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Sumário

Capa
Rosto
Introdução
PARTE I - Projeto de Pesquisa
1. Projeto de Pesquisa
1.1. Definição
1.2. Tema
1.3. Problema de Pesquisa
1.4. Objeto de estudo
1.5. Hipóteses
1.6. Objetivos
1.7. Justificativa
1.8. Fundamentação Teórica
1.8.1. Normas para confecção estrutural do Referencial Teórico
1.9. Metodologia
1.9.1. Modalidades de Pesquisa
1.9.1.1. Modalidade de Pesquisa segundo a abordagem
1.9.1.2. Modalidades de Pesquisa segundo a natureza
1.9.1.3. Modalidades da Pesquisa segundo objetivos
1.9.1.4. Modalidades da Pesquisa segundo procedimentos
1.9.2. Vetores do Planejamento metodológico
1.9.2.1. Amostra
1.9.2.2. Instrumentos
1.9.2.3. Procedimentos
1.9.2.4. Análise pretendida
1.10. Referências Bibliográficas
1.11. Cronograma
PARTE II - Ética em Pesquisa, Normas Técnicas e Relatório de Pesquisa
2. Ética em Pesquisa
2.1. Definição
2.2. Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa
2.3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
3. Normas Técnicas para Relatório de Pesquisa
3.1. Definição
4. Relatório de Pesquisa
4.1. Definição
PARTE III - Comunicação da Pesquisa, Apontamentos finais e Referências
5. Comunicação da Pesquisa
5.1. Artigo científico
5.2. Apresentação de trabalhos em eventos científicos
6. Apontamentos finais

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7. Referências Bibliográficas
8. Webgrafia
ANEXOS
ANEXO A - Diretrizes Éticas recomendadas pelo CNPq segundo o Relatório da
Comissão de Integridade de Pesquisa
ANEXO B - Folha de rosto para pesquisa envolvendo seres humanos
ANEXO C - Projeto de Pesquisa – Exemplo
I. Introdução
II. Fundamentação Teórica
III. Metodologia
Referências Bibliográficas
Cronograma
Coleção
Ficha Catalográfica
Notas

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Agradecimentos

A Deus, pela dádiva da vida e do desenvolvimento humano, que nos permite contemplar como a
afetividade e a inteligência constroem até mesmo o inimaginável (temporário)!

À Editora Paulus, pela oportunidade de compartilharmos esta iniciativa, oferecendo nossas contribuições.

À FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, que apoia as iniciativas docentes e acredita
no potencial de seus professores.

A nossos alunos, que nos estimulam a nos tornarmos profissionais cada dia mais conscientes e capazes.

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Apresentação

omo fazer projetos de Iniciação Científica é um livro que compõe os

C “Cadernos de Comunicação” da Editora Paulus, com a participação da


FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. Propõe a
abordagem da produção do conhecimento científico na prática de sua iniciação, e é
destinado a alunos de Ensino Superior e Ensino Médio que se dedicam aos Programas
de Iniciação Científica.
O conteúdo do livro está organizado no sentido de oferecer ao aluno uma
sequência prática que lhe possibilite, passo a passo, a construção de um Projeto de
Pesquisa que adquira sentido aos olhos de seu idealizador – o(a) cientista iniciante.
Esperamos motivar os alunos reforçando a eles que o envolvimento com a
Iniciação Cientifica é um desafio que
enriquece a formação acadêmica e a aquisição do conhecimento científico que irão
acompanhá-los para sempre. Elaborar seu Projeto de Iniciação Científica é atingir uma
primeira meta nesse vasto campo da Pesquisa que apoia o pensamento científico.
Nosso esforço traduzido em capítulos é uma tentativa de reduzir as dificuldades
que muitos alunos enfrentam ao atenderem o rigor substancial do conteúdo e da
estrutura de um Projeto de Pesquisa. Sendo assim, os fundamentos teóricos expostos
no livro reúnem o domínio do conhecimento de diferentes estudiosos do assunto, que
corroboram a importância da Pesquisa científica para a formação discente.
O material apresentado poderá ser útil e eficaz também a professores orientadores
que necessitem auxiliar estudantes nessa importante área do saber.
A todos fica o convite de nos endereçarem críticas para que possamos aperfeiçoar
nosso livro.
Esperamos que nosso intuito de contribuir com a produção do conhecimento seja
coroado de êxito. Bom estudo!
As Autoras

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Introdução

Iniciação Científica (IC) é uma prática acadêmica incentivada pelas

A instituições educacionais de Ensino Superior e Ensino Médio cada dia mais


presente, em virtude de sua importância, seus resultados e o envolvimento
crescente, sobretudo de alunos universitários de diferentes áreas do conhecimento. No
Ensino Superior, a Pesquisa é um dos três objetivos a que se dedicam as instituições,
ao lado do ensino e da extensão universitária.
A Iniciação Científica possibilita ao estudante (que ainda não possui experiência
com Pesquisa) sua introdução em um novo espaço de atividades da vida acadêmica;
são os seus primeiros passos na produção de conhecimento, sendo auxiliado por um
professor orientador.
Inúmeras instituições de Ensino Superior mantêm Programas de Iniciação
Científica e incentivam seus alunos a neles ingressarem para aprender a elaborar um
Projeto de Pesquisa, a executar o plano estruturado da coleta de dados e,
posteriormente, aprender a analisar os resultados e elaborar conclusões sobre o
estudo realizado. Em seguida, aprender organizar os resultados obtidos e suas
conclusões em forma de Relatório de Pesquisa e/ou artigos científicos, que serão
submetidos à análise de uma comissão técnica formada por pareceristas para
posteriormente serem encaminhados à publicação em revistas científicas e
apresentados em eventos científicos.
Essa rica experiência de estudo servirá de base para o desenvolvimento do
pensamento analítico e da visão crítica da realidade, que são os pilares da construção
de uma atitude científica que dá suporte a qualquer carreira profissional consistente.
Todo aluno que participa de um Programa de IC adquire uma bagagem diferenciada
que vai enriquecer o seu futuro, seja na área de Pesquisa ou outra, porque o
aprendizado em Pesquisa que estrutura uma forma de pensar é um ganho que ficará
para sempre. Procurar informações científicas, aprimorar o pensamento crítico, realizar
análises são exemplos de atividades que constroem novas competências para aquele
que realiza uma Pesquisa científica.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem
incentivado Programas de IC oferecendo bolsas de estudo no país a estudantes do
Ensino Médio e universitários dos cursos de graduação em todas as áreas. Essa
iniciativa vem compondo uma tradição que fortalece a produção do conhecimento no
Brasil e sua divulgação entre os estudantes; entretanto há muito ainda a fazer no
sentido de sensibilizar o estudante de Ensino Médio e da graduação universitária
sobre a importância da Pesquisa e da atitude científica no desenvolvimento acadêmico
e na formação profissional.
O sucesso do Projeto de Iniciação Científica abre oportunidade para testemunhar
que a experiência do fazer científico é uma construção coletiva que visa o bem comum,
que permite alcançar, além de conhecimento, novos relacionamentos e experiência
significativa de troca intelectual e afetiva.

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O aluno que inicia uma graduação, qualquer que seja a área de sua escolha, pode
optar por um diferencial em sua vida acadêmica quando participa de um Programa de
IC. Além do curso de formação universitária oferecer o Bacharelado ou, em outros
casos, a Licenciatura, é comumente oferecida ao aluno a oportunidade de participar
como pesquisador de um Programa de Iniciação Científica. Essa experiência envolve
um processo seletivo no qual o aluno apresenta um Projeto de Pesquisa que
concorrerá juntamente com outros a vagas preestabelecidas em editais internos nas
instituições de ensino.
A Iniciação Científica é uma modalidade de atividade acadêmica constituída como
um processo de estudo sistemático sobre assuntos escolhidos com uma duração
prefixada de um ano, cujo benefício intelectual é bastante amplo: o(a) aluno(a)
aprende muito sobre o Tema escolhido para estudar, assimila a estrutura básica de um
Projeto de Pesquisa, compreende a necessidade de ser criterioso, exercita seu
pensamento analítico e sua capacidade de síntese, é estimulado a valorizar aspectos e
elementos que anteriormente lhe passariam desapercebidos. Geralmente há um
professor que orienta e acompanha o aluno, da elaboração do Projeto ao
desenvolvimento final da Pesquisa.
O aluno interessado pode ainda ter o privilégio de divulgar ou mesmo publicar sua
pesquisa em eventos científicos ou encontros que concentram outros alunos que
também fizeram Iniciação Científica. É comum, nesse caso, que o aluno desfrute da
satisfação de compartilhar a construção do saber com outros pesquisadores, iniciantes
ou experientes, o que consiste também em uma oportunidade de deparar com novas
indagações e ideias para outros Projetos.
Como fazer Projetos de Iniciação Científica é um livro dedicado ao pesquisador
iniciante, para lhe servir de suporte na elaboração de seu Projeto de Pesquisa. Tema,
Problema de Pesquisa, Objeto de estudo, Hipóteses, Objetivos, Justificativa,
Fundamentação Teórica, Metodologia, Referências Bibliográficas e Cronograma são os
elementos fundamentais dos Projetos de Pesquisa que serão apresentados de modo
didático e seguidos de dicas práticas, que facilitarão o entendimento e a familiarização
do processo de construção de Projetos. A Metodologia, que estabelece a diretriz
prática do estudo em termos da coleta de dados da Pesquisa, será também abordada
de modo direto e explicativo, incluindo os procedimentos em relação à ética da
Pesquisa que envolva seres humanos. Ao final, são apresentadas diretrizes para
confecção de Relatório de Pesquisa, de artigo científico, além de sugestões para a
estruturação de comunicações de trabalhos em eventos científicos; por último, no
anexo, encontra-se um exemplo de Projeto de Pesquisa completo, que pode servir ao
pesquisador iniciante como uma ilustração frente à tarefa de estruturação de um
plano de estudo.

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PARTE I
Projeto de Pesquisa
1. Projeto de Pesquisa

1.1. Definição
Podemos definir projeto [1] como plano ou como planejamento, isto é, um conjunto
de ações estratégicas para se atingir determinado objetivo.

O Projeto de Pesquisa é um plano de trabalho acadêmico que precede a


realização da Pesquisa, é uma primeira tarefa que se estrutura como uma fase
prévia, ou seja, trata-se de um documento que apresenta um roteiro da
Pesquisa e que estabelece elementos-chave do que trata a Pesquisa e como ela
será realizada.

Em outras palavras:
Trata-se do planejamento da pesquisa. O projeto faz a previsão dos recursos necessários
para atingir o objetivo proposto de solucionar um problema e estabelece a ordem e a
natureza das diversas tarefas a serem executadas dentro de um cronograma a ser
observado. (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 56).

Os elementos contemplados no planejamento da Pesquisa – o Projeto de Pesquisa


– estabelecem um ponto de partida do estudo, que é a definição de um Tema e um
Problema de Pesquisa e, ainda, seus Objetivos, a relevância (que explicitam sua
importância em uma Justificativa), a Hipótese (que é a primeira tentativa de solução do
Problema proposto), os Fundamentos teóricos e os Procedimentos metodológicos a
serem adotados para a realização do estudo do Tema escolhido.
No Projeto de Pesquisa, a Metodologia deve apontar o tipo de Pesquisa que será
desenvolvida. É um fator determinante para o sucesso da realização do plano
proposto, na medida em que estabelece os fatores envolvidos da prática da Pesquisa:
quem ou o que participará do estudo, por que meios e circunstâncias ou com que
Técnicas ou Instrumentos de coleta de dados e mediante que Procedimentos de coleta
e Análise de dados.
A sequência de apresentação dos fatores constitutivos do Projeto de Pesquisa
pode variar de acordo com a preferência de ordenamento escolhido pelas instituições
e/ou segundo o orientador.
O fundamental no Projeto de Pesquisa não é o ordenamento dos elementos no Projeto,
mas a presença de todos os fatores fundamentais que estruturam o plano de estudo
pretendido. São eles: Introdução que apresenta o Tema; Problema de Pesquisa; Objeto
de estudo; Hipótese; Objetivos e Justificativa, seguida da Fundamentação Teórica;
Método que especifica Material ou Sujeitos; Instrumentos ou Técnicas; Procedimentos e
Análise pretendida; e, ainda, Referências bibliográficas e Cronograma.

É interessante mencionar, ainda, que todo Projeto de Pesquisa tem um título que o

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identifica e que deve ser representativo de seus propósitos, indicando aspectos que
facilitam o entendimento da natureza do estudo e/ou sobre aspectos técnicos
envolvidos na Pesquisa.
O título ganha importância porque valoriza o estudo e serve ao objetivo de destacar
fatores relevantes no Projeto de Pesquisa, que lhe conferem identidade.

Para Cervo e Bervian (1996, p. 57):


Tudo deve ser estudado e planejado, a fim de que as fases da pesquisa se processem
normalmente, sem riscos de surpresas desagradáveis. O projeto de pesquisa é, muitas
vezes, a garantia de seu êxito.

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1.2. Tema
O Tema é o campo em que vemos delimitado o assunto de Pesquisa, que é “uma
proposição que vai ser tratada ou demostrada” (FERREIRA, 1986, p. 1659).

Tema é o território do conhecimento em que se situa a curiosidade científica


ou o Problema de estudo que irá conduzir a Pesquisa pretendida.

Muitas vezes, de início, o Tema de estudo se apresenta de modo amplo e, portanto,


se mostra definido de modo vago pelo pesquisador, o que indica um interesse mal-
delimitado ou insuficientemente configurado.
Consideremos, por exemplo, o Tema da imagem de perfeição de beleza feminina
veiculada pela mídia impressa. Estudar esse Tema sem uma delimitação específica do
que se deseja exatamente estudar torna inviável a Pesquisa. Isso porque, em primeiro
lugar, a mídia impressa é um universo muito amplo; por sua vez, beleza feminina é um
assunto de muitas nuances e implicações; finalmente, o padrão de beleza considerado
perfeito é um parâmetro que muda de acordo com a cultura e o eixo temporal da
história humana. Em outras palavras, a formulação inicial do Tema como mencionado é
tão vasta e pouco delimitada que não permite a configuração de um Problema de
Pesquisa que seja específico e, tampouco, permite definir um Objeto de estudo.
O território temático delineado sobre a beleza feminina na mídia impressa é
extenso, e sua dimensão sem uma caracterização fronteiriça estabelece uma
impossibilidade de estudo, a menos que consigamos delimitar um campo passível de
ser estudado. Caso o pesquisador faça escolhas dentro de seu interesse e possa
definir, por exemplo, algumas mídias para pesquisar, como exemplo as revistas de
moda feminina, ou caso estabeleça para o estudo os padrões atuais de beleza
feminina, ou os padrões de beleza no período pós-guerra (1945), ou ainda, especifique
as imagens femininas em termos da estética facial e/ou corporal ou o perfil étnico,
para citar alguns eixos de recorte ao campo estudado, o Projeto de Pesquisa deparará
com barreiras intransponíveis à sua elaboração.
A escolha de um bom Tema de estudo não é uma tarefa fácil, pois depende de um
conhecimento mínimo que deve anteceder a definição do campo a ser estudado e suas
especificidades.
Um pesquisador pode preferir estudar a estética de beleza feminina em termos
ideais nas revistas femininas de moda, enquanto outro pesquisador pode escolher
estudar a beleza feminina da mulher executiva nas revistas de notícias semanais. Um
terceiro pesquisador pode escolher o estudo da imagem da mulher contemporânea
presente na revista feminina brasileira mais vendida no mercado, baseando-se na
análise das fotos de capa, enquanto outro pode escolher o estudo do perfil descritivo
da mulher, presente nas principais matérias de revistas femininas mensais
consideradas tradicionais no mercado brasileiro.
A definição do Tema depende de leituras prévias a respeito do assunto que está
sendo cogitado, na medida em que esse conhecimento auxiliará na identificação clara

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do interesse específico sobre a temática. Nessa fase de definição, podem ocorrer
muitas descobertas, por exemplo, a surpresa de encontrar uma grande quantidade de
estudos sobre o Tema escolhido ou um escasso número de estudos.
Ter um primeiro contato com o Tema e já obter uma breve noção de seus estudos
certamente auxilia uma visão inicial ao pesquisador, que pode reforçar o seu interesse
e/ou direcionar a atenção a alguma particularidade dentro do campo de estudo
escolhido.

A escolha do Tema envolve situações diversas. Por exemplo, o estudante


pesquisador, ao deparar com o fato de que seu assunto de interesse já foi muito
explorado, muitas vezes pensa em desistir do Tema, alegando que muito já foi dito
sobre tal assunto e, portanto, não há mais nada a dizer, pesquisar e escrever. É
interessante mencionar que o conhecimento de qualquer assunto não possui limite e,
sendo assim, não há Problema de Pesquisa algum que já tenha sido esgotado; pelo
contrário, caso o Tema tenha sido bastante debatido, isso significa que o pesquisador
deve ter em conta que possui ampla referência bibliográfica para consulta, o que quer
dizer que o pesquisador poderá a partir de varias discussões anteriores, construir
argumentos próprios e utilizar o conteúdo encontrado como citação teórica de base.
Assim sendo, concordando ou negando os argumentos de outros pesquisadores, o
estudioso terá amplo repertório inicial para a sua Pesquisa.
Em geral, o despertar do interesse por certos assuntos por parte dos
pesquisadores surge do desejo de aprofundar um campo de conhecimento.
Portanto, a escolha de um tema para desenvolvimento de uma pesquisa deve atender a
estes objetivos básicos: gostar do assunto, ter acesso a informações e dados necessários,
ter tempo e outras condições materiais necessárias e que tal tema seja de interesse social.
(PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p. 208).

Para uma compreensão do processo de delimitação temática em um Projeto de


Pesquisa, segue o exemplo abaixo.
Um aluno do curso de Comunicação Social, de nome fictício Jonas, ao definir seu
Projeto de Pesquisa resgatou a lembrança de uma palestra que despertou seu
interesse em estudar Semiótica e, ao mesmo tempo, considerou em paralelo sua
curiosidade científica pela Psicologia, nutrida por leituras. Considerou a Psicanálise
como uma abordagem teórica simpatizante à Semiótica que poderia complementar a
busca de conhecimento sobre o uso de linguagens. Ao destacar teorias que lhe
despertavam interesse, já tinha um ponto de partida para seu estudo.
Buscar o entendimento de signos e suas linguagens ao lado do simbolismo que
pode advir do desvendamento de interpretações psicológicas inconscientes definia
para Jonas seu campo de interesse para estudo.
Diante de seu dilema em delimitar os elementos de seu Projeto de Pesquisa, Jonas
lembrou-se de um filme que sempre o intrigou: The Wall (1982). O filme, que é
considerado um clássico do cinema mundial, foi dirigido por Alan Parker, baseado no
álbum de 1979 da banda inglesa Pink Floyd.
Em uma rápida sinopse, The Wall retrata, através de imagens e músicas, os
sentimentos de frustação do personagem Pink, que revela isolamento e angústia por se

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sentir abandonado pelos pais, incompreendido pelos professores na infância e
posteriormente pela esposa.
Jonas (nome fictício), diante da necessidade de elaborar seu Projeto de Pesquisa, identificou uma curiosidade
em aprofundar estudos sobre Semiótica e Psicanálise, e lembrou-se do filme The Wall que apresenta com
riqueza de detalhes uma interação de linguagens – trilha sonora, efeitos sonoros, imagens diversas,
representação de lembranças pessoais do protagonista.
Ao buscar elaborar uma definição temática, Jonas decidiu estabelecer como campo de seu Projeto: A
perspectiva de análise semiótica e psicanalítica do filme The Wall (1982). Seu Projeto definiu como Tema as
interpretações semiótica e psicanalítica do filme, para o qual ajustou um título bastante expressivo:
PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO E DESCONSTRUÇÃO NO FILME ‘THE WALL’ (1982) – ANÁLISE
INTERPRETATIVA NAS PERSPECTIVAS SEMIÓTICA E PSICANALÍTICA.

Tendo escolhido o Tema ou campo de estudo, o próximo passo na construção do


Projeto de Pesquisa consiste em definir o Problema de Pesquisa.

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1.3. Problema de Pesquisa
O Problema da Pesquisa é sempre uma indagação que coloca fronteiras no
campo de estudo e direciona o olhar para uma determinada linha de estudo. É
a pergunta que se deseja responder por meio do estudo pretendido.

É possível considerar inclusive que a originalidade da Pesquisa pode ser associada


à formulação do Problema a ser estudado.
Numa pesquisa, o problema sempre se apresenta na forma de uma interrogação. É para
responder a essa dúvida que será desenvolvido o trabalho. Essa é a razão de ser do
trabalho científico, pois determina o objetivo específico. (PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p.
211).

