Você está na página 1de 13

Extensão Universitária

Renata Alves Orselli

Língua Brasileira de Sinais


Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA CAMPOS SALLES (MANTENEDORA)


Jonathas Carvalho Batista – Presidente
Roselene Aguiar Santos – Vice-Presidente

Faculdades Integradas Campos Salles (Mantida)


Diretor Geral
Claudinei Senger

Diretor Acadêmico
Carlos Antonio José Oliviero

Secretaria Geral
Vinícius Mendes de Oliveira

Diretor Comercial
Gilberto Dilela Filho

Coordenadores de Cursos
Milton Tadeu Piscinato – Administração
Manuel dos Santos Leitão – Ciências Contábeis
Carlos Gabriel Galani Cruz – Direito
Luci Ana Santos da Cunha – Pedagogia
Paulo Marcotti – Sistemas de Informação
Roberto Cesar Datrino – Gestão Financeira e Logística
Dario Djouki – Gestão de Marketing e Comercial
Jairo Gonçalves Duarte – Recursos Humanos
Marcelo Moreira Tomé - Estudos Abertos Terceira Idade
Fábio Cristiano de Moraes – Segundas Licenciaturas

Coordenação do Núcleo de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão


Fábio Cristiano de Moraes

Coordenação do Núcleo da Educação à Distância.


Eduardo Ruivo Carmo

Diagramação
Valdecir Xavier

Complexo Educacional Campos Salles


Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Sumário
INTRODUÇÃO................................................................................................................................................................... 4

1. ALFABETOS DATILOLÓGICOS............................................................................................................................. 4

1. 1  Alfabeto de Sinais e o alfabeto da língua oral....................................................................................... 4

1. 2  Datilologia........................................................................................................................................................... 5

1. 3  Batismo do sinal pessoal............................................................................................................................... 8

2. OS ASPECTOS LINGUÍSTICOS DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS......................................................... 9

2. 1  A formação dos sinais..................................................................................................................................... 9

2. 2  Parâmetros de articulação dos sinais......................................................................................................11

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................12

REFERÊNCIAS................................................................................................................................................................13

Complexo Educacional Campos Salles


Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

INTRODUÇÃO
A língua de sinais usa a modalidade visoespacial, que se distingue da modalidade oral-auditiva
utilizada pelas línguas orais. Brito (1995) afirma que a linguística brasileira é pioneira no estudo da
Língua Brasileira de Sinais (Libras), e que o canal visoespacial pode não ser o preferido pelo ser
humano para o desenvolvimento da linguagem, porque a maioria das línguas naturais são orais
auditivas.

Pode-se entender que, nas línguas orais, há um universo linguístico também identificado na língua
de sinais. Nesse sentido, a investigação das propriedades das línguas de sinais abre novo horizonte
para o entendimento das línguas naturais, além de proporcionar o desenvolvimento de tecnologias
que possam contribuir para a socialização do surdo e a afirmação dos seus valores culturais.

Assim, este módulo tem como objetivo verificar e entender como é a estrutura linguística da língua
de sinais da comunidade surda brasileira. Neste contexto vamos conferir se o alfabeto de sinais
brasileira é o mesmo de outros países, e como é a formação dos sinais e as particularidades que
não apresentam na língua oral.

1. ALFABETOS DATILOLÓGICOS
Neste curso vamos verificar os diferentes alfabetos datilológicos. O alfabeto de sinais de alguns
países apresenta algumas letras semelhantes, mas há divergência na configuração de mão. Assim
sendo, podemos entender que o alfabeto não é universal e que cada país tem sua própria língua e
linguagem.

1. 1  Alfabeto de Sinais e o alfabeto da língua oral


O painel a seguir está representando o alfabeto da língua oral e da língua de sinais. Assim, podemos
perceber que o alfabeto da comunidade surda é configurado pelas mãos e algumas letras precisam
de movimento para determinar a direção, entretanto, algumas letras não apresentam movimento
(são estáticos).

Este painel foi elaborado pela autora com objetivo de ensinar o aluno surdo a L1 (língua materna -
LIBRAS) e a L2 (segunda língua – Língua Portuguesa) para proporcionar referência e tornar o ensino
mais visual possível uma vez que a língua de sinais de visoespacial, ou seja, a imagem facilita a
organização mental e o entendimento.

