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PEDAGOGIA

Curso de Graduação Online | UNISUAM

Didática

UNIDADE 1
Educação, Pedagogia, Didática e Realidade Brasileira Didática | UNISUAM

Apresentação
Olá,

Seja bem-vindo à disciplina online Fundamentos da Didática, que propõe como foco de
estudo as relações teórico-práticas que envolvem o profissional da educação. A saber, a
disciplina está dividida em 4 unidades e subdividida em tópicos cujos temas tratarão de
assuntos relevantes e importantes para você, futuro profissional da educação.

Vale ressaltar que o exercício da função docente em tempos de pós-modernidade requer


competências específicas e um processo permanente de formação. O cotidiano da ação
pedagógica se sustenta em fundamentos didático-metodológicos que diferenciam a prática
educativa no processo ensino e aprendizagem.

Esses fundamentos vinculam-se às tendências pedagógicas, o que permite realizar uma análise
crítica dos projetos institucionais para a Educação. A ação educativa desenvolvida pelo professor
caracteriza-se, também, por uma ênfase nos processos de aprendizagem, assim como a
relação existente entre as diferentes concepções de aprendizagem e o fazer pedagógico serão
objeto de discussão, buscando compreender os significados e os sentidos atribuídos à relação
ensino-aprendizagem e os processos de construção de conhecimento na escola.

A partir dos conceitos apresentados e discutidos passaremos a analisar o exercício docente e


suas ações específicas, que constituem o planejamento da ação didática. A ação de planejar
envolve aspectos gerais para todos os níveis e modalidades de ensino, porém serão discutidas
as especificidades de um planejamento da ação pedagógica de forma específica para atuar
na escola e nos diferentes níveis e modalidades do ensino. As relações entre planejamento
e avaliação, os tipos de planejamento, até ampliarmos nossa visão de sala de aula.

Esperamos que ao final do semestre você tenha a competência para analisar o papel
sociopolítico da educação, da escola e do ensino, para refletir sobre a prática pedagógica e
a aplicação de conhecimento ao planejamento de ensino, com vistas ao aperfeiçoamento da
atuação do professor e para perceber a importância do papel do professor frente à escola de hoje.

Bem, essa apresentação é somente o nosso primeiro canal de comunicação. Aproveite


bastante a disciplina. Participe, interaja, organize discussões, aprofunde o tema com as leituras
sugeridas. Você perceberá que o fio condutor da proposta de desenvolvimento da disciplina
é a reflexão sobre a função do profissional docente, de modo a atender às demandas da
educação no terceiro milênio.

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Para que consiga dialogar com seus pares, estabelecer uma boa relação com o seu professor
tutor, interagir, assimilar e colocar em prática os desafios aqui propostos, siga as orientações
contidas ao longo do estudo da disciplina.

Como sugestão, indicamos que tenha sempre em mãos um caderno para anotar suas ideias,
questões, impressões ou dificuldades.

Sinta-se desafiado(a)!

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Educação,
Pedagogia,
Didática e
Realidade
Brasileira
Objetivo do estudo
- Dissertar sobre a relação Educação-Sociedade;
- Distinguir Educação, Ensino, Pedagogia e Didática;
- Identificar as Tendências Pedagógicas e Abordagens de Ensino;
- Reconhecer a Didática, hoje, numa Perspectiva Multidimensional.

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Apresentação
O profissional que atua como docente, no início deste século, necessita de uma articulação
diferenciada com os saberes pedagógicos, sociais e políticos ao assumir seu papel na
Sociedade do Conhecimento.

Tendo em vista isso, esperamos possibilitar a reflexão em torno das questões que envolvem
a Educação e a sociedade, suas finalidades, seus conflitos, suas necessidades e seus
protagonistas – alunos e professores – em seu processo de formação e no desenvolvimento
da ação pedagógica.

Iremos comparar o termo “Didática” com outros três termos: Educação, Ensino e Pedagogia.
Veremos que esses vocábulos estão ligados entre si. Tendências Pedagógicas e Abordagens
de Ensino também será o tema desta Unidade.

Por fim, discutiremos sobre a Didática, hoje, em uma Perspectiva Multidimensional.


Pronto para começar? Então, vamos em frente!

http://portalnetworking.com.br/wp-content/uploads/2014/04/A-sociedade-do-Conhecimento.jpg

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T1 A Relação Educação-Sociedade
As mudanças educacionais não podem ignorar a construção da ciência no modelo cartesiano
– que produziu uma educação conservadora, fragmentada e reprodutora –, porém esse
paradigma não responde mais às demandas da sociedade atual.

A Educação busca ultrapassar esse paradigma para a realização de um ensino interdisciplinar,


de produção de um conhecimento significativo, compartilhado e integrado à realidade. Desta
forma, o ensino contribui para o processo de transformação social, promovendo um movimento
crítico-reflexivo.

Diante destes pressupostos, o papel do professor vem se modificando para acompanhar o


processo de transformação social. Esse novo olhar exige uma formação diferenciada e a
preparação adequada para atuar como um educador na sociedade atual.

As novas possibilidades e necessidades de atuar como docente têm, hoje, um significado


que está inserido nos cursos graduação em Pedagogia, no que se refere às competências
para ensinar. Segundo a descrição de Perrenoud:

atualmente define-se uma competência como a aptidão para enfrentar um conjunto de situações
análogas, mobilizando de uma forma correta, rápida, pertinente a criativa, múltiplos recursos
cognitivos: saberes, capacidades, microcompetências, informações, valores, atitudes, esquemas
de percepção, de avaliação e de raciocínio. (PERRENOUD e THURLER 2002, p. 19).

