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Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso

PJe - Processo Judicial Eletrônico

23/09/2021

Número: 1003941-97.2021.8.11.0041
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 5ª VARA ESP. DA FAZENDA PÚBLICA DE CUIABÁ
Última distribuição : 09/02/2021
Valor da causa: R$ 1.000,00
Assuntos: Direito de Imagem
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO
GROSSO (AUTOR(A))
CLAUDIO ROBERTO NATAL JUNIOR (REU)
Site Pagina do Estado (REU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
48675 09/02/2021 20:05 Peticao inicial Petição inicial em pdf
014
EXCELENTÍSSIMO SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ____ VARA
ESPECIALIZADA DA FAZENDA PÚBLICA DE CUIABÁ/MT

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO, Poder


autônomo e independente deste Estado, inscrita no CPNJ sob o n. 03.929.049/0001-
11, com sede no endereço (físico e eletrônico) mencionado no rodapé, por meio dos
Procuradores da Assembleia Legislativa, in fine assinados, vem na presença de Vossa
Excelência propor a presente AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER COM PEDIDO DE
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA em desfavor do site PÁGINA DO ESTADO, qualificação
desconhecida e CLAUDIO ROBERTO NATAL JUNIOR, brasileiro, jornalista, inscrito
no DRT 2302/MT, CPF sob n. 904.547.071-34, RG 130914-09 SSP/MT, com os
celulares 065 99994-1799 e 065 99959-5005 e e-mail claudionatal@gmail.com,
ambos com endereço na Rua Viena, n.13, 2º Andar, Bairro Jardim Tropical,
Cuiabá/MT, CEP 78.065-155.

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I. DOS FATOS

No dia 01/02/2021 foi publicado no site “Página do Estado”, escrita pelo


jornalista Claudio Natal, matéria intitulada “Em farra no motel garotas de programa
furtam milhões de deputado de MT” (https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-
motel-garotas-de-programa-furtam-milhoes-de-deputado-em-mt/).

Na referida notícia, o site em questão, hospedado pela empresa Agência


InfocoWeb Soluções Tecnlógicas (Cenário News), narra possível situação ocorrida
com um deputado estadual de Mato Grosso, na sua intimidade, permeada por
cometimento de crimes.

Ato contínuo, no dia 07/02/2021 o site em comento publicou outra notícia


intitulada “Sexo e Poder: Casado, deputado de Mato Grosso assume namora com
loirinha na Assembleia” (https://paginadoestado.com.br/sexo-e-poder-casado-
deputado-de-mato-grosso-assume-namoro-com-loirinha-na-assembleia-2/).

Nesta última publicação, narra-se, com termos chulos, supostas relações


extraconjugais de deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, bem como
comenta-se sobre os órgãos e servidores do Poder Legislativo Estadual.

Além do nítido tom pejorativo presente nas notícias, não menciona os


deputados que teriam, supostamente, relação com os fatos, utilizando da liberdade
de imprensa para atingir todos os membros e o Poder Legislativo Estadual de Mato
Grosso.

Vale a pena sublinhar que o referido jornalista possui amplo histórico de


mau uso da liberdade de imprensa para atacar pessoas de forma totalmente
desarrazoada e criminosa, tendo sido, inclusive, preso (documentos em anexo).

Eis a síntese dos fatos.

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II. DA LEGITIMIDADE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MATO
GROSSO

A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso é parte legítima para


ajuizar a presente demanda.

O Poder Legislativo, enquanto órgão independente1, segundo classificação


doutrinária, e integrante da Administração Direta, não possui personalidade jurídica.
Logo, em regra, não possui legitimidade ativa para ingressar em juízo.

Todavia, parcela relevante da doutrina destaca dessa regra a possibilidade


excepcional de tal Poder, detentor de personalidade judiciária, buscar a defesa de
suas prerrogativas em juízo, especialmente em relação a matérias afetas diretamente
a sua autonomia.

Tal tese terminou por ser acolhida pela jurisprudência pátria, conforme
sedimentado nos julgados abaixo colacionados:

PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO – DEFESA JUDICIAL


DE ÓRGÃO SEM PERSONALIDADE JURÍDICA –
PERSONALIDADE JUDICIÁRIA DA CÂMARA DE
VEREADORES.
1. A regra geral é a de que só os entes personalizados, com
capacidade jurídica, têm capacidade de estar em juízo, na
defesa dos seus direitos.
2. Criação doutrinária acolhida pela jurisprudência no
sentido de admitir que órgãos sem personalidade jurídica
possam em juízo defender interesses e direitos próprios,
excepcionalmente, para manutenção, preservação,
autonomia e independência das atividades do órgão em face
de outro Poder. [grifo nosso]
3. Hipótese em que a Câmara de Vereadores pretende não
recolher contribuição previdenciária dos salários pagos aos
Vereadores, por entender inconstitucional a cobrança.
4. Impertinência da situação excepcional, porque não
configurada a hipótese de defesa de interesses e prerrogativas
funcionais.

