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Por que este estudo? .................................... 5


1. A Pessoa Mais Importante da Vida ....... 9
2. Um Lugar Para Esconder-se ................. 23
3. Experimentando a Fidelidade de Deus . 38
4. Aprendendo a Orar ............................... 52
5. Encarando Pressões no Mundo ........... 66
6. Perigos da Racionalização .................... 80
7. Evitando a Mente Dobre ........................ 95
8. Deus em Primeiro Lugar .................... 109
9. Vencendo a Depressão ...................... 125
10. O Aconselhamento de Deus ................ 138
11. A Importância dos Amigos ................. 151
12. A Vida em Perspectiva ........................ 164
Elias sobressai na Escritura como homem de Deus.
Ele foi um dos grandes do Senhor de todas as épocas —
tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos. Mas o
que torna a sua história tão interessante e pertinente a
nossas vidas hoje é que ele foi “um homem semelhante
a nós”. De fato, é assim que Tiago descreve Elias em
sua carta (Tiago 5:17). Sua posição singular no plano de
Deus não o isentou de pressão incrível, ansiedade e
temor intensos, e ira deformante; sofreu também
depressão tão severa que ficou temporariamente
imobilizado.
Contudo, Deus usou Elias — e usou-o grandemente.
Dia a dia, o profeta do Antigo Testamento descobria
forças renovadas mediante a fé, oração e obediência à
voz divina. Isto faz dele um exemplo admirável para o
crente do século vinte que enfrenta os mesmos
problemas — pelo menos em algum grau — que Elias
enfrentou. Decerto suas circunstâncias eram diferentes,
mas suas reações emocionais foram muito humanas.
As lições que fluem da sua vida são princípios bíblicos
que deveras fortalecerão nossa própria dedicação a
Deus, revitalizarão nossa vida de oração e intensificarão
nosso desejo de fazer a vontade divina.
Renovação — Uma Perspectiva Bíblica
A renovação é a essência do Cristianismo dinâmico e
a base sobre a qual os cristãos, tanto no sentido do
“Corpo” como organização, como no sentido de crentes
individuais, podem determinar a vontade de Deus.
Paulo deixou isto bem claro ao escrever aos cristãos de
Roma: “transformai-vos pela renovação de vossa
mente, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).
Aqui Paulo fala de renovação num sentido coletivo e
pessoal. Em outras palavras, Paulo pede que estes
cristãos, como um corpo de crentes, desenvolvam a
mente de Cristo mediante a renovação conjunta.
A renovação pessoal não acontece como Deus
pretendia a menos que se dê no contexto da renovação
coletiva. Por outro lado, a renovação como um corpo
não acontece como Deus pretendia sem a renovação
pessoal. Ambas são necessárias.
O círculo maior representa a “renovação da igreja”.
Este é o conceito mais abrangente do Novo
Testamento. As igrejas locais, porém, são formadas de
unidades menores, independentes, mas inter-
relacionadas. A família, na Bíblia, emerge como a
“igreja em miniatura”. Por sua vez, a família é
constituída de uma unidade social menor — o
casamento. O terceiro círculo interno representa a
renovação pessoal, que está inseparavelmente ligada a
todas as outras unidades básicas. O casamento é
constituído de dois indivíduos que se tornam um. A
família é formada de pais e filhos que também devem
refletir a mente de Cristo. E a igreja se compõe não
apenas de indivíduos crentes, mas também de casais e
famílias.
Embora todas estas unidades sociais se inter-
relacionem, a renovação bíblica pode começar em
qualquer delas. Mas onde quer que se inicie — na igreja,
nas famílias, nos casamentos ou nos indivíduos — o
processo influência de imediato todas as outras
unidades sociais. Uma coisa é certa: tudo o que Deus
diz é coerente e harmonioso. Ele não possui um
conjunto de princípios para a igreja, outro para a
família, outro para maridos e mulheres e ainda outro
para os crentes como indivíduos. Por exemplo, os
princípios que Deus esboça para os anciãos das igrejas
locais, pais e maridos, quanto a seu papel de líderes, são
inter-relacionados e coerentes. Se não o forem,
podemos estar certos de que não interpretamos o plano
de Deus corretamente.

Gene A. Getz
untamente com Moisés, Elias sobressai no Antigo
Testamento como um dos mais influentes e
poderosos servos de Deus. De fato, C. F. Keil afirma:
“Nenhum outro profeta, antes ou depois, lutou e
trabalhou no reino idólatra para honra do Senhor dos
Exércitos com nada que se assemelhasse ao grande
poder de Deus quanto o poderoso profeta Elias.”1
Não nos deve surpreender que Elias também seja
frequentemente exaltado no Novo Testamento. Ele,
juntamente com Moisés, apareceu em glória no
monte da Transfiguração e falava da partida de Jesus,
que se estava para cumprir em Jerusalém (Lucas
9:31; veja também Mateus 17:3).
Há muitas similaridades entre Elias e seu
antepassado Moisés. Ambos tinham uma
comunicação fora de série com Deus. Ambos foram
singularmente usados por Deus a fim de demonstrar
seu grande poder com sinais, prodígios e milagres.
Ambos desempenharam papéis estratégicos na vida
espiritual de Israel.
Mas também há uma diferença admirável!
Sabemos muito sobre Moisés — seus pais, seu
nascimento, sua infância e sua preparação para
tomar parte no destino de Israel. Em contraste, Elias
aparece de súbito nas páginas do Antigo Testamento.
Ele é simplesmente identificado como “Elias, o
tesbita, dos moradores de Gileade” (1 Reis 17:1).
Nada sabemos de seus pais e de sua infância.
Podemos apenas especular com referência à sua
atividade profética antes deste momento em sua
vida. E a maioria dos eruditos bíblicos concordam
que nem mesmo podemos especificar o lugar em que
ele nasceu. Os arqueólogos jamais foram capazes de
identificar com certeza a localidade de Tesbe, cidade
natal de Elias.
A missão de Elias
1 Reis 17:1a
Não podemos compreender a missão que Deus
confiou a Elias a menos que compreendamos os
acontecimentos históricos que o levou a um
confronto com Acabe.
Fundo Histórico
Por anos, Israel existiu sob a direção de reis —
primeiro do rei Saul, que foi seguido por Davi e
depois por Salomão, filho de Davi. Deus havia
prometido a Israel que se o povo lhe obedecesse, ele
os abençoaria e os espalharia pelos confins da terra
(Deuteronômio 28:1-68).
Repetiu-se esta advertência e promessa a Salomão
(1 Reis 9:1-7). Com frequência acontecia com muitos
líderes de Israel que um bom começo tinha um final
infeliz. Salomão pecou contra Deus particularmente
ao tomar para si muitas esposas estrangeiras. Com o
tempo ele veio a adorar seus deuses falsos. Em
consequência, Deus tirou a Salomão do trono e, nesta
conjuntura da história israelita, o reino se dividiu. As
tribos do norte dirigidas no início por Jeroboão,
continuaram com o nome de Israel. As tribos do sul
(Judá e Benjamim) eram regidas por Roboão.
Ambos os reinos continuaram a caracterizar-se pela
idolatria e imoralidade. Com poucas exceções, um rei
após o outro de ambas as nações seguiram nos passos
de Salomão. Acabe, o rei de Israel a quem Elias
confrontou, foi ainda mais ímpio que os reis que o
precederam. Este fato está bem claro no registro
histórico em que lemos: “Fez Acabe, filho de Onri, o
que era mau perante o Senhor, mais do que todos os
que foram antes dele” (1 Reis 16:30).2 O versículo
seguinte é ainda mais específico quanto a este
pecado. “Como se fora coisa de somenos andar ele
nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por
mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e
foi, serviu a Baal, e o adorou” (16:31).
Os pecados de Jeroboão e de Acabe
Os “pecados” de Jeroboão sobressaem na história
de Israel. Como primeiro rei de Israel depois da
divisão do reino, ele mudou o lugar central de culto
de Jerusalém para Betel e Dã. Além disso, fez dois
bezerros de ouro e os colocou nestas localidades.
Então disse ao povo: “Basta de subirdes a Jerusalém;
vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da
terra do Egito!” (1 Reis 12:28). Ele também construiu
“santuários nos altos e, dentre o povo, constituiu
sacerdotes, que não eram dos filhos de Levi”, uma
violação direta dos mandamentos de Deus (12:31).
Ele não apenas instruiu aos filhos de Israel a adorar
deuses falsos, mas também modelou o processo com
sua própria vida. Lemos que ele “fez uma festa no
oitavo mês, no dia décimo-quinto do mês, igual à
festa que se fazia em Judá, e sacrificou no altar;
semelhantemente fez em Betel, e ofereceu sacrifícios
aos bezerros que fizera” (12:32).
Embora Jeroboão houvesse cometido um horrendo
pecado estabelecendo estes novos lugares de
adoração e erigindo deuses falsos, ele não afastou
tanto da vontade de Deus quanto Acabe. Os
“bezerros de ouro” eram símbolos egípcios usados
pelo menos para adorar a Jeová. Acabe, por outro
lado, deu o passo seguinte na introdução da idolatria
em Israel. Robert Jamieson lembra-nos que “Acabe
efetuou uma revolução muito pior com a introdução
dos ídolos pagãos ou fenícios, Baal e Astarote, e com
a construção de santuários para eles”.3 Embora as
ações de Jeroboão tivessem sido abomináveis, as de
Acabe foram muito piores.
Neste sentido, Acabe sofreu grande influência de
sua ímpia mulher, Jezabel. O pai dela era sacerdote
pagão e sua impiedade refletia-se na filha. A
reputação ímpia de Jezabel era tão notória que o
apóstolo João, séculos mais tarde, no livro do
Apocalipse, usou seu nome para exemplificar o pior
tipo de corrupção na Igreja. Escreveu o apóstolo:
“Tenho, porém contra ti o tolerares que essa mulher,
Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não
somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a
praticarem a prostituição e a comerem coisas
sacrificadas aos ídolos” (Apocalipse 2:20).
Contra este fundo histórico, entra em foco a
natureza da missão de Elias. Lemos que Acabe fez
“mais abominações para irritar ao Senhor Deus de
Israel do que todos os reis de Israel que foram antes
dele” (1 Reis 16:33). Quando Elias foi à presença do
rei a fim de proclamar o juízo de Deus, encontrou um
homem ímpio que havia desviado a Israel mais do
que todos os líderes que o precederam.
A mensagem de Elias
1 Reis 17:1c
A profecia de Elias foi direta, concisa e clara. Sem
hesitação ele disse: “Nem orvalho nem chuva haverá
nestes anos segundo a minha palavra” (1Reis 17:1c).
Não sabemos se Elias prefaciou estas palavras com
outras afirmações ou se dialogou com Acabe depois
do pronunciamento. Pessoalmente, creio que não o
fez. Antes, deve ter entrado corajosamente na
presença de Acabe e saído logo após entregar sua
mensagem sem elaboração.
Há algo muito significativo na afirmação profética
de Elias. Na maioria dos casos bíblicos em que o
profeta estava prestes a falar, ele introduzia sua
mensagem da seguinte forma: “Palavra do Senhor
que veio a...” Mas tal não aconteceu neste caso! Elias
simplesmente compareceu na presença de Acabe, rei
de Israel, e apresentou o seu pronunciamento sem a
introdução costumeira. Ele não fez mais do que
declarar: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de
Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem
chuva haverá nestes anos segundo a minha palavra”
(17:1).
Por que não precedeu Elias sua afirmação profética
com as palavras: “Veio-me a palavra do Senhor...”?
Não teria ele uma palavra específica da parte de Deus
concernente ao que ia acontecer? Veja o leitor, Deus
já havia falado a Israel mediante Moisés sobre o que
aconteceria se o povo fosse culpado de idolatria.
Enquanto Moisés recapitulava a Lei antes de
entrarem na Terra Prometida, ele disse: “Guardai-vos
não suceda que o vosso coração se engane, e vos
desvieis e sirvais a outros deuses e vos prostreis
perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra
vós outros, e feche ele os céus e não haja chuva, e a
terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da
boa terra que o Senhor vos dá” (Deuteronômio 11:16-
17; veja também Levítico 26:19-20; e Deuteronômio
28:23-24).
Orou Elias, neste caso, para que Deus retirasse a
chuva da terra na base de sua revelação anterior?
Segundo o que Tiago escreveu, parece que essa é
uma possibilidade (Tiago 5:17). Se esta suposição for
verdadeira, ela diz-nos também bastante acerca de
sua fé no Deus vivo e também do que levou Elias a
dar esse passo.
A motivação de Elias
1 Reis 17:1b
O que levaria um homem a falar como Elias falou?
Afinal de contas, ele “era homem semelhante a nós”
(Tiago 5:17). Ele tinha as mesmas emoções,
experimentava os mesmos temores, e encarava as
mesmas dúvidas. Certamente sabia no coração, antes
de ir à presença da corte de Acabe, que ele e sua
mensagem seriam rejeitados. Além disso, deve ter
sabido também que sua própria vida corria perigo.
A história toda de Elias deixa claro que sua
motivação baseava-se em um Deus vivo e fiel à sua
palavra. Elias era homem de fé, Ele sabia que Deus
afirmara a Moisés anos antes que o Senhor
transformaria a chuva em pó e poeira (veja
Deuteronômio 28:24) se Israel seguisse falsos deuses.
E era justamente o que o povo escolhido de Deus
havia feito. Elias tinha confiança em que Deus
honraria a oração que se baseia na vontade divina!
Antes de entrar na presença de Acabe ele havia orado
fervorosamente para que não chovesse, e como Tiago
registrou anos mais tarde, “por três anos e seis meses
não choveu” (Tiago 5:17). Deus honrou a fé do
profeta Elias!
Elias também era homem dedicado. Ele servia ao
Deus vivo de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele fez que
Acabe visse que sua motivação era tão clara como o
cristal. “Tão certo como vive o Senhor, Deus de
Israel, perante cuja face estou...” proclamou ele (1
Reis 17:1b)! Com esta declaração Elias estava
comparando o Deus vivo com os deuses de madeira
e pedra de Acabe.
Em essência, ele dizia: “Tu serves a deuses mortos,
Acabe! Eu sirvo a um Deus vivo!” E sem que Acabe o
soubesse, Elias também estava dizendo: “O próprio
Deus provará este ponto!” E, como veremos, ele fez
justamente isso!
Uma perspectiva neotestamentária
da idolatria
Muitos que se tornaram cristãos no mundo do Novo
Testamento também haviam participado
profundamente da adoração aos ídolos. Foi o que se
verificou particularmente nas culturas grega e
romana. Embora os judeus nesta época estivessem
relativamente livres da idolatria, era essa a norma do
mundo gentio. Por exemplo, Lucas registra que Paulo
ficou muitíssimo perturbado em Atenas quando viu a
cidade cheia de ídolos (Atos 17:16). Mais tarde, este
grande apóstolo dos gentios criou um sério motim em
Éfeso por ensinar “não serem deuses os que são feitos
por mãos humanas” (Atos 19:26). Os que fabricavam
estes ídolos e os vendiam nos mercados ficaram
lívidos de ira porque o ensino de Paulo prejudicava
lhes o comércio.
A mensagem de Jesus Cristo penetrou este
ambiente idólatra. Os que se tornaram cristãos em
Tessalônica testificaram deste fato, pois vemos que,
no dizer de Paulo, “vos convertestes a Deus, para
servirdes ao Deus vivo e verdadeiro” (.1
Tessalonicenses 1:9). Neste sentido, as conversões
eram dramáticas, e as escolhas claras. Mas, como era
de esperar, estes novos cristãos encaravam
problemas culturais tais como o que fazer a respeito
da adoração aos ídolos, particularmente no que se
relacionava com as rotinas normais da vida. Por
exemplo, os coríntios, em particular, tinham
problema com a carne vendida no mercado, que
havia sido oferecida a ídolos. Na carta de Paulo aos
coríntios ele os ajuda a resolver este problema (1
Coríntios 8:1-13).
Idolatria, portanto, tem sido predominante por toda
a história. E onde quer que chegue a verdadeira
mensagem de Deus, ela tem confrontado com
intrepidez esta prática maligna. Servir ao Deus vivo e
dobrar-se aos ídolos mortos são práticas religiosas
incompatíveis.
Uma perspectiva do século vinte sobre
a idolatria
Para muitos cristãos hoje, particularmente no
mundo ocidental, é difícil identificar-se com a
idolatria das culturas bíblicas. O curvar-se a ídolos de
madeira ou pedra é uma experiência alheia à maioria
de nós. Contudo, grande parte da população do
mundo ainda vive em flagrante idolatria.
Quando minha esposa e eu nos encontrávamos em
Hong Kong para um ministério especial, a todo
instante víamos pessoas adorando ídolos. Uma vez
que a porcentagem da população que se diz cristã é
pequena, a maioria destes povos ainda praticam a
adoração aos ídolos. Seus templos e relicários
contêm centenas de imagens. Muitos lares exibem
deuses domésticos na entrada ou em prateleiras
especiais. O povo crê que os ídolos lhe trarão paz,
proteção e prosperidade.
Lembramo-nos também de ter visitado várias
igrejas na Guatemala. Embora tivéssemos ouvido
com frequência que muitos povos em várias partes
do mundo misturam o Cristianismo com suas
religiões pagãs, ficamos chocados ao ver curandeiros
realizando seus encantamentos idólatras no
santuário principal destas igrejas.
Um pouco antes, minha esposa e eu visitamos uma
caverna ao lado de uma montanha nos arredores
daquela cidade. As paredes da caverna estavam
pretas da fumaça de sacrifícios queimados; o solo,
coberto de restos de animais — penas de aves, ossos,
etc. Nas paredes cobertas de fuligem, havia desenhos
de cruzes. Este lugar era bem conhecido na
comunidade como a caverna do curandeiro — um
lugar em que se realizavam ritos cerimoniais, fazendo
preces a espíritos maus e adorando ao mesmo tempo
a cruz de Cristo.
Foi chocante ver o Cristianismo e o paganismo
praticados como uma religião unificada numa
caverna ao lado de uma montanha; mas vê-lo
praticado dentro de uma igreja foi ainda pior. Ver
isto, em primeira mão, também nos ajudou a
compreender mais claramente como os filhos de
Israel misturavam seus hábitos idólatras antigos com
a adoração ao Deus verdadeiro. A isto se dá o nome
de sincretismo, que ainda prevalece em muitas
partes do mundo, particularmente nas áreas pagãs
infiltradas pelos missionários católicos romanos.
Há um motivo pelo qual isto acontece com mais
frequência no Catolicismo romano do que nos outros
ramos do Cristianismo. Por anos, estátuas e imagens
têm sido parte importante do culto católico romano.
Embora muitos católicos neguem veementemente
adorar a ídolos, é um fato muito natural para as
pessoas que adoram ídolos adotar estes “símbolos
cristãos” e empregá-los em seu sistema religioso. Isto
aconteceu no monte Sinai quando Israel fez um
bezerro de ouro representando Deus. Adotaram a sua
nova religião combinada com práticas idólatras
antigas.
A realidade é que, em sua maioria, os católicos
romanos norte-americanos ficariam chocados com o
que vimos. Certa ocasião eu contava esta história e
disse que não somente havia visto curandeiros dentro
da igreja oferecendo sacrifícios, mas que o sacerdote
local encontrava-se fora no pátio realizando a missa.
Uma pessoa do grupo, de formação católico-romana,
veio ver-me depois em estado de choque. Ela achava
muito difícil acreditar que eu estivesse apresentando
fatos. E isto, é claro, eu compreendo. Mas o que eu
disse era verdade.
Que dizer daqueles que jamais praticaram este tipo
de idolatria? É possível que nós também sejamos
culpados de uma forma mais sutil de adoração a
ídolos?

Servimos a Deuses Humanísticos?


Paulo lembra-nos, na carta aos romanos, que
quando a pessoa se afasta da vontade de Deus quanto
à adoração, seu primeiro passo é trocar “a glória do
Deus incorruptível em semelhança do homem
corruptível” (Romanos 1:23). Sempre e onde quer
que isto aconteça, continua Paulo, a humanidade
muda “a verdade de Deus em mentira, adorando e
servindo a criatura, em lugar do Criador” (1:25).
Na cultura ocidental hoje, em vez de adorar
imagens de pessoas, é mais provável que adoremos
as próprias pessoas. Há muitos exemplos disso, mas
nenhum é mais visível do que no mundo das
diversões. Quando Elvis Presley morreu, pessoas de
todos os lugares fizeram coisas incríveis para
demonstrar sua lealdade a um homem que,
provavelmente, na época, fez mais do que qualquer
outro para corromper a moral dos jovens. Anos mais
tarde, gente de todas as idades ainda “adora” a
memória de um homem que morreu em
consequência do seu vício em drogas.
Alguns povos têm a tendência de glorificar as
pessoas. Nos anos recentes, parece que quanto mais
sórdida é a vida do indivíduo, tanto mais atenção
consegue na imprensa, no rádio e na televisão.
Falando com locutores e repórteres, dizem-nos que
estão dando ao povo o que ele quer!
No aspecto religioso, alguns povos adoram seus
guias espirituais. Isto se verifica particularmente nas
seitas, das quais os Moonies são um exemplo clássico.
Contudo, os cristãos que crêem na Bíblia também
podem chegar à beira da adoração ao pastor. Na
mente de alguns, os que os dirigem podem tornar-se
mais importantes do que o Deus que representam.
Quando isto acontece, estamos servindo a deuses
humanísticos.
Servimos a Deuses Materialistas?
Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores;
porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro;
ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não
podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus 6:24).
Os Estados Unidos são um ambiente excelente para
que as pessoas de todas as camadas sociais sirvam a
deuses materialistas. Em anos recentes, algumas das
pessoas que recebem os mais altos salários (atletas)
entraram em greve porque queriam mais dinheiro!
Algumas das suas reclamações eram compreensíveis,
mas é um sintoma clássico da doença cancerosa que
infesta a cultura norte-americana — o materialismo,
e a Bíblia lhe dá o nome de idolatria. Infelizmente, os
cristãos também contraem esta enfermidade
muitíssimo contagiosa.

Servimos a Deuses Sensuais?


Por toda a história a idolatria e a imoralidade têm
sido aliadas íntimas. Não é necessário esmerar-nos
no que está acontecendo na cultura norte-americana.
Mais e mais estamos adorando no relicário do sexo.
Dobramo-nos a símbolos sexuais — tanto masculinos
como femininos — desfrutando sua imoralidade
flagrante. Somos uma nação que se preocupa com a
sensualidade. Isto também é idolatria.
Escrevendo aos efésios, Paulo disse: “Nenhum
incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra,
tem herança no reino de Cristo e de Deus” (Efésios
5:5).
Adoramos Deuses Relacionais?
Ironicamente, numa época em que os casamentos
se desfazem, em que os pais abandonam os filhos e
os filhos desonram aos pais, há os que têm feito seu
relacionamento familiar e suas amizades mais
importantes do que Deus. Jesus disse: “Quem ama a
seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno
de mim; e quem não toma a sua cruz, e vem após
mim, não é digno de mim” (Mateus 10:37-38).
Em alguns aspectos estamos sentindo uma reação
exagerada no que concerne aos relacionamentos do
lar. Isto se verifica de modo particular entre os
cristãos. Por anos, muitos pais negligenciaram os
filhos envolvendo-se demais nas atividades religiosas.
O resultado foi rebeldia e ressentimento para com
Deus e a igreja. Mas em algumas situações os cristãos
têm ido para o outro extremo. Não permitem que
nada — inclusive a lealdade a Deus — interfira em
seus relacionamentos com a família e amigos. Ambas
as reações, é claro, são erradas! É possível colocar
Deus, a família e os amigos na devida perspectiva.
Uma escolha pessoal
Até que ponto é você culpado de sincretismo? Há
duas maneiras de nos guardarmos da idolatria de
qualquer forma.
Primeiro, como Josué de antigamente, devemos
fazer uma escolha. Perante os filhos de Israel, logo
antes de se estabelecerem na Terra Prometida, ele
disse: “Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com
integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses
aos quais serviram vossos pais além do Eufrates e no
Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal
servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais. Se aos
deuses a quem serviram vossos pais, que estavam
dalém do Eufrates, ou os deuses dos amorreus, em
cuja terra habitais.”
Então Josué culminou esta exortação com um
testemunho poderoso e pessoal: “Eu e a minha casa
serviremos ao Senhor” (Josué 24:14-15).
Você também deve fazer essa escolha. Mesmo
depois de fazê-la, ainda deve estar vigilante contra a
idolatria. É preciso que você renove sua dedicação de
servir ao Deus vivo e verdadeiro dia após dia.
Segundo, devemos avaliar constantemente nosso
estilo de vida, à luz da Palavra eterna de Deus. As
seguintes perguntas podem guiá-lo: Há, em minha
vida, algo consistentemente mais importante do que
Deus e sua vontade?
• Minhas necessidades pessoais
• Meu status e posição
• Meus bens materiais
• Minhas atividades recreacionais
• Meu emprego
• Minhas horas de lazer
• Meu passatempo
• Outros
Se você responder afirmativamente a qualquer uma
destas perguntas, deve voltar à proclamação de
Josué e torná-la sua; então, dia a dia, deve precaver-
se contra a influência sutil da idolatria do século
vinte.

_____
1 C. F. Keil, Commentary on the Old Testament, vol. 3 (Grand Rapids:
Wm. B. Eerdmas Publishing Co.), p. 229.
2 Daqui para a frente os itálicos das citações bíblicas são

acrescentados pelo autor com o propósito de ênfase.


3 Robert Jamieson, A Commentary on the Old and New Testaments,

vol. 2 (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Co., 1948), p. 348.