É importante ressaltar que o Problema de Pesquisa é literalmente uma pergunta,


que é apresentada na forma interrogativa, “[...] é uma questão que envolve
intrinsicamente uma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma
solução” (CERVO; BEVIAN, 1996, p. 66).
Exemplos de Problema de Pesquisa podem ser: Quais são os ganhos mencionados
pelo jovem pesquisador em sua experiência acadêmica de Iniciação científica? Qual é o
‘estado da arte’ [2] das contribuições da internet para o desenvolvimento da cidadania?
Quais são os preconceitos sociais abordados no enredo das histórias apresentadas no
X-Men, na década de 1980?
Vale lembrar que a indagação central de toda Pesquisa pode surgir de um
levantamento de questões em uma lista de possibilidades. Esse processo é
fundamental, e nele algumas perguntas da lista realizada são rapidamente eliminadas
após uma breve reflexão; assim, restará finalmente a ‘questão central’ ou ‘principal’, ou
seja, aquela pergunta que ganha destaque e se sobrepõe às demais porque traduz a
escolha do foco estabelecida pelo pesquisador.
No exemplo anteriormente mencionado sobre o Tema da beleza feminina, é
interessante contemplar que cada delimitação apresentada sobre o assunto
considerado encaminha estudos diferentes que são definidos a partir dos
questionamentos ou perguntas que o interesse de Pesquisa impõe. Perguntas
diferentes definem Problemas de Pesquisa distintos. O Problema de Pesquisa ‘Quais
são os fatores que definem a imagem de perfeição da mulher contemporânea,
veiculada na capa da revista semanal de informações mais vendida no Brasil?’ irá
delinear um estudo que se distingue da Pesquisa cuja formulação do Problema é: Quais
são as características que definem o perfil feminino descrito nas principais matérias
das revistas Cláudia dos últimos três anos?
O importante é lembrar que o Problema de Pesquisa deve questionar o que ou
como são as coisas, suas causas e consequências, a fim de buscar respostas a toda
variável [3] que possa ser observada e testada.
É importante lembrar que o Problema de Pesquisa deve ser claro e objetivo, tendo em
vista uma possível solução ou resposta, alcançada através de uma coleta de dados
planejada previamente, isso porque um Problema muito amplo, não oferece

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possibilidade de obter uma solução.

No exemplo do Projeto de Pesquisa do aluno Jonas (nome fictício) sobre o filme


The Wall, a tarefa de definir seu Problema de Pesquisa foi iniciada com o levantamento
de questões rudimentares em torno de sua curiosidade sobre o filme que desejava
conhecer como, por exemplo: Quem escreveu o roteiro? Quem dirigiu o filme? Como
nasceu a ideia de se fazer esse longa-metragem? Qual é o assunto central do filme?
Que personagens são significativos? Existe uma cena principal e, se sim, como se
desenvolvem as interligações com as demais? Qual é o objetivo ou propósito de seus
produtores com o filme, o que desejavam comunicar? Quais são as possíveis leituras e
interpretações das cenas, no enredo do filme?
À medida que Jonas começou a ler sobre o que já existia escrito e publicado sobre
o filme, foi fazendo descobertas e obtendo respostas à suas perguntas iniciais,
consequentemente, foi eliminando muitas das questões existentes em sua lista de
questionamentos.
Novas problemáticas foram sendo abordadas por Jonas e mostraram outras
possíveis indagações: Como a presença da memória e de outros aspectos psicológicos
como vivências de perdas, por exemplo, se expressam de forma imagética? Quais são
as possíveis leituras ou interpretações psicológicas que podem elucidar aspectos do
psiquismo do personagem Pink? Que elementos verbais, imagéticos e sonoros podem
identificar fatores fundamentais para uma abordagem semiótica do filme?
Frente a tantas questões interessantes que gostaria de investigar ao elaborar seu
Projeto de Pesquisa de Iniciação Cientifica, Jonas precisava escolher um Problema de
Pesquisa que pudesse traduzir uma pergunta central de seu estudo.
Todas as perguntas que traduziam o interesse científico de Jonas foram reunidas em uma questão central ou
Problema de Pesquisa: Quais são as possíveis leituras ou interpretações subjetivas dos elementos visuais,
sonoros e verbais da narrativa fílmica de The Wall, nas perspectivas semiótica e psicanalítica?

Quando a questão a ser estudada é definida, isto é, o Problema de Pesquisa é


estruturado, emerge em decorrência o Objeto a ser estudado.

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1.4. Objeto de estudo
A importância da pergunta ou do Problema de Pesquisa é que ela dá início
concreto ao plano de estudo, porque delimita um Objeto de estudo.

O Objeto de estudo é exatamente o que constitui o foco da investigação


científica, isto é, o conceito, o evento, a relação, o elemento central a ser
pesquisado, aquele que foi escolhido pelo pesquisador para a Pesquisa.

Em outras palavras, podemos definir Objeto de estudo como aquilo que se deseja
estudar. É o assunto ou foco central de interesse que será estudado para responder ao
seu Problema de Pesquisa.
Nos exemplos citados anteriormente com relação à problemática escolhida, no
caso do Projeto de Pesquisa da experiência científica de um jovem pesquisador, o
Tema de estudo mencionado é a Iniciação científica, e o Objeto de estudo são os
ganhos da Iniciação científica para os estudantes. Já, no exemplo do Projeto de
Pesquisa sobre as histórias do X-men, o Tema é o enredo das histórias do X-men, e o
Objeto de estudo é o preconceito social presente no enredo das histórias do X-men.
No caso do Projeto de Pesquisa do aluno Jonas, o Tema de estudo é Semiótica e
Psicanálise e o Objeto de estudo são as interpretações semióticas e psicanalíticas do
filme The Wall (1982).
Depois de definir seu Problema de Pesquisa elaborando a pergunta que especificou a sua curiosidade
científica, Jonas determinou o Objeto de seu estudo: as interpretações semióticas e psicanalíticas em The Wall.

É interessante salientar que, para elaborar um Projeto de Pesquisa, não basta gostar de
um Tema, definir uma pergunta (Problema de estudo) e identificar um Objeto de
Pesquisa. Outros elementos são necessários e muitas tarefas devem ser cumpridas.
Contudo, estas primeiras definições – Tema, Problema de Pesquisa e Objeto de
estudo – são fundamentais para dar início ao Projeto, especialmente porque perguntas
que direcionam a curiosidade do pesquisador são essenciais para a escolha do Problema
de estudo e, mesmo, porque sem um Problema de Pesquisa não é possível a nenhum
estudioso construir um Projeto de Pesquisa.

De posse de um Problema de Pesquisa definido e com a identificação de um Objeto


de estudo, um Projeto de Pesquisa passa a realizar outras definições necessárias, como
suas Hipóteses.

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1.5. Hipóteses
Hipótese é toda resposta provisória que associamos ao Problema de
Pesquisa. Trata-se de uma solução possível considerada para o Problema
levantado, que podemos elaborar a partir da observação. O pesquisador, a
partir, do que ele já sabe sobre o assunto estabelece uma explicação
provisória para o Problema escolhido.

Dalberio e Dalberio (2009, p. 57) afirmam que: “Hipótese é, precisamente, uma


resposta provisória ou uma ideia preestabelecida, apresentada como solução do
problema a ser investigado.”
Em outras palavras:
Uma hipótese é uma proposição, condição ou princípio, que é aceito – provisoriamente –
para obter suas consequências lógicas e, por intermédio de um método, comprovar seu
acordo com os fatos conhecidos ou com aqueles que podem ser determinados. (SELLTIZ et
al., 1965, p. 48).

A formulação da(s) Hipótese(s), nesse sentido, parte


do que chamamos de repertório do pesquisador, da observação que ele faz da
realidade ou do conhecimento do contexto
em que está inserido seu Objeto de estudo.
A Pesquisa, quando colocada em prática, irá verificar a validade das Hipóteses a fim de
confirmá-las ou negá-las; por isso, diferentemente do Problema de Pesquisa, que é uma
questão interrogativa, a(s) Hipótese(s) deve(m) ser formulada(s) de forma afirmativa.

Há que se ter o cuidado de não se tentar justificar a Hipótese levantada, ou seja, o


jovem pesquisador nunca deve tentar concluir o que se pretende alcançar no Projeto
de Pesquisa quando elabora sua Hipótese, deve apresentá-la e aguardar a realização
da Pesquisa para posteriormente concluir sobre a validade ou não de suas afirmações
preliminares.
Consideremos um exemplo ilustrativo de Hipótese em um suposto estudo sobre a
literatura de mercado cujo Problema de Pesquisa consiste na questão: “Existe uma
mensagem cultural na literatura de mercado?”
Uma Hipótese viável que pode responder previamente à pergunta mencionada é a
afirmação de que qualquer que seja a obra (de finalidade claramente comercial para a
obtenção de lucro ou cujo objetivo é o puro entretenimento), ela conterá elementos da
cultura e traduzirá uma forma do viver humano contextualizado, que apresenta
aspectos da realidade social. Essa Hipótese encontra respaldo nas palavras de Said
(1995,
p. 105), que argumenta que “cada obra cultural é a visão de um momento, e devemos
justapor essa visão às várias revisões que ela gerou”. Assim, o autor admite a liberdade
individual na criação de uma obra e que toda produção ao mesmo tempo pode ser
“circunscrita e socialmente regulada” (SAID, 1995, p. 120).
No exemplo do Projeto de Pesquisa de Jonas – cujo Problema de Pesquisa é ‘Quais

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são as possíveis leituras ou interpretações subjetivas dos elementos visuais, sonoros e
verbais da narrativa fílmica de The Wall, nas perspectivas semiótica e psicanalítica?’ –
podemos considerar que a Hipótese do estudo poderia ser retratada por um texto,
como o que segue:
Hipóteses
Fotografias, filmes e outras expressões artísticas podem traduzir infinitos aspectos humanos cujas
interpretações também são inúmeras. Várias são as interpretações subjetivas possíveis que podem enriquecer a
compreensão do filme The Wall, ampliando o estudo de seu Objeto de Pesquisa.
O filme é constituído por fragmentos que misturam elementos visuais, sonoros e verbais que buscam revelar
a complexidade da realidade humana, traduzidos como texto simbólico, imaginário e real, cuja subjetividade é
expressa por uma interpretação dos signos. A possibilidade de alcançar o significado do enredo do filme, que se
mostra de modo indireto em suas imagens e músicas, gestos e lapsos comportamentais, cores e formas,
pensamentos verbalizados e não verbalizados, pode permitir compreender psicológica e semioticamente as
mensagens entrelaçadas no texto simbólico que o filme apresenta. Estudar sua mensagem e comunicação pode
auxiliar a ampliação do entendimento da produção audiovisual, cada dia mais sofisticada técnica e
culturalmente.
Interpretações simbólicas na abordagem Semiótica e da Psicanálise são esclarecedoras e bastante
enriquecedoras do ponto de vista de suas revelações humanas, na medida em que a primeira é uma perspectiva
de estudo dos signos que permite o entendimento de suas bases estruturais e a segunda possui em sua base
teórica a compreensão das dimensões inconscientes do universo mental, cuja influência sobredetermina a
consciência do ser humano. Psicanálise e Semiótica complementam visões interpretativas que podem traduzir
as diversas mensagens presentes no filme The Wall, decifrando a enigmática obra.

Para Dalberio e Dalberio (2009, p. 57), a Hipótese: “É uma afirmação ou uma


negação do problema. A ideia obtida como hipótese será confirmada ou refutada
quando a conclusão do processo de investigação for efetivada.”
A elaboração de Hipóteses permite dar seguimento ao Projeto de Pesquisa,
constituindo uma afirmação que deverá ser confirmada ou reformulada
posteriormente com o desenrolar do estudo, quando os resultados encontrados
reafirmarão ou não sua suposição.

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1.6. Objetivos
Tendo estabelecido o Problema de Pesquisa e suas Hipóteses, surge a necessidade
de definição de um novo elemento do Projeto que diz respeito ao propósito da
Pesquisa, que se mostra associado ao questionamento: Para que se destina o estudo?

O Objetivo da Pesquisa define o que se pretende alcançar com o estudo,


quais os motivos que orientam o Projeto de Pesquisa.

Ao detalhar os Objetivos, o pesquisador deve esclarecer os Objetivos gerais e


específicos, tendo em vista que ambos devem ser coerentes e complementares e estar de
acordo com a Justificativa e com o Problema proposto, na medida em que o propósito da
Pesquisa definirá, o que se espera em termos dos resultados a serem alcançados.

Os Objetivos gerais de um Projeto de Pesquisa descrevem o que se pretende


obter com o estudo e são definidos de modo amplo ou abrangente, enquanto
os Objetivos específicos são metas detalhadas derivadas do Objetivo geral.

A elaboração dos Objetivos do estudo que evidenciam o que se pretende com a


Pesquisa, considera que: “O pesquisador deve mostrar a importância do assunto,
tendo em vista o conhecimento geral do mesmo e a temática proposta.” (PARRA FILHO;
SANTOS, 1998, p. 210).
Os Objetivos de uma Pesquisa, destacam, “a importância do trabalho a ser
desenvolvido” bem como uma possível “ampliação do conhecimento geral relativo ao
mesmo” (PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p. 210).
Os Objetivos específicos enfocam um núcleo nos propósitos da Pesquisa já que
“define o ponto central do trabalho. Isso quer dizer que, dentro de uma ideia geral do
trabalho, deve-se ressaltar a ideia especifica a ser desenvolvida” (PARRA FILHO;
SANTOS, 1998, p. 210). Os Objetivos específicos devem expressar o que será
efetivamente alcançado na Pesquisa, pois:
[...] expressam a particularidade do exercício a ser realizado pelo investigador em cada
parte do trabalho. Os objetivos específicos devem ser elaborados com verbos no infinitivo e
manifestar ações particulares. Portanto, são imprescindíveis ao projeto de pesquisa.
(DALBERIO; DALBERIO, 2009, p. 60).

Por exemplo, consideremos o Problema de Pesquisa ‘Qual é o perfil das empresas


brasileiras que utilizam o marketing cultural em sua publicidade?’ e definamos os
Objetivos desse estudo.
O Objetivo geral poderia ser, por exemplo, descrito como: Buscar compreender as
relações existentes entre o perfil das empresas e a utilização do marketing cultural. O
Objetivo específico poderia ser: Identificar os fatores determinantes ou motivos, de
parte das empresas, que podem explicar a escolha do marketing cultural como
estratégia publicitária.
No caso de Jonas, os progressos na construção de seu Projeto de Pesquisa sobre o
filme The Wall devem estabelecer os Objetivos gerais e os Objetivos específicos para

19
identificar a finalidade de seu trabalho científico.
Escreveu Jonas, em seu Projeto, o seguinte texto:
Objetivo geral
Investigar possíveis relações entre as imagens, os signos sonoros e os processos emocionais destacados no
filme, mostrados em uma sequência fragmentada como representações mentais simbólicas e lembranças
vividas, consideradas à luz da abordagem semiótica peirciana e da abordagem psicanalítica.
Objetivos específicos
Analisar os elementos subjetivos do inconsciente do personagem principal do filme The Wall, relativos aos
conteúdos de solidão e violência, que conferem sentido às narrativas simbólicas ditadas pelas expressões
musicais, verbais e imagéticas.

Podemos considerar que o Objetivo geral configura uma espécie de direção do estudo
pretendido no seu campo do conhecimento e o Objetivo específico define um núcleo de
interesse ou uma meta particular dentro da perspectiva geral.

20
1.7. Justificativa
Como a própria expressão indica, a Justificativa do Projeto de Pesquisa diz
respeito aos argumentos que envolvem a relevância do assunto, ou seja, nela
o pesquisador apresenta motivos convincentes que conferem ao Projeto de
Pesquisa, uma valoração científica e social que sustenta a realização do
estudo.

Para que haja um adequado convencimento acerca da importância da Pesquisa, o


aluno pesquisador deverá apontar os ganhos intelectuais que o estudo representa
para si, para a sociedade e para o universo acadêmico, o que sem dúvida oferece apoio
essencial a seu Projeto para que seja aceito no Programa de Iniciação Cientifica.
Em geral, os argumentos que, via de regra, são utilizados na Justificativa de
estudos científicos referem-se à exaltação do Tema escolhido e aos motivos pelos
quais sua abordagem apresenta relevante importância para o acréscimo do
conhecimento. A utilização de citações de outros autores sobre o assunto e sua
importância é interessante e recomendável, pois no diálogo com teóricos encontramos
incremento à credibilidade que justificam o estudo (PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p.
209). Os autores prosseguem argumentando sobre a importância da Justificativa no
Projeto de Pesquisa, ao afirmarem que: “a Justificativa pode ser também no sentido de
um avanço de ordem pessoal, pois o avanço profissional na área acadêmica poderá ser
de suma importância na qualidade do futuro trabalho que o mesmo desenvolverá
profissionalmente” (PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p. 209).
Mencionar que o Projeto de Pesquisa permitirá avanços significativos no
conhecimento do Tema e que o estudo oferecerá subsídios para operar acréscimos
para determinada população ou causa pode ser excelente argumento na construção de
Justificativas contundentes.
No exemplo do Projeto de Pesquisa do aluno Jonas, ele menciona algumas
contribuições que seu Projeto poderá oferecer ao estimular a compreensão de
elementos subjetivos presentes no filme The Wall; sua Justificativa é reproduzida a
seguir:
Justificativa
A investigação das imagens e das sequências fragmentadas que compõem o filme The Wall permite observar
como as relações de elementos imagéticos, sonoros e verbais fazem convergir a dinâmica que é a vida, por
intermédio das relações psicoafetivas, familiares, sociais, históricas, culturais e políticas manifestadas por um
conjunto amplo de signos que ora interagem, ora se dissociam.
A descrição plástica dos planos físicos, a trilha sonora, o enquadramento, os ângulos, as cores e as possíveis
mensagens verbais e não verbais servem de reflexão para uma investigação semiótica cuja interpretação auxilia
o entendimento de articulações das cenas fragmentadas.
The Wall é um filme rico em simbologia, cujos fragmentos da narrativa mesclam múltiplos fatores; pode
contribuir com a área da Comunicação ao relacionar saberes de modo interdisciplinar e aprofundar o
conhecimento de elementos subjetivos presentes no cinema; pode ampliar o estudo científico do campo
audiovisual sobre os estudos acerca da imagem, sobre a edição das imagens, além da investigação acerca dos
elementos sonoros, bem como sobre a linguagem utilizada que ora é direta, ora é indireta, para transmitir o
pensamento e ação do protagonista.
Por sua vez, a relevância social do estudo consiste na possibilidade de contribuir para o campo da educação e

21
da cultura, promovendo discussões sobre questões políticas e ideológicas suscitadas pelo filme.
O presente Projeto de Pesquisa, portanto, mostra-se relevante diante da iniciativa de se estudar o ciema ao
mesmo tempo que busca uma compreensão do ser humano que se mostra nesse cenário, na medida em que o
principal personagem pode representar todos nós: ora dividido entre o eu e o outro, entre o presente e o
passado, entre alegrias e dramas, que, entretanto, revela em última instância o estado inacabado, a
incompletude do Eu, que se mostra em construção e desconstrução ao longo da vida.

A Justificativa é um fator de importância no Projeto de Pesquisa e pode ser apresentada


com algum fundamento teórico, o que lhe confere consistência científica. Contudo,
também pode ser apresentada de modo mais sucinto, em que o próprio texto destaca
sua relevância de modo objetivo e circunscrito fazendo menção a uma abordagem
original do assunto ou a possíveis lacunas do conhecimento sobre o Tema, ou ainda,
quando aponta a necessidade de respostas ou soluções para determinado problema
social existente.

22
1.8. Fundamentação Teórica
A organização dos elementos fundamentais de um Projeto de Pesquisa pode seguir
algumas variações em sua apresentação. Uma possibilidade é apresentar os elementos
destacados separadamente, isto é, Tema, Problema de Pesquisa, Hipóteses, Objetivos
Gerais, Objetivos Específicos, Justificativa, Referencial Teórico, Método, Referência
Bibliográfica e Anexo. Outra possibilidade é organizar na Introdução do Projeto de
Pesquisa o Tema, Problema de Pesquisa, Objeto, Hipótese, Objetivos e Justificativa,
seguidos de Referencial Teórico, Método, Referências Bibliográficas e Anexos.
A organização dos elementos do Projeto de Pesquisa chama a atenção para a
estrutura do estudo. Por outro lado, o Referencial Teórico chama a atenção para a
consistência teórica da Pesquisa pretendida.
Nesse prisma de entendimento é de fundamental importância realizar um
levantamento bibliográfico, a fim de proporcionar uma exposição do assunto que
promova uma familiaridade a seu respeito e que ofereça uma base científica sobre o
Tema para situar o conhecimento teórico do estudo pretendido.

O levantamento bibliográfico das concepções teóricas vigentes acerca do


assunto estudado e as novas pesquisas acerca do Objeto estudado formam um
corpo de conhecimento denominado como “Referencial Teórico”,
“Fundamentação Teórica”, “Fundamentos Teóricos” ou nomenclatura
similar.

A “busca das origens bibliográficas” deve ser praticada sistematicamente. Parte-se de


obras, artigos ou estudos mais recentes pertinentes ao assunto. [...] (BEAUD, 1996, p. 68).

É importante relatar que existem alunos pesquisadores que confundem (pensam


ser a mesma coisa) o que são: Referencial Teórico e Referências Bibliográficas. As
Referências Bibliográficas apresentam-se no final do Projeto e consistem na relação
das fontes consultadas para a elaboração do Projeto de Pesquisa: autores e obras
citados na Fundamentação Teórica e que devem ser relacionados segundo as regras da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que serão abordadas
posteriormente no capítulo 3.
Referencial Teórico é um texto explicativo de conceitos teóricos; por sua vez,
Referências Bibliográficas são uma lista de fontes consultadas.
O contato com trabalhos de natureza teórica e a aproximação com o universo
sistemático e múltiplo do pensamento de vários pesquisadores constituem o campo de
ideias sobre o qual a Fundamentação Teórica se constitui. O Referencial Teórico do
Projeto de Pesquisa auxilia o entendimento das diretrizes conceituais que dão base
para a construção dos argumentos teóricos que sustentam o estudo.
O Referencial Teórico que irá embasar ou fundamentar teoricamente o Projeto de
Pesquisa deverá apresentar as definições básicas e as principais teorias do campo
estudado, isto é, aquelas que recebem o reconhecimento da comunidade científica, que
se mostram presentes em grande número nas diversas publicações realizadas sobre o
Tema em questão.

