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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ- UESPI

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL - UAB


NÚCLEO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA- NEAD
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM HISTÓRIA

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DE


NAZARÉ - PI

Nossa Senhora de Nazaré-PI


2019
Maria de Nazaré Cardoso Silva

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DE


NAZARÉ – PI

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


requisito parcial para obtenção do título de
Graduado em Licenciatura, pelo Curso de História
da Universidade Estadual do Piauí - UESPI
Orientador(a): Prof(a). Martins Peres de Sousa Filho

Campo Maior-PI
2019
Agradecimentos

Primeiramente а Deus qυе permitiu qυе tudo isso acontecesse, ao longo de


minha vida, е não somente nestes anos como universitária, mas que еm todos os
momentos é o maior mestre qυе alguém pode conhecer. A esta universidade, seu
corpo docente, direção е administração qυе oportunizaram а janela qυе hoje
vislumbro um horizonte superior, eivado pela acendrada confiança no mérito е ética
aqui presentes. Ao meu orientador, pelo emprenho dedicado à elaboração deste
trabalho. Agradeço а meus professores Eduardo Figueiredo e Irenilde Ribeiro por
mе proporcionar о conhecimento não apenas racional, mas а manifestação de
caráter е afetividade da educação no processo de formação profissional, por tanto
qυе mе dedicaram а mim, não somente por terem me ensinado, mas por terem mе
feito aprender. А palavra mestre, nunca fará justiça аos professores dedicados аos
quais еm nominar terão os meus eternos agradecimentos. Aos meus pais Fancisco
de Assis Silva Filho e Conceição de Maria Cardoso Silva pelo amor, incentivo е
apoio incondicional.
Agradeço as minhas irmãs Naira Aline Cardoso Silva e Naiara Raquel Cardos
Silva, heroínas qυе me deram apoio, incentivo nas horas difíceis, de desânimo е
cansaço. Meus agradecimentos aos amigos, companheiros de trabalhos е irmãos na
amizade qυе fizeram parte da minha formação е qυе vão continuar presentes еm
minha vida, em especial a Franciane Sales, Tatiana de Jesus, Suzana Fortes e
Maria Laiane Sousa. A todos qυе direta ou indiretamente fizeram parte da minha
formação, о meu muito obrigado.
Resumo

Esta monografia vem trazer uma análise sobre a História do município de Nossa
Senhora de Nazaré-PI, dando ênfase a questão política, seu desenvolvimento, todos
processos vivenciados em sua trajetória desde quando era um pequeno povoado
habitado por poucas famílias, tendo aumentando seus habitantes e finalmente
depois de muito anseio de sua população, conseguiu sua Emancipação Política,
que foi tão importante para o seu crescimento e desenvolvimento. Inicialmente
busca analisar a formação do território piauiense desde o início de sua ocupação no
final do século XVII, quando grupos de aventureiros a procura de índios e de novas
terras para a pecuária penetraram na região dos sertões. Depois os aspectos
referentes a origem do município, a localização geográfica, as festas tradicionais,
religião predominante e por fim a Emancipação Política. Este trabalho é memorialista
baseada na memória construída sobre situações do cotidiano e também de fatos
que marcaram a História deste município.

Palavras-chave: Política, Emancipação, Formação territorial e Cidade.


Abstract
This monograph presents an analysis of the history of the municipality of Nossa
Senhora de Nazaré-PI, emphasizing the political question, its development, all the
processes experienced in its history since when it was a small town inhabited by few
families, increasing its inhabitants and finally after much longing for its population,
achieved its Political Emancipation, which was so important for its growth and
development. Initially, it seeks to analyze the formation of Piauí territory since the
beginning of its occupation in the late 17th century, when groups of adventurers
searching for Indians and new lands for livestock penetrated the region of the
sertões. Then the aspects referring to the origin of the municipality, the geographical
location, the traditional festivals, predominate religion and finally the Political
Emancipation. This work is memorialist based on memory built on everyday
situations and also facts that marked the history of this municipality.

Key-words: Politics, Emancipation, Territorial Formation and City.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................7

2 REVISÃO DA LITERATURA...........................................................................9

2.1 Conceito de Emancipação............................................................................9

2.2 A Emancipação no Brasil Pós Ditadura Militar...........................................11

2.3 As Estratégias Utilizadas pelos Atores no Processo de Emancipação.....13

3 CLIENTELISMO E PODER LOCAL..............................................................14

3.1 Lideranças Políticas...................................................................................16

4. A OCUPAÇÃO E FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO PIAUIENSE..................18

4.1 O domínio da pecuária...............................................................................24

4.2 A decadência da pecuária e a crise da economia piauiense.....................28

5 METODOLOGIA............................................................................................31

6 ORIGENS DO MUNICÍPIO NOSSA SENHORA DE NAZARÉ.....................32

6.1 Aspectos Culturais......................................................................................33

6.2 Evolução Política........................................................................................33

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................36

Referência bibliográfica....................................................................................37

ANEXOS...........................................................................................................39
7

1 INTRODUÇÃO

Esta monografia tem por objetivo, analisar o processo de formação e


Emancipação Política do município de Nossa Senhora de Nazaré-PI, enfocando o
surgimento da cidade abrangendo a historiografia do município. Com certeza este
trabalho não esgotara os assuntos sobre estes temas. Sendo uma abordagem
memorialista de uma História baseada na memória coletiva.
Existe o interesse em conhecermos o passado para podermos compreender o
presente, pois, ao caminharmos na cidade, encontramos registros por onde
passamos na igreja, nos colégios, nas praças, nas casas, no cemitério, de pessoas
que viveram no passado e que contribuíram de alguma forma para o
desenvolvimento do município.
Este trabalho está dividido em 2 capítulos: no primeiro é abordado o
processo de redemocratização do Estado brasileiro, uma breve discursão sobre o
conceito de emancipação, a Emancipação no Brasil Pós Ditadura Militar, e
clientismo e poder local.
No segundo capítulo são abordados a ocupação e formação territorial
piauiense, as origens de Nossa Senhora de Nazaré-PI, os aspectos culturais, o
processo de evolução política do município, que era um pequeno povoado, e que em
26 de janeiro de 1994 concretizou-se a sua emancipação Política, motivo de grande
alegria para todos os nazarenos que sonharam e lutaram para que a Emancipação
Política deste município acontecesse.
Não podemos negar a importância da História local, pois essa se reporta
história de pequenas localidades, escritas por pessoas de diferentes segmentos
sociais, não necessariamente historiadores. Em nossa sociedade, muitas vezes os
conteúdos escolares estão distantes das realidades vivenciadas, aprendemos sobre
o Brasil, algumas regiões distantes da nossa e não sabemos nada sobre nossas
origens, sobre o município em que habitamos. Ao observa está falta de interesse
pela História Local resolvi elaborar esta monografia tendo como objetivo
proporcionar aos nazarenos uma fonte a mais de pesquisa para aqueles que
queiram conhecer melhor as etapas de nossa história, tendo como tema principal
aspectos referentes a política local e todas as suas transformações ocorrida nestes
muitos anos de História que não se inicia com sua Emancipação Política, mas que
8

se iniciou com sua formação. Para que os jovens conhecendo possam analisar de
forma crítica toda essa trajetória e possam sentir orgulho de seu município e partes
integrantes destas realidades vivenciadas constantemente.
9

2 REVISÃO DA LITERATURA

De acordo com Tomio (2002), o processo de redemocratização do Estado


brasileiro, durante a década de 1980, transformou profundamente o ambiente
político-institucional do país. A liberalização política, a ampliação da competição
eleitoral e do incremento das liberdades civis fazem parte desse período, mas há
algo muito mais significativo: a redefinição do papel institucional dos diversos níveis
de poder. A reorientação da estrutura federativa brasileira favoreceu as unidades
subnacionais, tanto pelo restabelecimento de competências retiradas pelo regime
ditatorial, quanto pela criação, sobretudo no caso dos municípios.
Segundo afirma o autor, o principal marco institucional dessa transformação
política foi a promulgação da Constituição de 1988. A parti dela construiu-se a
estrutura jurídica-político que consolidou o novo arranjo democrático, gerando um
novo ordenamento federativo e instituindo um novo pacto federativo.

A redefinição da competência política dos entes federativos notabilizou-se


pela ampliação do escopo de atuação dos Estados e municípios. Estes
conquistaram a mais ampla autonomia política da história republicana.
Apesar de ser mencionado como organização política autônoma em quase
todas as constituições republicanas (exceto em 1937), somente em 1988 o
município conquistou uma autonomia plena, obtendo, de fato, o status de
ente federativo. Esta situação é extremamente peculiar, não sendo
identificável em outros países com organização federativa. Na maioria das
federações, ou, pelo menos, nos casos mais conhecidos, os municípios ou
outros níveis de poder local são divisões administrativas das unidades
federadas que delegam diferentes níveis de autonomia aos governos locais.
(TOMIO, 2002).

Nessa nova institucionalidade do Estado também se encontra o processo da


fragmentação dos municípios brasileiros. Para se compreender o processo histórico
da criação desses novos municípios no Piauí, e nesse caso, do município de Nossa
senhora de Nazaré, é preciso compreender a emancipação no período da
redemocratização do país. Primeiramente faz-se necessário traçar o significado
histórico do termo ''emancipação''.

