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UNIVERSIDADE LUSÍADA DE ANGOLA

CENTRO DE ESTUDO, INVESTIGAÇÃO E PÓS – GRADUAÇÃO LUANDA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

Contribuição da Agricultura Familiar na Economia


da Comunidade da Funda - Luanda

Dissertação para a obtenção do Título Académico de Mestre em Economia

Rodrigo Domingos Aguiar Rosa

Luanda, 2019
UNIVERSIDADE LUSÍADA DE ANGOLA
CENTRO DE ESTUDO, INVESTIGAÇÃO E PÓS – GRADUAÇÃO LUANDA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

Contribuição da Agricultura Familiar na Economia


da Comunidade da Funda - Luanda

Dissertação para a obtenção do Título Académico de Mestre em Economia

Rodrigo Domingos Aguiar Rosa

Orientador: Prof. Dr. Ernesto Paulo Luciano

Cô-Orientador: Engenheiro Tomas Hungulo

Luanda, 2019

II
DECLARAÇÃO

Eu Rodrigo Domingos Aguiar Rosa declaro que esta dissertação é resultado da


minha investigação e pesquisa e nunca foi submetida completa ou
parcialmente para qualquer outro grau em qualquer outra Universidade.

__________________________ ____________________
Rodrigo Domingos Aguiar Rosa Data

III
“Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado
que, quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho”.

“Thomas Jefferson”

IV
DEDICATÓRIA

A Deus pai todo-poderoso que me concedeu o dom da vida, por cuidar de mim
sempre e dotou de capacidade que vai para além da minha natureza.

A toda minha família e em especial os meus pais Domingos José Rosa e


minha mãe Natália Adriana Aguiar pela vida, pelo apoio moral, dedicação e
compreensão em todos os momentos desta e outras caminhadas, grato
eternamente.

Aos meus irmãos, primos, sobrinhos e tios pelo grande apoio moral e social.

Aos meus professores, colegas, compadres e amigos que durante o tempo de


formação souberam partilhar comigo, momentos bons e maus.

V
AGRADECIMENTOS

Agradeço acima de tudo a Deus que sempre deu-me saúde e luz para
caminhar e chegar na meta certa.
Ao Professor Doutor Fernando Ribeiro Director do Centro de Estudo,
Investigação e Pós-Graduação da Universidade Lusíadas de Angola pela
oportunidade concedida para a realização deste trabalho e as recomendações
de alguns sites com categorias científicas.
Ao Professor Doutor. Ernesto Paulo Luciano, orientador do trabalho pela
paciência, ensinamento e orientação que me foi prestada;
Ao Professor Engenheiro Agrónomo. Tomas Hungulo, cô-orientar do trabalho
pela paciência, ensinamento e que me foi prestada;
Ao Professora Mestre. Dionisia Auzenda Castro, apoio, paciência,
ensinamento e que me foi prestada para o êxito do trabalho;
Ao Professor Doutor. Muradali Ibrahimo, pelo apoio, paciência, ensinamento
que me foi prestado;
À Professora Doutora Leonor da Silva que desde sempre se disponibilizou em
apoiar neste trabalho com espírito de vontade, força, habilidade intelectual, e
pelo imprescindível aconselhamento;
À Dra. Bárbara do Centro de Estudo, Investigação e Pós-Graduação da
Universidade Lusiada de Angola pelo prestimoso apoio e contribuição para o
êxito deste trabalho;
Ao Eng.º. Braga do Ministério da Agricultura Natural pelo prestimoso apoio na
aquisição dos materiais bibliográficos para a elaboração do trabalho;
A todas as pessoas que contribuíram directa ou indiretamente para a reflexão
e realização deste trabalho, especialmente, aos meus pais.

A todos os meus "Ntôndele". Obrigado!

VI
RESUMO
O presente estudo definiu como tema de pesquisa: Contribuição da Agricultura
Familiar na Comunidade da Funda. Foi escolhido como área de estudo, o
município de Cacuaco, Comuna da Funda, por apresentar condições
agroclimáticas, vegetação, sistemas agrícolas familiares e fonte de escoamento
de produto para cidade capital. Como objectivo geral da pesquisa: 1) Analisar
com base na abordagem da agricultura familiar, o sistema de contribuições
para o melhoramento da economia das coopertivas e das famílias da Comuna
da Funda do qual foram definidos os objectivos específicos: 1) Fazer uma
breve abordagem sobre o contributo da agricultura familiar para a economia na
região da Funda;2) Avaliar medidas que visam o aumento da produção agrícola
da região da Funda; 3) Sugerir estratégias de capacitação de agricultores de
novas técnicas, material de cultivo, monitoramento fitossanitário e apoio
financeiro, da região da Funda. Identificou como problema de investigação, a
falta do apoio local para o dinamismo de uma agricultura por forma a melhorar
e desenvolver a actividade agrária, a dificuldade no escoamento dos produtos
pelo facto das vias de acesso não estarem em altura de satisfazer as
necessidades quanto ao transporte e a comercialização dos bens, a falta das
novas técnicas e inputs para o desenvolvimento agrícola na região, assim
como crédito para fazer face as necessidades dos camponeses e agricultores
da cooperativa na região. Para este estudo aplicou-se o método quantitativo. O
presente trabalho teve como contribuição, o aumento de oportunidade de
emprego, a distribuição dos produtos para a região de Luanda, mercados
formais e informais, no combate a fome e da pobreza. Tendo-se chegado à
conclusão de que (i) A reformulação da estratégia de diversificação do sector
agrícola na comunidade é oportuno para o desenvolvimento da economia na
comunidade da Funda. Concluiu-se que os objectivos alcançados pela
pesquisa foram alcançados.

Palavras-chave: Agricultura Familiar, Cooperativas e Diversificação da


Economia.
VII
ABSTRAT

VIII
Lista de Tabelas

Tabela.1 Recursos Financeiros do PNAE, Alunos Beneficiados e Valor das 26


Aquisições da Agricultura Familiar……………………………………
Tabela.2 Indicadores dos produtos agrícolas angolanos mais utilizadas nas 18 28
rovíncias………………………………………………………………..
Tabela.3 Os 37 Principais Produtos cultivados na Comuna da 36
Funda…………………………………………….
Tabela.4 Termos Estudadas……………………………………………………….. 47
Tabela.5 Distribuição dos 250 Indivíduos inquiridos na Comuna da Funda.
………………………………………………………………………...

49
Tabela.6 Distribuição dos 250 Indivíduos Comuna da Funda por Tipo de
Agricultura …………………………………………………………...
59
Tabela.7 Frequência e Percentagem das termos de existência de outras 61
Variedades
agrícolas…………………………………………………………..
Tabela.8 Frequência e Percentagem dos termos Participação do Género e 64
Idade…………………………………………………………..

IX
Lista de Figuras

Figura 7. Mapa das Áreas do Presente Estudo, Província de Luanda…… 39


Figura 8. Distribuição dos 250 Indivíduos Entrevistados …………………… 50
Figura 9. Frequência e Percentagem das Variáveis Origem……………….. 51
Figura 11. Frequência e Percentagem das Variáveis Tipo de Propriedade .. 52
Figura 12. Frequência e Percentagem das Variáveis Tipo de Agricultura…. 53
Figura 13. Frequência e Percentagem das Variáveis Local de Aquisição….. 53
Figura 14. Frequência e Percentagem das Variáveis Local de Aquisição….. 54
Figura 15. Frequência e Percentagem das Variáveis Local de Aquisição…. 55
Figura 16. Frequência e Percentagem das Variáveis sobre a Importância ... 56
Figura 17. Frequência e Percentagem das Variáveis sobre Financiamento . 56
Figura 18. Frequência e Percentagem das Variáveis sobre Escoamento….. 57
Figura 19. Frequência e Percentagem das Variáveis de Consumo Agrícola. 58
Figura 20. Frequência e Percentagem das Variáveis Consumo Agrícola….. 58

X
Lista de Abreviaturas e Agrónimas

ATL Serviço Socio-Educativo


AIAF Ano Internacional da Agricultura Familiar
ANIP Agência Nacional de Investimento
BIC Banco Internacional de Crédito
CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
CPDA Carta de Política de Desenvolvimento Agrário
CRF Centro de Recursos Fitogenéticos
DR Desenvolvimento Rural
FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
IDA Instituto de Desenvolvimento Agrário
INCER Instituto Nacional de Cereais de Angola
IDA Instituto de Desenvolvimento Agrário
MINADER Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural
MNHN Museu Nacional de História Natural
ONG Organização Não Governamental
PALOP Paises Africanos de Língua Oficial Portuguesa
PND Plano Nacional de Desemvolvimento
PNIA Programa Nacional de Investimento Agrário
PNAE Programa Nacional de Alimentação Escolar
SADC Comunidade de Desemvolvimento da África
Austral
REDSAN Rede de a Sociedade Alimentar Nutricional
RASPDRSA Relatório de Avaliação Sectorial dos Projectos de
A Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar em
Angola
UNACA União Nacional dos Camponeses de Angola

XI
ÍNDICE

Orientador: Prof. Dr. Ernesto Paulo Luciano.........................................................................II


Cô-Orientador: Engenheiro Tomas Hungulo.........................................................................II
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO.................................................................................................1
1.1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................2
1.2. PROBLEMA DA PESQUISA.......................................................................................4
1.3. JUSTIFICATIVA............................................................................................................5
1.4. OBJECTIVOS................................................................................................................6
1.5. VARIÁVEIS....................................................................................................................7
1.6. HIPÓTESES...................................................................................................................8
1.7. Estrutura do Trabalho................................................................................................8
1.8. IMPORTÂNCIA DO ESTUDO.....................................................................................8
1.9. DELIMITAÇÃO E LIMITAÇÃO DO TRABALHO.....................................................9
CAPÍTULO II - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................10
2.1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................11
2.2. Termos das Palavras chaves..................................................................................11
2.3. FUTURO DA AGRICULTURA NA REGIÃO...........................................................14
2.3.1. Ambiente Económico...................................................................................16
2.3.2. Situação actual da Agricultura Familiar Como Subsistência na
Alimentação, dos Países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa)....................................................................................................................18
2.3.3. Agricultura Familiar Brasileira como exemplo para o
Desenvolvimento Económico....................................................................................24
2.3.4. Indicadores dos produtos agrícolas angolanos, mais utilizados nas
18 províncias:.................................................................................................................26
2.3.5. Recursos Humanos e Estrutura Produtiva..............................................27
2.3.6. Agricultura Familiar como Principal Fonte de Sustento......................27
2.3.7. Aposta no aumento da produção agrícola..............................................28
Segundo (BIC, 2014:4:5), A aposta na diversificação setorial da economia deverá
conceder a primazia às actividades com maior potencial de crescimento e de
criação de emprego. Tendo em conta a posição geográfica, o clima favorável, a
aptidão dos solos e a riqueza dos recursos piscícolas, a agricultura, silvicultura,
pecuária e pescas deverão ser setores estratégicos; e, tendo em conta as
respetivas relações de input-output, as agroindústrias, os materiais de construção
e o comércio em geral tenderão a crescer rapidamente, reduzindo a actual
excessiva dependência das importações....................................................................28

XII
Segundo a Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), no primeiro
semestre de 2012, o investimento privado nos setores não - petrolíferos terá
superado mais de mil milhões de dólares. O setor da indústria transformadora
lidera a lista dos investimentos, seguindo-se a prestação de serviços, o comércio
por grosso e a retalho, a construção e o design. As províncias de Luanda,
Benguela e Bengo, são as regiões do país que mais beneficiarão com estes
investimentos privados...................................................................................................28
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL DE MÉDIO
PRAZO:............................................................................................................................30
Promoção de Diversificação Económica:...............................................................30
 Promover o crescimento equilibrado dos vários sectores de actividade
económica, centrado no crescimento económico e na expansão das
oportunidades de emprego;...........................................................................................31
 Ampliar a diversificação da economia através do fomento empresarial
privado;.............................................................................................................................31
 Promover a criação de uma classe empresarial preparada para dinamizar a
actividade económica e o surgimento de novas empresas, nomeadamente de
base nacional;..................................................................................................................31
 Aumentar e diversificar as exportações não-petrolíferas, promovendo os
sectores com vantagens comparativas de custos nos mercados internacionais.. .31
CAPÍTULO III - MATERIAL E METODOLOGIA..................................................................37
3.1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................38
3.2. DESIGN DA PESQUISA............................................................................................38
3.3. FILOSOFIA DA PESQUISA......................................................................................39
3.4. ESTRATÉGIA DA PESQUISA..................................................................................40
3.5. POPULAÇÃO DA PESQUISA..................................................................................43
3.6. AMOSTRA....................................................................................................................44
3.7. INSTRUMENTO DE RECOLHA DE DADOS..........................................................44
3.8. ANÁLISE DE DADOS................................................................................................45
3.9. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS.....................................................................................46
3.10. CONCLUSÕES........................................................................................................46
CAPÍTULO IV–APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.......................48
4.1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................49
4.2. CARACTERIZAÇÃO DO PAÍS E DA REGIÃO EM ESTUDO..............................49
4.3. CARACTERÍSTICAS SOCIAIS E ECONÓMICAS DA REGIÃO.........................52
4.4. TRABALHO.................................................................................................................53
4.5. PRODUTIVIDADE.......................................................................................................53
4.6. CARACTERÍSTICA GEOGRÁFICA E AMBIENTAIS DA REGIÃO DE ESTUDO
58

XIII
4.6.1. Localização.....................................................................................................58
4.6.2. Clima.................................................................................................................59
4.6.3. Solo...................................................................................................................59
4.6.4. Preparação do Solo.......................................................................................59
4.6.5. Área Cultivada................................................................................................60
4.7. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.....................................60
4.7.1. Caracteristicas Sócio – Demográficas dos Locais dos Inquiridos....63
4.7.2. Caracteristicas Sócio- Económico............................................................64
4.7.3. Caracteristicas do Sistema de Armazenamento....................................74
4.7.4. Práticas de Cultivo........................................................................................75
CAPÍTULO V - CONCLUSÕES.............................................................................................78
5.1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................79
5.2. RESULTADO DA PESQUISA...................................................................................79
5.2.1. Conclusões da Revisão Bibliográfica.......................................................79
5.2.2. Conclusões da pesquisa principal............................................................80
5.3. RECOMENDAÇÕES...................................................................................................83
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................85
ANEXOS...................................................................................................................................94

XIV
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO
1.1. INTRODUÇÃO

A agricultura familiar é a agricultura praticada pela família que ao mesmo


tempo é dona dos meios de produção e também trabalha no local produtivo.

A agricultura familiar é responsável pela produção dos alimentos básicos


consumidos, sendo muito importante para o desenvolvimento local, no meio
rural e tem como destino final a comercialização da grande maioria da sua
produção para o mercado local e regional.

As pequenas e médias propriedades são os espaços onde se produzem boa


parte dos alimentos que são consumidos no dia a dia, que são necessários à
sobrevivência e à Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). (Wandemar,
2006:38).

Segundo Andrade (2015:10):

“A agricultura não cria produtos a partir do nada e a contribuição dos


recursos naturais é mais imediata e mais visível através dos resultados
da agricultura, como base de sustentabilidade para o desenvolvimento
económico de uma região ou país, com vista a dar respostas aos outros
sectores”.

Os agricultores, “entidades singulares e colectivas por qualquer título, cultivam


a terra directa e efectivamente autorizados a explorar as respectivas
demarcações”¹.
“Os consecionários e os ocupantes individuais de parcelas de terrenos, nos
termos da Lei de Terras e do respectivo regulamento, com um conjunto de
técnicas que utilizam para cultivo de vegetais.”1
Em Angola a associação dos camponeses tem vindo a dar um contributo para
o desenvolvimento dos municípios, na resolução de problemas junto da
administração local, bem como na concepção de créditos, subsídios agrícolas
para melhor desenvolvimento do sector (UNACA, 2018).
De forma a contribuir na economia Nacional tembém participam na distribuição
dos produtos para a sua comercialização dentro e fora do mercado e no
pagamento do imposto.
1
Regulamento das Cooperativas do Ramo Agrário de Angola, Lei nº182/17 de 10 de Agosto

2
Para a boa prática do sector agrário foram criados regulamentos necessários
para de uma forma organizada junto de outras cooperativas congéneres e
afins, desempenhe bem o seu papel em cada região dentro das suas
localidades como, por exemplo:
A cooperação surgiu como necessidade, como meio de sobrevivência e,
principalmente, como agrupamento de pessoas que na reciprocidade de seu
trabalho, no conjunto de suas ideias e no esforço continuado de suas ações,
realizavam seus propósitos e seus objetivos.
a) Cooperativa agrícola são caracterizadas na literatura pela sua
capacidade de organizar o espaço e a produção rural, de aumentar o
volume de produção, de permitir a geração de uma renda e melhoria de
vida dos agricultores (Kochhann, 2014);
b) Cooperativa apícola é uma atividade tradicionalmente ligada à
agricultura, normalmente encarada como um complemento ao
rendimento das explorações, sendo porém de assinalar um crescente
universo de apicultores para os quais a apicultura é a base das receitas
de exploração. Representa, contudo, um serviço vital para a agricultura
através da polinização e contribui para a preservação da biodiversidade
ao manter a diversidade genética das plantas e o equilíbrio ecológico
(Relatório de Programa Apícola Nacional, 2017-2019:5);
c) Cooperativa de floricultura ou Cooperativa Veiling Holambra (CVH)
demonstra em sua missão a preocupação com o seu produtor, a
comercialização justa de seus produtos, bem como, a qualidade ofertada
de seus produtos e serviços, além do foco na inovação e pesquisa,
como é possível observar na declaração de sua visão: "Ser o melhor
centro de comercialização de flores e plantas, buscando constantemente
inovação, eficiência, solidez e conhecimento em produtos e serviços
(António 2017)1.

3
Todas “constituídas num interesse público obedece aos procedimentos
estabelecidos e compete ao título do poder Executivo regulamentar os ramos
de actividade das cooperativas”2.
Á agricultura contribui no aumento de técnicas para aumento da produção e
redução da pobreza para a integração efectiva das comunidades rurais no
desenvolvimento do futuro da económica agrária (Moreira, 2006).
Bem como o seu “objectivo socio-económico através de políticas que venham
reforçar cada vez mais o bom funcionamento do sector como motor da
economia futura” Lei das Cooperativas de Angola”2.
O país atingiu a primeira meta dos objectivos de desenvolvimento do milénio,
ou seja, reduziu para metade o número de cidadãos que vivem no limiar da
pobreza. Ascendendo para a reduzida lista dos 20 países africanos
classificados pelo Banco Mundial, como países de rendimento médio, ao lado
da África do Sul, da Nigéria e do Egipto, entre outros.
De forma a reforçar a capacidade de organização dos produtores em
associações e cooperativas dos camponeses e agricultores e, reforçar a
capacidade de assistência técnica.