Complexo Educacional Campos Salles


4
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Figura 1 – 

Fonte:  Material confeccionado pela autora

Figura 2 – 

Fonte:  imagens da mão da autora

1. 2  Datilologia
A Datilologia é um recuso utilizado pela língua de sinais para soletrar ou digitar em casos es-
pecíficos como: nomes próprios (A-y-A), quando não foi atribuído algum sinal para determinado
vocabulário (C-E-P) ou quando o usuário desconhece determinado sinal, e estarão grafados com
separação por hífen letra a letra.

Complexo Educacional Campos Salles


5
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Assim, a língua de sinais por empréstimo linguístico utiliza as letras para representar. Temos diversas
definições para tal fenômeno, alguns autores definem como adoção de elementos externos como:

Haugen (1972, p.82)

Considera os empréstimos como um processo que envolve a reprodução de um


modelo, e qualquer tentativa de análise deve levar em conta o padrão original,
ou seja, o modelo imitado. As incorporações apresentam-se como transferências
completas ou podem simplesmente influenciar as palavras nativas da língua
receptora.

Weinreich (1974, p.1)

Usa o termo interferência para explicitar o rearranjo dos padrões resultantes da


introdução de elementos estrangeiros nos domínios mais estruturados da língua,
como no sistema fonético, em grande parte da morfologia e na sintaxe, bem como
em algumas áreas do vocabulário. Para ele, falar de empréstimo seria uma excessiva
simplificação.

Portanto, empréstimos linguísticos são inclusões de determinados elementos de uma língua em


outra e a maioria dos empréstimos linguísticos que entra nas línguas de sinais ocorrem de uma
língua oral, e por tratar-se de modalidades diferentes, as palavras importadas de uma língua oral
apresentam especificidades ao entrarem nas línguas de sinais, na forma de datilologia. A datilologia
pode ser comparada à soletração em línguas orais, pois realiza a correspondência de uma letra da
grafia de uma língua oral com uma configuração de mão - CM de uma língua de sinais, às vezes
acrescida de movimento, como ocorre na Libras com as CMs Ç, H, J, K, X, Y e Z que precisam de
movimento para configurar a letra.

O alfabeto manual, geralmente, varia de uma língua de sinais para outra. Há línguas como a Libras,
como a Língua de Sinais Francesa - LSF e a Língua de Sinais do México - LSM, que utilizam apenas
de uma mão para realização do alfabeto e são denominados de unimanuais, pois são produzidos
apenas com uma das mãos (seja a direita ou a esquerda) e o bimanual que utilizam as duas mãos
para representar as letras de uma língua oral.

Neste tipo de alfabeto, há uma mão passiva (geralmente a esquerda) e uma mão ativa (quase
sempre é a direita). Porém entre as línguas que se utilizam das duas mãos simultaneamente para a
produção datilológica, como a Língua de Sinais da Inglaterra (BSL), a língua de sinais da África do
Sul e da Nova Zelândia.

Acerca da soletração manual Wilcox afirma:

A datilologia é mais do que uma sequência canônica de configurações de mão,


já que os movimentos articulatórios que formam uma palavra digitada são
mutuamente influenciados. A coarticulação que se repete e que acontece de
forma antecipada afeta a real configuração das palavras digitadas, por meio da
datilologia, gerando uma transição fluida entre as letras. (WILCOX (1992) apud
WILCOX e MORFORD (2007, p. 172)

Complexo Educacional Campos Salles


6
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Portanto, vamos apresentar os diversos alfabetos datilológicos que usam uma mão – unimanuais e
a bimanual. O LSB e o ASL são alfabeto datilológico bimanual utiliza as duas mãos para representar
as letras de uma língua oral.