A Bíblia não especifica quais foram as reações
imediatas ou subseqüentes de Acabe depois que
Elias entrou no palácio e anunciou que haveria
uma seca por causa das ações idólatras do rei. Mas
podemos especular! Se, a princípio, o rei tivesse
rido deste velho profeta excêntrico e sua ousadia,
a indisposição do monarca em levar Elias a sério
logo deve ter mudado com a falta de chuva.
Quando o alimento e suprimento de água
começam a escassear, as pessoas ficam logo
nervosas. Quando os vales produtivos e frutíferos
de Israel começaram a transformar-se em panelas
de pó, Deus conseguiu a atenção de Acabe.
Em vez de arrepender-se dos seus pecados e
levar Israel a abandonar os ídolos e adorar a Jeová,
Acabe concentrou sua frustração sobre Elias. Ele
expediu uma ordem para que prendessem esse
perturbador, o que revela a que ponto ele havia
abandonado o Deus dos seus pais. Ou ele não sabia
o que estava fazendo ao tentar capturar este
representante do Deus vivo ou se recusava a crer
no que sabia ser verdade. Declarar guerra contra
Elias era guerrear contra o Criador do universo.
Acabe não aceitava o fato de que para ele, e para o
povo de Israel, esta era uma situação sem saída.
A proteção de Deus
1 Reis 17:2-3
Quando a vida de Elias corria perigo por causa
da determinação de Acabe de encontrá-lo, “veio-
lhe a palavra do Senhor” (1 Reis 17:2). A Bíblia
relata especificamente o que Deus disse. “Retira
daqui, vai para a banda do oriente, e esconde-te
junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão” (1
Reis 17:2).
Como no caso de Tesbe, local do nascimento de
Elias, não conseguimos determinar a localidade
exata deste “esconderijo”. Os comentaristas
bíblicos concordam apenas em um ponto —
poderia ter sido um de muitos lugares, pois havia
numerosos barrancos nesta área. Isto, é claro, é
que o tornava um lugar seguro para Elias.
Repetidamente na Bíblia, em particular por todo
o Antigo Testamento, encontramos este cenário
básico. Deus muitas vezes protegeu seus servos dos
inimigos deles quando aqueles se opunham à
idolatria.
Demonstra-se isto de modo dramático no livro
de Daniel. Em certa ocasião, três amigos de Daniel
— Sadraque, Mesaque e Abede-Nego —
recusaram-se a adorar um enorme ídolo construído
pelo próprio rei, sabendo que ele havia ordenado
que todo aquele que não se prostrasse e adorasse a
enorme imagem de quase trinta metros de altura
seria imediatamente lançado na fornalha ardente
(Daniel 3:6).
Quando Nabucodonosor ficou sabendo que
esses três homens, seus servos fiéis, haviam-se
recusado a adorar o ídolo, ficou furioso. E por que
eram seus servos, ele os fez comparecer à sua
presença para justificar tal desafio.
“É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-
Nego”, perguntou o rei, “que vós não servis a meus
deuses nem adorais a imagem de ouro que
levantei?” (3:14).
Sem hesitar, estes homens responderam: “Ó
Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos
de te responder. Se o nosso Deus, a quem
servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da
fornalha de fogo ardente, e das tuas mãos, ó rei”
(3:16-17).
Deus escolheu livrar estes homens. Em sua ira o
rei mandou que a fornalha fosse aquecida sete
vezes mais do que o costume. De fato, ficou tão
quente que os homens que lançaram Sadraque,
Mesaque e Abede-Nego no inferno ardente,
morreram queimados ao aproximar-se dela.
Mas eis que, olhando o rei para dentro da
fornalha, viu “quatro homens soltos, que andam
passeando dentro do fogo sem nenhum dano; e o
aspecto do quarto é semelhante a um filho dos
deuses” (3:25).
Sem o saber, Nabucodonosor não estava
olhando para um filho dos deuses mas para o Filho
do Deus vivo! É provável que esta tenha sido uma
aparição de Jesus Cristo no Antigo Testamento.
Deus, de modo miraculoso, protegeu estes
homens que se opuseram firmemente à idolatria. E
mais tarde o Senhor fez o mesmo por Daniel. O rei
Dario decretou que, por certo período, aquele que
orasse a outro deus ou alguém a não ser a ele, seria
lançado na cova dos leões (6:7). Daniel ignorou
este decreto e continuou sua prática de ajoelhar-se
três vezes ao dia e orar ao Deus vivo. Ao tomar
conhecimento deste fato, o rei mandou atirar
Daniel na cova dos leões. Uma vez mais, porém,
vemos a proteção miraculosa de Deus. O Senhor
enviou um anjo (provavelmente o próprio Jesus
Cristo) que “fechou a boca dos leões” (6:22) e
Daniel foi libertado sem dano nenhum.
Assim também, Deus protegeu a Elias que, em
essência, muitos anos antes havia tomado a
mesma posição de Daniel e de seus três amigos.
Quem sabe? Talvez tivesse sido o exemplo de Elias
que deu a estes homens a coragem de recusar-se a
adorar deuses falsos.
A provisão de Deus
1 Reis 17:4-6
Deus não somente protegeu Elias das ações de
Acabe, mas ainda proveu para as necessidades
materiais de seu servo. Elias também era vítima da
seca que pediu a Deus enviar sobre Israel.
Conseqüentemente, Deus o levou a um lugar em
que podia beber da água de uma torrente. Além
disso, Deus, de um modo sobrenatural, proveu
alimento a Elias. “Ordenei aos corvos que ali
mesmo te sustentem” disse Deus (1 Reis 17:4).
Por que escolheu aves para levar alimento a
Elias? E por que corvos, uma vez que foram
classificados por Deus como aves imundas que não
devem ser comidas (Levítico 11:13-15;
Deuteronômio 14:11-14)? Há várias explicações
possíveis.
Deus Ainda Estava no Controle
Deus certamente afirmava a Elias que não o
havia abandonado. Uma vez que Elias era homem
semelhante a nós, ele seria tentado a duvidar da
participação de Deus na sua vida quando estivesse
sob pressão — especialmente pressão deste tipo.
Isaías escreveu que Deus pode ordenar as
nuvens e elas não produzirão a chuva (Isaías 5:6).
Foi isso, deveras, que ele fez em resposta à oração
de Elias. Lá no deserto, escondendo-se de Acabe,
Deus disse a seu servo que ordenaria aos corvos
que o alimentassem de manhã e de noite.
Diariamente, ao nascer e ao pôr do sol, os corvos
serviam de lembrete constante de que Deus ainda
estava no controle da natureza. Até mesmo os
animais estavam sujeitos à sua direção.
Deus Interessava-se Pelas Necessidades
mais Profundas de Elias
Por que Deus não proveu o maná a Elias como o
fez para os filhos de Israel anos antes ao vaguearem
pelo deserto? Deus também foi sensível às
necessidades emocionais de Elias — sua solidão.
Em vez de deixá-lo a sós em um lugar deserto,
cercado por árvores e arbustos que já começavam
a refletir a aparência de morte pela falta de
umidade, Deus, em sua graça, concedeu a seu
servo um toque diário de vida. Como Elias deve ter
ficado contente ao ver os corvos chegarem todas as
manhãs e todas as tardinhas!
Deus Estava Afirmando a Elias que Ele
Pode Usar Qualquer Coisa e Qualquer Pessoa
O fato de os corvos serem considerados aves
imundas seria um lembrete regular de que Deus
pode usar até mesmo vasos imundos para realizar
suas obras. Se Elias fosse tentado a duvidar de sua
dignidade em participar de um plano tão
dramático, os corvos lembrar-lhe-iam
regularmente que Deus pode usar um homem
embora este se sinta inadequado para a tarefa.
Deus Acrescentou um “Toque Especial”
Finalmente, note que o Senhor proveu para Elias
pão e carne. Ele poderia ter-lhe dado pão ou
apenas carne. Elias teria sobrevivido com um dos
dois. Deus proveu-lhe ambos — uma dieta
balanceada. Em outras palavras, Deus acrescentou
esse “algo extra” para encorajá-lo em meio a uma
experiência muito difícil.
Quaisquer que fossem os motivos pelos quais
Deus enviou corvos para alimentar a Elias, parece
claro que ele satisfez as necessidades do seu servo
não somente física mas psicológica e
espiritualmente. É um lembrete incomum de que
Deus cuida dos seus filhos, especialmente daqueles
que o servem de maneiras especiais.
A preparação de Deus
Há outro fator que se relaciona com a
experiência de Elias neste lugar deserto. Quase
todas as pessoas a quem Deus tem usado para
realizar uma tarefa especial têm passado por uma
época de preparação. Com freqüência, essa
preparação requer isolamento, rejeição e solidão.
Quão verdadeiro foi isso no caso de Moisés! Ele
passou quarenta anos no deserto depois de seus
primeiros quarenta anos no Egito. Ele não o sabia
na época, mas Deus o estava preparando para a
maior tarefa que um ser humano jamais enfrentou
— tirar os filhos de Israel do Egito. Sem essa
preparação, Moisés não estaria em condições de
enfrentar as dificuldades que estavam pela frente.
Anos mais tarde, José passou vários anos em
uma prisão egípcia antes de ser promovido a
primeiro-ministro do mesmo país. Sem as
experiências da prisão e sem a rejeição que dela
adveio, ele não estaria pronto para a tarefa que
Deus tinha para ele.
O apóstolo Paulo, depois de sua conversão a
Cristo, passou três anos em obscuridade na Arábia.
Aí, Deus o estava preparando para tornar-se um
grande missionário do mundo gentio. Sem essa
preparação, ele não estaria pronto.
Até mesmo Jesus Cristo, Filho de Deus e
Salvador do mundo, passou anos em obscuridade
antes de dar início a um ministério público. Os
quarenta dias que ele esteve no deserto foram o
toque final na preparação para a estrada solitária
que ele tinha pela frente e que terminaria na cruz.
Não nos deve causar surpresa, pois, que Deus
estivesse realizando algo especial na vida de Elias
em preparação para o que estava por vir. E nos
capítulos seguintes veremos por que Elias
precisava dessa preparação.
Que dizer de você e de mim?
Algumas das maiores lições de Deus para todos
nós surge do estudo das vidas e experiências de
personagens do Antigo Testamento. Elias não é
exceção. Embora fosse um grande profeta de Deus,
era um homem semelhante a nós.
Ao fazer estas aplicações, porém, devemos ter
cuidado em considerar o que Deus diz tanto no
Antigo como no Novo Testamentos concernente à
sua vontade.
Algumas Precauções
Elias foi uma pessoa especial com um chamado
especial para realizar uma missão especial.
Conseqüentemente, é perigoso generalizar para a
nossa experiência em todos os particulares. Por
exemplo, Deus com freqüência falou diretamente a
Elias e lhe disse o que fazer. É por isso que ele é um
profeta do Antigo Testamento no verdadeiro
sentido da palavra. Ele, muitas vezes, tornou-se o
porta-voz de Deus a Israel.
Há os que acreditam que Deus lhes fala hoje
como o fez com Elias. Deus pode fazê-lo, é claro,
pois tem o poder de realizar tudo o que quiser. Mas
na maioria dos casos, parece que ele prefere não
fazê-lo. Antes, uma vez que falou por meio dos seus
apóstolos e profetas e nos deu as Sagradas
Escrituras, ele prefere usar essa Palavra revelada a
fim de comunicar a sua vontade. Em geral, as
Escrituras nos dão tudo o de que precisamos saber
para determinar a vontade divina para a nossa
vida.
A necessidade de sermos cautelosos neste
assunto veio-me à mente certo dia quando uma
senhora me procurou por causa do marido. Ele não
era cristão e nada queria com a convicção
espiritual dela, de sua igreja ou de seu Senhor. Ele
havia contratado um advogado e estava tentando
despejá-la de casa. Antes ela também havia
procurado um advogado, mas o dispensou porque
acreditava que Deus lhe havia dito que o marido se
tornaria crente, que ele aceitaria suas convicções
espirituais e iria com ela e sua família servir como
missionários no estrangeiro. Entretanto ela se
preocupava porque o plano não estava saindo da
maneira que Deus lhe dissera.
Primeiro, permita-me acentuar que esta senhora
não estava enferma nem mental nem
emocionalmente. Ela simplesmente havia
aprendido que Deus fala aos crentes hoje assim
como o fez a Elias. Como acontece com tanta gente
que recebeu esse ensino, com sinceridade ela
havia simulado uma experiência histórica e
espiritual com algum tipo de experiência
psicológica subjetiva. Ela se encaminhava para um
problema sério que a deixaria mais desiludida do
que antes.
— Não tenho tanta certeza de que foi Deus quem
falou com a senhora — disse-lhe eu depois de ouvir
a sua história.
— O senhor não tem certeza? — perguntou ela.
— Então será que foi Satanás? — perguntou ela,
refletindo outra idéia confusa com referência às
comunicações sobrenaturais.
— Não, não acredito que fosse Satanás —
respondí.
— Então fui eu mesma? — indagou ela.
— Sim, creio que provavelmente tenha sido a
senhora mesma: seu desejo, sua esperança para o
futuro — disse-lhe eu.
Neste caso, como em muitos outros, esta mulher
estava “falando consigo mesma”. Seus desejos
profundos tornaram-se sinais verbais. E ela cria
que era Deus quem lhe estava falando através da
mente.
Mais tarde, durante nossa conversa, ela indicou
que Deus também lhe dera uma mensagem
parecida mediante alguns versículos bíblicos do
livro dos Atos. Depois de discutir o contexto literal
daquela passagem bíblica, ela viu que estava
usando mal a Palavra de Deus.
Percebemos como pode ser perigoso crer que
Deus nos está falando diretamente através de
nosso sistema mental e psicológico, ou crer que
Deus está falando mediante uma passagem bíblica
tirada do seu contexto. Há gente que com grande
sinceridade sai da vontade divina por dar ouvidos
a essas vozes interiores. A voz que Elias ouviu não
era interior. Era externa. Era de Deus.
As Escrituras também são de Deus. São dignas
de confiança. Mas devemos certificar-nos de que
interpretamos corretamente a Palavra divina. Se
não tivermos cautela, podemos até usar passagens
bíblicas subjetivamente e fazê-las dizer tudo o que
nós desejamos que digam. Com isto em mente,
vejamos como podemos discernir a vontade de
Deus mediante a totalidade das Escrituras.
Alguns Desafios
Que dizer da proteção e provisão de Deus para
nós hoje? Quando estudamos a Bíblia toda,
descobrimos que Deus prometeu estar conosco
todo o tempo. Entretanto, ele jamais prometeu que
nos livraria sempre dos problemas, dificuldades ou
até mesmo da morte. Prometeu, sim, que nos
susterá e jamais nos deixará sozinhos.
Até Sadraque, Mesaque e Abede-Nego
reconheceram esta distinção. Primeiro, disseram
ao rei Nabucodonosor, com toda a clareza, que o
Deus a quem serviam podia protegê-los da morte
— até mesmo da morte da fornalha ardente. E, é
claro, Deus o fez. Mas também sabiam que era
possível que ele não o fizesse. E tornaram claro ao
rei que se Deus decidisse levá-los para o céu, ainda
assim não serviriam a deuses falsos (Daniel 3:17-
18).
O apóstolo Paulo também compreendia esta
distinção. Antes de morrer, provavelmente
executado por Nero, ímpio imperador romano, ele
escreveu estas palavras a Timóteo: “Na minha
primeira defesa ninguém foi a meu favor; antes,
todos me abandonaram. Que isto não lhes seja
posto em conta. Mas o Senhor me assistiu e me
revestiu de forças, para que, por meu intermédio,
a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os
gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão.
O Senhor me livrará também de toda obra maligna,
e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele,
glória pelos séculos dos séculos. Amém” (2
Timóteo 4:16-18).
O que Paulo quer dizer? Ele sabia que Deus
jamais o desampararia. Quer ele vivesse, quer
morresse, sabia que Deus o capacitaria a
enfrentar seus perseguidores triunfantemente.
Sua libertação viria — quer ficasse nesta terra
para cumprir a vontade de Deus, quer fosse livre
do seu corpo terreno para desfrutar os
esplendores dos céus. Na mente de Paulo ele
estaria livre de qualquer maneira. Ele percebia a
proteção divina. É isso o que ele queria dizer
quando, de uma prisão romana, escreveu aos
filipenses: “Segundo a minha ardente expectativa
e esperança de que em nada serei envergonhado;
antes, com toda a ousadia, como sempre,
também agora, será Cristo engrandecido no meu
corpo, quer pela vida, quer pela morte.
Porquanto, para mim o viver é Cristo, e o morrer
é lucro” (Filipenses 1:20-21).
As Escrituras ensinam que este tipo de proteção
sempre está disponível ao crente. Jesus Cristo
jamais nos deixará nem nos desamparará. E os
cristãos que através dos séculos sofreram este tipo
de perseguição demonstraram com a vida esta
realidade. Alguns sobreviveram para falar a
respeito, como Kefa Sempangi.
Kefa fundou e pastoreou a Igreja Redimida de
Uganda que conta com 14.000 membros e se
tornou um dos alvos da intensa perseguição de Idi
Amin em 1973. Milhares de pessoas por toda a
Uganda foram exterminadas pelos assassinos
núbios de Amin. Contudo, Deus escolheu livrar
Kefa e sua família, miraculosamente, da morte.
Kefa descreve um desses momentos em seu livro
Uma Angústia Distante. Era domingo de Páscoa e
Kefa havia pregado a maior parte do dia a milhares
que se reuniram vindos de muito longe. No final do
dia, enquanto o sol se punha, ele terminou o culto.
E então aconteceu! Ele escreve:
Cumprimentei mais alguns amigos e saí para o
meu escritório a fim de mudar de roupa,
esperando ter alguns minutos sozinho em
oração. Tive de abrir caminho através da
multidão e quando finalmente cheguei ao
escritório, estava exausto. Estava cansado
demais, de modo que não notei os homens atrás
de mim até que fecharam a porta.
Eram cinco homens. Estavam de pé entre mim
e a porta, apontando os rifles para meu rosto.
Seus próprios rostos estavam cheios de
cicatrizes tribais características da tribo dos
Kakwa. Vestiam-se casualmente com camisas
floridas e calças de boca de sino, e usavam
óculos escuros. Embora eu nunca os tivesse visto
antes, reconheci-os imediatamente. Eram a
polícia secreta do Departamento de Pesquisa do
Estado — os assassinos núbios de Amin.
Por um longo momento ninguém disse nada.
Então o homem mais alto, obviamente o líder,
falou: “Vamos matá-lo; se tem algo a dizer, diga-
o antes de morrer.” Ele falava com calma, porém
seu rosto se contorcia de ódio.
A única coisa que eu podia fazer era olhar
firmemente para seu rosto. Por uns instantes
senti o peso total de sua ira. Nunca nos havíamos
encontrado antes mas seu desejo mais profundo
era despedaçar-me. Senti a boca pesada e as
pernas começaram a tremer. Perdi o controle
total. Não vão precisar matar-me, pensei. Vou
cair por minha própria conta. Vou cair morto e
jamais verei minha família novamente. Pensei
em Penina que estava em casa sozinha com
Damali. O que aconteceria a elas quando eu
morresse?
De muito longe ouvi uma voz, e fiquei
espantado ao perceber que era a minha. “Não
preciso pleitear minha própria causa”, ouvi-me
dizer. “Já sou um homem morto. Minha vida
está morta e oculta em Cristo. São as vidas de
vocês que estão em perigo, vocês estão mortos
em seus pecados. Orarei a Deus para que depois
de vocês me matarem ele os poupe da
destruição eterna.”
O homem alto deu um passo em minha
direção e parou. Em um instante, seu rosto
mudou-se. Seu ódio havia-se transformado em
curiosidade. Ele baixou a arma e fez um gesto
aos outros que fizessem o mesmo. Olharam para
ele sem compreender mas desviaram as armas
do meu rosto.
Então o alto falou de novo: “Você ora por nós
agora?” perguntou.
Pensei que meus ouvidos me estivessem
pregando peças. Olhei para ele e para os outros.
Minha mente estava paralisada por completo. O
homem alto repetiu a pergunta em voz mais alta,
e vi que ele estava ficando impaciente.
“Sim, orarei por você”, respondi. Minha voz
parecia mais ousada até mesmo para meus
ouvidos. “Orarei ao Pai nos céus. Por favor,
curvem a cabeça e fechem os olhos.”
De novo o homem alto gesticulou aos outros e
juntos os cinco curvaram a cabeça. Curvei a
minha, mas conservei os olhos abertos. O pedido
do núbio parecia-me um truque estranho. A
qualquer minuto, pensei, minha vida chegaria ao
fim. Eu não queria morrer com os olhos
fechados.
“Pai que estás nos céus”, orei, tu que
perdoaste aos homens no passado, perdoa
também a estes. Não permitas que morram em
seus pecados mas traze-os para ti mesmo.”
Foi uma oração singela, feita com profundo
medo. Mas Deus olhou além dos meus temores
e quando levantei a cabeça, os homens que
estavam à minha frente não eram os mesmos
que me haviam seguido ao escritório. Algo havia
mudado em seus rostos.
O homem alto falou primeiro. Sua voz era
ousada mas não havia desprezo em suas
palavras. “Você nos ajudou”, disse ele, “e nós o
ajudaremos. Falaremos ao restante de nossa
companhia e eles o deixarão em paz. Não precisa
ter medo de morrer. Sua vida está em nossas
mãos e você será protegido.”
Eu estava espantado demais para responder.
O homem alto gesticulou para que os outros
saíssem. Ele mesmo voltou-se da soleira da porta
dirigindo-me a palavra uma vez mais. “Vi órfãos
e viúvas na congregação”, disse ele. “Vi-os
cantando e louvando. Por que estão felizes
quando a morte se encontra tão próxima?”
Era-me ainda difícil falar, mas respondi à sua
indagação. “Porque são amados por Deus. Ele
lhes deu a vida, e dará a vida aos que eles amam,
porque morreram nele.”

Sua pergunta me pareceu estranha, mas ele


não permaneceu para explicá-la. Sacudiu a
cabeça em perplexidade, e saiu.1
_____
1
Kefa Sempangi, A Distant Grief (Uma Angústia Distante),
(Ventura, CA Regal Books, 1979), pp. 119-121.
Elias já havia experimentado o cuidado fiel de Deus
junto ao ribeiro de Querite. Ali Elias bebia a água
de uma torrente todas as manhãs e ao anoitecer
comia pão e carne entregues pelos corvos. Mas este
homem de Deus iria experimentar ainda mais do
cuidado e interesse de Deus por ele.
A fidelidade de Deus quando a torrente secou
1 Reis 17:7-13
Não sabemos quanto tempo Elias viveu junto à
torrente. Alguns intérpretes da Bíblia crêem que foi
pelo menos um ano — talvez mais tempo.
Entretanto, o nível da ansiedade de Elias deve ter
aumentado enquanto a seca continuava e o regato,
com o tempo, tornou-se um mero filete de água.
Afinal, “a torrente secou” (1 Reis 17:7).
Durante todo este tempo de isolamento do
mundo externo, Elias nunca perdeu uma refeição.
Os corvos fielmente executaram a diretiva divina.
Imagine o que estaria acontecendo à fé que Elias
tinha à medida que o nível da água diminuía. O
Senhor podia ter tirado água das rochas como o
fizera anos antes para Israel enquanto o povo
viajava através do deserto. Mas basear a fé em um
acontecimento histórico, especialmente quando
aconteceu a outrem, é difícil para qualquer pessoa,
ainda que tal pessoa seja um profeta de Deus.
Novamente devemos lembrar-nos das palavras de
Tiago: “Elias era um homem semelhante a nós”.
Embora as nossas necessidades estejam sendo
satisfeitas em uma ou em diversas áreas, a área na
qual nossas necessidades não estão sendo supridas
é a que causa a nossa maior frustração e dúvida.
Para Elias, a necessidade de água certamente
obscureceria as outras. Considerando as
circunstâncias, sua tendência ao pânico
certamente seria uma reação normal,
especialmente porque cada dia que o nível da água
baixava era um lembrete constante de que o tempo
se esgotava.
Imagine também a tentação que Elias deve ter
enfrentado de querer inverter o juízo de Deus.
Afinal de contas, foram suas orações que fizeram
que o Senhor fechasse as janelas dos céus e
também seriam as suas orações que uma vez mais
trariam a chuva. Seus próprios temores e
necessidades devem tê-lo tentado a apressar o
processo.
Quando Deus Falou a Elias?
No último instante — e evidentemente não antes
— a palavra do Senhor veio a Elias, dizendo que se
afastasse de Querite. “Dispõe-te, e vai a Sarepta,
que pertence a Sidom, e demora-te ali”, disse
Deus. “Ordenei a uma mulher viúva que te
sustente” (17:8-9).
A ordem de ir imediatamente acentua a
urgência da situação. Não devia surpreender-nos
que Elias não perdesse tempo em obedecer. E ao
chegar a Sarepta, ele encontrou uma viúva na
porta da cidade apanhando lenha.
Por Que Uma Viúva Pobre?
É fascinante que Deus tenha escolhido uma
viúva pobre para suprir as necessidades de Elias —
uma viúva que tinha alimento só para uma refeição
final. Por que Deus escolheu esta pessoa solitária
que também era destituída e desesperadamente
necessitada? Provavelmente haja várias razões que
influenciam à própria viúva, seu filho, Elias e
também a nós! Há algumas lições poderosas nesta
história até mesmo para nós que vivemos em uma
cultura totalmente diferente. O Senhor, como
muitas vezes o fez, pode ministrar de um modo
especial a uma variedade de pessoas com
necessidades várias em um único acontecimento.
O encontro de Elias com a viúva de Sarepta
certamente exemplifica este ponto.
Primeiro, Deus se interessa quando seus filhos
passam necessidade. Deus escolheu esta viúva
porque ela e o filho estavam em necessidade. Seu
suprimento de víveres estava quase acabado.
Quando Elias lhe pediu um pedaço de pão, e água
para beber, ela respondeu: “Tão certo como vive o
Senhor teu Deus nada tenho cozido; há somente
um punhado de farinha numa panela, e um pouco
de azeite numa botija; e vês aqui, apanhei dois
cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu
filho; comê-lo-emos, e morreremos” (17:12).
A mulher falava a sério. É por isso que Elias
respondeu: “Não temas” (17:13)! O temor estava
estampado em sua face; ela devia ter um corpo
frágil, que refletia a falta de alimentação. Por
muitos dias ela devia ter limitado a quantidade de
alimento para ela e para o filho.
A possibilidade de morrer de fome seria o
suficiente para criar um profundo temor e
ansiedade. E agora pedir que partilhe com um
estrangeiro o que lhe sobrava deve tê-la deixado
com sentimentos que estão além de nossa
imaginação.
Um dos motivos, pois, pelos quais Elias foi
enviado a esta viúva pobre é que ela era uma
crente em necessidade profunda. O senhor sabia
que seu alimento estava quase acabado. Talvez ela
estivesse orando e pedindo a ajuda de Deus.
Segundo, Deus cuida dos seus filhos, não
importando sua situação na vida. Esta viúva vivia
entre os filhos de Israel, mas em Sidom, uma
comunidade gentia. De fato, era o próprio território
em que Jezabel, ímpia esposa de Acabe, vivia,
antes de se casar com o rei de Israel.
Evidentemente, a viúva era uma crente gentia e
esta é uma segunda razão pela qual Deus a
escolheu. Ela exemplifica o interesse de Deus por
todos os povos em todos os lugares.
Onde quer que as pessoas crêem nele e nele
confiam, não importa quem sejam ou quais
tenham sido sua formação e recursos, ele está
pronto a revelar sua misericórdia. Ele honra a fé,
como vemos exemplificado na vida de outra
mulher gentia, muitos anos mais tarde, que vivia
na mesma área desta viúva de Sarepta. Ela veio a
Jesus certo dia, pedindo que curasse a sua filha
que estava possuída pelo demônio. É interessante
que Jesus não tenha respondido, testando a sua fé.
Os discípulos, vendo o silêncio de Jesus, tentaram
mandá-la embora. A esta altura de seu
crescimento e desenvolvimento ainda tinham
preconceitos contra os gentios.
Jesus então respondeu a esta mulher dizendo-
lhe que não havia sido “enviado senão às ovelhas
perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24). Ao
ouvir isto, os discípulos devem ter-se enchido de
orgulho. Mas a mulher se humilhou e ajoelhou-se
perante Jesus, implorando misericórdia e ajuda.
Jesus novamente responde: “Não é bom tomar
o pão dos filhos e lançá-los aos cachorrinhos”
(15:26). Embora pareça que Jesus estivesse
falando somente à mulher, na realidade ele se
dirigia mais diretamente aos discípulos. De fato, é
provável que ele estivesse captando as palavras
que lhes iam na mente, pois eles deveras tinham
preconceito terrível para com os gentios. Neste
sentido ele estava provando-lhes a fé e ao mesmo
tempo ensinando-lhes uma lição poderosa.
Em vista destas palavras de Cristo, a resposta da
mulher refletiu grande fé, sabedoria e humildade.
“Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das
migalhas que caem da mesa dos seus donos”
(15:27).
Estas palavras, proferidas por uma mulher
gentia, foram em si mesmas uma mensagem aos
discípulos. Mas Jesus, sabendo que este momento
se aproximava, deu o toque final na mensagem
dela com estas palavras: “O mulher, grande é a tua
fé! Faça-se contigo como queres. E desde aquele
momento sua filha ficou sã” (Mateus 15:28). E uma
vez mais Jesus ensinou duas lições
simultaneamente — uma para a mulher gentia que
precisava desenvolver sua fé e a outra para um
grupo de discípulos que precisavam saber que na
verdade alguns gentios tinham mais fé do que eles.
Em alguns aspectos, a viúva de Sarepta é um
prelúdio a esta história do Novo Testamento. Elias
foi enviado à mulher gentia procurando ajuda. Ela
mesma estava passando por grande necessidade e
uma vez que adorava ao Deus verdadeiro, o Senhor
não somente ia usá-la para suprir uma necessidade
profunda em sua própria vida mas também na vida
de Elias. E isto nos leva a outro motivo pelo qual
Deus escolheu esta viúva.
A fidelidade de Deus quando a “panela” e
a “botija” se esvaziaram
1 Reis 17:11-16
Elias tinha diante de si uma tarefa gigantesca e
precisava da certeza que Deus estava no controle;
portanto, Deus assegurava a Elias sua presença e
poder contínuos.
Por um ano, pelo menos, o Senhor ordenou que
os corvos alimentassem a Elias. E agora ele
preparou uma viúva para fazer a mesma coisa. A
mensagem é clara. Deus precisa de súditos grandes
e poderosos para serem seus ministros. Se ele pode
usar aves e uma viúva pobre, certamente ele pode
usar qualquer coisa e qualquer pessoa! Elias
necessitava desta certeza contínua.
Além disso, Deus estava ensinando a Elias a
contínua confiança nele. O leitor percebe que, se
Deus tivesse enviado Elias a alguém de muito
recurso talvez ele fosse tentado a parar de orar e de
confiar em Deus. Com que rapidez isso acontece
quando não temos uma necessidade profunda!
Parece que no momento Elias sabia que Deus ia
tomar conta de todos eles — da viúva, seu filho e
dele próprio. Por isso ele disse: “Vai, e faze o que
disseste; mas primeiro faze dele para mim um bolo
pequeno, e traze-mo aqui fora; depois farás para ti
mesma e para teu filho. Porque assim diz o Senhor
Deus de Israel: A farinha da tua panela não se
acabará, e o azeite da tua botija não faltará, até ao
dia em que o Senhor fará chover sobre a terra” (1
Reis 17:13-14).
Deus honrou a fé e a obediência da viúva. “Foi
ela, e fez segundo a palavra de Elias; assim
comeram ele, ela e a sua casa muitos dias. Da
panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite
não faltou; segundo as palavras do Senhor, por
intermédio de Elias” (17:15-16).
Note que Deus proveu alimento muitos dias.
Não havia mais do que precisavam, nem menos.
Neste sentido, a lição para Elias era maior do que
para a mulher. Durante todo este período de
espera, Deus continuou assegurando a Elias o seu
poder. A vinda dos corvos com alimento de manhã
e de tarde era um constante lembrete. E agora a
panela e a botija nunca ficaram vazias. Elias
precisava desse constante lembrete da fidelidade
divina.
Além do mais, Elias estava aprendendo que a fé
deve ser constante. Se o Senhor lhe tivesse dado
miraculosamente um tonel de farinha e um barril
de azeite, a necessidade de continuar confiando
em Deus não teria sido tão grande. Elias,
semelhante a todos nós, precisava aprender a
confiar constantemente em Deus.
Há algo nesta história para os crentes
do século vinte?
Deus se interessa pelas pessoas. Não importa
quem seja o indivíduo, idade, sexo, estado civil,
situação econômica, formação étnica. Pode ser
judeu ou gentio, preto ou branco, rico ou pobre.
Não importa. Deus o ama! Ele demonstra tal fato
repetidas vezes por toda a Bíblia. A viúva de
Sarepta, com propriedade, exemplifica este ponto.
Embora Jesus fosse judeu e tivesse vindo
primeiro para o seu próprio povo, fê-lo, porém,
para lançar uma missão para o mundo todo.
“Sereis minhas testemunhas”, disse Jesus, “tanto
em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria,
e até aos confins da terra” (Atos 1:8).
Deus honra aqueles que colocam o próximo em
primeiro lugar, particularmente quando repartem
as posses materiais de um modo sacrificial. A viúva
de Sarepta exemplifica também este ponto. Pense
em quão difícil seria para ela pegar tudo o que
tinha e dá-lo primeiro a Elias. Isso seria difícil para
todos nós.
Séculos mais tarde, Jesus ilustrou este ponto
com outra viúva pobre. Certa ocasião Jesus
observava as pessoas no templo enquanto punham
suas ofertas no gazofiláceo. Usando a terminologia
moderna, certa pessoa deu dez dólares, outra 100
dólares e ainda outra mil dólares. Mas, lemos: “Viu
também certa viúva pobre lançar ali duas
pequenas moedas.”
Jesus comoveu-se profundamente com o que
viu, e usou o fato como ponto de ensino:
“Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre
deu mais do que todos. Porque todos estes deram
como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém,
da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo seu
sustento” (Lucas 21:1-4).
Estava Jesus dizendo que os pobres devem dar
tudo o que têm? Se acreditarmos nisto,
perderemos por completo o que Jesus estava
querendo ensinar. A mensagem era para aqueles
que tinham mais do que ela. Ele estava dizendo
que ela deu mais do que todos os outros. E se os
outros quisessem dar sacrificialmente, deviam dar
muito mais do que aquilo que lhes sobrava.
Não é impressionante quantas vezes o dar e
partilhar aparece na Bíblia? Por que é que Deus
acentua este ponto com tanta freqüência? Penso
que o Dr. Charles Ryrie responde a esta pergunta
muito sucintamente no seu livro Equilibrando a
Vida Cristã:
Certamente que uma vida espiritual sadia
relaciona-se com a comunhão com o Senhor
em sua palavra e oração e serviço para o
Senhor em sua obra. Mas nosso amor a Deus
só pode ser provado por algo que seja parte
maior da vida de todos, e esse é o uso de
nosso dinheiro. A maneira de usarmos o
dinheiro demonstra a realidade de nosso
amor a Deus. De certa forma, prova nosso
amor mais conclusivamente do que a
profundeza de conhecimento, longura de
orações ou proeminência de serviço. Estas
coisas podem ser fingidas, mas o uso de
nossas posses mostra o que realmente
somos.1
Deus tem prazer em tomar o que temos, por
mais inadequado que possa parecer — nossos
talentos, tempo, recursos materiais — e multiplicar
sua eficácia.
Para a viúva, a panela de farinha era
constantemente reabastecida e a botija de azeite
jamais se esvaziou. Isto, é claro, foi um milagre
dramático. Tinha de ser para a sobrevivência dela,
do filho e de Elias.
Pode Deus operar este tipo de milagre para nós
hoje? Devemos lembrar-nos de que esta provisão
sobrenatural continuou somente até que começou
chover de novo (1 Reis 17:14). Quando havia
recursos naturais presentes, Deus esperava que o
povo provesse para si mesmo dos recursos que já
havia proporcionado.
Entretanto, para todos nós chega a hora em que
devemos voltar-nos para Deus pedindo a sua
intervenção. Quando confiamos nele dia a dia e,
com os recursos que ele nos deu, fazemos tudo o
que está ao nosso alcance, e ainda assim não
podemos suprir as nossas necessidades, é preciso
que ele vá além de nossas capacidades naturais.
Entretanto, Deus pode fazer tal coisa, assim como
ele o fez nesta história do Antigo Testamento.
Quantas vezes isto aconteceu a Neemias e aos
filhos de Israel enquanto construíam os muros de
Jerusalém! Trabalhavam duro, fazendo tudo o que
podiam! Planejavam, organizavam, trabalhando às
vezes até vinte e quatro horas por dia. Porém
houve ocasiões em que precisaram da intervenção
sobrenatural de Deus. Embora orassem e
confiassem em Deus, muitas vezes paravam para
dizer: “Senhor, sem a tua intervenção miraculosa
não podemos prosseguir. Não podemos ter êxito.”
E Deus, repetidamente, proveu esse milagre.
Isto nos leva à lição final.
Às vezes o Senhor nos conserva à beira da
incerteza a fim de desenvolver nossa fé e confiança
nele. Tivesse o Senhor levado Elias de junto da
torrente de Querite para uma fazenda próspera
onde fluía leite e mel, por certo ele teria ficado
contente. Mas teria seguido a tendência humana
de desviar-se da missão que Deus tinha para ele.
Lembre-se, ele era um homem semelhante a nós.
E Deus sabia que a missão a ser levada a cabo
exigiria fé espiritual e energia emocional muito
além do que Elias havia experimentado antes.
Isto é difícil para todos os cristãos. Todavia,
quanto tudo vai bem, quando temos tudo o de que
precisamos, e quando a estrada a nossa frente é
clara, tendemos a confiar demais em nossa
sabedoria, nossas habilidades e nossa própria
energia. Em conseqüência, Deus muitas vezes
provê oportunidades para que cresçamos na fé a
fim de sermos ainda mais eficientes em nossa obra
para ele.
Isto é particularmente necessário para os que em
muitos aspectos vivem em uma terra onde mana
leite e mel. As oportunidades se encontram em
todos os lugares! Por que orar? Por que confiar em
Deus? Por que confiar nele quando podemos
progredir na vida, até mesmo como crentes?
Os efeitos que a cultura tem sobre nós foram
indelevelmente gravados em minha mente quando
li a história contada por Kefa Sempangi. Depois
que ele, a esposa e a família foram
miraculosamente poupados da morte certa,
vieram de Uganda para os Estados Unidos a fim de
estudar. Apenas alguns meses depois de sua
chegada, teve início uma mudança em sua vida.
Ele conta isso da seguinte maneira:
Nosso primeiro semestre passou
rapidamente. Penina deu à luz nosso filho,
Dawudi Babumba. No outono voltei aos
estudos. Foi então, no segundo ano, que
percebi a mudança que ocorreu em minha
vida. Em Uganda, Penina e eu líamos a Bíblia
procurando esperança e vida. Líamos para
ouvir as promessas de Deus, ouvir suas
ordens e obedecer a elas. Não havia tempo
para discutir, não havia tempo para
discrepâncias religiosas ou dúvidas.
Agora, na segurança de uma nova vida e
com a possibilidade de morte apagando-se da
minha mente, eu lia as Escrituras para
analisar os textos e especular acerca do seu
significado. Comecei a ter prazer em
discussões abstratas com meus colegas de
classe, e, embora essas discussões fossem
intelectualmente estimulantes, não passou
muito tempo para que nossa comunhão
girasse em torno de idéias em vez da obra de
Deus em nossa vida. Não era o sangue de
Cristo que nos proporcionava unidade, mas
nosso acordo sobre questões doutrinárias.
Reuníamo-nos não para confissão e perdão
mas para o debate.
A maior mudança aconteceu em minha
vida de oração. Em Uganda eu orava com um
profundo senso de urgência. Recusava-me a
levantar até que tivesse certeza de que estava
na presença do Cristo ressurreto. Não era
apenas da dádiva que eu precisava. Eu
precisava ver o Doador; precisava saber que o
Deus dos órfãos e das viúvas, o Deus dos
desprezados, ouvia minhas orações. Agora,
depois de um ano em Filadélfia, essa urgência
cessou. Quando eu orava publicamente, meu
interesse maior era ser teologicamente
correto em vez de estar na presença de Deus.
Até minhas orações particulares já não eram
os clamores de uma criança. Eram
tranqüilizantes espirituais, pensamentos que
não entravam em contato com nada fora de si
mesmos. Mais e mais encontrava-me indo a
Deus com pedidos vagos por dádivas que não
esperava receber.
Certa noite fiz minhas orações de modo
rotineiro e estava prestes a levantar-me
quando ouvi a voz condenatória do Espírito
Santo.
“Kefa, por quem você estava orando? O
que é que você queria? Antes eu ouvia os
nomes de crianças em suas orações, os nomes
de amigos e parentes... agora você ora pelos
‘órfãos’, pela ‘igreja’ e por seus companheiros
refugiados. Quais refugiados, Kefa? Quais
crentes? Quais órfãos? Quem é essa gente e o
que você deseja para ela?”
Foi uma repreensão severa. Caindo-me
novamente de joelhos pedi perdão pelo meu
pecado de falta de fé. Eu sabia que não eram
só as minhas orações que haviam sofrido. Não
era só uma memória péssima que havia
retirado os nomes da minha mente e
transformado meus queridos em abstrações.
O próprio Deus tornara-se uma figura
distante, um assunto de debate, uma
categoria abstrata. Eu já não orava a ele como
a um Pai vivo, mas como um ser impessoal
que não se preocupava com minha falta de
atenção e descrença.
Daquela noite em diante minhas orações se
tornaram específicas. Passei a orar por
pessoas reais, com necessidades reais. E não
correu muito tempo para que, uma vez mais,
estas necessidades se tornassem meios pelos
quais me encontrei face a face com Deus.2
Para concluir, convém dizer que Deus não deseja
que vivamos em um estado constante de tensão.
Até mesmo Elias não podia suportar isso. Deus
também quer que tenhamos prazer nas boas coisas
da vida. Todos nós necessitamos do alívio das
pressões. O próprio Jesus Cristo precisava disso
bem assim como seus discípulos. Certo dia ele lhes
disse: “Vinde repousar um pouco, à parte, num
lugar deserto” (Marcos 6:31). Paulo, escrevendo
aos filipenses, disse: “Tanto sei estar humilhado,
como também ser honrado; de tudo e em todas as
circunstâncias, tenho experiência, tanto de fartura,
como de fome; assim de abundância, como de
escassez.” A seguir, ele acrescenta: “Tudo posso
naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12-13).
Resposta pessoal de vida
1. Creio realmente que Deus se importa comigo?
Ele o faz! Aceito esse fato? Creio nele?
2. Até que ponto penso nas necessidades dos
outros em vez de pensar nas minhas? De que modo
isso se reflete em minha mordomia do tempo, dos
recursos materiais e capacidades?
3. Creio que Deus pode tomar o que possuo e
multiplicá-lo? Qual é a prova de que creio nisso?
4. Quão forte é minha fé? Quanto confio
realmente em Deus? Será possível que algumas de
minhas incertezas do presente sejam ordenadas
pelo Senhor a fim de desenvolver minha vida
espiritual? Estarei eu resistindo a Deus ou
submetendo-me a ele a fim de aprender mais do
plano que ele tem para minha vida?

