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DIREITO CONSTITUCIONAL

Os Direitos Sociais,
04 Políticos e a
Nacionalidade

Os Direitos Sociais

Noções Gerais

Direitos Sociais:
Os direitos sociais visam o bem-estar e o pleno desenvolvimento da personalidade humana,
sobretudo na melhoria das condições de vida aos hipossuficientes.

Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a
previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na
forma desta Constituição. (Emenda Constitucional n.º 26)

Direitos dos Trabalhadores

Noções Iniciais:
Os direitos relativos aos trabalhadores podem ser de duas ordens:
a) os direitos em suas relações individuais de trabalho (art. 7.º);
b) os direitos coletivos dos trabalhadores (art. 9º a 11).

Os Direitos dos Trabalhadores em suas Relações Individuais de Trabalho:


São aqueles destinados a proteger a relação de trabalho contra uma profunda desigualdade, que
resultaria da não-observância de preceitos mínimos destinados a compatibilizar a função laboral com
a dignidade e o bem-estar do indivíduo.

Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria
de sua condição social:

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Despedida Arbitrária ou Sem Justa Causa:
Busca-se proteger o trabalhador da despedida injustificada, sem motivo socialmente relevante.

I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de
lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;

Seguro-Desemprego:
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;

Fundo de Garantia:
III - fundo de garantia do tempo de serviço;

Despedida Arbitrária ou Sem Justa Causa:


IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde,
lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe
preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

Piso Salarial:
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;

Irredutibilidadade do Salário:
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;

Salário Mínimo:
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração
variável;

Décimo Terceiro Salário:


VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;

Trabalho Noturno:
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

Proteção do Salário:
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;

Participação nos Lucros:


XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;

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Salário-Família:
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da
lei;

Despedida Arbitrária ou Sem Justa Causa:


XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou
convenção coletiva de trabalho;

Turnos Ininterruptos:
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento,
salvo negociação coletiva;

Repouso Semanal:
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

Hora Extra:
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do
normal;

Férias:
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário
normal;

Licença à Gestante:
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte
dias;

Licença-Paternidade:
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

Proteção do Mercado de Trabalho da Mulher:


XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da
lei;

Aviso Prévio:
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos
da lei;

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Riscos do Trabalho:
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança;

Atividades Penosas, Insalubres ou Perigosas:


XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma
da lei;

Aposentadoria:
XXIV - aposentadoria;

Assistência aos Filhos:


XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em
creches e pré-escolas;

Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho:


XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;

Automação:
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;

Acidentes do Trabalho:
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização
a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

Ação Trabalhista e seu Prazo de Prescrição:


XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional
de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção
do contrato de trabalho. (Emenda Constitucional n.º 28)

Diferenças Discriminatórias:
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por
motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

Discriminação à Deficiente:
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do
trabalhador portador de deficiência;

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Distinção do Trabalho:
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os
profissionais respectivos;

Trabalho do Menor:
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de dezoito e de
qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
quatorze anos;

14 a 16 anos Aprendiz
16 a 18 anos Proibição do trabalho noturno, perigoso ou insalubre
18 anos em diante Trabalho normal

Trabalhador Avulso:
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o
trabalhador avulso.

Empregados Domésticos:
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos
previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração
à previdência social.

Os Direitos Coletivos dos Trabalhadores

Liberdade Sindical:
A liberdade sindical é uma forma específica de liberdade de associação contendo regras específicas e
peculiares, tais como:
a) os sindicatos podem ingressar em juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e
individuais da categoria;
b) é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
c) a assembléia geral dos sindicatos deve fixar a contribuição sindical que, em se tratando de
categoria profissional, será descontada em folha.

!
Associação Profissional Não Sindical:
O artigo 8° da Constituição trata, além da associação sindical, da associação profissional não
sindical que se limita a estudos, defesa e coordenação dos interesses econômicos e profissionais de
seus associados.

Art. 8º - É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o
registro no órgão competente, vedadas ao poder público a interferência e a intervenção na
organização sindical;

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! Registro:
O registro deve ser realizado no Ministério do Trabalho.

II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa


de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos
trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria,
inclusive em questões judiciais ou administrativas;

IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será


descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical
respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei;

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;

VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;

VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a


cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o
final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de


colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.

Direito de Greve:
O direito de greve é assegurado constitucionalmente.

Art. 9º - É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a


oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

§ 1º - A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das


necessidades inadiáveis da comunidade.

§ 2º - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

Direito de Participação Laboral:


O direito de participação laboral é um direito coletivo de natureza social segundo o qual é assegurada
a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus
interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão.

Art. 10 - É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos


órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de
discussão e deliberação.

