Segredos do manejo de cocho na fazenda.

Índice:

Introdução. 1) Aula 1 - A importância do cocho correto na fazenda. 2) Aula 2 - Tipos de cocho 3.1) Cocho Banheira 3.2) Cocho de pneu 3.3) Cocho de tronco entalhado _ 3.4) Cocho de madeira serrada _ 3.5) Cocho móvel 3.6) Cocho do Fosbovinho ou Creep Feeding 3.6.1 Tipos de cocho de Fosbovinho
3.6.1.1 Creep Feeding Móvel 3.6.1.2 Creep Feeding Fixo 3.6.1.3 Dois modelos de creep feeding

Pág. 3 Pág. .4 Pág. 14 Pág. 14 Pág. 15 Pág. 16 Pág. 17 Pág. 18 Pág. 18 Pág. 20 Pág. 21 Pág. 23 Pág. 24 Pág. 27 Pág.43 Pág.43 Pág. 48

3) Aula 3 - Principais falhas no manejo do cocho. 4) Aula 4 - Controle de mineralização 5.1) Ficha de controle de mineralização 5) Dicas importante

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Introdução:
A suplementação de bovinos tem evoluído de forma surpreendente nestes últimos anos, sendo que atualmente qualquer sistema de produção de bovinos, seja ele a pasto ou confinado, requer uma correta suplementação alimentar para o aumento do desempenho e da saúde dos rebanhos. Em razão deste fato, o cocho, o prato do boi, representa um papel de destaque no manejo da alimentação dos bovinos no Brasil. O que precisa ficar claro é que o cocho deve ser visto por técnicos, gerentes de fazenda e produtores rurais como uma instalação rural indispensável e permanente dentro da propriedade, sem o qual o desempenho dos rebanhos pode ficar seriamente comprometido. É por meio dos cochos que se garante o fornecimento de todos os complementos alimentares à dieta dos animais, entre as quais incluem suplementos minerais, aditivos, promotores de crescimento, ração concentrada, vitaminas e até mesmo alimentos volumosos, como silagens, fenos entre tantos outros. O objetivo deste trabalho é, portanto, o de mostrar da maneira mais simples possível, todos os segredos do manejo do cocho na fazenda na tentativa de esclarecer as principais duvidas relacionadas sobre o assunto e auxiliar o produtor no manejo do cocho na fazenda.

O prato do boi.

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1) Aula 1 - A importância do cocho correto na fazenda:
Quando falhas ou negligências ocorrem no manejo dos cochos, todo e qualquer tipo de suplementação alimentar que o produtor almejava implantar em sua fazenda fica seriamente comprometido. As falhas no manejo dos cochos inevitavelmente levam a um baixo consumo dos suplementos alimentares e este por sua vez traz uma serie de prejuízos zootécnicos para a fazenda. Algumas das conseqüências do baixo consumo de suplementos alimentares: • • • • Baixo ganho de peso Atraso na idade de abate Queda da taxa de fertilidade Aumento da taxa de mortalidade de bezerros

Animal com alto grau de desnutrição.
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Animais desnutridos.

A desnutrição acaba em morte. Os danos ocasionados pelo baixo consumo de suplementos também se estendem à saúde dos animais, agravando ainda mais a produção e a lucratividade das fazendas. A falta da suplementação correta causa um desequilíbrio fisiológico no organismo do animal, desencadeando entre outras coisas diminuição da produtividade e até mesmo uma patologia mais grave.
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Algumas das enfermidades de origem nutricional e suas conseqüências: • • • • • • • • • Anemia Falta de apetite Fraqueza Redução da fertilidade Abortos Raquitismo Fragilidade óssea Queda da resistência imunológica Diarréia

Animais com cara inchada.

Diferença na ossatura dos animais com diferentes níveis de fósforo na dieta.

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Aborto provocado por deficiência nutricional.
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Freqüentemente pode-se observar nas fazendas de gado de corte e/ou leite um ou mais destes sintomas de deficiências nutricionais nos animais. A causa, na maioria das vezes, está associada à ausência da suplementação correta por meio de cochos. Outros sintomas de deficiência nutricional em bovinos incluem ainda retenção de placenta, rigidez nas articulações, desordens nervosas, queda na produção de leite, bócio, reabsorção fetal, ausência de cio, inchação dos cascos e demora na cicatrização de feridas.