_____
1
Charles Ryrie, Balancing lhe Chrislian Life, (Chicago;
Moody Press, 1969), p. 84.
2
F. Kefa Sempangi, A Dislanl Grief (Ventura, CA: Regai
Books, 1979, pp. 179, 180.
O plano de Deus para Elias estava no horário.
Quando Elias teve medo de perder a vida,
Deus lhe disse onde esconder-se. Quando não
havia alimento, Deus usou os corvos para
alimentá-lo. Quando a torrente secou, Deus o
enviou a uma viúva em Sidom. E quando Elias
descobriu que a viúva não tinha comida para dar-
lhe, Deus proveu farinha e azeite suficientes todos
os dias, para que ela, seu filho e Elias
sobrevivessem. À medida que o homem de Deus
enfrentava o que parecia um problema
intransponível após o outro, Deus fielmente
cuidava do seu servo.
É possível que Elias tivesse questionado sua
própria sanidade ao enfrentar o rei de Israel em
nome de Deus. Ele deve ter ficado a imaginar se
Deus realmente estava no controle. Mas Deus foi
sempre fiel em cuidar de Elias. Este homem de
Deus não sabia de imediato como e quando Deus
ia cuidar dele em cada situação; mas o Senhor
jamais deixou de suprir-lhe as necessidades.
Como já vimos, Deus estava preparando Elias
para uma tarefa ainda maior. No plano divino, Elias
teria de passar por outro teste antes de estar
preparado para encontrar-se com Acabe e seus
falsos profetas face a face. Aconteceu na casa da
viúva.
Uma crise de família
1 Reis 17:17-18
Lemos: “depois disto adoeceu o filho da mulher,
da dona da casa” (17:17). Novamente não sabemos
quanto tempo passou até que isto acontecesse.
Contudo, as referências ao tempo na história de
Elias, levam-nos a concluir que deve ter sido vários
meses. Embora o azeite da botija e a farinha da
panela nunca houvessem acabado, possibilitando-
lhes o pão de cada dia, tal fato não impediu que a
doença invadisse o lar. O filho da mulher adoeceu.
Não foi um ataque súbito que o deixasse às
portas da morte; a saúde do menino foi-se
deteriorando aos poucos. “A sua doença se
agravou tanto que ele morreu” (17:17).
Embora o texto bíblico relate este evento trágico
de maneira muito sucinta, dá-nos margem para
muita especulação realista quanto ao que
aconteceu. Quando o menino morreu, a viúva
expressou abertamente a Elias seus sentimentos de
ansiedade e pesar. “Que fiz eu, ó homem de Deus?
Vieste a mim para trazeres à memória a minha
iniqüidade, e matares a meu filho?” (17:18).
Imaginemos o que teria acontecido. Por vários
dias, ou talvez semanas, a doença do menino
piorava. Nos primeiros dois dias a viúva sem
dúvida sentiu pouca apreensão — Elias também.
Afinal de contas, o azeite e a farinha nunca
faltaram! E todos nós temos encarado períodos de
enfermidade que vêm e se vão.
Mas com o passar dos dias, tornou-se evidente
que esta não era uma doença comum. O menino
não se recuperava. O cuidado da mãe transformou-
se em medo intenso — e introspecção penetrante.
Nessas ocasiões é natural começarmos a perguntar
por quê. A tragédia humana é sempre grave,
especialmente quando se refere à morte.
A Reação da Viúva
A reação da viúva era previsível. Ela procurava
um motivo para o que lhe acontecia e seus
pensamentos voltaram-se para dentro. A esta
altura ela já sabia que Elias não era um homem
comum. Era diferente dos homens que ela havia
conhecido. Seus amigos pagãos eram licenciosos e
pecadores. Não há dúvida de que ela houvesse
levado uma vida de pecados. Mas por vários meses
ela havia vivido na mesma casa com um homem
que era diferente. Ele não havia tentado usá-la por
motivos egoístas. E ainda que ela se tivesse feito
disponível, ele teria discutido com ela as leis
eternas de Deus reveladas a Israel no monte Sinai.
Ela veio a conhecer Elias como um “homem de
Deus”. E quanto mais o conhecia — o que ele cria,
e como ele vivia, e qual era sua missão na vida —
tanto mais conhecimento ela tomava de seus
próprios pecados. E assim ela disse a Elias: “Que
fiz eu, ó homem de Deus? Vieste a mim para
trazeres à memória a minha iniquidade, e matares
a meu filho?”
Enquanto o filho estava morrendo, a
introspecção desta mulher centralizou-se na sua
vida anterior. Era o seu pecado que causava a
enfermidade do filho? Era o juízo de Deus? Tinha
vindo Elias para revelar seus caminhos
pecaminosos e então trazer o juízo divino sobre
ela? Era por isso que o filho estava morrendo?
Por outro lado, a viúva foi tentada a fazer o que
muitos fazem quando a tragédia sobrevém. A visão
que têm de Deus muitas vezes leva-os a indagar se
Deus os está punindo por algum pecado passado
ou presente. Culpa não desfeita tem meios de
causar esta paranoia. A viúva ainda não havia
aprendido que Deus não guarda rancor. Embora
em raras ocasiões Deus tenha punido o pecado
desta maneira — como o fez com Davi pelo terrível
pecado de adultério e assassínio — não é o modo
normal de Deus operar. Isso é especialmente
verdadeiro no que se refere aos nossos pecados
passados. E ainda com os nossos pecados no
presente, ele é muito misericordioso. Mesmo no
caso de Davi, no qual a lei de Deus especificamente
declarava que ele devia morrer por ter tirado a
vida, Deus permitiu que ele vivesse.
Por outro lado, está viúva compreendeu não ser
lógico que Elias a tenha salvo de morrer de fome, e
também a seu filho, para depois tirar-lhe a vida no
momento em que ela teve consciência dos seus
pecados. Deste ponto de vista, certamente
podemos compreender suas indagações, seus
temores e sua confusão.
A Reação de Elias
Elias também ficou profundamente tocado e
emocionado. A esta altura ele já conhecia muito
bem esta pequena família. Depois de um ano de
solidão junto à torrente de Querite, podemos
imaginar quão reconfortante foi para Elias uma vez
mais passar os dias na companhia de gente. Seu
coração comoveu-se profundamente quando viu
morrendo o menino a quem ele chegara a amar.
Ouvir as agonizantes perguntas desta viúva e ver
sua dor emocional só intensificava o pesar de Elias.
Repito, devemos lembrar-nos de que Elias era
homem semelhante a nós. O fato de ele ser profeta
de Deus não o isenta das emoções humanas que
acompanham acontecimentos como estes. Ali
estava a viúva, com o menino morto nos braços,
agonia estampada no rosto molhado de lágrimas,
fazendo essa difícil pergunta: “Por quê?”
Ao pensar nesta história, minha mente reviveu
um acontecimento em minha própria vida muitos
anos atrás. Eu tinha apenas quatro anos de idade
quando minha irmã, Jo Ann, que era um ano mais
nova do que eu, machucou-se na beira de uma
mesa na sala de uma tia nossa. Nós tínhamos ido
fazer-lhe uma visita naquela noite, e enquanto
corríamos pela sala, como as crianças costumam
fazer, minha irmã bateu o lado na beira da mesa.
Meus pais não deram muita atenção ao
acontecido senão vários dias depois quando ela
começou a reclamar de fortes dores. O médico
mandou minha irmã para o hospital onde seu caso
foi diagnosticado como apendicite. Quando
abriram o seu pequenino corpo, o que
encontraram foi um monte de gangrena. Naqueles
dias não havia nada que pudessem fazer senão
fechar o corte e esperar por um milagre. Alguns
dias mais tarde ela faleceu.
Eu tinha apenas quatro anos de idade, mas
lembro-me da tristeza daqueles dias. Um incidente
ficou particularmente gravado em minha memória.
Vários dias depois do funeral eu brincava na
cozinha enquanto minha mãe, sentada numa
cadeira, ouvia um antigo rádio de pilhas na fazenda
em que vivíamos na Indiana. Ela limpava lágrimas
dos olhos. Lembro-me muito bem de ter-lhe
apertado a mão querendo que ela fizesse algo. O
que era, não consigo lembrar-me. Lembro-me de
que ela me empurrou e da rejeição que senti
naquele instante. Mais ainda, lembro-me de sua
reação instantânea ao ver a dor emocional em meu
próprio rosto. Ela abraçou-me e pediu desculpas.
Não me esqueço das palavras que ela disse com
voz entrecortada de lágrimas: “Sinto muito, Gene.
Eu não quis ferir os seus sentimentos.” E então ela
explicou o que estivera ouvindo no rádio e como se
relacionava com a morte de Jo Ann. E um dos
motivos pelos quais me lembro de sua explicação
com tanta clareza é que na mesa à sua frente havia
um par de sapatinhos brancos — os sapatinhos de
Jo Ann. Então mamãe me explicou a música que
ela estivera ouvindo no rádio. A letra contava a
história de uma criancinha que estava morrendo e
pedia à sua mãe que guardasse os seus sapatinhos.
Lembro-me tão bem das lágrimas daquele dia,
da letra da canção, e de algum modo, em meu
coração de quatro anos de idade, compreendi e
senti profunda compaixão por minha mãe.
Lembro-me distintamente de ter tentado consolá-
la.
A morte de uma pessoa querida traz tristeza e
angústia. É muito real! Em pé, em frente de Elias,
encontrava-se uma mulher com um coração
partido. Nos braços tinha um menininho que já não
respirava. E ainda mais doloroso para Elias eram as
perguntas que ela fazia. Em sua dor emocional a
viúva, na verdade, estava agredindo o homem que
lhe salvara a vida — acusando-o de trazer-lhe à
consciência o seu próprio pecado e depois tirar a
vida do filho a fim de castigá-la.
Na reação emocional de Elias, porém, havia
outro fator. Ele tinha vindo a esta família por
ordem de Deus. Ele falou de sua missão e de como
Deus cuidara dele junto à torrente de Querite. A
mulher e o filho haviam aceitado a sua mensagem
e o seu Deus. Haviam colocado sua confiança em
Elias e no Senhor. E agora, o filho havia morrido e
Elias sentia o desapontamento profundo da mulher
para com ele e com o Deus que ele representava.
Não havia explicação humana. O próprio nome e a
reputação de Deus estavam em jogo. O que diriam
quando descobrissem o que havia acontecido?
Elias também estava confuso, perturbado e
temeroso!
A oração de Elias
1 Reis 17:19-21
“Dá-me o teu filho”, respondeu Elias, sem
dúvida com emoção intensa. A seguir, tomou o
menino nos braços, e o levou para cima, ao quarto
onde ele habitava, colocou-o sobre a cama e
começou a orar fervorosamente pelo menino. De
fato, lemos que ele “clamou ao Senhor”. A
perturbação emocional de Elias e sua frustração
são óbvias. “Ó Senhor meu Deus”, clamou ele,
“também até a esta viúva, com que me hospedo,
afligiste, matando-lhe o filho?” (1 Reis 17:19-20).
Elias, a seguir, “estendendo-se três vezes sobre o
menino, clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu
Deus, rogo-te que faças a alma deste menino tornar
a entrar nele” (17:21). Como Eliseu, o homem que
haveria de ser o seu sucessor como profeta em
Israel, é provável que Elias tenha deitado sobre o
menino, posto a boca sobre a boca dele, os olhos
sobre os olhos dele e as mãos sobre as mãos dele
(2 Reis 4:34) enquanto clamava ao Senhor pedindo
misericórdia
A resposta de Deus
1 Reis 17:22-24
Como tantas vezes acontece quando o povo de
Deus ora com fervor, o Senhor ouviu e respondeu
à oração de Elias. A vida voltou ao menino e ele
reviveu. Podemos imaginar a alegria que encheu a
alma de Elias enquanto descia as escadas com o
menino nos braços e entregá-lo à mãe. Ele disse:
“Vê, teu filho vive” (1 Reis 17:23).
A reação da mulher deve ter sido grande
recompensa para Elias. “Nisto conheço agora que
tu és homem de Deus, e que a palavra do Senhor
na tua boca é verdade” (17:24). Estas palavras
mostram ainda mais o que acontecia enquanto o
menino jazia na cama morrendo. Ao piorar a sua
condição, a viúva começou a apontar o dedo
acusador para Elias. Na verdade, ela começou a
duvidar de que Elias, na realidade, fosse
representante de Deus. Enquanto tudo ia bem, por
causa da presença do profeta em sua casa, a viúva
aceitou a sua mensagem como verdade. Mas
quando as coisas começaram a não dar certo, ela
passou a duvidar e a apontar o dedo em acusação.
Esta foi uma experiência muito dolorosa para
Elias. Nós, os que estamos no ministério, podemos
identificar-nos pelo menos um pouco com esta
experiência. Muitos a quem tentamos ajudar
voltam-se contra nós quando as coisas não vão
bem. É muito doloroso ser acusado de
insinceridade, falta de cuidado, e falta de amor por
aqueles a quem tentamos ajudar.
Elias, neste momento, também experimentou
este tipo de dor. E vemo-la expressa em sua oração
pelo menino. Ele também não compreendia o que
estava acontecendo. Seria ele a causa da morte do
menino? Havia o Senhor trazido a tragédia sobre
esta família por causa de sua presença nesse lar?
A esta altura na vida de Elias, ele também
começou a questionar os caminhos de Deus. Era
bastante confuso não compreender o que estava
acontecendo, mas ser rejeitado no processo por
aquela a quem ele havia salvo da morte era,
deveras, frustrante.
Porém Deus honrou a persistência e a oração de
Elias. No decurso dos acontecimentos Deus
também honrou a honestidade e franqueza do
profeta com referência às suas dúvidas, seus
temores, sua desilusão e seus desapontamentos.
Ele deu nova vida ao menino. E ao fazê-lo,
restaurou a fé à viúva e proporcionou a Elias a
grande alegria de ver seus novos amigos outra vez
reunidos e reagindo positivamente à vontade de
Deus.
Mais importante, porém, para Elias e seu
relacionamento com esta pequena família, foi o
fato de que a viúva já não rejeitava o Deus a quem
ele servia. A reputação do Senhor foi uma vez mais
preservada. Para Elias, isto tinha particular
importância, uma vez que seu próprio povo se
havia voltado para deuses falsos. Em essência, era
por isso que Elias estava lá — por ter tomado o lado
do único Deus verdadeiro. Não é de surpreender
que ele desejasse vindicar e honrar o nome de
Deus.
O que podemos aprender desta experiência?
A lição mais importante tem que ver com Elias e
com o que Deus estava fazendo a fim de continuar
a prepará-lo para lutas ainda maiores contra as
forças do mal. Todo o tempo Deus estivera
preparando Elias para um encontro, primeiro, com
o rei Acabe e, depois, com os profetas de Baal. O
que Elias pediu a Deus que fizesse para o filho da
viúva pareceria de menor importância se
comparado com o que ia pedir a Deus que fizesse
no monte Carmelo. O Senhor continuava a
preparar Elias Para o trabalho que estava pela
frente!
O ponto que devemos aprender e recordar é que
quando enfrentamos vitoriosamente os desafios
menores, Deus nos está preparando para os
grandes desafios da vida.
Mas a lição mais importante no processo é: Deus
deseja que compreendamos nossos motivos e por
que lhe estamos pedindo ajuda.
Examinemos alguns pontos mais específicos
para os quais o Senhor deseja chamar a nossa
atenção.
Primeiro, é nas situações que estão além de
nosso controle que realmente aprendemos a orar.
Quão verdadeiro é isso na experiência de Elias! E
quão verdadeiro também o é nas nossas!
Em alguns aspectos é triste que sejamos levados
contra a parede antes de exercermos o privilégio
de orar com fervor. Isto se tem verificado sempre
na história do povo de Deus. E Deus compreende
nossas tendências humanas. Nestas situações ele
não fica surdo. Embora o resultado nem sempre
seja o que podíamos desejar, ele responde com o
que é melhor.
Não devíamos, pois, hesitar em orar quando
enfrentamos problemas sérios, mesmo que
estejamos negligenciando este importante
exercício espiritual. E natural que oremos mais
durante este tipo de provação e que o façamos com
mais fervor.
Segundo, Deus compreende nossas ansiedades,
nossos temores, nossos desapontamentos e nossas
desilusões. Não devíamos ter medo de expressar-
lhes este pensamento e sentimentos em oração.
Alguns vêem Deus como um pai irado, pronto a
castigar quando lhe abrem o coração. Não é
verdade! Se assim fosse, Deus agiria antes de
falarmos, pois ele sabe muito bem o que pensamos
e sentimos. Conseqüentemente, é melhor falarmos
com ele.
Mas também devemos lembrar que ele é Deus.
Ele não pode ser manipulado. Às vezes ele
responde de modo incomum, especialmente
quando sua reputação e nome estão em jogo.
Encontramos exemplo singular deste ponto
quando Moisés estava no monte Sinai recebendo
as leis de Deus. Enquanto ele se achava ali, Israel
construiu o bezerro de ouro e o adorou. O povo
teve até a audácia de dar crédito a este ídolo de tê-
los tirado do Egito.
Como era de esperar, o Senhor irou-se contra os
filhos de Israel, tanto que disse a Moisés que se
pusesse de lado para que ele os destruísse. Moisés,
porém, lembrou a Deus que se Israel fosse tirado
da face da terra, os egípcios diriam: “Com maus
intentos os tirou, para matá-los nos montes, e para
consumi-los da face da terra” (Êxodo 32:12). Em
outras palavras, a reputação e o nome de Deus
estavam em jogo.
Não podemos explicar satisfatoriamente como o
homem consegue mudar a mente de Deus
lembrando-lhe a sua reputação, mas é verdade!
Lemos que “se arrependeu o Senhor do mal que
dissera havia de fazer ao povo” (32:14).
Terceiro, Deus é particularmente responsivo a
nossas orações quando somos capazes de ir além
de nossos interesses e cuidados e focalizar-nos nas
necessidades de outras pessoas, especialmente na
reputação divina. Embora Elias tivesse sentido a
rejeição pessoal, as suas orações basearam-se no
interesse que ele tinha pela viúva e, acima de tudo,
no seu cuidado com a reputação de Deus. Afinal de
contas, ele fora identificado como “homem de
Deus” — um homem que representava o único
Deus verdadeiro. A tragédia, neste caso, faria que
os incrédulos questionassem ainda mais a
mensagem que Elias estava proclamando. Quão
óbvio era este ponto na reação da viúva!
Quando oramos pedindo a ajuda divina, é nosso
interesse por nós mesmos ou pela forma como
estes acontecimentos que estamos
experimentando afetam a outros e a reputação do
Senhor? Se nos concentrássemos mais nas
necessidades dos outros e no nome do Deus a
quem servimos, será que não teríamos mais
respostas às nossas orações? Acho que sim!
Não me compreendam mal. Deus deseja que lhe
contemos as nossas necessidades. Paulo,
escrevendo aos filipenses, disse: “Não andeis
ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam
conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela
oração e pela súplica, com ações de graça”
(Filipenses 4:6). Deus se interessa por nossas
necessidades — quaisquer que sejam elas.
Mas ainda assim, a reputação divina deve vir em
primeiro lugar — não a nossa! A vontade dele deve
estar em primeiro lugar — não a nossa! O seu nome
deve estar em primeiro lugar — não o nosso!
Lembro-me de uma experiência pessoal na qual
tive de chegar a esse ponto em minha vida. Eu
estava profundamente perturbado e
sobrecarregado e passei muito tempo orando pelo
assunto. Mas, certo dia, quando nada mais havia
que eu pudesse fazer para resolver o problema, vi
que na realidade eu estava mais interessado na
reputação de Gene do que na de Deus. Em
retrospecto, agora compreendo que só percebi a
realidade quando não avia nada mais que Gene
pudesse fazer! E, finalmente, ao conseguir clamar
ao Senhor com esse tipo de honestidade e
franqueza, Deus ouviu as minhas orações. Lembro-
me do momento em que disse ao Senhor: “Senhor,
é a tua reputação que é importante para mim, não
a minha.” E desse momento em diante, as nuvens
do desespero começaram a desfazer-se e o sol
voltou a brilhar.
Isto não quer dizer que não devamos orar por nós
mesmos — e por nossas próprias necessidades e
interesses. Significa, sim, que devemos nos
perguntar por que estamos orando por nós
mesmos. Há um interesse último que deve guiar
até mesmo este tipo de oração — o nome, a honra,
a integridade de Deus — e a sua vontade!
E lembre-se também de que Deus pode honrar a
si mesmo em todas as situações, não importa o
resultado. Neste caso, Deus respondeu à oração de
Elias e restaurou a saúde do menino porque isso
traria maior glória ao seu nome. Há ocasiões,
porém, em que ele pode trazer maior honra a seu
nome pela tragédia humana.
Uma pergunta final
Como reagiremos se Deus não responder à nossa
oração específica por cura física?
Primeiro, devemos lembrar que embora oremos
com fé, Deus jamais prometeu curar todas as
enfermidades físicas. Ele prometeu, contudo,
prover graça e força em cada situação, mas nem
sempre prover a libertação da morte.
Como já vimos no capítulo 2, o apóstolo Paulo
exemplifica isto em sua própria vida. Embora, com
freqüência, Paulo houvesse curado as pessoas
mediante o poder divino, houve uma época em que
Deus não respondeu às suas próprias orações de
cura pessoal. Escrevendo aos coríntios, ele os
informa de que pediu ao Senhor três vezes que o
curasse. De fato, ele disse: “Pedi ao Senhor que o
afastasse de mim.” Entretanto, a resposta do
Senhor a Paulo foi que sua graça bastava para ele
(2 Coríntios 12:8-9).
É importante que compreendamos este ponto,
pois uma perspectiva inexata da soberania de Deus
quanto à cura pode levar as pessoas a uma falsa
culpa, achando que são culpadas pela doença que
não foi curada mediante a oração. Lembre-se de
que, nestes assuntos, a vontade divina é mais
importante do que a nossa, e no que se refere à
cura física, ele preferiu não revelar sua vontade.
Por outro lado, Deus responde às nossas orações
de cura de acordo com a sua vontade. Além do
mais, se não orarmos, pode ser que ele não
responda. A oração, portanto, faz diferença, quer
Deus responda com a cura, quer com a graça que
nos capacite a suportar o fardo.
L ogo depois da experiência traumática da
oração de Elias pelo filho da viúva e sua
subsequente experiência de alegria vendo Deus
responder à oração e restaurar a vida do menino,
houve outra época de espera para que o período
predeterminado da seca corresse o seu curso. Não
sabemos quanto tempo, mas podem ter sido outros
dois anos. Tiago diz-nos especificamente que “por
três anos e seis meses não choveu” (Tiago 5:17). É
provável que demorasse seis meses para que
Acabe levasse a sério a seca, e esse tempo Elias
passou escondido. Admitindo-se que Elias tenha
passado aproximadamente um ano junto à
torrente de Querite, ele teria mais ou menos outros
dois anos desde o começo de sua estada na casa da
viúva de Sidom. Entretanto, lemos: “Muito tempo
depois, veio a palavra do Senhor a Elias no terceiro
ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe, porque
darei chuva sobre a terra” (1 Reis 18:1).1
Todos estes acontecimentos estavam
preparando Elias para o que devia ser sua maior
batalha espiritual — um confronto direto com as
forças reveladas por meio dos profetas de Baal.
Mas uma vez que Elias era homem semelhante a
nós, sua preparação para esta tarefa gigantesca
precisava também de descanso e descontração.
Depois de sua difícil batalha com a morte, parece
que Deus lhe deu algum tempo para recuperar-se
— descansar, relaxar as tensões e refletir sobre o
cuidado providencial de Deus, seu tremendo poder
e sua justiça e santidade. Elias estava-se
preparando para um encontro dramático e tenso,
primeiro com Acabe; a seguir, com os filhos de
Israel e com os profetas de Baal; e, finalmente, com
a própria Jezabel. E quando Deus uma vez mais lhe
falou diretamente, Elias estava pronto. Não houve
debate, nem hesitação. Lemos apenas: “Partiu,
pois, Elias a apresentar-se a Acabe” (18:2).
Mas antes de apresentar-se a Acabe, ele teve
outro breve encontro — uma reunião com um
velho amigo — um homem de nome Obadias.
Embora breve e sem grandes repercussões para
Elias, o encontro seria bastante traumático para
Obadias.

A posição estratégica de Obadias


1 Reis 18:3
Quem era esse Obadias? O registro histórico
fala-nos de dois fatos muito importantes. Primeiro,
ele controlava o palácio de Acabe; segundo, era um
homem “que temia muito ao Senhor” (1 Reis 18:3).
De uma perspectiva humana esta era uma
combinação incrível. Do ponto de vista divino,
Deus sempre teve gente em posições estratégicas
a fim de realizar a sua vontade. José tornou-se
primeiro-ministro do Egito, posição estratégica que
não apenas salvou os egípcios da força destruidora
de uma fome severa, como também proveu o
contexto para que Deus suscitasse a nação de
Israel. Mais tarde, Moisés afinal encontrou-se
herdeiro do trono do Egito, e depois de quarenta
anos no deserto, voltou ao Egito para tirar Israel do
cativeiro. Daniel também surgiu como um dos
homens mais influentes dos impérios babilônico e
medo-persa. Neemias serviu como copeiro do rei
Artaxerxes. Não devemos esquecer-nos de Ester,
que por sua posição estratégica salvou o seu povo
de dificuldades e problemas incomuns.
Em cada uma destas situações Deus possibilitou
ao seu povo ocupar posições-chave no mundo
secular e pagão a fim de realizar seus propósitos
divinos. Com grande frequência essa posição
preparou o palco para que Deus realizasse seus
propósitos divinos através do povo escolhido —
Israel.
Obadias também ocupava uma posição dessas.
Era mordomo de Acabe. Era o administrador de
confiança e confidente do rei. Esta posição
acarretava responsabilidade e autoridade sem
reservas. Embora Acabe fosse o rei de Israel, era
em muitos aspectos “pagão” em seu estilo de vida
e método de liderança.
Ao mesmo tempo, Obadias era crente no
Senhor. Mas era mais do que isso! Era crente
devoto. Ele não havia comprometido a sua fé no
Deus vivo. Diferentemente do rei a quem servia,
ele não cultuava os profetas de Baal.
Pense nisto por um instante! Como podia tal
acontecer? Como seria possível estar nesta posição
estratégica, servindo a um rei que promovia o pior
tipo de idolatria pagã e ainda continuar crente
devoto? Como seria possível este tipo de pessoa
conservar a confiança de Acabe? Como seria
possível ficar acima das suspeitas? Há mais,
porém!

