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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL UNINTER

ANGÉLICA LUCIANO DA COSTA ALMEIDA


RU 2803337

PRODUÇÃO CONCEITUAL
ESTÁGIO SUPERVISIONAL PSICOPEDAGOGIA HOSPITALAR
INICIAÇÃO CIENTÍCA

Brasília
2020
1. INTRODUÇÃO

O psicopedagogo possui diversas atribuições. As competências do


psicopedagogo não são apenas clínicas, tem-se também o psicopedagogo
institucional que atua, geralmente, em escolas, hospitais e empresas.
O psicopedagogo hospitalar assessorará a aprendizagem em um ambiente
hospitalar. Geralmente, esse profissional desempenha o seu papel de continuidade
da aprendizagem, em ambientes pediátricos. Contudo, nesse estágio que foi
realizado juntamente com a Iniciação Científica, proponho que vejamos não somente
a criança como ser aprendente em um ambiente hospitalar, mas todos os indivíduos.
E por que não pensarmos no idoso, que acredita que não há mais como aprender
devido à idade e/ou as diversas patologias que a senescência acarreta?
O psicopedagogo não se preocupa somente com o ser aprendente criança,
mas com todos os seres aprendentes que constituem a sociedade.
Segundo o Estatuto do Idoso, 2003:

Art. 2º: O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa


humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei,
assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e
facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu
aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de
liberdade e dignidade.

A saúde, bem como educação e preservação da saúde física e mental são


asseguradas. Então, entende-se que, apesar de ser mais voltado para a assistência
social, as Instituições de longa permanência do idoso (ILPI), também atuem na
promoção, preservação e interferência na saúde do idoso, sendo vista também
como um ambiente hospitalar, onde médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais,
psicólogos e cuidadores podem trabalhar multidisciplinarmente com o
psicopedagogo. E se pensarmos também em um ambiente hospitalar, fora do asilo,
em um ambulatorial de geriatria e gerontologia? Enquanto há vida, há aprendizagem
O psicopedagogo não solucionará problemas. Ele investigará e observará
toda a rede de interações daquele ambiente e traçará métodos preventivos ou
interventivos na aprendizagem do idoso (e porquê não, de todos os sujeitos que
constituem aquela comunidade), visando preservar ou otimizar funções executivas,
cognitivas, motoras e proporcionar a autonomia e autoconfiança do sujeito
senescente.
E qual a diferença entre senescência e senilidade? A primeira é a
“envelhescência” sem patologias cognitivas. Já senilidade é o envelhecimento com
patologias cognitivas, como a demência (mais comum Alzheimer). O psicopedagogo
pode atuar em ambos? Claro! Na senilidade, porém, a estimulação cognitiva será
para retardar o progressismo de uma doença e nem sempre se conseguirá um
objetivo palpável. Na senilidade, atua-se na estimulação do cognitivo, motor,
psicossocial e também na descoberta de novas aprendizagens, pois nunca,
independente de idade, cessa-se o aprender (GONÇALVES, 2020).
O estágio supervisionado foi realizado na modalidade Iniciação Científica da
Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional UNINTER. A
linha de pesquisa foi Educação à distância, Metodologias e Inovação e o projeto de
pesquisa é o Vozes da Pedagogia, coordenado pela professora Drª Gisele Cordeiro.
Durante o estágio foram discutidos os capítulos do livro “Educação em tempos de
Covid” na plataforma TEAMS, além de pesquisas no google acadêmico e leituras de
artigos sobre o tema em questão. Foi realizada a análise do documentário “A vida
dos idosos em abrigos” e produzido um capítulo do livro “Retratos e Memórias de
uma Pandemia” onde há um poema que relata as angústias de um idoso com mal de
Alzheimer em isolamento social. A importância da iniciação científica é a pesquisa
de algo salutar à sociedade. Pode-se afirmar que algo novo para a ciência não
existe se não houver a pesquisa.
A metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica, qualitativa e descritiva e
com análise de artigos, documentário e dados sobre o tema. Os autores do
referencial teórico são Pichon-Rivière, Nádia Bossa, Gonçalves, Fernandez.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1Estado da Arte
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e estatística), o brasileiro,
no ano de 2000, tinha em média 68,83 anos de expectativa de vida. Em 2020 esse
número passou para 76,74 anos e em 2030 alcançará a média de 78,64 anos. A
sociedade não pode negar a presença e importância do idoso e ao mesmo tempo,
criar formas de estimular a autonomia e autoestima desse ser aprendente.
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), há no
mundo mais de 45 milhões de idosos vivendo com demência e a mais comum é o
Alzheimer (de 40% a 60% das demências). No brasil há cerca de 29 milhões de
idosos e deste, 2 milhões com demências. Os números podem não refletir a
realidade por ser subestimado, pois nem todas as camadas da população
conseguem acesso à saúde e consequente diagnóstico. Os primeiros sintomas do
Alzheimer é a perda de memória recente e consequente ansiedade. Posteriormente,
há a alteração do comportamento, da locomoção e deglutição. A sociedade, bem
como a família, precisa ser aconselhada e preparada para enfrentar da melhor
maneira possível esse real problema. Como? Através de aprendizados sobre a
melhor forma de acolher e estimular seus idosos.
Bossa nos diz que a Psicopedagogia nasce de uma dificuldade de
aprendizagem. Nessa sociedade capitalista e egocêntrica, como fica a
aprendizagem de nossos idosos?
A Psicopedagogia é um campo de atuação que integra saúde e educação
que lida com o conhecimento, sua aplicação, sua aquisição, suas
distorções, suas diferenças e seus desenvolvimentos por meios de múltiplos
processos (BOSSA, 2013, p. 11).