Direito de Representação na Empresa:


Art. 11 - Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um
representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os
empregadores.

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A Nacionalidade

Noções Gerais

Noções Iniciais:
O indivíduo em face do Estado pode ser “nacional” ou “estrangeiro”. O nacional é o sujeito natural
do Estado. O conjunto de nacionais é que constitui o povo. Cidadão é o nacional no gozo dos direitos
políticos e participantes da vida do Estado.

Atribuição da Nacionalidade:
Existem basicamente dois critérios para se atribuir a nacionalidade a um indivíduo:
a) jus sanguinis: será nacional todo aquele filho de nacional;
b) jus soli: será nacional todo aquele nascido em seu território.

Direitos da Nacionalidade:
Os direitos da nacionalidade brasileira estão previstos no art. 12 da Constituição Federal onde se
distinguem os nacionais em dois grupos, com conseqüências jurídicas relevantes: os brasileiros natos
e os brasileiros naturalizados.

Brasileiro Nato:
Art. 12 - São brasileiros:

I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que
estes não estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que qualquer deles
esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registrados
em repartição brasileira competente, ou venham a residir na República Federativa do Brasil
antes da maioridade e, alcançada esta, optem em qualquer tempo pela nacionalidade brasileira;

Brasileiro Naturalizados:
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de
países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há
mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a
nacionalidade brasileira. (Emenda Constitucional de Revisão n.º 3)

! A Lei 6.815/80 trata do processo de naturalização.

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Naturalização:
A naturalização é a aquisição da nacionalidade brasileira de forma secundária, permitida ao
estrangeiro ou apátrida que preencher os requisitos. É meio derivado de aquisição da nacionalidade.

!
Apátrida " também denominado heimatlos, o apátrida é aquele que não possui nenhuma
nacionalidade, ou seja, não se vincula a nenhum critério que lhe determinaria uma
nacionalidade. Polipátrida, ao contrário, é aquele que tem mais de uma nacionalidade.

Portugueses:
§ 1º - Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor
dos brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos
nesta Constituição. (Emenda Constitucional de Revisão n.º 3)

Distinção entre o Brasileiro Nato e Naturalizado:


As diferenças entre o brasileiro nato e o naturalizado são unicamente as descritas na Constituição
Federal.

§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos
casos previstos nesta Constituição.

Cargos Privativos do Brasileiro Nato:


A Constituição Federal estabelece os cargos privativos do brasileiro nato. Além dos cargos privativos
do brasileiro nato, a Constituição Federal estabelece diferenças quanto à função (art. 89, VIII),
extradição (art. 5º, LI) e ao direito de propriedade (art. 222).

§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos:

I - de Presidente e Vice-Presidente da República;

II - de Presidente da Câmara dos Deputados;

III - de Presidente do Senado Federal;

IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;

V - da carreira diplomática;

VI - de oficial das Forças Armadas.

Perda da Nacionalidade:
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:

I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao
interesse nacional;

II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:


a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado
estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de
direitos civis. (Emenda Constitucional de Revisão nº 3)

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Dupla Nacionalidade:
O entendimento do STF é de que se o indivíduo requereu voluntariamente para si a outra
nacionalidade ele perde a condição de brasileiro, mas se ele a recebeu por outrem ele não a perde.
Para tanto é necessário ver como a certidão se encontra no consulado.

Idioma e Símbolos Nacionais:


Art. 13 - A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.

§ 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo


nacionais.

§ 2º - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.

Os Direitos Políticos

Noções Gerais

Direitos Políticos:
Existem no Estado democrático direitos assecuratórios da participação do indivíduo na vida política e
na estrutura do próprio Estado. Esses direitos almejam assegurar ao cidadão acesso à condução da
coisa pública ou à participação na vida política. Daí serem chamados “direitos políticos”, por
abrangerem o poder que qualquer cidadão tem na condução dos destinos de sua coletividade, de uma
forma direta ou indireta, vale dizer, sendo eleito ou elegendo representantes próprios junto aos
poderes públicos.

Cidadão:
O nacional não deve ser confundido com o cidadão. A condição de nacional é um pressuposto para a
de cidadão. A cidadania em sentido estrito é o status de nacional acrescido dos direitos políticos, isto
é, poder participar do processo governamental, sobretudo pelo voto. Assim, a nacionalidade é
condição necessária mas não suficiente da cidadania.

Democracia Semidireta:
Conforme o art. 14 da Constituição Federal a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal
e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos e também estabelece instrumentos de
participação direta do povo.

Art. 14 - A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto,
com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:

I - plebiscito;

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II - referendo;

III - iniciativa popular.

