UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES À COMPETITIVIDADE DA PRODUÇÃO DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO BRASIL E NO NORDESTE.

JANAINA KEILLA CORDEIRO COSTA

João Pessoa – PB. 2006

JANAINA KEILLA CORDEIRO COSTA

OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES À COMPETITIVIDADE DA PRODUÇÃO DE ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO BRASIL E NO NORDESTE.

Monografia apresentada no Curso de Graduação de Ciências Econômicas, em cumprimento às exigências parciais para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas.

.

Orientador: Prof. Dr. Guilherme de Albuquerque Cavalcanti

João Pessoa – PB
2006

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AVALIAÇÃO DE MONOGRAFIA
Comunicamos à Coordenação de Monografia e à Coordenação do Curso de Ciências Econômicas (Bacharelado) que a monografia da aluna Janaína Keilla Cordeiro Costa, matrícula 19923675, intitulada Obstáculos e Potencialidades à Competitividade da Produção de Álcool-Combustível no Brasil e no Nordeste, foi submetida a apreciação da Comissão Examinadora composta pelos seguintes professores: Profº. Dr. Guilherme de Albuquerque Cavalcanti (Orientador), Profª. Dr. Lúcia Maria Góes Moutinho (Examinadora) e Profº. Dr. Alexandre Lyra Martins (Examinador). No dia ___ de ______ de 2006, às _______ hrs. A monografia foi _____________________ pela comissão Examinadora e obteve nota __________ (____________). Reformulações sugeridas Atenciosamente, Sim ( ) Não ( )

______________________________________________ Profº Dr. Guilherme de Albuquerque Cavalcanti (Orientador) ______________________________________________ Profª Dr. Lúcia Maria Góes Moutinho (Examinadora) ____________________________________________ Profº Dr. Alexandre Lyra Martins (Examinador) Ciente, ______________________________________________ Profº Dr. Alexandre Lyra Martins Coordenador de Graduação ______________________________________________ Profº Dr. José Antônio Rodrigues da Silva Chefe do Departamento de Economia ______________________________________________ Janaína Keilla Cordeiro Costa Aluna

Ao professor Guilherme de Albuquerque Cavalcanti. me fortalecendo a cada desânimo. Ao Sr.. Ao meu esposo. Ao meu amado filho Arthur Guilherme.AGRADECIMENTOS A Deus por me abençoar e me manter firme nessa luta. por ser uma das razões de minha determinação na conclusão desse curso. . um amigo. pela sua competência e amizade na orientação desse trabalho. Paulo Carsio Lemos e Silva. pelas informações e pesquisas cedidas. da ASPLAN. Um caminhar de esperanças e desafios.. o compartilhar nos momentos difíceis e felizes. Aos meus pais e familiares que tanto me ensinaram os caminhos da vida que ao longo de toda a minha vida acadêmica propiciaram condições para os meus estudos. por sua dedicação no início do trabalho. À professora Lúcia Maria Góes Moutinho. um irmão. um companheiro.

...... 56 Tabela 8 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste................................... segundo Unidades da Federação . 29 Tabela 5 ............. segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação – 2000/2005 (m3) .. safra 2000/2001.... 67 ......59 Tabela 11– Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste........ safra 2004/2005................5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Produção de Petróleo mil barris/d .. 40 Tabela 7 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste........Acompanhamento da produção sucroalcooleira por regiões do Brasil2005/2006... 33 Tabela 6 ..................... 23 Tabela 3 .... 28 Tabela 4 – Produção do setor sucroalcooleiro no Brasil – 1994/95 a 2005/06 (m3) ...................2000/2005 ..... 22 Tabela 2 – Preços médios de referência do petróleo............. safra 2001/2002.........2000/ 2005 R$/b e US$/b ...61 Tabela 13 – Perfil da Atividade Canavieira no Nordeste do Brasil –2000/2005 (ton)...................... safra 2002/2003.............. 57 Tabela 9 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste... ..................................................... safra 2005/2006.......Propriedades e características dos combustíveis ...... ...... 58 Tabela 10 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste................Produção de álcool etílico anidro e hidratado............................................................60 Tabela 12 – Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste...................... safra 2003/2004........................

.Importações Brasileiras de Álcool – 2003/2005 (ton.......... 42 Quadro 5 ...........................6 LISTA DE QUADROS Quadro 1 .......... 42 Quadro 4 ...Exportações Brasileiras de Álcool – 2003/2005 (ton.......... e mil US$) ....................... 38 Quadro 3 ... e mil US$) ................. 37 Quadro 2 ......Saldo da Balança Comercial de Álcool (ton..............Custo do Etanol (US$/litro) .......................... e mil US$) .....................Vendas de Veículos a álcool no Brasil – 2000/2005 (unidades)............... . 42 .............

.......... 30 Gráfico 3 ..... 38 Gráfico 5 ... 31 Gráfico 4 ...Evolução do consumo de álcool anidro e hidratado 1994/2004 (106 m3) .............................Evolução da produção de álcool no Brasil – 1994/93 a 2005/06 (m3) ..............Evolução da produção de álcool hidratado no Brasil – 1994/93 a 2005/06(m3)........ 39 Gráfico 6 .......... 29 Gráfico 2 .....................Produção Brasileira de álcool .........7 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 ..Evolução da produção de álcool anidro no Brasil – 1994/93 a 2005/06(m3)..................1994 a 2005 (m3) .................Vendas e participações no mercado de leves de veículos flex – 2003/2005 (unidades) ....................................... 48 ........

8 LISTA DE SIGLAS AEAC .Álcool Etílico Anidro Carburante AEHC – Álcool Etílico Hidratado Carburante ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ANP – Agência Nacional do Petróleo ASPLAN .Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica SECEX – Secretaria de Comércio Exterior SINDÁLCOOL – Sindicato dos Produtores de Álcool do Estado da Paraíba ÚNICA – União da Agroindústria Canavieira de São Paulo .Associação de Plantadores de Cana da Paraíba CBIE – Centro Brasileiro de Infra-Estrutura CIMA – Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool CINAL – Comissão Interministerial do Álcool FECOMBUSTÍVEIS – Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes FEPLANA – Federação de Plantadores de Cana do Brasil IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S/A PLANALSUCAR – Programa de Racionalização e Apoio à Indústria Açucareira PROALCOOL – Programa Nacional do Álcool PROINFRA .

................................................................10 O Impacto dos Motores a Álcool na Poluição do Ar......................................................... 35 3..............................30 3.........................................SUMÁRIO CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ........................................... 46 3..........4 Álcool como “Commodity” Internacional (Questão Ambiental) ..................... 38 3....1 A Produção de Álcool no Brasil por Regiões ..........2 A Produção de Álcool Anidro ... 29 3................................................................................................................................. 49 4............................. 14 2.............. 43 3..................................9 O Impacto da Queima da Cana na Poluição do Ar ............................................ 12 CAPÍTULO 2 ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS ...................................................... 18 CAPÍTULO 3 A PROBLEMÁTICA DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO NACIONAL ........................ 68 REFERÊNCIAS ....................................6 Exportação de Álcool no Brasil ........................................................................................................................2 Caracterização da Pesquisa e da Área Pesquisada.................................................................................................................5 O Brasil como precursor e difusor do uso do Álcool Carburante ......................................... 47 CAPÍTULO 4 OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO REGIONAL ................. 62 CAPÍTULO 5 CONCLUSÃO ........................................1 Base Teórica e Conceitual ..................................................2 A Importância do Setor no Nordeste e as Características da Crise .......................................... 44 3...........................................8 Alguns Obstáculos e Potencialidades à Produção de Álcool-Combustível no Cenário Nacional ................................................. 51 4................................................................................ 70 .......................... 30 3................. 21 3.............................................................................1 Visão Geral do Setor Sucroalcooleiro .............................................................................7 Iniciativas do Setor Privado e do Governo Brasileiro para Incentivar o Uso do Álcool Carburante ................................................................3 A Produção de Álcool Hidratado .. 41 3.......................... 14 2...............................

Obstáculos e Potencialidades à Competitividade da Produção de Álcool-Combustível no Brasil e no Nordeste. . artigos fornecidos por instituições e/ou estudiosos do assunto. bem como a participação do estado na trajetória evolutiva de sua produção e da introdução de novas tecnologias. em larga escala do petróleo que é um poluente do meio ambiente. Foram utilizadas informações extraídas da internet e de outros trabalhos. tais como: ASPLAN. aumento da mecanização ocorrendo substituição de homens por máquinas. PB. João Pessoa. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) – Universidade Federal da Paraíba.A escolha do estudo do setor sucroalcooleiro deveu-se a importância da fabricação do álcool-combustível como substituto. SINDÁLCOOL e IBAMA.10 CORDEIRO. Os dados secundários foram obtidos junto aos órgãos. Palavras-Chave: Álcool-Combustível. relatórios de pesquisas. 72 f. RESUMO Este trabalho surgiu do interesse em identificar os obstáculos e potencialidades à competitividade do álcool-combustível ao longo de sua história. Competitividade. ocasionando o aumento do desemprego. Trata-se de uma pesquisa descritiva que se baseou na literatura específica sobre o tema. também foram identificadas as seguintes potencialidades no segmento analisado: O impacto dos motores a álcool na qualidade do ar nas grandes cidades e a concorrência de preços com a gasolina. Os resultados apontam para os seguintes obstáculos: O impacto da queima da cana-de-açúcar na poluição do ar. Obstáculos e Potencialidades. 2006. Janaína Keilla Costa. livro textos. periódicos. Complementarmente. O estudo cobre o período de 2000 a 2005. tais como: monografias. 2006. revistas.

Janaína Keilla Costa. SINDÁLCOOL END IBAMA. were also identified the following potentialities in the analyzed segment: The impact of the motors to alcohol in the quality of the air in the great cities and the competition of prices with the gasoline. Complementarmente. I liberate texts. ABSTRACT This work appeared of the interest in identifying the obstacles and potentialities to the competitiveness of the alcohol-fuel along your history. such as: monographs. . Extracted information of the internet were used and of other works. Obstacles and Potentialities. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) – Universidade Federal da Paraíba. The results appear for the following obstacles: The impact of the it burns of the sugar-cane in the pollution of the air. causing the increase of the unemployment. such as: ASPLAN. increase of the mechanization happening men's substitution for machines. The choice of the study of the section sucroalcooleiro was due the importance of the production of the alcohol-fuel as substitute. It is a descriptive research that based on the literature it specifies on the theme. reports of researches. as well as the participation of the state in the evolutionary path of your production and of the introduction of new technologies.11 CORDEIRO. The secondary data were obtained the organs close to. João Pessoa. magazines. 2006. Competitiveness. 2006. newspapers. The study copper the period from 2000 to 2005. PB. Key-Words: Alcohol-fuel. 72 f. Obstáculos e Potencialidades à Competitividade da Produção de Álcool Combustível no Brasil e no Nordeste. in wide scale of the petroleum that is a pollutant of the environment. goods supplied by institutions studious e/ou of the subject.

Isto requer que sejam identificados obstáculos e potencialidades ao seu desenvolvimento. O resultado se ampliou para outros setores da economia. Para tanto. o álcool possui uma vantagem especial. a pesquisa descritiva. Neste sentido. Tendo em vista o tema do trabalho formulou-se o seguinte problema de pesquisa: Quais os obstáculos e potencialidades à competitividade da produção do álcoolcombustível no Brasil e no Nordeste? . como a indústria automobilística. Considerando a importância desta atividade econômica.12 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Esta pesquisa surgiu do interesse em estudar o álcool-combustível que foi o primeiro grande projeto para substituir. em larga escala o petróleo que é um grande poluente do meio ambiente das grandes cidades. Optou-se também por ressaltar o papel regulador do governo que se tem mostrado muito presente na trajetória do segmento em foco quer a nível nacional como a nível regional. E. de auto-peças e atividades de serviços. o estudo se definiu para identificar os obstáculos e potencialidades do álcool-combustível. adotou-se como método de investigação. O Brasil conquistou a tecnologia que hoje muitos países estão buscando para resolver os problemas de poluição que os derivados do petróleo (gasolina e óleo diesel) provocam. O álcool abastece grande parte dos veículos brasileiros. Com o novo combustível. optou-se por estudá-la a partir de uma abordagem da competitividade no Brasil e no Nordeste. o País criou condições para se tornar menos dependente do petróleo importado. é fonte de energia renovável. ao contrário de outras formas de energia. ajudando o País a importar menos petróleo e economizar divisas.

