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UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS


ENGENHARIA FLORESTAL

JÉSSICA DREWS

ADESÃO DE MADEIRA DE FOLHOSA EM FUNÇÃO DO TIPO E GRAMATURA


DA RESINA.

BLUMENAU
2021
JÉSSICA DREWS

ADESÃO DE MADEIRA DE FOLHOSA EM FUNÇÃO DO TIPO E GRAMATURA


DA RESINA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Engenharia Florestal da Universidade
Regional de Blumenau como requisito parcial para
a obtenção do título de Bacharel em Engenharia
Florestal.

Orientador: Prof. Dr. Jackson Roberto Eleotério.

BLUMENAU
2021
JÉSSICA DREWS

ADESÃO DE MADEIRA DE FOLHOSA EM FUNÇÃO DO TIPO E GRAMATURA


DA RESINA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Engenharia Florestal da Universidade
Regional de Blumenau como requisito parcial para
a obtenção do título de Bacharel em Engenharia
Florestal.

Orientador: Prof. Drº Jackson Roberto Eleotério.

Aprovado em: 02/08/2021.

_________________________________________________
Presidente: Prof. Jackson Roberto Eleotério, Dr. - Orientador, FURB – Universidade Regional
de Blumenau.

_________________________________________________
Membro: Profa. Tatiele Anete Bergamo Fenilli, Dra, FURB – Universidade Regional de
Blumenau.

_________________________________________________
Membro: Prof. Marcelo Diniz Vitorino, Dr, FURB – Universidade Regional de Blumenau.
Dedico este trabalho a todos que nunca
desacreditaram da minha capacidade nesta
trajetória.
AGRADECIMENTOS

À Deus, que não me desamparou nesta caminhada.


Aos meus pais, Edson Drews e Glaucia Simone Stenger, pela educação e valores
ensinados e por me conceder a oportunidade que eles não puderam ter de cursar uma graduação.
Imensamente de coração ao restante da minha família, que muitas vezes fizeram papel
de país, em especial a minha Oma Adelina Drews e Opa Heins Drews, sem vocês este sonho
não seria possível. Á meus tios que sempre se prontificaram a ajudar quando necessário: Alceu
Drews, Ilane W. Drews, Elisa Drews e Márcio Jensen. Á minha irmã que sempre me apoiou e
aconselhou em momentos difíceis Carolina T. Neumann. Por último e não menos importante,
a esposa do meu pai, Elzira Montagna, por toda e motivação e conselhos, que foram sempre
muito uteis.
Ao meu orientador Dr. Jackson Roberto Eleotério pelos ensinamentos profissionais,
pela amizade, paciência e disponibilidade para a boa condução deste trabalho. Sempre foi nítida
sua vontade de compartilhar seus conhecimentos.
À Dra. Tatiele Anete Bergamo Fenilli e Dr. Moacir Marcolin pelo auxílio com dúvidas
pontuais.
Agradeço também aos professores do Departamento de Engenharia Florestal, do Centro
de Ciências Tecnológicas da FURB, que contribuíram para minha formação acadêmica e
profissional.
Por fim, mas não menos importante, aos meus amigos de curso que me acompanharam
durante a jornada acadêmica, pelo incentivo e por todos momentos de descontração e estudo,
em especial a Thuane L. Farias com o auxílio no desenvolvimento deste trabalho e aos demais,
Vitória M. T. Rugine, Samanta de Lima, Lucas Oss Emer e Bruno P. Moser. Em especial a
Helena M. Pacheco que virou minha amiga e confidente além da vivência acadêmica.
Aos amigos da vida, que com seus incentivos, com certeza a chegada até aqui ficou mais
leve, Fabiane Enke, Claudiane Pscheidt e Elisiane M. Piazera.
Muito Obrigada!
Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que
éramos sementes.
[Desconhecido]
RESUMO

Através do estudo desenvolvido se pôde avaliar a qualidade da colagem de três resinas, em


juntas coladas da madeira de Hyeronima alchorneoides, visando a produção de painéis de
madeira que utilizem técnicas de colagem. Para o desenvolvimento do trabalho se utilizou o
desdobro de tabuas já disponíveis de trabalhos acadêmicos anteriores, que foram secas,
classificadas quanto a qualidade das peças e desdobradas em menores dimensões, afim de se
obter os corpos de prova. O delineamento experimental relacionou três resinas comumente
utilizado na indústria de painéis de madeira, Poliacetato de vinila (PVAc), Poliuretano (PUR)
e uréia formaldeído (UF) em duas gramaturas (150 e 200 g/m²). A confecção dos corpos de
prova, a execução dos ensaios e a obtenção das variáveis de resistência seguiram os
procedimentos da ASTM D905 − 08 (ASTM, 2013). Já a análise da falha na madeira foi
realizada de acordo com o que esta descrito na ASTM D5266 – 13 (ASTM, 2020). Os resultados
foram submetidos a análise de variância no software RStudio e as médias foram comparadas
utilizando o teste de Tukey - teste T com 5% de probabilidade de erro. Ao final das avaliações
se observou que a resina PUR apresentou maior resistência ao cisalhamento comparado ao PVA
e a UF; e as juntas em que se aplicou a maior gramatura (200 g/m²) de resina também
apresentaram maior resistência ao cisalhamento comparado a menor gramatura (150 g/m²).
Estes resultados foram significativos dentro dos parâmetros em que o delineamento
experimental foi executado.

Palavras-chave: Madeira; Colagem; Resina; Resistência ao cisalhamento.


RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Through the study developed, it is possible to evaluate the quality of the bonding of three resins,
in bonded joints of the wood of Hyeronima alchorneoides, aiming at the production of wood
panels that use bonding techniques. For the development of the work it was used the unfolding
of clapboards already available from previous academic works, which were dried, classified
according to the quality of the pieces and unfolded in smaller dimensions, in order to obtain the
specimens. The experimental design related three resins commonly used in the wood panel
industry, Polyvinyl acetate (PVAc), Polyurethane (PUR) and urea formaldehyde (UF) in two
grammages (150 and 200 g/m²). The preparation of the specimens, the execution of the tests
and the obtaining of the resistance variables followed the procedures of ASTM D905 − 08
(ASTM, 2013). The wood failure analysis was performed according to what is described in
ASTM D5266 - 13 (ASTM, 2020). The results were submitted to analysis of variance in the
RStudio software and the averages were compared using the Tukey test (T test) with 5%
probability of error. At the end of the evaluations, it was observed that the PUR resin showed
greater shear strength compared to PVA and UF; and the joints in which the highest grammage
(200 g/m²) of resin was applied also showed greater shear strength compared to the lower
grammage (150 g/m²). These results were significant within the parameters in which the
experimental design was carried out.

