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DIREITO

CONSTITUCIONAL
PREVIDENCIÁRIO
RENATO BARTH PIRES
JUIZ FEDERAL
MESTRE E DOUTORANDO EM DIREITO PELA PUC/SP
PROFESSOR DA FACULDADE DE DIREITO DA PUC/SP

Lourival da Silva Santos - 81247753549


Benefício recebido por força de tutela
provisória depois revogada.
STJ (RESP repetitivo):

 PREVIDÊNCIA SOCIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA.


REVERSIBILIDADE DA DECISÃO. O grande número de ações, e a demora que disso
resultou para a prestação jurisdicional, levou o legislador a antecipar a tutela
judicial naqueles casos em que, desde logo, houvesse, a partir dos fatos
conhecidos, uma grande verossimilhança no direito alegado pelo autor. O
pressuposto básico do instituto é a reversibilidade da decisão judicial. Havendo
perigo de irreversibilidade, não há tutela antecipada (CPC, art. 273, § 2º). Por isso,
quando o juiz antecipa a tutela, está anunciando que seu decisum não é
irreversível. Mal sucedida a demanda, o autor da ação responde pelo recebeu
indevidamente. O argumento de que ele confiou no juiz ignora o fato de que a
parte, no processo, está representada por advogado, o qual sabe que a
antecipação de tutela tem natureza precária. Para essa solução, há ainda o
reforço do direito material. Um dos princípios gerais do direito é o de que não
pode haver enriquecimento sem causa. Sendo um princípio geral, ele se aplica ao
direito público, e com maior razão neste caso porque o lesado é o patrimônio
público. O art. 115, II, da Lei nº 8.213, de 1991, é expresso no sentido de que os
benefícios previdenciários pagos indevidamente estão sujeitos à repetição. Uma
decisão do Superior Tribunal de Justiça que viesse a desconsiderá-lo estaria, por
via transversa, deixando de aplicar norma legal que, a contrario sensu, o Supremo
Tribunal Federal declarou constitucional. Com efeito, o art. 115, II, da Lei nº 8.213,
de 1991, exige o que o art. 130, parágrafo único na redação originária (declarado
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal - ADI 675) dispensava. Orientação a
ser seguida nos termos do art. 543-C do Código de Processo Civil: a reforma da
decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios
previdenciários indevidamente recebidos. Recurso especial conhecido e provido.
(REsp 1401560/MT, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministro ARI
PARGENDLER, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/02/2014, DJe 13/10/2015).

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Benefício recebido por força de tutela
provisória depois revogada.
STF:

 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM


RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO. NATUREZA ALIMENTAR. RECEBIMENTO
DE BOA-FÉ EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
TUTELA ANTECIPADA REVOGADA. DEVOLUÇÃO. 1. A
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal já assentou
que o benefício previdenciário recebido de boa-fé
pelo segurado, em decorrência de decisão judicial,
não está sujeito à repetição de indébito, em razão de
seu caráter alimentar. Precedentes. 2. Decisão judicial
que reconhece a impossibilidade de descontos dos
valores indevidamente recebidos pelo segurado não
implica declaração de inconstitucionalidade do art.
115 da Lei nº 8.213/1991. Precedentes. 3. Agravo
regimental a que se nega provimento (ARE 734242
AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira
Turma, julgado em 04/08/2015, DJe-175 08.9.2015).

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Benefício recebido por força de tutela
provisória depois revogada.

 Novidades importantes:
 STJ: em dezembro/2018, afetou novos recursos especiais
repetitivos: Pet nº 12482 / DF, Rel. Min. Og Fernandes (possível
revisão do tema).

 Lei nº 13.846/2019
 Alterou o artigo 115 da Lei nº 8.213/91:
 Art. 115. Podem ser descontados dos benefícios:
 II - pagamento administrativo ou judicial de benefício
previdenciário ou assistencial indevido, ou além do devido,
inclusive na hipótese de cessação do benefício pela
revogação de decisão judicial, em valor que não exceda
30% (trinta por cento) da sua importância, nos termos do
regulamento;

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Benefício recebido por força de tutela
provisória depois revogada.

 Art. 115.
 § 3º Serão inscritos em dívida ativa pela Procuradoria-Geral Federal os
créditos constituídos pelo INSS em decorrência de benefício
previdenciário ou assistencial pago indevidamente ou além do devido,
inclusive na hipótese de cessação do benefício pela revogação de
decisão judicial, nos termos da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980,
para a execução judicial. (Redação dada pela Lei nº
13.846, de 2019)
 § 4º Será objeto de inscrição em dívida ativa, para os fins do disposto
no § 3º deste artigo, em conjunto ou separadamente, o terceiro
beneficiado que sabia ou deveria saber da origem do benefício pago
indevidamente em razão de fraude, de dolo ou de coação, desde
que devidamente identificado em procedimento administrativo de
responsabilização. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de
2019)
 § 5º O procedimento de que trata o § 4º deste artigo será disciplinado
em regulamento, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999,
e no art. 27 do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de
1942. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)

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Fundamentos teóricos

 Seguridade Social e o
regime jurídico dos direitos
fundamentais.
 Noções de interpretação
constitucional.

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Conceito de Seguridade
Social
 A Seguridade Social, nos termos
estabelecidos pela Constituição Federal
de 1988, é o “conjunto integrado de
ações de iniciativa dos Poderes Públicos
e da sociedade, destinadas a assegurar
os direitos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social” (artigo
194).
 Três aspectos:
 Previdência Social
 Assistência Social
 Saúde

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Seguridade Social

Previdência Social – art. 201 e


202, CF/88

Seguridade Social Assistência Social – art. 203 e


204, CF/88

Saúde – art. 196 a 200, CF/88

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Seguridade Social

 Do espanhol seguridad =
segurança.
 Melhor opção
terminológica: “Segurança
Social”.

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“Segurança” na Constituição
Federal de 1988

 Preâmbulo:
 “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos
em Assembléia Nacional Constituinte para instituir
um Estado Democrático, destinado a assegurar o
exercício dos direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como
valores supremos de uma sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceitos, fundada na
harmonia social e comprometida, na ordem
interna e internacional, com a solução pacífica
das controvérsias, promulgamos, sob a proteção
de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”.

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“Segurança” na Constituição
Federal de 1988

 “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem


distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: (...)”.

