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Legislação Tributária

Federal

Curso Técnico em Contabilidade


SENAC/DF
Prof.ª Alda Dias Pimentel Leal
1
Introdução
Em Direito tributário, legislação tributária se refere às leis referentes à definição
de tributos, atribuição de responsabilidade tributária e à cobrança de tributos no
país, incluindo a fiscalização e as penalidades para quem não cumpre a lei.

No Brasil, a legislação tributária está sujeita a um Sistema Constitucional.

Segundo o artigo 96 do Código Tributário Nacional, a expressão "legislação


tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais,

os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte,


sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.

No entanto, é importante ressaltar que o processo legislativo prescrito no artigo


59 da Constituição brasileira compreende também as emendas à
Constituição; as leis complementares; as leis ordinárias; as leis
delegadas; as medidas provisórias; os decretos legislativos; e as
resoluções.

A responsabilidade tributária define quem é responsável pelo pagamento do


tributo.

O Direito tributário tem ainda por fim diferenciar impostos, taxas e contribuições
de melhoria. Os demais serviços que não possuem a natureza de uma taxa,
serão cobrados pelo Poder Executivo e adotam a nomenclatura de tarifa ou
preço público.

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IMPOSTO SOBRE
IMPORTAÇÃO

3
1. Imposto de Importação - II

1.1. Legislação.
O Imposto de Importações foi
instituído pelo Decreto-Lei Nº
37 de 18/11/66

1.2. Incidência.

 Art.1º - O Imposto sobre a


Importação incide sobre
mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território
Nacional.                 
        § 1º - Para fins de incidência do imposto, considerar-se-á também
estrangeira a mercadoria nacional ou nacionalizada1 exportada, que
retornar ao País, salvo se:                

a) enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado;              

b) devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou


substituição;               

 c) por motivo de modificações na sistemática de importação por parte do


país importador;                  

 d) por motivo de guerra ou calamidade pública;

  e) por outros fatores alheios à vontade do exportador. 

1.3. Não Incidência.

§ 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira:

  I – destruída sob controle aduaneiro, sem ônus para a Fazenda


Nacional, antes de desembaraçada;

 II - em trânsito aduaneiro de passagem, acidentalmente destruída;


ou             

1
O produto nacional é aquele produzido ou modificado industrialmente no próprio país, enquanto o
nacionalizado é fruto de importação definitiva.

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 III - que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em
que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida.   

1.4. Base de cálculo:


A base de cálculo do imposto está definida no artigo segundo nestes termos:

Art.2º - A base de cálculo do imposto é: 

I - quando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria, expressa


na unidade de medida indicada na tarifa;  
II - quando a alíquota for "ad valorem"2, o valor aduaneiro apurado
segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e
Comércio - GATT.  

1.4.1. Alíquota Específica: A unidade de medida adotada pela Legislação


Tributária.

1.4.2. Alíquota "Ad Valorem": O preço normal que o produto alcançaria, ao


tempo da importação, com uma venda em condições de livre concorrência,
para entrega no porto ou lugar de entrada.

1.4.3. Produto Apreendido ou Abandonado (leilão): Preço da arrematação.

1.4.4. Alíquota: Constante da Tarifa Externa Comum - TEC 3.

No final de 1997, como parte integrante do conjunto de medidas de ajuste


fiscal, as alíquotas dos produtos importados foram aumentadas em três pontos
percentuais (Decreto Nº 2.376/97). Em dezembro de 1999 a alíquota média
calculada foi de 10,65% e a alíquota média efetiva de 7,99%.

1.5. Isenções.

A legislação prevê algumas situações de não incidência do tributo, no Capítulo


III – Isenções e Reduções.
 Bagagem – art. 13;
 Bens de interesse para o desenvolvimento econômico – art. 14;
 Isenções diversas – art. 15; e
2
Ad valorem - diz-se de ônus tributário sobre o valor da mercadoria e não sobre seu peso, quantidade ou volume.

3
http://www.camex.gov.br/tarifa-externa-comum-tec/tarifa-externa-comum

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 Similaridade – art. 17.

1.6. Periodicidade de apuração:

Decendial - se faz de 10 em 10 dias.

1.7. Prazo de recolhimento: Na data do registro da Declaração de


Importação (DI)4.

 2.4.1. Cigarros e bebidas: Até o 3º dia útil do decêndio subsequente ao


de ocorrência dos fatos geradores.

 2.4.2. Demais Produtos: Até o último dia útil do decêndio subsequente


ao de ocorrência dos fatos geradores.

1.8. Vídeos.
Como parte do aprendizado assista o vídeo indicado. No entanto o tema não se
esgota aqui, sugiro a ampliação da pesquisa para aprimoramento dos
conhecimentos.

Título do Vídeo: Parte I - Como calcular os impostos em uma importação


https://www.youtube.com/watch?v=bHZPxJgM_KM

Título do Vídeo: Parte II Calculando as taxas e serviços


https://www.youtube.com/watch?v=1u9jHOW5LVQ

4
Declaração ou Desembaraço de Importação (DI) é o documento relativo ao processo aduaneiro
de importação regular de bens e mercadorias realizado junto à Receita Federal do Brasil que formaliza e une as
informações relacionadas ao processo de importação.

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Imposto Sobre Produtos
Industrializados

2. Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI

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2.1. Legislação:

A instituição, cobrança, fiscalização, arrecadação e


administração do Imposto sobre os Produtos
Industrializados – IPI está regulamento no Decreto
Nº 7.212/10.

2.2. Incidência:

As características e modalidades da
“Industrialização” estão previstas na Seção II, art.
4º, nestes termos:
Art. 4 o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a
natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do
produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como ( Lei nº 5.172, de 1966, art. 46,
parágrafo único , e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único) :
I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários,
importe na obtenção de espécie nova (transformação);
II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o
funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto
(beneficiamento);
III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte
um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação
fiscal (montagem);
IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da
embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem
colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou
reacondicionamento); ou
V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto
deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização
(renovação ou recondicionamento).
Parágrafo único.  São irrelevantes, para caracterizar a operação como
industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização
e condições das instalações ou equipamentos empregados.

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A legislação exclui da incidência do tributo:
Art. 5 o Não se considera industrialização:
I - o preparo de produtos alimentares, não acondicionados em embalagem
de apresentação:
a) na residência do preparador ou em restaurantes, bares, sorveterias,
confeitarias, padarias, quitandas e semelhantes, desde que os produtos se
destinem a venda direta a consumidor; ou
b) em cozinhas industriais, quando destinados a venda direta a pessoas
jurídicas e a outras entidades, para consumo de seus funcionários, empregados
ou dirigentes;
II - o preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por meio de
máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares e estabelecimentos
similares, para venda direta a consumidor (Decreto-Lei n o 1.686, de 26 de
junho de 1979, art. 5 o , § 2 o );
III - a confecção ou preparo de produto de artesanato, definido no art. 7 o ;
IV - a confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor ou
usuário, em oficina ou na residência do confeccionador;
V - o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário,
na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja
preponderante o trabalho profissional;
VI - a manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor, de
medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de
1964, art. 3º, parágrafo único, inciso III , e Decreto-Lei n o 1.199, de 27 de
dezembro de 1971, art. 5 o , alteração 2 a );
VII - a moagem de café torrado, realizada por estabelecimento comercial
varejista como atividade acessória (Decreto-Lei n o 400, de 30 de dezembro de
1968, art. 8 o );
VIII - a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na
reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte:
a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas
coberturas);

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b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração, estações
e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia,
estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; ou
c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo;
IX - a montagem de óculos, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de 1964,
art. 3º, parágrafo único, inciso III , e Decreto-Lei nº 1.199, de 1971, art.
5º, alteração 2 a );
X - o acondicionamento de produtos classificados nos Capítulos 16 a 22
da TIPI, adquiridos de terceiros, em embalagens confeccionadas sob a forma
de cestas de natal e semelhantes (Decreto-Lei nº 400, de 1968, art. 9º);
XI - o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados,
nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando
essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não
estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo
consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas
exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º,
parágrafo único, inciso I);
XII - o reparo de produtos com defeito de fabricação, inclusive mediante
substituição de partes e peças, quando a operação for executada gratuitamente,
ainda que por concessionários ou representantes, em virtude de garantia dada
pelo fabricante (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I);
XIII - a restauração de sacos usados, executada por processo rudimentar,
ainda que com emprego de máquinas de costura;
XIV - a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob
encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento comercial
varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e
varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou
coligadas (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso IV , e Lei
n o 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 18); e
XV - a operação de que resultem os produtos relacionados na Subposição
2401.20 da TIPI , quando exercida por produtor rural pessoa física (Lei
n o 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 12 , e Lei n o 11.452, de 27 de
fevereiro de 2007, art. 10).

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Parágrafo único.  O disposto no inciso VIII não exclui a incidência do
imposto sobre os produtos, partes ou peças utilizados nas operações nele
referidas.

2.3. Imunidade Tributária.

Inicialmente é importante entender a diferença que existe entre “imunidade


tributária” e “Isenção Fiscal” e “Alíquota zero”.

São conceitos do direito tributário que levam os profissionais da área fiscal à


confusão são sobre a diferença entre imunidade tributária e isenção fiscal . E
não é de se espantar o quiproquó conceitual, haja vista que o efeito prático é o
não pagamento do tributo. Entretanto, há diferenças enormes entre os dois,
que passaremos a verificar a seguir.

Imunidade Tributária: A imunidade é determinada pela Constituição Federal


sobre tributação de certas pessoas ou certos fatos.
Exemplo: Instituições religiosas, partidos políticos, entidades sindicais, etc.

Isenção Fiscal: a isenção é o exercício da competência do ente da federação.


A isenção é a dispensa legal do pagamento do tributo devido, verificando-se
em uma situação na qual há legitima incidência, porquanto se deu um fato
gerador, e o legislador, por expressa disposição legal, optou por dispensar o
recolhimento do tributo. EX: Aposentados que receberam menos de R$
1.903,98 por mês foram isentados do pagamento do IR (Imposto de Renda).

Alíquota Zero: Vimos que alíquota é o percentual aplicável sobre o valor do


bem. Quando a alíquota é zero, zero será cobrado. Isto significa que pode
existir uma lei prevendo o tributo, o fato gerador pode ocorrer e o valor será
calculado, mas este valor será nulo. Por isso, a alíquota zero também é
considerada um incentivo fiscal.

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Há uma variedade enorme de tributos com alíquotas zeradas. Isto normalmente
ocorre quando a administração pública deseja incentivar o consumo de um
produto ou impulsionar a economia.

Um exemplo relevante ocorreu em março de 2020, quando a alíquota de IPI de


certos produtos farmacêuticos, como álcool em gel, foi zerada em decorrência
da pandemia do COVID-19.

No âmbito da legislação do IPI, o tema é tratado no art. 18, vejamos:


Art. 18. São imunes da incidência do imposto:

I - os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão (Constituição Federal,


art. 150, inciso VI, alínea “d”) ;

II - os produtos industrializados destinados ao exterior (Constituição Federal, art. 153, § 3º,


inciso III);

III - o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial
(Constituição Federal, art. 153, § 5º) ; e

IV - a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição


Federal, art. 155, § 3o).

2.4. Sujeito Passivo.

Sobre esse tema o ar. 21 assim o define:


Art. 21.  Sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamento
do imposto ou penalidade pecuniária, e diz-se :
I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o
respectivo fato gerador; e
II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de
expressa disposição de lei.
Art. 22.  Sujeito passivo da obrigação tributária acessória é a pessoa obrigada às prestações
que constituam o seu objeto.
Art. 23.  As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento do
imposto, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição do sujeito
passivo das obrigações correspondentes

2.5. Contribuintes e responsáveis.

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São contribuintes e/ou responsáveis aqueles definidos no art. 24 e 25 da
norma, vejamos:
Contribuintes
Art. 24.  São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte:
I - o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de
produto de procedência estrangeira ( Lei n o 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea “b” );
II - o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que
industrializar em seu estabelecimento, bem como quanto aos demais fatos geradores
decorrentes de atos que praticar ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea “a” );
III - o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos
que dele saírem, bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar
( Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea “a” ); e
IV - os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não
sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e
periódicos, quando alcançado pela imunidade prevista no inciso I do art. 18 ( Lei n o 9.532, de
1997, art. 40 ).