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São competências básicas do professor:

• Estar inserido no diálogo com diferentes fontes de saber e pesquisa;


• Ter uma atitude de compartilhamento dos saberes;
• Estabelecer novos parâmetros na relação professor-aluno-conhecimento;
• Estar em permanente formação;
• Utilizar-se dos recursos tecnológicos para acessar e produzir conhecimento;
• Atuar de forma contextualizada aos movimentos político-educacionais;
• Estabelecer vínculos entre o ensino e o mundo do trabalho;
• Implementar um trabalho pedagógico interdisciplinar;
• Construir uma ação pedagógica investigativa por intermédio da pesquisa;
• Desenvolver ações pedagógicas que possibilitem o olhar crítico-reflexivo,
contribuindo para a promoção social e política.

Colocar em prática todas as competências, já citadas, exige

saiba mais do profissional da educação um processo de formação


atualizado e inserido nos paradigmas da Educação no
século XXI. O envolvimento com o ambiente acadêmico,
Perrenoud é sociólogo suíço, professor na tendo a pesquisa como foco do ensino, vem promovendo
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação discussões interessantes no que se refere à produção
na Universidade de Genebra, autor de vários títulos de conhecimento de professores e alunos. Sendo assim,
importantes na área de formação de professores.
veremos a seguir alguns pontos relevantes da formação de
um professor.

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pare e reflita
Antes de prosseguir a leitura, pare um pouco,
pense na questão a seguir e registre no seu
caderno de anotações:

O que é considerado importante no processo de


formação do professor?

Talvez você tenha listado algumas dessas competências:

• Ser competente em determinada área do conhecimento;


• Atualizar, constantemente, seus conhecimentos e suas práticas profissionais;
• Ser pesquisador em sua área e socializar suas produções no ambiente acadêmico
por intermédio de publicações, simpósios, congressos, incorporando e promovendo
reflexões a partir de suas ideias ao seu fazer pedagógico;
• Ter domínio pedagógico;
• Ter postura e compromisso ético e político diante do conhecimento e da ação de
ensinar.

Você deve estar se sentindo desafiado a exercer a profissão docente, não é mesmo? É um
desafio fascinante poder estar num constante diálogo com o conhecimento compartilhado
com os alunos. É enriquecedor rever ideias e analisar criticamente a função docente, além
de permitir um posicionamento diferenciado no seu processo de formação.

E, para que possamos colocar em prática todas essas competências, fazem-se necessários
elementos que contribuam para compreensão do cotidiano do processo pedagógico, e a
didática é um desses elementos.

Mas o que é a didática?

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T2 Educação, Ensino, Pedagogia e Didática


Para você, educação, ensino e pedagogia são a mesma coisa?

pare e reflita
Registre em seu caderno o que você entende
por educação, ensino e pedagogia antes de ler
o conteúdo, depois compare suas respostas com
o que será apresentado.

Vamos conhecer as diferenças?

• Educação
Educação compreende o conjunto dos processos, influências, estruturas e ações que
intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa
com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e
classes sociais, visando à formação do ser humano. A educação é, assim, uma prática
humana, uma prática social, que modifica os seres humanos nos seus estados físicos,
mentais, espirituais, culturais, que dá uma configuração à nossa existência humana
individual e grupal. (LIBÂNEO, 2001)

• Ensino
Ensino é um tipo de prática educativa, vale dizer, uma modalidade de trabalho
pedagógico [...] todo ensino supõe uma “pedagogização”, isto é, supõe uma direção
pedagógica (intencional, consciente, organizada), de modo a converter as bases da
ciência em matéria de ensino. (LIBÂNEO, 2001)

• Pedagogia
Pedagogia é o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da
educação do ato educativo, da prática educativa como componente integrante da
atividade humana, como fato da vida social, inerente ao conjunto dos processos
sociais. (LIBÂNEO, 2001)

Mas o que tudo isso tem a ver com a didática?


Todos esses termos são inerentes à didática.

“O didático se refere especificamente à teoria e prática do ensino e aprendizagem,


considerando o ensino como um tipo de prática educativa, vale dizer, uma modalidade de
trabalho pedagógico.” (LIBÂNEO, 2001)

Segundo a autora Regina Celia Haidt (2003), a didática é uma seção ou ramo específico da
pedagogia e se refere ao ensino e aos processos próprios para a construção do conhecimento.
Em Pedagogia pode ser conceituada como “a ciência e a arte da educação, a Didática é
definida como a ciência e a arte do ensino. ” (HAIDT, 2003, p.13)

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Referindo-se ao ensino, que é o objeto da didática, podemos dizer que o estudo


predominante do ensino caracterizou-se, sobretudo, a didática do passado, dominada,
até certo ponto, pela figura central do professor; na didática contemporânea cedeu o lugar
a uma nova projeção do aspecto correlativo da aprendizagem. Nesse sentido, ensinar e
aprender são as duas partes da mesma moeda. A Didática não pode tratar do ensino, por
parte do professor, sem considerar simultaneamente a aprendizagem, por parte do aluno.

Santo Agostinho

São questões-base da Didática:

Ensinar

O quê? Pra quem?

Como? Por quê?

