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Índice

Viscosidade e Óleos Lubrificantes


Introdução........................................................................................................................................
......2

Capítulo I – Viscosidade
O que é
viscosidade?...............................................................................................................................2
A relação entre a viscosidade e a temperatura nos gases e nos
líquidos.......................................................4
Mistura de óleos, fluido real e fluido
ideal..................................................................................................5

Capítulo II – Óleos Lubrificantes


Tipos.................................................................................................................................................
......8
Composição......................................................................................................................................
.......9
Utilização..........................................................................................................................................
.......9
Índice de Viscosidade, ponto de fluidez e ponto de
fulgor..........................................................................10
Sistemas de Classificação: SAE e
API........................................................................................................10

Capítulo III – Viscosímetro


Tipos.................................................................................................................................................
....12
Esquema de
Funcionamento....................................................................................................................12
Utilização..........................................................................................................................................
.....13

Capítulo IV – Descrição Sumária da Experiência Laboratorial


Óleo
Testado.........................................................................................................................................15
Equipamento
Utilizado............................................................................................................................16
Principais passos para a realização da
experiência....................................................................................16

Capítulo V – Gráfico V x T ( Viscosidade por Temperatura)


Gráfico..............................................................................................................................................
....17

Conclusões
Pessoais...............................................................................................................................18
Bibliografia.......................................................................................................................................
.....18

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Viscosidade e Óleos Lubrificantes

Introdução

"O óleo está precisando ser trocado. Que óleo vai, doutor?”
Este tipo de situação é comum quando o frentista faz a checagem do óleo em seu carro.
Logo que a fatídica pergunta é feita, normalmente se pensa que óleos são todos iguais e a única
diferença está no preço. Embora muitas pessoas acreditem realmente nisto, a realidade é bem
diferente.
Através deste relatório sobre viscosidade e óleos lubrificantes, será possível conhecer
mais sobre viscosidade, tipos de óleos lubrificantes, onde são utilizados e entender como os
testes de viscosidade são realizados.
Todas as informações mencionadas foram pesquisadas na Internet em sites de
fabricantes de óleos lubrificantes e pesquisadores da viscosidade, além da experiência
laboratorial realizada no Laboratório 06 da Universidade Gama Filho.

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Capítulo I – Viscosidade

I.1 – O que é viscosidade?

Em linhas gerais, a viscosidade pode ser definida como sendo a resistência ao


escoamento de um sistema submetido a uma certa tensão mecânica. A viscosidade é uma
expressão da resistência de um fluido ao escoamento, sendo assim, quanto maior a viscosidade,
maior a resistência.

Mais profundamente, viscosidade é a medida do atrito interno de um fluido. Este atrito


torna-se aparente quando uma camada do fluido se move em relação a uma outra camada. A
quantidade de força requerida para causar esse movimento é chamada de “cisalhamento”. O
cisalhamento ocorre quando o fluido é fisicamente movido ou distribuído. Fluidos altamente
viscosos requerem uma força maior para que uma camada se mova em relação à outra do que
materiais menos viscosos.

Figura 1 - Modelo para definição de Viscosidade

Isaac Newton definiu viscosidade considerando o modelo representado na Figura 1.


Dois planos paralelos de fluido de área igual a “A”, estão separados por uma distância “dx” e se
movem na mesma direção com velocidades diferentes “V1” e “V2”. Newton assumiu que a força
requerida para manter essa diferença na velocidade era proporcional à diferença de velocidade
ou ao gradiente de velocidade. Para expressar isso, Newton escreveu:

(Equação 1)

onde η é uma constante para um dado fluido que é chamada de viscosidade.

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O gradiente de velocidade, dxdv, é uma medida da mudança na velocidade quando as
camadas intermediárias se movem uma em relação a outra. A isso se dá o nome de “gradiente
de cisalhamento”. Sua unidade de medida é chamada de “segundo recíproco” (sec -1) e pode ser
simbolizado por “S”.

O termo AF indica a força por unidade de área necessária para produzir a ação
cisalhante. ““ É chamado de “tensão de cisalhamento” e pode ser simbolizada por” F”. Sua
unidade de medida é uma unidade de força dividida por uma área, no sistema CGS [dina/cm2].

A viscosidade η pode ser dada portanto por:

(Equação 2)

Sua unidade de medida é o “poise”. Mas também se encontram medidas de viscosidade


expressas em “Pascal-segundos” (Pa.s) ou “mili-Pascal-segundos” (mPa.s). Sendo o Pa.s a
unidade do Sistema Internacional.

