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Teste A1

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

GRUPO DISCIPLINAR DE HISTÓRIA


1º. TESTE DE AVALIAÇÃO SUMATIVO 10º. ANO
DISCIPLINA: História B
ESCOLA SECUNDÁRIA DE SÃO JOÃO DO
ESTORIL
Professor: Jorge Penim de Freitas Duração: 100 m.
ANO LETIVO 2017/2018

 Identifique claramente os grupos e os itens a que responde.


 Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.
 É interdito o uso de «esferográfica-lápis» e de corretor.
 As cotações da prova encontram-se na página 6.
 Nos itens de resposta aberta com cotação igual ou superior a 20 pontos, cerca de
10% da cotação é atribuída à comunicação em língua portuguesa.

Parte 1 – Uma Europa a dois ritmos

Documento 1
O proprietário é livre de despedir o colono (rendeiro agrícola) quando lhe convier. Os
arrendamentos são temporários e por um tempo muito curto; é raro ultrapassarem três anos.
A cada novo período, o proprietário exige do colono uma renda mais elevada e, se ele não
quiser, ameaça-o de arrendar a terra a outro, seguro como está – pela falta de terras
cultivadas e pela abundância de trabalhadores – de encontrar quem a queira de renda. O
colono, que já tem as suas alfaias, rebanhos, palha e outras reservas que perde se abandonar a
terra, vê-se na triste necessidade de aceitar tudo o que exige a tirania do proprietário e, todos
os anos, este vai aumentando as rendas.
(Pablo de Olavide, Informe sobre la Ley Agraria, Espanha, século XVII)

1. O documento 1 descreve um exemplo...


(A) da liberdade de escolha dos senhores, fundamental para o desenvolvimento da
economia agrária na maior parte da Europa, entre os séculos XV e XVII.
(B) da liberdade de escolha dos camponeses, fundamental para o desenvolvimento da
economia agrária na maior parte da Europa, entre os séculos XV e XVII.
(C) do poder senhorial sobre os camponeses, que ajudou o desenvolvimento da
economia agrária na maior parte da Europa, entre os séculos XV e XVII.
(D) do poder senhorial sobre os camponeses, que impediu o desenvolvimento da
economia agrária na maior parte da Europa, entre os séculos XV e XVII.

Documento 2
A indústria europeia do século XVI é tanto urbana como rural. Os salineiros que recolhem o sal
das salinas marítimas ou continentais vivem quase como camponeses. As minas de carvão do
Norte e do Centro de Inglaterra abrem-se num ambiente rural. As forjas da Biscaia […], da
Estíria […], estão instaladas na floresta. Uma grande parte do trabalho têxtil é feito no campo,
mesmo se controlado pelos mercadores das cidades.
(Bartolomé Bennassar, L’Ouverture du Monde, XIVe-XVIe siècles, 1977)

Responda à questão 2 apresentada na página seguinte.

1
2. O documento 2 refere-se...
(A) à economia pré-industrial, porque salienta o predomínio do comércio urbano,
associado a atividades artesanais ou manufatureiras que se realizam exclusivamente
num ambiente rural.
(B) à economia pré-industrial, porque o setor primário e as atividades artesanais ou
manufatureiras decorrem ainda, em boa parte, num ambiente rural, mesmo que
associadas ao comércio controlado a partir das cidades.
(C) à economia industrial, porque todas as atividades se destinam ao comércio e à
indústria controlados pelos mercadores das cidades.
(D) à economia pré-industrial, porque a população rural se dedica tanto ao comércio
como às atividades artesanais ou manufatureiras.

