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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

AVALIAÇÃO DA USINA HIDROELÉTRICA HENRY BORDEN


COMO SOLUÇÃO ALTERNATIVA PARA ESCASSEZ HÍDRICA
NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

CAMPINAS
2014
AVALIAÇÃO DA USINA HIDROELÉTRICA HENRY BORDEN COMO SOLUÇÃO
ALTERNATIVA PARA A ESCASSEZ HÍDRICA NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

Carlos Eduardo Lobo de Oliveira


Matheus Gregório Kaminski

Trabalho Final de Curso de Graduação em Engenharia Civil


Universidade Estadual de Campinas
Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo
Departamento de Recursos Hídricos
Prof. Dr. José Gilberto Dalfré Filho

CAMPINAS
Dezembro 2014
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL, ARQUITETURA E URBANISMO
DEPARTAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS

KAMINSKI, Matheus G., OLIVEIRA, Carlos E. L. de. Avaliação da Usina Hidroelétrica Henry
Borden como solução alternativa para a escassez hídrica na Região Metropolitana de São
Paulo. Faculdade de Engenharia Civil. Universidade Estadual de Campinas. Campinas, São Paulo,
Brasil. Dezembro 2014. 41p.
Ao nosso orientador, Prof. Dr. José Gilberto Dalfré Filho.
Aos nossos colegas Francisco Schroder e André Martim.
Aos nossos professores.
Aos nossos pais e amigos.
RESUMO

A crise hídrica que ocorre atualmente na Região Metropolitana de São Paulo foi gerada por uma série
de fatores políticos, econômicos e hidrológicos, e mostra a fragilidade do sistema de abastecimento
existente. Em busca de uma solução para a escassez e que possa prevenir o agravamento dos
conflitos pelo uso da água com os munícipios das bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e
Jundiaí, foi avaliada a utilização da usina hidroelétrica Henry Borden como uma usina hidroelétrica
reversível, o que seria uma fonte de alimentação de água para o reservatório das Pedras, com a
captação da água da região da Baixada Santista para a Região Metropolitana de São Paulo. São
apresentados o histórico da usina hidroelétrica, do seu reservatório e dos períodos hidrológicos da
região, as necessidades para a implementação da proposta de projeto, como a instalação de turbo-
bombas e a dessalinização da água que será captada, bem como discutidos alguns dos possíveis
impactos socioambientais gerados pelo projeto.

Palavras-chave: escassez hídrica, abastecimento de água, bombas hidráulicas.


ABSTRACT

The water crisis that currently takes place in the Metropolitan Region of Sao Paulo was generated by
a series of political, economic and hydrological factors, and it shows the fragility of the existing water
supply system. Searching for a solution to the shortage that can prevent the escalation of the conflicts
over water use in the towns located in the Piracicaba, Capivari and Jundiai river basins, the use of the
Henry Borden hydroelectric plant as a reversible hydroelectric plant was assessed, so that would be a
source of water supply to the Pedras reservoir with uptake of water from Santos Region for the
Metropolitan Region of Sao Paulo. The history of the hydroelectric plant, its reservoir and hydrological
periods of the region, the needs for the implementation of the proposed project, such as the
installation of pumps and water desalination, and some of the possible social and environmental
impacts generated by the project are presented and discussed.

Keywords: water scarcity, water supply, pumps.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AIA – Avaliação de Impacto Ambiental

ANA – Agência Nacional de Águas

CBH AT – Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê

CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente

DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica

EMAE – Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INMET – Instituto Nacional de Meteorologia

MMA – Ministério do Meio Ambiente

OD – Oxigênio dissolvido

ONG – Organização Não-Governamental

UHE – Usina Hidroelétrica

UHR – Usina Hidroelétrica Reversível

RMSP – Região Metropolitana de São Paulo

SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo S.A.

SAM – Sistema Adutor Metropolitano


LISTA DE SÍMBOLOS

HP – horse power; 745,7x10-6 MW

m – metro

m.c.a. – metro de coluna d’água

MW – megawatts

m³/s – metros cúbicos por segundo

Pa – Pascal
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Volumes típicos de uma barragem ...................................................................................... 12

Figura 2 – Mapa da RMSP com os munícipios agrupados nas sub-regiões ....................................... 13

Figura 3 – Esquema do Sistema Alto Tietê ........................................................................................... 14

Figura 4 – Esquema do Sistema Cantareira ......................................................................................... 14

Figura 5 – Mapa da relação demanda/disponibilidade de água nos cursos d’água da Bacia


Hidrográfica do Paraná .......................................................................................................................... 16

Figura 6 – Régua de nível da água no reservatório Jaguari ................................................................. 16

Figura 7 – Funcionário da SABESP caminha no reservatório Jaguari quase vazio ............................ 17

Figura 8 – Esquema do trajeto das águas entre o rio Tietê e a UHE Henry Borden ........................... 18

Figura 9 – Foto da UHE Henry Borden ................................................................................................ 19

Figura 10 – Corte esquemático da UHE Henry Borden ....................................................................... 19

Figura 11 – Representação do funcionamento de uma UHR ............................................................... 23

Figura 12 – Representação esquemática de turbinas reversíveis ........................................................ 24

Figura 13 – Gráfico: delimitação da faixa de trabalho de turbo-bombas .............................................. 24

Figura 14 – Vista aérea da UHR Okinawa, Japão ................................................................................ 25

Figura 15 – Usina de Dessalinização de Água Ashkelon, Israel ........................................................... 27

Figura 16 – Comparativo de custos de produção de usinas de dessalinização .................................. 28

Figura 17 – Nível de qualidade das águas superficiais da RMSP ....................................................... 29

Figura 18 – Gráfico: relação entre a solubilidade do oxigênio na água e a temperatura da água ....... 31

Figura 19 – Croqui do layout de implantação do projeto ....................................................................... 37


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Necessidades de tratamento para classes de águas doces e salinas ............................... 29


SUMÁRIO

Agradecimentos

Resumo

Abstract

Lista de Abreviações e Siglas

Lista de Símbolos

Lista de Figuras

Lista de Tabelas

1. Introdução ....................................................................................................................................... 11

2. Região Metropolitana de São Paulo e sua Disponibilidade Hídrica ............................................... 13

3. O Projeto da Serra e a Usina Hidrelétrica Henry Borden ............................................................... 18

4. Represa Billings e seu Potencial para Abastecimento de Água ..................................................... 21

5. Usinas Hidroelétricas Reversíveis .................................................................................................. 23

6. Dessalinização ................................................................................................................................ 27

7. Padrões de Qualidade de Água para Abastecimento ..................................................................... 29

8. Impactos Socioambientais .............................................................................................................. 31

9. Materiais e Métodos ........................................................................................................................ 33

10. Conclusão ....................................................................................................................................... 39

11. Bibliografia....................................................................................................................................... 40
11

1. INTRODUÇÃO

Apesar de deter grande porção da água doce disponível no mundo, o Brasil enfrenta grandes
problemas relacionados aos recursos hídricos, quer sejam inundações e enchentes, quer seja
escassez. A distribuição populacional do país não segue a distribuição de disponibilidade de água
para abastecimento. A região sudeste concentra a maior parcela da população, mas não possui água
suficiente para abastecê-la, principalmente pela sua baixa qualidade. E atualmente, devido a
condições hidrológicas adversas e fatores políticos e econômicos, enfrenta uma das maiores crises
hídricas ocasionada por um dos maiores períodos de seca da história.

