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AUTONOMIA DO APRENDIZ
NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
significados e dimensões

Oreste Preti 1

RESUMO

Pode-se dizer que o “calcanhar de Aquiles” na Educação a Distância é a situação de


aprendizagem “individual”. O estudar sem a presença regular de colegas e professores
desafia o cursista a superar suas limitações pessoais e desenvolver sua capacidade de
aprender autonomamente, de aprender a aprender. Este é um processo que exige
envolvimento tanto da instituição que oferece o curso como do cursista inscrito. A instituição
coloca a disposição do cursista todo seu sistema (recursos materiais e humanos, redes de
comunicação) para dar suporte à sua caminhada. Por outro lado, o cursista deve mergulhar,
assumindo para si, também, a responsabilidade de sua formação. Este artigo, então, propõe
ao estudante matriculado em cursos de EAD, reflexões e orientações sobre como participar
deste percurso, quais as dimensões a desenvolver para que se torne autor e ator do seu
processo formativo.

1
Professor do Departamento de Teorias e Fundamentos da Educação, Instituto de Educação
da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e membro da equipe do Núcleo de
Educação Aberta e a Distância (NEAD-UFMT).

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 1


Por que me impões o que sabes
se eu quero aprender o desconhecido
e ser fonte em minha própria descoberta?
Não quero a verdade
Dá-me o desconhecido.
Como estar no novo sem abandonar o presente?
/ / Deixa que o novo seja o novo
e que o trânsito seja a negação do presente;
deixa que o conhecido seja minha libertação
não minha escravidão.

(H. Maturana. El sentido de lo humano, 1996.)

Inicialmente, queremos chamar a atenção para o fato de que, ao


abordarmos a questão da Educação a Distância, estamos tratando de uma
modalidade e não de uma metodologia. Fazer esta diferenciação é
fundamental, para não cairmos na crença de que estamos atuando num
campo totalmente diferente, num sistema de educação paralela,
substitutivo ao que já existe. Esta modalidade embasa-se em teorias,
concepções e metodologias que dão também sustentação à educação
“presencial”. Como educadores, estamos juntos nesta luta,
presencialmente e\ou a distância, para que a educação se torne uma
realidade para milhões de cidadãos brasileiros excluídos deste bem social,
conquistado historicamente através de lutas, juridicamente garantido, mas
no dia-a-dia não realizado e, muitas vezes, negado. O que nos propomos,
enquanto professores e educadores que somos, é fazer educação. É o que
sabemos fazer e queremos fazê-lo das formas mais diferentes e da melhor
maneira possível, dentro das limitações objetivas que o sistema nos coloca
e tenta nos impor.

EAD: uma modalidade “em alta”?

Em 1991, fui convidado a participar de um Grupo Tarefa para dar


início à discussão de um projeto em Educação a Distância, na Universidade
Federal de Mato Grosso (UFMT). Fui muito na descrença, muito mais para
questionar, criticar do que realmente para entender esta modalidade. As
vagas imagens que eu tinha sobre Ensino a Distância, pois era essa a
terminologia mais utilizada, eram os cursos por correspondência do

Autonomia do aprendiz na EAD- 2


Instituto Universal Brasileiro e os programas que o MEC, na década de
70 sobretudo, colocava ao ar para serem acompanhados pelo rádio ou
pela televisão (como o Projeto Minerva e o Telecurso de 2o grau) ou
cursos através de material instrucional (como o Logos).
Porém, à medida que fui me inteirando e compreendendo a
modalidade, ela me conquistou. Não foi amor à primeira vista. Fui também
me dando conta que, sem eu saber, já havia praticado Educação a
Distância quando havía participado, entre 1982-87, do desenvolvimento de
uma proposta de formação de professores rurais na área do atual
município de Guarantã do Norte, em Mato Grosso.2
Não se trata, pois de algo novo, inovador ou diferente. É uma
modalidade vem acontecendo há muito tempo, utilizando os meios
disponíveis e adequados em cada época para atingir uma determinada
população. Mas, o que constatamos, nestas duas últimas décadas, é uma
expansão desta modalidade em todos os continentes. Praticamente, em
quase todos os países têm-se criado universidades ou sistemas em EAD e,
apesar de causar polêmicas, tem sido recebida com aplausos e críticas,
preconceitos e resistências.3
Mas o que explica e dá sentido ao crescimento desta modalidade?
Diversos são os fatores; podemos citar alguns, como o político-social,
o econômico, o tecnológico e o pedagógico. Vejamos rapidamente os
primeiros três para nos determos mais no último, lembrando, porém, que
estes fatores só serão compreendidos devidamente se os analisarmos e os
situarmos dentro do atual contexto de globalização da economia e de
hegemonia do discurso neo-liberal:

- político-social: diante do crescente desemprego frente à introdução de


máquinas “inteligentes” e ao processo de contenção de despesas públicas, em
quase todos os setores da vida social, o governo buscava estabelecer um
Estado mínimo e, frente à desqualificação dos trabalhadores, propunha dar
uma nova formação ao trabalhador e criar um consenso quanto às duras e
amargas medidas econômicas e sociais. Como fazer isso, atingindo
rapidamente o maior número de trabalhadores?

