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O Balanço de Poder entre as Grandes Potências: Estados Unidos, Rússia e China sob a

perspectiva teórica

Autor: Márcio Azevedo Guimarães1

Palavras-chave: balanço de poder, grandes potências, Estados Unidos

O presente resumo é sobre uma ampla pesquisa em andamento que trata dos aspectos
teóricos do balanço de poder entre as grandes potências, com base na perspectiva de análise
produzida pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Nesse sentido, o estudo tratará
do aspecto central do sistema internacional – o balanço de poder entre as grandes potências– a
partir das capacidades dos principais polos do sistema, Estados Unidos, China e Rússia, em
um cenário econômico ainda restritivo que se reflete na política de aquisições de capacidade
ofensiva e de projeção de poder, conduzindo à tendência de manutenção de um padrão de
equilíbrio de poder entre aqueles polos.
O estudo tem por objetivo analisar as razões pelas quais uma grande potência utiliza
ações ofensivas tendo em vista a necessidade de assegurar a sobrevivência em um cenário
anárquico e de incertezas e dai chega-se ao ponto da maximização de poder como condição
mais segura para a proteção do interesse nacional em um mundo competitivo, propenso ao
conflito e caracterizado pela autoajuda. Dai o entendimento do texto de serem estas as
características da balança de poder entre as grandes potências na Ásia e a razão última dos
conflitos e tensões localizadas entre aliados menores bem como da competição militar em
termos de corrida armamentista.
Do ponto de vista do método aplicado, o estudo tem por finalidade uma análise a partir
da descrição dos fatos históricos e acontecimentos políticos entremeados da busca de
interpretação (explicação), usando como fundamento duas ferramentas: a teoria realista a
partir da discussão da validade das premissas fundamentais do realismo estrutural de Waltz
(1979) em face da perspectiva do realismo ofensivo de John Mearsheimer (2000).
Como resultado preliminar pode ser apontado que a partir das hipóteses levantadas
pelos analistas militares da Rand Corporation sobre hipóteses de cenários de conflito central
entre as forças armadas norte-americanas e chinesas, com foco no poder ofensivo aeronaval
norte-americano e discussão crítica sobre a sua capacidade de contraarrestar as capacidades
defensivas A2/AD presentes no sistema de comando e controle chineses, surgirão efeitos da
dimensão militar sobre a relação entre capacidade e equilíbrio de poder entre as grandes
potências no plano sistêmico.
Assim, este estudo busca compreender a extensão das capacidades norte-americanas
vìs-a-vìs das chinesas e, com isso, discutir em que medida aquilo que a literatura denomina de
dilema de segurança entre as grandes potências se aplica aos casos americano e chinês,
buscando concluir em que medida tal estudo aponta para a continuidade da balança de poder
sob uma liderança hegemonia americana ou, de outro modo, se esta balança penderá a favor
de uma nova hegemonia no sistema internacional.

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Doutor em Ciência Política e Professor da Faculdade de Direito Dom Alberto, Santa Cruz do Sul
APRESENTAÇÃO

TEMA: O Balanço de Poder entre as Grandes Potências: Estados Unidos, Rússia e


China sob a perspectiva teórica

OBJETIVO: Estudar a validade explicativa da teoria do realismo estrutural sobre


a hipótese do balanço de poder entre as grandes potências, com o foco na perspectiva do
Departamento de Defesa dos Estados Unidos em face da dinâmica de segurança na Ásia-
Pacífico, caracterizada pela relevância estratégica da China.
Em razão das teorias crítica (construtivismo: valores e crenças a respeito
do cenário securitário na formação dos complexos regionais) e da interdependência complexa
(liberalismo institucional: idealismo e impacto da lógica econômica para a cooperação) e das
teorias de política externa (o papel das elites na formação das preferências no plano interno
aos Estados) serem relevantes instrumentos de compreensão a respeito das dinâmicas de
segurança desde o advento do pós-Guerra Fria torna-se necessário um diálogo com estas
teorias que ao invés de refutar as premissas do realismo, ao contrário, possam justificá-las, o
que demonstraria sua solidez argumentativa.
O fim da era bipolar criou um novo momento histórico em que se
enfatiza a lógica da cooperação sobre a geopolítica e o impacto de momentos históricos como
a agenda de securitização do terrorismo a partir do começo do século, associada à gestão do
último governo democrata, que buscou uma agenda mais multilateral, em um cenário de crise
sistêmica, o que torna fundamental destacar a validade de um diálogo entre as variantes do
realismo estrutural com aquelas perspectivas teóricas no sentido de compreender toda a
complexidade do cenário de segurança entre as grandes potências, ainda calcado na
importância das capacidades tecnológicas aplicadas aos sistemas de armas nas esferas da
estratégia, das operações e da tática para a garantia da distribuição e do equilíbrio de poder no
sistema ainda anárquico, incerto, caldado na distribuição de capacidades militares e centrado
no Estado.
Assim, perguntas fundamentais de quem são e o que motiva e justifica o
comportamento dos atores principais que moldam uma doutrina estratégica que guiará a ação
exterior de um Estado no sistema internacional encontram fundamento e consistência nas
premissas realistas relacionadas com o equilíbrio de poder a partir das capacidades militares e
com a competição interestatal na busca pela sobrevivência.
Nesse sentido, a existência de certa permanência de interesses
estratégicos representados pela complexa interação e interdependência entre burocracia das
forças armadas com setores de ponta da indústria de defesa e com atores políticos (Congresso
e Executivo) conferem validade à explicação sistêmica calcada nos fundamentos do realismo
estrutural, explicando determinadas posturas políticas que apontam para a maximização de
poder dentro da competição pela liderança na balança de poder regional asiática, que tende a
definir a dinâmica de segurança entre as principais potências militares do século XXI.

METODOLOGIA: Descrição e análise de fatos históricos a partir das premissas


teóricas do realismo estrutural de Waltz e Mearsheimer e aplicados no estudo da balança de
poder regional (Ross et all). Nesse sentido, o estudo busca demonstrar a validade da teoria
ofensiva e sua relação para com a tendência de equilíbrio multipolar.
RESULTADOS: Afirmar que a dimensão militar (capacidade aeronaval e eletrônica
de contraarrestar a capacidade chinesa defensiva A2/AD) é decisiva sobre a relação entre
capacidade e equilíbrio de poder entre as grandes potências no plano sistêmico.
I- Responder às seguintes questões:
1- Existe um dilema de segurança entre Estados Unidos e China?
2-Qual o seu papel (dimensão militar) para a continuidade da balança de poder sob
uma liderança hegemonia americana ou, de outro modo, se esta balança penderá a favor de
uma nova hegemonia no sistema internacional?
II- Confirmar o seguinte cenário: Em todo o caso, mesmo da
perspectiva de analistas militares e oficiais de alta patente, percebe-se a compreensão da
tendência estrutural sobre um sistema em que os Estados Unidos continuarão sob um
horizonte predizível de enventos como a principal potência militar mas sob um sistema
crescentemente multilateral em que a China ocupará cada vez mais relevância, assim como a
Rússia, a Índia e os principais países da União Europeia (França, Alemanha e Reino Unido).

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