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Animal com bócio, causado pela deficiência de iodo.

Afecções oportunistas, devido à falhas nutricionais.
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Barranco e árvore roídos pelos animais. Esse comportamento é provocado pela desmineralização do rebanho.
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Nota-se que a suplementação alimentar realizada por meio de cochos apropriados é de extrema importância para manutenção da saúde e do desempenho dos bovinos. Fica claro, portanto, que cochos mal construídos e mal manejados podem trazer ao pecuarista uma lista enorme de prejuízos econômicos que podem ser evitados desde que seja adotado um correto manejo dos cochos.

Falta de conservação na área em volta do cocho impede o acesso dos animais ao suplemento.

Cocho sem manutenção impossibilitando a suplementação dos animais.
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Cocho ideal, inclusive com proteção lateral contra ventos e chuvas.

Cocho de manilhas, também coberto e com proteção lateral.
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Exercícios referentes à Aula 1 Circule a alternativa correta A falhas na suplementação: 1. Aumentam os lucros dos produtos 2. Causam diminuição na produtividade 3. Aumentam as taxas de natalidade 4. Impedem as doenças no rebanho Qual das enfermidades abaixo não é de origem nutricional 1. Anemia 2. Raquitismo 3. Febre Aftosa 4. Fraqueza O cocho correto é de extrema importância para: 1. A suplementação correta dos animais 2. Diminuição dos índices zootécnicos da propriedade 3. Realização das vacinações 4. Abaixa a resistência dos animais Cochos mal construídos: 1. Causam prejuízos aos pecuaristas 2. Prejudicam o desempenho dos animais 3. Aumentam os riscos de doenças de ordem nutricional 4. Todas as alternativas estão corretas O bócio é causado pela deficiência de: 1. Cromo 2. Fósforo 3. Iodo 4. Magnésio

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2) Aula 2 - Tipos de cocho: Existem vários tipos de cocho, muita gente acha que um pneu cortado ao meio substitui o cocho correto, mas isso não é verdade. O cocho tem a finalidade de fornecer o suplemento ao animal durante os 365 dias do ano, mantendo a qualidade e as características do mesmo. Para isso existem técnicas e normas de construção que devem ser respeitados. Aqui vamos apenas mostrar os tipos de cochos e quais as suas características, qualidade e defeitos, mostrando os porquês eles devem ser utilizados ou evitados. 3.1 Cocho Banheira: Esse cocho é feito através do aproveitamento de uma banheira ferro, facilmente encontrada em ferros-velhos, ele é barato, mas possui vários inconvenientes. Como o cocho fica solto no campo ele pode causar acidentes, pois os animais disputando o suplemento “empurram” o cocho em cima dos outros causando lesões e até animais caindo dentro dele e ficando preso, o que pode levar à morte. Outro problema desse cocho é a dimensão, ele só pode ser utilizado para no máximo 50 animais.

Banheira utilizada como cocho.

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3.2 Cochos de pneu: 1º Pneu cortado no chão: Esse cocho tem como maiores inconvenientes o grande desperdício, há acumulo de água, os animais pisam, urinam e defecam dentro do cocho e as suas bordas são muito baixas, o que ocasiona desperdício.

Pedaço de pneu que não substitui o cocho correto. 2º Pneu inteiro: Esse cocho tem uma pequena área para que os animais consumam o suplemento, isso faz com que os animais dominantes tenham acesso ao suplemento e outros fiquem deficientes. Outro problema é o acumulo de água e também o medo dos animais que demoram muito para se acostumarem com ele o que prejudica o consumo.