O incrível plano de Obadias


1 Reis 18:4
Estas perguntas são ainda mais estarrecedoras
quando descobrimos as operações clandestinas de
Obadias. “Quando Jezabel exterminava os profetas
do Senhor”, Obadias os protegia. Ele “tomou cem
profetas” e “os escondeu numa cova, e os
sustentou com pão e água” (1 Reis 18:4).
A esta altura podemos tirar várias conclusões.
Primeira, Obadias era crente devoto — muito
devoto! Como o atestam suas convicções
espirituais. Sua vida estava na balança todos os
segundos das vinte e quatro horas do dia. Se
alguém no palácio de Acabe, com exceção dos
servos de confiança de Obadias, tivesse
desconfiado de suas atividades, sua morte seria
certa. Ainda assim, ele não tinha garantia de que
um dos seus servos não o denunciasse. Este não era
um jogo de gato e rato. Era uma batalha contra
Satanás e suas forças malignas. E ninguém
conhecia o perigo mais intensamente do que
Obadias. Sua escolha foi deliberada, sabendo
muito bem que podia ser executado a qualquer
instante.
Que poderia levar um homem a colocar em
perigo sua posição estratégica e sua vida? As
Escrituras no-lo dizem. Ele “temia muito ao
Senhor”. Deus estava no centro de tudo o que ele
fazia. Obedecer ao Senhor era mais importante
para Obadias do que qualquer outra coisa na vida
— incluindo a própria vida.
Mas há uma segunda coisa que devemos
concluir da posição estratégica de Obadias e de seu
plano incrível. Ele não era apenas crente dedicado
e corajoso; era também homem sábio. Foi a sua
sabedoria, é claro, que o capacitou a ocupar uma
posição tão estratégica no palácio do rei. Mas tal
sabedoria devia estar além da engenhosidade
humana para desenvolver e pôr em prática um
plano assim tão incrível para salvar os profetas do
Senhor. Como Obadias o realizou, ninguém o sabe.
Algum dia, no céu, será emocionante perguntar-
lhe. Mas, com certeza, podemos especular que não
importa o que ele diga, será precedido de uma
exclamação: “Sem Deus, eu não poderia ter feito
nada.”

A previsível dificuldade de Obadias


1 Reis 18:5-16
É lógico concluirmos que Obadias enfrentou
problemas gigantescos na execução de seu plano.
De fato, é provável que ele os encarasse
diariamente. Mas ele não tinha ideia do que ia
acontecer quando, inesperadamente, se encontrou
com Elias.
À medida que a seca piorava, Acabe ordenou
que Obadias o ajudasse a encontrar alimento para
seus cavalos e mulas de modo que não fosse
necessário matá-los. Ironicamente, o rei se
interessava mais pela vida dos animais do que
pelos profetas do Senhor. Acabe foi numa direção
e Obadias noutra, procurando fontes e vales onde
ainda existisse capim (1 Reis 18:4-6).
“Estando Obadias já de caminho”, Elias
encontrou-se com ele, vindo de direção oposta.
Embora Obadias reconhecesse o homem de Deus
que havia desaparecido uns três anos antes, ele
queria ter certeza. “És tu meu senhor Elias?”,
perguntou ele (18:7).
A resposta imediata de Elias, é claro, foi
afirmativa e confortadora. Mas sua reação maior foi
chocante e ameaçadora para Obadias. “Vai, e dize
a teu senhor: Eis que Elias está aí”, acrescentou o
profeta (18:8).
Obadias imediatamente se colocou na defensiva.
Era óbvia a tensão com a qual ele tinha vivido por
quase três anos. “Em que pequei", perguntou ele,
“para que entregues teu servo na mão de Acabe, e
ele me mate?” (18:9).
A esta altura Obadias apresentou o esboço
histórico a que aludimos nos versículos anteriores.
Acabe, influenciado por sua rainha ímpia, havia
enviado polícia secreta a todos os cantos
procurando por Elias. E onde quer que fosse
negativo o relatório dos interrogados, Acabe exigia
uma confissão juramentada de que não haviam
visto a Elias nem sabiam onde ele estava.
Obadias sabia contar com a morte certa se
relatasse a Acabe haver encontrado a Elias mas
não havê-lo levado preso. Além do mais, ainda que
Obadias escapasse a tal provação, ele temia que
Elias não estivesse lá quando Acabe voltasse para
encontrá-lo. “Poderá ser que, apartando-me eu de
ti, o Espírito do Senhor te leve não sei para onde”,
disse ele. “E, vindo eu a dar as novas a Acabe, e
não te achando ele, me matará” (18:12).
O temor e a frustração intensos de Obadias são
ainda mais óbvios nas afirmativas seguintes. Ele
lembra a Elias sua fidelidade a Deus — Servindo e
adorando ao Senhor desde a sua juventude. Com
profunda emoção ele recapitula como havia
colocado a sua vida em perigo diariamente
escondendo os profetas do Senhor nas covas e
providenciando-lhes alimento e água. “E agora”,
implora ele, “agora tu dizes: Vai, dize a teu senhor:
Eis que aí está Elias. Ele me matará” (18:14).
Elias compreendeu a Obadias e teve compaixão
do seu problema. Assegurou-lhe que não
desapareceria. “Tão certo como vive o Senhor dos
Exércitos, perante cuja face estou, deveras hoje me
apresentarei a ele” (18:15).
O que mais se passou entre este corajoso profeta
e seu fiel amigo Obadias é matéria para especula-
ção. Sem dúvida Elias contou-lhe tudo o que
aconteceu enquanto estava escondido — como
Deus o havia tratado e protegido. Ele também deve
ter convencido a Obadias de que agora era o tempo
de Deus para que ele encontrasse Acabe face a
face. Deveras, foi o Senhor quem disse a Elias:
“Vai, apresenta-te a Acabe, porque darei chuva
sobre a terra” (18:1).
Até que ponto os temores de Obadias se
dissiparam, não o sabemos. Afinal de contas, ele
tinha vivido constantemente com medo na corte
de Acabe. Entretanto, sabemos que ele foi
confortado. Atendeu à ordem de Elias. Voltou ao
palácio de Acabe e disse ao rei que Elias estava
esperando para encontrá-lo. Como era de esperar’,
Acabe saiu imediatamente ao encontro de Elias.
Mas essa é outra história! A esta altura de nosso
estudo precisamos fazer uma pergunta muito
importante e dar resposta a ela.

Que posso eu, crente do século vinte


aprender com Obadias?
Primeiro, Deus deseja usar os crentes que estão
em posições-chave numa sociedade pagã e secular
para realizar seu propósito no mundo. Qual é o
propósito principal de Deus para o crente neste
mundo? Certamente Deus deseja proteger seus
filhos. Mas Deus tem em mente um propósito
muito mais básico do que nossa proteção e senso
de segurança.
Ele tem interesse em comunicar sua mensagem
de redenção a um mundo perdido. Os crentes
devem ser sal e luz. Jesus disse: “Vós sois o sal da
terra... Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:13-14).
E enquanto cumprimos o desejo divino como
testemunhas dinâmicas no mundo, estamos
construindo o reino de Deus — não um reino nesta
terra. O propósito primário de Deus para os crentes
não é preservar a sociedade. Nem é seu propósito
principal prover um lugar de segurança para seus
filhos. Todos estes são objetivos dignos, mas não
devem ser fins em si mesmos.
Foi esta a mensagem de Paulo a Timóteo.
Devemos orar “em favor dos reis e de todos os que
se acham investidos de autoridade, para que
vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade
e respeito” (1 Timóteo 2:2). Portanto, Deus tem
interesse em nossa segurança. Mas esse propósito
é secundário. O motivo pelo qual devemos orar
pelos líderes do governo é que proporcionem um
ambiente no qual seja possível proclamar as boas-
novas de Jesus Cristo. Assim, Paulo culmina esta
injunção, dizendo: “Isto é bom e aceitável diante
de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os
homens sejam salvos e cheguem ao pleno
conhecimento da verdade” (2:3-4). Eis a
mensagem básica da qual necessitavam
desesperadamente: “Porquanto há um só Deus e
um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo
Jesus, homem. O qual a si mesmo se deu em
resgate por todos” (1 Timóteo 2:5-6).
Todo crente que tem contato com um não-
crente encontra-se em uma posição estratégica.
Nossa maior influência é sentida, não através de
afirmações sobre moralidade, mas mediante os
contatos pessoais que refletem nossa fé em Deus,
nossa esperança eterna para o futuro e nosso amor
a Deus e ao próximo. À medida que o mundo se
deteriora, deixando as pessoas a colherem os
resultados de suas próprias escolhas morais, elas
procuram freneticamente algo que dê significação
à vida.
O crente tem a resposta para o dilema do
mundo: o relacionamento pessoal com Jesus
Cristo que dá esperança para o presente e para o
futuro. Além do mais, o que provê ânimo e ressalta
essa esperança e segurança enquanto ocupamos
nossa posição no planeta Terra, é um
relacionamento amoroso, moral e ético com outros
crentes.
Segundo, Deus só pode usar eficazmente, para
realizar seu propósito no mundo, os crentes
devotados a ele. Obadias exemplifica lindamente
este fato. Ele havia servido ao Senhor desde a
infância. E todos os personagens bíblicos que
ocuparam posição estratégica numa situação
secular e foram usados por Deus de modos
incomuns, emergiram como este tipo de pessoa.
Assim também devem ser os crentes do século
vinte!
Jamais impressionaremos o mundo sendo iguais
a ele. Nosso sistema de valores deve refletir o
padrão de justiça e santidade de Deus. Pedro disse-
o muito bem. “Amados”, escreveu ele, “exorto-vos,
como peregrinos e forasteiros que sois, a vos
absterdes das paixões carnais que fazem guerra
contra a alma, mantendo exemplar o vosso
procedimento no meio dos gentios, para que,
naquilo que falam contra vós outros como de
malfeitores, observando-vos em vossas boas obras,
glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pedro
2:11-12).
Nesta passagem Pedro diz-nos que é possível
vivermos para Cristo e refletirmos a sua santidade
na maioria dos casos sem alienarmos os não-
crentes. Pode ser que não concordem conosco,
mas bem no íntimo nos respeitarão. Podem rir de
nós publicamente mas admirar-nos em secreto. A
maioria dos não-crentes respeitam as pessoas
dispostas a tomar uma posição moral e ética.
Muitos cristãos alienam os não-crentes
desnecessariamente. Na maioria dos casos, não
são as suas convicções, mas a maneira como
comunicam essas convicções. E isto nos leva à
lição seguinte que aprendemos com Obadias.
Terceiro, Deus usa, de um modo especial os
crentes que refletem sabedoria em seus
relacionamentos com os não-crentes. Jesus, ao
enviar os discípulos a um mundo muito hostil que
provavelmente não tem encontrado paralelo desde
então, disse: “Eis que eu vos envio como ovelhas
para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes
como as serpentes e símplices como as pombas”
(Mateus 10:16).
Hoje, muitos cristãos ainda não agem
sabiamente em seus esforços de anular as
tendências ímpias da sociedade. Sua estratégia é
bombástica e ofensiva. Seu procedimento é
desafiador e agressivo. Muitos reagem com
ameaça e temor em vez de profundo interesse
pelos outros. Com frequência, são mais emocionais
do que racionais. No processo, violam os princípios
bíblicos, fazendo que os não-crentes reajam com
ira.
Assim, a mensagem de Cristo e da salvação se
perde na batalha. Em vez de ser sal e luz, muitos
crentes estão fazendo que os não-crentes os
vomitem de suas bocas. São devotos, mas devotos
de maneira errada. Sua devoção reflete-se em
atitudes e ações agressivas para com os não-
crentes em vez de refletir seu relacionamento com
Deus.
Por exemplo, líderes cristãos têm sido
aprisionados nos Estados Unidos por se recusarem
a cumprir os requisitos do governo quanto às
escolas cristãs. Têm contestado abertamente as
leis sociais que se destinam a proteger nossos filhos
de danos desnecessários. Suas ações violam a
exortação de Pedro: “Sujeitai-vos a toda instituição
humana por causa do Senhor” (1 Pedro 2:13).
Obviamente, há ocasiões em que o crente deve
recusar-se a cooperar com o governo. Por exemplo,
muitos cristãos dos primeiros séculos preferiram
morrer a negar que Jesus Cristo era o seu Senhor e
Mestre. Mas até mesmo este tipo de ação não devia
ser praticado com uma atitude contestadora.
Muitos destes crentes morreram submissamente e
sem ira para com os que causaram a sua morte.
Como Jesus Cristo, eles disseram: “Pai, perdoa-
lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas
23:34).
Fala-se também em alguns círculos cristãos, que
seria perfeitamente legítimo recusar o pagamento
de imposto por causa das ações pecaminosas da
parte dos líderes governamentais. Raciocinam que
devíamos impedir que nosso dinheiro fosse usado
para custear comportamento imoral. Esta é uma
filosofia interessante em vista do que Jesus disse a
seus discípulos que dessem a César o que era de
César e a Deus o que é de Deus (Mateus 22:21).
Esta é uma exortação significativa tendo-se em
vista o fato de que o governo romano era culpado
de crimes insidiosos e bárbaros.
Muitos crentes hoje estão reagindo de maneira
imprudente às mudanças que ocorrem em nossa
cultura. Compreendemos por que essas pessoas
estão nervosas. Nossos valores sociais estão
mudando. Ainda mais, estão causando impacto
sobre nossos filhos. Mas não devemos resistir com
imprudência. Fazê-lo, é violar tanto os
mandamentos quanto os princípios bíblicos. Além
do mais, com frequência essa atitude torna ineficaz
o nosso testemunho no mundo.
Quarto, ser filho de Deus em uma sociedade
secular muitas vezes leva a problemas, mas Deus
tem deleite em usar essas dificuldades para
alcançar os seus propósitos. Onde não há
problemas não há necessidade de soluções. Onde
não há batalhas não há vitórias. É no contexto da
tensão que Deus, na maioria das vezes, revela seu
poder e seu amor. Além disso, é no meio da
perseguição que o crente pode verdadeiramente
revelar sua dedicação e amor a Jesus Cristo. É
quando tentados que os crentes podem
demonstrar dedicação a Jesus Cristo e dar
testemunho de seu poder para livrar da tentação e
do pecado.
Paulo escreveu: “Ora, todos quantos querem
viver piedosamente em Cristo Jesus serão
perseguidos.” Prossegue ele afirmando, “mas os
homens perversos e impostores irão de mal a pior,
enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:12-
13). Em vista desta profecia, não devia ser-nos
surpresa que nosso ambiente esteja mudando para
pior! Deus disse que seria assim.
Não nos alarmemos, pois, ao nos encontrarmos
em dificuldades por causa de nossa posição em
uma sociedade secular. Estas são as oportunidades
que Deus tem para demonstrar sua mensagem
divina através de nossa vida. Ele tem uma maneira
singular de transformar limão em limonada e
pedras de tropeço em degraus de sucesso se tão-
somente permitirmos que assim o faça.
É verdade, haverá épocas em que teremos medo
e frustrações. Obadias também sentiu assim.
Haverá épocas em que precisaremos de segurança
e ânimo. Obadias também precisou. Haverá
épocas em que concluiremos que o problema não
tem solução. Obadias também chegou a essa
conclusão. Mas havia uma solução. O propósito de
Deus se cumpriu. Isto veremos nos capítulos
seguintes.
Resposta pessoal
1. Até que ponto estou permitindo que Deus me
use para realizar seu propósito no mundo —
• no emprego
• em meu bairro
• na escola
• nas minhas atividades recreativas e sociais?
2. Até que ponto estou vivendo uma vida
devotada a Jesus Cristo, e ao mesmo tempo sendo
sábio e cuidadoso em meus relacionamentos com
os não-crentes?
3. Até que ponto vejo as dificuldades como
oportunidades de Deus para demonstrar seu poder
e amor através de minha vida?
Passo de ação
Pense em uma oportunidade que você tem de
ser uma testemunha eficaz para Cristo. Peça que
Deus o ajude a transformar essa oportunidade em
experiência frutífera.

_____
1
Uma vez que a ordem de Deus para que Elias se
apresentasse a Acabe aconteceu no terceiro ano, e o
encontro com os profetas de Baal estava próximo, depois
do qual choveu novamente, alguns comentaristas creem
que o registro histórico de 1 Reis é calculado a partir do
tempo em que Elias se escondeu. Em outras palavras, o
período antes de ele fugir para junto da torrente de Querite
é estimado em cerca de seis meses. Haveria então outros
três anos de seca, e a ordem de Deus de ir ver o rei Acabe
viria no terceiro ano, provavelmente no seu final. Este
cálculo então corresponderia à afirmativa de Tiago de que
a seca durou três anos e seis meses (Tiago 5:17).
P odemos imaginar a surpresa de Acabe quando
Obadias retornou da viagem e relatou haver
encontrado Elias. Por mais de três anos Acabe
estivera varrendo o país à procura do homem
responsável pela seca que devastava o país. Além
disso, podemos imaginar a consternação de Acabe
quando Obadias lhe informou que Elias estava
esperando para vê-lo. Quaisquer que tenham sido
suas reações emocionais, ele não perdeu tempo em
sair ao encontro do profeta.
A racionalização de Acabe
1 Reis 18:16-17
Assim que Acabe viu a Elias, fez uma pergunta
bastante esclarecedora. “És tu, ó perturbador de
Israel?” (1 Reis 18:17), deve ter ele perguntado
quase rosnando. Inerente nesta pergunta encontra-
se um problema profundo que tem influenciado
toda a humanidade, uma doença social que tem
infeccionado todo homem e mulher que já viveu no
planeta Terra. Desde que o pecado entrou na raça
humana, nossa tendência tem sido transferir para
outrem a culpa de nosso próprio procedimento
irresponsável. A isto chamamos de racionalização.
81

Adão e Eva (Gênesis 3:1-13)


Adão foi o primeiro homem a racionalizar seu erro
quando Deus o confrontou no jardim depois que ele
e Eva desobedeceram. Quando o Senhor perguntou
se ele havia comido da árvore que devia evitar, Adão
respondeu: “A mulher que me deste por esposa, ela
me deu da árvore, e eu comi” (Gênesis 3:12). Na
realidade, Adão não apenas estava transferindo a
culpa para Eva, mas também para Deus. Embora se
referisse a Eva, ele tornou claro que Deus foi quem a
dera a ele.
Eva foi a segunda pessoa a racionalizar. Quando o
Senhor perguntou o que ela havia feito, ela
respondeu: “A serpente me enganou, e eu comi”
(3:13). Em outras palavras, ela dizia: “O diabo me
forçou a fazê-lo”. Ela transferiu a culpa para Satanás.
Qual foi o motivo principal que fez que Adão e Eva
racionalizassem? O próprio Adão deixou-o claro
quando disse: “Tive medo” (3:10). Muitas vezes o
medo encontra-se na raiz da racionalização
Não deveria constituir surpresa para nós,
portanto, que todos achamos difícil encarar as
conseqüências negativas de nossas atitudes e ações.
É um resultado direto da enfermidade espiritual que
a Bíblia identifica como pecado. E uma das
manifestações primárias do pecado é o medo —
temor de rejeição, temor do castigo, temor de
enfrentar as conseqüências de nossas próprias ações.

Abraão e Sara (Gênesis 16:1-5)


O problema da racionalização aparece com
freqüência nos relacionamentos humanos. Sendo
Sara incapaz de ter filhos, convenceu a seu marido
Abraão a ter um filho por via de sua serva, Hagar.
82

Isto parece estranho e imoral — e é— mas era


prática comum no mundo pagão dos dias de
Abraão. De fato, muitos contratos de casamento
incluíam uma cláusula indicando que se a esposa
não concebesse, ela teria a responsabilidade de
prover uma mulher substituta que os tivesse, para
que o nome da família continuasse.
Abraão cooperou com o plano de Sara, e Hagar
concebeu um filho. Mas as coisas não saíram como
Sara esperava. Quando Hagar ficou grávida “foi sua
senhora por ela desprezada” (Gênesis 16:4). Como
seus ancestrais, Sara não reconheceu o seu erro
nem aceitou a culpa. “Você é responsável pelo erro
que sofro”, disse ela a seu marido. “Coloquei nos
seus braços a minha serva e agora ela sabe que está
grávida e me despreza” (16:5).
Sara nos apresenta outra razão primária pela
qual racionalizamos — ira, ciúme e a emoção que
o acompanha. Quão rapidamente esta combinação
de sentimentos pode dominar nossa vida e levar-
nos a culpar outro por nossas próprias ações.
Moisés e Arão (Êxodo 32:1-23)
Quando Moisés subiu ao monte Sinai a fim de
receber as tábuas de pedra sobre as quais Deus
escreveu os Dez Mandamentos, os filhos de Israel
ficaram inquietos. Chegaram-se a Arão, irmão de
Moisés, e disseram: “Levanta-te, faze-nos deuses
que vão adiante de nós; pois quanto a este Moisés,
o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o
que lhe terá sucedido” (Êxodo 32:1).
Arão concordou, fez um bezerro de ouro e
construiu um altar. O povo prostrou-se perante o
deus falso e ofereceu sacrifícios e cometeu
imoralidades como parte de seu culto pagão.
83

Quando Moisés retornou com as leis, depois de


convencer ao Senhor que poupasse a Israel de juízo
severo por causa de sua flagrante idolatria, argüiu o
irmão acerca do que fizera. A resposta de Arão reflete
o processo de racionalização. “Não se acenda a ira do
meu senhor”, respondeu ele. “Tu sabes que o povo é
propenso para o mal. Pois me disseram: Faze-nos
deuses que vão adiante de nós; pois quanto a este
Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não
sabemos o que lhe terá acontecido. Então eu lhes
disse: Quem tem ouro, tire-o. Deram-mo; e eu o
lancei no fogo, e saiu este bezerro” (32:22-24).
Em vez de admitir que havia pecado, Arão
transferiu a culpa para seus concidadãos. Além disso,
ele inventou uma explicação incrível de que o
bezerro de algum modo surgira do fogo sem a sua
ajuda. Esta é, deveras, uma visão interessante pois o
registro sagrado afirma especificamente que
“trabalhou o ouro com buril, e fez dele um bezerro
fundido” (32:4). Não é de admirar que Jeremias
tivesse escrito: “Enganoso é o coração, mais do que
todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem
o conhecerá?” (Jeremias 17:9).
O que levou Arão a racionalizar? Certamente que
todas as emoções esboçadas até aqui tiveram a sua
participação nesse processo. Há mais, porém. O
procedimento inicial de Arão sem dúvida fora
motivado pela necessidade de prestígio e poder. Até
esta altura ele estivera operando à sombra de Moisés,
e agora ele tinha oportunidade de dirigir a Israel. E,
ao ser repreendido por causa do seu pecado, estas
necessidades, misturadas com o temor da rejeição,
fizeram que ele explicasse o acontecido com uma
resposta desonesta e que lhe desse proteção.
84

Saul e Samuel (1 Samuel 15:1-23)


Quando Saul foi ungido rei, o Senhor deu-lhe
instruções para atacar os amalequitas e destruí-los
por causa do que haviam feito a Israel, atacando-o
sem piedade no deserto. Ele não devia poupar
nada, nem “bois e ovelhas, camelos e jumentos” (1
Samuel 15:3).
Mas Saul desobedeceu, guardando “o melhor
que havia” (15:9). O Senhor ficou profundamente
desgostoso e Samuel também. Samuel foi ver Saul
e repreendeu-o por sua desobediência.
Novamente, vemos a racionalização funcionando
na resposta de Saul. Respondeu ele: “De Amaleque
os trouxeram; porque o povo poupou o melhor das
ovelhas e dos bois para os sacrificar ao Senhor teu
Deus” (15:15).
Com esta resposta Saul estava transferindo a
culpa a seus soldados. Entretanto, o texto bíblico
claramente afirma que “Saul e o povo pouparam ...
o melhor que havia” (15:9).
Temos mais uma perspectiva do processo de
racionalização da experiência de Saul. Depois de
sua desobediência, Saul foi ao Carmelo e “levantou
para si um monumento, e, dando volta, passou e
desceu a Gilgal” (15:12). O orgulho também é um
fator importante na racionalização. Certamente
ajuda a explicar por que Saul culpou seu exército.
Pilatos e Jesus (Mateus 27:1-24)
Encontramos o exemplo mais dramático de
racionalização no Novo Testamento. É a respeito
de Pilatos, responsável, sob a lei romana, pela
decisão concernente a Jesus Cristo. Embora não
encontrasse culpa no Senhor, entregou-o para ser
crucificado (Mateus 27:26). Mas antes de fazê-lo,
85

mandou vir água, “lavou as mãos perante o povo,


dizendo: Estou inocente do sangue deste justo;
fique o caso convosco!” (27:24).
Pilatos entregou um homem inocente à morte,
mas em sua própria mente se convenceu de que
não tinha culpa. E com este ato irresponsável ele
estava tentando aliviar sua própria consciência da
culpa que sentia — outro fator que causa a
racionalização.
E assim aconteceu com o rei Acabe. Embora ele
houvesse causado a perturbação que sobreviera a
Israel por causa de sua idolatria, transferiu a culpa
para Elias. “És tu, ó perturbador de Israel?”
perguntou ele! (1 Reis 18:17).
Acabe e Nabote (1 Reis 21:1-29)
O que causou a racionalização de Acabe? Sem
dúvida foi uma combinação de fatores como
sempre acontece. Mas como no caso dos outros
personagens bíblicos culpados deste procedimento
auto enganador e defensivo, parece haver alguns
fatores singulares na personalidade de Acabe.
Isto fica claramente ilustrado na experiência que
Acabe teve com um homem chamado Nabote.
Este homem possuía uma vinha localizada perto do
palácio de Acabe. Quando o rei notou a vinha,
desejou-a para uma horta. Ele ofereceu-se para
comprar a vinha ou permutá-la por outra em outro
local.
A vinha tinha valor especial para Nabote porque
ele a havia recebido como herança. Ele rejeitou a
oferta do rei, o que deixou o rei “desgostoso e
indignado” (1 Reis 21:4). Acabe foi para casa,
atirou-se na cama e deitado “voltou o rosto, e não
comeu pão” (21:4). Quando Jezabel, sua mulher, o
86

descobriu, perguntou: “Que é isso que tens assim


desgostoso o teu espírito, e não comes pão?”
(21:5).
Depois de Acabe explicar o que havia
acontecido, Jezabel tomou o assunto em suas
próprias mãos. Como só ela era capaz de fazer,
maquinou um plano para que Nabote fosse
acusado de blasfêmia contra Deus e o rei. Em
conseqüência disso ele foi morto. Quando Acabe
ouviu “que Nabote era morto, levantou-se para
descer para a vinha de Nabote, o jezreelita, para
tomar posse dela” (21:16).
Que triste comentário sobre a personalidade de
Acabe! Ele era incrivelmente egoísta e
horrivelmente estragado. Além disso, era um
homem fraco, passivo e pequeno que agia mais
como criança do que como adulto.
Pense nisto! Aqui estava o rei de Israel, mais rico
do que qualquer outra pessoa no país, desgostoso
porque não podia conseguir a vinha de um homem
pobre para a transformar em horta.
Acabe, pois, culpou a Elias pelas suas
dificuldades; por ser homem fraco, centralizado em
si mesmo, caiu vítima de uma esposa ímpia,
dominadora e manipuladora que o usou para
atingir seus próprios alvos egoístas.
O confronto de Elias
1 Reis 18:18-19
Elias não usou de meias palavras para lidar com
a racionalização de Acabe. “Eu não tenho
perturbado a Israel”, respondeu Elias, “mas tu e a
casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos
do Senhor, e seguistes aos Baalins” (1 Reis 18:18)
Elias passa a desafiar Acabe para um confronto
87

no monte Carmelo. “Agora, pois, manda ajuntar a


mim todo o Israel no monte Carmelo”, disse ele.
“Como também os quatrocentos e cinqüenta
profetas de Baal, e os quatrocentos profetas do
poste-ídolo, que comem da mesa de Jezabel”
(18:19).
Há apenas um modo de resolver a
racionalização. Elias apresenta esse modo. Deve
ser confrontada. A verdade deve prevalecer. O
engano deve ser revelado.
Infelizmente, Acabe não deu ouvidos. Ele era por
demais orgulhoso e arrogante e estava convencido
de que poderia batalhar contra o Deus de Abraão,
de Isaque e de Jacó. E por causa de sua recusa em
ouvir, caminhava para uma queda e morte
horríveis. Infelizmente, no decurso dos
acontecimentos, ele levaria consigo muita gente.
Davi e Bate-Seba (2 Samuel 12:1-23)
No lado positivo, as Escrituras registram a história
de um homem que deu ouvidos ao ser confrontado
com o seu pecado depois de o ter racionalizado. Ele
também foi rei de Israel. Não era culpado de
idolatria. Antes, de adultério e, finalmente, de
assassínio. Seu nome era Davi. Ele furtou a mulher
de outro homem, engravidou-a e então matou o
marido dela em uma batalha a fim de acobertar seu
próprio pecado.
O Senhor enviou o profeta Natã para repreender a
Davi. O método de Natã, entretanto, foi bem mais
sutil, mas em alguns aspectos mais poderoso do que
o de Elias. Ele contou a Davi a história de um homem
rico que “tinha ovelhas e gado em grande número”.
Em contraste, havia um pobre que “não tinha coisa
nenhuma, senão uma cordeirinha que comprara”.
88

Natã passou a explicar que a cordeirinha era especial


para esse homem que a “criara, e que em sua casa
crescera, junto com seus filhos; comia de seu bocado
e do seu copo bebia, dormia nos seus braços, e a
tinha como filha (2 Samuel 12:2-3).
Certo dia um homem passava de viagem e parou
na casa do rico para uma refeição. Em vez de “tomar
das suas ovelhas ou do gado para dar de comer ao
viajante que viera a ele... tomou a cordeirinha do
homem pobre, e a preparou para o homem que lhe
havia chegado” (12:4).
A reação de Davi foi de intensa ira. Sendo pastor a
maior parte da sua vida, ele podia identificar-se
emocionalmente com a situação. Com quanta
freqüência ele deve ter segurado uma cordeirinha
nos braços até mesmo durante a noite enquanto
dormia. De dia talvez até a alimentasse de seu
próprio copo! Davi foi um pastor sensível.
“Tão certo como vive o Senhor, o homem que fez
isso deve ser morto”, respondeu Davi (12:5).
Davi foi apanhado de surpresa pela resposta de
Natã. “Tu és o homem” disse ele. E passou a explicar
como ele, rei de Israel, havia cometido um crime
ainda maior. Ele havia tomado Bate-Seba, a única
mulher de Urias, ao passo que ele possuía muitas. E
nessa altura Natã pronuncia o juízo sobre Davi pelo
seu pecado.
A resposta de Davi foi muito diferente da de
Acabe. “Pequei contra o Senhor”, clamou ele (12:13).
A esta altura sua racionalização, motivada pela
cobiça e pelo temor, transformou-se em honestidade.
Ele enfrentou a realidade do que havia feito. Não
apresentou mais desculpas, mas entregou-se à
misericórdia divina. E porque seu coração foi
89

amolecido perante o Senhor e ele se arrependeu,


Deus teve misericórdia de Davi. Embora ele pagasse
um alto preço por seu pecado nas vidas de seus
próprios filhos, ele se voltou para Deus.
A racionalização e o crente de hoje
Por causa de nossas fraquezas humanas e de nossa
natureza pecaminosa, todos nós, seres humanos,
somos sujeitos à racionalização. Como as pessoas
exemplificadas nas Escrituras, pode haver razões
várias por que racionalizamos e culpamos outros por
nosso procedimento irresponsável.
É o medo? Desde que Adão e Eva racionalizaram
por causa do medo, muitos o têm feito em todos os
lugares. Os maridos culpam as esposas e as esposas
culpam os maridos. Os pais culpam os filhos e os
filhos culpam os pais. Culpamos uns aos outros e a
Deus por nosso comportamento irresponsável.
A Bíblia afirma que o perfeito amor lança fora o
medo. Não precisamos ter medo de Deus, porque
seu amor perfeito está disponível a toda a
humanidade. Sua ira recaiu sobre o seu Filho, Jesus
Cristo, que levou os pecados do mundo todo. Em vez
de culpar os outros por nossas fraquezas, devemos
encarar a realidade, confessar o nosso pecado e
aceitar o perdão de Cristo.
Nota. Amiúde os filhos racionalizam por medo,
porque os adultos são por demais insensíveis e
severos na aplicação da disciplina. Neste sentido,
Deus joga a responsabilidade sobre os pais.
Entretanto, a criança pode crescer e levar uma vida
irresponsável por causa de nossos erros tolos. Nesse
ponto ela é responsável, pois na fase adulta a pessoa
deve levar seus próprios fardos, não importo qual
tenha sido a origem deles.
90

