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MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

DIRECÇÃO GERAL DA ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA


CENTRO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS DE JUSTIÇA

Autores:
Carlos Caixeiro
Guerra Correia
Alberto Pregueiro

Processo Civil revisto


por: Luís Noronha

DEZ. 2004

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Av. 5 de Outubro, 125 - 2.º 1069 - 044 Lisboa ✼ Telef.: 21790 64 21 ✼ Fax: 21 790 64 29 ✼ E-Mail: cfoj@dgaj.mj.pt ✼ website: www.dgaj.mj.pt
Autores: Carlos Caixeiro, Guerra Correia e Alberto Pregueiro
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CENTRO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS DE JUSTIÇA

Nota Introdutória

O Centro de Formação de Oficiais de Justiça agradece aos Secretários de Justiça Carlos


Caixeiro e Alberto Pregueiro e ao Escrivão de Direito Guerra Correia, a disponibilidade
manifestada na elaboração do presente texto de apoio, que pensamos será um documento
precioso para os oficiais de justiça, no exercício das suas funções.

CFOJ, Dezembro de 2004

A Directora do CFOJ

Maria João Henriques

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O NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO

NOTA PRÉVIA

O presente manual tem em vista, especialmente, os oficiais de justiça que exercem as suas funções nos
Tribunais Administrativos, cuja expansão se tem verificado nos últimos tempos, nomeadamente com
reformas introduzidas pelas Leis n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro - ESTATUTO DOS TRIBUNAIS
ADMINISTRATIVOS E FISCAIS e Lei 15/2003, de 12 de Fevereiro - CÓDIGO DE PROCESSO NOS
TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS.

Pretende-se com este trabalho, manter actualizado o conjunto de matérias relacionadas com o novo
Contencioso Administrativo, no intuito de facilitar a tarefa de todos quantos necessitem de uma consulta
pronta e resposta eficaz aos variados problemas de ordem técnica que se colocam na sua actividade
profissional.

Os autores que se dedicaram a este pequeno trabalho, (só possível pela experiência adquirida aquando
dos seus desempenhos nesta área) esperam poder facilitar o acesso rápido a tudo o que se relaciona com
o Novo Contencioso Administrativo, sendo certo que se impõe, como é natural, o seu aperfeiçoamento
e consolidação com o decurso da sua vigência.

Data: Dezembro / 2004


Autores:
Carlos Caixeiro, Secretário de Justiça
Guerra Correia, Escrivão de Direito
Alberto Pregueiro, Secretário de Justiça

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CAPÍTULO I

PARTE GERAL

1. LEI REGULADORA DO PROCESSO (art.º 1.º CPTA):

O processo nos tribunais administrativos rege-se pelo CÓDIGO DE


PROCESSO NOS TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS aprovado pela Lei n.º
15/2002, de 22 de Fevereiro, pelo Estatuto dos Tribunais Administrativos e
Fiscais — Lei 13/2002, de 19 de Fevereiro — e, supletivamente pela lei de
processo civil, com as necessárias adaptações.

2. PATROCÍNIO JUDICIÁRIO E REPRESENTAÇÃO EM JUÍZO (art.º 11.º


CPTA):

É obrigatória a constituição de advogado nos processos da competência dos


tribunais administrativos.

As pessoas colectivas de direito público ou os Ministérios podem ser


representadas em juízo por licenciado em direito com funções de apoio
jurídico, devendo ser junta cópia do despacho que o designou, nos termos
do art.º 83.º, n.º 3.

3. DO PRINCÍPIO DA IGUALDADE DAS PARTES / PAGAMENTO DE


CUSTAS:
Reveste-se de especial importância, o princípio da igualdade das partes
consagrado no artigo 6.º do CPTA, por forma a garantir a celeridade da
justiça administrativa e diminuir o excesso de litigância por parte da
Administração Pública; deste princípio resulta, como no próprio preceito se
estabelece, a possibilidade de:
• Condenação das entidades públicas por litigância de má-fé;
• Impor ao Estado e às demais entidades públicas a obrigação do
pagamento de custas, consagrado no artigo 189.º do CPTA.

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4. DA CONTAGEM DOS PRAZOS:

Em matéria de contagem dos prazos, deve aplicar-se as regras do


Código de Processo Civil (art.º 144.º) uma vez que nada no CPTA se refere a
esse respeito.

O prazo processual, conta-se assim de uma forma contínua,


suspendendo-se, no entanto, durante as férias judiciais, salvo se a sua
duração for igual ou superior a seis meses ou se tratar de actos a praticar
em processos que a lei considere urgentes.

Quando o prazo para a prática do acto processual terminar em dia em que


os tribunais estiverem encerrados, transfere-se o seu termo para o primeiro
dia útil seguinte.

Consideram-se encerrados os tribunais, quando for concedida tolerância de


ponto.

5. ALÇADA (art.º 6.º do E.T.A.F.):

Com a introdução de alçadas na jurisdição administrativa, passa a atender-


se ao valor da causa:
♦ para determinar a forma do processo nas acções administrativas
comuns;

♦ para estabelecer se o processo, em acção administrativa especial, é


julgado por tribunal singular ou em formação de três juizes;

♦ para saber se cabe recurso da sentença proferida em primeira


instância e se esse recurso, a existir, é apenas de apelação ou também
pode ser de revista.

A admissibilidade dos recursos por efeito das alçadas é regulada pela lei em
vigor ao tempo em que seja instaurada a acção (n.º 6).

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Assim, os tribunais da jurisdição administrativa têm alçada nos


seguintes termos:

¾ nos tribunais administrativos e fiscais corresponde àquela que se


encontra estabelecida para os tribunais judiciais de primeira instância.

¾ No Tribunal Central Administrativo corresponde à que se encontra


estabelecida para os tribunais de relação.

Nos processos em que exerçam competências de primeira instância, a alçada


dos Tribunal Central Administrativo e do Supremo Tribunal Administrativo
corresponde, para cada uma das suas secções, respectivamente à dos
tribunais administrativos e fiscais.

NOTA:
ALÇADA (em matéria cível) - art.º 24.º da Lei n.º 3/99, de 13/01:

- dos Tribunais da Relação é de € 14.963,94 (3.000.000$00) ;


- e a dos Tribunais de 1.ª Instância é de € 3.740,98 (750 000$00).

6. DA COMPETÊNCIA

No que se refere aos tribunais administrativos e fiscais e à secção de


contencioso administrativo do Tribunal Central Administrativo e do Supremo
Tribunal Administrativo, adopta-se um modelo no qual o Supremo Tribunal
Administrativo e o Tribunal Central Administrativo deixam, no essencial, de
funcionar como tribunais de primeira instância, para exercerem as
competências que são próprias dos tribunais superiores.

Os tribunais administrativos e fiscais passam, assim, a conhecer, em


primeira instância, da generalidade dos processos e os tribunais superiores a
funcionar, essencialmente, como tribunais de recurso.

O Tribunal Central Administrativo passa a ser o tribunal de segunda


instância, para o qual são interpostos os recursos de apelação das
sentenças proferidas pelos tribunais administrativos e fiscais.

Ao Supremo Tribunal Administrativo fica reservada a tarefa de funcionar


como regulador do sistema, função adequada a uma instância suprema.

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6.1. Competência da secção do contencioso administrativo do


SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO (art.º 24.º do E.T.A.F.):

Compete à Secção de Contencioso Administrativo, conhecer:


a) Dos processos relativos a acções ou omissões das seguintes entidades:
I - Presidente da República;

II - Assembleia da República e seu presidente;

III - Conselho de Ministros;

IV - Primeiro-Ministro;

V - Tribunal Constitucional, e seu Presidente, Presidente do Supremo


Tribunal Administrativo, do Tribunal de Contas e seu Presidente e
Presidente do Supremo Tribunal Militar;

VI - Conselho Superior de Defesa Nacional;

VII- Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e seu


presidente;

VIII - Procurador-Geral da República;

IX - Conselho Superior do Ministério Público.

b) Dos processos relativos a eleições previstas neste diploma (ETAF);

c) Dos pedidos de adopção de providências cautelares relativos a processos


da sua competência;

d) Dos pedidos relativos à execução das suas decisões;

e) Dos pedidos cumulados nos processos referidos na alínea a);

f) Das acções de regresso, fundadas em responsabilidade por danos


resultantes do exercício das suas funções, propostas contra juízes do
Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal Central Administrativo e
magistrados do Ministério Público que exerçam funções junto destes
tribunais, ou equiparados;

g) Dos recursos dos acórdãos que ao Tribunal Central Administrativo caiba


proferir em primeiro grau de jurisdição;

h) Dos conflitos de competência entre tribunais administrativos;


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i) De outros processos cuja apreciação lhe seja deferida por lei.


Compete ainda à secção de contencioso administrativo do Supremo Tribunal
Administrativo conhecer dos recursos de revista sobre matéria de direito
interpostos de acórdãos da secção de contencioso administrativo do Tribunal
Central Administrativo e de decisões dos tribunais administrativos e fiscais,
segundo o disposto na lei de processo.

6.2. Competência da secção do contencioso administrativo do


TRIBUNAL CENTRAL ADMINISTRATIVO (art.º 37.º do E.T.A.F.):

Compete à Secção de Contencioso Administrativo conhecer:

a) Dos recursos das decisões dos tribunais administrativos e fiscais


para os quais não seja competente o Supremo Tribunal
Administrativo, segundo o disposto na lei de processo;

b) Dos recursos de decisões proferidas por tribunal arbitral sobre


matérias de contencioso administrativo, salvo o disposto em lei
especial;

c) Das acções de regresso, fundadas em responsabilidade por


danos resultantes do exercício das suas funções, propostas
contra juizes dos tribunais administrativos e fiscais, bem como
dos magistrados do ministério público que prestem serviço junto
desses tribunais;

d) Dos demais processos que por lei sejam submetidos ao seu


julgamento.

Competência dos tribunais administrativos e fiscais (art.º 44.º do


E.T.A.F.):

6.3. Compete aos TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS E FISCAIS


conhecer:

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a) Em primeira instância, de todos os processos do âmbito da


jurisdição administrativa, com excepção daqueles cuja competência,
em primeiro grau de jurisdição, esteja reservada aos tribunais
superiores e da apreciação dos pedidos que nestes processos sejam
cumulados.

b) Compete ainda aos tribunais administrativos e fiscais satisfazer as


diligências pedidas por carta, ofício ou outros meios de
comunicação que lhes sejam dirigidos por outros tribunais
administrativos.

7. DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL

7.1. REGRA GERAL (art.º 16.º e segs. do CPTA):


Os processos em 1ª instância, são intentados no tribunal da residência
habitual ou da sede do autor ou da maioria dos autores (art.º 16.º).

Os processos relacionados com:

bens imóveis (art.º 17.º).:


♦ No tribunal da situação dos bens;

matéria de responsabilidade civil extracontratual (art.º 18.º):


♦ No tribunal do lugar em que se deu o facto constitutivo da
responsabilidade;
♦ Quando o facto constitutivo da responsabilidade seja a prática ou a
omissão de um acto administrativo ou de uma norma, a pretensão
é deduzida no tribunal competente para se pronunciar sobre a
legalidade da actuação ou da omissão;

matéria relativa a contratos (art.º 19.º):

♦ No tribunal convencionado ou, na falta de convenção, no tribunal do


lugar de cumprimento do contrato.

7.2 OUTRAS REGRAS DE COMPETÊNCIA TERRITORIAL (art.º 20.º):

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Os processos respeitantes à pratica ou omissão de normas e actos


administrativos das regiões autónomas, das autarquias locais e demais
entidades de âmbito local, das pessoas colectivas de utilidade pública e de
concessionários (n.º 1):
♦ são intentados no tribunal da área da sede da entidade
demandada.
Os processos respeitantes à prática ou omissão de normas e actos
administrativos dos governadores civis e assembleias distritais (n.º 2):
♦ são intentados no tribunal da área na qual se encontram
sediados estes órgãos.
Respeitantes ao contencioso eleitoral (n.º 3):
♦ são intentados no tribunal da área da sede do órgão cuja
eleição se impugna.
O conhecimento dos pedidos de intimação para prestação de informações,
consulta de documentos e passagem de certidões (n.º 4):
♦ Intentados no tribunal da área da sede da autoridade
requerida.
Os demais processos de intimação (n.º 5):
♦ são intentados no tribunal da área onde deva ter lugar o
comportamento ou a omissão pretendidos.
Os pedidos dirigidos à adopção de providências cautelares (n.º 6):
♦ são julgados pelo tribunal competente para decidir a causa
principal.
Os pedidos de produção antecipada de prova (n.º 7):
♦ são deduzidos no tribunal em que a prova tenha de ser
efectuada ou da área em que se situe o tribunal de comarca
a que a diligência deva ser deprecada.

8. PETIÇÃO A TRIBUNAL INCOMPETENTE (art.º 14.º CPTA):

Quando a petição seja dirigida a tribunal incompetente:


— o processo deve ser oficiosamente remetido ao tribunal
administrativo competente.
NOTA:

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Surgindo dúvidas quanto à competência do tribunal, afigura-se-nos que a secretaria


deva, antes de proceder à citação oficiosa (nos casos em que esta exista) da
entidade e contra-interessados, suscitá-las, junto do juiz titular do processo,
evitando-se assim, uma tramitação que se poderá tornar inútil.

Quando a petição seja dirigida a tribunal incompetente, sem que o tribunal


competente pertença à jurisdição administrativa (incompetência absoluta):
— pode o interessado, no prazo de 30 dias a contar do trânsito em
julgado da decisão que declare a incompetência, requerer a
remessa do processo ao tribunal competente, com indicação do
mesmo.
A petição considera-se apresentada na data do primeiro registo de entrada,
para efeitos da tempestividade da sua apresentação.

9. DOS ACTOS PROCESSUAIS:

Entrega ou remessa das peças processuais:


É aplicável o disposto na lei processual civil no que se refere aos termos em
que se procede à entrega ou remessa das peças processuais, cfr. art.º 23.º
CPTA, pelo que se aplicarão as regras previstas no art.º 150.º do CPC que se
transcreve:

"Artigo 150.º CPC”


Apresentação a juízo dos actos processuais

1. – Os actos processuais que devam ser praticados por escrito palas partes são
apresentados a juízo por uma das seguintes formas:
a) Entrega na secretaria judicial, valendo como data da prática do acto
processual a da respectiva entrega;
b) Remessa pelo correio, sob registo, valendo como data da prática do acto
processual a da efectivação do registo postal;
c) Envio através de telecópia, valendo como data da prática do acto processual a
da expedição;
d) Envio através de correio electrónico avançada, valendo como data da prática
do acto processual a da expedição, devidamente certificada;

2. – Os termos a que deve obedecer o envio através dos meios previstos nas alíneas
d) e e) do número anterior são definidos por portaria do Ministro da Justiça. (Ver
Portarias n.ºs 337-A/2004, de 31 de Março e 642/2004, de 16 de Junho).
3. – A parte que proceda à apresentação de acto processual através dos meios
previstos nas alíneas d) e e) do n.º 1 remete ao tribunal, no prazo de cinco dias,
todos os documentos que devam acompanhar a peça processual.

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4. Tratando-se da apresentação da petição inicial, o prazo referido no número anterior


conta-se a partir da data da respectiva distribuição.

“ Artigo 150.º-A”

(Comprovativo do pagamento da taxa de justiça)

1. – Quando a prática de um acto processual exija, nos termos do Código das


custas judiciais, o pagamento da taxa de justiça inicial ou subsequente, deve ser
junto o documento comprovativo do seu prévio pagamento ou da concessão do
benefício do apoio judiciário, salvo se neste último caso aquele documento já se
encontrar junto aos autos.
2. – Sem prejuízo das disposições relativas à petição inicial, a falta de junção do
documento referido no número anterior não implica a recusa da peça processual,
devendo parte proceder à sua junção nos 10 dias subsequentes à prática do acto
processual, sob pena de aplicação das cominações previstas nos artigos 486.º-A,
512.º-B e 690.º-B.
3. – Quando a petição inicial seja enviada através de correio electrónico ou outro
meio de transmissão electrónica de dados, o documento comprovativo do
pagamento da taxa de justiça inicial deve ser remetido a tribunal no prazo
referido no n.º 3 do artigo anterior, sob pena de desentranhamento da petição
apresentada.
4. – Nos casos previstos no número anterior, a citação só é efectuada após a junção
aos autos do referido documento comprovativo.

A ESTE RESPEITO CONSULTAR PORTARIA N.º 1417/2003, DE 30 DE DEZEMBRO,


QUE REGULA O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA INFORMÁTICO DOS TRIBUNAIS
ADMINISTRATIVOS E FISCAIS (SITAF).

Dispensa do pagamento prévio da taxa de justiça inicial e subsequente – art.º 29.º do


C.C.J. – ver textos de apoio do CFOJ das Custas Judiciais nos Tribunais Administrativos.

9.1. DUPLICADOS E CÓPIAS (art.º 24.º CPTA):

É igualmente aplicável o disposto na lei processual civil no que se refere à


exigência de duplicados dos articulados e cópias dos documentos
apresentados.

Nos processos em que o número de contra-interessados seja superior a 20,


o autor apenas deve apresentar três duplicados e três cópias.

Esta matéria vem regulada art.º 152.º do Código de Processo Civil que se
transcreve:

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"Artigo 152.º CPC


Exigência de duplicados

1. Os articulados são apresentados em duplicado; quando o articulado seja oposto a mais


de uma pessoa, oferecer-se-ão tantos duplicados quantos forem os interessados que
vivam em economia separada, salvo se forem representados pelo mesmo mandatário.
2. Os requerimentos, as alegações e os documentos apresentados por qualquer das partes
devem ser igualmente acompanhados de tantas cópias, em papel comum, quantos os
duplicados previstos no número anterior. Estas cópias são entregues à parte contrária
com a primeira notificação subsequente à sua apresentação.
3. Se a parte não fizer entrega de qualquer dos duplicados e cópias exigidos nos números
anteriores, é notificada oficiosamente pela secretaria para os apresentar no prazo de dois
dias, pagando de multa a quantia fixada na primeira parte do nº 5 do artigo 145.º, não
podendo exceder, porém, 1 UC. Não o fazendo, é extraída certidão dos elementos em
falta, pagando a parte, além do respectivo custo, a multa mais elevada prevista no nº 5
do artigo 145.º.
4. Quando razões especiais o justifiquem, o juiz pode dispensar a apresentação das cópias a
que se refere o nº 2 ou marcar um prazo suplementar para a sua apresentação.
5. Além dos duplicados a entregar à parte contrária, deve a parte oferecer mais um
exemplar de cada articulado para ser arquivado e servir de base à reforma do processo
em caso de descaminho.
Se a parte não juntar o duplicado, mandar-se-á extrair cópia do articulado, pagando o
responsável o triplo das despesas a que a cópia der lugar, a qual é para o efeito contada
como se de certidão se tratasse.
6 – O disposto nos números anteriores não prejudica o dever de as partes representadas
por mandatário facultarem ao tribunal, sempre que o juiz o solicite, um ficheiro
informático contendo as peças processuais escritas apresentadas pela parte em suporte
de papel.
7. A parte que proceda à apresentação de peça processual através de correio electrónico ou
outro meio de transmissão electrónica de dados fica dispensada de oferecer os duplicados
ou cópias, devendo a secretaria extrair tantos exemplares quantos os previstos nos
números anteriores.
8. A dispensa prevista no número anterior não é, aplicável aos documentos, cujas cópias
são sempre oferecidas pela parte que os apresenta.

* (Decreto-Lei n.º 183/2000, de 10 de Agosto, alterado pelo Decreto – Lei n.º 320-B/2002,
de 30 de Dezembro)

Enumeram-se algumas peças que devem ser acompanhadas dos


respectivos duplicados:

♦ articulados (petições iniciais, contestações, réplicas...)

♦ requerimentos;

♦ alegações;

♦ documentos.
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10. DAS CITAÇÕES E NOTIFICAÇÕES

Na perspectiva de aproximação ao modelo do processo civil se inscreve a


extensão ao contencioso administrativo do regime do processo civil em
matéria também de CITAÇÕES E NOTIFICAÇÕES, sem prejuízo de um
regime especial de citação por publicação de anúncio, quando estejam em
causa normas ou, em geral, processos com elevado número de contra-
interessados, a que adiante nos pronunciaremos.
Assim, consagra o art.º 25.º do CPTA que é aplicável o disposto na lei
processual civil em matéria de citações e notificações que em seguida se
desenvolve:

A MATÉRIA DE CITAÇÕES ENCONTRA-SE TRATADA NO TEXTO DE APOIO DO CFOJ


RELACIONADO COM O PROCESSO CIVIL.

10.1. DISPOSIÇÕES COMUNS:

Impõe o art.º 3.º do CPC. que o tribunal não resolva o conflito de interesses
pressuposto pela acção, sem que isso lhe seja pedido por uma das partes e
a outra seja devidamente chamada a deduzir oposição - é o princípio do
contraditório, amplamente consagrado na mesma lei adjectiva.

Assim, quando for interposta uma acção (administrativa comum ou especial)


contra qualquer entidade pública bem como eventuais contra-interessados
são estes citados (art.º 228.º, n.º 1 do CPC.).

Quando, após a citação, se mostrar necessário chamar as partes a juízo ou


dar-lhe conhecimento de algum facto, já não se usa a citação, mas sim a
notificação.

Usa-se ainda a notificação quando for necessário chamar qualquer pessoa a


tribunal, mesmo que pela primeira vez, quando essa pessoa não tem, na
causa, interesse directo, não necessitando, pois, de se defender - por
exemplo, testemunhas, peritos, etc. (art.º 228.º, n.º 2 do CPC.).

Também não carecem de despacho que as ordene, as notificações previstas


no n.º 2 do art.º 229.º do CPC “ex vi” art.º 1.º do CPTA e aquelas que a
própria lei especialmente prevê.

Tanto a citação quanto a notificação, podem ser efectuadas no lugar em que


o destinatário se encontre ainda, que no local de trabalho, não podendo,
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porém, efectuar-se dentro dos templos ou enquanto o destinatário estiver


ocupado em acto de serviço público que não deva ser interrompido (art.º
232.º do CPC.).

Podem, todavia, efectuar-se durante as férias e mesmo nos dias em que o


tribunal está encerrado (art.º 143.º, n.º 2 do CPC.).

Os incapazes, os incertos, as pessoas colectivas, as sociedades, os


patrimónios autónomos e o condomínio são citados ou notificados na pessoa
dos seus legais representantes ou na pessoa de qualquer empregado; não
se encontrando nenhum deles, o representante será citado em qualquer
lugar onde se encontre (art.ºs 231.º e 237.º do CPC.).

10.2. OFICIOSIDADE DA CITAÇÃO:

Incumbe à secretaria promover oficiosamente as diligências destinadas à


citação, sem necessidade de despacho prévio (art.º 234.º, n.º 1 do CPC. e
art.º 81.º do CPTA).

Exceptuam-se das regras da oficiosidade, determinadas citações por


força do regime especial estabelecido em contencioso administrativo,
designadamente:

a) Quando os contra-interessados sejam em número superior a 20


(n.º 1 do art.º 82.º);

b) No processo de intimação para prestação de informações,


consulta de processos ou passagem de certidões (art.º 107.º,
n.º 1);

c) No processo de intimação para protecção de direitos, liberdades


e garantias (art.º 110.º, n.º 1 CPTA).

d) Nas providências cautelares (n.º 1 do art.º 117.º).

Na efectivação da citação pessoal (quer por via postal, quer por contacto
pessoal) deverá ser remetido ou entregue ao citando o duplicado da petição
inicial e cópia dos documentos com ela juntos, acompanhados de nota de
citação onde conste obrigatoriamente (art.º 235.º do CPC.):
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• Número do processo, secção, juízo e tribunal onde corre termos;

• O prazo dentro do qual pode exercer a defesa, com menção ao


modo como este prazo deverá ser contado;

• A necessidade de constituir advogado (art.º 11.º do CPTA);

• A cominação aplicável, caso não conteste.

10.3. ESPECIFICIDADE DE ANÚNCIOS A PUBLICAR EM MATÉRIA DE


JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA:

Anúncios (cfr. art.ºs 82.º e 117.º CPTA)

Quando os contra-interessados sejam em número superior a 20, o


tribunal pode determinar que a respectiva citação seja feita mediante
publicação de anúncio, com a advertência de que os interessados
dispõem do prazo de 15 dias para se constituírem como contra-
interessados no processo.

Quando esteja em causa a impugnação de um acto que tenha sido


publicado, a publicação do anúncio mencionado anteriormente faz-se
pelo meio e no local utilizados para dar publicidade ao acto
impugnado.

Se o acto impugnado não tiver sido objecto de publicação, o anúncio é


publicado em dois jornais diários de circulação nacional ou local,
dependendo do âmbito da matéria em causa.

Quando esteja em causa um pedido de declaração da ilegalidade de


uma norma, no despacho judicial que ordene ou dispense a citação da
entidade demandada o juiz manda publicar anúncio da formulação do
pedido, pelo meio e no local utilizados para dar publicidade à norma, a
fim de permitir a intervenção no processo de eventuais interessados,
admissível até ao termo da fase dos articulados.

10.4. DA NOTIFICAÇÃO:
As notificações, salvo disposição legal em contrário, são feitas pelo correio
(art.ºs 254.º, 255.º, n.º 1 e 253.º do CPC.).

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Haverá que distinguir entre as notificações às pessoas que são parte no


processo e àquelas que nele apenas intervêm acidentalmente.

a) Notificações às partes

As partes a notificar constituíram mandatário (note-se que é


obrigatória a constituição de advogado nos processos da competência
dos tribunais administrativos, cfr. art.º 11.º CPTA):

Se o processo está pendente, a notificação faz-se por carta


registada enviada para o escritório do respectivo mandatário (art.º
253.º, n.º 1 do CPC.). Se a parte estiver simultaneamente representada
por advogado e solicitador, sê-lo-á sempre na pessoa do solicitador
(art.º 253.º, n.º 3 do CPC.).
Se a notificação se destina, porém, a chamar a parte ao tribunal para
a prática de acto pessoal, além do mandatário será também notificada a
própria parte por aviso registado (art.º 253.º, n.º 2 do CPC.).

b) Notificação aos intervenientes acidentais:

As notificações que tenham por fim chamar ao tribunal testemunhas,


peritos e outras pessoas com intervenção acidental (como exemplo
destas últimas, os intérpretes – art.ºs 139.º, n.º 2 e 141.º do CPC. - e
os técnicos que prestam assistência ao tribunal – art.ºs 614.º, 649.º e
652.º do CPC.), são feitas mediante o aviso a expedir pelo correio,
sob registo (art.º 257.º, n.º 1 do CPC.).
Serão entregues à parte os avisos relativos às pessoas que ela se haja
comprometido a apresentar, sempre que tal seja solicitado, ainda que
verbalmente (art.º 257.º, n.º 2 do CPC.).

c) Agente Administrativo ou Funcionário Público:


Não necessita de autorização para comparecer a tribunal, mas deve
informar imediatamente o seu superior hierárquico e apresentar
posteriormente a justificação (art.º 257.º do CPC.).

d) Notificação entre mandatários:


Sempre que as partes tenham constituído mandatário judicial,
efectuada pela secretaria a notificação da apresentação da contestação,
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incumbe ao mandatário apresentante notificar ao mandatário da


contraparte todos os articulados e requerimentos autónomos que
apresente no processo, devendo juntar documento comprovativo de tal
notificação (art.ºs 229.º-A e 260.º-A do CPC.).
A esta notificação entre mandatários, são aplicáveis todos os meios
legalmente admissíveis para a prática de actos processuais – por
exemplo, carta registada, telecópia, correio electrónico.

11. DISTRIBUIÇÃO (art.º 26.º CPTA):


A distribuição de processos nos tribunais administrativos tem lugar
diariamente e obedece aos seguintes critérios, cuja aplicação é assegurada
pelo presidente do tribunal, no respeito pelo princípio da imparcialidade e do
juiz natural:

a) Espécies de processos, classificados segundo critérios da deliberação


n.º 1313/2004, do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos
e Fiscais, publicada no DR II Série n.º 264 de 10 de Novembro de
2004;

b) Carga de trabalho dos juízes e respectiva disponibilidade para o


serviço;

c) Tipo de matéria a apreciar, desde que, no tribunal, haja um mínimo


de três juízes afectos à apreciação de cada tipo de matéria.

NOTA:
Compete ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais estabelecer os
critérios que devem presidir à distribuição nos tribunais administrativos, no respeito
pelo princípio do juiz natural, cfr. alínea o) do n.º 2 do art.º 74.º do ETAF.

11.1. Baixa na distribuição (art.º 28.º do CPTA)

Procedimentos:
Importa baixa na distribuição a apensação de processo distribuído a juiz
diferente.

Nos casos de baixa na distribuição por apensação, o processo que transite


para novo juiz é carregado a este na espécie devida, quando a apensação se
fundamente nos casos previstos no art.º 28.º do CPTA.
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Assim, sempre que se verifique uma destas situações e por despacho do


juiz, a secção de processos deve ter o cuidado de remeter o processo à
secção central para os devidas baixas.

12. DOS PRAZOS

O novo ETAF e CPTA, procura assegurar uma maior eficácia e eficiência na


administração da justiça administrativa criando condições para dar a quem a
ela recorre a possibilidade de calcular o tempo que o processo poderá durar,
responsabilizando todos os intervenientes.

Neste sentido, prevê-se que o número máximo de processos a distribuir a


cada magistrado e o prazo máximo, dentro do qual os diferentes actos
processuais a cargo de magistrados e funcionários deverão ser praticados,
seja anualmente fixado pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos
e Fiscais, (cfr. alínea m) do n.º 2 do art.º 74.º do ETAF).

12.1. PRAZOS PROCESSUAIS (art.º 29.º CPTA):

‰ O prazo geral supletivo para os actos processuais das partes é de 10


dias.
‰ Os prazos para os actos processuais a praticar pelos magistrados
judiciais e pelos funcionários do tribunal que não estejam
determinados na lei são anualmente fixados pelo Conselho Superior
dos Tribunais Administrativos e Fiscais, com o apoio do departamento
do Ministério da Justiça com competência nos domínios da auditoria e
da modernização, e publicados na II Série do Diário da República.
‰ Não são aplicáveis as regras anteriores a qualquer processo que corra
nos tribunais administrativos, em primeira instância ou em via de
recurso, os prazos que o Código de Processo Civil estabelece para
juizes e funcionários.

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Prazos dos funcionários judiciais (art.º 190.º do CPTA):

Enquanto não for fixado pelo Conselho Superior dos Tribunais


Administrativos e Fiscais, o prazo máximo admissível para os actos
processuais dos funcionários judiciais para os quais a lei não estabelece
prazo, vale o prazo geral supletivo de 10 dias (art.º 190.º do CPTA).

13. PROCESSOS URGENTES (art.º 36.º):


Sem prejuízo dos demais casos previstos na lei, têm carácter urgente os
processos relativos a:

¾ Contencioso eleitoral, com o âmbito definido no CPTA;


¾ Contencioso pré-contratual, com o âmbito definido no CPTA;
¾ Intimação para prestação de informações, consulta de documentos ou
passagem de certidões;
¾ Intimação para defesa de direitos, liberdades e garantias;
¾ Providências cautelares.

Tem ainda carácter urgente o processo ou processos seleccionados nos


termos do art.º 48.º, n.ºs 1 e 4 do CPTA (processos em massa).

Os processos urgentes correm em férias, com dispensa de vistos prévios,


mesmo em fase de recurso jurisdicional, e os actos da secretaria são
praticados no próprio dia, com precedência sobre quaisquer outros.