Responsáveis

Art. 25.  São obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis:

I - o transportador, em relação aos produtos tributados que transportar, desacompanhados da


documentação comprobatória de sua procedência

II - o possuidor ou detentor, em relação aos produtos tributados que possuir ou mantiver para fins
de venda ou industrialização, nas mesmas condições do inciso I;

III - o estabelecimento adquirente de produtos usados cuja origem não possa ser comprovada pela
falta de marcação, se exigível, de documento fiscal próprio ou do documento a que se refere o art. 372;

IV - o proprietário, o possuidor, o transportador ou qualquer outro detentor de produtos nacionais,


do Capítulo 22 e do Código 2402.20.00 da TIPI, saídos do estabelecimento industrial com
imunidade ou suspensão do imposto, para exportação, encontrados no País em situação
diversa, salvo se em trânsito, quando:

a) destinados a uso ou consumo de bordo, em embarcações ou aeronaves de tráfego internacional,


com pagamento em moeda conversível;

b) destinados a lojas francas, em operação de venda direta, nos termos e condições estabelecidos
pelo art. 15 do Decreto-Lei n o 1.455, de 7 de abril de 1976

c) adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, e remetidos
diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados,
por conta e ordem da adquirente;

d) remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de


exportação

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V - os estabelecimentos que possuírem produtos tributados ou isentos, sujeitos a serem rotulados
ou marcados, ou, ainda, ao selo de controle, quando não estiverem rotulados, marcados ou selados;

VI - os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a imunidade, a isenção
ou a suspensão do imposto;

VII - a empresa comercial exportadora, em relação ao imposto que deixou de ser pago, na saída do
estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela adquiridos com o fim específico de exportação,
nas hipóteses em que :

a) tenha transcorrido cento e oitenta dias da data da emissão da nota fiscal de venda pelo
estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação;

b) os produtos forem revendidos no mercado interno; ou

c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos ( Lei n o 9.532, de 1997, art. 39, § 3 o , alínea
“c” );

VIII - a pessoa física ou jurídica que não seja empresa jornalística ou editora, em cuja posse for
encontrado o papel, destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere o inciso I do art.
1 8 ( Lei nº 9.532, de 1997, art. 40, parágrafo único );

IX - o estabelecimento comercial atacadista de produtos sujeitos ao regime de que trata a Lei n o 

2.6. Base de cálculo:

2.6.1. Operações internas.

O valor da operação na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a


industrial;

2.6.2. Operações externas.

O valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do Imposto de


Importação, por ocasião do despacho da Declaração de Importação, acrescido
do montante deste tributo e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo
importador ou deste exigíveis.

2.7. Alíquota.
Diversas, definidas na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos
Industrializados – TIPI5.
5
Disponível para consulta em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/documentos-
e-arquivos/tipi.pdf

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2.8. Periodicidade de apuração:
Decendial6.

2.9. Prazo de recolhimento:


O título VI define a contagem de prazos estabelecidos na Norma Jurídica:

Art. 33.  Os prazos previstos neste Regulamento serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o
dia do início e incluindo-se o do vencimento;

§ 1 o Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o
processo ou deva ser praticado o ato;

§ 2 o Se o dia do vencimento do prazo cair em domingo, feriado nacional ou local, ponto
facultativo ou data em que, por qualquer motivo, não funcionar normalmente a repartição onde deva ser
cumprida a obrigação, o prazo considerar-se-á prorrogado até o primeiro dia útil subsequente;

§ 3 o Será antecipado para o último dia útil imediatamente anterior o término do prazo de
recolhimento do imposto que ocorra a 31 de dezembro, quando nesta data não houver expediente
bancário.

§ 4 o Ressalvado o disposto no § 3 o , será prorrogado para o primeiro dia útil subsequente ao prazo
para recolhimento do imposto cujo término ocorrer em data em que, por qualquer motivo, não
funcionarem os estabelecimentos bancários arrecadadores.

Art. 34.  Nenhum procedimento do contribuinte, não autorizado pela legislação, interromperá os


prazos fixados para o recolhimento do imposto.

O prazo de recolhimento do IPI será:

2.4.1. Cigarros e bebidas: Até o 3º dia útil do decêndio (espaço de dez dias) subsequente (posterior) ao de
ocorrência dos fatos geradores;

2.4.2. Demais Produtos: Até o último dia útil do decêndio (espaço de dez dias) subsequente (posterior) ao
de ocorrência dos fatos geradores.

2.10. Dicas esquematizadas.

6
Que acontece ou que se faz de 10 em 10 dias

15
2.11. Vídeo.

Como parte do aprendizado assista o vídeo indicado. No entanto o tema não se


esgota aqui, sugiro a ampliação da pesquisa para aprimoramento dos
conhecimentos.

Título1: O que é IPI? IPI alíquota, IPI significado, IPI imposto, Como calcular
IPI, IPI fato gerador.
https://www.youtube.com/watch?v=bThAMixAjZo

16
Imposto sobre a Renda das
Pessoas Físicas

17
3. Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas – IRPF (Declaração
anual)

A Receita Federal do Brasil lançou um vídeo 7 com a história da instituição do


IR. Está disponível no site da RFB. Ao final deste trabalho veja a evolução
histórica e curiosidades sobre este tributo.

3.1. Trajetória do tributo:


 Primórdios do imposto de renda no mundo;
 Primórdios do imposto de renda no Brasil;
 1922 a 1924 - A instituição do imposto de renda no Brasil;
 1925 a 1929 - As primeiras reformas;
 1930 a 1939 - A adaptação do imposto;
 1940 a 1944 - O imposto de renda alcança o primeiro lugar em
arrecadação;
 1945 a 1963 - A consolidação do imposto;
 1964 a 1967 - A Reforma Tributária;
 1968 a 1981 - Começa a Era da Secretaria da Receita Federal do Brasil;
 1982 a 1990 - O lançamento por homologação e o Sistema de Bases
Correntes;
 1991 a 1996 - Começa a informatização no preenchimento da
Declaração;
 1997 a 2016 - O avanço tecnológico: segurança, rapidez e facilidade no
preenchimento e na entrega da declaração.

3.2. Legislação

 Legislação do Imposto de Renda Pessoa Física de 1843 a 2015;


 Regulamentos do Imposto de Renda de 1924 a 2015;
 Cálculos, deduções e abatimentos de 1924 a 2017.

7
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/memoria/imposto-de-
renda/historia-do-imposto-de-renda-pf

18
3.3. Quem precisa declarar – 2021.
Para saber se você precisa declarar o IR 2021, é só analisar os seguintes
pontos:

recebeu mais de R$ 28.559,70 em rendimentos tributáveis no ano de


2020;
adquiriu o valor total superior a R$ 300 mil em imóveis ou outros bens até
o final de dezembro de 2020;
obteve capital com a venda de imóveis, veículos, operações em bolsa de
valores e outros bens sujeitos à tributação;
teve renda bruta de atividade rural superior ao valor de R$ 142798,50;
recebeu mais de R$ 40 mil em rendimentos isentos e não tributáveis ou
tributáveis na fonte.

3.4. Tipos de declaração.

Basicamente o IR pode ser calculado em dois modelos tributários: o


completo e o simples. Você pode escolher um deles, de acordo com as
despesas a serem declaradas.

O completo é mais indicado para quem possui uma maior quantidade de


despesas para deduzir, e já o simplificado é para quem tem menos
despesas dedutíveis.

É válido ressaltar que a declaração simples recebe um desconto padrão de

20% sobre os rendimentos tributáveis, enquanto o completo recebe


menos que 20% e conta com uma restituição maior.

Cuidado!

19
As deduções de despesas, como gastos com educação e saúde, além do
abatimento de dependentes, só são permitidas se o contribuinte optar pelo
modelo completo na hora de preencher a declaração do imposto de renda.
Isso porque, a opção por preencher a declaração simplificada garante um
abatimento único de 20% sobre a renda tributável. O desconto único de 20%
continua limitado ao teto de R$ 16.754,34 reais.

O desconto único de 20% gerado pelo preenchimento da declaração no


modelo simplificado pode ou não ser mais vantajoso do que o desconto
obtido pelo abatimento individual das despesas dedutíveis na declaração
completa.

Caso a declaração completa seja a sua escolha ideal, é importante guardar


todos os comprovantes de despesas que você teve por, no mínimo, cinco anos.

3.5. Incidência.

A incidência do imposto está prevista na Lei Nº 7.713/88 especialmente nos


artigos 7º e 8º, de forma vejamos:
Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de
acordo com o disposto no art. 25 desta Lei:

 I - os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por


pessoas físicas ou jurídicas;

 II - os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não


estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por
pessoas jurídicas.

De forma simplificada podemos concluir que é necessário declarar:

A declaração deve incluir tudo o que você ganhou, o que você pagou e os

bens que possui no ano passado.

Os rendimentos tributários são o salário (incluindo o pagamento de férias),


aposentadoria, rendimento de aluguel e pensão, por exemplo.

20
O 13º salário e o prêmio de loteria são considerados rendimentos

tributados na fonte, enquanto a poupança e o seguro-desemprego são


rendimentos isentos e não-tributáveis.

Os valores a serem colocados na declaração devem ser informados nos


comprovantes de rendimentos e pagamentos.

3.6. Base de cálculo:


Rendimento bruto anual ajustado pelas deduções previstas em Lei.

3.7. Alíquota:
Variam de 7,5% a 27,5%, conforme faixa de renda.

3.8. Tabela Progressiva Mensal do Imposto de Renda da Pessoa Física – 2021

A tabela progressiva para cálculo do IMPOSTO ANUAL é a seguinte:

21
3.9. Deduções:

Esse assunto está previsto no Capítulo II da Lei Nº 9.250/95, Art. 4º.


Resumidamente são os seguintes:

‍1. Despesas com educação;

O pagamento de mensalidades e matrículas relativas à educação pode ser utilizado


para dedução do IR.

Na declaração completa é possível abater despesas com educação até o limite de R$


3.561,50 reais por dependente. Dentre as instituições que se enquadram para a
dedução estão as creches, escolas de ensino infantil, médio, fundamental, faculdades,
cursos profissionalizantes e de pós-graduação. Ou seja, a pós-graduação ou
especialização pode ser deduzida.

Podem ser abatidas apenas despesas com ensino técnico, fundamental, médio,
superior, pós-graduação, mestrado e doutorado.

Cursos extracurriculares, como aula de idiomas, assim como aulas para concursos e
pré-vestibulares não geram abatimentos.

Esse tipo de despesa dedutível não inclui gastos com material escolar e atividades
extracurriculares, como escolas de línguas ou cursinhos preparatórios.

2. Contribuições Previdência Social

Valor do abatimento: ilimitado

22
O contribuinte pode deduzir da base de cálculo do imposto de renda todas as
contribuições feitas ao INSS, seja como trabalhador formal ou autônomo. Mas é
necessário ter recebido rendimentos tributáveis suficientes ao longo de 2019 que o
obriguem a acertar as contas com o Leão neste ano.

Também é possível deduzir contribuições ao INSS pagas por um dependente que


tenha rendimentos tributáveis próprios, mas que são incluídos na declaração do
contribuinte.
2. Pagamento de pensão alimentícia.

Valor do abatimento: ilimitado

Todo valor estabelecido pela Justiça pode ser deduzido, mas contribuições
informais são consideradas mesadas e não entram nos critérios de dedução.

3. Pagamento de Previdência Social e Previdência Privada.

Valor do abatimento: limitado a 12% dos rendimentos tributáveis

Quem contribui a um plano de previdência privada na modalidade Plano Gerador de


Benefício Livre (PGBL) ou para o fundo de pensão oferecido pela empresa pode
deduzir as contribuições feitas ao longo do ano passado da base de cálculo do
imposto de renda até o limite de 12% da renda tributável.

Assim, se a renda tributável tiver atingido R$ 100.000,00 reais em 2020 — sujeita à


alíquota de 27,5% — as contribuições aos planos poderão ser abatidas até o limite de
R$ 12.000,00 reais.

Isso significa que o contribuinte terá direito a uma restituição de R$ 3.300,00 reais
neste ano (27,5% de 12.000 reais) ou, se tiver imposto a pagar, pagará R$ 3.300,00
reais a menos.

Vale lembrar que o benefício não se trata de uma isenção de IR, mas um adiamento
do pagamento. Quando o contribuinte for resgatar os recursos aplicados no plano no
futuro, a tributação incidirá não apenas sobre a rentabilidade da aplicação, mas sobre
todo o valor investido.

23
4. Despesas com tratamentos odontológicos.

Desde que comprovados da maneira correta, pagamentos feitos ao dentista por


procedimentos odontológicos podem gerar descontos.

Tratamentos de canal, extrações de dentes e implantes entram nessa conta. Os


descontos são válidos também para a compra e manutenção de prótese dentária
(dentadura, pontes e implantes).

6. Despesas com planos e tratamentos de saúde.

Assim como o tratamento dentário, gastos por motivos de saúde podem ser
inteiramente dedutíveis. Os gastos devem ser relativos ao contribuinte e seus
dependentes.

Valor do abatimento: ilimitado

Não há limites de valor para a dedução dos gastos com saúde, mas nem todos os tipos
de despesa médica podem ser deduzidos da base do imposto.

