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SOLUÇÕES E DISPERSÕES COLOIDAIS

Mistura → duas ou mais espécies químicas diferentes misturadas.


Homogênea – uma única fase e as mesmas propriedades em todos os seus pontos. Solução,
Mistura
Heterogênea – mais de uma fase, cada fase apresenta suas propriedades características.

Disperso – em menor quantidade, se espalha no dispersante.


Mistura
Dispersante – em maior quantidade contém o disperso.

Conforme o diâmetro médio das entidades espalhadas, temos:


 Uma solução (mistura homogênea) TMP < 1 nm
 Uma dispersão coloidal (maionese, geléias, cola, tintas, vernizes etc.) TMP 1nm – 100 nm
 Uma suspensão (suco de caju, leite de magnésia, argila na água, etc.) TMP > 100 nm
1 nm = 10 Aº = 10-3 μm = 10-7 cm = 10-9 m
Soluções
São misturas homogêneas onde o disperso é chamado de soluto e o dispersante de solvente.
Tipos de soluções
Solução Solvente Soluto
Sólida Sólido Sólido – ligas metálicas (Au + Cu; Au +Ag; ouro 18 K 5% de Cu)
Líquido – cobre ou prata + mercúrio
Gás – paládio + H2
Líquida Líquido Sólido – sal, açúcar, sacarose, etc
Líquido –a álcool, acetona
Gás – água + CO2 (refrigerantes em geral)
Gasosa Gás Gás – ar atmosférico filtrado (soluto O2 21% e solvente N2 a 78%)

Soluções – diluídas – pouco soluto.


Soluções – concentradas – muito soluto.
Soluções – saturadas – máximo possível de soluto.
Processo de dissolução
As moléculas do solvente em movimento constante bombardeiam as do soluto separando-as do conjunto.
Processo de solvatação
Solvatação é o processo em que as moléculas de água envolvem o soluto. Pode levar à dissociação iônica do soluto
ou à ionização dependendo do tipo de soluto. Dissociação quando o composto já é iônico e ionização quando o
composto é molecular.

NaCl + H2O → Na+ + Cl- (processo de dissociação, ocorre com sais, bases e alguns óxidos que são compostos
iônicos)

H2SO4 + H2O → 2H+ + (SO4)= (processo de ionização, ocorre com os ácidos,algumas bases e alguns óxidos,
com compostos moleculares).
Coeficiente de solubilidade (Cs) é a quantidade máxima, em massa, de soluto que se dissolve em uma quantidade
padrão de solvente em uma determinada temperatura e pressão, levando a uma solução saturada.
Ex.: Cs (NaCl) = 357 g/L (0ºC)
Cs (NaCl) = 360 g/L (20ºC)
Cs (KNO3) = 46 g/100g (30ºC)

A variação da solubilidade de uma substância em função da sua temperatura é chamada de curva de solubilidade.
As curvas de solubilidade são gráficos que apresentam a variação dos coeficientes de solubilidade das substâncias
em função da temperatura. Na curva de solubilidade do KNO 3 mostrada abaixo a linha vermelha indica a região da
solução saturada, acima desta linha a região de soluções supersaturadas (instáveis) e abaixo desta linha a região de
soluções insaturadas que aceitam mais soluto.

1 – Soluções e dispersões coloidais


Formas de Expressão da concentração de soluções
O índice 1 é relativo ao soluto e o índice 2 é relativo ao solvente.
1) Concentração comum (‘C):
Informa a massa de soluto por unidade de volume da solução, ou seja, é a razão entre a massa de soluto (m 1) e o
volume da solução (V).
C = m1/ V unidades: g/L; g/cm3; kg/m3, sendo a unidade mais utilizada g/L.
2) Concentração molar ou molaridade ou concentração em quantidade de matéria (Cn)
A razão entre a quantidade de matéria do soluto, número de mols (n 1) e o volume da solução (V) é chamada de
concentração molar ou molaridade ou concentração em quantidade de matéria (Cn).
Cn = n1/ V = m1/M1 n1 = m1/M1
V
Onde: m1= massa do soluto em gramas
M1= massa molar do soluto em g/mol
V= volume da solução em L.

unidade: mol/dm3 ou mol/L obs.: 1 dm3= 1L

3) Título em massa ou simplesmente Título (Tm)


Título em massa é a razão entre a massa do soluto (m1) e a massa da solução (m1+m2).
Tm = m1/(m1+m2) não possui unidades = adimensional
Onde: m1 = massa do soluto m2= massa do solvente

4) Porcentagem em massa do soluto Pm (% m/m)


P1 = 100xTm

5) Título em volume Tv

2 – Soluções e dispersões coloidais


Para soluções líquido-líquido e soluções gás-gás.