2.1 Conceito de Emancipação


10

A emancipação remota ao século XVIII, somente no século XX o termo


aparece enquanto conceito político, para conhecer sua história e suas origens.
A origem do conceito de emancipação, em sua formulação latina original
emancipatio, deriva de e manu capere, o ato jurídico por meio do qual o
paterfamilias da República Romana podia libertar seu filho do pátrio poder. O filho
(ou filha) liberto da tutela de seu pai podia deixar a família e construir a sua própria,
passando a ser, de acordo com o direito civil romano, uma pessoa sui juris. A
emancipação apenas poderia decorrer de um ato de vontade exclusivo do
paterfamilias, os filhos submetidos ao pátrio poder não mais se submeter ao pátrio
poder, o principal benefício que o filho emancipado adquiria se concentrava em torno
dos direitos de propriedade. Mas não era apenas o ganho de direitos e a situação
vantajosa que supostamente disso poderia decorrer que caracterizava a
emancipação.
É com Fichte (1813) que o conceito de emancipação recebe maior atenção,
especialmente se desejamos considerar a perspectiva política do mesmo. Para
Fichte a emancipação política é também sempre uma emancipação ontológica: ela
depende de uma crença, uma crença coletiva na autoridade, oriunda de um ser
sempre transcendente e artificial (ou contra fático) com uma percepção ininteligível
do real. Ainda em Fiche, apesar de todos os desenvolvimentos que o Idealismo
Alemão confere ao conceito, uma característica é ainda o Estado. É ele que tem a
tarefa de realizar a emancipação política e ontológica da humanidade.
Será apenas com Marx que o conceito de emancipação se libertará do
Estado. Aliais, com ele o significado do conceito passa a ser precisamente o de
libertar-se do próprio estado e de suas instituições, como o direito. A superação do
Estado, o aufhebung, constitui o momento máximo da emancipação - e não apenas
da emancipação política, que é apenas um a etapa de algo maior, a emancipação
humana. Se Marx, por um lado, rompe com este atributo do Idealismo Alemão, por
outro, ele preserva do Iluminismo o significado da emancipação como um processo
que depende do próprio sujeito. Em outras palavras, a evolução semântica que leva
o conceito de emancipação a auto emancipação conquistada pelo Iluminismo é
amplamente reforçada por Marx.
Por ser um dos principais autores a teorizar o tema, ao traçar a genealogia do
conceito de emancipação é preciso dedicar um importante espaço aos
11

desenvolvimentos trazidos por Marx e pela tradição de pensamentos que se formou


a parti de seu nome.
Marx trata da emancipação ao longo de toda a sua obra intelectual, dos
escritos de juventude até aqueles da maturidade. mas são em seus textos de
juventude que o conceito de emancipação se encontra mais explícito. Em A Questão
Judaica, por exemplo, Marx estabelece uma verdadeira tipologia de emancipação,
dividindo-a em emancipação religiosa, emancipação política e emancipação
humana. Mas o que importa ressaltar aqui é que em Marx o conceito de
emancipação se libertará do Estado. Com ele o significado do conceito de
emancipação passa a ser precisamente o de libertar-se do próprio Estado e de suas
instituições, como o direito entre um processo auto reflexivo, auto executável. Em
outras palavras, a emancipação é sempre auto-emancipação, mesmo que estejamos
falando de sujeitos coletivos, como ''os judeos'', ''o proletariado'', ''os cidadãos'' ou ''a
humanidade''.
É assim que essa breve análise de algumas das matrizes históricas, as quais
levaram á formação do conceito de emancipação nos indica que com Marx ele
atinge o momento mais elevado de seu potencial crítico-normativo, bem como é
esse o memento no qual o conceito se liberta em maior grau do elemento jurídico
que desde sempre o acompanhou.

2.2 A Emancipação no Brasil Pós Ditadura Militar

Segundo Tomio (2002), nas décadas de 80 e 90 foram criados milhares de


municípios no Brasil, sendo que a grande maioria dessas emancipações ocorreu
após a promulgação da Constituição de 1988. Ele afirma que a intensa criação de
municípios não é um fenômeno recente, uma vez que nos últimos cinquenta anos, a
quantidade de municípios, embora tenha sido quase quadruplicada, não seguiam um
mesmo ritmo. Entre 1950 e 1970 a intensidade foi maior, mas, passando pelo
período do regime militar (1964-1985), quando este é marcado por suas
características centralizadoras, a criação de um grande número de município foi
decrescendo, retornando na década de 80.
De acordo com o autor, a onda emancipacionista não foi um fenômeno
totalmente nacional, mas concentrado em alguns Estados. Com a descentralização
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política gerada pela Constituição de 1988, foi determinada a transferência da


regulamentação das emancipações da União para os Estados.

A autonomia institucional dos Estados, na elaboração ada regulamentação e


na decisão política, foi o fator preponderante para o ritmo diferenciado na
criação de novos municípios. Antes de 1988, em virtude da legislação
federal restritiva, havia poucos distritos legalmente emancipáveis fora das
regiões de colonização do Norte e Centro-oeste. Além disso, na segunda
legitimidade das instituições geradas no governo militar, muitos municípios
foram criados desrespeitando a legislação vigente. A eficácia jurídica da Lei
Complementar Federal (LC) 01/67 só ficou caracterizada quando a
emancipação de algum desses municípios foi objeto de disputa judicial. Nos
casos em que o processo tramitou sem recurso judicial, os municípios foram
criados. (TOMIO, 2002).

Outro aspecto relevante que o autor destaca é a maior frequência de


municípios criados com pequena população. ''(cerca de 74% dos municípios criados
e instalados nas últimas décadas têm menos de dez mil habitantes). Na região Sul,
estes perfazem mais de 90% do total'', destaca o autor. E completa que a diminuição
das exigências á emancipação municipal pelas legislações estaduais, aliada a outros
componentes institucionais, estava diretamente relacionada á criação de municípios,
visto que cerca de 75% destas novas entidades federativas não poderiam existir
dentro do quadro legal anterior a última Constituição.

Nesse arranjo, o papel institucional de cada esfera federativa não é


equivalente, havendo, inclusive, uma reorientação do centro decisório nas
últimas duas décadas. A parti de 1988, as delimitações federais tiveram dois
encaminhamentos completamente distintos. Inicialmente, seguindo uma
tendência descentralizadora geral da redemocratização, havia somente
duas restrições constitucionais: a preservação da ''continuidade e unidade
histórico-cultural do ambiente urbano'' e a exigência da consulta plebiscitária
ás 'populações diretamente interessadas. (TOMIO,2002).

Ele afirma ainda que no processo decisório estadual, há quatro tipos de


atores políticos que que participam das deliberações, com maior ou menor
capacidade de determinar a emancipação municipal. Existem as lideranças locais,
os eleitores, os deputados e o executivo estadual. Todos esses atores participam do
processo decisório sobre a criação de novos municípios. Sem a iniciativa das
lideranças locais ou a votação plebiscitária, seria impossível haver divisão municipal.
No entanto, afirma que desde que o processo tenha sido iniciado, o centro decisório
é deslocado para o poder executivo e para os deputados estaduais, e o resultado
depende das estratégias desenvolvidas por esses atores.
13

Portanto, caso os atores interajam conforme a racionalidade anteriormente


descrita com os deputados estaduais aprovando as emancipações, seria a
variação na estratégia do executivo estadual e sua capacidade em
implementá-la (medida pelo tamanho da coalizão governista, se majoritária
ou minoritária), diante da mediação do arranjo institucional existente, que
determinaria a intensidade emancipacionista em cada Estado. (TOMIO,
2002)

Diante do envolvimento desses atores, a pesquisa prossegue primeiro


compreendendo a história e a característica de Nossa Senhora de Nazaré e
posteriormente o envolvimento dos políticos piauienses na emancipação deste
município.

2.3 As Estratégias Utilizadas pelos Atores no Processo de Emancipação

De acordo com Tomio (2002), para entender o processo de criação de um


município é preciso antes compreender como agem estrategicamente os atores
diretamente envolvidos na emancipação. Segundo o autor, o primeiro pressuposto
geral, implícito o perfil desses indivíduos, em linhas gerais são:

(1) são indivíduos conscientes de suas preferências e agem racionalmente


(escolhem entre alternativas e definem suas estratégias na interação com
outros atores em função de suas expectativas futuras) para que os
resultados das decisões políticas atendam a seu interesses; 2) determinam
a natureza de suas escolhas pela perspectiva de ganhos individuais
(reeleição, maximização da oferta de recursos fiscais, ganhos pecuniários
por esquemas fisiológicos, incremento e/ou melhora das políticas públicas,
etc.); 3) e definem suas estratégias, em situações de interação,
constrangidos pelas regras (instituições) e por suas expectativas quanto ás
escolhas dos outros atores políticos envolvidos no processo decisório.
(TOMIO,2002).