Prática extemporânea dos actos processuais pelas partes (art.º 145.º


do CPC “ex.vi” art.º 1.º do CPTA):

A prática de actos pelas partes, depois de findo o prazo peremptório, é


possível em caso de justo impedimento (art.ºs 145.º, n.º 4 e 146.º do CPC)
e, independentemente de justo impedimento, nos três primeiros dias
úteis subsequentes ao termo do prazo, ficando a sua validade
dependente do pagamento, de uma multa de montante igual a ¼ da taxa de
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justiça inicial por cada dia de atraso, não podendo a multa exceder 3 UC.
(art.º 145.º, n.ºs 5):

Se o acto for praticado em qualquer dos 3 dias úteis seguintes sem ter
sido paga a multa devida, logo que a falta seja verificada, deve a secretaria,
oficiosamente notificar o interessado para pagar multa de montante igual ao
dobro da taxa de justiça inicial, não podendo a multa exceder 20 UC, (art.º
145.º, n.º 6 ).

14. ACESSO AO PROCESSO, CONFIANÇA E DEVER DE PASSAGEM DE


CERTIDÕES:

Confiança dos processos (art.º 169.º do CPC “ex.vi” art.º 1.º CPTA):

Os advogados constituídos pelas partes podem requerer que os processos


lhe sejam confiados para exame, nos termos e com as sanções estabelecidas
na lei do processo civil (art.º 170.º, 171.º CPC.)

O montante devido pela confiança de processos, é regulado pelo art.º


108.º do Código das Custas Judiciais.

A matéria dos actos avulsos encontra-se tratada no texto de apoio do


CFOJ das Custas Judiciais nos tribunais Administrativos

14.1 CERTIDÕES:
A secretaria deve, sem precedência de despacho, passar as certidões de
todos os termos e actos processuais que lhe sejam requeridas, oralmente ou
por escrito pelas partes do processo, por quem possa exercer o mandato
judicial (advogados), ou por quem revele interesse atendível em as obter
(cfr. art.º 174.º do CPC “ex vi” art.º 1.º CPTA).

As certidões são passadas dentro do prazo de cinco dias, salvo nos casos
de urgência ou de manifesta impossibilidade, em que se consignará o dia em
que devem ser levantadas (art.º 175.º, n.º 1 CPC).

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Custo da certidão:
O custo da certidão extraída de processos pendentes nos Tribunais
Administrativos, deve ser calculado da mesma forma que nos tribunais
comuns, cuja tributação se encontra estabelecida no art.º 106.º do Código
das Custas Judiciais.

15. DO VALOR DAS CAUSAS (art.º 31.º CPTA)


A introdução do valor das causas é uma novidade no contencioso
administrativo, necessária pelo facto de se passar a atender ao seu valor
para determinar:

¾ a forma do processo nas acções administrativas comuns,


¾ se o processo, em acção administrativa especial, é julgado por tribunal
singular ou em formação de três juízes (cfr. art.º 40.º n.º 3 do ETAF)
e
¾ se cabe recurso da sentença proferida em primeira instância e se esse
recurso, a existir, é apenas de apelação ou também pode ser de
revista.

16. FORMAS DE PROCESSO (art.º 35.º CPTA)

Nas acções administrativas comuns e administrativas especiais existem


diferenças de característica e de valor que implicam que os procedimentos a
adoptar no desenrolar do processo sejam, necessariamente, diferentes.

Aos casos previstos no Título II do CPTA (art.º 37.º e seguintes)


corresponde o processo de declaração regulado no Código de Processo
Civil, nas formas:

¾ ordinária
¾ sumária e
¾ sumaríssima.

Os casos previstos nos Títulos III e IV do CPTA (art.º 46.º e seguintes e 97 e


seguintes), regem-se pelas disposições aí previstas e pelas disposições
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gerais, sendo subsidiariamente aplicável o disposto na lei processual civil,


compreendendo as seguintes formas de processo:

¾ Acção administrativa especial;


¾ Contencioso eleitoral;
¾ Contencioso pré-contratual;
¾ Intimação para a prestação de informações, consulta de processos
ou passagem de certidões;
¾ Intimação para protecção de direitos liberdades e garantias.

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CAPÍTULO II

ACÇÃO ADMINISTRATIVA COMUM

Esta tramitação que se optou por qualificar como “comum” e que,


remetendo para o modelo do processo civil de declaração, corresponde
basicamente à que é tradicionalmente seguida no clássico contencioso das
acções.
Embora a tradição do nosso contencioso administrativo seja a de remeter,
no contencioso das acções sobre contratos e responsabilidade, para o
processo civil de declaração na forma ordinária, a remissão passa,
contudo, a ser feita também para a forma sumária e para a forma
sumaríssima, em função do valor da causa.

A ESTE RESPEITO CONSULTAR PORTARIA N.º 1417/2003, DE 30 DE DEZEMBRO,


QUE REGULA O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA INFORMÁTICO DOS TRIBUNAIS
ADMINISTRATIVOS E FISCAIS (SITAF).

NOÇÕES SOBRE A MARCHA DO PROCESSO

A APRESENTAÇÃO DO PROCESSO NA SECRETARIA

O processo começa pela apresentação na secretaria do tribunal


competente (em regra por um advogado) de uma petição inicial, a qual
pode ser entregue na secretaria judicial, (art.º 150.º, n.º 1 alínea a) do
C.P.C.), enviada pelo correio (art.º 150.º, n.º, 1, alínea b) do CPC.), por
telecópia (art.º 150.º, n.º 1, alínea c) do CPC. e DL. n.º 28/92, de 27/02),
correio electrónico, com aposição de assinatura electrónica avançada, sendo
a data da expedição a que demarca o início da instância (art.º 267.º, n.º 1
do CPC.) e envio através de outro meio de transmissão electrónica de dados
(art.º 150.º, n.º 1 alínea e).

Aí, o oficial de justiça que receber a petição - na secção central - terá que
verificar se estão observados os seguintes requisitos (art.º 467.º do CPC.):

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Designação do tribunal onde a acção é proposta e identificação das


partes, indicando os seus nomes, domicílios e, sempre que
possível, profissões e local de trabalho;

Indicação do domicílio profissional do mandatário judicial;

Indicação da forma do processo;

Exposição dos factos e das razões de direito que servem de


fundamento à acção;

Formulação do pedido; e

Declaração do valor da causa (requisito aplicável ao pedido


reconvencional – n.º 2 do art.º 501.º do CPC.).

A secretaria deverá recusar o recebimento da petição quando (art.º


474.º do CPC.):
¾ o endereço do tribunal seja omitido ou se endereçada a outro
tribunal;

¾ omita a identificação das partes conforme requisitos indicados;

¾ não indique o domicílio profissional do mandatário judicial;

¾ não indique a forma do processo;

¾ não indique o valor da causa;

¾ não tenha sido junto o documento comprovativo:

- do prévio pagamento da taxa de justiça inicial;

- ou da concessão de apoio judiciário, à excepção do


previsto no n.º 4 do art.º 467.º ou quando a autora é uma
das entidades previstas no n.º 1 do art.º 29.º alíneas a) a
d) do C.C.J. que estão dispensadas da referida
autoliquidação.

¾ falte a assinatura da parte ou do mandatário;


¾ não esteja redigida em língua portuguesa;

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¾ o papel utilizado não obedeça aos requisitos regulamentares (DL.


n.º 112/90, de 04/04).

Não carece de reconhecimento notarial a assinatura de advogado - DL. n.º 342/91,


de 14/09 -, ou de solicitador - DL. n.º 47/92, de 04/04);

As assinaturas das partes, nas procurações, também não carecem de intervenção


notarial (DL. n.º 267/92, de 28/11 - advogados; DL. n.º 168/95, de 15/07 -
solicitadores).

Dispõe o art.º 2.º do DL. n.º 250/96, de 24 de Dezembro: ”a exigência em


disposição legal de reconhecimento por semelhança ou sem determinação de
espécie considera-se substituída pela indicação, feita pelo signatário, do número,
data e entidade emitente do respectivo bilhete de identidade ou documento
equivalente emitido pela autoridade competente de um dos países da União
Europeia ou do passaporte”.

Quando se recusar o recebimento da p.i. deverá indicar-se, por escrito, o


fundamento da rejeição dado que:

- do acto de recusa de recebimento cabe reclamação para o


juiz, podendo ser interposto recurso de agravo do despacho
que confirmar ou não o recebimento (art.º 475.º do CPC.);

- à parte é facultada a possibilidade de entrega de nova


petição ou do documento em falta dentro dos 10 dias
seguintes à recusa de recebimento ou à notificação da decisão
judicial que a tenha confirmado (art.º 476.º do CPC.)

Apesar de não ser motivo de recusa, a secretaria deverá lançar “nota” na


própria petição:
‰ Se a p.i. vem acompanhada dos duplicados e cópias legais
(art.º152.ºdo CPC.);

‰ Se os documentos juntos são os referidos na petição (não vá faltar


algum e atribuir-se, depois, a responsabilidade a quem recebeu a
petição);

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* Nota * - A p.i. deverá, dar entrada no suporte informático autorizado (art.º 17.º do
DL. n.º 186-A/99, de 31.05) e, em observações, fazer-se menção da recusa. No caso
de ser apresentada nova petição (no prazo de 10 dias), a instância considera-se
iniciada na data da apresentação da primeira p.i. - art.º 476.º do CPC..

Posto que tudo esteja em ordem, passará recibo ao apresentante, se este


lho exigir (art.º 28.º, n.º 2 do DL. n.º 186-A/99, de 31/05).

FORMA DE PROCESSO (art.ºs º 37.º CPTA)

Objecto:
Seguem a forma da acção administrativa comum os processos que
tenham por objecto litígios cuja apreciação se inscreva no âmbito da
jurisdição administrativa e que, nem no CPTA, nem em legislação avulsa,
sejam objecto de regulação especial (n.º 1).

Seguem, designadamente, a forma da acção administrativa comum os


processos que tenham por objecto litígios relativos a (n.º 2):
a) Reconhecimento de situações jurídicas subjectivas
directamente decorrentes de normas jurídico-administrativas ou
de actos jurídicos praticados ao abrigo de disposições de direito
administrativo;
b) Reconhecimento de qualidades ou do preenchimento de
condições;
c) Condenação à adopção ou abstenção de comportamentos,
designadamente a condenação da administração à não emissão
de um acto administrativo, quando seja provável a emissão de
um acto lesivo;
d) Condenação da Administração à adopção das condutas
necessárias ao restabelecimento de direitos ou interesses
violados;
e) Condenação da Administração ao cumprimento de deveres de
prestar que directamente decorram de normas jurídico-
administrativas e não envolvam a emissão de um acto
administrativo impugnável, ou que tenham sido constituídos por
actos jurídicos praticados ao abrigo de disposições de direito
administrativo, e que podem ter por objecto o pagamento de

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uma quantia, a entrega de uma coisa ou a prestação de um


facto;
f) Responsabilidade civil das pessoas colectivas, bem como dos
titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, incluindo
acções de regresso;
g) Condenação ao pagamento de indemnizações decorrentes da
imposição de sacrifícios por razões de interesse público;
h) Interpretação, validade ou execução de contratos;
i) Enriquecimento sem causa;
j) Relações jurídicas entre entidades administrativas.

Quando, sem fundamento em acto administrativo impugnável,


particulares, nomeadamente concessionários, violem normas de direito
administrativo ou vínculos jurídico-administrativos contratualmente
assumidos, ou haja fundado receio de que os possam violar, sem que,
solicitadas a fazê-lo, as autoridades competentes tenham adoptado as
medidas adequadas, qualquer pessoa ou entidade cujos direitos ou
interesses sejam directamente ofendidos pode pedir ao tribunal que condene
os mesmos a adoptarem ou a absterem-se de certo comportamento, por
forma a assegurar o cumprimento das normas em causa (n.º 3)

Tramitação:

A acção administrativa comum segue os termos do processo de declaração


do Código de Processo Civil, na forma (art.º 42.º CPTA):
¾ ordinária,
¾ sumária e
¾ sumaríssima.

Existem pois diferenças de característica e de valor que implicam que os


procedimentos a adoptar no desenrolar do processo sejam, necessariamente
diferentes, matéria a que adiante nos debruçaremos.

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DO PROCESSO ORDINÁRIO

No domínio de aplicação dos termos do processo, temos:

o processo ordinário quando o valor da causa exceda o da alçada do


Tribunal Central Administrativo (art.º 43.º, n.º 1 CPTA).
— A alçada do Tribunal Central Administrativo corresponde à que se
encontra estabelecida para os tribunais da relação sendo
actualmente de € 14.963,94 — ver art.º 24.º da Lei 3/99, de
13/01 (LOFTJ).

TAXA DE JUSTIÇA INICIAL:

O autor deverá efectuar o pagamento prévio da taxa de justiça inicial,


calculada em função do valor declarado na p.i., salvo as excepções atrás
referidas.

No caso do valor declarado na p.i. ser superior a € 250 000,00, não é


considerado o excesso para efeitos de cálculo da taxa de justiça inicial e
subsequente - art.º 27.º do CCJ.

Autuada a petição inicial, sempre que, nos termos do respectivo Estatuto, o


M.ºP.º deva intervir acessoriamente na causa, ser-lhe-á notificada
oficiosamente a pendência da acção, logo que a instância se considere
iniciada - art.ºs 334.º e 200.º do CPC. e 5.º e 6.º do Estatuto do M.ºP.º (Lei
n.º 60/98, de 28 de Agosto).

Sendo caso disso (falta de demonstração de cumprimento de obrigações


tributárias), deverá comunicar-se oficiosamente à administração fiscal, a
pendência e o objecto da causa - art.º 280.º do CPC..

OFICIOSIDADE DA CITAÇÃO:

Com já se disse incumbe à secretaria promover oficiosamente as


diligências destinadas à citação, sem necessidade de despacho prévio, ver
matéria de citações nos textos do CFOJ dedicados ao processo civil (art.º
234.º, n.º 1 do CPC e art.º 81.º do CPTA).

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O réu será citado para contestar no prazo de 30 dias, sendo advertido de


que a falta de contestação importa a confissão dos factos articulados pelo
autor (art.ºs 480.º, 484.º e 486.º do CPC.).

Se o funcionário verificar que o citando se encontra incapacitado de


receber a citação, dá conta da ocorrência (certidão negativa), dela se
notificando o A. e seguidamente vai o processo “concluso” ao juiz (art.º
242.º, n.ºs 1 e 2 do CPC.). Devemos ter em conta que a incapacidade aqui
mencionada não se trata de uma incapacidade passageira, momentânea,
mas sim de inaptidão para apreender o que se pretende transmitir.

Citação promovida por mandatário judicial:

Quando o mandatário do A. tenha declarado o propósito de promover a


citação por si, passa-se mandado, em que constarão os elementos
mencionados nos art.ºs 245.º e 246.º do CPC., podendo esta forma de
citação ser requerida, sempre que outra forma de citação se tenha frustrado
(n.º 1 do art.º 245.º e n.º 2 do art.º 176.º, ambos do CPC.).

Todas as diligências destinadas à citação são oficiosamente realizadas, tendo


em atenção o prazo de 30 dias, referido nos n.ºs 2 e 3 do art.º 234.º do
CPC., ou seja:

‰ passados 30 dias, sem que o réu se mostre citado, é o autor


informado das diligências efectuadas e dos motivos da não realização
do acto (com esta diligência, além de se manter a parte informada do
andamento do processo, poderemos ter acesso a novos elementos de
que a parte disponha, que nos facilitem o acesso ao citando);

‰ decorridos mais 30 dias, sem que a citação se mostre efectuada, é o


processo imediatamente “concluso” ao juiz, com a informação das
diligências efectuadas e das razões da não realização atempada do
acto.

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O R. não contesta a acção:

Se o Réu não contestar, o processo vai “concluso” ao juiz que, não se


verificando qualquer das hipóteses a que alude o art.º 485.º do CPC.,
ordena a notificação dos advogados das partes para, no prazo de 10 dias,
alegarem por escrito, nos termos do disposto no art.º 484.º do CPC..

Nesta notificação deveremos ter em conta que, e apesar de não


contestar, o réu pode ter constituído mandatário, que também
deverá ser notificado para alegar, contando-se primeiro o prazo do autor
e depois o do réu, um após o outro.

Findo esse prazo vai o processo “concluso” ao juiz, que profere a sentença
(art.º 658.º do CPC.).

Proferida a sentença, procede-se do seguinte modo:

‰ Notifica-se esta ao MºP.º e às partes (art.ºs 3.º, n.º 1 als. f) e o) do


Estatuto do M.ºP.º, e 253.º, 255.º, 258.º e 259.º do CPC.);

‰ Regista-se em livro próprio (art.º 157.º, n.º 4 do CPC.);

‰ Extrai-se o verbete estatístico; e

‰ Aguarda-se pelo prazo de 30 dias (art.º 144.º do CPTA) que ela


transite em julgado (art.º 677.º do CPC.), sem prejuízo do disposto no
art.º 145.º do CPC..

As partes podem, no mencionado prazo de 30 dias, e a contar da data da


notificação da sentença, requerer:

‰ o suprimento de nulidades da decisão;

‰ esclarecimento de dúvidas; e

‰ reforma quanto a custas - art.ºs 668.º e seguintes do CPC., casos em


que, a secretaria, oficiosamente, notificará a parte contrária
para se pronunciar, sendo depois o processo concluso para decisão
(art.º 670.º, n.º 1 do CPC.).
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Se, naquele prazo de 30 dias, for interposto recurso, elabora-se termo de


“Conc.”, para ser recebido ou rejeitado, seguindo-se os termos aplicáveis
ao recurso de agravo (art.º 140.º CPTA). No caso de ter sido arguida
alguma das nulidades previstas no art.º 668.º do CPC., o prazo de
interposição de recurso conta-se da data da notificação da decisão desta
arguição.

Findo este prazo, sem que nada seja requerido, remete-se o processo à
conta (art.º 51.º, n.º 1 do CCJ.). Esta é notificada, remetendo-se as guias,
sendo caso disso, e, pagas as custas, fazem-se os vistos “fiscal” e
“correição” (art.º 126.º, n.º 2, da Lei n.º 3/99, de 13/01).

O R. contesta:

Prorrogação do prazo da contestação:

Dentro do prazo para apresentação da contestação, o réu poderá requerer,


sem prévia audição da parte contrária, a prorrogação do prazo da
contestação, até ao limite máximo de 30 dias (art.º 486.º, n.º 5 do CPC.).

A apresentação deste requerimento não suspende o prazo em curso; o


juiz decidirá, sem possibilidade de recurso, no prazo máximo de 24 horas
e a secretaria notificará imediatamente o réu do despacho proferido,
nos termos estabelecidos no n.º 5 , 2.ª parte e no n.º 6 do art.º 176.º, n.º 6
do art.º 486.º, todos do CPC..

NOTA:
Apesar das reticências sugeridas pela 2.ª parte do n.º 6 do art.º 176.º do CPC.,
parece-nos ser aqui legítima a utilização da comunicação telefónica, uma vez que,
impondo a lei carácter imediato a este acto, o telefone é um dos meios mais céleres
de comunicação entre pessoas, apenas se lhe impondo a confirmação escrita –
neste sentido, vidé Texto de Apoio do CEJ – Citações e Notificações em Processo
Civil-Dez./97, pág. 83, nota 136, do Dr. António Santos Abrantes Geraldes.

Deferida a prorrogação requerida, o prazo concedido é contado a seguir ao


prazo de contestação, ou seja, como se de um só se tratasse.

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Por exemplo:
Concedida a prorrogação por 10 dias, o prazo de contestação de 30
dias (art.º 486.º, n.º 1 do CPC.) conta-se como se fosse de 40 dias,
ou seja, se o prazo para apresentação de contestação terminava em
13 de Maio de 2002, passará a terminar em 23 do mesmo mês.

O prazo para apresentação dos restantes articulados pode também ser


prorrogado a requerimento da parte, nos termos do disposto no art.º
504.º do CPC., aplicando-se as regras estipuladas nos n.ºs 5 e 6 do
referido art.º 486.º, à excepção do limite máximo que não poderá
exceder o prazo estabelecido para a sua apresentação.

Procedimento da secretaria em função da apresentação de


requerimento de pedido de prorrogação:

O oficial de justiça quando receber quaisquer requerimentos a solicitar


prorrogação de prazos (para apresentação ou entrega das contestações ou
de outros articulados), deverá considerar como acto de natureza URGENTE,
dado que estes pedidos NÃO SUSPENDEM OS PRAZOS EM CURSO.

Prévio pagamento da taxa de justiça /apresentação da contestação:

Com a contestação deverá o réu juntar documento comprovativo do prévio


pagamento da taxa de justiça inicial.

Se o não fizer com a prática deste acto, nem nos dez dias seguintes à
apresentação da contestação, a secretaria notificá-lo-á nos termos do
disposto no art.º 486.º-A, n.º 3 do CPC para em 10 dias, efectuar o
pagamento omitido, com acréscimo de multa de igual montante, mas não
inferior a 1 UC nem superior a 10 UC.

Caso o réu, na contestação, deduza pedido reconvencional (art.º 501.º


do CPC.) distinto do pedido do autor (art.º 308.º, n.º 2 do CPC.), rectifica-se
o valor da acção (pedido do autor acrescido do pedido reconvencional) e o
valor da taxa de justiça inicial é calculado com base na soma dos dois
valores (art.º 10.º do CCJ.).

Se o réu reconvinte não indicar o valor da reconvenção, o processo vai


logo “concluso” ao juiz para o convidar a fazê-lo (art.º 501.º, n.º 2 do
CPC.).

A apresentação da contestação é notificada oficiosamente ao autor (art.º


492.º do CPC.).
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Havendo lugar a várias contestações, a notificação só se faz depois de


apresentada a última ou depois de haver decorrido o prazo para o seu
oferecimento (art.º 492.º, n.º 2 do CPC.).

A RÉPLICA

À contestação pode o autor responder na réplica (art.º 502.º, n.º 1 do CPC)


se for deduzida alguma excepção ou formulado pedido reconvencional:

— se o réu apenas contestar, a réplica terá de ser oferecida no


prazo de 15 dias (art.º 502.º, n.º 3-1ª. parte do CPC);
— se o réu contestar e deduzir pedido reconvencional ou a
acção for de simples apreciação negativa, a réplica pode ser
oferecida no prazo de 30 dias.

Notificações entre os mandatários:

Apresentada réplica, deverá o mandatário do apresentante (autor) notificar


o mandatário da contraparte (réu) do articulado apresentada, fazendo prova
dessa notificação nos autos (art.ºs 229.º-A e 260.º-A do CPC.)

NOTA:
A secretaria não deverá efectuar estas notificações, no caso de não se mostrarem
comprovadas nos autos, devendo antes aguardar o prazo de 10 dias que a parte
apresente o documento comprovativo. Se, decorrido o prazo, não o tiver
apresentado, deverá o processo ir “concluso”.

A TRÉPLICA

Notificada a junção da réplica, o réu poderá apresentar a tréplica no prazo


de 15 dias, se tiver sido modificado o pedido ou a causa de pedir, ou,
havendo reconvenção, o autor na réplica tiver deduzido alguma excepção
(art.º 503.º, n.º 2 do CPC.).

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O prazo para apresentação destes articulados pode ser prorrogável nos


termos dos art.ºs 504.º e 486.º, n.ºs 4, 5 e 6 do CPC..

AUDIÊNCIA PRELIMINAR E DESPACHO SANEADOR:

Findos os articulados, ou o prazo para a sua apresentação, supridas as


excepções dilatórias e aperfeiçoados os articulados se for caso disso (art.º
508.º do CPC e 88.º do CPTA) vai o processo concluso ao juiz, o qual pode:

¾ Convocar uma audiência preliminar (art.º 508.º-A do CPC.); ou

¾ Proferir despacho saneador (art.º 510.º, n.º 1 do CPC.).

Caso convoque audiência preliminar:

A audiência preliminar é destinada a algum ou alguns dos fins referidos no


n.º 1 do art.º 508.º-A do CPC., designadamente:

¾ tentativa de conciliação (art.º 509.º do CPC.);


¾ discussão nos termos das als. b) e c) do art.º 508.º-A do CPC.;
¾ proferir despacho saneador;
¾ seleccionar a matéria de facto que se considera assente e a que
constitui a base instrutória, decidindo as reclamações deduzidas pelas
partes (art.º 508.º-A, n.º 1 al. e) do CPC.).

É ainda destinada a:

¾ indicar os meios de prova e decisão quanto às diligências probatórias;

¾ designar a data para realização da audiência final; e

¾ requerer a gravação da audiência final ou a intervenção do colectivo


nos termos do art.º 40.º, n.º 2 do ETAF.

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Marcação de data para audiência preliminar /procedimentos:

O despacho que marca a audiência preliminar indica o seu objecto e


finalidade e é notificado aos mandatários das partes, mediante prévio acordo
quanto à designação da data, nos termos do disposto no art.º 155.º do
CPC., podendo a secretaria ser encarregada de proceder aos competentes
contactos.

Caso se destine à realização de tentativa de conciliação (art.º 509.º, n.º 1


do CPC.) as partes são notificadas para comparecer pessoalmente ou se
fazer representar por mandatário judicial com poderes especiais, quando
residam na área do círculo judicial, ou na respectiva ilha (tratando-se
de Regiões Autónomas), ou quando, aí não residindo, a comparência não
represente sacrifício considerável, atenta a natureza e o valor da causa e a
distância da deslocação (art.º 509.º, n.º 2 do CPC.).

A falta das partes ou dos seus mandatários não é motivo de adiamento da


audiência preliminar, mas, se algum destes não comparecer, poderá, no
prazo de cinco dias a contar da data da realização da audiência preliminar,
apresentar o requerimento probatório e requerer a gravação da
audiência final ou a intervenção do colectivo.

Caso seja proferido despacho saneador (sem audiência preliminar):

Nos termos do disposto no art.º 508.º-B do CPC, o juiz não marca audiência
preliminar e profere despacho saneador (art.º 510.º, n.º 1 do CPC.):

As partes serão notificadas deste despacho (art.º s 253.º e 259.º do


CPC.) e ainda para, em 15 dias:

apresentar o rol de testemunhas, requerem outras provas ou


alterarem os requerimentos probatórios que hajam feito nos
articulados, e requererem a gravação da audiência final ou a
intervenção do colectivo (art.º 512.º do CPC e art.º 40.º, n.º 2 do
ETAF).

Do despacho saneador proferido sem audiência preliminar podem as


partes reclamar, apresentando as reclamações no início da audiência
final (art.º 508.º-B, n.º 2-última parte, do CPC.), e o despacho sobre elas

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proferido apenas pode ser impugnado no recurso interposto da decisão final


(art.º 511.º, n.º 3 do CPC.)

ROL DE TESTEMUNHAS

O rol de testemunhas pode ser alterado ou aditado, nos termos do disposto


no art.º 512.º-A do CPC., até 20 dias antes da data em que se realize a
audiência de julgamento, podendo a contraparte usar da mesma faculdade
no prazo de cinco dias contados da notificação do pedido de alteração
ou aditamento. Incumbirá às partes a apresentação das testemunhas
indicadas nessa alteração ou adicionamento.

Assim, apresentado um requerimento de alteração ou aditamento do rol de


testemunhas, dentro do mencionado prazo, deverá o apresentante notificar
a parte contrária e fazer juntar aos autos o documento comprovativo da
data da notificação (art.ºs 229.º-A e 260.º-A do CPC.. Decorrido o prazo de
cinco dias (art.º 512.º-A, n.º 1 do CPC.), será o processo “concluso” para
decisão.

INSTRUÇÃO

A possibilidade de produzir prova antes de fixado o questionário e até antes


de ser proposta a acção (produção antecipada de prova) encontra-se
garantida pelos art.ºs 520.º e 521.º do CPC..

Esta fase do processo - a instrução - destina-se à produção das provas


tendentes a demonstrar a realidade (existência) dos factos deduzidos nos
articulados e a fornecer ao juiz dados ou elementos necessários para
controlar a veracidade das correspondentes afirmações das partes.

Cabe, pois, analisar, ainda que sucintamente, a prova ou, dito de outra
forma, os meios de prova.

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Meios de prova

Definição legal:

“As provas têm por função a demonstração da realidade dos factos”


(art.º 341.º do Cód. Civil)

Os meios legalmente admissíveis para demonstrar quaisquer factos


relevantes para a causa, ou meios de prova, podem ser classificados:

1. Prova por documentos (conceito – art.º 362.º do CC.)


Estes podem ser subdivididos em:

‰ Documentos autênticos (art.º 363.º, n.º 2 do CC.) - gozam da


presunção de autenticidade, embora esta presunção possa ser
ilidida por prova em contrário, pela arguição da sua falsidade ou
por conhecimento oficioso - cfr. arts. 371.º e 372.º do CC..

‰ Documentos particulares - são os escritos ou assinados por


qualquer pessoa privada; não gozam de presunção formal de
autenticidade, embora possam vir a ser reconhecidos pela
contraparte - cfr. art.º 376.º do CC..

1.1 Noticação dos documentos (art.º 526.º e 539.º do CPC.)

O regime processual da prova por documentos consta dos artigos


523.º e seguintes do CPC., devendo ter-se especial atenção que
deverá ser sempre notificada a junção aos autos de documentos, quer
juntos por iniciativa da parte, quer requisitados pelo tribunal (art.ºs
526.º e 539.º do CPC.).

2. Prova por confissão:


Conceito:
A confissão é uma declaração de ciência pela qual uma pessoa
reconhece a realidade de um facto que lhe é desfavorável e favorece
a parte contrária (art.º 352.º do CC.).

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Força probatória:

‰ Confissão judicial - diz a lei que esta confissão produzida em


juízo, quando escrita, faz prova plena contra o confidente (art.º
358.º, n.º 1 do CC.) - cfr. os art.ºs 355.º, n.ºs 1 e 2 e 356.º, n.º
1 do CC., quanto à confissão espontânea, e o n.º 2 do art.º
356.º do CC., quanto à confissão provocada em depoimento de
parte ou em prestação de informações ou esclarecimentos ao
tribunal.

‰ Confissão extrajudicial - só quando for exarada em documento


com força probatória plena e for feita à parte contrária ou a
quem a represente, tem força probatória plena (art.º 358.º, n.º
2 do CC.). Quando verbal, feita a terceiro ou constando de
testamento, constitui uma prova de livre apreciação.

‰ Depoimento de parte - quando não resulte em confissão - É um


simples elemento probatório a apreciar segundo o prudente
critério do julgador - prova livre. Os casos em que a confissão é
inadmissível encontram-se referidos no art.º 354.º do CC..

3. Prova pericial

Conceito:

É a prova destinada à percepção ou apreciação de factos por meio


de peritos, quando sejam necessários conhecimentos especiais que
os julgadores não possuem, ou quando os factos relativos a pessoas
não devam ser objecto de inspecção judicial (art.º 388.º do CC.).

O regime processual da prova pericial, encontra-se regulado nos art.ºs


568.º e seguintes do CPC..

A perícia pode ser:

9 requerida pela parte, que indicará logo, sob pena de rejeição, o


respectivo objecto, enunciando as questões de facto que
pretende ver esclarecidas (art.º 577.º do CPC.).

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9 ordenada oficiosamente pelo juiz, que indicará, no despacho


determinativo da realização da diligência, o respectivo objecto,
podendo as partes sugerir o alargamento a outras matérias
(art.º 579.º do CPC.).

A perícia é requisitada pelo tribunal a estabelecimento, laboratório ou


serviço oficial apropriado, ou realizada por um único perito, nomeado pelo
juiz.

As perícias poderão ser realizadas por entidade terceira, contratada pelos


estabelecimentos, laboratórios ou serviços oficiais, desde que não tenham
qualquer conexão com o objecto do processo ou com as partes.

Ouvidas sobre a nomeação do perito, as partes podem sugerir quem deve


realizar a diligência; se houver acordo na identidade do perito, deverá o juiz
nomeá-lo, se não tiver razões para pôr em causa a sua idoneidade ou
competência (art.º 568.º do CPC.).