É o ciúme? Ciúme é uma emoção que resseca a


alma. Resseca a alma e nos afasta uns dos outros.
Também aparece cedo na vida. De fato, com a
capacidade de afeição, vem a capacidade do ciúme.
Os sentimentos que ele acarreta são emoções
gêmeas— uma positiva e outra negativa.
O ciúme é também uma emoção muito forte. Com
freqüência encontra-se na raiz da racionalização. Por
exemplo, Maria está sempre criticando a Joana por
sua maneira de fazer as coisas — o modo de andar, o
modo de vestir-se, o modo de relacionar-se com
outros. Além disso, ela não acredita que Joana goste
dela.
Na realidade, Maria ressente-se da capacidade que
Joana tem de cantar. Ela também se ressente do fato
de Joana receber convites para cantar com mais
freqüência do que ela. Maria tem ciúmes, mas não o
admite para si mesma nem para os outros. Portanto,
do ponto de vista de Maria, Joana é sempre o foco do
seu problema, não ela mesma.
É a ira? Todos nós fazemos coisas das quais nos
arrependemos por causa da ira. Mas é difícil admiti-
lo e muitas vezes culpamos nossas ações
irresponsáveis sobre os outros ou sobre outros
motivos.
Por exemplo, Bill freqüentemente perde as
estribeiras. Quando o faz, sente-se mal. Em vez de
admitir o problema e pedir perdão, ele lança a culpa
sobre sua falta de saúde. É espantosa a freqüência
com que uma dor de cabeça lhe sobrevêm depois de
perder a calma e nunca antes. Em outras palavras,
amiúde ele fica doente depois de perder a calma a
fim de justificar suas ações agressivas.
A Bíblia diz que o crente deve ser pronto para
91

ouvir, tardio para falar, e tardio para se irar. Porque


a ira do homem não produz a justiça de Deus”
(Tiago 1:19-20).
É a necessidade de segurança? Toda vez que Pedro
tem medo de falhar, ele inventa numerosas razões
pelas quais não deve participar de alguma atividade.
Ele está ou ocupado demais, ou cansado demais, ou
alguma outra coisa. Incapaz de enfrentar o problema
real, ele procura desculpar suas ações com motivos
mais legítimos e mais socialmente aceitáveis.
É o orgulho? Maior é o número de pessoas que
racionalizam por causa do orgulho do que por outra
razão qualquer. Isto não nos deve causar surpresa.
Foi o que ocasionou a queda de Satanás.
Sempre que falhamos em algo, nosso ego
participa. João é um exemplo clássico. Bom atleta,
ele é intensamente competitivo. Todavia, muitas
vezes joga tênis com pessoas melhores do que ele. E
quando perde, sempre apresenta desculpas. É que
ele “está fora de forma”, ou “não dormiu bem na
noite anterior”, ou “está preocupado com alguma
coisa”. Várias destas desculpas podem ser reais,
evidentemente, mas ele jamais admitirá que a outra
pessoa é melhor do que ele. O problema de João,
sem dúvida, é o orgulho combinado com um senso
de insegurança.
É a culpa? A culpa é uma emoção muito ilusória e
com freqüência faz que participemos de atividades
associadas com algum tipo de comportamento
obsessivo-compulsivo. Pilatos “lavou as mãos” ao
entregar o inocente Filho de Deus à turba ululante a
fim de ser crucificado. Hoje alguns fazem o mesmo a
fim de acobertar sua culpa. Pode ser tomar banho,
esfregar e polir, limpeza excessiva, e organização
92

exagerada. Este proceder tem a participação de


ações que amiúde são motivadas pela culpa que foi
recalcada da consciência.
Infelizmente, alguns participam deste tipo de
comportamento obsessivo-compulsivo por causa da
falsa culpa. Este tipo de culpa com freqüência tem
início na infância por causa de pais severos demais.
Às vezes relaciona-se com a participação de um
sistema religioso legalista que desenvolve certo
padrão de conduta cultural em vez de bíblico.
É o egoísmo? Alguns jogam sobre os outros a culpa
de seus problemas por serem egocêntricos. O mundo
gira em torno deles. Não importa o que aconteça, a
culpa é sempre de outros. Jamais aceitam sua
parcela de responsabilidade.
As pessoas centralizadas em si mesmas
aproveitam-se dos outros e jamais estão satisfeitas
com o que têm. Isto, certamente, foi o que se
verificou com referência a Acabe.
É a lascívia? Os apetites físicos e psicológicos
ocasionam incrível racionalização. Por exemplo,
alguns crentes justificam o expor-se às experiências
carnais com o fim de descobrir o que “está
acontecendo no mundo”. Afinal de contas, dizem,
não podemos ser testemunhas eficientes no mundo
sem saber como o mundo vive.
Até certo ponto, talvez seja verdade. Mas há um
grande perigo nisso. Faz que seja mais fácil
racionalizar. Um teste verdadeiro de nossos motivos
é a extensão a que desejamos mais e mais expor-nos
ao sistema do mundo. É possível que estejamos
simplesmente justificando nossas ações carnais com
uma razão aceitável porém imprópria a nós mesmos.
Todos os crentes devem precaver-se a
93

racionalização! É, muitas vezes, doloroso sermos


honestos com nós mesmos. E a verdade é que
podemos enganar a nós mesmos sem que o
saibamos. Daí a importância de ouvir com cuidado a
voz de Deus através da Palavra divina. Sim,
“enganoso é o coração, mais do que todas as coisas,
e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”
A resposta é: o Senhor conhece. Ele pode curar-nos
de nossos pecados. Jeremias reconhece essa
verdade, ao dizer: “Eu, o Senhor, esquadrinho o
coração, e eu provo os pensamentos” (Jeremias 17:9-
10).
Além disso, lemos nas Escrituras que “a Palavra de
Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer
espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de
dividir a alma e o espírito, juntas e medulas, e apta
para discernir os pensamentos e propósitos do
coração” (Hebreus 4:12). Com Davi, devemos orar,
dizendo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu
coração: prova-me e conhece os meus pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me
pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24). Tenha
certeza disto, Deus responderá a essa oração!
Resposta pessoal
1. Qual foi a última vez que você racionalizou
suas atitudes e ações e lançou sobre outros a culpa
do seu procedimento irresponsável?
2. Que foi que o causou?
□ Medo
□ Ciúme
□ Ira
□ Temor de fracasso
94

□ Orgulho
□ Culpa
□ Egoísmo
□ Lascívia
□ Outros _____________________

Passos de Ação
• Confesse seu pecado a Deus.
• Aceite o perdão divino.
• Confesse-o a outra pessoa ou pessoas a quem
tentou enganar.
• Decida, mediante a graça de Deus, resolver a
causa e evitar o auto-engano e a racionalização.
• Leia a Palavra de Deus com regularidade e peça
que Deus o ajude a levar uma vida honesta e reta.
Nota. Se você está sinceramente tentando vencer
seu problema através de confissão, oração, e
obediência à Palavra de Deus e ainda assim não o
consegue, talvez ele seja mais psicológico do que
espiritual. Nesse caso, procure a ajuda de um
conselheiro cristão competente.
Contudo, tenha cuidado! A tendência, nesta
circunstância, é racionalizar porque é mais fácil pôr
a culpa de nossos problemas sobre uma “causa
psicológica”, em vez de enfrentar a responsabilidade
final por nossas ações. Se nossos problemas são mais
psicológicos do que espirituais, as raízes quase
sempre remontam ao relacionamento com os pais.
Quão fácil é culpá-los por nosso procedimento atual
e prosseguir comportando-nos de maneira
irresponsável. Se fizermos isso será, deveras,
racionalização!
Falando a Elias na época em que ele residia no lar
da viúva de Sarepta, Deus disse: “Vai, apresenta-te
a Acabe” (1 Reis 18:1). Temos nessa ordem apenas
um vislumbre do que Elias devia fazer. Entretanto,
sua oração no monte Carmelo mostra-nos que os
detalhes lhe foram claros (18:36). Ele sabia o que
estava pela frente. Embora estivesse andando pela
fé, era fé baseada na revelação direta de Deus e na
fidelidade divina em cuidar de Elias nos últimos
três anos e meio. Além do mais, a fé que Elias tinha
foi aumentada pela resposta de Deus a suas
orações. Embora a experiência de Elias no deserto
tivesse sido difícil, cheia de dias solitários, noites
indormidas, momentos temerosos e períodos de
dúvida e incerteza, ele agora estava preparado para
encarar não apenas a Acabe e os profetas de Baal
e de Astarote, mas a todo o Israel. E no dia em que
se encontrou com o rei não perdeu tempo e
proclamou logo seu desafio: “Agora, pois, manda
ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo,
como também os quatrocentos e cinqüenta
profetas de Baal, e os quatrocentos profetas do
poste-ídolo, que comem da mesa de Jezabel”
(18:19).
96

Deus planejou o confronto dramático tendo em


mira não primeiramente os falsos profetas, mas o
povo iludido. Os profetas de Baal e do poste-ídolo
haveriam de servir como instrumentos nas mãos
divinas para demonstrar sua falsa teologia, seus
rituais sem significado e seus caminhos ímpios ao
povo de Israel. O Senhor desejava que o povo visse
por si mesmo que estavam sendo desviados.
A ordem de Acabe
1 Reis 18:20
Acabe, pensando que podia controlar o que Elias
tinha em mente, proclamou uma ordem por todo o
Israel. Não sabemos quantas pessoas
compareceram ao monte Carmelo, mas deve ter
sido uma multidão. Não há dúvida de que a ordem
incluíra informação que despertou a curiosidade
do povo. Sabiam que algo incomum ia acontecer.
De fato, é provável que a maioria estivesse
altamente motivada para comparecer apenas com
o fito de ter um vislumbre deste profeta de Deus,
responsável pela seca que infelicitava Israel por
três anos e meio. Alguns provavelmente
estivessem irados; outros, confusos e outros,
curiosos. Sem dúvida sabiam da busca infrutífera
de Acabe para apanhar Elias e que Elias ia aparecer
no monte Carmelo. Mal sabiam que não iriam
apenas ver um velho profeta corajoso mas também
teriam uma demonstração do poder de Deus que
haveria de mudar-lhes a vida.
O monte Carmelo era um lugar perfeito para este
confronto. Servia como um grande teatro ao ar
livre com acomodação para vários milhares de
pessoas. O “palco” era um dos maiores do mundo.
Tinha de ser, porque seria preciso acomodar quase
97

quatrocentos e cinqüenta homens que se


apresentariam de uma vez. De fato, podia
acomodar quase mil, embora somente os profetas
de Baal tivessem obedecido à ordem de Acabe.
A localidade específica era um lugar chamado
el-Mohraka. Robert Jamieson, em seu comentário
de 1 Reis, descreve vividamente o ambiente:
O monte Carmelo é um promontório
acentuado e abrupto ... uma cadeia de
montanhas com muitos picos e entrecortadas
por vários pequenos desfiladeiros. O lugar em
que se deu o confronto situa-se na extremidade
leste, que também é o ponto mais alto de toda
a cadeia. É chamado de el-Mohraka, “a
queima”, ou “lugar queimado”. Lugar algum
poderia ser melhor para os milhares de
israelitas que contemplavam de pé nas fraldas
suaves. A rocha se eleva em uma parede quase
perpendicular de cerca de 60 metros de
altura... esta parede é visível em toda a planície,
e de suas alturas circunvizinhas, multidões
estariam observando.1
O desafio
1 Reis 18:21
Quando o povo se reuniu, Elias proclamou o seu
desafio, dizendo: “Até quando coxeareis entre dois
pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é
Baal, segui-o” (1 Reis 18:21).
A pergunta de Elias revela um fato muito
importante. Existiam duas opiniões entre os filhos
de Israel. A maioria provavelmente ainda cria no
Deus dos seus pais. Contudo, também adoravam a
Baal e ao poste-ídolo.
98

O poste-ídolo era a deusa do sexo e da guerra.


Realizava-se culto lascivo em sua honra. O pai de
Jezabel era sacerdote do poste-ídolo, o que explica
a intensa participação dela nesta religião pagã.
Baal era o deus da lavoura, que dava aumento
ao campo. Era também identificado com o deus da
tempestade, Hadade, cuja voz seria ouvida no
relâmpago e trovão que acompanham a chuva.
Agora compreendemos mais completamente
por que Deus decidiu focalizar o confronto de Elias
sobre Baal. De fato, compreendemos também por
que Deus escolheu castigar a Israel com uma seca.
Os filhos de Israel estavam prestes a ver que havia
somente um Deus que controlava os elementos – o
Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Contra este
fundo histórico, a pergunta de Elias torna-se ainda
mais significativa.
A resposta do povo
1 Reis 18:21b
A última parte do versículo 21 representa uma
das afirmativas mais sucintas mas também das
mais reveladoras do Antigo Testamento. Lemos,
simplesmente: “Porém o povo nada lhe
respondeu.” A resposta do povo à pergunta de
Elias foi o silêncio ensurdecedor! E ao não dizer
nada, revelavam várias coisas importantes.
Primeiro, não queriam tomar uma decisão. Por
que escolher? Por que não adorar tanto ao Deus
dos seus pais como a Baal? Por que não incluir o
poste-ídolo no seu culto? Por que ser monoteísta?
Não poderiam ser politeístas e auferir vantagem da
situação? Afinal de contas, não era estreiteza
mental adorar somente um Deus?
Segundo, tinham prazer em seu estilo mundano
99

de vida. Afinal de contas, os códigos morais de


Jeová eram estritos e estavam fora de harmonia
com o código imoral associado com o culto pagão.
A prostituição do templo e todos os tipos de
imoralidades sexuais faziam parte de seus rituais
religiosos, ao passo que os padrões divinos
condenavam a promiscuidade sexual. Sempre é
mais fácil seguir os desejos carnais do que a
vontade divina.
Terceiro, sem dúvida tiveram medo de
manifestar sua opinião, especialmente se sua
inclinação fosse para a adoração do Senhor Deus
em vez de Baal e do poste-ídolo. Afinal de contas,
o rei e a rainha adoravam estes deuses pagãos —
Baal e o poste-ídolo. E ali estava Acabe que
convocara esta reunião pública. O silêncio era
previsível. Levantar a voz neste contexto exigiria
coragem inusitada e uma convicção muito firme, e
o povo não tinha nenhuma das duas. Não nos
surpreende que nada respondessem.
O Exemplo de Ló (Gênesis 18:1-26)
O “coxear entre dois pensamentos” não é um
fenômeno novo na história bíblica nem na história
geral, nem em nossas próprias experiências
pessoais do dia-a-dia. Encontramos a síntese deste
proceder na história bíblica no caso de Sodoma e
Gomorra, duas cidades antigas que se tornaram
tão ímpias que Deus, afinal, as destruiu. Contudo,
antes de enviar o juízo, o Senhor atendeu ao
interesse de Abraão por seu sobrinho que vivia em
Sodoma e mandou anjos para prevenir a Ló e a sua
família. Mas eles hesitavam em partir. “Como,
porém, se demorasse, pegaram-no os homens pela
mão, a ele, sua mulher e as duas filhas, sendo-lhes
100

o Senhor misericordioso, e o tiraram e o puseram


fora de cidade” (Gênesis 19:16). Não tivessem os
anjos do Senhor feito pressão, Ló e sua família
teriam permanecido em Sodoma, ignorando a
advertência divina de iminente juízo.
Assim que saíram da cidade, os anjos
admoestaram-nos, dizendo: “Livra-te, salva a tua
vida; não olhes para trás, nem pares em toda a
campina; foge para o monte, para que não
pereças” (19:17).
Ainda assim, “a mulher de Ló olhou para trás”,
ignorando a advertência divina, “e converteu-se
em uma estátua de sal” (19:6). Exatamente o que
aconteceu, não sabemos. Talvez ela tenha ficado
tanto para trás, não desejando deixar a “cidade do
pecado” que foi apanhada na tempestade de
enxofre ardente que Deus fez cair sobre Sodoma e
Gomorra. Ou talvez tenha sido o juízo de Deus
sobre ela por ter ignorado sua advertência, sua
misericórdia e paciência. Qualquer que tenha sido
o caso, a mulher de Ló trouxe esta calamidade
sobre si mesma porque ela, como os filhos de Israel
no monte Carmelo, coxeou entre dois
pensamentos. Quão enganoso e sedutor pode ser o
pecado!
A Advertência de Josué (Josué 24:14-18)
Josué, sucessor de Moisés, reconheceu esta
fraqueza dos filhos de Israel. Depois de terem
ocupado a terra de Canaã, antes de despedir o
povo, cada um para sua herança (Josué 24:28), ele
proclamou uma advertência solene que também
foi um testemunho pessoal. Esta é, em realidade, a
mesma pergunta que Elias fez ao povo no monte
Carmelo, só que em forma de exortação. “Escolhei
101

hoje a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram


os vossos pais, que estavam dalém do Eufrates, ou
aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais.
Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (24:15).
Embora a geração dos dias de Josué tivesse
respondido afirmativamente, dizendo: “Longe de
nós o abandonarmos ao Senhor para servirmos a
outros deuses” (24; 16), as gerações futuras
violaram esta dedicação. De fato, aconteceu bem
rapidamente, porque lemos que depois da morte
de Josué, “outra geração após deles se levantou,
que não conheceu ao Senhor... porquanto
deixaram ao Senhor, e serviram a Baal e a
Astarote” (Juízes 2:10-13).
E assim sucedeu geração após geração. Mas
Deus, em sua misericórdia e paciência,
repetidamente aproximou-se do povo, como uma
vez mais fazia mediante Elias no monte Carmelo. E
uma vez mais ele estava dizendo: “Por quanto
tempo coxeareis entre dois pensamentos? Se o
Senhor é Deus, segui-o; se Baal é Deus, segui-o.”
Uma vez mais ele lhes dava outra oportunidade de
seguirem ao Senhor.
Quando recapitulamos a história do Antigo
Testamento corretamente, vemos um Deus de
paciência e misericórdia incríveis. Na menor
reação da parte do povo em tornar-se dos seus
pecados, ele é rápido em retirar o juízo e perdoar-
lhes. É verdade que às vezes seu juízo cai sobre
eles, mas sempre depois de um longo período de
advertências e tolerância das mais horríveis
atrocidades e crimes. O culto pagão não somente
envolvia a imoralidade crassa, mas com bastante
frequência o assassínio de pessoas inocentes.
102

A mente dobre e o crente do


século vinte
Antes de examinarmos especificamente o
encontro de Elias com os profetas de Baal,
precisamos pensar seriamente na pergunta de
Elias. Tiago provê uma perspectiva
neotestamentária, ao escrever que o “homem de
ânimo dobre é inconstante em todos os seus
caminhos” (Tiago 1:8).
Todo crente deve examinar com cuidado o que
aconteceu aos filhos de Israel geração após
geração. Com que rapidez se afastavam da vontade
de Deus e adoravam a ídolos! Com que freqüência
seguiam após seus próprios desejos carnais! Com
que facilidade pareciam esquecer-se de tudo o que
Deus havia feito por eles! Quão endurecidos se
tornaram à realidade de que traziam o juízo não
apenas sobre si mesmos mas também sobre seus
filhos.
Assim, a pergunta de Elias ecoa através dos
séculos como ecoou naquele dia no monte
Carmelo e ecoou e reverberou pelos desfiladeiros,
vales e planícies adjacentes: “Por quanto tempo”,
clama ele, “coxeareis entre dois pensamentos?”
Ter mente dobre geralmente significa plantar
um pé firmemente no solo do sistema deste mundo
e o outro suavemente no reino de Deus. Ainda não
fizemos a escolha de seguir a Jesus
completamente. Como Ló, alguém nos pegou pela
mão e hesitantemente o seguimos; mas no coração
ainda não desejamos sair de Sodoma. Quer
admitamos, quer não, é aí que realmente
queremos ficar. Alguns de nós talvez sejamos como
a mulher de Ló. Com relutância nos afastamos, e
103

olhamos para trás. Alguns de nós somos como os


filhos de Israel. Quando Elias lhes fez a pergunta
eles nada disseram. Nossas razões para a mente
dobre com freqüência são similares às dos filhos de
Israel.
Não desejamos tomar uma decisão. Somos
apáticos. O assunto não é tão importante assim
para nós. Além disso, não desejamos ser tachados
de fanáticos. Afinal de contas, dizemos, há muitos
caminhos para o céu. Acreditar em “um único
caminho” é sinal de ignorância, privação cultural e
intolerância.
Temos prazer em nosso estilo mundano de vida.
Isto não é de surpreender, pois as Escrituras dizem
que o pecado é atraente. Moisés lutou com esta
decisão pelas mesmas razões pelas quais lutamos.
Mas, lemos que ele preferiu “ser maltratado junto
com o povo de Deus, a usufruir prazeres
transitórios do pecado” (Hebreus 11:25).
Todavia, há uma frase-chave nesta afirmativa
bíblica. Os “prazeres do pecado” são transitórios!
Jamais satisfazem. Passamos de uma experiência
para outra, sem nunca nos sentirmos realizados. É
sutil, mas verdadeiro, quer admitamos, quer não.
Todos nós somos tentados. Muitas vezes em
minha própria vida o pecado tem aparência muito
atraente! Sempre tem — e muito mais ainda
quando se encontra ao longe! O capim sempre
parece mais verde do outro lado da cerca; e às
vezes descubro-me coxeando, parando e olhando
para ambos os lados e até mesmo seguindo na
direção errada.
Isto já aconteceu com o leitor? Estes
sentimentos e desejos não deveriam surpreender-
104

nos. São normais e naturais. Mas se cedermos a


eles, ficaremos com sentimentos de culpa,
insatisfeitos e muitas vezes pesarosos. Pergunte a
alguém que se entregou ao engodo de Satanás!
Além do mais, leia as Escrituras. Estão cheias de
exemplos de pessoas que falharam para com Deus.
Jamais precisamos experimentar o resultado do
pecado para convencer-nos de que é um beco sem
saída. Aprender mediante a experiência pessoal é
um preço terrível, especialmente quando
desnecessário. Pergunte a Davi, a Saul, e a
Salomão!
Temos medo de tomar uma posição. Talvez
nossos amigos e até mesmo nossos pais nos
ridicularizem, nos rejeitem ou nos tirem coisas.
Para alguns talvez isto não seja um problema sério.
Mas se a pessoa é muçulmana e se torna crente,
pode ser assassinada. Se a pessoa vem de um lar
judeu estrito, pode ser considerada como morta —
e tratada como tal. Se você faz parte de algum
grupo religioso, pode ser excomungado.
Às vezes falo um pouco sobre minha própria
formação religiosa, mas tenho-o feito com cuidado,
pois muitos amigos queridos e parentes ainda
pertencem ao grupo religioso no qual me criei.
Mas, juntamente com esta mensagem, sinto que
devo contar parte desta experiência.
Meus pais pertenciam a uma comunidade
religiosa bastante exclusivista. Cresci nessa
comunidade, indo à Escola Dominical e à igreja
regularmente quando criança. Com dezesseis anos
de idade tornei-me membro oficial do grupo.
Embora eu já tivesse reservas quanto a alguns
ensinos doutrinários, ainda cria que
105

representavam o “melhor” de todas as


comunidades religiosas.
Entretanto, depois que me fiz membro da igreja,
comecei a ver as coisas sob uma luz bem diferente.
Não apenas convenci-me de que os guias
ensinavam erros doutrinários, mas também vi
pouca realidade espiritual na vida de muitos. Eram
freqüentadores assíduos da igreja, mas seu
relacionamento com Deus e com o próximo estava
muito longe de harmonizar-se com o que eu lia nas
Escrituras.
Por causa do meu interesse e desejo de aprender
mais, comecei a freqüentar as reuniões da
mocidade e de estudos bíblicos patrocinadas por
outras organizações cristãs. Em conseqüência,
comecei a aprender, como nunca antes, o que a
Bíblia ensina. Também comecei a ouvir uma
estação de rádio cristã que transmitia do Instituto
Bíblico Moody em Chicago. Além disso, estas
experiências motivaram-me a estudar a Bíblia por
minha própria conta.
Nos últimos anos de ginásio resolvi matricular-
me no Instituto Bíblico Moody onde eu podia
estudar a Bíblia com mais profundidade. Do ponto
de vista do meu grupo religioso, esse foi o meu
primeiro grande erro. Discordaram de minha
decisão. De fato, os líderes da igreja, para começar,
opunham-se ao estudo bíblico. E estudar a Bíblia
em faculdade que não pertencia à minha igreja era,
definitivamente, uma violação de seus escrúpulos
religiosos.
Meu próximo grande erro, da perspectiva deles,
foi casar-me com uma garota que não pertencia à
nossa comunidade religiosa. Isto representava uma
106

separação ainda maior da “fé”. Compreenda que a


questão não era eu ter-me casado com uma crente
ou não-crente. Era a questão de eu ter-me casado
com alguém que não pertencia a este grupo
religioso. Para eles, ninguém fora do seu ambiente
era aceitável a Deus.
Para os que estão de fora e veem apenas a
superfície, esta experiência pode parecer um
pequeno episódio religioso na vida de um jovem.
Entretanto, foi um processo muito difícil que durou
vários anos. Eu crescera nesta comunidade
religiosa. Meus pais faziam parte dela. Eu havia
sido doutrinado nesta religião e aprendido que
somente nós possuíamos a verdade. Também me
ensinaram que a associação com outras pessoas
que diziam ser cristãs definitivamente punha em
perigo minhas chances de herdar a vida eterna.
Assim, quando fui excomungado, os que estavam
contra mim criam sem a menor dúvida que eu me
havia separado da fé e estava irremediavelmente
perdido. De fato, muitos deles até hoje acreditam
que isto é verdade.
Sendo adolescente, fiquei como que
despedaçado emocionalmente entre o que me fora
ensinado e o que estava aprendendo com o estudo
das Escrituras. Embora eu percebesse contradições
definidas, aqueles laços culturais e emocionais me
dominavam e me faziam coxear. Encarar a
perspectiva de ser rejeitado por aqueles a quem eu
havia aprendido a respeitar como representantes
humanos de Deus era um temor constante. Além
disso, eu fizera amizades muito profundas.
Mas, finalmente, tomei a decisão. Em alguns
aspectos, ela foi tomada para mim. Meus pais
107

compreenderam, e, afinal, tomaram a mesma


decisão que eu, sem contudo deixar de passar por
profunda dor emocional durante o processo. Todos
estes fatores combinaram-se para tornar este o
período mais difícil da minha vida.
Mas uma vez tomada a decisão, as cadeias que
me prendiam se despedaçaram. Embora fosse
preciso tempo para a cura emocional, de imediato
tive um novo senso de liberdade. Parei de coxear
entre dois pensamentos. Sabia no que cria, e a
parte mais maravilhosa de todo o processo era
saber que estava salvo; eu havia aprendido desde a
infância que não podíamos realmente ter certeza
da vida eterna até que passássemos para o além.
Talvez então, se a pessoa houvesse sido boa o
suficiente; se tivesse ido à igreja com regularidade
e tivesse sido obediente aos anciãos. Deus poderia
sorrir para ela finalmente e dar-lhe as boas-vindas
aos céus. Talvez isto ajude o leitor a compreender
por que me foi tão difícil tomar uma posição contra
estes guias.
O temor da rejeição é um impedimento forte a
qualquer decisão. Mas no que se refere a seguir a
Cristo, devemos tomar a decisão correta. Ele deve
vir em primeiro lugar.
Neste sentido, os filhos de Israel certamente
estavam titubeando entre dois pensamentos.
Seguir a Deus, e a Deus somente, significaria
rejeição de parte da maioria do povo de Israel.
Temiam tomar esta posição.
Uma resposta pessoal
As questões seguintes podem ajudar-nos a
encarar com honestidade a pergunta de Elias.
1. Tenho mente dobre? Estou coxeando entre
108

dois pensamentos?
2. Por que tenho mente dobre?
Nota. Seguir a Cristo completamente significa
dar-lhe o controle de tudo — família, vida social, os
negócios, a conta bancária, etc.
3. De que modos específicos tenho mente
dobre?
4. Será que eu jamais tomei a decisão de
seguir a Jesus Cristo?
Uma oração bíblica de dedicação
Pai celestial, hoje...
• Vou servir a um único Mestre, Jesus Cristo o
Senhor (Mateus 6:24).
• Vou procurar continuamente em primeiro
lugar o teu reino e a tua justiça (Mateus 6:33).
• Vou negar a mim mesmo e tomar a minha cruz
diariamente e seguir a Jesus Cristo (Marcos 8:34).
• Agora apresento meu corpo a ti e com a tua
ajuda renovarei a minha mente a cada dia, a fim de
conformar minha vida à vontade de Cristo
(Romanos 12:1-2).

1
Robert Jamieson, A Commentary on the Old and New
Testamento, vol. 2 (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans
Publishing Co., 1948), p. 353.
E
lias dirigiu seu desafio aos “quatrocentos
profetas de Baal, e os quatrocentos profetas do
poste ídolo” (1 Reis 18:19). Entretanto,
somente os profetas de Baal obedeceram à ordem de
Acabe. Pode ser que Jezabel tenha advertido aos
profetas que comiam à sua mesa que evitassem o
confronto. Se assim foi, ela pode ter simplesmente
ignorado o desafio de Elias. Por outro lado, talvez ela
realmente tivesse medo do que poderia acontecer.
A verdade é que nem Jezabel nem seus profetas
apareceram. Isto pode indicar uma discórdia entre o
rei e a rainha. Sabendo-se, porém, como era Acabe,
seria quase impossível que ele aceitasse o desafio de
Elias sem o consentimento de Jezabel. Por outro
lado, se Acabe estava agindo por conta própria —
como tudo indica — então, quaisquer que sejam as
circunstâncias, é razoável concluirmos que ele estava
tentando provar para si mesmo e para seus súditos
que era capaz de fazer algo sem a ajuda de Jezabel.
E deveras ele o fez! Mas logo voltaria à rainha com
uma história de vergonha e derrota (19:1).

A proposta de Elias
1 Reis 18:22-25
Elias fez sua proposta primeiramente aos filhos
de Israel e depois aos profetas de Baal. Esta
110

seqüência é significativa, pois como é apresentada


no último capítulo, a demonstração no monte
Carmelo não era para o benefício dos falsos
profetas mas para todo o Israel. Isto está claro na
proposta de Elias.

Ao Povo (1 Reis 18:22-24)


Depois do desafio e petição feitos aos que se
reuniram no monte Carmelo para decidir entre Deus
e Baal, e depois de sua resposta silenciosa indicando
recusa em tomar uma decisão (1 Reis 18:21), Elias
proclama sua proposta audaz. Em essência, ele lhes
disse não passar de um profeta que representava ao
Senhor entre quatrocentos e cinqüenta profetas que
representavam a Baal. Esta disparidade, é claro, era
mais do que óbvia, e fazia parte do plano de Deus
para provar o seu ponto.
Embora fossem quatrocentos e cinqüenta contra
um, a proposta de Elias era a mesma, como se
baseada na proporção de um contra um. Ele não
pediu um representante dentre os profetas, como
seria normalmente feito em um duelo ou num
confronto desta natureza; contudo, ofereceu um
plano que seria o mesmo no caso de igualdade total.
“Dêem-se-nos, pois, dois novilhos”, disse ele ao povo
(18:23). E indo a segunda milha, Elias informou a
Israel que ele deixaria que os quatrocentos e
cinqüenta profetas escolhessem primeiro, sem
dúvida eliminando toda possibilidade de mais tarde
vir a ser acusado de alguma maquinação.
A sabedoria de Elias é evidente também quando
disse ao povo — e não aos profetas — que escolhesse
os dois novilhos. Não haveria oportunidade de ele ser
acusado de desonestidade ou de algum truque.
111

Deste ponto em diante, a proposta envolvia o


próprio sacrifício. De novo, a fim de eliminar a
possibilidade de ser acusado de algum truque, Elias
deu aos profetas a oportunidade de escolher primeiro
que novilho queriam usar. A seguir, deviam cortá-lo
em pedaços e colocá-los sobre um monte de lenha.
Elias faria o mesmo, mas não acenderiam o fogo.
Antes, ambos os lados clamariam a seus respectivos
“deuses” — os profetas clamariam a Baal e Elias, ao
nome do Senhor — e, “o deus que responder por fogo
esse é que é Deus” (18:24).
A esta altura o povo quebrou o silêncio. Embora
sem muito entusiasmo, o povo estava satisfeito com
a proposta de Elias. Na realidade, não tinham
escolha. Foram colocados contra a parede. Era mais
do que justo. Rejeitar a proposta de Elias seria, em
essência, admitir que tinham medo de lançar Baal
contra o Senhor. “É boa esta palavra”, respondeu o
povo (18:24b).

