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Claudionor Corrêa de Andrade

FUNDAMENTOS
BÍBLICOS
DE UM
AUTÊNTICO

AVIVAMENTO

OCPAD
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Publicadora das Assembléias de D eus. Aprovado pelo C onselho de D ou trina.

Capa e projeto gráfico: Eduardo Evangelista


Editoração:Josias Finam ore Santos

C D D : 2 6 9 - A vivam ento Espiritual


IS B N : 8 5 -2 6 3 -0 6 0 2 - 2

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As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida R evista e C orrigida, edição


de 1 9 9 5 , da Sociedade B íb lica do Brasil, salvo indicação em contrário.

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C aixa Postal 331
2 0 0 0 1 -9 7 0 , R io de Janeiro, R J, Brasil

P ed içâo/ 2004
DEDICATÓRIA

\ todos os que oram e suplicam a Deus por


um autêntico avivam ento espiritual.
SUMÁRIO
Dedicatória................................................................................................... 5
I. A Chama Arderá continuamente............................................. ............ 9
1 O que É o Avivamento....................................................................... 39
3. O Avivamento e a Soberania das Sagradas Escrituras..................... 47
4 O Avivamento e a Proclamação da Palavra de Deus....................... 65
5.0 Avivamento e a Oração...................................................................77
6 .0 Avivamento Produz a Santificação e a Integridade...................... 87
” O Avivamento e o Batismo com o Espírito Santo.............................99
S. O Avivamento e os Dons Espirituais............................................107
9 .0 Avivamento e a Operação de Milagres........................................ 117
10.0 Avivamento e o Formalismo...................................................... 125
11.0 Autêntico Avivamento Pentecostal Tem o Espírito Santo..............133
12. O Verdadeiro Avivamento Tem Equilíbrio....................................141
ro

. O Avivamento não E meramente Místico.


E, acima de tudo, Espiritual...........................................................153
14. O Avivamento e a Perspectiva Histórica...................................... 165
15. Somente uma Igreja Avivada Pode Mudar a História do Brasil.... 171
16.0 Avivamento e a Iminência da Volta de Cristo............................179
17. Aviva, ó Senhor, a tua Obra!...........................................................187
I

A CHAMA ARDERÁ
CONTINUAMENTE
I

SUMÁRIO: Introdução; I. O Avivamento nos Primeiros Séculos;


n . O Avivamento na Idade Média; III. O Avivamento na Era Pré-
Reforma; IV. O Avivamento durante a Reforma; V. O Avivamento
Pós-Reforma; VI. O Avivamento Wesleyano; VII. Os Grandes Avi-
vamentos Americanos; VIII. O Avivamento Pentecostal; Conclu­
são; Questionário.

INTRODUÇÃO
Em ju n h o de 2001, tive o privilégio de participar, na
acalorada e encantadora Belém do Pará, das com em ora­
ções dos noventa anos de fundação das A ssem bléias de
D eus no Brasil. Em m eio a tantos m onum entos históricos
e espaços de m em ória; em m eio às recordações que os an­
tigos diluíam entre os m ais novos; em m eio àquelas cara­
vanas vindas do Sul, chegadas do N ord este, procedentes
do C entro-O este e do Sudeste; em m eio àqueles hom ens,
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m ulheres e crianças que m archavam pela cidade que, no


in íc io do S é c u lo X X , a c o lh e ra D a n ie l B erg e G u n n a r
V ingren, senti-m e com o se estivesse no C enáculo quando
da descida do Espírito Santo.
D urante aqueles dias de intensas celebrações, dei-m e
conta da grandeza, do alcance e da pujança do Avivam ento
Pentecostal. A liás, que avivam ento não é pentecostal?
N oventa anos se h aviam passad o desde que D aniel
Berg e G unnar V ingren chegaram a Belém dispostos a im ­
plantar, em terras b rasileiras, o Evangelho Pleno de N osso
Senhor, proclam and o a todos que Jesu s C risto salva, b ati­
za no Espírito Santo, cura os enferm os, opera m aravilhas
e, em breve, virá bu scar a sua Igreja. Em bora os h istoria­
dores secu lares não o reconheçam , o A vivam ento P ente­
costal im prim iu novo ritm o ao Brasil. D esde aquele já d is­
tante ju n h o de 1911, com eçam os a desvencilh ar-n os das
am arras do C atolicism o R om ano, a fim de viverm os um a
nova realidad e espiritual.
A s raízes do A vivam ento P en teco stal rem o n tam ao
cen ácu lo em Jeru salém . A o con trário do que d izem os
cessacionistas, o batism o no Espírito Santo, os dons espiri­
tuais e as m aravilhas do Senhor não se lim itaram ao perío­
do apostólico; são tão atuais hoje quanto há dois m il anos.
O pentecostes jam ais deixou de existir; são recursos que sem ­
pre estiveram à disposição da Igreja.
N este capítulo, verem os um pouco da história dos gran­
des avivam entos que, reprisando a efusão do Espírito Santo
em Jerusalém , vêm despertando a Igreja, im pulsionando-a
a agir com o a agência por excelência do R eino de Deus.

I. 0 AVIVAMENTO NOS PRIMEIROS SÉCULOS


A pesar da preocupação dos prim eiros doutores da Igre­
ja em fazer a apologia dos cristãos diante dos potentados
rom anos que, arbitrária e discricionariam ente, perseguiam -
nos, não deixaram aqueles teólogos de registrar os diversos
n w JUtDBlA CONTINUAMENTE

arr.entos que se iam alastrando entre o povo de Deus.


'sztl tem po de grandes visitações dos céus; eram perío-
r c s i e inefáveis refrigérios.
1 Ignácio. Revivendo a expansão da m ensagem cristã
~rus prim órd ios, Ignácio fala dos pastores que, não
: - : : r ~e as perseguições que lhes m oviam as autoridades
■: m anas, foram abrindo igrejas até aos confins da terra. Que
rcrça os m ovia? A m esm a que, efundida no Pentecostes, le-
: _ os prim eiros discípulos a evangelizar a Judéia, a odia-
' Sam aria, a cosm opolita A ntioquia e a orgulhosa Rom a.
2. Tertuliano. N ascido em C artago, no N orte da África,
7 7r volta de 160, teve ele um a esm erada educação. Vivendo
r Tensamente a prom essa da efusão do Espírito Santo, fez-
se arauto da m ensagem pentecostal. Testem unha ele que,
entre os cristãos daquela época, não eram poucos os que
r^avam línguas, interpretavam -nas e profetizavam .
Tertuliano, que tam bém foi um brilhante advogado, dis­
corre sobre o avanço da Igreja aos potentados de Roma:
Em bora sejam os noviços de não longa data, tem os enchido
todos os lugares de vossos dom ínios - cidades, ilhas, com u­
nidades, concílios, exércitos, tribos, senado, o palácio, as
cortes de justiça. E se os crentes tivessem espírito de vin­
gança, seu grande núm ero seria am eaçador, pois é apreciá­
vel, não só nessa ou naquela província, m as em todas as
regiões do m u ndo".
3. A gostinho (354-430). Bispo de C artago, A gostinho é
considerado um dos m aiores teólogos de todos os tem pos.
Sua influência estende-se tanto aos católicos quanto aos pro­
testantes. A cerca da doutrina pentecostal, estava ele sufici­
entem ente seguro quanto à atualidade do batism o no Espí­
rito Santo e dos dons espirituais: "N ó s farem os o que os
apóstolos fizeram quando im pu seram as m ãos sobre os
sam aritanos, pedindo que o Espírito Santo caísse sobre eles:
esperam os que os convertidos falem novas línguas".
Tal era o avivam ento da Igreja que o historiador Harnack
calculou que, por volta de 303, o núm ero de crentes, só na
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Á sia Menor, já beirava os 50 porcento de toda a população


dessa rica e representativa província. Im pressionado com o
vigor da com unidade cristã, o im perador Constantino resol­
ve fazer-se discípulo de Cristo. Sua conversão, porém jam ais
com provada, traria um a série de problem as à Obra de Deus.

II. 0 AVIVAMENTO NA IDADE MÉDIA


O Im pério R om ano estava fadado a desaparecer, com o
desapareceram outros im périos e reinos da antigüidade. Em
sua longa e orgulhosa existência, dom inou povos e nações,
e destruiu form idáveis potências m ilitares. De tal form a di­
latou suas fronteiras que, avançando em sucessivas ondas
desde o Latium , veio a alcançar os confins da terra. M as,
agora, depois de todos aqueles séculos de dissolução, des­
potism o, violência e soberba, jazia fraco; não m ais possuía
o vigor dos prim eiros rom anos que, forjados no crisol das
lutas, construíram um reino que se faria república e desem ­
bocaria no im pério sublim ado por Virgílio em sua Eneida.
Foi justam ente este im pério que se ergueu feram ente
contra o povo de Deus. Prim eiro, hum ilhou e avassalou os
israelitas, destruindo-lhes o Santo Tem plo e dispersando-
lhes as tribos. Em seguida, pôs-se a oprim ir a Igreja de Cris­
to; prende os discípulos do Senhor, m ete-os nos cárceres,
desterra-os com o se fossem crim inosos com uns e coloca-os
nas arenas para satisfazer a bestialidade de Roma. O s cris­
tãos eram executados aos m ilhares.
As autoridades rom anas, porém , não conseguem des­
truir a Igreja de Cristo. Q uanto m ais a perseguem , m ais ela
cresce. Se os seus m em bros são executados às centenas, aos
m ilhares se m ultiplicam . As portas do inferno não logram
prevalecer contra os santos do Senhor. Com respeito ao Im ­
pério Rom ano, retratado por D aniel com o o ferro da está­
tua que N abucodonosor vira em seus sonhos, e tipificado
com o aquele terrível anim al contem plado pelo profeta, de­
saparece em 476. A Igreja, entretanto, sobrevive. E, de avi-
ARDERÁ CONTINUAMENTE

a~_ento em avivam ento, não se deixa dom inar quer pela


_: ade M édia, quer pelo sistem a papal que se ia plasm ando
n : s form alism os e indiferenças dos cristãos nom inais.
1. O avivam ento na Igreja Britânica Prim itiva. N o ano
500, enquanto a Europa O cidental m ergulhava na Idade
M édia, a O bra de D eus expandia-se nos territórios que pas­
sariam a ser conhecidos com o as Ilhas Britânicas. G ildas,
u m sábio m issionário de origem galesa, dá este testem u­
nho, confirm ando o pentecostes que varria aquela região:
' A Igreja está espalhada pela nação inteira. A lém disso, ela
se espalhara na Irlanda e Escócia. Era tam bém um a Igreja
instruída; tinha sua própria versão das Sagradas Escrituras
e a sua própria liturgia".
Patrício, que dedicara trinta anos de sua vida a evangeli-
zar a Irlanda, confirm a o quanto crescia a Igreja: "E u fui for­
mado de novo pelo Senhor, e ele me capacitou a ser nesse dia
o que antes estava m ui longe do m eu alcance, para que eu
me interessasse pela salvação dos outros, quando eu costu­
mava não pensar nem m esm o na m inha própria salvação".
Ia o Senhor, assim , levantando obreiros fervorosos e ple­
nos de ousadia, a fim de encher aquelas ilhas do Evangelho
de Cristo. O irlandês C olum ba, por exem plo, foi a lona onde
fundou um a igreja que, em pouco tem po, se faria m issioná­
ria. Ele estabeleceu congregações desde O rkneys e Sul das
H ébridas até ao Humter.
2. O avivam ento dos Valdenses. Esta confissão evan­
gélica, in iciada por Pedro Valdez em 1170, no território
abrangido pela m oderna cidade francesa de Lyon, tinha
com o ideal pregar a m ensagem de C risto em toda a sua
pureza. A princípio, foram os valdenses favorecidos pelo
papa A lexandre III. Todavia, devido à sua independência
em relação ao clero rom ano e à sua fidelidade às Sagradas
Escrituras, tornaram -se abom ináveis ao sistem a papal que
acabaria por interditá-los.
De tal form a viviam os valdenses o pentecostes que, até
mesm o em sua morte, propagavam a m ensagem do cenáculo;
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eis o que relata um historiador: "N ão há um a rocha que não


seja um m onum ento, um a cam pina que não tenha presencia­
do uma execução, nem um a vila que não registre os seus
m ártires". O avivam ento, com andado pelo próprio Valdo,
abalou a Europa do Século XII. Escreve o pastor Clarke: "O s
valdenses espalharam -se com extraordinária rapidez e esten-
deram -se desde A ragon à Pom erânia e Boêm ia, embora mais
num erosos no sul da França, A lçácia e nos bairros m onta­
nhosos de Savóia, Suíça e N orte da Itália".
Não foram poucos os avivam entos que surgiram na Ida­
de M édia. A Igreja Rom ana, porém , não som ente buscou
abafá-los, quer através da infâm ia e da calúnia, quer por
m eio da tortura e da espada, com o tam bém esforçou-se por
apagar qualquer indício histórico da existência desses m o­
vim entos do Espírito. Felizm ente, a verdade sem pre acaba
prevalecendo.

III. 0 AVIVAMENTO NA ERA PRÉ-REFORMA


Por m ais que o sistem a papal tentasse, não conseguiu
sufocar o avivam ento espiritual que, desde o Século XIV,
vinha se traduzindo num a am pla reform a da Igreja. O m o­
vim ento, nascido nos conventos e nas congregações subter­
râneas, não tinha qualquer conotação política; sua princi­
pal dem anda era espiritual, com o espiritual, o seu alvo: con­
duzir os crentes a um com prom isso m aior com a Palavra de
Deus. Pois todos já estavam cansados dos tentáculos cada
vez m ais opressos do C atolicism o que, trocando a cruz p e­
los favores do Estado, tornara-se um a m era instituição.
Neste período, tem os a destacar três grandes avivalistas:
João H uss, João W ickliffe e Jerônim o Savonarola.
1. João H uss. H istoriadores atestam que, por volta de
1315, havia na Boêm ia 80 m il crentes em Jesus Cristo. Este
grande m ovim ento do Espírito, que em nada diferia do Avi­
vam ento Pentecostal do Brasil, com eçou a sacudir os alicer­
ces do sistem a papal. Para incendiar aquele país europeu,
JE R Á CONTINUAMENTE

: - : território hoje é ocupado pela C hecoslováquia, Deus


_ s : u três h o m en s: C o n rad o de W ald h au sen , M ilic da
: fávia e M atias de Janov. Todos eles abriram cam inho para
çrande despertam ento que haveria de ser desencadeado
por um dos m ais proem inentes precursores da Reform a Pro­
testante do Século XVI.
João H uss (1369-1415) foi professor na U niversidade de
Praga e capelão da corte. Culto, eloqüente e convicto das
reivindicações apresentadas pelas Sagradas Escrituras, ar­
rebatava a audiência com os seus serm ões e hom ílias. N ão
:em ia ele esbravejar contra os desm andos da Igreja Católica
nem contra a idolatria que, de Rom a aos m ais escondidos
recantos da Europa, vinha afastando o povo de D eus da
salvação em Cristo Jesus.
Intim ado a com parecer ao C oncilio de C onstança, soli­
citou um salvo-conduto ao im perador Sigism undo. M as o
docum ento de nada lhe serviria. N um ato de escandalosa
arbitrariedade, os m em bros do concilio condenaram -no à
fogueira.
Se a Igreja C atólica pensava que, com a m orte de Huss,
o grande avivam ento da Boêm ia iria gorar, enganaram -se.
Quando da R eform a Protestante, havia no país quatrocen­
tas igrejas e um a versão com pleta da Bíblia em língua che­
ca. A obra de João H uss sobreviveu através da Igreja dos
Irm ãos Unidos.
C onta-se que João H uss, no m om ento de sua m orte,
proferiu uma das mais famosas elocuções proféticas da Igreja
Cristã: "H oje, vós queim ais um ganso. D aqui a cem nos,
porém , nascerá um cisne; contra ele nada podereis fazer".
H uss, cujo significado em língua checa é "g a n so ", havia de
fato profetizado; um século depois de sua m orte, M artinho
Lutero deflagrava a R eform a Protestante; não houve quem
calasse a voz do cisne alem ão.
2. João W ikcliffe. Q uando a Igreja C atólica arvorava-se
com o dona absoluta de todas as coisas, inclusive das Sagra­
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das Escrituras; quando o papa arrogava-se com o o vigário


de Cristo, achando-se no direito de proibir a leitura da Pala­
vra de D eus; quando o rom anism o colocava-se acim a dos
profetas hebreus e dos apóstolos de N osso Senhor, eis que
se ergue um hom em que ousa declarar:
"A s Sagradas Escrituras são um a propriedade do povo,
e um a possessão que ninguém pode arrancar do povo. Cristo
e seus apóstolos converteram o m undo para fazer conheci­
das as Escrituras, e eu oro de todo coração que, por obede­
cerm os ao que está contido neste livro, possam os provar a
vida eterna". Tem início o avivam ento de John W ickliffe
(1330-1384).
A fim de que o povo viesse a conhecer a Palavra de Deus,
traduziu ele a Bíblia para o inglês, colocando o Santo Livro à
disposição de seus evangelistas. Seu m aior anelo era educar
os britânicos no Evangelho de Cristo. Em virtude de sua obra,
Wickliffe pode ser considerado, com justa razão, o patrono
dos tradutores do texto sagrado. A lém disso, empreendeu
ele um a luta renhida e sem quartel contra a corrupção do
clero rom ano que, ao invés de cuidar das pobres almas, de­
leitava-se em gastar as ofertas e os dízim os dos fiéis em fes­
tas e orgias. Para Wickliffe, a Igreja som ente haveria de m e­
lhorar quando deixasse de lado as influências de Roma.
O historiador Pedro R. Santidrián assim resum e a b io ­
grafia do reform ador inglês:
"A vida, a obra escrita e a atividade de Wickliffe devem
ser entendidas a partir da exigência de lim par a teologia e a
prática cristãs das degenerações e excrescências de sua épo­
ca. Queria levar à consciência e ao ânimo dos fiéis a diferença
entre a igreja com o é e o ideal da Igreja com o devia ser. Isso
pressupõe um a visão crítica e histórica ao m esm o tempo:
am bas estão presentes em Wickliffe, com o o estão, m ais ou
m enos claram ente, em muitos outros contem porâneos seus".
3. Jerônim o Savonarola (1452-1498). Tinha Savonarola
vinte e três anos quando resolveu entregar-se à vida m onás-
ARDERÁ CONTINUAMENTE

n S u a convicção, eloqüência e fervor espiritual tornaram-


■: ramoso com o pregador. A sem elhança dos prim eiros dis-
—pulos, proclam ava o Evangelho de Cristo em toda a sua
r-ireza, m ostrando a todos ser este o único cam inho que nos
pede conduzir a Deus. Em bora alguns historiadores não o
admitam, era Savonarola um autêntico pentecostal. Doutra
:: nua, como haveria de protestar com toda aquela veem ên­
cia e unção contra a im oralidade que grassava em Florença?
O uçam os com o Villari descreve o avivam ento desenca­
rnado por Savonarola:
"A pregação do Superior do Convento confundiu os seus
inimigos, pois m udou com pletam ente o aspecto da cidade.
As mulheres largavam o uso de jóias e passavam a trajar com
simplicidade. Os m oços libertinos eram transform ados em
ressoas sóbrias e espirituais e as igrejas ficavam repletas nas
horas de oração. Também a Bíblia era lida com diligência.
"A fam a deste m aravilhoso pregador divulgou-se en­
tão por todo o m undo, por m eio dos seus serm ões im pres­
sos. O próprio sultão da Turquia ordenou que fossem tra­
duzidos para o turco, para o seu próprio estudo. Sem dúvi­
da, o alvo de Savonarola era ser m eram ente o regenerador
da religião. Com o um dos prim eiros protestantes e um dos
arautos da Reform a, Savonarola logo entrou em conflito com
o papa e com o resultado disso foi executado em 1498".
Em seu serm ão do advento, Savonarola conclam a a to­
dos os seus com patriotas a que sirvam a D eus na beleza de
sua santidade:
"N ossa Igreja tem m uitas belas cerim ônias externas para
d ar s o le n id a d e a o s o fíc io s e c le s iá s t ic o s , co m b e la s
vestim entas, com m uitos estandartes, com candelabros de
ouro e prata. Tu vês ali aqueles grandes prelados com m a­
ravilhosas m itras de ouro, e esses hom ens te parecem de
grande prudência e santidade. E não acreditas que possam
esquivar-se, senão que tudo o que dizem e fazem deve ob­
servar-se no Evangelho. Eis com o está construída a Igreja
m oderna. Os hom ens contentam -se com essas folhagens. Os
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que te odeiam , Senhor, são os pecadores e os falsos cristãos,


e principalm ente os que estão constituídos em dignidades.
E estes são glorificados hoje por terem acabado com a rigi­
dez e a severidade dos cânones, com as instituições dos san­
tos hom ens de D eus, com a observância das boas leis. Vês
hoje os prelados e os pregadores prostrados com seu afeto
em terra, o cuidado das alm as já não lhes inquieta o cora­
ção, som ente pensam em tirar proveito".
Savonarola m uito com bateu o papa A lexandre V I e sua
corte m undanizada, despótica e ím pia. Por causa de sua
coragem , foi excom ungado pela Igreja C atólica em 1497. No
ano seguinte, o grande pregador, o arauto que Deus tinha
em Florença era queim ado num a fogueira; seu testem unho
continua a arder até aos dias de hoje.

IV. 0 AVIVAMENTO DURANTE A REFORMA


A profecia de João Huss cum priu-se. Se os adversários
da O bra de D eus conseguiram queim ar o ganso da Boêm ia,
não haveriam de calar a voz do cisne de Eisleben. A partir
de M artinho Lutero, iria a Igreja de Cristo voltar aos tem ­
pos de refrigério dos A tos dos A póstolos. N ão seria um a
m era reform a; deflagrar-se-ia um grande avivam ento que,
a partir da A lem anha, haveria de m udar radicalm ente a vida
da Europa e do m undo.
No Século XVI, tem os a destacar dois grandes avivalistas
que, por força das circunstâncias, entraram para a história
com o reform adores: M artinho Lutero e João Calvino. M ui­
to devem os ao trabalho destes cam peões de Deus. Sua obra
influenciou profundam ente a vida política, econôm ica, so­
cial, cu ltu ral e esp iritu al de seus contem porân eos. M ax
Webber, por exem plo, afirm a que, sem a R eform a Protes­
tante, o M undo O cidental jam ais teria alcançado o atual es­
tádio de desenvolvim ento.
C onsiderem os, porém , Calvino e Lutero com o dois frá­
geis vasos que D eus, em sua insondável graça, usou pode-
■ d m m a a r d e r á c o n tin u a m e n te

•: sam ente para reform ar e avivar a sua Igreja que jazia des-
~ r_irada pelos desm andos, pecados e iniqüidades do siste­
ma t?apal.
1. M artinho Lutero (1483-1546). Lutero é oriundo de
-m a fam ília hum ilde e operária da antiga cidade alem ã de
z_~.eben. Em 1505, já doutor em filosofia, entrou para a or-
:e m dos agostinianos, onde, em profundo recolhim ento,
m ergulhou nas obras de A gostinho. Todavia, é nas epísto-
:-i de Paulo que o disciplinado e piedoso m onge encontra-
a tão esperada paz com Deus. N a Epístola aos Rom anos,
: - - :obre ele que o hom em jam ais será justificado por suas
: rras; quem o justifica é Deus através da fé em Cristo Jesus
A vida de Lutero não era só estudo; dedicava-se ele a
: ngas e profundas orações. Escreve W illiam E. Allen: "Lutero
orava, horas seguidas cada dia. Certa vez um espia o acom ­
panhou a um hotel. N o dia seguinte contou ao patrão que
Lutero tinha orado por quase toda a noite e que ele jam ais
poderia vencer uma pessoa que orava daquele jeito".
Foi esse gigante que Deus usou para deflagrar a m aior
reforma da Igreja. N o dia 31 de outubro de 1517, fixou ele
nas portas da catedral de W item berg suas N oventa e Cinco
Teses, nas quais condenava os desm andos papais quanto às
indulgências. Com igual ím peto, realçava a doutrina da sal­
vação pela fé nos m éritos de Cristo Jesus.
M artinho Lutero foi um autêntico pentecostal. De con­
form idade com alguns teólogos e historiadores, entre os
quais o pastor batista norte-am ericano Jack Deere, era ele
batizado no Espírito Santo, falava línguas, profetizava e
possuía tod os os dons espirituais. A fin al, com o poderia
Lutero haver executado um trabalho tão árduo e difícil quan­
to à Reform a Protestante? Infelizm ente, com o salienta Deere,
os revisores que se encarregaram de atualizar a linguagem
dos grandes clássicos evangélicos, substituíram a sem ânti­
ca original de m uitas obras por um vocabulário liberal,
hum anista e sem a força que os seus autores lhes haviam
im prim ido. Ao invés de dizer, por exem plo, que M artinho
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Lutero era cheio do Espírito Santo e profetizava, escreve­


ram ter sido ele um hom em pleno de entusiasm o pela refor­
m a que em preendia, e que era dotado de um agudo senso
de oportunidade para com preender o seu tem po. Na ver­
dade, o que M artinho Lutero e outros cam peões de Deus
possuíam era a unção que levou Pedro e os dem ais apósto­
los a levar a m ensagem de Cristo até aos confins da terra.
2. João C alvin o (1509-1564). A cidade suíça de G enebra
era um antro de iniqüidades. Ali, a porta do inferno acha­
va-se escancarada. Calvino, porém , resolveu provar que,
através do Evangelho de Cristo, é possível m udar não so­
m ente pessoas com o cidades e civilizações. C om base nas
Escrituras Sagradas, im plantou ele em G enebra um regim e
teocrático tão eficiente que, passados alguns anos, a cidade
já era contada entre as m elhores da Europa.
N os vinte anos em que João Calvino esteve em G ene­
bra, testem unharam os suíços o que pode fazer um hom em
que tem a Bíblia com o a sua única regra de fé e prática. As
tavernas tiveram suas portas cerradas; os casam entos fo­
ram regularizados; os pecados contra a castidade, severa­
m ente punidos. A s m odas escandalosas e ofensivas à m oral
e aos bons costum es, substituídas pela m odéstia.
G enebra, agora, era a cidade de Deus. U niversidades
são criadas; o ensino fundam ental torna-se m odelo para toda
a Europa. Q uanto ao trabalho, encaravam -no todos com o
dádiva dos céus, e não com o a m aldição im posta sobre os
filhos de Adão e Eva. E foi exatam ente aí, conform e opinam
alguns historiadores, que nasce o capitalism o. U m capita­
lism o, aliás, que nada tem a ver com o capitalism o selva­
gem de nossos dias; era um capitalism o que gerava riqueza
e distribuía eqüanim em ente a renda.
Teólogo, reformador, avivalista. M as, acima de tudo, um
hom em usado poderosamente por Deus para expurgar a Igre­
ja dos erros e tradições rom anistas que, há séculos, vinham
enferm ando o corpo m ístico de Cristo. Teve o seu avivam en­
to um alcance tão grande que, decorridos cinco séculos, Ge-
■ U M A ARDERÁ CONTINUAMENTE

ne b ra ainda conserva, apesar de todos os excessos do mundo


~ :d e m o , sua austeridade, progresso e cultura.
X este período, tem os a destacar tam bém a João Knox
1:13-1572), que, diante da situação em que vivia o seu país,
: a a incessantem ente: "O h, Senhor, dá-me a Escócia, ou eu
— rro!" Desde 1559, quando com eçou ele a percorrer o país,
è é ao m om ento de sua m orte, milhares de pessoas converte­
ram-se ao Senhor Jesus. E a Escócia, dantes tão agregada a
ornai religiosidade sem vida, foi convertida à fé cristã.

V. 0 AVIVAMENTO PÓS-REFORMA
Os sucessores de Lutero e Calvino, infelizm ente, não
souberam m anter o ím peto da R eform a Protestante. Igno­
rando as bases do avivam ento bíblico; m enosprezando o
«xercício da piedade; deixando de lado as poderosas arm as
>iv*s reform adores: a oração e o jejum ; desviando-se da rota
raqu ela geração que, em bora am eaçada por forças tão su­
periores, ousaram trem ular o estandarte da fé; e fraquejando
ar te as dem andas m ais legítim as das Escrituras, acabaram
por cair n a q u ilo qu e os h isto ria d o re s d e n o m in a m de
E scolástica Protestante.
1. O que é a Escolástica Protestante. A ssim é conhecida
a teologia dos reform adores elaborada nos seminários e uni­
versidades ao longo do Século XVII. A Escolástica Protestan­
te tinha com o principal objetivo dirimir as dúvidas que ain­
da persistiam acerca dos princípios que levaram M artinho
Luterano, no século anterior, a deflagrar a Reform a Protes­
tante. Em bora m inuciosa em suas definições, e apesar de tra­
tar os tem as com precisão, lógica e coerência, a Escolástica
Protestante pouca im portância dava à teologia prática.
E claro que os cristãos necessitam os de doutrinas claras
e bem definidas. Não podem os, contudo, nos perder em
conceitos e discussões estéreis. É um a tragédia quando a
Igreja considera a teologia m ais im portante que D eus, ou
quando coloca as definições acim a do objeto a ser definido.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

Tais querelas levaram os crentes reform ados a perder a for­


ça do prim eiro amor.
O Espírito Santo, porém , já estava preparando o terreno
para outros avivam entos e reform as.
2. A devoção germ ana. A ssim é conhecido o m ovim en­
to desencadeado na Igreja Luterana, em 1666, pelo pastor
Spenner. Já não p od en d o m ais sup ortar a religiosid ad e
am orfa e apática dos herdeiros de Lutero, clam ou ele a Deus,
pedindo-lhe um a intervenção m ais que urgente. O rando e
jejuando, m ilhares de crentes luteranos puseram -se a estu­
dar a Bíblia e a evangelizar os estados alem ães. Cada leigo
transform ou-se num poderoso evangelista.
Relegando a segundo plano as discussões travadas nos
sem inários e universidades, os crentes dem onstraram , na
prática, que a igreja, quando verdadeiram ente pentecostal,
sem pre acaba por triunfar sobre o reino de Satanás.
3. O avivam ento dos M orávios. A té a chegada do C on­
de Zinzendorf a H errnhut, os colonos dessa região não con­
seguiam viver em paz. A chavam -se eles, à sem elhança dos
coríntios, divididos em partidos e grupos. Zinzendorf, con­
tudo, pôs-se a orar para que aqueles irm ãos vivessem de
fato com o irm ãos.
No dia 12 de m aio de 1727, todos os grupos, deixando
de lado suas diferenças e velhas rixas, resolveram agir com o
Igreja de Cristo. Tinha início, naquele m om ento, um dos
m aiores avivam entos de todos os tem pos. Eis o que escreve
o historiador A. Bost: "D esd e aquele tem po houve adm irá­
vel efusão do Espírito Santo sobre esta venturosa Igreja, até
o dia 13 de agosto, quando a m edida da graça divina pare­
cia transbordar com pletam ente". Prossegue o historiador:
"Todo o dia trazia algum a nova bênção. O C onde se pôs a
visitar os irmãos. Este foi o com eço daqueles pequenos agru­
pam entos que foram depois cham ados 'grupos de oração'".
C o ro a n d o a q u e le a v iv a m e n to , D e u s le v a n ta os
m orávios. A sem elhança dos prim itivos cristãos, saíram eles
5-3ERÁ CONTINUAMENTE

a :: r.quistar o m undo para Cristo. C hegaram à Groenlândia,


íb índias O cidentais, às A m éricas, à Á frica do Sul, à Á sia e à
- - r rrãlia. Os m orávios arrebataram m ultidões de alm as das
£srras de Satanás.

VI. 0 AVIVAMENTO WESLEYANO


A reforma protestante abraçada pela Inglaterra não era
■em reforma nem protestante. Era m ais um ato político de
- t 'ri que VIII. A fim de se vingar do papa que lhe não havia
: t rrritido divorciar-se, resolvera criar sua própria igreja. Atra-
wés ie sta não som ente ele, com o vários de seus descenden-
contariam sempre com o devido suporte teológico para
B vem ar de acordo com as suas conveniências e caprichos.
Deus, porém , levantaria um hom em para reverter essa situa-
íã : Desafiando o poder da igreja estatal, haveria ele de con-
: _zrr os ingleses a um poderoso avivamento.
João W esley (1703-1791) é um a prova incontestável do
ruanto pode D eus operar na vida daqueles que, sem reser-
as, se entregam a Ele. Insuspeitos historiadores são unâni-
rn.es em afirm ar que, não fora o avivam ento w esleyano, a
m glaterra certam ente enfrentaria um a provação tão cala­
mitosa quanto à Revolução Francesa. Eis o que escreve Pedro
5antidrián:
"A pregação e a obra de J. W esley insp iram -se no m o­
vim ento 'rev iv alista' inglês im buído no pietism o e no pu~
ritanism o da época. Sua doutrina fun dam en tal é baseada
na ju stificação pela graça p or m eio da fé individual. D aí a
insistência na conversão. 'O sincero desejo de salvar-se do
pecado pela fé em Jesu s C risto e de dar provas disso na
vida e na con d u ta' é a cond ição única para ser adm itido
r a Igreja.
"S u a e x p e riê n c ia e su a a tiv id a d e de m issio n á rio
dnerante estão reunidas em seus D iários de Cam panha. Sua
obra de organizador e legislador está nas Regras (1743) para
as sociedades m etodistas. O Livro dos O fícios, de caráter
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

anglicano, guarda seu espírito e insiste na prédica da Pala­


vra e no canto de hinos, em sua m aior parte com postos por
ele. D esta form a, W esley e seus 'evangelizadores' pregaram
e cantaram a fé em Cristo. N esta obra, seu irm ão Charles
tem o m érito de ser o principal colaborador, sobretudo na
com posição de hinos, dos quais é considerado com o o m ai­
or com positor em língua inglesa.
"O m ovim ento 'revivalista' de W esley influiu m uito nas
ch am ad as Ig rejas L iv res da In g la te rra : p re sb ite ria n o s,
congregacionalistas e batistas. A própria Igreja A nglicana,
em bora oposta à prédica m etodista, sofreu sua influência.
A vida inglesa passou por um a profunda transform ação em
sua m oral privada e pública. O nom e de W esley ficará para
sem pre com o o do grande pregador que 'revitalizou a vida
religiosa e m oral dos in gleses"'.
O evangelista João W esley é considerado um dos m ais
autênticos pais do pentecostalism o. A experiência do cora­
ção ardente foi, na verdade, o recebim ento do batism o no
Espírito Santo.

VII. OS GRANDES AVIVAMENTOS AMERICANOS


Grandes foram as provações enfrentadas pelos Estados
U nidos ao longo de sua história. Todavia, os am ericanos,
educados na Palavra de D eus, haveriam de vencer todos os
obstáculos; sabiam que bem -aventurada é a nação cujo Deus
é o Senhor. Se as provações foram grandes, os avivam entos
foram m aiores. O que dizer do G rande D espertam ento con­
duzido por Jônatas Edw ards?
1. O grande despertam ento. Tendo início em 1735, o
avivam ento alastrou-se por toda a A m érica, preparando o
povo para as tem pestades que já apareciam no horizonte
d a q u e le im e n so c o n tin e n te . N e ste e m p re e n d im e n to ,
Edw ards contou com a ajuda do eloqüente pregador inglês
Jo rg e W h itefield . Sobre este p erío d o , d isco rre W illiam
Conant:
C H A M A A R D ER Á C O N T IN U A M E N T E

"A pregação do Evangelho era acom panhada do poder


m ais adm irável em toda a parte de N ova Inglaterra; e os
avivam entos deram nova vida e m ultiplicaram m em bros
para as igrejas, em m aior núm ero de cidades do que pode­
m os assinalar neste pequeno espaço, por todo o Estado de
X o v a Inglaterra e Estados do Centro.
"O s n o vos con v ertid os eram fervo rosos em espírito.
Eles tin ham p aixão p ela salvação de alm as. E m p reen d i­
m entos nu n ca vistos foram em p reg ad os im ed iatam en te
para a d ivu lgação do E van gelho. A lgu ns iam de casa em
casa, em suas resp ectiv as v izin h an ças, ad m oestan d o a
todo o ho m em , exortan d o a tod os a v oltar-se ao Senhor.
Pastores p ied o so s eram d esp ertad os a um esforço fora do
com um , e crentes antigos ren ovavam a m ocid ad e. O Se­
nhor dava a m en sagem e gran de era o n ú m ero dos que a
anu nciavam ".
Este é o testem unho de Edwards: "H avia notáveis sinais
da presença de Deus em quase toda casa. Era um tem po de
alegria nos lares por causa da salvação que neles entrava;
pais se regozijavam pela conversão dos filhos; esposos, pelas
esposas; e esposas pelos esposos. Os passos de Deus eram
visíveis em seu santuário. Os dom ingos eram um deleite, e
os seus tabernáculos eram cativantes".
2. O av iv am en to de B ra in e rd . E n qu an to se d ed icava
à conversão dos ín d ios, B rain erd p ôs-se a orar p or um
avivam ento que v iesse a sacu d ir os am erican os da letar­
gia em que se en con travam . Suas orações foram ouvidas.
Em 1745, com eçou a relatar em seu diário as etapas do
que D eus com eçou a op erar não som en te entre os ab o rí­
genes da A m érica com o tam bém entre os h o m en s b ra n ­
cos; afin al, tod os p recisav am d esesp erad am en te de C ris­
to. N ão fora o d esp ertam en to de D avid B rain erd , a trag é­
dia entre os ín d ios am erican os teria sido b em m aior. M as
aprou ve a D eus in tervir, a fim de que m u itos h o m en s de
pele verm elh a v iessem receber a C risto com o seu p essoal
salvador.
FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO

3. O utros avivam entos na A m érica. Tivéssem os m ais


espaço, certam ente poderíam os discorrer sobre o avivam en­
to puritano e acerca dos quakers. O que dizer de Finney?
M oody? Todavia, estava o Senhor preparando o terreno para
u m grande, poderoso e irresistível despertam ento que, ten­
do início na A m érica do N orte, iria logo espraiar-se por todo
o m undo.