A Psicopedagogia integra educação e saúde. A andragogia, ou seja, o


processo de educação em adultos e/ou idosos é uma necessidade latente da
sociedade (GONÇALVES, 2020). Tornar o ser idoso, considerado dependente, sem
autoestima e que não tem mais o que aprender, em um ser independente, com
autoestima, ciente que pode contribuir para a sociedade com seus conhecimentos e
que também pode absorver dessa sociedade conhecimentos (GONÇALVES, 2020).
Para Piaget, cada um envelhece de acordo com sua tomada de consciência
(SANTOS et al, 2006). Freud nos diz que cada um envelhece ao seu próprio modo,
aproveitando o futuro de forma única, de acordo com o seu inconsciente (RIBAMAR,
2017). A velhice é uma convenção sócio-cultural e pode ter um significado diferente,
dependendo da cultura (SANTOS, 1994). Para Pichon-Rivière, as experiências de
um indivíduo darão formas as relações durante toda vida. A ação psicopedagógica
no idoso visará a (re)integração do convívio social, acarretando em orgulho de sua
história, autonomia, autoestima e abertura à aprendizagem em relação ao seu atual
momento (RODRIGUES et al, 2017).
Como Fernández em um hospital argentino, porque não se criar em um
ambiente hospitalar (seja no próprio hospital ou em asilos) a confluência entre a
interdisciplinaridade, prevenção e assistência ao idoso? Qualquer instituição irá
refletir a sociedade inserida (FERNÁNDEZ, 1991).
Trabalhar para minimizar as perdas funcionais de idosos, estimulando
aspectos psicomotores e consequentemente o desempenho de atividades diárias
(OVANDO, 2010) são alguns dos benefícios de uma prevenção ou intervenção
psicopedagógica. Claro, estilo de vida, hereditariedade, fatores ambientais,
econômicos, sociais e psicológicos irão refletir como será essa fase da vida e o
psicopedagogo deve ter isso em mente (SOCCODATO, 2015). A vulnerabilidade irá
refletir em como deverá ser feita essa intervenção: por exemplo, o analfabetismo ou
baixa escolaridade é uma realidade do idoso brasileiro e fará, por exemplo, que
determinada patologia seja mais ou menos compreendida, bem como a utilização
correta de medicamentos. Nesses casos, o psicopedagogo poderá, além dos
trabalhos psicomotores e cognitivos, criar formas para o entendimento em uma
linguagem simples. A psicopedagogia ensina o ser a aprender a aprender e por que
não ensinar a aprender sobre sua condição?
Os idosos moradores das Instituições de longa permanência (ILPI) que contrai
a Covid-19, têm 60% de chances de vir à óbito devido as várias comorbidades dessa
população (MORAES et al, 2020). Se toda a comunidade da ILPI tivesse um
processo de aprendizagem para a prevenção correta de contaminações? Sabemos
que alguns idosos já não possuem mais capacidade cognitiva satisfatória, mas
nesses casos há cuidadores e aqueles que a tem, devem sempre ser estimulados à
autonomia.
Com o isolamento social e consequente piora dos estímulos sociais, como o
psicopedagogo poderia atuar? Bem, as ILPI não podem, atualmente, receber visitas
para a segurança dos pacientes, porém, a equipe multidisciplinar continua
trabalhando com esses idosos. O psicopedagogo e toda a equipe deverão tomar
cuidados profiláticos para evitar contaminação de algum idosos (OLIVEIRA et al,
2020). Além disso, a sociabilidade pode ser estimulada com vídeo-chamada, lives,
jogos entre os próprios idosos. Melhor ainda se essas atividades tiverem como tema,
mas sem alarmismo, a pandemia. Vivências estimularão a memória e interpretação
e sempre poderá ser feito uma correspondência do passado, presente e futuro
(RODRIGUES et al, 2017).