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“Segurança” na Constituição
Federal de 1988

 “Art. 6º São direitos sociais a


educação, a saúde, a alimentação,
o trabalho, a moradia, o transporte, o
lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta
Constituição”.
 Transição entre a segurança jurídica
do Estado liberal/abstencionista e a
segurança social do Estado Social
intervencionista.

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Seguridade Social na perspectiva dos
direitos fundamentais

Título II
Direitos e garantias fundamentais

Capítulo I
Direitos e deveres Capítulo II Capítulo III Capítulo IV Capítulo V
individuais e coletivos Direitos Sociais Nacionalidade Direitos Políticos Partidos políticos

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Portanto:

 1) Os direitos à Previdência Social,


Assistência Social e Saúde são espécies
de direitos sociais, que, por sua vez, são
espécies de direitos fundamentais.
 2) Só é possível realizar uma
interpretação constitucionalmente
adequada desses direitos (Previdência,
Assistência e Saúde) atribuindo-lhes o
regime jurídico-constitucional dos
direitos fundamentais

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 Art. 5º, § 2º, da Constituição Federal de 1988:
“Os direitos e garantias expressos nesta
Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por
ela adotados, ou dos tratados internacionais
em que a República Federativa do Brasil seja
parte”.
 Assim, mesmo considerando que a
regulamentação específica da Previdência
Social, Assistência Social e Saúde esteja fora
do Título II da Constituição (especialmente
nos artigos 194 a 204), ainda são direitos
fundamentais e, como tais, merecem uma
interpretação coerente com essa natureza
jurídica.

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Consequências jurídicas da concepção do
direito à Seguridade Social como direito
fundamental

 1) A interpretação desses direitos deve


ser realizada à luz do princípio da
máxima efetividade em matéria de
hermenêutica de direitos fundamentais.
 Art. 5º, § 1º, CF/88: “As normas definidoras dos
direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata”.

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 2) A compreensão dos direitos à
Previdência Social, à Saúde e à
Assistência Social como direitos
fundamentais atrai a aplicação, para
essas questões, do princípio da
vinculação aos poderes públicos.
 Os Poderes Públicos estão vinculados ao que
determina a Constituição Federal (típica
Constituição dirigente).

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Vinculação aos Poderes
Públicos
 Legislativo: “regulamentação adequada” (ver
caso do benefício assistencial e a Lei nº
8.742/93).
 Executivo: proposta para orçamentos públicos e
escolhas orçamentárias (art. 165, I, II e III da
CF/88).
 Judiciário:
 Controle da omissão inconstitucional (ADI por
omissão e mandado de injunção)
 Concretização de políticas públicas
(medicamentos, prestações de saúde, etc.).
 O descumprimento dessas “obrigações” resulta
na inconstitucionalidade (controle será visto
adiante).

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Interpretação da Constituição e
Seguridade Social

 Interpretação constitucional
 É o ato de retirar o sentido da Constituição;
 É o ato de desvendar o sentido e o alcance das
normas constitucionais;
 Não se usa os mesmos critérios da legislação
infraconstitucional (literal, lógico, histórico, etc.);
 Isto porque as leis devem seguir a Constituição: a
interpretação das leis deve ser feita em face da
Constituição;
 A interpretação da Constituição deve ser feita a partir
da própria Constituição;

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Interpretação da Constituição e
Seguridade Social

 1) A interpretação deve ser sistemática


 artigo nem sempre é igual à norma;
 o artigo é o suporte fático da norma;
 um artigo pode conter várias normas;
 uma norma pode constar de vários artigos;
 ex.: art. 1º da Constituição: um artigo e várias
normas (República, Federação, Estado
Democrático, Fundamentos);
 ex: direito de propriedade: art. 5º, caput
(propriedade); art. 5º, XXII (direito de
propriedade); art. 5º, XXIII (função social); art.
5º, XXIV (desapropriação); arts. 182 e 184
(função social das propriedades urbana e
rural);

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 2) Princípios constitucionais
 normas jurídicas: podem ser regras ou
princípios

 Boa notícia: tanto as regras quanto os


princípios são normas jurídicas e
produzem efeitos jurídicos; o que pode
variar é a intensidade ou qualidade
desses efeitos jurídicos.

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 Regras jurídicas:
 realizam a disciplina direta de uma
relação jurídica específica;
 as regras têm uma alta carga normativa
e, simultaneamente, uma baixa carga
valorativa (ou axiológica).
 Ex.: art. 201, § 7º, I, da Constituição Federal, que
assegurava a aposentadoria, no Regime Geral de
Previdência Social – RGPS, a quem alcança 35 anos de
contribuição, se homem, ou 30 anos de contribuição,
se mulher (regra anterior à EC nº 103/2019) – agora foi
acrescentada a regra de pontos – idade + tempo de
contribuição: 86/96 – m/h, aumentando um ponto por
ano, a partir de 01.01.2020, até chegar a 100/105).

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 Princípios jurídicos: alicerces, vigas mestras do
edifício jurídico;
 estruturam outras regras;
 “princípio”, pois é o começo da construção;
 têm baixa carga normativa;
 não pretendem disciplinar diretamente uma
situação (relação jurídica);
 querem passar/conduzir/transmitir valores.
 “vetores para soluções interpretativas”.
 Ex.: artigo 193 da Constituição Federal: “A ordem
social tem como base o primado do trabalho, e
como objetivo o bem-estar e a justiça sociais”.

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 Também regras e princípios constitucionais.
 Título I da Constituição Federal: “Dos
princípios fundamentais”.
 Finalidade dos princípios:
 Orientam a interpretação, a integração e a
aplicação do direito.
 Defesa contra o legislador (ordinário ou
constitucional).
 Reformas previdenciárias?
 “Princípio da constitucionalidade” – princípios
são “vetores”.

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Princípios constitucionais gerais
aplicáveis à Seguridade Social

 Artigo:

 Princípios constitucionais gerais e


seguridade social: aplicações práticas.

 Revista do TRF 3ª Região, nº 126, p. 71-97.


 Disponível em:

 http://www.trf3.jus.br/revista/edicoes-da-
revista-2008-atual/

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Princípios constitucionais gerais
aplicáveis à Seguridade Social

 1) Princípio da dignidade da pessoa


humana (artigo 1º, III, da CF/88)
 “pessoa humana”?
 STF: fundamento nos casos de gratuidade de
transporte às pessoas com deficiência;
pesquisas com células tronco embrionárias,
união homoafetiva, interrupção da gestação do
feto anencéfalo, prestações concretas em
matéria de saúde, matrícula em creche, etc.
 STJ: possibilidade de comprovação do
desemprego, por outros meios, para
prorrogação do “período de graça” (art. 15, §
2º, da Lei nº 8.213/91)
 “mínimo existencial”: não apenas um dever de
abstenção, mas um dever de oferecer
prestações mínimas essenciais à subsistência
com dignidade (LOAS).