Ao longo dos últimos dois anos era possível perceber as alterações no clima e o início do que viria a
se tornar escassez, mas apenas nos primeiros meses deste ano, quando as consequências da falta
de água começaram a se tornar evidentes, o debate sobre o assunto começou.

Momentos de crise requerem soluções imediatas para o problema enfrentado. Mas como propor uma
solução em curto prazo que não existe? O racionamento e o cancelamento de outorgas de captação
de água são soluções que têm impacto significante em épocas de escassez hídrica. Porém, a
primeira requer a conscientização da população para a importância da economia de água e a
segunda causa prejuízos econômicos enormes, tanto para atividades em que o uso da água é não-
consuntivo, como a navegação e a geração de energia elétrica, como para atividades consuntivas,
principalmente o setor industrial, primeiro a ter a permissão para captação de água interrompida, uma
vez que a prioridade para o abastecimento é o consumo humano.

Já as obras necessárias para enfrentar um período de escassez hídrica têm grande porte, longo
prazo de execução, e exigem planejamento prévio e estudos bastante detalhados, além de
demandarem muitos recursos financeiros. Em alguns casos surgem até mesmo conflitos entre bacias
hidrográficas, como ocorrido com a bacia do Rio Paraíba do Sul, do qual planejava-se retirar
aproximadamente 5m³/s para ajudar o abastecimento da RMSP, mas que não foi executado pela falta
de acordo entre os governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Uma vez que consumimos a última gota d’água do volume útil do sistema de reservatórios que
abastece a RMSP, a solução emergencial adotada pelo Governo do Estado de São Paulo foi a
captação da água do volume morto, que normalmente não é aproveitada para geração de energia por
estar abaixo da cota necessária para o bom funcionamento das tomadas d’água nem para outros fins,
uma vez que possui maior concentração de sedimentos e outros resíduos, necessitando melhor
tratamento antes de ser distribuída para quaisquer que sejam as atividades que a utilizarão.
12

Figura 1: volumes típicos de uma barragem. Fonte: Blog CSANTAROSA disponível em


<http://csantarosa.blogspot.com.br/2014_07_01_archive.html>
São diversas as outras sugestões de projetos e soluções que surgem até mesmo de pessoas que
não possuem conhecimento técnico algum e que soam como piada, como a construção de um
aqueduto que ligaria a região amazônica e a RMSP, técnica e financeiramente inviável. Outras
opções são mais plausíveis, como a construção de novos reservatórios, a exploração de águas
subterrâneas ou a interligação do sistema que abastece a RMSP com outras bacias hidrográficas
próximas. Ou ainda, a reversão da UHE Henry Borden, possível com a substituição de turbinas por
turbo-bombas ou com a construção de uma casa de bombas.

Dado o cenário de escassez hídrica no estado de São Paulo e o esgotamento das atuais fontes de
água disponíveis, torna-se crucial a busca por fontes alternativas de água que hoje não são
exploradas. Uma possível fonte seria a represa Billings, localizada próxima a Serra do Mar e cuja
adução de água poderia vir da Usina Hidrelétrica Henry Borden, atuando como uma usina reversível.

Este projeto teria uma série de desafios, como a reversibilidade das turbinas da usina, o
comportamento das estruturas e equipamentos hidráulicos diante da água salobra retirada do mar, a
dessalinização dessa água para consumo humano, bem como o tratamento da água da represa
Billings que hoje se encontra poluída devido a vários anos de reversão do rio Pinheiros para este
reservatório e os impactos ambientais que tal empreendimento traria. Ao longo deste trabalho, todos
estes desafios para tornar um empreendimento deste porte viável serão analisados, bem como quais
soluções poderiam ser tomadas para torná-lo possível.

A UHE Henry Borden conta com parte dos grupos geradores instalados em uma parte subterrânea da
usina, favorecendo a instalação de turbinas-bomba, que operam melhor em situação “afogada”, ou
seja, abaixo do nível d’água. Mas a água a ser bombeada para o reservatório do Rio das Pedras e,
posteriormente, para a represa Billings deve receber tratamento adequado para remoção dos sais –
dessalinização, uma vez que será retirada do mar e a contaminação dos reservatórios de água doce
por água salina ou salobra, além de causar mais problemas, inclusive ambientais graves, acentuaria
a crise hídrica vivida atual.
13

2. REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO E SUA DISPONIBILIDADE HÍDRICA

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) foi criada em 1973, pela Lei complementar número 14,
de 08 de junho de 1973 e contava, na época com 37 municípios, atualmente, é formada por 39
municípios. Sua população é de aproximadamente 19 822 572 habitantes. (IBGE, 2012)

Figura 2: mapa da RMSP com os municípios agrupados nas sub-regiões. Fonte: Vento na Cara disponível em <
https://ventonacara.wordpress.com/2009/11/27/regiao-metropolitana/>
Na RMSP, a malha hídrica responde essencialmente pelo fluxo da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.
Esta drena 70,17% da região metropolitana, possui uma área de drenagem de 5888 quilômetros
quadrados e é integrada por 34 dos 39 municípios da Grande São Paulo, sendo que apenas 5% da
área da bacia estão fora da RMSP (CBH-AT, 2014). Nesta bacia estão localizadas grandes represas,
construídas com as mais diferentes finalidades - geração de energia hidroelétrica, abastecimento de
água, regularização de vazão, dentre as quais se destacam a Guarapiranga, a Billings, a Taiaçupeba,
a Jundiaí, a Ponte Nova, a Biritiba e a Paraitinga.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê CBH-AT, segundo seu estatuto aprovado em 9/11/94,
foi dividido em 5 sub-regiões, agrupando municípios em sub-bacias, como, sub-região Juqueri –
Cantareira, sub-região do Alto Tietê – Cabaceiras, Sub-região Cotia – Guarapiranga, Sub-região
Billings – Tamanduateí e sub-região Pinheiros – Pirapora. Cada uma dessas sub-regiões deu origem
a um subcomitê de bacias, com organização similar aos comitês, com gestão descentralizada e
submetida ao CBH-AT.

Sendo responsável pelos serviços de água e esgoto em 368 das 645 cidades paulistas, a SABESP
constitui peça-chave para o fornecimento de água para a região metropolitana. Com exceção de
algumas autarquias municipais, a RMSP é em larga escala atendida por esta companhia. Através de
interligações dos diversos reservatórios que abastecem a região metropolitana (todos monitorados
pela
14

SABESP), o desenho final é o Sistema Adutor Metropolitano – SAM. O SAM equaliza o fornecimento
para todas as cidades conectadas aos sistemas produtores de água voltados para o abastecimento
da Grande São Paulo (WALDMAN, 2005).

O suprimento de água potável para a Região Metropolitana de São Paulo é efetuado pelo Sistema
Integrado de Abastecimento de Água, composto por seis sistemas produtores de água, os quais
utilizam basicamente, mananciais de superfície. São estes produtores: o sistema Cantareira; o
sistema Guarapiranga; o sistema Rio Claro e Ribeirão da Estiva; o Sistema Alto Tietê; Sistema Rio
Grande (Billings); e por fim, o sistema Cotia.