Instrumentos da Democracia Semidireta:


Os instrumentos de democracia semidireta são a tentativa de dar mais materialidade ao sistema
indireto. São regulados atualmente pela Lei 9.709, de 18/11/1998. A Constituição definiu os
seguintes instrumentos:

1) Plebiscito:
No Plebiscito há a manifestação popular, onde o eleitorado decide, ou toma posição, diante de uma
determinada questão. Assim, em termos práticos, é feita uma pergunta à qual responde o eleitor.

2) Referendo:
É uma forma de manifestação popular, em que o eleitor aprova ou rejeita uma atitude governamental.

3) Iniciativa Popular:
É o direito de uma parcela da população (um por cento do eleitorado) apresentar ao Poder Legislativo
um projeto de lei que deverá ser examinado e votado. Os eleitores também podem usar deste
instrumento em nível estadual e municipal.

Direitos Políticos Ativos e Passivos

Ativos:
A manifestação dos direitos políticos ativos se dá através da capacidade de votar, participar de
plebiscito e referendo, subscrever projeto de lei de iniciativa popular e de propor ação popular. No
entanto, estes direitos não são automáticos. Necessário se faz o alistamento eleitoral. Este é
obrigatório para os maiores de dezoito anos e facultativo para os maiores de dezesseis e menores de
dezoito, para os analfabetos e para os maiores de setenta anos.

§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são:

I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;

II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.

§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço


militar obrigatório, os conscritos.

Passivos:
Os direitos políticos passivos consistem na possibilidade de ser votado, ou seja, além de escolher,
poder ser escolhido.

§ 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei:

I - a nacionalidade brasileira;

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II - o pleno exercício dos direitos políticos;

III - o alistamento eleitoral;

IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;

V - a filiação partidária;

VI - a idade mínima de:


a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-
Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.

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Elegibilidade " capacidade eleitoral passiva consistente na possibilidade de o cidadão pleitear
determinados mandatos políticos, mediante eleição popular, desde que preenchidos certos
requisitos.

Inelegibilidades

Noções Iniciais:
A inelegibilidade é uma medida destinada a defender a democracia contra possíveis e prováveis
abusos. A Constituição Federal enumera os casos de inelegibilidade, mas não é exaustiva, a Lei
Complementar nº 64/90 traz ainda outras hipóteses.

Os Inalistáveis e os Analfabetos:
§ 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

Reeleição:
A Emenda Constitucional n° 16 trouxe a possibilidade de reeleição para o chefe dos Poderes
Executivos federal, estadual, distrital e municipal. Ao contrário do sistema americano de reeleição,
que permite apenas a recondução por um período somente, no Brasil, após o período de um mandato,
o governante pode voltar a se candidatar para o posto.

§ 5º - O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos


e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um
único período subseqüente . (Emenda Constitucional n° 16)

Eleição para Outro Cargo:


§ 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado
e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses
antes do pleito.

Inelegibilidade para Evitar Abuso de Poder:


A inelegibilidade para evitar abuso de poder se constitui em que certos ocupantes de certas posições,
e seus parentes mais próximos, disputem eleições, para com isso evitar o uso indevido do prestígio e

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dos poderes do cargo, ou decorrentes do exercício de alta função, para obtenção dos votos para o
próprio ou para pessoas cujo parentesco as faz bem próximas do mesmo. São inelegibilidades de
caráter temporário. Nesta espécie de inelegibilidade, enquadram-se os que, no círculo sujeito ao
titular do cargo, do cônjuge e dos parentes consangüíneos ou afins até o segundo grau, ou por adoção,
do Presidente da República, do Governador do Estado ou Território, do Distrito Federal, do Prefeito

§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes


consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de
Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja
substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e
candidato à reeleição.

O Militar:
Com a Constituição de 1988, apenas os conscritos continuam sem o voto e a elegibilidade.Hoje o
militar alistável é elegível. Se contar mais de dez anos de serviço deverá ser agregado pela autoridade
e, se eleito, passa para a inatividade. No caso de contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-
se da atividade.

§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:

I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;

II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito,
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

Lei das Inelegibilidades:


A Constituição não menciona exaustivamente as hipóteses, apenas fixa algumas deixando à lei
complementar o desdobramento dos casos de inelegibilidade. As hipóteses a serem previstas pela lei
complementar relacionam-se à proteção da “normalidade e legitimidade das eleições contra a
influência do poder econômico ou abuso do exercício de função, cargo, ou emprego na administração
direta ou indireta”, devendo, outrossim, fixar os prazos de cessação das inelegibilidades.

§ 9º - Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua


cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do
mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das
eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou
emprego na administração direta ou indireta. (Emenda Constitucional de Revisão n° 4)

Impugnação do Mandato Eletivo:


§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias
contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção
ou fraude.