Entre as despesas médicas dedutíveis na declaração de IR estão gastos com


internação, exames, consultas, aparelhos e próteses; e planos de saúde, realizados em
benefício de quem declara ou de seus dependentes.
Para declarar essas despesas, é preciso ter os comprovantes do pagamento, como
recibos e notas fiscais ou o informe enviado pelo plano de saúde, que contenham o
nome, o endereço e o CPF ou CNPJ de quem recebeu os pagamentos.

7. Deduções obtidas por Livro-Caixa.

As despesas escrituradas no Livro-Caixa de profissionais autônomos, como os


médicos, podem ser usadas para obtenção das deduções. São redutíveis todos os
gastos que estejam associados à atividade do trabalhador, incluindo encargos
trabalhistas e previdenciários.

itens são dedutíveis:

remuneração a terceiros, como salários, e encargos;

24
remuneração paga a terceiros, prestadores de serviços eventuais, sem vínculo
empregatício;
encargos como IPTU, INSS, ISS e cartórios;
gastos com material de escritório, limpeza, manutenção;
aluguel, luz, internet, telefone, condomínio;
gastos com marketing, propaganda e publicidade;
uniformes, roupas especiais para exercício da profissão;
contribuições a entidades como sindicatos, conselhos e órgãos reguladores e
representativos da classe;
despesas com congressos e seminários;
honorários pagos pela escrituração do Livro-Caixa, assim como honorários
advocatícios;
despesas correspondem ao aluguel e, caso more e trabalhe no imóvel, pode
deduzir no Livro-Caixa a quinta parte das despesas com a residência;
Correios, fretes e transportes;
equipamentos, dispositivos e máquinas necessárias para desempenho das
funções.
8. Despesas com imobiliária.

Quem possui um imóvel alugado pode deduzir os valores despendidos com


imobiliária, relacionados com a corretagem e administração.

Para a solicitação, o valor do aluguel deve ser declarado no Imposto de Renda. Como
comprovação, é preciso ter o informe da imobiliária sobre os gastos e efetivar o
desconto. Já financiamentos de imóveis e pagamentos de aluguel não podem ser
deduzidos.

9.Doações incentivadas.

Valor do abatimento: limitado a 6% do imposto de renda devido

Contribuições a instituições que se enquadram nas regras de doações com incentivos


fiscais também podem ser deduzidas da base do imposto de renda a pagar.

Contudo, as chamadas doações incentivadas só podem ser feitas:

25
aos fundos municipais, estaduais, distrital e nacional da criança e do
adolescente, que se enquadram no Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA);
fundos municipais, estaduais, distrital e nacional que se enquadram no
Estatuto do Idoso; projetos aprovados pelo Ministério da Cultura e
enquadrados na Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet);
projetos aprovados pelo Ministério da Cultura ou pela Agência Nacional de
Cinema (Ancine) e enquadrados na Lei de Incentivo à Atividade Audiovisual;
projetos aprovados pelo Ministério do Esporte e enquadrados na Lei de
Incentivo ao Esporte.

Essas doações não podem, somadas, ultrapassar o limite de 6% do valor do imposto


de renda devido. Ou seja, se o imposto devido for de R$ 3.000,00 reais, o valor
máximo que pode ser deduzido dos gastos com esse tipo de doação será equivalente a
R$ 180,00 reais.

9.Empregado Doméstico.

Valor do abatimento: extinto

Na declaração completa, era possível deduzir no ano passado até R$ 1.200,32 reais
em despesas com um empregado doméstico. O valor foi extinto e não será possível
fazer mais qualquer abatimento.

3.10. Prazo de recolhimento do IRPF retido sobre rendimentos mensais.

Até o dia 20 (vinte) do mês seguinte àquele a que as contribuições se


referirem, ou até o dia útil imediatamente anterior, quando não houver
expediente bancário na data do vencimento.

3.11. Prazo de recolhimento do IRPF anual.

O saldo do Imposto a pagar (Imposto devido menos recolhimento mensal)


poderá ser pago em até seis (06) cotas iguais, mensais e sucessivas,
observando-se o seguinte:

26
3.12.1. Nenhuma cota será inferior a R$ 50,00 e o imposto de valor
inferior a R$ 100,00 será pago de uma só vez;

3.12.2. A primeira cota ou cota única deverá ser paga no mês fixado para
entrega da declaração; e

3.12.3. As demais cotas, acrescidas de juros equivalentes à taxa SELIC,


acumulada mensalmente, calculada a partir da data prevista para
entrega da declaração até o mês anterior ao pagamento e de 1% no
mês do pagamento, vencerão no último dia útil de cada mês.

3.12. Documentos Necessários.

Além dos comprovantes dos rendimentos e pagamentos de pelo menos cinco


anos, é importante reunir outros documentos para fazer a declaração de IR,
como:
 dados da conta bancária;
 nome, CPF, grau de parentesco dos dependentes e data de nascimento;
 endereço atualizado;
 cópia da última Declaração de Imposto de Renda Física;
 atividade profissional atual;
 extrato de previdência privada;
 documentação do plano de saúde.

Quem faz aplicações financeiras em bancos e corretoras, e quem paga pensão


alimentícia, também deve manter os comprovantes das receitas.

3.13. Elaboração.

Depois de organizar todos os documentos necessários, o próximo passo é


fazer o download do Programa Gerador da Declaração – PGD IRPF 2021 – no
site da Receita Federal, que é de fácil manuseio.

27
Site para baixar o programa da Receita Federal, necessário para fazer a
declaração: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-
renda

O layout da página é a seguinte:

Também é possível baixar o aplicativo “Meu Imposto de Renda”, no Google


Play ou na AppStore, para fazer a declaração pelo smartphone ou tablet.

Se a soma dos seus rendimentos e de seus dependentes for inferior a R$ 200


mil, você não é obrigado a informar o número do recibo da declaração do ano
passado.

Depois de preencher todas as informações necessárias no programa, vale


conferir o “status” da declaração para saber se é preciso regularizar algum
ponto.

3.14. Acompanhamento do status da Declaração.

O processamento de sua declaração pode ser acessado em “ Meu Imposto de


Renda (Extrato da DIRPF), disponível no Centro Virtual de Atendimento
(e-CAC)”.

28
Ao acompanhar a situação da declaração, além de ver se há pendências,
também é possível saber se ela ficou retida na malha fina.

3.15. Malha Fria.

O que fazer se a sua declaração caiu na malha fina?

Cair na malha fina significa que a sua declaração teve algum erro e, por
isso, ficou retida. Nessa situação, você não pode receber a restituição até
enviar uma retificação à receita, explicando os erros na declaração.

Para saber quais foram as falhas apresentadas, é só ir até a seção


“Pendências de malha”, no extrato de declaração, e depois apresentar à
Receita a declaração corrigida.

Por isso, é fundamental ter bastante atenção ao preencher a sua declaração


antes de enviar, a fim de evitar multas e dores de cabeça.

3.16. Não Entrega da Declaração de Imposto de Renda.

Normalmente, o contribuinte possui dois meses para enviar a declaração para


a Receita Federal: quem declara mais cedo também pode receber a restituição
antes.

Se o contribuinte perder o prazo de envio, é necessário pagar uma multa de, no


mínimo, R$ 165,74 e, no máximo, 20% do imposto devido.

Quem coloca informações erradas ou esquece de preencher alguns dados,


propositalmente, pode pagar uma multa de 150% do imposto devido.

Em resumo, para declarar deu IRPF 2021 com mais assertividade, é preciso:

reunir toda a documentação necessária;

29
instalar o programa da Receita Federal ou baixar o aplicativo;
preencher todos os campos da declaração com cuidado;
escolher o modelo de declaração mais vantajoso para você;
acompanhar o status de sua declaração;
imprimir o recibo e a declaração completa.

3.17. Vídeos.
Como parte do aprendizado assista o vídeo indicado. No entanto o tema não se
esgota aqui, sugiro a ampliação da pesquisa para aprimoramento dos
conhecimentos.

Título: Imposto de Renda 2021: Confira o passo a passo para fazer a


declaração
https://www.youtube.com/watch?v=ZzLjzc7NGnk

Título: Imposto de Renda 2021: PASSO A PASSO


https://www.youtube.com/watch?v=Ev_aQum1w_8

Código Tributário
30
LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966.

4. REGIMES TRIBUTÁRIOS BRASILEIROS APLICÁVEIS


ÀS PESSOAS JURÍDICAS

31
O regime de tributação é um sistema que estabelece a carga tributária
relacionada a pessoas jurídicas. Trata-se de um conjunto de leis que
regulamentam o recolhimento de tributos das empresas brasileiras.
Atualmente, há no Brasil três tipos de regimes tributários: o Simples
Nacional, o Lucro Presumido e o Lucro Real. Cada negócio se
enquadra em um desses modelos de acordo com fatores como o porte da
empresa, o tipo de atividade exercida e o faturamento .
Toda e qualquer empresa que possui um CNPJ deve optar por um desses
regimes. É essa escolha que vai determinar a carga tributária que seu
negócio deverá pagar ao longo do ano fiscal.

A carga tributária é o conjunto de todos os tributos que uma pessoa


jurídica deve pagar ao governo, seja do estado, ou do país.

Mas como tomar uma boa decisão? Entenda as particularidades de cada


regime tributário e veja em qual deles seu negócio se encaixa.

4.0. Vídeo.

Antes de adentrarmos no universo complexo do regime tributário


brasileiro, assista o vídeo abaixo para derrubar as barreiras criadas por
informações nem sempre verídicas.
Título1: Regime tributário: quais os principais tipos e como escolher o ideal
https://chcadvocacia.adv.br/blog/regime-tributario/

32
4.1. Simples Nacional
Lei Complementar Nº 123, de 14 de Dezembro de 2006.
O Simples Nacional foi instituído com o objetivo de simplificar o
pagamento da carga tributária de Microempresas (ME) e Empresas de
Pequeno Porte (EPP). Nesse regime as alíquotas variam de acordo com o
faturamento da empresa e as atividades econômicas desempenhadas. Os
percentuais vão de 4,5% a 16,93%.

33
A tributação do Simples Nacional abrange oito tributos diferentes (IRPJ,
CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS, ISS e CPP 8 ) e o recolhimento dessa
carga tributária é feito mensalmente por meio do DAS, o Documento de
Arrecadação do Simples Nacional.

Embora o regime do Simples Nacional compreenda a maior parte das


empresas brasileiras, nem todas estão qualificadas para este regime
tributário. Apenas empresas com receita bruta anual igual ou inferior a R$
4,8 milhões.

Além disso, empresas que são filiais de uma outra companhia com
sede fora do Brasil e empresas que tenham outra pessoa jurídica
participando do seu capital também ficam impedidas de optar pelo
regime Simples Nacional.

É importante destacar que a atividade de intermediação de negócios


também é vedada para opção do Simples Nacional . E isso se aplica aos
casos das atividades de e-commerce em que há marketplace 9.

O momento e o prazo para optar pelo regime Simples Nacional são


anualmente determinados pelo Fisco. Em 2021 o prazo vai até o dia 31 de
janeiro. Isso pode ser feito pela internet, no site da Receita Federal.

Como parte do aprendizado assista os vídeos indicados. No entanto o tema


não se esgota aqui, sugiro a ampliação da pesquisa para aprimoramento dos
conhecimentos.

4.1.1. Vídeos.
Título1: Simples Nacional | Aula 01 | Loberto Sasaki [Minicurso]
https://www.youtube.com/watch?v=YUmHs0CIvHU

8
CPP – Contribuição Previdenciária Patronal.
9
E-marketplace é um espaço virtual onde se faz comércio eletrônico no sentido mais amplo. É um
sinônimo de Marketplace, que consiste em um site desenvolvido para promover a venda de produtos
através da internet.

34
Título2: SIMPLES NACIONAL 2021 como funciona? - Pedro Mendes
https://www.youtube.com/watch?v=Q6KgZhTMEyk

35
Lucro
Presumido
4.2. Lucro Presumido

Aqui há uma margem de lucro pré-fixada por lei como base para
tributação do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o
Lucro (CSSL).

Ou seja, para definição do valor a ser pago em tributos pelas empresas


que optam pelo regime de Lucro Presumido, é feita uma  previsão do
lucro a ser obtido no período anterior ao recolhimento da carga
tributária.

36
Além disso, ele é um regime tributário simplificado para empresas,
previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e usado no cálculo
da base do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição
Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL). 

Para o regime de Lucro Presumido, estão qualificadas empresas


com receita total anual entre R$ 3,6 milhões e R$ 48 milhões.

4.2.1. Enquadramento.

o Lucro Presumido é considerado por alguns profissionais de


contabilidade como o mais burocrático de todos. Sendo assim, ele
demanda muitos documentos e é necessária uma equipe de pessoas
maior para lidar com esses processos. Por isso, costuma ser indicado
para empresas de grande porte.

Principais atividades que se enquadram nessa modalidade:

Atividade rural;

Comércio de mercadorias ou produtos;

Construção civil;

Profissionais liberais, como advogados, dentistas, administradores,


médicos, contadores, engenheiros, economistas, consultores, entre
outros;

Serviços hospitalares;

Transportadores;

Transporte de cargas.