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Historicamente, a didática está vinculada ao ensino, às práticas do ensinar e aprender,


qualificando a ação educativa. Da antiguidade até o início do século XIX, predominou-se na
prática escolar uma aprendizagem do tipo passivo e receptivo, vinculada à organização dos
conhecimentos pedagógicos. Nesse tipo de aprendizagem, a compreensão desempenhava
um papel muito reduzido.

Aprender era quase que exclusivamente memorizar, decorar o que era transmitido pelo
professor. Na Grécia antiga, Aristóteles baseava-se na concepção do homem como um
pedaço de cera que podia ser modelado como se queria. Essa ideia foi difundida ao longo
dos tempos, mas reaparecendo sob novas formas e imagens. O importante nessa forma de
aprendizagem é que o aluno reproduzisse literalmente tudo decorado. A compreensão do
que se aprendia, escrevia ou falava, ficava delegada a um segundo plano.

O aluno repetia as respostas mecanicamente e não de forma inteligente, pois ele não
participava de sua elaboração e, em geral, não refletia sobre o assunto estudado.

Porém, existia a preocupação dos filósofos e educadores da época em tornar o ensino mais
estimulante e adaptado aos interesses dos alunos e às suas reais condições de aprendizagem.
Havia a intenção de dar mais ênfase à compreensão do que a memorização. Surgiram, então,
algumas teorias que tentavam explicar como o ser humano é capaz de aprender e assimilar
o mundo que o circunda e com base nessas teorias.

Apresentamos a seguir alguns filósofos e educadores que refletiram sobre o conhecimento


e elaboraram teorias sobre o ato de conhecer, que repercutiram na Pedagogia.

Grécia
A palavra “Didática” é conhecida desde a Grécia Antiga
e traduzia a ideia de ação qualificada do ato de educar,
procedimentos desenvolvidos entre mestres e aprendizes,
vivências e reflexões de, sobre e para as relações
pedagógicas.

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Sócrates
Para Sócrates (século V a.C.), o saber não é algo que
alguém ( o mestre) transmite à pessoa que aprende
(discípulo). O saber, o conhecimento, é uma descoberta que
a própria pessoa realiza. Conhecer é um ato que se dá no
interior do indivíduo. A função do Mestre é apenas ajudar
o discípulo a descobrir, por si mesmo, a verdade. (HAIDT,
2003, p.15)

Comenius
Para João Amos Comenius (1592-1670), o objetivo da
educação é ajudar o homem a atingir a felicidade eterna,
desenvolvendo o domínio de si mesmo através do
conhecimento de si próprio e de todas as coisas. Comenius
valorizava o processo indutivo como sendo a melhor forma
de se chegar ao conhecimento generalizado e o aplicou na
sua prática instrucional. (HAIDT, 2003, p.16)

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Pestalozzi
Para Pestalozzi (1746-1827), a educação era um instrumento
de reforma social. Ele pregava a educação das massas e
proclamava que toda criança deveria ter acesso à educação
escolar, por mais pobre que fosse seu meio social e mesmo
que suas condições fossem limitadas. Na teoria educacional
de Pestalozzi podemos encontrar as sementes da pedagogia
moderna.

John Dewey
A concepção que Dewey, século XIX, tinha do homem e da
vida e que serve de base à sua pedagogia, é de que a ação é
inerente à natureza humana. A ação precede o conhecimento
e o pensamento. Antes de existir como ser pensante,
o homem é um ser que age. A teoria resulta da prática.
Logo, o conhecimento e o ensino devem estar intimamente
relacionados à ação, à vida prática, à experiência. (HAIDT,
2003, p. 21)

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anos 90
Warde (1991) argumenta que caberia à Didática, enquanto
campo de conhecimento, “o enfrentamento metódico dos
temas com os quais historicamente vem lidando” propondo
que esse enfrentamento se faça rompendo-se com o
“padrão cientificista”, o que levaria a pensar a Didática como
um campo de conhecimento que se constrói e reconstrói na
história, um campo sempre em mutação, que não se poderia
analisar numa ótica fechada na ideia de amoldamento a
um paradigma.

Informatizada
Sob a perspectiva escolar, percebe-se que, em sala de aula,
a maioria dos alunos chega uma cultura tecnológica aflorada,
a passo que alguns professores ainda estão se inserindo
nessa nova era.  Devido a isso, as crianças chegam às
salas de aula esperando uma forma de aula mais dinâmica,
interativa e participativa, similar ao que acontece na internet,
onde tudo é muito mais rápido e divertido. (Disponível em:
http://discutindoeducacao.spaceblog.com.br/2184609/
Didatica-e-cibercultura/ Acesso em: 09 jun. 2014)

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A partir do século XX, a didática alcança um campo próprio de


conhecimento que ultrapassa ao reconhecimento de técnicas
e modelos para configurar-se em uma área de produção de
conhecimento sobre o fazer pedagógico.

Para Gatti:

são muitos os desafios que vêm sendo colocados


à pesquisa no campo da Didática, e na área da
aprofundando educação em geral, nestas últimas décadas
que assistiram (e que continuamos a assistir) à
recolocação dos problemas sócio-culturais no
Explore um pouco mais sobre esses filósofos e
mundo, à emergência de grupos diversificados
educadores realizando uma pesquisa na internet.
Este é um momento para enriquecer seus que ganham seus espaços e abalam algumas de
conhecimentos! nossas enraizadas crenças sobre o movimento
do social, o papel da educação e os modos de
formação humana. (GATTI, 2004)

Nesta perspectiva, a tomada de consciência dos saberes


dos professores e das práticas por eles exercidas na
Educação vincula-se às pesquisas na área da Didática. O
encontro cotidiano com os alunos pressupõe o exercício de
práticas significativas que organizam o ensino de forma
contextualizada, pois, só desta forma, os objetivos da
formação docente serão atingidos.