1.2. PROBLEMA DA PESQUISA

As cooperativas agropecuárias têm sido vistas ao longo dos anos como meio
de coordenação dos actores no sector primário da economia e importantes vias
de acesso dos produtores ao mercado. Entretanto, nota-se ainda um baixo
número de cooperativas no meio rural, o que levanta dúvidas quanto à
efetividade e ao impacto das cooperativas na atividade agrícola.

Deste modo, uma questão importante no debate acerca do apoio às


cooperativas no meio rural diz respeito a dificuldade de mensurar seu real
efeito, uma vez que estas podem afectar o desempenho do estabelecimento
agrícola de maneiras diferentes e complexas.

Assim, buscou-se compreender como a associação a cooperativas enfrentão


dificuldades. Há diferentes formas pelas quais as cooperativas podem
influenciar a estrutura da produção agrícola.

2
Lei das Cooperativas de Angola, Lei nº 23/15 de 31 de Agosto.

4
Uma das preocupações que a comissão cooperativa enfrenta é o fraco
desenvolvimento do trabalho, por ser uma área de grande cultivo, com um solo
bastante rico para a prática agrícola, além dos grandes problemas que certos
camponeses passam na região da funda.

A falta do apoio local, para o dinamismo de uma agricultura por forma a


melhorar e desenvolver a actividade agrária, a dificuldade no escoamento dos
produtos pelo facto das vias de acesso não estarem em altura de satisfazer as
necessidades quanto ao transporte e da comercialização dos bens, a falta das
novas técnicas para o desenvolvimento agrícola na região, mais apoio do
Estado com inputs agrícolas bem como crédito para fazer face as
necessidades de camponeses e agricultores da cooperativa na região entre
outras.

O problema do aumento das vias de acesso aumentara o melhor dinamismo do


grande incentivo das cooperativas no desenvolvimento da agricultura da região.

A faltas de lojas no que conserne o acesso aos produtos agrícolas, os


subsídios, os créditos.

Mais apoio de material (adubos como crédito agrícola para fazer face as
actividades da cooperativa) aumentará um grande número de empregadores
de forma a tornar os produtos mais desenvolvidos.

1.3. JUSTIFICATIVA

O presente trabalho justifica-se pelo facto da Comuna da Funda ser uma das
áreas com grandes dimensões para a prática da agricultura, presença de solos
férteis, água abundante formando uma cintura verde nas áreas e nos arredores
da Funda nomeadamente Kikuxi e na foz do rio Kwanza.

A aposta no sector da agricultura serve como exemplo para a diversificação da


economia nacional, sendo um dos sectores que mais emprega mão-de-obra
para o desenvolvimento da região (João, 2018).

5
O melhoramento e o aumento das vias de acesso aumentaram melhor na
circulação de bens e serviços e o dinamismo, o incentivo das cooperativas no
desenvolvimento da agricultura da região.

O apoio de material (adubos como crédito agrícola para fazer face as


actividades da cooperativa) aumentará um grande número de empregadores
de forma a incentivar os jovens na prática da agricultura, tornar a região mais
produtiva mais desenvolvidos, competetiva e divulgados.

O acesso aos produtos agrícolas, os subsídios e os créditos tornarão a região


mais rica no que diz ao seu desenvolvimento.

Nos últimos anos com a crise económica dos citadinos o Governo, tem vindo a
diversificar a economia de forma a não tornar dependente de um só recurso no
caso do Petróleo como nosso único potencial na contribuição para o
desenvolvimento de outros sectores da economia actual Segundo o Relatório
do Banco Internacional de Crédito (BIC), (2014:3).
Em Luanda, a região da Funda devido a passagem do rio Zenza que
desemboca no mar Atlântico é uma região de grande potencial na produção
agrícola familiar e como base de sustento das suas famílias local e mercados
de Luanda, para além da comercialização dos seus produtos cultivados, daí ser
um bom indicativo como sugestão de reforço no investimento para o aumento
desta produção na diversificação da economia, União Nacional dos
Camponeses de Angola (UNACA, 2018).

1.4. OBJECTIVOS
1.4.1.Objectivo Geral:
 Analisar com base na abordagem da agricultura familiar, o sistema de
contribuições para o melhoramento da economia das coopertivas e das
famílias da Comuna da Funda.

1.4.2. Objectivos específicos:


1. Fazer uma breve abordagem sobre o contributo da agricultura familiar
para a economia na região da Funda;

6
2. Avaliar medidas que visam o aumento da produção agrícola da região
da Funda;
3. Sugerir estratégias de capacitação de agricultores de novas técnicas,
material de cultivo, monitoramento fitossanitário e apoio financeiro da
região da Funda.

1.5. VARIÁVEIS

Variável Independente: Diversificação da economia

Variável Dependente: Agricultura familiar

Testes de Normalidade

Kolmogorov-Smirnova Shapiro-Wilk

Estatística gl Sig. Estatística gl Sig.


Agricultura_Familiar ,300 5 ,161 ,813 5 ,103

Diversificação ,204 5 ,200* ,976 5 ,913

*. Este é um limite inferior da significância verdadeira.

a. Correlação de Significância de Lilliefors

Fonte: Elaboração própia do autor

Nota: Segundo a ánalise realizada no programa Statistical Product and Service


Solutions (SPSS), concluiu-se que a agricultura familiar depende da
diversificação económica, isso porque afirma que ao diversificar os
investimentos potencialmente, o investidor corre menos riscos, pelo facto de
que seu dinheiro não esteje apenas em um único activo, e desta forma, a
repartição do investimento em mais activos tende a promover uma maior
segurança financeira, reduzindo a exposição ao risco.

1.6. HIPÓTESES
 H0: Agricultura familiar não contribui para a diversificação da economia.
 H1: Agricultura familiar contribui para a diversificação da economia.

7
1.7. Estrutura do Trabalho

Para uma melhor abordagem do tema, o presente trabalho está subdividido em


5 capítulos:

 Capítulo 1: Introdução ao Tema, com apresentação os


Problemas, Objecto de Estudo, Importância do Estudo,
Delimitação e Limitação do Trabalho, Justificativa do Problema
que o trabalho se propõe atingir, bem como das Hipóteses e
Variáveis a serem comprovadas (ou não) na conclusão do
trabalho.
 Capítulo 2: Fundamentação Teórica – apresenta-se uma
abordagem geral sobre a Contribuição da Agricultura Familiar na
Economia da Comunidade da Funda.
 Capítulo 3: Metodologia – aqui apresentam-se as metodologias:
Introdução, Design da Pesquisa, Filosofia Aplicada, Estratégia da
Pesquisa, População, Amostra, Instrumento de Pesquisa, Análise
de Dados, Conclusão.
 Capítulo 4: Apresentação dos Resultados e Discussão – etapa
consequente da anterior, neste capítulo apresentam-se e
analisam-se discuções e os resultados da Pesquisa.
 Capítulo 5: Conclusões e Recomendações – referem-se as
principais conclusões do estudo, bem como algumas
recomendações em função dos resultados alcançados.

1.8. IMPORTÂNCIA DO ESTUDO

De acordo com a União Nacional dos Agricultores de Angola - UNACA (2018),


agricultura familiar é responsável por parte significativa da produção de
alimentos na Comuna Funda, garantindo em torno do que é consumido pelas
famílias.

8
Segundo UNACA (2018) a agricultura familiar contribui na produção de
importantes produtos alimentícios presentes em nossa alimentação diária,
como por exemplo: da mandioca, do Feijão, do Milho, do Arroz, da Banana, do
Repolho, da Cenoura, do Alface, do Couve, do Usse, da Bringela, da Cebola,
do Alho, da Gimboa, do Espinafre, da Batata – Doce, da Batata – rena, do
Tomate entre outros.

A produção agrícola de origem familiar é de grande importância para a


promoção da segurança alimentar e nutricional, da tradicional, da luta contra a
fome e a pobreza entre outros, a diversificação agrícola, garante uma parcela
significativa de produção de alimentos que fazem parte alimentação na
Comuna Funda.

É importante que se dirija o estudo aos estudantes universitários, as escolas,


aos agricultores, aos camponeses, aos investigadores, ao Governo e de região
em região, entre outras sobre a importância da agricultura familiar na produção
de alimentos em nossas vidas.

Assim pode-se insentivar cada vez mais a realização do estudo sobre a


investigação cientifica neste sector produtivo da agricultura familiar.

1.9. DELIMITAÇÃO E LIMITAÇÃO DO TRABALHO

O presente trabalho realizou-se na Comuna da Funda, município de Cacuaco,


a Norte de Luanda/Angola. Em termos de limitação do trabalho, várias
dificuldades foram encontradas no terreno, a quando da colecta dos dados,
encontrar os inqueridos para abordagem sobre questionário dirigidos aos
agricultores, a época da pesquisa do trabalho (tempo chuvoso), houve
inundações dos campos, mau estado de conservação das vias nesta época, o
estreitamento da estrada dificultou o acesso do pesquisador para a realização
do trabalho.

O problema no acesso dos materiais bibliográficos, no contacto linguístico do


pessoal para com os inqueridos.

9
CAPÍTULO II - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. INTRODUÇÃO

Para elaboração deste trabalho foram utilizados algumas fundamentações


teoricas sobre abordagens de alguns autores que falaram da Agricultura
Familiar na Comunidade da Funda.

Apesar de ser um tema actual os camponeses fazem de tudo para tornarem a


região cada vez mais forte na espectativa de despertar o interesse aos
investidores, população e comerciantes. Assim sendo foram abordados
aspectos como:

1. Futuro da Agricultura na Região em Estudo.


2. Ambiente Económico.
3. Situação actual da Agricultura Familiar Como Subsistência na
Alimentação, dos Países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa).
4. Implementação do Modelo da Agricultura Familiar Brasileira como
Oportunidades de Desenvolvimento Económico na Região da Funda.
5. Indicadores dos produtos agrícolas angolanos, mais utilizados nas 18
províncias.
6. Recursos Humanos e Estrutura Produtiva.
7. Agricultura Familiar como Principal Fonte de Sustento.
8. Aposta no aumento da produção agrícola.

2.2. Termos das Palavras chaves

2.2.1 Divesificação da Economia

Segundo (Damodaran, 2004) afirma que ao diversificar os investimentos,


potencialmente, o investidor corre menos riscos, pelo facto de que seu dinheiro
não está apenas em um único activo, e desta forma, a repartição do
investimento em mais activos tende a promover uma maior segurança
financeira, reduzindo a exposição ao risco.

Segundo (Markowitz, 1952:77), o conceito de diversificação é derivado da


observação dos preços dos activos financeiros, que não se mantêm estáticos
de modo conjunto, possuindo imperfeição na correlação entre activos. Diante

11
disso, a variância total de um portfólio diminuirá pelo facto de que a variação do
preço individual de um activo pode ser compensada por variações
complementares nos preços dos demais, ou seja, minimizar o peso de um
papel específico sobre a performance geral de todos os investimentos.

Outro ponto fundamental é destacar que a redução de riscos não reduz o


potencial de ganho, e sim, a oscilação, agrupando diferentes activos em uma
carteira investida. Além de que, a necessidade de diversificação segundo
(Damodaran, 2004), não é oriunda apenas da redução de risco, todavia dos
recursos que estão na carteira.

Ao diversificar, o investidor tem a possibilidade de, em algum evento anormal


que não tenha sido estimado, ainda assim poderá obter bons resultados pelo
facto de ter investido uma parte do seu capital nesse determinado activo. As 10
metas financeiras e o horizonte de tempo devem estar claros, alinhados na
estratégia do investidor.

2.2.2 Agricultura familiar

Segundo (Schneider e Cassol, 2013:80) define Agricultura Familiar como um


grupo social formado pelos pequenos proprietários de terra que trabalham
mediante o uso da força de trabalho dos membros de suas famílias, produzindo
tanto para seu auto-consumo como para a comercialização, e vivendo em
pequenas comunidades ou povoados rurais.

Segundo (Schneider, Koppe, Silva, 2006:137) define Agricultura Familiar como


um desenvolvimento rural que visa fortalecer as formas de reprodução social e
econômica dos agricultores familiares.

2.2.3 Cooperativas

Segundo (Vitor Kochhann Reisdorfer, 2014:15) define Cooperativa – é a


associação de produtores, fabricantes, trabalhadores ou consumidores que se
organizam e administram empresas econômicas, com o objetivo de
satisfazerem uma variada gama de necessidades. Em outras palavras, pode-se
enunciar que é uma associação de produtores, fabricantes e consumidores,
constituída para partilhar sobras que, de outra forma, iriam para intermediários.

12
De outro modo pode-se dizer que são associações de pessoas, que
reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício
de uma actividade econômica, de proveito comum, sem objectivo de lucro.

Segundo (Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul,


2014), define como cooperativa, com base na colaboração recíproca a que se
obrigam seus cooperados, tem como os seguintes objectivos:

 Venda em comum dos produtos agropecuários entregues pelos


cooperados;
 Compra em comum de insumos e bens de produção agropecuária;
 Compra em comum de gêneros de uso pessoal e doméstico.

Para a consecução de seus objectivos, a cooperativa poderá:

a) Receber, classificar, acondicionar, transformar, industrializar e armazenar os


produtos dos cooperados, podendo, se necessário, organizar serviço de
transporte e outros necessários à sua actividade;

b) Comercializar os produtos dos cooperados nos mercados locais, nacionais e


internacionais;

c) Adotar marcas comerciais, e registrá-las, para os produtos a serem


distribuídos por seu intermédio;

d) Abrir e manter filiais, depósitos ou armazéns e unidades de fabricação


julgados vantajosos para o cumprimento dos seus objectivos sociais;

e) Registrar-se como armazém geral e, nessa condição, despachar quando lhe


for conveniente "Conhecimento de Depósitos" e "Warrants" para os produtos
dos cooperados, conservando-os em seus armazéns e frigoríficos próprios ou
de terceiros, sem prejuízo da emissão de outros títulos decorrentes de suas
actividades normais, aplicando-se, no que couber, a legislação específica;

f) Participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos


próprios objectivos e de outros de carácter acessório ou complementar.

13
Segundo (Cardoso, 2014:9) cooperativa é uma associação autônoma de
pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e
necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de um
empreendimento de propriedade colectiva e democraticamente gerido.
Fundamenta-se na economia solidária e se propõe a obter um desempenho
econômico eficiente, por meio da produção de bens e serviços com qualidade
destinada a seus cooperados e clientes.

2.3. FUTURO DA AGRICULTURA NA REGIÃO


Agricultura é uma actividade que continua a ser um enorme potencial, a
dimensão do seu território e as condições naturais adequadas com o realce
para o recurso hídrico, as terras aráveis, solo, a diversidade agroclimática e a
biodiversidade, representam mais valia que começa a manifestar a sua
expressão e o interesse de vários protagonistas, Responsabilidade Seguro de
Responsabilidade Civil Facultativa de Veículo (Kochhann, 2014:22).
O sistema de inteligência eles estimulam a mudar a visão de mudanças gradual
da agricultura, na ideia de que o passado transmite espaço no tempo de hoje e
prespectiva-se ao futuro.
Segundo (Relatório da Avaliação Sectorial dos Projectos de Desenvolvimento
Rural e Segurança Alimentar, 2011:13) sobre Agricultura Familiar Sustentável –
uma estratégia de segurança alimentar explica bem claro quais são os desafios
do futuro, vivenciando uma época de mudanças radicais e inovar de forma
contínua para sermos capazes de fazer frente aos desafios na grandeza e na
complexidade que vêm em nossa direcção no que concerne as alterações
climáticas e edáficas devido ao aumento constante dos preços dos alimentos e
do preço do petróleo. Além disso, a concorrência crescente entre terra agrícola
para a produção de alimentos, para a produção de forragens e para a produção
de combustíveis de origem agrícola (agro-combustíveis) está a influenciar a
discussão sobre o papel da agricultura e o desenvolvimento rural.
O documento do Relatório da Avaliação Sectorial dos Projectos de
Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar também explica de forma
convincente que a agricultura sustentável, em geral, tem potencial suficiente
para assegurar comida para a população do mundo, sem necessidade de
utilizar terras adicionais a agricultura biológica permite um aumento
14
considerável da produção nos países do hemisfério sul. Um pré-requisito para
a alimentação da população mundial seria desenvolver uma agricultura
sustentável que preserve, promova e utilize de forma adaptada os recursos
naturais e humanos, incluindo a fertilidade do solo, e que também optimize os
ciclos das plantas, permitindo assim uma utilização duradoura e produtiva das
terras agrícolas.
Esta instituição ressalta a necessidade de apoiar os sistemas de agricultura
das famílias camponesas, e chama a atenção para que haja maior cuidado
com as questões relacionadas com a agro-ecologia e a agricultura sustentável.
Segundo (FAO, 2010), existe uma área potencial para fazer agrícultura em
Angola de cerca de 58 milhões de hectares, dos quais foram cultivados cerca
de 5,2 milhões de hectares no ano agrícola de 2010-11 (RASPDRSAA, 2011),
o que representou um aumento de 6% em relação ao ano anterior, a margem
de progresso da agricultura em Angola é imensa.
A agricultura familiar é a base da agricultura, sendo a responsável pela
produção de 79% dos vereais, 92% de raízes e tubrculos de 90% das
leguminosas e oleaginosas. De acordo com os dados do Censo Geral da
População 2014, a agricultura absorve 9.635.036 habitantes, o que equivale a
37,7% da população nacional, o que representa 11.773.743 de famílias.

As pequenas unidades industriais podem colmatar as principais necessidades


da população no meio rural. Como exemplo, as pequenas fábricas de
transformação de tomate, frutos diversos, mandioca, batata-doce e rena,
inhame, peles, e penas de animais abatidos, para além das carnes, suas
vísceras e excrementos, a agricultura familiar constitui a maior actividade no
meio rural, devendo por isso haver maior apoio na constituição das micro e
pequenas empresas, bem como cooperativas e associações. O Ministério da
Agricultura, dentro do seu plano estratégico, aposta no aumento da produção e
produtividade, com particular atenção para o desenvolvimento da agricultura
familiar, sem deixar de dar importância ao desenvolvimento empresarial. Na
área da pecuária, o Ministério estimula o aumento da produção de carnes de
consumo, a partir do reforço da avicultura, suinicultura e de pequenos
ruminantes. No sector florestal, trabalha para a melhoria dos processos de

15
fiscalização e licenciamento das actividades florestais e de extração de
madeira.

