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Um Manual para Melhorar o Manejo da Nutrição de Plantas

V E RSÃO MÉTRICA
NUTRIÇAO
-
4C DEPLANT.AS
Prcfiicio, Agradecimentos
Capítulo 1
Metas da Agricultura
Sustentávcl ...................................................................................................................................................................................... 1·1
Capítulo 2 2.1 Fonte certa. na dose certa. na época certa e no local certo .................................................... 2· 1
O Conceito de Manejo 2.2 Princípios das práticas de suporte.............................................................................................. 2·2
de Nutrientes 4C 2.3 Os 4Cs integrados ao sistema de plantio ................................................................................... 2-3
2.4 l'vfelhoria contínua por meio da avaliação dos resullados ....................................................... 2-5
Capítul,o 3 3.1 Q ual é a origem dos nutrientes? ................................................................................................ 3·2
Fonte Certa 3.2 Selecionando a fonte certa ......................................................................................................... 3·3
3.3 Tipos de fertilizantes ................................................................................................................... 3-4
3.4 Tipos de fontes orgânicas: estercos, compostos ....................................................................... 3•6
3.5 Interações dos nutrientes ............................................................................................................ 3•7
li1ódulos de aprendizagem
O 3.1-1 Fonte certa de K melhora o rendimento e a qualidade da banana na Índia ....... 3.g
O 3.2-1 Equ.ilíbrio entre fontes orgânicas e minerais para o milho na África .................... 3·9
3.3·x Fonte específica de nutriente ................................................................................... 3· 1O
O Url'ia .......................................... 3·/ 0 O Clort'lode/10/ássiu .............................. 3-22
O Nitra/o dr amôuio·Uráa ............... 3· / I O S11/ji1lo dt•polâssio .............................. 3·23
O A111ô11ia ....................................... 3 · 12 □ S11!Jr1/o de polássiu e magnésio .............. 3-2·I
O S11!falo dr amónio ......................... 3· / 3 □ Nitra/o de /iolássio ..............................3-25
O .1\ 1/refoifato.................................. 3-1 ·I O Airsciila ............................................ 3·26
O .1\foatode111mi11io......................... 3· 15 O En.wifr,· .............................................3·27
O Fusjâ~ 11w11ua1111í11ico .................... 3 · I G □ Tioss11!Ji1tos .......................................3 · :28
O Foifato dia111ô11ico ......................... 3-17 O Mi.rl11m.gm1111lad11.............................. 3-29
O Polifaif,1/0 ................................... 3·/8 O Fcrti/izanle 1;:urstido............................ 3·30
O S11/1erfoifa111.ri111/1lcs ...................... 3- / 9 O Gmo ................................................3·3/
O Sujil'[fodâlu lri/1/0......................... 3·20 O Calcário ............................................ 3·32
O 1-"r'!fàlo dr rorlta............................ 3-2 I
O 3.5.J Equilíbrio entre N e K melhora o rendimento e a eficiência no uso de N ........ 3-33
Capítulo 4 4.1 Avaliar a demanda de nutrientes da planta .............................................................................. 4·2
Dose certa 4.2 Avaliar o fornecimento de nutrientes pelo solo ...................................................................... .4·3
4.3 Avaliar todas as fontes de nutrientes disponíveis ..................................................................... 4·5
4.4 Prever a eficiência no uso do fertilizante .................................................................................. 4-7
4.5 Considerar os Impactos nos recursos do solo ...........................................................................'1·8
4.6 Considerar a dose econômica especifica ................................................................................ •1·11
A1ódulos de apl"e11clizagem
O 11.1 ·1 A adubação nitrogenada de trigo e milho na Argelllina é melhor cleterminad.i
pela avaliaçüo do N disponível no solo antes do plantio ........................................... '1· l 2
O 4.1·2 C.llculo das doses de fertl1Jz,.111tc cm cereais usando il cliagnosc por subtraçào ....... 4· 13
CI 4.G·I Doses ótimas econômicas de N para o algoclf10 em solo argilo·siltoso, 110
Alahama, mudam pouco com as mudanças nos pre1;os ......................................4•1·1
O 4.G·2 Doses ótimas econômica~ de N para o milho v11riaram apenas ligeiramente
com. i.15 condições de mercado ao longo dr 10 anos ................................................... 4•1·1
Capítulo 5 5.1 A11allsur a mnrcllil ele absorção da planta ................................................................................. 5-1
Época certa 5.2 Analisar a di11f1111lc.i de fornechnentn de nutrie11tcs cio solo................................................... 5·-'1
5.3 Analisa r ,1 cll11â111lcn c.le perda ele 1n11rlentcs do solo ............................................................... 5•5
5.'I /\w1llar a logi~tlca das operações no ca111po ............................................................................. 5•5
.Móc/11/as ele 11premlizage111
O 5. 1· 1 P, OLlu~·àu tle trigo com apliraç('lo tardia ele N estimada pc•la culorn\·f1u da folha ............ 5.7
U 5. 1·2 Uso de Nem ~l11no11la com a demanda da rultura cll111inul o nitrato IH> so lo .... 5•7
O 5. 1·3 Ab~or~·flo de N. P e 1( por vlcl!'ira~ (o afotacla pela época ele npllcação ................ 5.3
O 5.1••I Pan:r.1;11111·1110 da cJu~1· illlllll'llta a cll~ponibllldadc de Ca 110 n111e11doi111 ..... ....... 5·8
O 5.2·1 Sulu~ le rtei~ pn~siblllta111 111ainr ílcxlbilicl adc- na rpnC"n ele aplitaçüo ele P e K ... 5•9
O 5.3· 1 Aclubaçi\o nitrogenada na prh11avcra t1umr 111a o aproveitamento de N e a
luc:r,.1tlvidadc do milho 110 ::.ui ele Minnc.,uta ................. ............................. -............. 5.!)
Capitulo 6 6.1 Crescimento radicular ela planta .............................................................................................. 6· 1
Local certo 6.2 Práticas para a localização de nutrlentcs ................................................................................. 6·3
6.3 Reação do solo e da raiz à localização cm faixa .................................................................... 6•4
6.4 Adubação foliar ......................................................................................................................... 6.6
6.5 lvlanejo da variabilidade espacial ............................................................................................ 6•7
l\'1ód11/os de ap,-e11dizage111
O 6.2·1 Minimização da perda de amônia com a colocação do fertilizante no "local
certo", no cultivo de cana·de·açúcar e milho no Brasil. ............................................. 6·9

Capitulo 7 7.1 Sistemas de cultivo .................................................................................................................... 7·1


Adaptando as práticas 7.2 Manejo adaptativo ..................................................................................................................... 7· l s=
em toda a fazenda 7.3 Além dos sistemas de cultivo ................................................................................................... 7.3
7.4 Apoio à decisão ......................................................................................................................... 7.3 i:
Estudos de Caso
o 7.1· 1 Influência d o sistema de cultivo na eficiência de uso do nutriente e na e:
produtividade das culturas no Brasil ...................................................................... 7.5
o 7.1·2 Adaptação do manejo de N ao regime de irrigação em batata. na China ......... 7•6 e::
o 7.2·1 Manejo adaptativo ele N para solos utilizando dados locais da p rodu ção
de milho no Ccntro·Ücstc cios Estados Unidos ..................................................... 7•7
e:
o 7.3-1 Escolha de práticas de manejo de P cm trigo com base no perfil dos agricultores ... 7-8
e:
o 7.3.2 Otimização da adubação nitrogenada com fertilizante de liberação controlada...... 7.9
o
o
7.3·3 Balanço d e nutrientes em fazendas leiteiras ......................................................... 7· 10
7.4.1 Uso do _.\i,1,i,,11/ faJ1erl aumentou a rentab ilidade ela produção de milho ......... 7-11
a
Capitulo O 8.1 Diagnose visual e sintomas de deficiência nutricional .......................................................... 8-l e:
Práticas de Suporte 8.2
8.3
Análise d e solo .......................................................................................................................... 8·3
Me todologia da análise de solo ............................................................................................... 8.6 a
8.4 Análise de planta ...................................................................................................................... 8.7
8.5 Interpretação dos resultados da análise de solo e ele planta ................................................ 8.9 e
8.6 Parcela com omissão ele nutrientes ....................................................................................... 8·11
Estudo de Caso é
O 8.2·1 Histórico d e cultivo influencia na decisão sobre a profundidade ela
amostragem de solo ................................................................................................ 8· 12
e
Capitulo 9 9.1 Pl;inos de manejo d e nutrientes ............................................................................................... 9• 1 e
Planejamento e 9.2 Plano de manejo de n utrientes i!C .......................................................................................... 9· 1
Responsabilidaclc no 9.3 Medidas e indicadores de desempenho .................................................................................. 9·2 g
Manejo de Nutrientes 9.4 Eílciê ncla d e uso do nutriente como indicador clc- d esempenho ......................................... 9·4
9.5 Pa~sns para desen volver um plano de manejo d e nutrientes 4C ......................................... 9·5 ll
!l.6 Ext'mplo rlc planllh:i cln plano 1IC ........................................................... ............................... 9·6
9. 7 Compara11cln normas rcgulmne ntadoras t • voluntária~ para os pla nos ele m ::11wjo ~
ele 1111trll'nll!s ............................................................................................................................. 9·8
9.8 Manejo dos l111p,1c 10s aml.licntah ............................................................ ................................. !J.~l 1:1
9.8.1 t,,1lanejo cio~ impactos a111blc11tah do N ................................................................................. 9. \0
9.8.2 Manrjo cios Impactos ambientais cio P ........................................... ...................................... 9· 10 ll
!J.9 Milnejo d o sin!!rglsmu .......... ................................................................................................. 9· 13
Esl11clos ele Cas o IJ
[J!l. l l
U !J. l ·2
Pla110s ele 1m,1 1r jo th· 11utrle 11tl'S e 111 c.111a •d c·ai;1kar na Amu·,\li.i ...................... 9· 1·1
Mam: jn d e m1trlc 11tt•s 4C rcdu'l as c111h:,ües ele g,b d u r íe lto e\tufa .................. 9· 16
m
U ~I 1·3 Manejo d,t ,ii;11a e u o~ 1111tricnll·~ 1111ilh111 a a qualidade cio IC'11\·o l frt"á tirn ....... 9· 17
U 9. (.,( ~vla1wjo da acl11lx 1ç(10 f1 15fatacl,1 por 1111'10 da lllláli:.c• d r so lo 111e lho ra
a prod u~·üo dl• alhm:11t\1S l: o d eM•111pl•11ho a 111b ie 11tal na C hina ......... . ............ !J. )!J

Clo-.!>ário, Solução da-. Rcscnh~. Símbolos l' Ab,·c, iaçõcs . .................................................................... /\ t


::a

Capítulo '(0
METAS DA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

H
Á CERCA DE 30 ANOS , o Advisory Panei on da mu lti plicidade de d e finiçõ es de sustentabilidade. há
Food Security, Agricuhure, Foresuy, and Environment u m consenso geral e m relação a um denominador comum
(1987) foi questionado por Gro I-lam1lem Brundtland, entre os atributos que a caracterizam. Um desses importan-
então presidente da World Comrnission on Environrnent and tes atributos é o ela sua multidimensionalidade. O conceito
Development (WCED) , sobre como a humanidade poderia de sustenlabilidade não se a plica apenas a uma dimensão
ser protegida da fome d e forma ecologicamente sustentável. (por exemplo, social. econõmica o u ambiental) de forma
Em seu relatório ao WCED eles afirmaram: "Nas próximas isolada, mas a todas e las ao mesmo tempo .
décadas, os sistemas mundiais de produção de alimentos se
A aplicação d e la) visão multidimensional à agricultura
defrontarão com um grande desafio, talvez o maior entre os
pode ser facilitada se a classificação tradicional cios compo-
que poderão enfrentar novamente. O esforço necessário para
ne nles socinl, econômico e ambiental for ainda mais e.xplici -
aumentar a produção d e alimenlos em rilmo concomitante
lacla. Uma ma neira eficiente de visualizar a multiplicidad e
Jt,
com o aumento de uma demanda sem precede ntes, manten·
dos recursos envo lvidos no funcionamento da agricultura L'
do a integridade ecológica essencial dos sistemas alimeniares,
agrupá-los como be ns o u ca pital em cinco rntegoria~. como
é colossal. tanto em magnilude como em complexidad e.
l foi sugerido por UNCTAD-UNEP (2008) :
Dados os obstáculos a serem superados, muitos d eles produ-
zidos pelo homem , pode-se falhar com mais fa cilidade do que ♦ Capital natural. Es1e capilal compreende m rl'Cllrso,
I
obter êxito". Essa avaliação sóbria é tão aplicável atualmente qu e são utilizad os p;ira a produção d e ;1linll'ntos. fibr;1,
como foi na época. e macieira, no taclanwnte terra, i'igua e- enc-rgia . ;i~,i111
fat e relatório do Advisory Panei constiluiu a base das reco- como os ulilizaclos na procluç;io e tran,portL' dt• in., umo,
mendações sobre segurança alimentar e sustenlahilidadc do necl'ssüri os {por exP111plu , matérias-primas p.ira fc- rtili 1c111 .
relalório d e Brundtland , intilulado 0111 ( .im1111u11 Í't1/ttrr (1987) . tl's) . Além disso, o capllil l natural tambl' m L' a fontt' dl'
O re latório abordou a cresrenle preocupa~·ão "com a d ele- ali11w11to 11alural ou si lvl•strl' l' dl' hnportantl's ,L·rvi~·os
rloração acelerada do ambie n te hun1ano e dus a·ecursos mnbienlals. lab como e lim ina~·ão til• rt•siclu us, ciclagl'm
n a turais e as consequê ncias d e~a clc leriora ção para o de nutriPnlc,, formação do ,ulo, controll' biolligin> d t·
d esen volvimen to econ ômico l' soci a l ". O drsa llo de pr;1gas, regula~·ão cio clima. habitat, da vid ;1 ,L'h .ig,·111 ,
aumentar a produ ção el e a llnwntos d e forma 1·co nomica - protL•ç;m cu1111 a tl·n1Jll',tadt•s e crn11roll' dl' l11uml.1~·út•, ,
11wnte viávPI, rn a nl e ndo a inlcgridacl,· eco lógica cios ~istcn1as scq ue~tro d P carbono l' poli11i,a~·ao.
alimenian•s, é o principal objetivo d.i ngricullura s11 str 11t,ivcl.
♦ Capital social. E,tl' t•s1 ;i ligado ~1, 11orni;1,. \ ;ilo1 t• , l'
Ex iste m num,•rosll\ ronre ilos so bre agri cullura s11sle111iivcl, alitudl'' qu1• ll'van1 as pes..,oa, a n1opl·1.ir l' l)lll' ~l• 1l'll,·tl•111
port'· 111, quase rod os t> nfati1,11n a 111•rc•~sidadP d e aju,tar a~ L' lll a~·üo col1•tiva 11u1111:11rn·11ll' l>l'11l'lk,1. Cu11111nid;1d,·s ro 111
dl•ma11das crescc11t l'S d l• pro1h1 ~·i10 s,• 111 c:11 111pro111ctl•r os pouca i11ll•r.1~·;10, l.illa de nu1l1,1n~·.1 e dl• p.1rn·1i,I\ . l'\I J o
recur~os 11a1urais dos qu ai\ dPpL·tHll' a agrln1 l111ra . Á pl•sar 11 i;ils expo,t.1\ ii, dil1c11ldad e, a111lii L' 11l a h t' ii inwguran ~·a

NlJTRIÇÀO DE PLANTAS 4C
e
alimentar. A organização de agricultores cm cooperativas No entanto, a Implementação do Manejo de Nutrientes 4C
ou em grupos de desenvolvimento tecnológico incenliva também pode promover aumento do capital social, humano
o trabalho conjunto e o companilhamcnto de conheci· e físico . O desenvolvimento de prálicas locais de manejo,
menta e recursos. por exemplo, Implica em trabalhos de pesquisa nas áreas
dos agricultores, exigindo sua participação ativa , o que nor-
♦ Capital hwnano. Este inclui a capncidade total inerente
aos indivíduos, a qual é baseada em conhecimento, habl·
malmente resulta em melhor comunicação entre todos os e
Interessados do setor agrícola (agricultores, pesquisadores,
!idades, saúde e nutrição. A contribuição desses alivos
depende do nível de uso das habilidades pessoais, o
empresários e representantes do governo) . Além disso, o e
nível de escolaridade dos participantes também irá aumen-
qual é favorecido por meio da promoção da parlicipação
e da educação - fomial e não-formal - e do suprimento
tar por meio de atividades formais e não-formais. Há inú· e
meros exemplos de organizações de sucesso dirigidas por
de cuidados adequados à saúde. A participação dos
agricultores, que geram e difundem tecnologias agrícolas.
agricultores no processo de geração de novas alternativas
tecnológicas (por melo de pesquisa aplicada na proprie- A adoção de novas tecnologias de ponta relacionadas ao
dade, por exemplo) é uma iniciativa que contribui para Manejo de Nutrientes 4C também pode ter consequências
o desenvolvimento do capital humano. Melhor educação positivas sobre o capital físico, porque geralmente engloba
é evidentemente essencial quando práticas agrícolas, melhor infraestrutura de acesso aos mercados - para entradas
como o manejo de fertilizantes, precisam ser melhoradas. e saldas - e melhor comunicação. Boas estradas são necessá·
rias para trazer fertilizantes e outros insumos e transportar as
♦ Capital fisico . É o estoque de recursos materiais
construídos pelo homem, tais como edifícios, infraestru·
colheitas. O acesso crescente por membros da comunidade
agrícola às informações atualizadas, por meio de telefones
e:
tura de mercado, sistemas de irrigação, redes de comu-
celulares e ferramentas de comunicação digital, reflete em
nicação, ferramentas, máquinas e sistemas de energia e
melhores recursos de comunicação para a sociedade.
transporte, que aumentam a produtividade do trabalho.
O acesso aos mercados é frequentemente limitado pela Quando visto de forma ampla e integrada, o Manejo de
falta de infraestrutura de comunicação adequada. Nutrientes 4C pode apresentar efeitos potenciais de longo
alcance sobre a sustentabilidade dos sistemas agrícolas, que
♦ Capital financeiro. Este capital está relacionado ao
se estendem além dos benefícios imediatos na nutrição das
fluxo de dinheiro no sistema, que é dependente de
fatores como preços, custos, receítas, margens de lucro,
culturas. m e
poupança, crédito e subsídios. A pobreza permanece
como o maior obstáculo para o desenvolvimento da
agricultura e da segurança alimentar - especialmente
nos países em desenvolvimento - porque Impede que as
pessoas tenham acesso aos meios que poderiam melhorar
suas vidas.

A sustentabilidade dos sistemas agrícolas pode ser avaliada


pelo seu impacto sobre os ativos descritos acima. Tecnolo-
gias agrícolas que conduzem ao crescimento persistente dos
capitais natural , social. humano, físico ou financeiro podem
ser consideradas sustentáveis. Por sua vez, visto que os sis·
temas agrícolas interagem com os cinco tipos de capital de
forma cíclica, possuir grandes estoques desses cinco tipos de
ativos favorece , ainda , o seu funcionamento .
O Manejo de Nutrientes 4C é uma ferramenta essencial no
A s11 s lt>11tabilida clt> ,/,,. '"'' 11,.,, ,, ;"• ,lo,/'·,', ,, , , ,
1111/)(II {IJ 11111,tf, 1!,i/ f ///!l, 11 1/, \, 1 /1 /. Ío n.',,' ,. f,\, , , I
1
desenvolvimento de sistenrns agrícolas sustentáveis porque
sua aplicação pode ter vários impactos positivos nos ativos
1
mencionados acima . REFERÊNCIAS
li
Advlsory Panei on r oocl Securlly. Agrk ulture. rurestry. anel Em+
Há uma ligação direta entre a aplicação da font e certa
ro11111cn1 & Wmkl Co m111 lsslo11 on Envi ro11mc n1 an el Õcvclopme111.
de nutrientes, na dose certa , na é poca certa e no local
certo , e os Impactos benéfi cos sobre os componentes do
capital natural evidenciados por melhor d esempenho da
cultura, melhor qualidade do solo , diminuição da polulçflo
Foocl 2000: C lol.J,11 policies íor suslal nal.J lc agrlcu lt ure. Lonuo11:
Zccl l3oo ks, 1987. 131 p.
UN CT AD-UN EP. Unlleel Nallo n~ Co11ícre1Kl' 011 T radc anel
Devclop111Pnt · Unltcd Na1lons Envlron111cn1 Progra111111c. Organic
'
ambient al e proteção da vida selvagem. Da mesma forma , agriculturc anel food sccurity in Aírica. C t•m•va. S\\ i1zcrl,111cl,
efeitos posillvos são esperados no capital ílnancclro co111 o 2008. •17 p. (Docu nll' nt UNCTA D/DIT CrrED/2007/ 15) .
aume nto dos lucros dos agricultores, trazendo 111clhurin na IJ
WCED. World Co mmlsslo11 011 E11vlro111ncnt and Dcvelopmcnt.
qu alidad e d e vid a e a umento clil atividad e eco nômica em Our common future. New Yo rk: O xford Un ivcrslty Prcss, 1987.
~u as comunid ad es. 400 p.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
t

p
-4

OI
Capítulo @
O CONCEITO DE MANEJO DE NUTRIENTES 4C

A adubação certa - fonte , dose, época e local - está ligada

O
MANEJO DA NUTRIÇÃO DE PLANTAS se
ap lica a uma vasta gama de sistemas, desde exten- aos objelivos do desenvolvimen10 sustentável (Figura 2.1) .
sas áreas de pastagens, utlllzadas para pastejo, até a Para qualquer sistema de produção vege1al, os inleressados
produção intensiva de culturas anuais, plantações, e mesmo do setor agrícola precisam definir os objetivos gerais. ma:, os
o cultivo controlado de frutas, verduras e plantas ornamen- gere111es eslão melhor pre parados para a escolha das práti·
tais em estufa . Tais sistemas eslão localizados em diversos cas. Para definir as metas, os interessados precisam entender
solos e climas ao redor do mundo. Este capí1ulo lem como como o manejo da nutrição da planta areia o d esempe nho
objetivo descrever os princípios comuns da nutrição vegetal do sistema vegetal. Es1as pessoas incluem não somc1lll' o:,
através desses diversos sistemas e fornecer um roleiro para o ge rentes e seus assessores, mas também aqueles que com-
aperfeiçoamenlo contínuo das prálicas envolvidas no manejo pram os produtos e vivem no ambiente do :-istema. C01110
dos nu trientes das plan1as. os sistemas de produçflo vegetal estão muito difundido:, - l' éL:>
pessoas de pendem deles para alimcnlação, combustí\el, libras
e estética - , basicamente todos sào interessados cm algum
2.1 Fonte Certa, na Dose Certa, na Época grau . Assim, a clcílniçflo ele clesempe11ho do sistL'llla incluira
Certa e no Local Certo a produtividade e a rrntabilicladc (dime11~ào eco11ôn1ic,1) .
A aplicação da fonte cerla de 11 ulrlenlc5, na dose cerla, m, seus lmpaclos no solo, ág ua , ar e biodiver:-iclad1• (dimensão
época cerra e no local cerlo é o concello cenlrai cio l'vlanejo ambiental} e seus l111pacto_.. na qualicladL• dl' \'ida e n,L\ opor-
de Nutrlenle5 4C. Es1es qua1ro "certos" sào todos necessários tunidades de e mprego (dime nsão social). A, 111e1;t, t'5Pl'C11irns
para o manejo sus1e111ávcl da nulrição cla5 pla111as - m,1111'.]o da empresa precisam l'Star alin hadas às mews ger::ib p,1r<1 o
que aumenla a produlivlclade ria, planlas e das culturas. dl'Senvol vi me1110 suslcntavcl da região.
Conforme descrilo no capí1ulo ét1lle1lur, n smle111ablllrlarlc Para ser cu nsicleraclo "certo ", o n1,ml'jo cl,1 aduba,do d e\e
engloba as dhnrnsões econômica, social e a111biL•n1al. Todas .',11\lentar ;i~ melas centrais dt• Ol'Sl' lll(JL'llhu e:,tabl'iecicl,1s
as lrês dimensões deve m 5er i11rluídas 11a avaliaçflo ele qual- pelo lntcre~,aclo. No L'ntill llll, u agricuhor. o gerenle d;1 IL•rru ,
quer prática de ma nejo de nulrient1•s 110 l11tuilo ele d ctcr111l- é quem to1nará <1 decisão final na escolha d,1:, pr.itic.1:, -
nar 5e é e la é ou não "e-erra" . aclapladas ao solo lucal. clima . cundiçüe~ ele prud11ç;10 da,

NUTRI ÇÃO DE PLANTAS 4 C


1
lavourns e normas locais - que melhor cumprem os objetivos.
Uma vez que tais condições locais podem iníluenciar na deci·
são ílrrnl sobre a prálica a ser adolada. incluindo o dia da sua
h11plementaçf10. é convenicnle a tomada de decisão local com
base na informação correta de suporte.

2.2 Princípios das Práticas de Suporte


Fí~ica, química e biologia siio as ciências que estabelecem os
princípios fundamenlais para a nulrição mineral das plantas. ei
A aplicaçiio dessas ciências ao manejo prático da nutrição
das plantas levou ao desenvolvimento das disciplinas cientíl1-
f.i
cas de fertilidade do solo e nutrição de plantas.
Princípios cicn1íl1cos específicos orientam o desenvolvimento Ci
das práticas que determinam a fonte . a dose, a época
e o local certo. Alguns exemplos de princípios e práticas ;i
Figura 2.1 O conceito sobre manejo de nutrientes 4C define essenciais são apresentados na Tabela 2.1. Estes e outros
a fonte certa, a dose certa, a época certa e o
local certo para a aplicação de fertilizantes como
importantes princípios da nutrição de plantas serão descritos Ci
sendo as práticas que produzem os resultados com mais detalhes nos próximos quatro capítulos.
econômicos, sociais e ambientais no ecossistema Os princípios são os mesmos em todo o mundo, porém ,
da planta, desejados por todos os interessados do
setor agrícola. como são colocados em prática localmente, variam em
função das condições específicas de solo, cultura, clima e

Tabela 2.1 Exemplos de princípios científicos-chave e práticas associadas.

- .' .
f lL---,1 1
~

.,. ~

Fonte Dose Época Local

♦ Garantir o ♦ Avaliar o ♦ Avaliar a dinâmica Identificar o padrão


Exemplos de fornecimento fornecimento de de absorção pela de enraizamento
princípios adequado de nutriente de todas cultura e o da cultura
científicos-chave nutrientes as fontes fornecimento pelo
♦ Gerenciar a
♦ Adequar-se às ♦ Avaliar a demanda solo
variabilidade
propriedades do pela planta ♦ Determinar a época espacial
solo de risco de perda

♦ Fertilizante comercial ♦ Análise de solos ♦ No pré-plantio ♦ À lanço


para nutrientes
♦ Estrume animal ♦ No plantio Faixa/cova/injeção
Exemplos de Cálculo da economia

escolhas práticas ♦ Composto No florescimento ♦ Aplicação em taxa
♦ Balanço da remoção variável
♦ Resíduo da cultura ♦ Na frutificação
pela cultura

'.
g
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
::a

Fonte, dose, época e local são os componentes necessários e suficientes para descrever qualquer aplicação de nutrientes em qualquer cultura.

ambiente, e das condições sociais e econõmicas. Agriculto- 2.3 Os 4Cs Integrados ao Sistema de Plantio
res e consultores devem estar seguros de que as práticas que Os quatro "certos" estão interligados. Eles elevem trabalhar
selecionam e que aplicam localmente estão de acordo com e m sincronia um com o outro e com o meio alllbienle que
esses princípios. circunda a planta . o so lo , o clima e o manejo. Na maior
parte dos sistemas em que as plantas são gerenciadas para
Os quatro "certos " são uma forma simples de se avaliar se
forn ecer alimentos, rações, fibras . colllbustivel e benefícios
uma dada cultura foi fertilizada corretamente. A pergunta
esté ticos, os solos são o meio no qual a, plantas crescem.
"foi forn ecida à cultura uma fonte certa ele nutrientes, na
A fertilidade adequada cio solo é uma ncc r~ idad e b;isica
dose certa, na época certa e no local certo?" auxilia agricul-
para que as plantas cresçam de forma proclutiv;i. Elllbora c1
tores e consultores a ide ntiílcar oportunidades de melhoria
fertilidade seja vital para a produtivicbele , t1elll todm os solo~
::a na fertilizaç ão d e cada cultura específica, e m cada campo
especíílco.
férteis são produtivos . Drl•nagcm pobre, sera, in~elm, doenças
e o utros fat ores podem limitar a produtividade , nll',1110
::a Existe um e quilíbrio adequado entre os 4Cs. Ele ajuda a qua ndo os níveis ele todos os nutrientes estão aclcq11;1clos à~
plantas. Para entender plenamcntl' a fertilicbdc cio ,olo e
cvilar d emasiada ênfase cm um componente c m detrimento
::a de outros. A dose, por exemplo , devido a sua simplicidade necess.írio ro nhccer outros falolL'S quL' ma1llélll ... ou li111i1a111 ...
a prndutividach•.
e ligação direta com o custo, pode, algumas vezes , ser supe-
rcnfatizada e m d etrime nto de outros fatores . Fo nte, é poca As plantas dq>L' t1cl L•111 cio solo p.irn obter supullL' 11\l•r,i nico,
e local são os com po nentes mais frequ ente ment e ignorados água , ar e nut rientes. El.is 1a111bt' 111 c!L•pt•ndt'lll lk f,11ore~
e elevem ser considerados para melhorar o d l'sempenho ela Pxtemos, como luz l' ll'lllpC'r,llur,1. Tudu\ l'~St•~ fa1urcs t•,1ão
cultura. ligados e ntre ~i e iníluencia111 dl' \';iri,1s 111 a11L' il as o crcsci-
nwnto da, plantas L' a ab,01\·âo de nutrk-1\lt'\ . U,11 ,1 \'L'Z que

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
compactação, salinidade, temperatura, precipitação
e radiação solar. Eles interagem com o manejo da
nutrição da planta.
Muitos aspectos do desempenho são influencíados
tanto pela cultura e manejo do solo como pelo •
manejo dos nutrientes aplicados. Por exemplo,
a eficiêncía de utilização dos nutrientes é maior
quando uma cultivar com potencial de alto rendi-
mento é cultivada. Os indicadores de desempenho
mostrados na Figura 2.2 ilustram a complexidade
do sistema agrícola .
Os sistemas de produção são complexos e podem
reagir de maneira inesperada à aplicação de nutrien-
tes. Assim, a ciência, ao apoiar uma prática específica
de aplicação de nutrientes, precisa descrever a forma
como ela funciona no nível básico (por exemplo,
a química) e mensurar os resultados em relação ao
desempenho do sistema (por exemplo, a agronomia) .
Todas as ciências que medem os impactos no desem-
penho dos sistemas são importantes para o aperfei-
çoamento contínuo das práticas de manejo.

a água e o ar ocupam os espaços dos poros no solo, fatores


que afetam a água necessariamente influenciam o solo e
o ar. Por sua vez, a água afeta a temperatura do solo. A
/ '
disponibilidade de nutrientes é influenciada por todos os
três: ar, temperatura, água, ... e mais, à medida que a raiz
cresce, a planta fica sensível a estresses adicionais, incluindo
Pergt111tas ·, ?\
compactação e profundidade do solo e presença de muitos
tipos de organismos nele presentes.
1. O aspecto mais importante do desenvolvimento
A nutrição das plantas é, portanto, parte de um sistema sustentável é
dinãmico, variando segundo o lugar e a época. A resposta à a. econômico.
aplicação de nutrientes varia de acordo com os fatores acima b. social.
mencionados, por isso, o manejo da nutrição de plantas é c. ambiental.
uma atividade específica do local. No âmbito dos sistemas d. um balanço dos três.
de produção, os nutrientes são constantemente removidos do
li
solo sob a forma de produtos de origem vegetal e animal e 2. Princípios científicos orientam o desenvolvimento de
por processos de lixiviação, volatilização e erosão. Algumas
formas de nutrientes podem ser fixadas por meio de reações
a. grupos interessados cio setor agrícola. li
b. combinações específicas e localizadas de
químicas com minerais de argila e outros constituintes dos
solos. Matéria orgânica e organismos do solo imobilizam, e
fonte, dose, época e local. 1
c. emissões de óxido nitroso.
depois liberam, os nutrientes. d. metas de sustentabilidade. ' li
As práticas da nuu·ição de plantas interagem com o ambien- 1

te do sistema planta-solo-clima (Figura 2.2). Para que o 3. Fonte certa, dose certa, época certa e local certo são 1

uso de fertilizantes seja sustentável, ele deve melhorar a. independentes entre si e de ouuc1s práticas. 1
b. lnterconectadas mas independentes de
o desempenho do sistema. O desempenho do sistema é !
influenciado não só pelos 4Cs, mas também pela forma outras práticas de manejo.
como eles interagem com as outras práticas de manejo, c. interconectadas mas ligadas a outras práticas
tais como preparo do solo, drenagem, seleção ele cultivares, de manejo.
proteção de plantas, controle de plantas daninhas, entre d. independentes do manejo do fertilizante. li
:
outras. O sistema planta-solo-clima inclui fatores como
potencial de rendimento genético, ervas daninhas, insetos,
doenças, micorrlzas, textura e estrutura do solo, dre nagem,
l - - -· -- ---·- - __ J •
li
...
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
Adoção das 8PM e Avaliação.--_ _ _----,
Nlvel polltlco - regulamentar, ~ •
FATORES LOCAIS
infraestrutura, desenvolvimento de produto •
•Clima
APOIO À DECISÃO com base • Políticas
Nlvel regional - ♦ em princlpios cientlficos
pesquisadores da área • Posse da terra
agronômica, • Tecnologias
prestadores de
serviços agrlcolas ENTRADA • Financiamento
Recomendação da fonte certa , dose certa , • Preços
época certa e locai certo (8PM)
• Logística
• Manejo

Nível da fazenda DECISÃO •Clima


Produtores, Aceitar, rever ou rejeitar
l 1...._ _ _ _T"""'_ _ _ ___. • Solo
Consultores \
• Demanda da cultura
·-3
AÇÃO • Perdas potenciais
~ Mudança na prática
• Vulnerabilidade do
ecossistema
~

~
AVALIAÇÃO DO RESULTADO
Sistema de cultivo
Desempenho da sustentabilidade

b
r Figura 2.3 A adoção do manejo de nutrientes 4C leva a boas práticas de manejo (8PM) por meio de ciclos contínuos de avaliação

~
da decisão no contexto dos fatores locais.

~
2.4 Melhoria Contínua por Meio da Avaliação para produção eficiente e conser.,ação cios recursos pelo uso
::a dos Resultados da aprendizagem participativa, por meio de uma avaliação sis-
temática e contínua. Para uma boa OJientação nesse processo,
Pelo exposto antcriormcnle, e por meio das Figuras 2.1 e 2.2,
é importante que os consuhores agronômicos tenham nível de
descreveu-se o âmb ilo do manejo da nut rição vegetal e as exi-
certificação e capacitação profissional.
gê ncias na melhoria das prát icas de adubação. Neste ponto, é
p reciso dar atenção mais de talhada às atividades das pessoas Agricultores e gestores iden1ilica111 os nspectos nmbien tais e
que fazem as melhorias acontecerem. O conceito de Manejo de sociais re lacionados, com o propósito de manter suas L'mpn:-.sa-.
N utrien tes 4C prevê ciclos d e ação e avaliação dos resultados viáveis para as gernções futuras . A rentabilidadL' eco11ú111ica.
de desempenho em diversos níveis (Figura 2.3). Destes ciclos no entanto, é essencial para a susten1abilidacle de qualquL•r
podem participar produtores e consultores agronômicos no empresa e às vezes pode entrar em co11llito com as ntL'tas
nível de exploração, cientistas agronômicos e agro-prestadores ele clese111pe11ho ambiental e sociíll. A 111oti, açào para o~
::a de serviços no nível regional e líderes do governo e da gestores abordarem mais plcnanwnll' os trC's asµl'ctos podl'
indústria no nível político. Cada nível se esforça para íacilitar
:a a adap tação das práticas aos fatores específicos ioc,1is a fim de
ser fornecida por progrnmas que lnrlul'm rt•contwcinwnw
ilquclcs que se detacnm t•m termos de millwjo eficiL'ntL' (cré-
atingir as melas de desempenho cm suslenlabilidade.
:a Na fazenda, ou no nível do sistema dt• produçiio local. prmlu -
ditos de cnrbo110, por CXL'mplo. relacionados ;, 111itiga~·ão de
gases ele c>Íeito l'stufa).
tores e seus consu ltores tomam decisões - com base nos fatores No nívl'I n·gio11al l'St,i incluída a i11d11s1ria dl' :igro ~eí\ i, m
locais - e as imple111enlam. Ele~ avaliam, então, os res ultados (distrihulclores cll' i11s11111os .igricol;t~ t' prl'st.1do1t's dc> \L'l, içosl.
de suas decisõe~ para determi nar qua l é a próxl111a cleris,io visto f(lll' Pia 10111.1 cll'CÍS(ll'S que afl'l,1111 J rap,1ri1l.Jdl' lÍl'
a ser tomada de111ro do ciclo. De forma icle,11 , a ílValiação cio l'lllrt•ga elas Íllllll'S fl'rlilS dl• lllllril'ntL'S p;ir,1 .is plantas, 11,IS
desempenho pn\1ico deveria ser íeila co111 base em lodos os q11a11tidacl1•s Cl'rta~ l' IM 1•poca l' lllc,1is certo~ p,1r.1 ,11e11cler a
indicadores comiderados i111port.i111cs para os intere~saclos. cll'mand,1 dos produlorL•~. I-la dL•~an.1s log1s1 iros na l'1lln:ga l'
Baslca111e11h•, e~sa é a prática ele 11w1wjo adapt,llivo - um clislrib11iç,io cll• Íl'rtilil,mtl's q111• a i11chb1ria de .igro·\crviços
procl'~su (Oflll11uo de clL·s1~11volvi111e1110 das llll'lhorcs prúliras Jll l'Cl~a l'IIÍH'lllar.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
No nível regional também estão incluídos os cienlistas agro-
nô micos que trabalham para desenvolver e forne cer suporte
/'
à d ecisão dos gestores. Eles colaboram com a rccomcndaçflo
d e íonte. dose. época e local certo - novamente cm rclaçflo
aos íatorcs específicos do local. Sistemas de apolo à decisão
Perg11ntas ?
necessitam de avaliação e apcríciçoamcnto contínuo para aco-
modar mudanças na disponibilidade de tecnologia e mudanças 4. De acordo com os princípios de sustentabilidade,
no sistema planta-solo-clima. Os resultados obtidos por melo os interessados devem fornecer informações para
soítwares de sistemas de suporte à decisão requerem valida- seleção de
ção nas condições de campo. A validação pode incluir muitos a. indicadores de desempenho.
dos indicadores de desempenho já utilizados no plano prático. b. práticas locais específicas.
Prestadores de serviços agrícolas do setor privado também c. fonte, dose, época e local.
podem participar de tal validação por meio da criação de d. práticas de manejo de fertilizantes .
bases de dados regionais de resposta das culturas. A participa·
ção profissional dos consultores agronômicos e dos cientistas 5. A decisão final sobre a seleção da combinação
agrícolas pode contribuir para a melhoria do suporte à decisão regional de fonte, dose, época e local deve ser
forn ecido pelos consultores agronômicos comerciais. íeita por
a. autoridades regulatórias.
O nível político envolve o quadro regulamentar e institucional b. um gerente da cultura.
no qual operam produtores, gestores, consultores, bem como
a indústria de agro-serviços e as Instituições de pesquisa e
c. um pesquisador científico qualificado. a
d. equipes de interessados.
extensão. Nele está incluído o processo de decisão relacionado
à iníra-estrutura - que permite o transporte e a entrega de 6. Práticas de manejo de fertilizantes devem ser
nutrientes e de rmnmoditiu agrícolas - e ao suporte à educação validadas por meio da avaliação do desempenho
e pesquisa. A ati vidade industrial no desenvolvimento de com base em
novos produtos íertilizantes também desempenha papel impor- a. aumentos no rendimento da cultura em
tante. O nível político deve incluir íóruns de discussão, onde parcelas de pesquisa.
todos os interessa dos traduzam suas ideias em indicadores b. aumentos no rendimento da cultura em
de desempenho ou metas. Sempre que possível, deve-se estabe- parcelas na propriedade.
lecer as metas em termos de desempenho do sistema, ao Invés c. todos os indicadores considerados impor-
de se aplicar regras a práticas es pecíl1rns, pois estas alinham-se tantes pelos interessados.
me lhor com as iniciativas em curso e provavelmente resultam d. benefícios ambientais.
em progresso real no aumento da sustentabilidade.
7. Uma ciência com base na prática do manejo de
O conceito sobre Manejo de Nutrientes 4C relaciona as práti-
íerlillzantes é aquela que é
cas d e manejo às metas de sustentabilidade cm todos os níveis,
a. baseada em experimentação local no passado.
incluindo o da fazenda. Solicitar aos agricultores que definam
b. consistente com os princípios científicos e
suas metas de sustentabilidade incenti va-os a maior compro-
validada por lestes no campo.
metimento e participação. A adoção de um plano de manejo
e. especificamente descrita em regulame ntos.
de nutrientes 4C inclui a ldentiíicação de tais metas.
d . ambientalmente neutra.
Os indicadores de desem penho podem ser apresentados de
várias form as. O intervalo de tempo escolhido para o processo 1
é importante. Mudanças a curto prazo podem ser enganosas.
Considerando que a ~ustentabilidac.le é um processo de longo z
prazo, deve-se incentivar o uso do maior interva lo de tempo
pos~ível. O contexto pude ser importante. Quando o Lmlanço
de nutrientes é apn:sentado, 111os1ram-se a penas os result ados
de excesso, dél1cil ou razão entre entradas e saídas do ~i~tcma, ac
e o quadro geral ele lluxo de nutril•ntes nflo fi ca aparente. A
apresen tação do íluxo e balanço co mpleto de 11111rientes pode,
muilas vezes, levar a uma percepçflo mais segura do que rea l·
rncntt• ocorr e ern determirwda ~i llra~·no.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
Conclusão
FONTE, DOSE, ÉPOCA E LOCAL ;stão totalmente
Pergt1n tas ( ? interligados no manejo dos nutrientes. E possível ~ue ~ara
uma dada situação exista mais do que uma combmaçao

b adequada desses fatores. porém. quando há mudança


cm um deles, os outros também podem mudar. Os 4Cs
8. A combinação da fonte certa de fertillz.ante, da
b dose. época e do local certo de aplicação garante
devem íuncionar cm sincronia um com o outro , com o
sistema de cultivo e com o manejo do ambiente. O Manejo
a. produtividades possivelmente maiores.
Q b. mínima perda de nutrientes para a água.
de Nutrientes 4C enfatiza o impacto dessas opções de
combinações de manejo sobre os resultados. ou desempe·
c. mínima perda de nutrientes para a atmosfera.
Q1 d. melhor chance de allngir as metas de susten·
nho, visando melhorar a sustentabilidade.

tabilidadc. Cada aplicação de nutrientes pode ser descrita como uma


t:J combinação de fonte , dose, época e local. Os princípios
9. O indicador de desempenho mais importante no
=a manejo de nutrientes é
científicos íundamentais que governam a escolha adequada
de cada item são específicos para cada categoria. Os
a. eficiência de uso de nutrientes.
próximos quatro capítulos, 3 a 6, descrevem separada·
:2 b. produtividade.
mente os princípios específicos de cada um dos 4Cs. Eles
c. qualidade da cultura.
são seguidos pelos capítulos 7 a 9, que, mais uma vez,
::1 d. determinado pelos interessados do setor
concentram-se na integração dos 4Cs no manejo adaptativo
agrícola .
de todos os sistemas agrícolas. nas práticas de apoio às
~ decisões relacionadas à escolha das combinações 4C e na
10. Os indicadores de desempenho rcíletem o avanço
responsabilidade para tal manejo integrado, expresso cm
:1 do manejo de nutrientes no auxílio à melhoria da
planos de manejo de nutrientes.
a. qualidade da água.
::1 b. qualidade do ar.
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'2 1
I' 1
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:a 1
lhe foundatlon oí bcst management pr.,clic~ for ícrtillzer. Bettcr
Crops, v. !li. n. •1, l!l!l7.
-:a
~

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
::,

Capítulo G
- PRINCÍPIOS CIENTÍFICOS DE APOIO
FONTE CERTA
Os princípios cienúílcos fund<1111e111ai!, que deílnem a fon1e cer- para o milho. mas pode ser prejudicial à qualicl ;i d e cio
ta para um conjunto especiílco de condições são os seguintes: fumo e de algumas frutas . Alguns fe rtilizante!, fm fat ild os
♦ Cons iderar a dos e , a é poca e o loc al ele aplicação. podem conter Ca e S disponíve is paril as plant a~ e
pequenas qua111idacles de Mg e micronu1rie n1c~.
♦ Fornecer o s nutrie ntes em formas disponíve is
para a planta. O nu triente ap licm lo estú disponível pm-a ♦ Controla r o s efei to s cios clen1entos não-nutritivos.
a planta ou está em uma fornm q ue. e111 tempo útil, se Alguns depósitos na1urais ele rocha ro~falica. por l' Xe mplo.
toma disponível para a planta no solo. contém elementos-traços nf10-11u1ri1i, m . O 11í, d d e ;idiç:m
cle!,ses elementos el eve ser 111,1111icl o cll'11lro clL' li111ill'S .irl'i·
♦ Adequar a fonte às p roprie d a d es fís icas e t,iveis.
químicas do solo . Alguns exemplos incluem: evitar
a aplicação de nitrato em solos inundados, a aplicaçào Estes princípios fundam e ntais l'~l~10 illlL'grado~ 11u., ro 1Kl'Ítu,
superílcial de ureia em solos com pH e levado, etc. que vão ser apresenlaclm ne~lc capitulo.

♦ Reconhecer o s s inergis mos e ntre o s eleme ntos Todas as planta~ 11ece~~i1an1 clL• , r e lo ll1l'llu~. 17 l'IL'lllL' nto,
nutrientes e a s fonte s. Algum exemplos incluem essenciais pma co111pll•1ar Sl'll dclu clL' \'id,1. E~t L•~ i11l"iue 111 o,
inleraçi:io fósforo -zinco, nilrogênio ·fósforo, fertilizan te no 14 nutrientes minL•rals aprl'~t•nl ,Hlo~ 11a Tabela 3.1 L' m
l três l' lc111l•11to~ 11f10-111l11L'rais: l'arllrn1u (C ). hid1 ogL• 11iu (11 )
complemento ao esterco, e tc.
e oxigênio (0) . Os 111ano11u1ril'llll'' ,.i t1 l'Xigicl1" l' lll qtr.111
♦ Conhecer a comp a tibilidad e da mi s tura . Dcterml
11adas cornbinaçôes de fon1es atraem umidade quando
tidade~ rclati\'illlll'llll' L'il•vad,I\ pl'la, pl,1111a~. l'nq11.1111 u °'
111lr ro11u1rll•1lll'S ~üo 111111Laclo~ l'lll l(ll.llllitLlclL•~ 111l• 11ur,·, .
misturadas, o que limlta a unlfon11ldacle c(p aplirn~·f10
tvl11lto~ solos 11,lll\'m il(ll l'~l'lll.1111 di,po 11 ihilid.1d ,· 111t111 n
cio 111aterlal mlsluraclo; o lilmanho cio!, gr[111ulos clevl' !,N
baixa de- 11111 011 mal\ l'iL' 111L·1110, l'\\l' 11r i.ii, . 11:111 (ll' 111 1i1 i11clu
!,e melhante para cvi1ar a segrega~·ào do produto, l'll'.
que a~ c11h11ra, l'x1ne,w111 \l'll po11·11l'i,il gl' IIL'li l'u d,· lll'\l'i
♦ R econh ece r o s b e n e fí c ios e as inte a·açõcs cios llll'llln. E,11 r r n:.~i,tl'll1,1, 11:10 1'L·rtili L.1cl,1,. •" pl,1111 a, 11.11i, ,I\
e le m e ntos asso c i a dos. À 111i1lor p.irtt• dm 1111lril'11ll'\ aclap1a111-~t· ;" d l'lkli•rici,I\ dl' 111tl rÍL' llll'~ li111i1.111du .i 1,1 , :i dL•
' pO:.!,lll um íu11 ,1Co111panh,1111c• q11P pode ~l·r 1Jp111•lku. IH'll · l'l'l'\l'Íllll'll(ll lllllil l'~lldll'gÍ.I (jlll' gL'1,illlll'll( l' 11,i ll l' ,ll'l'Íl.1\t 'I
iro ou prcjucllcla l ti c11 lt11rn . Por l'Xl·111plo, o dorl'lo (CI) pl'lo~ .igrinilloll'\ l'll\olvid,1, ru 111 ,1 prudu, .-m d e .r li11 w111u, l '
que i1ro111panha o 1( lltJ l'lon•ltJ d1• pol:t\!,ltJ e\ IJl'm:•11co ll'llll'llll\ l'l'llllllllliru,.

NUTR IÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA



Tabela 3.1 Características importantes dos nutrientes minerais das plantas.

Forma prlnclpal nas Número relativo de


Categoria Nutriente Símbolo Forma primária de absorção átomos nas plantas
reservas do solo 1
Macronutriente Nitrogênio N Nitrato, N0 3·; amônlo, NH. • Matéria orgânica 1 milhão
Macronutrlente Fósforo p Fosfato , HPO.' , H2POi Matéria orgân ica, minerais 60.000 1
Macronutriente Potássio K Íon potássio, K' Minerais 250.000 1
Macronutriente Cálcio Ca Íon cálcio, Ca 2' Minerais 125.000
Macronutnente Magnésio Mg fon magnésio, Mg 2' Minerais 80.000
1
Macronutriente Enxofre s íon sulfato, s0,2· Matéria orgânica , minera is 30.000
Micron utriente Cloro CI íon cloreto, c1· Minerais 3 .000
1
Micronutriente Ferro Fe Íon ferroso, Fe 2' Minerais 2.000
Micronutriente Boro B Ácido bórico, H3803 Matéria orgânica 2.000
Micronutriente Manganês Mn Íon manganês, Mn 2 ' Minerais 1.000
Micronutriente Zinco Zn Íon zinco, Zn 2 ' Minerais 300
Micronutriente Cobre Cu Íon cúprico, Cu 2' Matéria orgânica , minerais 100
1
Micronutriente Molibdênio Mo íon molibdato, Mo0 4 2 Matéria orgânica, minerais 1 1
Micronutriente Níquel Ni Íon níquel, Ni 2' Minerais 1

Elementos adicionais - incluindo sódio (Na), cobalto (Co) e silício (Si) - mostram-se essenciais ou benéficos em algumas espécies de
plantas.

Cada nutri ente desempe nha funçõ es es pecíílcas na planta; veis para as plantas. Leguminosas que são removidas do cam-
a lguns são relativamente simples, enquanto outros parti- po para produção de feno ou alimentação animal não deLxam
cipam d e reações bioquímicas extremamente complexas. grandes quantidades de N residual no solo. Leguminosas que
Uma vez dentro da planta, a fonte original do nutriente são cultivadas e deLxadas no local (adubo vereie) contribuem
mineral não é mais importante. com o N fixado para nutrir as culturas subsequentes e cons-
truir a matéria orgânica do solo. A quantidade de N residual
3.1 Qual é a origem dos nutrientes? de uma cultura de cobertura pode variar muito, dependendo
Quando as concentrações de alguns nutrientes estão abaixo da espécie ela planta e das condições locais.
do nível ideal no solo, os agricultores geralmente comple- Estercos e compostos são excelentes fontes de nutrientes
mentam a oferta nativa com outros recursos internos ou para as plantas quando utilizados adequadamente. Os estercos
externos da propriedade. Nos recursos da fazenda podem contém todos os elementos esse nciais para as plantas, embora
ser incluídos: esterco animal, plantas leguminosas de cober- suas proporções re lativas sejam. muitas vezes. diferentes
tura e resíduos de culturas. Recursos ex ternos podem incluir das quantidades relativas necessárias. Considerando que
vários nutrie ntes , processados ou não, e corretivos do solo. algumas formas ele N , P e S são orgânicas, e las requerem
Todos os nutrientes, exceto N . são derivados de minerais um período de desagregação (mineralização) antes de serem
que ocorrem naturalmente no solo . Complexas indústrias , convertidas em formas assimiláveis pelas raízes. Compostos
cm várias partes do mundo, foram desenvolvidas para submetidos à decomposição controlada durante um período
extrair esses nutrient es e conce111rá-los c m formas práticas de incubação resultam e m produto orgãnico relativamente
para ma nuseio e transporte , e que forn ecem os nutrientes estável e ele d ecomposição mais lenta . quando comparados
prontamen te disponíveis para as raízes elas plantas. Alguns aos estercos. Os nutrie ntes contidos nos estercos e nos com-
111inerais podem ser usados clircia me nt e como fonte d e postos vieram do pasto e do fe no co lhido nos campos que
nutrientes para as pl antas ou como corretlvos do so lo, mas provave lmente rect>beram fertilizantes - nutrientes adiciona-
muitos outros necessitam d e processa me nto para aumentar dos ao ciclo d as culturas de campus próximos e di.stantes. É
a solubilidade ou concentrar os nutric11tes, visando aumentar claro que os animais não produzem nutrientes durante sua
a cílciêncla de trans po rte. Minerais lmo h·, veis libera m os digestflo, mas apenas 1' xcreta111 o que não t1 absorvido na
nutrie111c,s muito lr nia111cnte para ,1 solução cio so lo . sua a lime ntação.

Legu111i11osas (como alíafa, trevo, e rvillwca e fe ijão) são Quase todos os nutrientes en tram nas planta!> através do
capazes d e hospedar bacté1 las (U!ti.z_ubi11, U1 !llh•rliizubi11 , s iste nta radicular. A prinripa l fom1a de absorção é mostrada
S1111,1!ti :uhi11 c ou tras) e111 nódu los rat.licularcs . Nesses nódulos, na Tabela 3.1. A ad ubação foliar pode ser útil e 111 a lgumas
u gf1s N a tm usféricu é cu11vertit.lo e111 fornrns ele N disponi· sllua(,'õcs. cumo para su perar o de~c11volvimcnto t.le u111.:1
1
li
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA
m
deílclêncla ou para complementar o fornecimento de
nutrientes durante os períodos de pico de demanda. No cn·
tanto, as plantas são adaptadas para obter a maior parte dos
nutrientes da solução do solo através das suas raízes.
Perguntas 0
3.2 Selecionando a Fonte Certa J. Um dos sele princípios clenlíílcos que dcílnem a
fonte certa para um conjunto específico de condl·
A Ideia de selecionar a fonte mais adequada de nutrientes
ções é
parece um conceito simples, mas muitos fatores precisam ser
a. aplicar somente as formas de nu1rlen1es dispo·
considerados ao se fazer essa escolha. Além dos seis prlnc!-
níveis para as planlas.
pios científicos fundamentais mencionados an1erlormen1e,
b. adequar a fonte às propriedades físicas e
fatores como problemas na entrega de ferlillzanles, preo·
químicas do solo.
cupações com o ambiente, preço do produto e llmllações
c. Ignorar a compaLlbllldade da mistura.
econômicas são Importantes. As decisões podem ser lníluen·
d. evilar a aplicação de elemenlos associados.
ciadas pela disponibilidade dos materiais e pela dlstãncla para
obtê-los. A acessibilidade aos equipamentos para aplicação de 2. Um elemenlo é considerado essencial ao cresclrnenlo
fertilizantes também pode limitar as escolhas. Ao tomar essas da planta se
decisões, a tendência é confiar na tradição e experiência, mas a. o solo contém somente pequenas quantidades
a revisão periódica desses fatores permite aos agricultores dele.
obter o máximo beneficio desses recursos valiosos e do lnves· b. as planlas o requerem na sua fonna elementar.
limento econômico signlficaúvo que representam, e permite a c. Iodas as plantas precisam dele para completar
consideração de novos materiais fenillzanles. seu ciclo de vida.
A seleção da fonte certa de ferúllzanles começa com a deter· d. ele é capaz de ser absorvido pelas planlas.
minação de quais nutrientes são realmente necessários para
cumprir as melas de produção. Nutrientes llmilanlcs podem
3. A seleção da fonte certa de íertilizanle deve ser
baseada em
ser determinados por melo de: análises de solo e planta,
a. tradição e experiência.
testes de tecidos, parcelas com omissão de nutrlenles, sen-
b. somente no preço .
sores de cor da folha ou sintomas visuais de deficiência (ver
c. somente no único nutriente em falta .
Capítulo 8) . Para IOdos estes lestes, a determinação precisa ser
d. na determinação de quais nulrien1es são limi·
::a feita antes da decisão da aplicação de ferllllzanles. A suposl·
ção, apenas, de quais são os nutrientes necessários pode levar
lantes.

::a a inúmeros problemas associados a sub ou super-dosagem ,


podendo conduzir à dellclêncla de nulrlenles cspcc!llcos, até 4. As formas químicas de P e K nos fertilimrues são
tomar-se grave, além de resultar em baixo retorno econõmlco a. expressas como eq uivalentes em P20 , e K!O.
se os nutrientes aplicados em excesso Já estiverem presentes
b. P20 s e K20 .
c. P e K.
em concentrações adequadas.
d. convertidas em fom1a e lementar pela multipli·
É comum focar-se em um único nulrlenle em falta e excluir cação por 2.29.
os outros. Por exemplo, o fornecimento Inadequado de N é
fácil de ser detectado pelos sinais visíveis que a planta apre- Para verificar as respostas, veja a página A-7.
• senta - crescimento a1rollado e folhas cloróllcas. No en1an1O,
o beneficio máximo do N aplicado só será obtido se outras
·' deficiências (tais como de P ou K) forem também corrigidas.
Todos os nulrienlcs funcionam cm conjunto para sustentar o
crescimento adequado da planta . de N, 15 kg ele P10 1 e 20 kg cl1• K!O. Para l'l'rtlli1<111ll' ljllL'
contêm outros nu1rll•111e.~. ~;10 lndtudu!> miml·ro~ .1tlirio11<1h
Cada nutriente está disponível em diferentes formas químl· com o símbolo qui111ico do 11u1ril'nle; por CXl't11plo. u111 fertili ·
cas, as quais sofrem reações únicas depois de entrar no solo. Zílnlc 21 -0-0-2-1S rn111é111 21ªo cll' N e 2-1%cll' S.
Independentemente da fonte original e da reatividade no
solo, os nulrienles devem estar e m forma solúvel e dlsponí· Note• que as forn1a~ qui111lra, clL• P L' K 110~ ft•rtillL.1111,·~ 11,H>
vcl antes que po~sam ser absorvidos pelas planta~ . são l'Xpressas l'111 P10 , ou 1\0. Pr,·f, rL' 1H:ialn1L' lll l'. " fonn.1
0

de óxido (> ,, u11ld.icll' 1radlr iu11,il usada para l l'p1 e,l'1ll<1r


Os fer1lllzan1es normalmente são vendidos na forma d1• l'!>~1•s fl•rllllL,lllll'~ . O ro111eúclo dL• fmfow ,• pulJ'>!>io nm
fórmulas, que repre~cnlam a garantia mínima do fabrlcanll' . fer1IIIL,t1lll'S é l'Xpr1:~o 1•111 ,·qui, ,,1t.,11ll'S clL• P:O . l' de K_ü .
A fórmula é consllluída de uma série ele nú11wro~ que rcv<'· rL•~per1lvai111:111e. P,,r.i C\lll\'l'rll'I' a fu i 111<1 dL• o ,idu c111 fon11<1
Iam o conteúdo de cada nulrlenle na 111ls1ura, l'Xp1 c•sso •111 ek• 11H' nlar. sf111 tllill1ado, o~ " 'gul11l t'., f:llm L·> d e ru 11\ l'r~f,o:
perccrllage m , ou seja. qullogra111íl~ de nulrlcnle~ por peso dl·
P 10 1 X U.'13'/ = p
100 kg de fcr11lltan1c 111l11cral. O prl11wiru mí11H•ro reprl'·
~enla u IOlal de N; o segundo, o P dl~po11ívcl co111u 1\0 1 p X 2.29 = P10 ,
cqulvalcnl c, e o lercl•lro . o I< solúvel rumo 1< 10 cqulvall•111c. K,O x 0,830 = K
Por cx1:111plo, 100 kg de 11111 adul.iu IOl 5-20 rn111 c 111 1Okg K x 1.20 = l< :O

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Peruuntas
b '8
• a:I

5. Mistura granulada pode ser útil para


a. aplicações de um único nutriente. ll]
Figura 3.1 Três tipos de fertilizantes compostos (contêm b. fornecer diferentes doses de nutrientes para
uma combinação de N, P e K em cada grânulo). atender necessidades específicas.
c. eliminar a segregação potencial das partículas.
lll
d. macronutrientes sem micronutrientes.
3.3 Tipos de Fertilizantes ll
A escolha do tipo de fertilizante a ser utilizado é, írequente- 6. Os fertilizantes fluidos são populares porque
t;c
mente. uma das primeiras decisões a serem tomadas. a. são misturados com fertilizantes granulados.
b. podem ser íacilmente adicionados à água de
Mistura de grânulos - consiste na combinação de
irrigação.
vários fertilizantes granulados em um lote que vai atender
c. são feitos de componentes de menor custo.
às necessidades específicas de um cliente. As misturas são
d. reúnem múltiplos nutrientes em uma única
ajustadas com diferentes doses de nutrientes para condi-
partícula.
ções específicas de solo e cultura. Elas são populares por-
que são feitas com componentes mais baratos e misturadas
com equipamento relativamente simples e econômico. Os
partículas durante o transporte ou aplicação (Figura 3.2). A
componentes individuais do fertilizante devem ser química
distribuição uniforme de micronutrientes na zona radicular
e fisicamente compaúveis para mistura e armazenamento.
também é possível quando estes são incluídos na mistura
Atenção deve ser dada à possibilidade de segregação dos granulada. Existem certas proporções de nutrientes que geral-
componentes individuais que pode ocorrer durante o trans- mente estão disponíveis para várias aplicações agronômicas e
porte e a manipulação. Operadores da mistura de fertilizan- que facilitam a decisão na escolha do fertilizante.
tes estão conscientes desta preocupação e tentam igualar o
tamanho das parúculas de diferentes nutrientes para minimi- Fertilizantes fluidos são populares porque permitem a
zar a segregação dos materiais durante o transporte. mistura de muitos nutrientes
Mistura granulada - é uma mistura de múltiplos nutrientes em uma única solução ho-
em uma única partícula de fertilizante sólido (Figura 3.1). Esta mogênea, clara , que pode ser
difere da mistura de fertilizantes individuais, a qual resulta em aplicada de modo uniforme no
uma composição m édia d e nutrientes. Cada parúcula granula- campo. Estas soluções podem
da libera uma mistura de nutrientes à medida que se dissolve ser misturadas e aplicadas
no solo e elimina o potencial de qualquer segregação de como fertilizante de arranque,
em faixa subsuperficial con-
centrada, ou por gotejamento,
em aplicação superficial. Elas
costumam ser adicionadas à
p
água de irrigação. Os fertili-
0 zantes fluidos são fáceis de serem Fertili=1111le fluido IC
manuseados e são excelentes
Mistura de grânulos' ln
veículos para uma variedade de micronutrientes, herbicidas
, 0 e pesticidas. Com a mistura ele vários materiais pode-se
reduzir o número de viagens ao campo, diminuindo, desse
modo, a compactação cio so lo e o consumo de combustível.