2
Trata-se do projeto “Escolonização: alternativas para as escolas em áreas de colonização
agrícola em Mato Grosso”, que fazia parte de um projeto nacional, coordenado pela
Secretaria de Cultura do MEC: “Interação entre a Educação Básica e os diferentes contextos
culturais existentes no país” , que se realizou durante o período de transição democrática
(1982-86).
3
A esse respeito ver, nessa mesma obra, o artigo de autoria de Preti: Educação a Distância e
Globalização: desafios e tendências”.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 3


- econômico: como dar essa formação sem onerar os cofres públicos ou das
empresas, diante da redução de investimentos na educação e sem tirar o
trabalhador do seu local de trabalho?
- tecnológico: os atuais meios tecnológicos favorecem pensar em situações de
novas aprendizagens, onde a figura presencial do professor, na maioria das
vezes, é dispensável ou ele pode interagir não com uma sala de 20 a 30
aprendizes, mas sim com centenas e mantendo o nível de qualidade dos
cursos oferecidos.
- pedagógico: a escola que está aí não é atraente, não é criativa e está
centrada, quase exclusivamente, no paradigma da heteroformação.4 Sua
estrutura muito fechada e burocratizada é um obstáculo para o trabalhador.
Necessita-se, pois, de uma modalidade mais leve, mais flexível, que ofereça
alternativas que correspondam à realidade do trabalhador, que é adulto, e que
esteja pautada no paradigma da autoformação.

A EAD, então, coloca-se hoje como uma possibilidade, como uma


alternativa. Um dos traços fortes, distintivos e centrais dessa modalidade é
a capacidade de se organizar para melhor viabilizar ao aprendiz a
construção de sua autoformação, de sua autonomia no processo de
aprendizagem.
Isso é facilitado na EAD, no entender de García Madruga e Martín
Cordero (1987, p. 13), pelo fato do aprendiz, em sua grande maioria, ser
adulto e apresentar as seguintes características:

 ser autodiretivo (o que facilita sua adaptação ao estudo independente, sua


autoformação);
 ser possuidor de uma rica experiência (que pode e deve ser aproveitada
como base para a construção de novos conhecimentos) e
 que busca na aprendizagem uma orientação mais prática, voltada para suas
necessidades mais imediatas.

Danielle Riverin-Simard (apud Pineau, s.d.) ao realizar um inquérito


longitudinal e transversal no Québéc, nos anos 80-81, entrevistando 786
adultos empregados, constatou que o adulto, quanto à formação, vive
“estados quase permanentes de interrogação”, independentemente de sua
idade, sexo e profissão, isto é, vive muito mais num estado de
desequilíbrio do que de estabilidade, de interrogação do que de respostas,

4
Heteroformação, no sentido da formação “imposta” pelo “outro”, de fora para dentro, de
alguém ensinando e o outro aprendendo, de alguém falando (sujeito) e o outro escutando
(objeto), de uma educação “bancária”, no sentido freiriano. O “outro”, pelo contrário, é parte
constitutiva da relação, tornando-se construtivo e formativo quando coloca-se como
participante do processo, não “impositivo”.

Autonomia do aprendiz na EAD- 4


de incertezas do que de certezas. O que a pesquisadora constatou é que,
após a entrada no trabalho, o adulto se dá conta da existência de um
afastamento gigantesco entre as aprendizagens escolares e as solicitadas
no mercado de trabalho. Isso levaria uma grande maioria (75%) a negar,
num primeiro momento, todo e qualquer valor à educação formal. Mas,
quando parte à procura de um “emprego melhor”, se dá conta da
importância da formação pelo trabalho, sendo atraído, então, pelas
fórmulas de aprendizagem individualizada e autodidata.
Em outras palavras, o adulto não somente tem as “possibilidades”
para conduzir sua formação como, a maioria deles, a busca, tornando-se,
assim, um terreno fértil e dinâmico para a EAD.
Em outro texto5, pusemos em destaque e apresentamos os
componentes da organização do sistema em EAD, necessários para que o
aprendiz possa conduzir sua autoformação: o material didático, a tutoria,
a avaliação e os meios de comunicação. Componentes a serem pensados,
planejados, postos em funcionamento, acompanhados e avaliados
continuamente pela instituição que oferece o curso. O aprendiz, assim,
teria possibilidades de construir sua autonomia ao longo do processo.
Aqui iremos colocar em foco um outro pólo da relação que se
estabelece no processo ensino-aprendizagem, o sujeito da aprendizagem.
E, dentre os mais variados aspectos que poderiam ser privilegiados e
tratados, queremos destacar e falar sobre a autonomia deste sujeito –
adulto e matriculado num curso oferecido a distância. Que processos de
autoaprendizagem podem ser criados e fortalecidos?