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1) Princípio da dignidade da pessoa humana
(artigo 1º, III, da CF/88)

 Dever do INSS e do Poder Judiciário de levar em consideração as condições pessoais


daquele que pretende a concessão de um benefício por incapacidade
 Avaliação global da extensão das limitações postas à pessoa com deficiência,
pretendente ao benefício assistencial (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS).
 Como critério de interpretação da condição de “miserabilidade”, também para efeito de
concessão do benefício assistencial (BPC) ao idoso ou à pessoa com deficiência.
 Exame de situações concretas que, apesar de não previstas no Regulamento da
Previdência Social, submetam o segurado a condições de trabalho potencialmente
prejudiciais à sua saúde, para fins de concessão de aposentadoria especial (artigo 201, §
1º, da Constituição Federal; artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91).
 Ponderação da extensão do conceito de “dependência econômica”, para fins de
concessão de pensão por morte a pais ou mães de segurados falecidos (artigo 16, II e §
4º, da Lei nº 8.213/91).
 Para afirmar a tese da irrepetibilidade de benefícios previdenciários ou assistenciais
recebidos de boa-fé, ainda que irregularmente
 Como parâmetro para verificação de efetiva ocorrência de danos morais indenizáveis,
em razão da demora excessiva na análise do pedido administrativo do benefício.
 Para autorizar, em conjunto com o princípio da persuasão racional (art. 371 do CPC), que
o Juiz desconsidere as conclusões da perícia judicial e conceda o benefício por
incapacidade (aposentadoria por invalidez, auxílio-doença ou auxílio acidente) ou o
benefício assistencial à pessoa com deficiência com base em outros elementos trazidos
aos autos.
 Para admitir em matéria previdenciária, em hipóteses excepcionais, a tutela provisória de
urgência de ofício, isto é, mesmo sem pedido expresso do autor

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 2) Princípio da legalidade (art. 5º, II; art. 37
CF/88).
 INSS é autarquia – parte da Administração
Pública Indireta.
 Poder regulamentar/competência regulamentar
(art. 84, IV, CF/88):
 Presidente da República tem competência
privativa para “sancionar, promulgar e fazer
publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para sua fiel execução; (...)”.
 Decreto nº 3.048/99 (alterações do Decreto nº
10.410/2020).
 IN PRES/INSS nº 77/2015.

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 Dica de leitura:

 “Comentários ao Novo Regulamento


 da Previdência Social”,
 Editora Paideia Jurídica:
 (escrevi o capítulo “Competência
regulamentar no Direito Previdenciário”).
 Acesso gratuito em:
 https://d335luupugsy2.cloudfront.net/cms/files/2686
67/1611865485eBook_gratuito_comentariosaonovor
egulamentodaprevidenciasocial_editorapaideiajuri
dica.pdf

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 3) Princípio da igualdade ou isonomia (art. 5º, “caput”,
I, 3º, III, 4º, V, 5º, caput (por duas vezes) e I, 7º, XXXIV,
14, 37, XXI, 43, caput e § 2º, I, 150, II, 165, § 7º, 170, III,
196, 206, 226, § 5º, 227, § 3º, IV, etc.).
 Repetição “inútil”?
 O legislador é “discriminatório”: ex.: pensão por
morte dos filhos não inválidos deve cessar quando
completarem 21 anos de idade, a Lei nº 8.213/91
(art. 77, § 2º, II).
 Aristóteles
 Rui Barbosa: “a regra da igualdade não consiste
senão em aquinhoar desigualmente os desiguais,
na medida em que se desigualam” (Oração aos
Moços)

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 3) Princípio da igualdade ou isonomia

 Celso Antonio Bandeira de Mello:


 É preciso identificar qual é o fator utilizado com
critério discriminador, isto é, qual o discrímen, qual o
elemento discriminador incidente sobre o caso
concreto (a idade, o gênero, a altura, a riqueza, etc.)
 É necessário verificar, em seguida, se há uma
correlação lógica entre o elemento discriminador e o
tratamento jurídico atribuído ao caso concreto,
considerando a desigualdade verificada (há uma
razoabilidade nessa discriminação?).
 Por fim, impõe-se verificar se existe afinidade entre
essa correlação lógica já assinalada e valores
prestigiados pela ordem constitucional

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3) Princípio da igualdade ou
isonomia

 “Discriminações” feitas pela própria Constituição Federal:

 1) Fixação de prazos e idades diferentes, entre homens e mulheres, para a


aposentadoria por tempo de contribuição (artigo 201, § 7º, I e II);
 2) Seleção prévia das “contingências” sociais ou eventos merecedores de
proteção previdenciária (artigo 201, I a V);
 3) Possibilidade de concessão de aposentadoria em condições
diferenciadas para os segurados com efetiva exposição a agentes
químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses
agentes, ou quando se tratar de segurados com deficiência (artigo 201, §
1º); - redação da EC nº 103/2019 – despareceram os agentes perigosos.
 4) Autorização para que as contribuições para o custeio da Seguridade
Social tenham alíquotas diferenciadas, em razão da atividade econômica,
da utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da
condição estrutural do mercado de trabalho; também bases de cálculo
diferenciadas no caso da COFINS e da CSLL (artigo 195, § 9º).

 Em outras situações, é a própria Constituição quem determina um


tratamento legislativo igualitário, como é o caso dos benefícios devidos a
segurados urbanos e rurais. Mais adiante, faremos uma melhor análise da
norma do artigo 194, II, da Constituição Federal de 1988.

