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Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

IPUC - Instituto Politécnico


Disciplina:
7078.1.00 : ESTRUTURAS DE MADEIRA

4. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

• CONSIDERAÇÕES

• TRAÇÃO SIMPLES

• FLEXÃO SIMPLES
4.1. ASPECTOS GERAIS DOS CRITÉRIOS

A. Dimensões Mínimas das Peças de Madeira

Smin
Peças Principais Isoladas :
Smin = 50 cm²
Espessura Mínima = 5 cm

Exemplo: Vigas e Barras Longitudinais em Treliças

Peças Secundárias :
Smin
Smin = 18 cm²
Espessura Mínima = 2,5 cm
Peças Principais Múltiplas :
Smin
Smin = 35 cm² para cada peça
Espessura Mínima = 2,5 cm para cada peça

Peças Secundárias Múltiplas : Smin

Smin = 18 cm² para cada peça


Espessura Mínima = 1,8 cm para cada peça

3
4
5
B. Esbeltez Máxima das Peças de Madeira

Elementos Estruturais Comprimidos:

Lmáx ≤ 40 x a menor dimensão da seção transversal

Elementos Estruturais Tracionados:

Lmáx ≤ 50 x a menor dimensão da seção transversal

6
Elementos Estruturais Comprimidos:
Para seções retangulares:
Imin
imin =
lfl S
h λ=
𝑖𝑚𝑖𝑛
ℎ 𝑏3
Imin =
b 12

S = b .h

ℎ 𝑏3
imin = 12
b. h

𝑏
imin =
12 7
Assim,

lfl 𝑏
h λ= imin =
𝑖𝑚𝑖𝑛 12

b
lfl = 40 . b

40 . 𝑏
λ=
𝑏
12

λ = 40 . 12 λ = 139 ≅ 140

8
E para Elementos Estruturais Tracionados:
Para seções retangulares:

𝑏
imin =
lfl 12
h λ=
𝑖𝑚𝑖𝑛

b lfl = 50 . b

λ = 173

9
C. Peças com Seção Transversal Circular

Com Seção Circular Constante

Consideradas como  seção quadrada (de área equivalente)

Área equivalente 

Com Seção Circular Variável

d2 deq d1
𝑑1 − 𝑑2
L/3 2L / 3 𝑑𝑒𝑞 = 𝑑2 +
3

𝑑𝑒𝑞 ≤ 1,5 𝑑2

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D. Tração Normal às Fibras

Deve ser evitada a ocorrência desta solicitação

E. Resistência a Tensões Normais Inclinadas em Relação às Fibras

A NBR 7190 permite ignorar a influência da inclinação até ângulo igual a 6°

Se ângulo for superior:

θ = ângulo da força em relação às fibras da madeira 11


4.2. DIMENSIONAMENTO ou VERIFICAÇÃO

Considerações sobre Ações e Segurança- NBR 7190 e NBR 8681

Verificação da segurança de peças estruturais de madeira:

Sd  X d
Xk
Xd : resistência de cálculo X d  kmod 
w
Sd : solicitação de cálculo
HIPÓTESES BÁSICAS DE SEGURANÇA
ESTADOS LIMITES

Estado Limite Último (ELU) :

A sua ocorrência determina a paralisação, no todo ou em parte do uso da

construção (ruptura, deformação plástica excessiva, instabilidade)

Estado Limite de Utilização (serviço) (ELS)

Caracterizado por deformações excessivas que afetam a utilização normal da

construção, comprometam seu aspecto estético, prejudiquem o funcionamento

de equipamentos ou instalações ou causem danos aos materiais de

acabamento.

Caracterizados também por vibrações de amplitude excessiva que causem

desconforto aos usuários ou causem danos à construção.


4.3. PEÇAS TRACIONADAS AXIALMENTE

• Verificação do Estado Limite Último ( ELU ) de Resistência a Tração Paralela às


Fibras:

Nd VALOR DE CÁLCULO DO

 td   f t 0 ,d ESFORÇO DE TRAÇÃO

Aútil
VALOR DE CÁLCULO DA
RESISTÊNCIA À TRAÇÃO
PARALELA ÀS FIBRAS
ÁREA DA SEÇÃO TRANSVERSAL
DA PEÇA (DESCONTANDO OS
EVENTUAIS FUROS OU
VALOR DE CÁLCULO DA ENTALHES)
TENSÃO ATUANTE DE
TRAÇÃO
OBS: quando a redução da área resistente for
superior a 10% da peça íntegra
EXEMPLO

Verificação da seção útil linha de tesoura


A linha de uma tesoura está submetida ao esforço solicitante de cálculo Nsd = 50 kN,
considerando uma situação duradoura de projeto, verifique se a seção 7,5 cm x 10 cm
atende a este esforço (Figura), considerando: conífera classe C-30; carregamento de longa
duração; classe 4 de umidade; peças de 2ª categoria; parafusos de diâmetro 12,5 mm com
tensão de escoamento fy = 250 MPa.

