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DIREITO DO TRABALHO

ORIGEM, INSTITUIÇÕES E OBJETO


Direito do Trabalho é o ramo jurídico especializado, que regula certo tipo de relação
laborativa na sociedade contemporânea. É o ramo da ciência do direito que tem por objeto as
normas, as instituições jurídicas e os princípios que disciplinam as relações de trabalho
subordinado, determinam os seus sujeitos e as organizações destinadas à proteção desse trabalho
em sua estrutura e atividade.
É considerado um ramo jurídico autônomo, desprendendo-se, portanto do ramo que o
originou por possuir princípios, objeto, instituições, normas próprias e maturidade doutrinária.
Tal autonomia tem sido abordada sob cinco perspectivas:
Autonomia legislativa: Caracterizada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e
por leis avulsas que tratam de matéria trabalhista.
Autonomia doutrinária: Caracterizada pela existência de uma bibliografia própria.
Autonomia didática: inclusão de sua matéria no currículo acadêmico das faculdades de
Direito, e sua exigência nos Exames de Ordem.
Autonomia jurisdicional: existência de um órgão especializado do Poder Judiciário que
aplica o ramo jurídico em estudo: a Justiça do Trabalho.
Autonomia científica: formulação de institutos e princípios próprios, distintos dos
institutos e princípios do Direito Civil e dos demais ramos jurídicos, como o princípio da
proteção ao trabalhador, da continuidade dos contratos de trabalho, da irrenunciabilidade de
direitos, etc.

ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO


O Direito do Trabalho é produto do capitalismo, atado à evolução histórica desse sistema,
retificando-lhe distorções econômico-sociais e civilizando a importante relação de poder que sua
dinâmica econômica cria no âmbito da sociedade civil, em especial no estabelecimento e na
empresa.

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O núcleo fundamental do Direito do Trabalho situa-se na relação empregatícia de
trabalho, construindo-se em torno dessa relação jurídica todo o universo de institutos, princípios e
regras características a esse específico ramo jurídico.
O Direito do Trabalho é, pois, produto cultural do século XIX e das transformações
econômico-sociais e políticas ali vivenciadas. Transformações todas que colocam a relação de
trabalho subordinado como núcleo motor do processo produtivo característico daquela sociedade.
Em fins do século XVIII e durante o curso do século XIX é que se maturaram, na Europa e
Estados Unidos, todas as condições fundamentais de formação do trabalho livre, mas
subordinado e de concentração proletária, que propiciaram a emergência do Direito do Trabalho.
O processo de formação e consolidação do Direito do Trabalho nos últimos dois séculos
conheceu algumas fases que têm características distintas entre si; são elas:
 Manifestações incipientes ou esparsas: fase que se estende do início do século XIX (1802),
com o Peel's Act inglês (diploma legal inglês voltado a fixar certas restrições à utilização do
trabalho de menores) até 1848.
 Sistematização e consolidação do Direito do Trabalho: estende-se de 1848 até o processo
seguinte à Primeira Guerra Mundial, com a criação da OIT e a promulgação da Constituição de
Weimar, ambos eventos ocorridos em 1919.
 Institucionalização do Direito do Trabalho: inicia-se logo após a Primeira Guerra Mundial.
Identifica-se como a fase da institucionalização ou oficialização do Direito do Trabalho. Seus
marcos (situados no ano de 1919) são a Constituição de Weimar e a criação da OIT.
 Crise e transição do Direito do Trabalho: Sessenta anos depois, em torno de 1979/1980,
deflagra-se no Ocidente um processo de desestabilização e reformados padrões justrabalhistas até
então imperantes (que produzirá mais fortes reflexos no Brasil em torno da década de 1990).

ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL


O marco inicial de referência da História do Direito do Trabalho brasileiro é a Lei Áurea,
uma vez que ela cumpriu papel relevante na reunião dos pressupostos à configuração desse novo
ramo jurídico especializado. Através da eliminação da escravidão, estimulou a incorporação pela
prática da nova forma de utilização da força de trabalho: a relação de emprego.

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No primeiro período da evolução do Direito do Trabalho, destacou-se o surgimento de
várias normas justrabalhistas, associadas a outras normas relacionadas a questão social. Em 1930
começa a fase de institucionalização do Direito do Trabalho, firmando a estrutura jurídica e
institucional de um novo modelo trabalhista até o final da ditadura de Getúlio Vargas. Essa fase
consubstanciou intensa atividade administrativa e legislativa do Estado. Criou-se o Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio e instituiu o Departamento Nacional do Trabalho, contemplando
a própria administração federal.
Com a Carta Constitucional de 1934, volta a florescer maior liberdade e autonomia
sindicais, preocupando-se essencialmente em reformular e ampliar os diversos Institutos de
Aposentadorias e Pensões. Destacou-se a área voltada para a legislação profissional e de proteção
que surgiu nessa época com a regulamentação do trabalho feminino, fixando a jornada de oito
horas de trabalho para o comercio e, mais tarde para as indústrias, criou-se a carteira profissional
e estabeleceu férias remuneradas.
Em 1937 a área sindical também é afetada pela normatização federal com a instituição de
uma estrutura sindical oficial, baseada no sindicato único, onde se torna inválido a coexistência
de qualquer outro sindicato. O governo federal pôde eliminar qualquer foco de resistência à sua
estratégia político-jurídica.
A Consolidação das Leis do Trabalho em 1943 trata-se da primeira lei geral, aplicada a
todos os empregados sem distinção da natureza do trabalho técnico, manual ou intelectual. Em
1946 a Constituição Federal rompe com o corporativismo, uma vez que a Justiça do Trabalho foi
inserida no âmbito do Poder Judiciário ocorrendo também outras mudanças importantes,
renovando a garantia dos direitos dos trabalhadores.
Em 1964 ocorreu uma revolução militar e o Congresso Nacional assumiu poderes
constituintes, aprovando em 1967 uma nova Constituição, onde ficou estabelecido que a
legislação trabalhista se aplica aos servidores admitidos temporariamente. Com sua alteração em
1969, ressalta-se que duas disposições ferem os princípios que nortearam os capítulos referentes
aos problemas sociais: a que reduz o limite de idade de trabalho para 12 anos e a que proíbe a
greve nos serviços públicos e nas atividades consideradas essenciais pela lei.
A Constituição de 1988 teve o impulso de maior relevância na evolução jurídica
brasileira, com um modelo mais democrático de administração dos conflitos sociais no país. A

