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A democracia traída

A democracia traída, do jurista, historiador e pensador Raymundo Faoro,


reúne uma importante série de entrevistas concedidas durante o período
fundamental entre os últimos anos do governo militar e o governo FHC —
incluindo, portanto, todos os principais episódios de nossa história política
recente, como o movimento das “Diretas Já”, a eleição indireta de
Tancredo Neves, a Constituinte de 1988, os governos Sarney e Collor. As
entrevistas, cobrindo mais de duas décadas entre os anos de 1979 e 2002
(num total de dezesseis encontros), foram realizadas por um grupo de
jornalistas renomados liderados por Mino Carta, com a participação de
Mauricio Dias, Antonio Carlos Prado, Bob Fernandes, José Onofre, Nelson
Letaif e Nirlando Beirão, e publicadas originalmente nas revistas IstoÉ,
IstoÉ Senhor e CartaCapital. O volume foi organizado por Mauricio Dias
(também autor das notas de rodapé, que esclarecem pontualmente as
referências feitas, e das que introduzem e contextualizam cada entrevista)
e prefácio de Mino Carta, além de conter índice onomástico.Raymundo
Faoro é conhecido como o autor do fundamental Os donos do poder,
clássico diagnóstico do patrimonialismo nacional, isto é, da “privativação”
do Estado pelas elites brasileiras, com todas as conseqüências para a
(não)cidadania. Durante os anos em questão, porém, seu nome esteve na
linha de frente do debate político, a partir de sua atuação na histórica
presidência da OAB – de onde travou um combate jurídico contra o
governo militar em torno da tortura –, e em seguida na anistia, na
campanha pelas eleições diretas e na convocação da Constituinte. Na
síntese do organizador, “Este livro é, essencialmente, o diálogo de um dos
maiores intelectuais brasileiros com a política brasileira”. O arco de temas
desse diálogo é bem sintetizado pelos títulos das entrevistas, que
começam com “O funeral da ditadura” e terminam com a premonitória “Se
o Lula for eleito e contemporizar…”, passando por “A democracia
absorveu a ditadura”, “Uma Constituinte tutelada”, “O país é pré-
capitalista”, “Uma armadilha para o PT”, “A elite brasileira é marginal” e “O
preço da reeleição”, entre outros. O que explica o título do livro: “Uma
transição feita sob as ordens do ditador: lenta, gradual e segura. Um
biombo transparente do velho lema conciliador: mudar para proteger. Ao
evitar a ruptura com as regras que consolidavam o autoritarismo fardado
migrou-se para um regime de autoritarismo civil que traiu o
estabelecimento de uma democracia plena. O entulho foi escondido sob o
tapete. As respostas de Raymundo Faoro denunciam todo esse processo
que impediu, mais uma vez, que germinasse a semente de um país
menos injusto”.

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