Tv = V1/ V V1 = volume do soluto e V = volume total da solução. Também é adimensional.

6) Porcentagem volumétrica Pv (% V/V)


Pv = 100xTv

7) Partes por milhão (ppm) - Usa-se para soluções muito diluídas.


Massa do soluto/ 1 milhão de partes de solvente
Unidades = g/106 g (gramas de soluto por 106 (um milhão) de gramas da solução).
Ou ainda = mg/106 mg da solução (miligramas de soluto por 106 (um milhão) de miligramas da solução).
Ou ainda mg/L, miligramas de soluto por litro de solução.

8) Concentração molal ou molalidade (W)


É a razão entre a quantidade de matéria (nº de mols) do soluto e a massa do solvente em Kg.
W = n1/m2 onde n1= nº de mols do soluto e m2 = massa do solvente em Kg.
Considerando a massa do solvente (m2) em gramas (g), tem-se:
W = 1000n1/m2 (em gramas).

9) Fração em quantidade de matéria do soluto (x1)


X1= n1/(n1+n2) onde n1 = nº de mols do soluto e n2= nº de mols do solvente.

10) Fração em quantidade de matéria do solvente (x2)


X2= n2/(n1+n2) onde n1 = nº de mols do soluto e n2= nº de mols do solvente
Obs.: 1) X1 e X2 são adimensionais, isto é, não possuem unidades.
2) X1 + X2 = 1
11) Relações entre concentrações
C = d.Tm onde d= densidade da solução e Tm = título em massa.

Cn = dTm Cn.M1= d.Tm


M1
Onde d= densidade da solução, Tm = título em massa e M1= massa molar do soluto em g/mol.

Diluição
Diluição processo pelo qual se diminui a concentração de uma solução adicionando solvente puro.
CiVi = CfVf o número de mols do soluto permanece o mesmo, só acrescentou-se solvente.

Mistura de soluções de mesmo soluto e mesmo solvente (solução A + solução B)

CR = CaVa + CbVb onde CR é a concentração resultante; CaVa é nº de mols ou massa do soluto A.


(Va+ Vb)
(Va+Vb) é o volume final da mistura de soluções.
Mistura de soluções de solutos diferentes que não reagem entre si (solução A + solução B)
Cfa = na/Vf Cfb = nb/Vf
Onde na = nº de mols do soluto A; nb = nº de mols do soluto B

Cfa = concentração final do soluto A Cfb = concentração final do soluto B


Vf = Va + Vb = volume final da mistura de soluções.

Mistura de soluções de solutos diferentes que reagem entre si

3 – Soluções e dispersões coloidais


Pode ocorrer uma das duas situações abaixo:
a) quando os reagentes estão em proporções estequiométricas.
b) quando há excesso de um dos reagentes
Deve-se fazer o equilíbrio da equação que representa a reação e os cálculos estequiométricos.

Análise volumétrica
É um procedimento de laboratório para determinar a concentração de uma solução.
Faz-se reagir uma solução chamada solução-problema com outra solução conveniente, chamada solução-padrão.
V1 = volume escolhido e conhecido (através de pipetas volumétricas)
Solução-problema Cn1 = concentração desconhecida (Cn ou C)
n1 = quantidade de matéria ou massa desconhecida

V2 = volume gasto na reação com o volume escolhido da solução-problema


Solução-padrão Cn2 = concentração conhecida (Cn ou C)
n2 = quantidade de matéria do soluto conhecida

Ponto final da titulação – quando todo reagente contido na solução padrão consumir todo o reagente da solução,
isto é indicado pelos chamados indicadores.
Indicadores - Indicam ponto final da reação entre a solução de concentração conhecida e a solução de
concentração desconhecida.
 Auto-indicadores – uma das soluções é ela própria colorida, Ex. soluções de KMnO 4 (permanganato de
potássio) ou de I2 (iodo)
 Indicadores de contato – tornassol, fenoftaleína, alaranjado de metila, entre outros. Estes indicadores
conferem uma coloração própria à solução que se altera quando é chegado o ponto final da titulação.
Alguns deles são chamados indicadores ácido-base, pois sua cor se altera quando ocorre a mudança de pH
de ácido para básico e vice-versa. Os indicadores ácido-base são utilizados quando a solução-problema é
um ácido e a solução padrão é uma base ou vice-versa.