37
4.2.2. Percentuais de PRESUNÇÃO10 sobre o Lucro.

Inicialmente precisamos entender o que vem a ser “Alíquotas de


Presunção”.
“A Receita Federal presume que uma determinada porcentagem do faturamento
é o lucro. Com esse percentual de presunção, não será mais necessário
comprovar para o fisco se houve ou não lucro no período do recolhimento dos
impostos.”11 
Como vimos, calcular o Lucro Presumido requer a aplicação de uma
alíquota sobre o faturamento bruto. Sendo assim, depois disso, é
possível fazer uma presunção do lucro obtido no período.

4.2.3. Impostos do Lucro Presumido.

O empreendedor precisa ficar atento aos diversos impostos que precisam


ser recolhidos no Lucro Presumido. A frequência de cada um dos tributos
pode variar entre mensal e trimestral.
4.2.3.1. Apuração mensal

Os impostos cujo cálculo é feito todos os meses aplicando-se a alíquota


ao faturamento da empresa são os seguintes:

 Imposto Sobre Serviços (ISS): de 2,5 a 5% conforme a cidade e


serviço prestado;

 Programa de Integração Social (PIS): 0,65%;


 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
(COFINS): 3%.

4.2.3.2. Apuração trimestral.

10
A Receita Federal presume que uma determinada porcentagem do faturamento é o lucro (Percentual de
Presunção). Com esse percentual de presunção, não será mais necessário comprovar para o fisco se houve ou não
lucro no período do recolhimento dos impostos.
11
https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/lucro-presumido/

38
Já o IRPJ (Imposto de Renda) e a CSLL (Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido) vão incidir trimestralmente nas alíquotas de 15% e 9%,
respectivamente, apenas sobre os percentuais de presunção de lucro,
conforme a atividade da empresa:

Atenção!

É importante lembrar também que a escolha pelo Lucro Presumido precisa ser
feita no momento em que a empresa é constituída, podendo trocar somente
uma vez ao ano, no início do próximo ano fiscal.
A opção pelo Lucro Presumido deve ser feita no recolhimento do primeiro
tributo no ano.

4.2.3.3. Apuração, Cálculo e Recolhimento do IRPJ e da CSLL:

Lembre-se que:

2.2.1.A apuração do Lucro Presumido acontece de três em três meses, sendo


assim nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro
de cada ano-calendário (Lei 9.430/1996, artigos 1° e 25).

39
2.2.2. Cálculo do IRPJ e CSLL.

Uma empresa prestadora de serviços de engenharia, enquadrada no Lucro


Presumido, teve um faturamento de R$ 12.000,00 em janeiro. Digamos que o
ISS da cidade onde ela presta o serviço seja de 5%, teremos, então, os
seguintes impostos sobre o faturamento:

 1 - PIS (0,65%): R$ 12.000,00 * 0,65% = R$ 78,00


 COFINS (3%): R$ 12.000,00 * 3% = R$ 360,00
 ISS (5%): R$ 12.000,00 * 5% = R$ 600,00

Para o cálculo do IR e da CSLL, é preciso aguardar o faturamento do trimestre;


então, suponhamos que o faturamento de R$ 12.0000,00 se repita em

fevereiro e março: teremos um total faturado no trimestre de R$ 36.000,00


(R$ 12.000,00 X 3 meses).

A presunção para o serviço de engenharia é de 32%; então, aplicaremos 32%


sobre R$ 36.000,00. Assim, temos uma base de R$ 11.520,00 para o cálculo de
IR e CSLL. O resultado final será:

 IRPJ (15%): R$ 11.520,00 * 15% = R$ 1.728,00;


 CSLL (9%): R$ 11.520,00 * 9% = R$ 1.036,80.

Dessa forma, mesmo que o lucro seja maior que o percentual prefixado, como no
caso do exemplo — um lucro trimestral superior a R$ 11.520,00 —, o imposto
incidirá apenas sobre aquela margem do faturamento.

A lógica é a mesma em caso de lucro efetivo menor, pois o imposto a ser pago será
proporcional ao índice, ou seja, em caso de prejuízo no período, você pagará mais
impostos do que deveria. Isto porque o cálculo é feito sobre o FATURAMENTO e não
sobre o Resultado do Período (lucro ou prejuízo)

Exemplo:
Faturamento dos meses de abril, maio e junho:

40
R$ 10.000,00 (abril), R$ 8.000,00 (maio) e R$ 5.000,00 (junho)
Faturamento do trimestre:
R$ 23.000,00
Percentual de faturamento tributado: 32%
R$ 23.000,00 * 32% = R$ 7.360,00 (base de cá lculo do TRPJ e CSLL)
IRPJ = R$ 7.360,00 * 15% = R$ 1.104,00
CSLL = R$ 7.360,00 * 9% = R$ 662,40

2.2.2. Recolhimento do IRPJ e CSLL.

O IRPJ e a CSLL devem ser recolhidos entã o até o ú ltimo dia ú til do mês
subsequente ao do encerramento do período de apuraçã o trimestral.

4.2.4. Sped - Sistema público de escrituração digital criado pela Receita


Federal.

ECD e ECF
A Escrituração Contábil Digital (ECD) e a Escrituração Contábil Fiscal (ECF)
possuem naturezas e objetivos diferentes.

Instituída para fins fiscais e previdenciários, a ECD é parte integrante do


Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e surgiu para substituir a
escrituração que antes era realizada em papel. Para a versão digital,
compreende a transmissão dos livros:.

Esta declaração (ECD) tem como finalidade informar os livros:


• Livro diário e seus auxiliares;
• Livro razão e seus auxiliares;
• Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento
comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.

4.2.4.1. Quem está obrigado a entregar a ECD?

41
De acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.420/2013 em seu artigo 3º,
devem entregar a obrigação acessória:

• As pessoas jurídicas sujeitas à tributação do Imposto sobre a


Renda com base no Lucro Real;
• As pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Presumido,
que distribuírem, a título de lucros, sem incidência do Imposto
sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), parcela dos lucros ou
dividendos superiores ao valor da base de cálculo do Imposto,
diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver
sujeita;

A ECF é uma obrigação acessória que tem por objetivo interligar os dados
contábeis e fiscais que se referem à apuração do IRPJ e da CSLL, agilizando o
processo de acesso do Fisco e tornando mais eficiente o processo de fiscalização
através do cruzamento de dados digital.

A ECF- Escrituração Contábil Fiscal, foi implantada com o intuito de substituir


a DIPJ (Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), dando ao Fisco um
leque maior de informações.

Quem está obrigado à entrega da ECF?

Para o ano de 2017, a obrigatoriedade é imposta a todas as pessoas


jurídicas atuantes no Brasil, inclusive imunes e isentas, devendo apresentar
seus dados a partir do ano-calendário de 2016.

Vale destacar que a ECF não se aplica a:

 Pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de


Arrecadação de Tributos e Contribuições das quais micro e
empresas de pequeno porte enquadradas (Simples Nacional);

 Bem como aquelas entendidas como Autarquias, Fundações e


Órgãos Públicos;

42
 Pessoas jurídicas inativas;

 Além das pessoas jurídicas que são imunes e isentas em relação


aos fatos ocorridos no ano-calendário, aquelas que não foram
obrigadas a apresentar a Escrituração Fiscal Digital para o
PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita
(EFD-Contribuições).

Em relação à ECF, o prazo final de entrega é o último dia útil do mês de junho, ou
seja, na sexta-feira 30 de junho de 2017 relativo ao ano-calendário de 2016.

4.2.4.2. Qual a diferença entre ECD e ECF?

A ECD – Escrituração Contábil Digital foi instituída para fins fiscais e


previdenciários, enquanto a ECF – Escrituração Contábil Fiscal é destinada a obter
informações relativas a todas as operações que possam influenciar a composição
e o valor devido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto
sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

INSS sobre a folha de pagamento

Quem é optante pelo Lucro Presumido também paga 20% de INSS sobre a
folha de pagamento, mais outras entidades e um fator de risco.

Exceto as empresas listadas no anexo IV do Simples Nacional, os demais já


têm esses 20% incluídos no DAS, o que pode fazer com que o Simples seja
mais barato que o Lucro Presumido para quem tem uma grande despesa com
folha.

4.2.5. Obrigações acessórias do Lucro Presumido.

Como todo regime fiscal, o Lucro Presumido exige então o cumprimento


de diversas obrigações acessórias:

43
Manter os livros comerciais e livros fiscais: Livro Diário, Livro Razão, Livro
Caixa, Livro de Registro de Duplicatas, Livro Registro de Inventário, Livro
Registro de Entradas, entre outros que são exigidos apenas em casos
específicos;
DES – Declaração Eletrônica de Serviços: declaração municipal
obrigatória para as empresas prestadoras de serviço;
GIA – Guia de Informação e Apuração do ICMS;
EFD ICMS/IPI – Escrituração Contábil Digital;
DCTF – Declaração de Débitos Tributários Federais; EFD
Contribuições;
SEFIP (Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações
à Previdência Social) e GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e de
Informações à Previdência Social);
ECD – Escrituração Contábil Digital;
ECF – Escrituração Contábil Fiscal;
DIRF – Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte;
RAIS – Relação Anual de Informações Sociais

4.2.6. Vídeos.

Como parte do aprendizado assista os vídeos indicados. No entanto o tema


não se esgota aqui, sugiro a ampliação da pesquisa para aprimoramento dos
conhecimentos.

Título 1: 58 - Lucro presumido (Contabilidade)


https://www.youtube.com/watch?v=minedvezz9k

Título 2: CÁLCULO LUCRO PRESUMIDO do IRPJ e CSLL. Contador Albert Jônatas


https://www.youtube.com/watch?v=-E1mQ39Zbks

44
45
4.3. Lucro Real
Inicialmente é importante anotar que o termo “lucro real” é o resultado contábil (Lucro
ou Prejuízo) do período de apuração (antes de computar a provisão para o imposto de
renda), ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela
legislação do imposto de renda.
Conforme se pode presumir o conceito de lucro real decorre da lei, pois esta é quem
identifica as hipóteses de ajuste. dai concluir que:
“Lucro Real é a regra geral para a apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica.”

4.3.1. Definição

46
O Lucro Real é o regime tributário das empresas com faturamento anual
acima de R$ 78 milhões, ou das que exercem atividades econômicas
específicas que não são contempladas pelo Lucro Presumido. É o caso

de bancos, corretoras, seguradoras e outras.

4.3.2. Legislação.

Esse tipo de tributação está previsto na Lei Nº 8.541/92. Em seu artigo primeiro assim o
define:
Art. 1° A partir do mês de janeiro de 1993, o imposto sobre a renda e adicional das

pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral, das

sociedades cooperativas, em relação aos resultados obtidos em suas operações ou

atividades estranhas a sua finalidade, nos termos da legislação em vigor, e, por opção, o

das sociedades civis de prestação de serviços relativos às profissões regulamentadas,

será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo auferidos.

4.3.3. Obrigatoriedade.

Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas:

a) cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de


desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e
investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos,
valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresas
de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e
de capitalização e entidades de previdência privada aberta;

b) que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;

Não confundir rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior com receitas de


exportação.

As exportadoras podem optar pelo Lucro Presumido normalmente, desde que não
estejam nas hipóteses de vedação.

A restrição deste item alcança aquelas empresas que tenham lucros gerados no
exterior (como empresas Offshore12, filiais controladas e coligadas no exterior, etc.).

12
Offshore é o nome comum dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há
menor tributação para fins lícitos.

47
c) que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à
isenção ou redução do imposto;

Como exemplo de benefícios fiscais: redução do IRPJ pelo Programa de Alimentação


do Trabalhador, projetos incentivados pela SUDENE e SUDAM, programas setoriais,
etc.

d) que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime


de estimativa, na forma do artigo 2º da Lei 9.430/1996.

A opção pelo regime de tributação (Real, Presumido ou Arbitrado) se dá com o


primeiro recolhimento, normalmente em janeiro.

e) que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de


assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração
de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas
mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring)13.

f) que explorem as atividades de securitização 14 de créditos imobiliários, financeiros e do


agronegócio (incluído pela Lei 12.249/2010).

g) também estão obrigadas ao Lucro Real as empresas imobiliárias, enquanto não


concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN
SRF 25/1999). O custo orçado é a modalidade de tratamento contábil dos custos
futuros de conclusão de obras.

h) as Sociedades de Propósito Específico (SPE)15 constituídas por optantes pelo Simples


Nacional deverão apurar o imposto de renda das pessoas jurídicas com base no Lucro
Real, conforme estipulado no artigo 56, § 2, IV da Lei Complementar 123/2006.

4.3.4. Enquadramento.
Importante decisão tributária deve ser efetivada, anualmente, pelos
administradores empresariais, relativamente às opções: Lucro Real, Lucro
Presumido ou Simples Nacional.