Aos Profetas (1 Reis 18:25)


Depois de ter a aprovação dos filhos de Israel, Elias
volta-se para os profetas. A proposta que ele lhes fez
foi um passo a mais para a vantagem deles. Na
realidade, ele lhes permitia toda oportunidade de
vencê-lo. “Escolhei para vós outros um dos novilhos
e preparai-o primeiro”, disse ele. Contudo, nota-se aí
o sarcasmo de Elias, ao término desta afirmativa.
“Porque sois muitos”, diz ele, “invocai o nome de
vosso deus; e não lhe metais fogo.”
Aqui, novamente, eles foram encostados na
parede. Ainda que o sarcasmo de Elias os irasse,
recusar seria admitir a derrota antes de a disputa
começar. Uma vez que a proposta de Elias parecia
112

favorecê-los, se eles fizessem quaisquer sugestões


alternativas certamente enfraqueceriam sua
credibilidade aos olhos dos filhos de Israel.

As invocações dos profetas


1 Reis 18:26-29
A Bíblia afirma que estes homens “invocaram o
nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia” (1
Reis 18:26). Clamaram, dançaram e “se retalhavam
com facas e com lancetas... até que a oferta de
manjares se oferecesse” (18:29). O dia todo
invocaram o nome de Baal! Mas havia silêncio no
céu. Não houve trovão nem relâmpago — e muito
menos fogo! As Escrituras relatam sucintamente o
que aconteceu: “Porém não houve voz, nem
resposta, nem atenção alguma” (18:29).
A confiança que Elias tinha em Deus, e ao mesmo
tempo a habilidade de usar o sarcasmo, tornou-se
evidente por volta do meio-dia. Até esta altura
parece que ele ficou em silêncio. Então ele entra em
cena e insta a que clamem em altas vozes.
Zombando, ele continua: “Porque ele é deus; pode
ser que esteja meditando, ou atendendo a
necessidades, ou de viagem, ou a dormir, e
despertará” (18:27).
Com cada afirmativa e com cada pergunta Elias
revelava conhecimento da teologia dos falsos
profetas, a qual ensinava que Baal às vezes meditava,
ou que às vezes ele saía de viagem, ou que dormia.
Assim instando com eles a que clamassem mais alto,
refletia o modo de eles conseguirem a atenção de
Baal.
Havia, portanto, uma mensagem para as
multidões ali presentes no tom sarcástico de Elias. Se
113

Baal era deus, por que não respondia como lhes fora
ensinado que faria? Se o que criam a respeito dele
era verdade, por que não respondia ele aos profetas?
Afinal de contas, havia quatrocentos e cinqüenta
homens gritando e dançando! Além disso, estiveram
clamando a manhã toda.
O sarcasmo de Elias não demonstrou orgulho
nem arrogância. Teve um papel muito importante
em tornar sua mensagem a Israel ainda mais clara. E
funcionou. Os profetas de Baal gritaram mais alto e
demonstraram sua sinceridade pela disposição em
ferir-se a si mesmos. E continuaram com o ritual
pagão o dia todo, “até que a oferta de manjares se
oferecesse” (18:29). Isto, é claro, fazia parte da
estratégia de Elias — chamar a atenção de todos para
as leis de Deus referentes ao culto e sacrifício.

A preparação de Elias
1 Reis 18:30-35
Chegara a hora. Os profetas de Baal haviam
fracassado. Era este o momento de Elias. Todos os
olhos estavam fitos nele. Tivesse ele ido primeiro,
não teria havido meio de demonstrar o poder de
Deus contra o pano de fundo do total fracasso dos
profetas em fazer que Baal respondesse.
Elias não se apressou. Pediu que o povo se reunisse
e observasse o que ele ia fazer. Primeiro, ele
“restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas”
(1 Reis 18:30). O estado do local de adoração de Deus
no monte Carmelo era evidência da idolatria de
Israel. Já não adoravam a Deus. Na realidade, sem
dúvida haviam destruído o altar (1 Reis 19:10, 14).
Ao restaurar este altar, Elias deu outro passo
significativo. Ele “tomou doze pedras, segundo o
114

número das tribos dos filhos de Jacó” (18:31),


lembrando às multidões a sua história divina.
Embora o relato bíblico não evidencie o que Elias
pode ter dito durante o processo de construção, é
difícil imaginar que ele tivesse trabalhado em
silêncio. Ao colocar cada pedra no seu lugar, ele deve
ter relatado a maravilhosa graça de Deus em chamar
a Israel do Egito e dar-lhes uma herança em Canaã.
Na realidade, ele pode ter relatado as instruções
do Senhor a Josué depois que Israel atravessou o rio
Jordão. Enquanto Elias colocava cada pedra no
devido lugar, sua conversa teria sido mais ou menos
assim: “Vocês não se lembram do que Deus fez por
nossos pais no rio Jordão? Ele dividiu as águas e eles
atravessaram a pé enxuto para Canaã. E não se
lembram do que Deus disse a Josué? Ordenou-lhe
que escolhesse doze homens de entre o povo, um de
cada tribo. Além do mais, ele instruiu a Josué que
mandasse esses homens tomar doze pedras do meio
do Jordão. E quando os nossos pais passaram a
Gilgal, erigiram essas doze pedras como um
memorial ao Senhor.
“Sabem por que fizeram isso?” Elias pode ter
perguntado, assentando mais uma pedra. “Eu vou
lhes dizer.” Citando Josué, ele teria dito: “Quando no
futuro vossos filhos perguntarem a seus pais,
dizendo: Que significam estas pedras? Fareis saber a
vossos filhos, dizendo: Israel passou em seco este
Jordão. Porque o Senhor vosso Deus fez secar as
águas do Jordão diante de vós, até que passásseis,
como o Senhor vosso Deus fez ao Mar Vermelho, ao
qual secou perante nós, até que passamos. Para que
todos os povos da terra conheçam que a mão do
Senhor é forte: a fim de que temais ao Senhor vosso
115

Deus todos os dias” (Josué 4:21-24).


Embora só um pequeno número dentre a grande
multidão que se reuniu no monte Carmelo pudesse
ouvir e ver, a palavra passaria de pessoa a pessoa até
aos vales e através das planícies, razão pela qual Elias
não se apressava.
Suas ações seguintes foram ainda mais
dramáticas! Para ter certeza de que Israel sabia que
o que estava prestes a acontecer não era nenhum
truque, ele “fez um rego em redor do altar” (1 Reis
18:32). Depois de preparar o sacrifício, pediu que o
próprio povo derramasse água sobre o altar. Três
vezes fê-los encher quatro cântaros de água e
derramá-los sobre o holocausto e sobre a lenha (1
Reis 18:33). A água era tanta que encheu o rego em
volta do altar (18:35).
Novamente, Elias estava demonstrando que o que
ia acontecer seria um milagre de Deus. Não havia
jeito de haver um fogo “secreto” sob o altar. Não
havia jeito de Elias usar prestidigitação para dar ele
mesmo início ao fogo, porque lenha molhada e carne
ensopada não se acendem de súbito.

A oração de Elias
1 Reis 18:36-37
O plano de Elias, não importa o tempo que levou,
coincidiu com o “tempo para se apresentar a oferta
de manjares”. Nesse instante o profeta se aproximou
e orou. Ele não gritou, não dançou e não se retalhou.
Segundo o relato, ele fez a oração uma única vez.
Levou apenas poucos segundos para dizer o que
tinha a dizer. “Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque
e de Israel, fique hoje sabido que tu és Deus em Israel,
e que eu sou teu servo, e que segundo a tua palavra
116

fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor,


responde-me, para que este povo saiba que tu,
Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o
coração deles” (18:36-37).
Vários pontos desta oração merecem destaque.
Primeiro, note-se a ordem da afirmativa seguinte:
“Fique hoje sabido que tu és Deus em Israel, e que
eu sou teu servo”. Elias deixou bem claro em sua
oração que o propósito do que ia acontecer era
demonstrar que o Senhor era Deus. Elias não passava
de um agente humano que servia a Deus. Além disso,
ele queria que Israel soubesse que o que ele estava
fazendo não era de sua própria iniciativa. Deus lhe
havia falado e as coisas dramáticas que ele dissera e
fizera eram resultado da ordem divina (18:36b).
Segundo, Elias queria que Israel soubesse que o
motivo maior pelo qual Deus ia demonstrar seu
poder era “retroceder o coração deles”. Deus se
achegava a eles. Ele estava demonstrando
misericórdia, como fizera tantas vezes antes. Ele
cumpria fielmente as suas promessas a um povo
infiel.

A prova irrefutável de Deus


1 Reis 18:38
As Escrituras deixam claro que quando Deus
deseja que o povo saiba que ele fala diretamente dos
céus, não usa meios sutis. Sua mensagem é sempre
clara. E assim aconteceu no monte Carmelo. Ele
deveras deu prova irrefutável. Embora o palco
humano fosse preparado com doze pedras, lenha e
sacrifício — tudo ensopado em água, Deus agora ia
acrescentar a dimensão divina. Lemos que “caiu fogo
do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as
117

pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava


no rego” (1 Reis 18:38).
Imagine o horror que deve ter-se estampado no
rosto das pessoas que observavam. Fogo tão quente
assim os teria afastado do altar destruído. Além disso,
havia uma mensagem poderosa nesta mostra de
poder — uma mensagem que não podiam deixar de
entender. Ao destruir as doze pedras, que
simbolizavam as doze tribos, Deus estava dizendo
que era capaz de destruir a todo o Israel! Uma vez
mais, Deus advertia a seu povo do que aconteceria se
continuassem a rejeitar o seu amor e misericórdia!
Contudo, neste momento, mais importante que a
mensagem de juízo era a mensagem de amor! Ele
lhes estava dando outra oportunidade de voltar-se da
idolatria e pecado e uma vez mais segui-lo.

A proclamação do povo
1 Reis 18:39
A mensagem de Deus para Israel era alta e clara.
O povo prostrou-se e clamou: “O Senhor é Deus! O
Senhor é Deus!” (1 Reis 18:39). Por quanto tempo
repetiram esta proclamação não sabemos. Levando
em consideração as circunstâncias, os que estavam
mais próximos provavelmente tenham começado o
cântico e os que se encontravam mais distantes
uniram-se a eles em um círculo que se ampliava cada
vez mais, clamando: “O Senhor é Deus!”
Que espetáculo deve ter sido! E que demonstração
verbal deve ter reverberado através do vale por
quilômetros e quilômetros ao redor.
Como isto contrastava com as prolongadas
orações e clamores dos profetas de Baal! Clamavam
pedindo provas de que Baal era Deus. Os filhos de
118

Israel gritavam uma proclamação de que o Senhor


era Deus! O povo tinha a prova de que precisava!

O castigo dos profetas


1 Reis 18:40
Deus não apenas provou que era Deus enviando o
fogo do céu, mas seu juízo também caiu sobre os
profetas de Baal. À ordem de Elias, o povo agarrou
estes homens ímpios e os executou no vale de
Quisom (1 Reis 18:40).
Este trágico acontecimento na vida destes falsos
profetas também transmite uma mensagem para
toda a humanidade. O juízo de Deus certamente
recairá sobre os que o negam. Embora sua
misericórdia seja grande e sua paciência não tenha
limites, algum dia os incrédulos serão separados de
Deus para sempre. As Escrituras ensinam que o
“salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). E o
livro do Apocalipse fala daquele dia quando todos os
que negam a Deus e seu Filho, Jesus Cristo, serão
eternamente punidos e separados da presença divina
(Apocalipse 29:7-14).
Por outro lado, a Bíblia ensina que os que
aceitarem o amor e a graça de Deus serão salvos. O
mesmo versículo que ensina que o “salário do
pecado é a morte”, também proclama que o “dom
gratuito de Deus é vida eterna em Cristo Jesus nosso
Senhor”.

A revelação de Deus em perspectiva


Uma verdade maior emerge desta experiência
dramática no monte Carmelo. Deus tentava alcançar
a Israel. Ele desejava que o povo soubesse que ele era
Deus e que era a sua fonte de vida, tanto temporal
119

quanto eterna. A oração de Elias acentua esta


verdade, quando ele diz: “Responde-me, Senhor,
responde-me, para que este povo saiba que tu,
Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o
coração deles” (18:37).
Esta importante verdade, entretanto, é, em
essência, a verdade que emerge de toda a Escritura.
E a linha histórica principal que flui por toda a Bíblia
indo desde o Gênesis até ao Apocalipse. No
momento em que Adão e Eva pecaram e se
separaram espiritualmente de Deus, o Senhor
começou a procurá-los e a todos os povos com um
plano de restauração. Os filhos de Israel, é claro, por
toda a história têm feito parte singular desse plano.
A fim de compreendermos a significação real do
que aconteceu entre Elias e os profetas de Baal,
precisamos de uma perspectiva bíblica mais ampla.
A realidade é que houve três períodos principais na
história bíblica nos quais Deus se revelou à
humanidade diretamente e de modo dramático. O
primeiro se deu com Moisés, o segundo com Elias e
o terceiro com Jesus Cristo. É interessante que todos
estes acontecimentos são relacionados com
experiências no topo de uma montanha. A primeira
grande revelação de Deus, combinando quem ele era
e qual era sua vontade para todos os povos,
aconteceu no Monte Sinai. Sua segunda revelação,
como já vimos, deu-se no monte Carmelo. E sua
terceira revelação aconteceu no que veio a ser
chamado de monte da Transfiguração.
A experiência do monte Sinai, Êxodo 19:16-20.
Quando Deus, por intermédio de Moisés, tirou Israel
do Egito, levou-o ao monte Sinai. Foi aí que, pela
primeira vez, ele revelou suas leis morais que se
120

resumem nos Dez Mandamentos. Contudo, esta


revelação não envolvia apenas palavras; envolvia
expressões do poder de Deus que se identificam
como “sinais” e “maravilhas” e “milagres”.
Moisés descreveu estes acontecimentos com
detalhes: “Ao amanhecer do terceiro dia houve
trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o
monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira
que todo o povo que estava no arraial se
estremeceu... Todo o monte Sinai fumegava, porque
o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça
subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte
tremia grandemente. E o clangor da trombeta ia
aumentando cada vez mais: Moisés falava, e Deus lhe
respondia no trovão” (Êxodo 19:16, 18-19).
Neste contexto, Moisés falava a Deus e Deus lhe
respondia. E Deus “chamou a Moisés para o cimo do
monte” e revelou as suas leis (19:20).
Uma coisa fica bem clara neste registro bíblico.
Deus queria que Israel — e também nós — tivesse a
certeza de que era ele quem estava falando.
Conseqüentemente, ele provou sua mensagem que
jamais seria esquecida, com uma demonstração de
seu poder onipotente.
A experiência do monte Carmelo, 1 Reis 18:19-39.
Contra o pano de fundo do que aconteceu no monte
Sinai, podemos compreender melhor o que sucedeu
no monte Carmelo. Uma vez mais Deus falava.
Contudo, desta vez ele tentava fazer com que o
coração do povo de Israel se voltasse para sua
vontade e seus caminhos. Eles se haviam separado
de suas leis, haviam-no abandonado, voltando-se
para Baal, deus falso que não tinha nenhum poder
divino. E uma vez mais, Deus não deixou dúvidas na
121

mente do povo concernentes a quem ele era. No


monte Sinai ele havia revelado com clareza as suas
leis. A esta altura, o Senhor os chamava de volta à
obediência, uma vez mais dando provas de seu poder
sobrenatural de que era, na verdade, o Deus vivo
todo-poderoso.
A experiência do monte da Transfiguração, Lucas
9:28-36. O terceiro grande acontecimento que marca
os esforços divinos de alcançar Israel e também toda
a humanidade envolve seu Filho, Jesus Cristo. Esta
foi, deveras, a maior revelação de todas! E é
sucintamente exemplificada no cimo de outro monte
— o monte da Transfiguração.
Certo dia Jesus subiu a um monte a fim de orar,
levando consigo três apóstolos bem conhecidos:
Pedro, Tiago e João. Enquanto Cristo orava “a
aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes
resplandeceram de brancura” (Lucas 9:29). E
“falavam com ele, Moisés e Elias. Os quais
apareceram em glória e falavam da sua partida”. Os
discípulos, é claro, ficaram totalmente atordoados.
Enquanto Pedro tentava dizer alguma coisa
apropriada, “veio uma nuvem e os envolveu... E dela
veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu
eleito: a ele ouvi” (9:34-35).
Este acontecimento sobrenatural simboliza a
grande e final auto-revelação de Deus antes que
Cristo volte, primeiro para levar todos os crentes ao
lar no céu e, depois, organizar seu reino na terra,
levando àquele grande e final julgamento.
Esta é uma das mensagens principais do livro de
Hebreus que se inicia com as palavras: “Havendo
Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas
maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias
122

nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de


todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele,
que é o resplendor da glória e a expressão exata do
seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do
seu poder, depois de ter feito a purificação dos
pecados, assentou-se à direita da Majestade nas
alturas” (Hebreus 1:1-3).
Alguns parágrafos mais adiante, o autor da carta
aos Hebreus acrescenta uma séria advertência: “Por
esta razão importa que nos apeguemos, com mais
firmeza, às verdades ouvidas... como escaparemos
nós, se negligenciarmos tão grande salvação? a qual,
tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-
nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando
Deus testemunho juntamente com eles, por sinais,
prodígios e vários milagres, por distribuições do
Espírito Santo segundo a sua vontade” (Hebreus 2:1-
4).
Com estas palavras bastante descritivas,
particularmente no versículo 4, o autor da carta aos
Hebreus diz-nos que Deus não se revelou de
maneiras sutis. No monte Sinai ele apareceu no
relâmpago e trovão, fogo e fumaça e tremor do
monte. No monte Carmelo ele apareceu no fogo que
caiu do céu e consumiu não somente o sacrifício mas
também o altar e a água no rego. E quando Deus se
revelou por intermédio de Jesus Cristo e dos
apóstolos, fê-lo no contexto de “sinais, prodígios e
vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo”
(Hebreus 2:4). Ele transformou a água em vinho,
andou sobre a água, acalmou a tempestade, curou os
cegos, expulsou demônios, e ressuscitou mortos.
Para todos os que estavam dispostos a dar ouvidos a
Cristo e aos apóstolos, não havia dúvida de que era
123

Deus quem estava falando.


O próximo grande evento dramático é, pois, sua
vinda. E quando ele vier, até mesmo aqueles que
rejeitaram a Deus e seu Filho dobrarão os joelhos
diante de Jesus Cristo. Paulo diz que toda língua há
de confessar que Jesus Cristo é Senhor, para glória
de Deus Pai (Filipenses 2:11). Infelizmente, para
muitos será tarde demais para herdarem a vida
eterna, pois dobrarão o joelho por força e não de
escolha própria. Eles, juntamente com Satanás e seus
demônios, terão de reconhecer que Deus é Deus.
Satanás, é claro, reconhece tal fato mesmo agora,
mas certamente não dobrou ainda o joelho.
Entretanto, ainda vivemos no dia da graça de
Deus. Seu convite ainda está aberto. Ainda temos
acesso à sua paciência e misericórdia. Na realidade,
Pedro lembra-nos que Deus ainda não voltou para
julgar a terra por ser longânimo, não querendo que
nenhum pereça, senão que todos cheguem ao
arrependimento. Entretanto, continua Pedro, o dia
do Senhor virá como ladrão, “no qual os céus
passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se
desfarão abrasados; também a terra e as obras que
nela existem serão atingidas” (2 Pedro 3:9-10).
Resposta de vida
A vontade de Deus para todos os que lêem este
capítulo pode ser apresentada nas palavras do autor
da carta aos Hebreus: “Hoje se ouvirdes a sua voz,
não endureçais os vossos corações” (Hebreus 3:7-8,
15; 4:7).
Este versículo e desafio, é claro, aplica-se a todos,
sejamos ou não cristãos. Dobremos os joelhos diante
de Deus Pai, de Jesus Cristo seu Filho e do bendito
Espírito Santo.
A
depressão não é uma experiência humana
singular, até mesmo entre os melhores
servos de Deus. Elias certamente
demonstrou esta realidade. O que surpreende é
que o encontro de Elias com a depressão veio
depois de sua maior vitória espiritual. Foi súbito,
sem advertência aparente. Mas, em retrospecto, foi
previsível.

As altas esperanças que Elias


tinha para Israel
1 Reis 18:41-46
Depois da grande demonstração de poder do
Senhor no monte Carmelo, Elias teve grandes
esperanças de reavivamento em Israel. E é
compreensível que as tivesse! O povo respondeu em
massa, reconhecendo que o Senhor era o único Deus
verdadeiro. A ação punitiva do povo contra os
profetas de Baal indicava seu desejo de deixar os
caminhos idólatras.
Mais importante ainda, a resposta de Acabe
encorajou a Elias. O coração do rei parecia ter-se
amolecido e humilhado na presença de Deus.
Imagine a cena. Depois de sua total derrota, as
feições de Acabe devem ter refletido cansaço e
tristeza horríveis. Em vez de condenar o rei, Elias
encorajou-o a voltar à sua tenda real e recobrar a
126

força emocional e física. “Sobe, come e bebe, porque


já se ouve ruído de abundante chuva” (1 Reis 18:41).
Em outras palavras, Elias estava dizendo a Acabe que
se animasse! A seca terminara. Como ele havia dito
ao rei três anos e meio antes, a chuva viria
novamente.
O que Elias ouviu naquele momento estava, sem
dúvida, no seu coração. Com os ouvidos da fé ele
sabia que a chuva estava a caminho. A esta altura
não havia nuvens visíveis, nem trovão, nem
relâmpago. Mas Elias sabia que a chuva viria! O
conhecimento que ele tinha da vontade de Deus
capacitava-o a “ouvir” coisas que os outros não
conseguiam ouvir. Deus falara, e fogo do céu em
resposta à oração de Elias era tão-só o começo do
que Deus havia prometido.
Enquanto Acabe subiu para comer e beber, Elias
uma vez mais dirigiu-se ao cimo do monte Carmelo
para orar e esperar que Deus enviasse a chuva. Desse
ponto elevado, ele e seu servo podiam contemplar a
vasta expansão do mar Mediterrâneo. Sete vezes
Elias mandou que o servo fosse e olhasse para a
banda do mar para ver se havia algum sinal da
tempestade que se aproximava. Na sétima vez, o
servo deu um relatório positivo. “Eis que se levanta
do mar uma nuvem pequena como a palma da mão
do homem”, disse ele (18:44).
Esta era toda a prova visível de que Elias precisava.
Ele instruiu o servo a descer do monte e ir dizer a
Acabe que aparelhasse sua carruagem e fosse para
Jezreel antes que a chuva ficasse tão forte que seria
impossível viajar (18:44). E mesmo antes que Elias
chegasse ao vale embaixo, “os céus se enegreceram,
com nuvens e vento, e caiu grande chuva” (18:45). A
127

esta altura uma coisa muito interessante aconteceu.


Enquanto Acabe ia para Jezreel, na terrível
tempestade, lemos que “a mão do Senhor veio sobre
Elias, o qual cingiu os lombos, e correu adiante de
Acabe, até à entrada de Jezreel” (18:46).
O que estava acontecendo? Qual o motivo desse
estranho proceder? Primeiro, Elias agora era velho e
a distância do monte Carmelo a Jezreel, onde estava
o palácio de verão de Acabe, era de quase 32
quilômetros. Este acontecimento, é claro, representa
outro milagre. Humanamente falando, a façanha era
impossível. O Senhor continuava a afirmar a Acabe
sua presença e poder por intermédio de seu servo
Elias.
Segundo, com a ajuda de Deus, Elias estava
demonstrando a Acabe que era seu servo e súdito
leal. Nada tinha pessoalmente contra o rei. Suas
palavras de juízo naquele dia e três anos e meio atrás
tinham o propósito de levar Israel de volta a Deus,
inclusive o rei Acabe.
Terceiro, era costume o rei ter um corredor que ia
na frente de sua carruagem. É possível que o corredor
designado houvesse fugido em face dos
acontecimentos chocantes que acabavam de
transparecer no monte Carmelo. A execução em
massa dos profetas de Baal teria sido motivo
suficiente para fazer que o povo se escondesse. Ou,
talvez a tempestade que se aproximava o tenha feito
correr para uma caverna ou algum abrigo temporário
a fim de proteger-se dos elementos.
Quaisquer que tenham sido as circunstâncias,
Elias foi o corredor. Ele, que no momento era o
maior, tornou-se servo de Acabe. Embora o rei mal
pudesse ver por causa da chuva, sem dúvida tinha
128

vislumbres periódicos de Elias, na frente, cabeça


baixa e a capa esvoaçando ao vento enquanto
enfrentava os elementos e dirigia a carruagem do rei
pelas estradas tortuosas e lamacentas de volta a
Jezreel.
O quarto motivo pelo qual Elias correu na frente
da carruagem de Acabe relaciona-se com o que
Acabe enfrentaria ao voltar ao palácio. jezabel estaria
esperando um relatório completo. Ele precisaria de
todo o apoio que pudesse conseguir a fim de
confrontar esta mulher ímpia e renunciar à idolatria
dela. Elias demonstrava seu apoio, esperando que
Acabe tivesse a coragem de não apenas contar o que
havia acontecido, mas também dizer a Jezabel que
ele devia levar o povo de volta a Deus.

O forte desapontamento e
depressão de Elias
1 Reis 19:1-4
Infelizmente, as coisas não saíram como Elias
esperava. Contando Acabe a Jezabel a experiência
do monte Carmelo e dizendo que Elias “matara todos
os profetas [de Baal] à espada”, ela ficou lívida de
raiva (1 Reis 19:1). A ira da esposa foi demais para
Acabe, e como sempre ele desapareceu do cenário.
Não teve coragem de enfrentar a ímpia rainha.
Podemos imaginar o grande desapontamento de
Elias ao receber a seguinte mensagem de Jezabel:
“Façam-me os deuses como lhes aprouver se
amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como
fizeste a cada um deles” (19:2). Evidentemente, Elias
esperava um relatório positivo de que Jezabel havia
dado ouvidos a Acabe, e que havia decidido deixar
sua idolatria e humilhar-se na presença do Deus
129

Todo-poderoso. Mas tal não aconteceu! Como o


Faraó, rei do Egito, ao encontrar a manifestação de
poder do Deus Todo-poderoso, ela endureceu o
coração. Entrincheirou-se ainda mais em seus
caminhos pagãos e dedicou-se com maior vigor à sua
idolatria. Em um acesso de raiva, ela decidiu acabar
com a vida de Elias!
A esta altura, ocorre uma mudança incrível na
personalidade de Elias que, em alguns aspectos, é
difícil compreender. Sua alegria transformou-se em
tristeza e sua audácia em temor. Lemos que ele teve
medo das ameaças de Jezabel. Além do mais, ele
correu para salvar a vida (19:3).
Por mais irada que Jezabel estivesse, ela não
perdeu por completo a racionalidade. Ela sabia que
matar a Elias era colocar sua própria vida em perigo.
Os filhos de Israel haviam respondido positivamente
à vitória de Elias sobre os profetas de Baal. O próprio
povo havia executado estes homens ímpios. E
embora os profetas do poste-ídolo houvessem
sobrevivido por não terem aceito a ordem de Acabe
de comparecer ao monte Carmelo, Jezabel sabia que
precisava agir com cautela. Os sentimentos estavam
exaltados! Portanto, ela providenciou uma saída para
Elias. Em outras palavras, ela lhe dizia que deixasse
o país e ficasse fora. Ainda mais, ela lhe dava vinte e
quatro horas, sem dúvida esperando que ele fizesse
exatamente o que fez: corresse para salvar a vida.
O que nos espanta é que a reação de Elias tenha
sido de medo intenso! Depois de enfrentar
quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, agora ele
corria de uma mulher! Não era Deus capaz de
protegê-lo de Jezabel, por mais ímpia que ela fosse?
De algum modo, Elias perdeu a perspectiva e caiu
130

em um profundo estado de depressão. Mais do que


qualquer outra coisa, estes acontecimentos devem
ter sido o que Tiago tinha em mente quando disse
que Elias era um homem semelhante a nós.
A depressão de Elias foi tão intensa que ele desejou
morrer! De fato, ele orou pedindo a morte.
Derramando a alma na presença de Deus, disse;
“Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois
não sou melhor do que meus pais” (19:4). A
propósito, Deus respondeu a muitas das orações de
Elias, mas a esta ele não respondeu diretamente. Mas
fez o que era melhor para Elias.

Inicia-se a cura emocional de Elias


1 Reis 19:5-9
Em seu estado de depressão, Elias encontrou uma
árvore no deserto, deitou-se e caiu num sono
profundo (1 Reis 19:5). Não sabemos quanto tempo
dormiu. Mas de repente, um anjo do Senhor o
despertou e disse-lhe que se levantasse e comesse.
Olhando ao redor, “viu, junto à cabeceira um pão
cozido sobre pedras em brasa, e uma botija de água”
(19:6).
Embora a depressão de Elias fosse séria, não
chegara ao ponto de diminuir-lhe o apetite. “Comeu,
bebeu, e tornou a dormir.” Depois de algum tempo o
anjo voltou, acordou-o segunda vez, e deu-lhe as
mesmas instruções. Uma vez mais Elias tomou uma
refeição debaixo de um zimbro no deserto.
Gradativamente, voltou-lhe a força física, embora,
como veremos no próximo capítulo, foi preciso mais
do que alimento e descanso para efetuar-lhe a cura
emocional. Mas ele foi fortalecido. Lemos que ele
“caminhou quarenta dias e quarenta noites até
131

Horebe, o monte de Deus”. Ali encontrou uma


caverna onde entrou e passou a noite (19:8-9).