23
O Referencial Teórico não deve se apoiar em um único autor, pois, neste caso, não
cumprirá o propósito de oferecer uma visão abrangente do campo em estudo com um
direcionamento único em termos do aporte teórico apresentado. A função da teoria no
exercício da Pesquisa é fundamentar a investigação, ao mesmo tempo que também
serve para auxiliar o pesquisador a desenvolver seu pensamento científico. Por
intermédio dos Fundamentos Teóricos, o pesquisador consegue dar a conhecer
parcialmente seu Objeto de Pesquisa, visto que é a teoria que dá suporte escritural,
intelectual para o Projeto proposto.
As fontes bibliográficas adequadas ao desenvolvimento da Pesquisa, em geral, são
indicadas com o auxílio do orientador, mas é fundamental a autonomia do aluno
pesquisador, que por iniciativa própria pode fazer buscas teóricas para o estudo
pretendido.
A busca do material bibliográfico que dará suporte aos Fundamentos Teóricos do
Projeto de Pesquisa pode ser realizada em bibliotecas, de modo concreto ou virtual, na
medida em que atualmente as bibliotecas do mundo inteiro disponibilizam boa parte de
seu acervo em arquivos digitais. O pesquisador também pode consultar sites científicos
na web para saber o que já foi publicado a respeito do assunto estudado e, pode ainda,
pesquisar teses e dissertações, artigos em periódicos científicos, além de outras
produções acadêmicas de interesse.

24
1.8.1. Normas para confecção estrutural do Referencial Teórico
A construção textual da Fundamentação Teórica requer do pesquisador iniciante
uma atenção ao uso da linguagem e à composição gramatical na expressão de seu
pensamento, que possibilite um manejo adequado de conceitos que permita ao leitor
compreender as bases teóricas sustentadas no estudo.
Ao utilizar ideias de vários autores e diferentes teorias, o texto teórico deve adotar
regras a partir das quais as citações (pensamento dos autores) escolhidas poderão
estruturar os Fundamentos Teóricos.

O uso de citações (direta curta, direta longa, indireta, citação da citação) deve
respeitar as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o
que significa dizer que os trechos textuais retirados de teorias consultadas
não podem ser mencionados aleatoriamente, mas é necessário que sejam
referidos segundo normas preestabelecidas e com menção obrigatória da
autoria, identificação da obra, referência à data e outras informações
pertinentes.

Alguns exemplos de como fazer citações, utilizando os quatro modelos possíveis


(direta curta, direta longa, indireta, citação da citação) que podem aparecer na
construção textual dos Fundamentos Teóricos, serão apresentados brevemente a
seguir, com base nas Normas ABNT NBR 14724, de 2011.

A citação indireta é utilizada mediante a introdução do pensamento de autores no


texto de modo indireto, isto é, por meio das palavras do pesquisador. O pesquisador
faz menção ao teórico ou à teoria em seu Referencial, mas sem citá-los literalmente.
Neste caso, deve-se ter o cuidado de traduzir as ideias do autor mencionado sem
modificar o seu pensamento.

Segue no modelo abaixo o uso da citação indireta em um Projeto relacionado a


mídias sociais, em que o aluno pesquisador (que autorizou esta referência) menciona
Bauman (2003).
Com o avanço tecnológico constatamos também que as mídias sociais,
multiplicaram-se especialmente na internet, que possibilita a conveniência e o
relacionamento com pessoas de todo o mundo, fator que pode favorecer a recepção
e o contato com outras pessoas no mundo fora da web (BAUMAN, 2003).

Ainda no mesmo Projeto de Pesquisa, o aluno faz uma menção ao teórico


Vaynerchuk (2009). Para este exemplo, a Fundamentação Teórica apresenta, em seu
texto, o trecho que segue:
Sobre a mesma perspectiva, Vaynerchuk (2009) ensina que o primeiro passo
para se relacionar nessa mídia social se baseia em criar uma base, seja ela um site,
um blog, um perfil em rede social, na qual materiais de alta relevância sobre o
assunto escolhido serão depositados.

25
Podemos perceber que as citações indiretas fazem referência apenas ao autor e
data, não havendo necessidade de citar outras informações como a página da obra
consultada, na medida em que em geral se reportam a vários trechos da obra do autor.
Contudo, no caso da citação indireta estar relacionada a uma página específica do
autor, a citação indireta deve mencionar, em sua referência, além do sobrenome do
autor e ano da obra, a página do texto de apoio utilizado.
A citação direta (que pode ser “curta” ou “longa”) segue uma primeira exigência que é
reproduzir o pensamento do autor de modo literal, o que demanda uma cópia do trecho
escolhido para referência.

A citação direta curta deve ser transcrita entre aspas duplas e aparece incorporada
ao parágrafo de que toma parte, como elemento integrante do texto redigido.
O exemplo que segue foi extraído de um Projeto de Pesquisa em Publicidade e
Propaganda de um aluno pesquisador (que autorizou esta referência) sobre a
construção de identidade de marcas. Em seu texto, o aluno escreve baseando-se em
Rizzo (2003):
Neste prisma de entendimento, compreendemos que a Publicidade favorece o
reconhecimento e a imagem das marcas, através dos diferentes meios de
comunicação que as divulgam. Vale lembrar que a palavra Publicidade possui sua
origem no latim publicus, que significa “[...] a qualidade do que é público, ou seja,
tornar público um fato, uma ideia, objetivando induzir ou convencer o público a uma
atitude dinâmica favorável à determinada ideia” (RIZZO, 2003, p. 46).

Observamos, neste exemplo, que o aluno escreve uma primeira parte do texto
esclarecendo o exposto, para depois indicar entre aspas duplas (citação direta curta) o
conceito do estudioso mencionado, acerca da Publicidade.
Em outro exemplo de citação direta curta, encontramos um texto ilustrativo de um
Projeto de Pesquisa na área de Rádio-TV-Internet sobre a participação da imagem da
mulher nas produções audiovisuais. Escreve o aluno pesquisador (que autorizou esta
referência):
Wolf (1996, p. 145) lança luz sobre a relação da mulher, do seu corpo e da
condição de ser objeto do olhar masculino quando afirma: “para as mulheres, o corpo
associa-se ao olhar do outro, à aparência estética, as possibilidades amorosas”.

É interessante notar que as citações diretas curtas mencionam sempre a página de


referência do texto reproduzido, entretanto mostram diferenças quanto à forma de
indicação em relação ao nome do autor mencionado, que deve ser citado todo em
letras maiúsculas quando sugerido de modo oculto no trecho, ou apenas com a letra
inicial maiúscula quando explícito no trecho redigido.
A citação direta longa é considerada longa quando o pensamento a ser referido ou
trecho mencionado ultrapassa três linhas. Nesse caso, deve utilizar a cópia exata do que
o autor comunica, transcrevendo-o de modo destacado do texto, modificando o padrão
utilizado para fonte diminuída e espaçamento simples, com um recuo da margem

26
esquerda de 4 cm.

O exemplo que segue aborda o conceito de conhecimento científico apresentado


por Lakatos e Marconi (2001) no livro Metodologia Científica.
O fazer científico guarda particularidades que o pesquisador deve ter
conhecimento atendendo suas regras.
O conhecimento científico resulta da investigação metódica, sistemática da realidade. Ele
transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para descobrir suas causas e
concluir as leis gerais que os regem. [...] como o campo da ciência é o universo material,
físico, naturalmente perceptível pelos órgãos dos sentidos ou mediante a ajuda de
instrumentos de investigação, o conhecimento cientifico é verificável na prática, por
demonstração ou experimentação. Além disso, tendo o firme propósito de desvendar os
segredos da realidade, ele os explica e demostra com clareza e precisão, descobre suas
relações de predomínio, igualdade ou subordinação com outros fatos ou fenômenos. De tudo
isso conclui leis gerais, universalmente validas para todos os casos da mesma espécie.
(LAKATOS; MARCONI, 2001, p. 198).

Outro exemplo de citação direta longa, em que é abordada a imagem feminina sob
a óptica de desigualdade social teorizada por Berger (1972), a seguir:
Os estudos sobre a imagem da mulher suscitam muitas reflexões que podem ser
analisadas nas expressões das pinturas europeias em que estão presentes mulheres.
Berger (1972, p. 70) menciona que:
Os nus europeus, por exemplo, pintados como se a mulher estivesse a serviço do desejo do
espectador (geralmente masculino), pressupõem um relacionamento desigual presente até
hoje na nossa cultura, de que homens e mulheres têm presenças sociais diferentes e agem
como tal.

A regra adequada na citação direta longa, sobre o nome todo em letras maiúsculas
ou apenas inicial maiúscula, seguida do ano da obra e página, deve ser utilizada de
acordo com a ordem de colocação da citação, no texto construído. Quando o trecho é
introduzido de modo literal no texto sem qualquer ideia prévia, o sobrenome do autor
segue ao final da citação em maiúsculas. Se o trecho é introduzido no texto após um
preâmbulo e o nome do autor participa dessa apresentação, o sobrenome do autor é
citado apenas com a letra inicial maiúscula.
A citação da citação deve ser evitada quando possível e deve somente ser empregada
quando o acesso à obra original for bastante difícil, pois a citação de autores por meio
de seus intermediários pode comprometer a credibilidade do trabalho de Pesquisa. No
caso de sua utilização, é necessário indicar essa situação e acrescentar a expressão
latina apud, que significa “citado por”, ao mencionar uma citação dentro de outra
citação.

[...] Ora, o que Prigogine chama de tempo, Peirce chamava de semiose (ação do signo).
Aliás, o tempo não é outra coisa senão o desenrolar-se da semiose, processo autogerativo
de signos, signos gerando signos e sendo gerados de signos [...]. (VIEIRA, 2003, p. 297,
apud SANTAELLA, 1992, p. 144).

A mesma citação pode ser apresentada, ainda, da forma a seguir:


Santaella (1992, p.144) faz menção à Vieira (2003, p. 297) que cita o
pensamento de Prigogine, como segue:
[...] Ora, o que Prigogine chama de tempo, Peirce chamava de semiose (ação do signo).
Aliás, o tempo não é outra coisa senão o desenrolar-se da semiose, processo autogerativo

27
de signos, signos gerando signos e sendo gerados de signos [...].

A estruturação coerente da Fundamentação Teórica é essencial para que o Projeto


de Pesquisa se mostre consistente teoricamente e demonstre o conhecimento
adequado e suficiente do pesquisador sobre o assunto estudado.
Todo Projeto de Pesquisa delineia suas necessidades em termos da
Fundamentação Teórica exigida, que vai depender do estágio de desenvolvimento
científico alcançado pelo Tema no horizonte das iniciativas de estudo já realizadas.
Alguns Projetos precisam apresentar o “estado da arte” do Tema estudado ou do
Objeto de estudo em questão, isto é, o panorama atualizado do conhecimento do
assunto escolhido. O estado da arte mencionado no Projeto oferece uma visão do
status existente da Pesquisa proposta e certifica a relevância do estudo pretendido.
Neste sentido, é importante ressaltar que a Pesquisa Bibliográfica acerca do assunto
estudado é fundamental para todos os estudos realizados e ela lhe confere valor e
credibilidade.
No Projeto de Pesquisa do aluno Jonas, que escolheu estudar o filme The Wall, as
referências teóricas deveriam desenvolver um conjunto de conceitos capazes de dar
suporte às interpretações pretendidas no campo da Semiótica e da
Psicanálise.
Para a construção dos fundamentos teóricos do Projeto de Pesquisa de Jonas, ele
escolheu discorrer, entre outros autores, sobre o pensamento de Santaella (1990,
2000), que auxilia a abordagem semiótica peirciana que contempla a compreensão da
descrição plástica dos planos, da observação da trilha sonora, do enquadramento, dos
ângulos, das cores e das mensagens verbais e não verbais, bem como sobre o
pensamento freudiano sobre a fantasia, a formação onírica e a interpretação de
sonhos que permitem realizar uma análise de conteúdos do inconsciente manifestos
no enredo. As abordagens mencionadas possibilitarão a análise de temas emergentes
no filme, como as guerras, o capitalismo selvagem, a dependência química, a alienação
das massas, a desestruturação psíquica, entre outros assuntos.
Para uma apreciação no Projeto de Pesquisa de seus Fundamentos Teóricos, que
demonstram o alicerce conceitual de um estudo em sua estruturação e conteúdo,
segue uma breve exposição do Referencial Teórico do estudo de Jonas em sua
proposta de investigação sobre o filme The Wall.
Referencial Teórico
O estudo de produções cinematográficas se insere no campo do conhecimento interdisciplinar, o que requer
um estabelecimento de fronteiras entre as áreas que se encontram implicadas ou que se desejam integrar, que
lhes servirão de suporte teórico; são elas que definirão as inter-relações conceituais ao entendimento de
produtos audiovisuais.
Vanoye (1994) considera um filme como um texto e, para sua análise textual, sugere que se levem em conta
duas etapas importantes: em primeiro lugar, a decomposição do filme, que deve descrever todos os detalhes que
consideramos fundamentais para, em seguida, estabelecer e compreender as relações entre esses elementos
decompostos. Em segundo lugar, menciona o autor, devemos interpretar o filme utilizando a forma de análise
que procura descobrir os significados profundos da mensagem apresentada, que pode se embasar em
pressupostos da semiótica peirciana, a qual se ocupa com o conteúdo da narrativa e suas relações de
representação, com o significado simbólico da mensagem.
The Wall traz em seu enredo um personagem central que estrutura a narrativa da trama por sua trajetória
existencial, que se apresenta em meio a encaixes e a desencaixes de inúmeras perspectivas de sentido, e destaca

28
o sentimento de angústia do protagonista. Pelo excesso de fragmentos, o enredo se constrói em meio a
linguagens empregadas – sonora, visual e simbólica, nas quais é possível considerar a força comunicável dos
elementos que provocam reações diversas e paradoxais no espectador, que luta na tentativa de designar sentido
ao percebido.
Ao longo do filme, podemos notar a utilização de técnicas que desencadeiam processos subjetivos, como a
interrupção abrupta de cenas, que de acordo com Turner (1997, p. 68),
[...] o corte súbito provoca surpresa, horror e ruptura, portanto tende a ser reservado
para momentos em que tal efeito é exigido”. Outra técnica cinematográfica é o close
que “transforma o sentido da distância, levando o espectador a uma proximidade
psíquica e a uma ‘intimidade’ (Epstein) extremas”. (AUMONT, 2008, p. 141).
Assim também acontece com a música, sendo usada para nos transferir de uma cena a outra, levando o
espectador a realizar possíveis ligações entre elas. Segundo Chion (1995, p. 189), “a música pode ser vista como
um aparelho de tempo/espaço: ela pode nos conectar a outro lugar e a outro tempo, no futuro e no passado”.
Com a técnica da animação, o filme ganha originalidade, já que o universo plástico do cinema se mostra
restrito às imagens capturadas da realidade, ainda que encenadas.
A união do desenho e da pintura com a fotografia e o cinema superou essa limitação
através do cinema de animação, que podia fazer uso de formas ilimitadas das artes
gráficas explorando as características cinematográficas do
filme. (BARBOSA JÚNIOR, 2005, p. 18).
Na complexidade da narrativa não linear, pelas imagens que seguem, pela trilha sonora e pelo uso dos
fragmentos e animações, observamos inúmeros elementos sígnicos que traduzem muitas possibilidades de
interpretação que associam e/ou sobrepõem temáticas sociais e elementos culturais, que estimulam indagações
em termos de sua mensagem semiótica e psicológica.
Vale destacar que a Semiótica é uma ciência que
[...] tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por
objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno como
fenômeno de produção de significação e de sentido”. (SANTAELLA, 1990, p. 13).
O espectro de fatores semióticos permite emergir uma espécie de licença poética para interpretar as
memórias de Pink (personagem principal) que, em seu aspecto cognitivo, identifica informações,
acontecimentos, expectativas, sentimentos e outros elementos da narrativa subjetiva. A fragmentação das
cenas, visível na estrutura da narrativa, reflete a visão do consciente e do inconsciente e de todo o universo em
que o personagem está inserido.
Os inúmeros fragmentos fazem surgir novos signos visuais mediados por músicas e trilhas sonoras. A
música no filme serve de elemento complementar a interpretações, sendo a letra associada à música e à
melodia, elementos-chave para a compreensão das cenas. Como menciona Baptista (2007, p. 22), “a música
pode simbolizar um filme, isto é, descrever de forma resumida o sentimento principal da narrativa”.
The Wall convida a uma apreciação analítica, em especial nas perspectivas semiótica e psicanalítica, na
medida em que elementos estruturais da linguagem semiótica e simbolismos associados a conteúdos
inconscientes se mostram presentes de modo impregnado no texto fílmico, do começo ao fim.
A concepção pierciana atualizada por Santaella (1990, 2000) quanto à compreensão da descrição plástica
dos planos, da observação da trilha sonora, do enquadramento, dos ângulos, das cores e das mensagens verbais
e não verbais presentes no filme possibilita uma interpretação semiótica que inscreve os elementos concretos
do projeto audiovisual em um universo de significados ora abrangentes, ora singulares.
Por sua vez, a visão da Psicanálise, em sua abordagem de fatores inconscientes e relevância dada à
experiência vivida na trajetória individual do ser humano, pode oferecer uma análise de conteúdo simbólico
que interpreta o essencial no roteiro e mensagem do filme.
A análise semiótica acrescida da visão psicológica psicanalítica pode traduzir as bases fundamentais dos
significados intrínsecos ao complexo cenário de conteúdos presentes em The Wall, visto que existem
simultaneamente várias mensagens articuladas apresentadas em várias linguagens e cenários sobrepostos: um
delineamento histórico do grupo Pink Floyd, um cenário depressivo pós-guerra da Inglaterra, um clima de
angústia representado em vários momentos e uma história pessoal de degradação; conteúdo diverso sendo
narrado de modo intrincado no filme.
No centro do enredo, o protagonista que testemunha sua experiência de perda e dor, que dá sentido ao tema
da desestruturação psíquica que se descortina no filme, participa da expressão plástica comunicacional de
maneira inusitada, tal qual o processo de elaboração onírica em seus mecanismos de condensação e
deslocamento (FREUD, 1900/1969b)).
O filme, apresentado como uma sucessão de breves blocos de mensagens, permeados por grande quantidade
de informações de diversas fontes e naturezas, parece assemelhar-se a um cenário de sonho como sugere Freud
(1900/1969b, 1900/1969c) em sua Interpretação de Sonhos, e como tal pode ser entendido como materialização
de conteúdos presentes no inconsciente pessoal que atestam a existência de objetos mentais como: desejo,

29
frustração, perda, dor e desespero, imaginação e loucura.
A trama em The Wall descortina, em seu roteiro fragmentado, um fio condutor cuja sucessão de eventos e
significados não estabelece um determinado tempo homogêneo, mas impõe uma percepção por meio das
subjetividades que oferecem uma continuidade histórica. Na retomada do passado, o que importa é a
possibilidade de narrar experiências vividas e que revelam o sentido dos acontecimentos que dão origem ao
presente. A morte do pai gera em Pink, o protagonista, grande desconsolo, a ponto de levá-lo a tentar, ainda na
infância, se aproximar de um pai de outra criança, na busca de resgatar esse elo perdido. Essa cena evoca a
necessidade da presença da figura paterna na vida de uma criança e a tentativa de encontrar uma solução, ainda
que substituta.
[...] os pais constituem para a criança pequena a autoridade única e a fonte de todos
os conhecimentos. O desejo mais intenso e mais importante da criança nesses
primeiros anos é igualar-se aos pais (isto é, ao progenitor do mesmo sexo), e ser
grande como seu pai e sua mãe. (FREUD, 1909/1969a, p. 243).
A crise emocional de Pink revela sofrimento e cólera, tédio, nostalgia e desespero, representada de maneira
concreta em vozes agudas, música eloquente, imagens chocantes, cores e sombras, que anunciam
possibilidades desafiadoras de interpretação dos aspectos discursivos e simbólicos do filme. Nesse sentido, a
Pesquisa nos dois campos, da Semiótica e da Psicanálise, pode trazer abundantes subsídios para a formulação
de novos conceitos encontrados na análise de conteúdo do filme.

Na confecção do texto do Referencial Teórico é importante tecer uma construção


de pensamento em que fiquem evidentes os principais conceitos acerca do Objeto
estudado, as definições que auxiliem a compreensão dos Objetivos da Pesquisa e das
bases teóricas que darão sustentação à discussão dos elementos analisados no
estudo.
As citações de teorias de diferentes abordagens, autores e fontes consultados que
compõem os Fundamentos Teóricos e servem como suporte conceitual ao estudo
pretendido possuem a finalidade de auxiliar a estruturação de pensamento sobre o
conhecimento científico acerca do assunto estudado.

30
1.9. Metodologia
As diferentes áreas do conhecimento, para atenderem a busca do desenvolvimento
científico, realizam suas investigações segundo Métodos e Procedimentos que lhes
permitem evoluir, ampliando teorias e propondo novas Pesquisas.