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 3) Garantias constitucionais decorrentes do devido processo
legal (contraditório, ampla defesa, juiz natural, proibição das
provas obtidas por meios ilícitos, razoável duração do
processo, etc).
 Devido processo legal processual e material (substancial).
 Processo judicial ou administrativo.
 Cancelamento de benefício ou revisão do ato de concessão sem
a participação do beneficiário;
 Súmula 473 do STF: “A Administração pode anular seus próprios atos,
quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se
originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos
os casos, a apreciação judicial”.
 Súmula nº 160 do TFR: “A suspeita de fraude na concessão de benefício
previdenciário não enseja, de plano, a sua suspensão ou
cancelamento, mas dependerá de apuração em procedimento
administrativo”.
 Art. 69 da Lei nº 8.212/91.
 Cancelamento da aposentadoria por invalidez do segurado que
retornar voluntariamente à atividade remunerada (no Regime Geral de
Previdência Social ou em qualquer outro): art. 46 da Lei nº 8.213/91 que,
nesse caso, a aposentadoria será “automaticamente cancelada”.

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 3) Garantias constitucionais decorrentes
do devido processo legal (contraditório,
ampla defesa, juiz natural, proibição das
provas obtidas por meios ilícitos, razoável
duração do processo, etc).
 A cessação dos benefícios por incapacidade
mediante o sistema de “alta programada” (a
Cobertura Previdenciária Estimada).

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 3) Garantias constitucionais decorrentes
do devido processo legal (contraditório,
ampla defesa, juiz natural, proibição das
provas obtidas por meios ilícitos, razoável
duração do processo, etc).
 Importância do estudo do Mandado de segurança.

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 3) Garantias constitucionais decorrentes do devido processo
legal (contraditório, ampla defesa, juiz natural, proibição das
provas obtidas por meios ilícitos, razoável duração do
processo, etc).

 Caso da habilitação provisória à pensão por morte na Lei


nº 13.846/2019 (conversão da MP 871/2019):

 https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI294915,101048
-
A+habilitacao+provisoria+da+pensao+por+morte+na+MP
+87119

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 4) Princípio da segurança jurídica.
 Segurança jurídica é o “conjunto de condições
que tornam possível às pessoas o conhecimento
antecipado e reflexivo das consequências
diretas de seus atos e de seus fatos à luz da
liberdade que lhes é reconhecida”.
 Exemplos: do princípio da anterioridade em
matéria tributária (artigo 150, III, “b” e “c”), do
princípio da irretroatividade da lei tributária
(artigo 150, III, “a”), da irretroatividade da lei
penal incriminadora (artigo 5º, XXXIX e XL) e do
princípio da anterioridade da lei eleitoral (artigo
16 da CF e ADIn 3.685/DF, Rel. ELLEN GRACIE).
 “Previsibilidade” dos comportamentos humanos.

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Segurança jurídica

 Segurança jurídica em três


perspectivas:

Proteção ao direito adquirido


Proibição do retrocesso social
Princípio da proteção da
confiança
Segurança e regras de
transição
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Direito adquirido

 Art. 5º, XXXVI, da Constituição: “a lei não


prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito e a coisa julgada”.

 O direito adquirido é aquele que, decorrente


de um fato ou ato praticado de acordo com
a ordem jurídica, se incorporou
definitivamente à pessoa ou ao patrimônio de
seu titular.

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Direito adquirido

 Ex.: homem que completou 35 anos de


contribuição; alteração da Constituição para
instituir idade mínima de 65 anos (promovida
pela EC nº 103/2019).

 STF: direito adquirido ao benefício mais


vantajoso possível, nos casos em que o
segurado poderia ter direito a mais de um
benefício (RE 630.501, Rel. p/ acórdão Marco
Aurélio, DJe 26.8.2013).

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Direito adquirido

 A “lei” não prejudicará... E a Constituição?

 Nova Constituição e Emendas à Constituição


existente.

 “Lei” = “norma jurídica”


 STF e o “direito adquirido a um regime jurídico”:

 Contribuição previdenciária dos servidores


inativos: ADI nº 3128/DF, Rel. Ellen Gracie, red. p/
acórdão Cezar Peluso, DJU 18.02.2005, p. 4.

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Direito adquirido na EC nº
103/2019

 Como regra, a EC nº 103/2019 preservou o direito adquirido.

 Mas: contagem recíproca de tempo de contribuição


 EC nº 103/2019.
 Art. 25.
 § 3º Considera-se nula a aposentadoria que tenha sido
concedida ou que venha a ser concedida por regime próprio
de previdência social com contagem recíproca do Regime
Geral de Previdência Social mediante o cômputo de tempo
de serviço sem o recolhimento da respectiva contribuição ou
da correspondente indenização pelo segurado obrigatório
responsável, à época do exercício da atividade, pelo
recolhimento de suas próprias contribuições previdenciárias.
 Aparente violação a direito adquirido/ato jurídico perfeito.

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Princípio da proibição do retrocesso
social

 Os direitos previstos na Constituição que


já estejam assegurados e concretizados
por meio de medidas legislativas não
podem ser suprimidos.

 Não se trata de proteger o direito


adquirido (que já se incorporou à pessoa
ou ao patrimônio de seu titular), mas da
estabilização da própria perspectiva de
aquisição do direito já legislado.

 Direitos fundamentais e o “efeito cliquet”.


 “Direito adquirido social” (Marcus Orione)

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Princípio da proibição do retrocesso
social

STF:
“Os servidores públicos, que não tinham completado os requisitos para a
aposentadoria quando do advento das novas normas constitucionais,
passaram a ser regidos pelo regime previdenciário estatuído na
Emenda Constitucional nº 41/2003, posteriormente alterada pela
Emenda Constitucional nº 47/2005” (ADI 3.104, Rel. Carmen Lúcia, DJe
09.11.2007, p. 29).

“O princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos


fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas as
conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em
que ele vive. - A cláusula que veda o retrocesso em matéria de direitos
a prestações positivas do Estado (como o direito à educação, o direito
à saúde ou o direito à segurança pública, v.g.) traduz, no processo de
efetivação desses direitos fundamentais individuais ou coletivos,
obstáculo a que os níveis de concretização de tais prerrogativas, uma
vez atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou suprimidos pelo
Estado. Doutrina. Em consequência desse princípio, o Estado, após
haver reconhecido os direitos prestacionais, assume o dever não só de
torná-los efetivos, mas, também, se obriga, sob pena de transgressão
ao texto constitucional, a preservá-los, abstendo-se de frustrar -
mediante supressão total ou parcial - os direitos sociais já
concretizados” (ARE 639.337 AgR, Rel. Celso de Mello, Segunda Turma,
DJe 15.9.2011).