2.2 Campo Externo

Analisando o documentário “a vida dos idosos em abrigos”, pode-se perceber


que a Instituição de longa permanência (ILPI) relatada foge ao estereótipo de
“asilos” das décadas anteriores ao Estatuto do Idoso (2003).
Atualmente as ILPI são locais para a continuidade da aprendizagem do ser
humano e estímulos as capacidades motoras, psicossociais e cognitivas. Caso o
idoso tenha alguma patologia, pode-se, através de estímulos adequados, postergar
o prognóstico e ensinar ao sujeito como ter uma vida com a melhor qualidade o
possível.
Aliás, é isso que a sociedade deve buscar para essa população que cresce
ano após ano: qualidade de vida. E será que existe qualidade de vida sem
aprendizagem ou sem recursos para a aprendizagem? O ambiente ILPI, sempre
atrelado com a assistência social e também hospitalar, pode se tornar também um
ambiente educacional.
O documentário tem início com imagens de idosos, suas “marcas” que
refletem uma vida com histórias que devem ser respeitadas e inseridas na
sociedade.
O Lar Maria Madalena, localiza-se no Núcleo Bandeirante, cidade satélite de
Brasília. É uma ILPI bem quista pela sociedade local, com idosos bem tratados
multidisciplinarmente. O caráter do Lar é de Organização não Governamental
(ONG), recebendo auxílio governamental e também da sociedade.
Idosos relatam como foi sua vida, casamento, família, filhos, ocupações antes
do Lar e depois. Há saudosismo, mas também tristezas. Alguns demonstram não
gostar de onde vivem, outros pensam como a vida poderia ser diferente.
As ILPI têm caráter assistencial, mas também hospitalar, pois têm que ter
profissionais da saúde para a promoção da qualidade de vida dessa população.
Obviamente, caso haja entendimento do porquê de determinada patologia, como e
quando utilizar medicamentos e quais as formas de retardar ou amenizar
determinado problema de saúde, haverá uma melhor qualidade de vida e também
estimulará a autonomia e autoestima. Ninguém nasce sabendo ou tem a obrigação
de saber, mas TODOS podem aprender. Devido à idade pode haver declínio de
funções motoras, cognitivas e até mesmo social, mas o psicopedagogo pode
estimular esse ser aprendente e trazer novamente a chama da aprendizagem que
tanto faz bem. Como diz um ditado popular: “é melhor prevenir do que remediar”, ou
seja, “é melhor aprender ao remediar”. O governo iria economizar quanto com ações
educativas para a senescência? E a família, o quanto se sentiria acolhida e não mais
à mercê de uma patologia? O psicopedagogo pode mudar a relação que a
sociedade tem consigo mesma. Ensinar nossas crianças é importante, porém
devemos ter em mente que é importante ensinar em todos os ambientes e em todas
as fases da vida.

FICHA TÉCNICA DO DOCUMENTÁRIO/FILME

Documentário:
A vida dos idosos em abrigos
Título Original:
A vida dos idosos em abrigos
Ano: 2015 País: Brasil Idioma: Francês Duração: 14 minutos.

Gênero: Documentário Cor: colorido Idade recomendada: livre

Palavras-chave:
Idoso, abrigo, autonomia, vivência
Direção: Eduardo Kirst e Gabriela Costa CPRTV/ Universidade Católica de Brasília
(UCB)
Elenco Principal: Idosos moradores do Lar Maria Madalena: Guiomar Soares, Jorgina
Gonçalves, Josefa Ramos, Maria das Dores da Conceição e Vicente Virgílio

Informações de Produção: Documentário com relatos dos idosos moradores do Lar Maria
Madalena. Esse lar está localizado na cidade satélite de Brasília, Núcleo Bandeirante. É um dos
lares mais bem vistos pela sociedade local devido ao seu modo humanitário . Os idosos são
estimulados a ter autonomia e autoestima, sem perder sua personalidade. Há oficinas que
auxiliarão o idoso em sua aprendizagem.
Restrições: Classificação etária livre.

2.3 Material: criação e reflexão

A criação consistiu em produção de um Podcast na plataforma Spotify, com o


título de “Psicopedagogia hospitalar para o idoso”. Narra-se o que é, onde e quando
atua o psicopedagogo hospitalar, não em seu principal foco (criança, assegurada
pelo Estatuto da Criança e Adolescente), mas com idosos, assegurados pelo
Estatuto do Idoso. A psicopedagogia ainda delimita seu espaço e por quê não utilizar
mais esse? A sociedade agradeceria, talvez não agora, mas quando cerca de 20%
de nossa população tiver mais de 60 anos. O endereço do podcast no spotify é:
https://open.spotify.com/show/0lDoCNg5Kj9QY73jJSyeBS

Além do podcast, foi produzido uma poesia “Memória fragmentada”. Essa


produção foi publicada como o terceiro capítulo do livro “Retratos e Memórias de
uma Pandemia”, que faz parte da coletânea “Vulnerabilidades Contemporâneas”.
A poesia “Memória fragmentada” mostra um idoso, com senilidade, durante a
pandemia, perguntando-se o porquê de quase ninguém o visitar. Esse idosos não
consegue perceber a necessidade do isolamento. Apesar da senilidade, esse idoso
poderia ser estimulado psicopedagogicamente, bem como sua família, sobre o
momento. Também, mesmo que através de vídeo-conferência, poderia ser
exercitado funções motoras, executivas, cognitivas e sociais. É um momento ímpar
para a sociedade, imagine se não houver alguém que o “ensine” sobre o que está
acontecendo?