Keywords: Wood; Gluing; Resin; Shear strength.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 CARACTERISTÍCAS DA Hyeronima alchorneoides. (a) Inflorescência e folhas E


(b) tronco .................................................................................................................................. 19
Figura 2 SARRAFOS APÓS SECAGEM NA ESTUFA. ....................................................... 23
Figura 3 JUNTAS PROCESSADAS NO TAMANHO REQUERIDO PELA ASTM. .......... 24
Figura 4 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL ................................................................... 24
Figura 5 RESINA CASCAMITE SENDO PREPARADA. .................................................... 27
Figura 6 BLOCO SENDO ESTABILIZADO NA MORSA E PRENSADO NO
MECANISMO DE PLACA DE FERRO. ................................................................................ 28
Figura 7 DIMENSÃO DOS CORPOS DE PROVA EXPRESSO EM MILIMETROS ......... 29
Figura 8 SORTEIO DA ORDEM DOS CORPOS DE PROVA E CORPOS DE PROVA
ENUMERADOS SOB A BANCADA. .................................................................................... 29
Figura 9 ENSAIO DE CISALHAMENTO. ............................................................................ 30
Figura 10 FALHA NA MADEIRA QUANTIFICADA VISUALMENTE EM CORPO DE
PROVA..................................................................................................................................... 31
Figura 11 CORPO DE PROVA COM BAIXA ADESÃO DA RESINA NA MADEIRA,
VALOR NULO DE FALHA. ................................................................................................... 31
Figura 12 CORPO DE PROVA COM ALTA ADESÃO DE RESINA NA MADEIRA,
VALOR ALTO DE FALHA. ................................................................................................... 32
Figura 13 CORPOS DE PROVA SECOS EM ESTUFA ANTERIORMENTE A
DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE. ..................................................................... 32
Figura 14 GRÁFICO COM OS RESULTADOS DO TESTE DE MÉDIAS DE TUKEY
AVALIANDO AS RESINAS NO DESEMPENHO DO ENSAIO DE RESISTÊNCIA AO
CISALHAMENTO. .................................................................................................................. 36
Figura 15 GRÁFICO COM OS RESULTADOS DO TESTE DE MÉDIAS DE TUKEY
AVALIANDO AS GRAMATURAS EM REALAÇÃO A RESISTÊNCIA AO
CISALHAMENTO. .................................................................................................................. 37
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 PARES DAS JUNTAS QUE FORAM COLADAS, ORDEM DE COLAGEM E


SEUS RESPECTIVOS TRATAMENTOS .............................................................................. 25
Tabela 2 MÉDIA DA QUANTIDADE DE COLA QUE FOI APLICADA POR
TRATAMENTO E SUA GRAMATURA REAL. ................................................................... 26
Tabela 3 ORÇAMENTO DAS RESINAS UTILIZADAS. ..................................................... 33
Tabela 4 MÉDIAS DO PESO ÚMIDO E SECO E TEOR DE UMIDADE DOS PARES DE
CORPO DE PROVA. ............................................................................................................... 34
Tabela 5 RESULTADOS POR TRATAMENTO DO ENSAIO DE CISALHAMENTO ...... 34
Tabela 6 ANÁLISE DE VARIÂNCIA. .................................................................................. 35
Tabela 8 COMPARAÇÃO DE MÉDIAS DA RESISTÊNCIA DAS RESINAS NO ENSAIO
DE CISALHAMENTO ATRAVÉS DO TESTE DE TUKEY. ............................................... 36
Tabela 9 COMPARAÇÃO DE MÉDIAS DA RESISTÊNCIA DAS GRAMATURAS NO
ENSAIO DE CISALHAMENTO ATRAVÉS DO TESTE DE TUKEY................................. 37
Tabela 10 MÉDIA DA FALHA DA MADEIRA EM REALAÇÃO A MÉDIA E SEUS ...... 38
DESVIOS PADRÕES. ............................................................................................................. 38
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ACR Associação Catarinense de Empresas Florestais

ANOVA Análise de Variância

ASTM American Society for Testing and Materials

FATMA Fundação do Meio Ambiente

FDMF Floresta Demonstrativa de Manejo Florestal

FURB Universidade Regional de Blumenau

IFFSC Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina

INSTRON Máquina Universal de Ensaios

PPGEF Programa de Pós-Graduação de Engenharia Florestal

PUR Poliuretano

PVAc Poliacetato de Vinila

SC Santa Catarina

UDESC-CAV Universidade do Estado de Santa Catarina

UF Ureia Formaldeído

UFSC Universidade Federal de Santa Catarina


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 16
1.1 OBJETIVOS........................................................................................................... 17
1.2 GERAL................................................................................................................... 17
1.3 ESPECÍFICOS ....................................................................................................... 18
2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................... 19
2.1 CARACTERIZAÇÃO DA ESPÉCIE .................................................................... 19
2.1.1 Família Phyllanthaceae ........................................................................................ 19
2.1.2 Espécie Hyeronima alchorneoides ....................................................................... 19
2.1.3 Características da madeira .................................................................................. 20
2.1.3.1 Massa específica aparente (densidade): ................................................................ 20
2.1.3.2 Cor.......................................................................................................................... 20
2.1.3.3 Durabilidade natural.............................................................................................. 20
2.1.4 Secagem ................................................................................................................. 20
2.2 FATORES QUE INFLUENCIAM NA QUALIDADE DA COLAGEM ............. 20
2.2.1 Teor de umidade ................................................................................................... 20
2.3 RESINAS UTILIZADOS NA COLAGEM DE FOLHOSAS ............................... 21
2.3.1 Resina PVAc ......................................................................................................... 21
2.3.2 Resina PUR ........................................................................................................... 22
2.3.3 Resina UF .............................................................................................................. 22
3 METODOLOGIA ................................................................................................ 23
3.1 MATERIAL E PREPARAÇÃO DA MADEIRA .................................................. 23
3.2 CONFECÇÃO DE JUNTAS COLADAS.............................................................. 23
3.3 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA COLAGEM ............................................. 28
3.3.1 Avaliação da falha na madeira............................................................................ 30
3.4 DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE ................................................... 32
3.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA .................................................................................... 33
3.6 ORÇAMENTO....................................................................................................... 33
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................... 33
4.1 TEOR DE UMIDADE ........................................................................................... 33
4.2 RESISTÊNCIA DAS JUNTAS COLADAS.......................................................... 34
4.3 FALHA NA MADEIRA ........................................................................................ 38
5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES ............................................................. 39
REFERÊNCIAS................................................................................................... 40
APÊNDICE A – Planejamento Experimental................................................... 42
16

1 INTRODUÇÃO

No estado de Santa Catarina a madeira é amplamente utilizada como matéria prima pela
indústria. Essa madeira provém de florestas plantadas, que são áreas destinadas a monocultura
de espécies arbóreas nativas ou exóticas onde a silvicultura prepara os indivíduos para diversos
fins comerciais.