Métodos são os caminhos para se chegar ao objetivo pretendido de uma


Pesquisa científica, que dependem de escolhas sobre as estratégias que
determinarão a modalidade de estudo e o conjunto de fatores a ela associados
(material ou população, instrumentos e procedimentos, análise pretendida de
resultados) que permitirão a obtenção de resultados na investigação.

A Metodologia da Pesquisa define a maneira como o estudo se desenvolverá para


buscar alcançar uma resposta ao Problema de Pesquisa.
Na estruturação do Projeto de Pesquisa, o Método determina a escolha dos elementos
sobre os quais o estudo se apoiará na prática, a começar pela definição do tipo de
Pesquisa que delineará a coleta de dados.

Os tipos ou modalidades de Pesquisa são agrupados e classificados pelos


estudiosos do assunto, de diferentes maneiras, o que nos permite considerar que há
várias formas de compreender a definição dos tipos de Pesquisa.
É importante ter em conta que a categorização de uma Pesquisa tem a finalidade
de identificar as estratégias pelas quais o estudo pretende alcançar seus resultados,
que por sua vez encaminharão as conclusões da Pesquisa.

31
1.9.1. Modalidades de Pesquisa

As Pesquisas científicas caracterizam-se segundo a natureza, a abordagem, os


objetivos e procedimentos, o que lhes definem elementos pertinentes à sua
Metodologia, que estabelecem o processo de desenvolvimento da
investigação pretendida.

Para Dalbério e Dalbério (2009, p. 165):


As pesquisas podem ser classificadas de acordo com seus objetivos gerais. Comumente,
são divididas em três grandes grupos: exploratórias, descritivas e explicativas.

De acordo com Severino (2013, p. 118-123), as Pesquisas podem ser diferenciadas:


(1) segundo a abordagem como Pesquisa Qualitativa e Quantitativa; (2) segundo
peculiaridades do Objeto estudado e da participação do pesquisador, em Pesquisa
Etnográfica, Pesquisa Participante, Pesquisa-ação e Estudo de Caso; (3) de acordo com
a “natureza das fontes” de estudo e “tratamento de seu objeto” em Pesquisa
Bibliográfica, Documental, Experimental e Pesquisa de Campo; (4) em relação aos
Objetivos de Pesquisa, em Exploratória, Descritiva ou Explicativa.
Para Gerhardt e Silveira (2009), os vários tipos de Pesquisa existentes podem ser
didaticamente organizados, de acordo com uma diferenciação inicial, em Pesquisa
Qualitativa e Quantitativa; em termos da natureza da Pesquisa em Básica e Aplicada;
de acordo com seus objetivos em Exploratória, Descritiva e Explicativa; e, ainda, em
função de seus procedimentos em Bibliográfica, Documental, Experimental, de Campo,
de
Levantamento ou Survey, [4] Etnográfica, Estudo de Caso, Pesquisa participante,
Pesquisa-ação.
A Metodologia adotada em uma investigação científica deve indicar o tipo de
Pesquisa e seus fatores estruturantes (material ou participante(s), instrumento(s),
procedimentos e análise pretendida) que efetivarão o estudo na prática. “As fases dos
métodos podem ser vistas como indicadoras de um caminho [...]” (RUDIO, 1986, p. 15).
Os vários autores, em relação aos tipos de Pesquisa, procuram indicar diferentes
maneiras de agrupar as várias modalidades de Pesquisa, mas suas definições são todas
concordantes, não havendo conflitos sobre a conceituação dos diversos tipos de
Pesquisa, isto é, nenhum estudioso descreve uma forma de Pesquisa de modo distinto
ou conflitante ao outro estudioso, mas privilegia a existência de uma modalidade à
outra.

Elegemos uma apresentação das modalidades de Pesquisa que consideramos


didática, ou seja: segundo a abordagem, segundo a natureza, segundo os objetivos e
segundo os procedimentos da Pesquisa.
Os tipos de Pesquisa organizados por categorias (segundo a abordagem, a
natureza, os objetivos e os procedimentos) não impõem uma relação de exclusão entre
elas, de maneira que um estudo pode ser identificado em mais de uma categoria e
assim mencionado, por exemplo: a Pesquisa é de abordagem Qualitativa; segundo sua

32
natureza, é Descritiva; e de acordo com seus procedimentos, é um Estudo de Caso.

33
1.9.1.1. Modalidade de Pesquisa segundo a abordagem
São dois os tipos de Pesquisa segundo a abordagem: a Pesquisa Qualitativa e a
Pesquisa Quantitativa, que são contrastantes, uma vez que definem formas de
abordagem complementares.

A Pesquisa Quantitativa busca objetividade e pretende traduzir em


números as opiniões e informações coletadas para serem classificadas e
analisadas; sendo assim, utiliza-se da linguagem matemática para explicar os
fatos através de técnicas estatísticas.

Um exemplo de Pesquisa Quantitativa é a investigação do perfil dos usuários


brasileiros do Twitter, com mais de 35 anos. O estudo poderia contribuir para
identificar as finalidades de utilização desse canal de comunicação entre indivíduos
que provavelmente possam ser caraterizados como uma população produtiva no país.
Esse estudo investigaria a porcentagem de usuários distribuída por gênero, nível
econômico, grau de escolaridade, por exemplo.

A Pesquisa Qualitativa, por se tratar de uma abordagem descritiva, aborda


aspectos da realidade relacionados ao “universo de significados, motivos,
aspirações, crenças, valores e atitudes” (MINAYO, 2001, p. 14), que não são
passíveis de serem objetivados, cujos resultados não são quantificáveis e,
sendo assim, as informações obtidas são analisadas de maneira indutiva.

Um exemplo de Pesquisa Qualitativa é o estudo da experiência de formação


universitária de alunos de Relações Públicas de uma instituição educacional. Essa
Pesquisa, baseada na análise do relato de experiências, permitiria um entendimento
aprofundado de alguns poucos relatos particulares, mas que poderiam oferecer dados
significativos sobre a trajetória profissional desses indivíduos.
Para um entendimento sobre as distintas características de Pesquisa Qualitativa e
Quantitativa, reproduzimos um quadro comparativo oferecido por Gerhardt e Silveira
(2009, p. 34).
Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa
Focaliza uma quantidade pequena de Tenta compreender a totalidade do fenômeno, mais do que focalizar conceitos
conceitos específicos

Inicia com ideias preconcebidas do modo Possui poucas ideias preconcebidas e salienta a importância das interpretações
como os conceitos estão relacionados dos eventos mais do que a interpretação do pesquisador

Utiliza procedimentos estruturados e Coleta dados sem instrumentos formais e estruturados


instrumentos formais para coleta de dados

Coleta os dados mediante condições de Não tenta controlar o contexto da pesquisa, e, sim, captar o contexto na
controle totalidade

Enfatiza a objetividade, na coleta e análise Enfatiza o subjetivo como meio de compreender e interpretar as experiências
dos dados

Analisa os dados numéricos através de Analisa as informações narradas de uma forma organizada, mas intuitiva
procedimentos estatísticos

34
Quadro 1 – Características comparativas entre Pesquisa Quantitativa e Qualitativa. Fonte: Elaborado por
Gerhardt e Silveira (2009) (UFRS), a partir de: POLIT et al. (2004).

35
1.9.1.2. Modalidades de Pesquisa segundo a natureza

A Pesquisa Básica, também denominada Pesquisa Pura ou Teórica, é aquela


que amplia o conhecimento científico a partir de novas articulações teóricas e
proposições conceituais.

Nas palavras de Cervo e Bervian (1996, p. 47), a Pesquisa Básica ocorre quando: “o
pesquisador tem como meta o saber, buscando satisfazer uma necessidade intelectual
pelo conhecimento”. O objetivo é “o enriquecimento do conhecimento científico” em
que o pesquisador busca “desenvolver novas teorias, criar novos modelos teóricos ou
estabelecer novas hipóteses de trabalho nos vários campos do saber humano, quer por
dedução, quer por indução, quer por analogia”. (PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p. 101).
Nas palavras de Haack (1976, p. 113):
[...] a dedução envolve um raciocínio que parte do geral para o particular, logo aceitamos
como sendo válidas as conclusões obtidas. O raciocínio indutivo parte da observação de
um certo número de antecedentes para concluir como provável todos os casos da mesma
espécie. Ex: todos os corvos observados são pretos, logo todos os corvos são pretos. Outra
forma de raciocínio é o que se dá pela comparação, ou seja, é pela analogia que podemos
observar duas ou mais coisas de espécie diferentes para obtermos conclusões prováveis.

Darwin, em sua busca de entendimento sobre a origem das espécies, oferece um


exemplo de Pesquisa Teórica
“que contribuiu para a evolução de novas ideias e de novas discussões sobre os seres
vivos” (PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p. 101). Em sua Teoria da Evolução das Espécies
partiu da minuciosa observação das estruturas biológicas que se assemelhavam nas
diferentes espécies e construiu um corpo de conhecimentos teóricos coerente e
consistente sobre a origem e o desenvolvimento das espécies vivas. Sua Teoria
revolucionária, que continua válida até nossos dias, não foi refutada ou substituída
por outra.
Na Pesquisa Aplicada, “o investigador é movido pela necessidade de contribuir
para fins práticos mais ou menos imediatos” e busca “soluções para problemas
concretos” (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 47).

A Pesquisa Aplicada, por sua vez, é aquela em que o pesquisador busca uma
solução para uma necessidade existente na realidade, procura responder a
uma questão que se mostra urgente.

Os estudos aplicados partem de “contribuições de teorias e leis já existentes”


(PARRA FILHO; SANTOS, 1998, p. 101) que oferecem suporte ao desenvolvimento de
respostas palpáveis a questões imediatas, como no caso da elaboração de vacinas, na
proposição de procedimentos novos em processos já existentes etc.
Podemos identificar inúmeros exemplos de Pesquisa Aplicada, como: a descoberta
de novos medicamentos; a criação de sistemas de ensino; de técnicas de edição de
material audiovisual; de procedimentos organizacionais; de novos formatos de
comunicação de massa etc.

36
1.9.1.3. Modalidades da Pesquisa segundo objetivos
As Pesquisas podem ser caracterizadas, segundo seus objetivos, em três
modalidades. De acordo com Gil (2008), são elas: Exploratória, Descritiva ou
Explicativa.

A Pesquisa Exploratória é um tipo de Pesquisa que visa tornar familiares


novos Objetos de estudo, muitas vezes buscando constituir um conhecimento
que permita posteriormente elaborar Hipóteses.

Para Gil (2008), podemos classificar as Pesquisas Bibliográficas e os Estudos de


Caso nessa modalidade de Pesquisa.

A Pesquisa Descritiva é uma modalidade de estudo que busca descrever o


Objeto de estudo para dar a conhecer o que se pretende pesquisar; o
conhecimento é fruto da observação e detalhada apresentação de elementos
pertinentes ao observado.

A Pesquisa Descritiva “está interessada em descobrir e observar fenômenos,


procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los” (RUDIO, 1997, p. 56). O estudo
descritivo:
[...] observa, descreve, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-
los, Procura descobrir, com a precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre,
sua relação e conexão com os outros, sua natureza e características. (CERVO; BERVIAN,
1996, p. 49).

Nessa categoria de Pesquisa podemos classificar, segundo os mesmos autores, os


estudos Exploratórios, de Opinião, de Motivação, Documentais e o Estudo de Caso.

A Pesquisa Explicativa é uma modalidade de estudo que busca a causa de


determinação do Objeto estudado, aquilo que possa explicá-lo identificando
fatores determinantes para sua existência.

Estudos cujo propósito é explicativo preocupam-se em esclarecer os fatores que


explicam os fenômenos estudados, caracterizando-se como estudos Experimentais que
buscam estabelecer a relação de causa e efeito, o porquê de determinado fenômeno
(GIL, 2008; GERHARDT; SILVEIRA, 2009; CERVO; BERVIAN, 1996).
O discernimento entre as modalidades de Pesquisa auxilia a tomada de decisões acerca
da escolha da amostra e dos procedimentos metodológicos a serem adotados no estudo
pretendido. Nesse sentido, a clareza dos objetivos do estudo pode facilitar a
identificação.

Cervo e Bervian (1996, p. 51) afirmam que:


[...] a pesquisa descritiva procura classificar, explicar e interpretar os fenômenos que
ocorrem, a pesquisa experimental pretende dizer de que modo ou por que causas o
fenômeno é produzido.

37
1.9.1.4. Modalidades da Pesquisa segundo procedimentos

A Pesquisa Bibliográfica é uma modalidade de estudo que pode se


caracterizar como todo e como parte, isto é, pode se constituir como um tipo
de Pesquisa que se destina ao levantamento de referencial bibliográfico
acerca de um Tema (quando o estudo proposto é de natureza Teórica, toda
voltada à Pesquisa de dados conceituais e fontes teóricas) ou, pode-se
configurar como uma das partes pertencentes a uma Pesquisa, quando
participa da elaboração dos Fundamentos Teóricos (toda e qualquer Pesquisa
prescinde de estudo bibliográfico). Na proposta de Pesquisa Descritiva ou
Explicativa, por exemplo, deve haver um estudo teórico.

Como parte de uma proposta de Pesquisa, qualquer que seja, o levantamento


bibliográfico também pode ser apresentado como um elemento diferenciado em
destaque, configurando uma seção de atualização de estudos sobre o assunto, que
poderá configurar o estado da arte daquele Tema ou Objeto pesquisado.
A Pesquisa Bibliográfica em resumo,
[...] procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em
documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte de pesquisa descritiva
ou experimental. (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 48).

Enquanto a Pesquisa Bibliográfica utiliza livros, artigos científicos e similares


(teses, por exemplo), a Pesquisa Documental amplia suas fontes utilizando-se de
tabelas estatísticas, jornais, revistas, fotos, filmes, gravações, relatórios, cartas,
documentos oficiais, pinturas, programas de televisão etc. (SEVERINO, 2013; CERVO;
BERVIAN, 1996).

A Pesquisa Documental é aquela que contribui com a ampliação do


conhecimento quando estuda documentos variados, sejam oriundos dos
diversos meios de comunicação como o rádio, a internet etc., sejam quando
utilizam os inúmeros registros da experiência humana, como a catalogação
de objetos, os desenhos, as peças publicitárias, as apresentações teatrais etc.

A Pesquisa Documental mostra grande proximidade em termos procedimentais em


relação à Pesquisa Bibliográfica na medida em que ambas se baseiam em estudos
vinculados a fontes de dados existentes, físicas ou digitais, mas que se distinguem em
relação à modalidade dos documentos consultados, o que as caracterizam.

Na Pesquisa Experimental “o pesquisador seleciona determinadas variáveis e testa


suas relações funcionais, utilizando formas de controle”. (SEVERINO, 2013, p. 123).

A Pesquisa Experimental é uma modalidade de estudo que implica a


realização de intervenções no processo de investigação, que visam à obtenção
de resultados esperados ou resultados desconhecidos que possam confirmar,
ou não, relações existentes entre determinadas variáveis.

Em geral, esse estudo ocorre em ambientes controlados como um laboratório, mas

38
pode ser realizado em “contexto de campo” (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 51). É
importante distinguir aqui a natureza da Pesquisa e o contexto de sua ocorrência. O
contexto não qualifica o tipo de Pesquisa, apenas esclarece o local de realização
(CERVO; BERVIAN, 1996, p. 51).
A Pesquisa de Campo é aquela em que o Objeto de estudo é investigado em
condições habituais, que lhe são próprias, favorecendo o estudo pretendido.
Em outras palavras:
A coleta de dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo
assim diretamente observados, sem intervenção e manuseio por parte do pesquisador.
Abrange desde os levantamentos (surveys), que são mais descritivos, até estudos mais
analíticos. (SEVERINO, 2013, p. 123).

A Pesquisa de Levantamento ou Survey possibilita descrever uma


“população” ou “universo”, como o conjunto de moradores de um município,
ou um grupo representativo de pessoas que se definem como “amostra”.

“Amostra é, portanto, uma parte da população, selecionada de acordo com uma regra ou
plano” (RUDIO, 1997, p. 50). A Pesquisa de Levantamento utiliza uma amostra, e não
toda uma população, porque ela permite viabilizar a Pesquisa mediante uma restrição ou
economia de tempo, recursos financeiros e pessoal, com a indisponibilidade concreta de
toda população e, ainda, porque permite maior controle e precisão (RUDIO, 1997).

“Para garantir esta representatividade, a técnica de seleção de amostra”, refere


Rudio (1997, p. 51), deve atender às perguntas: 1– Qual é o tamanho da amostra que a
torna representativa? 2– Como deve ser a seleção para que todos os casos da
população possam participar como representantes? Quando qualquer integrante pode
ser representado na amostra, por meio de sorteio, dizemos que as técnicas de escolha
são “probabilísticas” (RUDIO, 1997, p. 51).

A Pesquisa Etnográfica é aquela que se ajusta à investigação de grupos e


culturas humanas, pois se destina à descrição e à análise de costumes,
comportamento ou outras expressões, de um determinado grupo ou
sociedade, em função de suas normas, seus valores, crenças, conhecimento e
experiências.

“A pesquisa etnográfica visa compreender, na sua cotidianidade, os processos do


dia a dia em suas diversas modalidades. Trata-se de um mergulho no microssocial [...]”,
nas palavras de Severino (2013, p. 119). Trata-se de uma abordagem qualitativa, na
qual o pesquisador decide sobre a técnica da coleta dos dados, que pode ser
beneficiada pela escolha da Observação participante ou da Entrevista, do Depoimento
ou do Relato de experiência (História de vida), mediante uma conversa informal,
seleção documental de fotografias, filmes, ou outra técnica que possibilite obter dados
válidos.
Um exemplo de Pesquisa Etnográfica poderia ser o estudo de hábitos de
comportamento ritualísticos nos cerimoniais de casamento da tribo Carajás.

39
O Estudo de Caso é uma modalidade de Pesquisa que se apoia na
investigação de alguns casos particulares, porém representativos, que
possibilitam elaborar hipóteses válidas fundamentadas em construções
teóricas plausíveis.

No Estudo de Caso a investigação se dá em um


[...] conjunto de casos análogos [...]. O caso escolhido para a pesquisa deve ser
significativo e bem representativo, de modo a ser apto a fundamentar uma generalização
para situações análogas, autorizando inferências. (SEVERINO, 2013, p. 121).

O Estudo de Caso é muito utilizado nas Ciências Sociais, segundo Gil (2008), na
medida em que permite aprofundar o conhecimento de processos sociais por meio do
estudo descritivo minuciosamente conduzido.
Para Fonseca (2002, p. 35), um Estudo de Caso pode ser realizado com “uma
entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo,
uma pessoa, ou uma unidade social”. Conclui o autor que o estudo pode se
desenvolver de um prisma interpretativo, do ponto de vista de seus participantes, ou
de uma perspectiva pragmática que visa apresentar o fenômeno de modo global,
coerente e completo.
Um exemplo de Estudo de Caso pode ser uma Pesquisa com o Programa Bolsa-
Família, instituído pelo Governo Federal, com o objetivo de compreendê-lo em sua
magnitude individual e coletiva.

A Pesquisa Participante como seu nome sugere, é aquela em que o


pesquisador é um participante do processo de investigação. Embora seu papel
seja distinto, definido como aquele que irá conduzir os procedimentos de
estudo, ele é um elemento que interage na situação estudada como membro
do conjunto examinado.

Nas palavras de Severino (2013, p. 121), o pesquisador


[...] compartilha a vivência dos sujeitos pesquisados, participando, de forma sistemática e
permanente, ao longo do tempo da pesquisa, das suas atividades. O pesquisador coloca-se
numa postura de identificação com os pesquisados. Passa a interagir com eles em todas as
situações, acompanhando todas as ações praticadas pelos sujeitos. [...] vai registrando
descritivamente todos os elementos observados bem como as análises e considerações que
se fizer ao longo dessa participação.

Segundo Fonseca (2002, p. 34) essa modalidade de Pesquisa “foi criada por
Bronislaw Malinowski: para conhecer os nativos das ilhas Trobriand, ele foi se tornar
um deles”. O pesquisador rompeu com seus hábitos ocidentais e se integrou à vida
cotidiana da tribo aprendendo sua língua e seus costumes.

A Pesquisa-ação é uma Pesquisa de caráter participativo à semelhança da


Pesquisa participante, que por meio da interação de seus atores sociais,
desenvolve o estudo; todavia o que diferencia as duas modalidades de estudo
é que na Pesquisa-ação ocorre de forma planejada uma intervenção no
transcorrer do processo investigativo que prevê a resolução da situação
pesquisada.

40
Neste sentido, o estudo inclui um diagnóstico da situação vivenciada pelos sujeitos
estudados, que tem o objetivo de estabelecer uma avaliação para propor aos
envolvidos modificações necessárias durante a prática da pesquisa em questão
(SEVERINO, 2013).
Um exemplo de Pesquisa-ação poderia ser o estudo da interação professor-aluno
na disciplina de Filosofia nas escolas públicas de Ensino Médio da região da grande
São Paulo.
As modalidades de Pesquisa podem ser visualizadas no Quadro 2, apresentado a
seguir, de acordo com a organização de suas características.
Pesquisa segundo a Abordagem Qualitativa
Quantitativa

Pesquisa de Natureza Básica


Aplicada

Pesquisa segundo os Objetivos Exploratória


Explicativa
Descritiva

Pesquisa segundo Procedimentos Pesquisa Bibliográfica


Pesquisa Documental
Pesquisa Experimental
Pesquisa de Campo
Pesquisa de Levantamento ou Survey
Pesquisa Etnográfica
Estudo de Caso
Pesquisa Participante
Pesquisa-ação

Quadro 2 – Modalidades de Pesquisa segundo características determinadas.