MEMÓRIA FRAGMENTADA

Covid-19: solidão.
Olho para a porta.
Você não vem.
Memória fragmentada.
Culpa me consome.
Só não sei de quê.
Só não sei o porquê.
Espero sem fim,
Por lembranças apagadas,
Visita inesperada.
Mas você não vem!
Na rua, máscaras e medo.
Em casa, dúvidas e tristeza.
Preciso do seu toque.
Preciso do seu cheiro.
Recordo do momento:
Maldito seja!
Impedir que pais abracem os filhos.
Choro...
Esqueço!
Solidão.
Espero você na porta.
Você não vem.
Perdão. (ALMEIDA, 2020, p. 37)

2.4 Prática do campo e teorias: Práxis

ENQUANTO HÁ VIDA, HÁ APRENDIZADO

ALMEIDA, Angélica Luciano da Costa¹

RU 2803337

CORDEIRO, Gisele do Rocio Cordeiro²

RESUMO: A Psicopedagogia hospitalar é um ramo da Psicopedagogia que precisa


ser reconhecida como necessária. A maioria dos psicopedagogos hospitalares lidam
com crianças. E se o psicopedagogo em um hospital também atuasse com idosos,
tendo em vista que a aprendizagem nunca cessa? E como o psicopedagogo poderia
atuar, nesse grupo tão vulnerável, em épocas pandêmicas? A população senescente
cresce a cada dia e atualmente o Brasil possui mais de 29 milhões de idosos. A
educação e saúde são direitos de todos e isso acarreta em promoção da qualidade
de vida através de projetos e saberes voltados para essa faixa etária. O objetivo do
artigo é que a sociedade, e o próprio idoso, vejam que o aprender ocorre
independente de idade, basta que haja estímulos adequado. A autoestima e
autonomia do idoso devem ser trabalhados pelo psicopedagogo através de
prevenção ou intervenção, sempre valorizando a pessoa com suas vivências. A
família também deve aprender sobre o momento daquele ente. A metodologia
utilizada foi pesquisa qualitativa, bibliográfica e descritiva. O idoso é um ser
aprendente que deve ter seus direitos à saúde e educação respeitados. Aprender a
aprender sobre o que passa, como passa e como conviver com as demandas da
vida e idade são vitais para qualquer ser. Enquanto há vida, há aprendizagem.

Palavras-chave: psicopedagogo hospitalar, idoso, aprendizagem.

INTRODUÇÃO: Lembranças apagadas

O psicopedagogo possui diversas atribuições. As competências do


psicopedagogo não são apenas clínicas, tem-se também o psicopedagogo
institucional que atua, geralmente, em escolas, hospitais e empresas.
O psicopedagogo hospitalar assessorará a aprendizagem em um ambiente
hospitalar. Geralmente, esse profissional desempenha o seu papel de continuidade
no processo de aprendizagem, em ambientes pediátricos. Por que não pensar em
mais um locus para o psicopedagogo hospitalar, partindo de um dos conceitos
chaves da Psicopedagogia: o aprendizado nunca cessa, independentemente da
idade. E por que não pensarmos no idoso, que acredita que não há mais como
aprender devido à idade e/ou as diversas patologias que a senescência acarreta?
O psicopedagogo não se preocupa somente com o ser aprendente criança,
mas com todos os seres aprendentes que constituem a sociedade.
Segundo o Estatuto do Idoso, 2003:

Art. 2º: O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa


humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei,
assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e
facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu
aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de
liberdade e dignidade.
A saúde, bem como educação e preservação da saúde física e mental são
asseguradas. Então, entende-se que, apesar de ser mais voltado para a assistência
social, as Instituições de longa permanência do idoso (ILPI), também atuem na
promoção, preservação e interferência na saúde do idoso, sendo vista também
como um ambiente hospitalar, onde médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais,
psicólogos e cuidadores podem trabalhar multidisciplinarmente com o
psicopedagogo. E se pensarmos também em um ambiente hospitalar, fora do asilo,
em um ambulatorial de geriatria e gerontologia? Enquanto há vida, há aprendizagem
O psicopedagogo não solucionará problemas. Ele investigará e observará
toda a rede de interações daquele ambiente e traçará métodos preventivos ou
interventivos na aprendizagem do idoso (e porquê não, de todos os sujeitos que
constituem aquela comunidade), visando preservar ou otimizar funções executivas,
cognitivas, motoras e proporcionar a autonomia e autoconfiança do sujeito
senescente.
E qual a diferença entre senescência e senilidade? A primeira é a
“envelhescência” sem patologias cognitivas. Já senilidade é o envelhecimento com
patologias cognitivas, como a demência (mais comum Alzheimer). O psicopedagogo
pode atuar em ambos? Claro! Na senilidade, porém, a estimulação cognitiva será
para retardar o progressismo de uma doença e nem sempre se conseguirá um
objetivo palpável. Na senilidade, atua-se na estimulação do cognitivo, motor,
psicossocial e também na descoberta de novas aprendizagens, pois nunca,
independente de idade, cessa-se o aprender (GONÇALVES, 2020).
O artigo foi desenvolvido a partir do estágio supervisionado na modalidade
Iniciação Científica da Escola Superior de Educação do Centro Universitário
Internacional UNINTER. A linha de pesquisa foi Educação à distância, Metodologias
e Inovação e o projeto de pesquisa é o Vozes da Pedagogia, coordenado pela
professora Drª Gisele Cordeiro. Durante o estágio foram discutidos os capítulos do
livro “Educação em tempos de Covid” na plataforma TEAMS, além de pesquisas no
google acadêmico e leituras de artigos sobre o tema em questão. A metodologia
utilizada é a pesquisa bibliográfica, qualitativa e descritiva, com análise de artigos,
documentário, dados sobre o tema e criação literário no livro “Retratos e memórias
de uma pandemia”.
DESENVOLVIMENTO: Visita inesperada