Figura 3: esquema do Sistema Alto Tietê. Fonte: Slide Player disponível em < http://slideplayer.com.br/slide/397065/>

Figura 4: esquema do Sistema Cantareira. Fonte: Folha de São Paulo disponível em <
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/02/1411488-sistema-cantareira-opera-com-volume-abaixo-do-limite-
critico.shtml>
15

Não é a primeira vez que a RMSP sofre com a falta de água. O sistema de abastecimento, operado
pela SABESP, já sofreu as consequências da seca em 1985, quando era responsável por levar água
potável a mais de 12 milhões de pessoas. A produção de água para atender a região era de
aproximadamente 40m³/s, dos quais 22m³/s eram retirados do Sistema Cantareira. (ARAÚJO, 1986)
Comparativamente, em 1964, o sistema Cantareira produzia, em média, apenas 0,224m³/s,
aproximadamente 1% da produção de 1986 e 0,7% da produção atual de 33m³/s. (PONTES, 1965)

O ano de 1985 não foi previsto como um período de abundância de chuvas e a estiagem que ocorreu
naquele ano trouxe imensos prejuízos: quebras de safras agrícolas, racionamento de água e energia
elétrica etc. Porém, a falta de chuvas atingiu de forma diferenciada os diversos mananciais, afetando
com mais intensidade a bacia hidrográfica do reservatório Guarapiranga, responsável por 25%do
abastecimento de água da RMSP. Foram quebrados recordes históricos de vazões médias mínimas
afluentes ao reservatório. Somou-se ainda o aumento do consumo devido às altas temperaturas e
baixa umidade relativa do ar, agravando a crise e fazendo com que o volume de água acumulado no
reservatório diminuísse a cada dia. (ARAÚJO, 1986)

A crise atual de abastecimento em São Paulo tem origem na falta de água nas cabeceiras dos rios
que abastecem o sistema Cantareira. Todo o sistema depende das chuvas do verão. Em anos
normais, nos meses secos e frios, de junho a agosto, a precipitação é de menos de 150 milímetros.
Isso é, normalmente, compensado no primeiro trimestre, que soma cerca de 600 milímetros. Desde o
ano passado, as chuvas não vêm no volume esperado. “A maioria dos meses de 2013 já havia
registrado níveis de pluviosidade abaixo da média dos últimos 30 anos”, afirmou o meteorologista
Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET em entrevista à revista ÉPOCA
(2014). “A situação ficou pior a partir de outubro e novembro. Foi um clima anômalo em todo o
Sudeste, não apenas na Cantareira”.

Nos três primeiros meses de 2014, em vez dos esperados 600 milímetros, caíram menos de 300
milímetros. Como medida de emergência, a Sabesp começou a explorar o volume morto do sistema
Cantareira do dia 15 de maio de 2014 com o auxílio de 17 bombas flutuantes. A quantidade de água
retirada dos reservatórios do Sistema Cantareira caiu de 31m 3/s, antes da crise, para 23m 3/s, em
maio. Logo após o acréscimo do volume morto, o nível do Sistema Cantareira subiu para um nível de
26,7%, mas havia caído 7 pontos percentuais 50 dias após o início da adução do volume morto.

Pode-se dizer que, devido a todos os fatores e características da região já mencionados (aglomerado
urbano com alta densidade demográfica, baixa qualidade da água, localização em região de
cabeceira etc.), a quantidade de água disponível por habitante por ano na região é próxima daquela
disponível aos habitantes da região nordeste. (LOMBA, 2011)

Os mapas a seguir mostram com maior clareza a situação que está sendo vivida pelos paulistas.
(BRASIL, 2005)
16

Figura 5: mapa da relação demanda/disponibilidade de água nos cursos d'água da Bacia Hidrográfica do Paraná. Fonte:
ANA – Cadernos de Recursos Hídricos – Disponibilidade e demandas de recursos hídricos no Brasil.
A cor vermelha escura indica demanda correspondente a 40% da disponibilidade de água,
caracterizando a situação como “muito crítica”, a mesma presenciada na RMSP, destacada no mapa
pela cor rosa. Contudo, há quase 10 anos, se a situação já podia ser considerada a pior dentro da
classificação proposta, atualmente, a região vive condições que não eram imaginadas porque os
reservatórios que permitem o abastecimento de água estão quase secos, como mostram as fotos
abaixo.

Figura 6: régua de nível da água no reservatório Jaguari. Fonte: Veja, Abril disponível em
<http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-ameaca-de-faltar-agua-em-sp-durante-a-copa>
17

Figura 7: funcionário da SABESP caminho no reservatório Jaguari quase vazio. Fonte: Veja, Abril disponível em
<http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-ameaca-de-faltar-agua-em-sp-durante-a-copa>
18

3. O PROJETO DA SERRA E A USINA HIDROELÉTRICA HENRY BORDEN

A Usina Hidrelétrica Henry Borden foi inaugurada em 1926 como a principal obra do Projeto da Serra,
um grande investimento realizado pela The São Paulo Tramway, Light and Power Company Limited
para a produção de energia elétrica, em resposta à crescente demanda por energia no estado
ocasionada pelos processos de urbanização e industrialização e também aos imprevistos hidrológicos
que pudessem ocasionar outra seca como a ocorrida em 1924.

As principais instalações do Projeto da Serra foram as barragens no rio Tietê, a retificação do rio
Pinheiros e as usinas elevatórias construídas no canal, o reservatório Billings e a usina hidrelétrica
Henry Borden. (GARCIA, 2009)

A cidade de Cubatão, localizada no pé da Serra do Mar, foi escolhida para a construção da usina,
pois está situada entre a capital do estado e a cidade de Santos, que possui o maior porto da América
Latina, próxima a estrada de ferro que ligava as cidades de Santos e Jundiaí e ainda poderia ser
aproveitado o desnível de mais de 700 metros entre o topo da serra e o nível do mar. Portanto, local
bastante adequado tecnicamente.

Contudo, grandes obras foram necessárias para que a vazão de água necessária para movimentar as
turbinas da usina fosse suficiente. Foram construídos os reservatórios das Pedras, Rio Grande e
Billings e, inicialmente, foi também necessária a reversão do rio Pinheiros.

