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Desenvolvimento teórico

O desenvolvimento psíquico se inicia quando nascemos e termina na


vida adulta, sempre em busca de equilíbrio, se trata de uma evolução contínua,
que assim como nossos corpos, atingi seu ápice e começa a regredir com a
velhice.

Jean Piaget, se interessa em explicar o desenvolvimento cognitivo


através da interação do meio com as estruturas biológicas que se desenvolvem
passando por quatro estágios de desenvolvimento, que são: estágio sensório
motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. No estágio
sensório motor, que ocorre do 0 a 2 anos de idade, aproximadamente, a
criança começa a conquistar o universo, através da inteligência prática que se
inicia como uso dos reflexos que interagidos como meio se tornam ações,
ações motoras. Essas ações advindas de reações circulares são desenvolvidas
pelas crianças desde seu primeiro mês. No início temos a reação circular
primária, depois as reações circulares secundárias e por fim a reação circular
terciaria.

Embora nesse período a criança passa dos movimentos reflexos, como


sucção, preensão, visão ou movimento dos olhos quando escuta barulho para
a realização de ações mais complexas como se locomover, agarrar, jogar,
pular e outros essa criança ainda tem a percepção do ambiente como um
pouco caótico, já que ela tem a sensação de que objetos e pessoas que não
estão a sua vista desapareceram, pois essa criança ainda não tem o que
Piaget denomina de noção do objeto permanente.

No próximo estágio, pré-operatório, que ocorre entre os 02 aos 07 anos


de idade, aproximadamente, começa a aparecer a capacidade de
representação e utilização de símbolos, com isso, ocorre o aparecimento da
linguagem. Com essa capacidade há um salto qualitativo com relação as
questões cognitivas e afetivas da criança, período que ela passa a
compreender melhor a realidade.
O egocentrismo continua acentuado nesta fase, entendendo que o mundo gira
em torno de si mesmo, para a criança não há indiferenciação entre o eu infantil
e o mundo externo. A criança compreende o mundo conforme sua percepção
e não como a lógica da realidade. Neste contexto, a criança apresenta uma
lógica um tanto distorcida da realidade o que a leva a inserir-se no mundo
fantástico, o mundo do faz de contas.

Nesse período os esquemas que eram práticos passaram a ser transferidos


para o plano das representações desencadeando em um pensamento com
base no animismo, artificialismo e finalismo. Animismo em que os objetos são
animados tem vida. O artificialismo a criança tem a percepção de que as coisas
são construídas pelo homem ou por ação divina e por fim o finalismo a relação
de causas e final das coisas. Este pensamento anuncia a capacidade de
representação, mas ainda não é capaz de operar, realizar ações em
pensamento, a inteligência representacional propicia um pensamento intuitivo,
irreversível.

Próximo estágio, operatório concreto, operatório concreto, por volta dos 07 aos
12 anos, a criança já consegue compreender o ponto de vista do próximo,
trabalhando mais com a lógica, através da capacidade de fazer antecipações e
relações, antes de agir, além do início do pensamento reversível. A
reversibilidade é a capacidade de ir e vir em pensamento, saber que ao mesmo
tempo se percebe as partes e o todo.

.Aqui, a criança começa a utilizar sua capacidade de operar em pensamento ,


período operatório, ou seja, a criança faz uso de sistemas para resolver
problemas e compreender a realidade, sistemas esses que são o conjunto de
elementos que estabelecem relações entre si, pensando e agindo com mais
autonomia, levando em consideração o passado, o presente e o futuro. É
verificável também relações de cooperação, compreensão de relações de
parentescos, senso de justiça, respeito mútuo, noções de regras e a
reciprocidade.

Vale a pena ressaltar que esse período operatório concreto, assim se


identifica, concreto, pela capacidade que a criança tem de realizar as
operações com base em coisas concretas.
E por último, há o estágio operatório formal, dos 12 anos de idade em
diante, período no qual o raciocínio está mais independente das experiências
atuais e das passadas, consegue empregar hipóteses e teorias na solução de
problemas, se utilizando tanto do raciocínio hipotético dedutivo, que consiste
em analisar uma informação de forma geral e transforma-la em algo específico,
como também raciocínio hipotético indutivo, em que estabelece a compreensão
geral de um assunto/problema e também o raciocínio hipotético combinatório
ou proposicional, que considera informações divergentes ao mesmo tempo.

Ainda dentro desses estágios há a divisão de seis estruturas variáveis


de desenvolvimento da inteligência, sendo os três primeiros chamados de
estágios da lactância, período antes do desenvolvimento da linguagem e do
pensamento, que pode ocorrer até os 02 anos de idade:

1º estágio de inteligência: estágio dos reflexos ou mecanismos hereditários,


tendências instintivas e primeiras emoções para sobrevivência;

2º estágio de inteligência: primeiros hábitos motores e percepções de


organização e diferenciação de sentimentos;

3º estágio de inteligência: senso-motor, vem antes da linguagem, fixações


exteriores de afetividade;

4º estágio de inteligência: inteligência intuitiva, sentimentos interindividuais


espontâneos, relações sociais de submissão aos adultos - ocorre a partir dos
02 anos de idade, até os 07 anos, provavelmente.;

5º estágio de inteligência: operações intelectuais concretas, surgem os


sentimentos morais e sociais de cooperação - 07 aos 11 anos de idade;

6º estágio de inteligência: operações intelectuais abstratas, formação de


personalidade, início da inserção na vida adulta, de forma afetiva e intelectual.