1
CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 2 ed. Salvador: Juspodivm, 2015, p. 158.

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5. Recurso especial improvido.
(REsp 649.824/RN, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA
TURMA, julgado em 28/03/2006, DJ 30/05/2006, p. 136)

Súmula n. 525 STJ: A Câmara de Vereadores não possui


personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária,
somente podendo demandar em juízo para defender os seus
direitos institucionais.

Assim, quando atingidas prerrogativas institucionais – funcionamento,


autonomia e independência –, o Poder Legislativo está apto a atuar em juízo. Por
oportuno, em sede do REsp 1164017/PI, o voto do ministro relator Castro Meira
consignou:

Para se aferir a legitimação ativa dos órgãos legislativos, é


necessário qualificar a pretensão em análise para se
concluir se está, ou não, relacionada a interesses e
prerrogativas institucionais. Nessa linha, todo e qualquer
ato, bem assim decisão judicial que importe em obstruir o
exercício das funções constitucionais inerentes ao Poder
Legislativo, autoriza seus órgãos, mesmo sem ter ele
personalidade jurídica própria, a defender-se judicialmente.
[grifo nosso]

A existência de matérias em site que atinge 23, dos 24 deputados estaduais


além dos próprios órgãos e do funcionamento da Assembleia Legislativa de Mato
Grosso reforça a existência de sua legitimidade para ajuizar a presente ação, na
medida em que infringe as prerrogativas institucionais de seus membros,
considerados como um todo, e, sobretudo, as suas prerrogativas enquanto Poder
Constituído.

III. DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE IMPRENSA E DOS SEUS


LIMITES

Com o advento da Constituição Federal de 1988, instaurou-se no Brasil um


novo ordenamento pautado na proteção e, especialmente, efetivação dos direitos
fundamentais.

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No Texto Maior de 1988 não apenas criou-se um título totalmente dedicado
aos direitos fundamentais (Título II – “Dos direitos e garantias fundamentais”) como
se permitiu que tais direitos ficassem alastrados em todo o documento, conforme
ratifica o art. 5°, §2°, do Texto Maior.

Nesse sentido, a liberdade de expressão e de imprensa, resguardadas


constitucionalmente, foram detidamente examinadas pelo Supremo Tribunal Federal
na ADPF n. 1302. Dentre as conclusões que podem ser extraídas desse julgado,
destacam-se:

MECANISMO CONSTITUCIONAL DE CALIBRAÇÃO DE


PRINCÍPIOS. O art. 220 é de instantânea observância quanto
ao desfrute das liberdades de pensamento, criação, expressão
e informação que, de alguma forma, se veiculem pelos órgãos
de comunicação social. Isto sem prejuízo da aplicabilidade dos
seguintes incisos do art. 5º da mesma Constituição Federal:
vedação do anonimato (parte final do inciso IV); do direito de
resposta (inciso V); direito a indenização por dano material ou
moral à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das
pessoas (inciso X); livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer (inciso XIII); direito ao resguardo do sigilo da fonte
de informação, quando necessário ao exercício profissional
(inciso XIV). Lógica diretamente constitucional de calibração
temporal ou cronológica na empírica incidência desses dois
blocos de dispositivos constitucionais (o art. 220 e os
mencionados incisos do art. 5º). Noutros termos, primeiramente,
assegura-se o gozo dos sobredireitos de personalidade em que
se traduz a "livre" e "plena" manifestação do pensamento, da
criação e da informação. Somente depois é que se passa a
cobrar do titular de tais situações jurídicas ativas um eventual
desrespeito a direitos constitucionais alheios, ainda que também
densificadores da personalidade humana. Determinação
constitucional de momentânea paralisia à inviolabilidade de
certas categorias de direitos subjetivos fundamentais, porquanto
a cabeça do art. 220 da Constituição veda qualquer cerceio ou
restrição à concreta manifestação do pensamento (vedado o
anonimato), bem assim todo cerceio ou restrição que tenha por
objeto a criação, a expressão e a informação, seja qual for a

2
ADPF 130, Relator(a): CARLOS BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 30/04/2009, DJe-208 DIVULG 05-11-
2009 PUBLIC 06-11-2009 EMENT VOL-02381-01 PP-00001 RTJ VOL-00213-01 PP-00020.