Autonomia, autoformação, autoaprendizagem, aprendizagem aberta,


aprender a aprender, autoregulação, autopoiésis, etc. terminologias
diferentes que remetem a concepções e práticas diferenciadas, mas que
têm em comum recolocar o aprendiz como sujeito, autor e condutor de
seu processo de formação, apropriação, reelaboração e construção do
conhecimento. Buscam superar tanto as concepções que colocam em foco
os “determinantes externos” (empirismo) como os “determinantes
internos” (apriorismo) caminhando em direção a uma visão relacional e
interacionista (dialética).
Mas na EAD, em que consiste a autonomia do aprendiz no processo
ensino-aprendizagem? O que ela significa e quais as dimensões que ela
abarca para ser construída? É disso que trataremos agora.

5
Preti, Oreste. Educação a Distância: uma prática mediadora e mediatizada. In: PRETI, O.
(org.) Educação a Distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: NEAD/UFMT, 1996,
p.15-56.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 5


Autonomia

Autonomia, uma palavra em moda nas duas últimas décadas, foi e é


bandeira de luta nossa na educação. Queremos uma universidade e uma
escola com autonomia. Falamos na autonomia do aprendiz em seu
processo de construção do conhecimento. O que isso significa, ou melhor,
quais os sentidos que essa palavra têm?

Significados

Vamos considerar aqui apenas dois aspectos indissociáveis: o político


e o pedagógico.
Em sua etimologia, autonomia vem do grego, resultado da
composição do pronome reflexivo, com posição atributiva, autós (próprio,
a si mesmo) com o substantivo nomos (lei, norma, regra). Para os
gregos, significava a capacidade de cada cidade se autogovernar, de
elaborar seus preceitos, suas leis, dos cidadãos decidirem o que fazer. Era
o pleno direito à liberdade política e econômica. Cada cidade um estado,
um estado democrático. Por outro lado significava a recusa à subjugação
a um rei, a um tirano, a grupos oligárquicos e a afirmação do ser-cidadão
e a negação do ser-escravo. Era uma qualidade inerente ao ser cidadão.6
Autonomia, pois, rima com democracia, com cidadania.

Sabemos, porém a luta que se trava nos bastidores, para ser


exercida. Há resistências, pois autonomia representa perda para quem
está no poder, para quem se coloca no outro lado da relação como
detentor do “saber” e das decisões a serem tomadas.

Na relação pedagógica, significa, de um lado, reconhecer no outro


sua capacidade de ser, de participar, de ter o que oferecer, de decidir, de
não desqualificá-lo, pois, a educação é um ato de liberdade e de
compartilhamento. E, nesse sentido, ela revela sua estreita e indissociável
ligação com o político.
Por outro lado, significa a capacidade que o sujeito tem de “tomar
para si”7 sua própria formação, seus objetivos e fins; isto é, tornar-se
sujeito e objeto de formação para si mesmo (Pineau, p. 3). Não é fácil
para o professor, que se coloca como “dirigente” da formação do seu
6
Não esqueçamos que, na Grécia Clássica, a categoria “cidadão” era restrita a uma parcela
reduzida da sociedade, pois dela estavam excluídos os escravos, os libertos, os estrangeiros e
as mulheres.
7
Em latim, “ser arrogante” (ar-rogare: atribuir a si, chamar para si) tem este sentido.

Autonomia do aprendiz na EAD- 6


aluno, tomar para si sua formação, ainda mais que, na Educação a
Distância, a figura do professor presencial “diretivo” não é visível,
desaparece, provocando no cursista um sentimento de abandono, de estar
só.

Esses significados nos remetem às fronteiras de outros significados.


Ter autonomia significa ser “autoridade”, isto é, ter força para falar em
próprio nome, poder professar (daí o sentido de ser “professor”) um
credo, um pensamento, ter o que ensinar a outrem, ser possuidor de uma
mensagem a ser proferida. Em outras palavras, é ser autor da própria fala
e do próprio agir. Daí a necessidade da coerência entre o dizer e o agir,
entre a ação e o conhecimento, isto é, a não separação destes dois
momentos interdependentes. Para Varela (apud Assmann, 1998, p.133-4)
autonomia e conhecimento são conceitos que, no campo dos seres vivos,
se reclamam reciprocamente: “um sistema é autônomo na medida em que
é autopoiético (que se faz a si mesmo), e é autopoiético enquanto é capaz
de aprender (cognitivo)”. Um conceito que leva ao de interação e processo
aprendente em atuação.