1 Pa.s = 100.000 poise = 1000 centipoise = 1000 mPa.s

A viscosidade de um gás aumenta com a temperatura, mas a viscosidade de um líquido


diminui. A variação com a temperatura pode ser explicada examinando-se o mecanismo da
viscosidade. A resistência de um fluido ao cisalhamento depende da coesão e da velocidade de
transferência de quantidade de movimento molecular. Num líquido cujas moléculas estão muito
mais próximas que num gás, existem forças de coesão muito maiores que nos gases. A coesão
parece ser a causa predominante da viscosidade num líquido e, como a coesão diminui com a
temperatura, a viscosidade segue o mesmo comportamento. Por outro lado, num gás existem
forças de coesão muito pequenas. Sua resistência ao cisalhamento é principalmente o resultado
da transferência da quantidade de movimento molecular.

A viscosidade pode ser dividida em três tipos: Viscosidade Aparente, Viscosidade


Cinemática e Viscosidade Absoluta.

• Viscosidade Aparente: É aquela medida em um único ponto e através de cisalhamento


constante. É expressa por unidades de Poise ou centiPoise (mPa/s). Utilizada na leitura
de viscosidade de fluidos pseudo-plásticos. Viscosímetros: Brookfield, Haake.

• Viscosidade Cinemática: é aquela medida por um sistema de geometria que utiliza-se


da gravidade para sua obtenção de medida. Medida por copos tem, como método, a
contagem, através de um cronômetro, do tempo gasto para o fluido escorrer pelo orifício
inferior destes copos.

• Viscosidade Absoluta: é aquela que é medida por um sistema de geometria que não
sofre influência da gravidade para a obtenção desta medida.

I.2 – A relação entre a viscosidade e a temperatura nos gases e nos líquidos

A viscosidade diminui muito rapidamente a medida que aumenta a temperatura. A


relação entre as duas grandezas é dada pela fórmula empírica

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η=a·exp(b/T)

onde T é a temperatura em kelvin, e a y b são dois parâmetros que dependem do tipo de


liquido. Para a glicerina foi tomado a=4.289·10-12, b=7786.1. Para T=20ºC=293 K a viscosidade
é

A figura mostra a representação gráfica desta função, no eixo horizontal à temperatura


é expressa em graus Celsius.

Nos líquidos a viscosidade é diretamente proporcional à força de atração entre as


moléculas, portanto a viscosidade diminui com o aumento da temperatura.
Nos gases a viscosidade é diretamente proporcional a energia cinética das moléculas,
portanto a viscosidade aumenta com o aumento da temperatura.
Abaixo, descreveremos com mais detalhes, essa relação nos gases e líquidos.

I.2.1 – Gases

Em um gás, as moléculas estão em média longe umas das outras de modo que
as forças de coesão não são efetivas.
A viscosidade do gás não vem do atrito interno, mas da transferência de
momentum (quantidade de movimento) entre camadas adjacentes que se
movem com velocidade relativa não nula.
As moléculas que cruzam a fronteira entre as camadas partindo da camada
que se move mais rapidamente transferem uma quantidade de movimento maior à
camada que se move menos rapidamente do que a quantidade de movimento que as
moléculas desta camada transferem àquela ao cruzarem, por sua vez, a fronteira
entre as camadas.
Assim, a velocidade da camada mais rápida tende a diminuir e a velocidade da
camada mais lenta tende a aumentar, de modo que a velocidade relativa tende a
diminuir.

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I.2.2 – Líquidos
A viscosidade dos líquidos vem do atrito interno, isto é, das forças de coesão entre
moléculas relativamente juntas. Desta maneira, enquanto que a viscosidade dos gases cresce
com o aumento da temperatura, nos líquidos ocorre o oposto.
Com o aumento da temperatura, aumenta a energia cinética média das moléculas,
diminui (em média) o intervalo de tempo que as moléculas passam umas junto das outras,
menos efetivas se tornam as forças intermoleculares e menor a viscosidade.