Algumas observações importantes


acerca da experiência de Elias
Até aqui temo-nos ocupado da força espiritual de
Elias — sua audácia e coragem, sua fé em Deus, e sua
obediência no cumprimento da vontade divina.
Embora tenhamos visto suas fraquezas humanas,
como sua frustração quando morreu o filho da viúva,
vemos nesta lição seu problema mais sério. Ele ficou
tão deprimido que já não queria viver. Embora, ao
que parece, ele não tenha pensado em suicídio, ele
sentia as mesmas emoções que muitas vezes levam
as pessoas a tirar a própria vida. Há um espaço muito
pequeno entre pensar no suicídio e pedir que Deus
nos tire a vida. Qualquer que tenha sido o caso, Elias
andava nesse espaço. Encontrava-se nas profundezas
do desespero.
O que causa a depressão? Elias exemplifica vários
motivos comuns.
Primeiro, a depressão muitas vezes vem depois de
“experiências de topo da montanha”. Elias é um
exemplo deste ponto, simbólica e literalmente.
Acontece que seu clímax espiritual ocorreu no cimo
do monte Carmelo. Imagine a emoção e alegria que
devem ter-lhe inundado a alma quando Deus lhe
respondeu às orações mandando fogo do céu. Ele
esperara este momento por três anos e meio. O
próprio acúmulo prolongado teria gerado reações
psicológicas incomuns.
Note bem! Ao experimentarmos altos emocionais
atingiremos também baixos emocionais. É um
padrão previsível do comportamento humano.
132

Segundo, a depressão vem, com frequência,


depois de intensos períodos de estresse e de
hiperatividade. Embora as emoções de Elias
tivessem atingido o auge no monte Carmelo, ele
também sentiu estresse incomum ao confrontar os
profetas de Baal. Conquanto soubesse no coração
que Deus responderia às suas orações e ele sairia
vitorioso, experimentou todas as mudanças
fisiológicas que acompanham este tipo de desgaste
emocional. A adrenalina correu-lhe nas veias e
embora Deus lhe houvesse concedido força inusitada
para correr trinta e dois quilômetros sob uma
tempestade, ele também sacava sobre seus recursos
naturais. E quando fazemos tal coisa, com o tempo
chegaremos a um ponto baixo, tanto física quanto
emocionalmente.
Todos nós possuímos sistemas de alarmes físicos
que são ativados sob estresse. É este sistema que nos
fornece a energia fora do comum para passarmos
sem dormir, para realizarmos tarefas sobre-humanas
e concentrar-nos além de nossas capacidades
normais. Mas, com o tempo, o sistema fisiológico
volta ao normal. E quando isto acontece, ocorre a
depressão. É certo que esta dinâmica humana
contribuiu para a súbita mudança de personalidade
de Elias, muito embora sua explosão de energia
tivesse sido sobrenatural.
Terceiro, a depressão muitas vezes coincide com a
exaustão física e emocional. Este fator encontra-se
intimamente relacionado com o que acabo de
apresentar. A hiperatividade e estresse certamente
contribuem para a exaustão física e emocional.
Deus criou o ser humano para funcionar dentro, de
certos limites fisiológicos e psicológicos. Quando
133

estendemos estes limites, sofremos as


conseqüências. E, a menos que descansemos e
recuperemos as forças, não voltaremos ao normal.
Depois da experiência tensa de Elias no monte
Carmelo, ele ficou exausto. Ele ultrapassou os limites
normais de qualquer ser humano, e ao ser ameaçado
por Jezabel, não teve recursos suficientes para
prosseguir. Em conseqüência, correu do problema. O
que ele podia enfrentar normalmente na resolução
dos problemas emocionais, já não conseguia fazer.
Com efeito, seu encontro com Jezabel tinha pequena
importância em comparação com seus encontros
anteriores com Acabe, com os filhos de Israel e com
os profetas de Baal. De fato, ele nem mesmo
discerniu que as ameaças de Jezabel refletiam seu
próprio medo de retaliação. Por que não conseguia
ele acreditar que Deus podia protegê-lo desta mulher
ímpia? Uma resposta é sua exaustão física e
emocional.
Quarto, a depressão muitas vezes vem depois de
intenso desapontamento e desilusão. Elias tinha
grandes esperanças de arrependimento nacional em
Israel. Ainda mais importante, ele ficou emocionado
com a resposta inicial de Acabe. Fez tudo o que lhe
estava ao alcance para assegurar ao rei que contava
com seu apoio leal. Afinal de contas, fez-se seu servo
e correu adiante da carruagem do rei todo o caminho
de volta ao palácio. E, é claro, ele esperava que
Acabe tomasse a liderança dos assuntos espirituais
de Israel e enfrentasse Jezabel.
Mas isso não aconteceu! As esperanças e
expectativas de Elias se espatifaram. Ele ficou
desiludido e desapontado. No meio de exaustão
física, ele caiu psicologicamente.
134

Quinto, a depressão muitas vezes resulta de


períodos de raiva, particularmente se não lidarmos
com ela de modo adequado. Relacionava-se
porventura com profundos sentimentos de ira?
Provavelmente sim! Ele era um homem semelhante
a nós. Afinal de contas, havia-se dedicado totalmente
à vindicação do nome de Deus. Ele havia feito o
melhor que podia para encorajar Acabe a que
tomasse posição igual. E tinha grandes esperanças.
Mas ele sabia que não haveria mudança permanente
nem significativa no procedimento de Israel se o
próprio rei não mudasse.
Nestas circunstâncias a ira seria uma resposta
previsível. E certamente contribuiria para a
depressão de Elias. Sempre contribui,
particularmente se se transforma em reação
duradoura.

Lições práticas da experiência


de Elias
1. O fato de sermos crentes dedicados, usados por
Deus de maneiras significativas, não garante que não
soframos depressão. Como Elias, todos nós somos
humanos. Temos nossos limites físicos e
psicológicos. Se violarmos estes limites em base
prolongada, sofreremos as conseqüências.
Isto não quer dizer que não somos espirituais. E
também não significa que não seremos tentados a
violar estes limites. Na realidade, as exigências
normais da vida muitas vezes nos forçam a estas
situações. Ganhar a vida, estudos, criar filhos e outras
responsabilidades domésticas, com freqüên-cia nos
levam para além de nossas fronteiras normais. As
responsabilidades do ministério são ainda mais
135

exigentes. É por isso que Deus nos criou com


“sistemas de alarme”.
O importante a lembrar é que a depressão não
significa, necessariamente, que estejamos fora da
comunhão com Deus. O próprio fato de
reconhecermos essa verdade nos capacita a lidar
com a depressão e passar por ela sem intensificar o
problema com sentimentos de culpa.
2. Sob certas condições devemos esperar a
depressão e os resultados que a acompanham.
Quando passamos por experiências de grande
elevação no campo emocional, e quando nos
encontramos em meio a intensos períodos de
estresse e hiperatividade, devemos preparar-nos
para enfrentar as consequências. Com o tempo,
encararemos um ponto emocional baixo. Isto
acontece se gastamos nossas reservas físicas e
emocionais e estamos esgotados.
Devemos lembrar também que desilusão e
desapontamento causam depressão. E uma vez que
estes fatores fazem parte da vida, devemos estar
preparados para os resultados. É normal passarmos
por periódicos pontos baixos.
3. A depressão sempre distorce nossa visão da
realidade. Quando Jezabel ameaçou a vida de Elias,
ele perdeu a perspectiva. Embora ele pudesse
relembrar os eventos ocorridos no monte Carmelo e
no desfiladeiro em baixo, não conseguia fazê-lo
emocionalmente. Na realidade, nesse momento,
parece que ele não conseguia auferir forças da
fidelidade passada de Deus. As provisões
sobrenaturais divinas no vale de Querite e na casa da
viúva estavam, de algum modo, além do seu alcance
psicológico.
136

Isto não nos deve causar surpresa. A depressão


distorce as recordações emocionais e obscurece a
visão que temos da realidade. Os atos de fidelidade
de Deus no passado tendem a perder sua eficácia
motivacional, e os eventos do presente que
ocasionam nossa depressão ficam totalmente
distorcidos. Pequenos problemas tomam proporções
enormes e gigantescas. Dificuldades simples
parecem terrivelmente complicadas. Lutas
temporárias tomam a aparência de batalhas
intermináveis. Parece não haver luz no final do túnel.
4. Devemos procurar descanso e descontração
suficientes. Se não, estaremos no caminho da
dificuldade. Há épocas em que é preciso que
exerçamos quantidade inusitada de energia física e
emocional. Mas se não tirarmos tempo para
descansar, perderemos terreno e nossos esforços se
tornarão contraproducentes.
Inerente às leis físicas, emocionais e espirituais de
Deus para a humanidade encontra-se a necessidade
de descanso. Embora não estejamos sob a lei do
Antigo Testamento, os princípios ainda se aplicam. A
experiência o comprova.
5. Ficamos mais vulneráveis aos ataques satânicos
quando estamos física e psicologicamente esgotados.
Não foi por acaso que Satanás tentou a Cristo no
deserto depois de ter ele jejuado quarenta dias e
quarenta noites. Jesus estava com fome e fraco. Foi
então que Satanás fez sua primeira jogada! (Mateus
4:1-11). Não nos deve surpreender, pois, que Satanás
nos ataque quando estamos fracos.
Conseqüentemente, devemos precaver-nos durante
os períodos de estresse.
6. O conhecimento destes fatos acerca da
137

depressão nos ajudará a lidar com sua presença e


seus efeitos em nossa vida. Nada complica os
períodos depressivos mais do que a preocupação. Ela
acentua o problema e intensifica a ansiedade que
pode tê-lo causado. Conseqüentemente, aceitar a
depressão como uma realidade ajuda a vencê-la,
percebendo que há razões para sua existência em
determinadas épocas de nossa vida.
Como veremos, entretanto, Elias precisava mais
do que alimento e descanso. Mas é significativo que
foi nesta área que o Senhor deu início ao seu processo
curador. E, em geral, é aqui que também devemos
começar.

Resposta de vida
1. Pode você isolar as causas de depressão em sua
própria vida usando as observações sobre a
experiência de Elias e as lições que ele nos ensina
como um ponto de partida? Que passos precisa você
dar a fim de cuidar deste problema?
2. Pense em alguém que esteja sofrendo de
depressão persistente. Transmita a essa pessoa a
mensagem deste capítulo com o fim de confortá-la e
encorajá-la.
O
passo inicial do Senhor para que Elias
vencesse sua depressão foi ajudá-lo a
recuperar-se fisicamente. Quanto tempo
passou enquanto ele comia e dormia no deserto de
Berseba, não o sabemos. Mas depois da segunda
refeição, Elias “caminhou quarenta dias e quarenta
noites até Horebe, o monte de Deus” (1 Reis 19:8).
Com freqüência, ao estudarmos esta passagem,
que trata da depressão de Elias, paramos na
afirmativa de que ele foi fortalecido pelo alimento e
“caminhou quarenta dias e quarenta noites”
supondo que seus problemas psicológicos tivessem
sido resolvidos. Na realidade, eu mesmo tenho sido
culpado de chegar a essa conclusão. Infelizmente,
não foi esse o caso.
Nossa primeira pista de que Elias continuou em
estado de depressão relaciona-se com o tempo que
ele levou para fazer a viagem de Berseba a Horebe. A
distância entre os dois lugares é de cerca de 320
quilômetros. Elias, pois, caminhou lentamente,
fazendo uma média de apenas oito quilômetros por
dia. Tivesse ele estado motivado emocionalmente,
poderia ter feito a viagem em uma semana.
Que contraste com o homem que correu 32
quilômetros na frente da carruagem de Acabe desde
139

o monte Carmelo até Jezreel, e o homem que agora


tropeça pelo deserto em direção ao monte Horebe,
sem dúvida parecendo levar sobre os ombros o peso
do mundo. Antes ele estivera cheio de emoção e
antecipação. Agora, estava sobrecarregado de
tristeza e pesar. Embora houvesse recebido força
física do alimento e descanso em Berseba, ainda
estava emocionalmente abatido. Sua depressão não
havia diminuído.

Primeira Seção de Aconselhamento


1 Reis 19:9-12
Chegado Elias a Horebe, entrou em uma caverna
onde passou a noite. Enquanto se encontrava na
caverna, Deus lhe falou uma vez mais.
A Pergunta do Senhor (1 Reis 19:9)
“Que fazes aqui, Elias?” perguntou o Senhor.
A Resposta de Elias (1 Reis 19:10)
“Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos
Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua
aliança, derribaram os teus altares, e mataram os
teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram
tirar-me a vida.”
A resposta do velho profeta uma vez mais refletia
exaustão emocional e a incapacidade de lidar com as
demandas da vida. Era verdade que ele havia sido
zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos. Ele havia sido
audaz no defrontar-se com Acabe quanto à seca que
viria sobre a terra. Ele havia sido fiel a Deus durante
um período longo e solitário de espera junto à
torrente de Querite. Ele havia colocado sua
reputação em jogo quando orou pela restauração da
vida do filho da viúva. Ele havia obedecido ao
mandamento de Deus de encontrar-se com Acabe e
140

com os falsos profetas no monte Carmelo. E aí, ele


realizou tudo o que Deus lhe disse que realizasse.
Deveras, Elias havia sido muito zeloso pelo Deus dos
Exércitos. Ninguém podia negar esta realidade.
Além disso, também era verdade que Israel
rejeitara a aliança de Deus, derrubara os altares do
Senhor, e matara os profetas do Senhor à espada.
Estas eram realidades genuínas!
Mas havia outras realidades que Elias não podia
“ver” ou reconhecer. Israel havia respondido
positivamente no monte Carmelo. Além disso, não
era verdade ser Elias o único que não havia deixado
ao Senhor. E o seu amigo Obadias? E os cem profetas
do Senhor, que Obadias ocultara em duas cavernas?
A resposta de Elias exemplifica outro fenômeno
mental e emocional associado com a depressão
profunda. A realidade negativa bloqueia a positiva.
Tudo o que tendemos a ver são os fatos que nos
desanimam. As realidades que deviam ser
animadoras passam despercebidas. A experiência de
Elias comprova este fato. Ele estava tão deprimido
que não conseguia ver além das nuvens escuras de
desespero que lhe amortalhavam a alma cansada.
O que fazia Deus por Elias? Alimento e descanso
deram-lhe força física. Mas Elias também precisava
de uma oportunidade de expressar seus sentimentos
de maneira franca e aberta, sem ser julgado ou
criticado. Parece ser esta a razão principal pela qual
o Senhor lhe fez a pergunta: “Que fazes aqui, Elias?”
(19:9). É claro que Deus sabia o que lhe ia no coração.
Mas Elias precisava da oportunidade de verbalizar
seus sentimentos, trazê-los para fora.
O Conselho do Senhor (1 Reis 19:1 l-13a)
O desabafo, em si mesmo, não foi suficiente.
141

Tivesse sido um desânimo pequeno, teria


funcionado. Mas o problema de Elias era por demais
complexo. Ele precisava de perspectiva espiritual e
psicológica. Na realidade, ele precisava de
informação e esclarecimento teológico. Assim, o
Senhor lhe disse que saísse da caverna e se pusesse
“neste monte perante o Senhor. Eis que passava o
Senhor” (1 Reis 19:11).
O que aconteceu foi aterrador. Deus desencadeou
a fúria de um “grande e forte vento”. Era tão forte que
literalmente despedaçou as penhas, sem dúvida
desarraigando árvores. Enormes pedras rolaram pelo
lado da montanha como se fossem pedregulhos.
“Porém”, lemos, “o Senhor não estava no vento”
(19:11). Isto é, Deus não falava como fizera no monte
Sinai.
A seguir, o Senhor mandou um terremoto. Deve
ter sido semelhante à presença de Deus no monte
Sinai anos antes quando “todo o monte tremia
grandemente” (Êxodo 19:18). Uma vez mais lemos
que “o Senhor não estava no terremoto” (1 Reis
19:11c).
A seguir, o Senhor enviou um grande fogo,
reminiscente do que Deus havia feito no monte
Carmelo em resposta à oração de Elias. Uma vez
mais lemos que “o Senhor não estava no fogo”
(19:12a).
Onde, pois, estava o Senhor? Se ele não estava no
vento, no terremoto, ou no fogo, onde estaria ele? Na
realidade, como o Deus onipotente e onipresente, é
claro que ele falava a Elias. Agora Deus se manifestou
como “um cicio tranqüilo e suave” ou um suave
marulhar (19:12b).
142

Segunda Seção de Aconselhamento


1 Reis 19:13-18
A pergunta do Senhor (1 Reis 19:13b)
Depois desta espantosa demonstração do poder de
Deus, e também de sua presença singular na brisa
suave e sussurrante, o Senhor uma vez mais repetiu
a pergunta que fizera antes: “Que fazes tu aqui,
Elias?”
A Resposta de Elias (1 Reis 19:14)
“Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus
dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a
tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os
teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram
tirar-me a vida.”
A segunda pergunta de Deus foi idêntica à
primeira. E também o foi a resposta de Elias. Não
havia evidência externa de uma mudança interior. A
depressão e a preocupação consigo mesmo
continuavam a dominar as atitudes e ações de Elias.
Na realidade, parece que a ordem de Deus de que
Elias se pusesse ao lado da montanha pouco impacto
lhe causara. Ele até mesmo hesitava em sair da
caverna como Deus lhe ordenara.
Uma vez mais, que contraste! Com todas as ordens
anteriormente registradas, Elias foi rápido em
obedecer à vontade divina. Agora, ele demorava no
interior da caverna no monte Horebe, só aparecendo
fora depois que Deus sacudiu a montanha (1 Reis
19:13).
Mas Deus continuou a atender a Elias e a
comunicar-se pacientemente com ele. Uma vez mais
lhe deu a oportunidade de ventilar seus sentimentos.
O Conselho do Senhor (1 Reis 19:15-18)
143

O Senhor deu outro passo no aconselhamento de


Elias. Sua próxima resposta tinha em mira ajudar o
seu servo a entrar em contato com a realidade e
também com seus sentimentos. Primeiro, Deus disse
que Elias não estava só. Ele não era o único profeta
que sobrara, nem era a única pessoa que adorava ao
Deus verdadeiro. Usando números redondos, o
Senhor foi bastante específico. Há “sete mil”, disse o
Senhor, “todos os joelhos que não se dobraram a
Baal” (1 Reis 19:18). Em outras palavras, Deus estava
dizendo a Elias: “Você não é o único que resta!”
Além disso, Deus disse a Elias que jamais esperou
que ele levasse sozinho os problemas de Israel. Havia
outros homens que podiam ajudar —Hazael e Jeú, e
um homem que haveria de ocupar um lugar muito
especial na vida de Elias — o seu sucessor, Eliseu
(19:15-17).
Até aqui, como Deus tratou a
depressão de Elias?
Primeiro, restaurou-o fisicamente. Como seres
humanos, devemos compreender que Deus nos criou
com vários aspectos ligados à nossa personalidade.
Somos seres físicos; somos seres psicológicos; e
somos seres espirituais. Estas três dimensões inter-
relacionam-se intimamente. Quando não estamos
bem fisicamente, somos afetados psicológica e
espiritualmente. Quando passamos por estresse
psicológico, também isto nos afeta física e
espiritualmente. E quando temos problemas
espirituais, as dimensões físicas e psicológicas de
nossa personalidade também são afetadas.
Na situação de Elias todos estes fatores se inter-
relacionavam. Sem a menor dúvida, ele estava
exausto fisicamente. Seu estresse psicológico era
144

avassalador. Conseqüentemente, perdeu a


perspectiva espiritual e também teológica.
É interessante, Deus deu início ao processo de cura
restaurando-lhe a saúde. E é por aqui que devemos
começar se estivermos sofrendo de depressão — ou
de qualquer outra perturbação emocional.
Conquanto possa não ser esta a causa maior de nosso
problema, é sempre o ponto de início, pois pode
muito bem ser a causa básica. E ainda que não seja,
é mais fácil dissipar o estresse psicológico se
estivermos fisicamente sadios.
Nota. Os médicos têm descoberto que parte da
depressão é causada pelos problemas físicos. Em
alguns casos, o problema tem início no estresse
psicológico e então continua como uma dificuldade
com tendências físicas. Nesse caso, este tipo de
depressão deve ser tratado física como também
psicologicamente.
Segundo, Deus permitiu que Elias ventilasse seus
sentimentos em um ambiente sem críticas. Este é um
passo muito importante na vitória sobre a depressão.
Quando sofremos desta enfermidade emocional,
precisamos falar de nossos sentimentos aberta e
honestamente (mas de modo responsável) sem que
sejamos julgados ou rejeitados. O sentir-nos aceitos
por alguém em quem confiamos a despeito de como
nos sentimos, pode, muitas vezes, de per si, dissipar
os sentimentos de ansiedade e depressão.
Como crentes, devemos sempre crer que Deus
está disposto a ouvir. Ele nos compreende e nos ama.
Ele não espera para atirar-se sobre nós e nos
condenar quando lhe contamos os nossos
sentimentos — por negativos que sejam. Se fosse esta
a sua reação, ele não esperaria até que lhe levemos
145

os nossos sentimentos porque ele já sabe quais são.


Entretanto, como seres humanos, precisamos de
alguém que não apenas nos ouça mas que se
comunique conosco. Elias, em virtude do seu
relacionamento com Deus, experimentou essa
comunicação. Deus, de fato, falou a ele, primeiro no
contexto da aceitação e a seguir proporcionando-lhe
o conhecimento teológico.
Nós também precisamos desabafar nossos
sentimentos com aqueles que ouçam sem julgar, e
ajude-nos a conseguir uma perspectiva psicológica e
espiritual. E se o problema for grave e persistente,
sem dúvida precisaremos de alguém com
treinamento profissional, mas de preferência que seja
cristão.
Advertência. O desabafo, por si, não resolve as
dificuldades psicológicas. Além disso, expressões
irresponsáveis e infantis de ira e frustrações não
solucionam esses problemas. Para ser específico, não
precisamos bater os pés, gritar nem usar linguagem
ofensiva a fim de expressar a perturbação
psicológica, não importa quão severa seja ela.
Podemos derramar nossos sentimentos aberta e
honestamente, mas com responsabilidade, assim
como Elias o fez.
Terceiro, Deus ajudou Elias a encarar a realidade.
Algumas das observações de Elias eram exatas, e
outras não. E foram as observações inexatas que
contribuíram significativamente para a sua
depressão. Elias precisava ouvir os fatos que lhe
passavam despercebidos. Deus, firme mas
amorosamente, lhos comunicou.
É importante saber, contudo, que Deus não
instruiu Elias antes de dar a seu servo a oportunidade
146

de desabafar seus sentimentos, não apenas uma vez,


mas duas. Isto o ajudou a desenvolver a objetividade.
Mas note também que Deus não esperou que Elias
repetisse a si mesmo várias vezes antes de corrigir a
situação.
Isto é importante! A repetição verbal persistente
não resolve os problemas emocionais. De fato, se
repetirmos com freqüência as inexatidões, apenas
convenceremos a nós mesmos de que estamos certos
e tendemos a nos entrincheirar em nosso mundo
irreal. Chega a hora em que devemos parar de
verbalizar, ouvir e então agir com base na realidade.
Se você visita um conselheiro que vez após vez
ouve-o repetir seus problemas sem corrigir-lhe a
perspectiva, você está desperdiçando tempo! E se
estiver pagando pelo serviço prestado, está jogando
fora seu dinheiro!
Quarto, Deus ajudou Elias a esclarecer sua
perspectiva teológica. Este ponto não precisa vir
depois dos outros. Interligados intimamente no
tecido do processo de aconselhamento de Deus até
esta altura encontravam-se as lições teológicas que
Deus estava ensinando a Elias — lições que o
ajudavam a manter equilíbrio espiritual e emocional.
Quais eram essas lições?
• As formas normais de Deus comunicar-se com
seus filhos não são revelacionais nem tendem ao
dramático e fenomenal. Esta lição teológica
concentra-se no próprio Deus. Mais especificamente,
Elias estava aprendendo que tempestades,
terremotos e raios não são os meios normais que
Deus usa para revelar-se. É verdade que Deus
sempre mantém controle soberano sobre todos os
fenômenos naturais. Mas é também verdade que
147

nem sempre ele fala diretamente por meio destas


perturbações e revela sua presença como o fez no
monte Sinai, no monte Carmelo, e como certamente
fará quando seus juízos caírem sobre a terra no
período da Grande Tribulação (Apocalipse 6:12- 14;
8:1-9).
Deus estava ensinando a Elias que seus modos
normais de revelar-se são suaves e gentis. Na
realidade, ele sempre está presente desta maneira. E
esta era uma das lições teológicas que Deus ensinava
a seu servo — e também a nós!
• Os meios normais de Deus relacionar-se com
seus filhos não são extensivamente experimentais.
Esta lição teológica focaliza-se no homem. Mais
especificamente, focaliza-se na experiência religiosa
de Elias. É compreensível que este velho profeta
chegasse a esperar o dramático, o miraculoso, o
fenomenal. Ele experimentara a seca de três anos e
meio. Ele foi miraculosamente alimentado por
corvos que lhe traziam pão e carne todas as manhãs
e todas as tardes. Ele viu a botija de azeite e a panela
de farinha que nunca se esvaziavam. Ele orou e o
filho da viúva recobrou a vida. E mais dramático
ainda, ele orou e fogo caiu do céu sobre o sacrifício
no monte Carmelo; mais tarde ele viu os ventos
aterroradores e as chuvas torrenciais que desceram
sobre a terra de Israel.
Não havia dúvida de que Deus se encontrava
presente e falava de um modo específico por
intermédio destes eventos sobrenaturais. Elias,
sendo homem semelhante a nós, veio a depender
destas experiências emocionalmente comovedoras a
fim de afirmar a presença de Deus em sua vida e
ministério.
148

Mas como notamos no capítulo 8, Deus não se tem


revelado desta maneira na maior parte da
peregrinação do homem sobre a terra. Milhares de
anos têm-se passado quando a presença de Deus é
percebida e sentida, não no vento, no terremoto e
fogo, mas como um cicio suave.
• Os meios normais de Deus lidar com seus filhos
não são com juízos externos e persistentes. Esta
terceira lição teológica concentra-se na humanidade
em geral e na graça divina. Periodicamente por toda
a história, seu juízo e castigo têm caído, mas nunca
antes que sua paciência fosse levada aos limites; e
ainda assim Deus foi rápido em voltar atrás quando
houve arrependimento da parte do povo.
Alguns comentaristas acreditam que a ira de Elias
havia assumido o controle depois da experiência do
monte Carmelo, deixando-o internamente
perturbado pelo fato de Deus ter continuado a tolerar
a idolatria e o procedimento pecaminoso de Israel.
Se assim foi, Deus estava ensinando a Elias que seus
modos são suaves e pacientes; não teatrais e dados a
juízos rápidos e castigo de pecado. Ainda que não
fosse isto que Deus estava ensinando a Elias nessa
época, certamente é óbvio que Deus é longânimo (2
Pedro 3:7-9).
• Deus jamais depende de apenas uma pessoa para
realizar seus objetivos. Esta lição concentra-se nos
líderes nomeados por Deus. Homem algum é forte o
suficiente física, psicológica ou espiritualmente para
fazer sozinho a obra de Deus. Elias precisava
aprender esta lição.
Podemos compreender por que Elias caiu nesta
armadilha. Afinal de contas, Deus havia colocado um
fardo muito pesado sobre seus ombros. Em muitos
149

aspectos, ele teve de permanecer a sós durante os


três anos e meio de seca. Mas, mesmo então,
Obadias e outros permaneceram fiéis.
Observamos esta realidade por toda a história
bíblica. Moisés precisou de Arão, e mais tarde de
Josué. Paulo precisou de Barnabé e mais tarde de
Timóteo e de Tito. Pedro precisou de João. E, como
veremos no próximo capítulo, Elias precisava de
Eliseu.
A quarta lição teológica de Deus leva à conclusão
de que Deus jamais espera que um homem carregue
o fardo completo de algum ministério. Ainda mais,
Deus nem mesmo espera que nenhum de seus filhos
viva a vida cristã em isolamento. Precisamos de
outros cristãos para nos estimular e ajudar.

Algumas perguntas pessoais


1. Estarei fazendo o melhor que posso a fim de
conservar-me em boa condição física — comendo
bem, descansando o suficiente, fazendo exercícios,
etc.? Quando foi que fiz um exame físico completo?
2. Tenho alguém com quem falar de minhas
ansiedades e frustrações sem sentir-me julgado? E
quando conto meus sentimentos, faço-o porventura
de maneira aberta mas responsável?
3. Ajuda-me a pessoa a quem confidencio a
encarar a realidade? Permito que essa pessoa me
ajude a encarar a realidade? Em outras palavras, dou
ouvidos aos conselhos que recebo ao mesmo tempo
que relato meus problemas?
4. Tenho uma perspectiva teológica correta de
meus problemas pessoais?
• Estou esperando que Deus me fale de uma maneira
singular quando ele já falou por intermédio de sua
150

Palavra, por meio de meus amigos cristãos e de


circunstâncias pessoais?
• Estou confiando demais na experiência em minha
Vida cristã, esperando o anormal, o miraculoso, o
inusitado? Confio mais em meus sentimentos do
que na doutrina correta e na verdade bíblica?
• Estarei participando emocionalmente dos fracassos
e problemas de outras pessoas a ponto de causar
depressão em minha própria vida?
• Estarei assumindo responsabilidades demais, sem
perceber que Deus espera que eu funcione dentro
dos limites humanos — e que além desses limites,
Deus está no controle e a responsabilidade é dele?
C
erto periódico inglês ofereceu um prêmio pela
melhor definição de amigo, e dentre os milhares
de respostas recebidas encontravam-se as
seguintes:
“Aquele que multiplica as alegrias e divide a
tristeza.”
“Aquele que compreende nosso silêncio.”
“Um volume de simpatia encadernado com tela.”
“Um relógio que marca as horas corretamente e
jamais fica sem corda.”
Mas eis a definição que mereceu o prêmio: “Amigo
é a aquele que entra quando o mundo todo sai.”
Se Elias estivesse aqui para descrever
pessoalmente o que aconteceu depois da experiência
no cimo do monte Carmelo, ele certamente
concordaria com a definição vencedora. Contudo,
pode ser que ele a parafraseasse da seguinte maneira:
“Quando meu mundo se tornou negro como a meia-
noite, Deus trouxe Eliseu para minha vida a fim de
ser meu amigo.” Este, deveras, foi o passo final de
Deus em ajudar que Elias tivesse a vitória sobre sua
depressão. É este o foco das passagens que
desejamos examinar neste capítulo.
Mas, primeiro, façamos uma revisão. A esta altura,
Deus tratou com a depressão de Elias de quatro
152

modos bastante práticos.