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Princípio da proibição do retrocesso
social

STF:
 1) Possibilidade de que o Poder Judiciário imponha ao Estado a obrigação de
instituir Defensoria Pública (AI 598.212 ED, Rel. Celso de Mello, Segunda Turma, DJe
24.4.2014; RE 763.667 AgR, Rel. Celso de Mello, DJe 13.12.2013);

 2) Autorizar a intervenção judicial para compelir o Poder Público a ampliar e


melhorar o atendimento a gestantes em maternidades estaduais (RE 581.352 AgR,
Rel. Celso de Mello, DJe 22.11.2013);

 3) Assegurar a prevalência das regras do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº


8.078/90) sobre as da Convenção de Varsóvia ou do Código Brasileiro de
Aeronáutica, quanto às indenizações por danos morais decorrentes de atrasos ou
má prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros (RE 251.750, Rel. p/
acórdão Carlos Britto, DJe 25.9.2009);

 4) Afastar a aplicação da regra do art. 14 da Emenda nº 20/98 ao salário da


licença-gestante (ADI 1.946, Rel. Sidney Sanches, DJ 16.5.2003, p. 90).

 Não admitiu a alegação: para afastar a aplicação a Lei Complementar nº


135/2010 (a “Lei da Ficha Limpa”) - ADC nº 29/DF, Rel. Luiz Fux, DJe 29.6.2012.

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Princípio da proibição do retrocesso

 Julgado recente: ADI 2096, Rel. Min. Celso de Mello, j. em 13.10.2020 (publicado
em 27.10.2020)
 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – ARTIGO 7º, INCISO XXXIII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL,
NA REDAÇÃO DADA PELA EC Nº 20/98 – PROIBIÇÃO DE QUALQUER TRABALHO A MENORES DE 16
(DEZESSEIS) ANOS, SALVO NA CONDIÇÃO DE APRENDIZ, A PARTIR DOS 14 (QUATORZE) ANOS –
ALEGADA TRANSGRESSÃO AOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DOS ADOLESCENTES SUPOSTAMENTE
MOTIVADA PELA ELEVAÇÃO DO LIMITE ETÁRIO MÍNIMO (DE 14 PARA 16 ANOS) DE OBSERVÂNCIA
NECESSÁRIA PARA EFEITO DE AQUISIÇÃO DA PLENA CAPACIDADE JURÍDICO-LABORAL –
INOCORRÊNCIA DO ALEGADO VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE – A EVOLUÇÃO JURÍDICA DAS
FORMAS DE TRATAMENTO LEGISLATIVO DISPENSADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE: DA FASE DA
ABSOLUTA INDIFERENÇA À DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL – ABOLIÇÃO DA EXPLORAÇÃO DO
TRABALHO INFANTIL DE CARÁTER ESTRITAMENTE ECONÔMICO E ELEVAÇÃO PROGRESSIVA DA IDADE
MÍNIMA DE ADMISSÃO PARA O TRABALHO E O EMPREGO – OBSERVÂNCIA DOS COMPROMISSOS
FIRMADOS PELO BRASIL NO PLANO INTERNACIONAL (CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA
CRIANÇA, CONVENÇÃO OIT Nº 138, CONVENÇÃO OIT Nº 182 E META 8.7 DA AGENDA 2030 PARA O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL) E NECESSIDADE DE RESPEITO AOS POSTULADOS QUE INFORMAM A
DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL (CF, ART. 227) – PROFISSIONALIZAÇÃO E PROTEÇÃO NO
TRABALHO – DIREITOS CONSTITUCIONAIS, DE ÍNDOLE SOCIAL, TITULARIZADOS PELA CRIANÇA E PELO
ADOLESCENTE (CF, ART. 227, “CAPUT”) – POSSIBILIDADE DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADES PROFISSIONAIS
INFANTO JUVENIS DE CARÁTER PREDOMINANTEMENTE SÓCIOEDUCATIVO, DESDE QUE OBSERVADO,
SEMPRE, O RESPEITO À CONDIÇÃO PECULIAR DE PESSOA EM DESENVOLVIMENTO (CF, ART. 227, §3º,
V) – VOCAÇÃO PROTETIVA DO POSTULADO CONSTITUCIONAL QUE VEDA O RETROCESSO SOCIAL –
MAGISTÉRIO DA DOUTRINA – AÇÃO DIRETA JULGADA IMPROCEDENTE, COM O CONSEQUENTE
RECONHECIMENTO DA PLENA VALIDADE CONSTITUCIONAL DO ART. 7º, INCISO XXXIII, DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, NA REDAÇÃO DADA PELA EC Nº 20/98.

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Princípio da proibição do retrocesso
social

 EC 103/2019 contém diversos dispositivos que


representam claro retrocesso na proteção ao direito
fundamental à previdência social.

 Alguns exemplos:
 Idade mínima de 65/62 anos para aposentadoria
(homens e mulheres).
 Possibilidade de “privatização” de benefícios não
programados (inclusive acidentários)
 Revogação das regras de transição já vigentes para os
servidores públicos;
 Cálculo do valor das aposentadorias, etc.

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Princípio da proteção da confiança

 “Dimensão subjetiva da segurança jurídica”.


 Obriga o Poder Público ao dever de respeito e tutela das expectativas que cria
em razão de uma conduta sua.
 São os casos em que atos do Poder Público fazem emergir para o Administrado
uma justa expectativa quanto à permanência dos efeitos dos atos praticados. São
expressões da proteção da confiança, por exemplo, a existência de regras de
transição entre regimes jurídicos, a impossibilidade de retroação de novos
entendimentos, assim como o dever de coerência do Poder Público, impedindo
mudanças caprichosas de critérios decisórios (Luís Roberto Barroso, prefácio em
ARAÚJO, Valter Shuenquener, O princípio da proteção da confiança, 2ª ed.,
Niteroi: Impetus, 2016, s/ p.).
 CPC : "a modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou
de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de
fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da
segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia" (art. 927, § 4º).
 O próprio legislador concluiu, assim, que a pacificação da jurisprudência em
determinado sentido faz nascer para o jurisdicionado uma justa expectativa de
que se deve comportar nos termos já decididos. Assim, uma revisão daquele
entendimento pacificado não pode ser feito de modo a colher de surpresa o
jurisdicionado, ao contrário, deve ser cercada de todas as cautelas.

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Regras de transição

 Mesmo que afastada a tese da proibição do retrocesso, há


um direito fundamental ao estabelecimento de regras de
transição, quando se trata de alteração constitucional das
regras de previdência social, em quaisquer dos regimes.