VIII. 0 AVIVAMENTO PENTECOSTAL


Para discorrer acerca do A vivam ento Pentecostal, fran­
quearem os a palavra ao jornalista Em ílio C onde reconheci­
do com o o apóstolo da im prensa evangélica do Brasil:
"O s historiadores que se ocupam do A vivam ento P en­
tecostal do século 20 são unânim es em m encionar a Rua
A zusa, em Los A ngeles, C alifórnia, em 1906, com o o centro
irradiador de onde o avivam ento se espalhou para outras
cidades e nações.
Em verdade, a Rua A zusa transform ou-se em poderosa
fogueira divina, onde centenas e m ilhares, de todos os pon­
tos da A m érica, atraídos pelos acontecim entos, iam ver o
que se passava, eram batizados com o Espírito Santo, e le­
vavam para suas cidades essa cham a viva - o batism o com
o Espírito Santo.
"P o ré m quem levou a m en sagem p en tecostal a Los
A ngeles, foi um a senhora m etodista, que, por sua vez, a re­
cebeu na cidade de H ouston, quando aí fora visitar seus
parentes. Podíam os citar aqui os avivam entos na Suécia em
1858, e 1740 na Inglaterra. N a A m érica do N orte, podem -se
m encionar os avivam entos nos Estados de N ova Inglaterra
em 1854, e na cidade de M oorehead, em 1892, seguidos dos
de G alena, K ansas, em 1903, e Orchard e H ouston, em 1904
e 1905 respectivam ente.
"R eportem o-nos, pois, aos acontecim entos do ano de
1906, na Rua A zusa. Em um edifício de form a quadrangular,
que anteriorm ente servira com o arm azém de cereais, reuni­
A C H A M A A R D E R Á C O N T IN U A M E N T E

am -se m ilhares de hom ens e m ulheres sedentos pela graça


divina, clam ando por um avivam ento, intercedendo pelos
pecadores, desejosos de vida abundante, vida de triunfo
sobre o pecado.
"O pastor W. J. Seym our, que servia nessa igreja, não
era pregador eloqüente; porém seu coração ardia de zelo
p e la p u re z a da o b ra do Sen h o r, e sua m en sa g e m era
vivificada pelo Espírito Santo. O pastor Seym our pregava a
Palavra de D eus, anunciava a prom essa divina, o batism o
com o Espírito Santo, e, a seguir, sentava-se no púlpito, ten­
do o rosto entre as m ãos, e orava para que D eus operasse
n o s co ra çõ e s d os o u v in te s. O qu e a c o n te c ia , e n tã o , é
inexplicável: O poder de D eus pousava sobre a congrega­
ção; a convicção das verdades divinas inundava os cora­
ções; o desejo de santidade dom inava as alm as; e, repenti­
nam ente, brotavam os louvores dos corações; m uitos eram
batizados com o Espírito Santo, falavam em línguas; outros
profetizavam ; outros ainda cantavam hinos espirituais.
"A notícia desses acontecim entos foi anunciada em toda
a cidade, inclusive nos jornais seculares, que enviaram re­
p órteres para descreverem os fatos.
"O s m em bros das várias igrejas, uns por curiosidade,
outros por desejo de receber mais graça do céu, iam ver com
os próprios olhos, o que parecia ser obra de fanáticos; todos
saíam convencidos de que era um m ovim ento divino, e trans­
formavam-se em testemunhas e propagandistas do M ovimen­
to Pentecostal que estava em ação em Los Angeles.
"Sim ultaneam ente com o de Los Angeles, outros aviva­
m en tos acon teciam na In g laterra e na ín d ia. D e várias
cidades da A m érica do Norte, crentes e m inistros, atraídos
pelos fatos, foram até Los Angeles, para constatarem a vera­
cidade destes. Quando esses visitantes voltavam às suas ci­
dades, eram com o tochas a arder e a espalhar o fogo de Deus.
"D entro em pouco os grandes centros urbanos norte-
am ericanos foram alcançados pelo avivam ento. U m a das
cidades que m ais se destacaram e se projetaram no M ovi­
FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

m ento Pentecostal foi Chicago. As boas-novas do avivam en­


to alcançaram , praticam ente, todas as igrejas evangélicas da
cidade. Em algum as, houve oposição da parte de uns pou ­
cos, porém o avivam ento triunfou.
"O avivam ento, além de outras características que o re­
com endavam , destacava-se pelo espírito evangelístico e pelo
interesse que despertava por outros povos, isto é, cada um
que se convertia, transform ava-se, tam bém , em m issionário.
"Enquanto o avivam ento conquistava terreno e dom i­
nava a vida religiosa de C hicago, fatos de alta im portância
envolviam dois jovens que estão intim am ente ligados à H is­
tória das A ssem bléias de Deus do Brasil. Na cidade de South
Bend, no Estado de Indiana, que dista cerca de cem quilô­
m etros de C hicago, m orava um pastor batista que se cha­
m ava G unnar Vingren. A traído pelos acontecim entos do
avivam ento de C hicago, o jovem , originário da Suécia, foi a
essa cidade a fim de certificar-se da verdade; ante a dem ons­
tração do poder divino, ele creu, e foi batizado com o Espí­
rito Santo.
"P ou co tem po depois, G unnar Vingren participava de
um a convenção de igrejas batistas, em C hicago, que aceita­
ram o M ovim ento Pentecostal, onde conheceu outro jovem
sueco que se cham ava D aniel Berg que tam bém fora batiza­
do com o Espírito Santo.
"O s dois jovens trocaram idéias, e descobriram , então,
que Deus os guiava no m esm o sentido, isto é, que o Senhor
desejava enviá-los com a m ensagem a terras distantes, m as
não sabiam aonde seria.
"A lgu m tem po depois, D aniel Berg foi visitar o pastor
G unnar Vingren em South Bend. N essa ocasião, em um a
reunião de oração, D eus, através de um a m ensagem profé­
tica, falou ao coração de D aniel Berg e G unnar Vingren, que
partissem a pregar o Evangelho, e as bênçãos do Avivamento
Pentecostal. O local fora m encionado na profecia: Pará. N e­
nhum dos presentes conhecia tal lugar. A pós a oração, os
dois jovens foram a um a livraria a fim de consultar um m apa
A CHAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE

que lhes m ostrasse onde estava localizado o Pará. D esco­


briram , então, que se tratava de um estado do Norte do Bra­
sil. A m bos ardiam de zelo pela causa de C risto; eram tochas
dessa fogueira que ardia em Chicago.
"A cham ada divina foi confirm ada, m ais tarde, quando
se reuniam para orar nesse sentido, não um a vez, m as três
dias seguidos. Tratava-se de um a cham ada de fé, e só a fé
poderia conduzi-los à vitória. Eles não tinham qualquer
prom essa de auxílio, quer de igrejas, quer de particulares,
m as tinham o coração cheio de confiança em D eus, e isso
lhes dava m ais segurança do que qualquer prom essa hu­
m ana que acaso lhes fosse feita.
"G u n nar Vingren e D aniel Berg despediram -se da igre­
ja e dos irm ãos em C hicago, pois a ordem divina era m ar­
char para onde lhes fora designado ir. A igreja levantou uma
coleta para auxiliar os m issionários que partiam ; a quantia
que lhes fora entregue, dava exatam ente para a passagem
até N ova Iorque. M as não sabiam com o conseguirem di­
nheiro para com prar a passagem até o Pará. Esse pensa­
m ento, parece, não os preocupava, pois eles não se detive­
ram à espera de recursos.
"A prim eira etapa da viagem foi iniciada com oração.
N a estação da estrada de ferro, antes de em barcarem para
N ova Iorque, ante os olhares da m ultidão, ajoelharam -se,
deram graças a D eus, e pediram direção para a jornad a, e
partiram para um a terra que não conheciam .
"C h e g a ra m à gran d e m etró p o le, N ova Io rqu e, sem
conh ecerem n in gu ém , e sem d in heiro p ara continu ar a
viagem . N aquela cidade, tudo era grande e m ajestoso e im ­
pressionante. O m ovim ento das grandes avenidas; os edi­
fícios im ponentes e m ais altos do que qu aisquer outros,
pareciam alheios à m issão dos dois viajores. As m ultidões
apressadas, e as grandes lojas poderiam causar adm iração
aos dois provincianos recém -chegados, porém não lhes ofus­
cava a visão da grandeza da m issão de que haviam sido
incum bidos.
FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTENTICO AVIVAMENTO

"N ão sabem os o que pensavam os dois forasteiros ao


contem plarem o esplendor da babel m oderna, na expectati­
va de um a viagem que lhes custaria 90 dólares, e sem terem
tal im portância. Supom os que eles, entre aquele vaivém da
m ultidão, oravam ao Senhor que os protegesse e guiasse.
"C am inhavam os nossos irm ãos por um a das ruas de
N ova Iorque, quando encontraram um negociante que co­
nhecia apenas o jovem Gunnar. N a noite anterior, enquanto
estava em oração, o negociante sentira que devia enviar certa
im portância ao irm ão Vingren. Pela m anhã colocou a refe­
rida im portância em um envelope, para m andá-la pelo cor­
reio, m as logo a seguir encontrou-se com os dois enviados
do Senhor; contou-lhes o que D eus lhe fizera sentir, isto é,
que m andara entregar aquela quantia ao irm ão Vingren, e
entregou-lhe o envelope.
"Q u and o o irm ão Vingren abriu o envelope, quase não
podia acreditar; nele havia 90 dólares - exatam ente o custo
da viagem até ao Pará. Q uantas glórias a Deus os nossos
irm ãos deram , naquela hora, não sabem os, m as que foram
m uitas, disso tem os certeza.
"A quela oferta de 90 dólares tinha grande significação,
não só porque era suficiente para a passagem , m as tam bém
porque confirm ava, m ais um a vez, que os novos m issionári­
os estavam , de fato, na vontade de Deus. Não se encontra­
vam eles em penhados em um a obra de fé? A fé tinha de ser
provada para ter valor. Por isso Deus lhes enviara 90 dólares;
nem mais nem m enos do que o necessário, m as o suficiente.
"N o dia 5 de novem bro de 1910, a bordo do C lem ent, os
m issionários deixavam a frígida N ova Iorque, com destino
à cálida Belém do Pará. A m issão dos nossos irm ãos ini-
ciou-se ali m esm o, a bordo do navio, entre tripulantes e
passageiros. Eles distribuíram folhetos e evangelhos; fala­
ram a Palavra de D eus e testificaram a todos. Claro está que
nem todos receberam a m ensagem , porém os m issionários
tiveram o privilégio de ver um dos tripulantes aceitar a Cris­
to, o qual, m ais tarde, foi batizado nas águas, e, com eles,
A CHAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE

por m uito tem po, m anteve correspondência. Era o prim ei­


ro fruto de sua m issão; m ais um a prova de que o Senhor
estava com os seus servos.
"N o dia 19 de novem bro de 1910, em um dia de sol
causticante dos trópicos, os dois m issionários desem barca­
ram em Belém . N ão possuíam eles am igos ou conhecidos
nessa cidade; não traziam endereço de alguém que os enca­
m inhasse; vinham , unicam ente, encom endados à graça de
D eus; tinham a protegê-los o D eus de Abraão.
"C arregando suas m alas, enveredaram por uma rua. Ao
alcançarem um a praça, sentaram -se em um banco para des­
cansar; e aí fizeram a prim eira oração em terras brasileiras.
Oraram por um povo que lhes era desconhecido, m as que já
am avam, e pelo qual estavam dispostos a sacrificar-se.
"N ão é fácil im aginar-se quais foram as prim eiras im ­
pressões dos jovens m issionários, naquela tarde em uma
praça de Belém , sentindo o sol a aquecer-lhe as roupas gros­
sas e pesadas. N aquela época, Belém não possuía m uitas
atrações; além disso, fora invadida por m ultidões de lepro­
sos vindos até de nações lim ítrofes com o A m azonas, atraí­
dos pela notícia da descoberta de um a erva que, diziam ,
curava a terrível doença. A pobreza do povo tam bém con­
trastava com o padrão de vida da outra A m érica. A provei­
tou-se de tudo isso o diabo para desanim ar os recém -chega-
dos. Estes, contudo, vieram por ordem do Rei dos reis: nada
os am edrontaria nem os faria recuar".
Em ílio Conde narra, a seguir, com o foi solidificado o
M ovim ento Pentecostal do Brasil e a fundação da A ssem ­
bléia de D eus em nossa pátria:
"P o r insistência de alguns passageiros com os quais vi­
ajaram , os m issionários G unnar Vingren e D aniel Berg hos­
pedaram -se num m odesto hotel, cuja diária com pleta era
de oito m il réis. Em um a das m esas do hotel, o irm ão Vingren
e n co n tro u u m jo r n a l qu e tin h a o e n d e re ço do p a sto r
m etodista Justus N elson. N o dia seguinte, foram procurá-
lo, e contaram -lhe o que D eus fizera com eles.
FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

"C om o D aniel Berg e G unnar Vingren estivessem até


aquele m om ento ligados à Igreja Batista na A m érica (as igre­
jas que aceitavam o avivam ento perm aneciam com o m es­
m o nom e), Justus N elson acom panhou-os à igreja batista,
em Belém , e apresentou-os ao responsável pelo trabalho,
R aim undo N obre. E, assim , os m issionários p assaram a
m orar nas dependências da igreja.
"A lgu ns dias depois, A driano N obre, que pertencia à
igreja presbiteriana, e m orava nas ilhas, foi a Belém avistar-
se com o prim o Raim undo Nobre. Este apresentou os m is­
sionários a A driano que, de im ediato, m ostrou-se interessa­
do em ajudá-los. A driano, que falava inglês, convidou-os,
então, a passarem alguns m eses nas ilhas.
" E fo i u m a s u r p r e s a p a ra os m o r a d o r e s do R io
T ajap urú a chegad a dos m ission ários suecos em com p a­
n h ia de A d rian o que p ossu ía v árias p rop ried ad es na re­
gião. O local em que se h o sp ed aram ch am ava-se Boca do
Ip ixu na.
"É de se supor que os m issionários ficassem surpresos
com a exuberância e arm adilhas da selva.
"E les p assaram a m orar no quarto de A drião, irm ão
de A driano. A drião, que nesse tem po ainda não éra cren­
te, contou que ficara im pressionado com a vida de oração
dos jovens m issionários. A qualquer hora da noite que des­
p ertasse, lá estavam os joven s orando, a sós com D eus, em
voz b aixa, para não incom odar os que dorm iam .
"A o fim de algum tem po, os m issionários voltaram a
Belém , e continuaram a freqüentar a igreja batista. A gora já
podiam falar português. Vingren continuou a estudar a lín­
gua, enquanto D aniel trabalhava com o fundidor. Passado
algum tem po, Berg com eçou a dedicar-se ao trabalho de
colportagem .
"O s avivam entos nascem na oração, e aqueles que v i­
vem nos avivam entos alim entam -se da oração. Com o os
jovens m issionários tinham o coração avivado pelo Espírito
Santo, oravam de dia e de noite. Eles oravam sem cessar.
HAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE

"Esse fato cham ou a atenção de alguns m em bros da igre-


a, que passaram a censurá-los, considerando-os fanáticos
por dedicarem tanto tem po à oração. M as isso não os abala-
a. Com desenvoltura e eloqüência, pregavam a salvação
em Cristo Jesus e o batism o com o Espírito Santo, sem pre
baseados nas Escrituras.
"E , assim , alguns m em bros daquela igreja batista cre-
ram nas verdades do Evangelho C om pleto que os m issio­
nários anunciavam . O s prim eiros a declararem publicam en­
te sua crença nas prom essas divinas foram as irm ãs Celina
Albuquerque e M aria Nazaré. Elas não som ente creram , mas
determ inaram perm anecer em oração até que D eus as b ati­
zasse com o Espírito Santo conform e o que está registrado
em Atos 2.39.
"N u m a quinta-feira, à um a hora da m anhã de dois de
junho de 1911, na Rua Siqueira M endes, 67, na cidade de
Belém , Celina de A lbuquerque, enquanto orava, foi batiza­
da com o Espírito Santo. C om eçaria aí, tam bém , a luta acir­
rada contra um a verdade doutrinária tão bem docum enta­
da nas Sagradas Escrituras - a atualidade do batism o com o
Espírito Santo e dos dons espirituais.
"Logo que am anheceu, a irm ã N azaré apressou-se em
ir à casa de Jo sé B atista de C arv alh o , n a A ven ida São
Je rô n im o , 2 2 4 , a le v a r as b o a s n o v a s de qu e C e lin a
A lbuquerque recebera a prom essa. N a casa de José Batista,
achavam -se reunidos vários irm ãos, entre eles, M anoel Ro­
drigues, que até então era diácono da igreja batista. M ais
tarde, testem unharia o irm ão M anoel: Foi nesse m om ento
que passei a crer no batism o do Espírito Santo.
"O acontecim ento foi im ed iatam ente divulgad o. Na
igreja batista, alguns creram , porém outros não se predis­
puseram a, sequer, a com preender a doutrina do Espírito
Santo. Dois partidos estavam criados.
"N esse dia, o culto m ais parecia um cam po de disputas,
um duelo de p alavras. A lgu ns crentes, aferrad os a um
tradicionalism o sem qualquer base bíblica, am eaçavam exal-
FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO

tadam ente os partidários da doutrina que tanto caracteri­


zara a Igreja Prim itiva e os grandes avivam entos que se su­
cederam .
"A pós o culto, vários irm ãos resolveram ir à casa da irm ã
Celina a fim de verificarem , pessoalm ente, o que estava acon­
tecendo. Entre aqueles que foram à rua Siqueira M endes,
encontrava-se José Plácido da Costa, A ntônio M arcondes
G arcia e esposa, A ntônio R odrigues e Raim undo Nobre.
"N o dia 10 de junho, a igreja estava em efervescência.
N inguém faltou. A irm ã C elina, que fora batizada com o
Espírito Santo, com pareceu, porém não lhe perm itiram que
dirigisse a classe de Escola D om inical. O irm ão José Plácido
da Costa, conquanto superintendente desta, nada pôde fa­
zer a respeito.
" A ig r e ja a in d a n ã o tin h a p a s to r. F o i e n tã o qu e
R aim undo Nobre, sem qualquer autoridade legal, convo­
cou a igreja para reunir-se extraordinariam ente no dia 12.
"N esse dia, R aim u nd o N obre apoderou-se do pú lpito,
e atacou os partid ários do M ovim ento P entecostal. O gru ­
po atacado reagiu com o outrora reagiram os discíp ulos
quando am eaçados pelo Sinédrio. E lá estava a irm ã C elina
exaltando a C risto em línguas estranhas. N ão havia m ais o
que se discutir; as posições estavam definidas. N esse m o­
m ento, R aim undo N obre, de form a arbitrária, propôs que
ficassem de pé todos aqueles que aceitavam a doutrina do
Espírito Santo.
"A m aioria pôs-se de pé.
"Im ediatam ente Raim undo Nobre propôs à m inoria que
excluísse a m aioria. N ão poderia haver ilegalidade m ais fla­
grante. Os m em bros atingidos, porém , não se atem oriza­
ram . O irm ão M an o el R o d rig u e s le v a n to u -se e, o u sa ­
dam ente, leu em A tos dos A póstolos 2.39, onde claram ente
está escrito: Porque a prom essa voz diz respeito a vós, a
vossos filhos, e a todos os que estão longe; a tantos quantos
D eus nosso Senhor chamar. O irm ão Plácido tam bém se le­
vantou, e leu em 2 Coríntios 6.17,18. A seguir, os "reb eld es"
HAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE

oraram , e, de m ãos erguidas, dando glória ao Cristo am a­


do, abandonaram o local.
"P ara conhecim ento da posteridade, registram os aqui
os nom es dos que, arbitrariam ente, foram excluídos daque­
la igreja batista por haverem recebido a fé apostólica: Celina
e seu m arido H enrique de A lbuquerque; M aria N azaré; José
Plácido, Piedade e Prazeres da C osta, estas, respectivam en-
te esposa e filha daquele; M anoel M aria R odrigues e espo­
sa, Jerusa R odrigues; Em ília Dias R odrigues; M anoel Dias
Rodrigues; João D om ingues; Joaquim Silva; Benvindo Sil­
va, Teresa Silva de Jesus e Isabel Silva, respectivam ente es­
posa e filhos; José Batista de C arvalho e esposa, M aria José
de C arvalho; A ntônio M endes Garcia. D essa lista, 17 eram
m em bros, e os outros, m enores de idade.
"A p ó s os em polgantes acontecim entos que duraram
exatam ente dez dias, o pequeno grupo, no dia 18 de junho
de 1911, convidou D aniel Berg e G unnar Vingren a com pa­
recerem na rua Siqueira M endes, 67, em Belém . C om estas
17 pessoas, expulsas arbitrariam ente da igreja batista, fun-
dava-se a A ssem bléia de D eus que, nas décadas seguintes,
espantaria o m undo com a pujança de seu crescim ento.
"E m tudo isso, pode-se notar a m ão de D eus operando
através de hom ens e m ulheres hum ildes. Com o se vê, esta
obra não pertence a hom em algum , m as a Deus som ente.
" A n o v a ig re ja e s ta v a liv re p a ra e v a n g e liz a r. E,
ousadamente, anunciava a salvação, a cura divina, o batism o
com o Espírito Santo e a volta de Jesus. Estavam todos cheios
do poder de Deus. Em resposta às suas orações, o Senhor
operava sinais e m aravilhas. Vivificando cada testem unho e
sermão, o Espírito Santo convencia os m ais vis pecadores.
Emílio Conde realça o espírito missionário da nova igreja:
"H aviam -se passado apenas dois anos desde que a A s­
sem bléia de D eus iniciara suas atividades em terras b rasi­
leiras. Talvez alguém pensasse ser ainda m uito cedo para
enviar m issionários a outros países. M as, para D eus, o tem ­
po oportuno é sem pre hoje. O agora é o tem po de Deus.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

"A o iniciar-se o ano de 1913, Gunnar Vingren sentiu que


devia falar a José Plácido da C osta sobre a necessidade de
se levar as Boas Novas a outras terras. O m issionário Vingren
foi direto ao assunto: Irm ão Plácido, por que não vai pregar
o Evangelho ao povo português? Em bora não pudesse res­
ponder afirm ativam ente naquele m om ento, Plácido da Cos­
ta com preendeu que esta era a vontade de Deus.
"A m ensagem pentecostal traz, em si, o espírito m issio­
nário. C om o resistir ao apelo da G rande C om issão? Foi
assim na Igreja Prim itiva, e não poderia ser diferente em
nossos dias. Por este m otivo, o irm ão Plácido não pôde re­
sistir ao cham ado divino.
"N o dia 4 de abril de 1913, José Plácido da C osta e fam í­
lia em barcaram no navio H ildebrand, na cidade de Belém ,
com destino a Portugal. Essa foi a prim eira dem onstração
viva e prática do espírito m issionário de um a igreja que con­
tava apenas dois anos de organização.
"Segu nd o o relatório prestado por Plácido da Costa, o
trabalho em Portugal foi estabelecido logo no m ês seguinte.
Ou seja: em m aio de 1913. A m ensagem pentecostal já era
triunfante em terras lu sitanas".

CONCLUSÃO
A oração de H abacuque não foi esquecida: "Senhor, avi­
va a tua o b ra". D esd e aqu eles dias até hoje, vem D eus
reavivando sua obra. N ão obstante nossas fraquezas, seu
poder vem operando eficazm ente em cada um de seus fi­
lhos. Operando Ele, quem im pedirá?
N ão podem os viver sem avivam ento.
Ore por um urgente despertar na casa de Deus; em bre­
ve, virá Cristo buscar a sua Igreja. E se não estiverm os prepa­
rados? O que acontecerá conosco? Não podem os perder as
visitações que nos quer m andar o Senhor da Seara. Aviva­
m ento não é privilégio; acima de tudo, é o sopro que im pul­
siona a Igreja de Cristo. Todavia, o que é, realm ente, um avi­
vam ento? E o que entrarem os a ver no próxim o capítulo.
:h a m a a r d e r á c o n t in u a m e n t e

QUESTIONÁRIO
1. Que testem unho nos dá Tertuliano acerca do avivam en­
to?

2. O que disse A gostinho sobre os dons espirituais?


3. Podem os considerar M artinho Lutero um verdadeiro pen­
tecostal?
4. Por que W esley é considerado um dos pais do M ovim en­
to Pentecostal?

5. D iscorra sobre o avivam ento nos Estados U nidos?


6. Q uando teve início o m oderno M ovim ento Pentecostal?
7. Faça um resum o da história do M ovim ento Pentecostal
no Brasil.
0 QUE EO AVIVAMENTO

SUMÁRIO: Introdução; I. Definindo o Avivamento; II. O Objetivo


do Avivamento; III. O Avivamento no Antigo Testamento; IV. O Avi­
vamento no Novo Testamento; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
Q uando M oody chegou à Inglaterra, talvez não im agi­
nasse o que tencionava fazer o Senhor naquelas ilhas. Bas­
taram , porém , os prim eiros dias de labor, e agora já com ­
preendia estar sendo usado para conduzir um dos m aiores
avivam entos da história da Igreja Cristã. Se tom arm os em ­
prestada a figura cristalizada pelo pastor Boanerges R ibei­
ro, diríam os ter-se incendiado a seara naquele pedaço de
Europa, que já com eçava a perder a pujança dos avivam en­
tos anteriores.
R ecuem os no tem po, e perguntem os a M oody: "O que
é o avivam ento?"
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

Vivendo-o intensam ente, o evangelista norte-am ericano


respond er-nos-á tratar-se de um m ovim ento do Espírito
Santo. Que é um m ovim ento do Espírito, não há dúvida. O
difícil, entretanto, é definir esse poderoso m over do Espíri­
to Santo que tem m uito do vento m encionado pelo Senhor.
U m vento que sopra onde quer; ouvim os-lhe a voz; não sa­
bem os porém de onde vem , nem para onde vai.
Com o as perguntas recusam -se a calar, garim pem os uma
definição.

I. DEFININDO 0 AVIVAMENTO
N ão busco aqui discutir qual a term inologia m ais corre­
ta: avivam ento ou reavivam ento? D ifiram em bora quanto
ao étim o, sinonim izou-as a história da Igreja Cristã. H oje,
am bos os vocábulos são usados quase que indiferentem en­
te. Com o avivam ento tornou-se um term o m ais com um nos
arraiais evangélicos luso-brasileiros, optem os por ele.
O avivam ento pode ser definido com o o retorno aos
princípios que caracterizavam a Igreja Prim itiva. É o retor­
no à Bíblia com o a nossa única regra de fé e prática. É o
retorno à oração com o a m ais bela expressão do sacerdócio
universal do cristão. É o retorno às experiências genuínas
com o Cristo, sem as quais inexistiria o corpo m ístico do
Senhor. É o retorno à G rande C om issão, cujo lem a continua
a ser: "...até aos confins da terra..." O avivam ento, enfim , é
o reaparecim ento da Igreja com o a agência por excelência
do Reino de Deus.
De acordo com A rthur W allis, o avivam ento é a inter­
venção divina no curso norm al das coisas espirituais: "É o
Senhor desnudando o seu braço e operando com extraordi­
nário poder sobre santos e pecadores".
D epois de haver reanim ado tantas igrejas que jaziam à
m orte, Charles Finney já tinha condições de afirm ar ser o
avivam ento um novo com eço de obediência a Deus. Onde
buscaríam os outras definições? Em Lutero? W esley? Ou,
ÍEÉ O AVIVAMENTO

quem sabe, naqueles puritanos que procuravam alicerçar


'u a fé em experiências cada vez m ais vividas?
Infelizmente, não podemos esquecer-nos dos céticos. Ao
invés de estudarem o avivamento com o um todo, vêem-no
apenas como um "m ovim ento dentro da tradição cristã que
enfatiza o apelo da religião à natureza emotiva e afetiva dos
indivíduos". Não! O avivamento não é só emoções. Não é só
carga afetiva, nem aquela euforia que hoje nos embala, e ama­
nhã desaparece como que por taumaturgia. Leve-nos embora
às m ais ruidosas m anifestações, não é este o seu objetivo
primacial, conforme acentuaria Ernest Baker: "U m avivamen­
to pode produzir barulho, mas não é nisso que ele consiste. O
fator essencial é a obediência de todo o coração".
Ficássemos aqui a rebuscar outras definições, ver-nos-íamos
obrigados a produzir volum osa antologia do que disseram e
afirmaram os cam peões do Evangelho. Seguindo, contudo, o
conselho de Horatius Bonar, lancem o-nos a clam ar pelo m o­
vim ento do Espírito Santo. Vejamos, em prim eiro lugar, qual
o seu real objetivo.

II. 0 OBJETIVO DO AVIVAMENTO


O principal objetivo do avivam ento é m anter a Igreja
co m o a a g ê n c ia p o r e x c e lê n c ia do R e in o de D e u s. E
preservar-lhe as características de m ovim ento. E arrancá-la
ao denom inacionalism o. E com pungi-la a reassum ir aquela
m issão que lhe deu o Cristo de forçar as portas do inferno. E
conscientizá-la de que é, na verdade, um organism o e não
uma organização que jaz sepultada em tradições m eram ente
humanas.
Segundo J. Edw in Orr, o avivam ento visa reconduzir a
Igreja aos tem pos de refrigério. Tempos estes que, estar no
cenáculo, não era privilégio apenas daqueles que com parti­
lhavam da experiência readquirida na rua A zuza no princí­
pio do século XX; era um privilégio de todo o povo de Deus.
M as para que estejam os no cenáculo com os 120, faz-se n e­
FUNDAMENTOS.BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

cessário vigiarm os com o Senhor no G etsêm ani. Faz-se ur­


gente chorar por um avivam ento até que este ressurja ape­
sar dos olhos pesados e do coração sonolento.
Enfim , o objetivo prim ordial do avivam ento é levar a
Igreja a agir com o Reino de Deus. Igreja avivada não é ins­
titu iç ã o ; é o R e in o em m o v im e n to . E n c a r a v a a s s im
H abacuque a O bra de Deus.

III. 0 AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO


Foi num m om ento de profunda crise, que H abacuque
lançou o pungente e inadiável clam or: "A viva a tua obra, ó
Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anos faze-a
conh ecid a" (Hc 3.2). Se nos detiverm os nos sucessos im edi­
atos da história do povo de Deus, serem os forçados a con­
cluir: a súplica do profeta não foi ouvida, porquanto Judá
estava prestes a desaparecer com o reino. Com a herança de
Jacó, pereceriam Jerusalém e o Santo Templo. N ão obstante
tais contrários, a alm a do profeta persistia a gritar: "A viva a
tua obra, ó Senhor".
De um a form a ou de outra, o Senhor ouviu-lhe a prece.
E certo que os tem pos de refrigério não vieram de im ediato;
o exílio já cam peava pelas cercanias da C idade Santa. M as
quem disse ser o avivam ento só bonança? Não fora a de­
portação à Babilônia; não fora esta am arga disciplina que,
em tudo, se m ostrava castigo; não fora este açoite de Jeová
que levou Jerem ias a escrever as Lam entações, o s hebreus te­
riam desaparecido com o povo, e com o congregação do Se­
nhor haveriam de desaparecer para sempre.
A oração do profeta não deixou de ser ouvida; seu grito
jam ais se perderia no vazio.
H abacuque não foi o único representante da A ntiga A li­
ança a preocupar-se com o avivam ento. Im plícita ou expli­
citam ente, os profetas todos de outra coisa não se ocupa­
ram que não fosse em m anter reavivada a flam a da Obra de
Deus. Logo nos prim órdios da raça, vem os brotar e flores­
: QUE É 0 AVIVAMENTO

cer um avivam ento: "A Sete nasceu-lhe tam bém u m filho,


ao qual pôs o nom e de Enos: daí se com eçou a invocar o
nom e do Sen h or" (Gn 5.26). Deste m ovim ento, do qual sa­
bem os tão pouco, dependeria a sobrevivência do plano di­
vino naqueles idos já tão obscuros. N ão com eçassem os an­
tigos a invocar o Senhor, não teríam os um Enoque piedoso
nem um N oé incorruptível. A sem ente de A dão não teria
vingado, nem arca algum a teria sido construída para flutu­
ar no dilúvio de Deus.
Os avivam entos não pararam aí.
C om o as on d as da p raia, os av iv am en to s flu íam e
refluíam. Avivam ento é a luta de Jacó com o anjo em Jaboque.
E o fogo do altar que arde contínua e incessantem ente. É a
lira de D avi que se nega a calar m esm o refugiada. E a presen­
ça de D eus que enche o Santo Templo, e em pana de Salom ão
a singular glória. É Elias que desafia os profetas de Baal no
atônito Carmelo. E Eliseu que m antém a escola de profetas
num Israel que se paganizava. Avivamento é a coragem de
Am ós e o am or sofrido de Oséias; a intem perança m issioná­
ria de Jonas e o serviço de A geu e Zacarias.
A ind a que ou tros casos p ossam ser citad o s, não h a­
v eríam os de esqu ecer o exem p lo clássico de Josias. O av i­
vam en to p rom ovid o p or este p ied o so m onarca ju d aíta foi
essencialm ente evangelical. Em nada difere dos m ovim en­
tos d esencad ead os p or M oody, Fin ney ou Spurgeon. Tudo
com eçou qu and o o Livro da Lei foi achad o no Santo Tem ­
plo (2 Cr 34.14-17). In felizm en te, a revolu ção esp iritu al
en cetad a p or esse santo rei seria in su ficien te para salvar
a n ação da trag éd ia de 586 a.C . O av iv am en to durou en­
qu anto v iveu Jo sias; m orren d o este, foi sep u ltad o o av i­
vam en to.
N o encerram ento do cânon do A ntigo Pacto, contudo,
dá M alaquias a entender que, apesar das am eaças todas que
pairavam sobre a verdadeira religião, o Reino de D eus ja­
m ais seria inum ado. O Sol da Justiça haveria de refulgir e
trazer salvação sob suas asas (Ml 4).
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

IV. 0 AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO


D esd e a d errad eira p rofecia do A ntigo T estam ento,
passar-se-iam cerca de quatrocentos anos até que a voz de um
arauto do Senhor ecoasse por toda a Judéia. Voz solitária; em
tudo, singular. Tinha, porém, muito do Testamento Antigo. As
cores do sacerdócio e os matizes do profetismo de Moisés, Samuel
e Elias, tinha aquela voz. Dir-se-ia que os profetas todos ali
aportaram, para dar início ao novo pacto.
No Novo Testamento, não encontramos a palavra avivamen­
to. E para quê? A essência da aliança nova é justamente a vida que
se refaz em cada um dos evangelhos, espalhando-se em Atos, nas
epístolas e na revelação de Patmos. O avivamento jamais esteve
ausente do organismo que, concebido na Galiléia dos Gentios, veio
à luz no cenáculo no Dia de Pentecostes. Na célebre declaração de
Cesaréia, já havia afirmado o Cristo: "Bem-aventurado és tu, Si-
mão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu
Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e
sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do infer­
no não prevalecerão contra ela" (Mt 16.17,18).
Em essência, o que significa esta declaração? Que a Igreja
haveria de ser não uma mera organização; e, sim um organis­
mo! E, como tal, a vida jamais a deixaria; renovar-se-ia em suas
Escrituras e revelações, em suas ordenanças e ministérios, em
suas celebrações e adoração, em seus dons e carismas; em sua
p ró p ria n a tu re z a , re n o v a r-se -ia . O s A tos e e p ísto la s
despertam-nos a viver não uma nova religião; e, sim, um movi­
mento em expansão permanente. Um movimento que não pôde
ficar em Jerusalém, nem se deter na Judéia. Um movimento que
invadiria Sicar. E, agora, em Antioquia, prepara-se a conquistar
o império do Tibre. E, de fato, tom ou o mundo vassalo!

CONCLUSÃO
Na Epístola aos Efésios, sintetiza Paulo como deve andar a
Igreja de Cristo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
ÉO AVIVAMENTO

Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos


lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3). Sim, para o apóstolo que era
tão íntimo de D eus, a Igreja de Cristo não haveria de trafegar
r.outro lugar que não fossem as regiões celestiais. Isto implica num
viver de vida em vida. Renovando-se sempre. Avivando-se con­
tinuamente. Reavivando-se a cada estação.
O avivamento evangélico implica num viver contínuo nas
regiões celestiais em Cristo Jesus. Implica em nunca deixar mor­
rer o amor primeiro. Mas se tal vier a ocorrer, o avivamento já não
tem de esperar. Se este não for buscado, a advertência do Cristo
toma-se mais que enérgica: "Tenho, porém, contra ti que deixas te
o teu prim eiro amor. Lem bra-te, pois, de onde caíste, e
arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, breve­
mente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não se arre-
penderes" (Ap 2.4.5).
Avivamento é retomo. É um retomo ao amor primeiro e so­
frido do Calvário. Sem ele, pode haver até igreja enquanto insti­
tuição, jamais porém como Reino de Deus.

QUESTIONÁRIO
1. O que é o avivam ento?
2. Q ual o objetivo do avivam ento?
3. Cite os nom es de três grandes avivalistas?
4. Q ual o prim eiro indício de avivam ento no G ênesis?
5. Que Rei de Judá prom oveu um grande avivam ento?
6. Q ual a duração do avivam ento prom ovido por Josias?
7. Você pode citar outros indícios de avivam ento no A nti­
go Testam ento?
8. Que profeta do A ntigo Testam ento usou o verbo avivar?
9. A palavra avivamento é encontrada no Novo Testamento?
10. Que igreja do Novo Testamento vivia nas regiões celestes?
III

0 AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS


SAGRADAS ESCRITURAS

SUMÁRIO: Introdução; I. A Bíblia É a Inspirada Palavra de Deus;


II. A Palavra de Deus É Inerrante; III. A Palavra de Deus É Infalível;
IV. A Palavra de Deus É a Suprema Autoridade em Matéria de Fé,
Prática, Conduta e tudo o que Diz Respeito ao Relacionamento do
Homem com o seu Criador e com o seu Semelhante; V. A Clareza dãsx
Escrituras Sagradas; VI. A Necessidade das Sagradas Escrituras;
VII. A Suficiência da Palavra de Deus; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
A lguém afirmou, certa vez, que o Pentecostalism o é um
m ovim ento à procura de um a teologia. Todavia, se estudar­
m os atentam ente o avivam ento pentecostal, deparar-nos-
em os com outra realidade: os p entecostais, desde o seu
nascedouro, sempre se preocuparam com a doutrina bíblica,
e jam ais descuraram de suas bases teológicas. Haja vista as
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

A ssem bléias de Deus. A nunciando o Evangelho Pleno de


Cristo, nossos pioneiros, sempre com base nas Sagradas Es­
crituras, ensinavam fervorosam ente que Jesus salva, batiza
no Espírito Santo, cura as enferm idades, opera sinais e m ara­
vilhas e que, em breve, voltará para arrebatar a sua Igreja.
Fôssem os, de fato, um m ovim ento à procura de um a
teologia, estaríam os, hoje, no rol das seitas. A cham o-nos,
porém , entre as igrejas m ais bíblicas, ortodoxas e conserva­
doras. Segundo H ank H anegraaf, presidente do Instituto
Cristão de Pesquisas, encontram -se os teólogos pentecostais
entre os m ais bíblicos, conservadores e coerentes. Isto não
significa, entretanto, que não haja desvios doutrinais isola­
dos na com unidade de fé pentecostal; infelizm ente há com o
o há nas dem ais confissões evangélicas. Todavia, sem pre fi­
zem os questão de confessar, particular e publicam ente, ser
a Bíblia Sagrada a inspirada, infalível, inerrante e com pleta
Palavra de Deus. Q uanto aos desvios, são devidam entes
corrigidos.
N este capítulo, haverem os de m ostrar que um a das ca­
racterísticas do verdadeiro avivam ento é ter a Bíblia com o
irrecorrivelm ente soberana. Se a não elegermos com o a nossa
única regra de fé e prática, jam ais viverem os um autêntico
avivam ento; pois este não pode ser dissociado das Sagra­
das Escrituras.

I. A BÍBLIA É A INSPIRADA PALAVRA DE DEUS


R ealçando a inspiração e a singular beleza da Bíblia,
escreveu Thom as Brow ne: "A Palavra de D eus, pois é o que
creio serem as Sagradas Escrituras; se se tratasse de obra do
hom em , seria a m ais singular e sublim e, desde o prim eiro
instante da C riação". D iante da assertiva de Brow ne, não
podem os evitar a interrogação: N ão fosse a Bíblia a inspira­
da Palavra de Deus, teria ela todos esses donaires e encan­
tos? Os livros das outras religiões, apesar de toda a aparên­
cia de piedad e, são desestim u lantes ju stam ente por não
O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

possuírem os enlevos dos profetas hebreus e a devoção dos


apóstolos de N osso Senhor Jesus Cristo. Sendo porém a Bí­
blia, o Livro dos livros, pode ser continuam ente lida sem
jam ais perder os seus ím pares e celestiais atrativos.
Aliás, é a Bíblia a causa da beleza dos idiomas mais desen­
volvidos e admirados por sua exatidão. Se o alemão até Lutero
era contado entre as línguas bárbaras, a partir da tradução que
o reformador fez das Sagradas Escrituras, passou a figurar, em
que pese suas idiossincrasias, como o mais perfeito instrumento
da teologia, da filosofia e das ciências. E a Bíblia da Inglaterra?
Macaulay, extasiado pelas peregrinas formosuras desta tradu­
ção, que teve no rei Tiago o seu m aior incentivador, dá-nos
este testemunho sobre a influência espiritual e literária da Pa­
lavra de Deus: "A Bíblia inglesa - um livro que se todo o resto
escrito em nossa língua perecesse, seria ainda suficiente para
m ostrar toda a extensão de sua beleza e poder". Prova-nos isto
serem as Sagradas Escrituras a inspirada Palavra de Deus; sem
esta inspiração seria impossível a sua beleza.
1. O que é inspiração. Proveniente do vocábulo latino
inspiratione, a palavra "inspiração" evoca o ato de inspirar-se
ou de ser inspirado. Fisiologicam ente, é a ação de introduzir
o ar nos pulm ões, de inspirar.
2. Sentido original da palavra grega. Se nos voltarm os
ao grego koinê, verificarem os que a palavra inspiração, pro­
veniente de dois vocábulos: Theo, Deus e pneustos, sopro, en­
cerra um altíssimo significado. Literalm ente, significa, no idi­
oma no qual foi escrito o Novo Testamento, aquilo que é dado
pelo sopro de Deus.
3. D efinição teológica. Já que sabem os o significado
original da palavra insp iração, pod em os dar-lhe a seguin­
te definição teológica: "A ção sobrenatural do Espírito Santo
sobre os escritores sacros, que os levou a prod uzir de m a­
n eira in erran te, infalível, ú nica e sobrenatu ral, a Palavra
de D eus - a Bíblia Sag rad a" (D icionário Teológico da CPAD).
Em bora largam ente ensinada em todos os sem inários
conservadores, vem esta verdade sofrendo repetidos ata­
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

ques de Satanás. A lguns buscam igualar a inspiração da


Bíblia a um a inspiração literária qualquer com o a tiveram
H om ero, Virgílio, C am ões e C astro A lves. Estam os, contu­
do, lidando com um a singularíssim a inspiração: divina e
não hum ana; única e de m aneira algum a com um ; acham o-
nos diante de um m ilagre na área do conhecim ento que,
com eçando a atuar em M oisés, foi encerrado no evangelista
João na ilha de Patm os.
O bservem os que, em todos os avivam entos, foi a inspi­
ração da Bíblia destacada excelsam ente. Tom em os com o
exem plo, um a vez m ais, o M ovim ento Pentecostal. De seu
nascedouro aos dias de hoje, jam ais transigim os em relação
a este artigo de fé.
4. A inspiração plenária e verbal da Bíblia Sagrada.
A ssegura esta verdade ser a Bíblia, em sua totalidade, pro­
duto da inspiração divina. Q uando proclam am os que a ins­
piração da Bíblia é plenária, afirm am os, explicitam ente, que
todos os seus livros, sem qualquer exceção, foram totalm ente
inspirados por Deus. E quando asseveram os que a sua ins­
piração é tam bém verbal, querem os deixar bem claro que o
Espírito Santo guiou os seus autores não som ente quanto às
idéias, m as tam bém quanto às palavras dos arcanos e con­
certos do A ltíssim o (2 Tm 3.16).
A in sp iração p len ária e v erbal da B íblia não elim inou ,
p orém , a p articip ação dos p rofetas e ap óstolos de N osso
Senh or no processo de sua p rod u ção. P orqu e foram to­
dos eles u sad os de acordo com seus traços p erso n ais, ex­
p eriên cias e estilos literários. M as, sem pre gu iad os e in s­
p irad os pelo E sp írito Santo, atu aram de m an eira ab so lu ­
tam en te in erran te. E p or isto que aceitam os, sem q u ais­
quer reservas, a B íblia Sagrad a com o a nossa ú nica regra
de fé e p rática.
5. D eclaração doutrinária das A ssem bléias de Deus no
Brasil. À queles que nos acusam de serm os um m ovim ento
à procura de um a teologia, deixam os aqui um dos m ais im ­
portantes artigos de nosso credo: "C rem os na inspiração ver­
O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

bal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé norm ativa


para a vida e o caráter cristão".
Pode um m ovim en to sem teologia ou dou trin a ser tão
cristalin o qu anto o P en teco stalism o ? C on qu an to acred i­
tem os nos dons esp iritu ais, entre os quais o da profecia,
não os colocam os acim a da B íb lia; ach am -se su b m issos a
esta e p or esta são ju lg ad o s con form e n o -lo recom en d a o
ap ósto lo P aulo. Som ente as Sagrad as E scritu ras p o ssu ­
em a n ecessária in errân cia e in falib ilid ad e para ju lg a r to ­
das as coisas.
Jam es H. Rayley, Jr., um dos m ais abalizados teólogos
pentecostais expõe, m ui apropriadam ente, com o estes enca­
ram a Bíblia Sagrada: "R econhecem os tam bém que som ente
a Bíblia, por ser a Palavra de Deus, tem a resposta definitiva.
Todas as palavras m eram ente hum anas são, na m elhor das
hipóteses, meros ensaios, e só são verdadeiras à m edida que
se harm onizam com a revelação da Bíblia. N ão nos conside­
ram os superiores em virtude de nossas experiências. Pelo
contrário: som os com panheiros que, ao longo da viagem ,
desejam compartilhar o que têm aprendido a respeito de Deus
e de suas diversas m aneiras de lidar conosco".