A perícia pode ser realizada por mais de um perito, até ao número de três,
funcionando em moldes colegiais, se (art.º 569.º do CPC.):

a) - For oficiosamente determinada pelo juiz


PERÍCIA
COLEGIAL

b) - For requerida por alguma das partes, que deve


indicar logo o respectivo perito.

Havendo acordo das partes na nomeação dos peritos, o juiz nomeia-os se


não tiver razão para pôr em causa a sua idoneidade ou competência; não
havendo acordo, cada uma das partes escolhe um perito e o juiz nomeia o
terceiro.

No caso de pluralidade de autores ou réus, se não houver acordo entre eles


na indicação do perito, prevalece a designação da maioria; não chegando a
formar-se maioria, a nomeação cabe ao juiz (art.º 569.º do CPC.).

O perito pode ser condenado em multa ou destituído pelo juiz, quando não
desempenhe as funções de forma diligente (art.º 570.º do CPC.).
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Quanto aos obstáculos à nomeação de peritos, veja-se os art.ºs 571.º


(aplicação aos peritos da regime de impedimentos e suspeições que vigora
para os juizes) e segs. do CPC..

As partes são notificadas do despacho que ordena a


realização da perícia, que nomeia os peritos e designa a
data e o local do começo da diligência (art.º 580.º do
CPC.).
INÍCIO
Salvo se forem funcionários públicos e intervierem nessa
qualidade, os peritos prestam compromisso de
cumprimento da função, perante o juiz, se este assistir
ao início da diligência, ou por escrito, no relatório (art.º
581.º do CPC.).

Notificado às partes o relatório pericial, podem estas


formular as suas reclamações e requerer segunda
perícia.
RELATÓRIO
Atendidas as reclamações, ou oficiosamente, o juiz pode
determinar que o perito complete, esclareça ou
fundamente, por escrito, o relatório apresentado (art.º
587.º do CPC.).

Oficiosamente ou a requerimento de qualquer das partes


(estas no prazo de 10 dias a contar do conhecimento da
primeira) pode o tribunal ordenar a realização de
segunda perícia.
SEGUNDA
PERÍCIA
À segunda perícia aplica-se o estabelecido para a
primeira, com as seguintes alterações:
a)- Não pode intervir perito que tenha participado na
primeira;
b)- A segunda perícia será, em regra, colegial,
excedendo o número de peritos em dois o da
primeira, cabendo ao juiz nomear um deles (art.º
590.º do CPC.).
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Os peritos só serão notificados para comparecer na audiência final a


requerimento das partes ou se oficiosamente ordenado pelo juiz, devendo os
peritos de estabelecimentos, laboratórios ou serviços oficiais ser ouvidos
através de teleconferência a partir do seu local de trabalho (art.º 588.º do
CPC.).

4. Prova por inspecção:

Noção: - Consiste no exame ou inspecção de coisas ou pessoas feita pelo


juiz ou pelo tribunal colectivo (art.º 612.º do CPC.).
Valor: - Os seus resultados são livremente apreciados (art.º 391.º do
CC).

Este exame pode ter lugar em qualquer altura em que o juiz ou o tribunal
colectivo, por sua iniciativa ou a requerimento de alguma das partes, o
julguem conveniente (art.º 612º. do CPC).

5. Prova testemunhal:

Admissibilidade: como regra, é admitida sobre os factos que


tenham sido articulados ou impugnados pela parte que a ofereceu
(art.ºs 513.º e 638.º, n.º 1 do CPC. e 392.º do CC.).

As excepções a este princípio constam do art.º 393.º do CC..

Valor: é livremente apreciado pelo tribunal (art.ºs 396.º CC. e 655.º,


n.º 1 CPC.).

Lugar da inquirição: o tribunal da causa (art.º 623.º do CPC.) -


vidé as excepções a este princípio - art.ºs 624.º, 557.º e 627.º do
CPC..

Quando se realiza a inquirição: normalmente na audiência de


discussão e julgamento, presencialmente ou por teleconferência
(no caso de processos pendentes em tribunais sediados nas áreas
metropolitanas de Lisboa e Porto, não haverá lugar a teleconferência
para audição de testemunhas residentes nas referidas áreas).

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NOTA:
Nos termos do art.º 2.º da Lei n.º 44/91, de 2/8, a área metropolitana de Lisboa
compreende os concelhos de: Alcochete, Almada, Amadora, Azambuja, Barreiro,
Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Oeiras, Palmela, Sesimbra, Setúbal,
Seixal, Sintra e Vila Franca de Xira.

A área metropolitana do Porto compreende os concelhos de: Espinho, Gondomar,


Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa do Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de
Gaia

As testemunhas podem, contudo, ser inquiridas antecipadamente.


Sobre cada um dos factos que se propõe provar, não pode a parte produzir
mais de 5 testemunhas, e, cada uma das partes, não pode no total oferecer
mais de 20, tendo-se por não escritos os nomes das que no rol ultrapassem
este limite.

Igual limitação se aplica aos RR. que apresentem a mesma contestação


(art.ºs 632.º e 633.º do CPC.).

Formalismo da inquirição:
a) a inquirição faz-se pela ordem do rol, chamando-se primeiro as
testemunhas do A. (art.º 634.º do CPC.);

b) juramento (art.ºs 635.º, n.º 1 e 559.º do CPC.);

c) interrogatório preliminar (art.º 635.º, n.º 1 do CPC.);

d) inquirição propriamente dita.

Incidentes da inquirição:
a) Impugnação: com os fundamentos constantes nos art.ºs 616.º
a 618.º do CPC. - falsa identidade, incapacidade natural,
impedimento e recusa (art.º 636.º do CPC.).
b) Contradita: vidé art.º 640.º do CPC..

c) Acareação: se houver oposição directa, acerca de determinado


facto, entre depoimentos das testemunhas ou entre eles e o
depoimento da parte, pode ter lugar a acareação das pessoas
em contradição (art.º 642.º do CPC.).
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DA REALIZAÇÃO DA TELECONFERÊNCIA

Com a entrada em vigor em 1 de Janeiro de 2001 do D.L. n.º 183/2000, de


10 de Agosto, foram introduzidas profundas alterações no regime de
inquirição de testemunhas, uma vez que, mesmo residindo fora da área do
círculo judicial em que corre o processo (ou da respectiva ilha, no caso das
Regiões Autónomas), deixaram de se expedir cartas precatórias para
inquirição, passando as mesmas a ser ouvidas pelo juiz do processo, na
própria audiência, através do sistema de teleconferência.

A utilização deste regime impõe determinados procedimentos a ter em


conta:

1. EM AMBOS OS TRIBUNAIS;
2. NO TRIBUNAL ONDE DECORRE A AUDIÊNCIA; e
3. NO TRIBUNAL ONDE A TESTEMUNHA PRESTA O DEPOIMENTO.

1.1 Em ambos os tribunais:


• Providenciar pela operacionalidade do equipamento e prestar todas
as informações acerca do seu período de utilização e de
disponibilidade;
• Por cada mês, será elaborado um mapa no qual serão feitas todas
as marcações prévias da sua utilização, tanto solicitadas por outros
tribunais como as agendadas pelo próprio tribunal, sendo enviada
uma cópia à Direcção-Geral da Administração da Justiça, no
primeiro dia do mês seguinte àquele a que o mapa diz respeito;
• Quando, por qualquer motivo não seja possível realizar a
videoconferência, ambos os funcionários indicarão, no mapa supra
referido, as causas e os motivos que impossibilitaram a sua
realização; quando a mesma se realizar, indicarão o seu período de
duração, com referência ao seu início e conclusão.

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Exemplo do mapa referido

Tribunal____________________________________
MAPA DE REGISTO DA UTILIZAÇÃO DO EQUIPAMENTO DE
VIDEOCONFERÊNCIA

N.º Proc. do N.º Proc. do Hora Hora de


Identif. das
Dia Hora próprio outro Duração de con-
testemunhas
tribunal tribunal início clusão
05 9 20/2001 1545/1999 Carlos Alberto 50mm 11,00 11,50
Guerra
9,30
10
10,3
0
11
11,3
0
12
13,3
0

2.1 No tribunal onde decorre a audiência


• Designada data para a audiência e obtido o número da linha
telefónica respectiva, comunicará e indagará junto do tribunal onde
o depoimento será prestado da disponibilidade do equipamento e,
agendada a data, notificará a testemunha a inquirir da data, hora e
local da inquirição (notificação a efectuar por via postal simples –
com prova de depósito);
• Sempre que haja lugar a gravação de depoimento, é no tribunal
onde decorre a audiência que a mesma é efectuada.

3.1 No tribunal onde a testemunha presta o depoimento


• Atendendo a que, neste tribunal, se trata de acto processual que
não exige a participação ou intervenção de Magistrado Judicial ou
do Ministério Público, deve o secretário de justiça designar
previamente o(s) funcionário(s) que assegurará(ão) a realização da
diligência, mediante a elaboração de uma escala nominal de
funcionários, em que será também definido o regime de
substituição;

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• No dia e hora marcados o(s) funcionário(s) de justiça,


designado(s), assegurará(ão) a disponibilidade do equipamento
para que o tribunal onde decorre a audiência possa estabelecer a
ligação e, logo que contactado pelo tribunal onde decorre a
audiência, assinalará a realização do acto, no respectivo mapa;

• Estabelecida a ligação, o funcionário identifica-se, indicando o seu


nome, categoria profissional e tribunal onde se encontra;

• Seguidamente identifica a pessoa a inquirir, nome e dados relativos


ao documento de identificação desta, iniciando-se, então, a
inquirição;

• Logo que concluída, o funcionário certificar-se-á de que já não é


mais necessária a intervenção da testemunha e só após indicação
nesse sentido a desobrigará.

REGISTO DA PROVA EM PROCESSO CIVIL

Previsto nos art.ºs 522.º-A a 522.º-C do CPC., o registo da prova encontra-


se regulamentado pelo DL. n.º 39/95, de 15/12, que entrou em vigor em 15
de Abril de 1995, sendo aplicável, exclusivamente, nos tribunais de primeiro
acesso, aos processos de natureza civil instaurados após aquela data (n.ºs 1
e 2 do art.º 12.º)..
A sua aplicação a todos os processos de natureza civil, pendentes em
quaisquer tribunais, foi estendida pelo art.º 24.º do DL. n.º 329-A/95, que
entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1997.
O registo será efectuado, em regra, por gravação sonora, sem embargo do
recurso a meios audiovisuais ou outros processos técnicos semelhantes de
que o tribunal possa eventualmente dispor (art.º 522.º-C do CPC.).

PROCEDIMENTO PRÁTICO DO REGISTO POR SISTEMA SONORO


(consagrado no Decreto-Lei n.º 39/95, de 15 de Fevereiro)

Os aspectos práticos do registo da prova, por gravação sonora, podem


resumir-se aos seguintes itens:

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1.- Do equipamento;
2.- Da gravação
3.- Do arquivo, guarda e entrega de cópias; e
4.- Da reutilização e eliminação de fitas magnéticas.

1.- DO EQUIPAMENTO
O equipamento, para além de se manter operacional, deverá possuir
capacidade para:
a)- gravação simultânea de duas fitas magnéticas (art.º 7.º, n.º 1);
b)- contador de bobina - indispensável para anotar os momentos do
início e fim de cada depoimento ou intervenção - (art.º 6.º, n.º 1);
c)- fitas magnéticas em quantidade e com a qualidade necessária para
um registo eficaz.

2.- DA GRAVACÃO

Incumbe aos funcionários de justiça assegurar a gravação (art.º 4.º).


A gravação deverá ser efectuada de modo a que facilmente se apure:
a) a identificação do autor do depoimento;

b) a identificação de outros intervenientes;

c) o momento dos registos (data e hora do início e do fim da gravação


da sessão - localização, na fita magnética, de cada registo através
da numeração do contador); e

d) o processo em que foram produzidos (art.º 6.º).


Estes elementos serão obrigatoriamente averbados no invólucro da fita
magnética e deverão constar da acta (art.º 6.º).
Segue um exemplo de como elaborar um invólucro de onde poderão constar
todos os elementos acima referidos e necessários à correcta identificação do
conteúdo da fita magnética.

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Exemplo:
Invólucro
___.º Juízo (Vara) - ___.ª Secção
Identificação
N.º Processo autores dos Data da N.ºdo contador
Obs.
ordem N.º|Espécie depoimentos/ gravação Início | Fim
intervenções

Lado A
| / / |
Lado B
| / / |

Deve observar-se ainda:


a)- gravação simultânea de duas fitas (art.º 7.º);
b)- prevenção contra gravações acidentais - consiste em quebrar a
“patilha” de protecção de gravação do suporte da fita, no final
da gravação (art.º 6.º).

Outros cuidados:
a) as fitas magnéticas têm um invólucro de suporte de fita e um
invólucro de protecção "caixa". Será necessário identificar
ambos com o mesmo n.º e os averbamentos anteriormente
referidos;
b) como se gravam, em simultâneo, duas fitas, estas devem
possuir a mesma numeração, apenas se distinguindo por uma
letra quanto ao destino (art.º 7.º);
c) quando o invólucro suporte da fita não contiver “Lado A” – “Lado
B”, deverá apor-se tal indicação;
d) os contadores da bobina devem encontrar-se a "zero” antes de
iniciar-se a gravação em qualquer dos lados da fita.

Nota:

Devemos ter em conta que os primeiros e os últimos centímetros da fita não possuem
capacidade de registo.

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e) verificação prévia da operacionalidade do equipamento para


detectar falhas e solucioná-las, quando possível, antes da hora
marcada para a diligência.

Algumas ocorrências que podem comprometer ou atrasar a


gravação:

a) falta de energia eléctrica:


b) avaria no equipamento; e
c) fita magnética defeituosa.

Os art.ºs 8.º e 9.º prevêem a interrupção e a repetição da gravação.


Porém, no caso de apenas uma das fitas gravadas se mostrar imperceptível
ou se danificar, a repetição da prova prevista no art.º 8.º poderá ser
substituída pela duplicação da outra fita que simultaneamente se gravou,
registando-se o facto em acta.

3.- DO ARQUIVO, GUARDA E ENTREGA DE CÓPIAS

O n.º 1 do art.º 7.º estipula que são gravadas, simultaneamente, duas fitas,
uma destinada ao tribunal e a outra destinada às partes.

Incumbe ao tribunal que efectuou o registo facultar, no prazo máximo de


8 dias após a realização da respectiva diligência, cópia a cada um dos
mandatários ou partes que a requeiram (art.º 7.º, n.º 2).

O n.º 4 do art.º 6.º determina que de toda abertura e encerramento dos


registos guardados é feita menção no auto pela entidade que proceder à
operação.

Conjugando estas disposições poder-se-á concluir que a gravação destinada


ao tribunal constitui um registo que só poderá ser utilizado com a
observância do n.º 4 do art.º 6.º e, por isso, deve a guarda revestir-se dos
maiores cuidados.

A gravação destinada às partes constituirá um instrumento de trabalho da


secretaria, na reprodução das cópias a que se refere o n.º 2 do art.º 7.º,
devendo, de seguida, ser guardada junto com a do tribunal.

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As fitas deverão ser guardadas em lugar seguro e preservadas,


designadamente de pó, humidade, calor e campos magnéticos, por forma a
não se perder o seu conteúdo, sendo delas depositário o chefe da secção do
respectivo processo.
Será de toda a utilidade registar em livro ou ficheiro informático todas as
fitas gravadas, contendo os elementos a seguir indicados.
Exemplo:
Livro de registo de fitas magnéticas
___.ºJuízo ___.ª Secção
Processo Identificação autores
Data da
N.ºOrdem dos depoimentos/ Observações
N.º | Espécie gravação
intervenções
| / /
| / /
| / /
| / /

4.- REUTILIZACÃO E ELIMINACÃO DE FITAS MAGNÉTICAS

Após o decurso do prazo de 6 meses ou a sua prorrogação, referidos nos


n.ºs 1 e 2 do art.º 5.º, o fiel depositário entregará as fitas ao secretário de
justiça visando a sua reutilização ou eliminação de acordo com o disposto no
n.º 3 do citado artigo.

A possibilidade de reutilização deverá ter em conta que, aquando da


gravação, foram accionados os dispositivos de segurança contra gravações
acidentais o que diminui substancialmente a sua eficácia.

No caso de reutilização deverá ter-se o cuidado de verificar se ocorreram


sobreposições das gravações.

Nota:
as fitas magnéticas perdem qualidade com o passar do tempo.

As fitas que se danificarem durante a gravação devem ser imediatamente


destruídas, fazendo-se constar tal facto na acta da diligência.

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DISCUSSÃO E
JULGAMENTO

Recebido o processo na secretaria, é feito “concluso” ou remetido ao juiz


presidente do tribunal colectivo, se ambas as partes o tiverem requerido
(art.º 646.º, n.º 1 do CPC.), para efeitos de designação de dia para
julgamento, ordenando, no último caso, que o processo vá com a “vista”
aos juizes adjuntos (art.º 648.º do CPC.).

Marcação de diligências (art.º 155.º do CPC):

1. - O juiz deve providenciar pela marcação das datas de diligências


mediante prévio acordo com os mandatários judiciais que devam
comparecer, para o que pode encarregar a secretaria de realizar de
forma expedita os contactos prévios necessários (via telefónica, fax,
etc.).

2. - Quando a marcação não possa ser feita com o prévio acordo dos
mandatários judiciais, devem estes, se impedidos noutro serviço
judicial já marcado, comunicar o facto ao tribunal, no prazo de 5 dias,
propondo datas alternativas, datas estas que deverão ser sugeridas
após contacto com os restantes mandatários interessados.

3. – Dado este circunstancialismo, podendo o juiz alterar a data


inicialmente fixada, apenas se deverá proceder à notificação dos
demais intervenientes após o decurso do prazo de 5 dias atrás
referido.

Funcionamento dos Tribunais Administrativos e Fiscais em matéria


de julgamento (art.º 40.º do ETAF e art.º 42.º do CPTA):

Os tribunais administrativos e fiscais funcionam com juiz singular, a


cada juiz competindo o julgamento, de facto e de direito, dos
processos que lhe sejam distribuídos.

Nas acções administrativas comuns que sigam o processo


ordinário, (caso presente) o julgamento da matéria de facto pode ser

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feito em tribunal colectivo, se tal for requerido por qualquer das


partes.

Notificação a intervenientes acidentais:

As testemunhas, peritos e outras pessoas com intervenção acidental na


causa são feitas por meio de aviso expedido pelo correio, sob registo,
indicando-se a data, o local e o fim da comparência, sob pena de multa
(art.º 102.º, al. b) do CCJ.), com a cominação do n.º 4 do art.º 629.º do
CPC — cfr. art.º 257.º, n.º 1 do CPC.

As notificações que tenham por fim chamar ao tribunal testemunhas,

Quanto ao abono das despesas às testemunhas - vidé art.ºs 644.º do CPC.


e 43.º, n.º 3 do CCJ.. (Remuneração de testemunhas – consultar textos de
apoio do CFOJ de Custas Judiciais nos Tribunais Administrativos).

Se a notificação de alguma testemunha, ou parte, não tiver sido possível, é


notificada, oficiosamente, a parte que a indicou, dos motivos da falta de
notificação, para requerer o que tiver por conveniente.

As causas de adiamento da audiência encontram-se previstas no art.º 651.º


CPC..

Salvo acordo das partes, não pode haver segundo adiamento da inquirição
de testemunha faltosa (art.º 630.º do CPC.).

A falta de testemunhas não é motivo de adiamento, sendo as presentes


ouvidas mesmo que tal implique a alteração da ordem em que o deveriam
ser. Neste caso, qualquer das partes poderá requerer a gravação da
audiência após a abertura da mesma (art.º 629.º n.º 2 do CPC.).
A falta do A. ou do R. só será relevante se tiver sido requerido o respectivo
depoimento de parte, nos termos do art.º 552.º do CPC..

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Assim, haverá adiamento se:

a) - não for possível constituir o tribunal colectivo, e a parte não


prescindir do julgamento pelo mesmo;

b) - se for apresentado documento que não possa ser examinado no


próprio acto e o tribunal entender que há grave inconveniente no
prosseguimento da audiência sem resposta do documento
apresentado;

c) - faltar algum dos advogados e, na marcação da audiência, não


tiver sido observado o disposto no art.º 155.º do CPC.;

d) – se faltar algum dos advogados que tenha comunicado a


impossibilidade da sua comparência, nos termos do n.º 5 do
155.º do CPC.

Quando, por impossibilidade de constituição do tribunal colectivo, alguma


das partes tenha prescindido da sua intervenção, pode qualquer das partes
requerer, no início da audiência, a gravação da mesma (art.º 651.º, n.º 2
CPC).

Proceder-se-á, ainda, à gravação dos depoimentos das testemunhas


presentes quando faltar algum dos advogados, fora dos casos acima
indicados, podendo o faltoso, após audição do registo do depoimento,
requerer nova inquirição (art.º 651.º,n.º 5 CPC).

Sempre que constatar a falta de algum interveniente, após a realização da


chamada, o oficial de justiça deverá verificar, através da consulta do
processo, se a pessoa foi devidamente notificada.

Formalidades da audiência (instrução e discussão da causa):


Previamente, convirá referir que deixou de ser possível o adiamento por
acordo das partes (art.º 651.º do CPC.) não podendo adiar-se a audiência
mais de uma vez, salvo no caso de impossibilidade de constituição do
tribunal colectivo, sem que nenhuma das partes dele prescinda.

A discussão e julgamento da causa desenrolam-se com observância do


disposto nos art.ºs 652.º a 657.º do CPC..

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Não havendo razões para adiamento, realizar-se-á a discussão da causa


(art.º 652.º do CPC.):
a)- Tentativa de conciliação das partes (art.º 652.º, n.º 2 do
CPC.), a qual só deve ser efectuada:
se a causa estiver no âmbito do poder de disposição das partes;
se as partes estiverem presentes ou se se tiverem feito
representar por procurador com poderes especiais para
transigir;

b)- Parte instrutória da audiência - destina-se à produção das


provas, que são, em regra, o depoimento de parte e a prova
testemunhal (art.º 652.º, n.º 3 do CPC.);

c)- Debates – altura em que os advogados procurarão fixar os factos


que consideram provados e que se processa oralmente;

d)- Realização de novas diligências probatórias (art.º 653.º, n.º


1 do CPC.);

e)- Audiência do técnico (art.º 652.º, n.º 6 do CPC.).

Encerrada a discussão, o tribunal recolhe à sala das conferências para


decidir por meio de acórdão (ou despacho se o julgamento não se realizar
com a intervenção do tribunal colectivo), nos termos dos n.ºs 1, 2 e 3 do
art.º 653.º do CPC..

Este acórdão é lido pelo presidente na sala de audiências, após decisão do


colectivo, podendo os advogados reclamar contra este, nos termos previstos
nos nºs. 4 e 5 do mesmo artigo.

Alegações dos advogados : julgada a matéria de facto, as partes podem


acordar na discussão oral do aspecto jurídico da causa, que então se fará
perante o juiz incumbido de lavrar a sentença final (art.º 653.º, n.º 5 do
CPC.).

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Se as partes não prescindirem da discussão por escrito do aspecto jurídico


da causa, o processo será facultado para exame ao advogado do A. e depois
ao do R., pelo prazo de 10 dias, a cada um deles (prazos que se contam
seguidos), a fim de alegarem por escrito (art.º 657.º do CPC.).

Da audiência de julgamento é lavrada acta (art.º 159.º, n.º 1 do CPC.).

Concluída a discussão do aspecto jurídico da causa, ou decorrido o prazo


previsto no art.º 657.º do CPC., o processo vai concluso ao juiz que proferirá
sentença no prazo de 30 dias (art.º 658.º do CPC.).

Supressão da vista final ao Ministério Público:

É eliminada a vista final ao Ministério Público, bem como a possibilidade de


estar presente nas sessões de julgamento.

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DO PROCESSO SUMÁRIO

No domínio de aplicação dos termos do processo, temos:

o processo sumário quando o valor da causa não exceda o da alçada do


Tribunal Central Administrativo (art.º 43.º, n.º 2 CPTA).
— A alçada do Tribunal Central Administrativo corresponde à que se
encontra estabelecida para os tribunais da relação sendo
actualmente de € 14.963,94 — ver art.º 24.º da Lei 3/99, de
13/01 (LOFTJ).

Ao processo sumário é aplicável o regime estabelecido para o processo


ordinário, desde que não contrariado pelo que se encontra consignado para
o processo sumário (art.º 463.º, n.º 1 do CPC.), nomeadamente:

- o prazo para a contestação é de 20 dias e com a advertência de


que a falta de contestação importa a confissão dos factos
articulados pelo autor (art.ºs 784.º, 480.º e 484.º do CPC.);

- não havendo contestação, vai o processo “concluso” ao juiz que


pode limitar-se a condenar no pedido por adesão aos factos alegados na
petição inicial (art.º 784.º do CPC.);

- não há réplica, nem tréplica, mas haverá lugar a “resposta à


contestação” se nesta for deduzida alguma excepção e apenas quanto
a essa matéria. O prazo para a apresentação da resposta é de 10 dias,
a partir da data da notificação da contestação (art.º 785.º do CPC.);

- se o réu tiver deduzido pedido reconvencional ou a acção for


de simples apreciação negativa, também há lugar a resposta, podendo,
neste caso, ser oferecida no prazo de 20 dias (art.º 786.º do CPC.);

- findos os articulados, será observado o disposto nos art.ºs 508.º


a 512.º-A, mas só haverá lugar a audiência preliminar se a
complexidade da causa o exigir, podendo o juiz abster-se de fixar base
instrutória (art.º 787.º, n.º 1 do CPC.);

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- no caso de não haver saneamento e condensação, caberá ao juiz


ordenar a notificação das partes nos termos e para os efeitos do
disposto no art.º 512.º do CPC.;

- não podem ser oferecidas mais de 10 testemunhas por cada


parte, nem ser inquiridas mais de 3 sobre cada facto (art.º 789.º do
CPC.);

- o julgamento é efectuado pelo juiz singular (art.º 791.º do


CPC.); e

- a discussão sobre o aspecto jurídico da causa é sempre oral


(art.º 790.º, n.º 1 do CPC.).

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DO PROCESSO SUMARÍSSIMO

No domínio de aplicação dos termos do processo, temos:

o processo sumaríssimo quando o valor da causa seja inferior à alçada


do Tribunal Administrativo e Fiscal e a acção se destine ao cumprimento de
obrigações pecuniárias, à indemnização por danos ou à entrega de coisas
móveis (art.º 43.º, n.º 3 CPTA).
— A alçada do Tribunal Administrativo e Fiscal corresponde àquela que
se encontra estabelecida para os tribunais judiciais de 1ª instância,
sendo actualmente de € 3.740,98 (750 000$00) — ver art.º 24.º
da Lei 3/99, de 13/01 (LOFTJ).

Ao processo sumaríssimo é aplicável o regime estabelecido para o processo


sumário e, na sua falta, o processo ordinário, desde que não contrariado
pelo que se encontra consignado relativamente ao processo sumaríssimo
(art.º 464.º do CPC.), nomeadamente:

- o prazo para a contestação é de 15 dias com a advertência de


que a falta de contestação importa a confissão dos factos
articulados pelo autor (art.ºs 794.º, 480.º e 484.º do CPC.);

- não havendo contestação, vai o processo “concluso” ao juiz


que pode decidir do mérito da causa (art.º 795.º, n.º 1 do CPC.);

- se a acção tiver que prosseguir, é logo marcado dia para a


audiência final, não sendo aplicável o disposto nos n.ºs 1 a 3 do art.º
155.º (art.º 795.º, n.º 2 do CPC.);

- o rol de testemunhas é oferecido logo nos articulados (art.ºs


793.º e 794.º do CPC.), que é notificado ao réu aquando da citação;

- não há despacho saneador, seguindo-se à notificação da


contestação, se for caso disso, a “conclusão” ao juiz ;

- as testemunhas, até 6, não são notificadas para julgamento


excepto se a parte interessada o tiver requerido (art.º 796.º, n.º 4 do
CPC.).
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QUADRO COMPARATIVO DAS TRÊS FORMAS DE PROCESSO


SEGUIDAS PELA ACÇÃO DECLARATIVA COMUM

CONTESTAÇÃO NÚMERO DE DESPACHO JULGAMENTO


PRAZO ARTICULADOS SANEADOR
- colectivo
Ordinário 30 dias até 4 tem
- singular
tem
Sumário 20 dias até 3 - singular
pode não ter

Sumaríssimo 15 dias até 2 não tem - singular

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CAPÍTULO III

ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL

TRAMITAÇÃO:

A tramitação que se entendeu qualificar como «especial», por


contraposição à tramitação comum, por obedecer a um modelo específico,
próprio do contencioso administrativo, e que, embora com diversas
adaptações que o aproximam da forma de processo «comum», resulta da
fusão das duas formas de tramitação do recurso contencioso de anulação
que se encontravam previstos nas alíneas a) e b) do art.º 24.º da LPTA
revogada.

Nesta perspectiva se desenvolve o Código ao longo de um Título III, que


regula a «acção administrativa especial», disciplinando a respectiva
tramitação no seu Capítulo III (cfr. art.º 78.º e seguintes).

OBJECTO DO PROCESSO (art.º 46.º CPTA):

A acção administrativa especial caracteriza-se pelo facto de se reportar à


prática ou omissão de actos administrativos ou de normas.

DOS PRAZOS DE IMPUGNAÇÃO (art.º 58.º CPTA):

Salvo disposição em contrário, a impugnação de actos anuláveis tem lugar


no prazo de:

a) 1 ano, se promovida pelo Ministério Público;

b) 3 meses, nos casos restantes;

À contagem dos prazos para propositura da acções acima indicados,


aplicam-se as regras do art.º 144.º, n.ºs 1, 2 , 3 e 4 do Código de Processo
Civil (cfr. art.º 58.º, n.º 3 do CPTA).

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Assim, o prazo conta-se de forma contínua, suspendendo-se, durante as


férias judiciais, salvo se a sua duração for igual ou superior a seis meses, o
que acontece com o prazo do Ministério Público ou nos casos previstos no
n.º 4 do art.º 58.º do CPTA.

NOÇÕES SOBRE A MARCHA DO PROCESSO

A APRESENTAÇÃO DO PROCESSO NA SECRETARIA

O processo começa pela apresentação na secretaria do tribunal


competente (em regra por um advogado) de uma petição inicial, a qual
pode ser entregue na secretaria judicial, (art.º 150.º, n.º 1, alínea a) do
CPC.), enviada por correio (art.º 150.º, n.º 1 alínea b), do CPC), por
telecópia (art.º 150.º, n.º 1 alínea c) do CPC e DL. n.º 28/92, de
27/02),correio electrónico, com aposição de assinatura electrónica
avançada, sendo a data da expedição a que demarca o início da instância
(art.º 78.º do CPTA) e envio através de outro meio de transmissão
electrónica de dados, (art.º 150.º, n.º 1 alínea e) do CPC).

Na petição, deduzida por forma articulada, deve o autor, nos termos do art.º
78.º do CPTA:

¾ Designar o tribunal em que a acção é proposta;

¾ Indicar o seu nome e residência;

¾ Indicar o domicílio profissional do mandatário judicial;

¾ Indicar o acto jurídico impugnado, quando seja o caso;

¾ Indicar o órgão que praticou ou devia ter praticado o acto, ou a


pessoa colectiva de direito público ou o ministério a que esse
órgão pertence;

¾ Indicar o nome e a residência dos eventuais contra-interessados;

¾ Expor os factos e as razões de direito que fundamentam a


acção;

¾ Formular o pedido;

¾ Declarar o valor da causa;


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¾ Indicar a forma do processo;

¾ Indicar os factos cuja prova se propõe fazer, juntando os


documentos que desde logo provem esses factos ou informando
que eles constam do processo administrativo;

¾ Identificar os documentos que acompanham a petição.

