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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE GOIÁS


CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
INTRODUÇÃO À ECONOMIA
PROFESSORA ALZIRENE MILHOMEM

UNIDADE I – NOÇÕES DE MICROECONOMIA

1. Introdução à Microeconomia
Conceito:
Microeconomia, ou teoria geral dos preços, analisa a formação de preços no mercado, ou seja,
como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a quantidade de um determinado
bem ou serviço em mercados específicos. A microeconomia estuda o funcionamento da oferta e da
procura na formação do preço no mercado, isto é, o preço sendo obtido pela interação do conjunto dos
consumidores com o conjunto de empresas que fabricam um dado bem ou serviço.
Do ponto de vista da economia de empresas, onde se estuda uma empresa específica, prevalece
a visão contábil financeira na formação do preço de venda de seu produto, baseada principalmente nos
custos de produção, enquanto na microeconomia prevalece a visão do mercado.
O conceito de empresa possui 2 visões: a econômica e a jurídica. Do ponto de vista econômico,
empresas ou estabelecimento comercial é a combinação pelo empresário, dos fatores de produção:
capital, trabalho, terra e tecnologia, de modo organizado para se obter o maior volume possível de
produção ou de serviços ao menor custo.

Pressupostos básicos da análise microeconômica


A hipótese coeteris paribus (tudo o mais permanece constante): o foco de estudo é dirigido
apenas àquele mercado, analisando o papel que a oferta e a demanda nele exercem, supondo que outras
variáveis interfiram muito pouco, ou que não interfiram de maneira absoluta.
Papel dos preços relativos
Na análise microeconômica, são mais relevantes os preços relativos, isto é, os preços dos bens
em relação aos demais, do que os preços absolutos ( isolados) das mercadorias. Exemplo: se o preço do
guaraná cair 10%, mas também o preço da soda cair em 10%, nada deve acontecer na demanda dos
dois bens, mas se cair apenas o preço do guaraná, permanecendo inalterado o preço da soda, deve-se
esperar um aumento na quantidade procurada de guaraná e uma queda na soda. Embora não tenha
havido alteração no preço absoluto da soda, seu preço relativo aumentou, quando comparado com o
guaraná.
Princípio da Racionalidade
Por esse princípio, os empresários tentam sempre maximizar lucros condicionados pelos custos de
produção, os consumidores procuram maximizar sua satisfação no consumo de bens e serviços ( limitados
por sua renda e pelos preços das mercadorias).
Aplicações da análise microeconômica
A teoria microeconômica não é um manual de técnicas para a tomada de decisões do dia-a-dia,
mesmo assim ela representa uma ferramenta útil para esclarecer políticas e estratégias, dentro de um
horizonte de planejamento, tanto em nível de empresas quanto de nível de política econômica.
Para as empresas, a análise microeconômica pode subsidiar as seguintes decisões:
Políticas de preços da empresa.
Previsão de demanda e faturamento.
Previsão de custos de produção.
Decisões ótimas de produção (melhor combinação dos custos de produção).
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Avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo/benefício)


Política de propaganda e publicidade.
Localização da empresa.
Em relação da política econômica, pode contribuir na análise e tomada de decisões das seguintes
questões:
Efeitos de impostos sobre mercados específicos.
Política de subsídios.
Fixação de preços mínimos na agricultura.
Controle de preços
Política Salarial
Políticas de tarifas públicas. (água, luz, etc.).

2. Demanda

2.1 Breve Histórico:


Os fundamentos da análise da demanda ou procura estão alicerçados no conceito subjetivo de
utilidade. A utilidade representa o grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens e serviços
que podem adquirir no mercado. Como está baseada em aspectos psicológicos ou preferências, a
utilidade difere de consumidor para consumidor (uns preferem uísque, outros preferem cerveja etc.).
A Teoria do Valor Utilidade contrapõem-se à chamada Teoria Valor Trabalho, desenvolvida por
economistas clássicos. A Teoria do Valor Utilidade pressupõe que um valor de um bem se forma pela sua
demanda, isto é, pela satisfação que um bem representa para o consumidor.
A Teoria Valor Trabalho considera que um bem se forma do lado da oferta, através dos custos do
trabalho incorporado ao bem. Os custos de produção eram representados basicamente pelo fator mão-de-
obra, em que a terra era praticamente gratuita e o capital pouco significativo.
Pode-se dizer que a Teoria do Valor - Utilidade veio complementar a Teoria Valor – Trabalho, pois
não era mais possível predizer o comportamento dos preços dos bens apenas com base nos custos da
mão de obra (ou mesmo custos em geral) sem considerar o lado da demanda (padrão de gostos, hábitos,
renda etc.).
Ademais, a Teoria do Valor Utilidade permitiu distinguir o valor de uso do valor de troca de um
bem. O valor de uso é a utilidade que ele representa para o consumidor. Valor de troca se forma pelo
preço no mercado, pelo encontro da oferta e da demanda do bem.
O preço de um bem é sua relação de troca pelo dinheiro, isto é, a quantidade de reais necessários
para obter em troca uma unidade do bem.
Fixando preços para todos os bens e serviços (o mesmo ocorre no caso dos fatores), o mercado
permite a coordenação dos compradores e dos vendedores e, portanto, assegura a viabilidade de um
sistema capitalista de mercado.
O livre jogo da oferta e demanda é uma peça-chave no funcionamento de toda a economia de
mercado. Por isso, vamos analisar como funciona o mecanismo de oferta e demanda de bens ou serviços
individuais, em um mercado no qual existem muitos demandantes e ofertantes. Esse tipo de mercado
será denominado mercado competitivo ou de concorrência perfeita.

2.2.Demanda

a)Conceito: A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de um determinado bem ou
serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo.
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A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor. São elas: o preço do
bem e serviço, o preço dos outros bens, a renda do consumidor e o gosto ou preferência do indivíduo.
Para estudar-se a influência dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris paribus, ou seja, considera-
se cada uma dessas variáveis afetando separadamente as decisões do consumidor.

b)Relação entre a quantidade procurada e preço do bem: Lei Geral da Demanda


Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem. É a
chamada Lei Geral da Demanda. Essa relação pode ser observada a partir dos conceitos de escala de
procura, curva de procura ou função demanda.
A relação preço/quantidade procurada pode ser representada por uma escala de procura,
conforme apresentada a seguir:

Alternativa de Quantidade
preço ($) Demandada
1,00 12.000
3,00 8.000
6,00 4.000
8,00 3.000
10,00 2.000
A curva da demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjunto de dois fatores: o efeito
substituição e o efeito renda. Se o preço de um bem aumenta, a queda da quantidade demanda será
provocada por esses dois efeitos somados:

a) Efeito substituição: se um bem possui um substituto, ou seja, outro bem similar que satisfaça a
mesma necessidade, quando seu preço aumenta, o consumidor passa adquirir o bem substituto,
reduzindo assim sua demanda.
b) Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem, o consumidor perde o poder aquisitivo, e a
demanda por esse produto diminui.
As várias quantidades que os consumidores estarão dispostos e aptos a adquirir, em função dos
vários níveis de preços possíveis, em determinado período de tempo representa a Lei da Procura.
(POSSAMAI, 2001) A reação típica dos consumidores aos níveis dos preços pode ser explicada por
três razões:
1º) Quanto mais altos os seus níveis, menor será o número de consumidores dispostos e efetivamente
aptos para ingressar no mercado.
2º) Efeito substituição.
3º) Quanto maiores forem as quantidades disponíveis de um produto qualquer, menores serão os graus
de sua utilidade marginal.

c)Outras variáveis que afetam a demanda de um bem


Efetivamente, a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço. Existe uma
série de outras variáveis que também afetam a procura.
a) Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também, temos um bem normal.
b) Bem inferior, cuja demanda varia em sentido inverso às variações da renda; exemplo se o consumidor
ficar mais rico, diminuirá o consumo de carne de segunda, e aumentará o consumo da carne de
primeira.
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c) Bens de consumo saciado, quando a demanda do bem, quase não é influenciada pela renda dos
consumidores (arroz, farinha, sal, etc.), muitas vezes ocorre a diminuição do consumo deste tipo de
bem, devido ao aumento da renda.
d) Bens substitutos, quando há uma relação direta entre o preço de um bem e a quantidade de outro.
Exemplo: um aumento no preço da carne deve elevar a demanda de peixe.
e) Bens complementares: São bens que podem ser utilizados em conjunto ou que ficam melhores
utilizados. Ex: Se aumentar o preço da impressora e a quantidade demandada de cartuchos diminuir é
porque a impressora e o cartucho são complementares no consumo.
A curva de demanda estabelece uma relação inversa entre os preços de determinado bem e as
quantidades que os consumidores estão dispostos a comprar pelos referidos preços, ceteris paribus.
A simples análise da realidade nos diz que a quantidade que um indivíduo demandará de um
bem, num momento determinado do tempo, dependerá de seu preço.
Quanto maior o preço de um bem, menor será a quantidade que cada indivíduo estará disposto a
comprar. Alternativamente, quanto menor o preço, maior será o número de unidades demandadas.
Logicamente, para cada indivíduo, a demanda de qualquer bem, digamos, por exemplo, o número de
laranjas na semana - não dependerá apenas do preço das laranjas, e sim de uma série de fatores, dentre
os quais se destacam os gostos ou preferências, a renda disponível e o preço de outros bens relacionados
com as laranjas, como, por exemplo, as maçãs.
Para simplificar a exposição, suponhamos que todos esses fatores, excetuando o preço das
laranjas, permaneçam constantes. Neste caso, obtemos o que se denomina em economia de curva de
demanda Individual, isto é, a relação existente entre o preço das laranjas e sua quantidade
demandada, por parte de um indivíduo, durante um período de tempo determinado
De acordo com Pinho e Vasconcellos (1998), a escolha do consumidor é influenciadaalgumas
variáveis que em geral serão as mesmas que influenciarão sua escolhaoutras ocasiões. Dessa
forma, costuma-se apresentar quatro determinantes de procura individual:

I - preço do bem;
II - preços dos outros bens;
III – renda do consumidor
IV - gosto ou preferência do indivíduo.

Em linguagem matemática se expressa estas relações da seguinte forma:


Dx= f(Px,P1,P2...Pn−1,R,G, M, Pp, Ex, E )

Por exemplo, se diz que, ceteris paribus, a demanda é função do preço, sendo:
Dx = a demanda do bem x
Px = o preço do bem x
Pi = o preço dos outros bens (substitutos ou complementares), i = 1, 2, ... n-1
R = renda
G = gostos e preferências
M = marketing e propaganda
Pp = perfil da população (sexo, idade, escolaridade... )
Ex = expectativas da economia
E = estação do ano

d)Demanda de mercado
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Se somamos para cada preço as quantidades de laranjas (por exemplo) que cada um dos indivíduos
estaria disposto a comprar, obtemos a curva de demanda de mercado de laranjas.

e) Curva de demanda
• A curva de demanda de mercado mostra a relação entre a quantidade demandada de um bem por
todos os indivíduos e seu preço, mantendo constantes outros fatores (gosto, renda, preço de bens
relacionados).
• A tabela e a curva decrescente de demanda mostram que quanto maior o preço de um bem, menor a
quantidade desse bem que os consumidores estariam dispostos a comprar. Paralelamente, quanto mais
baixo o preço do bem, mais unidades serão demandadas.
Existem duas razões que explicam o aumento do preço das laranjas e a diminuição da quantidade
demandada por todos os consumidores. Por um lado, quando aumenta o preço das laranjas, alguns
consumidores deixam de comprá-las, substituindo por outros bens - por exemplo, as maçãs. Outros
consumidores reduzem a quantidade do produto, porque, no caso, as laranjas encareceram em relação a
outros bens e porque a elevação do preço reduziu o poder aquisitivo de sua renda. Isso fará com que o
consumidor compre menos de todos os outros bens e, em particular, daquele que estamos considerando.

A curva de demanda de laranjas.


Para cada preço há uma certa quantidade de laranjas que os indivíduos estão dispostos a
comprar, uma vez que compram mais à medida que se reduz o preço. A curva de demanda é
decrescente, tem inclinação negativa

f) Equação da demanda:
Q = a – bP
Q = quantidade demandada
P = preço do bem
a e b parâmetros da reta

A demanda é uma relação que dá as quantidades de um bem ou serviço que os compradores


estariam e seriam capazes de adquirir a diferentes preços. Os indivíduos geralmente estão dispostos a
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comprar mais quando o preço baixa; a curva reflete isto, porque cai da esquerda para a direita.Pesquisa
de mercado indicou o seguinte comportamento para a demanda semanal por barras de chocolate em
certa localidade:
Q = 26 - 3P