Como a legislação não permite mudança de sistemática no mesmo

exercício, a opção por uma das modalidades será definitiva. Se a decisão for
equivocada, ela terá efeito no ano todo.

13
Factoring (fomento mercantil ou comercial) é uma atividade comercial caracterizada pela aquisição de direitos
creditórios, por um valor à vista e mediante taxas de juros e de serviços, de contas a receber a prazo.
14
Securitização - é uma prática financeira que consiste em agrupar vários tipos de ativos financeiros, convertendo-
os em títulos padronizados negociáveis no mercado de capitais interno e externo .
15
Sociedade de Propósito Específico (SPE) é um modelo de organização empresarial pelo qual se constitui uma
nova empresa, limitada ou sociedade anônima, com um objetivo específico, ou seja, cuja atividade é bastante
restrita, podendo em alguns casos ter prazo de existência determinado.

48
 
A opção é definida no primeiro pagamento do imposto (que normalmente é
recolhido em fevereiro de cada ano), ou, no caso das optantes pelo Simples
Nacional, por opção até o último dia útil de janeiro.

4.3.5. Apuração dos tributos.

A apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição


Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), pelo regime de “Lucro Real” pode ser
feita de duas formas:
 apuração anual; ou
 trimestral.

4.3.5.1. Lucro Real Anual.

 No Lucro Real Anual  a empresa deve antecipar os tributos mensalmente,


com base no faturamento mensal, sobre o qual aplicam-se percentuais
predeterminados, de acordo com o enquadramento das atividades, para obter
uma margem de lucro estimada (estimativa), sobre a qual recai o IRPJ e a
CSLL, de forma semelhante ao Lucro Presumido. 

Nesta opção, há, ainda, a possibilidade de levantar balanços ou balancetes


mensais, reduzindo ou suspendendo-se o recolhimento do IRPJ e da CSLL,
caso demonstre-se que o lucro real efetivo é menor do que aquele estimado ou
que a pessoa jurídica está operando com prejuízo fiscal.
 
No final do ano, a pessoa jurídica levanta o balanço anual e apura o lucro real
do exercício, calculando em definitivo o IRPJ e a CSLL e descontando as
antecipações realizadas mensalmente. 

Eventualmente, as antecipações podem ser superiores aos tributos devidos,


ocasionando um crédito em favor do contribuinte. Então, a desvantagem é

49
antecipar o pagamento dos tributos, tirando recursos no fluxo de caixa
empresarial.

4.3.5.2. Lucro Real Trimestral


 
No Lucro Real trimestral, o IRPJ e a CSLL são calculados com base no

resultado apurado no final de cada trimestre civil, de forma isolada. Portanto,


nesta modalidade, teremos durante o ano 4 (quatro) apurações
definitivas, não havendo antecipações mensais como ocorre na opção de
ajuste anual.
 
Esta modalidade deve ser vista com cautela, principalmente em atividades
sazonais ou que alternem lucros e prejuízos no decorrer do ano. Nesta
modalidade, os lucros e prejuízos são apurados trimestralmente, de forma
isolada. 

Assim se a pessoa jurídica tiver um prejuízo fiscal de R$ 100.000,00 (cem mil


reais) no primeiro trimestre e um lucro de também R$ 100.000,00 (cem mil
reais) no segundo trimestre terá que tributar IRPJ e CSLL sobre a base de R$
70.000,00 (setenta mil reais), pois não se pode compensar integralmente o
prejuízo do trimestre anterior, ainda que dentro do mesmo ano-calendário. Veja
o cálculo demonstrado a seguir.

O prejuízo fiscal de um trimestre só poderá deduzir até o limite de 30% do lucro


real dos trimestres seguintes.
 
Cálculo:
 Prejuízo Fiscal do primeiro trimestre = R$ 100.000,00
 Lucro do segundo trimestre = R$ 100.000,00
 Compensação do prejuízo de um trimestre no outro será de no máximo
30% do prejuízo.
 Logo: R$ 100.000,00 * 30% = R$ 30.000,00
 Assim: lucro de R$ 100.000,00 – R$ 30.000,00 = R$ 70.000,00 (sobra do
lucro do 2º trimestre após compensação dos 30% do prejuízo do 1º trimestre)

50
 Base de cálculo para IRPJ e CSLL (no 2º trimestre) será R$ 70.000,00

Essa pode ser uma boa opção para empresas com lucros lineares( segue um
determinado padrão, ou regularidade dos lucros).
 
Mas para as empresas com picos de faturamento, durante o exercício, a opção
pelo Lucro Real anual pode ser mais vantajosa porque poderá suspender ou
reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL (veja mais detalhes sobre esse
assunto no subitem , quando os balancetes apontarem lucro real menor que o
estimado ou até mesmo prejuízos fiscais. Outra vantagem é que o prejuízo
apurado no próprio ano pode ser compensado integralmente com lucros do
exercício.

4.3.6. Base de cálculo.

A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de


ocorrência do fato gerador, é o lucro real correspondente ao período de
apuração.

De acordo com o Art. 247 do RIR/99Neste regime, o imposto de renda é


determinado a partir do lucro contábil), apurado pela pessoa jurídica,
acrescido de ajustes (positivos e negativos) prescritas ou autorizadas pelo
Decreto nº 3.000/99, conforme esquema a seguir:

Lucro (Prejuízo) Contábil


(+) Ajustes fiscais positivos (adições) 16
(-) Ajustes fiscais negativos (exclusões) 17
(=) Lucro Real ou Prejuízo Fiscal do período

Como regra geral, integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos


de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada,

16
Lucro Real despesas não dedutíveis: adições. As adições, basicamente, referem-se às despesas relativas a
multas administrativas (FGTS, INSS, CLT, etc), doações ou contribuições não compulsórias, brindes, encargos de
depreciação e lucros auferidos por filiais no exterior, por exemplo.

17

51
independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou
contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua
finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de
incidência do imposto.

Exemplo de cálculo do Lucro Real:

Confira abaixo em detalhes um cenário hipotético que vai ilustrar bem o cálculo do Lucro
Real:

Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)

A cobrança é de 15% se a empresa lucrar até R$ 20 mil por mês. Caso o lucro seja maior
que R$ 20 mil, há um Imposto de Renda Adicional de mais 10% sobre o excedente.

Vamos a um exemplo:
Para uma empresa que teve lucro líquido no mês R$ 30.000,00, a cobrança do IRPJ será
a seguinte:
Fórmulas:
1) IRPJ = Lucro Real x 15%; e

2) IRPJ Adicional = (Lucro Real Mensal – 20.000) x 10%

IRPJ = R$ 30.000,00 * 15% = R$ 4.500,00

Lucro excedente: R$ 10.000,00 * 10% = R$ 1.000,00

Total de IRPJ a ser pago: R$ 4.500,00 + R$ 1.000,00 = R$ 5.500,00

Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)

Geralmente, a alíquota de cobrança da CSLL é de 9%. Para empresas do setor


financeiro, seguros privados ou capitalização, o tributo pode chegar a 15%.
A fórmula é simples:
CSLL = Lucro Líquido Mensal x 9%
Logo:
CSLL = R$ 30.000,00 * 9% = R$ 2.700,00

52
4.3.7. Cálculo do Imposto.

4.3.7.1. Antecipações Mensais.

Nesse subitem trataremos da alternativa admitida de apuração do imposto de


renda pelo Lucro Real na forma da estimativa mensal, apuração que decorre
da aplicação do percentual de presunção sobre a receita auferida.

A pessoa jurídica realiza a opção por esta forma de apuração pelo Lucro Real
através do pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de
início de atividade. Uma vez manifestada a forma de arrecadaçã o pelo lucro real
estimativa mensal a pessoa jurídica não poderá alterá-la, segundo dispõe
o RIR/99:

Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220 18,
pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será
irretratável para todo o ano-calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º).

As pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real nos termos do artigo 14 da Lei Nº


9.718/1998 poderão adotar esta modalidade de apuração do Lucro Real.

4.3.7.2. Antecipações Mensais.

Na apuração por estimativa mensal o lucro real será apurado anualmente,


sendo que a pessoa jurídica está obrigada a recolher mensalmente o imposto,
calculado sobre uma base estimada.

Receita

Para determinar a estimativa mensal será necessário inicialmente apurar a


receita bruta.
18
Do pagamento por estimativa
Art. 219. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto sobre
a renda e do adicional, em cada mês, determinados sobre a base de cálculo estimada ( Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ).
Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto sobre a renda correspondente ao mês de
janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 229 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único ).

53
Por receita bruta adotamos a disposição prevista no RIR/99:

Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda
de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o
resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art.
31).

Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os


descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados
destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens
ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art.
31, parágrafo único).

Neste caso as vendas canceladas correspondem à anulação de valores


registrados como receita bruta de vendas e serviços. Eventuais perdas ou
ganhos decorrentes de cancelamento de vendas ou de rescisão contratual não
devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas ser computados nos
resultados operacionais, segundo IN SRF no 51/1978.

Quanto aos descontos incondicionais, somente são considerados como


descontos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda quando
constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não
dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses
documentos, segundo IN SRF no 51/1978.

Percentuais de Presunção

Uma vez apurada a receita teremos a aplicação do percentual de presunção


correspondente a atividade executada.

Os percentuais que serão aplicados sobre a receita serão determinados


conforme a atividade realizada. veja alguns exemplos:

Revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás 1,60%
natural
Transportes de cargas 8%
serviços de transporte de passageiros 16%

54
Para as pessoas jurídicas cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, 16%
bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e
investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores
mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento
mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de
previdência privada aberta
Prestação de serviços em geral 32%
Atividades de serviços (exercício de profissão legalmente regulamentada) 32%
Construção por administração ou por empreitada unicamente de mão-de-obra 32%

4.3.7.3. Suspensão ou Redução de Tributos.

A empresa poderá reduzir ou suspender o pagamento do Imposto de Renda e

da Contribuição Social de cada mês, desde que demonstre, através de


balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o
valor do imposto, inclusive adicional ( art. 2º da Lei 9430/96) da seguinte forma:

Redução

A redução ocorre quando a empresa, em um determinado mês, demonstra que


o valor apurado do imposto menos o valor já pago durante o período
acumulado é inferior ao cálculo pela estimativa como base na receita , como
citado no item “a”.
Exemplo:
a) Valor do Imposto devido com base nos percentuais aplicado sobre a
Receita no mês de junho= R$ 30.000,00;
b) Valor do Imposto apurado com base no balancete acumulado de
janeiro a junho = R$ 40.000,00;
c) Valor do imposto pago, retido ou compensado de janeiro a junho = R$
25.000,000;
d) Saldo a pagar no mês de junho (40.000,00- 25.000,00) = R$ 15.000,00.

*
*Se a empresa optar pelo balancete de redução haverá um desembolso de
apenas R$ 15.000,00, ao invés de R$ 30.000,00 (que havia apurado para

pagamento no mês de junho – letra “a”).

55
No mês de junho, a forma mais viável é a opção pelo pagamento com base no
balancete de redução de janeiro a junho, apesar de apurar R$ 40.000,00 de
imposto, deve ainda ser deduzido os impostos já pagos, retidos ou
compensados nos respectivos meses (R$ 25.000,00), restando saldo a pagar
de apenas R$ 15.000,00.

Sendo que o recolhimento com base na receita bruta custaria para a empresa
R$ 30.000,00, pois os valores pagos nos meses anteriores não podem ser
deduzidos, por não comporem a base de cálculo do mês.

Esse estudo deve ser feito a cada mês do ano, levando em conta também a
possibilidade de suspensã o do imposto que será visto no item seguinte.

Observação:

O mesmo critério adotado para o cálculo do Imposto de Renda deverá ser


também adotado para a Contribuição Social sobre o Lucro, por isso deve ser
analisada a melhor alternativa calculando os dois tributos.

O balancete utilizado para suspender ou reduzir deverá ser transcrito no Livro


Diário (art. 12, § 5º, da IN SRF 93/97) e no Livro LALUR transcrever a
apuração do resultado (art. 13 IN SRF 93/97).

Base legal: artigos 10 a 16 da IN SRF 93/97

Suspensão
A suspensão do recolhimento do imposto ocorre quando a empresa demonstra
através de balancete que em um determinado mês, o resultado acumulado de janeiro até
esse mês, resultou em prejuízo fiscal, inexistindo imposto a pagar.

Exemplo:

56
a) Prejuízo contábil de R$ 150.320,00, conforme balancete contábil
levantado em 30/junho. (Resultado acumulado de janeiro a junho);
b) Exclusões (ajuste fiscal negativo) ao lucro real = R$ 30.150,00;
c) Prejuízo Fiscal do período = R$ 150.320,00 – R$ 30.150,00 = R$
120.170,00

Como houve prejuízo fiscal no mês de junho (resultado acumulado de janeiro a


junho), não há IRPJ nem CSSL a recolher referente a este mês, sendo
necessário apenas a transcrição do Prejuízo no LALUR e manter balancete no
Diário Contábil.