Em 2019 a ACR, Associação Catarinense de Empresas Florestais, conduziu um estudo


em parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC-CAV) onde se
identificou que o estado de Santa Catarina possui área total com florestas plantadas de 828,9
mil hectares. Desta totalidade, 67% ou 553,6 mil hectares são monocultivos de espécies de
Pinus spp. e cerca de 33% ou 275,3 mil hectares são monocultivos de espécies de Eucalyptus
spp. (ACR, 2019).

As áreas de florestas plantadas atualmente, porque no passado as matas nativas foram


extensamente exploradas e utilizadas para diversos fins. A exploração madeireira teve seu
início no século XIX, devido a intensificação da colonização e as atividades agropecuárias dos
colonos europeus que se instalaram no estado (CORRÊA, 1999).

Entretanto, nos estudos dos levantamentos de campo do Inventário Florístico Florestal


de Santa Catarina - IFFSC (Vibrans et al., 2013), estimou-se que ainda existem em estoque,
atualmente, nas florestas nativas de Santa Catarina cerca de 238 milhões de m³ de madeira de
fuste.

Esta resiliência das florestas, indica que se pode viabilizar estudos, do ponto de vista
ambiental, que permitam o manejo florestal sustentável de espécies da Mata Atlântica,
especialmente na Floresta Ombrófila Densa. Respeitando o tríplice da sustentabilidade, sendo,
ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo.

Em um projeto conduzido pela Fundação do Meio Ambiente – FATMA em conjunto


com a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, o projeto “Madeira Nativa”, apresentou
resultados positivos em relação ao manejo de Licurana (Hyeronima alchorneoides). Na área
onde foi implantado a primeira Floresta Demonstrativa de Manejo Florestal (FDMF), no
Município de Massaranduba (SC), havia uma densidade populacional maior de Licurana
comparada ao Jacatirão (Miconia cinamomifolia), que apresentam comportamento parecido
(UFSC – FATMA, 2015).
17

A Licurana está presente em abundância nos fragmentos florestais de crescimento


secundário no Estado. O que é um fator crucial para o manejo florestal sustentável da espécie
acontecer de fato.

O manejo sustentável desses fragmentos de crescimento secundário também auxilia na


conservação dos mesmos. Tendo um retorno financeiro da floresta, o detentor da área em
questão, tem um motivo para mantê-la e não a transformar em uma área de monocultura ou
pecuária. A floresta por não ter este retorno, é vista pelos produtores como empecilho, não como
fonte de renda (FANTINI et SIMINSKI, 2017).

A madeira dessas espécies é bem aceita no mercado regional, alcançando preços mais
altos que o de espécies exóticas como pinus e eucalipto. O curto ciclo de vida (30 a
50 anos) das espécies típicas das florestas secundárias torna seu manejo atraente para
pequenos produtores, porque gera rendas em intervalos de tempo relativamente
curtos. Nessa idade, a maioria das árvores das florestas secundárias atingiu a
maturidade e completou seu papel no processo de sucessão. Assim, se não forem
colhidas, morrerão e serão igualmente substituídas por outras. Seu aproveitamento,
portanto, é uma estratégia de utilização de um recurso disponível que de outra forma
seria perdido. (FANTINI et SIMINSKI, 2017).

Dessa forma, acredita-se que espécies como a Licurana, tem potencial para ser
manejada. Diferente da tendência em outros países, a produção a partir do manejo florestal
sustentável, no bioma da Mata Atlântica não é estimulado, existe na Floresta Ombrófila Densa
apenas o manejo do Palmito-juçara (Euterpe edulis), mas de nenhuma espécie florestal de
crescimento secundário.

A colagem é uma técnica importante, porque se tratando da silvicultura de monoculturas


de Pinus e Eucalipto, cada vez se colhe as àrvores com menor diâmetro, o que requer colagem
para se obter peças maiores.

Se tratando do manejo sustentável de espécies nativas, a colagem permite um maior


aproveitamento da madeira, de galhos e toras menores, que não seriam aproveitadas em sua
totalidade na produção moveleira por exemplo.

Nesse contexto, objetivou-se através do estudo desenvolvido determinar o efeito do tipo


de resina e da gramatura na resistência ao cisalhamento de juntas coladas de uma espécie nativa
com potencial uso comercial de madeira.

1.1 OBJETIVOS
1.2 GERAL
Avaliar o comportamento de juntas coladas com madeira de Licurana.
18

1.3 ESPECÍFICOS
- Avaliar o efeito de três tipos de resina na resistência da colagem a seco;

- Avaliar o efeito da gramatura da linha de cola na resistência da colagem a seco.


19

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 CARACTERIZAÇÃO DA ESPÉCIE
2.1.1 Família Phyllanthaceae
A família Phyllanthaceae é composta por Angiospermas pertencentes a ordem
Malpighiales. Esta família é composta por 55 gêneros e 1745 espécies descobertas até então por
todo o globo, com uma distribuição predominantemente Pantropical (MARTINS, 2013).
Segundo Duarte (2013) as formas de vida dessa família são compostas por ervas, arbustos e
árvores não latescentes, ou seja, que não produzem látex.

Suas flores são unissexuadas, com ovário geralmente 3-carpelar com lóculos biovulados
e estiletes bífidos, além de frutos esquizocárpicos e sementes geralmente sem carúnculas
(MARTINS et al 2017).

2.1.2 Espécie Hyeronima alchorneoides


A Licurana, de nome científico Hyeronima alchorneoides Allemão, é uma espécie
arbórea, de comportamento semidecídua, as folhas caem parcialmente durante todo o ano. Os
maiores indivíduos identificados atingem dimensões próximas a 40 m de altura e 100 cm de
DAP (diâmetro a altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta (EMBRAPA, 2009).