A par disso, o Ministério da Agricultura promove um conjunto de intervenções


que se articulam a partir de programas dirigidos, com o propósito de saída da
crise que assola o país. Tais programas permitem estrategicamente um
acumular de recursos de acordo com as zonas do país, bem como a
identificação e concertação para o que for prioritário para a realidade de cada
província.

Para atingir os objectivos com maior celeridade e eficácia, estão organizados e


orientados programas dirigidos como os de produção de sementes, adubos, de
apoio à agricultura familiar, aumento de produção de ovos e frangos, de
cereais, comercialização de grãos, aumento da produção e promoção da
exportação da madeira, mel, café e palmar, entre outros programas. Até hoje,
foram já implantadas 131 estações de desenvolvimento agrário.

O Executivo faz tudo para que os jovens possam se estabilizar no meio rural,
trabalhar e estudar. É por isso que todos projectos da agricultura estão
dirigidos para o meio rural”, justificou o titular da pasta da Agricultura.

Entretanto, a maior fasquia orçamental no sector da agricultura recai ao


Programa de Construção e Reabilitação de Perímetros Irrigados (mais de oito
biliões de Kwanzas, equivalente a 28,27 porcento), seguido pelos programas
de Conservação da Biodiversidade e Áreas de conservação (mais de seis
biliões de kwanzas- 20,89%) e de Fomento da Actividade produtiva Agrícola
(mais de Akz 5 biliões, correspondente a 20,04%).

2.3.1. Ambiente Económico


Segundo (Andrade, 2015:8), o ambiente económico: deve-se ser uma maior
preocupação como o próprio ambiente sobre a poluição e os danos causados
pelas actividades económicas.
A agricultura não cria produtos por si só a sua contribuição dentro dos recursos
da natureza torna-se imediata tangível através dos resultados da agricultura.

16
Relatório da Avaliação Sectorial dos Projectos de Desenvolvimento Rural e
Segurança Alimentar em Angola (Hendrik H; Rainer.T; Guilherme S; Walter
Vieigas. 2004:16).
Segundo (Relatório do BIC, 2014:30), sobre o Plano Nacional de
Desenvolvimento de Médio Prazo, 2013-2017, a elaborado pelo Governo de
Angolano, com base na Estratégia Nacional “Agenda 2025” fixando as Grandes
Orientações para o Desenvolvimento de Angola, estacando-se alguns
objectivos importantes para elaboração de uma Estratégia de Desenvolvimento
Sustentável e Rumo a uma Economia Verde:
1. Promover o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação;
2. Apoiar o Desenvolvimento do Empreendedorismo e do Sector Privado;
3. Promover o Desenvolvimento Sustentável, Competitivo e Equitativo,
garantindo o Futuro das Gerações Vindouras.
Relativamente aos objectivos nacionais do Plano Nacional de Desenvolvimento
de Médio Prazo (2013-2017) são a destacar:
1. Preservação a coesão nacional
2. Melhorar a qualidade de vida
3. Desenvolver o sector privado
4. Garantir os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento.

Segundo União Nacional dos Camponeses de Angola (UNACA, 2017), para


alavancar a agricultura familiar, o Ministério da Agricultura, através do Instituto
Nacional de Desenvolvimento Agrário (IDA), deve além de distribuir inputs -
sementes e instrumentos de trabalho - aos agricultores, realizar também
acções de capacitação em vários municípios do país, igualmente o
estabelecimento de parceria público - privada no sentido de que as empresas
angolanas ou estrangeiras com “know how” no segmento da agricultura familiar
se associem a esta iniciativa do Estado angolano para que os agricultores
possam obter os meios e conhecimentos que os habilitem ao aumento da
produção e da produtividade.

Estas parcerias, não devem apenas ser vista no âmbito da agricultura familiar,
mas também numa perspectiva empresarial, tal como indicam as políticas

17
públicas do Executivo angolano para a coabitação dos dois modelos
(agricultura familiar e empresarial).

O Banco de Desenvolvimento Agrário (BDA), por exemplo, tem linhas de


créditos viradas para o financiamento do sector empresarial agrícola, tais como
os créditos Agrícola de Investimento, de Campanha e outros programas que
visam o financiamento da agricultura familiar e empresarial que podem, de
modo célere, alavancar a economia do país.

Estes programas, fazem com que as respostas as necessidades do país, quer


em termos de alimentação, quer em termos de possível importação de bens,
requeiram uma participação em escala de capital humano e em equipamentos.

Ainda assim com estes programas encontraremos fundamentalmente com


maior rapidez no sector empresarial, mas é importante que se possa criar uma
convergência entre a agricultura empresarial e a agricultura familiar para que
as duas sejam potenciadas para produzir os bens de que o país tanto
necessita.

Quanto ao crédito agrícola de campanha lançado nos últimos anos para apoiar
a agricultura familiar, o mesmo deve ser reformulado, sobretudo no seu modelo
de implementação entrega de instrumentos de trabalho, fertilizantes e
sementes aos agricultores para a busca de produtos melhorados em
quantidade e qualidade.

Outro problema, está relacionado com o débil fornecimento de energia elétrica


e água com regularidade e em quantidades requeridas matérias - primas
fundamentais para o normal funcionamento de qualquer indústria ou
agroindústria - assim como constrangimentos estruturais, tais como a criação
de infra-estruturas que facilitam a instalação da pequena, média, agroindústrias
e grandes indústrias assim como as garantias jurídicas.

Neste momento a prioridade e (porque ainda não temos um processo produtivo


que satisfaz a necessidades nacionais), é a questão alimentar, sem esquecer a
aposta nas infra-estruturas e no sector industrial como apoio ao sector agrário
que é fundamental.

18
2.3.2. Situação actual da Agricultura Familiar Como Subsistência na
Alimentação, dos Países da CPLP (Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa)
Segundo: (Correia, 2013:6), é fácil perceber a importância da agricultura
familiar na segurança alimentar, nomeadamente nos PALOP, pois ela será
tanto mais importante quanto mais pobres forem as regiões e as comunidades
onde elas se desenvolvem.

Um factor importante a ter em atenção, é o de que, a grande maioria dos


alimentos que são consumidos, é obtida com base na produção nacional ou
regional e não através da sua comercialização internacional o que realça o
conceito de segurança alimentar que cada país deve considerar aquando da
definição da sua estratégia, segundo (DINIZ,1998).

Verifica-se que, para os países africanos da CPLP tais como:

a) ANGOLA

A agricultura em Angola é predominantemente uma actividade familiar para


milhares de pequenos agricultores em regime de subsistência, que plantam
uma média de 1,4 há por família em duas ou mais parcelas de terra. Assim
sendo as áreas plantadas aumenta ligeiramente todos os anos, podemos
encontrar o cultivo de cereais (milho, arroz, trigo, sorgo e massango),
leguminosas como (feijão vulgar, feijão macunde), raízes e tubérculos (batata-
doce, batata comum e mandioca) e outros cultivos tradicionais (UNACA,
MINADER, 2004 & FAO, 2004).

(Matos, 2002; Correia, 2013:9).

b) CABO VERDE

Segundo (José Henrique Correia Silva, 2009) sendo um país onde as


determinantes naturais são, geralmente, adversas à prática da agricultura não
deixa de ser curioso registar 89% das propriedades agrícolas estão nas mãos
dos pequenos agricultores (CPLP, 2012), que 90% da agro-pecuária vem
sendo desenvolvida nas unidades tradicionais. Verifica-se que o aumento das
terras regadas tem vindo a fazer crescer a fatia dedicada à agricultura familiar

19
embora só 15 a 20% da produção se destina à comercialização
fundamentalmente frutas, hortícolas e queijo e naturalmente o café que
pertence quase exclusivamente às unidades de produção familiar. Em Cabo
Verde, 41.000 famílias dependem do mundo rural ou seja, cerca de 60% de
toda a população.

c) BRASIL

Para o caso do Brasil, Portugal em 2004 referia “ A chamada agricultura


familiar constituída por pequenos e médios agricultores representa a imensa
maioria de produtores rurais no Brasil. São cerca de 4,5 milhões de
estabelecimentos, dos quais, 50% no Nordeste. Deverão representar 20%
das terras e 30% da produção global. Porém em alguns produtos básicos
da dieta alimentar do brasileiro como feijão, arroz, milho, hortaliças,
mandioca e pequenos animais, a agricultura familiar chega a ser
responsável por 60% da produção. Em geral são agricultores com baixo
nível de escolaridade e diversificam os produtos cultivados para diminuir os
custos, aumentar a renda e aproveitar as oportunidades de oferta ambiental
e a disponibilidade da mão-de-obra”

d) GUINÉ - BISSAU
Segundo (Correia,2014:10), os pequenos agricultores de tipo familiar e as
organizações dos produtores estão no centro das políticas do sector e são
dirigidas a eles. As políticas estão traduzidas no documento Carta de
Politica de Desenvolvimento Agrário (CPDA). Os objectivos de política
foram:

(I). Garantir a segurança alimentar;

(II). Aumentar e diversificar as exportações agrícolas;

(III). Assegurar a gestão racional e a preservação dos recursos agro-


silvo-pastoris;

(IV). Melhorar o quadro de vida das populações rurais.

20
Os instrumentos de implementação de política estão traduzidos em programas
e acções no Programa Nacional de Investimento Agrário (PNIA).

Poderão ter um impacto positivo no seio dos agricultores de tipo familiar se os


programas e acções forem financiadas e implementadas e se houver a
implicação e a participação de todos actores que intervêm no mundo rural.

Os pequenos produtores de tipo familiar de subsistência, estimados em cerca


de 120.000 explorações constituem o essencial da população rural e realizam
90% da produção alimentar constituída pelo: arroz, o milho, raízes e tubérculos
(mandioca e batata doce), o feijão, os legumes (cultivados essencialmente
pelas mulheres) e as frutas (cajús, mangas, bananas). O cultivo prioritário de
produção alimentar é o cultivo do arroz, seguida dos milho e por último as
raízes e tubérculos.

A cultura de cajú é a principal cultura de renda fornece rendimentos monetários


(pela venda ou troca com o arroz importado) permitindo aos produtores de tipo
familiar cobrir em média, quase 5 meses de suas necessidades alimentares.

As áreas prioritárias de intervenção para o fortalecimento dos produtores


familiares são:

I. A curto prazo:

1) Melhoria das suas produções alimentares com acções específicas:

(i) Melhoramento das técnicas de cultivo através da pesquisa e da vulgarização


com a introdução de sementes melhoradas, adubos químicos, pequenas
máquinas agrícolas, protecção das culturas, o uso e gestão de água e nas
actividades de pós-colheita; na formação técnica; no acompanhamento e
assistência técnica e formação;

II. A médio/longo prazo

1) Programa de aquisição de alimentos junto dos produtores familiares;

21
2) Apoio à melhoria das técnicas de cultivo de produção de caju através da
pesquisa e da vulgarização.

e) MOÇAMBIQUE

Segundo (Mosca, 2014:5), para crescimento da agricultura familiar de


Moçambique foi implementado programas de ajustamento estrutural com forte
influência para o desenvolvimento do sector, o aumento de rendimentos
adquiridos das famílias produtoras, a possibilidade de imitação tecnológica, a
utilização de insumos e outros aspectos, são apontados como vantagens deste
modelo de produção, possui também riscos, como efeitos ambientas
provocadas pela monocultura devido a utilização intensiva de químicos,
desflorestação em consequência da ampliação das áreas de trabalhadas, ao
esgotamento de solos.

FAO: (2011), afirma que depois da independência, as grandes empresas


agrárias com excepção do açúcar, por razões específicas e não replicáveis
para outros têm sido insucesso. Doadores e Governo pensam normalmente em
apoiar machanbas e felam de camponeses de subsistência que produzem a
sua alimentação e são maioritariamente auto-suficientes.

Moçambique fica situado na costa SE do continente africano, entre os paralelos


18º 15` Sul e 35º 00` Este, e faz fronteira com a Tanzânia a N, com o Malawi, a
Zâmbia, o Zimbabwe, a Suazilândia e a África do Sul a O, com a África do Sul
a S e banhado pelo Oceano índico a E.

A sua superfície total é de 801.590 km2, pondo Moçambique na segunda


posição em termos de dimensões dentro dos PALOP (Países Africanos de
Língua Oficial Portuguesa).

Moçambique é rica de diversas potencialidades económicas que vão desde a


agricultura e subsolo riquíssimo do país (cobre, ouro, gás natural, petróleo,
ferro, titânio, etc.) à barragem de Cahora-bassa, que é uma das maiores do
mundo e que permite vender uma parte da sua produção energética à África do
Sul.

22
As condições climatéricas e a constituição do terreno de Moçambique sempre
abriram vastas perspectivas ao cultivo de plantas de interesse económico. A
agricultura em Moçambique emprega cerca de 80% da população activa e
representa cerca de 34% do PNB.

f) TIMOR LESTE

Para UN (2009), mais de 80% da população do país depende do sector


agrícola como principal fonte de rendimento. Contudo a contribuição do sector
agrícola para o PIB rondará os 30% aproximadamente o que dá uma ideia clara
da baixa produtividade com que se trabalha o que, naturalmente, faz realçar a
pobreza das pessoas que trabalham e dependem do sector.

g) PORTUGAL

Segundo (Figueira, 2014:1) na Revista Animar Associasção Portuguesa para o


desenvolvimento local, a agricultura familiar portuguesa desempenha papel
relevante no desenvolvimento nacional e das comunidades locais de natureza
rural.
Representa mais de 90% das explorações agrícolas e de 80% da mão-de-
-obra agrícola total= (Correia, em Rede, 2014). Por outro lado, a Agricultura
Familiar, adicionando o contributo significativo que dá às economias
locais, ao papel que desempenha na estruturação social e na preservação
da identidade cultural das comunidades, constitui-se como um factor de
extraordinária relevância para promoção de desenvolvimento local nos
territórios rurais. Assim, e face ao papel económico e social que esta
desempenha na sociedade portuguesa, Portugal associou-se às comemora
ções do Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF).

Os Estados membros da CPLP, face à importância que a agricultura familiar


também desempenha no desenvolvimento dos seus países, decidiram analisar
e discutir os desafios e constrangimentos que afectam os pequenos produtores
agrícolas lusofonos. De acordo com a Rede Regional
da Sociedade Civil para a Segurança Alimentar e Nutricional na CPLP
(REDSAN-CPLP), no conjunto dos seus Estados-membros, mais de
75% das explorações agrícolas (mais de 80% nos casos de Angola e São

23
Tomé e Príncipe; e mais de 90% em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Mo
çambique) são produtores familiares. Assim, em março de 2015 decorreu
em São Tomé e Príncipe o I Fórum de Agricultura Familiar e Segurança
Alimentar e Nutricional na CPLP, onde representantes de 500 organiza
ções da Sociedade Civil e de 17 milhões de agricultores (reunidos na
Plataforma de Camponeses da CPLP) concluíram ser necessário alertar os
Governos dos Estados-membros da CPLP para a urgente necessidade de
reconhecer a importância dos agricultores familiares e camponeses em todos
os países da CPLP, a necessidade de fortalecer a capacitação específica para
estes actores e o acesso a informação adequada para a promoção de
políticas activas de apoio à agricultura familiar, acesso e controlo dos
recursos naturais e proteção da biodiversidade = (redsan-cplp.org, acedido
em 12/6/2016).

A declaração das Nações Unidas que instituiu o ano de 2014 como o Ano
Internacional da agricultura familiar e as iniciativas daí decorrentes vieram
reanimar o debate sobre esta forma de organização da produção agrícola face
aos desafios que se colocam atualmente à agricultura, à economia e à
sociedade em geral.

A data não podia ter sido melhor escolhida já que coincidiu com o agravar da
contradição entre o crescente reconhecimento da importância social,
económica e ambiental da agricultura familiar pela sociedade e a
marginalização a que é votada por certos actores do mercado e pelas políticas
públicas, na maior parte dos países.

2.3.3. Agricultura Familiar Brasileira como exemplo para o


Desenvolvimento Económico.

Segundo: (Buainain e Filho, 2006:50), a agricultura familiar ocupa hoje um


inegável espaço na economia e sociedade brasileiras. Conquistou, nos últimos
10 anos, um novo status político e, por consequência, vem sendo tratada como
prioridade na agenda da política pública.

24
Também ocupa um espaço importante na agenda de desenvolvimento
sustentável do país, seja pela contribuição econômica que pode dar seja em
virtude dos aspectos distributivos e de entidade que estão associados à
agricultura familiar.

Agricultura familiar nas sociedades brasileira e no mundo em geral, não pode


contribuir para o desenvolvimento sustentável do país sem se desenvolver e
sem acompanhar os movimentos de transformação em curso.

Segundo: (Buainain e Filho, 2006:51), definição das estratégias de


desenvolvimento da agricultura familiar, assim como os instrumentos de política
pública que precisam ser mobilizados para por em marcha a estratégia
escolhida, depende fundamentalmente da visão que se tem sobre o futuro da
agricultura familiar. Nesse sentido, não se pode pensar em desenvolvimento da
agricultura familiar voltada para si mesma, que usa a terra como terra de
trabalho, não de exploração.

Segundo: (Diniz, 1998: 35), para agricultura familiar é, e pode ser ainda mais
importante, pelas contribuições econômicas (geração de riquezas), sociais
(efeitos distributivos) e políticos (distribuição do poder). Portanto, um
fortalecedor da democracia.

A sustentabilidade do desenvolvimento da agricultura familiar passa,


necessariamente, pela capacidade de viabilizar-se economicamente, pela
capacidade de competir com outras modalidades de organização produtiva e
de cumprir com as funções estratégicas que os agricultores têm desde a
separação entre campo e cidade.

Segundo: (Buainain e Filho, 2006:102), Imaginar e colocar em prática, em um


país como o Brasil, o modelo Europeu de proteção da agricultura familiar —
fortemente dependente de transferências públicas e de transferências de renda
dos consumidores — poderia ser o caminho mais rápido para o fracasso e
eliminação da agricultura familiar.

Entende-se que a melhor estratégia de desenvolvimento é preparar os


agricultores familiares para competir de forma sustentável nos mercados
globalizados, capacitá-los para aproveitar as oportunidades criadas nesses

25
mercados e investir na potencialidade das vantagens e na redução das
desvantagens competitivas inerentes à agricultura familiar.

Trazendo a mesma experiência para Angola, aplicando na região da Funda


como projecto experimental para o aumento do rendimento económico, tendo
em conta o levantamento local das famílias camponesas na região onde
verificou-se que a agricultura praticada na cintura verde tem vantagens tais
como:

 As oportunidades de emprego,
 Alimentos para a região de Luanda e mercados formais e informais,
 Contribuindo no combate da fome e pobreza.
2.3.4. Indicadores dos produtos agrícolas angolanos, mais utilizados nas
18 províncias:

Segundo levantamento da (FAO; 2011), as culturas agrícolas mais cultivadas


nas 18 províncias de Angola.