II. A PALAVRA DE DEUS É INERRANTE


N ão são poucos os teólogos que, aparentando piedade,
e m ostrando-se fervorosos defensores da Bíblia Sagrada,
afirm am que esta, de fato, é inerrante, m as apenas quanto
às questões doutrinais e teológicas. Q uanto às outras ques­
tões, não desfruta ela da m esm a inerrância. O ra, quem de
nós confiaria o seu destino eterno a um livro parcialm ente
inerrante? E se é parcialm ente inerrante, não estaria toda a
su a in e rrâ n c ia c o m p ro m e tid a ? M eio in e rrâ n c ia n ão é
inerrância; é m eia verdade, e m eia verdade não passa, às
vezes, de um a m entira com pleta. Pode acaso D eus m entir?
Ou faltar com a verdade? Que seja D eus verdadeiro e todo
hom em m entiroso!
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

O s p e n te c o s ta is se m p re d e fe n d e m o s a a b s o lu ta
inerrância da Bíblia. Sem este preciosíssim o instituto da teo­
logia evangélica, seria ela um adm irável livro, jam ais a Pa­
lavra de Deus. Q uem pode negar as belezas de H om ero,
Virgílio e Shakespeare? Eles, todavia, não eram inerrantes
com o inerrantes não são os escritores atuais. Não passavam
de poetas que, desfrutando de um a inspiração natural, p ro­
duziram obras perfeitam ente estéticas, m as espiritualm en­
te im perfeitas e eivadas de erros filosóficos e teológicos.
Vejam os, pois, o que significa inerrância no âm bito bí-
blico-teológico.
1. O que é a in errân cia. A p alav ra in errân cia é o riu n ­
da do v ocáb u lo latin o in erran tia, e sig n ifica "q u alid ad e
do que é in erra n te "; que não contém qu aisquer erros. Sen ­
do, p òis, a B íblia in erran te, log o se con clu i que ela tam ­
bém é perfeita. Q u anto aos que a rejeitam , para a sua p ró ­
p ria ru ín a e d an ação eterna a rejeitam . A cerca dos tais,
afirm a W alter B. K night: "O s h o m en s não rejeitam a B í­
b lia p orqu e ela se con trad iz, m as p orqu e ela con trad iz os
h o m e n s". Pode h av er co n trad ição m aior do que aceitar a
Bíblia com o a in sp irad a Palavra de D eus, e rejeitá-la com o
in erran te?
2. D efinição teológica. Em nosso D icionário Teológico,
dam os a seguinte definição de inerrância da Bíblia: "D o u ­
trina, segundo a qual a Bíblia Sagrada não contém quais­
quer erros. Ela é, pois, inerrante em todas as inform ações
que nos transm ite, e, nos propósitos que esboça. O testem u­
nho da arqueologia e das ciências afins tem confirm ado a
inerrância da Bíblia. Por conseguinte, a inerrância da Bíblia
Sagrada é plena e absoluta".
Som ente aqu eles que se d eixam con tam in ar pelo v í­
rus do m odernism o teológico ou sariam negar a in errân cia
das Sagrad as E scritu ras. P ois esta d ou trin a acha-se p a­
tente em toda a Bíblia. Foi exatam ente isto o que nos tran s­
m itiram os fu n d ad ores do M ovim en to P en tecostal. E ja ­
m ais tran sigirem o s qu anto a este p rin cíp io: a n o ssa fé e
3 A VIV AM EN TO E A SO BE R A N IA D AS SA G R A D A S ESCR ITU R A S

segu ran ça depend em de com o en caram os a P alavra de


D eus. W ayne G ru d en a este resp eito é m ais do que cate­
górico: "A B íblia sem pre diz a v erd ad e a resp eito de to ­
das as coisas de que tra ta ".
Os teólogos p entecostais, quer os prim eiros, quer os
últim os, sem pre defenderam , ardentem ente, a in errância
das Sagradas Escrituras. John R. H iggins discorre sobre o
im p r e s c in d ív e l a rtig o d e fé: " C o n s e q ü e n te m e n te , a
inerrância é a qualidade que se espera da Escritura in sp i­
rada. O crítico que insiste em haver erros na Bíblia (em
algum as p assagens difíceis) parece ter outorgado para si
m esm o a in falibilid ad e que negou às Fscritu ras. U m p a­
drão passível de erros não oferece nenhu m a m edida segu ­
ra da verdade e do erro. O resultado de negar a inerrância
é a perda de um a Bíblia fidedigna. Se for adm itid a a exis­
tência de algum erro nas Sagradas E scritu ras, estarem os
alijando a veracid ad e divina, fazendo a certeza desapare­
cer". M ais adiante, aduz o irm ão H iggins: "A verdade de
D eus é expressada com exatid ão, e sem quaisquer erros,
nas próp rias palavras das Escritu ras ao serem usadas na
construção de frases. A verdade de D eus é expressada com
exatid ão através de todas as p alavras da totalid ad e das
E scritu ras, e não m eram ente através das p alavras de con­
teúdo religioso ou teoló gico".
3. O testem unho da própria Bíblia quanto à sua iner­
rância. Muitas são as assertivas da Bíblia quanto à própria
inerrância. O salmista, enaltecendo a Deus por sua Palavra,
com põe este belíssimo cântico: "A s palavras do SENHOR são
palavras puras com o prata refinada em forno de barro e
purificada sete vezes" (SI 12.6). Se recorrermos ao hebraico,
constataremos que este versículo poderia ser desta forma ver­
tido: "A s declarações do eterno são confiáveis e sinceras". Que
outra literatura poderia erguer-se de forma tão sobranceira, e
falar de sua própria autoridade e inerrância?
N os Lusíadas, Luis de C am ões declara que o seu objeti­
vo é cantar a glória daqueles "barões assinalad os" que, de­
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

safiando os m ares, dilatou o im pério de Portugal. Todavia


carece o poeta, com o ele m esm o o reconhece, de engenho e
arte, a fim de que o seu poem a atinja os objetivos propostos.
Já o sábio Salom ão, que tam bém foi poeta, põe-se a versejar
a pureza das Sagradas Escrituras: "Toda palavra de D eus é
pura; escudo é para os que confiam n ele" (Pv 30.5). A fiança
o autor sagrado ser toda a Palavra de D eus refinada com o
se estivera no m ais perfeito dos crisóis. Tudo nela é perfeito
e inerrante. H ouvesse na Bíblia algum erro, de que form a
viríam os a acreditar que ela é a m ais com pleta e absoluta
verdade? Eis porque M oisés afirm ou de m aneira contun­
dente: "D eu s não é hom em , para que m inta; nem filho de
hom em , para que se arrependa; porventura, diria ele e não
o faria? Ou falaria e não o confirm aria?" (Nm 23.19).
Acredito que "p erfeição" é o m ais pleno sinônim o de
"inerrância". Achando-se algo isento de erros, esse algo só pode
ser perfeito. Foi por isto que o salmista cantou: "A toda perfei­
ção vi limite, mas o teu mandamento é am plíssim o" (SI 119.96).
Nas Sagradas Escrituras, por conseguinte, não há quais­
quer erros, quer doutrinários, quer teológicos, sejam cultu­
rais, sejam geográficos, cronológicos ou lógicos. A Bíblia é
absolutam ente perfeita; logo inerrante. O ra, se é de fato
inerrante, ela tam bém é infalível.

III. A PALAVRA DE DEUS É INFALÍVEL


Professando a infalibilidade da Bíblia, asseverou H enry
More: "A s Escrituras são infalíveis e, com o Palavra de Deus,
são tam bém suficientes para conduzir o hom em à Salvação
em C risto". Ressalvam os, desde já, que os pentecostais sem ­
pre nos destacam os na defesa desta doutrina; de sua obser­
vância depende o nosso progresso e desenvolvim ento na
santíssim a fé que nos entregou o Senhor Jesus. A liás, não
pode haver avivam ento sem um a crença forte e m ui crista­
lina acerca da infalibilidade da Bíblia Sagrada. O que vem a
ser, porém , esta doutrina?
O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

1. O que é a infalibilidade. Infalibilidade é um atributo


exclusivo de D eus e de sua Palavra. É a qualidade, ou virtu­
de, daquilo que, sob hipótese algum a, pode falhar; é algo
que não pode ser atingido pelo engano ou pelo erro. Se não
pode falhar, esse algo tam bém é sum am ente perfeito. Lou­
vando a D eus pela perfeição de sua Palavra, escreveu o pre­
sidente norte-am ericano, A braham Lincoln: "E u creio que a
Bíblia é a m elhor dádiva que D eus ofertou ao hom em . Toda
a bondade do Salvador do m undo nos é com unicada atra­
vés deste livro". C onta-se que Lincoln, durante a G uerra
C ivil dos Estados U nidos, apegou-se de tal form a à Bíblia, e
m ui particularm ente ao livro de Jó, pois tinha um a singular
fé na infalibilidade das Escrituras Sagradas. E foi assim , que
achou todos os consolos durante aquele período de lutas e
de intensas agonias.
2. D efin ição teoló gica. A fin al, com o p od eríam o s d e­
fin ir teo lo g icam en te a d ou trin a da in falib ilid ad e da B í­
b lia? A ten h am o -n o s a esta d efin ição: "D o u trin a que en ­
sina ser a B íblia in falív el em seus p rop ósitos. Eis p orqu e
a P alavra de D eus pod e ser assim con sid erad a: 1) Suas
p rom essas são rig o rosam en te ob serv ad as; 2) Suas p ro fe­
cias cu m p rem -se de form a d etalh ad a e clara (haja vista
as Seten ta Sem an as de D an iel); 3) E o P lano de Salvação é
execu tad o ap esar das op o siçõ es satân icas. N en h u m a de
suas p alav ras jam ais caiu , nem cairá, p or te rra " (D icion á­
rio Teológico da CPAD).
U m a das m aiores provas da infalibilidade da Bíblia Sa­
grada é o derram am ento do Espírito Santos nestes últim os
dias. De repente o que parecia distante, e já história, com eça
a ocorrer e a assom brar o m undo. C um prem -se as profecias
de Joel, Isaías, João Batista e do próprio Cristo. E, a partir
daí, ninguém m ais foi capaz de conter as ondas do aviva­
m ento pentecostal que, na plenitude do Espírito Santo, leva-
nos a anunciar o Evangelho de Cristo até aos confins da ter­
ra. A O bra Pentecostal é um a realidade, porque a Palavra
de D eus é infalível.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

3. A B íb lia dá testem u nh o de sua infalibilidade. Os


escritores sagrados sem pre estiveram cientes de que a m en­
sagem que D eus transm itia por seu interm édio era absolu­
tam ente infalível. Escreveu M oisés, fazendo nítida distin­
ção entre a verdadeira e a falsa profecia: "Q u and o o tal pro­
feta falar tem nom e do SEN H O R, e tal palavra se não cum ­
prir, nem suceder assim , esta é palavra que o SEN H O R não
falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas tem or
d ele" (Dt 18.22).
Sam uel foi de tal m odo despertado a profetizar, que a
Escritura dá-lhe este testem unho: "E crescia Sam uel, e o
SEN H O R era com ele, e nenhum a de todas as suas palavras
deixou cair em terra" (1 Sm 3.19). E o testem unho dos ou­
tros profetas? Todos eles in questionavelm ente infalíveis.
D iscorrendo sobre os arcanos proferidos por Jerem ias, pres-
ta-lhe D aniel este inequívoco testem unho de sua infalibili­
dade: "N o ano prim eiro do seu reinado, eu, D aniel, entendi
pelos livros que o núm ero de anos, de que falou o SEN H O R
ao profeta Jerem ias, em que haviam de acabar as assolações
de Jerusalém , era de setenta an o s" (Dn 9.2).
Se os escritores do A ntigo Testam ento tinham convic­
ção de que aquilo que escreviam era a m ais pura verdade, o
que não direm os dos escritores do N ovo que viam o Antigo
se cum prir de m aneira tão fidedigna e fiel? Vejamos o teste­
m unho de M ateus: "Tudo isso aconteceu para que se cum ­
prisse o que foi dito da parte do Senhor pelo p rofeta" (Mt
1.22). O próprio C risto fala da infalibilidade de sua Palavra:
"P assará o céu e a terra, m as as m inhas palavras não passa­
rão " (Mc 13.31). Já no livro de A tos, testifica Lucas acerca da
ressurreição de Jesus: "A o s quais tam bém , depois de ter
padecido, se apresentou vivo, com m uitas e infalíveis pro­
vas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e fa­
lando do que respeita ao Reino de D eu s" (At 1.3).
Eis porque os pentecostais temos a Bíblia Sagrada como a
nossa única regra de fé e prática: ela é em tudo infalível. Por isto
tem ela toda a autoridade sobre todos os negócios humanos.
0 AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

IV. A PALAVRA DE DEUS É A SUPREMA


AUTORIDADE EM MATÉRIA DE FÉ, PRÁTICA,
CONDUTA E TUDO O QUE DIZ RESPEITO AO
RELACIONAMENTO DO HOMEM COM O SEU
CRIADOR E COM O SEU SEMELHANTE
A o contrário dos jud eus do tem po de Cristo e dos cató­
licos rom anos, guiados m ais por suas tradições do que pela
Palavra de D eus, os pentecostais proclam am os ser a Bíblia
a nossa única regra de fé e prática. Isto significa que a Pala­
vra de D eus, e som ente ela, é a nossa inquestionável autori­
dade. U m dos m ais fortes artigos de fé das A ssem bléias de
D eus, tanto nos Estados U nidos com o em outros países, é
justam ente este: "A s Escrituras Sagradas, tanto o A ntigo
quanto o N ovo Testam ento, são inspiradas verbalm ente por
Deus. Elas são a revelação de D eus à hum anidade, e nossa
infalível e autorizada regra de fé e prática".
Vejamos, antes de m ais nada, o que significa autoridade.
1. Autoridade. Oriunda do vocábulo latino autoritatem, a
p a la v ra " a u to r id a d e " s ig n ific a : "D ir e ito a b so lu to e
inquestionável de se fazer obedecer, de dar ordens, de estabe­
lecer decretos e, de acordo com estes, tomar decisões e agir, a
fim de que cada decreto seja rigorosamente observado". Ora,
sendo a Bíblia Sagrada a suprema autoridade em matéria de fé
e conduta, em hipótese alguma haverá de ser questionada. Os
teólogos pentecostais não poderíamos vê-la doutra forma.
2. D efinição teológica. Teologicam ente, assim podem os
definir a autoridade da Bíblia Sagrada: "P od er absoluto e
inquestionável reivindicado, dem onstrado e sustentado pela
Bíblia em m atéria de fé e prática. Tal autoridade advém -lhe
do fato de ela ser a inspirada, inerrante e infalível Palavra
de D eu s". (D icionário Teológico da CPAD).
Por que a Bíblia é assim considerada? Stanley H orton e
W illiam W. M enzies, dois dos m aiores expoentes do Avi-
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

vam ento Pentecostal, respondem -nos: "A origem divina e


autoridade das Escrituras asseguram -nos ser a Bíblia tam ­
bém infalível, ou seja: incapaz de erro, ou de orientar de
m aneira enganosa, ludibriadora ou desapontadora a seus
leito res. A lgu ns eru d itos estabelecem d istin ção entre a
inerrrância (estar isenta de erro) e a infalibilidade, m as am ­
bos os term os são sinônim os bem próxim os".
V ejam os, a seguir, com o a B íblia fala acerca de sua
inquestionável autoridade tanto em m atéria de fé com o em
m atéria de prática.
3. O testem u nho da B íb lia a respeito de sua autoridade.
A expressão "assim diz o Senhor" é encontrada aproxim ada­
m ente 2.600 na Bíblia Sagrada. Isto eqüivale a dizer que foi o
próprio Deus quem falou por interm édio dos profetas he-
breus e dos apóstolos de Nosso Senhor. Isaías não admitia
outra autoridade que não fosse a Palavra de Deus. Aos que
procuravam outros cam inhos, protesta o m ensageiro divino:
"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta
palavra, nunca verão a alva" (Is 8.20). M ais adiante, reverbe-
ra: "Este é o cam inho; andai nele, sem vos desviardes nem
para a direita nem para a esquerda" (Isaías 30.21).
Os apóstolos tam bém sabiam perfeitam ente estar falan­
do da parte do Senhor. De m aneira incontestável, protesta o
apóstolo Paulo aos irm ãos de C orinto que lhe questiona­
vam a autoridade espiritual: "Se alguém cuida ser profeta
ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são
m andam entos do Senh or" (1 Co 14.37). Em bora Paulo não
fizesse parte dos doze apóstolos, sua autoridade com o ho­
m em de Deus e doutrinador era por todos reconhecida como
o atesta Pedro: "P elo que, am ados, aguardando estas coi­
s a s , p ro c u ra i q u e d e le s e ja is a c h a d o s im a c u la d o s e
irrepreensíveis em paz e tende por salvação a longanim idade
de nosso Senhor, com o tam bém o nosso am ado irm ão Pau­
lo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, fa­
lando disto, com o em todas as suas epístolas, entre as quais
há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstan­
I AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

tes torcem e igualm ente as outras Escrituras, para sua pró­


pria perd ição" (2 Pe 3.14-16).
Os pentecostais, por conseguinte, vivendo como vivem ,
a plenitude de um avivam ento que vêm sacudindo o m un­
do, jam ais colocaram sua experiência acim a das Escrituras.
Pois todas as nossas experiências, por mais inequívocas, têm
de passar, necessariam ente, pelo crivo da Palavra de Deus.
Higgins, neste ponto, não admite transigências. Sendo ele um
autêntico pentecostal, tem absoluta convicção de que a credi­
bilidade do Pentecostalism o reside na form a com o encara­
mos a Bíblia: "O s sessenta e seis livros da Bíblia reivindicam
autoridade plena e total no tocante à auto-revelação de Deus
e a todas as im plicações quanto à fé e à prática. Em bora a
autoridade da Bíblia seja histórica, porque Deus se revelou
em eventos históricos, sua autoridade é prim ariam ente teo­
lógica. A Bíblia revela Deus à hum anidade, e explica o seu
relacionam ento com a sua criação. Pelo fato de Deus ter de
ser conhecido através deste livro, suas palavras têm de ser
igualm ente autorizadas. A autoridade da Palavra é absoluta
- as palavras do próprio Deus a respeito dEle m esm o".
A autoridade das Sagradas Escrituras advém -lhe, de
igual m odo, através da clareza com que suas reivindicações
são apresentadas ao ser hum ano.

V. A CLAREZA DAS ESCRITURAS SAGRADAS


Em todos os períodos de avivam ento espiritual, tem -se
notado um a volta de toda a igreja às Sagradas Escrituras.
Sem quaisquer exceções, leigos ou m inistros, de tal form a
se apegam à Palavra de D eus, que passam a ser identifica­
dos pelo Santo Livro. O ra, não fora a Bíblia um livro claro e
com preensível, com o poderiam os fiéis se lhe voltarem de
m aneira tão am orosa e incondicional? D efinam os, pois, a
doutrina da clareza das Escrituras Sagradas.
1. O que é clareza. N um a prim eira instância, clareza é a
propriedade do que é claro, inteligível e perfeitam ente com ­
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

preensível. N o caso que estamos a considerar, porém , "é uma


das principais características das Sagradas Escrituras, atra­
vés da qual tornam -se elas perfeitam ente inteligíveis aos que
se põem a estudá-las com um coração sincero, hum ilde e
p re d isp o sto a a c e itá -la s com o a in sp ira d a , in fa lív e l e
inerrante Palavra de D eus."
A clareza das E scritu ras é con h ecid a tam bém com o
p ersp ecu id ad e da P alavra de D eus revelada ao ser h u ­
m ano, a fim de que este v en h a, p len am en te, a co m p reen ­
der o p lan o red en tivo que Ele estab eleceu em seu A m ado
Filho.
2. O testem u n h o da B íb lia quanto à sua clareza. M u i­
tos são os testem unhos da Bíblia quanto à sua própria clare­
za. Eis o que diz o salm ista: “A lei do SEN H O R é perfeita e
refrigera a alm a; o testem unho do SEN H O R é fiel e dá sabe­
doria aos sím plices" (SI 19.7). M ais adiante, refere-se ele ao
ensino da Bíblia: "A exposição das tuas palavras dá luz e dá
entendim ento aos sím plices" (SI 119.130).
Tão clara é a Bíblia, que até as crianças podem entendê-
la: "E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu cora­
ção; e as intim arás a teus filhos e delas falarás assentado em
tua casa, e andando pelo cam inho, e deitando-te, e levan-
tan do-te" (Dt 6;6,7).
Enganam -se, pois, os que alegam não serem as Sagra­
das Escrituras claras e inteligíveis.

VI. A NECESSIDADE DAS SAGRADAS ESCRITURAS


Os pentecostais sem pre sentim os um a ingente necessi­
dade pelas Sagradas Escrituras. Temos fom e e sede da Pala­
vra de Deus. Desde os prim eiros dias, até hoje, jam ais dei­
xam os de conviver com a Bíblia Sagrada; porquanto sem
esta nenhum avivam ento é possível. D aniel Berg, um dos
fundadores das A ssem bléias de D eus no Brasil, cruzava
nossos sertões e perdia-se nos longes de nossa terra, para
difundir e popularizar o uso das Sagradas Escrituras. Ele é
O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

considerado, com ju sta razão, um dos m ais dinâm icos col-


portores da Bíblia em nossa terra.
Entrem os a ver, agora, o que é um a necessidade; em se­
guida, aplicá-la-em os às Sagradas Escrituras.
1. O que é necessidade. O riund a do vocábulo latino
necessariu, a palavra necessidade significa: aquilo que não
se pode dispensar, pois essencial e indispensável. Q uando
M oisés afirm ou que nem só de pão vive o hom em , m as de
toda a p alavra que sai da boca de D eus, deixava ele bem
claro aos israelitas que as Sagradas Escritu ras são absolu ­
tam ente necessárias (Dt 8.3). N ão podem os passar sem elas.
A alm a, verd ad eiram ente avivada, recusa-se a existir sem
um contato diário e intenso com a Palavra de D eus.
2. D efinição teológica. A necessidade das Escrituras,
portanto, é o caráter de sua essencialidade e urgência para
a vida espiritual e prática do ser hum ano; sem elas jam ais
entrarem os de posse da vida eterna.
3. A Bíblia dá testem unha de sua necessidade. A Bíblia
m esm a testifica de seu caráter essencial e absolutam ente
necessário. Em seus arcanos, proclam a Joel: "E há de ser
que todo aquele que invocar o nom e do SEN H O R será sal­
vo; porque no m onte Sião e em Jerusalém haverá livram en­
to, assim com o o SEN H O R tem dito, e nos restantes que o
SEN H O R cham ar" (J1 2.32).
Sentindo-se isolad o e quase que ao desam paro, excla­
m a o salm ista: "L âm p ad a para os m eus pés é a tua palavra
e luz, para o m eu cam in h o " (SI 119.105). Eis com que afei­
ção e ternu ra M oisés fala acerca da in d ispensabilid ad e da
Palavra de D eus: "P orqu e esta palavra não vos é vã; antes,
é a vossa vida; e por esta m esm a palavra prolongareis os
dias na terra, a que, passando o Jordão, ides para possu í-
la " (Dt 32.47).
Por que a Bíblia é absolutam ente necessária? Porque é
toda-suficiente em si m esm a, para dar-nos todas as respos­
tas de que precisam os, a fim de que tenham os um a vida
plena em C risto Jesus.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

VIL A SUFICIÊNCIA DA PALAVRA DE DEUS


O M ovim ento Pentecostal, em bora acredite na atuali­
dade do batism o no Espírito Santo e nos dons espirituais,
jam ais aceitou outra fonte de autoridade que contrarie a
Bíblia Sagrada nem que se considere igual ou superior a
esta. E claro que tem havido desvios doutrinais isolados.
E stes, p orém , são de im ed iato rech açad o s e p o sto s na
m arginalidade. Pois acreditam os serem as Sagradas Escri­
turas suficientes, em si m esm as, para guiar-nos em todas as
questões de fé e conduta. A Palavra de D eus é com pleta;
não carece de quaisquer adendos hum anos.
A seguir, verem os o que significa realm ente a suficiên­
cia da Bíblia Sagrada.
1. O que é suficiência. E aquilo que, pela excelência de
suas qualidades, satisfaz plenam ente. A ssim é a Bíblia. É
tão suficiente hoje com o o foi no tem po antigo, pois a sua
excelência, apesar de transcorridos todos esses m ilênios, não
perdeu nenhum a de suas qualidades. Por conseguinte, er­
ram , e até blasfem am , aqueles que, ansiando por novas re­
velações, buscam apensar à Bíblia os trapos de suas fantasi­
as e a m iséria de suas loucuras.
2. Definição teológica. Assim Wayne Gruden define a su­
ficiência das Sagradas Escrituras: "A Bíblia contém todas as
palavras divinas que Deus quis dar ao seu povo em cada está­
gio da história da redenção e que hoje contém todas as pala­
vras de Deus de que precisamos para a salvação, para que, de
m aneira perfeita, nele possamos confiar e a ele obedecer".
Podem os até aceitar, com o de boa m ente o fazem os, os
credos, declarações doutrinárias e artigos de fé de nossas
igrejas e denom inações. Todavia, se algum desses institutos
contrariar a Bíblia, que seja condenado. Se o aceitarm os,
estarem os abrindo espaço para um a heresia ou para uma
virulenta apostasia que, certam ente, haverá de desviar m i­
lhões de crentes do verdadeiro cam inho.
: : y a v . em to e a s o b e r a n ia d a s s a g r a d a s e s c r it u r a s

\
3. O testem unho da Bíblia quanto à sua suficiência.
Paulo escreve ao jovem Tim óteo, m ostrando-lhe quão sufi­
ciente é a Palavra de Deus: "E que, desde a tua m eninice,
sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a
salvação, pela fé que há em Cristo Jesu s" (2 Tm 3.15). A duz
o apóstolo: "Toda Escritura divinam ente inspirada é pro­
veitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para ins­
truir em ju stiça" (2 Tm 3.16).
Sabendo M oisés que a Palavra de D eus é suficiente em
si, e estando ciente de que m uitos se acham dispostos a
adulterá-la, faz esta recom endação: "N ad a acrescentareis à
palavra que vos m ando, nem dim inuireis dela, para que
guardeis os m andam entos do SEN H O R, vosso D eus, que
eu vos m and o" (Dt 4.2).
N o últim o livro das Escrituras, encerrando já toda a re­
velação, o Evangelista é m ais do que categórico; é firm e e
sentenciai: "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as
palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acres­
centar algum a coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que
estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer pala­
vras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore
da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro. Aque­
le que testifica estas coisas diz: C ertam ente, cedo venho.
Amém! Ora, vem , Senhor Jesus! A graça de nosso Senhor Je­
sus Cristo seja com todos vós. A m ém !" (Ap 22.18-21).
N ão necessitam os, pois, de nenhum a revelação adicio­
nal, porque a Bíblia, em si m esm a, é m ais do que suficiente
para guiar-nos em toda a verdade. Q uanto àqueles que,
enfatuados e já corrom pidos pelo orgulho, caso não se ar­
rependam , o seu lugar será em torm entos eternos.

CONCLUSÃO
Encerrando este capítulo, citarem os um a declaração de
um dos m ais lúcidos e respeitados teólogos do M ovim ento
Pentecostal: "A Bíblia jam ais nos induzirá ao erro. Ela é a
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

adm irável revelação de D eus com o nosso C riador e R eden­


tor; um D eus pessoal que nos am a e se interessa por nós;
um D eus que tem um plano e que enviou a seu Filho a fim
de m orrer em nosso lugar (1 Co 15.3). U m Deus que conti­
nuará a operar até que Satanás seja esm agado, e estabeleci­
dos novos céus e nova terra. A Bíblia toda m ostra-nos que
Ele é digno de confiança; podem os depender totalm ente
dEle. Sua própria natureza garante a autoridade, a infalibi­
lidade e a inerrância de sua Palavra".
Com o não concordar com Stanley H orton? A Bíblia, de
fato, é a palavra inspirada, inerrante, infalível, com pleta e
su ficien tem en te sob eran a de D eus. Por con segu in te, os
pentecostais jam ais descreram , ou duvidaram , deste artigo
de fé. Erram os que afirm am que som os um m ovim ento à
procura de um a teologia. N ossa teologia é bíblica, clara e
conservadora.

QUESTIONÁRIO
1. O que é a Bíblia Sagrada?
2. O que é a inspiração da Bíblia?
3. O que é a inerrância da Bíblia?
4. O que é a infalibilidade da Bíblia?
5. O que é a suficiência da Bíblia?
6. O que é a clareza da Bíblia?
7. Com o os pentecostais encaram a Bíblia?
8 .0 verdadeiro avivamento dispensa a autoridade da Bíblia?
9. Por que não podem os colocar outra autoridade acim a
da Palavra de Deus?
10. O que diz o Credo das A ssem bléias de D eus sobre a Bí­
blia Sagrada?
IV

0 AVIVAMENTO E A PROCLAMAÇÃO
DA PALAVRA DE DEUS

Sumário: Introdução; I. O Avivamento Tem uma Mensagem Bíblica;


II. O Avivamento Tem uma Mensagem Evangélica; III. O Avivamento
Tem uma Mensagem Profética; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
O ano de 1859 fora relativam ente calm o à Inglaterra. O
grande im pério, onde o sol jam ais se punha, dilatava seus
lim ites e fazia-se m ais opulento. N a índia, os m otins já ha­
viam sido sufocados; nas dem ais colônias, nenhum a revol­
ta à vista. Se do outro lado da M ancha havia conflitos, a
neutralidade inglesa era flagrante. E, assim , ia a rainha Vi­
tória cum prindo os seus sessenta e quatro anos de tediosas
fu n ç õ e s p r o to c o la r e s . Q u a n to ao p r im e ir o -m in is tr o
Palm erston, não tinha m uito a fazer.
Esse ano estava fadado a passar à história com o um ano
sem história. Com o aqueles raros anos onde o céu m ostra-se
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

azul, e as noites jam ais m etem m edo. Vinha o Senhor, p o­


rém , m ontando o cenário para um dos m aiores avivam en-
tos da história de sua Igreja.
Foi exatam ente no início de 1859, que o jovem Charles
H addon Spurgeon com eça a ser usado pelo Espírito Santo
para desencadear um grande m ovim ento espiritual. A data
jam ais seria esquecida: 4 de janeiro. N esta terça-feira à noi­
te, Spurgeon assum e a tribuna do Exeter H all, e balança a
igreja plantada nas ilhas britânicas. Ao term inar 1859, o prín­
cipe dos pregadores já não tinha qualquer dúvida: "O s dias
de refrigério pela presença do Senhor, finalm ente se deixam
sentir em nossa nação".
Q ual o segredo de Spurgeon? Ao contrário dos que,
hoje, cerram fileiras ora com os nom inais, ora com os lib e­
rais, optava o príncipe dos pregadores p or ser essen cial­
m ente bíblico. N ão som ente bíblico, m as igualm ente evan­
gélico e profético.

1.0 AVIVAMENTO TEM UMA


MENSAGEM BÍBLICA
Que a igreja avivada há de ser visceralm ente bíblica,
todos concordam os. A história cala-se acerca dos avivam en-
tos que com eçaram sem um retorno im ediato e incondicio­
nal às Sagradas Escrituras. D a reform a de Josias à de Lutero,
fez-se a Bíblia presente e m ais que soberana. Basta H ilquias
anunciar: "A chei o Livro da Lei na casa do Sen h or", para
que a im p e n iten te Ju d á ab an d o n e suas in iq ü id a d e s, e
volte-se ao Eterno. Priva-se o m onge alem ão com a Epístola
de Paulo aos Rom anos, em W ittem berg, e a Europa toda
estrem ece sob a doutrina da justificação pela fé.
Sim, a igreja avivada tem de ser bíblica; entranhada e es­
sencialm ente bíblica. Fundou-a Cristo sobre os profetas e
apóstolos para que outra não fosse a sua proclam ação. Se a
igreja é bíblica, sua m ensagem não há de se aventurar por
0 A V IV A M EN TO E A P R O C L A M A Ç Ã O D A PALAVRA DE DEUS

outras searas; irá ao encalço daqueles pastos verdejantes e


remansos de águas tranqüilas. Se a multidão tem fome, a igreja
avivada m ultiplicará os pães na presença do Senhor; falará à
rocha, e esta não negará o frescor e o cristalino de suas águas.
Se optarm os por outros fundam entos, com o haverem os
de socorrer esta geração? Os que perecem , lançam -nos olha­
res já desm aiados com o a esperar por um a solução im paci­
ente e, daqui a pouco, m oribunda.
D urante a Idade M édia, buscaram os escolásticos cons­
truir o edifício da teologia cristã a partir dos alicerces lança­
dos por A ristótles. O resultado não poderia ter sido m ais
desastroso ao Reino de Deus! Viu-se o m undo, em virtude
dessa volta aos seus próprios rudim entos, m ergulhado em
densas trevas. Pela form a com o Tomás de A quino e A nsel­
mo falavam do estagirita; pela m aneira com o lhe louvavam
a lógica e a m etafísica; pelo m odo com o lhe enalteciam os
diversos pronunciam entos, chega-se a pensar ter sido o fi­
lósofo m ais im portante que M oisés e Paulo. N aquela época,
não havia doutrina; tudo era erigido em sistem as. N ão h a­
via revelação; a especulação era a ordem . Teologia bíblica
não havia, o que havia eram súm ulas que, apesar das cores
evangélicas, em nad a diferiam dos discursos proferidos
pelos inquiridores gregos.
Não querem os desm erecer a filosofia. Teve ela um im ­
portante papel na educação da hum anidade. Ensinando-nos
a pensar corretam ente, levou-nos a m esurar a própria m i­
séria; induziu-nos a indagar acerca do Suprem o Ser. Fez com
que sentíssem os na alm a um vazio tão grande quanto Deus.
Segundo Clem ente de A lexandria, a finalidade da filosofia
foi justam ente preparar a fam ília adâm ica a receber a in­
com parável m ensagem do Evangelho. O apóstolo m esm o
reconhece-lhe a utilidade: "Porque as suas coisas invisíveis,
desde a criação do m undo, tanto o seu eterno poder, com o a
sua divindade, se entendem , e claram ente se vêem pelas
coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis"
(Rm 1.21).
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

Foi através da filosofia que Aristóteles logrou descobrir


estar toda a criação sustentada por um Ente que é a causa de
tudo quanto existe. Através da sistem atização do bom senso,
o filósofo educou os seus contem porâneos e quantos mais
tarde viessem a lê-lo. N ão foi sem razão que os árabes
cognom inaram -no de o preceptor da raça hum ana.
C o n sid erem o s, p orém , que a p ou ca luz ob tid a p or
A ristóteles veio-lhe através da especulação. N ão contava ele
com o A ntigo Testam ento nem com o Testam ento Novo. Ja ­
m ais tivera o privilégio de debruçar-se sobre as profecias
de M oisés e Isaías; não viveria o suficiente para enternecer-se
com os serm ões do Cristo nem com as epístolas de Paulo.
C ontava apenas com a luz natural para resolver todos os
problem as da vida; esta seria a finalidade principal da filo­
sofia. A liás, afirm ou Blaise Pascal, certa vez, existirem dois
deuses. O prim eiro é o Deus da Bíblia - o Ú nico e Verdadei­
ro D eus; o segundo, o deus dos filósofos - a idéia de um ser
que, em bora tido com o suprem o, está sem pre subm isso aos
caprichos da lógica e da especulação.
Ora, se o filósofo viu-se às voltas com tantas limitações
para interpretar os dramas da existência; se jam ais usufruíra
daquela revelação pleníssima vinda de Deus; se não pôde ge­
rar suas obras sob o apanágio da inspiração e inerrância que
só o Pai das luzes garante; se, enfim, nada discernia espiritual­
mente, como lhe clamaremos por ajuda para compreender os
mistérios que nem os mesmos profetas, às vezes, conseguiam
elucidar. Haja vista Daniel. No término de seu ministério, pro­
curou o profeta entender os arcanos que lhe transmitia o anjo,
mas não lhes logrou o significado. Viu-se constrangido a selar
o livro até que chegasse o momento certo de tudo se descortinar.
Outros o entenderiam; ele não.
Por conseguinte, nossos recursos hão de ser garimpados
sempre nas Sagradas Escrituras. Os artigos de fé e os sermões;
as homilías e as doutrinas; os credos e as teologias sistemáticas
têm de se caracterizar como essencial e visceralmente bíblicos.
Se temos dificuldades para interpretar a Bíblia, é na própria
0 A V IV A M EN TO E A P R O C L A M A Ç Ã O D A PALAVRA DE DEUS

Bíblia que devemos procurar ajuda: ela é mais que suficiente


para interpretar-se a si mesma. Se não sabemos como posicio-
nar-nos diante do mundo, é ainda na Bíblia que temos de ir
buscar orientação: ela é a nossa única regra de fé e prática. Se
nos vemos perplexos diante de um século que jaz no maligno,
é na Bíblia, e tão-somente na Bíblia, que haveremos de encon­
trar refúgio: ela é a arca de todas as consolações.
N o início de sua carreira, M artinho Lutero deleitava-se
com os filósofos. Via-os não som ente com o a luz, m as como
a própria fonte da luz. Tão logo porém descobre os inesgo­
táveis tesouros da Bíblia, passa a privar-se com os profetas
e apóstolos. Sua m ensagem , a partir de agora, jam ais dei­
xará de ser bíblica. Foi exatam ente desse posicionam ento,
que a reform a nasceu, cresceu e levou o m undo evangélico
à m a tu rid a d e . A té do m esm o A g o s tin h o c o m e ç o u a
apartar-se Lutero, porque já tinha aquela nascente inesgo­
tável que até do deserto faz m anancial.
A presentando-se ao m undo com o Livro dos livros, a
Igreja deixa bem patente a sua natureza sobrenatural. Ela
está no m undo, m as a sua m ensagem não é deste m undo.
A cha-se no m undo, m as as soluções que apresenta vêm di­
retam ente dos céus. A inda que possa ser vista no m undo,
sua fonte de poder é o invisível. Sim , a fonte e a razão de
seu poder é a Bíblia. Tão logo ela brada, todos lhe reconhe­
cem o caráter im inentem ente evangélico. No entanto, com o
adiante verem os, sua m ensagem não haverá de ser apenas
bíblica. U m outro requisito lhe é sum am ente im portante.