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Mais um tipo de cocho de pneu que não substitui o cocho correto. 3.3 Cocho de tronco entalhado: Esse cocho normalmente é construído em áreas novas onde tem madeira sobrando, utilizando as toras que não podem ser aproveitadas para outra finalidade. Os problemas desse cocho é que normalmente ele não tem a metragem correta, podendo apenas ser utilizado para poucos animais. Outro ponto que deve ser observado é a profundidade desse cocho. Ele não pode ser muito raso para evitar o desperdício. No caso do cocho abaixo ele ainda tem a desvantagem de ser descoberto o que obriga que se tenha um manejo diferenciado.

Cocho de tronco entalhado descoberto.

Cocho de tronco entalhado coberto.
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3.4 Cocho de madeira serrada: O cocho abaixo tem o inconveniente de ser descoberto, assim o manejo merece atenção especial, devendo ser abastecido no máximo dia sim, dia não. Mas de preferência o abastecimento deve ser feito todos os dias para se evitar o desperdício da mistura. Para facilitar esse manejo pode ser feito um depósito com bobonas de plástico ao lado dos cochos, assim fica mais fácil reabastecê-los, já que o suplemento está disponível para o peão que faz o rodeio do gado.

Cocho de madeira serrada com depósito de bombona plástica.

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3.5 Cocho Móvel Como esse cocho pode ser deslocado, facilitando muito o manejo. É uma boa opção para pastejo rotacionado, sendo que pode ser deslocado para os piquetes, caso não haja praça de alimentação. Outro ponto positivo de ser móvel é a conservação da área ao redor do cocho. À medida que vão surgindo buracos ao redor do cocho, devido ao pisoteio dos animais, o cocho pode ser deslocado para outra área.

Cocho móvel de madeira serrada 3.6 Cocho do Fosbovinho ou Creep Feeding: O cocho do Fosbovinho é uma instalação especial, que permite suplementar os bezerros em fase de aleitamento e as vacas, com suplementos específicos para cada um deles. É de fácil construção, consistindo em um cocho com um cercado onde só os bezerros têm acesso. Ele traz inúmeros benefícios para as vacas e para os bezerros. Para os bezerros porque eles terão acesso a um suplemento especialmente desenvolvido para a fase de desenvolvimento que eles se encontram. Esse suplemento auxilia no desenvolvimento do rúmen do animal fazendo com que ele comece a pastar e aproveitar o capim mais cedo. Influenciando diretamente no peso a desmama dos animais.
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As vacas se beneficiam porque os bezerros começam a pastar mais cedo, tornando-se menos dependentes do leite materno, fazendo assim com que melhore a condição corporal das vacas. E a condição corporal é fundamental para o retorno ao cio das matrizes.

Cocho do Fosbovinho.

Outro modelo de cocho do Fosbovinho. Este feito com tronco entalhado.
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3.6.1 Tipos de cocho do Fosbovinho Existem vário tipos e adaptações para essa instalação, mas alguns pontos devem ser observados em todas elas. 1. A boca do cocho das vacas deve ficar a no mínimo a 1,0m do chão; impossibilitando o acesso dos bezerros ao suplemento. Pois se os bezerros consumirem a mistura das vacas eles diminuem a ingestão da sua mistura específica, prejudicando a sua mineralização; 2. O cocho dos bezerros deve ficar ao lado do cocho das vacas, já que nessa fase os bezerros não saem do lado das mães, e se o cocho dos bezerros não estiver ao lado do cocho das vacas, dificulta muito que os bezerros acostumem a entrar no “cercadinho” e consumam o seu suplemento.

Esquema e medidas do cocho do Fosbovinho.
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3.6.1.1 Creep Feeding móvel: Essa instalação tem a vantagem de poder acompanhar o lote de vacas pela fazenda. A abertura no cercado do cocho do Fosbovinho deve ser grande o suficiente para a passagem dos bezerros, mas deve impedir a entrada das vacas. Outro ponto importante desse modelo é o depósito.

Cocho do Fosbovinho móvel e com depósito.