Figura 8: esquema do trajeto das águas entre o rio Tietê e a UHE Henry Borden. Fonte: Jornal Eletrônico Novo Milênio
disponível em <http://www.novomilenio.inf.br/cubatao/ch007a.htm>
A UHE Henry Borden tem capacidade de geração instalada de 889MW em 14 grupos geradores
acionados por turbinas tipo Pelton e vazão de 157,3 m³/s. Os 14 grupos geradores estão divididos em
Usina Externa e Usina Subterrânea. (JÚNIOR, 2013)
19

Figura 9: foto da UHE Henry Borden. Fonte: Panoramio, Google Mapas disponível em
<http://www.panoramio.com/photo/31432087>
A Usina Externa tem 8 grupos geradores e potência instalada de 469MW. Já a Usina Subterrânea,
concluída em 1955, conta com os outros 6 grupos geradores e potência instalada de 420MW. Cada
gerador é movido por duas turbinas tipo Pelton, acionadas pelas águas conduzidas do Reservatório
do Rio das Pedras que atingem a Casa de Válvulas onde, após passarem por duas válvulas
borboletas através de condutos forçados, descem a encosta atingindo as suas respectivas turbinas,
perfazendo uma distância de aproximadamente 1500m (EMAE, 2014)

Figura 10: corte esquemático da UHE Henry Borden. Fonte: Jornal Eletrônico Novo Milênio disponível em
<http://www.novomilenio.inf.br/cubatao/ch007a.htm>
20

A Usina subterrânea é composta de seis grupos geradores, instalados no interior do maciço rochoso
da Serra do Mar, em uma caverna de 120 m de comprimento, 21 m de largura e 39 m de altura, cuja
capacidade instalada é de 420MW (EMAE, 2014). O primeiro grupo gerador entrou em operação em
1956. Cada gerador é movido por uma turbina do tipo Pelton acionada por quatro jatos d'água. Água
que desce a Serra do Mar por 1500 metros de túneis escavados na rocha, com 4 metros de diâmetro
e revestidos em tubos aço com diâmetro de 3,25 metros. Devido à alta pressão, o vazio entre o aço e
a rocha foi preenchido com concreto. (MARTINS, 1956)

A Usina Subterrânea foi construída devido às vantagens técnico-econômicas apresentadas na época


e, hoje, possui maior potencial para a instalação de turbinas reversíveis ou casa de bombas.
21

4. REPRESA BILLINGS E SEU POTENCIAL PARA ABASTECIMENTO DE ÁGUA

A represa Billings foi criada para gerar energia elétrica para a cidade de São Paulo, por meio da usina
Henry Borden, localizada em Cubatão. O projeto da represa é de autoria do engenheiro
estadunidense Asa White Kenney Billings (daí o seu nome), funcionário da empresa Light (The São
Paulo Tramway, Light and Power Company, Limited). O engenheiro Billings propôs o barramento do
rio Grande (ou Jurubatuba), nas proximidades do bairro Pedreira, em Santo Amaro, para formação de
um reservatório e, posteriormente, o desvio das águas desse para o rio das Pedras. Em seguida a
água assim desviada seria lançada em um túnel escavado na serra do Mar para movimentar as
turbinas de uma usina hidrelétrica a ser construída ao pé da serra, em Cubatão. Por fim, após passar
pela usina, a água seria despejada no rio Cubatão e seguiria em direção ao mar (SANTOS, 2002)

A construção do maior reservatório de água da RMSP teve início em 1925 e término em 1927,
quando se iniciou o enchimento do reservatório. Na década de 1940 teve início o desvio de parte das
águas do rio Tietê para a represa, aumentando-se assim sua vazão, o que possibilitou a ampliação
da capacidade de geração de energia elétrica. O desvio das águas foi possível revertendo-se o curso
natural do rio Pinheiros por meio da construção de duas usinas elevatórias, Pedreira e Traição,
situadas no leito do próprio rio.

O crescimento populacional da RMSP obrigou o Poder Público a buscar alternativas para atender à
crescente demanda por água. A dificuldade para viabilizar novos locais onde a água pudesse ser
armazenada, captada, transportada, tratada e oferecida à população obrigou ao uso múltiplo das
águas, como é o caso da represa Billings.

Posteriormente, com a reversão das águas do rio Pinheiros, constatou-se sua utilidade no controle de
enchentes e afastamento de efluentes industriais e domésticos da cidade de São Paulo, despejados
no rio Tietê.

A cidade crescia rapidamente e a falta de investimentos em sistemas de coleta e tratamento de


esgotos ocasionou aumento da poluição do rio Tietê e de seus afluentes. Com o passar do tempo o
bombeamento das águas poluídas dos rios Tietê e Pinheiros passou a comprometer a qualidade da
água da represa, também utilizada para abastecer a população.

Depois que os níveis de poluição passaram a ser alarmantes, militantes de ONGs ambientalistas,
com a adesão de alguns setores políticos do grande ABC conseguiram, por vias legais, interromper o
bombeamento das águas do rio Pinheiros, que praticamente já haviam se tornado esgoto. Uma vez
que as providências para tratamento das águas do rio Pinheiros não foram adotadas conforme
determinação legal, ficou decidido, em consonância com os termos estabelecidos na Constituição
Estadual, em outubro de 1992, através da Resolução Conjunta entre a Secretaria Estadual de Meio
Ambiente e a Secretaria Estadual de Energia e Saneamento que, segundo o artigo 1º, “fica suspenso,
22

por tempo indeterminado, o bombeamento das águas do rio Pinheiros para a represa Billings” (SÃO
PAULO, 1992). Essa determinação reduziu a operação da Usina Henry Borden para
aproximadamente 75% de sua capacidade de produção de energia (VICTORINO, 2002).

O texto normativo, definido em 1992, tem como premissa a aceitação de que o reservatório Billings,
embora comporte multiplicidade de usos, está prioritariamente vocacionado para o abastecimento
público de água, pela sua capacidade, vazão, altitude e proximidade dos centros consumidores.

Nos, últimos anos os esforços integrados dos órgãos públicos envolvidos com a questão vêm
convergindo para a priorização do uso do reservatório para o abastecimento humano, admitindo-se,
entretanto, um enfoque de conciliação com os demais usos preconizados para o recurso hídrico,
tendendo assim, a se adotar como critério de gestão a multiplicidade harmônica de usos para o
reservatório Billings. (ALMEIDA,2010)

Nessa perspectiva, uma possível modernização do sistema hidromecânico da Usina Henry Borden
não surtiria grandes efeitos para o sistema elétrico nacional comparado a recuperação do aporte
hídrico necessário para que seja contemplado o funcionamento ótimo da usina. Assim, tendo em vista
o atual cenário da escassez hídrica na Região Metropolitana de São Paulo, torna-se completamente
plausível, o uso da represa Billings para abastecimento público de água e no uso das turbinas da
Usina Henry Bordem para adução de água na represa. Essa medida não comprometeria o
abastecimento energético da região, tendo em vista que o sistema interligado nacional trataria de
disponibilizar energia elétrica proveniente de outras fontes geradoras e evitaria o racionamento de
água na capital paulista, que depende em grande parte do sistema Cantareira, que hoje encontra-se
quase esgotado.
23

5. USINAS HIDROELÉTRICAS REVERSÍVEIS

As usinas hidrelétricas reversíveis foram concebidas inicialmente para compensar variações de


demanda por energia elétrica, dando mais estabilidade às redes de distribuição.

Uma UHR possui basicamente o mesmo arranjo que uma UHE, as principais diferenças são o tipo de
turbina hidráulica e a existência de um reservatório inferior, localizado a jusante do barramento. Seu
funcionamento pode ser observado na figura 10, abaixo:

Figura 11: representação do funcionamento de uma UHR. Fonte: VOITH disponível em


<http://www.voith.com/br/mercados-e-setores-de-negocios/energia-hidreletrica/usinas-hidreletricas-reversiveis-541.html>

 Geração de energia / operação da turbina


A usina funciona como uma UHE comum; a água do reservatório de montante entra pelas
tomadas d’água e é levada por condutos forçados até a turbina, movimentando-a e gerando
eletricidade, que é enviada para a rede de transmissão.