II. 0 AVIVAMENTO TEM UMA MENSAGEM


EVANGÉLICA
Voltemos a Charles Spurgeon. O uçam os seus serm ões.
Todos eles têm pelo m enos duas características: não eram
som ente bíblicos, m as igualm ente evangélicos. O príncipe
dos pregadores jam ais deixou de m encionar a m orte vicária
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

de Cristo. Jam ais deixou de referir-se à ressurreição do Se­


nhor. Jam ais deixou de enfatizar o poder do Evangelho. Em
suas prédicas, o Plano de Salvação não era m eram ente es­
boçado; era explanado e detalhado. Em nada ficava a dever
a Filipe que, ao sequioso eunuco de Candace, decom pôs todo
o edifício da redenção.
Spurgeon estava cônscio de que não basta abrir a Bíblia
para que as alm as se convertam . Tem de se m anejá-la bem ,
e bem patente deixar a suprem acia do Evangelho. Há de se
agir com o aquele escriba de quem o Senhor um dia falou.
Do seu tesouro, sabe tirar todas as preciosidades. Ele vai
com binando de tal form a as gem as; vai incrustando-as com
tanta m estria; e, agora, vai cinzelando aquelas partes que
p a re c ia m te r re le v o alg u m . D e re p e n te , u m a jó ia de
inim aginável valor.
Discorram os sobre a vida dos patriarcas. Falem os sobre
as realizações de D avi e Salomão. Entremos nos pavilhões
das profecias. Privem o-nos com os sacerdotes. Vislumbremos
o Tabernáculo e o Santo Templo. Busquem os, enfim , discur­
sar sobre todo o Testamento Antigo. Façam os isto tudo, e a
nossa m ensagem não deixará de ser bíblica... m as ainda não
é evangélica. Se não m encionarm os a m orte vicária de Cris­
to, se não nos rem ontarm os ao Calvário e ao sepulcro vazio,
nossa m ensagem não surtirá os resultados esperados.
O Evangelho é a pérola de raríssim o valor que o escriba
um dia procurou adquirir. Sabe ele que, sem esta jóia, seus
tesouros estarão incom pletos.
Se o Antigo Testamento bastasse a si m esmo, não teria o
Senhor Deus providenciado o Novo. Não teria o Pai enviado o
seu amado Filho para que efetivasse a esperança dos patriar­
cas, e desse vida aos salmos de Davi. Para que se cumprissem
as profecias e aparecesse uma ordem sacerdotal superior à de
Arão, fez-se necessário o Senhor chancelar o Novo Concerto.
A m ensagem até pode com eçar com A braão, m as no fi­
nal todos terão de estar cientes de que, em Jesus, todas as
fam ílias da Terra foram abençoadas. Que tenha o filho de
O A V IV A M EN TO E A P R O C L A M A Ç Ã O D A PALAVRA DE D EUS

Jessé com o tem a; na peroração, contudo, é preciso saber de


quem falava D avi nos salm os m essiânicos. É-lhe lícito que
faça apanágio da glória de Salom ão; no encerram ento, p o ­
rém , será obrigada a m ostrar por que a glória do N azareno
é infinitam ente maior.
A m ensagem evangélica tem a Jesus com o tem a. A liás,
com o haveria de ser doutra form a? Em todos os seus con­
tornos, fala de Cristo: de seu nascim ento, m inistério, sofri­
m ento, m orte e ressurreição. Os m aiores serm ões jam ais fu­
giram a estes tem as. Que o diga Moody. Não tivesse proce­
dido assim , o evangelista norte-am ericano jam ais teria con­
dições de apresentar ao Senhor um a colheita tão abundan­
te. Leiam os os serm ões de W hithfield e de Wesley, e havere­
mos de constatar que suas m ensagens tinham a Cristo por
tem ática.
Não tem os de remeter-nos ao passado para com provar a
eficácia da m ensagem evangélica. O m aior pregador do sé­
culo XX logo cedo com preendeu que som ente teria êxito em
seu m inistério se fizesse da cruz o tem a de suas m ensagens.
Q uem ouve os serm ões de Billy G rahan, depara-se com
tem áticas sempre evangélicas. Ele não se perde em abstra­
ções. Não vai buscar recursos na liberalidade teológica, como
o fazem os que se esforçam por m ostrar um evangelho ale­
gre, descom prom issado com Deus e com prom etido com o
m undo. A fonte de sua inspiração é a cruz de Cristo.
O maior dos apóstolos do Senhor tinha um credo simples e
facilmente assimilável: "Porque não me envergonho do evan­
gelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo
aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego. Porque
nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito:
Mas o justo viverá da fé" (Rm 1.16,17). Para o mais valoroso dos
seguidores do Nazareno; para o responsável pela expansão do
Cristianismo em seus primórdios; para o maior dos estadistas
missionários; para este grande campeão, o Evangelho é o mais
alto sinônimo do poder de Deus. Eis porque ousou afirmar: "A i
de m im se não pregar o Evangelho".
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE UM A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

III. 0 AVIVAMENTO TEM UMA MENSAGEM


PROFÉTICA
A lém de bíb lica e evangélica, a m ensagem de aviva­
m ento há de ter ainda outra característica. Refiro-m e àquele
toque dos céus que levou M oisés e Sam uel a se erguerem
com o os m aiores arautos de Jeová na A liança A ntiga, e que
im pulsionou Isaías e os dem ais hagiógrafos a perenizarem
as p alavras que lhes ia insu flando o Eterno. Este toque é a
autoridad e que força o profeta a apresentar-se com o em ­
b aixad or de D eus. Este toque faz-se tão necessário, hoje,
com o naqu eles idos já tão d istantes, quando a idolatria
am eaçava afogar cada aliança.
Elaborar um serm ão que prim e pela biblicidade não é
difícil; nas Escrituras os tem as são m ais que abundantes.
Pregar um a m ensagem evangélica tam bém não exige qual­
quer sacrifício adicional; eis aí os quatro evangelhos, os Atos,
as epístolas e o A pocalipse. Todavia, para que a pregação
bíblica arvore-se em profecia; para que a m ensagem cristã
incom ode o m undo; para que as hom ilías abalem as fortale­
zas do adversário; e para que nos sintam os na Palavra e
com a Palavra, é-nos urgente a prece de H abacuque: "A vi­
va, ó Senhor, a tua obra".
V oltem os um a vez m ais a C harles Sp u rgeon, e v e ja ­
m os o qu anto era p ro fética a sua m en sagem . Su rtiu esta
trem en d os efeitos não p orqu e fosse ele consu m ad o o ra­
dor. N in gu ém lhe pod e neg ar a eloqü ên cia e as dem ais
qu alid ad es trib u n ícias. N in gu ém lhe pod e neg ar os ta­
len tos e a form id áv el cultura. Era Spu rgeon um hom em
singular. Q u and o D eus o fez, afirm ou um de seus b ió ­
grafos, em segu id a qu ebrou a form a p ara que C harles
H a d d o n S p u rg e o n fo sse o ú n ico . T iv e sse n a s c id o na
G récia de P éricles, com certeza seria estu d ad o hoje com o
clássico obrigatório. Seus discu rsos sup eram a retórica de
D em ósten es. N ão ob stan te, suas m en sagen s só co n seg u i­
0 AVIVAMENTO E A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

ram ab alar a In g laterra p orqu e não eram sim p lesm ente


m en sagens; p rofecias eram .
Além de bíblicas e evangélicas, tinham elas um caráter
profético. Incomodavam o mundo, pois denunciavam-lhe os
pecados e a impenitência. Eis o que o próprio Spurgeon relata
no sermão acerca da "H istória dos Poderosos Feitos de D eus":
"C onsiderem o grande avivam ento que está ocorrendo
em Belfast e arredores. D epois de tê-lo acom panhado cui­
dadosam ente e após ter falado com um querido irm ão que
m orou naquela região, e que m erece a m inha confiança, es­
tou convencido, apesar do que os inim igos possam dizer,
que se trata de um a genuína obra da graça e que o Senhor
está operando m aravilhas ali. U m am igo que veio m e visi­
tar ontem inform ou que os hom ens m ais sórdidos e vis, as­
sim com o as m ulheres m ais depravadas de Belfast, têm sido
alcançados por esta extraordinária epilepsia - com o diz o
m undo - m as que sabem os ser a influência poderosa do
Espírito. H om ens costum eiram ente bêbados de repente sen­
tiram um grande im pulso que os obrigou a orar. Eles resis­
tiram , voltaram à bebida, a fim de se livrem daquilo; m as
m esm o no m eio de suas blasfêm ias e tentativas de apagar o
Espírito, D eus os fez dobrar os joelhos e se viram obrigados
a pedir m isericórdia com gritos desesperados, e a agoniar
em oração. Então, depois de certo tem po, o m aligno parece
ter saído deles; e, com a m ente sossegada, santa e feliz, eles
fizeram profissão de sua fé em C risto e têm andado em Seu
tem or e am or".
Q ueira Deus fossem todas as nossas m ensagens assim!
Vivem os dias tão terríveis, tão com prom etedores e vergo­
nhosos, que os m inistros do altar preocupam -se m ais com a
sim patia do povo do que com a aprovação de Deus. O Espí­
rito Santo, todavia, insta-nos a que nos conscientizem o-nos:
não fom os convocados para ser hom ens do povo, e, sim
hom ens de Deus. Com o tais, não podem os falar o que o povo
quer ouvir, m as o que o rebanho de Cristo precisa e tem de
ouvir. Se não agirm os assim ; se não assum irm os com ur­
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

gência nossa postura profética; se não vestirm os a capa de


Elias para enfrentar os poderosos, nosso cajado jam ais flo­
rescerá. C onseqüentem ente, serem os tragados pelo m esm o
solo no qual pretendíam os construir o edifício de um nom e
cujo topo alçasse os céus.
N este m om ento, quando as instituições am eaçam ruir;
quando tudo se degrada, até m esm o obreiros e igrejas; quan­
do os arautos do Senhor prestam -se a assum ir os púlpitos
p a ra a d u la r os p o d e ro so s ; q u a n d o as v o z e s sa n ta s e
incorruptíveis acham -se roucas para se fazerem ouvir em
m eio a tanta balbúrdia; quando os servos de D eus já se cur­
vam à teologia da prosperidade em busca da prosperidade
da teologia; quando as negociatas já cam peiam pelas searas
d o M e s tr e ; q u a n d o , e n fim , já e s m o re c e m to d o s os
referenciais da m oral e da espiritualidade cristãs, carecem os
de vozes proféticas que, à sem elhança de Savonarola, m a­
druguem bradando contra o pecado. E que não saiam a con­
tem porizar com o príncipe deste m undo, m as que se cur­
vem ao Rei dos céus para lhe propagarem a verdade. Este
século precisa saber que, diante de D eus, não há verdades
relativas; há verdades e valores absolutos que precisam ser
acatados e assim ilados com urgência, antes que o azeite da
candeia se esgote.
Se a nossa m en sagem é b íb lica, ev an g élica e p ro fé ti­
ca, com certeza o p erv erso A cabe não d eixará de ser re ­
p reen d id o. A ind a que nos achem os cercad os, o anjo do
Sen h or há de nos p roteg er das hord as assírias. In com o­
d arem os H erod es, e não p erm itirem os que as p ortas do
in fern o p rev aleçam con tra a Igreja. M as é n ecessário que
a n o ssa m en sagem tenha um caráter im in en tem en te p ro ­
fético; que não se com p rom eta com os p od ero sos, e que
não seja um in stru m en to p o lítico ; que n ão b aju le os g ran ­
des, nem d escan se con tra o p ecad o; que fale realm en te
da cruz, e que esteja d isp o sta a sofrer tod as as afrontas
do Salvador.
N osso púlpito é o Calvário!
0 A V IV A M EN TO E A P R O C L A M A Ç Ã O D A PALAVRA DE DEUS

CONCLUSÃO
Certo pastor am ericano achava que sua eloqüência e
cultura bastavam para m anter cativo o rebanho. Do púlpi­
to, tratava ele dos m ais diversos assuntos. Buscava dar aos
tem as da atualidade um tratam ento m eram ente hum anista.
Falava sobre tudo: econom ia, política, esportes, ecologia etc.
Da cruz de Cristo, não. Transcorrer-se-iam alguns anos até
que a sua igreja se cansasse.
A o adentrar o santuário num dom ingo, depara-se ele
com um a grande faixa atrás do púlpito: "Pastor, fale-nos de
Cristo, pelo am or de D eus". A partir daquele instante, viu-se
constrangido a buscar um avivam ento antes que a sua igre­
ja exalasse o últim o suspiro. Com o a partir deste instante,
sua m ensagem passasse a ser bíblica, evangélica e proféti­
ca, os resultados foram surpreendentes.
Este é o tipo de m ensagem que a igreja precisa transm itir
ao m undo! Esta é a legítim a m ensagem de avivam ento.

QUESTIONÁRIO

1. Por que a m ensagem tem de ser bíblica?


2. Por que a m ensagem tem de ser evangélica?
3. Por que a m ensagem tem de ser profética?
4. N o contexto deste capítulo, o que significa um a m ensa­
gem profética?
5. Qual a principal característica da m ensagem de Spurgeon?
0 AVIVAMENTO E A ORAÇÃO

Sumário: Introdução; I. O que É a Oração; II. Os Elementos da Ora­


ção; III. O Clamor pelo Avivamento; IV. Grandes Intercessores,
Poderosos Avivamentos; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
Q uem não se lem bra das cenas iniciais d'O Peregrino de
John Bunyan? De repente, aparece aquele viajor com o seu
livro, e à m edida que progride na jornad a, vai orando e cho­
rando. Foi exatam ente assim : orando intensam ente e copio-
sam ente chorando, que aquele personagem , que representa
cada um de nós em suas ânsias e dores, experim entou um
grande avivam ento.
Com o está a Igreja de Cristo? Está orando e chorando
com o O Peregrino? Ou já tem um a alternativa para a ora­
ção? É só ler a H istória da Igreja Cristã, a fim de se inteirar
de um a verdade que, apesar de estar tão patente aos nossos
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

olhos, vem sendo relegada ao esquecim ento: a oração é um a


das m ais fortes características dos seguidores de N osso Se­
nhor Jesus Cristo.
N ão nos enganem os! Se quiserm os, de fato, experim en­
tar um grande avivam ento, tem os de nos voltar im ediata­
m ente à oração; a história tam bém se cala acerca dos aviva-
m entos e reform as que com eçaram sem oração.

1,0 QUE É A ORAÇÃO


A palavra oração provém do vocábulo latino orationem ,
e significa, num a prim eira instância, súplica, prece. É um
pedido que, através da fé, a criatura endereça ao Criador. O
doutor W akefield assim a define: "É a oferta dos nossos de­
sejos a D eus através da m ediação de Jesus C risto, sob a in­
fluência do Espírito Santo, com disposições apropriadas para
com tudo o que é agradável à sua von tade".
Entre os vários tipos de oração, relacionemos as seguintes:
1. O ração fervorosa. E a oração que encerra um pedido
m ais que urgente. Ela tem a ver, conform e escreveu um teó­
logo, com "aqu elas aspirações secretas e freqüentes no co­
ração para com Deus, com vistas às bênçãos gerais ou parti­
culares pelas quais podem os expressar a nossa dependên­
cia habitual de D eus e os nossos desejos e perigos enquanto
estam os entregues aos afazeres com uns da vid a".
2. Oração particular. É o momento no qual o filho de Deus,
fechando-se em seus aposentos, passa a dialogar docemente
com o Pai Celeste. Não fazia assim o Divino Mestre? Eis por­
que recomenda-nos: "Tu, porém , quando orares, entra no teu
quarto, e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto;
e teu Pai que vê em secreto, te recom pensará" (Mt 6.6).
Da oração particular, escreve Billy Graham : "F eliz é o
hom em que aprendeu o segredo de se apresentar a D eus
diariam ente em oração. Q uinze m inutos a sós com Deus,
em cada m anhã, antes de com eçar o dia, podem m udar as
circunstâncias e rem over m ontanhas".
0 AVIVAMENTO E A ORACÃO

3. O ração em fam ília. É a oração feita no âm bito do­


m éstico; é o cerne da devoção familiar. É urgente que, em
todas as casas evangélicas, haja um m om ento diário de ora­
ção e intercessão. Os laços entre os entes queridos tornar-
se-ão m ais firm es; os elos entre os cônjuges, inquebrantá-
veis e am orosos.
4. Oração congregacional. Dirigida ao Todo-Poderoso por
toda a igreja, tem esta oração, por objetivo, pedir a ajuda divi­
na aos diversos projetos eclesiásticos, visando à expansão do
Reino. Nenhum a igreja deve prescindir das reuniões de ora­
ção. É através das preces e súplicas congregacionais, que ire­
mos alargar as fronteiras do Evangelho, arrebatando as almas
de Satanás, e efetivando o avivamento que, com eçando no
Pentecostes, reivindica um movimento contínuo em cada igreja.
Sem a oração congregacional não pode haver um a igre­
ja santa e poderosa no Espírito Santo.

v II. OS ELEMENTOS DA ORAÇÃO


A oração não se constitui apenas de pedidos. Ela é, an­
tes de tudo, um m om ento de adoração. E o ato no qual nos
recolhem os de todas as fainas diárias, a fim de reconhecer a
soberania do Ú nico e Verdadeiro D eus, e para m agnificar o
seu U nigênito que se deu, incondicionalm ente, para redimir-
nos de nossos pecados.
A s s im p o d e m o s lis ta r os e le m e n to s da o ra ç ã o :
1) A doração; 2) G ratidão; 3) Reconciliação; 4) Intercessão;
5) Petição; 6) D isposição para o serviço.
1. Adoração. A palavra adoração provém do vocábulo
latino adorationem, e encerra este significado: Veneração ele­
vada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania so­
bre o Universo, o governo m oral e a força de seus decretos.
A verdadeira adoração está associada ao am or que de­
votam os a Cristo. E um ato perm anente na vida do filho de
D eus; não pode ser um a atitude episódica. Em tudo o que
fizerm os, há de ser ressaltada nossa atitude de adoração.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

N os Salm os, todas as súplicas são precedidas e sucedidas


por arrebatadas e piedosas adorações a Deus. O salm ista
não se detinha em pedir; entretinha-se em adorar o Eterno.
2. G ratidão. O que significa agradecer? Vejamos a força
desta palavra: m ostrar-se grato; m anifestar gratidão. A ssim
agia Paulo todas as vezes que se punha de joelhos. Sua ora­
ção era um preito de gratidão ao Senhor; era um culto em
ação de graças. Eis com o se com portou o apóstolo ao rogar
pelos filipenses:
"D ou graças ao m eu Deus todas as vezes que me lembro
de vós, fazendo sempre, em todas as minhas orações, súplicas
por todos vós com alegria pela vossa cooperação a favor do
evangelho desde o primeiro dia até agora; tendo por certo isto
m esmo, que aquele que em vós com eçou a boa obra a aperfei­
çoará até o dia de Cristo Jesus, como tenho por justo sentir isto
a respeito de vós todos, porque vos retenho em m eu coração,
pois todos vós sois participantes comigo da graça, tanto nas
minhas prisões como na defesa e confirmação do evangelho.
Pois Deus me é testemunha de que tenho saudades de todos
vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus. E isto peço em ora­
ção: que o vosso am or aumente mais e mais no pleno conheci­
mento e em todo o discernimento. (Fp 1.1-10).
Por conseguinte, que jam ais nos esqueçam os de ser gra­
tos a D eus por tudo o que dEle tem os recebido. A recom en­
dação é claríssim a: "E m tudo dai graças; porque esta é a
vontade de D eus em Cristo Jesus para convosco (1 Ts 5.18).
3. R econciliação. E neste m om ento que rogarem os a
D eus nos perdoe as faltas e os pecados. C onfiados nos m é­
ritos de C risto, declarem os-lhe, pois, nossas iniqüidades. Se
nós nos tratarm os com placentem ente, jam ais lhe alcançare­
m os as m isericórdias. No entanto, se lhe confessarm os os
pecados, Ele é justo para reconciliar-nos consigo m esm o atra­
vés de Jesus Cristo (Jo 1.7).
Q uando intercedia pelos filhos de Jacó, o profeta Daniel,
embora irrepreensível, colocou-se entre os repreensíveis para
buscar a reconciliação entre Israel e o Senhor Deus:
0 A V IV A M EN TO E A O R A Ç Ã O

"N o ano prim eiro de D ario, filho de A ssuero, da linha­


gem dos m edos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos
caldeus. N o ano prim eiro do seu reinado, eu, D aniel, enten­
di pelos livros que o núm ero de anos, de que falara o Se­
nhor ao profeta Jerem ias, que haviam de durar as desola­
ções de Jerusalém , era de setenta anos. Eu, pois, dirigi o m eu
rosto ao Senhor D eus, para o buscar com oração e súplicas,
com jejum , e saco e cinza. E orei ao Senhor m eu D eus, e
confessei, e disse: O Senhor, D eus grande e trem endo, que
guardas o pacto e a m isericórdia para com os que te am am
e guardam os teus m andam entos; pecam os e com etem os
iniqüidades, procedem os im piam ente, e fom os rebeldes,
apartando-nos dos teus preceitos e das tuas ordenanças. Não
dem os ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome
falaram aos nossos reis, nossos príncipes, e nossos pais, como
tam bém a todo o povo da terra" (Dn 9.1-6).
4. Intercessão. Antes de pedirmos qualquer coisa a Deus
em nosso favor, desdobremo-nos em intercessões, e destas cer­
quemos nossas preces. Interceder pressupõe sofrer com os que
sofrem, chorar com os que choram e tomar, como de fossem
nossas, as dores alheias. É confessar ao Amoroso Pai que nos
importamos com infortúnios de nossos semelhantes.
N as Sagradas Escrituras, o m inistério da intercessão
cabia oficialm ente aos sacerdotes. Todavia, encontram os
profetas, reis e patriarcas a interceder em favor dos filhos
de Israel e até pelos estrangeiros intercediam eles.
C om o m esurar a intercessão de Jerem ias por seu povo?
(Jr 14.11). O que dizer da oração de A braão por Sodom a e
G om orra? (Gn 19). E o ofício in tercessório de M oisés e
Sam uel? (Jr 15.1,2) No capítulo sete de 2o Crônicas, despren­
de-se Salom ão ardentem ente em prol do seu povo. Ao inau­
gurar o Santo Tem plo, o sapientíssim o rei deixa bem claro
que a casa de Deus é um lugar de intercessões contínuas.
Com o não ler o capítulo 17 de João sem ter os olhos
m arejados de lágrimas? Nesta passagem , Jesus m ostra por
que recebeu o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

Se verdadeiram ente nos entregarm os à intercessão, este


será o nosso lema: "E , quanto a m im , longe de m im que eu
peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos
ensinarei o cam inho bom e d ireto" (1 Sm 12.23).
5. Petição. Som ente depois de adorarm os a D eus, reco­
nhecer-lhe o senhorio sobre todas as coisas, agradecer-lhe por
quanto dEle tem os recebido e rogar-lhe o perdão por nossas
iniqüidades, é que devemos preocupar-nos com as nossas ne­
cessidades. Ainda que específicas, nossas petições devem ter
por m odelo a Oração Dom inical que, segundo Tertuliano, é
um perfeito com pêndio do Evangelho de Cristo.
C onfortem o-nos com esta recom endação de Paulo: "Não
andeis ansiosos por coisa algum a; antes em tudo sejam os vossos
pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações
de graças (Fp 4.6).
6. D isposição para o serviço. E neste ponto de sua ora­
ção, que o crente há de se consagrar integral e incondicio­
nalm ente ao serviço do D ivino M estre. E a santificação para
o trabalho no Reino de Deus. Se a nossa oração não for en­
cerrada com esta disposição, de nada adianta-nos perm a­
necer um a ou duas horas de joelhos.
O m issionário brasileiro José Satírio, autor do livro M is­
são em Cúcuta, disse certa vez que o fracasso de m uitos cris­
tãos reside no fato de estes lim itarem -se, em suas orações, à
linha do perdão, quando deveriam ultrapassar a linha do
serviço e da consagração. A oração tam bém é serviço; sem
serviço não pode haver oração.

III. 0 CLAMOR PELO AVIVAMENTO


Um grito por avivam ento foi um livro que li quando jo ­
vem . Tinha na ocasião 18 ou 19 anos. Infelizm ente não m e
recordo o nom e do autor. M as dem onstrava este um a preo­
cupação m uito grande com respeito ao avivam ento. Eis por­
que, segundo ele, não devem os apenas orar por um aviva­
m ento; chorem os e gritem os pelo reavivam ento espiritual
0 AVIVAMENTO E A ORAÇÃO

de nossas igrejas. Se assim não agirm os, com o poderem os


desejar venham os tem pos de refrigério?
C onquanto presente em todos os livros da Bíblia, explí­
cita ou im plicitam ente, acredito que a Teologia do Aviva­
m ento nasceu com H abacuque. Vivendo a ruína im inente
de Jerusalém e a desdita do povo de D eus, viu o profeta que
só havia um m eio de se evitar o inevitável: um avivam ento
que levasse o povo aos princípios da Lei Divina. Por isso, o
grito do profeta: "A viva a atua obra, ó Senhor, no decorrer
dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua
ira, lem bra-te da m isericórd ia" (Hb 3.2).
Os dias de hoje não são diferentes. O s valores se inver­
tem . A incredulidade vai conquistando guarida até m esm o
em co raçõ es d an tes p ied o so s. C om o as in iq ü id ad es se
m ulplicam , o am or dos santos enregela-se. E a liberalidade
na teologia? E o m odernism o na doutrina? E o m undanism o
que nos entra pelas igrejas sob a capa da contextualização?
D iante de um quadro tão crítico, resta-nos apenas um a
esperança: um avivam ento b íblico e centrado no C risto de
D eus. M as este avivam ento só virá quando o povo, que se
cham a pelo nom e de D eus, orar e sup licar-lhe a santíssim a
presença. P ois a oração pressupõe avivam ento, e o aviva­
m ento é um dos m ais perfeitos sinônim os de oração.
O avivam ento só é deflagrado quando a Igreja de Cris­
to põe-se a clamar. E, assim , orando e chorando, vão os san­
tos clam ando por um avivam ento, e, em prantos copiosos,
logo hão de experim entar um a singular visitação dos céus.
O s tem pos de refrigério não nos faltarão.

IV. GRANDES INTERCESSORES, PODEROSOS


AVIVAMENTOS
Com o esquecer este notável hom em da igreja? A lém de
te ó lo g o , fo i Jo h n K n o x (1 5 1 4 -1 5 7 2 ) u m n o ta b ilís s im o
intercessor. N um m om ento de crise, derram ou toda a sua
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

alm a diante de Deus: "Senhor, dá-m e a Escócia senão m or­


rerei!" E, a partir desse singular clamor, a história de sua
pátria m odificar-se-ia de form a radical. Sem a sua prece,
com o se haveriam os escoceses naqueles dias tão difíceis?
Exem plo inesquecível dá-nos A braão Lincoln. O adm i­
rável presidente n orte-am ericano enfrentou gravíssim as
dificuldades em seu governo. H aja vista a G uerra da Seces­
são. D urante aqueles anos de lutas fratricidas, quando o
núm ero de cadáveres m ultiplicava-se a cada dia, Lincoln
viu-se constrangido a reconhecer: "Tenho sido im pulsiona­
do a me ajoelhar, m uitas vezes, pela convicção esm agadora
de que não há m ais outro cam inho a seguir".
Deus ajudou o presidente Lincoln a pacificar a sua n a­
ção, lançando as bases de um futuro prom issor e im parm ente
glorioso.
Se orarm os de form a súplice e ardente, haverem os de
m odificar não som ente a história de nossa igreja, m as a es­
trutura de nossa sociedade. A igreja evangélica precisa de
um avivam ento; o Brasil carece de um avivam ento. Temos
de experim entar novos tem pos de refrigério. Se não estiver­
m os atentos, tornar-nos-em os tão nom inais quanto àqueles
cristãos am ericanos e europeus que já nem se lem bram de
que suas nações foram , um dia, nascedouros de inesquecí­
veis avivam entos.

CONCLUSÃO
É desnecessário dizer que a oração é indispensável ao
p ovo de D eus. A Ig reja, além de ser u m a com u n id ad e
adoradora, é tam bém um a sociedade de clam or e súplicas.
Som os conhecidos pela com unhão que m antem os com o Pai
Celeste. Que esta reflexão de Stanley Jones aum ente-nos o
anseio pela oração: "Já descobri que sou m elhor ou pior à
m edida que oro m ais ou m enos. Q uando oro, sou igual a
um a lâm pada colocada no lugar adequado: fico pleno de
luz e pod er".
0 AVIVAMENTO E A ORAÇÃO

Com o Igreja de D eus, tem os de retornar ao Jardim do


Getsêm ani, onde se acha o Cristo em perene oração. Som ente
assim , haverem os de vencer as dificuldades que nos cer­
cam , e firm ar-nos com o a agência por excelência do Reino
de Deus.
Se de fato querem os um avivam ento, não podem os ol­
v id ar a ob serv ação m ui p ertin en te de E lan or L. D oan:
"O progresso da história da Igreja é a história da oração".

QUESTIONÁRIO
1. O que é a oração?
2. O que é a oração intercessória?
3. Com o deve ser a oração do crente?
4. Q ual o teor da oração de H abacuque?
5. Por que o povo de Deus deve dedicar-se à oração?
VI

0 AVIVAMENTO PRODUZ A
SANTIFICAÇÃO E A INTEGRIDADE

SUMÁRIO: Introdução; I. O que É a Santificação; II. O Grande Para­


doxo - um Povo Santo não Santificado; III. O Avivamento Exige uma
Vida Santa, Pura e Integra; IV. A Santificação e a Integridade; Con­
clusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
U m a bên ção esquecida. Foi assim que um teólogo de­
nom inou a doutrina da santificação. Se considerarm os, p o­
rém , a crise que vem assolando igrejas, dantes tão pod ero­
sas, serem os obrigados a considerar a santificação, e con­
seqüentem ente a in tegridade, não apenas um a bên ção es­
quecida, m as fatalm ente negligenciada. Porque, em bora
todos os crentes saibam que ser santo não é um a opção,
m as um a im posição divina, m uitos são os que se confor­
m am com este sécu lo , e en treg am -se à in iq ü id a d e e à
ignom ínia.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

Só um avivam ento poderá arrancar-nos a este torpor


espiritual, e guindarm os à posição a que fom os cham ados
com o povo especial, íntegro e com provadam ente santo.
Repassemos a história dos avivamentos, e vejamos como
se comportavam os filhos de Deus nesses períodos de visitações
celestes. Tão logo sentiam o sopro do Espírito Santo, abando­
navam suas práticas pecaminosas, deixavam os vícios e os
maus costumes, e passavam a andar como Cristo andou. Haja
vista o que aconteceu no País de Gales. Bordéis e cassinos eram
fechados; os donos de bares e adegas, constrangidos pela Pa­
lavra de Deus, não mais vendiam bebidas alcoólicas. E os cren­
tes demonstravam não somente por palavras, mas principal­
mente por obras, ser uma nação santa, sacerdotal e profética.
Neste capítulo constatarem os quão im portante é a dou­
trina da santificação. E a seguir, entrarem os a ver por que é a
integridade uma das m ais fortes evidências de um a vida re­
alm ente avivada. Santificação e integridade! Que o Senhor
nos ajude a ser santos com o Ele santo é, e a portar-nos com
integridade como aqueles hom ens e m ulheres das Sagradas
Escrituras que, para preservar a sua vocação celeste, não te­
m eram entregar o próprio corpo à morte. Eis aqui uma das
m ais fortes evidências de um avivamento.

1.0 QUE É A SANTIFICAÇÃO


A santificação não significa apenas estar separado do
mundo. Pois não são poucos os crentes que, apesar de não
viverem no m undo, perm item que o m undo neles viva. A
santificação leva o hom em a separar-se do m undo, separan­
do-se integralm ente para Deus. Tem a santificação, por con­
seguinte, dois lados: um negativo e outro positivo. Separar-
se do m undo até que não é difícil. A ssim agem aqueles m on­
ges do Tibet. Alienam -se de tudo e até da própria vida, alie­
nam -se. Entretanto, são incapazes de se entregarem a Deus.
Quanto ao segundo aspecto da santificação, som ente o
Espírito Santo pode operá-lo. Tratando do duplo aspecto
0 A V IV A M EN TO PRODUZ A S A N T IF IC A Ç Ã O E A IN TEG RIDA DE

desta tão sublim e doutrina, afirm ou Eleanor L. Doan: "A


com unhão com um D eus santo produz a santidade entre
os hom ens". Portanto, quando alguém se entrega totalm en­
te à santificação, conform e a Bíblia no-lo requer, sua influ­
ência torna-se indisfarçável.
1. O que é a santificação. A ssim podem os defini-la: "S e ­
paração do m al e do pecado, e dedicação ao serviço do Rei­
no de Deus. E a form a pela qual o filho de D eus aperfeiçoa-
se à sem elhança do Pai C eleste" (D icionário Teológico da
CPAD). Isto significa que, de acordo com Em ery H. Bancroft,
"a santidade de D eus se m anifesta em seu ódio contra o
pecado e em seu deleite na retidão, e na separação entre ele
e os que vivem no p ecad o".
2. A m áxim a reivindicação das Sagradas Escrituras. Den­
tre todas as reivindicações e dem andas das Sagradas Escritu­
ras, esta é, sem dúvida, a m ais elevada e altaneira: "P ortan­
to, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENH OR, vos­
so D eus" (Lv 20.7). Se no Antigo Testamento este im perativo
não adm itia meios term os, o que não diremos da ordem do
N ovo? Na Epístola aos Hebreus, o autor é m ui categórico:
"Segu i a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém
verá o Senhor" (Hb 12:14).
3. Os m eios para se obter a santificação. Dentre os meios
da graça de que dispomos para obter a santificação, a Palavra
de Deus e o sangue de Cristo Jesus são os principais.
a) A Palavra de Deus. Em sua oração sacerdotal, roga o
Senhor ao Pai Celeste em favor da santificação de seus dis­
cípulos: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verda­
d e" (Jo 17.17).
b) O sangue de Jesus. "M as, se andarmos na luz, como ele
na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de
Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1.7).
D iscorrendo sobre esta tão im p rescind ível doutrina,
posto que esquecida, J. E. Davies assevera claram ente: "O
cristão é cham ado a viver um a vida de santidade, de ino­
cência, de pureza, e de continuada consagração a D eus".
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

II. 0 GRANDE PARADOXO - UM POVO SANTO


NÃO SANTIFICADO
De acordo com A dolph Sophir os "santos são pecado­
res salvos pela g raça". A credito que, neste ponto, todos
estam os de acordo com Sophir. Todavia, com o pode existir
um povo santo não santificado? N este paradoxo, encontra-
va-se a igreja de Corinto. O apóstolo Paulo parece não ter se
im pressionado com este aparente paradoxo; pois, logo no
início de sua prim eira carta àquela igreja, trata todos os seus
m em bros de santos (1 Co 1.2). M as logo em seguida, exorta-
os a um a vida de pureza e integridade.
Em bora cham ados santos, achavam -se aqueles crentes
m ui distantes de um a vida exem plarm ente santificada e ín ­
tegra. N ão aceitavam eles a pregação de Paulo, por terem -
na com o sim plória e despojada dos arroubos da retórica
helena; encontravam -se divididos em facções; toleravam
grotescas im oralidades; levavam uns aos outros aos tribu­
nais; não sabiam com o se portar na Ceia do Senhor; ignora­
vam a exata função dos dons espirituais; desconheciam a
essência da lei do am or; não criam na ressurreição dos m or­
tos e até da de C risto duvidavam . A pesar de tudo eram ,
posicionalm ente, santos.
A parentem ente, viviam os coríntios um grande aviva­
m ento. Infelizm ente, conquanto fervorosos, não eram espi­
rituais. Eis porque Paulo lhes endereçou duas espístolas, nas
quais envida todos os esforços, a fim de reconduzi-los a uma
vida realm ente santa e com provadam ente íntegra. Sem es­
tes ingredientes é im possível o avivam ento.
O que estam os a assistir, em m uitas de nossas greis, não
nos lem bra a igreja de Corinto? N unca foram os cultos tão
fervorosos, e nunca esteve a espiritualidade tão em baixa.
Jam ais foram as reuniões tão m ovim entadas; onde, porém ,
o m ovim ento do Espírito Santo? E, assim , de aparência em
aparência, não poucas igrejas vão vivendo um avivam ento
0 A V IV A M EN TO PRODU Z A SA N T IF IC A Ç Ã O E A IN TEG R ID A D E

artificial e m orto; um avivam ento m ui distante do padrão


bíblico que, com urgência, reivindica um a vida santa e irre­
preensível daqueles que se identificam com o filhos de Deus.

III. 0 AVIVAMENTO EXIGE UMA VIDA SANTA,


PURA E ÍNTEGRA
Charles Finney, um dos maiores teólogos de todos os tem­
pos, descreve um a igreja que, desesperadam ente, precisa de
um avivam ento. Ele, que foi usado por Deus não somente
para fazer teologia, m as tam bém para incendiar a América
com um poderoso despertar, sabia m uito bem que o verda­
deiro avivam ento dem anda um a vida santa, pura e íntegra:
"Q u and o existe falta de am or fraternal e confiança en­
tre os crentes, faz-se necessário um reavivam ento. H á nesse
m om ento, um forte clam or para que Deus reavive a sua obra.
Espere por um reavivam ento quando existirem dissensões,
ciúm es e rum ores m aldosos entre os crentes. Essas coisas
m ostram que os cristãos se afastaram de D eus e que é hora
de pensar seriam ente em um reavivam ento.
"O reavivam ento é necessário quando há um espírito
m undano na igreja. Ela se afunda num estado de apostasia
quando se vêem os cristãos conform es com o m undo em
vestim enta, festas, buscas de diversões m undanas e leitu­
ras de rom ances im orais.
"Q u and o a igreja encontrar seus m em bros caindo em
pecados escandalosos e indecentes é tem po de despertar e
clam ar a D eus por um reavivam ento".
Tais palavras não parecem ter sido escritas para os dias
de hoje? C um pre-se, em nosso tem po, o que disse o Senhor
Jesus no Serm ão Profético: "P o r se m ultiplicar a iniqüida­
de, o am or de m uitos se esfriará?" Q uantas igrejas, outrora
fortes e espiritualm ente pujantes, não se acham prestes a
m orrer espiritual e m oralm ente; algum as já foram sepulta­
das; outras acham -se a dar os últim os suspiros. E os atalaias
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

de D eus? Não se acham , porventura estes, com prom etidos


tam bém com o m undo?
As igrejas foram transform adas em palco; seus corredo­
res, em pistas de dança; seus púlpitos, em m eras tribunas
onde se apregoa a teologia da prosperidade, a confissão
positiva e um triunfalism o escarnecedor e ím pio. Os bons
costum es são negligenciados e até escarnecidos, com o se o
povo de Deus não tivesse a obrigação de ser íntegro e dife­
rente do paganism o que, sistem aticam ente, vai se apossan­
do do presente século.
E os pecados sexuais? D esgraçadam ente, os jovens já
não têm m uitos referenciais que os estim ulem a ser cada
vez m ais santos, puros e íntegros. M uitos desses m oços e
m oças que nos freqüentam as igrejas já não sabem diferençar
entre a m ão direita e a esquerda. Se não forem alcançados
por um poderoso avivam ento, perecerão eles em seus deli­
tos e pecados. E no dia do Juízo Final, haverá D eus de lhes
requerer o sangue de nossas m ãos.

IV. A SANTIFICAÇÃO E A INTEGRIDADE


Do que já tem os visto, há que se concluir que a santifi­
cação, na vida do povo de D eus, não pode ser m eram ente
posicionai; tem de se m anifestar num a vida íntegra e de
absoluta retidão. U m a vida sem elhante à de Jó que, apesar
dos m ilênios já transcorridos, continua a inspirar todos os
que porfiam por andar com integridade. Vejamos, a seguir,
o que é a integridade.
1 .0 que é a integridade. Tanto no Antigo com o no Novo
Testam ento, "in tegrid ad e" é um a palavra que com porta os
seguintes significados: inteireza, retidão, im parcialidade,
inocência e pureza. No hebraico, a palavra integridade é
representada pelo vocábulo tamim, que traz estes sentidos:
com pleto, pronto, perfeito e inculpável.
A Versão Corrigida de A lm eida, influenciada ainda pelo
português do Século XVII, utiliza o vocábulo "sin cerid ad e"
O AVIVAMENTO PRODUZ A SANTIFICAÇÃO E A INTEGRIDADE

em lugar da palavra "in tegrid ad e". A pesar de am bos os ter­


m os serem tidos com o sinônim os, o segundo é m ais enfáti­
co: retrata de m aneira vivida, a postura daquele que jam ais
trafica a sua fidelidade ao Senhor.
2. A vida íntegra de Jó. Em bora coberto de úlceras e já
vestido de um a angústia peregrina, Jó não traficou a sua
integridade nem transigiu quanto aos seus com prom issos
m orais. Em tudo, m anteve-se sincero e íntegro. No m om en­
to m ais agudo de sua provação, quando a esposa pergun-
tou-lhe: "A ind a ireténs a tua integridade? Am aldiçoa a Deus
e m orre", ele não vacilou em dar-lhe um a resposta que ja ­
m ais seria esquecida: "C om o fala qualquer doida, assim fa­
las tu; receberem os o bem de D eus e não receberíam os o
m al?" (Jó 2.9,10). Em tudo isto, registra o autor sagrado, o
patriarca não pecou com os seus lábios".
Neste m om ento tão crucial, em que os filhos de Deus cla­
m am os por um reavivam ento, não podem os ignorar algu­
mas perguntas que, posto que incômodas, precisam ecoar bem
forte: N ossa vida pessoal é íntegra? N osso m inistério é ínte­
gro? E íntegra a nossa m ensagem ? E a nossa postura como
hom em de Deus? E politicam ente correta? Ou reconhecida­
m ente íntegra e santa? O m om ento é crítico! Não contem pla
rodeios nem hipocrisias. Exige decisão. Há som ente duas res­
postas cabíveis: Sim e Não. O que disto passar é dissim ula­
ção e consum ada iniqüidade. Nos tópicos a seguir, entrare­
m os a enfocar o m inistro de Deus em particular, por ser jus­
tam ente ele quem estará a rogar-lhe por um avivam ento.
3. Um a vida pessoal íntegra. Não podem os dissociar a
vida pessoal da m inisterial. O êxito desta m uito depende
daquela. Se a prim eira não for eloqüente em virtudes, a se­
gunda não convencerá com as palavras. Se a tribuna do ínti­
m o não tiver argumentos, o púlpito ficará sem respostas.
D esgraçadam ente, m uitos são os púlpitos que já não
passam de m eras plataform as. Pois o m ensageiro, ao sepa­
rar o m inistério de sua vida particular, não quis atentar a
esta irrecorrível realidade: am bos são tópicos do m esm o
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

serm ão; form am um só discurso. N ossa vida privada não é


apenas o exórdio da m ensagem ; é tam bém a sua conclusão.
É a peroração que convence. E o apelo respondido.
4. U m a vida conjugal íntegra. Se o obreiro não vive bem
com a esposa, se não a respeita, se alim enta contatos equí­
vocos com outras m ulheres, com o poderá conduzir um a
cerim ônia de casam ento? Com o poderá dirigir as bodas de
prata e de ouro das ovelhas se as suas não passam de um
m ero papel quando deveriam ter a consistência do diam an­
te? Estaríam os nós na m esm a condição dos sacerdotes a
quem M alaquias censurou? Brada o profeta: "O Senhor foi
testem unha entre ti e a m ulher da tua m ocidade, com a qual
tu foste desleal, sendo ela a tua com panheira e a m ulher do
teu concerto", M l 2.14.
Com o m inistros de D eus, saibam os tam bém com o or­
denar nossos filhos, a fim de que tenham os condições de
aconselhar os jovens do rebanho. Se não agirm os de m anei­
ra coerente, nossos filhos jam ais verão a igreja com o o R ei­
no de D eus; vê-la-ão com o se fora um a m era capitânia here­
ditária. Eles lançam m ão do tesouro sagrado; você nada diz.
O prim em os santos; você não os disciplina. A gem im pu-
dentem ente; você não os censura. Logo estarão oferecendo
fogo estranho no altar, e não estará você presente para evi­
tar que sejam eles consum idos pela ira divina.
5. U m a vid a econ ôm ica ínteg ra. Se o m en sageiro de
D eus b u rla o fisco, e em tudo bu sca d u vid osas vantagens,
com o p od erá en sin ar que u m a das ev id ên cias do v erd a­
deiro avivam en to é a lib eralid ad e nos dízim os e ofertas.
A s ovelh as sem pre dão a D eus o que é de D eus, m as você
n ega tan to o que é de D eus qu anto o que é de César. Já
não se con ten ta com a p orção cotid ian a. Se os filhos de
E li rou bavam os fiéis com o garfo, d esfalca você a igreja
de C risto com o trid en te do u su rp ad o r (1 Sm 2.13).
Se o arauto de D eus vive de ostentação em ostentação,
com o poderá discorrer sobre a m anjedoura? A igreja preci­
sa de servos, não de m onarcas que, desprezando a singele­
0 AVIVAMENTO PRODUZ A SANTIFICAÇÃO E A INTEGRIDADE

za dos lírios, já não se conform am com o próprio campo.