CASOS DE RECUSA DA PETIÇÃO PELA SECRETARIA:

A secretaria deverá recusar o recebimento da petição quando (art.º


80.º do CPTA):

9 o endereço do tribunal seja omitido ou esteja endereçada a outro


tribunal;
9 referindo a existência de contra-interessados não proceda à
cabal indicação do respectivo nome e residência;
9 não indique o seu nome e residência;
9 não indique o domicílio profissional do mandatário judicial;
9 não indique o acto jurídico impugnado, quando seja o caso;
9 não indique o órgão que praticou ou devia ter praticado o acto,
ou a pessoa colectiva de direito público ou o ministério a que
esse órgão pertence;
9 não declare o valor da causa;
9 não indique a forma do processo;
9 não identifique os documentos que acompanham a petição;
9 não junte documento comprovativo do prévio pagamento da
taxa de justiça inicial ou o documento que ateste a concessão de
apoio judiciário;
9 não esteja redigida em língua portuguesa;
9 não esteja assinada;

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NOTA:

A assinatura do advogado não carece de reconhecimento notarial - DL. n.º 342/91,


de 14/09 -, ou de solicitador - DL. n.º 47/92, de 04/04);

As assinaturas das partes, nas procurações, também não carecem de intervenção


notarial (DL. n.º 267/92, de 28/11 - advogados; DL. n.º 168/95, de 15/07 -
solicitadores).

Dispõe o art.º 2.º do DL. n.º 250/96, de 24 de Dezembro: ”a exigência em


disposição legal de reconhecimento por semelhança ou sem determinação de
espécie considera-se substituída pela indicação, feita pelo signatário, do número,
data e entidade emitente do respectivo bilhete de identidade ou documento
equivalente emitido pela autoridade competente de um dos países da União
Europeia ou do passaporte”.

Práticas de recusa:

Quando se recusar o recebimento da p.i. deverá indicar-se, por escrito, o


fundamento da rejeição dado que:

- do acto de recusa de recebimento cabe reclamação para o juiz,


podendo ser interposto recurso de agravo do despacho que
confirmar ou não o recebimento (art.º 475.º do CPC. “ex.vi” n.º 2
do art.º 80.º do CPTA);

- à parte é facultada a possibilidade de entrega de nova petição


ou do documento em falta dentro dos 10 dias seguintes à recusa
de recebimento ou à notificação da decisão judicial que a tenha
confirmado (art.º 476.º do CPC.)

Apesar de não ser motivo de recusa, a secretaria deverá lançar “nota” na


própria petição:
‰ Se a p.i. vem acompanhada dos duplicados e cópias legais (art.º
152.ºdo CPC.);
‰ Se os documentos juntos são os referidos na petição (não vá
faltar algum e atribuir-se, depois, a responsabilidade a quem
recebeu a petição);
Posto que tudo esteja em ordem, passará recibo ao apresentante, se este
lho exigir (art.º 28.º, n.º 2 do DL. n.º 186-A/99, de 31/05).

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OFICIOSIDADE DA CITAÇÃO (art.º 81.º CPTA):

Incumbe à secretaria promover oficiosamente e em simultâneo, as


diligências destinadas à citação sem necessidade de despacho prévio (art.º
81.º do CPTA):
¾ da entidade pública demandada e
¾ dos contra-interessados, para contestarem no prazo de 30 dias,

Exceptuam-se das regras da oficiosidade, determinadas citações por


força do regime especial estabelecido em contencioso administrativo, como
já se registou na parte geral do presente texto.

CITAÇÃO EFECTUADA EM ENTIDADE PÚBLICA DIFERENTE (art.º 81.º,


n.º 2 CPTA):

Quando por erro cometido na petição inicial, seja citado um órgão


diferente daquele que praticou ou devia ter praticado o acto, o órgão citado
deve dar imediato conhecimento àquele que o deveria ter sido (n.º 2).
Neste caso a entidade demandada beneficia de um prazo suplementar de 15
dias para apresentar a contestação e enviar o processo administrativo (n.º
3).
Uma vez que a secretaria pode não ter conhecimento desta comunicação,
entre as entidades públicas (a que foi citada e aquela que deveria ter sido),
afigura-se-nos conveniente, caso não seja apresentada a contestação da
entidade demandada no prazo legal, aguardar o referido prazo
suplementar de 15 dias, previsto no art.º 81.º, n.º 3.

CONTRA INTERESSADOS EM NÚMERO SUPERIOR A 20 (art.º 82.º


CPTA):

Quando os contra-interessados sejam em número superior a 20, o


tribunal pode determinar que a respectiva citação seja feita mediante
publicação de anúncio, com a advertência de que os interessados dispõem
do prazo de 15 dias para se constituírem como contra-interessados
no processo.

Expirado este prazo de 15 dias, os contra-interessados consideram-se


citados, devendo contestar, querendo, no prazo de 30 dias.

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Desta forma, a secretaria, desde que sejam indicados na petição inicial


contra-interessados em número superior a 20, deverá fazer os autos
conclusos, para que possa ser determinada a citação destes, por meio de
anúncios (art.º 82.º, n.º 1).

LOCAIS DA PUBLICITAÇÃO DE ANÚNCIOS (art.º 82):


Quando esteja em causa a impugnação de um acto que tenha sido
publicado:
‰ a publicação do anúncio faz-se pelo meio e no local utilizados
para dar publicidade ao acto impugnado.

Se o acto impugnado não tiver sido objecto de publicação:


‰ é publicado em dois jornais diários de circulação nacional ou
local, dependendo do âmbito da matéria em causa.

REGIME DA CITAÇÃO

Na perspectiva de aproximação ao modelo do processo civil estabelece-se o


mesmo regime de citação ali estabelecido, matéria que remetemos para o
texto do processo civil do CFOJ (cfr. art.º 25.º CPTA).

DOCUMENTO DE CITAÇÃO DA ENTIDADE PÚBLICA (art.º 81.º, 83.º e


84.º CPTA):

No documento de citação para contestação da entidade pública


demandada, devem ser reproduzidas as seguintes prescrições:

Elementos a transmitir obrigatoriamente na citação da entidade


pública demandada:

¾ Deve a entidade demandada deduzir, de forma articulada, toda a


matéria relativa à defesa e juntar os documentos destinados a
demonstrar os factos cuja prova se propõe fazer;
¾ Quando a contestação seja subscrita por licenciado em direito
com funções de apoio jurídico, nos termos do art.º 11.º do
CPTA, deve ser junta cópia do despacho que o designou;

.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
65
Av. 5 de Outubro, 125 - 2.º 1069 - 044 Lisboa ✼ Telef.: 21790 64 21 ✼ Fax: 21 790 64 29 ✼ E-Mail: cfoj@dgaj.mj.pt ✼ website: www.dgaj.mj.pt
Autores: Carlos Caixeiro, Guerra Correia e Alberto Pregueiro
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CENTRO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS DE JUSTIÇA

¾ Deve pronunciar-se sobre o requerimento de dispensa de prova


e alegações finais, se o autor o tiver feito na petição.
¾ De que fica obrigada a remeter ao tribunal, com a contestação
ou dentro do respectivo prazo, o original do processo
administrativo, quando exista, só podendo ser substituído por
fotocópias autenticadas e devidamente ordenadas, sem prejuízo
da sua requisição, quando tal se mostre necessário, e todos os
demais documentos respeitantes à matéria do processo de que
seja detentora, que ficarão apensados aos autos; quando o
processo administrativo se encontre já apensado a outros autos,
deve dar conhecimento do facto ao tribunal, com indicação dos
autos a que se refere (art.º 84.º, n.º 1, 2 e 3);
¾ Na falta do envio do processo administrativo, sem justificação
aceitável, pode o juiz ou relator determinar a aplicação de
sanções pecuniárias compulsórias, nos termos do artigo 169.º do
CPTA, sem prejuízo do apuramento da responsabilidade civil,
disciplinar e criminal a que haja lugar, não obstando ao
prosseguimento da causa e determinando que os factos alegados
pelo autor se considerem provados se aquela falta tiver tornado
a prova impossível ou de considerável dificuldade;

Exemplo de anúncio:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se, aos casos previstos no art.º 82.º do CPTA: citação dos
contra-interessados em número superior a 20, com vista à sua constituição e
contestação.

ANÚNCIO

FAZ SABER, que nos autos de acção administrativa especial, registados sob o número
.................., que se encontram pendentes (tribunal, juízo e secção) em que são autor
............................................. e demandada .............................................................;
são os contra-interessados:
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
CITADOS, para no prazo de QUINZE DIAS se constituírem como contra-interessados no
processo acima indicado, nos termos do art.º 82.º, n.º 1 do Código de Processo nos
Tribunais Administrativos, cujo objecto do pedido consiste ______________________
____________________________________________________________________

.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
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Uma vez expirado o prazo, os contra-interessados que como tais se tenham constituído,
consideram-se CITADOS para contestar, no prazo de 30 DIAS a acção acima referenciada
pelos fundamentos constantes da petição inicial, cujo duplicado se encontra à disposição na
secretaria, com a advertência de que a falta de contestação ou a falta nela de impugnação
especificada não importa a confissão dos factos articulados pelo autor, mas o tribunal
aprecia livremente essa conduta, para efeitos probatórios;
Na contestação, deve deduzir, de forma articulada, toda a matéria relativa à defesa e juntar
os documentos destinados a demonstrar os factos cuja prova se propõe fazer;

Caso não lhe seja facultado, em tempo útil, a consulta ao processo administrativo, disso
dará conhecimento ao juiz do processo, permitindo-se que a contestação seja apresentada
no prazo de 15 dias contado desde o momento em que o contra-interessado venha a ser
notificado de que o processo administrativo foi junto aos autos.
De que é obrigatória a constituição de advogado, nos termos do art.º 11.º, n.º 1 do CPTA;
O prazo acima indicado é contínuo e terminando em dia que os tribunais estejam
encerrados, transfere-se o seu termo para o primeiro dia útil seguinte.

Lisboa, ___/____/_____
O Juiz......
O oficial de justiça,

Exemplo de citação da entidade demandada:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à citação da entidade pública demandada, nos termos do
art.º 81.º, 82.º e 84.º do CPTA.

N/referência: _________
Acção Administrativa Especial n.º_________
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com AR)

Fica V.Ex.ª por este meio CITADO(A), nos termos do art.º 81.º do Código de Processo nos
Tribunais Administrativos, para no prazo de 30 dias decorrida que seja a dilação de
________ dias, contestar, querendo, a ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL, interposta
neste Tribunal, por ____________________________________________________
____________________________________________________________________
pelos fundamentos constantes da petição inicial, cujo duplicado se anexa.

Em harmonia com o disposto no art.º 83.º da citada lei, cumpre reproduzir as seguintes
prescrições:
.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
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1. Na contestação, deve a entidade demandada deduzir, de forma articulada, toda a


matéria relativa à defesa e juntar os documentos destinados a demonstrar os factos
cuja prova se propõe fazer;
2. Deve ainda pronunciar-se sobre o requerimento de dispensa de prova e alegações
finais, se o autor o tiver feito na petição.
3. De que é obrigatória a constituição de advogado, podendo, no entanto, a
contestação ser subscrita por licenciado em direito com funções de apoio jurídico,
nos termos do art.º 11.º, n.º 2 do CPTA, devendo para o efeito ser junta cópia do
despacho que o designou;
4. A falta de contestação ou a falta nela de impugnação especificada não importa
confissão dos factos articulados pelo autor, mas o tribunal aprecia livremente
essa conduta, para efeitos probatórios (art.º 83.º, n.º 4 CPTA, parte final);
5. Com a contestação, ou dentro do respectivo prazo, a entidade demandada é
obrigada a remeter ao tribunal o original do processo administrativo, quando exista,
só podendo ser substituído por fotocópias autenticadas e devidamente ordenadas,
sem prejuízo da sua requisição, quando tal se mostre necessário, e todos os demais
documentos respeitantes à matéria do processo de que seja detentora, que ficarão
apensados aos autos; quando o processo administrativo se encontre já apensado a
outros autos, deve dar conhecimento do facto ao tribunal, com indicação dos autos a
que se refere (art.º 84.º, n.º 1,2 e 3 CPTA);
6. Na falta do envio do processo administrativo, sem justificação aceitável, pode o juiz
ou relator determinar a aplicação de sanções pecuniárias compulsórias, nos termos
do artigo 169.º do CPTA, sem prejuízo do apuramento da responsabilidade civil,
disciplinar e criminal a que haja lugar, não obstando ao prosseguimento da causa e
determinando que os factos alegados pelo autor se considerem provados se
aquela falta tiver tornado a prova impossível ou de considerável dificuldade;
7. Se o órgão ora citado, por erro cometido na petição, seja diferente daquele que
praticou ou devia ter praticado o acto, deve dar de imediato conhecimento àquele
que o deveria ter sido, neste caso a entidade demandada beneficia de um prazo
suplementar de 15 dias para apresentar a contestação e enviar o processo
administrativo;
8. O prazo indicado é contínuo e conta-se a partir do dia da assinatura do aviso de
recepção; terminando em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se o
seu termo para o primeiro dia útil seguinte.

Data:___/___/_____
O Oficial de Justiça,

.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
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DOCUMENTO DE CITAÇÃO DOS CONTRA-INTERESSADOS (art.º 81.º e


83.º CPTA):

No documento de citação para contestação dos contra-interessados,


devem ser reproduzidas as seguintes prescrições:

Elementos a transmitir obrigatoriamente na citação:

¾ É obrigatória a constituição de advogado, nos termos do art.º 11.º, n.º


1 do CPTA;
¾ A falta de contestação ou a falta nela de impugnação especificada não
importa a confissão dos factos articulados pelo autor, mas o tribunal
aprecia livremente essa conduta, para efeitos probatórios;
¾ Na contestação, deve deduzir, de forma articulada, toda a matéria
relativa à defesa e juntar os documentos destinados a demonstrar os
factos cuja prova se propõe fazer;
¾ Caso não lhe seja facultado, em tempo útil, a consulta ao processo
administrativo, disso dará conhecimento ao juiz do processo,
permitindo-se que a contestação seja apresentada no prazo de 15 dias
contado desde o momento em que o contra-interessado venha a ser
notificado de que o processo administrativo foi junto aos autos (art.º
83.º, n.º 5 CPTA)
¾ O prazo acima indicado é contínuo e inicia-se no dia da assinatura do
aviso de recepção; terminando o prazo em dia que os tribunais
estejam encerrados, transfere-se o seu termo para o primeiro dia útil
seguinte.

.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
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Exemplo de citação dos contra interessados:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à citação dos contra-interessados (art.º 81.º CPTA)

N/referência: _________
Acção Administrativa Especial n.º_________
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com AR)

Fica V.Ex.ª por este meio CITADO(A), nos termos do art.º 81.º do Código de Processo nos
Tribunais Administrativos, para no prazo de 30 dias decorrida que seja a dilação de
_______ dias, contestar, querendo, a ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL, em que são
Autor _______________________________________________________________
___________________________________________________________________
e Demandada citação dos contra-interessados ___________________________
pelos fundamentos constantes da petição inicial, cujo duplicado se anexa, com a
advertência de que a falta de contestação ou a falta nela de impugnação especificada não
importa a confissão dos factos articulados pelo autor, mas o tribunal aprecia
livremente essa conduta, para efeitos probatórios;
1. Na contestação, deve deduzir, de forma articulada, toda a matéria relativa à defesa e
juntar os documentos destinados a demonstrar os factos cuja prova se propõe fazer;
2. Caso não lhe seja facultado, em tempo útil, a consulta ao processo administrativo, disso
dará conhecimento ao juiz do processo, permitindo-se que a contestação seja
apresentada no prazo de 15 dias contado desde o momento em que o contra-
interessado venha a ser notificado de que o processo administrativo foi junto aos autos.
3. De que é obrigatória a constituição de advogado, nos termos do art.º 11.º, n.º 1 do
CPTA;
4. O prazo indicado é contínuo e conta-se a partir do dia da assinatura do aviso de
recepção; terminando o prazo em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se
o seu termo para o primeiro dia útil seguinte.

Data:___/___/_____
O Oficial de Justiça,

DA INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO:


O Ministério Público continua a exercer a acção pública nos termos de
sempre, podendo, também, assumir a posição de autor, requerendo o
seguimento de processo que, por decisão ainda não transitada, tenha
terminado por desistência ou outra circunstância própria do autor. Mas é

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eliminada a vista final do Ministério Público, bem como a possibilidade


de estar presente nas sessões de julgamento (cfr. art.º 62.º CPTA)

ENTREGA DE CÓPIAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO (art.º 85.º CPTA):

No momento da citação da entidade demandada e dos contra-interessados,


é fornecida cópia da petição e dos documentos que a instruem ao Ministério
Público, salvo nos processos em que este figure como autor.

A secretaria poderá materializar esta entrega da seguinte forma:

ENTREGA (data), nos termos e para os efeitos do art.º 85.º do CPTA,


procedi à entrega ao Digno Magistrado do Ministério Público de cópia
da petição inicial bem como dos documentos que a instruem. Recebeu
e vai assinar.
________________________________________
O Oficial de Justiça,

Prazo de intervenção do Ministério Público (art.º 85.º, n.º 5 CPTA):


Os poderes de intervenção do Ministério Público podem ser exercidos até 10
dias:
‰ após a notificação da junção aos autos do processo
administrativo ou, não havendo lugar a esta,
‰ da apresentação das contestações

Para o caso de intervenção do Ministério Público nos termos previstos, serão


as partes notificadas dessa mesma intervenção, com cópias (cfr. parte final
do n.º 5 da disposição legal citada).

Termo da acção por desistência ou outra circunstância própria do


autor:
O Ministério Público continuando a exercer a acção pública nos termos de
sempre, pode assumir a posição de autor, requerendo o seguimento do
processo que, por decisão ainda não transitada, tenha terminado por
desistência ou outra circunstância própria do autor.
Para o efeito e uma vez declarada extinta a instância, o juiz dará vista do
processo ao Ministério Público (art.º 62.º CPTA).
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ACTO OFICIOSO DA SECRETARIA FINDOS OS ARTICULADOS:


Findos os articulados, com a junção da contestação da entidade pública
demandada, das contestações dos contra-interessados se os houver, e
apensado o processo administrativo (P.A.), a secretaria dará
cumprimento oficioso, ao disposto nos artigos 84.º,n.º 6 do CPTA e art.º
526.º do CPC, com notificação ao autor da apensação do processo instrutor
bem como dos documentos juntos com a contestação, aproveitando-se para
enviar as cópias das contestações apresentadas
(art.º 152.º, n.º 2 última parte do CPC), ficando os autos a aguardar por 10
dias que o Autor venha requerer o que tiver por conveniente.

ARTICULADOS SUPERVENIENTES (art.º 86.º CPTA):


As partes podem apresentar articulado superveniente, até à fase de
alegações, ou quando o articulado se funde na junção ao processo de
elementos até aí desconhecidos ou aos quais não tinha sido possível o
acesso no prazo de 10 dias posteriores à notificação da junção dos referidos
elementos.

Notificação oficiosa:
Recebido o articulado superveniente, são as partes notificadas pela
secretaria para responder no prazo de 10 dias (cfr. art.º 86.º, n.º 4).

DO SANEAMENTO, INSTRUÇÃO E ALEGAÇÕES:


Consagra-se o dever de o juiz proferir despacho de suprimento de excepções
dilatórias e aperfeiçoamento dos articulados, dirigido a promover a
prossecução da causa e o seu julgamento de mérito. Ainda a previsão da
possibilidade de proferir despacho saneador, em que se impõe ao juiz o
dever de conhecer de qualquer questão prévia, cuja apreciação deixa de
poder ter lugar em momento ulterior e, portanto, de poder ser remetida
para a decisão final; mas em que o tribunal também pode conhecer, total ou
parcialmente, do mérito da causa, bem como ordenar a abertura de um
período de produção de prova.

DESPACHO SANEADOR (art.º 87.º CPTA):


Findos os articulados, ou o prazo para a sua apresentação, supridas as
excepções dilatórias e aperfeiçoados os articulados se for caso disso (art.º
88.º do CPTA) vai o processo concluso ao juiz, o qual profere despacho
saneador quando deva:

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‰ conhecer obrigatoriamente, ouvido o autor no prazo de 10 dias,


de todas as questões que obstem ao conhecimento do processo;
‰ conhecer total ou parcialmente do mérito da causa;
‰ ordenar a abertura de um período de produção de prova.

INSTRUÇÃO (art.º 90.º CPTA)


No caso de não poder conhecer do mérito da causa no despacho saneador, o
juiz ou relator pode ordenar as diligências de prova que considere
necessárias para o apuramento da verdade.

Passam a ser admitidos em qualquer processo do contencioso administrativo


todos os meios de prova que são admitidos na jurisdição comum, podendo,
no entanto, o juiz indeferir, mediante despacho fundamentado,
requerimentos dirigidos à produção de prova sobre certos factos ou recusar
a utilização de certos meios de prova, quando tal se afigure claramente
desnecessário.

VER MEIOS DE PROVA NO CAPÍTULO DA INSTRUÇÃO DO PROCESSO


ORDINÁRIO, CONSTANTE DO PRESENTE TEXTO.

DISCUSSÃO DA MATÉRIA DE FACTO (art.º 91.º CPTA)


Introduz-se a possibilidade de existência de uma audiência pública para o
debate oral sobre a matéria de facto e de direito, quando requerida pelas
partes ou determinada pelo juiz.

Assim, finda a produção de prova, quando esta tenha lugar, pode o juiz ou
relator, sempre que a complexidade da matéria o justifique, ordenar
oficiosamente a realização de uma audiência pública destinada à discussão
oral da matéria de facto.

A audiência pública pode ter também lugar a requerimento de qualquer das


partes, podendo, no entanto, o juiz recusar a sua realização, mediante
despacho fundamentado, quando entenda que ela não se justifica por a
matéria de facto, documentalmente fixada, não ser controvertida.

Caso a audiência pública se realize por iniciativa das partes, nela são
também deduzidas, por forma oral, as alegações sobre a matéria de direito.

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ALEGAÇÕES FACULTATIVAS (art.º 91.º, n.º 4 CPTA):

Quando a audiência pública não tenha lugar por iniciativa das partes e estas
não tenham renunciado à apresentação de alegações escritas nos termos do
n.º 4, parte final, do art.º 78.º do CPTA, são notificados o autor, pelo prazo
de 20 dias, e depois simultaneamente, a entidade demandada e os contra-
interessados, por igual prazo, para querendo as apresentar.

MARCAÇÃO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA (art.º 155.º do CPC “ex vi” art.º 1.º
CPTA):

1. - O juiz deve providenciar pela marcação das datas de diligências


mediante prévio acordo com os mandatários judiciais que devam
comparecer, para o que pode encarregar a secretaria de realizar de
forma expedita os contactos prévios necessários (via telefónica, fax,
etc.).

2. - Quando a marcação não possa ser feita com o prévio acordo dos
mandatários judiciais, devem estes, se impedidos noutro serviço judicial
já marcado, comunicar o facto ao tribunal, no prazo de 5 dias, propondo
datas alternativas, datas estas que deverão ser sugeridas após contacto
com os restantes mandatários interessados.

3. – Dado este circunstancialismo, podendo o juiz alterar a data


inicialmente fixada, apenas se deverá proceder à notificação dos demais
intervenientes após o decurso do prazo de 5 dias atrás referido.

JULGAMENTO EM FORMAÇÃO ALARGADA E REENVIO PREJUDICIAL


PARA O SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO (Art.º 93.º CPTA):

Por forma a favorecer a qualidade das decisões dos tribunais administrativos


e Fiscais e alguma uniformidade na resolução de diferentes processos sobre
a mesma matéria, permite-se que, sempre que à apreciação de um tribunal
administrativo e fiscal se coloque uma questão de direito nova, que suscite
dificuldades sérias e possa vir a ser suscitada noutros litígios, o respectivo
presidente determine que o julgamento se processe com a intervenção de
todos os juízes do tribunal e que possa pedir ao Supremo Tribunal
Administrativo, no âmbito de um reenvio prejudicial, que este indique o
sentido em que essa questão deve ser decidida.

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Ocorrendo o julgamento com a intervenção de todos os juizes, sendo o


quórum de dois terços, o relator determina a extracção de cópia das peças
processuais que relevem, as quais são entregues a cada um dos juizes que
devam intervir no julgamento, permanecendo o processo depositado na
secretaria, para consulta.

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CONDENAÇÃO À PRÁTICA DE ACTO DEVIDO

OBJECTO DO PROCESSO:

Dando cumprimento ao imperativo constitucional de proporcionar aos


administrados a determinação judicial da prática de actos devidos, passa
a prever-se que, pela forma da acção administrativa especial, possa ser
pedida a condenação da entidade competente à prática, dentro de
determinado prazo, de um acto administrativo ilegalmente omitido ou
recusado (cfr. art.º 66.º e segs.).

DOS PRAZOS DE IMPUGNAÇÃO (Art.º 69.º CPTA):

Em situações de inércia da Administração:

¾ o direito de acção caduca no prazo de um ano contado desde o termo


do prazo legal estabelecido para a emissão do acto ilegalmente
omitido;

Tendo havido indeferimento:

¾ o prazo é de três meses que se contam a partir da notificação do


indeferimento, sendo aplicável o disposto nos artigos 59.º e 60.º do
CPTA.

TRAMITAÇÃO:

As acções intentadas para obter a condenação da entidade competente à


prática, dentro de determinado prazo, de um acto administrativo ilegalmente
omitido ou recusado, seguem os termos da ACÇÃO ADMINISTRATIVA
ESPECIAL prevista nos artigos 78.º e segs. do CPTA.

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IMPUGNAÇÃO DE NORMAS E DECLARAÇÃO DE


ILEGALIDADE POR OMISSÃO

OBJECTO (Art.º 72.º e segs.):

No que se refere às normas emitidas ou a emitir no exercício da função


administrativa, simplifica-se o regime da impugnação, admitindo que, a
título incidental ou a título principal, quando a norma seja directamente
lesiva, o interessado possa obter a sua desaplicação, fundada no
reconhecimento judicial da ilegalidade de que padece.

Por outro lado, o Ministério Público e qualquer interessado, se a norma tiver


sido objecto de desaplicação em três casos, pode pedir a declaração da sua
ilegalidade com força obrigatória geral. Esta declaração passa a produzir
efeitos retroactivos e repristinatórios, sem prejuízo dos casos julgados e dos
actos administrativos inimpugnáveis, bem como da possibilidade de o juiz
determinar que os efeitos da decisão se produzam apenas a partir da data
do trânsito em julgado da sentença, quando razões de segurança jurídica, de
equidade ou de interesse público de excepcional relevo, devidamente
fundamentadas, o justifiquem.

Por outro lado, introduz-se uma solução inovadora que é a possibilidade de o


tribunal administrativo ser chamado a verificar a existência de situações de
ilegalidade por omissão de normas cuja adopção seja devida para dar
exequibilidade a actos legislativos carentes de regulamentação, fixando
prazo, não inferior a seis meses, para que a omissão seja suprida.

DOS PRAZOS (Art.º 74.º CPTA):

A declaração de ilegalidade pode ser pedida a todo o tempo.

TRAMITAÇÃO:

Os processos de impugnação de normas e declaração de ilegalidade por


omissão seguem os termos da ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL prevista
nos artigos 78.º e segs. do CPTA.

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CAPÍTULO IV

PROCESSOS URGENTES

O que distingue estes processos das duas formas de processo principais, a


acção administrativa comum e a acção administrativa especial, é a
urgência e a necessidade de uma tramitação simplificada que dela resulta.

Agrupou-se no Título IV (art.º 97.º e segs) do Código os chamados


«processos urgentes». Refira-se, contudo, que vários deles seguem a
forma da acção administrativa especial e não uma tramitação própria -
seguem-na, no entanto, sempre com adaptações que a particularizam. É o
que precisamente sucede com as impugnações urgentes, que, de resto, já
existiam, sensivelmente nos mesmos moldes, sem que, quanto a elas
tenham sido introduzidas modificações muito significativas.

Incorpora-se no Código, com as adaptações que entretanto se revelaram


necessárias o regime do Decreto-Lei n.º 134/98, de 15 de Maio, na parte
respeitante à impugnação contenciosa de actos administrativos relativos à
formação de certo tipo de contratos.

No que se refere à intimação para a prestação de informações,


consulta de processos ou passagem de certidões, formaliza-se, a sua
transformação num processo autónomo, por meio do qual podem ser
exercidos os direitos fundamentais à informação procedimental e ao acesso
aos arquivos e registos administrativos - sem prejuízo de o processo poder
ser utilizado, quando necessário, para obter elementos destinados a instruir
pretensões a deduzir pela via administrativa ou pela via contenciosa,
suspendendo, nesse caso, os eventuais prazos de impugnação que estejam
em curso.

Destaca-se a introdução de um novo meio processual, destinado a dar


cumprimento à determinação contida no artigo 20.º, n.º 5, da Constituição:
a intimação para protecção de direitos, liberdades e garantias
(art.º 109.º)
que pode ser requerida quando a célere emissão de uma decisão de mérito
que imponha a adopção de uma conduta, positiva ou negativa, se revele
indispensável para assegurar o exercício, em tempo útil, de um direito,
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liberdade ou garantia, por não ser possível ou suficiente, nas circunstâncias


do caso, o decretamento provisório de uma providência cautelar.

PROCESSOS URGENTES (art.º 36.º):


Como já antes se disse no capítulo das disposições fundamentais e sem
prejuízo dos demais casos previstos na lei, têm carácter urgente os
processos relativos a:

¾ Contencioso eleitoral, com o âmbito definido no CPTA;


¾ Contencioso pré-contratual, com o âmbito definido no CPTA;
¾ Intimação para prestação de informações, consulta de
documentos ou passagem de certidões;
¾ Intimação para defesa de direitos, liberdades e garantias;
¾ Providências cautelares.

Os processos urgentes correm em férias, com dispensa de vistos prévios,


mesmo em fase de recurso jurisdicional, e os actos da secretaria são
praticados no próprio dia, com precedência sobre quaisquer outros.

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CONTENCIOSO ELEITORAL

Pressupostos: (art.º 98.º CPTA)

Os processos de contencioso eleitoral podem ser instaurados por quem, na


eleição em causa, seja eleitor ou elegível ou, quanto à omissão nos cadernos
ou listas eleitorais, também pelas pessoas cuja inscrição seja omitida.

Na falta de disposição especial, o prazo para instaurar o processo é de 7


dias, a contar da data em que seja possível o conhecimento do acto ou da
omissão.

Aplicação:
Este recurso não é aplicável às eleições relativas aos órgãos da
administração autónoma regional e local (assembleias regionais,
assembleias e Câmaras Municipais e assembleias de freguesia) que estão
sujeitas à jurisdição comum e constitucional.

Natureza urgente do processo:

Estes processos sendo de natureza urgente, correm em férias (art.º 36.º e


97.º, n.º 2 CPTA).

Tramitação (art.º 99.º CPTA):

Aos processos de contencioso eleitoral é aplicável o disposto para as


ACÇÕES ADMINISTRATIVAS ESPECIAIS, com as seguintes
especialidades:

¾ São admissíveis alegações no caso de ser requerida ou produzida


prova com a contestação (n.º 2)

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Os prazos a observar são os seguintes:

♦ 5 dias para a contestação ou para alegações;

♦ 5 dias para a decisão do juiz ou relator, ou para este submeter


o processo a julgamento;

♦ 3 dias para os restantes casos.