 Armazenamento de energia / operação de bombeamento


A usina funciona em sentido inverso ao de uma UHE comum; a turbina-bomba passa a
operar em rotação inversa, levando água do reservatório inferior para o superior,
“acumulando” energia para ser utilizada nos horários de pico, ou enchendo o reservatório,
permitindo o abastecimento.

A turbina utilizada pode ser diferenciada de uma turbina comum pelo seu funcionamento: operando
em modo oposto, passa a atuar como o rotor de uma bomba, podendo até mesmo ser composta por
um único ou mais rotores em série, devendo ser escolhida por meio da análise de dados técnicos,
como a vazão de bombeamento e o tamanho do desnível que se quer vencer.
24

Figura 12: representação esquemática de turbinas reversíveis. Fonte: ALSTOM disponível em


<http://www.alstom.com/press-centre/2014/3/alstom-supplies-generators-for-pumped-storage-power-station-
obervermuntwerk-ii-in-austria-/> e VOITH disponível em <http://voith.com/br/produtos-e-servicos/energia-
hidreletrica/turbinas/turbinas-bombas-564.html>
Uma das vantagens de sua utilização é a capacidade que têm de produção de energia, semelhante
ou superior à capacidade dos demais tipos de turbinas (Francis, Kaplan e Pelton).

Figura 13: delimitação da faixa de trabalho de turbo-bombas. Fonte: VOITH disponível em <http://voith.com/br/produtos-e-
servicos/energia-hidreletrica/turbinas/turbinas-bombas-564.html>
Mas pode-se optar por um arranjo em que existam máquinas separadas: turbinas para a geração de
energia e bombas para o recalque de água, denominado sistema ternário. Tal arranjo pode requerer
mais espaço físico, uma vez que é necessária a construção de uma “casa de turbinas” e uma “casa
de bombas”, tubulações separadas, além de todas as demais estruturas e equipamentos acessórios
necessários a cada uma. (VOITH)

A utilização desse tipo de usina ocorre com menor frequência quando o objetivo é o abastecimento
de água; e menor ainda quando o reservatório inferior é o mar, pois há dificuldades técnicas em
25

relação ao grupo turbina-bomba ou apenas às bombas, devido à água salinas, ou empecilhos


financeiros para o tratamento dessa água, que consiste basicamente no processo de dessalinização,
que requer tecnologias avançadas e de alto custo.

A única usina hidroelétrica reversível no mundo cujo reservatório inferior é um mar é a usina Okinawa,
localizada na província de mesmo nome, ao sul do Japão. A usina tem função única e exclusiva de
equilibrar o sistema elétrico, fornecendo energia em horários de pico e consumindo em horários de
baixa demanda. A água recalcada para o reservatório superior não recebe qualquer tipo de
tratamento, pois não é utilizada para nenhum outro fim e aquele foi construído especialmente para
acumulação da água do mar, sem afetar o meio onde está inserido.

Figura 14: vista aérea da UHR Okinawa, Japão. Fonte: WorldWatch Institute disponível em
<http://blogs.worldwatch.org/revolt/pump-up-that-seawater-a-remix-to-pumped-storage-hydro/>
A usina foi inaugurada em março de 1999, com uma potência instalada de 30 MW, com uma
diferença de cota entre o reservatório e o oceano de 152 metros e vazão máxima de 26 m³/s (The
International Water Power and Dam Construction, 2000). Antes de sua construção, um estudo da
planta de seis anos foi iniciado em 1981. Foram feitos estudos analíticos, experimentos e simulações
de computador abordando problemas potenciais dentro de um ambiente de água salgada e como
elas podem afetar estruturas civis e equipamentos elétricos e considerações ambientais.

Inicialmente, a construção foi concebida como um projeto de demonstração que, uma vez em
funcionamento, entrou em um período de testes de cinco anos. As principais áreas analisadas foram:

 Infiltração e dispersão da água do mar armazenada no reservatório de terra;


26

 Corrosão provocada pela água do mar nos equipamentos da usina


 Fixação de criaturas marinhas nos equipamentos e estruturas hidráulicas;
 Operação de uma usina de armazenamento bombeado em diversas condições de mar.

Diversas soluções inovadoras foram adotadas, como revestir a superfície do reservatório com uma
folha de borracha sintética para evitar que a água do mar infiltrasse no reservatório de terra, além de
plástico de fibra reforçada (FRP-M) que foram utilizados na fabricação dos penstocks para evitar
corrosão provocada pela água do mar e a adesão de animais marinhos nos tubos. Foi utilizado
também aço inoxidável austenítico foi para os corredores da turbina da bomba de palhetas guia para
evitar a corrosão. (Electric Power Development Company, 1999).

Atualmente, a usina está em operação e é a prova definitiva que a utilização de água do mar é
possível em usinas reversíveis, desde que um estudo seja feito para determinar as condições e
materiais a serem utilizados, além de um correto monitoramento e controle das estruturas e
equipamento hidráulicos a fim de evitar problemas na operação da usina.
27

6. DESSALINIZAÇÃO

Segundo a Resolução CONAMA nº 357/2005, águas doces possuem salinidade igual ou inferior a
0,5‰. Já as águas salinas são aquelas caracterizadas por sua elevada salinidade, superior a 30‰.
Portanto, para que águas com elevadas concentrações de sais possam ser utilizadas para o
abastecimento para consumo humano é necessária a remoção dos sais e posterior tratamento para
adequação aos padrões de qualidade mínimos exigidos.

Alguns locais do mundo já utilizam a dessalinização como parte do processo de tratamento da água
para fins de abastecimento para consumo humano. Um exemplo é Israel, onde está localizada uma
das maiores usinas de dessalinização de água do mundo, a Usina Ashkelon.

Figura 15: Usina de Dessalinização de Água Ashkelon, Israel. Fonte: ISTOÉ disponível em
<http://www.istoe.com.br/reportagens/137099_AS+LICOES+DE+ISRAEL>
A Usina de Dessalinização de Ashkelon, comissionada em 2005, utiliza o método de osmose reversa
para a remoção dos sais da água captada do mar e tem capacidade de produção de cerca de
348.000 m³/dia de água potável, que atende a todos os padrões de qualidade do país, fixados pela
Administração de Dessalinização de Água Israelense (TAUB). Além da elevada capacidade de
produção e excelente qualidade da água, a usina consegue atingir valores excepcionais no custo de
produção.
28

Figura 16: comparativo de custos de produção de usinas de dessalinização (Tenne, 2010).


O gráfico acima mostra o comparativo de custo, em dólares americanos, de produção de um metro
cúbico de água dessalinizada em diversos países. Entre colchetes estão os volumes de produção
anuais das usinas, em milhões de metros cúbicos. A primeira barra branca é referente a Usina
Ashkelon: a quarta maior em capacidade de produção (108 milhões de metros cúbicos por ano,
aproximadamente) e a que possui menor custo de produção, pouco maior que US$0,50/m³. (TENNE,
2010)

Em comparação, o custo de um metro cúbico de água dessalinizada no estado do Ceará, no Brasil,


que tem um programa de dessalinização de água de poços profundos, também utilizando o processo
de osmose reversa, é de R$5,80, aproximadamente US$2,40, quase cinco vezes maior que o custo
israelense. (JÚNIOR, 2005)
29

7. PADRÕES DE QUALIDADE DA ÁGUA PARA ABASTECIMENTO

No Brasil, as definições dos padrões de qualidade da água que podem ser utilizados para cada tipo
de atividade são descritos pelas Resoluções nº 357/2005 e 396/2008 do CONAMA.