... r/, 1
Nem lodos os fertilizantes fluid os sflo compatíveis quando
misturados. A Figura 3.3 fornece diretriws para a mistura
Mistura granulada ele mate riais 0uldos, consiclcrnnclo a compatibilidacle entre
,.• e les. É sempre recomendável colocar uma pequena quanti-
..,_ clmlc de fcrliliwnte cm um frasco para testar a adequação
ela mistura, antes ele misturar grandes quantidades.
Figura 3 .2 Distribuição de nutrientes no solo comparando-se
mistura de grânulos e mistura granulada. A distribuição A aplica\·fm ele fcr1ilizante íluido Junto com a água de i1Tiga·
mais uniforme proporcionada pela mistura granulada ção (fcrtlrrigação) é norn1al111en1e fl•ila para poupar traba-
pode ser importante quando os nutrientes são aplica- lho, aumentar a íl<•xiuilidacle de temporização na aplicação
dos em doses baixas. Já a mistura de grênulos é pos- de 11utric11lrs e melhorar a l•ficiê11da do nutriente. Isto é ~
sível combinar a dose recomendada de cada nutriente. feito nos sistemas de irrigação pressurizada (por exPmplo.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Atonçlo: Eato quadlo - lnfom,oç6ot - em_-. do l)ftton do
'"°"""'do,..,_.., Eau1 ln!cmloç0ft..,,, _ , . , cdi« .,fcrmolh,o, como
guio go,w. Nom • FUd F0<111ur roin1.-.,,..., os - n. gonmom •
_ _ da.,f"""'8QÕ8t. C : 0 - 0 l - d o p r a d l . C o • -
rulae wn 1nte CM w pa t:e:1edo _,... CM ,.artur• mnn 1na1

do-do omOnlo • '"'". URAN · 25132-00


Sot,çiodo-.,do omõnlo: 6-04-QS
Soo..,çiodo pc,Cl<,,wlo do omõnlo: 11).:u.(I
SoL,çlo do dorelo do - 6-04-1110
Sot,çiodo-..,doomOnlo, ATS.124-0-~
Scà.çlo d o - . . , do poLtalo, KTS: 0-0-25-17S
Tloaúla:Ddodldo.CaTS: 6'!1.Ca10%5
ToouJfa!o oo rn,gnMlo. ~lgTS: 10~ 4"'-1,,i
SoL,çlo d o - d o - · - 11= 8,BCa
SoL,çlo do ""'"10 do c:tloo: &-04-11Ca

N.lralO do .-,;o:~
NnlO do úldo: 15.540-1 QCa
Ocnoodopoúalo:0462
N4r,.,
do poúDlo: 1~ 6
- do mognóslo: 11).1)-0.9~\)
Fmlala.....-nl>nm(T6c:noml· 1U1-0
Fc,afA,110 betocT(l).~.)4)
P-(~201

Figura 3.3 Compatibilidade das misturas de fertilizantes fluidos (adaptada de Fluid Fertilizer Foundation , 2009).

::a
::a por gotejamento, microaspersão ou pivôs) e na irrigação por
sulcos. É importante qu e os nutrientes utilizados
nutrição radicular. Muitos materiais ele a lta so lubilidade são
usados como ferlílizantes foliares para atender
na fertirrigação não causem entupimento do a d eficiê ncia pote ncial de cada nutriente . A
equipamento de irrigação ou não se preci pitem solução pulverizada sobre a supcrficie foliar
antes d e alcançar a área-alvo. geralmente é diluída, de macio a evitar danos
salinos (osmóticos) à folhagem . Porém . quando
Há excelentes fertilizantes, que são compatíveis com
a co ncentração ele fertili za nte L' muito clcvad,1,
qualquer lípo d e sistema de irrigação. Parlícular
o tecido follar pode ficar desidratado e clanill
atenção d eve ser dada ao se adicionar fe rtilizantes
cada (fenômeno comumente clc~ignaclo n1n10
fosfatados cm água de irrigação rica em Ca ou
queima das fo lhas) . As recomendaçõ1•s co 11Lid,1S
Mg, a ílm de evitar a preci pitação química e o
nos rótulos cios produtos elevem ser sPguidas
entupimento dos tubos e emissores. Deve-se lem·
correia me nte para se obtt>r o 111,1xi1110 bL•nefil'io
brar também que a distribuição d e nutrientes por
nutricional.
m elo da fcrtirrlgaçiio pode 11iio ser Ião uniforme
qu anto à proporcionada pelo sistema ele distribui·
Fe1·tilizantcs cm s uspensão - ~10 obtido,;. pnr
ção de ág ua no campo. .·11,/ i1·11rrio jiJ/ i(/,. "·'
.f,•1·1ili:: 11111,• melo da suspensão cll' partículas n1uito pl"quL• na.,
O s fertili za ntes íluldos tm11bé 111 são utili zados e m uma so lução. Argilas cll! suspL' nsãu ou agen·
na nutrição foliar por melo d a pulverlwção ele ~oluçào 1111· tcs d e gc lll1ca\·flo são usados para evitar quL• as pjrllculas el e
triente so bre as folhas . Esta técnica pode ser particularme nt e fl'rliliLante cl\•cante 111 110 líquido. A., ., 11.,pe11sôcs pL' nnilL' íll
c llcicntc na rorrcçflo o u prcvcnçflo das carê ncias 111Hrlrlo11als o uso de n1aterlais fertiliL :11\ll'!> com menor ~olubilicl.idc,
ou para atend er os períodos d e pico d e cic 111ancla de 11utriL•11· comparado~ aos que pocll'm Sl' r u,aclos n,1~ .,alu~·õe., ciarns,
tcs, qua ndo a absorção pelas raízes pode ser l11 ~11f1ric nle para e a ol>tc 11~·,io cil' maior co nrentraç,'io d e nutrienlL'S. CramiL'!>
responder às 11cn!~idad c~ da planta. No e ntan to, a 1111tri<;flo quantidade~ d L• 111icrom1triL•ntcs pode m ser incorporada,;,.
fo liar geralmente é co11sid crada co1110 11111 complc1n1•nto da nas ~u~pcnsÔl'S, be111 l'U1no herbicidas e imctlcid,,., l)IIL' 11:10

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


são adequados para mistura nas soluções claras. Normal• atmosfera, principalmente quando a ureia é aplicada na
mente, usa-se algum tipo de agltaçiio no tanque para manter superf/cle do solo.
a homogeneidade da suspensão. Bicos maiores são utilizados Materiais poliméricos são polímeros líquidos desenvol·
para a aplicação de suspensões, comparados aos usados vldos para se ligarem temporariamente a cátlons do solo
para aplicação de soluções claras.
com o objetivo de reduzir as reações químicas que podem
Fertilizantes d e eficiência melhorada não são um sim· diminuir a solubilidade do P.
pies grupo de materiais, mas consistem de produtos ou tec-
nologias que geralmente aumentam multo mais a eficiência 3.4 Tipos de Fontes Orgânicas: Estercos,
de uso do fertlllzante do que as práticas e materiais padrões. Compostos
Fertilizantes d e liberação le nta e controlada Materiais orgânicos podem ser excelentes fontes de macro
podem ser úteis para melhorar a eficiência de uso dos e micronutrientes para a cultura. Considerando que estes
nutrientes. Existem vários mecanismos para controlar a materiais são extremamente variáveis. dependendo da fonte ,
liberação de nutrientes de uma partícula de fertilizante . manuseio e processamento, apenas os princípios gerais serão
O mais comum é quando um revestimento protetor tratados aqui.
de polímero ou de S é adicionado a um fertilizante Grande parte do N no esterco e nos compostos está pre·
no intuito de controlar a dissolução e a liberação dos sente em complexos orgânicos que devem ser convertidos
nutrientes (Figura 3.4). As taxas de liberação normais em amõnlo ou nllrato por microrganismos do solo (minera·
variam de algumas semanas a vários meses. Outros lizados) antes de serem absorvidos pelas raízes. Taxas de
fertilizantes de liberação lenta podem apresentar baixa mineralização são determinadas pela atividade mlcrobia•
solubllldade ou resistência à decomposição microbiana na, a qual varia de acordo com fatores ambientais (como
para controle da liberação de nutrientes. Cada um des· temperatura e umidade), propriedades do material orgânico
ses produtos pode ser adequado para um determinado (como relação C:N e teor de llgnina) e aplicação (incorpo·
conjunto de condições, porém , Isso não significa que eles ração) do material orgãnlco. A falha no sincronismo entre
sejam apropriados para todas as condições. Produtos es· a liberação de N e a absorção pela cultura pode levar à
peclficos devem ser combinados a condições adequadas escassez de N e a deílciênclas nutricionais nas plantas, ou à
de solo , cultura e ambiente para obter o máximo bene· liberação excessiva de N para além da época de crescimento
ficlo. Geralmente, o N é o nutriente-alvo para liberação (Figura 3,5) . Em muitos íertillzantes, a relação N:P não
controlada , mas há circunstâncias nas quais a liberação está em equilíbrio com os requisitos das plantas. Quando
controlada de outros nutrientes também é desejável. estercos são adicionados para atender às exigências das
culturas em N, o fornecimento de P pode exceder em 3 a
5 vezes a demanda das culturas. A aplicação de este rco a
longo prazo pode resultar em acúmulo de P. a menos que
seja dada maior atenção a esse desequilíbrio.
Estercos animais variam enormemente em sua ca mpo•
slção química e ííslca devido à alime ntação especíílca do
animal e às práticas de manejo dos dejetos. No esterco, o
N está presente em compostos orgânicos e inorgânicos. O
N no esterco fresco ílca em form a Instável porque a amônia
pode ser facllm ellle perdida por volatlllzação. A aplicação
Ureia de este rco fresco ou d ej e tos na supe ríícle do so lo pode
resultar e m grandes pe rdas de N por volatilização em
• Selante
algumas slluações. A é poca de aplicação e a localização são
Enxofre
fatores Importantes a serem considerados para minimizar tais
perd as. A estimativa da dose re n a de este rco a ser aplicada
Figura 3.4 Exemplo de fertilizante revestido . el eve começar com uma cuidadosa a nalise q uímica do con-
te údo de 11u1rle111es e r om a prev lsiio das taxas ele minera-
ll zaçiio d e N a pós a apliraçiio. A maior parte do P nos
Inibidores químicos e biológicos às vezes siio
adubos e compostos está sob a fo rma d e fosfa to inorgâ nico
adici onados aos fcr11li zantes para melhorar o u lnterrom ·
e todo o 1( e~1.\ 1m•se11tt• ro mo K· lnorgã nico, prontamente
per tempornrl ament e reações multo es pecificas do solo .
dispo nível para absorção pelas plantas.
Inibidores d a nltrlllca çi.lo sf10 aditivos qu e retardam a
conversiio d e amônia cm nitrato no solo, o qu e pod e Con1pos tos gern lmetlll' contê m baixas ro ncen1rações de
redm.lr a possibilidade d e ll xlvlnçiio ou clesnltrlllcaçiio. 1n11rlenlt•s. tvl atPrials devidamente compostados nor111almen1e
lnlbld orPs da urea~e. uma outra rlas~c d e aditi vos, Sl' dPco mpõe m lenta mentt• e 5e com portam como uma fon te

po dr m ~e r utili zados ro rn urr la para at rasa r te111pura rla· d e llbNaçào IPnta ele N ao longo de meses ou anos. Os com-
me nt e ~ua tra mforn ia~·f10 em am ônia, po r lnatl vação da postos podem va ria r cnor111e 111e nte em qunlldade. mat uridade
ureasP, u1 11a 1•nt lma r m11u111 110 solo . Esse atraso pode e teor dt· nut rien te~. de pendenclo dos materia is Incluídos , das
rccl uLlr as pí'rda~ por volatlllzação d a amônia para a comll\'Ôl'~ do prores~o e do seu m,.111ejo.
li
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C. FONTE CERTA
~
1
bem entendidas ou documentadas, mas elas são conhecidas
1 por ocorrerem no fertilizante. no solo. na zona radicular e
no Interior da planta. Interações favoráveis (slnergismos) são
1 observadas entre alguns nutrientes. Interações indesejáveis
(antagonismo) podem ser evitadas com o monitoramento
1 do nível de nutrientes por meio da análise do solo e da
planta, para evitar condições extremas.
1 Alguns exemplos de interações entre nutrientes incluem:
(i) a presença de NH; pode melhorar a disponibilidade
1 Tempo
de P, aumentando, assim, o crescimento das plantas, (íi)
a adubação excessiva com K pode diminuir a absorção
1 de Mg por algumas forrageiras, resultando em problemas
nutricionais para o gado (tetania dos pastos) ou maior inci-
1 dência de febre do leite e placentas retidas em vacas leitei-
o
ras, (iii) altas concentrações de P no solo podem interferir
1 sze
:, na assimilação de Zn em algumas plantas, (iv) o aumento
do pH do solo após a adição do calcário pode aumentar a
t disponibilidade de P e Mo, mas reduzir a solubilidade de
Cu, Fe, Mn e Zn.
1
Tempo
Não há uma única fonte certa de nutrientes para todas as
1 condições. Sempre que possível, a necessidade específica de
Figura 3.5 O sincronismo entre a liberação de nutrientes e nutrientes deve ser determinada antes da aplicação. Fatores
a demanda da planta é um desafio quando se como disponibilidade de fertilizante, reações do nutriente
1 utiliza materiais orgânicos. As fontes orgânicas no solo, equipamento para aplicação e retomo econômico
com baixa relação C:N podem liberar nutrientes precisam ser considerados. Estas decisões complexas devem
1 mais rapidamente em relação à demanda da
ser continuamente reavaliadas para se fazer a seleção certa
planta (A). O material orgânico com alta relação
dos fertilizantes. IIil
1 C:N pode não liberar nutrientes com suficiente
rapidez para atender as necessidades nutricio-
nais da planta durante seu crescimento (B). REFERÊNCIAS
Havlin , J. L. et ai. Soil fertility and fertilizers: an
3.5 Interações dos nutrientes introduction to nutrient management. 7th edition. Upper
As interações ocorrem quando a forma química ou a con- Saddle River: Pearson Prentice Hall, 2005.
centração de um nutriente especifico influencia o comporta- UNIDO-IFDC. Fertilizer manual. Dordrecht, the Nether-
mento de outro nutriente. Estas Interações não são sempre lands: Kluwer Academic Publishers, 1998.

Pergt1ntas ~ 9. Em curto período de tempo após a aplicação, o fosfato de


monoamõnio (MAP) é diferente do fosfato de cliamônio
(DAP) porque
7. Fertilizantes de liberação controlada podem melhorar a. DAP fornece fósforo em fonna mais disponível para
a eílciência de uso do nutriente a planta.
a. sob condições especlílcas de campo. b. o nitrogênio no DAP será usado mais prontamente
b. Igualmente para todos os nutrientes. pela planta.
c. pela inatlvação da enzima urease. c. somente o MAP se converterá em polifosfato.
d. sob todas as condições de campo. d. o pH do solo ao redor do grânulo de tvlAP será menor.

8. Inibidores ela urease reduzem as perdas de amônia 1O. A maior parte dos íertlllzantes potásslcos
de fonna mais acentuada quando aplicados com a. contém potássio em diferentes formas químicas.
a. ureia em cobertura, na superílcle do solo. b. difere principalmente quanto aos ãnions acampa·
b. ureia Incorporada no solo.
c. sulfato de amõnlo em cobertura, na superílcle c. ~::;:;; selecionada somente com base no preço. Jj
do solo. d. é mais efetiva elo que o esterco como fonte de
d. ureia e nitrato de amônlo Incorporados ao solo.
potássio. _ - · _ __

As qu c stom, 9 o 10 !>C reforem 110 m at er ial dos mollu los apres ent ados na seção 3. 3, nas págin as segu int es .

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Módulo 3.1-1 A fonte certa de potássio melhora o rendimento e a qualidade da banana na Índia. O
potássio é um nutriente importante na produção de banana, tanto para o rendimento quanto para a
qualidade. O sulfato de potássio (K 2 S0 4 ou SOP) tem menor índice salino e fornece S para a planta, em
comparação ao cloreto de potássio (KCI ou MOP), que fornece o cloreto (CI ·), além do K. Estudo sobre a
nutrição da bananeira no sul do estado Indiano de Tamll Nadu mostrou benefícios na aplicação de SOP,
em comparação com MOP, como indicado na Figura 1 abaixo.
Adaptada de: Kumar, A.R. e Kumar, N. EurAsian Journal of BioSciences, v. 2, n. 12, p. 102-109, 2008.

30

15

o
Peso do cacho
kg ,.
Bn<
., Conleudo relativo
do ógua
g/ 10 g
Conleúdo do
clorofila lotai
mg/10 g
Catalaso,
10 unidades/mini
o peso fre sco
AtIV1dado da
redulase do nitrato,
mg/ 10 g/h

Figura 1 Peso do cacho de banana, Brix (açúcares solúveis totais), teor relativo de água e parâmetros fotossintêticos
(teor de clorofila, catalase e atividade da redutase de nitrnto) relativos ao uso de cloreto de potássio (M OP) e
sulfato de potássio (SOP) como fontes de potássio.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Módulo 3.2-1 Equllíbrlo entre fontes orgânicas e minerais para o mllho na África. Estudos realizados
na África Subsaariana (ASS) mostram que o uso de fertilizantes é sempre mais rentável e eficiente em cam-
pos férteis. Quando os solos estão degradados. é necessária a restauração da fertilidade do solo por meio
da adubação equilibrada e de adições de matéria orgânica para atingir alta produtividade das culturas.
Outras opções para o manejo da fertilidade do solo, como adição de esterco, rotação de culturas e pousio,
são mais eficientes quando estrategicamente combinadas com fertilizantes. Em ensaios realizados no
campo, com diferentes níveis de fertilidade do solo em muitos locais da ASS, a aplicação isolada de
N resultou em maior aumento da produtividade de milho em condições de alta e média fertilidade do
solo. A adição de P também promoveu aumento significativo na produtividade em campos com
fertilidade elevada , porém, nos campos com fertilidade média foi necessária a adição de cátions básicos
(K e Ca) e de micronutrientes (Zn e 8) para aumentar significativamente o rendimento das culturas em
patamares acima do obtido no tratamento com N. Nos campos com baixa fertilidade, os rendimentos
aumentaram menos que 1 t ha·1 pela aplicação de N e menos que 2 t ha 1 pela aplicação de N, P, K, Ca,
Zn e 8. Em tais condições, é necessária a adição de fontes orgânicas para aumentar a matéria orgân ica
do solo e a retenção de nutrientes e água, sincronizar melhor a oferta de nutrientes com a demanda das
culturas e melhorar a qualidade do solo pelo aumento da biodiversidade.
Fonte: Zingore, S. Better Crops with Piant Food , v. 95, n. 1, p. 4-6, 2011.

7
N II N + P D N + P+K+Ca+Zn+B 1
6
Doses do
nutrlento
k9 ha·•
~
<O
5
N = 120
-
..e
Q)
-e
4
P=30
K = 60
<O
-e Ca= 20
:~ 3 Zn =5

-e B= S
...o
CL 2

o
Baixa Média Alta
Fertilidade do solo

:.,◄

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Ureia
Módulo 3.3-1 A ureia é o fertlllzante nitrogenado sólldo mais amplamente utlllzado no mundo. Geralmente, a
ureia também é encontrada na natureza, uma vez que é expellda na urina dos animais. O alto teor de N na ureia
toma eficiente seu transporte até as fazendas e sua apllcação nos campos.

Produção. A produção de ureia envolve a reação controlada do gás amônia (NH 3 ) e do dióxido de carbono (C0 2 )
sob temperatura e pressão elevadas. A ureia fundida é moldada em esferas em equipamento especializado de
granulação ou endurecida em forma comprimida enquanto cai de uma torre.
Durante a produção de ureia, duas moléculas podem, inadvertidamente, interagir e formar um composto
denominado biureto, que pode ser prejudicial quando pulverizado sobre a folhagem das plantas. A ureia
comercial contém apenas pequenas quantidades de biureto devido às condições cuidadosamente controladas
durante sua fabricação. No entanto, a ureia especial, com baixo teor de biureto, está disponível para aplicações
específicas.
Fábricas de ureia estão localizadas em todo o mundo, porém mais comumente situadas próximas a instalações
de produção de amônia (NH 3 ), visto ser esta o principal insumo para a produção de ureia. A ureia é transportada
em todo o mundo por navio, barcaça, ferrovia e caminhões.

Propriedades qu ímicas
Fórmula química: CO(NH 2h
Conteúdo de N: 46% N
Solubilidade em água (20°C): 1,080 g 1.:1

Uso agrícola. A ureia é utilizada de muitas formas como fonte de N para o crescimento da planta. É mais comu-
rnente misturada ao solo ou aplicada à sua superfície. Devido à sua alta solubilidade, pode ser dissolvida em
água e aplicada ao solo, adicionada à água de Irrigação ou pulverizada sobre a folhagem das plantas. Em pulve-
rizações foliares, a ureia pode ser rapidamente absorvida pelas folhas.
Após o contato da ureia com o solo ou as plantas, urna enzima (urease), que ocorre naturalmente, começa a
converter rapidamente a ureia em NH 3, em processo denominado hidrólise. Durante esse processo, o N da ureia
fica suscetível a perdas gasosas Indesejáveis na forma de NH 3 • Várias técnicas de manejo podem ser usadas para
minimizar a perda deste valioso nutriente.
A hidrólise da ureia é um processo rápido, que ocorre normalmente dias após a sua aplicação. As plantas podem
utilizar pequenas quantidades de ureia diretamente como fonte de N, mas elas usam mais cornurnente o amônia
(NH 4 ' ) e o nitrato (N0 3 · ), que são produzidos após a ureia ser transformada pela urease e por microrganismos
do solo.

Práticas de manejo. A ureia é uma excelente fonte de N para as plantas. Por se dissolver
facilmente na água, a ureia aplicada na superfície do solo se move com a chuva ou a água
de Irrigação. Dentro do solo, a ureia se movimenta livremente com a água até que seja
hidrolisada para formar NH/. Cuidados devem ser tomados para minimizar as perdas de
N que ocorrem para a atmosfera e para as águas superficiais e subterrãneas. As perdas
de amônia por volatilização podem ser controladas por meio de cuidadoso manejo da
época e do local de aplicação. Deve-se evitar aplicações de ureia quando o fertilizante
for permanecer na superfície do solo por longo período de tempo. Perdas Indesejáveis
de N podem resultar na diminuição do rendimento e da qualidade da cultura.

A ureia é um fertilizante com elevado teor de N, que tem boas propriedades de armazenamento e que provoca
mínima corrosão no equipamento de aplicação. Quando manejada adequadamente, é uma excelente fonte de N
para as plantas.

Uso não-agrícola. A ureia normalmente é utilizada em várias Indústrias. É usada em usinas de energia e
sistemas de exaustão de diesel para reduzir as emissões de óxido nitroso (NO.) dos gases. Pode ser usada como
suplemento proteico na dieta de animais ruminantes, como o gado. Muitos produtos químicos industriais comuns
utilizam a ureia corno componente essencial.
Fonte: http://www.ipnl.net/speclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


t
Nitrato de amônio-Ureia
l
Módulo 3,3·2 Soluções de fertilizantes líquidos ou adubos fluldos são populares em multas áreas porque
são seguros, apropriados para mistura com outros nutrientes e outros produtos químicos e são facllmente
aplicáveis. A solução de nitrato de amônia [NH.N0 3 ) e ureia [CO(NH2hl contendo 28% a 32% de N é o
fertilizante nitrogenado fluido mais popular.

Produção. O nitrato de amônio-urela (URAN) é um fertilizante líquido relativamente simples de ser produzido.
Uma solução aquecida contendo ureia dissolvida é misturada à uma solução aquecida de nitrato de amônia resul-
tando em um fertilizante líquido claro. Metade do N total vem da solução de ureia e a outra metade da solução de
nitrato de amônia. O URAN é feito em lotes, em algumas Instalações, ou em processo contínuo, em outras.
Nenhuma emissão ou resíduo ocorre durante a mistura.
Visto que o URAN é uma solução concentrada de N, sua solubilidade aumenta à medida que a temperatura
aumenta. As soluções de URAN são mais diluídas nas regiões com Inverno mais frio para evitar que os com-
ponentes nitrogenados se precipitem em forma de cristais. Portanto, a concentração de N nos fertilizantes
comerciais variam entre 28% e 32%, dependendo da área geográfica. Geralmente, um inibidor de corrosão é
adicionado à solução final para proteger o aço nos tanques de armazenamento.

Propriedades químicas

.. Composição (% em peso)
Nitrato de amônia:
28%N

40
30%N

42
32%N

44
Ureia: 30 33 35
Água: 30 25 20
pH da solução: aproximadamente 7

Uso agrícola. Soluções de URAN são amplamente utilizadas como fonte de N para a nutrição das plantas. A
porção N03 • (25% do total de N) está prontamente disponível para a absorção pelas plantas. A fração NH; (25%
do total de N) também pode ser diretamente assimilada pela maioria das plantas, mas é rapidamente oxidada
por bactérias do solo para formar N03 · , A porção ureia restante (50% do total de N) é hidrol isada por enzimas do
solo para formar NH;, que é posteriormente transformada em N03• em grande parte dos solos.

Soluções de URAN são extremamente versáteis como fonte de nutrientes para as plantas. Devido às suas
propriedades químicas, o URAN é compatível com muitos outros nutrientes e produtos químicos agrícolas, sendo
frequentemente misturado a soluções contendo P, K e outros nutrientes das plantas. Os adubos líquidos podem
ser misturados para satisfazer com precisão as necessidades específicas de um solo ou da cultura.
, Soluções de URAN normalmente são injetadas no solo abaixo da superfície, pulverizadas sobre a superfície do
solo, gotejadas em faixa sobre a superfície, adicionadas à água de irrigação ou pulverizadas sobre as folhas das
plantas, como fertilizante foliar. No entanto, o URAN pode danificar a folhagem se aplicado diretamente sobre
algumas plantas, sendo, assim, necessária sua diluição com água.
i
Práticas de manejo. O URAN é uma excelente fonte nitrogenada para as plantas. No entanto, visto que metade do
N total está presente na forma de ureia, é necessário o manejo da época e da localização do adubo para evitar per-
das por volaUllzação. Quando o URAN permanece na superfície do solo por longos períodos de tempo (alguns dias),
as enzimas do solo convertem a ureia em NH;, e parte dele pode ser perdida como gás amônia. Portanto, o URAN
não deve permanecer sobre a superfície do solo por multo tempo, a fim de evitar perdas significativas do adubo.
Inibidores que retardam essas transformações do N à vezes são adicionados. Logo que o URAN é aplicado ao solo,
a ureia e as moléculas de N03• se movem livremente com a água no solo. O NH~· será retido no solo nos primeiros
contatos com os pontos de troca de cátlons na argila ou na matéria orgânica. No período de 2 a 10 dias, a maior
parte da ureia será convertida em NH; e sua mobilidade será reduzida. O NH; originalmente adicionado mais o
NH 4 • proveniente da ureia serão, por fim, convertidos em N03 • pelos microrganismos do solo .

• Fonte: http://www.lpnl.neVspeclfics
1

1
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA
Amônia
Módulo 3.3-3 A amônia (NH 3 ) é a base para a Indústria de fertlllzantes nitrogenados. Ela pode ser aplicada
diretamente no solo, como nutriente para a planta, ou convertida em uma variedade de fertilizantes nitrogenados
comuns. Precauções especiais de segurança e de manejo são necessárias.
Produção. Quase 80% da atmosfera da Terra é composta de gás N2, mas em forma química e biologicamente não
utilizável. No início dos anos 1900, foi desenvolvido o processo Haber-Bosch para combinação de N2 e hidrogênio (H 2)
sob condições de alta temperatura e pressão. A reação é: [3H, + N2 ➔ 2 NH3)
Hastes aplicadoras
Propriedades químicas

Amônia anidra (NHJ)


Conteúdo de N: 82%N
Ponto de ebulição: -33ºC
Hidróxido de amônia (NH.OH)
Conteúdo de N: 20% a 24% N
Posterior Frontal
pH: 11a 12

Muitos materiais combustíveis fósseis podem ser usados como fonte de H2 , mas o gás natural (metano) é o mais comum.
Portanto, a maior parte da produção de NH 3 ocorre em locais onde existe um fornecimento prontamente disponível de gás
natural.
A amônia encontra-se em forma de gás na atmosfera, mas é transportada em estado líquido por compressão ou refrige-
ração abaixo do seu ponto de ebulição (-33 ºC). Ela é embarcada, globalmente, em navios refrigerados, vagões pressuri-
zados e dutos de longa distância.
Uso agrícola. A amônia é o fertilizante comercial com maior conteúdo de N, o que a torna uma fonte popular do
nutriente, apesar do perigo potencial que representa e das práticas de segurança que são necessárias para sua
...
utilização. Quando aplicada diretamente no solo, a amônia é um líquido
pressurizado que se transforma em vapor imediatamente após sair
do tanque. A amônia geralmente é colocada na profundidade de, no
mínimo, 10 a 20 cm abaixo da superfície do solo, ou de tal forma que
a sua perda como vapor para a atmosfera seja evitada. Vários tipos de
...,.
facas e hastes puxadas por trator são utilizados para posicionar a amôn ia
no local correto. A amônia reage rapidamente com a água do solo para
formar amónio (NH. ♦), o qual é retido nos sítios de troca de cátions do
solo. Algumas vezes, a amônia é dissolvida em água para a produção
de hidróxido de amônia, um fertilizante nitrogenado líquido popular.
O hidróxido de amônia não precisa ser injetado tão profundamente no
solo quanto a amônia, o que proporciona vantagens durante a aplicação no campo e tem menos exigências quanto
à segurança. O hidróxido de amônia é frequentemente adicionado à água de irrigação e usado em condições de solo
inundado.
Práticas de manejo. O manuseio da amônia requer atenção quanto à segurança. Em instalações de armazenamento e m
durante a aplicação no campo deve-se usar equipamento de proteção individual adequado. Visto que eia é muito solúvel em
água, a amônia livre pode reagir rapidamente com a umidade do corpo e causar danos graves em órgãos como pulmões e m
olhos. Não deve ser transferida ou aplicada sem o treinamento de segurança adequado.
Imediatamente após a sua aplicação, a elevada concentração de NH 3 em torno do local de injeção causa uma 1n1bição m
temporária dos microrganismos do solo. No entanto, a população microbiana se recupera à medida que a NHJ se converte em
NH 4 ·, se difunde a partir do ponto de aplicação e, em seguida, se converte em nitrato. Do mesmo modo, para evitar danos
durante a germinação, as sementes não podem ser colocadas em estreita proximidade com a zona de apl icação recente de
NH J" A fuga Inadvertida de NH 3 para a atmosfera deve ser evitada tanto quanto possível. As emissões de NH J estão ligadas
à neblina atmosférica e às alterações na composição química da água de chuva. A presença de elevadas concentrações de
NH 3 em águas de superfície pode ser prejudicial para os organismos aquáticos.
Usos não-agrícolas. Mais de 80% da produção de NH 3 é utilizada para fertilizante, ou para aplicação direta ou para produção
de fertilizantes nitrogenados sólidos e líquidos. No entanto, existem muitos outros usos importantes para a amônia em aplicações
industriais. Produtos de limpeza domésticos são fe itos a partir de uma solução de 5% a 10% de NH 3 dissolvida em água (de modo
a formar hidróxido de amónio). Devido às suas propriedades de vaporização, o NH 3 é amplamente ulJllzado como refrigerante.
Fonte: http://www.ipni.neVspeciflcs

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Sulfato de amônlo
Módulo 3.3-4 O sulfato do amônlo l(NH, )2 50, ) fo i um dos primeiros fertlllzantes nitrogenados produzidos e o
mais amplamento utlllzado na produção agrícola. Atualmente, é menos utilizado, mas especialmente valioso
onde ambos os nutrientes, N e S, são requeridos. Sua elevada solubilidade proporciona versatilidade para uma
série de aplicações agrícolas.

Produção. O sulfato de amónio (SA) tem sido produzido há mais de 150 anos. Inicialmente, foi fabricado a partir da
amônia liberada durante a fabricação do gás de carvão, usado para iluminar cidades, ou do coque de carvão, utilizado
para produzir aço. É obtido pela reação de ácido sulfúrico e amônia quente. O tamanho dos cristais resultantes é
determinado pelo controle das condições de reação. Quando o tamanho desejado é alcançado, os cristais são secos e
selecionados por tamanhos específicos de partícula. Alguns materiais são revestidos com condicionador para reduzir a
poeira e a solidificação das partículas.
A maior parte da demanda atual de sulfato de amónio é atendida pela produção de subprodutos de várias indústrias.

., Por exemplo, o sulfato de amónio é um co-produto no processo de fabricação do nylon. Certos subprodutos que contêm
amõnia ou ácido sulfúrico são comumente convertidos em sulfato de amónio para uso na agricultura. Embora sua cor
possa variar de branco a bege, ele é frequentemente vendido como cristal altamente solúvel que apresenta excelentes
propriedades de armazenamento. O tamanho da partícula pode variar de acordo com a finalidade a que se destina.

Propriedades químicas
Fórmu la química: (NH.)iSO.
Conteúdo de N: 21%
Conteúdo de S: 24%
Solubilidade em água: 750 g l 1
, pH da solução: 5a 6
Cristais de (NH,) 2 S0,

, Uso agrícola. O sulfato de amónio é utilizado principalmente onde há necessidade de suplementação de N e s para

, satisfazer a exigência nutricional das plantas em crescimento. Visto que contém apenas 21% de N, existem outras fontes
de fertilizantes que são mais concentradas e econômicas em relação ao manuseio e transporte. No entanto, ele fornece
uma excelente fonte de S que desempenha numerosas funções essenciais nas plantas, incluindo a síntese de proteínas.
Pelo fato da fração N estar presente sob a forma de amónio, o sulfato de amónio é frequentemente utilizado em solos
alagados para a produção de arroz. Nesses solos, evita-se o uso de fertilizantes à base de nitrato devido às perdas
por desnitrificação.
Nas pulverizações de herbicidas em pós-emergência costuma-se adicionar solução contendo sulfato de amónio dis-
solvido para melhorar a eficácia no controle das plantas daninhas. Esta prática de aumentar a eficácia do herbicida
com o acréscimo de sulfato de amónio é particularmente eficiente quando a fonte de água contém concentrações
significativas de magnésio, cálcio ou sódio. O sulfato de amónio com alto grau de pureza geralmente é usado para
1 evitar o entupimento dos bicos pulverizadores.
Práticas de manejo. Após a adição no solo, o sulfato de amónio dissocia-se rapidamente nos seus componentes
amónio e sulfato. Caso permaneça na superfície do solo, o amónio pode ficar suscetível a perdas gasosas em condições
alcalinas. Nessas situações, é aconselhável a incorporação do fertilizante ao solo logo que possível ou sua aplicação

' antes da irrigação ou de uma precipitação predita.


A maior parte das plantas é capaz de utilizar ambas as formas de N (amónio e nitrato) para o crescimento. Em solos
quentes, os microrganismos irão rapidamente converter amónio em nitrato pelo processo de nitrificação [NH; + 20~
➔ N0 + H2 0 + 2H']. Esta reação microbiana gera acidez [H ' ), o que acabará por diminuir o pH do solo após o uso
3
repetido do adubo. O sulfato de amónio tem efeito acidificante no solo devido ao processo de nitrificação ... porém, não
pela presença de sulfato, que tem efeito Insignificante sobre o pH. O potencial acidificante do sulfato de amónio é maior
do que o do nitrato de amónio, em equivalente quantidade de N, por exemplo, visto que todo o N do sulfato de amónio
será convertido em nitrato, enquanto apenas metade do N do nitrnto de amónio será convertido nessa forma.
Usos não-agrícolas. O sulfato de amônia é comumente adicionado a produtos de panificação como cond1c1onador da
1 massa. É também um componente do pó em extintores e agentes à prova de chama . Ele é utilizado em muitas aplicações
nas Indústrias química, têxtil, farmacêutica e de celulose.

Fonte: http://www.ipnl.ne1jspeciflcs

l
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA
Nltrofosfato
Módulo 3.3-5 A produção e a aplicação do nltrofosfato é amplamente regiona!; sua utilização é centrada
onde esta tecnologia ó vantajosa. O processo utiliza o ácido nítrico, ao Invés de ácido sulfúrico, para o trata-
mento do fosfato de rocha e não resulta em subprodutos, como gesso.

Produção. A maior parte dos fertilizantes fosfatados comerciais é produzida pela reação da rocha fosfática
bruta com ácido sulfúrico ou fosfórico. O processo com ácido sulfúrico para produção de fertilizantes
fosfatados resulta em grande quantidade de sulfato de cálcio (gesso), subproduto que incorre em custos
adicionais para a disposição final do produto. O nltrofosfato difere dos demais porque envolve a reação
da rocha fosfática com ácido nítrico. O ácido nítrico é produzido pela oxidação da amônia com o ar, sob
temperaturas elevadas. A principal vantagem desse processo é que pouca ou nenhuma entrada de S é
necessária. Com o processo de produção de nitrofosfato, o excesso de Ca da rocha fosfática é convertido
no fertilizante nitrato de cálcio, de grande valor, em vez de gesso. O processo foi desenvolvido na Noruega e
grande parte da produção mundial ainda ocorre na Europa.

A reação geral é: fosfato de rocha+ ácido nítrico ➔ ácido fosfórico+ nitrato de cálcio+ ácido fluorídrico. O
ácido fosfórico resultante é muitas vezes misturado a outros nutrientes para formar fertilizantes compostos
contendo vários nutrientes em um único pelete. O nitrato de cálcio ou o nitrato de amónio co-gerados são
vendidos separadamente.

Propriedades químicas

A composição química do nitrofosfato varia de


acordo com a combinação de nutrientes utilizados
para compor o grânulo final. As fórmulas mais
comuns incluem:
20-20-0, 25-25-0, 28-14-0, 20-30-0, 15-15-15,
17-17-17, 21-7-14, 10-20-20, 15-20-15 e
12-24-12
21-7-14 formulado com 16-16-16 formulado com
sulfato de potássio cloreto de potássio
,
Uso agrícola. A composição em nutrientes do nltrofosfato pode variar amplamente, dependendo da utilização
pretendida. É Importante selecionar a composição adequada para cada cultura específica e exigência do
solo. O nitrofosfato é vendido na forma de grânulos e é utilizado para aplicação direta no solo. Geralmente é
espalhado sobre a superfície do solo, misturado ao solo na zona radicular, ou aplicado em fa ixa concentrada
abaixo da superfície do solo antes do plantio.

Práticas de manejo. O nitrofosfato contém quantidades variáveis de nitrato de amónio, o que atrai umidade.
Para prevenir o endurecimento ou empedramento, esses fertilizantes geralmente são embalados em sacos
estanques e protegidos da umidade antes da entrega ao agricultor.

Fonte: http://www.ipni.netjspecifics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Nitrato de amônlo
Módulo 3.3-6 O nitrato do amónio foi o prlmolro adubo nitrogenado sólldo produzido em larga escala, mas sua
popularidade diminuiu nos últimos anos. Tem sido uma fonte de N comum porque contém nitrato, amônlo e um teor
relativamente alto de nutrientes.

Produção. A produção de nitrato de amônlo em larga escala começou na década de 1940, quando foi utilizado na
fabricação de munições durante a guerra. Após o final da Segunda Guerra Mundial, o nitrato de amônio tornou-se
disponível como fertilizante comercial. A produção de nitrato de amônio é relativamente simples: o gás amônia reage
com o ácido nítrico de modo a formar uma solução concentrada e consideravelmente quente.

O fertilizante perolizado é formado à medida que gotas de solução concentrada de nitrato de amônio (95% a 99%)
caem de uma torre e se solidificam. Grânulos de baixa densidade são mais porosos do que grânulos de alta densi-
dade e são os preferidos para uso industrial, enquanto grânulos de alta densidade são utilizados como fertilizantes.
O nitrato de amônio granulado é preparado através da pulverização da solução concentrada sobre pequenos grânulos
em um tambor rotativo .
• Visto que o nitrato de amônio é higroscópico e atrai facilmente a umidade do ar, geralmente é estocado em armazéns
equipados com ar condicionado ou em sacos selados. O adubo sólido geralmente é revestido com um composto anti-
endurecimento para evitar aderência e empedramento.
Pequenas quantidades de minerais de carbonato são por vezes adicionadas antes da solidificação, o que elimina as
propriedades explosivas do nitrato de amônio. Estes aditivos diminuem a concentração de N e são moderadamente
solúveis, tornando o produto modificado menos adequado para aplicação em sistemas de irrigação (fertirrigação).

a::
w O nitrato de amônia granulado
Propriedades quími cas <!)
z fornece quantidades iguais
ã:
w de N-nltrato e N-amõnio e
Fórmula química: NH4N03 :i::
sua aplicação tem sido muito
Conteúdo de N: 33% a 34% adequada para hortaliças e
Solubilidade em água (20 ºC): 1.900 g l 1 forrage/ras

• Uso agrícola. O nitrato de amônlo é um fertil izante popular visto que fornece metade do N na forma de nitrato
e metade na forma de amônio. O nitrato movimenta-se facilmente com a água do solo para as raízes, onde fica
1 imediatamente disponível para absorção pelas plantas. A fração amônio é absorvida pelas raízes ou gradualmente

, convertida em nitrato pelos microrganismos do solo. Muitos produtores de hortaliças preferem uma fonte de nitrato
prontamente disponível para a nutrição vegetal e usam o nitrato de amónio. É popular para pastagem e adubação do
feno, uma vez que é menos suscetível a perdas por volatilização quando deixado na superfície do solo, comparado
aos fertilizantes à base de ureia.
r
O nitrato de amônio geralmente é misturado a outros fertilizantes, mas estas misturas não podem ser armazenadas
por longos períodos de tempo devido à higroscopicidade. A solubilidade muito alta do nitrato de amônio o torna
adequado para a fabricação de soluções para pulverização foliar ou fertirrigação.

Prática s de manejo. O nitrato de amônio é um fertilizante nitrogenado popular devido à facilidade de manuseio e ao
alto conteúdo de nutrientes. É muito solúvel no solo e, em condições de umidade, a porção nitrato pode avançar para

'
além da zona radicular. O nitrato também pode ser convertido em óxido nitroso (gás) em condições muito úmidas pelo
processo de desnitrificação. O amônio não está sujeito a perdas consideráveis até que seja oxidado a nitrato.

'
I
Preocupações em relação à utilização ilegal do fertilizante para a fabricação de explosivos levou a uma rigorosa
regulamentação governamental em muitas partes do mundo. Restrições à venda e ao transporte têm desmotivado
alguns revendedores de fertilizantes a trabalhar com esse material.

Usos não-agríco las. Uma forma de nitrato de amônio perol1zada, de baixa densidade, é amplamente utilizada como
explosivo na indústria de mineração, para exploração de pedreiras. e no setor de construção. É intencionalmente porosa
1 para permitir uma rápida absorção de óleo combustível (denominado ANFO).
Embalagens de resfriamento Instantâneo são feitas com dois sacos - um contendo nitrato de amônio seco e outro

' contendo água. Quando a barreira de separação dos sacos é rompida, o nitrato de amônia dissolve-se rapidamente. em
reação endotérm1ca, diminuindo a temperatura da embalagem em 2 a 3 ºC, de forma muito rápida.
1


Fonte: http://www.lpnl.net/speciflcs
__J
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA
m
lfl
Fosfato monoamônlco rr:
Módulo 3.3-7 O fosfato monoamônlco (MAP) é uma tonto dope N amplamente utlllzada. Nos últimos anos,
.,.
seu uso aumentou rapidamente. Ele é feito de dois componentes comuns na indústria de fertilizantes e tem o
maior teor de P entre os fertilizantes sólidos comuns.

Produção. O processo para a fabricação de MAP é relativamente simples. No método usual, faz-se reagir amónia
(NH 3 ) e ácido fosfórico (H 3 P0 4 ) na proporção de 1:1 e a mistura resultante é solidificada em um granulador. O m
segundo método consiste em introduzir os dois materiais de partida em um reator de tubo central onde a reação gera
calor para evaporar a água e solidificar o MAP. Variações desses métodos também estão em uso para a produção de m
MAP. Uma vantagem de se produzir MAP é que pode-se utilizar H/04 de qualidade inferior, comparado a outros fos-
fatos que, muitas vezes, necessitam de um grau mais puro de ácido. O teor de P20 5 equivalente do MAP varia entre
48% e 61%, dependendo da quantidade de impureza no ácido. A composição mais comum do fertilizante é 11-52-0.

Propriedades químicas
Fórmula química: NH.H2PO.
• '1
Conteúdo de N: 10% a 12%
Conteúdo de P20 5: 48% a 61%
Solubilidade em água (20 ºC): 370 g l.:1 11%
pH da solução: 4,0 a 4,5

Uso agrícola. Durante muitos anos, o MAP tem sido um importante fertilizante granulado. É solúvel em água e
dissolve-se rapidamente no solo se houver umidade adequada. Após a dissolução, os dois componentes básicos do
fertilizante se separam novamente para liberar NH; e HlO;. Ambos os nutrientes são importantes para sustentar o
crescimento saudável das plantas. O pH da solução que envolve o grânulo é moderadamente ácido, fazendo do MAP
um fertilizante especialmente desejável em solos de pH neutro e elevado. Estudos agronõmicos mostram que não
há diferença significativa, quanto à nutrição fosfatada, entre os vários fertilizantes fosfatados comerciais sob muitas Ql:
condições.

O MAP granulado é aplicado em faixas concentradas abaixo da superfície do solo,


na proximidade das raízes em crescimento, ou em faixas na superfície. Também é
comumente aplicado em cobertura, por todo o campo, e misturado na superfície do
solo no plantio. Na forma de pó, é um importante componente dos fertilizantes em
suspensão. Quando o MAP é produzido com Hl0 4 especialmente puro, dissolve-se
prontamente em solução transparente, que pode ser utilizada em pulverização foliar
ou adicionada à água de Irrigação. O teor de P,0 5 equivalente do MAP de alta pureza
geralmente é 61%.

Práticas de manejo. Não existem precauções especiais associadas à utilização do MAP. A ligeira acidez associada a
este fertilizante reduz o potencial de perda de NH 3 para o ar. O MAP pode ser aplicado em estreita proximidade com
as sementes em germinação sem haver preocupação com danos relacionados à NH 3• A aplicação do MAP em faixa
protege o p da fixação pelo solo e facilita o sinergismo entre o amónio e a absorção de fosfato pelas raízes.

Quando o MAP é utilizado como adubo foliar ou adicionado à água de irrigação não deve ser misturado a fertilizantes
contendo cálcio ou magnésio. O MAP tem boas propriedades de armazenamento e manipulação. Algumas impurezas
químicas (tais como ferro e alumínio) naturalmente servem como condicionador para evitar endurecimento. O MAP
altamente puro pode requerer a adição de condicionador ou um tratamento especial para evitar endurecimento e
empedramento. Tal como acontece com todos os fertilizantes fosfatados, práticas de manejo apropriadas devem ser
utilizadas para minimizar qualquer perda de nutriente para a superfície ou água de drenagem.
uma fonte de MAP com alta pureza é usada como Ingrediente em alimentos para animais. O NH; é sintetizado em
proteína e o Hl04 é utilizado em uma variedade de funções metabólicas nos animais.

Usos não-agrícolas. o MAP é usado em extintores de incêndio cornumente encontrados em escritórios, escolas e
lares. o spray do extintor dispersa o pó fino de MAP, que cobre o combustível e rapidamente extingue a chama.

Fonte: l1ltp://www.lpnl.net/specifics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Fosfato dlamônlco
~ódulo 3.3-8 O fosfato dlamõnlco (DAP) é o fertlllzante fosfatado mais amplamente utlllzado no mundo.
E feito a partir de dois componentes comuns na indústria de fertilizantes e é popular devido ao seu teor relati-
vamente elevado de nutrientes e às suas excelentes propriedades físicas.

Produção. O fosfato de amônia se tornou disponível na década de 1960 e o DAP rapidamente se tornou o mais
popular nesta classe de produtos. É formulado em reação controlada de ácido fosfórico com amônia, na qual a
suspensão quente é em seguida arrefecida, granulada e peneirada. O DAP tem excelente comportamento e
propriedades de armazenamento. A fórmula padrão do DAP é 18-46-0 e os produtos fertilizantes com menor teor
de nutrientes não podem ser rotulados como DAP.
Os insumos necessários para a produção de 1 tonelada de DAP são: 1,5 a 2 t de rocha fosfática, 0,4 t de S para
dissolver a rocha e 0,2 t de amônia. Mudanças na oferta ou no preço de qualquer desses insumos terão impactos
no preço e na disponibilidade de DAP. O alto teor de nutrientes do DAP colabora na redução dos custos de frete,
manuseio e aplicação. O DAP é produzido em muitos locais do mundo e é uma commodity amplamente negociada.

' Propriedades químicas


Fórmula química: (NH.hHPO.
Conteúdo de N: 18%
Conteúdo de P20s: 46%
Solubilidade em água (20 ºC): 588 g L_:l
pH da solução: 7,5a 8,0

Uso agrícola. O DAP é uma excelente fonte de P e N para a nutrição das plantas. É altamente solúvel e, portanto,
J dissolve-se rapidamente no solo para liberar o fosfato e o amônia disponíveis para as plantas. Uma propriedade
notável do DAP é o pH alcalino que se desenvolve em torno do grânulo em dissolução.
•:A I
Como a amônia é liberada na dissolução dos grânulos de DAP, a amônia volátil pode
ser prejudicial para as mudas e raízes das plantas que estão próximas. Este dano
potencial é mais comum quando o pH do solo é maior que 7, uma condição que
normalmente existe em torno do grânulo em dissolução. Para evitar a possibilidade
de danos às mudas, cuidados devem ser tomados para evitar a aplicação de altas
concentrações de DAP perto das sementes em germinação.

O amônia presente no DAP é uma excelente fonte de N e será gradualmente


convertido em nitrato pelas bactérias do solo, resultando em queda subsequente
no pH. Por conseguinte, o aumento no pH do solo ao redor dos grânulos de DAP tem
efeito temporário. Este aumento inicial no pH do solo vizinho ao grânulo pode influenciar as reações localizadas do
fosfato e da matéria orgânica do solo.

Práticas de manejo. Existem diferenças quanto à reação química inicial do adubo no solo entre os vários
fertilizantes fosfatados comerciais, mas essas diferenças tornam-se menores ao longo do tempo (em semanas ou
meses) e mínimas até que a nutrição das plantas seja afetada. Comparando-se DAP e fosfato monoamônico (MAP)
no campo nota-se que, com bom manejo do fertilizante, na maior parte dos resultados, ocorre pouca ou nenhuma
diferença no crescimento e na produtividade das plantas.

Usos não-agrícolas. O DAP é utilizado em muitas aplicações como retardante de fogo. Por exemplo, uma mistura
de OAP e outros ingredientes pode ser espalhada em uma floresta para evitar a queima pelo fogo. Essa mistura se
torna, então, uma fonte de nutrientes depois que cessa o p~rigo de incêndio. O DAP é utilizado em vários processos
industriais, como, por exemplo, no acabamento de metais. E comurnente adicionado ao vinho, para sustentar a
fermentação de leveduras, e na manufatura de queijos, para suprir com nutrientes o melo de cultura inicial.

Fonte: http://www.ipnl.ne1jspecifics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Polifosfato

Módulo 3.3-9 A deficiência de fósforo llmlta o crescimento e a produtl·


vldade das plantas em multas partes do mundo. Visto que muitos solos
são pobres em P, este nutriente geralmente é adicionado para melhorar o

°""""'""'
..
P'rolosfato
V
Trifod.110
rendimento e a qualidade das culturas. O fósforo é derivado de depósitos
geológicos distribuídos em todo o globo. O polifosfato é um excelente fertili-
zante liquido amplamente utilizado na agricultura. ❖ ~
Tetrwh:a/ato Ponlafoabto
......
Heutc»lato

Produção. O ácido fosfórico é o material de partida para a produção da maior


parte dos fertilizantes fosfatados comerciais. No entanto, sua acidez e algumas
das suas propriedades químicas dificultam o seu uso direto. Quando o ácido fosfórico e a amônia estão reagindo,
a água é expulsa e as moléculas individuais de fosfato se ligam entre si para formar um fertilizante liquido de poll-
fosfato.
Uma única molécula de fosfato é chamada de ortofosfato. "Poli" se refere a múltiplas moléculas de fosfato ligadas
em cadeia. Cada ligação entre moléculas de fosfato tem um nome, que varia de acordo com o seu comprimento,
embora polifosfato seja o termo geral que Inclui todas estas moléculas ligadas.
Os polifosfatos de amõnio mais comuns apresentam a seguinte composição de N-Pp 5-K2 0: 10-34-0 ou 11-37-0. Os
polifosfatos oferecem a vantagem de possuir elevado teor de nutrientes em forma de fluido claro, livre de cristais,
que é estável em grande intervalo de temperatura e tem longa vida de armazenamento. Muitos nutrientes se mistu-
ram bem com os polifosfatos, tornando-os um excelente veiculo para micronutrientes.

Propriedades químicas Fórmula rertlllzante


Nome 10-34-0 11-37-0
Densidade, kg L· 1 1,39 1,43
pH 5,9 6,1

Uso agrícola. No polifosfato, entre metade a três quartos do P está presente nos polímeros em forma de cadeia. O
P remanescente (ortofosfato) está prontamente disponível para a absorção pelas plantas. As cadeias de polímeros
de fosfato são primeiramente quebradas em moléculas simples de fosfato pelas enzimas produzidas por microrga-
nismos do solo e das raízes das plantas. Alguns dos polifosfatos serão decompostos sem a ação das enzimas. A ativi-
dade enzimática é mais rápida em solos úmidos e quentes. Metade dos compostos de polifosfato são convertidos
em ortofosfato no prazo de uma a duas semanas. Em condições frias e secas, a conversão pode demorar.

Visto que os fertilizantes polifosfatos contém uma combinação de ortofosfatos e polifosfa-


tos, as plantas são capazes de utilizar esta fonte de forma muito eficiente. A maior parte
dos fertilizantes fluidos que contém P possuem polifosfato de amônia na sua composição.
Adubos fluidos são comumente utilizados na produção agrícola, mas não são amplamente
utilizados pelos proprietários. Os fertilizantes fluidos são convenientes para os agricultores
já que podem ser facilmente misturados a outros nutrientes e produtos químicos e cada
gota do liquido possui exatamente a mesma composição. Na maior parte dos casos, a
decisão de se usar fertilizantes sólidos ou fluidos é baseada no preço dos nutrientes, nas
preferências de manuseio do fertilizante e nas práticas de campo, e não nas diferenças
agronômicas significativas.

PrátJcas de manejo. O polifosfato de amõnio é usado principalmente como fonte de P para as plantas. Conside-
rando que O p tem mobilidade limitada na maior parte dos solos, esforços devem ser feitos para colocar o adubo
perto das raízes em desenvolvimento. Práticas devem ser adotadas para minimizar o movimento do P do solo para a
água adjacente. O excesso de P na água superficial pode estimular o crescimento de algas indesejáveis.

Uso não-agrícola. o fosfato é um componente essencial na nutrição humana. O polifosfato é um aditivo alimentar
aprovado e não exige precauções especiais para manuseio. Compostos d: poliíos_fato são am~lan_1ent~ utilizados
como retardante de fogo em muitos produtos, Incluindo madeira, papel, tecido e plastlco. lambem e utilizado como
retardante de incêndios florestais. O modo de ação do pollfosfato de amõnio envolve a formação de uma camada
carbonizada após a queima, impedindo, assim, o aparecimento de chamas adicionais.

Fonte: http://www.ipni.net/speclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Superfosfato slmples

Módulo 3.3-10 O superfosfato simples (SSP) foi o primeiro fertilizante mineral a ser comercializado e levou
ao desenvolvimento da moderna Indústria do nutrientes das plantas. Este já foi o fertilizante mais comumente
utilizado, mas atualmente outros fertilizantes fosfatados já substituem o SSP devido ao seu conteúdo relativamente
baixo de P.

Produção. A indústria moderna de fertilizantes foi lançada em 1840 ao se descobrir que a adição de ácido sulfúrico ao
fosfato natural produzia um excelente fertilizante solúvel, denominado de superfosfato. Ossos de animais terrestres
foram utilizados pela primeira vez nesta reação, mas depósitos naturais de rocha fosfática (apatita) logo substituíram
o suprimento limitado de ossos. O processo de produção de SSP é semelhante ao que ocorre naturalmente com os os-
sos ou a apatita nos solos ácidos. A técnica básica mudou multo pouco desde o século passado. O fosfato de rocha
é colocado para reagir com o ácido sulfúrico para formar um semi-sólido, o qual arrefece durante várias horas em
local apropriado. O material é então transportado para uma pilha de armazenamento onde permanecerá várias
semanas para o processo de cura. O material endurecido é, então, moído e peneirado até ao tamanho apropriado
de partícula ou granulado. A reação química geral é:
GaJ(PO,h [rocha fosfática] + 2 H:iSO, [ácido sulfúrico]-+ Ca(H 2PO,h [fosfato monocálcico] + 2 caso. [gesso]

O SSP pode ser facilmente produzido em pequena escala para atender às necessidades regionais. Visto que o SSP
contém tanto fosfato monocálcico (MCP, também chamado de dihidrogenofosfato de cálcio) quanto gesso, não
existem problemas com a eliminação do subproduto fosfogesso, como ocorre com a produção de outros fertilizantes
fosfatados comuns.
O SSP também é conhecido como superfosfato comum e superfosfato normal. É por vezes confundido com o super-
fosfato triplo (SD, o qual é produzido por meio da reação de fosfato de
rnr.h;:i r.nm ~r.irln fnsfórir.n.

Propriedades químicas

Conteúdo de P20s: 16% a 20%


Conteúdo de Ca: 18% a 21%
Conteúdo de S: 11% a 12%
pH: <2
Superfosfato simples granulado

Uso agrícola. O SSP é uma excelente fonte de três nutrientes para as plantas. A reação do componente P no
solo é semelhante a de outros fertilizantes solúveis. A presença de ambos, P e S, no SSP pode ser uma vantagem
agronômica nos solos onde ambos os nutrientes estão deficientes. Estudos agronômicos atestam que o SSP geral-
mente se mostra superior aos outros fertilizantes fosfatados devido ao Se/ou Ca que contém. Quando localmente
disponível, o SSP tem uso generalizado na adubação de pastagens, onde P e S são necessários. Como fonte isolada
de P, o SSP muitas vezes é mais caro do que outros fertilizantes mais concentrados, perdendo, portanto, em popu-
laridade.

Práticas de manejo. Não existem precauções agronômicas especiais ou de manuseio para o SSP. A sua eficiência
agronômica é semelhante à de outros fertilizantes fosfatados, secos ou líquidos.
A perda de p no escoamento superficial de campos fertilizados pode contribuir para os problemas de qualidade da
água. Práticas agrícolas que minimizem essa perda devem ser implementadas.
Usos não-agrícolas. O SSP é usado principalmente como fonte de nutrientes para as plantas. No entanto, o MCP e
0 gesso (os dois principais ingredientes do SSP) são amplamente utilizados em muitos produtos. Por exemplo, o MCP
geralmente é adicionado para enriquecer a alimentação animal. Também é comumente utilirndo como agente de
fermentação na culinária. O gesso é amplamente usado na indústria de construção, bem como em alimentos e produtos
farmacêuticos.

Fonte: http://www.lpnl.net/specifics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Superfosfato triplo
Módulo 3.3-11 O superfosfato triplo (SST) foi um dos primeiros fertilizantes com alto teor de P amplamente
utilizados no século 20. Tecnicamente, é conhecido como dlhldrogeno fosfato de cálcio e como fosfato monocál-
cico - (Ca(H2PO.h ·H20). É uma excelente fonte de P, porém, seu uso tem diminuído à medida que outros fertilizan-
tes fosfatados tem se tornado mais populares.

Produção. A produção de SST é relativamente simples. O SST não granulado é comumente produzido fazendo-se
reagir fosfato de rocha finamente moído com ácido fosfórico líquido em misturador tipo cone. O SST granulado
é feito de forma semelhante, porém a mistura resultante é pulverizada como revestimento sobre as partículas
pequenas para a formação de grânulos com o tamanho desejado. O produto resultante de ambos os métodos
de produção é deixado em processo de cura durante várias semanas, quando então as reações químicas são
lentamente concluídas. A química e o processo de reação podem variar, dependendo das propriedades da rocha
fosfátlca.