Nº de ordem Produtos agrícolas Localidades

1 Milho Cunene, Huíla, Namibe, Huambo, Bié,


Benguela, Cuanza-Sul e Bengo
2 Massango,
3 Massambala Cunene, Huíla, Namibe
4 Arroz, Cuando Cubango, Malange, Moxico e
Bié
5 Mandioca, Cabinda, Uíge, Zaire, Malange,
Cuanza-Norte, Lunda-Norte.
6 Batata Rena, Huila, Luanda, Cuanza-sul
7 Batata-Doce Uíge, Cuanza-Norte, Cunene, Huila,
Namibe, Benguela
8 Feijão macunde, Cunene, Huíla, Namibe, Huambo, Bié,
Benguela, Cuanza-Sul, Luanda e
Bengo
9 Amendoim Uíge, Cuanza-Norte, Cunene, Huila,
Namibe, Benguela Cabinda, Zaire,
Malange, Lunda-Norte.
10 Feijão comum, Cabinda, Uíge, Zaire, Malange,
Cuanza-Norte, Lunda-Norte.

11 Soja, Cabinda, Uíge, Zaire, Malange.

26
12 Banana; Cabinda, Uíge, Malange, Cuanza-Sul,
Bengo, Namibe
13 Citrinos; Cunene, Huíla, Namibe, Huambo, Bié,
Benguela, Cuanza-Sul, Cuanza-
Norte e Bengo
14 Manga; Cunene, Huíla, Namibe, Huambo, Bié,
Benguela, Cuanza-Sul e Bengo
15 Ananás; Bengo, Benguela, Bié, Cuanza-Sul,
Uíge
16 Abacate Huambo, Bié, Cuanza-Norte.
Tabela. 1 – Produtos mais utilizadas nas 18 províncias

Fonte: Centro de Recursos Fitogenéticos (MATOS, 2002)

2.3.5. Recursos Humanos e Estrutura Produtiva

Em Angola à aposta na qualificação dos recursos humanos constitui o vector


primordial para o desenvolvimento económico e social do país (Lourenço,
2018).

Segundo (O Relatório do Banco Internacional de Crédito, 2014:11), BIC


referente as debilidades do sector da educação implicam que é necessário
começar pela qualidade do ensino primário e, em simultâneo, desenvolver o
ensino técnico dos ofícios e ampliar e credibilizar o ensino superior.

Este é, hoje em dia, o maior desafio da economia - conseguir preparar mão-de-


obra, nos diferentes graus de ensino, com o conhecimento e desempenho
necessários, para elevar a posição do país nos indicadores internacionais da
competitividade, onde outros levam grande avanço.

Com uma população a crescer a 3% ao ano, com apenas 47% dos alunos em
idade escolar a completar o ensino primário, de quatro anos, e com um forte
problema estrutural de falta de qualidade no ensino, a missão da escola pública
é enorme.

Segundo, (CENSO 2014), que para esta actividade procedeu-se a separação


da estimação em da agricultura, ponderando cada uma das actividades pelo
peso da produção no total da actividade, informações contidas anuais.
Em seguida se efectuaram estimações trimestralmente com cada uma da

27
componentes (agrícola) para as quais se criaram tectos máximos anuais
encadeados a partir dos dados anuais. Posteriormente foram
compiladososindicadoresde volume para os produtos da agricultura commaior
representatividade, provenientes do Ministério da Agricultura.

2.3.6. Agricultura Familiar como Principal Fonte de Sustento.


Segundo União Nacional dos Camponeses de Angola (UNACA, 2018),
centenas de pessoas na comuna da Funda, município do Cacuaco, norte da
Província de Luanda, dedicam-se a agricultura familiar de subsistência como
principal fonte de sustento das famílias na região.
Dentre os constrangimentos com se depara a população se destacam a falta
de água os ataques inesperados de insectos às culturas, dificuldades de
escoamento de produtos locais para os principais centros de consumo entre
outras.
Mesmo não sendo ainda muito rentável, a agricultura de subsistência
proporciona as famílias uma fonte de renda, pela qual compram alimentos para
suster as necessidades básicas, bem assim como também educação e saúde.
A maioria destes pequenos produtores cultivam em pequena escala.

2.3.7. Aposta no aumento da produção agrícola.


Segundo (UNACA, 2018), para reforço da capacidade produtiva visando a
melhoria das condições dos camponeses apoio deste género deve repetir-se
mais vezes, porque é graças a estes instrumentos agrícolas que actividade
continuará a contribuir para a segurança alimentar.
Assim o desenvolvimento rural vai aumentando os cursos de superação dos
camponeses organizados em cooperativas e associações agrícolas, para
aproveitar os produtos excedentes por eles produzidos, bem como do
programa integrado de desenvolvimento rural e combate a pobreza de forma
multidisciplinar.

2.3.8. Diversificação da Economia

28
Segundo (BIC, 2014:4:5), A aposta na diversificação setorial da economia
deverá conceder a primazia às actividades com maior potencial de crescimento
e de criação de emprego. Tendo em conta a posição geográfica, o clima
favorável, a aptidão dos solos e a riqueza dos recursos piscícolas, a
agricultura, silvicultura, pecuária e pescas deverão ser setores estratégicos; e,
tendo em conta as respetivas relações de input-output, as agroindústrias, os
materiais de construção e o comércio em geral tenderão a crescer
rapidamente, reduzindo a actual excessiva dependência das importações.

Segundo a Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), no primeiro


semestre de 2012, o investimento privado nos setores não - petrolíferos terá
superado mais de mil milhões de dólares. O setor da indústria transformadora
lidera a lista dos investimentos, seguindo-se a prestação de serviços, o
comércio por grosso e a retalho, a construção e o design. As províncias de
Luanda, Benguela e Bengo, são as regiões do país que mais beneficiarão com
estes investimentos privados.

A diversificação da economia angolana ainda é dependente do petróleo,


contribuindo para os sectores produtivos, quer no setor primário – agricultura,
pecuária, agroindústria, biocombustíveis e pesca – quer no setor secundário –
indústria transformadora e extrativa.

A economia angolana encontra-se assim numa fase de transição no seu


processo de desenvolvimento, de factor-driven, muito dependente da
exportação de petróleo em bruto, para e fficiency-driven, orientada para o
crescimento e diversificação dos setores de produção interna não ligados à
actividade petrolífera. Progressivamente, com a diversificação e densificação
dos sectores produtivos não-petrolíferos, a economia angolana caminhará para
a fase efficiency-driven, desejavelmente ancorando a subida do salário médio,
actualmente no limiar da pobreza, ao incremento da produtividade desses
sectores.

Esta orientação proporcionará um melhor desenvolvimento e alargamento das


nascentes classes médias, reduzindo o fosso das desigualdades de rendimento
e criando a sustentabilidade necessária para que o crescimento económico

29
continue a ser robusto, e a registar progressos na desinflação em curso. Nos
anos subsequentes, espera-se que o crescimento do PIB comece a ter uma
forte contribuição do sector não-petrolífero que deverá continuar a crescer, em
termos reais, em torno ou acima de 7% ao ano. Em 2017, a produção de
petróleo aumentou significativamente em alguns poços importantes que,
todavia, darão como substituídos pela entrada em produção de novos poços
entretanto descobertos.

O (Fundo Soberano de Angola) FSDEA poderá ter um papel importante na


reforma do sistema financeiro numa tripla vertente:

1. Promovendo a diversificação e sustentabilidade dos sectores não-


petrolíferos;

2. Gerando liquidez no nascente mercado de obrigações públicas em Angola; e


estimulando o sistema bancário interno a desenvolver em concorrência o
mercado de corporate finance, abrindo caminho para a criação do mercado
bolsista que tem vindo a ser preparado.

O desenvolvimento do sector petrolífero tem gerado riqueza para o país,


disponibilizando recursos para financiar o crescimento do sector não-
petrolífero. Desta forma, existe uma tendência de acréscimo do peso relativo
do sector não-petrolífero no PIB, devendo assumir um papel determinante no
crescimento económico de Angola nos próximos anos.

Ao contrário da grande maioria dos países da África Subsariana, Angola


dispõe, para além do petróleo, de inúmeros recursos naturais. Segundo a
Organização das Nações Unidas, Angola é o 16.º país com maior potencial
agrícola do mundo, mas atualmente apenas 3% da terra arável está cultivada.

Segundo (Relatório Económico de Angola, 2015:146) a diversificação das


economias pode ser analisada segundo diferentes vertentes: as exportações
(produtos e clientes), as importações (produtos e fornecedores), o emprego –
as reformas económicas estruturais tendem a eliminar emprego agrícola,
tornando -o mais eficiente pelo aumento da produtividade do trabalho, e a
aumentar postos de trabalho na manufactura e nos serviços, onde a utilização
de tecnologia aumenta o valor agregado interno e melhora a competitividade –,

30
fontes de financiamento da economia (impostos para o Estado, crédito e
empréstimos para o restante dos agentes), tecnologia (a deslocalização de
algumas fábricas chinesas para Angola recentemente anunciada pelo Governo
como forma de acelerar a industrialização do país pode ser uma má opção,
tratando-se de fábricas com tecnologias ultrapassadas e equipamentos
reciclados, tendo sido esta a via escolhida durante os anos fortes de
cooperação). Assim sendo, estão disponíveis diferentes indicadores estatístico-
económicos que medem o grau de diversificação das economias.

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL DE MÉDIO


PRAZO:

Promoção de Diversificação Económica:

 Promover o crescimento equilibrado dos vários sectores de actividade


económica, centrado no crescimento económico e na expansão das
oportunidades de emprego;
 Ampliar a diversificação da economia através do fomento empresarial
privado;
 Promover a criação de uma classe empresarial preparada para
dinamizar a actividade económica e o surgimento de novas empresas,
nomeadamente de base nacional;
 Aumentar e diversificar as exportações não-petrolíferas, promovendo os
sectores com vantagens comparativas de custos nos mercados
internacionais.

Segundo Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agro


Negócio, (2014:22), no que diz respeito à agricultura e à pecuária, Angola
continua, porém, a ser um país com um e norme potencial.

A dimensão do seu território e as condições naturais adequadas (com realce


para os recursos hídricos, as terras aráveis, a diversidade agroclimática e a
biodiversidade) representam uma mais valia que começa a manifestar a sua
expressão e o interesse de vários protagonistas. É patente a importância
estratégica e o potencial do sector agrário na economia angolana dado o seu
expressivo contributo para o PIB, bem como o papel que pode vir a

31
desempenhar na diversificação da actividade económica, compensando uma
tendência para a redução do protagonismo do sector extrativo no PIB.

A actividade produtiva do sector agrário realiza-se através de campanhas


agrícolas, implementadas em explorações agrícolas familiares (EAF) e
explorações agrícolas empresariais (EAE). As primeiras são responsáveis pela
grande fatia da produção angolana, e referem-se especialmente a métodos de
cultivo em regime de sequeiro; já as explorações agrícolas empresariais
realizam o processo de produção com predominância para o regadio.

O abastecimento do mercado angolano com produtos agrícolas e pecuários de


produção nacional tem crescido exponencialmente, tendo como base
fundamental a produção desenvolvida pelos camponeses que praticam ainda
sistemas de agricultura com utilização de mão de obra familiar, escoando para
o mercado de consumo alguns dos excedentes da sua produção,
nomeadamente de mandioca, milho, feijão, batata rena e também de alguns
produtos hortícolas e frutas.

O sector agrário e o seu desenvolvimento, gera produção que tem cada vez
mais efeitos no desenvolvimento agroindustrial. Por outro lado, geram-se
efeitos directos em indústrias situadas a jusante do processo de produção
agrícola, como por exemplo a produção de rações para alimentação animal
que, por sua vez, terá impacto no desenvolvimento pecuário, criando-se desta
forma um ciclo de crescimento positivo.

Os esforços no âmbito da investigação incidem sobretudo na realização de


diagnósticos e na preparação de propostas para a reorganização do sistema de
investigação agrária.

Tendo em vista um aumento contínuo e sustentado da produção e da


produtividade, na geração de renda para os produtores agropecuários e
florestais, num horizonte de médio a longo prazo. Estas ações contam com o
apoio da agência brasileira EMBRAPA, em estreita coordenação com os
técnicos da FAO.

A proposta elaborada e submetida à apreciação do Governo, centrava-se na


estruturação de uma entidade integradora das ações de investigação agrária,

32
mas igualmente descentralizada em unidades operativas, especializadas por
produtos, visando a implantação dos seguintes centros:

 Centro Nacional de Investigação de Milho e Feijão;


 Centro Nacional de Investigação de Mandioca, Batata-Doce e
Amendoim;
 Centro Nacional de Investigação de Bovinos de Leite; Centro Nacional
de Investigação de Caprinos e Ovinos.

Tendo em vista a assistência à implantação e reestruturação do sistema de


investigação agrária angolana, foi negociado um contrato de parceria com a
EMBRAPA, que assumiu a condição de patrono destes projetos. Tendo em
conta o estado das infraestruturas físicas de suporte à investigação, o Governo
aprovou igualmente a reabilitação das estações experimentais e zootécnicas e
a edificação de novas infraestruturas em algumas províncias.

O potencial agrícola do país em franca expansão, constitui a base de matérias-


primas para o subsequente desenvolvimento agroindustrial. Foram iniciados
projetos que conduziram a edificação de várias infraestruturas de carácter
industrial e de processamento dos produtos agrícolas e pecuários.

A necessidade de se construírem resultados no curto prazo, tendo em conta as


janelas de oportunidade que actualmente se perfilam no mercado interno,
obriga à consideração de investimentos de grande dimensão no sector.

Os investimentos de larga escala visam a implementação e operacionalização


de intervenções agrícolas e agroindustriais de grande dimensão orientadas
para o mercado.

Estas operações têm vindo a ser promovidas em várias localizações, seguindo


uma lógica de descentralização do desenvolvimento e visam, a prazo,
promover a transferência dos investimentos/operações produtivas para o sector
privado.

A abordagem aproxima-se do conceito de Build-Operate-Transfer (BOT) e,


nalguns casos, do conceito de parceria público-privada (PPP).

33
O objectivo destas políticas é ir ao encontro da já referida janela de
oportunidade determinada pelo mercado interno, e concorrer para os objectivos
da segurança alimentar, promovendo o aparecimento de agentes económicos
privados, num sector cujas expectativas de rendimento imediato poderão
menos atrativas para o investidor nacional (face a outros sectores mais
intensivos), mas de importância estratégica central, para o país.

Estas ações têm em vista promover uma resposta mais rápida aos desafios do
sector, enquadrar economias de escala, garantir a integração da cadeia de
valor, assegurando em simultâneo, pressupostos de qualidade, competitividade
do preço dos produtos, quantidade e regularidade nos fornecimentos, no
abastecimento do mercado interno.

São projectos que iniciaram o seu lançamento e processo de implementação,


com base em linhas de financiamento externo e contaram com o envolvimento
de parceiros tecnológicos.

Estes empreendimentos estão baseados numa lógica de integração de ações


para o desenvolvimento de uma área com potencial agro ecológico, através da
implantação de uma empresa agrícola âncora, unidades agroindustriais e
serviços básicos (mecanização agrícola, comercialização, transporte,
fornecimento de insumos, para a transferência de tecnologia, formação e
experimentação) relacionados com as fileiras de produção de cereais e de
frangos de corte.

Estas unidades de produção de larga escala (a criar), propõem-se desenvolver


o apoio a pequenas e médias explorações agrícolas e de processamento
existentes localmente, assumindo-se como alavanca para o desenvolvimento
regional, e podendo constituir a base de um modelo de estruturação futura da
economia rural, assente numa base mais tecnológica.

Projectos aprovados pelo Executivo e em implementação, subdivididos de


acordo com a origem do seu financiamento:

FINANCIADOS PELA LINHA DO BNDES DO BRASIL


 Estudos para a implantação do Pólo Agroindustrial de Capanda;

34
 Fazenda Pungo Andongo.

FINANCIADOS PELO BANCO DE DESENVOLVIMENTO DA CHINA


 Fazenda Pedras Negras em Malange;
 Fazenda Longa no Kuando Kubango;
 Projeto Agrícola do Sanza Pombo, no Uíge;
 Projeto Agrícola de Camaiangala, no Moxico;
 Infraestruturas do Pólo Agroindustrial de Capanda.

FINANCIADOS PELA LUMINAR FINANCE DE ISRAEL


 Fazenda Cacanda na Lunda Norte;
 Fazenda Cangandala em Malange;
 Projeto de Desenvolvimento Agrícola de Negage, no Uíge;
 Projeto de Desenvolvimento Agrícola do N’zeto, no Zaire;
 Projeto de Desenvolvimento Agrícola do Luena, no Moxico;
 Aldeia Nova Waku-Kungo, no Kwanza Sul;

FINANCIADOS PELO EXIM BANK DA COREIA DO SUL


 Projeto de Avicultura Familiar Orientada para o Mercado, nas províncias
do Kwanza Norte e Malange;
 Relançamento da Cultura do Algodão, no Kwanza Sul FINANCIADO
PELO ING BANK Desenvolvimento Agrícola de Quiminha, no Bengo.

FINANCIADOS PELO DEUTSCHE BANK S.A. – ESPANHA


 Pólo Agroindustrial de Quizenga, em Malange;
 Pólo Agroindustrial do Cubal, em Benguela.

As autoridades angolanas têm vindo a promover um conjunto de políticas e


instrumentos destinados à criação de um ambiente propício para o crescimento
e desenvolvimento, que favoreçam o relançamento económico, através da
criação de incentivos financeiros para o sector agrícola.

Parcerias bancárias com o Governo, contribuem fortemente para impulsionar a


agricultura em Angola, e, por esse motivo, foi assinado um acordo entre o

35
Estado e 19 bancos comerciais onde o Estado assume o papel de fiador de
empréstimos a conceder pela banca comercial ao investimento na agricultura,
essencialmente aos segmentos das micro e pequenas e médias empresas, até
ao valor de 1,4 mil milhões de dólares.

A título de exemplo refira-se o BDA (Banco de Desenvolvimento de Angola)


que apresenta no seu portfolio uma lista de produtos financeiros específicos,
com a listagem dos financiamentos possíveis e condições de acesso ao
crédito.

No âmbito do Programa Angola Investe, o Estado afetou 125 milhões de


dólares, 25 milhões dos quais com juros bonificados e 100 milhões para
avalizar as garantias de crédito do acordo.