A tabela a seguir resume a classificação das águas e o tipo de tratamento que devem receber para
serem destinadas ao abastecimento para consumo humano.
Tabela 1: Necessidades de tratamento para classes de águas doces e salinas
CLASSE ÁGUAS DOCES ÁGUAS SALINAS
Especial Desinfecção -
1 Tratamento simplificado -
2 Tratamento convencional -
3 Tratamento convencional ou avançado -
4 - Não existe tal classificação

O CONAMA não define qualquer tipo de tratamento para águas salinas que permitam o seu uso
posteriormente. Mas já são conhecidas técnicas de dessalinização e mineralização da água salobra
ou salina que permitem que ela seja utilizada, seja na agricultura, indústria ou para abastecimento da
população.

Mas outro problema é a qualidade da água doce superficial disponível para a RMSP, de baixa
qualidade devido a poluição e contaminação, como mostra o mapa da Figura 17.

Figura 17: nível de qualidade das águas superficiais da RMSP. Fonte: Fundação Instituto de Administração disponível em
<http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/qualidade_agua.htm>
30

Observa-se pela Figura 17, que as águas superficiais da RMSP só possuem boa qualidade quando
próximas aos reservatórios. Já nos demais trechos de rios, os quais recebem os efluentes domésticos
e industriais das cidades próximas, a qualidade da água é pior, sendo classificada em grandes
trechos como “ruim” e “péssima”. Mesmo assim, o reservatório Billings possui uma alta carga de
contaminantes, tanto na água como nos sedimentos do leito, acumulados durante o período em que
ocorria a reversão do rio Pinheiros, no qual eram despejados os efluentes domésticos e industriais da
cidade de São Paulo e região. (ALMEIDA, 2005)

Portanto, a crise hídrica que acontece hoje na RMSP devido à baixa oferta de água, disponível em
pouca quantidade, é acentuada pela baixa qualidade da mesma, fazendo com que sejam necessários
investimentos no tratamento com utilização de métodos mais avançados, uma vez que a baixa
quantidade piora ainda mais a qualidade. Esse é o caso da água que está sendo retirada do volume
morto, que possui alta concentração de sedimentos e resíduos que devem ser removidos para que
essa água se torne potável e possa ser utilizada para o abastecimento da população.
31

8. IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS

A modificação do funcionamento da usina em estudo, que passará a funcionar também como uma
estação elevatória, gera impactos ambientais que devem ser analisados, pois afetam direta ou
indiretamente a fauna e flora da região, além de todos os usuários do sistema de abastecimento. Por
isso, deve ser realizado um estudo ou uma avaliação dos impactos ambientais – AIA – que serão
gerados pela implantação do novo sistema.

Os impactos socioambientais considerados mais significativos para o projeto foram enumerados e


brevemente elucidados a seguir.

8.1. Aquecimento da água devido ao bombeamento (atrito com a tubulação de recalque) ou


poluição térmica

A alteração da temperatura da água altera significativamente suas características e também a vida


aquática. A principal consequência desse tipo de poluição é a diminuição da quantidade de oxigênio
dissolvido (OD) na água.

Figura 18: relação entre a solubilidade do oxigênio na água e a temperatura da água. Fonte: Química Nova Interativa,
Sociedade Brasileira de Química disponível em <http://qnint.sbq.org.br/qni/visualizarTema.php?idTema=20>

A temperatura, além da altitude e salinidade, é o principal fator de controle da solubilidade de


oxigênio na água. O oxigênio dissolvido é fundamental para a sobrevivência de diversas espécies que
habitam os corpos d’água. A sobrevivência de peixes requer concentrações que variam entre 10% e
60% de saturação, sendo que algumas espécies só sobrevivem em faixas de concentração
específicas.

Além disso, o oxigênio dissolvido na água previne a formação de substâncias com odores
desagradáveis que podem comprometer o uso da água como fonte de agua potável ou para
recreação, estando fora dos padrões determinados pelo CONAMA. (FIORUCCI E FILHO, 2005)
32

8.2. Contaminação da água doce por sais (água marinha)

A alteração das concentrações de sais na água afeta sensivelmente fauna e flora. Organismos que
vivem em água doce não tem capacidade de sobreviver em ambientes de água salina ou salobra por
muito tempo, e vice-versa.

Se a água doce for contaminada com água salina ou salobra, os seres vivos que habitam o lago
sofreram desidratação e morrerão, uma vez que a concentração de sais nesses organismos é menor
que a concentração de sais que estará presente na água “salgada”, fazendo com que ocorra perda de
água para o ambiente.

Além disso, essa água contaminada não poderia ser utilizada na agricultura para irrigação nem
mesmo na indústria, pois ambas atividades requerem certos níveis mínimos de qualidade da água.

8.3. Morte de peixes e outros animais aquáticos

A morte de seres vivos aquáticos pode ser ocasionada tanto pelos fatores anteriormente
mencionados (aumento da temperatura da água e contaminação por sais) como pela entrada de
animais nos canais de adução da turbo-bomba ou das bombas. Para diminuir esse risco, devem ser
instaladas grades de proteção na entrada das tomadas d’água de montante e jusante utilização de
válvulas de sucção com proteção própria, evitando também a entrada de quaisquer materiais
grosseiros que possam causar danos aos equipamentos.

8.4. Aumento do suprimento de água potável na RMSP

A transposição de água do rio Cubatão para o reservatório das Pedras e, posteriormente, para o
reservatório Billings aumentará a disponibilidade de recursos para a RMSP, melhorando a oferta de
água, quantitativamente, para o abastecimento da população e até mesmo para os setores agrícola e
industrial, diminuindo parcialmente os efeitos negativos sobre economia, sociedade e meio ambiente,
uma vez que a vazão que será disponibilizada não é totalmente suficiente para o fornecimento de
água para todos.

8.5. Diminuição do suprimento de água potável na Baixada Santista

Em caminho oposto ao aumento da disponibilidade de água na RMSP, a região da Baixada Santista


pode ser prejudicada, uma vez que o rio Cubatão é umas das fontes de captação de água da região,
podendo gerar conflitos políticos e econômicos entre os municípios diretamente afetados. Não seria
prudente, transferir água de uma região para outra e transferir em troca os problemas gerados pela
escassez para a região doadora, afetando sua economia, sociedade e meio ambiente.
33

9. MATERIAIS E MÉTODOS

Tendo em vista o atual cenário de crise hídrica que o estado de São Paulo sofre, a alternativa ao
abastecimento oferecido pela UHE Henry Borden e a adução de água para a RMSP feita através da
represa Billings se mostra viável diante do que foi exposto na revisão bibliográfica. Esta parte do
trabalho busca dimensionar os equipamentos hidráulicos necessários para a realização do
empreendimento. Para o fornecimento de água do mar através da UHE Henry Borden para a represa
Billings é necessário que o conjunto de turbinas da usina funcione no modo reversível, sendo possível
através da instalação de bombas e a potência necessária para a adução de água suficiente para
suprir a demanda da RMSP será definida adiante, bem como os critérios adotados para os cálculos.

