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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL

CENTRO DE CIÊNCIAS JURIDICAS

DIREITO CIVIL VII — COISAS

Prof.: ROMEO A. NEDEL

Guaíba, março de 2003


“Propusemo-nos a elaborar este breve apanhado da
disciplina de Direito Civil - Parte Geral, como forma de
auxiliar os alunos em aula, objetivando assim, reduzir o
tempo dispendido para anotar os conceitos básicos para
compreensão da matéria.
Não pretendemos de modo algum, desvirtuá-los da leitura
dos livros de doutrina constantes do programa, dos quais
este é produto. Ao contrário, aqueles deverão ser parte
inseparável do material de aprendizado dos futuros
advogados, administradores da justiça.
As eventuais incorreções que porventura este possa
apresentar, serão corrigidas em revisões posteriores e são de
minha inteira responsabilidade”.

Prof.: Romeo A. Nedel


ULBRA --- DIREITO CIVIL VII — COISAS
Prof.: ROMEO A. NEDEL

DIREITOS REAIS
O contrato e a propriedade são a expressão direta da vontade de um
sujeito de direito em condições de perfeita igualdade jurídica.

Sobre esta construção teórica alicerça-se a livre circulação de bens e


serviços essencial para economia de mercado, que por sua vez,
representada pela autonomia privada, é fundamental para realização
dos negócios jurídicos.

A autonomia privada é entendida neste caso como sendo “um quadro


ideal”, onde a diferença entre a nulidade e a anulabilidade dos
negócios jurídicos corresponde apenas a diferença de graus1.

DIREITO DAS COISAS


CONCEITO – O direito das coisas é o conjunto de normas
reguladoras das relações entre os homens, tendo em vista os bens
corpóreos e incorpóreas. Do que se deduz que o Direito das Coisas é
o conjunto de normas que regulam as relações jurídicas entre os
homens face às coisas, capazes de satisfazer as suas necessidades e
suscetíveis de apropriação individual, quando tais coisas forem úteis e
raras e quando estabelecem relações de domínio.

As coisas insuscetíveis de apropriação, afastam a cupidez dos


1 - ANTUNES, P. B. Dano ambiental: Uma abordagem conceitual. 1. ed. 2ª tiragem. Rio de
Janeiro: Lumen Júris, 20020. p. 100.
homens, tais como: as águas, o ar atmosférico, e a luz do sol etc.

Direito das Coisas é a expressão atual e jurídica do estado das coisas


objeto de propriedade.

DO BEM

A noção de bem, é de uma utilidade, tanto econômica quanto não


econômica. Deve ter um valor econômico ou axiológico.

De modo geral, consideramos como bens, tudo que possa nos


proporcionar utilidade, que corresponde aos nossos desejos.

Desse modo: amor, pátria e honra são exemplos de bens. Assim bens
são espécies de coisas e o termo coisa é utilizado para aqueles bens
que podem ser apropriados pelos homens.

Todos os bens são coisas, mas nem todas as coisas são bens.

O Direito real afeta direta e imediatamente a coisa sob todos os


aspectos e seguem-na em poder de quem a detenha, é o direito de
preferência, que é um direito subjetivo.

O direito real estabelece um vínculo entre o sujeito e a coisa,


prevalecendo contra todos e conferindo uma prerrogativa de seqüela
ao seu titular, o que o faz ser oponível contra todos. EFICÁCIA ERGA

2
OMNES .

2 RODRIGUES, p. 3 - 11.
Quanto ao objeto — direito reais sobre a coisa
própria, art. 1228 e direitos reais sobre a coisa
alheia, art. 1225 cc.
Classificam-se
Quanto à finalidade — direito reais de gozo, art.
678ss e garantia, art. 1419 ss, que envolvem
(hipoteca – penhor – anticrese).

A evolução histórica do Direito das Coisas comprova a sua


importância frente ao complexo de normas reguladores desse poder
do homem sob cujo regime reflete o poder e a forma de organização
política e econômica da sociedade.3

NATUREZA JURÍDICA – Sua natureza jurídica é definida como


sendo uma relação de senhorio, um poder imediato e direto do
homem sobre a coisa, isto é, imediato e direto, porque o titular não
necessita da participação de um terceiro para extrair as vantagens da
coisa a que se prestar. O que nos direitos reais sobre as coisas
alheias requer dois sujeitos: o dono e o titular do direito real, porém,
cada um com direitos distintos e sem intermediação do outro. Ex.:
“Locador e locatário”.

O senhorio é neste caso o elemento interno que extrai da coisa as


vantagens próprias. Já o elemento externo é o absolutismo que toma
o direito oponível contra todos.4

3 GOMES, p. 2.
4 BESSONE, p. 6-7.
A diferença entre direito real e direito pessoal, é que os direitos reais
são normatizados pelo direito das coisas e os direitos pessoais pelo
direito das obrigações.

O direito real consiste no poder jurídico da pessoa titular do direito


subjetivo sobre a coisa, oponível contra terceiros, conforme conceito
da Escolha Clássica.

Direito real é poder imediato do titular sobre a coisa objeto do direito


sem intermediação, não há sujeito passivo nesta relação, que pode-se
estabeleça sobre coisas corpóreas e incorpóreas. A propriedade é o
mais amplo ápice dos direitos reais.

No direito pessoal aparecem sempre dois sujeitos credor e devedor.

O direito real é a coisa tomada em si mesma e o direito pessoal é uma


obrigação de fazer, ou de não fazer ou ainda uma obrigação de dar
coisa certa.

O direito na coisa própria é a propriedade e o direito na coisa alheia,


também conhecidos como limitados são: as servidões; o uso; o
usufruto; a habitação; as rendas constituídas sobre imóveis; a
promessa irretratável de venda; o penhor; a anticrese; a hipoteca; e a
concessão de uso.

Acessórios: penhor, art. 1431; anticrise, art.


Dividem-se 1506; e a hipoteca, art. 1473 cc.
Principais: os demais.

direitos de disposição;
Distinguem-se quanto ao sentido em de uso e gozo; e
de garantia.

Somente a direitos reais podem ser adquiridos por usucapião5.

Os direitos reais distinguem-se pela tipicidade, elasticidade,


publicidade e especialidade e seu objeto é necessariamente coisa
determinada.

CARACTERÍSTICAS — É o direito que se prende à coisa direta e


imediatamente. Liga-se ao objeto de maneira integral. Vincula o
sujeito a coisa. É oponível contra todos.

O Direito real de garantia é sempre acessório, pois aparece sempre


ligado a um outro que é o principal, o de crédito, ao qual está
subordinado. Tem sua vida condicionada à vida do direito principal.

Por ser acessório não pode ser transmitido isoladamente. É


indivisível, mesmo que a dívida se divida, a garantia real permanece
íntegra. Mesmo nos pagamentos parciais a garantia permanece, sem
redução e se estabelece no interesse das partes.

CLASSIFICAÇÃO
Direitos reais sobre a coisa própria; e

5 GOMES, p. 2, 6 e7.
Os direitos reais Direitos reais sobre a coisa
classifica-se em – de fruição.
alheia:
– de garantia.

Visto sob o angulo passivo, os direitos reais constituídos sobre as


coisas alheias, paralisam, apenas a faculdade correspondente
naquele que mantém a propriedade. Em qualquer dos casos acima,
constituem-se em prerrogativas de uns sobre os outros. Sem
esquecer a natureza real desses direitos, geralmente oriundos de
contrato, são mais do que meras obrigações, vinculando pessoas e
conferindo a seus titulares ação real de eficácia erga omns, Art. 1225.6

PUBLICIDADE E ESPECIALIZAÇÃO — A garantia constituída é


oponível contra terceiros e a publicidade é instituída para esse efeito.
Já a especialização, diz da individualização da garantia onde se deve
fazer constar o que é relação creditória e o que é garantia.

O direito de seqüela — é o de seguir a coisa em poder de qualquer


detentor. O direito adere a coisa. Ex.: Servidão. O direito de seqüela
visa tomar efetiva a preferência, diz-se que é satélite, pois autoriza a
perseguição da coisa (ação reipersecutária) que pode ser tomada de
quem a detenha. O direito de seqüela permanece em estado
potencial, até que a dívida se torne exigível. O credor por força da
seqüela subtrai-se à lei do concurso, apreendendo-a judicialmente. É
útil como instrumento de ação.

6 RODRIGUES, vol. 5.
O direito de preferência — é restrito aos direitos reais de garantia,
consiste no privilégio da garantia. Ex: Penhor, hipoteca.

A preferência estabelece-se para o credor, e é oponível contra


terceiros. Visa criar uma situação especial para o credor, em vista dos
outros credores assegurando o pagamento antes de qualquer outro
credores, pelo produto da alienação de coisa, desde que vendida.
Caso haja saldo pela venda, estabelecer-se-á o concurso de credor
para os demais. A preferência consiste no direito do titular pagar-se
com o produto da venda judicial da coisa dado em garantia, excluídos
os demais credores.
O direito real pode se constituir sobre coisas corpóreas e incorpóreas.
Ex: direitos sobre direitos, usufruto e penhor, propriedade literária,
industrial, artística e científica.
 Toda limitação ao direto de propriedade não prevista
na lei é considerada como de natureza obrigacional.
Ex: direito de superfície.
 Os direitos reais sobre imóveis constituem-se por
contrato e são inscritos no Registro de Imóveis.