Dimensões

A autonomia enquanto uma ação educativa no processo de ensino-


aprendizagem pode ser abordada em suas dimensões mais variadas.
Vejamos algumas delas:

Dimensão “ontológica”

A autonomia é algo que faz parte do ser, do vir a ser, da ontologia do


homem enquanto sujeito capaz de tomar suas decisões, de ter nascido
livre, numa coletividade e, por isso, impondo a si mesmo os limites de sua
ação, de sua liberdade, de sua autonomia.
Porém, não pode ser encarada como uma qualidade humana dada e
pronta. Ela é uma conquista. Neste sentido, a autonomia se completa, se
realiza à medida que o homem cresce e amadurece, no convívio com os
outros.

/ / a autonomia não é um valor absoluto, fechado em si mesmo, mas um


valor que se define numa relação de interação social. (Neves, In: Veiga,
1996, p. 97)

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Já na criança podemos observar, desde a tenra idade, esta
capacidade de ser autônomo, de tomar decisões, de fazer escolhas. É
quando “a moral”, enquanto produto cultural, se instaura, diferenciando-o
do animalzinho que só imita e se repete.
Mas é somente na fase adulta que esta capacidade e possibilidade
de “vir-a-ser” (devir) pode tornar-se plena. Digo capacidade, possibilidade,
pois vai depender muito de cada sujeito construí-la, no dia-a-dia,
atendendo às suas especificidades e respeitando a autonomia dos outros
com os quais convive. É aqui que penetram e participam as outras
dimensões.

Dimensão política

A autonomia não é construída no vazio, sem uma direção. É


fundamental, pois definirmos os objetivos de nossas ações, desenharmos
o projeto de nossa vida, o projeto do grupo no qual estamos inseridos,
onde trabalhamos. Isso implica a participação nas ações coletivas, como o
projeto político-pedagógico ou outros projetos que a comunidade escolar
venha elaborar e implementar.
Por isso é bom perguntar-se: “Conheço realmente o projeto em que
estou inserido?” Conhecer não é um processo abstrato, uma simples
atividade do intelecto. É parte, é resultado de envolvimento, de ação, de
querer intervir e mudar. Significa conhecer o contexto onde nossa ação vai
se dar, a história dos sujeitos envolvidos, suas relações, seu mundo, suas
expectativas, seus interesses, seus sonhos, etc. É um processo complexo,
profundo e transformador.
Por isso, devemos antes nos perguntar: esse projeto faz parte da
minha vida profissional ou estou nele por um acidente de percurso, porque
minha escola foi escolhida ou porque há expectativas outras? E tomarmos
posição.
Sem um compromisso ético-profissional, não é possível exercer sua
autonomia, pois você estará a mercê dos outros, das decisões tomadas
sem a sua participação. Não resultará em processo emancipatório,
libertário e sim alienante e opressor. Estará apenas “cumprindo tarefas”.

/ / Bandura (1987)8 sustenta que quando se permite aos sujeitos a eleição de


suas metas, estes assumem para com elas um compromisso, passando deste
modo a considerarem-se responsáveis pelos progressos relativos à sua

8
A Teoria Cognitivo-social de Albert Bandura, nas últimas duas décadas, é uma das
referências mais citadas e estudadas no domínio da Psicologia, nos países anglo-saxónicos
(nota nossa).

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prossecução, incrementando assim os sub-processos da auto-avaliação e, por
isso também, o nível de desempenho e as expectativas de auto-eficácia.
(Cerdeira, 1995, p. 151)

A participação, portanto, é elemento “sine qua non” para essa


dimensão e, consequentemente, para a construção da autonomia. Mas,
como fazer isso na EAD onde os aprendizes estão, na maioria das vezes,
espacialmente distantes, afastados ou dispersos? A esse desafio a
modalidade tem inventado as mais diferentes “formas”, como os
momentos presenciais (individuais ou coletivos), o estímulo à organização
dos aprendizes em comunidades educativas em seus locais de moradia ou
de trabalho, o acompanhamento tutorial, etc. fazendo recurso também
dos recursos tecnológicos de comunicação.