O tronco é cilíndrico e reto ou um pouco tortuoso, apresentando sapopemas na base.


Pode-se ter aproveitamento considerável para madeira serrada já que o fuste pode ser retilíneo
até uma altura de 10 metros (SIBBR, 2020).

Figura 1 CARACTERISTÍCAS DA Hyeronima alchorneoides. (a) Inflorescência e folhas E


(b) tronco

FONTE 1: FLORA DIGITAL DO RIO GRANDE DO SUL, 2009 E 2020.


20

2.1.3 Características da madeira


2.1.3.1 Massa específica aparente (densidade):
A madeira é moderadamente densa (0,69 g.cm-³ a 0,85 g.cm-³) a 15 % de umidade
(EMBRAPA, 2009).

2.1.3.2 Cor
“O cerne é de coloração vermelho-acastanhada clara ou escura, às vezes também parda-
rosada e uniforme; o alburno é ligeiramente diferenciado, bege-pardacento-rosado”
EMBRAPA (2009).

2.1.3.3 Durabilidade natural


Madeira com moderada resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins; em contato
com o solo, é moderadamente durável a durável (EMBRAPA, 2009).

2.1.4 Secagem
Madeira suscetível a empenamentos de diversos tipos e com tendência a rachar. A
secagem deve ser feita lentamente e em lugares bem ventilados, quando se faz ao ar livre. Na
secagem em estufas ou secadores, devem se empregar programas lentos (EMBRAPA, 2009).

2.2 FATORES QUE INFLUENCIAM NA QUALIDADE DA COLAGEM


Existem vários fatores que podem influenciar na colagem da madeira, Biazzon (2016),
relata sobre a importância da superfície das peças de madeira na colagem, estas devem ser lisas,
aplainada e livres de marcas, tanto de usinagem como de outras irregularidades, incluindo
“batidas” de plaina, partes esmagadas, farpas e fibras soltas. A colagem por resinas consiste na
união de superfícies, portanto, as condições físicas e químicas das superfícies são extremamente
importantes para um resultado satisfatório.

Outros fatores que influenciam na colagem são as suas propriedades anatômicas,


segundo de Albuquerque (2005) existe heterogeneidade na densidade e porosidade que ocorre
entre os lenhos iniciais e tardios, cerne e alburno. Esta variabilidade também ocorre nas
propriedades físicas, mecânicas e químicas que são apresentados por exemplo no teor de
extrativos e valor de pH (BIAZZON, 2016).

2.2.1 Teor de umidade


O teor de umidade é um importante fator na colagem, a quantidade de água é
inversamente proporcional à densidade da madeira, ou seja, quanto maior a quantidade de água,
21

menor a quantidade dos outros elementos químicos da madeira – celulose, hemicelulose e


lignina. (Foelkel et al. 1971).

Araújo (2007) afirmou que a presença da água afeta sobremaneira a resistência da


madeira. As variações na umidade produzem diferenças na massa especifica, resultando,
portanto, em variações na resistência aos esforços mecânicos.

Segundo Panshin; Zeeuw (1970), a resistência mecânica se altera inversamente com o


conteúdo de umidade abaixo do PSF. Acima do PSF, têm-se evidenciado na literatura que as
propriedades mecânicas da madeira permanecem estáveis quando ocorrem variações da
umidade.

Selbo (1975), afirma que se a madeira estiver seca demais, ela retira muito rapidamente
a água da linha de cola, a adesão é alta, mas a cola logo desaparece, começando imediatamente
o processo de cura, o adesivo não é mais capaz de preencher e umectar sob pressão na prensa.

No caso de alta umidade da madeira, a cura e a secagem da linha de cola serão


deficientes; o tempo de prensagem será longo, com baixa resistência da linha de cola, havendo
com isso formação de bolhas de vapor durante a prensagem.

2.3 RESINAS UTILIZADOS NA COLAGEM DE FOLHOSAS


2.3.1 Resina PVAc
O Poliacetato de Vinila é uma resina termoplástica popularmente conhecido como cola
branca, cascorez. Tem sua origem a partir da polimerização em fase aquosa do acetato de vinila
e estabilizadores. É amplamente utilizado devido ao seu baixo custo (BIAZZON, 2016).

Esta resina empregada em colagem de madeira, na qual a cura é feita a frio por perda do
solvente dispersante. Possui longa vida útil, devido à alta estabilidade química e física e grande
resistência à ação de micro-organismos. Apresenta propriedades de contato e prensagem que
exige pouca pressão na prensa. Além de ter como vantagem o baixo custo está resina apresenta
facilidade e segurança no manuseio, inodoro, não inflamável, de secagem rápida e alta
estabilidade (CAMPELO, 2015).

Segundo Biazzon (2016) as resinas PVAc possuem menor resistência ao calor, a


umidade e a carga estática.
22

2.3.2 Resina PUR


Os Poliuretanos são polímeros que são produzidos por reação conjunta de duas matérias-
primas básicas – um poliol e um isocianato (BIAZZON, 2016).

Esta Resina tem excelentes propriedades de adesão devido à sua natureza polar,
excelente resistência química, quando sua estrutura celular é totalmente aberta, flexibilidade,
bom desempenho em baixas temperaturas e podem ser curados de forma lenta ou rápida.
Algumas de suas desvantagens são: estabilidade térmica limitada, manuseio, alto custo (LOPES
et al., 2013).

2.3.3 Resina UF
Também conhecido como cascamite, a uréia formaldeído é um polímero termorrígido,
estável e resistente ao calor.
Segundo Biazzon (2016) as resinas de ureia formaldeído, são os mais importantes e mais
utilizados, destacando-se na Europa onde é utilizado em mais de 80% entre todos as resinas
termofixas, já na América do Norte seu uso totaliza cerca de 50%.
Como vantagens, tem-se sua solubilidade em água, o que barateia sua produção, dureza,
não-inflamável, boas propriedades térmicas, ausência de cor quando curado e capacidade de
adaptação a várias condições de cura (BIAZZON, 2016).
23

3 METODOLOGIA
3.1 MATERIAL E PREPARAÇÃO DA MADEIRA
Para a realização do trabalho foram utilizadas tábuas advindas da unidade experimental
de Massaranduba (SC), onde outros trabalhos acadêmicos da instituição foram realizados e
este material foi resultante de experimentos realizados naquela área em anos anteriores.