DA POSSE

Sem a credibilidade da sociedade nos estados de aparência, não


haveria possibilidade de convivência pacífica, pois a todo momento
defrontamo-nos com situações de aparência, tornadas como
verdadeiras. A posse é uma delas. (VENOSA, p. 39)
A posse busca em síntese a adequação social, que deve ser
examinada do ponto de vista axiológico, onde a aparência é
conceito de utilidade técnica. (p.39)

CONCEITO — Para Savigny a posse é a exteriorização ou


viabilidade do domínio, isto é, a relação intencional existente
normalmente entre a posse e a coisa, em vista de sua função
econômica.

corpus, que é a exterioridade da


propriedade, o único elemento visível e
suscetível de comprovação, o elemento
material, e

Seus elementos são: ânimus, incluído no corpus, indica a ação


do proprietário sobre a posse, representa o
elemento intelectual, a vontade. O
possuidor para tanto, tem pleno exercício
de fato sobre a coisa, art. 1196 ccb.

A posse, mera situação de fato, é protegida pelo legislador não só


porque apresenta ser uma situação de direito, como para evitar que
prevaleça a violência.

Diferente da propriedade que é uma relação de direito assentada na


vontade objetiva da lei, a posse consiste apenas na vontade do
possuidor, criando mera relação de fato, em que o possuir será
mantido até que seja convencido por quem de melhor direito.

NATUREZA JURÍDICA — é controvertida, sendo para uns direito,


para outros um fato.

Para Savigny, é um fato, porém considerada nos seus efeitos é um


direito. Ex: usucapião, interditos possessórios.

Para Ihering, é um direito, em função do direito subjetivo, e que será


interesse juridicamente protegido.

Nesse sentido, localiza-se na parte especial do Direito Civil no


capítulo dedicado ao Direito das Coisas, anterior ao estudo da
propriedade para compreender que esta tem como pressuposto a
posse.

A posse como instituto tem origem romana e evoluiu sob três formas:
a possessio naturalis – mera detenção; a possessio interdicta –
concedia o direito aos interditos, para proteção possessória; e a
possessio civilis – a posse efetiva, com direito aos frutos e a
usucapião.

Adotada a mesma terminologia do direito romano, do ponto de vista


do legislador brasileiro a posse divide-se em:

Jurídica – é aquela, concedida ao possuidor com direito


ao uso dos interditos (meios de defesa) e
usucapião;
Natural - aquela que se fundamenta na simples
detenção material da coisa;
Civil – é aquela, adquirida por lei, mesmo que não
ocorra a apreensão imediata da coisa, que
divide-se em posse sem apreensão e sem
intenção, a saber:
Posse
Sem apreensão – ocorre na
sucessão no exato instante
da morte, independente de
apreensão.
Posse Sem intenção – decorre do
contrato, em face da garantia
recebida para satisfação da
dívida, Ex.: credor
pignoratício, enfiteuse.

Para Ihering, o possuidor é um proprietário de fato, pois age como se


assim fosse e por essa razão, o legislador protegendo o possuidor, no
mais das vezes está protegendo o proprietário.

A maioria dos autores entende que a posse é mero estado de fato,


isto porque a sujeição da coisa à pessoa é direta e imediata.
(GOMES, p. 28).
Duas são as teorias entre nós que procuram fixar a posse, sob
meticulosa análise de seus elementos. De um lado a teoria subjetiva
de Savigny e de outro a teoria objetiva de Ihering.

A submissão das coisas ao poder dos homens é um estado de fato e


são três as formas como se apresenta:

1º - o estado de fato corresponde ao direito de


propriedade – chama-se posse;

Formas 2º - o estado de fato corresponde a um direito de outra


natureza – chama-se obrigação;

3º - o estado de fato que não corresponde a direito


algum – chama-se detenção, (GOMES, p. 17).

COMPARAÇÃO

SAVIGNY – Teoria subjetiva IHERING – Teoria objetiva


Manifesta a intenção pura de ter
1ª - Quanto aos elementos – a coisa. “ânimus tenendi”
corpus e ânimus

2ª - Quanto à natureza A posse é um direito,


A posse é um fato que se converte jurídicamente protegido em razão
em direito, por proteção legal. do interesse.
3ª - Quanto à proteção possessória Defende a posse como meio de
Defende a posse como facilitar a defesa da propriedade.
decorrência do princípio geral do
direito, de que toda pessoa deve
ter a proteção do Estado contra
qualquer violência.

CONCLUSÃO: uma simples diversidade de interpretação entre os


romanistas, mais aparente do que real. (GOMES, p. 17)

Para Ihering, a posse reúne dois elementos, formulados


posteriormente,

1º - o substancial que consiste no interesse, de utilização


econômico da coisa; e o

A saber 2º - o formal, que se reveste pela proteção jurídica, que


equivale a direito, sendo a manutenção da relação de fato
a condição para a proteção desse direito. Sendo assim, o
possuidor não tem direito senão enquanto ou quando
possuir. (GOMES, p. 27)

OBJETO — Para os romanos, somente as coisas corpóreas poderiam


ser objeto de posse, posteriormente passaram a admitir a posse sobre
direitos, “quase possessio”, em especial as servidões.

O direito canônico passou a admitir a posse sobre todos os bens,


corpóreos e incorpóreos e o direito germânico passou a admitir os
direitos de exercício continuado como objeto de posse. Ex: Rendas

A controvérsia existe em função das coisas coletivas, quando estas se


compõe de coisas individualizáveis, universalidades de fato e de
direito. (GOMES, p. 32)

Admite-se, porém a posse de águas correntes, conquanto que


suficientes para o uso.

Não há unanimidade sobre a posse de direitos, sendo que alguns


entendem que somente os direitos reais são passíveis de posse. Para
os adeptos da teoria objetiva a admissão dos direitos pessoais
patrimoniais é pacífica.

Para os adeptos da teoria subjetiva de Savigny, não há possibilidade


de se conceber a posse de direitos pessoais, pois a posse é exercício
do poder físico sobre a coisa, e considera-se o elemento material
como requisito indispensável. A posse há de se limitar aos direitos
reais. (GOMES, p.33)

Os direitos obrigacionais aqueles cujo exercício é ligado à detenção


de uma coisa corpórea são suscetíveis de posse. (GOMES, p. 33). Ex:
Garantia. Poderão ser objeto ainda, as ações de empresas, a marca
comercial e os símbolos que a acompanham.

OBJETO — A princípio para o dir. bras. é suscetível de posse e


proteção possessória tudo aquilo que puder ser apropriado e
demonstrado externamente, tanto assim, não será possível de posse
a linha telefônica contra a concessionária. Poderá demandar contra o
usuário titular, no caso de locação. Possuidor é aquele que exerce um
poder de fato sobre um bem. (VENOSA, p. 55)

SERVIDORES DA POSSE — Estão unidos ao possuidor numa


condição de subordinação, ex: empregados, diretores etc, não
poderão figurar como possuidor, art. 1198.

O que é o Ius possidendiI? (VENOSA, p. 42) É o dir de posse


funafado na propriedade.

O que é o Ius possissionis? É o dir fundado no fato de posse.

Na posse tanto quanto na propriedade é comum a submissão da coisa


à vontade da pessoa, eis aí o fundamento da noção de aparência da
posse, semelhança que guardam entre si posse e propriedade.
(VENOSA, p. 43)

Nas ações possessórias (interditos) têm em conta a questão da


posse, ressalte-se o caráter ofensivo, enquanto que nas ações
petitórias leva-se em conta o dir. propriedade, sob o caráter defensivo.
(VENOSA, p. 42-43)

MODOS DE AQUISIÇÃO — Ler art. 1204 (GOMES, p. 51-52)

Para Savigny a aquisição de posse dar-se-á de forma física,


juntamente com o ânimus, de modo de ficto, Ex: receber as chaves,
simbolizando a entrega do imóvel.
Para Ihering a detenção é fato material. A posse é aparência
perceptível pelo corpo social. (VENOSA, p. 78-79).

Aquisição a título originário, quando não há possuidor anterior. Ex:


apreensão de coisas, peixes, aves. Ocupação não é modo originário é
posse quase justa.

Tradição, modo derivado de aquisição


Eletiva, entrega
Simbólica
da posse, quais são:
Convencional
(GOMES, p. 52)

Modalidade Acessão, posse continuada;

Sucessão, transmite de modo universal.

União, por aquisição, transmite de modo singular,


só aquele bem, é facultativa. (GOMES, p.
55)
Universal, é característica da causa mortis.

Singular, é transferência de bens individuais e


determinados (VENOSA, p. 85)
Transmissão
Conservação da posse. Diz da manutenção da
posse que é fenômeno paralelo a perda.
Conservar é não perder. (VENOSA, p. 86)

Atos de mera tolerância ou permissão, não induzem a posse, art.


1208. (GOMES, p. 56)
PERDA DA POSSE — Ler art. 1223 e 1224 ccb

Perda da coisa

A perda da posse pela Destruição


ausência do elemento
corpus, verifica-se pela: Posse de outrem

Por ser posta fora do comércio

A perda, devido a ausência do elemento ânimus ocorre em razão do


constituto possessório7, contra a vontade do possuidor, pela falta de
exercício físico. (GOMES, p. 57)

Perde-se a posse ainda pela impossibilidade de seu exercício, pela


inércia do possuidor. (GOMES, p. 61/1)

Dentro da visão subjetiva, a posse pode ser de dar sobre o bem com
a intenção de possuí-lo para si, assim como sobre o próprio direito
real, mediante o exercício incidente sobre a coisa.