Devido à urgência da adoção de novos paradigmas no


trabalho docente é que os estudos contemporâneos estão
articulados às políticas educacionais e à realidade da crise
educacional. Dessa proposta de reflexão e análise sobre
a didática na Educação, aponta-se para a necessidade
de respostas:

É necessário
Precisamos dar respostas - mesmo que transitórias/
provisórias - aos questionamentos sobre de onde vem e
para que serve o conhecimento que estamos utilizando

precisar quem
nas intervenções nas salas de aulas e na produção do
conhecimento. É necessário precisar quem e como se produz
este conhecimento que utilizamos, privilegiadamente em

e como se
nossas ações pedagógicas, no processo de formação de
nossos alunos.

produz este
O posicionamento crítico diante dos conteúdos, o
enfrentamento das contradições e a organização do coletivo
dos professores são possibilidades de mudança conceitual

conhecimento
e atitudinal frente ao ensino na Educação e na sociedade.

que utilizamos

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T3 A didática em uma perspectiva


multidimensional.
Entre os anos 20 e 50, a Didática segue os postulados da Escola Nova, que busca superar
os da Escola Tradicional, reformando internamente a escola.

Nessa perspectiva, afirma a necessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais


da criança: os princípios de atividade, individualização e liberdade estão na base de toda
proposta didática.

Passa-se da visão da criança como um adulto em miniatura para centrar-se nela como ser
perfeitamente capaz de adaptar-se a cada uma das fases de sua evolução.

Do aluno passivo, ante os conhecimentos a serem transmitidos pelo mestre, passa-se ao


Fonte: http://www.saiadolugar. "aprender fazendo" em que cada um se autoeduca ativamente em um processo natural,
com.br/empreendedorismo/ sustentado por meio dos interesses concretos dos participantes. A atenção às diferenças
caracteristicas-empreendedor-
aprender-fazendo/ individuais e a utilização de jogos educativos passam a ter papel de destaque.

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Em uma etapa posterior, entre os anos 60 e 80, passa-se de um enfoque humanista,


centrado no processo interpessoal, a uma dimensão técnica que enfoca o processo ensino-
aprendizagem como uma ação intencional, sistêmica, que procura organizar as condições
que melhor facilitem o processo de aprendizagem.

Fonte: http://concettomotors.blogspot.com.br/2013/07/centro-de-formacao-profissional.html

Centra-se em objetivos instrucionais, na seleção de conteúdos, nas estratégias de ensino,


destacando-se palavras como: produtividade, eficiência, racionalização, operatividade e
controle.

A perspectiva industrial adentra na escola e a didática é vista como uma estratégia para
alcançar os produtos previstos para o processo de ensino- aprendizagem.

A ênfase é colocada na objetividade, racionalidade e neutralidade do processo. O referencial


central da educação passa a ser a fábrica e sobre ela se constroem tanto as ações na escola
como as conceitualizações referentes à educação.

Vale ressaltar que a partir dos anos 70 se acentuam as críticas a estas perspectivas didáticas.
Seu efeito positivo foi a denúncia da falsa neutralidade pretendida pelo modelo tecnicista,
revelando seus componentes político-sociais e econômicos.

dimensão
técnica

Processos de
ensino e de
aprendizagem

dimensão dimensão
humana política

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Na atualidade a perspectiva fundamental da didática é assumir a multifuncionalidade do


processo de ensino-aprendizagem e articular suas três dimensões: técnica, humana e política
no centro configurador de sua temática.

Atualmente, educar significa enfrentar os desafios de incluir as pessoas na cultura digital.


Já há uma aceitação, por parte dos professores, de que a utilização dos meios virtuais pode
servir para um melhor aprendizado, facilitando e ampliando a relação aluno-professor, pois
o aluno deixa de ser um mero espectador e passa a ter participação ativa em conjunto com
o professor, tornando a aula mais prática e agradável, fazendo o aluno se sentir produto de
suas próprias descobertas. 

A perspectiva de uma multidimensionalidade da didática articula organicamente as diferentes


dimensões: técnica, humana e política. Nesse sentido, “quando assumimos uma didática
multidimensional [...], percebemos a multiplicidade de aspectos dos processos de ensino-
aprendizagem e seus contextos que demandam reflexão na formação de professoras/es”.
(CANDAU, 2007)

Pedro Demo (2010), no artigo “A Arte de ensinar”, comenta:

a arte de ensinar não poderia reverter-se em manobra de manipulação tão bem


feita que o aluno não consiga perceber. Professores realmente dedicados à
aprendizagem dos alunos os envolvem profundamente no sentido da construção de
sua autonomia. São mediadores a serviço dos alunos. Jamais usam o argumento
de autoridade.  ‘Aprender a dar aula’ só poderia ter o sentido supletivo de saber
lidar com alunos de modo a motivá-los ainda mais a aprender, não a escutar
conversa copiada. (DEMO, 2010)

Por isso, a escola tem o dever de promover conteúdos significativos, com novas práticas
educativas, novos projetos, com um modelo curricular específico, dando aos alunos condições
para compreender tal aprendizado, dentro desse contexto em que vivem, gerando novas
formas de aprender e de ensinar. Devemos reconhecer, portanto, que o aprendizado é
indissociável ao progresso!