13 Ao lado do objetivo geral de identificar os obstáculos e potencialidades à competitividade do álcool-combustível no Brasil e no Nordeste. o papel da intervenção do estado numa perspectiva de apresentação da problemática do álcool-combustível no cenário nacional. examinar o papel do estado na implantação e desenvolvimento desta atividade no Brasil. e. O segundo capítulo apresenta os aspectos teóricos e metodológicos do estudo. estruturado em mais quatro capítulos. No quarto capítulo identificam-se e analisam-se os obstáculos e potencialidades à competitividade da produção do álcool-combustível no cenário regional. Adicionalmente. Finalmente. o trabalho prossegue em busca dos objetivos acima descritos. alguns objetivos específicos nortearam a realização deste estudo. . Após este capítulo introdutório. examina-se desde sua origem histórica e em sua trajetória dinâmica. como: descrever a origem e evolução histórica da atividade produtora do álcool combustível no Brasil e no Nordeste. o quinto capítulo apresenta a conclusão do estudo.

Por uma mão invisível a pessoa estaria sendo levada a executar um objetivo que nunca fez parte das suas intenções. a livre concorrência eliminou a si mesma. com o advento do neoliberalismo o estado passou a ser um instrumento estimulador da competitividade. Em uma situação de competição. Este processo é conhecido como desregulamentação. O Estado sempre se apresentou como agente ativo em muitos países. existe o potencial de cada uma com os seus respectivos obstáculos. através das agências reguladoras. . A competitividade ou livre concorrência é um dos princípios da economia liberal e teve como principais defensores Adam Smith e David Ricardo. procurando um ganho pessoal. Na década de oitenta do século XX. a América Latina tem passado pelo processo de reestruturação. isto é. um conjunto de políticas que visam a introdução da concorrência. tem-se reservado um importante papel por meio de medidas regulatórias. Observando-se o conceito.14 CAPÍTULO 2 ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS 2. a pessoa trabalha. a desintegração vertical das indústrias e privatizações de empresas estatais. como vive as empresas produtoras de álcool-combustível. Segundo Adam Smith. constituindo monopólios e oligopólios privados e. sobretudo. para elevar a renda anual na sociedade. À atuação do estado na economia.1 Base Teórica e Conceitual À luz da teoria da regulação entende-se que a necessidade de um sistema regulador eficiente é fundamental à medida que o processo de privatização chega à prestação dos serviços de utilidade pública. nas conhecidas indústrias de rede. Um dos aspectos mais marcantes no contexto social é a competição que aparece nas relações humanas.

Outra corrente destaca que a regulamentação surge como uma resposta política às pressões dos grupos de interesse (empresas.) com o objetivo conflitante entre si ou com um terceiro agente no seio da sociedade.15 No complexo alcooleiro é necessário a superação de alguns obstáculos existentes no setor. desde a implantação do Proálcool. Também é utilizado com o objetivo da regulação do bem-estar do consumidor. política industrial etc. . O papel dos órgãos reguladores seria manter a atividade econômica nos mercados regulados. consumidor etc. pelas políticas de defesa da concorrência. O objetivo da regulação segundo Possas. Rodrigues (2003) sintetiza que é toda a ação de cunho governamental que se concretize no estreitamento da liberdade dos agentes econômicos durante seu processo de escolha. Ao comentar sobre regulação econômica. acompanhado de importantes ganhos de produtividade. mas também na produção de álcool-combustível apresenta-se bom desenvolvimento. Alguns campos regulatórios merecem destaque: regulação de preços (tarifária). Pondé e Fagundes (1997) seria introduzir regras em contraponto aos mecanismos de mercado. das quantidades de produção. nas economias atuais. A atuação do governo. Referente às “falhas de mercado” um aspecto abordado é o problema das externalidades. a regulação da qualidade dos bens e serviços. manifesta-se por meio da regulação econômica. concessão de atividades. Diversos estudos mostram que o setor respondeu positivamente aos estímulos externos. propondo elevar o grau de eficiência econômica dos mesmos. inibindo o abuso do poder de mercado. garantindo uma rentabilidade razoável para as empresas. fiscalização e externalidades. como os provenientes do mercado de combustíveis. a melhora da eficiência alocativa. Os avanços teóricos foram fundamentais para agregação da noção de “falhas do governo”.

As falhas de mercados são representadas por: a) Existência de bens públicos: São aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou não “não-rival”. porém. sem que o agente em questão. tenha que arcar com este custo. ou possa ser beneficiado. d) Mercados incompletos: são aqueles quando um bem/serviço não é ofertado. c) Externalidade: ocorre quando alguma atividade econômica de um agente gerar custo ou beneficio. a fim de impedir que o forte poder de mercado detido pelas empresas monopolistas se reflita nas cobranças de preços abusivos ao consumidor. Nos procedimentos de regulação. b) Existência de monopólios naturais: O governo pode exercer apenas a regulação dos monopólios naturais. tendem a ser melhores que aqueles obtidos na falta da regulação em mercados com dificuldades. Os resultados da regulação não são os melhores. o consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo pelos demais integrantes da sociedade. ou seja. A introdução de pressões competitivas foi significativa em termos de regulação. . ainda que o seu custo de produção esteja abaixo do preço que os consumidores estariam dispostos a pagar.16 Existe outro problema identificado pela teoria quando as relações entre o regulador e a empresa regulada também estão sujeitas a restrições informacionais e a restrições transacionais (custo de transação). As pressões de governo junto à interação de empresas reguladas podem levar o órgão regulador a ações incompatíveis com o bem-estar econômico. devem se buscar transparência e comprometimento.

sabores. Composto de 99. matéria-prima para acetado de amila (essências). Na pesquisa referente ao tema foram identificados vários tipos de álcool.17 e) Falhas de Informações: O Estado intervém justificando-se em razão de o mercado por si só não fornecer dados suficientes para que os consumidores tomem suas decisões racionalmente.5% água. É adicionado à gasolina a 22% para substituir o chumbo . Álcool é a denominação genérica dos componentes orgânicos resultantes da substituição de um ou mais átomos de hidrogênio dos hidrocarbonetos por um ou mais oxidrílos. Álcool Iso-Amílico: Subproduto. Álcool Hidratado Carburante: É o álcool combustível a 96 GL (96% partes de álcool puro mais 4% de água). Álcool Refinado e Neutro: Aplicam-se as mesmas finalidades do extraneutro. bebidas alcoólicas. É o mais puro álcool e não interfere em aromas. cosméticos e produtos farmacêuticos. Tipos de Álcool: Álcool Extra Neutro: É o usado na elaboração de bebidas em geral. Por ter custo mais baixo é utilizado pelas indústrias de bebidas e cosméticos populares. de odor acentuado usado como solvente na indústria em geral. Álcool Anidro: Usado como aditivo aos combustíveis. f) Ocorrência de desemprego e inflação: O Estado implementa políticas que visem à manutenção do funcionamento do sistema econômico o mais próximo do pleno emprego e da estabilidade de preços. fermentadas. líquidos obtidos pela destilação de substâncias açucaradas.5% de álcool puro mais 0. distinguindo-se deste pelo odor mais acentuado.

que problematizam os obstáculos e potencialidades à competitividade da produção do álcool-combustível no Brasil e no Nordeste. Os procedimentos metodológicos utilizados para a obtenção supra. 2005). É menos poluente e. revistas. Os dados secundários foram obtidos junto aos órgãos. 2.18 tetraetila (venenoso. Todo álcool anidro. misturado à gasolina como aditivo. bem como relatórios. a parte mais atrativa da operação. Este trabalho levanta elementos analítico-descritivos. Esses contatos foram fundamentais para que todos os objetivos fossem alcançados.2 Caracterização da Área Pesquisada e da Pesquisa Para a realização do levantamento de dados decidiu-se pela pesquisa descritiva baseada na literatura específica sobre o tema. SINDÁLCOOL e IBAMA. textos. prejudicial à saúde e ao meio ambiente). adicionado na proporção correta. tais como: ASPLAN. foram: Pesquisa documental – utilizando livros. não afeta o desempenho do motor. Foram utilizados livros textos como fontes bibliográficas. e artigos. até 30/04/1997 era vendido pelo produtor a um único comprador. a Petrobrás. . que detinha o monopólio da produção da gasolina e da mistura. A partir de 01/05/1997 foi liberada a comercialização diretamente às distribuidoras de derivados de petróleo (SINDÁLCOOL. revistas e outros documentos fornecidos por instituições e/ou estudiosos do assunto.

A região Nordeste é formada por noves estados. Em função das diferentes características físicas que apresenta. com destaque na cana-de-açúcar. procedeu-se uma pesquisa investigativa sobre os obstáculos e potencialidades no período de 2000/2005.19 Pesquisa bibliográfica – Utilizando teses. a maior parte desta região está em um extenso planalto e aplainado pela erosão.6% do PIB brasileiro e cerca de US$ 225 bilhões. apesar de ter PIB per capita inferior ao do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. conhecidas como mares e morros. a região encontra-se dividida em sub-regiões: meionorte. o algodão. a mamona e o amendoim. o cultivo da cana-de-açúcar e outros formam a base de uma economia que chega a 30. Está localizada na região geoeconômica da Amazônia. automobilística. sendo caracterizado fisicamente pela existência de montanhas antigas e arredondadas pela erosão. entre outros. No Brasil existe uma divisão no setor sucroalcooleiro. Também são produtos de destaque na agricultura do Sudeste. A economia da região baseia-se nas atividades de extrativismo vegetal e mineral. têxtil. A região Norte é formada por setes estados. As indústrias metal-mecânica. o arroz. . que são as regiões Sudeste/Sul e Norte/Nordeste. a soja e a laranja. São Paulo é o estado mais rico da Federação. O estado de São Paulo é um dos principais produtores da região na produção agrícola regional. álcool e açúcar. agreste e sertão. Num segundo momento. A região Sudeste é composta por quatros estados. mais identificados em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. e o pólo econômico da América do Sul. com o sentido de atender aos objetivos desta pesquisa. o milho. monografias e artigos da internet. referentes à produção do álcool combustível ocorrida ao longo dos anos. zona da mata.

Com 18. peixes e crustáceos 10%.392. petroquímicos 11%. O estado de Alagoas destaca-se na agricultura da cana-de-açúcar com 27.930 toneladas e nas indústrias químicas e metalúrgicas. frutas 9% e materiais elétricos 9%.4 milhões sendo açúcar de cana 89% e derivados do açúcar e alcoolquímica 7%. 2006) . O estado de Pernambuco também tem destaque na agricultura da cana-deaçúcar. (SITE GEOECONÔMICO.677 toneladas e nas indústrias de açúcar e álcool. com o estado de Alagoas respondendo por metade da produção do Nordeste.20 A agricultura centraliza-se no cultivo da cana-de-açúcar.630. com exportações de US$ 304. com exportações de US$ 335 milhões sendo que 40% é referente ao açúcar.

ao mostrar e ensinar para o mundo como produzir álcool de maneira eficiente e com baixos custos. Outro motivo que faz enaltecer o álcool é o preço do petróleo. Segundo especialista do setor o combustível fóssil já está chegando ao seu pico de produção e daqui para frente o consumo deverá ser igual ou até maior do que a produção. industrial. A qualidade do álcool tipo exportação normalmente segue uma especificação típica de cada país e que pode variar de acordo com sua aplicação (combustível. México e Canadá. preocupados em reduzir as emissões de gases poluentes. Os principais destinos do álcool brasileiro são: Índia. Por isso o motivo do seu preço estar aumentando cada vez mais. O ponto principal do setor sucroalcooleiro tem sido a exportação crescente de álcool para vários países e o crescimento do consumo interno devido as grandes vendas de carros flexíveis (bi-combustíveis). Costa Rica. EUA. Nigéria. que. procuram por alternativas limpas e renováveis. químico ou alimentício). Suécia. Países Baixos (Holanda). Jamaica.21 CAPÍTULO 3 A PROBLEMÁTICA DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO NACIONAL Este capítulo contém alguns problemas do álcool-combustível no cenário nacional que servem de suporte para a compreensão da problemática do álcool combustível a nível regional. Japão. O uso do álcool como combustível ou adicionado à gasolina é visto como uma novidade para diversos países. O Brasil é referência mundial no assunto. Coréia do Sul. .