Publicidade das decisões: (art.º 30.º, n.º 7 CPTA)

Por ordem do tribunal, a sentença que conceda provimento à impugnação de


actos administrativos em matéria eleitoral que tenham sido objecto de
publicação oficial, são publicadas pela mesma forma e no mesmo local em
que o hajam sido os actos impugnados.

Esta publicidade faz-se mediante extracto do qual conste:

¾ a indicação do tribunal;
¾ da entidade demandada;
¾ do sentido e data da decisão;
¾ do acto impugnado e da forma e local da respectiva publicação.

SEGUE EXEMPLO DE ANÚNCIO

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Exemplo:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente anúncio aplica-se aos casos referidos no art.º 30.º, n.º 7 e 8 do CPTA
(sentenças que concedam provimento à impugnação de actos administrativos que tenham
sido objecto de publicação oficial)
ANÚNCIO

FAZ SABER, que por sentença de ...../....../......., TRANSITADA EM JULGADO, proferida


nos Autos de ..........................n.º ........ da ......ª Secção do Tribunal ............., em que é
autor ............................................ e ré(u)(s) ______________________________

FOI CONCEDIDO PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO DO ACTO (identificar o acto administrativo


impugnado) exemplo: Despachos e Normas Regulamentares aprovadas pelos Despachos
n.º. ........... de ...../...../........ e .............. de ...../...../...... do (entidade demandada)
____________________________________________________________________
então publicadas no respectivo (publicação oficial), respectivamente n.ºs ........... de
...../...../....... e ............ de ...../...../....., __________________________________
Publicado (identificar a forma e local da respectiva publicação) __________________

(descrever o conteúdo/síntese da decisão) exemplo: “por se encontrarem feridos de


incompetência absoluta, por falta de atribuições da...”

Tais despachos, ora DECLARADOS NULOS estabeleciam as qualificações e exigências aos


técnicos responsáveis pelos projectos de construções novas, e ampliações ou alterações
importantes em obras na Área da zona da Câmara Municipal de ......., atribuindo a sua
responsabilidade apenas aos Arquitectos).

Lisboa, ___/____/_____
O Juiz......
O oficial de justiça,

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CONTENCIOSO PRÉ-CONTRATUAL

No que se refere ao chamado «contencioso pré-contratual», ele resulta


da incorporação no Código, com as adaptações que entretanto se revelaram
necessárias, do regime do Decreto-Lei n.º 134/98, de 15 de Maio, na
parte respeitante à impugnação contenciosa de actos administrativos
relativos à formação de certo tipo de contratos.

Duplica-se o prazo para a impugnação contenciosa do Decreto-Lei n.º


134/98, que vinha sendo geralmente considerado excessivamente curto.

Introduz-se a possibilidade de o tribunal, oficiosamente ou a requerimento


das partes, optar pela realização de uma audiência pública sobre a matéria
de facto e de direito, em que as alegações finais serão proferidas por forma
oral e no termo da qual será imediatamente ditada a sentença.

Prazo e natureza urgente do processo (art.º 101.º CPTA):


Os processos do contencioso pré-contratual têm carácter urgente, correm
em férias judiciais (art.º 36.º do CPTA).

Devem ser intentados no prazo de um mês a contar da notificação dos


interessados ou, não havendo lugar a notificação, da data do conhecimento
do acto.

Tramitação (art.º 102.º CPTA):

Aos processos de contencioso pré-contratual é aplicável o disposto para a


ACÇÕES ADMINISTRATIVAS ESPECIAIS, com as seguintes
especialidades:

¾ São admissíveis alegações no caso de ser requerida ou produzida


prova com a contestação (n.º 2)

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Os prazos a observar são os seguintes:

♦ 20 dias para a contestação ou para alegações quando estas


tenham lugar;

♦ 10 dias para a decisão do juiz ou do relator, ou para este


submeter o processo a julgamento;

♦ 5 dias para os restantes casos.

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INTIMAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES,


CONSULTA DE PROCESSOS OU PASSAGEM DE CERTIDÕES

No que se refere à intimação para a prestação de informações, consulta


de processos ou passagem de certidões, formaliza-se, a sua
transformação num processo autónomo, por meio do qual podem ser
exercidos os direitos fundamentais à informação procedimental e ao acesso
aos arquivos e registos administrativos - sem prejuízo de o processo poder
ser utilizado, quando necessário, para obter elementos destinados a instruir
pretensões a deduzir pela via administrativa ou pela via contenciosa,
suspendendo, nesse caso, os eventuais prazos de impugnação que estejam
em curso.

Pressupostos ( art.º 104.º CPTA):


Quando não seja dada integral satisfação aos pedidos formulados no
exercício do direito à informação procedimental ou do direito de acesso aos
arquivos e registos administrativos, o interessado pode requerer a intimação
da entidade administrativa competente.

Prazo do pedido (art.º 105.º CPTA):


A intimação deve ser requerida ao tribunal competente no prazo de 20 dias
que se inicia com a verificação dos seguintes factos:
‰ Decurso do prazo legalmente estabelecido, sem que a entidade
requerida satisfaça o pedido que lhe foi dirigido;
‰ Indeferimento do pedido;
‰ Satisfação parcial do pedido.

Natureza urgente do processo (art.º 36.º CPTA):


Os processos de intimação para a prestação de informações, consulta de
processos ou passagem de certidões têm carácter urgente, correm em
férias.

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Tramitação (art.º 107.º CPTA):


Apresentado o requerimento, a secção autuará o processo e de imediato faz
os autos conclusos ao juiz a fim de ordenar a CITAÇÃO da autoridade.
Citação:
Ordenada a citação da autoridade requerida a secretaria expede por via
postal registada com aviso de recepção, a citação para responder,
querendo, no prazo de 10 dias, com remessa do duplicado do
requerimento inicial e documentos que este acompanhe.
Decisão final (art.º 108.º CPTA):
Apresentada a resposta ou decorrido o respectivo prazo e concluídas as
diligências que se mostrem necessárias, o juiz profere decisão.

Exemplo de citação:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à citação da autoridade requerida (art.º 107.º CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com AR)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____
Exmo. Senhor

Fica V. Ex.ª devidamente CITADO, para no prazo de DEZ DIAS, responder, querendo ao
requerido por F. _______________________________________________________
nos autos de INTIMAÇÃO acima referenciados, conforme tudo melhor consta do duplicado
da petição, que a este vai junto, nos termos do art.º 107.º, n.º 1, do CPTA.

De que é obrigatória a constituição de advogado, podendo, no entanto, a contestação ser


subscrita por licenciado em direito com funções de apoio jurídico, nos termos do art.º 11.º,
n.º 2 do CPTA, devendo para o efeito ser junta cópia do despacho que o designou;
O prazo indicado é contínuo e conta-se a partir do dia da assinatura do aviso de recepção;
terminando o prazo em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

Com os melhores cumprimentos


O(A) Oficial de Justiça,

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INTIMAÇÃO PARA PROTECÇÃO DE DIREITOS LIBERDADES


E GARANTIAS

Âmbito e pressupostos (art.º 109.º CPTA)

Introduz-se um novo meio processual, destinado a dar cumprimento à


determinação contida no artigo 20.º, n.º 5, da Constituição da República
Portuguesa:

a intimação para protecção de direitos, liberdades e garantias,


que pode ser requerida quando a célere emissão de uma decisão de
mérito que imponha a adopção de uma conduta, positiva ou negativa,
se revele indispensável para assegurar o exercício, em tempo útil, de
um direito, liberdade ou garantia, por não ser possível ou suficiente,
nas circunstâncias do caso, o decretamento provisório de uma
providência cautelar.

Trata-se de um instrumento que se procurou desenhar com uma


grande elasticidade, que o juiz deverá dosear em função da
intensidade da urgência, e que tanto poderá seguir os termos da acção
administrativa especial, com os prazos reduzidos a metade, como, em
situações de especial urgência, poderá conduzir a uma tomada de
decisão em 48 horas, mediante audição oral das partes (poderão ser
utilizados os meios urgentes previstos no art.º 176.º, n.º 5 do CPC
“ex vi” art.º 1.º do CPTA).

Natureza urgente do processo (art.º 36.º CPTA):


Os processos de intimação para protecção de direitos, liberdades e garantias
têm carácter urgente, correm em férias (art.º 36.º do CPTA).

Tramitação (art.º 110.º CPTA):


Apresentado o requerimento, a secção autuará o processo e de imediato faz
os autos conclusos ao juiz a fim de ordenar a NOTIFICAÇÃO do requerido.

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Notificação:
Ordenada a notificação do requerido a secretaria expede por via postal
registada, a notificação para responder, querendo, no prazo de 7 dias,
com remessa do duplicado do requerimento inicial e documentos que este
acompanhe.
Afigura-se-nos que a esta notificação se devam aplicar as disposições
relativas à realização da citação, pelo que será de utilizar o aviso de
recepção (art.º 236.º do CPC “ex vi” art.º 1.º do CPTA).

Especial urgência (art.º 111.º CPTA):


Atenta a especial urgência, o juiz pode encurtar o prazo para a resposta do
requerido, ou optar pela realização , no prazo de quarenta e oito horas, de
uma audiência oral, no termo do qual decidirá de imediato.
A notificação da decisão é feita de imediato a quem a deva cumprir, nos
termos gerais aplicáveis aos processos urgentes.

Decisão final (art.º 110.º CPTA):


Apresentada a resposta ou decorrido o respectivo prazo e concluídas as
diligências que se mostrem necessárias, o juiz profere decisão.
Quando a complexidade da matéria o justifique, pode o juiz determinar que
o processo siga a tramitação estabelecida para a ACÇÃO ADMINISTRATIVA
ESPECIAL, sendo nesse caso os prazos reduzidos a metade (art.º 110.º, n.º
3).

Exemplo de notificação do requerido:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à notificação do requerido (art.º 110.º CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Notificação (por carta registada c/AR)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____
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Exmo. Senhor(a)

Fica V. Ex.ª devidamente NOTIFICADO, para no prazo de SETE DIAS, responder, querendo
ao requerido por F. _____________________________________________________
nos autos de INTIMAÇÃO PARA PROTECÇÃO DE DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS
acima referenciados, conforme tudo melhor consta do duplicado da petição, que a este vai
junto, nos termos do art.º 110.º, da Lei n.º 15/2002, de 22 de Fevereiro - CPTA.
De que é obrigatória a constituição de advogado, podendo, no entanto, a contestação ser
subscrita por licenciado em direito com funções de apoio jurídico, nos termos do art.º 11.º,
n.º 2 do CPTA, devendo para o efeito ser junta cópia do despacho que o designou;

O prazo indicado é contínuo e conta-se a partir do dia da assinatura do aviso de recepção;


terminando o prazo em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

Com os melhores cumprimentos


O Oficial de Justiça,

_____________________________________

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CAPÍTULO V

DOS PROCESSOS CAUTELARES

OBJECTO:

Inovação fundamental é a que se prende com a transformação profunda do


regime do contencioso administrativo em matéria cautelar, com a
introdução efectiva, no Título V (art.º 112.º e segs) de um princípio de
atipicidade das providências cautelares que podem ser concedidas pela
jurisdição administrativa. Ao lado da clássica suspensão da eficácia de
actos administrativos, como, em geral, quando tal se justifique, de
qualquer das providências cautelares especificadas que a lei processual civil
regula, os tribunais administrativos passam, assim, a poder adoptar toda e
qualquer providência cautelar, antecipatória ou conservatória, que se mostre
adequada a assegurar a utilidade da sentença a proferir no processo
principal, designadamente a intimação para um comportamento,
agora também accionável contra a Administração.

Também aqui se trata de dar cumprimento à Constituição, que, do mesmo


passo que ampliou as garantias de tutela principal, passou a consagrar o
direito dos administrados à adopção das medidas cautelares adequadas.

Houve, entretanto, o cuidado de configurar o regime por forma a assegurar


que toda e qualquer pessoa ou entidade, incluindo o Ministério Público, que
tenha legitimidade para o exercício do direito de acção no contencioso
administrativo também esteja legitimada a requerer a providência ou as
providências adequadas a acautelar a utilidade do processo
principal.

As providências cautelares tanto podem ser requeridas antes, como


depois da propositura da acção principal e, ouvidas as partes, o tribunal
pode adoptar outra ou outras providências, em cumulação ou em
substituição daquela ou daquelas que tenham sido concretamente
requeridas, quando tal se revele adequado a evitar ou atenuar a lesão dos
interesses defendidos pelo requerente e seja menos gravoso para os demais
interesses, públicos ou privados, em presença.

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DAS PROVIDÊNCIAS CAUTELARES:

Quem possua legitimidade para intentar um processo junto dos tribunais


administrativos, pode solicitar a adopção da providência ou das providências
cautelares, antecipatórias ou conservatórias, que se mostrem adequadas a
assegurar a utilidade da sentença a proferir nesse processo (art.º 112.º
CPTA).

Além das providências especificadas no Código de Processo Civil, com as


adaptações que se justifiquem, nos casos em que se revelem adequadas, as
providências cautelares a adoptar podem consistir designadamente na:

‰ Suspensão da eficácia de um acto administrativo ou de uma norma;


‰ Admissão provisória em concursos e exames;
‰ Atribuição provisória da disponibilidade de um bem;
‰ Autorização provisória ao interessado para iniciar ou prosseguir
uma actividade, ou adoptar uma conduta;
‰ Regulação provisória de uma situação jurídica, designadamente
através da imposição à Administração do pagamento de uma
quantia por conta de prestações alegadamente devidas ou a título
de reparação provisória;
‰ Intimação para a adopção ou abstenção de uma conduta por parte
da Administração ou de um particular, designadamente um
concessionário, por alegada violação ou fundado receio de violação
de normas de direito administrativo.

Natureza urgente do processo (art.º 36.º e 113.º, n.º 2 CPTA):


O processo cautelar tem carácter urgente, corre em férias e tem
tramitação autónoma em relação ao processo principal.

Porque se destinam a evitar dano irreparável, os actos relativos aos


procedimentos cautelares podem ser praticados em férias, dias feriados,
domingos e em outros dias em que os tribunais estejam encerrados (art.º
143.º, n.º 2 do CPC “ex vi” art.º 1.º do CPTA).

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Apensação à causa principal (art.º 113.º, n.º 3 CPTA):


A providência cautelar proposta antes de instaurada a causa principal será
apensada aos autos logo que seja intentado.

Apresentação do pedido (art.º 114.º CPTA):


A adopção de uma ou mais providências cautelares é solicitada em
requerimento próprio:
‰ Previamente à instauração do processo principal;
‰ Juntamente com a petição inicial do processo principal;
‰ Na pendência do processo principal.

No requerimento deve o requerente:

9 Indicar o tribunal a que o requerimento é dirigido;


9 Indicar o seu nome e residência ou sede;
9 Identificar a entidade demandada;
9 Identificar os contra-interessados a quem a adopção da providência
cautelar possa directamente prejudicar;
9 Indicar a acção de que o processo depende ou irá depender;
9 Indicar a providência ou as providências que pretende ver adoptadas;
9 Especificar de forma articulada os fundamentos do pedido, oferecendo
prova sumária da respectiva existência;
9 Quando for o caso, fazer prova do acto ou norma cuja suspensão
pretende e da sua notificação ou publicação;
9 Identificar o processo principal, quando o requerimento seja
apresentado na sua pendência.

Na falta da indicação de qualquer dos elementos enunciados no número


anterior, o interessado é notificado para suprir a falta no prazo de cinco dias.
A falta da designação do tribunal a que o requerimento é dirigido deve ser
oficiosamente suprida, com remessa para o tribunal competente, quando
não seja o próprio.

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Autuação:
A secção autuará o requerimento inicial e documentos que eventualmente
tenham sido apresentados, por apenso à causa principal, ou não, consoante
o que atrás ficou dito.

Despacho liminar (art.º 116.º CPTA):


Autuado o processo a secretaria fará os autos conclusos ao juiz para efeitos
do despacho liminar a que se refere o art.º 116.º do CPTA.

Citação da entidade requerida e dos contra-interessados (art.º 117.º


CPTA):
Afigura-se-nos que a epígrafe “Citação dos contra-interessados” não
está consentânea com o corpo da norma que trata, para além do mais, da
citação dos contra interessados e também da entidade requerida;

Desta forma e não havendo fundamento para rejeição, o juiz determinará a


CITAÇÃO da entidade requerida bem como dos contra-interessados, se os
houver, para no prazo de 10 dias deduzirem, querendo, oposição, sendo
advertidos de que na falta de oposição presumem-se verdadeiros os factos
invocados pelo requerente (art.º 117.º, n.º 1 e 118.º, n.º 1 do CPTA).

Se a providência cautelar for requerida como incidente do processo já


intentado e a entidade requerida e os contra-interessados já tiverem sido
citados no processo principal, são chamados por mera NOTIFICAÇÃO (n.º 5)

Caso o requerente não conheça a identidade e residência de todos os


contra-interessados, e que por esse facto, tenha requerido certidão junto da
autoridade requerida com vista à obtenção desses elementos, a secretaria só
expedirá as CITAÇÕES DOS CONTRA-INTERESSADOS após a resposta da
autoridade requerida ou após o termo do prazo respectivo (n.º 2).

Citação dos contra-interessados incertos ou de residência


desconhecida:
Relativamente aos contra-interessados incertos ou de residência
desconhecida, a secretaria emite ANÚNCIOS, que entregará ao requerente
a fim deste fazer a publicação em dois jornais diários de circulação nacional
ou local, dependendo do âmbito da matéria em causa, convidando-os a
intervir até à conclusão ao juiz ou relator para decisão.

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Quando a pretensão esteja relacionada com a impugnação de um acto a que


tenha sido dado certo tipo de publicidade, a mesma é também utilizada para
o anúncio (n.º 4).

Exemplo de citação:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à citação da entidade requerida e contra-interessados
(art.º 117.º CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com A.R.)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____

Exmo. Senhor(a)

Fica V. Ex.ª devidamente CITADO(A), para no prazo de DEZ DIAS, deduzir oposição,
querendo ao requerido por F. _____________________________________________
nos autos de PROVIDÊNCIA CAUTELAR acima referenciados, conforme tudo melhor consta
do duplicado da petição, que a este vai junto, nos termos do art.º 117.º, da Lei n.º
15/2002, de 22 de Fevereiro - CPTA.
Na falta de oposição, presumem-se verdadeiros os factos invocados pelo requerente.
Na contestação, poderão ser oferecidos meios de prova.
De que é obrigatória a constituição de advogado, podendo, no entanto, a contestação ser
subscrita por licenciado em direito com funções de apoio jurídico, nos termos do art.º 11.º,
n.º 2 do CPTA, devendo para o efeito ser junta cópia do despacho que o designou;

O prazo indicado é contínuo e conta-se a partir do dia da assinatura do aviso de recepção;


terminando o prazo em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

Com os melhores cumprimentos


O Oficial de Justiça,

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Exemplo de anúncio:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se, para citação dos contra-interessados incertos ou de
residência desconhecida convidando-os a intervir nos autos - art.º 117.º, n.º 3 do CPTA.

ANÚNCIO

FAZ SABER, que nos autos de providência cautelar......., registados sob o número
.................., que se encontram pendentes (tribunal, juízo e secção) em que são
requerente..............................e requerido(s) .............................................................
são os contra-interessados incertos (ou de residência desconhecida):
_______________________________________________________ _____________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
CITADOS, para intervirem, querendo, nos autos acima indicados, cuja intervenção poderá
ser requerida até à conclusão dos autos ao juiz ou relator para decisão, nos termos do art.º
117.º, n.ºs 3 e 6 do Código de Processo nos Tribunais Administrativos, cujo objecto do
pedido consiste ________________________________________________________
____________________________________________________________________
Os duplicados do requerimento inicial encontram-se à disposição na secretaria deste
tribunal.
Lisboa, ___/____/_____
O Juiz......
O oficial de justiça,

Produção de prova e decisão final:


Juntas as respostas ou decorrido o respectivo prazo, o processo é concluso
ao juiz que pode ordenar as diligências que considere necessárias ou proferir
decisão final (art.º 118.º, n.º 2).

DA DECISÃO:
Quando a complexidade da matéria o justifique, o presidente do tribunal
administrativo e fiscal pode determinar, por proposta do juiz do processo,
que a questão seja decidida em conferência de três juizes (cfr. art.º 119.º,
n.º 3 CPTA).

Notificação da decisão:
A decisão sobre a adopção de providências cautelares é URGENTEMENTE
notificada à autoridade requerida, para cumprimento imediato (art.º 122.º,
n.º 1).

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CAPÍTULO VI

DAS DISPOSIÇÕES PARTICULARES

Nas disposições particulares do Capítulo II do Título V, destaca-se a


referência à previsão específica da suspensão da eficácia de normas e da
regulação provisória do pagamento de quantias (art.º 128.º e 133.º CPTA):

Nos casos em que a providência cautelar se destine a tutelar direitos,


liberdades e garantias que de outro modo não possam ser exercidos em
tempo útil ou em que haja especial urgência, admite-se, que o tribunal
possa decretar a providência a título provisório, porventura no prazo de
apenas 48 horas, sem prejuízo de poder decidir o seu levantamento ou
alteração, uma vez ouvidas as partes e apreciada a questão com detenção
um pouco maior.

SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DE ACTO ADMINISTRATIVO


(Art.º 128.º CPTA - EXECUÇÃO INDEVIDA):

A autoridade administrativa, recebido o duplicado do requerimento de


suspensão, não pode iniciar ou prosseguir a execução do acto, salvo se, em
resolução fundamentada, reconheçer, no prazo de 15 dias, que o diferimento
da execução seria gravemente prejudicial para o interesse público (art.º
128.º, n.º 1).

Considera-se execução indevida, quando falte a resolução atrás referida ou o


tribunal julgue improcedentes as razões em que aquela se fundamenta (art.º
128.º, n.º 2).

O interessado pode requerer ao tribunal onde penda o processo de


suspensão da eficácia, até ao trânsito em julgado da sua decisão, a
declaração de ineficácia dos actos de execução indevida.

Processamento do incidente de execução indevida:


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O incidente de “declaração de ineficácia dos actos de execução


indevida” é processado nos próprios autos de suspensão da eficácia (art.º
128.º, n.º 5)

Requerida a declaração de ineficácia dos actos de execução indevida, o juiz


ou relator ouve a autoridade requerida, no prazo de cinco dias, tomando
de imediato a decisão.

SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DE NORMAS


(Art.º 130.º CPTA):

O interessado na declaração da ilegalidade de norma emitida ao abrigo de


disposições de direito administrativo cujos efeitos se produzam
imediatamente, sem dependência de um acto administrativo ou jurisdicional
de aplicação, pode requerer a suspensão da eficácia dessa norma, com
efeitos circunscritos ao seu caso.

Pode pedir a suspensão, com alcance geral, dos efeitos de qualquer norma
quem tenha deduzido ou se proponha deduzir pedido de declaração de
ilegalidade dessa norma.

Tramitação:
A ambos os casos se aplicam as regras estabelecidas para as providências
cautelares (art.º112.º e seguintes) bem como nos artigos 128.º e 129.º
(suspensão imediata da norma, após o recebimento duplicado do
requerimento com a citação).

PROVIDÊNCIA QUE SE DESTINE A TUTELAR DIREITOS LIBERDADES E


GARANTIAS
(Art.º 131.º CPTA):

Quando a providência cautelar se destine a tutelar direitos, liberdades e


garantias que de outro modo não possam ser exercidos em tempo útil ou
quando se entenda haver especial urgência, pode o interessado pedir o
decretamento provisório da providência.

Uma vez distribuído, o processo é concluso ao juiz ou relator com a


maior urgência.
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Em situação de especial urgência, o juiz ou relator pode, colhidos os


elementos a que tenha acesso imediato e sem quaisquer outras
formalidades ou diligências, decretar provisoriamente a providência
requerida ou aquela que julgue mais adequada no prazo de quarenta e
oito horas.
Em caso de necessidade de audição do requerido esta pode ser realizada por
qualquer meio de comunicação que se revele adequado.

A decisão provisória não é susceptível de qualquer meio impugnatório.

Procedimentos caso seja decretada a providência provisória:

¾ a decisão é notificada de imediato às autoridades que a devam


cumprir, nos termos gerais para os actos urgentes,
¾ é dado às partes o prazo de cinco dias para se pronunciarem sobre a
possibilidade do levantamento, manutenção ou alteração da
providência,
¾ em seguida, o processo é concluso, por cinco dias, ao juiz ou relator,
para proferir decisão confirmando ou alterando o decidido.

Temos assim, neste procedimento a possibilidade de existirem duas


decisões: por um lado a que decreta provisoriamente a providência e por
outro a que confirma ou altera o decidido.

PROVIDÊNCIAS RELATIVAS A PROCEDIMENTOS E FORMAÇÃO DE


CONTRATOS
(Art.º 132.º CPTA):

Quando esteja em causa a anulação ou declaração de nulidade ou


inexistência jurídica de actos administrativos relativos à formação de
contratos, podem ser requeridas providências destinadas a corrigir a
ilegalidade ou a impedir que sejam causados outros danos aos interesses em
presença, incluindo a suspensão do procedimento de formação do contrato.

Natureza urgente da providência (art.º 36.º e 113.º, n.º 2 CPTA):

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O processo cautelar tem carácter urgente, corre em férias e tem


tramitação autónoma em relação ao processo principal.

Apresentação e tramitação do pedido:


As referidas providências seguem as regras do que está estabelecido para os
processos cautelares (art.º 112.º e seguintes) e devem ser pedidas em
requerimento próprio instruído com todos os elementos de prova,
apresentado:

‰ Previamente à instauração do processo principal;


‰ Juntamente com a petição inicial do processo principal;
‰ Na pendência do processo principal.

No caso do requerimento ser apresentado juntamente com a petição da


causa principal, será este autuado por apenso à referida causa.

Sendo apresentado previamente à causa principal, será autuado


autonomamente, e apensado à causa principal, logo que esta seja intentada
(art.º 113.º, n.º 3).

Notificações:
Após a autuação do processo, devem os autos ser conclusos ao juiz para,
em princípio, determinar a CITAÇÃO da autoridade requerida e dos contra-
interessados, se os houver, para RESPONDEREM no prazo de SETE DIAS
(art.º 132.º, n.º 5 do CPTA).

Exemplo de citação:
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NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à citação da autoridade requerida e contra-interessados
(art.º 117.º e 132.º,n.ºs 3 e 5 CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com A.R.)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____

Exmo. Senhor(a)

Fica V. Ex.ª devidamente CITADO(A), para no prazo de SETE DIAS, responder, querendo,
ao requerido por F. _____________________________________________________
nos autos de PROVIDÊNCIA CAUTELAR acima referenciados, conforme tudo melhor consta
do duplicado da petição, que a este vai junto, nos termos do art.º 132.º, n.º 5 .º, da Lei n.º
15/2002, de 22 de Fevereiro - CPTA.
Na falta de oposição, presumem-se verdadeiros os factos invocados pelo requerente.
Na contestação, poderão ser oferecidos meios de prova.
De que é obrigatória a constituição de advogado, podendo, no entanto, a resposta ser
subscrita por licenciado em direito com funções de apoio jurídico, nos termos do art.º 11.º,
n.º 2 do CPTA, devendo para o efeito ser junta cópia do despacho que o designou;

O prazo indicado é contínuo e conta-se a partir do dia da assinatura do aviso de recepção;


terminando o prazo em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

Com os melhores cumprimentos


O Oficial de Justiça,

Produção de prova e decisão final:


Juntas as respostas ou decorrido o respectivo prazo, o processo é concluso
ao juiz que pode ordenar as diligências que considere necessárias ou proferir
decisão final (art.º 118.º, n.º 2 e 132.º, n.º 6 e 7 CPTA).

REGULAÇÃO PROVISÓRIA DO PAGAMENTO DE QUANTIAS


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(Art.º 133.º CPTA):

Quando o alegado incumprimento do dever de a Administração realizar


prestações pecuniárias provoque uma situação de grave carência
económica, pode o interessado requerer ao tribunal, a título de regulação
provisória, e sem necessidade da prestação de garantia, a intimação da
entidade competente a prestar as quantias indispensáveis a evitar a
situação de carência.

A regulação provisória é decretada quando:


a) Esteja adequadamente comprovada a situação de grave
carência económica;
b) Seja de prever que o prolongamento dessa situação possa
acarretar consequências graves e dificilmente reparáveis;
c) Seja provável que a pretensão formulada ou a formular nesse
processo venha a ser julgada procedente.

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA


(Art.º 134.º CPTA)

Pressupostos (art.º 134.º, n.º 1 CPTA):

Havendo justo receio de vir a tornar-se impossível ou muito difícil o


depoimento de certas pessoas ou a verificação de certos factos por meio de
prova pericial ou por inspecção, pode o depoimento, o arbitramento ou a
inspecção realizar-se antes de instaurado o processo.

Apresentação do requerimento:
Previamente à instauração do processo, ou na pendência deste (art.ºs
134.º CPTA).

Tramitação:
O requerente deve justificar sumariamente a necessidade de antecipação da
prova, mencionar com precisão os factos sobre que esta há-de recair,
identificar as pessoas que hão-de ser ouvidas, se for caso disso, e indicar
com a possível concretização o pedido e os fundamentos da causa, bem
como a pessoa ou o órgão em relação ao qual se pretende fazer uso da
prova.
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Intervenção ou oposição do requerido:


A pessoa ou o órgão requerido é notificada para intervir nos actos de
preparação e produção da prova, ou para deduzir oposição, no prazo de
TRÊS DIAS (art.ºs 134.º , n.º 3 do CPTA).

Quando a notificação a pessoa ou órgão em relação ao qual se pretende


fazer uso da prova, não puder ser feita a tempo de, com muita
probabilidade, se realizar a diligência requerida, a pessoa ou o órgão
referido são notificados da realização da diligência, tendo a faculdade de
requerer, no prazo de SETE DIAS, a sua repetição, se esta for possível.

O requerimento a solicitar a produção antecipada de prova é apresentado


com tantos duplicados quantas as pessoas a citar ou a notificar.

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CAPÍTULO VII

DOS RECURSOS JURISDICIONAIS

Quanto aos recursos jurisdicionais:


de salientar que se passa a atender ao valor da causa para determinar se
as sentenças proferidas em primeira instância são passíveis de recurso de
apelação ou de revista.

No que se refere à revista, são introduzidos dois novos recursos de


revista para o Supremo Tribunal Administrativo.

O primeiro deles é um recurso de revista relativo a matérias que, pela


sua relevância jurídica ou social, (art.º 150.º CPTA) se revelem de
importância fundamental, ou em que a admissão do recurso seja necessária
para uma melhor aplicação do direito.
O outro recurso de revista para o Supremo Tribunal Administrativo é
um recurso per saltum (art.º 151.º CPTA) que é admitido quando, em
processos de valor elevado, (superior a 3 milhões de euros ou seja
indeterminável) apenas sejam suscitadas questões de direito, relacionadas
com a violação de lei substantiva ou processual.

Ao Supremo Tribunal Administrativo cabe-lhe apreciar igualmente, os


recursos para uniformização de jurisprudência, fundados em oposição de
acórdãos (art.º 152.º CPTA)

Quanto aos efeitos dos recursos:


Salienta-se o facto de que quando a suspensão dos efeitos da sentença
seja passível de originar situações de facto consumado ou a produção de
prejuízos de difícil reparação para a parte vencedora ou para os interesses
por ela prosseguidos, possa, ser requerido ao tribunal para o qual se recorre
que ao recurso seja atribuído efeito meramente devolutivo (art.º 143.º, n.º
3 CPTA).

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Regime aplicável (art.º 140.º do CPTA):

Os recursos ordinários de decisões jurisdicionais regem-se pela lei de


processo civil, com as necessárias adaptações, e, com excepção dos
fundados em oposição de acórdãos, são processados como os recursos
de agravo, sem prejuízo do estabelecido no CPTA e no Estatuto dos
Tribunais Administrativos e Fiscais.

