Você está na página 1de 5

Atividade Avaliativa Nº 01

Prazo de entrega: 20/09/21 até às


22:30 hs. Envio pelo e-mail:
profissional.alda@gmail.com

Contextualização:

Certo dia, no caminho da sua empresa, Dona Sueli (empresária do ramo de


beleza) parou no banco para tirar o extrato mensal da conta de suas lojas.
Marta, sua amiga, que estava com ela no carro, ouviu o seguinte comentário
que D. Sueli fez ao ler os extratos:
– Esse mês a empresa pagou um absurdo de IOF.
– Pois é! Com esse novo Decreto assinado pelo Presidente as
alíquotas aumentaram e começam a viger a partir do dia 20 de
setembro e vai até o dia 31 de dezembro de 2021. Aí que a coisa vai
ficar complicada – disse Marta.

Foi aí que veio o espanto. Disse D. Sueli: “Espera aí, ela disse decreto?”.
Indignada D. Sueli perguntou a Marta: “É possível o aumento do IOF por
decreto?”

Diante da situação “hipotética” acima você contabilista, estudante de


legislação tributária, foi contratado para assessorar D. Sueli, que é cliente de
seu escritório. Para tanto você deverá realizar pesquisa sobre o tema em acima,
fundamentar sua resposta e elaborar parecer para ser apresentado à cliente.

Lembre-se:

A vontade é sua, o arbítrio é seu, mas a colheita é regra do Pai,


portanto faça sua parte, colha os frutos de seu esforço.
Bons estudos.

Prof.ª Alda Dias Pimentel Leal


EMENTA: ANÁLISE SOBRE A POSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO DA
ALÍQUOTA DE IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS (IOF)
MEDIANTE ATO ADMINISTRATIVO NORMATIVO DO CHEFE DO PODER
EXECUTIVO FEDERAL

INTERESSADO: D. Sueli
DATA: 18 de setembro de 2021

1.RELATÓRIO

Trata-se de parecer sobre a possibilidade de majoração da alíquota do


imposto sobre operações financeiras (IOF) mediante a edição de decreto pelo
Presidente da República, chefe do Poder Executivo Federal.
É o Relatório, passa-se ao parecer opinativo.

2.FUNDAMENTOS JURÍDICOS

No âmbito do direito tributário, a Constituição Federal da República


Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/88) precipuamente define as
competências tributárias, delimita a repartição das receitas tributárias e,
objeto de nossa análise, estabelece as limitações constitucionais ao poder de
tributar por intermédio de princípios, que são alicerces da tributação e
verdadeiros direitos individuais dos cidadãos. Dentre as infinidades de
limitações ao poder de tributar, conforme verifica-se na Seção II (dois) do
Título VI (seis) da CRFB/88 (Da Tributação e do Orçamento), o Artigo 150
(cento e cinquenta), inciso I (um) dispõe sobre o Princípio da Reserva Legal ou
também denominado Princípio da Legalidade Estrita:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça.

Apesar de a CRFB/88 reservar expressamente à lei apenas a instituição


e a majoração do tributo, não resta dúvidas de que a redução e a extinção do
tributo também restam adstritas à lei, conforme, inclusive, expressa o Artigo
97 (noventa e sete), da Lei nº 5.172 (cinco mil, cento e setenta e dois), de 25
(vinte cinco) de outubro de 1966 (um mil, novecentos e sessenta e seis)
(Código Tributário Nacional ou CTN):

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:


I – a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos arts.
21, 26, 39, 57 e 65.

Sendo certo que a instituição do tributo deve sempre ser realizada por
lei, o Art. 97 do CTN reforça e detalha esta garantia ao estabelecer que a
definição do fato gerador da obrigação tributária principal, seu sujeito passivo,
a fixação de alíquota do tributo e sua base de cálculo devem estar previstos em
lei.
Não obstante, o Princípio da Reserva Legal não constitui caráter
absoluto na análise concreta do direito positivo supramencionado, ou seja, este
princípio comporta exceções, conforme observa-se o disposto no Artigo 153,
§1º:

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:


§ 1.º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites
estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos
incisos I, II, IV e V.

Em outras palavras, existe a faculdade do Poder Executivo em modificar


as alíquotas dos impostos, desde que essas alterações atendam aos limites e às
condições estabelecidos em lei e contanto que essas incidam sobre impostos de
importação de produtos estrangeiros (II), de exportação, para o exterior, de
produtos nacionais ou nacionalizados (IE), de produtos industrializados (IPI)
e de operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores
mobiliários (IOF). Sumariamente, diante do exposto, o Poder Executivo
Federal pode, por meio de decreto, aumentar a alíquota de impostos que
tratem da produção, operações financeiras, importação, exportação e
transações com ouro, quando este for considerado um ativo, retirada a
necessidade de cumprimento do Princípio da Noventena ou Anterioridade
Nonagesimal – necessidade de espera de 90 (noventa) dias para que a
mudança produza efeitos. Por conseguinte, a majoração do IOF por meio de
decreto presidencial implica efeitos imediatos.
Finalmente, cabe ressaltar a razão pela qual a CRFB/88 dispõe sobre a
faculdade do Poder Executivo em modificar as alíquotas de alguns tributos
mediante ato administrativo normativo. Existem duas finalidades precípuas na
instituição de um tributo: a fiscal e a extrafiscal. A finalidade fiscal de um
tributo diz respeito a sua função arrecadatória, permitindo ao Erário a
consecução de suas políticas públicas, visando, sempre, o interesse público. Ou
seja, fornece recursos orçamentários e financeiros para atender às demandas
da sociedade em geral. Em contraste, a finalidade extrafiscal relega a
arrecadação a um segundo plano e, tendo em vista a relevância da incidência
desse tributo na regulação da atividade econômica e na defesa dos interesses
nacionais, a Repartição Pública detém poder regulatório de certos setores.
Como exemplo ilustrativo, vale relembrar a crise de 2008 (dois mil e oito),
também conhecida como crise do subprime, que demandava celeridade por
parte da Presidência da República Brasileira em estabelecer uma política
econômica anticíclica, que consistia de uma política monetária expansiva
através, por exemplo, da redução dos tributos e aumento dos gastos
governamentais, o que, segundo a Teoria Econômica Keynesiana, aumentaria a
liquidez econômica do nosso país, sustentando a baixa econômica mundial.
Consequentemente, a redução do IPI pelo Presidente na época permitiu o
crescimento econômico brasileiro, culminando em apenas um exercício
financeiro cuja média do Produto Interno Bruto (PIB) encontrava-se
ligeiramente negativa, seguida de várias médias superavitárias do PIB.

3.CONCLUSÕES

Considerando todo o abordado, em especial pelo Art. 153, §1.º, o Chefe


do Poder Executivo Federal tem a faculdade de alterar a alíquota de IOF
mediante ato administrativo normativo, com efeitos imediatos, desde que
respeitados as condições e os limites estabelecidos em lei.
Salvo melhor entendimento, é o parecer.
Brasília, Distrito Federal, 18 de setembro de 2021
Lucas Oliveira Torres

Você também pode gostar