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Modelo de Creep Feeding móvel

Modelo de creep feeding móvel, mas com o cercado muito pequeno, atrapalhando o consumo dos bezerros.
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3.6.1.2 Creep Feeding fixo: O modelo mais apropriado de creep feeding é esse que fica ao lado do cocho das mães. Os pontos importantes a se observar nessa instalação é a altura do cocho das vacas que devem ter no mínimo 1m, impedindo o acesso dos bezerros ao mineral das mães. O cercado do cocho do Fosbovinho deve permitir o fácil acesso para os bezerros e impedir o acesso das vacas. Quando se usa réguas no cercado é importante que se coloque uma rente ao chão do cercado, essa régua vai impedir a entrada das chamadas “vacas resadeiras” que são as que ajoelham para entrar no cocho do Fosbovinho e consomem o suplemento dos bezerros.

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Modelos de Creep Feeding fixos. 3.6.1.3 Dois modelos de cochos do Fosbovinho com a mesma eficiência, mas com custos bem diferentes: Os dois modelos de creep feeding abaixo cumprem a mesma função: suplementar vacas e bezerros com o suplemento específico e mais adequado para cada um deles. A diferença básica entre eles é o material da sua construção. Os custos dos materiais variam muito conforme a região, mas nesse caso o cocho feito com eucalipto roliço, canos de PVC e telhas de papelão reciclado, saiu pela metade do preço do outro modelo feito todo em madeira serrada. Temos que analisar também a que a durabilidade dos mesmos não é a mesma. Assim o mais certo é calcular quanto vai custar por ano cada cocho, analisando assim o custo benefício de cada um e o que é realmente mais barato. Mais importante que o material utilizado para a construção do cocho é estar atento para as especificações da construção, atendendo os requisitos técnicos para que o cocho não seja limitante da suplementação.

Cocho do Fosbovinho com eucalipto roliço e telhas de papelão reciclado.

Cocho do Fosbovinho com madeira serrada.

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Exercícios referentes à Aula 2 Circule a alternativa correta O cocho correto tem a finalidade de: 1. Fornecer os suplementos aos animais 365 dias por ano 2. Reter os animais no pasto 3. Realizar o manejo das pastagens 4. Elevar os custos de produção O cocho Banheira: 1. Fica solto no campo e pode causar acidentes com os animais 2. Pode ser utilizado por no máximo 50 animais 3. É barato mais possui vários inconvenientes 4. Todas as afirmativas estão corretas Os cochos de pneu não são bons cochos por que: 1. Tem uma borda baixa e ocasionam desperdícios 2. Tem uma pequena área de alimentação para os animais 3. Acumulam água, prejudicando o consumo. 4. Todas são corretas No cocho entalhado temos que observar 1. A profundidade para evitar o desperdício 2. O comprimento do cocho para que seja dimensionado conforme o número de animais 3. Não precisa ser coberto 4. As alternativas 1 e 2 estão corretas O depósito de tambor de plástico: 1. Não deve ser utilizado 2. Facilita o abastecimento, pois o suplemento fica próximo ao cocho 3. Impede que os animais se aproximem do cocho 4. Todas são corretas
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O que é cocho do Fosbovinho ou creep-feeding? 1. 2. 3. 4. Um cocho para confinamento Um manejo de mamada Um cocho com acesso exclusivo aos bezerros em fase de aleitamento. Todas as alternativas estão corretas

O cocho do Fosbovinho ou Creep-Feeding é utilizado para 1. Suplementar as vacas 2. Suplementar os bezerros na fase de aleitamento 3. Facilitar o manejo 4. Nenhuma das alternativas está correta Quais são os detalhes corretos para o Cocho do Fosbovinho ou Creep-Feeding: 1. Deve ser instalado ao lado do cocho das vacas 2. Deve ter fácil acesso para os bezerros e impedir o acesso das vacas 3. Deve ter uma régua na parte inferior do cercado para impedir o acesso das “vacas resadeiras” 4. Todas as alternativas anteriores O cocho do Fosbovinho ou creep-feeding móvel: 1. 2. 3. 4. Não funciona Tem a vantagem de acompanhar o lote Os bezerros não podem acessá-lo. É utilizado para suplementar as vacas

O cocho do Fosbovinho ou creep-feeding propicia: 1. Melhor condição corporal das vacas 2. Maior peso a desmama dos bezerros 3. Excelente custo / benefício, pois os bezerros têm uma alta taxa de conversão alimentar. 4. Todas estão corretas
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3) Aula 3 - Principais falhas de manejo do cocho:
As falhas de manejo dos cochos estão relacionadas à sua construção e uso de forma incorreta. Entre os erros mais freqüentes, notam-se os seguintes: • Cochos em quantidade insuficiente para atender todos os animais. A ausência de cochos corretos na grande maioria das vezes termina reduzindo ou até mesmo anulando os efeitos positivos de uma correta suplementação alimentar para a saúde e desempenho animal.