NOTA:
Conceito de trânsito:
Diz-se que a decisão transita (em julgado) quando não é mais susceptível de recurso
ordinário nem de reclamação por nulidades ou obscuridades ou para reforma quanto
a custas e multa (art.º 677.º do CPC). Assim, basicamente, o trânsito verifica-se
uma vez esgotado o prazo de recurso.

Legitimidade (art.º 141.º CPTA):

Podem recorrer as partes que fiquem vencidas no processo ou seja, a


pessoa directa e efectivamente prejudicada pela decisão e também o
Ministério Público.

Decisões que admitem recurso (art.º 142.º CPTA):

O recurso das decisões que, em primeiro grau de jurisdição, tenham


conhecido do mérito da causa é admitido nos processos de valor superior à
alçada do tribunal do qual se recorre.

Admitem recurso as causas que, em sede executiva:

‰ declarem a existência de causa legítima de inexecução,


‰ pronunciem a invalidade de actos desconformes ou
‰ fixem indemnizações fundadas na existência de causa legítima
de inexecução.

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Para além dos casos previstos na lei processual civil, é sempre admissível
recurso, seja qual for o valor da causa, das decisões:

‰ De improcedência de pedidos de intimação para protecção de


direitos, liberdades e garantias;
‰ Proferidas contra jurisprudência uniformizada pelo Supremo
Tribunal Administrativo;
‰ Que ponham termo ao processo sem se pronunciarem sobre o
mérito da causa.

As decisões proferidas em despachos interlocutórios devem ser impugnadas


no recurso que venha a ser interposto da decisão final, excepto nos casos de
subida imediata previstos no Código de Processo Civil.

Alçada nos tribunais da jurisdição administrativa:

¾ Nos tribunais administrativos e fiscais corresponde àquela que se


encontra estabelecida para os tribunais judiciais de primeira instância
(é de € 3.740,98 - 750 000$00);

¾ No Tribunal Central Administrativo corresponde à que se encontra


estabelecida para os tribunais de relação (é de € 14.963,94 -
3.000.000$00) ;

Nos processos em que exerçam competências de primeira instância, a alçada


do Tribunal Central Administrativo e do Supremo Tribunal Administrativo
corresponde, para cada uma das suas secções, respectivamente à dos
tribunais administrativos e fiscais.

Espécie de recursos e prazo para interposição:

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Av. 5 de Outubro, 125 - 2.º 1069 - 044 Lisboa ✼ Telef.: 21790 64 21 ✼ Fax: 21 790 64 29 ✼ E-Mail: cfoj@dgaj.mj.pt ✼ website: www.dgaj.mj.pt
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Os recursos podem ser:

PRINCIPAIS – que serão interpostos no prazo de 30 dias a contar da


notificação da decisão (n.º 1 do art.º 144.º do CPTA);

SUBORDINADOS – que serão interpostos no prazo de 10 dias a contar


da notificação do despacho que admitiu o recurso principal (n.º 2 do art.º
682.º do CPC “ex vi” art.º 1 CPTA);

ADESÃO – que serão interpostos até ao termo do prazo em que deve ser
apresentada a alegação do recorrente (n.º 3 do art.º 683.º do CPC “ex vi”
art.º 1 CPTA).

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FACE À APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL CIVIL EM MATÉRIA DE RECURSOS


ORDINÁRIOS DAS DECISÕES JURISDICIONAIS, DESENVOLVE-SE O TEXTO,
EM CONSONÂNCIA COM LEI PROCESSUAL CIVIL, COM AS ESPECIFICIDADES
DO CÓDIGO DE PROCESSO NOS TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS:

RECURSOS EM PROCESSO CIVIL

RECURSOS ORDINÁRIOS:

Os recursos ordinários são aqueles que se podem interpor antes de


transitada a sentença.

As decisões judiciais podem ser impugnadas por recurso (art.º 144.º, n.º 2
CPTA).

O despacho que admite o recurso estabelece o efeito, modo e tempo.

O prazo para interposição de recurso é de 30 dias a contar da data da


notificação da decisão recorrida (art.º 144.º, n.º 1 CPTA).

OS RECURSOS ORDINÁRIOS PODEM SER:

INDEPENDENTES/PRINCIPAIS;

SUBORDINADOS;

POR ADESÃO.

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¾ Recurso independente: É o que não depende de qualquer atitude


da parte contrária.

¾ Recurso subordinado: Como o próprio nome indica, depende da


interposição de recurso independente, mantendo-se apenas
enquanto este se mantiver. Assim, a sua interposição deverá ter
lugar no prazo de 10 dias a contar da notificação do despacho
que admitiu o recurso da parte contrária. O recurso caducará
se o recurso principal ficar deserto ou sem efeito, com custas por
aquele recorrente (art.º 682.º).

¾ Recurso por adesão: São recursos que acompanham os


independentes, que não caducam com a desistência do recorrente,
desde que o aderente, no requerimento de adesão, declare que faz
sua a actividade já exercida pelo recorrente independente, bem
como a que vier a exercer.

Este recurso pode ser interposto, por meio de requerimento ou de


subscrição das alegações do recorrente até ao início dos vistos para
julgamento (art.º 683.º CPC).

INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS:
O prazo para interposição de recurso é de 30 dias a contar da data da
notificação da decisão recorrida (art.º 144.º CPTA);

O recurso interpõe-se por meio de requerimento que inclui ou junta a


respectiva alegação e no qual são enunciados os vícios imputados à
sentença, dirigido ao tribunal onde foi proferida a decisão (art.º 144.º, 2
CPTA).

Junto o requerimento ao processo vão os autos conclusos para seu


recebimento (art.º 145.º, n.º 1 CPTA).

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Subidas dos autos:


O recurso de agravo pode subir:

- Imediatamente e nos próprios autos;

- Imediatamente e em separado;

- Com subida diferida.

SUBIDA IMEDIATA E NOS PRÓPRIOS AUTOS

Tramitação:

‰ junção do requerimento de interposição que inclua ou junte a


respectiva alegação;

‰ conlusão ao juiz;

‰ notificação pela secretaria do despacho de recebimento ao


recorrente bem como ao recorrido ou recorridos, a estes
remetendo cópias do requerimento e alegação do recorrente,
para contra-alegarem, querendo;

‰ em seguida aguardarão os autos por 30 dias, (art.º 145.º, n.º 1


CPTA) as alegações escritas dos recorridos;

‰ expedição para o tribunal superior, com cópia impressa ou


dactilografada da decisão recorrida, ou do correspondente
suporte informático (art.º 145.º, n.º 2 CPTA);

‰ Após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a


secretaria notificará o Ministério Público quando este não se
encontre na posição de recorrente ou recorrido, para, querendo,
se pronunciar no prazo de 10 dias, sobre o mérito do recurso
(art.º 146.º, n.º 1 CPTA).

Se o recurso tiver por objecto a reapreciação da prova gravada,


afigura-se-nos que devam ser acrescidos de 10 dias os prazos acima
referidos (n.º 6 do art.º 698.º “ex vi” art.º 1.º CPTA).

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SUBIDA IMEDIATA E EM SEPARADO

Tramitação:

‰ junção do requerimento de interposição que inclua ou junte a


respectiva alegação;

‰ conlusão ao juiz;

‰ notificação pela secretaria do despacho de recebimento ao


recorrente bem como ao recorrido ou recorridos, a estes
remetendo cópias do requerimento e alegação do recorrente,
para contra-alegarem, querendo;

‰ em seguida aguardarão os autos por 30 dias, (art.º 145.º, n.º 1


CPTA) as alegações escritas dos recorridos;

‰ conlusão ao juiz;

‰ após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a


secretaria notificará o Ministério Público quando este não se
encontre na posição de recorrente ou recorrido, para, querendo,
se pronunciar no prazo de 10 dias, sobre o mérito do recurso
(art.º 146.º, n.º 1 CPTA).

Durante os prazos fixados, a secretaria facilitará o processo às partes,


sem prejuízo do andamento regular da causa quando o recurso o não
suspenda, e passará as certidões que tiverem sido pedidas (art.º 742.º, n.º
3 CPC).
Subindo o agravo imediatamente e em separado, as partes
indicarão, após as conclusões das respectivas alegações, as peças do
processo de que pretendem certidão para instruir o recurso.

São sempre transcritos, por conta do agravante:

¾ A decisão de que se recorre;


¾ O requerimento para a interposição do agravo;

certificar-se-á narrativamente:
¾ a data da apresentação do requerimento de interposição;

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¾ a data da notificação ou publicação da decisão recorrida;


¾ a data da notificação do despacho que admitiu o recurso;

As alegações e documentos ficam juntos por linha.

Findos os prazos concedidos às partes para alegarem, a secretaria autua


as alegações do agravante e do agravado com as respectivas certidões e
documentos e faz tudo concluso ao juiz para sustentar o despacho ou
reparar o agravo (art.º 744.º).

Conforme se referiu, se o juiz sustentar o despacho recorrido, o


processado do agravo é desapensado e remetido ao Tribunal
Superior.

Se o juiz reparar o agravo, pode o agravado requerer, dentro de 10 dias a


contar da notificação do despacho reparado, que o processo de agravo suba,
tal como está, para se decidir a questão sobre que recaíram os dois
despachos opostos. Quando o agravado use desta faculdade, fica tendo, a
partir desse momento, a posição de agravante.

Usando desta faculdade e junto o requerimento do agravado (agravante),


abre-se "conclusão", sendo, em princípio, ordenado que o processo suba.
Efectuadas as notificações e cumprido o ordenado pelo juiz o processado
do agravo é desapensado e remetido ao Tribunal Superior, com cópia
dactilografada da decisão recorrida, ou do correspondente suporte
informático.

SUBIDA DIFERIDA

Tramitação:

‰ junção do requerimento de interposição que inclua ou junte a


repectiva alegação;

‰ conlusão ao juiz;

‰ notificação pela secretaria do despacho de recebimento ao


recorrente bem como ao recorrido ou recorridos, a estes
remetendo cópias do requerimento e alegação do recorrente,
para contra-alegarem, querendo;

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‰ em seguida aguardarão os autos por 30 dias, (art.º 145.º, n.º 1


CPTA) as alegações escritas dos recorridos;

‰ após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a


secretaria notificará o Ministério Público quando este não se
encontre na posição de recorrente ou recorrido, para, querendo,
se pronunciar no prazo de 10 dias, sobre o mérito do recurso
(art.º 146.º, n.º 1 CPTA).

Se o agravo não subir imediatamente (subida diferida, nunca sobe


imediatamente), apresentadas as alegações e proferido o despacho de
sustentação, os termos posteriores do recurso ficam suspensos até ao
momento em que este deva subir.

Sendo o agravo reparado, são suspensos igualmente os termos


posteriores ou findo o recurso, conforme o agravado use ou não da
faculdade concedida pelo n.º 3 do art.º 744.º do CPC.

Quando chegue o momento em que o agravo deva subir, se a subida não


tiver lugar nos autos principais, são as partes notificadas para indicar, se o
não houverem já feito, as peças do processo de que pretendem certidão.

Se, por qualquer motivo, ficar sem efeito o recurso com o qual o agravo
deva subir, observar-se-á o disposto no n.º 2 do art.º 735.º (não havendo
recurso da decisão final que ponha termo ao processo, os agravos que
deviam subir com esse recurso ficam sem efeito, salvo se tiverem
interesse para o agravante independentemente daquela decisão), como se
tal recurso não tivesse sido interposto (art.º 747.º).

Ao apresentar as alegações no recurso que motiva a subida dos agravos


retidos, o agravante especificará obrigatoriamente, nas conclusões, quais os
que mantêm interesse.

Se omitir esta especificação, o relator convidará a parte a apresentá-la, no


prazo de 5 dias, sob a cominação de, não o fazendo, se entender que
desiste dos agravos retidos. (art.º 748.º).

RECURSOS DE REVISTA:

Trata-se de um recurso que cabe, das decisões proferidas em segunda


instância pelo Tribunal Central Administrativo para o Supremo Tribunal
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Administrativo, quando esteja em causa a apreciação de uma questão que,


pela sua relevância jurídica ou social, se revista de uma importância
fundamental ou quando a admissão do recurso seja claramente necessária
para uma melhor aplicação do direito.

A revista só pode ter como fundamento a violação da lei substantiva ou


processual.

Repare-se que a admissão de um recurso de revista para o Supremo


Tribunal Administrativo vem introduzir no contencioso administrativo
português a possibilidade de uma segunda instância de recurso e, portanto,
de um triplo grau de jurisdição.

Considerou-se adequada a introdução desta via pelo facto de, no novo


quadro de distribuição de competências, ser ao Tribunal Central
Administrativo que incumbe funcionar como instância normal de recurso e se
afigurar útil que, em matérias de maior importância, o Supremo Tribunal
Administrativo possa ter uma intervenção que, mais do que decidir
directamente um grande número de casos, possa servir para orientar os
tribunais inferiores, definindo o sentido que deve presidir à respectiva
jurisprudência em sectores que devam ser considerados mais importantes.

Tramitação

Com a finalidade de não repetirmos situações, apenas referimos que à


interposição, apresentação de alegações e expedição do recurso, é
aplicável o preceituado acerca dos recursos ordinários, sendo o mesmo
processado como o de agravo (cfr. art.º 140.º e segs. do CPTA).

Após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a secretaria


notificará o Ministério Público quando este não se encontre na posição de
recorrente ou recorrido, para, querendo, se pronunciar no prazo de 10
dias, sobre o mérito do recurso (art.º 146.º, n.º 1 CPTA).

RECURSO DE REVISTA “PER SALTUM” PARA O SUPREMO TRIBUNAL


ADMINISTRATIVO
Também podem ser dirigidos recursos de revista, interpostos per saltum,
com exclusivo fundamento em questões de direito, de decisões de mérito
proferidas pelos tribunais administrativos e fiscais em processos de valor
mais elevado ou indeterminável.
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Tramitação

À interposição, apresentação de alegações e expedição do recurso, é


aplicável o preceituado acerca dos recursos ordinários, sendo o mesmo
processado como o de agravo (cfr. art.º 140.º e segs. do CPTA).
Após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a secretaria
notificará o Ministério Público quando este não se encontre na posição de
recorrente ou recorrido, para, querendo, se pronunciar no prazo de 10
dias, sobre o mérito do recurso (art.º 146.º, n.º 1 CPTA).

RECURSO PARA UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA:

Ao Supremo Tribunal Administrativo, cabe-lhe apreciar os recursos para


uniformização de jurisprudência, (art.º 152.º CPTA) fundados em oposição
de acórdãos, quando sobre a mesma questão fundamental de direito, exista
contradição:

‰ Entre acórdão do Tribunal Central Administrativo e acórdão


anteriormente proferido pelo mesmo Tribunal ou pelo Supremo
Tribunal Administrativo;

‰ Entre dois acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo.

Tramitação:
O recurso interpõe-se no prazo de 30 dias contado do trânsito em julgado
do acórdão impugnado.
A petição do recurso é acompanhada de alegação na qual se identifiquem,
de forma precisa e circunstanciada os aspectos de identidade que
determinam a contradição alegada e a infracção imputada à sentença
recorrida.

Após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a secretaria


notificará o Ministério Público quando este não se encontre na posição de
recorrente ou recorrido, para, querendo, se pronunciar no prazo de 10
dias, sobre o mérito do recurso (art.º 146.º, n.º 1 CPTA).

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RECURSOS URGENTES

Nos processos urgentes, os recursos são interpostos mediante requerimento


que inclui ou junte a respectiva alegação, no prazo de 15 dias e sobem
imediatamente, no processo principal ou no apenso em que a decisão tenha
sido proferida, quando o processo esteja findo no tribunal recorrido, ou
sobem em separado, no caso contrário (art.º 147.º CPTA).

Os prazos a observar são reduzidos a metade.

Face à redução dos prazos a metade, o recorrido terá o prazo de 15 dias


para apresentar as suas contra-alegações depois de ter sido notificado
oficiosamente pela secretaria, nos termos do art.º 145.º, n.º 1 do CPTA.

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CAPÍTULO VIII

RECLAMAÇÃO CONTRA A NÃO ADMISSÃO OU RETENÇÃO


DO RECURSO
(Art.º 688.º do CPC)

Para o caso do juiz não admitir ou retenha o recurso, cabe deste despacho,
RECLAMAÇÃO a interpor por meio de requerimento dirigido ao Presidente
do Tribunal que seria competente para dele conhecer, no prazo de 10
dias, contados da notificação, no qual se deverão indicar as razões que
impõem a admissão do recurso e as peças processuais de que se pretende
certidão.

Este requerimento será logo autuado por apenso e concluso ao juiz, que
proferirá decisão a admitir o recurso ou a manter a sua decisão anterior:

No 1º caso - o apenso é incorporado ao processo principal e tudo se


passa como se o recurso tivesse sido logo admitido;

No 2º caso – é notificada a parte contrária, que poderá responder no


prazo de 10 dias; juntas as certidões das peças indicadas pelo
reclamante e pelo juiz será o apenso remetido ao tribunal competente.

SEGUE EXEMPLO DE CERTIDÃO PARA INSTRUIR RECLAMAÇÃO:

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-CERTIDÃO-
(art.º 688.º CPC)

Processo Acção .............. N.º Sec.º


Autor 1
Mandatário Judicial
do Autor 2
Réu 1
Mandatário Judicial
do Réu 2

A.........(nome)........................, esc....(categoria)...., a exercer funções na __.ª sec.º do


do Tribunal ................................................................................................................
Certifica que as ___ folhas seguintes constituem fotocópias em que se reproduzem integral
e fielmente as peças constantes de fls. .............. do processo acima referenciado.-----------
Certifica, ainda, que o despacho de fls. ... dos autos (reproduzido a fls. ... desta certidão)
foi notificado ao reclamante .........(nome)........... em ___/___/___3.-------------------------
..........................................4 ....................................................................................
É quanto se certifica, nos termos e para os efeitos do disposto no art.º 688.º n.º 4 do CPC.-
____________, ____ de _______________ de 200__
_______________________5_______________________

1
Identificar as partes pelos nomes, profissões, sedes ou domicílios – cfr. art. 467.º n.º 1-a) do CPC.
2
Identificar os mandatários judiciais representantes das partes – nome e domicílio profissional.
3
No caso de notificação por via postal, a data a indicar é aquela em que se presume efectuada a notificação, ou seja, o 3.º dia
posterior ao do registo postal ou o 1.º dia útil seguinte a este – cfr. art. 254.º n.º 2 do CPC -, independentemente de a
notificação ocorrer ou não em período de férias judiciais – cfr. art. 143.º n.º 2 do CPC.---
4
Se alguma das partes litigar com benefício de apoio judiciário far-se-á menção desse facto, com expressa referência à
modalidade do benefício.
5
Assinatura do oficial de justiça emitente da certidão, autenticada com o selo branco em uso na secretaria..

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CAPÍTULO IX

RECURSO DE REVISÃO

Os recursos de revisão são os que se podem interpor depois de transitada a


sentença.

Este recurso é o meio posto à disposição das partes, com vista à “reparação
de certos vícios da decisão que resultam em regra de defeito na organização
do processo”.

Destina-se a atacar uma sentença já transitada em julgado (art.º 154.º do


CPTA) sendo subsidiariamente aplicável o disposto no Código de Processo
Civil.

Não pode ser interposto se tiverem decorrido mais de 5 anos sobre o


trânsito em julgado da decisão e o prazo para interposição do recurso é
de 60 dias, contados:

‰ nos casos das als. a), b) e d) do art.º 771.º do CPC, desde o


trânsito em julgado da sentença em que se funda a revisão; e
‰ nos outros casos, desde que a parte obteve o documento ou teve
conhecimento do facto que serve de base à revisão.
Se, porém, devido a demora anormal na tramitação da causa em que se
funda a revisão existir risco de caducidade, pode o interessado interpôr
recurso mesmo antes de naquela ser proferida a decisão, requerendo logo a
suspensão da instância no recurso, até que essa decisão transite em
julgado.

Tramitação:
‰ Apresentação do requerimento de interposição de recurso que deve
especificar quais os fundamentos do recurso bem como as provas
que possui (art.ºs 772.º e 773.º do CPC. e 156.º do CPTA);
‰ admitido o recurso o juiz ou o relator manda apensá-lo ao processo
a que respeita, que para o efeito é avocado ao arquivo onde se

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encontre, e ordena a notificação de todos os que tenham


intervindo no processo em que foi proferida a decisão a rever;
‰ autuação, por apenso ao processo onde foi proferida a decisão a
rever;
‰ notificação pessoal de todos os que tenham intervindo no processo
em que foi proferida a decisão a rever para responder em 20 dias
(art.º 774.º, n.º 3 do CPC e 156.º, n.º 1 do CPTA);
‰ conclusão após resposta dos recorridos ou após termo do respectivo
prazo.
‰ após a distribuição do processo no tribunal de recurso, a secretaria
notificará o Ministério Público quando este não se encontre na
posição de recorrente ou recorrido, para, querendo, se pronunciar
no prazo de 10 dias, sobre o mérito do recurso (art.º 146.º, n.º 1
CPTA).

O recurso não tem efeito suspensivo (art.º 774.º, n.º 4 do CPC).

Apresentada a resposta do recorrido ou terminado o respectivo prazo, o


tribunal conhecerá dos fundamentos da revisão, seguindo os autos o
estabelecido para aquele em que tenha sido proferida a decisão a rever,
sendo a questão novamente julgada e mantida ou revogada, a final, a
decisão recorrida (art.º 775,º do CPC e 156.º, n.º 2 do CPTA).

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CAPÍTULO X

DO PROCESSO EXECUTIVO

Para além da introdução de instrumentos que reforçam significativamente os


meios de que os tribunais administrativos passam a dispor para forçar as
entidades administrativas a cumprir as sentenças que contra elas proferem,
o Título VIII (Art.º 157.º e seguintes) introduz uma reformulação profunda e
clarificadora do regime da execução das sentenças da jurisdição
administrativa.

A clarificação começa no facto, de passar a ser possível deduzir, logo no


processo declarativo, pretensões que, até hoje, só podiam ser formuladas no
processo de execução de julgados (cfr. art.º 4.º CPTA).

Não se deixa de prever um processo que se qualificou como «de execução


das sentenças de anulação», em que se continua a admitir que possam
ser deduzidas as pretensões, complementares em relação à anulação, que
não tenham sido cumuladas no próprio processo impugnatório e que se
dirijam ao cumprimento do clássico dever de a Administração executar a
sentença de anulação. (Processo cuja tramitação é aquela que mais se
aproxima do modelo do processo de execução de julgados do Decreto-Lei
n.º 256-A/77, de 17 de Junho).

Deixa de ser este o modelo único ou, sequer, o modelo principal do regime
da execução das sentenças dos tribunais administrativos, que passa a
assentar, tal como sucede no processo civil, em dois pólos que
correspondem a dois novos e verdadeiros processos executivos:

‰ para pagamento de quantia certa e


‰ para prestação de factos ou de coisas.

No que se refere às disposições gerais em matéria executiva, referência,


antes de mais, para a inovadora possibilidade que é reconhecida aos
interessados de pedirem a um tribunal administrativo que lance mão dos
meios que o regime do processo executivo lhe confere para proceder à
execução judicial de actos administrativos inimpugnáveis a que a
Administração não dê a execução devida (cfr. art.º 157.º, n.º 3 CPTA).
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Prevê-se que, dentro de certos condicionalismos sobretudo dirigidos à


protecção de terceiros, os efeitos de uma sentença transitada em julgado
que tenha anulado um acto administrativo desfavorável ou reconhecido uma
situação jurídica favorável a uma ou várias pessoas possam ser estendidos a
outras que se encontrem na mesma situação jurídica. Os interessados
podem, assim, exigir à entidade administrativa contra quem a sentença
tenha sido proferida que os coloque na mesma situação que deve
corresponder aos beneficiários da sentença e mover o competente processo
executivo, no caso de a entidade requerida não satisfazer a pretensão.

Continua, a prever-se a conversão do processo de execução num processo


de fixação da indemnização devida, no caso de se verificar a existência de
causa legítima de inexecução; e ao poder de declarar nulos os actos
desconformes com a sentença é acrescentado o poder de o tribunal também
anular, no âmbito do próprio processo executivo, os eventuais actos
administrativos que se proponham manter, sem fundamento válido, a
situação ilegal.

No plano da execução para pagamento de quantia certa, a principal inovação


reside no reconhecimento da possibilidade de o credor se ressarcir através
da compensação do seu crédito com eventuais dívidas que o onerem para
com a mesma entidade administrativa. A compensação decretada pelo juiz
funciona, nesse caso, como título de pagamento, total ou parcial, da dívida
que o exequente tinha para com a Administração, sendo oponível a
eventuais reclamações futuras do respectivo cumprimento (cfr. art.º 170.º,
n.º 2 alínea a)).

Prevê-se de forma clara que, quando no Orçamento do Estado não exista


dotação orçamental suficiente, à ordem do Conselho Superior dos Tribunais
Administrativos e Fiscais, afecta ao pagamento de quantias devidas a título
de cumprimento de decisões jurisdicionais, o credor possa pedir ao tribunal
administrativo que dê seguimento à execução, aplicando o regime da
execução para pagamento de quantia certa do Código de Processo
Civil.

DISPOSIÇÕES GERAIS (art.º157.º CPTA):

Âmbito de aplicação
A execução das sentenças proferidas pelos tribunais administrativos contra
entidades públicas é regulada no CPTA, (excepção feita ao disposto no n.º

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8 do art.º 172.º, que segue o regime da execução para pagamento de


quantia certa, regulado na lei processual civil).
A execução das sentenças proferidas pelos tribunais administrativos contra
particulares também correm nos tribunais administrativos, e regem-se pelo
disposto na lei processual civil.

EFICÁCIA DA SENTENÇA (art.º 160.º CPTA):


Os prazos dentro dos quais se impõe à Administração o cumprimento das
sentenças proferidas pelos tribunais administrativos correm a partir do
respectivo trânsito em julgado.
Quando a sentença tenha sido objecto de recurso a que tenha sido atribuído
efeito meramente devolutivo, os prazos correm com a notificação à
Administração da decisão mediante a qual o tribunal tenha atribuído efeito
meramente devolutivo ao recurso.

PRAZOS DA ADMINISTRAÇÃO PARA A EXECUÇÃO EXPONTÂNEA DAS


SENTENÇAS:
DISPOSIÇÃO
TIPO DE EXECUÇÃO PRAZO
LEGAL
Execução para prestação de Art.º 162.º 3 meses
facto ou de coisas
Execução para pagamento de Art.º 170.º 30 dias
quantia certa
Execução de anulação de Art.º 175.º 3 meses
actos administrativos

ENTRADA NA SECRETARIA DA ACÇÃO EXECUTIVA:

Toda a execução tem por base uma sentença (art.º 157.º CPTA.).

O n.º 2 do art.º 211.º do CPC “ex.vi” art.º 1 CPTA, refere que:

“as causas que por lei ou despacho devam considerar-se dependentes de


outras são apensadas àquelas de que dependerem”;

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também a al. a) do n.º 1 do mesmo preceito, excepciona da distribuição os


papéis que, não obstante importarem começo de causa, são dependência de
outra já distribuída;

por outro lado, a lei diz que a execução de sentença corre por apenso
ao processo onde a decisão foi proferida (art.º 90.º CPC.).

Tudo isto equivale a dizer que a execução de uma sentença proferida numa
acção comum ou especial, correrá, sem lugar a distribuição, por apenso à
respectiva acção.

O processo executivo do processo civil, aplicável a particulares,


como dispõe o art.º 157.º, n.º 2 do CPTA destina-se:

¾ ao pagamento de quantia certa (art.º 811.º);


¾ a entrega de coisa certa (art.º 928.º); e
¾ a prestação de facto (art.º 933.º todos do CPC.)

A MATÉRIA DO PROCESSO EXECUTIVO PREVISTO NO PROCESSO CIVIL


ENCONTRA-SE TRATADA NOS TEXTOS DE APOIO DO CFOJ DEDICADOS À
REFORMA DA ACÇÃO EXECUTIVA.

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CAPÍTULO XI

DO PROCESSO EXECUTIVO PREVISTO


NO C.P.T.A.

EXECUÇÃO PARA PRESTACÇÃO DE FACTO OU DE COISAS


(Art.º 162.º e segs CPTA):

As sentenças dos tribunais administrativos que condenem a Administração à


prestação de factos ou à entrega de coisas devem ser espontaneamente
executadas pela própria Administração no prazo máximo de três meses,
salvo ocorrência de causa legítima de inexecução, segundo o disposto no
artigo seguinte (art.º 162.º, n.º 1 CPTA).

Quando a Administração não dê execução à sentença de anulação, pode o


interessado fazer valer o seu direito à execução perante o tribunal que tenha
proferido a sentença em primeiro grau de jurisdição (art.º 164.º, n.º 1
CPTA).

Petição e notificação:
Verificado todo o formalismo da entrega da petição (inclusivé a entrega do
documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial, é a
petição inicial autuada por apenso aos autos em que foi proferida a decisão
exequenda e elaborado o termo de “Conc.” (art.º 165.º do CPTA).

Em seguida será ordenada a notificação da entidade ou entidades obrigadas


para, no prazo de 20 dias , executarem a sentença ou deduzirem oposição
(art.º 165.º, n.º 1 CPTA).

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Exemplo de notificação:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à notificação da autoridade requerida para deduzir
oposição (art.º 165.º CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com A.R.)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____

Assunto: Notificação por carta registada com AR

Nos termos do disposto no art.º 165.º, n.º 1 do Código de Processo nos Tribunais
Administrativos, fica (indicar a entidade) NOTIFICADA para, no prazo de 20 dias, executar
a sentença ou deduzir oposição que tenha, podendo o fundamento da oposição consistir na
invocação da existência de causa legítima de inexecução da sentença ou da circunstância de
esta ter sido entretanto executada.

Ao prazo de oposição acresce uma dilação de: ... dias.

A notificação considera-se efectuada no dia da assinatura do AR

O prazo é continuo, suspendendo-se, no entanto, durante as férias judiciais.6

Terminando o prazo em dia que os tribunais estiverem encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

Juntam-se, para o efeito, um duplicado da petição e as cópias dos documentos que se


encontram nos autos.

O Oficial de Justiça,

6
As férias judiciais decorrem de 22 de Dezembro a 3 de Janeiro; de domingo de Ramos à segunda-feira de Páscoa e de 16 de Julho a 14 de
Setembro.
.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
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Oposição:
Sendo apresentada e recebida a oposição, a execução suspende-se, sendo o
exequente notificado para replicar, no prazo de 10 dias. Esta notificação não
tem caracter oficioso uma vez que antes do mais a oposição terá que ser
recebida, como consagra o n.º 2 do art.º 165.º do CPTA, deverão ser assim
os autos conclusos logo que junta a oposição.

Réplica:
Junta a réplica do exequente ou expirado o respectivo prazo sem que ele
tenha manifestado a sua concordância com a oposição deduzida pela
Administração, o tribunal ordena as diligências instrutórias que considere
necessárias, findo o que se segue a abertura de vista simultânea aos juizes
adjuntos, caso se trate de tribunal colegial.

EXECUÇÃO PARA PAGAMENTO DE QUANTIA CERTA


(Art.º 170.º e segs CPTA):

Na execução para pagamento de quantia certa, a principal inovação reside


no reconhecimento da possibilidade de o credor se ressarcir através da
compensação do seu crédito com eventuais dívidas que o onerem para com
a mesma entidade administrativa (cfr. art.º 170.º, n.º 2 alínea a)).

Prevê-se de forma clara que, quando no Orçamento do Estado não exista


dotação orçamental suficiente, à ordem do Conselho Superior dos Tribunais
Administrativos e Fiscais, afecta ao pagamento de quantias devidas a título
de cumprimento de decisões jurisdicionais, o credor possa pedir ao tribunal
administrativo que dê seguimento à execução, aplicando o regime da
execução para pagamento de quantia certa do Código de Processo Civil.