41
1.9.2. Vetores do Planejamento metodológico
O planejamento metodológico iniciado com a escolha do tipo de Pesquisa deve
definir posteriormente outros fatores, tais como: a fonte de dados (documentos ou
pessoas) que constituem a Amostra estudada; o uso de Instrumentos ou Técnicas de
investigação; os Procedimentos a serem adotados na coleta de dados; e, finalmente, a
Análise pretendida destinada à discussão dos dados obtidos na Pesquisa.

42
1.9.2.1. Amostra

A fonte de dados a serem estudados em qualquer Pesquisa, pode ser de dois


tipos: advindos de documentos ou das pessoas. A Amostra de Pesquisa em
um estudo será definida, neste sentido, nas respectivas categorias: Material
ou Participantes (Sujeitos).

Os estudos que se utilizam de fontes documentais, como Pesquisas históricas que


analisam matérias em jornais e revistas informativas, e Pesquisas Bibliográficas que
utilizam dissertações, teses e artigos científicos são exemplos de estudos que utilizam
um Material de Pesquisa que deve ser identificado detalhadamente no Projeto de
Pesquisa, a partir da apresentação de suas especificações.
No caso do estudo com documentos, devemos definir no Projeto de Pesquisa a categoria
“Material” e os elementos a serem investigados, o que deve ser mencionado em suas
características ou denominações, o Banco de dados consultado, o período estudado, as
palavras-chave utilizadas para coleta de dados etc.

Pesquisas que se destinam ao estudo de experiências vividas por pessoas de modo


individual ou nos grupos devem definir seus Sujeitos ou Participantes, mencionando os
fatores que os identificam (idade, grau de escolaridade, profissão, ocupação, gênero
etc.). Neste caso, a Amostra deve ser mencionada por meio da categoria “Participantes”
da Pesquisa e deve ser descrita de modo mais completo possível.

43
1.9.2.2. Instrumentos

Os Instrumentos ou Técnicas destinados à coleta de dados na Pesquisa são


inúmeros e devem se adequar ao resultado que se pretende alcançar. São eles:
a Observação, o Questionário (ou Formulário), a Entrevista (dirigida, não
dirigida ou livre, semidirigida), o Depoimento, a História de Vida, o Grupo
Focal.

A Observação é uma técnica presente em todo e qualquer estudo, pois fornece


informações de inúmeras perspectivas e qualidades. Um estudo Documental, por
exemplo, pode ser beneficiado enormemente pela capacidade de atenta percepção do
pesquisador que observa detalhes no Material estudado. No estudo com pessoas, a
Observação é utilizada, por exemplo, na Pesquisa Participante em que o pesquisador
faz registros minuciosos nas situações em que participa e estuda. A Observação
depende do olhar sensível e curioso do pesquisador que mantém uma postura aberta
ao observado, procurando não influenciar sua percepção e seu registro, pois deve
estar livre de interpretações e ater-se à finalidade da descrição da realidade, o mais fiel
possível.
O Questionário é um instrumento estruturado em forma de formulário, no qual
são apresentadas
[...] questões, sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar informações
escritas por parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos mesmos
sobre os assuntos em estudo. (SEVERINO, 2013, p. 125).

As questões apresentadas no Questionário podem ser abertas (quando o


pesquisado pode expor livremente o seu pensamento) ou fechadas (quando o
pesquisado deve escolher uma ou mais respostas já identificadas no formulário). As
perguntas devem ser apresentadas de modo objetivo para evitar respostas duvidosas,
ambíguas ou lacônicas, que dificultarão o entendimento do pesquisador sobre o
pensamento do Sujeito de Pesquisa.
A Entrevista é uma técnica bastante utilizada em Ciências Humanas e Sociais e
define-se como uma situação de “interação entre pesquisador e pesquisado”
(SEVERINO, 2013, p. 124) em que a comunicação oferece as informações acerca do
Objeto de estudo de parte do pesquisado para o pesquisador. Essa técnica possibilita
variações de acordo com o modo como a Entrevista é estruturada: ela pode ser
desestruturada ou livre, permitindo que o Participante da Pesquisa fale livremente sem
ser interrompido ou inquirido sobre aspectos especificados; pode ser semiestruturada
ou semidirigida, o que supõe uma participação parcial do pesquisador que pode
interferir em alguns momentos, introduzindo questões específicas durante a
conversação; pode ser estruturada ou dirigida de modo que o pesquisador mantenha a
direção da situação, apresentando as questões em uma ordem preestabelecida. As
Entrevistas semidirigida e dirigida são realizadas mediante um roteiro de perguntas
que são mencionadas no Projeto de Pesquisa, em seu anexo. As questões
apresentadas na Entrevista podem ser modificadas (em relação ao roteiro elaborado)

44
durante a sua realização, mediante novos dados que venham a surgir na comunicação.
O Depoimento é um recurso em que o pesquisador recolhe, junto ao pesquisado,
um texto escrito ou uma comunicação oral de uma situação vivida que esteja
relacionada ao Objeto estudado. Muitas Pesquisas na área social podem utilizar o
Depoimento como um instrumento rico em informações que auxilia o estudo de
eventos, relacionamentos e outras experiências humanas.
A técnica da História de vida refere-se à Pesquisa de “informações da vida pessoal
de um ou vários informantes” que podem estar relacionadas à “autobiografia,
memorial, crônicas, em que se possa expressar as trajetórias pessoais dos sujeitos”
(SEVERINO, 2013, p. 123).
O Grupo Focal é um recurso metodológico criado na Segunda Guerra Mundial
para avaliar a influência de programas de rádio junto a soldados americanos e que vem
sendo bastante utilizado nas Ciências Sociais Aplicadas (GIL, 2008). Consiste em
reunir um grupo de pessoas que partilha uma discussão dirigida a um tema ou foco
preestabelecido e tem como moderador da situação, o pesquisador. O objetivo do
Grupo Focal é obter a pluralidade de ideias, e não o consenso, baseada na interação
grupal que favorece a emergência de dados e insights (GIL, 2008).
Técnica Características principais
Observação Utiliza a percepção acurada do observado, que é minuciosamente registrado, isento de interpretações;
reprodução mais fiel possível da realidade.

Questionário Estruturação como formulário, apresenta questões abertas, fechadas ou ambas; formulação das perguntas deve
ser clara e objetiva.

Entrevista É uma interação em que são apresentadas questões do pesquisador ao pesquisado, que é inquirido a responder
de modo direcionado ou livre.

Depoimento É uma comunicação oral ou escrita que o Participante da Pesquisa é solicitado a realizar sobre o Objeto
estudado.

História de É o relato de uma ou mais pessoas que reportam informações pertinentes ao percurso de suas vidas, que estejam
vida implicadas no estudo em questão

Grupo Focal É uma estratégia que envolve a discussão de um Tema, por um grupo conduzido pelo pesquisador que faz a
moderação das ideias emergentes.

Quadro 3 – Descrição das Técnicas de coleta de dados e suas principais características.

45
1.9.2.3. Procedimentos

Os Procedimentos de Pesquisa são os passos dados no encaminhamento da


coleta de dados; consiste no conjunto dos cuidados detalhados e tarefas
imprescindíveis que estão envolvidos na concretização do planejamento
metodológico.

Descrever os Procedimentos de um Projeto de Pesquisa implica relatar todas as


ações que são necessárias para garantir a coleta de dados.
No caso da Pesquisa realizada com Materiais, definir os Procedimentos significa
descrever a ida aos locais da coleta de dados e detalhar todas as atividades necessárias
para o registro de dados. No caso da Pesquisa com pessoas, requer a descrição do
convite aos Sujeitos e das demais atividades que são necessárias para a obtenção das
informações oferecidas pelos Participantes do estudo, tais como a entrega da Carta de
Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa e a solicitação de assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido.

46
1.9.2.4. Análise pretendida

A coleta de dados de uma Pesquisa se completa quando se realiza a análise de


dados, que consiste no último fator que compõe a Metodologia estabelecida
no Projeto de Pesquisa. Sendo assim, é necessário determinar no Método o
tratamento de dados que será utilizado no estudo, com a definição da Análise
de resultados pretendida.

A Pesquisa Quantitativa, por trabalhar estatisticamente os dados, fará uso de medidas e


critérios matemáticos para definir e interpretar os dados de Pesquisa obtidos.

A apresentação de dados em tabelas e quadros é denominada séries estatísticas,


que podem ser estáticas quando mostram uma determinada situação em um
determinado momento” ou “dinâmicas quando dizem respeito a intervalos de tempo e
expressam a evolução dos fenômenos” (SANTOS; PARRA FILHO, 2011, p. 147-148). O
trabalho estatístico pode contemplar vários fatores para análise: a média aritmética, a
média aritmética ponderada, a mediana, a moda, o histograma, curvas de frequência, a
distribuição normal, o desvio médio, o desvio-padrão, a variância etc. (SANTOS; PARRA
FILHO, 2011, p.153; 168).
Atualmente, a Pesquisa Quantitativa tem utilizado recursos informatizados ou
programas (softwares) para realizar o tratamento estatístico dos resultados, que
segundo Pilati e Porto (s.d.), são usuais: Excel, BMDP, Minitab, NCSS, SYSTAT,
Statplus, SAS, SPSS (Statistical Packege for Social Sciences). O SPSS é um software
largamente utilizado que oferece vários cálculos estatísticos, como: frequências,
tabelas cruzadas, análise fatorial, regressão linear, regressão ordinal e análise de
agrupamento, entre outros dados (PILATI; PORTO, s.d.).
A análise estatística pode ser um recurso fundamental para a Pesquisa
Quantitativa. Como em todos os Métodos de classificação, a análise estatística
propriamente dita, ou Análise dos resultados de uma Pesquisa, se baseia em fazer a
distinção entre desfechos ou resultados devidos ao acaso ou a uma causa ou motivo.
Existem muitos e diferentes testes estatísticos que podem ser empregados de acordo
com o tipo de variáveis estudadas. Destacamos o fato de que a análise estatística pode
ser realizada testando-se hipótese ou estimando-se probabilidades.
A Pesquisa Qualitativa, ao buscar o entendimento da singularidade dos fenômenos,
define a Análise de Conteúdo como base interpretativa dos resultados.

A Análise de Conteúdo se aplica a “textos escritos ou de qualquer comunicação


(oral, visual, gestual) reduzida a um texto ou documento” (CHIZZOTTI, 2001, p. 98).
Nesse tratamento de dados, para compreender o pensamento do sujeito o pesquisador
faz uso da interpretação do conteúdo do texto ou da materialidade linguística
oferecida, visando alcançar as possíveis significações. A Análise de Conteúdo aborda
as mensagens estudadas buscando compreender ”o sentido das comunicações, seu
conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas” (CHIZZOTTI,

47
2001, p. 98).
A Análise do Conteúdo pode decompor “um texto em unidades léxicas (análise
lexicológica)” ou classificar “segundo categorias (análise categorial), seja desvelando o
sentido de uma comunicação no momento do discurso (análise da enunciação)” ou
destacando significados em diversos meios sociais (CHIZZOTTI, 2001, p. 98).
No Projeto de Pesquisa, é fundamental mencionar em sua Metodologia qual será a
Análise de conteúdo, após indicar a Amostragem, os Instrumentos de investigação e os
Procedimentos da coleta de dados. O conjunto desses quatro elementos configurará a
coerência metodológica (ou sua ausência) no estudo e demonstrará a qualidade do
planejamento da Pesquisa.

A estruturação do Método que define a escolha do tipo de Pesquisa, sua Amostra


(Material ou Participantes), os Instrumentos utilizados para a coleta de dados, os
Procedimentos e a Análise pretendida na Pesquisa pode ser observada no exemplo
ilustrativo apresentado a seguir.
A apresentação da estrutura e do conteúdo presentes no texto sobre o Método do
Projeto de Pesquisa “Processos de Construção e Desconstrução no Filme ‘The Wall’
(1982) – Análise Interpretativa nas Perspectivas Semiótica e Psicanalítica” é meramente
ilustrativa para oferecer a possibilidade de visualizar os elementos fundamentais da
Metodologia que devem estar presentes no planejamento do estudo.
É importante destacar que o Projeto de Pesquisa de Jonas poderia ter outra
abordagem metodológica se os Objetivos estabelecidos a partir do Problema de
Pesquisa fossem delineados de outra maneira, em outra direção de investigação. Dito
em outras palavras, se Jonas desejasse investigar os estudos realizados com o filme
The Wall até o presente, seu Método deveria descrever outro caminho de Pesquisa,
que é o de uma abordagem Qualitativa de modalidade Bibliográfica, com a definição de
Material e Procedimentos diferente da que apresentaremos a seguir.

Método
O presente estudo elegeu a Pesquisa Qualitativa, de natureza interpretativa, como modalidade de
abordagem metodológica, que irá por meio de Estudo de Caso do filme The Wall encaminhar a investigação de
elementos subjetivos e intersubjetivos presentes nesse longa-metragem.
O Estudo de Caso é um tipo de Pesquisa na qual a investigação científica aprofunda de maneira particular
aspectos inerentes ao Objeto de estudo, dando oportunidade para identificar novos elementos e estabelecer
novas relações que permitirão levantar Hipóteses acerca do Tema estudado.
O campo da intersubjetividade e, em especial, da produção cinematográfica apresenta muitos desafios na
medida em que estabelece um território de estudo interdisciplinar que integra várias áreas do conhecimento. O
filme The Wall oferece possibilidade de análise de questões humanas que interagem nos espaços de
convergência entre Música, Linguagem cinematográfica, Semiótica, Psicologia e Sociologia, entre outras.
É importante considerar que a Metodologia escolhida no Projeto de Pesquisa possui um papel fundamental
na realização do estudo, já que determina o espectro de possíveis resultados por ele alcançados. Sendo assim,
vale a pena considerar que o presente Estudo de Caso abre uma perspectiva exploratória bastante favorável a
interpretações inusitadas acerca da vida subjetiva abordada no enredo e da dimensão semiótica de sua
comunicação.

Material
O material utilizado na Pesquisa é o longa-metragem The Wall, de gênero musical, cujo lançamento em 1982
tem o roteiro e música de Roger Waters e a direção de Alan Parker, além das animações de Gerald Scarf.

48
O filme foi comercializado três anos depois do lançamento do álbum musical, que teve uma turnê de
apresentação de extraordinárias proporções, em termos de seus efeitos especiais que mostravam um muro que
era derrubado no final do espetáculo.
Na sinopse que acompanha o filme, The Wall é apresentado como um misto de música de Pink Floyd,
imagens e efeitos de animações que, em sua narrativa, mostram uma linguagem ‘não convencional’.
The Wall retrata a trajetória existencial de um ídolo do rock que tem uma carreira bem-sucedida e ao mesmo
tempo tem uma deterioração de sua dimensão humana.
O filme de 92 minutos tem como contexto sociocultural, a Inglaterra do pós-guerra e apresenta muitos
fragmentos históricos dos integrantes da banda.
Ao estudar uma produção cinematográfica, é importante considerar que o cinema tem sua linguagem
própria e, como uma forma de comunicação, utiliza para transmitir sua mensagem basicamente imagens em
movimento que, no entanto, se apresentam de modo associado a códigos e variados elementos (som, luz,
música, textos, falas etc.) que produzem inúmeros significados.

Técnica
Para o presente Estudo de Caso, a coleta de dados será realizada mediante a Observação, técnica que busca
captar informações por meio da percepção atenta e do registro cuidadoso, que busca a descrição do observado
da forma mais objetiva possível.
A Observação do filme será acompanhada de registros que descrevam os elementos semióticos e simbólicos
do filme The Wall, selecionados como conteúdos significativos a serem analisados.

Procedimento
Com a finalidade de analisar o conteúdo de The Wall em sua perspectiva semiótica e psicológica, o filme será
assistido inúmeras vezes para proceder à seleção e à enunciação de conteúdos estruturais e simbólicos
considerados significativos.
A cada nova situação de exposição ao filme, novas anotações pertinentes ao enredo serão realizadas, nas
quais se destaquem elementos estruturais e elementos simbólicos, ao mesmo tempo que os conteúdos
anteriormente selecionados forem se mostrando cada vez mais representativos para a construção de categorias
de Análise do filme.
A definição seletiva das categorias de conteúdos eleitas para a análise do filme constituirá as Unidades de
Significado, ou os resultados obtidos do estudo a serem discutidos na Pesquisa.
Essa tarefa da busca de identificação de Unidades de Significado ou Indicadores de Análise, como refere
Bardin (1995), depende de uma modalidade de leitura flutuante que permite que se destaquem do contexto
“núcleos de sentido” (BARDIN, 1995, p. 105), que organizarão as temáticas relevantes que evidenciam os
significados centrais presentes na mensagem do filme.

Análise pretendida
A Análise de Conteúdo em The Wall, dirigida ao conjunto da obra que reúne o enredo, a linguagem
cinematográfica e demais elementos semióticos e psicológicos, será abordada em seus elementos significativos
estabelecidos nos Indicadores de Análise estabelecidos.
Os Indicadores de Análise serão dispostos de modo organizado segundo critérios definidos a partir dos
vários núcleos de sentido identificados em The Wall.
As Análises de Indicadores serão realizadas em primeira instância de modo separado, isto é, cada uma das
Unidades de Significado será analisada individualmente. Em seguida, os Indicadores de Análise serão
analisados em conjunto para a obtenção de uma visão global dos significados encontrados que possa indicar
alguma interpretação conclusiva.
Do ponto de vista semiótico e psicológico, The Wall poderá oferecer uma perspectiva de análise
enriquecedora ao olhar das questões existenciais que tangem a intersecção de temas individuais e coletivos,
pragmáticos e afetivos, evolutivos e desestruturantes, temporais e atemporais, nas dimensões subjetiva e
intersubjetiva, presentes na obra.

49
1.10. Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas constituem as obras utilizadas como suporte
teórico na Pesquisa e devem ser adequadamente mencionadas no texto e
listadas no final do Projeto de Pesquisa, de acordo com regras estabelecidas.

Trata-se do “Conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou em


parte, de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de materiais”
(CERVO; BERVIAN, 1996, p. 93).
As obras utilizadas na elaboração do Projeto devem ser mencionadas uma a uma
de acordo com as Normas de citações bibliográficas da ABNT – Associação Brasileira
de Normas Técnicas. “Esta Norma fixa as condições mencionadas num determinado
trabalho [...]” (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 92).
Na listagem de obras apresentadas nas Referências Bibliográficas do Projeto de
Pesquisa, é recomendada apenas a inclusão das fontes citadas no Projeto, excluindo-se
as obras que embora tenham sido consultadas não foram mencionadas no texto. São
válidos artigos, livros, teses e outros textos acadêmicos de origem confiável e segura.

É importante mencionar que existem outros regulamentos para citações


bibliográficas e que podem ser encontrados em seus documentos oficiais.
Referências Bibliográficas constituem o penúltimo elemento apresentado no
Projeto de Pesquisa. Seguem-se a elas: o Cronograma e os Anexos.

50
1.11. Cronograma
Planejar uma Pesquisa é ordená-la no tempo, compatibilizando metas e realização,
ou dito de outra maneira, é alinhar atividades e datas, é dispor em uma programação
ao longo de um período a ordem das atividades a serem realizadas para a
concretização do estudo pretendido.

Um Cronograma de Pesquisa é um mapa de atividades e datas que coordena


a realização do estudo; nele se encontram especificados todos os principais
passos de realização do planejamento da Pesquisa.

O modelo mais usual de Cronograma é uma tabela de dupla entrada em que


identificamos atividades nas linhas e datas nas colunas, como segue o exemplo
apresentado a seguir.

Na medida em que um Projeto de Pesquisa dos Programas de Iniciação Científica é


um trabalho acadêmico que se delineia no período de um ano, identificamos nas
colunas correspondentes às datas os 12 meses que correspondem ao seu respectivo
planejamento. Sendo assim, se o Projeto de Pesquisa estiver determinado dentro de
um período letivo de março a fevereiro, o Cronograma deverá apresentar como início o
mês de março daquele ano e o término será identificado como fevereiro do ano
seguinte; neste caso é importante acrescentar a identificação do ano seguido da
indicação do mês.
Seguem dois modelos de Cronograma que organizam as atividades da Pesquisa
planejadas no Projeto.

51
CRONOGRAMA DE PESQUISA – Modelo 1
Atividades Período
Revisão do Projeto 1 o mês
Pesquisa Bibliográfica 2 o mês / 3 o mês / 4 o mês
Fichamento de textos 3 o mês / 4 o mês / 5 o mês
Coleta de dados 4 o mês / 5 o mês
Relatório Parcial 5 o mês / 6 o mês / 7 o mês
Tratamento de dados 7 o mês / 8 o mês / 9 o mês
Relatório Final 9 o mês / 10 o mês
Artigo científico 10 o mês
Revisão(ões) ortográfica(s) 11 o mês
Apresentação em eventos 12 o mês

52
CRONOGRAMA DE PESQUISA – Modelo 2
AÇÃO ATIVIDADES MESES
1 Revisão do projeto janeiro
Ajustes necessários janeiro
2 Revisão Bibliográfica fevereiro
Leitura fevereiro
3 Fichamento março a junho
Resumo e resenhas março a julho
4 Escrita inicial maio a agosto
Aplicação metodológica agosto
5 Coleta de dados agosto
Cruzamento de dados agosto
6 Escrita final: responder ao Problema de Pesquisa setembro
Relatório final em forma de artigo. outubro
7 Revisão ortográfica novembro
Entrega para apreciação da comissão julgadora. dezembro
8 Apresentação em Evento Científico dezembro

É interessante considerar que o Cronograma, além de destacar as tarefas centrais


da realização da Pesquisa, também mostra o compromisso com a sua concretização
dentro do prazo determinado, atendendo seus objetivos.