15
RESOLUÇÃO

Nd
 td   f t 0 ,d
Aútil

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PARA MADEIRAS DE 2ª CATEGORIA E CARREGAMENTOS DE LONGA DURAÇÃO

fto,d = fco,d 17
RESISTÊNCIA DE CÁLCULO DA MADEIRA

Resistência Característica da Madeira : Classe da Madeira : C30 - Conifera

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Coeficiente de Modificação

Kmod 1 carregamento de longa duração

Kmod 2 classe 4 de umidade


Kmod 3 peças de 2ª categoria

Os coeficientes de ponderação nos ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS


Resistência de Cálculo da madeira

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Seção Transversal Crítica

A Seção Crítica
Área útil da seção

Área do furo

df

Af n = 2 furos então, Af,total = 19,5 cm²


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Área bruta da seção

Aw = t . b = 7,5 . 10 = 75 cm² n = 2 furos então, Af,total = 19,5 cm²

> 10 % Aw

então descontam-se os furos

Aútil

Verificação da Tensão Normal

𝑁𝑑 50 𝑘𝑁
𝜎𝑡0,𝑑 = = = 0.9 = 9 𝑀𝑃𝑎 < 𝑓𝑡0,𝑑 = 9,64 𝑀𝑃𝑎
𝐴ú𝑡𝑖𝑙 55,5 𝑐𝑚2
OK ! VERIFICADO
5.3. PEÇAS SOLICITADAS POR FLEXÃO SIMPLES - VIGAS

SOLICITAÇÃO :
M  MOMENTO FLETOR
V  ESFORÇO CORTANTE

OCORRÊNCIAS:

• Vigas de Piso

• Vigas de Pontes

• Alguns Componentes de Estruturas de Cobertura

• Peças de Formas e Cimbramento


• Verificação do Estado Limite Último ( ELU )

de Resistência às Tensões Normais 

de Resistência às Tensões Tangenciais 


a Instabilidade Lateral

• Verificação Estado Limite de Utilização ( ELS )

às Flechas

às Vibrações Excessivas


Para peças fletidas deve-se considerar como VÃO TEÓRICO ( L ):

O MENOR dentre os seguintes valores:

L
• Distância entre eixos dos apoios;
• Distância entre as bordas internas dos apoios acrescida da
altura da seção transversal da peça no meio do vão
(não considerar acréscimo superior a 10 cm)

EXEMPLO
H
5.3.1. ESTADO LIMITE ÚLTIMO : TENSÕES NORMAIS 
Deve-se satisfazer SIMULTANEAMENTE as seguintes condições:

VALOR DE CÁLCULO DO MOMENTO FLETOR ATUANTE


Md
 cd   f c 0 ,d VALOR DE CÁLCULO DA RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO PARALELA ÀS FIBRAS
Wc
MÓDULO DE RESISTÊNCIA DA SEÇÃO TRANSVERSAL, REFERENTE A BORDA COMPRIMIDA

VALOR DE CÁLCULO DA
MÁXIMA TENSÃO ATUANTE
DE COMPRESSÃO

Md
 td   f t 0 ,d VALOR DE CÁLCULO DA RESISTÊNCIA À TRAÇÃO PARALELA ÀS FIBRAS
Wt
MÓDULO DE RESISTÊNCIA DA SEÇÃO TRANSVERSAL, REFERENTE A BORDA TRACIONADA

VALOR DE CÁLCULO DA
MÁXIMA TENSÃO ATUANTE
DE TRAÇÃO
RELEMBRANDO:

I I
Wc  Wt 
yc yt

𝑦𝑐 : coordenada da fibra comprimida mais afastada da L. N.

𝑦𝑡 : coordenada da fibra tracionada mais afastada da L. N.