Neste contexto, para apoiar o relançamento económico da agricultura e


pecuária no país, o BDA elaborou alguns programas de financiamento com
taxas de juro atrativas que visam apoiar o empresariado nacional, tal como se
documenta:

Agricultura
 Programa de Financiamento para a Produção de Sementes de Cereais e
Leguminosas de Qualidade;
 Programa de Financiamento para a Produção em Escala de Cereais e
Leguminosas;
 Programa de Financiamento para Produção, Descaroçamento e
Prensagem de Algodão;
 Programa de Financiamento para a Mecanização Agrícola
 Programa de Financiamento para a Produção e Transformação de
Mandioca.

Pecuária
 Programa de Financiamento para a Ciprinicultura e a Ovinicultura
 Programa de Financiamento para a Suinicultura;
 Programa de Financiamento para Avicultura de Corte e de Postura;
 Programa de Financiamento para a Bovinicultura de Corte e de Leite.

36
Agroindústria
 Programa de Financiamento para a Industrialização de Produtos
Agrícolas;
 Programa de Financiamento para a Indústria de Produtos Pecuários e
Serviços de Apoio à Pecuária.

37
CAPÍTULO III - MATERIAL E METODOLOGIA
3.1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho de investigação faz mensão sobre a contribuição da
agricultura familiar na economia da comunidade da Funda – Luanda.

A recolha da entrevista foi padronizada conforme a realidade local. Estas foram


conduzidas com o auxílio da população como:

1- Design da Pesquisa;
2- Filosofia da pesquisa;
3- Estratégia da Pesquisa;
4- População da pesquisa;
5- Amostra;
6- Instrumento de recolha de dados;
7- Análisede Dados;
8- Considerações Éticas;
9- Conclusões.

3.2. DESIGN DA PESQUISA

Na visão (Alves Mazzotti; Gewandsznajder, 2004:8), a investigação científca -


conforme a metodologia adotada – é, com frequência, dividida em dois tipos
distintos: a quantitativa e a qualitativa. O primeiro termo se baseia no
paradigma clássico (positivismo/cartesiano), enquanto o segundo termo segue
um (paradigma/alternativo).

Os estudos orientados pela doutrina positivista foram influenciados inicialmente


pela abordagem das ciências naturais, que postulam a existência de uma
realidade externa que pode ser examinada com objectividade, pelo
estabelecimento de relações causa-efeito, a partir da aplicação de métodos
quantitativos de investigação, que permitem chegar a verdades universais que
possam ser generalizadas. Sob essa ótica, os resultados da pesquisa seriam
reprodutíveis.

Segundo o positivismo, a lógica e a matemática seriam válidas por se


constituírem como regras da linguagem, assim garantindo que o conhecimento

39
torne-se objectivo e claro. Os positivistas consideram que cada conceito de
uma teoria deve ter como referência algo observável, e defendem a
verifcabilidade dos enunciados científcos e a construção de relações lógicas
entre os mesmos, impondo um critério preestabelecido (método científco) para
agir e pensar, ou seja, possuem um forte carácter normativo.

Segundo (Creswell John W, 2007:34) os pesquisadores coletam dados em um


instrumento ou teste (por exemplo, um conjunto de perguntas sobre atitudes
em relação à auto-estima), ou reúnem informações sobre uma lista de
verificação comportamental (por exemplo, quando os pesquisadores observam
um trabalhador usando uma habilidade complexa). Na outra extremidade do
arco, isso pode envolver ou visita a um local de pesquisa e observação do
comportamento das pessoas sem questões predeterminadas ou condução de
uma entrevista na qual as pessoas possam falar abertamente sobre um tópico,
em geral, sem o uso de perguntas específicas. A escolha de métodos por um
pesquisador depende de seu objectivo: especificar o tipo de informação a ser
coletada antes do estudo ou permitir que ela surja dos participantes do
projecto. Além disso, o tipo de dados pode sero de informações numéricas
reunidas em escalas de instrumentos ou informade texto, que registram e
relatam a voz dos participantes. Em algumas formas de colecta de dados,
colecta-se tanto dados quantitativos como qualitativos.

Os instrumentos de colecta de dados podem ser aumentados com observações


abertas, ou os dados censítários podem ser seguidos por entrevistas
exploratórias em profundidade.

3.3. FILOSOFIA DA PESQUISA

Segundo (Iber, 2016:9) diz que a filosofia é “a ciência dos fins últimos”,
portanto, do bem. Aquele todo, ao qual a filosofia se refere, aqui é
compreendido praticamente. “Prático” signifca: aquilo pelo qual o homem se
orienta no seu agir. Kant diz: ele se orienta pelo bem. O prático é, portanto,
sempre ainda um momento da ciência da filosofia que tem em vista o todo.
Assim, também em outros autores, mas especialmente em Kant e Platão, a
referência ao bem tem prioridade.

40
Tipos de filosofia:

1- Filosofia Moderna;
2- Contemporânea.

Segundo (Passos, L. Augusto, 2014:11) A filosofia sempre foi uma interrogação


das coisas essenciais da vida: quem somos, para onde vamos, de onde viemos
e qual o caminho e a chave da felicidade humana. Os gregos, buscaram
responder estas questões, a partir da vida vivida, sem recorrer aos mitos e aos
deuses. Não há por isso a filosofia, há filosofias. Os caminhos são muitos.
Muitas são as maneiras de confgurar os dados da nossa experiência de vida e
emprestar-lhes um sentido.

Há aquelas filosofias que inclusive negam tudo, com receio de pedir


emprestado qualquer salva-vidas; apostam no NADA, fazem do nada seu
sentido - posição filosófica que se chama: “niilista nihil (ismo) do latim: nada!”.

3.4. ESTRATÉGIA DA PESQUISA

Segundo (Sparemberger, 2012:41) A estratégia é importante para a elaboração


de um plano para a empresa. A finalidade é estabelecer quais serão os
caminhos, os programas de acção que devem ser seguidos para alcançar os
objectivos estabelecidos.

Segundo Oliveira (2008), o conceito básico de estratégia está relacionado à


ligação da empresa e seu ambiente. E, nesta situação, a empresa procura
definir e operacionalizar estratégias que maximizam os resultados da interação
estabelecida. Para este autor, estratégia é definida como um caminho, ou
maneira, ou acção estabelecida e adequada para alcançar os desafios e
objetivos da empresa.

Já para Mintzberg e Quinn (2001), estratégia é o padrão ou plano que integra


as principais metas, políticas e sequência de acções de uma organização em
um todo coerente. Uma estratégia bem formulada ajuda a ordenar e alocar os
recursos de uma organização para uma postura singular e viável, com base em

41
suas competências e deficiências internas relativas, mudanças no ambiente
antecipadas e providências contingentes realizadas por oponentes inteligentes.

De acordo com Kluyver (2007), estratégia diz respeito a posicionar uma


organização para obtenção de vantagem competitiva. Envolve escolhas a
respeito de quais sectores participar, quais produtos e serviços oferecer e
como alocar recursos corporativos. Seu objectivo principal é criar valor para
acionistas e outros stakeholders. A estratégia pode ser entendida como sendo
o meio empregado, o caminho a seguir, que a empresa escolhe para atingir um
objectivo, uma meta.

O que precisamente é uma estratégia corporativa?

Os quatro conceitos básicos sobre estratégia, que serão apresentados a


seguir, a partir dos estudos de Whittington (2002), têm como objectivo mostrar
as implicações radicalmente diferentes no que diz respeito a “realizar
estratégia”:

1. Racional – abordagem clássica;

2. Fatalista – abordagem evolucionista;

3. Pragmático – abordagem processualista;

4. Relativista – abordagem sistêmica.

Abordagem clássica – mais antiga e mais influente, conta com os métodos de


planejamento racional.

É o processo racional de cálculos, e análises deliberadas, com o objectivo de


maximizar a vantagem a longo prazo.

Dominar os ambientes internos e externos exige um bom planejamento.

A estratégia é importante nessa análise racional, e as decisões objectivas


fazem a diferença entre o sucesso prolongado e o fracasso.

Os clássicos de modo geral vêm a estratégia como um processo racional de


planejamento a longo prazo, vital para garantir o futuro.

42
Abordagem evolucionária – apoia-se na metáfora fatalista da evolução
biológica, mas substitui a disciplina do mercado pela lei da selva.

Evolucionistas afirmam que a estratégia no sentido clássico de planejamento


racional orientado para o futuro é frequentemente irrelevante.

O ambiente é muito implacável para que se façam previsões eficazes.

A natureza dinâmica, hostil e competitiva dos mercados não apenas implica


que a sobrevivência prolongada não pode ser planejada, mas também
assegura que somente as empresas que de algum modo descobrem
estratégias de maximização de lucro sobreviverão.

As empresas são como espécies da evolução biológica: os processos


competitivos cruelmente selecionam as mais aptas a sobreviver; as outras não
têm força para se ajustar rapidamente e evitar a extinção. É o mercado e não
os gerentes, que faz as escolhas mais importantes.

Consideram o futuro algo muito volátil e imprevisível para ser planejado e


aconselham que a melhor estratégia é concentrar-se na maximização das
chances de sobrevivência hoje.

A abordagem processualista – dá ênfase à natureza imperfeita da vida


humana, e acomoda pragmaticamente a estratégia ao processo falível tanto
das organizações quanto dos mercados.

Os processualistas também questionam o valor do planejamento racional no


longo prazo, enxergando a estratégia como um processo emergente de
aprendizado e adaptação.

A abordagem sistêmica – é relativista, considerando os fins e os meios da


estratégia como ligados, sem escapatória, às culturas e aos poderes dos
sistemas sociais dos locais onde ela se desenvolve.

Assumem a posição relativista, argumentando que formas e metas do


desenvolvimento de estratégias dependem, particularmente, do contexto social,
e que, portanto, a estratégia deve ser empreendida com sensibilidade
sociológica.

43
As abordagens clássica e evolucionária veem a maximização do lucro como o
resultado natural do desenvolvimento da estratégia. As abordagens sistêmica e
processual são mais pluralistas, pressentindo outros resultados possíveis além
do lucro.

Por fim, as abordagens evolucionária e processualista se configuram em um


processo emergente, enquanto a clássica e sistêmica se configuram em um
processo deliberado.

3.5. POPULAÇÃO DA PESQUISA

População alvo desta pequisa foram os agricultores, camponeses e


vendedores, que praticam agricultura familiar na região da Funda, constituída
por 250 dos quais 150 agricultores que fazem parte das cooperativas e 100
vendedores.

Segundo (Martins 2013) população é uma colecção de unidades


observacionais, que podem ser pessoas, animais, objectos ou resultados
experimentais, com uma ou mais características em comum que se pretendem
analisar.

Segundo (Pestana e Velosa 2010: 31), população ao conjunto de todos os


valores que descrevem um fenómeno que interessa ao investigador. De um
modo geral, a população é conceptualizada por um modelo”.

O objectivo da Estatística é o estudo de populações. A uma característica


comum, à qual se possa atribuir um número ou uma categoria, podendo
assumir valores diferentes de unidade observacional para unidade
observacional, chamamos variável. Sendo então o nosso objectivo o estudo de
uma (ou mais) característica(s) da população, costuma-se identifcar população
com a variável que se está a estudar, dizendo que a população é constituída
por todos os valores que a variável pode assumir. Por exemplo, relativamente à
população portuguesa, se o objectivo do nosso estudo for a característica
altura, diremos que a população é constituída por todos os valores possíveis
para a variável altura.

44
Dimensão da população é o número dos seus elementos.

Segundo Guimarães (2008:13), população é a totalidade de elementos que


estão sob discussão e das quais se deseja informação, se deseja investigar
uma ou mais características. A população pode ser formada por pessoas,
domicílios, peças de produção, cobaias, ou qualquer outro elemento a ser
investigado.

3.6. AMOSTRA

Para este estudo a amostra foi constituida pela população em estudo, 150
agricultores e 100 vendedores (conforme ponto 3.5.) No total, a amostragem
abrangiu 250 agricultores e vendedores da comunidade da Funda.

Segundo Guimarães (2008:14), uma amostra é uma parcela da população


utilizada para uma posterior análise de dados. Em vez de utilizar toda a
população, que resulta em maior custo, tempo e por muitas vezes ser inviável,
o processo de amostragem utiliza uma pequena porção representativa da
população. A amostra fornece informações que podem ser utilizadas para
estimar características de toda a população. A amostra é quando queremos
obter informações a respeito de uma população, observamos alguns
elementos, os quais são obtidos de forma aleatória.

Segundo Vieira e Bessegato (2013:5) amostragem é o método através do qual


as unidades amostrais (participantes de pesquisas, por exemplo) são
seleccionadas.

3.7. INSTRUMENTO DE RECOLHA DE DADOS

Para realização desta pesquisa foram utilizadas instrumentos que permitiram o


desenvolvimento da pesquisa. A pesquisa definiu como instrumento de recolha
de dados do questionário.

A recolha dos questionários foi padronizada conforme a realidade local. Estas


foram conduzidas com o auxílio dos facilitadores, tradutores das línguas
tradicionais fruto das misturas de várias tribos provenientes das 4 Províncias de

45
Angola: Huambo, Benguela, Huíla e Bié e representantes locais dos serviços
de extensão e apoio ao desenvolvimento da actividade agrícola junto dos
agricultores Institudo de Desenvolvimento Agrário, União Nacional dos
Agricultores de Angola (IDA/UNACA), da Administração e das comunidades
locais na elaboração do plano de recolha de informações, colheitas e amostras.

Para o levantamento de dados congéneres e afins, foram feitas 7 visitas na


comuna da Funda para recolha de dados, amostras e informações sobre o
estado actual da agricultura local, sua importância no dia-dia das famílias local,
no combate da fome e pobreza, rendimento das receitas das famílias de modos
a propor a melhoria do estado agrário da comuna a fim de melhorar a
diversificação da economia, analisando as técnicas actuais utilizados e
implementar a capacitação de novas técnicas de cultivo e controlo
fitossanitário, aos agricultores locais, assim como a sua monitorização, também
de autores como: (Pedro, 2017); (Diníz, 1998); (Buainain e Filho, 2006); (Zier,
2014); (Mosca, 2014); (Correia, 2013); (Cabral, 2007) e (SADC, 2010).

Foram recolhidas informações de 115 homens e 135 mulheres, com idades


compreendidades entre 15 a 70 anos, junto do mercado local do Sabadão que
utilizam e vendem espécies cultivadas pelos agricultores locais e do perímetro
agrícola da região, e agricultores da comunidade da Funda que constituído
ferramentas participativas que aproximou o pesquisador ao grupo alvo.

Os dados recolhidos foram registados, em diários de campos, guia de campo


para levantamento etnobonático geral, assim como fotografias que permitiram
melhor identificação das amostras.

Os questionários recolhidos forneceram informações úteis sobre


conhecimentos e as opiniões dos agricultores e vendedores dos mercados
informais (como o sabadão) e formais. Serviram para recolher factos que
permitiram utilizar as análises de dados de frequências.

3.8. ANÁLISE DE DADOS

46
Para interpretação dos dados, foram usadas análises estatísticas descritivas do
conteúdo de (Minayo 1993), baseando-se principalmente nas entrevistas semi-
estruturadas relacionadas com o referencial teórico pesquisado e a visão do
pesquisador.

Todas as informações obtidas foram transformadas em termos (Tabela 4),


organizadas, identificadas e interpretadas de forma quantitativas onde:

Os resultados do estudo estão apresentados em tabelas e gráficos de


distribuição de frequências (Beiguelman, 2002; Barbetta, 2014). Estes dados
foram obtidos utilizado o programa de informática SPSS (13), (Ayres et al.,
2007).

3.9. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Para a pesquisa do trabalho foi analizada e aceite o tema em questão sobre


Contribuição da Agricultura Familiar na Economia da Funda. Para validação e
confiabilidade dos dados, o presente estudo obedeceu as seguintes
considerações:

 O pesquisador recebeu autorização por parte do chefe da cooperativa


UNACA local e também chefe da associação dos moradores da comuna
da Funda para conduzir a referida pesquisa na comunidade em
questão;
 Os agricultores/vendedores aceitaram em participar da pesquisa de
forma voluntária;
 Os inquéritos foram recolhidos de uma forma organizada e conforme a
disponibilidade dos inquiridos em devolverem os mesmos;
 Os dados biométricos dos inquiridos foram mantidos de forma sigilosa e
guardados em lugar seguro, não permitindo o acesso aos mesmos de
mais nenhuma outra pessoa.
 Os dados recolhidos foram única e simplesmente utilizados para aquilo
que são os objectivos da pesquisa.

47
3.10. CONCLUSÕES

Neste trabalho teve como conclusão a metodologia de investigação científica


utilizando a investigação científca - conforme a metodologia adotada ao método
do tipo a quantitativa que se baseia no paradigma clássico
(positivismo/cartesiano), (Alves Mazzotti; Gewandsznajder, 2004:8) e uma
abordagem clássica – mais antiga e mais influente, conta com os métodos de
planejamento racional.

É o processo racional de cálculos, e análises deliberadas, com o objectivo de


maximizar a vantagem a longo prazo.

A estratégia é importante nessa análise racional, e as decisões objectivas


fazem a diferença entre o sucesso prolongado e o fracasso.

Os clássicos de modo geral vêm a estratégia como um processo racional de


planejamento a longo prazo, vital para garantir o futuro. (Whittington, 2002).

48
CAPÍTULO IV–APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS
RESULTADOS
4.1. INTRODUÇÃO

Apesar de ser um tema actual os camponeses fazem de tudo para tornarem a


região cada vez mais forte na espectativa de despertar o interesse da
população, comerciante, Governo e das ONGs. Neste capítulo abordou-se
aspectos como:

1. Caracterização do País e da Região em Estudo;

2. Características Sociais e Económicas da Região de Estudo;

3. Trabalho;

4. População;

5. Produtividade;

6. Caracteristica Geográfica e Ambientais da Região de Estudo;

7. Localização;

8. Clima;

9. Solo;

10. Preparação do Solo;

11. Área Cultivada;

12. Apresentação e discussão dos resultados;

13. Caracteristicas Sócio – Demográficas dos Locais dos Inquiridos;

14. Caracteristicas Sócio- Económico;

15. Práticas de Cultivo.

4.2. CARACTERIZAÇÃO DO PAÍS E DA REGIÃO EM ESTUDO

O estudo foi realizado em Angola, que apresenta uma extensão territorial de


1.246.700 km² e situada na costa ocidental do continente Africano entre os
paralelos 4º22´e 18º02´ Sul e os Meridianos 11º41´ e 24º05´ Leste. Em 2014

50
de acordo com as estimativas disponíveis, apresentou um universo
populacional de 25,5 milhões de habitantes (Censo 2014).