O superfosfato triplo está


Propriedades químicas disponível nas formas
Fórmula química: granulada (foto) e não
Ca(H2P04h•H20
granulada
Conteúdo de P20 s: 44%a 48%
Conteúdo de Ca: 13%a 15%
P solúvel em água: Geralmente > 90%
pH da solução: 1a3

Uso agrícola. O SST possui diversas vantagens agronômicas, as quais fizeram dele uma fonte popular de P por
muitos anos. Entre os adubos sólidos que não contêm N, ele apresenta o maior teor de P. Mais de 90% do P total
no SST é solúvel em água, o que o torna, desse modo, rapidamente disponível para a absorção pelas plantas.
Após a umidade do solo dissolver o grânulo, a solução concentrada do solo torna-se ácida. O SST também contém
15% de cálcio (Ca), fornecendo um nutriente adicional para as plantas.

o principal uso do SST ocorre nas misturas de fertilizantes sólidos para aplicação à lanço na superfície ou em
faixa concentrada abaixo da superfície do solo. Também é desejável na adubação de plantas leguminosas, como
alfafa e feijão, para as quais não é necessária adubação nitrogenada adicional para suplementar a fixação
,
biológica. ,
Práticas de manejo. A popularidade do SST diminuiu porque seu conteúdo total de nutrientes (N + P2 0 5 ) é me-
nor, comparado aos fertilizantes fosfatados amoniacais, tal como fosfato de monoamônio, que contém 11% de N
e 52% de P2 0 5 • O custo de produção do ST pode ser mais elevado do que o dos fosfatos amoniacais, tornando a
t
economia do SST menos favorável em algumas situações.

No manejo dos fertilizantes fosfatados deve-se evitar as perdas de P no escoamento superficial da água no campo.
.,
A perda de fósforo do solo agrícola pode contribuir para o estímulo do crescimento de algas indesejadas nas
águas de superfície. Práticas adequadas de manejo de nutrientes podem minimizar esse risco.
1

Usos não-agrícolas. O fosfato monocálcico é um ingrediente importante do fermento em pó. O fosfato mono-
cálcico ácido reage com um componente alcalino para produzir dióxido de carbono - o fermento utilizado em
muitos produtos de padaria. O fosfato monocálcico é comumente adicionado à dieta dos animais como um
suplemento mineral importante, tanto de fosfato como de Ca .
'
Fonte: http://www.lpni.net;specifics '
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1
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NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA
Fosfato de rocha
Módulo 3.3·12 Adições de fósforo são necessárias em grande parte das áreas agrícolas do mundo para
melhorar a fertilidade do solo e a produção vegetal. A aplicação direta de rocha fosfática não transformada
(FR) no solo pode ser uma valiosa fonte de nutrientes para as plantas em condições específicas, mas há vários
fatores e limitações a serem considerados.

Produção. O fosfato de rocha é obtido a partir de depósitos geológicos localizados ao redor do mundo. A apatita,
um mineral de fosfato de cálcio, é o principal constituinte do FR. É extraída principalmente de depósitos marinhos
sedimentares, sendo uma pequena quantidade
obtida de fontes ígneas. A maior parte do FR é recu-
perada através da mineração de superfície, embora
uma parte seja extraída de minas subterrãneas.

O minério é inicialmente peneirado e algumas das


impurezas removidas perto do local de mineração.
A maior parte do FR é utilizada para a produção de
fertilizantes fosfatados solúveis, enquanto outra
parte é utilízada para aplicação direta no solo. Embora o FR seja uma valiosa fonte de P para as plantas, a aplica-
ção direta no solo nem sempre é apropriada. Sua eficácia depende parcialmente das impurezas minerais que
ocorrem naturalmente, tais como argila, carbonato, ferro e alumínio (AI). A eficácia do FR para aplicação direta é
estimada em laboratório através da dissolução da rocha em solução contendo ácido diluído para simular as condi·
ções do solo. Fontes classificadas como altamente reativas são as mais adequadas para aplicação direta no solo.

A utilização direta do FR evita o processamento adicional associado à conversão da apatita em uma forma solúvel.
O processamento mínimo do FR pode resultar em uma fonte de nutrientes de custo mais baixo e torná-lo aceitável
nos sistemas de produção de culturas orgãnicas.

Uso agrícola. Quando um fertilizante fosfatado solúvel em água é adicionado ao solo, ele se dissolve rapidamente
e reage para formar compostos de baixa solubilidade. Quando o FR é adicionado ao solo, ele se dissolve lentamen•
te, liberando os nutrientes gradualmente; porém, a taxa de dissolução pode ser demasiado lenta para sustentar o
crescimento adequado das plantas em alguns solos. Para otimizar a eficácia do FR, os seguintes fatores devem ser
considerados:
• pH do solo: O FR requer solos ácidos para ser uma fonte efetiva de nutrientes. Geralmente, o uso do FR não é
recomendado em solos com pH superior a 5,5. A adição de calcário para elevar o pH do solo e reduzir a toxici-
dade de AI pode retardar a dissolução do FR.
• Capacidade de fixação de P do solo: A dissolução do FR aumenta com a maior capacidade de fixação de P do
solo (como alto teor de argila).
• Propriedades do solo: Baixo teor de cálcio e alta quantidade de matéria orgãnica no solo tendem a acelerar a
dissolução do FR.
• Localização: A aplicação a lanço e a incorporação do FR com o cultivo aceleram a reação com o solo.
• Espécie: Algumas espécies de plantas podem utilizar melhor o FR devido à excreção de ácidos orgãnicos de
suas raízes no solo circundante.
• Época: O tempo requerido para a dissolução do FR exige que a sua aplicação seja feita antes que ocorra a
demanda pela planta.

PráUcas de manejo. Nem todas as fontes de FR não transformadas são apropriadas para aplicação direta no solo.
Além disso, muitos solos não são adequados para uso do FR. O teor total de P de um material não ê um bom Indicador
do seu potencial de reatividade no solo. Por exemplo, multas fontes ígneas de FR são ricas em Ptotal, mas são de
baixa reatividade e fornecem nutrição mínima para as plantas porque dissolvem-se muito lentamente. No entanto, os
fungos micorrízlcos podem auxiliar na aquisição de P em materiais de baixa solubilidade em alguns ambientes.

Mais de 90% do FR é convertido em adubo fosfatado solúvel quando reage com o ácido. Esta reação química ê
semelhante à que o FR sofre quando reage com a acidez do solo. A eficácia agronómica e econômica do FR pode ser
equivalente à dos fertilizantes fosfatados solúveis em água, em algumas circunstâncias, mas as condições específicas
devem ser consideradas ao se fazer essa escolha.

Fonte: http://www.lpnl.net/speclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Cloreto de potássio
Módulo 3.3-13 Os fertlllzantes potósslcos são comumente utlllzados para ellmlnar as deficiências da planta.
Onde os solos não podem fornecer a quantidade de K exigida pelas culturas, é necessário fornecer este
nutriente essencial para a planta na forma de fertilizante. Potassa é um termo geral utilizado para descrever
vários fertilizantes contendo K utilizados na agricultura. O cloreto de potássio (KCI), a fonte mais comumente
utilizada, também é conhecido como muriato de potássio ou MOP (muriato é o antigo nome de qualquer sal
contendo cloreto). O potássio está sempre presente nos minera is como cátion de carga +1 (K' ).

Produção. Depósitos de potássio profundamente enterrados


são encontrados em todo o mundo. O mineral dominante é a Propriedades químicas
silvita (KCI) misturada com halita (cloreto de sódio), as quais Fórmula química: KCI
formam um mineral misto denominado de silvinita. Grande Análise do fertilizante: 0-0-60
parte dos minerais de K é extraída de antigos depósitos mari- 60% a 63%
Conteúdo de K20:
nhos profundos, abaixo da superfície da Terra. Em seguida ,
Conteúdo de c1 ·: 45% a 47%
são transportados para uma ins-
Solubilidade em água(20 ºC): 344 g L 1
talação de processamento, onde o
minério é moído e os seus sais de K pH da solução: cerca de 7
são separados dos sais de sódio. A
cor do KCI pode variar de vermelho a branco, dependendo da fonte de silvinita. O tom
avermelhado vem de pequenas quantidades de óxido de ferro. Não há diferenças agro-
nômicas entre as formas vermelha e branca de KCI.
Uma parte do KCI é produzida por injeção de água quente em profundidade no solo
para dissolver o mineral solúvel silvinita. Depois disso, a salmoura é bombeada de volta
No cloreto de potássio, para a superfície, onde a água é evaporada. No Mar Morto e no Great Salt Lake (Utah). a
a relação entre os dois evaporação solar é usada para recuperar os valiosos sais de potássio da água salgada.
elementos é de 1:L
Uso agrícola. O cloreto de potássio é o fertilizante potássico mais amplamente utilizado
devido ao seu custo relativamente baixo e por Incluir mais K do que a maioria das outras fontes ... 50% a 52% de K
(60% a 63% I\ OJe 45% a 47% de c1 -.
Mais de 90% da produção global de potássio é usada para a nutrição das plantas. O cloreto de potássio é frequen-
temente espalhado sobre a superfície do solo antes do plantio e
cultivo. Também pode ser aplicado em fa ixa concentrada perto
da semente. Visto que a dissolução do fertilizante irá aumentar a
concentração de sal solúvel, a faixa de KCI é colocada ao lado da
semente. a fim de evitar danos à planta em germinação.
O cloreto de potássio dissolve-se rapidamente na água do solo.
O I<" é mantido nos sítios de troca de cátions carregados
negativamente da argila e da matéria orgànica. A porção c1- O cloreto de potássio é encontrado em várias
move-se facilmente com a água. Uma classe especialmente pura tonalidades e tamanhos de partículas.
de KCI pode ser dissolvida para a produção de adubos fluidos ou
aplicada através dos sistemas de Irrigação.

Práticas de manejo. O cloreto de potássio é utilizado principalmente como fonte nutricional de K. No entanto, exis-
tem regiões onde as plantas respondem favoravelmente à aplicação de c1-. O cloreto de potássio geralmente é o
material preferido para satisfazer essa necessidade. As doses usuais de KCI não provocam impactos significativos
sobre a água ou o ar. Elevadas concentrações de sal ao redor do fertilizante dissolvido podem ser o fator mais Im-
portante a ser considerado no manejo do KCI.

Usos não-agrícolas. O potássio é essencial para a saúde humana e animal. Ele deve ser Ingerido regularmente,
porque não é armazenado no corpo. O cloreto de potássio p_ode ser utilizado como substituto do sal para os Indiví-
duos que estão sob dieta restrita de sal (cloreto de sódio). E usado como agente de degelo e tem valor fertilizante
depois que o gelo derrete. Também é utilizado em amaciadores de água para substituir o cálcio na água.
Fonte: http://www.lpnl.net/speclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Sulfato de potássio
Módulo 3.3-14 O fertilizante potássico geralmente é utilizado para melhorar o rendimento e a qualidade
das plantas que crescem em solos que apresentam déficit no abastecimento adequado desse nutriente
essencial. Grande parte dos fertilizantes potásslcos vem de antigos depósitos de sal localizados em todo o
mundo. A palavra "potassa· é um termo geral que se refere mais frequentemente ao cloreto de potássio (KCI),
mas também se aplica a todos os outros fertilizantes contendo K, tal como o sulfato de potássio (K2 S04 ou SOP).
1 Produção. O potássio é um elemento relativamente abundante na crosta terrestre e a produção de fertilizantes

.., potássicos ocorre em todos os continentes habitados. No entanto, o K2S0 4 raramente é encontrado em forma
pura na natureza. Em vez disso, encontra-se naturalmente misturado a sais que contêm Mg, Na e CI. Estes mine-
rais exigem processamento adicional para separar os seus componentes. Historicamente, o K2S0 4 foi produzido
t através da reação do KCI com ácido sulfúrico. No entanto, descobriu-se mais tarde que vários minerais do solo
podem ser manipulados para produzir K2S04 , e este é, atualmente, o método mais comum de produção. Por
exemplo, minerais que contêm K naturalmente (tais como calnita e schoenita) são extraídos e cuidadosamente
enxaguados com soluções de água e sal para remover os subprodutos e produzir K2S0 4 • Processo similar é usado
para extrair K2S04 do Great Salt Lake, em Utah, e de depósitos minerais no subsolo.

No Novo México (EUA), o K2S0 4 é separado do mineral langbeinita pela reação deste com solução de KCI, o que
remove os subprodutos (tais como Mg) e deixa o K2S04 • Técnicas de processamento similares são usadas em
muitas partes do mundo, dependendo da disponibilidade de matérias-primas.

r
Propriedades químicas

Fórmula: K2SO, '


Conteúdo de K20 :
Conteúdo de S:
Solubilidade (25 ºC):
48% a 53%
17%a 18%
120 g 1.:1
K+ o/\-o
~o K•
'I

:
pH da solução: cerca de 7

'I
Uso agrícola. As concentrações de K no solo frequentemente são muito baixas para sustentar o crescimento
adequado das plantas. O potássio é necessário para completar muitas funções essenciais nas plantas, como a
ativação de reações enzimáticas, síntese de proteínas, formação de amido e açúcares e regulação do fluxo de
água nas células e folhas.
O sulfato de potássio é uma excelente fonte de K e S para as plantas. A porção K
do K2S0 4 é igual a de outros fertilizantes potássicos comuns. No entanto, também
fornece uma fonte valiosa de enxofre (S), que às vezes se encontra deficiente para
o crescimento das plantas. OS é necessário para a sín tese de proteínas e para
a função enzimática . Existem certos solos e culturas para os quais a adição de
c1 · deve ser evitada. Neste caso, o K2S04 torna-se uma fonte muito adequada de
K. A solubilidade do sulfato de potássio representa um terço da solubilidade do
KCI , por isso, geralmente não é utilizado na água de irrigação, a menos que haja
necessidade adicional de S.
O K2S0 4 geralmente está disponível em vários tamanhos de partículas. As partículas finas(< 0,015 mm) são
utilizadas para a fabricação de soluções para irrigação ou fertilizantes foliares, uma vez que se dissolvem mais
rapidamente. Pulverizações foliares de K2S0 4 constituem uma forma prática de fornecer K e S para as plantas,
complementando os nutrientes absorvidos do solo. Danos foliares podem ocorrer se a concentração for muito
elevada.

Práticas de manejo. O K2S0 4 frequentemente é utilizado na adubação de culturas em substituição ao KCI quando
o c1· é indesejável. O índice salino parcial do K2S0 4 é menor do que o de alguns outros fertilizantes potássicos
comuns. A condutividade elétrica (CE) da solução de 1< 2S0 4 é menos de um terço da CE de solução semelhante de
KCI (10 mmol L· 1 ). Quando altas doses de I\S0 4 são necessárias, geralmente recomenda-se aplicá-las em doses
parceladas. Isso ajuda a evitar o acúmulo de I< na planta e também minimiza qualquer dano potencial do sal.

Fonte: http://www.ipnl.neVspeclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


--
Sulfato de potássio e magnésio: langbelnlta
Módulo 3.3-15 A langbelnlta ó uma fonte rara para a nutrição das plantas uma vez que os três nutrientes
eHenclals estão naturalmente combinados em um único minorai. Ele fornece um suprimento prontamente
disponível de K, Mg e S para as plantas em crescimento.

Produção. A langbeinlta é um material geológico diferenciado encontrado em apenas alguns locais do mundo. E
Fontes comerciais de langbeinlta vêm de minas subterrâneas perto de Carlsbad, no Novo México (EUA), que
começaram a ser exploradas comercialmente em 1930. Esses depósitos foram formados há milhões de anos, E
quando diversos sais, incluindo a langbeln lta, foram se acumulando após a evaporação dos leitos dos oceanos
antigos. Esses depósitos de sal foram enterrados sob centenas de metros de sedimentos. Atualmente, a camada
de langbeinita é extraída com grandes máquinas de perfuração, lavada para remover as impurezas e, em seguida.
triturada em vários tamanhos de partículas. A langbeinita é considerada um fertilizante potássico, embora também

-
contenha quantidades significativas de Mg e S. A presença de óxido de ferro fornece um tom avermelhado a algumas
partículas da langbelnita.

Propriedades químicas

Fórmula química: K2S0.-2MgS04


Conteúdo de K20: 21% a 22%
Conteúdo de Mg: 10% a 11%
Conteúdo de S: 21% a 22%
Solubilidade em água (20 ºC) 240 g L1
pH da solução: cerca de 7

...
Uso agrícola. A langbeinita é um fertilizante popular utilizado principalmente quando vários nutrientes são
-
necessários para prover a nutrição adequada da planta. Tem a vantagem de possuir K. Mg e S dentro de uma única
partícula, o que ajuda a proporcionar uma distribuição uniforme dos nutrientes quando é espalhada no campo.
Devido ao fator econômico, a langbeinita não pode ser recomendada para satisfazer a necessidade total de K de
uma cultura. Em vez disso, a dose de aplicação pode ser baseada na necessidade de Mg e/ou S.
A langbelnita é totalmente solúvel em água, mas sua dissolução é mais
lenta, comparada a de outros fertilizantes potássicos comuns, porque
suas partículas são mais densas. Por Isso, não é adequada para disso-
lução e aplicação por melo de sistemas de irrigação, a menos que seja
finamente moída. Ela tem pH neutro, o que não contribui para a acidez IC
ou alcalinidade do solo. Isso a diferencia de outras fontes comuns de Mg,
como a dolomlta, que aumenta o pH do solo, e do S elementar ou sulfato E
de amônia, que diminuem o pH do solo.

Operação de mineração subterrãnea Ela é comumente utilizada quando se deseja um fertilizante livre de CI ·,
'C
tal como no cultivo de culturas sensíveis ao c1 · (alguns vegetais e culturas
arbóreas). A langbeinita é um fertilizante concentrado em nutrientes, com um índice salino total relativamente
E
baixo. Em alguns países, fontes particulares de langbeinita foram certificadas para uso em agricultura orgânica.
IC
Práticas de manejo. A langbeinita não tem restrições de uso ambiental ou nutricional quando utilizada em
doses agronômicas normais. Uma forma de langbeinita é vendida como fonte de I<, Mg e S na dieta alimentar de IC
animais e aves. Todos os três nutrientes são necessários para a nutrição animal e cada um deles tem um papel
metabólico específico necessário para a saúde animal. Essa fonte alimentar é reconhecida como segura por agências
governamentais. Tal como acontece com todos os nutrientes das plantas, as melhores práticas de manejo devem ser
a:
observadas para se utilizar corretamente esse recurso. Uma partícula de tamanho especial deve combinar com uma
necessidade específica.

Uso não-agrícola, Não há aplicações Industriais Importantes para a langbelnita, além da agricultura.

Fonte: http://www.ipnl.net/speclfics

NUTRIÇÃO OE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Nitrato de potássio
Módulo 3.3-16 O nitrato de potássio (KNOJ) ó uma fonte solúvel de dois macronutrlentes essenciais
para as plantas. Comumente, é utilizado como fertilizante em culturas de alto valor, que se beneficiam
da nutrição com nitrato (NQ 3 - ) e de uma fonte de potássio (K') sem cloro (CI-).

Produção. O nitrato de potássio (ou NOP) é comumente produzido por meio da reação do cloreto de potássio
(l<CI) com uma fonte de nitrato. Dependendo dos objetivos e dos recursos disponíveis. o nitrato pode vir do
nitrato de sódio, do ácido nítrico ou do nitrato de amônia. O KN0 3 resultante é idêntico, independentemente
do processo de fabricação. O nitrato de potássio é normalmente vendido como material cristalino solúvel em
água, especialmente destinado a ser dissolvido e aplicado com a água, ou na forma de pérolas para aplicação
no solo. Tradicionalmente, este composto é conhecido como salitre.

100 - - - - - - - - - --
Propriedades químicas

Fórmula química: KNOJ


Conteúdo de N: 13%
Conteúdo de K20: 44% a 46%
::1 Solubilidade em água (20 ºC): 316 g l.: 1 100 ·
1SYlblO de po<.>rno 1
O•- - - - - - -•- - ~ - - '
pH da solução: 7 a 10
::a o 10 20 IO ..

Solubilidade em água dos fertilizantes potássicos comuns

Uso agrícola. O KN0 3 é especialmente utilizado em condições onde é necessária uma fonte altamente solúvel de
K e isenta de cloro. Nele, todo o N está prontamente disponível para a absorção pelas plantas na forma de nitrato.
que não requer ação adicionai microbiana e transformação no solo. Agricultores que cultivam vegetais de alto valor
e pomares às vezes preferem utilizar uma fonte de nitrato na Intenção de aumentar a produção e a qualidade. O
nitrato de potássio contém uma proporção relativamente elevada de K, com relação N:K de aproximadamente 1:3.
Muitas culturas têm demandas elevadas de K e podem remover tanto ou mais K do que N na colheita.
Aplicações de KN0 3 no solo são feitas antes do período de crescimento da planta
ou como suplemento durante a fase de crescimento. A solução diluída é, por vezes,
pulverizada sobre a folhagem das plantas para estimular os processos fisiológicos ou
corrigir as deficiências nutricionais. A aplicação foliar de K durante o desenvolvimento
do fruto pode ser vantajosa para algumas culturas, visto que esta fase de crescimento,
frequentemente com altas demandas de K, coincide com a fase de diminuição da
atividade radicular e da absorção de nutrientes. Também é comumente utilizado para
a produção de plantas em estufa e cultivo hidropônico.
Práticas de manejo. Ambos os nutrientes, N e K, são necessários para as plantas
na manutenção da qualidade da colheita, formação de proteína, resistência a doen-
ças e eficiência no uso da água. Portanto, o KN0 3 frequentemente é aplicado ao solo,
ou através do sistema de irrigação, durante a fase de crescimento para sustentar o
Cristais e pérolas de KNOJ
crescimento adequado da planta.
O nitrato de potássio representa apenas uma pequena parcela do mercado mundial de fertilizantes potássicos. É uti-
lizado principalmente nos locais onde sua composição e propriedades únicas são capazes de proporcionar benefícios
específicos para os produtores. Isso Inclui o seu uso em várias culturas de alto valor e especialização, bem como em
culturas de grãos e fibras. É fácil de ser manuseado e aplicado e é compatível com muitos outros fertilizantes.
A solubilidade relativamente elevada do KN0 3 sob condições quentes permite o uso de solução mais concentrada ,
comparado a outros fertilizantes potássicos comuns. Assim, é necessário o manejo cuidadoso da água para
Impedir que o nitrato se movimente abaixo da zona radicular.
Usos não-agrícolas. O nitrato de potássio tem sido muito utilizado na fabricação de fogos de artifício e pólvora .
Também é comumente utilizado para manter a qualidade dos alimentos, como carne e queijo. Dentifrícios
contêm KN0 3 para aliviar a sensibilidade dentária. A mistura de KN0 3 e nitrato de sódio (NaN0 3 ) é usada pa ra
o armazenamento de calor em Instalações que utilizam energia solar.
Fonte: http://www.ipni.net/speciflcs

NUTRIÇÃO OE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Kieserita
Kleserlta é um mineral do ocorrência natural, quimicamente conhecida como sulfato de magnésio monohl-
dratado (MgS0~20). É extraída de depósitos geológicos marinhos e fornece uma fonte solúvel de Mg e S para
as plantas.
Produção. A kieserita é extraída principalmente de depósitos minerais subterrâneos profundos localizados na Alemanha.
Está presente nos restos de oceanos antigos, que foram evaporados e estão agora enterrados sob a superfície da
terra. Estes recursos minerais contêm vários nutrientes valiosos para as plantas. O minério é trazido para a superfície
do solo onde os sais de magnésio são separados dos sais de potássio e de sódio utilizando-se um ún ico processo,
denominado separação eletrostática a seco (ESTA).
A kieserita, na forma cristalina fina, é vendida para aplicação direta no solo. Na forma granulada, é mais adequada
para ser espalhada mecanicamente ou para mistura a granel com outros fertilizantes.

Propriedades químicas

Fórmula química: MgS04•H 20


Conteúdo de Mg: 16% (kieserita fi na);
15% (kieserita granulada)
Conteúdo de S: 22% (kieserita fi na);
20% (kieserita granulada)
K/eserita fina Kieserita granulada
Solubilidade: 417 g L· 1 (20 º C)
pH da solução: 9

Uso agrícola. A kieserita fornece formas altamente concentradas de dois nutrientes essenciais para a planta - Mg e S.
Visto que as aplicações de kieserita não têm qualquer efeito significativo
sobre o pH do solo, ela pode ser utilizada em todos os tipos de solo,
independentemente do pH. É comumente utilizada antes ou durante o
período de crescimento para satisfazer as necessidades nutricionais das
plantas. Devido à sua alta solubilidade, pode ser utilizada para fornecer
Mg e S durante os períodos de pico de demanda das culturas. Dado que a
kieserita é um mineral extraído de jazidas naturais do solo, é considerada
como fonte orgânica de nutrientes por algumas agências de certificação
orgânica.
Operação de mineração para recuperar
A kieserita em si não é utilizada como adubo foliar ou em sistemas de
kieserita
fe rtirrigação, mas serve como matéria-prima para produção do sal de
Epsom (MgS0 7H 0), que é totalmente solúvel e adequado tanto para aplicação foliar como para fertirrigação.
4 2

Práticas de manejo. Muitos solos são pobres em Mg e necessitam de nutrientes suplementares para sustentar
o rendimento e a qualidade das culturas. Solos de textura arenosa e solos com baixo pH (como os solos tropicais
altamente intemperizados) são frequentemente caracterizados pelo baixo suprimento de Mg para as plantas. Nessas
condições, elevar o teor de Mg no solo é um pré-requisito para uma fertilização adequada .
Nas áreas com elevada precipitação recomenda-se aplicações de Mg divididas em duas ou mais doses, a fim de evitar
perdas por lixiviação. Solos de clima temperado, com maior teor de argila, podem apresentar maiores teores de Mg e
multas vezes são menos propensos a perdas do elemento por lixivlação.
As doses para aplicação de fertilizantes magnesianos variam de acordo com fatores como: exigência específica da
cultura, quantidade removida durante a colheita e capacidade dos minerais do solo de liberar a quantidade adequada
de Mg, em tempo hábil, para garantir o rendimento e a qualidade das culturas. As doses para aplicação de kieserita
estão na faixa de 200 a 300 kg ha 1 para multas culturas. Demandas adicionais de Mg e S durante os picos de consumo,
no período de crescimento das plantas, podem ser atendidas pela aplicação foliar de materiais como sal de Epsom ou
outras fontes solúveis do nutriente.

Fonte: http://www.lpnl.neVspeclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Enxofre
Módulo 3.3-18 O enxofre é amplamente distribuído pelo mundo em multas formas. Em alguns solos, não
há S suficiente para atender às necessidades da cultura. Há excelentes fertilizantes contendo S que podem
ser utilizados para tratar a deficiência das plantas.

Produção. O enxofre é um elemento relativamente abundante na crosta terrestre. Ele é extraído como S elementar
puro de depósitos vulcânicos e de minas de sal. Atualmente, é obtido como co-produto do processamento de
combustíveis fósseis. Carvão, petróleo bruto e gás natural normalmente contém entre 0,1% e 4% de S, o qual é
removido durante a refinação ou purificação de gases de combustão. Muitos minerais comuns são usados como
fontes de S na agricultura.
OS elementar tem uma temperatura de fusão relativamente baixa (115 º C), de modo que muitas vezes é trans-
portado e manuseado no estado líquido quente até que seja transformado em produto final. A maior parte da
produção global de Sé convertida em ácido sulfúrico (H 2S04 ) para processamento posterior. A principal aplicação
do ácido sulfúrico é na produção de fertilizantes fosfatados.

Fontes comuns de enxofre


Não-solúvel S elementar
Semi-solúvel Gesso (15% a 17%S)
Solúvel Sulfato de amónio (24% S), sal de Epsom (13% S),
kieserita (23% S), langbeinita (22% S),
sulfato de potássio (18% S), tiossulfato (10% a 26%S) Enxofre elementar Pastilhas de enxofre
contendo pequenas
Uso agrícola. O S elementar não é solúvel em água e precisa ser oxidado por bactérias do quantidades de argila
solo (como Thiobacil/us, por exemplo) a sulfato (S0/) antes de ser absorvido pelas raízes das para melhorar a
plantas. A reação geral no solo é: 2S + 30 2 + 2H 2 0-+ 2H 2S04 • A velocidade desse processo dispersão e oxidação
microbiano é regida por fatores ambientais, tais como temperatura e umidade do solo, bem
como pelas propriedades físicas do S.
As plantas utilizam quase exclusivamente o sulfato como fonte básica na sua nutrição, sendo convertido em muitos
componentes essenciais, tais como proteínas e enzimas. Várias abordagens têm sido utilizadas para aumentar a
conversão de S elementar em sulfato disponível para as plantas. A velocidade de oxidação do S elementar está
diretamente relacionada ao tamanho das partículas, sendo que as partículas menores têm maior área de super-
fície para a ação das bactérias do solo. Por conseguinte, as partículas grandes de S podem exigir meses ou anos
de ação biológica para que quantidades significativas de sulfato sejam oxidadas. Partículas finas, na forma de pó.
são rapidamente oxidadas, mas não são fáceis de serem aplicadas.
Uma técnica para aumentar a taxa de oxidação de Sé a adição de pequenas quantidades de argila ao S fundido
antes do produto esfriar e formar grânulos pequenos (pastilhas). Quando adicionada ao solo, a argila se expande
com a água e a pastilha se desintegra em partículas finas que são rapidamente oxidadas.
Camadas muito finas de S elementar podem ser incorporadas durante a fabricação dos grânulos de fertilizante.
Esse S se oxida rapidamente e fica disponível para a absorção pelas plantas. Essa reação pode ter um impacto
positivo na disponibilidade de alguns micronutrientes para as plantas, como zinco (Zn) e ferro (Fe), que se tornam
mais solúveis com a diminuição do pH. OS elementar finamente moído é, por vezes, adicionado a suspensões
de fertilizantes. OS elementar é amplamente utilizado como fungicida para proteção de culturas - o sulfeto de
hidrogênio tóxico se desenvolve a partir da interação do S elementar com o tecido fúnglco vivo.
OS elementar e o ácido sulfúrico são normalmente utilizados na recuperação de solos que contêm sódio em
excesso e no tratamento da água de irrigação.
Práticas de manejo. O enxofre está disponível em muitas formas para atender às exigências específicas da cultura .
o S elementar geralmente é aplicado com bastante antecedência ao período de demanda das culturas, visto que
é necessário um período adicional para ocorrer oxidação bacteriana e conversão do sulfato. Considerando que o
sulfato é um ânion, pode ficar sujeito à perda por lixivlação, semelhante ao que ocorre com o nitrato. No entanto,
não há Impactos ambientais adversos associados a concentrações normais de sulfato na água.
Usos não-agrícolas. O enxofre é amplamente utilizado em produtos de consumo e aplicações Industriais. É comu -
mente convertido em sulfato antes de ser utilizado, por exemplo, em tecidos, borracha, detergentes e papel.

Fonte: http:/ /www.lpnl.net/speclfics


2

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Tlossulfatos

Módulo 3.3-19 Os tlossulfatos (S20/) são líquidos claros que fornecem uma fonte de S e podem ser
utlllzados em várias situações. Eles também contêm outros nutrientes, incluindo N como amónio (ATS),
potássio (KTS), cálcio (CaTS) ou magnésio (MgTS).

Produção. O tiossulfato de amónio (ATS) é o fertilizante líquido com enxofre mais popular. Ele é produzido pela
reação de dióxido de enxofre, S elementar e solução aquosa de amônia . Outros tiossulfatos comuns são produzidos
de forma semelhante.
Os tiossulfatos são altamente solúveis em água e compatíveis com muitos outros adubos fluidos. O ATS geralmente
é misturado com ureia e nitrato de amónio (URAN) para a produção de um fertilizante amplamente utilizado com a
fórmula 28-0-0-5 (5% S).


Propriedades químicas
Fórmula Nome Conteúdo de Densidade pH
comum nutrientes kg L· 1
(NH4);i,S203 ATS 12% N, 26% S 1,34 7,0 a 8,5
KiS20 3 KTS 25% K20 , 17% S 1,46 7,5 a 8,0
Tiossulfato
caS203 CaTS 6%Ca, 10%S 1,25 6,5 a 8,0 [S,0,'1 Sulíato
[SO.'l
MgS20 3 MgTS 4%Mg, 10%S 1,23 6,5 a 7,5

Uso agrícola. Depois de aplicado ao solo, a maior parte do tiossulfato reage rapidamente para formar tetrationato,
o qual, em seguida, é convertido em sulfato. Geralmente, o tiossulfato não está disponível para absorção pelas
plantas até que seja convertido em sulfato. Em solos quentes, esse processo é em grande parte concluído no
período de uma a duas semanas.
O tiossulfato é um agente redutor químico e também produz acidez após a oxidação do S. Devido a essas proprie-
dades, as moléculas de tiossulfato têm efeitos únicos sobre a química e a biologia do solo. Por exemplo, a aplica-
ção de ATS em fa ixa melhora a solubilidade de alguns micronutrientes. Deve-se seguir as orientações locais caso o
tiossulfato seja colocado em doses máximas na linha de sementes.
o tlossulfato pode retardar a velocidade da hidrólise da ureia, a conversão de ureia em amónio (NH/) e reduzir as
perdas de gás amônia (NH) quando quantidades suficientes de ATS são misturadas com URAN. Provavelmente,
este efeito Inibidor seja devido mais à formação e à presença de tetrationato Intermediário do que propriamente à
ação do tiossulfato. A nitrificação - conversão de NH 4• a nitrato - também diminui na presença de ATS. Embora o
pH Inicial do tlossulfato seja próximo de neutro, ele se oxida para formar ácido sulfú-
rico, e o NH 4 • no ATS Irá formar ácido nítrico, resultando, assim, em ligeira acidifica-
ção do solo na zona de aplicação.
Os tlossulfatos podem ser aplicados através de sistemas de irrigação por superfície, llil
aspersão e gotejamento. Muitos deles são usados em pulverizações foliares como
urna fonte rápida de nutrição para a planta (não recomendado com ATS).

Práticas de manejo. Deficiências de enxofre são observadas em culturas em todo o


mundo. Os tlossulfatos são materiais fertilizantes valiosos porque são fáceis de manu-
sear e aplicar, requerem medidas de segurança mínimas e são compatíveis com outros
li
fertilizantes comuns. No entanto, esses fertilizantes não devem ser misturados com
soluções altamente ácidas uma vez que Isto causará a decomposição da molécula de
Uossulfato e subsequente liberação de dióxido de enxofre gasoso, que é nocivo.

Usos não-agrícolas. Os tlossulfatos têm multas aplicações Industriais. No processamento fotográfico são utiliza- 11'
dos para ligar os átomos de prata presentes na película ou no papel. O tlossulfato de sódio é usado em sistemas
de tratamento de água para remover o cloro. É também utilizado para a extração de ouro, uma vez que forma um IJ
complexo forte com esse metal em um processo atóxico.

Fonte: http://www.lpnl.net/speclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Mistura granulada
Módulo 3.3-20 Muitos solos requerem a adição de vários nutrientes essenciais para corrigir as deficiências das
plantas. Os agricultores têm como opção selecionar uma combinação de fertilizantes simples ou utilizar um
3 fertilizante que contém vários nutrientes combinados em cada partícula. Essa combinação de fertilizantes pode
oferecer vantagens como: comodidade no campo, economia e facilidade no atendimento às necessidades nutri-
~ cionais das culturas.

3 Produção. As misturas granuladas são produzidas a partir de materiais fertil izantes básicos, tais como NH 3 , fosfato de
amônio, ureia, Se sais de potássio. Existem muitos métodos para a fabricação desses fertilizantes, sendo os processos
de fabricação específicos determinados pelos componentes básicos disponíveis e pelo conteúdo de nutrientes que se
3 deseja no produto final. Aqui estão quatro exemplos breves.
Métodos de compactação (aglomeração) envolvem a ligação de pequenas partículas de fertilizante por meio de
compactação, agente de cimentação ou ligação química. Várias proporções de nutrientes podem ser combinadas

:a utilizando-se partículas de tamanhos insignificantes, as quais podem não ser adequadas para outras aplicações.
No método da acreção os fertilizantes são formados por meio de repeti-
3 das adições de fina película de lama nutriente, as quais sofrem secagem ~
contínua, criando-se múltiplas camadas até que o grânulo atinja o tamanho
desejado.
Reatores de tubo central são usados para derreter quimicamente NH 3 ,
.__ ____________ ___,

.a ácidos contendo S ou P e outros nutrientes - tais como fontes de K e micronutrientes -, formando um fertilizante sólido,
com o conteúdo desejado de nutrientes.

3 O processo do nltrofosfato envolve a reação da rocha fosfática com ácido nítrico para formar uma mistura de compostos
contendo N e P. Caso seja adicionada uma fonte de K durante o processo, resultará em fertilizante sólido com N, P e K.
3 Uso agrícola. A mistura granulada contém numerosos nutrientes em cada grânulo. Ela difere da mistura de grânulos,
pois nesta os adubos são misturados para formar uma composição média de nutrientes desejada. Devido a essa dife-
rença, a mistura granulada pode ser espalhada no solo, de modo que cada grânulo libera uma mistura de nutrientes à
medida que se dissolve no solo, sem apresentar problemas de separação das fontes de nutrientes durante o transporte
ou aplicação. Pode-se obter uma distribuição uniforme de micronutrientes em toda a zona radicular quando esses
elementos são incorporados às misturas granuladas.
Esses fertilizantes são especialmente eficientes para aplicação inicial, antes do plantio.
Existem fórmulas comerciais disponíveis para condições específicas de solo e cultura. A
simplicidade é uma das vantagens apresentadas pela mistura granulada, porém não permite
a mistura de fertilizantes para atender aos requisitos específicos das culturas.

Práticas de manejo. As misturas granuladas são às vezes mais caras, comparadas à mistura
ou combinação de fontes primárias de nutrientes, uma vez que exigem processamento adicional.
No entanto, quando todos os fatores envolvidos na manipulação e utilização dos nutrientes são
considerados, as misturas granuladas podem oferecer grandes vantagens.
O nitrogênio é o nutriente que mais frequentemente precisa de cuidados para ser manejado e reapli-
cado durante o crescimento das plantas. Pode não ser possível suprir o solo com suficiente N antes
do plantio e atender toda a demanda da planta usando apenas misturas granuladas, sem aplicar em
excesso alguns dos outros nutrientes. Assim, é aconselhável utilizar a mistura granulada no inicio do
período de crescimento e, mais tarde, aplicar o N fertilizante de acordo com a necessidade.
A misturas granuladas são normalmente produzidas regionalmente para atender as necessidades das culturas locais. Há
grande variedade de propriedades químicas e físicas que podem ser ajustadas para satisfazer essas necessidades. Por
exemplo, o desejo de minimizar a perda de P no escoamento das águas pluviais na área urbana levou algumas comunida-
des a restringir a adição de P nas misturas granuladas vendidas para o cultivo de gramas e plantas ornamentais. Solos de
uma região que normalmente apresentam baixo teor de um nutriente específico podem se beneficiar com o Incremento
desse elemento na mistura granulada.

Propriedades químicas. As fórmulas químicas variam amplamente. Misturas granuladas comuns Incluem:
10-10-10, 12-12-12, 17-17-17, 21-7-14, e multas outras formulações.

Fonte: http://www.lpnl.neVspeclfics

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Fertilizante revestido
Módulo 3.3-21 Diferentes revestimentos têm sido aplicados sobre partículas de fertilizantes para controlar
sua solubllldade no solo. O controle da taxa de liberação de nutrientes pode oferecer vários benefícios
ambientais. econômicos e no rendimento das culturas.
Produção. Muitos materiais têm sido utilizados como revestimentos de fertilizantes solúveis. Os revestimentos são
mais comumente aplicados em fertilizantes nitrogenados granulados ou perolizados e, às vezes, em fertilizantes
multi-nutnentes. Dado que a ureia apresenta o maior teor de N entre os fertilizantes solúveis comuns, ela é o material
de base para a maior parte dos fertilizantes revestidos.
O enxofre elementar (S) foi o primeiro material para revestimento amplamente utilizado. O processo envolve a pulve-
rização de S fundido sobre grânulos de ureia, seguida por aplicação de cera vedante para fechar quaisquer fissuras
ou imperfeições no revestimento. O aperfeiçoamento desse processo foi adotado posteriormente, quando a camada
de S foi coberta com uma fina camada de polímero orgânico.
Outros fertilizantes revestidos são produzidos através da reação de vários polímeros à base de resina sobre a super-
fície do grânulo de fertilizante. Uma outra técnica combina polímeros de polietileno de baixa permeabilidade com
revestimentos de elevada permeabilidade. Os materiais e os processos de revestimento variam entre os fabricantes.
A composição e a espessura da camada de revestimento do fertilizante são cuidado-
samente ajustadas para controlar a taxa de liberação de nutrientes nas aplicações
específicas. O período de liberação de nutrientes dos fertilizantes pode variar de
algumas semanas a vários meses, de acordo com informações descritas no rótulo do
produto. Os fertilizantes revestidos são mais caros do que os materiais não revestidos
em virtude da despesa adicional associada à adição do revestimento na partícula de
fertilizante.

Uso agrícola. Os fertilizantes revestidos são usados em várias situações na agricultura e horticultura. Eles fornecem
um suprimento prolongado de nutrientes que oferece muitos benefícios. Estes incluem:
• Liberação contínua de nutrientes, que pode diminuir a lixiviação e as perdas gasosas.
• Redução dos custos de mão de obra e aplicação, eliminando a necessidade de múltiplas aplicações do fertili-
zante.
• Maior tolerância das plântulas à proximidade dos fertilizantes.
• Nutrição mais uniforme e melhor crescimento e desempenho das plantas devido à liberação prolongada de
nutrientes.
o máximo benefício dos fertilizantes revestidos só é alcançado quando o período de liberação de nutrientes é
sincronizado com os períodos de absorção de nutrientes pelas plantas.

Práticas de manejo. Prever o padrão de liberação de nutrientes dos fertilizantes revestidos nas amplas condições
de solo e cultivo é complexo, uma vez que a liberação é controlada por vários fatores ambientais. Por exemplo, muitos
fertilizantes revestidos liberam mais rapidamente os nutrientes com o aumento da umidade e da temperatura do solo.
Alguns produtos dependem da atividade microbiana do solo para a liberação dos nutrientes. Assim, a compreensão
do mecanismo de liberação de nutrientes é necessário para se obter o máximo proveito dos fertilizantes revestidos.

Alguns materiais de revestimento são relativamente frágeis e estão sujei-


tos a desgaste e quebra sob condições de ambiente agressivo. Portanto,
a manipulação excessiva deve ser evitada sempre que possível.

Usos não-agrícolas. A tecnologia de liberação controlada é Importante


e tem multas aplicações. Talvez a utilização mais conhecida seja a da
liberação controlada de fármacos, que podem ser Ingeridos com menor
frequência e mantidos em concentração constante na corrente sanguínea .
Materiais revestidos são também utilizados para fins veterinários e para controle de pragas.

Fonte: http://www.ipnl.net/speclfics

NUTRIÇÃO OE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Gesso

Módulo 3.3-22 O gesso é um mineral comum retirado de depósitos superficiais e subterrâneos. Ele pode

• ser uma fonte valiosa de Ca e S para as plantas e proporcionar benefícios para as propriedades do solo,
em condições específicas.

Produção. O gesso encontra-se nas formas de cristal e de rocha. Geralmente, resulta da evaporação da água
salina e é um dos minerais mais comuns em condições sedimentares. As rochas de cor branca ou cinza são
1 extraídas de depósitos subterrâneos ou a céu aberto; em seguida, são trituradas, peneiradas e utilizadas para
uma variedade de fins, sem processamento adicional. O gesso agrícola geralmente consiste de caso ,-2H20
(dihidratado). Sob condições geológicas de alta temperatura e pressão, o gesso é convertido em anidrita (caso.
sem água).
O gesso é um subproduto das usinas alimentadas a combustíveis fósseis, onde o Sé obtido a partir da dessulfuri-
zação dos gases de combustão. O gesso também é um subproduto do processamento da rocha fosfática em ácido
fosfórico. O gesso reciclado das placas de parede é finamente moído e usado para aplicação no solo.
1
Propriedades químicas

Tipo de
sulfato de cálcio Fórmula e composição Solubilidade
Dihldratado {gesso) CaS0, •2H,0 2,05 g L· 1
[23% Ca, 18% S, 21% água)
Anidro caso. [29% ca, 23% SJ 2,05 g L· 1
Semi-hidratado caso.• ½H,o [Reverte-se em
{gesso de Paris) gesso quando se
adiciona água]
1
1 Uso agrícola. O gesso geralmente é adicionado ao solo como fonte de
nutrientes ou para modificar e melhorar as propriedades do solo. O gesso
1 é pouco solúvel em água, porém, é 100 vezes mais solúvel do que o calcário
em solos de pH neutro. Quando aplicado ao solo, sua solubilidade
depende de vários fatores, incluindo tamanho das partículas, umidade
t e propriedades do solo. O gesso se dissolve em água para liberar ca 2 •
e SO 4 2 · , sem impacto direto significativo no pH do solo. Em contraste, o
1 calcário irá neutralizar a acidez de solos com pH baixo. Em regiões com
subsolos ácidos, o gesso é, muitas vezes, utilizado como fonte relativa-
1 mente solúvel de Ca para redução da toxicidade de alumínio.

Alguns solos se beneficiam do gesso como fonte de Ca. Em solos com excesso de sódio (Na), o Ca liberado do
gesso se liga com maior afinidade do que o Na nos sítios de troca de cátions, liberando, assim, o Na para ser
lixiviado da zona radicular. O uso de gesso na reparação de solos com elevados teores de Na geralmente resulta na
f melhoria das propriedades físicas do solo - tal como a redução da densidade, aumentando a permeabilidade e a
infiltração de água e diminuindo as crostas do solo. Na maior parte das situações, a adição de gesso, por si só, não

' diminui a compactação dos solos argilosos e compactados.


Práticas de manejo. É bem conhecido o uso do gesso para fornecimento de Ca ao amendoim, o qual apresenta
um padrão de crescimento único. Geralmente, o gesso é espalhado na superfície do solo e misturado na zona radi-
cular. Existe equipamento que permite que o gesso seja finamente moído para ser distribuído através do sistema de
irrigação. k. vezes, o gesso é perolizado para aplicação mais prática em jardins domésticos e campos de golfe.

Usos não-agrícolas. A principal utilização do gesso é como material de construção (paredes e forros). Para fins de
construção, o gesso é moído e aquecido (calcinado) para remover a maior parte da água, resultando em argamassa
semi-hidratada (gesso de Paris). Posteriormente, quando a água é adicionada ao pó, sofre expansão e endurece. O
gesso é amplamente utilizado em multas outras aplicações, tais como para condicionamento de água, nas indústrias
alimentícias e farmacêuticas, e como retardador da fixação de cimento.

Fonte: http://www.lpnl.net/speclOcs

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Calcárlo
Módulo 3.3-23 O carbonato de cálclo, prlnclpal componente do calcário, é amplamente utilizado para
neutralizar a acidez do solo e fornecer Ca para a nutrição das plantas. O termo "cal" se aplica a vários
produtos, porém, para uso agrícola em geral, se refere ao calcário moído.

Produção. O calcário é uma rocha sedimentar comum encontrada em depósitos geológicos generalizados. Ao longo
dos anos, tem sido usado como material de construção - um agente de cimentação-, e na agricultura, para corrigir
os solos ácidos. Em geral, o calcário agrícola (cal agrícola) é definido como qualquer substância que contém ca ou
Mg e é capaz de neutralizar a acidez do solo. Muitos materiais podem ser classificados como calcário agrícola.
O calcário é extraido de pedreiras e de minas e geralmente requer esmagamento mecánico antes de ser utilizado.
A textura do calcário é uma característica importante para se determinar a rapidez com que reage com a acidez do
solo. Partículas menores reagem rapidamente, uma vez que existe maior área de superfície exposta para a reação
química. Partículas maiores reagem mais lentamente, porém, são fontes de neutralização do ácido que se susten-
tam a longo prazo. O tamanho das partículas geralmente está expresso no rótulo do produto.
Outros materiais no calcário, como a argila, podem reduzir sua pureza e capacidade de neutralizar a acidez. A
eficiência do calcário é avaliada com base na sua capacidade de neutralização relativa, tomando como padrão o
carbonato de cálcio puro (CaCO), um valor que é expresso como porcentagem equivalente em carbonato de cálcio
(fo,co.). O calcário é mais solúvel em solos ácidos do que em solos neutros ou alcalinos. A presença de GaC0 3 é
detectada pela efervescência, quando uma gota de ácido forte é aplicada ao solo.

Propriedades químicas
Calcárlo/Calclta - carbonato de cálcio [CaCOJ], Na maior parte insolúveis em água, mas a solubilidade
aumenta em meio ácido (contém um máximo de 40% de Ca).
Dolomlta - carbonato de cálcio e magnésio [Ca•Mg(C03)i]. Na maior parte insolúveis em água, mas a
solubilidade aumenta em meio ácido (contém de 2% a 13% Mg).
Calcário hidratado - hidróxido de cálcio [Ca(OH)i]. Relativamente insolúvel em água; forma solução
com pH >12.
Calcário queimado/Cal viva - Óxido de cálcio (CaO]. Reage com água para formar calcário hidratado.

Uso agrícola. O calcário é utilizado principalmente para elevar o pH do solo ácido e reduzir a concentração de
alumínio (AI) na solução do solo. O pouco desenvolvimento da cultura em solos ácidos se deve em grande parte ao
AI solúvel, que é tóxico para o sistema radicular de muitas plantas. O calcário reduz o AI solúvel do solo através de
duas reações:
1) CaC0 3 + H2 0 ➔ Ca 2• + 20H· + C02
2) Al 3 ' [solúvel]+ 30H · ➔ Al(OHb [insolúvel]
Adições de calcário também fornecem significativas quantidades de Ca (e possivelmente de Mg) para a nutrição das
plantas. Alguns benefícios secundários da neutralização da acidez do solo com calcário incluem:
• Aumento da disponibilidade de P,
• Melhor fixação de N pelas leguminosas,
• Aumento da mineralização do N e nitrificação,
• Melhor uso da água , recuperação de nutrientes
e melhor desempenho da planta, com sistema
radicular mais desenvolvido.

Práticas de manejo. A quantidade de calcário necessária para atingir o pH desejável do solo pode ser facilmente
determinada em laboratório. O calcário é comumente espalhado uniformemente sobre o solo e depois misturado na
zona radicular. A neutralização da acidez do solo não é um processo a ser realizado uma só vez, mas é necessário
repeti-lo periodicamente, dependendo do solo e das condições ambientais. As doses de aplicação geralmente são
medidas em toneladas por hectare.

Usos não-agrícolas. De todos os materiais da Terra, o calcário é um dos mais amplamente utilizados. Além de
seu emprego na construção civil, é usado em diversas aplicações, tais como controle de poluição do ar, sistemas de
tratamento de água potável e de águas residuais, estabilização do solo, medicamentos, antiácidos e cosméticos.

Fonte: http://www.ipnl.neVspeclfics

NUTR IÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


~
~ Módulo 3.5-1 O equllíbrlo da nutrição com N e K é a chave para melhorar o rendimento e a eficiência no uso
de N. Neste exemplo em Ohio, Estados Unidos, o benefício máximo do adubo nitrogenado aplicado foi obti do

~
somente quando a deficiência secundária de K foi corrigida .
Fonte: Murrell e Munson. Better Crops wlth Plant Food, v. 83, n. 3, p. 28-31, 1999.

~
14,0

-·ro
.e: 12,5

~
o K no solo: 139 mg kg·1
.e
.E Produtividade: 13,2 t ha·1
11 ,0
(1) Dose de N: 200 kg ha·1
-o

~
(1)
-o 9,5 -
ro
-o
:~ K no solo: 80 mg kg·1
"S Produtividade: 10,5 t ha·1
-o 8,0
e
a..
Dose de N: 314 kg ha·1
'p
6,5-.------.------r------r------r-----.----,.-----.----~
j::a o 90 180 270 360
1
Dose de N fertilizante (kg ha· )
~
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c::11

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:3
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1 ~ i _-::.: ,"Ç ,
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--

Capítulo @
PRINCÍPIOS CIENTÍFICOS DE APOIO
DOSE CERTA
Os princípios científicos fundamentais que definem a dose compostos, biossólidos, resíduos de colheitas, deposição
certa para um conjunto específico de condições são os atmosférica e da água de irrigação, bem como nos fenili·
seguintes: zantes comerciais.
♦ Considerar a fonte, a época e o local de aplicação. ♦ Prever a eficiência de us o do fertilizante. Alguma
♦ Avaliar a demanda de nutrientes da planta. O perda é inevitável, assim , para atender a demanda da
rendimento está diretamente relacionado à quantidade planta , essa quantidade deve ser estimada.
de nutrientes absorvidos pela cultura até a maturidade. ♦ Considerar os impactos sobre o solo. Se as saídas
Assim, a seleção de uma mela de rendimento significativa, d e nutrientes de um sistcmíl ele cuhivo forem superiores
aliada ao manejo correto da cuhura e dos nutrientes e de às entradas, a fertilidade do solo diminuirá a longo
sua variabilidade dentro dos campos e entre as estações, prazo.
são guias importantes na estimativa da demanda total de
♦ Considerar a dose econômica específica. Para
nutrientes pela cultura.
os nutrientes que não são retidos no solo, a dose de
♦ Utilizar métodos adequados para avaliar a dispo- aplicação mais econômica é aquela acima da qual
nibilidade de nutrientes no solo, Práticas ullllzadas não ha verá retorno l111<111cf'iro economicamL•nle viü,·ei
podem Incluir análise de solo e de planta, cxperlmcnlos (lei dos rendimenlos clecrcsce 111C's). Para m 11u1rie11ll'S
de resposta, parecias com omissão de nutrlenlcs, ele. relidos no solo, de ve-se considerar esse valor para as
♦ Avaliar todas as fontes de nutrientes dis poní- cuhu ras futuras . Avaliar a probabilidade de prever as
veis. Na maior parle das faze11das, él avallílçi\o inclui íl doses economicamente ótimas e o cfL•ilo sob re os rendi·
quantidade e a disponibilidade ele nutrlenlcs cm eslcrco, 111e n1os líquidos dccurrc ntl•s dos erros ele prevbãu.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


A falta ou o excesso na aplicação de um deten11inado nutrien- outras palavras, a deficiência de um nutriente não pode ser
te pode ter consequências econômicas e/ou ambientais na superada pelo excesso de outro. Assim, todos os 17 elementos
produção agrícola. Quando o íertllizante e outras fontes de essenciais devem estar presentes em quantidades suficientes
nutrientes têm custo relativamente baixo, comparado ao valo r para satisfazer as exigências da cultura . A dose certa está li
da colheita a ser produzida , não há muito Incentivo para se condicionada à fonte , à é poca e ao local de aplicação. A
fazer uma recomendação correta de nutrientes, a menos que fonte de nutrientes precisa liberar a quantidade certa de ele· m
a cultura responda negativamente aos níveis excessivos de mentos disponíveis no momento ce rto e no lugar certo para
nutrientes (por exemplo, o excesso de N causa acamamento atender às necessidades das plantas em dese nvolvimento .
em culturas de grãos pequenos, reduz o teor de açúcar em
beterraba ou provoca crescimento vegetativo excessivo em 4 .1 Avaliar a demanda de nutrientes da planta
algodoeiro) ou uma consequência ambiental re lacionada ao Um princípio científico-chave para selecionar a dose certa de
nutriente seja reconhecida e valorizada (por exemplo, a con·
íertilizantes é ajustar a oíerta de nutrientes com a demanda
laminação de corpos d 'água por P). No entanto, cm épocas
de nutrientes da planta. A demanda de nutrie ntes se rere re
de altos custos de nutrientes e/ou baixos preços das safras,
à quantidade total de nutrientes que deve ser absorvida pela
o interesse do produtor no desenvolvimento de programas
cultura durante seu período de desenvolvimento. Alguns
eficientes de fertilização aumenta consideravelmente.
destes nutrientes serão removidos do campo na colheita da
A Lei de Liebig, também conhecida por Lei do Mínimo, cultura, ao passo que o restante será reciclado, voltando
afirma que o rendimento de uma cultura será determinado para o sistema como resíduo da colheita. Em alguns casos,
pelo elemento presente em quantidade mais limitante. Em os valores de absorção e os de remoção de nutrientes serão

Tabela 4.1 Total de nutrientes absorvidos pela parte aérea de algumas culturas.

- - - - - - - - - - - - - - kg absorvldo/t·· - - - - - - - - - - - - - - Ci7
Cultura* Região
N P20s K20 s
Alfafa (MS) Argentina 27 5 ,7 25 3 ,5
Amendoim Índia 63 12 37 3 ,9 .. '
Arroz Estados Unidos 16 8,4 24
Batata China 4,5 1,0 7,1
Beterraba China 4,8 1,4 9 ,3
Cana-de-açúcar China 1,8 0,4 2,1
Canola China 43 27 87
Cártamo Índia 39 8,4 22 13
Cevada Argentina 26 9,2 24 4 ,2 llil
Ervilhas verdes Índia 42 15 31 4 ,3
Fumo China 39 12 71 fiu
Girassol Argentina 40 25 35 5
Grama bermuda Estados Unidos 23 6,0 25
Grão-de-bico Índia 46 8,4 50
Laranja China 2,6 0,8 3 ,6
Milho Estados Unidos 18 9 ,6 25
Mostarda Índia 33 15 11 14
Pera China 5,0 2,0 5,0
Pêssego China 4 ,5 1,5 5,0
Soja Estados Unidos 82 18 38
Sorgo Índ ia 22 13 34
Tomate Índ ia 2 ,8 1,3 3,8
Trigo, primavera Estados Unidos 37 13 26
Trigo, inverno Estados Un idos 32 11 33
Uva China 5,6 5,2 8 ,5
• MS = com base na ma téria sect1; de outro modo, o conteúdo de umidade está bt1seado no padrão das normas de comercialização
ou no padrão ele umldacJe estabelecido.
·• • Os coeficientes de absorção de nut11entes repor tacJos podem va11ar regionalmente. dependendo das condições de crescimento.
Sempre que possível , utilizar os dados locais disponíveis.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


.....
- semelhantes, como na colheita de forragem para feno, na
qual a maior parte da biomassa de superfície é removida. ;--:
Em outras situações, tal como na produção de grãos de cere-
ais, apenas uma parle dos nutrientes totais absorvidos pelas
Perguntas ?
plantas é removida do campo.
1. Um dos sete princípios fundamentais clentíl1cos que
As plantas necessitam de nutrientes em quantidades dlíe-
definem a dose certa para um conjunto especíl1co
rentes. Em geral, os macronutrientes são necessários em
de condições é
maiores quantidades. Em solos de clima temperado, os
a. avaliar todas as fontes disponíveis de nutrientes.
macronutrientes denominados primários (N, P e K) limitam
b. assumir a alta eficiência de uso do fertilizante.
o rendimento das culturas mais frequentemente do que os
c. colocar mais ênfase na economia.
denominados secundários (Ca, Mg e S). Esta distinção entre
d. aplicar o que a planta precisa.
primário e secundário pode não ser aplicável em muitos solos
tropicais. A demanda total de nutrientes de uma determinada 2. Macronutrientes são denominados primários porque
cultura pode ser calculada multiplicando-se o rendimento a
a. são absorvidos em maiores quantidades do
ser obtido por essa cultura (meta de rendimento) pelo coefi-
que os outros nutrientes.
ciente específico, mostrado na Tabela 4.1. Os micronutrien- b. limitam mais frequentemente o rendimento
tes são necessários em quantidades menores.
das culturas do que os denominados secun-
Quanto maior o rendimento, maior será a necessidade de dários.
nutrientes. O desafio está em determinar a meta de rendi- c. foram os primeiros nutrientes descobertos.
1.

mento para definir a adubação. Algumas orientações úteis: d. são mais caros do que os secundários.
♦ A meta de rendimento deve ser realista e desafiadora. 3. A Lei do mínimo, de Liebig, estabelece que a
♦ Para a definição de metas de rendimento realistas a produtividade da cultura será determinada por
proposta comum é visar 80% do potencial de rendimento a. N, P e K.
(sem limitação de água e nutrientes) de uma cultura em b. Ca, Mg e S. 1

uma determinada condição climática. Modelos de simu- c. Micronutrientes.


lação de culturas podem ajudar a determinar o potencial d . o elemento presente em quantidade mais
de rendimento. limitante. 1

♦ A meta de rendimento pode ser definida como o valor


4. Avaliar a demanda das plantas envolve a seleção de
situado entre o rendimento acima da média e o rendi-
uma meta de rendimento realista porque
mento máximo obtido recentemente naquele campo
a. a absorção de nutrientes é proporcional ao
especí11co, ou em um campo de produção com histórico rendimento. 1
de manejo semelhante. b. o rendimento não pode exceder a meta
♦ Outro método comumente sugerido é definir a meta de escolhida. 1

10% acima da produtividade média de 3 a 5 anos das c. a quantidade a ser aplicada deve ser igual à
culturas que não sofreram perdas graves de rendimento quantidade absorvida do nutriente.
devido a seca, excesso de chuvas ou pragas. Esse método d. condições climáticas que promovem rendi-
requer que os registros de campo individuais sejam mentos excepcionais reduzem a eficiência de
manlidos e que somente os campos com potencial de uso do nutriente.
produção semelhante sejam considerados na e laboração
das eslimativas. -- - - --
♦ A meta de rendimento não limita a produtividade no
período de vários anos. Um clima excepcionalmente da cultura afetam a dose anual de fenilizantes requerida.
favorável, que resulta em rendimentos extraordinários, Além do potencial de produção, outros fatores que muitas
muitas vezes também resulta em liberação excepcional vezes são considerados para estimar a demanda de nutrientes
de nutrientes do solo ou eficiência anormalmente elevada pelas plantas são: sistema de cultivo, produtividade do solo
na utJllzação de nutrientes. e relação entre fertilizante e preço ela cultu ra. Equações
Um dos grandes desaílos a serem enfrentados ao se utilizar e modelos que predize m o rendimento e a absorçi'lo de
os rendimentos como base para a determinação das doses nutrientes t.1ml>érn esttlo sendo utilizados para ajustar as
d e fertJlizantcs é a grande variação que o corre nos níve is de recomendações das doses de N.
rendimento em um ambiente de ano para ano, bem como
4.2 Avaliar o fornecimento de nutrientes pelo solo
entre as estações de crescimento dentro de um ano, onde
várias culturas são cultivadas. A res posta da cultura à apll· Parte ela d e manda de nutrientes da planta é suprida pelo
cação d e fertilizante também varia cm função cio ambiente, solo. A capacidade do solo c111 forn ecer nutrientes para uma
Independentemente do seu potencial d e re ndimento. T,mto cultura c m crcsci 111cnto cleprncle ele vários 111eca11is111os.
0 potencial de rendimento quan to a capacidade de resposta Estes l11clue111 :

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


♦ minernlizêlção e imobilização de nulrienles llêl 11lêlléria Todos os ci nco mecanismos lislados ante riorme nte, que
orgfmica do solo; lnílucnclam o forneclmenlo de nutrienlcs, são a íelados pelas
♦ adsorção e dessorçf10 de nulrienles no solo: ca ractcrísllcas ííslcas do solo, como textura, tipo e quantida-
de d e argila : características químicas, como pH : e condições
♦ reações de precipitação e dissoluçfm que regulam a
cllm:\tlcas, corno lernperalura, umidade e aeração. A Tahe•
quanlidade de nutrientes na solução do solo:
la 4.2 lisla diversos íalorcs que afolam a disponibilidade de
♦ reêlções de redução/oxidação que a lteram a especiação e nutrientes no solo para a planla.
a solubilidade de nulrientes multivalenles:
A melhor ícrrarnenla para determ inar a contribuição do solo
♦ inte rceptação rndicular, íluxo de massa e difusão de no fornecirnenlo de nutrienles para a planta é a análise de
nutrientes na solução êl ser absorvida pelas raízes das solo. Informações delalhadas sobre a amostragem e a análise
planlas. de solo podem ser encontradas no Capítulo 8. Embora a
análise de solo seja eficlenlc para a determinação da dose
A matéria orgânica do solo contém grande parte dos certa de fertilizante, ela não eslá sempre disponível ou não é
nutrientes necessários ao crescimento das plantas. Muitos utilizada em muitas regiões do mundo, devido às limitações
d esses nutrientes existem em quantidades muito pequenas: de infraestrutura. A análise de solo não é uma ferramenta
no entanto, cm alguns sistemas de cultivo, a matéria orgâ- sempre confiável para estimar a disponibilidade de a lguns
nica do solo pode ser a font e predominante de nutrientes, nutrientes móveis, corno N e S, em áreas úmidas e de alta
principalmente de N e S. A quantidade de maté ria orgânica precipitação. Sob tais situações, a resposta da cultura em
mineralizada e m fomias disponíveis de nutrientes varia de experimento com omissão de nutrientes pode ser ulilizada
acordo com a quantidade e o tipo d e matéria orgânica e corno indicadora do teor de nutrienles no solo. O rendimento
com a presença d e condições favoráveis para a decomposição de um talhão no qual um determinado nutriente foi omilido
microbiana. Esses fatores também dificultam prever as quan- (mas com aplicação suficiente de todos os outros nutrientes
tidades de nutrientes que ficarão disponíveis para as plantas limitantes) serve como estimativa indireta da capacidade do
duranle o período de desenvolvimento. solo no forn ecimento do nulriente, enquanto a diferença de
rendimento entre um talhão plenamente adubado e outro lffi'I'
onde o nutriente foi omitido revela a resposta potencial da
cultura a adições do nutriente em questão.