 Mesmo que se admita a possibilidade de modificação dessas


regras, preservando apenas o direito adquirido, essa
modificação deve necessariamente vir acompanhada de
regras de transição para aqueles que já tinham uma
expectativa de aquisição de direitos. Sem essas regras de
transição, haverá inequívoca afronta ao direito à segurança
jurídica, que é, vale recordar, uma cláusula pétrea (artigos 5º,
“caput”, e 60, § 4º, IV, da Constituição Federal)
 É justamente o que não faz a EC nº 103/2019.

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Princípio da proteção da confiança

 “Dimensão subjetiva da segurança jurídica”.


 Obriga o Poder Público ao dever de respeito e tutela das expectativas que cria
em razão de uma conduta sua.
 São os casos em que atos do Poder Público fazem emergir para o Administrado
uma justa expectativa quanto à permanência dos efeitos dos atos praticados. São
expressões da proteção da confiança, por exemplo, a existência de regras de
transição entre regimes jurídicos, a impossibilidade de retroação de novos
entendimentos, assim como o dever de coerência do Poder Público, impedindo
mudanças caprichosas de critérios decisórios (Luís Roberto Barroso, prefácio em
ARAÚJO, Valter Shuenquener, O princípio da proteção da confiança, 2ª ed.,
Niteroi: Impetus, 2016, s/ p.).
 CPC : "a modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou
de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de
fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da
segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia" (art. 927, § 4º).
 O próprio legislador concluiu, assim, que a pacificação da jurisprudência em
determinado sentido faz nascer para o jurisdicionado uma justa expectativa de
que se deve comportar nos termos já decididos. Assim, uma revisão daquele
entendimento pacificado não pode ser feito de modo a colher de surpresa o
jurisdicionado, ao contrário, deve ser cercada de todas as cautelas.

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Julgado recente do STF (19.02.2020)

 Recurso Extraordinário (RE) 636553, com repercussão


geral reconhecida.

 Tema 445: “Os Tribunais de Contas estão sujeitos ao


prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade
do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma
ou pensão, a contar da chegada do processo à
respectiva Corte de Contas, em atenção aos princípios
da segurança jurídica e da confiança legítima”.

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Princípios constitucionais
específicos da Seguridade Social
(art. 194)
 1) Princípio da universalidade da cobertura e do
atendimento
 Universalidade de cobertura: universalidade em seu aspecto objetivo,
indicando uma pretensão de que todas as contingências que gerem
uma situação de desamparo devam merecer previsão legal.
 Universalidade de atendimento, ou universalidade em seu aspecto
subjetivo: “todos aqueles que forem atingidos por uma contingência
social que lhes retira a capacidade de trabalhar ou acarreta um
aumento de despesas, a qual se revela apta a desencadear um
desequilíbrio no orçamento familiar”.
 E o auxílio-reclusão – “dependentes do segurado de baixa renda”:
limite máximo de renda do segurado (EC 20/98)?
 STF: Tribunal Pleno, RE 587.365, Rel. Ricardo Lewandowski, DJe
07.5.2009.
 Em 2020: valor máximo da renda do segurado: R$ 1.425,56.
 Requisito da “baixa renda” – inserido no artigo 80 da Lei nº
8.213/91 pela Lei nº 13.846/2019. - § 4º A aferição da renda mensal
bruta para enquadramento do segurado como de baixa renda
ocorrerá pela média dos salários de contribuição apurados no
período de 12 (doze) meses anteriores ao mês do recolhimento à
prisão

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 2) Princípios da uniformidade e da equivalência
dos benefícios e serviços às populações urbanas
e rurais
 Mas: “o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o
pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que
exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem
empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social
mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da
comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos
termos da lei” (art. 195, § 8º).
 A própria Lei nº 8.213/91 contém preceitos que buscaram resgatar
essa desigualdade histórica, como o tratamento de segurado
especial dado ao pequeno produtor rural (art. 11, VII), bem como
o estabelecimento de regras de transição para a concessão de
aposentadoria rural por idade (artigo 143).
 Essas eventuais discriminações positivas transitórias, em favor das
populações rurais, são justificadas por uma questão de isonomia
material e não violam o princípio da uniformidade.

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 3) Princípios da seletividade e distributividade na
prestação dos benefícios e serviços
 Seletividade: a Constituição Federal impõe ao
legislador que selecione as prestações e as
contingências sociais que serão cobertas, à vista
das possibilidades financeiras do Estado;
 Distributividade: as necessidades mais prementes
devem ser satisfeitas em caráter de prioridade.

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 4) Princípio da irredutibilidade do valor
dos benefícios:
 Nominal
 Real?
 STF: RE 199.994: “a Constituição Federal
assegurou tão-somente o direito ao
reajustamento, outorgando ao legislador
ordinário a fixação dos critérios para a
preservação do seu valor real” (Rel. p/
acórdão MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno,
julgado em 23.10.1997, DJ 12.11.1999, p. 112).

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 5) Princípio da equidade na forma de participação
no custeio
 Capacidade contributiva
 6) Princípio da diversidade da base de
financiamento, identificando-se, em rubricas
contábeis específicas para cada área, as receitas e
as despesas vinculadas a ações de saúde,
previdência e assistência social, preservado o
caráter contributivo da previdência social;
(redação da EC nº 103/2019).
 7) Princípio do caráter democrático e
descentralizado da administração, mediante
gestão quadripartite, com participação dos
trabalhadores, dos empregadores, dos
aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

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Princípios de interpretação
constitucional (hermenêutica)

 Não são princípios de direito positivo


(princípios constitucionais): são princípios
de interpretação constitucional.

 1) Princípio da unidade da Constituição:


 a Constituição é uma unidade normativa;
 tem coerência lógica que é própria de
qualquer sistema;
 em consequência: não é possível cogitar da
existência de antinomias e antagonismos entre
as normas constitucionais originárias; os conflitos
devem ser equilibrados em nome dessa
unidade normativa.

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 2) Princípio da máxima efetividade (princípio da
eficiência): a uma norma constitucional deve ser
atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê;
 Especialmente aplicável em matéria de interpretação
dos direitos fundamentais.