4 – Soluções e dispersões coloidais


5 – Soluções e dispersões coloidais
DISPERSÕES COLOIDAIS (Colóides)
As dispersões (não se deve usar o termo solução) coloidais são sistemas nos quais uma substância, chamada
disperso, está disseminada, sob a forma de pequenas partículas em uma segunda substância, chamada dispersante
ou dispergente.
Disperso = partículas coloidais, chamadas de micelas.
Dispersante ou dispergente = substância em que o disperso se encontra.
Dispersões formadas por agregados de átomos, de moléculas ou de íons = colóides micelares.
Dispersões formadas por moléculas gigantes= as partículas são chamadas de colóides moleculares.
Dispersões formadas por íons gigantes = as partículas são chamadas de colóides iônicos.

6 – Soluções e dispersões coloidais


Principais características dos sistemas dispersos

Soluções verdadeiras Dispersões coloidais Suspensões


Exemplos Açúcar ou sal na água Gelatina na água Terra suspensa na água
Natureza das partículas Átomos, íons ou moléculas Aglomerados de átomos, Grande aglomerados de
íons, ou moléculas gigantes átomos, íons, ou moléculas
Tamanho médio das 〈 1nm (1 nm= 10-9 m) De 1 a 100 nm 〉 100 nm
partículas
Visibilidade das partículas Não são visíveis com Visíveis ao ultramicroscópio Visíveis a olho nu ou no
nenhum aparelho microscópio comum
Sedimentação das partículas Não se sedimentam de modo Se sedimentam por ultra- Sedimentação espontânea ou
algum centrifugação por meio de centrífugas
comuns
Separação por filtração Não é possível por nenhum As partículas são separadas São separadas por filtração
tipo de filtro por meio de ultra-filtros comum
Comportamento no campo Solução molecular: não As partículas de um As partículas não se
elétrico permite a passagem de determinado colóide movimentam pela ação do
corrente elétrica. possuem carga elétrica; por campo elétrico.
Solução iônica: permite a isso migram para o pólo
passagem de corrente oposto ao de sua carga
elétrica. elétrica.
Tipo de Sistema Homogêneo Heterogêneo Heterogêneo

Classificação das dispersões coloidais


Nome Disperso/dispersante Exemplo
Sol sólido Sólido/sólido Rubi, safira: dispersante alumina Al2O3; disperso Cr2O3 e óxidos de Ti, Fe e Cr.
Sol Sólido/Líquido Cola; se o líquido for água o sol é chamado de hidrossol; tintas; gelatinas
Gel Líquido/sólido Geléias
Emulsão Líquido/líquido Leite (gordura/água); maionese (azeite/vinagre); loções hidratante
Aerossol-sólido Sólido/gás (ar) Fumaça; névoa de cloreto de amônio
Aerossol-líquido Líquido/gás (ar) Neblina; spray em geral
Espuma-sólida Gás/sólido Maria-mole; pedra-pome; carvão de lenha; isopor
Espuma-líquida Gás/líquido Espuma de sabão; clara de ovo em neve; chantilly; mousse p/cabelos
Movimento Browniano – quando um sistema coloidal é observado num ultramicroscópio e iluminado lateralmente
observa-se vários pontos luminosos movimentando-se rápida e aleatoriamente. São as partículas coloidais que se
chocam com as moléculas do dispersante.

Efeito Tyndall – efeito de dispersão da luz, quando a luz incide lateralmente sobre um sistema coloidal. Exemplo:
fumaça de cigarro sob a ação luz; faróis de carro na neblina.

7 – Soluções e dispersões coloidais


Bibliografia:
Feltre, Ricardo. Química. Editora Moderna. São Paulo. 6ª Ed. 2004. Volumes 1, 2 e 3.
Canto, Eduardo Leite; Peruzzo, Francisco Miraia (Tito). Química. Editora Moderna. São Paulo. 3ªEd.
2003. Volumes 1, 2 e 3.
Usberco, João; Salvador, Edgar. Química. Editora Saraiva. São Paulo. 11ª Ed. 2005. Volumes 1, 2 e 3.
Sardela, Antônio. Curso de Química. Editora Ática. São Paulo. 25ª Ed. 2002. Volumes 1, 2 e 3.

8 – Soluções e dispersões coloidais

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