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forma, o processo, ou o veículo de comunicação social. Com o
que a Lei Fundamental do Brasil veicula o mais democrático
e civilizado regime da livre e plena circulação das ideias e
opiniões, assim como das notícias e informações, mas sem
deixar de prescrever o direito de resposta e todo um regime
de responsabilidades civis, penais e administrativas. Direito
de resposta e responsabilidades que, mesmo atuando a
posteriori, infletem sobre as causas para inibir abusos no
desfrute da plenitude de liberdade de imprensa. [grifo nosso]

Compreende-se, portanto, que a liberdade de imprensa, apesar de não se


sujeitar a censura prévia, não caracteriza direito absoluto. Em verdade, encontra
limitações compatíveis com o regime democrático através do compromisso ético com
a informação verdadeira, da preservação dos direitos da personalidade e da vedação
da veiculação de crítica com único escopo de difamar, injuriar ou caluniar. Acerca dos
seus limites, destaca a jurisprudência:

E M E N T A: RECLAMAÇÃO – ALEGAÇÃO DE DESRESPEITO


À AUTORIDADE DO JULGAMENTO PLENÁRIO DA ADPF
130/DF – EFICÁCIA VINCULANTE DESSA DECISÃO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – POSSIBILIDADE DE
CONTROLE, MEDIANTE RECLAMAÇÃO, DE ATOS QUE
TENHAM TRANSGREDIDO TAL JULGAMENTO –
LEGITIMIDADE ATIVA DE TERCEIROS QUE NÃO
INTERVIERAM NO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO
NORMATIVA ABSTRATA – LIBERDADE DE EXPRESSÃO –
JORNALISMO DIGITAL – PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL –
DIREITO DE INFORMAR: PRERROGATIVA FUNDAMENTAL
QUE SE COMPREENDE NA LIBERDADE CONSTITUCIONAL
DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO E DE
COMUNICAÇÃO – INADMISSIBILIDADE DE CENSURA
ESTATAL, INCLUSIVE DAQUELA IMPOSTA, PELO PODER
JUDICIÁRIO, À LIBERDADE DE EXPRESSÃO, NESTA
COMPREENDIDA A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO
JORNALÍSTICA – TEMA EFETIVAMENTE VERSADO NA
ADPF 130/DF, CUJO JULGAMENTO FOI INVOCADO COMO
PARÂMETRO DE CONFRONTO – PRECEDENTES DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL QUE DESAUTORIZAM A
UTILIZAÇÃO, PELO JUDICIÁRIO, DO PODER GERAL DE
CAUTELA COMO ILEGÍTIMO INSTRUMENTO DE
INTERDIÇÃO CENSÓRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO,
MESMO EM AMBIENTES VIRTUAIS – RECURSO DE
AGRAVO IMPROVIDO. – A liberdade de imprensa,
qualificada por sua natureza essencialmente constitucional,

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assegura aos profissionais de comunicação social,
inclusive àqueles que praticam o jornalismo digital, o direito
de buscar, de receber e de transmitir informações e ideias
por quaisquer meios, ressalvada, no entanto, a
possibilidade de intervenção judicial – necessariamente “a
posteriori” – nos casos em que se registrar prática abusiva
dessa prerrogativa de ordem jurídica, resguardado, sempre,
o sigilo da fonte quando, a critério do próprio jornalista, este
assim o julgar necessário ao seu exercício profissional.
[grifo nosso] Precedentes. – O exercício da jurisdição cautelar
por magistrados e Tribunais não pode converter-se em prática
judicial inibitória, muito menos censória, da liberdade
constitucional de expressão e de comunicação, sob pena de o
poder geral de cautela atribuído ao Judiciário transformar-se,
inconstitucionalmente, em inadmissível censura estatal.
Precedentes. (Rcl 16074 AgR, Relator(a): CELSO DE MELLO,
Segunda Turma, julgado em 04/05/2020, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-119 DIVULG 13-05-2020 PUBLIC 14-05-
2020)

RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL.


DIREITOS DA PERSONALIDADE X LIBERDADE DE
EXPRESSÃO (LIBERDADE DE CRÍTICA). LIMITES. ABUSO
DE DIREITO. ARTIGO 187 DO CC. VEICULAÇÃO DE E-MAIL
COM CONTEÚDO OFENSIVO A SERVIDORES PÚBLICOS NO
EXERCÍCIO DA FUNÇÃO. CRÍTICA ABUSIVA, AINDA QUE
ASSOCIADA A FATOS VERÍDICOS. VIOLAÇÃO DOS
DIREITOS DE PERSONALIDADE. DEVER DE INDENIZAR.
1. A liberdade de informação, de expressão e de imprensa,
por não ser absoluta, encontra limitações ao seu exercício
compatíveis com o regime democrático, tais como o
compromisso ético com a informação verossímil; a
preservação dos direitos da personalidade; e a vedação de
veiculação de crítica com fim único de difamar, injuriar ou
caluniar a pessoa (animus injuriandi vel diffamandi). [grifo
nosso]
2. Segundo jurisprudência assente do STF e do STJ, regra geral,
não configura ato ilícito a divulgação de fatos verídicos ou
verossímeis, ainda que eivados de opiniões severas, irônicas ou
impiedosas, sobretudo quando se tratar de figuras públicas que
exerçam atividades tipicamente estatais, gerindo interesses da
coletividade, e a notícia e a crítica referirem-se a fatos de
interesse geral relacionados à atividade pública desenvolvida
pela pessoa noticiada (REsp nº 801.109/DF, Rel. Min. RAUL
ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 12/06/2012, DJe
12/03/2013; ADPF nº 130/DF, de relatoria do Ministro CARLOS
BRITTO; AgRg no AI 690.841/SP, de relatoria do Ministro
CELSO DE MELLO).