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Também podemos afirmar que ainda temos uma educação


que nos preparou muito bem para dividir e pouco nos diz a
respeito do reunir. Precisamos aprender a religar, pois esta
deve ser a nova forma de pensar: o pensamento sistêmico
ou complexo. Este é o fundamento do novo saber: o saber
complexo, o saber em rede, o saber coletivo.

Segundo Edgar Moran (2000), para ensinar é preciso uma


nova escola que despertará o homem para sete saberes que
serão necessários para que viva o futuro:

saiba mais Ensinar a conhecer, ensinar a pensar, ensinar


a condição humana, ensinar a identidade
Para conhecer mais o pensamento de Demo, leia terrestre, ensinar a enfrentar incertezas, ensinar
o texto “Aprender: o Desafio Reconstrutivo”. Neste
a compreensão e ensinar a Ética do gênero
texto, Demo enumera alguns argumentos favoráveis
ao desafio reconstrutivo da aprendizagem, com o humano. (MORAN, 2000)
objetivo de contribuir para inovações fundamentais
na escola e na universidade. Entre elas conta-
se a necessidade de perceber a pesquisa como
ambiente da aprendizagem reconstrutiva, donde
segue que esta noção de pesquisa precisa fazer
parte de todo processo educativo, em qualquer nível
e em qualquer fase. Acesse o endereço:

http://www.senac.br/informativo/bts/243/boltec243c.
htm

T4 Tendências Pedagógicas e Abordagens de


Ensino
Primeiramente, é fundamental que você entenda o que é uma tendência. Tudo parte da
simples ideia de um indivíduo (teórico) que decide dividi-la com os outros. Por sua vez, essa
ideia vai sendo compartilhada mais e mais, gerando, assim, uma corrente de pensamento
que, ao se consolidar, transforma-se em moda, em uma tendência.

Esse fenômeno – que ocorre no mundo da moda e nos bordões que usamos na nossa língua,
por exemplo –, também acontece nas práticas pedagógicas. Sabemos que essas práticas
estão submetidas a uma variedade de ideias e concepções pedagógicas que implicam
diferentes concepções do homem e da sociedade e, portanto, variados pressupostos sobre o
papel da escola e da aprendizagem. Nesse sentido, diferentes sujeitos em diferentes épocas
produzem modismos pedagógicos, ou seja, tendências pedagógicas.

Existem várias classificações das tendências pedagógicas, porém iremos nos ater à
classificação que as tipificam em dois grupos: Tendências Idealistas-Liberais e Tendências
Realistas-Progressistas.

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Tendências Idealistas-Liberais

Pedagogia Tradicional: O papel da escola é para o preparo intelectual. Iniciou-se no século


XIX e domina grande parte do século XX, sendo ainda hoje utilizada. Inclui tendências e
manifestações diversas.

Pedagogia Renovada: É a chamada Pedagogia Nova, conhecida como movimento do


Escolanovismo ou Escola Nova, origina-se na Europa e Estados Unidos, no final do século
XIX, influenciando o Brasil por volta dos anos 1930.

Pedagogia Tecnicista: Determinada pela crescente industrialização, quando a Pedagogia


do Escolanovismo não responde às questões referentes ao preparo de profissionais.
Desenvolveu-se na Segunda metade do século XX, nos Estados Unidos e no Brasil de 1960
a 1979.

Tendências Realistas-Progressistas:

Pedagogia Libertadora: Parte de uma análise crítica das realidades sociais,


sustentando as finalidades sociopolíticas da educação. Iniciou-se nos anos 1960.

Pedagogia Libertária: Procura a independência teórica-metodológica. Dá maior


ênfase às experiências de autogestão, à prática da não diretividade e à autonomia.
Constitui-se em mais um instrumento de luta do professorado, ao lado de outras
práticas sociais, pois não tem como institucionalizar-se na sociedade capitalista.

Pedagogia Histórico-Crítica: Surge no fim dos anos 1970, em contraposição à escola que
reproduz o sistema e as desigualdades sociais. Dá ênfase às relações interpessoais e ao
crescimento que delas resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo,
em seus processos de construção e organização pessoal da realidade e em sua capacidade
de atuar como uma pessoa integrada.

Nesse sentido, podemos esquematizar as principais


características dessas pedagogias baseadas em Fusari e

Saiba mAIS Ferras (1993, p. 22-23), Pessi (1994, p. 26-31) e Mizukami


(1986, p. 7-103), como veremos a seguir.

Tendências Pedagógicas: Trataremos, aqui, das tendências pedagógicas propriamente


ditas, ou seja, vamos discorrer sobre as diversas tendências
https://www.youtube.com/watch?v=-R__8yesMbc teóricas que pretenderam dar conta da compreensão e da
orientação da prática pedagógica em diferentes momentos
da história humana.

diferentes sujeitos em
diferentes épocas produzem
modismos pedagógicos
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A) Pedagogia tradicional
o Tendência Liberal: período séc. XIX e XX

o Escola: objetiva - prepara intelectual.