Q uando censurado, o que você diz? A lega que, com o m i­
nistro de D eus, precisa viver com o príncipe. Veja todavia
com o estão as suas ovelhas! E as viúvas que você não quis
socorrer? Os órfãos que se recusou a am parar? A dor que
jam ais aliviou? Enquanto você vive com o príncipe, suas
ovelhas gem em com o vassalas de sua descabida luxúria.
6. U m a cidadania íntegra. Se o atalaia m enospreza as
honras do m inistério cristão, com o poderá enaltecer a cida­
dania celeste? O Senhor o cham ou para o m inistério da Pa­
lavra, m as você tem obsessão pelo m inistério público. Quer
um a cadeira no parlam ento, e reputa por nada a cátedra
doutrinai que, em sua igreja, está sem pre vazia. D eixe a coi­
sa pública aos que dela sabem cuidar; zele pelo bem com um
das ovelhas que o Senhor lhe entregou.
Se o pregoeiro, enfim , não prega com a vida terrena,
com o poderá pregar a vida eterna? O Senhor Jesus pregava
a vida com a vida, entregando por nós a própria vida. É por
isso que, m esm o calado, incom odava. E, você? A inda que
brade, já não convence. É nuvem sem água; troveja, m as
não chove testem unhos nem orvalha exem plos.
7. U m m inistério íntegro. Se a sua vida não é íntegra,
com o poderá ser íntegro o seu m inistério? Você não se con­
tentou em ser obreiro; quis logo o título de m inistro. Esque-
ceu-se porém de algo básico: a essência do m inistério cris­
tão é o serviço sacrificial e am oroso que se deve prestar a
D eus e aos santos.
E, já m inistro, o que fez?
Ao invés de negociar os talentos, foi fazer negociata das
coisas santas. A dulou para subir, m as continua a descer no
conceito daquEle que tudo vê e sonda todas as coisas. Burlou
as norm as; desrespeitou o m inistério e ignorou as conven­
ções. E, já à frente da igreja, descobriu-se sem o cajado de
pastor. Adm inistra os bens da igreja, m as jam ais pastoreou o
rebanho de Cristo. Não é pastor; é mercenário. Com o poderá
você rogar a Deus por um avivam ento em seu ministério?
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

Aliás, deseja você realm ente um avivam ento? Porque um


avivam ento requer com prom issos, ao passo que você vive
descom prom issadam ente para com o Senhor da Seara.
8. U m a m ensagem íntegra. Se a sua vida e m inistério
não são íntegros, com o esperar que a sua m ensagem o seja?
Você já não assum e o púlpito com o hom em de Deus; agora
você é hom em do povo. Já não lhe interessa o que a igreja
necessita receber. Você só fala o que o grupo m ajoritário e
poderoso quer ouvir.
Do púlpito você decreta a prosperidade, e nunca se viu
tanta m iséria espiritual em seu redil. De tanta confissão
positiva, você já nem parece guia espiritual: é m ais guru
que pastor. A ntes fosse apenas guru; sua condenação seria
menor. M enospreza o pecado, dizendo já estarem todas as
ovelhas predestinadas à vida eterna. Ilude-as com um a fal­
sa esperança; engana-as com um a teologia que não é nem
próspera nem positiva, m as duas vezes m aldita.
N ão satisfeito em enganar o rebanho, ainda franqueia o
púlpito aos lobos e chacais. D epois, reparte com eles o des­
pojo dos santos. Com a sua palavra fácil e azeitada, você
tira tudo das ovelhas, SI 55.21. M as chegará o dia em que,
para o seu desespero, não haverá nem a lã nem o leite; h a­
verá apenas a necessidade serôdia.
O seu p ú lp ito não é p ro clam ação ; é u m a p eça de m a­
rketing. L em bra-se dos n ão -regen erad o s que você p ro m o ­
veu? D os im p en iten tes a quem esten d eu a destra da co ­
m unhão? D os p od ero sos que adulou? D os corru p tos que
acolh eu com o se fossem do Sen h or u ngid os? O seu m a­
rketing foi in falív el; o in fern o está m ais p op u lar que n u n ­
ca. O seu reban ho já não sabe a d iferen ça entre o santo e o
profano.
E a sua m ensagem alternativa? N ão tem a agonia do
G etsêm ani, nem a paixão do Calvário. M as tam bém não
possui a glória da ressurreição nem a esperança do arreba-
tam ento. Sua m ensagem alternativa deixou o rebanho que
D eus lhe confiou sem qualquer opção.
0 AVIVAMENTO PRODUZ A SANTIFICAÇÃO E A INTEGRIDADE

N o púlpito você se lem bra de tudo, m enos da integri­


dade da m ensagem . Que tal colocar-se na porta do tem plo e
sofrer as afrontas todas de Jerem ias? Ou ser incom preendido
com o Am ós? Ou ainda oferecer a vida por libação com o o
apóstolo Paulo? N enhum destes pregou um a m ensagem
alternativa; a única alternativa da Palavra de Deus é a obe­
diência, que sem pre nos leva a experim entar o refrigério de
um poderoso avivam ento.

CONCLUSÃO
N ão há avivam ento sem santificação e integridfade. O
avivam ento, o verdadeiro avivam ento espiritual pressupõe
a santificação de todo o povo de Deus. Q uer no A ntigo, quer
no N ovo Testam ento, o povo de D eus sem pre foi incitado a
buscar a D eus e a com pungir-se diante dEle, pois todos sa­
bem os que sem a santificação ninguém verá o Senhor.
Com o, pois, ignorar as reivindicações bíblicas quanto a
um a vida pura, santificada e que, em todas as coisas, se con­
form e com a vida de N osso Senhor Jesus Cristo?
Qual a sua postura como hom em de Deus? É politica­
m ente correta? O anjo de Laodicéia tinha uma postura politi­
cam ente correta, o Senhor porém estava prestes a vom itá-lo
de seus desígnios. A postura do Iscariotes era de igual m odo
correta, contudo ele não titubeou em vender o Mestre. No
m om ento em que Pilatos buscava ser politicam ente correto,
soltou um hom icida, e entregou um inocente à morte.
N ossa postura, com o hom ens de D eus, não deve lim i­
tar-se ao politicam ente correto; tem de ser reconhecidam ente
ju sta e íntegra. Por isso, m ais do que nunca, tem os de res­
ponder a esta pergunta:
"A ind a reténs a tua integridade?"
N ão podem os vacilar. Se não levarm os a sério as reivin­
dicações bíblicas quanto à santificação e à integridade, fica­
rem os envergon had os qu ando a ú ltim a trom beta tocar,
anunciando o arrebatam ento da Igreja.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

QUESTIONÁRIO
1. O que é a santificação?
2. Quais os dois lados da santificação?
3. O que disse Finney sobre a santificação?

4. O que diz o autor da Epístola aos H ebreus sobre a santifi­


cação?
5. Por que a santificação é um dos m ais fortes indícios do
avivam ento?
VII
ÊtÊ
sB
0 AVIVAMENTO E O BATISMO COM O
ESPÍRITO SANTO

Sumário: Introdução; I. A Promessa do Derramamento do Espírito


Santo no Antigo Testamento; II. A Promessa do Derramamento do
Espírito Santo no Novo Testamento; III. O Dia de Pentecostes;
IV. A Atualidade da Experiência Pentecostal; V. O Testemunho da
História; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
"E is que vejo a glória de Israel, pois esta m ulher falou a
nossa própria lín gu a!" Esta declaração não foi feita por n e­
nhum peregrino hebreu do A ntigo Testam ento, nem por
aqueles anacoretas que se enfurnavam nas solidões do de­
serto. A pesar de seu tom profético, esta declaração foi pro­
ferid a p or um ju d e u q u e, p elo s in ício s do sécu lo XX ,
andejava pelo então Território Federal do Am apá.
N o dia 25 de dezem bro de 1917, os pastores Clím aco
Bueno A za e José de M attos achavam -se a batizar m ais um a
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

leva de novos convertidos naquele extrem o norte do Brasil,


quando a irm ã Paula de A raújo, ao descer às águas, recebe
a prom essa pentecostal. N esse m om ento, põe-se ela a falar
um a língua tão sonora, tão doce e tão eloqüente, que m ais
lem brava a dicção dos escritores sagrados.
Não havia dúvida; a irm ã Paula estava a falar o hebraico.
Foi o que com provou o Sr. Leão Zafury. N ão sabem os
se este errante ju d eu veio a converter-se em decorrência
daquela m ensagem vinda diretam ente do Deus de Abraão.
M as de um a coisa tem os certeza: naquele m om ento, veio
ele a testem unhar um poderoso derram am ento do Espírito
Santo que, tendo com eçado no Dia de Pentecostes, em Jeru ­
salém , haveria de prosseguir confirm ando a poderosa in­
tervenção de Deus nos negócios hum anos.
A pesar dos cessacionistas, que alegam ter sido o batis­
m o no Espírito Santo um a experiência exclusivam ente apos­
tólica, continua o Senhor Jesus a m anifestar-se entre o seu
povo, dispensando-lhe avivam entos, visitações e refrigéri-
os. N ão há nenhum a base bíblica, ou histórica, para se du­
vidar da atualidade da O bra Pentecostal. E um fato m ais
que com provado pelas Sagradas Escrituras.
U m a das principais características do verdadeiro avi­
vam ento é o derram am ento do Espírito Santo. E um a pro­
m essa que perm eia toda a Bíblia; vai do A ntigo ao N ovo
Testamento.

I. A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO


SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO
Q uase todos os profetas da A ntiga A liança aludiram ao
derram am ento do Espírito Santo. Tinham eles plena con­
vicção de que, nestes últim os dias, haveria um a singular
efusão do Espírito, assinalando a inauguração de um a nova
era do Reino de D eus na terra: a era da Igreja, através do
M essias de Israel.
0 A V IV A M EN TO F. O BA TISM O C O M O ESPÍRITO SA N T O IOI

Isaías, que v iv eu no V III sécu lo antes de C risto, v is­


lu m b rou estes n o ssos tem pos: "D e rra m a re i água sobre o
sed ento e torren tes sobre a terra seca; d erram arei o m eu
E sp írito sobre a tua p osterid ad e, a m inha b ên ção sobre
os teus d e scen d e n te s"(Is 44.3). O p rofeta talvez nem im a­
gin asse que im p licações teria sem elh an te previsão. E sta­
va cien te, porém , de que se tratav a de algo gran d ioso,
ad m iráv el, in u sitad o. A fin al, em sua ép oca, o E sp írito
Santo não era dado p or efu são; era ou torgad o sob m ed i­
da; era d isp en sad o de acordo com as n ecessid ad es da
com u n id ad e de Israel. M as com o d erram am en to do E s­
p írito , tod os v iriam a ter direito a esse m arav ilh o so e in e­
fável dom .
Joel tam bém profetizou acerca da efusão do Espírito
Santo. Este antigo profeta literário, cujo m inistério é situ a­
do no nono século antes do Salvador, teve um a claríssim a
visão do derram am ento do Espírito. N enhum outro m en­
sageiro de Jeová tivera jam ais um a tão clara visão desse
poderoso feito de Deus. Tanto é que, por unanim idade, cha-
m am -no de o profeta pentecostal. Eis o que previu ele para
estes dias: "E há de ser que, depois, derram arei o m eu Es­
pírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas
profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jo ­
vens terão visões. E tam bém sobre os servos e sobre as ser­
vas, naqu eles dias, derram arei o m eu E sp írito " (J12.28,29).
Joel profetizou tão m eridianam ente acerca do derram a­
m ento do Espírito Santo que, no D ia de Pentecostes, nin­
guém no cenáculo teve qualquer dúvida; o que naquele
m om ento ocorria era o cum prim ento da palavra que envia­
ra o Senhor através de seu profeta. Eis com o Pedro exordia
o seu discurso: "O que ocorre é o que foi dito por interm é­
dio de Jo e l" (At 2.16).
Além de Isaías e Joel, m uitos outros escritores, direta
ou indiretam ente, fizeram m enção do derram am ento do
Espírito em nossos dias. Vejamos a seguir o que disseram
os escritores do N ovo Testamento.
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

II. A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO


ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO
Ao iniciar o seu m inistério, tinha João Batista com o ine­
vitável o derram am ento do Espírito Santo anunciado pelos
profetas do A ntigo Testam ento. Suas palavras não adm item
hesitação: "E u , em verdade, vos batizo com água, para o
arrependim ento; m as aquele que vem após m im é m ais p o­
deroso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias;
ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (M t 3.11).
Confirm ando as palavras de seu precursor, o Senhor
Jesus prom eteu, em diversas ocasiões, a liberal efusão de
seu Espírito Santo. Q uando dispensava as consolações aos
atônitos discípulos, afiançou-lhes: "E u rogarei ao Pai e ele
vos dará outro C onsolador... o Espírito de v erd ad e" (Jo
14.16,17). Já ressurrecto, recom endou-lhes: "P erm anecei em
Je ru sa lé m até que do alto se jais re v e stid o s de p o d e r"
(Lc 24.49). E, agora, prestes a ser assunto, reafirm a a pro­
m essa: "M as recebereis a virtude do Espírito Santo, que há
de vir sobre vós; e ser-m e-eis testem unhas tanto em Jeru sa­
lém com o em toda a Ju d éia" (At 1.8).
Com o o atestariam os apóstolos, as palavras do Senhor
Jesus cum prir-se-iam de m aneira extraordinariam ente sin­
gular. Era só esperar pelo Dia de Pentecostes!

III. 0 DIA DE PENTECOSTES


Ao relatar o derram am ento do Espírito Santo sobre os
discípulos, Lucas foi claro e m ui perceptível. Ele não expli­
ca, por exem plo, porque foi escolhido justam ente o Dia de
Pentecostes. Poderia ser algum a outra festa judaica. Tem o
Senhor, porém , os seus propósitos. Em sua econom ia, nada
é feito por acaso; tudo tem o seu significado e im portância;
em nada deixa de m ostrar os seus desígnios.
Poderia haver ocasião m ais significativa que o Pente­
costes para que o Senhor efundisse o seu Espírito? D urante
0 AVIVAMENTO E O BATISMO COM O ESPlRITO SANTO 103

essa celebração, os judeus dedicavam as prim ícias de todas


as suas lavouras e culturas ao Senhor (Êx 23.16; N m 28.26).
O m elhor do cam po a Jeová! A colheita pentecostal seria
extraordinariam ente grande, pois grandem ente extraordi­
nária haveria de ser a chuva sobre o cenáculo:
"C um prindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reu­
nidos no m esm o lugar; e, de repente, veio do céu um som,
com o de um vento veem ente e im petuoso, e encheu toda a
casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles
línguas repartidas, com o que de fogo, as quais pousaram
sobre cada um deles. E foram todos cheios do Espírito San­
to e com eçaram a falar em outras línguas, conform e o Espí­
rito Santo lhes concedia que falassem " (At 2.1-4).
N esse dia, em decorrência do serm ão de Pedro, conver­
teram -se quase três m il alm as (At 2.41). Tendo em vista se­
m elhante resultado, insistiu o evangelista Stanley Jones: "A
vida do cristão com eça no C alvário, m as o trabalho eficien­
te no Pentecostes". M as que im plicações tem o evento pen­
tecostal para os nossos dias? Teria sido a efusão do Espírito
Santo um a experiência exclusiva e única para aqueles dias?
O que nos atesta a Bíblia e a m esm a história?

IV. A ATUALIDADE DA EXPERIÊNCIA


PENTECOSTAL
H á um grupo de teólogos que, se não peca por com is­
são, está sem pre a pecar pelas om issões incabíveis e até
im piedosas que perpetram contra a doutrina pentecostal.
A legam eles, entre outras coisas, que o batism o no Espírito
Santo e os dons espirituais já não têm qualquer serventia ou
préstim o para estes últim os dias. E que só foram necessári­
os àqueles dias prim eiros da Igreja. As Escrituras Sagradas
e a história do C ristianism o os desm entem ; dem ostram que
a experiência pentecostal jam ais se ausentou dos arraiais
cristãos. E tão atual hoje com o o foi aos tem pos antigos.
104 FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U m M JT Ê N T IC O A V IV A M E N T O

Em seu d iscu rso, o ap óstolo Pedro é m ais do que con ­


clu sivo: "P o rq u e a p rom essa vos diz resp eito a vós, a v o s­
sos filhos e a tod os os que estão longe: a tantos quantos
D eu s, n o sso Senhor, ch a m a r" (A t 3.39). A o com en tar essa
p assagem , o p astor D onald Stam ps confirm a: "A p rom es­
sa do batism o no E sp írito Santo não foi apenas para aqu e­
les p resen tes no dia de P en teco stes, m as tam bém para to ­
dos os que cressem em C risto d u rante tod a esta era. O
b atism o no E sp írito Santo com o p od er que o aco m p a­
nh a, não foi um a oco rrên cia isolad a, sem rep etição, na
h istó ria da ig re ja ".
Não é som ente a Bíblia que nos está a atestar essa ver­
dade; a própria história com prova a realidade do Pentecos­
tes em todas as eras.

V. 0 TESTEMUNHO DA HISTÓRIA
No ano 156, M ontano, sentindo-se pesaroso por causa
da decadência que am eaçava a Igreja, deflagrou um m ovi­
m ento reform ista cuja ênfase recaía na m anifestação dos
dons espirituais. Segundo o insuspeito testem unho de Ter-
tuliano, entre os m ontanistas não eram poucos os que rece­
biam o batism o no Espírito Santo e m anifestavam -se em lín­
guas estranhas e profecias.
No segundo século, podem os buscar este depoim ento
em Ireneu: "Tem os em nossas igrejas, irm ãos que possuem
dons proféticos e, pelo Espírito Santo, falam toda a classe
de idiom as".
A gostinho tam bém acreditava na continuidade das pro­
m essas pentecostais. De seus escritos, concluím os que viva­
m ente buscava ele a efusão do Espírito: "N ó s farem os o que
os apóstolos fizeram quando im puseram as m ãos sobre os
sam aritanos, pedindo que o Espírito Santo caísse sobre eles:
esperam os que os convertidos falem novas língu as"
N o quinto século, o m agistral orador, João C risóstom o,
chegou a com entar: "P ortan to, o apóstolo o cham a de m a­
0 A V IV A M EN TO E O BA TISM O C O M O ESPÍRITO SA N T O

nifestação do Espírito [refere-se à m anifestação dos vários


dons espirituais], que é dado a todo o hom em tam bém para
p roveito".
Na Idade M édia, m uitos foram os m ovim entos que se
caracterizaram pelas experiências pentecostais. M uito da­
quilo a que cham avam heresia era na verdade pentecostes.
Com a Reform a Protestante, testem unhar-se-ia o adven­
to de um gigante espiritual que haveria de abalar irresisti­
velm ente os alicerces da civilização. Foi este titã um autên­
tico pen tecostal. Segu nd o o h isto riad o r Sour, M artinho
Lutero falava línguas, interpretava-as, profetizava e acha-
va-se revestido de todos os dons do Espírito Santo.
Teve a R eform a ainda outros profetas. O que dizer de
Jorge W ishart? Ou do inflam ado escocês João Knox? É-nos
perm itido citar ainda outro escocês: João Welsh. Esses ho­
m ens foram de tal form a tom ados pelo poder do Espírito,
que fizeram trem er as estruturas dos potentados terrenos.
O segrego? Eram eles todos autênticos pentecostais.
N o sécu lo 18, tem os a d estacar os irm ãos W esley e o
p rín cip e dos p regad ores ao ar liv re, G eorge W ith efield .
D e con form id ad e com um relato fid ed ign o da ép oca, fo ­
ram os três de tal m an eira v isitad os pelo Senh or qu e, cer­
ta vez, rolaram p elo chão, tam anh o era o p od er e a graça
exp erim en tad o s.
E o que direm os de Charles Finney? M oody? E daque­
les pietistas que sem pre preocupavam -se em ter um a expe­
riência cada vez m ais profunda com o Senhor?
Finalm ente, chegam os ao século XX. N inguém jam ais
poderá esquecer o avivamento da rua Azuza em Los Angeles,
nos Estados Unidos. Foi aqui que teve início o M ovim ento
Pentecostal, que se espraiaria por toda a A m érica do Norte, e
de onde haveria de sair a A ssem bléia de Deus.
Dos Estados U nidos, foi a doutrina pentecostal trazida
ao Brasil pelos m issionários suecos D aniel Berg e G unnar
Vingren. E, hoje, m ercê de D eus, som os a m aior nação pen­
tecostal do m undo.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

CONCLUSÃO
O derram am ento do Espírito Santo é visto com o um dos
m ais fortes sinais dos últim os dias. Foi o que profetizou Joel.
O que teve início no Dia de Pentecostes, prossegue em nos­
sa era, e há de continuar até que venha o Senhor Jesus arre­
batar a sua Igreja. Os avivam entos que hoje sacodem o m un­
do são em tudo singulares. H aja vista a C oréia do Sul. É
justam ente neste país, até há bem pouco tem po dom inado
ç e lo b u d ism o , <\ue se etvcotxteam. as m&voxes vgce^as d o m\m-
do. E que avivam ento não vivem nossos irm ãos coreanos!
Levem os em conta tam bém a experiência que vêm ten­
do m uitas denom inações históricas. C risto está a derram ar
de seu Espírito não som ente sobre os pentecostais com o tam ­
bém sobre os batistas, m etodistas, presbiterianos, m enonitas
e congregacionais.
E hora de buscar poder! Se você ainda não recebeu o
batism o no Espírito Santo, busque-o agora m esm o. O Se­
nhor Jesus deseja que todos os seus filhos tenham m ais po­
der para testem unhar e resistir aos ataques de Satanás n es­
tes dias que se u ltim am em sinais e m arav ilh as. C om o
pentecostais, não podem os esquecer nosso lema:
"Jesu s Cristo salva, batiza no Espírito Santo e em breve
virá arrebatar a sua Igreja".

QUESTIONÁRIO
1. O que é o derram am ento do Espírito Santo?
2. Por que Joel é considerado o profeta pentecostal?
3. O que disse João Batista sobre o batism o no Espírito Santo?
4. O que nos prom eteu Jesus quanto ao Espírito Santo?
5. Q uando com eçou a se cum prir a prom essa pentecostal?
VIII
\

0 AVIVAMENTO E OS DONS
ESPIRITUAIS

SUMÁRIO: Introdução; I. O que São os Dons Espirituais; II. Os Dons


Atuam através dos Membros da Igreja de Cristo; III. A Classificação
dos Dons Espirituais; IV. A Função dos Dons Espirituais; V. A Rela­
ção dos Dons Espirituais com os Ministeriais; VI. O Desvio dos Dons
Espirituais; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
Fu i criad o nu m a igreja au ten ticam en te pen tecostal.
N aquela congregação ainda pequena, m as já tão dinâm ica e
tão ciente de suas possibilidades espirituais, habituara-m e
às m anifestações do sobrenatural. As salvações de alm as e
os batism os no Espírito Santo não eram algo que causassem
espécie: ocorriam em quase todas as reuniões. Os dons es­
pirituais operavam em nosso cotidiano, tornando a igreja
um centro operoso do Reino de Deus.
Em nada diferíam os do cenáculo.
A
io8 FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

Todo cu lto era um p en tecostes. Saíam os com os cora­


ções ard entes p elas v isitaçõ es con stan tes do E sp írito. Os
tem pos de refrigério jam ais d eixavam aqu elas estações;
era sem pre época de colh eita; o avivam ento era contínu o.
A o rq u e s tra , o c o ra l e os v á rio s c o n ju n to s m u s ic a is
read q u iriam , a cada sem an a, um b rilh o que som en te o
céu p od eria conceder. E as m en sagens? Era u nção sobre
u nção n aq u ele p ú lp ito ; p ro clam av a-se o E v an gelh o de
C risto com au torid ad e p rofética. O s enferm os eram cu ra­
dos; as m arav ilh as su ced iam -se; os sinais sem pre nos b a ­
tiam às portas.
M inha igreja era autenticam ente bíblica, apostólica, avi­
vada. Os dons espirituais eram usados com sabedoria, res­
p o n s a b ilid a d e , e q u ilíb r io ; n ã o e ra m m o tiv o p a ra
exibicionism o. Edificavam eles os santos e expandiam o
Reino de Deus.
A lem brança desses fatos levou-m e a refletir: Com o a
igreja de nossos dias está se havendo em relação aos dons
do Espírito Santo? Este capítulo é fruto dessas reflexões.
Com ecem os a tratar do assunto por suas definições m ais
básicas e elem entares.

1.0 QUE SÃO OS DONS ESPIRITUAIS


C om o p en teco stais, p recisam o s com p reen d er a n atu ­
reza e o correto fu n cion am en to dos dons esp iritu ais. Ao
que p arece, os c o rín tio s, em b ora p o ssu ísse m tod os os
carism as, ign orav am tan to a p roced ên cia qu anto a u tili­
dade d estes. E les ach avam fossem os dons oriu nd os de
variegad o s esp íritos. Por isso foi n ecessário que lhes d e­
talh asse Paulo a função dos dons do E sp írito Santo. E n ­
tre ou tras coisas, exp lica-lh es o ap ósto lo que, ap esar de
serem v ário s os dons, o E sp írito era o m esm o (1 Co 12.4).
E que o E sp írito acion ava os dons de acordo com as n e ­
cessid ad es da Igreja.
M as, o que são os dons espirituais?
0 AVIVAMENTO E OS DONS ESPIRITUAIS 109

São os recu rsos extraord inários que o Senhor Jesu s,


m ediante o Espírito Santo, colocou à disposição da Igreja,
visando:
• O aperfeiçoam ento dos santos;
• A am pliação do conhecim ento, do poder e da procla­
m ação do povo de D eus; e:
• Cham ar a atenção dos incrédulos à realidade divina.
A o contrário do que alegam os cessacion istas, os dons
espiritu ais não ficaram restritos à Era A postólica. A h istó­
ria e a m esm a experiência provam que continu am eles tão
atuais com o nos dias de Pedro e Paulo. Jack D eere, um dos
m ais proem inentes professores do Sem inário Teológico Ba­
tista de D alas, com provou esta realidade após m inuciosa
pesquisa: "A cred ito que o Senhor realm ente quer trans­
form ar toda a Igreja. A s últim as estatísticas indicam que a
Igreja está m ovendo-se rápid a e inevitavelm ente para os
dons do Espírito Santo. Ela está retornando à sua herança
do prim eiro século. Q uanto a m im , acho-m e convencido
de que, enqu anto toda a Igreja não abraçar os dons do Es­
p írito, não consegu irem os cum prir as tarefas que nos con­
fiou o Senhor Jesu s".

II, OS DONS ATUAM ATRAVÉS DOS MEMBROS DA


IGREJA DE CRISTO
Q u a n to à n a tu re z a d os d o n s e s p ir itu a is , h á trê s
posicionam entos teológicos:
1. Os dons espirituais são capacidades m eram ente na­
turais. Ou seja: são inerentes ao ser hum ano com o a poesia,
a m úsica ou a eloqüência. Ora, se não passam de dotes na­
turais, com o podem eles ser tidos na conta de espirituais?
N ão há aí um a contradição? N ão está um a possibilidade a
anular a outra?
2. Os dons espirituais são básica e essencialm ente so­
b ren atu rais. N este caso, atu am in d ep en d en tem en te da
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

anuência e da vontade hum ana, não passando nosso corpo


de um m ero recipiente para a atuação dos dons. A Bíblia,
porém , afirm a estar o espírito do profeta subm isso ao pro­
feta (1 Co 14.32).
3. Os dons atuam através dos m em bros da Igreja de
Cristo, quando estes colocam suas m entes, corações e von­
tade, am orosa e voluntariam ente, a serviço de Deus. Esta é
a form a com o a Bíblia revela a natureza dos dons espiritu­
ais. A atuação destes, em bora sobrenaturais, não anula de
form a algum a a personalidade hum ana. Pelo contrário: usa-
a de tal form a, a fim de que a sublim idade divina tenha em
tudo a preem inência.
O bservem os, outrossim , que, de acordo com o padrão
de A tos dos A póstolos e das experiências pentecostais sub­
seqüentes, os dons espirituais ou nos são entregues quando
recebem os o batism o no Espírito Santo ou posteriorm ente
a este; não antecedem nem são conferidos independente­
m ente do batism o no Espírito Santo.

III. A CLASSIFICAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS


Q uantos dons do Espírito Santo tem os registrados no
N ovo Testam ento? O renom ado teólogo das A ssem bléias
de Deus nos Estados U nidos, Stanley H orton, arrola pelo
m enos 21. A lém dos nove dons m encionados em 1 C orínti­
os 12, tem os os referidos em Rom anos 12.6-8 e Efésios 4.11.
Por enquanto não nos aterem os a estudar os cham ados dons
m inisteriais. D eter-nos-em os nos dons m encionados na Pri­
m eira Epístola de Paulo aos Coríntios.
Didaticamente, os dons mencionados no Novo Testamen­
to são classificados em espirituais e ministeriais. Os prim ei­
ros visam a edificação, consolação e exortação dos fiéis. Os
segundos têm como prim acial função a consolidação doutri­
nária do corpo de Cristo. A discussão que se trava entre am­
bos os grupos é: Não são am bos espirituais? Genericamente,
sim. M as em term os didádicos, a classificação é válida.
0 AVIVAMENTO E OS DONS ESPIRITUAIS III

A seguir, vejam os com o poderem os classificar os dons


espirituais propriam ente ditos.
O s dons espirituais dividem -se em três categorias:
• Dons de alocução: profecia, línguas e interpretação;
• Dons de revelação: sabedoria, ciência e discernimento;
• Dons de poder: fé, m aravilhas e cura divina.
A o classificar os dons espirituais, o pastor R alph M.
R iggs assim destaca os principais dons: no prim eiro grupo,
o principal dom é a profecia; no segundo, a sabedoria; e, no
terceiro, a fé.
A través dos dons do Espírito Santo, a Igreja fala de
m aneira sobrenatural, age de form a sobrenatural e de m odo
sobrenatural conhece. São ferram entas indispensáveis ao
povo de Deus. Não podem os prescindir de nenhum carism a
do Espírito, pois fundam entais todos eles na proclam ação
do Evangelho de Cristo.
Escreve o pastor Estevam  ngelo de Souza: "S em os
dons do Espírito, ao invés de a Igreja ser um organism o vivo
e poderoso, seria apenas m ais um a organização hum ana e
religiosa".

IV. A FUNÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS


Organism o espiritual por excelência, a Igreja necessita de
recursos de igual m odo espirituais. Ao discorrer sobre tal
necessidade, Paulo situa a Igreja nos lugares celestiais: "N ão
temos de lutar contra carne e sangue, m as, sim, contra os prin­
cipados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas
deste século, contra as hostes espirituais da m aldade, nos lu­
gares celestiais" (Ef 6.12). Em seguida, o apóstolo passa a
descrever a arm adura de Deus, com a qual haverem os de
apagar todos os dardos inflam ados do adversário.
N esse arsenal, que o Espírito Santo nos coloca à d isp o­
sição, encontram -se os dons espirituais. D e posse destes, a
Igreja estará agindo não som ente espiritu al m as sobrena­
turalm ente. Sua atuação deslocar-se-á do m ero cam po es­
112 FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE UM A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

piritu al para a dim ensão celestial; é aí que se travam as


m aiores batalhas do U niverso. Essa é a dim ensão onde os
santos tornam -se ainda m ais santos; onde os guerreiros de
C risto m ostram a sua bravura; onde o am or cristão realça
todo o seu valor.
Os dons fazem -se im prescindíveis. M uitas igrejas vie­
ram a desaparecer por não saberem conservar a cham a do
avivam ento. Haja vista as igrejas da Á sia Menor. Se no iní­
cio eram autenticam ente pentecostais, deixaram -se absor­
ver pelos séculos e m ilênios daquele continente. Q uem visi­
ta a região, hoje ocupada pela Turquia, encontra apenas ru­
ínas daquelas igrejas e congregações tão operosas. N em som ­
bra há de Esm irna, nem de Filadélfia. Efeso, apesar de seu
ativism o, tam bém desapareceu.
Todas essas igrejas perderam a dim ensão do cenáculo, a
sim plicidade dos prim itivos cristãos e a vivacidade daquelas
com unidades que, embora perseguidas, souberam como re­
agir à incom preensão e à intolerância daquele mundo.
Hoje, fala-se m uito em avivam ento. Quer nos arraiais
pentecostais, quer nas chamadas denominações históricas, há
um grito por um imediato retom o aos tempos de refrigério.
Algumas igrejas, porém, querem o avivamento, mas não ad­
m item o pentecostes; acham que este é apenas em oção e
desequilíbrio; que não há arcabouço doutrinário em nosso meio
e que somos um m ovimento à procura de uma teologia.
Tais preconceitos são totalm ente descabidos.
Em prim eiro lugar, os pentecostais não são apenas em o­
ção e desequilíbrio. São um a com unidade de fé que se fir­
m ou na experiência do cenáculo. A gora, com o evitar as
em oções se os céus ainda se m anifestam ? Há desequilíbrios
e exageros? Em Corinto tam bém havia. M as nem por isso
Paulo proibiu as m anifestações sobrenaturais do Espírito
nessa igreja. A ntes disciplinou-as para que todas as coisas
fossem feitas com decência e ordem . Q uanto a serm os um
m ovim ento à procura de um a teologia, não poderia ter apa­
recido absurdo maior. H ank H anegraaff, presidente do Ins­
0 AVIVAMENTO E OS DONS ESPIRITUAIS

tituto Cristão de Pesquisas, afirm ou que alguns dos m ais


lúcidos teólogos deste século acham -se entre os pentecostais.
O teólogo David Lim posiciona-se a respeito da pujan­
ça do M ovim ento Pentecostal: "O reavivam ento e crescim en­
to do C ristianism o ao redor do globo, especialm ente nos
países do Terceiro M undo, é um testem unho poderoso de
que os dons espirituais estão operando na prom oção do
R eino de D eus. O M ovim ento P entecostal cresceu de 16
m ilhões, em 1945, a 405 m ilhões até 1990. As dez m aiores
igrejas do m undo pertencem a esse m ovim ento".
Que rom pam os, pois, com tais preconceitos e clam em os
por um avivam ento bíblico, apostólico e evangélico; por um
avivam ento que nos leve de volta à Igreja Prim itiva. E que
não tenham os m edo das m anifestações divinas, pois a com ­
provação bíblica da atualidade do batism o no Espírito e dos
dons espirituais não pode ser negada.

V. A RELAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS COM OS


MINISTERIAIS
Os dons espirituais não têm como função dirigir a Igreja;
foram -nos concedidos com a finalidade de exortar, edificar e
consolar os santos. Infelizm ente, alguns detentores de dons,
que jam ais se preocuparam com o fruto do Espírito, arvo­
ram -se em potentados da herança do Senhor, reivindicando
um a autoridade que Jesus jam ais lhes daria. São pessoas so­
berbas, cheias de si. Neófitas, estas pessoas desconhecem por
com pleto o governo da Igreja de Cristo.
E m b o ra im p o rta n te s , os d on s e s p iritu a is n ã o são
governativos, nem adm inistrativos. Para estas funções, o
Senhor Jesus designou os dons m inisteriais: "E ele m esm o
deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para
evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o
aperfeiçoam ento dos santos, para a obra do m inistério, para
edificação do corpo de C risto" (Ef 4.11,12).
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

N essa lista, P aulo cita os profetas. Todavia, há que se


d iferen çar o p rofeta, com o dom m in isterial, do dom p ro ­
fético. Em bora p arecid o s, há u m a grande diferença entre
am bos. A gabo, p or exem p lo, tin h a o m in istério p ro fé ti­
co, o m esm o não acon tecen d o com as filh as de Filip e (A t
11. 28; A t 21.9). N a Igreja de A n tio q u ia, os p rofetas eram
tam bém co n h ecid o s com o os dou tores: "N a igreja que
estava em A n tio q u ia h av ia algu ns p rofetas e d ou tores, a
saber: B arn abé, Sim eão, cham ad o N iger, e Lú cio, cireneu ,
e M an aém , que fora criad o com H erod es, o tetrarca, e
S a u lo " (A t 13.1).
Q uem eram esses profetas? Investidos de tão im portan­
te m agistério, proclam avam a palavra de Deus com autori­
dade sobrenatural. A pesar de não possuírem as m esm as
prerrogativas dos profetas do A ntigo Testam ento, eram de­
tentores de elevada idoneidade espiritual e moral. Eram pre­
gadores que anunciavam a Palavra de D eus com especial
re v e stim e n to de p od er. H aja v is ta os re fo rm a d o re s e
avivalistas que, no transcorrer da história da Igreja Cristã,
revolucionaram o m undo com um a m ensagem urgente e
a u to riz a d a . S e g u n d o a b a liz a d o s h is to ria d o re s , ta n to
M artinho Lutero quanto John Knox eram verdadeiros pro­
fetas do Senhor. Não obstante, não tinham autoridade in­
con testáv el sobre a Igreja de C risto. Tal au torid ad e era
exercida, única e eclusivam ente, pelos doze apóstolos de
N osso Senhor.
N a Bíblia de Estudo P en tecostal, tem os esta ap rop riad a
exp licação acerca do m in istério p rofético: "A m en sagem
do p rofeta atu al não deve ser con sid erad a in falív el. Ela
está su jeita ao ju lg am en to da igreja, d ou tros p rofetas e
da P a la v ra de D e u s. A c o n g re g a ç ã o tem o d e v e r de
d iscern ir e ju lg ar o con teú d o da m en sagem p rofética (1
Co 14.29-33; 1 Jo 4 .1 )". Ela é realm en te de D eus? Em a l­
gu m m om en to co n trad ita as Sagrad as E scritu ras? Tem
con o tação esp iritu al ou não passa de frases h ab ilm en te
costu rad as?
0 AVIVAMENTO E OS DONS ESPIRITUAIS

VI. 0 DESVIO DOS DONS ESPIRITUAIS


De que forma os dons espirituais são desvirtuados? Eis
uma pergunta que tem incomodado a muitos teólogos e pas­
tores? De um lado, todos sabemos que os dons espirituais são
imprescindíveis ao crescimento da Igreja. Sem eles, o povo de
Deus jam ais poderá enfrentar com eficiência o adversário. Por
outro, estamos cientes de que não podemos com ungar com o
abuso, nem com o desvio dos dons. Caso contrário: escandali­
zaremos não somente o m undo como os próprios santos.
Tenho participado de alguns cultos, onde há muito baru­
lho e nenhum a edificação ou conselho. As línguas estranhas,
sem interpretação. As profecias, confusas, antibíblicas, incon­
venientes. As visões, exóticas e fantasiosas. Certa vez, ouvi
um a irm ã descrever os anjos de Deus com o se fossem crian­
ças vestidas de rosa. Quanto às revelações, não saem do ca­
m inho do óbvio, do observável e daquilo que se pode apurar
sem o auxílio de qualquer recurso sobrenatural.
O desvio dos dons espirituais têm início quando deixa­
m os de lado o amor. Este é o dom m ais excelente de que fala
o apóstolo Paulo em sua Prim eira Epístola aos Coríntios.
Portanto, antes de se receber qualquer dom, é de fundam en­
tal im p o rtân cia que se ten h a o dom su b lim e, etern o e
inigualável do amor. Se eu tenho amor, hei de usar todos os
dons em favor dos irm ãos em C risto. E, assim , estarei
edificando-os, consolando-os e exortando-os.
Se de fato tenho amor, não usarei os dons para prom o­
ver-m e, nem para ostentar a m inha espiritualidade. Cada
vez que for usar um dom , visarei, prioritariam ente, o bem -
estar espiritual do povo de Deus.
O am or há de me tornar tam bém hum ilde. Jam ais sairei
de m inha posição para assum ir posições alheias. Contertar-
m e-ei com o que Deus me tem proporcionado. E, assim, ja­
m ais haverei de cair na tentação do diabo: o orgulho, a vai­
dade espiritual, a prepotência. Am orosa e hum ildem ente,
usarei os dons para edificação e não para a ruína dos santos.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

CONCLUSÃO
N enhum dom deve ser usado para auferir bens terre­
nos, garantir posições m inisteriais ou alim entar apetites ilí­
citos e desordenados. Os carism as são distribuídos pelo Es­
pírito Santo para o que for útil (1 Co 12.7). E que estas
palavras de Paulo sirvam -nos de reflexão: "Se alguém cui­
da ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos
escrevo são m andam entos do Senhor, m as, se alguém igno­
ra isso, que ign ore" (1 Co 14.37).
C hegou o m om ento de nos conscientizarm os que os
dons espirituais foram entregues à Igreja, a fim de que esta
se m antenha sem pre avivada. E um fator de avivam ento. E
que jam ais percam os este sublim e alvo!