CLASSIFICAÇÃO — Da natureza da posse decorrem vários efeitos e


espécies, como se vê pelo art. 1197. A bipartição da posse é
concepção de Ihering, que explica o desdobramento de relação
possessória, em que o proprietário conserva a sua posse, mesmo
entregando o bem a terceiros.

7 - E modo pela qual o vendedor transmite a posse da coisa alienada, que continua entretanto a deter em
nome do comprador.
Também chamada de posses paralelas, quando existem duas sem
que uma anule a outra, ou ainda a posse direta e indireta. (GOMES, p.
45-46).

POSSE DIRETA — São possuidores diretos: Os que detém a coisa


transmitida pelo dono, que conservou a posse indireta. Ex:
usufrutuário, comodatário, locatário, etc.

O possuidor direto é o que detém o poder físico e imediato da coisa,


também os tutores e curadores possuidores são diretos.

POSSE INDIRETA — É a que o proprietário mantém, ao transferir o


uso direto da coisa, a outrem. A tradição opera a bipartição da posse,
que requer uma relação jurídica negocial, para esse desdobramento
da posse.

COMPOSSE — A posse não admite mais de um possuidor a desfrutá-


la, do mesmo modo que o condomínio está para o condômino. A
composse é a possibilidade do exercício simultâneo de mais de um
possuidor, desde que um não impeça o exercício do outro consorte.
Ex: Cônjuges no regime de comunhão de bens ao exercerem sobre
seu patrimônio, os direitos de compossuidores. O condomínio é a
mesma situação.

Tanto num quanto noutro os compossuidores podem reclamar a


proteção possessória, caso sejam turbados, esbulhados ou
ameaçados em sua posse. Art. 1199 cc.
Assim, podem coexistir dois ou mais locadores, locatários,
comodatários, como se condôminos fossem, por vontade comum,
caso se trate de propriedade.

Não serão compossuidores os invasores de uma área, visto que não


são proprietários.

O vínculo concubinário se estabelece do mesmo modo, que os


cônjuges havendo união estável.

JUSTA — Art. 1200 – O doutrinador deve-se basear pelo terreno do


objeto. A posse poderá ser justa em relação a um sujeito e injusta em
relação ao outro, tudo depende da relação dos envolvidos.

INJUSTA — A posse somente será viciada em relação a alguém,


sendo relativa a terceiros que até podem ignorar o vício. Ex: Vender
coisa furtada.

POSSE VIOLENTA — É violenta a posse, por ser exercida de forma


violenta no início de seu exercício. É violenta ainda, a posse
conseguida pela força injusta, esbulhada. O Código Civil não autoriza
a posse violenta, art. 1208 cc.

POSSE CLANDESTINA — É a que se constituir às escondidas.


Ocupar coisa alheia sem que ninguém perceba, acautelando-se para
não ser visto. A rigor isto não é posse. Porque a posse pressupõe a
exteriorização do domínio, 1208 cc.
Para Silvio Rodrigues, o antônimo da clandestinidade é a publicidade.

POSSE PRECÁRIA — Precária é a posse daquele que a recebeu


para depois devolvê-la. Ex: Locatário, comodatário, usufrutuário, etc…

POSSE DE BOA-FÉ — O doutrinador deve-se situar neste caso no


terreno do direito subjetivo, examinando a postura psicológica do
possuidor, em face de relação jurídica ou ignora o vício ou obstáculo.

Possuidor de boa-fé tem justo título, hábil para pedir ou transmitir o


direito à posse, que deve ser mantida de forma mansa e pacífica, art.
1201 e 1202 cc.

POSSE DE MÁ-FÉ — É de má-fé, quando o possuidor está ciente de


que a posse é precária, clandestina ou violenta, que não possui
legitimidade jurídica, não possuindo justo título, art. 1202 cc.

JUSTO TÍTULO — configura o estado de aparência que permite


concluir que o possuidor encontra-se gozando de boa posse.

O fato gerador da posse definirá em cada caso o justo título.

POSSE “AD” INTERDICTA — Para confirmação, basta que seja


justa. É assim chamada porque possibilita a sua defesa em juízo,
contra a ameaça para mantê-la, possibilitando a defesa por meio dos
interditos possessórios.
POSSE “AD” USUCAPIONEM — É aquela capaz de conferir a
usucapião da coisa ao titular, caso supridos os requisitos legais art,
1238 e 1242 cc.
DOS EFEITOS DA POSSE

Art. 1210 cc.


1º - direito aos interditos, inclusive a auto
defesa.

2º - percepção dos frutos.

3º - direito de retenção.
Sete são os efeitos
4º - respons. por deteriorações.
da posse:
5º - direito a usucapião.

6º - inversão do ônus da prova, na


contestação.

7º - uso e gozo enquanto durar, p. 95.

proteção dos interditos


ea

Como estado de fato, possui como efeitos:


possibilidade de
usucapião

Os efeitos secundários são as indenizações pela coisa: benfeitorias,


frutos e indenizações pelo uso da coisa.
A solidez da relação possessória reside exatamente nas regras do
direito material, que deve ser analisado em conjunto com o direito
processual civil.
25

INTERDITO PROIBITÓRIO — É o meio de defesa concedido ao


possuidor, que antevendo esbulho ou possível atentado ao seu
direito de possuidor, assegura-se de violência iminente, art. 1210
cc, os requisitos para ação estão no art. 932 cpc.

Verificado o esbulho ou a turbação o Poder Judiciário, manterá ou


reintegrará o possuidor na passo do bem.

Esbulho – pela retirada total ou parcial da posse


por violência ou precariedade. Ex:
Imóvel não devolvido, invadido.
Caracteriza-se:
Turbação – pela agressão, limitação, embaraço no
direito de uso. Ex: Corte de cercas,
árvores.

A proteção possessória consiste nos meios de defesa em uma


situação de fato, que apresenta ser uma situação de domínio,
diretamente ou através das ações possessórias, a saber:
AÇÕES POSSESSÓRIAS

1o A ação de manutenção de posse


concedida ao possuidor que sofre a
turbação, art. 926 a 931 cpc;

2 A ação de reintegração de posse


O

concedida àquele que sobre o


As ações possessórias esbulho, art 926 a 931 cpc; e o
típicas derivadas do
Direito Romano são: 3o O interdito proibitório é como meio
de defesa contra a ameaça iminente à
posse, art 932 a 933 cpc.

A ameaça contra a posse é revertida


pelo interdito proibitório, tanto para
bens móveis, como bens imóveis, art.
275, II cpc.

EMBARGOS DE TERCEIRO SENHOR E POSSUIDOR — É meio de


defesa concedido a quem não é parte no processo, porém sobre
turbação, esbulho na posse de seus bens, em virtude de penhora,
depósito, arresto seqüestro, venda judicial, arrecadação ou outro ato
de apreensão, como forma de defender os bens do possuidor.

Art. 1.046 a 1.054 cpc, Ex: Turbação sofrida em imóvel adquirido sem
registro.
27

NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA — Visa impedir que obra nova


prejudique prédio vizinho confinado. Possibilita ao condômino, ao
locatário, ação de nunciação de obra nova, impedindo obra que
prejudique área comum; e o Poder Público, possibilita impedir
construção contra ao plano vigente, art. 934 a 940 cpc. (p. 133)

AÇÃO DE DANO INFECTO — Decorre do justo receio de sofrer dano


em seu imóvel em decorrência de ruína em prédio vizinho ou obras
vizinhas, em que o proprietário pode exigir caução para garantir
eventual prejuízo, art. 826 cpc.

A fungibilidade das ações possessórias – possibilitam ao juiz decidir o


pleito possessório dentro da tríplice divisão (esbulho, turbação e
proteção da posse). Vale dizer: o autor dirige-se ao juiz pedindo
proteção possessória independente da hostilidade descrita na inicial,
que pode aumentar ou diminuir no curso do processo, art. 920 cpc. (p.
115)

IMISSÃO DE POSSE — É conceder a posse a alguém legalmente.


Ex: Ao adquirente ao administrador e ao mandatário. Não é
procedimento especial. É ação para dar coisa certa, art. 796 cpc,
neste caso não há liminar, é processo cautelar8, pela presença da
“fumus boni iuri e periculum in mora”. Isto ocorre quando a entrega da
coisa não resultar do contrato (p. 135)

8 - Medida Cautelar – é todo ato forense ou processo intentado por uma pessoa, em justiça
para previr, conservar ou defender direitos, em face da gravidade ou justo motivo. É ato de
processo acessório, não constitui ação autônomo.
Nas ações possessórias a presença do cônjuge é conveniente, para
evitar-se discussões estéreis. Para maioria é indispensável apenas,
nas ações de composse.

A demanda pode tanto ser decidida em favor do autor, como em favor


do réu, se houve pedido expresso de contestação, inclusive quanto à
indenização, art 922 cpc. Poderá ocorrer a cumulação de pedidos, art.
921 cpc. Possibilita a constituição de caução, art. 826 e 130 cpc.