O clima do País é diversificado, tropical no Norte e subtropical e semi- árido no


Sul, sendo temperado no interior nas regiões de maior altitude, onde ocorrem
duas estações distintas, definida pela precipitação, uma quente e uma húmida
e outras fria e seca, denominada “cacimbo”, com temperaturas anuais baixas, o
clima também é favorável à diversidade de culturas tropicais e semi-tropicais
(Cabral, 2007 & SADEC, 2010:69).

O relevo é caracterizado por uma faixa costeira baixa que se estende desde a
Namíbe até província de Cabinda e por planalto interior que inclinam para
Leste e Sudoeste, alguns deles com altitudes superiores a 1500 m (Cabral,
2007 & Diniz, 2006).

Na comuna da funda nas áreas visitadas mostraram uma estreita organização


governamental tais como: UNACA (União Nacional das Associações de
Camponeses Angolanos), IDA (Instituto de Desenvolvimento Agrário) e
Organizações Não Governamental (ONGs).

Para Angola estas organizações são relevantes porque constituem as


principais fontes de material para desenvolvimento agrícola das comunidades,
tais como: distribuição de sementes, fertilizantes, químicos (adubos e
pesticidas), electrobombas, enxadas, catánas, mangueiras para irrigação,
botas, carrinho de mão, baldes, cestos para recolha de produtos e até
concessão de micro-crédito para pequenos agricultores desenvolverem sua
actividade agrícola e outras actividades para assegurar a agricultura familiar.

Em geral as comunidades agrícolas em Angola obedecem a uma organização


local liderada pelas seguintes autoridades:

a) Autoridades Tradicionais denominados regedores “sobas”;

b) Autoridades Governamentais (Comissão de moradores, Coordenadores e


Administrador) que instituem normas sociais e jurídicas na comunidade. Nas
áreas desta pesquisa existiam 10 sobas, alguns dos quais indicaram alguns

51
agricultores que têm conhecimento sobre as plantas úteis nas suas áreas de
cultivo e sua importância.

O presente estudo foi conduzido na comuna da Funda, cerca de 13km do


município de Cacuaco, a Norte da Província de Luanda. A selecção da região
foi baseada na história agrícola da comuna que tem 4 bairros nomeadamente:
Funda, Caope Velha, Casa Nova e Kave.

Composta por 9 cooperativas nomeadamente:

a) - Cooperativa do Santiago com 200 camponeses aproximadamente;


b)- Cooperativa do Malengue I com 60 camponeses aproximadamente;
c) - Cooperativa do Malegue II com 200 camponeses aproximadamente;
d) - Cooperativa da funda com 215 camponeses aproximadamente;
e) - Cooperativa da Estrelina com 150 camponeses aproximadamente;
f) - Cooperativa do Canjulo com 150 camponeses aproximadamente;
g) - Cooperativa da Quilunda com 200 camponeses aproximadamente;
h) - Cooperativa dos Pescadores da Funda com 100
camponesesaproximadamente;

i) - Cooperativas de Experimentar Angola Espanha aproximadamente com


240 camponeses, todas essas cooperativas fazem parte da UNACA
(União Nacional dos Camponeses de Angola).

Uma vez que a comuna da Funda apresenta um solo de terra arável para a
prática da agricultura,os camponeses segundo inquérito local vão de uma faixa
etária dos 05 aos 90 anos de idade sendo a região mais forte para a prática
agrícola actualmente na região de Luanda.

A comuna é controlada por uma comissão de moradores que são os mesmos


que fazem parte da cooperativa de modo a controlarem melhor a região;
actualmente são elaborados um relatório da comuna de 2 em 2 meses pela
Cooperativa da UNACA e os das ONG (Americanas) composto por 6 (seis)
jovens são elaborados mensal.

52
Tem uma população de 1.915 famílias de camponeses, as lavras são alugadas
por camponeses num valor de AKZ 20.000,00 (Vinte Mil Kwanzas) por ano e as
lavras que se encontram próximas do rio Zenza são chamadas de Malengue.

4.3. CARACTERÍSTICAS SOCIAIS E ECONÓMICAS DA REGIÃO

A população da comuna da Funda é maioritariamente emigrante proveniente


de várias províncias como: Província do Huambo, Benguela, Huíla e Bié,
Luanda como a menoria, a população da Funda é de religião Católica como
maioria, Metodista, Messiânica, Jeová, Adventista do Sétimo Dia, a línguas
faladas são Umbundo, Kimbundo e o Português (UNACA, 2018).

São populações que vivem da agricultura como modo de sobrevivência e como


uma cultura do próprio município, com uma idade compreendida dos 05 anos
aos 90 anos de idade (ONGs Americanas; 2018).

Criaram o hábito da agricultura para que não praticassem outros hábitos


maliciosos, é uma população também com hábitos escolares para aperfeiçoar
os seus níveis de aprendizagens ou saber.

A população da comuna tem como hábito alimentar típica da região como a


fuba de milho e de bombo recolhido dos seus campos e levados para as
moagens onde é transformada em fuba que usam para alimentação geralmente
acompanhado com peixe e verduras.

A região está vocacionada mais para a produção de hortícolas e tubérculo. Os


agricultores que operam na região fazem parte de uma cooperativa que de
outro modo pode-se dizer que são associações de pessoas, que
reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício
de uma actividade econômica, de proveito comum, desta feita com todos os
camponeses em prol da região. A agricultura na região é predominantemente
familiar onde milhares de pequenos agricultores em regime de subsistência
plantam uma média de 1,4 hectares por família em duas ou mais parcelas de
terra.

53
O mau estado de conservação da via de acesso dificulta os produtores no
transporte dos bens e serviços.

A maioria dos agricultores, praticam a agricultura tradicional usando


instrumentos manuais para a preparação da terra e outras práticas de manejo,
plantando sementes locais selecionadas e reservadas da colheita anterior. Em
geral a preparação do solo tem sido feita manualmente. (Pacheco, 2003:13).

As demais práticas culturais incluindo a colheita também são efectuadas


manualmente, empregando quase exclusivamente mão-de-obra familiar
(MINADER, 2004 e FAO, 2004).

Ela é uma das principais actividades económicas de cultivo de cereais (milho e


massango), leguminosas como (feijão vulgar, feijão macunde, beringelas,
couve, repolho, tomate,) raízes e tubérculos (batata - doce, batata comum e
mandioca) (MINADER, 2004 e FAO, 2004:19). Em Angola a método agrícola
familiar de subsistência é considerado em geral como promotor de uma
produção agrícola diversificada, responsável por cerca de 70% da produção
nacional de alimentos; (Matos, 2002 e Pacheco, 2004:13).

4.4. TRABALHO
Agricultura é uma das actividades que emprega uma maior parte da população
com um nível de renda baixa, dos 300 camponeses fora da cooperativa são
negociados, os trabalhadores são pagos ou remunerados consoante a
dimensão da lavra ou da área de cultivo.
Segundo os inquiridos, os valores variam de AKZ 16.000,00 (Dezasseis Mil
Kwanzas) à 20.000,00 (Vinte Mil Kwanzas), para irrigação e corte do capim
para limpeza da lavra/campo, dessas remunerações serve também para o
auto-sustento das suas famílias desde a alimentação ao vestuário e na
preparação dos materiais didáticos das crianças para escola (UNACA, 2018).
Sendo jovens, crianças e idosos na prática destes serviços evitam a má
influência e ocupação dos próprios jovens, incentivando outros, uma lavra de
uma família os trabalhadores são os mesmos filhos em troca lhes são dados
uma parceira e cada parceira de couve ou gimboa pode vender a 40.000,00

54
(Quarenta Mil Kwanzas) e o que incentivam cada vez mais os jovens a prática
da agricultura (UNACA, 2018).

4.5. PRODUTIVIDADE
Segundo o Relatório do Banco Internacional de Crédito (BIC, 2014:14), a
viabilidade dos investimentos no sector agrícola é afectada por diversos
condicionalismos. A dependência do mercado externo e a economia
inflacionada, incrementa os custos de produção agrícola e de equipamentos
que maioritariamente são importados, existindo também a agravante dos
baixos níveis de produtividade na maioria dos produtos no contributo do sector
agrário assim como a elevada representatividade do sector mercantil.

Angola tem 18 províncias e 164 municípios com um enorme potencial agrícola


na sua maioria por explorar, com uma superfície arável estimada em 35
milhões hectares (SADEC, 2010).

Os solos são férteis na região Norte e no planalto Central, onde as


precipitações anuais normalmente excedem 1000 mm (MINADER, 2004 e
FAO, 2004).

A maior parte dos produtos cultivados, produzidos dos campos, são para
consumo e para comercialização. Os consumos destes produtos servem para
satisfazer as suas necessidades básicas (alimentação), uma vez que os
produtos saem directamente das lavras/campo para os seus consumos dando
um melhor modo de saúde, sendo produtos frescos e contribuem para a
redução da fome e da pobreza de várias famílias camponesas (FAO, 2011).
A comercialização dos produtos é feita de forma a ganhar receitas para a
compra de outros meios como matérias para o desenvolvimento da
lavra/campo como: enxada, adubos, fertilizantes, sementes, catána,
motobombas e mangueiras (MINADER, 2004).

55
Tabela. 2 - Lista dos 37 Principais produtos na Comuna da Funda como
Principais Culturas da Região (UNACA, 2018).
Nº de Espécies Nome Província Local de
Ordem /Lunda recolha
Pipino
Pimento
1 Leguminosas/oleogino Senoura Cacuaco/Fun
sas Beringela Província da
/Lunda

Laranja
Tangerina
2 Citrinos Abacaxis
Limão Província Cacuaco/Fun
/Lunda da

Tomate
Cebola
Couve
Gimboa
Repolho
Quiabo
3 Hortícolas: Rama de batata
Mandioca
Milho Província Cacuaco/Fun
Ginguba /Lunda da
Abobora
Palmeira
Gindungo
Batata – Doce
Batata – Rena
Feijão espera cunhado
Chá - de - Caxinde
4 Raiz e Tubérculo
Feijão manteiga
Província Cacuaco/Fun
Feijão macunde /Lunda da
Mandioca
Goiaba
Múcua
Maçã
Manga
Tambarino
5 Frutas:
Gajajeira
Roma

56
Sape-sape Província
Mamão /Lunda Cacuaco/Fun
da

Fonte: INCER (Instituto Nacional de Cereais de Angola) (Pedro, 2017)

Tipos de Produtos produzido na comuna da Funda de como:


1- Leguminosas/oleoginosas;
2- Frutas;
3- Raiz e Tubérculo;
4- Hortícolas, são produtos de produção habitual da região Norte de
Luanda.

Sendo o tempo de cacimbo (frio) os produtos fazem um mês para o seu


crescimento ou germinação, já no tempo de verão (calor), os produtos fazem 3
semanas para a sua germinação ou crescimento.

57
Tabela. 3 - Lista de algumas espécies identificadas nos campos agrícolas da
Comuna da Funda
Fonte: Elaboração própia do autor

58
Nº de
Ordem Família Nomes Científicos Nome Vulgar

1 Amaranthus Gimboa
caudatus L.
AMARANTHACEAE
2 Spinacia oleracea Espinafre

3 Allium cepa L. Cebola


4 ALILIACEAE Allium sativum L. Alho
5 Brassica oleracea L. Repolho
6 BRASSICACEAE Brassica juncea L. Couve

7 CONVOLVULACEAE Ipomea batatas L. Batata doce

8 EUPHORBICEAE Manihot Mandioca


utilíssimaAdans.
9 LEGUMINOSAE Vigna unguiculata L Feijão

10 Abelmoschus Usse
esculentos (L.)
MALVACEAE
Moench
11 Hibiscus ventricosa Quiabo
L.
12 SOLANACEAE Solanum sp (Jacq) Bringela

13 8 Famílias 12 Espécies

4.6. CARACTERÍSTICA GEOGRÁFICA E AMBIENTAIS DA REGIÃO DE


ESTUDO
4.6.1. Localização
Comuna da Funda pertence ao município de Cacuaco, a Norte de
Luanda/Angola é uma das comunas à 13 km do município de Cacuaco com
temperatura de 27ºc numa humidade de 66%, onde a área predominada é a
prática da agricultura familiar como meio de sobrevivência, sendo uma área
argilosa e boa para a prática da agricultura (UNACA, 2018).

59
Região Luanda -Funda

Figura. 1 - Mapa das áreas do presente estudo, Província de Luanda - fonte:


google/2018,

4.6.2. Clima
O clima é de tropical húmido tendo duas estações, cacimbo e verão. O verão é
o tempo chuvoso como época de plantação/colheita das sementes e varia de
Janeiro a 15 de Maio, o verão de 15 de Agosto a Dezembro. O cacimbo é o
tempo seco época, mas para recolha dos produtos.

60
23°c e os 30ºc. Segundo (Diniz,2006:187).

O clima do país é diversificado, tropical no Norte e subtropical e semi- árido no


Sul, sendo temperado no interior nas regiões de maior altitude, onde ocorrem
duas estações distintas, definidas pela precipitação, um quente e húmida e
outra fria e seca, denominada “cacimbo”, com temperaturas anuais baixas, o
clima também é favorável à diversidade de culturas tropicais e semi-tropicais.
(Cabral, 2007 & SADC, 2010).

4.6.3. Solo

A província de Luanda, apresenta uma variedade de solos. Sob o ponto de


vista agrícola, os mais bem representados e largamente dominantes são os
solos “Ferralíticos” relacionando-se com as mais diversas formações
geológicas nela representadas, desde as rochas cristalinas ás sedimentares,
consolidadas ou não. São solos oxisialíticos, pardos acinzentados, psamíticos,
paraferralícos e hidromórficos (Moreira, 2006).

Existem também os “solos de rochas lávicas cor laranja” de textura fina, baixo
teor em matéria orgânica, reação ácida e teores de fósforo e potássio médios.
Estes solos evoluídos argiláceos, de média ou boa capacidade produtiva,
relacionam-se com rochas eruptivas do Pré-Câmbrico e depósitos Quaternários
diversos (Diniz, 1998).

Os solos são férteis, onde as precipitações anuais normalmente excedem 1000


(MINADER, 2004 & FAO, 2004).

4.6.4. Preparação do Solo

A comuna da Funda prepara o solo em 3 operações:

1. Mata Capim (Gadagem)


2. Charrua/Puxador
3. Tucador

61
Os produtos que servem para fortificar as plantas são os adubos, amorio e
orelho, e em termos de tratamento utilizam os produtos biológicos que dão para
duas épocas como o cacimbo e o verão.

4.6.5. Área Cultivada

Segundo o Relatório Económico de Angola (2014:89), a área semeada, como


consta no, foi de 5.633.671 hectares, ligeiramente inferior à de 2013 (5.827.664
hectares), o que representa cerca de 16,6% da superfície de terra arável (35
milhões de hectares). Este número não permite destrinçar a área semeada da
cultivada, pois não há informação sobre as culturas permanentes (café, palmar,
fruteiras, florestas artificiais e outras). Apenas se encontra uma referência à
área do café «assistida», que foi de 52.200 hectares. Do mesmo modo, não se
informa se a área semeada diz respeito ao total do sector ou apenas às
explorações familiares. Segundo a fonte do IDA (Instituto de Desenvolvimento
Agrário) que se tem citado, a área cultivada em
2014 pelos agricultores familiares, supostamente apenas pelos «assistidos», foi
de 2.170.677 hectares (75.505 dos quais com fruteiras), inferior aos 3,6
milhões relatados em 2013, não havendo nenhuma explicação para a eventual
redução de um ano para outro. Deste modo, a área média por agricultor
assistido foi de 1,5 hectares, menos de metade da área média considerada em
2013 para o mesmo tipo de agricultores (assistidos). Não se regista nenhuma
informação sobre a área cultivada nas explorações empresariais.

4.7. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Sendo os agricultores familiares locais e os vendedores as unidades de estudo,


o critério utilizado para escolha dos agricultores foi de famílias que possuíam
hábitos da prática agrícola baseando-se no conceito de que uma família é um
grupo de pessoas da mesma residência, fortemente dedicados a actividade
agrícola, e para a escolha de vendedores foram encontradas aqueles que
exercem a prática no mercado há mais de 5 anos.

62
A obtenção das informações foi de acordo com as qualidades e conhecimentos
dos agricultores locais e vendedores que responderam questões específicas da
pesquisa.
Após definido o objectivo da pesquisa, procedeu-se a elaboração de um
inquérito, que se tornou o principal material de campo na comuna da Funda e
mercados informal do pesquisador na étapa de colhetas de dados.
Para o processamento dos dados, fes-se a descrição e identificação do nome
botânico das plantas que foram utilizadas as literaturas disponíveis nos
arquivos do Centro de Recursos Fitogenéticos-UAN, do Museu Nacional de
História Natural, do Ministério da Agricultura e nos livros de identificação da
Vegetação da África Austral e Internet.
A biblioteca disponível em Luanda que trata da área de investigação da matéria
da presente pesquisa foi relativamente limitada, exemplos de bibliografias que
foram utilizadas e que permitiram a identificação das espécies (Gossweiller,
1950) “Flora Exótica de Angola”, (Gossweiller, 1953) “Nome Indígenos de
Plantas de Angola”, (Van-Dúnem, 1994) “Plantas Medicinas de Angola”,
(Ferrão, 1999, 2001 e 2002) “Fruticultura Tropical; Espécies com Frutos
Comestíveis.
A actividade agrícola na comuna da Funda tem sido desenvolvida em
diferentes tipos de propriedades sendo:
• Individual – quando a propriedade pertence ao agricultor;
• Comunitária – quando pertence as associações de agricultores da
comunidade;
• Individual/Comunitária – quando os agricultores para além das
actividades individual, desenvolvem também actividades na propriedade
comunitária.

Apresentação dos 28 termos analisadas, as 3 sombreadas representam os


nomes vulgares, nomes científicos e o local do estudo de caso Comuna da
Funda município de Cacuaco.

Tabela. 4 – Termos Estudados.