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e estatística), a expectativa


de vida no Brasil, no ano 2000, era em média 68,83 anos. Em 2020 esse número
passou para 76,74 anos e em 2030 alcançará a média de 78,64 anos. A sociedade
não pode negar a presença e importância do idoso e ao mesmo tempo, criar formas
de estimular a autonomia e autoestima desse ser aprendente.
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), há no
mundo mais de 45 milhões de idosos vivendo com demência e a mais comum é o
Alzheimer (de 40% a 60% das demências). No brasil há cerca de 29 milhões de
idosos e destes, 2 milhões com demências. Os números podem não refletir a
realidade por ser subestimado, pois nem todas as camadas da população
conseguem acesso à saúde e consequente diagnóstico. Os primeiros sintomas do
Alzheimer é a perda de memória recente e ansiedade. Posteriormente, há a
alteração do comportamento, da locomoção e deglutição. A sociedade, bem como a
família, precisa ser aconselhada e preparada para enfrentar, da melhor maneira
possível, esse real problema. Como? Através de aprendizados sobre a melhor forma
de acolher e estimular seus idosos.
O psicopedagogo possui outros locus de atuação além do clínico e escolar. O
aprendizado não ocorre somente em uma escola, pois há aprendizado em qualquer
ambiente, qualquer idade e em várias dimensões humanas. Dessa forma, o
psicopedagogo institucional pode atuar também em hospitais, empresas ou ONG’s,
por exemplo (CLARO, 2018).
Para Bossa (2000, p.8):

A psicopedagogia institucional se caracteriza pela própria intencionalidade


do trabalho. Atuamos como psicopedagogos, na construção do
conhecimento do sujeito, que neste momento é a instituição com sua
filosofia, valores e ideologia. A demanda da instituição está associada a
forma de existir do sujeito institucional, seja ele a família, a escola, uma
empresa industrial, um hospital, uma creche, uma organização existencial.
A psicopedagogia hospitalar é caracterizada pelo emprego do lúdico. A
educação não é exclusiva da escola, assim como a saúde não é exclusiva do
hospital (FONTES, 2005).
A psicopedagogia hospitalar geralmente é empregada em crianças cuja
internações variam de períodos. As internações acarretam, geralmente, baixo
autoestima, problemas sociais de interação, problemas de aprendizagem, além dos
sintomas da patologia em questão. Além disso, não basta intervir somente no
paciente, pois a família também faz parte desse “conjunto” psicopedagógico
hospitalar (DURÃES, 2020).
O psicopedagogo hospitalar deve ter em mente que o espaço, público e
tempo podem variar de um paciente/família para outro. O psicopedagogo deve ser
exotópico, ou seja, não ser unilateral e sim “do eu para o outro” (DURÃES, 2020).
Escutar no silêncio, observar gestos, olhares, ser ético e cuidadoso.
O psicopedagogo hospitalar cuida da saúde e para a saúde do paciente. Há
a responsabilidade psicopedagógica de ajudar o paciente/família a aprender, não só
no sentido escolar, mas também através do conhecimento da patologia, de si, de si
com os outros e de si com o meio para a promoção da saúde.
Como Fernández em um hospital argentino, porque não se criar em um
ambiente hospitalar (seja no próprio hospital ou em asilos) a confluência entre a
interdisciplinaridade, prevenção e assistência ao idoso? Qualquer instituição irá
refletir a sociedade inserida (FERNÁNDEZ, 1991).
O hospital é multidisciplinar (BRASIL, 2002). Tem-se o pensamento que um
ambiente hospitalar é composto apenas de emergência e internação, porém há
também o ambulatório, onde são constatadas as patologias, muitas vezes, crônicas,
algumas com baixa ou nenhuma possibilidade de cura, por exemplo. O paciente e a
família devem aprender a conviver com essa nova realidade: o psicopedagogo
hospitalar pode aumentar a práxis em um hospital e não somente atuar na
internação com crianças (mesmo sabendo que este ainda é um campo que precisa
de reconhecimento) e atuar também a nível ambulatorial, promovendo à saúde,
balanceando o saber cotidiano do paciente ao saber científico do médico (FONTES,
2005). Ora, prevenir, intervir, estimular não deve ser exclusivo de crianças e da
internação. Aprender ou melhorar habilidades cognitivas, psicomotricidade, por
exemplo, pode ser salutar em várias patologias, independentemente da idade. O
aprendizado ocorre enquanto há vida e deve-se levar em consideração habilidades,
interesses, relações de conduta, personalidade, cultura, vulnerabilidades e
interações com o ambiente e a sociedade (LUZ, 2020).
Bossa nos diz que a Psicopedagogia nasce de uma dificuldade de
aprendizagem. Nessa sociedade capitalista e egocêntrica, como fica a
aprendizagem de nossos idosos?
A Psicopedagogia é um campo de atuação que integra saúde e educação
que lida com o conhecimento, sua aplicação, sua aquisição, suas
distorções, suas diferenças e seus desenvolvimentos por meios de múltiplos
processos (BOSSA, 2013, p. 11).