122 45. (OPEP.745 754 1. 2005).088 6.091 2004 2005 05/04 % 1.36% em relação ao ano de 2004. Em outubro de 2005. observa-se na tabela 1. 2000/2005.555 564 427 92 164 2.Produção de petróleo (mil barris/d).18 -1. oscila em torno dos US$ 70 por barril e não causa danos ao crescimento econômico mundial.548 6.268 711 409 100 138 3. º 2.91 11.367 806 1.96.614 28.501 32. Dos países da América Central e do Sul.499 601 401 98 155 2.214 47.25 -3. O crescimento da demanda na China e nos EUA esteve entre as principais razões para provocar esta alta.41 -0.75 2.11 74. Fatores como crises geopolíticas. excesso de demanda e riscos de escassez provocam oscilações acentuadas no preço do petróleo. exceto para o Brasil.736 74.50 1. conforme o Decreto n.941 2001 2002 2003 77. o nível atual de preços do petróleo. atingidos em maio de 2004.607 153 30.718 549 541 111 171 3.964 725 1.542 551 535 94 152 2.813 819 1.58 0.239 130 31.640 818 1. para o Brasil.198 81.705/98.12 18.916 152 6.09 12.882 44. uma grande produção do petróleo no Brasil e na Venezuela no período de 2000/2005.393 43. ANP/SDP.22 Conforme informações da OPEP (2006). alta de 0. TABELA 1 . para os anos de 1999.972 144 6.382 80. Produção de Petróleo Total Regiões geográficas.836 47.251 Fontes: BP Amoco Statistical Review of World Energy 2006.337 627 416 98 135 3. negociado na Bolsa Mercantil de Nova York.721 830 1.285 6. O preço da commodity levou 17 meses para passar dos US$ 30 para os US$ 40.141 137 6.36 1.985 33. . o barril do petróleo cru para entrega estava cotado a US$ 69.007 142 3.806 46.08 30. países e blocos econômicos Américas Central e do Sul Argentina Brasil1 Colômbia Equador Peru Trinidad e Tobago Venezuela Outros Total OPEP Total não-OPEP 2000 74.

6 53.7 26.57 47.55 62.21 . no período de 2000/2005.55 23.46 25.41 69.62 84.61 .31 28.73 92.33 51.73 63. teve como objetivo. 28.21 25.22 72. Os preços acima não servem de base para cálculo das participações governamentais.01 51.º 2.62 18.08 56.24 59..21 102. visto que são médias ponderadas apenas pelos volumes de produção por campo e não consideram as alíquotas de royalties e participação especial por campo produtor.. 88.97 24. 38.79 28.87 18.5 25.92 48.16 50.09 60. 2.66 73.62 114.37 39..14 125. Unidade da Federação Brasil Amazonas Ceará Rio Grande do Norte Alagoas Sergipe Bahia Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Fonte: ANP/SPG.74 23.1 22. O uso do álcool de cana como um combustível alternativo aos derivados do petróleo tem uma grande tradição no País.06 23.Preços médios de referência do petróleo.08 86.. em 1933.57 .4 40.6 35. 112.8 .42 89.5 22.5 87.96 73.36 66.22 89. na década de 30.38 43. Preços em valores correntes.42 22. O IAA passou a definir os critérios do planejamento.07 21.55 87.69 47.65 27.41 118. a mistura de 5% do etanol à gasolina.41 30. conforme a Lei n. através da .89 71.87 53.85 40. O governo decretou.17 25.88 23.47 42.19 109.36 29.00 44.21 42.78 61. TABELA 2 .14 115.705/98 e as Portarias ANP n.23 21.23 A tabela 2 apresenta os preços médios do petróleo em alguns estados do Brasil.52 28.54 36. tendo como destaque os estados de São Paulo.14 25.91 19. que passava por um período de crise de preços no mercado internacional.41 81.8 25.5 88. fomentar e controlar a produção do açúcar e do álcool em todo o País.76 75.47 47.7 20.79 42.55 47.478/97.17 25. 3.º 9. o Decreto n.26 51.8 59.99 28.34 54.96 21.2 115.22 25. 112.. consolidando a regulação estatal do setor.33 68.66 23..88 37.49 48.99 25.81 27.69 20.º 155/98 e n. Somente estão listadas as Unidades da Federação que apresentaram produção de petróleo no período indicado. 46.46 102.36 23.88 49.85 30.5 28.º 206/00.76 .86 21.88 24.05 .41 56.3 33.03 21.3 83.13 20.12 50.17 46. A criação do Instituto do Açúcar e do Álcool – IAA.72 99. numa tentativa de fortalecer a agroindústria canavieira. 28.8 75.02 38 52.05 129. Amazonas e Alagoas.96 98.14 73.41 98.56 26.1 .57 71.36 88.87 24..43 26.72 23. Notas: 1.46 23.24 21.65 75.78 35.14 59.. segundo Unidades da Federação – 2000/2005.18 46.76 103.1 42.54 . Preços médios de referência do petróleo R$/b US$/b 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2000 2001 2002 2003 2004 2005 40.32 65.8 29.

a primeira se define pelos grandes investimentos feitos na produção industrial do setor. mas de dinâmicas distintas: Após o fim da Segunda Guerra. a produção de petróleo cresceu constantemente e os preços. a implementação de diversos programas estatais – o Programa de Racionalização e Apoio da Indústria Açucareira – PLANALSUCAR e o Programa Nacional do Álcool – PROÁLCOOL levaram à reestruturação econômica do setor. ampliação do rendimento industrial e o aumento da produtividade de todo setor ( RICCI.18). Mas a partir de 1970. através da modernização das destilarias existentes e implantação de novas unidades produtivas autônomas visando à ampliação da produção. a Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP. que custava por volta de dois dólares. O Pro-álcool que foi criado pelo governo . passa a valer onze dólares e sessenta e cinco cents. No final da década de 70 e nos primeiros anos da década de 80. A partir daí. 1994). Em 1975. o preço do barril do petróleo. a cadeia sucroalcooleira passou por duas etapas complementares. No período de 1975/80. se mantêm estáveis. passa a impor os preços no mercado. o plano defendia aumentar a produção de álcool anidro a ser misturado à gasolina. É o primeiro choque do petróleo. No início da década de 70. já que as importações de petróleo agravavam fortemente a balança comercial do País. melhoria da qualidade da matéria-prima. de acordo com Ricci (1994). como tentativa de solução da crise do petróleo. O Pro-álcool foi implantado em duas etapas. A segunda etapa da modernização do setor se processou a partir do início da década de 80 e apresentou. o governo lançou o Programa Nacional do Álcool – conhecido como Pro-álcool com o objetivo principal de reduzir a dependência externa de energia. Em 1973. o mundo se lança na busca de outras fontes de energia.24 distribuição das cotas de produção entre os estados. O conjunto das circunstâncias impôs a necessidade de transformações profundas do setor sucroalcooleiro do País. aumentando sua capacidade de processamento mediante a modernização e expansão do parque industrial. fixação dos preços da cana. a modernização parcial da agricultura. açúcar e álcool e a definição das políticas de subsídio à produção setorial (RICCI. p. controlados pelas grandes multinacionais petrolíferas. 1994. Por força da crise. como característica básica.

para reduzir a importação de petróleo. estabilizou a produção de álcool e ameaçou a continuidade do programa. a partir de 1985. adicionar álcool anidro à gasolina. desde o ano da criação. uma importante iniciativa para substituir combustíveis fósseis por um combustível alternativo e renovável: o álcool carburante. No início da década de 80 a produção de açúcar e álcool passou por uma fase de intensa mecanização que eleva o grau de desemprego. de grande peso na determinação dos níveis de renda e emprego industriais do País. no mundo. responsável pelas maiores transformações relativas ao padrão tecnológico desta cadeia agroindustrial. a atuação decorrente do Pro-álcool. Para a economia brasileira. . Ela recebeu investimentos em montante sempre crescente por parte do governo federal. o Pro-álcool sofreu uma redução significativa nos investimentos destinados ao seu desenvolvimento.25 Geisel. é. diminuindo a importação de petróleo e contendo os gastos com essa importação. A recuperação dos preços no mercado internacional de açúcar. com a gasolina. cujo abastecimento nacional é fundamental para a indústria automobilística. onerada com o aumento do preço do barril face a crise ocasionada pela OPEP. está relacionado de forma significativa à indústria alcooleira. gerando uma grande expansão da produção brasileira de álcool sob os seus estímulos. Tinha como meta inicial produzir 3 milhões de m³ de álcool até 1980 – atingida em 1979. A finalidade era produzir álcool em alta escala para o processo de substituição de combustível. Porém. Esses estímulos fizeram com que os empréstimos ao setor fossem investidos em ampliação e modernização do parque produtor. no final da década de 70. reconhecidamente. O Pro-álcool tinha como objetivo. Sua dinâmica é marcada pela intervenção do estado. pois os usineiros redirecionaram a sua produção para o produto que oferecia maior lucratividade.

26

Com a pouca oportunidade de absorção do álcool pelo mercado internacional, a saída para o problema de superprodução se fez pela ampliação do mercado interno, por meio do estímulo à produção e comercialização de automóveis movidos a álcool. A ampliação do mercado de veículos a álcool gerou novo ciclo de investimentos na indústria alcooleira, atraindo grandes grupos empresariais para o setor estendendo a produção para as demais regiões, além das tradicionais produtoras: Nordeste e Sudeste. A disseminação das novas variedades permitiu a incorporação de novas formas de gerenciamento e controle da produção canavieira nacional, bem como a mudança de novos critérios de determinação do preço da cana. O pagamento da cana por tonelagem foi substituído pela medição do rendimento industrial da matéria-prima através do teor de sacarose em 1983, estimulando mais ainda a modernização do sistema de produção do parque alcooleiro, com prejuízo para os usineiros que não modernizassem a sua produção. Para Ricci (1994), na primeira fase do Pro-álcool, a ampliação da produção de álcool decorreu da expansão nas zonas canavieiras tradicionais; São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais através da incorporação de novas áreas nas regiões produtoras; enquanto que, na segunda fase, ocorre a expansão da produção para outras regiões, algumas já dotadas de algum parque sucroalcooleiro: Paraná, Paraíba e Rio Grande do Norte, e outras sem qualquer tradição: Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Evidentemente, esta alteração na geografia da produção de álcool se reflete simultaneamente nas mudanças na distribuição do cultivo da cana-de-açúcar. Este processo se inicia em 1989, quando as exportações de açúcar deixaram de ser controladas pelo Governo Federal e passaram a ser realizadas diretamente pelos usineiros, ainda que permaneçam restrições relativas ao atendimento da demanda interna do País. Paralelamente, a demanda pelo álcool-combustível, artificialmente inflada pelo estímulo à

27

produção e comercialização de veículos a álcool, foi se reduzindo e os subsídios para a produção alcooleira tornaram-se cada vez mais escassos. Em agosto de 1997, foi criado o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool – CIMA, que tem como prerrogativa, definir uma nova política pública de incentivo ao setor sucroalcooleiro. O CIMA é composto por sete ministérios e coordenado pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo que, a cada safra, vem fixando as quotas de produção e comercialização de açúcar e álcool das usinas e destilarias. O preço do álcool anidro foi liberado em 1997. O CIMA anunciou mais um corte de 65% no valor do subsídio pago pelo álcool hidratado aos produtores e a liberação dos preços do álcool e do açúcar. Mesmo assim, permanece autorizada a compra de 400 milhões de litros de álcool, a título de estocagem, um artifício para aquisição da produção excedente, e o pagamento de 25% da diferença sobre o preço da cana produzida no Nordeste. Atendendo a uma demanda do setor, o repasse de recursos, até então intermediados pelas distribuidoras, passou a ser feito diretamente do governo aos produtores (GAZETA MERCANTIL, 1999). Em conseqüência da escassez de recursos governamentais, a competição intrasetorial ampliou-se e os produtores ineficientes não vêm conseguindo manter a produção, enquanto os produtores modernizados permanecem buscando modos alternativos de operar eficientemente e reduzir os custos de produção. O movimento é de diversificação da produção, elevação da mecanização do cultivo, tanto no plantio como na colheita, e aproveitamento dos subprodutos da produção no processo produtivo. Ocorre também um novo processo de concentração no setor, com fusões, incorporações, aquisições e troca de terras entre empresas.