QUESTIONÁRIO
1. O que são os dons espirituais?
2. O que são os dons de alocução?
3. O que são os dons verbais?
4. Q ual o suprem o dom de acordo com I a aos C oríntios 13?
5. O que são os dons de poder?
IX

0 AVIVAMENTO E A OPERAÇAO
DE MILAGRES

SUMÁRIO: Introdução; I. O que É o Milagre; II. Quando o Milagre


Torna-se Banal; III. A Grande Pergunta de Orígenes; IV. Sofrer ou
Fazer Milagres? Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
Encontrava-m e a discorrer, certa vez, acerca da Teolo­
gia do Avivam ento, quando m e vi constrangido a respon­
der a um a pergunta que já vai criando ranço em nossos ar­
raiais: "P o r que os m ilagres não se repetem hoje com o ou-
trora?" Em bora teologicam ente justificável, tal curiosidade
não procede. H istórica e biblicam ente, não procede.
Revirando o A ntigo e o N ovo Testam entos, há de se ve­
rificar que sem elhante preocupação não é nova. Era já m a­
nifestada nos dias dos salm os. N esses dias antigos e quase
im em oriais, quando a inspiração do Espírito Santo fazia-se
sentir nas escrituras que se iam lavrando, e quando os m ila­
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

gres do Êxodo e os de Canaã ainda podiam ser recordados


sem a ajuda de qualquer registro. Sim , nesses dias encane-
cidos, o saudosism o já se fazia coevo. Eis a queixa que os
filhos de Coré endereçam ao Senhor: "O uvim os, ó D eus,
com os próprios ouvidos: nossos pais nos têm contado o
que outrora fizeste, em seus dias (SI 44.1).
Para o Israel daqueles dias, a pergunta tam bém era teo­
logicam ente justificável. Histórica e escrituristicam ente, não.
Encontravam -se os israelitas na m esm a situação em que nos
acham os. Sentiam um vazio m ui grande e desconfortável.
N ão era vazio de m ilagres. É algo bem m ais grave; doentia­
m ente crônico. Antes que entremos a descobrir a etiologia
dessa enferm idade, vejam os o que é o milagre.

1.0 QUE É 0 MILAGRE


Na versão revista e atualizada da Bíblia de A lm eida, a
palavra m ilagre pode ser encontrada pelo m enos 23 vezes.
O riginando-se do vocábulo latino m iraculum , etim ologica-
m ente sign ifica esp anto, assom bro. E xp lica-n os Silveira
Bueno que a form a portuguesa da palavra surgiu com os
antigos cancioneiros. E atribuída à influência dos m onges
cluniacenses que a trouxeram de França.
C lassicam ente, o m ilagre é definido com o a suspensão,
ou derrogação, tem porária das leis da natureza por um a
força sobrenatural. M ario Ferreira dos Santos aprofunda-se
no assunto: "Fato ou acontecim ento que ultrapassa a natu ­
reza de um a coisa ou de um conjunto de coisas, um fato, em
sum a, sobrenatural (ou extranatural) e que exige, portanto,
para a sua explicação, a aceitação de um a causa eficiente,
que não pode pertencer à natureza de nenhum a das coisas
finitas, sendo, portanto, atribuído à divindade. Por exten­
são, e em sentido popular, todo fato extraordinário, para o
qual não é encontrada um a explicação satisfatória".
E do professor M axim ilian Rast a próxim a definição: "O
milagre é um acontecimento perceptível e extraordinário que,
0 AVIVAMENTO E A OPERACÃÒ DE MILAGRES

ultrapassando as forças m eram ente naturais, tem em Deus


seu autor im ediato ou mediato. Só recebe o nom e de m ilagre
o acontecim ento sobrenatural m anifesto, perceptível".

II. QUANDO 0 MILAGRE TORNA-SE BANAL


A ocorrência de m ilagres não denota, necessariam ente,
avivam ento; a característica principal deste é o am or a C ris­
to que nunca deixa de ser prim eiro. A m am os a Jesus não
pelos sinais e m aravilhas que opera; am am o-lo pelo sacrifí­
cio do C alvário que ousou por todos nós.
Se não tomarmos cuidado, pode o milagre encaminhar-nos
até mesm o à incredulidade. Mostre-se embora paradoxal, essa
assertiva é teológica, histórica e biblicamente mais do que jus­
tificável. E só adentrar os diversos pavilhões do Livro Santo
para se lhe comprovar a validade.
No Antigo Testamento, nenhum a geração presenciou tan­
tos milagres como aquela que Moisés arrancara ao cativeiro.
Maravilhas no Egito. Prodígios na travessia do M ar Vermelho.
Sinais e portentos no deserto. Enfim, nenhum a outra gente ja­
mais assistira, ou assistiria, a tantos atos sobrenaturais. O m es­
mo Deus o testemunha: "Eis que faço uma aliança; diante de
todo o teu povo farei maravilhas que nunca se fizeram em toda
a terra, nem entre nação alguma: de m aneira que todo este
povo, em cujo m eio tu estás, veja a obra do Senhor; porque
cousa terrível é o que faço contigo" (Êx 34.10).
Infelizmente, todos esses milagres não foram suficientes para
erradicar a incredulidade de Israel. Quando o maná cobriu pela
primeira vez o arraial hebreu, causou espanto. Diante daquela
maravilha que nem nome tinha, o povo resolveu colocar uma
interrogação como apelido ao singular alimento. Que é isto? E
assim "m aná" passou a designar o pão dos anjos. Não era pro­
priamente pão; interrogação era. Israel alimentado por uma
perguata que jamais seria respondida! Pode haver maravilha
maior? Contudo, o objetivo de Deus não era matar a curiosida­
de de Israel; mitigar-lhe a fome era o seu desígnio.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

Que é isto?
No prim eiro dia, m ilagre. No segundo, m aravilha. No
terceiro, não deixava de causar espécie. M as os dias se pas­
saram e se fizeram sem anas; estas acharam -se em m eses. E,
agora, o m aná já serve de tropeço em Israel. O que era um
portento, agora cansa e enfastia Israel. Que paradoxo! Um a
interrogação que, em bora não elucidada, já não é sensação.
E p or cau sa d esse m ilag re que se fez ro tin a às p ortas
hebréias, m urm uram os israelitas am argam ente: "A gora,
porém , seca-se a nossa alm a, e nenhum a cousa vem os se­
não este m aná" (Nm 11.6).
N essa queixa dos hebreus, não vem os apenas incredu­
lidade. H á de se divisar aquela am argura tão própria de
quem já se fez indiferente ao extraordinário. Tantos eram os
m ilagres, que eles já não os suportavam . Pois tão logo des-
cerravam a porta de suas tendas, o que viam era justam ente
o m ilagre. Tudo branco. O pão dos anjos caía de m adruga­
da, orvalhava o deserto, tornando-o am eno. M esm o assim ,
enfadaram -se do sobrenatural: "Lem bram o-nos dos peixes
que no Egito com íam os de graça; dos pepinos, dos m elões,
dos alhos silvestres, das cebolas e dos alh os" (N m 11.5).
Com o preferir a opressão aos m ilagres? Infelizm ente, os
sentidos de Israel já se achavam em botados. À sem elhança
dos israelitas, vem o-nos às vezes saturados pelo sobrenatu­
ral devido à nossa m ente natural, que nos induz a ver os
grandes atos de D eus com o se fossem m eros espetáculos. É
por isto que, em todas as m anifestações sobrenaturais, é
m ister que façam os a pergunta de Orígenes.

III. A GRANDE PERGUNTA DE ORÍGENES


Na Teologia do Avivam ento, tem os de nos conscienti­
zar de algo de sum a im portância: m ilagre não é espetáculo.
Ele acontece tendo em m ira triplo objetivo: 1) glorificar o
nom e de Deus; 2) prom over a doutrina apostólica; e: 3) for­
talecer a fé aos santos. O m ilagre não ocorre para aguçar-nos
0 AVIVAMENTO E A OPERAÇÃO DE MILAGRES 121

a curiosidade. H aja vista o que aconteceu a H erodes quan­


do lhe enviaram a Jesus naquela noite de paixão e dor. Es­
perava o rei ver algum sinal por parte do Cristo, m as o Se­
nhor nada fez.
O que buscava H erodes?
U m espetáculo! Era o que tod a a Ju d éia, e em e sp eci­
al Jeru salém , b u scara d u rante tod o o m in istério terreno
de C risto. Segu iam -n o os ju d eu s não p orqu e v issem nE le
o M essias; e, sim , p ara assistir algo gran d ioso, que lhes
excitasse os sentid os. P or isto, tod a aqu ela g eração, à se­
m elh an ça dos co n tem p o rân eo s de M o isés, m orreu em
suas in iqü id ad es. Sim , apesar dos in co n táv eis prod ígios
e m arav ilh as op erad os p elo N azaren o , p ereceram na in ­
cred u lid ad e que se v in h a cristalizan d o desde que Israel
saíra do Egito.
A s vezes, não entendem os por que o C risto ressurrecto
não se apresentou a Israel. M as não é preciso rebuscar ex­
plicações para se conclu ir um a resposta. Tivesse isto acon­
tecido, teríam os certam ente um grande espetáculo. B asta­
riam , porém , algum as sem anas, e o m ilagre teria acabado
por saturar os jud eu s com o o m aná im pacientara a gera­
ção do Êxodo. E, assim , não v acilariam em m atar nova­
m ente o M essias. N ão intentaram fazer o m esm o ao Lázaro
de Betânia?
Foi pensando na seriedade do m ilagre que nos aconse­
lha O rígenes a fazer sem pre esta pergunta quando da ocor­
rência de qualquer sinal ou prodígio: "Q u al o seu objeti­
v o ?" D esta pergunta que, sem dúvida, nos levará a um la­
borioso exercício teológico, haverem os de obter um a solíci­
ta e gravíssim a resposta.
Sim , qual o objetivo do m ilagre?
Se é p ara g lo rificar a D eus, é m ilagre; m as se tem por
fim en d eu sar o hom em , não. Se é p ara con firm ar a fé aos
féis, con tin u a m ilagre; m as se tem p or ob jetivo p rom over
um esp e tá cu lo , não. Se é p ara referen d ar as verd ad es
b íb licas e ad m in istrar os m eios da graça, p erm an ece m i­
122 FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

lagre; m as se tem com o alvo a p rom oção do efêm ero, ja ­


m ais será m ilagre. Se é para efetiv ar o avivam en to, é m i­
lagre; m as se tem p or m eta agu çar os sen tid os h u m anos,
nu n ca será m ilagre.
Vejam os o caso de M oisés e A arão diante do Faraó. Os
servos de D eus visavam , com a dem onstração de seus m ila­
gres, duas coisas: fortalecer a fé aos hebreus, e convencer a
Faraó a deixar partir os filhos de Israel. Todavia, lá estava o
rei do Egito pronto a resistir aos arautos de Jeová. Lá estava
com os seus m agos e adivinhos. Lá, os chefes das ciências
ocultas: Janes e Jam bres. Q ueria o egípcio apenas um a coi­
sa: ostentar o poder trevoso de sua equipe. E, dessa m anei­
ra, prom over um grande evento que acabasse por perverter
a fé dos filhos de Jacó.
Com o vivem os hoje m om entos difíceis, carecem os re­
petir a pergunta de Orígenes. Pois, infelizm ente, nem todos
os m ilagres são de Deus. No A pocalipse, por exem plo, ve­
m os a besta e o falso profeta realizarem grandes sinais e
m aravilhas que enganarão toda a terra.
D iante do m ilagre, não vacilem os em perguntar: Q ual o
seu objetivo? Se glorificar o nom e de D eus, é m ilagre. Caso
contrário, não. Porque D eus não tem por objetivo prom o­
ver exibições.
Espetáculo é para m im ar os olhos; apenas a piedade
há de fortalecer a crença. O verdadeiro avivam ento tem
com o m otivação o am or, e não o exibicionism o barato e
m alévolo de alguns.

IV. SOFRER OU FAZER MILAGRES?


Por que o autor da Epístola aos H ebreus detém -se a
m encionar apenas dois sucessos concernentes à peregrina­
ção dos filhos de Israel - a travessia do M ar Verm elho e a
derribada das m uralhas de Jericó? Sendo que, entre am bos
os eventos, houve m uitos outros prodígios e m aravilhas.
A cerca destes, porém , cala-se o apóstolo.
0 AVIVAMENTO E A OPERAÇÃO DE MILAGRES

A resposta parece óbvia. O escritor sagrado lim itou-se


a m en cion ar apenas esses dois ep isód ios, pois ou tra coi­
sa n ã o fez Is ra e l, d u ra n te os q u a re n ta an o s d e su as
an d an ças, senão sofrer o sob ren atu ral. P or isso, o b a tis­
m o no M ar de Ju n co s e o sítio de Jericó foram tid os com o
atos de fé.
N a tra v e ssia do M ar V erm elh o, os filh o s de D eus
p u seram -se em m archa até que se abrissem as ondas. Não
estavam dispostos a sofrer o m ilagre; seu intento era fazê-
lo acontecer. Israel vivia o seu prim eiro avivam ento! O m es­
m o se deu quando as tribos hebréias chegaram a C anaã.
N o Jordão, não p ad eceram o m ilagre; realizaram -no. Bas­
taram os pés dos levitas pisarem o caud aloso das águas
para que se abrisse o rio. E, quando do sítio de Jericó, tam ­
bém não quiseram pad ecer o m ilagre. R odearam a cidade
seis dias. E, no sétim o, deitaram os m uros todos por terra
com o soar das trom betas. Israel retom a, aqui, as prim ícias
de seu avivam ento.
N ão resta dúvida de que, em am bos os eventos, a ope­
ração foi divina, m as a iniciativa, hum ana. Isto se cham a fé.
O m ilagre aconteceu. M as a fé não se achava ausente.
Ela estava lá; bem presente em todos aqueles atos e faça­
nhas. Q uanto às m aravilhas havidas durante a peregrina­
ção, pobres hebreus! Passaram quarenta anos sofrendo m i­
lagres e prodígios. E, com o não tivessem fé, acabaram por
naufragar no sobrenatural. M orreram em sua incredulida­
de: "E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, se­
não aos que foram desobedientes? E vem os que não pude­
ram entrar por causa da sua incredulid ade" (Hb 3.18,19).
N as águas de M ara, sofreram o m ilagre. N a rocha, su ­
p ortaram o m ilagre. N o orv alh ar do m aná, p ad eceram o
m ilagre. E n fim , em tod a a sua p ereg rin ação agiram p as­
sivam en te no tocan te ao m ilagre. N ão é sem razão que a
sua jo rn ad a é con h ecid a com o a p rovo cação do deserto.
A in d iferen ça e a p assiv id ad e torn am -se in su p ortáv eis
dian te de D eus.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

CONCLUSÃO
N a G rande Com issão, o Senhor instiga a Igreja a fazer
m ilagre. Ele exige que façam os o sobrenatural acontecer:
"Id e por todo o m undo, pregai o evangelho a toda a criatu­
ra, quem crer e for batizado será salvo; m as quem não crer
será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem : Em
m eu nom e expulsarão os dem ônios; falarão novas línguas:
pegarão em serpentes; e, se beberem algum a coisa m ortífe­
ra, não lhes fará dano algum ; e porão as m ãos sobre os en­
ferm os, e os curarão" (Mc 16.15-18).
Com o se vê, o Senhor é bastante claro quanto ao sofrer
o sobrenatural, e é m ais claro ainda concernente ao fazer o
sobrenatural acontecer. Se a Igreja se puser em m archa, com
certeza todos os sinais a acom panharão, pois já é o Reino de
Deus em m ovim ento. M as se parar, os m ilagres desapare­
cem. E, m esm o que aconteçam , dificilm ente arrancarão o
povo à sonolência espiritual.
Q uando evangeliza, a Igreja não sofre o m ilagre; reali-
za-o. Entretanto, se já não liga im portância à G rande C o­
m issão, cai no saudosism o. E com o o saudosism o é prejudi­
cial ao Reino de Deus!
Sim, a igreja avivada não sofre o milagre. Ela faz o sobre­
natural acontecer. O avivam ento instiga a igreja a marchar
de vitória em vitória, fazendo o sobrenatural acontecer.

QUESTIONÁRIO
1. O que é o m ilagre?
2. Q ual o significado literal desta palavra?
3. Sobre as m aravilhas do Senhor, o que disseram os filhos
de Coré?
4. Pode o sobrenatural viciar os sentidos do crente?
5. Com o a igreja realm ente avivada deve encarar o m ilagre?
0 AVIVAMENTO E O FORMALISMO

SUMÁRIO: Introdução; I. O que É o Formalismo; II O Formalismo


no Tempo de Malaquias; III. O Formalismo Cansa a Deus; IV. O For­
malismo Destrói a Espiritualidade da Igreja; V. O Formalismo Gera
a Iniqüidade; VI. Somente Existe um Antídoto contra o Formalismo
- o Avivamento; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
A quele culto seria m arcante não apenas para m im , mas
para quantos que, naquela noite de dom ingo, celebrávam os
ao Senhor na A ssem bléia de Deus em São Bernardo do Cam ­
po, SP. D esde o início dos trabalhos, já podíam os sentir a
presença de Deus. Não estaria exagerando se dissesse que,
naquela já distante noite, abrira-se o céu de form a extraor­
dinária sobre a nossa igreja.
O culto transcorria de um a form a tão bela, tão perfeita e
tão celestial, que nem dava para ver o tem po passar. À se­
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

m elhança de Pedro, João e Tiago, tínham os vontade de cons­


truir cabanas para ficar perm anentem ente ao lado de Jesus
naquele m onte de transfigurações e poder.
N ossos louvores eram , de im ediato, enlevados ao tro­
no de Deus. C om que júbilo o coral se apresentou! C om que
vigor a orquestra executou aqueles hinos avivados e singe­
lam ente pentecostais! Eu diria que, naquela noite, ajunta-
ram -se os coros celestes às nossas vozes para, em perfeita
harm onia, adorar a Cristo no poder do Espírito.
H ouve, naquela noite, conversões de alm as, batism os
no Espírito Santo, curas divinas e m anifestações de dons
espirituais.
N aquela m inha igreja, pouco ouvira falar de form alis­
m o; era um a palavra que inexistia em nossas devoções. Éra­
m os um autêntico cenáculo. Tínham os a im pressão de estar
na Jerusalém dos apóstolos e dos ardentes discípulos de
N osso Senhor.
Infelizm ente, não são poucas as igrejas que vêm caindo
nas m alhas do form alism o. E este, conform e verem os no
tr a n s c o r r e r d e s te c a p ítu lo , s o m e n te p o d e rá se r
desestruturado por um poderoso avivam ento. E, assim , à
sem elhança dos prim eiros discípulos, haverem os de usu ­
fruir os tem pos de refrigério. U rge que voltem os de im edi­
ato ao cenáculo!

1.0 QUE É 0 FORMALISMO


O Form alism o pode ser definido com o a ênfase exage­
rada às form as externas da religião em detrim ento de sua
essência - a com unhão plena com o D eus Ú nico e Verdadei­
ro. Tam bém é conhecido com o liturgism o e ritualism o. É a
liturgia pela liturgia. M uito com batido pelos profetas e por
N osso Senhor (Is 29.13; M t 6.1-6), é um dos m aiores obstá­
culos à expansão do Reino de Deus.
A própria Igreja C atólica, que ostenta u m pom poso ce­
rim onial, condena o ritualism o que, em sua term inologia,
0 AVIVAMENTO E O FORMALISMO 127

recebe a alcunha de rubricism o por causa das letras verm e­


lhas que, nos m issais e breviários, indicam o m odo de se
recitar ou celebrar o ofício. N ão obstante tal preocupação,
os católicos em prestam à liturgia um a im portância exage­
rada. E o m esm o parece estar acontecendo com algum as
igrejas evangélicas que, ao invés de buscar o poder de Deus,
conform am -se com um culto epidérm ico e sem a presença
do Espírito Santo. Era o que acontecia com os judeus nos
dias do últim o profeta do A ntigo Testam ento.

II. 0 FORMALISMO NO TEMPO DE MALAQUIAS


A pesar dos setenta anos de exílio em Babilônia, os ju ­
deus, já de volta à terra de seus pais, dem onstraram que
pouco haviam aprendido com as am argas experiências do
cativeiro. Pois tom aram a cair no m esm o form alism o que
houvera enferm ado a religião divina.
Com o sói acontecer em tem pos de frieza e apostasia, o
form alism o acabou por engendrar gravíssim os pecados em
todas as cam adas da sociedade judaica. Do sum o sacerdote
ao m ais obscuro dos adoradores, todos em pecados. Do go­
vernador ao m ais hum ildade dos cidadãos, todos m etidos
em iniqüidades. Tivessem em bora a Lei e quase todos os
Profetas e Escritos, agiam com o a m ais vilã das gentes. O fen­
diam a Deus e oprim iam o sem elhante. E, depois, com pare­
ciam aos costum eiros sacrifícios, com o se isso fora suficien­
te para torná-los favoráveis diante do Senhor dos Exércitos.
Eis que em meio à apostasia renascida, suscita Jeová ao
profeta Malaquias. E este conclama o povo à piedade; intenta
levá-lo à adoração do Eterno. A nação, contudo, parecia
embriagada em seu liturgismo iniqüamente árido e aridamente
afastado dos verdejantes pastos salmodiados por Davi.
Quantas igrejas não se acham em igual situação! D o for­
malismo, caíram na apostasia; da apostasia, precipitaram-se
nas m ais abjetas im piedades. N ão obstante, reúnem -se elas a
cada dom ingo com o se o serviço m atutino fosse suficiente
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

para lhes endireitar as veredas. Reexam inem os im ediatam en­


te o nosso culto. Se já não estivermos adorando a Deus em
espírito e em verdade, voltem os sem mais tardança ao pri­
meiro amor, antes que venha o Senhor a se cansar de nós.

III. 0 FORMALISMO CANSA A DEUS


O culto levítico fora instituído, a fim de que Israel adoras­
se a Deus de forma verdadeira e amorosa (Lv 20.7). Os seus
vários sacrifícios, oferendas e oblações deveriam ser suben­
tendidos como figuras dos bens futuros (Hb 10.11). Infelizmen­
te, os israelitas passaram, com o decorrer do tempo, a adorar a
própria adoração. Acabaram por considerar o culto superior
ao cultuado. E isso trouxe-lhes consideráveis prejuízos. Haja
vista o que aconteceu à serpente de bronze (Nm 21.8; 2 Rs 18.4).
Na vida dos judeus, cumprira-se o que, certa feita, afirmou
Charles Montesquieu: "A m aior ofensa que se pode fazer aos
homens é tocar nas suas cerimônias e nos seus usos".
De tal maneira o formalismo contagiou os judeus que, no
tempo de Jeremias, passaram eles a considerar o Templo do
Senhor como mais importante que o Senhor do Tempo (Jr 7.4).
Achavam que, apesar de suas iniqüidades, os sacrifícios e
oblações, que pensavam eles endereçar ao Altíssimo, ser-lhes-
iam mais do que suficientes para torná-los aceitáveis diante de
Deus (Jr 3.1-15). Como estavam enganados! A fim de que tam­
bém não nos enganemos, recitemos esta oração feita por John
L. Williams: "Senhor, que a nossa preocupação não seja ape­
nas pelo ritual, mas, sim, pela abertura de nossos corações".
Assim é o cristianismo nominal. Supõe que o seu credo,
ortodoxia, história e costumes são suficientes, em si mesmos,
para m anter os benefícios da graça. Todavia, não basta ser cris­
tão; é urgente ter o Cristo. Não é suficiente ser pentecostal; é
necessário ser a habitação do Espírito Santo. Não é bastante
ser ortodoxo; é imperioso acreditar na Palavra de Deus, e obe­
decê-la incondicionalmente. Não é muito ter uma linda histó­
ria, é indispensável prosseguir como um movimento do Espí­
0 AVIVAMENTO E O FORMALISMO

rito; caso contrário: ficaremos estagnados com o uma denomi­


nação burocrática e empírica. Enfim, não basta ser igreja; é
necessário que sejamos Reino de Deus e corpo de Cristo.
Se não buscarm os de im ediato o avivam ento, o form a­
lism o acabará por com prom eter-nos dolorosa e irrem edia­
velm ente a espiritualidade.

IV. 0 FORMALISMO DESTRÓIA ESPIRITUALIDADE


DA IGREJA
Algum as igrejas supõem que lhes basta a ortodoxia para
serem tidas como Reino de Deus. Haja visto a Igreja de Éfeso.
Em todo o N ovo Testam ento, não havia igreja m ais confor­
m ada à sã doutrina que essa. No entanto, já não possuía o
prim eiro am or (Ap 2.4).
Além da ortodoxia doutrinária, a Igreja verdadeiram ente
avivada haverá de ser o tem plo do D eus vivo e a m orada
do Espírito Santo (1 Tm 3.15). D outra forma: será destruída
pelo form alism o.
Se a igreja não viver de avivam ento em avivam ento; se
não voltar ao cenáculo; se não reviver a realidade do Pente­
costes, acabará por ser absorvida por um culto frio e estere­
otipado. E, não dem orará m uito, deixará de existir. N ão fo­
ram poucas as igrejas que desapareceram no decurso da
história. Existiam , m as não tinham vida. E o que é isso se­
não evidência de óbito espiritual?

V. 0 FORMALISMO GERA A INIQÜIDADE


Além de destruir a espiritualidade da igreja, o formalismo
sempre acaba por gerar iniqüidades e pecados gravíssimos. O
que aconteceu a Israel e a Judá, nos tempos dos profetas Oséias,
Amós, Isaías e Jeremias, repete-se hoje nas igrejas que se dei­
xaram dominar pela frialdade e indiferença.
O form alism o leva a igreja a perder as características de
corpo de Cristo (1 Co 12.27). E, de repente, deixa ela de ser o
130 FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

órgão por excelência da com unhão dos santos para tornar-


se num m ero ajun tam en to. Torna-se um grupo que vai
aprofundando as diferenças sociais e a acepção de pessoas
(Tg 2.1). O que é isto senão iniqüidade? Stanley Jones pare­
ce haver com preendido, perfeitam ente, a função dos ritos
no culto divino: "R itos e cerim ônias colocam -se entre Deus
e m im , e se tornam um ídolo, a não ser que me conduzam a
C risto". Se os ritos forem assim com preendidos, nenhum a
iniqüidade haverão de gerar. D outra form a, induzirão o
povo ao pecado e à idolatria.
A igreja, verdadeiram ente espiritual e avivada, desta-
ca-se tam bém com o agência de justiça social. Pois tem com o
lei suprem a o am or que o Senhor Jesus nos dispensou (Rm
12.10). A igreja de Cristo não precisa im iscuir-se politica­
m ente para prom over a justiça. Ela só precisa de um a coisa:
viver a Palavra de D eus, socorrer os dom ésticos na fé, am ­
parar os que se afadigam no m agistério eclesiástico e m os­
trar à sociedade a excelência de suas obras estim uladas pela
santíssim a fé em Cristo (G1 6 .1 0 ;lT m 5 .1 7 ) .
A igreja avivada pratica a verdadeira religião: "A reli­
gião pura e im aculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar
os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da
corrupção do m u n d o" (Tg 1.27).

VI. SOMENTE EXISTE UM ANTÍDOTO CONTRA 0


FORMALISMO - 0 AVIVAMENTO
H á som ente um antídoto contra o form alism o. E parece
que os pentecostais já nos esquecem os deste poderosíssim o
contraveneno: o avivam ento contínuo, eficiente e que tem
a Palavra de D eus com o a regra áurea (Is 8.20). Voltemos,
pois, às nossas origens. R etom em os à sim plicidade da m en­
sagem pentecostal: Jesus C risto salva, batiza no Espírito
Santo, cura as enferm idades, opera m aravilhas e em breve
buscar-nos-á para que estejam os para sem pre consigo.
0 AVIVAMENTO E O FORMALISMO

N ão tem os de ficar im portando m odism os e pseudo-


avivam entos; estes só trazem confusão e irreverência à casa
de Deus. Também não podem os transform ar nossas igrejas
em casas de espetáculo, onde se apresentam m uitas vezes
pregadores e cantores destituídos da graça divina. O aviva­
m ento de que necessitam os prim a pela obediência às Sa­
gradas Escrituras, investe nas m issões transculturais, pro­
m ove o evangelism o pátrio, torna a igreja m ais santa, e leva-
nos a nos preocuparm os m uito m ais com o Reino de Deus
do que com os nossos particulares im périos.
A igreja avivada m antém -se vigilante. Sabe que, a qual­
quer m om ento, o Senhor Jesus virá buscá-la.

CONCLUSÃO
C om o seria triste se Deus viesse a enfadar-se de nós! O
que nos restaria se deixássem os de ser o seu povo, e nos
fizéssem os um mero ajuntam ento? Não perm itam os isso ve­
nha a acontecer. D eixem os de lado o form alism o; busqu e­
m os o avivam ento.
É hora de voltarm os ao cenáculo. O s tem pos de refrigé-
rio não nos faltarão. O Senhor Jesus quer visitar o seu povo,
salvando, batizando no Espírito Santo, curando e operando
m aravilhas. O cristianism o destes últim os dias não pode ser
caracterizado pela indigência espiritual. Tem de ser m ais
rico do que nos tem pos prim itivos (Ec 7.10). Jesus continua
o m esm o. Ele não m udou nem m udará.

QUESTIONÁRIO
1. O que é o form alism o?
2. O que M alaquias disse sobre o form alism o?
3. Por que o form alism o cansa a D eus?
4. Por que o form alism o gera iniqüidades?
5. Q ual o único antídoto contra o form alism o?
0 AUTÊNTICO AVIVAMENTO
PENTECOSTAL TEM O ESPÍRITO SANTO

SUMÁRIO: Introdução; I. O Perigoso Adversário; II. O Nome do


Inimigo; III. O Pentecostalism o sem Pentecostes; IV. O Pente-
costalismo sem Pentecostes não Tem o Espírito; V. Os Perigos do
Pentecostalism o sem Pentecostes; VI. Onde N asceu o Pente­
costalismo sem Pentecostes; VII. O Pentecostalismo sem Pentecos­
tes não É Invencível; VIII. A Responsabilidade dos Pentecostais;
Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
Avultando-se com o o m aior avivam ento espiritual dos
últimos séculos, o M ovimento Pentecostal não precisou de
muitas décadas para sobrepujar as denominações históricas e
ameaçar a hegemonia do catolicismo romano na América La­
tina. O Pentecostalismo venceu dificuldades e preconceitos,
malquerenças e perseguições. E, assim, de vitória em vitória,
logrou espalhar a genuína fé apostólica em quase todos os
países, alargando prodigamente os frontões do Reino de Deus.
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

O M ovim ento Pentecostal espantou o m undo; os atos


dos apóstolos nunca se fizeram tão coevos. H oje, os frutos
de seu trabalho acham -se m ais do que patentes. É um a for­
ça que transcende divisas, lim ites e fronteiras.
Constrangidos em bora pela m odéstia, som os obrigados
a reconhecer: o Pentecostalism o é o esperado avivam ento
para estes últim os dias. Estejam os, porém , atentos a um in-
sidioso adversário que não poupa esforços para arrefecer-
lhe o fervor.

I. 0 PERIGOSO ADVERSÁRIO
A pesar de todos os pod erosos feitos do M ovim ento
P entecostal, há um inim igo que ainda não logram os v en ­
cer totalm ente. Trata-se de um adversário ladino e m ui sor­
rateiro. É todo finório esse antagonista. Suas artim anhas
dificilm ente são detectadas. A ge com astúcia e não se in ­
com oda em tom ar as cores de todas as ocasiões; adapta-se
as m ais v a fia ò a s circunstancias, lim a\gumas op ortu n id a­
des, ei-lo todo fanático; é o m ais santo dos m ísticos. Em
outras, é o m esm o form alism o. A presenta-se com o liberal
e conservador. In venta visões e fabrica vaticínios. C om a
m esm a sanha, debela as revelações e arrefece as m en sa­
gens de Deus.
E um oponente incom um esse predador. Vem sem pre
com o am igo; apresenta-se sem pre com o irm ão. N ão m e re­
firo aos políticos. Estes aparecem nas eleições; aquele, com o
eleito. Também não é um a organização, todavia enferm a
qualquer organism o. Já podem os descobrir-lhe o espectro
em quase todas as nossas reuniões. Ele não com e, nem bebe;
alim enta-se do fervor da Igreja de Cristo.

II. 0 NOME DO INIMIGO


N o p assado, esse inim igo destruiu o ardor da igreja
em Laod icéia, e roubou o prim eiro am or ao anjo de Éfeso.
0 A U TÊ N T IC O A V IV A M EN TO PEN TECO STAL TEM O ESPÍRITO SA N T O

In satisfeito ainda, espalhou a doutrina de Balaão em Pér-


gam o, e a m orte sem eou em Sardo. Foi m ais longe este
algoz. Em Tiatira, instalou Jezabel, e m uitos acreditaram
em suas profecias. Só não consegu iu guarida em Filadélfia
e Esm irna.
Em sua p assagem , esfriou m ovim entos. Fez da sim p li­
cidade do Evangelho, pom posa liturgia. Transform ou os
m inistros de C risto em fantoches. Exaltou a idolatria e tor­
ceu as Escrituras. A gora, este im p lacável opositor tenta
barrar o ritm o do M ovim ento P entecostal. Q ual o nom e
deste inim igo? Ele não tem um nom e específico, nem um a
alcunha definida, m as vam os cham á-lo de Pentecostalism o
sem Pentecostes.

III. 0 PENTECOSTALISMO SEM PENTECOSTES


O P en teco stalism o sem P en tecostes é b u ro crático e
in s t itu c io n a l. S o b r e v iv e de v e lh a s fó r m u la s e d as
am arelecidas páginas dos grandes avivam entos e reform as.
Tem história, m as já não faz história; conform a-se às crôni­
cas. O Pentecostalism o sem Pentecostes é um a m era deno­
m inação; não tem a pujança dos m ovim entos. Existe e não
tem vida. Vegeta saudosism os, pois já não consegue sem ear
a boa sem ente. Em sua tardonha cam inhada, resm unga pre­
téritas glórias. Avança para trás, porém não retorna às ori­
gens de Atos.
O P en teco stalism o sem P en tecostes cu ltu a a lib e rta ­
ção, m as não adora o Libertador. Fala da teologia da p ros­
p erid ad e, p orém desp reza a p rosp erid ad e da teo lo g ia b í­
b lica e n eo testa m e n tá ria . E co n fissão p o sitiv a , afron ta
contu d o o E tern o C onfessor. O P en teco stalism o sem P en ­
tecostes é casu ísta e cheio de m od ism o s, en tretan to é in ­
capaz de refazer as trilh as antigas, onde os m ilagres se­
gu iam os crentes. H oje, segu e-se os sin ais; a fé no en tan ­
to acha-se au sen te, pois este p e n teco stalism o não tem o
p en teco stes e já não reconh ece o E sp írito. É m ovim en to e
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

não avan ça; é avivam en to e está m orto; é religião e está


d esligad o de D eus.

IV. 0 PENTECOSTALISMO SEM PENTECOSTES NÃO


TEM 0 ESPÍRITO
O P e n te c o s ta lis m o sem P e n te c o s te s é c a rism á tic o
a p esar de e x tin g u ir o E sp írito . Ju lg a -se b íb lic o m esm o
n eg an d o a so b eran ia de D eus. R ev e la -se o rto d o xo a p e ­
sar de ab ju rar os p rin cip a is artig o s de fé. D eclara-se e s­
p iritu a l n ão o b stan te co m p actu ar-se com o m u n d o e do
m u n d o fazer-se am igo. O P e n te co sta lism o sem P e n te ­
co ste s é tu d o , m en os p e n te co sta l; ja m a is é en co n trad o
no cen ácu lo .
O Pentecostalism o sem P entecostes não é m ovim ento;
é um m onu m ento do que éram os, e já não o som os. Jazen ­
do com o m ausoléu, tem ele a aparência de um a tum ba que,
toda caiada por fora, por dentro acha-se contam inada com
a ossada seca dos que se recusaram a viver de avivam ento
em avivam ento.

V. OS PERIGOS DO PENTECOSTALISMO SEM


PENTECOSTES
Do batism o, este oponente tira o fogo. Das estranhas lín­
g u as, a v a rie d a d e e a in te rp re ta ç ã o . D as p ro fe c ia s , a
genuinidade da voz divina. Do conhecim ento, a revelação.
Da palavra da sabedoria, a orientação dos céus. Do discerni­
m ento de espíritos, a distinção de manifestações. Das curas
divinas, a própria saúde da alma. Das m aravilhas, suas fei­
ções sobrenaturais. Da fé, consegue tirar suas conquistas. Tão
perigoso é o Pentecostalism o sem Pentecostes que só falta
tirar o Cristo do Cristianismo. M as, em algum as igrejas, já
expulsou tanto o Cristo quanto o Cristianismo. Até o Espíri­
to, extinguiu ele.
0 A U TÊ N T IC O A V IV A M EN TO PEN TECO STA L T E M O ESPÍRITO SA N T O

VI. ONDE NASCEU O PENTECOSTALISMO SEM


PENTECOSTES
Não sabem os determ inar-lhe a gênese. De um a coisa, po­
rém , estam os certos: não foi na m anjedoura. Talvez, em
Laodicéia: a m ornidão espiritual é um a de suas principais
características. Ou, quem sabe, em Éfeso? Do Pentecostalismo
sem Pentecostes, podem os dizer: O prim eiro am or m orreu; o
segundo am or morreu; o terceiro, também. Restaram-lhe ape­
nas fósseis.
A p a ró d ia n ão é p e rfe ita . R e v e la e n tre ta n to u m a
aflitiv a realidad e. N o P en teco stalism o sem P en tecostes,
o am or d esm aia nos b raço s do form alism o; falece no re­
gaço do d en o m in acio n alism o . M orre o am or às alm as.
M orre o am or às m issões. M orre o am or às obras sociais.
M orre até o am or ao am or. Só não m orre o am or ao com o­
dism o. Este renasce tod os os dias. N a litu rgia fria, ren as­
ce. N o abafar das p rofecias, renasce. N a m u m ificação da
fé ap o stó lica, renasce. N a h ip o crisia religiosa não pára
de renascer, e há de ren ascer em m en tiras e escân d alos,
falsid ad es e trop eços.

VII. 0 PENTECOSTALISMO SEM PENTECOSTES


NÃO É INVENCÍVEL
Em bora seja o Pentecostalism o sem Pentecostes um ini­
m igo im placável, não é invencível. Desde o início, tem lan­
çado variados ataques contra o m ovim ento do Espírito, mas
em vão. O Pentecostes tem renascido em todos os continen­
tes. A té agora, ainda não tivem os um único século sem avi-
vam entos. Em suas respectivas épocas, Tertuliano e João
C risóstom o, foram testem unhas de autênticos pentecostes.
M artinho Lutero e John W esley viveram sob o poder do alto.
N este século, tem os a im pressão de que há um cenáculo em
cada continente. O que dizer de D aniel Berg e G unnar
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

Vingren? O pentecostalism o que proclam avam não tinha


apenas o pentecostes; possuía o Espírito. Eis porque, já de­
corridas todas essas décadas, continua tão pujante quanto
àqueles com eços. Todavia, não podem os ignorar o inviso
inim igo que é o Pentecostalism o sem Pentecostes.

VIII. A RESPONSABILIDADE DOS PENTECOSTAIS


Os pentecostais não podemos deixar que o Pentecostalismo
sem Pentecostes destrua-nos as bases do movimento. Temos
de lutar am orosa e sacrificialm ente contra esse adversário
m anhoso e eivado de sagacidade. Caso contrário, passaremos
à história como um avivamento a mais. Creio não ser este o
nosso destino. O pentecostalismo no Brasil nasceu pentecos­
tal, continua pentecostal e prosseguirá pentecostal.
N o e n ta n to , só c o n tin u a r e m o s g e n u in a m e n te
pentecostais se reavivarm os nosso am or pelas alm as perdi­
das. Ao contrário do que m uitos pensam , a principal carac­
terística do pentecostalism o não são os dons espirituais. A
principal característica do pentecostalism o irresistivelm en­
te pentecostal é o am or à obra m issionária. Eis o texto áureo
do livro de Atos: "M as recebereis a virtude do Espírito San­
to, que há de vir sobre vós; e ser-m e-eis testem unhas, tanto
em Jerusalém com o em toda a Judéia e Sam aria, e até aos
confins da terra" (1.8).