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 3) Princípio da concordância prática ou
da harmonização:
 a atividade interpretativa deve conciliar,
combinando e coordenando bens jurídicos
em conflito, de modo a não significar o
sacrifício total de uns em benefício de outros.
 4) Princípio da interpretação das leis
conforme a Constituição: havendo mais
de uma interpretação possível de uma
lei, deve-se adotar aquela que a torne
compatível com a Constituição.

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 5) Princípio da supremacia da Constituição: a
Constituição é norma de máxima hierarquia do
sistema; não se interpreta a Constituição a partir
das leis;
 interpretam-se as leis a partir da Constituição.

 6) Princípio da presunção da constitucionalidade


das leis e dos atos do poder público: embora seja
possível o controle de constitucionalidade, vigora
uma presunção relativa de que, uma vez
ingressando na ordem jurídica, são conformes ao
Texto Constitucional, até que o órgão jurisdicional
competente afirme o contrário.
 A presunção é relativa.

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Reforma da Previdência
Social
Reforma ou “reformas”?

 Lei nº 13.063/2014 (acaba com as perícias periódicas para aposentados por invalidez com
mais de 60 anos – exceto para verificar o direito ao adicional de 25%, ou a pedido do
segurado ou pensionista que se julgarem aptos ou para auxiliar o judiciário na concessão
de curatela).
 LC 150/2015 (regulamenta a Emenda Constitucional nº 72/2014 – “PEC das domésticas”).
 Lei nº 13.134/2015 (conversão da MP 665/2014) – seguro defeso
 Lei nº 13.135/2015 (fruto de conversão da MP 664/2014) – auxílio-doença, pensão por
morte, etc.
 Lei nº 13.183/2015 (fruto da conversão da MP 676/2015) – fórmula 85/95 (exclui fator
previdenciário)
 Medidas Provisórias nº 739/2016 (perdeu eficácia) e 767/2017 (convertida na Lei nº
13.457/2017): auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

 Medida Provisória nº 871/2019 (novo “pente fino”, prova união estável, dependência
econômica e atividade rural, carência, decadência, acesso a dados dos segurados,
LOAS, etc.) – convertida, com alterações, na Lei nº 13.846/2019.

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Reforma da Previdência
Social
 EC nº 103/2019: mais uma “Reforma da
Previdência Social”.

 Justificativa econômica X validade jurídica?

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Reforma da Previdência
Social
 Emenda à Constituição:
 Manifestação do Poder Constituinte Derivado
(“competência reformadora”).
 Limites (artigo 60 da Constituição Federal)
 Formais/procedimentais
 Circunstanciais
 Materiais

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Reforma da Previdência
Social
 Limites materiais à emenda:
 Artigo 60 [...]
 § 4º: Não será objeto de deliberação a
proposta de emenda tendente a abolir:
 I - a forma federativa de Estado;
 II - o voto direto, secreto, universal e
periódico;
 III - a separação dos Poderes;
 IV - os direitos e garantias individuais.

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Estrutura constitucional dos direitos e
garantias fundamentais

Título II
Direitos e garantias fundamentais

Capítulo I
Direitos e deveres Capítulo II Capítulo III Capítulo IV Capítulo V
individuais e coletivos Direitos Sociais Nacionalidade Direitos Políticos Partidos políticos

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Estrutura constitucional
dos direitos e garantias
fundamentais
 O que está petrificado?
 Só os direitos e garantias individuais ou também
os direitos sociais (e outros direitos
fundamentais)?

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Conteúdo da cláusula
pétrea
⚫ STF: princípio da anterioridade da lei eleitoral
(artigo 16 da CF e ADIn 3.685/DF, Rel. ELLEN
GRACIE).
⚫ STF: direito à licença remunerada de 120 dias à
gestante (artigo 7º, XVIII, CF e ADIn 1.946/DF).
⚫ Mas: algumas emendas alteraram outros direitos
fundamentais:
 Salário família, agora só para trabalhador de baixa renda
– Emenda nº 20/98.
 Assistência aos filhos e dependentes, agora até 05 (cinco)
anos (antes 06) – Emenda nº 53/2006.
 Proibição de trabalho aos menores de 16 anos, salvo
aprendiz (antes eram 14) – Emenda nº 20/98.

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Temas polêmicos na EC nº
103/2019

 “Desconstitucionalização”
 Problema central da emenda, capaz de
afetar o “núcleo essencial” do Direito
Fundamental à Previdência Social.

 Precedente importante: ADIn nº 6.096 (j. em


13.10.2020): impugnava alteração do artigo
103 da Lei nº 8.213/91 (promovida pela Lei nº
13.846/2019):
 Direito à Previdência Social tem um “núcleo
essencial” que não pode ser desconsiderado
(“conteúdo mínimo”).

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Temas polêmicos na EC nº
103/2019

 Tratamento discriminatório entre servidores públicos


federais, estaduais e municipais (princípio da isonomia
e princípio federativo).
 Elevação das contribuições (mais progressividade e
contribuições extraordinárias).
 Reintepretação do direito fundamental à segurança
jurídica e seus correlatos (proteção da confiança,
proibição do retrocesso).
 Superação da jurisprudência a respeito do “direito
adquirido a um regime jurídico”;
 Tutela das expectativas jurídicas – ver o caso da
revogação das regras de transição das Emendas nº
20/98, 41/2003 e 47/2005.

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 Artigo:
“Normas constitucionais
inconstitucionais e o Direito
Previdenciário Pós-Reforma”.

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Controle de
constitucionalidade
 1) Conceito
 Controle de constitucionalidade é o
procedimento previsto na Constituição
Federal que tem por finalidade impedir a
introdução, no sistema jurídico, de normas
inconstitucionais.
 Caso uma norma inconstitucional já tenha
sido introduzida, a finalidade do controle de
constitucionalidade é retirá-la do sistema ou
minimizar seus efeitos.

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 2) Pressupostos necessários
 Supremacia da Constituição
 Constituição rígida (rigidez constitucional)

 3) Parâmetros utilizados no controle de


constitucionalidade:
 a) verificar se a norma obedeceu aos padrões de
criação previstos no Texto Constitucional (“controle de
qualidade”);
 é o controle de constitucionalidade formal (quanto à forma);
 é a inconstitucionalidade formal;
 b) verificar se o conteúdo da norma é compatível com o
Texto Constitucional.
 é o controle de constitucionalidade material (quanto à
matéria).
 é a inconstitucionalidade material

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 4. Espécies de controle de
constitucionalidade
 Controle preventivo:
 Destina-se a evitar que a norma constitucional
ingresse no sistema.
 Como começa um projeto de lei?
 Momentos importantes: CCJ e veto.