53
PARTE II
Ética em Pesquisa, Normas Técnicas e Relatório de
Pesquisa
2. Ética em Pesquisa

2.1. Definição
A ética em Pesquisa é um vetor do fazer científico que permeia todo o
processo de planejamento da Pesquisa e sua realização, em termos do
compromisso do pesquisador frente ao caráter coletivo da busca do bem
comum estabelecido pela Ciência. Em sua definição geral, é o conjunto de
normas que regulamentam os procedimentos envolvidos no processo de
estudo científico que visa a integridade da atividade, mediante seus objetivos
e de todos os envolvidos em sua prática.

Nas palavras de Santos (2011, s.p.)


[...] a ética profissional do cientista inclui um conjunto de deveres derivados de valores
éticos especificamente científicos, isto é, valores que se impõem ao cientista em virtude de
seu compromisso com a própria finalidade de sua profissão: a construção coletiva da
ciência como um patrimônio coletivo.

Segundo Barbosa (2011, s.p.) a ética em Pesquisa pode ser vista sob dois prismas.
O primeiro, refere-se aos impactos do uso de conhecimentos científicos na vida humana. O
segundo refere-se à forma ou meios de obtenção do conhecimento no ambiente da
pesquisa científica.

Sobre esse segundo campo ético, as questões são tantas “que justificaram a
criação de órgãos de avaliação da pesquisa científica” (BARBOSA, 2011, s.p.). A partir
de 1990 foram criados Comitês de Ética em Pesquisa que procuram fiscalizar a “trilogia
da impostura científica” – “a mentira, a falsificação e o plágio” (BARBOSA, 2011, s.p.),
que segundo o autor acarretam o descrédito à produção científica e, ainda, a
desconfiança entre os pesquisadores. Conclui o autor que este fato não é uma falha da
Ciência “em si, mas é uma deficiência de natureza psicológica do ser humano, neste
caso, dos cientistas” e, acrescenta que os pesquisadores que demonstram uma
conduta ética adequada são a maioria e eles ao contrário fazem valer a “trilogia da
verdade, clareza e honestidade” (BARBOSA, 2011, s.p.).
As diversas atividades que constituem a prática da Pesquisa estão subordinadas a uma
concepção de ética que é definida pela comunidade científica formada por seus
praticantes (vide Anexo B, sobre recomendações do CNPq – Conselho Nacional de
Pesquisa, órgão do governo federal vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia).

Com a discussão do assunto cada vez mais acurada, algumas diretrizes hoje estão
claramente definidas para proteger a integridade da Pesquisa, tais como: (a) a
obrigatoriedade do pesquisador mencionar as fontes consultadas; (b) a inadequação

54
de citação de fontes não consultadas; (c) a utilização de normas para a citação de
autores e obras; (d) a proibição de plágio que consiste na reprodução de conteúdos
mediante omissão de autoria; (e) a alteração de resultados da pesquisa para justificar
conclusões desejadas; (f) o sigilo em relação à identidade dos Participantes; (g) a
garantia de participação voluntária aos Participantes; (h) a informação aos
Participantes de todos os detalhes significativos sobre o estudo, como por exemplo, o
risco, os efeitos, os procedimentos e outros fatores relativos à Pesquisa; (i) a
divulgação de resultados da Pesquisa. Estes aspectos resumem-se nas preocupações
com a Ética “sobre confidencialidade, privacidade, sigilo, vulnerabilidade, proteção e
responsabilidade” (GERRIERO; DINIZ, 2008, p. 80).
Podemos perceber que todo o processo de realização da
Pesquisa, desde a elaboração do Projeto até a Conclusão
da Pesquisa, que inclui a coleta de dados, envolve a Ética que deve assegurar que cada
atividade e etapa do trabalho científico sejam cumpridas de acordo com os
procedimentos que resguardam a integridade do estudo.
De La Taille (2008, p. 271) menciona que é importante ter em vista os princípios
norteadores da Ética, mais que seu regulamento, sendo assim, destaca dois princípios
na Pesquisa envolvendo seres humanos: a dignidade à pessoa e a liberdade.
Acrescenta o autor que “O princípio da dignidade aplica-se: 1) ao método empregado e,
2) à questão do sigilo.” (DE LA TAILLE, 2008, p.273). Por sua vez, “O princípio da
liberdade aplica-se: 1) ao querer participar, ou não, como sujeito de uma pesquisa
(portanto, nela entrar e dela sair a qualquer momento).” (DE LA TAILLE, 2008, p. 273).
A ética em Pesquisa supõe, portanto, conhecimento de regras e responsabilidade sobre
suas ações. O acesso a normas pode depender dos processos de informação, mas a
responsabilidade sobre o fazer científico está vinculada a uma postura que o
pesquisador, estudante ou graduado, deve ter desenvolvida e que depende do
pensamento autônomo e responsável sobre a importância da produção do
conhecimento e de sua evolução coletiva.

Conceber o direito de autoria, o respeito ao direito do outro, o julgamento sobre a


integridade de pessoas e documentos é definição ética pertinente à experiência de
elaboração de Projetos de Pesquisa.
Na Pesquisa com seres humanos, são muitos os exemplos em todo o mundo de
graves ocorrências em que a não observância de regras éticas denuncia consequências
fatais à vida humana.
No Brasil temos avanços na área com a criação da Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa (CONEP), vinculada ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), e que em 1996
publicou a Resolução 196 que regulamenta os estudos envolvendo seres humanos,
apoiada nas diretrizes éticas internacionais.
A ética em Pesquisa com seres humanos segundo a regulamentação da Resolução
196/96 [5] destaca que devem ser observadas: (1) a autonomia dos Participantes da
Pesquisa, inclusive nos casos de pessoas incapazes legalmente que devem ser tratadas
com dignidade; (2) a beneficência, isto é, “o máximo de benefícios e o mínimo de danos

55
e riscos”; (3) a não maleficência ou garantia de evitação aos danos previsíveis; (4) a
justiça e equidade, isto é deve haver benefícios sociais e para os próprios indivíduos
envolvidos na Pesquisa (Resolução 196/96 da Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa).
Nessa perspectiva, a Pesquisa com seres humanos deve atender às seguintes
exigências, de acordo com a Resolução 196/96: (a) ser adequada eticamente e
responder às incertezas; (b) ser fundamentada em experimentos previamente
realizados; (c) ser realizada quando não puder ser obtida por outros meios; (d)
privilegiar sempre os benefícios em detrimento dos riscos; (e) escolher a metodologia
adequada e, no caso de distribuição aleatória de grupo experimental e de controle,
verificar se não há estudos anteriores; (f) no caso de uso de placebo justificar
satisfatoriamente e verificar a não maledicência; (g) contar com o consentimento livre
e esclarecido do Sujeito e/ou de seu responsável legal; (h) contar com recursos
materiais, profissionais adequados para garantir o bem-estar dos Participantes; (i)
prever e utilizar a proteção de sigilo ao Sujeito em todos os aspectos (de imagem,
autoestima etc.); (j) dar preferência a Sujeitos plenamente autônomos, a menos que os
próprios Participantes pertencentes ao grupo de vulnerabilidade obtenham algum
benefício com o estudo; neste caso deve haver garantias de proteção à situação de
vulnerabilidade; (k) respeitar os valores culturais, sociais, religiosos, morais e éticos e
os hábitos e costumes nos casos de Pesquisas com comunidades; (l) no caso de
estudos com comunidades, os resultados devem continuar existindo após a Pesquisa e
deve ser previamente esclarecido o respeito à necessidades e diferenças de seus
membros; (m) garantir o retorno de benefícios da Pesquisa à comunidade envolvida no
estudo e esclarecer previamente sobre possíveis ganhos; (n) comunicar às autoridades
sanitárias resultados de interesse obtidos, preservando o sigilo dos Participantes; (o)
assegurar aos Participantes os benefícios do estudo, seja o retorno social ou acesso a
produtos e procedimentos; (p) proporcionar aos Sujeitos de Pesquisa tratamento ou
orientação nos casos de estudo de rastreamento e do alcance de benefícios sobre
riscos; (q) assegurar ausência de conflitos entre pesquisador e pesquisados e
instituições; (r) para estudos realizados no exterior assegurar o treinamento de pessoal
no Brasil e atender as exigências internacionais; (s) utilizar material biológico e dados
de Pesquisa apenas para os fins previstos nos estudos em questão; (t) nas Pesquisas
com mulheres férteis ou grávidas assegurar a ausência de riscos à mulher, a seu futuro,
ao feto ou possível prole; (u) realizar previamente Pesquisas com mulheres fora do
período fértil a menos que sejam imprescindíveis esta população; (v) propiciar nos
estudos multicêntricos a participação dos pesquisadores envolvidos; (x) interromper o
estudo apenas após analisar o parecer de descontinuidade do Comitê de Ética que o
apresentou.
As Pesquisas envolvendo seres humanos devem submeter os Projetos elaborados aos
órgãos fiscalizadores – os Comitês de Ética locais e/ou governamentais – antes de
realizarem as práticas da coleta de dados junto aos Sujeitos de Pesquisa.

Para este fim, os pesquisadores devem preencher a FOLHA DE ROSTO PARA

56
PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS da Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa (CONEP) do Ministério da Saúde (Anexo B), que deve acompanhar o Projeto
de Pesquisa completo, com a Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa e o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, endereçados ao Comitê de Ética
determinado pela instituição local.

57
2.2. Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa
As Pesquisas científicas que envolvem seres humanos devem
necessariamente incluir a Carta de Informação ao Sujeito sobre a
Pesquisa, segundo a recomendação da Resolução 196/96 da Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa. A Carta é um documento informativo sobre
Pesquisa que apresenta detalhes fundamentais que esclarecem o estudo ao
Participante, para que ele possa tomar a decisão de colaborar ou não, com sua
participação voluntária, após o esclarecimento obtido por escrito.

A Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa deve ser entregue ao


Participante da Pesquisa previamente à situação de coleta de dados, em mãos ou por
via indireta (eletrônica ou por correio convencional), para que ele possa analisar seu
conteúdo e decidir com liberdade sobre sua participação voluntária.
No caso de menores, a Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa é dirigida aos
pais ou responsáveis, que são os representantes legais, aptos a tomarem as decisões
sobre a participação na Pesquisa de seus filhos ou dependentes.

Mesmo no caso de menores, é importante também colher a concordância de


participação junto a esses colaboradores, que pode ser efetivada verbalmente após
explicação dos Objetivos da Pesquisa e informação sobre a autorização legal de seus
responsáveis.
Alguns exemplos de como a Carta de Informação ao
Sujeito sobre a Pesquisa pode ser redigida são apresentados a seguir.

58
EXEMPLO 1

Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa “O uso da hashtag nas redes sociais”
Você está sendo convidado(a) a participar de um estudo científico sobre o uso de hashtag
nas redes sociais. Esta Pesquisa tem o objetivo de estudar a função que a hashtag possui na
comunicação digital de jovens universitários e busca identificar os papéis que ela exerce na
escolha de sua utilização. A participação nesta Pesquisa é voluntária e você pode desistir de dar
a sua colaboração ao estudo a qualquer tempo, basta entrar em contato com o e-mail abaixo
mencionado. Por favor, com o aceite deste convite, você deverá formalizar a sua participação
com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e responder ao Questionário
da pesquisa.
Muito obrigado!

Nome do Aluno Pesquisador Nome do Professor Orientador

E-mail de contato: fulano@cursoywz.com.br

59
EXEMPLO 2

Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa


Olá! Gostaríamos de convidá-lo (a) a participar da Pesquisa Horas sem sono na
Programação de Rádio da madrugada, que pretende estudar a preferência do público das
rádios AM durante a madrugada. O estudo científico conta com a participação voluntária de
interessados que realizarão uma entrevista por telefone agendada previamente, após o cadastro
dos participantes. Os entrevistados serão convidados por meio de divulgação da Pesquisa
durante a Programação de algumas emissoras (que se mostraram dispostas a colaborar com o
estudo) e a inscrição do ouvinte para colaborar na Pesquisa deve ser realizada pelo telefone
08002345, quando será fornecido nome e telefone para posterior contato, e e-mail para o envio
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que formaliza a participação na Pesquisa. Sua
participação é livre e poderá ser cancelada a qualquer tempo, se assim você o desejar, desde
que entre em contato com o e-mail abaixo.
Agradecemos sua participação!

Nome do Aluno Pesquisador Nome do Professor Orientador

E-mail de contato: fulano@cursoywz.com.br

60
2.3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
É um documento que acompanha a Carta de Informação ao Sujeito sobre a
Pesquisa, em que o Participante formaliza sua adesão ao estudo e assina o
Termo para expressar seu consentimento.

No caso de menores, quem assina o Termo de Consentimento livre e Esclarecido são


os pais ou responsáveis legais.

A seguir, são apresentados alguns modelos de como o Termo de Consentimento


Livre e Esclarecido (TCLE) pode ser elaborado.

61
EXEMPLO 1

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido


Eu, (nome completo), R.G. (número do R.G.) expedido em (dia/mês/ano) pelo (órgão
expedidor/emissor), assino o consentimento para participar da Pesquisa sobre a utilização da
hashtag nas redes sociais, ciente dos objetivos do estudo depois de ter lido e compreendido a
Carta de Informação sobre a Pesquisa.

(Assinatura)

62
EXEMPLO 2

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido


Declaro depois de lido e esclarecido sobre a Pesquisa “Horas sem sono na Programação de
Rádio da madrugada” que estou de acordo com a participação da entrevista por telefone para
colaborar com o estudo e envio este Termo por e-mail para formalizar a minha inscrição como
entrevistado(a) voluntário(a). Aguardarei o contato por telefone para o agendamento da
entrevista, a ser realizada com dia e horário marcados, previamente. Não tenho dúvidas sobre
os procedimentos da entrevista e sobre a ética desta Pesquisa.

Nome: (nome completo)


R.G.: (número do R.G.)

É interessante comentar que a Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa e o


Termo de Consentimento Livre e Esclarecido podem ser apresentados em uma única
folha, quando impressa ou digitalizada, para facilitar a entrega da via para os
colaboradores e facilitar o arquivo das cópias do pesquisador.

63
3. Normas Técnicas para Relatório de Pesquisa

3.1. Definição
É importante mencionar que os Relatórios de Pesquisa como documentos
científicos exigem a utilização de regras normativas para sua realização,
sendo as Normas ABNT NBR 14724, a versão atualizada recentemente, em
2011, aqui recomendada para a confecção de trabalhos acadêmicos
brasileiros.

A título de informação, é interessante mencionar que existem outros sistemas


normativos de âmbito internacional, que são utilizados com a mesma finalidade e se
encontram disponíveis em publicações oficiais de seus órgãos reguladores.

64
4. Relatório de Pesquisa

4.1. Definição
Relatórios de Pesquisa são documentos que retratam o desenvolvimento do
estudo, em geral realizados em dois momentos característicos: durante a
Pesquisa e no final, quando for concluída.

Os Relatórios de Pesquisa de Programas de Iniciação Científica que têm duração de


12 meses são realizados, em geral, ao final dos primeiros seis meses do processo e ao
final dos 12 meses, quando se conclui o período do Programa. No primeiro caso,
costuma-se denominá-lo Relatório Parcial de Pesquisa e, no segundo caso, Relatório
Final de Pesquisa. Como os nomes sugerem, o primeiro Relatório irá apresentar a
Pesquisa de acordo com seus resultados parciais e o segundo apresentará os
resultados finais após o término do estudo.
O Relatório Parcial deverá apresentar o andamento da Pesquisa, demonstrando o
que foi realizado, e deve relatar o que ainda deverá ser concluído. Esse documento
auxilia o entendimento do processo de estudo planejado e prevê as necessidades de
ajustes do plano da Pesquisa.
O Relatório Parcial de Pesquisa oferece ao estudante e ao orientador a oportunidade
de visualizar de modo concreto as exigências não satisfeitas do estudo e de organizar as
etapas faltantes da Pesquisa.

No caso de agências financiadoras, os Relatórios Parciais são muito importantes


para assegurar a conclusão da Pesquisa.
A administração do tempo na realização da Pesquisa é um fator de extrema
importância para a conclusão satisfatória do planejamento de estudo projetado. Em
geral, a avaliação do Relatório Parcial de Pesquisa respeita as atividades estabelecidas
no Cronograma de Pesquisa anexo ao Projeto de Pesquisa, verificando a execução ou
não do que foi planejado.
O Relatório Final de Pesquisa busca avaliar se o Projeto foi concluído em suas etapas e
atividades planejadas, o que necessariamente significa apresentar resultados, análise e
conclusão dos dados alcançados.

Cada Relatório deve ser apresentado como um documento acadêmico em que


conste uma capa com todos os seus elementos identificatórios: título do Projeto de
Pesquisa, Instituição de Ensino, nome do orientando, nome do orientador, localidade e
data.
No interior do documento, em cada um dos Relatórios, devem ser organizados os
fatores fundamentais de seu relato, a saber: (1) Introdução (que deve reunir o Tema,
Problema de Pesquisa, Objeto da Pesquisa, a relevância científica e social ou
Justificativa, os Objetivos gerais e específicos e a Fundamentação Teórica); (2)
Metodologia (Material ou Participantes, Instrumentos ou Técnicas e Procedimentos);

65
(3) Resultados e Discussão; (4) Conclusão; (5) Referências Bibliográficas; (6) Anexos
(por exemplo: Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa, Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, Tabelas, Gráficos etc.). No caso do Relatório Parcial
de Pesquisa quando a coleta de dados não foi concluída e o tratamento de dados está
em andamento, deve haver o relato dessa situação. Em Resultados e Discussão, o
documento deverá mencionar, por exemplo, um texto que explicite que, embora a
coleta de dados tenha sido concluída, o tratamento de dados encontra-se em
andamento, ou mesmo que a coleta de dados não foi concluída. Desse modo, o
Relatório Parcial de Pesquisa ficará restrito basicamente à apresentação de dados
coletados sem sua respectiva Discussão e Conclusão. No Relatório Final de Pesquisa,
todos os fatores estruturadores do estudo devem estar presentes, ou do contrário
haverá a evidência de que a Pesquisa não foi finalizada, o que dispensa a realização de
seu relato de Resultados e Conclusão.
Marconi e Lakatos (2001) sugerem uma estrutura de Relatório Final de Pesquisa
que contempla 14 itens, são eles: (1) Apresentação; (2) Sinopse; (3) Sumário; (4)
Introdução; (5) Revisão Bibliográfica; (6) Metodologia; (7) Embasamento Teórico; (8)
Apresentação dos dados e Análise; (9) Interpretação dos Resultados; (10) Conclusões;
(11) Recomendações e Sugestões; (12) Apêndices; (13) Anexos; (14) Bibliografia.
As autoras recomendam que conste da Introdução: os Objetivos (gerais e
específicos), o Tema e a delimitação do Tema, bem como a Justificativa, o Objeto de
estudo, o Problema de Pesquisa, a Hipótese básica e as secundárias, as variáveis e a
relação entre as variáveis (MARCONI; LAKATOS, 1983). Recomendam para a
Metodologia que sejam mencionados: Método de abordagem, Métodos de
Procedimentos, Técnicas, Delimitação do Universo, Tipo de Amostragem e Tratamento
estatístico (quando houver). Para a Fundamentação Teórica, indicam que sejam
relatadas as Teorias de Base, a definição de Termos, os Conceitos Operacionais e
Indicadores (MARCONI; LAKATOS, 2001). Os Apêndices, mencionam as autoras, são
reservados a Tabelas, Quadros, Gráficos, outras ilustrações, Instrumentos de Pesquisa
utilizados (por exemplo, Questionários).

66
PARTE III
Comunicação da Pesquisa, Apontamentos finais e
Referências
5. Comunicação da Pesquisa

A Comunicação de Pesquisas realizadas é uma exigência no universo da


produção do conhecimento indissociada da realização dos estudos científicos,
na medida em que permite à comunidade científica que se aproprie do
conhecimento produzido e o integre ao conjunto de teorias e técnicas
existentes.

A divulgação de resultados de Pesquisa dá continuidade e aprimora o


conhecimento existente e, posteriormente, estimula novos estudos.
A construção de Projetos de Pesquisa, sua concretização e comunicação de
resultados alimentam a incessante rede de iniciativas em Pesquisa que traz progressos
à Ciência e, por conseguinte, à vida humana.
A Comunicação da Pesquisa permite compartilhar os resultados obtidos por meio de
artigos publicados em periódicos especializados e apresentação em eventos científicos.
Muitos dos frutos de estudos científicos são transferidos para a vida humana
beneficiando o bem-estar das pessoas, a saúde, a educação, a economia (indústria,
transporte, área de serviços) etc..

67
5.1. Artigo científico
Artigos científicos são documentos estruturados que possuem
características singulares com a finalidade de relatar estudos realizados;
apresentam todos os elementos fundamentais da Pesquisa que permitem
identificar a natureza, os objetivos e os procedimentos do estudo realizado e
compreender suas conclusões.