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3. De outra parte, a conotação e a intensidade negativas das
expressões imputadas aos servidores públicos, de caráter
moralmente ofensivo, associadas às circunstâncias na qual
foram vinculadas - e-mail endereçado a todos os servidores pelo
Presidente da empresa, com quem que os ofendidos tinham
estreita vinculação - evidenciam situação que extrapola os
limites ao direito de crítica (abuso de direito), com mácula
evidente aos direitos de personalidade dos ofendidos, ainda que
relacionada a fatos verídicos.
4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp
1586435/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA
TURMA, julgado em 29/10/2019, DJe 18/12/2019)

Nesse contexto, o site “Página do Estado” (https://paginadoestado.com.br/em-


farra-no-motel-garotas-de-programa-furtam-milhoes-de-deputado-em-mt/;
https://paginadoestado.com.br/sexo-e-poder-casado-deputado-de-mato-grosso-
assume-namoro-com-loirinha-na-assembleia-2/) e o jornalista subscritor exerceram a
liberdade de imprensa de forma abusiva, narrando fatos, destituídos de provas, que,
inclusive, constituem crimes, e, sobretudo, sem indicar nomes, atingindo os membros
do Poder Legislativo Estadual.

É de comum conhecimento que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso,


na atual legislatura, é composta por 23 deputados e 1 deputada. Dessa forma, o
referido site ao afirmar que “um deputado estadual e também empresário de Mato
Grosso se envolveu em uma grande encrenca ao mergulhar em uma rumorosa
aventura sexual, onde o parlamentar acabou tendo milhões em espécie furtados por
garotas de programa em um motel”, atingiu, diretamente, todos os 23 deputados do
Parlamento Estadual.

Pela simples leitura da reportagem, constante no endereço virtual


https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-programa-furtam-
milhoes-de-deputado-em-mt/, é possível ver a extrapolação da liberdade de imprensa:

De acordo com as informações obtidas com exclusividade por


nosso Jornal Página do Estado, o empresário e deputado
estaria carregando uma grande quantidade de dinheiro
dentro do carro, um valor que seria destinado a pagar

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propina a um outro político, garantindo assim a
continuidade dos rendosos negócios que mantém em
comum. [grifo nosso]

Com evidente ânsia de prazer, o parlamentar mato-grossense,


antes de levar a grana, aproveitou para fazer um pit Stop em um
motel de luxo com garotas de programa. Ainda de acordo com
informações, ele consumiu bebida alcóolica e depois das
primeiras agarradas, e entusiasmado com o seu próprio
desempenho, ele teria falado para elas que dentro do porta-
malas do carro havia uma dinheirama.
Na sequência, já após ter bebido além da dose, acabou
dormindo. As garotas de programa cheias de curvas e de
habilidades, e aproveitando-se do muito desinibido parlamentar,
que começou a contar vantagens e grandezas para elas, tiveram
a idéia de furtar o Deputado trouxa que contou sobre o dinheiro
da propina.

Entre as diversas abobrinhas, acabou o Deputado contando


que era um homem de muitos recursos e muito poderoso
em Mato Grosso sendo que dentro do porta-malas do seu
vistoso carro costumava haver sempre muito dinheiro.
Na sequência, embriagado pela bebida, pelos estimulantes
sexuais e pelo próprio ego descontrolado, o parlamentar de
Mato Grosso, que, na verdade, não é tão resistente assim,
acabou dormindo, necessitado que estava da reposição de
suas energias já que é meio velho e de vez em quando passa
mal com Viagra e se interna. [grifo nosso]

Enquanto o deputado falastrão roncava e sonhava com novas


posições a praticar com as duas desinibidas mulheres, elas
foram até a garagem do motel e confirmaram que dentro do carro
do mato-grossense havia mesmo uma fortuna. Sem vacilar,
ligaram para dois amigos e relataram o que haviam descoberto.
Em poucos minutos os rapazes foram até o motel e fizeram um
limpa no carro do deputado.
Feito o furto do dinheiro, as duas ainda fugiram com os
comparsas. Ao acordar, o parlamentar se assustou ao não
encontrar mais as acompanhantes. Ao verificar seu veículo,
constatou que o dinheiro também havia sumido.