Documento 3
1692: O presente ano de mil seiscentos e noventa e dois foi de grande penúria, tendo morrido
muita gente de miséria. […] A colheita prometia ser boa, mas os nevoeiros que começaram em
meados de maio e que duraram até ao mês de outubro estragaram tudo.
1693: O presente ano de mil seiscentos e noventa e três foi muito miserável e nele morreram,
por todo o lado, de pura miséria, uma prodigiosa quantidade de homens. […] O ano foi muito
seco, o inverno sem geadas, a primavera muito seca, o verão sem chuva. O outono seco e com
tão pouco vinho que os homens não tinham memória de ter visto tão pouco.
1694: O inverno do ano de mil seiscentos e noventa e quatro foi muito seco e frio, com
grandes geadas que duraram quase todo o mês de março. […] O ano foi o mais miserável que
os vivos já tinham presenciado […]. O trigo vendeu-se no mês de janeiro a doze e a treze libras,
no mês de fevereiro a catorze e quinze […], de maio ao S. João a dezassete e dezoito […].
O rei concedeu grandes liberalidades* em Paris e em todo o reino […]. Apesar destas
precauções, na província [de Toulouse] morreu de miséria um terço das gentes.
(Chronique do abade Laplaigne, registos paroquiais de Fals, em La France de L’Ancien Regime,
Textes et Documents, 1484-1789)

*Refere-se à distribuição gratuita de víveres.

3. A partir do documento 3, explique três dos fatores que contribuíram para as crises cíclicas
da economia europeia dos séculos XVI a XVIII.

Parte 2 – A afirmação da fachada atlântica – Lisboa, Sevilha, Antuérpia

Documento 4
Os descobrimentos [dos Portugueses] não se fizeram ao acaso; os nossos navegadores
partiram ensinados e equipados com instrumentos, regras de astronomia e de geometria e
cartas de marear marcadas com rumos ou direções.
(Pedro Nunes, Tratado de Defensão da Carta de Marear, século XVI)

4. A partir do documento 4, descreva três das condições que permitiram a Portugal iniciar a
Expansão marítima no século XV.

2
Documento 5 – Feitoria-fortaleza de São Jorge da Mina, construída nos finais do século XV

Documento 6 – Presença portuguesa na Ásia (século XVI)

Documento 7 – Rotas do comércio mundial

Documento 8 – A situação no Mediterrâneo depois da chegada dos Portugueses à Índia


Em 1502, as galés italianas enviadas a Beirute (o principal terminus da rota do Golfo Pérsico,
com importantes articulações ainda às do mar Vermelho) não conseguiram aí carregar mais do
que quatro fardos de pimenta! Das cinco que rumaram a Alexandria, só uma conseguiria carga.

3
Em 1504, a situação tornara-se tão desastrosa que faltaram de todo as especiarias para
carregar nos portos do Mediterrâneo.
(Jaime Cortesão, O Império Português no Oriente, Lisboa, 1968)

5. Desenvolva, a partir dos documentos de 5 a 8, o seguinte tema:

A formação de um Império transoceânico português.

A sua resposta deve abordar, pela ordem que entender, três aspetos de cada um dos seguintes
tópicos:
 A criação dos quadros geográfico-económicos
 O controlo das mercadorias mais rentáveis
 As dificuldades da manutenção do Império

6. Associe cada um dos elementos presentes na coluna A, à designação correspondente que


consta na coluna B. Escreva, na folha de respostas, apenas as letras e os números
correspondentes. Utilize cada letra e cada número apenas uma vez.

COLUNA A COLUNA B

(A) Entre 1505 e até cerca de 1570, teve o monopólio de todo o tráfego comercial (1) Burguesia
com o Oriente.
(2) Povo
(B) Controlava o comércio interno e as redes do comércio externo português.
(3) Nobreza
(C) Ocupava os mais altos cargos administrativos e militares no Reino e no Império.
(4) Clero

(5) Coroa

Documento 9
Há já 42 anos que os espanhóis perseguem estas inocentes criaturas. As ilhas de S. João de
Porto Rico e da Jamaica são muito vastas e férteis, mas a raiva dos espanhóis nada deixou aí.
[…] Eles não conheceram outro deus senão o ouro […], sem se preocuparem em os converter à
nossa santa religião.
(Bartolomeu de las Casas, Breve relação da destruição das Índias Ocidentais, 1542)

7. Identifique as “inocentes criaturas” (linha 1) que o autor do documento 9 refere.

8. A partir do documento 9, refira dois dos motivos que levaram os espanhóis a devastar os
territórios que o autor refere como “Índias Ocidentais”.