28

Dentro das regiões brasileiras no período de 2000/2005, a região Sudeste toma destaque com uma grande produtora do álcool-combustível, saindo de 7.528,52 mil m3 no ano 2000 para 11.154,24 mil m3 no ano de 2005. Em segundo lugar fica a região CentroOeste com 1.104,12 mil m3 em 2000 para 2.146,91 mil m3 em 2005. A região Nordeste ficou como a terceira região mais produtora do período com 1.528,52 mil m3 no ano 2000 e passando no decorrer dos cinco anos para 1.695,56 mil m3, uma variação pequena mais positiva. (Ver tabela 3) TABELA 3 - Produção de álcool etílico anidro e hidratado, segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação – 2000/2005.
Produção de álcool etílico anidro e hidratado (mil m3) Grandes Regiões e Unidades da Federação Total Região Norte Amazonas Pará Tocantins Região Nordeste Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Paraná Rio Grande do Sul 2000 2001 2002 2003 2004 2005 05/04 % 9.51 -0.04 28.64 -13.01 .. 1.20 -48.99 2.44 567.97 54.74 44.99 -4.24 -14.99 8.27 66.72 12.12 21.17 29.53 1.88 11.20 -15.50 -15.44 -30.79 19.44 49.88 -8.69 35.84

10.700.25 11.465.97 12.588.62 14.469.95 14.647.25 16.039.89 35.81 3.71 32.11 28.79 2.81 25.98 30.32 3.89 26.43 39.39 4.38 35.01 1.505.23 89.87 22.37 0.32 85.47 267.67 339.20 589.83 61.49 49.00 9.786.64 785.23 151.77 104.74 8.744.90 1.209.45 1.203.40 6.05 1.929.26 472.11 795.38 661.77 47.53 4.67 42.86 1.675.49 95.91 19.45 0.15 64.21 243.80 397.02 729.65 62.47 62.83 9.948.40 758.25 167.83 161.25 8.861.07 1.178.31 1.173.49 4.82 1.797.52 413.61 792.63 591.28 47.51 6.01 37.28 4.22 1.695.56 48.92 19.93 1.02 99.35 353.50 380.18 620.27 67.64 104.75 11.154.24 918.80 217.39 164.29 9.853.77 995.67 992.33 3.34 2.146.91 619.92 723.78 803.21

1.528.52 1.401.64 1.518.28 49.65 75.10 83.58 16.62 18.68 22.83 0.78 1.19 0.98 74.03 47.64 133.34 200.75 237.94 219.71 332.86 284.87 300.27 733.00 629.31 639.22 55.53 52.36 59.18 65.30 54.56 59.18 7.202.72 7.753.90 8.551.82 488.27 522.15 558.41 150.90 131.03 152.30 90.97 62.95 106.59 6.472.57 7.037.78 7.734.52 829.07 826.07 3.00 937.42 932.12 5.31 974.95 968.54 6.41

Região Centro-Oeste 1.104.12 1.344.21 1.513.27 Mato Grosso do Sul 320.81 384.65 422.64 Mato Grosso 466.38 580.13 657.82 Goiás 316.94 379.43 432.80 Fonte: MA/SPC/DAA, 2005.

Produção do Setor Sucroalcooleiro – Brasil 1994/95 a 2005/06 Fonte: DCAA/SPAE/MAPA (*) Valores na posição de 01/05/05 GRÁFICO 1 .635.535 m3 no ano 2000 para 15.Evolução da Produção do Álcool – Brasil 1994/95 a 2005/06. Isto corresponde a uma variação de 44 % no período 2000/2005. Fonte: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro em Maio 2005 . que passou a produzir um total de 10. os dados da Tabela 4 indicam crescimento da produção brasileira de álcool. uma taxa de 8.458 de m3.a. em 2005. seja.29 3.517.153. TABELA 4 . com crescimento de 4.923 de m3.1 A Produção de Álcool no Brasil por Regiões Apesar de a crise que se abateu sobre o mercado de álcool hidratado. nos primeiros anos do século XXI.8 %a.

Já na região Norte-Nordeste. num percentual de –7%. chegando a produzir menos que 5. passando de 1. Fonte: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro em Maio 2005 3.3 A Produção de Álcool Hidratado Em conseqüência da diminuição do mercado de automóveis movidos a álcool. a produção de álcool hidratado foi sendo reduzida nos anos 90. entre as safras 91/92 e 97/98.735 milhões de m3 para 9.486 milhões de m3.2 A Produção de Álcool Anidro O aumento da produção total de álcool no Brasil deve-se à produção de álcool anidro. A queda da produção do álcool hidratado foi menos intensa na região Centro-Sul. ou seja. Dos anos 90. e na maioria dos estados. a queda da produção de álcool hidratado atingiu 23%.610 milhões de m3 para 1. tendo uma reação na evolução a partir dos anos . A evolução tem destaque para a safra 2003/2004.726 milhões de m3. que teve evolução nos anos 2001/2002 até 2003/2004 e uma queda na produção nos anos 2004/2005. de 10. iniciou-se uma fase deficitária. tanto no âmbito nacional quanto na esfera das regiões. passando de 9.Evolução da Produção do Álcool Anidro – Brasil 1994/95 a 2005/06. GRÁFICO 2 . a produção total de álcool hidratado foi reduzida em cerca de um milhão de m3 caindo 9%.5 milhões de m3 como mostra o gráfico 3.124 milhões de m3 para 8. Em 2000.30 3.239 milhões de m3.

seguindo tendência inversa.70/litro e na região Sudeste R$ 1. Em 2005 a alta foi de 29. No Ceará. Isso corresponde a uma variação de 34% no período 2000/2005. Em outros estados.75%. Fonte: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro em Maio 2005 No final de 2005. chegando a atingir aproximadamente 7.a . GRÁFICO 3 . do hidratado para o anidro.4 milhões de m3. Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificante – FECOMBUSTÍVEIS. na região Centro-Oeste o preço do litro do álcool hidratado atingiu R$ 1. os dados indicam claramente a tendência de conversão da produção de álcool-combustível. Bahia e Sergipe. a produção de álcool hidratado oscilou bastante e. o consumo do álcool hidratado na região Centro-Sul no início de 2006 caiu 40%.47/litro.8% a.Evolução da Produção do Álcool Hidratado – Brasil 1994/95 A 2005/06. Com isso. a produção de álcool hidratado vem se elevando nos estados do Rio Grande do Norte. comparado com a média de 2001 a 2004. que tem sido uma trilha traçada pelos . um taxa de 6. ocorreu redução da produção. O preço do álcool hidratado na usina (sem impostos) havia subido 108.31 2003/2004 até a produção na safra 2004/2005.8%.

A conversão do álcool hidratado para o anidro vem se dando nas diferentes regiões e na maioria dos estados. na tentativa de aproveitar as melhores oportunidades que o mercado oferece. referente à safra 05/ 06.32 empresários da cadeia. Veja na Tabela 5 a evolução dos dados. .

.33 TABELA 5 . PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira por Regiões do Brasil – Safra 2005/2006 Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/05/2006.

mas que. Mesmo com a existência de álcool nas usinas. o Brasil desenvolveu tecnologia de motores e logística de transporte e distribuição do produto único no mundo. como aditivo à gasolina (álcool anidro). Em mais de 25 anos de história de utilização do álcool em larga escala. os carros a álcool respondiam por 94. no entanto. afastada a crise do petróleo. com sucesso. que acompanha o crescimento da frota brasileira de veículos leves.06% em 97. e centrando-se as políticas econômicas internas na contenção de tarifas públicas. Hoje. 0. para alívio da estatal brasileira de petróleo. 0. A indústria automobilística começou a inverter a curva da produção de carros a álcool. 0. Em 1984. para estabilizar a inflação.02% em 2001. surgiu. 0. o álcool passou a ser usado para mover veículos cujos motores o utilizavam como combustível puro (álcool hidratado).44% em 96. passando depois a 22%.92% em 99. há determinação legal no . o governo contribuiu decisivamente para o início de uma curva descendente de produção de carros a álcool: o desestímulo à produção levou a relação muito justa entre oferta e demanda do produto no final dos anos 90. motores especialmente desenvolvidos para o álcool hidratado.4% da produção das montadoras. Com o desenvolvimento ativo da engenharia nacional. Segundo a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo – ÚNICA (2005) a queda da demanda de álcool hidratado foi compensada pelo maior uso do álcool anidro. A partir de 1980.09% em 98. ainda adaptações dos modelos à gasolina. após o segundo choque do petróleo. não tinham desempenho adequado. num percentual de 20%. que reclamava de excedentes na produção de gasolina. Desde 1986.69% em 2000 e 1. o governo – por omissão ou falha operacional – não foi capaz de resolver os problemas logísticos e provocou uma crise localizada de abastecimento em 89. 0. 10% em 90. A participação anual caiu de 63% da produção total de veículos fabricados em 88 para 47% em 89.34 A utilização em grande escala do álcool no Brasil deu-se em duas etapas: inicialmente.

levou à valorização da biomassa para esse fim. para abastecer cerca de 3 milhões de veículos. a geração de empregos em larga escala. um exemplo que vem sendo seguido e debatido em países e em reuniões internacionais. A definição pontual cabe ao CIMA. A experiência em larga escala da produção e uso do etanol no Brasil é. a reconhecida capacidade de distribuição desses efeitos na cadeia produtiva sucroalcooleira. como a melhoria da renda rural. veio seguindo a lógica da substituição das fontes então utilizadas por outras mais práticas e rentáveis (da lenha ao carvão. apenas a partir da década de 70. o etanol provoca em países como o Brasil.35 sentido de que toda gasolina brasileira contenha de 20 % a 24% de álcool anidro. entre outros. do carvão ao petróleo). 3. O Brasil desenvolveu infra-estrutura ímpar de distribuição do combustível e detém uma rede de mais de 25 mil postos. A associação entre o meio ambiente e o desenvolvimento. até avançar na procura de caminhos onde o objetivo passou a ser a sustentabilidade do uso da energia. com variação de mais ou menos 1%. a redução de dependência externa de petróleo e melhoria da balança comercial. onde a produção e o uso de energia renovável têm importância fundamental. 2005). com bombas de álcool hidratado. Na prática. é que a questão do desenvolvimento sustentável veio sendo tratada em reuniões internacionais. Além do foco ambiental. em todo o mundo. 20% da frota nacional (ÚNICA. impactos econômico-sociais de primeira grandeza. A ação local. e é feita de modo a equilibrar a relação entre oferta e consumo. faz do álcool um produto de extrema importância para a rápida resposta que o mundo deve dar às reduções de emissões dos gases do efeito estufa. sem dúvida alguma.4 Álcool como “Commodity” Internacional (Questão Ambiental) A evolução da produção e uso dos combustíveis. com impacto global em termos ambientais. .

“Energia é essencial para o país ocupar um patamar de competitividade nas próximas décadas”. uma “commodity”1 ambiental internacional. o aumento da quantidade de países produzindo o álcool como combustível. A ministra afirma que o Brasil está pronto para fornecer etanol para o mercado mundial e coloca que no início do Pro-álcool existiam algumas falhas como o alto custo do produto e a não garantia de abastecimento. o país conseguiria oferecer preços entre US$ 40 a US$ 50 Commodity: palavra inglesa que significa mercadoria. e o etanol brasileiro é o mais barato do mundo e a produção é feita em larga escala. o anseio ambiental do mundo e o protocolo de Kyoto são fontes de sustento para a expansão do consumo do álcool. Dilma Rousseff. Nesse contexto. o Brasil está numa posição privilegiada. algodão. Alguns pontos são essenciais para a consolidação desse objetivo. Existem bolsas de valores específicas para negociar commodities como café.36 A propagação da produção e do uso do etanol nos vários países é. salutar caminho de desenvolvimento local e global. um maior incentivo do governo estadual ao setor sucroalcooleiro. Parceria no ano de 2006 entre o governo estadual de São Paulo e a Assembléia Legislativa e iniciativa privada juntaram-se para promover o álcool-combustível à condição de “commodity” internacional. oferece segurança para o mundo inteiro adotar e intensificar o uso de etanol nas frotas de veículos. soja. com isso. A última ação dos poderes Legislativo e Executivo de São Paulo para facilitar a exportação é a redução de 25% para 12% da alíquota de ICMS incidente sobre o combustível. geralmente agrícola ou mineral. Se tem custo de produção competitivo o Brasil peca pela falta de condições logísticas. Segundo o Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool. 1 . calcula que se o problema de escoamento fosse solucionado. Mas no mercado financeiro é utilizado para indicar um tipo de produto. De acordo com a ministra-chefe da Casa Civil. Espera-se. do álcool carburante. petróleo etc. valendo ressaltar a importância de se fazer. de forma relevante. de grande importância econômica internacional porque é amplamente negociado entre importadores e exportadores. Segundo a ministra. Luiz Carlos Carvalho. esses problemas estavam resolvidos. No final de 2005.