A Psicopedagogia integra educação e saúde. A andragogia, ou seja, o


processo de educação em adultos e/ou idosos é uma necessidade latente da
sociedade (GONÇALVES, 2020). Tornar o ser idoso, considerado dependente, sem
autoestima e que não tem mais o que aprender, em um ser independente, com
autoestima, ciente que pode contribuir para a sociedade com seus conhecimentos e
que também pode absorver dessa sociedade conhecimentos (GONÇALVES, 2020).
Para Piaget, cada um envelhece de acordo com sua tomada de consciência
(SANTOS et al, 2006). Freud nos diz que cada um envelhece ao seu próprio modo,
aproveitando o futuro de forma única, de acordo com o seu inconsciente (SARAIVA,
2017). A velhice é uma convenção sócio-cultural e pode ter um significado diferente,
dependendo da cultura (SANTOS, 1994). Para Pichon-Rivière, as experiências de
um indivíduo darão formas as relações durante toda vida. A ação psicopedagógica
no idoso visará a (re)integração do convívio social, acarretando em orgulho de sua
história, autonomia, autoestima e abertura à aprendizagem em relação ao seu atual
momento (FERREIRA, 2017).
Trabalhar para minimizar as perdas funcionais de idosos, estimulando
aspectos psicomotores e consequentemente o desempenho de atividades diárias
(OVANDO, 2010) são alguns dos benefícios de uma prevenção ou intervenção
psicopedagógica. Claro, estilo de vida, hereditariedade, fatores ambientais,
econômicos, sociais e psicológicos irão refletir como será essa fase da vida e o
psicopedagogo deve ter isso em mente (SOCCODATO, 2015). A vulnerabilidade irá
refletir em como deverá ser feita essa intervenção: por exemplo, o analfabetismo ou
baixa escolaridade é uma realidade do idoso brasileiro e fará, por exemplo, que
determinada patologia seja mais ou menos compreendida, bem como a utilização
correta de medicamentos. Nesses casos, o psicopedagogo poderá, além dos
trabalhos psicomotores e cognitivos, criar formas para o entendimento em uma
linguagem simples. A psicopedagogia ensina o ser a aprender a aprender e por que
não ensinar a aprender sobre sua condição?
Os idosos moradores das Instituições de longa permanência (ILPI) que contrai
a Covid-19, têm 60% de chances de vir à óbito devido as várias comorbidades dessa
população (MORAES et al, 2020). Se toda a comunidade da ILPI tivesse um
processo de aprendizagem para a prevenção correta de contaminações? Sabemos
que alguns idosos já não possuem mais capacidade cognitiva satisfatória, mas
nesses casos há cuidadores e aqueles que a tem, devem sempre ser estimulados à
autonomia. E no caso de idosos fora de ILPI, sempre se pode criar programas
multidisciplinares na geriatria e gerontologia visando à promoção da saúde,
autonomia e autoestima.
Partindo desse conceito, apesar da Psicopedagogia ainda está em construção
de sua práxis no Brasil, deve-se ampliar o olhar do psicopedagogo hospitalar: O
PSICOPEDAGOGO DEVE E PODE ATUAR EM AMBIENTE AMBULATORIAL, bem
como em ILPI, COM TODAS AS FAIXAS ETÁRIAS. Já há tímidos casos brasileiros.
Um programa educativo com escuta, prevenção, intervenção da degeneração
cognitiva, motora, social e emocional da população idosa e sua família traria à
sociedade para a aprendizagem que não ocorre somente na infância ou juventude.
Explicar a patologia de maneira lúdica, escutar o paciente e sua família com olhar
atento, ensiná-los a aprender a aprender com aquela diversidade temporária ou
permanente, mostrar e interagir com outros pacientes, estimular a psicomotricidade
e o cognitivo. Lembrando que a população brasileira está envelhecendo e precisa de
maiores cuidados. Seria quase uma Heutagogia, onde há aprendizagem sem
professor, pois o próprio aluno é responsável por sua aprendizagem, porém guiado
pelo psicopedagogo (GONÇALVES, 2020).
Segundo Coelho, Dutra e Martinelli (2016, p. 105):

O conceito de heutagogia (heuta- auto, próprio- e agogus- guiar) surge com


o estudo da autoaprendizagem na perspectiva do conhecimento
compartilhado. Trata-se de um conceito que expande a concepção de
Andragogia ao reconhecer as experiências cotidianas como fonte de saber e
incorporar a autodireção da aprendizagem com foco nas experiências.

O estímulo pode ser extrínseco e intrínseco. O idoso geralmente tem baixa


autoestima e tanto ele quanto sua família acreditam que não é mais possível
aprender (GONÇALVES, 2020.). Segundo a lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), em
seu terceiro artigo:

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder


Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer,
ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à
convivência familiar e comunitária.