TRAMITAÇÃO PROCESSUAL

Petição e notificação:
Verificado todo o formalismo da entrega da petição (inclusivé a entrega do
documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial, é a
petição inicial autuada por apenso e elaborado o termo de “Conc.” (art.º
171.º do CPTA).
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Não havendo motivo para indeferimento liminar ou aperfeiçoamento do


requerimento executivo, o juiz ordenará então a notificação da entidade
obrigada para pagar no prazo de 20 dias ou deduzir oposição à execução,
fundada na invocação de facto superveniente, modificativo ou extintivo da
obrigação (art.º 171.º, n.º 1 do CPTA).

Exemplo de notificação:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à notificação da autoridade requerida para deduzir
oposição (art.º 171.º CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com A.R.)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____

Assunto: Notificação por carta registada com AR

Nos termos do disposto no art.º 171.º, n.º 1 do Código de Processo nos Tribunais
Administrativos, fica (indicar a entidade) NOTIFICADA para, no prazo de 20 dias, pagar ou
deduzir oposição fundada na invocação de facto superveniente, modificativo ou extintivo da
obrigação.

A inexistência de verba ou cabimento orçamental não constitui fundamento de oposição à


execução, sem prejuízo de poder ser invocada como causa de exclusão da ilícitude da
inexecução espontânea da sentença, para os efeitos do disposto no art.º 159.º do mesmo
diploma legal.

Ao prazo de oposição acresce uma dilação de: 0 dias.

A notificação considera-se efectuada no dia da assinatura do AR

O prazo é continuo, suspendendo-se, no entanto, durante as férias judiciais.7

Terminando o prazo em dia que os tribunais estiverem encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

7
As férias judiciais decorrem de 22 de Dezembro a 3 de Janeiro; de domingo de Ramos à segunda-feira de Páscoa e de 16 de Julho a 14 de
Setembro.
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Juntam-se, para o efeito, um duplicado da petição e as cópias dos documentos que se


encontram nos autos.

O Oficial de Justiça,

Oposição:
Sendo apresentada e recebida a oposição, a execução suspende-se, sendo o
exequente notificado para replicar, no prazo de 10 dias. Esta notificação não
tem caracter oficioso uma vez que antes do mais a oposição terá que ser
recebida pelo juiz, como consagra o n.º 3 do art.º 171.º do CPTA, deverão
ser assim os autos conclusos logo que junta a oposição.

Réplica:
Junta a réplica do exequente ou expirado o respectivo prazo sem que ele
tenha manifestado a sua concordância com a oposição deduzida pela
Administração, o tribunal ordena as diligências instrutórias que considere
necessárias, findo o que se segue a abertura de vista simultânea aos juizes
adjuntos, caso se trate de tribunal colegial.

EXECUÇÃO DE SENTENÇA DE ANULAÇÃO DE ACTOS


ADMINISTRATIVOS
(Art.º 173.º e segs CPTA):

O processo de «execução das sentenças de anulação», continua a


admitir que possam ser deduzidas as pretensões, complementares em
relação à anulação, que não tenham sido cumuladas no próprio processo
impugnatório e que se dirijam ao cumprimento do clássico dever de a
Administração executar a sentença de anulação - processo cuja tramitação é
aquela que mais se aproxima do modelo do processo de execução de
julgados do Decreto-Lei n.º 256-A/77, de 17 de Junho.

Petição de execução:
Quando a Administração não dê execução à sentença de anulação no prazo
de 3 meses, pode o interessado fazer valer o seu direito à execução perante
o tribunal que tenha proferido a sentença em primeiro grau de jurisdição.

A petição, é autuada por apenso aos autos em que foi proferida a sentença
de anulação e depois de verificado todo o formalismo da sua entrega
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(inclusivé documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça


inicial, é elaborado o termo de “Conc.” (art.º 177.º do CPTA).

Tramitação do processo:
Em seguida será ordenada a notificação da entidade ou entidades
requeridas, bem como dos contra-interessados a quem a satisfação da
pretensão possa prejudicar, para contestarem, querendo, no prazo de 20
dias (art.º 177.º, n.º 1 CPTA).

Exemplo de notificação:

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à notificação da autoridade requerida e contra
interessados para contestar (art.º 177.º, n.º 1 CPTA)

N/referência: _________
Proc.º n.º _________ __
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com A.R.)

N/REFERÊNCIA:
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Lisboa, ____/___/_____

Assunto: Notificação por carta registada com AR

Nos termos do disposto no art.º 177.º, n.º 1 do Código de Processo nos Tribunais
Administrativos, fica (indicar a entidade) NOTIFICADA para, no prazo de 20 dias,
contestar, querendo, a presente execução pelo fundamentos constantes da petição inicial,
cujo duplicado se envia.

Ao prazo de oposição acresce uma dilação de: ... dias.

A notificação considera-se efectuada no dia da assinatura do AR

O prazo é continuo, suspendendo-se, no entanto, durante as férias judiciais.8

Terminando o prazo em dia que os tribunais estiverem encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

O Oficial de Justiça,

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Réplica:
Apresentadas contestações e verificado o prévio pagamento da taxa de
justiça inicial, caso exista, serão aquelas notificadas ao requerente, que
poderá apresentar réplica no prazo de 10 dias (art.º 177.º, n.º 2 CPTA).
Junta a réplica do autor ou expirado o respectivo prazo, o tribunal ordena as
diligências instrutórias que considere necessárias, findo que se segue a
abertura de vista simultânea aos juízes-adjuntos, caso se trate de tribunal
colegial (art.º 177.º, n.º 4 CPTA).

O tribunal decide no prazo de 20 dias e quando julgue procedente a


invocação de causa legítima de inexecução, ordena a notificação da
Administração e do requerente para, no prazo de 20 dias, acordarem no
montante da indemnização devida pelo facto da inexecução, podendo o
prazo ser prorrogado quando seja previsível que o acordo se possa vir a
concretizar em momento próximo (art.º 178.º, n.º 1 CPTA).
Na falta de acordo, seguem-se os trâmites previstos no artigo 166.º do
CPTA.

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DOS INCIDENTES DA INSTÂNCIA


(em Processo Civil)

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CONCEITO:
Por incidentes da instância, poderemos entender como sendo “a actividade
processual inserida numa acção principal visando a solução de questões
secundárias que se prendem, nomeadamente, com a modificação de alguns
dos elementos dessa causa”.
Os incidentes não têm autonomia processual isto é, dependem sempre de
uma causa e os seus fins estão limitados.

DISPOSIÇÕES GERAIS

REGRA GERAL:

Em quaisquer incidentes inseridos na tramitação de uma causa observar-se-


á, na falta de regulamentação especial, o que está estabelecido nos art.ºs
302.º a 304.º do Código de Processo Civil, ou seja, obedecerão a regras
quanto ao prazo de oposição (10 dias), oportunidade de oferecimento dos
meios de prova (requerimento inicial e oposição), número limite de
testemunhas por cada parte (oito).

ENUMERAÇÃO:
O Código de Processo Civil considera incidentes da instância:
A) A VERIFICAÇÃO DO VALOR DA CAUSA
B) A INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
C) A HABILITAÇÃO
D) A LIQUIDAÇÃO
E) Outros a que a lei atribui essa qualidade, tais como:
A incompetência relativa
A falsidade
A suspeição

PROCESSAMENTO:

Os incidentes da instância podem ser processados:

™ Nos próprios autos da acção em que se inserem; e


™ Por apenso

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Processam-se nos próprios autos:

♦ A maioria dos incidentes de intervenção de terceiros – art.ºs 320.º a


350.º do CPC.;
♦ incidente de verificação do valor da causa – art.ºs 305.º a 319.º do
CPC.;
♦ A incompetência relativa – art.º 108.º e seguintes do CPC.;
♦ incidente de habilitação documental – art.º 373.º, n.º 1 do CPC.;
♦ incidente de falsidade – art.º 546.º e seguintes do CPC.;
♦ incidente de liquidação – art.º 378.º e seguintes do CPC.;

Processam-se por apenso:

♦ incidente de suspeição – art.º 129.º, n.º 1 do CPC.;


♦ incidente de embargos de terceiro – art.º 353.º, n.º 1 do CPC.;
♦ incidente de habilitação, quando não documental – art.º 372.º, n.º 2
do CPC.

TRAMITAÇÃO:

No requerimento em que for suscitado o incidente e na oposição que lhe for


deduzida (regra geral, não carecem de obedecer à forma articulada), devem
as partes oferecer logo os róis de testemunhas e requerer os outros meios
de prova.

A oposição ao incidente (opõe-se ao incidente a parte contrária àquela que o


deduziu) é apresentada no prazo de 10 dias – art.º 303.º do CPC..

O número de testemunhas, por cada parte, não poderá ser superior a oito e,
sobre cada facto, a parte não poderá produzir mais de três testemunhas.

Os depoimentos prestados antecipadamente ou por carta são gravados ou


registados nos termos do artigo 522.º-A do CPC..

Quando sejam prestados no tribunal da causa, os depoimentos produzidos


em incidentes que não devam ser instruídos e julgados conjuntamente com
a matéria daquela são gravados se, comportando a decisão a proferir no
incidente recurso ordinário, alguma das partes tiver requerido a gravação.

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O requerimento (gravação) a que atrás se faz referência, deverá ser


apresentado conjuntamente com o requerimento em que se suscita o
incidente e com a oposição ao mesmo – art.º 304.º do CPC..

PROCESSAMENTO DOS INCIDENTES

A) INCIDENTE DE VERIFICAÇÃO DO VALOR DA CAUSA:

Este incidente, está regulado nos art.ºs 305.º a 319.º do CPC..


Tem como finalidade apurar o valor processual de uma causa.
Nos termos do n.º 1, do art.º 305º do CPC., “a toda a causa deve ser
atribuído um valor certo, expresso em moeda legal, o qual representa a
utilidade económica imediata do pedido” ; a obrigação de declarar esse valor
recai sobre o autor, nos termos do disposto na alínea f) do n.º 1 do art.º
467.º do CPC.. A esse valor se atenderá para determinar a competência do
tribunal, a forma de processo comum e a relação da causa com a alçada do
tribunal (o valor tributário, que poderá ou não coincidir com o valor
processual, é determinado segundo as regras do CCJ.).

Valor tributário e processual – ver texto de apoio do CFOJ que versa


sobre custas judiciais nos tribunais administrativos

TRAMITAÇÃO:

Quando provocado (o incidente é provocado pelo réu, podendo sê-lo,


oficiosamente, pelo juiz), inicia-se com a impugnação do valor que o autor
ou requerente atribuiu ao processo, e terá lugar na contestação, devendo o
réu indicar logo outro em sua substituição. Porém, se a indicação do valor
não ocorreu inicialmente (na petição), a declaração posterior será notificada
ao réu que, se já tiverem findado os articulados, poderá impugnar o valor
por meio de requerimento avulso, que não carece de ser apresentado sob a
forma articulada nem em duplicado – art.º 314.º, n.º 3 do CPC..

Embora sujeito a tributação a final, não há lugar ao pagamento de taxa de


justiça inicial . (art.º 16.º e 23.º, n.º 1, do C.C.J.)

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Impugnado o valor, a secretaria deverá notificar, oficiosamente (art.º 229.º,


n.º 2 do CPC.; - cf. art.º 3.º do CPC.), a parte contrária para responder,
notificação esta a efectuar na pessoa do mandatário judicial (art.º 253.º, n.º
1 do CPC.). Porque a lei não fixa prazo, a resposta deverá ser apresentada
no prazo geral de 10 dias, estabelecido no art.º 153.º, n.º 1 do CPC..

O valor considera-se definitivamente fixado, na quantia que as partes


tiverem acordado, expressa ou tacitamente, logo que seja proferido o
despacho saneador.

Nos casos a que se refere o n.º 3 do art.º 308.º do CPC. e naqueles em que
não haja lugar a despacho saneador, o valor da causa considera-se
definitivamente fixado logo que seja proferida a sentença – art.º 315.º do
CPC..

Quando as partes não tenham chegado a acordo ou o juiz o não aceite, o


valor poderá ser fixado em face dos elementos do processo ou mediante
arbitramento, requerido pelas partes ou ordenado pelo juiz – art.º 317.º do
CPC..

Se for necessário proceder a arbitramento, será feito por um único perito


nomeado pelo juiz, não havendo neste caso segundo arbitramento – art.º
318.º do CPC..

CONSEQUÊNCIAS DA DECISÃO DO INCIDENTE DE VERIFICAÇÃO DO


VALOR:

Face ao disposto no art.º 319.º do CPC., decidido o incidente, o valor


atribuído à causa poderá influir imediatamente:

Na competência do tribunal:

Se se verificar que o tribunal singular é incompetente, são os autos oficiosa-


mente remetidos ao tribunal competente;

Na forma de processo:

Se, face ao valor, resultar ser outra a forma de processo correspondente à


acção, mantendo-se a competência do tribunal, é mandada seguir a forma
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apropriada, sem anular o processado anterior e corrigindo-se, se for caso


disso, a distribuição efectuada;

Na necessidade de patrocínio judiciário:

Se do novo valor verificado resultar a obrigatoriedade de patrocínio


judiciário, que o primitivo valor não exigia, a parte não patrocinada terá de
constituir advogado.

Pela importância de que se reveste, salientamos o que está estabelecido no


art.º 12.º do Código das Custas Judiciais que, no seu n.º 1 estabelece: “Se,
em face do processo, o valor for ilíquido, desconhecido ou parecer
superior ao declarado pelas partes, nos casos em que a este deva
atender-se, a secção indicará na conclusão do processo para
sentença ou despacho final o valor que lhe parecer exacto e o modo
de o verificar”

Independentemente da informação anteriormente prevista, o juiz pode


fixar à causa o valor que repute exacto, designadamente ordenando a sua
verificação nos termos da lei de processo – art.º 12.º, n.º 2 do CCJ..
Quando o incidente for suscitado pela informação da secção ou por iniciativa
do juiz, será isento de custas, no que respeita a taxa de justiça; se houver
necessidade de ser efectuada peritagem, terá de ser pago o seu custo - art.º
3.º, n.º 1 , alínea i) do CCJ..

B) INCIDENTE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS

INTERVENÇÃO PRINCIPAL

INTERVENÇÃO ESPONTÂNEA:
Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 320.º a 324.º do CPC..

QUEM PODE INTERVIR


Pode intervir na causa como parte principal (art.º 320.º do CPC.):

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- aquele que, em relação ao objecto da causa, tiver um interesse igual


ao do autor ou do réu, nos termos dos art.ºs 27.º e 28.º do CPC.
(litisconsórcio voluntário ou necessário); e

- aquele que, nos termos do art.º 30.º do CPC., pudesse coligar-se


com o autor, sem prejuízo do disposto no artigo 31.º do CPC.
(coligação).

O pedido de intervenção poderá ser feito através de articulado próprio ou


de simples requerimento, consoante a fase em que o processo se
encontre, nos termos do disposto no art.º 323.º do CPC..

O interveniente principal faz valer um direito próprio, paralelo ao do autor ou


do réu, apresentando o seu próprio articulado ou aderindo aos apresentados
pela parte com quem se associa – art.º 321.º do CPC..

O pedido de intervenção não está sujeito ao regime estabelecido no art.º


303.º do CPC., que determina a obrigação das partes requererem e
oferecerem os meios de prova com o requerimento em que deduzam
qualquer incidente, pois o oferecimento dos meios de prova segue o que
está estabelecido para os articulados da causa principal.

Muito embora não seja claro, parece resultar do art.º 324.º do CPC. que o
pedido de intervenção suspende (de certa forma) os termos da causa
principal, porquanto:

♦ se a intervenção for deduzida antes de proferido o despacho saneador,


este não deverá ser proferido antes de terminarem os articulados do
incidente ou, se a intervenção tiver sido apresentada por simples
requerimento, depois de terminar o prazo para oposição ao requerido
pelo interveniente;

♦ se a intervenção for deduzida depois de proferido o despacho saneador


ou se o processo o não comportar, parece que o juiz não deverá
ordenar o prosseguimento da causa principal (designar data para
julgamento ou proferir sentença) antes de decorrer o prazo para
oposição ao incidente e proferir a respectiva decisão.

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TRAMITAÇÃO:
Junto aos autos o articulado do interveniente ou o seu simples requerimento
(o qual deverá vir acompanhado do documento comprovativo do prévio
pagamento da taxa de justiça inicial do incidente), deverá o processo ser
“concluso” ao juiz para este ordenar, se não houver motivo para rejeição
liminar, a notificação das primitivas partes para, querendo, responderem ou
deduzirem oposição ao pedido de intervenção (art.º 324.º, n.º 1 do CPC.).

Se as primitivas partes responderem, liquidarão previamente taxa de justiça


inicial do incidente; o juiz quando decidir o incidente deverá proferir,
também, decisão quanto a custas.

Se a intervenção for activa (pedido novo diferente do formulado pelo autor)


terá de ser em articulado próprio e o interveniente terá, também, de pagar,
previamente, taxa de justiça inicial relativamente ao pedido que faz. Se o
réu contestar o pedido do interveniente terá de pagar, previamente, taxa de
justiça inicial da incidente, (ver art.ºs 23.º, n.º 1 e 14.º, n.º 1 alínea x, do
CCJ).

A oposição da parte com a qual o interveniente pretende associar-se, será


apresentada, por simples requerimento, no prazo de 10 dias; a parte
contrária deduzirá oposição nos mesmos termos, se o interveniente não
tiver apresentado articulado próprio – art.º 324.º, n.º 2 do CPC..

Se o interveniente tiver apresentado articulado próprio, a parte contrária


cumulará a oposição ao incidente com a que deduza contra o articulado do
interveniente, seguindo-se os demais articulados admissíveis: se o articulado
do interveniente for uma petição inicial (interesse paralelo ao do A.), o réu
poderá opor-se, através de nova contestação e, se o processo o comportar,
poderá o interveniente replicar e o réu treplicar; estes articulados serão
apresentados nos prazos estabelecidos para o processo onde foi deduzido o
pedido (o articulado ou requerimento deduzindo a intervenção deverá vir
acompanhado de duplicados para o autor e para o réu) – art.º 324.º, n.º 3
do CPC..

A admissibilidade do incidente é decidida no despacho saneador, se o


processo o comportar e ainda não tiver sido proferido ou, no caso contrário,
logo após o decurso do prazo para oposição – art.º 324.º , n.º 4 do CPC..
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Se forem deduzidas oposições pelas primitivas partes ou logo que finde o


respectivo prazo, deverá o processo ser concluso ao juiz para que decida da
admissibilidade ou não, da intervenção.

Se for admitida a intervenção, o interveniente goza de todos os direitos de


parte principal, embora tenha de aceitar a causa no estado em que se
encontrar – art.º 322.º do CPC..

Seguir-se-ão, quanto à instrução e julgamento da pretensão do


interveniente, os mesmos termos estabelecidos para a causa principal,
relativamente às primitivas partes: o interveniente apresentará os seus
meios de prova (não estando sujeito aos limites previstos no art.º 304.º), o
julgamento será conjunto e a sentença final apreciará tanto o direito das
primitivas partes como o do interveniente.

Assim, em esquema:
1. junção do requerimento de intervenção principal
espontânea, com documento comprovativo do prévio
pagamento da taxa de justiça;
2. conclusão;
3. notificação das primitivas partes para se oporem no
prazo de 10 dias (com a oposição, deverão juntar
documento comprovativo do prévio pagamento da taxa
de justiça inicial do incidente);
4. apresentada oposição ou decorrido o respectivo prazo,
conclusão para decisão da admissibilidade da
intervenção;
5. admitida a intervenção, seguir-se-ão, quanto à instrução
e julgamento do requerido, os termos estabelecidos para
a causa principal.

INTERVENÇÃO PROVOCADA:

Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 325.º a 329.º do CPC..


Qualquer das partes pode chamar a intervir na causa como parte principal,
aquele que tiver direito a nela intervir, quer seja como seu associado, quer
como associado da parte contrária – art.º 325.º, n.º 1 do CPC..
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O chamamento para intervenção terá de ser feito nos articulados da causa,


ou em requerimento autónomo, até ao momento em que podia deduzir-se a
intervenção espontânea em articulado próprio (art.º 323.º do CPC.), sem
prejuízo do disposto no art.º 269.º, no n.º 1 do art.º 329.º e no n.º 2 do
art.º 869.º do CPC. – art.º 326.º, n.º 1 do CPC..

TRAMITAÇÃO:
Junto ao processo o requerimento de chamamento (o qual deverá vir
acompanhado do documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de
justiça inicial do incidente), deverá a secretaria notificar a parte contrária (o
autor ou o réu, consoante aquele que tenha deduzido o incidente) para
responder. Esta notificação deverá fazer-se oficiosamente, nos termos
do disposto no art.º 229.º, n.º 2 do CPC., quando o incidente tiver sido
interposto na contestação, devendo a parte que deduza o incidente após a
notificação da apresentação da contestação, proceder à notificação da
contraparte, do que fará prova nos autos – art.ºs 326.º, n.º 2, 3.º, 229.º-A
e 260.º-A do CPC. .
A oposição ao chamamento deverá ser apresentada no prazo de 10 dias
estabelecido no n.º 2 do art.º 303.º do CPC., pois trata-se de oposição ao
incidente. E, sendo apresentada, deverá ser junto documento comprovativo
do prévio pagamento da taxa de justiça inicial do incidente.
Decorrido o prazo para oposição, haja-a ou não, deverá o processo ser
“concluso” ao juiz para decidir da admissibilidade do chamamento – art.º
326.º, n.º 2 do CPC. -, decisão esta que deverá conter condenação em
custas, uma vez que o incidente delas não está isento, (art.º s 14.º, n.º 1,
alínea x) e 23.º, n.º 1, do CCJ)
Se for admitida a intervenção, o interessado é chamado a intervir no
processo por meio de citação – art.º 327.º, n.º 1.º do CPC..
O citando recebe, no acto da citação, cópias dos articulados já oferecidos,
apresentados pelo requerente do chamamento. O citado pode oferecer o seu
articulado (neste caso terá de pagar, também, taxa de justiça inicial, igual
ao autor ou ao réu) ou declarar que faz seus os articulados do autor ou do
réu, dentro de prazo igual ao facultado para a contestação da acção,
observando-se, com as necessárias adaptações, o disposto para a interven-
ção espontânea – art.º 327.º, n.ºs 2 e 3 do CPC..

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Passado o prazo anteriormente referido, o chamado poderá ainda intervir no


processo, tendo, contudo, que aceitar os articulados da parte a que se
associa e todos os actos e termos já praticados – art.º 327.º, n.º 4 do CPC..

Se o chamado intervier no processo, a sentença apreciará o seu direito e


constituirá caso julgado em relação a ele – art.º 328.º, n.º 1 do CPC.;

se o chamado não intervier no processo a sentença só constitui, quanto a


ele, caso julgado, nos termos previstos no n.º 2 do art.º 328.º do CPC..

Assim, em esquema:
1. junção do requerimento de intervenção principal
(apresentado pelo A. ou pelo R., o qual deverá vir
acompanhado do documento comprovativo do prévio
pagamento da justiça inicial do incidente);
2. notificação oficiosa da parte contrária para se opor no
prazo de 10 dias, quando o incidente for interposto na
contestação;
3. apresentada oposição, pagamento da taxa de justiça
inicial do incidente (pagamento efectuado por
autoliquidação);
4. apresentada oposição ou decorrido o respectivo prazo,
conclusão para decisão da admissibilidade da
intervenção;
5. admitida a intervenção, citação do interessado.

INCIDENTE DE INTERVENÇÃO ACESSÓRIA

Este incidente está regulado nos art.ºs 330.º e segts. do CPC..

O réu que tenha acção de regresso contra terceiro, para ser indemnizado do
prejuízo que lhe cause a perda da demanda, pode chamá-lo a intervir como
auxiliar na defesa sempre que o terceiro careça de legitimidade para intervir
como parte principal.

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A intervenção do chamado circunscreve-se à discussão das questões que


tenham repercussão na acção de regresso invocada como fundamento do
chamamento – art.º 330.º do CPC..

O chamamento é deduzido pelo réu na contestação ou, se este não


pretender contestar, no prazo que teria para o efeito.

TRAMITAÇÃO:
Junta aos autos a contestação do réu ou, se este não contestar, o
requerimento de chamamento (o qual deverá vir acompanhado do
documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial do
incidente ou do incidente e da contestação, caso tenha contestado), a
secretaria deverá notificar a parte contrária para responder. Esta
notificação deverá fazer-se oficiosamente, nos termos do disposto no
art.º 229.º, n.º 2 do CPC. – art.ºs 331.º, n.º 2, e 3.º, ambos do CPC..
A parte contrária apresentará a sua resposta, no prazo geral de 10 dias,
previsto no art.º 153.º, n.º 1 do CPC..

Decorrido o prazo, haja ou não resposta da parte contrária, o processo será


feito “concluso” ao juiz para efeitos de admissão do chamamento.

Se for admitido o chamamento, o chamado será citado para contestar, no


prazo estabelecido para a respectiva acção e passa a beneficiar do estatuto
de assistente, aplicando-se, com as necessárias adaptações, o disposto no
art.º 337.º e seguintes - art.º 332.º, n.º 1 do CPC..

Se vier a tornar-se inviável a citação pessoal do chamado, não há lugar à


sua citação edital, devendo o juiz dar por findo o incidente (art.º 332.º,
n.º 2 do CPC.).

Passados três meses sobre a data em que foi inicialmente deduzido o


incidente sem que se mostrem realizadas todas as citações a que este haja
dado lugar, pode o autor requerer o prosseguimento da causa principal,
após o termo do prazo de que os réus já citados beneficiarem para contestar
– art.º 333.º do CPC..

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Assim, em esquema:

1. junção do requerimento de intervenção, apresentado


pelo R. (o qual deverá vir acompanhado do documento
comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça
inicial do incidente));
2. notificação oficiosa da parte contrária (o Autor) para
se opor no prazo de 10 dias;
3. apresentada oposição, pagamento da taxa de justiça
inicial do incidente (pagamento efectuado por
autoliquidação);
4. apresentada oposição ou decorrido o respectivo prazo,
conclusão para decisão da admissibilidade da
intervenção;
5. admitida a intervenção, citação do chamado para
contestar em prazo igual ao facultado ao réu primitivo

INTERVENÇÃO ACESSÓRIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO:

Como se processa: - art.º 334.º do CPC.


Sempre que, nos termos da respectiva Lei Orgânica (Lei n.º 60/98, de
28/08), o Ministério Público deva intervir acessoriamente na causa, ser-lhe-á
oficiosamente notificada a pendência da acção, logo que a instância se
considere iniciada.

Compete ao Ministério Público, como interveniente acessório, zelar pelos


interesses que lhe estão confiados, exercendo os poderes que a lei
processual confere à parte acessória e promovendo o que tiver por
conveniente à defesa dos interesses da parte assistida.

O Ministério Público é notificado para todos os actos e diligências, bem como


de todas as decisões proferidas no processo, nos mesmos termos em que o
devam ser as partes na causa, tendo legitimidade para recorrer quando o
considere necessário à defesa do interesse público ou dos interesses da
parte assistida.
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Até à decisão final e sem prejuízo das preclusões previstas na lei de


processo, pode o Ministério Público, oralmente ou por escrito, alegar o que
se lhe oferecer em defesa dos interesses da pessoa ou entidade assistida.

Assim, logo que seja distribuída acção em que o MºP.º deva intervir como
parte acessória, será feita a sua notificação.

INCIDENTE DE ASSISTÊNCIA:

Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 335.º a 341.º do CPC..


Estando pendente uma causa, pode um terceiro nela intervir na qualidade de
assistente, para auxiliar qualquer das partes, quando tenha interesse
jurídico em que a decisão do pleito seja favorável a essa parte. É um
incidente que não pode ser provocado, antes terá de ser requerido pela
pessoa interessada em prestar a assistência.

O assistente pode intervir a todo o tempo, mas tem de aceitar o processo no


estado em que se encontrar.

O pedido de assistência pode ser deduzido em requerimento especial ou em


articulado ou alegação que o assistido estivesse a tempo de oferecer.

TRAMITAÇÃO:
Junto ao processo o requerimento de intervenção (o qual deverá vir
acompanhado do documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de
justiça inicial do incidente), é o processo feito “concluso” ao juiz que, se o
não indeferir liminarmente, mandará notificar a parte contrária à que o
assistente se propõe auxiliar.

A oposição poderá ser apresentada no prazo de 10 dias (art.º 303.º do


CPC.), e, se o for, a parte contrária efectuará o prévio pagamento de taxa
de justiça inicial do incidente. Haja ou não oposição, o juiz decide
imediatamente, ou logo que seja possível, se a assistência é legítima – art.º
336.º, n.º 3 do CPC..

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Os assistentes gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos


deveres que a parte assistida, mas a sua actividade está subordinada à da
parte principal, não podendo praticar actos que esta tenha perdido o direito
de praticar nem assumir atitude que esteja em oposição com a do assistido;
havendo divergência insanável entre a parte principal e o assistente,
prevalece a vontade daquela – art.º 337.º, n.º 2 do CPC..

O assistente poderá, assim, apresentar contestação que, contudo, terá de


ter lugar antes de decorrido o prazo de defesa do assistido.

Se o assistido vier a ficar em situação de revelia, o assistente, mesmo que


não tenha apresentado contestação, poderá praticar todos os actos e
requerer tudo quanto ao assistido, se estivesse presente, seria lícito fazer,
podendo, inclusivé, interpor recursos, como se fosse parte principal.

A assistência não afecta os direitos das partes principais, que podem


livremente confessar, desistir ou transigir, findando em qualquer destes
casos a intervenção – art.º 340.º do CPC..

A sentença proferida na causa constitui caso julgado em relação ao


assistente, que é obrigado a aceitar, em qualquer causa posterior, os factos
e o direito que a decisão judicial tenha estabelecido, excepto nos casos
previstos nas alíneas a) e b) do art.º 341.º do CPC..

Assim, em esquema:
1. junção do requerimento do assistente (o qual deverá
vir acompanhado do documento comprovativo do prévio
pagamento da taxa de justiça inicial do incidente);
2. conclusão para admissão do incidente;
3. admitido o incidente, notificação da parte contrária à
que o assistente se propõe auxiliar para se opor no prazo
de 10 dias;
4. apresentada oposição, deverá ser efectuado o prévio
pagamento da taxa de justiça inicial do incidente ;

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5. apresentada oposição ou decorrido o respectivo prazo,


conclusão para decisão sobre a legitimidade da
assistência.

INCIDENTE DE OPOSIÇÃO

OPOSIÇÃO ESPONTÂNEA:

Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 342.º a 346.º do CPC..

Consiste na intervenção, por iniciativa própria, de um terceiro numa causa


entre duas ou mais pessoas, para se opor à pretensão do autor ou
reconvinte, fazendo valer um direito próprio e incompatível com o invocado
por aqueles.

O opoente deduzirá a sua pretensão por meio de petição, à qual são


aplicáveis, com as necessárias adaptações, as disposições relativas à petição
inicial – art.º 343.º do CPC..

A intervenção do oponente só é admitida enquanto não estiver designado


dia para a discussão e julgamento da causa em 1.ª instância ou, não
havendo lugar a audiência de julgamento, enquanto não estiver proferida
sentença.

Na sua petição inicial, o opoente para além de pedir para ser admitido a
intervir na causa nessa qualidade, deverá formular um pedido incompatível
com o do autor e, simultaneamente, contestará a pretensão deste.