Tabela 4.2 Fatores que afetam a disponibilidade de nutrientes no solo 1.

Fator N p K 5 CaeMg Micros


pH do solo X X X X X X Ili?
Umidade X X X X X X
Temperatura X X X X X X
Aeração X X X X X X
Matéria orgânica do solo X X X X X
Teor de argila X X X X X X
Tipo de argila X X X X
Resíduos de cultura X X X X X X
Compactação do solo X X ltlil'

Estado do nutriente do solo X X X


Outros nutrientes X X X X
Tipo de cu ltura X X X X
Capacidade de troca de cãtlons (CTC) X X X
Saturação por bases (%) X
, Esta talJela ror11L,c.e urna lista in cornpl cla de fator c:s e se destina apenas a e,m11plihcm os fatores predom lnil ntes e as seni ellrn nças entre os nutrientes.

li:
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA
&:
~
4.3 Avaliar Todas as Fontes de Nutrientes
b Disponíveis
t:;i Ao selecionar a dose certa de fcrtili1..;mt cs é preciso considerar nutrie ntes dessas fontes podem variar amplamente e são
a conlribuição de todas as fontes disponíveis para atender às difíceis de serem estimadas; no e ntanto, esforços devem ser
Q ex igências nutriciona is das plantas. Algumas delas incluem feitos para registrá-las. Os teores médios de nutrientes em
fontes nativas - aquelas que não são aplicadas ao solo, alguns este rcos estão listados na Tabela 4.3; estes variam
t:::I como resíduos d e culturas e adubos verdes -, estercos muito entre regiões e fazendas e, para serem aplicados,
animais, compostos, biossólidos, deposição atmosférica recomenda-se utilizar unidades locais apropriadas ou análise
t::I e água de irrigação. A quantidade e a disponibilidade de do material em laboratório.

p Tabela 4.3 Matéria seca e composição em nutrientes de alguns estercos animais (Havlin et ai., 2005).

t::I Nutriente, kg t-1


Sistema de
Matéria seca N
Tipo de animal tratamento de

ep
% P20s K20
resíduos
Disponível* Total**

Sistemas de manuseio de sólidos


• Suíno Sem cama 18 3 5 4,5 4
Com cama 18 2,5 4 3,5 3,5
Gado de corte Sem cama 15 2 5,5 3,5 5
Q

~
Com cama 50 4 10,5 9 13
Gado de leite Sem cama 18 2 4,5 2 5
Com cama 21 2,5 4,5 2 5

~
Aves domésticas Sem cama 45 13 16,5 23 17
Com cama 75 18 28 22,5 17
Compostagem 76 22 34 32 22,5

Q Sistemas de manuseio de líquidos

Suíno Composto líquido 4 10 18 13,5 9 ,5


:2 Vala de oxidação 2,5 6 12 13,5 9 ,5
~ Lagoa 1 1,5 2 1 0, 2
Gado de corte
:2 Composto líquido 11 12 20 13,5 17
Vala de oxidação 3 8 14 9 14,5
~
Gado de leite Lagoa 1 1 2 4,5 2, 5
::2 Composto líquido 8 6 12 9 14,5

::a Aves domésticas Lagoa 1 1,2 2 2 2,5


Composto líquido 13 32 40 18 48
::3
* Principalmente N-NH,' , que está disponível para a planta durante a safra.
** N - NH ◄' mais N orgânico, o qual tem liberação lenta .
:3 Fonte: Sutton et ai. (1985), Univ. of Minn. ExL Buli. AG-F0-2613.

::a
:::.
-::-

• NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C • FONTE CERTA


A fixação slmblóUca realizada pelas leguminosas é consl·
derada uma das mais Importantes fontes nativas de N nos

Perguntas l!_ solos. Multas orientações de manejo de nutrientes apresentam


ajustes na dose de N para as culturas em rotação com
legumlnosas. No entanto, as quantidades fixadas de N e sua
m
disponibilidade para as culturas subsequentes estão sujeitas
5. A melhor ferramenta para avaliar o fornecimento a ampla variação, devido a uma série de fatores. Uma estl·
de nutrientes do solo é a anãllse de solo, pois matlva das quantidades anuais de N fixadas por várias legu·
a. anãllse de solo confiável está disponível em mlnosas é apresentada na Tabela 4.4. Enquanto a presença
todo o mundo.
b. anâllse de solo pode ser eficiente na deter-
de leguminosas pode Influenciar as decisões sobre as doses
de N a serem aplicadas nas culturas subsequentes, o desem·
a
minação da dose certa de fertilizantes. penho das leguminosas, Incluindo nodulação, rendimento
c. anãllses de solo confiáveis para N estão e N residual, está diretamente ligado à adubação adequada
disponíveis para áreas de alta pluviosidade. com outros nutrientes, principalmente P e K.
d. anãl!ses de solo prevêem a Interceptação de
nutrientes pelas raízes da planta.
Tabela 4 .4 Variação estimada da fixação anual de
6. Fontes nativas de nutrientes lncluem nitrogênio por algumas leguminosas.
a. blossólldos. N fixado, kg ha·1 ano·1
Leguminosa
b. compostos.
150-250
1

c. resíduos de culturas. Alfafa


d. água de lnigação. Trevo 100-150
Ervilhaca 50-150
7. A fixação simblótica de N é uma Importante fonte
nativa de N nos solos, porque Soja 50-150
a. os microrganismos do solo fixam o N em Feijão 30-50
todas as espécies de culturas. Ervilha 3-250
b. as legumlnosas podem fixar grandes quantl·
Lentilha 3-190
dades de N.
c. as legumlnosas podem fixar grandes quantl· Amendoim 35-200
dades de P e K. Os valores relatados são médias de várias fontes. Estimativas locais
d. as culturas que sucedem uma leguminosa devem ser utilizadas para determinar as doses de aplicação.
precisam de mais N.
Os reslduos de culturas contêm quantidades substanciais de
nutrientes para as plantas. A reciclagem desses resíduos no
solo contribui para o enriquecimento de nutrientes no solo.
Por outro lado, a remoção dos resíduos vegetais conduz à
diminuição da quantidade de nutrientes no campo, partlcu-
]armente de K, e deve ser considerada como um compo-
nente negativo no equilíbrio de nutrientes. A reciclage m dos
reslduos de plantas, além de contribuir para o aumento do
conteúdo de nutrientes no solo, também melhora o balanço
de carbono orgânico, a umidade e o regime de temperatura
do solo , aumenta a estrutura do solo e auxilia no controle
da erosão. As quantidades médias de nutrientes re movidas
com a palha ou a forragem , em várias culturas, são mostradas
na Tabela 4.5. A quantidade de nutrientes removida do
campo nos reslduos da colheita pode variar depende ndo da
quantidade de chuva e das condições atmosféricas as q uais
foram expostos, e de outros fatores, como altura de corte da
cultura.
As culturas de cobertura Inclue m uma grande variedade de
espécies de plantas (mais comumente gramíneas e legumino-
sas) que são plantadas nas entressafras ou são semeadas nas
entrelinhas ele pomares ou vinhas. Elas ajuda m a reduzir a
erosão cio solo e a llxlvlaçào de nitra to e contribuem, após
sua decomposição, com o aporte de matéria orgânica e

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


-::1
nutrientes para as culturas subsequentes. Culturas leguminosas Considere, por exemplo, uma cultura com rendimento de
t:a de cobertura fornecem N adicional por meio da fixação 9.500 unidades.
biológica. A quantidade de N fixado depende de muitos
~ fatores, porém, uma vez que a duração do crescimento e a
Estudos em parcelas com omissão de nutrientes indicam
que a EA para N (EAN) no local é de 20 (aumento de
q biomassa acumulada na época de corte de uma cultura de
cobertura geralmente são menores do que na época em que
20 unidades de grãos por unidade de N aplicado) e o ren-
dimento esperado no talhão com omissão de N é de 6.000
essa cultura completa seu ciclo, a quantidade fixada ele N
~ . deverá ser menor do que a mostrada na Tabela 4.4.
unidades. As unidades utilizadas para rendimento e para
dose de fertilizante precisam ser as mesmas (por exemplo,
f:3 O fornecimento de nutrientes das fontes nativas para a cultu-
ra é altamente variável, por isso, deve-se utilizar, sempre que
kg ha I de grãos e kg ha·1 de fertilizante nitrogenado) . A
dose de fertilizante é calculada da seguinte forma:
b disponíveis, as diretrizes locais para ajustar adequadamente
as recomendações das doses de fertilizantes.
Dose de N = (rendimento possível - rendimento com
omissão de N)/EAN
1=3 4.4 Prever a Eficiência no Uso do Fertilizante Usando os números do exemplo acima, a recomendação de

o A eficiência no uso do fertilizante (EUF) é um fator impor-


tante a ser considerado na determinação da dose necessária
N seria:
Dose de N = (9.500 - 6.000)/20 = 175 unidades
o de fertilizantes. O tema geral sobre eficiência no uso do
nutriente é tratado com maior profundidade no Capítulo 9. Outro método para o cálculo da EUF, às vezes usado para
a Todas as recomendações fazem suposições implícitas sobre
a EUF ou estas estão explicitamente presentes nas equações
determinar a dose necessária de nutrientes, é o da eficiência
de recuperação (ER). Eficiência de recuperação é o aumento
~ usadas para o cálculo das recomendações. Mesmo com a na absorção do nutriente pela parte aérea da planta (para
adoção das boas práticas de manejo 4C, a quantidade de a maior parte das culturas) em relação à dose aplicada do
·:3 fertilizante utilizada pela cultura é inferior a 100%. Embora
os produtores se esforcem para minimizar as perdas e
nutriente. É calculada como:

ER = (U - U 0)/F
~ aumentar a eficiência, alguns nutrientes aplicados também
podem ser utilizados por organismos do solo, principal- Em que: 1) U é o total de nutriente absorvido pela parte aérea
mente quando os níveis de matéria orgânica estão sendo da planta (biomassa) com a aplicação do nutriente;
19 construídos. A eficiência na absorção de nutrientes muitas 2) U0 é o total de nutriente absorvido pela parte
vezes também é adversamente prejudicada por mecanismos aérea da planta sem a aplicação do nutriente;
inerentes de perda que existem em todas as áreas de cultivo. 3) F é a quantidade aplicada de nutriente na forma
A EUF também varia de acordo com fatores específicos de fertilizante.
do local, incluindo clima, tipo de solo e sistema de cultivo.
Esta equação pode ser rearranjada para permitir o cálculo
É por isso que os ajustes de eficiência devem ser incluídos
da dose necessária de adubo, sendo: F = (U - UJ / ER.
quando se determina a dose necessária de fertilizante. O
Como no exemplo anterior, para EA, os valores de rendi-
t:2 principal objetivo do manejo de nutrientes 4C é utilizar prá-
ticas que incorporem a fonte certa, a época certa e o local
mento das parcelas com omissão de nutrientes podem ser
utilizados, porém, neste caso, os rendimentos devem ser
certo em sistemas de cultivo bem manejados para aumentar a
t=3 EUF e estimar a dose certa.
convertidos em absorção, normalmente usando valores
típicos de absorção por unidade de produção de culturas,
::2 Um método utilizado para avaliar a EUF, e que é útil na
tais como os citados na Tabela 4.1 . A variação normal dos
valores de ER no campo para N aplicado aos cereais é de

=-
:2
determinação da dose necessária de nutriente, é o cálculo
da eficiência agronômica (EA). Eficiência agronômica é a
medida do ganho de produção por unidade de fertilizante
0,3 a 0,5 (30% a 50%). Quando são aplicadas as boas práticas
de manejo, pode-se aumentar a faixa para 0,5 a 0,8 (50% a
80%) . Usando os rendimentos do exemplo citado, para EA.
aplicado. É calculada pela fórmula :
e assumindo 0,0215 unidades de absorção de N por unidade

=-
~
EA = (Y - Y 0 )/F
Na qual: 1) Y é o rendimento da cultura com aplicação do
nutriente;
de rendimento e uma ER de 0,50, a dose de fertilizante é
calculada da seguinte forma:
Dose de N = ((9.500 x 0,0215) - (6.000 x 0,0215))/0,50 =
2) Y0 é o rendimento da cultura sem aplicação do 150 unidades
:,t nutriente;
3) F é a quanlldade aplicada do nutriente.
~
,, A faixa comum de valores da EA é de I Oa 25; acima ele 20
em sistemas bem gerenciados, com baixas doses de nutrientes
em relação ao ideal, ou com baixo forneclmento de nutrientes
pelo solo.
?

-.,a

, NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


4.5 Considerar os Impactos nos Recursos do
Solo

A nulrição da planla afc1a a qualidade do solo de vnrias Perguntas 0


maneiras. Em primeiro lugar, quando os nulricnlcs cslão
prescnrcs na planla em níveis suficicnlcs para olimizar seu
crcscimcnlo, a quantidade de carbono orgânico adiciona- 8. Um experimento conduzido cm parcela com
da ao s_olo pelas plantas é grande, maior do que quando omissão de nulrlenles moslrou que o valor de Y
0 crescimento das plantas é limitado pelos nutricnlcs. A era 9.000 kg ha 1, de Y0 era 7.500 kg ha·1 e a EAN
maior contribuição em carbono ajuda a manler e a conslruir era 15. Qual é a dose de N recomendada para a
a matéria orgânica do solo - fator-chave na manutenção da mesma cultura, em kg ha 1, em condições seme-
estrutura do solo - ou mesmo retardar seu esgolamento no lhantes de campo?
solo_- Por sua vez, isso influencia a capacidade de retenção a. 50.
de agua do solo e muilas outras propriedades importantes b. 100.
para o crescimento das culturas. Em segundo lugar, muilos c. 150.
nulrientes são retidos no solo, e a taxa de sua adição d. 200.
iníluencia os níveis das suas frações disponíveis no solo ao
longo do tempo. 9. A eficiência de recuperação dos fertilizantes nilro-
genados aplicados em cereais é
a. 10% a 25%.
Os nulrientes acumulados nos solos incluem P, K e grande
parte daqueles relatados na análise de solo (ver Capílulo 8 b. > 20% em sistemas bem manejados.
c. 30% a 50%.
para obter mais informações sobre análise de solo). Quando
d. 50% a 80%.
os solos apresentam teores muito baixos desses nulrienles,
é necessário aplicar doses consideravelmente maiores em
relação à quantidade removida pela cultura para propor- 10. A longo prazo, os níveis de nulrientes disponíveis
cionar altos rendimentos. Por oulro lado, quando os solos são mantidos em níveis ótimos, em grande parte
têm níveis muilo elevados desses nulrientes, quantidades dos solos, quando a quantidade de nulrientes
aplicada
menores do que as removidas pela cultura podem ser
suficientes. Quando os solos apresentam níveis desejados a. excede a absorvida pela cultura.
ou ótimos desses nulrientes, admire-se que esses níveis serão b. é menor do que a removida pela cultura.
c. é igual a removida pela cultura. ~
mantidos enquanlo a quantidade lotal de nulrienles aplicada
a cada ano for igual à quantidade de nulrienles removida d. é igual a absorvida pela cultura. 1
1
pela colheila. A Tabela 4.5 apresenta os coeficientes de :
remoção de nulrientes para algumas culturas. Embora sejam
valores representativos para as culturas listadas, os valores
reais podem variar consideravelmenle, conforme ilusLrado
na Tabela 4.6. Por essa razão, deve-se utilizar os dados
locais sempre que possível.

Alguns solos podem requerer adições de nutrientes que


excedem ou são menores que a quantidade removida pelas
culturas para manler os níveis desejados no solo. Exemplos
incluem os solos que fixam P ou K por sorção, precipilação
m
química ou aprisionamento (oclusão) entre as camadas de
argila. Em outros solos, pode eslar ocorrendo mineralização
m
de P ou K dos minerais do solo ou da fração orgânica. Por
essa razão, recomenda-se, normalmente, analisar os solos a
Gil
cada 3 a 5 anos em relação aos nulrientes retidos, como P
e K. para determinar se os níveis apresenlados na análise
de solo estão de falo sendo mantidos no nível desejado. A
análise de solo ajuda a delermlnar se as doses de nutrientes
aplicadas devem ser maiores, Iguais ou menores do que as
quantidades removidas na colheita.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C . FONTE CERTA


Tabela 4.5 Nutrientes removidos (exportados) na colheita de algumas culturas.

Remoção (kg t 1 )*
Cultura** N P20s K20 5
Alfafa (MS) 26 6.0 25 2,7
Algodão (fibra) 64 28 38
Algodão (palha) 9,4 3 ,3 11
Alpiste-dos-prados (Phalaris arundinacea) (MS) 15 6,6 13
Amendoim 35 5,5 8 ,5
Amendoim (palha) 16 3,4 12
Arroz (grãos) 13 6,7 3,6
Arroz (palha) 8,3 2.7 21
Aveia (grãos) 8 ,8 5,9 2 ,2
~
24
Aveia (palha) 6,0 3 ,2 19 2,3

t::I Aveia (palha por tonelada de grãos) 9.7 5,0 29 3 ,4

.::a Azevém (MS)


Batata (folhagem)
22
2,0
6,0
0 ,5
22
3 ,0 0,2
0,3
~ Batata (tubérculo) 3,2 1,2 5,5
Beterraba (parte aérea) 3,7 2,0 10 0 ,2
~ Beterraba (raiz) 1,9 1,1 3 ,7 0 ,2
Bromus sp. (MS) 16 5,0 23 2,5
,:'2 Cana-de-açúcar 1,0 0,7 1,8

j:3 Canola (grãos) 38 24 40 6,8


Centeio (grãos) 25 8,2 5,5 1,8
b Centeio (palha por tonelada de grãos) 14 3,8 27 2,5
Centeio (palha) 6,0 1,5 11 1,0
~ Cevada (grãos) 21 8 ,3 6,7 1,9

p Cevada (palha ) 6,5


8,3
2,6
3,3
20 1,5
2,1
Cevada (palha por tonelada de grãos) 25

F2 Comichão (Lotus cornicu/atus) (MS) 23 5 ,5 21


Ervilhaca (MS) 29 7,5 25
F1 Festu ca (MS) 19 6,0 27 2.9

~ Feijão (seco) 50 13 15 8,7


Grama de jard im (MS) 18 6,5 27 2.9
l=3 Grama forquilha (Pa spalum notatum ) 22 6 ,0 18

r:::a Hortelã (óleo)


Linho (grão)
1.900
45
1.100
13
4.500
11 3.4
~ Linho (palha) 13 2,9 39 2,7

Milheto (grãos) 28 8,0 8,0 1,6


~
Milheto (palha) 7,7 2,2 20

:2 Milho (grãos) 12 6,3 4,5 1.4

Milho (palha) 8,0 2,9 20 1,3

Milho (palha por tonelada de grãos) 8,0 2,9 20 1,3

Milho silagem (67% água) 4,9 1,6 3.7 0,6

Milho silagem (67% água) (palha por tonelada de grãos) 29 9,1 21 3,2

Pasto Bermuda 23 6,0 25

Poa pratensis (MS) 15 6 ,0 23 2,5

NUTR IÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA


Remoção (kg t 1 )*
Cultura** N P20s K2 0 s
Sorgo (grão) 13 7,8 5,4 1,2
Sorgo (palha) 14 4,2 21 3,0
Sorgo (palha por tonelada de grãos) 11 3,2 17 2,4
Soja (grão) 55 12 20 3,0
Soja (forragem) (MS) 23 5,5 13 2,5
Soja (palha) 20 4,4 19 3,1
Soja (palha por tonelada de grãos) 18 4,0 17 2,8
Sorgo (grão) 13 7,8 5,4 1,2
Sorgo (palha) 14 4 ,2 21 3,0
Sorgo (palha por tonelada de grãos) 11 3,2 17 2,4
Sorgo-sudão (MS) 15 4,8 17 2,9
Switchgrass (MS) 11 6,0 29
Timothy (MS) 13 5,5 21 1,0
Tomate 1,3 0,5 2,9
Tabaco (folhas) 36 9,0 57 6 ,0
Trevo híbrido (MS) 21 5,5 27 1,5
Trevo vermelho (MS) 23 6,0 21 1,5
Trigo (palha) 7,6 1,9 15 2,7
Trigo (palha por tonelada de grãos) 12 2,7 20 2,3
Trigo (inverno) (grãos) 19 8,0 4 ,8 1,7
Trigo (primavera) (grãos) 25 9,5 5,5 1,7
Trigo sarraceno 17 5,0 4,4
* Os coeficientes de remoção de nutrientes podem variar regionalmente, dependendo das condições de cultivo. Use os dados disponíveis do local
sempre que possível.
* * MS = com base na matéria seca , caso contrário, o teor de umidade é o padrão convencional de comercialização ou o teor de umidade indicado.

Exemplo: Utilizando os dados da Tabela 4.5 , uma cultura de milho que produz 10 t ha·• remove 63 kg de P2O 5 do solo
(10 x 6,3 = 63) . Assim, para a manutenção do P2O 5 no solo, a aplicação será de 63 kg ha·•.
Ili:

Tabela 4.6 Variabilidade na quantidade removida de nutrientes na parte colhida de milho, soja e trigo, em Missouri, li
EUA (Nathan, 2011).

Remoção (kg t 1 )

Milho Soja Trigo


N P2011 K20 N P20s K20 N P20s ~o L1Z
Média 12,0 6,2 4,5 46,8 11,5 18,5 18,5 8,0 5,2
• i
Mediana 12,0 6,1 4,3 45,7 11,7 18,7 18,7 8,2 5,0
Mínimo 7,0 4,1 2,1 32,8 7,0 12,3 12,2 5,0 3,3
Máximo 17,3 10.4 7,7 61,8 14,8 22,3 25,2 11,0 7,8
CV % 13,0 17,1 23.4 11,8 14,1 10,6 14,4 13,3 17,5
Número 511 509 512 269 270 267 177 179 174
Amostras de grãos recolhldas de todos os municípios do Estado, em 3 anos. Dois terços das amostras situam-se entre mais e menos um CV em
relação à média.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


4.6 Considerar a Dose Econômica Específica A maior flexibilidade permite que os agricultores tirem van-
tagem das condições de mercado e das flutuações nos preços
A dose ótima econômica de nutriente (DOEN) é definida
dos fertilizantes. Índices mais elevados de preços (altos custos
como a dose de nutriente que irá resultar em maior retorno
dos insumos em relação ao valor da cultura) sugerem o uso
monetário para o nutriente aplicado na cultura em questão .
de melhores práticas de manejo para determinar as doses
Geralmente, essa dose será menor do que a dose ótima
de fertilizantes necessárias para otimizar o rendimento e a ren-
agrônomica de nutriente (DOAN), que é a dose mínima que
tabilidade das culturas. Índices mais baixos de preços (baixos
resulta em produtividade máxima da cultura, e irá diminuir se
custos dos insumos em relação ao valor da cultura) muitas
houver aumento dos custos e o preço da cultura se mantiver
vezes resultam em menor risco em relação à rentabilidade; no
::a estável. Por outro lado, se o preço das commodities aumentar e
o dos insumos permanecer estável, a DOEN irá se aproximar
entanto, o risco ambiental associado à aplicação excessiva de
nutrientes é maior. Veja o item 8.5 para obter mais detalhes.
da DOAN. Muitas vezes, as flutuações nos preços das culturas
e dos fertilizantes ocorrem simultaneamente, a relação entre
Em qualquer cenário econômico, o manejo de risco é melhor
as entradas e saídas permanece a mesma e a DOEN não é
significativamente afetada. conduzido quando são observados os princípios científicos
para a seleção da dose certa de fertilizantes. II!I
3 Alcançar a DOEN é o enfoque normalmente utilizado para

:a nutrientes como N e S. que são móveis no solo e não são


retidos de um ano para o outro. Para os nutrientes que são
REFERÊNCIAS

retidos no solo, incluindo P e K, os benefícios da aplicação IPNI. Nutrients removed in harvested portion of
de nutrientes são de longo prazo na natureza e, portanto, crop. Norcross. GA. 2005. [On-line] .
os seus custos geralmente são amortizados ao longo de
vários anos. Quando se visa construir a fertilidade do solo, Havlin, J. L. et ai. Soil fertility and fertilizers: an
as doses de nutrientes aplicadas geralmente estão acima da introduction to nutrient management. 7th edition. Pearson
2 DOEN, considerando a resposta da cultura em um ano, mas Prentice Hall. NJ, USA. 2005.
podem se tornar econômicas ao longo do tempo, quando
:a são consideradas as respostas dos anos seguintes.
Ladha, J. K. et ai. Advances inAgronomy, v. 87, p. 85-176.
2005.

Os beneffcios da construção dos níveis de fertilidade do solo Nathan, M. hnproving accuracy of nutrient removal
na faixa ótima incluem maior flexibilidade na escolha da estimates status report. University of Missouri ,
fonte, da dose, da época de aplicação e do local de aplicação. Colombia, 2011.

:a
:1
li
il

,
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · FONTE CERTA
llu 1
:r
1

Módulo 4.1-1 A adubação nitrogenada exigida pelo trigo e pelo milho na Argentina é melhor determinada por
~elo da avaliação do N disponível no solo antes do plantio. De fato, a avaliação do N (inorgânico) disponível na
epoca de plantio tem sido uma ferramenta útil para determinar as necessidades de fertilizantes nitrogenados em
regiões sub-úmidas e semi-áridas em todo o mundo. Em uma área específica, o nível de N disponível no plantio
acima do qual não se espera resposta à adubação nitrogenada pode ser estimado. Essa metodologia tem sido
calibrada com sucesso para trigo e milho em várias áreas da região dos Pampas na Argentina. As doses de N
fertilizante (Nf) são estimadas pela diferença entre o nível de NREQ e a quantidade de N-N03 - determinada antes
do plantio: Nf = NREQ - X
Em que: Nf é a quantidade de fertilizante nitrogenado a ser aplicada,
NREQ é o N do solo mais o fertilizante nitrogenado requerido,
X é a quantidade de N-N03 - no solo na profundidade de 0-60 cm.
Na Figura 1. se a análise de solo no plantio indica a disponibilidade de 70 kg ha- 1 de N-N03 - , o rendimento seria
de 7.700 kg ha·1 • Assim, se o rendimento viável no campo específico é de 10.000 kg ha-1, deve-se atingir um
,
NREQ de 150 kg ha·1 de N disponível, e a dose de N recomendada será de 80 kg ha·1.
Níveis de NREQ para trigo e milho, de acordo com os rendimentos esperados em áreas com diferentes solos e
climas, são mostrados na Tabela 1.
Fonte: Bianchini A.; Garcia, F.; Melchiori, R. ln: Hatfield, J.; Follet, R. (Eds.). Nitrogen ln the environment sources, problems,
and management. San Diego, CA: Elsevier -Academlc Press, 2008. p. 105-124.

. .. .
-.,::.
14.000
. .. .
..,_O> 12.000 . . .t,·· . .
õ
,!:
. . .
. : . .. . . . . . .. . .
e., 10.000

. . .. : .. ..
1 •
'C
QI
'C 8.000

.. .. .
"'
'C
~ Produtividade= 1800.1x""'
'5
6.000 R' = 0,4934
~
o.. N = 83 experimentos (8 locais, 2000 a 2004)
4.000
o 50 100 160 200 250 300 350 400

N-Nllralo no solo (O a 60 cm+ N Fertllizanle), kg ha·'

Figura 1. Relação entre N (N-NO,') disponível no solo e produtividade de milho em 83 experimentos de campo instalados
em 8 áreas experimentais por ano (2000 a 2004), na região central dos Pampas.

Tabela 1. Produtividades esperadas correspondem às exigências de Nem diferentes áreas.


Nível de NREQ Produtividade
Área (N-NOa· , 0-60 cm) esperada Referência
1
- - - - - - - - - - - - kg ha- - - - • • • - - - - - -

Trigo
Sudeste de Buenos Aires 125 3.500 González Montaner et ai., 1991
Sudeste de Buenos Aires 175 !:i.000-5.500 González Montaner ~t ai., 2003
Centro e Sul de Santa Fé 92 3.500-4.000 Salvagiotti et ai., 2004
100-150 3.200-4.400 García et ai., 2006

-
Sudeste de Santa Fé e
Córdooa
------- - - MIiho
--
Norte de Buenos Aires 150 9.000 Ruiz et ai. , 2001
,
'
Norte de Buenos Aires 150-170 10.000 Alvarez et ai., 2003
,.
Centro e Sul de Santa Fé 135 < 9.500 Salvagiotti et ai., 2004
162 > 9.500

Sudeste de Santa Fé e 150-200 10.000-11.000 Rede CREA, Sudeste de Santa


Córdoba Fé, 2009
f
1
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Módulo 4.1-2 Cálculo das doses de fortlllzanto em cereais usando a diagnose por subtração de nutrientes.
A técnica da omissão de nutrientes para o cálculo das doses de fertilizantes a serem aplicadas nos cereais
(arroz, trigo, milho) utiliza a informação sobre o rendimento de grãos obtida em parcelas com omissão e com
fornecimento completo do nutriente em questão. Outros nutrientes são aplicados para garantir que não haja
elementos limitantes à produção. A produtividade obtida na parcela com omissão é usada corno urna estima-
tiva Indireta da capacidade de fornecimento, pelo solo, do nutriente omitido. A diferença entre o rendimento
de grãos obtido na parcela com omissão e aquele obtido na parcela adubada com um nível suficiente do
nutriente pode ser utilizada para estimar a dose de fertilizante exigida para a produção de diferentes metas
de produtividades.

Tabela 1 . Produtividade obtida em experimento utilizando parcela com omissão


de nutriente em t rigo de inverno, na Índia.
Tratamento Produtividade, kg ha·1

1. Dose completa de N, P e K 5 .556


2. Omissão de N; doses completas de P e K 1.667

Considerando que a dose de N aplicada no tratamento "completo" foi de 150 kg ha-1 , a eficiência agronômica
(EA,.) desta parcela foi de (5.556 - 1.667)/150 ou 26 kg de grãos por kg de N fertilizante.

Assumindo-se semelhante capacidade de suprimento de N do solo e nível de eficiência (26 kg/kg) para
outros campos da região, a Tabela 2 mostra as doses resultantes que poderiam ser recomendadas para
diferentes metas de produtividades (por exemplo, campos #1 e #2). Se urna parcela com omissão de N foi
conduzida na área com urna cultura anterior diferente e apresentou produtividade semelhante à apresenta-
da no campo #3 abaixo, aquela informação também pode ser utilizada no cálculo da dose.

Tabela 2. Cálculo da dose de N para três campos com trigo de inverno.


Produtividade Produtividade
Campo Dose de N
esperada, da parcela com
# calculada, kg ha·1
kg ha·1 omissão, kg ha·1

1 6 .500 1.667 (6.500 - 1.667)/26 = 186

2 4 .500 1.667 (4.500 - 1.667)/26 = 109

3 6.500 2.500 (6,500 - 2.500)/26 = 154

Comparados aos valores obtidos em muitos ensaios, a EANcalculada a partir dos dados da Tabela 1 é re-
lativamente alta (ver Seção 4.4 e Tabela 3). As recomendações serão mais precisas quando são utilizados
valores locais para o cálculo da ~. produtividade da parcela com omissão do nutriente e produtividade
esperada.

Tabela 3. Variação da EANem experimentos agronômicos com cereais na Índia.


Somente N N com apltcação Prática do agricultor,- , - - Manejo local - -
Cultura
apllcado 1 de P e K1 Punjab2 do nutriente
3
Milho 4 -7 7-14 - 26-28 1
3
Trigo 7 12 17-24 - 20-28 \
1---+----- - - t - - - - - - - - r - - - -- r- - - - - -
4
--]
Arroz 7-12 14-23 8 -10 22-34

1Blswas, P. P.; Sharma, P. D. lndlan Journal or Fertlllsers, v. 4, n. 7, p. 59-62, 2008.


2l<hurana, H. S. et ai.. Agronomy Journal, v. 99, p. 1436-1447, 2007.
3 IPNI, 2011 (dados não publicados).

• Slngh, B. et ai. Fleld Crops Research, v. 126, p. 63-69, 2012.

A técnica da omissão de nutrientes é uma ferramenta adicional para o manejo da adubação e pode ser
urna boa alternativa nas regiões do mundo onde os serviços de análise de solo confiáveis não estão disponí-
veis. Esta situação predomina em muitos países em desenvolvimento.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


Módulo 4.6-1 Doses ótimas econômicas de N para o algodão em solo arglto-slttoso, no Alabama,
mudam pouco com as mudanças nos preços. Neste exemplo, ainda que os preços de algodão e de N
variem significativamente, eles geralmente variam em conjunto, mantendo a relação entre preço e custo
relativamente constante e a dose ótima econômica de N relativamente estável.
Adaptada de: Snyder, C. S. e Stewart, W. M. Using the most profitable nitrogen rate ln your cotton
production system. Norcross: PPI, 2005. [On-line].

Preço do algodão (US$)


Preço do N
1.15/k~ :Lf.37/kg 1.58/kg 1.81/kg
(US$/ kg) Dose econômica ótima de N, kg ha-1

1.10 91 94 96 99

1.21 88 92 95 97

1.32 87 91 93 96

1.43 85 88 92 95

1.54 83 86 91 94

1.65 81 85 90 93

Módulo 4.6-2 Doses economicamente ótimas de N para o mllho variaram apenas llgelramente com
as condições de mercado ao longo de 10 anos. Nas regiões centro-oeste e noroeste de Indiana, a dose
média necessária de N para o milho cultivado após soja foi estimada em 192 kg ha- 1• A dose economica-
mente ótima de N - definida como a dose na qual o último incremento de fertilizante traz como retorno um
aumento de produtividade suficiente para pagar a si própria - depende da relação de preços e é geralmente
mais baixa. Entre 2000 e 2009, a relação entre preço de N-fertllizante e preço de grãos de milho (expressa
como $/t N dividido por $/t de grãos) variou entre 5 e 10 (a maior proporção renete fertilizantes relativa-
mente mais caros). As doses recomendadas de N (kg ha·1 ) dentro dessa gama de índices de preços são
mostradas na tabela abaixo.
Adaptada de: Camberato et ai. Nitrogen management guidellnes for Indiana. 2011. [On-line].

Preço do milho, US$/t


Custo do N
US$/t ' - ,7
$110 $130 $150 $170 $190 $210
1
Dose de N, kg ha·

$440 181 183 184 18 5 18 5 186

$ 660 177* 178 180 181 183 183

$ 880 171 175 177 178 179 180

$1,100 167 170 173 175 177 178

$1,320 162 166 169 171 174 175

$1,540 156 162 166 168 170 172

$1,760 152 158 162 165 168 170

$1,980 148 153 158 162 165 167

$2,200 142 149 155 159 162 165

• Valores realçados em verde representam recomendações de doses económicas ótimas de N (kg ha ') nas rela-
ções de preço entre 5 e 10 (expressas como $/ t N dividido por $/ t grão).

NUTR IÇÃO DE PLANTAS 4C - FONTE CERTA


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::a

Capítulo @
PRINCÍPIOS CIENTÍFICOS DE APOIO
ÉPOCA CERTA
Os princípios cie ntíficos fund amentais qu e de fin em a é poca Analisar a dinâ.ntica de perda de nutrientes do
certa para um co1tjunto específico de condições são os seguintes: solo. Po r exe m plo, cm regiões 1c111pl•radas, as perdas por
li xivinção te nde m a ser nmis frequentes na pri111a\'era e 110
Considerar a fonte, a dose e o local de aplicação.
o ut o no.
Analisar a marcha de absorção da planta. Os
nut rientes d eve m ser a plicad os co ncomitante m e nte co m Avaliar a logís tica das operações no can1po. Por
a de m a nd a sazonal d e nutrie nte\ dn c ultu ra, a qu a l exe m plo , as 111 últiplas aplica~·ões ele nutric111es podem
2 d e p ende d a dn ta de p la ntio, d as carac tcrísli c.is d e cres- o u nflo ser co mpatíveis com as aµIicaçõPs de clefemi, o,
ci m e nt o d as pla nt a\, d a scnslliillcl acl e :1\ cl clkiê ncias c m agrícolas. As aplicações ele nutrien te~ 11:10 dt•\'em atr,1~c1r
fo se~ parti c ul a rc\ d e crcsci m c nl o, c ntrr o ut ros. as o perações q m' clcpL•mlem cio IL't11µ0. como o plantio.

♦ • Analisar a dinântica de fornecin1ento de nutrien-


tes do solo. A m lncra llzaçnn ela m até ria orgú nica d o 5.1 Ana li sar a march a de absor. ao da plJntél
~o lo di~ po ni bll iLa gra nd es qu antida d es d e ,llgun ~ A ,11 u1 lise d a clinãn1ic.1 c dos padrôe~ de C01i'u1110 tia cultu -
nu trlc11le\, p uré m , ~e a necessid ade d e consu mo d a ra pndl' \er um in iportantc co111pune111c na detenninação da
cu lt111 ;1 1ncc1·dcr t·~sa Jl1_1t•1 açúo, a ornrrê 11cla d ,: d el1 é poca ad equada cll' aplica~·ão do 11utriL'tlle. A abso1\·ão dm
d1·11clas pude II111 it,1r a p rocl 11 llvld adr. pri nclpab nutriL'tlll'\ c m p,1drôl•~ ele acú111ulu d e 111até ri,1

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · ÉPOCA CERTA


seca são simi lares para a maioria elas culturas e, geral- ocorrência de picos de produtividade, como por exemplo.
m e nte, aprese ntam curva com trajetória slgmolda l ou em quando se inicia um período chuvoso após um período
"S" (Figura 5.1) . Esta é caracteri zada pela absorção bastan- seco.
te lenta no inicio, atingindo o máximo durante a rápida fase
de crescimento e declinando com a maturação da cultura. ♦ Capara aniendoim. O amendoim é especialmente
A taxa de absorção de nutrientes ela planta não é constante sensível à deliciência de Ca . Elevados níveis de Ca dis-
durante todo o ciclo. Apli cações programadas e loca lizadas, ponível são necessários na região do solo onde as vagens
em fases especiílcas de crescimento, podem ser favoráveis estf10 se desenvolvendo; assim, às vezes são realizadas
à produtividade e/ou qualidade em alguns sistemas de pro· aplicações de fontes solúveis de Ca (sulfato ele cálcio ou
dução para a lguns nutrientes, principalmente N. Aplicações nitrato ele cálcio) antes do ílorescimento da planta.
programadas e localizadas também podem ser íavoráveis
para reduzir os impactos ambientais causados pela perda de ♦ Mn para soja. Aplicações foliares de Mn no início do
nutrientes do solo. ciclo da soja são realizadas írequentem~nte em áreas
Existem muitos exemplos de aplicações programadas e loca- onde aparecem sintomas de deficiência no tecido vegetal.
lizadas de nutrientes baseadas nas fases de desenvolvimento
das culturas, porém, somente alguns serão apresentados: Outro fator a ser considerado em relação à época de apli-
cação é a sensibilidade da cultura às deficiências específicas
♦ Aplicação de N e K em algod ão. Na produção de de nutrientes, frequentemente relacionadas às condições do
algodão, grande parte do N e do K é absorvida após o sur- solo. Algumas culturas são mais propensas a certas deficiên-
gimento da primeira flor ou no inicio da fase reprodutiva. cias que outras; assim, culturas suscetíveis podem requerer
Esrn informação é importante para garantir que quantidades épocas especiílcas para aplicação de fertilizantes.
adequadas desses nutrientes estejam disponíveis quando a
demanda é maior. Em algumas ocasiões, a aplicação foliar
de N. e mesmo de K. no surgimento da primeira flor pode
melhorar a produtividade e/ou a qualidade do algodão.
♦ Aplicação de N em culturas de grãos pequenos,
como trigo. Várias recomendações para o trigo se reíe-
rem à aplicação de N na semeadura, enquanto a maior
parte acontece em cobertura , antes do aparecimento
P erguntas '® r
do primeiro nó. Na fase tardia de crescimento, quando 1. Um dos cinco p1incipios cientílicos que delinem o lu
o trigo inicia o espigamento, a maior parte cio N já foi

..
momento certo para um conjunto específico de
absorvida, e se boas práticas de manejo da adubação condições é: ~
nitrogenada não forem íeitas antes desta fase a produti-
vidade será prejudicada. Embora a produtividade seja
ª· aplicar os nutrientes pouco antes da fase de
enchimento dos grãos.
determinada na fase de espigamen to , em a lguns sistemas b. avaliar a logística das operações no campo.
de produção a aplicação tardia d e N , durante essa fase , c. permitir a lenta mineralização dos nutrie ntes
pode aume ntar o teor de proteína nos grãos. Isto pode
ser vantajoso quando há prêmio pago por proteína. Cui-
dados devem ser tomados na aplicação tardia para evitar
cio solo .
d. aplicar os nutrientes pouco antes do
aumento cios riscos de ILxiviação.
...
danos que poderiam causar impactos no enchimento dos e
grãos (por exe mplo, queimadura da folha bandeira) . 2. A absorção dos principais nutrientes pela maior
♦ Árvores frutíferas. Árvores frutíferas são plantas parte das culturas geralmente segue uma curva, •
pere nes com difere ntes características de absorção e em relação ao tempo, cuja forma é denominada
distribuição d e N em relação à maioria das culturas. Um a. sigmóide.
bom exe mplo é a uva , qu e te m três fas es distintas para a b. rombóide.
absorção d e nutrie ntes: {i) período entre a brotação/iní- c. esferóicle.
cio do d ese nvolvim ento foliar e novos brotos/d esenvolvi· d. linear.
me nto d e frutos, (ii) pe ríodo e ntre início e d esenvolvi -
me nto d e frutos e (iii) período após o d esenvolvirnento 3. A aplicaçi\o d e íertilizante nitrogenado na fase ele
~
até a 111aturação dos frutos. es piga mento cio trigo pode aumentar
a. a produtividade.
♦ CultuJ•as tropicais semi-perenes. Para culturas b. o enchimento dos grãos. WJ
como d e ndé ou ba nana, qu e têm colheitas continua~ . a c. a proteína no grão .
é poca corre ta d e aplicação derenderá principa lmente das cl. a qualidade cio a mido nos grãos. 11;&
condiÇÔL'~ climática~ e ela ora~iiio propíciél para aplicação. 11

No e111a11tu, é illlport a nte comlde rar ant el'lpadarne nte a ~

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NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · ÉPOCA CERTA
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Maio

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Folhas
Junho
40


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Julho
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Caule, pendão, casca


Agosto
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Setembro
Grãos

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,, o 16 38 51 66 61 94 112 126 140

Dias após o plantio


...,.
Figura 5.1 Nitrogênio acumulado nos diferentes órgãos do milho (A) e absorção acumulada de N nos momentos de pico de demanda {colunas
verdes) e época recomendada de aplicação (setas vermelhas) para o arroz (B).
fontes: A) Adaptada de: How a Corn Plant Develops. Iowa State Unlverslty, Speclal Report No. 48, November 2008;
B) Adaptada de: Bertsch, F. Estudlos de absorclón de nutrientes como apoyo a las recomendaclones de fertllizaclón. lnformaclones
Agronómicas, v. 57, p. 1-10, 2005.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · ÉPOCA CERTA

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NITROGt:NIO
ATMOSFt:RICO
OXIDO •

N, NITROSO
N,O

AMÔNIA
NH,


Ciclo do PERDA POR
LIXIVIAÇÃO

Nitrogênio
Figura 5.2 Ciclo geral do nitrogênio. Como o ciclo do N é mais complexo e dinâmico do que o dos outros nutrientes, as discussões
...
relacionadas à época de aplicação são mais comumente centradas no fertilizante nitrogenado.

5.2 Analisar a Dinâmica de Fornecimento de pode ser pron tamente convertido em formas fracamente
Nutrientes do Solo solúveis e formas indisponíveis de P. Portanto, nesses
ambientes, é comum aplicar anualmente fertilizantes fos-
A maior parte dos solos tem capacidade de suprir pelo me- fatados concentrados em faixa, no plantio, para aumentar
nos algumas das necessidades nutricionais de uma cultura. a disponibilidade às culturas.
.,
Geralmente, quanto mais arenoso ou intemperizado é o
solo, menor é a sua capacidade de fornecimento de nut1ien· Uma boa compreensão das transformações do N e de
tes. A capacidade de fornecimento de nutrientes do solo é outros nu trientes no so lo é fundamental para a avaliação da
importante para o componente dose dos 4Cs, mas pode dinâmica de suprimento de nutrientes cio solo. O nitrogênio
iníluenclar a época de aplicação , assim como as exigências. é absorvido como nitrato (NQ 3-) ou amõnio (NH/) . Outras
Em termos gerais, quanto maior a capacidade do solo em formas de N devem ser convertidas em nitrato ou amõnio
reter e fornecer um nutriente à cultura, e disponibilizá-lo ao para que a planta possa utilizá-las. A Figura 5.2 mostra
longo da fase de crescimento, menor será a necessidade de
eníatlzar o momento crítico para aplicação desse nutriente.
uma representação resumida do ciclo cio N e como é sua
dinâmica e transformação. Em um determinado solo , 0 N •

-
Seguem dois exe111plos contrastantes: disponível para a planta é fornecido tanto pela mhll'rallza-
çflo da matéria orgãnica do solo como pC'lo nitrato e amõnio
♦ Parn muitos solos agrícolas, os fertilizantes fosfatados e
residual. Em climas áridos, o nitrato pode se acumular no
potássicos podem ser fornecidos uma vez para suprir as
solo e ser utilizado em v,írias saíras. OndC' a prcdpit,1çào é
necessidades de u111a ou várias saíras. Após aplicados, P
elevada, o nitrato é mais íarilmente n•movido cio solo por
e K são mantidos no ~olo e perrm111ere111 disponíveis :is
lixivlaçiio e/ou desnltrilkaçf10. O nitrogê nio pode entmr no
c ulturas ao longo uo tempo.
solo a partir da atmosft>rn por várias vi,L~. ou pode se r adi-

.
♦ Algum ~olos altamente alcalinm, ou solos L>astante úci· cionado como ícrtillza11tcs, resíduos dl' c ulturas ou este rcos.
dos, comuns cm regiôes tropiCélis, têm alta capacidade de Entre os 11utr!C'11tes, o N tem o ciclo mais co111plcxo, uma
l1xaç;1u d e P. O ícrtllizante íosíatadu aplicado nestl's solos vez que Pstü ~ujclto a mais transformações e pe rdas.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - ÉPOCA CERTA

...
Outro fator importante na avaliação da dinâmica de forne- de várias aplicações de N durante a safra por meio da
cimento do nutriente pelo solo é o nível dos elementos na fertirrigação, otimizando a época de aplicação de forma a
análise do solo. A análise do solo não é uma ciência exata corresponder à demanda da cultura. Assim, controlando a
que fornece uma resposta absoluta se haverá ou não resposla época de aplicação, a eficiência de uso dos nutrientes pode
à aplicação de fertilizantes cm um detem1inado momento. ser melhorada e o potencial de perdas reduzido.
Existem muitos outros fatores que afetam o sistema. A análise
de solo fornece, ou pelo menos dá uma Ideia, da probabi- 5.4 Avali ar a Logística das Operações no Campo
lidade de resposta à aplicação de fertilizantes em relação a A logística de distribuição de fertilizantes , as operações de
um nutriente específico. Geralmente, quanto maior o nível campo e os equipamentos de aplicação são fatores impor-
do nutriente na análise do solo, menor será a necessidade de tantes que afetam as decisões em relação ao momento da
aplicação de fertilizantes e maior será a flexibilidad e na época aplicação. Visto que em muitas regiões o tamanho das
de aplicação. Consulte a Seção 8.5 para obter mais detalhes. propriedades têm aumentado, há necessidade de ajustar
Ao avaliar a dinâmica de fornecimento de nutriente do solo a logística de plantio e o momento de entrada na área. A
o profissional deve considerar o ciclo do nutriente específico. aplicação antecipada de fertilizantes, tal como ocorre co m
Questões-chave incluem: a aplicação no outono para as culturas plantadas na prima-
♦ Existem problemas de imobilização ou outros processos vera, pode reduzir a pressão sobre as operações de plantio
que podem interromper o fornecimento de nutrientes? e permitir um momento mais oportuno de plantio. Geral-
mente, a aplicação antecipada de fertilizantes fosfatados e
♦ O solo tem potencial para comprometer a disponibilida-
potássicos é considerada uma prática sensata, pois o risco de
de dos nutrientes adicionados ao longo do tempo (por
perdas é pequeno no intervalo de tempo entre a aplicação e
exemplo, P em solos altamente ácidos ou alcalinos)?
o período de desenvolvimento da cultura; no entanto, como
Essas e outras questões irão afetar de alguma forma as deci- mencionado anteriormente, deve-se ter cautela na aplicação
sões sobre época, dose, local e fonte de fertilizante. antecipada de N, principalmente onde há elevado risco de
perda do elemento por lixiviação e/ou desnitrificação.
5.3 Analisar a Dinâmica de Perda de
Em áreas tropicais, é importante estar preparado para as
Nutrientes do Solo condições climáticas adequadas. No entanto, análises de
As perdas de N e P dos sistemas de cultivo geralmente causam solo e de planta devem ser realizadas com bastante ante-
grande preocupação visto que, além de acarretar impactos cedência, de modo a orientar e assegurar a aquisição e o
econômicos negativos, podem criar problemas ambientais armazenamento adequado de fertilizantes. Os fertilizantes
específicos. O nitrogênio pode ser perdido por várias vias, devem estar disponíveis semanas antes do momento previsto
incluindo a Iixiviação de nitrato, o escoamento superficial nos para aplicação. O manejo inadequado dos fertilizantes pode
campos e perdas gasosas. O nitrogênio no solo tende a ser conduzir a sérios problemas em alguns sistemas tropicais.
convertido na forma de nitrato. Devido à sua carga negativa, Por exemplo, se N e K não forem aplicados juntos, pode
o nitrato não é atraído pelas cargas negativas das partículas ocorrer desequiübrio entre os nutrientes, predispondo as
de argila e matéria orgânica. Assim, esta forma fica livre para plantas ao ataque de pragas, como está bem documentado
ser Jixiviada com o movimento da água no pernt do solo. O para as pragas de folhas de dendê, que se beneficiam do
fósforo é muito menos suscetível à lixiviação, mas pequenas alto teor de N e baixo teor de K na folhagem.
perdas de P podem causar grandes impactos na qualidade da Fertilizantes de liberação lenta e outras tecnologias de
água. As perdas de P no campo ocorrem principalmente por eficiência melhorada podem ser ferrame ntas úteis quando
escoamento superficial. Em alguns solos, as perdas via canal a logística exige uma única aplicação em época que
de drenagem podem ser significativas, e em solos com teores normalmente seria inadequada. O preço dessas tecnologias
muito altos de P a lixiviação pode ocasionar perdas se o tradicionalmente tem limitado a sua utilização na produção
lençol freático for muito raso. A aplicação localizada de ferti- agrícola comercial, porém, com o aumento do preço dos
lizantes fosfatados abaixo da superfície do solo pode diminuir nutrientes e da preocupação com as questões ambientais.
significativamente o risco de perda.
:a Em solos e ambientes climáticos onde há potencial
mudanças na logística e/ou nos produtos utilizados têm se
tornado mais viáveis economicamente em sistemas intensivos,
significativo de perdas de nutrientes , a época de aplicação como nas culturas tropicais, como banana, por exemplo, em
deve ser focada e específica. Por exemplo, a aplicação que o número total de aplicações pode ser reduzido de fom1a
de N no outono, antecedendo o plantio na primavera ele significativa, economizando dinheiro e mão de obra. IIIJ
::.A
culturas como milho, somente eleve ser praticada em áreas
REFERÊNCIAS
geográficas onde é baixo o risco d e perdas no final do
outono. quando a temperatura do solo estiver abaixo de Bruulse ma , T. W. (Ed). Managing crop nitrogen for
10 "C, sendo esperado um contínuo resfriamento. As weather. Norcross, GA: IPNI , 2008.
aplicações de pré-plantio na primavera e/ou em cobe rtura Ma, L.; Alntja, L. R.; Bmul.sema, T. W. (Eds) . Quantifying
geralmente oferecem me nor risco de pe rda e maior and understanding plant nitrogen uptake for systems
rentabilidade, e são preferíveis iis aplicações de 01110110, modeling. Boca Raton: Taylor and Francis Group, LLC, 2009.
apesar cios desal1os logísticos. Em contraste, alguns sistemas Schepers, J. S.; Raun, W. R. (Eds) . Agronomy Monograph
com milho irrigado permitem aos produtores a rcali:wção 49. Madison: Amerícan Society of Agronomy, lnc., 2008.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · ÉPOCA CERTA


Perguntas 'Cf'
li?
4. O nitrato pode se acumular nos solos e ser utilizado 8. Em solos com alta capacidade de fixação de P, a época
em múltiplas safras agrfcolas em apropriada para aplicação do P é 1D
a. climas úmldos. a. anualmente, após a emergência da cultura.
b. climas áridos. b. anualmente, no plantio. E
c. solos orgânicos. c. a cada dois anos.
d. solos altamente alcalinos. d. a cada três anos.

5. A época de aplicação do nutriente é mais Importante 9. Para culturas plantadas na primavera , a vantagem da
para aplicação de N na primavera, ao Invés da aplicação no
a. N. Inverno anterior, Inclui
b. P. a. temperaturas do solo mais quentes.
c. K. b. menor Interferência com outras operações de
d. Mo. campo.
c. menor risco de perda e maior lucratividade. li
6. A nitrificação envolve a conversão de:
a. nitrato em dióxido de nitrogênio (NOJ .
b. nitrato em óxido nitroso (N 20).
c. amónio em nitrogênio (NJ .
d. plantio em tempo oportuno.

10. Tecnologias de fertilizantes com ellclêncla melhorada,


que controlam o tempo de liberação do nutriente,

,p
d. amónio em nitrato (N0 3-).
podem ser adequadas para
a. melhorar a logística das operações no campo.
7. Em regiões cllrnátJcas com elevada pluviosidade o
nitrato é prontamente removido dos solos por b, somente culturas de alto valor, como banana.
c. liberação mais rápida de nutrientes às culturas.
ar
a. IJxlviação.
b. nitrificação. d. aplicação de qualquer nutriente.
c. Imobilização.
d. volatilização do NH3.
1:
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NUTRI ÇÃO DE PLANTAS 4C - ÉPOCA CERTA


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Módulo 5.1-1 Resposta da produção de trigo à apllcação tardia de N estimada por melo da coloração da
folha, com o uso de clorofllômetro (SPAD). A prática convencional recomendada para adubação nitrogena-
da de trigo no noroeste da Índia é de 50% da necessidade de N aplicados na base (na semeadura) e os 50%
restantes aplicados na fase de Iniciação da raiz na coroa (IRC) (fase de desenvolvimento 13 da escala Zadoks).
Como mostra a Tabela abaixo, a aplicação de N no estádio de perfilhamento máximo (PM; fase de desenvolvi-
menta 22 da escala Zadoks) aumentou o re ndimento nos 3 anos quando as doses aplicadas na base e na IRC
somaram 80 kg ha-1 ou menos, e em 2 dos 3 anos quando as doses foram mais elevadas. O trigo respondeu à
aplicação tardia de N na fase de PM qua ndo os valores SPAD estiveram abaixo de 44.
Fonte: Adaptada de Bijay-Singh, et ai. Agronomy Journal, v. 94, p. 821-829, 2002.

Aplicação de fertlllzante nitrogenado, kg ha·1 N Rendimento de grãos de trigo, t ha·1

Basal IRC PM Total 1996-1997 1997- 1998 1998-1999

o o o o - 1,7 a * 1,8 a
o o 30 30 - 3 ,1 b 2, 7 b
30 30 o 60 3 ,3a 3 ,7 c 2 ,9 c
30 30 30 90 4,1 b 4,5 d 3 .7 d
40 40 o 80 3 ,9 b 4,2 d 3 ,6 d
40 40 30 110 4,5 c 5,0 e 4 ,2 e
50 50 o 100 4,1 b 5 ,1 e 4.4 f
50 50 30 130 4,5 c 5,2 e 4 ,7 g

60 60 o 120 4,6c 5,1e 4 ,8 g

60 60 30 150 4 ,8 c 5,1e 5 ,1 h

* Na coluna , médias seguidas pela mesma letra não diferem significativa mente entre si a 0,05 de probabilidade pelo teste de Duncan.

Módulo 5.1-2 A apllcação de N em sincronia com a demanda da cultura diminui o nitrato no solo . A maior
demanda de N pela cultura do trigo ocorre próximo ao in ício do alongamento do colmo (fase de desenvolvimento
31 da escala Zadoks). Sincronizar a aplicação de N às necessidades da cultura pode ajudar a melhorar a eficiência
de utilização e resultar em maiores lucros para o agricultor e menos efeitos adversos ao meio am biente.
Produtores de trigo no noroeste do México aplicam rotineiramente 75% da dose recomendada de N (250 kg ha 1)
três semanas antes da semeadura , e o restante da dose cinco semanas após o plantio. Riley et ai. (2001) campa-
raram a prática dos agricultores a uma prática alternativa que consistia na aplicação de 33% do N no plan tio, e o
restante cinco semanas após o plantio. Eles verificaram que a prática alternativa melhorou a absorção de nutrientes
e diminuiu a perda por lixiviação em cerca de 60% em relação à prática dos agricul tores (ver fi gura), além de
apresentar comparável retorno econômico ao agricultor."

h
Fonte: Riley, W. J.; Ortiz-Monasterio, I.; Matson, P. A. Nutrient Cycling in Agroecosystems, v. 61, n. 3, p. 223-236, 2001.

- - ---
200 FP9596 ~
•·• · · •. ,,,m
15-30cm
(: 1 Concentrações de N mineral na solução
do solo mensu radas durante o cultivo
i
z
-b>
150
o 30 - 60cm -------·
1 convencional de trigo (FP9596) e com
a utilização de prática al ternativa

-~l >~~=vr~---~--=·
100
O)
(ALT9 596).
2, 50 1 F. 1e P se referem às datas de adubação.

o" o 1
Irrigação e plantio, respectivamente. O
z FI p FI 1 1 1 1 N mineral, nas formas NO, · + NO, , foi
Ol avaliado com o uso de lisimetro~. que
-o
o
,ro
30 ALT9596 -
.
o - O - 15 cm
- - .. 15 - 30 cm
~
(b) 1 extr aem a solução do solo a 70 crn de
p,o ;u ndidade.

Á1--
o,
~ 20 o 30 • 60 cm 1
eOl
10 1
u t:_ - u~- 111:- - -- ]!'.
e
o
ü o i- . ..à> • • c;;,.-ê!r-
: .i,- --·-:..1 I
1
1 FP FI 1 1 1 1
j
1 - - - - - -
-

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · ÉPOCA CERTA


Módulo 5.1-3 Padrões de absorção de N, P e K em videiras, locallzadas em Shaanxl, China, são Influenciados
pela época de aplicação dos nutrientes. Um estudo foi realizado em Fufeng County, na planície Guanzhong, em
Shaanxi, China, para identificar a absorção de nutrientes por videiras com 7 anos de idade de acordo com a fase
de desenvolvimento da planta. A figura abaixo mostra o aumento no conteúdo de N. P e K durante a estação de
crescimento. Entre 30 de março e 30 de novembro as plantas acumularam, em média, mais de 102 kg ha- 1 de N,
33 kg ha 1 de P2 0 5 e 140 kg ha- 1 de K2 0 pri ncipal men te em três fases distintas: 1) período entre brotação/início
do desenvolvimento foliar e novos brotos/desenvolvimento de frutos, 2) período entre início do desenvolvimento
dos frutos e expansão dos frutos e 3) período após a expansão dos frutos até a maturidade dos frutos. Estes
períodos apresentaram, respectivam ente, 38%, 29% e 29% do N total acumulado, 22%, 29%, e 31% do P acumu-
lado e 26%, 46% e 17% do K acumulado. De acordo co m as características de absorção dos nutrientes durante
~
as fases de desenvolvimento, a adubação nitrogenada deve ser parcelada entre as três fases de demanda do
nutriente acima descritas. Cerca de 50% da recom endação de P deve ser aplicada antes da expansão dos frutos
e 70% da recomen dação de K deve ser aplicada antes do fl orescimento e aparecimento de novos brotos.
Fonte: Tong, Y., et ai. Better Crops with Pl ant Food, v. 94, n. 2, p. 29-31, 2010.