A saúde e a aprendizagem não são direitos apenas dos jovens. Idosos


também necessitam de um olhar lúdico e didático, estímulo à memória, interfaces
entre pedagogia e psicologia, promoção da educação à saúde, prevenção e
autocuidado (FONTES, 2005.). A aprendizagem faz parte de um processo de
mudança de comportamento. Segundo Pereira (2009, p. 265):

De um modo geral é o adulto quem procura a ajuda do psicopedagogo


quando, por vezes, descobre sozinho que tem alguma dificuldade de
aprender. Essa descoberta surge normalmente, quando sente a dificuldade
estampada na leitura ou na escrita. É uma procura sempre indecisa, difícil.
O adulto resiste em procurar um profissional de ajuda e principalmente o
psicopedagogo, visto que não conhece o tipo de trabalho que esse
profissional desenvolve, não sabe para onde está dirigida a ação
psicopedagógica.

Idosos, geralmente, se sentem solitários. Às vezes têm a “síndrome do ninho


vazio”. Nessa pandemia, como poderia ter sido o acolhimento ao grupo mais
vulnerável? Sentiram-se só e contando com a solidariedade alheia? Devido a
senilidade, muitas vezes esqueciam o momento? Mas e se houvesse para os idosos
acolhimentos ambulatorial psicopedagógico? Se eles compreendessem com a
ludicidade o momento da sociedade, o seu momento, suas limitações e virtudes, seu
papel na família e para a família, que às vezes o vê como estorvo? Conseguissem
com um aplicativo, cartilhas, propagandas em meios de comunicação,
disponibilizados pelo próprio serviço de saúde, prevenir, saber horários e/ou como
utilizar os medicamentos prescritos, um telefone para sanar dúvidas? Ter estímulos
cognitivos, com vídeos, aplicativos, cartilhas, para se tornar mais autossuficiente
para si e a família? A sociedade agradeceria. E quem seria um dos atores desse
processo, que sempre é multidisciplinar? O psicopedagogo. A Associação Brasileira
de Psicopedagogia, em seu Código de Ética, artigo 2° diz:

A psicopedagogia é de natureza inter e transcisciplinar, utilizando-se de


recursos próprios para a compreensão dos processos de aprendizagem dos
sujeitos e sistemas, com vistas à intervenção.

Com o isolamento social e consequente piora dos estímulos sociais, como o


psicopedagogo poderia atuar? Bem, as ILPI não podem, atualmente, receber visitas
para a segurança dos pacientes, porém, a equipe multidisciplinar continua
trabalhando com esses idosos. O psicopedagogo e toda a equipe deverão tomar
cuidados profiláticos para evitar contaminação de algum idosos (OLIVEIRA et al,
2020). Além disso, a sociabilidade pode ser estimulada com vídeo-chamada, lives,
jogos entre os próprios idosos. Melhor ainda se essas atividades tiverem como tema,
mas sem alarmismo, a pandemia. Vivências estimularão a memória e interpretação
e sempre poderá ser feito uma correspondência do passado, presente e futuro
(FERREIRA, 2017).
Quanto ao ambulatório, na atualidade atende com restrição os pacientes
geriátricos. A barreira física, não impede que a equipe entre em contato com os
pacientes para orientar, acalmar, mostrar preocupação e poder estimular a
sociabilidade. Conversar com a família e acolher, pois a família necessita de novas
aprendizagens para cuidar satisfatoriamente desses idosos. Utilizar a ludicidade
nesse atendimento virtual, seja por telefonema, vídeo-chamada, vídeos pré-
gravados. O lúdico não deve ser empregado somente em crianças. Leveza é bom
em qualquer idade. E por que não tornar leve a vida daqueles que com certeza já
vivenciaram tantos momentos pesados?

CONSIDERAÇÕES FINAIS – Onde há vida, há aprendizagem


A sociedade, durante anos, acreditou que ao chegar na senescência não
seria possível aprender, seja porque o indivíduo já aprendeu “tudo” o que era útil em
sua vida ou porque não possui mais capacidade cognitiva.
O mundo está envelhecendo. Aquela pirâmide etária com base larga e ápice
estreito, muda cada ano em consequência do aumento da expectativa de vida. E o
que a sociedade fará?
A educação e saúde são direitos de todos. Educação não é somente para
crianças? Claro que não. Educação é para qualquer ser aprendente. E porque não
aprender como estimular cognitivamente, psicossocialmente, motoramente; ter
autonomia e consequente autoestima, mesmo com patologias?
O psicopedagogo se preocupa com a aprendizagem e qualquer obstáculo que
a impeça, independente de idade e até de locus. Pode atuar clinicamente ou
institucionalmente, em escolas, empresas, ONG, hospitais. E por que não atuar em
hospitais ou ILPI, de forma preventiva ou estimulando algo que possa estar
interferindo na aprendizagem?
Ambulatorialmente, o psicopedagogo poderá ser a ponte entre os saberes
médicos e os populares, explicando com uma linguagem apropriada o que ocorre de
acordo com a escolaridade do paciente, criando formas de ensinar ao paciente
analfabeto ou semianalfabeto de ter certeza que está tomando o medicamento de
forma correta. Pode-se também criar oficinas de vivências, onde aprendam com as
experiências de todos.
Em ILPI, o psicopedagogo poderá atuar com os idosos, através de oficinas
lúdicas que explique alguma demanda daquela comunidade ou individualmente com
atendimento que vise estimular a aprendizagem. Além disso, o psicopedagogo
poderá atuar em toda a equipe, visando um grupo coeso, que funcione sem
interferências.
Sabemos que nem todos os idosos são ativos. O Alzheimer, por exemplo, é
uma demência que faz com que a pessoa tenha perda gradual de memória, controle
motor e capacidade cognitiva. Nesse caso, o ideal é acolher a família que
empregará os cuidados necessários ao paciente. Porém, temos idosos muito ativos!
Idosos ativos podem ser estimulados em suas funções executivas, motoras e
a sociabilidade. Aceitação, orgulho de ser quem é, prazer em contar sua história e
ter a ciência que podem sim aprender e prevenir ou intervir em possíveis obstáculos
à aprendizagem. Esse é o idoso que desejamos para as próximas décadas.