I.3 – Mistura de óleos, fluido real e fluido ideal

I.3.1 – Mistura de Óleos

Graxas lubrificantes é o nome genérico e popular dado a lubrificantes pastosos

compostos (semiplásticos) ou de alta viscosidade, compostos de misturas de óleos lubrificantes

minerais (de diversas viscosidades) e seus aditivos e especialmente do ponto de vista químico,

sais de determinados ácidos

graxos com cálcio, sódio, lítio, alumínio, bário e magnésio (geralmente chamados de sabão que

em formam com os óleos de origem mineral uma emulsão, que atuam como agente espessador.

Em tais formulações o óleo mineral entra como o verdadeiro lubrificante e o espessador,

além de conferir a viscosidade à mistura, atua na retenção do óleo mineral.

Os aditivos atuam com a manutenção de propriedades de antioxidação, resistência a

ação da água e determinados solventes, capacidade de adesão, estabilidade da viscosidade em

função da temperatura e do movimento, resistência ao desalojamento, a resistência à extremas

pressões e outras propriedades específicas do uso e ambiente em questão

Algumas das propriedades que entram na caracterização e análise de uma graxa (e que

inclusive podem receber uma mensuração técnica específica e normalização) são: consistência,

viscosidade aparente,ponto de gota ou ponto de gotejamento, oxidação, separação do óleo,

lavagem por água, coloração.

I.3.2 – Fluido Real


A presença dos efeitos viscosos é inerente ao escoamento de fluidos reais. Os fluidos
reais não apresentam uma velocidade de deslizamento finita em relação a uma superfície sólida
ou sobre uma camada adjacente.
A viscosidade do fluido real, que determina o grau de atrito entre as camadas de fluido e
entre o fluido e a parede sólida, é responsável pela variação de velocidade (gradiente de
velocidade) entre as camadas.
Próximo a uma parede sólida estacionária, a velocidade de um fluido real cresce
gradualmente do valor zero na fronteira sólida, até um valor limite da velocidade onde os efeitos
viscosos não se fazem mais sentir. Isto é, próximo a uma fronteira sólida há a formação de uma
camada de fluidos onde efeitos os viscosos são mais acentuados. Esta camada é conhecida
como CAMADA LIMITE.

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Os fluidos reais podem ser subdivididos em duas classes principais. Fluidos Newtonianos
e não-Newtonianos.
Os fluidos Newtonianos são aqueles para os quais a viscosidade dinâmica (m) é
independente da taxa de deformação (gradiente de velocidade), isto é, a viscosidade na
expressão da lei de Newton é uma constante para cada fluido Newtoniano, a uma dada pressão
e temperatura.
Fluidos não-Newtonianos são aqueles para os quais a “viscosidade”, numa dada pressão
e temperatura, é uma função do gradiente de velocidade. Fluidos como suspensões coloidais,
emulsões e gels são incluídos nesta classificação.

I.3.3. – Fluido Ideal

Por definição, escoamento ideal ou escoamento sem atrito, é aquele no qual não
existem tensões de cisalhamento atuando no movimento do fluido.
De acordo com a lei de Newton, para um fluido em movimento esta condição é obtida
quando a viscosidade do fluido é nula: m = 0; ou quando os componentes da velocidade do
escoamento não mais exibem variações de grandeza na direção perpendicular ao componente
da velocidade considerada:
dyx/dx=0
É claro que não existem fluidos cuja viscosidade é nula, porém, a ausência de forças de
cisalhamento no movimento de um fluido simplifica enormemente o tratamento matemático.
Além disso, a informação qualitativa obtida é extremamente útil.
Um fluido que quando em escoamento satisfaz as condições acima, é chamado de fluido
ideal.

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Capítulo II – Óleos Lubrificantes

Os óleos lubrificantes, óleos de motor, ou óleos para motor, são substâncias utilizadas
para reduzir o atrito, lubrificando e aumentando a vida útil dos componentes móveis das
máquinas.
As principais características dos óleos lubrificantes são a viscosidade, o índice de
viscosidade(IV) e a densidade.

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A viscosidade mede a dificuldade com que o óleo escorre (escoa); quanto mais viscoso
for um lubrificante (mais grosso), mais difícil de escorrer, portanto será maior a sua capacidade
de manter-se entre duas peças móveis fazendo a lubrificação das mesmas.
A viscosidade dos lubrificantes não é constante, ela varia com a temperatura. Quando
esta aumenta a viscosidade diminui e o óleo escoa com mais facilidade. O Índice de Viscosidade
(IV) mede a variação da viscosidade com a temperatura. Quanto maior o IV, menor será a
variação de viscosidade do óleo lubrificante, quando submetido a diferentes valores de
temperatura
Densidade indica a massa de um certo volume de óleo a uma certa temperatura, é
importante para indicar se houve contaminação ou deterioração de um lubrificante.