Segundo informações, o deputado foi para o seu


apartamento, estacionou o carro na garagem e teria
simulado um assalto falso.
Na sequência, ele foi à Polícia e registrou um Boletim de
Ocorrência (BO), onde contou que após parar o carro na
garagem do prédio onde morava, foi abordado por três

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homens armados, que anunciaram o assalto e levaram todo
o dinheiro que estava no porta-malas do veículo.
A Polícia abriu inquérito para investigar o caso e, nas
investigações, o deputado foi ouvido em depoimento. Ao
delegado ele justificou que o dinheiro era para pagar os
salários de seus funcionários, omitindo a informação de que
o dinheiro seria para propina. [grifo nosso]

Nas investigações, a Polícia identificou e prendeu os bandidos


que já estavam fora do Estado. Os criminosos estavam em
Santa Catarina, no litoral Sul do País, gastando o dinheiro em
hotéis de luxo, comprando carros e motos.
Os presos confessaram que o furto aconteceu dentro de um
motel, e não na garagem do prédio onde morava o empresário.
Parte do dinheiro foi recuperado pela Polícia e entregue ao
deputado.
O caso caiu no esquecimento. A Polícia não explicou, por
exemplo, se o suposto assalto foi ou não filmado dentro da
garagem do prédio. Também não houve explicação se o dinheiro
era mesmo para pagar os funcionários do empresário, mesmo
havendo informações de que seria para pagamento de propina.
Na época, surgiram informações não confirmadas pela Polícia,
de que as câmeras de segurança instaladas no prédio não
registraram pessoas estranhas invadindo e saindo do local
armadas, cometendo o suposto assalto.
Também surgiram informações de que os funcionários da
empresa do deputado não recebiam seus salários em espécie,
e sim por meio de depósitos em contas bancárias. Um
levantamento nas empresas de ônibus do parlamentar dão conta
de que não existe histórico de saques milionários para pagar
funci0nários, mas que haviam saques para outras finalidades.

A comunicação de falso crime é crime, a falsificação de


fatos em Bo é crime, dinheiro de propina é crime.! [grifo
nosso]
Daqui a pouco algum DUDU descobre o nome desse
Parlamentar e informa a população.
Voltaremos ao assunto.

O texto narra, em tom jocoso, a prática de crimes pelo suposto deputado


estadual, dentre eles corrupção ativa e de comunicação falsa de crime ou de
contravenção, incorrendo, portanto, em calúnia, sem mencionar os demais crimes
contra a honra.

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Como se não bastasse, na publicação “Sexo e Poder: Casado, deputado
de Mato Grosso assume namora com loirinha na Assembleia”
(https://paginadoestado.com.br/sexo-e-poder-casado-deputado-de-mato-grosso-
assume-namoro-com-loirinha-na-assembleia-2/) o site “Página do Estado” faz
afirmações que atingem não apenas os parlamentares estaduais, bem como os
próprios órgãos e o funcionamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso:

A mais nova loucura de que se tem notícia, dá conta de que um


deputado estadual com base eleitoral na região Norte deste
Mato Grosso, que é empresário rural e também cheio de
grana, muita grana, surpreendeu recentemente os
funcionários de seu gabinete em uma reunião interna. É que
o animado cidadão, mesmo casado, mesmo acostumado a
fazer discurso pretensamente moralista na tribuna da
Assembleia, assumiu numa boa o namoro com uma jovem
loira que atua como uma de suas assessoras
parlamentares. [grifo nosso] A paixão parece que venceu o
pudor, os preconceitos e as inibições que marcam a vida neste
Estado de perfil ainda tão conservador mesmo que isso seja
passado ao largo quanto ao nepotismo.

[...]

Tudo mudou quando a loira conseguiu, por indicação de


amigo em que ela chegara a fazer uns agradinhos com sua
boca carnuda, ingressar no quadro de servidores
comissionados da Assembleia Legislativa. De repente, ela
aconteceu naqueles corredores tão frequentados, naquelas
secretarias movimentadas e quem passou a aparecer
querendo comê-la já não eram os zé ninguéns lá de VG, mas
chefes de serviço gabaritados, assessores com holerites
recheados e, glória suprema, até mesmo os deputados
metidos a garanhões que formam a grande maioria desse
legislativo estadual de Mato Grosso, onde os prazeres da
carne se transformaram em importante moeda de troca.
[grifo nosso]

Fugindo de um beliscão ali, de uma tentativa de amasso acolá,


a loira acabou conseguindo lotação no gabinete do tal deputado
do Nortão, cheio de grana por faturar com o Agronegócio, e cheio
de amor pra dar. Foi como se tivessem nascido um para o outro.
Ele com um apetite sexual imenso. Ela com aquele apetite
consumista de garota interessada em rápida e generosa

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ascensão social – e com os dois peitinhos sempre apontando
para o céu!
O melhor é que se estabeleceu entre eles uma relação sem
preconceitos. Ela, loira, charmosa e atraente, achou jeito de
continuar a se exibir nas redes sociais com um namorado oficial,
mais jovem que o deputado, bombadão, em viagens pelo Brasil
afora. Mas sempre que o deputado conseguia uma folga da
familia e chamava pela loira donzela, ela está sempre pronta a
se abrir toda para o seu novo e poderoso padrinho. Sim, é dando
que se recebe.