---
180
!'O N
.e 160
Cl P20 ,
:=.
ê
!'O

!'O
e.
!'O
e:
140

120 -- K,O

Q)
100
êQ) crescimento do
·;:; 80 fruto jovem

e: brotação e
Q)
60
-e crescimento inicial
o da folhagem
-e 40
·::J
Q)
ê 20
o
o •
ºT
30-Mar 30-Mai 31-Jul 30-Set 1-Dez

Módulo 5.1-4 o parcelamento da dose aumenta a dlsponlbllldade de Ca para o amendoim. A absorção de


cálcio pelas plantas está intimamente relacionada à transpiração. Plantas de amendoim têm dificuldade em
redistribuir o Ca das raízes, caules e folhas para as vagens em desenvolvimento e, assim, mais de 90% do Ca
exigido pela vagem é obtido diretamente do solo pela própria vagem. Assim, após a floração, são exigidos níveis
adequados e disponíveis de Ca na área do solo onde as vagens de amendoim estão se desenvolvendo. Um
experimento em vasos foi conduzido para determinar o efeito da época de aplicação de fertil izantes com Ca
sobre o rendimento do amendoim e a absorção de Ca. A tabela abaixo mostra que uma única aplicação de Ca
na base aumentou o rendimento de amendoim de 10% para 24%. O parcelamento da aplicação de gesso ou de
nitrato de cálcio aumentou o rendimento de 3% para 7% e aumentou a recuperação de Ca de 11% para 30% em
relação à aplicação na base. Considerando-se os resultados deste trabalho, aplicações de Ca solúvel na época
de pré-floração são necessárias para o alto rendimento de amendoim. Fonte: Lin, B. et ai. Chinese Journal of Soil
Science, v. 28, n. 4, p. 172-174, 1997.

100%na base
-
50% na base + 50% em cobertura no
florescimento
-
IIC

Tratamentos
Produtividade Recuperação de Cp Produtividade Recuperação de Ca
g/vaso % g/vaso %
NPK 26 26 -

NPK + CaS04 29 9 30 10

NPK + Ca(N0J)i 30 10 32 13

te
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - ÉPOCA CERTA
Módulo 5.2-1 Altos níveis na anállse de solo posslbllltam flexibilidade na época de apllcação de P e K. O
laboratório de solos da Universi dade Esta dual do Kansas (KSU) faz recomendações de adubação com base no
critério de suficiência ou no critério de construção-manutenção para o manejo do nutriente. O cliente escolhe qual
destas abordagens melhor se adapta à sua operaçã o. O objetivo do critério de suficiência é aplicar apenas P e/ou
K em quant idade suficiente para maximizar a rentabilidade no ano de aplicação, minimizando as aplicações de
nutrientes e os custos co m fertilizantes. O objetivo dos programas de construção-manutenção da fertil idade é
gere nciar os níveis de P e/ ou K das análises de solo como va riáveis controláveis. Com baixos valores na análise
do solo, as recomenda ções se desti nam à aplicação de P e/ou K suficientes para satisfazer as necessidades
nut ricionais imediatas da cu ltura e construir níveis de valores não-limitantes na análise do solo, acima do nível
crítico. A KSU gerou algumas informações e figu ras clássicas sobre relações entre nível de análise de solo, produ-
tividade da cu ltura e recomend ações de fertilizantes. A relaçã o ilustrada no gráfico abaixo mostra que à medida
que aumenta o nível do nutriente na análise de solo, aumenta a flexibilidade da época de aplicação e reduz o
risco de lim ita ção da produ ção devido à adubação.
Fonte: Leikam, D.F. et ai. Better Crops wit h Plant Food , v. 87, n. 3, p. 6-10, 2003. Para mais informações, consulte
a Seção 8.5.

Alto
- - - --
risco

Risco do úlllmo
Incremento
de fertlllzante
...
- -- --
__,. .
..- . .------------
__
.................
Risco do fertJliza nte
........ li mitar a produção
Alio
risco

\ ___ . . ..•· .-
não ser ronlávol da cultura

' ......✓
'\.
\
Programas de construção/
Programas de
suliciónci a do
manu tenC,,o da fertilidade \
rertllldade da
cultura Programa
de 8 anos
Programa
de 6 anos
Programa
de 4 anos
\
Baixo ' Baixo
risco nsco

Módulo 5.3-1 Apllcação de N na primavera aumenta o aproveitamento de N e a lucratividade do milho no


sul de Minnesota. Um estudo de longo prazo conduzido na região do cinturão do milho em Waseca, MN , nos
EUA, comparou a aplicação de amônia com e sem inibidor de nitrificação (N-Serve, ou nitrapirina), no outono, à
aplicação de amônia sem inibidor de nitrificação no pré-plantio, na primavera. A tabela abaixo mostra resultados
dos 15 anos de estudo. Em suma, os dados mostraram que as aplicações de N (na forma de amônia) no final
do outono, com inibidor de nitrificação, e no pré-plantio na primavera foram as melhores práticas de manejo. No
entanto, deve ser notado que, quando a primavera foi chuvosa , a aplicação na primavera resultou em rendimento
e lucratividade significativamente maiores do que a aplicação no outono+N -Serve. Em geral, a época de aplicação
menos arriscada foi no pré-pla ntio na primavera , seguida da aplicação no outono+N-Serve, sendo que a aplicação
no outono (sem inibidor) é considerada a mais arriscada e menos eficiente. Assim , a aplicação de N em milho
deve ser evitada em áreas com invernos quentes e secos; onde é adequada , esta deve ser prorrogada até que a
temperatura do solo esteja abaixo de 10ºC e seja esperado contínuo resfriamento, de modo que haja lenta nitrifi-
cação no outono e sejam evitadas a lixivlação e/ ou a desnitrificação. O uso do inibidor de nitrificação pode ajudar
a atrasar a nitrificação, mas mesmo com o uso do inibidor e em local apropriado, a aplicação de outono deve ser
prorrogada até que a temperatura do solo se resfrie . Source: Randall, G. ln : Proc. 20th Annual integrated Crop
Manag. Conf., Dec. 10-11, Iowa State Univ., Ames, 2008. p. 225-235.

Parametro Êpo·ca de apllcação de N


(,média de i!S anQ&, '1987 a 2001) Outono Outono·t N-Serve Primavera
Produtividad e (t ha- 1
) 9,03 9,60 9.78
Retorno econômico sobre o N no outono ($/ t1 a/ano) 1 - $ 69 $ 119

Flu xo de N-N0 3 (rng L 1) na água de drenagem 14,1 12,2 12

Recupera çã o de N no grão (%)2 38 46 47

1 Tomando-se como base: N @ $ 1,54/ l<g N; N-Servo - $ 19,7 8/ lia: milho - $ 157.5/ t.
, Conteúdo de nitrogénio no grão de milho como porcentagem da quantltlad e de fertiliza nte nitrogenado aplicado.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - ÉPOCA CERTA


1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Capítulo @
1 PRINCÍPIOS CIENTÍFICOS DE APOIO
1 LOCAL CERTO
t O local certo significa o posicionamento estratégico cios ♦ Atender os objetivos do sistema de plantio direto. As
nutrientes necessários de modo que a planta tenha acesso técnicas de aplicação subsuperficial, que mantém a camada
1 a eles. A aplicação adequada permite que a planta se de palha sobre o solo, podem ajudar a preservar os nutrientes
desenvolva corretamente e expresse seu potencial de e a água.
1 produção, considerando as condições ambientais nas quais ♦ Manejar a variabilidade espacial. Avaliar as diferenças
ela cresce. O local certo, na prática, está em constante de solo dentro e entre os campos quanto à produtividade

'r evolução. Genética de plantas, tecnologias de aplicação,


práticas de cullivo, espaçamento entre plantas, rotação e
consorciação de culturas, variabilidade climática e uma
série de outros fatores podem afetar o local apropriado para
das culturas, capacidade de suprimento de nutriemes do
solo e vulnerabilidade a perdas de nutrientes.

6.1 Crescimento Radicular da Planta

't aplicação ele nutrientes. Consequentemente, há muito aincla


a se aprender a respeito do local certo e de como ele pocle
ser previsto quando as decisões de manejo necessitam ser
feitas.
A a1·quitetura radicular representa a configuração
espacial tridimensional do sistema radicular e se refere ao
arranjo geométrico das raízes das plantas no solo. A arqui-
tetura radicular difere fortemente entre as espécies vegetais
l Os princípios clentíílcos fundamentais que definem o e interage intensamente com as condições do solo.
local certo para a apllcação especiílca d e nutrientes são os
J Para d emonstrar os contrastes na arquitetura radicular. a
seguintes: Figura 6.1 fornece diagramas de sp~·ões tramversais veni-
♦ Considerar a fonte, a dose e a época de aplicação. cais d e milho e ele beterraba. O prinwiro diagrama é de um
sistema radicular de milho com :rn dias. O sistema radicular
♦ Considerar o local de crescimento das raízes. Os
f;isclculaclo tem oricntaçüo horizontal distinta e é encontrado
nutrientes precisam ser colocados próximo às raízes em cres·
e111 profundidades mais rasas do ~olo. O \l'gunclo diagrama
cimento, onde possam ser absmvldos qua11do 11ecesséÍrio.
é el e beterraba com 2 llll'Ses, l'l11 co11cil,·ôl' S de irrlgaç,io.
♦ Considerar as reações químicas do solo. A concen· O sl~tC'IIHl radicular pivota11tt' (• orie11tado vertical111e11te ,
tração dos nutrle11tes que sfio retidos no solo, como P, e111 e~tc11clenclo·sl~ mais profunda111t•11tc> 110 solo. Diferente~
faixas ou em pequenos volunws de solo pode melhornr a e~pl' dl's ele pla111as, portanto, po~~ue111 dil'en.'lllc~ padrões de
disponibilidade . crcsci111e1110 ele raiz. afeta11do suas lrnbiliclade~ individuab de

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - LOCAL CERTO


Milho: Beterraba:
36 dias
} Zona de baixa
concentração
deP

} Zona de alta
concentração
de P

l-30an-i

Figura 6.1 Representação bidimencional da arquitetura Zona de baixa


radicular do milho e da beterraba. concentração
Fonte: Weaver (1926). de P

acesso aos nutrientes nos diversos locais do solo. Além disso,


dentro de uma espécie, nem todo sistema radicular permane·
ce ativo durante toda a fase de crescimento, podendo afetar o
acesso ao suprimento de nutrientes em qualquer local.
Plasticidade da raiz. A arquitetura radicular da plan ta Figura 6.2 Proliferação de raízes de cevada em região com
muda de acordo com a idade da planta e com a resposta do alta concentração de fósforo.
Fonte: Drew (1975).
sistema radicular ao ambiente local - uma característica
denominada "plasticidade". Muitas condições externas podem
alterar a arquitetura da raiz; exemplos incluem o conteúdo e, assim, essa concentração é denominada C . O valor dessa
de umidade do solo (Sharp et ai., 1988), temperatura do baixa concentração de nutrientes no solo va:i;• ele acordo
solo (Walker, 1969), concentração de nutrientes (Zhang e com a espécie vegetal e com o nutriente considerado.
Barber, 1992) e densidade do solo (Kasper et ai., 1991).
As plantas também têm mecanismos de retroalimentação
Quando as raízes da planta encontram áreas concentradas que lhes permitem ajustar as taxas de absorção de nutrientes
de N ou P ocorre a proliferação de raízes. A Figura 6.2 (cinética) às condições do solo. As plantas se adaptam às baixas
mostra como a distribuição de raízes de cevada pode ser concentrações de nutrientes pela alteração dos sistemas de
alterada por uma zona concentrada de P. A maior proporção
de raízes na zona com alta concentração de P provém de
transporte encontrados nas membranas celulares da raiz,
reduzindo, assim, a C..,,,.· Por exemplo, plantas de milho .'
uma maior ramificação radicular. Este exemplo mostra que cu ltivadas em solução concentrada de P 10 vezes mais baixa
a localização dos nutrientes afeta não somente a posição das que a normal continuaram a absorver o P em um nivel de
fontes de nuu·ientes mas também a proporção cio sistema C..,,,. 4 vezes menor do que a das plantas normais.
radicular que estará em contato com essas fontes .
Baixas concentrações de nutrientes no solo causam também
Absorção de nutrientes pelas raízes. A absorção ele incremento na taxa máxima de influxo de nutrientes. Esse
nutrientes é uma das principais funções das raízes das plantas. incremento permite que cada raiz encontre suprimento no
Os nutrientes da solução do solo entram nas células da raiz solo de modo a colaborar com maior proporção de nutrientes
através dos poros da parede celular. para o conteúdo lotai na planta. Alterações na C e no
111111

A raiz apresenta uma taxa máxima de absorção de nutrientes influxo permitem que uma planta nutricionalmente estressada
(Barber, 1995). Isto signillca que à medida que a concentração compense, parcialmente, a bnixa oferta de nutrientes no
de nutrientes na solução cio solo aumenta (adição de nutrien· solo , embora a absorção total seja menor , comparada n umn ,...
tes) , a taxa de absorção de nutrientes pelas raízes também planta nüo estressada.
aumc111a, mas eventualmente se aproxima de um máximo. As taxas ele absorção de uutrientes podem mudar co m a idade 117:
ls~o signiflca que uma única raiz não pode suprir todas as ela planta. Por exemplo, as tnxas ele absorção ele P são muitas
necessidades de nutriente~ da planta ao longo do seu desenvol- vezes maiores quando as plantas ele milho e ele soja são mais
vimento. Em vez disso, é necessário um sistema de raízes bem Jovens cio que quando são lllals velh~. Quando as taxas c!L•
de~envolvido, em que cada raiz ati va contribui para il aqulslçüo
dn quantidade total de mllrientes requerida pelas plantas.
absorção cll111inue111 com o tempo, ro mo foi observado em E
milho e soja, scni necessário aumentar a ,irea de supcrfícic
A~ raíZl'S também perdem nutri ente~ - um processo denoml · c!P rnlz 110 final da csta~·ão ele nesci111e11to, juntamL•111c com
nado .. efluxo ". Ambm, Influxo e efluxo, ocorrem nas raízes u111 n11111c11to C01Tl'Spo11dcnte 110 aces.~n ao volun1l' ele solo
cm fun ção da vnriação nas concentrações de nutrientes no fertilizado , ílpC'níls pilía 111<111ter a absor~·ão de nutriL·ntes. No
solo . No e ntanto, conforme o Mtprlmento de nutrientes de· entanto, à llleclida que a partl' ,u;rea da planta se clcsenvolvc,
cre~ce, influxo e efluxo podem quase se Igualar. Nessl• ponto, , llllllCllla ai11cla lllill~ il cxig(•ucia Clll lllllrientl'S, exigindo O
não ex iste! qualquer absorção líquida dt> nutrit•ntes pela raiz, de~L•11volvl11rento de um ~istL'IIJa radicular mais cxtl·n~u.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - LOCAL CERTO


;:»
f; 6.2 Práticas para a localização de nutrientes
Existem duas fonnas principais para aplicação de nutrientes
OFaixas múltiplas em qualquer combinação podem ser
aplicadas.

l::a no solo: 1) aplicação em área torai (a lanço) e 2) aplicação em


faixas. A aplicação a lanço é um processo quase uniforme
g) As faixas podem estar localizadas a várias dislãnclas das
linhas de plantio.

~ (Figura 6.3). O obJellvo dessa aplicação é obter uma distri- h) A profundidade de aplicação também pode variar muito,
porém, a necessidade de potência do equipamento aplica·
buição razoavelmente equilibrada das partículas Individuais
r3 de nutrientes, quer sejam grãnulos de fertilizante sólido ou
gotículas de fertilizante líquido. A aplicação de nutrientes
dor geralmente limita a profundidade das faixas a 20 cm ou
menos, embora aplicações mais profundas sejam possíveis.
~ em faixas é feira em áreas localizadas, com larguras e volu- O tratamento de sementes com micronutrientes, como Mo
mes limilados de solo. Tais aplicações podem ser feiras tanto para a soja ou Zn para o milho, também pode ser consi-
3 na superficie como abaixo dela, em profundidade.
derado como um método de localização de nutrientes.
No entanto, as concentrações máximas e seguras de tais
3 Faixa larga Faixo larga Faixa estrella
sobm a linha enlre as linhas perto da linha
tratamentos podem variar entre espécies e mesmo entre
híbridos de milho em diferentes grupos de maturação. Muitas
:a r

-
- - -

-
~

culturas são sensíveis aos revestimentos de sementes com


micronutrientes.
:il
:a
~ Aplicação a lanço, Faixas superficiais com diferentes Perguntas '(I',
=-
:a
uniforme larguras e distâncias da semente
1. Um dos cinco princípios fundamentais que definem
o lugar certo para um detenninado conjunto de
condições é

:a a. enterrar os nutrientes profundamente no solo.


b. considerar onde as raízes das plantas estão
crescendo.
faixa profunda c. misturar os nutrientes em todo o volume de
Faixa junto com a Faixas em várias distâncias entre ou solo.
semente ou próximo dela abaixo das linhas de cultivo d. incorporar os nutrientes por meio do preparo

:a Figura 6.3 Diagramas conceituais sobre diferentes opções


básico do solo.
2. As raízes das plantas proliferam nas zonas do solo
para a localização dos nutrientes.
onde os fertilizantes aplicados incluem
a . Zn e Mn.
Como apresentado na Figura 6.3 , existe uma variedade de b. Ca e Mg.
opções disponíveis para a localização dos nutrientes no solo. c. KeMg.
d . N e P.
a) Combinações de aplicações a lanço e em faixas são comuns.
b) As faixas podem ser de diferentes larguras, bem como po- 3. Quando as plantas se ajustam às baLxas concentra·
dem estar em várias posições em relação à linha de plantio. ções de nutrientes pela alteração dos sistemas de
transporte encontrados nas membranas celulares da
c) O solo pode ser misturado em várias extensões por
raiz, elas podem
cultivo, organismos, como minhocas, ou processos fisicos
a. crescer mais rapidamente do que em altas
decorrentes de variações temporais na umidade e/ou na
concentrações de nutrientes.
temperatura do solo.
b. absorver mais nutrientes do que em altas
d) As aplicações subsuperficlals são mais frequentes em faixas,
concentrações de nutrientes.
embora as injeções em pontos regulannente espaçados, por c. compensar parcialmente a baLxa oferta de
vezes denominados de "covas .. , também sejam uma opção.
nutrientes do solo. 1
e) As configurações para as faixas de subsuperfícle variam d . aumentar a C 111. , de nutrientes. 1

bastante. Faixas colocadas próximas à semente no mo-


mento do plantio são geralmenle denominadas ele faixas
4. O método de aplicação que distribui mais unifor-
memente os nutrie ntes no volume de solo é 1
"starter". Em relação à semente, elas podem ser aplicadas 1

a. a lanço.
em contato direto com o sulco de semeadura (frequente-
b. em faixa. 1
mente denominado de "pop·up") , ou ao lado, ou embaixo,
c. revestimento ele sementes. 1
ou ao lado e embaLxo (frequentemente denominada de 1

d. pop-up.
"faixa lateral") . i
1

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · LOCAL CERTO


6.3 Reação do Solo e da Raiz à Localização em O preparo do solo é uma forma de misturar o volume de
Faixa solo fertilizado que está em tomo de cada partícula de fertili·
Os conceitos sobre desenvolvimenlo radicular, absorção zante com maior volume de solo.
de nutrientes, reações químicas do solo e movimento dos Altas taxas de aplicação afetam o volume de solo fertilizado
nutrientes formam a base dos princípios comumente aceitos das seguintes formas:
da aplicação de nutrientes (Barber, 1995). Os seguintes a) Maior quantidade de nutrientes é transportada por íluxo
processos ocorrem quando os nutrientes estão localizados de massa e difusão, aumentando o volume de solo fertili-
em faixas :
zado;
a) Os nutrientes estão concentrados em menor volume de solo; b) A distância entre os grânulos ou as gotículas individuais de
b) Vários nutrientes pemianecerão na solução do solo, o que fertilizante fica mais próxima, e quando as doses se tomam
é particulannente importanle para aqueles que reagem altas são criadas wnas fertilizadas contínuas - importante
com os minerais do solo e com outros íons em solução para promover a proliferação contínua de raízes;
para formar compostos que não estão prontamente dispo-
níveis para as plantas; c) Zonas fertilizadas têm maior longevidade.

c) Altas concentrações de nutrientes na solução do solo Aplicações mais frequentes podem aumentar o volume de
aceleram a taxa de difusão bem como promovem o movi- solo fertilizado, mas isso depende da dose utilizada. Altas
mento de maiores quantidades de nutrientes por íluxo de doses são requeridas para manter as zonas fertilizadas enri-
massa: ambos os processos aumentam a taxa de reabaste- quecidas por longos períodos de tempo.
cimento de nutrientes para as raízes das plantas;
As duas principais opções de localização de nutrientes, no
d) Suprimentos concentrados de N e P provocam a prolifera- caso de aplicações frequentes, são: I) aplicar os nutrientes no
ção de raízes, havendo maior absorção de nutrientes pelas mesmo local ao longo do tempo ou 2) aplicá-los em diferentes
plantas na proximidade das faixas; locais (Figura 6.4) . No caso de nutrientes pouco móveis no
e) A taxa de absorção pelas raíz.es individuais pode aumentar solo, como P e K. a aplicação na mesma região ao longo
quando as plantas estão em situação de deficiência de do tempo pode aumentar a concentração de nutrientes em
nutrientes, mas elas atingem um máximo, o que requer maior volume de solo à medida que os nutrientes se difundem;
a presença de mais raízes próximas do suprimento de
nutrientes à medida que a cultura se desenvolve.

Considerações sobre todos esses processos tem levado aos Nutrientes aplicados a lanço ao longo do tempo (manejo conservacionista)
seguintes conceitos sobre localização de nutrientes em faixa:
A) A aplicação em faixa provavelmente é o método mais
eficiente quando os níveis de fertilidade do solo são baixos,
as taxas de aplicação são baixas e o nutriente aplicado é do
tipo que se move principalmente por difusão (por exemplo, Nutrientes aplicados em faixa, no mesmo local, ao longo do tempo
P ou K) ;
B) Para solos com baixa fertilidade, a aplicação de baixas
doses de nutrientes em faixa pode não atender às necessi· o
dades nutricionais totais da cultura;
Nutrientes aplicados em faixa, em diferentes locais, ao longo do tempo
C) Para solos com baixa fertílídade é necessário um volume
maior de solo fertílízado, do que o obtido com uma
única aplicação em faixa, para se atingir a produtividade
máxima.
Quando o fertilizante é aplicado ao solo, cada grãnulo Aumento do tempo
individual (sólidos) ou gotícula (líquidos e suspensões) reage
de modo a formar pequenos volumes de solo fertilizado nas
Figura 6.4 Mudanças nas áreas fertilizadas do solo aumentam
suas imediações. A extensão da camada fertílízada a partir
da partícula fertilizante varia de acordo com o nutriente, as
com o tempo decorrentes de repetidas aplicações
de nutrientes pouco móveis, como P e K. Áreas .....
condições ambientais e as propriedades químicas e físicas mais escuras indicam concentrações mais
do solo. A quantidade de solo enriquecido por um grânulo elevadas. Essa tendência se aplica a sistemas
ou gotícula individual é pequena, mas o volume total de conservaclonlstas de preparo do solo nos quais
solo fertílízado pode ser aumentado das seguinles formas:
1) utilizando o preparo do solo, 2) aumenlando a dose de
a mistura de solo fica restrita. Outras mudanças
substanciais possíveis (não apresentadas)


Incluem acumulação de nutrientes próximo da
nutriente, 3) aumentando a frequência de aplicação do superfície do solo, resultante da deposição de
nutriente e 4) aplicando o nutriente em diferentes posições resíduos de culturas, e redistribuição de nutrientes
pelos organismos do solo, como minhocas.
no solo. li


NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - LOCAL CERTO


entretanto. o volume de solo não fertilizado pode ficar esgo- a) Sensibilidade da semente;
tado. Outra forma de aumentar o volume de solo fertilizado b) Índice de salinidade do fertilizante;
é a adubação de diferentes áreas do solo. Existem várias
c) Largura da abertura do sulco de semeadura;
opções. Por exemplo, aplicações a lanço e em faixas podem
ser combinadas elou as faixas podem ser aplicadas em d) Textura do solo;
diferentes locais ao longo do tempo. Quando as faixas são e) Umidade do solo no plantio;
aplicadas em diferentes locais do solo forma-se uma rede de
faixas de várias épocas no solo.
O Quantidade tolerável de perda de estande.

Exigências da cultura no início do desenvolvimento.


No início da fase de desenvolvimento, o sistema radicular
ainda jovem é limitado em extensão, explorando apenas
um pequeno volume de solo. Além disso, as taxas de
:1 influxo nesse momento podem ser mais elevadas do que
em qualquer outro momento do período, conduzindo a um
Perguntas (!)
~ esgotamento mais rápido dos nutrientes no solo ao redor
das raízes das plantas. O rápido esgotamento dos nutrientes
1 no solo requer um transporte mais rápido de nutrientes para 5. Para um solo deficiente em P, se apenas uma baixa
o reabastecimento das raízes, seja por fluxo de massa ou dose de P for aplicada en núlho ou trigo, esta
1 por difusão. No entanto, as condições ambientais no início deverá ser
a. aplicação foliar.
do desenvolvimento da planta, particularmente sob baixas
1 temperaturas, podem limitar o crescimento da parte aérea b. em faixa, próxima da semente, no plantio.
c. a lanço e sem incorporação.
bem como as taxas de transporte de nutrientes.
1 Uma das estratégias para enfrentar possíveis deficiências
d. a lanço e incorporada com o preparo do
solo.
nutricionais no início do desenvolvimento da planta é
1 a aplicação de nutrientes em faixa, junto à semente, ou 6. Para solos de baixa fertilidade, baixas doses de
próximo dela, no plantio. Tais faixas: 1) concentram nutrientes aplicadas em faixas
1 o suprimento de nutrientes, 2) aumentam as taxas a. aumentam o volume de solo fertilizado à
• de transporte de nutrientes para as raízes, 3) estão
estrategicamente posicionadas em relação ao sistema
medida que os nutrientes se difundem .
b. atendem as necessidades nutricionais totais
radicular jovem e limitado e 4) aumentam a quantidade de da cultura.
raízes, caso N ou P forem utilizados. c. fertilizam um grande volume de solo para
A localização adequada do volume de solo fertilizado atingir a máxima produtividade.
depende, em grande parte, da arquitetura da raiz da planta d. resultam em elevada eficiência de uso do
jovem. Por exemplo, o posicionamento mais efetivo do nutriente do fertilizante aplicado.
P para milho e beterraba está em conformidade com a
distribuição radicular apresentada na Figura 6.1 . Para 7. Na localização do fertilizante, a posição que pernúte
o milho, estudos têm demonstrado que a aplicação de o acesso da raiz no inicio do desenvolvimento e
nutrientes ao lado e abaixo da semente é uma boa posição fornece uma boa nutrição de P para o milho é
para o acesso do sistema radicular e para a nutrição a. 5 cm ao lado e 5 cm abaixo da semente.
da planta no início da estação, produzindo respostas b. em contato direto com a semente.
equivalentes ou maiores, comparada a outros métodos de c. abaixo da semente.
posicionamento. A posição abaixo e ao lado da semente está d. a lanço e completamente incorporado.
em conformidade com a arquitetura predominantemente
horizontal da planta jovem de milho. Para a beterraba, o - - ·- __I

posicionamento do P em contato direto com a semente tem


mostrado ser allamente eficiente (Sims, 2010). Tal colocação
garante o acesso da raiz pivotante, orientada verticalmente, e
de suas raízes laterais.
A aplicação de nutrientes próxima da semente deve ser
feita com cuidado, considerando-se tanto a dose quanto
a forma cio nutriente, principalmente se for feita no sulco
de semeadura. Danos à semente ou às mudas podem
resultar tanto da toxicidade da amônia como das lesões
por salinidade. N<>.sses casos, os fatores importantes a serem
considerados para obtenção da dose máxima e segum são
(Gelderman, 2011):

NUTRIÇÃO DE PI.ANTAS 4C - LOCAL CERTO


- - ------ -. -- - . -

Pousio ou alagamento. Tanto o período de pousio corno 6.4 Adubação foliar


os extensos períodos de alagamento, de urna semana ou
mais, diminuem a população de fungos micorrlzlcos no A adubação foliar é a aplicação de nutrientes nas folhas das
solo. Quando a simbiose planta-fungo é prejudicada, pode plantas. Embora as principais funções das folhas sejam a
não ser possível suprir a falta do P disponibilizado pelos fun- fotossíntese e a respiração, elas absorvem nutrientes, alnda
gos micorrízicos somente com o aumento das doses de P. que em quantidades muito menores do que as absorvidas
A quantidade de P em falta pode ser muito grande. Corno pelas raízes, que são os principais órgãos de absorção. As
o efeito é limitado a uma safra, a aplicação de urna dose folhas podem absorver nutrientes se eles estiverem presentes
menor de P, em faixa, é uma prática que pode compensar como 1) gases ou 2) íons em solução.
ao menos parcialmente as quantidades reduzidas de P que Os nutrientes no estado gasoso entram nas folhas por
chegam à planta. Intermédio dos estômatos. Estõmatos são poros onde ocorre
grande parte das trocas gasosas entre a planta e a atmosfera.
Perdas de nutriente. Manter os nutrientes abaixo da
A maior parte dos estômatos está local1zada na face inferior
superfície do solo pode reduzir as perdas de nutrientes que das folhas. As células circundantes desses poros, chamadas
potencialmente prejuclicam o ambiente de várias maneiras.
de células-guarda, se expandem e se cpntraem para regular
A aplicação em subsuperfície pode:
o tamanho da abertura dos poros e, portanto, a taxa de
a) Reduzir as perdas por escoamento superficial, devido a troca gasosa. Hidrogênio, N, O e S podem entrar na planta
menor concentração em superfície dos nutrientes solúveis pelos estõmatos por meio do gás arnõnia (NHJ, dióxido de
em água; nitrogênio (NO 2) e dióxido de enxofre (SO,). Por exemplo,
b) Reduzir as perdas, quando combinada com o controle da urna aplicação recente de esterco pode res.ultar em significa-
erosão, uma vez que os nutrientes são colocados abaixo tiva absorção de N na forma de NH 3• Pelo fato dos estõma-
da superfície do solo; tos serem locais de troca gasosa, os nutrientes também podem
ser perdidos por meio deles na forma de NH 3, SO 2 e outras
c) Reduzir, a curto prazo, as formas gasosas de N, como formas voláteis de S.
N2O , dependendo da quantidade e distribuição de chuva.
Os nutrientes em solução entram nas folhas por pequenos
Interações dentro das faixas. Quando os nutrientes poros localizados na cutícula da epiderme foliar. A cutícula
estão confinados em um mesmo volume de solo podem é coberta por uma camada de cera que repele a água e, ao
sofrer várias interações, as quais não ocorrem quando eles mesmo tempo, protege a folha da perda excessiva de água.
são aplicados em diferentes locais. Tais interações decorrem A epiderme cerosa e o tamanho muito pequeno dos poros
não somente da proximidade, mas também da maior con- na cutícula limitam bastante a quantidade de nutrientes
centração dos elementos. As reações iniciais dos fertilizantes solúveis que podem ser absorvidos pelas folhas .
nos volumes concentrados de nutrientes podem ser pouco Na adubação foliar, os nutrientes são dissolvidos na água.
influenciadas pelo solo ao redor. Grande parte dos trabalhos Os fatores que podem limitar a eficiência e a eficácia da
de pesquisa sobre essas interações vem de estudos em faixas adubação foliar são (Marschner, 2002):
subsuperficiais. As seguintes interações foram demonstradas:
a) Espessas camadas de cutículas nas folhas das plantas, tais
a) A aplicação de N-NH/ e de P na mesma faixa pode aumen- como em café e citros;
tar a absorção de P pelas plantas, quando comparada à
b) Escoamento dos fertilizantes líquidos nas folhas;
aplicação desses nutrientes em faixas separadas;
c) Lavagem do fertilizante líquido pela chuva;
b) A aplicação de ureia com MAP ou ST na mesma faixa
reduziu a volatilização de NH 3 devido ao efeito inicial d) Secagem do fertilizante líquido sobre a folha;
do MAP ou ST no abaixamento do pH do solo; porém, e) Translocação limitada de alguns nutrientes das folhas.
é preciso notar que essa redução não é grande o sufi· sendo fertilizadas outras partes da planta;
ciente para permitir o uso de ureia em faixas localizadas
próximo às linhas das sementes em solos com pH neutro
O Danos foliares, resultado de desequilíbrio nutricional loca-
lizado na folha, causado pela aplicação de fertil izantes.
a alcalino;
c) A aplicação de KCI e de fosfato rnonocálcico na mesma As aplicações foliares criam pequenas fontes localizadas de
faixa reduziu a difusão de P das faixas de fertilizante em nutrientes com eficác ia de curta duração, geralmente da
solos menos internperizados e ricos em Ca; ordem de alguns dias a algumas semanas. Por essa razão
as aplicações devem ser bem sincronizadas com a dema~da
d) A aplicação de KCI e de fosfato rnonocálcico na mesma
das plantas. Dependendo da situação, mais de uma aplica·
faixa , em solos intemperizados, ácidos, pode aumentar as
ção, ou uma série de aplicações, podem ser necessárias.
taxas de difusão de P.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - LOCAL CERTO


~
A adubação foliar pode ser uma prática eíetiva quando e) Usar o software SIG para integrar todos os dados em um
a disponibilidade de nutrientes no solo é limitada ou a mapa de doses de recomendação de nutrientes;
capacidade da planta em adquirir ou translocar os nutrien- D usar um computador acoplado ao equipamento de aplica-
tes torna-se limitada. A adubação foliar pode ser usada ção para transferir as informações dos mapas de recomen-
b
1
como método de remediação nas situações em que não
foi possível manejar adequadamente os nutrientes do solo,
dação para os controladores, que alteram a quantidade de
cada nutriente aplicado à medida que o aplicador é con-

~
obter variedades ou híbridos mais adequados aos solos com duzido no campo. O equipamento de aplicação também
deficiências ou condições especíílcas ou realizar operações é capaz de registrar a quantidade e o local em que cada

=a de campo em tempo hábil.


nutriente foi efetivamente aplicado, permitindo que sejam
feitas comparações entre o que foi recomendado e o que
::a 6.5 Manejo da Variabilidade Espacial
Além da aplicação no solo ou na planta, o "local certo"
o equipamento realmente aplicou .

~ também considera, em escala mais ampla, onde aplicar As etapas da ATV para recomendações de N baseadas em
medições das plantas, são as seguintes (Raun et al., 2002) :
os nutrientes em uma área. Essa área pode ser uma bacia
:m. hidrográfica, uma fazenda, um campo ou áreas dentro de
um campo. O manejo locai específico constitui um critério
a) Em uma faixa no campo, aplicar uma dose de N que seja
alta o suficiente para não limitar a produtividade:
no qual uma área maior é dividida em outras menores e
b) Coletar os dados de reflectãncia espectral em um estádio
cada uma delas é manejada separadamente, de forma mais
específico de crescimento da cultura, tanto de uma faixa
adequada. O manejo específico, portanto, depende das
onde o N não é limitante quanto de uma faixa adjacente.
medidas que são tomadas em maior densidade espacial,
onde uma dose de N normalmente é aplicada. Converter
comparado ao manejo convencional. Maior resolução espa-
os dados de reflectãncia espectral de ambas as faixas para
cial cria delimitações mais precisas das áreas problemáticas,
um IVDN médio e, então, calcular o índice de resposta
bem como das áreas altamente produtivas, permitindo que
(IR) ;
o manejo seja mais direcionado.
c) Usar algoritmos de recomendação para conve rter o IR em
As aplicações em taxa variável (ATV) são uma parte do um mapa de recomendação de doses de N;
conjunto de práticas de manejo que compõem o manejo
d) Usar um computador acoplado no equipamento de aplica-
específico de nutrientes. As aplicações em taxa variável têm
ção para transferir as informações do mapa de recomen-
:a como objetivo aplicar a dose certa de nutrientes no lugar
certo.
dação para os controladores, que variam a quantidade
de cada nutriente aplicado à medida que o aplicador é
::m As etapas da A TV para recomendação de nutrientes baseada
conduzido através do campo.
na análise de solo, são as seguintes:
O manejo de nutrientes em local específico também pode
a) Coletar amostras de solo espacialmente e registrar a ser utilizado em escalas maiores para colocar os nurrientes
localização geográfica {latitude e longitude) de cada ponto no local certo em uma bacia hidrográfica, visando reduzir
de amostragem utilizando um sistema de posicionamento as perdas de nutrientes. Por exemplo, o índice de fósforo
global (GPS), dispositivo que registra esses dados a partir (IP) pode ser usado para delimitar as áreas com fontes
da rede de satélites; críticas {AFCs) do nutriente de ntro de uma bacia hidrugrá-
b) Enviar as amostras de solo ao laboratório para análise de fica (Gburek et al., 2000) . As AFCs são mais vu lneráveis às
um conjunto completo de nutrientes e de outras proprie- perdas de P e representam parte importante da hidrologia da
dades químicas e físicas que podem ser importantes para bacia. Com a melhoria do manejo destas áreas, por meio da
a geração da recomendação nutricional; omissão ou redução das aplicações ele P ou da aplicaç:io mais
profunda de P no solo, pode-se redu zir as perdas de P dl' toda
c) Criar um mapa que matematicamente estima (interpola)
a bacia hidrográfica. Para mais informações sobre o 111dicc de
os níveis da análise de solo entre os pontos de amostragem
P, ver Seção 9.8.2.
reais. Tal mapa é criado por um sistema especializado de
informações geográficas (SIG), software que tem a capaci-
dade de realizar análises geoestatísticas;
d) Coletar outros dados requeridos por um sistema de
recomendação nutricional especifico. Esses dados podem
incluir mapas de textura do solo, condutividade elétrica
do solo, topografia, imagens de satélite do solo desco-
berto , Índice de Vegetação por Diferença Normalizada
(lYDN). taxas anteriores de aplicação de esterco e áreas
de aplicação, colheitas anterio res e/ou produtividade da
colheita;

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · LOCAL CERTO


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a. poros estomatais.
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b. pequenos poros na camada da cutícula.
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Gburek, W. J. et al. J. Environ. Qual., v. 29, p. 130-144, 2000. d. apenas nas células-guarda.
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Isensee, A. R; Walsh, L. M. J. Agric. Food Chem., v. 22, p. 105-109, variável envolve a interpolação dos níveis da
1971. análise de solo medidos em pontos específicos de
lsensee, AR; Walsh, L. M. J. Agric Food Chem., v. 23, p. 509-516, 1972. amostragem dentro do campo. O software usado
Kaspar, T. e. et al. Soil Sei. Soe. Am. J., V. 55, p. 1390-1394, 1971. para realizar essa interpolação é chamado de
a. SIG.
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NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - LOCAL CERTO


Módulo 6.4-1 Minimização da perda de amônia com a colocação do fertlllzante no "local certo", no cultlvo de
cana-de-açúcar e de mllho no Brasll. Com algumas formas de fertil izante, a perda de N por volatiliza ção da amônia
(NH 3 ) pode reduzir a eficiência de uso do N. A quantidade de N volatilizado depende fortemente da fonte, do local
e das condições meteorológicas. Durante décadas, a cana-de-açúcar fo i colh ida no Brasil por meio de queima e
corte. Ultimamente, devido a questões econômicas e ambientais, mais cana foi produzida com cultivo mínimo e
colhida de forma mecanizada, o que, ao longo do tempo, conduziu ao acúmulo de resíduos culturais na superfície
do solo. O cálculo das perdas de NH 3 após a aplicação superficial de N nesses solos revelou que quando a ureia foi
a fonte de N utilizada ocorreram as maiores perdas (Figura 1). As perdas podem ser reduzidas, mas não eliminadas,
com a utilização de inibidores de urease. Outras pesquisas conduzidas em solos cultivados com milho revelaram
grandes reduções nas perdas de NH 3 quando fertilizantes contendo ureia foram incorporados ao solo (Figura 2).
Assim, fertilizantes contendo ureia podem ser usados em cana-de-açúcar desde que sejam incorporados ou coloca-
dos dentro do solo (injeção ou aplicação em faixas é possível no plantio direto). O uso de inibidores de urease também
pode ajudar na redução das perdas.

◄5 3 7 47mm

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Dias após a aplicação de N

Figura 1. Perdas acumuladas de amônia provenientes das fontes ureia (UR), nitrato de
amônlo (NA) e ureia tratada com NBPT (UR·NBPT), aplicadas na superfície de
um solo coberto com resíduo de cana. As setas indicam a quantidade (mm) e
as datas de ocorrência de chuvas após a aplicação de N.
Fonte: Cantarella et ai. (2008).

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Ureia
amônio amônio
Fonte de N

Figura 2. Volatilização de amônia de diferentes fontes de Nem cultivo de milho 110


sistema de plantio convencional. URAN = nitrato de amônio e ureia; Suifuran ;
URAN + sulfato de amônlo, uma solução com 40% de N na forma de ureia, 40%
como amônio e 20% como nitrato.
Fonte: Lara-Cabezas et ai. (1997).
Referências:
Cantarelia, H. et ai. Sclentla Agrlcola , v. 65, n. 4, p. 397-401, 2008.
Lara-Cabezas, W.A.R. et ai. Revisto Brasileira Ciência Solo, v. 21, p. 489-496, 1997.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · LOCAL CERTO


Capítulo(?_
ADAPTANDO AS PRÁTICAS EM TODA A FAZENDA

O
S PRINCÍPIOS UNIVERSAIS 4C anteriormente 7.2 Manejo adaptativo
discutidos são usados para selecionar as práticas
que apresentam maior probabilidade de cumprir As m elhores prá ti cas são dinâmicas e se desenvo l\'em à
os objetivos do manejo d e sistemas de c ultivo em locais medida qu e a ciê ncia e a tecnologia a mpliam a nossa co m-
esp ecífi cos e, d e forma mais ampla, as m e tas eco nômicas, preensão e as oportunidades, e a experiênc ia pratica e nsina
sociais e ambientais do d esenvolvime nto sustentável. Cada o observador o que fun cio na o u não sob condições loca is
uma das melhores práticas res ultames deve ser consistente es pecíficas . Thorup e Stewart escreveram, cm 1988:
com os princípios dos "4Cs". As condi ções locais pode m in- ') l /11'J t/ttLl'o 1rnli.::,t1do w1.Ja.::.<'11clw d,1 11111;·,·n1d11rl,· <' /111r p,·111111-
fluenciar a d ecisão sobre a seleção da prática até, e incluin- srulore.r /iru/1s.1i111111i., ,·111 cru11/w.1 de 11gn'ntllor,, s1io , .\ Ir, IJl<llilc'll/c'
::a do, o dia da imple m e ntação. Mliu,,as. •\'ÍJ ,•11/01110, l'la.r 1//iu làn r, l111 cio r/i1t'lt1, ll<"<'r,:wn,un, Ili<',

:a 7.1 Sistemas de Cultivo


WJ/1 o, rr11n/J1JJ d, · t'od11 11gri(U/lu1. ()., .,u/os 11p,.-,. 11111111 J.!J<111r/,
rori,tl,ilidad,, e/,. 1111u1.f11::,011l,1 /)(}r11 0111111 . . 11 /11ci/1111, .-ull11111i,
l'(l/'/(J/1/ J/11/IIU ri,· 11111 ll_!;rir 11l111r /)(tr/1 fl////il. . 11.: }J/(1/1/(/ j11l11J,·. ,
:a Práti cas d e manejo d e nutrie nt es csli'to s0111pre incorporadas
11Os sistema~ d e c ultivo, no~ qu;:iis outros fatore~ loc.ib e d <'
d i1111íli(//s /1odm1 rnrior ,ig11i/irnlim111, 111,· , 111 di,l,incio, 11111il,1 ,111
la.,. '/,idus n .11' 1.J<'lio1,·J 1!fdo111 11., fw, ,11·,·1., r, •/11111111 ,/111 jllul).111
:a manejo, tais co 111<1 rrcparo cio solo, dre nagem, selcçiio el e
cultiva res, e ntre m11rus, pod e m i111lue ncia r 111ullo a clkúcia
11u1, rl, '.f,•1lilirlc11/c-. '/ Í///o i110 ,ig111/1t ri ,1111 11 U/Ji/111/111 r/,1.f'1.::,,1ula
1/111' .w/11, ·1ll't' IJ/1 r/à c1,/11 d, / .'1.90, 11111,/(I 11/,·111 1·1111,.,- 11111 , 1/1, 11 -
d «.> uma prática cspt•cífi ca. Fatores c.O111O pot e ncial genético
111mlc11 11111 /1u11(u /l(lr co11l,1 /1111/1ri11, 111,111//'/' r,_!,!1.,/1111 /Jl,,1111.1• .1c 1
d e rendimcnlO , pl ;in la~ daninhas, 111s010s, du e 11 ç·é1S, micorrl-
Jlr-·. ,Jl',·I l () /JJ (} \ ;,, ng1 a1111/\ du .!.:Ili (I IJIJ, (I \ z·,1ri,1c,Jl \ d,· jJlt ( f lJ t' ,,
zas, tex tura e estrutura d o solo, pH , dn·n age m , compacta
11t'c'1 ' 1 ,ir/1/d,· rf,, e,J//.1t'I 1'1 11 1i11 clu .1,,/0 e r/11 1~~11,1. ··
ção, salini da d e , te111pcraturn, precipitação e radiaç·iio solar
podem interagir co 111 a nulri(âo d a pla nta e a e lkada d a E11 1bura o ll'rn1O ai nda ni.ill exb1is~1:. L•~~l'S ag1ô1101t1ll~ dL•S·
prá lic a dl' manejo d e 11ut rientes. ni ,111eju adapta1ivo ct,, 11UlíÍl' III P~.
CfC! \'l 'l'dlll U

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS M


O manejo adaptativo foi dcílnido no Capítulo 2 como um concentrações de nutrientes no tecido ou a coloração
processo contínuo de aprimoramento das práticas para da folha podem inílucnciar o manejo de nutrientes;
produção eílcientc e conservação dos recursos pelo uso de
aprendizagem participativa por meio da avaliação sislcm.í- b) fatores do solo muilas vezes envolvem índices de
tica e continua. A Figura 7 .1 é urna versão simpliílcacla fornecimento de nutrientes do solo ou outras proprie-
da Figura 2.3, que se concentra na seleção de práticas dades físicas, químicas ou biológicas que iníluenciam a
desenvolvidas na fazenda utilizando o processo de manejo clclagcm de nutrientes e o crescimento da cultura:
adaptativo de nutrientes. O apoio à decisão, com base cm c) fatores do produtor podem incluir posse da terra,
princípios cicntíílcos, facilita a integração dos múltiplos fa. disponibilidade de capital. custos de oportunidade,
tores cspccíílcos locais com a contribuição dos interessados, experiência/educação do agricultor e consultores locais ,
resultando em recomendação correta da fonte, dose, época ou objetivos filosóficos de cada manejo de nutrientes:
e local. Essa recomendação conduz às decisões de manejo
acerca da seleção de práticas e ações associadas. Com o d) fatores da entrada de nutrientes incorporam informa-
tempo. os impactos sobre a produtividade, a rentabilidade ções sobre fontes disponíveis, como as formas comer-
e o ambiente são conhecidos e a eficiência de utilização dos ciais ou os resíduos contendo nutrientes, custos do
recursos pode ser determinada. Com mais tempo, a durabi- fertilizantes e custos de aplicação;
lidade do sistema. utilizando-se as práticas no local, torna-se
e) fatores da qualidade da água podem incluir restrições à
evidente e a experiência coletiva retorna ao processo de de-
aplicação de nutrientes em zonas ribeirinhas ou próxi-
cisão, permitindo melhores previsões futuras da fonte certa,
mo a outros corpos d'água ou considerações relativas à
dose, época e local e da seleção das práticas associadas. Em
qualidade das águas subterrâneas;
teoria , cada passagem através do ciclo tem o potencial para
resultar em melhores decisões e práticas mais adequadas. O fatores climáticos conduzem alguns tipos de sistemas
O ideal seria que a avaliação do desempenho da prática de suporte com base em modelos, enquanto outros
fosse feita com base em todos os indicadores considerados respondem a informações sobre condições meteorológi-
importantes para os interessados. Um desafio nesse processo cas quase em tempo real para uma época específica de
é não exagerar nas observações sazonais. As circunstâncias crescimento da cultura e previsões de tempo de curto
únicas de uma época específica de cultivo podem resultar prazo:
em impactos práticos que têm baixa probabilidade de se
g) tecnologias relevantes disponíveis no local em questão
repetir. Por isso, é sempre aconselhável passar as observa-
poderão certamente iníluenciar a definição das melho-
ções através do filtro dos princípios científicos antes de fazer
res práticas (por exemplo , refinamento na dose e época
mudanças significativas nas práticas.
de aplicação de N pode ser melhor realizado com a
Muitos fatores locais possíveis podem influenciar o que tecnologia de sensor eletrônico, em alguns casos, e com
constituirá o melhor conjunto de práticas para um determi- tabelas de cores de folhas, em outros) ;
nado local e revelam por que a flexibilidade local é extre-
mamente importante. Por exemplo (Fixen, 2007): h) fatores econômicos, além daqueles ligados diretamente
ao produtor, mas que iníluenciam mercados futuros
a) fatores da cultura geralmente incluem o potencial de e de riscos, podem afetar as decisões relacionadas ao
rendimento e o valor da cultura e, em alguns casos, as nutriente.

Interessados
Fatores locais
entrada

Cultura.:::::::JtJr--..i.---,
Solo
Produtor ---.i
Entradas de nutriente
Apolo à
decisão

Clima
Condições meteorológicas
----.i
Qualidade da égua

Tecnologia
Economia
Retroallmentaçao

Produtividade, lucratividade,
durabllldade, Impacto ambiental
(eficiência de uso do nutriente)

Figura 7.1 Papel do manejo adaptativo no refinamento prático do manejo de nutrientes 4C.

M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS ADAPTADAS


7.3 Além dos Sistemas de Cultivo que facilitam o manejo adaptativo por meio de feedback
interno, garante melhor qualidade da tomada de decisão no
Muitos gerentes de sistemas de produção - enquanto
manejo de nutrientes. Tais sistemas abertos são mais hábeis
cuidam de suas fazendas, estufas ou fazem outras operações
de capitalizar experiência de manejo local de nutrientes e a
- estão envolvidos em múltiplas tarefas. Um produtor de
implementação de abordagens específicas para o local.
trigo também pode ter criação de gado. Um produtor de

b
j:3
milho também pode ser um produtor e comerciallzador de
produtos hortícolas frescos em uma local diferente da fazen-
da. Um produtor de arroz também pode ser um empregado
na cidade em um trabalho não relacionado à agricultura.
Os softwares disponíveis variam de ferramentas estritamente
focadas em uma prática ou decisão a verdadeiros sistemas
de apoio à decisão, que integram vários aspectos do manejo
de nutrientes 4C. Abaixo está uma lista de exemplos sobre
Todas essas situações são comuns e fazem parte do mundo ferramentas de apoio à decisão e sistemas:

bl real atual da agricultura. E estas influenciam decisões sobre


as práticas de manejo.
a) Nutrient Decision Support Systeni (NuDSS) - De-
senvolvido para arroz irrigado como parte de uma ini-
b · Empresas podem competir entre si pelo mesmo equipamento.
Um trator, necessário para a aplicação de fertilizantes em
ciativa do Consórcio de Pesquisa de Arroz Irrigado para
fornecer apoio à decisão no manejo local de nutrientes
C3 milho, também pode ser necessário, posteriormente, para
uma operação de colheita, possivelmente influenciando o
nas planícies irrigadas. O público-alvo é formado por

=-
cientistas, extensionistas e agrônomos. [On-linel.
calendário de aplicação de fertilizantes e a seleção da fonte.
b) Nutrient Expert for Hybrid Corn - Um software
Outras empresas também podem competir pelo tempo do
.ca gerente. O fertilizante nitrogenado de liberação controlada
pode ser a fonte selecionada devido a uma atividade que
desenvolvido para auxiliar consultores agrícolas nas
recomendações nutricionais para milho htbrido tropical.
O software está sendo adaptado para gerar recomenda-
~ o agricultor possa ter na cidade que lhe impediria de fazer
aplicações parceladas de uma fonte de nitrogênio conven-
ções para milho e trigo em uma ampla gama de ambien-

cm cional, no momento ideal.


tes. A ausência de informação sobre análise de solo não
limita~ uso deste programa. [On-line).

=- Estas decisões práticas devem ser sempre acompanhadas da


revisão do conjunto completo dos princípios dos 4Cs. Mui-
tas vezes, o ajuste em um dos princípios, devido a um fator
externo, resulta na necessidade de ajustar um ou mais dos
c) Fertilizer Chooser - Software desenvolvido como
passo final no processo de recomendação, ajuda o
usuário a converter a recomendação de nutrientes em
quantidade correta de fontes de fertilizantes disponíveis,
outros, para voltar a ser um conjunto consistente de práticas
de manejo 4C. fazendo comparações para encontrar as combinações
de produtos de menor custo. [On-line].

7.4 Apoio à Decisão d) Adapt-N - Uma ferramenta desenvolvida pela Universi-


dade de Comell para estimar as doses de N em cobertura
Muitas ferramentas diferentes podem ser empregadas pelos
para o milho. Ela fornece recomendações de N para a
produtores e seus consultores para ajudar a integrar os
produção de milho na safra com base em solos, manejo e
inúmeros fatores locais discutidos anteriormente em uma
insumos, e considera as alterações de N no solo devidas às
abordagem sistemática para a tomada de decisões sobre as
condições meteorológicas no inicio da safra. [On-line].
práticas de manejo de nutrientes. As melhorias simultâneas
dos numerosos indicadores potenciais de desempenho dos e) Corn-N - Um programa que acompanha o programa
sistemas de culUvo não são empreendimentos pequenos e de simulação de culturas, Hybrid-Corn, desenvolvido
as ferramentas para apoiar esse processo podem ser muito pela Universidade de Nebraska. Hybrid-Corn simula a
benéficas. Ferramentas de apoio podem envolver tecnologia exigência de fertilizantes pelo milho cultivado sob ma-
na exploração da fazenda e serem apropriadas para regiões nejo intensivo com base em informações sobre a cultura
de pequenos agricultores ou serem mais adequadas para da safra atual e da passada, preparo do solo e manejo
regiões com bom acesso a tecnologias sofisticadas. Um dos de resíduos de culturas, propriedades básicas do solo ,
desafios dos sistemas de apoio em desenvolvimento é con- manejo de fertilizantes e dejetos e dados das condições
siderar apropriadamente as consequências a curto e longo meteorológicas de longo prazo do campo. Ele usa essas
prazo das práticas de manejo de nutrientes. informações para simular o potencial de rendimento e
a liberação de N da mineralização da matéria orgânica
A importância das ferramentas de apoio à decisão e dos
do solo, resíduos de colheitas e fertilizantes. [On-line] .
sistemas de manejo de nutrientes aumentará com a de-
manda por maior eficiência e produtividade. A integração O Seed-Placed Fertilizer Decision Aid - Desenvolvi-
de planos adequados de apolo à decisão nos sistemas de do pela Universidade Estadual de Dakota do Sul para
apoio, para auxillar nas muitas decisões Interde pendentes no ajudar a determinar a quantidade de fertilizante que
manejo de nutrlenles, tem sido realizada para os sistemas de pode ser colocada na linha de semeadura de forma
cultivo consolidados em algumas regiões, mas ainda será im· razoável sob condição específica. Esta ferramenta de
plementada em outros. Tal integração é necessária para que decisão é baseada em um estudo de emergência em
o conheci mento científico exislente possa ser colocado em laboratório com fertilizantes e culturas e comprovado
uso no ca mpo. Sistemas d e apoio transparentes e abertos, com trabalhos de campo publicados. [On-line].

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS M


g) Pbosphate Rock Decision Support System
(PRDSS) - Desenvolvido para ajudar os usuários a de• JÇ
cidir se um fosfato de rocha (FR) especifico é agronoml·
camente e economicamente viável cm relação às fontes Perg11ntas lf


de P solúveis em água, em íunçiio, principalmente, da
cultura , propriedades do FR. propriedades do solo e
outras condições locais, como clima. [On-line]. 1. O manejo adaptativo é um processo continuo de

Muitos sistemas de apoio à decisão e íerramentas estão


desenvolvimento das melhores práticas pelo uso de
aprendizagem particlpaUva por meio de •
disponíveis para sistemas de cultivo especificos em todo o
mundo. Eles têm grande potencial para melhorar as reco-
mendações sobre fonte , dose, época e local de aplicação de
a. avaliação de rendimento da cultura.
b. avaliação do fator local.
e. avaliação sistemática continua.

li
nutrientes. Idealizadores desses sistemas precisam garantir d. avaliação do princípio cientifico.
a abordagem de todos os aspectos do manejo de nutrientes
2. Um dos fatores locais que influenciam as decisões
li
4C para as regiões de cultivo nas quais são utilizados.
sobre fonte, dose, época e local certo para aplicação
de nutrientes é
a. a retroalimentação de Informações.
REFERÊNCIAS b. a contribuição dos Interessados.
c. o resultado.
Flxen , P. E. ln: Murphy, L. M. (Ed.). Proceedings of the d. as condições meteorológicas.
lntensive Wheat Management Conference, Denver, CO.
Potash & Phosphate lnstitute, 1994. p. 49-56 (agora, Inter• 3. Sistemas de apoio à decisão aplicam o conheci·
national Ptant Nutrition lnstitute, Norcross, GA). menta cientifico para integrar informações sobre
numerosos fatores locais para tomar decisões sobre
Fixen, P. E. ln: Fertilizer Best Management Practices. a. fonte certa, dose, época e local.
1. ed . Paris: IFA. 2007. b. software de computador.
c. contrlbulção dos Interessados.
Thorup, J. T.; Stewart, J. W. B. ln: Proceedings of the 25th d. objetivos filosóficos do manejo nutricional.
Annlversary Symposium oí Divislon S-8, Advances ln
Fertilizer Technology and Use. Publicado para a Soil Sei.
Soe. A. pelo Potash & Phosphate Institute, 1988. (agora,
Intemational Plant Nutrition Institute, Norcross, GA).





..
IIC

M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C • PRÁTICAS ADAPTADAS


:::a
F3
~ Estudo de caso 7.1-1 Influência do sistema de cultivo na eficiência de uso do nutriente e na produtividade
das culturas no Brasll. Invernos secos Impedem que agricultores no Brasil sejam bem sucedidos na adoção

~
de sistemas de plantio direto sustentáveis. Consequentemente, esses solos geralmente têm baixo aporte de
resíduos culturais. O consórcio de cereais com forrageiras tropicais (sobretudo Brachiaria ou Panicum) tem
sido adotado com sucesso em várias regiões do Brasil como forma de proteger o solo e obter maior eficiência
:::s de utilização do nutriente, rendimentos mais elevados e também maior retorno econômico. A figura abaixo
mostra a produtividade de milho e a eficiência de utilização do fertilizante , média de três anos, confirmando
;::t essas melhorias. O rendimento do milho aumentou de 10.048 kg ha·1 , quando solteiro, para 12.077 kg ha·1,
quando em consórcio com Panlcum . A escolha correta das espécies de gramíneas consorciadas e da época de

r9 semeadura aumentou a eficiência de utilização dos nutrientes (quantidade de grãos produzidos por unidade
de fertilizante aplicado) em 20%. Como exemplo da viabilidade econômica , em uma das fazendas da empresa
Agro Pecuária Peeters S.A., no Brasil, houve um aumento de 100% no lucro devido à adoção de um sistema

6 de cultivo alternando soja, milho (safrinha) e braquiária em um ano, com algodão no outro ano, em lugar de
algodão todo ano. Em tais sistemas, as gramíneas forrageiras são cultivadas solteiras ou em consórcio com
culturas de grãos. Essa informação é um exemplo claro de como a adaptação adequada de práticas, como a

~
correta rotação e consórcio de culturas, pode trazer maior prosperidade à fazenda. Acredita-se que sistemas
de cultivas semelhantes possam ser expandidos para outras áreas do mundo.
Fonte: Crusciol, C. A. C. et ai. Better Crops with Plant Food, v. 94, n. 2, p. 14-16, 2010.
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M M+B(1) M+P(1) M+B(2) M+P(2)

SISTEMA DE CULTIVO

M + B 1)) = MIiho + Brachlárla, com a rorrageira semeada na linha. na


mesma época que o milho
M + P (1) = MIiho + Panlcum , com a rorrageira semeada na linha, na
mesma época que o milho
La~iWil = MIiho + Brachlárla, com a lorrageira semeada em cobertura,
na entrelinha , após o estabelecimento do milho
M + P (2 J=MIiho + Panlcum, com a lorragelra semeada em cobertura,
na entrelinha , após o estabelecimento do milho

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NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS ADAPTADAS M


Estudo de Caso 7.1·2 Adaptação do manejo do N ao método de Irrigação para batata na China. O • e
Noroeste da China é uma região que apresenta clima árido e semi-árido, com precipitação anual entre 200 e
400 mm, ou menos. A falta de umidade no solo se torna um desafio para manter o crescimento adequado
das plãntulas na primavera, na maioria da safras, e geralmente restringe a produção agrícola. Para melhorar
a produtividade das culturas, agricultores tentam irrigar, mesmo com recursos hídricos limitados. A batata é
a principal cultura e muitas vezes é plantada em campos com nível adequado para irrigação por inundação.
Atualmente, os agricultores estão realizando o plantio da batata em regiões mais altas e utilizando irrigação
por gotejamento. No entanto, o manejo dos nutrientes, especialmente a aplicação de N, tem sido um desafio e
uma oportunidade nessas condições.
Experimentos foram realizados para o estudo do manejo de N sob dois métodos de irrigação (por inundação
e por gotejamento), em batata cultivada em solos Chestnut, no condado de Wuchuan, na lnner Mongolia.
Os resultados apresentados na Tabela 1 mostram que quando todo o N recomendado foi aplicado antes do
plantio, na forma de irrigação por gotejamento, houve maior rendimento de tubérculos, maior eficiência de
recuperação de N (ERN) e maior eficiência de uso da água (EUA) do que quando aplicado sob a forma de
irrigação por inundação. A aplicação de apenas 50% do N recomendado na forma de gotejamento produziu
rendimento semelhante ao obtido com 100%.de N recomendado aplicado por inundação. A menor dose no
tratamento por gotejamento também conduziu a maior eficiência de recuperação de N, quando comparado
ao tratamento por inundação, porém menor eficiência de uso de água em relação à dose total de N no
tratamento com irrigação por gotejamento. A irrigação por gotejamento economizou água (630 m 3 ha- 1 ) e
N fertilizante (105 a 120 kg ha·1 ) em comparação com a irrigação por inundação, mantendo-se o mesmo
rendimento das culturas. Sob irrigação por inundação, a aplicação parcelada de N e a aplicação de 100% do
N na base produziram rendimentos semelhantes de tubérculos, porém, maior eficiência nitrogenada foi obtida
com a aplicação parcelada de N. Assim, existe grande potencial no uso de suprimentos limitados de água e
nutrientes fertilizantes para otimizar a produção de culturas e a eficiência no uso de nutrientes em ambos os
métodos de irrigação.
Fonte: Li, S. et ai. Better Crops with Plant Food, v. 95, n. 3, p. 20-23, 2011.