II.1 - Tipos
Os óleos lubrificantes podem ser de origem animal ou vegetal (óleos graxos), derivados
de petróleo (óleos minerais) ou produzidos em laboratório (óleos sintéticos), podendo ainda ser
constituído pela mistura de dois ou mais tipos (óleos compostos).
O mineral é feito a partir do refinamento do petróleo, enquanto o sintético é criado em
laboratório a partir de diversos componentes. A diferença é que o uso do sintético pode
proporcionar aumento da vida útil do motor e maior desempenho, garantindo lubrificação
superior à dos minerais. A extensão da vida útil do motor é explicada por essa maior
lubricidade, que diminui o desgaste causado pelo atrito entre as peças, embora seja bem mais
caro. Com a diminuição do atrito, parte da energia antes dissipada sob forma de calor é
convertida em energia mecânica, contribuindo para melhorar o desempenho do motor. Já o
semi-sintético é uma mistura de lubrificante mineral com sintético, com desempenho (e preço)
intermediário entre um e outro.

II.1.1 – Tipos Básicos de Óleos Lubrificantes

- Básicos Turbina (Turbine Neutrals): Destilados parafínicos de baixa ou média viscosidade,


normalmente refinados com solventes, hidrogenados e percolados em argila. Sua principal
característica é a boa demulsibilidade.
- Básicos Neutros (Solvent Neutrals): Destilados parafínicos com viscosidade variada, refinados
com solventes e hidrogenados. Como no passado eram tratados por ácido sulfúrico e a seguir
neutralizados, continuam a ser chamados de neutros.
- Básicos Brilhantes (Bright Stocks): Residuais parafínicos, refinados com solvente e por
hidrogenação. Normalmente são desasfaltados. Apresentam coloração avermelhada.
- Básicos Cilindros (Cylinder Stocks): Residuais parafínicos, refinados com solvente e por
hidrogenação. Apresentam coloração verde ou verde acastanhado, sem brilho.
- Básicos Pálidos (Assim Treated Pales): Destilados naftênicos tratados por hidrogenação.
- Básicos Pálidos Extraídos (Extracted Pales): Destilados naftênicos extraidos por solventes e a
seguir hidrogenados.
- Básicos Pretos (Black Oils): Residuais asfálticos sem grandes tratamentos, apresentando
coloração preto brilhante.

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Cada país, de acordo com suas necessidades, conveniências e recursos, escolhe o tipo de básico
mais adequado. No Brasil são usados os seguintes tipos:
TURBINA : Leve e Pesado
NEUTROS : Leve, Médio e Pesado
BRILHANTES : Parafínico
CILINDRO : Leve e Pesado
PÁLIDOS : Leve, Médio e Pesado
PÁLIDOS EXTRAÍDOS : Leve e Médio
PRETOS : Tipo Único

Na prática, os Turbinas, Neutros, Pálidos e Pálidos Extraídos são identificados pela viscosidade
cinemática à 40 C; e os Brilhantes, Cilindros e Pretos pela viscosidade à 100 C.

II.2 – Composição

O lubrificante é composto por óleos básicos e aditivos. Sua função no motor é lubrificar,
evitar o contato entre as superfícies metálicas e arrefecer, independentemente de ser mineral
ou sintético.
A diferença está no processo de obtenção dos óleos básicos:
- Os óleos minerais são obtidos da separação de componentes do petróleo, sendo uma
mistura de vários compostos.
- Os óleos sintéticos são obtidos por reação química, havendo assim maior controle em
sua fabricação, permitindo a obtenção de vários tipos de cadeia molecular, com diferenças
características físico-químicas e por isso são produtos mais puros.
Os óleos semi-sintéticos ou de base sintética, empregam mistura em proporções
variáveis de básicos minerais e sintéticos, buscando reunir as melhores propriedades de cada
tipo, associando a otimização de custo, uma vez que as matérias-primas sintéticas possuem
custos muito elevados.