Os sarrafos foram levados ao laboratório multiuso do Programa de Pós-graduação


(PPGEF) da Engenharia Florestal da Universidade Regional de Blumenau - FURB, onde
foram armazenados e secos a 103º C em estufa por aproximadamente três dias, tempo
suficiente para a umidade ser estabilizada e sua massa apresentar valor constante.

Figura 2 SARRAFOS APÓS SECAGEM NA ESTUFA.

FONTE 2 AUTORA (2021).

3.2 CONFECÇÃO DE JUNTAS COLADAS


Os sarrafos foram desdobrados a fim de se obter as juntas que posteriormente foram
coladas, as medidas de cada sarrafo respeitam o que está descrito na ASTM D905 − 08
(ASTM, 2013): 19 x 50,8 x 304 mm (espessura x largura x comprimento).
24

Figura 3 JUNTAS PROCESSADAS NO TAMANHO REQUERIDO PELA ASTM.

FONTE 3 AUTORA (2021).

Após a madeira ser desdobrada no tamanho final para a colagem, todos os pedaços
foram enumerados e sorteados para se determinar quais peças fariam pares, a fim de assegurar
a casualidade durante a execução do experimento, evitando que influências externas tenham
relevância nos resultados.

O experimento foi realizado com 3 diferentes tipos de resinas e 2 gramaturas, somando


6 tratamentos. O delinemento experimental definido foi em Blocos ao acaso onde, foi
possivel totalizar 5 blocos. Do fatorial dos tratamentos (2 x 3) e blocos (5) se obteve 30
unidades experimentais que resultaram em 107 unidades de medida ou corpos de prova.

Figura 4 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL

Tratamento Resina Gramatura (g/m²)


Tratamento 1 Cascorez 150
Tratamento 2 Cascorez 200
Tratamento 3 Cascamite 150
Tratamento 4 Cascamite 200
Tratamento 5 PUR 150
Tratamento 6 PUR 200
FONTE 4 AUTORA (2021)

O delineamento em blocos ao acaso foi escolhido pois não era possível a realização do
experimento em apenas um dia, sendo que, fatores ambientais como temperatura e umidade
variavam dia após dia, então realiza-lo em blocos ao acaso foi a melhor opção para manter a
25

casualidade do experimento. Os blocos eram homogêneos, contendo os seis tratamentos em


todos, estes tratamentos que foram atribuídos aleatoriamente as unidades experimentais.

Tabela 1 PARES DAS JUNTAS QUE FORAM COLADAS, ORDEM DE COLAGEM E


SEUS RESPECTIVOS TRATAMENTOS
Resina Gramatura Tratamento Bloco Ordem Peça 1 Peça 2
Cascamite 150 3 1 1 10 51
PUR 200 6 1 2 13 66
Cascorez 200 2 1 3 26 65
Cascorez 150 1 1 4 69 12
PUR 150 5 1 5 50 52
Cascamite 200 4 1 6 24 9
PUR 150 5 2 1 4 59
Cascamite 150 3 2 2 48 68
Cascorez 200 2 2 3 57 43
Cascamite 200 4 2 4 55 49
Cascorez 150 1 2 5 20 21
PUR 200 6 2 6 8 23
Cascorez 150 1 3 1 25 34
Cascorez 200 2 3 2 38 63
PUR 150 5 3 3 33 3
Cascamite 150 3 3 4 47 17
Cascamite 200 4 3 5 2 60
PUR 200 6 3 6 40 64
Cascamite 200 4 4 1 58 46
Cascorez 150 1 4 2 19 29
PUR 200 6 4 3 41 42
Cascamite 150 3 4 4 11 61
Cascorez 200 2 4 5 14 28
PUR 150 5 4 6 45 67
PUR 200 6 5 1 37 6
Cascorez 150 1 5 2 30 36
Cascamite 150 3 5 3 15 35
Cascorez 200 2 5 4 62 31
PUR 150 5 5 5 53 1
Cascamite 200 4 5 6 18 5

A ordem dos tratamentos dentro de cada bloco, bem como os pares que formaram as
juntas, unidades experimentais, tiveram o tratamento sorteado de forma aleatória, para
assegurar a casualidade do experimento. As peças destacadas em azul foram as que tiveram
sua área medida afim de se determinar o peso em gramas de cola aplicada. Os critérios para
26

a escolha das faces a serem coladas foi a observação das faces mais lisas, uniformes, a
presença ou não de nós, entre outros.

O peso em gramas das resinas utilizadas na colagem de cada junta, foi definido a partir
do peso de cola desejado. O peso de cola desejado é obtido da seguinte forma: área da junta
a ser colada, esta que foi previamente selecionada se observando os critérios citados
anteriormente, multiplicada pela gramatura que foi sorteada para determinada peça.

𝐶𝑑𝑒𝑠 = 𝐴 ∗ 𝐺

Onde: Cdes – Cola desejada (g); A – área a ser colada (m²); G – gramatura (g/m²);

Após a determinação de cola desejada para cada junta, as mesmas foram encaminhadas
para o processo de colagem. Como existe dificuldade em se aplicar, mesmo fazendo uso de
balança de precisão, a quantidade exata de cola, foi estipulado uma margem de até 5% de
erro no peso em gramas, a fim de determinar se o peso foi aprovado ou reprovado. Dessa
forma obteve-se o peso real de cola e gramatura real da colagem.

Tabela 2 MÉDIA DA QUANTIDADE DE COLA QUE FOI APLICADA POR


TRATAMENTO E SUA GRAMATURA REAL.
Resina Gramatura Área Cola desejada Cola real Gramatura real
Cascamite 150 0,0218 3,28 3,26 149,51
Cascamite 200 0,0194 3,88 3,88 199,82
Cascorez 150 0,0237 3,56 3,55 149,51
Cascorez 200 0,0212 4,25 4,24 199,60
PUR 150 0,0216 3,24 3,22 149,12
PUR 200 0,0213 4,25 4,25 199,69
Gramatura expressa em gramas por metro quadrado (g/m²), Área em metros quadrados (m²), Cola
desejada em gramas (g), Cola Real em gramas (g) e Gramatura real em gramas por metro quadrado
(g/m²).

As resinas PUR e Cascorez já vem prontas para o uso. A resina Cascamite necessita a
adição de água, farinha de trigo e catalisador, numa proporção de 100:20:20:7. Esta proporção
está descrita no boletim técnico do fabricante, levando em consideração o processo de cura e
prensagem, esta é a proporção indicada. Cada componente da resina antes de ser adicionado a
mistura foi pesado em balança de precisão.