TRAMITAÇÃO:

Junta aos autos a petição do oponente (a qual deverá vir acompanhada do


documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial do
incidente), o processo será “concluso” ao juiz, que proferirá despacho
liminar a admitir ou rejeitar a intervenção (a petição deverá vir
acompanhada de 2 duplicados, para o A. e R.).

Se for admitida, o juiz ordenará a notificação das partes primitivas para


contestarem o pedido do oponente, em prazo igual ao concedido ao réu na
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acção principal, podendo seguir-se os articulados correspondentes à forma


de processo aplicável à causa principal. Sendo oferecida contestação, deverá
ser paga, previamente, taxa de justiça inicial do incidente.

Depois de admitido a intervir, o opoente assume a posição de parte


principal, com todos os direitos e responsabilidades daí inerentes, incluindo o
pagamento das taxas de justiça inicial e subsequente a que houver lugar.

Se as primitivas partes não contestarem a oposição, a causa deverá


terminar com a condenação do réu no pedido do opoente. Havendo
contestação, poderão seguir-se os articulados previstos para essa forma de
processo.

Findos os articulados da oposição, procede-se ao saneamento e


condensação, quanto à matéria do incidente, nos termos da forma de
processo aplicável à causa principal – art.º 345.º do CPC..

A notificação às primitivas partes para contestarem, deverá ser feita na


pessoa dos seus mandatários judiciais, por carta registada.

OPOSIÇÃO PROVOCADA:
Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 347.º a 350.º do CPC..
Esta oposição apenas poderá ser provocada pelo réu da causa principal (o
autor não pode provocá-la) quando, embora pronto a entregar a coisa ou
quantia em dinheiro (pedido do autor), tenha conhecimento de que um
terceiro se arroga ou pode arrogar-se direito incompatível com o do autor.

O pedido deverá ser formulado dentro do prazo fixado para a contestação,


através de simples requerimento (o réu não poderá mais contestar a
acção), acompanhado de cópia da petição inicial para ser entregue ao
oponente no acto da citação.

TRAMITAÇÃO:
Junto aos autos o requerimento (o qual deverá vir acompanhado do
documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial do
incidente), o processo deverá ser feito “concluso” ao juiz para ser ordenada
a citação do oponente (não admite oposição do autor, podendo apenas ser
indeferido pelo juiz se for apresentado fora de prazo ou carecer de
fundamento legal – art.º 348.º do CPC.).

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O prazo para este deduzir a sua pretensão será igual ao que foi concedido ao
réu para sua defesa.

Se o terceiro (opoente) não deduzir a sua pretensão, tendo sido ou devendo


considerar-se citado na sua própria pessoa e não se verificando nenhuma
das excepções ao efeito cominatório da revelia, é logo proferida sentença
condenando o réu a satisfazer a prestação ao autor.

Se o terceiro não deduzir a sua pretensão, mas não tiver sido nem dever
considerar-se pessoalmente citado, a acção prossegue os seus termos, para
que se decida sobre a titularidade do direito.

Se o terceiro deduzir a sua pretensão (a qual deverá vir acompanhada do


documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial da
acção - igual à do autor), seguir-se-ão os termos da oposição espontânea.

OPOSIÇÃO MEDIANTE EMBARGOS DE TERCEIRO:

Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 351.º a 359.º do CPC..

Se qualquer acto, judicialmente ordenado, de apreensão ou entrega de bens


ofender a posse ou qualquer direito incompatível com a realização ou o
âmbito da diligência, de que seja titular quem não é parte na causa, pode o
lesado fazê-lo valer, deduzindo embargos de terceiro – art.º 351.º, n.º 1 do
CPC..

Não é admitida a dedução de embargos de terceiro relativamente à


apreensão de bens realizada no processo especial de recuperação de
empresa e de falência – art.º 351.º, n.º 2 do CPC..

Os embargos são processados por apenso à causa em que haja sido


ordenado o acto ofensivo do direito do embargante (art.º 353.º, n.º 1 do
CPC.).

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TRAMITAÇÃO:
Apresentada a petição dos embargos, no prazo de 30 dias a contar da data
da efectivação da diligência ofensiva, ou do seu conhecimento por parte do
terceiro (deverá vir acompanhada do documento comprovativo do prévio
pagamento da taxa de justiça inicial do incidente), é autuada por apenso à
causa a que respeitam e o processo é feito “concluso” ao juiz que poderá
indeferir liminarmente a petição ou mandar proceder a diligências de prova
com vista ao recebimento ou rejeição dos embargos.

Para liquidação da taxa de justiça inicial do incidente, há que ter em


atenção o disposto no art.º 6.º, n.º 1 al. l) (quanto ao valor) – os
embargos podem não recair na totalidade dos bens.

O recebimento dos embargos determina a suspensão dos termos do


processo em que se inserem, quanto aos bens a que dizem respeito, bem
como a restituição provisória da posse, se o embargante a houver requerido,
podendo, todavia, o juiz condicioná-la à prestação de caução pelo
requerente – art.º 356.º do CPC..

Recebidos os embargos, são as primitivas partes notificadas para contestar


seguindo-se os termos do processo ordinário ou sumário de declaração,
conforme o valor.

O prazo para as partes apresentarem as suas contestações deverá ser o


estabelecido para o processo ordinário ou sumário, consoante o valor
atribuído aos embargos, e não o estipulado no n.º 2 do art.º 303.º,
porquanto não faria sentido que fosse concedido o prazo de 10 dias para
contestar e depois houvesse quinze para replicar, por exemplo.

A notificação a efectuar às primitivas partes será feita na pessoa dos seus


mandatários – art.º 253.º, n.º 1 do CPC..

Havendo contestação, deverão os contestantes efectuar o pagamento da


taxa de justiça inicial (igual ao embargante).

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C) INCIDENTE DE HABILITAÇÃO:

Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 371.º a 377.º do CPC..

Tem como finalidade modificar a instância quanto às pessoas, substituindo


alguma das partes principais, quer seja por sucessão, quer seja por acto
entre vivos.

A habilitação dos sucessores da parte falecida na pendência da causa,


para com eles prosseguirem os termos da demanda, pode ser promovida
tanto por qualquer das partes que sobreviverem como por qualquer
dos sucessores e deve ser promovida contra as partes sobrevivas e
contra os sucessores do falecido que não forem requerentes – art.º
371.º, n.º 1 do CPC..

TRAMITAÇÃO:
Apresentado o requerimento inicial, que não carece de ser formulado sob a
forma articulada, é o mesmo autuado por apenso ao processo da causa
principal, como dispõe o n.º 2 do art.º 372.º do CPC. e, porque não haverá
lugar ao pagamento de taxa de justiça inicial (art.ºs 16.º e 23.º, n.º 1, do
CCJ), será feito “concluso” ao juiz que ordenará a citação dos requeridos
que ainda não tenham sido citados e a notificação dos restantes,
para contestarem a habilitação (art.º 372.º, n.º 1 do CPC.).

O prazo para a apresentação das contestações é de 10 dias, estabelecido


pelo n.º 2 do art.º 303.º do CPC., a que se aplica o disposto no n.º 2 do
art.º 486.º do CPC., isto é: quando os prazos das contestações dos vários
requeridos se tenham iniciado em dias diferentes, a contestação de todos ou
de cada um deles pode ser oferecida até ao termo do prazo que começou a
correr em último lugar.

As contestações ao incidente de habilitação também não carecem de seguir


a forma articulada estando, contudo, sujeitas às regras estabelecidas nos
art.ºs 302.º a 304.º do CPC..

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As contestações que, eventualmente, venham a ser apresentadas não têm


de ser imediatamente notificadas ao requerente do incidente, uma vez que a
contestação da habilitação não admite resposta; sê-lo-ão com a primeira
notificação subsequente à sua apresentação – art.º 152.º, n.º 2 do CPC..

A sentença proferida no apenso de habilitação é notificada aos habilitados e


às partes sobrevivas na causa principal.

Após essas notificações, a causa principal prossegue com os habilitados no


lugar da parte falecida e os prazos que estavam em curso no momento da
suspensão iniciam-se com essa notificação correndo, por inteiro, a partir
daí – art.º 283.º, n.º 2 do CPC..

Assim em esquema:
1. autuação por apenso do requerimento inicial;
2. conclusão;
3. citação e notificação dos requeridos, para contestarem
no prazo de 10 dias;
4. apresentadas contestações ou decorrido o prazo,
conclusão para decisão;
5. notificação da decisão aos habilitados e às partes
sobrevivas na causa principal.

HABILITAÇÃO DOCUMENTAL:

Se a qualidade de herdeiro ou aquela que legitimar o habilitando para


substituir a parte falecida já estiver declarada noutro processo, por decisão
transitada em julgado, ou reconhecida em habilitação notarial, a habilitação
terá por base certidão da sentença ou da escritura, sendo requerida e
processada nos próprios autos da causa principal – art.º 373.º, n.º 1 do
CPC..

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TRAMITAÇÃO:
Junto ao processo principal o requerimento inicial da habilitação
acompanhado de um dos documentos atrás referidos, porque não há lugar
ao pagamento de taxa de justiça inicial, é o processo “concluso” ao juiz que
ordenará a citação dos interessados constantes do título base da
habilitação, para contestarem, no prazo de 10 dias.

Os interessados citados estão limitados na sua contestação uma vez que não
podem defender-se directamente contra a habilitação, sendo-lhes vedado
impugnar directamente a qualidade que lhes está atribuída no título; podem,
por exemplo, defender-se alegando a sua ilegitimidade ou a dos habilitantes,
ou negar que o título que serve de base à habilitação preencha as condições
necessárias – art.º 373.º, n.º 2 do CPC..

Não havendo contestação será o processo “concluso” ao juiz para decisão. O


juiz verificará se o documento prova a qualidade de que depende a
habilitação e decidirá em conformidade.

Se algum dos interessados contestar, segue-se a produção da prova,


oferecida nos termos estabelecidos nos art.ºs 303.º e 304.º do CPC., após o
que o juiz decide.

Se forem incertos os sucessores da pessoa falecida, serão citados


editalmente, a requerimento, autuado por apenso, da parte interessada em
fazer prosseguir a causa.

Estes interessados serão citados para, no prazo dos éditos, deduzirem a sua
habilitação, sob pena de, findo esse prazo, a causa seguir com o Ministério
Público.

Findo o prazo dos éditos sem que os citados compareçam, a causa segue
com o Ministério Público, nos termos aplicáveis do art.º 16.º do CPC. – art.º
375.º, n.º 2 do CPC..

Os sucessores que comparecerem, quer durante, quer após o prazo dos


éditos, deduzirão a sua habilitação nos termos dos art.ºs 371.º a 374.º do
CPC. – art.º 375.º, n.º 3 do CPC..
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Se os citados deduzirem habilitação antes de ser julgado habilitado o MºPº.


será ela incorporada no apenso. Se for deduzida depois de já ter sido
julgado habilitado o Mº.Pº., porque o apenso terminou com aquela
habilitação, dará origem a novo incidente a processar, também, por apenso
à causa principal; muito embora não haja lugar ao pagamento de taxa de
justiça inicial (art.ºs 16.º e 29.º, n.º 2 do CCJ.) haverá lugar a custas
próprias do incidente.

Assim em esquema:
1. junção do requerimento inicial de habilitação com
documentos;
2. conclusão;
3. citação dos requeridos, para contestarem no prazo de
10 dias;
4. se não houver contestação, conclusão para decisão;
5. se houver contestação, produção da prova
apresentada e decisão;
6. notificação da decisão aos habilitados e às partes
sobrevivas na causa principal.

HABILITAÇÃO DO ADQUIRENTE OU CESSIONÁRIO:


(Transmissão entre vivos)

Visa-se com este incidente substituir uma das partes, determinada por acto
entre vivos.

O art.º 271.º do CPC. permite que, havendo transmissão, por acto entre
vivos, da coisa ou direito litigioso, o adquirente seja admitido, sob certas
condições, a substituir na demanda o transmitente, por meio de habilitação.

TRAMITAÇÃO:

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Determina o art.º 376.º do CPC. que a habilitação do adquirente ou


cessionário da coisa ou direito em litígio, para com ele seguir a causa, far-
se-á nos termos seguintes:
a) Lavrado no processo o termo da cessão ou junto ao
requerimento de habilitação, que será autuado por apenso, o título
da aquisição ou da cessão, é notificada a parte contrária para
contestar; na contestação pode o notificado impugnar a validade do
acto ou alegar que a transmissão foi feita para tornar mais difícil a
sua posição no processo;

b) Se houver contestação, o requerente pode responder-lhe e


em seguida, produzidas as provas necessárias (oferecidas nos termos
estabelecidos nos art.ºs 303.º e 304.º do CPC.) se decidirá; na falta
de contestação, verificar-se-á se o documento prova a aquisição ou a
cessão e, no caso afirmativo, declarar-se-á habilitado o adquirente ou
cessionário.

Nos termos do n.º 2 do art.º 376.º do CPC. a habilitação pode ser


promovida pelo transmitente ou cedente, pelo adquirente ou cessionário, ou
pela parte contrária; neste caso, aplica-se o disposto nas alíneas
antecedentes, com as adaptações necessárias.

Não basta, contudo, que seja lavrado termo de cessão para desencadear o
incidente, tem que haver sempre requerimento do habilitante, que será
acompanhado de documento comprovativo da transmissão, caso não tenha
sido lavrado termo de cessão no processo.

Este requerimento será autuado por apenso ao processo principal, sem


pagamento de taxa inicial (art.ºs 16.º e 23.º, n.º 1, do CCJ), e feito
“concluso” ao juiz que, se não houver motivo para indeferimento liminar
ordenará a notificação da parte contrária para contestar, notificação a
efectuar na pessoa do seu mandatário (art.º 253.º, n.º 1 do CPC.).

Nota:
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É motivo de indeferimento liminar se o requerimento não vier acompanhado de


documento que prove a transmissão, no caso de não ter sido lavrado termo de
cessão no processo, ou de o requerimento ser feito por pessoa sem legitimidade
para o fazer.

Se houver contestação, que deverá ser apresentada no prazo de 10 dias


(art.º 303.º, n.º 2 do CPC.), será notificada ao habilitante que lhe poderá
responder, no prazo de 10 dias (art.º 153.º do CPC.), oferecendo logo as
provas que queira produzir.

Haja ou não contestação, a sentença proferida no incidente será notificada


aos que no incidente foram partes; será ainda notificada ao cedente ou
transmitente se a habilitação foi deduzida pelo cessionário ou adquirente,
não tendo aquele sido parte; será também notificada ao cessionário ou
adquirente no caso de a habilitação ter sido deduzida pelo cedente ou
transmitente, não tendo aquele sido parte no incidente.

Nesta última hipótese, porque a notificação do habilitado se destina a fazê-lo


intervir na causa principal, terá de ser pessoal e, por isso, com as
formalidades prescritas para a citação, como determina o art.º 256.º do
CPC..

Com a notificação da sentença de habilitação, o cessionário ou adquirente


pode intervir no processo principal, na posição da parte que substituiu,
aceitando a causa no estado em que se encontre.

D) INCIDENTE DE LIQUIDAÇÃO:

Este incidente encontra-se regulado nos art.ºs 378.º a 380.º do CPC..

Visa-se com este incidente obter uma condenação líquida.


Antes de começar a discussão da causa, o autor deduzirá, sendo possível, o
incidente de liquidação para tornar líquido o pedido genérico, quando este se
refira a uma universalidade ou às consequências de um facto ilícito – art.º
378.º do CPC..

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A liquidação é deduzida mediante requerimento oferecido em duplicado, no


qual o autor, conforme os casos, relacionará os objectos compreendidos na
universalidade, com as indicações necessárias para se identificarem, ou
especificará os danos derivados do facto ilícito e concluirá pedindo quantia
certa – art.º 379.º do CPC..

O art.º 380.º do CPC. estabelece:


1. A oposição à liquidação será formulada em duplicado;
2. A matéria da liquidação é inserida ou aditada à base instrutória da
causa;
3. As provas são oferecidas e produzidas, sendo possível, com as da
restante matéria da acção e da defesa;
4. A liquidação é discutida e julgada com a causa principal.

TRAMITAÇÃO:
Se o autor na acção declarativa tiver feito um pedido genérico baseado nas
alíneas a) ou b) do n.º 1 do art.º 471.º do CPC. e pretender concretizá-lo
em prestação determinada (líquida) poderá deduzir o incidente de liquidação
antes de começar a discussão da causa, como dispõe o art.º 378.º do CPC.
(este incidente só pode ser promovido pelo autor).

O incidente é deduzido em requerimento próprio, oferecido em duplicado,


apenas carecendo de obedecer à forma articulada quando a causa principal
comporte base instrutória porque também a matéria do incidente nela há-de
ser inserida ou aditada, como determina o art.º 380.º do CPC..

Junto ao processo o requerimento de liquidação, o qual deverá vir


acompanhado do documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de
justiça inicial do incidente, deve o processo ser feito “concluso” ao juiz
para, não havendo motivo para indeferimento liminar, ordenar a notificação
do réu, para, querendo, o impugnar. A notificação deverá ser feita na pessoa
do mandatário e a oposição será apresentada, em duplicado, no prazo de 10
dias – art.ºs 253.º, n.º 1 e 303.º, n.º 2 do CPC..

Se o incidente for deduzido antes de seleccionada a base instrutória da


causa principal, esta deverá abranger os factos articulados no incidente; se
for posteriormente, ser-lhe-ão aditados.
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A audiência de julgamento é uma só, para a causa principal e para o


incidente; também a sentença será uma só, para a causa principal e para o
incidente.

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ALGUMAS NOTAS SOBRE A
TRAMITAÇÃO DO PROCESSO
PREVISTO NO

REGIME JURÍDICO DA TUTELA


ADMINISTRATIVA

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ACÇÕES PARA DECLARAÇÃO DE PERDA DE MANDATO OU


DE DISSOLUÇÃO DE ÓRGÃOS AUTÁRQUICOS

LEI APLICÁVEL:

Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto - Regime jurídico da tutela administrativa.

REGIME PROCESSUAL:

As referidas acções, a partir da entrada em vigor do CPTA passam a seguir


os termos da acção administrativa especial, por força do seu art.º
191.º (cfr. art.º 15.º, n.º 2 da Lei 27/96).

URGÊNCIA:

Estes processos têm carácter urgente e correm em férias judiciais (art.º


15.º, n.º 1), sendo os actos da secretaria praticados no próprio dia, com
precedência sobre quaisquer outros (art.º 36.º, n.º 2 do CPTA).

Citação para contestação

Ainda que objecto de discussão, afigura-se-nos que as remissões previstas


na Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto, nomeadamente, a que se prende com os
termos do processo, não restam dúvidas quanto à aplicação da acção
administrativa especial por força da regra prevista no art.º 191.º do CPTA;

No entanto já não parece muito clara a matéria reguladora de prazos para


contestação, alegações e decisão final. Nesta matéria remete a Lei 27/96, de
1 de Agosto, no seu art.º 15.º, n.º 5, para o que estava previsto nos n.ºs 2
e 3 do art.º 60.º da LPTA (contencioso eleitoral), a saber:

¾ 10 dias para a resposta ou contestação e para alegações, correndo


simultaneamente para todos os requerentes ou para todos os
requeridos;

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¾ 5 dias para a decisão do juiz ou do relator, ou para este submeter


o processo a julgamento;
¾ 3 dias para os restantes actos. (5 dias para quaisquer outros actos
das partes)"

Sendo esta Lei (Regime jurídico da tutela administrativa) toda ela norteada
pela URGÊNCIA processual, afigura-se-nos que se possa abrir mão, também
agora daquilo que está previsto em matéria de prazos, no processo urgente
do contencioso eleitoral, nomeadamente os previstos no art.º 99.º do CPTA,
a saber:

¾ 5 dias para a contestação e para alegações;


¾ 5 dias para a decisão do juiz ou do relator, ou para este submeter
o processo a julgamento;
¾ 3 dias para os restantes actos.

Esta opinião não é de modo algum vinculativa, sobrepondo-se a ela opinião


diferente dos senhores magistrados titulares do processo.

Ver abaixo um modelo exemplificativo para citação do réu.

DA PROVA:

O oferecimento do rol de testemunhas e o requerimento de outros meios de


prova, devem ser efectuados nos articulados, não podendo cada parte
produzir mais de 5 testemunhas sobre cada facto nem o número total destas
ser superior a 20 (art.º 15.º, n.º 3).

Não há lugar a especificação e questionário nem a intervenção do tribunal


colectivo, e os depoimentos são sempre reduzidos a escrito (art.º 15.º, n.º
4).

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Exemplo de citação do ré(u):

NOTA EXPLICATIVA:
O presente modelo aplica-se à citação do réu, nos termos do art.º 81.º, 82.º e 84.º do
CPTA e art.º 15.º, n.º 2 a 5 da Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto.

N/referência: _________
AÇÃO DE DECLARAÇÃO DE PERDA DE MANDATO (Regime Jurídico da Tutela Administrativa
- Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto) n.º_________
____ª SECÇÃO

Assunto: Citação (por carta registada com AR)

Fica V.Ex.ª por este meio CITADO(A), nos termos do art.º 81.º do Código de Processo nos
Tribunais Administrativos, para no prazo de CINCO DIAS decorrida que seja a dilação de
________ dias, contestar, querendo, a ACÇÃO DECLARAÇÃO DE PERDA DE MANDATO,
interposta neste Tribunal, por ____________________________________ _______
pelos fundamentos constantes da petição inicial, cujo duplicado se anexa.

9. De que o oferecimento do rol de testemunhas e o requerimento de outros meios de


prova devem ser efectuados nos articulados, não podendo produzir mais de 5
testemunhas sobre cada facto nem o número total destas ser superior a 20 (art.º 15.º
da Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto).
10. De que é obrigatória a constituição de advogado, (art.º 11.º n.º 1 do CPTA);
11. A falta de contestação ou a falta nela de impugnação especificada não importa
confissão dos factos articulados pelo autor, mas o tribunal aprecia livremente essa
conduta, para efeitos probatórios (art.º 83.º, n.º 4 CPTA, parte final);
12. O prazo indicado é contínuo e inicia-se no dia da assinatura do aviso de recepção;
terminando o em dia que os tribunais estejam encerrados, transfere-se o seu termo
para o primeiro dia útil seguinte.

Data:___/___/_____
O Oficial de Justiça,

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NOTIFICAÇÃO DA SENTENÇA AO GOVERNO:

As sentenças proferidas nas acções de perda de mandato ou de dissolução


de órgãos são notificadas ao Governo nos termos do art.º 15.º, n.º 7 da Lei
n.º 27/96, de 1 de Agosto, importando clarificar que membro o representa
para este efeito face à Lei Orgânica do Governo Constitucional, assim:

Tratando-se o Governo de um órgão plural heterogéneo, a notificação a que


se refere o n.º 7 do artigo 15.º da Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto, deve ser
feita aos membros do Governo que detêm a titularidade dos poderes de
tutela.

Estes membros vêm referidos no artigo 5.º da mesma Lei, que deve
ser interpretado de forma actualista, à luz da composição de cada
Governo e dos membros que em cada Governo são competentes em
matéria de Administração Local.

NOTA EXPLICATIVA:
Modelo exemplificativo de ofício para notificação da sentença ao Governo:

SUA EXCELÊNCIA O SENHOR


(membro do Governo que tutela a
Administração Local)

N/referência: _________
Proc. n.º ____________
___ª SECÇÃO
Oficio n.º ____________
Espécie: Acção para declaração de perda de mandato (e/ou dissolução de órgão
autárquicos ou entidades equiparadas)

Autor: _______________________________________________________________
Réu: ________________________________________________________________

Assunto: Notificação de sentença.

Nos termos do art.º 15.º, n.º 7 da Lei n.º 27/96, de 1 de Agosto, notifica-se Vossa
Excelência de todo o conteúdo da sentença proferida e transitada em julgado, nos autos de
acção de declaração de perda de mandato, acima referenciados, cuja cópia se junta.

Com os melhores cumprimentos


O oficial de justiça,

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DO RECURSO JURISDICIONAL (art.º 15.º, n.º 6):

Somente cabe recurso da decisão que ponha termo ao processo, o qual sobe
imediatamente e nos próprios autos, com efeito suspensivo, salvo o previsto
no disposto no art.º 143.º, n.º 3 do CPTA, e, dado o seu carácter urgente,
deve ser observado no seu regime o disposto no artigo 147.º do CPTA.

Ver tramitação do recurso jurisdicional urgentes, já tratado no presente


texto

CUSTAS E PREPAROS:

Em matéria de custas e preparos (taxa de justiça) é aplicável o estabelecido


para a acção administrativa especial (art.º 15.º n.º 8 da Lei 27/96)

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ÍNDICE
DISPOSIÇÕES GERAIS
Acesso ao processo ....................................................................................................... 21
Actos processuais ......................................................................................................... 11
Alçada ........................................................................................................................... 5
Certidões ....................................................................................................................... 22
Citações e notificações ................................................................................................. 14
Contagem de prazos ..................................................................................................... 5
Da competência material e funcional ......................................................................... 6
Disposições comuns ...................................................................................................... 14
Distribuição .................................................................................................................. 18
Duplicados e cópias ...................................................................................................... 12
Formas de processo ...................................................................................................... 23

Lei reguladora do processo ......................................................................................... 4


Oficiosidade da citação ................................................................................................ 15
Patrocínio judiciário e representação em juízo ......................................................... 4
Prazos ............................................................................................................................ 19
Prazos dos funcionários ............................................................................................... 20
Processos urgentes ....................................................................................................... 20
Valor das causas ........................................................................................................... 22
ACÇÃO ADMINISTRATIVA COMUM

Apresentação do processo na secretaria .................................................................... 24


Audiência preliminar ................................................................................................... 35
Citação promovida por mandatário judicial ............................................................. 30
Forma do processo ....................................................................................................... 27
Instrução ....................................................................................................................... 37

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Julgamento ................................................................................................................... 51
Meios de prova ............................................................................................................. 38
Notificação intervenientes acidentais ......................................................................... 52
Oficiosidade da citação ................................................................................................ 29
Parte geral .................................................................................................................... 24
Processo ordinário ....................................................................................................... 29
Processo sumário ......................................................................................................... 56
Processo sumaríssimo .................................................................................................. 58
Recusa da P.I. ............................................................................................................... 25
Réplica ........................................................................................................................... 34
Rol de testemunhas ...................................................................................................... 37
Teleconferência ............................................................................................................ 44
Tramitação ................................................................................................................... 28
Tréplica ......................................................................................................................... 34
ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL
Alegações facultativas .................................................................................................. 74
Anúncio citação ............................................................................................................ 66
Apresentação do processo na secretaria .................................................................... 61
Articulado superveniente ............................................................................................ 72
Carta registada – citação ............................................................................................. 67
Citação contra-interessados ...................................................................................... 69
Citação em entidade pública diferente ....................................................................... 64
Contra-interessados número superior a 20 ............................................................... 64
Desistência .................................................................................................................... 71
Documento de citação .................................................................................................. 65
Entrega de cópias ao MP ............................................................................................. 71
Julgamento em formação alargada ............................................................................ 74
Locais publicação anúncios ......................................................................................... 65
Matéria de facto ........................................................................................................... 73
Ministério Público – intervenção ................................................................................ 70
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Oficiosidade da citação ................................................................................................ 64


Oficiosidade secretaria ................................................................................................ 72
Prazo de intervenção – MP ........................................................................................ 71
Prazos de impugnação ................................................................................................. 60
Recusa da P.I. ............................................................................................................... 62
Saneamento, instrução e alegações ............................................................................ 72
Tramitação ................................................................................................................... 60
CONDENAÇÃO À PRÁTICA DE ACTO DEVIDO
Objecto do processo ..................................................................................................... 76
Tramitação ................................................................................................................... 76
IMPUGNAÇÃO DE NORMAS E DECLARAÇÃO DE ILEGALIDADE POR OMISSÃO
Objecto do processo ..................................................................................................... 77
Tramitação ................................................................................................................... 77
PROCESSOS URGENTES
Processos urgentes ....................................................................................................... 78
CONTENCIOSO ELEITORAL
Anúncio ......................................................................................................................... 82
Natureza urgente do processo ..................................................................................... 80
Pressupostos ................................................................................................................. 80
Tramitação ................................................................................................................... 81
CONTENCIOSO PRÉ-CONTRATUAL
Prazos a observar ......................................................................................................... 84
Pressupostos ................................................................................................................. 83
Tramitação ................................................................................................................... 83
Urgência ........................................................................................................................ 83
INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES, CONSULTA DE PROCESSOS
OU PASSAGEM DE CERTIDÕES
Citação .......................................................................................................................... 86
Decisão final .................................................................................................................. 86
Prazo do pedido ............................................................................................................ 85
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Pressupostos ................................................................................................................. 85
Tramitação ................................................................................................................... 86
Urgência ........................................................................................................................ 85
INTIMAÇÃO PARA PROTECÇÃO DE DIREITOS LIBERDADES E GARANTIAS
Especial urgência ......................................................................................................... 88
Modelo de notificação .................................................................................................. 88
Pressupostos ................................................................................................................. 87
Tramitação ................................................................................................................... 87
Urgência ........................................................................................................................ 87
PROCESSOS CAUTELARES
Apensação à causa principal ....................................................................................... 92
Apresentação do pedido .............................................................................................. 92
Autuação ....................................................................................................................... 93
Citação .......................................................................................................................... 93
Despacho liminar ......................................................................................................... 93
Modelo citação .............................................................................................................. 94
Notificação da decisão ................................................................................................. 95
Objecto .......................................................................................................................... 90
Produção de prova e decisão final .............................................................................. 95
Providências cautelares ............................................................................................... 91
Urgência ........................................................................................................................ 91
DISPOSIÇÕES PARTICULARES
Produção antecipada de prova ................................................................................... 101
Providência que se destine a tutelar direitos liberdades e garantias ...................... 97
Providência relativas a procedimentos e formação de contratos ............................ 98
Regulação provisória do pagamento de quantias ..................................................... 101
Suspensão da eficácia de acto admistrativo ............................................................... 96
Suspensão de eficácia de normas ................................................................................ 97
Urgência da providência ............................................................................................. 99

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RECURSOS JURISDICIONAIS
Conceito ........................................................................................................................ 103
Legitimidade ................................................................................................................. 104
Recursos em processo civil .......................................................................................... 107
RECLAMAÇÃO CONTRA A NÃO ADMISSÃO OU RETENÇÃO DO RECURSO
Modelo de certidão para sua instrução ...................................................................... 117
Pressupostos ................................................................................................................. 116
RECURSOS DE REVISÃO
Tramitação ................................................................................................................... 118
PROCESSO EXECUTIVO
Conceitos ....................................................................................................................... 120
Disposições gerais ......................................................................................................... 121
Eficácia da sentença ..................................................................................................... 122
Prazos da administração para execução da sentença ............................................... 122
Entrada na secretaria da acção executiva ................................................................. 122
PROCESSO EXECUTIVO PREVISTO NO C.P.T.A.
Execução para prestação de facto ou de coisas ......................................................... 124
Execução para pagamento de quantia certa .............................................................. 126
Execução de sentença de anulação de actos administrativos ................................... 128
INCIDENTES DA INSTÂNCIA
Assistência ..................................................................................................................... 144
Conceito ........................................................................................................................ 132
Habilitação .................................................................................................................... 150
Habilitação documental ............................................................................................... 151
Intervenção de terceiros .............................................................................................. 136
Liquidação .................................................................................................................... 155
Oposição ........................................................................................................................ 146
Verificação do valor da causa ..................................................................................... 134

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REGIME JURÍDICO DA TUTELA ADMINISTRATIVA


Citação .......................................................................................................................... 159
Lei aplicável ................................................................................................................ 159
Notificação da sentença ao Governo .......................................................................... 162
Prova ............................................................................................................................. 160
Regime processual ........................................................................................................ 159
Urgência ........................................................................................................................ 159

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