Cochos mal posicionados.

Os cochos devem ter fácil acesso, permitindo a circulação tanto dos animais quanto dos tratadores que irão reabastecê-los, e serem instalados no local de maior permanência dos bovinos no pasto (malhadouros, lugar é onde os animais gostam de se reunir, deitar, descansar, etc.). Em cochos mal localizados o consumo será irregular ou ainda insuficiente, comprometendo a mineralização correta e o desempenho do rebanho.
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Cocho mal localizado. Muito próximo à estrada atrapalhando o consumo. • Cochos em condições precárias de manutenção.

A manutenção adequada dos cochos é essencial, pois possibilita melhorar o desempenho do rebanho e minimiza o custo de mineralização. A manutenção da estrutura do cocho, particularmente da cobertura e do cocho propriamente dito, permite consumos mais regulares evitando perdas por vazamento (frestas) e/ou encharcamento (chuvas). A área em sua volta também deve receber atenção, evitando-se pedras soltas ou pontiagudas, irregularidade no terreno, buracos e possíveis formações de poças d’água e/ou atoleiros.

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• Cochos construídos fora dos padrões técnicos de funcionalidade: Cada pasto deve dispor de ao menos um cocho, com tamanho suficiente para evitar disputas por consumo entre os animais. Para suplementos com consumo esperado de até 100g/animal/dia, recomenda-se área de boca de cocho de 4 cm por animal. Assim, um cocho de 2 metros de comprimento, com acesso pelos dois lados, é suficiente para lotes em torno de 100 animais.

Material necessário para a construção de um cocho padrão com 200 animais.
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Altura: A altura da boca do cocho ao chão deverá atender o lote de animais que o utilizará: • Para animais adultos, a altura recomendável é de 90 cm a 1 m. • Para lotes em recria, recomenda-se altura em torno de 60 cm. • Cochos próprios para bezerros novos ao pé da vaca (cocho do Fosbovinho), deverão ter a altura entre 40 a 50 cm.

Esquema do cocho do Fosbovinho. • Cochos descobertos e expostos às chuvas e variações climáticas.

Com esse tipo de cocho há desperdício do suplemento, já que depois de molhado ele deve ser substituído. E em suplemento que contém uréia o acumulo de água no cocho aumenta o risco de intoxicação, já que a uréia se solubiliza e fica em alta concentração na água.

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Área ao redor do cocho com atoleiros. • Utilização de suplementos minerais de má qualidade: Consumo de mineral se dá por lambedura, motivo pelo qual a mistura deve estar sempre solta (não empastada ou empedrada). Misturas umedecidas, empastadas ou empedradas limitam o consumo, prejudicando o resultado da mineralização e o desempenho dos animais.

Suplemento empedrado no cocho.
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Suplemento sem homogeneidade de mistura. • Falta de reposição adequada do suplemento no cocho, interferindo na regularidade e na quantidade de suplemento consumido. Esse item é de extrema importância dentro do manejo das instalações da fazenda, uma vez que não basta ter o cocho. Há também a necessidade de seu abastecimento de forma contínua, evitando-se assim cochos vazios que comprometem a eficiência da suplementação. Esta falha de manejo é tão comum de ser encontrada que técnicos do setor a batizaram de “a síndrome do cocho vazio”.

“Síndrome do cocho vazio”.
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• Na reposição, considerar os seguintes fatores: - Os cochos não devem estar cheios demais, pois facilita o desperdício do produto;

Cocho muito raso ocasionando o desperdício do suplemento. - Repor o mineral sempre que necessário. - Ter a maior freqüência possível de reposição, evitando-se períodos superiores a 4 dias. Na prática, a reposição ideal é de 2 a 3 vezes por semana, assim evita-se abastecer os cochos com grandes quantidades de suplementos.