SERVIDÕES E POSSE PROVISSÓRIA — Servidão é direito real


constituído em favor de um prédio sobre outro de dono diverso, o
prédio beneficiado denomina-se dominante e o prédio onerado, de
serviente. Servidões podem ser não aparentes. Ex: proibição de
construir mais alto, as demais se manifestam por sinais externos e
não sofrerão restrições de proteção possessória.
A posse das servidões só é possível, nas servidões aparentes e
contínuas.
DA PROPRIEDADE

EVOLUÇÃO HISTÓRICA — A posse merece proteção, pois espelha


a exteriorização da propriedade e forte indício de sua existência.

A propriedade por sua vez espelha definitivamente um direito, que


possui compreensão e extensão próprias de cada povo.

A concepção moderna de propriedade privada sofreu inúmeras


influências no curso da história dos povos, traduzindo-se em
conseqüência direta da organização política.

Assim sendo, antes dos romanos, a noção de propriedade resumia-se


as coisas móveis, de uso pessoal, tais como: vestuário utensílios de
caça e pesca. O solo não era dividido, pertencia a todos os membros
da tribo, não havendo sentido de senhoria ou poder de determinada
pessoa. Fato visível ainda, na atualidade das comunidades tribais.

Não há neste tipo de vida a noção privativa de utilização do bem


imóvel.

Contudo, com o passar do tempo, no curso da história, a permanente


utilização da mesma terra pelo mesmo povo, pela mesma tribo e pela
mesma família, passa a ligar então o homem à terra que usa e habita,
surgindo assim a concepção de propriedade coletiva e posteriormente
individual, privada. Nem todos os povos instituíram a propriedade
individual.
A noção de propriedade individual não é muito precisa quanto a época
de seu aparecimento, no entanto, a propriedade imobiliária, surgiu,
segundo algumas fontes, na época da Lei das XII Tábuas, no primeiro
período do Direito Romano, em que o sujeito recebia uma porção de
terra para cultivo, que após a colheita voltava a coletividade.

Progressivamente fixou-se o costume de conceder sempre a mesma


porção às mesmas pessoas ano após ano. A partir de então, o pater
famílias instalava-se, construía sua moradia, e vivia com sua família e
seus escravos. Neste sentido arraigou-se no espírito romano a
propriedade individual e perpétua e assim, a Lei das XII Tábuas
projetou a noção do Jus utendi, fruendi et abutendi:

Utendi — implica na possibilidade de uso da coisa segundo


a vontade do proprietário e assim excluir
estranhos.
JUS Fruendi — é a possibilidade de aferir os frutos naturais e
civis da coisa e de explorá-la economicamente.
Abutendi — é a possibilidade de disposição da coisa,
inclusive para aliená-la.

Na época clássica do direito Romano passa-se a conhecer o uso


abusivo do direito de propriedade e seu modo de repreendê-lo. O
direito de vizinhança também passa a ser conhecido, mesmo assim,
sobressai-se a propriedade individual. (p. 139)

A propriedade grega e a romana consolidam-se ainda com outras


duas instituições: a família e a religião doméstica. De modo que a
propriedade liga-se à própria religião assim como à família. Foi,
portanto a religião que garantiu primeiramente a propriedade.

Na Idade Média a propriedade perde seu caráter unitário, em virtude


das diferentes culturas que modificaram os conceitos jurídicos e o
território passa a ser sinônimo de poder, onde a propriedade está
ligada a idéia de soberania nacional, sob sistema de vassalagem, sem
serem donos do solo.

O Direito Canônico por sua vez, introduziu a idéia do homem


legitimado a adquirir coisas, sendo a propriedade privada a garantia
de liberdade individual. Tanto assim, na doutrina de Santo Agostinho e
Santo Tomás de Aquino ensina-se a imanência da propriedade
privada à própria natureza do homem, que deve usá-la de forma justa.

A Revolução Francesa recepcionou a concepção romana e o Código


Napoleônico introduziu a idéia individualista e extremista do instituto,
refletido em nosso Código Civil, que perdeu força a partir do século
XX, com o desenvolvimento industrial e as doutrinas socializantes.

FUNÇÃO SOCIAL
A propriedade deixou de ser um direito subjetivo do sujeito e tende a
tornar-se função social do detentor da riqueza mobiliária ou imobiliária
para ser empregada como crescimento da riqueza social e para
interdependência social. (GOMES, p. 108) Isto porque só o
proprietário pode executar uma certa tarefa social, só ele pode
aumentar a riqueza geral, utilizando o seu próprio patrimônio. A
propriedade neste sentido não é um direito intangível e sim um direito
em constante mudança a modelar-se às necessidades sociais, às
quais deve responder. (GOMES, p. 109)

CONCEITO — trata-se de um direito real que recai diretamente sobre


a coisa e que é independente, tanto para o seu exercício, quanto para
a prestação de quem quer que seja. Sendo conferido ao titular o
direito de usar, dispor e de reivindicar a coisa das mãos de quem quer
que injustamente a detenha.

DOMÍNIO — é distinto dos demais direitos reais, por incidir sobre a


coisa própria, o “animus dóminus”. Domínio é o direito real que vincula
e legalmente submete ao poder absoluto de nossa vontade a coisa
corpórea, segundo Lafayete.

DIRETIO SUBJETIVO – representa o vínculo jurídico, já o domínio, o


liame que se estabelece entre o proprietário e a coisa que se vincula,
que representa de certa forma o universo de pessoas obrigadas a
uma relação passiva de não turbar o direito de seu titular. Sendo este
direito tutelado pela lei.

O uso ou gozo da coisa pressupõe necessariamente a sua disposição.


A ação de reivindicação é conferida ao dono para recuperar a coisa,
pelo qual o proprietário exerce seu direito de seqüela.
NOÇÃO DE PATRIMÔNIO — É o conjunto de direitos reais e
obrigacionais, ativos e passivos em que pode-se afirmar que somente
as pessoas naturais ou jurídicas podem possuir patrimônio por
menores que sejam suas posses materiais, que perdura por toda a
existência, sendo uno e indivisível. (p. 149)

NATUREZA JURÍDICA — O direito de propriedade é absoluto,


exclusivo e perpétuo, até prova em contrário.

NATUREZA HUMANA — O direito de propriedade em função da


chamada teoria da natureza humana, é inerente à própria natureza do
homem e condição de sua existência, é pressuposto de sua liberdade.
Posição defendida pelos partidários do direito natural.

LIMITES DA PROPRIEDADE DO SOLO — Art. 1229. Atualmente os


fundamentos romanos estão ultrapassados e o solo limita-se as
necessidades de utilização do proprietário. O limite é dado pelo justo
interesse do proprietário.

SUJEITOS — Pessoas naturais, jurídicas de Direito Público e Privado.


A capacidade para ser sujeito do direito de propriedade não se
confunde com a capacidade para aquisição. A aquisição pressupõe
um título e requer capacidade de fato. (GOMES, p. 98)

LIMITAÇÕES DO DIREITO DE PROPRIEDADE


O direito de propriedade é o mais amplo da pessoa em relação à
coisa, art. 1228. Engloba tanto os bens corpóreos, incorpóreos,
móveis e imóveis, mas impõe também, limitações.
A constituição Federal traça as normas programáticas para função
social da propriedade, sendo que há no subsolo riquezas
independentes do solo e de seu proprietário. Assim sendo, inúmeras
são as limitações de ordem administrativa, tais como: proteção ao
patrimônio histórico; a fauna; a flora; o equilíbrio ecológico. As
limitações ao direito de propriedade que tanto decorrem da lei quanto
da vontade do proprietário, são limitações decorrentes da lei inspirada
no critério da proeminência do interesse público, que ganhou ênfase
influindo no próprio conceito do direito de propriedade, diminuindo-lhe
sensivelmente o âmbito de suas virtualidades burguesas. (GOMES, p.
119 ss)

As limitações podem ser em relação à fonte, à extensão e o


fundamento, como se vê:

Legais – podem ser legais, quando contidas em leis ou


regulamentos administrativos tais como:
o Impenhorabilidade, incomunicabilidade;
o Lei do inquilinato nº 8245/91;
o Estatuto da Terra (L. 4.504/64) e da cidade (L.
10.257/91);
Fontes o Incorporação imobiliária, L. 4.591/64.
Jurídicas – quando decorrem da aplicação dos princípios
gerais do direito. O exercício regular do direito,
onde o desvio da normalidade é inadmissível.
Voluntárias – as estabelecidas pelo proprietário, sem abrir
mão do seu direito, ou transferência a outrem,
Ex: Hipoteca, doação, testamento.

EXTENSÃO — Podem atingir o direito no todo ou em parte, sendo


que a limitação mais extensa é a desapropriação, mediante
indenização.

FUNDAMENTO — Pressupõe a subordinação do direito de


propriedade privada aos interesses da coletividade.
Paralelamente às limitações acima, existe ainda, a possibilidade de
tornar inalienáveis certos bens retirando-os de circulação, pela
vontade particular, através da cláusula de inalienabilidade, mediante a
qual se efetua essa limitação voluntária da propriedade, à exceção do
princípio geral da livre circulação dos bens.

A inalienabilidade que causa a impenhorabilidade, requer como


requisitos: 1ª - a indicação da causa no título de transferência do
bem.
2ª - que a transmissão seja a título gratuito.

Plena
Limitada
MODALIDADES: Urbana
Rural ou agrária
Resolúvel
1º) PLENA — O domínio da propriedade é pleno, quando o
proprietário dispõe de todas as prerrogativas “uso, gozo e disposição”
de maneira absoluta perpétua e exclusiva, art. 1.238.