Para cada 100g de Cascamite, necessita-se 20g de farinha de trigo, 20g de água e 7g de
catalisador/endurecedor.
27

Figura 5 RESINA CASCAMITE SENDO PREPARADA.

FONTE 5 AUTORA (2021).

As resinas foram aplicadas em uma das superfícies do sarrafo, que foi previamente
selecionada, e espalhado com um pincel. Foi utilizado um pincel diferente para cada tipo de
resina para não correr risco de haver resíduos entre a colagem de uma resina e outra, já que
a colagem seguiu a ordem previamente sorteada dentro dos blocos, de forma aleatória. A
distribuição foi monitorada visualmente, perceptível a olho nu quando uniforme.

Quando finalizado o processo de colagem, que foi realizado bloco por bloco, iniciou-se
o processo de prensagem, que ocorreu da mesma forma. A pressão exercida não foi
controlada devido aos equipamentos que foram utilizados. Os blocos primeiramente foram
presos em uma morsa, para garantir estabilidade e fazer a prensagem de fato, utilizando um
mecanismo de placas de ferro presas com barras e parafusos.
28

Figura 6 BLOCO SENDO ESTABILIZADO NA MORSA E PRENSADO NO


MECANISMO DE PLACA DE FERRO.

FONTE 6 AUTORA (2021).

Os blocos permaneceram até a cura total das resinas neste mecanismo de prensa, a cura
foi realizada a frio em temperatura ambiente. As juntas tiveram os respectivos tratamentos
demarcados, com o intuito de garantir a rastreabilidade do tratamento das unidades
experimentais dentro de cada bloco.

3.3 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA COLAGEM


Para avaliação da qualidade da colagem dos sarrafos, foram utilizados parâmetros
respeitando a norma ASTM D905 − 08 (2013) Standard Test Method for Strength Properties
of Adhesive Bonds in Shear by Compression Loading. De acordo com a norma, os sarrafos de
juntas coladas foram desdobrados em corpos de prova com as seguintes dimensões:
29

Figura 7 DIMENSÃO DOS CORPOS DE PROVA EXPRESSO EM MILIMETROS

FONTE 7 ASTM (2013)

Após todas as unidades experimentais serem desdobradas em corpos de prova com as


medidas requeridas, os corpos de prova foram dispostos sobre a bancada do laboratório,
enumerados, e os testes seguiram após a realização de um sorteio para determinar a ordem que
cada corpo de prova passaria pelo ensaio, para garantir que o experimento continuava
casualizado.

Figura 8 SORTEIO DA ORDEM DOS CORPOS DE PROVA E CORPOS DE PROVA


ENUMERADOS SOB A BANCADA.

FONTE 8 Autora (2021)


30

Os ensaios de resistência ao cisalhamento da linha de cola foram realizados na Máquina


Universal de Ensaios INSTRON, modelo EMIC 23-100, eletromecânica, controlada
digitalmente por microprocessador eletrônico de malha fechada do Programa de Pós-graduação
em Engenharia Florestal.

Os corpos de prova foram presos em um dispositivo. Este dispositivo permite que a


máquina de ensaio exerça força em uma das juntas, enquanto a outra fica imobilizada. A força
exercida pela máquina foi aplicada de modo continuo, a uma velocidade de 5mm/min
(milímetros por minuto), como está determinado na ASTM D 905 – 08.

Figura 9 ENSAIO DE CISALHAMENTO.

FONTE 9 Autora (2021)

O software da máquina de ensaio (Bluehill) gerou os dados de tensão máxima de


cisalhamento e força máxima, juntamente criou uma representação gráfica desses dados para
cada corpo de prova, onde era possível visualizar o desempenho do mesmo durante o ensaio.

3.3.1 Avaliação da falha na madeira.


Após o ensaio de cisalhamento, foi feita a classificação visual da qualidade de colagem
para apurar a eficiência de colagem por meio de avaliação da porcentagem de falhas da madeira,
ou seja, a porcentagem de fibras arrancadas nas faces coladas de cada corpo de prova. Para essa
avaliação a norma ASTM D5266 – 13 (2020): Standard Practice for Estimating the Percentage
of Wood Failure in Adhesive Bonded Joints foi utilizada.
31

Para auxiliar na avaliação da falha na madeira, foi confeccionada uma malha


quadriculada em plástico transparente para quantificar a porcentagem de falha. Na avaliação,
quantificou-se o número de quadrados da área das fibras que foram danificadas no
cisalhamento, da área total da face de um dos pares de todos os corpos de prova. A área total
do corpo de prova representa 30 quadrados na malha quadriculada.

Figura 10 FALHA NA MADEIRA QUANTIFICADA VISUALMENTE EM CORPO DE


PROVA

FONTE 10 Autora (2021)

Figura 11 CORPO DE PROVA COM BAIXA ADESÃO DA RESINA NA MADEIRA,


VALOR NULO DE FALHA.

FONTE 11 Autora (2021).


32

Figura 12 CORPO DE PROVA COM ALTA ADESÃO DE RESINA NA MADEIRA,


VALOR ALTO DE FALHA.

FONTE 12 Autora (2021)

3.4 DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE


O teor de umidade foi determinado após os ensaios de cisalhamento.

Os corpos de prova tiveram seu peso úmido (equivalente ao ambiente) aferido utilizando
balança de precisão, e foram armazenados e secos em estufa a 103º C por três dias, tempo
suficiente, dado o tamanho das amostras, para atingirem massa constante.

Figura 13 CORPOS DE PROVA SECOS EM ESTUFA ANTERIORMENTE A


DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE.

FONTE 13 Autora (2021)


33

Passados os três dias, os corpos de prova tiveram seu peso seco aferido, obtendo-se o
teor de umidade das amostras, utilizando o seguinte calculo matemático:

𝑀𝑢 − 𝑀𝑠
𝑇𝑢 = . 100
𝑀𝑠
Onde: Tu = Teor de umidade (%), Mu = Massa úmida (g), Ms = Massa seca (g).

3.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA


A análise estatística dos dados foi realizada por meio de um delineamento estatístico
fatorial (3 x 2) em blocos casualizados com dois fatores (tipo de resina e gramatura).

Os resultados obtidos para a resistência ao cisalhamento das juntas coladas foram


submetidos à análise de variância (ANOVA). Comparações entre as médias, foram feitas pelo
teste de Tukey, ao nível de 5% de significância.