Cocho ideal e um suplemento de qualidade.
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Cocho ideal e um suplemento de qualidade. - Quando da reposição de produtos nos cochos, as eventuais e pequenas sobras anteriores devem ser revolvidas e misturadas ao produto novo. Este manejo também melhora a palatabilidade da mistura.

Misturar as sobras de suplemento com o novo produto que está sendo administrado.
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Obs: um pequeno depósito de sal pode ser instalado junto ao cocho (em barricas) ou mesmo sobre este (em cochos cobertos), facilitando o manejo de reposição.

Depósito de minerais, facilitando muito o manejo.

Depósito de minerais, facilitando muito o manejo.
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Depósito de minerais, facilitando muito o manejo.

Depósito de bombona plástica que pode ficar amarrada na lateral do cocho.
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• Cochos com formação de atoleiros ao redor que impedem o acesso dos animais. Não adianta termos o cocho ideal, o suplemento ideal se o animal não consegue chegar ao cocho. A manutenção dos cochos também deve considerar a área em volta.

Atoleiros ao redor do cocho impedindo o acesso dos animais.

Mesmo o animal buscando o suplemento ele não consegue consumi-lo.
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Atoleiros ao redor do cocho impedindo o acesso dos animais.

Atoleiros ao redor do cocho impedindo o acesso dos animais.
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• Cocho ideal: Abaixo temos um exemplo de um cocho ideal. Ele possui as dimensões corretas, é coberto e tem proteção lateral, o que protege o suplemento da ação das chuvas e dos ventos e a área ao seu redor tem calçamento, o que impede a formação de atoleiros e buracos pelos animais. O que não pode ser negligenciada nessa instalação é o manejo dos suplementos, que devem ser fornecidos aos animais durante 365 dias ao ano. Outro ponto importante, como já foi comentado, é a qualidade do suplemento utilizado. Ele deve ser específico para a fase de vida dos animais, atendendo suas necessidades, sendo formulado com matérias primas de qualidade e alta biodisponibilidade, isto é, com fontes nobres e sem contaminantes, sem por em risco a saúde dos homens e dos animais.

“Cocho ideal”.

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Exercícios referentes à Aula 3 Circule a alternativa correta Você considera o manejo de cocho: 1. Muito importante para a suplementação correta 2. Não tem função na propriedade 3. Dá muito trabalho 4. É perda de tempo Quais das alternativas abaixo influenciam no manejo dos cocho? 1. Quantidade de cochos 2. Tamanho dos cochos 3. Localização dos cochos no pasto 4. Todas as alternativas estão corretas Os cochos em número insuficientes: 1. Anulam os efeitos positivos da mineralização 2. Proporcionam economia, pois se gasta menos na construção dos cochos 3. Correta nutrição dos animais 4. Benefício para a saúde dos animais Os cochos devem ser instalados: 1. Nos lugares de maior facilidade para os peões abastecerem 2. Próximos as estradas 3. No malhadouro dos animais 4. Encostados na cerca A manutenção dos cochos deve ser feita: 1. Nas frestas para evitar vazamentos e/ou encharcamento ocasionado por chuvas 2. Na área em volta dos cochos permitindo total acesso dos animais 3. Na cobertura e na proteção lateral para a proteção do suplemento 4. Todas as alternativas estão corretas

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Qual o tamanho do cocho para suplementos minerais com consumo esperado de 100g/animal/dia, para 200 animais? 1. 2. 3. 4. 2 metros com acesso de um lado 2 metros com acesso dos dois lados 4 metros com acesso de um lado 4 metros com acesso dos dois lados