Tomio (2002) afirma que diversos atores de todos os níveis federativos (de
presidentes e ministros de Estado a vereadores e eleitores de pequenas localidades
interioranas) envolveram-se nas decisões políticas que geraram os novos municípios
e as instituições que regulamentaram o processo legal das emancipações
municipais. No entanto, a apreciação desses atores é restrita ao processo de
decisão política estadual, pois é nesta esfera de governo que a decisão de criação
de municípios é definida.
Em se tratando do processo decisório estadual, o autor diz que há quatro
tipos de atores políticos que participam das deliberações, com maior ou menor
capacidade de determinar a emancipação municipal. Ele destaca quatro
14

protagonistas - as lideranças políticas locais, os eleitores, os deputados estaduais e


o executivo estadual. Segundo ele, as lideranças políticas locais são atores políticos
caracterizados por indivíduos que residem na localidade e, na maior dos Estados,
possuem a prerrogativa de iniciar o processo legal emancipacionista.
A estratégia destas lideranças para com o processo de emancipação seria: a)
com os eleitores locais, mobilizá-los para que cooperem, votando favoravelmente no
plebiscito e auxiliando na pressão sobre a representação política; b) com os
deputados estaduais. Os eleitores por sua vez são aqueles que se manifestam no
plebiscito.
Um terceiro ator político é o executivo estadual. O executivo poderia ser
contrário, favorável ou indiferente em relação ás emancipações. Favorável porque
por motivações eleitorais, ou seja, em Estados com eleitorado pouco extenso, por
exemplo, ou, então quando houvesse expectativa de competição acirrada em
eleições futuras. Há ainda outros aspectos: manter maioria no legislativo, em que o
apoio á produção de leis clientelistas poderia beneficiar parlamentares da base
governista e também por razão político-ideológicos.
O executivo também poderia ser contrário ás emancipações tentando
impedi-las. Através de ameaças de sanções diretamente sobre os deputados da
base governista ou da utilização de seu direito de veto. Essa oposição poderia
ocorrer por motivos pragmáticos ou por razões políticos-ideológicas. A indiferença
de governante estadual também conta e pode ser gerada pelos mais diferentes
motivos. Nesse caso de indiferença, segundo Tomio, deveria ocorrer uma grande
autonomia do poder legislativo, o que resultaria, provavelmente, em uma sequência
de decisões favoráveis ás emancipações.

3 CLIENTELISMO E PODER LOCAL

Tendo em vista o relacionamento com as lideranças locais envolvidas nesse


processo, vemos a necessidade de discutirmos o conceito de clientelismo.
Primeiramente deve-se compreender as diferenças conceituais entre clientelismo,
mandonismo e coronelismo. De acordo com José Murilo de Carvalho (1997), o
coronelismo é um sistema, na qual existem trocas de favores - materiais ou não -
entre os coronéis e o governo. O coronelismo ''é um sistema político, uma complexa
15

rede de relações que vai desde o coronel até o presidente da República, envolvendo
compromissos recíprocos''. Os coronéis não são apenas chefes políticos, mas
também chefes dos costumes da população e chefes da quase todos os setores da
sociedade, como a Justiça, Igreja e burocracia estatal.
Segundo Carvalho (1997), o coronelismo, nasce historicamente, e acontece
em determinado período histórico. Na visão de Leal, ele surge na confluência de um
fato político com uma conjuntura econômica. O fato político é o federalismo
implantado pela República em substituição ao centralismo imperial. O federalismo
criou um novo ator político com amplos poderes, o governador de estado. O antigo
presidente de província, durante o Império, era um homem de confiança do
Ministério, não tinha poder próprio, podia a qualquer momento ser removido, não
tinha condições de construir suas bases de poder na Província á qual era, muitas
vezes, alheio. No máximo, podia preparar sua própria eleição para deputado ou para
senador. (CARVALHO, 1997, p 2).
O mandonismo é um outro termo bastante confundido com clientismo, sendo
que ele está dentro do sistema de coronelismo. Esse termo é usado para quem é
''mandão'' como se fosse um coronel, o chefe de uma sociedade, aquele que manda
porque tem recursos. Diferentemente do coronelismo, Carvalho (1997), explica que
mandonismo não é um sistema, mas uma característica da política tradicional que
estava inserida dentro do coronelismo.
Normalmente o coronelismo ocorre do individual para o grupo. Já o
mandonismo pode acontecer do individual para o grupo, do individual para o
individual, do grupo para o grupo. os dois termos se referem as trocas, em geral
troca de algum tipo de favor por voto, com o intuito de favorecer o controle político.
Já o clientelismo político é um pouco diferente, ele acontece do individual
para o individual. Para Carvalho, o clientelismo é ''um tipo de relação entre atores
políticos que envolve concessão de benefícios públicos, na forma de empregos,
benefícios ficais, isenções, em troca de apoio político, sobretudo na forma de voto''.
(CARVALHO, 1997, p. 3)
De um modo geral, os autores concordam que o clientelismo político se
constitui como sendo uma ação sendo uma ação de trocas de favores. Os principais
benefícios seriam o voto, a lealdade política e a reciprocidade. De acordo com Bahia
(1997), as relações clientelistas são personalizadas, que as trocas são recíprocas e
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que parta estas tocas iniciarem é necessário que os dois agentes tenham motivação.
Para Bahia:
O clientelismo político pode ser encarado como relação mais ou menos
personalizada, afetiva e recíproca entre atores, conjuntos de atores, comandando
recursos desiguais e compreendendo transações duais. Embora vaga, esta
formulação sugere pelo menos três critérios gerais na caracterização do clientelismo
político: (1) o padrão variável de assimetria discernível na relação pratronus /cliente;
(2) o locus, a extensão e a durabilidade da relação; e (3) o caráter das transações
que fazem parte dessas relações. (SIMMEL apaud BAHIA, 1997, p. 152).

Já para Santos (1994, p. 54), o clientelismo é praticado por políticos, através


dos seus prestígios diante de tal cargo. Segundo o autor os políticos praticam
clientelismo porque esperam retorno eleitoral e que são os clientes que demandam
os benefícios, ou seja, o clientelismo é praticado, em grande parte, porque os
eleitores assim querem.
Para Gheventer (1995, p. 61), que traz a troca mais para o ambiente
político, o fenômeno se dá através de barganhar por cargos públicos, que ocorrem
principalmente em períodos eleitorais: ou seja, da parte do político sempre com
intuito de conseguir votos em troca. Seria da seguinte forma, segundo o autor quem
pede o favor recebe bens e benefícios materiais, já quem recebe o favor recebe
serviços pessoais, voto e lealdade.
Gheventer (1995, p. 62-63) explica que essa troca de votos muitas
vezes pode ser considerada uma forma de participação política, ou seja, se o
indivíduo pede algo é porque ele está necessitando. Desta forma, inclui-se que o
Estado não está lhe dando essa garantia: ou seja, segundo o autor, existem
''brechas na legislação'' que permitem que o clientelismo ocorra, e também
''ineficiente do serviço público''. O autor vai ainda mais longe, dizendo que as
eleições só acontecem quando o político obtém favores. Para Gheventer, os
políticos sempre querem o poder, e portanto, votos, que são conseguidos através de
''sua capacidade de obter favores ou benesses para o seu eleitorado''
(GHEVENTER, 1995,p.63)
Já para Nunes (1997, p. 32) analisar que o político, para conseguir o voto,
oferece as mais diversas vantagens ao eleitor desde a criação de empregos, até a
pavimentação de estradas, construção de escolas, nomeação de chefes de serviços,
17

favorecimento do acesso ao poder, no caso do meu estudo a emancipação seria a


garantia no discurso das lideranças envolvidas.

3.1 Lideranças Políticas

Tendo em vista que focamos no estudo a ação das lideranças envolvidas no


processo emancipatório tomou-se como referência a obra clássica de Max Weber,
''A política como Vocação'' (1919), de onde ele analisa o processo de surgimento
dos primeiros ''políticos profissionais''. Segundo o autor isto ocorre devido á
transformação de política em empresa. O Estado moderno é caracterizado pelo
autor, por apresentar o surgimento de associações políticas, os partidos, que se
configuram como modernas empresas políticas, os partidos, que se configuram
como modernas empresas políticas através das quais se organiza a disputa pelo
controle do poder.
Ao longo do processo de desenvolvimento que o Estado moderno sofre, as
primeiras categorias de políticos profissionais aparecem, e são caracterizadas
primeiramente pelos ''servidores dos príncipes''. Esta categoria tem o traço principal
conferido por Weber (1919) aos políticos profissionais: eles participam da política a
serviço dos chefes políticos, mas aceitam não governar por si próprios.
No contexto que marcou a luta dos príncipes contra os feudos, estes
indivíduos que Weber denomina de políticos profissionais (que seriam o clero, os
humanistas, a nobreza feudal, expropriada e empobrecida que se dirige á corte, a
baixa nobreza inglesa (gentry), os juristas de ordem acadêmica ou advogados),
posicionaram-se em defesa do príncipe, auxiliando-o e tomando para si a sua luta.
Fizeram do serviço desta política um ideal de vida e uma maneira de garantir o seu
sustento.
Mas os serviços desses auxiliares ocasionais acabaram tornando-se
insuficientes para o príncipe, ele necessitava de um quadro permanente de
funcionários, grupo dedicado ao seu serviço composto verdadeiros auxiliares
profissionais, que possuíssem um saber especializado e o praticassem mediante
remuneração.
Portanto, para esse autor, o processo de profissionalização da política é um
aspecto fundamental do processo de centralização do poder político, cuja dinâmica
18

foi conduzida pelos príncipes em prejuízo da administração feudal tradicional, teve