3.6 ORÇAMENTO
Os orçamentos foram realizados no início do presente trabalho, foram adquiridas as
resinas PUR e UF, havia resina PVA disponível para o uso no laboratório.

5kg cola branca cascorez (PVA) R$95,00


5,250kg cola cascamite (UF) R$41,71
1 tubo de cola PUR 501.0 1kg R$102,64
Tabela 3 ORÇAMENTO DAS RESINAS UTILIZADAS.
Resina Preço/Litro
PUR R$ 102,64
Cascamite R$ 7,94
Cascorez R$ 19,00

Os demais instrumentos e equipamentos utilizados no desenvolvimento do presente


trabalho, já se encontravam disponíveis para o uso no laboratório.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 TEOR DE UMIDADE
O valor médio do teor de umidade encontrado entre os corpos de prova foi de 12,67%.
Segundo a literatura, num teor de umidade de 15%, a densidade varia de 0,69 g.cm -³ a 0,85
g.cm-³.
34

Tabela 4 MÉDIAS DO PESO ÚMIDO E SECO E TEOR DE UMIDADE DOS PARES DE


CORPO DE PROVA.
Peças Peso úmido Peso seco % umidade
107 A B A B A B
Média 34,63 34,66 30,77 30,73 12,54 12,81
A e B representam cada peça do corpo de prova após o ensaio de resistência ao cisalhamento. Pesos
representados em gramas (g).

FONTE 14 Autora (2021)

Não foi determinado o peso saturado das amostras, desta forma, a densidade básica dos
corpos de prova não foi calculada de fato.

Admitindo que os sarrafos foram secos em estufa antes de serem desdobrados em corpos
de prova, se o teor de umidade no momento de colagem foi de em média 12,7%, este fator
apresentava condições favoráveis para o sucesso da colagem.

4.2 RESISTÊNCIA DAS JUNTAS COLADAS


Foi realizada uma criteriosa depuração nos resultados do ensaio de cisalhamento, para
descartar resultados que apresentavam discrepância entre unidades de medida da mesma
unidade experimental. Foram removidas seis unidades de medida.

Os fatores que ocasionaram estas discrepâncias, foram resultantes de alguma falha na


etapa da colagem, prensagem ou do posicionamento do corpo de prova no dispositivo de ensaio.

Na Tabela 5 pode-se observar os resultados médios e o desvio padrão dos resultados da


resistência ao cisalhamento encontrados para cada tratamento proposto no delineamento
experimental,

Tabela 5 RESULTADOS POR TRATAMENTO DO ENSAIO DE CISALHAMENTO


Tratamento Resina Gramatura Média Cisalhamento Desvio Padrão
Tratamento 1 Cascorez 150 2907 2107,19
Tratamento 2 Cascorez 200 6099,6 5220,60
Tratamento 3 Cascamite 150 3558,6 4431,38
Tratamento 4 Cascamite 200 6613,8 4845,88
Tratamento 5 PUR 150 7898,6 6059,74
Tratamento 6 PUR 200 11344 5180,55
Gramatura expressa em gramas por metro quadrado (g/m²) e Média do Cisalhamento em Megapascal
(MPa).

O desvio padrão foi maior que a média no tratamento 3, o que indica dentro deste
tratamento houve resultados dispersos dentro da gama de valores encontrados neste tratamento
35

durante o ensaio. Os demais estão próximos ou abaixo da média, o que indica resultados mais
homogêneos. Mas isso pode ser o efeito dos blocos.

A análise de variância foi executada para verificar se os fatores foram significativos no


experimento, obtendo-se os seguintes resultados apresentados na Tabela 6.

Tabela 6 ANÁLISE DE VARIÂNCIA.


Probabilidade
GL SQ QM Fcalc de siginificância
Bloco 4 258571503 64642876 4.384 0,0105 *
Resina 2 157002761 78501381 5.324 0,0140 *
Gramatura 1 78298439 78298439 5.310 0,0321 *
Resina:Gramatura 2 195869 97934 0.007 0,9934
Residuos 20 294921386 14746069
Grau de significância: 0 ‘***’ 0,001 ‘**’ 0,01 ‘*’ 0,05 ‘.’ 0,1 ‘ ’ 1

Dado os resultados, podemos determinar que no presente estudo, a resina e a gramatura,


isoladas, tiveram resultados significativos na resistência ao cisalhamento da linha de cola, com
um grau de significância de 0,01. A significância dos Blocos não deve ser avaliada
estatisticamente, apenas considerada na análise.

Na análise, a interação Resina:Gramatura não foi significativa. A Resina que teve


melhor desempenho no ensaio de cisalhamento, isto é, suportou uma maior carga, irá ter uma
aderência melhor independente se a gramatura utilizada durante a colagem for de 150 ou 200
(g/m²). A gramatura de maior densidade apresentou melhor desempenho para todos os tipos de
resinas.
36

Figura 14 GRÁFICO COM OS RESULTADOS DO TESTE DE MÉDIAS DE TUKEY


AVALIANDO AS RESINAS NO DESEMPENHO DO ENSAIO DE RESISTÊNCIA AO
CISALHAMENTO.

FONTE 15 Autora (2021)

Tabela 8 COMPARAÇÃO DE MÉDIAS DA RESISTÊNCIA DAS RESINAS NO ENSAIO


DE CISALHAMENTO ATRAVÉS DO TESTE DE TUKEY.
Resina Cisalhamento Mpa Grupos
PUR 9621,3 a
Cascamite 5086,2 b
Cascorez 4503,3 b

Dentro do grupo de resinas, a resina Cascamite (b) e Cascorez (b) pertencem ao mesmo
grupo, porque não apresentaram diferença estatística em seu desempenho semelhante de
resistência ao cisalhamento. A resina PUR (a) apresentou resultados significativos e superiores.

O fato da resina PUR apresentar resultados superiores pode ser devido as suas
propriedades de adesão, de natureza polar, resistência química e bom desempenho em baixas
temperaturas.
37

Figura 15 GRÁFICO COM OS RESULTADOS DO TESTE DE MÉDIAS DE TUKEY


AVALIANDO AS GRAMATURAS EM REALAÇÃO A RESISTÊNCIA AO
CISALHAMENTO.

FONTE 16 Autora (2021)

Tabela 9 COMPARAÇÃO DE MÉDIAS DA RESISTÊNCIA DAS GRAMATURAS NO


ENSAIO DE CISALHAMENTO ATRAVÉS DO TESTE DE TUKEY
Gramatura g/m² Cisalhamento MPa Grupos
200 8019,133 a
150 4788,067 b

Estatisticamente, as gramaturas também pertencem a grupos diferentes: 200 g/m² (a) e


150 g/m² (b) porque seu desempenho apresentou resultados com uma diferença significativa no
ensaio.