A outra forma de suspensão do recolhimento do imposto e da contribuição


social ocorre quando a empresa demonstra através de balancete, com
resultado acumulado, que os valores pagos nos meses anteriores são superiores
ao valor do imposto apurado nesse mês.

Exemplo:
No Balancete do mês julho, que contempla o resultado acumulado de janeiro a
julho, apurou-se um imposto a pagar de R$ 35.000,00, porém nos meses de
janeiro a junho a empresa já recolheu imposto no valor de R$ 40.000,00, ou
seja, R$ 5.000,00 a mais do que o devido, com isso poderá suspender o
pagamento em julho.

Observação:

 O mesmo critério adotado para o cálculo do Imposto de Renda deverá


ser adotado para a Contribuição Social sobre o Lucro, por isso deve ser
analisada a melhor alternativa calculando os dois tributos.

 O balancete utilizado para suspender ou reduzir deverá ser transcrito no


Livro Diário (art. 12, § 5º, da IN SRF 93/97) e no Livro LALUR
transcrever a apuração do resultado (art. 13 IN SRF 93/97).

 Base legal artigos 10 a 16 da IN SRF 93/97.

57
Apesar do Lucro Real Anual ter mais detalhes a serem observados é mais
vantajoso do que o Lucro Real Trimestral, para fins de economia tributária.

4.3.7.4. Prazo e forma de pagamento.

A apuração do Lucro Real pode acontecer de forma trimestral ou anual:

Lucro Real Trimestral


As empresas que se enquadram no Lucro Real trimestral devem fazer a
apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base nas
operações realizadas nos seguintes períodos:

Durante o período de 1º de janeiro a 31 de março, 1º de abril a 30 de


junho
Entre 1º de julho a 30 de setembro
1º de outubro a 31 de dezembro
Lucro Real Anual
Já as empresas que optam pela apuração anual do Lucro Real realizam
esse cálculo apenas uma vez por ano – na data de 31 de dezembro. O
IRPJ e a CSLL, pagos mensalmente, são considerados como
antecipações dos valores apurados no balanço anual. Se houver saldo
positivo ou negativo ao final do ano, ele deve ser pago ou compensado.

Além disso, o Lucro Real Anual pode ser apurado por Estimativa ou
Receita Bruta.

4.3.7.5. Apuração por Estimativa:

Pagamento do IRPJ e CSLL todos os meses através da receita bruta e


acréscimos;
Redução do pagamento mensal do imposto e da contribuição social, com
base em balanço ou balancete intermediário, por ter apurado lucro real ou

58
base de cálculo positiva da CSLL menor do que a calculada com base na
receita bruta e acréscimo;
Suspensão do pagamento mensal do imposto e da contribuição social,
com base em balanço ou balancete intermediário, por ter apurado
prejuízo fiscal e/ou base de cálculo negativa da CSLL.
Apuração por Receita Bruta:

O resultado da aplicação do percentual previsto no artigo 15 da Lei nº


9.249/95 sobre a receita bruta da atividade;
Os ganhos de capital, as demais receitas e os resultados positivos
decorrentes de receitas não compreendidas na atividade.

4.3.8. Alíquotas.

A alíquota do Imposto de Renda é de 15% (Art. 541, RIR/99) sobre o lucro


apurado no trimestre , com cobrança adicional de 10% caso haja
excedente acima de R$ 20 mil por mês ( art. 542, RIR/99). Já, a alíquota
da CSLL é de 9%, como no Lucro Presumido.

4.3.9. Período de Apuração.

Para efeito da incidência do IRPJ, o lucro real deve ser levantado na data de
encerramento do período de apuração. O período de apuração encerra-se:
I) no último dia de cada trimestre civil;

II) no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, no caso de


apuração anual do imposto de renda;

III) na data da extinção da pessoa jurídica, assim entendida a


destinação total de seu acervo líquido;

IV) na data da ocorrência dos eventos de


incorporação, fusão ou cisão da pessoa jurídica.

59
Observe que:

Desconsiderando-se a ocorrência de situações especiais (extinção,


incorporação, fusão ou cisão) a pessoa jurídica poderá apurar o lucro real
trimestral ou anual.

Na hipótese do lucro real trimestral a empresa irá apurar o lucro líquido do


exercício com base em sua contabilidade, efetuará as adições, exclusões e
compensações e chegará ao lucro real.

No caso da apuração anual a empresa efetuará o cálculo e o recolhimento do


imposto pela estimativa mensal, utilizando, pode-se dizer, as regras do lucro
presumido, ou seja, aplicação dos percentuais de presunção sobre a receita
bruta de acordo com as atividades desenvolvidas e incidência da alíquota de
15% e adicional de 10% sobre a parcela que ultrapassar R$ 20.000,00.

Por fim, deverá levantar o lucro líquido em 31 de dezembro com base na


escrituração contábil, apurar o lucro real, descontar o imposto mensal pago
por estimativa e finalmente chegará ao resultado definitivo.

4.3.10. Escrituração.

O LALUR - Livro de Apuração do Lucro Real, é um livro fiscal, sendo


obrigatório somente para as empresas tributadas pelo Imposto de Renda na
modalidade Lucro Real, conforme previsão contida no Regulamento do Imposto
de Renda.

Sua função é ajustar os demonstrativos contábeis à declaração do Imposto de


Renda com adições e exclusões ao lucro líquido do período-base, apurando-se
a base de cálculo do Imposto de Renda devido e controle de valores que

60
devam influenciar a determinação do Lucro Real de períodos-base futuros e
que não constem da escrituração comercial.

DISPENSA DO LALUR FÍSICO

As pessoas jurídicas ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º


de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real
(Lalur) em meio físico e da entrega da Declaração de Informações Econômico-
Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), tendo em vista a instituição da
Escrituração Contábil Fiscal (ECF) pela Instrução Normativa RFB
1.422/2013.

Entretanto, observe-se que continua a exigência da elaboração do LALUR, agora em


meio eletrônico, que corresponderá à ECF - Escrituração Contábil Fiscal.

4.3.11. Vídeos.

Como parte do aprendizado assista os vídeos indicados. No entanto o tema


não se esgota aqui, sugiro a ampliação da pesquisa para aprimoramento dos
conhecimentos.

Título 1: 59 - Lucro real (Tributação pelo lucro real ) (Contabilidade)


https://www.youtube.com/watch?v=s-_M-7lYx64

Título 2: Entenda Lucro Real Na Prática - Contador Albert Jonatas


https://www.youtube.com/watch?v=pBFj7VnAxlo

61
Título 3: APURAÇÃO DO LUCRO REAL - Dicas importantes: Adições, Exclusões,
Compensações e o ECF. Contador Albert Jônatas.
https://www.youtube.com/watch?v=1bea_d2jx78

4. Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ

O tributo é previsto na Lei Nº 8.541/92. Os artigos 1º e 2º da Norma trata do


Imposto de Renda mensal como segue:
Art. 1° A partir do mês de janeiro de 1993, o imposto sobre a renda e adicional das
pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral, das
sociedades cooperativas, em relação aos resultados obtidos em suas operações ou
atividades estranhas a sua finalidade, nos termos da legislação em vigor, e, por
opção, o das sociedades civis de prestação de serviços relativos às profissões
regulamentadas, será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo
auferidos.
Art. 2° A base de cálculo do imposto será o lucro real, presumido ou arbitrado,
apurada mensalmente, convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência
(Ufir) (Lei n° 8.383), de 30 de dezembro de 1991, art. 1°  diária pelo valor desta no
último dia do período-base.

62
4.1. Base de cálculo:

4.1.1. Lucro Real: Lucro Líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações
prescritas ou autorizadas pela legislação.

Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas:

 cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de R$ 24.000.000,00 (vinte e
quatro milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12
meses;
 sejam instituições financeiras;
 com lucro, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;
 que tenham benefícios fiscais de isenção ou redução do imposto;
 que tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa no decorrer do ano-
calendário; e
 factoring.

4.1.2. Lucro Presumido: Forma simplificada para determinação da Base de Cálculo, desobrigando os
contribuintes, perante o fisco federal de manter escrituração contábil.

O Lucro Presumido, de um modo geral, é determinado mediante a aplicação do percentual de 8% sobre o


valor da receita bruta mensal. Existem outros percentuais para atividades específicas (Lei n.º 9.249/95).
Poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido a pessoa jurídica cuja receita bruta
total, no ano-calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 24.000.000,00 (vinte e quatro milhões
de reais), ou proporcional ao número de meses de atividade no ano-calendário anterior quando inferior a
12 meses.

4.1.3. Lucro Arbitrado: Determinado mediante aplicação sobre o valor da receita bruta, quando
conhecido, dos percentuais fixados para determinação do lucro presumido acrescidos de 20%.

4.2. Alíquota:

4.2.1. Geral: 15%; e

4.2.2. Adicional: 10%.

A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 ficará sujeita a
incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de 10% (dez por cento).

4.3. Periodicidade de apuração:

4.3.1. Trimestral: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado deverão
efetuar apuração trimestral com períodos encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31
de dezembro de cada ano calendário;

4.3.2. Estimativa mensal: A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, poderá optar por efetuar o
pagamento e apuração do imposto com base em estimativa mensal, mediante a aplicação, sobre a receita
bruta auferida mensalmente, dos mesmos percentuais utilizados para o lucro presumido;

4.4. Prazo de recolhimento:

4.4.1. Apuração trimestral: será pago em cota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do
encerramento do período de apuração.

O contribuinte poderá optar pelo pagamento parcelado em até (03) três cotas mensais, iguais e sucessivas
de acordo com a seguinte tabela:

63
 Nenhuma cota poderá ter valor inferior a de R$ 1.000,00 (mil reais).
 As cotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada
mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do
encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de 1%
no mês do pagamento.

4.4.2. Apuração mensal: até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir:

4.4.3. Saldo do imposto apurado em 31 de dezembro (Declaração de Ajuste):

4.4.3.1. Pago em cota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo,
corrigido pela taxa de juros SELIC a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do
pagamento e de 1% no mês do pagamento; e

4.4.3.2. Compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo,
assegurado a alternativa de pedido de restituição.

5. Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF

5.1. Base de cálculo:


5.1.1. Rendimentos do Trabalho: Rendimento bruto mensal ajustado pelas deduções previstas em atos
legais;

5.1.2.Rendimentos de Capital (aplicações financeiras): Valor do rendimento constituído pela diferença


positiva entre o valor de resgate e o valor da aplicação financeira;

5.1.3.Remessas ao Exterior: Valor bruto dos juros/comissões rendimentos pagos creditados entregues ou
remetidos ao exterior; e

5.1.4.Outros Rendimentos:

5.1.4.1. Prêmios e sorteios em geral: Valor do prêmio em dinheiro obtido em loterias, concursos
desportivos (turfe) ou concursos de prognósticos desportivos;

5.1.4.2. Serviços de propaganda prestado por pessoa jurídica: Valor do rendimento obtido pela prestação
de serviços de propaganda e publicidade; e

5.1.4.3. Remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica: Valor da remuneração recebida em razão
da prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional.

5.2. Alíquota:

5.2.1. Rendimentos do Trabalho: 15% e 27,5% conforme tabela a seguir:

64
5.2.2. Rendimentos de Capital: 20% (renda fixa) e 10% (renda variável);

5.2.3. Remessas ao Exterior: 15%; e

5.2.4. Outros Rendimentos: 30% (prêmios e sorteios), 1,5% (serviços de propaganda) e 1,5%
(remuneração de serviços profissionais).

5.3. Periodicidade de apuração: Semanal.

5.4. Prazo de recolhimento: Até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de ocorrência do fato gerador.

Obs.: No caso das remessas ao exterior, na data de ocorrência do fato gerador.

5.5. Cronologia do IR19

19
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/memoria/imposto-de-renda/cronologia-
do-imposto-de-renda/cronologia-do-imposto-de-renda

65
66
67
68
5.6. Curiosidades da Evolução do Imposto de Renda 20.

Presidente da República, senadores, deputados e ministros com alíquota maior


no imposto sobre vencimentos

A preocupação em obter recursos para o Tesouro era tão grande que a Lei nº
2.919 de 31 de dezembro de 1914, que orçou a Receita Geral da República
dos Estados Unidos do Brasil para o exercício de 1915, estabeleceu imposto
sobre vencimentos, ordenados etc., em que o Presidente da República,
senadores, deputados e ministros de Estado tinham alíquota mais elevada. A

20
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/memoria/imposto-de-
renda/curiosidades/curiosidades-da-evolucao-do-imposto-de-renda

69
proposta do imposto sobre vencimentos era tão abrangente que ninguém devia
escapar da contribuição.