como apoio um gruo de não possuía meios de produção e que renuncia ao governo
de maneira autônoma. Estes são, cronologicamente, os primeiros políticos
profissionais.
Weber (1919), ainda diferencia duas formas de se fazer política. Segundo o
autor, ''ou se vive para a política ou se vive da política''.
Já o estudo de liderança, atuação política e perpetuação no poder de atores
envolvidos na emancipação política do município de Nossa Senhora de Nazaré,
requer adequadas e modernas conceituações empíricas sociológicas. Primeiro, há
que se recorrer á conceituação de Mauricio Duverger relativa à liderança, inserida
em sua obra referente a Sociologia Política, em seu conjunto, na qual focaliza esse
conceito hierarquias e poderes.
No mencionado capítulo, o autor, de início, assinala que ''o primeiro elemento
da estrutura social é a desigualdade'', que se apresenta de duas formas diferentes:
(1) a desigualdade social - entre as classes ou castas (hierarquias hereditárias).
Essa distinção preside a definição de duas partes do capitulo (1. poder e autoridades
e 2. Classes sociais) e Duverger trabalha com o conceito de poder partindo da
noção de influência.
Buscando conferir maior precisão ao conceito se poderá parti da noção de
influência. Mauricio Duverger lembra Robert Alan Dahl. Importante explica que Dahl
(1988), ao tratar especificamente se usar precisão antes precisamente da influência
política, assinalada: A noção de política, e de sistema político, pressupõe que termos
como 'controle', 'poder', 'influência' e 'autoridade' tenham um sentido definido. Na
verdade, porém estas palavras são ambíguas; seu significado é complexo. (DAHL,
1988, p. 33). Mais adiante, justamente ao desenvolver sua conceituação de
influência, esse autor americano frisa: o que nos interessa mais é o fato que um dos
participantes desta interação consiga o que deseja (ou pelo menos se aproxime
disso) fazendo que a outra aja de determinada maneira.
Outro autor que trata da liderança é Orazio M. Petracca, que ''considera a
liderança com um papel'' que se desenvolve ''num contexto específico de interações''
e que reflete em si mesmo (e em sua tarefa) a ''situação'' desse ''contexto''.
Consoante esse modo de considerá-la, a liderança não só '' manifesta determinadas
motivações do líder'' como também ''exerce atributos peculiares e habilidade, além
de recursos são ''variáveis do papel, relacionadas com o contexto'', formando um
19

conjunto que por outro lado, também se relaciona ''como as expectativas dos
liderados, seus recursos, suas aspirações, suas atitudes''. (PETRACC, 1997, p.
713).

4. A OCUPAÇÃO E FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO PIAUIENSE

A ocupação das terras do Piauí, as quais correspondiam a uma parte da área


do '' Sertão de Dentro'' (Abreu, 1969), ocorreu na segunda metade do século XVII, e
se iniciou pela costa leste e sul do território, pelas margens do dos rios do Piauí,
Canindé, Paraim e Gurguéia. Não demorou muito para a atividade criatória atingir
também o Parnaíba, ultrapassando rapidamente para o lado ocidental de sua bacia,
já em território maranhense. Neste, os currais espalharam-se tanto em direção á
montante do Parnaíba, chegando as margens do rio das Balsas e a região de Pastos
Bons, quanto o curso médio e jusante daquele rio, de onde segue em direção aos
vales dos rios Itapecuru e Mearim. De acordo com Abreu (1969, p. 158), ''em 1751 a
capitania [do Maranhão] contava oito freguesias, cinco engenhos de açúcar,
duzentas e três fazendas de criar gado, das quais quarenta e quatro em pastos bons
e trinta e cinco em aldeias altas.''
O povoamento do território piauiense possui uma relação direta com a
expansão e a conquista de terras empreendidas pela Casa Torre, instituição fundada
e administrada pela família Ávila, da Bahia, cujo principal objetivo era financiar
aventureiros, um misto de apresadores de índios e conquistadores de terras
destinadas a pecuária, para que eles desbravassem os Sertões. Após chegar as
novas terras, os Ávila requeriam-nas através de sesmarias que normalmente
abrangiam, cada uma, extensões de 10 a 12 léguas em quando. Na impossibilidade
de ocupar todas elas, com o plantel de gado possuído pela família, repassavam-nas
- geralmente em lotes de uma légua - para aqueles rendeiros que se aventurassem
a ocupá-las. Por volta de 1711, escreve ANTONIL (1967: 309) que as terras dos
domínios dos sertões da Bahia pertenciam apenas a dois grupos familiares, sendo a
maior parte delas repassadas a terceiros através de arrendamento:

Sendo o sertão da Bahia tão dilatado, como temos referido, quase todo
pertence a duas das principais famílias da mesma cidade, que são a da
Torre, e a do defunto mestre de campo Antônio Guedes de Brito. Porque a
20

casa da torre tem duzentas e sessenta léguas pelo rio São Francisco, acima
á mão direita, indo para o sul, e indo do dito rio para o norte chega a oitenta
léguas. E os herdeiros do metre de campo Antônio Guedes possuem desde
o morro dos Chapéus até a nascença do rio das velhas, cento e sessenta
l[éguas. E nestas terras, parte dos donos têm currais próprios, e parte dos
que arrendam sítios delas, cada ano, cada sítio, que ordinariamente é de
uma légua, cada ano, dez mil réis de fôro.''

Um dos rendeiros da família Ávila era o bandeirante português Domingo


Afonso Mafrense ou Sertão, o qual liderou uma das frentes de penetração nos
sertões do Piauí, tornando-se um dos primeiros colonizadores daquelas terras. No
início da década de 1670 instalou-se Mafrense no vale do rio Canindé e dali
expandiu-se para metade do que viria a ser o território piauiense, onde funda,
principalmente nas margens dos rios Canindé e Piauí, cerca de 30 fazendas de
gado, a maioria delas confinadas a administração de vaqueiros. Nasce daí o germe
do povoamento piauiense, que apresentava na atividade criatória o modelo
dominante de ocupação daquele território (Mott, 1985).
Ao mesmo tempo em que Mafrense juntamente com seus sócios, dentre eles
o seu próprio irmão, Julião Afonso, desbravavam os vales dos rios Canindé e Piauí,
onde obtinham sesmarias, os também irmãos Francisco Dias Ávila e Bernardo
Pereira Gado, herdeiros diretos da Casa da Torre requeriam junto ao governo de
Pernambuco várias outras sesmarias com aproximadamente dez léguas em quadro.
Estas se estendiam desde as cabeceiras do rio Gurguéia até ao rio Parnaíba, cuja
área ficou conhecida como sertão do Parnaguá, pertencente, nesse momento, a
Capitania de Pernambuco (Sobrinho, 1977). O grupo dos Mafrense e o dos Ávila
foram os primeiros a serem outorgados com títulos de terras no Piauí, propriedades
que, se somadas as suas extensões, correspondiam á quase totalidade daquele
território. Esses grupos passaram, desde então, com extremo autoritarismo; poucos
eram aqueles que ousavam a desafiar o poder de tais famílias em seus respectivos
domínios. Referindo-se aos Mafrense e aos Ávila e os seus métodos de justiça
impostos aos moradores do Piauí, diz Nunes (1983, p. 20).

Mais tarde, Domingos Afonso Serra, sobrinho de Sertão [Mafrense], á testa


de escravos e índios, força o padre Carvalho a abandonar a freguesia [da
Mocha], arrasa as casas que o cura fundara para acomodar os paroquianos,
quando na época das festas religiosas. Ascenso Gago, em sua carta ânua
de 25 de julho de 1697, relatando as intimidações dos Ávila, também
informa: 'porém tudo se pode crer dos que em este Sertão tão distante, fora
das justiças e governadores, e tão esquecidos de Deus (Vieira também
dissera: largados de deus e do mundo), vivem á lei da vontade, sem
obedecer a outra alguma, mas que a casa da Torre, de que dependem'.''
21

Conforme os primeiros relatos da capitania do Piauí, não se pode atribuir a


conquista daquelas terras a um seleto grupo de desbravadores, associados á Casa
da Torre. Na realidade, tal feito é de quase inteira responsabilidade de pessoas
anônimas, especialmente arrendatários e vaqueiros que, correndo riscos de suas
vidas, adentram nos sertões em busca de novas terras, as quais posteriormente
eram repassadas aos seus tradicionais donatários, ficando em prejuízo os
verdadeiros conquistadores. Sobre essa questão diz Porto (1974, p. 62);

“A concessão de sesmaria acompanhava passo a passo á marcha da


conquista. Mal se divulgava o desbravamento de uma faixa de terra,
acudiam pressurosos requerentes, armados de recomendações.
Evidentemente, nenhum desses magnatas pensariam em participar do
árduo trabalho de povoamento, todo ele entregue ao posseiro anônimo, de
passo vacilante, que penetrava os sertões e enfrentava os perigos. De fato,
na história da colonização do Piauí é insignificante o número de doações
feitas aos verdadeiros povoadores, o que atesta o poder e a força dos
sesmeiros.''