Tabela 1 . Resposta da batata ao manejo do N e aos métodos de irrigação em lnner Mongolia. Média de dois
anos, 209-2010.

Manejo de N Eficiência de Eficiência de


Método de Produtividade
recuperação uso da água
Irrigação média (t ha·1 )
Na base No florescimento de N (%) (kg/ha/mm)

100% Gotejamento 37,3 a 34 431a

50% 33,1 b 46 383 b

30% 70% Inundação 34,2 b 27 228c

100% 33 ,0 b 22 220c
I
Nota: N-P, O,-K, O = 210-90-165 kg ha I em 2009, N-P, 0 ,-K,O = 240-90-165 kg ha em 2010.
Números seguidos da mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si (P < 0,05).

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M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS


Estudo de Caso 7.2·1 Manejo adaptativo de N para solos utlllzando dados locals de produção de mllho no
Centro-Oeste dos Estados Unidos. Neste exemplo de manejo adaptativo de N (Murrell, 2004), um agrônomo
procurou fazer melhorias nas doses de N recomendadas pela universidade em seu estado. O agrônomo já
tinha estabelecido um programa de gerenciamento local, no qual os tipos de solo foram usados como base
para a criação de zonas de manejo dentro dos campos. Os teores de fósforo, potássio e calcário variaram
entre as áreas, de acordo com as necessidades individuais. No entanto, o N ainda estava sendo aplicado em
dose uniforme por todo o campo, e a universidade não fornecia orientações para aplicações em condições
específicas.
Para determinar quais mudanças deveriam ser feitas nas doses recomendadas de N para os dois solos franco-
siltosos predominantes na sua área (Fincastle e Cyclone), o agrônomo realizou um estudo de 5 anos, no qual
analisou a resposta do milho a várias doses de N para os dois solos. As doses de nitrogênio foram selecio-
nadas de modo a englobar tanto as doses utilizadas nas práticas locais de manejo dos agricultores como as
recomendadas pela universidade. O estudo foi projetado considerando o plantio de milho sempre seguido do
plantio de soja, refletindo as práticas locais de cu ltivo.
A Figura abaixo mostra os resultados médios de 4 anos do experimento (um ano foi excluído, devido à seca),
indicando que o solo Cyclone, com maior teor de matéria orgânica, apresentou a dose de N economicamente
ótima (DNEO) 35 kg ha-1 menor do que a recomendada pela universidade. O solo Fincastle, com menor teor de
matéria orgânica, ainda necessitou da dose total recomendada (235 kg ha·1 N). Estes resultados contrariaram
a opinião defendida pelos agricultores da região, de que o solo Cyclone, mais produtivo, deveria receber mais
N, e não menos. Resultados deste experimento foram utilizados para desenvolver novas recomendações para
o solo Cyclone e formou a base científica para os agrônomos começarem um novo programa local de aplicação
de N, no qual a dose varia de acordo com o tipo de solo existente no campo.
Fonte: Murrell , T. S. ln: Mosier, A. R. et ai. (Eds.). Agriculture and the nitrogen cycle: Assessing the impacts of
fertilizer use on feed production and the environment. Scope 65. Washington, DC: lsland Press, 2004. p. 155-
165.

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Dose de N (kg
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ha- 1)
250 300 350

• Cyclone -Modelo Cyclone •••• Cyclone - DNEO


o Fincastle -Modelo Fincastle - - Fincastle - DNEO


NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS M
Estudo de Caso 7.3-1 Seleção de práticas de manejo de p em trigo com base no perfil dos agricultores. Resul-
tados de um workshop sobre interpretação da análise de solo, ocorrido durante o Simpósio Internacional sobre
Análise de Solo e Análise de Planta, realizado em Olympia , Wash ington , ilustram a importância do perfil do produtor
na seleção de práticas de manejo de P (Fixen, 1994). Os participantes do evento - profissionais de 11 países que
trabalhavam com análise de solo - foram divididos em duas turmas de 20 pessoas. cada turma foi dividida em quatro
grupos de cinco participantes, sendo que cada grupo detinha Informações sobre um agricultor específico. Os quatro
agricultores, que cultivam trigo como cultura comercial primária, foram descritos como segue:
• Jovem arrendatário. Este jovem agricultor tem uma carga elevada de dívida, possui pouco capital e não pode
negociar um contrato de arrendamento por mais de dois anos. Os rendimentos do agricultor crescem a taxas
mais baixas do que os da maioria dos outros na região devido, em parte, às restrições de capital.
• Agricultor bem estabelecido. Este indivíduo não tem dívida, investe o capital excedente em fundos de investi-
mento e tem excelentes rendimentos para a área. A área em questão foi comprada recentemente.
• Agricultor expansionista. Este agricultor recentemente fez a compra de uma grande área e tem pouco capital.
• Agricultor em tempo parcial. Este agricultor tem capital suficiente, mas também é profissional de ensino
durante nove meses e enfrenta graves conflitos de tempo na época do plantio. Este indivíduo não sabe há
época para aplicar o fertilizante em faixa com a adubadora e prefere que o comerciante de fertilizantes cuide
de aplicá-lo a lanço.
Todos os grupos receberam os mesmos dados de calibração, dados de absorção e faixa de análise de solo e cada
grupo foi incumbido de desenvolver planos de manejo de P, de curto e longo prazo, para um agricultor específi-
co (um dos quatro descrito acima). Os planos de todos os grupos foram discutidos e comparados com planilhas
geradas por um programa, denominado PKMAN, desenvolvido pelo Potash & Phosphate lnstitute, para facilitar
a personalização da interpretação da análise de solo. Este programa calcula o nível de P e K nos solos em que o
último dólar gasto com estes nutrientes proporciona um retorno igual ao retorno mínimo aceitável na entrada de
investimentos pelo usuário. Este nível é classificado como nível-alvo da análise de solo. A dose gerada no nível-alvo
é igual à quantidade de P ou de K removida na colheita. Se a dose sugerida na Tabela for seguida, as análises de
solo, ao longo do tempo, devem aumentar ou diminuir em relação ao nível-alvo.
Os grupos participantes do workshop foram questionados sobre a quantidade de P a ser aplicada durante o primeiro
ano e sobre os níveis-alvo da análise de solo a longo prazo. As recomendações são descritas na Tabela abaixo, jun-
tamente com os dados gerados pelo PKMAN. As recomendações feitas pelas duas classes foram muito semelhantes
entre si e, na maioria dos casos, semelhantes às do PKMAN. A exceção foi a dose de primeiro ano para o agricultor em
tempo parcial. Esta discrepância ocorreu, principalmente, devido à dose excessivamente baixa de um ano em relação
ao primeiro nível-alvo da análise de solo sugerido pelas classes. Quando o fato foi discutido com as classes, os grupos
concordaram que a dose no primeiro ano teria que ser aumentada para, eventualmente, construir o nível-alvo da
análise de solo. Assim, o programa de computador gerou recomendações semelhantes às desenvolvidas intuitivamen-
te pelos profissionais da análise de solo. Este exercício ilustra como as circunstâncias em que o produtor está inserido
podem influenciar as decisões sobre doses, local e época de aplicação de fertilizantes. Ele também mostra que as
ferramentas de computação podem facilitar a personalização da interpretação da análise de solo por profissionais da
área agronômica e podem ser úteis nos programas de manejo de nutrientes 4C.
Fonte: Fixen, P. ln: Murphy, L. S. (Ed.). Proceedlngs lntensive Wheat Management Conf., Denver, Co., Potash and
Phosphate lnstitute (agora IPNI), 1994. p. 49-79.

Dose no primeiro ano Nível-alvo da análise de solo


--
Classe
---
Classe
-- --- •·
Tipo de
agricultor
1 J_ ~
-
1
PKMAN
- -- - 1
----
l 2 1 PKMAN
--
-- •

1
P201 (kg ha· ) (mg kg--1)
Jovem arrendatário 17 o 12 NA NA 5
Bem estabelecido 56 45 55 26 25 22

Expanclonlsta
Em tempo parcial
28

22
o
39

NA = não apropriado; análise de solo Inicial ~ 10 mg kg' .


37

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14

22
10
20
14
20 •

M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS


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~
~ Estudo de Caso 7.3-2 Otimização da adubação nitrogenada com fertilizante de liberação controlada.
Pequenos agricultores, em grande parte do mundo, estão continuamente procurando novas formas de aumentar

=a sua renda familiar. Assim, na China, nos últimos anos, grande parte da mão de obra deixou o campo para tra-
balhar na construção da infraestrutura modernizada do país. A tecnologia existente indicava que os agricultores
que cultivavam cu lturas irrigadas com alta produtividade deveriam parcelar a aplicação de N para obter maiores
~ produtividades e otimizar a eficiência de uso do N. Entreta nto, a valorização do emprego fora do campo não
permitia que houvesse mão de obra suficiente no locai para aplicar o N de forma parcelada, de acordo com os
:a estádios de crescimento.
A tecnologia de fe rtilizante de liberação con trolada proporciona ao agricultor uma "fonte" adicional de fertilizante
:a nitrogenado que permite a aplicação de todo N no plantio mas com liberação subsequente em várias vezes
durante o período de crescimento da planta. Frequentemente, estes fertilizantes de liberação controlada são mis-
:a turados aos fertilizantes nitrogenados comuns para permitir o suprimento imediato de N bem como a liberação de
N em época posterior. O custo adicional destes produtos para o produtor frequentemente é mais do que compen-

=- sado pela renda oriunda do trabalho fora da fazen da, e a eficiência do produto de liberação controlada permite ao
agricultor aplicar a dose normal ou, em muitos casos, a dose reduzida.
Fonte: IPNI China, dados não publicados.

Slchuan Chongqlng Hubel Jlangxi


Tratamento
• • · · · • · · - • Produtividade de arroz, (kg ha·1 ) • • • • • • • • C

Testemunha (sem N) 4.167 5.635 6.243 5.623


Ureia parcelada* 6.996 7.495 7.004 7.667
...... Ureia/ Ureia de liberação controlada ** 7.120 8 .352 7.524 8.134
* Ureia parcelada: 40% aplicada antes do transplante e 60% aplicada aos 7-10 dias após o transplante.
**Ureia/ Ureia de liberação controlada (ULC): 40% da ureia aplicada antes do transplante e 60% da ULC também antes do
transplante.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS ADAPTADAS M


Estudo de Caso 7.3-3 Melhor balanço de nutrientes em fazendas leltelras por melo do manejo da forragem. No
nordeste dos Estados Unidos, a produção leiteira constitui grande parte da atividade agropecuária. As típicas fazendas
leiteiras geralmente cultivam suas próprias forrageiras para a alimentação do gado, mas compram os suplementos de
grãos, que fornecem os níveis necessários de energia digestível e proteína. Os estercos geralmente são espalhados
sobre o solo, onde as forrageiras e o mllho são cultivados, reciclando uma grande parte dos nutrientes minerais no solo.
Em muitas fazendas leiteiras, a quantidade de nutrientes importados com a compra de suplementos minerais excede
••
a quantidade de nutrientes exportados com a venda de leite e animais. Nessas fazendas, os excedentes de nutrientes
devolvidos ao solo na forma de esterco podem lentamente acumular reservas de P e K no solo em níveis mais elevados
do que o necessário para a produção agrícola, e estes níveis podem resultar em maior risco de escoamento superficial
de nutrientes, prejudicando a qualidade da água.
O excesso de nutrientes pode ser controlado pelo manejo da forrageira de alta qualidade. Quando forrageiras de alta
qualidade são nutridas, menos suplementos sob a forma de grãos e minerais são necessários na dieta do gado.
Charles C. Stall ings, Cientista e Extensionista na área de Bovinos de Leite na Virgínia Tech, afirma:
"A maximização da quantidade de forragem na ração não só melhora a saúde do gado leiteiro como também reduz
a necessidade de alimentação suplementar, que é normalmente rica em P. Por exemplo, o farelo de soja contém
0,7% de P (base seca) em comparação com 0,3% de P na alfafa. O simples fornecimento de mais proteína com a
alfafa reduz a necessidade de mais farelo de soja, resultando em ração com menor concentração de P. Além disso,
muitos alimentos derivados de subprodutos contém altas concentrações de P. Alimentos como sementes de algo-
dão integral (0,6%), grãos derivados de subproduto de cervejaria (0,67%) e subproduto de destilaria (0,83%) são
bons exemplos. Com o uso de mais volumoso na ração pode-se reduzir a necessidade desses alimentos."

Como mostra a figura abaixo, em uma fazenda de gado leiteiro com 1.100 vacas, em New York, quando a dieta do gado
passou de 52% de forragem para 60%, entre 2004 e 2009, a quantidade de N necessária na fazenda foi reduzida a quase
metade (Fields, 2011). O gerente da fazenda comentou que "A dieta com elevada quantidade de forragem é obtida quando se
produz forragem com alta qualidade, por isso precisamos aproveitar plenamente o valor nutricional do esterco produzido. Nós
optamos pela injeção direta de N no solo ... assim, as perdas de N por volatilização são muito reduzidas, reservando-se
um nível mais elevado de N para o milho". De forma semelhante, em outra fazenda com 650 vacas leiteiras, no centro de
New York, houve redução do teor de N e de P do esterco em 17% e 28%, respectivamente, enquanto a produção de alimentos
para os animais aumentou de 43% para 59% ao longo de 5 anos (Tylutki et ai., 2004).

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2-

A melhoria do balanço de nutrientes para N e Pé resultado do efeito combinado de:


• Minimização das perdas de nutrientes dos dejetos armazenados:
• Aplicação de dejetos e fertilizantes em dose certa, época certa e local certo:
• Seleção de espécies forrageiras, rotação de culturas e épocas de colheita para cumprir as metas de quali-
dade em proteína e fibra;
• Minimização das perdas no armazenamento de alimentos para animais;
• Suprimento, o mais preciso possível, das exigências do animal em proteína e P.

Referências
Flelds, L. Cornell University Nutrient Management Spear Program, W11ole Farm Evaluatlon Series, 2011.
Stalhngs, e. e. V1rgmia Cooperatlve Extenslon, 2005. 111
Tylutki , T. P. et ai. The Professional Animal Sclentist, v. 20, p. 58-65, 2004 .



M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS


...

Estudo de Caso 7.4-1 Uso do Nutrlent Expert, uma ferramenta de apolo à decisão, aumentou a rentabllldade da
produção de milho. Nas regiões produtoras de milho do Centro de Lampung e Norte de Sumatra, na Indonésia,
experimentos de campo foram conduzidos para validar a ferramenta Nutrient Expert. Em cada região, os resultados
foram obtidos para cada prática adotada nos cinco campos, localizados muito próximos um do outro.

A ferramenta "Nutrient Expert" utiliza Informações sobre o suprimento de nutrientes do campo obtidas tanto de
parcelas com omissão de nutrientes como de características do local e do manejo, as quais servem como modelo
para o fornecimento de nutrientes. A ferramenta recomenda doses e épocas para a aplicação de N, P, K que dife-
rem das práticas de adubação adotadas pelos agricultores, as quais são baseadas em recomendações regionais
generalizadas ou são estimativas que normalmente não consideram o fornecimento de nutriente nativo de um local
específico.

Nesse caso, o fornecimento de nutrientes foi estimado com base nos dados de textura, profundidade e coloração
do solo, assim como no histórico de cultivo e fertilização. O rendimento de milho a ser atingido nestes dois ambien-
tes favoráveis foi estimado em 9 t ha·1 e foi utilizado como produtividade-alvo para a safra. Os preços de semente.
fertilizante e grãos são valores reais registrados na época em que os experimentos foram realizados.

Em média, as recomendações do "Nutrient Expert" resultaram em maiores rendimentos com menor quantidade de
fertilizantes na Indonésia. A maior eficiência e rentabilidade foi atingida com maior ajuste na dose de cada nutriente
aplicado à necessidade local e pelo aprimoramento na época de aplicação, geralmente pelo aumento do número de
aplicações parceladas.

-• Tabela 1. Rendimento e lucratividade da produção de milho comparando-se a prática da adubação


adotada pelos produtores (PAP), com base nas recomendações tradicionais, e a ferramenta
de apoio à decisão Nutrient Expert (NE).

Parâmetros para o manejo do milho Centro de Lampung Norte de Sumatra


Valores por hectare PAP NE PAP NE
Produtividade (15,5% de umidade, t) 7,60 8,99 8 ,20 9 ,03
Receita (US$) 2.085 2.480 2.258 2.490
Custo do fertilizante inorgânico (US$) 130 124 173 163
N (kg) 218 195 175 168
P20 s (kg) 40 34 59 23
K20 (kg) 23 34 42 53
Custo do fertilizante orgânico (US$) 199 86 - 46
N (kg) 43 20 4
P20 s (kg) 24 11 4
K20 (kg) 41 18 4
Custos de semente e fertilizante (US$) 444 322 28 6 321
Lucro esperado (US$) 1 .640 2.158 1.972 2 .169

Fonte: IPNI do Sudeste da Ásia (dados não publicados).

Referências
Pampollno, M. et ai. IPNI, Penang, Malaysia, 2011. [On-llne j.
Witt, C. et ai. IPNI, Penang, Malaysia , 2009 . [On-line j.

NUTRIÇÃO OE PLANTAS 4C · PRÁTICAS ADAPTADAS M


A identiíicação das carências ou deíiciênci.:is nutricionais é pode se tornar uma habilidade valiosa . Algumas deíici ências
íund anlC'nt al para a produção de culturns rentáveis. Existem nutricionais, se observadas no estádio inicial de crescim ento
muit os materiais disponíveis que auxili.:im n.:i id entiíicação da cultura, podem ser corrigidas por meio ela aplicação de
das deíiciênci.:is de nutrientes. Eles incluem boletins, c.:irt.:is adubaç,io suplementar. Porém, algumas del1ciéncias nf10 são
e livros ciue mostram im.:igens coloririas ou descrevem cíetivamente corrigida s pela adubação suplementar na saíra ,
vários sintomas de deíiciência. A Figura 8.1 mostrn onue e as aplicações corretivas de nutrientes serão mais efici entes
o~ sintomas geralmente aparecem nas pl.:intas. Al ém disso, p.:ira as cultura s ruturas.
experimentos no campo utiliz.:indo peciuen.:is íaix.:is com A clrnve slmpliíicada a seguir (Tabela 8.1) descreve os sinto-
gradação esquemalizada das doses do nutriente em ciuestüo
ajudam a treinar o observador n.:i identiíi caçüo de potenciais
mas gerais ele del1ciência para a maioria das culturas, porém ,
uma espécie em particular pode apresentar um sintoma de

deíiciéncias d e nutrientes. Algumas culturas podem niio
apresentar sintomas de d eíiciência porque a disponibilidade
de nutri entes no solo está baixa , mas não deíiciente, até
o finai do ciclo. É por isso que existem métodos alternati·
del1ciêncla mais especil1co para um nutriente em falta.

Lembre-se: Os sintomas de deficiência muitas vezes não são


claramente observáveis. Eíeitos mascarados de outras del1ciên-

vos para avaliar a disponibilidade de nutrientes, além da
observação visual. No entanto, o conhecimento prático dos
cias nutricionais, doenças ou iníestações de insetos, ou estresses
climáticos (seca, inundações, temperatura) , podem impedir um

sintomas vi suais das deíiciências nutricionais mais comuns

Tabela 8.1 Chave dos sintomas de deficiências nutricionais nas plantas.


diagnóstico visual preciso das dcl1ciências nutricionais.


Nutriente Mudança de coloração nas folhas inferiores (nutrientes translocados)
N Plantas pequenas com coloração verde-claro ou amarelo-claro ... primeiro as folhas mais velhas ficam ama-
reladas (clorose) ... o amarelecimento se inicia na ponta da folha e se estende ao longo das nervuras em
milho e sorgo.
p Plantas verde-escuras com matiz arroxeado ... folhas e plantas pequenas.
K Descoloração amarelo-amarronzada e necrose ao longo da margem externa das folhas mais velhas ...
começa na ponta da folha em milho e sorgo.
Descoloração verde-pálido próximo à ponta da folha ... torna-se amarelo brilhante entre as nervuras e, no


Mg
final , vermelho-púrpura da borda para dentro.


Nutriente Mudança de coloração nas folhas superiores (nutrientes não translocados). Morte da gema terminal.

Ca Atraso no aparecimento das folhas primárias ... deterioração das gemas terminais. Pontas das folhas podem
ficar grudadas em milho.
B Folhas amareladas perto do ponto de crescimento ... gemas apicais aparecem como tecido morto de colora- E
Nutriente
ção branca ou marrom-claro.
Mudança de coloração nas folhas superiores (nutrientes não translocados). Gema terminal permanece viva.

s Folhas , incluindo as nervuras, com coloração verde-pálido a amarela ... primeiro as folhas jovens.

Zn

Fe
Em citros, clorose internerval pronunciada e bronzeamento das folhas. No milho, amplas faixas de colora-
ção branca a amarela aparecem nas folhas em cada lado da nervura central. Plantas raqu íticas, entrenós
curtos. Brotos novos podem morrer em algumas espécies de feijão.
Clorose inicia-se primeiro nas folhas Jovens, nas pontas dos ramos; a cor da folha muda un iformemente

li:
para amarela , com exceção das nervuras; mancha parda ou tecido morto aparece quando a defic iê ncia é
severa .
Mn

Cu
Folhas cinza-amareladas ou cinza-avermelhadas com nervuras verdes, clorose marginal e intervenal; as
folhas cloróticas mantêm a sua forma normal.

Folhas Jovens de cor uniforme amarelo-pálido ou folhas murchas e secas sem cloros e. Em cereais de
Inverno pode haver crescimento agrupado, enrolamento das folhas mais novas, com pontas necróticas, e

IE
acama me nto acompanhado de espigas chochas.
CI Murcha das folhas superiores seguida de clorose. Em cereais de mvern o pode haver clorose qu e progride

Mo

N1
para manchas necróticas nas folhas de algumas variedad es.
Folhas Jovens murchas e necrose ao longo das margens. Clorose das folhas mais velhas devido à incapacidade
de ulll izar adequadamente o N.

Ápices das folh as enc urvados, com manchas escuras.



IE
Noli, · Sintomas semel hantes u estes podem ser con fundidos com os danos ca usa dos por l1erblc1clas, doenças ou inse tos. Solos encharcados ou secos
ou danos por ve:nto também podem c11 ar probltmas que Imitam clef1clênclas. O diagnóstico el eve conslclerar ta111be111 os padrões ele sintomas dentro
do cam po e sua wluçao corn as condlçoes do solo ou de In setos e doençus presen tes.

IC
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS DE SUPORTE
=-
~
Lembre-se: Os sintomas de deficiência muitas vezes indi-
cam deficiência severa e podem não ser de todo observáveis
d) monllorar a fertilidade do solo e as tendências a longo
prazo, de forma que os programas de manejo de nutrien-

:a se houver apenas escassez ou pequena falta de um nutriente


específico. Em alguns casos, no entanto, os sintomas podem
tes possam ser ajustados para atender as metas de manejo:
e) gerenciar riscos, determinando onde podem ocorrer as

:a ocorrer sem perda de rendimento econômico; exemplos


podem incluir sintomas de deficiência de N e K nas folhas
inferiores de cereais no final do ciclo.
maiores respostas aos nutrientes.
A amostragem de solo geral me nte é feita antes do plantio
3 Lembre-se: Muitas culturas começam a perder rendimento
de culturas anuais ou antes do período de crescimen to ativo
das culturas perenes. O maior potencial de erro na análise
3 bem antes de começar a mostrar sinais de deficiência. Essa
dispendiosa condição de rendimento limitado é chamada de
de solo está na amostragem do solo.
Procedimentos precisos da a nálise de solo dependem de

=- FOME OCULTA.
A fome oculta pode reduzir consideravelmente o rendimento
e a qualidade da cultura sem que esta mostre quaisquer
amostras representativas. A coleta de amostras representa-
tivas requer cuidado e habilidade. Em grande parte dos
casos, a amostra representa mais de dez milhões de vezes
sintomas de deficiência. Mais e mais campos sofrem de a quantidade de solo enviada ao laboratório. Assim, se a
níveis sub-ótimos de nutrientes, mas nenhum sintoma grave amostra de solo é tomada para represenlar uma pequena
de deficiência é obseivado de forma clara. ou grande área, é importante que sejam tiradas múltiplas

Perguntas 0
1. Quando as folhas superiores de uma planta de
soja apresentam cor amarelada entre as nervuras, o
nutriente em deficiência pode ser o
a. Ca.
b. N.
c. Mg.
d. Mn.

2. Quando as folllas mais baixas de urna planta jovem


de milho mostram cor amarela na ponta e ao longo
das margens, a planta pode estar deficiente em
a. N.
Figura 8.1 Diagrama geral da porção da planta onde b. P.
vários sintomas de deficiência de nutrientes c. K.
podem ser observados. d. Mg.

8.2 Análise de solo 3. Quando urna cultura de trigo na fase de alonga-


mento do colmo apresenta coloração verde-escuro
A análise de solo é o método mais utilizado para tentar uniforme na maior parte das áreas de cultivo, mas
prever as deficiências de nutrientes. Tornou-se a ferramenta amareladas nas áreas mais baixas, sujeitas a alaga-
de manejo mais eficiente de agrônomos, consultores e mento, a causa mais provável é
p esquisadores, e fornece informações que englobam desde a. deficiência de N.
o monitoramento da fertilidade do solo até a estimat iva das b. dano por inseto.
necessidades de fertilizantes e a avaliação do potencial dos c. drenagem deficiente.
impactos ambientais adversos. A análise do solo pode ser d. dano pelo vento.
usada para:
a) identificar os fatores limitantes de rendimento, especifi- 4. A deficiência de nutriente que reduz o crescimento
camente a falta de nutrie ntes no solo: das plantas e a produtivldacle ela cultura sern apre-
b) Indicar a capacidade de fornecime1110 de nutrientes do sentar sintomas visíveis
solo que está sendo testado e, portanto, o nde iniciar as a. é denominada fome oculta.
recomendações de fertilizantes e calcário; b. ó causada por pragas e doenças.
1

c) desenvolver planos de manejo de nutrientes quando c. ocorre somente com nutriente prontamente
lnmslocado.
combinada com informações d e produção , tais como
histórico de cuhi vo, mapas de inspeção de solos ou d. pode s r c-oniglcla na safra.
mapas de produlividade; r~

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C • PRÁTICAS DE SUPORTE


amostras de toda a área, misturadas e
Diferentes propostas para amostragem do solo
homogeneizadas para obter uma amostra
verdadeiramente representativa para análise. Declivo suJ)erior
Declive superior

Se uma amostra representativa é coletada, os


resultados da análise podem fornecer uma
estimativa confiável do estado nutricional do
solo. Laboratórios de análise de solo muitas
vezes fornecem instruções para amostragem
que podem incluir as seguintes etapas:

Para arnostrage,n no campo
a) Uma amostra de solo isolada deve
ser coletada das áreas no campo que
apresentam distintas topografias, tipos e
coloração de solo e antigas práticas de
manejo . Assim, uma grande área pode
ser dividida em áreas uniformes de solo
ou antigas áreas de cultivo, dependendo IE
do local específico. Atribuir um número
de identificação permanente. Anotar os
números de campo. Manter um mapa
das áreas amostradas. Se há GPS dispo-
nível para uso , a localização dos pontos Amostragem em grid Amostragem por área de manejo
de amostragem pode ser gravada e
armazenada para referência futura. Figura 8.2 Esquemas básicos de amostragem do solo.

b) Usar um balde plástico limpo para aco-


lher a amostra. especialmente para análise de micronu- uma caixa de papel , ou um saco de papel que possui
trientes. Baldes de metal podem contaminar a amostra. uma camada plástica interior aderida à camada de
papel. Se nenhum recipiente de laboratório estiver
c) Amostrar o solo na profundidade recomendada pelo
disponível. pode-se utilizar dois sacos plásticos grossos,
laboratório de análise de solo.
novos e limpos. O saco plástico interior contém a amos-
d) Amostras adicionais do subsolo podem ser coletadas na tra, enquanto o exterior contém a folha de informação
profundidade de enraizamento da cultura pretendida e de identificação da amostra.
se existirem nutrientes disponíveis em potencial que
i) Para evitar a contaminação das mãos por alguns micro-
tenham sido lixiviados. Isto é mais importante para os
nutrientes, usar luvas de látex durante o manuseio da
nutrientes móveis. tais como N. S e CI. mas menos
amostra de solo.
importante para os nutrientes menos móveis, tais como
P e K. e muitos outros micronutrientes. j) Usando as mãos, coletar o solo homogeneizado de
dentro do balde, balançar as mãos sobre o recipiente
e) Na maior parle dos casos. pelo menos 15 a 20 amos-
e liberar o solo, de modo que uma porção caia dentro
tras devem ser coletadas aleatoriamente para formar a
do recipiente e o restante em cada um dos lados do
amostra composta, a partir da qual uma sub-amostra é
recipiente. Repelir este procedimento assegurando-se ele
separada para ser submetida à análise laboratorial.
que uma parle da amostra lotai contida no balde contri·
1) As amostras podem ser coletadas utilizando-se um dos bua para a subamostra, e que o recipiente ele amostra
diferentes instrumentos de amostragem (por exemplo, contenha cerca de 0,5 kg de solo.
sonda, pá, facão, etc.). A amostra composta pode pesar
k) É aconsel hável manter as amostras ele solo e m um
de um a vários quilos.
refrigerador ou geladeira até o envio ao laboratório. Se
g) Misturar cuidadosamente todas as amostras da área o tempo entre o momento ela amostragem e o trans-
em estudo para obter uma sub-amostra representativa porte ao laboratório for ele alguns dias, as amostras de
para aná lise. Este passo ó extremamente importante.
Torrões devem ser quebrados enquanto são misturados.
A mistura desuniforrne pode resultar em amostra nf10
representativa. Se o solo estiver muito molhado para
solo podem ser secas ao ar e m bandejas planas , onde
a amostra de solo possa ser espalhada unifonne mente.
Neste caso, avisar o laboratório que a.s amostras foram
..
secas ao ar.
ser bem misturado. é necess,írio primeiro secn-lo ao ar
1) Preencher o fonnul.írio comp!('tamc111c.
parcialmente.
m) A maior parte dos campos d t!ve spr amostrada a cada
h) Vários tipos de recipientes podem ser usado~ para o
2-3 anos ... mais vezes se dPsPjar.
e nvio dü amostra ao laboratório . A lguns laborat6 rl os
fornecem um Si:lCO plástico que é acnndiciu11adn em u) Mant(•r um registo dos rL'sultados.

••


NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS DE SUPORTE
Tabela 8 .2 Comparação de extratores utilizados, tempo para a extração e proporção entre solo e extratores específicos
para nove métodos de calibração de P no solo.
Condições de pH do solo a
M étodo Extrator Referências serem consideradas

0.5 M de bicarbonato de sódio Olsen et ai. (1954). USDA Usado em solos ligeiramente ácidos. neutros
Olsen
(pH 8,5) , 0,5 h de extração, rela- Circular Nº 939 e ligeiramente a muito alcalinos e alcalinos
ção solo:solução de 1:20 e calcários (isto é, pH do solo 6,0 a > 7,2)

Colwell 0.5 M de bicarbonato de sódio Colwell (1963). Aust. J. Exp.


(pH 8,5), 16 h de extração, rela- Agric. Anim . Husb., v. 3,
ção solo:solução de 1:100 p. 190-198

0.02 M de lactato de cálcio, 1,5 h Colwell (1970). Aust. J. Exp.


Lactato
de extração, relação solo:solução Agric. Anim. Husb., v. 10,
de 1:50 p. 774-782
0 .03 M de fluoreto de amônia em Bray e Kurtz (1945). Soil Sei., Ácido a ligeiramente alcal ino (isto é, pH do
Bray 1
0.025 M de HCI, 1 min. de extra- V.59, p. 39-45 solo< 7,2). Não é adequado para solos
ção, relação solo:solução de 1:7 alcalinos com elevados níveis de carbonato
de cálcio
0,03 M de fluoreto de amônia em Bray e Kurtz (1945). Soil Sei., Ácido a ligeiramente alcalino (isto é, pH do
Bray 2
0,1 M HCI, 40 seg. de extração V.59, p. 39-45 solo< 7,2). O método Bray 2 utiliza 0.1 M de
em relação solo:solução de 1:7 Chu, P. (1997). A&L Labs, HCI , em comparação com 0 ,025 M de HCI
ou 1 min. de extração em relação Richmond, VA no Bray 1. Ele dissolve compostos extras
solo:solução de 1:10 de P em solos alcalinos. Não é adequado
para solos alcal inos com elevados níveis
de carbonato de cálcio
0,05 M de HCI em 0,0125 M de Mehlich (1953). North Caro- Ácido a ligeiramente alcalino (i sto é,
Mehlich-1
H;tS04, 5 min . de extração, rela- lina Soil Test Div. Publ., p. 1-53 pH do solo < 6,0 a 7 ,2)
ção solo:solução de 1:4
Mehlich-3 0 ,2 M de ácido acético, 0,25 M Mehlich (1984). Comun. Soil Ácido a ligeiramente alcalino (i sto é, pH do
de NH4-NQ3, 0,015 M de NH. F e Sei. Plant Anal., v. 15, solo< 7,2). Capaz de extrair e ana lisa r múl-
0,13 M de HN03 em 0,001 M de p. 1409-1416 tiplos elementos, comparado ao Meh lich-1.
EDTA, 5 min. de extração, relação Não é adequado para solos al calin os com
solo:solução de 1:10 altos níveis de carbonato de cá lcio
CaCl 2 diluído 0,005 M de cloreto de cálcio, Moody et ai. (1988) . Aust. J.
18 h de extração, relação Exp. Agric., v. 23, p. 38-42
solo:solução de 1:5
Ác ido extraível 0,005 M de ácido sulfúrico, 16 h Kerr e von Steiglitz (1938) .
de extração, relação solo:solução BSES Tech . Comm . Nº 9
de 1:200
Resina troca- Mistura de resinas aniônicas e Raij et ai. (1986). Comm. Soil
dora de íons catiônicas Sei. Plant Anal., v. 17, n. 5

Morgan 0,54 M de CH JCOOH + O, 72 M de Morgan (1941). Connecticut


NaCH 2 COOH, pH 4,8 para 0,25 h Ag. Exp. Sta . Buli. 450
de extração, relação solo:solução
de 1:5
Morgan modi- 0 ,62 M de NH. OH + 1,25 M de Mclntosh (1969). Agron J.,
ficado CH 3COOH , pH 4,8 para 0 ,25 h de 61, p. 259-265
V.
extração, relação solo:solução
de 1:5

Para diagnóstico de Áreas coni d) Caso lrnj a um a cii m a r.i cl lgilal d b po n ivcl, fo tografar
Baixa Fertilidade ou com Problemas as pla nl as qu e ~l' d l'~l'1wn lvl'ra111 1a n to na árt•a pobre
quanto na .irca adl•qu ad a e ut ili1ar as fo tos p.ir<l ajudar
a) Cole tar a rnostr.i s ~c pa rnd a~. el e ,íreas co m fe1 til idade
a diagnos ti ca r o p ro bll'i 11 ,1.
ba ix a e com fertillcJ a d e a d e qu a d a , u~a11d o as téc ni ca~
desc rit as a ntl·rl o rnie111 e. An1osh'age ni do Solo quaudo os
b) Culc la r a mmlra ~ Ul' ~up e rííl'l e l' d e ~ulisu lo. Fe,·tiliZíwtes são Aplicc,dos e ,n Faü:as
e) 1nrlulr a d e~r rl çfio cios sl111011rn~ o b ~e rvado s 11a ~ ,i reas C omldcrando qu e a lg uns cll•n w ntos . co m o o P d o ~o lu, !1-
<·0111 p ro bll•1nas 1: l' nvl,í-la Junlo cui11 a s anH1~11-.1\ . r,1111 rl'la tlvanll'nt e i111úv1•b 11a íaixa u nd t• u~ fcrti li L,11 \l cs sãu

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS DE SUPORTE


aplicados. a amostragem de solo requer uma consideração Embora as análises de solo forneçam informações úteis, exis-
especial. Nesse caso, a amostragem aleatória pode resultar tem algumas suposições implícitas em suas interpretações.
em alto valor na análise se apenas algumas faixas forem Primeiramente, as análises geralmente são feitas com o solo
incluídas na amostra. Onde os locais das faixas são conhe- da camada superficial onde, normalmente, está presente a
cidos, pesquisa realizada na Austrália sugere a amostragem maior parte dos nutrientes menos móveis (por exemplo, P).
na relação de 1:20, 1: 16 e 1:8 na linha e na entrelinha para No entanto, os nutrientes móveis, como N e S, podem se
espaçamentos entre linhas de 75 cm, 60 cm e mover em profundidades maiores que a da amostragem, de
30 cm, respectivamente. Uma alternativa é retirar uma modo que a disponibilidade dos nutrientes indicada na aná-
porção do solo ao longo das linhas para incluir o solo das lise de solo é menor do que a encontrada no campo. Com
linhas e das entrelinhas. A confiabilidade deste método, no a análise do solo superficial supõem-se que a proporção de
entanto, não foi avaliada para se prever as respostas dos nutrientes no solo analisado seja proporcional à quantidade
íertilizantes em relação a outros métodos de amostragem. total disponível para a planta até a profundidade efetiva de
enraizamento da cultura.
8.3 Metodologia da Análise de Solo
Em segundo lugar, a análise de solo pode fornecer uma
Há vários tipos de análise de solo disponíveis e a escolha da estimativa razoável do potencial do solo em fornecer nu-
análise apropriada é íundamental na coleta de boas infor- trientes, mas não estima a demanda exigida pela cultura ou
mações. Pode ser úlil discutir sobre isso com o agrônomo pastagem. Em ambientes variáveis, a demanda por nutrien-
ou o gerente do laboratório de análise. Os laboratórios de tes pode variar de três a quatro vezes, e as análises de solo
rotina normalmente utilizam procedimentos específicos de geralmente são calibradas para fornecer nutrientes em um
extração e análise para cada nutriente ou grupo de nutrien- ciclo "médio", com preços médios de fertilizante e de grãos.
tes, mas podem utilizar outros procedimentos caso encon-
trem condições específicas de solo. Como os extratores são Quando as curvas de resposta são desenvolvidas, geralmente
calibrados? assume-se que outros nutrientes, ou as condições do solo, não
são limitantes e que a resposta obtida é uma consequência da
A análise específica do solo é desenvolvida utilizando-se
adição do nutriente mais limitante. Além disso, o resultado da
vários procedimentos analíticos para extrair uma parte dos
análise de solo deve ser interpretada em termos de textura e
nutrientes de interesse, sendo esses relacionados com o peso
pH do solo, visto que a frequência destas duas características
do solo analisado. Idealmente, o nível de nutriente determi-
particulares são críticas na definição de respostas potenciais.
nado é calibrado com uma série de experimentos regionais
de campo que avaliam a resposta da cultura ao nutriente
específico de interesse. Esses experimentos de calibração •
envolvem a aplicação de uma forma disponível do nutriente
ao longo de um intervalo de doses crescentes - por exem-
P erguntas \!)

plo, de zero até um nível excessivo - utilizando intervalos
regulares de doses crescentes.
A seleção de uma análise de solo específica geralmente
significa a seleção de um processo de extração específico
5. O número de amostras recomendadas para repre-
sentar uma área de campo é

que melhor indica o que a raiz da planta pode absorver da
solução do solo e , muitas vezes, algumas das formas me-
a. 5 a 10.
b. 15 a 20. •
nos disponíveis do nutrie nte no solo que podem se tornar
disponíveis no decorrer do desenvolvimento da planta. Em
diferentes a mbientes e tipos de solo, determinados procedi-
mentos pode m resultar em melhor avaliação da disponibi-
c. 30 a 40.
d . tantas quantas necessárias para encher a
caixa de amostra.

lidade de nutrientes, especialmente a quantidade que pode 6. A amostragem realizada em profundidade consis-
ser d ete rminada de rese1vas m e nos disponíveis durante o tente e recomendada é importante para
ciclo da cultura , que irão repor as reservas da solução do a. N eS.
solo . O fósforo, por exemplo, está presente em várias formas b. P e K.
orgânicas e inorgânicas no solo. Não há um único reagente c. micronutrientes.
de extração que possa quantificar a quantidade d e P disponí- d. todos os nutrientes.
vel para as plantas em todas as condições. Como resultado,
uma série de extratores foi d esenvolvida para ser utilizada 7. Comparada aos nutrientes menos móveis, como
e m situações específicas, e alguns exe mplos desses extratores P e K. a amostragem para os nutrientes móveis,
são apresentados na Tabela 8.2. Cada conjunto de procedi- como nitrato, sulfato, cloreto, deve ser
me ntos d e ex Lração te m os seus pró prios valores criticos, por
Isso, sempre qu e um resultad o de an{i lisc é forn cricl o d eve
a. rasa.
b. na mesma profundidade. 1


ser inte rpretado com os valores crflicos d erivados d os experi- e. profunda. 1
me ntos de ca mpo parn as culturas. Porl a nt o, sempre verilk ar d. realizada menos frequentemente. 1


q ual extra to r C'~ tá se ndo usado para melhor int erpretar os
result ados aprL'M:'Jtlé.ldos . _ .1

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS DE SUPORTE •


Finalmente, o "número" fornecido no laudo da aná lise do e) Sugerir análises adicionais ou estudos na identificação
solo apresenta erros que se relacionam a todos os fatores de um problema na produção das culturas.
mencionados anteriormente, bem como à incerteza sobre as Tal como acontece com a análise de solo, uma importante
futuras doses de reposição das formas de nutrientes menos fase da aná lise de plantas é a coleta de amostra. A composi-
disponíveis no solo. Este deve ser interpretado dentro de ção da planta varia com: idade, parte da planta amostrada.
limites, muitas vezes denominado de muito baixo, baixo, condição da planta, variedade, condições meteorológicas e
médio, alto ou muito alto, porém com mais precisão de acor- outros fatores. Portanto, é necessário seguir as instruções de
do com o tamanho e a probabilidade ela resposta esperada amostragens comprovadas.
(Tab ela 8.3). Os melhores resultados serão obtidos quando
A maior parte dos laboratórios fornece instruções para a
os resultados das a nálises fore m considerados ao longo de
amostragem de diversas culturas e o envio das amostras.
vários anos, pois mostram as tendências da fertilidade sob o
Eles geralmente sugerem , se possível, o e nvio de uma
manejo existente, em vez de se considerar um único valor
amostra da área sem problema, além da amostra da área
para a previsão exata da dose de nutrientes necessária a ser
com problema, para comparação. Por serem necessários
aplicada.
experiência e conhecimento para a amostragem correta de
plantas, o trabalho é, muitas vezes. realizado por consultores
Tabela 8.3 Exemplo de classes de interpretação da análi-
agrícolas ou agrônomos.
se de solo e probabilidade de resposta.
Atualmente, a análise de plantas é tema de vastos progra-
Classes de mas de pesquisa e ntre nutricionistas. Ainda há muito a ser
Probabilidade de resposta
Interpreta ção descoberto sobre esta ferramenta de diagnóstico. Pesquisas
Mu ito baixa Resposta econômica em todos os casos, em andamento estão constantemente descobrindo novos fa-
mas há exceções tos e estabelecendo padrões revistos e atualizados. Os dados
Baixa Resposta econômica na maior parte das safras da análise de plantas devem ser interpretados por cientistas
que são treinados nesse campo e que compreendem os
Média Resposta econômica média ao longo dos anos
fatores envolvidos. É uma adição valiosa às ferramentas
Alta Respostas econômica ocasional disponíveis de diagnóstico.
Muito alta Respostas econômica improvável
Classes de Deficiência e Suficiência
Normalmente, fa z-se a interpretação da análise de planta
8.4 Análise de Planta comparando-se as concentrações elementares com uma
A "análise de planta " se refere à análise total ou quantitativa faixa de suficiência padrão para a parte da planta, espécie
de nutrientes no tecido da planta. A análise de solo e a de cultura e fase de crescimento estabelecida pela pes-
análise de planta andam juntas. Uma não é substituta da quisa. Quando os valores-padrões de pesquisa para uma
outra. Ambas são ferramentas úteis no diagnóstico, e muitos dada situação não se encontram disponíveis, a análise de
produtores utilizam ambas. A análise de planta é usada para planta ainda pode ser útil na identificação de problemas
culturas como café, laranja , pêssego, maçã, nozes e outros de estresse por nutrie ntes se amostras de plantas forem
culturas. Por causa da natureza dessas culturas perenes e coletadas de áreas com baixo e adequado crescimento.
de seus sistemas radiculares extensos, a análise de planta é dentro da mesma área ou de áreas próximas.
especia lme nte útil para determinar seu estado nutricional. Valores críticos específicos para deficiência, suficiência
e toxicidade das cultu ras são melhor obtidos nos manuais
Os cientistas utilizam novos métodos analíticos e equipamen-
locais ou regionais de produção da cultura. O nível crítico
tos, tais como absorção atômica e especialmente espectró-
para deficiência geralmente é d efinido como aquele que
grafo d e emissão, que podem analisar, simultaneamente, 10
resulta em 90% do rendimento ou do crescimento quando
ou mais elementos na amostra em questão de segundos.
nenhum nutriente é limitante. A Figura 8.3 apresenta um
Deste modo, um número considerável de labo ratórios, em
exemplo da relação e ntre a concentração de um nutriente e
diferentes paises, têm capacidade de realizar a análise de
o crescimento relativo ou a produção, com valores específi-
plantas. A d emanda por esse serviço continuará a a umentar
cos de P, K e Mn em soja (Marschner, 1995) .
à medida que a pesquisa destacar as oportunidades de ma-
nejar a disponibilidade d e nutrientes durante o crescimento Em situação de deficiência extrema, é possível que para
das culturas. alguns nutrientes a conce ntração aumente em vez de
diminuir se a deficiê ncia prejudicar o crescimento de tal
A anállse de plantas é usada para: forma que não ocorra a diluição normal dos minerais pelo
a) Confirmar um diagnóstico feito a partir de sintomas crescimento da planta. Por outro lado, em condições muito
visíveis; boas d e crescimento, a diluição pelo crescimento pode
b) Identificar a fome oculta quando niio há sintoma nparente; ía:wr com que alguns nutrientes se mostrem deficie ntes.
quando na verdade não estão. Por essa razão, o diagnóstico
c) Determinar se os nutrien tes ap licados foram a bsorvidos de árcns com problemas é, por vezes, mais precisa se uma
pela planta; área parcialmente afetada, ao invés dl~ muito afetada, for
d) Estudar a dinãmica de nutrientes nas plantas; co mparada a uma área normal próxima.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS DE SUPORTE


e
dá, China e Índia , consultores públicos e
privados adotaram o DRIS como parte de
Ql
"O
<1l
sua técnica de diagnóstico em áreas selecio·
"O
~ nadas.
:í zona adequada
"O
ea. É possível, agora, também utilizar o DRJS
zona de luxo e m combinação com o SIC para delinear
<li
ê: zonas de produtividade para uma determi-
<1l
a. zona do loxicidado nada cu ltu ra cullivada em uma região. Esta
<1l
"O delimitação ajuda na identiílcação de locais
o
ê:
Ql
potenciais para fins de planejamento do uso
E do solo e monitoramento das tendências de

"'~ produtividade das culturas.
(.)

Concentração do nutriente no tecido da planta Embora vários trabalhadores mostrem que


muitas vezes o DRJS produz diagnósticos
deficiente baixo adequado alto tóxico mais precisos da deficiência do nutriente do
P(%) < 0,16 0,16-0,25 0,26-0,50 0 ,51 - 0,80 >0,80
K(%) < 1.26 1.26-1,70 1,71 - 2,50 2,51 - 2,75 > 2,75 que as abordagens convencionais, a com-
Mn (mgkg 1 ) < 15 15 · 20 21 - 100 101 - 250 > 250 plexidade da metodologia do DRJS tem
limitado o seu uso. Várias modificações na
Figura 8.3 Relação entre concentração de nutriente no tecido da planta e metodologia DRJS tem sido propostas para
crescimento ou produtividade, com exemplo de Jones (1967) para simplificar sua utilização e interpretação.
concentração de P, K e Mn na matéria seca de folhas de soja em Algumas destas modificações incluem o
várias classes de disponibilidade do nutriente.
Fonte: Adaptada de Marschner (1995) . cálculo simplificado das funções intermedi·
árias, modificação na seleção de parâme-
tros e modificação dos critérios para prever
Quando os níveis de nutrientes estão na faixa de consumo a resposta ao fertilizante suplementar. Além
disso, programas de computador íoram desenvolvidos para
de luxo há menor risco deles se tornarem deficientes em
fazer os cálculos do DRIS "em apenas um clique".
condições desfavoráveis para a absorção radicular (por
exemplo, seca) ou quando a demanda Interna é elevada Refinamentos no DRIS incluem a Diagnose da Composição
(por exemplo, durante o desenvolvimento de frutas ou Nutricional (CN D), que tem sido aplicada na província de
enchimento de grãos) . Quebec, no Canadá (Parent et ai., 2009).

Sistema Integrado de Diagnose e Testes Rápidos


Recomendação (DRIS)
O teste de tecido no campo consiste na determinação da
Os resultados da análise de plantas podem ser difíceis de quantidade de nutriente na seiva da planta - uma medição
serem interpretados porque a concentração crítica de um semlquantitativa do conteúdo não assimilado, solúvel.
nutriente no tecido vegetal varia com as alterações nas con- f .

centrações de outros nutrientes. Diagnósticos realizados pelo Uma grande quantidade de nutriente não assim ilado na seiva
Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS)
baseiam-se em proporções relativas das concentrações de
nutrientes, em vez das concentrações absolutas, por uni·
dade de matéria seca no tecido da planta. As normas para
indica que a planta está recebendo o suficiente, do nutriente
que está sendo testado, para um bom crescimento. Se a quan-
tidade for menor, há grande possibilidade de que o nutriente
está deficiente no solo ou não está sendo absorvido pela plan-

essas relações são estabelecid as comparando-se as análises ta devido à fa lta de umidade no solo ou a outros fatores.
completas de culturas em si tu ações de baixo e alto rendi· Os testes de tecido são executados racil e rapidamente no
mento . Pelo fato de serem usadas essas re lações, a diluição campo . O tecido verde da planta pode ser analisado para
da maté ria seca com o crescimento da planta tem menor vários nutrientes, tais como NO 3 , N, P, K. e, por vezes. Mg.
efeito na interpretação, e a época de amostragem pode ser
mais fl exível (Sumner, 1977) .
Mn e Fe. No entanto, é preciso muita prática e experiência •·
para Interpretar os resultados, es pecialmente aque les para
lniclalment e, sugeriu-se que as normas do DRIS estabcle·
cldas em uma localização geográílca pudesse ser bem apll·
Mg e micron utrientC's.


Esses testes são utilizados para identificar o nutriente (N . p
cada cm outras regiões. Resultados de numerosos estudos ou I<) q ue pode estar llmlta11do a produtividade ela cultura .
com milho, trigo, sojil, alfafa e ba tata, no e nta nto , Indicara m Se o teor ele um nutrlc>ntL' está 111ulto baixo, outros pod em
que as nornrns dese nvo lvidas loralmentc> ou rcglona lme nt e se acumular 11<1 selva dt>vlcio o cresci111e11to restrito da
produzem mai s p1 eclsàu no diagnóstico de deílclê ncl,1s

.
p lanta, rcsuhnndo e111 Inte rpretação Incorre ta. Se a l uhur.i
(Munson e Nelson, 1990: Jones, 1993) . cresce vlgorosa111c11tC' após a correl;ão ela del1ciê11cl.1 , pode-~e
• ◄

Em algum países, i11clulndo Estc1dos Unidos, Brnsll. Canil · verificar que outros 11utrlentcs não estão prest> Jllt•s c>111 quan-

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS DE SUPORTE •


.~ tidades suficientes para produzir rendimentos elevados. O do seu potencial produtivo e época de plantio, cultura ante-
1:2 que é identificado, ou testado, é o nutriente mais limitante rior, prática cultural e compactação, temperatura, nível de
em uma determinada fase de crescimento. umidade, pH e níveis de outros nutrientes no solo. Devido
t:;t Os testes rápidos de tecido podem ser muito úteis nas mãos a todos estes fatores, a análise de solo comporta-se mais
como um indicador preciso da probabilidade de resposta da
~
de um especialista. Sem sair do campo, e le pode detectar
cultura cio que uma referência correia do real rendimento

li deficiências de N e sugerir medidas corretivas. Essa econo-


mia de tempo pode ser valiosa. Tal como acontece com a
análise total das plantas, vale a pena comparar as plantas
saudáveis com as deficientes sempre que possível.
da cultura e da quantidade de nutrientes a ser aplicada para
alcançá-lo. Portanto , é fundamental que os resultados das
análises de solo sejam interpretados com cuidado por um
agrônomo experiente e bem treinado.
Kits contendo instruções e materiais para a execução de
testes de tecidos estão disponíveis. Muitos deles incluem Os produtores também diferem em relação às metas de
instruções de análise e materiais para determinar o pH do produtividade. Alguns têm mais tempo, interesse e capacida-
solo e até mesmo P, K e Zn do solo. Antes de utilizar esses de para manejar a cultura, de modo a atingir produtividades
testes, deve-se buscar uma formação qualificada para desen- muito próximas à máxima possível. Outros têm mais exigên-
volver habilidades de diagnóstico. cias, que competem pelo tempo. Alguns têm mais acesso à
vasta gama de fatores de produção e maior capacidade de
adquiri-los. Essas diferenças podem ter grande influência no
8.5 Interpretação dos Resultados da Análise
manejo da nutrição de plantas.
de Solo e de Planta
Os fatores supracitados têm levado ao desenvolvimento de
Produtores que regularmente realizam a coleta e a análise de duas abordagens distintas e amplamente reconhecidas para
amostras de solo e de planta estão interessados em assegurar o manejo da fertilidade do solo - o critério de suficiência de
que os rendimentos de sua cultura não estarão suprimidos nutrientes e o da construção e manutenção da fertilidade . A
pela baixa disponibilidade de nutrientes no solo. Querem escolha da abordagem a ser utilizada influencia a recomen-
também assegurar que os fertilizantes comprados gerem um dação da fonte, dose, época e local de aplicação do nutrien-
retorno econômico e que a fertilidade e a produtividade te. Os dois itens a seguir, com adaptação de Leikam et ai.
dos seus solos sejam mantidas, enquanto protege o ambien- (2003). explicam as abordagens.
te. A análise de solo, quando devidamente utilizada, é um
excelente guia para determinar a exigência de corretivos e Critério de Suficiência
fertilizantes a serem aplicados e para desenvolver um plano
de manejo nutricional. O objetivo do critério de suficiência de nutriente é aplicar
Uma boa recomendação deve abordar os 4 C's - fonte, apenas o necessário de um dado nutriente para maximizar
dose, época e local - e ainda considerar as metas de susten- a rentabilidade no ano da aplicação, minimizando a dose
tabilidade agrícola. Tais recomendações requerem muitas do nutriente ou os custos com fertilizante. Embora a varia-
informações, além da análise de solo, incluindo disponibi- bilidade inerente na resposta do nutriente entre e dentro
lidade de equipamentos, fontes de nutrientes, sistema de das lavouras ao longo do tempo possa resultar em maior
cultivo, propriedades físicas do solo e metas de qualidade e ou menor exigência na quantidade de nutriente do que a
produtividade das culturas. recomendada para a máxima rentabilidade, doses próximas
à ótima serão recomendadas a longo prazo. Quando este
As recomendações devem visar as seguintes situações:
critério é adotado, e os teores do nutriente no solo não estão
a) garantir que todos os nutrientes sejam mantidos em em níveis adequados para suprir todas as necessidades da
níveis não limitantes à cultura, desde o plantio até a cultura, há necessidade de aplicação de fertilizante safra
colheita; após safra a fim de eliminar possíveis prejuízos devido
,d b) equilíbrio entre os nutrientes para garantir o uso eficien- à escassez do nutriente no solo. As opções de aplicação
te de cada um deles; também são mais limitadas, pois em condições de níveis
baixos na análise de solo torna-se mais importante colocar
c) quantidades necessárias de nutrientes a serem aplicadas
os nutrientes e m uma faixa próxima à semente.
para elevar os teores no solo a níveis adequados duran-
te um determinado número de anos; A recomendação pela suficiência de nutrientes é baseada
em dados de e nsaios de calibração coletados em campo em
d) oportunidade de reduzir os nutrientes imóveis que se
vários anos e locais. Para resolver a questão das constantes e
acumularam nos solos em níveis muito a ltos ou excessi-
complicadas mudanças no retorno marginal da aplicação, essas
vos, tais como P e K.
recomendações são df'senvolvidas para proporcionar 90% a
A resposta da cultura ao forn ecimento de nutrientes, como 95%do rendimento máximo da cultura, ou o rúvel ele produti-
P e K, é influenciada por muitos fatores, além do teor dos vidade tipicamente obtido com a dose economirameme ótima
mesmos na análise de solo. As respostas podem ser maiores do nutrie nte. A resposta da cultura e as doses de nutrieme
ou menores ou as culturas podem responder ou requerer a recome ndadas são maiores quando os níveis do nutriente na
adição de um nutriente em maior ou me nor grau e m função análise do so lu estão muito baixos, ao passo que as doses

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS DE SUPORTE


do elemento recomendadas diminuem até zero à medida um determinado ano, mas minimizar a possibilidade de
que o nível da análise de solo aumenta até um valor crítico. algum aspecto nutricional limitar o crescimento das plantas.
O nível crítico é o valor da análise de solo no qual o solo é proporcionando rendimentos próximos do máximo, altos
capaz de fornecer quantidades suílcientes de P e/ou K para níveis de flexibilidade ao produtor e bom retorno econó-
alcançar 90% a 95% do rendimento máximo. Para rccomcn· mico a longo prazo. A desvantagem desse tipo de critério
dações de suficiência de nutrientes, os valores da análise de é que as doses de aplicação requeridas são normalmente
solo são vistos como uma variável de manejo e há pouca superiores às recomendadas pelo programa de suficiência
consideração quanto aos seus futuros valores. de nutrientes.
O critério de suficiência é frequentemente utilizado cm
situações em que o capital para Investimento está Indisponí- Escolha do Critério Adequado
vel ou tem-se elevados custos com Juros, ou quando a posse
da terra não está assegurada para o futuro (por exemplo, Durante um longo tempo, os dois critérios de manejo da
quando a terra é arrendada por um período de 1 a 2 anos). fertilidade do solo permitiram aos produtores a escolha
entre um sistema que recomenda a aplicação de baixas
doses de fertilizante em solos com balxos teores de nutrien-
Construção e Manute1tção da Fertilidade tes, mas que requer aplicações anuais do Insumo (programa
de suficiência nutricional), e outro, que é o de Investir em
O objetivo dos programas de construção e manutenção
altas doses em um determinado tempo (4 a 8 anos), a fim
da fertilidade é manejar os teores de P e/ou K da análise
de obter flexibilidade na aplicação e potencial redução
do solo como variáveis controláveis. Em solos com baixos
de custos, com múltiplas aplicações anuals, quando for
teores de nutrientes, as recomendações para construção e
manutenção da fertilidade são destinadas a nutrir as plantas mais conveniente e econômico (programa de construção
e manutenção). Valores críticos dos teores de nutriente no
com P e/ou K o suficiente para atender suas necessida-
solo e sua relação com as doses aplicadas são apresentados
des imediatas e elevar os níveis do solo para valores não
conceitualmente na Figura 8.4.
limitantes, ou seja, acima do nível crítico. Os níveis críticos
são os mesmos utilizados no critério de suficiência e sua Embora a diferença no custo entre os dois critérios possa
determinação requer quantidades semelhantes de dados ser considerável a curto prazo, os benefícios da flexibilida-
para calibração da análise de solo, coletados no campo. O de no programa global de fertilidade, os reduzidos custos
critério de construção e manutenção da fertilidade tende a de aplicação, a oportunidade melhorada e o manejo do
ser economicamente menos sensível às recomendações in· caixa podem fazer com que o investimento em programas
certas devido à redução de riscos de perdas de rendimento de construção e manutenção seja viável. Uma vez que os
das culturas em solos com altos teores de nutriente. Geral· produtores compreendam as duas abordagens, eles podem
mente, a construção dos valores da análise de solo ocorre decidir se o custo para a construção dos níveis de nutrien-
ao longo de um período de tempo previsto (4 a 8 anos, te no solo é um Investimento sensato. Se a propriedade
normalmente) . Uma vez que os teores dos nutrientes no solo tiver esterco animal como fonte de nutrientes, o critério da
excedem o valor critico, as recomendações de adubação são construção e manutenção da fertilidade do solo toma-se
feitas apenas para manutenção destes níveis em um lnterva· economicamente favorável. Porém, mesmo com o uso de
lo desejado ou de manejo. esterco é aconselhável não aplicar continuamente doses que
O teor de nutrientes desejado no solo geralmente é uma aumentem seu teor no solo acima de um limiar prejudicial
faixa situada pouco acima do nível critico (níveis médios a ao ambiente (geralmente maior do que o limite de manu-
altos), na qual o solo geralmente pode fornecer nutrientes tenção) , a fim de evitar desequilíbrios nutricionais e danos
de forma adequada para atender as necessidades nutricio- ambientais (ver seção 9.8.2 e Figura 9.2).
nais das culturas em crescimento. Uma vez que o teor de Produtores que objetivam malares lucros em sua ativida-
nutrientes do solo tenha sido construído no nível desejado, de muitas vezes irão necessitar mais do que apenas uma
os produtores terão grande flexJbllldade em relação ao mo· recomendação de adubação. Eles precisam de um plano
menta e à quantidade de fertilizante a ser aplicada. Assim, completo de manejo nutricional, além de Informações sobre
os produtores podem escolher se querem aplicar o nutriente variedades adequadas, práticas culturais, época de plantio,
anualmente ou combinar aplicações do nutriente a cada técnicas apropriadas de proteção da cultura, entre outras.
dois ou trés anos. Isso gera flexibilidade no gerenciamento A análise de solo é apenas uma parte do plano ele manejo
do tempo, fluxo de caixa e flutuações nos preços de merca· global da fertilidade do solo que vai garantir produtividades
do para fertilizantes e culturas. altas, rentáveis e ellclentes, minimizando, assim, as perdas
O manejo da construção e manutenção da fertilidade não de nutrientes que poderiam prejudicar o ambiente. As estra·
é destinado a promover o melhor retorno económico em téglas de manejo nutricional são discutidas no Capítulo 9.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS DE SUPORTE


~ 100

~b -roo~
80

E Q) 60
....
.9
e Starter somente ou zero
Q) Recomendação de

,~
E 40 suficiência
:c;
e
Q)
a:: Recomendação de Manuteção Starter somente ou zero
20 construção

~ Valor crítico Limite de manutenção

!.A o
o Teor do nutriente no solo ->
1:3
a Agura 8.4 À medida que aumenta o nível de nutriente no solo, aumenta o rendimento relativo da cultura (relação
percentual entre o rendimento da cultura sem aplicação de nutriente e o rendimento da cultura em que
~ não há limitação nutricional). Portanto, o tamanho e a probabilidade de resposta em rendimento de uma
cultura à fertilização diminui com o aumento dos níveis do nutriente no solo. Recomendações de suficiên·
::a eia nutricional visam promover retorno econômico no ano de aplicação e diminuir a zero a reposição do
nutriente (ou uma quantidade menor do que a da remoção pelas culturas, geralmente colocada próximo
3 à semente, denominada de arranque) no nível crítico. O critério de construção e manutenção recomenda
a aplicação de quantidades maiores do nutriente do que aquela que foi removida pela cultura quando o
:a nível do nutriente no solo estiver abaixo do nivel crítico, quantidades iguais às de remoção pela cultura
no intervalo dos níveis de manutenção (faixa próxima ao nível crítico) e quantidades menores do que a
~ removida pela cultura e tendendo a nenhuma aplicação quando os teores no solo estiverem acima do nível
de critico.
:a Fonte: Adaptada de Leikam et ai. (2003).