Sobre as quantias que fossem efetivamente recebidas em cada mês por


qualquer pessoa civil ou militar que percebessem vencimentos, ordenados,
soldo, diária, representação, gratificação de qualquer natureza, porcentagens,
quotas, pensões graciosas ou de inatividade, reforma, jubilação, aposentadoria,
disponibilidade, ou qualquer outro título pela prestação de serviços pessoais,
era cobrado o seguinte imposto:
De 100$ até 299$ mensais – 8%;
De 300$ até 999$ mensais – 10%;
De 1:000$ mensais ou mais – 15%
Presidente da República, Senadores, Deputados e Ministros de Estados –
20%;
Vice-Presidente da República - 8%.

Fiscalização proibida de solicitar livros de contabilidade dos


contribuintes

Nos termos do artigo 3º parágrafo 7º da Lei nº 4.783 de 31 de dezembro de


1923, as declarações dos contribuintes estavam sujeitas à revisão dos agentes
fiscais, que não podiam solicitar a exibição de livros de contabilidade,
documentos de natureza reservada ou esclarecimentos, devassando a vida
privada.
Essa proibição foi um entrave na fiscalização e arrecadação do imposto de
renda e tinha como origem o artigo 17 do Código Comercial de 1850 que
dispunha que nenhuma autoridade, juízo ou tribunal, debaixo de pretexto
algum, por mais especioso que seja, pode praticar ou ordenar alguma
diligência para examinar se o comerciante arruma ou não devidamente seus
livros de escrituração mercantil, ou neles tem cometido algum vício.

A proibição só foi revogada por meio do Decreto-lei no 1.168 de 22 de março


de 1939.

70
Isenção para os rendimentos da primeira profissão

O artigo 17 do Decreto nº 16.581 de 4 de setembro de 1924, que aprovou o


primeiro regulamento do imposto de renda, isentou os rendimentos dos que se
iniciavam numa profissão no decurso de um exercício financeiro. Neste caso,
era obrigatória a declaração dos rendimentos no exercício que se seguisse
imediatamente ao ano em que se completassem doze meses consecutivos da
profissão. A isenção estava restrita aos rendimentos do primeiro exercício
financeiro da primeira profissão. Era uma isenção mais simbólica que efetiva,
pois raramente os rendimentos do primeiro emprego ultrapassariam o limite de
obrigatoriedade de apresentação da declaração de rendimentos que era de 10
contos de réis anuais.

Uma dedução que existe ininterruptamente desde 1926

A dedução para dependentes é permitida ininterruptamente desde o exercício


de 1926. Em alguns anos, o contribuinte pôde optar pelo desconto
padrão/simplificado que substituiu, entre outras, a dedução para encargos de
família, mas o modelo completo contemplava a despesa com dependentes. É a
dedução mais antiga entre as que estão em vigor.

Na declaração em separado, só o marido pode considerar filho como


dependente

Num surto machista, o Decreto nº 21.554 de 20 de junho de 1932 só permitiu


ao marido fazer a dedução de encargos de família relativa aos filhos, na
constância da sociedade conjugal, no caso de os cônjuges fazerem
separadamente declarações de rendimentos.

Imunidade para rendimentos de escritor, jornalista e professor

A Constituição Federal de 1934 estabeleceu imunidade para vencimentos de


escritor, jornalista e professor, conforme o artigo 113 nº 36: “Nenhum imposto
gravará diretamente a profissão de escritor, jornalista ou professor”. A

71
imunidade só foi revogada em 1964, por meio da Emenda Constitucional nº 9
de 22 de julho de 1964.

Governo torna sem efeito decisão do Supremo Tribunal Federal

Após a adoção do imposto de renda, uma polêmica surgiu quanto à tributação


de imposto de renda sobre os salários pagos pelos cofres públicos estaduais e
municipais. As indicações de preenchimento (equivaleriam ao atual Manual de
Orientação) emanadas da Delegacia Geral do Imposto de Renda deixavam
patente a isenção das rendas dos funcionários públicos estaduais e municipais.

Posteriormente, a isenção deixou de fazer parte das instruções da Delegacia


Geral e a renda dos servidores oriunda dos cofres públicos estaduais e
municipais foi cobrada. Os contribuintes não se conformaram e ações judiciais
foram impetradas.

A discussão se arrastou por vários anos, chegando ao Supremo Tribunal


Federal, que confirmou a inconstitucionalidade da cobrança.

A isenção dos vencimentos dos funcionários públicos estaduais e municipais


tinha respaldo numa interpretação do artigo 10 da Constituição vigente, a de
1891.
“Art. 10. É proibido aos Estados tributar bens e rendas federais ou serviços a
cargo da União, e reciprocamente.”
O artigo 8º do Decreto nº 19.723 de 20 de fevereiro de 1931 sujeitou
expressamente ao tributo os vencimentos do funcionalismo público estadual e
municipal.

No final da década de 1930, em pleno Estado Novo, o governo editou o


Decreto-lei nº 1564/1939, tratando da matéria, e ignorou a soberania do poder
judiciário.

Imposto de renda do solteiro

72
O Decreto-lei nº 3.200 de 19 de abril de 1941 institui uma série de medidas
sobre a organização e proteção da família. Uma delas ficou conhecida como
imposto de renda do solteiro, embora não atingisse exclusivamente os
solteiros.
“Art. 32. Os contribuintes do imposto de renda, solteiros ou viúvos sem filhos, maiores de
vinte e cinco anos, pagarão o adicional de quinze por cento, e os casados, também maiores
de vinte e cinco anos, sem filho, pagarão o adicional de dez por cento, sobre a importância,
a que estiverem obrigados, do mesmo imposto.
Art. 33. Os contribuintes do imposto de renda, maiores de quarenta e cinco anos, que
tenham um só filho, pagarão o adicional de cinco por cento sobre a importância do mesmo
imposto a que estiverem sujeitos.
Art. 34. Os impostos adicionais, a que se referem os arts. 32 e 33, serão mencionados nas
declarações de rendimentos e pagos de uma só vez, juntamente com o total ou a primeira
quota do imposto de renda, mas escriturados destacadamente pelas repartições
arrecadadoras.
Art. 35. Para efeito do pagamento dos impostos de que trata o presente capítulo, ficam os
contribuintes do imposto de renda obrigados a indicar, em suas declarações, a partir do
exercício de 1941, a respectiva idade.
Art. 36. São extensivos aos impostos ora criados os dispositivos legais sobre o imposto de
renda, que lhes forem aplicáveis.”

Como decorrência do Decreto-lei Nº 3.200 de 19/04/1941, a partir da


declaração de rendimentos de 1942, foram criados dois campos: um para o
contribuinte informar o valor do adicional de proteção à família e outro para
declarar a idade.

Não se informava a data de nascimento.

A lei de proteção à família foi polêmica e levou a Divisão do Imposto de Renda,


órgão máximo da administração desse imposto, a pronunciar-se a respeito,
como a decisão do processo 5643-43, publicado no Diário Oficial da União em
6 de novembro de 1943:
“O objetivo da lei criando semelhante imposto não foi coagir indiretamente ao
matrimônio e à fundação de família numerosa nem punir os casais estéreis.

Não se trata do imposto do celibato, para cuja aplicação forçoso seria atender-se
àqueles motivos, como a Lei Sui Celibi adotado na Itália em 1927, a qual sujeitava
ao imposto os celibatários entre 25 e 65 anos, excetuando os religiosos obrigados

73
à castidade, mutilados de guerra, interditos por moléstias mentais, estrangeiros,
inválidos e internados em casas de saúde.

Interessado o Estado na organização da família, instituição que mais se cimenta


nas leis naturais, competia-lhe auxiliar o progresso e o fortalecimento dessa
instituição, provendo as necessidades das famílias numerosas e amparando-as na
grande luta econômica atual.

A solução social do problema estava no recurso ao novo ônus, baseando-se no


imposto de renda, para tornar mais justa e equitativa a sua repartição e fazendo-o
recair de preferência sobre os contribuintes solteiros, viúvos ou casados sem filho,
cuja capacidade de contribuição é mais elevada em razão da falta de
dependentes.”

A Lei de proteção à família só foi revogada pelo artigo 22 da Lei nº 4.357 de 16


de julho de 1964 e vigorou até a declaração do exercício de 1964, ano-base de
1963. Durante todo esse período, não foram alteradas as alíquotas nem os
contribuintes sujeitos ao adicional.

Mulher não podia fiscalizar imposto de renda

O Decreto-lei Nº 4.419 de 29 de junho de 1942 criou no quadro permanente do


Ministério da Fazenda 150 cargos de contador, com lotação na Divisão do
Imposto de Renda.

Na época, a fiscalização do imposto de renda era exercida pelo contador.

O Ministério da Fazenda defendia que o provimento do cargo fosse exclusivo


por pessoas do sexo masculino. Em defesa dessa tese, o Ministro da Fazenda
encaminhou Exposição de Motivos ao Presidente da República, que aprovou o
pedido, conforme Diário Oficial da União de 21 de outubro de 1942, página
15.659. Em seguida, são apresentadas partes da Exposição de Motivos.

"1. Tendo sido criados, pelo decreto-lei número 4.419, de 29 de junho de último, 150
lugares na classe inicial da carreira de Contador, Quadro Permanente deste Ministério, para
serem lotados na Divisão do Imposto de Renda (arts. 1º e 3º), esta Secretaria de Estado,
com o aviso nº 75, de 15 de julho seguinte, sugeriu ao Departamento Administrativo do

74
Serviço Público só fossem admitidos à inscrição, para as provas do concurso respectivo,
candidatos do sexo masculino.
2. …. Aos contadores do imposto de renda cabe exercer a fiscalização desse tributo,
mediante perícias contábeis, quase sempre realizadas em empresas e estabelecimentos de
grande movimento……
3. A prática tem demonstrado que o mister de fiscalização, pelas circunstâncias
especialíssimas em que se processa, não deve ser atribuído a mulheres. Por força desse
critério, somente aos candidatos do sexo masculino é permitido o ingresso nas carreiras de
agente fiscal do imposto de consumo, polícia fiscal, escrivão de coletoria e coletor.
(...)
7. Daí porque, submetendo o assunto à deliberação de Vossa Excelência, cumpre-me
propor que seja mantido o critério de somente se admitir a inscrição de pessoas do sexo
masculino nas provas do concurso a ser aberto para provimento efetivo dos lugares de
contador da Divisão do Imposto de Renda.
8. Vossa Excelência, todavia, dignar-se-á de resolver como julgar mais acertado. Rio de
Janeiro, 9 de outubro de 1942. A. Souza Costa. Aprovado. Em 14/10/1942. G. Vargas."

O ingresso de mulheres na fiscalização do imposto de renda só foi aceito em


meados da década de 1950, quando se discutiu a criação do cargo de Fiscal
do Imposto de Renda.

Desconto de imposto para pagamento antecipado

A Lei nº 154 de 25 de novembro de 1947 estabeleceu um desconto para os


contribuintes que efetuassem o pagamento integral do imposto no ato da
entrega da declaração:
5% se pagamento efetuado em janeiro;
3% se em fevereiro; e
1 % se em março.

Esse desconto vigorou até o exercício de 1975, ano-base de 1974, quando os


percentuais eram 8% se pagamento efetuado em janeiro, 6% se em fevereiro e
4% se em março.

Maiores rendimentos sem desconto na fonte

75
O desconto na fonte sobre os rendimentos do trabalho assalariado foi
instituído pela Lei Nº 2.354 de 29 de novembro de 1954. Incidia sobre
rendimentos do trabalho provenientes do exercício de empregos, cargos ou
funções entre Cr$ 4.167,00 a Cr$ 10.000,00 21 mensais.

No começo, o imposto na fonte sobre o rendimento do trabalho assalariado não


era retido para quem auferisse valores mais elevados, pois nesse caso o
imposto era apurado na declaração de rendimentos, ou seja, inicialmente só
tinha desconto na fonte rendimentos do trabalho assalariado entre Cr$
4.167,00 a Cr$ 10.000,00 mensais.

A política tributária da época era restringir a quantidade de declarações.

O Leão ruge pela primeira vez

Nas décadas de 1970 e 1980, a Receita Federal, tal como outros órgãos
federais, dispunha de uma verba para campanha institucional. Na Receita, um
grande usuário da verba era o Programa Imposto de Renda (PIR).

Eram informações básicas como quem estava obrigado a declarar, prazo e


locais de entrega da declaração, modelos de formulário, comprovante de
rendimentos, entrega de manual e formulários.

No final de 1979, a agência de propaganda contratada pela Secretaria da


Receita Federal preparava a campanha institucional para divulgar o Programa
Imposto de Renda (PIR) do exercício de 1980, quando foi sugerido o leão como
símbolo do PIR 1980.

De início, a ideia teve reações diversas, mas, mesmo assim, a campanha foi
lançada.