Preço ($) Quantidade


8 2
4 14
2 23
Montando o esquema de demanda:
Variáveis que deslocam a curva de demanda:
· renda dos consumidores
· preço de outros bens
· gosto dos consumidores

g) Deslocamentos na curva de demanda


Quando estamos desenhando uma curva de demanda, as rendas e todos os outros fatores (com exceção
do preço) que podem afetar a quantidade demandada têm de ser mantidos constantes. No linguajar do
economista, adotamos a hipótese de ceteris paribus - que as outras coisas permanecem constantes.
Como já destacado, um deslocamento na curva de demanda ( ou seja, uma mudança na demanda) pode
ser causado por uma mudança em qualquer uma de uma série de "outras coisas". As mais importantes
são: i) a renda; ii) os preços de outros bens relacionados; iii) gostos.
Deslocamento da demanda devido à renda
Quando a renda aumenta, as pessoas podem consumir mais. Para um bem típico ou normal, a curva de
demanda se desloca para a direita, quando a renda aumenta, da maneira indicada pela figura.
Há exceções a essa regra. Com o aumento de renda, as pessoas podem reduzir o consumo de feijão e
batata e comer mais carne, um alimento mais caro que, pelo aumento da renda, passa a ser consumido.
Nesta situação - quando o aumento de renda produz um deslocamento para a esquerda na curva de
demanda por batatas, por exemplo - o bem em questão é um bem inferior.
Deslocamento da demanda devido a mudanças de outros preços
O deslocamento da demanda devido a mudanças de outros preços dependerá do tipo de relacionamento
que o bem em questão possui com os outros bens, ou seja, se esses outros bens são complementares ou
substitutos.
Se os bens são complementares, o aumento no preço de um provoca uma queda na demanda do outro,
ou seja, um deslocamento da demanda para esquerda.
Se os bens são substitutos, o aumento do preço de um provoca um aumento na quantidade demanda de
outro, isto é, um deslocamento da curva de demanda para direita.
Deslocamento da demanda devido às mudanças no gosto
O tempo vai passando e os gostos mudam. Talvez, devido ao maior número de jogos de tênis
transmitidos pela televisão, ou como resultado da nova mania de se manter a forma física, mais pessoas
estão jogando tênis. Esta tendência aumenta a demanda por raquetes de tênis. O que é demonstrado
através de um deslocamento da curva de demanda para direita.
DESLOCAMENTOS DA PROCURA: Os fatores determinantes da procura são constituídos por um conjunto
de elementos que podem alterar, para mais e para menos, a própria posição da curva, deslocando-a
positiva ou negativamente. Entre outros, os enunciados a seguir são considerados os de maior
importância:
1º) Dimensão do mercado;
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2º) Variação do poder aquisitivo;


3º) Atitudes e preferências dos consumidores;
4º) Preços dos produtores substituídos;
5º) Expectativas sobre a evolução da oferta.
Curva de Demanda é a representação gráfica das diferentes quantidades de um bem que os
consumidores estão dispostos a comprar aos diferentes preços por unidade de tempo. Lei da Demanda
expressa a relação inversa existente entre a quantidade demandada de um bem e seu preço. Indica
que quanto maior o preço de um bem, menor será a quantidade demandada desse bem. Também
é chamada de Lei da Procura.

.
Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do
bem, ceteris paribus. É chamada lei geral da demanda. Os economistas supõem que a curva de procura
revela as preferências dos consumidores, sob a hipótese de que estão maximizando sua utilidade, ou grau
de satisfação no consumo daquele produto. Ou seja, subjacente à curva há toda uma teoria de valor, que
envolve os fundamentos psicológicos do consumidor.
A curva de procura inclina-se de cima para baixo, no sentido da esquerda para a direita,
refletindo o fato de que a quantidade procurada de determinado produto varia inversamente com
relação ao seu preço, ceteris paribus.
A curva da demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjunto de dois fatores: efeito
substituição e o efeito renda.
Efetivamente, a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço.
Existe uma série de outras variáveis que também afetam a procura. Para a maioria dos produtos, a
procura será também afetada pela renda dos consumidores, pelo preço dos bens substitutos (ou
concorrentes), pelo preço dos bens complementares e pelas preferências ou hábitos dos
consumidores. Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também, temos um
bem normal. Existe também uma classe de bens que são chamados de bens inferiores, cuja
demanda varia em sentido inverso às variações da renda; por exemplo, se o consumidor ficar mais rico,
diminuirá o consumo de carne de segunda e aumentará o consumo de carne de primeira. Temos também
o caso de bens de consumo saciado, quando a demanda de um bem não é influenciada pela renda dos
consumidores (como arroz, farinha, sal).
Existe uma exceção à lei da demanda – o bem de Giffen. Essa situação, pouco provável de
ocorrer na prática, conhecida como paradoxo de Giffen, acontece quando há uma relação direta
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entre preços e quantidade procurada do bem (curva de demanda positivamente inclinada). Como
um exemplo, suponha que as pessoas consumam grande quantidade de um produto e que ocorra uma
queda no preço desse bem. Com o aumento relativo do seu poder aquisitivo, as pessoas, em vez de
gastar mais nesse produto, do qual já estão enfastiadas, reduzem o seu consumo, demandando
outros – ou seja, a queda de preço desse bem levou à queda em seu consumo, o que
contraria a lei da demanda.

Distinção entre demanda e quantidade demandada

Embora tendam a serem utilizados como sinônimos, esses termos têm significados
diferentes.
Por demanda entende-se toda a escala que relaciona os possíveis preços a determinadas
quantidades.
Por quantidade demandada devemos compreender um ponto específico da curva
relacionando um preço a uma quantidade. Assim, as alterações nas quantidades demandadas
ocorrem ao longo da própria curva de demanda. Já alteração na demanda faz com que surja nova curva.
Tudo o que foi exposto até agora se referia ao consumidor individual, mas vale também para o mercado
como um todo, já que a curva de demanda do mercado resulta da agregação das curvas individuais.

3. Oferta

Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtores desejam oferecer ao
mercado em determinado período de tempo. Da mesma maneira que a demanda, a oferta depende de
vários fatores; dentre eles, de seu próprio preço, dos demais preços, dos preços dos fatores de produção,
das preferências do empresário e da tecnologia.
Diferentemente da função demanda, a função de oferta mostra uma correlação direta entre a
quantidade ofertada e nível de preços. É a chamada Lei Geral da Oferta.
Podemos expressar uma escala de oferta de um bem X, ou seja, dada uma série de preços, quais
seriam as quantidades ofertadas a cada preço:
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Preço ( $ ) Quantidade Ofertada


1,00 1.000
3,00 5.000
6,00 9.000
8,00 11.000
10,00 13.000

a) Lei da oferta

Diferentemente da função demanda, a função oferta mostra uma correlação direta entre as
quantidades ofertadas e nível de preços, ceteris paribus. É a chamada lei geral da oferta.
Tudo o mais permanecendo constante (ceteris paribus) a quantidade oferecida de um bem
aumenta quando o seu preço aumenta.
A curva de oferta estabelece uma relação direta entre os preços de um determinado bem e as
quantidades que os produtores estão dispostos a produzir aos referidos preços ceteris paribus.
Equação da oferta:
Q = c + dP
Q = quantidade ofertada
P = preço do bem
c e d parâmetros da reta
Exemplo:
Pesquisa de mercado indicou o seguinte comportamento para a demanda semanal por barras de
chocolate em certa localidade:
Q = 2 + 3P
Montando o esquema de demanda:
Preço ($) Quantidade
3 11
6 20
8 26

b)Oferta de mercado
A oferta do mercado é igual a soma horizontal das ofertas individuais. A oferta de cada empresa
corresponde a parte ascendente do custo marginal