Poucos eram os donos de terras que participavam efetivamente do


povoamento do território piauiense. O próprio Mafrense que era, na Bahia,
arrendatário da família Ávila, mas chega no Piauí já na condição de sesmeiro não
permaneceu ali por muito tempo. Após assegurar o título das terras e disseminar
fazendas de gado em áreas piauiense, retorna a Bahia, onde fixa residência em
Salvador. As ditas fazendas foram arrendadas ou administradas por vaqueiros. O
absenteísmo dos proprietários das fazendas constituiu-se em uma prática comum no
povoamento do Piauí. Os relatos do padre Miguel Coutinho apontam que naquele
ano havia 129 fazendas, porém poucas eram as que recebiam administração direta
dos donos, a maioria delas estavam sob reponsabilidade de vaqueiros (Mott, 1985:
98).
Essa característica, no entanto, não se restringiu somente ao Piauí, mas se
estendia a todo o Sertão Nordestino, onde predominava a atividade criatória. Tal
situação foi constatada por SPIX e MARTIUS (1938), no início do século XIX,
quando passavam pelo Sertão da Bahia, “os proprietários dessas grandes fazendas
raramente moram no Sertão. Gastam as rendas em distritos mais populosos, muitas
vezes com luxo incrível, deixando a fiscalização a um mulato''.
A ausência de proprietários de terras no povoamento piauiense pode ser
explicada pelas precárias condições de vida que apresentavam aqueles sertões,
onde faltava de tudo. O isolamento era o que predominava, tendo em vista que as
22

comunicações com centros urbanos do litoral eram quase inexistentes. Até mesmo o
contato com outras fazendas do Piauí tornava-se muito difícil dado as grandes
distâncias entre elas, as quais normalmente ultrapassavam a duas léguas.
Acrescenta-se a isso, os perigos constantes que corriam os povoadores com
ataques dos índios, considerados os mais

''bravos, valentes e guerreiros entre os quais se achavam alguns que se


governavam com alguma rústica política, tendo entre si rei chamando os
seus distritos de reinos, como são os Rodeleiros que se contam com sete
reinos, e são tão guerreiros que até agora não foram ofendidos nem
acometidos por grandes tropas de Paulistas (...)''

O padre Miguel Coutinho deixa também as seguintes impressões sobre a


vida dos habitantes daquelas terras (Ennes, 1938, p. 389):

''(...) comem estes homens só carne de vaca com laticínios e algum mel que
tiram pelos paus, a carne ordinariamente se come assada, porque não há
panelas em que se cozinha, bebem água de poços e lagoas, sempre turva e
muito assalitrada. Os ares são groços e pouco sadios, desta sorte vivem
estes miseráveis homens vestindo couros e parecendo tapuyas.''

Esse caráter rústico, extensivo e disperso contribuía para o isolamento da


população piauiense, cuja vida se resumia ao trabalho dentro das fazendas, sem
muita comunicação com o mundo exterior. Frequentemente o contato com o mundo
fora das fazendas somente ocorria quando passavam por ali os transportadores das
boiadas; eram eles que levavam e traziam notícias de outras áreas.
Tal situação teve como consequência a quase ausência de núcleos urbanos
nos anos iniciais do povoamento daquela área. Somente no final do XVIII surge a
primeira povoação no Piauí, a freguesia de Nossa Senhora da Vitória, elevada á
categoria de vila na segunda década do século XVIII. A vila da Mocha, como foi
batizada, localizava-se em terras de uma das fazendas de Mafrense, ás margens do
rio Piauí. É ela que (mais tarde, quando o Piauí se torna uma capitania autônoma)
vai transformar-se na sede do governo, recebendo o nome de Oeiras. A pouca
urbanização, no entanto, que caracterizava o povoamento do Piauí não resultava da
falta de população, pois esta havia em número considerável, mas do fato dos
habitantes permanecerem nas fazendas, poucos optando pela vida nas cidades,
como ressalta NUNES (1983, p. 155):

''A capitania do Piauí é falta de povoações formadas, não há falta de


poadores, que moram e vivem dispersos em suas fazendas de gados, as
quais requerem para sua boa criação grande extensão de terras. De sorte
23

que se os seus moradores se unissem em povos, bastariam para formar


várias cidades e vilas.''
A baixa urbanização do Piauí se manteve mesmo com o avanço do
povoamento. Aproximadamente 80 anos após a chegada dos primeiros portugueses
aquela área, os núcleos urbanos ainda não passavam de pequenas povoações de
população flutuante, como constata o vigário da vila da Mocha, Antônio Luiz
Coutinho, em meados do século XVIII:

''Acha-se situada esta freguesia de Nossa Senhora da Vitória no centro do


sertão do Piauí; não tem outra povoação, vila ou lugar mais que a vila da
Mocha, que consta de 60 moradores, pouco mais ou menos, e pouco ou
nenhum permanentes, por serem os mais deles solteiros, e se hoje se
acham nela, amanhã fazem viagem e o que avulta nela são os oficiais de
justiça. Tem circunvizinhos alguns moradores na distância de 1 légua, que
tratam de algumas pequenas roças de mandiocas, milho, arrozes, que nem
a terra admite agricultura abundante por mui seca no tempo do verão e não
haver com que regar, e por serem muitas as enxurradas no tempo do
inverno. Como a maior parte dos fregueses são criadores de gado vacum e
cavalar e não podem comodamente morar junto da vila se acham dispersos
por vários riachos, morando com suas famílias para com comodidade
tratarem da criação de seus gados.''

Tal característica foi presenciada por vários viajantes que passaram pela
capitania no século XIX, confirmando que esse caráter dispersivo e de população
ausente dos núcleos urbanos foi uma das marcas do povoamento do Piauí. Como se
verifica nas impressões por SPIX e MARTIUS (1938: 263), que motivados pelo que
ocorria no Piauí dizem: ''(...) Talvez não exista país algum, opulento de dons
naturais, com tão poucas casas de moradia como aqui.''
O viajante inglês George Gardner (1975, p. 139) também deixa, em 1839,
suas constatações a respeito da vila de Parnaguá, principal povoação, nesse
período, do Sul do Piauí, "a vila, situada na parte oriental de grande lagoa, contém,
ao todo, uma centena de casas, das quais apenas metade são habitadas,
pertencendo as demais aos fazendeiros que as ocupam só nos dias de festas".
Ao mesmo tempo em que se observa, durante um longo período da história
do Piauí, a pouca importância dos núcleos urbanos, pois congregavam uma parcela
muito pequena da população piauiense, verifica-se também que a instalação
destes ocorria de maneira bastante irregular pelo território piauiense, o que pode ser
estendido para toda a população daquela área. A explicação para tal fenômeno
reside, além das questões apontadas aqui, em um outro fator, de fundamental
relevância, pois foi o direcionador da ocupação dos sertões nordestinos, qual seja, a
água. Esse precioso líquido constituiu o mais importante fio condutor do povoamento
24

do Piauí. Em torno dele vão se definir certas características da formação territorial


piauiense, e em cujas marcas permanecem ainda nos dias de hoje, na medida em
que uma parcela significativa do povo piauiense ainda organiza seu espaço de
morada e de trabalho nos fundos de vales úmidos.
Os cursos d'água tornam-se a referência para a fixação do homem á terra do
Piauí; foi nas proximidades deles que se instalaram os sítios, as fazendas de gado e
a maioria das aglomerações urbanas. Nesse sentido, os cursos d'água vão
empreender o movimento da vida do povo piauiense. Referindo-se a importância da
água na condução do povoamento dos sertões nordestinos, diz Prado Jr. (1985, p.
67);

Os fatores naturais, em particular a ocorrência da água, tão preciosa neste


território semiárido, têm aí um papel relevante. É sobretudo na margem dos
poucos rios perenes que se condensa a vida humana. No São Francisco,
nos rios do Piauí, e do alto Maranhão. Intercalam estas regiões mais
favorecidas extensos desertos a que somente as vias de comunicação
emprestam algumas vida. (...) As "cacimbas" (poços d'água) congregam
quase todo o resto do povoamento; assim, onde o lenço de águas
subterrâneas é mais permanente e resiste mais as secas prolongadas, bem
como onde ele é mais acessível aos processos rudimentares de que dispõe
a primitiva e miserável população local, o povoamento se adensa. "Olho
d'água" é um designação que aparece frequentemente na toponímia do
interior nordestino: a atração do líquido é evidente.

Os cursos pluviais desempenharam também um relevante papel como locais


de referência para requerimentos de terras no Piauí. Era uma prática comum, desde
os primeiros povoadores, instalar-se ou solicitar doações de terras ao longo dos
principais rios perenes. Mesmo posteriormente, quando em 1753, o rei de Portugal
reduziu o tamanho das sesmarias, que passam a ser concedidas com três léguas de
comprimento e uma de largura, costumava-se utilizar a área que correspondia á
largura partindo do curso de um rio ou riacho, de onde eram traçados os limites da
data da terra. Em 1697, o padre Miguel Coutinho faz as considerações sobre a
localização das fazendas de gado no Piauí (Ennes, 1938, p. 389) “tem o Sertão do
Piauí pertencente a nova matriz de N.S. da Vitória quatro rios correntes; vinte
riachos, cinco riachinhos, dois olhos d'águas e duas lagoas, a beira dos estão 129
fazendas de gado".
Mesmo a organização espacial de uma fazenda de gado piauiense obedecia
como primeiro critério a presença de água; era nas proximidades dela que se
instalavam a sede da fazenda, os currais e muitos dos equipamentos necessários na
lida com o gado. Media-se, ainda, o valor de um sítio ou de uma fazenda pela
25

distribuição e disponibilidade de água neles encontrada. Segundo relatou Pereira


D'Alencastro em 1857 (in: Mott, 1985: 63)

"As fazendas de gado vacuam estão situadas sobretudo nas fraldas de


vários olhos d'água que delas nascem para que no sertão uma fazenda
mereça o nome de boa, deve ser primeiro bem provida de água, porque
sendo o Piauí sujeito a secas, como todos os altos sertões do Brasil, as
fazendas com falta de água são as primeiras que ficam despovoada de seus
gados."