II.3 – Utilização
• Lubrificar - A função primária do lubrificante é formar uma película delgada entre duas
superfícies móveis, reduzindo o atrito e suas conseqüências, que podem levar à quebra
dos componentes.
• Refrigerar - O óleo lubrificante representa um meio de transferência de calor, "roubando"
calor gerado por contato entre superfícies em movimento relativo. Nos motores de
combustão interna, o calor é transferido para o óleo através de contatos com vários
componentes, e então, para o sistema de arrefecimento de óleo.
• Limpar e manter limpo - Em motores de combustão interna especialmente, uma das
principais funções do lubrificante é retirar as partículas resultantes do processo de
combustão e manter estas partículas em suspensão no óleo, evitando que se depositem
no fundo do cárter e provoquem incrustações.
• Proteger contra a corrosão - A corrosão e o desgaste podem resultar na remoção de
metais do motor, por isso a importância dos aditivos anticorrosivo e antidesgaste.

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• Vedação da câmara de combustão - O lubrificante ao mesmo tempo em que lubrifica e
refrigera, também age como agente de vedação, impedindo a saída de lubrificante e a
entrada de contaminantes externos ao compartimento.

II.4 – Índice de Viscosidade, Ponto de Fluidez e Ponto de Fulgor

II.4.1 – Índice de Viscosidade


Os óleos lubrificantes sofrem alterações na sua viscosidade quando sujeitos a variações
de temperatura.
Essas modificações de viscosidade, devido às temperaturas, são muito diferentes,
dependendo dos vários tipos de óleos. O índice de viscosidade (IV) é um meio convencional de
se exprimir esse grau de variação e pode ser calculado por meio de uma fórmula.
Quanto maior for o IV de um óleo, menor será sua variação de viscosidade entre duas
temperaturas
A Norma Brasileira NBR 14358 de 2005, baseada no método ASTM 2270, indica toda a
metodologia para se obter o IV de um produto, através de tabelas padronizadas que indicam os
parâmetros adotados pelo método em questão.
Para efeito de composição das tabelas para o cálculo do IV, foram tomados como
referência dois óleos básicos padrões: um proveniente da Pensilvânia e outro do Golfo do
México, aos quais foram conferidos os valores arbitrários de 0 (zero) e 100 (cem)
respectivamente para os seus IVs. A partir daí, elaborou-se uma tabela com os valores de
viscosidade a 40º C dos dois óleos básicos medidos em centistokes ou milímetro quadrado por
segundo. Para o óleo com IV=0, esses valores situam-se na coluna nomeada pela letra L e para
o óleo com IV=100 esses valores estão na coluna denominada pela letra H. A tabela
apresentada só é aplicada a produtos de petróleo com viscosidade cinemática entre 2 cSt e 70
cSt.
Se chamarmos pela letra U a viscosidade cinemática em cSt. a 40ºC do produto cujo IV
se deseja calcular, o cálculo do IV será dado pela seguinte equação:

II.4.2 – Ponto de Fluidez


O ponto de mínima fluidez (às vezes chamado apenas de ponto de fluidez), é a
temperatura em que o óleo deixa de fluir sob a força da gravidade. Usualmente ocorre a partir
dos 0°C e pode chegar a -50°C.
É uma característica associada à operação do óleo lubrificante a baixas temperaturas.
Estas baixas temperaturas são encontradas no Brasil em sistemas de refrigeração e a operação
de veículos (empilhadeiras, por exemplo) em câmaras frigoríficas.
Em outras aplicações do óleo lubrificante no Brasil, insistir num baixo ponto de mínima
fluidez é contraproducente e contribui para elevar o custo do lubrificante (óleos básicos
específicos, aditivos abaixadores de ponto de mínima fluidez).

II.4.3 – Ponto de Fulgor

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Ponto de fulgor é a menor temperatura na qual os vapores do produto inflamam-se na
presença de uma chama. Os óleos básicos não são considerados combustíveis e têm portanto
um alto ponto de fulgor. Normalmente, o ponto de fulgor é medido pelo método do vaso aberto
de Clevand (ASTM D-92).

II.5 – Sistemas de Classificação: SAE e API


Para facilitar a escolha do lubrificante correto para veículos automotivos várias são as
classificações, sendo as principais SAE e API.

II.5.1 - Classificação SAE


Estabelecida pela Sociedade dos Engenheiros Automotivos dos Estados Unidos, classifica
os óleos lubrificantes pela sua viscosidade, que é indicada por um número. Quanto maior este
número, mais viscoso é o lubrificante e são divididos em três categorias:
Óleos de verão: SAE 20, 30, 40, 50, 60;
Óleos de inverno: SAE 0W, 5W, 10W, 15W, 20W, 25W;
Óleos multiviscosos (inverno e verão): SAE 20W-40, 20W-50, 15W-50.