Esquema de oferta

Preço Oferta de Pedro Oferta de Ana Oferta de Paulo Oferta Total

1 0.5 1 3.5 5
2 1 2 5 8
3 1.5 3 6.5 11
4 2 4 8 14
6 3 6 11 20
8 4 8 14 26

Do mesmo modo que a demanda, a oferta de um bem real depende de um conjunto de fatores.
São eles: a tecnologia, os preços de fatores produtivos (terra, trabalho, capital etc.) e o preço do bem
que se deseja oferecer;. Se permanecerem constantes todos os fatores citados, menos o preço do bem
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que se oferece, obteremos a relação existente entre o preço de um bem, por exemplo, as laranjas, e a
quantidade de laranjas que um agricultor desejaria oferecer por preço, por unidade de tempo.
A relação numérica entre o preço das laranjas e a quantidade oferecida é a tabela de oferta. A
expressão gráfica dessa relação é conhecida como curva de oferta individual.
Se somamos para cada preço a quantidade de laranjas que cada um dos agricultores estaria
disposto a oferecer, obtemos a Curva de oferta de mercado de "laranjas".
A relação numérica e gráfica entre o preço das laranjas e a quantidade oferecida é mostrada,
respectivamente, na tabela e na curva de oferta. Como se pode observar, ao aumentar o preço das
laranjas - por exemplo, ao passar de R$ 1,00 para R$ 2,00 - a quantidade oferecida incrementa-se,
passando de 10 para 40 kg por semana.

Tabela de oferta de laranjas.

Preço por quilo (reais) Quantidade demandada (milhares de


quilos por semana)
F 10,00 150
G 7,00 120
H 4,00 80
l 2,00 40
J 1,00 20

Tal como destacamos ao falar da demanda, a oferta não pode ser considerada uma quantidade
fixa, mas apenas uma relação entre a quantidade oferecida e o preço, o qual dita a quantidade no
mercado. A tabela e a curva crescente de oferta mostram como a quantidade oferecida aumenta junto
com o preço, refletindo o comportamento dos produtores.

c) Deslocamentos da curva de oferta:


Variáveis que deslocam a curva de oferta:
· preço das matérias primas e dos fatores de produção
· tecnologia utilizada
A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem e o preço desse bem deve-se ao fato de que,
ceteris paribus, um aumento do preço de mercado estimula as empresas a elevar a produção; novas
empresas serão atraídas, aumentando a quantidade ofertada do produto.
Além do preço do bem, a oferta de um bem ou serviço é afetada pelos custos dos fatores de
produção (matérias-primas, salários, preço da terra), por alterações tecnológicas e pelo aumento
do número de empresas. Fica claro, portanto, que a relação entre a oferta e o custo dos fatores de
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produção é inversamente proporcional. Por exemplo, um aumento dos salários ou do custo das matérias-
primas deve provocar ceteris paribus, uma retração da oferta do produto.
A relação entre a oferta e nível de conhecimento tecnológico é diretamente proporcional, dado
que as melhorias tecnológicas promovem melhorias da produtividade no uso dos fatores de
produção, e, portanto aumento da oferta. Da mesma forma, há uma relação direta entre a oferta
de um bem ou serviço e o numero de empresas ofertantes do produto no setor. (DALLAGNOL, 2008)
Como no caso da demanda, a oferta pode ser afetada por "outras coisas" que mudam com o
tempo, produzindo deslocamentos na curva de oferta. Estas "outras coisas" incluem as seguintes:
1.O custo de insumos. Quando o preço de fertilizantes sobe, os agricultores estarão menos dispostos a
produzir milho ao mesmo preço, por exemplo. A curva de oferta se deslocará à esquerda.
2.A tecnologia. Com a melhora importante na tecnologia, o custo de produção diminuirá. Com um custo
menor por unidade, os produtores estarão dispostos a produzir mais que antes, a qualquer preço. A curva
de oferta se deslocará para a direita.
3.Condições climáticas. Este fator é especialmente importante para a produção agrícola. Uma seca
provocará, por exemplo, uma queda na produção de soja (quer dizer, um deslocamento da curva de
oferta à esquerda), e uma geada no Paraná pode causar uma redução na produção de café.
4.Os preços de bens relacionados. Da mesma maneira que os bens podem ser substitutos ou
complementares no consumo, podem ser substitutos ou complementares na produção. O milho e a soja,
por exemplo, são substitutos na produção. Com um aumento no preço do milho, os agricultores serão
incentivados a reduzir o plantio de soja e aumentar o de milho. A quantidade de soja que estão dispostos
a oferecer a um determinado preço diminuirá: a curva de oferta de soja se deslocará para a esquerda.
A carne e o couro são complementares. Quando o abate de gado aumenta em resposta a uma demanda
maior de carne, a produção de couro aumenta simultaneamente. Assim, um aumento na produção de
carne levará a um deslocamento da curva de oferta de couro cru para a direita.
Resumindo os fatores que interferem na oferta:
Sx = f (Px, Pfp, Ps, T, N, E, Ex)
Sx = oferta do produto x
Px = preço do produto x
Pfp = preço dos fatores de produção
T = tecnologia
N = número de empresas no mercado
E = estação do ano
Ex = expectativas da economia

d) Oferta e quantidade ofertada


Como no caso da demanda, também deve-se distinguir entre a oferta e a quantidade
ofertada de um bem. A oferta refere-se à escala (ou toda a curva), enquanto a quantidade ofertada diz
respeito a um ponto específico na curva de oferta. Assim, um aumento no preço de um bem provoca
um aumento da quantidade ofertada, ceteris paribus, enquanto uma alteração nas outras variáveis
(como nos custos de produção ou no nível tecnológico) desloca a oferta (isto é a curva de oferta).
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Por exemplo, conforme se observa na figura anterior, um aumento no custo das matérias-primas
provoca uma queda da oferta, mantido o mesmo preço P0, ceteris paribus, as empresas são
obrigadas a diminuir a produção.

Por outro lado, uma diminuição no preço dos insumos, ou uma melhoria tecnológica na utilização
dos mesmos, ou, ainda um aumento no número de empresas no mercado, conduz a um
aumento da oferta, dados os mesmos preços praticados, deslocando-se desse modo, a curva da
oferta para a direita, conforme se observa na figura acima.
Do mesmo modo que a demanda, a oferta de um bem real depende de um conjunto de fatores.
São eles: a tecnologia, os preços de fatores produtivos (terra, trabalho, capital etc.) e o preço do
bem que se deseja oferecer . Se permanecerem constantes todos os fatores citados, menos o preço
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do bem que se oferece, obteremos a relação existente entre o preço de um bem, por exemplo, as
laranjas, e a quantidade de laranjas que um agricultor desejaria oferecer por preço, por unidade de
tempo. (DALLAGNOL, 2008)

4. Equilíbrio de Mercado

A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de


um bem ou serviço em um dado mercado. Quando, a determinado preço, a quantidade que os
vendedores desejam e podem vender corresponde à quantidade que os compradores desejam e podem
comprar, o mercado está numa situação de equilíbrio.