REFERÊNCIAS

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3. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Não foi um estágio fácil. A Psicopedagogia Hospitalar ainda é pouco


difundida, mesmo quando se fala em pediatria. E quando se fala em geriatria ou
Instituições de longa permanências para idosos, é invisível.
Aproveitando o momento em que a vulnerabilidade dos idosos ficou em foco,
analisei, através de documentários, artigos, imprensa e convívio com idosos em
senescência ou senilidade, o que falta para esse ser aprendente, que com o avanço
da idade se vê isolado e sem perspectiva. Um ser que facilmente se entrega à
patologias, sem ao menos tentar entende-las e aprender a viver de uma forma
“diferente”.
Cheguei à conclusão que falta políticas públicas que assegurem o direito à
saúde e educação. E quando falamos de saúde unida à educação, falamos de
promoção da saúde, que nada mais é do que ser estimulado a aprender como ter
uma melhor qualidade de vida, ser autônomo e recuperar a autoestima.
A pesquisa foi realizada em conjunto com o Programa de Iniciação Científica
“Vozes da Pedagogia e a Formação Docente: Transitando entre a teoria e a prática
nas articulações entre EAD, semipresencial e presencial. Além disso, tive o prazer
de trabalhar em um projeto de extensão na Universidade de Brasília (UnB),
“Vulnerabilidades Contemporâneas”. Fui convidada pelos organizadores Maria Inês
Montagner e Miguel Montagner a contribuir com uma visão psicopedagógica, pois é
diferenciada dos outros autores (maioria graduados ou graduandos em Saúde
Coletiva, Farmácia e Enfermagem).
Observando as pessoas, principalmente crianças, trabalhadores essenciais
para o momento sem vulto social e idosos, construí narrativas, contos e poesias em
um capítulo de 10 páginas no livro “Retratos e Memórias de uma pandemia”,
publicado pela editora CRV. No livro há uma poesia que mostra a senilidade e como
um idoso percebe o momento pandêmico. O isolamento social fez milhões de idosos
se sentir abandonados e pouco autônomos. A autoestima diminuiu e a incerteza da
vida deu espaço as possíveis possibilidades de aprendizado.
Durante o estágio em Psicopedagogia hospitalar, verifiquei que:
 Um hospital tem várias especialidades e todas elas necessitarem de um
profissional que direcione o aprendizado do paciente sobre a sua condição
patológica ou de senescência, por exemplo.
 É absolutamente normal e faz parte do ciclo da vida que os sentidos não
sejam mais os mesmos, porém sempre há formas de estimula-los e
aprender como ter qualidade de vida, mesmo com limitações.
 Foi pensando em um ambiente hospitalar, ambulatorial, por exemplo, e
também em ILPI, porém o idoso pode ter um diagnóstico e posterior
prevenção ou intervenção psicopedagógica clínica.
 A família também necessitará de apoio psicopedagógico.
 Em uma instituição, o psicopedagogo nunca poderá trabalhar só, mas em
equipe. O processo de acolhimento e intervenção hospitalar tendem a ser
multidisciplinar.
 Todos os seres aprendentes merecem saber o que ocorre consigo e como
conseguir autonomia em relação aos seus autocuidados. Mesmo aquele
que não possui grande escolaridade e/ou não entende o que é falado
sobre sua própria saúde, devem ser vistos pelo psicopedagogo,
inicialmente, como alguém com uma possível dificuldade de
aprendizagem. O psicopedagogo tratará essa dificuldade e procurará
formas de auxiliar em seus saberes.
 Para idosos que possuem entrosamento com aa tecnologia e/ou para seus
familiares, pode-se pensar em desenvolver um software ou aplicativo de
fácil manuseio para forma de tomar remédios ou quando algo realmente
precisará de intervenção médica. Idosos sem condições tecnológicas
poderiam ter suporte para saber qual, quando e como tomar um
medicamento através de identificação de cores, por exemplo.

Seja em ambiente hospitalar, com aprendizado voltado para aquela


vivência, seja em um ambiente clínico, o idoso é agente da sua aprendizagem,
guiado por um psicopedagogo

4. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A. L. C.. Retratos e memórias de uma pandemia. Curitiba, Paraná: ed.


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SOCCODATO, J. As contribuições e os benefícios das atividades de


estimulação cognitiva e motora (ECM) em idosos. Rio de Janeiro, 2015.

A vida dos idosos em abrigos. Direção de Eduardo Kirst e Gabriela Costa.


Universidade Católica de Brasília. 14’35 min. 2015.