Johann Friedrich Herbart:


o Metodologia de aulas-expositivas: comparações, exercícios, lições de casa.
o Conhecimento: Dedutivo. São apresentados apenas os resultados, para que
sejam armazenados.
o Relação professor-aluno: autoridade e disciplina.

João Amós Commenius:


• Princípios para ensinar artes por modelos completos, perfeitos e exercícios.
• Homem: Receptor passivo. Inserido em um mundo que irá conhecer pelo repasse
de informações.
• Avaliação: centrada no produto do trabalho.

Saviani:
• Professor é a garantia de que o conhecimento seja conseguido independente do
interesse do aluno.
• Educação = Produto: Alcançado pelo conhecimento dos modelos pré-
estabelecidos.
• Conteúdos: passados como verdades absolutas - separadas das experiências.
• Defende o ambiente austero, sem distrações.
• Mundo: É externo. O homem se apossa dele gradativamente pelo conhecimento.
• Metodologia: Aulas expositivas, atividades de repetição, aplicação, memorização;
Exercitar a vista, mão, inteligência. Gosto e senso moral.; Privilégio verbal, escrito
e oral; Atividades intelectuais e raciocínio abstrato.

Snyders (1974):
• Busca levar o aluno ao contato com as grandes realizações da humanidade.
Ênfase aos modelos, em todos os campos do saber.
• Sociedade - Cultural: O homem ascende socialmente pela cultura
• Na arte: mimética, cópias, modelos externos, fazer técnica e científico, conteúdo
reprodutivista, mantém a divisão social existente, canto orfeônico, trabalhos
manuais.

B) Pedagogia nova ou renovada


• Liberal-progressivista e não diretiva
• Escolanovismo - Final do século XIX - Brasil - 1930
• Escola: Adequar necessidades individuais ao meio, propiciar experiências.

John Dewey:
o Aprendizado por meio da pesquisa individual.
o Homem e mundo: O produto é a interação entre eles
o Relação professor-aluno: Clima psicológico-democrático. Professor é auxiliar
das experiências.

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Franz Cizek:
o Libertar o impulso.
o Teorias: Psicologia Cognitiva, Psicanálise, Teoria Gestalt.
o Método: Aprender experimentando, aprender a aprender.

Piaget:
• Teoria do Desenvolvimento.
• Ensino-aprendizagem: Procura desenvolver a inteligência, priorizando o sujeito,
considerando-o inserido numa situação social.

Victor Lowenfewld:

Teorias Freudianas.
• Conteúdo: Estabelecidos pela experiência.
• Herbert Read (1943) - Inglaterra: Arte como experiência.
• Avaliação: Atenção ao método no combate ao diretivismo, à qualidade e não
à quantidade, ao processo e não ao produto. Parâmetro na teoria piagetiana,
múltiplos critérios.
• Na arte: Ensino como processo de pesquisa individual. Ruptura com cópia de
modelos externos. Valorização de estados psicológicos. Aluno produtor de trabalhos
artísticos. Expressão, revelação de emoções, de insight, de desejos.

Dewey: ok
• Função educativa da experiência cujo centro é o aluno.

Read:
• Experiências cognitivas de modo progressivo em consideração aos interesses.

Cizerk: ok
• Libertar impulso criador. Desenvolvimento por meio de experiências estimuladoras.

C) Pedagogia tecnicista
• Tendência Liberal: segunda metade século XX Brasil  1960-1970

• Escola: Produzir indivíduos competentes para o mercado de trabalho.


• Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - 5692/71 Introdução da Disciplina
Educação Artística.
• Homem: Consequência das influências ou forças do meio ambiente.
• Conteúdos: Baseia-se nos princípios científicos, manuais e módulos de
autoinstrução.
Skinner:
• O homem é produto do meio - análise funcional. Popham, Briggs, Papay, Gerlach,
Glaser - Modelos de instrução e sistemas.
• Mundo: Já construído. O meio pode ser manipulado e pode também selecionar.
• Relação professor-aluno: Professor é o técnico e responsável pela eficiência
do ensino.
• Teorias: Behavioristas, Positivismo, Comportamentalismo, Instrumentalismo.
• Metodologia: Técnica para atingir objetivos instrucionais, aprender-fazendo, cópia,
geometria, desenho geométrico, educação por meio da arte, livre-expressão.
• Cultura: Espaço experimental.

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• Avaliação: Prática diluída, eclética e pouco fundamentada, levando ao exagerado


apego aos livros didáticos.
• Conhecimento: Experiência planejada, o conhecimento é o resultado da
experiência.
• Na arte: Educação artística polarizada em atividades artísticas direcionadas para
aspectos técnicos construtivos pela “indústria cultural”. Prática diluída, mistura
das pedagogias tradicional e renovada. Preocupação com qualidade do ensino
de arte. Dicotomias: ora saber construir, ora saber exprimir. Passam à categoria
de apenas atividades artísticas: Desenho, trabalhos manuais, artes aplicadas,
música, canto-coral.

D) Pedagogia libertadora
• Tendência progressista: Anos 60
• Escola: Ênfase ao não-formal. É crítica, questiona as relações do homem no
seu meio.

Paulo Freire:
• Sociedade-Cultura: O homem cria a cultura na medida em que, integrando-se
nas condições de seu contexto de vida, reflete sobre ela e dá respostas aos
desafios que encontra.
• Ensino-Aprendizagem: Pedagogia do oprimido. Fazer da opressão e suas causas
o objetivo de sua reflexão, resultando daí o engajamento do homem na luta por
sua libertação.