[...]

E ATENÇÃO QUE TEM MAIS SEXO NA ASSEMBLEIA: a


PAGINA DO ESTADO está colhendo informações para
detalhar, em breve, todo o caso do parlamentar estadual
mato-grossense que engravidou a sua sapeca assessora de
imprensa, provocando o fim do seu badalado casamento.
Ninguém segura as revelações da PAGINA DO ESTADO.
Sexo é poder! [grifo nosso]

Em verdade, o referido site ampara-se na liberdade de imprensa para evitar


qualquer tipo de responsabilização sem mencionar nomes, mas adereçando o fato a
todos os deputados estaduais de Mato Grosso e à própria Assembleia Legislativa de
Mato Grosso.

Essas publicações criminosas não são exceção na carreira do jornalista


Claudio Roberto Natal Junior. Em diversos outros casos, o mesmo se valeu da sua
profissão para atacar criminosamente pessoas, fatos que lhe renderam processos e
prisão.

Denota-se, portanto, ser este o modus operandi do referido jornalista:


utilizar seu site “Pagina do Estado” para, ancorado na liberdade de imprensa, atacar
pessoas e políticos de forma criminosa.

Pontue-se que a responsabilidade por quaisquer danos vem insculpida no


Código Civil, em seu art. 186: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

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A integridade e proteção à honra possuem amparo expresso na
Constituição Federal, alicerçados como um dos direitos individuais, nos termos do art.
5º, inciso X: “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente
de sua violação.”

Sabe-se que ao Poder Público não cabe indenização por danos morais
(REsp 1258389/PB), mas justamente em razão da narrativa apresentada pelo site
“Página do Estado” atingir todos os deputados estaduais de Mato Grosso e o Poder
Legislativo, enquanto Poder Constituído, premente se faz a retirada do site do ar.

IV. DA REMOÇÃO DO CONTEÚDO ILEGAL DO SITE

A Lei do Marco Civil da Internet - Lei nº 12.965/14 - disciplina o uso da


internet no Brasil pautada no direito à liberdade de expressão e a privacidade como
seus princípios fundamentais.

Como todo direito fundamental, a liberdade de expressão não pode ferir


outros direitos fundamentais como a honra e a dignidade da pessoa humana,
devendo o operador do direito sopesar os conflitos, para assim buscar um equilíbrio.

Apenas nos casos em que a matéria for ofensiva, considerada ilícita,


portanto, justificam as ordens de remoção do conteúdo tipo como ilegal.

Contudo, essa remoção não pode ultrapassar os limites exatos do


conteúdo infrator, sob risco de se tornarem desproporcionais e inadequadas, ferindo
desta forma a liberdade de expressão.

Nos termos do § 1º do artigo 19, a remoção do conteúdo da internet deve


se dar sempre por meio de ordem judicial, com indicação precisa do local onde se

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https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAGJCBGLYH
encontra o material e a indicação das URLs (links) específicos dos vídeos, postagens
ilegais, e não a exclusão de todo conteúdo (página/perfil/canal).

Nosso ordenamento optou por adotar o sistema do judicial notice and


takedown, considerando ser necessária a apreciação do Poder Judiciário de todas
as demandas relativas à retirada de material infringente, considerando que os atos
dos provedores, extrajudicialmente, poderiam configurar censura.

O provedor deve ser responsabilizado se, notificado judicialmente, não


proceder a retirada do site da internet. Assim define a Lei nº 12.965/14 e
jurisprudência:

Art. 19 da Lei nº 12.965/14: Com o intuito de assegurar a


liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de
aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado
civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por
terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as
providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu
serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o
conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as
disposições legais em contrário. [grifo nosso]
§ 1º A ordem judicial de que trata o caput deverá conter, sob
pena de nulidade, identificação clara e específica do conteúdo
apontado como infringente, que permita a localização
inequívoca do material.
§ 2º A aplicação do disposto neste artigo para infrações a direitos
de autor ou a direitos conexos depende de previsão legal
específica, que deverá respeitar a liberdade de expressão e
demais garantias previstas no art. 5º da Constituição Federal.
§ 3º As causas que versem sobre ressarcimento por danos
decorrentes de conteúdos disponibilizados na internet
relacionados à honra, à reputação ou a direitos de
personalidade, bem como sobre a indisponibilização desses
conteúdos por provedores de aplicações de internet, poderão
ser apresentadas perante os juizados especiais.
§ 4º O juiz, inclusive no procedimento previsto no § 3º , poderá
antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida
no pedido inicial, existindo prova inequívoca do fato e
considerado o interesse da coletividade na disponibilização do
conteúdo na internet, desde que presentes os requisitos de
verossimilhança da alegação do autor e de fundado receio de
dano irreparável ou de difícil reparação.