Dimensão afetiva

Conhecer e tomar posição não é algo árido, seco e vazio. Requer


coração, emoção e paixão. Todo projeto educativo deve ser encarado
como algo prazeroso, para que marque a diferença. Isso significa:

Mobilizar as energias numa aventura lúdica compartilhada; sentir e fazer


sentir; participar entregando o melhor de si e recebendo o melhor dos
outros. (Gutiérrez Pérez, Prieto Castilho, 1991, p. 29)

O entusiasmo naquilo que se faz é ponto de partida e de chegada


para a concretização de projetos alternativos em educação, para que o
processo de autoaprendizagem se dê na sua totalidade e a pessoa se
realize como ser humano. Por isso, devemos nos perguntar: “Estou
entusiasmado com o projeto ou o curso em que estou inserido, isto é,
sinto um “deus” dentro de mim?” Pois, é esse o seu sentido etimológico
(enthousiasmós: inspiração divina).
Os motivos, para estar engajado num projeto, num curso de
formação a distância, num trabalho coletivo ou não, podem ser os mais
diferentes: satisfazer necessidades pessoais concretas, reciclar-se,
conhecer mais e melhor a área em que atua, aplicar conhecimentos novos
no trabalho, mudar de vida ou adaptar-se a novas situações, etc. O
importante é encontrar-se bem, gostar do que se está fazendo, do projeto
ou do curso em que se está envolvido. Pois, aprende-se quando se está
em atitude de aprendizagem, em atitude de interesse:

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O que não se faz sentir, não se entende, e o que não se entende, não
interessa. (Simón Rodriguez, apud Gutiérrez, Prado, 1999, p. 64)

As pesquisas, no campo da psicologia, comprovam que o “sucesso”


da aprendizagem depende muito desta dimensão:

/ / quando um estudante recebe informações que o levem a pensar que o


seu sucesso / / se justifica pela conjugação das suas capacidades com o
dispêndio de esforço / / desenvolve a sua percepção de auto-eficácia,
melhora a qualidade de sua execução e, de acordo ainda com a teoria
cognitivo-social, eleva o seu estado de motivação. (Cerdeira, 1995, p. 153)

E isso faz com que o aprendiz ganhe confiança em si mesmo, em sua


capacidade de aprender de maneira autônoma, sem depender
passivamente da figura do professor, de alguém que vem para “ensinar ao
outro que não sabe”.
A educação que recebemos castrou ou abafou este aspecto vital,
fazendo com que neguemos, no processo de aprendizagem, o prazer.
Temos que superar as visões reducionistas do Homo sapiens (idealismo e
racionalismo) e do Homo faber (materialismo e empirismo) e nos
aventurarmos na perspectiva e na possibilidade do Homo ludens, do
homem que educa o outro e educa a si mesmo num processo construtivo,
interativo e, ao mesmo tempo, prazeiroso e lúdico onde o sujeito-aprendiz,
com suas emoções e sentidos (nos dois “sentidos”) não é excluído, banido
como um não-ser, mas interage com o outro e com o objeto de sua
aprendizagem, com o meio no qual está “metido” e do qual é influenciado
e ao mesmo tempo o influencia e modifica modificando-se a si mesmo.
Neste sentido, todos os momentos de encontro, de trocas, de diálogos e
olhares são valorizados. O processo avaliativo, então, é construído a partir
de outros paradigmas, a partir de outros pontos de referência superando
os tradicionais métodos e instrumentos que provocam no aprendiz
ansiedade, medo e recusa à aprendizagem.

Dimensão Metodológica

A vontade política e o envolvimento emotivo não garantem, sozinhos,


o amadurecimento processual da autonomia. Ela tem que ser construída
sobre bases sólidas, sobre a reflexão e uma concepção de mundo, de
sociedade e de educação. Um componente fundamental, nesse processo,
é a decisão metodológica, isto é: qual o caminho a ser escolhido para
que a sua compreensão do mundo e a direção das práticas pedagógicas

Autonomia do aprendiz na EAD- 10


dêem sentido ao seu ato educativo, ao projeto no qual está inserido e que
auxiliem sua autoformação?
A leitura do mundo que você vai fazer estará em consonância com
essa opção. Ela poderá possibilitar o fortalecimento de sua autonomia, de
sua identidade ou conduzi-lo à alienação, a se diluir no outro, a esperar
que o outro tome as decisões por você.
Propomos o método dialético como sendo um caminho produzido
pela reflexão e ação dos homens ao longo de mais de dois milênios,
iniciado na Grécia Clássica com os primeiros filósofos. É o caminho que
parte das experiências (da realidade, da prática social) para ir construindo
novos conceitos (processo ordenado de abstração) e destes retornar à
experiência para dar-lhe sentido e sustentação, isto é, uma visão mais
profunda e total da realidade, uma olhada crítica e criadora da prática. É o
regresso à prática para transformá-la.
Na EAD, o recurso mais utilizado no processo ensino-aprendizagem,
ainda é o texto escrito, por ser aquele que é mais acessível, pois não
depende de outros meios tecnológicos, economicamente e socialmente o
menos oneroso, e portanto o mais democrático, além de estar muito
impregnado em nossa formação cultural. É pois sobre esse recurso que
faremos referências às possibilidades do adulto construir sua autonomia
intelectual.
Nesta direção, Monteiro e Almeida (1996, p. 9-11) nos dão algumas
orientações muito ricas. Propõem ao leitor, que é professor que estuda a
distância, uma dinâmica de leitura do texto escrito, em três momentos:
aproximação, reflexão-diálogo e re-elaboração.