:a
:a 8.6 Parcela com omissão de nutrientes REFERÊNCIAS
:a Onde as análises laboratoriais de solo e de tecido vegetal não Joncs Jr. , J. B. ln: Soll Tcsting and Plant Analysls. Part li: Plant
são possíveis de serem realizadas, o suprimento de nutrien- Analysis. Madlson, WI: SSSA . 1967. µ. 49-58.
::31 tes do solo para a cultura pode ser estimado ulilizando-se a Jones Jr., J. B. Aust. J. Exp. Agric. , v. 33, µ. 1039-1043, 1993.
técnica da parcela com omissão de nutrientes. Isto é feito em
~ pequenas parcelas, onde cada um dos nutrientes que está
Lclkam, D. F.; Lamond , R. E.; Mengcl, D. B. Bctter Crops. v. 87.
n. 3, p. 6-10, 2003.
sendo avaliado é omitldo em uma parcela, e nquanto todos
~ Marschner, H. Mineral Nutrlllon of Hlghcr Plants. 2. cd . London:
os outros são adequadamente aplicados. Há urna parcela
Acadcmlc Prcss, 1995. 889 p.
que recebe todos os nutrientes e também uma na qual
todos os nutrientes são omitidos. Se nflo houver decrésci mo Mun~on, R. D.; Nelson, W. L. ln: Sull Tc.,tlng aml Plant Analy~b.
na produtividade das plantas na parcela cm que o nutrlen· 3. cd., cap. 14. 1990. (SSSA Book Scril'S, No. 3).
te foi omitido, comparada à parcela que recebeu todos os Parcnt, L. E.: Na tale, W.; Ziadl, N. Can . J. Soll Sei., , . 89, p. 383-
nutrientes, presume-se que há quantidade sullcle ntc deste 390, 2009.
nutriente no solo para suprir a cultura. Surnncr, tvl. E. Plant Sull, v. 46, µ. 359-369. 1977.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS DE SUPORTE



Pe rgtt 11 tas / ? •
o

8. Diferentes extratores utilizados na análise de solos
para P disponível são interpretados utilizando
diferentes
a. profundidades de amostragem.

1
b. valores críticos.
c. nutrientes limitantes.
d . estimativas da demanda de nutrientes.
1
9. Na análise da planta, o nível crítico para a deficiên-
cia de K geralmente resulta em 90% do rendimento
•1
da colheita, em comparação com o
a. rendimento máximo.
b. rendimento econômico máximo.
1
c. rendimento de todos os nutrientes não
limitantes.
1
d. rendimento nas mesmas condições com K 1

não limitante.

10. Em um programa de manutenção/construção da 1

fertilidade do solo, quando o P na análise de solo li


estiver acima do limite de manutenção, a quanti- I'
dade de P recomendada deverá ser
1
a. zero ou somente de arranque.
b. reposição da remoção pela cultura.
c. aumentar o teor de P da análise do solo. 1
d. evitar o declinlo do teor de P da análise do
solo. 1

1
1


1
1

1
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PRÁTICAS DE SUPORTE
1
Estudo de Caso 8.1-1 Histórico de cultlvo lnfluoncla na decisão sobre a profundidade da amostragem do solo.

A importância de se conhecer o histórico de cultivo de um campo agrícola foi mostrada em uma região próxima a
Calgary. Alberta, no Canadá . Um novo proprietário queria plantar aveia para fazer feno verde em uma área de 65 ha .
Uma empresa de consultoria local foi contratada para fazer a amostragem do solo e a recomendação de adubação
antes da implantação da cultura, em meados de maio. Um membro da empresa foi ao campo e coletou 15 amos-
tras de solo aleatoriamente até a profundidade de 15 cm, tornou urna sub-amostra e a enviou ao laboratório de
análise de solo. Com base nos níveis dos rnacronutrientes observados na análise da amostra de solo, a recomenda-
ção de adubação foi de 132 kg ha·1, 11 kg ha·1 e 17 kg ha·1 de N, P20 5 e K20 , respectivamente, para uma meta de
produtividade de 9 t ha- 1• A adubação de P e K foi feita no sulco de plantio com uma mistura de monoamônio fosfa-
to (11-52-0) e cloreto de potássio, a qual forneceu, além dos nutrientes supracitados, 2 kg ha 1 de N. O restante do
nitrogênio (130 kg ha·1 de N) foi fornecido via ureia, na dose de 282 kg ha- 1 , aplicado a lanço e incorporado durante
o preparo do solo, antes do plantio. A cultura desenvolveu-se bem devido às chuvas no início do verão seguidas de
tempo quente e seco nos meses de julho e agosto. O rendimento de feno foi muito próximo ao que se esperava .
Tudo ia bem até o produtor solicitar a análise de urna amostra de tecido vegetal do feno. Os resultados mostraram
níveis de nitrato de 6.000 rng kg1, bem acima do nível considerado seguro, de 1.500 mg kg 1 , para a alimentação
do gado de corte (Cash et ai., 2007). O produtor reclamou que a recomendação da dose de N feita pela empresa de
consultoria era muito alta e teria provocado os excessivos níveis de nitrato no tecido vegetal do feno que ele cultivara.
Um agrônomo da região e a empresa de consultoria fizeram urna investigação mais aprofundada e descobriram que
a área tinha sido cultivada com alfafa por 5 anos, recebido uma gradagem no final do verão do quinto ano e ficado
um ano em pousio antes de ser vendida ao novo proprietário. No ano em que o campo estava em pousio houve
chuvas acima da média histórica, e o agrônomo suspeitou que o N mineralizado pela decomposição da alfafa tinha
sido lixiviado abaixo da profundidade de amostragem de 15 cm. A análise de amostras de solo coletadas até
120 cm, realizadas no final do verão em que foi cultivada a aveia, constatou 80 kg ha- 1 de N-nitrato residual no solo.
A alta concentração de nitrato no feno foi resultado da considerável quantidade residual deste elemento no solo
abaixo da profundidade de amostragem convencional combinada com uma adição excessiva de N via fertilizante
para a cultura da aveia. O tempo seco e quente nos meses de julho e agosto fez com que o acúmulo de nitrato na
aveia fosse ainda maior.
Em resumo, se o histórico de cultivo tivesse sido investigado e as informações supracitadas fossem conhecidas, a
recomendação seria fazer a amostragem de solo a uma profundidade maior, e não apenas até 15 cm. Nesse tipo
de situação, três profundidades de amostragem de solo são aconselhadas: 0-15 cm, 15-60 cm e 60-120 cm.
Assim, o N residual teria sido contabilizado e menor quantidade do nutriente seria recomendada para a cultura da
aveia.

Referência
Cash, D. et ai. Nitrate toxicity of Montana forages. Montana State University, 2007. [On-line].

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PRÁTICAS DE SUPORTE


Capítulo {g'i
PLANEJAMENTO E RESPONSABILIDADE NO MANEJO DE NUTRIENTES

O manejo da nutrição de plantas de acordo com os princí- plantas. Primeiro, ele deve acompanhar e registrar todas ns
pios das práticas de manejo de nutrientes 4C inclui respon- práticas de manejo aplicadas à cultura e que são relevantes
sabilidade em relação aos impactos gerados na sustenta· à nutrição vegetal como parte do ciclo adaptativo de manejo.
bitidade económica, ambiental e social. Neste capitulo Estas informnções visam beneficiar principalmente geren-
são discutidos e comparados os critérios utilizados para o tes e consultores na tomada de decisão sobre as práticas a
planejamento do manejo de nutrientes e a medida do seu serem adotadas ou a correção a ser feira 110 próximo ciclo

• desempenho na sustentabilidade .

9.1 Planos de Manejo de Nutrientes


Em muitas regiões, onde a produção intensiva de gado e
de produção, como discutido nos capituim 2 e 7. SL·gundo.
o plano precisa acompanhar o desempenho - rL•~ullado da
implementação ele um conjunto ele pr,íticas.
As pessoas estáa buscando, cada vez niais, info nnaçõL•s soi..Jn•
aves tem resultado em excedente de nutrientes (onde mais como m elhorar o desempenho dt• Slhl l'mpre~a "º lo ngo do
nutrientes são excretados no esterco do que sf,o absorvidos tempo. Compradores ele proclutus agrícol.i~ ljllL'I l'lll saiJL·r
pelas culturas no campo), planos de manejo de nutrientes a sua pegada ami..Jicntal com ba~e no cll'~e111pL•11lto dL• tod o
tem se tornado obrigatórios. Em algumas regiões tem-se o sistema . Por exL•mplo, as grandes t•111prL' \il!, da indu~tri,,
alcançado impactos positivos e boa!, adesões. No entanto, o de alimentos la11çara1n , ou l'st[io \l' pn·p:i,-.mdo para 1<1 11,·ar.
alcance desta abordage111 lêm !,ido limitada para pc-que no!, iniciativas globais para promoVL'r il agricullur.1 ~u,tL'1llaH•I.

• produtores e para as opera~·õcs focndns pri11cipal111c11te w1


prodw,:ão de cullura!, . Üb!,táculos it participaçtio incluem:
a ílm de ajudar a~ l'111prl'~as a ,·alor,,r t•co110111ic.1111L' llll' os
ilnpactos a111lilL•1Hais 1• sol"iais clt· ~ua~ r.idda, dl' ,upri11w11-

• p eríodo d e tempo ncce!,!,iÍl'io para reunir i11for111ações


dewlhada.s, falia d e ílexibilidadc na re!,posta il' 11111da11ças
relacionadas ao clima e ,10 mercado L' falia d l' concxüo co111
tus . Em u111 artigo publicado na mídia t•1n 25 d e .,gu~ to dl·
2011 , a Busil1l'~~gn'P ll.C11111 cll'~lTL'\'l'll u111,1 dt•,~•" inicia1i,-.1~
para induir
os pl anos de negóclm da fa1endn . . . , •·o IIUJll ~/ll do , ,, 1 Ili \ 1H, 1 vi/Ili ti.~ lul, , 11, l,!._ltl e t 1111 \ \ti, 1, /,, Ili

(UI/Ili" /i1 11d1111 id,11/, · "-~''' "'''· "/111 ,, ,; ,,, ,i, 1d,, /, ,1,l,,l,1,/1 "" '"'"
' J 9.2 Planos de Manejo de Nutrientes 4C 1' 11 Ú1 11,Ít, '1 I ,i,/111/1. Í IIÍ /1111,/ 1, Ili 111/i11 1 " 1 /111/11/1 /11 1 11111111 ,. /111\ , ,1(1(11

Um pl anu dt• Mam•Jo ele Nu1ril·11tl·~ <IC visa M•rvir il clob 1n 1/11/tn whti o, 11 1111111,1,/a,I,, c1.~J1t11Ífl\, di1,1t ,,1 l11111ic111,n , .r
propó~ilu!. 1·111 toda~ c1s operaçf1t'\ que mam 11111rie11IL'' da~ 1·1111/,'1 1111 u/111/, 111111 ,11 l,i, low1 ,. ,,,.,,,,,,,, 1,~1il,1111,11/,,,. •·

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


O processo de estabelecimento de metas ele suslentabillclacle cas de manejo, frequentemente em situação controlada de
deve incluir a seleção dos objetivos especíílcos de desempe- campo, concebidas para serem extrapoladas para um gran-
nho. O desempenho é avaliado através de medidas e indica- de número de situações práticas na fazenda. Um exemplo
dores relacionados aos resultados econômicos, a mbientais e pode ser um ensaio de campo em uma estação experimen-
sociais. Ele se relacio na a todos os resultados considerados tal na qual duas ou mais práticas são comparadas e onde
importantes aos agentes interessados (incluindo agric ultores, as medições incluem: produtividade da cultura, absorção
agentes do agronegócio, clientes e consumidores). ele nutrientes, perdas de amô nia e óxido nitroso para o ar,
perdas de nutrie ntes no escoamento e drenagem da água,
Quando os princípios do conceito de manejo de nutrientes
entre outras. O conceito 4C auxilia a pesquisa e a extensão
4C são aplicados no desenvolvimento de planos de manejo
de nutrientes, a informação coletada e reportada é direcio- na validação de práticas mais relevantes para alcançar os
resultados econômicos, sociais e ambientais considerados
nada aos objetivos econômicos, sociais e ambientais mais
importantes. Além dos rendimentos agro nômicos e dos importantes pelos interessados.
impactos ambientais, a sustentabilidade a longo prazo é con- Os indicadores de desempenho são mais simples do que
siderada fundamental. e o plano de manejo de nutrientes as medidas e podem ser determinados mais facilmente nas
deve tornar-se parle integrante do plano de negócios da fa- fazendas atuais. Os agentes interessados precisam concordar
zenda. Com o foco nas informações de desempenho que eles reflete m suas aspirações de desempenho e que os
econômico, ambiental e social estabelecidas pelos indicadores se correlacionam bem com as medições reais.
agentes interessados, é possível distinguir o plano Por exemplo, onde a erosão do solo é o principal problema
de Manejo de Nutrientes 4C de um plano de manejo e constitui grande fonte de perda de nutrientes, um indica-
de nutrientes . dor que mede a cobertura do solo com resíduos vegetais
No Capítulo 2, observou-se que o conceito do manejo de nos períodos criticas pode ser adequado.
nutrientes 4C relaciona práticas de manejo - seleção da fonte
de nutriente, dose. época e local de aplicação - a metas de Quem escolhe os indicadores?
sustentabilidade para a empresa. Assim, o primeiro passo A participação dos agentes interessados é necessária para
no desenvolvimento de um plano de manejo de nutrientes selecionar os indicadores de desempenho que representam o ' .
4C é estabelecer as metas de sustentabilidade da empresa, progresso nas metas consideradas importantes por todos.
seja uma fazenda, um campo de golfe ou um parque. Isto Em suma, um plano ele manejo de nutrientes 4C e nvolve
requer um elevado nível de compromisso do produtor ou
do gerente e incentiva o envolvimento com agentes interessa-
dos. Enquanto esses agentes contribuem para o processo •
de estabelecimento das metas, os gerentes selecionam as
práticas. As metas gerais de sustentabilidade são estabelecidas
em parceria com pessoas que têm interesse nos impactos do
empreendimento sobre as coisas que são importantes para
Pergu11tas
/
? •
elas. Metas específicas da empresa precisam se alinhar a essas
1. Planos apropriados para o manejo de nutrientes
metas gerais. incluem informação sobre
Os impactos do manejo de fertilizantes são expressos no a. práticas de manejo.
desempenho dos sistemas de cultivo ou do sistema b. desempenho.
solo-planta-atmosfera no qual eles são aplicados. O desem- c. práticas de manejo e desempenho.
penho inclui o aumento d e produtividade, qualidade e lucro d. detalhes com encargos.
,, r
resuhante da aplicação de fertilizante e se estende a efeitos
de longo prazo sobre os níveis de fertilidade do solo e sobre
as perdas de nutrientes para a água e o ar. Inclui também
impactos sobre a economia regional e as condições sociais -
2. O primeiro passo no desenvolvimento de um
plano de manejo de nutrientes 4C é determinar,
..
para a fazenda,
por exemplo , acesso ao alimento. Nem todos os aspectos do a. indicadores de desempenho.
desempenho podem ser quantificados em cada fazenda, mas b. metas de sustentabilidade.
todos devem ser é!Valiados. Índices cientificamente aceitos c. metas de produtividade.
e modelos computacionais podem ser utili zados para essas d. doses de fertilizante.
avaliações.
3. Indicadores de desempenho refletem o progresso
9.3 Medidas e Indicadores de Desempenho cio manejo ele íertillzantes para melhorar a
As m edidas de desempenho são medições detalhadas cio a. qualidade da água.
real resulté!clo dü implementação de uma prática ele manejo b. qualidade do ar.
específica para um det erminado sistema ele cullivo. Elas c. produtividade da cultura.
pod em te r custo elevado e apresen tar difícil cxccu\·ão. As d. sustentabilidade.
medidas de dP~cmpenho são feitas , pri11clpal111e11tc, por
pesqul~arlorcs agro nómico~ e são usadas para validar pn1ti-
l
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PLANEJAMENTO NO MANEJO
t:a
produtores e seus consultores na seleção da combinação selecionar as medidas de desempenho e os indicadores que
t::11

-
correta da fonte , dose , época e local a partir de práticas se relacionam com os temas de maior preocupação. Uma lista
validadas pela pesquisa conduzida por pesquisadores parcial de Indicadores, a partir da qual eles podem fazer a
agronômicos. Metas para o progresso econômico, ambiental seleção, é descrita na Tabela 9.1. É importante reconhecer
que nenhum desses indicadores são afetados somente pelo
~
e social da empresa - e correspondentes Indicadores de
desempenho - são escolhidas para se alinhar às metas gerais manejo de fertllizantes. Todos podem ser melhorados pela
de sustentabilidade, dentro das quais os agentes Interessados aplicação do manejo de nutrientes 4C, mas também depen-
3 do sistema de produção de culturas têm contribuído. O dem de uma boa gestão de todas as prátlcas aplicadas ao
plano documenta tanto as práticas implementadas quanto o sistema de cultivo ou ao ecossistema da planta. Por exem-
3 desempenho de acordo com esses indicadores. plo, um bom programa de fertilização para um gramado
não vai garantir o controle da erosão se o manejo de corte
3 Quais são os possíveis indicadores? ou a seleção de espécies forem Inadequados. Um outro

:a Considerando que a aplicação de fertilizantes tem múltiplos


impactos, um simples indicador, ou medida, não expressa de
exemplo, a escolha de um cultivar de trigo mal adaptado
resultará em baixa eficiência no uso de N, a despeito das

=- forma completa o desempenho. Nem todos os possíveis im-


pactos podem ser medidos. Os agentes interessados precisam
melhores escolhas possíveis de fonte , dose, época e local de
aplicação de N.

=-
=-
3
Tabela 9 .1 Exemplos de medidas e de indicadores de desempenho para o manejo da nutrição de plantas.

M edida ou Indicador de desempenho *


Produtividade
Descrição
Quantidade colhida por unidade de área de cultivo por unidade de tempo.

:a Qualidade Açúcar, proteína, minerais, vitaminas ou outros atributos que adicionam


valor ao produto colhido.

:li Eficiência no uso do nutriente Produtividade ou nutriente removido por unidade de nutriente aplicado.
Eficiência no uso da água Produtivida de por unidade de água aplicada ou disponível.
~ Eficiência no uso do trabalho Produtividade do trabalho ligada ao número e ao tempo de operações no
campo.
:li Eficiência no uso da energia Produtividade das culturas por unidade de energia.

:a Lucro líquido Volume e valor da produção da cultura em relação a todos os custos de


produção.
Retorno sobre o investimento Lucro em relação ao investimento de capital.
Adoção Proporção de produtores que utilizam ou área que recebe as Boas Práticas
para Uso de Fertilizantes {BPUFs).

j Produtividade do solo Níveis de fertilidade do solo e outros indicadores de qualidade.


Carbono orgânico do solo Influência da estrutura e da qualidade do solo bem como do balanço de
gases de efeito estufa.
Estabilidade da produção Resiliência na produtividade das culturas às variações de clima e pragas.
Renda da propriedade Melhorias na subsistência (qualidade de vida).
Condições de trabalho Questões sobre qualidade de vida, satisfação do trabalhador, rotatividade
de funcionários.
Água e qualidade do ar Concentração e carregamento de nutrientes para bacias hidrográficas ou
na atmosfera.
Emprego do ecossistema Estética da paisagem rural, predadores naturais e polinizadores,
recreação ao ar livre, caça, pesca, entre outros.
Biodiversidade É difícil quantificar - pode ser descritivo.
Erosão do solo Grau de cobertura do solo pelo crescimento ativo das culturas e resíduos
de cultlvos e/ou redução em massa da perda de solo por unidade de área.
Perdas de nutriente para fora do campo Total de perdas de nutrientes da zona de manejo agrícola - bordas dos cam-
pos, parte Inferior da zona radicular e parte superior do dossel da cultura.
Balanço de nutrientes Contabilidade total de entradas e saídas de nutrientes na superfície do
solo ou porteira da fazenda .
• AImportância relativa entre esses e outros Indicadores precisa ser determinada Junto â contribuição do agente Interessado.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


Suporte Econômico para Desempenho Supõe·se que a eficiência de uso do nutriente seja o indica-
Ambiental e Social dor de desempenho mais importante para o uso de fertili-
zantes. Este não é o caso. Os nutrientes são aplicados para
Agricultores e gerentes reconhece m os aspectos ambientais
aumentar o desempe nho global do siste ma de cultivo. A
e sociais necessários para manter suas empresas viáveis
eficiência de uso do nutriente é apenas um aspecto do de-
para as futuras gerações. A rentabilidade econõmica, no
sempenho, como indicado na Tabela 9.1. A eficiência de
entanto , é essencial para a sustentabilidade de qualquer
uso do nutriente tem muitas definições, refletindo a recupe-
empresa, e às vezes pode entrar cm conílito com as metas
ração do nutriente, o balanço do nutriente ou o rendimento
para o desempenho social e ambiental. A motivação para
que os gerentes considere m os Ires aspectos de forma produzido por unidade de nutriente aplicado. Cada um ,....
completa pode ser forn ecida por programas que incluem deles fornece indicações únicas do potencial de melhoria
reconhecimento (por exemplo, um certificado ou rótulo de no manejo de fertilizantes , porém, nenhum deles fornece a
conformidade ambiental) ou pagamentos diretos por bens representação total do impacto sobre o d esempenho global.
e serviços ecológicos (por exemplo, créditos de carbono
relacionados à mitigação de gases de efeito estufa). Tais Eficiências de produção. A forma mais simples de
programas podem assegurar melhoras contínuas na produ- eficiência da produção agrícola é denominada de fator de
tividade, juntamente com o progresso nas questões sociais
e ambientais.
produtividade parcial (FPP). Esta é calculada em unidades
de produção da cultura por unidade de nutriente aplicado.
Já a eficiência agronõmica (EA) é calculada em unidades
. ,.
de aumento de produtividade por unidade de nutriente
9.4 Eficiência de Uso do Nutriente co mo
aplicado. Mais estreitamente, ela reflete o impacto dos
Indicador de Desempenho nutrientes aplicados. O primeiro fator é facilmente calculado
Medidas e indicadores de desempenho incluirão, muitas para qualquer fazenda que mantém registros de entradas e
vezes, dados de produção agrícola e informações suficientes saídas. O segundo fator requer uma parcela sem aporte de
para calcular o retorno econõmico. Além disso, eles terão nutrientes; desta forma, só é conhecido quando parcelas de
que refletir o desempenho social e ambiental. Os escolhidos pesquisa são implementadas na fazenda.
podem variar de acordo com as prioridades do interessado, O FPP responde a questão: "Quão produtivo é esse sistema
mas, muitas vezes, incluirão o balanço de nutrientes ou a efi-
ciência de uso do nutriente. Muitos impactos ambientais são
de cultivo em relação ao aporte de nutriente?" A EF respon- .....
de a uma questão mais direta: "Quanto foi a melhora no
minimizados quando excedentes de nutrientes são evitados aumento de produtividade obtida com o uso do nutriente?"
e quando as eficiências de uso do nutriente são melhoradas.
Por exemplo, em solos arenosos, a perda de nitrato por Eficiência de recuperação. A eficiência de recuperação
lixiviação pode representar uma fração considerável do N do nutriente também apresenta, pelo menos, duas formas.
aplicado; assim , práticas escolhidas para melhorar a eficiência A forma simples, que é a saída do nutriente por unidade
de uso do nutriente reduzirão, ao mesmo tempo, as perdas de entrada do nutriente, algumas vezes é denominada de
de nitrato para o lençol freático. Tais práticas podem incluir balanço parcial do nutriente (BPN) . Ela é calculada corno
a aplicação parcelada do nutriente para reduzir as perdas ou a quantidade de nutriente na porção colhida da cultura
o uso de produtos que mantêm o N na forma de amõnio. por unidade de nutriente aplicado. É facilmente medida e
Muitas das perdas de nutrientes que impactam o ambiente útil para os produtores e pode ser reportada para qualque r
número de safras.
são difíceis de sere m mensuradas. O balanço de nutrientes e
a eficiência de uso do nutriente forn ecem uma medida indi- A forma mais complexa - preferida por cie nlistas que estu-
reta d essas perdas e não são tão difíceis de serem calculadas, dam as culturas - é denominada de eficiê ncia de recupera-
estimadas ou mensuradas. ção (ER). definida como o aume nto na absorção do nutrie n-
Há exemplos de situações e m que perdas muito pequenas te pela cultura em resposta à aplicação do nutrie nte. Assim
d e nutrie nte resultam e m impacto ambiental. Considere os como ocorre com a EA. sua d etem1inação requer a inse rção
problemas d e escoa mento superficial do P solúvel ou as emis· de parcelas experime ntais, sem a e ntrada de nutrientes. O
sões de óxido nitroso. Em ambos os casos, as perdas muitas BPN responde a questão "Quanto cio nutrie nte está sendo
vezes representa m apenas 1%a 3% do nutriente aplicado, e a re tirado do siste ma e m relação à quantidade a plicada?" A
perda c m si não é gra nde o suficiente para tornar a aplicação ER. por outro lado, respo nde a questão "Qua nto do nutrien
d o nutriente menos efetiva ou dispo nível para a nutrição ela te aplicado a pla nta consegue absorver?"
cuhu ra . Melhorar a efi ciência ele uso do nutriente e reduzir os C c rnlme ntc, EA e ER são calculadas para d escrever res ulta-
excedentes podem diminuir parcialmente o Impacto am- d os a curto prazo, o u de uma ún ica a plicaçflo do nu trie nte
bient al dessas pe rdas, ma~ as prá ticas d e escolha d a font e, o u da rcspm ta du ra nte uma única safra. Contudo, quando
d a época e do local d e aplirnçào precisam ta mbé m ser cillculada~ a lo ngo prazo, os resultados podem diferir
considera da~ para redu zir o Impac to sobre o a mbiente e m s11bsta ncialmc n1e, c 111 pa rt ic ular para o P, como ind icado na
11íveis sa t~fa tó rlos. Tabela 9.2 .

e NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


Table 9.2 Quatro definições para eficiência de uso do nutriente (EUN).

EUN Cálculo Exemplos relatados


FPP - Fator de produtivi- P/Q 40 a 80 unidades de grãos de cereais por unidade de N
dade parcial do nutriente
aplicado
EA - Eficiência agronômica (P - P0 )/Q 10 a 30 unidades de grãos de cereais por unidade de N
do nutriente aplicado
BPN - Balanço parcial do AjQ o a acima de 1 -depende da fertilidade natural do solo e dos
1
nutriente objetivos de manutenção da fertilidade
~ < 1 em sistemas deficientes em nutrientes (melhora a fertilidade )
> 1 em sistemas com excedente de nutrientes (sob reposição)
~~ Um pouco menos do que 1 a 1 (mantém a fertilidade do solo)
ER - Eficiência aparente de (A - A0 )/Q 0,1 a 0 ,3 - proporção de P recuperado no primeiro ano
=11 recuperação do nutriente 0,5 a 0,9 - proporção de P recuperado por culturas em sistemas
aplicado de cultivo a longo prazo
~ 0,3 a 0 ,5 - Recuperação de N em cereais - típico

:a Q - Quantidade de nutriente aplicado via fertilizante.


0,5 a 0,8 - Recuperação de N em cereais - melhor manejo

P - Produtividade da cultura com a aplicação do nutriente.


3 Pa - Produtividade da cultura no tratamento controle, sem aplicação de nutriente.
Ac - Conteúdo de nutrientes na porção colhida da cultura .
:a A - total de nutriente absorvido pela parte aérea da cultura com aplicação de fertil izantes.
Ao - total de nutriente absorvido pela parte aérea da cultura sem aplicação de fertilizantes.
:a
:.a
:a
9 .5 Pa ssos pa ra Desenvolver um Plano de
:a Manejo de Nutrientes 4 C
A escolha de uma estratégia apropriada de m anejo de nutrien-
tes irá apoiar as metas de sustentabilidade da faze nda. Um
exemplo de listagem de metas agrícolas para a sustentabili-
~ A seguir, é apresentado um conjunto generalizado de medi- dade ambiental é encontrada em artigo da série W hole Farm
das para estabelecer e implementar um plano de manejo de Evaluation, da Universidade de Comei! (n. 1, de Karl Czymmek) .
~ nutrientes 4C, que confere responsabilidade ao processo de
busca de níveis mais elevados de sustentabilid ade. Esses passos 2. Coletar informações necessárias de produção - para
são compatíveis com os princípios do manejo adaptativo, con- cada campo:
forme descrito no Capítulo 7.
a) Cultura a ser cultivada.
1. Definir as metas de sustentabilidade - para toda a b) Meta de produtividade e qualidade (por exemplo, proteí-
fazenda ou empresa: na, conteúdo de elementos-traços, cor e outras caracterís-
a) Considerar os agentes interessados. Isto inclui vizinhos, ticas influenciadas pelo manejo de nutrientes) .
clientes, grupos de interesse público local, faze ndeiros ou c) Características do solo, incluindo textura, matéria orgàni·
associações empresariais ou outras organizações ativas na ca, pH e dispo ni bilidade de nutrientes.
promoção voluntária da melhoria da sustentabilidade.
d) Histórico de cultivo e práticas de manejo de nutrientes
b) Quando a terra é arrendada, o proprietário da terra e o utilizadas no passado.
agricultor devem discutir a fim de determinar quem é o
e) Número esperado de d ias em condições adequadas de
responsável pela implementação das práticas de sustenta·
solo para operações de campo (aplicação de nutrientes,
bilidade e monitoramento de sua eficácia.
culllvo, plantio, proteção da cultura e co lheita) com base
e) Definir as metas econômicas, ambientais e sociais para no solo e no clima típico.
a empresa. Na escolha dos ind icadores de desempenho, O Drenage m da água, taxa de infilt ração, suscetibilidade à
deve-se considerar os interesses das pessoas listadas llxiviaçào, proximidade do le nçol freático.
aci ma.
g) Localização, dimensões e área de superfície (descrição
legal, coordenadas geográficas e maµ as) .

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


h) Oportunidade e potencial para a aplicação de nutrientes e) monitoramento da quantidade e da qualidade da água
em taxas variáveis em escala de subcampo. que deixa a fazenda nos canais de drenagem;
i) Equipamento disponível para a aplicação de nutrientes. O medida ou avaliação da qualidade do solo com o uso de
j) Recomendações confiáveis e ferramentas de suporte para indicadores adequados.
uma ótima combinação de fonte, dose, época e local de
aplicação do nutriente, dadas as condições acima. 9.6. Exemplo de Planilha do Plano 4C
3. Formular o plano - para cada campo: A seguir, é apresentado um exemplo de planilha do plano 4C
a) Determinar as necessidades nutricionais para alcançar que pode ser usada por um consultor ou supervisor da cultura
metas de produtividade e de qualidade. para ajudar o agricultor a desenvolver um plano de manejo de
b) Estimar a capacidade de fornecimento de nutrientes do nutrientes para seu campo.

-•
solo.
c) Considerar o fornecimento de todos os nutrientes disponí·
veis e escolher a fonte de nutriente mais viável, bem como
a dose apropriada, a época e o local para aplicação.

4. Implementar as práticas escolhidas, aplicando as fon•


tes certas de nutriente, na dose, época e local certo para alcan·
çar o máximo desempenho. Isto pode ser feito pelo gerente da

fazenda ou em acordo com os supervisores, fornecedores de
fertilizantes ou clientes, compradores e equipe de regulamen·
lação. O registro e acompanhamento preciso do que foi feito é

,- 4

uma parte importante do ciclo de manejo adaptativo e deverá


incluir também o rastreamento da condição da cultura. Perguntas ~
5. Monitorar a eficácia das práticas empregadas. A
etapa final no ciclo de manejo adaptativo avalia o desempe· 4. O indicador de desempenho mais importante no
nho, por meio dos indicadores escolhidos, para determinar se manejo de nutrientes das plantas é
as práticas selecionadas alcançaram os resultados pretendidos. a. fator parcial de produtividade.
Essa avaliação influencia o próximo ciclo de decisões de pia• b. eficiência de uso de nutrientes.
nejamento (ou seja, o passo 2) . O impacto de muitas práticas c. eficiência agronômica.
não pode ser facilmente medido em uma única safra e terá d. intimamente relacionado com as metas de
que ser avaliado ao longo de vários anos, para documentar as sustentabilidade.
melhorias.
Esse acompanhamento pode ser tão simples como determl·
5, O processo de desenvolvimento e inserção de
um plano de manejo de nutrientes 4C para uma
nar a produtividade das culturas e avaliar se esta esteve ou
fazenda
não próxima às metas de rendimento com base no plano.
a. é consistente com os princípios do manejo
Porém, muitas vezes, dependendo da prioridade das metas de
adaptativo.
sustentabilidade, o monitoramento também pode incluir um
b aumenta a carga de regulamentações gover•
exercício de contabilidade, como o acompanhamento do uso
namentais.
de nutrientes a seguir:
c. é independente do plano de negócios da
a) monitoramento da concentração de nutrientes no cresci· fazenda.
menta e na colheita da cultura; d. permite a recusa dos interesses dos agentes
b) determinação dos nutrientes residuais no solo após a co· interessados.
lheita e, em alguns casos, das concentrações de nutrien-
tes nas hastes da cultura (N principalmente); 6. O plano de manejo de nutrientes 4C deve conter
informações para cada área sobre
c) avaliar se o rendimento-alvo foi atingido levando em
a. práticas apllcadas e desempenho em relação
consideração o potencial produtivo com base nas condi-
aos anos anteriores.
ções meteorológicas encontradas (ou seja: A precipitação
b. metas de sustentabilidade e Indicadores de
pluviométrica e a Irrigação foram adequadas e oportu-
desempenho. 1
nas? A temperatura foi favorável para o desenvolvimento
c. todos os possíveis Indicadores ele desempe-
das culturas? Outros fatores interferiram no desenvolvi-
nho. 1
mento normal da planta?) ;
d, Fontes alternativas de nutrientes.
d) cálculo do balanço de nutrientes e eia eficiência ele uso dos 1

nutrientes; ---- ---- --- !



e •
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO

1) Informações sobre a fazenda

Nome da empresa:
(nome da fazenda ou da empresa)
Informação de contato - produtor:
(Nome, endereço, telefone, email)
Informação de contato - consultor:
(Nome, endereço, telefone, email
do Supervisor Certificado ou do
consultor agron"ômico)
Descrição da empresa:
(Número .de campos, culturas em
crescimento, gado ou aves, fontes
de nutrientes disponíveis)
Metas e Indicadores de sustentabllldade relacionados a nutrientes:

Metas lndlcador(es) de desempenho


relacionado(s) ao manejo do nutriente
para cada meta
Econômica

Ambiental

Social
O'I

2) Informações sobre o campo (para cada campo):

:a Campo ou nome da zona de manejo ou número

Localização e coordenadas geográficas (GPS)


:li
Mapa ,, descrição
::li
Área (tamanho)
:li Cultura anterior
:li, Cultura(s) específlca(s) para este planejamento

:li Metas realistas de produtlvldade(s)


. '

:a Topografia da paisagem e características ~e drenagem do sol.o

:li Características do solo 1 Níveis d~ anállse de solo

:a Matéria orgânica
Textura
N
p
Ca
Mg
:a pH K Zn
s
:a CTC Mn
(Continua)
:a
:a NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C • PLANEJAM ENTO NO MANEJO
e
(Continuação)

Planejamento da apllcação de nutrientes (recomendado)


Apllcação FONTE CERTA DOSE CERTA ÉPOCA CERTA LOCAL CERTO
••
(anállse) (data , estádio de
crescimento da cultura)
(profundidade,
método)

1
2 •
Nutriente apllcado

Apllcação FONTE DOSE ÉPOCA LOCAL

1

2
Resumo do balanço de nutrientes •
Resumo do balanço de nutrientes

Apllcado
N P20s K20 s

Abso rvido

Removi do
Indicadores de desempenho (podem Incluir níveis de fertili dade do sol o, eficiência de uso do nutrient e, ba- •
lanços e produtividade da cultura e outros, cons istentes com as metas de sustentabilidade. Gráfico mostran-
do a tendência ao longo do tempo): •
Indicador Ano anterior Ano anterior Ano anterior Ano atual

Produtividade
Retorno líqu ido •
Balanço parcial do nutriente - N

Balanço parcial do nutriente - P
Balanço parcial do nutriente - K •

9. 7 Comparando Normas Regulament adoras tárlas ou obrigatórias abordam melhor essas questões a mbien-

e Voluntá rias para Planos de Manejo de
Nutrientes
tais. Alguns argumentos a favor e outros contra as abord agens
obrigatórias e voluntárias estão listados abaixo.

O papel adequado da regulamentação é discutido em todo
Normas obrigatórias:

país e sociedade. Cada cultura e sistema político tem uma
visão diferente a respeito do papel apropriado do governo
no controle das atlvldades de indivíduos e grupos. Para a
regulamentação ambiental , re conhece-se que a qua lidade de
a) A nolllkação obrigatória resulta e m crité rios pad roniza-
dos que proporcionam credibilidad e à informação para
tratar dos Interesses e dúvidas do age nte Inte ressado.

b) Um conjunto de normas obrigatóri as te m como
vida coleUva é afe tada por Inúme ras allvldades humanas que
Impac ta m os recursos naturais , tais como ar, água e solo . Esses
Impactos são por vezes mitigados pelo controle governamental
sobre as bases local , regional ou nacional. Alguns Impactos
pré-requisito o elevado nível de transparê ncia qua ndo se
trata d e resolve r proble mas a mb ie ntais es pec íficos.
c) Atualme nte, não há critério padrão para ma nute nção d e

ambientais são melhor abord ados no nível local , enquanto regi ~tros e ne m re ~po nsab il idade na to mada de decisões
outras qu estõ es ambie nt ais são de àmbllo global e requ ere m ace rca de nutrie ntes, to rn and o difícil d oc ume nta r O pro-
acordos multJnaclo nals. gresso e m relação às me tas a mb ie ntais.

far á cla ro qu e quando o~ nutrientes das plantas não são devi· d) Argumenta-se qu e norma~ imperati vas obrigató rias
damente manejados e Inad ve rtid amente deixam o campo, eles pode m finalme nte levar os agricultorc~ à maior eficiê n-
podem co ntribuir para a ocon êncla de l111pac tm amble ntab cia, maio rc~ !urros e bc nH•~ ta r ~ocial, a lo ngo p razo . Ha
dlw rgê> nrl a de o pin iões ,acerca cle~ta afi rmação.

.,
ad versos. Poré m , nc,n sempre lk a claro se ,is re~pustas vo lu11·

NUTRI ÇÃO DE PLANTAS 4C - PLANEJAMENTO NO MANEJO


15
1
e) Em regiões onde se cultiva grande variedade de culturas i) Iniciativas de auto-regulação são baseadas em com-
1 comerciais, a capacidade dos reguladores de fazer regras partilhamento de informações, o que pode representar
obrigatórias para acomodar as necessidades específicas conflito de interesses.
1, de cada cultura seria severamente desafiada. j) Organizações de auto-regulação podem ficar relutantes
O Abordagens obrigatórias muitas vezes carecem de flexi· ao administrar penalidades cabíveis aos infratores graves
1 entre seus grupos.
bilidade para se ajustar a novas circunstâncias, condições
k) Quando Interesses individuais específicos parecem
1 ambientais e mudanças de mercado e de tecnologia
desviar-se dos objetivos gerais da sociedade, conllitos de
avançada. Isso pode onerar as fazendas que operam em
ambiente de negócios global. interesse tornam mais difíceis o auto-monitoramento e a
1 fiscalização.
g) Normas rígidas prejudicam a Inovação e reduzem o
1 incentivo para ir além dos requisitos mínimos e de manu- 1) Muitos agricultores operam em mercados controlados
tenção dos registros. pelas condições globais. Quando mercados estrangeiros
1 h) Muitas normas têm "vencedores e perdedores" , tornan-
não estão restringidos pelos regulamentos, a auto-regulação
pode ser uma desvantagem competitiva (embora isto se
do a criação de regras uma questão política e não um
1 resultado baseado na ciência.
aplique também à regulação obrigatória).
m) Abordagens voluntárias não podem tratar de alguns
1 i) É dificil para os reguladores monitorar, em explorações impactos ambientais e sociais mais amplos das decisões
agrícolas, a conformidade com os regulamentos, o que de manejo específicas.
1 pode minar a confiança nas regras e tornar a execução
n) As abordagens voluntárias não podem assegurar a
imprevisível.
comprovação suficiente de desempenho para satisfazer
l Normas voluntárias:
os desejos de todos os agentes interessados.

1 a) Padrões ambientais ainda estão em desenvolvimento 9.8 Manejo dos Impactos Ambientais
e medidas voluntárias impulsionam os agricultores na

• direção certa, à medida que a ciência amadurece.


b) Abordagens voluntárias permitem que a informação da
A meta central de nutrição de plantas 4C é gerenciar e reduzir
as perdas de nutrientes que impactam o ambiente. O futuro da
humanidade depende da maneira como utilizamos os fertilizantes
indústria atual seja rapidamente implantada na prática. nitrogenados e fosfatados e outras fontes disponíveis de nutrientes
Órgãos governamentais estão sempre tentando modificar
para produzir alimentos nutritivos de forma abundante e segura ...
a política para refletir mudanças nas condições.
e da forma como conseguimos maior proteção e restabelecimento
c) A auto-regulação proporciona maior flexibilidade do que da qualidade do ar e da água. Os ciclos do N e do P estão inti·
a regulamentação rigorosa, permitindo que as práticas de mamente ligados ao ciclo de outros nutrientes es.senciais, os quais
manejo sejam selecionadas e que atendam melhor aos sustentam toda a vida na Terra. Nossas atuais ações no manejo de
desafios locais. Isso evita que os reguladores tenham que nutrientes, baseadas nos 4Cs, ditarão os resultados econômicos,
lidar com situações politicamente desafiadoras cada vez sociais e ambientais, atuais e futuros. Cada consumidor de fertili·
que uma regra é alterada. zantes deve fazer as escolhas de manejo enquanto pergunta: será
d) Se os participantes estão envolvidos na seleção das que as minhas decisões e ações de manejo resultam em resultados
práticas de manejo corretas para um campo específico, lucrativos, melhor ambiente e beneficio social?
é provável que os resultados sejam mais adequados, do Estas perguntas são dificeis de serem respondidas, principal-
que uma abordagem "modelo único". mente porque os impactos ambientais são dificeis de serem
e) A auto-regulação pode resultar em maior nível de obe- mensurados no nível da fazenda. Por exemplo, não é realista
diência às regras. Quando os indivíduos estão envolvidos esperar que cada produtor rural meça as emissões de ôxido ni·
na definição das regras, estas parecem mais razoáveis a Iroso para a atmosfera ou as perdas de P para a água de drena·
eles. gem de sua propriedade. Ambos os exemplos envolvem perdas
esporádicas em condições muito especificas de solo e clima.
f) Normas vol untárias permitem que todos tenham possibi- Além disso, não há uma única prática que possa ser empregada
lidade de cumprir as regras, enquanto o grupo fiscaliza em todas as condições de produção para mitigar estas perdas -
os membros Individuais para atingir objetivos de interes- não há uma única solução. A ciência identificou as condições
se comum de toda a Indústria. sob as quais combinações especificas de fonte de fertilizante,
g) Abordagens voluntárias não podem proporcionar dose, época e local alcançarão menores perdas sem limitar a
suílciente motivação para que o indivíduo ou grupo produtividade. Estas condições são desc1ita~ em índices, proto-
participante alcance os resullados desejados. colos e outros instrumentos, relacionadas com a~ infom1ações
contidas nos planos de manejo de nutrientes e descritas em
h) A concordância com as normas voluntárias pode envol-
vários estudos de caso que acompanham este capítulo.
ver a divulgação Indesejada de informação negativa e
não ser acessível. Os dois subitens a seguir abordarão mais especificamente os
dois nutrientes mais comumente associados ao impacto am-
biental, o N e o P.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


9.8.1 Manejo dos Impactos Ambientais do N Por exemplo, perdas de N por volatilização, como amônia ,
podem ser grandes quando a ureia ou fontes nitrogenadas
A implementação do manejo de nutrientes 4C de forma contendo ureia são aplicadas na superfície do solo e não
específica e localizada pode melhorar a recuperação do N ocorre chuva suficiente ou Irrigação no período de 48 horas
do solo pelas plantas. Tais melhorias na recuperação do N após a aplicação. Isto também pode ocorrer quando o sulfato
pela planta minimizam o potencial de perdas, que diminuem de amõnlo é aplicado na superfície de solos calcários.
a rentabilidade e aumentam os riscos de danos ao ambiente.
O aumento da recuperação do N aplicado reduz as perdas Para muitos agricultores e produtores que gastam a maior
de N que podem prejudicar a qualidade do ar e da água. parte do seu tempo com decisões de compra e comercializa·
Também reduz o potencial de transíerêncla de N para zonas ção, as competências disciplinares de um consultor profissional
não agrícolas intactas, onde poderia prejudicar a biodiversi- agrícola (ou seja, um Supervisor Agrícola Certificado) ou um
dade natural. extensionlsta experiente podem ser essenciais. Estes profissio-
nais podem ajudar agricultores e produtores a planejar e im·
Muitos caminhos pelos quais o N é perdido plementar práticas de manejo de N que são agronomicamente
saudáveis, resultando em benefícios econômicos, ambientais e
Infelizmente, a recuperação do N aplicado durante a fase de sociais.
crescimento da maioria das culturas de cereais frequentemente
está longe de ser completa, podendo variar de 30% a 70% ou Diversas 111.aneiras de 111.elhorar a
ainda mais amplamente. O que restou do N aplicado pode ser:
eficiência de uso do N
a) armazenado em sítios de troca no solo como amônio;
b) armazenado na matéria orgânica do solo;
Maneiras para melhorar a retenção pelo solo e a recuperação
pela cultura do N aplicado incluem:
-=
c) perdido via lixiviação abaixo da zona ativa da raiz com a) melhoramento genético das culturas;
risco de contaminação das águas subterrâneas; b) novas tecnologias de fertilizantes;
d) perdido em superficie pela água de escoamento e/ou c) melhor época e aplicação parcelada;
descarga de drenagem;
d) avanços nas tecnologias de aplicação de fertilizantes;
e) perdido para a atmosfera pela volatilização da amônia, ou
e) maior acesso e implementação das ferramentas de GPS e
O perdido para a atmosfera como óxido nitroso (N 20, um SIC:
potente gás de efeito estufa que contribui para o aqueci-
mento global e mudanças climáticas) ou como o benigno
O adoção de práticas de conservação que melhoram a
eficiência de uso da água. -=
gás N2, a partir do qual todos os fertilizantes nitrogena-
dos são originados.

Certos solos são propensos a perdas maJores de N por meio


O manejo adaptativo, como descrito no Capítulo 8, pode auxi-
liar os produtores rurais a fazer escolhas a partir dos caminhos
-=li:
listados acima.
de algumas das principais vias de perdas acima mencionadas.
Por exemplo, solos arenosos profundos podem estar sujeitos
9.8.2 Manejo dos Impactos Ambientais do P
a:
a maiores perdas de N na forma de nitrato; solos de textura
argilosa mais fina , localizados em áreas de vánea, podem O fósforo precisa ser periodicamente adicionado à maioria dos E
estar propensos a maiores perdas através da desnitrilicação e
emissão d e N20 e/ou N2 para a atmosfera .
solos a fim de manter um suprimento adequado do nutriente
para sustentar o crescimento da cultura e re por os nutrientes a:
re movidos durante a colheita . Embora o P seja um nu trie nte
O manejo das perdas de N requer essencial para plantas e animais, concentrações elevadas em a:
couliecirnento rios e lagos podem eslimular a atividade biológica. O cresci-

O uso da font e apropriada de N, de inibidores de urease e/ou


mento excessivo de plantas nos corpos d 'água pelo enriqueci· a:
mento de nutrientes é chamado de eutrofização. A eutrofüação
de nitrificação, a aplicação de N sincronizada com a melhor é mais frequentemente causada por atividades humanas, mas
época de absorção de N e com doses de absorção, e a apli- ta mbém ocorre por processos naturais, especialmente cm lagos.
cação de N no loca l correto usando métodos de colocação Algumas agências governamentais consideram a eut rofização
adequados requer maior conheciment o sobre: como a causa primária da degradação das águas superficiais.
)) fo ntes d e fe rtiliza ntes nitroge nados;
A qu a ntid ad e tota l d e P perdida nos campos agríco las pode
2) características e pro pried ades d o ~olo;
3) condições climáticas (umidad e, te111peratu ra);
se r bem pequena, mas mesmo um peq ueno enriq uecimen to a:
d e P so lúvel e m riac hos, rios e lagos pode acelerar a eutro11 -
4) demandas e balanço d e nutrien tes no si~tema de culti vo; zação niio cl escjacla (ou seja, em a lguns lagos a pro liferação li:
5) complex idade do ciclo do N e de algas pode res ultar de co nce nt rações mul to baixa~. como
6) ma nejo diJ ág ua l' efi ciência d u irrlgaçào. 0,02 ing L I de P) . Es te processo d á inicio à d e terioração li:
d a ,\gua so b os as pec tos blo lógiros, es téticos e de saúde
pübll ra .

e NUTR IÇÃO OE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


Caminhos de perda de P co,neçam na comerciais como fonte primária de P ocorre, geralmente,
supeifície menor aplicação excedente de P, uma vez que a adição de fer-
f tilizantes além de uma concentração economicamente razoável
No solo, o P é encontrado na matéria orgânica e também representa um desperdício de dinheiro. O monitoramento, por
associado a muitos componentes inorgânicos - retido na meio da análise periódica do solo, é necessário para manter as
superfície de argilas e minerais oxfdlcos e também precipitado concentrações de P na faixa necessária para a produção das
• com cátions, como AI, Fe ou Ca. O P não é muito móvel na
maioria dos solos e está ligado, prlnclpalmente, a partículas
culturas. A longo prazo, a aplicação de fertilizantes fosfatados
em doses que excedem em muito a remoção pelas culturas
sólidas, em vez de dissolvido na água. Portanto, a perda de P pode aumentar as concentrações de P no solo em níveis não
1 está mais comumente associada à erosão da superfície do solo, desejáveis.
que transporta partículas do campo (Figura 9.1) .
A produção intensiva de animais pode levar a um excesso de
esterco e nutrientes em uma determinada região. A aplicação
continua de esterco em terras agrícolas frequentemente resulta

LJ Erosão com
partlculas de P

Perda de P do solo e da
em quantidade acumulada de P superior à removida pelas
culturas e, por 11m, aumento do risco de perda de nutrien-
tes na água que escoa para fora dos campos. As doses de
aplicação podem exceder várias vezes as quantidades remo-
vidas anualmente pelas colheitas em algumas áreas. Métodos
1 aperfeiçoados de distribuição regional de esterco podem ser
requeridos para mover os nutrientes em excesso para as áreas
onde são necessários. A aplicação continua de nutrientes
Escoamento acima da demanda da cultura pode levar ao acúmulo indese-
total de P
jado e potencial preocupação com o ambiente. O principio do
balanço de entradas e saídas de nutrientes é importante para

' todos os tipos de formas .


Figura 9.1 O principal caminho de perda de Pé o escoamento

• superficial, porém, em alguns solos a lixiviação Perg11ntas .


pode transportar o P para os canais de drenagem.
Adaptada de: Sharpley et ai. (2003).
'I
7. Uma vantagem das normas voluntárias, em compa-
ração com as normas obrigatórias, é que elas
a. permitem soluções que são mais sensíveis às
Quando estrume ou fertilizante fosfatado são deixados na
limitações específicas do local.
superfície do solo ou incorporados apenas superficialmente,
b. limitam a flexibilidade na tomada de decisão
o solo mais superficial torna-se enriquecido com P - a região
para responder às mudanças nas condições.
mais suscetivel a perdas com o fluxo de água. Nessas áreas, as c. enfraquecem a inovação.
perdas de P ocorrem, principalmente, no escoamento superfi-
d. aplicam penalidades apropriadas aos infra-
cial. Isso pode acontecer durante as chuvas, derretimento da tores graves.
neve ou durante a irrigação. A lixiviação também pode trans-
portar P através do solo para as valas de drenagem e linhas
8. Os dois nutrientes mais importantes para o futuro
de canais de subsuperfície, as quais descarregam nas águas de
da familia humana global são
superfície. Tal movimento através do solo pode ocorrer com a. N e P.
combinações de baixa capacidade de fixação de P, elevados
b. cobalto (Co) e selênio (Se).
níveis de P e fluxo preferencial através dos macroporos do c. celulose e lignina.
solo. Tal fluxo preferencial frequentemente tem origem na d. cádmio (Cd) e flúor (F).
superfície do solo. Assim, a maior parte das formas de perda
de P pode ser gerenciada e mlnimlzada pela aplicação dos
9. A recuperação pela parte aérea (absorção) do N
nutrientes em faixa, em subsuperfície. O manejo da água Iam· 1
aplicado na malorla das culturas de cereais durante
bém ajuda a minlmlzar as perdas de P.
o periodo de crescimento geralmente é:
a. 70% a 90%.
Manejo das doses de P pam controlar o b. menos que 30%.
actÍmulo no solo c. 50% a 60%.
Exlstem várias fontes potenciais de P que podem enriquecer d. 30% a 70%.
a água superllcial. Quando agricultores utilizam fertiliza ntes

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PLANEJAMENTO NO MANEJO


Ma,,ejo d o P e da água para minimizar as Tabela 9.3 Fatores que controlam a perda de P das terras
perdas cultiváveis.

A adoção de duas prálicas agrícolas ajudará a proteger a água Fatores relacionados à fonte de fósforo
doce da eutrofização:
Concentração de P no solo
a) O fósforo nos solos deve ser manejado para equilibrar Dose, época e local de aplicação do fertilizante fosfatado
as entradas de esterco e de ferLilizante com as saídas
(colheitas) das culturas. Isto pode ser feito pela contabili- Dose, época e local de aplicação do esterco
zação dos nutrientes adicionados cm cada campo e dos Concentração de P no esterco
nutrientes removidos durante a colheita ou no pastoreio
Propriedades físicas do esterco
dos animais. Análises periód icas do solo irão mostrar
se as concentrações de P no solo estão aumentando ou Solubilidade da fonte de P
diminuindo ao longo do tempo. Ajustes nas doses de
Fatores relacionados ao transporte de fósforo
aplicação de nutrientes podem ser feitos com base nas
tendências de longo prazo. Potencia l de escoamento superficial da água

b) A maior parte das perdas de P ocorrem quando Potencial de erosão do solo


sedimentos são retirados da superfície do campo pelo Drenagem em subsuperfície
escoamento da água. Práticas conseivacionistas que mi·
nimizam a erosão e reduzem o escoamento também irão Vegetação tamponante de borda
reduzir as perdas de P. Algumas práticas agrícolas de Proximidade e conectividade com a água
conseivação que podem ser consideradas para red uzir a
Textura do solo e classe de drenagem
perda de P incluem:

Preparo reduzido Práticas de irrigação


Áreas de várzea Ma nejo da zona ribeirinha
Culturas de cobertura Manejo de riachos drenagem, porém, a mesma forma de P - fósforo solúvel -
Manejo de valas Faixas de cultivo exigida pelas culturas cuilivadas também favorece a eutrofiza-
Controle da erosão Irrigação com reaproveita- ção e alimenta a proliferação de algas. A principal diferença
Gramínias aquáticas mento de água é que o escoamento de P é influenciado muito mais pela pro-
Calibração do espalhador Localização do nutriente fundidade superficial do solo do que pela camada superior do
Época de aplicação do solo, que contribui com a maior parte da alimentação para as
nutriente plantas. Essa diferença é pouco significativa em solos onde é a
mobilização é feita por inversão de camadas (arado de aiveca),
Índices de risco ajudam a m inim izar as mas em sistemas de manejo conseivacionistas (como plantio
direto ou sistemas que deixam a maior parte dos resíduos de
perdas deP
culturas na superfície) a mistura verlical do solo é diminuída.
A fonte de poluição das águas residuais pode ser difícil de
ser identificada e controlada. A maior parte do P perdido no Novas me todologias para análise de solo estão em desenvol-
escoamento superficial geralmente vem de uma área relativa- vimento e podem melhorar a previsão da resposta da cultura
mente pequena do campo. Especial atenção deve ser dada a e do potencial risco de perda de P. Um exemplo é a relação
essas zonas de alto risco. Práticas apropriadas de conservação PIAI do teste Mehlich 3, ulilizada como eslimativa da satura-
do solo podem ser aplicadas nessas áreas para interromper o ção por P do solo. Esses novos testes de solo elevem considerar
transporte de partículas para a água de superfície. fatores como época da amostragem do solo. profundidade
de amostragem, métodos adequados de manejo e técnicas de
Várias abordagens têm sido utilizadas para identificar as áreas
extração utilizadas no laboratório.
individuais com elevado risco de perda de P. Técnicas para
realizar essas estimalivas variam de simples avaliações da Medidas práticas podem ser imediatamente implementadas
perda de P a sofisticados modelos computacionais. Todas estas para reduzir o risco de perda ele P e a eutrofüação. A análise
estimativas devem ser calibradas para as condições locais de de solo para minimizar a acum ulação excessiva de P pode
solo, clima e cultivo. Esses fatores são listados na Tabela 9.3. ser facilmente iniciada. Aplicações de fertilizante e de esterco
precisam ser programadas para as épocas do ano nas quais há
Guia de análise de solo para manejo do P menor risco ele perda. Decisões sobre a localização do esterco
com objetivos eco11ômicos e ambientais e cio P-fcrti lizante precisam considerar as formas de minimizar
as perdas por escoamento superficial. As práticas conservacio-
A análise do solo tem sido muito útil na previsão ela necessi- nistas pnra reduzir a erosão do solo devem ser parte impor-
dade de aplicação de P no solo e da sua chance d e produzir tante cm todas as operações ngrícolas, i11dep('11cle111emente
uma resposta econômica da cultura . Esses objetivos diferem do tamanho do campo, cstndo nutricional ou rapacidade de
daqueles que prevêem os riscos el e perda de P na água de mnnejo.

e NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


A curto prazo, ele incentiva a ação prática no nível do solo
Teor de P na anãlise de solo
com respeito às soluções sinérgicas. Por exemplo, uma vez
Baixo Ólimo Alto
iii que o produtor entende que a colocação do fertilizante de
·u
t arranque em faixa pode estimular a produtividade da cultura
1 Q)
1 e. e reduzir o escoamento de P, a mudança de prática pode ser
1 :l
UI
1
1
feita quase que imediatamente.
G) .9e:
"O
Ili Valor crítico para Q)
"O E A longo prazo, ele guia os esforços da pesquisa e extensão
:i! produlívidade
Valor critico para "'o científica em direção às práticas mais eficazes no tratamento
"5
"O perda de P
,,,u
Q) das questões prioritárias de sustentabilidade. Muitas vezes, es·
~ o
D. e: tas questões são de difícil resolução na fazenda, por exemplo,
D.
Q)
a melhoria da eficiência de uso de N nas culturas de cereais.
,,,
"ti

"' Orientar práticas relacionadas à nutrição das plantas visando


-e
Q)
otimizar a produtividade pode ajudar a resolver muitos dos
Baixo Médio Alto D.

Risco de perda de P
atuais problemas associados ao uso de nutrientes. lllJ
Figura 9.2 À medida que aumenta o teor de P no solo
aumentam a produtividade da cultura e o risco REFERÊNCIA
de perda de P.
Fonte: Sharpley et ai. (2003). Sharpley, A. N. et ai. Agricultura! phosphorus and eutrophi-
cation. 2. ed., 2003. [On-line).