CONCLUSÃO
Só pod e h av er ab u n d ân cia de don s, qu and o a Igreja
ev an g eliza e se lan ça às m issões. P erm an eça in ativ a e fi­
cará p au p érrim a. E assim que nasce o P en teco stalism o
sem P en tecostes. N osso p erig o síssim o in im igo surge da
letargia esp iritu al e da falta de p aixão p elas alm as. Q ue o
Sen h or nos aju d e a retorn ar às orig en s, e a evan g elizar
en qu an to é dia. O B rasil está à n o ssa esp era; o m undo
gem e e p ed e-n os socorro. C hegou o m om en to de m o s­
0 AUTÊNTICO AVIVAMENTO PENTECOSTAL TEM O ESPÍRITO SANTO

trarm os que o n o sso p en teco stalism o é au ten ticam en te


pentecostal. A liás, não som en te p en teco stal, m as tam bém
m ission ário. R ogu em os a D eus p or um av iv am en to ain ­
da m aior.

QUESTIONÁRIO

1. O que é o pentecostalism o sem pentecostes?


2. O nde nasceu o pentecostalism o sem pentecostes?
3. Q uais os perigos do pentecostalism o sem pentecostes?
4. Por que dizem os que o pentecostalism o sem pentecostes
não tem o Espírito Santo?
5. Q ual a responsabilidade dos pentecostais?
XII

0 VERDADEIRO AVIVAMENTO
TEM EQUILÍBRIO

SUMÁRIO: Introdução; I. O que É o "C air no Espírito"; II. O cair


no Espírito na Bíblia; III. Como os Legítimos Representantes de
Deus Portavam-se quando alguém Caía por Terra; IV. Nas Efusões
do Espírito Santo, Registradas em Atos, Houve Casos de Prostra­
ção? Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
E m 1923, o m issio n ário su eco G u n n ar V ingren, um
dos fu n d ad ores da A ssem b léia de D eus no B rasil, fora
in form ad o de que um certo m ovim en to p en teco stal co­
m eçava a alastrar-se p or Santa C atarin a. Sem p erd a de
te m p o , V in g r e n d e ix o u B e lé m d o P a r á , b e r ç o do
p en teco stalism o b rasileiro , e em b arcou p ara o Sul. N o
endereço in d icad o, veio ele a con statar sem m aiores d ifi­
cu ld ad es: "N ã o se tratav a de p en teco stes, m as de feitiça ­
ria e b aixo e sp iritism o ".
142 FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

Em bora fervoroso pentecostal, G unnar Vingren não se


deixou em bair pelo em ocionalism o nem pelas aparências.
Ele sabia que nem tudo o que é m ístico, é espiritual; pode
brilhar, m as não é avivam ento. O m isticism o m anifesta-se
tam bém em rebeldias e m entiras. Haja vista as seitas profé­
ticas e m essiânicas.
Teve o nosso p ioneiro, com o precavido cond utor de
ovelhas, suficiente discernim ento para não aceitar aquele
arrem edo de pentecostes. Fosse um desses teólogos que
colocam a experiência acim a da Bíblia Sagrada, o aviva­
m e n to p e n t e c o s ta l a u tê n tic o ja m a is te r ia s a íd o do
nascedouro. Ele, porém , estava consciente de que o verd a­
deiro avivam ento tem equilíbrio.
E n tre as m a n ife s ta ç õ e s p re s e n c ia d a s p o r G u n n ar
Vingren, achava-se o "cair no p od er" que, já naquela época,
era conhecido tam bém com o "arrebatam ento de espírito".
À prim eira vista, im pressionava; fazia espécie. N ão resistia,
contudo, ao m ínim o confronto com as Escrituras. E nada
tinha a ver com as experiências sem elhantes que se acham
nas páginas da Bíblia.
Irreverente e apócrifo, esse m isticism o não se lim itou
à geração de Vingren. C ontinua a assaltar a Igreja de C ris­
to com dem onstrações cada vez m ais peregrinas e contra­
ditórias. O seu alvo? Levar a confusão ao povo de D eus, e
com prom eter o legítim o avivam ento. N o com bate a tais
coisas, haverem os de ser enérgicos, sábios, convincentes.
M as sem pre equilibrados. A través da Bíblia, tem os a obri­
gação de m ostrar a pureza e a essência de nossa crença, e a
"b atalh ar pela fé que um a vez foi dada aos san to s" (Jd 3).
N este capítulo, detenham o-nos no fenôm eno do "cair
no Espírito". Até que ponto há de ser aceito? Com o lhe afe-
rir a legitim idade? É realm ente indispensável ao crescim ento
da vida cristã? Vejam os, a seguir, com o esse m ovim ento
ganhou notoriedade em nossos dias. Teremos, assim , con­
dições de aferir as legítim as m anifestações que acom panham
os avivam entos com provadam ente espirituais.
0 VERDADEIRO AVIVAMENTO TEM EQUILÍBRIO

I . 0 QUE É 0 “CAIR NO ESPÍRITO"


/

Em bora não seja nenhum a novidade, o "cair no Espíri­


to ", com o vem sendo caracterizado, com eçou a ganhar no­
toriedade a partir de 1994. N este ano, a Igreja C om unhão
da Videira do A eroporto de Toronto, no Canadá, passou a
ser visitada por m ilhares de crentes - todos à procura de
u m a b ên çã o esp ecial. A o co n trário das d em ais ig rejas
pentecostais, que buscam preservar a ordem em seus cul­
tos, mas sem m atar o fervor nem extinguir o Espírito, a Igreja
do A eroporto, com o passou a ser conhecida, granjeou sur­
preendente popularidade em decorrência das m anifestações
que ocorriam em seus cultos.
D izendo-se cheios do Espírito, os freqüentadores dessa
igreja com eçaram a m anifestar-se de m aneira estranha e até
exótica. Em dado m om ento, todos punham -se a rir de m a­
neira incontrolável; alguns chegavam a rolar pelo chão. Ju s­
tificando essa bizarria, alegavam tratar-se de santa garga­
lhada. O u gargalhada santa? O utros iam m ais longe: não se
lim itavam ao estrepitoso dos risos; saíam urrando com o se
fossem leões; balindo, com o carneiros; ou gritando, com o
guerreiros. E ainda outros "ca ía m " no Espírito.
À prim eira vista, tais m anifestações im pressionam .
Im pressionam , apesar de não contarem com o necessá­
rio respaldo bíblico. Entretanto, não podem os nos deixar
arrastar pelas aparências nem pelo exotism o desses "fen ô ­
m en os". Tem os de posicionar-nos segundo a Bíblia que,
apesar desses m odism os e ondas, continua a ser a nossa
única regra de fé e conduta.

II. 0 CAIR NO ESPÍRITO NA BÍBLIA


Nas Sagradas Escrituras, o cair no Espírito não chega a
ser um fenôm eno; é mais um a reação reverente diante do
sobrenatural. Registra-se apenas, tanto no Antigo quanto no
N ovo Testamento, pouco m ais de 10 casos de pessoas que
144 FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

caíram prostradas, com o rosto em terra, em sinal de adora­


ção a Deus. E tais casos não se constituem num histórico; são
episódios isolados. Não têm foro de doutrina, nem argum en­
tos para se alicerçar um costume, nem para se reivindicar
um a liturgia; não podem sacram entar nenhum a prática. A fi­
nal, reação é reação; apesar de sem elhantes, diferem entre si.
Com o hão de fundam entar dogm as de fé?
Verifiquem os, pois, em que circunstâncias deram -se os
diversos casos de cair por terra nos relatos bíblicos.
1. A força de um a visão nitidam ente celestial. As vi­
sões, na Bíblia, tinham uma força impressionante. Agitavam,
enfraqueciam e até deitavam por terra homens santos de Deus.
Que o diga Daniel. Já encerrando o seu livro, o profeta registra
esta formidável experiência: "Fiquei, pois, eu só e vi esta gran­
de visão, e não ficou força em mim; e transmudou-se em mim
a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma.
Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e ouvindo a voz das
suas ç alavtas, e.u.C3Íç.Q^o> vasu. tosto <ík\texxa ,
te adorm ecido" (Dn 10.8,9).
Em sua prim eira visão, Ezequiel tam bém assusta-se com
o que vê. A pavora-se o profeta: "E ste era o aspecto da se­
m elhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí sobre o m eu
ro sto " (Ez 1.28). Sem liturgia, ou intervenção hum ana, o
m ensageiro de Jeová prostra-se todo. E quem não haveria
de prosternar-se? M esm o o m ais forte dos hom ens, não se
agüentaria diante de tam anho poder e glória. R ecurvar-se-
ia; lançar-se-ia com o rosto em terra.
M ais tarde, encontraremos Ezequiel noutro caso de pros­
tração: "E levantei-m e e saí ao vale, e eis que a glória do
Senhor estava ali, como a glória que vira junto ao rio Quebar;
e caí sobre o m eu rosto" (Ez 3.23). N ovam ente pergunta­
m os: Q uem não cairia ante as singularidades da glória de
D eus? Q uem a resistiria?
Já no final de seus arcanos, Ezequiel vê-se m ais um a
vez constrangido a com portar-se de igual m aneira: "E o as­
pecto da visão que vi era com o o da visão que eu tinha visto
0 VERDADEIRO AVIVAMENTO TEM EQUILÍBRIO

quando vim destruir a cidade; e eram as visões com o a que


vira junto ao rio Q uebar; e caí sobre o m eu rosto" (Ez 43.3).
N esses casos, as visões divinas foram tão fortes, que le­
varam tanto Ezequiel quanto D aniel a caírem por terra.
N outras ocasiões, porém , a ocorrência de visões, igualm en­
te poderosas, não provocou nenhum a prostração. H aja vis­
ta o caso de Isaías. Em bora se m ostrasse aterrorizad o e
com pungido com a visão do trono divino, não se m enciona
ter o profeta caído por terra. Isto significa que as experiên­
cias, em bora sem elhantes, possuem suas particularidades e
idiossincrasias. Cada experiência, ou encontro com Deus, é
única. Seria tolice pretender repeti-las para que a sua repe­
tição adquirisse foros de doutrina.
2. O im pacto de um encontro com D eus. A lém das vi­
sões, certos encontros com D eus, tanto no A ntigo quanto no
N ovo Testam ento, levaram à prostração. M encione-se, por
exem plo, o que aconteceu a Saulo no cam inho de D am asco.
O encontro com o C risto foi tão form idável, que forçou o
im placável perseguidor a cair por terra, e a reconhecer a
autoridade e a soberania do Filho de Deus: "E caindo em
terra, ouviu um a voz que lhe dizia: "Sau lo, Saulo, por que
m e p ersegues?" (At 9.4).
Com o nos casos anteriores, nada havia sido program a­
do. Saulo foi levado a recurvar-se em virtude da sublim ida­
de do Senhor Jesus. Noutras ocasiões, porém , os encontros
com D eus deram -se de m aneira suave. A entrevista de
N atanael com o Cristo é um exem plo bastante típico dessa
suavidade tão santa. O que tam bém dizer do encontro de
Gideão com o anjo do Senhor? Ou do encontro de Jerem ias
com Jeová? Este encontro veio na m edida certa; veio de acor­
do com o caráter reservado e m elancólico do profeta. Mas
tivesse Jeremias o tem peramento colérico de Paulo, certamen­
te o Senhor teria agido com im pacto para que o vaso fosse
quebrado e m oldado conform e a sua vontade. Com o se vê,
as experiências variam de acordo com as circunstâncias e a
personalidade das pessoas envolvidas no plano de Deus.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

3. D iante da autoridade de Cristo. A autoridade do


nom e de Cristo é m ais que suficiente para fazer com que
todos os joelhos dobrem -se diante de si. A liás, chegará o
m om ento em que todos os seres, quer nos céus, quer na ter­
ra, quer sob a terra, hão de se curvar diante da infinita gran­
deza do nom e do Senhor Jesus: "P elo que tam bém Deus o
exaltou soberanam ente e lhe deu um nom e que é sobre todo
o nom e para que ao nom e de Jesus se dobre todo joelho dos
que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda
língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de
D eus P ai" (Fp 2.9,10).
N a noite de sua paixão, o Senhor dem onstrou quão
grande era a sua autoridade: "Q u an d o, pois, (Jesus) lhes
disse: Sou eu, recuaram e caíram por te rra " (Jo 18.6). Ao
contrário dos casos anteriores, nessa passagem quem cai
p or terra são os ím pios. R ecu rvam -se estes não em sinal
de reverência a D eus, m as em razão da autoridad e e da
soberania irresistíveis do Cristo.
Caso sem elhante ocorreu com A nanias e Safira. A m bos
caíram por terra em decorrência de sua iniqüidade: "D isse
então Pedro: A nanias, por que encheu Satanás o teu cora­
ção, para que m entisses ao Espírito Santo e retivesses parte
do preço da herdade? G uardando-a, não ficava para ti? E,
vendida, não estava em teu poder? Por que form aste este
desígnio em teu coração? N ão m entiste aos hom ens, m as a
D eus. E A nanias, ouvindo estas palavras caiu e expirou. E
um grande tem or veio sobre todos os que isto ouviram " (At
5.3-5). Tais casos não são raros. Em nossos dias, m uitos são
os ím pios que, por se levantarem contra os escolhidos do
Senhor, caem por terra e, às vezes, fulm inados.
N outras ocasiões o Senhor se revelou de m aneira tão
serena, que se fez hom em diante dos hom ens. Quer encon­
tro m ais doce do que aquele que se deu junto ao poço de
Jacó? O Senhor revela-se de m aneira surpreendentem ente
afável à m ulher sam aritana. E a experiência de N icodem os?
Ou a de Zaqueu?
0 VERDADEIRO AVIVAMENTO TEM EQUILÍBRIO 14 7

III. COMO OS LEGÍTIMOS REPRESENTANTES DE


DEUS PORTAVAM-SE QUANDO ALGUÉM CAÍA
POR TERRA
A o contrário dos que hoje portam -se como deuses, quan­
do alguém lhes cai aos pés, os apóstolos de Cristo jam ais
aceitaram tal deferência. Em todas as instâncias, buscavam
glorificar ao nom e do Senhor. A té os m esm os anjos agiram
com reconhecida e santa m odéstia.
Tendo Pedro chegado à casa de C ornélio, a prim eira re­
ação deste foi cair de joelhos diante do apóstolo: "M as Pedro
o levantou, dizendo: Levanta-te, que tam bém sou hom em "
(At 10.25,26). O que fariam os astros do evangelism o dos
dias atuais? H um ilhar-se-iam com o o apóstolo? O u usari­
am o evento para increm entar o seu m arketing pessoal?
M esm o um poderoso anjo não se aproveitou da ocasião
para atrair a si as glórias devidas som ente a Deus. O relato
é de João: "Prostrei-m e aos seus pés para o adorar. E disse-
m e: O lha, não faças tal, porque eu sou conservo teu e de
teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste
livro. A dora a D eu s" (Ap 22.8,9).
Bem sabia o anjo que o apóstolo prostrara-se aos seus
pés por um a circunstância bastante especifica: não há ser
hum ano que não se extasie diante do sobrenatural. A apari­
ção de um ser angélico sem pre perturbou os pobres m or­
tais. N os dias dos juizes, acreditava-se que a visão de um
anjo significava m orte certa. Por isso, a prim eira reação de
um a pessoa, ao ver um anjo, era curvar-se diante deste.
Q uem poderia resistir a tanta glória?
O s anjos, porém , recusavam tal deferência. H ouve oca­
siões em que o anjo do Senhor aceitou elevadas honrarias.
C om o conciliar tais questões? N o A ntigo Testam ento, sem ­
pre que isso ocorria, era devido a presença de um ser espe­
cial, que alguns teólogos não vacilam em apontar com o a
pré-encarnação do Cristo. De um a form a, ou de outra, os
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DF, U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

anjos eram santos o suficiente para agirem com m odéstia e


hum ildade, tributando a Deus todo poder e toda a glória.
Que esta tam bém seja a nossa postura! Quando alguém,
por algum a circunstância, nos cair aos pés, levantem o-lo para
que tribute a Deus, e som ente a Deus, toda a honra e toda a
glória. E jam ais, sob hipótese algum a, o induzam os a pros­
trar-se com o rosto em terra, pois isto contraria a ética e a
postura que o hom em de Deus deve ter.

IV. NAS EFUSÕES DO ESPÍRITO SANTO,


REGISTRADAS EM ATOS, HOUVE CASOS
DE PROSTRAÇÃO?
N a â n s ia p o r ju s t i f ic a r o c a ir p o r te r r a , m u ito s
doutrinadores afoitos e ignorantes chegam a colocar tal re­
ação com o se fora um a das evidências da plenitude do Es­
pírito Santo. Que pode haver prostração quando da efusão
do Espírito, não o negam os. Pode haver, m as não tem de
haver necessariam ente, nem precisa haver para que se con­
figure o derram am ento do Espírito Santo. A prostração não
pode ser vista com o evidência, m as com o um a reação oca­
sional e esporádica.
Nos diversos casos de efusão do Espírito Santo, nos Atos
dos A póstolos, não se observou nenhum caso de prostra­
ção. No Dia de Pentecostes, segundo no-lo notifica o m inu­
cioso e d etalh ista L u cas, estav am tod os assen tad o s no
cenáculo (At 2.2). Na casa de Cornélio, onde o Espírito foi
derram ado pela prim eira vez sobre os gentios, tam bém não
se observou o cair por terra (At 10.44-47). Entre os discípu­
los de Efeso não se registrou, de igual m odo, nenhum a pros­
tração (At 19.6).
Em todos esses casos, porém , a evidência inicial e física
do batism o no Espírito Santo fez-se presente - o falar nou­
tras línguas. C onclui-se, pois, que não se deve confundir
evidência com reação. A evidência é a m esm a em todos os
0 V E R D A D EIR O A V IV A M EN TO TE M EQUILÍBRIO 149

que recebem a plenitude do Espírito Santo. A reação, toda­


via, varia de pessoa para pessoa.
M esm o quando o lugar santo trem eu, não se observou
caso algum de prostração (At 4.31). Poderia ter havido? Sim!
M as não necessariam ente.

CONCLUSÃO
D aquilo que até agora vim os, pod em os tirar as seguin­
tes conclusões, tendo sem pre com o base as Sagradas Es­
crituras:
1. Não se pode realçar a experiência, nem guindá-la a
um a posição superior à da Palavra de Deus. A experiência é
im portante, m as varia de pessoa para pessoa; cada experi­
ência é um a experiência; tem suas particularidades. A expe­
riência tem de estar subm issa à doutrina, e não há de m odi­
ficar, por m ais extraordinária, nenhum artigo de fé.
2. O cair por terra não pode ser visto nem com o evidên­
cia da plenitude do Espírito Santo, nem com o sinal de um a
vida consagrada. A evidência do batism o no Espírito Santo
são, com o vim os, as línguas estranhas; e a vida consagrada
tem com o característica o fruto do Espírito. O cair por terra
pode ser adm itido, no m áxim o, com o reação esporádica de
algum a visitação dos céus. Se provocado, ou repetido, dei­
xa de ser reação para tornar-se costume.
3. Caso ocorra algum a prostração, deve-se fazer as se­
guintes perguntas: 1) Q ual a sua procedência? 2) Teve com o
objetivo prom over o hom em ou glorificar a Deus? 3) Foi
u sa d a p a ra c a ta lis a r a a te n ç ã o d os p re se n te s? 4) Foi
provocada por sopros, toques ou por algum objeto lançado
no auditório? 5) H ouve sugestão coletiva? 6) Prejudicou a
boa ordem e a decência da igreja? 7) Conta com o respaldo
bíblico suficiente? 8) Tornou-se o centro do culto?
4. D evem os estar sempre atentos, pois o adversário tam ­
bém opera sinais espetaculares com o objetivo de enganar
os escolhidos: "Surgirão falsos cristos e falsos profetas e fa­
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

rão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora,


enganariam até os escolhidos" (M t 24.24).
5. N os diversos exem plos de prostração que fom os bus­
car na Bíblia, observam os o seguinte: N ão era algo progra­
m ado. Ou seja: ninguém precisou soprar ou tocar nos per­
sonagens envolvidos para que estes viessem a cair. Tais
m odism os têm levado a irreverência e a bizarria ao seio do
povo de Deus. Há alguns que se tornaram tão ousados que
jogam até os seus paletós a fim de provocar prostrações co­
letivas. Isto é um absurdo! É antibíblico!
6. Os casos de prostração, narrados na Bíblia, deram -se
em virtude da reverência e tem or que os já citados persona­
gens sentiram ao presenciar a glória divina. No N ovo Testa­
m ento, o term o usado para prostração é pesotes prosekinsan
que, no original, significa: cair por terra em sinal de devoção.
Em A pocalipse 5.14, a expressão grega aparece para m ostrar
os anciãos prostrados aos pés do Cristo glorificado.
7. Voltemos à questão. Pode acontecer prostração num a
reunião evangélica? Pode! M as não tem de acontecer neces­
sariam en te; p od e, m as n ão p recisa acon tecer, n em ser
provocada. Caso ocorra, deve ser encarada com o reação e
não com o fato doutrinário. John e Charles Wesley, por exem ­
plo, experim entaram um poderoso avivam ento, m as jam ais
elevaram suas experiências à categoria de doutrina. As he­
resias nascem quando se supervaloriza a experiência em
detrim ento da doutrina. N ão podem os esquecer-nos de que
algum as das m ais notáveis heresias, com o a Igreja Só Jesu s,
nasceram em pleno período de avivam ento.
8. De um a certa form a, todo avivam ento provoca rea­
ções exageradas. C abe-nos, porém , buscar o equilíbrio tão
necessário à Igreja de Cristo. Era o que ocorria em Corinto.
N ão resta dúvida de que os irm ãos daquela igreja haviam
recebido um a forte visitação dos céus. Todavia, tiveram de
ser doutrinados e disciplinados. A esses irm ãos, escreveu
Paulo: "E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profe­
0 VERDADEIRO AVIVAMENTO TEM EQUILÍBRIO

tas. Porque D eus não é D eus de confusão, senão de paz,


com o em todas as igrejas dos santos" (1 Co 14.32,33).
Finalm ente, jam ais devem os abandonar a Bíblia. Ênfa­
ses, com o o cair no Espírito, hão de surgir sem pre. N ão po­
dem os im pressionar-nos com elas; tratem o-las com a devi­
da m oderação. Pois o equilíbrio bíblico e teológico haverá
de m anter a igreja de Cristo em perm anente avivam ento. E
o verdadeiro avivam ento não extingue o Espírito, m as sabe
com o evitar os excessos. N o capítulo seguinte, verem os ou­
tros excessos que devem tam bém ser evitados, para que não
com prom etam o verdadeiro avivam ento espiritual.

QUESTIONÁRIO
1. Com o G unnar Vingren tratou do caso narrado na intro­
dução deste capítulo?
2. Com o podem os classificar o cham ado cair no Espírito?
3. Era isto um a prática com um ?
4. Com o a Bíblia posiciona-se a este respeito?
5. Com o devem os encarar tal ocorrência?
XIII

0 AVIVAMENTO NÃO É
MERAMENTE MÍSTICO. É ACIMA DE
TUDO, ESPIRITUAL

SUMÁRIO: Introdução; I. O que É o Misticismo; II. O Misticismo na


Bíblia; III. Uma Postura Digna de Aceitação; IV. O Papel dos Dons
Espirituais: V. Os Sonhos e Visões: VI. O Culto aos Anjos; Conclu­
são; Questionário.

INTRODUÇÃO
Q uem já não ouviu falar no apóstolo dos pés sangren­
tos? A inda hoje sua m em ória é reverenciada até pelos m es­
m os adversários da fé cristã. Ele foi um autêntico cam peão
de Deus. M ovido por um am or altruísta e em tudo singular,
cruzou a inclem ência da índia para falar de Cristo às m ais
recuadas aldeias.
Ele era conhecido como o homem que se parecia com Jesus.
Sadhu Sundar Singh foi espiritual para alguns; m ístico,
para outros; e, para todos, um hom em santo. U m autêntico
sadul A sem elhança dos prim eiros discípulos, enfatizava o
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

espiritual em detrim ento do terreno. M as nunca estava sa­


tisfeito. N ão se contentava em ser apenas cristão. Buscava
em tudo ser com o o Cristo.
C om o passar dos tem pos, porém , com eçou a perceber
que alguns de seus exercícios espiritu ais eram um sacrifí­
cio que não pod ia recom endar aos conversos. C om o pres­
crever um jeju m de quarenta dias? Ou um a vida de total
isolam ento? Ou, ainda, um a existência celibatária? E que
efeitos p ráticos teriam sem elhantes sacrifícios na com un i­
dade dos fiéis?
R ep assan d o a vid a do gran d e ev an g elista in d ian o ,
vem o-nos constrangidos a perguntar: A té que ponto o m is­
ticism o é benéfico ao desenvolvim ento da carreira cristã? E
que relação podem os estabelecer entre o m isticism o e o avi­
vam ento da Igreja de Cristo? Vejamos, antes de m ais nada,
o que é o m isticism o.

1.0 QUE É 0 MISTICISMO


A p a la v ra m is tic is m o p ro v é m do v o c á b u lo greg o
m ú stes qu e, litera lm e n te, sig n ifica in icia d o nos m is té ri­
os. M y stica é o term o la tin o co rre sp o n d e n te ; seu s ig n ifi­
cad o p o u co d ifere do grego. A lg u ém já o d efin iu com o o
"c o n ju n to de n o rm as e p rá tica s qu e tem p or o b jetiv o a l­
ca n ça r u m a co m u n h ão d ireta com D e u s ". É a p ro cu ra
que tem com o b ase a e x p e riê n cia , e n ão p ro p riam e n te a
rev elação .
P ara os que tem os a B íblia com o a ú n ica regra de fé e
p rática, o m isticism o só é b en éfico se tem a P alav ra de
D eus com o so b eran a e n ão p orfia em colocar-se em pé de
igu ald ad e com ela. D ou tra form a, que seja ele co m p leta­
m en te errad icad o. O au tên tico m isticism o é aqu ilo que
os ev an g élico s cham am os de verd ad eira esp iritu alid ad e.
Ir além dessas fron teiras é m ui p erigo so . P orque fa ta l­
m en te h av erá de d esm erecer a B íblia, colocan d o-a num a
p o sição subaltern a.
0 A V IV A M EN TO N Ã O É M E R A M E N T E M ÍSTICO . É A C IM A DE T U D O ESPIRITUAL

II. 0 MISTICISMO NA BÍBLIA


N a H istória Sagrada, os m ísticos jam ais puderam ser
ignorados. Eles sem pre apareciam nos m om entos de crise e
em ergência. O seu aparecim ento não era apenas dram ático;
assem elhava-se àqueles terrem otos que destroem cidades e
engolem m ilênios.
Elias, Isaías, Jerem ias, Ezequiel e João Batista. Todos es­
tes santos subm etiam -se a um a rigorosa disciplina que, via
de regra, não lhes era exigida. Havia até comunidades de tem­
perança com o a dos recabitas (Jr 35.1-19). Espontaneam ente,
renunciavam alegrias e confortos para se dedicarem exclusi­
vam ente às tarefas que lhes confiava o Deus de Israel. Eles
jam ais perm itiram , entretanto, qtte o seu m isticism o (ou ex­
periências espirituais) suplantasse a Palavra de Deus. Pelo
contrário: todas as vezes que esta se via am eaçada, levanta­
vam -se eles, e protestavam de m aneira veem ente e im petuo­
sa. Haja vista o repto de Isaías: "À lei e ao testemunho! Se
eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva"
(Is 8.20). Lam entavelm ente, a apostasia de que falou o após­
tolo Paulo (1 Tm 4.1) já com eça a alastrar-se por nossas igre­
jas sob o m anto de um im pressionante m isticism o. Em bora
se mostre piedoso, esse m ovim ento nada tem a ver com a
devoção preconizada pelos profetas do A ntigo Testamento e
pelos apóstolos de Nosso Senhor. Trata-se de algo estranho à
Bíblia e contrário à genuína experiência cristã; em nada dife­
re do joio da parábola: lançado entre a boa sem enteira, sem ­
pre causa irreparáveis prejuízos à Igreja de Cristo.
A lim entando-se de m odism os e de falsas ondas de es­
piritualidade, esse pseudo-m isticism o m uito vem perturban­
do o arraial dos santos. O que dizer dos dentes de ouro? Do
cair no espírito? E daqueles obreiros que, de igreja em igre­
ja, espoliam os fiéis com a oferta de Isaque, m as sem o des­
prendim ento de A braão? Com o se todas essas asneiras não
bastassem , tem os de enfrentar, ainda, a Teologia da Prospe­
ridade, a C onfissão Positiva, o Triunfalism o, a m aldição
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

hereditária, a regressão psicológica e as divinas revelações


do inferno e do céu. E mais: Com o esquecer o injurioso G-
12? Sob as m ais diversas alcunhas agasalhado, vem esse si­
m ulacro de teologia cancerando igrejas até então sadias na
doutrina e saudáveis nos costum es. D iante de tudo isto,
com o ter um a postura digna do nom e de Deus?

III. UMA POSTURA DIGNA DE ACEITAÇÃO


Se os santos do A n tig o e do N ovo Testam entos sou ­
b eram com o se p ortar d ian te da au torid ad e, sob eran ia e
im arcescib ilid ad e da P alav ra de D eus; se jam ais se co lo ­
caram acim a das Sagrad as E scritu ras que se iam lav ran ­
do; e se jam ais arrogaram a si o in stitu to da in fa lib ilid a ­
de, por que iríam os nós ad otar p ostu ra diferente? Sim ,
eles que eram tid os na conta de m estres irreco rrív eis da
rev elação divina assim agiram , p or que agiríam os de for­
m a d iferente?
H oje, porém , não poucos indivíduos, a pretexto de ex­
periências, sonhos e visões, colocam -se acim a da Bíblia Sa­
grada. E, quando questionados, saem -se com esta evasiva:
"O Espírito Santo m o revelou ". Se o Espírito Santo lhos re­
velou, com o esta revelação pode contrariar a Palavra que o
m esm o Espírito inspirou e preserva de todos os ataques e
sanhas do adversário? Ora, este não é o verdadeiro aviva­
m ento pelo qual vêm ansiando os santos de N osso Senhor.
Principiem os por exam inar o papel dos dons espiritu­
ais na Igreja de Cristo.

IV. 0 PAPEL DOS DONS ESPIRITUAIS


Em algum as igrejas, o uso indevido dos dons espiritu­
ais tem levado m uitos crentes a ostentarem um a autorida­
de que, biblicam ente, jam ais lhes seria delegada. Acham que,
pelo fato de haverem sido agraciados com o dom de profe­
tizar, ou de interpretar, ou m esm o de falar línguas estra­
0 AVIVAMENTO NÃO É MERAMENTE MÍSTICO. É ACIMA DE TUDO ESPIRITUAL

nhas, podem dirigir a igreja, o m inistério e até o próprio


pastor. Era o que acontecia em Corinto.
Em virtude dessa dificuldade, que sempre acarreta séri­
os transtornos ao corpo de Cristo, viu-se o apóstolo Paulo
constrangido a dedicar, a este com plexo assunto, os capítu­
los 12,13 e 14 de sua Prim eira Epístola aos Coríntios. Os que
hoje profetizam , ao contrário dos profetas do Antigo Testa­
m ento, não possuem autoridade incontestável e infalível em
m atéria de fé e prática. Aliás, devem antes ser julgados e, só
então, a sua m ensagem há de ser acatada (1 Co 14.29).
Na Bíblia de Estudo Pentecostal, tem os esta apropriada ex­
plicação acerca do m inistério profético: "A m ensagem do
profeta atual não deve ser considerada infalível. Ela está su­
jeita ao julgam ento da igreja, doutros profetas e da Palavra
de Deus. A congregação tem o dever de discernir e julgar o
conteúdo da m ensagem profética (1 Co 14.29-33; 1 Jo 4.1)".
Ela é realm ente de Deus? Em algum m om ento contradita as
Sagradas Escrituras? Tem coerência espiritual ou não passa
de frases habilm ente costuradas?
C on scien tizem o-n os, p ois, d esta v erd ad e cristalin a-
m ente teológica: A Igreja de Cristo não é dirigida pelos dons
espirituais; é adm inistrada e governada pelos dons m inis­
teriais (Ef 4.8-11). Os dons espirituais têm a sua utilidade;
são im prescindíveis. A través deles, a Igreja conhece, fala e
age sobrenaturalm ente. Servem tam bém de consolo, edifi­
cação e exortação aos fiéis. A gora, que nenhum detentor de
dom espiritual arvore-se em governo da Igreja. Pois esta,
com o já o frisam os, é dirigida por aqueles que receberam
de Cristo os dons m inisteriais, e acham -se investidos do m a­
gistério sagrado.
N enhum dom deve ser usado para auferir bens terre­
nos, garantir posições m inisteriais ou alim entar apetites ilí­
citos e desordenados. Isto porque os carism as são distribu­
ídos pelo Espírito para o que for útil (1 Co 12.7). E que estas
palavras de Paulo sirvam -nos de reflexão: "S e alguém cui­
da ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

escrevo são m andam entos do Senhor, m as, se alguém igno­


ra isso, que ignore" (1 Co 14.37).

V. OS SONHOS E VISÕES
A lém dos dons de elocução que, indevida e erradam en­
te, podem ser usados para m inar a soberania das Sagradas
Escrituras, outras form as de autoritarism os m ísticos vêm
arvorando-se na Igreja de Cristo: os sonhos e visões. Levan-
tam -se os sonhadores e visionários com tantos rom pantes
que, com um único enunciado, solapam a legitim idade da
Bíblia e dos m inistros por ela constituídos. Os tais sonhosos
são m estres em torcer a Palavra, esvaziar o m agistério cris­
tão, deturpar as práticas legitim am ente neotestam entárias
e m inar a base do m inistério pastoral. Eles são calibrados
na intriga e nos casuísm os. Jogam com as palavras, circuns­
tâncias e com o m om ento psicológico dos m ais frágeis e
desavisados.
O ra, não pretendem os negar a validade dos sonhos e
das visões; constituem -se estes num a gloriosa prom essa para
os nossos dias (J12.28-31). D estinam -se eles, porém , ao con­
forto e à edificação pessoais, e não ao governo da igreja.
N enhum m inistro de N osso Senhor deve tom ar decisões
baseadas unicam ente em sonhos e visões. A inda que os te­
nha, há de esperar por um a confirm ação cabal do Espírito
Santo (Jz 6.36-40).
N os tem pos de Jerem ias, m uitos eram os que se exalta­
vam , dando conotações canônicas aos seus sonhos e visões.
E, com isso, buscavam igualar-se às Escrituras até então la­
vradas. D eus, porém , se levantou contra esses em busteiros
e, severam ente, repreendeu-os: "Tenho ouvido o que dizem
aqueles profetas, proclam ando m entiras em m eu nom e, di­
zendo: Sonhei, sonhei. Até quando sucederá isso no cora­
ção dos profetas que proclam am m entiras, que proclam am
só o engano. O profeta que tem sonho conte-o com o apenas
sonho; m as aquele em quem está a m inha palavra, fale a
0 AVIVAMENTO NÀO É MERAMENTE MÍSTICO. É ACIMA DE TUDO ESPIRITUAL

m inha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo?


diz o Sen h or" (Jr 23.25,26,28).
A través de seus sonhos, sem pre m entirosos, iam os fal­
sos profetas m inando a autoridade de Jerem ias, e derruindo
a soberania da Palavra de Deus. E, tão longe foram os tais
sonhadores, que desviaram a Judá dos cam inhos do Senhor.
A pesar da urgência daquele m om ento, os judaítas não m ais
prestavam atenção à Palavra de Jeová. O desfecho da histó­
ria, todos conhecem os. Vieram os babilônios, sitiaram Jeru ­
salém , derrubaram o Tem plo, sum iram com a arca e, para
Babilônia, levaram os desventurados, e, ainda, contum azes,
filhos de Israel.
Quantas profecias não são urdidas, hoje, para dividir
igrejas e separar grandes am igos? Q uantos oráculos não são
enunciados com o único fito de obter vantagens m ateriais e
ascensões eclesiásticas? Q uantos sonhos não são sonhados
para destruir lares ou unir cônjuges que D eus jam ais uni­
ria? Q uantas visões não são visadas, nos bastidores da in­
tr ig a , p a ra p ro m o v e r a in ju s tiç a , o d e s r e s p e ito e a
irreverência? Enfim , quantas m iscelâneas doutrinárias não
a p a re c e m c o b e rta s de o rto d o x ia s ? V êm às v e z e s tão
m aquiadas que já deslustram os dons, já desacreditam os
carism as, já tiram os créditos às verdadeiras profecias e já
desviam as finalidades dos m eios da graça. E o que dizer
daqueles que, enganando-se a si m esm os, e levados pelos
ventos de doutrinas, com eçam a prestar aos anjos um culto
que som ente Deus pode receber?

VI. 0 CULTO AOS ANJOS


Os promotores dessa nova "revelação", dizendo-se privi­
legiados por visões angélicas e até por entrevistas com altas
patentes celestes, tom aram -se tão atrevidos e arrogantes, que
já nenhum pejo demonstram em propor a desconstrução de
nosso mais sublime artigo de fé, que tem a Bíblia Sagrada como
a inspirada, inerrante, infalível e completa Palavra de Deus.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

C erta vez, fui cham ado por um am igo para ver uma
página na internet, m antida pelo fundador dessa nova or­
dem religiosa, na qual ele apresentava um livro que, "d ita­
do por D eus e interm ediado por an jos", teria a m esm a au­
toridade da Bíblia. Se eu m esm o não houvera assistido àque­
le deprim ente e ignom inioso espetáculo, jam ais teria acre­
ditado se alguém m o relatasse. Todavia, lá estava aquele
líder! A com panhado por um conhecido evangelista, distri­
buía entre os fiéis um a cópia "d a m ais recente revelação de
D eu s". Teria ele visto realm ente algum anjo? Ter-lhe-ia al­
gum ser angélico confiado aquele livro que, superando a
própria Bíblia, revelava o irrevelável?
Não estou insinuando haja o aludido pastor faltado com
a verdade ao narrar suas visões angélicas. Longe de m im
tal coisa! Vejamos com o posiciona-se o D outor dos G entios:
"E não é m aravilha, porque o próprio Satanás se transfigu­
ra em anjo de luz. Não é m uito, pois, que os seus m inistros
se transfigurem em m inistros da justiça; o fim dos quais será
conform e as suas ob ras" (2 Co 14.15).
D o apóstolo Paulo é tam bém esta advertência: "M as
tem o que, assim com o a serpente enganou Eva com a sua
astúcia, assim tam bém sejam de algum a sorte corrom pidos
os vossos sentidos e se apartem da sim plicidade que há em
Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que
nós não tem os pregado, ou se recebeis outro espírito que
não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com
razão o sofrereis" (2 Co 11.3,4).
Em sua Epístola aos C olossenses, alerta-nos o apóstolo
quanto aos que, sob o m anto da despretensão, querem ar­
rastar-nos aos seus cultos exóticos e divorciados da Palavra
de Deus: "N ingu ém vos dom ine a seu bel-prazer, com pre­
texto de hum ildade e culto dos anjos, m etendo-se em coisas
que não viu; estando debalde inchado na sua carnal com ­
preensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, pro­
vido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo
em aum ento de Deus. Se, pois, estais m ortos com Cristo
0 AVIVAMENTO NÃO É MERAMENTE MÍSTICO. É ACIMA DE TUDO ESPIRITUAL

quanto aos rudim entos do m undo, por que vos carregam


ainda de ordenanças, com o se vivêsseis no m un d o" (Cl 2.18-
20). O ra, se os irm ãos de C olossos foram assediados pelos
prom otores dessas aberrações teológicas, m aiores foram as
dificuldades enfrentadas pelos irm ãos da Galácia. Em am ­
bos os casos, a ação daninha de Satanás.
Possui o Diabo um irresistível poder de persuasão, atra­
vés do qual esforça-se por corrom per os m ais conservado­
res e ortodoxos rebanhos. H aja vista o que ocorreu com os
gálatas. Tinham estes recebido a m ensagem do Evangelho
através de Paulo com o se, entre eles, estivera o próprio Se­
nhor. A usentando-se porém o apóstolo, fizeram -se presen­
tes alguns m ercenários que, contradizendo-o abertam ente,
induziram as igrejas da região a um a virulenta apostasia. O
desvio daqueles irm ãos fora tão escandaloso, que chegou a
m aravilhar, inclusive, o doutor dos gentios: "M aravilho-m e
de que tão depressa passásseis daquele que vos cham ou à
graça de C risto para outro evangelho, o qual não é outro,
m as há alguns que vos inquietam e querem transtornar o
evangelho de C risto" (G 11.6,7).
Em seguida, protesta o apóstolo: "M as, ainda que nós
m esm os ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho
além do que já vos tenho anunciado, seja anátem a. A ssim
com o já vo-lo dissem os, agora de novo tam bém vo-lo digo:
se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já
recebestes, seja anátem a" (G 11.8,9). Por conseguinte, todos
os que tencionarem m udar o Evangelho de Cristo noutro
evangelho, serão duplam ente am aldiçoados. O ra, não é
apenas o adultério, ou o hom icídio, que lança o hom em no
lago de fogo; a heresia tam bém o faz.
Além disso, não é m issão dos anjos doutrinar, e, sim, res­
guardar os que hão de herdar a vida eterna (Hb 1.14). Veja­
m os, por exem plo, o caso de Cornélio. Encontrando-se o
centurião romano a orar, apareceu-lhe um ente celeste, que lhe
recomendou chamar Simão Pedro, a fim de que este lhe anun­
ciasse o Evangelho de Cristo (At 10.1-6). Não seria mais con­
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

vincente e prático ao anjo pregar a Cornélio? Sua missão, po­


rém, não é proclamar as Boas Novas, conforme ressalta Pedro:
"A os quais (os santos do Antigo Testamento) foi revelado que,
não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coi­
sas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo
Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, para
as quais coisas os anjos desejam bem atentar" (1 Pe 1.12).