4.1 O domínio da pecuária

A ocupação do território piauiense resultou da pecuária, que ali encontrou


várias condições favoráveis ao seu desenvolvimento, melhores do que havia nos
sertões da Bahia. Destacavam-se nas terras piauienses, dentre outras: a) a
disponibilidade de terras, que foram repartidas em grandes propriedades de terras,
quase todas elas servia de cursos d'água e pastagens naturais permanentes; b)
chuvas mais abundantes e com melhor distribuição; c) as facilidades de instalações
das fazendas para as quais despendiam poucos esforços, não somente de
equipamentos, mas também de recursos humanos, na medida em que com um
número reduzido de pessoas era possível colocar em funcionamento uma fazenda
de criação de gado.
Sobre a instalação das fazendas no Piauí, observa um dos primeiros viajantes
que passou ali no século XVIII (NUNES, 1983, p. 06)

"Não há neles aquele horroroso trabalho de deitar grossas matas abaixo, e


romper as terras á força do braço! Neles pouco se muda na superfície da
terra; tudo se conserva quase no seu primeiro estado. Levanta-se uma casa
coberta pela maior parte de palha, feitos uns currais e introduzidos os
gados, estão povoadas três léguas de terra, e estabelecida uma fazenda."

Apresentava-se, assim o Piauí como uma área de grande potencial para a


prática da pecuária, o que de fato se confirmou ao longo do povoamento, pois teve
nessa atividade econômica seu principal suporte, e em torno dela passa a
movimentar toda a dinâmica da vida daquela população. A grande proliferação das
fazendas de gado pelo Piauí permitiu que tal capitania se tornasse, no século XVIII,
uma das mais importantes zonas produtoras de gado vacum e cavalar do Brasil. Os
rebanhos eram enviados, a princípio, para Pernambuco e Bahia, os primeiros
26

mercados consumidores da pecuária piauiense. Como as fazendas de gado


disseminaram-se aqueles centros consumidores saiam de duas áreas distintas do
Piauí, definidas de acordo as distâncias e as condições naturais que era preciso
enfrentar para levar o gado ao seu destino. Neste caso, as fazendas localizadas nas
margens dos rios Piauí, Canindé, Parnaíba (no curso médio e na sua justante) e
Apodi destinavam-se ao mercado de Pernambuco, enquanto que aquelas
localizadas nos cerrados do sul do Piauí, destinavam-se ao de Salvador, como
sugere os registros deixados por Antonil (1967, p. 308), no início do século XVIII:

"Os currais desta parte [...rio de cabaços, o rio de São Miguel, as duas
lagoas com o rio do Posto do Calvo, o do Paraíba, o dos cariris, o do Açu, o
do Aposi, o de Jaguaribe, o das Piranhas, o Pajeú. o Jacaré, o Canindé, o
de Parnaíba, o das Pedras, o dos Camarões e o Piauí ] hão de passar de
oitocentos, e de todos estes vão boiadas para o Recife e Olinda e suas vilas
e para o fornecimento das fábricas dos engenhos, desde o rio São
Francisco até o rio Grande." Enquanto que "(...) tirando os que acima estão
nomeados, desde o Piauí até a barra de Iguaçu, e de Parnaguá e rio Preto,
porque as boiadas deste rios vão quase todas para a Bahia, por lhes ficar
melhor caminho pelas jacobinas, por onde passam e descansam."

Apesar das grandes distâncias percorridas e da perda significativa do rebanho


durante o transporte, a pecuária era uma atividade bastante lucrativa para os
fazendeiros piauienses, o que justificou a rápida proliferação de fazenda de gado por
todo aquele território. Mesmo tendo de pagar um quarto da criação ao vaqueiro, ao
dízimo e computados os prejuízos ocasionados pelas doenças, poucas eram as
atividades que superavam a renda obtida na pecuária.
À medida que crescia o número de fazendas de gado no Piauí, expandiam-se
também os mercados para onde se destinavam os seus rebanhos. No século XVIII,
eles abasteciam não somente os já citados mercados de Pernambuco e Bahia, mas
eram mandados para os do Maranhã, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Minas
Gerais e Rio de Janeiro. O volume comercializado pela pecuária piauiense atingiu
cifras significativas; na segunda década do referido século, por exemplo, somente a
cidade de Belém, no Pará, comprava, anualmente, do Piauí, cerca de 28.000 a
30.000 cabeças de gado (BARBOSA, 1993, p. 15).
Assim como a economia, toda a organização socioespacial do Piauí, definia-
se de acordo com a atividade criatória. Poucos eram aqueles que, no início do
povoamento, praticavam a agricultura, atividade considerada secundária pelos
piauienses e por muitos desprezada. Acrescenta-se a isso, o fato de que quase não
havia terras destinadas ao cultivo, pois aquelas que apresentavam aptidão para tal
27

eram ocupadas inteiramente para a pastagem do gado. Desenvolveu-se á dinâmica


da pecuária. Dos hábitos alimentares á cultura material, praticamente todos
recebiam influência da atividade pastoril. O consumo de carne e leite, por exemplo,
não era um privilégio dos mais abastados, mas um costume diário da grande maioria
dos piauienses, e que, por vezes, constituía a base alimentar daquela população.
Como fica claro nos registros deixados sobre os hábitos da alimentação dos
piauienses no período colonial (Gardener, 1975: 118): "(...) Porque é costume abater
o ano todo, diariamente, um boi gordo para o uso do proprietário e da fazenda(...)."
O mesmo ocorria em relação ao couro, utilizado em várias situações do
cotidiano da sociedade piauiense: vestimentas, utensílios domésticos, equipamentos
auxiliares na lida com o gado etc. A sociedade do Piauí colonial, assim como todas
aquelas dos sertões, sob domínio da pecuária, viviam a cultura do couro, como
esclarece Abreu (1969, p. 162);

De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, e
mais tarde a cama para os pastos; de couro todas as cordas, a borracha
para carregar água, o mocó ou alforje para levar comida, a maca para
guardar roupa, a mochila para milhar o cavalo, a peia para prendê-lo em
viagem, as bainhas da faca, as broacas e surrões, a roupa de entrar no
mato, os banguês para o curtume ou para apurar o sal; para os açudes, o
material de aterro era levado em couro puxado por juntas de bois que
calçavam a terra com seu peso; em couro pisava-se tabaco para o nariz.

O fato de a pecuária predominar no Piauí, onde, em um curto intervalo de


tempo, foram construídas fazendas com grandes plantéis de gado, com os quais
ocupavam-se a maioria da população, contribuiu para que se tornassem comuns e
de fácil acesso a todos os produtos delas derivados, consequentemente esses
apresentavam baixos preços. Tal situação provocava uma disparidade nas trocas
por outros produtos sem a mesma frequência no Piauí. As palavras de Mott (1985, p.
68) são esclarecedoras a esse respeito:

Entre 1752-1754, uma arroba de carne de vaca custava no Piauí $ 200 réis,
ou seja, aproximadamente $ 0,13 réis por quilo. Três ovos de galinha
custavam pouco mais do que um quilo de carne, com o valor que se pagava
a um queijo flamengo ou a um chapéu muito ordinário, podia-se comprar o
equivalente a 73 quilos de carne bovina. Um par de meias de seda ordinária
valia o exorbitante preço de 4 $ 000, ou seja, quase a mesma quantia que
se pagaria por dois bois dos mais gordos e mais corpulentos. Por volta de
1764, vemos que pelo preço de uma vaca gorda e grande podia-se comprar
5 galinhas, ou 5 patos, ou 2 perus ou 3 frascos de aguardente comum. Se
se tratasse de aguardente de boa qualidade, trocava-se 2 vacas das
melhores, por 2 frascos e meio de tal bebida. Dois freios de cavalo ou dois
pares de esporas valiam mais do que um boiote. Era preciso o equivalente
ao valor de duas vacas das melhores para se mandar fazer uma porta de
28

uma casa, vindo da confecção de um vestido, caso o tecido fosse ordinário,


o oficial alfaiate cobrava o equivalente a duas vacas; caso fosse um vestido
de veludo, ou de seda, aí então seu feitio representava o tanto quanto
valiam 3 vacas das melhores. Um par de botas custava mais do que duas
vacas inferiores.

A configuração espacial do Piauí possui também uma estreita relação com a


dinâmica empreendida pela atividade criatória. Isso fica constato não somente nos
limites territoriais que adquire o Estado hoje, apresentando alargamento no interior e
afunilamento à medida que se aproxima do litoral, mas também na sua organização
espacial interna na qual as fazendas de gado definiram uma lógica caracterizada
pelo predomínio das grandes propriedades fundiárias, dispersão da população,
rusticidade no uso das técnicas, utilização de pouca mão-de-obra e aproveitamento
das pastagens.
As pastagens naturais representaram um fator de suma importância para o
sucesso da atividade criatória no Piauí. Elas espalhavam-se por vastos domínios
daquela capitania, podendo ser consumidas praticamente o ano todo. Neste caso,
nas épocas chuvosas mantinha-se o gado nas pastagens localizadas nas
proximidades dos principais cursos fluviais, enquanto que nas estiagens, soltava-o
nas pastagens das chapadas ou nas dos gerais, como são conhecidas no Piauí os
platôs de maior elevação altimétrica. Encontravam-se duas categorias de pastagens:
as do agreste e as de capim mimoso. Estas últimas apresentavam melhor qualidade
proporcionando maior rendimento do rebanho, como se verifica na citação a seguir
de Pereira D'Alencastro (in: Mott, 1985, p. 63)

Nas fazendas de patos agreste, 300 vacas produzem 130 bezerros, sendo
que as que parem em um ano, descansam o ano seguinte; nas fazendas
chamadas de mimoso, em que o pasto é bastante suculento, 300 vacas
produzem 250 bezerros anualmente, isto é, sem interrupção. O que se diz
acerca do gado vacum é extensivo ao cavalar.