Veja o quadro a seguir representativo da oferta e da demanda do bem X:

Preço Quantidade Situação de Mercado


Procurada Ofertada
1,00 11 1 Excesso de procura (escassez de oferta)
3,00 9 3 Excesso de procura (escassez de oferta)
6,00 6 6 Equilíbrio entre oferta e procura
8,00 4 8 Excesso de oferta (escassez de procura)
10,00 2 10 Excesso de oferta (escassez de procura)

Como se observa na tabela, existe equilíbrio entre oferta e demanda do bem X, quando o preço é
igual a 6,00 unidades monetárias.

a)Interferência do Governo no equilíbrio de mercado


O governo intervém na formação de preços de mercado, a nível microeconômico , e quando fixa
impostos e subsídios, estabelecem critérios de reajustes do salário mínimo, fixa preços mínimos para
produtos agrícolas decreta tabelamentos ou ainda congelamento de preços e salários.
Estabelecimento de Impostos: É sabido que quem recolhe a totalidade do tributo é a empresa,
mas isso não quer dizer que é ela quem efetivamente paga. Assim, saber sobre quem recai efetivamente
o ônus do tributo é uma questão da maior importância na análise dos mercados.
Os tributos se dividem em impostos, taxas e contribuições de melhoria. Os impostos dividem-se
em:
Impostos Indiretos: impostos incidentes sobre o consumo ou sobre as vendas. Exemplo: Imposto
sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Impostos Diretos: Impostos incidentes sobre a renda. Exemplo: Imposto de Renda.
Entre os impostos indiretos destacamos:
Imposto Específico: Recai sobre a unidade vendida. Exemplo: para cada carro vendido, recolhe-
se, a título de imposto, R$ 5.000 ao governo (esse valor é fixo e independente do valor da mercadoria).
Imposto ad valorem: é um percentual (alíquota) aplicado sobre o valor de venda. Exemplo:
supondo a alíquota do IPI sobre automóveis de 10 %, se o valor do automóvel for de R$ 50.000, o valor
do IPI será de R$ 5.000; se o valor aumentar para R$ 60.000, o valor do IPI será de R$ 6.000. Assim,
como se pode notar, a alíquota permanece inalterada em 10%, enquanto o valor do imposto varia com o
preço do automóvel.
Política de preços mínimos na agricultura : Trata-se de uma política que visa dar garantia de
preços ao produtor agrícola, com propósito de protegê-lo das flutuações dos preços no mercado, ou seja,
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ajudá-lo diante de uma possível queda acentuada de preços e conseqüentemente da renda agrícola. O
governo, antes do início do plantio, garante um preço que ele pagará após a colheita do produto.
Tabelamento: Refere-se à intervenção do governo no sistema de preços de mercado visando
coibir abusos por parte dos vendedores, controlar preços de bens de primeira necessidade ou então
refrear o processo inflacionário, como foi adotado no Brasil (Planos Cruzado, Bresser etc.), quando se
aplicou o congelamento de preços e salários.

b) Encontro do preço e quantidade de equilíbrio


Quando colocamos em contato consumidores e produtores com seus relativos planos de consumo
e produção, isto é, com suas respectivas curvas de demanda e oferta em um mercado particular,
podemos analisar como acontece a interação entre ambos os agentes.
Isoladamente, nem a curva de demanda, nem a curva de oferta poderiam nos dizer até onde
podem chegar os preços ou em que medida os planos dos consumidores e dos produtores são
compatíveis. Para isso, devemos realizar um estudo conjunto de ambas as curvas e proceder por tentativa
e erro, analisando para cada preço a possível compatibilidade entre a quantidade vendida e a
demandada.
O preço de equilíbrio, e a quantidade oferecida e demandada (comprada e vendida) denomina-se
quantidade de equilíbrio. Costuma-se também dizer que o preço de equilíbrio zera o mercado.
Na situação de equilíbrio igualam-se as quantidades oferecidas e demandadas. Quando o preço é
maior que o de equilíbrio, por exemplo, R$ 7,00 por quilo de laranja, a quantidade que os produtores
desejam oferecer (120 kg) excede à quantidade que os demandantes desejam adquirir (50 kg), ou seja,
provoca um excesso de oferta. E, devido à pressão da mercadoria excedente, que não é vendida, a
concorrência entre os vendedores fará o preço descer até a situação de equilíbrio. Ao contrário, se o
preço é menor que o de equilíbrio, por exemplo, R$ 2,00 por quilo de laranja, a quantidade que o
demandante deseja adquirir (110 kg) é maior que a oferecida pêlos produtores (40 kg), isto é, há excesso
de demanda. Nesse caso, os compradores que não obtiveram a quantidade desejada do produto
pressionarão a elevação de preços até adquirir a quantidade desejada.
O preço de equilíbrio é aquele que coincidem os planos de demandantes ou consumidores e dos
ofertantes ou produtores.
Calcula-se o equilíbrio a partir das Equações de Oferta e Demanda
Equilíbrio: Demanda = Oferta
Demanda → Qd = 26 - 3P
Oferta → Qo = 2 + 3P
EQUILÍBRIO: Qd = Qo
26 - 3P = 2 + 3P
24 = 6P > P = 24/6 = 4.
Qual o valor de Q que equilibra o mercado ao preço P = 4?
Como Qd é igual a Qo em equilíbrio use a equação de demanda ou a equação de oferta para encontrar
Q.
Q = 14
Equilíbrio de mercado: ajustamento
15

9
Preço da Barra de Chocolate

8
7
Excesso de Oferta
6
5
4 E
3
2
1 Excesso de Demanda
0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28

Quantidade de Barras de Chocolate

Em mercados perfeitamente competitivos, quando o preço de mercado está acima do preço de


equilíbrio, há excesso de oferta que pressiona o preço para baixo. Quando o preço de mercado está
abaixo do preço de equilíbrio, há excesso de demanda que pressiona o preço para cima. Os mercados
perfeitamente competitivos são auto-reguladores.
Na visão de Dallagnol (2008), são as forças e os mecanismos de mercado, através das leis da
oferta e da procura, que conduzem à fixação de um preço de equilíbrio, capaz de harmonizar o
permanente conflito de interesses entre os produtores e os consumidores.
O preço de equilíbrio que ajusta os interesses dos que realiza a oferta e dos que
exercem a procura é o resultado de um prolongamento do jogo de ensaios e de erros. Partindo da
hipótese de o mercado está submetido a uma situação de concorrência perfeita, o preço de
equilíbrio será determinado pela livre manifestação das forças da oferta e da procura.
• No preço de equilíbrio, a quantidade procurada se iguala a quantidade oferecida.
• Graficamente, o equilíbrio ocorre na intersecção das curvas da procura e da oferta.
• Para qualquer preço inferior, haverá excesso de procura e o preço tenderá a aumentar; para
qualquer preço acima do de equilíbrio, haverá um excesso de oferta e o preço tenderá a baixar.
• O preço de equilíbrio é aquele onde as quantidades procurada e oferecida se igualam.
Quando aquela igualdade não se verifica, diz-se que o mercado não está em equilíbrio ou está em
desequilíbrio. As quatro leis da oferta e da procura
- Um acréscimo na procura de um bem provoca um acréscimo no preço e quantidade de equilíbrio.
- Um decréscimo na procura de um bem provoca um decréscimo no preço e quantidade de
equilíbrio.
- Um acréscimo na oferta de um bem provoca um decréscimo no preço de equilíbrio e um acréscimo na
quantidade de equilíbrio.
- Um decréscimo na oferta de um bem provoca um acréscimo no preço de equilíbrio e um decréscimo na
quantidade de equilíbrio.