Como deve ser a reposição de suplemento mineral? 1. Os cochos sempre devem estar vazios 2. Deve ser feita 1 vez por semana 3. Os cochos devem ser enchidos até a boca 4. Nenhuma das alternativas está correta. Como deve ser a área ao redor do cocho? 1. Cheia de atoleiros 2. Deve ser um buraco 3. Sempre seca permitindo o acesso dos animais 4. Sempre cheia de água. Os cochos descobertos: 1. Permitem que a mistura fique exposta ao clima 2. Acumula água no cocho o que prejudica a mistura 3. Aumenta o risco de intoxicação no caso de suplementos com uréia 4. Todas as alternativas estão corretas Temos o cocho ideal bem construído, bem localizado, o suplemento mineral e as pastagens são de boa qualidade, mas o desempenho animal não é satisfatório. O que pode estar ocorrendo: 1. Os animais não precisam do suplemento mineral 2. A síndrome do cocho vazio 3. O clima 4. Todas as alternativas estão erradas

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4) Aula 4 - Controle de mineralização
5.1 Ficha de controle de mineralização A ficha de controle de mineralização tem a finalidade de permitir ao pecuarista, visualizar de forma fácil, rápida e segura, a suplementação mineral do seu rebanho, podendo monitorar o consumo de suplementos minerais. Deve ser preenchida uma parte no escritório (frente), antes de ir para o campo, e outra parte no campo (verso), que permitirá o cálculo dos dados no escritório.

Frente. A frente da ficha é para a identificação da fazenda, do número ou nome do pasto onde está o cocho, o número de animais que estão consumindo suplemento mineral naquele cocho, a raça, o mineral utilizado, o capim predominante naquele pasto, a idade e o sexo dos animais, o mês e ano e o número da ficha. Com todos esses dados é possível traçar um histórico de consumo dos piquetes conforme a categoria animal, a época do ano e taxa de lotação. Isso permite identificar se o consumo de minerais está correto, ou se há

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algum problema na alimentação dos animais. Por isso seu preenchimento correto é de extrema importância. Outro ponto a ser considerado é a identificação dos animais, pois o consumo varia conforme o sexo, a época do ano, o tipo de mineral e as condições de pastagem. Depois de preenchida, a ficha vai para o campo para ser completada. No campo, será anotada a data e a quantidade de suplemento mineral colocado no depósito do cocho (caso o cocho tenha depósito) e a data e quantidade que o mineral foi colocado no cocho.

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responsável pelo abastecimento do cocho no campo, deve assinar ao lado. Dessa forma, facilitará o controle sobre o abastecimento e a identificação de eventuais problemas, já que sabemos quem colocou o mineral no cocho. O campo das observações poderá ser usado se acontecer algo diferente, como um manejo realizado com os animais, consumo diferente do habitual, se o cocho tinha mineral ou não, etc. De volta para o escritório devem ser feitos os seguintes cálculos: Dias – total de dias, período em que a ficha ficou no campo. Colocado no depósito – é a soma de todas as quantidades que estiverem na coluna, “Colocado no Depósito (Kg)”. Colocado no cocho - é a soma de todas as quantidades que estiverem na coluna, “Colocado no Cocho (Kg)”. Consumo cabeça/dia - este dado é importante para analisar a quantidade de mineral que os animais estão consumindo por dia, considerando, é claro, todos os fatores que influenciam o consumo de minerais. O consumo é calculado realizando-se a divisão do número de animais pelo total colocado no cocho, dividido pelo total de dias, multiplicado por 1000. O resultado é a quantidade, em gramas, que cada animal consome por dia. (Nº de animais/ total colocado no cocho) / total de dias X 1000. Com todos estes dados devidamente preenchidos e calculados temos um bom parâmetro de como anda o manejo de mineralização do rebanho.

