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Abordagens Pós-Críticas do

Currículo
Teorias e Políticas de Currículo

Indaiá Demarchi Klein


Isabel Cristina Hentz
O que são abordagens pós-críticas?
O que significa “Pós”?

Ser “pós” implica em problematizar um movimento ou escola


de pensamento, em questionar as suas bases, as suas
condições de possibilidade e de impossibilidade. Não é um
avanço linear, nem uma evolução ou superação.

Pode ser lido como uma desconstrução dos princípios que


sustentam determinados movimento ou escola de pensamento.

(LOPES, 2013 p.11)


Quais são os matizes das abordagens pós-críticas?
● Multiculturalismo
● Pós-estruturais ● Estudos de gênero e
● Pós-coloniais Epistemologia feminista
● Estudos sobre raça e
● Pós-modernos
etnia
● Pós-fundacionais ● Teoria queer
● Pós-marxistas ● Estudos Culturais
● Pedagogias culturais
(LOPES, 2013)
(SILVA, 1999)
Convergências das abordagens Pós-críticas

As abordagens pós-críticas não constituem-se como


antagonistas entre si, pois muitas vezes podem ser usadas e
estudadas como complementares em suas abordagens, por
tratarem de temas em comum, como a emancipação do sujeito,
bem como, segundo Lopes (2013 p. 10) tratam-se de abordagens
que lidam com uma imprecisão e ambiguidade.
As abordagens pós-críticas e o currículo
Movimentos “pós” relativos ao currículo

● Demandas pela inserção de outros sujeitos no processo


educativo
● Demandas pela inserção de novos conhecimentos no
currículo, ligados aos grupos socialmente subalternizados
● Viradas epistemológicas que questionam a própria
construção do conhecimento científico e do currículo
Contribuições das abordagens pós-críticas para a teoria curricular
● Circulação em Língua Portuguesa (traduções de Tomaz Tadeu da
Silva): desde os anos 1990, com mais frequência nos anos 2000

● Amplia, aprofunda e coloca em questão o próprio projeto da


perspectiva crítica de currículo
● Mudança do foco social para o foco cultural
● Além da classe: raça, gênero, sexualidade… e suas
interseccionalidades
● Desconfiança do sujeito centrado, racional, autônomo e com
identidades fixas
● Desconfiança das metanarrativas
● Descrença nas ideias de universalidade e de verdade
Contribuições das abordagens pós-críticas para a teoria curricular

● Currículo como discurso


● Currículo como identidade
● Currículo como cultura
● Currículo como um processo sempre incompleto de
significação
● Currículo como disputa de fixação de sentidos
● Viradas epistemológicas: questionamento da própria
natureza do conhecimento e, portanto, do currículo

● Hegemonia da perspectiva pós-crítica no GT 12 da Anped,


mas não em teses e dissertações
Abordagens despolitizadas?

● Trazem uma outra visão de política: ligada à cultura,


descentrada, sem utopias revolucionárias
● Concepção ampliada de política
● Significações em disputa: sociedade, democracia,
educação, currículo...
● Hiperpolitização: política do dissenso, sem resolução
final
Abordagens despolitizadas?
“A transformação social como um projeto do currículo é pensada
considerando que a política de currículo é um processo de
invenção do próprio currículo e, com isso, uma invenção de nós
mesmos. Uma luta política constante e sem fim, mas exercida
contextualmente por cada um de nós e por isso mesmo sendo capaz
de trazer em si uma possibilidade de esperança. A esperança de um
mundo melhor incorporada ao entendimento de que, se é
completamente impossível significarmos esse mundo de uma vez por
todas, ainda assim é necessário investirmos nessa significação. A
ela podemos dedicar-nos, sem perdermos de vista o quanto é
instável, provisória e precária e por isso mesmo potente: está
aberta a ser constantemente refeita de forma imprevisível.”
(LOPES, 2013, p. 21)
Autores e Autoras

DAS TEORIAS PÓS-CRÍTICAS EM GERAL DO CAMPO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO DO CURRÍCULO DO CAMPO DO CURRÍCULO NO
BRASIL
Michel Foucault (França)
Débora Britzman (EUA) Cleo Cherryholmes (EUA)
Jacques Derrida (Argélia/França)
Thomas Popkewitz (EUA) Tomaz Tadeu da Silva
Edward Said (Palestina) Paulo Freire (Brasil)
Henry Giroux (EUA) Antonio Flavio B. Moreira
Homi Bhabha (Índia)
Stuart Hall (Jamaica) Roger Simon Alice Casimiro Lopes

Raymond Williams (Reino Unido) Joe Kincheloe (EUA) Elizabeth Macedo


Judith Butler (EUA) Shirley Steinberg (EUA) Alfredo Veiga-Neto
Boaventura de Sousa Santos Guacira Lopes Louro
(Portugal)
Ernesto Laclau (Argentina)
Chantal Mouffe (Bélgica)
Conceitos-chave (SILVA, 1999, p. 17)

TEORIAS TRADICIONAIS TEORIAS CRÍTICAS TEORIAS PÓS-CRÍTICAS

ensino ideologia identidade, alteridade, diferença


aprendizagem reprodução cultural e social subjetividade
avaliação poder significação e discurso
metodologia classe social saber-poder
didática capitalismo representação
organização relações sociais de produção cultura
planejamento conscientização gênero, raça, etnia, sexualidade
eficiência emancipação e libertação multiculturalismo
objetivos currículo oculto
resistência
Hibridismo teórico

“Na teoria do currículo, assim como ocorre na teoria social


mais geral, a teoria pós-crítica deve se combinar com a
teoria crítica para nos ajudar a compreender os processos
pelos quais, através de relações de poder e controle, nos
tornamos aquilo que somos. Ambas nos ensinaram, de
diferentes formas, que o currículo é uma questão de saber,
identidade e poder.”

(SILVA, p. 147)
Referências

LOPES, Alice Casimiro. Teorias pós-críticas, política e


currículo. Educação, Sociedade & Culturas, nº 39, 2013,
7-23.

SILVA, Tomaz Tadeu. Documentos de identidade: uma introdução


às teorias do currículo.Belo Horizonte: Autêntica, 1999.