c) Deslocamentos do equilíbrio de mercado


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5. Estruturas de Mercado

Introdução
Nas aulas anteriores vimos, quais variáveis afetam a demanda e a oferta de bens e serviços, e
como são determinados os preços, supondo sem interferências, o mercado automaticamente encontra
seu equilíbrio. Implicitamente, estava sendo suposta uma estrutura específica de mercado, qual seja, a de
concorrência perfeita.
As várias formas ou estruturas de mercados dependem fundamentalmente de três características:
a) número de empresas que compõe esse mercado;
b) tipo do produto ( se as firmas fabricam produtos idênticos ou diferenciados);
c) se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado.
A maior parte dos modelos existentes pressupõe que as empresas maximizam o lucro total,
especificamente para o caso de estruturas oligopolistas de mercado, veremos que existe uma teoria
alternativa, que pressupõe que a empresa maximiza o mark-up, que é margem entre a receita e os custos
diretos (ou variáveis )de produção.

5.1 Tipos de estruturas


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Concorrência pura ou perfeita


É um tipo de mercado em que há um grande número de vendedores (empresas), de tal sorte
uma empresa, isoladamente, por ser insignificante, não afeta os níveis de oferta do mercado e,
consequentemente, o preço de equilíbrio.
Nesse tipo de mercado devem prevalecer ainda as seguintes premissas:
Produtos homogêneos: Não existe diferenciação entre os produtos ofertados pelas empresas
concorrentes.
Não existem barreiras: para o ingresso de empresas no mercado.
Transparência do mercado: Todas as informações sobre lucros, preços etc. são conhecidas por
todos os participantes do mercado.

Monopólio
O mercado monopolista se caracteriza por apresentar condições diametralmente opostas às da
concorrência perfeita. Nele existe, de um lado, um único empresário (empresa) dominando
inteiramente a oferta e, de outro, todos os consumidores. Não há, portanto concorrência, nem produto
substituto ou concorrente. Nesse caso, ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo
vendedor, ou simplesmente deixaram de consumir o produto.
Nessa estrutura de mercado, a curva de demanda da empresa é a própria curva de demanda do
mercado como um todo. Ao ser exclusiva no mercado, a empresa não estará sujeita aos preços vigentes.
Mas isso não significa que poderá aumentar os preços indefinidamente.
Para a existência de monopólios, deve haver barreiras que praticamente impeçam a entrada de
novas firmas no mercado. Essas barreiras podem advir das seguintes condições: Monopólio puro, elevado
volume de capital, patente e controle de matérias-primas básicas, existem ainda, os monopólios
institucionais ou estatais em setores considerados estratégicos ou de segurança nacional (petróleo,
*energia, *comunicação).

Oligopólio
É um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de empresas que
dominam a oferta de mercado. Pode caracterizar-se como um mercado em que há um pequeno número
de empresas, como a indústria automobilística, ou então onde há um grande número de empresas, mas
poucas dominam o mercado, como a indústria de bebidas.
O setor produtivo no Brasil é altamente oligopolizado, sendo possível encontrar inúmeros
exemplos: montadoras de veículos, setor de cosméticos, indústria de papel, indústria farmacêutica etc.
Nos oligopólios, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados entre as empresas
por meio de cartéis. O cartel é uma organização formal ou informal de produtores dentro de um setor que
determina a política de preços para todas as empresas que a ele pertencem.
Podemos caracterizar também tanto oligopólios com produtos diferenciados (como a indústria
automobilística) como oligopólios com produtos homogêneos (alumínio).

Concorrência monopolista

Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio,


mas que não se confunde com o oligopólio, pelas seguintes características:
a) Número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial, porém com segmentos de
mercados e produtos diferenciados, seja por características físicas, embalagem ou prestação de
serviços complementares (pós-venda).
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b) Margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla, uma vez que existem produtos
substitutos no mercado.
Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto,
embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência monopolista).

Estrutura do Mercado de fatores de produção


Até aqui identificamos as estruturas de mercados de bens e serviços. O mercado de fatores de
produção – mão de obra, capital, terra e tecnologia – também apresenta diferentes estruturas.
As estruturas no mercado de fatores de produção são resumidas a seguir:
A) Concorrência Perfeita no mercado de fatores
É um mercado onde existe oferta abundante do fator de produção (por exemplo),
(Mão de obra não especializada), o que torna o preço desse fator constante. Os ofertantes ou
fornecedores, como são em grande número, não têm condições de obter preços mais elevados por seus
serviços.
B) Monopsônio
Trata-se de uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos vendedores dos
serviços dos insumos. É o caso da empresa que se instala em uma determinada cidade do interior e, por
ser a única, torna-se demandante exclusiva da mão de obra local e das cidades próximas, tendo para si a
totalidade da oferta de mão de obra.
C) Oligopsônio
É um mercado onde existem poucos compradores que dominam o mercado para
muitos vendedores. Exemplo: indústria de laticínios. Em cada cidade existem dois ou três laticínios que
adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais locais. A indústria automobilística, além
de oligopolista no mercado de bens e serviços, também é oligopsonista na compra de autopeças.
D) Monopólio bilateral
O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra de um fator de
produção, defronta-se com um monopolista na venda deste fator. Por exemplo, só a empresa A compra
um tipo de aço que é produzido apenas pela siderúrgica B. A empresa A é monopsonista, porque só ela
compra esse tipo de aço, e a siderúrgica B é monopolista, porque só ela vende este tipo de aço.
Nesses casos, a determinação dos preços de mercado dependerá não só de fatores econômicos, mas
do poder de barganha de ambos: o monopsonista tentando pagar o preço mais baixo (usando a força de
ser o único comprador), e o monopolista tentando vender por um preço mais elevado (usando o poder de
ser o único fornecedor).
Em sua acepção primitiva, com a um mercado dizia respeito a um lugar determinado por dos
agentes econômicos realizava suas transações. Mas o conceito de mercado, em sua acepção econômica
mais ampla, está bem distante dessa tradição. Mercado, agora, é uma abstração. Executivos de grandes
empresas industriais ou do setor financeiro falam das dificuldades com que eles se defrontam no
mercado. Deles a missão se referindo a mim um lugar, mas a uma abstração econômica.
O mercado define se pela existência de forças aparentemente antagônicas: as da procura e as da
oferta. Quando ambas ocorrem simultaneamente, define um mercado. Quando a procura por
trabalhadores de pessoas dispostas a trabalhar; ou então quando a pessoa se aplicando a e outras
procurando por empréstimos nos bancos; quando, enfim, recursos humanos, financeiros e de capital são
ofertados e procurados, pode-se dizer que há um mercado de recursos. Ou, então, mais especificamente,
mercado de trabalho, no mercado financeiro, o mercado de capitais. Todos são abstrações, que dizem
respeito à oferta e a procura dos recursos correspondentes.
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Quando se diz que o mercado está em expansão, é porque nele estão correndo simultaneamente
deslocamentos para mais na procura e na oferta. Contrariamente, quando o mercado está em contração,
perdendo expressão econômica, é por que nele a procura e oferta de estão contraindo-se.