Se o ritmo atual de vendas persistir nos próximos quatro anos.6% dos carros novos vendidos no Brasil.23 0. as vendas de carros flex representaram 70.37 por metro cúbico. (2005) O número é superior ao ano anterior. E. 2005. Até 2008.31 0.5 bilhões de litros – o consumo da gasolina deve cair 0. em 2003./Dez. e da Europa – o continente favorecendo os produtores de beterraba. . as montadoras venderam mais de 1 milhão de unidades no mercado nacional – segundo a Anfavea. estima Pires (2005).9% do mercado de veículos leves – no acumulado de 2005 o flex-fuel responde por 51. A venda de veículos flex-fuel registra crescente verticalização desde quando foi lançado pioneiramente pela Volkswagen no Brasil. 31p.1% ao ano até 2010. QUADRO 1 . No ano de 2005. mostra o caminho da exportação que também reserva ao Brasil obstáculos impostos por países desenvolvidos.50 A resistência da sociedade ao uso de combustíveis e tecnologias poluentes é um dos aspectos que reforça o processo de diversificação da matriz energética e a redução da importância do petróleo. os bicombustíveis devem chegar a 100% do mercado nacional de veículos zero quilometro o que deve elevar o consumo de álcool no ambiente interno em 1. segundo o CBIE. Nos dados do quadro 1. Em novembro de 2005. Caso dos EUA. que prometem proteger os seus produtores de milho. quando foram vendidos 383 mil. 84 mil.Custo do Etanol O custo de produção de etanol BRASIL (cana-de-açúcar) EUA (milho) FRANÇA (beterraba) Fonte: Revista ALCOOLbrás – Nov. US$/litro 0. em 2003. a frota nacional de flexíveis chegará a cinco milhões de unidades.

QUADRO 2 . a produção de etanol se manteve graças à mistura do álcool etílico anidro carburante na gasolina.5 O Brasil como Precursor e Difusor do Uso do Álcool Carburante Desde a década de 20. 2005. em carros 100% movidos a álcool.38 GRÁFICO 4. com adição média variando de 20% a 25%. .328 2005 650. usa o álcool-combustível.3% Participação mercado de leves Fonte: Revista ALCOOLbrás . Considerado um programa bastante eficaz e de grande sucesso mundial foi. durante alguns anos. 3. 2003/2005. hoje.883 % 49. Com o Pro-álcool. foi pioneiro na efetiva substituição da gasolina em meio à crise dos preços do petróleo./ Dez.335 2002 55. cujo crescimento compensou a queda no consumo de álcool hidratado (Gráfico 5). o álcool da cana é usado como combustível no país de duas maneiras: como álcool etílico hidratado carburante (AEHC). implementado em escala comercial no final dos anos 70.558 2004 379. Vendas e participação no mercado de leves de veículos flex.6% 0. ou como álcool anidro (AEAC). 2000/2005. supremacia na geração e difusão de tecnologias da cadeia açúcar/álcool de cana. Com a desaceleração do Pro-álcool durante os anos 90. Os avanços tecnológicos continuaram e o Brasil detém. responsável por mais de 66. 2001 18. mês de levantamento dos Veículos flex-fuel (FFV). o Brasil.6% 21. Desde então. em carros a gasolina. Dados referentes até out. 2005.Vendas de Veículos a Álcool no Brasil.Nov. Automóveis e comerciais leves a álcool (unidades vendidas) TOTAL 2000 10.961 2003 84.292 Fonte: ANFAVEA. Vendas (em unidades) 2006 2005 2004 2003 2002 1 milhão 383 mil 84 mil 2005 2004 2003 2006 2005 2004 2003 2002 51.5 Em março 2003. 2005.4% da produção interna total de automóveis movidos a álcool etílico hidratado carburante.

. Nesse contexto. institutos de pesquisa e governo).39 São crescentes os esforços em pesquisa e desenvolvimento tecnológico em todos os elos da cadeia (empresas privadas. GRÁFICO 5 – Evolução do Consumo de álcool anidro e hidratado de 1994/2004 Unidade: bilhões de litros/ano. universidades. a desaceleração do programa nos anos 90 representou a significativa diminuição da frota de carros 100% a álcool e a desestabilização conjuntural do modelo. A conservação dinâmica da oferta e o consumo brasileiro do álcool carburante viram-se sempre pressionados pela competição oscilante dos preços internacionais do petróleo e tendências de atratividade da “commodity” açúcar. Fonte: DAA/SPC/MAPA (*) Valores na posição de 01/09/04. o que exigia um complexo sistema de regulamentação para a garantia de sua estocagem e oferta.

gasolina.e ter a sua especificação para uso é fundamental -. que é condição essencial para que se tenha uma referência de preços. é necessário não somente produzi-lo .700 109/98 903 420 9 Fonte: Goldemberg e Macedo.900 91/80 376 ~ 502 220 14. inclusive já contando com interesses e experiências do uso do álcool em mistura. Uma caravana de . pois os efeitos ambientais decorrentes da queima de hidrocarbonetos fósseis vêm criando uma série de externalidades negativas. como também ter os mecanismos de mercado para tanto. Os contratos futuros de álcool-combustível tiveram seu “début” em grande estilo na Nybot (New York Board of Trade). A importância do etanol na estrutura de produção e no consumo de combustíveis surge no cenário internacional. açúcar etc. Dos vários países produtores.5 ETANOL 26. Essa proposição encontra-se na ordem do dia em vários países. principalmente por essa queima. como ocorre entre outras “commodities” como petróleo. em face dos impactos do aquecimento do planeta. Isto é.1994. o Brasil foi o primeiro a ter uma Bolsa com contrato futuro do etanol (BM&F). Para que o seu uso se faça em condições internacionais. é preciso haver mecanismos que assegurem a estabilidade de preços e a garantia de abastecimento. no dia sete de maio de 2004. que ameaçam desestabilizar o meio ambiente.40 As principais propriedades da gasolina e do álcool estão indicadas na Tabela 6: TABELA 6: Propriedades e características dos combustíveis GASOLINA Calor específico (kJ/kg) Número de octano (RON/MON)* Calor latente de vaporização (Kj/kg) Temperatura de ignição (ºC) Razão estequiométrica Ar/Combustível 34. Já existe uma mobilização para consolidar o álcool como primeira alternativa de combustível renovável limpo.

Entre os principais clientes do álcool brasileiro até novembro de 2004 destacaram-se os EUA que.4 e 2. Foram também significativas as vendas para o Estados Unidos.4 bilhões de litros de etanol. Dados da balança comercial mostram o volume do produto embarcado em 2004. o chumbo tetraetila como antidetonante do combustível.6 Exportação de Álcool no Brasil As exportações de álcool aumentaram 277% em 2004. totalizando 2.146 bilhões de litros. em muitos países. As vendas para o mercado externo correspondem a 12.5 bilhões de litros. Os negócios nesta bolsa são do tipo álcool anidro desnaturado. em cumprimento à exigências do Protocolo de Kyoto. um volume entre 2. No ano de 2003 predominou o embarque do etanol combustível.41 produtores brasileiros participou do evento. foi exportado até dezembro de 2004 o volume recorde de 2. entre compras diretas e via Caribe – região beneficiada com tarifa zero até um determinado volume pela Caribbean Basin Iniciantive . isso comparados ao ano anterior. com embarques adicionais no período de janeiro a abril de 2005 de 0. no período de maio/dezembro de 2004. O principal mercado do álcool nacional foram os países asiáticos. passando o álcool a ter uma cotação diária. As exportações de álcool na região Centro-Sul. 3. atingiram 1. que adquiriram cerca de 25% da produção brasileira com o objetivo de diminuir a pressão da alta dos combustíveis fósseis.25 bilhão de litros.6% da produção de álcool no Brasil e foram motivadas pelas questões ambientais. Segundo a ÚNICA(2005) no Brasil as exportações de álcool atingiram na safra de 04/05. mostrando-se altamente poluente. De acordo com números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).5 bilhão de litros. com as exportações de açúcar e álcool chegando à cerca de US$ 3 bilhões. que compraram cerca de 42% produzido a partir do metanol – que substitui.

502.451 4. Levantamento Out/2005.465 5.496 2.962 7.348 milhões e 112.511. O Japão ficou com 158.958 536.155 4.202 (10.064) 158.150 303 16.42 (CIB) um volume significativo para o Brasil.926. respectivamente.460 2004 Ton mil U$$ 17. No ano de 2005. o porto de Rotterdam. o setor manteve as exportações de álcool nos mesmos patamares que no ano de 2004 e teve uma boa produção para abastecer o mercado interno.873 (7. A Índia adquiriu 400.486 540.502.504.448 JAN a SET/2005 ton mil U$$ 1.087 1.224 2. Levantamento Out/2005.937 FONTE: CONAB.353 378.925 4.315 2004 Ton Mil U$$ 1.Exportações Brasileiras de Álcool. recebeu 207.777 1.703) JAN a SET/2005 ton mil U$$ 1.634 3. QUADRO 3 .520.812 156.925 1.152 milhões de litros.54 por galão.025 165.419 FONTE: CONAB. .775 2004 Ton mil U$$ 1.623 173 9.421 270 6.321 milhões.803 Álcool Carburante 605.518. QUADRO 4 .926.052 4.262 504.345 497.584) 495. QUADRO 5 .Importações Brasileiras de Álcool. em expansão devido à forte demanda pelos veículos “flex fuel”.089 6.497 2.304 535.900 FONTE: CONAB. além do imposto de importação de 2. incidindo sobre o nosso produto a sobretaxa de US$ 0.423 (2.5%. Levantamento Out/2005.746 1.330 (13.083 497.964) 536. 2003-2005.846 8. Produto Álcool Derivados 2003 ton mil U$$ 593.711 1.421 JAN a SET/2004 ton Mil U$$ 13. Produto Álcool Derivados 2003 Ton mil U$$ 609.654 235 4.963 11.078) JAN a SET/2004 ton mil U$$ 1. enquanto a Nigéria e Coréia do Sul responderam por 126.823 6.491.929.635 (1.Saldo da Balança Comercial de Álcool.052 (6.932 378. na Holanda.737 157.912. 2003-2005.281 383.738 317 8.905 4. 2003-2005.936 milhões de litros.343 JAN a SET/2004 ton mil U$$ 1.151 JAN a SET/2005 ton mil U$$ 9.896 1. Produto Álcool Álcool Carburante Derivados 2003 Ton Mil U$$ 16.518.117 294 12.885 milhões de litros do produto para o uso industrial.542) 376.920 384 Álcool Carburante 600.660 1.740 6.

.PROINFA. A Lei 10. o governo vem atuando em três frentes que considera prioritárias para consolidar e ampliar o consumo potencial do etanol no mercado interno. pelas concessionárias.7 Iniciativas do Setor Privado e do Governo Brasileiro para Incentivar o Uso do Álcool Carburante. Para consolidar o uso do álcool carburante no mercado interno o setor privado tem realizado maciços investimentos em atualização tecnológica nos processos de produção canavieira e na fabricação do álcool. dos veículos com combustível flexível (álcool hidratado x gasolina em qualquer proporção). Em complemento ao esforço que vem sendo desenvolvido pelo setor privado. da energia elétrica obtida da co-geração a partir do bagaço da cana. e marcantes ganhos de eficiência no complexo da indústria sucroalcooleira a partir do uso da energia gerada pela queima do bagaço.43 3. A Lei 4. iniciando a ampliação sustentada e abrangente do mercado internacional.353. como se fossem movidos a álcool hidratado. A classificação para efeito do IPI. garantindo a compra. de 30 de agosto de 2002. sintetizadas em medidas de ampliação de consumo interno e garantia de abastecimento. cooperação internacional e identificação de oportunidades. institui medidas que reforçam todo o processo de estocagem e aquisição de estoques reguladores do álcool combustível e os mecanismos de financiamento ao agro-negócio sucroalcooleiro.438. de 26 de abril de 2002. que criou o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica . É possível contar ainda com sólida estrutura empresarial na oferta de bens de capital para o setor e com o contínuo processo de aperfeiçoamento e desenvolvimento de novas máquinas e equipamentos.

apenas uma sugestão como limite máximo aceitável. A demora na liberação das operações pelo Ministério do Desenvolvimento faz parte de um conjunto de medidas tomadas para aumentar a oferta do combustível no mercado interno. Em 22 fevereiro de 2006 foram adotadas pelo governo duas medidas: a queda de 25% para 20% da mistura de álcool anidro à gasolina e a redução de 20% para zero do imposto de importação de álcool. em 1984-1985. um programa de pesquisas que tinha como objetivo avaliar o impacto do aumento do teor de AEAC de 13% para 22% v/v. 3. Provocou uma reação imediata da indústria automobilística representada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores . Seria uma forma de combater os reajustes no preço do combustível e evitar que haja desabastecimento no mercado interno. exigindo o estabelecimento de um teor fixo e constante em longo prazo. A PETROBRÁS iniciou. O cumprimento deste último teor não era obrigatório. 2000). para que os veículos novos pudessem ser otimizados para a mistura álcool-gasolina (MURTA VALLE.8 Alguns Obstáculos e Potencialidades da Produção de Álcool-Combustível no Cenário Nacional Mesmo com o aumento da frota de automóveis. Também partiu do governo a idéia de segurar as exportações como uma espécie de intervenção branca. sem alterar as regras de comércio internacional.44 O Governo vem adotando uma ferramenta burocrática para segurar e desestimular as exportações de álcool-combustível. O valor exportado saltou de US$ 63 milhões no primeiro bimestre de 2005 para US$ 102 milhões nos dois primeiros meses de 2006.ANFAVEA. O governo estabeleceu um forte controle do processo de desembaraço do produto para o exterior. este desenvolvimento não era suficiente para consumir todo o álcool produzido neste período. . A burocracia colocada frente aos pedidos de exportação de álcool é motivada pelo crescimento das vendas externas do produto.