Figura 3 – 

Fonte:  www.google.com.br

Para ilustrar que as línguas apresentadas não são universais veja no painel a palavra - MESA

Complexo Educacional Campos Salles


7
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

1. 3  Batismo do sinal pessoal


Sinal do batismo da professora Renata Orselli

Figura 4 – 

Fonte:  Orselli (2018)

Cada pessoa pode ter seu sinal em Libras. O ato de “dar um sinal” a uma pessoa recebe o nome de
batismo. Possuidora de um sinal próprio, a partir daí, sempre que for apresentada a um surdo, essa
pessoa soletrará seu nome através da datilologia, ou seja, soletrar cada letra R-E-N-A-T-A em
seguida apresentará o seu sinal se tiver. Esse sinal é dado por um surdo, sendo que jamais poderá
ser batizado por um ouvinte, pois o batismo faz parte da cultura surda. O surdo após observar as
características da pessoa ou de algum traço físico, atividade, gesto ou cacoete, acrescido ou não
da letra inicial do seu nome, ele recebe o batismo pessoal – o sinal. Segue o exemplo do sinal da
professora Renata Orselli e como é a configuração da mão - CM:

Figura 5 – 

Complexo Educacional Campos Salles


8
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Figura 6 – Sinal da professora Renata e como é configurado

Descrição do Sinal: configuração de mão em CL, deslizando de cima da cabeça até a altura do
nariz em movimento rotatório – meia volta terminando com a letra R (Renata sempre usou franjas
e seu nome começa com a consoante R). Uma vez batizada, não é costume a pessoa trocar o seu
sinal, mesmo que aquilo que motivou o sinal (o referente) tenha mudado. Por exemplo, Renata foi
batizada com o seu sinal por causa da sua franja. Com o passar dos anos, se ela cortar as franjas
ou deixar crescer, o seu sinal permanece o mesmo.

2. OS ASPECTOS LINGUÍSTICOS DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS


Neste capítulo vamos apresentar a língua de sinais da comunidade surda que se distinguem das
línguas orais porque se utilizam do canal visual espacial e não oral auditiva. Por este motivo são de-
nominadas línguas de modalidade gestual-visual (ou visual-espacial), uma vez que a informação
linguística é recebida pelos olhos e produzida no espaço, pelas mãos, pelo movimento do corpo e
pela expressão facial.

Apesar da diferença existente entre línguas de sinais e línguas orais, ambas seguem os mesmos
princípios no sentido de que têm um léxico, isto é, um conjunto de símbolos convencionais, e uma
gramática, ou seja, um sistema de regras que rege o uso desses símbolos.

2. 1  A formação dos sinais


Esta breve descrição linguística da libras não é suficiente para conhecê-la na sua estrutura linguísti-
ca como um todo homogêneo nem, muito menos, em suas especificidades enquanto língua de uma
comunidade. Não está claro também no que uma língua espaço-visual se distingue de uma língua
oral-auditiva. No entanto, parece ser o bastante para que saibamos que a libras é uma língua natu-
ral com toda a complexidade que os sistemas linguísticos que servem à comunidade e de suporte
de pensamento às pessoas dotadas da faculdade de linguagem possuem. É uma língua natural
surgida entre surdos brasileiros da mesma forma que o Português, o Francês, etc. surgiram ou se
derivaram de outras línguas para servir aos propósitos linguísticos daqueles que as usam.

Segundo Ferreira (2010) além das contribuições à Linguística, pesquisas sobre as línguas de sinais
reafirmam que há grande inter-relacionamento desta com várias outras disciplinas, como a socio-
logia, a antropologia, neurologia, psicologia, epistemologia e com a educação. Isso implica numa
reestruturação social no diz respeito ao espaço que os surdos ocupam na sociedade em que vivem.

Complexo Educacional Campos Salles


9
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Reavaliando-se a língua, revalida-se também a cultura surda e isto permite ao surdo melhor de-
sempenho da sua função enquanto cidadão.

Durante o período em que a linguística se ocupava principalmente da evolução histórica das línguas
ou dos outros problemas não relativos à estrutura linguística, as língua de sinais não foram estu-
dadas, ou seja, passaram despercebidas. Essa negligência com relação às línguas espaço-visuais
foi, talvez, parte da responsabilidade do que ocorreu em Milão, em 1880, isto é, a proibição do uso
das línguas de sinais pelas escolas, pelos pais de surdos e pelos próprios surdos. Se nessa época
os linguistas estivessem presentes ao encontro com seus estudos sobre essa modalidade de língua,
provavelmente, a proibição não tivesse sido aprovada, e isso mudaria a história das comunidades
surdas de vários países. Entretanto, é fato que após os primeiros estudos sobre a língua de sinais, as
comunidades surdas passam a ser mais respeitadas e sua língua valorizada.