2º) LIMITADA — Limitada, quando alguns desses poderes estão em


mãos de terceiros, como no caso do nu proprietário, do senhor do
prédio serviente, ou do prédio hipotecado, isto porque o usufrutuário
ou o credor hipotecário e o dono do prédio dominante têm sobre a
coisa um direito real de uso e gozo, uma servidão ou direito real de
garantia. É ainda limitado o domínio gravado com cláusula de
inalienabilidade, pela falta de livre disposição da coisa, art. 1.231.

3º) URBANA — Divide-se em importantes aspectos setoriais,


vinculados a um novo regime, no qual loteamentos recebem
regulamentação contratual para aquisição parcelada do solo. O
compromisso de venda, a promessa de cessão e a cessão são típicos
dessa modalidade considerados irretratáveis e a opõe-se a terceiros.
O parcelamento possibilita o loteamento e o desmembra-mento.

RURAL OU AGRÁRIA — submetida ao regime do Estatuto da Terra


(Lei nº 4.504/64) e em leis complementares, se exerce quando
favorece o bem-estar social dos seus proprietários e trabalhadores,
mantendo níveis satisfatórias de produtividade.
Sua exploração pode ser sob forma empresarial ou doméstica,
quando é chamada de propriedade familiar, sob exploração direta pelo
agricultor e sua família, absorvendo toda a força de trabalho e sem
atividade assalariada. (GOMES, p. 106)

EXTENSÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE — A extensão deve


ser visualizada sob o aspecto real que compete ao titular desse
direito, sendo que esse poder recai sobre coisas determinadas:
móveis e imóveis. Quando recai sobre imóveis, a extensão pode não
ser estabelecida tão seguramente. Pode ir ao espaço aéreo ou ao
subsolo. Há que se determinar a extensão: espaço aéreo, subsolo e
partes integrantes, a saber:

1o EXTENSÃO VERTICAL — O poder do proprietário de um bem de


raiz deve-se estender para cima e para baixo, a determinada altura e
profundidade. Ex: Edificar um prédio.

2o ESPAÇO AÉREO — O direito do proprietário sobre o espaço aéreo


limita-se a satisfação das necessidades práticas da propriedade.
Prevalecendo a utilidade do exercício. Ex: Passagem de fios
condutores de energia, que independem da anuência do proprietário.

3o SUBSOLO — O direito ao subsolo estende-se ao exercício útil,


assim como o espaço aéreo. As riquezas existentes no subsolo
pertencem a economia nacional. Se existentes, tais riquezas são
considerados res nullius, coisas pertencentes ao domínio estrito do
Estado, cuja exploração se dará sob concessão. (GOMES, p. 117)
EXTENSÃO ÀS PARTES INTEGRANTES — A propriedade estende-
se as partes integrantes essenciais, isto é, as que não podem ser
separadas da coisa sem destruição ou determinação, por essa razão
não podem ser objeto de propriedade distinta. Ex: A plantação não
pode pertencer a outra pessoa que não o proprietário do solo.
DA AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE

No Direito Romano o critério divisório obedecia a ordem de


importância da época, de uma sociedade eminentemente agrícola,
onde as “res mancipi” os chamados fundos itálicos, que
compreendiam o solo romano e da península itálica; as servidões
prediais sobre os fundos itálicos, os escravos e os animais de carga e
de trabalho, demandavam forma solene e cercada de garantias para
sua transferência.

Por outro lado, as “res nec mancipi”, compreendiam: o dinheiro; os


metais preciosos; móveis; e demais animais domáveis, que
transmitiam-se pela simples tradição.

Essa divisão foi suprimida pelo código justiniano, entretanto,


permanece entre nós até hoje, a divisão entre bens móveis e imóveis,
herança do período pós-clássico, que vem do sistema romano-
germânico, passando pela Idade Média, onde a propriedade era
sinônimo de poder e soberania, que insere-se nas condições atuais,
tendo em vista que é no imóvel que se encontra o substrato da
riqueza. Nosso ordenamento claramente atribui maior proteção aos
bens imóveis, (p. 151).

SISTEMAS DE AQUISIÇÃO — No ordenamento jurídico vigente, o


contrato é o instrumento para aquisição de coisas, mas que por si só
não transfere a propriedade. Eis porque o domínio transfere-se pela
tradição nos bens móveis e pela transcrição do título aquisitivo para
os imóveis, seguindo-se a tradição romana.

O ordenamento pátrio segue o modelo alemão, afastando-se do


modelo francês, que defende o simples pacto como transferência da
propriedade.

O código Alemão de 1896 instituiu a transferência fundada em registro


imobiliário, mediante exame prévio do título de transferência da coisa,
que exige cadastro rigoroso e confiável dos imóveis, traduzindo-se em
negócio jurídico de caráter abstrato e desvinculado do negócio
anterior, não importando se era compra e venda, doação, permuta ou
outro, estabelecendo-se assim, presunção absoluta de propriedade,
cuja transcrição é sua prova plena.

Nosso legislador adotou o sistema, frente a estrutura deficiente do


país, onde com o contrato existe apenas obrigação, direito pessoal,
que decorre dos arts. 1.238 ss, sendo a presunção “júris tantum” e
não “jure et jure”, a “transferência é título hábil à transmissão da
propriedade” e enquanto o registro não for anulado, tem eficácia a
presunção, art. 859 cc (p. 152).

DOS MODOS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE

1o - ORIGINÁRIO — O modo de aquisição a título originário ocorre


quando a coisa encontra-se desvinculada de qualquer relação com o
titular anterior e sem que haja relevância com o antecessor. De forma
restritiva considera-se a ocupação de coisas: Ex: animais silvestres.

O caso típico é a usucapião, o usucapiente não recebe a coisa do


usucapido. Seu direito de aquisição não decorre do antigo
proprietário, mas do direito resultante da sentença. Sendo que na
aquisição originária, não se transmitem os vícios da propriedade.

2o - DERIVADO — Quando ocorre a transmissão de um proprietário a


outro, por ato inter vivos ou causa mortis. A coisa chega ao adquirente
com as mesmas características anteriores, não se extingue o ônus,
Ex: Servidão, hipoteca, compra e venda e doação.

3o SINGULAR — Tem por objeto um bem individualizado. O legatário


pode receber a título singular um bem determinado na herança. Ex:
uma casa, um veículo.

4o - UNIVERSAL — O corre quando a universalidade do patrimônio é


transmitida no caso do sucessor universal, que assume todos os
direitos e obrigações do transmitante, o de cujus.

DA AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL

Com base no art. nº 1.245 do Cód. Civil, os modos de aquisição são:


1. TRANSCRIÇÃO — É considerada como a primeira hipótese de
aquisição da propriedade, dada a importância dos bens de raiz,
procurou o legislador atribuir importância capital à circulação dos bens
imóveis, com considerável grau de segurança, mediante a tradição
solene atreves do Cartório de Registro de Imóveis, em vista da
publicidade que o fato requer. Lei 6.015/73, art. 174, 182 a 186, 228,
236 e 856 a 869 cc. (p. 157, v. IV).

2. ACESSÃO — São acréscimos que a coisa sofre no seu valor ou no


volume em razão de elemento externo. Ex: Benfeitoria, avulsão, a
aluvião mudança do curso de rio. A formação de ilha é considerada
acréscimo aos terrenos ribeirinhos, para dividi-los fraciona-se a ilha
dividindo o rio pelo álveo em duas partes, art. 1.248/1.250 cc.

2.1 ACESSÃO POR FORMAÇÀO DE ALUVIÃO — é o acréscimo


lento formado nas margens dos rios, que importa em aquisição para o
proprietário do imóvel, segundo o princípio do “o acessório segue o
principal”, trata-se no caso de aluvião decorrente de fato natural, art.
1.251 cc.

2.2 ACESSÃO POR FORÇA AVULSÃO — é desmembramento


súbito por força da corrente de água, que desfigura o imóvel tornando-
o total ou parcialmente impróprio para o uso. Neste caso o dono
poderá reclamar indenização, no prazo decadencial de um ano, não
havendo a possibilidade de remoção, art. 1.251 cc.

2.3 ACESSÃO POR ABANDONO DE ÁLVEO— vale dizer, apropriar-


se do leito de um rio, que pertencerá aos proprietários ribeirinhos. Se
o rio retornar ao leito antigo, recompor-se-á a situação anterior, art.
1.252 cc.

2.4 ACESSÃO POR CONSTRUÇÕES E PLANTAÇÕES — são


decorrentes de conduta humana e podem ser móvel e imóvel. Se
imóvel próprio é considerada benfeitoria, se imóvel alheio é
considerada mera acessão ou coisa, Ex: plantação, semeadura. Art.
1.253.

2.5 ACESSÃO NATURAL DE ANIMAIS — quando o animal


doméstico volta ou passa a viver em outra propriedade, passa aquele
proprietário a deter o direito sobre ele, sendo que o semovente voltou
à condição de res nullius, se não ousou atraí-lo. Nosso Código não
trata tal matéria, (p. 168, v. IV).