Para viabilizar a execução do empreendimento são listados os seguintes princípios de funcionamento


e operação:

1. A instalação das turbo-bombas/bombas não visa, inicialmente, ao equilíbrio da rede elétrica


por meio da compensação de picos e vales de demanda;
2. A instalação das turbo-bombas/bombas visa ao suprimento de água para abastecimento da
população da Região Metropolitana de São Paulo em épocas de escassez hídrica;
3. A operação das turbo-bombas no “modo bomba” está condicionada ao período de escassez
hídrica na região supracitada;
4. A operação das turbo-bombas/bombas no “modo bomba”, ou seja, quando há escassez
hídrica na região anteriormente mencionada, ocorrerá de modo exclusivo e contínuo até que
não haja mais necessidade de suprimento extra de água para o abastecimento da população;
5. Fica a critério da empresa administradora da usina ou dos governos estadual e federal a
utilização das turbo-bombas/bombas como mecanismos de equilíbrio da rede elétrica por
meio da compensação de picos e vales de demanda nos períodos em que não há escassez
hídrica na RMSP.

Durante os períodos em que a usina atua como estação elevatória, ela não seria utilizada para a
geração hidrelétrica, pois a mesma quantidade de água bombeada para abastecimento seria utilizada
para geração elétrica, e o propósito do empreendimento seria perdido. Neste caso, o sistema
interligado nacional disponibilizaria a energia elétrica necessária para as regiões antes supridas pela
UHE Henry Borden.

Com relação aos equipamentos hidráulicos, que estarão sujeitos à ação de água salina, um estudo
deve ser feito para determinar até que ponto a corrosão provocada pela salinidade da água pode
comprometer o funcionamento dos mesmos. Como a usina funcionaria no modo reverso apenas em
casos de extrema escassez hídrica e portanto, durante curtos períodos, os efeitos de corrosão
provocados pela longa exposição à água salina não seriam considerados. Caso sejam verificados
estes efeitos, poderão ser adotadas soluções similares às adotadas na usina Okinawa, como o
34

reforço interno dos penstocks com plástico de fibra reforçada (FRP-M) ou substituição de trechos
mais vulneráveis por aço inoxidável austenítico para evitar a corrosão.

O dimensionamento dos equipamentos para o recalque da água foi feito com base nos cálculos
utilizados para a determinação de bombas hidráulicas simples e tomando como base alguns dados,
quer sejam:

 Desnível geométrico: 720m


 Diâmetro dos condutos forçados da parte subterrânea da UHE: 3,25m
 Pressão atmosférica ao nível do mar: 10,33 m.c.a.
 Pressão de vapor da água a 25ºC: 0,32 m.c.a. (3200 kPa)
 Vazão de adução: 5,0 m³/s
 Número (quantidade) de turbo-bombas/bombas: 5 unidades
 Vazão de recalque de uma unidade turbo-bomba/bomba: 1,0 m³/s

Os dados de desnível geométrico, diâmetro dos condutos forçados, e quantidade de turbo-bombas


foram obtidas em EMAE (2014). A pressão de vapor da água a 25ºC e a pressão atmosférica ao nível
do mar são fornecidas em Porto (2006). Com relação à vazão de adução das bombas, o ideal seria
utilizar a série histórica de vazão no Reservatório do Rio Cubatão para determinar a vazão necessária
de água bombeada para suprir o déficit hídrico. Porém, a carência destes valores nos principais
bancos de dados hídricos disponíveis como o DAEE e a ANA não permitiram que esta análise fosse
feita. O valor adotado (5,0 m³/s) foi obtido a partir do projeto de transposição do rio Paraíba do Sul, na
região do Vale do Paraíba.

O projeto é um dos arranjos previstos pelo governo estadual no Plano Diretor de Aproveitamento de
Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista (COBRAPE, 2013), que começou a ser produzido
em 2008 com objetivo de analisar alternativas de novos mananciais para o suprimento de água até o
ano de 2035. A proposta é retirar água de um dos braços da represa do Jaguari, na cidade de Igaratá,
por meio de uma estação elevatória e levá-la ao reservatório Atibainha, no Sistema Cantareira por um
canal com 15 km de extensão.

Segundo cálculos feitos pelo Plano Diretor, a transposição pode levar entre 4,7 e 5,13 m3/s de água
para o Sistema Cantareira com custo entre R$ 400 e R$ 600 milhões, segundo projeções. Como o
Rio Paraíba do Sul é federal e banha os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro,
qualquer projeto de transposição precisa da aprovação do governo federal, no caso, da ANA.

Quando o projeto veio a público, as cidades da região do Vale do Paraíba e do Rio de Janeiro, que
também são abastecidas pelas águas do Rio Paraíba, fizeram duras críticas ao projeto pois temem
que a transposição afete o abastecimento de água e a geração de energia elétrica para o Rio de
Janeiro. Atualmente uma ação contra a transposição tramita no Supremo Tribunal Federal.
35

A reversão do fluxo da UHE Henry Borden com uma vazão de projeto de 5 m 3/s pode substituir o
projeto de reversão do Rio Paraíba do Sul e evitar conflitos pela água na região, ao mesmo tempo
que supre a falta de oferta de água no sistema Cantareira durante períodos de seca.

Para o cálculo da potência das bombas de recalque, inicialmente foi calculada a perda de carga nos
condutos forçados pela fórmula de Hazen-Williams, dada por Porto (2006):

𝑄 1.85 (1)
𝐽 = 10,65 𝐶 1,85 𝐷4,87

Sendo que J(m/m) é a parda de carga unitária, Q(m 3/s) é a vazão, D(m), o diâmetro da tubulação e C,
o coeficiente de rugosidade que depende da natureza e estado das paredes do tubo. Para o projeto
em questão, D é o diâmetro dos condutos forçados da UHE Henry Borden e igual a 3,25 m; como
teremos 5 bombas e a vazão total de adução é de 5 m3/s, a vazão será 1 m3/s para cada bomba e o
coeficiente
C, segundo Azevedo e Alvarez (1973) para ferro fundido usado é igual 90. Substituindo na equação
temos:

11.85
𝐽 = 10,65 1,85
90 3,254,87 (2)

𝐽 = 8,2𝑥10−6 𝑚/𝑚 (3)

Como o comprimento total da tubulação é de 1050 metros, a perda total de carga será:

Perda de carga total = 8,2𝑥10−6 𝑥1050 = 0,009 𝑚. 𝑐. 𝑎 (4)

O cálculo da potência da bomba, segundo Porto (2006) é dado por:

𝛾. 𝑄. 𝐻
𝑃=
75η (5)

Sendo P a potência em HP, 𝛾 o peso específico da água ( 𝛾𝐻2𝑂 = 1000 𝑘𝑔𝑓/𝑚3 ), Q a vazão de
recalque da bomba em m 3/s, H o desnível geométrico somado com as perdas de carga e ηo
rendimento da bomba. Para este projeto, as bombas serão dimensionadas para terem um rendimento
de 75%. Assim teremos:
36

1000𝑥1𝑥(720 + 0,009)
𝑃=
75x0,75 (6)

𝑃 = 12800,2 𝐻𝑃 (7)

Em seguida, é preciso verificar se ocorrerá o fenômeno da cavitação, o que é feito calculando o