A pecuária foi responsável, ainda, pelo surgimento de várias freguesias e vilas


no Piauí. Muitas delas formaram-se ao longo dos caminhos percorridos pelos
tangedores de boiadas, que as levavam para os centros consumidores. Nessas
áreas permaneciam alguns moradores, comumente lavradores, que sobreviviam de
suas pequenas roças, onde plantavam para subsistência, e os excedentes
comercializavam com os viajantes que passavam pelo local. Instalavam-se ali
também os prestadores de serviços ao gado e aos seus transportadores, ou ás
vezes, pequenos fazendeiros que se sustentavam do comércio de reses:
29

compravam aqueles em péssimas condições, estropiadas pelas longas es


estafantes viagens, recuperavam-nas e revendiam ou trocavam por outras junto aos
que atravessavam os caminhos dos sertões.
"E assim iam povoando os sertões de gente e de novas fazendas num
itinerário doloroso e temerário, porém edificante" (Nunes, 1983: 35).

4.2 A decadência da pecuária e a crise da economia piauiense

A partir da segunda metade do século XVIII a atividade criatória piauiense


manifesta os primeiros sinais de declínio, adquirindo crise profunda no século
seguinte. As fazendas de gado, que até então proliferavam pela província,
conformando o mais importante suporte de sua economia, já não apresentavam o
mesmo dinamismo de tempos anteriores, quando foram responsáveis pelo
abastecimento dos centros urbanos do litoral e das Minas Gerais.
As causas de tal declínio relacionam-se tanto a maneira como se organizava
estruturalmente a atividade criatória na província, quanto á conjuntura em que
viviam, naquele momento as regiões compradoras dos rebanhos piauienses.
A estrutura interna da economia piauiense pode ser apontada como uma das
vertentes responsáveis pelo aprofundamento da crise de sua pecuária, na medida
em que o modelo adotado ali pelos fazendeiros baseava-se numa atividade criatória
de exploração extensiva e em grandes partes latifundiários, com centros urbanos
com pouca importância e dispersos pelo território. Além disso, o comércio dentro da
capitania ocorria de maneira precária, as transações comerciais estabelecidas eram
em grande parte concretizadas fora dos limites de seu território, vendia-se o gado e
comprava-se mercadorias em outros centros, caracterizando, assim, uma
dependência do mercado externo. Acrescenta-se ainda o fato de que raros eram os
investimentos realizados numa fazenda; tudo se dava quase ao natural: havia
apenas nela casas simples, uns cercados que se chamavam de currais e alguns
instrumentos rudimentares na lida com o gado; as pastagens utilizadas eram,
comumente, naturais, necessitando apenas realizar pequenas queimadas em
determinadas épocas do ano, para que crescessem com melhor qualidade e de
forma mais abundante, e quando elas se escasseavam mudava-se o gado para
30

outras áreas; poucas eram as fazendas que recebiam cercamento, o que favorecia a
circulação do gado por vasta áreas, muitas vezes para fora dos próprios limites da
fazenda, não havendo nenhum impedimento, já que nas concessões das sesmarias
era obrigatório por lei deixar uma légua de área livre entre duas datas de terra.
Raros eram aqueles fazendeiros que investiam em empreendimentos
industriais mais sofisticados, ou em novas técnicas de beneficiamento da pecuária.
Os processos adotados eram sobremaneira simples e de forma rudimentar. Estes foi
um fator importante que contribuiu para a fragilidade da atividade criatória no Piauí,
superada facilmente no momento em que surgiram outras áreas que entraram na
concorrência pelo mercado das minas, como é o caso do Rio Grande do Sul. Não
que nesta área houvesse uma indústria ligada a pecuária com técnicas mais
aprimoradas, mas as condições naturais eram muito mais favoráveis (Prado Jr.,
1985: 98), o que consequentemente obtinha vantagem sobre a pecuária nordestina,
particularmente a piauiense.
A pecuária piauiense, entretanto, logrou, durante longo período, manter a
dianteira no fornecimento de seus rebanhos para as principais praças da colônia,
mesmo ela apresentando deficiência em seu processamento industrial e tendo que
vender sua principal mercadoria em feiras longínquas, onde o gado chegava
cansado e magro, além de um preço mais elevado em razão dos custos dos
transportes.
A segunda metade do século XVIII é marcada também por uma conjuntura
externa desfavorável á pecuária piauiense, o que contribuía para ampliar a crise de
sua economia. Verifica-se, por exemplo, que as tradicionais regiões consumidoras
do gado Piauí já não dispunham do mesmo desempenho econômico de anos
anteriores, ou, ainda podiam contar com os produtos da pecuária de outros centros.
Pode-se incluir na primeira situação a Zona da Mata Nordestina, onde os
engenhos de açúcar já estavam em franca decadência, em função da concorrência
do açúcar produzido nas Antilhas, pela Inglaterra e Holanda, e dos interesses dos
portugueses voltarem-se para as regiões de produção de minérios. Reduzia-se,
assim de tração e transporte, essenciais no funcionamento dos engenhos. O
prejuízo dessa crise recaia, principalmente, sobre o rebanho piauiense, na medida
em que este necessitava percorre maiores distâncias até o litoral, levando assim
desvantagem em relação a pecuária do Agreste.
31

A segunda situação verifica-se, dentre outras, nas regiões das Minas Gerais,
que passam a representar, nesse momento, o mais importante centro econômico da
colônia e que desde o início de suas atividades tinha na pecuária sertaneja, incluída
aqui principalmente a piauiense, o principal fornecedor de charque, couro e animais
vivos. Destaca-se, entretanto, a participação de outras áreas fornecedoras de
rebanhos bovinos e cavalares, com destaque para as províncias do Maranhão e,
principalmente, do Rio Grande do sul. No que se refere a esta última, logo se tornara
a mais importante fornecedora de gado para as regiões das Minas, cujos rebanhos
chegavam ale em melhores estados. A pecuária sulista foi responsável pela
ampliação da crise da atividade criatória piauiense. As causas responsáveis pelo
declínio da pecuária dos sertões são apontadas nas seguintes palavras de PRADO
JR. (1987: 68):

"Em meados do século XVIII o sertão do Nordeste alcançava o apogeu do


seu desenvolvimento. O gado nele produzido abastece, sem concorrência
todos os centros populosos do litoral, desde o Maranhão até á Bahia. O
gado é conduzido através de grandes distâncias em manadas de centenas
de animais. Cruzando regiões inóspitas, onde até a água é escassa e não
raro inexistente (contentando-se então os homens e os animais com as
reservas líquidas de certas plantas hidrófilas), o gado chega naturalmente
estropiado a seu destino. A carne que produz, além de pouca, é de má
qualidade. Assim, somente a falta de outras fontes de abastecimento
alimentar explica a utilização para isto de tão afastadas e desfavoráveis
regiões. Em fins do século elas sofrerão golpes ainda mais severos. As
secas prolongadas, que sempre foram aí periódicas se multiplicam e
estendem ainda mais, dizimando consideravelmente os rebanhos que se
tornarão de todo incapazes de satisfazerem ás necessidades de seus
mercados consumidores. Serão substituídos pela carne-seca importada do
Sul da colônia."

Mesmo em crise, a pecuária piauiense continuou como principal atividade


econômica do Piauí até meados do século XIX, portanto cem anos depois dos
primeiros sinais de decadência. No entanto, essa atividade vai se reproduzindo cada
vez mais a um mercado localizado na própria província ou, quando muito, nos
limítrofes, reproduzindo as mesmas condições logísticas que se verificaram em
momentos passados. A não modernização do quadro de sua economia e a sempre
dependência de mercados externos (dentro ou fora do Brasil), verificada ao longo
dos anos, contribuíram para que o Estado do Piauí se tornasse atualmente numa
das mais pobres unidades da federação.
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5 METODOLOGIA

A verificação de como se deu a emancipação política do município de Nossa


Senhora de Nazaré-PI, requer um estudo histórico da origem e formação deste
município.
Infelizmente, nós não temos nenhum livro, revista ou jornal publicado, sobre a
História do município de Nossa Senhora de Nazaré-PI, foi difícil encontra
documentos com os quais baseasse a minha pesquisa. Utilizando a história oral que
é o trabalho de pesquisa que faz uso de fontes orais, consegui a parti desta
pesquisa trazer informações relevantes acerca do município de Nossa Senhora de
Nazaré-PI para compreendermos a história deste município.
Os conceitos analisados foram emancipação e formação territorial e os
principais autores que contribuíram para esse trabalho foram Tomio (2002) e Nunes
(1983).