Assim, as línguas de sinais, entretanto, por serem línguas naturais, persistem. Apesar das proibições
e dos preconceitos de que têm sido alvo, elas resistem heroicamente através do tempo. Isso de-
monstra a fortaleza de um sistema consistente.

Dessa forma, nos deparamos com aspectos de vários níveis linguísticos da libras, tais como o fono-
lógico, o morfológico, o semântico e o pragmático e, por esse motivo, não resulta em tratamento
linguístico profundo.

Assim, o objetivo é mencionar aspectos da estrutura linguística da libras, como o empréstimo lin-
guístico em libras que os usuários da língua recorrem, isto é, sinais de outras línguas dos sinais,
domínio semântico e, até mesmo, empréstimo de ordem fonética. Para os empréstimos linguísti-
cos lexicais, a libras desenvolveu um alfabeto manual que é constituído de configurações de mão
constitutivas dos sinais, as quais representam as letras do alfabeto da língua portuguesa. Através
da “datilologia” ou soletração digital, este alfabeto é utilizado para traduzir nomes próprios ou pa-
lavras para as quais não se encontram equivalentes prontos em libras ou para explicar o significado
de um sinal a um ouvinte. Ex: A-N-A ou S-A-O // P-A-U-L-O (a cidade tem sinal - CM em P e o P.A
na cabeça/têmpora).

Complexo Educacional Campos Salles


10
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

2. 2  Parâmetros de articulação dos sinais


Figura 7 – 

Fonte:  www.google.com.br

Os aspectos estruturais: a estrutura sublexical da libras, assim como a de outras línguas de sinais,
é constituída a partir de parâmetros que se combinam (Locação - L, Movimento - M e Configurações
das mãos - CM). Segundo Quadros (2004) os articuladores primários das línguas de sinais são as
mãos, que se movimentam no espaço em frente do corpo e articulam sinais em determinadas loca-
ções nesse espaço. Um sinal pode ser articulado com uma ou duas mãos. Um mesmo sinal pode ser
articulado tanto com a mão direita quanto com a esquerda; tal mudança, portanto, não é distintiva.
Sinais articulados com uma mão são produzidos pela mão dominante, sendo que sinais articulados
com as duas mãos também ocorrem e apresentam restrições em relação ao tipo de interação entre
as mãos.

A língua de sinais brasileira, assim como as outras línguas, é basicamente produzida pelas mãos,
embora movimentos do corpo e da face também empenham funções. Seus parâmetros fonológicos
são locação, movimento e configuração de mão.

Uma das tarefas de um investigador de uma determinada língua de sinais é identificar as configu-
rações de mão, as locações e os movimentos que têm caráter distintivo. Isso pode ser feito compa-
rando-se pares de sinais que contrastam minimamente, um método utilizado na análise tradicional
de fones distintivos das línguas naturais. Assim, o contraste de apenas um dos parâmetros altera o
significado dos sinais, por exemplo, o sinal de pedra e queijo: mesmo movimento e locação, porém
a configuração da mão é diferente (CM de pedra A e CM de queijo CL); quanto ao movimento: o sinal
de trabalhar e vídeo - mesmo CM e L, porém o movimento é diferente e quanto a locação: o sinal
de sábado e aprender: mesma CM e movimento, porém a locação é diferente (sábado a L é enfrente
a boca e aprender enfrente a testa).

Complexo Educacional Campos Salles


11
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Conforme Ferreira-Brito (1995), a língua de sinais brasileira apresenta 46 CMs, um sistema bas-
tante similar a ASL (língua de sinais americana), embora nem todas as línguas de sinais partilhem o
mesmo inventário de CMs. Para a autora, as CMs da língua de sinais brasileira foram descritas a par-
tir de dados coletados nas principais capitais brasileiras, sendo agrupadas verticalmente segundo a
semelhança entre elas, mas ainda sem uma identificação enquanto CMs básicos ou CMs variantes.

O movimento – M segundo Ferreira-Brito, para que haja movimento, é preciso haver objeto e es-
paço. Nas línguas de sinais, a (s) mão (s) do enunciador representa(m) o objeto, enquanto o espaço
em que o movimento se realiza é a área em torno do corpo do enunciador. O movimento é definido
como um parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de formas e direções.