NPSH requerido e comparando com o NPSH disponível pela bomba escolhida. Segundo Porto (2006),
o NPSH requerido é dado por:

𝑃𝑎 − 𝑃𝑣
𝑁. 𝑃. 𝑆. 𝐻𝑑 = + 𝑍 − ∆Hs
𝛾 (8)

Sendo Pa/ 𝛾 a pressão atmosférica ao nível do mar = 10,33 m.c.a; Pv/ 𝛾 a pressão de vapor da água

a 25ºC = 0,32 m.c.a.; Z a altura de sucção e ∆Hs a somatória de perdas de cargas, já determinada
anteriormente por Hazen-Williams. Assim, temos:

𝑁. 𝑃. 𝑆. 𝐻𝑑 = (10,33 − 0,32) + 720 − 0,009 (9)

𝑁. 𝑃. 𝑆. 𝐻𝑑 = 729,99 𝑚. 𝑐. 𝑎 (10)

Após a o cálculo do NPSH requerido, ele deveria ser comparado com o NPSH disponível e caso
fosse maior, o fenômeno da cavitação não ocorreria. Como a potência necessária para cada bomba é
muito grande, não foram encontradas curvas características de bombas disponíveis no mercado, e
portanto, não foi possível determinar o NPSH disponível para a vazão necessária. Neste caso, as
bombas necessárias para o empreendimento deveriam ser feitas sob encomenda especificamente
para este projeto e estudos e ensaios deveriam ser feitos para que o fenômeno da cavitação e outros
efeitos indesejados sejam evitados.

Em vista disso, propõe-se a criação de um booster, ou seja, um conjunto de bombas instaladas no


meio do caminho antes percorrido pela água, no meio do desnível entre a serra e a cota de base de
implantação da casa de bombas próxima à usina hidrelétrica. Dessa forma, espera-se diminuir as
dificuldades mecânicas do projeto, mas, em caminho oposto, surgem grandes dificuldades civis,
como a construção de um reservatório e uma nova casa de bombas em uma região de serra para que
a água consiga terminar seu trajeto até o reservatório das Pedras.

Com as mudanças propostas, o desnível geométrico e o comprimento da tubulação que deveriam ser
vencidos por cada uma das bombas é diminuído em 50%, caindo, respectivamente para 360 metros e
37

525 metros. Portanto, o dimensionamento das novas bombas segue os mesmos passos anteriores,
contando apenas com algumas pequenas mudanças de valores:

Perda de carga total = 8,2𝑥10−6 𝑥525 = 0,004 𝑚. 𝑐. 𝑎 (11)


1000𝑥1𝑥(360+0,004)
𝑃= = 6400,1 𝐻𝑃 (12)
75x0,75

𝑁. 𝑃. 𝑆. 𝐻𝑑 = (10,33 − 0,32) + 360 − 0,004 = 370,006 m. c. a. (13)

Logicamente, diminuindo-se os fatores mencionado pela metade, a potência de uma bomba


necessária para o projeto também caiu pela metade, melhorando a viabilidade mecânica de execução
do projeto, fazendo com que os requisitos de tubulação e outros componentes sejam menos
exigentes. Mesmo assim, os mesmo testes e ensaios citados anteriormente devem ser realizados
para uma melhor análise das estruturas e execução de projeto mais detalhado.

A figura abaixo é um croqui de implantação do projeto, com seus componentes principais: captação –
realizada no rio Cubatão, estação de tratamento de água e casa de bombas – instalada próxima a
casa de máquinas da UHE Henry Borden (uma outra casa de bombas semelhante seria construída no
meio da serra).

Figura 19: croqui do layout de implantação do projeto.


38

10. CONCLUSÃO

É muito provável que futuramente a disponibilidade de água diminuirá e a demanda caminhará em


sentido oposto, aumentando devido ao desenvolvimento econômico e crescimento da população.
(PEDDE, 2013). Portanto, deve-se buscar soluções para atender as necessidades atuais e também
futuras. Não basta remediarmos os problemas, devemos preveni-los.

O projeto proposto não é uma solução definitiva para a escassez hídrica vivida pela Região
Metropolitana de São Paulo. A solução apresentada, aliada a boas práticas de gerenciamento de
recursos hídricos e outros projetos para aumento da oferta de água, visa diminuir as consequências
do período de estiagem.

No caso da substituição dos grupos gerados da usina subterrânea por grupos compostos de turbo-
bombas, poderiam ser gerados até 3000MW (6 vezes 500MW), mais que três vezes a potência
instalada na usina inteira. Mas, devido ao pouco uso dessa tecnologia no Brasil, optou-se pela
instalação de bombas hidráulicas.

Uma das maiores dificuldades do projeto é fazer com que a água vença o desnível de mais de
setecentos metros da Serra do Mar para chegar até o Reservatório das Pedras. Um primeiro estudo
preliminar mostrou a inviabilidade mecânica do projeto, pois o pré-dimensionamento das bombas
levou a potência de 12800 HP, muito elevada, o que traria muitas restrições de operação ao projeto,
exigiria muitos equipamentos auxiliares e também traria riscos ao empreendimento.

Foi então sugerida a instalação de um booster intermediário para facilitar o transporte da água do pé
para o topo da serra, o que diminuiu a potência das bombas pela metade, para apenas 6400 HP,
também diminuindo a pressão exercida na tubulação, exigindo menos da mesma. Porém, as
modificações feitas exigem uma maior atuação civil e demandando uma infraestrutura muito grande
de todas as áreas: construção de reservatórios, edificações e poços, instalação de instrumentos para
monitoramento das máquinas, tubulações especiais etc.

Por fim, é possível que o investimento necessário para execução do projeto seja muito elevado,
talvez até mesmo maior do que aquele do projeto que propõe a transposição do rio Paraíba do Sul.
Mas, tal projeto traz conflitos políticos e econômicos que não podem ser medidos financeiramente. Já
a solução proposta, apesar do provável custo elevado e poder gerar conflitos internos, é viável
economicamente quando comparado seu custo aos prejuízos incalculáveis que podem ser gerados
pela escassez hídrica: interrupção do fornecimento de água para a população com o fechamento de
escolas, hospitais e indústrias, interrupção no fornecimento de serviços etc.
39

11. BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, G. A.; WEBER, R. R. Fármacos na Represa Billings. Instituto Oceanográfico.


Universidade de São Paulo. Revista Saúde e Ambiente / Health and Environment Journal. Volume 6.
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ALMEIDA, Daniel Ladeira. Os passivos ambientais no reservatório Billings e os seus impactos


na geração hidroenergética da Usina Henry Borden. Santo André. Universidade Federal do ABC.
2010.

ARAÚJO, João L. B. de. A estiagem e a crise do abastecimento de água na Região


Metropolitana de São Paulo. Revista DAE. Vol. 46. Edição nº144. Pgs. 56-76. 1986.

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BRASIL. ANA – Agência Nacional de Águas. MMA – Ministério do Meio Ambiente. Superintendência
de Planejamento de Recursos Hídricos. Superintendência de Conservação de Água e do Solo.
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<http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res02/res30302.html> Acesso em 10 de julho 2014

BRASIL. Resolução 396, de 3 de abril de 2008 - Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais
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