3. USUCAPIÃO — É modo originário de aquisição do domínio,


através da posse mansa e pacífica, seu principal elemento, por
determinado lapso de tempo. Constitui direito à parte e independente
de qualquer relação jurídica com o anterior proprietário. Fundamenta-
se no propósito de consolidação da propriedade, estimulando a paz
social e diminui para o proprietário o ônus da prova de domínio. É
modo de premiar a quem produz a terra, na opinião de Silvio
Rodrigues. Ocupando-a e pondo-a a produzir. Não apenas a
propriedade e o domínio útil, mas também a enfiteuse, o usufruto, o
uso, a habilitação e as servidões. A usucapião aplica-se também a
semoventes, Admite-se para tanto a sucessão de posse, art. 1.238
cc., (p. 171, v. IV).
3.1 USUCAPIÃO ORDINÁRIO — é aquela que se confere em dez
anos, a moradores presentes no mesmo Município e quinze entre
pessoas ausentes, moradores de Municípios diversos, mediante prova
de posse mansa e pacífica acompanhada de justo título e boa-fé, art.
1.242 cc.

3.2 USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO – é aquele que se adquire em


quinze anos mediante prova de posse mansa e pacífica e ininterrupta,
independente de justo título e boa-fé, art. 1.238 cc.

3.3. USUCAPIÃO ESPECIAL, CONSTITUCIONAL OU PRO


LABORE — requer sentença de reconhecimento, que levada ao
Registro de Imóveis, é título de reconhecimento para tal.9, art. 183 e
191 da Const. Federal de 1988.

A ação de usucapião é de eficácia declaratória, não se constituindo a


propriedade pela sentença, podendo ser usado como matéria de
defesa, salvo na usucapião pro labore, art. 941 CPC.

3.4 JUSTO TÍTULO — não é necessariamente documento perfeito e


sim hábil para transcrição, vale dizer: titulus ou justa causa que
denote a razão pela qual alguém recebeu a coisa do precedente
possuidor, ou ainda: é o fato gerador da posse, que será examinado
como a justa causa da posse do usucapiente. Em regra, é justo título
todo ato ou negócio jurídico que em tese passa transferir a
propriedade, tanto assim, a aparência de propriedade na transmissão
9 - RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. 25. ed. São Paulo, 1999. p. 102.
pode constituir justo título, que está intimamente ligado à boa-fé. Art.
490 dispõe: o possuidor com justo título tem presunção de boa-fé, (p.
174, v. IV).

4. AQUISIÇÃO PELO DIREITO HEREDITÁRIO — Pressupõe fato


morte, art. 1.784 cc., transmitindo-se posse e propriedade, mantidas
com a mesma natureza e características, tal como exercidas pelo
falecido, onde a aceitação geralmente ocorre de forma tática, devendo
a renúncia expressa constar de documento oficial, art. 1.581 cc.

DA PERDA DA PROPRIEDADE IMÓVEL

A propriedade imóvel é como vimos, a princípio, um direito perpétuo


na pessoa de seu titular ou de seus sucessores. Isso valerá, até que
seja afastado legalmente, por algum motivo de seu patrimônio, art.
1.275.

De resto, ele só perderá a propriedade por vontade própria. A exceção


a essa regra, apresenta-se quando a lei determinar a sua extinção,
que pode ocorrer no caso de perda ou de desapropriação da coisa,
somar ainda, a usucapião e a acessão por considerar-se outras
causas. “A alienação, a renúncia e a desapropriação dependem da
transcrição no Registro de Imóveis”.
ALIENAÇÃO — É contrato oneroso bilateral, de caráter
pessoal ou real, mediante a transferência da coisa.
RENÚNCIA — É ato unilateral. Não requer registro,
salvo na herança que implica em abandono ou
desistência que resulta em extinção de direitos, art.
1.804/8 cc.
ABANDONO — É ato voluntário, sem qualquer
formalidade. O arrependimento é elemento básico do
abandono, art. 1.223 cc.
PERECIMENTO DO IMÓVEL — É a extinção de um
PERDA direito, ou da coisa que lhe servia de objeto.
DESAPROPRIAÇÃO — É ato involuntário de perda da
propriedade privada, por intervenção do império,
facultado à União, Estados, Municípios e o Distrito
Federal, bem como de cessionários aos serviços
públicos, no interesse social ou utilidade pública, art. 184
e 185 CF 1988.
Fundamentos – É ato unilateral, do Poder Público
fundado em lei, mediante justa indenização, art. 5º XXIV
CF.
Pressupostos – Utilidade pública e interesse social.

Objeto – Todos os bens móveis e imóveis. Ex: Aviões, ações das


S.A., títulos de crédito em geral, desapropriação parcial, Ex: servidão
– oleodutos, eletrificação, etc.
Retrocessão – É a possibilidade de reaver o imóvel expropriado pelo
mesmo preço, caso não tenha sido utilizado no fim desejado, art. 519
cc.

Registro – Lei 6.015/73 art. 167, 172, 174/76, 177/8, 182, 185, 191,
193, 217, 221, 247 e 249.

DA AQUISIÇÃO E PERDA DA PROPRIEDADE MÓVEL

MODOS DE AQUISIÇÃO:
OCUPAÇÃO — É modo originário e legítimo de aquisição da
propriedade móvel sem dono ou abandonada, art. 1.263.

ESPECIFICAÇÃO — É modo de adquirir a propriedade através da


transformação de matéria prima própria ou alheia, revertida em
espécie nova, art. 1.269.
Objetiva — é a mistura de coisas líquidas,
impoSsível de separá-los, art. 1.272.
Subjetiva — é modo de extinção de obrigações,
pela reunião na mesma pessoa, das qualidades de
credor e devedor, art. 381.
CONFUSÃO Comistão — é a mistura de coisas sólidas, de tal
forma que não se possam separá-los.
Adjunção — é a justaposição de uma coisa à outra
de modo que não mais torne possível destacar a
acessória do principal, sem deterioração.
USUCAPI?O

Ordinária – 3 anos sem interrupção, com justo


título e
boa-fé.
Extraordinária – 5 anos independente de justo título e
boa-fé, art. 1.260 a 1.262 CCB.

TRADIÇÃO — É modo derivado de aquisição do domínio da coisa,


pela entrega efetiva. A perda da propriedade móvel é conseqüência
da aquisição de outrem, art. 1.267 a 1.268 CCB.

MEIOS DE TUTELA DA PROPRIEDADE — Os meios de proteção


são os seguintes:

Ação reivindicatória – é a ação petitória por uma vez. È


ação real. Autoriza o direito de retenção em relação
às benfeitorias.
Ação declaratória – é a declaração do título e a cão
imprescritível, é direito postetativo do titular.
Ação negativa – tem por objetivo segar a existência de
MEIOS restrição como a servidão.
Ação confessória – é através dela que o requerente
obtém o reestabelecimento da servidão.
Mandado de Segurança – é utilizado para defender a
ofensa concreta do proprietário praticada por
autoridade pública.
DO CONDOMÍNIO EM GERAL

CONCEITO — considera-se condomínio quando houver uma relação


de direito de propriedade, onde diversos são os sujeitos ativos, o que
contrasta de certo modo com a exclusividade do direito de
propriedade, art 1.314 cc.

Cada proprietário condômino atua como proprietário exclusivo, em


face de seus consortes, isto porque a comunhão de interesses
pressupõe a existência de direito de igual grau e harmonia. O
condômino possui direito de propriedade pleno, mas compartilhado.
(v. IV, p. 230).

É visto até hoje na doutrina, como ninho de brigas, e forma anormal


de propriedade, fruto da repugnância individualista para admissão de
um sistema pluralista de propriedade.

A comunhão pode correr no direito de família, nas obrigações


indivisíveis, no direito sucessório e no condomínio ou
compropriedade, onde os sujeitos a exercem de forma simultânea e
concorrente, art. 1.327.

O condomínio não é exclusivo da propriedade, pode ocorrer também


entre titulares da enfiteuse, usufruto, uso e habitação.

HISTÓRICO — No Direito Romano a origem do condomínio é


obscura, em razão de seu individualismo procurando situá-lo na
comunidade familiar, onde, o fenômeno ocorria em virtude da
sucessão hereditária, como demonstra o Código Justiniano, onde o
condômino exercia seu direito com base no tamanho da propriedade.

O sistema Germânico o compreendia como “Comunhão de mão


comum”, não havendo comunhão de parte ideal, a propriedade era
exercida por todos. Era a concepção do direito feudal, a coisa toda era
objeto de uso e gozo comum.

O direito, pátrio, ancorou-se na tradição romana, baseando o


condomínio na fração ideal, onde afasta-se a idéia de personalidade
jurídica, por não ser o caso, podendo existir, contudo um gerente para
administrar o bem comum.

DIREITOS DO CONDÔMINO — Dentre eles alguns decorrem das


condições de proprietário, outros, da condição de comunheiros, pela
coisa individa. O uso livre da coisa comum só encontra limite, na
proibição de perturbar o uso da outra parte, 1.335.

A coisa deve ter uso de acordo com o seu destino ou natureza,


proibindo-se ao condômino o uso diverso do normal, art. 1.335.

DEVERES DO CONDÔMINO — Concorrer com as despesas


proporcionais e dívidas contraídas, do mesmo modo que possui direito
aos frutos não podendo contudo alienar individualmente a sua cota
parte enquanto não individualizada a coisa, art. 1.336 cc.
ADMINISTRAÇÃO — As partes poderão administrá-lo
conjuntamente ou por meio de um administrador, porém, é
necessário que haja uma gerência, ainda que inexista hierarquia.

EXTINÇÃO — Se dará pela divisão (declaratória), art. 1.357 cc.

Dar-se-á também a extinção pela venda, arts. 1.113 e 1.118 cpc.