A locação – L ou ponto de articulação P.A é aquela área no corpo, ou espaço de articulação definido
pelo corpo, em que ou perto da qual o sinal é articulado, isto é, o espaço de enunciação é uma área
que contém todos os pontos dentro do raio de alcance das mãos em que os sinais são articulados.

Dentro desse espaço de enunciação, pode-se determinar um número finito (limitado) de locação,
sendo que algumas são mais exatas, tais como a ponta do nariz, e outros são mais abrangentes,
como a frente do tórax (Ferreira-Brito, 1995).

Orientação da mão – Or é a orientação da palma da mão não foi considerada como um parâme-
tro distintivo no trabalho inicial de Stokoe (1978). Entretanto, posteriormente outros pesquisadores
argumentaram em favor a inclusão de tal parâmetro na fonologia das línguas de sinais com base
na existência de pares mínimos em sinais que apresentam mudanças de significado apenas na pro-
dução de distintas orientações da palma da mão (Battison, 1974; Bellugi, 1975). Por definição, orien-
tação é a direção para a qual a palma da mão aponta na produção do sinal. Ferreira-Brito (1995, p.
41), na língua de sinais brasileira, na ASL, enumeram seis tipos de orientações da palma da mão na
língua brasileira de sinais: para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para a direita ou para a
esquerda.

As expressões não-manuais – ENM – As expressões não-manuais (movimento da face, dos olhos,


da cabeça ou do tronco) apresentam-se a dois papéis nas línguas de sinais: marcação de constru-
ções sintáticas e diferenciação de itens lexicais. As expressões não-manuais que têm função sintá-
tica marcam sentenças interrogativas sim-não, interrogativas QU-, orações relativas, topicalizações,
concordância e foco e as expressões não-manuais que constituem componentes lexicais marcam
referência específica, referência pronominal, partícula negativa, advérbio, grau ou aspecto.

Foram mencionados os aspectos estruturais da língua de sinais brasileira, entretanto, há outras


particularidades da língua que formam o sistema estrutural.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A língua de sinais apresenta particularidades que só é possível perceber na língua viso espacial, isto
é, usar as mãos para “falar”, soletrar o nome e batizar o amigo que faz parte da comunidade.

Complexo Educacional Campos Salles


12
Curso de Extensão Universitária (32 horas) – Língua Brasileira de Sinais – Renata Alves Orselli

Siga para as atividades de fixação e a atividade avaliativa. Lembre-se que ainda há um encontro
presencial transversal aos temas de educação.

REFERÊNCIAS
FERREIRA, Lucinda. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de janeiro: Tempo Brasileiro, 2010.

FERREIRA-BRITO, L. Uma abordagem fonológica dos sinais da LSCB. Espaço: Informativo Técnico-
Científico do INES. Rio de Janeiro, v.1, n.1, p. 20-43, 1990.

______________, L. Por uma gramática das línguas de sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1995.

NASCIMENTO, Cristina Batista do. Revista Trama - Volume 7 - Número 14 - 2º Semestre de 2011 p. 33 - 55

QUADROS, Ronice Müller de. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed,
2004.

ORSELLI, R. A. Introdução à língua brasileira de sinais – libras. Mogi das Cruzes/SP, UBC: 2013.

STOKOE, W. C. Sign language structure. Silver Spring: Linstok Press, 1960 1978.

Orientações curriculares – Língua Brasileira de Sinais. Disponíel em http://portal.sme.prefeitura.sp.


gov.br/Portals/1/Files/8918.pdf

Língua Portuguesa para pessoa surda. Disponível em http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/


Portals/1/Files/8910.pdf

WILCOX, S; WILCOX, P. P. Aprender a ver: O ensino da Língua de Sinais Americana como Segunda Lín-
gua. Tradução de Tarcísio de Arantes Leite. São Paulo Arara Azul. 2005. Coleção Cultura e Diversidade.

WEINREICH, U. Languages in Contact: findings and problems. Paris: Mouton, Eighth printing. 1974.

Complexo Educacional Campos Salles


13

Você também pode gostar