63
Nº Termos

64
1 Género
2 Idade
3 Nome Vulgar da Espécie
4 Nome Local
5 Nome Científico
6 Práticas de Cultivo
7 Época do ano em que se faz a recolha
8 Local do Crescimento
9 Tipo de Solo
10 Parte Cultivada
11 Tipo de Cultivo
12 Áreas Cultivadas
13 Modo de Preparação do Solo
14 Tipo de Irrigação
15 Origem dos Agricultores
16 Tipos de Propriedade
17 Tipo de Agricultura
18 Local de Aquisição das Sementes
19 Local de Aquisição das Verduras
20 Local de Aquisição do Material de Trabalho
21 Importância da Cooperativa na Comunidade
22 Local de Aquisição de Financiamento
23 Modo de Escoamento dos Produtos
24 Fontes de Consumo
25 Modo de Consumo
26 Idade de Consumo
27 Como são Armazenadas as Sementes
28 Existência de outras Variedades

Fonte: Elaboração própia do autor

4.7.1. Caracteristicas Sócio – Demográficas dos Locais dos Inquiridos

65
As características das variáveis quantitativas sócio-demográficos que é os
dados dos inquéritos como: Géneros, Idade (Agricultor/Vendedor) foram as
seguintes:

Para descrever o perfil sócio-demográficos do local dos inqueridos, o estudo


considero aspectos ligado ao género e a idade, os resultados mostraram que
dos 250 entrevistados 54% (135) eram do sexo feminino e 46% (115) eram do
sexo masculino. A maioria concentrava-se pelo grupo de idade entre 31-40
(30%), seguida daqueles com idade compreendido 21-30 (24%), e os de maior
idade na faixa etária os mais de 60 anos (6%). Os resultados dos inqueridos
mostram do meu ponto de vista, um grupo maduro de entrevistados inqueridos
que praticam agricultura familiar local e que possuem a prática e hábitos
agrícola como meio de subsistência, e para vendedores aqueles que exercem
a prática nos mercados informas a mais de 5 anos, sendo que a faixa etária
dos 21-40 anos foram os mais elevados Tabela 5, Figura 2, Figura 3.

Tabela. 5- Frequência e Percentagem das variáveis e participação de géneros


e idade por classe.

Variável Classe Frequência Percentagem (%)


Masculino 115 46
Feminino 135 54
Participação do género
15…20 34 14
21…30 59 24
31…40 76 30
41…50 43 17
51…60 22 9
Idade
Mais de 61 16 6
Fonte: Elaboração própia do autor

Figura. 2 - Frequência e Percentagem das variáveis e participação de géneros


por classe.

66
Géneros

46% Masculino
Femenino
54%

Figura. 3 - Frequência e Percentagem das variáveis e participação de idade por


classe.

Indivíduos Entrevistados
6%
14%
9% 15…20
21…30
31…40
41…50
17% 51…60
24%
Mais de 61

30%

4.7.2. Caracteristicas Sócio- Económico


As características das variáveis quantitativas sócio-Económicos dos
entrevistados (Agricultor/Vendedor) tais como: Origem dos Agricultores, Tipos
de Propriedade, Tipo de agricultura, Local de aquisição das Sementes, Local
de Aquisição das Verduras, Local de Aquisição do Material de Trabalho,
Importância da cooperativa na comunidade, Local de Aquisição de
Financiamento, Modo de escoamento dos Produtos, Fontes de consumo, Modo
de consumo, foram as seguintes:

67
Dos 150 agricultores familiar inqueridos na comuna da Funda foi possível notar
que em relação a origem dos agricultores (Figura 4) os resultados mostraram
que a maioria dos agricultores 45 (30%) são agricultores locais, 77 (51%), são
emigrantes do território nacional provenientes das restantes províncias de
Angola e apenas 28 (19%) dos inqueridos são agricultores estrangeiros
provenientes dos vários pontos de África que emigraram para Angola à procura
de melhor condições de vida fruto da crise mundial.

Origem dos Agricultores


Local Emigrantes Nacionais Emigrantes Extrangéiros
19% 30%

51%

Figura. 4 - Frequência e Percentagem das variáveis origem dos agricultores na


comuna da Funda.

Em relação a variável Tipos de Propriedade, os resultados obtidos mostram


(Figura 5) que a maioria 54% (81) dos agricultores praticam agricultura dentro
dos seus próprios terrenos, a seguir encontrou-se o grupo de agricultores 35%
(53), que praticam agricultura comunitária em terreno de associações de
agricultores da comunidade; a minoria dos agricultores 11% (16) em
propriedade individual/comunitária condição que se encontram os agricultores
que para além das actividades individuais, desenvolvem também actividades
na propriedade comunitária.

68
Tipo de Propiedade
Individual Comunitário Comunitário/Individual

11%

54%
35%

Figura. 5 - Frequência e Percentagem das variáveis Tipo de Propriedade


Agrícola na comuna da Funda.

Os resultados obtidos sobre o tipo de agricultura praticados pelos inqueridos na


região em estudo, mostraram que a maioria dos inqueridos 54% (86) dos
agricultores praticam agricultura familiar para consumo, a menoria 35% (53)
dos agricultores inqueridos na localidade praticam agricultura comercial como
fonte de rendimento, apenas 7% (11) praticam outros tipos de agricultura
Figura 6.

Tipo de Agricultura
7%

Familiar
Comercial
Outros
35%
57%

Figura 6. Frequência e Percentagem das variáveis Tipo de Agricultura


praticada na comuna da Funda.

69
Os resultados obtidos na região em estudo, em relação a variável Local de
Aquisição das Sementes, mostraram que a maioria dos inqueridos 36% (91)
adquirem as suas sementes em cooperativas agrícolas, 30% (75) adquirem as
suas sementes nos mercados informais vulgo praças, 25% (61) dos
agricultores inqueridos subtem as suas sementes por intermédio das ONGs
apenas,9% (23) que é a menoria dos agricultores obtêm as suas sementes em
propriedades agrícolas privadas Figura 7.

Local de Aquisição da Semente


Mercado Informal
ONGs
Propiedades Agrícola
30% Cooperativas Agrícolas
36%

9% 24%

Figura. 7 - Frequência e Percentagem das variáveis Local de Aquisição da


Sementena Agrícola na comuna da Funda.

Os resultados sobre o Local de Aquisição das Verduras junto dos vendedores


dos mercados informais, mostraram que a maioria dos produtos agrícolas 53%
(53) são adquiridos em propriedades agrícolas, 39% (39) adquirem os seus
produtos nos mercados informais, apenas 8% (8) dos vendedores inqueridos
subtem os seus produtos em outros locais figura 8.

É de salientar com esses resultados a importância que tem a área da Funda


como cintura verde de Luanda uma vez, que para além da barra do Kwanza
podemos encontrar o rio Zenza nesta localidade que tem servido de máxima
importância na região sul de Luanda.

70
Local de Aquisição das Verduras
8%

Propiedades Agrícolas
Mercado Informal;
Outros
39% 53%

Figura. 8 - Frequência e Percentagem das variáveis Local de Aquisição das


Verduras na comuna da Funda.

Os resultados sobre o local de aquisição do material de trabalho agrícola tais


como: fertilizantes, adubos e pesticidas, electrobombas, enxadas, catánas,
mangueiras para irrigação, botas, carrinho de mão, baldes, cestos para recolha
de produtos, mostraram que a maioria do material agrícola 42% (63) são
adquiridos em cooperativas agrícolas, 38% (57) adquirem em ONGs 15% (22)
são adquiridos nos mercados informa, 5% (8) apenas do material é adquirido
em outras fontes Figura 9.

Local de Aquisição do Material de Trabalho


Mercado Informal ONGs
5% 15% Cooperativas Agrícolas Outros

42%

38%

71
Figura. 9 - Frequência e Percentagem das variáveis Local de Aquisição do
Material Agrícola na comuna da Funda.

Os resultados das variáveis Importância da cooperativa na comunidade


mostraram, que 150 agricultores 64% (96) são beneficiados da cooperativa
agrícolas, 36% (54) dos inqueridos informaram não se beneficiarem da
cooperativa, uma vez que a mesma no que diz respeito a distribuição de
sementes, as cooperativas fazem entregas de sementes melhoradas e não
locais.

Segundo os inqueridos vêm – se obrigado a recorrer ao uso de fertilizantes e


produtos químicos para controlar as pragas em vegetais, em auxência desses
produtos químicos muitas das vezes não têm um rendimento nas culturas
locais, fazendo da doação uma dependência total Figura 10.

ImpoRtância da cooperativa na comunidade


agrícola

NÃO
36%
SIM
64%

Figura. 10 - Frequência e Percentagem das variáveis sobre a Importância da


cooperativa Agrícola na comunidade da Funda.

Os resultados relacionados com o local de aquisição de financiamento


indicaram, que dos 150 agricultores da comunidade 63% (95) dos inqueridos
adquirem o seu financiamentos a partir de cooperativas agrícolas como um
parceiro do Estado que tem como objecto social ajudar na obtenção de micro-
crédito para melhoria das culturas, 28% (42) obtem o financiamento a partir das
ONGs, e a menoria 9% (13) obtêm o seu financiamento por outra fonte, uma

72
vez que o retorno do capital nem sempre é satisfatório devido aos juros que
têm sido muito alto Figura 11.

Local de Aquisição de Finaciamento

9%
Cooperativas Agrícolas
28% ONGs
Outros
63%

Figura. 11 - Frequência e Percentagem das variáveis sobre a Local de


Aquisição de Financiamento Agricola na comuna da Funda.

Em relação a variável modo de escoamento dos produtos de 150 inqueridos, os


resultados mostram uma variabilidade de fonte de escoamento superando a
espectativa do pesquisador, 61% (91) indicaram que os produtos são escoados
para o mercado informal, 16% (24) indicaram que os produtos são escoados
para o mercados formais, 12% (17) indicaram que os produtos são escoados
para creches, 7% (11) indicaram que os produtos são escoados nos hospitais,
3% (5) indicaram que os produtos são escoados para escolas principalmente
para colégios que têm o ATL (é um serviço socio-educativo que recebe
crianças a partir dos 6 anos de idade).

Este serviço é composto por uma equipa educativa que presta todo apoio as
salas de ATL, serviço este formado por professores de diferentes áreas e
auxiliares de acção educativa, que diariamente recebem as crianças e as suas
famílias de forma a responder às suas necessidades.

O espaço do ATL está preparado para receber cada criança de forma a


estimular o seu progressivo desenvolvimento psico-pedagógico, social e
estimular o desenvolvimento harmonioso da criança. As actividades são
desenvolvidas de acordo com as necessidades reveladas para crianças e pela

73
sua família e dividem-se entre actividades de estudo e actividades lúdico-
pedagógicas, 1% (2) são escoados por outras fontes Figura 12.

Figura. 12 - Frequência e Percentagem das variáveis sobre modo de


escoamento dos Produtos Agrícola na comuna da Funda.

Modo de Escoamento dos Produtos


1%
3%
16%
11% Mercado Formal
Mercado Informal
7% Hospitais
Creches
Escolas
Outros

61%

Para variável fonte de consumo dos vegetais os dados indicaram, que 59%
(148) dos vegetais são para consumo alimentar, 38% (94) indicaram que os
produtos são consumidos para fins medicinais uma vez que a prática da
naturopatiase tornou frequente devido o surgimento de muitas doenças que a
medicina convencional não dá resposta, 2% (6) indicaram que os produtos são
consumidos como ração animal, apenas 1% (2) indicaram que os produtos têm
outros fins de consumo. Figura13.

74
Fonte de Consumo
1%

38% Medicinal
Ração Animal
Alimentar
59% Outros

2%

Figura. 13 - Frequência e Percentagem das variáveis de fontes de consumo


Agrícola na comuna da Funda.

Em relação a variável modo de consumo dos vegetais os dados indicaram, que


53% (133) dos vegetais são para consumo cozido, 36% (89) indicaram que os
produtos são consumidos seco isto quer dizer os cereais e as transformações
de produtos como a farinhas, 7% (17) indicaram que os produtos são
consumidos no estado cru como exemplo os vegetais e as frutas, 3% (9)
indicaram que os produtos são consumidos de modo processado apenas 1%
(2) responderam que os vegetais têm outros fins de consumo. Figura 14.

Modo de Consumo
4% Crua
7%
1% Cozido
36% Seco
Processado
53% Outros

Figura. 14 - Frequência e Percentagem das variáveis de fontes de consumo


Agrícola na comuna da Funda.

75
Tabela 6 - Distribuição dos 250 indivíduos inqueridos na província de Luanda,
município do Cacuaco, Comuna da Funda. Frequência e Percentagem das
variáveis e participação de quantitativas de Origem dos Agricultores, Tipos de
Propriedade, Tipo de agricultura, Local de aquisição das Sementes, Local de
Aquisição das Verduras, Local de Aquisição do Material de Trabalho,
Importância da cooperativa na comunidade, Local de Aquisição de
Financiamento, Modo de escoamento dos Produtos, Fontes de consumo, Modo
de consumo.

Tabela. 6 - Variáveis dos Agricultores

Variáveis Classes Frequências Percentagens (%)


Local 45 30
Origem dos Emigrantes Nacionais 77 51
Agricultores

Emigrantes Extrangéiros 28 19

Individual 81 54
Tipos de Propriedade Comunitário 53 35
Comunitário/Individual 16 11

Familiar 86 64
Tipo de agricultura Comercia 53 35
Outros 11 7
Mercado Informal 75
Local de aquisição 30
das Sementes ONGs 61
25
Propiedades Agrícola 23 9
Cooperativas Agrícolas 91 36
Propriedades Agrícolas 53 53
Local de Aquisição Mercado Informal; 39 39
das Verduras
Outros 8 8
Local de Aquisição do Mercado Informal 22 15
Material de Trabalho ONGs 57 38
Cooperativas Agrícolas 63 42

Outros 8 5

Importância da SIM 96 64
cooperativa na
comunidade NÃO 54 36

Local de Aquisição de Cooperativas Agrícolas 95 63


Financiamento ONGs 42 28
Outros 13 9

Mercado Formal 24 16
Modo de escoamento Mercado Informal 91 61
dos Produtos Hospitais 11 7
Creche 17 12
Escolas 5 3

76
Outros 2 1
Medicinal 94 38
Fontes de consumo Ração Animal 6 2
Alimentar 148 59
Outros 2 1
Crua 17 7
Cozido 133 53
Modo de consumo
Seco 89 36
Processado 9 3
Outros 2 1
Fonte: Elaboração própia do autor

4.7.3. Caracteristicas do Sistema de Armazenamento


O estudo os mostrou que dos 150 agricultores inqueridos 59% (89)
responderam que armazenam as suas sementes em frascos, 35% (52)
armazenam as suas sementes em latais, 5% (7) dos inqueridos disseram que
armazenam as suas sementes em Celeiros, apenas 1% (2) apresentaram
outras formas de armazenar as sementes Tabela 7.

Os resultados da variável existência de outras variedades agrícola local


mostraram que dos 150 inquiridos 44% (65) responderam existir sim outras
variedades de sementes locais 31% (47) responderam existir sim outras
variedades de sementes do tipo melhoradas, 25% (38), responderam existir
sim outras variedades de sementes do tipo exóticas, os resultados mostra-nos
os cuidados que devemos ter com as nossas sementes locais, uma vez que a
futura guerra na agricultura mundial será cultivos de alimentos saudáveis, e
esta segurança só existem em sementes e variedades locais que são segundo
especialistas na matéria as mais resistentes em pragas, secas, e com bastante
poder nutritivo e calórico Tabela 7.

77
Tabela. 7 - Variedades Agrícola na comuna da Funda.

Variáveis Classes Frequências Percentagens%


Como são Armazenadas Em frascos 89 59
Em lata 52 35
as Sementes
Celeiros 7 5
Outros, 2 1

Existência de outras Exóticas 38 25


Melhoradas 47 31
Variedades
Locais 65 44

Fonte: Elaboração própia do autor

4.7.4. Práticas de Cultivo


Práticas de cultivo, época do ano em que se faz a recolha, Local do
crescimento, tipo de solo, parte cultivada, tipo de cultivo, áreas cultivadas,
Modo de Preparação do Solo, Tipo de Irrigação, responderam o seguinte:

Os resultados da variável prática de cultivo mostraram que, dos 150


agricultores familiares inquiridos 87% (58) tinham como prática de cultivo
regadio, 30% (45) Sequeiro, 12% (18) outras práticas de cultivosTabela 8.

Os resultados da variável época do ano em que se faz a recolha mostraram,


que dos 150 agricultores familiares entrevistados 56% (83) responderam que a
recolha dos produtos é feita em todo ano, 29 % (44) na época seca, 15% (23),
época chuvosa os resultados mostram a grande importância que já tínhamos
frisado sobre a existência do rio como fonte de sustento agrícola na região de
estudo Tabela 8.
Os resultados da variável local de crescimento dos produtos agrícolas
mostraram, que dos 150 agricultores familiares inquiridos 49% (73)
responderam que os vegetais crescem em toda a região, 44% (66) em Áreas
húmidas, 7% (11) em Zona restrita, de estudo Tabela 8.
Segundo os resultados da variável Tipo de solo dos produtos agrícolas
mostraram, que dos 150 agricultores familiares inquiridos 51% (77)
responderam que os vegetais são cultivados em solos Argilosos, 22% (33) em

78
solos Arenoso, 17% (25) em solos Pedregoso, apenas 10% (15) responderam
que o cultivo é feito Outros. Tabela 8.

Os resultados da variável Parte Cultivada dos produtos agrícolas mostraram,


que dos 150 agricultores familiares inquiridos 27% (41) responderam que
cultivam, mas Folha, 23% (35) cultivam, mas Sementes, 16% (24) cultivam,
mas Raiz, 15% (22) cultivam, mas Tubérculos, 7% (11) cultivam, mas Boldos,
6% (9) cultivam, mas Rizoma, 4% (5) cultivam, mas Flores e 2% (3) cultivam,
mas Frutos, Tabela 8.
Os resultados da variável Tipo de Cultivo dos produtos agrícolas mostraram,
que dos 150 agricultores familiares inqueridos 44% (67) responderam que o
cultivam, mas hortícolas, 22% (43) responderam que praticam, mas cultivo do
tipo Leguminosas/Oleaginosas, 8% (12) responderam que praticam, mas
cultivos do tipo Raízes e Tubérculos, 14% (21) responderam que praticam, mas
o cultivo do tipo Frutas, 5% (7) responderam que praticam, mas cultivo do tipo
Citrinos,Tabela 8.
Segundo os resultados da variável Áreas Cultivadas dos produtos agrícolas, os
150 agricultores familiares inqueridos mostraram, que 44% (65) praticam
agricultura em Hectares, 31% (47) praticam em Parcelas, 25% (38) praticam
em Talhão, Tabela 8.
Os resultados da variável Modo de Preparação do Solo dos produtos agrícolas,
os 150 agricultores familiares inqueridos mostraram que 45% (68) preparam o
solo de forma manual, 32% (48) prepararam o solo usando Charrua/Puxador,
23% (34) responderam que utilizam outras técnicas de preparação do
solo,Tabela 8.