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https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAGJCBGLYH
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
AÇÃO INDENIZATÓRIA. DANOS MORAIS.
RESPONSABILIDADE CIVIL DE PROVEDOR DE INTERNET.
LIMITAÇÃO AOS CASOS DE INÉRCIA NA IDENTIFICAÇÃO
DO OFENSOR OU NA RETIRADA DO CONTEÚDO
OFENSIVO. ANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE
DE RETORNO DOS AUTOS À CORTE DE ORIGEM. AGRAVO
PROVIDO, COM PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO
ESPECIAL.
1. A jurisprudência desta Corte entende que: I) o dano moral
decorrente de mensagens com conteúdo ofensivo inseridas em
site pelo usuário não constitui risco inerente à atividade do
provedor de conteúdo, pelo que não se lhe é aplicável a
responsabilidade objetiva, prevista no art. 927, parágrafo único,
do CC/2002; II) a fiscalização prévia dos conteúdos postados
não é atividade intrínseca ao serviço prestado pelo provedor de
conteúdo.
2. Por outro lado, é viável a responsabilização subjetiva do
provedor de busca, quando: I) ao ser prévia e adequadamente
comunicado acerca de determinado texto ou imagem de
conteúdo ilícito, por ser ofensivo, não atua de forma ágil,
retirando o material do ar; e II) após receber o URL, não
mantiver um sistema ou não adotar providências, tecnicamente
ao seu alcance, de modo a possibilitar a identificação do
usuário responsável pela divulgação ou a individualização dele,
a fim de coibir o anonimato. Nesses casos, o provedor passa a
responder solidariamente com o autor direto do dano, em
virtude da omissão em que incide.
3. Fixada a premissa de viabilidade da responsabilização
subjetiva do provedor de busca pelos danos morais causados
ao prejudicado em caso de inércia na identificação do usuário
responsável pela lesiva divulgação ou na remoção do conteúdo
ofensivo, desde que prévia e devidamente notificado o
provedor com indicação do URL, tem-se, no caso concreto, a
necessidade de retorno dos autos ao Tribunal de Justiça, que
não avaliou tais aspectos, a fim de que verifique a existência de
dano moral indenizável pelo provedor. O exame de tal matéria
fática, como se sabe, é descabido em sede de recurso especial,
nos termos da Súmula 7/STJ.
4. Agravo interno provido para conhecer do agravo e dar parcial
provimento ao recurso especial.
(STJ, AgInt no AREsp 1575268/MG, Rel. Ministro RAUL
ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 16/11/2020, DJe
14/12/2020)

Diante disso, para que se cumpra uma ordem judicial faz-se necessário a
delimitação exata com indicação da URL do conteúdo a ser removido:

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https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAGJCBGLYH
https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-programa-furtam-
milhoes-de-deputado-em-mt/ e https://paginadoestado.com.br/sexo-e-poder-
casado-deputado-de-mato-grosso-assume-namoro-com-loirinha-na-assembleia-2/.

Como demonstrado, mostra-se flagrante a ilegalidade praticada pelo


jornalista Claudio Roberto Natal Junior no site “Página do Estado” nas reportagens
“Em farra no motel garotas de programa furtam milhões de deputado de MT”
(https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-programa-furtam-
milhoes-de-deputado-em-mt/) e “Sexo e Poder: Casado, deputado de Mato Grosso
assume namora com loirinha na Assembleia” (https://paginadoestado.com.br/sexo-
e-poder-casado-deputado-de-mato-grosso-assume-namoro-com-loirinha-na-
assembleia-2/), as quais podem e devem ser corrigidas mediante intervenção do
Poder Judiciário para fins de retirada das referidas páginas da Internet, com a
determinação de obrigação de fazer, sob pena de multa diária.

V. DA TUTELA DE URGÊNCIA

Nos termos do Art. 300 do CPC/15, "a tutela de urgência será concedida
quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou o risco ao resultado útil do processo."

No presente caso tais requisitos são perfeitamente caracterizados.