É importante também destacarmos, que no processo de


desenvolvimento da inteligência, ocorrem o desenvolvimento de formas de
raciocínio lógicos, como o reducionista e do atomista. O primeiro acontece por
volta dos 07 anos de idade, no fim do pré-operatório para o estagio operatório
concreto, quando se entende que os objetos se transformam, conserva-se sua
presença, mas não há compreensão de mudanças físicas, como volume ou
peso. Exemplo: o açúcar colocado num copo d'água, há a transformações do
açúcar em água, mas o peso e volume não se alteram. Já com cerca de 08
anos, ainda se baseando no mesmo exemplo do açúcar no copo com água,
desenvolve - se o raciocínio atomista, a criança passa a entender que o açúcar
está presente na água quando vislumbra pequenas partículas da substância,
mas continua com compreendendo mudanças físicas. Somente a partir dos 09
anos que ela começa a compreender as variações físicas com raciocínio
atomista, se concretizando somente por volta dos 11 anos de idade.

A partir desta base de informações podemos entender que o


desenvolvimento do desenho depende da evolução da linguagem e escrita.
Este, por si só, possui seu próprio vocabulário, mostrado através de signos
gráficos, que evolui em paralelo ao desenvolvimento psico-motor. Através do
estudo do grafismo infantil é verificável esta evolução, assim como distúrbios
profundos ou crises passageiras das crianças.

A análise do grafismo se inicia pelo rabisco, fase motora da criança. Aos


18 meses de idade, aproximadamente, de riscos circulares sem pausas ou
formas claras, se consegue verificar aos 02 anos de idade formas isoladas e
dos 03 aos 04 anos se inicia o estágio comunicativo do desenho, quando surgi
a vontade de imitar os adultos, através de escritas fictícias.

Nesta evolução, é observável o surgimento de uma melhor compreensão


e entendimento da realidade. Surgem as combinações nos desenhos, como
por exemplo, a capacidade de desenhar o "homem palito". A evolução do
grafismo pode ser dividida em:

- Realismo Fortuito: as relações topográficas, como a distribuição dos objetos


no espaço, começam a ser respeitadas - o boneco possui uma cabeça, 02
braços e 02 pernas, mas todos os membros de um mesmo lado do corpo. Há,
contudo, a compreensão de espaço, mas sem respeitar as relações
euclidianas, como a distância, área, equivalência, escala e proporções, assim
como não há relações projetistas, como fora e dentro;
- Realismo Fracassado: a criança entra no estágio pré-operatório, entre seus
03 a 04 anos de idade e tenta reproduzir a identidade forma-objeto. Chama-se
fracassado, pela criança não conseguir transmitir uma realidade, o desenho
ainda possui trações surrealistas, imaginativos e sem lógica.

- Realismo Intelectual: começa a aparecer por volta dos 04 anos de idade e vai
até os 10 anos. é o início das relações euclidianas e projetistas, mas não há
dimensão, perspectiva ou movimento e o desenho pode apresentar diferentes
pontos de vista, com as relações topográficas são respeitadas. Importante
destacar que não há perspectiva, mas sim percepção do seu mundo, ou seja, a
criança não consegue ainda representar de forma mais coerente e euclidianas
seu mundo no desenho, mas ela entende e já atribui afeto no que representa.

- Realismo Visual: inicia-se por volta dos 12 anos, o desenho passa a ter
perspectiva 3D, relações euclidianas e projetistas mais respeitadas, o desenho
se torna mais realista, o que indica o início do amadurecimento.

Análise de Desenhos

Criança - 04 anos de idade

Pela idade cronológica , a criança, se encontra no período pré-operatório com a


linguagem desenvolvida e a capacidade de fazer representações . E com a
linguagem como meio que proporciona que a criança interaja no mundo
simbólico muitas são as modificações cognitivas, afetivas e sociais que serão
expressas em seu desenho.

Nessa Fase também surgem as relações interindividuais e tentativa


representar e compreender melhor a realidade, características que condizem
com seu desenho.

Neste podemos verificar o jogo simbólico e a imagem mental, já que a figura do


desenho não se encontrava em sua presença. As relações projetistas
começam a ser respeitadas, como os olhos estão no lugar correto do rosto, os
pés embaixo, conectados ao corpo e o bico à frente. A ausência de relações
euclidianas é compreensível para a idade, já que trata-se da fase de desenhos
mais planos, achatados, assim como os dois pés estarem um ao lado do outro.
Nessa fase a criança desenha o que sabe e não o que vê e ela passa a utilizar
repetidas vezes mesmo desenho para dar ideia de movimento.

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