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Exercícios referentes à Aula 4 Circule a alternativa correta A ficha de controle de mineralização deve ser preenchida: 1. No campo 2. No escritório 3. No campo e no escritório 4. Em nenhum lugar Qual a importância de se considerar a categoria animal a ser suplementada? 1. O consumo varia conforme a categoria 2. É apenas mais uma informação 3. Nenhuma, pois isso não tem importância. 4. Todas estão corretas Além do consumo de mineral a ficha permite: 1. Fazer uma programação do consumo de suplementos da propriedade 2. Traçar um perfil de consumo dos pastos 3. Verificar se o abastecimento do cocho está sendo feito de maneira adequada 4. Todas as alternativas estão corretas Quando é preenchida a coluna “Colocado no depósito”? 1. Sempre que for colocado mineral no cocho 2. Sempre que for colocado mineral no depósito 3. Toda a semana 4. Todo o mês Quando o cocho não tem depósito, o que deve ser colocado na coluna “Colocado no depósito”? 1. A quantidade colocada no cocho 2. A quantidade consumida 3. A coluna deve ficar em branco 4. A quantidade de animais do piquete
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A assinatura do responsável é importante para: 1. Identificar quem abasteceu o cocho e localizar os possíveis erros 2. Calcular o consumo mensal 3. Descobrir o mineral que foi utilizado 4. Não serve para nada Como é feito o cálculo do consumo em gramas, por cabeça, por dia? 1. Somando todas as quantidades da coluna “Colocado no cocho” 2. Somando todas as quantidades da coluna “Colocado no depósito” 3. Dividindo o total colocado no cocho, pelo número de animais e depois dividir esse resultado pelo total de dias vezes 1000. 4. Não existe como realizar esse cálculo. A ficha de mineralização deve ficar: 1. No escritório 2. No cocho 3. No arquivo 4. Na casa Qual a importância da correta identificação da ficha? 1. Não ocorrer enganos nas anotações 2. Não tem importância 3. Separar os lotes na fazenda 4. Nenhuma das alternativas está correta No campo “dias” deve ser colocado: 1. O tamanho dos cochos 2. O número dos cochos 3. O total de dias, o período em que a ficha ficou no campo 4. Nenhuma das anteriores

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5)Dicas importantes:
• Após a correta construção dos cochos, adotar sempre um manejo eficiente dos mesmos, de modo a evitar desperdícios e / ou falta de suplementos nos cochos. • Adquirir apenas produtos que contenham o selo do SIF – Serviço de Inspeção Federal. • Exigir suplementos formulados com ingredientes de alta qualidade, com boa disponibilidade biológica dos elementos fornecidos, isentos de elementos tóxicos em níveis que possam trazer riscos à saúde animal.
Utilizar sempre suplementos minerais bem equilibrados, essenciais a saúde dos animais e ao aumento do desempenho zootécnico dos rebanhos.

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Prova Final:
Circule a alternativa correta: O cocho é: 1. Uma construção desnecessária 2. Mais uma instalação na fazenda, mas de menor importância 3. O prato do boi 4. Todas estão corretas A mineralização é fundamental para: 1. Combater a Febre Aftosa 2. Aumentar o desempenho e a saúde dos rebanhos 3. Reduzir o número de animais da propriedade 4. Nenhuma alternativa está correta A desnutrição pode resultar em: 1. Morte do animal 2. Aumento de produtividade 3. Aumento no número de bezerros 4. Maior ganho de peso A cara inchada é causada pela deficiência de: 1. cálcio 2. Fósforo 3. Enxofre 4. Iodo A proteção lateral do cocho serve para: 1. Aumentar a beleza do cocho 2. Sustentar o telhado do cocho 3. Proteger o suplemento dos ventos e das chuvas 4. Todas estão corretas O que é importante na construção dos cochos: 1. Os aspectos técnicos da construção
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2. O custo/benefício dos materiais utilizados 3. O local da instalação 4. Todas estão corretas O suplemento mineral fornecido aos animais deve: 1. Empedrada 2. Molhada 3. Suja com fezes e urina 4. Sempre seca e solta Na reposição dos cochos deve-se: 1. Encher o cocho até a boca, para que a próxima reposição seja depois de 10 dias. 2. Repor o mineral sempre que necessário, no mínimo 2 a 3 vezes por semana 3. Repor o mineral uma vez por mês 4. Todas estão corretas O controle de mineralização: 1. Permite ao pecuarista um melhor controle da propriedade 2. É uma ferramenta gerencial 3. Traça um histórico do consumo de suplementos minerais 4. Todas estão corretas Os suplementos minerais: 1. Devem ser formulados com quaisquer fontes 2. Não precisam ser balanceados 3. Devem ser formulados com fontes de alta biodosponibilidade 4. Não são essenciais para o rebanho
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