como “booster” de octanagem. a fatores como a capacidade de reduzir a importação de 200 mil barris de petróleo por dia. entre outras (GIANNINI.04 milhão de trabalhadores ligados ao setor. em primeiro lugar. 2000). CO e particulados e. mesmo após mais de duas décadas. devido a questões ambientais (MURTA VALLE. o emprego de etanol como combustível está longe de ter uma política definida. no interior do Brasil. em segundo lugar. estimando-se em 1. que cresceram movidas pela força de sua agroindústria. 2000). onde 60% da produção é consumida pelo mercado internacional. primeiro por promover a redução nas emissões automobilísticas de enxôfre. como Ribeirão Preto e Piracicaba. Para manter a produção de álcool. Com relação ao custo da .45 A seriedade deste Programa para o País deve-se. movimentar uma frota de 4. possui solo favorável e um menor custo de produção que os demais países exportadores. mas também de frutas cítricas. descentralizando os investimentos dos grandes centros urbanos para o interior. não só sucroalcooleira. Além de ajudar a fixar o trabalhador menos qualificado no campo. 2005). Bons exemplos deste movimento são algumas cidades do interior do estado de São Paulo. Apesar de a divergência de opiniões. Contudo. ainda é o segmento que mais empregos oferece. e os demais 40% são absorvidos pelo comércio interno (Cepea/Esalq/Usp. todos os envolvidos neste processo são unânimes em assumir que a adição de etanol nos combustíveis foi um avanço. o Brasil conta com algumas vantagens: como ampla mão-de-obra. todos os setores envolvidos (GIANNINI. por sobrecarregar. de soja. de uma forma ou de outra.2 milhões de veículos e contribuir com 16% da matriz energética renovável do país além de ter possibilitado o desenvolvimento de tecnologia nacional de carros movidos a álcool. Embora haja um crescente aumento da mecanização das lavouras. por ratificar a substituição do chumbo tetraetila da gasolina (em 1988). o setor alcooleiro do Brasil tornou-se o maior exportador de álcool. No ano de 2005. altera a direção dos vetores de crescimento econômico. 2000).

Na realidade. provavelmente. a cana-de-açúcar é queimada em quase todos os países aonde ela é produzida. como em outros países. e o terceiro está no Nordeste. a melhor maneira de desenvolver as tecnologias que são necessárias para colher a cana verde e estes resíduos de forma mais eficiente. o primeiro menor custo encontra-se no estado de São Paulo. Mesmo assim. um incômodo às pessoas. ela é feita apenas algumas horas antes da colheita.46 produção brasileira. que envolve uma quantidade menor de matéria. .9 Impacto da Queima da Cana na Poluição do Ar Apesar de a preocupação generalizada. 3. Um procedimento alternativo é colher os resíduos da cana-de-açúcar (folhas verdes e secas e os topos) para a geração de energia. A análise da cana queimada no Havaí mostra que nenhum problema de saúde até agora pode ser imputado à prática da queima. a queima da cana produz uma grande quantidade de fumaça. A queima após a colheita (o topo da cana e as folhas verdes remanescentes). A queima antes da colheita (aonde as folhas secas são incineradas) é feita para garantir o controle de pestes e reduzir os custos da colheita. o desenvolvimento do mercado de energia para estes resíduos é. elimina os resíduos e acelera o preparo do solo e o replante. as preocupações com a poluição do ar são estimuladas pelo grande número de áreas plantadas com cana-de-açúcar localizadas nas proximidades das áreas urbanas. O problema pode ser reduzido selecionando-se horários otimizados para a queima e de acordo com direção dos ventos ocorrentes. no mínimo. e como tal. No Brasil. eliminando assim a necessidade da queimada. é vista como. o segundo está no Centro-Sul.

devido ao alto nível de enxofre na gasolina brasileira os catalisadores seriam contaminados rapidamente. Os hidrocarbonetos aromáticos (tais como benzeno) que são particularmente tóxicos foram também eliminados e o conteúdo de enxofre da gasolina foi também reduzido. Inicialmente. Pode-se. e elas foram reduzidas para menos de 0. Nos automóveis a etanol puro a emissão de enxofre foi eliminada trazendo um dividendo duplo. quando a gasolina era o único combustível em uso. . argumentar que o acetaldeído proveniente do uso do álcool é menos agressivo à saúde humana e ao meio ambiente que o formaldeído produzido quando da combustão de gasolina. Sem essas ações. Em conseqüência. O Gráfico 6 mostra a produção total do álcool no Brasil desde a safra 94/95 a 2004/2005 a partir de dados visuais comparam a evolução do álcool anidro em relação à oscilação da produção do álcool hidratado. Além disso. Uma das desvantagens do uso do etanol puro é o aumento na emissão de aldeídos quando comparado com a gasolina ou a mistura gasolina/etanol. as emissões de CO eram superiores a 50g/km. em particular São Paulo.47 3. o uso de etanol viabilizou de uma forma indireta a introdução dos catalisadores no Brasil. entretanto. as emissões de monóxido de carbono foram drasticamente reduzidas: antes de 1980. carros equipados com catalisadores teriam encontrado dificuldades. aditivos como chumbo tiveram seu uso reduzido à medida que a quantidade de álcool na gasolina aumentava e eles foram totalmente eliminados em 1991.10 O Impacto dos Motores a Álcool na Poluição do Ar A introdução da mistura gasolina/álcool teve um impacto imediato na qualidade do ar das grandes cidades.07g/km em 2000.

48 GRÁFICO 6 – Produção Brasileira de Álcool – 1994 a 2005. Maio/2005 . Unidade: m3 FONTE: Dados do Setor Sucroalcooleiro p/ página da DCAgro.

Com a extinção do IAA. queda da arrecadação de tributos nos estados e municípios. direta e indiretamente vinculados à atividade. processo que teve início no final da década de 80 e foi concluído no Governo Collor em 1990. Essa crise agravou-se recentemente por circunstâncias conjunturais adversas ao setor. o setor agro-industrial canavieiro nordestino enfrentou uma crise econômico – financeira envolvendo cerca de 1. cujo fenômeno vem se repetindo com maior freqüência e intensidade no Nordeste. sem considerar as cinco capitais insuladas na região. desprovida de um período de transição e adaptação. com destaque. faz-se necessário ter conhecimento panorâmico do desenvolvimento setorial nos últimos anos.500. com uma completa desregulamentação. como: o fechamento de unidades industriais. a irregularidade nos repasse de recursos do Programa de Equalização dos Custos de Produção da Cana-de-açúcar no Nordeste. . Tais problemas acarretam desequilíbrios econômicos e sociais. conseqüentemente o aumento do desemprego e da pobreza na zona da mata canavieira.000 fornecedores de cana. e.49 CAPÍTULO 4 OBSTÁCULOS E POTENCIALIDADES DO ÁLCOOL-COMBUSTÍVEL NO CENÁRIO REGIONAL Para a região Nordeste. 92 unidades industriais e aproximadamente 20. compatíveis com as modificações introduzidas: a seca. Para uma melhor compreensão da atual situação da atividade canavieira no Nordeste no período de 2000/2005. para as mudanças ocorridas no modelo de gestão setorial. os problemas da cadeia produtiva sucroalcooleira são questões relevantes não só pela participação da produção de açúcar e álcool no produto regional como. e outros fatores.000 trabalhadores. também pelo impacto sobre o emprego. composta por 228 municípios com uma população superior a 10 milhões de habitantes.

em relação à gasolina. oscila em torno de US$ 70 o barril . O custo do álcool operacional é menor e menos poluente e é produzido a partir cana-deaçúcar. uma fonte renovável. Diante . o álcool chega a ser vendido com preços de 40% a 45% menores. e de 69% de usinas e 31% de fornecedores em 2004/05. No Nordeste o setor agroindustrial do açúcar e do álcool tem resistido historicamente a variados maus tempos e passado também por alguns períodos. O motor a álcool tem um consumo maior por quilômetro rodado.(OPEP.50 A área ocupada com a cana no Nordeste é de aproximadamente 1. O Álcool também tem suas desvantagens na região. Com o aumento do preço do petróleo – que segundo pesquisa o nível atual do preço do petróleo. de prosperidade. Em algumas regiões brasileiras. o quadro de dificuldades econômicas vem sendo agravado. Nos últimos anos. correspondendo hoje a 50 milhões de toneladas de cana. por litro. mas comercializado até 30% abaixo do preço da gasolina. podendo ser obtido de outros vegetais.33 toneladas por hectares (3 últimas safras). mesmo que menos freqüentes. mas também um ambiente sócio-econômico pouco adaptado às regras do jogo capitalista. As empresas produtoras de açúcar e álcool. com as mudanças institucionais associadas à desregulamentação do setor. 2005).000. além de enfrentar problemas específicos. em geral vêm aumentando os problemas de endividamento e de competitividade em cuja origem encontra-se o paternalismo e a política oficial. é reduzida a emissão de CO (monóxido de carbono). sendo. como na geração de dejetos poluentes utilizados na fertirrigação.000 hectares. sendo o rendimento agrícola médio de 53. o álcool tem um impacto benéfico em relação aos gazes do “efeito estufa” e quando adicionado à gasolina. como o vinhoto. 67% de usinas e 33% fornecedores de cana na safra 2003/2004. além de gerar sazonalmente empregos na região. ao contrário do petróleo.

e seu processamento industrial ocupam economicamente a Zona da Mata do Nordeste. é também marcante no mesmo a articulação de produtores (usineiros e fornecedores de cana) para reivindicar do Estado a adoção de medidas protetoras que lhes facilitasse a superação de dificuldades. mesmo usufruindo tratamento diferenciado em seu favor. ou seja. Resultou daí medidas que contribuíram para transferir para o setor recursos significativos em forma de subsídios. enquanto emperram as mudanças tecnológicas e gerenciais que poderiam contribuir para um equilíbrio sustentável no quadro evolutivo da mesma. Por outro lado. embora em menor grau. reserva de mercado etc. até mesmo após a extinção do IAA. desde o início da colonização do País. exibidos pelo segmento localizado no Sul/Sudeste do país. A concentração. sejam estas de ordem conjuntural ou mesmo estrutural. o conservadorismo e a lentidão de transformações tecnológicas e gerenciais têm também caracterizado a evolução do setor nesta Região. entremeados por fases de dificuldades. facilidades de crédito.1 Visão Geral do Setor Sucroalcooleiro A atividade canavieira. principalmente no estado de São . na direção de padrões mais contemporâneos de eficiência do uso de recursos produtivos envolvidos. vem sendo mantido o caráter concentrado da atividade. Em função desses fatores. o setor sucroalcooleiro nordestino vem perdendo posição a nível nacional. Destaca-se que. por outro lado. para o que concorreu sobremaneira o maior nível de eficiência e a maior proximidade do mercado consumidor. entre outros. Ao longo de sua história esta atividade tem sido marcada por períodos de prosperidade.51 disso. 4. várias empresas já fecharam ou sobreviveram às duras penas e as perspectivas de reversão dessa cena mais recente não parecem muito prováveis.

menores custos agrícolas etc. por sua vez. enquanto a estagnação do Norte/Nordeste também tem suas características especificas. o crescimento do setor nas últimas décadas deveu-se ao Pro-álcool. que provocou inclusive uma mudança no perfil de uso da cana produzida. O conservadorismo e a menor preocupação com a adoção de avanços tecnológicos dirigidos à redução de custos. fechando o círculo virtuoso que leva ao crescimento. A favor.677 mil t. onde um círculo vicioso se instalou. O ambiente econômico também pesa por ser mais estimulador de mudanças tecnológicas. na safra 2004/2005. que é . no Centro/Sul. com maior esforço de pesquisas que se traduzem na adaptação e introdução das variedades de cana mais produtivas. No geral.52 Paulo. solos férteis. Nas últimas décadas do século XX. ou seja.917. tem sido mantida e intensificada essa tendência de perda de posição. O maior dinamismo da produção no Centro/Sul tem raízes em fatores intrínsecos àquela região. tendo a produção de cana no ano 2000 crescido 22%. para referir o comportamento médio do empresariado.270 mil t para 2. encoraja mais investimentos em busca de maior eficiência. em geral é de estagnação e queda na maioria dos estados. comportamento que é ligeiramente destoante apenas no caso do Rio Grande do Norte onde ocorre alguma expansão. de 2. No Nordeste. A maior lucratividade do segmento. as condições físicas apresentam-se menos favoráveis com solos diclinos e chuvosos às vezes insatisfatórios. Alguns fatores ligados à política econômica também influenciaram essa dinâmica diferenciada. Mesmo assim esses fatores não explicam tudo. operam fatores relevantes como melhores condições físicas. No Norte/Nordeste. também fazem a sua parte nesse quadro de estagnação. planos e climas propícios. Onde há maior pluviosidade observam-se solos mais íngremes. mesmo que pouco expressiva. havendo nas regiões mais planas muitas deficiências pluviométricas.388.