9.9 Manejo do Sinergismo


O processo que relaciona fonte, dose, época e local de apli-
cação de nutrientes aos resultados de sustentabilidade pode
ser assustador. Os impactos na sustentabilidade são muito
complexos, específicos do local e variam ao longo do tempo.
:a Eles envolvem incerteza e requerem pesquisa científica adicio-


nal. Apesar disso, o senso comum prático - dirigido por um
quadro global adequado - pode mudar as práticas e melhorar
os resultados a curto e a longo prazo .



. .

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


e
Estudo de Caso 9.1-1 Planos de manejo de nutrientes para cana-de-açúcar em cllma tropical úmldo na Austrália.

A indústria açucareira da Austrália produz cerca de 5 mi-


lhões de toneladas de açúcar bruto a partir de 35 mllhões
de toneladas de cana produzidas por 4.000 produtores.
A cana-de-açúcar é cultivada em locais Irrigados ou com
-- =-~ -
alta pluviosidade ao longo das planícies costeiras e de rios
na costa norte-oriental da Austrálla, de Queensland a New
--
South Wales (veja o mapa). O cultivo da cana e a produção
de açúcar são a base da economia de multas comunida-
- ~,,
des costeiras e só perdem para a Indústria do turismo em
importância na economia regional.
...........
A região canavieira ao norte está situada no trópico úmido, -~
com média de chuvas anuais de 2.000 a 4.000 mm e
próxima à área da Great Barrier Reef (Grande Barreira de ----. ____
OJ[l-

..... '--
~

1
Recifes), que é patrimônio mundial.
_..,.
A Grande Barreira de Recifes é um ecossistema único e
precioso e está em perigo devido à pesca, crescimento
urbano em sua bacia, esgoto, mineração e aos impactos fCWIO/rHWMil
das mudanças do clima, como aquecimento e acidificação .,-.
dos oceanos. Corais e outros organismos do recife que
formam a grande barreira são afetados pelas variáveis
da qualidade da água que o circunda, como temperatura,
Parceria enlTl! governo e indústria para desenvolver o
J1rogra111a "Seis Etaf,as Fáceis " ("Six Easy Steps ") para
.- ~

proteção da Grande Barreira de & cifes


salinidade e quantidade de alguns pesticidas, nutrientes e
sedimentos suspensos.
A produção de cana-de-açúcar na Austrália é altamente especializada e tem respondido às questões das mu-
danças econômicas e sociais com novas e melhores técnicas agrícolas. Toda operação de plantio e colheita da
cultura é mecanizada, sendo a maior parte das lavouras cultivada sob uma camada de cobertura verde, sem haver
queima do canavial para a colheita. O cultivo mínimo é amplamente praticado e muitos produtores tem adotado e
manejes específicos de nutrientes em seus canaviais. Os produtores também tem desenvolvido, em suas proprie-
dades, zonas ripárias como armadilhas de nutrientes e sedimentos. _e
Para proteger a qualidade da água da área de recifes foram traçadas metas, como a redução da aplicação de nutri-
entes e de pesticidas nos canaviais próximos. Para qualquer produtor que cultive cana-de-açúcar comercialmente
em mais de 70 ha na região tropical úmlda é requerido o preparo de um Plano de Manejo de Riscos Ambientais
.t
(ERMP - Envlronmental Risk Management Plan), cujos requisitos Incluem: _e
• Identificação de qualquer risco na fazenda que possa causar a liberação de contaminantes na água que
circunda o recife. e
• Metas mensuráveis e Indicadores de desempenho para melhorar a qualidade da água que está sendo
descarregada da fazenda. -~
• Um plano de gestão no qual estejam previstos o manejo de nutrientes aplicados no solo, químicos agrícolas
e sedimentos perdidos da fazenda. .e
• Aplicação, no máximo, de uma quantidade ótima de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, com base nas
propriedades do solo, aplicação de outras fontes (por exemplo, subprodutos da usina) e potencial produtivo
da cultura.
• Registros dos resultados da análise de solo e da aplicação de fertilizantes. Em algumas regiões, as análises
de solo devem ser feitas antes de se proceder a aplicação de qualquer nutriente. A análise de solo deve
Incluir a determinação do nitrogênio mineralizável e do fósforo disponível às plantas.
• Variações dessas recomendações podem ser feitas apenas com o consentimento de um consultor
credenciado.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


O Plano de Manejo de Riscos Ambientais de cada fazenda é assessorado pelo Departamento de Meio Ambiente
e Gestão de Recursos (DERM • Department of Environment and Resource Management) de Queensland. Uma
vez avaliado e aprovado, o plano terá um termo de credenciamento de um a cinco anos. Os Planos podem
incluir o mapa da fazenda, os planos de manejo de nutrientes e os planos de manejo de pragas e ervas daninhas.

Esses planos de manejo são registrados e fiscalizados pelo DERM, de modo que o plano de manejo de nutrientes -
geralmente formado com base nas "SEIS ETAPAS FÁCEIS" da BSES Limited (organização de produtores de cana)
- torna-se um documento legal de como o produtor de cana-de-açúcar usará o fertilizante em sua propriedade.

O programa "SEIS PASSOS FÁCEIS" é uma ferramenta de manejo integrado de nutrientes que permite a adoção
das melhores práticas de manejo de nutrientes pelos produtores de cana-de-açúcar e pode ser usada para
desenvolver os planos de manejo de nutrientes requeridos no ERMP. Os seis passos são:
• Conhecer e entender o solo;
• Entender e manejar os processos e perdas de nutrientes;

... • Analisar o solo regularmente;


• Adotar diretrizes de manejo de nutrientes específicas para cada solo;
• Verificar a adequação do aporte de nutrientes (por exemplo, usando análises foliares);
• Manter bem registradas as entradas de nutrientes para modificá-las onde e quando for necessário.

O programa é fornecido através de um curso de curta duração desenvolvido com os produtores. O objetivo é
fornecer um guia para a implementação de um balanço nutricional na propriedade, otimizando a produtividade e
a rentabilidade, sem causar efeitos adversos fora da área agrícola.

Para mais Informações:


The S/X EASY STEPS approach. [On-line].
ReefWise Farming. Qld. Government, Australia. [On-line].

NUTRIÇÀO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


_e:
Estudo de Caso 9.1-2 Como o manejo de nutrlontos 4C reduz as emissões de gás de efeito estufa. _s=
O plano de manejo de nutrientes 4C forma a base do Protocolo de Redução de Emissões de Óxido Nitroso (Protocolo
NERP) para créditos de carbono no nível de fazenda de forma quantificável, verossímel e comprovável em Alberta,
__e:
no Canadá. Este protocolo foi desenvolvido pela ClimateCHECK e pelo Canadian Fertilizer lnstitute e foi oficialmente
aprovado pelo Alberta Environment em outubro de 2010. _.IC;
Durante o desenvolvimento do NERP, uma das primeiras questões levantadas foi o potencial de compensação entre
as reduções na emissão de óxido nitroso (N 20) e a perda de produtividade das culturas. No entanto, a abordagem de
_&:
duas vertentes para a quantificação das emissões de Np tenta explicar isso. A abordagem "Tier 2", aceita pelo Painel
Intergovernamental para Mudanças Climáticas para o inventário de gases de efeito estufa no Canadá, atribui um fator _m::
de emissão para uma região específica em função da dose de N aplicada . No Canadá, esse fator de emissão varia de
0,2% a 1,7% do N aplicado emitido como N20.
Para levar em conta os outros três C's - fonte certa, hora certa e lugar certo -, um fator de redução, obtido com a
avaliação de especialistas, é aplicado em cada nível de desempenho. Três níveis de desempenho das práticas benéficas
--=
_e
de manejo (BMP • Beneficial Management Practice), que variam do básico ao intermediário e avançado, permitem a
adoção de variados níveis de BPMFs e intensidades de monitoramento de dados com o aumento do grau de manejo da
paisagem. Quanto maior o nível de desempenho, maior potencial existe para redução de emissões, refletido pelo menor
IC
modificador de redução. Exemplos de BPUFs para os solos de pradaria do oeste do Canadá, definidos como nível básico _e
de desempenho, incluem o uso de formulação à base de amõnio e aplicação parcelada de fertilizantes, em faixas, na
primavera. O nível intermediário também requer formulação à base de amõnio mas também o uso de fertilizantes de
liberação lenta/controlada ou inibidores. Na categoria avançada, as doses de N são baseadas em informações de campo ~
quantificadas derivadas da amostragem de solo em grade, imagens de satélite ou mapas digitalizados de solo.
Com a aplicação dos princípios do manejo de nutrientes 4C, o NERP procura:
JJ::
• "Otimizar o rendimento das culturas por unidade de nitrogênio adicionada" e, _e
• "Minimizar as chances de acúmulo de nitrato em solos onde ele pode ser potencialmente desnitrificado e/ou
emitido, direta ou indiretamente, como N20 ou perdido para o sistema através da lixiviação". _Ci
Para os consultores credenciados (APAs - Accredited Professional Advisors), o protocolo especifica a função de auxiliar
os produtores na criação e implementação dos planos 4C e no cálculo dos créditos de carbono associados. Agroecolo- cl
gistas e/ou consultores agrícolas certificados podem se qualificar como APAs por meio de treinamento especializado
completo, sobre o manejo de nutrientes 4C e os requisitos do NERP, e de um exame de credenciamento. Somente os E::
APAs são autorizados a assinar os planos. Requerimentos adicionais também podem ser aplicados, variando com as
leis e regulamentos locais. _IQ
A abordagem da quantificação do NERP é baseada em métodos utilizados no Relatório do Inventário Nacional de Gases de
Efeito Estufa do Canadá, que é preparado para atender os requisitos de notificação do Canadá no âmbito da Convenção das _e
Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O NERP foi desenvolvido de acordo com o padrão da ISO 14064-2, que atende
_IQ
os requisitos do Alberta Offsets System (Sistema de Compensações de Alberta), e é compatível com as intenções declara-
das do Canada's Offsets System (Sistema da Compensação do Canadá), do Climate Action Reserve e de outros programas
voluntários sobre gases de efeito estufa na América do Norte. O NERP de Alberta é o primeiro desse tipo no mundo. o NERP _e:
.
está sendo avaliado pelo The Fertilizer lnstitute para uma possível Implementação nos Estados Unidos. i
O NERP foi desenvolvido por meio de um processo de consulta abrangente e transparente com especialistas da área
para aprovação no âmbito do Alberta Offset System. Esses especialistas em ciência representam as principais univer-
sidades agrícolas do Canadá, a Agriculture and Agri-Food Canada, o lnternational Plant Nutrition lnstitute, os consul-
tores regionais em solos e os stakeholders da indústria. Especialistas internacionais também foram incluídos.
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No primeiro Consultallon Workshop para o NERP, realizado em Calgary em 2008, especialistas participantes aprovaram 0
projeto geral do NERP de acordo com os 4Cs. Embora tenha havido um consenso para os principais elementos do NERP,
1d
os participantes Identificaram algumas lacunas, exigindo nova reformulação. Essas falhas foram posteriormente abor-
dadas em um documento (Decision Paper) que foi apresentado aos especialistas em videoconferência, com a finalidade
de se chegar a um consenso. Os participantes do webinar resolveram as falhas do NERP, permitindo a padronização e
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a submissão para a avaliação formal e o processo de aprovação do Sistema de Compensação de Alberta (Alberta Offset
System). Esse processo é um exemplo de como os princípios do manejo 4C e a participação do stakehoider podem ser
aplicados para resolver os interesses específicos da sociedade e os desafios do manejo de nutrientes. .lt';-
Referência lt,
Alberta Environmenl. 2010. Quantilication Protocol for Agricultural Nltrous Oxide Ernlssions. [On-line!.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


Estudo de Caso 9.1-3 Práticas do manejo da água o de nutrientes melhoram a qualldade do lençol freático no
estado de Nebraska, EUA.

Desde 1985, no Lower Platte Natural


Resource Dlstrict (NRD), em Nebraska,
EUA, as concentrações de nitrato nas
águas subterrâneas e superficiais tem
sido monitoradas.

O terraço ao norte do distrito tem solos


argilosos e arenosos com um lençol
freático de 1,5 ma 7,5 m abaixo da
superfície, e é intensamente cultivado
com milho irrigado. Nesse terraço, os
níveis de nitrato nas águas subterrâ-
neas excedem consistentemente o
padrão de água potável de 10 mg l: 1
de N-nitrato.

Três níveis (fases) de manejo de N


foram implantados, de acordo com os
níveis de N-nitrato subterrâneos. Áreas irrigadas, com concentrações de nitrato menores que 7,5 mg l: 1, de 7,6 a
15,0 mg l: 1 e maiores que 15,1 mg l:1, foram designadas de Fase 1, Fase li e Fase Ili , respectivamente. Desde 1987,
a maior parte dos agricultores foi obrigada a cumprir os requisitos da Fase 1, com menor exigência para atender as
fases li, Ili e IV. Todos os operadores que utilizam fertilizantes devem ser certificados a cada 4 anos, e são incen-
tivados a utilizar as práticas das fases mais elevadas, mesmo quando não necessários. As recomendações das
doses de N são baseadas em metas de produtividade (fixadas em 105% nos últimos 5 anos), com créditos para
as culturas antecessoras, N na água de irrigação e nitrato no solo a 90 cm de profundidade. Alguns dos requisitos
relacionados com o manejo de nutrientes estão listados abaixo.

Fase 1
• A aplicação de fertilizante nitrogenado de outono é proibida em solos não arenosos antes de 1° de Novembro.
• A aplicação de fertilizante nitrogenado é proibida em solos arenosos após 1º de março.
Fase li
• Análises anuais de solo e água de Irrigação para N-nitrato.
• Relatórios anuais da aplicação de fertilizantes.
• Os fertilizantes nitrogenados são permitidos apenas em solos não arenosos de 1º de novembro a 1° de março
caso seja utilizado Inibidor de nitrificação aprovado, com registros do revendar de fertilizantes.

Fase Ili
• A aplicação de fertilizantes nitrogenados é proibida no outono e no inverno em todos os solos até dia iode
março.
• As aplicações de fertilizantes nitrogenados na primavera exigem o parcelamento da aplicação (pré-plantio
e em cobertura) ou o uso de um inibidor de nitrificação aprovado, com registros do revendedor de fertilizan -
tes caso 50% ou mais do fertilizante nitrogenado seja aplicado em pré-plantio.

Fase IV (para áreas onde o nitrato nas águas subterrâneas não está diminuindo a uma taxa aceitável)
• Meta de produção da cultura definida pelo NRD.
• As doses de fertilizante nitrogenado não devem exceder às recomendadas pelo NRD.
• A equipe do NRD trabalha diretamente com os operadores acerca das melhores práticas de manejo.

Resultados: O teor de nitrato nas águas subterrâneas da área do terraço (norte) diminuiu no período estudado,
de 1987 a 2005 (ver Figura). Cerca de 20% da redução é atribuída ao aumento da remoção de N pelas colheitas
e 50% às mudanças na forma de Irrigação - ele sulcos para Irrigação por aspersão. Talvez, por diferença, pode-se
concluir que os restantes 30% da redução sejam resu ltantes de al terações na época ele aplicação e nas fontes
(aumento do uso de Inibidores da nitrificação). Maiores reduções nos níveis de nitrato nas águas subterrâneas
podem exigir aumento na adoção das BPUFs atuais ou a adoção de tecnologias adicionais, tais como fert1llzantt!S
nitrogenados com liberação controlada e uso de sensores de N no dossel ela cultura.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C · PLANEJAMENTO NO MANEJO


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À medida que aumentam a produtividade da cultura e a remoção de N com o tempo, diminuem os níveis de
nitrato nas águas subterrâneas.

Nota: Esses dados se referem à aplicação de fertilizante nitrogenado comercial e à rem oção de N nos grãos em
milho irrigado, cultivado no terraço da área de estudo do NE CEAP, no Central Platte Natural Resources District.
e à concentração de nitrato no aquífero primário sob o terraço.
Fonte: Adaptada de Exner, M. E.; Perea-Estrada, H.; Spalding, R. F. The Scientific World Journal, v. 10, p. 286-297,
2010. Dados da Figura fornecidos por Dr. R. Ferguson e Dr. M. Exner, da Universidade de Nebraska.

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NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4 C · PLANEJAMENTO NO MANEJO
Estudo de Caso 9.1-4 O manejo da adubação fosfatada por melo da análise de solo melhora a produção de
alimentos e o desempenho ambiental na China.

A China é um país com grande população e com !Imitado recurso de terra . Para garantir a segurança alimentar e
o aumento sustentado da produção agrícola, a China tem dispensado grande atenção na construção da fertilidade
do solo ao longo dos últimos 60 anos.
Com uma história de milhares de anos de dependência da matéria orgãnlca do solo e da reciclagem dos resí-
duos de culturas como fontes de nutrientes para a manutenção da fertilidade do solo, no início dos anos 1950,
as terras cultiváveis na China apresentavam baixa fertilidade e baixa produtividade das culturas. Desde então,
a utilização de fertilizantes nitrogenados se tornou uma prática comum e aumentou o rendimento das culturas,
removendo , com isso, mais P e outros nutrientes do solo. Uma vez que grande parte do P absorvido pela cultura
está na parte colhida (cerca de 80% para as culturas de cereais), o P esgotou-se rapidamente no solo e o baixo
teor de P no solo tornou-se um severo fator limitante para a produção. Na década de 1980, com base nos resul-
tados da segunda pesquisa nacional sobre fertilidade do solo, cerca de 48% da terra arável apresentava teores
muito baixos de P Olsen (inferiores a 5 mg kg·1 ), e outros 30%, teores baixos (abaixo de 10 mg kg 1 ).
Dada aquela condição de P no solo, e com o objetivo nacional de garantir a segurança alimentar e construir a
fertilidade do solo, os fertilizantes fosfatados tornaram-se parte importante do programa de fertilização em toda
a China, partindo do Sul e gradualmente se espalhando para o Norte. Estimou-se que, de 1981 a 2000, um total
de aproximadamente 133 milhões de toneladas métricas de P20 5 foram aplicadas nos solos agrícolas da China
como fertilizantes químicos. Assumindo-se que a taxa de utilização acumulada (eficiência de recuperação) do P
aplicado foi de 50%, cerca de 480 kg ha 1 de Pp 5 , em média, foram acumulados no solo. Se as fontes orgânicas
de P fossem consideradas, o acúmulo de P no solo seria ainda maior (Li, 2003).
O balanço geral de P no solo (por exemplo, entrada de P - saída de P) mudou rapidamente após o longo período
de grandes saldos negativos que continuaram dos anos de 1950 até os anos 1960 e 1970. Na década de
1980, o saldo de P nas terras cultiváveis tornou-se positivo e o P começou a se acumular nos solos. Estima-
-se que os solos na China receberam um excedente de aproximadamente 79 kg ha·1 de Pp 5 em 2005. Com
este elevado balanço de P nos sistemas de cultivo, esperava-se que a disponibilidade de P no solo aumentasse
gradualmente e melhorasse a fertilidade do solo em relação a P. Embora não existam dados diretos de pesqui-
sas nacionais para verificar esse fato, acredita-se que, atualmente, a percentagem de terras agricultáveis com
deficiência de P (ou seja , nível de P Olsen abaixo de 10 mg kg 1) diminuiu para menos de 50%. Os resultados
das análises de P realizadas pelo Laboratório de Análise de Solo e Planta do CAAS-IPNI em 43.156 amostras de
solo, coletadas entre 1991 e 2007, também mostraram que 48% dos solos testados estavam deficientes em P.
Na história recente, a alta taxa de fertilização fosfatada ajudou a China a aumentar a produção agrícola e a
construir a fertilidade do solo em P. No entanto, ao mesmo tempo, com o aumento da acumulação de p no solo,
o risco de perdas de P nas terras agrícolas e o seu efeito sobre o ambiente não podem ser ignorados. Apesar
de haver poucas informações disponíveis acerca da contribuição das perdas de P das terras agrícolas para a
poluição da água de superfície, relatou-se que 14% a 68% do P total em lagos selecionados vieram de terras
agrícolas (Li, 2003).
Com essas mudanças nos níveis de P na fertilidade do solo na China, para ambos os benefícios, econômicos
e ambientais, os seguintes pontos podem ser considerados quando no desenvolvimento de estratégias para a
aplicação de P:
1. A estratégia para a aplicação de P deve estar de acordo com a análise de solo. Aplicar o suficiente para
construir os níveis de P no solo quando a análise do solo para Olsen estiver abaixo de 20 mg kg I para
a maior parte das culturas. Repor a quantidade de P removida das culturas em solos com teores acima
deste nível e não aplicar P em solos que apresentam níveis multo elevados na análise de solo.
2. Para todas as condições, é necessária atenção para controlar as perdas de P através da erosão do solo.
3. Um programa de adubação fosfatada deve ser desenvolvido para a rotação de culturas, corn atenção
para o aumento global da eficiência de uso ele fertilizantes fosfatados. Dê atenção ã eficiência de recu-
peração de P acumulada a longo prazo para diferentes sistemas de cultivo.
4 . Observar que as diferentes culturas (ou seja, hortnliças versus culturns de grãos) apresentam exi-
gências diferentes para os níveis de P no solo. Diferentes níveis críticos de P da nnalise de solo pnra
diferentes níveis de produção também podem ser ident1ficndos.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C - PLANEJAMENTO NO MANEJO


Res/1osta da soja ao P (à direita) devido a 11111 "ótimo" lralamenlo de ferliliza ç<io (OPT),
a/1/icado na província de Heilongjiang, no Nordeste da China.

A mudança na eficiência dos fertilizantes na China seguiu a Lei do Mínimo e outros princípios relacionados à
nutrição das plantas. Antes de 1950, os agricultores chineses usavam principalmente fertilizantes orgânicos
para manter o balanço de nutrientes no solo e nos sistemas de cultlvos, com capacidade de produção relativa-
mente baixa. Após a década de 1950, com o aumento do rendimento das culturas e do uso de N e P, a maior
remoção de K na safra resultou no esgotamento de K disponível no solo e em saldos negativos de K no solo
e nos sistemas de cultivo. Com base no estudo e balanço de nutrientes estimado por Li Jiakang, em 2003, o
balanço de entradas e saídas de N e P no sistema solo/cultura passou de negativo para positivo em meados
de 1980, mas o saldo de K continuou negativo em 2000 (Ta bel a 1).

Tabela 1. Balanço de entradas e saídas de nutrientes em terras agrícolas na China (em 1.000 toneladas).
Ano 1965 1975 1985 1995 2000

N 2.930 4 .100 5 .030 6.110 6.520


Matéria orgânica P,Os 1.380 1.940 2 .560 3 .300 3 .440
K2 0 3.060 4 .620 6 .210 7.600 8.320
N 1.210 3.640 12.590 22.240 25.140
Fertlllzante Inorgânico
P20s 550 1.610 4 .190 10.350 9 .730
K2 0 3 130 980 3.360 6.590
N 5.220 7.490 11.140 13.730 16.6 20
Saídas P20s 2.370 3 .340 4 .790 5.7 70 6.640
K2 0 5 .600 8 .130 12.080 14 .550 17.390
N -1.690 -1.570 190 3.500 2.470
Balanço P20 s -600 -2 80 710 4.8 90 3 .610
K,O -2.540 -3.380 -4. 890 -3 .550 -2.480

Fonto: LI Jlakang et ai. (2003).

Referências
Jln, J. Y. ln : LI , H. D. (Ed.) Pl ant Nutrient Management ln Sustalnable Agriculture. Jiangxl People's Press: Nan-
chang, China, 2008. p. 9-18.
Lu, R. Phosphate and Compound Fertlllzer, v. 18 , n. 1, p. 4·8, 2003. (em Chinês)
LI, J.; Lln, B.: Llang, G. ln: Lln Bao (Ed.). Chemlcal Fertilizer and No-pollutlon Agrlculture. China Agriculture
Press, 2003. p. 175-188. (em Chinês)

NUTRI ÇÃO DE PLANTAS 4C - PLANEJAMENTO NO MANEJO


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Glossário ( )
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Absorção - Processo pelo qual uma substância é absorvida e Água disponível - Porção de água no solo que pode _ser pronta-
incluída em outra substância, isto é, consumo de gases, mente absorvida pelas raízes das plantas. Considerada por
água, nutrientes ou outras substâncias, pelas plantas. alguns como sendo a água que o solo retém contra uma
pressão de até aproximadamente 1,5 M Pa.
Absorção de nutrientes - Processo de absorção de nutrientes
que ocorre geralmente por meio das raízes das plantas. Alcalino - Que contém ou libera um excesso de OH - em relação
Pequenas quantidades de nutrientes podem ser absorvidas a H'.
através das folhas quando são feitas aplicações foliares de Amonlflcação - Processo bioquímico pelo qual o N amoniacal é
nutrientes. liberado de compostos orgânicos contendo N.
Acidez ativa - Atividade de W na fase aquosa do solo. Esta é Análise de planta - Análise laboratorial quantitativa para deter-
medida e expressa como um valor de pH. minar o teor de um nutriente ou de nutrientes no tecido da
Acidez de reserva ou potencial - Esta acidez é representada planta.
por íons W trocáveis e Al3' hidrolisáveis que se encontram Análise de solo - Análise química da composição do solo, geral-
adsorvidos às partículas co loidais do solo. A acidez de mente destinada a estimar a disponibilidade de nutrientes
reserva está em equilíbrio dinâmico com os íons W da solu- para as plantas, mas que também inclui medições da
ção do solo (acidez ativa). Cálculos conservadores sugerem acidez ou alcalinidade e medidas físicas da condutividade
que a acidez de reserva pode ser de 1.000 a 100 mil vezes elétrica do solo.
maior para um solo argiloso do que a acidez ativa .
Análise de tecido - Teste de campo colorimétrico, rápido , qua-
Acidez residual - Acidez final que se desenvolve com o uso de
litativo, para determinar o teor de nutrientes solúveis não
fertilizantes em determinado horizonte do solo após os sais
assimilados na seiva do tecido vegetal.
residuais serem removidos desse horizonte por lixiviação.
Aplicação a lanço -Aplicação de adubo sólido ou líquido, ou
Ácido - Substância que libera W; con dição na qual a atividade
outros materiais, na superfície do solo, com ou sem incor-
de H' excede a de OH -.
poração posterior ao preparo. Não há localização específica
Adesão - Atração molecular entre superfícies, que mantém as em relação à planta. Os nutrientes podem ser aplicad os
substâncias juntas. A água adere às partículas do solo. antes ou após o plantio da cultura.
Adsorção - Adesão de moléculas em uma camada extrema- Aplicação de cobertura -Aplicação superficial do fertilizante
mente fina na superfície de sólidos ou líquidos com os no solo após a cultura estar estabelecida.
quais estão em contato.
Aplicação dupla - Colocação simultânea de dois materiais
Adsorção eletrostática - Adsorção causada pela atração elé- fertilizantes em faixas de subsuperfície.
trica de íons em uma superfície carregada.
Aplicação em faixas - É um termo geral que implica em aplica-
Adubação em faixa - Colocação do fertilizante em uma zona ções que concentram o fertilizante em zonas estreitas, que
concentrada sobre ou abaixo da superfície do solo. são mantidas intactas para fornecer uma fonte concen-
Adubação em sulco profundo - Refere-se à aplicação de uma trada de nutrientes. As aplicações podem ser feitas antes,
faixa concentrada de nutrientes na profundidade de 10 a durante ou após o plantio.
20 cm abaixo da superfície do solo. Algumas aplicações Aplicação em faixa superficial - Colocação em faixa de um
são mais profundas, até 40 cm. Os nutrientes podem ser fertilizante sólido ou líquido, por irrigação forçada, na
aplicados em forma sólida, líquida ou gasosa. superfície do solo.
Adubação em taxa variável - Técnica que muda as doses de Aplicação localizada - Colocação do adubo em faixas em um
aplicação de nutrientes, à medida que o aplicador se move ou ambos os lados da linha de plantio.
pelo campo, de acordo com as mudanças nos níveis dos
Aplicação parcelada - Fertilizante aplicado em duas ou mais
mesmos no solo.
vezes durante o período vegetativo da cul tu ra. A aplicação
Adubação starter - Fertilizante aplicado no plantio das semen- de pré-plantio e uma ou mais aplicações de pós-plantio são
tes ou em contato direto ou ao lado e abaixo das sementes. comuns.
A posição exata não está implícita .
Areia - Partícula inorgânica, com tamanho que varia entre
Adubação verde - Plantas cultivadas para serem Incorporadas 2,00 mm e 0,05 mm de diâmetro.
ao solo visando melhorar sua fertilidade .
Argila - Partícula cristalina inorgânica de ocorrência natural em
Aeração do solo - Processo pelo qual o ar no solo é substituído solos e em outras partes da crosta terrestre. A partícula de
pelo ar da atmosfera. A taxa de aeração depende, em grande argila tem menos de 0,002 milímetros (mm) de diâmetro.
parte, do volume e da continuidade dos poros no interior do
Bactérias slmblótlcas - Na agricultura, a definição geralmente
solo.
se refere a bactérias que crescem em nódulos nas raízes
Agregado - Partículas individuais de areia, silte e argila unidas das leguminosas e que têm a capacidade de fixar N atmos-
em uma partícula maior. Os agregados podem ser esferas, férico em formas que podem ser utilizadas pelas pl; ntas
blocos, placas, prismas ou co lunas. leguminosas hospedeiras.

-• NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C M
Base - Substância que reage com íons H' ou libera íons OH - - Colóldes - Partículas orgânicas ou inorgânicas com diâmetro
substância que neutraliza o ácido e eleva o pH. inferior a 0,001 mm. Os colóides têm uma grande área de
superfície, por vezes muito reativa.
Boro (B) - Elemento essencial , que pode estar envolvido no
transporte de carboidrato. É necessário para o crescimen- Complexo de troca - Todos os materiais (argila, húmus) que
to do tubo polínico e a germinação dos grãos de pólen. contribuem para a capacidade de troca de um solo.
Provavelmente, é o micronutriente que mais comumente se
Condicionador de solo - Qualquer material, tal como calcário,
apresenta deficiente no crescimento da cultura .
gesso ou condicionador sintético, que é acrescentado
Calcári o - O termo calcário, ou calcário agrícola, é aplicado ao ao solo para torná-lo mais adequado ao crescimento das
calcário moído contendo carbonato de cálcio (CaC0 3 ) e/ou plantas.
carbonato de magnésio (MgC0 3 ), cal hidratada (hidróxido
Corretivo de acidez - Calcário agrícola, produto cujos compos-
de cálcio (CaOH) ou cal queimada (óxido de cálcio, CaO). O
tos de Ca e/ou Mg são capazes de neutralizar a acidez do
calcário é utilizado para reduzir a acidez do solo e fornecer
solo.
Ca e Mg às plantas.
Corretivo do solo - Substância adicionada ao solo para melho-
Cálcio (Ca) - Elemento essencial, componente da parede celu-
raro pH; por exemplo, calcário, gesso.
lar da planta, importante para o funcionamen to de algumas
enzimas. O cálcio atua na regulação metabólica . Cultivo - Operação de preparo do solo para semeadura ou
transpla nte ou posterior controle de plantas daninhas ou
Capacidade de campo - quantidade de água ret ida pelo solo,
para descompactação do solo.
dois a três dias após a drenagem ter ocorrido ou cessado
em um solo previamente saturado por ch uva ou irrigação. Cultivo conservacionista - Qualquer sistema de cultivo que
Não é uma quantidade precisa. mantém, no mínimo, cerca de 30% de cobertura com
Capacidade de troca de ânions (CTA) - Soma total dos ânions
resíduos de culturas após o plantio, comparado à lavoura
limpa, onde todos os resíduos vegetais são incorporados
trocáveis que um solo pode adsorver.
ao solo.
Capacidade de troca de cátions (CTC) - Soma tota l de cátions
Cultivo convencional - Os sistemas de preparo convencional do
trocáveis que um solo pode adsorver.
solo variam muito de região para região e de cultura para
Carboidrato - Substância orgânica com a fórmula geral (CH2 0)n; cultura. O termo cultivo convencional originalmente impli-
por exemplo, açúcares e polissacarídeos. cava no uso de arado de aiveca e grade niveladora para
Carbonato - Sedimento formado pela precipitação orgânica ou nivelar a superfície do solo antes da semeadura. Porém,
inorgânica a partir de uma solução aquosa de carbonato na realidade, o sistema de preparo convencional já evoluiu
de cálcio, magnésio ou ferro, tal como a pedra calcária ou para o uso de outros instrumentos de cultivo, incluindo o
a dolomita. uso generalizado de escarificador como implemento de
preparo básico.
Cátion - Um átomo positivamente carregado como resultado da
perda de elétrons. Cultivo em fa ixa - Técnica utilizada para reduzir a erosão do
solo, na qual faixas de pousio ou faixas de cultura em linha
Cát ion trocável - Cátíon básico adsorvido a um colóide do solo,
são alternadas com culturas de grãos pequenos, gramíneas
mas que pode ser substitu ído por H' ou outro cátion . ou forragem de leguminosa.
Celulose - O carboidrato mais abundante nas plantas.
Cultivo mínimo - Sistema de cultivo que reduz, para o mínimo
Ciclo do carbono - Sequência de transforma ções por meio das necessário, as operações de máquinas com a finalidade
quais o dióxido de carbono (C0 2 ) é fixado em organismos de criar condições adequadas de solo para o plantio e a
vivos através da fotossíntese ou da quimiossíntese, liberado germinação das sementes.
pela respiração e pela morte e decomposiçã o do organismo
Curva de rete nção de água - Gráfico que mostra o teor de umi-
fixador, utilizado por espécies heterotróficas e, finalmente,
dade do solo em relação à energia aplicada para remover a
restituído ao seu estado original. água do solo (curva de liberação de umidade).
Ciclo do nitrogênio - Rotas tomadas pelo Na partir da atmosfera,
Denitrlficação - Redução bioquímica de nitrato (N0 - ) ou nitrito
através de solos, plantas, animais e do homem, voltando 3
(N0 2 ) em formas gasosas N2 , NO ou N2 0 . Ocorre em condi-
novamente para a atmosfera. ções deficientes em 0 2 •
Cloreto (Ci-) - Elemen to essencial, exigido pelas plantas para
Densidade aparente - Em solos, representa a massa seca
reações de fotossíntese envolvidas na evolução de oxigê-
(peso) do solo por unidade de volume bruto.
nio. Ele atua na regulação osmótica.
Desorção - Liberação de um íon ou molécula de uma superfí-
Cloroflla - Pigmento verde; armadilha de luz para a fotossíntese
cie. Oposto de adsorção.
em plantas, algas e algumas bactérias.
Diagnose foliar - Estimativa do estado nutricional de uma
Clorose - Uma condição anormal das plantas em que as partes
planta por meio de análises químicas ou manifestações
verdes perdem a cor ou tornam -se amarelas.
da co loração das folhas da planta, ou por ambos os
Cobalto (Co) - El emento essencial para os animais e para a métodos.
fixa çã o de Nem leguminosas. Ele atu a também na ativação
Difusão - Movimento molecular ao longo de um gradiente.
enzimática .
A difusão da água ocorre ele áreas molhadas para áreas
Cobre (Cu) - Elemento essenc ial , componente de várias enzi- secas. A difusão de gás e de soluto ocorre de zonas de alta
mas nas plantas. Necessário para a formação de clorofi la. concentração para zonas de baixa concentra ção.

M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
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'
!=D
Dispersão - Quebra de partículas compostas, como agregados,
em partículas individuais, ou distribuição ou suspensão de
partículas finas, como argila, em um meio de dispersão,
como a água.
Exigência em calcário - Quantidade de calcário agrícola de
boa qualidade necessária para estabelecer a faixa de pH
do solo ideal para o sistema de cultivo.
Exigência em fertlllzante - Quantidade de nutrientes neces-

~F1I
Dlsponlbllldade (de nutrientes) - Termo geral, frequentemente sária para aumentar o crescimento da planta em um nível
utilizado para descrever o suprimento de nutrientes absor- ótimo desejado, além da quantidade fornecida pelo solo.
vidos pelas plantas. Ferro (Fe) - Micronutriente metálico, absorvido pelas plantas
Dolomlta - Mineral composto de carbonatos de Ca e Mg; termo como íon ferroso (Fe 2• ) . O ferro é um catalisador na forma-
aplicado à pedra calcária que contém Mg. ção da clorofila e atua como transportador de oxigênio. Ele
também ajuda na formação de certos sistemas respirató-
Eficiência no uso do fertlllzante - Expressão da relação entre
rios enzimáticos na planta .
unidades de produção por unidade de nutriente fornecido
l"!II para a cultura. Fertllldade do solo - Estado de um solo com respeito à quanti-
dade e disponibilidade de elementos (nutrientes) necessá-
Elemento - Qualquer substãncia que não pode mais ser sepa-
~ rada, exceto pela desintegração nuclear.
rios para o crescimento da planta.
Fertllldade residual - Conteúdo de nutrientes disponíveis em
era Elemento essencial - Elemento necessário para a planta com-
pletar seu ciclo de vida. Os 17 elementos essenciais para
um solo, remanescente da adubação da cultura anterior.
que é transferido para a safra posterior.
o crescimento das plantas são: carbono (C), hidrogênio (H),
t::11 oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio Fertilizante - Qualquer material, natural ou fabricado , adicio-
(Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), cobre (Cu), cloro (CI), nado ao solo com a finalidade de fornecer um ou mais
trl ferro (Fe), boro (B), manganês (Mn), zinco (Zn), níquel (Ni) e
molibdênio (Mo).
nutrientes às plantas. O termo geralmente é aplicado a
outros materiais fabricados, que não calcário e gesso.

~ Elemento-traço - Elemento que ocorre em baixas concentra- Fertlllzante de pré-plantio - Fertilizante aplicado ao solo antes
ções, incluindo micronutrientes. do plantio da cultura.
~ Elétrons - Pequenas partículas de carga negativa que são parte Fertilizante em suspensão - Fluido que contém compostos
da estrutura de um átomo. dissolvidos e não dissolvidos de nutrientes das plantas. A
='I Enxofre (S) - Elemento essencial secundário, necessário para a
suspensão das matérias não dissolvidas normalmente é
formação de proteína na planta porque faz parte de certos produzida com a ajuda de um agente de suspensão com
aminoácidos. Como parte da proteína, é essencial para propriedade não-fertilizante (argila). A agitação mecânica
a atividade das enzimas. Está envolvido na formação de ou com arejadores pode ser necessária para facilitar a
nódulos e na fixação de N em leguminosas. É necessário suspensão uniforme de nutrientes não dissolvidos.
para a formação de clorofila, embora não seja constituinte Fertlllzante líquido (fluido) - Este termo aplica-se à amônia ani-
desta molécula . dra ou aquamônia (NH 3 ), soluções nitrogenadas e fertilizan-
Enzimas - Catalisadores que dirigem e controlam as reações tes mistos líquidos, incluindo soluções claras e suspensões

.
de sólidos em líquidos.
bioquímicas da célula .
Equllíbrlo - Condição de uma reação química ou de todo um Fertlllzante orgânico - Material orgânico que libera ou fornece

- ecossistema em que existem apenas pequenas alterações


nas condições ao longo do tempo.
boas quantidades de nutrientes orgãn icos para a planta
quando adicionado ao solo.

Equivalente - Peso em gramas (g) de um íon ou de um com- Fertlllzante starter, Inicial - Fertilizante aplicado no plantio,
posto que substitui ou se combina com 1 g de W . Peso ou em contato direto com a semente. Uma forma de fertilizante
de partida.
fórmula dividido pela sua valência.
Erosão - Desgaste da superfície terrestre por água corrente, Fertlrrlgação - Aplicação de fertilizante na água de irrigação.
vento, gelo ou agentes geológicos. Erosão acelerada é a Fixação - Processo pelo qual os nutrientes disponíveis para as
erosão por vento ou água em taxas mais rápidas do que plantas tornam-se temporariamente indisponíveis pela reação
as taxas normais ou geológicas, geralmente associada às com os componentes do solo. Geralmente, refere-se a reações

.
atividades humanas. de P, NH 4 • e K, levando à diminuição de sua disponibilidade.
Escoamento - Água que escorre na superfície do solo, e que Fixação blológlca de nitrogênio - Redução e assimilação de N
não se infiltra. atmosférico (N2 ) realizada por certas bactérias de vida livre
::., Estrutura - Disposição das partículas primárias em unidades
e simbiótica.
secundárias no solo, com tamanho e forma particular. Fixação de nitrogênio - Conversão do nitrogênio atmosférico
Eutroflzação - Crescimento abundante de plantas aquáticas (N) em formas orgânicas ou inorgânicas. Especificamente
acelerado pelo enriquecimento em nutrientes e que resulta nos solos, a fixação se refere à assimilação de N, do ar do
em condições deficientes de oxigênio em lagos ou riachos. solo pelos organismos do solo na formação de cÕmpostos
nitrogenados que ficam disponíveis às plantas. O processo
Evaporação - Perda de vapor de água do solo ou da água livre de fixação de N associado aos nódulos radiculares de legu-
diretamente para a atm osfe ra . minosas é conhecido como fixação simbiótica de N.
Evapotransplração - Perda de água do solo por evaporação Floculação - Junção de partículas coloidais para formar aglo-
sornada à perda pela transpiração das plantas. merados.

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C M
Fluxo de massa - Movimento de líquido em resposta à pressão. lnlbltor da nitrificação - Compostos, tais como nitrapírina
Movimento de calor, gases ou solutos Juntamente com (N-service) e dicianodiamída (DCD), que reta rdam a oxida-
,.
o flu!do em que estão contidos. Por exemplo, o N-NO se ção bacteriana do íon amõnio em nitrito e, assim, atrasam
3
movimenta por fluxo de massa no solo. a produção de NO3 • O objetivo da utilização desses compos-
Força de capllarldade - Força entre a água e a superfície do tos é controlar a líxívlação de NO3 pela manutenção do N na
solo nos pequenos poros (capilares). forma de NH 4 • por mais tempo, para evitar a desnitrificação
de N-NO3 e fornecer N-NH 4 para as plantas durante um
Fosfato - Sal de um éster de ácido fosfórico. Na indústria de longo período de tempo.
fertilizantes, no entanto, o termo fosfato gera lmente é
aplicado a qualquer material contendo P utílizado como Injeção - Colocação de fertilizantes líquidos ou de amônia
fertilizante. Também é usado em referência a P O , uma anidra (N H3 ) em faixa no solo ou por meio de sistemas
2 5
expressão do teor de P nos fertilizantes. pressurizados ou não.

Fósforo (P) - Elemento essencial às plantas, classificado como Íons trocáveis - íons retidos por atração elétrica em superfícies
um dos três nutrientes primários. Nutriente móvel na plan- ca rregadas; podem ser deslocados por troca com outros íons.
ta, desempenha papel-chave na fotossíntese, respiração Llxlvlação - Remoção de materiais na solução mediante a pas-
(utilização de açúcares), armazenamento e t ransferência sagem de água através do solo. Na agricultura, a lixiviação
de energia, divisão celular, alargamento celu lar, codificação se refere ao movimento de queda livre de água (percola-
genética e muitos outros processos. ção) fora da zona radicular da planta.
Fotossíntese - Processo pelo qual as pla ntas verdes capturam Lençol freático - Limite superior para a água do solo ou o nível
a energia solar, combinando água e dióxido de carbono abaixo do qual o solo está saturado com água.
para formar carboidratos. O pigmento clorofila é necessá rio
Localização do fertilizante - Concentração do fertilizante em
para a conversão da energia sola r em energia qu ímica.
uma banda ou faixa, em local específico, sobre ou abaixo
Gesso - Mineral ou rocha composta de sulfato de cálcio da su perfície do solo. Exemplos: na linha de plantio; fertili-
(CaSO 4-2H 2 O). zação por gotejamento; no sulco, em profundidade.
Grau fertillzante - Concentração mínima garantida na análise, Macronutrlentes - Nutrientes exigidos em maiores proporções
em percentagem, dos principais nutrientes da planta conti- pelas plantas.
dos no fertilizante ou no fertilizante misto, expressa como
Macroporos - Poros grandes, muitas vezes construídos pelas
N total, P2Os disponível e K2O.
raízes, pequenos animais e vermes do solo.
Glucose -Açúcar comum (carboidrato), com seis áto mos de C
Magnésio (Mg) - Elemento classificado como nutriente secun-
por molécula. Presente em todas as célu las. Componente
dário, j untamente com Ca e S. É constituinte da clorofila
da celulose, amido e outros polissacarídeos.
e está ativamente envolvido na fotossíntese. O magnésio
GPS - Sistema de Posicionamento Global. Rede de satélites ajuda no metabolismo do P, na utilização de açúcares pelas
que geram sinais contínuos, identificando suas posições. plantas e na ativação de vários sistemas enzimáticos.
O uso do GPS permite associar a informação de latitude
Manejo específico - Manejo de insumos nutricionais, aplica-
e longitude aos dados obtidos em um local específico do
ções de pesticidas, população de plantas e outras práticas
campo.
do sistema de cultivo, de acordo com as mudanças nas
Hidratado - Condição em que a água está ligada ou incorporada características e na composição do solo.
como parte de uma estrutura química.
Manganês (Mn) - Micronutriente metálico, atua principalmente
Hldroxlla - Íon ou grupo funcional OH. como parte dos sistemas enzimáticos nas plantas. Ele
Horizonte do solo - Camada de solo quase paralela à superfície ativa várias reações metabólicas importantes e desem-
do solo. penha papel direto na fotossíntese, auxiliando na síntese
de clorofila.
Humus - Fração estável remanescente da matéria orgãnica do
solo, de cor escura, após decomposição da maior parte dos Matriz do solo - Como estrutura do solo, é a combinação de
sólidos e de poros nos solos.
resíduos de plantas e animais.
Imobiliza çã o - Conversão de elementos inorgãnicos em Micronutrientes - Nutrientes que as plantas exigem em quan-
forma orgãnica pela sua incorporação no tecido vegetal tidades pequenas ou traços. Os micronutrientes são B, CI,
ou microbiano, tornando-se menos disponíveis para as Cu, Fe, Mn , Mo, Ni e Zn.
plantas. Microrganismos do solo - Bactérias, fungos e outros orga-
Incorpora ção - Mistura mecãnica de materiais fertilizantes (ou nismos do solo que reciclam nutrientes e aumentam sua
herbicidas) com a superfície do solo. disponibilidade para as plantas. Organismos patogênicos
podem ter impactos negativos sobre as plantas.
Índice sallno - Índice usado para comparar a salinidade dos
compostos químicos utilizados como fertilizantes. Os com- Mineralização - Liberação de elementos da forma orgânica
postos nitrogenados e potássicos geralmente apresentam para a forma inorgânica durante a decomposição da maté-
índices salinos elevados, enquanto os compostos fosfata- ria orgânica . Os processos são realizados por microrganis-
mos do solo.
dos apresentam índices baixos. Compostos com alto índice
salino aplicados em contato direto com a semente, em Nltrosomon as - Gênero de bactérias aeróbias obrigatórias do
doses muito altas, podem causar danos às plântulas por solo, quimioautotróficas, que oxidam íons NH; a NO na 0

causa da sua alta afinidade pela água. primeira fase do processo de nitrificação. Inibidores da
Infi ltração - Entrada de água no solo. nitrificação, como a nitrapirina, Inibem a atividade desses
organismos.

M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
3
Nutrientes móveis - Nutrientes que podem ser translocados Permeabilidade - Facilidade com que um meio poroso conduz
:a dos tecidos mais velhos para os tecidos mais jovens da
planta.
fluidos.
pH - Designação numérica de acidez e alcalinidade. Tecnica-
:a Manejo do nutriente - Utilização das melhores práticas de
manejo (BPUFs), as quais maximizam a eficiência de uso
mente, o pH é o inverso do logaritmo da atividade do W de
uma solução. O pH 7 indica neutralidade. Os valores entre
:a dos nutrientes e minimizam as suas perdas, superficiais ou
subterrâneas.
7 e 14 indicam aumento da alcalinidade e os valores entre
7 e O indicam aumento da acidez.
:a Material de origem - Material não consolidado, mineral ou
orgânico, a partir do qual o solo se desenvolve.
pH tampão - Medida relacionada à quantidade de calcário ne-
cessária para neutralizar a acidez em um determ inado solo.
3 Mlcorrlza - Associação, geralmente sim biótica, de fungos com Plantio direto, cultivo mínimo - Sistema de produção em que
as raízes das plantas. Hifas fú ngicas aumentam a área de a cultura é plantada no resíduo da cultura anterior, sem
!\I raízes e a absorção de nutrientes. revolvimento do solo.
Mollbdênlo (Mo) - Entre os elementos essenciais, é o micronu- Pollfosfato - Classe geral de compostos de fosfato caracteriza-
~ triente metálico exigido em menores quantidades. O mo- dos por conter moléculas com dois ou mais átomos de P.
libdênio é necessário para a síntese e a atividade da enzi- Os polifosfatos são compostos de duas ou mais moléculas
ma red utase do nitrato. Ele também é vital pa ra o processo de ortofosfato, com a perda de uma molécula de água
de fixação simbiótica de nitrogênio rea lizada por bacté rias entre cada unidade de ortofosfato. São derivados do ácido
Rhizobium nos nódulos radiculares das legu mi nosas. superfosfórico. Disponíveis principalmente nos adubos
Mulch - Qualquer material espalha do na superfície do solo fluidos, como polifosfatos de amônia.
para proteger o solo dos pingos da chuva, sol, frio ou eva- Ponto de Injeção - Uso de equipamentos com raios para injetar
poração. fertilizante líquido na zona de enraizamento (10-12 cm), em
Necrose - Morte do tecido da planta. pontos com cerca de 20 cm de distância.

Níquel (NI) - Nutriente cla ssifica do como micronutriente. É Ponto de murcha permanente - Nível de umidade de um solo
absorvido pelas plantas como Ni2 •. O níquel é componente no qual as plantas murcham e não conseguem recuperar a
da urease, que cata lisa a conversão da ureia em amônia. turgidez. O valor não é uma constante.
Também desempenha papel benéfico no metabolismo do N Porcentagem de saturação por bases - Porcentagem da CTC
em leguminosas. total ocupada por cátions básicos (Ca 2 •, Mg2 •, K• e Na•).
Nitrificação - Formação, nos solos, de nitrito (N0 2 ) e nitrato Porcentagem de sódio trocável - Grau de saturação por Na·
(N0 3 -) a partir de íons amônia (N H4 • ) através da atividade de do complexo de troca do solo.
certas bactérias do solo; oxidação bioquímica de NH 4 a N0 3 •
Poros - Espaços não ocupados por partículas sólidas na maior
Nltrobacter - Um gênero de bactéria aeróbia obrigatória do parte do volume do solo.
solo, quimioautotrófica, que oxida íons N0 2 em N0 3 - na fase
Potássio (K) - Elemento essencial - um dos três nutrientes
final do processo de nitrificação.
primários, incluindo N e P. É exigido pela maior parte das
Nitrogênio (N) - Nutriente primário, componente de toda célula plantas em quantidades semelhantes às de nitrogênio. o
viva, planta ou animal. Nas plantas, é parte da molécula potássio tem função importante na ativação de sistemas
de clorofila, aminoácidos, proteínas e outros compostos enzimáticos, é vital para a fotossíntese e para a formação
diversos. e utilização dos açúcares, tem papel essencial na síntese
Nutriente - Elemento que contribui para o crescimento e a de proteínas e na manutenção da estrutura da proteína e
saúde de um organismo. ajuda a planta a utilizar a água de forma mais eficiente.

Nutriente primário - Um dos três nutrientes ... N, P e K. São os que Precipitaçã o efet iva - Aquela porção do total de precipitação
limitam mais frequentemente a produtividade das culturas. que se torna disponível para o crescimento da planta .

Nutriente secundário - Ca, Mg e S são os nutrientes secundá- Qulmlgação - Aplicação de fertilizantes e/ou pesticidas na
rios essenciais para o crescimento da planta, porém menos água de irrigação para fertilizar as plantações e/ ou contro-
frequentemente deficientes do que os nutrientes primários. lar as pragas.

Ortofosfato - Classe geral de compostos fosfatados fabricados Regulaçã o osmótica - Movimento de eletrólitos, tais como íons
a partir do ácido ortofosfórico (Hl0 4 ), incluindo, principal- solúveis e açúcares, através das membranas celulares para
mente, sais de Ca e NH 4 • manter o potencial hídrico no interior das células da planta.

Oxidação - Alteração química que envolve a adição de 0 2 ou seu Relação Carbono:Nltrogênlo - Relação entre peso do c ordâ-
equivalente químico. Esta inclui a perda de elétrons de um áto- nico e peso do N total no solo ou na matéria orgânica. Ela
mo, íon ou molécula durante uma reação química. isso pode é obtida dividindo-se a percentagem de C orgân ico pela
aumentar a carga positiva de um elemento ou composto. percentagem de N total.

Oxigênio - Gás (O) incolor, insípido, inodoro - o elemento mais Rendimento sustentável - Produção da planta ou de material
abundante e mais amplamente distribuído na natureza. vegetal de uma área de forma continua , anual ou periódica :
Compreende cerca de 21% em volume do ar. implica no uso de práticas de manejo que irão manter a
capacidade produtiva da terra .
Percolaçã o - Movimento descendente de líquido no solo.
Rlzóblo - Bactéria capaz de viver em simbiose com as plantas
Perfil do solo - Corte vertical no solo, desde a sua superfície, superiores, geralmente leguminosas, das quais recebe
passando por todos os horizontes, até o material original ou
energia, e é capaz de utilizar o N, , convertendo-o em for-
rocha matriz. mas utilizáveis pelas plantas. ·

NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C M
Rocha fosfátlca - Rocha natural contendo um ou mais minerais Soluto - Material que é dissolvido em solvente para formar uma
de fosfato de cálcio, com pureza e quantidade suficiente solução.
para permitir a sua utilização, quer diretamente ou após
Subsolo - Camadas subjacentes do solo abaixo da camada su-
sua concentração, na fabricação de produtos comerciais. Os
perficial , que podem conter menos matéria orgân ica e mais
depósitos de rocha fosfática mais utilizados na fabricação de
características do material de origem do solo.
fertilizantes tem como base o mineral apatita, principalmen-
te fosfatos de cálcio. Superfosfato - Produto obtido quando a rocha fosfática é
tratada com ácido sulfúrico ou ácido fosfórico , ou uma
Rocha-mãe - Rocha sólida subjacente ao solo e rocha alterada,
mistura desses ácidos. Superfosfato " normal ", "comum · ou
em profundidades que variam de zero (onde exposto pela
"simples" refere-se a todas as classes que contêm até 22%
erosão) a várias centenas de metros.
de p o disponível, comumente obtido pela acidulação da
SIG - Sistema de informação geográfica. Termo genérico empre- roch~ f~sfática com ácido sulfúrico. Contém principalmente
gado para os sistemas que armazenam, analisam e exibem fosfato monocálcio acrescido de um montante significativo
dados de mapas digitais. de gesso.
Sllte - Partícula inorgãnica, com tamanho que varia entre Superfosfato triplo - Refere-se a todos os tipos de fertilizantes
0,05 mm e 0,002 mm de diãmetro. que contêm 40% ou mais de P2 0 5 disponível. Normalmente,
Simbiose - Relação entre dois organismos vivos na qual ambos
são obtidos pela acidulação do fosfato de rocha com
ácido fosfórico. O superfosfato simples contém apreciável
se beneficiam, como a fixação de N por rizóbios em nódulos
das raízes de leguminosas. quantidade de S (gesso), o superfosfato triplo não . O
fósforo está presente principalmente na forma de fosfato
Solo - Camada superior da Terra na qual as plantas crescem. monocálcico.
Solo ácido - Solo contendo uma prevalência de W na solução Tamponamento - Processo que restringe ou reduz a mudança
(acidez ativa) e na superfície dos colóides (acidez potencial de pH quando ácidos ou bases são adicionados. Mais
ou de reserva). Especificamente, um solo com valor de pH genericamente, é o processo que reprime mudanças na
inferior a 7. concentração de qualquer íon dissolvido quando este for
Solo álcali - Solo com elevado grau de alcalinidade (pH 8,5 ou adicionado ou removido do sistema .
superior) ou com elevado teor de Na • trocável (15% ou mais Terraço - Na conservação do solo, uma faixa ma is ou menos
da capacidade de troca), ou ambos. horizontal ou acostamento de terra geralmente construídos
Solo alcalino - Qualquer solo com pH superior a 7,0. em curva de nível para reduzir a erosão.

Solo calcário - Solo contendo cal livre (carbonatos) que efer- Textura do solo - Proporções relativas de partículas de dife-
vesce visivelmente quando tratado com ácido clorídrico rentes tamanhos que compõem o solo. Essas partículas
diluído (1:10). incluem areia, silte e argila.

Solo neutro -Solo com elevada percentagem (de 80% a 90%) Textura fina - Solo com elevada percentagem de silte e argila .
da capacidade de troca ocupada por íons de Ca e Mg e pH Transpiração - Evaporaçã o através das folhas; fluxo de água,
do solo próximo a 7. através das plantas, do solo para a atmosfera.
Solo orgânico - Solo que contém elevada percentagem de Troca de cátlons - Troca entre um cátion na solução e outro
matéria orgãnica. cátion na superfície de um material, tal como colóide da
Solo salino - Solo não alcalino contendo uma quantidade argila ou co lóide orgãnico.
apreciável de sais solúveis que interferem no crescimento Troca de íons - Troca entre um ío n da solução e outro íon da
da maioria das culturas. superfície de material ativo, tal como argila ou húmus.
Solo salino-alcalino - Solo contendo uma proporção elevada Umidade disponível para a planta -Água no solo mantida livre
de sais solúveis, com alto grau de alcalinidade ou elevada o suficiente para que as plantas possam extraí-la para uso.
quantidade de Na trocável, ou ambos, de modo que o cres-
Urease - Enzima necessá ria para a quebra da ureia em NH ,
cimento da maioria das culturas é inferior ao normal. 3
comum a todas as plantas.
Solo sódico - Solo que é afetado por altas concentrações de
sal e de Na. Solos sádicos tem teores relativamente ba ixos Volume aparente - Volum e da massa de solo, inclu indo os
sólidos e os poros.
de sais solúveis, mas são ricos em Na trocável.
Zinco (Zn) - Micronutriente metá lico, um dos primeiros nu-
Solo superficial - Refere-se à camada superficial do solo,
incluindo a ma ior parte do conteúdo de matéria orgânica trientes reconhecidos como essencial para as plantas. O
do perfil do solo. Tecnicamente, esta camada é con siderada zinco ajuda na síntese de substãncias de crescimento e no
como o horizonte A do perfil do solo, de coloração escura. sistema enzimático da planta e é essencial para promover
certas reações metabólicas. É necessário para a produção
Solução do solo - Fase líquida do solo e seus solutos. de clorofila e de carboidratos.
Soluções nitrogenadas - Soluções de fertilizantes nitrogenados Zona de depleção - Zona estreita ao lado da raiz onde as
em água. Soluções nitrogenadas são utilizadas na fabrica- concentrações de nutrientes imóveis no solo tornam-se
ção de adubos compostos líqu idos ou secos e aplica das acentuadamente reduzidas.
ao solo com o uso de aplicadores especiais ou na água de
irrigação. Mais com umen te, o termo se refere a soluções Zona de retenção - Zona de solo onde os nutrientes se concen-
de nitrato de amõnio-ureia (URAN ), feitas a partir de uma tram após a aplicação de fertilizantes. Geralmente se refere
a algum tipo de aplica ção em faixas.
mistura de nitrato de amõnio (NH 4 NO) e ureia, contendo
28% a 32% de N.

M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C
Solt1cão
., das Resenl1as
Capítulo 2
l. d, 2. b, 3. e, 4. a, 5. b, 6. e, 7. b, 8. d, 9. d, 10. d

Capítulo 3
l. b, 2. e, 3. d, 4. a, 5. e, 6. b, 7. a, 8. a, 9. d, 10. b

Capítulo 4
l.a, 2. b, 3. d, 4.a, 5. b,6.c, 7. b,8. b, 9. c, 10.c
••
Capítulo 5
·. I 1. b, 2.~ 3.~ 4. b, 5.a, 6. d, 7.a, 8. b.~~ lQa
li
Capítulo 6
• 1. b, 2. d, 3. a, 4. a, 5. b, 6. e, 7. a, 8. e, 9. b, 10. a

Capítulo 7
1. e, 2. d, 3. a

Capítulo 8
1. d, 2. e, 3. e, 4. a, 5. b, 6. d, 7. e, 8. b, 9. d, 10. a

• Capítulo 9

"1 1. e, 2. b, 3. d, 4. d, 5. a,6.d, 7. a, 8. a, 9. d

r,
1
1
1
1


1
1
1
1
1
NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C M
~
SÍMBOLOS E ABREVIAÇÕES
Abaixo estão os símbolos e as abreviações para os nulrientes

11
e os compostos re lacionados mais utilizados nesta publicação.
-"
AI
B
e
Ca
Alumínio
Boro
Carbono
Cálcio

1#
CaC03
CaCl2
CaS04
Ca(N03)2
CH.
Carbonato de cálcio
Cloreto de cálcio
Sulfato de cálcio (gesso)
Nitrato de cálcio
Metano
.
11

JI
CI/CI·
Cu
cuso.
Cloro/Cloreto
Cobre
Sulfato de cobre

11
DAP Diamônio fosfato
Fe Ferro .li

.
Feso. Sulfato de ferro
Próton ou íon hidrogênio
JI
H'
HCOi Bicarbonato
K Potássio
KCI Cloreto de potássio .li
(também muriato de potássio ou MOP)
K20 Potássio .li
KN03 Nitrato de potássio
Sulfato de potássio
.li
K2S04
(também sulfato de potássio ou SOP)
.li
MAP Fosfato monoamônio
MCP Fosfato monocálcico .1
Mg Magnésio
Mgso. Sulfato de magnésio .1
MgCb
Mn
Mo
Cloreto de magnésio
Manganês
Molibdênio

.1
N Nitrogênio
NH3 Amônia .1
NH•' Amónio
.1
(NH.)2SO.
N02·
Sulfato de amónio
Nitrito
_.
N03 Nitrato
N2 OI nitrogênio
NOJ N20 Óxido de nitrogênio/Óxido nitroso
p Fósforo
1
ppb partes por bilhão 1
ppm partes por milhão
s Enxofre
SOl Sulfato
TSP Superfosfato triplo
1
Zn Zinco 1
ZnS04 Sulfato de zinco
1


M NUTRIÇÃO DE PLANTAS 4C