Principais características das estruturas básicas de mercado


Característica Concorrência Monopólio Oligopólio Concorrência
Perfeita Monopolista

1. Quanto ao número Muito grande Só há uma empresa Pequeno Grande


de empresas
2. Quanto ao produto Homogêneo. Não há Não há substitutos Pode ser homogêneo ou Diferenciado
diferenças próximos diferenciado
3.Quanto ao controle Não há possibilidade de As empresas têm grandeEmbora dificultado pela Pouca margem de
das empresas sobre manobras pelas poder para manter interdependência entre manobra, devido à
os preços empresas preços relativamente as empresas, estas existência de
elevados tendem a formar cartéis substitutos próximo.
4.Quanto à Não é possível A empresa geralmente É intensa, sobretudo É intensa
concorrência Nem seria eficaz. recorre a campanhas quando há diferenciação
extrapreço institucionais do produto.
5.Quanto as condiçõesNão há barreiras Barreiras de acesso de Barreiras de acesso de Não há barreiras
de ingresso no novas empresas novas empresas
mercado
6. Lucro Normais Acima do normal Acima do normal Normal
7.Informações Transparência Opacidade Opacidade Transparência

Principais estruturas de mercado


As principais estruturas de mercador podem ser caracterizadas em quatro estruturas de
referência:
 Concorrência perfeita
 Monopólio
 Oligopólio
 Concorrência monopolística
Concorrência perfeita: uma estrutura de mercado descrita como de concorrência perfeita deve
preencher todas as seguintes condições:
Atomização: o numero de agentes compradores e vendedores é de tal ordem que nenhum deles
possui condições para influenciar o mercado. A expressão de cada um é insignificante.
Homogeneidade: o bem o serviço, no mercado de produtos, o fator de produção, no mercado de
fatores, é perfeitamente homogêneo. Nenhuma empresa pode diferenciar o produto. O produto vindo de
qualquer produtor é um substituto perfeito do que é a ofertados por quaisquer outros produtos.
Mobilidade: cada agente (comprador e vendedor) atua independente de todos os demais. A
mobilidade é livre e não há quaisquer acordos entre os que participam do no mercado.
Permeabilidade: não há quaisquer barreiras para entrada ou saída dos agentes que atuam ou
querem atuar no mercado. Barreiras técnicas, financeiras, legais, emocionais ou de qualquer outra ordem
não existem solicitação de perfeita com ocorrência.
Preço limite: nenhum vendedor de produto o recurso pode praticar preços acima daquele que
está estabelecidos no mercado, resultante da livre atuação das forças de oferta e da procura. Em
contrapartida, nenhum comprador pode impor um preço abaixo dos de equilíbrio, o preço limite é dada
pelo mercado.
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Extrapreço: não há qualquer eficácia em formas de concorrência fundamentadas em mecanismos


extrapreço. A oferta de quaisquer vantagens adicionais, associáveis o produto ou fator, não faz qualquer
sentido. Essa característica é subproduto da homogeneidade.
Transparência: por fim, o mercado é absolutamente transparente. Não há qualquer agente que
me tenha informações privilegiadas ou diferentes daquelas que todos detêm. As informações que possam
influenciar o mercado são perfeitamente acessíveis a todos.

Monopólio. O monopólio situa-se em outro extremo. De se considerarmos também com rigor os


atributos que o caracteriza, os dizendo-se vão difíceis. Essa estrutura se situa no extremo oposto do da
concorrência perfeita. As condições que caracterizam são:
Unicidade: há apenas um vendedor, dominando inteiramente a oferta. Sob monopólio, os
conceitos de empresa e de atividade sobrepõem-se. A indústria monopolista é constituída por uma única
firma ou empresa.
Insubstitutibilidade: o produto da empresa monopolista não tem substituto os próprios. A
necessidade a atende não tem como ser igualmente satisfeita por qualquer similar ou sucedâneo.
Barreira: a entrada de um novo concorrente no mercado monopolista é, no limite, impossível. As
barreiras de entrada são rigorosamente impedidas. Podem decorrer de disposições legais, de direitos de
exploração outorgado pelo poder público a uma única empresa, do domínio de tecnologias de produção e
de condições operacionais exigidas pela própria atividade.
Poder: a expressão poder de monopólio é empregada para a caracteriza a situação privilegiada
em que se encontram com monopolista, quanto as duas importantes variáveis do mercado preço e
quantidades.
Extrapreço: devido a seu pleno domínio sobre o mercado, os monopólios dificilmente recorrem às
formas convencionais de mecanismos extrapreço, para estimular ou desestimular comportamentos de
compradores.
Opacidade: os monopólios são, por definição, opacos. O acesso a informações sobre fontes
supridoras, processos de produção, níveis de oferta e resultados alcançados dificilmente são abertos e
transparentes. A empresa monopolista e caracteriza-se por ser impenetrável.

Oligopólios: as estruturas oligopolistas na se caracterizam por fatores determinantes puros e


extremados. Os tipos possíveis, de fato, observadas na realidade São de alta variabilidade. Em todas as
características desta estrutura de mercado, os conceitos são mais flexíveis, comparativamente aos casos
extremados de concorrência perfeita e de monopólio.
O número de concorrentes: geralmente, é pequeno. Palavras como limitados, poucos, alguns,
vários, são empregadas para indicar o número de concorrentes nas estruturas oligopolistas.
Diferenciação: outra característica de alta variabilidade pena a que se refere a fatores como
homogeneidade, substitutibilidade e padronização dos produtos. Isto por que tanto podem ocorrer
oligopólios de produtos diferenciados, como de produtos não diferenciáveis.
Rivalização: tipicamente, os concorrentes que atuam sob condições de oligopólio são fortes rivais
entre si. Há casos até de rivalizações que transparecem campanhas publicitárias e em práticas comerciais
desviadas de padrões de ética e a lealdade. Mas, no outro extremo, encontra-se também situações de
oligopólio em que os concorrentes se unem em acordos setoriais, todos respeitando rigorosamente as
regras negociadas e definidas.