II.5.2 - Classificação API


Desenvolvida pelo Instituto Americano do Petróleo, também dos Estados Unidos da
América, baseia-se em níveis de desempenho dos óleos lubrificantes, isto é, no tipo de serviço
do qual a máquina estará sujeita. São classificados por duas letras, a primeira indica o tipo
de combustível do motor e a segunda o tipo de serviço.
Os óleos lubrificantes para motores a gasolina e álcool e GNV (Gás natural veicular) de 4
tempos atualmente no mercado são apresentados na tabela abaixo. O óleo SJ é superior ao SH,
isto é, o SJ passa em todos os testes que o óleo SH passa, e em outros que o SH não passa. O
Óleo SH por sua vez é superior ao SG, assim sucessivamente. Os óleos lubrificantes para
motores a gasolina 2 tempos, como os usados em motoserras, abrangem 3 níveis de
desempenho: API TA, TB e TC.
A classificação API, para motores diesel, é mais complexa que para motores
a gasolina, álcool e GNV, pois devido às evoluções que sofreu, foram acrescentados números,
para indicar o tipo de motor (2 ou 4 tempos) a que se destina o lubrificante.

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Capítulo III – Viscosímetro

A escolha do tipo de viscosímetro a ser utilizado depende do propósito da medida e do


tipo de líquido a ser investigado. O viscosímetro capilar não é adequado para líquidos não
newtonianos, pois não permite variar a tensão de cisalhamento, mas é bom para líquidos
newtonianos de baixa viscosidade. O viscosímetro rotacional é o mais indicado para estudar
líquidos não-newtonianos. O viscosímetro de orifício é indicado nas situações onde a rapidez, a
simplicidade e robustez do instrumento e a facilidade de operação são mais importantes que a
precisão e a exatidão na medida, por exemplo, nas fábricas de tinta, adesivos e óleos
lubrificantes.

III.1 – Tipos

- Viscosímetro capilar: A viscosidade é medida pela velocidade de escoamento do líquido


através de um capilar de vidro. É medido o tempo de escoamento do líquido entre duas marcas
feitas no viscosímetro.

- Viscosímetro de orifício: A viscosidade é medida pelo tempo que um volume fixo de líquido
gasta para escoar através de um orifício existente no fundo de um recipiente.

- Viscosímetro rotacional: A viscosidade é medida pela velocidade angular de uma parte


móvel separada de uma parte fixa pelo líquido. Nos viscosímetros de cilindros concêntricos, a
parte fixa é, em geral, a parede do próprio recipiente cilíndrico onde está o líquido. A parte
móvel pode ser no formato de palhetas ou um cilindro. Nos viscosímetros de cone-placa, um
cone é girado sobre o líquido colocado entre o cone e uma placa fixa

- Viscosímetro de esfera: A viscosidade é medida pela velocidade de queda de uma esfera


dentro de um líquido colocado em um tubo vertical de vidro. É medido o tempo que uma esfera
gasta para percorrer o espaço entre duas marcas feitas no viscosímetro.

III.2 – Esquema de Funcionamento

O viscosímetro de Stormer (figura 6) aqui utilizado é um viscosímetro de cilindros


concêntricos. O cilindro externo, fixo, é a parede do próprio recipiente. O cilindro interno, móvel,
tem seu eixo acoplado a uma roda dentada. Sob a ação de um peso conhecido (que fornece a
força de cisalhamento), preso ao cordão enrolado ao eixo da roda dentada, a roda gira e faz
girar também o eixo do cilindro interno.
Quanto mais viscoso o líquido, menor é a velocidade angular (taxa de cisalhamento) do
cilindro interno para um dado peso. A velocidade angular pode ser obtida medindo-se o tempo
necessário para o cilindro dar um determinado número de voltas, contadas no conta-giros do