No que atine à probabilidade do direito, restou cabalmente demonstrada a


conduta ilegal do jornalista Claudio Roberto Natal Junior no site “Página do Estado”,
ensejadora, inclusive, de configuração de tipos penais.

Já o risco ao resultado útil do processo é vislumbrado nas próprias


publicações ofensivas aos 23 deputados estaduais de Mato Grosso, causando-lhes
danos e imputando-lhes crimes de forma desarrazoada, e, ainda, atingindo os órgãos
e o funcionamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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Em outras palavras, tal circunstância confere grave risco de perecimento
do resultado útil do processo, sobretudo em razão de possível demora em retirada do
conteúdo da internet e na proporção que as afirmações constantes no site podem
afetar os parlamentares estaduais e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Destarte, a Lei n. 12965/14, em seu art. 19, § 4º, permite ao magistrado


antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida – retirada de
conteúdo de site da internet – na hipótese de verossimilhança das alegações e
fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, ambos, reitere-se,
também demonstrados na presente ação.

Desta forma, é o caso de determinar ao Requerido a imediata retirada da


Internet das páginas “Em farra no motel garotas de programa furtam milhões de
deputado de MT” (https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-
programa-furtam-milhoes-de-deputado-em-mt/) e “Sexo e Poder: Casado, deputado
de Mato Grosso assume namora com loirinha na Assembleia”
(https://paginadoestado.com.br/sexo-e-poder-casado-deputado-de-mato-grosso-
assume-namoro-com-loirinha-na-assembleia-2/).

Ainda nos termos da Lei n.12965/14, a ordem judicial para retirada da internet
de conteúdo ilegal pode ser dada ao provedor (art. 19, § 1º) que no presente caso
trata-se da Agência InfocoWeb Soluções Tecnológicas (Cenário News) -
https://infocoweb.com.br.

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VI. DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, requer:

a) a concessão, liminarmente, da tutela de urgência para que o Requerido


e/ou o provedor Agência InfocoWeb Soluções Tecnlógicas (Cenário News), CNPJ
não localizado, com sede na Rua Ponta Porã, 2164, Jardim Santa Fé,
Rondonópolis/MT, CEP 78715-292, com fulcro no art. 19 da lei n. 12965/14 , sob pena
de multa diária por dia de descumprimento, retire(m) os conteúdos “Em farra no
motel garotas de programa furtam milhões de deputado de MT”
(https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-programa-furtam-
milhoes-de-deputado-em-mt/) e “Sexo e Poder: Casado, deputado de Mato Grosso
assume namora com loirinha na Assembleia” (https://paginadoestado.com.br/sexo-
e-poder-casado-deputado-de-mato-grosso-assume-namoro-com-loirinha-na-
assembleia-2/) da internet, enquanto se discute o mérito da presente ação,
considerando os riscos da demora e os danos que vem experimentando o
Requerente;

b) A citação dos Requeridos para, querendo, oferecer resposta;

c) No mérito, a TOTAL PROCEDÊNCIA DA AÇÃO, tornando definitivos


os efeitos da tutela antecipada, com a condenação do Requerido na obrigação de
fazer, consistente na retirada da internet dos conteúdos “Em farra no motel garotas
de programa furtam milhões de deputado de MT”
(https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-programa-furtam-
milhoes-de-deputado-em-mt/) e “Sexo e Poder: Casado, deputado de Mato Grosso
assume namora com loirinha na Assembleia” (https://paginadoestado.com.br/sexo-
e-poder-casado-deputado-de-mato-grosso-assume-namoro-com-loirinha-na-
assembleia-2/), sob pena de fixação de multa diária;

d) A condenação dos réus ao pagamento de honorários advocatícios nos


parâmetros previstos no art. 85 do CPC.

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Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito
admitidos.

Dá-se a causa o valor de R$ 1000,00 (mil reais).

Nestes termos, pede deferimento.

Cuiabá/MT, 9 de fevereiro de 2021.

Ricardo Riva
Procurador Geral da Assembleia Legislativa

João Gabriel Perotto Pagot


Subprocurador-Geral Judicial e Extrajudicial da Assembleia Legislativa

Gabriel Machado dos Santos Costa


Procurador da Assembleia Legislativa

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Anexos:

1. Notícia “Em farra no motel garotas de programa furtam milhões de deputado de


MT” (https://paginadoestado.com.br/em-farra-no-motel-garotas-de-programa-
furtam-milhoes-de-deputado-em-mt/);
2. Notícia “Sexo e Poder: Casado, deputado de Mato Grosso assume namora com
loirinha na Assembleia” (https://paginadoestado.com.br/sexo-e-poder-casado-
deputado-de-mato-grosso-assume-namoro-com-loirinha-na-assembleia-2/);
3. Notícias sobre o réu Claudio Roberto Natal Junior que demonstram seu histórico de
abuso da liberdade de imprensa.

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