As sentenças das ações de divisão estão sujeitas a registro


imobiliário para sua eficácia (extinc), art. 123 da Lei nº 6.015/73,
sendo a ação disciplinar de pelos arts. 946 a 949 do cpc.

Em se tratando de imóvel rural, Lei nº 4.504/64, só haverá


divisão, se obedecida a proporção do módulo de propriedade
rural.

DO CONDOMÍNIO EM PAREDES, CERCAS, MUROS E VALA


— Arts. nº 1.327 a 1.330 cc.

DO CONDOMÍNIO EM EDIFICAÇÕES — Caracteriza-se por


apresentar uma propriedade singular dos apartamentos em andares
ao lado de uma comunhão necessária e inexorável do terreno e das
partes comum do prédio. A propriedade é singular e exclusiva, o
restante é condição de existência do sistema e lhe são acessórios,
sendo regido pela Lei nº 4.591/64.

ELEMENTOS:
1º Ato institucional — É ato inter vivos e inscrito
no Registro de Imóveis. Sobre prédio construído
ou por construir, Lei nº 4591/64.
2º Convenção do condomínio — É documento
escrito onde se prevê os direitos e deveres de
cada condômino.
3o Estatuto — É um contrato formal.
4o Regulamento — Aprovado por contrato ou
deliberação em assembléia, tem finalidade
interna e complementar à convenção.
CONSTITUTIVOS Geralmente o condomínio incicia-se através de
um incorporador que empreende a construção e
depois a venda em unidades autônomas.
5o Elementos integrantes — Unidades
autônomas.
6o Características — Limitações e restrições;
áreas comuns; e utilização.
7o Despesas — art. 12 da Lei n 4.591/64.
8o Administração do condomínio — art. 22 e
23 da Lei 4.591/64.
9o Seguro contra incêndio — art. 13, Lei nº
4.591/64.

EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO — Extingue-se pela destruição, desde


que se os proprietários resolvam não reconstruí-lo, art. 17.

DA PROPRIEDADE RESOLÚVEL
RESOLÚVEL — Para Clóvis Beviláqua, a propriedade resolúvel é
aquela que no próprio título de sua constituição encerra o princípio
que a tem de extinguir, realizada a condição resolutória, ou vindo o
termo extintivo, seja por força de declaração de vontade, seja por
determinação da lei. (C.C. Comentado, v. 3, p. 177). Trata-se de
exceção ao princípio geral. Art. 1.359

ART. 1.359 — Resolvido o domínio pelo implemento da condição ou


advento do termo, entendem-se resolvidos os direitos, e o proprietário
pode reivindicar a coisa do poder de quem a detenha.
Neste caso a condição ou termo constam do próprio título, e não
representam surpresa a terceiros, que correm o risco de perdê-lo caso
pretendam adquiri-la. Os direitos concedidos na pendência da
condição, resolvem-se com prejuízo dos eventuais adquirentes. Ex:
Pacto da retrovenda, 1.141 cc. Propriedade comum art. 1.139 cc.
Direito de preferência e o inquilino, art. 27 e 33, da Lei nº 8.245/91.

O alienante só pode vender o que é seu, de que é senhor, caso venda


patrimônio com domínio resolúvel, não poderá transferir domínio
pleno. De que não possuíra titularidade.

O adquirente de um bem sob condição ou termo não pode alegar


prejuízo, se contribuiu com sus negligência. Ex: adquirir imóvel ou
automóvel mais barato. Neste caso todos os direitos sobre a coisa se
desfazem como se jamais existissem.
EX NUNC — De agora em diante; a partir do presente
Efeitos momento; sem efeito retroativo.
EX TUNC — De então; ou desde então; com efeito
retroativo.

ART. 1.360 — Neste caso os atos praticados anteriormente a


alienação são válidos. Ex: revogação da doação por ingratidão do
donatário, sem prejuízo de terceiros que vierem adquirir daquele, por
ter sido ele dono da coisa.

DOS DIREITOS DE VININHANÇA


A coexistência de vários prédios próximos, a vizinhança, a
coletividade e a disciplina urbana traduz parte das restrições impostas
ao exercício do direito de propriedade que limita a disposição em
função de interesses de ordem pública e privada, sendo que nestes
termos os art. 1.277 A 1.281 CCB servem de base para solução dos
conflitos, em vista do uso nocivo da propriedade, eis porque estes
conflitos decorrem da proximidade ou interferência dos prédios.

As regras do direito de vizinhança visam harmonizar a vida em


sociedade. Com isso na opinião de Pontes de Miranda, o legislador
também, compreende o possuidor.

Sempre que houver prejuízo haverá obrigação de indenizar, sendo a


responsabilidade extracontratual, art. 159 cc. Caso haja má-fé, do
sujeito a indenização agravar-se-á com perdas e danos.
As relações de vizinhança têm natureza real, mas não são
reais. Sendo necessário o conflito de vizinhança para que haja efeitos
sobre o imóvel vizinho, incidindo em desvalorização ou risco de ruína.

ação indenizatória, em caso de dano.


Cabendo a prova ao requerente, art.
1.059 cc.
As ações possíveis são ação cominatória de multa diária,
através do rito sumaríssimo, art. 275, 632
a 645 cpc, podendo ser ainda o rito
ordinário.

A natureza jurídica é no sentido de que o direito de vizinhança


acompanha a coisa vinculada com que quer que se encontre. A
obrigação propter rem, transmite-se ao sucessor a título particular e
exitingue-se pelo abandono.

DOS DIREITOS REAIS SOBRE COISAS ALHEIAS


Não há dúvida que a propriedade é direito real mais amplo, pela
possibilidade de usar, gozar e dispor da coisa. No entanto, outros
direitos adquiriram o status de direito real, assim chamados
obrigações com eficácia real, tais como: o direito de preferência do
inquilino, do compromissório comprador de imóvel, com registro
imobiliário. São direitos sobres coisas alheias, art. 1.225 cc.
DIREITO DE SUPERFÍCIE
O Código Civil 2002 substituiu e extinguiu a enfitense do Direito
Privado10 e introduziu o direito superfície oneroso ou gratuito, art.
1.369 a 1.377.

O superficiário assume a posse direta da coisa tendo o direito de


plantar e edificar, não sendo este perpétuo. Haverá direito de
preferência e pagamento se a concessão for onerosa. É de origem
romana.

SERVIDÃO — É direito real constituído em favor de um prédio


(dominante) sobre outro prédio (o serviente), pertencentes a donos
diversos. A servidão predial, tem por finalidade aumentar a utilidade
do prédio dominante e implica em restrições trazidas ao prédio
serviente, art. 965 cc. Sendo possível sempre que se puder configurar
uma serventia em benefício de um prédio em detrimento de outro.
Não havendo necessidade de contigüidade entre os prédios
dominante e serviente, desde que estabeleçam uma vantagem, no
caso do aqueduto, que pode passar por muitos outros e onde só um
lhe é contíguo. Ex: Servidão de passagem de iluminação, aqueduto,
ventilação e pastagem, art. 1.378ss.

– relação entre dois prédios de duas pessoas que


sejam sujeito ativo e passivo do direito;
– obrigação negativa de ônus, imposto ao dono de
REQUISITOS um prédio em benefício de outro, que deve
10 - Enfitense no Direito Público da união permanece pelo direito Lei nº 9.760/46.
suportar as limitações;
– a existência de donos diversos do prédio
dominante e do serviente.

Natureza jurídica – é de um direito real sobre a coisa


alheia de caráter acessório, perpétuo e indivisível, oponível contra
todos.

contínuas — quando são ininterruptas como por


ex.: aqueduto, passagem de energia elétrica,
iluminação e ventilações;
descontínuas — têm necessidade de um fato atual
do sujeito para serem exercidas, ex: direito de
Classificação passagem, de tirar água, de pastagem, etc.
aparentes — aquelas que revelam obras exteriores
indispensáveis ao exercício, ex: estrada ou
aqueduto; e
não aparentes — ex: aquelas que proíbem
construir acima de certa altura.

– A servidão não se presume.


– Só se constitui por ato entre vivos e
A??ES CAB?VEIS

levado no Registro de Imóveis, antes da


inscrição a servidão é mero direito
pessoal.
– As servidões devem ser exercidas
evitando quanto possível agravar o
encargo do prédio serviente, limitando-se
Modos de constituição às necessidades do prédio dominante e
quando necessária a ampliação da
servidão deverá ser indenizada pelo dono
do prédio dominante, tal como a
conservação da servidão lhe corre por
conta. Portanto a remoção da servidão
ser requerida pelo dono do prédio
serviente, sempre que puder ser de um
lugar para outro.

cancelamento do registro, e
EXTINÇÃO
renúncia titular do, deixar de usar

— confessória – reconhecimento judicial de


existência.
— negatória – proclamação de inexistência de
ônus real.

USUFRUTO — É direito real conferido a alguém, durante certo lapso


de tempo, que autoriza a retirar da coisa alheia os frutos e utilidades
que ele produz, impondo-se-lhe o dever de conservar a sua
substância, podendo mais cedo ou mais tarde, consolidar-se a
propriedade.

Há verá dois titulares no usufruto: o seu proprietário e o usufrutário.


Sendo um direito real de grande abrangência, com objeto de uso
e gozo, temporário e inalienável. Temporário por que finda com o
prazo de cem anos e extingue-se pela morte do usufutário, art. 1.390
cc.