6 ORIGENS DO MUNICÍPIO NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

A história de Nossa Senhora de Nazaré-PI se inicia no ano de 1857, com a


chegada dos seus primeiros habitantes. A primeira fazenda construída foi a Santa
Angélica, seguida de outras famílias que foram se aglomerando como os da
fazenda: Brasileira, Concordia, Alívio, Barretos, Itapirema, Santa Verônica,
Pequizeiro, Lagoa das Pedras, Sossego e Santo Antônio.
O primeiro nome atribuído ao então povoado foi "Alto da Prividia",
denominação em homenagem a Senhora que tinha doado o terreno, que se
chamava Prividia; o segundo nome foi "Alto de Nazaré", devido a escolha do morro
mais alto para a construção da igreja; já o terceiro nome "Povoado Nazaré", por
conta de ter se tornado um pequeno povoado. O nome Nossa Senhora de Nazaré,
foi atribuído pelo Sr. Antônio Alves, que era vendedor de tecidos, e por ter tido
desavenças com o seu concorrente Martiniano Gomes, teve que fugir para o Estado
do Pará; chegando lá passou por momentos difíceis, da qual fez promessa a então
padroeira da cidade, que se retornasse a sua cidade natal compraria um terreno e
33

doaria a Nossa Senhora de Nazaré, algum tempo depois ele retornou para casa e
cumpriu com a promessa que fizera, e foi assim que a cidade recebeu este nome.
No início de sua formação a população era essencialmente rural, com o
passar do tempo foi surgindo o aglomeramento urbano, com poucas casas, muito
pequena, tinha um estilo de vida pacata, aos poucos foi se desenvolvendo
aumentando a quantidade de habitantes, pessoas que procuravam melhores
condições de vida no povoado.
Por ser um povoado pequeno, dispõe de poucos recursos financeiros, mas é
repleta de estereótipos á ideia de uma população calma, humilde, religiosa, sem
muita violência, exemplar, pois todos se ajudam, é um ótimo lugar para se viver.
Nossa Senhora de Nazaré-PI está localizada geograficamente no Norte do
Estado do Piauí. Tem-se uma população estimada de 5.000 habitantes, dentro de
uma área de 353,21 Km². A distância de Nossa Senhora de Nazaré até a capital do
Estado, Teresina é de 14 Km.

6.1 Aspectos Culturais

A religião predominante é a católica Apostólica Romana com cerca de 90% da


sua população, em Setembro de 2017 a Diocese de Campo Maior, sob o comando
de bispo Dom Francisco de Assis Gabriel, aconteceu a celebração que marcou a
instalação canônica da Paróquia e consequentemente a posse do primeiro pároco
da cidade, Pe. Alcino Saraiva Martins. Também temos 7 igrejas Evangélicas, onde
são realizados os cultos e o desenvolvimento da evangelização com muito
desempenho. Estes aspectos são considerados relevantes para tentar salvar do
completo esquecimento costumes e tradições do passado, trazendo estas memórias
para as novas gerações.
As festas tradicionais de Nossa Senhora de Nazaré-PI é o "Festejo de Nossa
Senhora de Nazaré" comemorada desde de 1917 aproximadamente. Atualmente a
festa é financiada pela Prefeitura nos dez dias ( dez a vinte de Outubro), atrai
pessoas de toda região, movimenta a economia local, vem parque de diversão,
barracas que vedem brinquedos, roupas, lanches, as famílias recebem seus
familiares vindos de partes, para participarem do mais tradicional festejo do
município de Nossa Senhora de Nazaré-PI
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6.2 Evolução Política

Nossa Senhora de Nazaré-PI e se desenvolvia cada vez mais e se


tornava insustentável a situação de total dependência do município de Campo
Maior-PI, não sendo assistida muita das vezes em suas necessidades mais básicas
pela sede do distrito. Com o passar do tempo , surgiu o concurso "Vamos divulgar
Campo Maio", onde a Professora Elisete Delmiro, ao tomar conhecimento do
concurso viu uma possibilidade de transformar o Povoado Nazaré em um Município;
a mesma fez o mapeamento de tudo que estavam exigindo; a Professora estava
concorrendo com 17 candidatos , no qual saiu vitoriosa ficando na primeira
classificação entre os cincos classificados. Com o resultado do concurso surgiu
então o desejo da população de correr atrás da possibilidade do povoado se torna
município.
A década de 1990 foi marcada por um grande número de emancipações
municipais em todo o território nacional, no Piauí o número de municípios saltou de
118 para os 221 atualmente existentes.
Segundo Bezerra (2012, p.325) "A leva municipalista dos anos 1990,
verificável em todo país, ocorreu em meio a conjuntura de redemocratização do
Brasil, depois da Ditadura Militar". Neste processo os municípios passaram a ter
maior autonomia, sendo estes municípios governados sem uma intervenção tão
direta dos setores Federais e Estaduais como se verificou no período da Ditadura
Militar, existe uma volta a democracia, tendo os municípios que cumprir com seus
compromissos em todos os setores governamentais.
Em relação a autonomia da esfera municipal Bezerra (2012, p.326) afirma que
"a constituição de 1934 estabeleceu o que ficou consagrado no escopo dessa
autonomia, ao serem consideradas as constituições inscritas numa ordem liberal-
democrática, entre os quais são incluídas as de 1946 e 1988: a eleição de prefeitos
e vereadores; a oferta de serviços e a decretação de impostos e taxas'.
Merece especial destaque essa última constituição, ao regular o município
como "ente federativo, com prerrogativas invioláveis por qualquer nível mais
abrangente de governo" (TOMIO, 2005 apud BEZERRA, 2012, p.326). Dessa forma
o município passou a ser um espaço político na esfera nacional.
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Em relação a esse processo de descentralização Jacobi define da seguinte


forma.

Define uma transferência ou delegação de autoridade legal e política aos


poderes locais para planejar, tomar decisões e gerir funções públicas do
governo central. Descentralização relaciona-se, pois, com a distribuição
territorial do poder e implica delegação de autoridade (JACOB, 2002 apud
BEZERRA, 2012, p.326)

Temos que destacar a atuação da sociedade local, a população que lutava e


sonhava com a conquista da liberdade política do seu município, que com a
emancipação teria autonomia para atender as reivindicações da população, tendo
desta forma a oportunidade de trazer para o povo melhor qualidade de vida.
Obtendo "melhoria nos serviços de saúde e na ampliação das escolas; um maior
acesso a programas sociais; a construção de moradias e praças; a pavimentação de
ruas e a geração de emprego, em especial nos órgão públicos" (BEZERRA,
2012,p.328). Todos tinham uma visão positiva acerca da emancipação política do
seu município, pois, contribuíram para melhoria da vida dos munícipios.
Neste contexto de um grande número de emancipações políticas realizadas
nos anos de 1990 em todo território nacional, podemos citar o município de Nossa
Senhora de Nazaré-PI que se tornará um dos 103 municípios piauienses
emancipados entre os anos de 1991 e 1997. Depois muita luta e anseio, finalmente
no dia 26 de janeiro de 1994, foi um momento de muita comemoração e os
nazarenos festejaram esse momento histórico tão importante, pois, através da lei
4680, do então governador Antônio Freitas Neto. Nossa Senhora de Nazaré
conseguiu sua liberdade desmembrando-se do município de Campo Maior,
elevando-se a categoria de cidade. A primeira eleição para prefeito e vereadores
realizou-se no dia 03 de outubro de 1996, eram três candidatos disputando o cargo
de prefeito, saindo vitorioso desta disputa o Sr. Benício Barros Alves; tendo o
primeiro prefeito do município, tendo como vice-prefeito o Sr. Joaquim Alfredo;
sendo prefeito reeleito no pleito no realizado no dia 05 de outubro de 2000. Tendo
metas de trabalhos voltados para o bem-estar da população, como prioridade de seu
governo: educação, saúde e moradia digna, eram muitas as expectativas do povo
para com o seu mandato.
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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Município de Nossa Senhora de Nazaré-PI guarda consigo uma bela


História. Iniciada por seus primeiros habitantes, que começaram o processo de
povoamento desta cidade, pessoas humildes e acolhedoras que mesmo vivendo em
uma cidade pacata se sentiam felizes. Hoje com uma população referente a 5.000
habitantes, que mesmo enfrentando inúmeras dificuldades em seu cotidiano, este
povo continua acreditando que conseguirão obter melhores condições de vida,
conseguindo evoluir e prosperar em seu município.
A emancipação Política aconteceu no dia 26 de janeiro de 1994, e contribuiu
para o desenvolvimento urbano e populacional, houve a doação de terrenos por
parte do poder Executivo para construção de habitações nos quais melhorou a vida
de muitos nazarenos.
Este trabalho é de suma importância, para compreendermos a História do
município de Nossa Senhora de Nazaré-PI, suas peculiaridades, analisando fatos
ocorridos que motivaram a sua evolução política, econômica e social. Dando a maior
ênfase á política e ao seu desenvolvimento a parti de sua Emancipação Política.
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Estes relatos poderão ser utilizados como fonte de pesquisa para todos aqueles que
se interessam pela História local e por aprenderem sobre este município.
Utilizando a história oral que é o trabalho de pesquisa que faz uso de fontes
orais, consegui a parti desta pesquisa trazer informações relevantes acerca do
município de Nossa Senhora de Nazaré-PI para compreendermos a história não só
deste povo, mas de tantas cidades interioranas que compartilham destas mesmas
realidades que ainda não são trabalhadas nas escolas, não colocando o aluno com
a sua própria História, através da vivência de seus antigos habitantes, são
estudados aspectos mais nacionais, muitas vezes distantes da realidade destes
alunos. Existe um diálogo expressivo entre o nacional é o local, não podemos
desvincular um do outro, mas ambos devem ser estudados de forma colaborativa.

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ANEXOS

MAPA DO PIAUÍ COM DESTAQUE PRA NOSSA SENHORA DE NAZARÉ


40

MAPA DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ


41

FOTO DA IGREJA NOSSA SENHORA DE NAZARÉ NO CENTRO DA CIDADE


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