Segundo os resultados da variável Tipo de Irrigação dos produtos agrícolas


mostraram, que dos 150 agricultores familiares inqueridos 44% (66)
responderam que praticam a irrigação por Sulco, 25% (37) responderam que
praticam a irrigação por Aspersão, 19% (28) responderam que praticam a
irrigação por Gotejamento, 12% (19) responderam que praticam outros tipos de
irrigação,Tabela 8.

Tabela. 8 - Frequência e percentagem das variáveis por classes

79
Variáveis Classes Frequências Percentagem (%)
Sequeiro 45 30
Práticas de Cultivo Regadio 87 58
Outros 18 12

Época seca 44 29
Época do ano em que se Época chuvosa 23 15
faz a recolha Todo ano 83 56

Áreas húmidas 66 44
Local do Crescimento Em toda a região 73 49
Zona restrita 11 7
Argiloso 77 51
Tipo de Solo Arenoso 33 22
Pedregoso 25 17
Outros 15 10

Raiz 24 16
Folha 41 27
Frutos 3 2
Parte Cultivada Tubérculos 22 15
Rizoma 9 6

Sementes 35 23
Flores 5 4
Boldos 11 7

Hortícolas 67 44
Tipo de Cultivo Leguminosas/Oleoginosas 43 22
Citrinos 7 5
Raízes e Tubérculos 12 8
Frutas 21 14

Hectares 65 44
Áreas Cultivadas Parcelas 47 31
Talhão 38 25

Charrua/Puxador 48 32
Modo de Preparação do Manual 68 45
Solo Outros 34 23
Gotojamento 28 19
Tipo de Irrigação Aspersão 37 25
Sulco 66 44
Outros, 19 12
Fonte: Elaboração própia do autor

80
CAPÍTULO V - CONCLUSÕES
5.1. INTRODUÇÃO
O trabalho de investigação faz mensão sobre a contribuição da agricultura
familiar na economia da comunidade da Funda – Luanda.
O trabalho em estudo resultou uma maior abordagem sobre a potencialidade
territorial da comuna da Funda na área agrícola uma vez que apresenta um
solo de terra arável para a prática da agricultura, os camponeses segundo
inquérito local vão de uma faixa etária dos 05 aos 90 anos de idade sendo a
região mais forte para a prática agrícola actualmente na região de Luanda.

5.2. RESULTADO DA PESQUISA

A comuna da Funda, tem cerca de 13km do município de Cacuaco, a Norte da


Província de Luanda. A selecção da região foi baseada na história agrícola da
comuna que tem 4 bairros nomeadamente: Funda, Caope Velha, Casa Nova e
Kave é composta por 9 cooperativas. A comuna é controlada por uma
comissão de moradores que são os mesmos que fazem parte da cooperativa
de modo a controlarem melhor a região, tem uma população de 1.915 famílias
de camponeses.

Após uma análise exaustiva sobre a revisão bibliográfica e de um trabalho


impírico apurado, conforme a apresentação e discussão dos dados
(apresentados no capítulo 2), a pesquisa chegou à seguinte conclusão.

5.2.1. Conclusões da Revisão Bibliográfica


Com base na revisão bibliográfica feita, concluiu-se o seguinte:
Segundo Markowitz (1952), ao diversificar, o investidor tem a possibilidade de,
em algum evento anormal que não tenha sido estimado, ainda assim poderá
obter bons resultados pelo facto de ter investido parcela da sua carteira nesse
determinado activo. As 10 metas financeiras e o horizonte de tempo devem
estar claros, alinhados na estratégia do investidor.

Segundo (Schneider e Cassol, 2013:1) define Agricultura Familiar como o


grupo social formado pelos pequenos proprietários de terra que trabalham
mediante o uso da força de trabalho dos membros de suas famílias, produzindo

82
tanto para seu auto-consumo como para a comercialização, e vivendo em
pequenas comunidades ou povoados rurais.

Segundo (Vitor Kochhann Reisdorfer, 2014:15) define Cooperativa – é a


associação de produtores, fabricantes, trabalhadores ou consumidores que se
organizam e administram empresas econômicas, com o objectivo de
satisfazerem uma variada gama de necessidades.

5.2.2. Conclusões da pesquisa principal


 A comuna da Funda tem a sua vida muito ligada à agricultura famíliar
para a obtenção dos bens e serviços que necessitam. Os
conhecimentos das populações locais, adquiridos ao longo do tempo e
com auxílio de experiências trazidas pelos emigrantes que lá vão
procurar trabalho, têm sido transmitidos de geração a geração. Este
fluxo inter-generacional de informação e sua conservação é favorecido
pelas características da organização local, liderada pelo Governo
(UNACA, MINADER, ONGs, Autoridades Tradicionais, denominados
regedores ou “sobas” que velam pelas normas sociais e agrícolas na
comunidade).
 Verificou-se que os camponeses na região da funda são
maioritariamente do sexo femenino com idades compreendidas entre 31
à 40 anos de idade.
 O reaparecimento da estratégia de diversificação do sector agrícola na
comunidade é oportuno para o desenvolvimento da economia na capital
do país que vem seguindo as orientações do executivo no âmbito do
combate ao desemprego e como sustento das famílias.
 O papel do Estado (UNACA, MINADER) como parceiro directo dos
agricultores local na obtenção de créditos, seguros tem sido uma mais
vália para o andamento do sector agrícola.
 Notou-se que as cooperativas têm maioritariamente beneficiado os
camponeses da região da Funda, quanto ao acesso às sementes
melhoradas e outros materiais. Não obstante a existência o apoio das
ONGs na agricultura local, os agricultores conservacionistas local
preferem praticar a agricultura com sementes locais e sem ajuda de

83
fertilizantes, pesticidas prevenindo o surgimento de futuros danos na
colheita tais como pragas e infertilidade no solo.
 A existência da feira ou praça local como meio de escoamento dos
produtos produzidos naquela região, tem atraído fornecedores e
compradores sem grandes dificuldades, que possibilitam a dispersão do
mesmo do campo para a cidade facilitando o rendimento económico
das famílias dos agricultores e vendedores.
 Em termos de financiamento, concluiu-se que os camponeses
organizados em cooperativas beneficiam de finaciamentos (créditos
agrícolas), por parte do Estado, ONGs e por outras fontes. Mas que
mesmo assim os créditos. Concedidos não são suficientes para fazer
face as suas necessidades agrícolas.
 Em termos de escoamento concluiu-se a maior dos produtos produzidos
são ecoados para o mercado informal.
 O estudo concluiu ainda que, quando ao modo de consumo, o modo de
preparo dos alimentos é maioritariamente cozido e que apenas 3% da
produção é destinada ao processamento.
 O ambiente macroeconómico actual na comunidade e no escoamento
dos produtos é caracterizado pela estabilidade da moeda nacional
(Kwanza) em relação ao Dólar, com taxa de câmbio estabelecida no
mercado nacional, controlada através de políticas do banco central que
está inflacionado pelo mercado informal. Esta circunstância favorece
uma sobrevalorização da taxa de câmbio que tem sido prejudicial na
gerência da gestão financeiras das famílias da capital, situação que faz
fugir de controlo quando o assunto é a competitividade da produção da
agrícola local em relação aos produtos importados.

 É difícil sobrestimar a importância da contribuição da diversificação da


agricultura na economia local, o enorme número e variabilidade das
espécies de produtos na segurança alimentar das populações
estudadas. Elas são importantes pelo seu valor nutricional, fornecendo
não só calorias, mas também vitaminas, minerais e oligoelementos
essenciais na dieta alimentar. Alem disso, a variabilidade das espécies
conhecidas e utilizadas contempla uma rica variabilidade de pratos
84
locais e paladares específicos, enriquecendo a gastronomia Angolana.
Ainda de acordo com os inquiridos, nos resultados das inqueridos realizadas
nos campos agrícolas locais junto dos agricultores familiares e vendedores dos
mercados informal ou paralelos concluímos o seguinte:

 Foram entrevistados 250 indivíduos dos quais 150 Agricultores


familiares e 100 vendedores dos mercados informais, 115 do sexo
masculino e 135 do sexo feminino, nas idades compreendidas entre 15
á 90 anos, as faixas etárias, mas participativa foram de 31 á 40 anos de
idades. Dos agricultores entrevistados 51% são emigrantes
provenientes das restantes províncias de Angola, 54% dos agricultores
praticam a agricultura familiar dentro dos seus próprios terrenos 64%
dos agricultores inqueridos praticam agricultura familiar para benéfico
próprio, 36% dos agricultores adquirem as suas sementes em
cooperativas agrícolas, 58% dos vendedores entrevistados no mercado
do sabadão adquirem os seus produtos em propriedades agrícola, 42%
dos agricultores adquirem o seu material de trabalho por intermedio das
cooperativas agrícola, relativamente a importância das cooperativas nas
comunidades em estudo 64% são beneficiários do mesmo, 63% dos
agricultores adquirem o seu financiamento a partir das cooperativas
agrícolas local que são verdadeiros parceiros do Estado, 61% dos
agricultores escoam os seus produtos em mercados informal, 59% dos
agricultores consomem os seus vegetais juntos dos familiares como
auxilio alimentar, 53% dos agricultores consomem os seus vegetais de
modo cozido.

 Das 28 variáveis analisadas, são quantitativas e 3 sombreadas das


múltiplas variedades de produto agrícola observado tanto no campo
como no mercado foi possível descrever as características botânicas,
nome científico e nome vulgar de 12 espécies, mas representativas em
8 famílias.

85
5.3. RECOMENDAÇÕES

De acordo com os resultados adquiridos ao longo do presente trabalho e as


conclusões derivadas dos mesmos sobre a contribuição da agricultura famíliar
na economia da comunidade da Funda- Luanda fazemos as seguintes
recomendações:

 Que sejam adaptadas estratégias apropriadas de difusão dos


conhecimentos e informações das populações locais a fim de melhorar a
diversificação da economia, analisando e reforçando as técnicas actuais
de produtividade, e implementar a capacitação de tecnologias
inovadoras de cultivo e controlo fitossanitário aos agricultores locais,
assim como a sua monitorização;

 Implementar estratégias de forma a insentifar cada vez mais as


mulheres e principalmente homens a prática da agricultura na região da
Funda.

 Que continua-se a sensibilizar os camponeses a fazerem parte das


coopertivas existes na região da Funda para que possam, de forma
organizada, beneficiar ou terem acesso às sementes melhoradas, no
sentido de minimizarem as pragas e outros danos, prevenindo o
surgimento de futuros danos nas colheitas dos produtos agrícolas.

 Que as cooperativas possam rever a questão do apoio finaceiro


(créditos agrícolas) para fazer face às necessiaddes dos agricultores e
subsequentemente ao desenvolvimento do sector agrícola na região em
estudo.

 A população gostaria que a Administração / Governo dá-se mais apoio


para incentivo da prática do sector, como material e nas práticas de
novos paradigmas, para o desenvolvimento da agricultura, produção,
distribuição e logística para conservação dos produtos escoados.

86
 As cooperativas devem criar parcerias privadas (como superfícies
comerciais) nas zonas urbanas e suburbanas no sentido de escoarem
os seus produtos, não só em mercados informais como também em
mercados formais de forma a contribuir aos pagamentos de imposto
para arregadação de receitas ao Estado.

 Que as iniciativas provadas olhem para a região agrícola da Funda


como uma oportunidade de investimentos na construção de frábricas
para o processamento e ou transformação dos produtos cultivados na
respectiva área.

 Intensificar investimentos e implementar programas de pesquisa para


melhorar o rendimento das famílias e aproveitar o imenso património
natural local abrilhantado pelo rio Zenza como complemento das
receitas financeiras locais;

 As instituições de investigação agronómica devem criar as condições


necessárias para promover a extensão da utilização das variedades
locais estudadas em outras regiões de Angola, a fim de serem utilizadas
na diversificação da economia e na melhoria da dieta alimentar das
comunidades;

 Que se crie feiras de campanhas de todos os produtores na região da


Funda de maneira a expor os produtos produzidos nos seus campos
agrícolas, de modo a expor aos Mídias os produtos e a qualidade da
terra;

 Estudo desta natureza podem levar acabo em outras áreas da província


de Luanda;

 A Universidade Lusiadas de Angola ULA deve dar continuidade da


participação de estudantes do curso de Economia com temas similares,

87
de modo a despertar o interesse pela investigação neste campo do
saber.

88
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97
ANEXOS

Anexo I – Questionário dirigido aos agricultores Funda fonte: adaptado de


Pedro, L. (2017).
_______________________________________________________________
1 – Dados dos Demográficos dos Inquiridos
a) Géneros: 1=Masculino; 2=Femenino,
b) Idade (Agricultor/Vendedor)
2– Dados etnobotânicos
a) Nome Vulgar da Espécie
b) Nome Científico,
3 – Dados Geográficos e Ambientais
c) Práticas de Cultivo: 1=Sequeiro; 2=Regadio; 3=Outros,
d) Época do ano em que se faz a colheita: 1= época seca; 2= época chuvosa;
3=todo ano,
e) Área de Cultivo: 1=áreas húmidas; 2=Em toda a região; 3=Zona restrita,
f) Tipo de Solo: 1=Argiloso; 2=Arenoso; 3=Pedregoso; 4=Outros,
g) Parte Cultivada: 1=Raiz; 2=Folha; 3=Frutos; 4=Tubérculos; 5=Rizonhos;
6=Sementes; 7=Flores; 8=Boldos
h) Tipo de Cultivo: 1= Hortículas; 2= Leguminosas/Oleoginosas; 3= Citrinos; 4=
Raízes e Tubérculos; 5= Frutas,
i) Áreas Cultivadas: 1= Hectares; 2= Parcelas; 3= Talhão.
j) Modo de Preparação do Solo: 1=Charrua/Puxado; 2=Manual; 3=Outros.
k) Tipo de Irrigação: 1= Gotojamento; 2= aspersão; 3= Sulco; 4= Outros,
3 – Dados Socias e económicos
a) Origem dos Agricultores: 1= Local; 2= Emigrantes.
b) Tipos de Propriedade: 1=Individual; 2=Comunitário; 3=Comunitário/Individual.
c) Tipo de Agricultura: 1=familiar; 2=comercial.
d)
e) Local de Aquisição das Sementes: 1=Mercado Informal; 2=ONGs;
3=Propriedades Agrícola; 4=Cooperativas Agrícolas.
f) Local de Aquisição das Verduras: 1=Propriedades Agrícolas; 2= Mercado
Informal; 3=Outros.
g) Local de Aquisição do Material de Trabalho: 1= Mercado Informal; 2=ONGs;
3=Cooperativas Agrícolas, Outros.
h) Importância da Cooperativa na Comunidade: 1=SIM; 2=NÃO.

98
i) Local de Aquisição de Financiamento: 1= Cooperativas Agrícolas; 2=ONGs; 3=
Outros,
j) Modo de escoamento dos Produtos: 1= Mercado Formal; 2= Mercado Informal;
3= Hospitais; 4= Creche; 5= Escolas; 6= Outros,
k) Fontes de consumo: 1=Medicinal; 2=Ração Animal; 3=Alimentar; 4=Outros.
l) Modo de consumo: 1=Crua; 2=Cozido; 3=Seco; 4= Processado; 5=Outros,
m) Idade de consumo: 1=Crianças; 2=Adultos; 3=Todas as Idades;
4 – Sistemas de Armazenamento
a) Como são Armazenadas as Sementes: 1=em frascos; 2=em lata;
3=celeiros; 4= outros,
b) Existência de outras Variedades: 1=Exóticas; 2=Melhoradas 3= Locais,

______________________________________________________________

Funda fonte: adaptado de Pedro, L. (2017).

99
Questiónario

1 – Especifique a sua idade e sexo

Masculino

Femenino

Idade

2 – Quais são os nomes das plantas ou produtos que vocês cultivão?


3 – Que práticas de cultivo vocês utilizam?
4 – Qual a época do ano em que se faz colheita?

Seca

Chuvosa

Todo ano

5 – Qual é o local de crescimento?

Área húmida

Em toda região

Zona restrita

6 – Qual é o tipo de solo?

Arenoso

Pedregoso

Outros

Argiloso

100
7 – Qual é a parte cultivada?
Raiz

Folha

Tubérculo

Rizonho

Sequeiro

Flora

Boldo

8 – Qual é o tiopo de cultivo?

Leguminosa/
Oleoginosas

Raizes/
tuberculo

Frutas

8 – Qual é o tiopo de cultivo?

Leguminosa/
Oleoginosas

Raizes/
tuberculo

Frutas

9 – Quais são as áreas cultivadas?

Talhão

101
Parcelas

Hectares

10 – Qual é o tiopo de cultivo?

Outros

Manual

Charrua/
Pucxador

11 – Qual é o tipo de irrigação?

Sulco

Aspresão

Gotojamento

Outros

102
Anexo II – Imagens do Perímetro Agrário da Região da Funda

Conforme a figura acima, transmite o cultivo do relevo de áreas de produção


agrícolas em alguns campos de produção familiar na comuna da funda.

Fig.14,15 - (Foto: Rodrigo Rosa)

103
Anexo III - Imagem da mandioqueira e seus derivados

Fig.
16, 17, 18 e 19 - (Foto: Rodrigo Rosa)

104
Anexo IV - Imagem da Gimboa e Espinafre

Fig.
20 - (Foto: Rodrigo Rosa)

105
Fig.
21 - (Foto: Rodrigo Rosa)

Anexo V - Imagem da Cebola e Alho

Fig.22 – ( Foto: Rodrigo Rosa)

106
Fig.23 - ( Foto: Rodrigo Rosa)

Anexo VI - Imagem do Repolho e Couve

.
Fig. 24- ( Foto: Rodrigo Rosa)

107
Fig. 25 - ( Foto Rodrigo Rosa)

Anexo VII - Imagem da Batata – Doce e Mandioca

F
ig. 26 - ( Foto: Rodrigo Rosa)

108
Fig. 27 - ( Foto: Rodrigo Rosa)

Anexo VIII - Imagem do Feijao verde, Manteiga, Macunde e Quiabo

Fig. 28,29 e 30 - ( Foto: Rodrigo Rosa)

109
Fig.3
1 - ( Foto: Rodrigo Rosa)

Anexo VIII - Imagem do Usse e Bringela

Fig.
32 - ( Foto: Rodrigo Rosa)

110
Fig
.33 - ( Foto: Rodrigo Rosa )
Anexo IX - Forma de transformação da (mandioca e milho), a moagem dos
produtos do campo

111
Fig.34 - ( FotoRodrigo Rosa )

Fig.35, 36 - ( FotoRodrigo Rosa )

Anexo X – Mercado do Sabadão e Forma de Transportar os Produtos do


Campo para o Mercado

112
Fig.37 - ( FotoRodrigo Rosa )

Fig.38 - ( FotoRodrigo Rosa )

113

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