Michel Lobrot:
• Homem e mundo: Abordagem interacionista.
• Conteúdos: Temas geradores extraídos da vida dos alunos, saber do próprio
aluno.

Celestin Freinet:
• Conhecimento: O homem cria a cultura na medida em que, integrando-se nas
condições de seu contexto de vida, reflete sobre ela e dá respostas aos desafios
que encontra.
• Relação professor-aluno: Relação horizontal, posicionamento como sujeitos
do ato de conhecer.

Maurício Tragtemberg:
• Avaliação: Autoavaliação ou avaliação mútua.

Miguel Gonzáles Arroyo:


• Metodologia: Desenho, trabalhos manuais, artes aplicadas, músicas e canto coral
passam à categoria de apenas atividades artísticas.
• Nas artes: Alunos e professor dialogam em condições de igualdade, desafiados
por situações-problema que devem compreender e solucionar; libertação de
opressões, identidade cultural de aluno; estética do cotidiano; educação artística
abrange aspectos contextualistas.

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E) Pedagogia libertária
• Tendência Progressista
Escola: Transforma o aluno no sentido libertário e autogestionário, como forma de
resistência ao Estado.
• Metodologia: Livre-expressão. Contexto cultural. Educação estética.
• Conteúdos: São colocados para o aluno, mas não são exigidos. São resultantes
das necessidades do grupo.
• Relação professor-aluno: Professor é conselheiro, monitor à disposição do aluno.
• Nas artes: Educação Artística abrange aspectos contextualistas. Libertação de
opressões. Identidade cultural. Expressão, revelação de emoções, de insight e de
desejos. Libertação de impulsos criadores em experiências de grupo.

F) Pedagogia histórico-crítica
• Tendência progressista: fins dos anos 70
• Escola: Parte integrante do todo social. Prepara o aluno para participação ativa
na sociedade.

C. Rogers:
• Ensino centrado no aluno.
• Homem: Considerado uma pessoa situada no mundo.
• Conteúdos: São culturais, universais, sempre reavaliados frente à realidade social.

A. Neill:
• Desenvolvimento da criança sem interferência.
• Mundo: O homem reconstrói em si o mundo exterior.
• Ensino-aprendizagem: Técnicas de dirigir a pessoa à sua própria experiência,
para que ela possa estruturar-se e agir.
• Conhecimentos: construído pela experiência pessoal e subjetiva.
• Relação professor-aluno: Professor é autoridade competente que direciona o
processo ensino-aprendizagem. Mediador entre conteúdos e alunos.
• Metodologia: Contexto cultura; educação estética; proposta triangular.
• Avaliação: A experiência só pode ser julgada a partir de critérios internos do
organismo, os externos podem levar ao desajustamento.
• Nas artes: Conhecer arte. Apreciação, contextualização e fazer artístico.
• Educação Artística abrange aspectos contextualistas e essenciais.
• Aspectos sociais são considerados para o ensino de artes.
• Valorização da estética do cotidiano e capital cultural do aluno. Resgate da
identidade cultural antes de ser partir para um contexto mais amplo.
• Resgate da identidade cultural antes de ser partir para um contexto mais amplo.

Apesar das várias possibilidades de um ideário pedagógico, podem-se classificar as diferentes


linhas ou tendências pedagógicas no ensino brasileiro por meio de cinco abordagens
educacionais: Abordagem Humanista; Abordagem Comportamentalista; Abordagem
Tradicional; Abordagem Cognitivista e Abordagem Sociocultural.

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Embora vários outros filósofos e educadores tenham defendido a necessidade de se rever


os processos de ensino, os educadores aqui apresentados, por sua obra tanto teórica como
prática, tornam–se verdadeiros marcos do pensamento educacional e suas ideias repercutiram
diretamente no campo da Didática.

Apesar de apresentar concepções pedagógicas diferentes de educação, os educadores


mencionados tiveram um aspecto em comum: tentaram fazer com que a reforma no
ensino não ficasse restrita à elite e sim fosse estendida para parcelas cada vez maiores
da classe popular.

O papel da educação na humanização

Não se pode encarar a educação a não ser como um

saiba mais “quefazer” humano. Quefazer, portanto, que ocorre no tempo


e no espaço, entre os homens, uns com os outros.

Apendendo a Aprender Disso resulta que a consideração acerca da educação como


um fenômeno humano nos envia a uma análise, ainda que
https://www.youtube.com/watch?v=jhRMFHbtTDY
sumária, do homem.

O que é o homem? Qual a sua posição no mundo? – são


perguntas que temos de fazer no momento mesmo em que
nos preocupamos com a educação.

Se essa preocupação, em si, implica nas referidas


indagações, a resposta que a ela dermos caminhará a
educação para uma finalidade humanista ou não.

Não pode haver uma teoria pedagógica, que implica em


fins e meios da ação educativa, que esteja isenta de um
conceito de homem e de mundo.