Primeiro, ele ajudou-o fisicamente com alimento e
descanso.
Segundo, deu-lhe a oportunidade de ventilar seus
sentimentos num ambiente de aceitação.
Terceiro, Deus ajudou seu fiel profeta a encarar a
realidade — a corrigir os fatos.
Quarto, ele esclareceu sua perspectiva teológica.
Há, porém, um quinto passo no processo de
aconselhamento de Deus quando tratou com a
depressão de Elias, o passo mais prático de todos. Ele
proveu um companheiro fiel cujo nome era Eliseu.
Um assistente fiel
1 Reis 19:19-21
Deus já havia mencionado a Eliseu pelo nome
como um dos homens que escolhera para falar
contra o pecado de Israel (1 Reis 19:17). Mas o
propósito divino em escolher este homem tinha uma
natureza mais do que profética. Ele devia servir
juntamente com Elias como seu fiel assistente
(19:21).
Não sabemos o quanto Deus disse a Elias acerca
do processo da escolha de Eliseu. A passagem bíblica
afirma simplesmente que ao deixar o monte Horebe,
“partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de
Safate” (19:19).
Eliseu vivia no vale do Jordão, ao nordeste do
monte Horebe, em uma localidade chamada Abel-
Meolá (19:16). Seu pai era lavrador — sem dúvida
um lavrador bem de vida. Ao encontrar-se Elias com
Eliseu, este estava trabalhando com mais onze
homens, lavrando cada um com uma junta de bois.
Quando Elias, inesperadamente, apareceu no
cenário, Eliseu sem dúvida sabia quem ele era. A
153

maioria do povo em Israel ouvira falar deste velho e


enérgico profeta que havia desafiado a Acabe e aos
profetas de Baal no monte Carmelo.
Quando Elias viu a Eliseu, que estava com a
duodécima junta de bois, ele soube que este era o
homem que devia tornar-se o seu assistente,
finalmente, seu sucessor. E quando Elias “lançou o
seu manto sobre ele”, Eliseu sabia, mediante este ato
simbólico, que Deus o havia chamado para ser o
assistente e um ajudador especial deste grande
profeta de Israel. Não hesitou em deixar os seus
afazeres e sua família a fim de assistir Elias. Para
certificar-se de que todos tivessem conhecimento de
sua dedicação a esta alta tarefa de servir a Deus e a
Elias, ele matou a junta de bois e usou o seu arado
para cozer a carne. Então convidou os amigos,
vizinhos, e companheiros de trabalho a unir-se a ele
num banquete de despedida.
Com este ato de dedicação, Eliseu destruiu os
laços que o prendiam ao passado. No seu coração ele
estava totalmente dedicado a Elias e ao Deus a quem
ambos serviam. Não havia voltar atrás — nem
conflitos de interesse.
Todo aquele que já enfrentou uma tarefa difícil e
avassaladora, e no processo conseguiu recrutar um
assistente qualificado, sabe especialmente o que isso
significa para o bem-estar pessoal — física,
psicológica e espiritualmente. Parte do processo
curador de Deus para a depressão de Elias envolvia
esta mesma coisa. Ele proveu para Elias um homem
fiel e dedicado que o ajudaria a carregar o fardo.
Por quanto tempo esta dupla dinâmica do Antigo
Testamento viajou e serviu juntos, não o sabemos.
Mas uma coisa parece clara do restante do relato
154

bíblico. A depressão de Elias diminuiu quando Eliseu


passou a ser seu assistente. Suas atividades,
registradas no primeiro capítulo de 2 Reis, revelam
um homem a quem conhecemos antes deste
combate com a depressão. Ele uma vez mais
obedecia às ordens divinas, e confrontava os pecados
de idolatria nos níveis altos em Israel (2 Reis 1:3-4).
Uma vez mais, ele demonstrava o poder de Deus
mediante milagres (1:10-14), e servia como
instrumento divino para trazer juízo sobre os líderes
de Israel por causa de seu fracasso em voltar-se para
Deus. O encontro de Elias com a depressão havia
ficado para trás.
Mas Eliseu foi mais do que assistente de Elias. Isto
está bem claro em nosso próximo texto.
Um amigo leal
2 Reis 2:1-6
Chegou a hora em que a obra de Elias na terra
havia terminado. Mas em vez de deixar que seu servo
tivesse uma morte natural, o Senhor decidiu levá-lo
para o lar na glória — “por um redemoinho” (2 Reis
2:1). A ida de Elias para o lar foi tão dramática quanto
muitos eventos de sua vida!
Esta passagem registra três vezes uma afirmação
de Eliseu a Elias. O que ele disse revela muito a
respeito do relacionamento que se desenvolveu entre
os dois homens. Quando Elias planejava visitar um
grupo de profetas em três diferentes ocasiões e em
três localidades diversas, ele pediu que Eliseu ficasse
para trás. Não sabemos o motivo de Elias ter dado
esta ordem. Talvez fosse por saber que o seu tempo
de vida era curto e não queria preocupar o amigo.
Entretanto, Eliseu não quis obedecer-lhe. Eis um
resumo do seu diálogo:
155

Ordens de Elias Respostas de Eliseu “Fica-te aqui,


porque o “Não te deixarei” Senhor me enviou a
Be(2:2b).
tel” (2:2a).
“Fica-te aqui, porque o “Não te deixarei” Senhor
me enviou a Je- (2:4b).
ricó” (2:4a).
“Fica-te aqui, porque o “Não te deixarei” Senhor
me enviou ao (2:6b).
Jordão” (2:6a).
Eliseu não apenas era um servo fiel de Elias, mas
também se tornara um amigo leal. Ele sabia, no
coração, que Elias estava prestes a deixá-lo e decidiu-
se a permanecer ao seu lado até ao momento em que
se separassem.
Há um provérbio que diz: “Em todo o tempo ama
o amigo” (Provérbios 17:17). E Jesus, certa vez, disse
aos discípulos, antes de ser crucificado: “Ninguém
tem maior amor do que este: de dar alguém a própria
vida em favor dos seus amigos... Já não vos chamo
servos, porque o servo não sabe o que faz o seu
senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque
tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a
conhecer” (João 15:13-15).
Os discípulos foram chamados para ser servos de
Jesus Cristo. Mas ao andarem juntos, comerem
juntos, partilharem de muitas outras experiências na
terra, desenvolveram um relacionamento mais
profundo e mais significativo do que um simples
relacionamento de senhor e servos. Tornaram-se
amigos. Jesus havia relatado a eles os detalhes mais
íntimos de sua vida e de seu propósito na terra. Agora
eles conheciam o seu “ramo de negócio”.
É evidente que Eliseu desenvolveu este tipo de
156

relacionamento com Elias. Ao fazê-lo, Eliseu serviu


de um modo singular a este velho profeta. Por três
anos e meio Elias havia carregado sozinho o fardo
que Deus lhe pusera sobre os ombros. Por um ano
todo ele ficou literalmente sozinho enquanto se
escondia de Acabe junto à torrente de Querite.
A solidão, por si mesma causa a depressão, sem
dúvida um fator básico na experiência difícil de Elias.
Em verdade, com a exceção do ano que passou em
isolamento, com bastante freqüência ele se
encontrava com outras pessoas. Mas não eram seus
amigos.
Lembro-me dos verões que passei na cidade de
Nova Iorque estudando para o doutorado na
Universidade de Nova Iorque. Eu não podia arcar
com as despesas de ter comigo a família, por isso
deixei Elaine e os filhos em casa — naquela época
vivíamos em Wheaton, no estado de Illinois.
Quão bem me lembro dos dias e noites solitários
que passei sem minha família e outros amigos
íntimos. Os fins de semana foram especialmente
difíceis. Lembro-me de certa tarde de domingo
andando pelo parque da Praça Washington. Havia
gente por todos os lados — conversando, sorrindo
brincando e desfrutando de outras atividades
conjuntas. Embora eu estivesse no meio de uma
multidão, jamais me senti tão só! Em primeiro lugar,
minha melhor amiga, minha esposa, encontrava-se a
mais de mil e quinhentos quilômetros de distância.
Foi, deveras, deprimente.
Elias precisava de um amigo. Eliseu foi esse amigo!
Além disso, ele tornou-se uma pessoa com quem
Elias podia falar dos detalhes mais íntimos e mais
profundos da sua vida sem temor de rejeição, mal-
157

entendidos ou traição. Estou convicto de que este foi


um fator muito importante no plano de Deus para
livrar Elias do seu estado de depressão.
Eliseu sempre foi leal a Elias — um verdadeiro
teste de amizade. Sabendo que logo viria o tempo em
que seriam “temporariamente” separados, Eliseu
não queria deixar o amigo, mesmo havendo Elias
pedido a ele que ficasse. “Não te deixarei”,
respondeu Eliseu. E, “assim ambos foram juntos”
(2:6). É o que acontece com os amigos. São leais um
ao outro e “andam juntos”, não importa quais sejam
as dificuldades e os problemas da vida.
Um verdadeiro discípulo
2 Reis 2:7-14
Outra dimensão deste relacionamento deve ter
animado a Elias grandemente, ajudando-o a
esquecer-se dos sentimentos de desilusão e
desespero. Eliseu tornou-se um verdadeiro discípulo,
desejoso de aprender tudo o que pudesse com seu
amigo e mentor. Ele desejava estar preparado para
dar continuação ao ministério profético de Elias
quando chegasse o tempo da separação.
Algumas afirmativas nesta passagem (2 Reis 2:7-
14) mostram o desejo de Eliseu de ser um bom
aprendiz.
Primeira, ele sabia que jamais poderia assumir a
posição poderosa de Elias em Israel sem a ajuda
sobrenatural. Conseqüentemente, quando Elias
perguntou a seu amigo o que podia fazer por ele
antes de ser tomado, Eliseu respondeu: “Peço-te que
me toque por herança porção dobrada do teu
espírito” (2:9). Dito de outro modo, ele pedia não que
fosse duas vezes mais exitoso que Elias mas que fosse
duplamente abençoado para que estivesse à altura
158

das realizações de Elias. No seu entender, ele


precisava de duas vezes mais da motivação e da fé
que Elias possuía, para continuar com o nível de
realização do seu amigo no reino de Deus.
Este, pois, não foi um pedido egoísta proferido para
que Eliseu se elevasse ao estrelato e se tornasse
maior do que Elias. Ele sabia que jamais poderia
tomar o lugar deste homem. Apenas para
acompanhar Elias, ele sabia que precisava de uma
porção dobrada do seu espírito. E, aparentemente,
por causa de sua dedicação em aprender com Elias
tudo o que pudesse, recebeu o que pedia.
A segunda pista quanto ao relacionamento de
“discipulado” de Eliseu com Elias entra em foco no
momento da separação. Enquanto Elias era levado
para o céu em um redemoinho, separado do seu
amigo por “um carro de fogo e cavalos de fogo”,
Eliseu clamou: “Meu pai, meu pai\” (2:11-12).
Eliseu via a Elias não como seu “irmão”, mas como
seu “pai”. À vista de Deus tinham posição igual — de
uma perspectiva espiritual. Mas do ponto de vista
humano não eram iguais. Estavam separados pela
idade e experiência. Eliseu era como um filho que
precisava da liderança e ajuda do pai. Era um
verdadeiro discípulo.
Foi este tipo de relacionamento que existiu entre
Paulo e Timóteo no Novo Testamento. Com efeito,
os paralelos são singulares. Paulo chamou a Timóteo
para unir-se a ele como companheiro de missão —
em certo sentido, para tornar-se seu assistente (Atos
16:1-5). Enquanto trabalhavam juntos,
desenvolveram uma amizade muito pro- funda,
baseada na confiança mútua. Paulo captou a
natureza desse relacionamento em sua carta aos
159

Filipenses. Escrevendo de uma prisão romana, ele


disse: “Espero, porém, no Senhor Jesus, mandarmos
Timóteo, o mais breve possível, a fim de que eu me
sinta animado, tendo conhecimento da vossa
situação. Porque ninguém tenho de igual
sentimento, que sinceramente cuide dos vossos
interesses; pois todos eles buscam o que é seu
próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o
seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto
comigo, como filho ao pai” (Filipenses 2:19-22).
Vê-se o relacionamento de discipulado de Paulo
com Timóteo em sua carta final a este homem. Com
efeito, for a última carta que ele escreveu antes que
Deus o levasse para o lar no céu. Repito, escrevendo
da prisão, ele disse: “Tu, pois, filho meu, fortifica-te
na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha
parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso
mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos
para instruir a outros” (2 Timóteo 2:1-2).
Uma das maiores fontes de ânimo de Paulo,
enquanto enfrentava a perspectiva da morte, era
saber que quando terminasse a sua obra na terra ela
prosseguiría através de Timóteo — seu servo fiel,
amigo leal e discípulo verdadeiro.
Esse mesmo tipo de relacionamento, quanto deve
ter animado a Elias! Não que ele precisasse de
alguém que o admirasse. Pelo contrário, ele sabia
que deixava a obra nas mãos de um homem fiel que
havia aprendido o máximo enquanto serviam juntos
nesta terra e estava preparado para executar a obra
com sucesso. Este, certamente, deve ter sido o fator-
chave que ajudou Elias a vencer a depressão.
E Você?
O relacionamento que existiu entre Elias e Eliseu
160

oferece vários pontos de aplicação. Podemos resumir


a essência deste relacionamento com um ponto
maior — a amizade. Todos os seres humanos
precisam de amigos, pessoas com as quais possam
relacionar-se em um nível mais profundo do que
como meros conhecidos. É um meio criado por Deus
para ajudar-nos a manter nosso equilíbrio emocional.
A seguir, apresentamos alguns princípios e
diretrizes para desenvolver e manter amizades.
1. É desígnio de Deus que o relacionamento entre
marido e mulher seja uma amizade. Uma das
afirmativas mais lindas que qualquer cônjuge pode
fazer a respeito do outro é: “Este é meu melhor
amigo.” Infelizmente, muitos casais vivem juntos,
mas não são amigos íntimos.
Este é, deveras, um desafio para todos os casais
cristãos. Deus deseja que nos tornemos amigos —
amigos íntimos — duas pessoas que partilhem suas
vidas juntos em um sentido total, tornando-se uma
só pessoa, não apenas física, como também
emocional e espiritualmente. É óbvio que este é um
processo que leva tempo e exige esforço.
Este ponto de aplicação também fala aos que
contemplam o matrimônio. Muitos casais entram
para o casamento sem primeiro tornar-se amigos. O
relacionamento, com freqüência, é edificado sobre a
atração física e emocional em vez de um
relacionamento crescente que reflete a verdadeira
amizade.
Felizmente, há possibilidade de os casais
tornarem-se amigos depois do casamento. Nunca é
tarde demais. Mas os que se tornam amigos antes de
dar o passo final levam vantagem no desenvolver o
tipo de relacionamento pretendido por Deus.
161

2. Todo casal precisa de amigos fora do casamento.


Nossos filhos podem e devem tomar-se nossos
melhores amigos.
Este, é claro, é um processo que geralmente não
acontece antes que os filhos deixem a adolescência,
Uma das coisas mais emocionantes que ouvi uma de
minhas filhas dizer foi que ela considerava a mãe
como sua melhor amiga! Esta afirmativa fez que os
vinte anos anteriores valessem a pena!
Todo casal precisa de uma amizade íntima, com
pelo menos, outro casal — e uma boa amizade com
vários outros.
Para que isto aconteça, todo casal deve tomar a
iniciativa da amabilidade. Mas, lembre-se, isto leva
tempo. As pessoas que não respondem, talvez já
tenham amigos íntimos. Além do mais, talvez não
achem que precisem de amigos íntimos, muito
embora precisem. Também, as pessoas talvez não
respondam por causa de sua própria imaturidade. É
possível que sejamos possessivos. Talvez estejamos
tentando com demasiado empenho. Enquanto assim
procedemos, espantamos as pessoas.
Por outro lado, há aqueles que precisam
desesperadamente de amigos e se retraem, dando a
impressão de que não os desejam! E como é de
esperar, não os encontram porque as suas reações
são mal interpretadas.
Todo marido precisa de um amigo íntimo e de
boas amigas fora do casamento; e toda esposa
precisa de uma amiga íntima e de bons amigos fora
do casamento.
Neste ponto devemos ser cautelosos. É perigoso
para o marido ter uma amiga íntima que não a sua
própria esposa; e é perigoso para a esposa ter um
162

amigo íntimo que não o seu próprio marido. Há os


que advogam este método. É letal! Com o tempo,
pode destruir o casamento.
Por outro lado, todo marido precisa de boas
amizades femininas; e toda esposa precisa de boas
amizades masculinas. Isto é normal, natural e
necessário. E um modo de destruir um casamento é
a esposa ter ciúmes das amigas do seu marido e o
marido ter ciúmes dos amigos da esposa. Entretanto,
se os cônjuges travam amizades íntimas com o sexo
oposto, ambos terão motivo para preocupar-se.
3. Todas as pessoas solteiras precisam de um
amigo íntimo — se possível, mais de um. Aqui,
também, é preciso ter cautela!
Amizades com o sexo oposto da parte de pessoas
solteiras podem facilmente levar a expressões sexuais
ilícitas. Isto é particularmente verdadeiro em uma
sociedade que adota um sistema de valores que
contradiz a Bíblia. Deus diz que o sexo fora do
casamento é pecado. Se ignorarmos as leis divinas,
com o tempo teremos angústia, desilusão e
sofreremos a disciplina de Deus.
Amizades entre pessoas solteiras, embora
legítimas, podem tomar-se possessivas e exclusivas.
Se isto acontecer, a amizade pode facilmente ser
destruída. Este princípio, é claro, também se aplica a
todos os relacionamentos descritos até aqui.
4. Todos os cristãos são amigos em virtude do seu
relacionamento singular em Cristo.
Na verdade, pode ser que não conheçamos bem
muitas outras pessoas, mas temos um laço comum
A Importância dos Amigos 163 que ultrapassa as
dimensões de amizade que acabamos de descrever.
Nossos relacionamentos são mais do que carne e
163

sangue, sentimentos e emoções, e tempo que


passamos na companhia dos outros. Somos amigos
por causa de nossa unidade em Jesus Cristo.
Tenho sentido isto em minhas oportunidades de
servir a crentes em outras partes do mundo. Tenho
encontrado pessoas totalmente desconhecidas,
passado algumas horas com elas em comunhão
espiritual, e ao deixá-las, meu sentimento era como
se as conhecesse por longos anos. Muito
rapidamente nossos corações se uniram em amor.
Por quê? Por causa de nosso relacionamento
espiritual. Somos irmãos em Cristo.
Alguns Pensamentos Finais
• “Alguns fazem inimigos em vez de amigos porque
dá menos trabalho.” E. C. McKenzie.
• “Um velho amigo é melhor do que dois novos.”
Provérbio russo.
• “Associe-se com homens de boas qualidades se
você der valor à sua própria reputação: pois é melhor
estar sozinho do que mal acompanhado.” George
Washington.
• “Quando perdemos um amigo, morremos um
pouco.”
• “Se realmente quiser saber quem são seus
amigos, cometa um erro.”
• “Enquanto amamos, servimos. Ninguém é inútil
enquanto é amigo.” Robert Louis Stevenson.
E
lias sobressai na história bíblica como um dos
mais importantes profetas do Antigo
Testamento. Por que foi ele tão singularmente
usado por Deus? Qual foi o segredo do seu êxito?
A verdade é que não há segredo. Os motivos de
Deus tê-lo usado de modo tão dramático destacam-
se na história de sua vida tão claramente quanto os
três picos de uma montanha que se projetam contra
o céu ao escurecer. Ao pôr-se o sol na vida deste
velho profeta, olhamos para o passado e vemos três
razões principais pelas quais Deus usou Elias para
realizar seus propósitos neste mundo.
Elias foi um homem de Deus
Tiago afirmou que Elias era um homem
semelhante a nós, e a história de sua vida certamente
prova esta realidade. Às vezes ele se desanimava e se
sentia solitário. Outras vezes ficava ansioso e
intensamente temeroso e desiludido. Ele sentiu a
profundeza da depressão — tanto que desejou
morrer. Mas, a despeito de sua humanidade, ele era
“homem de Deus”.
Esta é uma combinação animadora. A despeito
das fraquezas e fracassos humanos, Deus ainda usa
homens e mulheres para realizar sua obra neste
mundo. A vida e testemunho de Elias certamente
provam este fato.
165

Que fatores na vida de Elias o identificam como


um homem de Deus? Há vários, mas dois
sobressaem de maneira especial.
O Poder de Deus se Revelou Mediante a sua Vida
Elias era profeta de Deus, singularmente
capacitado com o poder de Deus. Por causa do seu
chamado singular, ele foi com freqüência
identificado como um homem de Deus. Por exemplo,
depois de ter orado pelo filho morto da viúva, e
depois de ter entregue o rapaz vivo, ela respondeu:
“Nisto conheço agora que tu és homem de Deus” (1
Reis 17:24). Havia uma relação clara de causa-efeito
entre a capacidade de Elias de liberar o poder
sobrenatural de Deus e o título que a viúva lhe deu.
Já para o fim da vida, a reputação de Elias se
espalhara por todos os recantos. Isto certamente se
exemplifica por Acazias, sucessor de seu pai Acabe
como rei de Israel. Em certa ocasião ele se feriu
gravemente e enviou mensageiros a consultar um
falso deus para tentar descobrir se ia morrer ou viver.
Entretanto, o Senhor revelou a Elias o que Acazias
estava prestes a fazer e enviou-o a encontrar-se com
os mensageiros com um anúncio profético:
“Porventura não há Deus em Israel, para irdes
consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?”
perguntou Elias. “Por isso assim diz o Senhor: Da
cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta
morrerás” (2 Reis 1:3-4).
Os mensageiros de Acazias voltaram e relataram
ao rei o que tinham ouvido. Parece que este tipo de
relatório era bem familiar ao rei, que suscitou uma
pergunta. “Qual era a aparência do homem que vos
veio ao encontro e vos falou tais palavras?”
perguntou ele (1:7).
166

Não sabendo quem era Elias, os mensageiros o


identificaram por sua aparência. “Era homem
vestido de pelos, com os lombos cingidos dum cinto
de couro.” O rei ficou sabendo de imediato quem
enviara a mensagem. “É Elias, o tesbita”, respondeu
o rei (1:8).
O rei Acazias fez esta identificação positiva por
dois motivos. Primeiro, por causa da aparência de
Elias. Segundo, e mais importante, por causa de sua
reputação de homem de Deus (1:9). E essa reputação
está diretamente associada ao relacionamento de
Elias com Deus, particularmente em ser capaz de
liberar o poder divino de maneiras miraculosas.
Vê-se esse relacionamento de causa-efeito quando
os mensageiros chegaram a Elias com a mensagem
de Acazias, que na realidade o identificava como
homem de Deus. “Se eu sou homem de Deus, desça
fogo do céu e te consuma a ti e aos teus cinqüenta.”
Sem demorar, o fogo caiu provando o
relacionamento singular de Elias com Deus (1:12).
Afirmativas Inequívocas de Elias Concernentes ao
Seu Relacionamento com Deus
Elias demonstrou quem era não apenas pelo que
fazia, mas também pelo que dizia. Ele deixou claro
que havia um único Deus em sua vida — o Deus de
Abraão, de Isaque e de Jacó. No primeiro confronto
com Acabe com referência aos seus pecados de
idolatria, Elias fê-lo saber de imediato que ele servia
ao Deus vivo (1 Reis 17:1) — e não a ídolos de
madeira e pedra. E três anos e meio mais tarde,
conversando com seu amigo Obadias, ele fez esta
afirmativa inequívoca: “Tão certo como vive o
Senhor dos Exércitos, perante cuja face estou,
deveras hoje me apresentarei a ele” (1 Reis 18:15).
167

Na mente das pessoas que conheciam Elias,


pessoalmente ou por meio de sua reputação, não
havia dúvidas quanto a quem ele servia. Deus vinha
em primeiro lugar em sua vida. Mais que qualquer
outra coisa, ele desejava honrar o nome de Deus. Ele
era tão dedicado ao Senhor, que estava disposto a
colocar em jogo a própria vida. Ele não
comprometeria suas convicções quanto à adoração
nem quanto ao seu estilo de vida. Ele era homem de
Deus.
Homem de oração
A reputação de Elias como homem de Deus
também se relacionava claramente com sua vida de
oração. Com efeito, foi este aspecto de sua vida que
impressionou a Tiago. Embora fosse homem
“semelhante a nós”, escreveu Tiago, contudo, “orou
com instância para que não chovesse... E orou de
novo e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus
frutos” (Tiago 5:17-18).
Todo grande milagre relacionado com a vida de
Elias também diz respeito à oração. Como acabamos
de ver da afirmativa de Tiago, os três anos e meio de
seca começaram e terminaram quando Elias orou. O
filho da viúva recebeu a cura quando ele clamou a
Deus (1 Reis 17:17-23). E fogo caiu no monte
Carmelo quando ele, adiantando-se, orou (18:36-37).
A relação está clara: “Homem de Deus — homem
de oração!”
A maior lição que podemos aprender da vida de
oração de Elias concentra-se em seus motivos
básicos. Ao orar para que não chovesse, ele
demonstrava a Israel que havia um único Deus
verdadeiro (17:1). Quando orou para que o fogo
caísse do céu a fim de consumir o sacrifício,
168

novamente era não só para demonstrar a Israel quem


era Deus — mas também quem ele, Elias, era. “Fique
hoje sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou
teu servo, e que segundo a tua palavra fiz todas estas
coisas” (18:36). Em outras palavras, os motivos de
Elias em orar tinham em mira que Israel ficasse
sabendo que é Deus o único Deus verdadeiro — que
responde à oração e demonstra poder; e que ele,
Elias, não passava de um servo de Deus, que
executava as ordens do Senhor. Embora homem de
Deus, ele queria que todos soubessem que era servo
de Deus. Essa, deveras, é a essência da consagração
verdadeira.
Um homem da Palavra de Deus
A obediência de Elias a Deus é citada mais vezes
do que qualquer outro fator. Existe um padrão
singular que se repete muitas vezes. Primeiro, Deus
revelou a sua vontade a Elias. Segundo, Elias
obedeceu!
A revelação de Deus com referência à torrente de
Querite
1 Reis 17:2 — “Veio-lhe a palavra do Senhor.” 17:5
— “Foi, pois, e fez segundo a palavra do Senhor.”
A revelação de Deus referente à viúva em Sidom
17:8 — “Então lhe veio a palavra do Senhor.”
17:10 — “Então ele se levantou e se foi.” A
revelação de Deus referente ao confronto com Acabe
18:1 — “Veio a palavra do Senhor a Elias.”
18:2 — “Partiu, pois, Elias.”
A revelação de Deus referente ao chamado de
Eliseu 19:15 — “Disse-lhe o Senhor.” 19:19 —
“Partiu, pois, Elias.”
A revelação de Deus referente aos mensageiros do
rei Acazias
169

1:3 — “Mas o anjo do Senhor disse a Elias.”


1:4 — “Então Elias partiu.”
A revelação de Deus referente ao confronto de
Elias com o rei Acazias.”
1:15a — “Então o anjo do Senhor disse a Elias.”
1:15b — “Levantou-se, e desceu com ele.”
Este padrão é claro. Toda vez que Deus ordenava
a Elias que fizesse algo, ele obedecia. Embora ele
tenha passado por uma época de profunda depressão
que temporariamente afetou sua capacidade de
obedecer ao Senhor, afinal ele atendeu à voz de Deus
e uma vez mais experimentou o poder e a bênção
divina em sua vida.
Elias e o crente do
século vinte
A “vida em perspectiva” de Elias leva a algumas
questões bastante práticas. Quando chegamos ao
final de nossa vida na terra, que é que o povo
lembrará a nosso respeito? Essa é uma pergunta
convincente que provoca reações, uma questão com
a qual eu pessoalmente tive de lutar enquanto
escrevia este capítulo. De que se lembrarão meus
filhos? De que se lembrarão meus amigos? De que se
lembrarão meus associados? De que se lembrarão
aqueles a quem servi, acerca de minha vida?
Todo crente deve fazer estas mesmas perguntas. O
que lembrará o povo acerca de você quando sua
peregrinação nesta vida acabar? Será a recordação
de:
• Seu êxito como pai cristão
• Sua dedicação à igreja
• Seu tino comercial
• Sua riqueza
• Seu espírito altruísta
170

• Seu interesse pelos outros


• Seus esforços por ganhar almas
• Sua capacidade de ensino e pregação
• Sua diligência
• Sua família
• Sua capacidade organizacional
• Seu espírito amoroso
• Sua paciência
• Sua fé
• Seu conhecimento bíblico
• Sua benevolência?
Certamente que todos estes fatores são
importantes, dignos e até louváveis. Mas não haverá
algo mais significativo e mais digno e mais louvável?
Acho que sim.
Como vimos neste estudo, há muitas lições que
podemos aprender da vida e ministério de Elias. Mas,
além de tudo o mais, encontra-se o que caracterizou
este “homem semelhante a nós” e o de que mais nos
lembramos a respeito de sua vida. Para aqueles que
o conhecem bem só há uma conclusão. Ele foi
homem de Deus, homem de oração e homem
dedicado à obediência à palavra de Deus. Essa
combinação de fatores nos diz com clareza por que
Deus o usou tão significativamente e por que ele
sobressai na história bíblica como um dos maiores
profetas que já viveram.
Elias surge, pois, como um exemplo para todos os
cristãos do século vinte. É possível que se lembrem
de nós da mesma maneira? A resposta é sim, se
desenvolvermos a perspectiva que Elias tinha da
vida. É verdade que ele foi uma pessoa singular,
especialmente chamada e capacitada por Deus.
• Como homem de Deus, ele foi um daqueles
171

indivíduos especiais que tinham acesso ao poder


divino de operar milagres.
• Como homem de oração, ele foi um daqueles
indivíduos singulares que viam Deus responder de
modos incomuns.
• Como homem da Palavra de Deus, ele ouvia
Deus falar-lhe diretamente em numerosas ocasiões,
revelando-lhe sua vontade específica.
Entretanto, este chamado singular, este poder
único, este acesso ímpar a Deus não significa que não
possamos ser lembrados da mesma maneira.
• Nós também podemos ser homens e mulheres
de Deus — gente que reflete a dedicação a Deus e
demonstra seu caráter e poder.
• Nós também podemos ser homens e mulheres
de oração, vendo Deus responder de maneiras
incomuns. Como Tiago lembrou aos cristão do
primeiro século: “Nada tendes, porque não pedis;
pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para
esbanjardes em vossos prazeres” (Tiago 4:2b, 3).
• Nós também podemos ouvir a voz de Deus, clara
e precisa, como ele tem falado mediante as
Escrituras. E podemos escolher obedecer ou
desobedecer ao que ele disse.
Como, pois, as pessoas se lembrarão de nós?
O Dr. William Culberson serviu como presidente
do Instituto Bíblico Moody por muitos anos. Quando
ele morreu, pediram a Warren Wiersbe que
escrevesse a biografia deste grande homem. Depois
de conversar com sua família e seus associados,
depois de ler sua correspondência e muitos dos seus
sermões, depois de completar o manuscrito que
contava a história de sua vida, o autor escolheu o
título para o livro. É interessante, mas não
172

surpreende que fosse, William Culberson — Homem


de Deus. O falecido Dr. Wilbur Smith disse do Dr.
Culberson: “Minha primeira e duradoura impressão
é de que ele é um homem de Deus.”
Em meus treze anos de docência no Instituto
Bíblico Moody cheguei a conhecer muito bem o Dr.
Culberson — em alguns aspectos melhor do que
outros. E quando eu explicar, você compreenderá
por quê. Percebe o leitor, jogamos voleibol por quase
dez anos, às vezes duas ou três vezes por semana.
Metade das vezes eu jogava no time dele. A outra
metade, éramos competidores ferozes, jogando em
times opostos.
Depois dos jogos, tínhamos longas conversas.
Grande parte dessas conversas eram coisas leves,
mas às vezes também conversávamos a respeito de
coisas sérias. Neste ambiente esportivo eu realmente
cheguei a conhecer o Dr. Culberson.
Ao ser publicado o livro que conta a história de sua
vida, os que o conheciam bem não se surpreenderam
com o título! Era uma descrição exata do homem.
Embora ele tivesse sido um homem semelhante a
nós — e vi isso com muita freqüência na quadra de
vôlei, jamais o vi violar suas convicções espirituais. E
se ele pensasse haver violado alguma, era rápido a
corrigir o erro!
Talvez seja por isso que me lembro de algo que ele
disse certo dia durante o culto da capela, como se ele
o tivesse dito ontem. Eu estava sentado junto com os
outros membros do corpo docente, logo no início de
minha carreira como professor. Falando com
convicção profunda, ele disse aos alunos, enquanto
gesticulava em nossa direção: “Jovens, vocês se
esquecerão do que estes professores dizem, mas
173

jamais se esquecerão do que eles são!”


A mensagem era dirigida aos alunos! Mas o
impacto atingiu-me, e tenho certeza de que atingiu a
meus colegas docentes também. E a afirmativa
tomou-se ainda mais significativa contra o pano de
fundo de sua vida.
Quão verdadeira é essa afirmativa! E não é disto
que nos lembramos em Elias? Não é isto que
sobressai no registro de sua vida? Foi o que ele era
como homem de Deus que deu realce à sua vida? O
que ele disse refletia apenas o relacionamento que
ele tinha com o Deus a quem servia!
Durante sua vida, Jonathan Edwards, grande
pregador e mestre, fez estas cinco resoluções:
“Resolvo viver com todas as minhas forças.
“Resolvo jamais perder um instante do tempo,
melhorá-lo da maneira mais profícua que puder.
“Resolvo jamais fazer algo que eu venha a desprezar
ou ter pensamentos maus acerca de outros.
“Resolvo jamais fazer nada por vingança.”
“Resolvo jamais fazer algo do qual tivesse medo se
fosse a última hora de minha vida.”
Três resoluções
Há muitas maneiras úteis de apresentar
convicções espirituais e resoluções para nossa vida.
Mas o exemplo de Elias nos oferece três das
resoluções mais básicas e que refletem a vontade de
Deus para todos os crentes:
• Resolvo sempre ser um homem de Deus —
colocando-o em primeiro lugar em tudo o que eu
fizer, jamais envergonhando seu nome e reputação,
e pela graça de Deus, sempre refletirei sua justiça.
• Resolvo ser um homem de oração—jamais
tentando alcançar os objetivos com minha própria
174

força, mas sempre buscando sua direção, sua


capacitação, sua assistência e ajuda divinas. E
quando ele responder, sempre darei a glória devida
ao seu nome.
• Resolvo, ser um homem da palavra de Deus,
aprendendo consistentemente mais do que Deus diz,
interpretando-o acuradamente, e sempre
obedecendo às diretivas espirituais do Senhor e, de
maneira consistente, aplicarei seus princípios
divinos.
Leia estas resoluções novamente e torne-as suas!
175

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