“Aproximação é o momento em que [o leitor] toma contato com o


conteúdo da lição / / do seu modo, com suas características pessoais / /
com a abertura necessária para o aprendizado / / [a partir das] experiências
acumuladas por pensadores e elaboradas dentro de um determinado
contexto / /.
A Reflexão é o movimento da volta do pensamento para si mesmo,
interrogando a si mesmo / / em torno de três conjuntos de questões: quais
os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos,
dizermos o que dizemos, fazermos o que fazemos; qual é o conteúdo ou o
sentido do que pensamos, dizemos e fazemos; e por fim, qual é a intenção
ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos / /
[essa atividade] não é solitária / / O debate é uma forma de Diálogo, onde
cada um compartilha sua reflexão com o propósito de amadurecer a sua
própria reflexão e a do outro / /
A re-elaboração pessoal que se traduz na exposição escrita do seu
pensamento / / [que seja] coerente e tenha sentido claro”.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 11


Ao se “aproximar” do texto, inicialmente, você deve ter clareza do
objetivo daquela atividade (“por quê estou lendo este texto?”), ativar
todos os sentidos (ficar “ligado” no que está fazendo) e colocar-se na
posição de escuta do outro (o autor), deixando que o pensamento dele se
explicite, penetre em você e você compreenda sua fala. É o momento da
apropriação do texto, do diálogo com o autor.
Num segundo momento, aí sim, você fará a leitura do texto em seu
contexto, estabelecendo relações com seus conhecimentos anteriores, com
situações vividas, com sua prática de sala de aula. É o momento do
diálogo com o mundo, com sua realidade, seu entorno.
Agora estará aberto para escrever o seu texto, para se tornar autor e
sujeito do seu novo conhecimento e para tomar decisões que venham
transformar sua prática.
O caminho até aqui proposto vai permitir que se realize uma
“leitura”, em seu sentido pleno, dos materiais didáticos (textos, vídeos,
CD-Rom, etc.).Trata-se, pois de uma ferramenta, de um instrumento do
pensamento.
Alguns autores, neste sentido, vêm pesquisando as capacidades e
atividades metacognitivas9 no sentido de permitir ao sujeito o
conhecimento sobre seus processos cognitivos (por ex. conhecer a
amplitude de sua memória frente uma tarefa) e a regulação dos mesmos
(por ex., planejar suas ações), tornando-se, assim, “um mecanismo
essencial para a mudança” (Martí, 1995, p. 18).
O conhecimento e a enveredada por esse caminho nos auxiliam não
somente no sentido de tornar-nos capazes para realizar uma re-leitura do
texto, como para que adquiramos autonomia em nosso trabalho intelectual
e estejamos mais abertos às mudanças.
Segundo Guitiérrez Pérez e Prieto Castilho (1991, p. 91): “se fores
capaz de construir teu texto serás capaz de mudar atitudes cimentadas
durante anos em todo o sistema educativo”.
Por isso, a EAD atua em duas frentes. Primeiramente na elaboração
do texto escrito. Seus textos são “mediados”, considerando tanto os
conteúdos científicos e a aprendizagem como as formas de expressão dos
mesmos, oferecendo uma informação acessível, clara, organizada, rica em

9
Termo introduzido na literatura psicológica, nos inícios da década de 70, por Flavell.
Etimologicamente, significa “para além da cognição”, isto é, a faculdade de conhecer o
próprio ato de conhecer. Trata-se, pois da cognição da cognição, isto é, “como o
conhecimento que o indivíduo tem sobre os seus próprios processos e produtos cognitivos ou
aspectos relacionados com estes” (Valente et al., 1993), ou, dito de outra forma, de “pensar
sobre o pensar”.

Autonomia do aprendiz na EAD- 12


recursos expressivos, visando a aprendizagem (Gutiérrez Pérez, Ríos de
Maldonado, 1994, p. 3).
Em segundo lugar, propondo ao aprendiz que ele construa seu “texto
paralelo”10, ao lado do autor, que escreva seu próprio texto, que se torne
autor e co-autor, pois não se trata de um processo isolado, mas construído
no diálogo com o autor e os colegas do curso. Isso irá propiciar a reflexão
crítica e a integração teoria-prática.11

Dimensão Técnico-Instrumental

Estabelecidos estes “pontos de partida”, que dão os “fundamentos” à


sua possibilidade de autonomia no processo de aprender a aprender, mas
que, à primeira vista, parecem um pouco “teóricos”, porque não abordam
diretamente os seus problemas ou não auxiliam concretamente, podemos
tratar agora de algumas indagações práticas:

Como estudar? O que devo fazer, enquanto me coloco na posição de


aprendiz, para aprender a aprender, a me autoformar, a regular minha
aprendizagem, em suma, a ter minha autonomia no processo de
aprendizagem? Existem instrumentos e técnicas para dar suporte ao
aprendiz neste processo?
Há uma vasta literatura, tanto no campo da Metodologia Científica
como da Linguagem e da Comunicação que oferece as mais variadas
sugestões de como melhor fazer este percurso. Vejamos algumas dirigidas
para quem estuda no sistema de EAD.
Guitiérrez Pérez e Prieto Castilho, na obra “A mediação pedagógica”
(1991, p. 75-109) nos indicam três planos de atividades nos processos de
autoaprendizagem:
Na aproximação ao texto sugerem exercícios destinados a
“concretizar a relação” do aprendiz com o texto para se apropriar
(apropriação) dele: exercícios de significação, de expressão, de re-
significação e re-creação, de propor e solucionar problemas, de
autopercepção e de prospectiva.

10
Já na década de 20, Celestín Freinet propunha algo parecido: o uso do “texto livre” para
tornar a Pedagogia uma disciplina social, crítica e problematizadora, pois com esse
instrumento buscava integrar experiências, interesses e sentimentos através da narração e
discussão. Segundo Gutiérrez Pérez e e Ríos de Maldonado (1994) o “texto paralelo” deve
ter sempre presente: o sentido comum, a própria experiência, a imaginação, a experiência
dos outros, a investigação, a leitura, a reflexão, a criatividade e a significação.
11
Hoje, em muitos cursos de formação de professores, está sendo introduzida a prática de
utilização de instrumentos que provoquem a reflexão e a integração, tais como: o memorial,
o dossiê, o portfolio, o diário de bordo, etc.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 13


Na relação texto-contexto, onde a educação é colocada a serviço da
vida e não do tema ou da disciplina, três aspectos são ressaltados em que
o aprendiz deveria se exercitar: a relação intertextual, a observação e a
interação.
E, finalmente, no sentido do aprendiz superar a dicotomia entre o
que aprende e o que pratica, visando um trabalho integrado que avance
sobre os resultados de sua prática (aplicabilidade do aprendido), são
sugeridas atividades de produção, de reflexão e de invenção.
Alvarez (1989) propõe técnicas de leitura intensiva, extensiva e ativa,
além da utilização do skimming e do scanning.12
Preti (2000), na obra “A aventura de ser estudante”, dá algumas
orientações práticas, a partir de uma revisão da literatura nacional
existente sobre o assunto. No processo lógico do pensar propõe passos
metodológicos na leitura analítica do texto (preparação, compreensão,
interpretação, discussão do texto e tomada de decisão) e procedimentos
de organização das informações na leitura documental (técnicas de
resumo, síntese, esquema e fichamento), além de técnicas de redação.
O aprendiz, assim, que em princípio trabalha sozinho, mas não
isolado frente ao texto, através dos procedimentos sugeridos por esses ou
outros autores, poderá exercitar a apropriação do texto, a relação texto-
contexto e sua aplicabilidade, tornando completa a ação educativa de ser
leitor-autor e de poder conduzir autonomamente a reflexão sobre os
conteúdos propostos para sua formação e sobre sua prática.

Dimensão operacional

Tomadas as posições, cabeça e coração envolvidos, a autonomia,


para ser construída, vai exigir do sujeito ações organizacionais. Exige-se
uma certa “racionalidade” para que os objetivos propostos e os resultados
esperados sejam alcançados e obtidos, com os recursos e o tempo
disponíveis.
Não há dúvida de que existem inúmeras dificuldades que você terá
que considerar e superar, tais como: muito tempo afastado dos estudos e
a consequente dificuldade de adaptar-se a novas situações de
aprendizagem, expectativas e motivações reduzidas, condições de trabalho
e de vida desestimulantes, pouco tempo livre, descrença da validade e
aplicabilidade de estudos teóricos, visão muito pragmatista e imediatista
frente às práticas educativas, etc. Mas é necessário que você “se eduque
12
Skimming consiste em ler o texto rapidamente buscando o que nos interessa, os temas
básicos, a intenção ou o propósito do autor, o tipo de texto, etc.
Scanning é uma técnica mais limitada, pois trata somente de localizar alguma informação
específica: um nome, uma data, um evento, etc.