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instrumento. Cada divisão do conta-giros corresponde a uma volta do cilindro interno. Uma volta
completa do ponteiro do conta-giros corresponde a 100 voltas do cilindro interno. O instrumento
pode ser acionado girando-se o parafuso do freio 90 graus. Girando o parafuso mais 90 graus, o
freio é novamente acionado. Não deixe o peso bater no chão.
Coloque o viscosímetro sobre uma plataforma colocada sobre a bancada, pois o cordão
que prende o peso é maior que a altura da bancada do laboratório. Para retornar o peso à
posição superior, gire a manivela da roldana no sentido anti-horário, com o freio acionado.
Nunca gire esta roldana no sentido horário com o freio acionado, pois isto força as engrenagens
do instrumento.
Para colocar o líquido dentro do copo de medida, soltar o parafuso da trava da
plataforma e abaixá-la. Retirar o copo da plataforma, colocar o líquido e recolocá-lo no mesmo
lugar. Repare se o encaixe do copo está na posição correta (marca vermelha). Colocar o líquido
no copo até a altura da barreira de metal localizada no centro do copo (veja figura 6). Com a
plataforma na posição de medida e o ponteiro do conta-giros em zero, libere o freio e acione o
cronômetro simultaneamente. Anote o tempo para dar um determinado número de voltas e
calcule a velocidade angular (em rps, rpm ou radianos por segundo). Antes de iniciar a medida,
meça a massa do peso de acionamento (a tensão de cisalhamento é proporcional a este peso).
A tensão de cisalhamento pode ser variada, variando-se a quantidade de bolinhas de chumbo
dentro do peso. O peso pode ser separado do cordão desrrosqueando-se sua tampa, que está
presa ao cordão.

III.3 – Utilização
Em Indústrias:

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- Indústria de azeites minerais (azeites, líquidos hidrocarbonos)
- Indústria alimentar (soluções de açúcar, mel, cerveja, leite, gelatina, sucos de frutas)
- Indústria química (soluções de polímeros, dissolventes, soluções de resinas, dispersões
de látex, soluções adesivas)
- Indústria Cosmética/Farmacêutica (matérias primas, glicerina, emulsiones, suspensões,
soluções, extratos)
- Indústria petrolífera (cru, azeite para máquinas, petróleo) - Combustíveis (petróleo,
azeite diesel e parafina)
- Indústria papelera (emulsões, dispersões de pigmentos, aditivos do papel)
- Pinturas e vernizes (tintas para impressão, vernizes, aquarelas, tintas)
- Detergentes
Em Laboratórios:

- Análises de produtos tais como, fluidos de freio, arrefecimento, sintéticos e outros

- Teste de cisalhamento em óleos lubrificantes automotivos


- Viscosidades cinemáticas
- Viscosidades dinâmicas à baixa temperatura

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Capítulo IV – Descrição Sumária da Experiência Laboratorial

IV.1 – Óleo Testado

O Óleo utilizado para a experiência laboratorial foi 60ml do Texaco UrsaLA3, SAE40,

APICF (motor a diesel).

O Óleo de Banho foi o Tellus68 (Ponto de Fulgor ± 300ºC).

IV.2 – Equipamentos Utilizados

Viscosímetro Saybolt Universal ASTM D-88 com o Óleo Banho Tellus68.

IV.3 – Principais passos para a realização da experiência

Primeiramente colocamos o óleo no viscosímetro que já está com o óleo de


banho em seu interior. Através de uma resistência e de um termostático, o óleo de
banho aquece o óleo de teste (em banho-maria) atingindo a temperatura determinada
pelo observador.

As temperaturas e tempos foram anotados conforme tabela abaixo:

Temperatura (em graus Celsius) Tempo (Em segundos)

60ºC 208 s

72ºC 136 s

82ºC 97 s

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Capítulo V – Gráfico V x T (Viscosidade por Temperatura)

V.1 – Memória de Cálculo

- Temperatura = 60ºC

V= 0,220 x 208 – 135 → 45,11mm2/s


208

- Temperatura = 72ºC

V= 0,220 x 136 – 135 → 28,93mm2/s


136

- Temperatura = 82ºC

V= 0,226 x 097 – 195 → 19,91mm2/s


097

V.2 – Gráfico

Em anexo – Gráfico Viscosidade por Temperatura

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Conclusões Pessoais

Após esse relatório sobre a Viscosidade e Óleos Lubrificantes, conseguimos

compreender que a função do óleo em nosso carro, não é simplesmente lubrificar o motor, mas

sim, que ele possui diversas “tarefas” e “responsabilidades” a serem cumpridas.

Logo, a tarefa de escolher o melhor e mais adequado óleo deverá passar muito distante

do fator preço, mas sim do tipo do óleo e seus benefícios para o consumidor e muito perto do

fator componentes e adequação.

Bibliografia

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Fenômenos de Transporte
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