Concorrência Monopolística: esta estrutura contém características que se encontram nas


definições usuais de mercados perfeitamente competitivos e monopolizados. Na concorrência
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monopolística, o número de concorrentes é grande. O consumidor encontra facilmente substitutos, não


ocorrendo dessa forma à caracterização essencial do monopólio puro. As características principais desta
estrutura de mercado são:
Competitividade: é elevado o numero de concorrentes, com capacidade de competição
relativamente próximas.
Diferenciação: o produto de cada concorrente apresenta particularidades capazes de distingui-lo
dos demais e de criar um mercado próprio para ele.
Substitutibilidade: embora cada concorrente tenha um produto diferenciado os produtos de todos
os concorrentes substituem-se entre si. Obviamente, a substituição não é perfeita, mas é possível,
conhecida e de fácil acesso.
Preço-prêmio: a capacidade de cada concorrente controlar o preço depende do grau de
diferenciação percebido pelo comprador. A diferenciação quando percebida e aceita, pode dar origem a
um preço-prêmio, gerando resultados favoráveis e estimuladores.
Baixas barreiras: as barreiras de entrada em mercados monopolisticamente competitivos tendem
a ser baixas. Há relativa facilidade para ingresso de novas empresas no mercado.

5.2 Formas de associação e concentração de empresas


a)CARTEL: grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada,
com vistas a interesses comuns. Livre convênio que objetivam uma finalidade monopolista pelo domínio
de mercado, eliminando a mútua concorrência, é derivada da luta pela colocação de produtos similares.
As empresas formam cartel mantêm sua independência e individualidade, mas devem respeitar as regras
aceitas pelo grupo, como divisão do mercado e manutenção dos preços combinados. Principais objetivos
de um cartel: controle do nível de produção e das condições de venda; fixação e controle de preços;
controle das fontes de matérias-primas; fixação de margens de lucros e fixação do território de ocupação.
b)TRUSTES: tipo de estrutura empresarial na qual várias empresas, já detendo a maior parte de um
mercado, combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle, estabelecendo preços elevados, que
lhes garantam elevadas margens de lucros.É proibido em alguns países, mas a eficácia dessa proibição
não é muito grande.
c)HOLDING: superempresas controladoras de consórcio entre os próprios trustes, é uma manifestação
do supercapitalismo. Exerce o controle sobre outras empresas mediante a posse majoritária de ações.
Geralmente, não produz nenhuma mercadoria ou serviço, destinam-se apenas centralizar e realizar
trabalho de controle sobre o conjunto de empresas subsidiárias. As multinacionais costumam centralizar
o controle de suas subsidiárias espalhadas pelo mundo numa holding instalada no país de origem ou em
algum outro onde a legislação seja mais branda.
d)POOL: é considerada a primeira fase do cartel, ou seja, reunião temporária de duas ou mais empresas
para fins especulativos, podem ser cartéis de cotas ou organização de venda e repartição comum de
vendas. Pool significa o fundo comum, onde são encaminhados os resultados das operações, os quais
são distribuídos, em um momento oportuno, na conformidade das cotas-partes de cada filiado. Fusão de
interesses mútuos. O pool forma estoques de ações ou mercadorias comercializadas em bolsas, procura
forçar a elevação de preços e então vende com lucros elevados.
e)CONSÓRCIO: grupo de empresas formado para execução de uma obra ou financiamento de um
projeto de grande envergadura.

CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica


Órgão público criado em 1965, cuja finalidade é a defesa da concorrência e a vigilância, prevenção aos
abusos do poder econômico. Foi reformulado em 1994, devido aos avanços da integração de países,
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fusões de empresas e entrada de investimentos estrangeiros via aquisição de empresas nacionais. CADE
funciona no Ministério da Justiça, controla negócios que implicam no controle, por uma única companhia,
de mais de 20% do mercado, ou em que qualquer um dos participantes tenha faturamento bruto anual
equivalente a 100 milhões de Ufirs (R$ 88,47 milhões) ou mais, incluindo os ocorridos no setor de
serviços, têm de passar pelo crivo do CADE. Isto é o que está previsto em lei. Os conselheiros do CADE
devem autorizar ou não as fusões. Uma das atividades do CADE envolve exames de atos de concentração
econômica tais como fusões, aquisições, joint ventures ou incorporações. Este controle no Brasil foi
instituído pela Lei federal 8.884 de junho de 1994, a lei de Defesa da Concorrência.

5.3- Práticas Anti- concorrenciais


Lei 8884/94 da Defesa da Concorrência – é infração à ordem econômica acordar práticas de fixação de
preços, quantidades, condições e outras práticas de venda com as concorrentes, aumentar sem justa
causa os preços de bens e serviços, condutas desleais que visem dificultar a entrada de novos
concorrentes (preços predatórios, impedimento ao acesso das concorrentes às fontes de insumo ou aos
distribuidores através de exigência de exclusividade).
Formação de cartel: práticas conjuntas entre concorrentes para a fixação de preços, quantidades, divisão
do mercado consumidor, adoção de postura pré-estabelecida em licitação pública etc.
Venda casada: quando o vendedor impõe a compra de um segundo produto como condição para fornecer
o produto desejado pelo comprador.
Dumping: preço do importado mais baixo do que no país de origem.
Política de Preços Predatórios: preço abaixo do custo de produção (prejuízo temporário) para eliminar o
concorrente.
Discriminação de Preços: preços diferentes do mesmo produto em mercados diferentes sem justa causa.
Exigência de Exclusividade: quando se impede que a outra parte comercialize produtos de outros
fornecedores
Fixação de preços de revenda: quando o produtor fixa o preço de revenda dos distribuidores

Condutas analisadas por agências reguladoras


Algumas condutas podem facilitar as práticas anticoncorrenciais por criar ou aumentar o poder de
mercado das empresas mas não constituem por si em violação da lei da concorrência. Estas condutas são
geralmente objeto de analise das agências reguladoras.
Se considerarem que há a possibilidade de perda de bem-estar do consumidor, estas agências devem
impor certas restrições para a aprovação destes atos de concentração.
Condutas analisadas por agências reguladoras
Concentração vertical : fusão de empresas em diferentes estágios da cadeia produtiva.
Concentração horizontal : fusão entre concorrentes
Conglomeração : associação entre empresas que atuam em diferentes setores da economia.

Fontes:
VASCONCELOS, M. A. GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 2 ed. São Paulo:Saraiva, 2004.
VICECONTI, P. E. V. DAS NEVES, S. Introdução à economia. 5 ed. São Paulo: Frase, 2002.
WESSELS, W. Economia. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2003.