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EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _VARA CIVEL

DA COMARCA DE ...

ANDRÉ..., brasileiro, casado, engenheiro, filho de .... e ...., portador do RG


nº... e inscrito no CPF nº..., residente e domiciliado em...., por intermédio de seu advogado
(procuração anexa) com endereço profissional sito à ..., vem perante Vossa Excelência
com fulcro nos artigos 926 e 927 do Código de Processo Civil propor:

AÇÃO DE REINTEGRAÇÃ DE POSSE COM PEDIDO LIMINAR

Em face de ISRAEL..., brasileiro, casado, engenheiro, filho de .... e ....,


portador do RG nº... e inscrito no CPF nº..., residente e domiciliado em... e RAUL...,
brasileiro, casado, engenheiro, filho de .... e ...., portador do RG nº... e inscrito no CPF
nº..., residente e domiciliado em..., pelos fatos e fundamentos expostos a seguir.
I. DOS FATOS:

O requerente é proprietário de um terreno vizinho, proximo de sua


residência, que usufruía para dar aulas de futebol para seus alunos.

Certo dia, soube que os requeridos fizeram planos para tomar posse do seu
bem, ocupando integralmente do referido terreno. Desse modo, os requeridos tomaram a
posse há 3 meses, que de certa forma o requerente não possui mas a posse do terreno.

Desta forma não restou alternativa ao requerente a propositura da presente


demanda a fim de ter seus direitos resguardados.

II. DOS DIREITOS

A) DA REINTEGRAÇÃO DA POSSE

O requerente é proprietário de um terreno vizinho, proximo de sua residência


que usava para dar aulas de futebol para os seus alunos e sendo possuidor legitimo tem o
direito de usar, gozar e dispor do terreno. Ocorre que os requeridos estão fazendo planos
para tomar a posse do requerente, de fato ocuparam a totalidade do terreno, tendo em
vista que já possuíram o terreno há 3 (três) meses.

Ademais, o requerente como proprietário tem a faculdade de usar, gozar e


dispor de seu terreno e o direito de reavê-lo dos requeridos que de certa forma estão a 3
meses possuindo o terreno do requerente, conforme artigo 1228 do Codigo Civil.

Nesse caso, o proprietário tem direito de ser reintegrado em caso de esbulho


possessório que é caracterizado pelo efetivo atentado ao seu direito pela invasão ilegítima
de ação de terceiro, no qual, os requeridos estão planejando a tentativa de tomar a posse
do requerente, violando o seu direito como possuidor do imóvel de usufruir livremente
de seu terreno.

O Codigo Civil, assim prevê:


Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse
em caso de turbação e reintegrado em caso de esbulho.
Art. 561. Incumbe ao autor provar:
I - a sua posse;
II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de
manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração.

Conforme disciplinado os dispositivos, o direito do requerente de reintegrar


a posse em caso de esbulho fica comprovado mediante documentação, que o requerente
é realmente o proprietário do terreno, uma vez que usava para dar aulas aos seus alunos,
e também está comprovado o esbulho possessório, todavia os requeridos invadiram,
ocupando a integralidade do terreno do requerente, violando o seu direito como
proprietário.

Alude ainda, nesse sentido o artigo 1210 do Codigo Civil:

Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse


em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado
de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

Nesse mesmo sentido é o entendimento do TJDFT:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO CIVIL.


DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO
DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. POSSE. ESBULHO.
REQUISITOS.
PREENCHIDOS. REINTEGRAÇÃO DEVIDA.
RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Nos
termos dos artigos 560 e 561 do CPC,
a reintegração de posse é cabível no caso de esbulho,
cabendo à parte autora a comprovação da posse,
do esbulho praticado, da data em que ocorreu e a perda
da posse. 1.1. O esbulho consiste no ato pelo qual uma
pessoa, proprietário ou possuidor, perde a posse de um bem
que tem consigo por ato de terceiro, que o toma sem ter
qualquer direito sobre a coisa. 2. A ação
de reintegração de posse visa recuperar a posse que o
possuidor foi privado pelo ato do esbulhador, sendo
imperiosa a demonstração da melhor posse, assim
considerada a exercida de boa-fé, amparada por provas que
evidenciem a relação com a coisa ou mesmo o exercício de
algum dos poderes que mais se aproximam da propriedade.
3. Comprovada a posse anterior ao alegado esbulho e
presentes os requisitos para a obtenção
da reintegração de posse, correta é a decisão que deferiu a
medida pretendida. 4. Recurso conhecido e não provido.
Decisão mantida.

(Acordão nº 07522449220208070000 - (0752244-


92.2020.8.07.0000 - Res. 65 CNJ), Órgão Julgador:
1ª TURMA CÍVEL, Relator: ROMULO DE ARAUJO
MENDES, Publicado no DJE : 30/03/2021 . Pág.: Sem
Página Cadastrada.

Assim, se enquadra em esbulho possessório, pois os requeridos após


vislumbrarem o terreno aparentemente vago, ocuparam de fato a integralidade do terreno,
tomando-se a posse do requerente como proprietário.

B) DA CONCESSÃO DO PEDIDO LIMINAR

Conforme exposto, os requeridos não têm nenhum direito de usufruírem da


posse do requerente, todavia trata-se de uma posse clandestina exercida sobre o terreno
do requerente.

A jurisprudência do TJDFT dispõe sobre o pedido liminar:


AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO
DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. DIREITO
PROCESSUAL CIVIL. COMPROVAÇÃO
DA POSSE ANTERIOR. PEDIDO LIMINAR.
CONCESSÃO. PRESENÇA DOS REQUISITOS
LEGAIS. DECISÃO MANTIDA. 1. Uma vez que a parte
agravada comprovou a posse anterior a prática do esbulho,
mostram-se presentes os requisitos legais para o
deferimento liminar de reintegração da posse. Artigos 561
e 562 do Código de Processo Civil. 2. Recurso conhecido
em parte e, na dimensão conhecida, não provido.

(Acordão nº 07528190320208070000 - (0752819-


03.2020.8.07.0000 - Res. 65 CNJ, Órgão Julgador:
7ª TURMA CÍVEL, Relator:
GETÚLIO DE MORAES OLIVEIRA, Publicado no DJE :
13/05/2021 . Pág.: Sem Página Cadastrada.

Nesse caso, a posse nova se enquadra perfeitamente, pelo fato da posse ter
sido ocupada pelos requeridos há 3 meses, fica comprovado o esbulho possessório. Desse
modo é cabivél o pedido liminar para garantir imediatamente o direito da posse buscada
pelo requerente, conforme artigo 562 do Codigo de Processo Civil:

Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o


juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado
liminar de manutenção ou de reintegração, caso contrário,
determinará que o autor justifique previamente o alegado,
citando-se o réu para comparecer à audiência que for
designada.

Portanto, impera a concessão do pedido limar para reintegrar a totalidade da


posse do requerente, expedindo-se o mandado liminar de reintegração.
III. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

A) seja concedida o pedido liminar da reintegração de posse, nos termos artigo 562
do Código de Processo Civil, determinando o mandado liminar para ser
reintegrado a posse ao requerente.
B) Determinar a citação dos requeridos para responder o presente feito, no prazo
legal, sob efeito de revelia.
C) Condenação do requerido ao pagamento de custas e honorários advocatícios, nos
termos do artigo 85 do Código de Processo Civil.
D) Pretende-se provar ao alegado por todos os meios admitidos, notadamente as
provas periciais, testemunhas e documentais, nos termos do artigo 369 do Código
de Processo Civil.

Nestes termos, pede deferimento

Local...

Data...

Advogado...

OAB.

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