Nas palavras de Marconi e Lakatos (2001, p. 84),


“artigos científicos são pequenos estudos, porém completos, que tratam de uma
questão verdadeiramente científica, mas que não se constituem em matéria de um
livro”. Acrescentam as autoras que eles possibilitam a repetição da experiência, uma
vez que descrevem a Metodologia empregada e os resultados alcançados. “São
publicados em revistas ou periódicos especializados e formam a seção principal deles”
(MARCONI; LAKATOS, 2001, p. 84).
A estrutura de um artigo científico deve conter informações gerais como: título (e
subtítulo quando houver), autores e suas qualificações e a identificação da instituição
de origem de seus autores. Deve apresentar um Resumo que represente o conteúdo
principal do trabalho realizado, que tem a função de “facilitar a consulta do periódico
que o publicou”, ao apresentar “de forma sucinta, os fatos encontrados no trabalho e
suas conclusões”, para “dar ao leitor uma visão global do conteúdo”, “indicar a maneira
como o tema foi abordado”, “apontar fatos novos e as conclusões” com o máximo de
concisão (MARCONI; LAKATOS, 2001, p. 82-83). O artigo enquanto documento deve
compor um conjunto de pensamentos que se inicia com uma Introdução (que
apresenta o assunto, os Objetivos, a Metodologia, as “limitações e proposição”),
seguida de um texto central que expõe e explica o material apresentado, avalia os
resultados e faz comparações com estudos anteriores; para dar fechamento ao
conteúdo, apresenta comentários e conclusões (MARCONI; LAKATOS, 2001, p. 85). O
artigo deve ainda, apresentar ao final, a Bibliografia referida em seu texto e os anexos,
quando necessários.
Muitos artigos são estruturados segundo cinco fatores fundamentais, que são
usualmente indicados em revistas científicas, eventos científicos e outras áreas de
atividades acadêmicas: (1) Introdução; (2) Metodologia; (3) Resultados e Discussão; (4)
Conclusão; (5) Referências Bibliográficas. Apresenta ainda, principalmente no caso das
revistas científicas, seguido do título e identificação de autor(es) e filiação
institucional, um Resumo com Palavras-chave em português e em inglês ou outra
língua, de acordo com as exigências do periódico.
É importante mencionar que ao submeter o artigo científico a determinados periódicos
especializados, o pesquisador deve adequar a estrutura de seu artigo às Normas pré-
textuais, textuais e de citações e Referências Bibliográficas utilizadas e exigidas pela
revista científica de interesse.

As Normas usualmente adotadas pelas revistas científicas estão impressas em

68
todos os exemplares das publicações das revistas. O mesmo é válido por ocasião do
envio de artigos para eventos científicos, que em seus editais publicam as regras para
submissão de trabalhos acadêmicos. As reuniões científicas costumam publicar suas
regras e recomendações específicas, junto às informações do evento.

69
5.2. Apresentação de trabalhos em eventos científicos
Eventos científicos são reuniões organizadas pela comunidade científica
para atender a finalidade fundamental da comunicação da produção do
conhecimento, nos quais pesquisadores iniciantes e experientes encontram-
se para o debate e compartilhamento de experiências.

Os eventos podem ser locais, regionais, nacionais e internacionais, nos quais os


estudantes pesquisadores participam apresentando os Projetos de Pesquisa de
Iniciação Científica e podem alcançar o entendimento da importância da dimensão
coletiva da Ciência.
Em geral os Resultados de Pesquisa dos Projetos de IC são apresentados em eventos
científicos de duas maneiras (a) a Comunicação Oral; e, (b) o Poster.

A Comunicação Oral é realizada em sessões de apresentação coletiva com horário


marcado, dispostas em mesas temáticas em que seus participantes, em geral até cinco
integrantes por mesa, apresentam suas Pesquisas oralmente, mencionando seus
Objetivos e Problema, Relevância científica e social, Metodologia, Resultados e
Conclusões. As apresentações podem contar com suporte tecnológico como
datashows, que exibem os dados de Pesquisa e estimulam uma Discussão mediante a
exposição de slides previamente preparados.
O Poster é uma divulgação realizada em sessões de apresentação coletiva, disposta
em local determinado com duração preestabelecida e horário marcado para início e
término. Os pesquisadores utilizam painéis previamente preparados nos quais são
expostos os propósitos e os Resultados da Pesquisa. Os vários expositores encontram-
se no local, um ao lado do outro, diante de seus painéis e apresentam seus trabalhos
aos interessados que visitam o local. No Poster, o pesquisador pode utilizar com maior
liberdade a linguagem visual para apresentar seus estudos, facilitando o diálogo mais
individualizado nessa modalidade de troca de experiências.
As apresentações, tanto orais quanto em painel, podem ser acompanhadas de
Resumos impressos que o expositor entrega aos ouvintes na ocasião de sua exposição.
Esse Resumo deve identificar o nome do pesquisador, do orientador, da Instituição de
filiação dos pesquisadores, da Instituição de fomento à Pesquisa, se houver, e o
contato dos pesquisadores, ao lado das informações científicas fundamentais que
caracterizam o estudo realizado.
Os eventos científicos – Congressos nacionais e internacionais, Seminários e
Encontros locais – em geral são divulgados com antecedência junto às Instituições de
Ensino Superior e Associações, de maneira que os orientadores frequentemente avisam
seus orientandos, indicando-lhes a participação. As inscrições aos eventos incluem o
pagamento de taxas de inscrições e exigem o envio de Resumos da Pesquisa, que
devem atender a normas prescritas de confecção, tais como informações sobre
Resultados e Conclusão, extensão do Resumo e Palavras-chave.
As apresentações dos estudos nos eventos devem ser preparadas com

70
antecedência para que a exposição seja adequada e possa traduzir seus Resultados e
Conclusões, oferecendo sua contribuição científica ao evento.
Após cada exposição, seja oral ou em painel, em geral há um momento de diálogo
com a plateia, em que perguntas podem ser dirigidas aos pesquisadores, que devem
estar preparados para responder de modo esclarecedor.

71
6. Apontamentos finais

Como fazer Projetos de Pesquisa é um livro cujo conteúdo não pode ser
considerado concluído; pelo contrário, deve ser compreendido como um ponto de
partida para iniciar essa atividade tão complexa em que consiste o fazer científico.
É interessante dizer, que o desejo que nos inspirou durante toda a construção
deste livro, foi a promessa de podermos compartilhar o desafio de adentrar esse
território que é cheio de surpresas e criatividade, mas também árduo o bastante para
pôr à prova a perseverança daquele que busca respostas para suas indagações
intelectuais.
O espírito científico é incansável e segue apenas pela promessa de avançar,
geralmente sem nenhuma certeza sobre os Resultados a serem alcançados. É com o
fascínio pelo novo e ao mesmo tempo o teste de resistência, por suas exigências éticas,
por suas necessidades metodológicas minuciosas e sistemáticas, que demandam
atenção e critério, ação planejada e paciente, que a produção do conhecimento se
realiza.
O mundo acadêmico evolui apoiado nas atividades de milhares de pesquisadores
que cotidianamente trabalham para o progresso da Ciência. Com as conquistas
científicas, a Qualidade de Vida ganha melhorias, a Saúde se torna uma realidade cada
vez mais concreta, a sociedade se torna mais justa e encontra melhores respostas para
seus dilemas e problemas.
A Ciência é necessária, e pesquisadores conscientes são imprescindíveis para
tornar a prática da produção do conhecimento uma atividade que se dedica ao bem-
estar da vida e do desenvolvimento humano.
Parabéns, caro pesquisador, por seu esforço em trabalhar no campo da produção
científica. Esperamos que os frutos que forem colhidos sejam sempre futuras sementes
no solo fértil do conhecimento científico. Esperamos que, além dos ganhos
intelectuais, os jovens pesquisadores também possam encontrar relações humanas
significativas imbuídas de um pensamento construtivo voltado à coletividade.
Ao finalizarmos a proposição deste livro, resta-nos mencionar que a abordagem
utilizada em nosso texto teve uma finalidade didática para auxiliar, passo a passo e em
uma sequência crescente de complexidades, o pesquisador iniciante a elaborar um
Projeto de Pesquisa. Esperamos que a leitura tenha sido proveitosa!

72
7. Referências Bibliográficas

AUMONT, Jacques. A imagem. 13. ed. Campinas: Papirus, 2008.


BARBOSA JÚNIOR, Alberto Lucena. Arte da animação: Técnica e estética através da
história. 2.ed. São Paulo: Editora SENAC, 2005.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Tradução de Augusto Pinheiro e Luís Antero
Reto. Lisboa: Edições 70, 1995.
BAPTISTA, André. Funções da música no cinema: Contribuições para a elaboração de
estratégias composicionais. 2007. Dissertação (Mestrado em Música) – Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Tradução
de Carlos Alberto Mede. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
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Lins. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
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Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão.Rio de Janeiro: Imago, 1969. (Edição
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_______________. A interpretação de sonhos. (1900b). In:_____.Obras
Completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão.Rio de Janeiro: Imago,
1969c. (Edição Standard Brasileira, v. V).
_______________. Romances familiares. (1909 [1908]). In:_____.Obras
Completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão.Rio de Janeiro: Imago,

73
1969. (Edição Standard Brasileira, v. IX, 243-247).
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas,
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LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 3. ed.
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SELLTIZ, Cleire; JAHODA, Marie; DEUTSCH, Morton; COOK, Stuart. Métodos de
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SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. revisada.
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TURNER, Graeme. Cinema como prática social. Tradução de Dante Moreira Leite. São
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Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 1994.
VAYNERCHUK, Gary. Vai Fundo! O guru das mídias sociais ensina a ganhar dinheiro
fazendo o que gosta. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo, 2009.
VIEIRA, Jorge Albuquerque. Ilya Prigogine: entre o tempo e a eternidade. Revista
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8. Webgrafia

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<http://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/viewFile/211/189>. Acesso
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FERREIRA, Norma Sandra de Almeida. As Pesquisas denominadas “Estado da Arte”.
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GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. (Orgs.). Métodos de pesquisa.
Coordenado pela Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS e pelo curso de
Graduação Tecnológica – Planejamento e Gestão para o desenvolvimento Rural da
SEAD/UFRGS. – Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. (Série Educação a Distância).
Disponível em: <http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf>
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PILATI, Ronaldo; PORTO, Juliana B. Apostila para Tratamento de dados Via SSPS.
Universidade Federal de Brasília, (s.d.). 55p. Disponível em:
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20 jan.2014.
SANTOS, L. H. L. dos. Sobre a integridade da pesquisa. (2011). Disponível em:
<http://www.fapesp.br/6566>. Acesso em: 18 set. 2013.

76
ANEXOS
ANEXO A

Diretrizes Éticas recomendadas pelo CNPq segundo o Relatório da


Comissão de Integridade de Pesquisa [6]
1: O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.
2: Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.
3: Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das
ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.
4: Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de
fazer as citações adequadas.
5: Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou
dados que já foram disseminados de forma significativa (p. ex. apresentado em conferência,
divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da
divulgação prévia da informação.
6: se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo,
não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.
7: Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do
próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.
8: O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia
corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos
autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.
9: Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo
secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre
que possível consultar a literatura original.
10: Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para
descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele
deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está
sendo relatada.
11: A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de
manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é
prática eticamente inaceitável.
12: Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo
que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.
13: O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista,
sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser
metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem
deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente
apontados aos leitores.
14: O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser
importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.
15: Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o
uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma
justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.
16: A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve
se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of

77
Medical Journal Editors.
17: Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria
em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se
realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental,
análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos,
obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos
autores, que devem ser objeto de agradecimento.
18: A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores
devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma
contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria
fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.
19: Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho,
cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais
autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.
20: Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao
trabalho.
21: Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja
com animais ou com seres humanos

78
ANEXO B

Folha de rosto para pesquisa envolvendo seres humanos

79
ANEXO C

Projeto de Pesquisa – Exemplo

80
I. Introdução
O presente estudo partiu do interesse em estudar Semiótica, despertado
por uma palestra em que o tema foi abordado em nosso cotidiano, de como a
vida prática é constituída por uma experiência em que participam milhares de
signos que são utilizados para representar os objetos percebidos e que
traduzem a construção do mundo humano. Essa apresentação instigou uma
curiosidade de entender mais o assunto e aprofundar o seu conhecimento.
Ao mesmo tempo que a observação do cenário que é o mundo humano
chamava a atenção para a importância da linguagem e sua função de
representação mental, algumas leituras de Psicologia começaram a fazer
uma conexão com a visão semiótica, já que as interpretações simbólicas
sobre a experiência de viver também estão associadas a signos.
A Psicanálise, especialmente, devido a sua perspectiva psicológica de
desvendamento de interpretações simbólicas inconscientes que são parte da
subjetividade, entretanto estão além do conhecimento consciente, atraiu
também a curiosidade científica com novas indagações. Como as pessoas
percebem os fatos do dia a dia? Como esses fatos são codificados como
positivos e negativos? Que fatores determinam a interpretação que favorece
a ação construtiva ou ao contrário, a ação reativa de bloqueio?
Ao avançar com as indagações destes dilemas, a memória de um filme
intrigante: The Wall (1982) – um clássico do cinema mundial, dirigido por
Alan Parker, deu concretude às perguntas estabelecidas, já que essa obra
traz o uso de inúmeras linguagens (imagética, sonora, onírica ou simbólica) e
um enredo de múltiplos significados afetivos, que expressa abandono,
frustração e angústia, vivido pelo protagonista.
O interesse de estudo sobre Semiótica e Psicanálise foi determinante
para definir o território de conhecimento escolhido para Pesquisa ou campo
de estudo, frente ao objetivo de participar de um Programa de Iniciação
Científica.
Ao elaborar o Projeto de Pesquisa, o Tema escolhido foi a perspectiva de
análise semiótica e psicanalítica do filme The Wall (1982). O campo temático,
por sua vez, direcionou a escolha do Problema de Pesquisa: Quais são as
possíveis leituras ou interpretações subjetivas dos elementos visuais,
sonoros e verbais da narrativa fílmica de The Wall, nas perspectivas
semiótica e psicanalítica?
Fotografias, filmes e outras expressões artísticas podem traduzir infinitos
aspectos humanos, cujas interpretações também são inúmeras. Várias são
as interpretações subjetivas possíveis que podem enriquecer a compreensão
do filme The Wall ampliando o estudo de seu Objeto de Pesquisa.
O filme é constituído por fragmentos que misturam elementos visuais,
sonoros e verbais que buscam revelar a complexidade da realidade humana
traduzidos como texto simbólico, imaginário e real, cuja subjetividade é

81
expressa por uma interpretação dos signos.
A possibilidade de alcançar o significado do enredo do filme, que se
mostra de modo indireto em suas imagens e músicas, gestos e lapsos
comportamentais, cores e formas, pensamentos verbalizados e não
verbalizados, pode permitir compreender psicológica e semioticamente,as
mensagens entrelaçadas no texto simbólico que o filme apresenta. Estudar
sua mensagem e comunicação pode auxiliar a ampliação do entendimento
da produção audiovisual, cada dia mais sofisticada técnica e culturalmente.
Interpretações simbólicas na abordagem Semiótica e da Psicanálise são
esclarecedoras e bastante enriquecedoras do ponto de vista de suas
revelações humanas, na medida em que a primeira é uma perspectiva de
estudo dos signos que permite o entendimento de suas bases estruturais, e a
segunda possui em sua base teórica a compreensão das dimensões
inconscientes do universo mental cuja influência sobredetermina a
consciência do ser humano. Psicanálise e Semiótica complementam visões
interpretativas que podem traduzir as diversas mensagens presentes no filme
The Wall, decifrando essa enigmática obra.
O presente estudo busca investigar possíveis relações entre as imagens,
os signos sonoros e os processos emocionais destacados no filme,
mostrados em uma sequência fragmentada como representações mentais
simbólicas e lembranças vividas, consideradas à luz da abordagem semiótica
peirciana e da abordagem psicanalítica.
Os objetivos específicos, por sua vez, buscam analisar os elementos
subjetivos do inconsciente do personagem principal do filme The Wall,
relativos aos conteúdos de solidão e violência, que conferem sentido às
narrativas simbólicas ditadas pelas expressões musicais, verbais e
imagéticas.
A investigação das imagens e das sequências fragmentadas que
compõem o filme The Wall permite observar como as relações de elementos
imagéticos, sonoros e verbais fazem convergir a dinâmica que é a vida, por
intermédio das relações psicoafetivas, familiares, sociais, históricas, culturais
e políticas manifestadas por um conjunto amplo de signos que ora interagem
ora se fragmentam.
A descrição plástica dos planos físicos, a trilha sonora, o enquadramento,
os ângulos, as cores e as possíveis mensagens verbais e não verbais
servem de reflexão para uma investigação semiótica cuja interpretação
auxilia o entendimento de articulações das cenas fragmentadas.
The Wall é um filme rico em simbologia, cujos fragmentos da narrativa
mesclam múltiplos fatores; pode contribuir com a área da Comunicação ao
relacionar saberes de modo interdisciplinar e aprofundar o conhecimento de
elementos subjetivos presentes no cinema; pode ampliar o estudo científico
do campo audiovisual, quer sobre os estudos acerca da imagem, sobre a
edição das imagens, além da investigação acerca dos elementos sonoros,

82
bem como sobre a linguagem utilizada que ora é direta e ora é indireta para
transmitir o pensamento e ação do protagonista.
Por sua vez, a relevância social do estudo consiste na possibilidade de
contribuir para o campo da educação e da cultura, promovendo discussões
sobre questões políticas e ideológicas suscitadas pelo filme.
O presente Projeto de Pesquisa, portanto, mostra-se relevante diante da
iniciativa de se estudar o cinema ao mesmo tempo em que busca uma
compreensão do ser humano que se mostra nesse cenário; ao examinar o
principal personagem que pode representar todos nós, ora dividido entre o eu
e o outro, entre o presente e o passado, entre alegrias e dramas, que,
entretanto revela em última instância, o estado inacabado, a incompletude do
Eu, que se mostra em construção e desconstrução ao longo do viver.

83
II. Fundamentação Teórica
O estudo de produções cinematográficas se insere no campo do
conhecimento interdisciplinar, o que requer um estabelecimento de fronteiras
entre as áreas que se encontram implicadas ou que se desejam integrar, que
lhes servirão de suporte teórico; são elas que definirão as inter-relações
conceituais ao entendimento de produtos audiovisuais.
Vanoye (1994) considera um filme como um texto e para sua análise
textual sugere que se leve em conta duas etapas importantes: em primeiro
lugar, a decomposição do filme, que deve descrever todos os detalhes que
consideramos fundamentais para, em seguida, estabelecer e compreender
as relações entre esses elementos decompostos. Em segundo lugar,
menciona o autor, devemos interpretar o filme utilizando a forma de análise
que procura descobrir os significados profundos da mensagem apresentada,
que pode se embasar em pressupostos da semiótica peirciana, a qual se
ocupa com o conteúdo da narrativa e suas relações de representação, com o
significado simbólico da mensagem.
The Wall traz em seu enredo um personagem central que estrutura a
narrativa da trama por sua trajetória existencial que se apresenta em meio a
encaixes e a desencaixes de inúmeras perspectivas de sentido, e destaca o
sentimento de angústia do protagonista. Pelo excesso de fragmentos, o
enredo se constrói em meio a linguagens empregadas – sonora, visual e
simbólica –, nas quais é possível considerar a força comunicável dos
elementos que provocam reações diversas e paradoxais no espectador, que
luta na tentativa de designar sentido ao percebido.
Ao longo do filme, podemos notar a utilização de técnicas que
desencadeiam processos subjetivos, como a interrupção abrupta de cenas,
que, de acordo com Turner (1997, p. 68), “[...] o corte súbito provoca
surpresa, horror e ruptura, portanto tende a ser reservado para momentos
em que tal efeito é exigido”. Outra técnica cinematográfica é o close que
“transforma o sentido da distância, levando o espectador a uma proximidade
psíquica e a uma ‘intimidade’ (Epstein) extremas” (AUMONT, 2008, p. 141).
Assim também acontece com a música, sendo usada para nos transferir de
uma cena a outra, levando o espectador a realizar possíveis ligações entre
elas. Segundo Chion (1995, p.189), “a música pode ser vista como um
aparelho de tempo/espaço: ela pode nos conectar a outro lugar e a outro
tempo, no futuro e no passado”.
Com a técnica da animação, o filme ganha originalidade já que o universo
plástico do cinema se mostra restrito às imagens capturadas da realidade,
ainda que encenadas. “A união do desenho e da pintura com a fotografia e o
cinema superou essa limitação através do cinema de animação, que podia
fazer uso de formas ilimitadas das artes gráficas explorando as
características cinematográficas do filme” (BARBOSA JÚNIOR, 2005, p. 18).