CONCLUSÃO
A p esar de tod a essa m iscelân ea d o u trin ária, não nos
p ertu rb em os. Tudo isto foi p red ito nas Sagrad as E scritu ­
ras: "M a s o E sp írito exp ressam en te diz que, nos ú ltim os
tem p os, ap ostatarão algu ns da fé, d an d o ou vid os a esp í­
ritos en gan ad ores e a d ou trin as de d e m ô n io s" (lT m 4.1).
Tais en sin os, com o o d em on stra o ap ósto lo, v isam um a
ú n ica coisa: d esviar os santos dos cam inhos do Senhor. E
com o a h istó ria n o -lo relata, vêm eles acom p an h ad os, via
de regra, de ap ariçõ es an g élicas, ap arato s p ro fético s e
falsos m ilagres que, com o p assar dos tem p os, red u n d a­
rão em seitas. A ssim se deu com Jo sep h Sm ith. Bastou
que ele se entrev istasse com um su p osto anjo de luz, para
que u m a endêm ica seita su rg isse e arreban h asse m ilhões
de in cau tos.
Vigiem os, pois, em todo o tem po! Pois aqueles que des­
prezam a Palavra de D eus, buscam apenas um a única coi­
sa: dom inar o rebanho de Cristo. Sim , vigiem os! Porque, se
lhes for possível, dom inarão inclusive os escolhidos (Mt
24.24). Eles, porém , não irão adiante, pois N osso Senhor Je ­
sus C risto continua a velar por sua herança.
N o trato com essa agente, que se acha a d esp rezar o
sacrifício de C risto, ajam os con soan te ao que nos reco ­
m en d a o ap óstolo P aulo: "A o hom em herege, d epois de
u m a e ou tra ad m oestação , evita-o, saben d o que esse tal
está p erv ertid o e p eca, estan d o já em si m esm o co n d en a­
d o " (Tt 3.10).
0 AVIVAMENTO NÃO É MERAMENTE MÍSTICO. É ACIMA DE TUDO ESPIRITUAL

Portanto, cuidado! M uito cuidado com o outro evange­


lho! N ão vam os deixar que tais coisas nos tirem a força o
verdadeiro avivam ento.

QUESTIONÁRIO
1. O que é o m isticism o?
2. Com o devem os encarar os sonhos e visões?

3. Q uem governa a Igreja, os dons espirituais ou os m iniste­


riais?
4. O que a Bíblia diz sobre os anjos?
5. Por que não devem os adorar os anjos?
XIV

0 AVIVAMENTO E A PERSPECTIVA
HISTÓRICA

SUMÁRIO: Introdução; I. Nossas Indecisões na Encruzilhada da


História; II. Lucas e a Verdadeira Concepção da História; III. O que
Pretendia Lucas; Conclusão; Questionário.

INTRODUÇÃO
João W esley costum ava ler os jornais todos os dias para
ver o que Deus andava fazendo pelo m undo. O evangelista
inglês, que revolucionou as ilhas britânicas no século XVIII,
sabia m uito bem que Jeová com anda todas as coisas; que os
reis e governantes estão subm issos à sua vontade; e, que, de
acordo com os seus desígnios, ascendem e caem os potenta­
dos. Wesley acreditava ser D eus o Senhor da História. Como
tal, interessa-se o Altíssim o pela hum anidade; está sempre
pronto a intervir em favor de seus filhos.
João W esley tam b ém sabia com o a Ig reja de C risto
d ev eria p o sicio n a r-se em re lação à h istó ria . Eis p orq u e
FU N D A M E N T O S BÍBIJC O S DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

ob tev e tan to su cesso em seu m in isté rio . Ele n ão se d e i­


xav a e m b air p elo s ca su ísm o s, n em p elas circu n stâ n cia s.
Seu c o m p ro m iss o co m o R e in o de D eu s e ra ú n ico e
in a d iá v e l. P ara W esley, as p o rtas do p ro cesso h istó rico
não h a v e ria m de p re v a le ce r co n tra a ig reja v e rd a d e ira ­
m en te av iv ad a.
O m esm o, in felizm en te, parece já não acon tecer com
m u itas igrejas. E m bora cam inhem os com celerid ad e para
o dia de C risto, acham os que ter um lu g ar na h istó ria é a
m áxim a realização p ara o p ov o que d ev eria p o star-se
com o sacerd ote, ap ru m ar-se com o p rofeta e lev an tar-se
com o nação real. A co n tece, p orém , que não fom os ch a­
m ad os p ara ter um lu g arzin h o lam en tad o na h istó ria.
Fom os in tim ad os p ara u m a m issão m ais alta e, in fin ita ­
m en te, m ais sublim e. D esta v o cação , jam ais fu girem os,
com o não fu giram os apóstolos e os m ission ários que lhes
segu iram os p assos na gran de jo rn ad a p ara in stau ração
do R eino de D eus.
Verem os, a seguir, o que precisam os fazer para retom ar­
m os os rum os que nos legaram os gigantes que viveram de
avivam ento em avivam ento.

I. NOSSAS INDECISÕES NA ENCRUZILHADA


DA HISTÓRIA
N este m om ento tão decisivo, parece que a Igreja com e­
ça a oscilar entre a história e os atos. D esventuradam ente, já
estam os a rem oer o que éram os e não o que deveríam os ser.
Lem bram o-nos dos fundadores, com o se jam ais pudésse­
m os ser pioneiros; dos alvores do século, com o se já não
houvesse colheitas e com o se a seara já não estivesse bran­
ca. C antam os os grandes avivam entos, com o se já tivésse­
m os escrito toda a epopéia do cenáculo. Selam os nossas
ações, com o se já fossem história recontada, e não com o um
livro em aberto com o o são os A tos dos A póstolos.
0 AVIVAMENTO E A PERSPECTIVA HISTÓRICA

N ão é de hoje que vim os d ivid in d o a h istó ria da Ig re­


ja em três fases d istin tas. N a p rim eira, o m ovim en to. Na
se g u n d a , o d e n o m in a cio n a lism o . E, a g o ra , o in s t itu -
cio n alism o que m ata tan to o m ovim en to com o a d en o m i­
n ação. O que v irá depois? Terem os o m esm o d estin o da
Ig reja de Éfeso que, em bora severam en te ad v ertid a a v o l­
tar ao p rim eiro am or, resolv eu ig n o rar a exo rtação do
C risto?
Segundo o filósofo francês, A ugusto Com te, a história é
cíclica e se repete nas m ais diversas sociedades hum anas.
M as a Igreja de Cristo não foi constituída para andar de ci­
clo em ciclo; ei-la estabelecida para cam inhar de vitória em
vitória. E inaceitável um a igreja cíclica, que rum ina o on­
tem com o se o hoje não existisse. Que am anhã viverá o hoje,
com o se não tivéssem os nenhum cam inho a percorrer se­
não o pretérito. N este ciclo vicioso, a Igreja perde toda no­
ção de eternidade.
Se já é possível contar a história da Igreja em fases, che­
gou o m om ento de m edí-la em eternidades. N ão im porta,
se já fom os m ovim ento e, hoje, denom inação e se um a pos­
sível institucionalização já nos bate à porta. O que im porta,
agora, é nos posicionarm os diante da história e m ostrar que,
com o povo de D eus, podem os tornar-nos im unes à ação do
tem po. E, que apesar de tudo, ainda nos colocarem os em
m ovim ento, pois outra coisa não é a Igreja senão o R eino de
D eus em m ovim ento.
N as sociedades hum anas, há um conform ism o m órbi­
do quanto à inexorabilidade da história. D izem os pensa­
dores seculares que tudo se há de fazer por ciclos; e, que
sem os ciclos, nada se faz. Se há um início, haverá de se ter
tam bém um a m édia idade; e, se há um a idade m édia, o
declínio é um a sina da qual ninguém poderá fugir. Todavia,
a Igreja de Cristo não há de se conform ar com estas fases.
Basta ler os A tos dos A póstolos para verificar com o cam i­
nhava a Prim itiva Igreja; de avivam ento em avivam ento
cam inhavam os prim eiros cristãos.
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

II. LUCAS E A VERDADEIRA CONCEPÇÃO


DA HISTÓRIA
N o segundo tratad o que endereçou a Teófilo, Lucas
buscou m ostrar que, com o povo de D eus, não podem os
acorrentar-nos aos ciclos da história. A liás, rigorosam ente
falando, a igreja avivada não tem história nem ciclos; tem
atos. É que a história fossiliza-se; os atos, não. A história é
própria de quem sofre a história; os atos são característicos
de quem faz história. A história faz a denom inação; os atos
revelam a Igreja. Pela história, os crentes nutrem -se das gló­
rias passadas; pelos atos os discípulos alim entam o m undo
com as glórias sem pre presentes. Eis porque Lucas não nos
deixou um a história da Igreja e, sim , os A tos dos A póstolos.
N os livros seculares, a história é dividida em idades.
N a Bíblia, não; os relatos da Igreja de C risto são d iv i d id o s
em m ilagres, sinais e m aravilhas. Se nos referirm os, por
exem plo, ao m inistério de Pedro, m encionarem os, m esm o
sem o quererm os, os atos que lhe m arcaram a passagem por
Jerusalém , Sam aria e Jope. A final, m inistério lem bra m inis-,
trar; e, m inistrar, servir. Por isto eram os antigos diáconos
conhecidos com o m inistros.
Se os relatos b íb lico s são d ivid id os em m ilagres, si­
nais e m arav ilh as, não en con trarem os um a p ré-h istó ria
nos evan gelh os. Tam bém não en con trarem os u m a idad e
m éd ia. A ú nica id ad e que en con trarem os nos A tos dos
A p óstolo s é a do fogo que, veem en tem en te, caiu sobre os
ap ósto los e d esp ertou -o s a u m a realid ad e de con qu istas
e glórias.
N os A tos dos A póstolos, não há um a pré-história: há os
discípulos no cenáculo à espera do poder do alto; não há
um a idade do bronze: há os obreiros percorrendo a Judéia e
ch egan d o à Sam aria; não há um p erío d o florescen te: a
florescência é o período todo. A gora, não indagues sobre a
idade m édia da Igreja, pois a m édia da idade da igreja avi­
vada é a da águia: renova-se sempre. Logo, não se pode fa-
0 A V IV A M EN TO E A PERSPECTIVA H ISTÓ R ICA

lar num apogeu: a Igreja de Cristo não está aqui para viver
declínios; encontra-se nas regiões celestiais.

III. 0 QUE PRETENDIA LUCAS


A lgu ns críticos m od ernos, p or não com preen d erem
com o a história da Igreja se desenvolve, dizem que Lucas
era um historiador que nada tinha de historiador. Seu m é­
todo não era histórico, nem histórica sua planilha dos fatos.
Por isto, insinuam , não se pode confiar nas obras lucanas. O
que estes críticos não sabem , todavia, é que o m édico am a­
do não se preocupou em escrever um a história da Igreja.
Seu objetivo era bem outro. N o evangelho: relatar as cousas
que Jesus com eçou a fazer e a ensinar (At 1.1). N o A tos dos
A póstolos: o que o Espírito Santo, através dos apóstolos,
continuou a fazer depois de assunto o Cristo.
V ê-se, m eridianam ente, ser o objetivo de Lucas em pre­
ender um a história sem a inum ação da história. É m ais re­
velação do que história. A prim eira é dinâm ica e sempre
ressurreta; a segunda jaz nas velhas crônicas e só vem à tona
quando exum ada. A liás, quando se fala na revelação divi­
na, há de se levar em conta não som ente o que Deus disse,
m as principalm ente o que Ele faz. Eis o que afirm ou A. B.
Langston: "U m dos livros m ais interessantes da Bíblia é in­
dubitavelm ente o dos Atos dos Apóstolos. N ele vem os Deus
revelando-se na vida de seus servos. A revelação consta mais
do que D eus fez do que daquilo que disse".

CONCLUSÃO
A Igreja de Deus não deve se conform ar com um lugar-
zinho lam entado na história. Se, de fato, fom os intim ados a
fazer história, cum pram os integralm ente nossa m issão. Len­
do os A tos dos A póstolos e as crônicas eclesiásticas subse­
qüentes, verificam os que a Igreja faz história quando cum ­
170 FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

pre os itens da G rande C om issão; quando evangeliza e se


torna m issionária; quando se curva ao Cristo e intercede por
aqueles que vão expirando sem ter esperanças de ver Deus.
Ela faz história, quando se conscientiza de suas responsabi­
lidades sociais e não se conform a com este m undo; quando
assum e sua identidade com o a agência por excelência do
R eino de D eus e não se deixa em bair pela burocracia da
denom inação, nem pelas peias de um a institucionalização
fria e sem razão de ser.
Em sum a, a Igreja de C risto faz história quando deixa o
Espírito Santo dirigir os seus negócios e coloca a Palavra de
D eus em prim eiro plano; quando se subm ete ao senhorio
de Cristo, porque, sem Ele, a história seria incom preensí­
vel. A Igreja faz história quando se volta ao retorno do M es­
tre e o aguarda em santo amor. A Igreja faz história quando
m antém o fogo do avivam ento. E este fogo, no santuário de
D eus, não deve jam ais se apagar.

QUESTIONÁRIO
1. Com o deve a Igreja de Cristo posicionar-se diante da H is­
tória?
2. Com o Lucas enfocou a história da Igreja em seus prim ei­
ros tem pos?
3. Por que a história da Igreja de C risto não é cíclica?
4. Com o a Igreja pode fazer história?
5. O que significa viver de avivam ento em avivam ento?
XV

SOMENTE UMA IGREJA AVIVADA


PODE MUDAR A HISTÓRIA DO BRASIL

SUMÁRIO: Introdução; I. O Momento mais Decisivo de nossa His­


tória; II. É Hora de Mudar Nossa História; Conclusão; Questioná­
rio.

INTRODUÇÃO
Vivia a Inglaterra um dos períodos m ais críticos de sua
história. A corrupção já havia tom ado conta de todos os
escalões do governo; a ju stiça estava enferm a; e, a m oral
debruava-se pelas enlam eadas sarjetas de Londres. A pros­
titu iç ã o e a jo g a tin a a rm a v a m su a s te n d a s em cad a
logradouro. N esta época crivada de frustrações e desesp e­
ranças, o consum o de beb id as alcoólicas au m entara assus­
tadoram ente. Os ingleses em briagavam -se tanto, que não
consegu iam voltar para casa. M uitos caíam pelas ruas e lá
ficavam até se enregelarem ; m orriam com o se fossem cães
sarnentos.
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

O século XV III apressava-se em sepultar a brava nação


saxônica.
Os m inistros anglicanos não diferiam m uito dos repre­
sentantes de Rom a. Estavam m ais preocupados com o seu
bem -estar do que com a saúde espiritual dos paroquianos.
O s requisitos da G rande C om issão não eram observados,
nem levados em consideração os reclam os de um a vida p i­
edosa e santa. Para a igreja oficial britânica, religião era si­
nônim o de prestígio, poder e riqueza.
Foi por esta época que o filósofo francês, Voltaire, visi­
tou a Inglaterra. Ao retornar a Paris, optou por ficar com o
seu ceticism o: parecia-lhe este m elhor que a em proada reli­
giosidade de Cantuária.
D eus, porém , não havia abandonado as ilhas britâni­
cas. Estava prestes a enviar-lhes alguém com um a m ensa­
gem tão poderosa, que as abalaria do Canal da M ancha ao
M ar do Norte. Centrada na plenitude do Evangelho de Cris­
to, esta m ensagem haveria tam bém de sacudir a A m érica e
as m ais distantes possessões de Sua M ajestade.
Este alguém seria John Wesley.
A pós anos de intenso preparo espiritual, o intrépido
evangelista dá início a um trabalho que, na opinião de aba­
lizados historiadores, livraria o povo inglês de um a revolu­
ção sem elhante àquela que tantos transtornos trouxe à Fran­
ça. A partir de Wesley, com eça a Inglaterra a experim entar
um grande progresso. Os ingleses com preendem finalm en­
te a eficácia deste texto-áureo: "Feliz é a nação cujo D eus é o
Senhor". Em pouco tem po, ingressa o estado britânico num a
nova e decisiva fase de sua história. Juntam ente com a pros­
peridade espiritual, aportam naquelas terras a fartura e a
segurança. C onfirm aria m ais tarde a rainha Vitória ser a
obediência á Palavra de D eus a razão da grandeza e singu­
laridade da Inglaterra.
É de um avivam ento assim que necessita o Brasil. Sem
este sopro do Espírito, não conseguirem os sair do m arasm o
em que nos encontram os. N osso país há de ser sacudido
SO M E N T E U M A IG R EJA AVIVADA PODE M U D A R A H IST Ó R IA D O BRASIL

pelo poder de D eus; doutra form a: não resistirem os as pro­


vações que se avizinham de nossas crônicas.

1.0 MOMENTO MAIS DECISIVO DE


NOSSA HISTÓRIA
N esta altura tão dolorosa de nossa história, urge-nos
arvorar com o a voz profética da Igreja de Cristo. Som ente
assim a pátria há de sobreviver m oral e espiritualm ente. As
m edidas tom adas, até agora, pelas au toridades, visando
sanear nossas instituições, têm -se revelado inócuas e inefi­
cazes. Vivem os um a situação sem elhante á de Rom a. Lá,
segundo o filósofo francês, M ontesquieu, m orriam os cor­
ruptos, m as ficava a corrupção. Exibia-se esta com o se fora
um a hidra; m orria nunca. O utras vezes, renascia com o o
phoenix; em bora cinzas, reditzia a pó o capitólio.
Não é o que vem acontecendo ao nosso país? Com o im ­
pedim ento do presidente Collor, no início da década de 1990,
fomos induzidos a pensar que o Brasil se reergueria m oral­
m ente de toda aquela provação. Passada a prim eira euforia,
contudo, reparam os que a corrupção continuava a afrontar
nossas m ais caras heranças. Davam-lhe, agora, outros nomes;
não deixava, porém , de ser corrupção. Apesar dos m étodos
novos, corrupção. Já se conclui, pois, que o problem a de nos­
so país não é moral: é espiritual. Não é um a luta que se trava
no campo da ética, ou no terreno do direito. É um a batalha
que se rompe nas regiões celestiais, onde Satanás cancera as
nações para espalhar a m etástase de seu governo apóstata e
inimigo de Deus e de seus santos. Este é um conflito tão anti­
go, quanto a própria história do hom em . É só ler o capítulo
10 de Daniel para se inteirar das astutas e inescrupulosas in­
tervenções do adversário no governo dos Estados.
Se a luta é espiritual, as arm as hão de ser espirituais. Se
as leis que regem esta guerra são tam bém espirituais, por
que lançar m ão de recursos m eram ente hum anos? De for­
ças tão débeis? E de aparências tão aparentes? Esta guerra
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

m al com batida, levou o nosso país a enferm ar-se gravem en­


te. E, para a desventura desta geração, não há m ais centros
de tratam ento intensivo. O atendim ento já é feito nos corre­
dores do poder, nas m acas do oportunism o e com os garrotes
que nos deixaram os colonizadores. Tendo em vista o gra­
víssim o estado clínico de nossa pátria, afirm ou, certa feita,
M iguel Pereira: "O Brasil é um vasto h osp ital."
C om o d iagnosticar a doença que definha o B rasil? R ui
B arb o sa, d iag n o stico u -a d esta form a: "T od as as crises,
p o rtan to , que p elo B rasil estão p assan d o , e que d ia-a-d ia
sen tim os crescer acelerad am en te, a crise p o lítica, a crise
econ ôm ica, a crise fin an ceira, não vêm a ser m ais do que
s in t o m a s , e x t e r io r i z a ç õ e s p a r c ia is , m a n if e s t a ç õ e s
revelad oras de um estad o m ais p rofu n d o, um a suprem a
crise m o ra l."
O grande tribuno estava certo; acredito, tod avia, não
ter ele descoberto a verdadeira gravid ade da doença que,
desde o seu tem po, vem debilitando o organism o deste
grande pais. N este particular, Paulo M end es C am pos foi
m ais feliz: "Im agin em o s um ser hu m ano m onstru oso que
tivesse a m etade da cabeça tom ada p or um tum or, m as o
cérebro funcionando bem ; um pu lm ão sadio, o outro co­
m ido pela tísica; um braço ressequ ido, o outro vigoroso;
um a orelha lesada, e outra p erfeita; o estôm ago em ótim as
cond ições, o in testino carcom ido de verm es... Esse m ons­
tro é o B rasil."
O ra, não é necessário rebu scar os m anuais de m ed ici­
na, para se saber que há um tum or carcom endo o vigor de
nossa pátria. Por m ais que intervenham os m éd icos, este
tum or cresce, alastra-se e deita raízes nos tecidos ainda
sãos. E p or m ais que se abra este organism o, já d esfigu ra­
do por tantas cirurgias, o velho câncer não cede. Lá está
ele atacando os anticorpos e aum entando seu raio de ação.
Será que as fib ras d este corp o co rro m p er-se-ão tod as?
Com o povo de D eus, não podem os nos conform ar com esta
in tu m escên cia m aligna.
SO M E N T E U M A IGREJA AVIVADA PODE M U D A R A H ISTÓ R IA DO BRASIL

Se a Igreja no Brasil, por conseguinte, cum prir cabal­


m en te a sua m issão p rofética e sacerd otal, o castelo da
corrupção, que se ergue em todos os rincões da pátria, há
de ser abalado. Sim , há de ser abalado este m aldito castelo e
as suas portas não hão de resistir o ím peto do povo de Deus.
N o entanto, com o agirem os com o m odelo, se já não som os
paradigm a? Com o nos conduzirem os com o voz, se já nos
calam os nos com odism os de um a denom inação que deve­
ria continuar m ovim ento? Com o haverem os de m odificar a
política de nosso país se as arm as que agora contam os são
m eram ente hum anas?
Que as nossas arm as sejam as de John Knox. Este bravo
cam peão de Deus logrou alterar não apenas a política, com o
a própria história de seu país. Que segredo detinha Knox?
O ração e confiança irrestrita na intervenção divina no curso
natural dos negócios hum anos. N as caladas de sua aflição,
orava: "Senhor, dá-m e a Escócia senão m orrerei! D á-m e a
Escócia, senão m orrerei!"
Espero que ainda haja hom ens com o John K nox em
nosso país. Em bora lhes acenem os favores seculares, que
m antenham eles reservas espiritu ais e m orais necessárias
para se cond uzirem com o profetas e sacerdotes. N unca o
m undo careceu tanto destes m inistérios. Que os m inistros
do Senhor se ergam para cond enar o p ecad o; não se es­
queçam , todavia, de interceder por aqueles que cam inham
para o inferno. Q ue tenham voz e lágrim as, exem plos e
conselhos! Ao invés de se curvarem ante os pod erosos, de­
m onstrem suficiente fibra para in terpretar a escritura na
parede, e desvendar as alucinações dos que se levantam
contra D eus. A jam os assim e haverem os de alterar p ro­
fundam ente a nossa história.

II. É HORA DE MUDAR NOSSA HISTÓRIA


O que a Igreja de Cristo poderá fazer para alterar nossa
história? Em primeiro lugar, há de se portar como a agência
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

por excelência do Reino de Deus. Nesta sublime e intransferível


vocação, deve ela retom ar imediatamente às Sagradas Escri­
turas, e tê-las como a inspirada, infalível, inerrante e completa
Palavra de Deus. Caso contrário, jamais haveremos de experi­
mentar o avivamento de que tanto necessitamos. Como já dis­
semos, a história da Igreja Cristã se cala a respeito dos aviva-
mentos que com eçaram sem a Bíblia.
Em seguida, a Igreja de Cristo, no Brasil, há de cum prir
todos os itens da G rande Com issão. N ão nos esqueçam os
de que foi exatam ente assim que João Calvino deu novos
rum os à Suiça do século XVI. E m udando o caráter dos ho­
m ens que se m uda a sociedade; é m udando os indivíduos
que se m uda o Estado e o itinerário de um a história já caóti­
ca e já viciada. D e nada nos adianta propugnar por um a
m udança m ais radical em nossa legislação, se não lutarm os
para m udar o ser hum ano. De que nos há de valer, por exem ­
plo, a pena de m orte se a im punidade cam peia em cada es-
caninho da legislação?

CONCLUSÃO
Com o Igreja de C risto, não podem os esquecer-nos de
nossa tríplice m issão. Fom os cham ados para ser um a nação
real, sacerdotal e profética. Com o nação real, fom os cham a­
dos para reinar na vida através de C risto Jesus. Com o na­
ção sacerdotal, jam ais haverem os de nos esquecer de rogar
para que o Senhor abençoe nossos patrícios e conduza-os à
vida eterna. E, com o nação profética, cum pre-nos bradar a
Palavra de Deus. Q uando desem penharm os plenam ente
nossa m issão, arrancarem os o Brasil deste atoleiro. A final,
com o já dissem os, a solução para os nossos problem as não
está num a m era m udança de cenário político, e, sim , num a
m udança de rum os em nossa história através de um rigoro­
so avivam ento espiritual.
Socorram os, pois, o Brasil enquanto é tem po. À sem e­
lhança de John Wesley, podem os alterar os destinos de nos­
SOMENTE UMA IGREJA AVIVADA PODE MUDAR A HISTÓRIA DO BRASIL 177

sa pátria, através da anunciação da Palavra de Deus. Que o


Senhor avive nossa pátria!

QUESTIONÁRIO
1. Com o vivia a Inglaterra antes do Avivam ento W esleyano?
2. Por que vive o Brasil uma crise espiritual e m oral tão aguda?
3. De que form a podem os alterar a história do nosso país?
4. Com o deve a Igreja de Cristo ajudar o Brasil a sair deste
atoleiro?
5. Que oração fez John Knox em relação à Escócia?
XVI

0 AVIVAMENTO E A IMINÊNCIA DA
VOLTA DE CRISTO

SUMÁRIO: Introdução; I. O que É a Segunda Vinda de Cristo;


II. A Iminência da Vinda de Jesus; III. Como Devemos nos Preparar
para a Vinda de Cristo; IV. A Expectativa da Vinda de Cristo Deve
Levar-nos ao Avivamento; Conclusão; Questionário

INTRODUÇÃO
U m a das principais características de um a igreja verda­
deiram ente avivada é o seu am or pela vinda de Cristo. Pois
sabe ela que, neste m undo, não passam os de viajores cansa­
dos e m ui exaustos, e que a nossa alm a só achará repouso,
quando for recebida nas m ansões celestes. M as, pela fé, já
podem os usufruir desse inefável gozo apesar das lutas e
das dificuldades que, diariam ente, nos querem afastar des­
ta tão grande e relevante verdade das Escrituras.
Com o estam os aguardando a vinda do Senhor Jesus?
Você sabia que a sua vin da é certa? Todos os sinais p ratica­
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

m ente já se cum priram . O m aior de todos: o renascim ento


de Israel, com o nação soberana, já é um a in contestável re­
alidade histórica.
Por conseguinte, esperem os pela vinda de Cristo Jesus
com redobrada vigilância e prudência. Ele não tarda a vir.
Que as nossas candeias estejam apercebidas com o azeite do
avivamento autêntico do Espírito Santo. Caso contrário, como
haverem os de sair ao encontro do esposo? A m ado Jesus, que
naquele grande dia, não fiquem os envergonhados.

1.0 QUE É A SEGUNDA VINDA DE CRISTO


É a segunda vinda de Cristo, um a das doutrinas m ais
bem fundam entadas das Sagradas Escrituras. D esta m ara­
vilhosa e abençoada verdade, encontram os pelo m enos tre­
zentas referências tanto no A ntigo quanto no N ovo Testa­
m ento.
Por que tan tas referên cias? Q u er o Senhor, em seu
im ensurável amor, que todos nos m antenham os apercebidos
e vigilantes a fim de que, naquele grande dia, não fiquem os
confundidos.
Vejamos, pois, o que é a segunda vinda de Nosso Senhor.
1. D efin ição . N o D icionário de Escatologia Bíblica, assim
definim os a vinda de Cristo: "Volta pessoal do Senhor Jesus
à terra que, de acordo com o que podem os concluir das Es­
crituras do N ovo Testam ento, dar-se-á em duas fases dis­
tintas. Na prim eira, virá Ele arrebatar os santos (1 Ts 4.13-
17). N a segunda, há de vir com os santos para: a) destruir o
sistem a criado pelo A nticristo durante a Septuagésim a Se­
m ana, b) libertar Israel de seus adversários e: c) im plantar o
Reino de D eu s" (Ap 20.2-7).
2. A vinda de Cristo como a parousia. A vinda do Senhor
Jesus é descrita tam bém como a parousia. "N o mundo greco-
romano, o termo era usado para descrever a visita oficial e
solene de um príncipe a determinado lugar. O anúncio da che­
gada do potentado obrigava os cidadãos desse lugar a se pre­
0 AVIVAMENTO E A IMINÊNCIA DA VOLTA DE CRISTO

pararem devidamente para que nada saísse errado.


"Tendo em vista tão alto significado, o vocábulo passou
a ser usado pelos escritores sacros para descrever o glorioso
retorno de Cristo para buscar a sua Igreja (1 Co 15 e 1 Ts 4).
"Se os antigos esm eravam -se para a chegada de seu prín­
cipe, porque iríam os nós, os redim idos, m ostrar-nos des­
cuidados quanto à vinda do Rei dos reis e Senhor dos se­
n h ores?"
3. A im portância da doutrina. A cerca da im portância
da segunda vinda de C risto, o im inente teólogo Bancroft
m ostra-se m ui categórico:
"Se devemos aquilatar a importância de uma doutrina pelo
destaque que lhe é dado nas Escrituras, então o Segundo A d­
vento de Cristo é realmente uma das doutrinas m ais impor­
tantes da fé cristã. Nota-se particularmente esse realce nas pro­
fecias do Antigo Testamento, onde há muito maior número de
previsões da Segunda Vinda do que da prim eira".

II. A IMINÊNCIA DA VINDA DE JESUS


Se o profeta M alaquias já encarava com o im inente a volta
de Cristo Jesus, com o agirem os nós que vivem os estes últi­
m os dias? A Palavra de D eus é clara: Jesus está às portas;
não podem os vacilar, nem especular quanto a esta verdade.
As passagens da im inência são fortíssim as; não com portam
dúvidas.
1. P assag en s da im in ê n cia . São trechos, tanto do A n ti­
go quanto do N ovo Testam ento, que realçam a brevidade
e o inesperado do retorno de C risto Jesu s para arrebatar a
sua Igreja.
Eis algum as passagens da im inência:
"P orqu e vós m esm os sabeis perfeitam ente que o dia do
Senhor virá com o vem o ladrão de no ite" (1 Ts 5.3).
"M as vós, irm ãos, não estais em trevas, para que aquele
dia, com o ladrão, vos surpreenda" (1 Ts 5,4).
"V irá, pois, com o ladrão o dia do Senhor, no qual os
FU N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

céus passarão com grande estrondo, e os elem entos, arden­


do, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão
descobertas" (2 Pe 3.10).
"Lem bra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e
guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um
ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei" (Ap 3.3).
"E is que venho com o ladrão. Bem -aventurado aquele
que vigia, e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e
não se veja a sua n u d ez" (Ap 16.15).
Estas e outras passagens de igual teor, têm com o objeti­
vo alertar o povo de Deus com respeito à im inência do re­
torno de Cristo. Pois o Senhor não quer que nenhum de seus
filhos fique envergonhado e confuso naquele grande dia.
2. Encarando com seriedade a p rom essa da segunda
vinda de C risto. A prom essa da segunda vinda de C risto é
a que m ais sofre ataques dos in créd u los com o adverte o
apóstolo Pedro: "A m ad o s, já é esta a segunda carta que
vos escrevo; em am bas as quais desperto com adm oesta-
ções o vosso ânim o sincero; para que vos lem breis das p a­
lavras que dantes foram ditas pelos santos profetas, e do
m andam ento do Senhor e Salvador, dado m ediante os vos­
sos apóstolos; sabendo prim eiro isto, que nos últim os dias
virão escarnecedores com zom baria andando segundo as
suas próprias concu piscências, e dizendo: O nde está a pro­
m essa da sua vinda? porque desde que os pais dorm iram ,
todas as coisas p erm anecem com o desde o prin cíp io da
criação " (2 Pe 3.1-5).
O m esm o apóstolo discorre agora acerca da essência
da prom essa: "P o is eles (os incrédulos) de prop ósito ign o­
ram isto, que pela p alavra de D eus já desde a antigüidade
existiram os céus e a terra, que foi tirad a da água e no m eio
da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o m undo de
então, afogado em água; m as os céus e a terra de agora,
pela m esm a palavra, têm sido guardados para o fogo, sen­
do reservados para o dia do ju ízo e da perdição dos h o ­
m ens ím pios. M as vós, am ados, não ignoreis um a coisa:
0 AVIVAMENTO E A IMINÊNCIA DA VOLTA DE CRISTO

que um dia para o Senhor é com o m il anos, e m il anos


com o um dia. O Senhor não retarda a sua prom essa, ainda
que algu n s a têm p or tard ia; p orém é lon g ân im o para
convosco, não querendo que ningu ém se perca, senão que
todos venham a arrepender-se. Virá, pois, com o ladrão o
dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande es­
trondo, e os elem entos, ardendo, se dissolverão, e a terra,
e as obras que nela há, serão d escobertas" (2 Pe 3.5-10).

III. COMO DEVEMOS NOS PREPARAR PARA


A VINDA DE CRISTO
Eis alguns cuidados especiais que os crentes devem os
tom ar em virtude da im inência da volta de Cristo:
1. M anter a flam a da abençoada esperança que é a con­
vicção de que o Senhor Jesus está às portas: "A guardando
a bem -aventurada esperança e o aparecim ento da glória do
nosso grande D eus e Salvador C risto Jesu s" (Tt 2.13).
2. G uardar o que se recebeu com o resultado do cha­
m am ento do Evangelho: "Venho sem dem ora; guarda o que
tens, para que ninguém tom e a tua coroa" (Ap 3.11).
3. M anter-se puro num m undo corrupto e que ja z no
m aligno: "E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se
a si m esm o, assim com o ele é p u ro" (1 Jo 3.3).
4. A m ar a vinda de Cristo: "D esd e agora, a coroa da
justiça m e está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, m e
dará naquele dia; e não som ente a m im , m as tam bém a to­
dos os que am arem a sua v in d a" (2 Tm 4.8).
5. Trabalhar enquanto é dia; "Im porta que façam os as
obras daquele que m e enviou, enquanto é dia; vem a noite,
quando ninguém pode trabalhar" (Jo 9.4).
Tais preparações são im prescindíveis. Sem elas, haverá
apenas tristeza, vergonha e confusão naquele grande dia.
M as para os que aguardam os a vinda de Cristo, tal expecta­
tiva deve levar-nos a um constante avivam ento.
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IV. A EXPECTATIVA DA VINDA DE CRISTO DEVE


LEVAR-NOS AO AVIVAMENTO
A expectativa da im inência da volta de Cristo tem de
levar a Igreja ao cum prim ento urgente e zeloso dos itens da
G rande Com issão. Evitem os, pois, estas duas posições ex­
trem adas: a escatofobia e a escatom ania.
1. Escatofobia. Leva o crente a ter m edo das últim as
coisas. Há pessoas que sentem pavor ante a expectativa da
volta de Cristo. No entanto, a Bíblia quer que encarem os o
arrebatam ento da Igreja com indizível alegria. O ra vem ,
Senhor Jesus!
2. Escatom ania. Por outro lado, há m uitos cristãos que,
diante da im inência do retorno de Cristo, não m ais se em ­
penham na expansão do Reino de Deus. Tornam -se esses
crentes até desleixados quanto à vida pessoal. M as não de­
vem os agir assim. O Senhor Jesus insta-nos a que estejam os
sem pre vigilantes e trabalhando em sua Obra.
A doutrina das últim as coisas não visa satisfazer-nos a
curiosidade quanto ao futuro. Sua finalidade é prática e m ui
piedosa. E um incentivo àqueles que, na esperança de se
encontrarem com o Senhor Jesus, vencem os m aiores desa­
fios e os m ais agudos transes por um a esperança que não
m urcha nem se desfaz com os séculos e m ilênios.

CONCLUSÃO
O Senhor Jesus está às portas. Em breve virá buscar a
sua Igreja. Eis um grande m otivo para se buscar um grande
e poderoso avivam ento, que venha a abalar o m undo. Tal
expectativa não deve, de form a algum a, am edrontar-nos,
m as incentivar-nos a trabalhar enquanto é dia.
Você está preparado para o arrebatam ento da Igreja? Sua
fam ília está preparada? E sua igreja? Está você orando p e­
dindo um avivam ento, ou já se conform ou com este m un­
do? O m om ento exige um firm e posicionam ento. É hora de
0 AVIVAMENTO E A IMINÊNCIA DA VOLTA DE CRISTO

se v oltar à P alavra de D eus! C hegou o m om ento de se


retornar ao cenáculo! Levantem os bem alto a bandeira pen­
tecostal!

QUESTIONÁRIO
1. O que é a segunda vinda de Cristo?
2. O que acontecerá na prim eira fase da segunda vinda de
Cristo?
3. O que significa parousia?

4. O que são as passagens da im inência?


5. Com o devem os encarar a expectativa da volta de Cristo?
X.VII

AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA!

R ogu em os, pois, ao Senhor Jesu s C risto, que nos m an­


de um avivam ento com provadam ente autêntico. Eis as ca­
racterísticas do avivam ento de que tanto precisam os:

1. O verdadeiro avivam ento tem a Bíblia Sagrada com o


a inspirada, infalível, inerrante e com pleta Palavra de Deus.
2. O verdadeiro avivam ento não adm ite qualquer outra
revelação que venha a contrariar as Sagradas Escrituras, pois
estas são soberanas e irrecorríveis.
3. O verdadeiro avivam ento prim a pela ortodoxia bíbli­
ca e pela sã doutrina.
4. O verdadeiro avivam ento é espiritual, m as não adm i­
te o m isticism o herético e apóstata que, sob a capa da hu­
m ild ad e, b u sca d esviar os fiéis das recom en d ações dos
profetas do A ntigo Testam ento e dos apóstolos do N ovo
Testam ento.
F U N D A M E N T O S BÍBLICOS DE U M A U T Ê N T IC O A V IV A M E N T O

5. O verdadeiro avivam ento prega o Evangelho com ­


pleto de N osso Senhor, anunciando que Jesus salva, batiza
no Espírito Santo, cura os enferm os, opera m aravilhas e que,
em breve, haverá de nos buscar, a fim de que estejam os para
sem pre ao seu lado.
6 .0 verdadeiro avivam ento enfatiza a salvação pela gra­
ça através do sacrifício vicário do Filho de Deus.
7. O verdadeiro avivam ento é pentecostal; realça a atua­
lidade do batism o no Espírito Santo e dos dons espirituais.
8. O verdadeiro avivam ento tem um firm e com prom is­
so com o im perioso ide de N osso Senhor Jesus Cristo, por
isto não poupa recursos hum anos e financeiros na evange-
lização local, nacional e transcultural.
9. O verdadeiro avivam ento acredita na necessidade e
na possibilidade de todos os crentes viverem um a vida de
santidade e inteira consagração a Deus.
1 0 . 0 verdadeiro avivam ento é intercessor. Leva os cren­
tes a rogar ao Pai Celeste por aqueles que ainda não foram
alcançados pelo Evangelho.
11. O verdadeiro avivam ento estim ula os crentes a vive­
rem com o irm ãos e a am ar uns aos outros com o Cristo nos
am ou e por nós se entregou.
12. Enfim , o verdadeiro avivam ento leva os fiéis a devo­
tar um am or incondicional pelo Senhor Jesus Cristo, e ansi­
ar por sua volta gloriosa - nossa bendita esperança.
FUNDAMENTOS
BÍBLICOS
DE UM
AUTÊNTICO
AVIVAMENTO

O avivamento — caracterizado pelas experiências


espirituais decorrentes da oração, pelo retorno aos
princípios bíblicos que norteavam a Igreja primiti­
va e pelo grande desejo de evangelização motiva­
do pelo amor aos perdidos — é imprescindível à
vida da Igreja. Nenhum movimento que queira ser
caracterizado pelo título de "avivamento" pode
deixar de ter esses três elementos.
Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento traz
para o leitor os verdadeiros componentes do real avi­
vamento, e uma análise profunda de cada um deles:
O Avivamento e a Oração
O Avivamento e o Batismo com o Espírito Santo
O Avivamento e os Dons Espirituais
O Avivamento e a Operação de Milagres
O Avivamento e a Verdadeira Espiritualidade
O Avivamento e a Iminente Volta de Cristo

O A u to r
É ministro do Evangelho e membro da Academia
de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica
de Letras. É autor dos seguintes livros: Dicionário
Teológico, Dicionário de Escatologia Bíblica, Geografia
Bíblica, Jerusalém — 3.000 anos de História, Manual do
Diácono, Manual do Superintendente e Teologia da Edu­
cação Cristã, todos editados pela CPAD.

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