21
CR$ - Símbolo do cruzeiro (moeda da época)

76
6. Imposto sobre Operações de Crédito – IOF

6.1. Base de cálculo:

6.1.1. Operações de Crédito: Valor da operação de empréstimo ou financiamento;

77
6.1.2. Operações de Câmbio: Montante em moeda nacional recebido, entregue ou posto a disposição do
interessado;

6.1.3. Seguro: Valor do prêmio; e


6.1.4. Operações com títulos ou valores mobiliários: Valor de resgate, cessão ou repactuação, limitado ao
rendimento da operação, em função do prazo (tabela anexa à Portaria MF n.º 264, de 30/06/99).

6.2. Alíquota:

6.2.1. Operações de Crédito: 1,5% a.a. (pessoas físicas e pessoas jurídicas);

6.2.2. Câmbio: 25% (a maioria das operações está com alíquota zero ou isenta);

6.2.3. Seguro: 2% (seguros privados de assistência à saúde); 7% (bens e valores); e

6.2.4. Operações com títulos ou valores mobiliários: 1% ao dia.

6.3. Periodicidade de apuração: Semanal.

6.4. Prazo de recolhimento: Até o terceiro dia útil da semana seguinte à de ocorrência dos fatos geradores
(cobrança do imposto).

7. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS

7.1. Base de cálculo: Valor da receita bruta mensal, entendendo-se como tal, a totalidade das receitas
auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação
contábil adotada para as receitas.

7.2. Alíquota: 3%.

No caso das entidades financeiras que, até fevereiro/99, não integravam a base de cálculo da COFINS,
são admitidas as mesmas deduções relativas a base de cálculo do PIS/PASEP, que consiste, basicamente,
nas despesas de captação e receita de terceiros.

7.3. Periodicidade de apuração: Mensal;

7.4. Prazo de recolhimento: Até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato
gerador.

8. Contribuição para o PIS/PASEP

8.1. Base de cálculo (PIS):

8.1.1. Pessoas jurídicas de direito privado: valor da receita bruta mensal, correspondendo a totalidade das
receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade e a classificação contábil adotada para as receitas;

8.2. Alíquota (PIS): 0,65%.

8.3. Periodicidade de apuração (PIS): Mensal.

8.4. Prazo de recolhimento (PIS): Até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do
fato gerador.

8.5. Base de cálculo (PASEP):

8.5.1. Pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas
autarquias, inclusive as fundações públicas): Receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e
de capital recebidas;

8.5.2. Empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias: Faturamento mensal; e

78
8.5.3. Fundações de direito privado e outras entidades previstas no artigo 13 da MP n.º 1.858-6 de
29/06/99: folha de pagamento mensal.

As entidades financeiras enquadradas como empresas públicas, são contribuintes do PIS.

8.6. Alíquotas (PASEP):

8.6.1. Pessoas jurídicas de direito público/autarquias: 1%;

8.6.2. Empresas públicas (faturamento): 0,65%; e

8.6.3. Folha de pagamento: 1%.

8.7. Periodicidade de apuração (PASEP): Mensal.

8.8. Prazo de recolhimento (PASEP): Até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência
do fato gerador.

9. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL

9.1. Base de cálculo: Lucro líquido do exercício, ajustado, antes da provisão para o Imposto de Renda.
No caso das pessoas jurídicas que houverem optado pelo pagamento do imposto de renda por estimativa,
a base de cálculo da contribuição é o valor correspondente a 12% da receita bruta mensal acrescido dos
demais resultados e ganhos de capital.

9.2. Alíquota: 8%.

No período de 01/02/00 até 31/12/02 a CSLL será cobrada com adicional de 1 (um) ponto percentul (MP
n.º 1.991-16, de 11/04/00).

9.3. Periodicidade de apuração e prazo de recolhimento: Idênticos ao do Imposto de Renda das Pessoas
Jurídicas.

Principais Fatos que Influenciaram a Arrecadação dos Impostos e Contribuições Federais


Administrados pela RFB (a partir de 1990)

1990

 Edição do Plano Collor I

Dentre outras, estabeleceu as seguintes medidas que contribuíram para o aumento de arrecadação:
 Retenção de todos os ativos financeiros e tributação desses ativos através do IOF, cuja
arrecadação passou de 0,15%, em 1989, para 1,30% do PIB, em 1990; e
 Permissão para pagamento de tributos atrasados com os cruzados novos retidos o que induziu a
um grande número de contribuintes a acertar as contas com o Fisco.
1991

 Desindexação da economia
Foi extinta, em fevereiro, a BTN-Fiscal que era o indexador dos tributos, tendo sido criada em seu lugar a
Taxa Referencial de Juros (TR), que a princípio funcionou, precariamente, como indexador dos tributos,
porém, devido a questionamentos judiciais, foi abandonada, e os tributos ficaram, a partir de julho, sem
nenhum indexador. Isto foi a principal causa para a queda de arrecadação, dado que a inflação se
acentuou. Por essa razão, a arrecadação do IRPJ, IRPF e CSLL caiu drasticamente, passando, em seu
conjunto, de 2,41%, em 90, para 1,34% do PIB, em 1991.

1992

 Reindexação dos tributos, através da criação da Unidade Fiscal de Referência – UFIR; e

79
 Edição da Lei n.º 8.383/91 que estabeleceu, a partir de janeiro/92, o sistema de bases correntes
para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ. O sistema de apuração do Imposto
passou de anual para mensal, fazendo com que, nesse ano, ocorresse arrecadação relativa ao ano-
base 91 (cotas) e ao próprio ano-calendário/92. Isto elevou significativamente, a arrecadação do
IRPJ e CSLL.
1993

 Reconhecimento da constitucionalidade da COFINS e elevação da alíquota da Contribuição


Social sobre o Lucro Líquido de 15% para 23%, para as entidades financeiras;
 Pagamentos, pelas empresas, do imposto referente ao lucro inflacionário acumulado com
alíquota reduzida de 5% (Lei 8.541/92); e
 Encurtamentos dos períodos de apuração e prazos de arrecadação para fatos geradores a partir de
1/11/93 (MP 368/93). Essa medida resultou em ganho de arrecadação de cerca de 20 dias para o
IPI.
1994

 Início da cobrança do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira – IPMF (a partir de


janeiro/94). Este imposto gerou uma arrecadação, no ano, de 4,98 bilhões, correspondendo a
7,74% do total arrecadado;
 Retomada do fluxo de pagamentos da COFINS por parte de grande número de contribuintes em
razão do julgamento da constitucionalidade dessa contribuição no final de 1993;
 Reestruturação das alíquotas, por faixas, do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre trabalho. A
faixa com alíquota de 25% passou para 26,6% e foi criada uma nova faixa com alíquota de 35%
(Lei n.º 8.848/94);
 Elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do setor financeiro de 23%
para 30%, com reflexo na arrecadação a partir de julho/94. O aumento da alíquota foi decorrente
da criação do Fundo Social de Emergência – FSE, por intermédio da Emenda Constitucional n.º
01 de 1994; e
 Implantação do Plano Real, a partir de julho/94, com redução acentuada da inflação. Este fato
contribuiu para que as bases de cálculo dos principais tributos (IPI, IRPJ, COFINS e
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) deixassem de sofrer os efeitos negativos, para
arrecadação, decorrentes da corrosão inflacionária. Este efeito corrosivo, conhecido como
"Efeito Tanzi", foi praticamente eliminado. Além disso, o início do Plano Real proporcionou um
aquecimento acentuado do consumo, notadamente no segundo semestre de 1994, com
repercussão positiva no resultado das empresas e, em conseqüência, na arrecadação.

1995

 Limitação da compensação de prejuízo ao percentual de 30% do lucro obtido pelas empresas e a


elevação de 3,5% para 5% (regra geral) do percentual para estabelecimento da base de cálculo
do lucro presumido/estimativa;
 Elevação de 62%, em relação a 1994, no volume das importações tributadas, principalmente de
veículos, com repercussão positiva na arrecadação do Imposto sobre Importações; e
 Melhoria acentuada da atividade econômica, principalmente em relação ao primeiro semestre de
1994.
1996

 Redução no volume das importações tributadas, principalmente de veículos, em razão das


restrições impostas, notadamente, pelo aumento das alíquotas;
 Reestruturação da tabela de retenção do Imposto de Renda na Fonte (ampliação da faixa de
isenção, redução da alíquota de 26,6% para 25% e exclusão da alíquota de 35%);
 Redução das alíquotas do IOF nas operações de crédito de 18% para 6% (pessoas físicas) e de
3% para 1,5% (pessoas jurídicas); e
 Elevação de conversões de depósitos judiciais em renda da União (R$ 2.782,6 milhões em 1996
contra R$ 1.736,3 milhões em 1995).
1997

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 Entrada em vigor, a partir de 23/01/97, da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira – CPMF, cuja arrecadação, no ano de 1997 foi de R$ 6.909 milhões correspondendo
a 6,45% da arrecadação das receitas administradas pela RFB;
 Elevação do valor, em dolar, das importações tributadas, especialmente de veículos, com
crescimento de 68% em relação ao ano anterior;
 Crescimento de 12% nas vendas de automóveis ao mercado interno;
 Introdução da obrigatoriedade de retenção e recolhimento ao Tesouro, pelos órgãos públicos, a
partir de 01/01/97, dos tributos oriundos do fornecimento de bens ou da prestação de serviços a
esses órgãos (Lei n.º 9.430/96 – art. 64); e
 Elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras – IOF sobre operações de crédito
relativas às pessoas físicas de 6% para 15% a partir de 05/05/97 (Dec. n.º 2.219/97).
1998

 Arrecadação relativa à tributação dos saldos acumulados até 31/12/97 em fundos de


investimento de renda fixa no valor de R$ 1.763 milhões (janeiro a março); elevação da alíquota
do imposto incidente sobre estas aplicações de renda fixa de 15% para 20% e mudança na
sistemática de tributação relativamente às aplicações em fundos de renda fixa, passando de
tributação no momento do resgate para tributação no vencimento da aplicação;
 Pagamento referente a débitos em atraso, efetuado pelo setor público, no valor total de cerca de
R$ 1.767 milhões;
 Elevação das alíquotas do Imposto de Importação em três pontos percentuais a partir de 13 de
novembro de 1997 (Dec. n.º 2.376/97);
 Elevação das alíquotas do IPI sobre bebidas em cerca de 10% a partir de 21 de novembro de
1997 (AD n.º 74/97);
 Elevação da alíquota do IRRF-Rendimentos do Trabalho de 25% para 27,5%, a partir de 1º de
janeiro de 1998 (Lei n.º 9.532/97);
 Redução de 16,2% no volume de vendas de cigarros ao mercado interno;
 Redução de 28,6% no volume de vendas de automóveis ao mercado interno e redução de
alíquotas a partir de agosto de 1998 (Dec. n.º 2.376/97);
 Incremento no valor das compensações, no IPI, relativas ao crédito presumido na exportação
pelo pagamento de PIS e COFINS; e
 Redução da alíquota do IOF, de 15% para 6%, nas operações de crédito das pessoas físicas, a
partir de 10 de julho de 1998 (Portaria n.º 157 de 09/07/98).
1999

 Arrecadação extra, em 1999, no valor de cerca de R$ 4,5 bilhões, decorrente da desistência de


ações judiciais e o conseqüente pagamento de débitos em atraso, principalmente, relativos ao
PIS/PASEP (R$ 1,6 bilhão), COFINS (R$ 1,45 bilhão), CSLL (R$ 1,0 bilhão) e IRPJ (R$ 0,45
bilhão), em conformidade com o disposto na Lei n.º 9.779/99, com as alterações introduzidas
pelas Medidas Provisórias n.ºs 1.807/99 e 1.858-6/99);
 Arrecadação extra, no valor de cerca de R$ 1,0 bilhão, referente à conversão de depósitos
judiciais, pelo encerramento definitivo de ação judicial, relativamente a COFINS (R$ 694
milhões) e CSLL (R$ 312 milhões);
 Elevação da alíquota da COFINS de 2% para 3% e da obrigatoriedade do pagamento desta
contribuição pelas entidades financeiras (Lei n.º 9.718/98), a partir do mês de março de 1999;
 Extensão da tributação sobre aplicações financeiras em renda fixa às operações de cobertura
(hedge), realizadas por meio de operações de swap (Lei n.º 9.779/99);
 Tributação, a título de I.O.F, sobre aplicações financeiras em fundos de investimentos à alíquota
de 0,38% e aumento de 0,38 pontos percentuais nas operações de crédito relativamente às
pessoas físicas e pessoas jurídicas. Essa medida vigorou de 24/01/99 a 16/06/99, em substituição
à CPMF, extinta no dia 23/01/99 e reintroduzida em 17/06/99;
 Elevação no volume de remessas ao exterior e alteração na política cambial;
 Inclusão de Depósitos Judiciais, a partir do mês de dezembro de 1998. No ano de 1999, foram
arrecadados R$ 2,0 bilhões relativamente a depósitos judiciais; e
 Tributação, a título de CPSSS, do 13º salário em dezembro de 1999.

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