84
Na complexidade da narrativa não linear, pelas imagens que seguem,
pela trilha e pelo uso dos fragmentos e animações, observamos inúmeros
elementos sígnicos que traduzem muitas possibilidades de interpretação que
associam e/ou sobrepõem temáticas sociais e elementos culturais, que
estimulam indagações em termos de sua mensagem semiótica e psicológica.
Vale destacar que a Semiótica é uma ciência que “[...] tem por objeto de
investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o
exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno como
fenômeno de produção de significação e de sentido” (SANTAELLA, 1990, p.
13).
O espectro de fatores semióticos permite emergir uma espécie de licença
poética para interpretar as memórias de Pink (personagem principal) que, em
seu aspecto cognitivo, identifica informações, acontecimentos, expectativas,
sentimentos e outros elementos da narrativa subjetiva. A fragmentação das
cenas, visível na estrutura da narrativa, reflete a visão do consciente e do
inconsciente e de todo o universo que o personagem está inserido.
Os inúmeros fragmentos fazem surgir novos signos visuais mediados por
músicas e trilhas sonoras. A música no filme serve de elemento
complementar a interpretações, sendo a letra associada à música e melodia,
elementos-chave para a compreensão das cenas. Como menciona Baptista
(2007, p. 22), “a música pode simbolizar um filme, isto é, descrever de forma
resumida o sentimento principal da narrativa”.
The Wall convida a uma apreciação analítica, em especial nas
perspectivas semiótica e psicanalítica, na medida em que elementos
estruturais da linguagem semiótica e simbolismos associados a conteúdos
inconscientes se mostram presentes de modo impregnado no texto fílmico,
do começo ao fim.
A concepção pierciana atualizada por Santaella (1990; 2000) quanto à
compreensão da descrição plástica dos planos, da observação da trilha
sonora, do enquadramento, dos ângulos, das cores e das mensagens
verbais e não verbais presentes no filme possibilita uma interpretação
semiótica que inscreve os elementos concretos do projeto audiovisual em um
universo de significados ora abrangentes, ora singulares.
Por sua vez, a visão da Psicanálise, em sua abordagem de fatores
inconscientes e relevância dada à experiência vivida na trajetória individual
do ser humano, pode oferecer uma análise de conteúdo simbólico que
traduza o essencial no roteiro e mensagem do filme.
A análise semiótica acrescida da visão psicológica psicanalítica pode
traduzir as bases fundamentais dos significados intrínsecos ao complexo
cenário de conteúdos presentes em The Wall, visto que existem
simultaneamente várias mensagens articuladas apresentadas em várias
linguagens e cenários sobrepostos: um delineamento histórico do grupo Pink
Floyd, um cenário depressivo pós-guerra da Inglaterra, um clima de angústia

85
representada em vários momentos e uma história pessoal de degradação;
conteúdo diverso sendo narrado de modo intrincado no filme.
No centro do enredo, o protagonista que testemunha sua experiência de
perda e dor, que dá sentido ao tema da desestruturação psíquica que se
descortina no filme, participa da expressão plástica comunicacional de
maneira inusitada, tal qual o processo de elaboração onírica em seus
mecanismos de condensação e deslocamento (FREUD,1900a/1969;
1900b/1969).
O filme apresentado como uma sucessão de breves blocos de
mensagens, permeados por grande quantidade de informações de diversas
fontes e naturezas, parece assemelhar-se a um cenário de sonho como
sugere Freud (1900a /1969, 1900b/1969) em sua Interpretação de Sonhos, e
como tal, pode ser entendido como materialização de conteúdos presentes
no inconsciente pessoal que atestam a existência de objetos mentais como:
desejo, frustração, perda, dor e desespero, imaginação e loucura.
A trama em The Wall descortina em seu roteiro fragmentado um fio
condutor cuja sucessão de eventos e significados não estabelece um
determinado tempo homogêneo, mas se impõe para a percepção por meio
das subjetividades que oferecem uma continuidade histórica. Na retomada
do passado, o que importa é a possibilidade de narrar experiências vividas e
que revelam o sentido dos acontecimentos que dão origem ao presente. A
morte do pai gera em Pink, o protagonista, grande desconsolo, a ponto de
levá-lo a tentar, ainda na infância, se aproximar de um pai de outra criança,
na busca de resgatar esse elo perdido. Essa cena evoca a necessidade da
figura paterna e a tentativa de encontrar uma solução, ainda que substituta.
[...] os pais constituem para a criança pequena a autoridade única e a fonte de
todos os conhecimentos. O desejo mais intenso e mais importante da criança
nesses primeiros anos é igualar-se aos pais (isto é, ao progenitor do mesmo
sexo), e ser grande como seu pai e sua mãe. (FREUD, 1909/1969, p. 243).
A crise emocional de Pink revela sofrimento e cólera, tédio, nostalgia e
desespero materializada em vozes agudas, música eloquente, imagens
chocantes, cores e sombras, que anunciam possibilidades desafiadoras de
interpretação dos aspectos discursivos e simbólicos do filme. Nesse sentido,
a Pesquisa nos dois campos, da Semiótica e da Psicanálise, pode trazer
abundantes subsídios para a formulação de novos conceitos encontrados na
análise de conteúdo do filme.

86
III. Metodologia
O presente estudo elegeu a Pesquisa Qualitativa, de natureza
interpretativa, como modalidade de abordagem metodológica, que irá por
meio de Estudo de Caso do filme The Wall encaminhar a investigação de
elementos subjetivos e intersubjetivos presentes neste longa-metragem.
O Estudo de Caso é um tipo de pesquisa na qual a investigação científica
aprofunda de maneira particular aspectos inerentes ao Objeto de estudo,
dando oportunidade para identificar novos elementos e estabelecer novas
relações que permitirão levantar Hipóteses acerca do Tema estudado.
O campo da intersubjetividade e em especial da produção
cinematográfica apresenta muitos desafios na medida em que estabelece um
território de estudo interdisciplinar que integra várias áreas do conhecimento.
O filme The Wall oferece possibilidade de análise de questões humanas que
interagem nos espaços de convergência entre Música, Semiótica, Psicologia
e Sociologia, entre outras.
É importante considerar que a metodologia escolhida no Projeto de
Pesquisa possui um papel fundamental na realização do estudo já que
determina o espectro de possíveis resultados por ele alcançados. Sendo
assim, vale a pena considerar que o presente Estudo de Caso abre uma
perspectiva exploratória bastante favorável a interpretações inusitadas
acerca da vida subjetiva abordada no enredo e da dimensão semiótica de
sua comunicação.

87
1. Material
O material utilizado na Pesquisa é o longa-metragem The Wall, de gênero
musical, cujo lançamento em 1982 tem o roteiro e música de Roger Waters e
a direção de Alan Parker, e conta com as animações de Gerald Scarf.
O filme foi comercializado três anos depois do lançamento do álbum
musical que teve uma turnê de apresentação de extraordinárias proporções,
em termos de seus efeitos especiais, que mostrava um muro que era
derrubado no final do espetáculo.
Na sinopse que acompanha o filme The Wall, é apresentado um misto de
música de Pink Floyd, imagens e efeitos de animações que em sua narrativa
mostram uma linguagem ‘não convencional’.
The Wall retrata a trajetória existencial de um ídolo do rock que tem uma
carreira bem-sucedida e ao mesmo tempo tem uma deterioração de sua
dimensão humana.
O filme de 92 minutos tem como contexto sociocultural a Inglaterra do
pós-guerra e apresenta muitos fragmentos históricos dos integrantes da
banda.
Ao estudar uma produção cinematográfica é importante considerar que o
cinema tem sua linguagem própria e, como uma forma de comunicação,
utiliza para transmitir sua mensagem basicamente imagens em movimento
que, no entanto, se apresentam de modo associado a códigos e variados
elementos (som, luz, música, textos, falas etc.) que produzem inúmeros
significados.

88
2.Técnica
Para o presente Estudo de Caso a coleta de dados será realizada
mediante a Observação, que é uma técnica que busca captar informações
por meio da percepção atenta e do registro cuidadoso que busca a descrição
do observado da forma mais objetiva possível.
A Observação do filme será acompanhada de registros que descrevam os
elementos semióticos e simbólicos do filme The Wall selecionados como
conteúdos significativos a serem analisados.

89
3.Procedimento
Com a finalidade de analisar o conteúdo de The Wall em sua perspectiva
semiótica e psicológica, o filme será assistido inúmeras vezes para proceder
a seleção e enunciação de conteúdos estruturais e simbólicos considerados
significativos.
A cada nova situação de exposição ao filme, novas anotações pertinentes
ao enredo serão realizadas, nas quais se destaquem elementos estruturais e
elementos simbólicos, ao mesmo tempo que os conteúdos anteriormente
selecionados se mostram cada vez mais representativos para a construção
de categorias de Análise do filme.
A definição seletiva das categorias de conteúdos eleita para a análise do
filme constituirão as Unidades de Significado, que serão os resultados
obtidos do estudo a serem discutidos na Pesquisa.
Esta tarefa de busca de identificação de Unidades de Significado ou
Indicadores de Análise, como refere Bardin (1995) depende de uma
modalidade de leitura flutuante que permite que se destaquem do contexto,
os “núcleos de sentido” (BARDIN, 1995, p.105), que organizarão as
temáticas relevantes que evidenciam os significados centrais presentes na
mensagem do filme.

90
4.Análise pretendida
A Análise de Conteúdo em The Wall, dirigida ao conjunto da obra que
reúne na linguagem cinematográfica elementos semióticos e psicológicos,
será abordada em seus elementos significativos estabelecidos nos
Indicadores de Análise estabelecidos.
Os Indicadores de Análise serão dispostos de modo organizado segundo
critérios definidos a partir dos vários núcleos de sentido identificados em The
Wall.
As Análises de Indicadores serão realizadas em primeira instância de
modo separado, isto é, cada uma das Unidades de Significado será
analisada individualmente. Em seguida, os Indicadores de Análise serão
estudados em conjunto para se obter uma visão global que possa indicar
alguma observação conclusiva.
The Wall, do ponto de vista semiótico e psicológico poderá oferecer uma
perspectiva de análise enriquecedora ao olhar das questões existenciais que
tangem a intersecção de temas individuais e coletivos, pragmáticos e
afetivos, evolutivos e desestruturantes, temporais e atemporais, nas
dimensões subjetiva e intersubjetiva, presentes na obra.

91
Referências Bibliográficas
AUMONT, Jacques. A imagem. 13. ed. Campinas: Papirus, 2008.
BARBOSA JÚNIOR, Alberto Lucena. Arte da animação: técnica e estética
através da história. 2 ed. São Paulo: Editora SENAC, 2005.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Tradução de Augusto Pinheiro e
Luís Antero Reto. Lisboa: Edições 70, 1995.
BAPTISTA, André. Funções da música no cinema: Contribuições para a
elaboração de estratégias composicionais. 2007. Dissertação (Mestrado em
Música) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.
CHION, Michel. La musique au cinema. Paris: Librairie Arthème Fayard,
1995.
FREUD, Sigmund. A interpretação de sonhos. (1900a). In:_____.Obras
Completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão.Rio de Janeiro:
Imago, 1969. (Edição Standard Brasileira, v. IV).
_______________. A interpretação de sonhos. (1900b). In:_____.Obras
Completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão.Rio de Janeiro:
Imago, 1969c. (Edição Standard Brasileira, v. V).
_______________. Romances familiares. (1909 [1908]). In:_____.Obras
Completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão.Rio de Janeiro:
Imago, 1969. (Edição Standard Brasileira, v. IX, 243-247).
SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. 9. ed. São Paulo: Brasiliense, 1990.
_________. A teoria geral dos signos: como as linguagens significam as
coisas. São Paulo: Pioneira, 2000.
TURNER, Graeme. Cinema como prática social. Tradução de Dante Moreira
Leite. São Paulo: Summus, 1997.
VANOYE, Francis; GOLLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a Análise Fílmica.
Tradução de Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 1994.

92
Cronograma
Atividades Período
Revisão do Projeto 1 o Mês
Pesquisa Bibliográfica 2 o Mês / 3 o Mês / 4 o Mês
Fichamento de textos 3 o Mês / 4 o Mês / 5 o Mês
Coleta de dados 4 o Mês / 5 o Mês
Relatório Parcial 5 o Mês / 6 o Mês / 7 o Mês
Tratamento de dados 7 o Mês / 8 o Mês / 9 o Mês
Relatório Final 9 o Mês / 10 o Mês
Artigo científico 10 o Mês
Revisão 11 o Mês
Apresentação em eventos 12 o Mês

93
Cadernos de Comunicação
A Coleção Cadernos de Comunicação nasce dos conteúdos e práticas procedentes da experiência de ensino e
aprendizagem da comunicação. Tem por objetivo subsidiar professores e alunos no estudo e aprofundamento
de temas específicos e interdisciplinares nas áreas de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas,
Rádio, Televisão e Internet, Fotografia, Multimídia, Audiovisual, Cinema, Editoração etc.
A Coleção Cadernos de Comunicação caracteriza-se por cumprir a função básica de explicitar o saber em seu
status estruturado pela comunidade acadêmica por meio de metodologias, teorias e história, possibilitando ao
aluno avançar, autonomamente, no campo do conhecimento.
Esperamos que a Coleção Cadernos de Comunicação seja instrumento facilitador nas mãos dos docentes e
discentes das diversas Instituições de Educação, nas quais a comunicação é objeto de ensino, pesquisa e
extensão.

CONSELHO CIENTÍFICO
ANTONIO IRAILDO ALVES DE BRITO
CLAUDENIR MODOLO ALVES
CLAUDIANO AVELINO DOS SANTOS
JAKSON FERREIRA DE ALENCAR
VALDIR JOSÉ DE CAST O

94
Direção Editorial
Claudiano Avelino dos Santos
Coordenação Editorial
Claudenir Módolo Alves
Projeto gráfico e capa
Gledson Zifssak – Kalima Editores
Revisão
Denise Katchuian Dognini – Kalima Editores
Coordenação de desenvolvimento digital
Alexandre Carvalho
Desenvolvimento digital
Daniela Kovacs
Conversão EPUB
PAULUS

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Angélica Ilacqua CRB-8/7057

Skamoto, Cleusa Kazue


Como fazer projetos de iniciação científica [livro eletrônico] / Cleusa Kazue Skamoto, Isabel Orestes Silveira. -
São Paulo: FAPCOM; Paulus, 2019.
2,5 Mb (Coleção Cadernos de Comunicação)
ISBN 978-85-349-4895-1 (e-book)
1. Pesquisa – Metodologia 2. Ciência - Metodologia I. Título II. Silveira, Isabel Orestes

19-0017 CDD 001.42

CDU 001.8

Índices para catálogo sistemático:


1. Projetos de pesquisa

© PAULUS – 2019
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95
Notas

1. Projeto de Pesquisa
[1] A palavra projeto vem do latim, projectum, do verbo proicere, que significa “antes de uma ação” (DUNY,
2005, p. 13).
[2] Estado da arte é a tradução do termo state of the art e diz respeito ao “estado do conhecimento”
(FERREIRA, 2002, p. 258) de um assunto estudado, identificado por pesquisas bibliográficas.
[3] O termo ‘variável’ refere-se ao fator da Pesquisa que pode assumir diferentes aspectos a partir de certas
circunstâncias, por exemplo: idade, classe social, nível econômico etc. “Portanto, uma variável pode ser
considerada uma classificação ou medida; uma quantidade que varia; um conceito, constructo ou conceito
operacional que contém ou apresenta valores; aspecto, propriedade ou fator discernível em um objeto de
estudo e passível de mensuração” (LAKATOS; MARCONI, 2001, p. 175).
[4] O termo Survey é uma palavra de origem inglesa que significa análise, pesquisa, avaliação, inspeção.
Quando o pesquisador deseja obter dados ou informações sobre as características, ações ou opiniões de
determinado grupo de pessoas, a pesquisa denominada Survey é indicada, pois por meio de um instrumento de
pesquisa como o Questionário, cuja estratégia pode ser a entrevista pessoal, via correio etc. é possível
investigar características quantitativas de uma determinada população.Isso significa responder questões que
envolvem: O quê?, Por quê? Como? Quando?

2. Ética em Pesquisa
[5] Disponível em: <
http://conselho.saude.gov.br/web_comissoes/conep/aquivos/resolucoes/23_out_versao_final_196_ENCEP2012.pdf
>. Acesso em: 18. set. 2013.

Anexo A - Diretrizes Éticas recomendadas pelo CNPq segundo o Relatório da


Comissão de Integridade de Pesquisa
[6] Disponível em: <http://memoria.cnpq.br/normas/lei_po_085_11.htm>. Acesso em: 18 set. 2013.

96
97
Scivias
de Bingen, Hildegarda
9788534946025
776 páginas

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Scivias, a obra religiosa mais importante da santa e doutora da Igreja


Hildegarda de Bingen, compõe-se de vinte e seis visões, que são
primeiramente escritas de maneira literal, tal como ela as teve,
sendo, a seguir, explicadas exegeticamente. Alguns dos tópicos
presentes nas visões são a caridade de Cristo, a natureza do
universo, o reino de Deus, a queda do ser humano, a santifi cação e
o fi m do mundo. Ênfase especial é dada aos sacramentos do
matrimônio e da eucaristia, em resposta à heresia cátara. Como
grupo, as visões formam uma summa teológica da doutrina cristã. No
fi nal de Scivias, encontram-se hinos de louvor e uma peça curta,
provavelmente um rascunho primitivo de Ordo virtutum, a primeira
obra de moral conhecida. Hildegarda é notável por ser capaz de unir
"visão com doutrina, religião com ciência, júbilo carismático com
indignação profética, e anseio por ordem social com a busca por
justiça social". Este livro é especialmente significativo para
historiadores e teólogas feministas. Elucida a vida das mulheres
medievais, e é um exemplo impressionante de certa forma especial
de espiritualidade cristã.

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Santa Gemma Galgani - Diário
Galgani, Gemma
9788534945714
248 páginas

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Primeiro, ao vê-la, causou-me um pouco de medo; fiz de tudo para


me assegurar de que era verdadeiramente a Mãe de Jesus: deu-me
sinal para me orientar. Depois de um momento, fiquei toda contente;
mas foi tamanha a comoção que me senti muito pequena diante dela,
e tamanho o contentamento que não pude pronunciar palavra, senão
dizer, repetidamente, o nome de 'Mãe'. [...] Enquanto juntas
conversávamos, e me tinha sempre pela mão, deixou-me; eu não
queria que fosse, estava quase chorando, e então me disse: 'Minha
filha, agora basta; Jesus pede-lhe este sacrifício, por ora convém que
a deixe'. A sua palavra deixou-me em paz; repousei tranquilamente:
'Pois bem, o sacrifício foi feito'. Deixou-me. Quem poderia descrever
em detalhes quão bela, quão querida é a Mãe celeste? Não,
certamente não existe comparação. Quando terei a felicidade de vê-la
novamente?

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DOCAT
Youcat, Fundação
9788534945059
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apresenta a Doutrina Social da Igreja numa linguagem jovem. Esta
obra conta ainda com prefácio do Papa Francisco, que manifesta o
sonho de ter um milhão de jovens leitores da Doutrina Social da
Igreja, convidando-os a ser Doutrina Social em movimento.

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Bíblia Sagrada: Novo Testamento - Edição
Pastoral
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texto acessível, principalmente às comunidades de base, círculos
bíblicos, catequese e celebrações. Esta edição contém o Novo
Testamento, com introdução para cada livro e notas explicativas, a
proposta desta edição é renovar a vida cristã à luz da Palavra de
Deus.

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caminhos percorridos pela Bíblia até os dias atuais. Em estilo
acessível, o autor descreve como a Bíblia cristã teve seu início,
desenvolveu-se e por fim, se fixou. Lee Martin McDonald analisa
textos desde a Bíblia hebraica até a literatura patrística.

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Índice
Rosto 2
Introdução 7
PARTE I - Projeto de Pesquisa 9
1. Projeto de Pesquisa 9
1.1. Definição 9
1.2. Tema 11
1.3. Problema de Pesquisa 14
1.4. Objeto de estudo 16
1.5. Hipóteses 17
1.6. Objetivos 19
1.7. Justificativa 21
1.8. Fundamentação Teórica 23
1.8.1. Normas para confecção estrutural do Referencial Teórico 25
1.9. Metodologia 31
1.9.1. Modalidades de Pesquisa 32
1.9.1.1. Modalidade de Pesquisa segundo a abordagem 34
1.9.1.2. Modalidades de Pesquisa segundo a natureza 36
1.9.1.3. Modalidades da Pesquisa segundo objetivos 37
1.9.1.4. Modalidades da Pesquisa segundo procedimentos 38
1.9.2. Vetores do Planejamento metodológico 42
1.9.2.1. Amostra 43
1.9.2.2. Instrumentos 44
1.9.2.3. Procedimentos 46
1.9.2.4. Análise pretendida 47
1.10. Referências Bibliográficas 50
1.11. Cronograma 51
PARTE II - Ética em Pesquisa, Normas Técnicas e Relatório de
54
Pesquisa
2. Ética em Pesquisa 54
2.1. Definição 54
2.2. Carta de Informação ao Sujeito sobre a Pesquisa 58
2.3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 61
3. Normas Técnicas para Relatório de Pesquisa 64
3.1. Definição 64
4. Relatório de Pesquisa 65
107
4.1. Definição 65
PARTE III - Comunicação da Pesquisa, Apontamentos finais e
67
Referências
5. Comunicação da Pesquisa 67
5.1. Artigo científico 68
5.2. Apresentação de trabalhos em eventos científicos 70
6. Apontamentos finais 72
7. Referências Bibliográficas 73
8. Webgrafia 76
ANEXOS 77
ANEXO A - Diretrizes Éticas recomendadas pelo CNPq segundo o Relatório
77
da Comissão de Integridade de Pesquisa
ANEXO B - Folha de rosto para pesquisa envolvendo seres humanos 79
ANEXO C - Projeto de Pesquisa – Exemplo 80
I. Introdução 81
II. Fundamentação Teórica 84
III. Metodologia 87
Referências Bibliográficas 92
Cronograma 93
Coleção 94
Ficha Catalográfica 95
Notas 96

108

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