De 150 a 200 g/m² o aumento da resistência foi maior que o proporcional.


8019 Mpa
= Cada grama corresponde 41 MPa.
200 𝑔/𝑚²
4788 𝑀𝑝𝑎
= Cada grama corresponde 32 MPa.
150 𝑔/𝑚²
38

Do ponto de vista dos resultados obtidos com o estudo, o aumento da gramatura foi
benéfico, trazendo mais resistência a junta colada.
4.3 FALHA NA MADEIRA
Tabela 10 MÉDIA DA FALHA DA MADEIRA EM REALAÇÃO A MÉDIA E SEUS
DESVIOS PADRÕES.

Média Desvio Desvio


Tratamento Resina Gramatura Cisalhamento Padrão Média Falha (%) Padrão
Tratamento 1 Cascorez 150 2907 2107,19 9,00 19,41
Tratamento 2 Cascorez 200 6099,6 5220,60 7,69 17,18
Tratamento 3 Cascamite 150 3558,6 4431,38 24,91 34,40
Tratamento 4 Cascamite 200 6613,8 4845,88 42,97 34,12
Tratamento 5 PUR 150 7898,6 6059,74 21,30 31,82
Tratamento 6 PUR 200 11344 5180,55 40,93 35,45

Observando as médias, é possível determinar que a resina Cascorez apresentou um


desempenho mais baixo em relação a resina Cascamite e PUR, que apresentaram médias
semelhantes nas duas gramaturas.
O desvio padrão maior que a média de falha indica uma variação nos resultados em que
está condição foi observada.
Na maioria dos tratamentos em que foi aplicada uma gramatura de 200 g/m², se
apresentou resultados superiores do que a gramatura mais baixa, de 150 g/m².
É importante ressaltar que quando se identifica 0% de falha na madeira, tem-se 100%
de falha na resina, sendo essas variáveis inversamente proporcionais.
39

5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES
• Sobre avaliação da qualidade das juntas coladas:
▪ A resina PUR apresentou resultados melhores de resistência das juntas coladas em
comparação as resinas PVAc e UF;
▪ O percentual de falha na madeira nas juntas coladas demostrou uma linha de cola de
fraco desempenho na resina PVAc, e com melhor desempenho nas resinas UF e
PUR;
▪ O aumento de gramatura resultou num incremento significativo na resistência das
juntas, inclusive na porcentagem de falha da madeira.
• Sobre o desenvolvimento do experimento:
▪ Deve se considerar um maior cuidado na etapa de prensagem. Algumas unidades
experimentais não sofreram pressão de forma uniforme e suficiente para a adesão
total das juntas, o que ocasionou o desprendimento de alguns corpos de prova antes
de passar pelo ensaio e resultados que poderiam apresentar melhor desempenho em
outros.
• Com base nos resultados obtidos no presente estudo, recomenda-se que:
▪ Na realização da colagem, visando desempenho, a resina a PUR apresenta melhores
resultados;
Economicamente, o uso da resina Cascamite é vantajoso em relação a Cascorez. Diante
dos dados levantados, a resina Cascamite apresenta uma maior resistência ao cisalhamento
(5086,2 MPa), e o valor por litro (R$ 7,94) é mais barato comparado da resina Cascorez (4503,3
MPa/R$ 19,00 litro).
No caso da resina PUR a resistência em relação ao valor por litro de resina é de 9621,3
Mpa/R$ 102,64 litro.
40

REFERÊNCIAS

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Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/146722. Acesso em: 17 mar. 2021.

CORRÊA, Walquíria Krüger. CONSIDERACOES SOBRE A FORMAÇÃO


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41

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15 mar. 2021.
42

APÊNDICE A – Planejamento Experimental


Resina Gramatura Área Cola desejada Cola real Gramatura real
Cascamite 150 0,019749 2,96235 2,98 150,8937161 Aprovado
Cascamite 150 0,018315 2,74725 2,71 147,966148 Aprovado
Cascamite 150 0,029625 4,443675 4,4 148,5257135 Aprovado
Cascamite 150 0,020095 3,0142125 3,02 150,2880106 Aprovado
Cascamite 150 0,02142 3,213 3,21 149,859944 Aprovado
Cascamite 200 0,020001 4,0002 4,01 200,4899755 Aprovado
Cascamite 200 0,018504 3,70075 3,69 199,4190367 Aprovado
Cascamite 200 0,019598 3,9195 3,93 200,5357826 Aprovado
Cascamite 200 0,019411 3,8822 3,87 199,3714904 Aprovado
Cascamite 200 0,01947 3,894 3,88 199,280945 Aprovado
Cascorez 150 0,01913 2,869425 2,83 147,939047 Aprovado
Cascorez 150 0,029966 4,4949375 4,5 150,1689401 Aprovado
Cascorez 150 0,019854 2,978025 2,97 149,5957892 Aprovado
Cascorez 150 0,02894 4,340925 4,34 149,9680368 Aprovado
Cascorez 150 0,020818 3,1226625 3,12 149,8721043 Aprovado
Cascorez 200 0,018535 3,707 3,69 199,0828163 Aprovado
Cascorez 200 0,020618 4,1236 4,11 199,3403822 Aprovado
Cascorez 200 0,018831 3,76625 3,75 199,1370727 Aprovado
Cascorez 200 0,029356 5,8712 5,88 200,2997684 Aprovado
Cascorez 200 0,018889 3,77775 3,78 200,1191185 Aprovado
PUR 150 0,020818 3,1226625 3,08 147,9506671 Aprovado
PUR 150 0,021059 3,1588875 3,12 148,1534243 Aprovado
PUR 150 0,029406 4,4109 4,4 149,6293273 Aprovado
PUR 150 0,0191 2,8650375 2,87 150,2598134 Aprovado
PUR 150 0,017713 2,656875 2,65 149,611856 Aprovado
PUR 200 0,019247 3,8493 3,86 200,5559452 Aprovado
PUR 200 0,020036 4,00725 4,01 200,1372512 Aprovado
PUR 200 0,01887 3,774 3,74 198,1981982 Aprovado
PUR 200 0,029684 5,9368 5,94 200,1078022 Aprovado
PUR 200 0,018452 3,6904 3,68 199,4363755 Aprovado

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