sendo 265. eliminou-se o subsídio de equalização de custos que compensava os custos maiores do Norte/Nordeste. Com isso o açúcar do Centro/Sul passa a ocupar parte do mercado nordestino. Ressaltando-se que esse mercado externo permitia preços mais elevados.449 m3 de álcool anidro e 410. sendo 276. Os incentivos ao álcool fizeram crescer a área plantada com cana no Nordeste passando a cultura a ocupar áreas pouco propícias ao seu crescimento e menos adaptáveis à adoção de técnicas mais eficientes. Além da extinção do IAA. contribuindo para rebaixar os índices regionais de produtividade. inclusive quanto ao mercado externo de açúcar. Tendo destaque os estados mais produtores do álcool. Pernambuco e Paraíba.719 m3. sendo 396. Na safra 03/04 foi de 702. sendo 255.513 m3 de álcool anidro e 244.385 m3 de álcool hidratado.286 m3.165 m3. preços esses que admitiam uma diminuição dos diferenciais de produtividade no que tange à lucratividade da atividade.53 hoje cerca de 2/3 do total produzido transformado em álcool. Conseqüentemente reduzse a lucratividade e reforça-se o quadro de estagnação e crise. 9.835 m3 de álcool anidro e 315.820 m3 de álcool anidro e 253.579 m3 de álcool anidro e 437.0% para o restante do C/Sul e 0% para o Nordeste) mais o pagamento de um adicional de 25% sobre o álcool produzido no Nordeste. Na safra 04/05 foi de 687. mas também o mercado externo antes praticamente cativo ao produtor do Nordeste. Houve ainda a flexibilização do regime de quotas de produção. Com a estagnação do Pro-álcool.665 m3 de álcool hidratado. observa-se o acompanhamento da produção do álcool nos estados de Alagoas. sendo 317. Na safra 01/02 foi de 562. substituindo-o por um regime de alíquotas diferenciadas do IPI (18.716 m3 de álcool . Na safra 02/03 foi de 567.773 m3 de álcool hidratado. principalmente para o mercado norte-americano.964 m3.0% em São Paulo.854 m3 de álcool hidratado. A produção total do álcool no estado de Alagoas apresentou as seguintes oscilações nas suas produções: na safra 00/01 foi de 712. muitas dessas áreas continuam utilizadas com cana.868 m3.

A produção total do álcool no estado de Pernambuco apresentou as seguintes oscilações nas suas produções: na safra 00/01 foi de 299. sendo 120. Na safra 01/02 foi de 261.613 m3 de álcool anidro e 133.774 m3 de álcool hidratado. Na safra 05/06 foi de 546. sendo 278.546 m3.417 m3 de álcool anidro e 141.601 m3 de álcool anidro e 136. Na safra 03/04 foi de 277.947 m3. sendo 126.606 m3.832 m3 de álcool anidro e 138.619 m3 de álcool hidratado.974 m3. sendo 103.763 m3.602 m3 de álcool anidro e 103. Observa-se que ocorreu um crescimento em torno de 30% na produção total de álcool no estado de Alagoas em relação ao primeiro e o último período informado.163 m3 de álcool hidratado. sendo 154.235 m3 de álcool hidratado.836 m3 de álcool anidro e 155. Na safra 02/03 foi de 240. Na safra 04/05 foi de 415.334 m3 de álcool anidro e 334. Na safra 04/05 foi de 337.275 m3 de álcool hidratado. sendo 111.446 m3.297 m3 de álcool hidratado.135 m3 de álcool hidratado.924 m3 de álcool anidro e 136.754 m3 de álcool hidratado.316 m3. Na safra 03/04 foi de 381. sendo 212. sendo 156.425 m3 de álcool anidro e 168. Na safra 02/03 foi de 306. sendo 114.221 m3.54 hidratado.743 m3 de álcool hidratado.660 m3.672 m3 de álcool anidro e 181. Na safra 01/02 foi de 226.677 m3 de álcool anidro e 152.933 m3. . Observa-se que ocorreu um crescimento em torno de 8% na produção total de álcool no estado de Pernambuco em relação ao primeiro e o último período informado.301 m3 de álcool hidratado. Na safra 05/06 foi de 267.448 m3 de álcool anidro e 151. sendo 163.516 m3 de álcool hidratado.112 m3 de álcool hidratado. sendo 205.245 m3 de álcool anidro e 119. sendo 213. sendo 87. A produção total do álcool no estado da Paraíba apresentou as seguintes oscilações nas suas produções: na safra 00/01 foi de 218.392 m3 de álcool hidratado.387 m3. Na safra 05/06 foi de 324.764 m3.679 m3.

no período de 2000/2005: . 9. 11 e 12 a produção do álcool. 10. 8. Veja a evolução da moagem da cana-de-açúcar e observe nas tabelas 7. das entradas e saídas do álcool anidro e hidratado em cada estado do Nordeste.55 Observa-se que ocorreu um crescimento em torno de 22% na produção total de álcool no estado de Paraíba em relação ao primeiro e o último período informado.

UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/01 . Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.56 TABELA 7 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . safra 2000/2001.

57 TABELA 8 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. . Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . safra 2001/2002.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/02.

UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/03. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. safra 2002/2003. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .58 TABELA 9 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste. .

Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. safra 2003/2004. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . .59 TABELA 10 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/04.

60 TABELA 11 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/09/05. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO . . safra 2004/2005.

safra 2005/2006. Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.UNIDADES PRODUTORAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL – POSIÇÃO 01/05/06 . PECUÁRIA E ABASTECIMENTO .61 TABELA 12 Acompanhamento da Produção Sucroalcooleira no Nordeste.

cenário que a despeito das dificuldades que ainda persistem vinha se recuperando. haja vista.2 A Importância do Setor no Nordeste e as Características da Crise A situação diferenciada de níveis de eficiência da agroindústria canavieira nas duas regiões produtoras não implica necessariamente que uns estão salvos de dificuldades e outros condenados à falência. relevando. não existe atividade agrícola que apresente relações trabalhistas formalizadas com tamanha intensidade quanto a exploração da cana. representa apenas 2% do PIB paulista. sofreu uma redução na produção. o setor canavieiro continua a ter uma relevante função econômica e social na geração de emprego e renda. já na região. . atingindo em 2003/2004. Também. embora tenha perdido espaço no cenário Nordestino. para mais uma vez despencar em virtude dos fatores. onde a atividade canavieira. dificuldade de acesso ao crédito agrícola. acompanhada de uma perda conseqüente estimada de 100. portanto. vez que nas últimas safras houve incremento de quase 10 milhões de toneladas de cana. em estados como Pernambuco e Alagoas. Segundo o Ministério do Trabalho. de 21 milhões de toneladas.62 4.000 indiretos. quando comparada a do Nordeste. que entre 1986/87 e 2002/03. apesar de a gigante escala de produção.000 postos diretos de trabalho e 1. o peso do setor(Cluster) no PIB é ainda de 10% e 20%. e o não repasse dos recursos de equalização.000 empregos diretos e mais de 300. a atividade canavieira como importante e destacado pilar de sustentação econômica e social para o povo do Nordeste. dos quais 80% no campo.5 milhões indiretos. como a seca. Proporcionando no cenário nordestino 300. elevando o patamar para 60 milhões de toneladas de cana. (ASPLAN. respectivamente. não há outras atividades agrícolas capazes de absorver os milhares de trabalhadores rurais que se vinculam ao setor no Nordeste. saindo de 71 milhões para 50 milhões de toneladas de cana. 2005) Diferentemente do que ocorre em São Paulo.

Antônio Celso. as falências ou deslocamentos das plantas industriais do Nordeste para o Centro-Sul devem-se. a falência ou transferência de unidades industriais ocasionou. segundo o presidente da ASPLAN. atualmente. conta das peculiaridades da topografia que apresenta terrenos mais acidentados. Raimundo Nonato Siqueira. para que possamos chegar a um modelo de gestão setorial. o poder público e com a sociedade. o Nordeste conta com 92 unidades industriais: Alagoas é o maior produtor regional contando com 29 unidades industriais que produzem álcool. É responsável pela produção de metade do açúcar e 1/3 do álcool fabricado na região. que chegou a empregar 45 mil trabalhadores e. que seja economicamente viável e socialmente justo para o Nordeste e o País. potencializar as vantagens comparativas. fortalecer as instituições de classe como imprescindível canais de interlocução e interação com o setor. equacionar a questão do endividamento. No caso mais específico da Paraíba. enquanto no Centro-Sul precisa-se apenas de um. uma diminuição de cerca de 30% dos postos de trabalho gerados pela atividade. Segundo o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil – FEPLANA . restaurar o crédito agrícola. de 2000/2005. Mesmo com o problema das estiagens que castigou a safra 2004/2005. modernizar os instrumentos de equilíbrio inter regional. agregar ganhos de escala à remuneração dos pequenos e médios produtores (fornecedores de cana). . às dificuldades edafo-climáticas (topografia. oferece ocupação para um pouco mais de 30 mil pessoas. De acordo com dados da ASPLAN. Para produzir uma tonelada de cana do Nordeste são necessários seis trabalhadores. clima e solo) da região e à maior acessibilidade à mecanização e insumos encontrada pelos A produção canavieira nordestina demanda mais mão-de-obra por usineiros no Centro-Sul.63 Outros mecanismos potencializadores de resultados econômicos seriam elevar a produtividade regional.

na safra 2004/2005. As exportações chegaram a 720 milhões de litros. Piauí com 1 unidade e o Rio Grande do Norte com 4 unidades industriais. O trabalho citado deriva algumas conclusões importantes como estarem cinqüenta e uma usinas/destilarias (55. fechando com R$ 2 bilhões de lucro (SINDÁLCOOL. 2005). com 3. A região Nordeste registrou embarques recordes do combustível. Maranhão com 4 e Ceará com 2. com boa rentabilidade e baixo endividamento.8 bilhões de litros – 4. rapadura. trinta empresas (32. chegando a um crescimento de 10% em relação à safra anterior.6% superior a 2003/2004. com baixa rentabilidade e alto endividamento.000 toneladas de cana-de-açúcar. Conta com 27 unidades produzindo álcool.64 em relação a safra anterior o setor sucroalcooleiro de Alagoas encerrou o período com uma evolução de 17%. em torno de 5. O Nordeste verificou aumento na produção de álcool.400.6%) apresentavam-se inviabilizadas econômica e financeiramente. Entre estes casos extremos situavam-se as demais empresas representando (12%) com as várias combinações de rentabilidade e endividamento que podem encaminhá- . Sergipe com 2. As unidades produtoras de álcool distribuem-se da seguinte forma: o estado da Bahia.4%) em condições econômicas favoráveis. de acordo com dados do SINDÁLCOOL. A queda de produção foi compensada pelo bom rendimento industrial e os preços do mercado interno e no mercado externo para o álcool. 85% são destinadas ao álcool (anidro e hidratado) e 15% correspondem à produção de açúcar. As usinas do Estado moeram. aguardente e outros derivados. que terminou em 1. De toda a cana colhida na Paraíba. Pernambuco é o segundo maior produtor do Nordeste. A Paraíba produz álcool com 9 unidades. com incremento de 72% sobre a safra anterior. Ao mesmo tempo.

nas empresas mais bem geridas e com melhor situação financeira. A situação de eficiência entre várias empresas é também bastante diferenciada. Ainda com relação aos índices de eficiência relativa. ou seja. mostrando que é possível o desenvolvimento. que a eficiência relativa observada no Nordeste mesmo em situações semelhantes de solo. topografia etc. Outra conclusão importante emerge e deve ser destacada: há um número significativo de empresas em condições saudáveis de funcionamento. O aproveitamento de subprodutos poderia ampliar a rentabilidade e a competitividade do segmento nordestino.65 las. em moldes rentáveis. Não é diversa a situação da eficiência industrial. evitando generalizações às vezes indevidas e que não captam corretamente a diversidade de situações existentes. Ou seja. além do açúcar e do álcool. para o saneamento financeiro ou para inviabilidade. ressalvando-se algumas empresas pelo baixo índice de aproveitamento de subprodutos da cana. a produtividade agrícola nas canas própria das usinas atinge. com maior ou menor probabilidade. clima. do setor no Norte/Nordeste. é completamente diversa entre unidades fabris. as estimativas de custos médios mais elevados no Norte/Nordeste não refletem com fidelidade uma realidade que é heterogênea e assim não autorizam certas conclusões gerais que muitas vezes são feitas em análises sobre o setor. para desativação. Note-se. índices semelhantes ao encontrados no Centro/Sul. Os comentários acima ressaltam a importância do exame mais acurado da situação do setor no Nordeste. Em meio a índices médios deprimidos. podendo-se considerar alternativas como: . em casos não raros. cabe lembrar que o segmento nordestino caracteriza-se.