Autonomia do aprendiz na EAD- 14


para que saiba como aprender, como adaptar-se e como mudar”, se
quiser continuar desfrutando prazerosamente do seu trabalho e de sua
vida (García Aretio, 1995, p. 165).
Inicialmente, é fundamental um olhar para si mesmo, observar-se e
perguntar-se: como estudo, isto é, como aprendo, quais as estratégias
metacognitivas? Como ocupo e organizo o tempo ao longo do dia e da
semana? Quando, quanto, como e onde estudo? Quais os horários mais
proveitosos, que técnicas utilizo para ler, resumir, etc.?
O conhecimento das condições objetivas (ambiente, tempo, etc.) e
subjetivas (hábitos, estado físico e mental, etc.), esse conhecimento de si,
enquanto aprendiz, essa autoavaliação do “estado de aprendiz” o levará
a melhor definir e ponderar as metas e as etapas propostas no projeto.
Elas devem estar ao alcance de suas capacidades, pois, segundo Bandura
(In Cedreira, 1995) alcançá-las promove autoconfiança e auto-percepção
de eficácia.
Tomadas as decisões quanto às ações a serem desenvolvidas num
espaço de tempo determinado, o segundo elemento que subsidia e facilita
essa caminhada é a organização das atividades e a gestão do tempo. É
importante que planeje o que vai ser feito e dentro de que limites de
tempo. Isso vai exigir muita disciplina no cumprimento das decisões
tomadas e das atividades estabelecidas. Não empurre nada para depois.
Faça conforme o que foi definido. Não deixe que as rotinas da vida familiar
quebrem ou amoleçam os compromissos assumidos.

E, finalmente, autoavaliar-se continuamente, pois

Os estudantes que auto-regulam as suas aprendizagens por via da auto-


avaliação, confrontando os seus desempenhos com planos hierarquizados de
metas e sub-metas, tendem a manifestar um maior interesse / / a
desenvolver um maior esforço / / a obter melhores resultados.” (Cedreira,
1995, p. 150-51).

Essa dimensão operativa não pode ser entendida como um


receituário, como um “pacote de regrinhas” a serem simplesmente
seguidas e com isso automaticamente garantir o processo de autonomia
na aprendizagem. Postas as condições institucionais e o suporte do
grupo do qual participamos, o desenvolvimento e os resultados das ações
planejadas dependem, em grande parte, do envolvimento e do esforço
individual. Por isso, essas breves reflexões sobre como organizar o seu
trabalho.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 15


Considerações finais

Tentamos propor reflexões sobre significações e dimensões da


autonomia no processo educativo da Educação a Distância. São
conhecidas, mas espero ter valido a pena ter aberto e mexido no baú das
lembranças.
Não temos receitas e nem “pontos finais”, mas, a modo de
encerramento, queremos resumidamente apontar os aspectos salientados
ao longo de nossa fala:

- A autoaprendizagem é uma prática construída e consolidada em


práticas e sistemas alternativos13, como a EAD, onde toda estrutura
de suporte e procedimentos é posta para que aconteça o ato
educativo e não a instrução.

Se instruir não é educar, como dizia don Simón Rodríguez, então, se


num sistema de educação a distância alternativa realmente o que nos
interessa é educar, é necessário acentuar a autoaprendizagem”
(Gutiérrez Pérez, Prieto Castilho, 1991, p. 69).

- A autoaprendizagem é uma tarefa pessoal, pois o aprendiz deve


chamar para si seu processo de aprendizagem, tomar posição e
assumir compromisso consigo e com a instituição onde atua.
- A autoaprendizagem é também uma tarefa coletiva, de
corresponsabilidade entre o aprendiz e a instituição que oferece o
serviço. A responsabilidade da aprendizagem não pode estar
concentrada somente no aprendiz. Devem atuar eficientemente todos
os suportes necessários para um sistema de EAD (administrativo,
pedagógico, cognitivo, afetivo, etc.).
- A autoaprendizagem é também um processo de interaprendizagem,14
porque se aprende com o outro, com o grupo, com os colegas. Por
isso, atividades em equipe estimulam, motivam e facilitam a
autoaprendizagem.
- A autoaprendizagem deve ser posta de maneira prazerosa (o
ambiente, o material, os colegas, a equipe, etc.).

13
A EAD, para ser uma educação Alternativa, tem que possuir as seguintes características:
ser participativa, partir da realidade e fundamentar-se na prática social do estudante,
promover nos agentes do processo atitudes críticas e criativas, abrir caminhos à expressão e
comunicação, promover processos e obter resultados, fundamentar-se na produção de
conhecimentos, ser lúdica, prazerosa e bela, desenvolver atitudes de pesquisa (Gutiérrez
Pérez, Prieto Castilho, 1991, p. 37-52).
14
“Toda aprendizagem é uma interaprendizagem” (Simón Rodríguez).

Autonomia do aprendiz na EAD- 16


- Finalmente, talvez o mais importante, a autonomia não pode ser
simplesmente desejada pelo aprendiz e/ou proposta pela instituição ou
equipe que coordena projeto ou proposta em curso na instituição
educativa. Deve ser exercitada, praticada no cotidiano das tarefas
profissionais, considerando todas as dificuldades e limitações tanto
objetivas como subjetivas.

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – construindo significados - 17

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