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Atuação

Do(a) psicólogo(a)
escolar

Aula 2
A formação social
dos(as)
Psicólogos (as):
apontamentos
para um estudo
Indagações na relação ensino-
aprendizagem dos(as) alunos(as) do
curso de Psicologia da USP

_ Entender o processo de ensino-aprendizagem apenas


como “demandas” e os trabalhos escolares como
“obrigações” desagradáveis;
_ Como conceber um “bom curso”?
_ Fragmentação do conhecimento e ciência
paradigmática;
_ Dificuldade em oferecer uma prática satisfatória;
Níveis de preocupações dos (as)
alunos (as):
_ Imediato: Possibilidade de encontrar emprego
após de formado(a);

_Profundo: Possibilidade de encontrar um


emprego satisfatório segundo as suas preferências
pessoais e capacidade intelectual;

_ Ético e moral: valor do serviço a ser prestado a


uma comunidade ampla;
Atuação:
_A maioria dos(as) psicólogos(as) acabam atuando na área
clínica por ter maior clareza das suas atribuições, e, pela
psicologia escolar e as organizações serem uma incógnita.

_ Há um descompasso entre as oportunidades de trabalho e


as expectativas geradas ao longo da graduação;

"comprometimento consciente com o caminho da sua


emancipação coletiva e individual".
(Melo, 1981,p.449)
Atuação:

• O (a) psicólogo (a) ao iniciar a sua atuação


crítica na escola primeiramente deveria rever
o seu conceito de comportamento anormal.

• Como o indica Moffat (1974, p. 70-71), este é,


sem dúvida, um produto ideológico que visa
a sustentar formas adaptativas, ou quiçá
repressivas, da psicoterapia.
Elementos para a crítica da realidade
social
_ A promoção da obediência automática;

_ Regramento para a submissão em um sistema de


autoridade;

_ em nome do “normal” constitui-se uma verdadeira


“neurose obsessiva” para manter o controle das
relações;

_racionalização de soluções segregadoras;


Elementos para a crítica da realidade
social
_ a identificação da psicologia com os problemas
de classe média;

_ Necessidade de nova aprendizagem: de valores,


atitudes vitais, simbologia e linguagem;

_Falta de treinamento para uma “Psicologia


Popular”;
O papel social e a
formação do psicólogo:
contribuição para um debate necessário
Década de 60 – e o saber técnico à
serviço da manutenção da ordem e das
desigualdades sociais.
Sobre os(as) profissionais na área da saúde:

“A estes coube a tarefa de desenvolver, nos bastidores, a


caracterização das personagens, o enredo, as falas, a
marcação e a direção dos programas de educação
compensatória; ao Estado coube a produção do grande
espetáculo educacional que esteve em cartaz durante pelo
menos duas décadas. Cabe aqui um parêntese: os cientistas
que se dedicaram a essa missão fizeram-no imbuídos da
melhor das intenções; afinal de contas, a ideologia não se
sabe ideologia”.
(Patto, 1981, 464)
Por que existe a pobreza e como
extingui-la?
TEORIA DA CARÊNCIA
CULTURAL
TEORIA DA CARÊNCIA
CULTURAL
• O fracasso do(a) aluno(a) na escola
advinha da sua carência de cultura, ou
seja, da falta de cultura proveniente
do ambiente em que vive.

• As crianças pobres tinham dificuldade de


aprender por terem menos cultura do que as
crianças ricas
O índio por exemplo,
não tem cultura?
Possíveis hipóteses da teoria de
carência cultural:

• o pobre não tem condições pessoais para se inserir


produtivamente na sociedade;

• seu fracasso escolar e ocupacional decorre de deficiências


presentes em seu desenvolvimento psicológico, tal como
o "provam" instrumentos de observação e de medida
tradicionalmente usados pela Psicologia;

• as causas destas deficiências, por sua vez, estariam no


ambiente doméstico, tido pelos pesquisadores como
inadequado à promoção do desenvolvimento cognitivo,
intelectual e emocional.
Teoria de carência cultural:

A pobreza foi considerada como um caso de


privação ou carência de estímulos cognitivos,
de falta de exposição a estimulação benéfica,
de falta de um padrão no mundo
O papel social e a formação do
psicólogo

• Embasados nas teorias de Piaget, Skinner entre


outros, criou-se o modelo de “desnutrição
ambiental” – comparação entre ambiente social
das classes oprimidas e os ambientes de
privação.