No exemplo (slide 25)


Compressão

h LN

Tração
b
5.3.2. ESTADO LIMITE ÚLTIMO : TENSÕES TANGENCIAIS 
VALOR DE CÁLCULO DO ESFORÇO CORTANTE ATUANTE

MOMENTO ESTÁTICO DA PARTE DA SEÇÃO TRANSVERSAL (EM RELAÇÃO AO CENTRO DE

Vd S GRAVIDADE) SITUADA ABAIXO (OU ACIMA) DA POSIÇÃO NA QUAL SE DETERMINA A TENSÃO DE

 vd 
CISALHAMENTO

 f v 0 ,d
bI VALOR DE CÁLCULO DA RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO PARALELO ÀS FIBRAS

MOMENTO DE INÉRCIA DA SEÇÃO TRANSVERSAL

LARGURA UTIL DA SEÇÃO TRANSVERSAL, NA POSIÇÃO CONSIDERADA

VALOR DE CÁLCULO DA (1)


MÁXIMA TENSÃO ATUANTE
DE CISALHAMENTO
PARA SEÇÕES RETANGULARES com largura b e altura h, a equação anterior pode ser
expressa por:

Vd S
 vd   f v 0 ,d
bI
Vd
máx

3 Vd
τvd,max = ≤ fvo,d
2 b h (2)
Quando forem aplicadas CARGAS CONCENTRADAS próximas aos apoios ocorre o
efeito FAVORÁVEL da compressão normal às fibras, que aumenta a resistência da madeira
ao cisalhamento.

Se as equações 1 ou 2 não forem satisfeitas pode–se lançar mão da


redução dos esforços cortantes atuantes, até à distância de duas vezes a
altura da viga, como a seguir:

a
Vred ,d  Vd
2 h

a : distância entre o ponto de aplicação da carga concentrada e o eixo do apoio


EM VIGAS ENTALHADAS existe variação brusca de seção, então ocorre concentração
de tensões de cisalhamento.

É necessário majorar a equação 1

Para Seções Retangulares :

3 Vd  h 
d   
2 b h1  h1  (3)

Deve ser RESPEITADA a condição:

h1 > 0,75 h
Caso h1  0,75 h

RECOMENDA-SE
1 – Utilização de parafusos verticais dimensionados à tração axial para a
totalidade do esforço cortante, ou
2 – Emprego de seções variáveis com mísulas com comprimento MAIOR que
três vezes a altura do entalhe

a ≥ 3 . ( h - h1 )

Para as duas recomendações:

h1 ≥ 0,5 h
5.3.3. ESTADO LIMITE ÚLTIMO : INSTABILIDADE LATERAL

A NBR 7190 DISPENSA ESTA VERIFICAÇÃO QUANDO FOREM SATISFEITAS AS


SEGUINTES CONDIÇÕES:

A : OS APOIOS NAS EXTREMIDADES DA PEÇA IMPEDEM A ROTAÇÃO DE SUAS


SEÇÕES EM TORNO DO EIXO LONGITUDINAL DA PEÇA;

B: EXISTEM ELEMENTOS DE
TRAVAMENTO AO LONGO DO
COMPRIMENTO ( L ) DA VIGA,
AFASTADOS ENTRE SI A UMA
DISTÂNCIA MENOR OU IGUAL A
L1, QUE TAMBÉM IMPEDEM A
ROTAÇÃO DESTAS SEÇÕES
TRANSVERSAIS EM TORNO DO
EIXO LOGITUDINAL DA PEÇA
Para as vigas de seção transversal retangular, de largura b e altura h medida no plano
de atuação do carregamento

𝐿1 𝐸𝑐0,𝑒𝑓 ℎ 1,5
≤ 1 𝛽𝐸 𝑏
𝑏 𝛽𝑀 𝑓𝑐0,𝑑 𝛽𝑀 = . . 0,5
0,26 𝜋 𝛾𝑓 ℎ
− 0,63
𝑏

𝛽𝐸 = 4 𝛾𝑓 = 1,35

COEFICIENTE M EM FUNÇÃO DA RELAÇÃO h/b

h/b 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

M 6,0 8,8 12,3 15,9 19,5 23,1 26,7 30,3 34,0 37,6 41,2 44,8 48,5 52,1 55,8 59,4 63,0 66,7 70,3 74,0
SE

𝐿1 𝐸𝑐0,𝑒𝑓
>
𝑏 𝛽𝑀 𝑓𝑐0,𝑑

também se dispensa a verificação da segurança em


relação ao estado limite último de instabilidade
Md
lateral, desde que sejam satisfeitas as exigências de  cd   f c 0 ,d
Wc
com
𝐸𝑐0,𝑒𝑓
𝑓𝑐𝑑 =
𝐿
𝛽𝑀 1
𝑏
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5.3.4. ESTADO LIMITE DE UTILIZAÇÃO : FLECHAS

