nicoleti de. Português: Paralelismo sintático torna texto mais
preciso. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u10687.shtml>. Acesso em: 24
set. 2011

CAMÕES, Luís Vaz de. Para tão longo amor tão curta a vida: sonetos e outras
rimas. São Paulo: FTD, 1998.

COMO EVITAR UM TEXTO PROLIXO. Disponível em:


<http://mundoeducacao.uol.com.br/redacao/como-evitar-um-texto-prolixo.htm>.
Acesso em: 24 set. 2011.

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CORALINA, Cora. Vintém de cobre, meias confissões de Aninha. São Paulo:
Global, 1991.

DIALÉTICA. Disponível em: <http://www.infoescola.com/filosofia/dialetica/>. Acesso


em: 24 set. 2011.

EXPRESSÕES. Disponível em:


<http://www.universitario.com.br/litlp/expressoes.html>. Acesso em: 24 set. 2011.

FORMA. Disponível em: <http://textoredacao.blogspot.com/2011/07/dicas-para-


arrasar-na-redacao-do.html>. Acesso em: 24 set. 2011.

FORMAS DE TRATAMENTO E ENDEREÇAMENTO. Disponível em:


<http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php>. Acesso em: 24 set. 2011.

LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas. Rio de Janeiro: José Olympio,
1986.

NÃO FUJA AO TEMA. Disponível em:


<http://textoredacao.blogspot.com/2011/07/redacao-nao-fuja-ao-tema.html>. Acesso
em: 8 out. 2011.

AN02FREV001/REV 4.0

178
PAIVA, Marcelo. PORTUGUÊS REDAÇÃO. Disponível em:
<http://concursos.ig.com.br/ft/3115.pdf>. Acesso em: 18 set. 2011.

REDAÇÃO OFICIAL. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm> Acesso em: 18 set. 2011.

______. Disponível em: <http://www.redacaooficial.com.br/ Acesso em: 18 set. 2011.

______. Normas Básicas. Disponível em:


<http://www.geomundo.com.br/concursos-publicos-60107.htm Acesso em: 18 set.
2011.

SIQUEIRA, J. H. S. O texto. São Paulo: Selinunte, 1990. p. 11

TÉCNICAS DE REDAÇÃO. Disponível em:


<http://www.mundovestibular.com.br/articles/746/1/Tecnicas-de-
Redacao/Paacutegina1.html>. Acesso em: 24 set. 2011

TIPOS DE TEXTO. Disponível em:


<http://www.universitariovestibulares.com.br/Materia.aspx?IDMateria=7&IDConheca
=18>. Acesso em: 24 set. 2011.

FIM DO CURSO!

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