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Carta refere-se à proteção contra a despedida arbitraria ou sem justa causa, a qual deverá prever
indenização compensatória; manda criar o seguro-desemprego; mantém o FGTS; salário mínimo;
13º salário; licença a gestante, onde algumas conquistas foram consagradas. Ressalta os preceitos
que valorizam a atuação sindical, a participação obreira nos locais de trabalho e a negociação
coletiva. A Constituição de 1988 produziu grande renovação na cultura jurídica brasileira.

OBJETO
O Direito do Trabalho tem na relação empregatícia sua categoria básica, a partir da qual
se constroem os princípios, regras e institutos essenciais desse ramo jurídico especializado. O
conteúdo principal do ramo justrabalhista está em torno da relação empregatícia e do empregado.
Todas as relações empregatícias estabelecem-se sob sua normatividade. Entretanto, há relações
empregatícias que, embora se situando dentro do ramo justrabalhista, regulam-se por norma
jurídica especializada, como é o caso dos empregados domésticos do Brasil.
O direito do Trabalho é, portanto, do Direito dos empregados, especificamente
considerados. Abrange ainda determinados trabalhadores que não são empregados, mas que
foram legalmente favorecidos pelo padrão geral da norma trabalhista, como é o caso dos avulsos.
Não é, porém, o Direito de todos os trabalhadores, considerados em seu gênero. Exclui-se da área
de abrangência, inúmeras categorias específicas de trabalhadores não empregatícios, como os
trabalhadores autônomos, os eventuais, os estagiários, voluntários, os servidores públicos sob
regime administrativo.
Há uma situação singular no Direito do trabalho que afirma que o pequeno empreiteiro
tipificado pela CLT não é considerado portador de direitos trabalhistas podendo usufruir na esfera
judicial laborativa apenas os direitos civis inerentes a seu contrato civil pactuado com o dono da
obra (preço, pagamento, etc.).

FUNÇÕES
O direito do trabalho, no conjunto de seus princípios, regras e institutos, tem a finalidade
de melhorar as condições de pactuação da força de trabalho na ordem socioeconômica. Tal
função não pode ser apreendida considerando apenas o trabalhador isolado. Deve-se tomar o

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conjunto de situações envolvidas, jamais sua fração isolada, considerando-se a idéia de que o ser
coletivo prepondera sobre o ser individual.
Outra função do Direito do Trabalho é seu caráter modernizante e progressista, do ponto
de vista econômico e social. Tal função mantem-se como luminar para o processo de
interpretação de interpretação das normas justrabalhistas existentes, adequando-as à evolução
social ocorrida, dirigido ao intérprete e aplicador do Direito.
Há também a função política conservadora, que existe na medida em que esse ramo
jurídico especializado confere legitimidade política e cultural à relação de produção básica da
sociedade contemporânea.
Cita-se, ainda a função civilizatória e democrática, caracterizando o Direito do Trabalho
como um dos instrumentos mais relevantes de inserção na sociedade econômica de parte
significativa dos segmentos sociais desprovidos de riqueza material acumulada, e que, por isso
vivem essencialmente de seu próprio trabalho. Ele adquiriu o caráter de um dos principais
mecanismos de controle e atenuação das distorções socioeconômicas inevitáveis do mercado e
sistema capitalistas. O Direito do Trabalho é um instrumento de gestão e moderação de uma das
mais importantes relações de poder existentes na sociedade contemporânea, a relação de
emprego.

INSTITUIÇÕES
Conforme o Art.122 da Constituição de 1946, os órgãos da Justiça do Trabalho são:
 Tribunal Superior do Trabalho (TST): tem sede na Capital Federal. É a instância mais
elevada de julgamento para temas envolvendo o direito do trabalho no Brasil.
 Tribunais Regionais do Trabalho (TRT): correspondem à segunda instância na tramitação de
um processo trabalhista, apreciando recursos ordinários e agravos de petição, mas detém
competências originárias de julgamento, em casos de dissídios coletivos, ações rescisórias,
mandados de segurança, entre outros.
 Juntas ou Juízes de Conciliação e Julgamento (JCJ): A Emenda Constitucional 24/99
modificou a estrutura da Justiça do Trabalho. As Juntas de Conciliação e Julgamento passaram a
ser denominadas de Varas de Trabalho e a Justiça do Trabalho deixou de ter órgãos colegiados,
ou seja, integrados por mais de um juiz, em todos os seus níveis, pois, o órgão de primeiro grau

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passou a ser composto apenas de um Juiz Presidente. Destaca-se que a Justiça do Trabalho
terminou com a característica tradicional da paridade de representação de trabalhadores e
empregadores em seu âmbito.

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REFERÊNCIA
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 2ª ed. São Paulo.

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