FLECHAS MÁXIMAS: Utilizar as expressões usuais da Resistência dos Materiais


Disponibilizado no CANVAS arquivo : Formulário Para estruturas Correntes
Fd

n 
Fd   FGi ,k   2 j  FQj ,k 
 j 2 

Fd
𝛿𝑚á𝑥 ≤ 𝛿𝑙𝑖𝑚

As flechas máximas devem atender aos limites para o plano de flexão conforme
NBR 7190
VIGA BI APOIADA VIGA EM BALANÇO
𝐿 𝐿
𝛿𝑙𝑖𝑚 = 𝛿𝑙𝑖𝑚 =
200 100
COMBINAÇÃO DE AÇÕES item 5.8 pág 13 NBR 7190
Tabela 2 pág 9 NBR 7190
EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO

1 - DIMENSIONAR UMA VIGA, COM MADEIRA DE CLASSE C-60, PRIMEIRA


CATEGORIA, CLASSE DE UMIDADE 2.
CONSIDERAR COMO CARREGAMENTO MAIS CRÍTICO O COMPOSTO PELA
AÇÃO PERMANENTE (0,5 kN / m) E PELA AÇÃO VARIÁVEL (1 kN ) RELATIVA À
PREVISÃO DE UM HOMEM FAZENDO MANUTENÇÃO.

1 kN
0,5 kN/m

b
3,75 m
RESOLUÇÃO

A – Pré Dimensionamento da seção transversal

B – Solicitação : Carregamento Atuante


B.1 – Esforços Atuantes Característicos
B.2 – Esforços Solicitantes de Cálculo

C – Resistência da Madeira

D – Verificações :
D.1 ESTADO LIMITE ÚLTIMO (ELU)
• TENSÃO NORMAL
• TENSÃO DE CISALHAMENTO
• INSTABILIDADE LATERAL
D.2 ESTADO LIMITE DE UTILIZAÇÃO ( ELS)
• FLECHA MÁXIMA
PRÉ DIMENSIONAMENTO
BITOLAS COMERCIAIS (cm) :

VERIFICAÇÃO

Sd  X d
ESFORÇOS SOLICITANTES CARACTERÍSTICOS
Carga Concentrada : NO MEIO DO VÃO AB

Carga Concentrada : PRÓXIMA DO APOIO A ou B


SITUAÇÃO MAIS DESFAVORÁVEL PARA ESFORÇO CORTANTE

𝑽𝑨 = 𝑭 ou 𝑽𝑩 = 𝑭
ESFORÇOS SOLICITANTES DE CÁLCULO

 n

Fd    Gi . FGi ,k   Q  FQ1,k   0 j . FQj ,k 
 j 2 
Ação permanente Ação variável
Ação variável secundária
principal

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COEFICIENTES DE PONDERAÇÃO

46
RESISTÊNCIAS CARACTERÍSTICAS

47
RESISTÊNCIAS DE CÁLCULO

Kmod 1

Kmod 2
NBR 7190 :
Kmod 3

Os coeficientes de ponderação nos ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS


ESTADO LIMITE ÚLTIMO (ELU)

VERIFICAÇÃO DAS TENSÕES NORMAIS

Md I
 cd   f c 0 ,d Wc 
Wc yc

Md I
 td   f t 0 ,d Wt 
Wt yt

VERIFICAÇÃO DA TENSÕES DE CISALHAMENTO

3 Vd
 vd   f v 0 ,d
2bh
VERIFICAÇÃO ESTABILIDADE LATERAL DA VIGA

𝐿1 𝐸𝑐0,𝑒𝑓 ℎ 1,5
≤ 1 𝛽𝐸 𝑏
𝑏 𝛽𝑀 𝑓𝑐0,𝑑 𝛽𝑀 = . . 0,5
0,26 𝜋 𝛾𝑓 ℎ
− 0,63
𝑏

𝛽𝐸 = 4 𝛾𝑓 = 1,35

COEFICIENTE M EM FUNÇÃO DA RELAÇÃO h/b

h/b 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

M 6,0 8,8 12,3 15,9 19,5 23,1 26,7 30,3 34,0 37,6 41,2 44,8 48,5 52,1 55,8 59,4 63,0 66,7 70,3 74,0
ESTADO LIMITE DE UTILIZAÇÃO (ELS)

VERIFICAÇÃO DAS FLECHAS MÁXIMAS 𝛿𝑚á𝑥 ≤ 𝛿𝑙𝑖𝑚

𝐿
VIGA BI APOIADA 𝛿𝑙𝑖𝑚 =
200

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