4
Documento 10

9. O meridiano traçado de norte a sul, representado no documento 10, reporta-se ao...


(A) Tratado de Saragoça.
(B) Tratado de Alcáçovas.
(C) Tratado de Medina del Campo.
(D) Tratado de Tordesilhas.

Documento 11
Cap. II – Os Portugueses não têm, pelo direito de descoberta, soberania sobre as Índias
Orientais […]. Os Portugueses não são soberanos das Índias Orientais, para onde navegam os
Holandeses, tal como Java, Ceilão e grande parte das Molucas. Provei isto através do
argumento incontestável de que nenhuma nação é soberana de territórios que não possui e
aos quais não atribuiu o seu nome. Estas ilhas de que falo, agora e sempre, tiveram os seus
próprios reis, o seu próprio governo, as suas leis e sistemas legais. Os habitantes locais
autorizam os Portugueses a participar no comércio, assim como dão esse privilégio a outras
nações.
(Hugo Grotius, Mare Liberum, 1609)

10. O autor do documento 11 defende...


(A) a doutrina do mar fechado e o direito exclusivo dos Portugueses à participação no
comércio colonial.
(B) a doutrina do mar fechado e o direito exclusivo dos Holandeses à participação no
comércio colonial.
(C) a liberdade de navegação nos mares, fundamentado no direito de descoberta.
(D) a liberdade de navegação nos mares e o direito de conquista.

5
Documento 12
De Portugal [para Antuérpia] mandam jóias e pérolas orientais perfeitas, ouro em bruto e
batido, especiarias, drogas, âmbar excelente, almíscar, zibeto, marfim ou dente de elefante […]
e outras cousas preciosas em grande quantidade, que delas se fornece a maior parte da
Europa […].
Para lá [Portugal] manda-se prata em bruto, azougue, vermelhão, arames, bronze e latão em
obra e em lâminas, estanho, chumbo, armas e armaduras […].
(Relação de Ludovico Guiacciardini, agente comercial em Antuérpia, in Clenardo e a Sociedade
Portuguesa do seu Tempo, 1949)

Glossário:
Almíscar – substância utilizada no fabrico de perfumes.
Azougue – mercúrio.
Zibeto – mamífero vagamente semelhante a um gato selvagem, cuja pele era comercializada.

11. Explique, a partir do documento 12, a importância de Antuérpia no contexto do comércio


europeu dos séculos XV e XVI.

Documento 13
Por um lado, a Península Ibérica, até então [à descoberta da América por Cristóvão Colombo,
em 1492] quase marginal, foi bruscamente integrada, em plenitude, no mundo europeu. […] O
comércio extraeuropeu, a exploração dos novos mundos vieram conferir maior importância às
nações atlânticas, cujo ponto de encontro foi, na ocasião, a Flandres e a Holanda, primeiro em
Antuérpia, depois em Amesterdão, no coração da Europa do Noroeste, já muito rica e
povoada, que retirará pouco a pouco a preponderância à Itália e à Espanha.
(Jean Bérenger, em Georges Livet e Roland Mousnier (dir. de) História Geral da Europa, vol. 2)

Documento 14
O que as viagens e colónias portuguesas realmente conseguiram foi deslocar o centro do
comércio transcontinental pré-colombiano de Veneza e Génova para Lisboa e Antuérpia. […] O
declínio de Antuérpia, depois da revolta das províncias holandesas do Norte, provocou um
severo vazio na estrutura do comércio europeu no Atlântico e no Oceano Índico, vazio que no
século XVII seria preenchido pela ascensão de Amesterdão e Londres.
(Kirti Chauduri, História da Expansão Portuguesa, vol. 2, 1998)

12. Transcreva, de cada um dos documentos (13 e 14), uma frase que demonstre que os
povos do Norte da Europa suplantaram a hegemonia inicialmente alcançada por Portugal e
Espanha nas rotas do comércio mundial.

Cotações
Questão Cotação Questão Cotação
1. 5 7. 5
2. 5 8. 20
3. 25 9. 5
4. 25 10. 5
5. 50 11. 25
6. 5 12. 25
Total 200