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 Controle repressivo (sucessivo):
 Destina-se a retirar a norma inconstitucional do
sistema ou minimizar os seus efeitos.
 É exercido pelo Poder Judiciário

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Controle repressivo de
constitucionalidade:

 2 formas:
 1.via de exceção ou via de defesa ou
via indireta ou controle difuso ou
controle concreto, ou controle
incidental;
 2.via de ação ou via direta ou
controle concentrado.
 ADI, ADC e ADPF

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Via de exceção ou via de defesa ou controle
difuso ou via indireta ou controle concreto

 “Exceção”: o interessado pede ao Judiciário que o


excepcione do cumprimento da norma;
 Efeitos da decisão: só entre as partes.
 ex.: pensão por morte concedida por apenas 4 meses (união
estável com menos de 2 anos). Propõe uma ação de
manutenção do benefício; diz ao juiz: a) reconheça a
inconstitucionalidade da Lei 13.135/2015 (alterou o art. 77, §
2º, da Lei nº 8.213/91); b) por consequência, condene o INSS
a manter a pensão em caráter vitalício.
 Pode ser a inconstitucionalidade de uma Emenda à
Constituição;
 é preciso de um caso concreto.
 um problema concreto deve levar à
inconstitucionalidade;
 não pede a inconstitucionalidade; pede a
inconstitucionalidade e mais alguma coisa;
 reconhece a inconstitucionalidade e depois decide o
pedido.
 excepciona, no caso concreto, de cumprir a lei
inconstitucional.

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 “Controle difuso”: qualquer juiz do Brasil pode decidir;

 “Controle incidental”: o reconhecimento da inconstitucionalidade é


incidental;
 a inconstitucionalidade é um incidente processual, como qualquer outro
(incidenter tantum).

 Quem pode declarar a inconstitucionalidade: qualquer juiz.

 Efeitos da decisão: sempre entre as partes.

 “Via de defesa”: alguém está se defendendo de uma lei inconstitucional


(não necessariamente como réu)

 Pode se defender usando o meio processual que existe à disposição.


 ex.: MP diz que ser torcedor deste ou daquele time é crime; impetro um habeas
corpus: declare a MP inconstitucional e, por consequência, expeça um alvará de
soltura.
 ex.: Universidade diz: Professor de óculos será demitido; proponho uma reclamação
trabalhista: declare a decisão inconstitucional e, por consequência, me reintegre no
emprego.

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 Características da via de exceção:
 1. Efeitos entre as partes;
 2. Necessidade de um caso concreto (controle
não-abstrato);
 3. Pode utilizar qualquer meio processual
(exceto a ação civil pública com pedido
genérico)
 4. Foro regular do processo (o processo não
precisa ser ajuizado em nenhum lugar especial);
 pode começar no STF?
 sim, basta que seja de sua competência originária
(ex.: MS contra ato do Presidente da República).
 5. Qualquer juiz do Brasil pode reconhecer a
inconstitucionalidade.

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Esta ação pode chegar
ao STF
 Recurso extraordinário:
 Art. 102, III, “a”, CF: compete ao STF julgar o RE
“quando a decisão recorrida contrariar
dispositivo desta Constituição”.

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Recurso extraordinário

 Finalidade: tutela da integridade do


ordenamento jurídico, no plano da Constituição
Federal (RE).
 É um “recurso excepcional”, que só cabe
 nas hipóteses estritamente previstas na CF

 Exigência de prequestionamento (tema a ser


desenvolvido nas aulas de processo judicial
previdenciário).

Lourival da Silva Santos - 81247753549


 STF: se, ao julgar o recurso extraordinário,
reconhecer a inconstitucionalidade, a decisão
ainda produz efeitos entre as partes
[entendimento tradicional, agora alterado]

 MAS: STF comunica ao Senado (art. 52, X, CF):


“Compete ao Senado suspender a execução,
no todo ou em parte, de lei declarada
inconstitucional por decisão definitiva do
Supremo Tribunal Federal”.

Lourival da Silva Santos - 81247753549


 Senado:não precisa fazer nada;
 pode fazer: suspender a execução da lei (por meio
de uma resolução).
 escolhe o momento (interfere na formação
legislativa e na retirada definitiva da lei do
sistema).
 princípio da inércia: o STF resolve a questão entre
as partes, mas não pode ir além.

Lourival da Silva Santos - 81247753549


O caso do amianto (ADI 3.406 e 3.470)

 Atenção: o STF, no julgamento das ADI’s 3.406 e 3.470, em 29.11.2017, alterou


seu entendimento quanto aos efeitos da declaração incidental de
inconstitucionalidade:

 [...] A partir da manifestação do ministro Gilmar Mendes, o Colegiado


entendeu ser necessário, a fim de evitar anomias e fragmentação da
unidade, equalizar a decisão que se toma tanto em sede de controle
abstrato quanto em sede de controle incidental. O ministro Gilmar Mendes
observou que o art. 535 (2) do Código de Processo Civil reforça esse
entendimento. Asseverou se estar fazendo uma releitura do disposto no art.
52, X (3), da CF, no sentido de que a Corte comunica ao Senado a decisão
de declaração de inconstitucionalidade, para que ele faça a publicação,
intensifique a publicidade.
 O ministro Celso de Mello considerou se estar diante de verdadeira mutação
constitucional que expande os poderes do STF em tema de jurisdição
constitucional. Para ele, o que se propõe é uma interpretação que confira
ao Senado Federal a possibilidade de simplesmente, mediante publicação,
divulgar a decisão do STF. Mas a eficácia vinculante resulta da decisão da
Corte. [...].
 (em 19.12.2017, a Ministra ROSA WEBER suspendeu os efeitos do julgamento até a
publicação do acórdão e fluência do prazo para embargos de declaração).

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 Reserva de plenário (ou de órgão especial) – art.
97:
 Para que os Tribunais (quaisquer) possam
declarar uma norma inconstitucional, mesmo
para a via de exceção, é necessário o voto da
maioria absoluta de seus membros ou do
respectivo órgão especial.
 Súmula Vinculante nº 10: “Viola a cláusula de
reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de
órgão fracionário de tribunal que, embora não
declare expressamente a inconstitucionalidade
de lei ou ato normativo do poder público, afasta
sua incidência, no todo ou em parte”.

Lourival da Silva Santos - 81247753549

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