• A cultura popular, quando mencionada, costuma


sê-lo, na melhor das hipóteses, como réplica
inferior da chamada cultura erudita.
O papel social e a formação do
psicólogo

• A dominação fica, assim, reduzida a uma questão


numérica ou de embate entre culturas tidas como
superiores ou inferiores.

“é preciso dar aos ‘desafortunados’ condições


psicológicas necessárias a sua integração na sociedade,
da qual supostamente se encontram à margem. Assim
sendo, o máximo que podemos fazer por eles, no
interior desta concepção, é resgatá-los de sua
incompetência”
(Patto, 1981,p. 465)
Ações de intervenção da época:

• cursos de nivelamento – compensar e ajustar


o pobre a classe dominante;

• Separação por salas de aula – das mais


competentes as menos produtivas.
Crítica a atuação do(a) psicólogo:

“ Munidos de um arsenal anacrônico de


instrumentos de avaliação da inteligência e da
personalidade, decidem, como deuses, quem tem
e quem não tem condições de aprendizagem,
quem deve ser excluído nos espaços manicomiais
das "classes especiais" c quem deve ir para as
"classes fracas" e ‘fortes’”.

( Patto, 1981, p. 466)


Crítica a atuação do(a) psicólogo:

• Posto isso, a autora critica – os testes de


inteligência, e o quanto a psicologia comprou
os ideais liberais distorcidos ao promover um
discurso “psicologizante” e com isso culpa ao
sujeito e não a estrutura da sociedade:
Crítica a atuação do(a) psicólogo:
_Ignoram a falência da escola pública;

_Patologizam as crianças e as suas famílias;

_Indicam os mais aptos e os menos aptos à escola;

_Acreditam que estão fazendo justiça social, quando na


verdade estão decidindo o destino da vida de milhares de
crianças reduzidas a objetos;

Tais ações serviam apenas para instrumentalizar o senso


comum.
PENSAMENTO EM
MOVIMENTO

“A Psicologia quase toda move-se nos


limites estreitos do senso comum. Por
achar desnecessário o contato com o
conhecimento gerado por outras
Ciências Humanas — já que elas
tratam da "sociedade", enquanto a
Psicologia centra-se no estudo do
"indivíduo" — continua a não
perceber que o que parece natural é
social, que o que parece a-histórico é
histórico.”
(Patto, 1981, 469)
Outros(as) elementos

_Discurso de culpabilização de pessoas;

_ Falta de crítica as ações do Estado;


_ As atividades profissionais e científicas dos
psicólogos revestem-se, como regra, de caráter
meramente técnico e de pretensão de
neutralidade política.
Outros(as) elementos

• Impedidos de pensamento crítico, quase todos


os psicólogos estão condenados à condição de
reféns de sua ciência parcelar. Nesse contexto,
suas escolhas teóricas e técnicas são tomadas a
partir de critérios puramente emocionais,
verdadeiros atos de fé que se transformam
rapidamente com dogmatismo a serviço do
hábito do corporativismo. (Patto, 1981,470)
Psicologia Institucional

• articulam as dimensões social com a psíquica


da ação dos protagonistas da vida escolar;

• informado uma leitura das dificuldades de


escolarização das crianças das classes
populares e intervenções no espaço escolar
que superam o modelo clínico tradicional
voltado para o diagnóstico e o tratamento de
supostos distúrbios físicos e psíquicos
Conclusão

Psicologia Social crítica da escola pública


elementar tem permitido que alguns psicólogos
comecem a contribuir para a elucidação de
processos que se dão na vida diária escolar, em
suas relações com a as dimensões econômica,
política e cultural da sociedade brasileira.
(Patto, 1981, p. 471)
Atividade Reflexiva

• Assista com o seu grupo, o trecho do filme “o contador


de histórias” e relacione com o conteúdo da aula.

https://www.youtube.com/watch?v=kRJwQg-oavc

_Partes:
2:49 – 4:10
36:20 – 39:39
42:47 – 43:18
47:08 – 48:00
Mello, S. A formação social dos psicólogos: apontamentos para um estudo. In: Patto,
M.H.S. Introdução à psicologia escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1981. (pp.441-449)

Patto, M.H.S. O papel social e a formação do psicólogo: contribuição para um debate


necessário. In: Patto, M.H.S. Introdução à psicologia escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo,
1981. (pp.459-468)
Obrigada!