Usufruto apareceu na era da República ao tempo de Cícero. Tem


finalidade assistencial, via de regra resulta de negócio gratuito. Não
raro o usufruto advém de testamento e neste caso se assemelha com
o fideicomisso, e ainda por doação. Sendo alienável apenas em favor
do proprietário.

O usufruto pode recair em um ou mais bens moveis e imóveis, no


patrimônio inteiro ou parte dele, e ou dos frutos e utilidades e resulta
de ato jurídico ou da lei, sempre com registro imobiliário quando recair
sobre bens imóveis.

— Posse exercitál diretamente sobre a coisa,


havê-lo à sua disposição. Deve ser justa, direta
e protegida;
DIREITOS DO — Usar pessoalmente a coisa,
USUFRUTUÁRIO podendo cedê-la a título oneroso ou gratuito se
conveniente;
— Administrar a coisa sem ingerência, sua
administração é direta; e a percepção dos
frutos. Podendo locar o imóvel.

O usufruto de títulos de crédito é possível e é considerado um quase-


usufruto e o usufruto de apólices da dívida pública, o usufruto de um
rebanho, de florestas e minas, mesmo considerado impróprio, por que
neste caso o usufrutário percebe os produtos e não os frutos. Já o
usufruto de coisas consumíveis é chamado de quase-usufruto, porque
neste caso não há como restituir a coisa.

– pela morte do usufrutuário, pela destruição da coisa;


EXTINÇÃO – pela consolidação da propriedade; e
– pela prescrição extintiva, pelo não uso.

USO — É espécie de usufruto de abrangência restrita, não é passível


de cessão e é limitado às necessidades do usuário e sua família, art.
1.412.

HABITAÇÃO — O direito real de habitação é restrito ao uso da coisa,


que consiste em residir em determinado prédio com a família, não
podendo ceder a título oneroso ou gratuito. Aplica-se ao uso e a
habitação os princípios do usufruto, no que couber, art. 1.414.

A constituição de rendar sobre imóveis é considerada pelo Novo


Código Civil como direito obrigacional e não mais como direito real,
art. 803 a 813.

Penitor
DOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA Hipoteca
Anticrise, art. 1419 Ncc

Alguns juristas entendem que os direitos reais de garantia não


apresentam rigorosamente as características próprias dos direitos
reais sobre coisa alheias, porque se tais direitos, em geral, separam
de um lado, o direito de disposição, e do outro, o do uso ou o gozo, no
caso dos direitos reais de garantia não se desmembram os direitos
originados da propriedade. Operando-se apenas, a vinculação de uma
coisa a determinada obrigação, para garantia de seu pagamento, art.
674 cc, são eles: Penhor, Hipoteca e Anticrese.

O direito de garantia, é como o direito real, um direito de segunda


zona. A coisa é vinculada a uma obrigação, que garante uma ralação
creditória.

CARACTERÍSTICA – Acessoriedade, de vez que a coisa dada em


garantia só será pelo credor, para satisfação de seu direito pessoal.

A regra geral, é a de que todo o patrimônio do devedor responde por


suas dívidas, pelo que não há nenhum bem particularmente afetado a
garantia de determinada dívida. Todos os bens do devedor podem ser
objeto de penhora, exceto os bens impenhoráveis. Para tanto todos os
credores do devedor comum concorrem em regra, em situação de
igualdade, pela aplicação da chamada lei do concurso de credores.11

No caso do concurso de credores, sem garantia real, haverá


proporcionalidade entre os seus respectivos créditos. O titular de
garantia real, terá preferência, quanto ao produto da alienação. Assim
sendo, alienado o bem penhorado, pagar-se-á primeiro com o produto
da venda, o credito garantido.

As garantias podem ser de natureza pessoal “aval e fiança” e incidir


sobre todo o patrimônio, ou de natureza real, que vincula um
determinado bem a uma obrigação.
A garantia vincular-se-á também, fora do patrimônio do devedor, p.ex:
aval e fiança ou garantia real (penhor, hipoteca e anticrese)
vinculando um terceiro, estranho à relação creditória.12

A relação de garantia é em princípio de natureza pessoal. A


vinculação de certo bem a tal relação, é que a torna de natureza real,
por incidir no poder direto e indireto do credor sobre a coisa, que
garante um direito pessoal que é o crédito e não se descaracteriza
pela coexistência da garantia real. O mútuo existe sem garantia real,
somente pessoal, mas pode ter garantia real sem se modificar.

11 BESSONE, p. 309.
12 Ibidem, p. 310.
Os privilégios e as garantias reais de certos direitos a certos credores,
seja pelas leis ou a vontade das partes os colocam em posição de
vantagem face aos outros credores, tendo em vista a qualidade do
crédito, por força da convivência no âmbito econômico e comercial.

— O privilégio qualifica o crédito, já no direito real não


há tal preocupação. Ex: cuidados com o salário. A
garantia real pode ser dada a qualquer crédito, sendo
de natureza pessoal, não estabelece poder jurídico
sobre a coisa.13
DISTINÇÃO — O privilégio é instituído por lei, o direito real de
garantia, regulado pela lei, decorre da vontade das
partes. É voluntário.
— O direito real de garantia confere a seu titular a
prerrogativa de obter o pagamento de uma dívida
com o valor ou a renda de um bem aplicado
exclusivamente à sua satisfação.14

PENHOR — Constitui-se pela entrega da coisa móvel pelo devedor ao


credor, a título de garantia da dívida, para ser devolvida tão logo seja
paga a dívida. Isto no direito romano. Atualmente pelo penhor
entrega-se a coisa a título de garantia, mas sem a transferência do
domínio.

O contrato de penhor é um contrato real por formação, em vista da


relação jurídica de entrega da coisa. É o que acontece no mútuo, no

13 RODRIGUES, p. 311.
14 BESSONE, p. 311
EFEITOS

comodato, no depósito e no penhor. O penhor produz direito real de


garantia, que é também pelos seus efeitos, um contrato real. O
penhor, sem a entrega da coisa, é na verdade uma promessa de
penhor.

É contrato unilateral porque produz obrigações apenas para o credor


de devolver a coisa. Sendo assim, uma relação creditória de natureza
pessoal, pois se estabelece entre credor e devedor, podendo ter como
objeto de penhor coisa móvel e alienável, seja corpórea ou
incorpórea.

— A entrega de coisa
REQUISITOS — a especialização e
— o termo lavrado por escrito

— Garantia da dívida, conferindo direito real em


favor do credor,
— preferência na cobrança da dívida,
— o direito de seqüela é oponível a terceiros.

REGISTRO — O penhor é transcrito no cartório títulos de registros e


documentos, para efeito de publicidade e não terá finalidade
constitutiva esse registro, se constitui pela entrega efetiva da coisas
entre as partes e sua extinção se verifica pelo art. 802.15

HIPOTECA — É a garantia real que se estabelece em princípio sobre


coisa imóvel que se realiza sem o desapossamento do devedor. O
15 BESSONE, p. 329.
ESP?CIES

imóvel afetado pela garantia da obrigação resulta em direito de


preferência, oponível aos demais credores do devedor comum e o
direito de seqüela no que interessar à eficácia da garantia hipotecária,
art. 1.473.

A hipoteca tem por princípio bens imóveis, podendo comportar certas


exceções como navios e aeronaves de grande porte, ainda os bens
acessórios da coisa imóvel como: o domínio direto e útil, no caso da
enfiteuse, as estradas de ferro, minas e pedreiras.

Seu pressuposto é um direito de crédito, de natureza pessoal a


garantir. Podendo para tanto garantir qualquer crédito, pois é de
natureza convencional e depende da validade do título, garantia de
dívida atual ou futura.

A hipoteca é de origem grega, é contrato unilateral, produz obrigações


e direito de preferência e de seqüela que se extingue pelo
desaparecimento da dívida.

Voluntárias
Convencional
Testamentário
Legais ou judiciários.16

ANTICRESE — É o contrato pelo qual o devedor, ou um terceiro


16 BESSONE, p. 342.
Seus inconvenientes s?o

atribui a posse de um imóvel seu ao credor, para que este perceba em


compensação da dívida, os respectivos frutos, art. 1.506 cc.

A sua garantia encontra-se na percepção dos frutos, possuindo


caráter misto por ser direito real de garantia, de gozo e direito real de
aquisição. Também de origem grega anticrese significa contrafruição.

O credor na posse da coisa, por efeito do pignus, percebe os frutos, o


que não ocorre no penhor moderno. Foi proscrita por Justiniano e
combatida pelo direito canônico. Ressurgiu no final da Idade Média,
junto com os juros e foi aprimorada no Código Napoleônico.

— a privação da propriedade imóvel


pelo devedor proprietário;
— a dificulta a circulação de bens;
— a transferência de bens alheios.

Pode ser concedida pelo proprietário enfiteuta, ou usufrutuário,


ocorrendo a alienação dos frutos, mediante a entrega do imóvel ao
credor. Tendo o credor anticrético o direito à posse e ao uso e gozo
do imóvel. Extinguindo-se pela extinção do direito principal que é o
crédito.

BIBLIOGRAFIA
WALD, Arnaldo. Dir. reais. Saraiva, 2002.
GOMES, Orlando. Dir. reais. Forense, 2002.
VENOSA, Sílvio de Salvo. Dir. civil. v. IV. Atlas, 2002.
RODRIGUES, Sílvio. Dir. civil. v. 4. Saraiva, 2002.