§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor,


na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

Suspensão e Perda dos Direitos Políticos


Art. 15 - É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos
de:

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I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;

II - incapacidade civil absoluta;

III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;

IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art.
5º, VIII;

V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

Forma:
A perda e a suspensão dos direitos políticos podem-se dar, respectivamente de forma definitiva ou
temporária.

Perda:
Ocorrerá a perda quando: houver cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado e
no caso de recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (é o caso do serviço
militar obrigatório).

Suspensão:
A suspensão dos direitos políticos se dá enquanto persistirem os motivos desta, ou seja, enquanto não
retoma a capacidade civil, o indivíduo terá seus direitos políticos suspensos; readquirindo-a,
alcançará, novamente o status de cidadão. Também são passíveis de suspensão os condenados
criminalmente (com sentença transitado em julgado). Cumprida a pena, readquirem os direitos
políticos; no caso de improbidade administrativa, a suspensão será, da mesma forma, temporária.

A Lei Eleitoral
Art. 16 - A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não
se aplicando à eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência. (Emenda
Constitucional n° 4)

Os Partidos Políticos

Noções Iniciais:
Celso Bastos define partido como sendo uma organização de pessoas reunidas em torno de um
mesmo programa político com a finalidade de assumir o poder e de mantê-lo ou, ao menos, de
influenciar na gestão da coisa pública através de críticas e sugestões. Conforme a Constituição, o
partido tem natureza jurídica de pessoa jurídica de direito privado (§ 2.º do art. 17) devendo porém,
ter seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, a lei que trata da
organização dos partidos políticos é a Lei 9.096/95.

Art. 17 - É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a


soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da
pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

I - caráter nacional;

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II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de
subordinação a estes;

III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;

IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.

§ 1º - É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna,
organização e funcionamento, devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e
disciplina partidárias.

§ 2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil,


registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.

§ 3º - Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio
e à televisão, na forma da lei.

§ 4º - É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.

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Questões de Concursos

01 - (Magistratura/SP – 172) A Constituição Federal estabelece idades mínimas para o exercício de


cargos públicos eletivos. Assinale a alternativa incorreta:
( ) a) vinte e um anos para deputado federal e para deputado estadual.
( ) b) trinta anos para governador de estado.
( ) c) trinta e cinco anos para Presidente de República.
( ) d) vinte e um anos para vereador e prefeito.

02 - (Magistratura/SP – 173) O alistamento eleitoral e o voto são


( ) a) obrigatórios para os maiores de dezesseis anos e menores de vinte e um anos.
( ) b) facultativos para os maiores de dezoito anos.
( ) c) obrigatórios para os conscritos durante o período do serviço militar obrigatório.
( ) d) facultativos para os analfabetos e os maiores de setenta anos.

03 - (Magistratura/SP – 173) O texto constitucional em vigor consagra


( ) a) o princípio da liberdade sindical.
( ) b) o princípio da unicidade sindical.
( ) c) a proibição da interferência e da intervenção do Poder Público na organização sindical.
( ) d) a dispensa do registro do sindicato no órgão competente.

04 - (Magistratura/MA) São privativos de brasileiro nato os cargos:


( ) a) de Presidente do Superior Tribunal de Justiça.
( ) b) de Presidentes de Assembléias Legislativas.
( ) c) de Ministro da Justiça.
( ) d) de Ministro do Supremo Tribunal Federal.

05 - (Magistratura/SP - 174) São brasileiros natos os nascidos


( ) a) no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que venham a residir no
Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira.
( ) b) no Brasil, ainda que de pais estrangeiros a serviço de seu país.
( ) c) no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira que estejam prestando serviço a
organismo humanitário internacional.
( ) d) no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, registrados em repartição brasileira
competente.

06 - (Magistratura/SP - 174) Aos portugueses com residência permanente no Brasil, se houver


reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes aos
( ) a) brasileiros natos.
( ) b) brasileiros naturalizados.
( ) c) estrangeiros residentes.
( ) d) estrangeiros não residentes.

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Gabarito

01.D 02.D 03.D 04.D 05.A 06.B

Bibliografia

• Curso de Direito Constitucional


Manoel Gonçalves Ferreira Filho
São Paulo: Editora Saraiva, 25a ed., 1999.

• Curso de Direito Constitucional


Celso Ribeiro Bastos
São Paulo: Editora Saraiva, 21a ed., 2000.

• Direito Constitucional
Alexandre de Moraes
São Paulo: Atlas, 11a ed., 2002.

• Direito Constitucional Positivo


José Afonso da Silva
São Paulo: Malheiros Editores, 19a ed., 2001.

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