Não há, nesse sentido, uma educação neutra. Se, para


uns, o homem é um ser da adaptação ao mundo, sua ação
saiba mais educativa, seus métodos, seus objetivos, devem se adequar
a essa concepção. Se, para outros, o homem é um ser de
Conheça mais as tendências pedagógicas, lendo o transformação do mundo, seu quefazer educativo segue um
texto “Tendências Pedagógicas na Prática Escolar.” outro caminho. Se o encaramos como uma “coisa”, nossa
Acesse o endereço: ação educativa se processa em termos mecanicistas, do
que resulta uma cada vez maior domesticação do homem.
http://www.aureliano.com.br/downloads/didatica/
Se o encaramos como pessoa, nosso quefazer será cada
texto02.docx
vez mais libertador. (Paulo Freire, “O papel da educação na
humanização”, Revista Paz e Terar ,1969. n. 9 , 123)

As abordagens, destacadas anteriormente, nos permitem


compreender a influência das diferentes tendências no
processo de ensino-aprendizagem. Para avançar mais um
pouco nesta discussão, procure fazer a análise da relação
desenvolvimento e aprendizagem na perspectiva de dois
fundamentos teóricos básicos da Psicologia.

Mas atenção: não vale ver a resposta antes de realmente


tentar!

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Jean Piaget: Teoria Cognitivista


leia com atenção
RESPOSTA Desenvolvimento impulsiona a Aprendizagem.
Sujeito responsável pelo seu processo de construção de
conhecimento.

A relação é direta entre o sujeito e o objeto do conhecimento.


Com Piaget, inaugura-se a perspectiva construtivista da
educação. O Construtivismo não se caracteriza como um
método, mas como uma postura pedagógica diante das
formas de conceber o ensino e a aprendizagem.

Vygotsky: Teoria Sócio-Histórica


leia com atenção
RESPOSTA Aprendizagem impulsiona os processos mentais de
Desenvolvimento.

O conhecimento é constituído na relação com o outro.


A relação é mediada entre o sujeito e o objeto do conhecimento.

Com Vygotsky, inaugura-se uma perspectiva educacional


histórico-cultural, com ênfase no conhecimento sócio-
histórico, nas relações de troca, na interação dialógica
e mediada pelo outro. Em outras palavras, para ele, o
conhecimento é mediado pelos pares mais capazes; que
ao aprender ocorre um processo de internalização dos
conhecimentos socioculturais, marcados historicamente;
que a aprendizagem modifica qualitativamente os processos
mentais de desenvolvimento; que o ser humano é relação,
constrói-se na relação com o outro e com o mundo e só se
diferencia e se assemelha no espaço relacional, os processos
didáticos terão um caráter mais dialógico e significativo.

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Essas duas teorias influenciam, de forma diferenciada, a ação pedagógica do professor.


Ao considerar o aluno responsável por seu processo de construção do conhecimento e
atuar como propiciador de experiências desequilibradoras – para que o sujeito enfrente os
desafios educacionais de acordo com o seu desenvolvimento cognitivo –, adotar-se-á uma
determinada postura didática diante do aluno, do conhecimento e da metodologia.

Conclusão
As transformações políticas, econômicas, culturais e sociais
da sociedade exigem um constante repensar da educação.
Ou seja, essas transformações acarretam um repensar sobre
as práticas pedagógicas da/na escola. Por isso, diferentes
sujeitos, em diferentes épocas, vão produzindo variadas
tendências pedagógicas.

saiba mais Tais tendências requerem uma atualização permanente do


professor, que precisa conhecer essas diferentes tendências
Quer saber mais sobre Piaget e Vygotsky? Leia pedagógicas, seus pressupostos de aprendizagem e suas
os textos: características, para ter condições de avaliar a sua própria
prática em sala de aula.
“A Teoria Básica de Jean Piaget”. Disponível em:

- http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per09.htm A formação do docente que atenda às necessidades dos


tempos atuais é marcada por questões que ressignificam
“Vygotsky: sua teoria e a influência na educação”. a prática pedagógica na escola. Um bom planejamento
Disponível em:
será aquele que puder contemplar a diversidade; que
- http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/e-ped/ proporcionará o estabelecimento de novos sentidos; que
agosto_2012/pdf/vygotsky_-_sua_teoria_e_a_ permitirá um processo reconstrutivo da aprendizagem.
influencia_na_educacao.pdf
Terminamos aqui a nossa primeira unidade de estudo da
disciplina Fundamentos da Didática. Esperamos que todos
os assuntos, aqui abordados, tenham contribuído para que
os objetivos tenham sido alcançados com sucesso.

diferentes Para que você possa avaliar seu desempenho frente aos
conteúdos estudados nessa primeira unidade, realize as
atividades propostas.

sujeitos, em
diferentes épocas,
vão produzindo
variadas tendências
pedagógicas
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Referências
ALVES, R. Conversa para quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez, 2000.

CANDAU, V. M. (Org.). A didática em questão. Petrópolis: Vozes, 2003.

CANDAU, V. M. Rumo a uma nova didática. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

FAZENDA, I. Práticas interdisciplinares na escola. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

FREIRE, P. O papel da educação na humanização. Revista Paz e Terra, São Paulo, n. 9,


out. 1969.

HAYDT, R. C. Curso de didática geral. 2. ed. São Paulo: Ática, 2003.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2000.

LIBÂNEO, J. C. Pensar e atuar em educação ambiental: questões epistemológicas e didáticas.


In: ENCUENTRO DE GEÓGRAFOS DE AMÉRICA LATINA, 11., 2007. Anais eletrônicos...
Bogotá: [s.n.]. 2007. Disponível em: <http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/
arquivosUpload/5146/material/Colombia%20XI%20Encuentro%20Texto%20final.doc>.
Acesso em: 4 set. 2015.

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