Trata-se de biomassa protéica. . um fertilizante potencial. • Torta de Filtro. 2006). Pelo menos partes desses subprodutos já são aproveitadas integralmente no Centro/Sul. Existem três grandes tipos de combustíveis fósseis: O carvão. principalmente por exigir alguns investimentos e desafiar a aversão ao risco predominante entre os empresários. celulose e papel. Os três foram formados há milhões de anos atrás na época dos dinossauros. • Vinhaça. biogás. • Óleo Diesel. ração animal. ou seja. cogeração de energia elétrica.66 • Bagaço de Cana. Resíduo do mosto esgotado da destilação de álcool. hidrogênio e em baixa concentração por enxofre. Vem sendo utilizado como fertilizante e pode ainda gerar biogás e compor rações balanceadas. nitrogênio e oxigênio e selecionados de acordo com as características de ignição e escoamento adequado ao funcionamento de motores a diesel (PETROBRÁS. fertilizantes. também se põem como restrição ao maior aproveitamento de subprodutos. o petróleo e o gás natural. • Pé de Cuba. Resíduo do fundo da dorna após a fermentação do mosto. É um composto formado principalmente de átomos de carbono. daí o nome de combustíveis fósseis. É um resíduo da fabricação de açúcar com elevado teor de matéria orgânica. notadamente o bagaço para cogeração de energia. • Combustível Fóssil. de elevado valor alimentício com aplicação na alimentação animal. Trata-se do subproduto com maior expressão econômica e com aplicações várias: carvão. As dificuldades de financiamento em meio ao elevado nível de endividamento do setor vale acrescentar. No Nordeste o aproveitamento dos mesmos ainda apresenta-se de forma incipiente.

portanto com efeitos externos bastantes vantajosos do ponto de vista ambiental. 2005.0 67.640 49.240 38.580 21. Própria 34.500 32.7 64.900 52. a produção da cana própria referente às empresas no qual obtém maior produção do que a cana através de fornecedor. TABELA 13 .140 17.820 59.67 Destaque-se apenas o uso da vinhaça na chamada fertirrigação.5 35. que inclusive tem contribuído para evitar o derramamento da mesma nos rios. a nível regional e nacional.000 ton Safra 00/01 01/02 02/03 03/04 04/05 Fonte: ASPLAN.Perfil da Atividade Canavieira no Nordeste do Brasil – 2000/2005 Produção em 1.1 34.000 18.3 35.900 34.350 49. o perfil da atividade canavieira no Nordeste do Brasil no período 2000/2005.5 Fornecedor 31.730 33.620 16.000 Participação (%) Própria 69.000 Total 50. Observa-se na tabela 13. hoje uma prática generalizada no setor.5 64.5 .9 65.0 32.000 Fornecedor 15.

quando no ano de 2005 as montadoras venderam mais de 1 milhão de unidades no mercado nacional. devendo isso. A renegociação de dívidas.68 CAPÍTULO 5 CONCLUSÃO Este trabalho identificou alguns obstáculos e potencialidades do setor alcooleiro no cenário nacional e regional no período de 2000/2005. Destacam-se a modernização e reestruturação das empresas e o estímulo a mudanças tecnológicas e gerenciais. o apoio estatal para pesquisa e o desenvolvimento tecnológico são pilares básicos dessa reestruturação. Na região Sudeste as condições físicas são melhores. Constatou-se que no Nordeste as empresas produtoras de álcool em geral vêm aumentando os problemas de endividamento e de dificuldade. no Brasil e no Nordeste. a mudanças institucionais associadas à desregulamentação governamental no setor. tem a poluição do ar com a queima da cana-de-açúcar antes da colheita e o problema do desemprego. De outro lado. menos estiagem. Também foram favoráveis as exportações e importações do álcool-combustível e o aumento das vendas de carros a álcool. representando 70% do mercado de veículos leves. é favorável pela empregabilidade por ter topografia desfavorável para o uso de máquinas agrícolas. que por outro lado. do . A pesquisa mostrou que existem obstáculos e potencial na competitividade da produção do álcool-combustível. quando evidenciou a evolução da moagem da cana-de-açúcar e a produção do álcool-combustível no período 2000/2005. Também no Nordeste existe o problema das condições físicas da região. O estudo se preocupou em apontar caminhos factíveis para evitar o acirramento das dificuldades enfrentadas pelo setor. com terrenos planos. Foi mostrada a evolução histórica da atividade produtora do álcool-combustível no cenário nacional e regional a partir da mistura gasolina/álcool no Brasil no qual tornou-se um ponto positivo referente à qualidade do ar nas grandes cidades.

os obstáculos e as potencialidades à competitividade da produção do álcool-combustível trouxeram inúmeros benefícios para Brasil e para o Nordeste. A região Centro/Sul é responsável pela maior produção de álcool com 8. inovações para superar os obstáculos almejam-se ganhos ainda superiores em todos os seus segmentos. Em suma. arenosos e estiagem.085 m3 de álcool hidratado.508.69 outro lado. Na safra 2005/2006 a produção total do álcool em todo o Brasil foi de 15.317 m3. sendo 818.701 m3 álcool anidro e 717. por sua vez. é favorável para a região pela empregabilidade de mais homens para regiões com topografia desfavorável. Em relação a produção total do álcool em todo o Brasil.394 m3 de álcool hidratado. os empregos são mais concorridos devido a substituição de homens/máquinas.527.990.040 m3. A região Centro/Sul continua sendo a responsável pela maior produção de álcool com 14.517. garantindo a competitividade nacional e internacional. Diante desse problema muitas empresas fecharam ou sobreviveram com dificuldades. Isso.085 m3.787. por motivos dos solos irregulares. foi de 10.279. No Nordeste as condições físicas também se apresentam desfavoráveis em relação ao Sudeste. sendo 790.125 m3 de álcool a região Nordeste teve participação com a produção de 1.133 m3 álcool anidro e 709. na safra 2000/2001. implantação de novos projetos.218 m3.535 m3 de álcool a região Nordeste teve participação com a produção de 1. . e no decorrer do tempo com o seu aperfeiçoamento.

COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. DCAGRO. conforme a Lei n. ÁLCOOL. açúcar. 98.21. jul/ago. Revista Alcoobrás. Brasília. mai.petrobrás. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Situação atual da atividade canavieira no Nordeste sob a ótica dos pequenos e médios produtores os chamados fornecedores de cana.João Pessoa. dez. Segundo levantamento de cana-deaçúcar – safra 2005/2006. DCAA/SPAE/MAPA.º 9.br>. BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. o Decreto n. n. 18. Secretaria de Produção e Agroenergia.João Pessoa. º 2. ASSOCIAÇÃO DE PLANTADORES DE CANA DA PARAÍBA. BNDES. São Paulo. para o Brasil. 2005. n. /SPG. 2005. ago. mar. ANP/SDP. ASSOCIAÇÃO DE PLANTADORES DE CANA DA PARAÍBA. 1999. /dez. out. Indicadores da agropecuária.br>. ASPLAN. alcoolquímica. 2005.478/97. 2005. Rio de Janeiro: BNDES. DF: CONAB/MA.705/98. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE VEÍCULOS AUTOMOTORES.º 206/00. Informativo da associação de plantadores de cana da PB.º 2. ASSOCIAÇÃO DE PLANTADORES DE CANA DA PARAÍBA. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. 2006. 1999. 2006.70 REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO. Informativo da associação de plantadores de cana da PB. Brasília. 2005. Setor sucroalcooleiro. São Paulo: ANFAVEA. Produção e consumo de petróleo. 16.º 155/98 e n. Desembolso do sistema BNDES segundo a unidade da federação. mar/abr. 57-73. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Defense Contract Audit Agency. DF: CONAB/MA. . n. 2005. ASPLAN. n. p. agronegócios. Brasília. 2005. Acesso em: 20 de out. AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO. DF: CONAB/MA. Projeções. 2005. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www. Terceiro levantamento de cana-deaçúcar – safra 2005/2006.com. 2005.com. 2005. DEPARTAMENTO DE CANA-DE-AÇÚCAR E AGROAENERGIA. BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. conforme o Decreto n. Rio de Janeiro. Acesso em: 20 de out. BP Amoco Statistical Review of World Energy 2006.João Pessoa: ASPLAN.705/98 e as Portarias ANP n.petrobrás. Brasília. exceto para o Brasil. 2005. nov. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO.

P. Acesso em 20 nov. K. 2006. J. 1999. 2000. Análise do Dirigismo Estatal. REGIÕES GEOECONÔMICAS CENTRO/SUL. Balanço anual – Pernambuco.. Cuba. MURTA VALLE. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO.petrobrás. Brasília: IPEA. Secretaria de produção e comercialização. Os preços do petróleo. v.com. Dissertação. Escola de Química. São Paulo. p. Disponível em: <http://www. NORTE/NORDESTE DO BRASIL. PINTO. v. Maurício Teixeira. GIANNINI. 2004. 48-57. São Paulo: OPEP. Revista Alcoobrás. 3. n. 2005. PETROBRÁS. 2005. Rio de Janeiro: UFRJ. n.1. 1994. UFRJ. São Paulo. 2000. ORGANIZAÇÃO DOS PAÍSES EXPORTADORES DE PETRÓLEO. 2.. DAA/SPC/MAPA. S. Acesso em: 20 de out. Mudanças tecnológicas e co-geração de energia na indústria sucroalcooleira. F. Recife. mar..>. 6. 2003.wikipédia. RICCI.1.90. EID. n.17-22.. Maria Letícia. n. 1998ª. M. 2006. Brasília.br>. 1. CHAN. (Relatório de Pesquisa). 1994. Adição de compostos oxigenados na gasolina e no diesel – experiência brasileira. 2006. da S. São Paulo. v.org/wiki/regiões geoeconômicas do Brasil-34k. Mercado em transição: um novo “round” para a regulação. 1997. GAZETA MERCANTIL. O COMBUSTÍVEL renovável para negócios. POSSAS. Energy for sustainable. RODRIGUES. Regulação da Concorrência nos Setores de Infra-Estrutura no Brasil: Elementos introdutórios para um quadro conceitual. 3.Juiz de Fora: Sober. GOLDEMBERG. jan. série 2. . v. Secretaria de Produção e Comercialização. Roberto Gomes. ago. 2000. Rudá. n. J. 6. Taxionomia do setor sucroalcooleiro do centro-sul do Brasil – uma abordagem estatística. J.2005. xerografado. MACEDO. Mercado de Trabalho do Setor Sucroalcooleiro no Brasil. Da em Pernambuco. Disponível em: <http:// pt. FAGUNDES. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Rio de Janeiro: IPEA. The brasilian alcohol program – an overview. PONDÉ.71 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. JORNAL CANA. Recife. Departamento do Açúcar e do Álcool. Departamento do Açúcar e do Álcool. J. Nível atual de preços do petróleo é “satisfatório”.

ÚNIÃO DA AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRAS DE SÃO PAULO.72 SINDICATO DOS PRODUTORES DE ÁLCOOL DO ESTADO DA PARAÍBA. Projeções. ao Paulo: ÚNICA. . 2005. João Pessoa: SINDÁLCOOL. 2003. Projeções.

Álcool combustível – competitividade 3. Orientador: Guilherme de Albuquerque Cavalcanti Monografia (graduação)-UFPB/CCSA 1. 69p.Álcool combustível – obstáculos e potencialidades UFPB/CCSA CDU:662.2) . / Janaina Keilla Cordeiro Costa. Janaina Keilla Cordeiro Obstáculos e potencialidades à competitividade da produção de álcool-combustível no Brasil e no Nordeste. Álcool combustível 2.754(043. 2006.73 C837o Costa. – João Pessoa.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful