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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA POLITÉCNICA DA USP

LACASEMIN – LABORATÓRIO DE CONTROLE


AMBIENTAL, HIGIENE E SEGURANÇA NA
MINERAÇÃO

EAD – ENSINO E APRENDIZADO À DISTÂNCIA

eHO-101

INTRODUÇÃO À HIGIENE OCUPACIONAL E LEGISLAÇÃO


OCUPACIONAL

ALUNO

SÃO PAULO, 2020


EPUSP/LACASEMIN
CURSO: ESPECIALIZAÇÃO EM HIGIENE OCUPACIONAL

EDIÇÃO/ANO: 1/2020

CRÉDITOS:
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - EPUSP
DIRETORA: LIEDI LEGI BARIANI BERNUCCI

Programa de Educação Continuada - PECE


COORDENADOR GERAL: LUCAS ANTÔNIO MOSCATO

Laboratório de Controle Ambiental, Higiene e Segurança na Mineração - LACASEMIN


COORDENADOR: SÉRGIO MÉDICI DE ESTON
VICE – COORDENADOR: WILSON SHIGUEMASA IRAMINA
ASSESSORIA TÉCNICA E ADMINISTRATIVA: MARIA RENATA MACHADO STELLIN

PP – PROFESSOR PRESENCIAL
- SÉRGIO MÉDICI DE ESTON
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documento”.
SUMÁRIO
i

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO AO MUNDO OCUPACIONAL .........................................1


1.1. PREVENÇÃO: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO ............................................................ 2
1.1.1. O INÍCIO ........................................................................................................... 2
1.1.2. OS ANOS 60 ..................................................................................................... 5
1.1.3. CONTRIBUIÇÕES DE ÁREAS EXÓGENAS À PREVENÇÃO OCUPACIONAL 6
1.1.3.1. TECNOLOGIAS DE PREVENÇÃO: TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCOS 6
1.1.4. ANÁLISE DE RISCOS E GERÊNCIA DE RISCOS ............................................ 7
1.1.5. O PREVENCIONISMO NO BRASIL .................................................................. 8
1.1.6. O “NASCIMENTO” DAS PROFISSÕES OCUPACIONAIS ................................ 9
1.1.7. ALGUNS MARCOS HISTÓRICOS E LEGISLATIVOS NO BRASIL.
LEGISLAÇÃO ATUAL E AS NORMAS REGULAMENTADORAS (NRS) ...................12
1.1.8. O PROFISSIONAL OCUPACIONAL E AS LEGISLAÇÕES A CONHECER .....12
1.1.9. SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL
(SGSSO) (BS 8800 E OHSAS 18001) ........................................................................13
1.2. TESTES .................................................................................................................15
CAPÍTULO 2. ASPECTOS HISTÓRICOS DA HIGIENE OCUPACIONAL ....................17
2.1. HISTÓRIA E CONCEITO .......................................................................................18
2.2. EVENTOS HISTÓRICOS EM SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL ..............19
2.3. OUTROS PONTOS HISTÓRICOS DE DESENVOLVIMENTO DA HIGIENE
INDUSTRIAL.................................................................................................................21
2.4. DESENVOLVIMENTOS NA AVALIAÇÃO ..............................................................21
2.5. PADRÕES E CRITÉRIOS ......................................................................................22
2.6. CONTROLE ...........................................................................................................22
2.7. OUTROS ASPECTOS ...........................................................................................23
2.8. FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E ASSOCIAÇÕES ......................................................23
2.9. TESTES .................................................................................................................25
CAPÍTULO 3. SITUANDO A HIGIENE OCUPACIONAL ..............................................27
3.1. ESTABELECENDO CONCEITOS INICIAIS E DEFINIÇÕES .................................28
3.1.1. CONCEITUAÇÃO GERAL ................................................................................28
3.1.2. DETALHANDO ASPECTOS BÁSICOS ............................................................29
3.1.2.1. Antecipar é..................................................................................................29
3.1.2.2. Reconhecer é... ..........................................................................................30
3.1.2.3. Avaliar é... ...................................................................................................30
3.1.2.4. Controlar é... ...............................................................................................30
3.2. ÁREAS DE INTERAÇÃO DA HIGIENE OCUPACIONAL .......................................31
3.2.1. MEDICINA OCUPACIONAL .............................................................................31
3.2.2. ÁREA DE GESTÃO AMBIENTAL .....................................................................31
3.2.3. ERGONOMIA ...................................................................................................31
3.3. POR QUE É FUNDAMENTAL AGIR SOBRE O AMBIENTE? ................................31
3.4. CONCEITOS DA HIGIENE EM ALGUMAS REFERÊNCIAS ..................................32
3.5. O CONCEITO DO LIMITE DE TOLERÂNCIA / LIMITE DE EXPOSIÇÃO ..............32
3.5.1. EXERCÍCIO DE CONSTRUÇÃO DO CONCEITO ............................................32
3.5.2. CATEGORIAS DOS LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ....................34
3.6. INTRODUÇÃO AOS AGENTES FÍSICOS# ............................................................34

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SUMÁRIO
ii

3.7. MEDIDAS GENÉRICAS DE CONTROLE DE AGENTES AMBIENTAIS ................35


3.7.1. MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE ...........................................................36
3.7.1.1. Substituição do Produto Tóxico ou Nocivo ..................................................36
3.7.1.2. Mudança ou Alteração do Processo ou Operação ......................................36
3.7.1.3. Encerramento ou Enclausuramento da Operação ......................................36
3.7.1.4. Segregação da Operação ou Processo ......................................................37
3.7.1.5. Ventilação Geral Diluidora ..........................................................................37
3.7.1.6. Ventilação Local Exaustora.........................................................................38
3.7.1.7. Manutenção ................................................................................................38
3.7.1.8. Ordem e Limpeza .......................................................................................39
3.7.2. MEDIDAS RELATIVAS AO PESSOAL .............................................................39
3.7.2.1. Equipamento de Proteção Individual (EPI) ..................................................39
3.7.2.2. Educação e Treinamento ............................................................................39
3.7.2.3. Controle Médico..........................................................................................40
3.7.2.4. Limitação da Exposição ..............................................................................40
3.8. ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES DA ÁREA ............................................................40
3.9. ATUAÇÃO DO HIGIENISTA OCUPACIONAL ........................................................41
3.10. O HIGIENISTA E AS QUESTÕES TÉCNICO-LEGAIS.........................................41
3.11. A HIGIENE OCUPACIONAL, SUAS “ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO” E AS
FORMAÇÕES PROFISSIONAIS ..................................................................................41
3.12. TEXTO COMPLEMENTAR ..................................................................................42
3.13. TESTES ...............................................................................................................46
CAPÍTULO 4. O CORPO HUMANO .............................................................................48
4.1. A CIÊNCIA DO CORPO HUMANO ........................................................................49
4.1.1. A CÉLULA ........................................................................................................49
4.1.2. ROTAS DE ENTRADA .....................................................................................50
4.1.2.1. Inalação ......................................................................................................51
4.1.2.2. Absorção ....................................................................................................53
4.1.2.3. Ingestão ......................................................................................................54
4.1.2.4. Injeção ........................................................................................................54
4.1.3. SISTEMAS INTERNOS ....................................................................................55
4.1.3.1. Sistema Circulatório ....................................................................................55
4.1.3.2. Sistema Nervoso ........................................................................................55
4.1.3.3. Sistema Reprodutivo...................................................................................56
4.1.4. ROTAS DE SAÍDA ...........................................................................................56
4.1.4.1. O Fígado.....................................................................................................56
4.1.4.2. Os rins ........................................................................................................56
4.2. TESTES (1) ............................................................................................................58
4.3. A NATUREZA DO PROBLEMA .............................................................................62
4.3.1. DANO CELULAR..............................................................................................62
4.3.1.1. Carcinogênicos ...........................................................................................62
4.3.1.2. Mutagênicos e Teratogênicos .....................................................................62
4.3.1.3. Rotas de entrada ........................................................................................62
4.3.1.4. Inalação ......................................................................................................63
4.3.1.5. Absorção ....................................................................................................63
4.3.1.6. Ingestão ......................................................................................................64

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SUMÁRIO
iii

4.3.1.7. Injeção ........................................................................................................64


4.3.2. SISTEMAS INTERNOS ....................................................................................65
4.3.2.1. Sistema Circulatório ....................................................................................65
4.3.2.2. Sistema Nervoso ........................................................................................65
4.3.2.3. Sistema Reprodutivo...................................................................................66
4.3.3. ROTAS DE SAÍDA ...........................................................................................66
4.3.3.1. O Fígado.....................................................................................................66
4.3.3.2. Rins e Bexiga..............................................................................................67
4.3.4. PERÍODO DE LATÊNCIA E DOENÇA OCUPACIONAL...................................68
4.3.5. EFEITOS AGUDOS E CRÔNICOS ..................................................................68
4.4. CASOS REAIS - O ACIDENTE DE BHOPAL .........................................................69
4.5. TESTES (2) ............................................................................................................70
4.6. LIMITES DE TOLERÂNCIA....................................................................................71
4.6.1. DETERMINAÇÃO DO RISCO ASSOCIADO A SUBSTÂNCIAS .......................71
4.6.1.1. Testes em Animais .....................................................................................71
4.6.1.2. Testes em Seres Humanos.........................................................................72
4.6.1.3. Testes Mutagênicos ....................................................................................75
4.6.2. FATORES INFLUENTES .................................................................................77
4.6.2.1. Toxicidade ..................................................................................................77
4.6.2.2. Concentração .............................................................................................78
4.6.2.3. Tempo de Exposição ..................................................................................78
4.6.2.4. Suscetibilidade Individual ............................................................................79
4.6.3. TIPOS DE LIMITES DE TOLERÂNCIA ............................................................79
4.6.3.1. Limites de Tolerância segundo a ACGIH ....................................................80
4.6.3.2. TLV – TWA .................................................................................................80
4.6.3.3. Limite TLV – STEL ......................................................................................80
4.6.3.4. TLV - C .......................................................................................................82
4.6.3.5. Distinção entre limite média ponderada (TLV – TWA) e limite nunca
superável (TLV – C).................................................................................................83
4.6.3.6. Limites Superáveis Condicionalmente (Limites de Digressão) ....................83
4.6.3.7. Normas Canadenses ..................................................................................84
4.6.3.8. Normas Brasileiras......................................................................................85
4.6.3.9. Limite de Tolerância Valor Teto – LTvt........................................................86
4.6.3.10. Limite de Tolerância Média Aritmética Ponderada - LTmap ......................86
4.6.3.11 Comparação entre as normas brasileiras e as sugestões da ACGIH .........94
4.7. METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO ...........................................................................98
4.7.1. MEDIÇÕES NO INDIVÍDUO .............................................................................98
4.7.1.1. Espirometria................................................................................................99
4.7.1.2. Raios X .......................................................................................................99
4.7.1.3. Excreções ...................................................................................................99
4.7.1.4. Teste de Dosagem Corporal .......................................................................99
4.7.1.5. Audiometria...............................................................................................100
4.7.2. RESUMO DOS MÉTODOS ............................................................................100
4.8. AÇÕES CORRETIVAS ........................................................................................100
4.9. ESTUDO DIRIGIDO .............................................................................................101
4.10. TESTES (3) ........................................................................................................102

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


SUMÁRIO
iv

4.11. CASOS REAIS ...................................................................................................104


4.11.1. A CIÊNCIA DAS RESINAS ...........................................................................104
4.11.2. A NATUREZA DO PROBLEMA ....................................................................106
4.11.2.1. Componentes Epóxi (monômeros, oligômeros) ......................................106
4.11.2.2. Componentes Amina ..............................................................................106
4.11.2.3. Solventes (grupos epóxi e amina) ...........................................................107
4.11.2.4. Outros Componentes da Resina Epóxi Aderente ....................................107
4.11.3. LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL .................................................108
4.11.4. METODOLOGIA DE MEDIÇÃO ...................................................................109
4.11.4.1. Resinas Epóxi .........................................................................................109
4.11.4.2. Aminas....................................................................................................110
4.11.4.3. Solventes ................................................................................................110
4.13.4.4. Metais .....................................................................................................110
4.11.5. RESULTADOS .............................................................................................110
4.11.6. AÇÕES CORRETIVAS .................................................................................111
4.12. TESTES (4) ........................................................................................................112
CAPÍTULO 5. CONCEITOS BÁSICOS DE ESTATÍSTICA EM HIGIENE ................... 113
5.1. A CIÊNCIA DO TRATAMENTO DE DADOS ........................................................114
5.1.1. MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL ..........................................................114
5.1.1.1. Média ........................................................................................................114
5.1.1.2. Mediana ....................................................................................................116
5.1.1.3. Moda ........................................................................................................116
5.1.1.4. Outras médias ..........................................................................................118
5.1.2. DISPERSÃO ..................................................................................................119
5.1.2.1. Amplitude (domínio de variação)...............................................................119
5.1.2.2. Variância...................................................................................................119
5.1.2.3. Desvio padrão...........................................................................................121
5.1.2.4. Quartis e percentis ....................................................................................121
5.1.2.5. Agrupamento de dados .............................................................................122
5.1.2.6. Gráficos de barras e distribuições de frequência ......................................124
5.1.2.7. Formas de curvas .....................................................................................124
5.2. TESTES (1) ..........................................................................................................129
5.3. A NATUREZA DO PROBLEMA ...........................................................................133
5.3.1. VALORES MEDIDOS .....................................................................................133
5.3.2. ERROS ..........................................................................................................134
5.3.3. PARÂMETROS OPERACIONAIS ..................................................................135
5.3.3.1. Exatidão (“accuracy”) ................................................................................136
5.3.3.2. Ajuste (“calibration”) ..................................................................................136
5.3.3.3. Calibração ................................................................................................136
5.3.3.4. Interferência (“interference”) .....................................................................136
5.3.3.5. Ruído (“noise”) ..........................................................................................137
5.3.3.6. Precisão (“precision”) ................................................................................137
5.3.3.7. Domínio (“range”) .....................................................................................139
5.3.3.8. Confiabilidade (“reliability”)........................................................................139
5.3.3.9. Estabilidade (“stability”) .............................................................................139
5.3.3.10. Tempo de resposta (“response time”) .....................................................139

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SUMÁRIO
v

5.3.3.11. Sensibilidade (“sensitivity”) .....................................................................139


5.3.3.12. Alteração de origem da escala (“zero drift”) ............................................139
5.3.4. ESPECIFICAÇÕES DE DESEMPENHO ........................................................140
5.4. CASOS REAIS E EXEMPLOS .............................................................................140
5.4.1. DISTRIBUIÇÃO LOG NORMAL .....................................................................140
5.4.2. EXEMPLO OCUPACIONAL 1 – SILICOSE EM MINAS DE OURO ................141
5.4.3. EXEMPLO OCUPACIONAL 2 – SILICOSE EM PEDREIRAS.........................143
5.4.4. EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA GEOMÉTRICA ................................145
5.4.5. EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA HARMÔNICA ..................................145
5.5. LIMITES ADMISSÍVEIS .......................................................................................146
5.5.1. O QUE SIGNIFICAM OS VALORES NUMÉRICOS ........................................146
5.5.2. EXEMPLO DE CÁLCULO DA EXPOSIÇÃO MÉDIA.......................................146
5.5.3. EXEMPLO DE EFEITOS ADITIVOS...............................................................148
5.6. METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO .........................................................................148
5.6.1. SELEÇÃO DO LOCAL DE AMOSTRAGEM ...................................................149
5.6.2. ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM ................................................................149
5.6.2.1. Amostragem não aleatória ........................................................................150
5.6.2.2. Amostragem aleatória ...............................................................................150
5.6.3. METODOLOGIA DE AMOSTRAGEM ............................................................152
5.6.4. FREQUÊNCIA DE AMOSTRAGEM................................................................152
5.6.5. EXECUÇÃO DA AMOSTRAGEM ...................................................................152
5.6.6. TRANSPORTE E CUIDADOS COM AS AMOSTRAS ....................................153
5.6.7. PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS..................................................................153
5.6.8. ANÁLISE DAS AMOSTRAS ...........................................................................153
5.6.9. INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ...................................................................154
5.6.10. APRESENTAÇÃO CUIDADOSA DOS RESULTADOS .................................155
5.6.11. DISTINÇÃO ENTRE PARÂMETROS DA AMOSTRA E DA POPULAÇÃO ...156
5.7. TESTES (2) ..........................................................................................................157
CAPÍTULO 6. CONCEITUAÇÃO E DISPOSITIVOS LEGAIS REFERENTES À
HIGIENE OCUPACIONAL .......................................................................................... 162
6.1. INTRODUÇÃO .....................................................................................................163
6.2. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS DA ORGANIZAÇÃO
DAS NAÇÕES UNIDAS E O TRABALHO ...................................................................165
6.3. DEFINIÇÕES .......................................................................................................165
6.3.1. DIREITO .........................................................................................................165
6.3.2. LEI ..................................................................................................................165
6.3.3. A HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS .................................................166
6.4. A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O TRABALHO
....................................................................................................................................166
6.5. A CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO E A SEGURANÇA E SAÚDE DOS
TRABALHADORES ....................................................................................................178
6.6. ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DO ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO
TRABALHO E DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO...............................191
6.7. A REGULAMENTAÇÃO EM SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO ..............195
6.9. TESTES ...............................................................................................................205

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SUMÁRIO
vi

CAPÍTULO 7. RESPONSABILIDADES CIVIL E CRIMINAL / ATUAÇÃO


PROFISSIONAL EM HIGIENE OCUPACIONAL ........................................................ 208
7.1. A RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL PELO ACIDENTE DO TRABALHO
....................................................................................................................................209
7.1.1. A AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO .............................................................209
7.1.2. A RESPONSABILIDADE CIVIL ......................................................................210
7.1.3. RESPONSABILIDADE PENAL .......................................................................215
7.1.4. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................218
7.1.4.1. Legítima Defesa ........................................................................................218
7.2. ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM HIGIENE OCUPACIONAL ................................221
7.3. TESTES ...............................................................................................................224
CAPÍTULO 8. CONVENÇÕES DA OIT, LEGISLAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE DO
TRABALHADOR, DISPOSIÇÕES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ................................. 227
8.1. PRINCIPAIS CONVENÇÕES DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO
TRABALHO – OIT QUE ENVOLVEM A HIGIENE OCUPACIONAL RATIFICADAS
PELO BRASIL.............................................................................................................228
8.1.1. CONVENÇÃO Nº. 174 – PREVENÇÃO DE ACIDENTES MAIORES, 1993 ...229
8.1.2. CONVENÇÃO Nº. 170 – SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE PRODUTOS
QUÍMICOS, 1990 .....................................................................................................231
8.1.3. CONVENÇÃO Nº. 162 – CONVENÇÃO SOBRE O ASBESTO, 1986 ............232
8.1.4. CONVENÇÃO Nº. 155 – SEGURANÇA E SAÚDE DOS TRABALHADORES,
1981. ........................................................................................................................234
8.1.5. CONVENÇÃO Nº. 148 – MEIO AMBIENTE DE TRABALHO (CONTAMINAÇÃO
DO AR, RUÍDO E VIBRAÇÕES), 1977 ....................................................................236
8.1.6. CONVENÇÃO Nº. 139 – CÂNCER PROFISSIONAL, 1974 ............................237
8.1.7. CONVENÇÃO Nº. 136 – BENZENO, 1971 .....................................................237
8.1.8 CONVENÇÃO Nº. 115 – PROTEÇÃO CONTRA RADIAÇÕES, 1960 .............238
8.2. CONVENÇÃO Nº. 148 - CONVENÇÃO SOBRE A PROTEÇÃO DOS
TRABALHADORES CONTRA OS RISCOS PROFISSIONAIS DEVIDOS À
CONTAMINAÇÃO DO AR, AO RUÍDO E ÀS VIBRAÇÕES NO LOCAL DE TRABALHO
....................................................................................................................................239
8.3. LEGISLAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE DO TRABALHADOR ...................................246
8.4. DISPOSIÇÕES DA PREVIDENCIA SOCIAL ........................................................255
8.4.1 BENEFÍCIOS CONCEDIDOS PELA PREVIDENCIA SOCIAL ........................257
8.4.2 ACIDENTE DO TRABALHO E DOENÇA PROFISSIONAL OU DO TRABALHO
.................................................................................................................................258
8.4.2.1. Comunicação de acidente de trabalho e da doença profissional ou do
trabalho .................................................................................................................259
8.4.3. AUXÍLIO-DOENÇA .........................................................................................260
8.4.4. AUXÍLIO DOENÇA ACIDENTÁRIO ................................................................261
8.4.5. AUXÍLIO-ACIDENTE ......................................................................................261
8.4.6. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ .............................................................262
8.4.7. APOSENTADORIA ESPECIAL ......................................................................262
8.5. TESTES ...............................................................................................................264
CAPÍTULO 9. NORMAS REGULAMENTADORAS DO MINISTÉRIO DO TRABALHO
RELACIONADAS À HIGIENE OCUPACIONAL: NR 04; NR 05 ................................. 268

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SUMÁRIO
vii

9.1. NR 4 – SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM


MEDICINA DO TRABALHO (SESMT).........................................................................269
9.2. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES – CIPA .....................277
9.3. NR 5 – COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES .....................278
9.4. TESTES ...............................................................................................................315
CAPÍTULO 10. NORMAS REGULAMENTADORAS RELATIVAS À SEGURANÇA E
SAÚDE NO TRABALHO: NR 07, NR 09, E NR 15 ..................................................... 318
10.1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................319
10.2. NR 7 – PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL –
PCMSO.......................................................................................................................320
10.3. NR 09 – AVALIAÇÃO E CONTROLE DAS EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS A
AGENTES FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS .....................................................323
10.4. NR 15 – ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES ......................................326
10.5. TESTES .............................................................................................................333
BIBLIOGRAFIA ...........................................................................................................335

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
1

CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO AO MUNDO OCUPACIONAL

OBJETIVOS DO ESTUDO

A higiene ocupacional, juntamente com a segurança e a medicina ocupacional, faz


parte das disciplinas chamadas do núcleo prevencionista e está inserida num contexto
maior, que é o da preservação da saúde no mundo do trabalho.
Este capítulo dá um histórico sintético da evolução da prevenção através dos
tempos, até os dias de hoje, incluindo aspectos históricos e marcos legislativos do Brasil.
Ainda procura situar a pessoa não inserida no meio ocupacional, que pode ter sido
atraída para o curso diretamente de uma área não necessariamente correlata, e que tem
todo um contexto a conhecer.

Ao terminar o capítulo você estará apto a:


• Identificar aspectos evolutivos da questão ocupacional;
• Entender o contexto onde se insere o higienista ocupacional;
• Identificar as modernas escolas de prevenção;
• Reconhecer os principais marcos históricos, profissionais e legislativos
ocupacionais no Brasil.

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
2

1.1. PREVENÇÃO: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO


1.1.1. O INÍCIO
O problema dos acidentes e doenças ocupacionais não é um problema recente;
pelo contrário, tem acompanhado o desenvolvimento das atividades do homem através
dos séculos. Assim, o homem primitivo teve sua integridade física ameaçada e sua
capacidade produtiva diminuída pelos acidentes próprios da caça, da pesca e da guerra,
atividades que eram as mais importantes de sua época.
Mais tarde, o caçador que habitava as cavernas, transformou-se em artesão e
passou a trabalhar em minas e com os metais, gerando as primeiras doenças do
trabalho, provocadas pelos próprios materiais utilizados na sua atividade laboral.
As primeiras referências escritas, relacionadas com estes problemas, encontram-se
num papiro Egípcio, que data de 2360 a.C., o chamado Papiro Seller II, e que dizem:
“Eu jamais vi ferreiros em embaixadas e fundidores em missões. O que eu vejo
sempre é o operário em seu trabalho; ele se consome nas goelas de seus fornos. O
pedreiro exposto a todos os ventos, enquanto a doença à espreita, constrói sem
agasalho, seus dois braços se gastam no trabalho; seus alimentos vivem misturados com
os detritos, ele se come a si mesmo, porque só tem como pão os seus dedos. O barbeiro
cansa os seus braços para encher o ventre. O tecelão vive encolhido, joelho ao
estômago, ele não respira. As lavadeiras sobre as bordas do rio são vizinhas do
crocodilo. O tintureiro fede a morrinha do peixe; seus olhos são abatidos de fadiga, suas
mãos não param e suas vestes vivem em desalinho”.
Em 460 a.C., Hipócrates, considerado o pai da medicina, também fala dos
acidentes e doenças do trabalho.
Quatro séculos mais tarde, Plínio (23-79 d.C.), após visitar alguns locais de
trabalho, principalmente galerias de minas, descreve impressionado o aspecto dos
trabalhadores expostos ao chumbo, ao mercúrio e às poeiras. Menciona então a iniciativa
dos escravos em utilizarem à frente do rosto, à guisa de máscaras, panos ou membranas
(de bexiga de carneiro) para atenuar a inalação de poeiras.
Em 1556, um ano após a sua morte, Georg Bauer, mais conhecido pelo seu nome
latino de Georgius Agrícola, publica em latim seu livro De Re Metallica. Após estudar
diversos aspectos relacionados à extração de metais argentíferos e auríferos e à sua
fundição, dedica o último capítulo aos acidentes do trabalho e às doenças mais comuns
entre os mineiros. Agrícola dá destaque especial à chamada “asma dos mineiros”,
provocada por poeiras que descreveu como “corrosivas”. A descrição dos sintomas e a
evolução da doença fazem lembrar a silicose. Segundo as observações de Agrícola, em
algumas regiões extrativas, as mulheres chegavam a casar sete vezes, roubadas que
eram de seus maridos, pela morte prematura encontrada na ocupação que exerciam.
Onze anos mais tarde, surge a publicação de Paracelso (Aureolus Theophrastus
Bombastus von Hohenheim): “Dos Ofícios e das Doenças da Montanha”. Seu autor
nasceu e viveu durante muitos anos em um centro mineiro da Boêmia, e são numerosas
as suas observações relacionando métodos de trabalho ou substâncias manuseadas com
doenças, sendo de destacar-se, por exemplo, que, em relação à intoxicação pelo
mercúrio, os principais sintomas dessa doença profissional encontram-se ali assinalados,
bem como da silicose.

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
3

Em 1700, era publicada em Módena, na Itália, a primeira edição do livro De Morbis


Artificum Diatriba, escrito pelo médico Bernadino Ramazzini (1633 - 1714). Nesta obra
fundamental que lhe valeu o epíteto de “Pai da Medicina do Trabalho”, Ramazzini
descreve com rara sensibilidade e grande erudição literária, doenças que ocorrem em
trabalhadores de mais de cinquenta ocupações. Às perguntas Hipócraticas, fundamentais
na anamnese, propõe Ramazzini que se acrescente mais uma: QUAL É A SUA
OCUPAÇÃO?
A partir do séc. XVIII, profundas alterações tecnológicas são iniciadas pela
humanidade, e sua importância é de tal magnitude que foi chamada de Revolução
Industrial. São inventados a máquina a vapor (James Watts - 1781) e o regulador
automático de velocidade (1785), inventos estes que deram ao homem a independência
das fontes localizadas de energia (rios) e o uso de uma nova forma controlável (de
energia), de baixo custo e abundante.
A organização das primeiras indústrias foi uma tragédia para as classes
trabalhadoras, dadas as condições sub-humanas nas quais desenvolviam-se as
atividades fabris. Os acidentes do trabalho e as doenças provocadas pelas substâncias e
ambientes do trabalho geravam grande número de doentes e mutilados.
As primitivas máquinas de fiação e tecelagem necessitavam de força motriz para
acioná-las, e esta foi encontrada na energia hidráulica; daí o nome de “mill”, pelo qual,
até hoje, são conhecidas as fiações nos países de língua inglesa. A descoberta da
máquina a vapor, porém, veio permitir a instalação de fábricas em quaisquer lugares e,
muito naturalmente, as grandes cidades, onde era abundante a mão de obra. Assim,
galpões, estábulos, velhos armazéns eram rapidamente transformados em "fábricas",
colocando-se, no seu interior, o maior número possível de máquinas de fiação e
tecelagem.
Como mulheres e crianças podiam cuidar das máquinas e receber menos que os
homens, deram-lhes trabalho, enquanto o homem ficava em casa, frequentemente sem
poder trabalhar. A princípio, os donos de fábricas compravam o trabalho das crianças
pobres, nos orfanatos; mais tarde, como os salários do pai operário e da mãe operária
não eram suficientes para manter a família, também as crianças que tinham casa foram
obrigadas a trabalhar nas fábricas e minas. Intermediários inescrupulosos percorriam as
grandes cidades inglesas, arrebanhando crianças, que lhes eram vendidas por pais
miseráveis, e revendidas a £ 5 (Libras Esterlinas) por cabeça, aos empregadores que,
ansiosos por obter um suprimento inesgotável de mão-de-obra barata, se comprometiam
a aceitar uma criança débil mental para cada 12 crianças sadias.
A improvisação das fábricas e a mão-de-obra constituída principalmente por
crianças e mulheres resultaram em problemas ocupacionais extremamente sérios. Os
acidentes do trabalho eram numerosos, provocados por máquinas sem qualquer
proteção, movidas por correias expostas, e as mortes, principalmente de crianças, eram
muito frequentes. Inexistindo limites de horas de trabalho, homens, mulheres e crianças
iniciavam suas atividades pela madrugada, abandonando-as somente ao cair da noite;
em muitos casos continuava mesmo durante a noite, em fábricas parcamente iluminadas
por bicos de gás. As atividades profissionais eram executadas em ambientes fechados,
onde a ventilação era precaríssima. Não é, pois, de estranhar-se que doenças de toda a
ordem disseminassem entre os trabalhadores, especialmente entre as crianças
(principalmente as infectocontagiosas, como o tifo europeu, que era chamado de “febre

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
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das fábricas”, cuja disseminação era facilitada pelas más condições do ambiente de
trabalho e pela grande concentração e promiscuidade dos trabalhadores).
Tal dramática situação dos trabalhadores não poderia deixar indiferente a opinião
pública, e por essa razão criou-se, no parlamento britânico, sob direção de sir Robert
Peel, uma comissão de inquérito que, após longa e tenaz luta, conseguiu que em 1802
fosse aprovada a primeira lei de proteção aos trabalhadores: a “Lei de Saúde e Moral dos
Aprendizes”, que estabelecia o limite de 12 horas de trabalho por dia, proibia o trabalho
noturno, obrigava os empregadores a lavar as paredes das fábricas duas vezes por ano,
e tornava obrigatória a ventilação destas.
Em 1830, quando as condições de trabalho das crianças ainda se mostravam
péssimas, a despeito dos diversos documentos legais, o proprietário de uma fábrica
inglesa, que se sentia perturbado diante das péssimas condições de trabalho dos seus
pequenos trabalhadores, procurou Robert Baker, famoso médico inglês, pedindo-lhe
conselhos sobre a melhor forma de proteger a saúde dos mesmos. Baker dedicava parte
do seu tempo a visitar fábricas e tomar conhecimento das relações entre trabalho e
doença, o que levou o governo britânico, quatro anos mais tarde, a nomeá-lo Inspetor
Médico de Fábricas. Assim, diante do pedido do empregador inglês, aconselhou-o a
contratar um médico da localidade em que funcionava a fábrica de modo a visitar
diariamente o local de trabalho e estudar a sua possível influência sobre a saúde dos
pequenos operários, que deveriam ser afastados de suas atividades profissionais tão
logo fosse notado que estas estivessem prejudicando a sua saúde. Surgia, assim, o
primeiro serviço médico industrial em todo o mundo.
Em 1831, uma comissão parlamentar de inquérito, sob a chefia de Michael Saddler,
elaborou um cuidadoso relatório, que concluía da seguinte maneira: “Diante desta
Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores – homens e mulheres, meninos e
meninas. Abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana,
cada um deles era clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade
do homem para com o homem, uma impiedosa condenação daqueles legisladores que,
quando em suas mãos detinham poder imenso, abandonaram os fracos à capacidade
dos fortes”. O impacto deste relatório sobre a opinião pública foi tremendo, e assim, em
1833, foi baixado o Factory Act, que deve ser considerada como a primeira legislação
realmente eficiente no campo da proteção ao trabalhador. Aplicava-se a todas as
empresas têxteis onde se usasse força hidráulica ou a vapor; proibia o trabalho noturno
aos menores de 18 anos e restringia as horas de trabalho destes, a 12 por dia e 69 por
semana; as fábricas precisavam ter escolas, que deviam ser frequentadas por todos os
trabalhadores menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de 9 anos, e um
médico devia atestar que o desenvolvimento físico da criança correspondesse à sua
idade cronológica.
Até a primeira guerra mundial, perdurou esta situação com alguns intentos isolados
para controlar os acidentes e doenças ocupacionais, sendo que a conflagração marcou o
início dos primeiros intentos científicos de proteção ao trabalhador, estudando-se as
doenças dos trabalhadores, as condições ambientais, a distribuição assim como o
desenho das máquinas e equipamentos, as proteções necessárias para evitar acidentes
e incapacidades, etc.
Este movimento prevencionista consegue a sua maturidade durante a segunda
guerra mundial, quando os países em luta compreenderam que o vencedor seria aquele

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
5

que tivesse uma melhor capacidade industrial, e para isto, conseguisse manter um maior
número de trabalhadores em produção ativa.
Como pudemos ver, o prevencionismo evoluiu lentamente através dos tempos,
caracterizando-se, inicialmente, por ações eminentemente médicas. Mesmo quando as
primeiras leis de amparo à infortunística foram decretadas, o seu objetivo foi restrito à
reparação dos danos causados pelo trabalho; surgiu toda uma legislação social de
“reparação” de danos (lesões). Dessa forma, o seguro social (Previdência Social)
realizava e realiza ações assegurando o risco de acidentes, ou melhor dizendo, o risco de
lesões.
Por outro lado, já no nosso século, iniciaram-se as ações complementares e
necessariamente básicas do prevencionismo, ou seja, era óbvio, como ainda hoje nos é,
que além de se reparar os danos causados pelos acidentes, era necessário evitar a sua
ocorrência.

1.1.2. OS ANOS 60
A preocupação com todos os tipos de acidentes e as considerações
econômicas.
Até então, a preocupação era limitada à prevenção dos acidentes-tipo, ou acidentes
pessoais, ou simplesmente acidentes, pois não havendo lesão, não existia o conceito (do
ponto de vista legal, também não existe o acidente sem acidentado).
Surgiram então, teorias que foram e ainda são importantes, mostrando que ao se
fechar os olhos para os acidentes sem lesão (apenas com danos materiais), perde-se em
prevenção, pois o que é realmente aleatório deste fato chamado acidente é o seu
resultado (só lesão, só dano material, só dano econômico ou qualquer combinação
destes).
O acidente não é aleatório na sua chance de ocorrer, pois persistindo riscos, ele
ocorrerá.
O acidente é, porém, aleatório no momento de sua ocorrência e na tipologia dos
danos consequentes.
A vantagem em se estudar todos os tipos de acidentes era justamente poder
detectar um maior espectro de riscos, e assim aperfeiçoar a prevenção.
As teorias buscavam também, com razão, atrair o empresário para a prevenção,
mostrando que as perdas materiais e econômicas dos acidentes eram muito maiores do
que se imaginava e que sua redução era possível. Mais ainda, tal redução passava pela
tecnologia da Engenharia de Segurança, aliada à nova visão que as teorias planejavam
adicionar.
As duas principais teorias surgidas na década foram:
• Controle de Danos: Em 1966, o norte americano Frank Bird Jr. concluiu um
estudo de 90.000 acidentes (75.000 com danos à propriedade), ocorridos em
uma empresa metalúrgica durante 7 anos, e que serviram de base para sua
teoria chamada “Controle de Danos”. Um programa de Controle de Danos
requer a identificação, registro e análise de todos os acidentes com danos à
propriedade, cujos custos devem ser determinados e cuja análise deve
desencadear ações preventivas. O programa tinha uma vertente forte na
mudança de cultura (ou seja, acidentes sem lesionados passariam a ser

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
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considerados acidentes), além de provisões para o levantamento dos custos


(essencialmente, os custos de manutenção e reparos causados por acidentes,
normalmente diluídos e irreconhecíveis na contabilidade das empresas). Como
não havia a informatização, os controles eram feitos por etiquetas apostas aos
itens a sofrer manutenção, ou através do uso da letra “A” nas ordens de serviço,
para posterior controle (manual) dos custos. Pode agora parecer simples ou até
bisonho, mas foi uma revolução para os pensamentos da época. É claro que o
programa previa todas as outras ferramentas da prevenção tradicional.
• Controle Total de Perdas: Partindo também da premissa de que os acidentes
que resultam em danos às instalações, equipamentos e materiais têm as
mesmas causas básicas que aqueles que resultaram em lesões, o canadense
John A. Fletcher propôs, em 1970, o estabelecimento de “Programas de
Controle Total de Perdas”. Desde já se observa que permanece grande o apelo
desta denominação e de seus objetivos nos dias de hoje. Esta teoria, que deve
ser mostrada com detalhe nos cursos de engenharia de segurança, pode ser
resumida como segue: Segundo a proposta de Fletcher, o PCP deve ser
idealizado de modo a eliminar todas as fontes de interrupção de um processo de
produção, querem elas resultem de lesão, dano à propriedade, incêndio,
explosão, roubo, vandalismo, sabotagem, poluição ambiental, doença
ocupacional ou defeito do produto. Trata-se de uma visão mais abrangente do
conceito de “perda” de Bird. Os passos de implementação previam: o
levantamento do perfil dos programas de prevenção existentes, a definição de
prioridades e a elaboração de planos de ação (usando-se as ferramentas
tradicionais da prevenção). Particularmente interessante é o levantamento dos
perfis de prevenção, baseado em perguntas chave, com um sistema de pontos.
Tratava-se do embrião dos sistemas de auditoria de segurança, levantando
deficiências a serem sanadas nos planos de ação.

1.1.3. CONTRIBUIÇÕES DE ÁREAS EXÓGENAS À PREVENÇÃO OCUPACIONAL


1.1.3.1. TECNOLOGIAS DE PREVENÇÃO: TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCOS
As técnicas estruturadas de análise de riscos, ou "Técnicas de Análise de Riscos”,
como agora as conhecemos, têm sua origem em duas grandes vertentes: a área de
processos (indústrias de processo) e a militar/bélico/aeroespacial (onde se configurou a
disciplina "Engenharia de Segurança de Sistemas").
Ao final da segunda grande guerra, nascia uma indústria de armas mais
sofisticadas, os mísseis. Em todas as áreas militares norte-americanas (aeronáutica,
marinha, exército) já surgiam técnicas embrionárias de análise de riscos, visando reduzir
a ocorrência de acidentes operacionais catastróficos, por uma ação antes dos mesmos,
ou seja, preventiva. Essas técnicas foram se fortalecendo e se desenvolvendo dentro da
indústria de mísseis, de forma a serem desenvolvidos sistemas mais seguros, com
menos falhas e riscos de operação. Esse movimento foi se configurando numa disciplina
que se consolidou com a corrida aeroespacial (que tinha a necessidade de alta
confiabilidade, erro “zero”), chamada Engenharia de Segurança de Sistemas. A maioria
das técnicas atuais provém desta área. Muitas delas surgiram como resposta a riscos
inadmissíveis no desenvolvimento de sistemas, ou a catástrofes concretas. A APR

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
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(Análise Preliminar de Riscos), por exemplo, foi desenvolvida e tornada obrigatória após
os acidentes com o sistema de mísseis Atlas. As árvores de falhas, pelos riscos de um
lançamento não autorizado dos mísseis Minuteman.
Na área de processos, a busca por plantas mais seguras foi alavancada e
consolidada por acidentes sérios, como Flixborough, Seveso, Bhopal. As técnicas mais
importantes, que daí surgiram, foram o HAZOP (Estudo de riscos e operabilidade) e o
What If (Técnica E SE...).
É importante observar que as técnicas, especialmente as de segurança de
sistemas, foram gradualmente passando para a área “civil” de riscos já nos anos
sessenta. Os primeiros artigos em revistas de segurança do trabalho foram
provavelmente os de Recht, em 1966, na “National Safety News” norte-americana. A
forma mais técnica e estruturada de se analisar riscos, a maior objetividade e
sistematização eram um fato novo no mundo prevencionista, e, aos poucos, as técnicas
se disseminaram nas empresas. Elas também geraram variantes mais simples ou
adaptações que podem ser identificadas em estudos ocupacionais, como a ART (análise
de riscos no trabalho) e a própria “Árvore de Causas”, uma aplicação ocupacional da
técnica SR (Série de Riscos).
Observe-se que na Segurança de Sistemas há mais de 20 técnicas disponíveis,
algumas muito específicas (ver referências bibliográficas, Willie Hammer).
Em 1979, Mario Fantazzini e Francesco De Cicco lançaram pela Fundacentro a
primeira obra em língua portuguesa no Brasil sobre Segurança de Sistemas, com as
ferramentas de Análise de Riscos supracitadas e outros conceitos.

1.1.4. ANÁLISE DE RISCOS E GERÊNCIA DE RISCOS


É necessário relatar que a gerência de riscos não possui uma conceituação
universalmente aceita. Sem alongar demasiadamente o tema, observamos
essencialmente que a linha que temos seguido é a da consideração ampla dos vários
processos da gerência de riscos, como abaixo descritos, devidamente municiados pelas
técnicas de análise de riscos. Os processos básicos são:
• Identificação de riscos;
• Análise de riscos;
• Avaliação de riscos;
• Tratamento de riscos.
• Prevenção • eliminação
• redução
• Financiamento • retenção (auto adoção ou autosseguro)
• transferência (através ou não de seguro)

As técnicas subsidiam todos os processos, pois em forma geral não só identificam


os riscos, analisam suas causas e efeitos, avaliam quantitativamente os mesmos, como
também geram medidas de prevenção e controle e permitem (nas técnicas quantitativas)
estabelecer estudos de custo-benefício quanto a investimentos de controle e de
financiamento (discussão de taxas de seguro frente à probabilidade de ocorrência dos
danos, por exemplo).

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
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1.1.5. O PREVENCIONISMO NO BRASIL


Embora em menores proporções, não seria despropósito afirmar que o período
vivido pelo Brasil, basicamente Rio de Janeiro e São Paulo, de 1880 a 1920, guarda
grande similitude com o período da “Revolução Industrial” da Inglaterra de cem anos
antes. Nos seus aspectos positivos, mas também na repetição dos problemas
desencadeados pela industrialização.
De acordo com o relatório de Dean, as condições de trabalho eram duríssimas:
muitas estruturas que abrigavam as máquinas não haviam sido originalmente destinadas
a essa finalidade, além de mal iluminadas e mal ventiladas, não dispunham de
instalações sanitárias. As máquinas se amontoavam ao lado umas das outras e suas
correias e engrenagens giravam sem proteção alguma. Os acidentes se amiudavam
porque os trabalhadores cansados, que trabalhavam às vezes, além do horário sem
aumento de salário ou trabalhavam aos domingos, eram multados por indolência ou pelos
erros cometidos, se fossem adultos, ou surrados, se fossem crianças.
Cita-se exemplo de cardadores da indústria têxtil que trabalhavam 16 horas por dia,
das 5 às 22 horas, com uma hora para a refeição, e nos domingos, até as 15 horas.
Os primeiros passos do prevencionismo brasileiro tiveram origens reais nos
primeiros anos da década de 1930, depois da criação do ministério do trabalho. Desta
década datam as primeiras tentativas para despertar os responsáveis pelo
desenvolvimento industrial do Brasil, autoridades, empresários e trabalhadores, para a
prevenção dos acidentes e doenças do trabalho.
O país contava desde 1919 com uma lei de acidentes do trabalho, a qual foi
reformulada em 1934, mas apesar da reformulação, ambas leis foram deficientes no
aspecto prevencionista, preocupando-se de preferência com a compensação ao
acidentado, ou seja, atuava uma vez que o acidente acontecia.
Surge nessa época, através da Lei 185, de 14 de janeiro de 1936, o adicional de
insalubridade, experiência abandonada depois de comprovadamente ruim na revolução
industrial inglesa. A partir de então, o trabalhador brasileiro, exposto aos riscos
ambientais, tinha direito a um acréscimo salarial de até 50%. Posteriormente, essa lei foi
regulamentada pela Portaria SMC 51, de 13/04/1939, do Ministério da Indústria,
Comércio e Trabalho, criando os “quadros das indústrias insalubres”. Essa prática
perversa de comprar a saúde dos trabalhadores tem se perpetuado até a presente data,
completando em 2006, setenta anos de existência.
Em abril de 1938, foi apresentado um projeto de lei, para modificar a parte que se
referia aos acidentes do trabalho do Decreto nº. 22.872, de criação do Instituto dos
Marítimos. Nesse anteprojeto, posteriormente transformado no Decreto lei nº. 3.700 de 9
de outubro de 1941, foi incluído um capítulo dedicado à prevenção de acidentes do
trabalho.
Em 1940, os adicionais de insalubridade foram subdivididos em percentuais de 40,
20 e 10% para três níveis de insalubridade, máximo, médio e mínimo. No Governo
Getúlio Vargas foi implantada a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho – em 1943,
com um capítulo (V) para a segurança e higiene do trabalho. Foi também prevista a
eliminação da insalubridade através de medidas de controle e por consequência o não
pagamento dos respectivos adicionais.

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
9

Neste mesmo ano, o Governo resolveu estender às outras classes operárias as


medidas de proteção ao trabalho. Nesse ano, o ministro do trabalho, Sr. Marcondes Filho,
lançou as bases da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, que
até hoje vem se desenvolvendo.
Junto com o desenvolvimento progressivo da legislação foram aparecendo diversas
entidades, algumas de origem privada e outras de caráter oficial, tendo por objetivo o
ensino, divulgação e pesquisas no âmbito da segurança, higiene e medicina do trabalho.
A primeira destas entidades no nosso meio foi a ABPA (Associação Brasileira para
a Prevenção de Acidentes) fundada em 21 de maio de 1941, constituindo-se numa das
primeiras organizações desse tipo na América do Sul.
A entidade nacional de maior importância e responsabilidade na área é a
FUNDACENTRO, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do
Trabalho.

1.1.6. O “NASCIMENTO” DAS PROFISSÕES OCUPACIONAIS


O fim dos anos 60 e início da década de 70 foram marcados por grande
crescimento industrial e econômico. Falava-se no “milagre brasileiro”, e as taxas de
crescimento eram de até 10% ao ano.
Isto, naturalmente, quer dizer também que não havia formação profissional que
suprisse adequadamente trabalhadores devidamente treinados, não só para as tarefas
requeridas, mas também para a prevenção. Somando isso a um crescimento
relativamente desordenado das empresas, o resultado só poderia ser um: muitos
acidentes. A evolução dos índices oficiais pode ser observada na Tabela 1.1.

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
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Tabela 1.1. Evolução dos índices oficiais de % de acidentados.
Acidentes Total
Ano* Trabalhadores Doenças %
Típico Trajeto Acidentes
1970 7.284.022 1.199.672 14.502 5.937 1.220.111 16,75
1971 7.553.472 1.308.335 18.138 4.050 1.330.523 17,61
1972 8.148.987 1.479.318 23.389 2.016 1.504.723 18,47
1973 10.956.956 1.602.517 28.395 1.784 1.632.696 14,90
1974 11.537.024 1.756.649 38.273 1.839 1.796.761 15,57
1975 12.996.796 1.869.689 44.307 2.191 1.916.187 14,74
1976 14.945.489 1.692.833 48.394 2.598 1.743.825 11,67
1977 16.589.605 1.562.957 48.780 3.013 1.614.750 9,73
1978 16.638.799 1.497.934 48.511 5.016 1.551.461 9,32
1979 17.637.127 1.388.525 52.279 3.823 1.444.627 8,19
Média
12.428.828 1.535.843 36.497 3.227 1.575.566 12,68
Anos 70
1980 18.686.355 1.404.531 55.967 3.713 1.464.211 7,84
1981 19.188.536 1.215.539 51.722 3.204 1.270.465 6,62
1982 19.476.362 1.117.832 57.874 2.766 1.178.472 6,05
1983 19.671.128 943.110 56.989 3.016 1.003.115 5,10
1984 19.673.915 901.238 57.054 3.233 961.575 4,89
1985 21.151.994 1.010.340 63.515 4.006 1.077.861 5,10
1986 22.163.827 1.129.152 72.693 6.014 1.207.859 5,45
1987 22.617.787 1.065.912 64.830 6.382 1.137.124 5,03
1988 23.661.579 926.354 60.202 5.025 991.581 4,19
1989 24.486.553 825.081 58.524 4.838 888.443 3,63
Média
21.077.804 1.053.909 59.937 4.220 1.118.071 5,30
Anos 80
1990 23.198.656 632.012 56.343 5.217 693.572 2,99
1991 23.004.264 579.362 46.679 6.281 632.322 2,75
1992 22.272.843 490.916 33.299 8.299 535.514 2,40
1993 23.165.027 374.167 22.709 15.417 412.293 1,78
1994 23.667.241 350.210 22.824 15.270 388.304 1,64
1995 23.755.736 374.700 28.791 20.646 424.137 1,79
1996 23.830.312 325.870 34.696 34.889 395.455 1,66
1997 24.104.428 347.482 37.213 36.648 421.343 1,75
1998 24.491.635 347.738 36.114 30.489 414.341 1,69
1999 24.993.265 326.404 37.513 23.903 387.820 1,55
Média
23.648.341 414.886 35.618 19.706 470.210 1,99
Anos 90
2000* 26.228.629 304.963 39.300 19.605 363.868 1,39
2001* 27.189.614 282.965 38.799 18.487 340.251 1,25
2002* 28.683.913 323.879 46.881 22.311 393.071 1,37
2003* 29.544.927 325.577 49.642 23.858 399.077 1,35
(*) São dados preliminares e não incluem todos os Estados da Federação

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
11

Observação: considerando-se apenas os números oficiais do INSS que engloba


apenas trabalhadores com carteira profissional assinada.

Em 1972, quase 1/5 da força de trabalho formal (inscrita na previdência) havia se


acidentado e isso foi a pior marca na história acidentária do Brasil. Considerando-se
ainda:
• A grande quantidade de trabalho informal;
• Que o índice é médio, ou seja, para as atividades de alto risco as cifras seriam
ainda mais altas;
• E a eventual subnotificação de acidentes.
... pode-se perceber a quão calamitosa era a situação.
Tratava-se não apenas de um grande holocausto de vítimas fatais, mutilados e
alijados da sociedade produtiva, mas também uma sangria imensa do PIB, pelas horas
não produtivas, perdas econômicas e recursos de previdência desviados
necessariamente para fazer frente a indenizações e pensões. Um grande drama humano,
mas também uma perda de riqueza do país, que poderia estar sendo dirigida a outras
prioridades.
Era necessário fazer-se algo, e depressa. Assim, foram virtualmente “criadas”
novas categorias ocupacionais, para, em caráter emergencial, passar a atuar na reversão
da situação. As novas profissões foram:
• O Engenheiro de Segurança;
• O Médico do Trabalho;
• O Enfermeiro do Trabalho;
• O Auxiliar de Enfermagem do Trabalho; e
• O Técnico de Segurança do Trabalho (então chamado Supervisor de
Segurança do Trabalho).
Observe-se que naqueles tempos, não havia formação de segurança no País. Os
que a tinham, haviam estudado no exterior ou eram autodidatas. A preocupação com a
segurança havia, mas era restrita às CIPAs. O Sistema SENAI também sempre teve
preocupação de formar com segurança os aprendizes, e as empresas, especialmente as
estrangeiras aqui radicadas, com honrosas exceções locais, também tinham cuidados
oriundos das matrizes.
A criação veio decretada, a partir da Portaria 3237, de 1972, dentro do que se
chamou de PNVT – Plano Nacional de Valorização do Trabalhador.
Tal era a urgência, que as profissões foram criadas no âmbito do Ministério do
Trabalho, que outorgava a profissão, o que perdurou até os anos 80, quando passaram
para a esfera do Ministério da Educação. O então “Supervisor de Segurança”, nos
primeiros tempos, poderia formar-se apenas com o ginásio, atualmente conhecido como
ensino fundamental, sendo exigido posteriormente o 2° grau (atualmente ensino médio).
Vale salientar que já na CLT de 1943 aparecia a denominação “segurança e higiene
do trabalho”. Na Constituição Brasileira de 1988 a higiene do trabalho ou ocupacional é
um direito dos trabalhadores, conforme o artigo 7°. Na revisão do Capítulo V da CLT, em
1977, criou-se o binômio Segurança e Medicina do Trabalho, desprezando a importância
da disciplina que estuda os riscos ambientais.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
12

1.1.7. ALGUNS MARCOS HISTÓRICOS E LEGISLATIVOS NO BRASIL.


LEGISLAÇÃO ATUAL E AS NORMAS REGULAMENTADORAS (NRS)
Os marcos históricos e legislativos podem ser apresentados cronologicamente da
seguinte forma:
• 1917 – Primeira greve geral operária em São Paulo;
• 1919 – Primeira Lei de Seguros de Acidentes do Trabalho;
• 1923 – Caixas de aposentadorias e pensões;
• 1930 – Criação do Ministério do Trabalho (Getúlio Vargas);
• 1933 – Transformação das caixas em Institutos (IAPC, IAPI, etc);
• 1943 – Promulgação da CLT;
• 1960 – Lei orgânica da previdência social (centralização dos institutos);
• 1966 – INPS;
• 1966 – Criação da Fundacentro, que só iria operar em 1969;
• 1967 – estatização e monopólio do seguro acidentem de trabalho (SAT), que
era privado. Havia a tarifação individual;
• 1972 – Plano Nacional de Valorização do Trabalhador / SESMTs obrigatórios /
criação dos profissionais ocupacionais;
• 1976 – Taxação fixa do SAT (1, 2 ou 3% da folha de salários);
• 1977 – Alteração do capítulo V, título II da CLT. (lei 6514);
• 1978 – Regulamentação da Lei 6514 e criação das Normas Regulamentadoras
– NRs.
• 1994 – Fundação da ABHO – Associação Brasileira de Higienistas
Ocupacionais.
• 1994 – Obrigatoriedade de Programas Prevencionistas (PPRA, PCMSO,
PCMAT, PPR, etc)
• 2004 – Reformulação da legislação previdenciária, introduzindo a
obrigatoriedade de normas técnicas da Fundacentro.
As Normas Regulamentadoras foram criadas a partir das alterações da lei 6514 de
22 de dezembro de 1977, com novidades conceituais (por exemplo, os Limites de
Tolerância), e com o intuito de consolidar toda uma legislação fragmentada e esparsa,
uma miríade de portarias, que existia até então.
Houve um esforço de revisão e de ordenação, dentro de um formato que vem se
mantendo até aqui. Atualmente existem 36 Normas Regulamentadoras básicas.
As normas versam sobre todos os tópicos de segurança, higiene e medicina do
trabalho.

1.1.8. O PROFISSIONAL OCUPACIONAL E AS LEGISLAÇÕES A CONHECER


O higienista se move num contexto técnico-legal. Deve conhecer várias legislações,
com graus diferenciados de aprofundamento e especificidade:

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
13

TRABALHISTA
É a que mais deve saber. Essencialmente, as Normas Regulamentadoras, mas
também na própria CLT há pontos que o dia - a - dia irá requerer atenção. As portarias da
SSST (Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho), que alteram as NR’s, devem ser
conhecidas na íntegra. Possui acesso pela Internet.

PREVIDENCIÁRIA
É a segunda mais importante, pois se relaciona (muitas vezes de forma negativa)
com a trabalhista. Define os eventos resultantes dos acidentes, as prestações
econômicas derivadas e, especialmente, a questão das aposentadorias especiais e dos
laudos a serem emitidos para tal. Em alguns casos, pode ser uma das tarefas
preponderantes do profissional. Deve-se esperar grandes necessidades de envolvimento.

AMBIENTAL
A legislação ambiental não pode passar despercebida, pois há vários pontos de
interseção. Lembrar que o ruído da empresa, após ser um problema ocupacional, escapa
aos limites da planta e vai ser um problema ambiental (por exemplo).

NÍVEIS LEGISLATIVOS
Em todos os campos, deve-se estar atento não apenas à legislação federal, mas
também às estaduais e municipais. Atenção, por exemplo, em São Paulo, com a “lei do
PSIU” – Programa de Silêncio Urbano”.

1.1.9. SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL


(SGSSO) (BS 8800 E OHSAS 18001)
Os sistemas de gestão se mostraram forma eficiente de se implementar ideias, ou,
melhor dizendo, novos valores culturais às culturas empresariais.
Assim fazendo, permite-se que ações efetivas venham a ocorrer, mudanças se
operem e o projeto corporativo enunciado se realize.
Tal tem ocorrido com os sistemas de gestão da qualidade (sistema 9000) e, mais
recentemente, com os sistemas de gestão da qualidade ambiental (sistema 14000).
Assim, para realizar adequadamente a qualidade, que não é obrigação legal, mas
sim fator de competitividade por requisitos mercadológicos e exigência de clientes, as
empresas estabelecem sistemas de gestão.
Eles permitem que todos na empresa possuam um repertório comum, atribuições,
competências e responsabilidades, e que o novo valor cultural seja efetivamente
incorporado.
Um cliente que deseje um produto ou serviço de qualidade, não precisa vir visitar
seu exportador, pois sabe que o mesmo possui um sistema verificável de gestão,
normalizado, que avaliza as propriedades desejadas e garante seus requisitos. Assim, o
cliente exige tal característica de seus fornecedores. Como resultado do sistema de
gestão, a qualidade efetivamente se instala e permeia pela organização.
Hoje, um passo além nessa cadeia de exigências de clientes (e o cliente é
soberano), é a certificação ambiental.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
14

Assim, o cliente comprará meu produto, mas quer estar certo (os seus acionistas
querem saber) de que meu sistema produtivo não agride o meio-ambiente; isto pode ser
evidenciado porque eu possuo um sistema de gestão de qualidade ambiental.
Assim, a venda de qualquer produto ou serviço pode estar sendo crescentemente
condicionada a aspectos que inicialmente não aparentam ser essenciais à produção,
como a gestão ambiental. Isto já é uma realidade.
Um terceiro nível nesta questão é a demanda por Sistemas de Gestão de
Segurança e Saúde Ocupacional (SGSSO).

Os motivos que alicerçam a implementação estratégica dos SGSSO nas empresas,


podem ser:
• Atendimento a clientes importadores, que passarão a exigir o conhecimento de
como seu fornecedor gerencia a saúde e segurança de seus trabalhadores;
• Obter, no horizonte da privatização do seguro-acidente, indicadores de
excelência que permitam negociar taxas mais favoráveis que as empresas
“comuns” com os futuros operadores. Observar que neste caso, pela primeira
vez de forma explícita, a prevenção “se paga” e a atividade prevencionista
mostra evidente relação favorável de custo-benefício. Este pode ser um dos
motivos mais fortes;
• Por valorizar os sistemas de gestão, desejando agregar a questão ocupacional
(o que se faz facilmente nas empresas que já possuem outros sistemas de
gestão);
• Para melhorar o seu desempenho em segurança e saúde de forma eficiente e
definitiva.

Os sistemas de gestão possuem características poderosas que irão permitir a


efetiva implementação dos melhores padrões ocupacionais.

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
15

1.2. TESTES
1. Quando e onde foram escritas as primeiras referências relacionadas a
problemática dos acidentes e doenças ocupacionais?
a) 1720 a.C, Índia.
b) 1230 a.C, China.
c) 1450 a.C, Grécia.
d) 2360 a.C, Egito.
e) 2130 a.C, Prússia.
Feedback: item 1.1.1.

2. Quem é considerado o “Pai da Medicina do Trabalho”?


a) Hipócrates.
b) Bernardino Ramazzini.
c) Georgius Agrícola.
d) Auredus Theophrastus Bombastus von Hohenheim.
e) Plínio.
Feedback: item 1.1.1.

3. Qual o livro que delegou o título de “Pai da Medicina do Trabalho” ao seu autor?
a) De Re Metallica.
b) Papiro Seller II.
c) Dos Ofícios e das Doenças das Montanhas.
d) Acidentes e Doenças Ocupacionais.
e) De Morbis Artificum Diatriba.
Feedback: item 1.1.1.

4. Qual item não se encontrava na primeira lei de proteção aos trabalhadores: “Lei
de Saúde e Moral dos Aprendizes”?
a) Proibição do trabalho para menores de 14 anos.
b) Lavagem das paredes das fábricas duas vezes por ano.
c) Limite de 12 horas de trabalho diário.
d) Proibição do trabalho noturno.
e) Obrigatória a ventilação das fábricas.
Feedback: item 1.1.1.

5. Qual item não se aplica ao “Factory Act” de 1833?


a) Primeira legislação eficiente no campo da proteção ao trabalhador.
b) Idade mínima para o trabalho de 9 anos.
c) Existência de escolas nas próprias fábricas que deveriam ser frequentadas por
todos trabalhadores menores de 13 anos.
d) Limite de 10 horas de trabalho diário para menores de 18 anos.
e) Proibição do trabalho noturno aos menores de 18 anos.
Feedback: item 1.1.1.

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Capítulo 1. Introdução ao Mundo Ocupacional
16

6. As teorias “Controle Total de Perdas” e “Controle de Danos” surgiram em qual


década do século XX?
a) Na década de 30, durante a 1a Guerra Mundial.
b) Na década de 40.
b) Na década de 50, após 1a Guerra Mundial.
d) Na década de 60.
e) Na década de 80.
Feedback: item 1.1.2.

7. Considere as informações abaixo sobre as “Técnicas de Análise de Riscos”:


I – Tem origem em duas grandes vertentes: área de processos e a
militar/bélico/aeroespacial.
II – A maioria das técnicas atuais provém da área chamada de “Engenharia de
Segurança e de Sistemas”, consolidada com a corrida aeroespacial.
III – Essas técnicas se intensificaram após a 1a Grande Guerra, com o surgimento
das indústrias dos mísseis.
IV – A busca por plantas mais seguras foi alavancada e consolidada por acidentes
sérios, como Flixborough, Seveso e Bhopal.
Com base nas informações acima, qual alternativa é a correta?
a) Apenas I e III são verdadeiras.
b) Apenas III é incorreta.
c) Apenas I, IV são verdadeiras.
d) Apenas II é incorreta.
e) Apenas I, II e IV estão incorretas.
Feedback: item 1.1.3.

8. Qual é a legislação mais utilizada pelo Higienista no seu dia a dia?


a) Ambiental.
b) Judicial.
c) Trabalhista.
d) Previdenciária.
e) Empresarial.
Feedback: item 1.1.8.

9. Quando foram criados os adicionais de insalubridade no Brasil?


a) Em 1978, pela Portaria n°. 3214.
b) Em 1977, pela lei n°. 6514.
c) Em 1943, pela CLT.
d) Em 1936, pela lei n°. 185.
e) Em 2006, pela MP 231.
Feedback: item 1.1.5.

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
17

CAPÍTULO 2. ASPECTOS HISTÓRICOS DA HIGIENE OCUPACIONAL

OBJETIVOS DO ESTUDO

Este capítulo situa a evolução da HO como disciplina ocupacional e dá sua


conceituação básica. Reposiciona a evolução da prevenção dentro da visão da disciplina.
Relata pontualmente a evolução dos meios de avaliação e controle dos riscos ambientais.
Apresenta dados informativos complementares.
Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a:
• Situar e descrever o surgimento da HO;
• Enunciar e dar características básicas dos objetivos da HO; e
• Enunciar o conceito de atuação da HO.

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
18

2.1. HISTÓRIA E CONCEITO


Vamos deixar a conceituação da Higiene Ocupacional para o final. Deixemos que o
leitor mesmo construa sua conceituação, a partir deste resumo do interessante texto de
Vernon Rose, Capítulo I do White Book da AIHA.
A identificação da origem da prática da higiene industrial é difícil, ou impossível.
Como antigos cronistas de riscos ocupacionais e medidas de controle, que podem ser
considerados fundadores, temos:

• Agrícola, em 1556, descreveu as doenças e acidentes na mineração, fundição e


refino de metais, com medidas de controle, incluindo ventilação;
• Plinius Secundus (Plínio, o Velho), antes ainda, no século I, escreveu que os
fundidores envolviam as faces com bexigas de animais, para não inalar as
poeiras fatais;
• Outros, que (apenas) identificaram os problemas, merecem menção, como
Hipócrates (séc. IV a.C.), com as primeiras menções de doenças ocupacionais
(intoxicações por chumbo);
• Também deve ser lembrado o trabalho de Bernardino Ramazzini (1713), um
tratado completo de doenças ocupacionais.

Entretanto, o reconhecimento de um vínculo causal entre os riscos dos ambientes


de trabalho e as doenças foi o passo fundamental no desenvolvimento da prática da
Higiene Industrial.
As observações médicas, de Hipócrates a Ramazzini e estendendo-se ao século
XX, da relação entre trabalho e doença, são o fundamento da profissão.
Mas, o reconhecimento de riscos sem a intervenção e o controle, isto é, sem a
prevenção da doença, não qualifica um indivíduo como um higienista industrial.
As leis reativas ao desastre ocupacional da revolução industrial trataram de tentar
disciplinar o combate aos novos perigos ocupacionais. O Factory Act de 1864 requeria o
uso de ventilação diluidora para reduzir os contaminantes, e o de 1878 especificava o uso
de ventiladores para exaustão.
O divisor de águas para higiene e a medicina industrial veio com o Factory Act
britânico de 1901, que iniciou a regulamentação das ocupações perigosas.
As regulamentações criaram ímpeto para a investigação dos riscos dos locais de
trabalho e fiscalização de medidas de controle.
Tem sido sugerido, também, que a higiene industrial não emergiu como um campo
individualizado de atuação até que as avaliações quantitativas do ambiente se tornaram
disponíveis.
Nos Estados Unidos destaca-se em 1910 a Dra. Alice Hamilton, como pioneira no
campo da doença ocupacional, campo que era totalmente inexplorado até então. O seu
trabalho individual, que compreendia não só o reconhecimento da doença, mas a
avaliação e o controle dos agentes causadores, deveria ser considerada como o início da
prática da higiene industrial nos EUA.
Deve ser observado que muitos dos praticantes iniciais de higiene industrial eram
médicos, que não estavam interessados apenas na diagnose e tratamento da doença,
mas também no controle dos riscos, para prevenir casos futuros. Esses médicos
trabalhavam com engenheiros e outros cientistas interessados em saúde pública e riscos

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
19

ambientais. Dessa forma, iniciaram um processo incubado desde Hipócrates, visando


deliberadamente modificar os ambientes de trabalho com o objetivo de prevenir doenças
ocupacionais.
Se entendermos a filosofia básica da profissão – a proteção da saúde e do bem
estar de trabalhadores através da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos
riscos oriundos do ambiente de trabalho – podemos imaginar como sua presença
permeou através da História.
Começou quando uma pessoa reconheceu um risco e tomou providências não só
para si, mas também para os companheiros. Esta é a origem e a essência da profissão
de higiene industrial.

Nota:
Como tônica deste texto, é importante acompanhar o desenvolvimento nos EUA,
pois coincide basicamente com o desenvolvimento da própria Higiene Ocupacional, não
só em termos de progresso, mas também como atuação técnico-legal e das organizações
públicas. Isto não retira méritos de outros países, especialmente europeus, mas,
principalmente nas primeiras décadas do século, o desenvolvimento nos EUA é uma
medida boa do andamento global da disciplina.

2.2. EVENTOS HISTÓRICOS EM SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL


Datação Condição ou evento
• Os Australopitecos usavam pedras como ferramentas e armas.
1 M a.C. Havia cortes e lesões oculares. Os caçadores de Bisões contraíam
antraz.
• O homem Neolítico iniciou a produção de alimentos e a revolução
urbana na Mesopotâmia. Ao final da idade da pedra, havia a confecção
10 K a.C.
de ferramentas de pedra, chifre, ossos e marfim; fabricação de
cerâmicas e tecidos. Inicia-se a história das ocupações.
• Idade do bronze e do cobre. Os artesãos de metais são libertados
5 K a.C. da produção de alimentos. Há uma especialidade que surge: a
metalurgia.
• Hipócrates cuida da saúde de cidadãos, mas não de trabalhadores;
370 a.C. todavia, identifica o envenenamento por chumbo de mineiros e
metalúrgicos.
• Plínio, o Velho, identifica o uso de bexigas de animais para evitar a
50
inalação de poeiras e fumos.
• Galen visita uma mina de cobre, mas suas discussões sobre saúde
200
pública não incluem doenças de trabalhadores.
• Não existe nenhuma discussão documentada sobre doenças
Idade Média
ocupacionais.
• Ellenborg reconhece que os vapores de alguns metais eram
1473 perigosos e descreve os sintomas de envenenamento ocupacional por
mercúrio e chumbo, com sugestões de medidas preventivas.
• No livro De Re Metallica, Georgius Agrícola descreve a mineração,
fusão e refino de metais, com doenças e acidentes correntes e meios
de prevenção, incluindo a necessidade de ventilação;
1500
• Paracelso (1567) descreve as doenças respiratórias entre os
mineiros com uma precisa descrição do envenenamento pelo mercúrio.
Lembrado como o pai da toxicologia, diz: “Todas as substâncias são

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
20
venenos... é a dose que os diferencia entre venenos e remédios”.
1665 • Em Ídria, a jornada dos mineiros de mercúrio é reduzida.
• Bernardino Ramazzini, pai da medicina ocupacional, publica De
Morbis Artificum Diatriba (Doenças dos Artífices) e descreve as
1700
doenças (com excelente precisão) e “precauções”. Introduz na
anamnese médica a pergunta: “Qual é a sua ocupação?”.
• Percival Lott descreve o câncer ocupacional entre os limpadores de
chaminé na Inglaterra, identificando a fuligem e a falta de higiene como
causa do câncer escrotal. O resultado foi a Lei dos Limpadores de
1775 Chaminé de 1788;
• Os trabalhadores de chaminés alemães não apresentavam casos
de câncer escrotal. Suas roupas eram melhor ajustadas ao corpo do
que os colegas ingleses, e tinham escopo de EPIs.
• Charles Thackrah é autor do primeiro livro sobre doenças
ocupacionais na Inglaterra. Suas observações sobre doenças e
1830 prevenção ajudam na criação de legislação ocupacional. A inspeção
médica e a compensação assistencial do Estado foram estabelecidas
em 1897.
• Alice Hamilton investiga várias ocupações perigosas e causa
tremenda influência nas primeiras leis ocupacionais nos Estados
1900’s
Unidos. Em 1919 ela se torna a primeira mulher em Harvard e escreve
“Explorando as Ocupações Perigosas”.
• Início de legislação compensatória federal e no estado de
1902 – 1911 Washington. Em 1948 todos os estados cobriam as doenças
ocupacionais. Massachussets designa inspetores de saúde.
1911 • Primeira conferência nacional sobre doenças industriais nos EUA.
• O congresso cria taxa proibitiva para o uso de fósforo branco na
1912
fabricação de fósforos.
• Organiza-se o National Safety Council. New York e Ohio
1913
estabelecem os primeiros grupos (agências) de Higiene Estaduais.
• O serviço nacional de saúde pública (USPHS) organiza a divisão de
1914
Higiene Industrial.
1922 • Harvard estabelece graduação em higiene industrial.
• O Bureau of Mines conduz pesquisa toxicológica de solventes,
1928-1932
vapores e gases.
• A lei Walsh-Healy exige de fornecedores do Governo medidas de
1936
higiene e segurança industrial.
• Forma-se a ACGIH, então chamada National Conference of
1938
Governmental Industrial Hygienists.
• Forma-se a AIHA (American Industrial Hygiene Association). A ASA
(American Standards Asssociation, hoje ANSI) e a ACGIH preparam a
1939
primeira lista de “Concentrações Máximas Permissíveis” (MACs) para
substâncias químicas na indústria.
1941-1945 • Expandem-se os programas de higiene industrial nos estados.
1941 • O Bureau of Mines é autorizado a inspecionar minas.
• O American Board of Industrial Hygiene (ABIH) é organizado pela
1960
AIHA e pela ACGIH.
• OSHA - Occupational Safety and Health Act - lei maior de
1970
prevenção, é promulgada.

Nos últimos 20 anos a OIT – Organização Internacional do Trabalho – tem


formulado várias convenções de segurança e saúde ocupacional. O Brasil é signatário de

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
21

várias delas. Desde a criação da União Europeia, várias diretivas prevencionistas para os
ambientes de trabalho, baseadas em critérios modernos de caracterização de riscos.
A adoção também de programas de qualidade industrial, tais com ISO 9000, 18000
e outras de gestão ambiental afetou também abordagem dos riscos ocupacionais,
contribuindo para a melhoria dos ambientes de trabalho.

2.3. OUTROS PONTOS HISTÓRICOS DE DESENVOLVIMENTO DA HIGIENE


INDUSTRIAL
• Um estudo de trabalhadores siderúrgicos mostrou a incidência de câncer de rim
nos trabalhadores de coqueria. A denominação Coal Tar Pitch Volatiles (CTPV)
foi criada para envolver o risco a ser controlado. O excesso de mortalidade dos
coqueiristas levou à criação de lei específica para fornos de coque;
• O segundo maior estudo epidemiológico focou-se no amianto, cujos dados de
doenças começaram a se acumular a partir de 1906. Em 1938 a USPHS
estudou trabalhadores de tecelagens de asbestos e recomendou um limite
tentativa para a indústria têxtil de 5 milhões de partículas por pé cúbico, com
amostragem através de impinger. Um limite da OSHA só veio em 1971
(provisório) e 1972 (definitivo), após estudos na Inglaterra, desde 1940, sobre
cânceres bronquiais em porcentagem acima da população em geral.

Hoje em dia, os esforços da Higiene Ocupacional nos EUA são guiados pela
consideração dos riscos (hazards), mais do que pelas doenças.

2.4. DESENVOLVIMENTOS NA AVALIAÇÃO


• No início, o que havia era a avaliação qualitativa por identificação pelos sentidos
(visão, olfato, paladar). A transição para uma ciência, todavia, requeria algo
mais;
• Em 1917, Harvard desenvolveu um dos primeiros métodos, que era o tubo
detector colorimétrico (dispositivo de indicação colorimétrica) para a avaliação
ambiental de monóxido de carbono;
• Em 1922, Greenber e Smith desenvolveram o impinger. Em 1938, Littlefield e
Schrenk modificaram o projeto e desenvolveram o impinger miniaturizado
(midget impinger). Com uso de bombas manuais, os impingers criaram as
primeiras avaliações ambientais de zona respiratória;
• O filtro de membrana para a avaliação de partículas foi usado pela primeira vez
em 1953, permitindo a avaliação em massa/volume, e não em contagem de
partículas;
• Em 1970 houve uma revolução na avaliação, com o desenvolvimento, pelo
NIOSH, do tubo de carvão ativo. Também foi dado suporte financeiro para o
desenvolvimento da bomba de amostragem pessoal a baterias;
• Em 1973 Palme desenvolveu um monitor passivo para dióxido de nitrogênio;
• Começou e desenvolveu-se em paralelo à amostragem, a aplicação de química
analítica à saúde ocupacional. Nos anos 30, artigos descreviam o uso de
cromatografia gasosa para vapores orgânicos;

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
22

• Hoje, os higienistas usam absorção atômica, plasma, cromatografia líquida e


outros métodos sofisticados em sua instrumentação.
• O uso de recursos de informática permitiu o desenvolvimento de instrumentos
de medição menores, mais leves e com capacidade de memorizar uma
infinidade de dados.
• Atualmente, os instrumentos estão incorporando sistemas de transmissão de
dados por sistemas de ondas de rádio, infravermelho, micro-ondas, etc. para
estações remotas de comunicação.

2.5. PADRÕES E CRITÉRIOS


• Em 1929, vários higienistas do USPHS recomendaram valores máximos para
poeira de quartzo, baseados em estudos na indústria de granito de Vermont;
• Em 1939, a primeira lista de valores permissíveis (MACs) é divulgada pela
ACGIH e ASA(ANSI). Essa lista é publicada em obras médicas e tem 140
substâncias, possuindo também as razões dos valores adotados;
• Em 1947, a ACGIH inicia a publicação das listas. Em 1948, a denominação
passa a ser a atual, TLVs.
• Em 2006, a ACGIH publicou o livreto dos TLVs com 652 valores para
substâncias químicas, 15 níveis ou intensidade para agentes físicos e 45
indicadores biológicos.

2.6. CONTROLE
• O controle dos riscos necessita da abordagem tecnológica, ou seja, medidas de
engenharia, complementadas por outras administrativas e pessoais;
• O conceito de controle na fonte, no ambiente (trajetória) e no trabalhador foi
introduzido pela primeira vez, de forma abrangente, por Ulrich Ellenborg, em
1473;
• A história da ventilação industrial e da proteção respiratória é de particular
interesse para os higienistas.
• Agrícola, em 1561, enfatizou a necessidade de ventilação das minas incluindo
ilustrações de dispositivos para forçar o ar terra abaixo;
• O primeiro projeto de ventilação registrado foi o de D’Arcet no início dos 1800.
Havia um captor em uma fornalha, ligado a uma chaminé alta que tinha uma
forte tiragem (vazão por diferença natural de densidade);
• A lei inglesa das fábricas de 1864 exigia ventilação “suficiente”, mas só em
1867 os inspetores tiveram poder de exigir ventiladores e outros meios
mecânicos;
• Em 1951 a ACGIH publica a primeira edição do “Industrial Ventilation”, a "bíblia"
da ventilação industrial de controle para a higiene ocupacional. Sua importância
nunca poderá ser devidamente enfatizada;
• Quanto à proteção respiratória, nota-se desde Leonardo da Vinci (1452-1519),
com a recomendação de tecidos umedecidos contra os agentes químicos de
guerra;
• Nos 1800, a compreensão das separações entre partículas e gases permitiu
avanços. Em 1814 desenvolveu-se o precursor do filtro de partículas dentro de

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
23

um invólucro rígido. A propriedade de adsorção de vapores do carvão ativo foi


descoberta em 1854 e quase imediatamente utilizada em respiradores;
• O maior avanço nos respiradores foi, claro, conseguido na área bélica, devido
aos agentes químicos da 1a Guerra. A pesquisa de máscaras militares foi
intensa, não só de gases como de poeiras tóxicas usados nos campos de
batalha;
• Dentro do controle legal, em 1936, o USPHS recomendava que “todo grande
estado industrial” deveria ter pelo menos um higienista industrial coordenador,
com um salário anual de 6.000 dólares. As qualificações mínimas desse
especialista deveriam ser: graduação em engenharia química, dois anos de
trabalho em higiene industrial, 3 anos de experiência, e, além de um
conhecimento bem abrangente técnico e científico, “a habilidade de estabelecer
contatos com os executivos das fábricas, conseguir sua cooperação, além dos
mestres e supervisores; tato; iniciativa; bom julgamento e bom endereçamento
de questões técnico-administrativas”.

2.7. OUTROS ASPECTOS


A segunda guerra mundial proveu significativo ímpeto para os programas de
higiene (pois era necessário manter a capacidade produtiva da indústria, que era dirigida
às armas, e operada por grande porcentagem de mulheres). Em 1946, havia 52
programas operando em 41 estados.
Em 1970, com a passagem do Occupational Health and Safety Act (OSHA), como
marco legal, foi também criada a OSHA, onde o "A" final é Administration, dentro do
Departamento do Trabalho, e o NIOSH, dentro do Departamento de Saúde e Serviços
Públicos. Para a OSHA foi a responsabilidade de criar padrões, e o NIOSH o de realizar
pesquisas e recomendar padrões à OSHA.
Os primeiros padrões adotados pela OSHA foram os Walsh-Healey existentes, que
incluíam os TLVs da ACGIH de 1968, menos as 21 substâncias para as quais a ANSI já
tinha padrões. Estes limites são conhecidos por PELs (permissible exposure limit).
Deve-se observar que a OSHA andou perdendo batalhas na Corte Suprema, por
não ser aceito seu arrazoado para a redução de certos limites em termos de custo-
benefício e redução de risco. Isto ocorreu com o benzeno em 1978 ao passar de 10 para
1 ppm.
Os riscos aceitáveis pela Corte, para morte ao nível de um certo PEL, é a sua
redução até que produza um risco de 1 para 1000 durante a vida laboral, para
substâncias químicas, sendo este o nível-objetivo atual (uma discussão detalhada deste
aspecto existe no documento original citado).

2.8. FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO E ASSOCIAÇÕES


• Embora o primeiro curso de higiene industrial tenha sido lecionado no MIT, a
Harvard University é reconhecida como tendo desenvolvido, em 1922, o
primeiro programa educacional e de pesquisa para uma graduação avançada
em higiene industrial.
• ACGIH – fundada em 1938, com 76 higienistas de 24 estados. Em 1996
possuía 5400 membros.

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
24

• A AIHA foi formada em 1939. Havia 160 membros em 1940, e mais de 13.000
em 1996. Possui 93 seções locais nos EUA e em 3 outros países. A revista
(AIHAJournal) apareceu em 1946.
• IOHA - International Occupational Hygiene Association, é uma associação de
associações, da qual faz parte a ABHO:
• ABHO – Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais. Fundada em 23 de
agosto de 1994, congrega os higienistas ocupacionais no país e é a única
organização brasileira dessa categoria profissional reconhecida pela IOHA.

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
25

2.9. TESTES
1. Qual foi o evento divisor de águas para a Higiene e a Medicina Industrial?

a) Promulgação do Factory Act de 1864.


b) Publicação do livro De Morbis Artificium Diatriba em 1700.
c) Promulgação do Factory Act de 1901.
d) Publicação do livro De Re Metallica em 1500.
e) Promulgação da lei Walsh-Healey em 1936.

Feedback: item 2.1.

2. Qual alternativa não faz parte da filosofia básica do Higienista Ocupacional?

a) Testar riscos.
b) Reconhecer riscos.
c) Avaliar riscos.
d) Antecipar riscos.
e) Controlar riscos.

Feedback: item 2.1.

3. Considere as informações abaixo:


I - Hoje em dia, os esforços da Higiene Ocupacional nos EUA são guiados pela
consideração dos riscos, mais do que pelas doenças.
II – Os estudos com relação ao efeito do amianto começaram apenas na década de
50.
III – O conceito de controle de riscos na fonte/trajetória/receptor surgiu em 1973 na
Inglaterra.
IV – Não existe nenhum relato documentado, com origem na Idade Média, sobre
doenças ocupacionais.
Qual a alternativa correta?

a) Apenas III é falsa.


b) Apenas I e III são falsas.
c) Apenas II e III são verdadeiras.
d) Apenas II e IV são verdadeiras.
e) Apenas I e IV são verdadeiras.

Feedback: item 2.2.

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Capítulo 2. Aspectos Históricos da Higiene Ocupacional
26

4. Qual foi o equipamento de amostragem que causou uma revolução na avaliação


de agentes ocupacionais?

a) Monitor passivo para dióxido de nitrogênio, desenvolvido por Palme.


b) Impinger, desenvolvido por Greenber e Smith.
c) Tubo de carvão ativo, desenvolvido pelo NIOSH.
d) Impinger miniaturizado, desenvolvido por Littlefield e Schrenk.
e) Tubo detector colorimétrico, desenvolvido por Harvard.

Feedback: item 2.4.

5. Qual a relação de riscos, aceita pela Corte Suprema Americana, para a morte ao
nível de um certo PEL (permissible exposure limit), durante a vida laboral, para
substâncias químicas?

a) 1 para 10.
b) 1 para 100.
c) 1 para 500.
d) 1 para 1000.
e) 1 para 10000.

Feedback: item 2.7.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
27

CAPÍTULO 3. SITUANDO A HIGIENE OCUPACIONAL

OBJETIVOS DO ESTUDO

Este capítulo apresenta a conceituação geral da higiene ocupacional e sua forma


de atuação. As etapas de trabalho são detalhadamente explicadas e exemplificadas.
Apresenta os objetivos finais da ação da HO, assim como as principais áreas de
interação da disciplina dentro do universo ocupacional. Dá definições formais da HO, o
conceito de limite de exposição a um agente ambiental e fala das formas de atuação do
higienista ocupacional.
Ao fim do capítulo você estará apto a:

• Conceituar a higiene ocupacional;


• Discorrer sobre as etapas de trabalho da disciplina;
• Reconhecer os agentes ambientais;
• Identificar as áreas de interação e de atuação do higienista ocupacional;
• Enunciar o conceito de limite de exposição a um agente ambiental.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
28

3.1. ESTABELECENDO CONCEITOS INICIAIS E DEFINIÇÕES


3.1.1. CONCEITUAÇÃO GERAL
Vimos o histórico dos acidentes e doenças, sua percepção e prevenção através dos
tempos; vimos também um histórico específico da higiene ocupacional. Está na hora de
estabelecermos alguns pontos. A higiene ocupacional:
• Visa à prevenção da doença ocupacional, através da antecipação,
reconhecimento, avaliação e o controle dos agentes ambientais (esta é a
definição básica atual, havendo variantes), outras definições serão discutidas
mais adiante;
• "Prevenção da doença" deve ser entendida com um sentido mais amplo, pois a
ação deve estar dirigida à prevenção e ao controle das exposições
inadequadas a agentes ambientais (um estágio anterior às alterações de saúde
e à doença instalada);
• Em senso amplo, a atuação da higiene ocupacional prevê uma intervenção
deliberada no ambiente de trabalho, como forma de prevenção da doença.
Sua ação no ambiente é complementada pela atuação da medicina ocupacional,
cujo foco está predominantemente no indivíduo;
• Os agentes ambientais que a higiene ocupacional tradicionalmente considera
são os chamados agentes físicos, químicos e biológicos. Esta consideração
pode ser ampliada, levando em conta outros fatores de stress ocupacional,
como aqueles considerados na Ergonomia, por exemplo (que também podem
causar desconforto e doenças). É evidente que as duas disciplinas se
interfaceiam e sua interação deve ser sinergética antes que antagônica;
• Os agentes físicos são, em última análise, alguma forma de energia, liberada
pelas condições dos processos e equipamentos, e que exporão o trabalhador;
sua denominação habitual: Ruído, Vibrações, Calor / Frio (interações térmicas),
Radiações Ionizantes e não Ionizantes, Pressões Anormais;
• Os agentes químicos, mais que por sua característica individual, mas sim por
sua dimensão físico-química, são classificados: gases, vapores e
aerodispersóides (estes últimos são subdivididos ainda em poeiras, fumos,
névoas, neblinas, fibras); podemos entender os agentes químicos como todas
as substâncias puras, compostos ou produtos (misturas) que podem entrar em
contato com o organismo por uma multiplicidade de vias, expondo o trabalhador.
Cada caso tem sua toxicologia específica, sendo também possível agrupá-los
em famílias químicas, quando de importância toxicológica (hidrocarbonetos
aromáticos, por exemplo);
• As “vias de ingresso” ou de contato com o organismo consideradas
tradicionalmente são a via respiratória (inalação), cutânea (através da pele
intacta) e digestiva (ingestão). A inalação é a de maior importância industrial,
seguida da via dérmica. Estes conceitos serão desenvolvidos plenamente mais
adiante, em conjunto com outras vias atualmente consideradas;
• Os agentes biológicos são representados por todas as classes de micro-
organismos patogênicos (algumas vezes adicionados de organismos mais
complexos, como insetos e animais peçonhentos), como por exemplo: vírus,

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
29

bactérias e fungos. Notar que merecem uma ação bem diversa em relação a
dos outros agentes, e que muitas formas de controle serão específicas;
• Para bem realizar a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle
dos agentes ambientais são necessárias múltiplas ciências, tecnologias e
especialidades. Para a avaliação e o controle, é importante a engenharia; na
avaliação, também se exige o domínio dos recursos instrumentais de laboratório
(química analítica); no entendimento da interação dos agentes com o
organismo, a bioquímica, toxicologia e a medicina. A compreensão da
exposição do trabalhador (este termo é fundamental) a um certo agente passa
pelas características físicas e/ou químicas dos agentes e o uso dessas ciências
básicas;
• O reconhecimento é um alerta; a adequada avaliação deve levar a uma
decisão de tolerabilidade; os riscos intoleráveis devem sofrer uma ação de
controle;
• Para se conhecer sobre a intolerabilidade, valores de referência devem existir.
É o conceito dos limites de exposição (legalmente, limites de tolerância);
• O objetivo último da atuação em higiene ocupacional, uma vez que nem
sempre se pode eliminar os riscos dos ambientes de trabalho, é o de se reduzir
a exposição média de longo prazo (parâmetro recomendado de comparação)
de todos os trabalhadores, a todos os agentes ambientais, a valores abaixo do
nível de ação. Veja que começaram a surgir outros conceitos, que devem ser
definidos a seu tempo. Uma exposição estatisticamente definida, a um processo
razoavelmente estável, e que é avaliada e considerada abaixo do nível de ação,
é um objetivo básico na higiene (todavia, todas as exposições devam ser
mantidas tão baixas quanto razoavelmente exequível);
• Nem todos os agentes são medidos apenas por sua ação de longo prazo,
sendo também importantes as exposições agudas (curto prazo). Pode-se
perceber que devem variar aqui os objetivos e formas de avaliação da
exposição.

3.1.2. DETALHANDO ASPECTOS BÁSICOS


3.1.2.1. Antecipar é...
• Trabalhar com equipes de projeto, modificações ou ampliações (ou pelo menos
analisando em momentos adequados o resultado desse trabalho), visando a
detecção precoce de fatores de risco ligados a agentes ambientais, adotando
opções de projeto que favoreçam a sua eliminação ou controle;
• Estabelecer uma "polícia de fronteira" na empresa, rastreando e analisando
todo novo produto químico a ser utilizado (isso inclui as amostras de
vendedores);
• Ditar normativas preventivas para evitar exposições inadvertidas a agentes
ambientais causadas pela má seleção de produtos, materiais e equipamentos,
para compradores, projetistas e contratadores de serviços. Por exemplo, um
dispositivo para espantar roedores de galerias de cabos elétricos parece ótimo,
mas é necessário saber que é um emissor de ultrassom.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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3.1.2.2. Reconhecer é...


• Conhecer de novo! Isso significa que se deve ter conhecimento prévio dos
agentes do ambiente de trabalho, ou seja, saber reconhecer os riscos presentes
nos processos, materiais, operações associadas, manutenção, subprodutos,
rejeitos, produto final, insumos;
• Estudar o processo, atividades e operações associadas e processos auxiliares,
não apenas com os dados existentes na empresa (e inquirindo os técnicos,
projetistas, operadores...), mas também conhecendo a literatura ocupacional
específica a respeito deles, pois mesmo os técnicos dos processos podem
desconhecer os riscos ambientais que os mesmos produzem. Podem omitir,
frequentemente, detalhes que não julgam importantes para o higienista,
justamente ligados a um risco. O solícito técnico da máquina empacotadora de
leite longa vida pode lhe dar uma explicação precisa e detalhada do seu
funcionamento, omitindo que a caixinha é selada por radiofrequência;
• Transitar e observar incessantemente pelo local de trabalho (não se faz higiene
sem ir a campo), observando o que lhe é mostrado e o que não é. Andar "atrás"
das coisas, em subsolos, casas de máquinas, porões de serviço pode ser
bastante instrutivo e revelador de riscos ambientais (cuidado com os riscos de
acidentes nesses locais).

3.1.2.3. Avaliar é...


• Em forma simples, avaliar é poder emitir um juízo de tolerabilidade sobre uma
exposição a um agente ambiental. Atualmente, a avaliação está inserida dentro
de um processo que se convenciona chamar de Estratégia de Amostragem, o
que é, evidentemente, muito mais que avaliar no sentido instrumental;
• O juízo de tolerabilidade é dado pela comparação da informação de exposição
ambiental (que pode ter vários graus de confiabilidade) com um critério
adequado. O critério é genericamente denominado de "limite de exposição
ambiental", ou limite de exposição (Legalmente falando, "limite de tolerância".
Este conceito será detalhado adiante).

3.1.2.4. Controlar é...


• Adotar medidas de engenharia sobre as fontes e trajetória do agente, atuando
sobre os equipamentos e realizando ações específicas de controle, como
projetos de ventilação industrial;
• Intervir sobre operações, reorientando-as para procedimentos que possam
eliminar ou reduzir a exposição;
• Definir ações de controle no indivíduo, o que inclui, é claro, mas não está
limitado a proteção individual;
• Serão dados mais à frente os elementos gerais de ações de controle em higiene
ocupacional. Em cada matéria, serão dadas ações específicas de controle.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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3.2. ÁREAS DE INTERAÇÃO DA HIGIENE OCUPACIONAL


3.2.1. MEDICINA OCUPACIONAL
Interação evidente e mais forte, não há como desempenhar qualquer das
disciplinas sem dialogar com o profissional da outra.

3.2.2. ÁREA DE GESTÃO AMBIENTAL


Interação importante, pois os mesmos agentes podem extrapolar o âmbito
ocupacional (ambientes onde há trabalhadores expostos), tornando-se um problema de
meio ambiente e comunidade (Exemplos: ruído, contaminantes presentes em resíduos e
emissões).

3.2.3. ERGONOMIA
Como também é eminentemente multidisciplinar, a ergonomia apresenta várias
interações, pois os mesmos agentes ambientais que significam risco na higiene serão
fatores de desconforto na ergonomia (ruído, calor, iluminação). Não se deseja aqui limitar
a ergonomia à questão do conforto, pois há muitas inadequações ergonômicas que
geram doenças, mas os exemplos dados evidenciam a interdisciplinaridade que existe.

3.3. POR QUE É FUNDAMENTAL AGIR SOBRE O AMBIENTE?


Observe o esquema a seguir e reflita no que faria parar o círculo vicioso: ambiente -
exposição - doença?

OM RISCO POT
AMBIENTE DE TRABALHO


exposição

alteração




recuperação
(AFASTAMENTO) 
tratamento

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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3.4. CONCEITOS DA HIGIENE EM ALGUMAS REFERÊNCIAS


• Higiene Ocupacional, Higiene Industrial, Higiene do Trabalho - Os termos são
considerados homônimos, enquanto exprimem a ação da disciplina. Atualmente,
utiliza-se Higiene Ocupacional;
• Definição da American Industrial Hygiene Association, que se encontra citada
na Enciclopédia de Segurança e Saúde Ocupacional, da OIT: "Ciência e Arte
devotada ao reconhecimento, avaliação de controle dos fatores e estressores
ambientais, presentes ou oriundos do local de trabalho, os quais podem causar
doença, degradação da saúde ou bem estar, ou desconforto significativo e
ineficiência entre os trabalhadores ou cidadãos de uma comunidade". O autor
do verbete na Enciclopédia, C. M. Berry, diz ainda que atualmente a definição
não descreve adequadamente a disciplina, e que é importante adicionar o termo
"antecipação", como vimos atrás. Expõe ainda que a preocupação deve se
estender à família do trabalhador, citando os casos do berílio e dos asbestos;
• A definição do American Board of Industrial Hygiene é semelhante, falando da
"Ciência e prática devotada a antecipação, reconhecimento, avaliação e controle
dos fatores e estressores ambientais presentes ou oriundos do local de trabalho
que podem causar doença, degradação da saúde ou bem estar, ou desconforto
significativo entre trabalhadores e podem ainda impactar a comunidade em
geral" (atenção: ambas são traduções livres; convém sempre ler os originais, até
porque há muito de instrutivo nessas leituras para o higienista).

3.5. O CONCEITO DO LIMITE DE TOLERÂNCIA / LIMITE DE EXPOSIÇÃO


3.5.1. EXERCÍCIO DE CONSTRUÇÃO DO CONCEITO
Inicialmente deve-se trabalhar com um glossário específico para este assunto, pois
há diferentes nomenclaturas para os chamados “limites de tolerância” e alguns deles são
marcas registradas dos seus patrocinadores, conforme segue:
• ACGIH® ®: TLV®  Threshold Limit Values
• NIOSH (EUA): REL  Recommended Exposure Limit
• OSHA (EUA): PEL  Permissible Exposure Limit
• MTE (Brasil) – Portaria 3214 – NR 15  LT – Limite de Tolerância
A Fundacentro e a ABHO não têm uma posição oficial, mas nota-se nos
documentos produzidos por essas organizações que a preferência é por LEO – Limite de
Exposição Ocupacional, a qual será também usada aqui.
Vamos por aproximações sucessivas, e ao mesmo tempo discutindo e construindo
o conceito, com aspectos associados:
• Um valor abaixo do qual não haverá doenças? (seria muito grosseiro e
pretensioso);
• Um valor abaixo do qual há razoável segurança contra o desencadeamento das
doenças causadas por um agente ambiental? (melhorou, mas ainda falta muito);
• Um valor abaixo do qual há razoável segurança para a maioria dos expostos
contra o desencadeamento de doenças causadas por um agente ambiental
(esta adição é fundamental);

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
33

• Vamos intercalar aqui a definição da ACGIH (American Conference of


Governmental Industrial Hygienists – veja também o item sobre Associações e
Entidades em Higiene Ocupacional): "Os TLV® referem-se a concentrações de
substâncias químicas dispersas no ar (assim como a intensidades de agentes
físicos de natureza acústica, eletromagnética, ergonômica, mecânica e térmica)
e representam condições às quais se acredita a maioria dos trabalhadores
possa estar exposta, repetidamente, dia após dia, sem sofrer efeitos adversos à
saúde”;
• A definição acima é completa, mas não diz tudo (porque há muitas
considerações associadas, que não cabem numa definição). Dessa forma, é
preciso alertar para:
• A "maioria" implica numa "minoria", ou seja, pessoas que não estarão
necessariamente protegidas ao nível do LE ou mesmo abaixo do mesmo,
podem ser pessoas hipersusceptíveis pela própria natureza da variabilidade
individual (todo critério tem um ponto de corte; até recentemente, o LE para
ruído da ACGIH pretendia a proteção de 90% dos expostos), ou por fatores
de hipersusceptibilidade específica, como é o caso dos albinos em relação à
radiação ultravioleta;
• É preciso conhecer quais os efeitos que o LE pretende evitar. Muitas vezes,
não se evitarão todos os efeitos. No caso do ruído, trata-se apenas da perda
auditiva induzida, embora se saiba que há outros efeitos à saúde. Muitas
vezes, é difícil modelizar tais efeitos para fins de um limite, pois há grande
variabilidade individual; outras vezes, simplesmente não há relação dose -
resposta, como no caso de carcinogênicos (o LE para asbestos pode
protegê-lo da fibrose pulmonar, mas não dos cânceres, cuja relação é
estocástica, uma chance dependente do nível de exposição - já fica aqui a
mensagem para evitar toda exposição ao dito cujo);
• É preciso conhecer qual a base de tempo do LE, sobre o qual se estabelece
a média ponderada de exposição (esta já é uma questão de avaliação); pode
ser de 6 minutos, como ocorre com radiofrequência, uma hora para
exposição ao calor, e mais frequentemente 8 horas, ou a jornada, para a
maioria dos casos;
• É preciso lembrar que o limite de exposição ocupacional representa a
melhor abordagem disponível, dentro de certos critérios, a respeito do
conhecimento acerca do agente ambiental, em termos correntes, ou seja, é
um conceito sujeito a contínua evolução, mas apenas o que se conhece na
atualidade de sua emissão. Frequentemente os LE são rebaixados, e
raramente aumentados (ou seja, houve alguma superestimação do risco);
• Os LE no contexto técnico-legal são chamados de Limites de Tolerância e
são abordados na lei n°. 6514 de 1977 e nas Normas Regulamentadoras
(NRs). É claro que, neste caso, muitas considerações técnicas
complementares não podem ser enunciadas. O uso do LT está associado à
caracterização ou não da insalubridade associada a um agente ambiental e
ao pagamento do respectivo adicional.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
34

3.5.2. CATEGORIAS DOS LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL


Com mais aplicação nas avaliações das substâncias químicas, os LEO possuem
diferentes categorias, conforme segue:
• LEO – TWA ou MPT – Limite de Exposição Ocupacional Média Ponderada no
Tempo;
• LEO – Teto (ou Ceiling) - Limite de Exposição Ocupacional – Valor Teto;
• LEO – STEL - Limite de Exposição Ocupacional para um curto período de
exposição;
• LEO – Mistura – Limite de Exposição Ocupacional para exposição simultânea a
várias substâncias com efeitos no mesmo sistema ou órgão do corpo humano;
• LT – Valor Máximo –Máximo Valor do Limite de Tolerância (adotado somente
na NR 15);

3.6. INTRODUÇÃO AOS AGENTES FÍSICOS#


Esta seção apresenta os Limites de Exposição (TLVs) para a exposição
ocupacional a agentes físicos de natureza acústica, eletromagnética, ergonômica,
mecânica e térmica. Assim como outros TLVs, estes limites para agentes físicos
fornecem um guia dos níveis de exposição e das condições sob as quais, acredita-se,
quase todos os trabalhadores saudáveis possam estar repetidamente expostos,
diariamente, sem sofrer efeitos adversos à saúde.
Os órgãos-alvos e os efeitos à saúde causados por agentes físicos podem variar
bastante em função da natureza desses agentes; assim, os TLVs não são simples
números, mas sim uma integração dos parâmetros medidos do agente, seus efeitos em
trabalhadores, ou ambos. Devido aos muitos tipos de agentes físicos, são utilizadas uma
variedade de disciplinas científicas, de técnicas de detecção e de instrumentação.
Portanto, é especialmente importante que os TLVs para agentes físicos sejam aplicados
apenas por indivíduos adequadamente treinados e experientes nas correspondentes
técnicas avaliação e medição. Dada a inevitável complexidade de alguns destes LEO, a
ACGIH® tem uma outra publicação chamada de Documentação dos TLV® e BEI® que
deve ser consultada pelo higienista na adoção de valores que definirão a exposição dos
trabalhadores aos Agentes Físicos.
Por causa das grandes variações na susceptibilidade individual, a exposição de um
indivíduo aos níveis estabelecidos como TLV, ou mesmo abaixo desses níveis pode
resultar em distúrbio, agravamento de condições pré-existentes, ou mesmo,
ocasionalmente, em danos físicos. Certos indivíduos podem também ser
hipersusceptíveis ou incomumente reativos a certos agentes físicos do local de trabalho
devido a uma variedade de fatores tais como: predisposição genética, idade, hábitos
pessoais (fumo, álcool, ou outras drogas), medicação, ou exposições prévias ou
concomitantes. Tais trabalhadores podem não estar adequadamente protegidos dos
efeitos adversos decorrentes das exposições a certos agentes físicos em nível ou mesmo
abaixo do limite

#
Texto extraído do livreto da ACGIH.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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de exposição. Um médico do trabalho deve avaliar a extensão da proteção adicional


requerida para tais trabalhadores.
Os limites de exposição são baseados em informações disponíveis da experiência
industrial, estudos experimentais com animais e seres humanos, e quando possível, da
combinação dos três, como citado em suas respectivas documentações.
Como todos os TLVs, estes limites destinam-se ao uso na prática de higiene
ocupacional e deveriam ser interpretados e aplicados apenas por pessoa treinada na
disciplina. Eles não se destinam ao uso, ou por modificação para o uso: 1) na avaliação e
controle dos níveis de agentes físicos na comunidade ou 2) como prova ou refutação de
uma incapacidade física existente.

3.7. MEDIDAS GENÉRICAS DE CONTROLE DE AGENTES AMBIENTAIS


A prática tem demonstrado a efetividade de uma série de medidas que, em
conjunto ou individualmente, podem ser de serventia na redução dos riscos a que estão
expostos os trabalhadores. Podem ser separadas em duas classes distintas: medidas
relativas ao ambiente, nas quais o controle dos agentes é feito nas fontes (máquinas,
processos, produtos, operações) e na trajetória desses agentes até o trabalhador; e
medidas relativas ao trabalhador que é o receptor involuntário desses agentes.

Quadro 3.1. Citar sete diferentes medidas de controle relativas ao ambiente.

As medidas relativas ao Ambiente são: a) Substituição do Produto Tóxico ou

Nocivo; b) Mudança ou Alteração do Processo ou Operação; c) Encerramento ou

Enclausuramento da Operação; d) Segregação da Operação ou Processo; e)

Ventilação Geral Diluidora; f) Ventilação Local Exaustora; g) Manutenção.

Quadro 3.2. Enumerar quatro medidas de controle relativas ao trabalhador.

As medidas relativas ao Pessoal são: 1) Equipamento de proteção Individual; 2)

Educação e Treinamento; 3) Controle Médico; 4) Limitação de Exposição.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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3.7.1. MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE


3.7.1.1. Substituição do Produto Tóxico ou Nocivo
A substituição de um material tóxico não é sempre possível; entretanto, quando o é,
representa a maneira mais segura de eliminar ou reduzir um risco.
Entre os numerosos exemplos que podem ser citados no emprego deste método,
está a troca do chumbo por óxido de titânio e zircônio, e por sais de zinco, em esmaltes
vitrificados e pinturas. Como é sabido, o chumbo era usado como constituinte em
esmaltes vitrificados, e tendo a propriedade de solubilizar-se em soluções cítricas
(limonada) ou acéticas (vinagre), teve de ser substituído na fabricação de artigos de louça
para uso doméstico. Nas pinturas, a substituição teve de dar-se notadamente na
fabricação de brinquedos e tintas domiciliares.
Também é um bom exemplo a substituição do quartzo granulado, que é usado (em
jato sob pressão) na limpeza de peças metálicas, por granalha de aço, o que reduz de
forma considerável o risco de silicoses (quando não se trata de peças fundidas em areia,
é bom frisar).
De maneira análoga, foram substituídos os sais de mercúrio, usados no tratamento
dos pelos de animais, na fabricação de chapéus de feltro, por uma mistura de água
oxigenada e sulfato de sódio.

3.7.1.2. Mudança ou Alteração do Processo ou Operação


Uma mudança de processos oferece em geral oportunidades para a melhoria das
condições de trabalho. Naturalmente, a maioria das mudanças ou alterações são feitas
no sentido da redução de custos e aumento de produção, e só ocasionalmente
favorecem o ambiente. Entretanto, deve o profissional de segurança saber tirar partido
dessas mudanças, orientando-as de maneira a conseguir também os seus objetivos e
lutando por alterações específicas que visem o ambiente de trabalho. Entre as
operações, cujos riscos essas medidas eliminam ou reduzem significativamente,
podemos citar as seguintes:

• Utilização de pintura por imersão ao invés de pintura a pistola;


• Processos úmidos no lugar de operações “a seco”, para o controle de
suspensões de partículas;
• Mecanização e automatização de processos, como o ensacamento de pós e a
mecanização do empastamento de placas de baterias.

3.7.1.3. Encerramento ou Enclausuramento da Operação


Esta medida, como se auto explica através da designação, consiste no
confinamento da operação, objetivando-se, assim, impedir a dispersão do contaminante
por todo o ambiente de trabalho. Como exemplo, podem-se citar: as câmaras de
jateamento abrasivo e o manuseio de solventes altamente tóxicos.
Quando o operador não está incluído no enclausuramento, e só tem acesso à
operação através de aberturas especiais, temos as chamadas “Glove Boxes” (caixas com

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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luvas). As caixas, que envolvem a operação, são de material transparente ou dotadas de


visores, e as aberturas de manuseio “vestem” luvas impermeáveis no operador, isolando
totalmente o processo. São exemplos: o esmerilhado e gravação de cristais, caixas de
jateamento abrasivo e certos processos da indústria química.

3.7.1.4. Segregação da Operação ou Processo


A segregação ou isolamento é particularmente útil para operações limitadas que
requerem um número reduzido de trabalhadores, ou onde o controle por qualquer outro
método é muito difícil. A tarefa é isolada do restante das operações, e, portanto, a maioria
dos trabalhadores não é exposta ao risco específico; aqueles que realmente estão
envolvidos na operação receberão proteção individual especial e/ou coletiva, tornada
economicamente viável pela própria ação de segregação.
A segregação pode ser feita no espaço ou no tempo. Segregação no espaço
significa isolar o processo à distância; segregação no tempo significa executar uma tarefa
fora do horário normal, reduzindo igualmente o número de expostos.
Como exemplos de segregação no espaço pode-se citar setores de jateamento de
areia na indústria em geral e na construção naval; e de segregação no tempo, a
manutenção e reparos que envolvem altos riscos.

3.7.1.5. Ventilação Geral Diluidora


O propósito que se tem em vista, ao instalar-se um sistema de ventilação geral em
um ambiente de trabalho, é o de rebaixar a concentração de contaminantes ambientais a
níveis aceitáveis mediante a introdução de grandes volumes de ar, efetuando-se a
diluição dos mesmos. Deve lembrar que não se recomenda o seu uso nos casos em que
o contaminante é disperso próximo a zona respiratória do trabalhador, pois seu efeito é
nulo do ponto de vista da Higiene Industrial.
A renovação do ar pode-se dar positivamente (insuflamento) ou negativamente
(exaustão), e a decisão deve basear-se na possibilidade de que haja escape de ar
contaminado a outros recintos adjacentes.
O volume de ar envolvido deve relacionar-se com o volume de contaminante
gerado na unidade de tempo, e não como se costuma fazer na ventilação de conforto, no
volume do recinto (trocas de ar por hora). Em geral aqueles volumes são bastante
superiores, podendo causar espécie a profissionais da área de ventilação e ar
condicionado, normalmente não envolvidos em higiene industrial.
Do ponto de vista econômico, a ventilação geral apresenta o inconveniente de
requerer volumes de ar muito altos, quando se trata de diluir contaminantes de alta
toxicidade; assim, para diluirmos os vapores produzidos por um quilograma de benzeno a
valores aceitáveis, são necessários milhares de m3 de ar; se o mesmo tivesse que ser
feito para a nafta solvente, seriam necessárias apenas poucas centenas de m3 de ar.
Outras aplicações da Ventilação Geral Diluidora, em Higiene Industrial, estão
relacionadas principalmente com calor.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
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3.7.1.6. Ventilação Local Exaustora


A ventilação local exaustora é dos sistemas mais eficazes para se prevenir a
contaminação do ar na indústria. O princípio em que se baseia é o de capturar o
contaminante no seu ponto de origem (ato contínuo à sua geração), antes que o mesmo
atinja a zona respiratória do trabalhador, usando para isto, a menor quantidade de ar
possível. O contaminante assim capturado é levado por tubulações ao exterior, ou ao
sistema de coleta do contaminante. Um sistema de ventilação local exaustora
compreende várias partes básicas. A primeira delas é a tomada de ar ou captor, que
deve ter a forma mais adequada de adaptação à máquina ou processo que gera o
contaminante. Em geral se desconhecem características intrínsecas de sistemas de
sucção, tais como a de que as Superfícies Isométricas de captura têm seu poder
drasticamente reduzido ao afastarmo-nos da boca da tubulação. Assim, para uma boca
cilíndrica, a uma distância da mesma igual ao seu diâmetro, a velocidade do ar
ingressante é de apenas 7% da velocidade na boca. Do exposto se deduz que a tomada
de ar deve estar tão acercada quanto possível da fonte de produção de contaminante.
A parte seguinte do sistema compõe-se das tubulações ou condutos, através dos
quais circula o ar aspirado. A velocidade do ar nos mesmos deve ser calculada de modo
que o contaminante não se deposite no seu interior por sedimentação.
Quando o contaminante é tóxico e a sua dispersão na atmosfera pode contaminar
outras áreas de trabalho ou a vizinhança, ou, ainda, quando o mesmo possuir alto valor
intrínseco, o sistema deve incluir um dispositivo de coleta, localizado num ponto do
sistema antes que o ar evacuado seja lançado na atmosfera. Os sistemas existentes de
uso mais generalizado são os ciclones, câmaras de sedimentação, filtro de mangas,
precipitadores eletrostáticos, processos úmidos, lavadores, entre outros, e seu uso e
escolha dependem de parâmetros como: granulometria do material, vazão a manipular,
molhabilidade, toxicidade, explosividade, ação corrosiva do contaminante, entre outros.
Outro elemento constituinte dos sistemas de ventilação é, obviamente, o ventilador,
o qual é colocado em geral, mas não necessariamente, após o sistema coletor. A razão
dessa forma de instalação, é que desse modo todo o sistema se encontrará em pressão
negativa, evitando a fuga de ar contaminado ou semi-contaminado à atmosfera. Esse
arranjo também é favorável, quando o contaminante tem ação erosiva ou corrosiva, o que
poderia diminuir sensivelmente a vida útil do ventilador.
Logo após instalados, os sistemas de ventilação devem ser verificados quanto à
operação, observando-se as especificações de projeto, como, vazões, velocidades nos
dutos, pressões negativas, entre outras. Os parâmetros de operação devem ser
verificados periodicamente como medida usual de manutenção.

3.7.1.7. Manutenção
Rigorosamente, não se pode considerar este como um método de prevenção no
sentido estrito da palavra, mas constitui parte e complemento especialmente importante
de qualquer dos anteriores, não só quando se trata dos equipamentos de controle de
riscos ambientais, mas também de equipamentos e instalações em geral na empresa.
É frequente, devido ao pouco conhecimento do industrial de seus problemas
ambientais, que a ação das medidas adotadas se esterilize com o tempo, por falta de

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
39

uma manutenção adequada. Programas e cronogramas de manutenção devem ser


seguidos à risca, respeitando-se os prazos propostos pelos fabricantes e projetistas de
equipamentos.

3.7.1.8. Ordem e Limpeza


Boas condições de ordem e limpeza, e asseio geral ocupam uma posição chave
num sistema de proteção ocupacional. Basicamente, é mais uma ferramenta a adicionar-
se aquelas já listadas na prevenção de dispersão de contaminantes perigosos.
O pó em bancadas, parapeitos, rodapés e chão, sedimentado nas horas calmas e
ao longo do tempo, pode prontamente ser redispersado na atmosfera do recinto pelo
trânsito de pessoas e equipamentos, vibrações e correntes aleatórias. O asseio é sempre
importante; onde há materiais tóxicos, é primordial. A limpeza imediata de quaisquer
derramamentos de produtos tóxicos é importante medida de controle. Um programa de
limpeza periódica, usando-se aspiração a vácuo, seja por aspiradores industriais, seja por
linhas de vácuo, é o único meio realmente efetivo, para se remover pó e partículas da
área de trabalho. Nunca o pó deve ser soprado, com bicos de ar comprimido, para
“efeito” de limpeza. Nos casos de pós de sílica, chumbo e compostos de mercúrio, estas
são medidas essenciais. Igualmente, no uso, manuseio e estocagem de solventes, o
asseio deve incluir limpeza imediata de respingos ou vazamentos, por pessoal que use
equipamentos de proteção pessoal, e o material empregado, como, panos, trapos, papel
absorvente, deve ser disposto em recipientes herméticos e removido diariamente da
planta.
É impossível manter-se um programa efetivo de saúde ocupacional, sem que se
assuma a constante preocupação com os aspectos totais de ordem e limpeza.

3.7.2. MEDIDAS RELATIVAS AO PESSOAL


3.7.2.1. Equipamento de Proteção Individual (EPI)
Os equipamentos de proteção individual devem ser sempre considerados como
uma segunda linha de defesa, após criteriosas considerações sobre todas as possíveis
medidas de controle relativas ao ambiente, que possam eventualmente ser tomadas e
aplicadas prioritariamente.
Entretanto, há situações especiais, como já foi notado, nas quais as medidas de
controle ambientais são inaplicáveis total ou parcialmente; nesses casos, a única forma
de proteger o pessoal será dotá-lo de equipamentos de proteção individual.
O uso correto dos EPIs, por parte dos trabalhadores, assim como as limitações de
proteção que eles oferecem, são aspectos que o pessoal deve conhecer através de
treinamento específico, coordenado pelo Engenheiro de Segurança.

3.7.2.2. Educação e Treinamento


As ações de educação e treinamento, principalmente aquelas dirigidas à Segurança
e Higiene do Trabalho, devem ter lugar sempre independentemente da utilização de
outras medidas de controle, sendo na realidade importante complementação a qualquer
uma. Tais ações, que devem ser conduzidas e coordenadas pelo Engenheiro de
Segurança da empresa, devem incluir, entre outros itens, a conscientização do

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
40

trabalhador, quanto aos riscos inerentes às operações, aos riscos ambientais, e às


formas operacionais adequadas que garantam a efetividade das medidas de controle
adotadas, além do treinamento em procedimentos de emergência, noções de primeiros
socorros e medidas de urgência adequadas a cada ambiente de trabalho específico, que
serão desenvolvidas com a participação do médico do trabalho.

3.7.2.3. Controle Médico


Exames médicos pré-admissionais e periódicos constituem medidas fundamentais,
de caráter permanente e se situam entre as principais atividades dos serviços médicos de
empresa. Os exames pré-admissionais apresentam características importantíssimas de
seleção ocupacional, podendo se comparar aspectos desejados e não desejados. De
acordo com a função ou atividade específica do trabalhador na empresa, cotejam-se
aspectos operacionais, de compleição, de habilidade e de destreza, de atenção e
percepção, de susceptibilidade individual, alergênicos, etc., com os requerimentos e os
fatores de risco de tais funções ou atividades. As características devem ser ditadas pelo
médico, assessorado de dados técnicos específicos.
Os exames médicos periódicos dos trabalhadores possibilitam, além de um controle
de saúde geral do pessoal, a detecção de fatores que podem levar a uma doença
profissional, assim como serão uma forma de avaliar a efetividade dos métodos de
controle empregados. Outros exames importantes são aqueles necessários à mudança
de função, ao retorno ao trabalho após tempo dilatado de afastamento e o exame
admissional.

3.7.2.4. Limitação da Exposição


A redução dos períodos de trabalho torna-se importante medida de controle onde
todas as outras medidas possíveis forem inefetivas, impraticáveis (técnica, física ou
economicamente) ou insuficientes no controle de um agente, por não se lograr, desse
modo, a eliminação ou redução do risco a níveis seguros. Assim, a limitação de
exposição ao risco, dentro de critérios técnicos bem definidos, pode tornar-se uma
solução efetiva e econômica em muitos casos críticos.
São exemplos típicos desse procedimento o controle de exposições ao calor
intenso, a pressões anormais, ao ruído e às radiações ionizantes.

3.8. ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES DA ÁREA


Destacam-se as associações higienistas estrangeiras, como a ACGIH (American
Conference of Governmental Industrial Hygienists) e a AIHA (American Industrial Hygiene
Association), uma internacional, a IOHA (International Occupational Hygiene Association),
que é uma associação de associações, e nacionalmente, a ABHO (Associação Brasileira
de Higienistas Ocupacionais).
As entidades a se destacar são o NIOSH (National Institute of Occupational Safety
and Heath) norte-americano, governamental, e seu homólogo nacional (conceitualmente
falando), que é a Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho). Também são especialmente importantes as entidades do
Canadá, França e Espanha (neste último caso, pela maior facilidade quanto ao idioma).

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
41

3.9. ATUAÇÃO DO HIGIENISTA OCUPACIONAL


As diferentes oportunidades de atuação do higienista ocupacional podem ser
enumeradas:
• Nas empresas, exercendo a sua função básica e fundamental na Higiene
Ocupacional, desenvolvendo programas de prevenção segundo normativas
corporativas (quando existem...), ou o PPRA da NR-9 (obrigação legal). O
desenvolvimento de um programa de higiene ocupacional completo e adequado
é tarefa técnica absorvente e exigirá dedicação exclusiva, muito estudo, e
também empenho, criatividade e diplomacia na obtenção de apoio e recursos
dentro da empresa;
• Em órgãos públicos e entidades da área, na pesquisa e desenvolvimento, como
na Fundacentro, ou na área de Saúde, ou ainda nos órgãos de fiscalização
como as Delegacias Regionais do Trabalho;
• No assessoramento de entidades de classe, patronais ou de trabalhadores, em
questões ocupacionais (sindicatos, federações ou confederações);
• Na docência de temas ocupacionais ligados à higiene, na formação de
profissionais ocupacionais (cursos abertos ou do sistema educacional formal);
• Quando engenheiros de segurança ou médicos do trabalho, na área pericial
ocupacional, gerando laudos e pareceres em questões judiciais trabalhistas ou
previdenciárias (laudos de insalubridade).

3.10. O HIGIENISTA E AS QUESTÕES TÉCNICO-LEGAIS


O profissional ocupacional estará, mais que muitos outros técnicos, sempre
atuando num contexto técnico-legal. Os dois grandes ambientes, inter-relacionados, mas
não necessariamente coerentes do ponto de vista das determinações e critérios, são o
trabalhista e o previdenciário. As ações adequadas do ponto de vista técnico sempre
serão subsídios ao atendimento legal, mas, ao contrário, o simples atendimento legal não
implica necessariamente numa adequação total da ação técnica de prevenção e controle
das exposições ocupacionais. A lei, é claro, pede o mínimo, nem sempre o suficiente, e
muitas vezes não foca as causas ou privilegia a prevenção. É bom lembrar.

3.11. A HIGIENE OCUPACIONAL, SUAS “ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO” E AS


FORMAÇÕES PROFISSIONAIS
Esta questão pode ser colocada sob vários ângulos ou formas de subdivisão de
atuação:
• A higiene de campo, ou tudo o que significa o reconhecimento e a avaliação da
exposição ocupacional, ou seja, o domínio de equipamentos de campo e as
metodologias de amostragem;
• A higiene analítica, ou seja, o trabalho de química analítica associado ao
condicionamento e análise de amostras de campo. São várias as técnicas e
equipamentos necessários dada a multiplicidade de substâncias puras,
compostos e produtos a serem analisados. Desde a simples gravimetria
(pesagem) até o uso de cromatografia gasosa e líquida, espectrofotometria,
plasmas acoplados, difratometria de raios X, serão necessários, com aplicação

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
42

específica em higiene ocupacional. As metodologias para isso são em sua


maioria conhecidas e na área é importante o trabalho do NIOSH norte-
americano, que as padronizou. Muitas vezes, é necessário desenvolver novas
metodologias analíticas, quando não há uma referência anterior para um dado
agente;
• A higiene do controle, que é frequentemente a ação direta de tecnologia de
engenharia, na ventilação industrial, nas alterações de processos, na criação de
dispositivos que reduzam a exposição aos agentes ambientais. Especialmente
importante é a ação de controle de ruído, que requer especialidade em
engenharia mecânica e acústica aplicada;
• Além disso, a Higiene é suficientemente ampla para requerer dedicação e
especialidades profissionais diferenciadas quanto aos distintos agentes
ambientais:
• Os agentes físicos estarão mais bem compreendidos e gerenciados pelos
profissionais da engenharia e da física; somente a área de radiações
ionizantes, por exemplo, requer aprofundamento e qualificação própria
(normatizados pela CNEN); as radiações não ionizantes representam um
campo vasto que requer conhecimentos de eletromagnetismo, campos e
conceitos afins; o ruído e as vibrações terão na física e na engenharia
mecânica melhor suporte e compreensão;
• Os agentes químicos, por sua vez, serão melhor compreendidos e
gerenciados (antecipação, reconhecimento, avaliação e controle) por
químicos e engenheiros químicos.
É claro que não se exclui que outros profissionais venham a atuar com eficiência e
eficácia nos temas comentados, superando as deficiências de suas formações básicas
com estudo e inteligência; todavia, na hora de atuar haverá uma natural aproximação de
cada um com os temas de maior facilidade de familiaridade.
Por fim, mas não por último, é fundamental lembrar de toda a área de interface que
existe entre a higiene e os efeitos à saúde dos expostos (afinal, a higiene ocupacional é a
ação abrangente sobre a situação de trabalho, para a prevenção da doença ocupacional).
Estes higienistas especiais, capazes de dialogar com as questões biológicas, serão os
toxicologistas, farmacêuticos-bioquímicos, biólogos e médicos.
Tudo para lembrar que, se a disciplina nasceu e se desenvolveu requerendo
recursos multiprofissionais e especialidades, é natural que essas especificidades se
reflitam na atuação dos higienistas. Eles deverão ser generalistas e capazes de assumir
a lida cotidiana das questões básicas, mas deverão ter a humildade e a percepção para
buscar especialidades quando requeridas (especialmente no controle dos riscos).

3.12. TEXTO COMPLEMENTAR

O QUE É HIGIENE OCUPACIONAL?

Esta ciência trata da saúde do trabalhador, e utiliza estratégias para avaliação da


exposição a contaminantes atmosféricos que oferecem riscos ocupacionais. Sendo assim
tão específica, os higienistas não deveriam, por exemplo, objetivar unicamente a

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
43

caracterização de insalubridade ou o estabelecimento de benefícios sociais. Estes são


detalhes legais necessários, mas não específicos da higiene.
O método de trabalho ocupacional inclui as seguintes etapas: antecipação do risco,
a identificação de riscos potenciais antes que eles venham a se tornar um risco real;
identificação do risco, com estabelecimento da relação dose-resposta; avaliação da
exposição com caracterização do risco; e controle dos mesmos, com implementação de
mecanismos corretivos ou prevencionistas.
É preciso considerar que o progresso gerado pelo trabalho nem sempre precisa
estar associado com prejuízo para a saúde do trabalhador, pois os riscos ocupacionais
podem e devem ser controlados pela atividade do higienista ocupacional, quase sempre
através da implementação de programas prevencionistas de natureza Multidisciplinar.
Portanto, a importância do higienista ultrapassa os limites do ambiente de trabalho,
sendo que suas ações reduzem impactos ao meio-ambiente em geral.
O ideal seria que houvesse antecipação dos riscos, como objetivo de identificar as
fontes dos mesmos, a fim de evitá-los antes que os locais de trabalho fossem
construídos, os equipamentos instalados e os processos operacionais planejados.
Porém, como não vivemos em um mundo ideal, os riscos existem. A identificação dos
mesmos é etapa fundamental da metodologia de trabalho, e compreende o
reconhecimento de riscos de natureza física, química ou biológica. Em alguns casos,
existem “riscos escondidos”, que também devem ser criteriosamente investigados.
O reconhecimento dos riscos requer, pelo menos, dois tipos básicos de ação: a
coleta de informações e a visita ao local de trabalho, embora nem sempre o
conhecimento dos efeitos nocivos de um agente de risco seja suficiente para o
estabelecimento de ações posteriores. Por exemplo: “tóxico” nem sempre oferece risco,
cujo grau depende das condições da exposição, como o tipo de equipamento, a fonte dos
contaminantes, o estabelecimento dos valores máximos de concentração, as
propriedades dos materiais, a descrição das tarefas dos trabalhadores expostos, o tempo
e a tipologia da exposição etc.
Já a avaliação da exposição determina se a ação preventiva é necessária, se as
medidas de controle são eficientes, se um certo agente causa risco e qual a dose
realmente recebida pelo trabalhador. As principais propriedades a serem avaliadas
dependem, como já vimos, do tipo de agente, como a sua capacidade toxicológica e as
suas características físico-químicas.

* O artigo de Berenice Goelzer, “Estratégia para avaliação da exposição ocupacional a contaminantes


atmosféricos nos ambientes de trabalho” – Programa de Saúde Ocupacional Organização Mundial de Saúde,
foi adaptado para a ABHO e revisado por José Manoel Osvaldo Gana Soto.
O grau de exposição é determinado a partir da concentração do agente no ar, da
duração da exposição e da possibilidade de entrada no organismo (via respiratória, pele,
ingestão).
Reconhecido o agente prejudicial e avaliado o grau de exposição, é necessário
interpretar os resultados com base em normas ou regulamentos adotados, como os
“limites de exposição ocupacional”, também denominados “limites de tolerância” ou
“concentrações máximas permitidas”.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
44

Os limites de exposição ocupacional podem ser expressos por “concentração média


ponderada em função do tempo” (muitas vezes inadequado) ou por “limites para
exposições curtas”. Quinze minutos de exposição podem ser fatais, pelo risco oferecido
por um determinado agente, e insignificante para outro tipo de agente. Mas a
concentração de teto é um limite que não deve ser ultrapassado nunca. A estratégia de
amostragem é pouco fundamental para que se obtenha resultado adequado de análise
(cf. artigo “Como escolher laboratório de higiene ocupacional”, publicado no ABHO
Atualidades Julho-Agosto 2000, disponível também no site www.abho.com.br).
O controle de riscos depende, portanto, do trabalho multidisciplinar, incluindo as
medidas ambientais de engenharia. Uma medida de engenharia pode alterar
permanentemente o ambiente de trabalho, o maquinário e os equipamentos, que devem
ser adequados na qualidade e na quantidade.
A referência ao trabalho multidisciplinar é justificada pelo fato de haver necessidade
de trabalho de equipe integrado. Pelo menos 20 especialidades são indicadas pela
ACGIH. Afinal, além do método de trabalho adotado pelo higienista, a manutenção da
saúde do trabalhador requer outras medidas, partes integrantes das estratégias de
controle, e que incluem medidas administrativas, como limitação do tempo de exposição
a agentes de alto risco, rotação de trabalhadores, educação ambiental de EPIs, sendo
que estes são a última opção para o controle.
Monitoração ambiental também é estratégia de controle, assim como exames
médicos periódicos, planejamento de descarte de resíduos industriais etc.
É certo que a multiplicidade dos fatores de risco exige planejamento minucioso da
atuação da “equipe de higiene ocupacional”, pois atividades isoladas (ex.: avaliação de
um contaminante atmosférico ou um projeto para ventilação industrial) são um lado de
ação, mas é preciso considerar os múltiplos aspectos que envolvem a saúde de uma
coletividade.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
45

HIGIENE OCUPACIONAL, INDUSTRIAL OU DO TRABALHO?

Os termos acima coexistem, havendo alguma dificuldade para o estabelecimento


de adequada denominação. Observe:
Higiene Industrial pode ser definida como a que “visa antecipar e reconhecer
situações potencialmente perigosas e aplicar medidas de controle de engenharia, antes
que agressões sérias à saúde do trabalhador sejam observadas” (Frank Patty, 1948).
Também pode ser definida segundo critérios da ACGIH, como “a ciência e a arte
devotada ao reconhecimento, avaliação e controle dos fatores ambientais e estresse
originados do ou no local de trabalho, que podem causar doença, comprometimento à
saúde e bem-estar, ou significante desconforto e ineficiência entre os trabalhadores, ou
membros de uma comunidade”.
A denominação Higiene Industrial recebe influência de autores americanos,
enquanto que Higiene do Trabalho tem sido menos usual. Para a Língua Portuguesa,
Higiene Ocupacional tem sido a denominação mais adequada, e também aceita pela
Organização Mundial de Saúde – OMS, pois excede as atividades profissionais e avança
no conceito da ocupação das pessoas que não necessariamente é remunerada, pode ser
uma atividade cultural, de lazer, etc.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
46

3.13. TESTES
1. O texto sobre a conceituação e evolução da higiene ocupacional, de Vernon
Rose, expõe que:
a) A ação da higiene está baseada no reconhecimento da doença associada ao
trabalho e ao acionamento do médico.
b) A ação da higiene reside numa alteração deliberada do ambiente de trabalho
visando a prevenção da doença.
c) A ação da higiene reside no tratamento das doenças do trabalho e de saúde
pública.
d) A ação da higiene está focada na premissa de “acidente zero/doença zero”.
e) A ação da higiene está condicionada exclusivamente a experiência do gestor de
SSO.
Feedback: item 3.1.1.

2. Assinale abaixo qual a afirmação que é consistente com o conceito de limite de


exposição:
a) Valor que assegura a inexistência de efeitos nocivos à saúde.
b) Valor que protege a maioria dos expostos.
c) Valor que protege de todos os efeitos causados por um agente ambiental.
d) Valor absoluto e imutável aplicável a pessoas com idade entre 18 e 65 anos.
e) Valor também aplicável para as populações não ocupacionais (comunidade).
Feedback: item 3.5.1.

3. Qual o conceito correto do Limite de Tolerância / Limite de Exposição?


a) Um valor abaixo do qual não haverá doenças ocupacionais.
b) Um valor abaixo do qual há razoável segurança contra o desencadeamento das
doenças causadas por um agente ambiental.
c) Um valor abaixo do qual 20% dos trabalhadores não terão doenças
ocupacionais.
d) Um valor abaixo do qual a maioria dos trabalhadores possa estar exposta,
repetidamente, dia após dia, sem sofrer efeitos adversos à saúde.
e) Um valor abaixo do qual 50% dos trabalhadores não sofrerão acidentes.
Feedback: item 3.6.

4. Qual alternativa não se aplica às Medidas de Controle relativas ao Ambiente?


a) Ventilação Geral Diluidora.
b) Manutenção.
c) Substituição do Produto Tóxico ou Nocivo.
d) Encerramento ou Enclausuramento da Operação.
e) Controle médico.
Feedback: item 3.7.2.3.

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Capítulo 3. Situando a Higiene Ocupacional
47

5. Qual alternativa não se aplica às Medidas de Controle relativas ao Pessoal?


a) Limitação de exposição.
b) Ordem e limpeza.
c) Equipamento de proteção individual.
d) Educação e treinamento.
e) Controle médico.
Feedback: item 3.7.2.

6. Qual dessas instituições não é uma entidade norte-americana?


a) ACGIH.
b) AIHA.
c) NIOSH.
d) ABHO.
e) MSHA.
Feedback: item 3.5.1.

7. Qual das alternativas abaixo não faz parte da área de atuação do Higienista
Ocupacional?
a) Tratamento de doenças ocupacionais.
b) Desenvolvimento de programas de prevenção de riscos ambientais.
c) Assessoramento de entidades de classe, patronais ou de trabalhadores, em
questões ocupacionais.
d) Docência de temas ocupacionais ligados à higiene e na formação de
profissionais ocupacionais.
e) Desenvolvimento de programas de prevenção segundo normativas corporativas.
Feedback: item 3.9.

8. Para uma determinada exposição há pessoas que podem não estar protegidas
mesmo a concentração estando abaixo do LE.
Esta afirmação é:
a) Verdadeira.
b) Falsa.
Feedback: item 3.5.1.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
48

CAPÍTULO 4. O CORPO HUMANO

OBJETIVOS DO ESTUDO

A fim de se compreender os efeitos de substâncias potencialmente perigosas faz-se


necessário um conhecimento básico do funcionamento do corpo humano.
Este capítulo abordará de modo sucinto a fisiologia humana e os modos pelos quais
o corpo humano pode ser afetado por substâncias (agentes químicos) e agentes físicos.
Serão discutidos riscos à saúde nos locais de trabalho e as doenças que podem causar.
Estas serão analisadas com maior detalhe em outros capítulos.

Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a:


• Descrever os três principais sistemas do corpo que podem ser afetados por
substâncias potencialmente perigosas: rotas de entrada, sistemas internos e
rotas de saída;
• Reconhecer as formas pelas quais substâncias tóxicas podem estar sendo
liberadas nos locais de trabalho;
• Explicar os 4 principais modos pelos quais agentes físicos e químicos podem
penetrar ou atuar sobre o corpo humano;
• Descrever como materiais perigosos interferem com os sistemas internos do
corpo e podem causar danos;
• Explicar como o sistema de defesa do corpo age ao contra-atacar as
substâncias tóxicas;
• Definir as seguintes siglas em português: LT e LTmap, e em inglês, TLV-TWA,
TLV-STEL e TLV-C; e
• Distinguir os 2 tipos principais de curva dose-resposta e sua influência na
determinação das concentrações aceitáveis.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
49

• Definir as seguintes siglas em português LT (LTvt, LTmap, Vmax), e em inglês


TLV (TLV-TWA, TLV-STEL, TLV-C). Distinguir os dois tipos principais de curva
dose-resposta e sua influência na determinação das concentrações aceitáveis.

Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído do livro a ser publicado pelo professor
Sérgio Médici de Eston.

4.1. A CIÊNCIA DO CORPO HUMANO


Substâncias ou compostos químicos existentes no local de trabalho podem gerar
doenças no corpo humano nos seguintes locais:
• Nas células localizadas em qualquer parte do corpo;
• Nas rotas de entrada - na inalação (pulmões), na absorção (pele) e na ingestão
(intestinos);
• Nos sistemas internos - circulatório, nervoso central e reprodutivo;
• Nas rotas de saída - no fígado, nos rins e na bexiga.

4.1.1. A CÉLULA
A célula é o tijolo fundamental da vida. É uma pequena estrutura, em geral com
diâmetro inferior a 25 m, e, portanto, muito pequena para ser vista pelo olho humano.
Formas muito simples de vida, como amebas e bactérias, são compostas de uma única
célula. Todavia o corpo é formado por trilhões de células, cada uma especializada numa
função particular.

Nota 4.1.

As células sanguíneas denominadas de glóbulos vermelhos transportam

oxigênio enquanto as denominadas de glóbulos brancos produzem anticorpos

que auxiliam na defesa contra infecções. As células nervosas geram e

conduzem impulsos elétricos que controlam nossos movimentos e

pensamentos. As células hepáticas (do fígado) contêm enzimas que podem

remover ou desintoxicar os venenos de certas substâncias.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
50

Cada órgão ou tecido do corpo humano é constituído de bilhões de células de um


tipo similar, sendo cada célula uma estrutura viva que se reproduz por subdivisão. Assim
cada célula deve ser capaz de receber nutrientes e convertê-los numa forma mais
utilizável.
Apesar de as células serem especializadas para efetuar uma ampla variedade de
funções do corpo, a estrutura básica é similar para todas elas. A figura 4.1. ilustra as 3
partes principais que são:
• O núcleo - composto do material genético denominado DNA;
• O citoplasma - contendo estruturas específicas que dão a cada célula suas
características particulares;
• A membrana - que regula a entrada de compostos e nutrientes do sangue e a
eliminação de produtos indesejáveis.

Figura 4.1. As 3 principais partes de uma célula

4.1.2. ROTAS DE ENTRADA


Existem quatro rotas de entrada no corpo humano para as substâncias tóxicas.
Estas rotas são as seguintes:
• Inalação - através do processo de respiração;
• Absorção - através da pele;
• Ingestão - através da boca, ao se inserir sólidos ou líquidos;
• Injeção.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
51

4.1.2.1. Inalação
A inalação é uma das formas mais comuns pela qual substâncias perigosas entram
no corpo humano e os problemas de poluição atmosférica colocaram em evidência a
necessidade de se ter mais informações básicas sobre os pulmões.
Os pulmões podem ser divididos nas seguintes áreas principais (figura 4.2):
• Sistema respiratório;
• Estrutura e tecidos conectivos;
• Macrófagos alveolares.

Figura 4.2. Componentes do pulmão

O sistema respiratório de um adulto sentado e ao final de uma serena expiração


ainda contém cerca de 3 a 4 litros de ar. O gás está distribuído entre as vias e os
alvéolos, e nestes últimos é onde ocorre a troca gasosa com o sangue. Em volume, cerca
de 95% deste gás está contido nos alvéolos.
As vias respiratórias podem por sua vez ser subdivididas nas partes superior e
inferior. O trato respiratório superior engloba o nariz, os sinus paranasais, a boca, a
faringe e a laringe. Eles desempenham 3 importantes funções:
• Fazer com que o ar inspirado tenha uma temperatura próxima da do corpo
humano (~37°C), seja aquecendo-o ou resfriando-o;
• Fazer com que a umidade do ar inspirado chegue próximo à saturação;
• Remover algumas das partículas suspensas e alguns dos gases contaminantes
existentes.
O desenho das vias do trato inferior permite que o ar inspirado seja distribuído aos
alvéolos de modo homogêneo e a um baixo custo energético. Iniciando-se na bifurcação
da traqueia, estas vias se subdividem dicotomicamente. Os pulmões humanos podem
conter até 17 subdivisões de vias puramente condutivas, as menores sendo conhecidas
como bronquíolos terminais. A partir dos bronquíolos terminais existem várias gerações
de vias de transição, denominadas de bronquíolos respiratórios, ou seja, vias em cujas
paredes existem alvéolos.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
52

Estima-se que existam centenas de milhões de alvéolos num pulmão adulto,


configurando uma superfície de troca por difusão de cerca de 70 m2. O caminho
atravessado pelo oxigênio (O2) e pelo gás carbônico (CO2) é extremamente curto, pois da
fase gasosa alveolar até a molécula de hemoglobina a distância varia de menos de 1
micrômetro até cerca de 4 micrômetros. Esta distância é percorrida em cerca de 0,3
segundo.

Nota 4.2.

O símbolo m surgirá frequentemente neste texto e se refere a um

micrômetro. O símbolo  é um prefixo associado neste caso ao símbolo m (de

metro). Os mais comuns prefixos do sistema internacional de unidades estão na

relação abaixo.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
53

O comprimento de onda da luz verde é de 555 nm (nanômetros) e a unidade de


radiação é pCi (picoCurie). Notemos que se deve usar um espaço para separar termos
de dígitos e que 1 litro equivale exatamente a 1 000 cm3 (1 L = 1 000 cm3).
A região do sistema respiratório que poderá ser afetada por gases ou partículas
poluidoras depende de vários fatores tais como:
• Concentração do contaminante;
• Propriedades físicas e químicas do contaminante;
• Padrão de respiração (lenta ou rápida, pela boca ou nariz);
• Presença ou não de doença pulmonar. Num pulmão doente as anormalidades
funcionais e estruturais tendem a estar distribuídas de modo não homogêneo e,
portanto, a exposição deste pulmão tende também a ocorrer de uma forma
heterogênea.
O pulmão é uma estrutura elástica e 2 fatores contribuem para este comportamento
elástico:
• Forças de superfície que atuam nas interfaces ar-líquido dos alvéolos;
• Forças elásticas decorrentes da presença de 3 proteínas fibrosas - colágeno,
elastina e reticulina - sendo o colágeno a proteína mais abundante.
Os macrófagos alveolares são como “absorvedores móveis” que limpam os
alvéolos de partículas insolúveis. As principais funções dos macrófagos são a fagocitose
e a digestão, sendo esta última efetuada com o auxílio de um complexo sistema de
enzimas que ficam armazenadas em cápsulas membranosas dentro do citoplasma
celular.
Uma partícula que se deposite num alvéolo será removida num período curto de
tempo por fagocitose. O meio-tempo de remoção da maioria das partículas que são
retiradas é de cerca de 24 horas. Para as partículas que penetram as paredes alveolares
o tempo de remoção aumenta bastante e varia entre 90 e 360 dias. A persistência de
partículas no pulmão pode decorrer de seu aprisionamento em tecido inflamado ou
remoção através dos sistemas linfático e circulatório. Qualquer demora de remoção
implica em maior potencial de dano para os pulmões.

4.1.2.2. Absorção
A absorção pela pele é outra forma comum de entrada de substâncias tóxicas. A
pele pode ser considerada o maior órgão do corpo e sua extensa superfície pode entrar
em contato direto com substâncias nocivas.
A pele protege os órgãos internos do ambiente externo, sendo sua camada exterior
composta de células mortas e endurecidas que são resistentes aos contatos do dia a dia.
Ela contém múltiplas estruturas que participam ativamente de uma série de mecanismos
do corpo, tais como:
• Glândulas sudoríparas, que ajudam a resfriar o corpo quando o ambiente é
muito quente;
• Glândulas sebáceas, que produzem óleos que repelem a água;
• Uma rede de vasos capilares sanguíneos que tem papel chave no controle da
temperatura corporal. Estes capilares se expandem no calor, ajudando na perda
por radiação pelo ar, contraindo-se no frio de modo a conservar calor no corpo;

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Capítulo 4. O Corpo Humano
54

• Uma camada protetora de óleos e proteínas que ajudam a impedir ou diminuir a


penetração de substâncias prejudiciais. Certos solventes usados na fabricação
de tintas podem facilmente penetrar na pele, atingir a corrente sanguínea e
alcançar outros órgãos. Evitando-se estes solventes, a superfície da pele pode
ser considerada como praticamente impermeável.
Assim a pele é um eficiente meio de proteção contra batidas (trauma), secagem,
bactérias, penetração de água, luz ultravioleta, substâncias nocivas, etc. Se a pele é
penetrada, as células brancas do sangue têm a capacidade de envolver bactérias e as
destruir. Após a penetração de um antígeno no organismo o sistema imunológico reage
produzindo anticorpos para neutralizar o efeito.

4.1.2.3. Ingestão
Uma terceira e importante via de entrada de substâncias tóxicas ocorre através da
boca e do trato digestivo. O trato digestivo é um tubo contínuo que se inicia na boca e
termina no ânus, como ilustrado na figura 4.3.

Figura 4.3. Trato digestivo

Os órgãos do sistema digestivo permitem os processos de ingestão, digestão e


absorção de nutrientes. O intestino delgado faz a absorção de nutrientes e dentre eles, a
maior parte das vitaminas e sais. O intestino grosso faz a absorção de água e a formação
do bolo fecal.

4.1.2.4. Injeção
Substâncias nocivas podem penetrar no corpo humano através de injeção. Por
exemplo, trabalhadores de hospitais operando com seringas contaminadas podem
acidentalmente injetar vírus em seu próprio corpo.
O processo de imunização envolve a deliberada injeção de antígenos no corpo, de
modo que o sistema imunológico reaja produzindo anticorpos que neutralizem a invasão
e protejam o organismo da suscetibilidade de uma futura invasão pelo mesmo agente.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
55

4.1.3. SISTEMAS INTERNOS


4.1.3.1. Sistema Circulatório
O sistema circulatório em geral não está em contato direto com materiais nocivos
como estão a pele, os pulmões e o sistema digestivo. Todavia após uma substância
prejudicial ter atingido a corrente sanguínea, ela pode ser transportada a qualquer parte
do corpo.
O centro do sistema circulatório é o coração. Ele bombeia sangue através de uma
extensa rede de vasos sanguíneos, os quais se ramificam como uma árvore e são cada
vez menores. Os vasos sanguíneos se ramificam com tal densidade que não existe célula
no corpo que esteja a mais do que alguns milímetros de algum vaso ou capilar. A figura
4.4. ilustra o sistema circulatório.

Figura 4.4. Sistema circulatório

4.1.3.2. Sistema Nervoso


Para nos mantermos vivos precisamos respirar continuamente, o coração precisa
bombear sem parar e todos os demais órgãos precisam funcionar. Além disso, nós
pensamos e respondemos a estímulos emocionais. Todas estas funções, executadas
pelo cérebro e pelo corpo, são controladas pelo sistema nervoso.
Este sistema pode também ser afetado por compostos químicos e estas ações
reflexas e automáticas podem sofrer interferências. O sistema nervoso central é bastante
complexo e como o próprio nome diz é o centro de controle. A medula espinhal

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Capítulo 4. O Corpo Humano
56

juntamente com o cérebro faz parte do sistema nervoso e uma parte deste, que se
estende a zonas mais externas, é chamada de sistema nervoso periférico.

Nota 4.3.

Os metais mercúrio e chumbo podem afetar o sistema nervoso e causar uma

ampla gama de problemas que vão desde alterações incontroláveis de humor até

a morte. Outros compostos químicos são produzidos naturalmente pelo corpo e

não têm origem numa fonte externa. A fadiga muscular deriva da produção de

ácido láctico.

4.1.3.3. Sistema Reprodutivo


Os testículos e os ovários fazem parte dos sistemas reprodutivos no homem e na
mulher, respectivamente. Estes órgãos produzem as células que permitem nossa
reprodução e devido a suas funções ativas e altamente especializadas, são
particularmente sensíveis a doenças e danos causados por substâncias nocivas.

4.1.4. ROTAS DE SAÍDA


Alguns órgãos têm a capacidade de desintoxicar o corpo de certos compostos e os
expelir. Todavia seu funcionamento pode ser prejudicado por substâncias existentes em
quantidades excessivas no local de trabalho.

4.1.4.1. O Fígado
O fígado pode ser considerado a fábrica química do corpo. Suas células contêm
enzimas que podem converter certas substâncias tóxicas em formas e compostos mais
fáceis de serem manipulados pelo corpo.

4.1.4.2. Os rins
Os rins agem como uma espécie de filtro para todas as substâncias do sangue.
Estão localizados nas costas, logo abaixo da cavidade torácica. Cada um tem cerca de
12 cm de comprimento por 5 cm de largura, com mais de um milhão de pequenos filtros.
Cada filtro limpa o sangue, removendo um grupo de impurezas que são depositadas na
urina. A urina passa então por pequenos dutos chamados de túbulos que compõem o
sistema tubular renal. Neste sistema são monitorados o nível de ácido e a quantidade de
água no corpo, deixando-os em equilíbrio. Dos túbulos a urina passa pelo ureter e desta

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Capítulo 4. O Corpo Humano
57

à bexiga, a qual controla a sua saída do corpo. A figura 4.5. ilustra os rins, a uretra e a
bexiga.

Figura 4.5. Sistema de disposição de rejeitos do


organismo humano

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Capítulo 4. O Corpo Humano
58

4.2. TESTES (1)


1. Dentre os mecanismos de defesa disponíveis para o corpo humano, para que ele
possa impedir a sua destruição pelo ambiente tem-se:
I- A pele.
II- Corpúsculos brancos do sangue.
III- Anticorpos.
IV- Secreções sebáceas.

a) Apenas as alternativas I e III estão corretas.


b) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
c) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
d) Apenas as alternativas I e II estão corretas.
e) Todas as alternativas estão corretas.
Feedback: item 4.1.2.

2. As trocas de gás carbônico e oxigênio, no sistema respiratório, ocorrem:


a) Nos brônquios.
b) Nos bronquíolos.
c) Nos alvéolos.
d) No segmento brônquio-pulmonar.
e) Nas células de poeira muito fina.
Feedback: item 4.1.2.1.

3. Exercícios vigorosos causarão a fadiga muscular que decorre primordialmente


de:
a) Uso e falta de ATP.
b) Acumulação de ADP.
c) Acumulação de dióxido de carbono.
d) Acumulação de ácido láctico.
e) Um desequilíbrio entre sódio e potássio.
Feedback: Nota 4.3.

4. Uma célula tem um diâmetro de 0,025 mm. Seu diâmetro em micrômetros é:


a) 2,5.
b) 25.
c) 250.
d) 25 000.
e) 0,25.
Feedback: item 4.1.1.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
59

5. Uma célula tem um diâmetro de 0,025 mm. Seu diâmetro em nanômetros é:


a) 2,5.
b) 25.
c) 250.
d) 25 000.
e) 0,25.
Feedback: item 4.1.1.

6. Durante a obtenção de uma amostra de contaminante do ar foi utilizada uma


bomba aspiradora operando durante 8 horas com uma vazão de 2 litros por minuto.
O volume da amostra é de:
a) 0,096 m3.
b) 0,96 m3.
c) 9,6 m3.
d) 96 m3.
e) 960 m3.
Feedback: 8 horas * 60 minutos * 2 litros = 960 litros = 0,96 m3.

7. Um solvente se evaporou numa sala, gerando 51,3 litros de vapor. A sala tem
dimensões de 12 x 10 x 8 m. Assumindo que não tenham ocorrido alterações do ar
da sala, a concentração do contaminante na sala em partes por milhão é mais
próxima de:
a) 1.
b) 5.
c) 50.
d) 100.
e) 500.
Feedback: Volume = 12*10*8 = 960 m3 / 51,3 litros = 0,0513 m3 / 0,0513/960 =
53,44*10 m6

8. Um laboratório emite um relatório indicando uma concentração de contaminante


de 95 microgramas por litro (95 g/L). Isto é equivalente a:
a) 9,5 mg/m3.
b) 95 mg/m3.
c) 0,95 mg/m3.
d) 950 mg/m3.
e) 9 500 mg/m3.
Feedback: 95*10^6 / 10^-3 = 95 mg/m3.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
60

9. Chips de silício têm sido desenvolvidos para serem implantados no corpo


humano e liberarem quantidades pequenas de medicamentos nos horários
corretos. Por exemplo, num chip do tamanho de uma moeda de 10 centavos,
podem existir 34 reservatórios de 25 nL (nanolitros), cada um podendo conter
sólidos, líquidos ou gel. Um nanolitro corresponde a:
a) 10-6 mm3.
b) 10-3 cm3.
c) 10-6 dm3.
d) 10-9 m3.
e) 10-3 mm3.
Feedback: 10^-9L = 10^-9*10^-3 m3 = 10^-9*10^-3* 10^-9 mm9 = 10-3 mm3.
10. Qual dessas afirmações é incorreta com relação ao Sistema Respiratório
Humano?
a) O pulmão, após uma expiração ainda contém cerca de 3 a 4 litros de ar.
b) O trato respiratório superior é responsável por fazer com que a umidade do ar
inspirado chegue próximo à saturação.
c) Os pulmões podem ser divididos em três áreas principais.
d) Cerca de 95% do gás está distribuído entre as vias respiratórias.
e) O desenho das vias do trato inferior permite que o ar inspirado seja distribuído
aos alvéolos de modo homogêneo e a um baixo custo energético.
Feedback: 4.1.2.1.

11. Considere as informações abaixo sobre a pele:


I – A pele é um eficiente meio de proteção apenas contra penetração de água e
batidas (trauma).
II – Contém múltiplas estruturas, como glândulas sudoríparas e sebáceas.
III – A absorção pela pele não é uma forma comum de entrada de substâncias
tóxicas.
IV – Possui uma camada protetora de óleos e proteínas que ajudam a impedir ou
diminuir a penetração de substâncias prejudiciais.
Qual a opção correta?
a) Apenas II e IV são verdadeiras.
b) Apenas I e III são verdadeiras.
c) Apenas I é verdadeira.
d) Apenas I e IV são verdadeiras.
e) Todas as afirmações são verdadeiras.
Feedback: 4.1.2.2.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
61

12. Com relação ao sistema circulatório, indique qual a alternativa correta:


a) Ele não transporta substâncias nocivas ao organismo.
b) Não existe célula no corpo que esteja a mais do que alguns milímetros de algum
vaso ou capilar.
c) O centro do sistema circulatório são os vasos sanguíneos.
d) Os vasos sanguíneos possuem praticamente o mesmo tamanho em toda sua
extensão.
e) É a parte que está em contato mais direto com agentes nocivos.
Feedback: 4.1.3.1.

13. Por que o fígado é importante?


a) Possui mais de um milhão de pequenos filtros.
b) Facilita a manipulação de substâncias tóxicas pelo organismo através de
enzimas.
c) Se localiza nas costas, abaixo da cavidade torácica.
d) Responsável por limpar o sangue, depositando suas impurezas na urina.
e) Serve como filtro para todas as substâncias do sangue.
Feedback: 4.1.4.1.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
62

4.3. A NATUREZA DO PROBLEMA


4.3.1. DANO CELULAR
A substância DNA é complexa e especial porque contém uma espécie de marca
registrada que caracteriza a reprodução e a especialização da célula. Danos ao DNA
causam crescimento anormal ou funcionamento defeituoso e muitos compostos químicos
e agentes físicos podem originar estes danos. Outros compostos são apenas suspeitos
de causar danos ao DNA. Estes agentes e compostos são classificados em
carcinogênicos, mutagênicos ou teratogênicos. Outros agentes podem por sua vez
causar uma ampla variedade de problemas de saúde e segurança quando a exposição a
eles não é controlada.

4.3.1.1. Carcinogênicos
São denominados de carcinogênicos as substâncias ou agentes físicos que podem
causar câncer em seres humanos. No Canadá, cerca de 40% da população terá uma ou
outra forma de câncer, que é a segunda causa de morte atrás apenas de doenças do
coração e ataques cardíacos.
A maioria dos tipos de câncer causa crescimento anormal da célula, o que no final
acaba causando danos às células e aos órgãos. Na célula, o DNA, que controla o
crescimento, inicialmente causa um crescimento anormal e fora de controle. As células
formam então um tumor maligno em expansão, o qual depois se espalha por outras
partes do corpo, podendo finalmente levar à morte. Alguns compostos encontrados nos
locais de trabalho têm a habilidade de alterar a estrutura do DNA e são chamados de
carcinogênicos.
Um câncer não se desenvolve usualmente após apenas uma exposição a um
agente carcinogênico. Em geral, decorre-se um tempo entre 10 a 30 anos para que o
câncer se desenvolva, mas existem casos de menos tempo. Portanto, é possível que o
processo da doença já se tenha iniciado após a exposição ao carcinogênico e que o
trabalhador não tenha consciência disto.

4.3.1.2. Mutagênicos e Teratogênicos


Existem substâncias ou agentes físicos que podem causar modificações em uma
ou mais características hereditárias pela modificação dos genes. A radiação ionizante é
um exemplo de agente mutagênico.
Existem substâncias capazes de causar alterações em fetos em desenvolvimento
no útero. A droga talidomida é um exemplo de agente teratogênico.

4.3.1.3. Rotas de entrada


A maioria dos poluentes aéreos adentra o corpo através do sistema respiratório,
isto é, quando inspiramos um gás ou uma poeira tóxica. Outras substâncias tóxicas
podem penetrar no corpo por absorção pela pele, por ingestão ou por meio de injeção.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
63

4.3.1.4. Inalação
A granulometria mais perigosa para partículas inaladas é de 0,5 a 7 m, pois nesta
faixa elas são pequenas demais para serem vistas e conseguem burlar os sistemas de
defesas atingindo o pulmão. Uma vez no pulmão, estas pequeninas partículas podem
causar grandes danos nos alvéolos. Forma-se uma carapaça impermeável à troca de
oxigênio, iniciando-se o processo de doença, com severa diminuição da habilidade de
respirar e do fôlego. Estas doenças apresentam nomes específicos como asbestose,
silicose e CWP (“Coal Workers Pneumoconiosis” ou pneumoconiose dos trabalhadores
de carvão). O termo geral pneumoconiose se refere a doenças pulmonares geradas por
material particulado, já que “pneumo” se refere a ar e “conio” a partículas.
Gases, vapores, névoas, neblinas e fumos podem entrar na corrente sanguínea
através dos pulmões. Além disso, fumos de solda, névoas ácidas ou gases de exaustão
de caminhões podem estimular as defesas pulmonares, forçando produção de grandes
quantidades de muco e catarro e gerando uma situação de invalidez conhecida como
bronquite crônica. As mesmas substâncias podem destruir os delicados sacos de ar do
pulmão causando enfisema.
Devido ao fato de os pulmões terem um contato tão íntimo com tantos poluentes
nos locais de trabalho, eles são o alvo principal dos carcinogênicos ocupacionais. A
tabela 4.1. apresenta materiais e agentes que causam ou são suspeitos de causar câncer
pulmonar.

Tabela 4.1. Substâncias e agentes que podem causar câncer


acrilonitrilo arsênico asbesto (amianto)
benzopirene berílio éter diclorometil
cádmio cromo fumaça de cigarro
emissões de forno minério de
radiação ionizante
de coque hematita
óleo isopropil pó de couro gás mostarda
níquel gás radônio cloreto de vinila

4.3.1.5. Absorção
Uma substância pode ser absorvida pela pele e ser transportada para outra parte
do corpo, ou pode causar dano no próprio ponto de entrada na pele. Doenças da pele
industriais representam entre 50% e 75% de todos os pedidos de indenização por
doenças ocupacionais no Canadá.
A dermatite é uma inflamação da pele que pode ser causada por centenas de
substâncias existentes nos locais de trabalho, tais como tintas, solventes, resinas epóxi,
ácidos, materiais cáusticos e metais. Ela se apresenta como um vermelhão, ou como
coceira, ou como descascamento da pele. Existem 2 tipos de dermatite:
• Dermatite de irritação primária (dermatite de contato);
• Dermatite de sensibilização (dermatite alérgica).
A dermatite de irritação primária é causada por fricção, calor ou frio, álcalis, gases
irritantes e vapores. Um rápido contato com estes agentes em alta concentração ou
contatos repetidos e prolongados a baixas concentrações podem causar inflamação da
pele.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
64

Alguns exemplos de causadores de dermatite de contato são: acrílicos,


formaldeído, poliuretano, cromatos, níquel, resinas epóxi e tiuranos.
Por outro lado, a dermatite de sensibilização decorre de uma reação alérgica a uma
dada substância. A sensibilização pode resultar de contatos prolongados ou repetidos, se
estabelecendo em geral entre 10 a 30 dias.
Depois que um local da pele foi sensibilizado, mesmo uma pequena exposição
pode produzir reações severas. Substâncias como solventes orgânicos, usados na
fabricação de tintas, ácido crômico e resinas epóxi podem produzir tanto dermatite
primária como de sensibilização. Fabricantes de plástico, de resinas e de portas,
trabalhadores de refinarias e fazendeiros são comumente expostos a sensibilizadores.
Algumas substâncias e agentes têm sido associados a câncer de pele e alguns
destes sob suspeita são: asfalto, óleo de xisto, arsênico, benzopirene, luz ultravioleta,
raios X, piche, alcatrão, fuligem, antraceno, creosoto e óleos de ferramentas de corte.

4.3.1.6. Ingestão
Uma terceira e importante via de entrada para substâncias tóxicas é a boca e o
trato digestivo. Materiais tóxicos podem atingir o estômago quando sólidos ou líquidos
são ingeridos, quando cigarros são fumados em áreas empoeiradas, quando não se tem
refeitórios asseados, quando os trabalhadores não lavam as mãos antes de comer ou
fumar, ou quando comida é deixada sem ser embrulhada num local com poeira.
Pó de chumbo, oriundo do esmagamento de baterias ou de impressão por linotipo,
é facilmente ingerido e pode causar sérios danos à saúde. Depois de engolidas, as
substâncias tóxicas entram no trato digestivo de onde podem penetrar na corrente
sanguínea e se deslocar para o fígado. Este e os rins tentam remover os venenos e
torná-los menos danosos, mas nem sempre são bem sucedidos.

4.3.1.7. Injeção
Usuários de drogas são susceptíveis a doenças pelo fato de utilizarem a mesma
seringa. Todavia a entrada no corpo pode ocorrer também através de uma ferida
perfurante. Um trabalhador que pise num prego saindo de uma tábua pode perfurar a
sola do pé e originar um envenenamento do sangue. A princípio, a perfuração pode
parecer pequena, mas, se não tratada, uma semana depois a infeção pode causar
inchaço, febre e dores, com afastamento do trabalho e custos de indenização.
Por isso, os trabalhadores devem ser encorajados a relatar todo e qualquer
acidente, não importa quão pequeno, de modo que possam ser tratados com um
antisséptico. Mesmo uma farpa sob a unha pode causar uma infeção. O uso comum de
agulhas é mais um problema social enquanto uma ferida perfurante é um problema de
segurança, mas esta última tem ligações com a higiene ocupacional.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
65

4.3.2. SISTEMAS INTERNOS


4.3.2.1. Sistema Circulatório
Alimentos e oxigênio alcançam todas as células do corpo através dos capilares,
mas pela mesma via também se deslocam substâncias tóxicas do ambiente de trabalho.
O oxigênio é carregado por uma proteína chamada hemoglobina, existente nas
hemácias (células vermelhas) do sangue. O oxigênio se liga fortemente à hemoglobina,
mas infelizmente o monóxido de carbono também. Na realidade, o monóxido de carbono
se liga à hemoglobina cerca de 200 a 300 vezes mais facilmente que o oxigênio e, em
altas concentrações, pode ser mortal. Isto porque ele sobrecarrega a hemoglobina dos
glóbulos vermelhos e substitui o oxigênio necessário à sobrevivência das células. Mesmo
repetidas exposições a baixas concentrações de monóxido de carbono podem gerar
sérios efeitos no coração e sistema nervoso central.
O monóxido de carbono é um produto perigoso e facilmente encontrável nos locais
de trabalho, pois é produzido nos motores à combustão de caminhões, ônibus e
máquinas diversas. Todavia existem outros compostos químicos que agem de modo
similar.
O corpo humano produz continuamente glóbulos vermelhos nas estreitas cavidades
dentro dos ossos. Por outro lado, muitas substâncias tóxicas atacam diretamente as
células do sangue. O benzeno, por exemplo, que é usado na indústria de borracha, pode
interferir neste processo formativo e causar anemia que é uma deficiência de ferro. A
tabela 4.2. apresenta algumas substâncias que podem causar anemia.

Tabela 4.2. Algumas substâncias que podem causar anemia


gás arsênico benzeno tolueno
compostos de
cobre chumbo selênio
mercúrio
estibina berílio gálio

4.3.2.2. Sistema Nervoso


A maioria dos danos causados ao sistema nervoso central é permanente, apesar de
que algumas vezes danos ao sistema nervoso periférico podem ser reversíveis.
Exposição a pesticidas e metais, como chumbo e mercúrio, pode gerar interferência nos
impulsos nervosos, ocasionando tremores e perdas de reflexos e sensações.
O cérebro é uma parte complexa e vital do corpo humano, requerendo um
constante afluxo de oxigênio. Algumas substâncias tóxicas afetam o sistema nervoso
central e interrompem o fluxo de oxigênio, com os primeiros sintomas sendo tontura e
sonolência.
As operações do sistema nervoso são muito complexas e balanceadas num
equilíbrio sutil, e a tabela 4.3. apresenta diversas substâncias que podem afetar estas
operações.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
66

Tabela 4.3. Compostos químicos que afetam o sistema nervoso


Depressão do Desordens
Envenenamento do Dano cerebral pela
sistema nervoso funcionais dos
cérebro falta de oxigênio
central nervos
dissulfeto de pesticidas com
acetatos gases asfixiantes
carbono organofosfatos
cianeto de monóxido de
álcoois metais pesados
hidrogênio carbono
bromatos sulfeto de hidrogênio mercúrio
cloratos arsina chumbo
éteres estibina manganês
quetonas arsênio

4.3.2.3. Sistema Reprodutivo


Qualquer dano às células de reprodução pode levar a consequências desastrosas.
Podem resultar deformidades no bebê ou o embrião pode ser tão danificado que não
sobreviva e seja abortado. Alguns compostos químicos causam aborto ou defeitos de
nascença por atacarem o material genético da célula ou dos sistemas que controlam
suas funções. Danos similares podem estar associados com câncer e, portanto,
substâncias que geram câncer frequentemente são a causa de defeitos e abortos.

Nota 4.4.
Enfermeiras e mulheres anestesistas são mais susceptíveis a abortos deste

tipo por causa de sua exposição aos gases anestesiantes. Homens expostos a

chumbo ou ao pesticida dibromocloropropano (DBCP) apresentam menor número

de espermatozoides e podem ser menos férteis.

4.3.3. ROTAS DE SAÍDA


4.3.3.1. O Fígado
As células que compõem o fígado contêm enzimas que convertem certas
substâncias tóxicas em formas mais facilmente manuseáveis pelo corpo. Mas o próprio
fígado pode ser danificado no processo se for forçado a mexer com substâncias que o
sobrecarreguem.
O fígado pode ficar inflamado, gerando uma condição denominada de hepatite.
Esta doença pode ser gerada por um vírus ou por compostos como álcool, tetracloreto de
carbono e outros hidrocarbonetos clorados tais como os usados nas indústrias de
lavagem a seco. Repetidos surtos de hepatite podem levar a cicatrizes hepáticas e a uma
doença denominada de cirrose do fígado. De modo genérico, isto significa que não

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Capítulo 4. O Corpo Humano
67

existem suficientes células normais do fígado para operar a desintoxicação dos


compostos do corpo.
O cloreto de vinila, uma substância usada na produção de plásticos, tem sido
associada com uma rara e mortal forma de câncer do fígado chamada de angiosarcoma.
A tabela 4.4. apresenta alguns compostos encontrado nas indústrias e suspeitos ou
conhecidos por causar danos ao fígado.

Tabela 4.4. Substâncias e compostos associados a danos ao fígado


antimônio acrilonitrilo dicloreto etilideno
arsina benzeno hidrazina
berílio tetrabrometo de carbono álcool metílico
cádmio tetracloreto de carbono cloreto metílico
cobre benzeno clorado metil dianilina
Irídio clorofórmio naftaleno
manganês cresol fenol
níquel DDT piridina
fósforo dimetil sulfato estireno
selênio dioxane tetracloroetileno
álcool etílico epichlorohydrin tolueno
tricloroetilino tricloroetano etileno clorohidrino
bismuto 3-cloropropileno glicol

4.3.3.2. Rins e Bexiga


Como os rins agem como filtros para todas as substâncias do sangue, podem ser
seriamente afetados por substâncias tóxicas que circulem pelo organismo. Desordens
dos rins podem conduzir a altas ou baixas pressões sanguíneas, que por sua vez podem
sobrecarregar o coração e até produzir sua falha.
O mal funcionamento dos rins pode também atrapalhar o delicado equilíbrio
químico, conduzindo a mais danos ao corpo. De modo similar ao fato de que os pulmões
são vulneráveis a substâncias nocivas porque são uma rota principal de entrada, os rins e
bexiga são vulneráveis porque são uma das principais rotas de saída. Algumas
substâncias e compostos suspeitos de causar danos renais estão na tabela 4.5.

Tabela 4.5. Substâncias, compostos e agentes suspeitos de causar danos aos rins
chumbo naftaleno mercúrio
tetracloreto de carbono cádmio tetracloroetano
cromatos monóxido de carbono cobre
vapores de gasolina urânio arsênio
berílio bismuto terebintina
ácido oxálico arsina iodo
fluoreto de sódio dissulfeto de carbono calor intenso
choques de alta
vibrações perdas de sangue
voltagem

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Capítulo 4. O Corpo Humano
68

4.3.4. PERÍODO DE LATÊNCIA E DOENÇA OCUPACIONAL.


O período de latência é o intervalo de tempo entre a exposição a um material
potencialmente nocivo e o eventual desenvolvimento da doença. Para diversas situações
de risco ocupacional o período de latência pode ser muito grande, variando de 10 a mais
de 20 anos. Em alguns casos, pode atingir até mesmo trinta ou quarenta anos. O período
de latência nada tem a ver com o tempo de exposição a uma dada substância, mas se
refere ao tempo decorrido entre a primeira exposição e a manifestação da doença.
O período de latência é um parâmetro importante para o trabalhador, pois um
indivíduo exposto a uma substância altamente perigosa pode não sentir nada durante a
fase de exposição. Todavia os efeitos podem se manifestar alguns anos mais tarde.
Assim, a exposição à radiação ionizante ou ao asbesto causa poucos sintomas durante a
exposição. Mas em longo prazo sabe-se que os efeitos são mortais.
O caso do asbesto é um exemplo de erros em estudos científicos sobre o período
de latência e a incidência da doença. Para se caracterizar com clareza doenças que se
manifestam muitos anos após a exposição, os pesquisadores devem analisar não só as
atuais equipes de trabalho, mas também os indivíduos que estiveram expostos no
passado.
Finalmente, devemos observar que um ambiente sem doenças não significa um
ambiente seguro e livre de riscos. Situações de risco no presente poderão produzir
problemas de saúde no futuro. Similarmente, o que é visto como doença hoje pode ser
um reflexo das condições ocupacionais décadas antes.

4.3.5. EFEITOS AGUDOS E CRÔNICOS


Situações de risco ocupacional podem produzir efeitos agudos ou crônicos. Um
efeito agudo é aquele que ocorre logo após a exposição ao agente de risco. O
envenenamento por monóxido de carbono pode provocar uma perda de consciência
quase instantânea, ou seja, uma reação aguda. Se o paciente receber oxigênio, os
efeitos à saúde podem desaparecer ou diminuir assim que o contaminante for removido.
Efeitos agudos podem provocar a morte, mas em geral são tratáveis se contra-
atacados rapidamente. São repentinos e dramáticos, resultante da ação direta do
material perigoso sobre as células do corpo.
Mais perigosos são os efeitos crônicos de substâncias tóxicas. Efeitos crônicos
podem não surgir por um longo tempo, como anos ou décadas, enquanto o contaminante
se acumula no corpo até atingir um nível crítico que dispara um efeito adverso.
Frequentemente não são tratáveis porque a doença só fica evidente depois que severos
danos ocorreram a órgãos, sistemas ou tecidos. Exemplos de efeitos crônicos incluem
envenenamento por mercúrio, asbestose, câncer de pulmão decorrente do cigarro,
cicatrizes pulmonares devido a poeira de sílica e perda de audição por ruídos excessivos.
Poluentes ambientais podem gerar efeitos agudos e crônicos e, em geral, altas
doses causam efeitos agudos. Para um mesmo material, os efeitos agudos usualmente
são muito diferentes dos efeitos crônicos e a tabela 4.6. fornece alguns exemplos.
Em resumo, efeitos agudos podem ocorrer em intervalos de segundos, minutos ou
horas, enquanto efeitos crônicos tendem a ocorrer após meses, anos ou mesmo
décadas.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
69

Tabela 4.6. Efeitos agudos e crônicos de materiais perigosos existentes nos ambientes.
Situação de risco Efeito agudo Efeito crônico
irritação dos olhos e garganta,
bronquite crônica e
névoas de ácidos umedecimento dos olhos, tosse,
enfisema
dor de garganta, dor no peito
moderada irritação respiratória, asbestose, câncer do
asbesto
tosse, espirros pulmão
tonturas, dores de cabeça, Pode contribuir para
monóxido de
confusão mental; em doses paradas cardíacas
carbono
muito altas, desmaio e morte (ataques do coração)
danos aos rins e fígado;
euforia, sensação de torpor
tricloroetileno possivelmente câncer de
alcoólico, dormência, tonturas
fígado
enrijecimento de juntas, artrite, tendinite, doença
vibrações
formigamento dos dedos brancos

4.4. CASOS REAIS - O ACIDENTE DE BHOPAL


Caracterizando um dos piores acidentes industriais já ocorridos, cerca de
40 toneladas de metil isocianato vazaram da usina da Union Carbide localizada na Índia.
Vazaram também no mesmo dia 2 de dezembro de 1984, mais cerca de
25 toneladas de outros gases letais para a atmosfera. Mais de 4.000 pessoas morreram,
e o número de pessoas afetadas é estimado entre 200.000 (pelo governo) e 500.000
(ativistas locais).
Foram criadas 17 cortes especiais para agilizar os processos de indenização. Dos
615000 processos de morte e danos físicos, cerca de 6.000 ou 1%, tinham sido decididos
em março de 1994. Apenas U$ 3,1 milhões dos U$ 470 milhões do acordo de 1989,
firmado entre a Union Carbide e o governo indiano, tinham sido pagos. Muitas pessoas
tiveram seus pedidos de indenização recusados porque não tinham os documentos
necessários para provar que eram vítimas do desastre.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
70

4.5. TESTES (2)


14. Agentes podem ser:
a) Carcinogênicos, mutagênicos, teratogênicos.
b) Mutagênicos, teratogênicos, epidêmicos.
c) Teratogênicos, epidêmicos, carcinogênicos.
d) Epidêmicos, carcinogênicos, autógenos.
e) Carcinogênicos, autógenos, teratogênicos.
Feedback: 4.3.1.

15. Dermatites podem ser:


a) De irritação primária, de irritação secundária, de contato ou alérgica.
b) De irritação primária ou contato.
c) De irritação secundária ou de contato.
d) De contato ou de sensibilização.
e) De sensibilização ou de irritação secundária.
Feedback: 4.3.1.5.

16. Na hepatite o fígado:


a) Endurece devido a um vírus.
b) Encolhe devido a certas substâncias.
c) Inflama devido a compostos ou vírus.
d) Sangra e definha devido à morte celular.
e) Esfarela devido à falta de oxigênio.
Feedback: 4.3.3.1.

17. O período de latência:


a) Vai de segundos a horas.
b) Vai de minutos a dias.
c) Vai de horas a semanas.
d) Vai de dias a meses.
e) Vai de dias a anos.
Feedback: 4.3.4.

18. Efeitos agudos e crônicos de diferentes exposições ocupacionais:


a) Ocorrem sempre juntos.
b) Ocorrem sempre separados.
c) Podem ocorrer juntos ou separados.
d) O agudo sempre ocorre depois do crônico.
e) O crônico sempre ocorre depois do agudo.
Feedback: 4.3.5.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
71

4.6. LIMITES DE TOLERÂNCIA


4.6.1. DETERMINAÇÃO DO RISCO ASSOCIADO A SUBSTÂNCIAS
Os riscos da exposição a contaminantes podem ser caracterizados de 3 modos
diferentes:
• Via testes em animais;
• Via testes em seres humanos;
• Via testes de mutagenicidade.

4.6.1.1. Testes em Animais


De longe o método mais comum de definir limites de tolerância para humanos é
através de testes em animais. Apesar de existir sempre uma incerteza ao se extrapolar
resultados com animais para seres humanos, os cientistas hoje em dia usam animais de
laboratório para obter dados básicos de toxicidade.
Num teste toxicológico deste tipo, uma população de animais é exposta ao
contaminante em estudo, durante um período de tempo que dura a maior parte ou toda a
vida do animal. Ratos, camundongos e hamsters são os mais utilizados porque são
pequenos, facilmente manuseáveis, baratos e tem vida média curta. Normalmente
centenas de animais são usados num estudo, sendo guardados sob condições
controladas e observados quanto a sinais de efeitos agudos ou crônicos ao longo do
tempo. São comparados com outros animais que não foram expostos ao contaminante e
são denominados de controles.
Normalmente apenas um composto químico é analisado de cada vez, com
subgrupos da colônia de animais recebendo diferentes doses, de modo que se possa
estudar a correlação entre concentração e efeito. Se uma resposta a uma dada
concentração é obtida, é possível se estimar os efeitos para concentrações maiores e
menores, confirmar os resultados com novos experimentos, e deste modo validar a
conclusão de que o composto em estudo é realmente o causador do efeito observado.
Pesquisadores podem estimar os efeitos de doses ainda menores do composto
químico, que são típicas de exposições ambientais. Estes métodos de estimação
consideram o fato de que se uma exposição afetar apenas 0,01% da população, então
apenas um animal de laboratório em 10000 seria afetado e, provavelmente, este não se
destacaria num experimento com muito menos de 10000 animais. Para se chegar a
limites de exposição de baixas doses usa-se a extrapolação, devendo-se, além disso,
considerar o problema de quão próximos os resultados para animais são dos resultados
para os seres humanos.
Atualmente dois métodos são mais comumente usados para se estimar limites
aceitáveis de toxicidade para seres humanos.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
72

✓ MÉTODO 1
Assume-se que existe um valor limite inferior, ou seja, um valor de concentração ou
dose de exposição abaixo do qual não ocorrem efeitos adversos à saúde. Em outras
palavras, o corpo humano tolera esta concentração ou dose, pois abaixo deste valor as
funções corporais normais anulam a toxicidade do contaminante. A mais alta
concentração da substância que não produz efeitos danosos à saúde dos animais é
dividida por um fator de segurança. Por exemplo, se 10 ppm de uma substância não
causou efeitos em animais, mas 50 ppm causou, então 10 ppm é dividido por um fator de
segurança de 10, 100 ou 1000, de modo a se obter um limite de tolerância para pessoas.
A escolha do fator de segurança é algo controverso e depende da qualidade dos
animais de teste. Um fator de 10 é usado se estão disponíveis bons dados quantitativos
de exposição humana. Um fator de 100 é usado quando se tem dados de testes de longo
período e estudos extensos com animais. Um fator de 1000 é adequado quando os
dados com animais são poucos ou inadequados. Estes fatores de segurança são
arbitrários e são julgamentos científicos tanto quanto estimativos.

✓ MÉTODO 2
Nesta metodologia, para se relacionar dados de animais com valores para seres
humanos, extrapola-se as altas exposições dadas para animais para as baixas
exposições mais típicas de contaminantes ambientais, onde se assume não existir valor
limite inferior. Ou seja, qualquer dose gera danos à saúde.
Este método é usado, por exemplo, quando se analisa possíveis carcinogênicos.
Assim, se uma dose de 100 ppm de uma substância causa câncer do fígado em 10% dos
animais, enquanto uma dose de 50 ppm causa o dano em 1% dos animais, então pode-
se estimar que uma dose de 1 ppm causaria danos em 0,000 01% dos animais.
Neste método deve-se frisar que a extrapolação é teórica, assumindo-se que
mesmo a menor dose de uma toxina pode causar danos. Ou seja, não existe risco zero e
o risco varia com o nível de exposição.
Com poucas exceções, produtos químicos conhecidos por causarem câncer em
seres humanos também causam câncer em pelo menos uma espécie de animal de teste.
Isto não prova necessariamente que estudos com animais podem ser usados para prever
os efeitos nos indivíduos. Apesar deste senão, estudos com animais são o processo mais
comum e aceito de se definir limites aceitáveis para seres humanos. Por uma razão muito
simples: não existe outro método melhor disponível.

4.6.1.2. Testes em Seres Humanos


Não existe dificuldade para se observar os efeitos diretos de produtos químicos
suspeitos sobre indivíduos. Raras vezes, porém, pessoas têm sido deliberadamente
expostas a produtos tóxicos e, a menos que isto tenha ocorrido de modo inadvertido, elas
não devem ser usadas como cobaias.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
73

Nota 4.5.

Os gases mostarda e cloro foram usados na primeira grande guerra, com

efeitos devastadores. O agente laranja foi utilizado na guerra do Vietnã com

efeitos terríveis sobre a saúde. Criminosos condenados à morte têm sido

executados em alguns estados americanos e canadenses com o gás cianeto de

hidrogênio.

Pesquisadores epidemiológicos examinam grupos separados de pessoas que


tenham sido expostas a diferentes quantidades de agentes ambientais suspeitos.
Diferenças entre a incidência de efeitos danosos à saúde na população sendo estudada
podem sugerir uma relação entre um dado contaminante e seus efeitos adversos.
Infelizmente, estudos epidemiológicos têm limitada sensibilidade, não oferecendo
estimativas de risco a menos que o efeito de um contaminante seja grande. Eles também
não demonstram uma relação de causa e efeito, além da dificuldade de caracterizar o
efeito de um dado contaminante, quando uma população está na realidade exposta a
muitas possíveis substâncias suspeitas.
Quando se trabalha com séries históricas, existe uma grande falta de dados sobre a
incidência de todas as doenças ocupacionais. A silicose, por exemplo, resulta de uma
exposição cumulativa a um agente nocivo à saúde, não existindo um momento preciso no
qual o efeito possa ser medido. Os efeitos nocivos de muitos agentes são cumulativos,
sendo difícil se detectar um suspeito que parece inócuo no curto prazo mas oferece
riscos no longo prazo. Um típico exemplo são os baixos níveis de radiação encontrados
em certos tipos de minas.
Quando um trabalhador começa a mostrar sintomas de enfermidade, algumas
vezes decorre-se um tempo antes que os sintomas sejam associados a uma dada
doença.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
74

Nota 4.6.

A pneumoconiose dos trabalhadores de minas de carvão, conhecida como

CWP - “Coal Workers Pneumoconiosis” ou “black lung” (pulmões pretos), esteve

em evidência por muitos anos, antes que as sociedades médicas americanas e a

indústria de carvão a reconhecessem como uma doença distinta e causada pela

poeira de carvão. Um tempo de reação semelhante também ocorreu nas indústrias

canadenses, onde mineiros expostos à poeira das minas de fluorita da

Newfoundland estavam desenvolvendo silicose e carcinoma nos pulmões.

Mesmo depois de uma doença ocupacional ter sido reconhecida e suas causas
estabelecidas, casos individuais podem ainda ser difíceis de diagnosticar. Assim, cerca
da metade das reclamações relativas à indenização por “pulmões pretos” nos Estados
Unidos tem sido rejeitada principalmente por causa de um teste de raios X que tem sido
considerado não confiável.
Outros fatores complicadores do reconhecimento de agentes ocupacionais
suspeitos são, por exemplo, o cigarro e a multiplicidade de causas de uma doença. O
cigarro pode ser a causa de uma série de efeitos similares a aqueles que a doença gera,
enquanto que uma certa enfermidade pode ter várias origens e apenas uma delas estar
associada ao local de trabalho.
Em resumo, não se tem uma estrutura aceitável de trabalho para coletar dados a
serem analisados adequadamente nem se têm facilidades para sua obtenção. Por outro
lado, estudos de animais em laboratório são em geral mais úteis para quantificar
estimativas de riscos, podendo algumas vezes permitir o estabelecimento de relações
causais.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
75

4.6.1.3. Testes Mutagênicos


Um mutágeno é uma substância que pode causar alterações genéticas numa
célula, ou seja, em seus genes e cromossomos. A mutação pode fazer com que a célula
perca ou adquira uma certa característica, ou aumente ou diminua sua habilidade em
competir com outras células. Pode também fazer com que a célula passe a requerer
nutrientes adicionais ou cresça sem limites. A maioria das mutações é danosa.
As mutações podem ocorrer em células somáticas ou em células de reprodução.
Células somáticas são aquelas que formam os tecidos e os órgãos do corpo, e mutações
nestas células podem causar câncer e outros tipos de doenças. Todavia, o dano genético
normalmente não se transfere para a próxima geração.
Células de reprodução incluem os espermatozoides no homem e os óvulos na
mulher. Mutações nestas células podem se transferir para a próxima geração.
A importância de se detectar um mutágeno é dupla. Primeiro, porque ele é danoso
por si só. Em segundo lugar, porque a maioria dos carcinogênicos conhecidos também é
mutágeno. Muitos pesquisadores, usando muito empirismo, consideram que se um
produto químico é um mutágeno, existe boa probabilidade de ser também carcinogênico.
Um bom número de testes laboratoriais, relativamente rápidos, podem ser
executados para se determinar se um composto químico é um mutágeno. Estes testes
são mais simples que testes em animais e, portanto pode-se analisar um grande número
de produtos quanto à carcinocidade. Para efetuar estes testes, são usadas células de
mamíferos ou bactérias, pois certos tipos destas são especialmente sensíveis aos
produtos químicos que causam mutagênese. Estas células são expostas a várias
concentrações do produto suspeito e as alterações celulares são observadas em função
do tempo. Se determinadas alterações são bem caracterizadas e função da dose de
exposição, então o produto químico é considerado um mutágeno neste sistema de testes.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
76

Nota 4.7.

Um dos mais importantes testes de mutagênese foi desenvolvido pelo

bioquímico Bruce Ames e colaboradores da Universidade da Califórnia. No teste

de Ames, bactérias Salmonella tifimurium são expostas ao composto químico.

Originalmente estas bactérias são dependentes de um certo nutriente, mas se o

composto for um mutágeno as bactérias são modificadas de modo a não mais

precisar deste nutriente. A habilidade química de induzir esta mutagênese indica

que o composto provavelmente é um mutágeno, mas nem todos os

carcinogênicos conhecidos são mutágenos no teste de Ames. Como exemplo, o

clorofórmio não é um mutágeno no teste, mas é carcinogênico em ratos e

camundongos e, provavelmente, em seres humanos. A correlação entre

mutagenicidade e carcinocidade não é perfeita.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
77

4.6.2. FATORES INFLUENTES


De modo geral quatro fatores têm influência em como uma substância tóxica afeta
um indivíduo. São eles:
• Toxicidade;
• Concentração;
• Tempo de exposição;
• Susceptibilidade individual.

4.6.2.1. Toxicidade
Um importante ponto a lembrar é que qualquer substância pode se tornar tóxica se
a dose for aumentada acima dos limites de tolerância do corpo. Assim, o próprio oxigênio
tão essencial à vida na proporção de 21%, pode se tornar tóxico se puro (100%). Por
consequência, a intensidade da dose e o tempo de exposição associados a um produto
tóxico ou a um agente físico, podem determinar a severidade do dano.
Duas diferentes substâncias podem causar danos distintos, apesar de
apresentarem a mesma concentração e ter-se o mesmo tempo de exposição. Esta
diferença de efeitos é denominada de toxicidade, que é normalmente expressa por
quanto da substância mata 50% dos animais expostos. Esta quantidade pode ser
representada pelas siglas DL50 ou CL50, indicando dose letal a 50% ou concentração letal
a 50%. Em inglês as correspondentes siglas são LD50 ou LC50 (“lethal dose e lethal
concentration”).

✓ CL50 – CONCENTRAÇÃO LETAL


Refere-se a um método de medição da habilidade de um material de causar
envenenamento quando é inalado por animais de teste. Ou seja, é a concentração da
substância dispersa no ar que mata 50% dos animais de teste. As unidades usadas são
ppm para gases e mg/m3 para poeiras, fumos e névoas. Quanto menor o CL50, mais
tóxico o produto.
Os testes em geral são conduzidos num intervalo de tempo de 4 horas e a CL50
para um produto varia em função da espécie animal e do tempo de exposição. Portanto,
estas informações devem acompanhar o valor apresentado.

✓ DL50 – DOSE LETAL


Refere-se a um método de quantificar a habilidade de um produto de causar o
envenenamento quando é engolido por animais de teste, ou quando é absorvido pela
pele do animal. Ou seja, é a dose única que mata 50% dos animais testados. É expressa
na unidade de miligrama de substância teste por kg de massa do animal, isto é, mg/kg.
Quanto menor o valor da dose letal, maior a toxicidade.
A DL50 para uma substância varia com a espécie animal, com a rota de entrada e
com o tempo de exposição e, portanto, estas informações devem acompanhar o valor
indicado.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
78

4.6.2.2. Concentração
A concentração pode ser expressa em muitas unidades, tais como partes por
milhão (ppm), partes por bilhão (ppb), em miligramas por metro cúbico (mg/m3), etc. Uma
pequena concentração de uma substância altamente tóxica pode gerar muitos danos à
saúde, enquanto uma alta concentração de outra substância pouco tóxica pode causar
pequenos efeitos na saúde humana.

Nota 4.8.

O monóxido de carbono (CO) é altamente tóxico, sendo seu limite de

tolerância legal de 39 ppm. Pequeníssimas concentrações podem causar grandes

efeitos maléficos e mesmo a morte. Já o dióxido de carbono (CO2), mesmo em

concentrações bem maiores, gera poucos efeitos à saúde (limite de tolerância de

3900 ppm). Cada substância é única nos seus efeitos à saúde, existindo uma

enorme variação das concentrações que podem ser toleradas pelo homem.

4.6.2.3. Tempo de Exposição


O tempo durante o qual uma pessoa fica exposta a um produto químico ou a um
agente físico como ruído ou radiação, influencia o efeito na saúde do corpo humano. No
caso do cigarro, o câncer de pulmão ou garganta surge em fumantes com de cerca de 20
ou mais anos de hábito. Indivíduos que trabalham em ambientes empoeirados, em geral
não apresentam efeitos nos primeiros anos, mas, eventualmente, as defesas naturais do
corpo não resistem à longa exposição e várias formas de pneumoconioses surgem em
função do tipo de poeira.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
79

4.6.2.4. Suscetibilidade Individual


Todas as pessoas são diferentes e fatores como suscetibilidade, carga genética e
estado geral de saúde são importantes. Nem todo indivíduo exposto no trabalho a
substâncias carcinogênicas desenvolverá câncer. É impossível prever quem
desenvolverá e quem não desenvolverá a doença e, portanto, todos os conhecidos
carcinogênicos e produtos tóxicos devem ser efetivamente controlados.
É impossível viver uma vida sem riscos. Pesquisadores avaliam os efeitos
decorrentes dos poluentes ambientais, de modo a estimar os riscos à saúde humana. Se
os riscos forem pequenos, pouco se tem a fazer para a remoção dos contaminantes. Se
os riscos forem altos, existe um forte ímpeto para se diminuir o perigo. Apesar de o
indivíduo comum não saber estimar os riscos de um dado poluente, pesquisadores,
cientistas e médicos sabem. Suas estimativas, contudo, não são fáceis de serem feitas,
nem são exatas. As estimativas se assentam em hipóteses e renomados cientistas
podem estar em desacordo sobre elas. Avaliar riscos à saúde significa estimar a
probabilidade de que a exposição a um poluente causará um dado efeito adverso.
Portanto o conceito de risco envolve estimar a probabilidade de ocorrência de um dado
efeito associado a seu grau de severidade.

4.6.3. TIPOS DE LIMITES DE TOLERÂNCIA


O pequeno livreto americano, cujo título em inglês é “2016 TLVs and BEIs
Threshold Limit Values for Chemical Substances and Physical Agents and Biological
Exposure Indices“, contém uma grande quantidade de informações sobre o que se
considera limites seguros para uma ampla gama de agentes químicos e físicos. Ele é
publicado pela ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Hygienists,
sendo atualizado anualmente. Os valores apresentados são definidos por consenso num
grupo de especialistas que analisam todas as pesquisas disponíveis sobre a substância
ou agente físico. A ACGIH afirma que os valores numéricos devem ser considerados
como recomendações do que seja um limite seguro de exposição. Qualquer pessoa
estudando higiene do trabalho deveria ter seu exemplar deste livreto, para o qual existe
tradução em português feita pela ABHO - Associação Brasileira de Higienistas
Ocupacionais.
As recomendações apresentadas se baseiam no conceito de TLV (‘threshold limit
value”) para cada agente químico ou físico. A sigla em português, existente na NR-15, é
LT - limite de tolerância. Portanto quando utilizarmos a sigla TLV estamos nos referindo
aos valores da ACGIH e quando utilizamos a sigla LT estamos nos referindo a valores da
NR-15. Quando falarmos de modo genérico utilizamos a terminologia LEO (Limite de
Exposição Ocupacional).
Apesar de TLVs e LTs terem semelhanças eles são diferentes quanto a alguns
fatores como duração da jornada de trabalho semanal, frequência de atualização, etc. Os
TLVs são atualizados anualmente e os LTs estão fixos desde 1978.
Um agente químico é um composto químico sólido aerodisperso, um líquido ou um
gás, enquanto exemplos de agentes físicos são calor, frio, ruído, vibrações e radiações.
Com base na experiência e em experimentos, são calculados níveis de concentração que
servem de referência para o estabelecimento do limite de exposição ocupacional.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
80

Os conceitos associados aos LEOs serão introduzidos através dos agentes


químicos em geral e, posteriormente em cada capítulo, serão detalhados os LEOs para
cada agente físico ou químico em particular.

4.6.3.1. Limites de Tolerância segundo a ACGIH


Os valores limites TLVs (“threshold limit values”) para os agentes químicos se
referem à concentração de substâncias dispersas no ar, representando condições sob as
quais se acredita que quase todos os trabalhadores podem repetidamente ser expostos,
dia após dia, sem que apresentem efeitos adversos.
Existem 2 tipos de TLVs especificados pela ACGIH:

TLV – TWA = limite média ponderada no tempo (“time weighted average”);


TLV - C = limite nunca ultrapassável (“ceiling”).

Como os valores TLV-TWA são valores médios, podem ser superados sob certas
condições, tendo associados os valores STEL ou os limites de digressão (“excursion
limits”). Assim, os valores STEL e de digressão estão associados a um valor TLV-TWA,
mas de modo exclusivo, aplicando-se ou um STEL ou os limites de digressão.

4.6.3.2. TLV – TWA


A sigla TLV® é uma marca registrada da ACGIH e só ela pode utilizar. O TLV-TWA
(“threshold limit value - time weighted average”) define um valor para turnos diários de 8
horas ou 40 horas semanais, para o qual a maioria dos trabalhadores podem ser
expostos durante toda sua vida útil sem que devam ocorrer efeitos adversos. TWA se
refere a uma média ponderada no tempo.
Alguns períodos de exposição acima do TLV - TWA são permitidos, desde que
sejam compensados por períodos de exposição abaixo do limite, de modo que na média
a concentração medida esteja abaixo do TLV-TWA. O quanto é permitido estar acima do
TLV-TWA varia para cada substância, sendo listados os fatores aplicáveis a cada caso.
As restrições a quanto acima do TLV – TWA se pode ir na jornada de trabalho de 8
horas podem provir ou da existência de um valor TLV – STEL associado ao TLV – TWA,
ou na ausência dele, utilizando-se os limites de digressão (obtidos por 3x e 5x o valor do
TLV – TWA).

4.6.3.3. Limite TLV – STEL


A sigla da ACGIH TLV-STEL (“threshold limit value - short term exposure limit”)
representa a concentração às quais trabalhadores podem ser expostos continuamente
por breves períodos sem sofrer os seguintes efeitos:

• Irritação;
• Dano crônico ou irreversível de tecidos;
• Narcose em grau suficiente para afetar o trabalho em termos de eficiência ou
segurança.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
81

Ele não é um limite independente, mas complementa o limite média ponderada


(TLV - TWA) quando existem reconhecidos danos de uma substância cujos efeitos
tóxicos são primariamente de natureza crônica. Os TLV – STEL são recomendados
apenas quando efeitos tóxicos foram relatados com relação a altas exposições de curta
duração com pessoas ou animais.
As regras básicas associadas a uma exposição acima do TLV – TWA e até o TLV –
STEL são:

• Uma exposição acima do TLV – TWA e até o TLV - STEL não deve exceder 15
minutos de duração;
• Deve decorrer pelo menos 1 hora entre cada exposição entre o TLV – TWA e o
TLV – STEL
• Não se pode ter mais de 4 exposições entre o TLV – TWA e o TLV - STEL por
turno de 8 horas;
• A exposição nunca pode superar o TLV – STEL.

Além das regras relativa a concentrações entre o TLV – TWA e o TLV – STEL,
também deve-se respeitar sempre que a concentração média esteja abaixo do valor do
TLV – TWA.
A ideia, portanto, do valor STEL é a de limitar superiormente as concentrações no
local de trabalho que estejam acima do TLV -TWA, como ilustra a figura 4.6.a:

Figura 4.6.a. Limitação superior da concentração acima do TLV – TWA.

A figura 4.6.b ilustra o caso em que o valor STEL não foi ultrapassado, mas
claramente duas violações da definição do TLV – TWA ocorreram:
• A concentração média no turno estará acima do valor TLV – TWA;
• Na faixa entre o TLV – TWA e o TLV – STEL ficou-se bem que os 15 minutos
permitidos.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
82

Figura 4.6.b Violação de algumas regras quanto ao TLV – TWA com valor STEL.

A figura 4.6.c ilustra a variação da concentração num turno de 8 horas, para uma
substância que tem um dado TLV – TWA e um associado TLV – STEL. Aparentemente
neste turno não se violou as regras deste limite pois:
1 – A concentração média parece estar abaixo do TWA;
2 – Não se excedeu o STEL em nenhum momento;
3 – Adentrou-se a faixa entre TWA e STEL apenas 2 vezes, dentro do limite de 4 vezes;
4 – A cada entrada a duração foi inferior a 15 minutos;
5 – O espaçamento entre as entradas é superior a 1 hora.

Figura 4.6.c Limite TLV – TWA com STEL respeitado em todas as regras.

4.6.3.4. TLV - C
A sigla da ACGIH é TLV-C (threshold limit value-ceiling) representa a concentração
que não deve ser nunca excedida, mesmo instantaneamente, durante o turno de trabalho.
A prática usual na higiene do trabalho, se não for factível monitoramento
instantâneo, é a avaliação deste limite via uma amostragem por 15 minutos, exceto para
substâncias que possam causar irritação imediata numa breve exposição.
Para algumas substâncias como gases irritantes, apenas uma categoria de limite de
exposição ocupacional pode ser relevante, como o TLV – C. Para outras substâncias,
dois limites podem ser aplicáveis e relevantes em função das ações fisiológicas. É
importante frisar que se um dos limites aplicáveis for excedido, assume-se que existirá
um potencial perigo decorrente da substância em questão.
A comissão responsável pelos agentes químicos é de opinião de que os TLVs
baseados em irritação física não devem ser considerados menos restritivos do que
aqueles baseados em desabilitação física. Isto porque existe crescente corpo de

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Capítulo 4. O Corpo Humano
83

evidências que a irritação física pode iniciar; promover ou acelerar danos físicos através
da interação com outros agentes químicos ou biológicos.

4.6.3.5. Distinção entre limite média ponderada (TLV – TWA) e limite nunca
superável (TLV – C)
Os valores da média ponderada permitem a superação do limite, desde que esta
seja compensada por adequada exposição abaixo do limite durante o turno de 8 horas de
trabalho. Em alguns casos específicos, pode ser possível se calcular a concentração
média numa semana (40 horas) em vez de num dia.
A relação entre o TLV - TWA e as suas permissíveis superações decorre de regras
empíricas que em certos casos podem não ser aplicáveis.
O quanto um limite de exposição ocupacional pode ser superado num breve
período de tempo, sem causar danos à saúde, depende de vários fatores:
• Da natureza do contaminante;
• Se concentrações muito altas, mesmo em curto tempo, causam envenenamento
agudo;
• Se os efeitos são cumulativos;
• A frequência com que as altas concentrações ocorrem;
• A duração da superação.

Todos estes fatores devem ser levados em consideração quando se define se uma
condição perigosa existe, e se deve-se admitir superações do limite de tolerância.
A concentração média ponderada se apresenta como o meio mais prático e
satisfatório de se monitorar contaminantes do ar quanto aos limites de exposição. Apesar
disto, existem certas substâncias para as quais ela não é adequada. São substâncias que
têm ação rápida e cujos limites de exposição são mais apropriadamente definidos em
função deste tipo de resposta. Estas substâncias são mais bem controladas por um limite
nunca superável, um valor que não deve ser nunca excedido.
Está implícito nestas definições que os modos de amostragem para se verificar
compatibilidade com as normas são diferentes em cada caso. Uma única e breve
amostragem, aplicável ao TLV - C, não é adequada para o TLV - TWA. Para este último,
faz-se necessário certo número de amostras que permitam o cálculo da média relativa a
um ciclo de serviço ou a um turno.
Enquanto o limite TLV - C caracteriza um limite definitivo, o qual a concentração da
substância não deve superar nunca, a média ponderada requer um valor superior
associado, que define uma faixa acima do limite que pode ser penetrada sob certas
condições.

4.6.3.6. Limites Superáveis Condicionalmente (Limites de Digressão)


Os limites superáveis condicionalmente também denominados de limites de
digressão, são chamados de “excursion limits” pela ACGIH. Eles existem para a maioria
das substâncias para as quais existem limites de exposição média ponderada. As
superações do limite devem ser controladas no turno de 8 horas mesmo que o TLV -
TWA esteja sendo respeitado.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
84

Os limites de superação condicional, aplicáveis aos TLV- TWA que não possuem
STEL, devem ser determinados de acordo com as seguintes recomendações:
• Pode ocorrer exposição a mais de 3 vezes o valor numérico do TLV - TWA, mas
esta segue as regras da faixa STEL. Ou seja, não mais que 15 minutos, por até
4 vezes, espaçadas de pelo menos 1 hora.
• Sob nenhuma hipótese deve-se superar o valor de 5 vezes o TLV - TWA;
• A concentração média deve sempre respeitar o TLV – TWA;
• Quando um STEL estiver definido, este valor tem precedência sobre os limites
de digressão (3x, 5x), seja ele mais ou menos restritivo.

4.6.3.7. Normas Canadenses


Na província de Ontário, Canadá, a legislação indica que a publicação da ACGIH
deve ser usada como guia quando não existirem normas disponíveis sobre saúde e
higiene ocupacional.
Todavia o governo de Ontário tem uma série de publicações que indicam as
máximas concentrações permissíveis para vários agentes químicos presentes nos locais
de trabalho. Estes valores devem ser seguidos e têm precedência sobre qualquer outro
valor limite.
A principal publicação, semelhante ao livreto da ACGIH, se denomina “Regulations
respecting control of exposure to biological or chemical agents - made under the
Occupational and Safety Act”. É uma publicação semelhante à da ACGIH com seus
LEOs, mas não inclui agentes físicos. Comparando-se as duas publicações percebe-se
que existem umas diferenças de terminologia, pois Ontário introduz o termo valor de
exposição (exposure value - EV), de modo a se distinguir os valores canadenses dos
americanos. A Tabela 4.8. apresenta uma comparação de nomenclatura entre a ACGIH e
a província de Ontário.
Além da publicação acima citada, a província de Ontário publica textos específicos sobre
mais de uma dezena de diferentes substâncias encontradas na indústria. Estas
substâncias devem ser rigorosamente controladas, pois são alvo de intensa
preocupação. Como elas foram designadas como requerendo especial atenção, são
denominadas de substâncias designadas (“designated substances”). Um exemplo de
substância designada que tem sua própria publicação é o asbesto.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
85

Tabela 4.8. Comparação de nomenclaturas quanto a limites de tolerância. A ACGIH usa


o termo TLV - threshold limit value (valor limite) enquanto Ontário usa EV - exposure
value (valor de exposição).
Sigla na Sigla em
Definição canadense
ACGIH Ontário
Valor de exposição média temporal
ponderada: a concentração diária média, de
TLV-TWA TWAEV um agente químico ou biológico
aerodisperso, existente no local de trabalho
Valor de exposição curto tempo: a máxima
concentração, de um agente biológico ou
TLV-STEL STEV químico aerodisperso, à qual um trabalhador
pode ser exposto durante 15 minutos
Valor de exposição teto: a máxima
concentração, de um agente químico ou
biológico aerodisperso, à qual um
TLV-C CEV
trabalhador pode ser exposto em qualquer
tempo

4.6.3.8. Normas Brasileiras


A terminologia oficial no Brasil é “Limite de Tolerância – LT”, pois os valores
decorrem de evidências e hipóteses de que se têm concentrações limites que o corpo
tolera sem que ocorram danos à saúde.
A Portaria 3 214, de 8/junho/78, aprovou as Normas Regulamentadoras (NRs)
associadas ao Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, e relativas à
Segurança e Medicina do Trabalho. Foram aprovadas 29 NRs, sendo a NR-15 relativa à
“Atividades e Operações Insalubres”. Os 14 anexos da NR-15 são cada um específico
para um agente físico, químico ou biológico, como relacionado a seguir:

• Anexo 1 – LT para ruído contínuo ou intermitente;


• Anexo 2 – LT para ruído de impacto;
• Anexo 3 – LT para exposição ao calor;
• Anexo 5 – LT para radiações ionizantes;
• Anexo 6 – trabalho em condições hiperbáricas;
• Anexo 7 – radiações não ionizantes;
• Anexo 8 – vibrações (do corpo humano);
• Anexo 9 – frio;
• Anexo 10 – umidade;
• Anexo 11 – agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por LT;
• Anexo 12 – LT para poeiras minerais;
• Anexo 13 – agentes químicos (exceto os constantes dos anexos 11 e 12);
• Anexo 14 – agentes biológicos.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
86

Na NR-15 destacamos os seguintes subitens:


15.1 – “São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem:
15.1.1. – Acima dos LT previstos nos anexos 1, 2 3, 5, 11 e 12.
15.1.3. – Nas atividades mencionadas nos anexos 6, 13 e 14.
15.1.4 – Ou “comprovadas através de laudo de inspeção do local de trabalho,
constantes dos anexos 7, 8, 9 e 10.”
15.1.5 – “Entende-se por Limite de Tolerância para fins da norma NR-15, a
concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a
natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará danos à
saúde do trabalhador, durante sua vida laboral”.

Agentes químicos como gases, líquidos e poeiras, têm um tipo de LT, com
características que são diferentes, por exemplo, dos limites para ruído, calor ou radiação
ionizante. Neste capítulo apresentaremos os conceitos básicos de limite de tolerância
para agentes químicos, e nos capítulos relativos a ruído, calor ou radiação ionizante
serão detalhados os correspondentes limites.
Como na ACGIH, no Brasil temos dois tipos de limite de tolerância para agentes
químicos. Estes limites são válidos para jornadas de trabalho de 48 horas semanais, para
absorção por via respiratória e na presença de oxigênio com teor no mínimo de 18%. Os
dois limites legais no Brasil são o limite de tolerância valor teto (LTvt) e o limite de
tolerância média aritmética ponderada (LTmap).

4.6.3.9. Limite de Tolerância Valor Teto – LTvt


É um valor que não pode ser ultrapassado em momento algum da jornada de
trabalho, existindo apenas para alguns agentes químicos. Em outras palavras, o LTvt
será considerado excedido se a qualquer instante a concentração do agente químico for
superior a ele:

Cj > LTvt (qualquer instante) (4.1.)

Em que:

Cj = concentração do agente químico no local de trabalho, num instante qualquer j

4.6.3.10. Limite de Tolerância Média Aritmética Ponderada - LTmap


Neste caso, a média aritmética das medidas de concentração do agente químico
não pode ser superior ao valor do LTmap. A determinação da concentração média do
agente químico, feita por meio de amostragem instantânea ou não, deverá conter pelos
menos 10 amostragens para cada ponto ao nível respiratório do trabalhador. Entre cada
amostragem deve existir um intervalo de pelo menos 20 minutos.
Deste modo o LTmap será considerado excedido quando a média aritmética das
medidas for superior ao seu valor numérico, ou seja:

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Capítulo 4. O Corpo Humano
87

(4.2.)
Em que:
= concentração média aritmética das concentrações medidas Cj
A aplicação do LTmap requer adicionalmente que se imponham certos limites aos
valores individuais medidos (Cj), de modo que mesmo sendo a concentração média não
superior ao LTmap, também não se tenha um valor individual acima de um dado valor
máximo (Vmax).
Este valor máximo é função do valor numérico do LTmap, sendo obtido através do
chamado fator de desvio (FD), conforme a expressão (4.3):

Vmax = LTmap x FD (4.3)


Os valores de FD e LTmap são resumidos nas tabelas (4.7) e (4.8).

Tabela 4.7. Valores do fator de desvio FD em função do valor do LTmap.


LTmap (ppm ou mg/m3) FD
0a1 3
1 a 10 2
10 a 100 1,5
100 a 1 000 1,25
acima de 1 000 1,1
Fonte: Quadro 2 do Anexo 11, NR-15.

Tabela 4.9. Limites de tolerância média aritmética ponderada (LTmap) para alguns
agentes químicos. Quando existe LTvt, indicado na 2a. coluna por sinal de “+”, este é o
LT aplicável.
Absorção LTmap (para até 48 horas
Agentes químicos LTvt pela pele semanais) Grau de insalubridade
também ppm mg/m3
Acetaldeído 78 140 Máximo
Acetato de cellosolve Sim 78 420 Médio
Acetileno asfixiante simples
Acetona 780 1870 Mínimo
Ácido acético 8 20 Médio
Ácido cianídrico Sim 8 9 Máximo
Ácido clorídrico + 4 5,5 Máximo
Álcool n-butílico + Sim 40 115 Máximo
Amônia 20 14 Médio
Anilina Sim 4 15 Máximo
Bromo 0,08 0,6 Máximo
Chumbo 0,1 máximo
Cloreto de vinila + 156 398 máximo
Dióxido de carbono 3900 7020 mínimo
Dióxido de enxofre 4 10 máximo
Dióxido de nitrogênio + 4 7 máximo
Estireno 78 328 médio
Fenol Sim 4 15 máximo
gás sullfídrico 8 12 máximo
Metano asfixiante simples
Monóxido de carbono 39 43 máximo
Óxido de etileno 39 70 máximo
Óxido nítrico (NO) 20 23 máximo
Óxido nitroso (N20) asfixiante simples
Tolueno (toluol) Sim 78 290 médio

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Capítulo 4. O Corpo Humano
88

Fonte: Quadro 1, Anexo 11, NR-15.

Para se analisar se as condições de trabalho com uma substância estão de acordo


com o limite de tolerância LT, devemos seguir o seguinte roteiro:

• Existe LT na legislação brasileira?


• Se existir, tem-se LTmap ou tem-se LTvt?
• Se existir LTvt, ele nunca poderá ser ultrapassado;
• Se existir LTmap, procurar o FD e calcular Vmax. Então, analisar tanto para valor
máximo como para média aritmética ponderada;
• Se não existir LT na legislação brasileira, pelas NR-9 e NR-22, recomenda-se
utilizar os valores da ACGIH, que são anualmente revistos. A NR-15 tem valores
antigos e não revistos anualmente. Mesmo que haja valores de LT, a boa prática
prevencionista sugere se utilizar o valor mais restritivo.

Quadro 4.1. Obter o LT para a amônia, especificando seu tipo. Caso seja necessário,
calcule o Vmáx.

Respostas:

Da tabela 4.8. obtemos: LTmap = 20 ppm

Com a tabela 4.7: FD = 1,5.

Portanto: Vmáx = 1,5 x 20 = 30 ppm

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Capítulo 4. O Corpo Humano
89

Quadro 4.2. Na tabela 4.8., identificar substâncias cujo LT seja de valor teto e calcular o
Vmáx.
Obtemos as substâncias:

Resposta:

ácido clorídrico - LTvt = 4 ppm

álcool n-butílico - LTvt = 40 ppm

dióxido de nitrogênio – LTvt = 4 ppm

Para o caso do LT ser valor teto (indicado pelo sinal + na 2a. coluna), este se aplica

e não o LTma. Portanto não faz sentido falar em Vmáx neste caso. As substâncias

que têm LTvt são aquelas que em geral tem ação muito rápida, não sendo

adequado analisar os efeitos em 8 horas.

Os conceitos associados a LTmap e LTvt podem ser visualizados graficamente,


como mostrado nas figuras 4.6.d, e f.

Figura 4.6.d. Concentração média superou o LTmap.


Na figura 4.6.d e caso de LTmap, os valores medidos devem fornecer uma média
inferior a este limite. Na figura, apesar da concentração ser sempre inferior a Vmax, fica
claro que a média das concentrações no tempo é superior ao valor do LTmap. Portanto o
LT teria sido excedido.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
90

Figura 4.6.e.

No caso da figura 4.6.e, o LT foi excedido, pois apesar na concentração média ser
inferior ao valor do LTmap, num dado momento a concentração superou o valor máximo
permitido (Vmax).

Figura 4.6.f.

No caso da figura 4.6.f o LT não foi excedido, pois nem a média aritmética das
concentrações superou o valor LTmap, nem, em nenhum momento, a concentração
superou o valor Vmax.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
91

Quadro 4.3. Ao se avaliar a concentração de amônia num local de trabalho, verificou-se


que os trabalhadores ficaram expostos 2 horas a 10 ppm e 6 horas a 25 ppm. O limite de
tolerância foi ultrapassado?

Solução:

Para a amônia, da tabela 4.8. obtivemos: LTmap = 20 ppm.

Com a tabela 4.7: FD = 1,5. Portanto: Vmáx = 1,5 x 20 = 30 ppm

A concentração média nas 8 horas é dada pela média aritmética ponderada:

C(média) = (2 x 10 + 6 x 25) / 8 = 21,25 ppm.

Portanto, apesar de nenhum valor superar Vmáx, a média foi superior a 20 ppm,

tendo sido excedido o LT.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
92

Quadro 4.4. Ao se avaliar a concentração de dióxido de carbono gasoso, encontrou-se


os valores da tabela. O limite de tolerância foi ultrapassado?

número da amostra Concentração (ppm)


1 4 000
2 4 000
3 4 000
4 3 800
5 3 800
6 3 700
7 3 900
8 4 000
9 4 100
10 4 000

Respostas:

Para o CO2, da tabela 4.8. obtemos: LTmap = 3900 ppm.

Com a tabela 4.7: FD = 1,1. Portanto: Vmáx = 1,1 x 3 900 = 4290 ppm.

A concentração média é dada pela média aritmética:

C(média) = (5 x 4 000 + 2 x 3800 + 3 700 + 3 900 + 4 100) / 10 = 3930 ppm.

Apesar de nenhum valor superar Vmáx, a média foi superior a 3900 ppm, tendo
sido excedido o LT.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
93

Quadro 4.5. Ao se avaliar a concentração de chumbo numa usina de tratamento de


minérios, encontrou-se os valores abaixo. O limite de tolerância foi ultrapassado?

número da amostra Concentração (mg/m3)


1 0,5
2 1
3 1
4 0,5
5 0,5
6 0,5
7 1
8 1
9 1
10 0,5

Resposta:
Para o chumbo, da tabela 4.8. obtemos: LTmap = 0,1 mg/m3.

Com a tabela 4.7: FD = 3. Portanto: Vmáx = 3 x 0,1 = 0,3 mg/m3

A concentração média é dada pela média aritmética:

C(média) = (5 x 1 + 5 x 0,5) / 10 = 0,75 mg/m3.

A média supera o LTmap e vários valores individuais superam o Vmáx, portanto

foi excedido o LT por 2 motivos.

Se procurarmos o LT no livreto da ACGIH de 2013, encontraremos para o chumbo

o valor de 0,05 mg/m3. Isto porque constantemente a ACGIH incorpora novos e

mais restritivos valores, decorrentes das mais recentes pesquisas. A ACGIH

publica anualmente valores cientificamente “mais atuais”, algumas vezes mais

restritivos e outras vezes incorporando novas substâncias.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
94

4.6.3.11 Comparação entre as normas brasileiras e as sugestões da ACGIH


4.6.3.11.1. Conceituação
Existem diversas diferenças entre valores e conceitos contidos nas normas
brasileiras e da ACGIH. Apesar da ACGIH não ser um órgão americano com poder de
legislação e normatização, seus valores são de alta credibilidade científica e são usados
como base em grande número de países. A consulta aos valores por ela publicados é
sempre recomendada e os nomes TLV-TWA, TLV-C e TLV-STEL são marcas registradas
dela.
Quanto aos valores de TLV-TWA, eles são definidos para turno diário de 8 horas ou
40 horas semanais, enquanto o LTmap se refere a 48 horas semanais. Assim, muitas
vezes o fato de o valor brasileiro ser mais restritivo decorre apenas de uma multiplicação
por um fator de redução (FR).
Nos Estados Unidos e no Canadá existe o limite de tolerância TLV-STEL, que não
existe no Brasil e que corresponderia a um limite de tolerância de curta exposição. É o
valor até o qual você pode ficar exposto acima do TLV-TWA, por breve período, sem
ocorrer: irritação, dano irreversível ou narcose que afete a segurança.
O TLV-STEL não é isolado, vem sempre associado ao TLV-TWA, e o suplementa
quando existem efeitos agudos associados a substâncias que em geral geram efeitos
crônicos. Para a maioria das substâncias não existem dados para definir TLV-STEL.
O TLV-C corresponde de certo modo ao LTvt, sendo adequado a substâncias que
tem ação muito rápida, tornando a média ponderada em 8 horas um parâmetro
inadequado. O LTvt nunca pode ser superado e é independente da LTmap.
A tabela 4.10 apresenta algumas comparações entre limites de tolerância segundo
a ACGIH e a NR-15 (Anexo 11).

Tabela 4.10. Limites de tolerância – TLV e LTmap.


USA (40 h) (**) Brasil (48 h) TLV-STEL (***)
Substância
ACGIH – TLV-TWA NR 15 - LTmap só ACGIH
amônia 25 ppm 20 ppm (14 mg/m3) 35 ppm*
cloro 0,5 ppm 0,8 ppm 1 ppm
CO2 5 000 ppm 3 900 ppm 30 000 ppm
H2S 10 ppm 8 ppm 15 ppm
tricloroetileno 50 ppm 275ppm (1480 mg/m3) 100 ppm
Pb (*) 0,05 mg/m3 0,1 mg/m3 -
CO 25ppm 39 ppm (43 mg/m3) -
benzeno 0,5 ppm (+) 2,5 ppm
(*) elemento e compostos inorgânicos.
(**) valores para 2006 da ACGIH.
(***) no Brasil não existe este limite, seria Ltce.
(+) foi retirado da NR-15, existindo norma específica para benzeno, com metodologia complexa de
avaliação. Em tese o benzeno é proibido no Brasil, exceto na fabricação de certos compostos, tendo-se
um limite denominado de VRT valor de referência tecnológico.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
95

4.6.3.11.2. Visualização Gráfica de LTvt E TLV-C


Considerando o butanol (álcool n-butílico) e seus limites de tolerância:
LTvt = 40 ppm e TLV-C = 50 ppm (até 2001)
O valor mais restritivo no Brasil decorre da relação de número de horas semanais,
tendo-se 48 h no Brasil e 40 horas para a ACGIH. A transformação de 40 h para 48 h é
feita pela fórmula de Brief e Scalla e gera um fator de redução FR.
A figura 4.7.a ilustra o caso em que os LTvt e TLV-C não foram excedidos nem no
Brasil nem para a ACGIH, para turno de 8 horas. Em nenhum instante estes limites
poderiam ser ultrapassados.

Figura 4.7.a O LTvt não foi excedido nem o TLV-C

4.6.3.11.3. Visualização Gráfica do TLV-TWA sem existência de TLV-STEL


Na figura 4.7.b. o TLV-TWA foi superado em alguns momentos, mas a média no
tempo foi inferior ao valor limite. Como não se superou o valor de 3 vezes o TVL - TWA,
as superações na faixa (TLV – TW) e 3 x (TLV – TWA) podem ser em qualquer número e
por qualquer tempo, desde que seja mantida uma média inferior ao TLV – TWA.

Figura 4.7.b. O TLV-TWA não foi superado.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
96

Figura 4.7.c. O valor de [3 x TLV-TWA] foi superado 2 vezes, mas não se pode saber se
por 15 minutos ou menos cada uma. O espaçamento entre as superações parece ser
superior a 1 hora. E [5 x TLV-TWA] nunca foi superado.

Na figura 4.7.c. a concentração da substância superou o valor de 3 x (TLV – TWA)


mas num tempo total inferior a 30 minutos. Mas a regra fala de no máximo 15 minutos por
evento e não temos dados para checar isso. O valor de 5 x (TLV-TWA) nunca foi
superado e se a média em 8 horas for inferior ao TLV-TWA, então teremos de elucidar se
os tempos de superação individual foram de até 15 minutos para estar de acordo com o
TLV - TWA.

Na figura 4.7.d. o LTmap (Brasil) e o TLV-TWA (ACGIH) são iguais, mas ambos
foram excedidos. O LTmap foi excedido porque o maior fator de desvio (FD) de acordo
com a tabela 4.7. é 3 e a concentração superou 3 vezes o LTmap. Já o TLV-TWA) foi
superado porque a concentração superou o valor de 3 x (TLV-TWA) por mais de 15
minutos. Se a superação tivesse sido de 15 minutos, segundo a ACGIH, o limite não
teria sido excedido.

Figura 4.7.d. Ambos os limites de exposição, do Brasil (LTmap) e da ACGIH (TLV-TWA),


foram excedidos. Os valores numéricos são iguais (LTmap = TLV-TWA).

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Capítulo 4. O Corpo Humano
97

4.6.3.11.4. Visualização gráfica do TLV-TWA com existência de TLV-STEL


Quando existe o TLV-STEL, ele complementa o TLV-TWA, permitindo que o valor
do TLV-TWA seja superado em até 4 vezes num turno, por períodos não superiores a 15
minutos e espaçados de no mínimo 1 hora. Na figura 4.8. a concentração atinge valores
entre TLV-TWA e TLV-STEL por 4 vezes, todas num intervalo inferior a 15 minutos e
espaçadas por mais de 60 minutos. Como o TLV-STEL nunca foi excedido, se a
concentração média nas 8 horas for inferior ao TLV-TWA, então o limite não terá sido
excedido.

Figura 4.8. O TLV-TWA com TLV-STEL não foi superado

4.6.3.11.5. O Caso do Berílio


Até 1996 o limite de tolerância indicado pela ACGIH para o berílio era um TLV-TWA
de 2 g/m3. Além disso, havia a notação A2, indicando ser um suspeito carcinogênico
humano. A regra para a faixa 3x (TLV – TWA) em 1996 era que na faixa 3x a 5x o TLV-
TWA podia-se ficar por até 30 minutos.
A figura 4.9 ilustra uma possível variação da concentração sem que fosse excedido
o TLV - TWA do berílio em 1996.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
98

Figura 4.9. Superou-se o valor de 3 x (TLV – TWA), mas por apenas 25 minutos,
ou seja, tempo inferior a 30 minutos (regra em 1996). Superou-se o valor do TLV-TWA
por 105 minutos, mas estando abaixo de 3 x TLV-TWA, mas isto poderia ter sido
compensado por valores abaixo do TLV-TWA, dando uma média inferior a 2 g/m3. Neste
caso o TLV – TWA não teria sido excedido.

A partir de 1997, a ACGIH alterou o TLV relativo ao berílio, mantendo um TLV-TWA


de 2 g/m3, mas com um associado TLV-STEL de 10 g/m3. Este novo TLV se manteve
até 2001, com a notação A1, indicando ser confirmado como carcinogênico humano. Com
este novo limite, a situação da figura 4.9 levaria a ter-se excedido o TLV, pois entre os 2
valores de 2 e 10 g/m3 , a concentração por duas vezes se manteve por tempo acima de
15 minutos.
A alteração do tipo de limite de exposição ocupacional tornou uma situação antes
admissível numa situação não mais adequada. Este fato é uma tendência geral, com os
valores dos TLVs, que se tornam mais restritivos à medida que se dispõe de mais
estudos e dados toxicológicos.
O limite de tolerância para o berílio não existe na NR-15 (até 2016).

4.7. METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO


A medicina desenvolveu vários métodos para detectar mudanças no corpo humano
e que permitem rastreá-las até o local de trabalho.

4.7.1. MEDIÇÕES NO INDIVÍDUO


Algumas das mais importantes técnicas para se medir efeitos à saúde relacionados
com o ambiente de trabalho incluem as seguintes:
• Espirometria;
• Raios X;
• Análise de excreções;
• Testes de dosagem corporal;
• Audiometria;
• Ressonância Magnética.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
99

4.7.1.1. Espirometria
Uma simples medição de espirometria envolve a determinação de quanto ar se
consegue expelir dos pulmões. Os resultados obtidos antes da contratação podem ser
comparados com testes efetuados periodicamente enquanto o trabalhador continuar na
empresa. Estes testes são também conhecidos como testes de funcionamento pulmonar
ou de capacitação pulmonar.
Certas doenças ocupacionais podem paulatinamente reduzir a capacidade de
funcionamento dos pulmões e o teste de espirometria pode ajudar a identificar esta
redução. A asbestose, a silicose e a pneumoconiose de carvão podem levar a um
funcionamento bem restrito dos pulmões, enquanto o cigarro em geral conduz a uma
obstrução pulmonar.
Os testes de capacitação pulmonar são usados para se avaliar o enfraquecimento
dos pulmões, mas o enfraquecimento não implica necessariamente em incapacitação. O
enfraquecimento é definido como a redução das funções pulmonares em comparação
com valores normais, enquanto a incapacitação é a impossibilidade de um indivíduo
desempenhar suas atividades usuais.
A avaliação da incapacitação é muito mais difícil quando a pessoa tem um passado
de fumante, devendo-se sempre considerar também o estilo de vida que ela tem. Devido
ao fato de que existem poucos conhecimentos sobre a história deste tipo de doença e
sua evolução, não se pode demonstrar cientificamente o momento exato em que a
pessoa deve ser retirada da exposição. Os problemas de diagnóstico podem ser
diminuídos por uma cuidadosa interpretação da história do trabalhador. Isto ajuda a se
recomendar a retirada do serviço ou mesmo se ele deve pedir indenização.
Existem continuados problemas para se estimar a incidência destas doenças por
causa da não uniformidade dos relatórios e a rápida rotatividade da força de trabalho.

4.7.1.2. Raios X
É comum que trabalhadores que já trabalharam em ambientes com poeiras, mas
não mais o fazem, sejam solicitados a tirar chapas de raios X com certa regularidade. O
motivo é que certos tipos de pneumoconioses continuam a se desenvolver mesmo na
ausência de fontes de material particulado.

4.7.1.3. Excreções
Metais pesados como mercúrio podem ser detectados, mesmo em pequenas
quantidades, na urina. Esta detecção indica que o indivíduo está exposto e que ações
devem ser tomadas. Várias outras substâncias podem ser detectadas pelo mesmo
método.

4.7.1.4. Teste de Dosagem Corporal


O teste de dosagem corporal mais comum é o de sangue. Metais pesados, como
mercúrio e chumbo, podem aparecer no sangue de um indivíduo muito exposto a estes
contaminantes. Outras partes do corpo que podem ser utilizadas para testes são tecidos,
fluidos e soros.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
100

4.7.1.5. Audiometria
Com o tempo as pessoas diminuem sua habilidade de ouvir. A causa pode ser o
natural envelhecimento humano ou um nível excessivo de ruído no local de trabalho.
Exames periódicos da habilidade auditiva podem identificar as pessoas sob situação de
risco quanto a ruído, podendo-se tomar então medidas para eliminar ou reduzir
sensivelmente o problema.

4.7.2. RESUMO DOS MÉTODOS


Todos estes métodos medem diretamente a quantidade da carga ambiental
(“environmental stress”) recebida pelo corpo. Nestes métodos são analisados elementos
como fluidos, excreções, tecidos, cabelo e ar expirado, usando-se técnicas específicas de
análise para quantificar o agente afetando o corpo.
Estes métodos de medição direta são efetuados por profissionais de medicina,
enquanto a engenharia se preocupa mais com medições indiretas, tais como a
quantificação do ar que é inalada. Os efeitos do ar inalado ou dos contaminantes na
pessoa são mais do campo da medicina ocupacional. Nos capítulos seguintes serão
estudadas algumas das medições indiretas e sua correlação com os efeitos decorrentes.

4.8. AÇÕES CORRETIVAS


O item 4.1. é orientado ao corpo humano e qualquer ação corretiva no corpo em si
não pertence ao campo da engenharia, mas sim da medicina.
Os engenheiros estão preocupados com o mini ambiente, ou seja, com o ambiente
imediato em torno do trabalhador, mas não devem tentar nenhuma ação corretiva no
próprio trabalhador. Todavia, isto não foi sempre assim e os exemplos a seguir ilustram
isto.
Numa certa época, muitas minas de ouro deliberadamente dispersavam pó de
alumínio ou óxido N de polivinil piridina, de modo que os trabalhadores os respirassem
enquanto trocassem de roupa nos vestiários. Isto era considerado uma medida
preventiva contra os efeitos nocivos do pó de sílica, pois algumas pessoas afirmavam
que a inalação de pó muito fino em quantidades controladas diminuíam a incidência de
silicose. Outras pessoas eram totalmente cépticas quanto a isso e a ideia de contra-
atacar os efeitos de um tipo de pó com outro pó é no mínimo estranha. Esta prática foi
interrompida e a questão da eficiência ou não do pó de alumínio nunca foi resolvida.
Muitos empregadores dão tabletes de sal para trabalhadores que estão locados em
ambientes muito quentes. O raciocínio é que o corpo perdendo muito sal pelo suor
necessita de reposição. Hoje não se recomenda tabletes de sal, mas comida um pouco
mais salgada, pois a ingestão direta de sal pode causar efeitos colaterais sérios. Em
suma, a reposição de sais no organismo não é um processo tão simples.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
101

4.9. ESTUDO DIRIGIDO


Estudos dirigidos complementam o texto do capítulo. A pesquisa para a obtenção
das respostas deve envolver outros textos, enciclopédias, notícias de jornal, etc. É
necessário sempre citar as fontes de obtenção dos dados ao final. Quando se solicita a
definição de um conceito ou elemento, esta definição deve ser dada com 5 a 10 linhas.
• No final do livreto de TLV’s e BEI’s da ACGIH de 2006, existe uma lista de
novos agentes que estão sendo estudados, mas para os quais a ACGIH ainda
não definiu os limites de tolerância. Leia-os e os rescrevam a seguir, indicando
quais têm algo a ver com sua vida diária;
• Definir DNA, RNA, ATP (trifosfato de adenosina), vírus e bactéria;
• Conceituar e exemplificar o que são metais pesados. Apresentar um ou mais
casos reais de contaminação por metal pesado descrito na literatura;
• Conceituar ergonomia e dar exemplos de problemas ergonômicos da tecnologia
atual;
• No Manual Atlas de Legislação – Segurança e Medicina do Trabalho, 60ª
edição, 2007, estão compiladas as Normas Regulamentadoras (NR) aprovadas
pela Portaria n°. 3 214 de 8 de junho de 1978. A que se refere a NR 15? A que
se referem cada um de seus anexos?
A ACGIH tem uma extensa publicação que está associada com o livreto de limites
de tolerância. Esta publicação se denomina “Documentation of the Threshold Limit Values
and Biological Exposure Indices” e apresenta a documentação científica e dados das
fontes da literatura que serviram de subsídio para a definição do limite de tolerância. Para
melhor entendimento dos limites de tolerância, é aconselhável ler esta documentação
que no total se compõe de vários volumes. A documentação para os dois agentes
químicos, cianeto de hidrogênio e monóxido de carbono, exemplificam o tipo de
documentação usada para se chegar a um consenso de limite de tolerância, devendo ser
lidas com atenção.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
102

4.10. TESTES (3)

19. Qual das seguintes é uma dimensão grosseiramente incorreta:

a) Diâmetro de célula animal: 10 m.


b) Comprimento de embrião humano com 1 mês de crescimento: 5 mm.
c) Espessura da parede celular: 10 nm.
d) Espessura da camada epidérmica humana: 25 m.
e) Menor grão de poeira visível a olha nu: 25 nm.
Feedback: a menor partícula visível a olho nu tem de 50 a 100 m.
20. O limite TLV - STEL é definido como a máxima concentração à qual
trabalhadores podem ser expostos:

a) Por um período de até 30 minutos por não mais de 4 vezes por dia, com pelo
menos 30 minutos entre cada exposição.
b) Por um período de até 15 minutos por não mais de 6 vezes por dia, com pelo
menos 45 minutos entre cada exposição.
c) Por um período de até 60 minutos por não mais de 2 vezes por dia, com pelo
menos 120 minutos entre cada exposição.
d) Por um período de até 15 minutos por não mais de 4 vezes por dia, com pelo
menos 60 minutos entre cada exposição.
e) Por um período de até 15 minutos por não mais de 4 vezes por dia, com pelo
menos 15 minutos entre cada exposição.
Feedback: item 4.6.3.3., primeiro parágrafo.

21. 3. O limite de tolerância para uma poeira é 5 mg/m3 e tem uma designação
associada de valor teto. Isto significa que:

a) 5 mg/m3 não pode ser excedido nunca.


b) Se o maior valor de 3 amostras colhidas a intervalos de 10 minutos for inferior a
5 mg/m3, então o limite foi respeitado.
c) O fator de superação condicional é 2.
d) A absorção cutânea é importante.
e) A média geométrica anual da poluição atmosférica fica abaixo de 5 mg/m3.
Feedback: 4.1.2.1.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
103

22. Num turno de 8 horas, um monômero de vinil cloreto contaminou uma amostra
de ar colhida numa vazão de 20 cm3 por minuto, fornecendo 200 g do composto. A
concentração média temporal ponderada era:
a) 21 mg/m3.
b) 0,21 mg/m3.
c) 210 mg/m3.
d) 21 g/m3.
e) 0,21 g/m3.
Feedback: 20 cm3 por minuto = 1200 cm3 por hora = 9600 cm3 por dia (8 horas).
Concentração = 200 g / 9600 cm3 = 0,021 g / cm3 = 21 mg / m3.
23. Um soldador, trabalhando com aço galvanizado, fica exposto a uma
concentração atmosférica de 6,4 mg/m3 de fumos de óxido de zinco. Quando não
está soldando, fica exposto a um nível de fundo de 0,8 mg/m3 de fumos do mesmo
tipo. Se o tempo de soldagem é 3 horas num turno de 8 horas, então a
concentração média ponderada no turno é:

a) 4,3 mg/m3.
b) 3,6 mg/m3.
c) 2,9 mg/m3.
d) 1,8 mg/m3.
e) 0,9 mg/m3.

24. A massa de particulado coletada por um amostrador, operando com uma vazão
de 10 L/min por 100 minutos, foi de 10 mg. O material particulado continha 10% de
diborane. O limite de tolerância deste composto é de 0,1 mg/m3.

a) A concentração foi de 10 vezes o LT.


b) A concentração igualou o LT.
c) A concentração foi um décimo do LT.
d) A concentração foi de um centésimo do LT.
e) A concentração foi metade do LT.

25. Um amostrador de ar opera com taxa de 2 L/min e é usado para amostrar


fumos de solda num período de 50 minutos. Na análise laboratorial, obteve-se na
amostra 0,70 mg de ferro. Se o LT para fumos de ferro é de 5 mg/m3 então a
concentração de fumos ferrosos na atmosfera amostrada é:
a) 0,14 x LT.
b) 0,7 x LT.
c) 1,4 x LT.
d) 2,8 x LT.
e) 3,5 x LT.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
104

4.11. CASOS REAIS


O caso apresentado a seguir foi publicado na revista “Applied Occupational and
Environmental Hygiene” (England e Carlton, 1999). Seu resumo é apresentado numa
forma similar à utilizada nos capítulos deste livro. Ou seja, se utiliza os itens: a ciência, a
natureza do problema, limites admissíveis, metodologias de medição e ações corretivas,
permitindo que se perceba a complexidade associada à definição de limite de tolerância.

4.11.1. A CIÊNCIA DAS RESINAS


Muitas indústrias utilizam tintas e base para tintas para proteção das superfícies
contra a corrosão. A aplicação destes produtos pode ser de várias formas, sendo comum
o borrifamento de material pulverizado (“sprays”), com as aplicações em geral utilizando
revólver com ar comprimido.
Algumas destas tintas de base contêm cromato de estrôncio enquanto outras não
contêm este cromato. Exemplos sem cromato são os produtos comerciais Aeroglaze
9741 e Aeroglaze 8743, usados na força aérea americana e que têm basicamente a
mesma composição, tendo, todavia diferentes pigmentos que dão cores diferentes aos
produtos quando aplicados.
Os produtos que contêm cromato de estrôncio são realmente inibidores da
corrosão, sendo na verdade uma tinta à base de uma resina epóxi.
Os produtos que não contêm o cromato de estrôncio são também à base de resina
epóxi e, do ponto de vista da corrosão, não são inibidores desta, não sendo realmente
uma base anticorrosiva. Quando a base originalmente aplicada à superfície estiver
intacta, não é necessário aplicar nova camada anticorrosiva (contendo cromato), mas
apenas esta resina epóxi sem cromato. Esta última tem as seguintes características:

• Não é realmente inibidora da corrosão;

• É mais um produto “adesivo”, cujo objetivo é dar aderência e fixação a uma


cobertura de poliuretano na superfície.

A resina epóxi aderente é constituída de 2 componentes:

• Um componente epóxi: contém compostos epóxi e composto solvente


(principalmente acetato de n-butil);

• Um componente endurecedor: contém agentes endurecedores (poliaminas) e


composto solvente (n-butanol).

O uso destas tintas e bases centradas em epóxi se deve a características


importantes que incluem durabilidade, resistência mecânica, aderência, flexibilidade e
resistência à corrosão. Estas características decorrem das reações químicas que
acontecem quando os dois componentes são misturados. Quando juntos, os grupos
epóxi e amina reagem com o grupo amina permitindo o encadeamento (polimerização)
dos monômeros e oligômeros epóxi. Um monômero é uma única molécula ou composto

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Capítulo 4. O Corpo Humano
105

reativo enquanto que um oligômero é um conjunto de moléculas contendo monômeros


epóxi que reagiram entre si (é um pré-polímero).
Os solventes são transportadores e diluidores dos compostos da resina, fornecendo
o meio no qual a polimerização ocorre. Portanto, os solventes permitem que a reação
entre os compostos epóxi e amina se desenvolvam apropriadamente. Depois da
formação dos polímeros os produtos finais endurecem, num processo também
denominado de cura.
A partir do etileno (C2H4), que foi usado no início em aplicações de iluminação,
pode-se obter a molécula do óxido de etileno, que contém um átomo de oxigênio, como
ilustra a figura 4.10. O óxido de etileno, um monômero, quando encadeado com outros
monômeros (polímero), fornece as resinas de base epóxi. Ou seja, uma resina epóxi é na
verdade formada por um polímero de óxido de etileno, conforme ilustra a figura 4.11.
O óxido de etileno é um gás altamente inflamável e com alta afinidade com água.
Todavia seus polímeros são sólidos devido à grande massa molecular. Os limites inferior
e superior de explosividade do óxido de etileno são respectivamente 2,7% e 28,6%, com
o pico de força ocorrendo para 6,52%.
A massa molecular do óxido é de 44 g, ou seja, um mol de óxido de etileno tem 44
gramas e contém um “grupo epóxi”. As moléculas de uma resina epóxi são polímeros
(contêm vários monômeros) e portanto têm massa molecular bem maior.

Figura 4.10. Molécula do etileno e do óxido de etileno (base das resinas epóxi). Um
anel epóxi é o triângulo de 2 carbonos e um oxigênio. A ligação de vários anéis, pela
retirada de 1 hidrogênio, forma um polímero

Figura 4.11. Polímero linear com 4 anéis de epóxi. Polímeros maiores podem se expandir
tridimensionalmente e por outros átomos

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Capítulo 4. O Corpo Humano
106

4.11.2. A NATUREZA DO PROBLEMA


A força aérea americana utiliza tintas anticorrosivas à base de epóxi com cromato
de estrôncio, aplicado na forma pulverizada. Apesar de bom inibidor da corrosão, o
cromato de estrôncio é um suspeito carcinogênico. O Departamento de Higiene da força
aérea mediu elevados níveis de cromato nas diversas instalações onde são feitas as
aplicações do produto.
Um esforço foi feito para substituir a resina com cromato por outra resina sem
cromato, tal qual o Aeroglaze 9741. A resina sem cromato, que tem características de
aderência, é conhecida como “tie-coat” e foi analisada pela seção de higiene industrial da
força aérea em 3 instalações militares onde se tem controle de corrosão: Nellis, Sioux
City e Randolph. O estudo visava medir a concentração deste produto nos locais de
trabalho e o grau de exposição dos trabalhadores ao mesmo.
Os componentes da resina epóxi aderente (REA) apresentam potencial de gerar
condições não seguras de trabalho, gerando insalubridade por inalação, ingestão ou
contato. A inalação ocorre com vapores ou partículas (aerossóis), que ficam na atmosfera
nos locais de pulverização.
A resina epóxi representa uma condição de exposição não segura quando no
estado não endurecido, ou seja, enquanto não ocorre a completa reação entre os grupos
epóxi e amina. O óxido de epóxi (epóxido) é o grupo mais reativo da molécula de resina
epóxi, gerando a situação mais perigosa para a saúde. Após a reação com a amina
torna-se inativo. Grupos epóxi livres, parcialmente reagidos ou totalmente reagidos
podem existir nos aerossóis ou nas camadas da REA em fase de endurecimento nas
superfícies. Os aerossóis podem penetrar no corpo por inalação e causar problemas de
saúde aos trabalhadores.
Os principais dados toxicológicos dos componentes da resina epóxi aderente (REA)
são resumidos a seguir.

4.11.2.1. Componentes Epóxi (monômeros, oligômeros)


A literatura indica que os grupos epóxi da resina são tumorígenos, mutágenos,
irritantes primários e alteram o sistema respiratório. Dependendo do monômero ou
oligômero, diferentes órgãos e sistemas são afetados tais como rins, pulmões e sangue.
Os dados mutagênicos vêm de testes bacteriológicos, enquanto experimentos em
animais fornecem informações sobre os efeitos tumorígenos, os irritantes e sobre o
sistema respiratório. Dados epidemiológicos humanos indicam associação com doenças
do fígado.

4.11.2.2. Componentes Amina


Dentre os componentes amina (contêm grupo NH2 ou NH3) destacam-se um fenol,
um trietileno tetramina e um polietileno poliamina.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
107

4.11.2.2.1. Composto 2,4,6 tris-fenol


Representa um perigo à saúde no estado não reagido sendo sua principal rota de
entrada a inalação de partículas na forma de aerossol. A exposição acarreta irritação
severa dos olhos e pele sendo moderadamente tóxico por ingestão ou contato de pele. É
difícil se estimar a porcentagem não reagida durante o processo de endurecimento.

4.11.2.2.2. Composto Trietilenotetramina


Sua principal rota de entrada é a inalação de aerossóis, provocando a irritação de
mucosas, dos olhos e da pele. Ele é um agente sensibilizador da pele e um mutagênico,
sendo moderadamente tóxico por inalação e contato de pele.

4.11.2.2.3. Componente Polietileno Poliamina (polímero)


Não existem informações toxicológicas sobre ele, sendo os perigos à saúde
analisados através de deduções a partir das massas moleculares dos principais
constituintes: amina alifática, metilmetacrilato e bisfenol. A inexistência de informação
toxicológica decorre de sua especificidade e do seu recente desenvolvimento tecnológico.
Existem evidências indicando que pode ser tumorígeno ou mutagênico, sendo
irritante dos olhos e da pele.

4.11.2.3. Solventes (grupos epóxi e amina)


4.11.2.3.1. N-butanol (álcool N-butil)
A principal forma de exposição é pela inalação de aerossóis ou de vapores da
evaporação do aerossol. Está associado à irritação dos olhos e deficiências auditivas. Em
altas concentrações causa tonturas e dores de cabeça.

4.11.2.3.2. N-butil-acetato
A exposição ocorre via aerossóis e vapores, podendo causar dores de cabeça e
tonturas e afetar olhos, nariz e pele.

4.11.2.4. Outros Componentes da Resina Epóxi Aderente


4.11.2.4.1. Epicloridrina
É um irritante da pele, olhos e trato respiratório, um sensibilizador da pele e um
suspeito carcinogênico.

4.11.2.4.2. Bisfenol
É um irritante da pele e afeta o sistema reprodutivo.

4.11.2.4.3. Cromatos e Metais


Não são listados pelos fabricantes, mas podem existir em pequenas quantidades.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
108

4.11.3. LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL


A tabela 4.11 indica os limites disponíveis na literatura. Da sua análise conclui-se
que dos compostos de interesse neste estudo poucos têm limites explicitados na
literatura. Apresenta-se então um método para se derivar um limite estimado para uma
resina epóxi aderente (sem cromato), a partir do limite do óxido de etileno e das massas
moleculares deste óxido e do polímero que formam a resina. Este método foi também
usado para derivar outros limites para as aminas.
Este método deriva o limite para a resina epóxi com as seguintes etapas:
1. Explicitação do LEO do óxido de etileno em função do equivalente-grama do grupo
epóxi;
2. Transformação do LEO acima para a resina e seus grupos epóxi. Este processo é
uma estimativa feita pela aeronáutica para o caso específico em análise.

Tabela 4.11. Limites de tolerância para componentes da resina epóxi aderente (2-ACGIH)
Componente Limite de tolerância Observações
não existe TLV-TWA da ACGIH
não existe PEL – permissible exposure
limit da OSHA – Occupational Health
grupo epóxi não existe (*)
and Safety Administration
não existe OEL – occupational exposure
limit da força aérea
2,4,6,tris fenol não existe
Trietilenotetramina não existe
polietileno
não existe
poliamina
TLV-C = 152 mg/m3
n-butanol (vapor) PEL = 300 mg/m3 (8 “skin notation”(**)
horas)
TLV-TWA = 713 mg/m3
n-butil-acetato
TLV-STEL = 950 mg/m3
Epicloridrina TLV-TWA = 7,6 mg/m3 “skin notation”(**)
Bisfenol não existe
Cromo TLV-TWA = 0,5 mg/m3
Cromato de
TLV-TWA = 0,000 5 mg/m3
estrôncio
Ferro TLV-TWA = 1 mg/m3
(*) nem para esta resina específica nem para resinas epóxi em geral.
(**) para a ACGIH, indica que a rota de entrada pela pele e mucosas é significante.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
109

A massa molecular do óxido de etileno é: 4 + 2  12 + 16 = 44 gramas


Esta massa molecular contém um grupo epóxi, ou seja, 44 gramas de óxido de
etileno (OEt) contém 1 mol do grupo epóxi (1 epóxi-equivalente). O LTmap do óxido de
etileno é 1,8 mg/m3, e em termos de epóxi equivalente (EEq) podemos escrever:
mg 1 epoxi − equivalente
LEO(OEt ) = 1,8 
m3 44g
EEq(OEt)
LEO(OEt ) = 4,09  10 −5 
m3
Na resina epóxi aderente (REA) tem-se grupos epóxi (polímeros) com massa
molecular de 190 gramas, de modo que para ela podemos escrever:
EEq(REA) g
LEO(REA) = 4,09 10−5  3
= 4,09 10−5 190
m m³
EEq(REA) mg
LEO(REA) = 4,09 10−5  3
= 4,09 10−5 190000
m m³
LEO (REA) = 7,8 mg/m 3

Este limite pode ser usado então para comparação com as concentrações medidas
nos locais de trabalho.
A divisão da massa molecular 190 g pela massa 44 g nos dá uma indicação do
número de grupos epóxi no polímero da resina, no caso 4,3. O número fracionário é
comum em polímeros epóxi, significando na realidade 4 grupos epóxi e alguns outros
componentes como amina.

4.11.4. METODOLOGIA DE MEDIÇÃO


Da literatura se obtêm as seguintes informações sobre metodologias de
amostragem e análise.

4.11.4.1. Resinas Epóxi


Não existem métodos de amostragem e análise para grupos e compostos epóxi,
nem pela NIOSH – “National Institute for Occupational Safety and Health” nem pela
OSHA.
Existe descrito na literatura um método de 1987 para aerossóis, que foi adaptado
para tirar partido dos avanços da química analítica. A ideia central é a inibição da reação
entre compostos epóxi e amina na partícula em dispersão no ar. Os grupos epóxi livres,
não reagidos, ficam preservados e podem ser medidos por cromatografia de íons. No
borbulhador para coleta (“impinger”), o fluido usado foi o dimetilformamida, que sendo
tóxico impediu a amostragem junto à zona respiratória. Foram, portanto, coletadas
apenas amostras de área de trabalho.
Não existem métodos para amostragem e análise do bisfenol, mas para a
epicloridrina foi usada a metodologia NIOSH 1010.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
110

4.11.4.2. Aminas
Para os vapores dos 2,4,6 tris fenol não existem metodologias de amostragem e
análise da NIOSH ou da OSHA. A coleta do material foi feita em tubos de sílica gel, e sua
presença qualitativa foi feita para as amostras do ar. As concentrações das aminas nos
aerossóis foram feitas a partir das concentrações dos grupos epóxi não reagidos.

4.11.4.3. Solventes
Para o vapor de N-butanol foi usada a metodologia NIOSH 1401 e para o vapor de
N-butil-acetato foi usada a norma NIOSH 1450.
Todavia não existe metodologia aceitável para se medir a concentração dos
solventes na fase aerossol.

4.13.4.4. Metais
Amostrou-se na fase aerossol os seguintes metais: Cr, Al, Sb, As, Ba, Be, Cd, Co,
Cu, Pb, Mg, Mn, Mo, Ni, K, Se, Ag, Va e Zn, com a metodologia NIOSH 7 300.
O aerossol foi coletado com filtro de 37 mm de diâmetro, montado de forma paralela
ao corpo do trabalhador.

4.11.5. RESULTADOS
Para o grupo epóxi mediu-se uma concentração de 0,288 miliequivalentes de
grupos epóxi livres por metro cúbico de uma dada área de operação.
Portanto pode-se escrever para a concentração média da resina epóxi aderente:
EEq
C(REA) = 0,288  10 −3
m3
Portanto:
mg
C(REA) = 0,288 10 −3  190  10 −3
m3
C(REA) = 54,7 mg/m 3

Deste modo para esta área a concentração excedeu o limite de tolerância que fora
estimado em 7,8 mg/m3.
A tabela 4.12. resume alguns dos resultados.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
111

Tabela 4.12. Resumo dos resultados das medições. Valores em mg/m3


Exposição a voláteis → todos abaixo dos LTmap
Produtos Nellis Sioux City Randolph LTmap observações
N-butanol 0,35 0,57 0,37 300
N-butil-
3,5 6,6 5,26 713
acetato
metais → todos abaixo menos ferro
Ferro --- ---- 1,77 1,0 (*)
COMPOSTO EPÓXI → NUM LOCAL EXCEDEU-SE O LTmap
resina epóxi ---- 0,82 54,7 7,8 (**)
AMINAS → POR ESTIMATIVA TEM-SE ALTAS CONCENTRAÇÕES,
MAS NÃO EXISTEM LTmap
(*) devido à pigmentação vermelha do produto comercial
(**) a grande diferença entre os 2 locais pode decorrer do fato das amostras de Sioux City terem
demorado mais para serem analisadas, pois não havia laboratórios próximos. Assim podem ter ocorrido
reações na solução antes da análise. Também o fato de em Randolph ser visualmente perceptível haver
muito mais aerossóis na atmosfera, devido a características da operação, poderia levar a uma maior
concentração de epóxi no ar.

4.11.6. AÇÕES CORRETIVAS


Devido aos componentes voláteis da resina epóxi, as operações de pintura devem
ser efetuadas num local aprovado para o borrifamento. Este local deve ser mantido sob
pressão negativa, para manter os aerossóis (partículas) dentro da área especificada, e
com ventilação que evite explosões.
Para a seleção dos protetores respiratórios deve-se analisar cada componente
químico:
• Os solventes (acetato de n-butil e butanol) são vapores orgânicos e eficazmente
removidos do ar por carvão ativado;
• Para as concentrações medidas, um cartucho para vapores orgânicos
forneceria proteção adequada;
• A equipe técnica de pesquisadores da 3M informou que o cartucho para
vapores orgânicos também removeria os radicais amina presentes, devido aos
tipos de estruturas químicas;
• Os operadores deverão usar no mínimo, respiradores de meia face com
purificadores de ar com cartucho para voláteis orgânicos.
Como os aerossóis podem causar irritação nos olhos, devem ser utilizados óculos
fechados e vedados. Como pode ocorrer absorção pela epiderme é importante o uso de
luvas apropriadas. Fabricantes de luvas indicaram como adequadas as de borracha (butil,
nitritol ou neoprene), para evitar contato com o acetato de n-butil e butanol.
Do ponto de vista ocupacional, o “tie coat” (resina sem cromato) é um adequado
substituto para as bases de tinta que usam compostos epóxi com cromatos. Esta
substituição reduziria bastante a exposição dos trabalhadores da indústria a cromatos.

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Capítulo 4. O Corpo Humano
112

4.12. TESTES (4)


27. Qual a alternativa correta com relação ao período de latência?
a) O período de latência é de no máximo 10 anos.
b) Não é um parâmetro importante para o trabalhador, pois ele pode não sentir
efeito durante a fase de exposição.
c) Está diretamente relacionado ao tempo de exposição a uma dada substância
d) O período de latência máximo é de 20 anos.
e) É o tempo decorrido entre a primeira exposição e a manifestação da doença.
Feedback: 4.3.4.

28. Qual desses fatores não influi na forma como uma substância tóxica afeta o
indivíduo?
a) Susceptibilidade individual.
b) Concentração.
c) Toxicidade.
d) Massa específica (densidade).
e) Tempo de exposição.
Feedback: 4.6.2.

29. Gás altamente inflamável, apresenta alta afinidade com a água e limite inferior e
superior de explosividade de 2,7% e 28,6%, respectivamente. Estas características
apresentadas referem-se ao:
a) Óxido de zinco.
b) Óxido de etileno.
c) Vapor de n-butil-acetato.
d) Vapor de n-butanol.
e) Bisfenol.
Feedback: 4.11.1.

30. Produtos que contém cromato de estrôncio são inibidores de corrosão. Assinale
se a afirmativa é falsa ou verdadeira.
Resposta: Verdadeira.
Feedback: 4.11.2.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
113

CAPÍTULO 5. CONCEITOS BÁSICOS DE ESTATÍSTICA EM HIGIENE

OBJETIVOS DO ESTUDO
Neste capítulo são abordados a coleta e o tratamento de dados associados a
condições perigosas nos ambientes de trabalho. São dados exemplos e apresentadas
diversas teorias de amostragem e medição. O tratamento de dados decorrentes de
grandezas medidas envolve o uso de ferramentas estatísticas. Como os dados podem
ser interpretados de várias formas, a apresentação dos valores medidos deve seguir
rígidas definições de modo que outras pessoas possam tentar extrair o mesmo
significado dos mesmos resultados. Se não apresentados adequadamente, pode-se
chegar a conclusões errôneas e a resultados paradoxais.

Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a:


• Distinguir entre os 2 tipos de medidas estatísticas;
• Definir os termos: média, moda, mediana, domínio, variância, desvio padrão;
• Estabelecer os objetivos de agrupar dados obtidos por amostragem aleatória;
• Estabelecer os objetivos do uso de distribuições de frequência acumulada e de
porcentagem acumulada, sendo capaz de calcular como cada distribuição é
derivada da distribuição de frequência;
• Distinguir formas de curvas em termos de assimetria e valores extremos;
• Construir histogramas para apropriada representação de dados experimentais;
• Entender a importância das distribuições log-normais na natureza e obter
curvas de frequências log-normais a partir de dados de medições;
• Descrever os problemas associados às medições em qualquer experimento;
• Explicar como são obtidos os limites de tolerância para contaminantes e
descrever as diferentes classificações destes limites; e
• Explicar como estratégias de medição e métodos de medida são obtidos.
Nota: O conteúdo deste capítulo foi extraído do livro a ser publicado pelo professor
Sérgio Médici de Eston.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
114

5.1. A CIÊNCIA DO TRATAMENTO DE DADOS


A análise estatística de dados pode ser efetuada observando-se duas
características:
• Onde se concentra a maioria dos valores (tendência central);
• Como os valores se espalham e se distribuem (dispersão).

5.1.1. MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL


Existem vários parâmetros estatísticos utilizados para se caracterizar a tendência
central. Alguns destes parâmetros, como a média, a mediana e a moda, são “pontos
centrais” ao redor dos quais os dados podem ser considerados como se distribuindo.

5.1.1.1. Média
Existem vários tipos de média, como a aritmética, a geométrica, a harmônica e a
ponderada, cada uma útil em uma situação específica. Quando não adjetivada estamos
sempre nos referindo à média aritmética.
A média aritmética é obtida pela adição dos valores individuais e dividindo-se a
soma pelo número de valores adicionados. Ela indica onde os valores do grupo
considerado estão “centrados”, e este valor central também se denomina de valor médio.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
115

Nota 5.1.
Os filtros usados para se coletar material particulado são pesados numa balança e
as massas de poeira são obtidas depois de se subtrair a massa do filtro inicialmente
limpo. Numa amostragem se obteve os seguintes 9 valores numa usina de
beneficiamento de minério: 11,33, 11,27, 11,38, 11,30, 11,29, 11,30, 11,34, 11,31 e
11,32 mg. Determinar a média dos valores.

Resposta:

11,33 + 11,27 + 11,38 + 11,30 + 11,29 + 11,30 + 11,34 + 11,31 + 11,3


= 11,3156mg
9

Dependendo da calculadora usada você pode ter obtido até mais

algarismos do que os 5 apresentados, tendo-se uma sequência de “5” e um “6

“no final. O número de algarismos “5” depende da sua calculadora, mas na

engenharia e na estatística, o número de algarismos significativos da resposta

não pode ser maior que o número de algarismos significativos dos dados de

entrada. Portanto, a resposta correta em termos de significado de engenharia é:

11,32 mg.

Portanto, média aritmética = 11,32 mg.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
116

5.1.1.2. Mediana
Se os valores de um grupo de dados forem ordenados em ordem crescente, a
mediana será o valor do meio, ou seja, aquele valor para o qual metade dos dados está
acima e metade abaixo.

Nota 5.2.
Determinar a mediana dos dados da nota 5.1.

Resposta:

Ordenando os dados em ordem ascendente temos:

11,27, 11, 29, 11,30, 11,30, 11,31, 11,32, 11,33, 11,34, 11,38

O quinto valor, 11,31 mg, é a mediana pois tem-se quatro valores antes e

quatro valores depois dele.

Portanto, mediana = 11,31 mg.

Se o número de valores for ímpar, a mediana sempre coincidirá com um deles. Se o


número de valores for par, a mediana cairá entre dois dos valores, sendo definida pela
média dos dois valores centrais. Portanto, com estas definições cada grupo de dados terá
apenas uma única média e uma única mediana.

5.1.1.3. Moda
A moda de um grupo de dados é o valor que se apresenta com a maior frequência.
Alguns grupos de dados podem ter apenas uma moda enquanto outros podem ter duas
ou mais modas. Quando se tem apenas uma moda diz-se que o conjunto de dados é
unimodal e quando se tem mais de uma moda se diz que o conjunto é multimodal.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
117

Nota 5.3.
Determinar a moda da nota 5.1.

Resposta:

Neste grupo o valor 11,30 aparece duas vezes e todos os outros apenas

uma vez.

Portanto, a moda é igual a 11,30 mg.

Nota 5.4.
Determinar a moda do seguinte conjunto de dados: {5, 2, 4, 12, 10, 12, 5, 8}.

Resposta:

Neste conjunto aparecem duas vezes o valor 5 e o valor 12, enquanto

todos os outros surgem apenas uma vez. Portanto temos um conjunto bimodal

com as modas 5 e 12.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
118

5.1.1.4. Outras médias


A média aritmética é adequada para quando se supõe que os dados tenham uma
variação linear. Quando os dados têm uma variação exponencial ou logarítmica, a média
geométrica é mais adequada para representar o conjunto.
Quando os dados têm a ver com taxas de variação temporal, como por exemplo
velocidades, a média harmônica pode ser a mais adequada.
Finalmente a média ponderada, efetuada quando os dados têm pesos no cálculo da
média, pode ser útil, por exemplo, na pesquisa de depósitos minerais.

Nota 5.5.
Determinar a “média” do conjunto: {2,0, 4,0, 8,0.}

Resposta:

Se considerarmos a média aritmética, teremos: 4,7. Todavia a média

geométrica será:

3
2  4  8 = 4,0

Portanto, MA = 4,7 MG = 4,0

Um exemplo de média geométrica surge quando se estuda ruído, pois o espectro


tem o ponto central de cada intervalo de frequência dado pela média geométrica dos
extremos, ou seja, a raiz quadrada do produto do limite maior pelo limite menor. Isto
porque a unidade decibel é definida por um logaritmo, ou seja, tem embutida uma
variação exponencial.
Outro exemplo surge em normas de poluição do ar que usam, na definição dos
limites ambientais legais, a média geométrica anual da concentração de material
particulado. A razão é que muitos modelos de dispersão de poluentes se baseiam numa
distribuição gaussiana (exponencial).

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
119

5.1.2. DISPERSÃO
A média dos números 3, 4 e 5 é 4, que é a mesma média dos números 1, 4 e 7.
Todavia, os conjuntos são claramente diferentes e esta diferença está relacionada à
dispersão dos dados. Para se caracterizar esta dispersão existem alguns parâmetros
como o intervalo de variação, a variância e o desvio padrão.

5.1.2.1. Amplitude (domínio de variação)


A amplitude de uma distribuição (“range”) é simplesmente a diferença entre o maior
e o menor valor observado.

Nota 5.6.
Calcular o domínio de variação da nota 5.1.

Resposta:

O maior valor é 11,38 mg e o menor valor é 11,27 mg. Portanto a amplitude

é:

11,38 – 11,27 = 0,11 mg

Portanto a amplitude será 0,11 mg.

5.1.2.2. Variância
Ela indica a “quantidade de dispersão” dos valores individuais de um conjunto com
relação à média do conjunto. Um dos modos de se calcular a variância é:
• Quadrar a diferença entre a média e cada valor individual;
• Adicionar as diferenças quadráticas;
• Dividir esta soma pelo número de valores somados.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
120

Nota 5.7.
Calcular a variância para os valores da nota 5.1.

Resposta:

O primeiro passo é quadrar as diferenças e neste caso precisamos usar uma

maior precisão para a média, caso contrário a variância poderá apresentar grandes

erros. Portanto, no cálculo da variância usamos 8 dígitos depois da vírgula para a

média (ou às vezes até mais). A tabela 5.1 apresenta os cálculos básicos.

valor do quadrado da
diferença (= valor – média) quadrado da diferença
diferença
11,33 – 11,31 555 556 = (0,01 444 444) 2 0,21 x 10 -3
11,27 – 11,31 555 556 = (- 0,04 555 566) 2 2,08 x 10 –3
11,38 – 11,31 555 556 = (0,06.444.444) 2 4,15 x 10 –3
11,30 – 11,31 555 556 = (- 0,01 555 556) 2 0,24 x 10 –3
11,29 – 11,31 555 556 = (- 0,02 555 556) 2 0,65 x 10 –3
11,30 – 11,31 555 556 = (- 0,01 555 556) 2 0,24 x 10 –3
11,34 – 11,31 555 556 = (0,02 444 444) 2 0,60 x 10 –3
11,31 – 11,31 555 556 = (- 0,00 555 556) 2 0,03 x 10 –3
11,32 – 11,31 555 556 = (0,00 444 444) 2 0,02 x 10 -3

Segundo passo: adição dos quadrados das diferenças


Soma dos quadrados = 8,22 x 10 –3

Terceiro passo: divisão pelo número de valores -1 (amostra):


[8,22 x 10 –3 ] / 8 = 0,00103 mg2

Portanto a variância do conjunto é 0,00103 mg2.

Logo, V = 0,00103 mg2

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
121

5.1.2.3. Desvio padrão


O desvio padrão é um “resumo” de quão dispersos os dados estão em torno da
média. Um dos modos de se computar o desvio padrão é:
• Quadrar a diferença entre a média e cada valor individual;
• Adicionar as diferenças quadráticas;
• Dividir esta soma pelo número de valores somados;
• Extrair a raiz quadrada do resultado anterior.
Pela sequência acima se percebe que o desvio padrão é a raiz quadrada da
variância, dando, portanto, as mesmas informações da dispersão dos dados ao redor da
média. Todavia, sua magnitude se aproxima mais dos desvios individuais e tem a mesma
unidade dos valores individuais. Por causa destas características é mais usado que a
variância.

Nota 5.8.
Calcular o desvio padrão dos dados do exemplo 5.1.

Resposta:

Da nota 5.7. a variância é 0,00103 mg². Portanto, o desvio padrão será a

raiz deste valor.

d p = 0,00103

Portanto: dp = 0,03 mg

Este valor de dp = 0,03 mg é bem representativo dos desvios individuais, já que a


magnitude dos desvios individuais vai de 0,004 a 0,06 mg (vide 2ª coluna da nota 5.7.).

5.1.2.4. Quartis e percentis


Um grupo de dados pode ser dividido em partes iguais. A divisão mais simples é
em duas partes, a parte superior e a parte inferior. O ponto na escala que divide o
conjunto deste modo é a mediana. Quando a mediana cai num intervalo, seu valor é
interpolado para se determinar o ponto exato onde ela recai. A mediana pode ser também
obtida da curva de distribuição cumulativa, pois corresponde ao ponto na curva para o
qual se tem 50% dos valores/dados.
Se um conjunto é dividido em três partes, a denominação usada é de tercis. Em
quatro partes fala-se em quartis e em 100 partes fala-se em percentis.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
122

5.1.2.5. Agrupamento de dados


Muitas vezes pode ser desejável apresentar um conjunto de dados em termos de
eventos ocorrendo em vários intervalos adjacentes. Estes números especificam a
distribuição dos dados, sendo o mais completo resumo de valores quantitativos obtidos
para um parâmetro. A distribuição pode mostrar quais partes do grupo estão associadas
a que valores, ou ainda, que proporção está associada a um dado subdomínio da gama
de valores que a medida quantitativa pode ter. Além disso, as contagens, proporções ou
porcentagens podem ser acumuladas adicionando-se sucessivamente, para cada
quantidade, todas as quantidades que a precedem.
Para obter a curva de distribuição para os 100 valores de emissão diária de óxidos
de enxofre, obtidos por medições em uma chaminé de indústria, utiliza-se a tabela 5.1., a
qual apresenta estes valores em ordem crescente e na unidade de kg/dia.

Tabela 5.1. Valores de emissão diária (kg/dia) de SO2 obtidas em chaminé industrial
66 81 88 93 97 100 102 106 112 119
71 83 89 93 98 100 102 107 112 119
71 83 89 95 98 100 102 107 113 121
72 84 89 95 98 100 102 107 113 122
73 85 90 96 98 100 103 108 114 123
74 85 91 96 98 100 103 110 114 126
76 85 92 96 99 100 103 110 115 126
77 86 92 97 99 101 104 111 117 127
80 86 92 97 99 101 105 111 118 130
81 88 92 97 99 101 106 112 118 136

Os dados são agrupados em classes ou intervalos, de amplitude 10 kg, conforme a


tabela 5.2.

Tabela 5.2. Classificação dos dados e frequências das classes


N° da classe Limites Frequência Frequência relativa (%)
1 60  –  69 1 1 Devido ao
2 70  –  79 7 7 número de
3 80  –  89 16 16 amostras ser
4 90  –  99 26 26 exatamente 100,
5 100  –  109 25 25 a frequência
6 110  –  119 17 17 absoluta coincide
7 120  –  129 6 6 com a frequência
8 130  -  139 2 2 relativa

Os valores podem agora ser apresentados numa forma denominada de histograma,


no qual as barras indicam os números ou proporções em cada classe de intervalo. As
classes indicadas nas abscissas podem ser definidas tanto pelos seus extremos como
pelos seus pontos médios, enquanto as frequências são indicadas nas ordenadas. O
histograma das emissões de óxidos de enxofre é apresentado a seguir na figura 5.1.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
123

freqüência relativa (%)


30 26 25
25
20 16 17
15
10 7 6
5 1 2
0
65 75 85 95 105 115 125 135
pontos médios dos intervalos

Figura 5.1. Histograma de barras para as emissões diárias de dióxido de enxofre


(kg/dia). O intervalo [60,69] é representado pelo “ponto médio” 65 e assim por diante

Uma outra possibilidade de apresentação gráfica para uma distribuição é utilizando-


se pontos. Cada ponto se referirá ao meio de um intervalo e ao valor (ou proporção) que
correspondente a este intervalo.
Finalmente, os pontos são unidos ou como poligonal ou por uma curva suave, como
na figura 5.2. As emissões da chaminé representadas por uma distribuição por pontos
unidos por uma curva suave são apresentadas a seguir. Da análise da curva suave,
percebe-se que é possível ajustar ao conjunto de dados uma curva normal ou gaussiana.
Pode-se calcular também a média e o desvio padrão deste conjunto de dados e inseri-los
na figura.
freqüência relativa (%)

30
25
20
15
10
5
0
60 70 80 90 100 110 120 130 140
emissões de SOx (kg/dia)

Figura 5.2. União de pontos por curva suave

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
124

5.1.2.6. Gráficos de barras e distribuições de frequência


A apresentação gráfica de conjuntos de dados pode ser utilizada para resumir e
clarificar os resultados de pesquisas. Os seguintes procedimentos são em geral adotados
quando se constroem gráficos de barras ou distribuições de frequências:
• Mais por tradição e para eliminar confusão, os valores ou intervalos são
apresentados nas abscissas (eixo horizontal), enquanto as porcentagens ou
frequências são apresentadas nas ordenadas (eixo vertical);
• Todo gráfico deve conter título, grandezas dos eixos e respectivas unidades,
além de valores numéricos;
• O comprimento do eixo vertical deve ser da ordem de 75 a 80% do
comprimento do eixo horizontal. Isto padroniza o desenho de gráficos e diminui
a possibilidade de confusões.

5.1.2.7. Formas de curvas


Como se pode associar curvas à relação entre frequência e tamanho de intervalos,
pode-se associar nomes às diversas formas de curvas para se dar uma descrição geral
da distribuição.
Algumas distribuições são simétricas, com um eixo de simetria central vertical que
divide a curva em duas metades iguais. Estas curvas simétricas contêm o mesmo
número de valores na direção dos dois extremos, ou seja, a mesma proporção de valores
altos e baixos.
Outras curvas são assimétricas, apresentando mais valores numa direção do que
na outra. Existem muitos tipos de distribuições assimétricas e quando a assimetria
decorre de uma maior concentração de valores se estendendo numa dada direção, a
curva pode ter uma espécie de “cauda”. A posição e orientação desta cauda, onde
poucos valores extremos se concentram, determinam o tipo de assimetria da curva. A
figura 5.3. apresenta alguns tipos de assimetrias.
Mesmo curvas simétricas podem ter ampla variação, dependendo, por exemplo, de
quanto são “pontiagudas” ou “achatadas”. Na estatística o termo relativo a esta variação
de forma se denomina curtose. As curvas bem altas ou pontiagudas são ditas com
leptocurtose, enquanto as mais achatadas têm platicurtose. As intermediárias são ditas
com mesocurtose. A forma geral de uma curva pode ser muito importante e indicar uma
série de conclusões.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
125

Figura 5.3. Formas de simetrias e assimetrias para curvas de distribuição. a) unimodal


simétrica (curva normal ou de Gauss); b) bimodal simétrica; c) unimodal assimétrica, com
cauda à direita (assimetria positiva); d) unimodal assimétrica, com cauda à esquerda
(assimetria negativa)

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
126

Nota 5.9. Há alguns anos um famoso pesquisador, Jay Gould, recebeu de seu médico
uma informação seca que dizia: “Você está com uma forma mortal de câncer, sua
expectativa de vida é de 3 meses!”. Gould ficou paralisado por cerca de 3 dias, triste
com um final de vida em torno de 40 anos e no auge da produção científica.
Resposta:

Após a paralisação inicial, procurou analisar as informações dadas. Em

primeiro lugar, ficou curioso de como o médico podia prever com tanta exatidão

o seu tempo de vida. Descobriu que o que a ciência dispunha era, na verdade,

de uma curva de frequência de tempos de vida restante e que esta curva era

unimodal e bastante assimétrica positivamente. A figura 5.4. ilustra esta curva,

cuja moda era 3 meses.

Ao analisar sua curva de expectativa de vida, percebeu que suas emoções

poderiam ser completamente modificadas se soubesse de que lado da moda ele

estaria. Como bom pesquisador, levantou as características daqueles que estavam

no lado direito da moda, o lado extenso da cauda. Se estivesse suficientemente do

lado direito, poderia ter ainda 20 ou 30 anos de vida, ou até mais. Para quem

estava com quarenta anos e tinha três meses de vida, viver até os setenta era uma

grande notícia.

Cada uma das seguintes características tendia a levar o doente para o lado da

assimetria positiva:

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
127

• Ser relativamente jovem (menos de 60 anos);

• Ter detectado a doença nos estágios iniciais;

• Não ser fumante;

• Não ter casos da doença na família;

• Ter um passado de saúde;

• Praticar esportes regularmente;

• Ter uma alimentação sadia;

• Ter uma atividade intelectual forte e criativa;

• Ter muita vontade de viver;

• Seguir os procedimentos médicos recomendados sem falhas;

• Ter um organismo bem receptivo aos remédios ministrados;

• Etc.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
128

Figura 5.4. Curva assimétrica de expectativa de vida

Jay Gould percebeu que tinha todas as características favoráveis e que, portanto,
suas chances de estar na ponta da calda, bem à direita, eram boas. Quando ele escreveu
o artigo contando o caso acima, já tinha tido uma sobrevida de 15 anos (!), e dizia que
sua existência dependia do fato de não seguir uma curva de Gauss, mas sim uma
assimétrica. Em 1999, sua sobrevida chegava quase a vinte anos!!!

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
129

5.2. TESTES (1)


1. Quando um número ímpar de valores estão dispostos numa dada ordem, a
mediana é:

a) O valor com a maior frequência.


b) O valor central.
c) A média dos dois valores centrais.
d) A média dos valores maior e menor.
e) Não pode ser determinada sem informações adicionais.
Feedback: item 5.1.1.2

2. Quando um número par de valores está arranjado numa ordem, a mediana é:

a) O valor de maior frequência.


b) O valor central.
c) A média dos dois valores centrais.
d) A média dos valores máximo e mínimo.
e) Impossível determinar.
Feedback: item 5.1.1.2

3. O valor associado ao quinquagésimo percentil é:

a) A média.
b) A mediana.
c) A moda.
d) O domínio de variação de um quartil.
e) A média geométrica.
Feedback: item 5.1.2.4.

4. O valor medido que ocorre com mais frequência é:

a) A média.
b) A mediana.
c) A moda.
d) A média harmônica.
e) Uma média ponderada das frequências.

Feedback: item 5.1.1.3.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
130

5. O parâmetro seguinte é em geral a medida mais útil da dispersão:

a) Domínio de variação.
b) Desvio padrão.
c) Variância.
d) Curtose.
e) Os três primeiros são igualmente úteis e usados.
Feedback: item 5.1.2.3.

6. A medida de dispersão que reflete apenas os dois valores mais extremos da


distribuição é:

a) O desvio padrão.
b) O domínio de variação.
c) A variância.
d) A curtose.
e) Nenhum dos acima.
Feedback: item 5.1.2.1

7. A medida de dispersão, definida como a soma dos desvios com relação à média
dividida pelo número N de valores é:

a) O domínio.
b) O desvio médio.
c) O desvio padrão.
d) O quadrado da variância.
e) Nenhum dos anteriores.
Feedback: item 5.1.2.

8. O domínio dos valores seguintes {8, 26, 10, 36, 4, 15} é:

a) 40.
b) 36.
c) 32.
d) 28.
e) 15.
Feedback: item 5.1.2

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
131

9. O desvio padrão do conjunto {2,00; 6,00; 10,00} é:

a) 4,00.
b) 1,63.
c) 16,00.
d) 3,27.
e) 2,73.
Feedback: item 5.1.2.3

10. A variância dos valores da amostra {2,00; 5,00; 8,00; 11,00} é:

a) 11,25.
b) 15,00.
c) 214,00.
d) 26,00.
e) 12,25.
Feedback: item 5.1.2.2

11. A medida de dispersão que não tem a mesma unidade que os valores medidos
é:

a) O desvio padrão.
b) A variância.
c) O domínio.
d) Nenhum destes.
e) Os 2 primeiros.
Feedback: item 5.1.2.2.

12. Se a média e a mediana são iguais então se sabe que:

a) A distribuição é simétrica.
b) A distribuição é assimétrica.
c) A distribuição é normal.
d) A moda está no centro da distribuição.
e) A curva é anormal.
Feedback: item 5.1.2.7

13. Se a média e a mediana são diferentes, então se sabe que:

a) A distribuição é simétrica.
b) A distribuição é assimétrica.
c) A distribuição é normal.
d) Existem pelo menos duas modas.
e) Tem-se uma curtose acentuada.
Feedback: item 5.1.2.7

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
132

14. Qual a alternativa que melhor representa o significado da mediana?

a) Indica onde os valores do grupo considerado estão centrados.


b) Representa a dispersão entre os dados.
c) É o valor que se apresenta com maior frequência.
d) Valor para o qual metade dos dados está acima e metade abaixo.
e) Existem vários tipos de mediana, como a harmônica, por exemplo.
Feedback: item 5.1.1.2.

15. Qual desses itens indica um resumo do quanto estão dispersos os dados em
relação à média?

a) Agrupamento de dados.
b) Amplitude.
c) Quartis e percentis.
d) Variância.
e) Desvio padrão.
Feedback: item 5.1.2.3

16. Qual das curvas apresentam o valor da mediana maior que o da média?

a) Bimodal simétrica.
b) Unimodal assimétrica negativa.
c) Unimodal simétrica.
d) Unimodal assimétrica positiva.
e) Unimodal simétrica mesocúrtica.
Feedback: item 5.1.2.7

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
133

5.3. A natureza do problema


5.3.1. VALORES MEDIDOS
A exatidão de um valor medido será sempre limitada pela precisão do instrumento
de medida. Esta limitação deve ser sempre levada em consideração quando se analisa e
se apresentam dados. O número de algarismos significativos presentes num valor
medido deve ser escolhido de modo que a incerteza exista apenas no último dígito (o
algarismo menos significativo).
Valores observados ou medidos sempre envolvem algum erro, que afeta duas
importantes características da qualidade dos dados: a exatidão e a precisão.
Existem milhares de instrumentos disponíveis para se medir os vários agentes
químicos e físicos que constituem os potenciais perigos no ambiente de trabalho. Quando
operando um dado instrumento, deve-se ter uma certa noção do número sendo medido.
Deve-se saber não só o que se está medindo, mas também como o instrumento funciona,
tendo-se claro se o valor medido representa uma média temporal num dado intervalo de
tempo ou representa um valor praticamente instantâneo.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
134

Quadro 5.1.

Pode-se coletar poeira num filtro, através do qual passou ar do ambiente de

trabalho durante todas as 8 horas do turno. Analisando-se o filtro se teria uma

medida da concentração média de poeira no período de 8 horas, mas não se teria

informação de um súbito aumento de concentração devido a uma dada operação.

Por outro lado, poder-se-ia recolher um dado volume de ar num frasco e coletar a

poeira deste volume numa superfície adesiva especial. Esta superfície poderia ser

analisada num microscópio e as partículas contadas. Por este método se obteria a

concentração de poeira na atmosfera num dado momento, mas não se teria

informação nenhuma sobre a concentração de poeira ao longo do turno de

trabalho. As duas metodologias têm vantagens e desvantagens e devem ser

interpretadas de modos diferentes.

5.3.2. ERROS
Qualquer dado medido apresenta algum erro. Algumas vezes a fonte predominante
de erro é um instrumento inadequadamente ajustado, ou o uso de uma fórmula errada ou
a aplicação de uma metodologia imprópria. Os erros decorrentes destas causas são
denominados de erros consistentes.
Não se consegue eliminar completamente a introdução de erros consistentes num
conjunto de dados medidos, mas a probabilidade de sua introdução pode ser diminuída
usando-se cuidadosas técnicas de medição. Algumas vezes, um erro consistente pode
ser detectado ao se medir um valor conhecido, considerado como um valor de checagem.
Dados obtidos cuidadosamente em geral apresentam erros consistentes mínimos,
mas existe um outro tipo de erro que sempre estará presente em qualquer medição. Este
erro, denominado de aleatório, sempre está presente em maior ou menor grau. Ele

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
135

deriva de causas como flutuações do instrumento e variações na percepção ou


interpretação do observador.
Apesar de não poderem ser completamente eliminados, os erros aleatórios podem
ter seu impacto reduzido a um nível tolerável por meio da aplicação de técnicas
experimentais cuidadosas. A aplicação de técnicas simples de redução de dados, como a
média de muitos valores, pode ser muito útil.

Quadro 5.2.

Mediu-se cuidadosamente a resistência de uma lâmpada cuja resistência nominal

é de 1 ohm. Foram obtidos os seis seguintes valores: 0,983, 1,008, 1,027, 0,991,

1,003, 0,986 ohms. Se calcularmos a média dos valores medidos, obteremos 1,000

ohm. Portanto, a média apresenta exatamente o valor nominal com até 3 casas

decimais, apesar das flutuações individuais de cada medida.

O quadro 5.2. ilustra os 3 mais importantes características dos erros aleatórios:


• Erros pequenos são mais prováveis de ocorrer que erros grandes;
• Erros muito grandes são bem pouco prováveis de ocorrer;
• Erros positivos e negativos são igualmente prováveis e, portanto, tendem a se
cancelar.
O sucesso da técnica de uso da média decorre da última das características
apontadas.

5.3.3. PARÂMETROS OPERACIONAIS


Existem muitos parâmetros que estão associados ao desempenho dos sistemas de
medição e seus componentes, sendo os principais os seguintes:
• Exatidão;
• Ajuste;
• Interferência;
• Calibração;
• Ruído;
• Precisão;
• Domínio;
• Confiabilidade;
• Estabilidade;

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
136

• Tempo de resposta;
• Sensibilidade;
• Alteração de origem da escala.

5.3.3.1. Exatidão (“accuracy”)


A exatidão é uma medida da conformidade entre o valor obtido pela medição e o
valor exato (considerado correto). O valor exato normalmente se baseia numa medida
padrão de referência ou num padrão primário aceito como tal. A exatidão pode ser
expressa como uma porcentagem, que reflete a amplitude do desvio com relação ao
valor verdadeiro, sendo decorrente da combinação de erros existentes no sistema. Em
outros termos, a exatidão é uma medida do quão perto as observações correspondem ao
estado atual das coisas.
A exatidão da calibração é um fator intrínseco limitante da exatidão global do
sistema de medida, ou seja, a exatidão do sistema total de medição não pode ser melhor
que a do método de calibração.

5.3.3.2. Ajuste (“calibration”)


É o procedimento pelo qual se estabelece uma correspondência entre o valor
extraído de um sistema de medição e a grandeza que entra no sistema (como a
concentração de um poluente). Testes de ajuste são uma necessidade periódica e sua
frequência depende do instrumento. Um instrumento que é relativamente instável, por
exemplo, por causa de variações de temperatura, pode requerer frequentes testes de
ajuste.

5.3.3.3. Calibração
A principal diferença entre ajustar e calibrar é que no ajuste se modifica o
instrumento fisicamente, para que forneça um resultado “correto”. Uma calibração analisa
o desempenho do instrumento e pode fornecer uma curva de calibração, com a qual ao
se ler um valor se pode comparar com o valor “correto”. Mas não se modifica
mecanicamente o instrumento. Calibrar significa comparar com um padrão de maior
confiança.

5.3.3.4. Interferência (“interference”)


É uma resposta, positiva ou negativa, do sistema de medição a alguma coisa que
não é a grandeza sendo medida. O mesmo termo pode ser usado para indicar uma falta
de discriminação ou falta de especificidade. Com as recentes técnicas computacionais
embutidas nos instrumentos, muitas vezes as interferências podem ser medidas e
correções podem ser aplicadas, gerando uma melhor exatidão nos dados de saída.
Em geral os fabricantes designam um instrumento para um tipo específico de
medição, como um analisador colorimétrico para gás SO2, apesar de outros gases
interferirem nas medidas. A hipótese de trabalho nestes casos é que as interferências
não estão presentes nas medidas usuais, ou então são relativamente desprezíveis face
às esperadas concentrações de SO2. Todavia o operador do instrumento tem a obrigação

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
137

de estar consciente das inerentes interferências do sistema e de investigar quão


significantes elas podem ser numa dada aplicação.

5.3.3.5. Ruído (“noise”)


Consiste em desvios falsos e espontâneos na saída do instrumento, que não
decorrem de variações da grandeza sendo medida. É uma forma de interferência e na
sua maior parte está associado com o desempenho dos componentes dentro do sistema
de medição.

5.3.3.6. Precisão (“precision”)


É a medida de quão perto estão entre si uma série de observações da mesma
coisa. Normalmente é expressa como a variação ao redor da média de uma série de
experimentos repetidos, sendo quantificada pelo desvio padrão. Algumas vezes a
precisão é chamada de repetibilidade (“repeatability”).
O “espalhamento”, associado às medidas repetidamente efetuadas com um
instrumento, inclui todas as variações introduzidas pelos componentes do sistema. O
impacto deste espalhamento é adequadamente indicado pelo número de algarismos
significativos contido no valor da medida. Assim, uma concentração de 1,264 ppm implica
num sistema de medição de alta precisão pois tem-se 4 algarismos significativos. Mas a
validade de se expressar este valor com 4 significativos depende do desempenho do
sistema e, se o desvio padrão for de 0,3 ppm, então só se justifica usar 2 algarismos
significativos.
Todas as medidas efetuadas com um instrumental estão limitadas pela precisão
embutida no próprio instrumento. De modo geral, quanto mais preciso um instrumento,
maior seu preço. A precisão tem que ser considerada quando se apresentam dados, de
modo que a incerteza esteja somente no último algarismo significativo.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
138

Nota 5.10.
Instrumentos podem ser precisos e inexatos, mas podem também ser exatos e
imprecisos. Ilustrar estes casos graficamente.

Resposta:

Consideremos um alvo de dardos como mostra a figura 5.5. O jogador da

esquerda é altamente preciso, mas é inexato, pois seus lances estão todos bem

próximos uns dos outros, mas em média bem longe do centro (lance correto ou

exato). O jogador do centro é impreciso e exato, pois seus lances se espalham

pelo alvo, mas na média estaria bem próximo ao centro. Ou seja, os desvios

positivos e negativos se cancelariam e a média coincidiria com o valor exato. Já o

jogador da direita é preciso e exato, pois seus dardos se agrupam e este

agrupamento é quase no centro do alvo.

Figura 5.5. Alvo de dardos e possibilidades de acerto.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
139

5.3.3.7. Domínio (“range”)


É a faixa de medição que o sistema é capaz de quantificar, que se estende de um
valor mínimo a um valor máximo. Muitas vezes o valor mínimo é indicado de modo irreal
como sendo zero, mas ele deve ser indicado como o menor valor detectado pelo
instrumento.

5.3.3.8. Confiabilidade (“reliability”)


Refere-se à operação do instrumento livre de problemas de mau funcionamento.

5.3.3.9. Estabilidade (“stability”)


Com relação a um instrumento, a estabilidade indica sua capacidade de manter um
dado nível de desempenho por um longo tempo. Um instrumento estável pode sofrer
alguma pane operacional e, portanto, ficar operacionalmente não confiável. Todavia pode
neste tempo manter a estabilidade de seu ajuste, de sua sensibilidade, etc.

5.3.3.10. Tempo de resposta (“response time”)


É o intervalo de tempo que se inicia no momento em que a “amostra” entra no
sistema de medição e termina no momento no qual se tem um valor de leitura que é um
percentual do valor final. Porcentagens de 90% ou 95% do valor final fornecem o que se
denomina de tempo de resposta a 90% ou a 95%, respectivamente.
O tempo de resposta pode ser muito importante nas interpretações de dados, como
nos casos de monitoramento contínuo e em situações em que a concentração de um
poluente se modifica rapidamente. As análises de variações de curto período requerem
tempos de resposta muito curtos. Altas concentrações, na forma de picos, podem
aparecer como leituras “baixas e amplas” ou mesmo nem aparecer devido a tempos de
resposta muito longos.

5.3.3.11. Sensibilidade (“sensitivity”)


Pode ser entendido como o menor valor detectável de um contaminante que pode
ser repetidamente detectado pelo instrumento. Tecnicamente é a suscetibilidade a ações
externas medidas pelo grau de resposta do instrumento.

5.3.3.12. Alteração de origem da escala (“zero drift”)


É a alteração do valor de leitura zero num intervalo de tempo, expresso como uma
porcentagem do valor fundo de escala. Causas desta deriva do valor zero podem ser, por
exemplo, a sensibilidade à temperatura ou a instabilidade na vazão de bombas. Em
sistemas de monitoramento contínuo deve-se ter uma correção automática desta deriva
ou então checagens periódicas para posterior correção de dados.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
140

5.3.4. ESPECIFICAÇÕES DE DESEMPENHO


Os critérios para um desempenho aceitável de uma instrumentação para
monitoramento de um poluente podem ser estabelecidos por parâmetros válidos para
diversas aplicações.
O usuário pode definir as especificações que atendam suas necessidades
pessoais. O fabricante pode fornecer especificações que ele considera ser o instrumento
capaz de atingir. Normas legais podem especificar as características que uma
instrumentação deve ter para que os dados obtidos sejam considerados válidos, como
por exemplo, para qualidade do ar e das emissões de chaminés.

5.4. CASOS REAIS E EXEMPLOS


5.4.1. DISTRIBUIÇÃO LOG NORMAL
A distribuição log normalmente ocorre na natureza de vários modos. No caso da
Higiene do Trabalho, um resultado importante e decorrente de vários estudos, é de que
as concentrações em amostras aleatórias se distribuem de modo independente e de
maneira log normal, tanto para períodos de 8 horas como para médias relativas a muitos
dias de exposição. Portanto os resultados das amostragens não se distribuem
simetricamente.
Este resultado pode ser interpretado fisicamente considerando-se a concentração
de um contaminante atmosférico no ambiente de trabalho. Os valores se estenderão por
um amplo intervalo, mas a maioria se localizará perto do valor zero, tendo-se, porém,
alguns valores bem altos. Deste modo, a distribuição não será simétrica, com uma maior
densidade de pontos para as baixas concentrações e uma longa e achatada calda em
direção às altas concentrações.
Este tipo de distribuição seria de difícil manuseio matemático, mas felizmente existe
uma transformação logarítmica dos dados originais que gera uma distribuição normal ou
de Gauss. Esta distribuição gaussiana fica completamente determinada por uma mediana
e um desvio padrão geométrico.
Uma curva positivamente assimétrica, como a da figura 5.3.c., frequentemente
pode ser considerada log normal. Isto significa que se os mesmos dados forem plotados
num gráfico monologarítmico, com os valores no eixo X plotados numa escala logarítmica
e não uma escala linear, a nova curva terá o aspecto da curva da figura 5.3.a. Esta nova
curva, em forma de sino e simétrica, é a curva normal ou gaussiana, e a nossa
distribuição original de dados é dita log normal.
Estudos envolvendo um grande número de amostragens de higiene ocupacional,
efetuadas pelo NIOSH - National Institute for Occupational Safety and Health, indicaram
que exposições de curto prazo em geral se distribuíam de modo log normal com desvios
padrões geométricos na faixa entre 1,5 e 2,0.
Não é objetivo deste texto discutir em profundidade a teoria e as propriedades das
distribuições log normais, mas um breve resumo é apresentado a seguir.
A melhor medida de tendência central da distribuição log normal é a média
geométrica. Como no caso em questão a distribuição é assimétrica positivamente, a
média geométrica é sempre menor que a média aritmética por um valor que depende do
desvio padrão geométrico. As fórmulas (5.1.a e 5.1.b) apresentam as expressões

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
141

analíticas para se calcular a média geométrica (MG). Por 5.1.a. ela é dada pelo
antilogaritmo da média dos logaritmos dos valores. Por 5.1.b. ela é dada pela enésima
raiz do produto dos n valores.

(ln C1 +ln C2 +...+ln Cn )

MG = e n
(5.1.a)

MG = n C1  C 2  C3 (5.1.b)
Onde:
Cj = medidas individuais
n = número de medidas
ln = logaritmo natural ou neperiano
e = representa a função exponencial (ex)

O desvio padrão geométrico (dpg) para a distribuição log normal pode ser calculado
pela expressão analítica dada na fórmula (5.2.):

 (ln Ci −ln MG ) 2
( n −1)
dpg = e (5.2.)

A importância de se calcular a média geométrica e o desvio padrão pode ser


ilustrada pelo exemplo seguinte. Se os valores de curta exposição num dado ambiente de
trabalho tiverem um desvio de 2,0, isto significa que 5% de todos os valores excederão a
média geométrica em 3,13 vezes. Se um processo tiver uma variabilidade maior que
esta, ele não está sob adequado controle e ações devem ser tomadas.

5.4.2. EXEMPLO OCUPACIONAL 1 – SILICOSE EM MINAS DE OURO


O ouro muitas vezes é lavrado em veios de quartzo e a poeira de quartzo contém
sílica (SiO2). Se a sílica estiver presente em quantidade suficiente e houver um longo
tempo de exposição, pode causar uma doença chamada silicose. A fim de se avaliar a
periculosidade de uma lavra de ouro foram obtidos dados para 33 mineiros, sendo os
dados divididos nas classes apresentadas na tabela 5.4. O histograma associado a esta
tabela é apresentado na figura 5.6.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
142

Tabela 5.4. Exposição de 33 mineiros à poeira de sílica. C representa a concentração


medida
N° da Limites Frequência Frequência
classe (mg/m3) (absoluta) relativa (%)
1 0,00  C  0,02 5 15,2
2 0,02  C  0,04 9 27,3
3 0,04  C  0,06 8 24,2
4 0,06  C  0,08 3 9,1
5 0,08  C  0,10 4 12,1
6 0,10  C  0,12 2 6,1
7 0,12  C  0,14 0 0
8 0,14  C  0,16 1 3,0
9 0,16  C  0,18 0 0
10 0,18  C  0,20 1 3,0

10
9
8
7
freqüência

6
5
4
3
2
1
0
0,01 0,03 0,05 0,07 0,09 0,11 0,13 0,15 0,17 0,19
3
ponto médio do intervalo (mg/m )

Figura 5.6. Histograma de exposição a poeira de sílica para 33 mineiros trabalhando


numa lavra de ouro

Como se tem poucas amostras, dois intervalos não possuem nenhum valor. Se
mais amostras tivessem sido obtidas, eventualmente haveria valores nestes intervalos.
Se muitas mais amostras tivessem sido colhidas e os pontos médios dos intervalos
fossem unidos por uma linha, obteríamos uma curva log normal típica, como ilustrado na
figura 5.7.
Usando os parâmetros estatísticos de uma distribuição log normal e um programa
como o Excel, desenhe a curva correspondente à exposição de sílica pelos mineiros.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
143

10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Figura 5.7. Exposição de mineiros à poeira de sílica, representada por curva log normal

Esta curva é assimétrica para o lado direito, com a inclinação sendo mais
acentuada na região dos valores menores. Isto indica que um grande número de medidas
se encontra do lado dos menores valores e que as medidas não se distribuíram
homogeneamente. Este tipo de curva é denominado de assimétrica para a direita
(“skewed to the right”).
Como os valores reais não foram dados, não é possível calcular a média aritmética
e a média geométrica a partir da  tabela 5.4. Estas seriam respectivamente 0,051 e
0,036 mg/m3. A média aritmética é influenciada demais por alguns poucos valores altos e
considera-se a média geométrica uma melhor medida de tendência central para este tipo
de distribuição. No próximo exemplo serão explicitadas todas as etapas numéricas dos
cálculos de média geométrica e desvio padrão geométrico.

5.4.3. EXEMPLO OCUPACIONAL 2 – SILICOSE EM PEDREIRAS


Foi efetuado um programa de amostragem de sílica e 5 amostras foram obtidas. As
concentrações médias temporais em mg/m3 foram: 0,02; 0,09; 0,13; 0,04 e 0,01. Deseja-
se calcular a média geométrica (MG) e o desvio padrão geométrico (dpg). A tabela 5.5.
apresenta os cálculos numéricos iniciais.

Tabela 5.5. Cálculos numéricos iniciais para obtenção da média geométrica e desvio
padrão
Concentração Cj
ln Cj [ln Cj - ln MG ]2
(mg/m3)
0,02 - 3,91 [(- 3,91) - (- 3,238) ]2 = 0,452
0,09 - 2,41 [(- 2,41) - (- 3,238) ]2 = 0,685
0,13 - 2,04 [(- 2,04) - (- 3,238) ]2 = 1,435
0,04 - 3,22 [(- 3,22) - (- 3,238) ]2 = 0,00032
0,01 - 4,61 [(- 4,61) - (- 3,238) ]2 = 1,882
------- total: - 16,19 total: 4,458
------- MG = exp [- 16,19 / 5] = 0,039

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
144

Usando a fórmula para desvio padrão geométrico (5.2.):

 (ln Ci −ln MG )
2
4 , 458
( n −1) mg
dpg = e = dpg = e 4
= 2,87
m3

Portanto:
MG = 0,039 mg/m3
dpg = 2,87 mg/m3

Se todos os valores medidos fossem iguais, a média geométrica seria igual a eles,
a diferença dos logaritmos seria zero e, portanto o desvio padrão geométrico seria igual a
1,00.
À medida que o espalhamento dos dados aumenta, o desvio padrão geométrico
também aumenta. Um valor de 2,87 é considerado alto. No presente caso, os resultados
estão espalhados e é difícil interpretar os valores. Mais medidas ajudariam a aumentar a
confiança nos dados.
Duas regras merecem destaque e podem agora ser resumidas como:
• Para uma distribuição log normal, a média geométrica é uma melhor medida de
tendência central que a média aritmética;
• Para uma distribuição log normal, o desvio padrão geométrico é uma melhor
medida da dispersão que o desvio padrão.
Os parâmetros, média geométrica e desvio padrão geométrico podem ser usados
como indicadores iniciais para a determinação da frequência de amostragem e do
número de amostras.
Um programa de amostragem desenvolvido pela ALCOA e adotado pela ONRSA –
“Ontário Natural Resources and Safety Association” - é resumido nas tabelas 5.6 e 5.7.
Estas tabelas podem servir de guia para determinar o número mínimo de amostras e,
depois de calcular o dpg, avaliar se mais amostras precisam ser colhidas.

Tabela 5.6. Frequência de amostragem periódica


Média geométrica (MG) Frequência de amostragem
 50% 6 meses a 2 anos
 50% menos de 6 meses

Tabela 5.7. Dimensionamento do número de amostras


Número de empregados dpg dos dados de Número mínimo de
no grupo exposto base amostras (n)
 2,00 3
 30
 2,00 5
 2,00 7
 30
 2,00 9

Alguns laboratórios podem apresentar certos valores como sendo zero, mas zero
não pode ser utilizado para se calcular a média geométrica. O valor nulo apresentado por
um laboratório significa que, se presente, a quantidade é inferior ao limite de detecção.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
145

Para valores inferiores ao limite de detecção, deve-se usar nos cálculos a metade do
limite de detecção e não o valor zero. Todo bom laboratório deve ser capaz de informar
seu limite de detecção.

5.4.4. EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA GEOMÉTRICA


A média aritmética é apropriada para grandezas ou números com variação linear.
Para números que variam exponencialmente é melhor usar a média geométrica. Assim, a
melhor medida da tendência central do conjunto {1, 2, 4, 8, 16, 32} não é 10,5, mas 5,7,
que é a média geométrica:
6
1  2  4  8  16  32 .
A média geométrica é também útil em distribuições logarítmicas, log normais ou
com um valor isolado muito alto. Neste último caso, a média geométrica suaviza a
influência deste único valor. Assim, para o conjunto {1, 2, 3, 4, 5, 100} a melhor medida
de tendência central não é 19,2, mas a média geométrica de 4,78.

5.4.5. EXEMPLO DE APLICAÇÃO DA MÉDIA HARMÔNICA


Seja um veículo que se desloca de São Paulo para o Rio de Janeiro, percorrendo
uma distância total de 400 km. Na primeira metade do percurso, ele mantém uma
velocidade de 80 km/h e, na segunda metade do percurso, desenvolve 120 km/h. Qual
sua velocidade média para o percurso entre São Paulo e Rio de Janeiro?

Se tomarmos a média aritmética das velocidades obteremos:


80 + 120
MA = = 100 km / h
2
Nesta velocidade média o tempo de viagem teria sido de 4 horas.
Na realidade percorreu-se os primeiros 200 km a 80 km/h, demorando, portanto, 2,5
horas.
Os segundos 200 km foram percorridos a 120 km/h, demorando-se 1,667 h.
Assim o tempo total da viagem foi de: 2,5 + 1,667 = 4,167 horas.
Portanto pela definição de velocidade média, que é a distância percorrida dividida
pelo tempo gasto, obtemos a velocidade média correta para a viagem:

400
Vmédia =  90 km / h
4,1667
Se usarmos a média harmônica teremos:

2 2 2  80 120
MH = = = = 96 km / h
1 1 120 + 80 200
( + ) ( )
80 120 120  80
A média harmônica é dada pelo inverso da média aritmética dos inversos e é útil
quando se tem valores que representam taxas de variação. Neste exemplo, as taxas de
variação são as velocidades, que representam taxas de variação da distância no tempo.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
146

5.5. LIMITES ADMISSÍVEIS


5.5.1. O QUE SIGNIFICAM OS VALORES NUMÉRICOS
Depois que a medição de uma substância ou de um agente perigoso foi efetuada
(com um dado grau de confiança), o valor medido é comparado com uma referência para
avaliação do grau de exposição.
O desenvolvimento e definição destes padrões de referência foi um trabalho
pioneiro da ACGIH - American Conference of Governamental Industrial Hygienists, e hoje
suas recomendações são aceitas em quase todo o mundo. Apesar da ACGIH não ter
autoridade para legislar, muitos órgãos legislativos têm aceitado como de alto nível as
pesquisas por ela desenvolvidas e, reconhecendo o valor de suas recomendações, as
têm transformado em leis. Uma listagem anual dos valores recomendados pela ACGIH
reflete as evidências experimentais mais recentes e tem servido de padrão de referência
para muitos países.
Portanto uma rotina de análise seria:
• Executar medições da exposição de um trabalhador a um dado agente perigoso
ou tóxico;
• Analisar as medidas feitas para se obter uma concentração média (ponderada
temporalmente);
• Comparar o valor médio com o limite de tolerância LTmap do país. Caso ele
não exista, deve-se utilizar o valor recomendado pela ACGIH;
• Se a média obtida estiver abaixo do valor limite de tolerância, então o local de
trabalho estará de acordo com a lei. A boa prática industrial recomenda que o
valor medido seja menor que metade do valor limite legal adotado, de modo a
se ter um bom fator de segurança. Deve-se lembrar que um limite de tolerância
da ACGIH é apenas a atual melhor estimativa de uma concentração segura, e
que nenhuma garantia é dada pela ACGIH de que os valores publicados sejam
seguros.
Os exemplos seguintes ilustram algumas das técnicas de cálculo numérico para
análise de exposição ocupacional.

5.5.2. EXEMPLO DE CÁLCULO DA EXPOSIÇÃO MÉDIA


Um técnico está analisando o nível de exposição de um operador de britagem
primária a material particulado. O seu instrumento de medição indica os seguintes
valores: deslocando-se para o britador - 0,5 mg/m3; operando o britador com minério - 6,0
mg/m3; com o britador girando, mas sem minério - 2,0 mg/m3 ; com o britador parado - 1,0
mg/m3; no refeitório - 0,5 mg/m3 . Deseja-se saber o nível de exposição do operador que
tenha o seguinte cronograma diário típico:
• Deslocando-se ao local de trabalho - 15 minutos;
• Britando minério - 130 minutos;
• Britador girando sem minério - 60 minutos;
• Britador parado - 45 minutos;
• Almoçando no refeitório - 30 minutos;
• Britador girando sem minério - 30 minutos;
• Britando minério - 115 minutos;

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
147

• Britador parado - 30 minutos;


• No refeitório - 10 minutos;
• Deslocando-se do local de trabalho - 15 minutos.
Em primeiro lugar devemos construir uma tabela resumindo os dados levantados, o
que é apresentado na tabela 5.8. Normalmente esta tabela já seria uma planilha de
campo preenchida pelo técnico.
A tabela 5.8. pode ser compactada agrupando-se os tempos de exposição a um
mesmo nível de concentração de poeira. Isto é apresentado na tabela 5.9. A última
coluna da tabela 5.9. apresenta o produto do tempo de exposição multiplicado pela
concentração da exposição.

Tabela 5.8. Resumo dos dados de campo.


Atividade desenvolvida Duração (min.) Exposição (mg/m3)
Deslocamento ao local de trabalho 15 0,5
Britando minério 130 6,0
Britador girando sem minério 60 2,0
Britador parado 45 1,0
Almoçando no refeitório 30 0,5
Britador girando sem minério 30 2,0
Britando minério 115 6,0
Britador parado 30 1,0
no refeitório 10 0,5
Deslocando-se do local de trabalho 15 0,5
TEMPO TOTAL 480

Tabela 5.9. Dados de campo agrupados por nível de exposição a poeira.


Tempo total nas Exposição Produto: Cj x tj
Atividades
atividades (min) (mg/m3 ) tempo vezes exposição
Deslocamentos,
70 0,5 70 x 0,5 = 35
refeitório
Britando minério 245 6,0 245 x 6,0 = 1470
Britador apenas
90 2,0 90 x 2,0 = 180
girando
Britador parado 75 1,0 75 x 1,0 = 75
TEMPO TOTAL = 480 --------  Cj X Tj = 1760

A exposição média ponderada (Emp) a que o operador esteve exposto é calculada


dividindo-se o total da última coluna pelo tempo total de exposição, no caso, 480 minutos.
Portanto, a exposição média ponderada será:
1760
Emp = = 3,67 mg / m3
480
Como todas as medidas apresentavam 2 algarismos significativos, a resposta
também deve conter apenas dois algarismos significativos, de modo a se ter o mesmo
grau de confiança. Assim:
Emp = 3,7 mg / m3
O valor da exposição obtido poderia ser admissível para alguns tipos de poeira e
inaceitável para outros tipos. Para esta decisão a poeira deveria ser analisada

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
148

qualitativamente e quantitativamente, para se saber sua composição. Sabendo-se sua


composição, poder-se-ia usar o limite de tolerância apropriado e avaliar se ele teria sido
excedido ou não.

5.5.3. EXEMPLO DE EFEITOS ADITIVOS


A menos que haja informação explícita do contrário, deve-se assumir que haja um
efeito aditivo quando se está exposto a múltiplos agentes ou contaminantes.
Consideremos um operador de fábrica onde estejam presentes material particulado
e um gás. Os correspondentes limites de tolerância são 2 mg/m3 e 300 ppm. Os
resultados do monitoramento indicaram que durante o turno o operador esteve exposto
em média a 1,2 mg/m3 de poeira e a 165 ppm de gás. Consideradas isoladamente, as
exposições à poeira e ao gás estão abaixo dos respectivos limites pois:
mg 1,2
Emp (poeira) = 1,2 3
= 60%LTmp (poeira) = 100 
m 2
165
Emp (gás) = 165 ppm = 55%LTmp (gás) = 100 
300
Todavia se os efeitos aditivos forem considerados, em conjunto o operador estará
exposto a 115% acima do limite de tolerância conjunto. Neste caso deverão ser adotadas
ações para que esta exposição seja reduzida até que se tenha um nível de exposição
inferior a 100%.

5.6. METODOLOGIAS DE MEDIÇÃO


Nesta fase é apropriado que se reflita sobre as seguintes palavras de Lord Wiliam
Thomson Kelvin:
“Quando se pode medir algo sobre o que se está falando, então se sabe alguma
coisa sobre ele. Quando não se consegue exprimi-lo em números, o nosso conhecimento
é de um tipo muito insatisfatório. Apesar de poder-se estar no início do conhecimento,
pouco se avançou nos seus pensamentos ao estágio de ciência”.
Muito antes, Pitágoras tinha expressado as mesmas ideias na sucinta frase: “Só se
enumera o que se conhece”.
Um dos princípios básicos do planejamento de medições é se manter o mais
possível a simplicidade e a objetividade, efetuando-se um mínimo de operações para a
obtenção dos resultados desejados. Um termômetro, por exemplo, é um instrumento para
medir apenas a temperatura. Já um monitor de temperatura é mais complexo e registra a
variação da temperatura com o tempo. Com a adição de mais objetivos, um sistema de
medição pode atingir qualquer grau de complexidade sendo em geral projetado para
combinar uma série de operações que fornecerão os resultados desejados.
A estatística é uma ciência orientada à coleta, organização, descrição e
interpretação de dados experimentais. Alguns termos básicos da estatística são:
• População (universo): é o conjunto de todos os elementos sobre os quais se
deseja informações;
• Censo: é a análise que envolve toda a população;
• Amostra: é um subconjunto da população;
• Variável: é uma característica que é de interesse;

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
149

• Amostragem: conjunto de procedimentos e técnicas visando a obtenção de uma


amostra com dadas características.
Quando a população é muito grande é necessário que se obtenha informações sobre ela
a partir de informações sobre uma amostra, como ilustrado na figura 5.8.

Inferência

População
Amostra

Probabilidades
Figura 5.8. Relação entre amostra e população

Obter medidas de interesse não é tão simples quanto possa parecer e pode
envolver diversas operações dentre as quais:
• Seleção do local de amostragem;
• Definição da estratégia de amostragem;
• Escolha do método de amostragem (como os elementos das amostras serão
coletados);
• Determinação da frequência de medição (frequência de coleta de elementos da
amostra);
• Definição de quantos elementos serão coletados (tamanho da amostra);
• Execução da amostragem;
• Transporte e cuidados com a amostra;
• Preparação das amostras;
• Análise das amostras;
• Interpretação dos dados;
• Apresentação cuidadosa dos resultados.

5.6.1. SELEÇÃO DO LOCAL DE AMOSTRAGEM


Uma amostra é apenas uma pequena parte do todo, devendo-se tomar todos os
cuidados para que a parte seja representativa do universo amostrado. No caso da
Higiene Industrial, o local de amostragem pode ser junto ou mesmo no trabalhador, ou
pode ser no local de trabalho circunvizinho ao trabalhador.

5.6.2. ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM


Nem sempre é necessário amostrar todos os trabalhadores. Para se determinar
quantos devem ser amostrados, os trabalhadores podem ser classificados por categorias
onde basicamente todos têm as mesmas condições de exposição. Na primeira etapa se
definem categorias amplas tais como tipo de ocupação e áreas de trabalho. Em cada

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
150

classe se examina, então, quanto à natureza do trabalho executado, quanto à posição


relativa do trabalhador com relação ao contaminante e quanto ao tempo que o
trabalhador gasta na área.
O número de trabalhadores a serem amostrados em cada categoria pode ser
determinado com o auxílio da tabela 5.10. Se o grupo tiver menos de 6 trabalhadores,
todos eles deverão ser amostrados.
Utilizando a mesma tabela você terá 90% de confiança de que pelo menos um dos
trabalhadores amostrados pertencerá aos 20% expostos aos níveis mais altos.

Tabela 5.10. Relação entre tamanho do grupo e número de trabalhadores a serem


amostrados
Tamanho do grupo 6 7–9 10 – 14 15 – 26 27 – 50  50
Número de trabalhadores a
5 6 7 8 9 11
serem amostrados
Fonte: adaptado da NIOSH, Occupational Exposure Sampling Strategy Manual, US Department of Health,
Education and Welfare.

A amostragem pode ser aleatória ou não aleatória. Numa amostragem aleatória


cada um dos membros da população tem a mesma chance de ser selecionado. Caso
contrário se terá uma amostragem não aleatória.

5.6.2.1. Amostragem não aleatória


O método mais popular de amostragem não aleatória é aquele que se baseia no
que é mais conveniente ao pesquisador. Ele simplesmente inclui os casos mais
convenientes na amostra e exclui os inconvenientes. Este tipo é denominado de
amostragem acidental (“accidental sampling”), e um exemplo é quando professores
usam seus próprios alunos para experimentos.
Um outro tipo de amostragem não aleatória é a amostragem por cotas. Neste
procedimento diversas características de uma população, como idade ou sexo, são
usadas para definir cotas de amostragem. Por exemplo, numa fábrica podem estar
empregados 68% de homens e 32% de mulheres. Usando este método, um pesquisador
desejando amostrar 100 trabalhadores, poderia, baseado em sexo, escolher 32 mulheres
e 68 homens. Ou seja, teria definido cotas de amostragem.
Um terceiro tipo de amostragem não aleatória é a chamada amostragem com
julgamento. A ideia é de que neste tipo a lógica, o bom senso ou o discernimento podem
ser utilizados para selecionar uma amostra que seja representativa de uma população
mais ampla.

5.6.2.2. Amostragem aleatória


Na amostragem aleatória cada um dos membros de uma população tem a mesma
probabilidade de ser selecionado. Esta característica exige que cada um dos membros da
população seja identificado antes que a amostragem seja efetuada. A obtenção desta
lista de membros nem sempre é uma tarefa fácil.
O exemplo mais básico de amostragem aleatória é a amostragem aleatória simples,
tal qual a retirada de nomes de um chapéu. O mesmo método pode ser obtido usando-se

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
151

tabelas de números aleatórios, de modo que se obtenha uma amostra imparcial. A figura
5.9. ilustra a amostragem aleatória simples.

Figura 5.9. Amostragem aleatória simples

A amostragem sistemática é similar à amostragem aleatória simples. Em vez de se


usar uma tabela de números aleatórios, cada j-ésimo membro da população é
selecionado para a amostra. A figura 5.10. ilustra a retirada periódica de elementos da
população para compor a amostra.

Figura 5.10. Amostragem sistemática

Uma outra variante da amostragem aleatória simples é a amostragem estratificada.


Neste tipo, a população é dividida em subgrupos ou estratos mais homogêneos, a partir
dos quais as amostras são retiradas. Cada estrato é tratado como uma população
completa e, para cada um, é aplicada a amostragem aleatória simples. A estratificação se
baseia na ideia de que num grupo homogêneo se necessita de uma amostra menor que
num grupo heterogêneo. A figura 5.11. ilustra a amostragem estratificada.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
152

Figura 5.11. Amostragem estratificada

Quadro 5.3.

Numa mina subterrânea seriam escolhidos os trabalhadores de subsolo que

tivessem o maior potencial de exposição aos níveis mais altos de poeira. Estes

poderiam ser todos os perfuradores em subsolo e deste grupo seria então

escolhida uma amostra aleatória simples.

5.6.3. METODOLOGIA DE AMOSTRAGEM


Existem várias estratégias de amostragem que podem ser utilizadas. A amostragem
por lote (“batch or grab sampling”) é a coleta de predeterminadas amostras durante um
certo período de tempo com uma estratégia aleatória. A amostragem intermitente é feita
coletando-se amostras repetitivamente e sistematicamente numa sequência temporal,
mas com interrupções periódicas no processo de amostragem. Já a amostragem
contínua é feita ininterruptamente, mantendo-se continuidade em tempo real.

5.6.4. FREQUÊNCIA DE AMOSTRAGEM


A frequência de amostragem é normalmente definida por normas legais. Quando os
níveis de exposição são altos, próximos ou excedendo os limites de tolerância,
recomenda-se uma alta frequência de amostragem. Com níveis menores de exposição,
em geral amostragens menos frequentes são suficientes.

5.6.5. EXECUÇÃO DA AMOSTRAGEM


A amostragem propriamente dita requer um certo tipo de instrumento. Os
fabricantes fornecem um manual com seus instrumentos e a descrição do modo correto

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
153

de operação. Quando a amostragem é requerida por lei, o método de amostragem é


normalmente bem explicitado na norma legal.

5.6.6. TRANSPORTE E CUIDADOS COM AS AMOSTRAS


Para certas técnicas de amostragem, é necessário se transportar a amostra para o
laboratório para a execução de análises. Esta fase pode requerer cuidados importantes,
que se não tomados podem invalidar a amostragem.

Quadro 5.4.

Se um poço de água está sendo testado, é preciso ter certeza de se usar um

recipiente bem selado e que esteja isento de contaminantes externos antes da

coleta de material. É preciso se certificar de que nenhuma contaminação da

amostra ocorra durante a coleta e manuseio do recipiente, de que o recipiente

esteja completamente selado e de que seja enviado ao laboratório o mais breve

possível. A amostra precisa ser rotulada e etiquetada, guardando-se registros

apropriados de modo que os resultados analíticos sempre sejam atribuídos à

amostra correta.

5.6.7. PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS


Esta fase envolve a preparação física e/ou química da amostra, que deve ser
consistente com as operações analíticas a serem executadas. Envolve também o
conhecimento dos efeitos sobre a amostra e sua integridade.

5.6.8. ANÁLISE DAS AMOSTRAS


Nesta etapa são obtidos dados qualitativos ou quantitativos sobre o contaminante
ou agente, envolvendo os parâmetros de interesse.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
154

5.6.9. INTERPRETAÇÃO DOS DADOS


Todos os dados, ao serem analisados com um dado objetivo, devem seguir
métodos estatísticos padrões específicos para cada situação. Para a interpretação e
posterior apresentação dos dados, as informações mínimas tabuladas devem conter:
• O número de observações feitas;
• Um valor indicando a tendência central dos mesmos;
• Um valor indicando a dispersão dos dados;
• O método de medida;
• A instrumentação utilizada.
Valores que podem ser calculados para representar a tendência central são a
média aritmética, a moda e a mediana. A média geométrica pode ser utilizada, mas neste
caso deve existir uma tendência dos dados se distribuírem de maneira log normal.
Vários parâmetros podem ser usados para representar a dispersão dos dados. A
dispersão se refere ao grau de flutuação dos valores ao redor de um ponto e procura
responder se a maioria dos valores estão próximos da média, mediana ou moda.
Alguns dos parâmetros que podem ser usados são: variância da média, desvio
padrão da média, grau de assimetria (“skewness”), curtose, intervalo interquartis, desvio
padrão da mediana, desvio padrão geométrico, valores mínimo e máximo, etc. Alguns
termos qualitativos também são usados como: assimetria positiva, distribuição log
normal, multimodal, leptocúrtico, mesocúrtico, bimodal, etc.
Se houver alguma dúvida sobre qual ferramenta ou termo estatístico usar,
apresente o maior número possível de informações, indicando seu entendimento sobre
cada informação.
No exemplo apresentado em detalhe sobre material particulado, sabemos que as
partículas dispersas no ar são heterogêneas em termos de tamanho. Quando se coleta
amostras destas partículas, os resultados das medições são mais bem estudados com
métodos estatísticos. Os resultados podem ser apresentados usando-se distribuições de
frequência relativa ou cumulativa com relação à granulometria, à área, ao volume ou à
massa. A mais comum é a distribuição granulométrica.
O primeiro passo para se obter uma distribuição de tamanhos ou massas é se
classificar as amostras coletadas em grupos denominados de classes. As classes são
definidas pelos seus limites dados em termos de magnitude do parâmetro considerado.
Cada limite de classe é a borda superior de uma classe e a inferior da seguinte. O ponto
médio da classe é o centro da classe, locado no meio dos limites superior e inferior. O
uso deste ponto médio se assenta na hipótese de que dentro da classe os valores se
distribuem de modo equitativo. Isto significa que a média e a mediana para dados
agrupados serão um pouco diferentes de que para os dados não agrupados.
Os intervalos de cada classe não precisam ser iguais, mas neste caso estas
diferenças devem ser explicitadas e a relação entre cada classe estabelecida.
Existe um perigo ao se agrupar dados, que é a perda de informação. Nos dados
completos, sem agrupamento, sabemos cada um dos diâmetros das partículas de poeira.
Se colocarmos os dados em classes, não sabemos mais os diâmetros individuais e esta
perda de informação deve ser comparada com os ganhos em termos de claridade e
conveniência. Para se proteger desta perda de informação, as classes não devem ser tão

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
155

grandes de modo a conter grandes volumes de dados ou grande variação de tipos de


dados. O bom senso é o melhor indicador, mas com a maioria dos dados, uma
subdivisão em 10 a 20 classes fornece resultados satisfatórios.
Deve-se sempre lembrar que em pesquisa científica existem muito poucas
respostas absolutas. Em geral, numa pesquisa tem-se que assumir uma série de
hipóteses e emitir um conjunto de julgamentos. Não existe meio de se evitar estes
julgamentos e eles devem ser os mais imparciais possíveis.
A resposta de quando usar uma ferramenta estatística mais poderosa e complexa
não é simples. Todavia, se ela atrapalhar o leitor ou confundi-lo, não deve ser usada. Por
exemplo, se a distribuição for altamente assimétrica, ainda assim é possível se calcular a
média aritmética e o correspondente desvio padrão. Todavia, as correspondentes
interpretações são muito enganadoras.
Os dados para os quais se calcula a média aritmética devem ser simétricos, pois se
forem muito assimétricos, a média perde seu valor interpretativo, pois terá sido deslocada
para um dos lados. Se apesar de simétricos, os dados não se distribuírem de modo
normal, a média aritmética também perde um pouco de seu significado e deve ser usada
com cautela.
As restrições ao uso da média são severas, mas, por outro lado, sua força também
é aparente. Ela tem alta sensibilidade à centralidade e forte conteúdo de informação. A
mesma sensibilidade que faz com que a média aritmética seja usada com cautela em
distribuições assimétricas, mostra também sua exatidão e grau de informação.
O desvio padrão da média aritmética é muito usado na análise de dados, mas
novamente deve-se ter cautela com distribuições assimétricas. O número calculado se
torna sem sentido, não tendo relação com a muito citada afirmação: “No intervalo de 1
desvio padrão de cada lado da média, tem-se aproximadamente 68% de todos os
valores.” Esta afirmação é verdadeira para distribuições normais, mas não para
distribuições assimétricas.
Quando se trabalha com a contagem de partículas, com a distribuição
granulométrica ou com a variação temporal da concentração de gases, em geral tem-se
distribuição assimétrica e frequentemente estas são log normais.

5.6.10. APRESENTAÇÃO CUIDADOSA DOS RESULTADOS


Finalmente é preciso que a linguagem de um relatório científico seja clara, concisa,
coerente e seguidora das regras gramaticais.
A apresentação deve ser isenta de inutilidades e informações que não tenham a ver
com os objetivos da pesquisa. Esta é uma característica que engenheiros e
pesquisadores devem estar atentos.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
156

5.6.11. DISTINÇÃO ENTRE PARÂMETROS DA AMOSTRA E DA POPULAÇÃO


O termo população se refere ao conjunto do todos os elementos para os quais se
deseja obter informações sobre um dado parâmetro. Por exemplo, a idade dos homens
brasileiros. Para uma população em geral se utilizam os símbolos:

Média aritmética da população = MA = 


Desvio padrão aritmético da população = dpa = 
Estes valores podem ser considerados como os valores “corretos” ou exatos.
Com a impossibilidade ou impraticabilidade de se medir todos os valores da
população, mede-se uma parte dela, denominada de amostra. Os valores da média e
desvio padrão da amostra são em geral designados pelas letras:

Média aritmética da amostra = MA = X


Desvio padrão da amostra = dpa = s
Se a amostragem for efetuada adequadamente, os valores calculados para a
amostra, ( x , s) são boas estimativas dos valores de  e .
Para o calcula do desvio padrão da amostra é usada a seguinte sequência:
1. Quadrar a diferença entre a média e cada valor individual;
2. Adicionar as diferenças quadráticas;
3. Dividir esta soma pelo número de valores somados menos 1 (n-1);
4. Extrair a raiz quadrada do resultado anterior.

O cálculo da média aritmética da amostra é igual ao da população, mas o cálculo


do desvio padrão é diferente (o passo três), abaixo nós temos as duas fórmulas:

dpa =
 (C i − MA)
2

(população)
n

s=
 (C i −X)
2

(amostra)
(n − 1)
Onde:
Cj = medidas/valores individuais
n = número de medidas

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
157

5.7. TESTES (2)


17. Um grupo de 20 trabalhadores foi exposto a um valor médio de leitura de 70
ppm de gás CO durante uma semana de 40 horas. Um segundo grupo de 30
trabalhadores foi exposto a um valor médio de leitura de 80 ppm de CO durante a
mesma semana de 40 horas. A média geral em ppm de CO para os 50
trabalhadores foi de:

a) 70.
b) 74.
c) 75.
d) 76.
e) 80.
Feedback: (20*70 + 30*80) / 50 = 76

18. Um método de amostragem aleatório (ou randômico) no qual cada enésimo


membro da população é incluído na amostra é um método de:

a) Amostragem aleatória simples.


b) Amostragem sistemática.
c) Amostragem por “cluster”.
d) Amostragem estratificada.
e) Amostragem assimétrica.
Feedback: item 5.6.2.

19. Um método de amostragem no qual primeiro a população é dividida em


subgrupos mais homogêneos, a partir dos quais amostras aleatórias simples são
coletadas é um método de:

a) Amostragem aleatória simples.


b) Amostragem sistemática.
c) Amostragem por cluster.
d) Amostragem estratificada.
e) Amostragem simétrica.
Feedback: item 5.6.2.
Feedback: item

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
158

20. Um método de amostragem aleatória, no qual uma tabela de números


randômicos é utilizada para selecionar uma amostra que representa uma população
maior é:

a) Uma amostragem aleatória simples.


b) Uma amostragem sistemática.
c) Uma amostragem tipo “cluster”.
d) Uma amostragem estratificada.
e) Uma amostragem acidental.
Feedback: item 5.6.2.

21. Um método de amostragem aleatória onde amostras são selecionadas de modo


randômico a partir de áreas bem definidas é:

a) Uma amostragem aleatória.


b) Uma amostragem sistemática.
c) Uma amostragem tipo “cluster”.
d) Uma amostragem estratificada.
e) Uma amostragem semi-parcial.
Feedback: item 5.6.2.
Feedback: item

22. Uma usina de tratamento de minérios emprega 40 trabalhadores na oficina de


manutenção. Deseja-se saber os níveis de ruído a que estes estão expostos num
turno diário de 8 horas. Para que se tenha 90% de certeza de que pelo menos um
dos trabalhadores amostrado esteja no grupo exposto aos níveis 20% mais altos,
deve-se amostrar um mínimo de:

a) 5 trabalhadores.
b) 7 trabalhadores.
c) 9 trabalhadores.
d) 11 trabalhadores.
e) 12 trabalhadores.
Feedback: tabela 5.10.

23. Um método de amostragem não aleatório no qual o pesquisador inclui os casos


mais convenientes em sua amostra é:

a) Uma amostragem acidental.


b) Uma amostragem tipo “cluster”.
c) Uma amostragem por cotas.
d) Uma amostragem com julgamento.
e) Uma amostragem parcial.
Feedback: item 5.6.2

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
159

24. Numa distribuição log normal tem-se:

a) Média  mediana  moda.


b) Mediana < média < moda.
c) Moda < mediana  média.
d) Média  moda  mediana.
e) Log média = log mediana = log moda.
Feedback: item 5.4.1.

25. Uma distribuição na qual tem-se mais valores baixos do que altos, resultando
numa cauda maior à direita, é dita:

a) Assimétrica positiva.
b) Assimétrica negativa.
c) Mesocúrtica.
d) Platicúrtica.
e) Leptocúrtica.
Feedback: item 5.4.1.

26. Uma distribuição assimétrica que é bastante achatada é denominada de:

a) Mesocúrtica.
b) Negativamente assimétrica.
c) Positivamente assimétrica.
d) Platicúrtica.
e) Leptocúrtica.

Feedback: item 5.1.2.7

27. Para o conjunto de valores {1,2,3,4,5,100} temos:


a) Moda = 3 ou 4; mediana = 3,5; MA = 19,1667; MG = 50.
b) Mediana = 3 ou 4; moda = 3,5; MA = 19,1667; MG = 30.
c) Moda = qualquer valor; mediana = 3,5; MA = 19,1667; MG = 10.
d) Moda = 3,5; mediana = qualquer valor; MA = 19,1667; MG = 4,78.
e) Moda = qualquer valor; mediana = 3,5; MA = 19,1667; MG = 4,78.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
160

28. Curvas normais podem também ilustrar os conceitos de exatidão e precisão.


Escolha a alternativa correta em função das figuras numeradas de 1 a 4.

a) (1) é precisa e exata, (3) é exata e imprecisa.


b) (1) é precisa e exata, (2) é imprecisa e exata.
c) (2) é pouco precisa e inexata, (3) é pouco exata e imprecisa.
d) (3) é exata e imprecisa, (4) é imprecisa e exata.
e) Existem duas alternativas incorretas.

Feedback: Nota 5.10.

29. Considere as afirmações abaixo sobre concentração em amostras aleatórias:


I – Os resultados frequentemente se distribuem de maneira log normal.
II – Os resultados frequentemente se distribuem simetricamente.
III – A melhor medida de tendência central da distribuição log normal é a média
aritmética.
IV - A melhor medida de tendência central da distribuição log normal é a média
geométrica.
Qual a alternativa correta?

a) Apenas I e IV são verdadeiras.


b) Apenas I e III são verdadeiras.
c) Apenas II e IV são verdadeiras.
d) Apenas II e III são verdadeiras.
e) Apenas III e IV são verdadeiras.
Feedback: item 5.4.1.

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Capítulo 5. Conceitos Básicos de Estatística em Higiene
161

30. Qual a afirmativa incorreta com relação à amostragem não aleatória?

a) O método mais comum é denominado amostragem acidental.


b) Compreende a amostragem por cotas.
c) Cada um dos membros de uma população tem diferentes probabilidades de
serem selecionados.
d) Um dos métodos é aquele similar à retirada de nomes de um chapéu.
e) Um dos métodos é chamado de amostragem por julgamento.
Feedback: item 5.6.2.1.

Feedback: item

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
162

CAPÍTULO 6. CONCEITUAÇÃO E DISPOSITIVOS LEGAIS REFERENTES À HIGIENE


OCUPACIONAL

OBJETIVOS DO ESTUDO

Apresentar conceitos básicos referentes à Higiene Ocupacional discutindo


diferentes dispositivos legais.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
163

6.1. INTRODUÇÃO
Entre todas as atividades humanas, o trabalho é a principal. A vida do indivíduo é
estruturada em função de seu trabalho, de maneira que a relação estabelecida entre o
indivíduo e sua ocupação será um determinante para a sua qualidade de vida. Toda a
organização da sociedade é definida por relações de trabalho, sendo os valores sociais
do trabalho um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. Isso posto, é natural
que em todas as normas e regulamentos formulados e aplicados com o intuito de
disciplinar a convivência social e a relação entre os homens, tenhamos aspectos que
tocam o mundo do trabalho.
A Revolução Industrial, que teve, entre outros marcos, a invenção da máquina de
fiar (roda de fiar composta, capaz de produzir oito fios simultaneamente), por James
Hargreaves, em 1767 e do tear mecânico, pelo Rev. Edmundo Cartwright, em 1785,
implicou a mecanização da agricultura, a aplicação da força motriz à indústria, o
desenvolvimento do sistema fabril, grande impulso nos transportes e nas comunicações
e, por último, mas não menos importante, considerável acréscimo do controle capitalista
sobre quase todos os ramos da atividade econômica. As mudanças que a humanidade
vivenciou na sua estrutura, com as transformações do trabalho advindas da Revolução
Industrial, provocaram a necessidade de estabelecer padrões mínimos de relação entre o
homem, ambiente e os meios de produção que fossem compatíveis com a condição
humana.
Historicamente, o Direito à Saúde do Trabalhador vem evoluindo desde as
primeiras anotações sobre doenças do trabalho e sua relação com o ambiente, na Roma
antiga, no Renascimento, na Alemanha, na Itália em 1700 com Ramazzini, com
descrições detalhadas de pneumoconioses, estresse, neuroses e lesões por esforços
repetitivos, entre outras. Durante a Revolução Industrial, a concepção à época era a de
que as lesões, acidentes e enfermidades eram subprodutos da atividade empresarial e a
prevenção era responsabilidade do próprio trabalhador. Em 1802, a Inglaterra aprovou a
primeira lei de proteção aos trabalhadores, a Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes, que
estabelecia limite de 12 (doze) horas por dia, proibia trabalho noturno, obrigava os
empregadores a lavar as fábricas e tornava a ventilação obrigatória.
O “Factory Act”, de 1833, aplicava-se a todas as empresas da Inglaterra e proibia
mais de 69 (sessenta e nove) horas semanais; exigia escolas para menores de 13 (treze)
anos; exigia idade mínima de 9 (nove) anos para o trabalho e já obrigava a existência de
um atestado médico para o trabalho.
A Igreja, com a Encíclica "De Rerum Novarum", de 1891, interessa-se pela
condição de trabalho dos operários, e surgem, a partir de 1884, na Alemanha, as
primeiras leis de acidente do trabalho, estendendo-se a outros países, até chegar ao
Brasil em 1919, com o Decreto Legislativo Nº 3.724.
As grandes manifestações referentes à organização das sociedades que a
humanidade vivenciou no século XX, a atuação da Organização Internacional do
Trabalho e a luta direta dos trabalhadores em seus locais de trabalho, especialmente na
Itália, foram elementos fundamentais para as transformações que levam à caracterização
do conceito técnico e jurídico da Segurança e Saúde do Trabalhador. Incorpora-se ao
Direito a noção ética de que o ambiente de trabalho está inserido no meio ambiente, na

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
164

sua acepção mais ampla, de modo que é impossível alcançar qualidade de vida sem
contar com qualidade de vida no trabalho.
Quando, na sociedade capitalista, o indivíduo vende sua força de trabalho a outro,
está transacionando apenas sua capacidade de trabalho; a saúde do ser humano não
pode ser considerada como simples material de consumo ou passível de ser valorada.
Embora exista a incidência dos diversos ramos do Direito no mundo do trabalho,
dado seu caráter social, naturalmente aquele que mais impacta e comparece na prática
da Segurança e Saúde no Trabalho é o Direito Trabalhista. É sobre esse ramo que
devemos adquirir os conceitos básicos do ordenamento jurídico, ao longo da hierarquia
das normas legais. Nesse propósito, destacamos os tópicos de interesse para a relação
de trabalho presentes na Constituição Federal e na legislação ordinária, entendida como
tal a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.
As especificidades da área estão disciplinadas em Portaria própria, cujo texto
original foi publicado por meio da Portaria Nº 3.214 em 8 de junho de 1978, assinada pelo
então Ministro de Estado do Trabalho, Arnaldo Prieto.

Dentro da área da Segurança e Saúde no trabalho a Higiene Ocupacional é o termo


utilizado para definir a ciência que se dedica ao estudo dos agentes físicos, químicos e
biológicos presentes nos ambientes de trabalho e à prevenção das doenças causadas
por eles.
A Higiene Ocupacional é considerada ciência, porque está baseada em fatos
comprováveis, empíricos e analisáveis por método científico por meio da Física, Química,
Bioquímica, Toxicologia, Medicina, Engenharia e Saúde Pública. Contudo, considera
também a individualidade de cada trabalhador e as características da atividade e do local
de trabalho (Santos et al, 2001).
Uma das mais conhecidas definições sobre Higiene Ocupacional é a da American
Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH:
“Higiene do Trabalho é a ciência e arte do reconhecimento, avaliação e
controle de fatores ou tensões ambientais originadas do ou no local de trabalho e
que podem causar doenças, prejuízos para a saúde e bem-estar, desconforto e
ineficiência significativos entre os trabalhadores ou entre os cidadãos da
comunidade”.
As práticas da Higiene Ocupacional estão disciplinadas em proposições
relacionadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças associadas ao trabalho e
são realizadas por meio da antecipação e do reconhecimento dos fatores de riscos,
estudos epidemiológicos prospectivos e estudos epidemiológicos retrospectivos para
caracterização de uma doença, bem como para pagamento de indenizações.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
165

6.2. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS DA ORGANIZAÇÃO


DAS NAÇÕES UNIDAS E O TRABALHO
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 10 de dezembro de
1948, proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que explicita no seu
Artigo XXIII os princípios seguintes:
1. Todo homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições
justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual
trabalho.
3. Todo homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória,
que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a
dignidade humana, a que se acrescentará, se necessário, outros meios de
proteção social.
4. Todo homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para
proteção de seus interesses.

6.3. DEFINIÇÕES
6.3.1. DIREITO
Trata-se do conjunto harmônico de regras de organização e comportamento que,
consagrado pelo Estado, se impõe coativamente, no intuito de disciplinar a convivência
em sociedade.
Considerando a área de atuação, divide-se o Direito em Direito Público e Direito
Privado. O Direito Público pode ser externo (Internacional Público) ou interno
(Constitucional, Administrativo, Tributário, Criminal, processual civil ou criminal).
O Direito Privado pode ser dividido em Civil, Comercial, Trabalhista e Internacional
Privado.

6.3.2. LEI
Norma geral e abstrata, emanada do poder competente e provida de força
obrigatória.
É norma geral porque se dirige a todos e não a pessoas ou grupos específicos.
É abstrata por tratar-se de formulação intelectual, um modelo que visa equacionar
uma situação vivida em sociedade. A Lei é produzida no campo das ideias, por isso pode
ser entendida como uma construção abstrata.
Deve ser emanada de Poder Competente, para que tenha todos os atributos de
validade e eficácia, devendo ser elaborada segundo procedimento estabelecido por
normas de hierarquia superior.
É provida de força obrigatória por representar a vontade geral, legítima dentro da
organização social e política do país.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
166

6.3.3. A HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS


É caracterizada pela posição relativa que as normas jurídicas ocupam nos
diferentes planos onde são produzidas; consiste na relação de superioridade e
inferioridade entre elas.
Como consequência, toda norma é hierarquicamente inferior àquela que lhe
fundamenta e dá sua validade.
A disposição hierárquica prevê, no mínimo, três planos: o constitucional, o das leis
ordinárias e o dos regulamentos. O plano das leis ordinárias é fundamentado pelo
constitucional que, pela superioridade hierárquica, também pode lastrear o plano dos
regulamentos, formado por dispositivos oriundos de autoridades que recebem das leis
constitucionais ou ordinárias a competência ou poder administrativo.

6.4. A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O


TRABALHO
Embora seja difícil estabelecer fronteiras temáticas no texto constitucional, dada
sua natureza, é possível elencar os dispositivos legais que, no arcabouço jurídico
promulgado em 5 de outubro de 1988, pertinem de forma imediata com as relações de
trabalho.

TÍTULO I. Dos Princípios Fundamentais


Artigo 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de Direito
e tem como fundamentos, entre outros, “os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa”.:

TÍTULO II. Dos Direitos e Garantias Fundamentais


Capítulo I. Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
Artigo 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
XIII. é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações que a lei estabelecer;

A garantia, em outros termos, figurava na Constituição anterior. Assim, para


determinadas profissões, como dos engenheiros, será necessária não apenas a
formação universitária, como também a inscrição no conselho de fiscalização do
exercício profissional.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
167

Capítulo II. Dos Direitos Sociais


Artigo 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015).

Artigo 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social:
I. relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa,
nos termos da lei complementar, que preverá indenização compensatória, entre outros
direitos;
II. seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III. fundo de garantia de tempo de serviço;
IV. salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as
suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes
periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para
qualquer fim;
V. piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI. irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII. garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem
remuneração variável;
VIII. décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da
aposentadoria;
IX. remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X. proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI. participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração e,
excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
XII. salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda
nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº. 20, de 15/12/98)
XIII. duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução de jornada, mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho;
XIV. jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de
revezamento salvo negociação coletiva;
XV. repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI. remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por
cento à do normal;
XVII. gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que
o salário normal;
XVIII. licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de
cento e vinte dias;
XIX. licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX. proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,
nos termos da lei;

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
168

XXI. aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias,
nos termos da lei;
XXII. redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,
higiene e segurança;
XXIII. adicional de remuneração para atividades penosas, insalubres ou perigosas,
na forma da lei;
XXIV. aposentadoria;
XXV. assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5
(cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Inciso alterado pela Emenda Constitucional
nº 53, de 19/12/2006);
XXVI. reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII. proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII. seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a
indenização a que está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX. ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo
prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois
anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
28, de 25/05/2000);
XXX. proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI. proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critério de
admissão do trabalhador portador de deficiência;
XXXII. proibição de distinção entre o trabalho manual, técnico e intelectual ou entre
os profissionais respectivos;
XXXIII. proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e
de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a
partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98);
XXXIV. igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício
permanente e o trabalhador avulso;

Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os


direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII,
XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e
observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos
incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013)

TÍTULO III. Da Organização do Estado


Capítulo II. Da União
Artigo 21º. Compete à União:
XXIV. organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;
Essa atribuição cabe à Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério da
Economia, que a executa através das Superintendências Regionais do Trabalho e
Emprego nos estados da Federação.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
169

XXV. estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de


garimpagem, em forma associativa.

Artigo 22º. Compete privativamente à União legislar sobre:


I. direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico,
espacial e do trabalho;
XVI. organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício das
profissões;
XXIII. seguridade social;

Artigo 23º. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios:
II. cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas
portadoras de deficiência;
VI. proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

Artigo 24º. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar


concorrentemente sobre:
XII. previdência social, proteção e defesa da saúde;
XIV. proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;

Título VIII. Da Ordem Social


Capítulo II. Da Seguridade Social
Seção I. Disposições Gerais
Artigo 194º. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de
iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos
relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a
seguridade social, com base nos seguintes objetivos:
I. universalidade da cobertura e do atendimento;
II. uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e
rurais;
III. seletividade e distributividade na prestação de benefícios e serviços;
IV. irredutibilidade do valor dos benefícios;
V. equidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis
específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde,
previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

VII. caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão


quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e
do Governo nos órgãos colegiados." (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de
15/12/98).

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
170

Artigo 195º. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições
sociais:
I. do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei,
incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98);

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer


título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998);

b) a receita ou o faturamento;

c) o lucro;

II. do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo


contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência
social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº. 20, de 15/12/98);
III. sobre a receita dos concursos de prognósticos.
IV. do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.
(Inciso acrescentado pela Emenda Constitucional nº. 42, de 19/12/2003)
§ 1º. As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à
seguridade social constarão os respectivos orçamentos, não integrando o orçamento da
União;
§ 2º. A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma
integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência social,
tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias,
assegurada a cada área a gestão de seus recursos.
§ 4º. A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou
expansão da seguridade social, obedecido o disposto no Artigo 154º, Inciso I.
§ 5º. Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado,
majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total.
§ 6º. As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após
decorridos noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não
se lhes aplicando o disposto no Artigo 150º, inciso III, alínea b.
§ 7º. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades
beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
§ 8º. O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador
artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime
de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade
social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da
produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
§ 9º. As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter
alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
171

utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do


mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

§ 10º. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único


de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de
recursos. (Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 11º. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de


que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao fixado
em lei complementar. (Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº. 20, de 15/12/98)

§ 12º. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as


contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas.
(Parágrafo acrescentado pela Emenda Constitucional nº. 42, de 19/12/2003)

§ 13º. Aplica-se o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual,


total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pelo incidente sobre a
receita ou o faturamento. (NR) (Parágrafo acrescentado pela Emenda Constitucional nº. 42, de
19/12/2003)

Seção II. Da Saúde


Artigo 196º. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação.

Art. 197º. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao


Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e
controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também,
por pessoa física ou jurídica de direito privado.

Artigo 198º. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede


regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com
as seguintes diretrizes:
I. descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II. atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem
prejuízo dos serviços assistenciais;
III. participação da comunidade.

§ 1º. O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do
orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, além de outras fontes. (Parágrafo único modificado para § 1º pela Emenda
Constitucional nº. 29, de 13/09/00)

§ 2º. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em


ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
172

percentuais calculados sobre:" (Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de


13/09/00)

I – No caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não


podendo ser inferior a 15% (quinze por cento); (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
86, de 2015);

II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a


que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam os art. 157 e 159, inciso I, alínea a,
e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos
a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os art. 158 e 159, inciso I, alínea
b e § 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

§ 3º. Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos, estabelecerá:
(Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº. 29, de 13/09/00)

I – Os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 86, de 2015);

II – os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos


Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos Estados destinados a seus
respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução das disparidades regionais;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

III – as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas
esferas federal, estadual, distrital e municipal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de
2000)

IV – Revogado pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015)

§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários


de saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de
acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para
sua atuação. (Parágrafo acrescentado pela Emenda Constitucional nº 51, de 14/02/2006 - DOU
15/02/2006)
§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as
diretrizes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de agente
comunitário de saúde e agente de combate às endemias, competindo à União, nos
termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 63, de 2010)
§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição
Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde
ou de agente de combate às endemias poderá perder o cargo em caso de
descumprimento dos requisitos específicos, fixados em lei, para o seu exercício.
(Parágrafo acrescentado pela Emenda Constitucional nº 51, de 14/02/2006 - DOU 15/02/2006)

Artigo 199º. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
173

§ 1º. As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema


único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou
convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
§ 2º. É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às
instituições privadas com fins lucrativos.
§ 3º. É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capital estrangeiro
na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.

Artigo 200º. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos
termos da lei:
I. controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a
saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos,
hemoderivados e outros insumos;
II. executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de
saúde do trabalhador;
III. ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;
IV. participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento
básico;
V. incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico
e a inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015);
VI. fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor
nutricional, bem como bebidas e água para consumo humano;
VII. participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização
de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
VIII. colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.

Seção III. Da Previdência Social


Artigo 201º. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de
caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o
equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada ao artigo
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

I - cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e


idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Redação dada pela Emenda


Constitucional nº 20, de 1998)

III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Redação dada pela


Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;


(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e


dependentes, observado o disposto no § 2º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
174

§ 1º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de


benefícios, ressalvada, nos termos de lei complementar, a possibilidade de previsão de
idade e tempo de contribuição distintos da regra geral para concessão de aposentadoria
exclusivamente em favor dos segurados: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)

I - com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por


equipe multiprofissional e interdisciplinar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)

II - Cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos,


físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a
caracterização por categoria profissional ou ocupação. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)

§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do


trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão


devidamente atualizados, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20,
de 1998)

§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter


permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)

§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade de


segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá por base o valor dos
proventos do mês de dezembro de cada ano. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 1998)

§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da


lei, obedecidas as seguintes condições: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de
1998)

I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade,


se mulher, observado tempo mínimo de contribuição; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
175

II - 60 (sessenta) anos de idade, se homem, e 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, se


mulher, para os trabalhadores rurais e para os que exerçam suas atividades em regime
de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador
artesanal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

§ 8º O requisito de idade a que se refere o inciso I do § 7º será reduzido em 5 (cinco)


anos, para o professor que comprove tempo de efetivo exercício das funções de
magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei
complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

§ 9º Para fins de aposentadoria, será assegurada a contagem recíproca do tempo de


contribuição entre o Regime Geral de Previdência Social e os regimes próprios de
previdência social, e destes entre si, observada a compensação financeira, de acordo
com os critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
103, de 2019)

§ 9º-A. O tempo de serviço militar exercido nas atividades de que tratam os arts. 42,
142 e 143 e o tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social ou a regime
próprio de previdência social terão contagem recíproca para fins de inativação militar ou
aposentadoria, e a compensação financeira será devida entre as receitas de contribuição
referentes aos militares e as receitas de contribuição aos demais regimes. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

§ 10. Lei complementar poderá disciplinar a cobertura de benefícios não programados,


inclusive os decorrentes de acidente do trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo
Regime Geral de Previdência Social e pelo setor privado. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)

§ 11º. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao


salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em
benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de
1998)

§ §12. Lei instituirá sistema especial de inclusão previdenciária, com alíquotas


diferenciadas, para atender aos trabalhadores de baixa renda, inclusive os que se
encontram em situação de informalidade, e àqueles sem renda própria que se dediquem
exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que
pertencentes a famílias de baixa renda. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)

§ 13. A aposentadoria concedida ao segurado de que trata o § 12 terá valor de 1 (um)


salário-mínimo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
176

§ 14. É vedada a contagem de tempo de contribuição fictício para efeito de concessão


dos benefícios previdenciários e de contagem recíproca. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)

§ 15. Lei complementar estabelecerá vedações, regras e condições para a acumulação


de benefícios previdenciários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

§ 16. Os empregados dos consórcios públicos, das empresas públicas, das sociedades
de economia mista e das suas subsidiárias serão aposentados compulsoriamente,
observado o cumprimento do tempo mínimo de contribuição, ao atingir a idade máxima
de que trata o inciso II do § 1º do art. 40, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

Artigo 202º. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de


forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo,
baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por
lei complementar." (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos


de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações
relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
20, de 15/12/98)

§ 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais


previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de
previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à
exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos
termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União,


Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas,
sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de
patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá
exceder a do segurado." (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito Federal ou


Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e
empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocinadores de planos de
benefícios previdenciários, e as entidades de previdência complementar. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

§ 5º A lei complementar de que trata o § 4º aplicar-se-á, no que couber, às empresas


privadas permissionárias ou concessionárias de prestação de serviços públicos, quando
patrocinadoras de planos de benefícios em entidades de previdência complementar.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
177

§ 6º Lei complementar estabelecerá os requisitos para a designação dos membros das


diretorias das entidades fechadas de previdência complementar instituídas pelos
patrocinadores de que trata o § 4º e disciplinará a inserção dos participantes nos
colegiados e instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de discussão e
deliberação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

Seção IV. Da Assistência Social


Artigo 203º. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,
independentemente da contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I. a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II. o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III. a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV. a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a
promoção de sua integração à vida comunitária;
V. a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

Capítulo VI. Do Meio Ambiente


Artigo 225º. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações.
§ 1º. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo
ecológico das espécies e ecossistemas;
II - Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e
fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV - Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto
ambiental, a que se dará publicidade;
V - Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e
substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem
em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os
animais a crueldade. (regulamentado pela Lei N 9.985, de 18 de Julho de 2000).
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio
ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público
competente, na forma da lei.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
178

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os


infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal
Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na
forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente,
inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. (Regulamentado pela Lei Nº 13.123, de 20 de
maio de 2015.).
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações
discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida
em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se
consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam
manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal,
registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro,
devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais
envolvidos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)

TÍTULO IX. Das Disposições Constitucionais Gerais


Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
Artigo 10º. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o Artigo 7º,
I, da Constituição:
II. fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa:
a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção
de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu
mandato;

6.5. A CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO E A SEGURANÇA E SAÚDE


DOS TRABALHADORES
Lei Nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977
Altera o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à
Segurança e Medicina do trabalho.
O Presidente da República, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:

ARTIGO 1º
O Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do trabalho, aprovada pelo
Decreto-Lei Nº 5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar com a seguinte redação:

CAPÍTULO V
Da Segurança e da Medicina do Trabalho
Seção I
Disposições Gerais

ARTIGO 154
A observância, em todos os locais de trabalho, do disposto neste Capítulo, não
desobriga as empresas do cumprimento de outras disposições que, em relação à

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
179

matéria, sejam incluídas em código de obras e regulamentos sanitários dos Estados ou


Municípios em que se situem os respectivos estabelecimentos, bem como daquelas
oriundas de convenções coletivas de trabalho.

ARTIGO 155
Incumbe ao órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança e
medicina do trabalho:
I. estabelecer, nos limites de sua competência, normas sobre a aplicação dos
preceitos deste Capítulo, especialmente os referidos no Artigo 200;
II. coordenar, orientar, controlar e supervisionar a fiscalização e as demais
atividades relacionadas com a segurança e a medicina do trabalho, em todo o território
nacional, inclusive a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do trabalho;
III. conhecer, em última instância, dos recursos, voluntários ou de ofício, das
decisões proferidas pelos Delegados Regionais do Trabalho em matéria de segurança e
medicina do trabalho.

ARTIGO 156
Compete especialmente às Delegacias Regionais do Trabalho, nos limites de sua
jurisdição:
I. promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e medicina do
trabalho;
II. adotar as medidas que se tornem exigíveis, em virtude das disposições deste
Capítulo, determinando as obras e reparos que, em qualquer local de trabalho, se façam
necessárias;
III. impor as penalidades cabíveis por descumprimento das normas constantes
deste Capítulo, nos termos do artigo 201.

ARTIGO 157
Cabe às empresas:
I. cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
II. instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a
tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças profissionais;
III. adotar as medidas que lhe sejam determinadas pelo órgão regional competente;
IV. facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente.

ARTIGO 158
Cabe aos empregados:
I. observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as instruções
de que trata o item II do artigo anterior;
II. colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste Capítulo.
Parágrafo único. Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada:
a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do
artigo anterior;
b) ao uso de equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa.

ARTIGO 159

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
180

Mediante convênio autorizado pelo Ministro do Trabalho, poderão ser delegadas a


outros órgãos federais, estaduais ou municipais atribuições de fiscalização ou orientação
às empresas quanto ao cumprimento das disposições deste Capítulo.

Seção II
Da Inspeção Prévia e do Embargo ou interdição
ARTIGO 160
Nenhum estabelecimento poderá iniciar suas atividades sem prévia inspeção e
aprovação das respectivas instalações pela autoridade regional competente em matéria
de segurança e medicina do trabalho.
§ 1º. Nova inspeção deverá ser feita quando ocorrer modificação substancial nas
instalações, inclusive equipamentos, que a empresa fica obrigada a comunicar,
prontamente, à Delegacia Regional do Trabalho.
§ 2º. É facultado às empresas solicitar prévia aprovação, pela Delegacia Regional
do Trabalho, dos projetos de construção e respectivas instalações.

ARTIGO 161
O Delegado Regional do Trabalho, à vista de laudo técnico do serviço competente
que demonstre grave e iminente risco para o trabalhador, poderá interditar
estabelecimento, setor de serviço, máquina ou equipamento, ou embargar obra,
indicando na decisão tomada com a brevidade que a ocorrência exigir, as providências
que deverão ser adotadas para prevenção de infortúnios de trabalho.
§ 1º. As autoridades federais, estaduais e municipais darão imediato apoio às
medidas determinadas pelo Delegado Regional do Trabalho.
§ 2º. A interdição ou embargo poderá ser requerido pelo serviço competente da
Delegacia Regional do trabalho e, ainda, por agente da inspeção do trabalho ou por
entidade sindical.
§ 3º. Da decisão do Delegado regional do Trabalho poderão os interessados
recorrer, no prazo de dez dias, para o órgão de âmbito nacional competente em matéria
de segurança e medicina do trabalho, ao qual será facultado dar efeito suspensivo ao
recurso.
§ 4º. Responderá por desobediência, além das medidas penais cabíveis, quem,
após determinada a interdição ou embargo, ordenar ou permitir o funcionamento do
estabelecimento ou de um dos seus setores, a utilização de máquina ou equipamento, ou
o prosseguimento de obra, se, em consequência, resultarem danos a terceiros.
§ 5º. O Delegado Regional do Trabalho, independente de recurso. E após laudo
técnico do serviço competente, poderá levantar a interdição.
§ 6º. Durante a paralisação dos serviços, em decorrência da interdição ou embargo,
os empregados receberão os salários como se estivessem em efetivo exercício.

Seção III
Dos órgãos de segurança e de medicina do trabalho nas empresas
ARTIGO 162

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
181

As empresas, de acordo com normas a serem expedidas pelo Ministério do


Trabalho, estarão obrigadas a manter serviços especializados em segurança e em
medicina do trabalho.
Parágrafo único. As normas a que se refere este Artigo estabelecerão:
a) classificação das empresas segundo o número de empregados e a natureza do
risco de suas atividades;
b) o número mínimo de profissionais especializados exigido de cada empresa,
segundo o grupo em que se classifique, na forma da alínea anterior;
c) a qualificação exigida para os profissionais em questão e o seu regime de
trabalho;
d) as demais características e atribuições dos serviços especializados em
segurança e em medicina do trabalho, nas empresas.

ARTIGO 163
Será obrigatória a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
(CIPA), de conformidade com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos
estabelecimentos ou locais de obra nelas especificadas.
Parágrafo único. O Ministério do Trabalho regulamentará as atribuições, a
composição e o funcionamento das CIPA.

ARTIGO 164
Cada CIPA será composta de representantes da empresa e dos empregados, de
acordo com os critérios que vierem a ser adotados na regulamentação de que trata o
parágrafo único do Artigo anterior.
§ 1º. Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes, serão por eles
designados.
§ 2º. Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em
escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de filiação sindical,
exclusivamente os empregados interessados.
§ 3º. O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida
uma reeleição.
§ 4º. O disposto no parágrafo anterior não se aplicará ao membro suplente que,
durante o seu mandato, tenha participado de menos da metade do número de reuniões
da CIPA.
§ 5º. O empregador designará, anualmente, dentre os seus representantes, o
Presidente da CIPA e os empregados elegerão, dentre eles, o Vice-Presidente.

ARTIGO 165
Os titulares da representação dos empregados nas CIPA não poderão sofrer
despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar,
técnico, econômico ou financeiro.
Parágrafo único. Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em caso de
reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer dos motivos
mencionados neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado.

Seção IV
Do Equipamento de Proteção Individual

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
182

ARTIGO 166
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de
proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e
funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção
contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados.

ARTIGO 167
O equipamento de proteção só poderá ser posto à venda ou utilizado com a
indicação do Certificado de Aprovação do Ministério do trabalho.
Comentário: As disposições legais determinam como obrigações do empregador,
quanto ao fornecimento do equipamento de proteção individual-EPI: adquirir o tipo
adequado ao risco ao qual estaria sujeito o trabalhador no desempenho de suas
atividades; adquirir somente aqueles aprovados pelo Ministério do Trabalho; Promover o
treinamento do trabalhador para ensiná-lo a usar corretamente o EPI, convencendo-o da
obrigatoriedade do uso; substituir desde logo o EPI danificado; promover a higienização e
manutenção periódica do EPI; fiscalizar o EPI fornecido, denunciando ao Ministério do
Trabalho qualquer irregularidade, por exemplo, na qualidade do material utilizado.
Quando o danificado o EPI, tendo sido esse dano provocado conscientemente pelo
empregado (dolo) será lícito o desconto em salário, conforme o artigo 462 da
Consolidação das Leis do Trabalho.
“Artigo 462. Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do
empregado, salvo quando...
§1º. Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, na
ocorrência de dolo do empregado.”
Quando restar comprovada a desídia, poderá resultar na qualificação de “falta
grave”, a ensejar a dispensa por justa causa, de acordo com o firmado pelo artigo 482 da
Consolidação das Leis do Trabalho.
“Artigo 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho:
e) Desídia no desempenho das respectivas funções;”

No caso de verificar-se a culpa através da negligência (deixar de guardar o EPI em


lugar seguro e não conservá-lo); imprudência (utilizar o EPI para outras finalidades); e a
imperícia (não sabendo como usar o EPI inutilizá-lo ou provocar acidentes), tais
comportamentos podem envolver a responsabilidade da empresa, se restar caracterizada
a falta de orientação ou treinamento. Para que o empregado não alegue a falta de
orientação, será sempre útil dar publicidade junto aos empregados das normas através
de ordens de serviço, conforme o artigo 157 da Consolidação das Leis do Trabalho. O
empregador deve buscar orientação técnica especializada, a fim de adotar o EPI
adequado à condição de risco da atividade exercida. A orientação técnica deve ser dada
Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, quando
houver. Nas empresas desobrigadas da manutenção do SESMT, a responsabilidade da
indicação do EPI adequado encontra-se afeta à Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes - CIPA, recaindo mais diretamente sobre a pessoa de seu presidente, a quem
cabe coordenar as atividades da comissão. Estando a empresa desobrigada de manter,
também, a CIPA, a responsabilidade é direta do empregador. Deverá buscar, neste caso,

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
183

orientação técnica especializada, podendo obtê-la do próprio Ministério do Trabalho, pois


a ele cabe, através das Delegacias, orientar as empresas quanto ao uso do EPI, quando
solicitado ou nas inspeções de rotina. São alguns equívocos cometidos pelas empresas,
em relação ao EPI:
• A empresa adquire o EPI e entende que a simples constatação da sua
existência, pela fiscalização, é suficiente para isentá-la de qualquer implicação
legal;
• A empresa exige do trabalhador sua assinatura em uma declaração, na qual o
trabalhador fica sendo o único responsável pela utilização do EPI, liberando a
empresa da responsabilidade de zelar pelo seu uso adequado; a empresa
adquire o EPI sem constatar a viabilidade de implantação de medidas de
proteção coletiva que possam eliminar as condições de risco;
• A empresa adquire os lotes de EPI, sem qualquer critério de seleção de tipos,
qualidade e quantidade, entregando-os ao trabalhador indiscriminadamente,
sem orientação e treinamento e
• A empresa demite sumariamente o trabalhador que se recusa ao uso do EPI,
como se ele estivesse cometendo falta grave.
Alguns desses atos não eximem o empregador de sua responsabilidade e são
enquadráveis no artigo 9 da Consolidação das Leis do Trabalho, que diz: “Serão nulos de
pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a
aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”.

Seção V
Das Medidas Preventivas de Medicina do Trabalho
ARTIGO 168
Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições
estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo
Ministério do Trabalho: (redação dada pela Lei nº 7.855/89)
I. na admissão;
II. na demissão;
III. periodicamente.
§ 1º. O Ministério do Trabalho baixará instruções relativas aos casos em que serão
exigíveis exames:
a) por ocasião da demissão;
b) complementares.
§ 2º. Outros exames complementares poderão ser exigidos, a critério médico, para
apuração da capacidade ou aptidão física e mental do empregado para a função que
deva exercer.
§ 3º. O Ministério do trabalho estabelecerá, de acordo com o risco da atividade e o
tempo de exposição, a periodicidade dos exames médicos.
§ 4º. O empregador manterá, no estabelecimento, o material necessário à
prestação de primeiros socorros médicos, de acordo com o risco da atividade.
§ 5º. O resultado dos exames médicos, inclusive o exame complementar, será
comunicado ao trabalhador, observados os preceitos da ética médica.
§ 6º Serão exigidos exames toxicológicos, previamente à admissão e por ocasião
do desligamento, quando se tratar de motorista profissional, assegurados o direito à

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
184

contraprova em caso de resultado positivo e a confidencialidade dos resultados dos


respectivos exames. (Incluído pela Lei nº 13.103, de 2015)
§ 7º Para os fins do disposto no § 6º, será obrigatório exame toxicológico com
janela de detecção mínima de 90 (noventa) dias, específico para substâncias psicoativas
que causem dependência ou, comprovadamente, comprometam a capacidade de
direção, podendo ser utilizado para essa finalidade o exame toxicológico previsto na Lei
no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, desde que
realizado nos últimos 60 (sessenta) dias. (Incluído pela Lei nº 13.103, de 2015)

ARTIGO 169
Será obrigatória a notificação das doenças profissionais e das produzidas em
virtude de condições especiais de trabalho, comprovadas ou objeto de suspeita, de
conformidade com as instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho.

Seção VI
Das Modificações
ARTIGO 170
As edificações deverão obedecer aos requisitos técnicos que garantam perfeita
segurança aos que nela trabalhem.

ARTIGO 171
Os locais de trabalho deverão ter, no mínimo, três metros de pé direito, assim
considerada a altura livre do piso ao teto.
Parágrafo único. Poderá ser reduzido esse mínimo desde que atendidas as
condições de iluminação e conforto térmico compatíveis com a natureza do trabalho,
sujeitando-se tal redução ao controle do órgão competente em matéria de segurança e
medicina do trabalho.

ARTIGO 172
Os pisos dos locais de trabalho não deverão apresentar saliências nem depressões
que prejudiquem a circulação de pessoas ou a movimentação de materiais.

ARTIGO 173
As aberturas nos pisos e paredes serão protegidas de forma que impeçam a queda
de pessoas ou de objetos.

ARTIGO 174
As paredes, escadas, rampas de acesso, passarelas, pisos, corredores, coberturas
e passagens dos locais de trabalho deverão obedecer às condições de segurança e de
higiene do trabalho estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e manter-se em perfeito
estado de conservação e limpeza.

Seção VII
Da Iluminação
ARTIGO 175

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
185

Em todos os locais de trabalho deverá haver iluminação adequada, natural ou


artificial, apropriada à natureza da atividade.
§ 1º. A iluminação deverá ser uniformemente distribuída, geral e difusa, a fim de
evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.
§ 2º. O Ministério do Trabalho estabelecerá os níveis mínimos de iluminamento a
serem observados.

Seção VIII
Do Conforto Térmico
ARTIGO 176
Os locais de trabalho deverão ter ventilação natural, compatível com o serviço
realizado.
Parágrafo único. A ventilação artificial será obrigatória sempre que a natural não
preencha as condições de conforto térmico.

ARTIGO 177
Se as condições de ambiente se tornarem desconfortáveis, em virtude de
instalações geradoras de frio ou de calor, será obrigatório o uso de vestimenta adequada
para o trabalho em tais condições ou de capelas, anteparos, paredes duplas, isolamento
térmico e recursos similares, de forma que os empregados fiquem protegidos contra as
radiações térmicas.

ARTIGO 178
As condições de conforto térmico dos locais de trabalho devem ser mantidas dentro
dos limites fixados pelo Ministério do trabalho.

Seção IX
Das Instalações Elétricas
ARTIGO 179
O Ministério do Trabalho disporá sobre as condições de segurança e as medidas
especiais a serem observadas relativamente às instalações elétricas em qualquer das
fases de produção, transmissão, distribuição ou consumo de energia.

ARTIGO 180
Somente profissional qualificado poderá instalar, operar, inspecionar ou reparar
instalações elétricas.

ARTIGO 181
Os que trabalharem em serviços de eletricidade ou instalações elétricas devem
estar familiarizados com os métodos de socorro a acidentados por choque elétrico.

Seção X
Da Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais
ARTIGO 182

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
186

O Ministério do Trabalho estabelecerá normas sobre:


I. as precauções de segurança na movimentação de materiais nos locais de
trabalho, os equipamentos a serem obrigatoriamente utilizados e as condições especiais
a que estão sujeitas a operação e a manutenção desses equipamentos, inclusive
exigências de pessoal habilitado;
II. as exigências similares relativas ao manuseio e à armazenagem de materiais,
inclusive quanto às condições de segurança e higiene relativas aos recipientes e locais
de armazenagem e os equipamentos de proteção individual;
III. a obrigatoriedade de indicação de carga máxima permitida nos equipamentos de
transporte, dos avisos de proibição de fumar e de advertência quanto à natureza perigosa
ou nociva à saúde das substâncias em movimentação ou em depósito, bem como das
recomendações de primeiros socorros e de atendimento médico e símbolo de perigo,
segundo padronização internacional, nos rótulos dos materiais ou substâncias
armazenadas ou transportadas.
Parágrafo único. As disposições relativas ao transporte de materiais aplicam-se,
também, no que couber, ao transporte de pessoas nos locais de trabalho.

ARTIGO 183
As pessoas que trabalharem na movimentação de materiais deverão estar
familiarizadas com os métodos racionais de levantamento de cargas.

Seção IX
Das Máquinas e Equipamentos
ARTIGO 184
As máquinas e os equipamentos deverão ser dotados de dispositivos de partida e
parada e outros que se fizerem necessários para a prevenção de acidentes do trabalho,
especialmente quanto ao risco de acionamento acidental.
Parágrafo único. É proibida a fabricação, a importação, a venda, a locação e o uso
de máquinas e equipamentos que não atendam o disposto neste artigo.

ARTIGO 185
Os reparos, limpeza e ajustes somente poderão ser executados com as máquinas
paradas, salvo se o movimento for indispensável à realização do ajuste.

ARTIGO 186
O Ministério do Trabalho estabelecerá normas adicionais sobre proteção e medidas
de segurança na operação de máquinas e equipamentos, especialmente quanto à
proteção das partes móveis, distância entre elas, vias de acesso às máquinas e
equipamentos de grandes dimensões, emprego de ferramentas, sua adequação e
medidas de proteção exigidas quando motorizadas ou elétricas.

Seção XII
Das caldeiras, Fornos e Recipientes sob Pressão
ARTIGO 187

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
187

As caldeiras, equipamentos e recipientes em geral que operam sob pressão


deverão dispor de válvulas e outros dispositivos de segurança, que evitem seja
ultrapassada a pressão interna de trabalho compatível com a sua resistência.
Parágrafo único. O Ministério do Trabalho expedirá normas complementares quanto
à segurança das caldeiras, fornos e recipientes sob pressão, especialmente quanto ao
revestimento interno, à localização, à ventilação dos locais e outros meios de eliminação
de gases ou vapores prejudiciais à saúde, e demais instalações ou equipamentos
necessários à execução segura das tarefas de cada empregado.

ARTIGO 188
As caldeiras serão periodicamente submetidas a inspeções de segurança, por
engenheiro ou empresa especializada, inscritos no Ministério de Trabalho, de
conformidade comas instruções que, para esse fim, forem expedidas.
§ 1º. Toda caldeira será acompanhada de “Prontuário”, com documentação original
do fabricante, abrangendo, no mínimo: especificação técnica, desenhos, detalhes, provas
e testes realizados durante a fabricação e a montagem, características funcionais e a
pressão máxima de trabalho permitida (PMTP), esta última indicada em local visível na
própria caldeira.
§ 2º. O proprietário de caldeira deverá organizar, manter atualizado e apresentar,
quando exigido pela autoridade competente, o Registro de Segurança, no qual serão
anotadas, sistematicamente, as indicações das provas efetuadas, inspeções, reparos e
quaisquer outras ocorrências.
§ 3º. Os projetos de instalação de caldeiras, fornos e recipientes sob pressão
deverão ser submetidas à aprovação prévia do órgão regional competente em matéria de
segurança do trabalho.

Seção XIII
Das Atividades Insalubres ou Perigosas
ARTIGO 189
Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua
natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados à agentes
nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da
intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

ARTIGO 190
O Ministério do Trabalho aprovará o quadro das atividades e operações insalubres
e adotará normas sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os limites de
tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de exposição
do empregado a esses agentes.
Parágrafo único. As normas referidas neste artigo incluirão medidas de proteção do
organismo do trabalhador nas operações que produzem aerodispersóides tóxicos,
irritantes, alergênicos ou incômodos.

ARTIGO 191
A eliminação ou a neutralização da insalubridade ocorrerá:

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
188

I. com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos


limites de tolerância;
II. com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador que
diminuam a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância.
Parágrafo único. Caberá às Delegacias Regionais do Trabalho, comprovada a
insalubridade, notificar as empresas, estipulando prazos para sua eliminação ou
neutralização, na forma deste artigo.

ARTIGO 192
O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância
estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional
respectivamente de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por
cento) do salário mínimo da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e
mínimo.

ARTIGO 193
Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da
regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua
natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição
permanente do trabalhador a: (Redação dada pela Lei nº 12.740, de 2012)
I - Inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)
II - Roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de
segurança pessoal ou patrimonial. (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)
§ 1º. O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um
adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de
gratificações, prêmios ou participação nos lucros da empresa.
§ 2º. O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe
seja devido.
§ 3º. Serão descontados ou compensados do adicional outros da mesma natureza
eventualmente já concedidos ao vigilante por meio de acordo coletivo. (Incluído pela Lei nº
12.740, de 2012)
§ 4º São também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em
motocicleta. (Incluído pela Lei nº 12.997, de 2014)

ARTIGO 194
O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou de periculosidade cessará
com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física, nos termos desta Seção e
das normas expedidas pelo Ministério do Trabalho.

ARTIGO 195
A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as
normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do
Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
189

§ 1º. É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais


interessadas requererem ao Ministério do Trabalho a realização de perícia em
estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar
as atividades insalubres ou perigosas.
§ 2º. Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade seja por empregado, seja
por Sindicato em favor de grupo de associados, o juiz designará perito habilitado na
forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente do
Ministério do Trabalho.
§ 3º. O disposto nos parágrafos anteriores não prejudica a ação fiscalizadora do
Ministério do Trabalho, nem a realização ex officio da perícia.

ARTIGO 196
Os efeitos pecuniários decorrentes do trabalho em condições de insalubridade ou
periculosidade serão devidos a contar da data da inclusão da respectiva atividade nos
quadros aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitadas as normas do artigo 11. (Art.
11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve em
cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a
extinção do contrato de trabalho. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017))

ARTIGO 197
Os materiais e substâncias empregados, manipulados ou transportados nos locais
de trabalho, quando perigosos ou nocivos à saúde, devem conter, no rótulo, sua
composição, recomendações de socorro imediato e o símbolo de perigo correspondente,
segundo a padronização internacional.
Parágrafo único. Os estabelecimentos que mantenham as atividades previstas
neste artigo afixarão, nos setores de trabalho atingidos, avisos ou cartazes, com
advertência quanto aos materiais e substâncias perigosas ou nocivas à saúde.

Seção XIV
Da prevenção da Fadiga
ARTIGO 198
É de 60 kg (sessenta quilogramas) o peso máximo que o empregado pode remover
individualmente, ressalvadas as disposições especiais relativas ao trabalho do menor e
da mulher.
Parágrafo único. Não está compreendida na proibição deste artigo a remoção de
material feita por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou
quaisquer outros aparelhos mecânicos, podendo o Ministério do Trabalho, em tais casos,
fixar limites diversos, que evitem sejam exigidos dos empregados serviços superiores as
suas forças.

ARTIGO 199
Será obrigatória a colocação de assentos que assegurem postura correta ao
trabalhador, capazes de evitar posições incômodas ou forçadas, sempre que a execução
da tarefa exija que trabalhe sentado.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
190

Parágrafo único. Quando o trabalho deva ser executado de pé, os empregados


terão à sua disposição assentos para serem utilizados nas pausas que o serviço permitir.

Seção XV
Das outras Medidas Especiais de Proteção
ARTIGO 200
Cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições complementares às
normas de que trata este Capítulo, tendo em vista as peculiaridades de cada atividade ou
setor de trabalho, especialmente sobre:
I. Medidas de prevenção de acidentes e os equipamentos de proteção individual em
obras de construção, demolição ou reparos;
II. Depósitos, armazenagem e manuseio de combustíveis, inflamáveis e explosivos,
bem como trânsito e permanência nas áreas respectivas;
III. Trabalho em escavações, túneis, galerias, minas e pedreiras, sobretudo quanto
à prevenção de explosões, incêndios, desmoronamentos e soterramentos, eliminação de
poeiras, gases, etc. e facilidades de rápida saída dos empregados.
IV. proteção contra incêndio em geral e as medidas preventivas adequadas, com
exigências ao especial revestimento de portas e paredes’, construção de paredes contra
fogo, diques e outros anteparos, assim como garantia geral de fácil circulação, corredores
de acesso e saídas amplas e protegidas, com suficiente sinalização;
V. proteção contra insolação, calor, frio, umidade e ventos, sobretudo no trabalho a
céu aberto, com provisão, quanto a este, de água potável, alojamento e profilaxia de
endemias;
VI. proteção do trabalhador exposto a substâncias químicas nocivas, radiações
ionizantes e não ionizantes, ruídos, vibrações e trepidações ou pressões anormais ao
ambiente de trabalho, com especificação das medidas cabíveis para eliminação, ou
atenuação desse efeitos, limites máximos quanto ao tempo de exposição, a intensidade
da ação ou de seus efeitos sobre o organismo do trabalhador, exames médicos
obrigatórios, limites de idade, controle permanente dos locais de trabalho e das demais
exigências que se façam necessárias;
VII. higiene nos locais de trabalho, com discriminação das exigências, instalações
sanitárias, com separação de sexos, chuveiros, lavatórios, vestuários e armários
individuais, refeitórios ou condição de conforto por ocasião das refeições, fornecimento
de água potável, condições de limpeza dos locais de trabalho e modo de sua execução,
tratamento de resíduos industriais;
VIII. emprego das cores nos locais de trabalho, inclusive nas sinalizações de perigo.
Parágrafo único. Tratando-se de radiações ionizantes e explosivos, as normas a
que se refere este artigo serão expedidas de acordo com as resoluções a respeito
adotadas pelo órgão técnico.

Seção XVI
Das Penalidades
ARTIGO 201
As infrações ao disposto neste Capítulo relativas à medicina do trabalho serão
punidas com multa de 3 (três) a 30 (trinta) vezes o valor de referência previsto no artigo

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
191

2º, parágrafo único, da Lei nº 6.205, de 29 de abril de 1975, e as concernentes à


segurança do trabalho com multa de 5 (cinco) a 50 (cinquenta) vezes o mesmo valor.
Parágrafo único. Em caso de reincidência, embaraço ou resistência à fiscalização,
emprego de artifício ou simulação com objetivo de fraudar a lei, a multa será aplicada em
seu valor máximo.
Promulgada por Ernesto Geisel

6.6. ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DO ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO


TRABALHO E DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO
A Resolução nº. 359, de 31 de julho de 1991
(Publicada no DOU em 01.11.91)
O CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA,
no uso da atribuição que lhe confere o artigo 27, alínea f, da Lei nº. 5.194, de 24 de
dezembro de 1966;
Considerando que a Lei nº. 7.410/85 veio excepcionar a legislação anterior que
regulou os cursos de especialização e seus objetivos, tanto que o seu artigo 6º
revogou as disposições em contrário;
Considerando a aprovação, pelo Conselho Federal de Educação do currículo
básico do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho - Parecer nº. 19/87;
Considerando, ainda, que tal parecer nº. 19/87 é expresso em ressaltar “deve a
Engenharia de Segurança do Trabalho voltar-se precipuamente para a proteção do
trabalhador em todas as unidades laborais no que se refere a questão de
segurança, inclusive higiene do trabalho sem interferência específica nas
competências legais e técnicas estabelecidas para as diversas modalidades da
Engenharia, Arquitetura e Agronomia;
Considerando, ainda, que o mesmo parecer concluiu por fixar um currículo básico
único e uniforme para a pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho,
independentemente da modalidade do curso de graduação concluído pelos
profissionais engenheiros e arquitetos;
Considerando que a Lei nº. 7.410 faculta a todos os titulados como Engenheiro a
faculdade de se habilitar como Engenheiros de Segurança do Trabalho, estando,
portanto, amparados inclusive os engenheiros da área de agronomia;
Considerando, por fim, a manifestação da Secretaria de Segurança e Medicina do
Trabalho, prevista no artigo 4º do Decreto nº. 92.530/86, pela qual “a Engenharia de
Segurança do Trabalho visa a prevenção de riscos nas atividades de trabalho com
vistas à defesa da integridade da pessoa humana”, resolve:

Artigo 1º. O exercício da especialização de Engenheiro de Segurança do Trabalho


é permitido, exclusivamente:
I. ao Engenheiro ou Arquiteto, portador de certificado de conclusão de curso de
especialização a nível de pós-graduação, em Engenharia de Segurança do Trabalho;
II. ao portador de certificado de curso de especialização em Engenharia de
Segurança do Trabalho, realizado em caráter prioritário pelo Ministério do Trabalho;

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
192

III. ao portador de registro de Engenharia de Segurança do Trabalho, expedido pelo


Ministério do Trabalho, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da extinção do curso referido
no item anterior.
Parágrafo único. A expressão Engenheiro é específica e abrange o universo, sujeito
a fiscalização do CONFEA, compreendido entre os artigos 2º a 22º, inclusive, da
Resolução nº. 218/73.

Artigo 2º. Os Conselhos Regionais concederão o Registro dos Engenheiros de


Segurança do Trabalho procedendo à anotação nas carteiras profissionais já expedidas.

Artigo 3º. Para o registro só serão aceitos certificados de cursos de pós-graduação


acompanhados do currículo cumprido de conformidade com o Parecer nº 19/87, do
Conselho Federal de Educação.

Artigo 4º. As atividades dos Engenheiros e Arquitetos na especialidade de


Engenharia de segurança do Trabalho são as seguintes:
1. supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente os serviços de Engenharia de
Segurança do trabalho;
2. estudar as condições de segurança dos locais de trabalho, das instalações e
equipamentos, com vistas especialmente aos problemas de controle de risco, controle de
poluição, higiene do trabalho, ergonomia, prática contra incêndio e saneamento;
3. planejar e desenvolver a implantação e técnicas relativas a gerenciamento e
controle de riscos;
4. vistoriar, avaliar, realizar perícias, arbitrar, emitir parecer, laudos técnicos e
indicar medidas de controle sobre grau de exposição a agentes agressivos de riscos
físicos, químicos e biológicos, tais como: poluentes atmosféricos, ruídos , calor, radiação
em geral e pressões anormais, caracterizando as atividades, operações e locais
insalubres e perigosos;
5. analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas, propondo medidas
preventivas e corretivas e orientando trabalhos estatísticos, inclusive com respeito a
custos;
6. propor políticas, programas, normas e regulamentos de Segurança do Trabalho,
zelando pela sua observância;
7. elaborar projetos de sistemas de segurança e assessorar a elaboração de
projetos de obras, instalação e equipamentos, opinando do ponto de vista da Engenharia
de Segurança;
8. estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando seus pontos de
riscos e projetando dispositivos de Segurança;
9. projetar sistemas de proteção contra incêndios, coordenar atividades de combate
a incêndio e de salvamento e elaborar planos para emergências e catástrofes;
10. inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a Segurança do
Trabalho, delimitando áreas de periculosidade;
11. especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva e equipamentos
de segurança, inclusive os de proteção individual e os de proteção contra incêndio,
assegurando-se sua qualidade e eficiência;

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
193

12. opinar e participar da especificação para aquisição de substâncias e


equipamentos cuja manipulação, armazenamento, transporte ou funcionamento possam
apresentar riscos, acompanhando o controle do recebimento e da expedição;
13. elaborar planos destinados a criar e desenvolver a prevenção do acidente,
provendo a instalação de comissões e assessorando-lhes o funcionamento;
14. orientar o treinamento específico de Segurança do Trabalho e assessorar a
elaboração de programas de treinamento geral, no que diz respeito à Segurança do
Trabalho;
15. acompanhar a execução de obras e serviços decorrentes da adoção de
medidas de segurança, quando a complexidade dos trabalhos a executar assim o exigir;
16. colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício de funções,
apontando os riscos decorrentes desses exercícios;
17. propor medidas preventivas no campo de Segurança do Trabalho, em face do
conhecimento da natureza e gravidade das lesões provenientes do acidente de trabalho,
incluídas as doenças do trabalho;
18. informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou por meio de seus
representantes, as condições que possam trazer danos a sua integridade e as medidas
que eliminam ou atenuam estes riscos e que deverão ser tomadas.

Artigo 5º. A presente Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

Artigo 6º. Revogam-se as Resoluções 325 de 27 de novembro de 1987 e 329 de 31


de março de 1989 e as disposições em contrário.

Portaria nº. 3.275, de 21 de setembro de 1989


(Publicada no DOU em 22.09.89)
A MINISTRA DE ESTADO DO TRABALHO, no uso de suas atribuições,
considerando o disposto no artigo 6º do Decreto nº 92.530, de 9 de abril de 1986, que dá
competência ao Ministério do Trabalho para definir as atividades do Técnico de
Segurança do Trabalho, resolve:
Artigo 1º. As atividades do Técnico de Segurança do Trabalho são as seguintes:
I. informar o empregador, através de parecer técnico, sobre os riscos existentes nos
ambientes de trabalho, bem como orientá-los sobre as medidas de eliminação e
neutralização;
II. informar os trabalhadores sobre os riscos de sua atividade, bem como as
medidas de eliminação e neutralização;
III. analisar os métodos e os processos de trabalho e identificar os fatores de risco
de acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho e a presença de agentes
ambientais agressivos ao trabalhador, propondo sua eliminação ou seu controle;
IV. executar os procedimentos de segurança e higiene do trabalho e avaliar os
resultados alcançados, adequando-os às estratégias utilizadas de maneira a integrar o
processo prevencionista em uma planificação, beneficiando o trabalhador;
V. executar programas de prevenção de acidentes do trabalho, doenças
profissionais e do trabalho nos ambientes de trabalho, com a participação dos

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
194

trabalhadores, acompanhando e avaliando seus resultados, bem como sugerindo


constante atualização dos mesmos e estabelecendo procedimentos a serem seguidos;
VI. promover debates, encontros, campanhas, seminários, palestras, reuniões,
treinamentos e utilizar outros recursos de ordem didática e pedagógica com o objetivo de
divulgar as normas de segurança e higiene do trabalho, assuntos técnicos,
administrativos e prevencionistas, visando evitar acidentes do trabalho, doenças
profissionais e do trabalho;
VII. executar as normas de segurança referentes a projetos de construção,
ampliação, reforma, arranjos físicos e de fluxos, com vistas à observância das medidas
de segurança e higiene do trabalho, inclusive por terceiros;
VIII. encaminhar aos setores e áreas competentes normas, regulamentos,
documentação, dados estatísticos, resultados de análises e avaliações, materiais de
apoio técnico, educacional e outros de divulgação para conhecimento e
autodesenvolvimento do trabalhador;
IX. indicar, solicitar e inspecionar equipamentos de proteção contra incêndio,
recursos audiovisuais e didáticos e outros materiais considerados indispensáveis, de
acordo com a legislação vigente, dentro das qualidades e especificações técnicas
recomendadas, avaliando seu desempenho;
X. cooperar com as atividades do meio ambiente, orientando quanto ao tratamento
e destinação de resíduos industriais, incentivando e conscientizando o trabalhador da sua
importância para a vida;
XI. orientar as atividades desenvolvidas por empresas contratadas, quanto aos
procedimentos de segurança e higiene do trabalho previstos na legislação ou constantes
em contratos de prestação de serviços;
XII. executar as atividades ligadas à segurança e higiene do trabalho utilizando
métodos e técnicas científicas, observando dispositivos legais e institucionais que
objetivem a eliminação, controle ou redução permanente dos riscos de acidentes do
trabalho e a melhoria das condições do ambiente, para preservar a integridade física e
mental dos trabalhadores;
XIII. levantar e estudar os dados estatísticos de acidentes do trabalho, doenças
profissionais e do trabalho, calcular a frequência e a gravidade destes para ajustes das
ações prevencionistas, normas, regulamentos e outros dispositivos de ordem técnica, que
permitam a proteção coletiva e individual;
XIV. articular-se e colaborar com os setores responsáveis pelos recursos humanos,
fornecendo-lhes resultados de levantamentos técnicos de riscos das áreas e atividades
para subsidiar a adoção de medidas de prevenção a nível de pessoal;
XV. informar os trabalhadores e o empregador sobre as atividades insalubres,
perigosas e penosas existentes na empresa, seus riscos específicos, bem como as
medidas e alternativas de eliminação dos mesmos;
XVI. avaliar as condições ambientais de trabalho e emitir parecer técnico que
subsidie o planejamento e a organização do trabalho de forma segura para o trabalhador;
XVII. articular-se e colaborar com os órgãos e entidades ligados à prevenção de
acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho e
XVIII. participar de seminários, treinamentos, congressos e cursos visando o
intercâmbio e o aperfeiçoamento profissional.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
195

Artigo 2º. As dúvidas suscitadas e os casos omissos serão dirimidos pela Secretaria
de Segurança e Medicina do Trabalho (). (atual Subsecretaria de Inspeção do Trabalho
do Ministério da Economia)
Artigo 3º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.

6.7. A REGULAMENTAÇÃO EM SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

O DECRETO Nº 9.944, DE 30 DE JULHO DE 2019


Dispõe sobre o Conselho Nacional do Trabalho e institui a Comissão Tripartite
Paritária Permanente-CTPP

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,


caput, inciso VI, alínea “a”, da Constituição,
DECRETA:
Art. 1º Este Decreto dispõe sobre o Conselho Nacional do Trabalho e institui a
Comissão Tripartite Paritária Permanente, órgãos colegiados do Ministério da Economia.

CAPÍTULO I
DO CONSELHO NACIONAL DO TRABALHO
Art. 2º O Conselho Nacional do Trabalho, órgão colegiado de natureza consultiva,
integrante da estrutura organizacional do Ministério da Economia, é composto de forma
tripartite, observada a paridade entre representantes dos trabalhadores e dos
empregadores.
Art. 3º Compete ao Conselho Nacional do Trabalho:
I - Propor políticas e ações para modernizar as relações de trabalho;
II - Estimular a negociação coletiva e o diálogo social como mecanismos de solução
de conflitos;
III - promover o entendimento entre trabalhadores e empregadores e buscar
soluções em temas estratégicos relativos às relações de trabalho;
IV - Propor diretrizes para a elaboração dos planos, dos programas e das normas
sobre políticas públicas em matéria trabalhista, de competência do Ministério da
Economia, com base em informações conjunturais e prospectivas das situações política,
econômica e social do País;
V - Propor estudos e analisar instrumentos legislativos e normas complementares
que visem a aperfeiçoar as condições e as relações de trabalho; e
VI - Pronunciar-se sobre outros assuntos que lhe sejam submetidos, na sua área de
competência.
Art. 4º O Conselho Nacional do Trabalho será composto por dezoito
representantes, sendo:
I - Seis do Poder Executivo federal;
II - Seis dos empregadores; e
III - seis dos trabalhadores.
§ 1º Cada membro do Conselho Nacional do Trabalho terá um suplente, que o
substituirá em suas ausências e seus impedimentos.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
196

§ 2º Os seis membros de que trata o inciso I do caput e respectivos suplentes


serão indicados pelos titulares dos seguintes órgãos:
I - Quatro pelo Ministério da Economia, sendo:
a) dois pela Secretaria do Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e
Trabalho;
b) um pela Secretaria de Previdência da Secretaria Especial de Previdência e
Trabalho; e
c) um pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade;
II - Um membro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e
III - um membro pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
§ 3º Os membros de que trata o inciso II do caput e respectivos suplentes serão
indicados pelas seis confederações empresariais com registro ativo no Cadastro Nacional
de Entidades Sindicais com maior número de sindicatos filiados.
§ 4º Os membros de que trata o inciso III do caput e respectivos suplentes serão
indicados pelas centrais sindicais que atenderem aos requisitos de representatividade de
que trata o art. 2º da Lei nº 11.648, de 31 de março de 2008, observado o disposto no art.
3º da referida Lei.
§ 5º Os membros suplentes de que tratam os § 3º e § 4º poderão ser indicados por
entidade diferente da entidade que houver indicado o membro titular, definida em comum
acordo entre as confederações ou as centrais sindicais, conforme o caso.
§ 6º Poderão ser convidados especialistas, representantes de outros órgãos,
entidades ou organismos internacionais para participarem das reuniões do Conselho
Nacional de Trabalho que tratarem de temas específicos das relações de trabalho, sem
direito a voto.
§ 7º Os membros do Conselho Nacional de Trabalho serão designados pelo
Ministro de Estado da Economia.
§ 8º O Conselho Nacional de Trabalho será presidido pelo Secretário do Trabalho
da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.
§ 9º A reunião de instalação do Conselho Nacional de Trabalho será convocada por
seu Presidente no prazo de quarenta e cinco dias, contado da data de publicação da
designação de seus membros.
Art. 5º O Conselho Nacional de Trabalho terá sua organização e seu funcionamento
estabelecidos em regimento interno, elaborado pela Secretaria do Trabalho da Secretaria
Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e aprovado pela maioria
de seus membros no prazo de sessenta dias, contado da data da reunião de sua
instalação, e será homologado e publicado por seu Presidente.
Art. 6º O quórum de reunião do Conselho Nacional de Trabalho é de maioria dos
seus membros e o quórum de aprovação é de maioria simples.
Art. 7º O Conselho Nacional de Trabalho se reunirá, em caráter ordinário,
trimestralmente e, em caráter extraordinário, sempre que convocado por seu Presidente
ou pela maioria de seus membros.
Art. 8º O Conselho Nacional de Trabalho poderá instituir até quatro comissões
temáticas, com a finalidade de monitorar, avaliar e propor políticas específicas
relacionadas às relações de trabalho.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
197

Parágrafo único. As comissões temáticas serão compostas na forma de ato do


Conselho Nacional de Trabalho, que definirá os seus objetivos específicos e o seu
funcionamento, e os seus membros serão designados pelo Presidente dentre os
representantes de que trata o art. 4º.
Art. 9º O Presidente do Conselho Nacional de Trabalho poderá instituir grupos de
trabalho específicos para auxiliar no cumprimento das competências de que trata o art.
3º.
Parágrafo único. Os grupos de trabalho:
I - Serão compostos na forma de ato do Conselho Nacional de Trabalho, que
definirá os seus objetivos específicos, o seu funcionamento e, quando for o caso, o prazo
para conclusão dos seus trabalhos;
II - Não poderão ter mais de nove membros;
III - terão caráter temporário e duração não superior a um ano; e
IV - Estarão limitados a quatro operando simultaneamente.

CAPÍTULO II
DA COMISSÃO TRIPARTITE PARITÁRIA PERMANENTE
Art. 10. A Comissão Tripartite Paritária Permanente, órgão colegiado de natureza
consultiva, é composto de forma tripartite, observada a paridade entre representantes dos
trabalhadores e dos empregadores.
Art. 11. Compete à Comissão Tripartite Paritária Permanente:
I - Propor ações nas áreas de segurança e saúde no trabalho;
II - Propor medidas de compatibilização entre a proteção ao trabalhador e o
desenvolvimento econômico do País;
III - estimular o diálogo entre trabalhadores e empregadores de forma a melhorar as
condições de trabalho;
IV - Elaborar estudos e, quando solicitado, participar do processo de revisão das
normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho; e
V - Elaborar estudos e acompanhar pesquisas e eventos científicos relativos à
prevenção de acidentes e doenças do trabalho.
Art. 12. A Comissão Tripartite Paritária Permanente será composta por dezoito
representantes, sendo:
I - Seis do Poder Executivo federal;
II - Seis dos empregadores; e
III - seis dos trabalhadores.
§ 1º Cada membro do colegiado terá um suplente, que o substituirá em suas
ausências e seus impedimentos.
§ 2º Os seis membros de que trata o inciso I do caput e respectivos suplentes
serão indicados pelos titulares dos seguintes órgãos:
I - Cinco membros do Ministério da Economia, sendo:
a) três da Secretaria do Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho,
um dos quais a presidirá;
b) um da Secretaria de Previdência da Secretaria Especial de Previdência e
Trabalho; e

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
198

c) um da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho;


e
II - Um do Ministério da Saúde.
§ 3º Dentre os membros de que trata o inciso I do § 2º, dois serão auditores fiscais
do trabalho da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho da Secretaria do Trabalho da
Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.
§ 4º Os membros de que trata o inciso II do caput e respectivos suplentes serão
indicados pelas confederações empresariais com registro ativo no Cadastro Nacional de
Entidades Sindicais com maior número de sindicatos filiados.
§ 5º Os membros de que trata o inciso III do caput serão indicados pelas centrais
sindicais que atenderem aos requisitos de representatividade de que trata o art. 2º da
Lei nº 11.648, de 2008, observado o disposto no art. 3º da referida Lei.
§ 6º Os membros suplentes de que tratam os § 4º e § 5º poderão ser indicados por
entidade diferente da entidade que houver indicado o membro titular, definida em comum
acordo entre as confederações ou as centrais sindicais, conforme o caso.
§ 7º Poderão ser convidados especialistas, representantes de outros órgãos,
entidades ou organismos internacionais para participar das reuniões da Comissão
Tripartite Paritária Permanente que tratarem de temas específicos de segurança e saúde
do trabalho, sem direito a voto.
§ 8º Os membros da Comissão Tripartite Paritária Permanente serão designados
pelo Ministro de Estado da Economia.
§ 9º A Comissão Tripartite Paritária Permanente será presidida pelo Secretário do
Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia ou
por servidor por ele designado.
§ 10. A reunião de instalação da Comissão Tripartite Paritária Permanente será
convocada pelo seu Presidente no prazo de quarenta e cinco dias, contado da data de
publicação da designação de seus membros.
Art. 13. A Comissão Tripartite Paritária Permanente terá sua organização e seu
funcionamento estabelecidos em regimento interno, elaborado pela Secretaria do
Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e
aprovado pela maioria de seus membros no prazo de sessenta dias, contado da data da
reunião de sua instalação, e será homologado e publicado por seu Presidente.
Art. 14. O quórum de reunião da Comissão Tripartite Paritária Permanente é de
maioria dos seus membros e o quórum de aprovação é de maioria simples.
Art. 15. A Comissão Tripartite Paritária Permanente se reunirá em caráter ordinário
trimestralmente e em caráter extraordinário sempre que convocado por seu Presidente ou
pela maioria de seus membros.
Art. 16. A Comissão Tripartite Paritária Permanente poderá instituir até três
comissões temáticas, com a finalidade de monitorar, avaliar e propor políticas específicas
relacionadas à segurança e à saúde do trabalho.
Parágrafo único. As comissões temáticas serão compostas na forma de ato da
Comissão Tripartite Paritária Permanente, que definirá os seus objetivos específicos e o
seu funcionamento, e os seus membros serão designados pelo Presidente dentre os
representantes de que trata o art. 12.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
199

Art. 17.O Presidente da Comissão Tripartite Paritária Permanente poderá instituir


grupos de trabalho específicos para auxiliar no cumprimento das competências de que
trata o art. 11.
Parágrafo único. Os grupos de trabalho:
I - Serão compostos na forma de ato da Comissão Tripartite Paritária Permanente,
que definirá os seus objetivos específicos, o seu funcionamento e, quando for o caso, o
prazo para conclusão dos seus trabalhos;
II - Não poderão ter mais de nove membros;
III - terão caráter temporário e duração não superior a um ano; e
IV - Estarão limitados a seis operando simultaneamente.

CAPÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 18. A Secretaria-Executiva do Conselho Nacional do Trabalho e da Comissão
Tripartite Paritária Permanente será exercida pela Secretaria Especial de Previdência e
Trabalho do Ministério da Economia.
Art. 19. Os membros do Conselho Nacional do Trabalho, da Comissão Tripartite
Paritária Permanente e das respectivas comissões temáticas e grupos de trabalho que se
encontrarem no Distrito Federal se reunirão presencialmente e os membros que se
encontrem em outros entes federativos participarão da reunião por meio de
videoconferência ou de outros meios telemáticos.
Art. 20. A participação no Conselho Nacional do Trabalho, na Comissão Tripartite
Paritária Permanente, nas respectivas comissões temáticas e grupos de trabalho será
considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada.
Art. 21. O Conselho Nacional do Trabalho e a Comissão Tripartite Paritária
Permanente deverão elaborar relatório anual de suas atividades, que conterá a avaliação
da produção e dos resultados alcançados.
Parágrafo único. Os relatórios de que trata o caput serão encaminhados ao
Secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia no prazo de
trinta dias após a data de realização da última reunião anual do Conselho Nacional do
Trabalho e da Comissão Tripartite Paritária Permanente.
Art. 22. Ficam revogados:
I – o Decreto nº 4.796, de 29 de julho de 2003;
II – os itens IX a XII do Anexo ao Decreto nº 7.602, de 7 de novembro de 2011; e
III – o Decreto nº 9.028, de 6 de abril de 2017.
Art. 23. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 30 de julho de 2019; 198º da Independência e 131º da República.
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Paulo Guedes

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
200

PORTARIA Nº 1.224, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2018

Estabelece procedimentos para a elaboração e revisão de normas


regulamentadoras relacionadas à segurança e saúde no trabalho e às condições gerais
de trabalho.

O MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO, no uso das atribuições que lhe


conferem o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal, , o artigo 200
da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 5.452, de 1º
de maio de 1943 e o artigo 13 da Lei n.º 5.889, de 8 de junho de 1973, resolve:

Art. 1º Esta portaria estabelece a metodologia de regulamentação na área de


segurança e saúde no trabalho e em questões relacionadas às condições gerais de
trabalho, que deve ter como princípio a consulta às organizações representativas do
Governo, dos Trabalhadores e dos Empregadores, integrantes da Comissão Tripartite
Paritária Permanente - CTPP, instituída pela Portaria SSST n.º 2, de 10 de abril de 1996.

Parágrafo único. Cabe ao Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho -


DSST, da Secretaria de Inspeção do Trabalho - SIT, coordenar a CTPP.

Art. 2º O procedimento de elaboração ou revisão de Norma Regulamentadora - NR


deve observar as seguintes etapas:

I - Delimitação do tema a ser regulamentado ou NR a ser revisada;

II - Elaboração de texto técnico básico;

III - disponibilização do texto técnico básico para consulta pública;

IV - Elaboração de proposta de regulamentação;

V - Apreciação da proposta de regulamentação;

VI - Aprovação;

VII - publicação da norma no Diário Oficial da União - DOU; e

VIII - implementação assistida.

Art. 3º Os temas a serem regulamentados ou as NR a serem revisadas serão


estabelecidos pelo DSST, ouvida a CTPP, após análise de proposta encaminhada por
qualquer uma das bancadas.

Art. 4° A proposta deve conter análise de impacto regulatório para a criação ou


revisão de texto normativo e plano de trabalho.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
201

§1º A análise do impacto regulatório, conforme procedimento a ser estabelecido


pelo DSST, pode ser fundamentada em:

I - Preenchimento de lacuna regulamentar;

II - Harmonização ou solução de conflito normativo;

III - impacto esperado, utilizando indicadores, tais como taxas de acidentes ou


adoecimentos, trabalhadores atingidos e não conformidades detectadas pela Inspeção do
Trabalho;

IV - Vulnerabilidade do grupo alvo; ou

V - Inovações tecnológicas.

§2º O plano de trabalho deve conter:

I - Os pressupostos da proposta;

II - Os principais aspectos a serem contemplados no texto normativo;

III - as etapas do trabalho; e

IV - O cronograma de trabalho.

Art. 5º O texto técnico básico será elaborado por Grupo Técnico - GT, a ser
constituído pelo DSST e composto por Auditores-Fiscais do Trabalho.

§1º A critério do DSST, o GT poderá ser integrado por profissionais pertencentes à


Fundação Jorge Duprat de Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho -
FUNDACENTRO, e a entidades de direito público ou privado, ligadas à área objeto da
regulamentação pretendida.

§2º O GT será composto por 02 (dois) a 06 (seis) membros, designados pelo


DSST.

Art. 6º O DSST poderá, ouvida a CTPP, constituir Grupo de Estudo Tripartite - GET,
com finalidade de aprofundar os estudos sobre o tema a ser regulamentado, previamente
à constituição do GT.

§1º O GET será constituído de forma paritária por 2 (dois) a 6 (seis) membros de
cada bancada, indicados pelas entidades que compõem a CTPP.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
202

§2º A primeira reunião do GET poderá ocorrer, ainda que a composição do Grupo
não esteja completa.

Art. 7º O texto técnico básico será disponibilizado para consulta pública com o
objetivo de dar publicidade à proposta de regulamentação e de possibilitar a análise e o
encaminhamento de sugestões por parte da sociedade.

§1º Cabe ao DSST, ouvida a CTPP, definir o prazo da consulta pública que pode
variar de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias.

§2º Em caso de necessidade, o prazo da consulta pública poderá ser prorrogado


pelo DSST.

§3º As sugestões devem ser encaminhadas ao DSST.

§4º O DSST, ouvida a CTPP, pode decidir pela não submissão à consulta pública
de determinada proposta.

Art. 8º Esgotado o prazo para consulta pública, o DSST constituirá Grupo de


Trabalho Tripartite - GTT, com o objetivo de analisar as sugestões recebidas e elaborar
proposta de regulamentação ou de revisão de NR.

§1º O GTT deve ser composto por 02 (dois) a (06) seis membros de cada bancada,
indicados pelas entidades que compõem a CTPP.

§2º A primeira reunião do GTT poderá ocorrer, ainda que a composição do Grupo
não esteja completa.

Art. 9º A proposta de regulamentação ou de revisão de NR, acompanhada do plano


de implementação e da indicação do prazo para entrada em vigor, com correspondente
justificativa, deve ser encaminhada ao DSST, que a encaminhará à CTPP para
apreciação.

Parágrafo único. Além da indicação das ações essenciais para implementação e do


cronograma, o plano de implementação pode prever:

I - A elaboração de instrumentos de divulgação; e

II - A realização de eventos para divulgação.

Art.10. A CTPP deve se pronunciar sobre a proposta de regulamentação ou de


revisão de NR e prazo para entrada em vigor.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
203

Art. 11. Recebida a proposta apreciada pela CTPP, cabe ao DSST encaminhá-la à
SIT para que esta decida sobre a questão que permanecer controversa e enviar o texto
final para publicação.

Art. 12. Os grupos GT, GET e GTT poderão recomendar ao DSST a realização de
audiências públicas, seminários, debates, conferências ou outros eventos, como forma de
promover a ampla participação da sociedade no processo de elaboração ou revisão de
NR.

Art. 13. O funcionamento dos grupos GT, GET e GTT é regido pela Portaria SIT n°
186, de 28 de maio de 2010, e deve observar os seguintes termos:

I - Ser coordenado por representante do DSST;

II - Realizar reuniões presenciais ou por videoconferência; e

III - funcionar pelo tempo de atividade a ser definido pelo DSST, a partir de
avaliação do plano de trabalho.

Parágrafo único. Os Grupos referidos no caput podem ser assessorados por até 2
(dois) técnicos por bancada.

Art. 14. A implementação assistida, realizada após publicada a norma, compreende


o acompanhamento da implementação e a revisão crítica da regulamentação.

§1º O DSST, ouvida a CTPP, poderá, em conformidade com a Portaria SIT n.º 186,
de 28 de maio de 2010, criar Comissão Nacional Tripartite Temática - CNTT, para
acompanhar a implementação da regulamentação.

§2º A revisão crítica da regulamentação, objetivando verificar a eficácia da


regulamentação e sua atualização, deve ser realizada periodicamente, em intervalos não
superiores a 5 (cinco) anos, conforme planejamento quinquenal estabelecido pelo DSST,
ouvida a CTPP.

§3º A revisão crítica será realizada pela CNTT, quando existir, ou GT constituído
para esse fim.

§4º Concluída a revisão crítica, a CNTT ou o GT encaminhará relatório ao DSST


indicando a necessidade de atualização do texto normativo e sugestões.

§5º A CNTT poderá desempenhar as atribuições dos grupos GT, GET e GTT, no
procedimento de revisão de NR.

Art. 15. A participação na CTPP ou em qualquer dos grupos citados nesta Portaria
não dará ensejo à percepção de remuneração específica pelos seus integrantes.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
204

Art. 16. As dúvidas e os casos omissos serão dirimidos pelo DSST.

Art. 17. Revoga-se a Portaria MTE n.º 1.127, de 02 de outubro de 2003, publicada
no DOU de 03/10/2003, Seção 1, pág. 100.

Art. 18. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

CAIO VIEIRA DE MELLO

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
205

6.9. TESTES
1. Avalie a veracidade das assertivas seguintes a respeito da evolução histórica da
legislação aplicada à saúde dos trabalhadores e assinale a alternativa correta.
I. A Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes foi a primeira lei de proteção aos
trabalhadores publicada na Inglaterra.
II. O "Factory Act" publicado na Inglaterra em 1833 proibia jornadas semanais de
trabalho superiores a 69 horas.
III. O Decreto Legislativo nº. 3.724, de 1919, constitui um marco dentro da história
da legislação brasileira dedicada às condições de trabalho da classe operária.

a) Todas as assertivas estão erradas.


b) Apenas a primeira assertiva está errada.
c) Apenas a terceira assertiva está errada.
d) Há apenas duas assertivas corretas.
e) Todas as assertivas estão corretas.
Feedback: item 6.1.

2. Entre os princípios constantes da Declaração Universal dos Direitos Humanos,


que dizem respeito ao trabalho, temos:
I- Todo homem tem direito livre escolha de emprego.
II- Igual remuneração por igual trabalho é direito de todo homem.
III- Todo homem pode filiar-se a sindicato para defender seus interesses.
IV- Todo homem tem direito de organizar sindicatos.

a) Apenas a assertiva III está correta.


b) Apenas as assertivas III e IV estão corretas.
c) Apenas as assertivas I e II estão corretas.
d) Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas.
e) Todas as assertivas estão corretas.
Feedback: item 6.2.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
206

3. Avalie se as afirmativas seguintes sobre o Direito são verdadeiras ou falsas e, a


seguir, assinale a alternativa que traz, de cima para baixo, a sequência correta.
I. O Direito pode ser apreendido como um conjunto harmônico de regras de
organização e comportamento que, consagrado pelo Estado, se impõe
coativamente aos cidadãos.
II. O Direito privado interno divide-se nos seguintes ramos: constitucional,
administrativo, tributário e criminal.
III. Para que tenha os atributos de validade e eficácia, a lei deve ser emanada de
poder competente e elaborada segundo procedimento estabelecido em normas de
hierarquia superior.
IV. No Direito do Trabalho, para que uma norma seja hierarquicamente superior
àquela que lhe fundamenta e dá sua validade, faz-se necessário que ela avance em
relação à proteção do trabalhador.

a) V-F-V-F.
b) F-V-F-V.
c) V-V-F-F.
d) V-F-F-V.
e) V-V-V-F.
Feedback: item 6.3.

4. Avalie se são verdadeiras ou não as afirmações seguintes sobre os direitos dos


trabalhadores previstos na Constituição Federal e, a seguir, aponte a alternativa
que traz, de cima para baixo, a sequência correta.
I. O trabalhador tem direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança.
II. O trabalhador tem direito ao adicional de remuneração para atividades penosas,
insalubres ou perigosas, na forma da lei.
III. O trabalhador tem direito ao seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador que, por ser universal, exclui indenizações passíveis de reclamação na
esfera cível.
IV. O trabalho de menores de 18 anos em condições insalubres e/ou perigosas será
precedido de análise e autorização da autoridade regional competente em matéria
de segurança e medicina do trabalho.

a) F-V-V-V.
b) V-V-V-F.
c) F-F-V-V.
d) F-V-F-V.
e) V-V-F-F.
Feedback: item 6.4.

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Capítulo 6. Conceituação e Dispositivos Legais Referentes à Higiene Ocupacional
207

5. O capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à segurança e


medicina do trabalho, entre outros aspectos, define que:
a) Em caso de embargo ou interdição, gerando a paralisação dos serviços, o
empregador fica livre do pagamento dos salários enquanto toma as providências
para o restabelecimento da produção.
b) O cumprimento pelas empresas de seus dispositivos não as desobriga do
atendimento aos preceitos regulamentares contidos em códigos de obras do
respectivo estado ou município.
c) Os recursos de empresas discordantes de eventuais autuações dos Auditores
Fiscais do Trabalho devem ser encaminhados ao titular da unidade descentralizada
do Ministério do Trabalho e Emprego.
d) A fiscalização das condições de segurança e saúde no trabalho nas empresas é
atribuição exclusiva e intransferível do Ministério do Trabalho e Emprego.
e) Não obstante a denúncia ser uma das suas formas de atuação, os sindicatos de
trabalhadores não têm substrato legal para solicitar a interdição ou embargo ao
delegado regional do trabalho.
Feedback: item 6.5.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
208

CAPÍTULO 7. RESPONSABILIDADES CIVIL E CRIMINAL / ATUAÇÃO


PROFISSIONAL EM HIGIENE OCUPACIONAL

OBJETIVOS DO ESTUDO

Discutir as responsabilidades civil e criminal dos acidentes e doenças do trabalho,


bem como a atuação dos profissionais em higiene ocupacional.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
209

7.1. A RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL PELO ACIDENTE DO TRABALHO


O primeiro diploma legal a estabelecer que o pagamento da indenização securitária
não exime o empregador de outra indenização no âmbito do direito comum, relativa ao
mesmo acidente, foi o Decreto-Lei nº. 7.036, de 1944.
Tal dispositivo produziu a súmula nº. 229, do Supremo Tribunal Federal, onde se
estabeleceu que “a indenização acidentária não exclui a do direito comum, em caso de
dolo ou culpa grave do empregador”.
Essa responsabilidade atribuída à empresa implica o cumprimento da legislação
específica exarada pelo Ministério do Trabalho – MTb, através da Secretaria de
Segurança e Saúde no Trabalho – SSST, na elaboração de ordens de serviço, quanto às
precauções a serem tomadas no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças
relacionadas ao trabalho, no acatamento das determinações técnicas do serviço
competente das Delegacias Regionais do Trabalho e em facilitar o exercício da
fiscalização trabalhista. É o que preceitua o Artigo 157 da Consolidação das Leis do
Trabalho – CLT.
Acresça-se que a combinação desse artigo da CLT com o artigo 932 do Código
Civil estende ao empregador a responsabilidade pelos atos de negligência, imprudência e
imperícia praticados por seus empregados e prepostos.
A culpa grave a que alude a Súmula nº. 229, do Supremo Tribunal Federal
caracteriza-se pela persistência de condições de trabalho que possam ter relação causal
com os acidentes fatais ou propícias à ação nefasta das doenças profissionais ou do
trabalho.
A ação pública penal é acionada normalmente quando as causas que ensejaram a
morte do trabalhador cercarem-se de indícios que permitam a caracterização de
homicídio culposo.
A culpa se decompõe em atos de negligência, imprudência ou imperícia cometidas
pelo empregador ou seus prepostos, abrangendo o pessoal do Serviço Especializado em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT, cuja função, acima da
conotação profissional, transforma o agente em preposto do empregador no campo
específico de segurança e saúde no trabalho.
A culpa grave, pela sua intensidade, pode ser equiparada ao dolo. Embora inexista
a intencionalidade que tipifica o dolo, não é exagerado supor que, na culpa grave, o
agente poderia prever as consequências de sua ação e evitar que fosse consumada. O
reconhecimento da existência do crime, assim entendido como violação culposa da lei
penal, em sentença condenatória, torna certa a obrigação de reparar o dano dele
resultante, pois a decisão de tal sentença reconhece a ocorrência de ato ilícito.

7.1.1. A AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO


Os dissídios individuais entre empregados e empregadores referentes às
indenizações derivadas do acidente do trabalho estão no âmbito da competência da
Justiça do Trabalho, com a promulgação da Constituição Federal de 1988.
O Ministério Público, obrigatoriamente, atua nos processos relativos a acidentes do
trabalho, em razão da natureza da lide de ordem pública, de natureza alimentar,
indisponível e irrenunciável e da qualidade da parte, normalmente, mais frágil, na relação
jurídica processual.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
210

Até 1967 vigia no Brasil o sistema indenizatório segundo o qual o empregador, por
ser responsável pelo risco de acidente, era o responsável primário pelo dever de reparar
o infortúnio incapacitante. A indenização era tarifada. Não se indagava mais, como se
exige no Código Civil, a demonstração de conduta culposa, por parte do empregador, a
responsabilidade era objetiva. Só a conduta dolosa do empregado excluía a reparação
acidentária. Tornou-se obrigatória a constituição do seguro de acidentes do trabalho,
realizado por companhias seguradoras privadas, que se sub-rogavam nas obrigações do
empregador. Todavia, a partir de 1967, ocorreu radical transformação no sistema
infortunístico do trabalho, no Brasil. O acidente do trabalho passou a ser, por
determinação constitucional, mais um benefício previdenciário. Adotou-se o risco social,
passando o INSS a ser o órgão autárquico encarregado do pagamento dos benefícios e
auxílios acidentários.
Na prática, se benefícios maiores ocorreram para os empregados vitimados, que
passaram a ter reabilitação profissional e assistência médica com maior elasticidade,
recebendo menos, mas sempre, por outro lado, os empregadores, com louváveis
exceções passaram a se omitir no tocante às normas de segurança e saúde no trabalho,
previstas como garantias mínimas para os trabalhadores.
O homem que produz e gera a riqueza nacional, continua em seu ambiente de
trabalho, no qual passa a maior parte de sua existência, aspirando poeira de sílica livre,
sujeitos à ação de ambientes e trabalhos organizados de maneira não ergonômica, além
de expostos a agrotóxicos e a toda gama de aerodispersóides nocivos à saúde, a
agentes como benzeno, cloro, mercúrio, chumbo, manganês e outros causadores de
doenças profissionais e do trabalho, em verdadeira epidemia, como se tem visto no caso
das Lesões dos Esforços Repetitivos - LER nos grandes centros urbanos ultimamente.
Existe enorme legião de inválidos cadastrados e não cadastrados na previdência social,
em flagrante desigualdade jurídica, que para poderem gozar do meio ambiente que a lei
preceitua, se mortos não estiverem, necessitam ingressar individualmente, com ações
reparatórias de dano, para além de obterem indenizações das incapacidades laborativas,
compelirem os empregadores, indiretamente, ao cumprimento das normas de segurança
e saúde no trabalho. Isto sem falar na quantidade preocupante de acidentes tipo,
causadores de lesões súbitas e violentas, identificáveis de imediato, como se constata
em quedas na construção civil, pelo não cumprimento por parte das construtoras das
normas de segurança, em perdas de dedos e mãos nas serrarias e prensas, sem
qualquer proteção e orientação adequadas, nos desmoronamentos em minas, em razão,
também, da ineficácia parcial da fiscalização e sua quase inoperância, ante as falhas na
legislação vigente.

7.1.2. A RESPONSABILIDADE CIVIL


Onde houver dano ou prejuízo, a responsabilidade civil é chamada para
fundamentar a pretensão do ressarcimento, por parte daquele que sofreu as
consequências do infortúnio. Socorre ao que foi lesado, utilizando o patrimônio do
causador para restauração do equilíbrio rompido. Ampara a vítima do prejuízo e serve
para corrigir condutas, desestimulando o violador potencial. Após a Constituição de 1988,
havendo culpa do empregador, de qualquer grau, mesmo na culpa levíssima, o
acidentado faz jus à reparação civil.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
211

Segundo as estatísticas do INSS, vêm ocorrendo da ordem de 400.000 a mais de


1.000.000 de acidentes do trabalho, incluindo típicos, de trajeto e as doenças
profissionais, nos últimos 20 anos no Brasil. Frise-se que este alarmante número não
corresponde à realidade por várias razões tais como: ausência de comunicação de
acidentes, não reconhecimento do nexo causal nas doenças profissionais e do trabalho
(leucopenias, doenças ligadas a LER, etc.), empregados não registrados, menores,
rurais, servidores públicos, “autônomos”, cooperados, entre outros, não considerados
segurados obrigatórios da Previdência Social.
As Leis de Acidentes do Trabalho sempre equipararam para efeito de indenização a
moléstia profissional aos acidentes do trabalho típicos. São igualmente indenizáveis.
Nada mais lógico e equânime, que "em se tratando de doença profissional responderão
pelas obrigações resultantes da Lei de Acidentes todos os empregadores sob cuja
dependência houver trabalhado o operário, na mesma profissão e proporcionalmente ao
tempo de serviço a cada um prestado”. Não há razão para se entender diferentemente na
esfera do direito comum, tal qual ocorria à época em que a indenização acidentária era
tarifada. Efetivamente, “se os serviços sucessivamente prestados a vários empregadores
contribuíram para a eclosão ou agravamento da moléstia, respondem os empregadores
solidariamente, pela indenização, na proporção dos respectivos períodos de trabalho”. É
que “insidiosa que é moléstia, de processo lento, difícil negar-se à contribuição dos
serviços de qualquer dos empregadores, seja a sua eclosão, seja o seu agravamento”.
Conforme explicitado no artigo nº. 935 do Código Civil, a responsabilidade civil é
independente da responsabilidade criminal, de forma que o processo poderá ser
suscitado sem qualquer dependência com o processo penal. No entanto, não se poderá
mais questionar, no processo civil, sobre a existência de crime ou de quem seja seu
autor, quando estas questões já estiverem decididas no processo penal. Sendo a decisão
o juiz de ação penal pela existência de culpa grave da empresa, a certidão da sentença
será o bastante, na condição de título executivo de dívida na ação civil, onde a empresa
será chamada para promover a reparação do dano mediante pagamento de indenização
a ser arbitrada em juízo.
Sendo independentes as ações de acidente do trabalho, de responsabilidade civil e
penal. Cabe a cumulação das ações civis e acidentárias, sem qualquer compensação
como confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, Súmula nº. 229: “A indenização
acidentária não inclui a do direito comum, em caso de dolo ou culpa grave do
empregador”.
Assim, os tribunais vêm manifestando o entendimento que inexiste dualidade de
indenizações, entre a consequente da ação civil e a concedida pela Previdência Social.
Esta última é resultante da execução do seguro de acidentes do trabalho, dispensando
qualquer averiguação, para fins processuais, sobre as causas do acidente, não sendo
pertinente o critério de culpa. A ação civil tem embasamento na expectativa de vida,
fixada em 65 (sessenta e cinco) anos, idade até a qual o trabalhador vítima de acidente
fatal viveria em condições normais. Se tiver a vida interrompida antes por acidente do
trabalho, quem ou aquele que provocou o acidente será responsabilizado pelo dano
causado, neste caso através da indenização devida pelos anos restantes de vida que lhe
foram subtraídos.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
212

“Se não houvesse a legislação especial para o acidente do trabalho, o operário


poderia pedir a indenização pelo direito comum, nos termos do Artigo nº. 927 do Código
Civil. Ora, da legislação especial não pode resultar desfavor para o operário, que a lei
visa proteger”.
Por outro lado, é orientação cediça que a ação de acidente do trabalho, por se de
natureza alimentar, é compensatória e a de responsabilidade civil é indenizatória, visando
restabelecer a situação existente e anterior ao dano.
Anota Sá Pereira: “A indenização não empobrece nem enriquece. O responsável é
obrigado a repor os beneficiários da vítima na situação em que estariam, sem o dano.
Assim, a reparação atende à perda e, quando esta perda é a morte de uma pessoa da
família, não há que demonstrar que ela representa prejuízo. Este deflui, ipso facto, do
acontecimento danoso. Por essa parte, a expressão alimentos não pode ser tomada no
sentido puramente técnico, sob pena de restringir o ressarcimento do dano, contra toda a
doutrina aceita em matéria de responsabilidade civil, ao estritamente necessário para a
subsistência e só deferi-lo aqueles dos parentes que não pudessem prover a própria
manutenção”.
Não se admite, por outro lado, compensação do que foi pago acidentariamente.
“Da indenização fixada não se deduz qualquer parcela relativa à pensão
previdenciária porque é paga a título diverso do evento lesivo culposo”.
Na esfera do entendimento aqui sustentado, “o empregador fica obrigado à
indenização do direito comum, se tiver culpa no acidente do trabalho”. Em caso de falta
inescusável do empregador, se há prova de que este não se preocupa com a segurança
do trabalhador ou do público, dá causa ao acidente, pode a vítima recorrer à ação de
direito comum. “Nem caberia falar de enriquecimento sem causa do empregado, que se
tornou inválido e sem condições de pretender, na vida, qualquer outra melhoria, o que,
antes era presumivelmente de se admitir”.
“Não se pode olvidar que a responsabilidade civil envolve a empresa, o patrão ou
seus prepostos, sendo presumida culpa de patrão ou comitente pelo ato culposo do
empregado ou preposto”.
É corolário do disposto no Código Civil:
Artigo 927. Aquele que por ato ilícito (art. 186 e 187) causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.
Artigo 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem
ficam sujeitos à reparação do dano causado e, se tiver mais de uma autora a ofensa,
todos responderão solidariamente pela reparação.
Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores, os cúmplices e
as pessoas designadas no Artigo 932.

Artigo 932. São também responsáveis pela reparação civil:


I. os pais, pelos filhos menores que estiverem sob seu poder e em sua companhia;
II. o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas
condições;
III. o patrão, amo ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
213

De acordo com o Artigo 931, “Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os
empresários individuais e as empresas respondem independentemente de culpa pelos
danos causados pelos produtos postos em circulação”.
Na hipótese de menor, ainda que não exerça trabalho remunerado, é indenizável o
acidente, nos termos da Súmula nº. 491 do Supremo Tribunal Federal - STF: “É
indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não exerça trabalho
remunerado”.
A responsabilidade civil abarca todos os acontecimentos que extravasam o campo
de atuação do risco profissional. Quando a empresa não cumpre a obrigação implícita
concernente à segurança do trabalho de seus empregados tem o dever de indenizar por
inexecução de sua obrigação. Aqui a culpa é de natureza contratual. É a que “se revela
por meio de falta inescusável, no tocante à segurança do empregado, ou a sua exposição
a perigo no desempenho do serviço”. “O acidentado sofreu em virtude de imprudência do
empregador. Não foi o risco que ele corria no trabalho. O ressarcimento do dano há de
consistir, em virtude da inexecução de sua obrigação, por culpa grave”.
Assim, determinando o empregador ou prepostos a um determinado setor de
mecânica de manutenção a remoção de pesadíssima peça sem o equipamento técnico
adequado e as cautelas necessárias, de sorte que o deslizamento ocorreu, ocasionando
no operário, epilepsia pós-traumática que lhe acarretou incapacidade total e permanente
para o trabalho, o fato era perfeitamente previsível, gerando inexecução de sua obrigação
de proteger o trabalhador, ensejadora do ressarcimento.
Configura-se, por outro lado, o ilícito civil quando a conduta do empregador ou
preposto “revela negligência e imprudência, omissão de precauções elementares,
despreocupação e menosprezo pela segurança do empregado, dando causa ao
acidente”, segundo a regra geral da responsabilidade subjetiva, prevista no artigo 186 do
Código Civil, presumindo-se a culpa do patrão por ato culposo do empregado ou preposto
(Súmula nº. 341 do Supremo Tribunal Federal - STF).
Exemplos concretos: age com culpa grave o empregador que permite, ou exige, o
trabalho:
• Em prensas sem proteção, em máquinas defeituosas e perigosas;
• No setor siderúrgico, a mestres ou fiscais arriscado procedimento na retirada de
cargas de sucata, acarretando explosão das caçambas que transportavam
escória liquefeita em alta temperatura;
• Na construção civil, em soldagem de chaminés sem condições de segurança;
• Em soldagem de tanque de álcool;
• Ao simples carpinteiro, exercer atividade de operador de máquina de rebocar
paredes, ou fazer reparos em caldeira que aquecia água;
• Ao pedreiro que foi chamado pelo mestre-de-obras para ser operador de
máquina elétrica;
• A superintendente que exige de empreiteiro o esgotamento de tanque de
combustível com bomba movida a motor de gasolina;
• Ao novato trabalhar como operador de máquina com sistema elétrico danificado
e que funcionava, há dias, com ligação direta;
• Em edifício em construção no décimo nono andar, executar serviço altamente
perigoso, sem usar cinto de segurança;

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
214

• Em plataforma a cinco metros do chão, sem qualquer proteção;


• Ao engenheiro e mestres-de-obras que não fiscalizam a construção de taludes
devidamente escorados com pranchas metálicas ou de madeira;
• Em local onde havia emanação de gases altamente tóxicos, com total omissão
do empregador no que tange à segurança;
• Ao lesionado por LER tido como curado e com o retorno à anterior atividade
com recidiva da moléstia.
Configura-se também o dever de indenizar por responsabilidade objetiva ou sem
culpa, aplicando-se a teoria do fato da coisa, com destaque para a guarda e utilização de
coisa perigosa. A empresa que explora serviços e atividades perigosas, fruindo lucros e
proveitos que acarretam riscos e perigos diversos deve responder, objetivamente, pelos
danos decorrentes da falta de cautela de manutenção, de cuidados, de precauções acima
dos elementares, visando a segurança dos empregados e de terceiros.
À luz dessa compreensão, é importante citar a sentença proferida pelo Tribunal de
Justiça de São Paulo, no episódio do incêndio da Vila Socó, na Baixada Santista:
“Quem exerce atividade perigosa e que coloca em risco a terceiros tem a obrigação
de tomar as providências necessárias à manutenção da margem de segurança para que
incolumidade alheia não seja atingida”.
Daí haver o dever de indenizar pelo simples fato de existir a atividade evitando-se a
impotência do operário em provar a culpa nesses casos, não se aplicando as excludentes
do caso fortuito e da força maior, ensejando, por outro lado, um adequado seguro de
responsabilidade civil que exigirá maior rigor junto às empresas no cumprimento do
mandamento constitucional, no que diz respeito às normas de segurança e saúde no
trabalho.
A noção da guarda das coisas, em que repousa a responsabilidade pelos danos em
cujo evento intervém a coisa como instrumento não pode ser a noção comum de
obrigação de vigiar. A obrigação legal pesa sobre o possuidor, em razão da detenção da
coisa: Se qualificarmos uma pessoa de guarda, é para a encarregar de um risco. Assim,
o responsável é, no caso, a pessoa que assume o risco criado pela coisa que tem a seu
serviço, por ou para sua recreação.
Há dever de evitar perigos sempre que a falta de atividade para que a danosidade
se afaste seria transgressão do direito de outrem. O responsável deixa que o dano
ocorra, pois, se tivesse intervindo, o dano não existiria. A causa está naquilo que
estabelece a periculosidade, mas não teria acontecido o resultado maléfico se o que
devia praticar o ato excludente do risco, ou omitir algum ato. Para que o dano não se
desse, tivesse cumprido o seu dever. (...) Quem cria ou mantém em tráfego, movimento
ou irradiação, ou escoamento, algo que seja fonte de perigos, tem o dever de segurança
do tráfego, ou o dever de evitar pancadas, golpes, contaminações, inundações.
“O guardião é responsável não em virtude do ilusório poder de direção, mas
porque, tirando proveito da coisa, em compensação, suportam-lhe os riscos”.
O valor da indenização por ato ilícito chega a ser em alguns casos vultoso.
Havendo perda do chefe de família, privando seus membros dos alimentos que o falecido
lhes prestava, a indenização corresponderá a 2/3 dos ganhos da vítima, consoante a
jurisprudência, incluindo, incluindo o 13º salário. Havendo perda de filho solteiro, que

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
215

auxiliava os genitores, a indenização consistirá numa pensão de 2/3 dos ganhos da


vítima, devendo abranger um período que vai desde o evento até o limite de sobrevida
provável da vítima, estimado em 65 (sessenta e cinco) anos. A indenização pelo dano
estético ou morfológico não se confunde com a indenização devida à vítima pela sua
incapacidade para o trabalho. A indenização pela incapacidade laborativa não engloba a
indenização pelo dano estético. Igualmente, o Superior Tribunal Federal-STF admite a
cumulação da reparação da incapacidade laborativa com o dano estético. Também o
tratamento médico que se fizer necessário deverá ser incluído na condenação. Não se
deve olvidar também que além das despesas de tratamento há a indenização pelos
lucros cessantes até o fim da convalescença, nos termos do artigo 950 do Código Civil.
Havendo incapacidade total e permanente para o trabalho, a indenização será durante a
vida da vítima, descabendo estabelecer limite com base na presunção de vida provável.

Aplicam-se ainda os seguintes dispositivos do Código Civil:

Artigo 948. A indenização, no caso de homicídio, consiste:


I. no pagamento de despesas com tratamento da vítima, seu funeral e o luto da
família;
II. na prestação de alimentos, às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em
conta a duração provável da vida da vítima.

Artigo 950. Se dá ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o
seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além
das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá
pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da
depreciação que ele sofreu.. As perdas e danos devidos ao credor abrangem, além do
que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.

Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja


arbitrada e paga de uma só vez.

Art. 951. O disposto nos art. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização
devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência,
imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe
lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho.

Inversamente à ação penal, que é pública, a ação civil de indenização é privada.


Isso faz com que seja necessária, para inauguração do processo, a manifestação dos
herdeiros que sejam parte legítima do trabalhador vitimado pelo acidente.

7.1.3. RESPONSABILIDADE PENAL


Na esfera penal pode-se configurar o crime previsto no Artigo 132 do Código Penal,
que é crime de perigo, originariamente criado objetivando a prevenção de acidentes do
trabalho.
A ação penal e a consequente ação civil serão improcedentes nos casos em que se
comprovar, que o acidente fatal foi causado por imprudência da própria vítima, em

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
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desrespeito flagrante às normas internas de segurança do trabalho. Mesmo uma


condição de risco atribuível à empresa, desde que repentina e imprevisível,
descaracteriza a culpa grave e, portanto, a ação penal, embora o inquérito policial seja
necessário, consequente da ação pública que é inerente a qualquer morte acidental.
O inquérito policial é uma peça meramente informativa, onde são reunidas as
evidências dos fatos, coletado o depoimento das testemunhas e complementado com o
laudo da polícia técnica. O inquérito policial não condena ninguém, não é seu papel fazê-
lo. Os que ele integra são indiciados e não réus. O processo, tão logo concluído, é
remetido ao promotor público que, face às evidências, decide pelo seu arquivamento ou
requer, à autoridade judicial, a denúncia dos envolvidos. Considerando que o processo
penal envolve pessoa física e evidentemente exclui a pessoa jurídica, o profissional de
segurança certamente será indiciado no inquérito policial como elemento habilitado à
prestação de informações. O que se procura é comprovar a culpa grave da empresa,
ainda que a pena venha a recair em um de seus diretores ou prepostos, conforme o grau
de responsabilidade a ser apurado em cada caso.

Código Penal
Artigo 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente
Pena estipulada: detenção de três meses a um ano, se o fato não constitui crime
mais grave.

O ponto de partida para a incriminação na espécie foi a consideração do grave


perigo a que, frequentemente, os empreiteiros ou mestres-de-obras, para poupar-se
despesas com medidas técnicas de prevenção, conscientemente sujeitam seus
operários. A exposição de motivos do Código Penal de 1940, ainda em vigor, diz: “o
exemplo frequente e típico dessa espécie criminal é o caso do empreiteiro que, para
poupar-se o dispêndio com medidas técnicas de prudência, na execução da obra, expõe
o operário a risco de grave acidente”.
O que informa o dispositivo penal em questão é a consciência e vontade de expor a
vítima a grave perigo, bastando que o agente acarrete para a vítima uma situação de fato
em que sua vida ou saúde é exposta a um perigo direto e iminente, restando suficiente a
vontade ou consciência no sentido de tal situação de perigo.
O perigo deve apresentar-se direto e iminente, isto é, como realidade concreta,
efetiva, presente, imediata (exposição a substâncias altamente tóxicas ou a poeira em
suspensão de sílica livre, máquinas perigosas sem proteção, operários em grandes
alturas sem equipamentos de proteção, etc.). O dolo específico pode ser direto ou
eventual: ou o agente pratica a ação (ou a omissão) com o intuito de criar o perigo, ou,
inescrupulosamente, não se abstém dela, apesar de prever a possibilidade de dano.
São alguns exemplos concretos:
• Objetos lançados dos edifícios em construção, sem as proteções determinadas
pelas normas;
• Médico do trabalho que considera operários acometidos de leucopenia ou
saturnismo, após a alta, aptos ao trabalho para retornar à atividade anterior,
mesma que gerou o afastamento;

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
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• Empregador que permite, para economizar, como rotina, no setor siderúrgico,


que caçambas com umidade recebam escória liquefeita, em alta temperatura,
sendo iminente o risco de explosão; e
• O empreiteiro que transporta “boias-frias” em caminhões inadequados, sem as
mínimas condições de segurança.
Se, porventura o dano ocorrer, responderá o agente, por ação ou omissão, por
homicídio, lesões corporais, incêndio, explosão, uso de gás tóxico ou asfixiante, na forma
dolosa ou culposa, conforme vários precedentes já publicados.
Outros exemplos concretos de homicídio culposo:
• Acidente do trabalho com morte de dois operários decorrente de deslizamento
de terra, em obra, em construção com responsabilidade do engenheiro e do
mestre-de-obras bem caracterizada;
• Morte de recém-nascido, causada por incêndio em berçário de hospital com
manutenção precária da aparelhagem, responsabilidade do encarregado de
manutenção, e negligência também da atendente de enfermagem,
caracterizando culpa criminal de ambos;
• Empregador que manda empregado menor pulverizar agrotóxico, com morte do
mesmo;
• Agente que transporta passageiros em carreta de trator em total estado de
insegurança.
Lesão corporal culposa: empregador que admite seu empregado menor de 14 anos
de idade para trabalhar junto a máquinas perigosas e houve acidente que lhe resultou a
perda do terço médio do antebraço é imprudência manifesta; condenação decretada.
Cabe incluir nas responsabilidades do empregador sobre o acidente do trabalho
dois outros aspectos do Direito:
I. Ação Regressiva da Previdência Social, onde, nos casos de negligência quanto
às normas de segurança e higiene do trabalho indicadas para a proteção individual e
coletiva, a Previdência Social proporá ação regressiva contra os responsáveis, para
ressarcimento das despesas decorrentes dos acidentes do trabalho ocorridos por dolo ou
culpa do empregador. É o que preceitua a Lei nº. 8.213, de 1991.
II. Garantia de Emprego do Acidentado, onde o segurado que sofreu acidente do
trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção de seu contrato
de trabalho na empresa, após seu retorno da Previdência Social, independentemente de
percepção de auxílio-acidente desta. Essa garantia abrange as hipóteses de acidente
típico, doenças profissionais, doenças do trabalho e outras hipóteses mencionadas na lei
como equiparadas a acidentes do trabalho. Não existe essa garantia nos acidentes
menores, cujo período de afastamento seja de até 15 (quinze) dias, onde não há a
percepção de auxílio-doença-acidentário, do INSS.
O Ministério Público vem contribuindo na prevenção de acidentes e defendendo os
legítimos interesses dos acidentados do trabalho ajuizando ações penais, notadamente
por infringência do Artigo 132 do Código Penal e por infração dos demais dispositivos
citados, quando houver morte ou lesão corporal. Independente da ação penal, da qual é
titular, com base no Artigo 68 do Código de Processo penal, vem propondo inúmeras
ações reparatórias.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
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Devem acautelar-se, portanto, os engenheiros, com especial ênfase aos de


segurança do trabalho, os médicos, especialmente os do trabalho, os técnicos de
segurança. Os supervisores, os mestres-de-obras, os diretores, os cipeiros e todos
aqueles que têm sob sua responsabilidade, trabalhadores, vítimas potenciais de
acidentes do trabalho, no tocante à rigorosa observância das normas de segurança e
saúde no trabalho, impedindo a execução de atividades em condições que propiciem a
ocorrência de acidentes. Devem ser comunicados ao superior hierárquico, por escrito, os
riscos detectados, fazendo inseri-los nas atas de reunião de CIPA, quando esta existir,
munindo-se de testemunhas, com o fito de demonstrar que agiram com as cautelas
necessárias e que não se omitiram no cumprimento de seu dever profissional.
Do ponto de vista coletivo e preventivo, a propositura pelo Ministério Público do
Trabalho de Ações Civis Públicas, fruto da nova concepção instrumental do processo,
vem se tornando o instrumento mais eficiente na proteção coletiva do direito à saúde do
trabalhador.
O Inquérito Civil Público, instaurado previamente, pode reunir as provas
necessárias e suficientes para se propor à ação civil pública perante a Justiça do
Trabalho, solucionando de maneira global o que cada reclamação trabalhista tenta
reparar de forma individualizada. São inúmeras as vantagens da ação civil pública para a
proteção à saúde dos trabalhadores, especialmente para exigir através de compromissos
de ajustamento de conduta às exigências legais, obrigações de fazer para os
empregadores, no sentido da correção dos fatores de riscos existentes.
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação
do trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à
violência. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 1998)

Atentar contra a organização do trabalho é infringir a liberdade individual. Isto


porque embora seja desenvolvido um modelo econômico capitalista de base liberal, o
Estado não deve permitir que a condução econômica seja pautada, exclusivamente, nos
interesses privados em seu âmbito individualista.

Não é admissível para a sociedade contemporânea o exercício da liberdade de


trabalho sem qualquer ponderação da ordem social. A iniciativa privada tem um papel
social, sendo impensável enxergar como legítima a atitude predatória em relação aos
interesses difusos e coletivos, como a sustentabilidade ambiental e a decência nas
relações entre empregadores e a força de trabalho. O Estado Democrático de Direito em
que se funda o Estado brasileiro urge pela sociabilidade das relações sociais, de maneira
que embora haja o interesse de se contemplar o interesse privado há a necessária
observação de que o mesmo deve se adequar aos anseios coletivos. É o interesse social
preponderante sobre o espírito egoístico do individualismo.

7.1.4. JURISPRUDÊNCIA
7.1.4.1. Legítima Defesa
Trabalhador pode recusar tarefa por falta de segurança

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A recusa do empregado em trabalhar sem segurança caracteriza a legítima defesa


própria? A interdição de ambiente de trabalho, por parte dos órgãos públicos e dos
membros do Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho das empresas, das chefias,
das gerências, por ato próprio, ou dos sindicatos, através de requerimento, caracteriza a
legítima defesa de terceiro?
A Constituição de São Paulo dedicou um capítulo à seguridade social, na esteira da
Carta da República, de 1988.
A seção II, que trata da Saúde, em seu Artigo 229 e parágrafos, determina que
compete à autoridade estadual, de ofício ou mediante denúncia de risco à saúde,
proceder à avaliação das fontes de risco no ambiente de trabalho, e determinar a adoção
das devidas providências, para que cessem os motivos que lhe deram causa.
Ao sindicato dos trabalhadores, ou à representante que designar, é garantido
requerer interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo o ambiente de trabalho,
quando houver exposição a risco iminente para a vida ou a saúde dos empregados.
Em condições de risco grave ou iminente no local de trabalho, será lícito ao
empregado interromper suas atividades, sem prejuízo de quaisquer direitos, até a
eliminação do risco.
O Estado atuará para garantir a saúde e a segurança dos empregados nos
ambientes de trabalho.
A Carta da República, em seu artigo 7º, inciso XXII, assegura a todos os
trabalhadores urbanos e rurais, a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio
de normas de Saúde, Higiene e Segurança.
A Lei Orgânica da Saúde, Lei nº. 8.080, de 19 de setembro de 1990, em seu artigo
6º, incisos III, V, VII e VIII, assegura:
III. participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS) da
normatização, fiscalização das condições de produção, extração, armazenamento,
transporte, distribuição, manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de
equipamentos que apresentem riscos à saúde do trabalhador;
V. informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas
sobre os riscos de acidentes do trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os
resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão,
periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional;
VII. revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de
trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais;
VIII. a garantia aos sindicatos dos trabalhadores de requerer ao órgão competente
a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo o ambiente de trabalho, quando
houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores.
As disposições finais da Norma Regulamentadora nº. 9, em sua nova redação,
última parte, dispõe:
"O empregador deverá garantir que, na ocorrência de riscos ambientais nos locais
de trabalho que coloquem em situação de grave e iminente risco um ou mais
trabalhadores, os mesmos possam interromper as suas atividades, comunicando o fato
ao superior hierárquico direto para as devidas providências".

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
220

Ademais, vige desde 1940, o artigo 132 do Código Penal Brasileiro que reza:
"Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente". Pena: detenção, de três
meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
A exposição de motivos do Código Penal Brasileiro esclarecia a objetividade
jurídica do dispositivo penal em análise. Evitar expor o operário ao risco de grave
acidente.
A recusa por parte dos trabalhadores, como enfatizado na Carta Paulista, de
interromper suas atividades, em condições de risco grave e iminente, encontra sinonímia
na legítima defesa, prevista no Artigo 21 do Código Penal. É causa excludente de
antijuridicidade. É comportamento lícito não apenas na esfera penal, mas também na
civil, nos termos do artigo 65 do Código de Processo Penal e na esfera acidentária do
trabalho, notadamente após o advento da Lei nº. 8.213/91, nitidamente preventiva.
José Luís Dias Campos.
Artigo extraído da Revista Proteção de dezembro de 1995

7.1.4.2. Adicional de Insalubridade

O simples fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPI) exime o


empregador do pagamento do adicional de insalubridade?
O enunciado nº. 8 do Tribunal Superior do Trabalho assinalava: A eliminação da
insalubridade, pelo fornecimento de aparelhos protetores aprovados pelo órgão
competente do Poder Executivo, exclui a percepção do adicional respectivo.
Duas correntes sobre o tema se firmaram totalmente conflitantes, junto ao Tribunal
Superior do Trabalho. A primeira turma julgadora sufragava o entendimento segundo o
qual é da responsabilidade do empregador ministrar aos empregados os cuidados
preventivos na utilização dos equipamentos de segurança e garantir a eliminação da
insalubridade, sob pena de persistir o direito ao adicional (RR 3630/85 ac. 6010/85).
A segunda turma julgadora, porém, concluía oposta: "Insalubridade. Não é de
responsabilidade do empregador a fiscalização do uso de aparelho de proteção, mas, tão
somente o seu fornecimento. O patrão não é tutor do empregado, nem este vive em
regime de curatela, como algum incapaz de conhecer seus direitos e obrigações.
“Não se pode favorecer obreiro relapso com a sua própria saúde, dando-lhe direito
a adicionais que seriam devidos apenas pela sua relapsia e desinteresse com seu próprio
bem-estar”. (RR 1570/86 ac. 4602/86, in Revista LTr, mesmo volume e página).
As posições divergentes foram dirimidas no Incidente de Uniformização de
Jurisprudência em Recurso de Revista nº. TST-IUJ-RR 4016/86.5 – Revista LTr, v. 53,
nº. 5, pág. 582, motivador do enunciado nº. 289, do egrégio Tribunal Superior do
Trabalho: Insalubridade – Adicional – Fornecimento do aparelho de proteção-Efeito – O
simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do
pagamento de adicional de insalubridade, cabendo-lhe tomar as medidas que condizem à
diminuição ou eliminação da nocividade, dentre as quais as relativas ao uso efetivo do
equipamento pelo empregado. Referências: artigos 8, 9, 157, 158, 191 e 192 da
Consolidação das Leis do Trabalho, 476 a 479 do Código de Processo Civil e 179 do
Regimento Interno do Tribunal Superior do Trabalho (DJU de 28 de março de 1988).

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
221

Fato gerador – Em junho de 1985, a Revista LTr. Vol. 49, nº. 6, publicava artigo de
Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, então ministro de Tribunal Superior do Trabalho,
onde se lia: "O fato gerador do direito ao adicional de insalubridade é a prestação de
serviço em ambiente nocivo à saúde do empregado, ou seja, a persistência do quadro
maléfico, em que se pese a adoção de medidas visando situar o local de trabalho dentro
dos limites de tolerância e a utilização de equipamentos de proteção individual. É o que
se depreende dos preceitos dos artigos 191 e 192 da Consolidação das Leis do Trabalho,
consignando este último, como pressuposto do direito ao adicional, o simples exercício
do trabalho em condições insalubres".
Assim, restou bem claro que o adicional de insalubridade é devido pelo simples
exercício do trabalho em condições insalubres. Não bastam esforços para situar o local
de trabalho dentro dos limites de tolerância ou apenas fornecendo equipamentos de
proteção ou, ainda, sua efetiva utilização, se demonstrando, no caso concreto, a
ineficácia dos fornecidos. Nem mesmo o descumprimento, por parte do empregado, de
ordens de serviço, emanadas do poder de comando do empregador, pode servir de
argumento para elidir o pagamento da remuneração por insalubridade.
É que, persistindo o fato gerador, há o dever de pagar o aludido adicional, devendo-
se o empregador servir-se dos meios punitivos postos ao seu alcance pelo legislador.
Ademais, sua omissão em considerar o ato do empregado relapso como faltoso é fator
que faz implodir toda e qualquer campanha de prevenção de acidentes do trabalho.
Péssimo exemplo é constatar a indisciplina ou insubordinação do empregado faltoso e
quedar-se inerte o chefe, o encarregado e o supervisor, não o advertindo por escrito,
suspendendo-o e até mesmo demitindo-o.
José Luís Dias Campos, advogado, ex-promotor e procurador de Justiça do
Ministério Público de São Paulo.
Artigo extraído da Revista Proteção de setembro de 1995.

7.2. ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM HIGIENE OCUPACIONAL


Os profissionais que atuam na área de higiene ocupacional são em geral
denominados de higienista ocupacional e técnico em higiene ocupacional.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera como higienista
ocupacional aquele profissional com formação universitária nas áreas de engenharia,
física, química, biologia e outras afins, e que possui capacitação na antecipação,
identificação, avaliação e controle de riscos provenientes do ambiente de trabalho, que
possam causar prejuízo à saúde e desconforto significativo aos trabalhadores.
O técnico em higiene ocupacional é aquele profissional que possui formação de
nível médio, recebe informação e orientação quanto às fases de antecipação,
identificação e controle de riscos, com ênfase no processo de avaliação ambiental.
No Brasil, como em outros países desenvolvidos, a preparação e a formação
destes profissionais têm acontecido desde a década de 1930, em vários cursos de
especialização ministrados, principalmente, por universidades do Rio de Janeiro e de São
Paulo.
A antecipação e o reconhecimento dos riscos, bem como a implementação de
estratégia de controle adequada intervindo diretamente no ambiente de trabalho são as

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
222

principais atividades dos profissionais que atuam na área da higiene ocupacional.


Segundo o livro “Introdução a Higiene Ocupacional” publicado por pesquisadores da
FUNDACENTRO (FUNDACENTRO é uma fundação do Ministério do Trabalho e
Emprego, cujo nome completo é Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho), no ano de 2001, o profissional da área de Higiene Ocupacional
deve agir da seguinte maneira:
• Prever os riscos à saúde, que podem resultar de processos produtivos, rotinas
de trabalho e de equipamentos, na fase de projeto do local de trabalho e do
planejamento da atividade laboral;
• Reconhecer no ambiente de trabalho a ocorrência de agentes químicos, físicos
e biológicos, bem como outros fatores estressores;
• Conhecer os efeitos que tais agentes podem causar nos órgãos vitais e na
saúde dos trabalhadores;
• Avaliar a exposição dos trabalhadores aos riscos ocupacionais e interpretar os
resultados;
• Avaliar processos e métodos de trabalho, do ponto de vista da possível
firmação e dispersão de agentes potencialmente nocivos à saúde, objetivando a
eliminação ou redução da exposição a níveis não prejudiciais;
• Recomendar e avaliar a eficiência de estratégias de controle;
• Participar de atividades de análise de riscos e gerência global de riscos, e
estabelecer prioridades;
• Entender o contexto legal da prática da Higiene Ocupacional e da proteção ao
meio ambiente;
• Educar, informar e orientar pessoas em diferentes níveis: órgãos
governamentais, gerencias, empregadores, trabalhadores e público em geral,
utilizando métodos adequados de comunicação de risco;
• Trabalhar efetivamente e de forma integrada com a equipe interdisciplinar de
saúde e segurança, com os trabalhadores e com empregadores;
• Reconhecer agentes que possam ter impacto ambiental negativo, tendo em
mente a integração entre a Higiene Ocupacional e o Meio Ambiente.
“Deve-se valer das informações obtidas com os trabalhadores e proporcionar a
integração dos mesmos com as melhorias no ambiente de trabalho.”
Outro aspecto importante na atuação da Higiene Ocupacional é a
interdisciplinaridade.
Os estudos e as informações a respeito dos efeitos nocivos dos agentes químicos,
físicos e biológicos, bem como das interações do homem com os processos industriais e
organizacionais estão em constante aperfeiçoamento e, muitas vezes, exigem
conhecimentos provenientes de diferentes formações profissionais. Para melhores
resultados nas atividades referentes à higiene ocupacional é importante a formação de
equipes interdisciplinares que contenham, por exemplo, profissionais da área da saúde,
da educação, da psicologia e da sociologia para que juntos possam melhor avaliar e
implementar soluções adequadas a cada caso.
O profissional da área da higiene ocupacional deve ter em mente que sua principal
função é promover e manter um ambiente de trabalho saudável e para isto, ele deve

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
223

atuar em empresas que estejam alinhadas com este propósito e que forneçam as
condições necessárias para tal.
O profissional que atua na área da Higiene Ocupacional deve:
• Manter-se em constante aperfeiçoamento sobre os conhecimentos técnicos e
científicos referentes;
• Conhecer detalhadamente os locais de trabalho sob estudo e manutenção;
• Conhecer os diversos riscos existentes nos ambientes de trabalho e os meios
mais eficazes para eliminá-los ou reduzi-los;
• Manter-se atualizado com a legislação vigente relativa ao trabalho, bem como
acompanhar as tendências internacionais;
• Informar aos trabalhadores, em conjunto com a empresa, sobre os riscos
ocupacionais aos quais possam estar expostos, sem ocultar dados,
apresentando as medidas corretivas e preventivas, certificando-se de que os
trabalhadores compreendem as condições de trabalho;
• Estar capacitado a estabelecer prioridades e recomendar medidas de
prevenção e controle de riscos, tecnicamente fundamentadas e viáveis
economicamente para serem efetivadas em sua totalidade;
• Saber lidar com informações consideradas segredos industriais ou comerciais
por parte das organizações, embora em nenhum momento possa ocultar
informações relacionadas com os riscos à saúde dos trabalhadores e outros que
interagem com a empresa;
• Conhecer a descrição do cargo ou atividades que exerce na empresa, bem
como o código de ética da sua categoria profissional.
Em casos onde a empresa na qual o profissional trabalha recusa-se a aplicar
medidas adequadas para resolver ou evitar riscos para a segurança e saúde dos
trabalhadores, recomenda-se que o profissional deve expressar por escrito a sua
preocupação, ressaltando as evidencias objetivas da situação, apresentando
embasamento científico e enfatizando a necessidade de providencias para correção.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
224

7.3. TESTES
1. Avalie quanto à veracidade as afirmações seguintes sobre a responsabilidade
civil e criminal pelo acidente de trabalho e escolha, a seguir, a alternativa correta:
I. Segundo o Código Civil, a responsabilidade civil é independente da criminal, mas
não se pode questionar no processo civil sobre a existência de crime ou de quem
seja o seu autor, quando essas questões já estiverem decididas no processo penal.
II. A indenização acidentária não exclui a do direito comum, em caso de dolo ou
culpa grave do empregador.
III. A jurisprudência firmada nas ações de acidente de trabalho, por ser de natureza
alimentar, é indenizatória e a de responsabilidade civil é compensatória, visando
restabelecer a situação existente anterior ao dano.

a) Todas as afirmações são falsas.


b) Apenas a afirmação III é falsa.
c) As afirmações I e III são falsas.
d) Apenas a firmação I é falsa.
e) As afirmações I e III são verdadeiras.
Feedback: item 7.1.4.

2. A obrigação à reparação, nos termos do Código Civil, imposta àquele que por
ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, causar prejuízo a outrem,
estende-se solidariamente:

a) Aos tios pelos atos dos sobrinhos desde que inexistente a figura dos pais.
b) Aos pais pelos filhos maiores que estiverem em sua companhia e incorrerem em
culpa grave.
c) Ao patrão por seus empregados no exercício do trabalho que lhes competir, ou
por ocasião dele.
d) Aos irmãos maiores pelos atos dos irmãos menores, desde que sejam
declarados hipossuficientes pela Justiça.
e) Aos irmãos menores, que deveriam ter tido mais responsabilidade para não
causar este tipo de problema.
Feedback: item 7.1.2.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
225

3. A respeito do crime de perigo, avalie quanto à veracidade as afirmativas


seguintes e depois escolha a alternativa correta.
I. Ele foi originariamente criado objetivando a prevenção de acidentes e está
previsto no Artigo 132 do Código Penal.
II. Embora previsto no Código Penal, ele não possui eficácia na prática pois sua
caracterização está condicionada pela legislação trabalhista à existência de
prejuízo manifesto na vítima.
III. A ação penal e consequente ação civil serão improcedentes nos casos em que
se comprovar que o acidente fatal foi causado por imprudência da própria vítima.

a) Estão todas corretas.


b) Apenas a afirmativa I está correta.
c) Apenas a afirmativa III está correta.
d) Apenas a afirmativa II está errada.
e) As alternativas I e II estão corretas.
Feedback: item 7.1.3

4. A respeito dos aspectos pertinentes à responsabilidade penal, é correto afirmar


que:

a) No acidente de trabalho, a tipificação do crime de perigo só é imediata na esfera


criminal se a atitude do agente provocar a morte da vítima.
b) Após a conclusão do inquérito policial e apontamento dos envolvidos, cabe, ato
contínuo, ao promotor público requerer a prisão preventiva dos culpados.
c) O processo penal envolve pessoa física e, consequentemente exclui a pessoa
jurídica.
d) A ação civil pública se mostra ineficaz por ter instrução por demais complexa e
apresentar tramitação muito lenta na Justiça Federal.
e) A responsabilização penal por dano estético ou morfológico advindo de acidente
de trabalho é improcedente por estar esse tipo de indenização contemplado no
mérito laborativo.
Feedback: item 7.1.3.

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Capítulo 7. Responsabilidades Civil e Criminal / Atuação Profissional em Higiene Ocupacional
226

5. Avalie as afirmações a seguir e depois responda à questão proposta.


I. Age com culpa grave o empregador que mantém em seu estabelecimento prensa
mecânica sem qualquer proteção e exige o trabalho de seu empregado em tal
máquina.
II. O empreiteiro que permite que seu empregado execute um trabalho em altura de
dez metros sem os necessários equipamentos de proteção individual age com
culpa grave.
III. Age com culpa grave o empregador que exige de empregado inexperiente o
trabalho com máquina cujo sistema elétrico está há tempos com defeito e vem
operando com o recurso de ligação direta.
IV. Age com culpa grave o empregador que exige ou permite o trabalho em local
com forte emanação de gases, sem que sejam tomadas quaisquer medidas de
segurança.
a) Apenas a afirmação II está correta.
b) Todas as afirmativas estão corretas.
c) Apenas uma afirmativa está correta.
d) Há dois exemplos de culpa grave nas afirmações.
e) Apenas a afirmação III está correta.
Feedback: item 7.1.2.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 227

CAPÍTULO 8. CONVENÇÕES DA OIT, LEGISLAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE DO


TRABALHADOR, DISPOSIÇÕES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

OBJETIVOS DO ESTUDO

Conhecer as convenções da OIT relacionadas à Higiene Ocupacional, compreender


o conceito e as ações no campo da saúde do trabalhador e os benefícios previstos de
Previdência Social relacionados.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 228

8.1. PRINCIPAIS CONVENÇÕES DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO


TRABALHO – OIT QUE ENVOLVEM A HIGIENE OCUPACIONAL RATIFICADAS PELO
BRASIL

A Organização Internacional do Trabalho – OIT- criada em 1919, é uma agência


especializada da Organização das Nações Unidas - ONU para tratar de questões
laborais. Tem como principal objetivo promover a justiça social por meio do fomento de
oportunidades de emprego e trabalho com saúde, em condições de liberdade, igualdade
e segurança. Desenvolve documentos, programas e atividades por meio de discussões
tripartites com participação de representantes de governos, de organizações de
trabalhadores e de empregadores. O Brasil é um país membro e está entre os seus
fundadores.
O tripartimos é uma forma de tomada de decisão com representações iguais de
governos, empregadores e trabalhadores.
A OIT procura harmonizar a legislação ao longo dos países membros através da
criação de uma base jurídica que evite conflitos e enseje um Código Internacional do
Trabalho. Tal conjunto de dispositivos legais representa um padrão mínimo necessário ao
relacionamento entre capital e trabalho no mundo e contempla:
• Disposições sobre condições de trabalho e questões de emprego (férias,
repouso semanal, salários, segurança e saúde no trabalho, pleno emprego, etc);
• Instituições e mecanismos para proteção dos trabalhadores (aplicação, bem
como fiscalização das leis trabalhistas);
Direitos fundamentais do homem (supressão do trabalho forçado, combate à
discriminação e à liberdade sindical).
As normas internacionais do trabalho podem ser apresentadas sob a forma de
Convenções, Protocolos, Recomendações, Resoluções e Declarações, conforme
definidas a seguir.
As Convenções e os Protocolos são tratados internacionais que criam
obrigações jurídicas que podem ser ratificadas pelo Estado – membro.
As Recomendações destinam-se a orientar a política, a legislação e a prática dos
Estados-membros. Podem ou não estarem vinculadas com Convenções.
As Resoluções representam pautas com a finalidade de orientar os Estados-
membros e a própria OIT em matérias específicas e as Declarações contribuem para a
criação de princípios gerais de direito internacional.
A ratificação indica o compromisso do Estado-Membro em adotar medidas legais
e outras que assegurem a aplicação da Convenção em prazos determinados, incluindo o
estabelecimento de sanções apropriadas, mantendo serviços de inspeção que zelem por
seu cumprimento.
Da elaboração até a entrada em vigor, a convenção internacional, para se
incorporar no direito positivo interno do Brasil, passa pelas seguintes fases: negociação,
assinatura pelo o Presidente da República manifestando o consentimento do Brasil,
aprovação pelo Congresso Nacional, ratificação pelo Presidente da República,
promulgação e publicação.
O prazo de validade de cada ratificação é de dez anos. Ao término da validade, o
Estado-Membro pode denunciar a convenção, cessando sua responsabilidade em
relação à mesma, doze meses após. Denunciar uma convenção é o aviso dado pelo
Estado de que não tem interesse em continuar aplicando uma norma internacional. No
caso de convenção da OIT, é o ato pelo qual o Estado avisa a OIT que já não tem
interesse em continuar observando aquela norma em seu ordenamento jurídico interno.
Não havendo sido denunciada a Convenção até doze meses do término da
validade da ratificação, renova-se a validade tacitamente por mais dez anos.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 229

Não há obrigatoriedade em aplicar a Convenção na sua íntegra. Há possibilidade


de exclusão total ou parcial de ramos da atividade econômica, empresas ou produtos, ou
mesmo a exclusão da aplicação de parte da Convenção em todo o território nacional.
Nestas circunstâncias estas condições devem ser formalmente comunicadas à OIT.
A seguir são apresentadas resumidamente as principais Convenções ratificadas
pelo Brasil diretamente relacionadas com a Higiene Ocupacional. Destacando-se pontos
principais que norteiam as normas regulamentadoras brasileiras sobre o tema.
As Convenções completas estão disponíveis em
<http://www.ilo.org/brasilia/convencoes/lang--pt/index.htm > Acesso em 11/06/2020.

Quadro 8.1. O que representam as convenções da OIT e qual é a sua principal finalidade
para cada Estado-Membro?

Resposta:

As convenções da OIT representam tratados multilaterais abertos, de caráter

normativo, que podem ser ratificadas sem limitação de prazo por qualquer dos

Estados-Membros.

A sua principal finalidade é indicar o compromisso dos Estados-Membros em

adotar medidas legais ou outras que assegurem a aplicação da Convenção em

prazos determinados, incluindo o estabelecimento de sanções apropriadas,

mantendo serviços de inspeções que zelem por seu cumprimento.

8.1.1. CONVENÇÃO Nº. 174 – PREVENÇÃO DE ACIDENTES MAIORES, 1993

A Convenção nº. 174 sobre Prevenção de acidentes maiores foi aprovada pelo
Brasil por meio do Decreto legislativo nº. 246 de junho de 2001, ratificada em 02/08/2001
e promulgada pelo Decreto nº. 4085 de 15 de janeiro de 2002.
Foi desenvolvida para aplicação em instalações sujeitas a riscos de acidentes
maiores. Não é dirigida para instalações nucleares e usinas que processem substâncias
radioativas, instalações militares e transporte fora das instalações distinto do transporte
por tubulações.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 230

Pontos principais:

1 – O Estado-Membro tem o dever de:


• Adotar uma política relativa à proteção dos trabalhadores, população e meio
ambiente contra riscos de acidentes maiores;
• Criar sistemas de identificação de instalações sujeitas a riscos de acidentes
maiores, baseada em lista de substâncias ou categorias de substâncias
perigosas que inclua suas quantidades-limites.

2 – O empregador tem a obrigação de:


• Notificar a autoridade competente sobre os riscos de acidentes e doenças
ocupacionais que tenha identificado;
• Criar e manter sistema documentado de controle de riscos que contenha:
• Identificação dos perigos e avaliação dos riscos;
• Medidas técnicas e organizacionais de controle dos riscos;
• Planos e procedimentos de emergências;
• Medidas para redução das consequências de um acidente.
• Consultas com trabalhadores e seus representantes sobre as questões dos
riscos nos ambientes de trabalho;
• Promover mecanismos de melhoria no sistema de segurança;
• Elaborar relatório de segurança de acordo com o sistema de controle de riscos,
periodicamente revisado e atualizado.
• Após um acidente, submeter à autoridade competente relatório detalhado sobre
o mesmo, contendo suas causas, consequências, medidas adotadas e
recomendações de medidas preventivas.

3 – A autoridade competente tem a responsabilidade de:


• Assegurar a criação, atualização e coordenação de planos e procedimentos de
emergência para proteção da população e meio ambiente;
• Garantir, informações sobre medidas de segurança para a população;
• Estabelecer política global de Segurança e Saúde no Trabalho.

4 – Os trabalhadores e seus representantes devem ter os seguintes direitos e


obrigações:
• Estarem informados dos riscos relacionados à suas atividades de trabalho e
suas consequências, assim como de quaisquer ordens, instruções ou
recomendações da autoridade competente;
• Serem consultados na elaboração do relatório de segurança, planos e
procedimentos de emergência e relatórios de acidente;
• Serem regularmente instruídos e treinados nas práticas e procedimentos para
prevenção de acidentes e doenças ocupacionais e nos procedimentos de
emergência;

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 231

• Tomarem medidas corretivas ou interromper suas atividades sempre que


houver justificativa para crer que existam riscos eminentes de acidentes e
causadores de doenças ocupacionais;
• Discutirem com o empregador e informar a autoridade competente sobre risco
potencial de acidente e doenças ocupacionais;
• Observarem práticas e procedimentos preventivos e de emergência.

5 – O Estado exportador tem o dever, em caso de proibição do uso de substâncias,


tecnologias ou processos com risco potencial de acidentes maiores, de informar a todo
país importador sobre essa proibição e suas razões.

8.1.2. CONVENÇÃO Nº. 170 – SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE PRODUTOS


QUÍMICOS, 1990
A Convenção nº. 170 foi aprovada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº. 67
de 4 de maio de1995, ratificada em 23/12/1996 e promulgada pelo Decreto nº. 2657 de 3
de julho de 1998.
Foi desenvolvida para aplicação em todos os ramos da atividade econômica em
que são utilizados produtos químicos. Com exceção dos artigos que sob condições
normais de uso, não expõem os trabalhadores a um produto químico perigoso.

Pontos principais:

1 – O Estado-Membro deve formular pôr em prática e avaliar periodicamente a


política de segurança na utilização de produtos químicos no trabalho.

2 – A autoridade competente deve ter o poder de proibir ou restringir a utilização de


certos produtos químicos perigosos ou de exigir notificação ou autorização prévia para
seu uso.

3 – A autoridade competente ou organismos reconhecidos pela mesma, tem a


obrigação de estabelecer sistemas e critérios específicos apropriados para classificar os
produtos químicos e suas misturas em função do tipo e grau dos riscos físicos e para a
saúde que oferecem.

4 – O Estado-Membro deve promover a obrigatoriedade de:


• Marca de identificação em todos os produtos químicos e etiqueta com
informação sobre classificação, perigos e medidas de segurança em todos os
produtos perigosos;
• Fornecimento aos empregados que utilizam substâncias perigosas de ficha de
segurança com dados sobre sua identificação, fornecedor, classificação,
periculosidade, medidas de precaução e procedimentos de emergência;
• Descarte adequado de produtos químicos e seus recipientes.

5 – Os fornecedores e empregadores devem assegurar-se de que os produtos


químicos estejam adequadamente identificados e providos de ficha de segurança.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 232

6 – Os fornecedores têm a responsabilidade de repassar aos empregadores fichas


de segurança atualizadas e de identificar corretamente os produtos ainda não
classificados.

7 – Os empregadores têm a responsabilidade de:


• Somente utilizar produtos adequadamente identificados, inclusive quando em
embalagens diversas da original, e dotados de ficha de segurança;
• Avaliar, controlar e monitorar a exposição dos trabalhadores a produtos
químicos, mantendo os dados obtidos pelo período determinado pela legislação
e disponibilizando-os aos trabalhadores e seus representantes.

8 – Os trabalhadores têm o direito de:


• Afastar-se de situação que acredite ser grave e iminente risco à sua segurança
ou saúde, indicando-a a seu supervisor;
• Obter todas as informações referentes aos produtos químicos a serem
utilizados.

9 – O Estado exportador deve, em caso de proibição do uso de substâncias


perigosas por razões de segurança e saúde, informar a todos os países importadores
sobre essa proibição e suas razões.

8.1.3. CONVENÇÃO Nº. 162 – CONVENÇÃO SOBRE O ASBESTO, 1986


A Convenção nº. 162 foi aprovada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº. 51
de 25 de agosto de1989, ratificada em 18/05/1990 e promulgada pelo Decreto nº. 126 de
22 de maio de 1990.
Foi desenvolvida para aplicação em todas as atividades em que os trabalhadores
estejam expostos à poeira contendo asbesto.

Pontos principais:

1 – O Estado-Membro tem a obrigatoriedade de prever na legislação nacional


medidas para prevenção e controle dos riscos devidos à exposição profissional ao
asbesto, que devem ser observadas pelos empregadores e trabalhadores.

2 – O Estado-Membro deve estabelecer uma ou mais das seguintes medidas:


• Substituição do asbesto ou de certos tipos de asbestos ou de produtos que
contenham asbesto por outros materiais ou produtos, ou a utilização de
tecnologias alternativas;
• Proibição total ou parcial do uso de asbesto ou de certos tipos de asbesto ou de
certos produtos contendo asbesto em determinados processos de trabalho.

3 – O Estado-Membro deve proibir a:


• Utilização do asbesto e de produtos que contenham essa fibra;
• Pulverização de todas as formas de asbesto.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 233

4 – O empregador tem a responsabilidade de:


• Notificar determinados tipos de trabalho que levem a exposição ao asbesto;
• Tomar medidas para prevenir ou controlar o desprendimento de poeira de
asbesto no ar e para garantir a observação dos limites de exposição, assim
como para reduzir a exposição ao limite mais baixo factível;
• Estabelecer e aplicar medidas práticas de prevenção e controle da exposição
de trabalhadores ao asbesto;
• Providenciar roupa de trabalho adequada, cuja manipulação e limpeza devem
ser efetuadas em condições adequadas;
• Manter a disposição dos trabalhadores lavatórios e chuveiros nos locais de
trabalho;
• Eliminar os resíduos que contenham asbesto de forma a não produzir risco à
saúde dos trabalhadores ou à população vizinha à empresa;
• Medir, sempre que necessário, as concentrações de poeira de asbesto nos
locais de trabalho, mantendo os registros pelo prazo legal à disposição dos
trabalhadores e serviços de inspeção;
• Zelar para que todos os trabalhadores que possam estar expostos ao asbesto
recebam informações sobre os riscos existentes, conheçam as medidas
preventivas e recebam formação contínua a respeito;
• Oferecer aos trabalhadores expostos ao asbesto que, por motivos de saúde,
estejam impedidos de exercer suas atividades, outros meios para manutenção
de seu emprego.

5 – Os produtores e fornecedores de asbesto têm a responsabilidade, assim como


dos fabricantes e fornecedores de produtos que contenham asbesto, de rotular
suficientemente as embalagens e produtos.

6 – A autoridade competente deve definir limites de exposição ao asbesto e outros


critérios de exposição que permitam avaliação do meio ambiente de trabalho,
periodicamente revisados e atualizados.

7 – Deve ser proibida a realização de demolição de instalações ou estruturas que


contenham materiais à base de asbesto ou da eliminação do asbesto em prédios ou
construções por empregadores ou contratados que não sejam reconhecidos pela
autoridade competente como qualificados para tais trabalhos.

8 – Deve ser elaborado plano de trabalho para execução de demolição, para


proteção dos trabalhadores, limitação da formação de poeira e eliminação adequada dos
resíduos que contenham amianto.

9 – A autoridade competente e os empregadores devem ser os responsáveis pela


adoção de medidas para evitar a contaminação do meio ambiente por poeira de asbesto.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 234

10 – Os trabalhadores têm o direito de:


• Solicitar controle do meio ambiente de trabalho e impugnar resultados de
controles frente à autoridade competente;
• Em caso de exposição prévia ou atual ao asbesto, submeter-se sem ônus aos
exames médicos necessários para a vigilância de sua saúde e diagnóstico de
doenças profissionais;
• Receber informação adequada e suficiente sobre os resultados de seus exames
médicos e ser assessorado individualmente sobre seu estado de saúde em
relação ao trabalho.

11 – A autoridade competente tem a responsabilidade de:


• Elaborar sistema de notificação de enfermidades profissionais causadas pelo
asbesto;
• Promover, em conjunto com organização representativas de empregadores e
trabalhadores, difusão de informações e a educação de todas as pessoas
interessadas sobre os riscos à saúde do asbesto, assim como os métodos de
prevenção e controle;
• Zelar pela formulação e implantação pelos empregadores de políticas e
procedimentos referentes a medidas de formação e educação dos trabalhadores
no que concerne aos riscos devidos ao asbesto e métodos de prevenção e
controle.

8.1.4. CONVENÇÃO Nº. 155 – SEGURANÇA E SAÚDE DOS


TRABALHADORES, 1981.
A Convenção nº. 155 foi aprovada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº. 02
de 17 de março de 1992, ratificada em 18/05/1992 e promulgada pelo Decreto nº. 1.254
de setembro de 1994.
Foi desenvolvida para aplicação em todos os ramos da atividade econômica.
O termo saúde, em relação com o trabalho, abrange não somente a ausência de
afecções ou de doença, mas também os elementos físicos e mentais que afetam a saúde
e estão diretamente relacionados com a segurança e higiene no trabalho.

Pontos principais:

1 – O Estado-Membro deve formular e pôr em prática uma política nacional


coerente em matéria de segurança e saúde dos trabalhadores e meio ambiente de
trabalho, para prevenção de acidentes e danos à saúde consequentes ao trabalho, que
guardem relação com a atividade que laboram ou sobrevenham durante o trabalho,
reduzindo ao mínimo as causas dos riscos existentes no meio ambiente de trabalho,
considerando:
• Projeto, ensaio, seleção, substituição, instalação, disposição, utilização e
manutenção dos componentes materiais do trabalho (locais e meio ambiente de
trabalho, ferramentas, máquinas e equipamentos, substâncias e agentes
químicos, biológicos e físicos, operações e processos);

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 235

• Relações entre os componentes materiais do trabalho e as pessoas que o


executam e supervisionam adaptação de máquinas, equipamentos, tempo de
trabalho, organização do trabalho, operações e processos às capacidades
físicas e mentais dos trabalhadores;
• Formação, qualificação e motivação das pessoas que intervêm para que se
alcancem níveis adequados de segurança e higiene;
• Comunicação e cooperação em todos os níveis;
• Proteção dos trabalhadores e seus representantes contra toda medida
disciplinar resultante da ação de acordo com a política.

2 – O Estado-Membro deve promover estudos periódicos, globais ou referentes a


determinados setores, da situação em matéria de segurança e saúde dos trabalhadores e
meio ambiente de trabalho, para identificação de problemas principais, proposição e
priorização de medidas e avaliação de resultados.

3 – A autoridade competente tem a responsabilidade de:


• Determinar, de acordo com a natureza e graus de risco, as condições de
concepção, construção, início de operação e processos a serem modificados
em empresas, assim como a segurança de equipamentos, técnicas e
procedimentos de trabalho;
• Determinar a proibição, limitação ou controle de operações e processos,
substâncias e agentes;
• Estabelecer e aplicar procedimentos para notificação de acidentes do trabalho e
doenças profissionais, elaborando estatísticas anuais;
• Realizar inquéritos em caso de acidentes ou doenças profissionais que
indiquem situação grave;
• Publicar anualmente informações sobre a aplicação da política nacional,
acidentes do trabalho e doenças profissionais;
• Estabelecer sistema de análise de agentes químicos, físicos ou biológicos que
possam trazer danos à saúde dos trabalhadores.

4 – As autoridades competentes devem zelar para que pessoas que projetam,


fabricam, importam, fornecem ou transferem máquinas, equipamentos ou substâncias
para uso profissional:
• Garantam que os mesmos não tragam perigos à segurança e saúde das
pessoas;
• Forneçam informações sobre a instalação e uso correto de máquinas e
equipamentos na utilização adequada de substâncias, agentes físicos e
biológicos e nas formas de prevenção aos riscos conhecidos.

5 – As autoridades competentes devem promover a proteção do trabalhador que


interrompa situação de trabalho por acreditar que traga perigo grave e iminente à sua
vida e a saúde.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 236

6 – As autoridades competentes têm o dever de promover a inclusão de questões


de segurança, higiene e meio ambiente de trabalho em todos os níveis de ensino e
formação.

7 – O Estado-Membro deve exigir dos empregadores:


• A garantia de que seus locais de trabalho, máquinas, equipamentos, operações
e processos sejam seguros e não tragam risco à segurança e a saúde dos
trabalhadores;
• A garantia de que agentes e substâncias químicas, físicas ou biológicas sob seu
controle não tragam riscos à saúde quando se tomam as proteções adequadas.

8 – Deve haver disposições no âmbito das empresas de medidas de moção da


segurança e saúde por meio da cooperação ampla entre trabalhadores e empregadores e
do fornecimento de informações e formação adequadas.

8.1.5. CONVENÇÃO Nº. 148 – MEIO AMBIENTE DE TRABALHO


(CONTAMINAÇÃO DO AR, RUÍDO E VIBRAÇÕES), 1977
A Convenção nº. 148 foi aprovada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº. 56
de 9 de outubro de 1981, ratificada em 14/01/1982 e promulgada pelo Decreto nº. 93.413
de 15/10/1986.
Foi desenvolvida para aplicação em todos os ramos da atividade econômica.

Pontos principais:

1 – A autoridade competente tem a responsabilidade de estabelecer critérios


periodicamente revisados que permitam definir os riscos de exposição à contaminação do
ar, ao ruído e às vibrações nos locais de trabalho, fixando limites de exposição, após
consulta com pessoas tecnicamente qualificadas designadas pelas organizações
interessadas representativas de empregadores e trabalhadores.

2 – Os empregadores têm a responsabilidade, na vigência de riscos profissionais


devidos à contaminação do ar, ruído ou vibrações, de:
• Eliminar tais riscos, na medida do possível, mediante medidas técnicas ou de
organização do trabalho, ou, em último caso, pelo fornecimento de equipamento
de proteção individual;
• Acompanhar a saúde dos trabalhadores expostos ou potencialmente expostos,
por meio de exames admissional e periódicos;
• Adotar medidas para mudança de função ou recebimento de prestações da
seguridade social para o trabalhador que por razões médicas não possa
permanecer em seu posto de trabalho;
• Notificar e submeter à apresentação da autoridade competente a utilização de
procedimentos com substâncias, máquinas ou materiais que levem à exposição
de trabalhadores a esses agentes;
• Designar pessoa competente ou serviço especializado para tratar das questões
relativas à prevenção e limitação dos riscos existentes;

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 237

• Assegurar a todos os trabalhadores e pessoas interessadas todas as


informações a esse respeito;
• Obrigar a todos os trabalhadores a observação das normas de segurança para
prevenção e limitação desses riscos.

3 – O Estado-Membro deve promover a adoção de medidas de investigação no


campo da prevenção e limitação dos riscos devidos à contaminação do ar, ruído e
vibrações nos locais de trabalho.

8.1.6. CONVENÇÃO Nº. 139 – CÂNCER PROFISSIONAL, 1974


A Convenção nº. 139 foi aprovada pelo Decreto Legislativo nº. 3 de 7 de maio
de1990, ratificada 27/06/1990 e promulgada pelo Decreto nº. 157 de 2 de julho de 1991.
Foi desenvolvida para aplicação em todos os ramos da atividade econômica.

Pontos principais:

1 – O Estado-Membro tem a obrigação de:


• Determinar periodicamente lista de substâncias e agentes cancerígenos aos
quais a exposição no trabalho estará proibida ou sujeita a autorização ou
controle, considerando-se os dados mais recentes de recomendações e guias
da OIT ou outros organismos competentes;
• Buscar a substituição dessas substâncias por outras não cancerígenas ou
menos nocivas;
• Reduzir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição a
substâncias cancerígenas ao mínimo compatível com a segurança;
• Prescrever medidas de proteção dos trabalhadores contra os riscos da
exposição à substância ou agentes cancerígenos, assegurado sistema
apropriado de registro;
• Adotar medidas para que todos os trabalhadores que tenham estado, estejam
ou possam estar expostos a substâncias ou agentes cancerígenos, possuam
toda informação disponível sobre os perigos de tais sustâncias e sobre as
medidas a serem tomadas;
• Assegurar que os trabalhadores sejam submetidos a exames médicos ou o
estado de sua saúde em relação aos riscos profissionais.

8.1.7. CONVENÇÃO Nº. 136 – BENZENO, 1971


A Convenção nº. 136 foi aprovada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº. 76
de 19 de novembro de 1992, ratificada em 24/03/1993 e promulgada pelo Decreto nº.
1253 de 27 de setembro de 1994.
Foi desenvolvida para aplicação em todas as atividades que acarretem exposição
dos trabalhadores ao benzeno ou a produtos cuja taxa de benzeno ultrapasse 1 por cento
em volume.
As diretrizes colocadas pela Convenção não se aplicam a:
• Produção de benzeno;
• Utilização do benzeno em trabalhos de síntese química;

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 238

• Emprego de benzeno em combustíveis;


• Trabalhos de análise ou de pesquisa em laboratório.

Pontos principais:

1 – A proibição do benzeno ou produtos de benzeno em certas atividades, que


devem incluir no mínimo seu uso como solvente ou diluente, exceto quando em sistema
fechado ou outros métodos de trabalho igualmente seguros.

2 – O dever de tomar providências que assegurem nos locais de trabalho:


• Adoção de medidas técnicas de prevenção e higiene para o controle da
exposição ao benzeno;
• Tomada de medidas de prevenção de emanação de vapores e a manutenção
da concentração de benzeno no ar em níveis inferiores a 25 partes por milhão.
Para garantir a proteção eficaz de trabalhadores expostos a benzeno ou
produtos que contenham benzeno;
• Previsão de meios de proteção pessoal adequada contra os riscos de absorção
percutânea para trabalhadores que possam entrar em contato com benzeno
líquido e contra os riscos de inalação de vapores de benzeno para
trabalhadores que possam estar expostos a concentrações que excedam o
limite máximo;
• Instrução adequada de todos os trabalhadores expostos a benzeno ou produtos
contendo benzeno sobre as precauções necessárias para a proteção de sua
saúde e prevenção de acidentes, assim como sobre o tratamento apropriado
dos sintomas de intoxicação.

3 – A obrigação de se realizar, por profissional reconhecido pela autoridade


competente, exames médicos admissional e periódicos completos, que incluam análise
de sangue de trabalhadores expostos ao benzeno ou produtos contendo benzeno.

4 – A proibição do emprego de mulheres grávidas, lactantes ou menores de 18


anos em atividade que levem a exposição ao benzeno ou a produtos contendo benzeno.
Existe a exceção para menores que recebam formação profissional, sob vigilância
médica técnica adequada.

5 – A obrigação de rotulagem de todo recipiente contendo benzeno ou produtos


contendo benzeno, com inscrição clara da palavra “Benzeno” e símbolos de perigo.

8.1.8 CONVENÇÃO Nº. 115 – PROTEÇÃO CONTRA RADIAÇÕES, 1960


A convenção nº. 115 foi aprovada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº. 2,
de 7/4/1964, ratificada em 05/09/1966 e promulgada pelo Decreto nº. 62151, de
19/1/1968.
Foi desenvolvida para aplicação em todas as atividades que exponham
trabalhadores a radiações ionizantes.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 239

Pontos principais:

1 – A obrigatoriedade de adoção de todas as medidas adequadas para garantia da


efetiva proteção de trabalhadores quanto às radiações ionizantes, no que diz respeito à
sua saúde e segurança e de restringir ao nível mais baixo possível a exposição dos
trabalhadores.

2 – A responsabilidade pelo Estado- Membro de:


• Fixar doses máximas permissíveis de exposição a radiações ionizantes
procedentes de fontes externas ou internas ao organismo e quantidades
máximas permissíveis de substâncias radioativas que podem ser introduzidas
no organismo;
• Prever na legislação a notificação de trabalho envolvendo exposição à radiação
ionizante;
• Providenciar serviços de inspeção para supervisão do cumprimento da
convenção.

3 – O dever dos empregadores de:


• Sinalizar a presença de radiações ionizantes;
• Proporcionar todas as informações necessárias aos trabalhadores, instruindo-os
sobre as precauções a serem tomadas para sua proteção;
• Monitorar trabalhadores e locais de trabalho para verificação do respeito aos
índices permitidos;
• Realizar exame admissional e periódico de trabalhadores expostos à radiação;
• Especificar condições em que devem ser tomadas medidas imediatas de
realização de exame médico do trabalhador, notificação da autoridade
competente, avaliação das condições de trabalho por pessoal especializado e
de tomada de ações corretivas.

4 – A proibição de se empregar trabalhador menor de 16 anos em atividades


envolvendo radiações ionizantes.

8.2. CONVENÇÃO Nº. 148 - CONVENÇÃO SOBRE A PROTEÇÃO DOS


TRABALHADORES CONTRA OS RISCOS PROFISSIONAIS DEVIDOS À
CONTAMINAÇÃO DO AR, AO RUÍDO E ÀS VIBRAÇÕES NO LOCAL DE
TRABALHO
Como exemplo, encontra-se transcrita a seguir, na íntegra, uma das mais
importantes Convenções da OIT referentes à Higiene Ocupacional já ratificadas pelo
Estado Brasileiro, a Convenção nº. 148.
O Decreto nº. 93.413, de 15 de outubro de 1986, promulgado pelo Presidente da
República, que trata da Convenção nº. 148 tem o seguinte preâmbulo:
“Considerando que o Congresso Nacional aprovou pelo Decreto Legislativo nº.”. 56,
de 9 de outubro de 1981, a Convenção nº. 148, da Organização internacional do
Trabalho, sobre a Proteção dos Trabalhadores Contra os Riscos Profissionais Devidos a

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 240

Contaminação do Ar, ao Ruído e às Vibrações no Local de Trabalho, assinada em


Genebra, em 1º de junho de 1977.
Considerando que em 14 de janeiro de 1982 foram depositados os Instrumentos de
Ratificação, pelo Brasil.
“Considerando que a referida Convenção entrou em vigor internacional a 14 de
janeiro de 1983, decreta:”.
O referido Decreto traz como anexo o texto seguinte da Convenção nº. 148:
A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho,
Convocada em Genebra pelo Conselho de Administração da Oficina Internacional
do Trabalho e reunida nessa cidade em 1º de junho de 1977, na sua sexagésima sessão;
Lembrando as disposições das Convenções e Recomendações Internacionais do
Trabalho pertinentes, e em especial a Recomendação sobre a Proteção da Saúde dos
Trabalhadores, 1953; a recomendação sobre os Serviços de Medicina do Trabalho, 1959;
a Convenção e a Recomendação sobre a Proteção contra as Radiações, 1960; a
Convenção e a Recomendação sobre a Proteção da Maquinaria, 1963; a Convenção
sobre as Prestações em caso de Acidente do Trabalho e Enfermidades Profissionais,
1964; a Convenção e a Recomendação sobre a Higiene (comércio e escritórios), 1964; a
Convenção e a Recomendação sobre o Câncer Profissional, 1974;
Depois de haver decidido adotar diversas propostas relativas ao meio ambiente de
trabalho, contaminação atmosférica, ruído e vibrações, questão que constitui o quarto
ponto da agenda da reunião; e
Depois de haver decidido que as referidas propostas tomassem a forma de uma
Convenção Internacional, adota aos vinte de junho do ano de mil novecentos e setenta e
sete a presente Convenção, que poderá ser citada como a Convenção sobre o Meio
Ambiente de Trabalho (Contaminação do Ar, Ruído e Vibrações), 1977:

PARTE I
Campo de Aplicações e Definições
ARTIGO 1
1. A presente Convenção aplica-se a todos os ramos de atividade econômica.
2. Todo Membro que ratifique a presente Convenção, depois de consultar as
organizações representativas de empregadores e trabalhadores interessados, se tais
organizações existirem, poderá excluir de sua aplicação os ramos de atividade
econômica em que tal aplicação apresente problemas especiais de certa importância.
3. Todo Membro que ratifique a presente Convenção poderá enumerar, no primeiro
relatório que apresente sobre a aplicação da Convenção, de acordo com o Artigo 22 da
Constituição da Organização Internacional do Trabalho, os ramos que houvessem sido
excluídos em virtude do parágrafo 2 deste Artigo, explicando os motivos da referida
exclusão, e indicando em relatórios subsequentes o estado da legislação e da prática
sobre os ramos excluídos e o grau em que se aplica ou se propõe a aplicar a Convenção
a tais ramos.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 241

ARTIGO 2
1. Todo Membro poderá, em consulta com as organizações representativas de
empregadores e de trabalhadores, se tais organizações existirem, aceitar separadamente
as obrigações previstas nesta Convenção, no que diz respeito:
a) À contaminação do ar;
b) Ao ruído;
c) Às vibrações.

2. Todo Membro que não aceite as obrigações previstas na Convenção a respeito


de uma ou várias categorias de riscos deverá indicá-las no instrumento de ratificação e
explicar os motivos de tal exclusão no primeiro relatório sobre a aplicação da Convenção,
que submeta nos termos do Artigo 22 da Constituição da Organização Internacional do
Trabalho. Nos relatórios subsequentes deverá indicar o estado da legislação e da prática
sobre qualquer categoria de riscos que tenha sido excluída, e o grau em que aplica ou se
propõe aplicar a Convenção a tal categoria.
3. Todo Membro que, no momento da ratificação, não tenha aceitado as obrigações
previstas na Convenção relativas a todas as categorias de riscos, deverá posteriormente
notificar o Diretor-Geral da Oficina Internacional do Trabalho, quando julgue que as
circunstâncias o permitem, que aceita tais obrigações com respeito a uma ou várias das
categorias anteriormente excluídas.

ARTIGO 3
Para fins da presente Convenção:
a) A expressão “contaminação do ar” compreende o ar contaminado por
substâncias que, qualquer que seja seu estado físico, sejam nocivas à saúde ou
contenham qualquer outro tipo de perigo;
b) O termo “ruído” compreende qualquer som que possa provocar uma perda de
audição ou ser nocivo à saúde ou contenha qualquer outro tipo de perigo;
c) O termo “vibrações” compreende toda vibração transmitida ao organismo
humano por estruturas sólidas e que seja nociva à saúde ou contenha qualquer
outro tipo de perigo.

PARTE II
Disposições Gerais
ARTIGO 4
1. A legislação nacional deverá dispor sobre a adoção de medidas no local de
trabalho para prevenir e limitar os riscos profissionais devidos à contaminação do ar, ao
ruído e às vibrações, e para proteger os trabalhadores contra tais riscos.
2. Para a aplicação prática das medidas assim prescritas poder-se-á recorrer à
adoção de normas técnicas, repertórios de recomendações práticas e outros meios
apropriados.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 242

ARTIGO 5
1. Ao aplicar as disposições da presente Convenção, a autoridade competente
deverá atuar em consulta com as organizações interessadas mais representativas de
empregadores e de trabalhadores.
2. Os representantes dos empregadores e dos trabalhadores estarão associados na
elaboração das modalidades de aplicação das medidas prescritas de acordo com o
Artigo 4.
3. Na aplicação das medidas prescritas em virtude da presente Convenção, deverá
ser estabelecida colaboração mais estreita possível, em todos os níveis entre
empregadores e trabalhadores.
4. Os representantes do empregador e os representantes dos trabalhadores na
empresa deverão Ter a possibilidade de acompanhar os agentes de inspeção do trabalho
no controle da aplicação das medidas prescritas de acordo com a presente Convenção, a
menos que os agentes de inspeção julguem, à luz das diretrizes gerais da autoridade
competente, que isso possa prejudicar a eficácia de seu controle.

ARTIGO 6
1. Os empregadores serão responsáveis pela aplicação das medidas prescritas.
2. Sempre que vários empregadores realizem simultaneamente atividades no
mesmo local de trabalho, terão o dever de colaborar para aplicar as medidas prescritas,
sem prejuízo da responsabilidade de cada empregador quanto à saúde e à segurança
dos trabalhadores que emprega. Nos casos apropriados, a autoridade competente deverá
prescrever os procedimentos gerais para efetivar essa colaboração.

ARTIGO 7
1. Deverá obrigar-se aos trabalhadores a observância das normas de segurança
destinadas a prevenir e a limitar os riscos profissionais devidos à contaminação do ar, ao
ruído e às vibrações no local de trabalho, e a assegurar a proteção contra tais riscos.
2. Os trabalhadores ou seus representantes terão direito a apresentar propostas,
receber informações e orientação, e a recorrer a instâncias apropriadas, a fim de
assegurar a proteção contra riscos profissionais devidos à contaminação do ar, ao ruído e
às vibrações no local de trabalho.

PARTE III
Medidas de Prevenção e de Proteção
ARTIGO 8
1. A autoridade competente deverá estabelecer os critérios que permitam os riscos
da exposição à contaminação do ar, ao ruído e às vibrações no local de trabalho, e a
fixar, quando cabível, com base em tais critérios, os limites de exposição.
2. Ao elaborar os critérios e ao determinar os limites de exposição, a autoridade
competente deverá tomar em consideração a opinião de pessoas tecnicamente

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 243

qualificadas, designadas pelas organizações interessadas mais representativas de


empregadores e de trabalhadores.
3. Os critérios e limites de exposição deverão ser fixados, completados e revisados
a intervalos regulares, de conformidade com os novos conhecimentos e dados nacionais
e internacionais, e tendo em conta, na medida do possível, qualquer aumento dos riscos
profissionais resultante da exposição simultânea a vários fatores nocivos no local de
trabalho.

ARTIGO 9
Na medida do possível, dever-se-á eliminar todo risco devido à contaminação do ar,
ao ruído e às vibrações no local de trabalho:
a) Mediante medidas técnicas aplicadas às novas instalações e aos novos
métodos de sua elaboração ou de sua instalação, ou mediante medidas
técnicas aduzidas às instalações ou operações existentes, ou quando isto não
seja possível;
b) Mediante medidas complementares de organização do trabalho.

ARTIGO 10
Quando as medidas adotadas em conformidade com o Artigo 9 não reduzam a
contaminação do ar, o ruído e as vibrações no local de trabalho a limites especificados de
acordo com o Artigo 8, o empregador deverá proporcionar e conservar em bom estado o
equipamento de proteção pessoal apropriado. O empregador não deverá obrigar um
trabalhador a trabalhar sem o equipamento de proteção pessoal previsto neste Artigo.

ARTIGO 11
1. O estado de saúde dos trabalhadores expostos ou que possam estar expostos
aos riscos profissionais de contaminação do ar, ao ruído e às vibrações no local de
trabalho deverá ser objeto de controle, a intervalos apropriados, segundo as modalidades
e nas circunstâncias fixadas pela autoridade competente. Este controle deverá
compreender um exame médico anterior ao emprego e exames periódicos, conforme
determine a autoridade competente.
2. O controle previsto no parágrafo 1 do presente Artigo não deverá implicar
despesa para o trabalhador.
3. Quando, por razões médicas, seja desaconselhável a permanência de um
trabalhador em uma função sujeita à exposição à contaminação do ar, ao ruído ou às
vibrações, deverão ser adotadas todas as medidas compatíveis com a prática e as
condições nacionais para transferi-lo para outro emprego adequado ou para assegurar-
lhe a manutenção de seus rendimentos, mediante prestações da previdência social ou
por qualquer outro meio.
4. As medidas tomadas para aplicar a presente Convenção não deverão afetar
desfavoravelmente os direitos dos trabalhadores previstos na legislação sobre a
previdência social ou seguros sociais.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 244

ARTIGO 12
A utilização de processos, substâncias, máquinas ou materiais, que serão
especificados pela autoridade competente, que impliquem exposição dos trabalhadores
aos riscos profissionais devidos à contaminação do ar, ao ruído e às vibrações no local
de trabalho, deverão ser comunicadas à autoridade competente, a qual poderá, conforme
o caso autorizá-la, de conformidade com as modalidades determinadas, ou proibi-la.

ARTIGO 13
Todas as pessoas interessadas:
a) Deverão ser apropriadas e suficientemente informadas sobre os riscos
profissionais que possam originar-se no local de trabalho devido à
contaminação do ar, ao ruído e às vibrações;
b) Deverão receber instruções suficientes e apropriadas quanto aos meios
disponíveis para prevenir e limitar tais riscos, e proteger-se dos mesmos.

ARTIGO 14
Deverão ser adotadas medidas, tendo em conta as condições e os recursos
nacionais, para promover a pesquisa no campo da prevenção e limitação dos riscos
devidos à contaminação do ar, ao ruído e às vibrações no local de trabalho.

PARTE IV
Medidas de Aplicação
ARTIGO 15
Segundo as modalidades e nas circunstâncias fixadas pela autoridade competente,
o empregador deverá designar pessoa competente ou recorrer a serviço especializado,
comum ou não a várias empresas, para que se ocupe das questões de prevenção e
limitação da contaminação do ar, do ruído e das vibrações no local de trabalho.

ARTIGO 16
Todo Membro deverá:
a) Adotar, por via legislativa ou por qualquer outro método conforme a prática e as
condições nacionais, as medidas necessárias, incluído o estabelecimento de
sanções apropriadas, para dar efeito às disposições da presente Convenção;
b) Promover serviços de inspeção apropriados para velar pela aplicação das
disposições da presente Convenção ou certificar-se de que se exerce uma
inspeção adequada.

ARTIGO 17
As ratificações formais desta Convenção deverão ser comunicadas ao Diretor-Geral
da Oficina Internacional do trabalho para registro.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 245

ARTIGO 18
1. Esta Convenção será obrigatória apenas para aqueles membros da Organização
Internacional do Trabalho cujas ratificações tenham sido registradas junto ao Diretor-
Geral.
2. Esta Convenção entrará em vigor doze meses após a data em que tenham sido
registradas junto ao Diretor-Geral as ratificações de dois Membros.
3. A partir de então, esta Convenção entrará em vigor para cada Membro, doze
meses após a data em que sua ratificação tenha sido registrada.

ARTIGO 19
1. Todo Membro que tenha ratificado esta Convenção poderá, no término de um
período de dez anos, a partir da data em que entrou em vigor pela primeira vez,
denunciar a Convenção em seu conjunto ou uma ou várias das categorias de riscos a
que se refere o Artigo 2, através de um ato comunicado ao Diretor-Geral da Oficina
Internacional do Trabalho, para registro. Tal denúncia surtirá efeito um ano depois da
data em que tenha sido registrada.
2. Todo Membro que tenha ratificado esta Convenção e que não exerça, durante o
ano seguinte à expiração do período de dez anos mencionado no parágrafo anterior, o
direito de denúncia previsto neste Artigo, estará obrigado por outro período de dez anos
e, a partir de então, poderá denunciar esta Convenção ao término de cada período de
dez anos, nos termos previstos neste Artigo.

ARTIGO 20
1. O Diretor-Geral da Oficina Internacional do Trabalho deverá comunicar a todos
os Membros da Organização Internacional do Trabalho o registro de todas as
ratificações, declarações e denúncias comunicadas pelos Membros da Organização.
2. Ao comunicar aos Membros da Organização o registro da Segunda ratificação, o
Diretor-Geral chamará a atenção dos Membros para a data em que a Convenção entrará
em vigor.

ARTIGO 21
O Diretor-Geral da Oficina Internacional do Trabalho comunicará ao Secretário-
Geral das Nações Unidas, para fins de registro e de conformidade com o Artigo 102 da
Carta das Nações Unidas, uma informação completa sobre todas as ratificações,
declarações e atos de denúncia registrados por ele, de acordo com os termos dos Artigos
precedentes.

ARTIGO 22
Toda vez que julgue necessário, o Conselho de Administração da Oficina
Internacional do Trabalho apresentará à Conferência um relatório sobre a aplicação da
Convenção e examinará a conveniência de ser colocada na Agenda da Conferência a
questão da sua revisão total ou parcial.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 246

ARTIGO 23
1. Caso a Conferência adote nova Convenção que modifique total ou parcialmente
a presente Convenção, então, a menos que a nova Convenção determine em contrário:
a) A ratificação por um Membro da nova Convenção modificativa implicará, ipso
jure, na denúncia imediata da presente Convenção, não obstante as
determinações do Artigo 19, quando a nova Convenção modificativa tenha
entrado em vigor;
b) A partir da data da entrada em vigor da nova Convenção modificativa, a
presente Convenção deixará de estar aberta à ratificação pelos Membros.
2. Esta Convenção entrará em vigor, em sua forma e conteúdo originais, para
aqueles Membros que a tenham ratificado, mas que não tenham ratificado a Convenção
modificativa.

ARTIGO 24
As versões em inglês e francês do texto desta Convenção são igualmente
autênticas.

Quadro 8.2.

Do que trata a Convenção nº. 148 da OIT?


Resolução:
Trata de estabelecer critérios periodicamente revisados que permitam definir

os riscos de exposição à contaminação do ar, ao ruído e às vibrações nos locais de

trabalho, fixando limites de exposição.

8.3. LEGISLAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE DO TRABALHADOR


A partir da Constituição Federal de 1988, com a instituição do Sistema Único de
Saúde (SUS) nascem ações voltadas para a saúde do trabalhador.
A operacionalização das atividades no campo da saúde do trabalhador tem como
principais regulamentos a Portaria /MS no. 3120/1998 e a Portaria /MS no. 3908/1998. As
práticas propostas relacionam a saúde do trabalhador diretamente com o processo
produtivo. Com isso o tema torna-se complexo, dado seus aspectos socioculturais,
políticos e econômicos, bem como a necessidade de trabalhos interinstitucionais
envolvendo planos nacionais, estaduais e municípios.
Na repartição das competências, a Constituição Federal de 1988 diz
expressamente que cuidar da saúde é competência comum da União, dos estados e dos
municípios (Artigo 23, inciso II), e legislar sobre a defesa da Saúde compete

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 247

concorrentemente à União, aos estados (Artigo 24, inciso XII) e suplementarmente, aos
municípios (Artigo 30, inciso II).
A Lei nº. 8.080, de 19 de setembro de 1990, chamada de Lei Orgânica da Saúde
que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde; a
organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências
definem no seu Capítulo I, artigo 3°, Saúde do Trabalhador como:
”um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância
epidemiológica1 e vigilância sanitária2, à promoção e proteção da saúde dos
trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos
trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de
trabalho, abrangendo:
I. assistência ao trabalhador vítima de acidente do trabalho ou portador de doença
profissional e do trabalho;
II. participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em
estudos e pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde
existentes no processo de trabalho;
III. participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), de
normalização, fiscalização e controle das condições de produção, extração,
armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de
máquinas, e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador;
IV. avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde do trabalhador;
V. informação ao trabalhador e a sua respectiva entidade sindical e as empresas
sobre os riscos do acidente de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os
resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão,
periódicos, e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional;
VI. participação na normalização, fiscalização, e controle nos serviços de saúde do
trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas;
VII. revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de
trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; e
VIII. “a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a
interdição de máquinas de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando
houver exposição a risco iminente para a vida ou a saúde dos trabalhadores”.
Neste entendimento e na perspectiva da atenção integral à saúde, de acordo com
as realidades locais e regionais, a Portaria nº. 3.908/98 Norma Operacional de Saúde
do Trabalhador (NOST), vem com o objetivo de orientar e instrumentalizar as ações de
saúde do trabalhador urbano e rural pelo Ministério da Saúde, pelos estados e pelos
municípios, habilitados nas condições de gestão previstas na Norma Operacional Básica
do SUS - NOB-SUS 01/96.

1
Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a
detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual
e coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou
agravos.

2
Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à
saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e da circulação dos
bens e da prestação de serviços de interesse da saúde o controle de bens de consumo e o controle da
prestação de serviços.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 248

A NOST – SUS orienta aos estados, aos municípios e ao Distrito Federal a


seguirem os seguintes pressupostos:
I. universalidade e equidade, onde todos os trabalhadores, urbanos e rurais, com
carteira assinada ou não, empregados, desempregados ou aposentados, trabalhadores
em empresas públicas ou privadas, devem ter acesso garantido a todos os níveis de
atenção à saúde;
II. integralidade das ações, tanto em termos do planejamento quanto da execução,
com um movimento constante em direção à mudança do modelo assistencial para a
atenção integral, articulando ações individuais e curativas com ações coletivas de
vigilância da saúde, uma vez que os agravos à saúde, advindos do trabalho, são
essencialmente previsíveis;
III. direito à informação sobre a saúde, por meio da rede de serviços do SUS,
adotando como prática cotidiana o acesso e o repasse de informações aos trabalhadores,
sobretudo os riscos, os resultados de pesquisa que são realizadas e que dizem respeito
diretamente à prevenção e a promoção da qualidade de vida;
IV. controle social, reconhecendo o direito de participação dos trabalhadores e suas
entidades representativas em todas as etapas do processo de atenção à saúde, desde o
planejamento e estabelecimento de prioridades, o controle permanente da aplicação dos
recursos, a participação nas atividades de vigilância em saúde, até a realização das
ações realizadas;
V. regionalização e hierarquização das ações de saúde do trabalhador, que
deverão ser executadas por todos os níveis da rede de serviço, segundo o grau de
complexidade, desde as básicas até as especializadas, organizadas em um sistema de
referência e contra referência, local e regional;
VI. utilização do critério epidemiológico e de avaliação de riscos no planejamento e
na avaliação das ações, no estabelecimento de prioridades e na alocação de recursos;
VII. configuração da saúde do trabalhador como um conjunto de ações de vigilância
e assistência, visando à promoção, à proteção, à recuperação e à reabilitação da saúde
dos trabalhadores submetidos a riscos e agravos advindos do processo de trabalho.
De acordo com a NOST - SUS cabe, entre outras disposições, ao Distrito Federal e
aos municípios, por intermédio de suas Secretarias de Saúde:
a) Manter unidade especializada de referência em Saúde do Trabalhador para
facilitar a execução das ações previstas;
b) Garantir o atendimento ao acidentado do trabalho e ao suspeito ou portador de
doença profissional ou do trabalho, por meio da rede própria ou contratada;
c) Realizar ações de vigilância nos ambientes e processos de trabalho,
compreendendo a identificação das situações de risco e a tomada de medidas
pertinentes para a resolução da situação e a investigação epidemiológica;
d) Notificar os agravos à saúde e os ricos relacionados com o trabalho,
alimentando regularmente o sistema de informações dos órgãos e serviços de
vigilância, assim como a base de dados de interesse nacional;
e) Estabelecer de rotina de sistematização e análise dos dados gerados no
atendimento aos agravos à saúde relacionados ao trabalho, de modo a orientar
as intervenções de vigilância, a organização dos serviços e das demais ações
em saúde do trabalhador;

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 249

f) Utilizar os dados gerados com vistas a subsidiar a programação e avaliação das


ações de saúde neste campo, e alimentar os bancos de dados de interesse
nacional;
g) Realizar sistematicamente ações de vigilância nos ambientes e processos de
trabalho, compreendendo o levantamento e análise de informações, a inspeção
sanitária nos locais de trabalho, a identificação e avaliação das situações de
risco, elaboração de relatórios, a aplicação de procedimentos administrativos e
a investigação epidemiológica;
h) Instituir e manter um cadastro atualizado das empresas classificadas nas
atividades econômicas desenvolvidas no município, com indicação dos fatores
de risco que possam ser gerados para o contingente populacional, direta ou
indiretamente a eles expostos.
E cabe aos estados, por intermédio de suas secretarias de saúde:
a) O controle da qualidade das ações de saúde do trabalhador desenvolvidas
pelos municípios preconizadas, conforme mecanismo de avaliação definidos em
conjunto com as secretarias municipais de saúde;
b) A definição, em conjunto com os municípios, de mecanismos, de referências e
contra referências, bem como outras medidas necessárias para assegurar o
pleno desenvolvimento das ações de assistência e vigilância em saúde do
trabalhador;
c) A capacitação de recursos humanos para a realização das ações de saúde do
trabalhador no âmbito de atuação;
d) O estabelecimento de rotina de sistematização, processamento e análise dos
dados sobre saúde do trabalhador, gerados nos municípios e no seu próprio
campo de atuação, e de alimentação regular das bases de dados, estadias e
municipais;
e) A elaboração do perfil epidemiológico da saúde dos trabalhadores no Estado, a
partir de fontes de informação existentes e, se necessário, por intermédio de
estudos específicos, com vistas a subsidiar a programação e avaliação das
ações de atenção à saúde do trabalhador;
f) Prestação de cooperação técnica aos municípios, para o desenvolvimento das
ações de saúde do trabalhador;
g) Instituição e manutenção de cadastro atualizado das empresas, classificadas
nas atividades econômicas desenvolvidas no estado, com indicação dos fatores
de risco que possam ser gerados para os contingentes populacionais, diretos ou
indiretamente a ele exposto.
A organização de unidades especializadas de referência em Saúde do trabalhador
e o registro de 100% dos casos atendidos de acidentes de trabalho e agravos
decorrentes do trabalho comporão o Índice de Valorização de Resultados (IVR), de
acordo com os critérios a serem definidos pela Comissão Intergestores Tripartite3, e a
serem estabelecidos em portaria do Ministério da Saúde.

3A Comissão Intergestores Tripartite é composta por representantes dos seguintes órgãos: Ministério da
Saúde; Conselho Nacional dos Secretários Estaduais da Saúde; e Conselho Nacional dos Secretários
Municipais da Saúde.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 250

Compete aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios estabelecerem normas


complementares, no seu âmbito de atuação, com o objetivo de assegurar a proteção à
saúde dos trabalhadores.
Finalmente, cabe ao Ministério da Saúde a coordenação nacional da política de
saúde do trabalhador.
Por motivos destes cumprimentos, a partir de 1998 é previsto que cada estado em
conjunto com seus municípios esteja regulamentando e implementando seus sistemas de
atendimento à saúde do trabalhador em paralelo às ações da Secretaria do Trabalho.
A Portaria n°. 1.679, de 19 de dezembro de 2002, do Ministério da Saúde,
dispõe sobre a estruturação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do
Trabalhador no SUS a RENAST.
A RENAST é uma rede de ações articuladas entre o Ministério da Saúde, as
Secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, que visa
elaborar e orientar e desenvolver os Planos Estaduais de Saúde do Trabalhador em
consonância com as diretrizes da Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS –
SUS) 01/2002: a regionalização como estratégia de hierarquização dos serviços de
saúde e de busca de maior equidade, a criação de mecanismos para o fortalecimento da
capacidade de gestão do SUS e a atualização dos critérios de habilitação de estados e
municípios.
Para a estruturação da rede estão sendo organizadas e implantadas:

I. Ações na rede de Atenção Básica e no Programa Saúde Família (PSF);


II. Rede de Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST);
III. Ações na rede assistencial de média e alta complexidade do SUS.

Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador devem ser compreendidos


como polos irradiadores, no âmbito de um determinado território, da cultura especializada
subentendida na relação processo de trabalho/processo saúde/doença, assumindo a
função de suporte técnico e científico, deste campo do conhecimento.
Os CRST não devem ser porta de entrada do sistema de atenção, no entanto, terão
papel na execução, organização e estruturação da assistência de média e alta
complexidade, relacionados com os problemas e agravos à saúde apresentados na
Portaria GM/MS n°. 1.339, de 18 de novembro de 1999, que dispõe sobre as Doenças
Relacionadas ao Trabalho.
A Portaria n°. 1.679/2002, também prevê a criação de dois tipos de CRST, os
CRST Estaduais e CRST Regionais, definidos por ordem crescente de porte,
complexidade e de abrangência populacional.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 251

Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador Estaduais devem, em


especial, desenvolver estudos e pesquisas na área de saúde do trabalhador e do meio
ambiente; promover programas de formação, especialização e qualificação de recursos
humanos na área de saúde do trabalhador; e, dar suporte técnico para o aperfeiçoamento
de práticas assistenciais interdisciplinares em saúde do trabalhador por meio de projetos
de intervenção.
Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador Regionais devem, em
especial, dar suporte técnico especializado para a rede de serviços do SUS efetuar o
atendimento, de forma integral e hierarquizada, aos casos suspeitos de Doenças
Relacionadas ao Trabalho, incluindo diagnóstico e tratamento; desenvolver ações de
promoção da Saúde do Trabalhador; e, participar do treinamento e da capacitação de
profissionais relacionados com o desenvolvimento de ações no campo da saúde do
trabalhador.
Ainda, em abril de 2004, considerando que a gravidade do quadro de saúde dos
trabalhadores no Brasil está expressa, entre outros indicadores, pelo número de
acidentes do trabalho e doenças relacionadas ao trabalho o Ministério da Saúde, por
meio da Portaria n°. 777 resolve regulamentar a notificação compulsória de agravos à
saúde do trabalhador, acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, em rede de
serviços sentinela específicas. Sendo considerados agravos de notificação compulsória:
I. Acidente de Trabalho Fatal;
II. Acidente de Trabalho com mutilações;
III. Acidente com exposição a material biológico;
IV. Acidentes de trabalho com crianças e adolescentes;
V. Dermatoses ocupacionais;
VI. Intoxicações exógenas (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos gases
tóxicos e metais pesados);
VII. Lesões por esforços repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares
relacionados ao trabalho (DORT);
VIII. Pneumoconioses;
IX. Perda auditiva induzida por ruído – PAIR;
X. Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho; e
XI. Câncer Relacionado ao Trabalho.

O Instrumento de Notificação Compulsória é a Ficha de Notificação, padronizada


pelo Ministério da Saúde, segundo o fluxo do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN), constantemente atualizado.

Em junho de 2014, a Portaria n. 1271, define a Lista Nacional de Notificação


Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde
públicos e privados em todo o território nacional complementada pela Portaria 1.984, de
setembro de 2014 que atualiza a lista de doenças ou agravos na Vigilância em Saúde do
Trabalhador.
A Portaria n. 1.271/2004 compreende por notificação compulsória a (BRASIL,
2004):

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 252

“Comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos,


profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou
privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de
saúde pública, descritos no anexo, podendo ser imediata ou semanal”.
Entende por agravo:
“Qualquer dano à integridade física ou mental do indivíduo, provocado por
circunstâncias nocivas, tais como acidentes, intoxicações por substâncias químicas,
abuso de drogas ou lesões decorrentes de violências interpessoais, como agressões e
maus tratos, e lesão autoprovocada”.
A Portaria 1.271/2004 define doença como:
“Enfermidade ou estado clínico, independente de origem ou fonte, que represente
ou possa representar um dano significativo para os seres humanos”
A Portaria 1984/2014 reduziu a lista inicial de notificação compulsória em Saúde
do Trabalhador para:
1. Câncer relacionado ao trabalho;
2. Dermatoses ocupacionais;
3. Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao
Trabalho (LER/DORT);
4. Perda Auditiva Induzida por Ruído - PAIR relacionada ao trabalho;
5. Pneumoconioses relacionadas ao trabalho; e
6. Transtornos mentais relacionados ao trabalho.

As normas regulamentadoras publicadas pela Secretaria de Trabalho e pela


Vigilância Sanitária são as bases para o desenvolvimento das ações relacionadas à
saúde do trabalhador.

Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora

Em 23 de agosto de 2012 foi instituída a Política Nacional de Saúde do Trabalhador


e da Trabalhadora por meio da Portaria No. 1823 do Ministério da Saúde. Entre as razões
desta declaração está o alinhamento entre a política de saúde do trabalhador e a Política
Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST), instituída por meio do Decreto nº
7.602, de 7 de novembro de 2011 e a necessidade de implementação de ações de saúde
do trabalhador em todos os níveis de atenção do SUS.
O artigo 2º da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora explica
que sua finalidade é definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem
observados pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), para o
desenvolvimento da atenção integral à saúde do trabalhador, com ênfase na vigilância,
visando a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da
morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos
produtivos (BRASIL, 2012).

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 253

QUADRO 8.3

De acordo com o conceito da Saúde do Trabalhador, estão sujeitos a essa política


pública:

Todos os trabalhadores, homens e mulheres, independentemente de sua


localização, urbana ou rural, de sua forma de inserção no mercado de trabalho,
formal ou informal, de seu vínculo empregatício, público ou privado, assalariado,
autônomo, avulso, temporário, cooperativados, aprendiz, estagiário, doméstico,
aposentado ou desempregado.

QUADRO 8.5
A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora alinha-se com o
conjunto de políticas de saúde no âmbito do SUS, considerando a transversalidade das
ações de saúde do trabalhador e o trabalho como um dos determinantes do processo
saúde-doença e trazendo os seguintes princípios e diretrizes:
I - Universalidade;
II - Integralidade;
III - Participação da comunidade, dos trabalhadores e do controle social;
IV - Descentralização;
V - Hierarquização;
VI - Equidade;
VII - Precaução.

De acordo com o artigo 8º, os objetivos da Política Nacional de Saúde do


Trabalhador e da Trabalhadora são (BRASIL, 2012):

“I - Fortalecer a Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) e a integração com


os demais componentes da Vigilância em Saúde, o que pressupõe:

a) identificação das atividades produtivas da população trabalhadora e das


situações de risco à saúde dos trabalhadores no território;
b) identificação das necessidades, demandas e problemas de saúde dos
trabalhadores no território;
c) realização da análise da situação de saúde dos trabalhadores;
d) intervenção nos processos e ambientes de trabalho;

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 254

e) produção de tecnologias de intervenção, de avaliação e de monitoramento das


ações de VISAT;
f) controle e avaliação da qualidade dos serviços e programas de saúde do
trabalhador, nas instituições e empresas públicas e privadas;
g) produção de protocolos, de normas técnicas e regulamentares; e
h) participação dos trabalhadores e suas organizações.

II - Promover a saúde e ambientes e processos de trabalhos saudáveis, o que


pressupõe:

a) estabelecimento e adoção de parâmetros protetores da saúde dos


trabalhadores nos ambientes e processos de trabalho;
b) fortalecimento e articulação das ações de vigilância em saúde, identificando os
fatores de risco ambiental, com intervenções tanto nos ambientes e processos de
trabalho, como no entorno, tendo em vista a qualidade de vida dos trabalhadores e da
população circunvizinha;
c) representação do setor saúde/saúde do trabalhador nos fóruns e instâncias de
formulação de políticas setoriais e intersetoriais e às relativas ao desenvolvimento
econômico e social;
d) inserção, acompanhamento e avaliação de indicadores de saúde dos
trabalhadores e das populações circunvizinhas nos processos de licenciamento e nos
estudos de impacto ambiental;
e) inclusão de parâmetros de proteção à saúde dos trabalhadores e de
manutenção de ambientes de trabalho saudáveis nos processos de concessão de
incentivos ao desenvolvimento, nos mecanismos de fomento e outros incentivos
específicos;
f) contribuição na identificação e erradicação de situações análogas ao trabalho
escravo;
g) contribuição na identificação e erradicação de trabalho infantil e na proteção do
trabalho do adolescente;
h) desenvolvimento de estratégias e ações de comunicação de risco e de
educação ambiental e em saúde do trabalhador.

III - Garantir a integralidade na atenção à saúde do trabalhador, que pressupõe a


inserção de ações de saúde do trabalhador em todas as instâncias e pontos da Rede de
Atenção à Saúde do SUS, mediante articulação e construção conjunta de protocolos,
linhas de cuidado e matriciamento da saúde do trabalhador na assistência e nas
estratégias e dispositivos de organização e fluxos da rede, considerando os seguintes
componentes:

a) atenção primária em saúde;


b) atenção especializada, incluindo serviços de reabilitação;
c) atenção pré-hospitalar, de urgência e emergência, e hospitalar;
d) rede de laboratórios e de serviços de apoio diagnóstico;
e) assistência farmacêutica;
f) sistemas de informações em saúde;
g) sistema de regulação do acesso;
h) sistema de planejamento, monitoramento e avaliação das ações;
i) sistema de auditoria; e
j) promoção e vigilância à saúde, incluindo a vigilância à saúde do trabalhador.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 255

IV - Ampliar o entendimento de que a saúde do trabalhador deve ser concebida


como uma ação transversal, devendo a relação saúde-trabalho ser identificada em todos
os pontos e instâncias da rede de atenção;
V - Incorporar a categoria trabalho como determinante do processo saúde doença
dos indivíduos e da coletividade, incluindo-a nas análises de situação de saúde e nas
ações de promoção em saúde;
VI - Assegurar que a identificação da situação do trabalho dos usuários seja
considerada nas ações e serviços de saúde do SUS e que a atividade de trabalho
realizada pelas pessoas, com as suas possíveis consequências para a saúde, seja
considerada no momento de cada intervenção em saúde; e
VII - Assegurar a qualidade da atenção à saúde do trabalhador usuário do SUS”.

Além de todas as intenções colocadas conforme descrito, o texto traz também as


estratégias ou formas de como se pretende atingir os objetivos e as responsabilidades
institucionais (da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios). Orienta que
as metas e os indicadores para avaliação e monitoramento da política devem estar
contidos nos instrumentos de gestão definidos pelo sistema de planejamento do SUS e
detalha as possibilidades de financiamento.
Vale ressaltar que as políticas públicas estabelecidas pelos diversos órgãos
governamentais no Brasil são complementares para a prevenção de acidentes e
adoecimentos relacionados ao trabalho, assim como para a proteção da saúde do
trabalhador e para a melhoria da qualidade de vida da população e no trabalho.

8.4. DISPOSIÇÕES DA PREVIDENCIA SOCIAL

De acordo com o Art. 201, da Constituição Federal, redação dada pela Emenda
Constitucional no.103, de 2019, a previdência social deve ser organizada sob a forma do
Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória,
observando critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial do poder público e
deve atender:
I - Cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o
trabalho e idade avançada;
II - Proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;
IV - Salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de
baixa renda;
V - Pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou
companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º.
Cabe destacar que a Emenda Constitucional no.103, de 2019, manteve a
possibilidade de previsão de idade e tempo de contribuição para concessão das
aposentadorias especiais por agentes nocivos, ou seja, em favor dos segurados cujas
atividades sejam exercidas com efetiva exposição aos agentes químicos, físicos e
biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização
por categoria profissional ou ocupação.
Conforme disposto na Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho –
PNSST, publicada pelo Decreto Nº 7.602/2011, compete ao Ministério da Previdência
Social, atualmente Secretaria da Previdência:

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 256

a) subsidiar a formulação e a proposição de diretrizes e normas relativas à


interseção entre as ações de segurança e saúde no trabalho e as ações de fiscalização e
reconhecimento dos benefícios previdenciários decorrentes dos riscos ambientais do
trabalho;
b) coordenar, acompanhar, avaliar e supervisionar as ações do Regime Geral de
Previdência Social, bem como a política direcionada aos Regimes Próprios de
Previdência Social, nas áreas que guardem inter-relação com a segurança e saúde dos
trabalhadores;
c) coordenar, acompanhar e supervisionar a atualização e a revisão dos Planos
de Custeio e de Benefícios, relativamente a temas de sua área de competência;
d) realizar estudos, pesquisas e propor ações formativas visando ao
aprimoramento da legislação e das ações do Regime Geral de Previdência Social e dos
Regimes Próprios de Previdência Social, no âmbito de sua competência; e
e) por intermédio do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS:
1) realizar ações de reabilitação profissional; e
2) avaliar a incapacidade laborativa para fins de concessão de benefícios
previdenciários.

Os regulamentos que fornecem as diretrizes para as ações de Previdência Social


são a Lei No. 8212/1991 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui
o Plano de Custeio e a Lei 8213/ 1991 que dispõe sobre os Planos de Benefícios. O
Decreto nº. 3.048, promulgado em 6 de maio de 1999, disciplina a concessão de
benefícios pela Previdência Social no Brasil trazendo as orientações para aplicação
destes regulamentos. Esses regulamentos são constantemente rediscutidos e
readequados, de modo que é importante o acompanhamento frequente de suas
alterações.
Alguns dos aspectos mais importantes contidos nestas orientações, relacionados
à segurança e saúde dos trabalhadores, em especial, à higiene ocupacional são
destacados e discutidos a seguir.

Quadro 8.6. Quais as ações semelhantes entre as disposições propostas no âmbito do


Ministério da Saúde e as disposições da Previdência Social com relação a saúde do
trabalhador?

Resposta:

Recebem a notificação de agravos à saúde, acidentes e riscos relacionados

com o trabalho, alimentado regularmente o sistema de informações dos órgãos e

serviços de vigilância, assim como a base de dados de interesse nacional;

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 257

Estabelecem rotina de sistematização e análise dos dados gerados nos

atendimentos aos agravos à saúde relacionados ao trabalho, de modo a orientar as

intervenções de vigilância, a organização dos serviços e das demais ações em

saúde do trabalhador;

Utilizam-se de dados gerados com vistas a subsidiar a programação e

avaliação as ações de saúde neste campo, e alimentar os bancos de dados de

interesse nacional.

8.4.1 BENEFÍCIOS CONCEDIDOS PELA PREVIDENCIA SOCIAL


A Lei no. 8.213, de 1991 e suas atualizações, que dispõe sobre o Regime Geral
de Previdência Social, traz as seguintes prestações, devidas inclusive em razão de
eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefícios e serviços:
I. para os segurados:
a) aposentadoria por invalidez;
b) aposentadoria por idade;
c) aposentadoria por tempo de contribuição;
d) aposentadoria especial;
e) auxílio-doença;
f) salário-família;
g) salário-maternidade;
h) auxílio-acidente;
i) serviço social;
j) reabilitação profissional.

II. para os dependentes:


a) pensão por morte;
b) auxílio-reclusão;
c) Serviço social;
d) Reabilitação profissional

Dentre estas prestações destacam-se, a seguir, os critérios gerais do auxílio-


doença, do auxílio-acidente, da aposentadoria por invalidez, da aposentadoria especial e
da reabilitação profissional por, de alguma forma, se relacionarem às condições de
trabalho.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 258

8.4.2 ACIDENTE DO TRABALHO E DOENÇA PROFISSIONAL OU DO TRABALHO


De acordo com a Lei nº. 8.213, de 1991 e suas atualizações, a Previdência
Social, considera acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a
serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho dos
segurados referidos no inciso VII do art. 11, desta mesma Lei, provocando lesão corporal
ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou
temporária, da capacidade para o trabalho. Redação dada pela Lei Complementar nº.
150, de 2015.
Considera a empresa responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e
individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. Determina que é dever da
empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e
do produto a manipular. Acrescenta que constitui contravenção penal, punível com multa,
deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho.
Entende-se legalmente por doença profissional aquela produzida ou
desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e por doença
do trabalho aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em
que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. Em ambos os casos,
desde que constantes da relação do Anexo II – Agentes patogênicos causadores de
doenças profissionais ou do trabalho- do Decreto no.3.048, de 1999, que regulamenta
a Lei No. 8.213, de 1991e suas atualizações.
O Artigo 21, da Lei n°. 8.213 de 1991, determina que se equipara também ao
acidente do trabalho:
• O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única,
haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da
sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para
a sua recuperação;
• O acidente sofrido no local e no horário do trabalho em consequência de:
a) Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiros ou
companheiros de trabalho;
b) Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada ao trabalho;
c) Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiros ou de
companheiro de trabalho;
d) Ato de pessoa privada do uso da razão;
e) Desabamento, inundações, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes
de força maior;
• A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no
exercício de sua atividade;
• O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de
trabalho:
a) Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da
empresa;
b) Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar
prejuízo ou proporcionar proveito;

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 259

c) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada


por estar dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra,
independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do
segurado;
d) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.
Os acidentes e as doenças devem ser caracterizados administrativa e
tecnicamente por meio da emissão da Comunicação do Acidente do Trabalho – CAT
pela empresa ou empregador doméstico, e cadastrados nas unidades de atendimento da
Previdência Social ou de forma online.

8.4.2.1. Comunicação de acidente de trabalho e da doença profissional ou do


trabalho
A comunicação de acidente de trabalho e da doença profissional ou do trabalho
deve ser feita à Previdência Social em formulário próprio (CAT), preenchido em quatro
vias:
- 1ª via para o INSS;
- 2ª via para ao segurado ou dependente;
- 3ª via para sindicato de classe do trabalhador;
- 4ª via para a empresa e ou empregador doméstico.

A CAT deverá ser emitida pela empresa ou pelo próprio trabalhador, por seus
dependentes, pela entidade sindical, pelo médico ou por autoridade (magistrados,
membros do Ministério Público e dos serviços jurídicos da União, dos estados e do
Distrito Federal e comandantes de unidades do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, do
Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar). O formulário preenchido tem que ser entregue
em uma Agência da Previdência Social pelo emitente ou encaminhado via online.
A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho ocorrido com seu
empregado, havendo ou não afastamento do trabalho, até o primeiro dia útil seguinte
ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato à autoridade competente, sob pena
de multa variável entre o limite mínimo e o teto máximo do salário-de-contribuição,
sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada na forma do Artigo 286
do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de
06/05/1999.
Na unidade de atendimento da Previdência Social, ou mediante Internet, a CAT é
considerada "Inicial" quando corresponder ao registro do evento acidente do trabalho,
típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho. É considerada de "Reabertura"
quando correspondente ao reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de
lesão de acidente do trabalho ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado
anteriormente ao INSS e de "Comunicação de Óbito" a correspondente ao falecimento
decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, ocorrido após a emissão
da CAT inicial.
As CAT de reabertura e de comunicação de óbito vinculam-se, sempre, às CAT
iniciais, a fim de evitar-se a duplicação na captação das informações relativas aos
registros.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 260

A Lei no. 11.430, de 2006, passou a considerar caracterizada a natureza


acidentária3 da incapacidade, por meio de perícia médica do INSS, quando constatar
ocorrência de nexo técnico epidemiológico entre o trabalho e o agravo, decorrente da
relação entre a atividade da empresa ou do empregado doméstico (Redação dada pela
Lei Complementar nº 150, de 2015) e a entidade mórbida motivadora da incapacidade
elencada na Classificação Internacional de Doenças - CID,
A perícia médica do INSS deixará de aplicar o nexo técnico epidemiológico
quando demonstrada a inexistência do nexo a partir de requisição da empresa ou
empregador doméstico e reavaliação pelo INSS.
Para a identificação do nexo entre o trabalho e o agravo, que caracteriza o
acidente do trabalho, a perícia médica do INSS, se necessário, poderá ouvir
testemunhas, efetuar pesquisa ou realizar vistoria do local de trabalho ou ainda solicitar o
Perfil Profissiográfico4 diretamente ao empregador para o esclarecimento dos fatos.
A Lei no. 8.213, de 1991, considera como dia do acidente, no caso de doença
profissional ou do trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o exercício
da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado
o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro.

8.4.3. AUXÍLIO-DOENÇA

O auxílio-doença é o benefício devido ao segurado que, havendo cumprido,


quando for o caso, o período de carência exigido pela Lei no. 8213/91, ficar incapacitado
para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias
consecutivos.
No caso dos trabalhadores empregados, os primeiros 15 dias são pagos pelo
empregador, e a Previdência Social paga a partir do 16º dia de afastamento do trabalho.
No caso do contribuinte individual (empresário, profissionais liberais, trabalhadores por
conta própria, entre outros), a Previdência paga todo o período da doença ou do acidente
(desde que o trabalhador tenha requerido o benefício).
Para ter direito ao benefício, o trabalhador tem de contribuir para a Previdência
Social por, no mínimo, 12 meses. Esse prazo não será exigido em caso de acidente de
qualquer natureza (inclusive acidente de trabalho). Para concessão de auxílio-doença é
necessária a comprovação da incapacidade em exame realizado pela perícia médica da
Previdência Social.
Não tem direito ao auxílio-doença quem, ao se filiar à Previdência Social, já tiver
doença ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade resulta do
agravamento da enfermidade.
O auxílio-doença deixa de ser pago quando o segurado recupera a capacidade e
retorna ao trabalho ou quando o benefício se transforma em aposentadoria por invalidez.

3
O termo acidentário é quando a prestação ou benefício tem relação com o trabalho e
previdenciário quando não.
4
Perfil Profissiográfico é o documento com o histórico laboral do trabalhador, segundo modelo instituído pelo
INSS, que, entre outras informações, deve conter o resultado das avaliações ambientais, o nome dos
responsáveis pela monitoração biológica e das avaliações ambientais.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 261

A partir do Decreto nº 5.545/2005 o valor do salário de benefício para as


aposentadorias por invalidez e especial, auxílio-doença e auxílio-acidente consiste na
média aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a oitenta
por cento de todo o período contributivo.
A renda mensal do auxílio-doença corresponde a 91 % (noventa e um por cento)
do valor do salário de benefício calculado.

8.4.4. AUXÍLIO DOENÇA ACIDENTÁRIO


De acordo com a Lei no. 8.213, de 1991 o auxílio doença acidentário é o benefício
concedido ao segurado incapacitado para o trabalho em decorrência de acidente de
trabalho ou de doença profissional.
Têm direito ao auxílio-doença acidentário o empregado, o empregado doméstico,
o trabalhador avulso, o médico-residente e o segurado especial. A concessão do auxílio-
doença acidentário não exige tempo mínimo de contribuição.
Ao trabalhador que recebe auxílio-doença, a Previdência oferece o programa de
reabilitação profissional.
A retomada de tratamento e o afastamento por agravamento de lesão decorrentes
de acidente de trabalho ou doença profissional têm de ser comunicados à Previdência
Social em formulário próprio denominado Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT,
conforme item 8.4.2.1.
Nos primeiros 15 dias de afastamento, o salário do trabalhador empregado é pago
pela empresa. A partir do 16º. dia, a Previdência Social é responsável pelo pagamento.
Para os demais segurados a contar da data do início da incapacidade, ou da data de
entrada do requerimento, quando requerido após o trigésimo dia do afastamento da
atividade. Enquanto recebe auxílio-doença por acidente de trabalho ou doença
ocupacional, o trabalhador é considerado licenciado e terá estabilidade por 12 meses
após o retorno às atividades.
O auxílio-doença deixa de ser pago quando o segurado recupera a capacidade e
retorna ao trabalho ou quando o benefício se transforma em aposentadoria por invalidez.
Assim como a renda mensal do auxílio-doença, a renda mensal do auxílio doença
acidentário, consisti em um valor correspondente a 91% (noventa e um por cento) do
salário-de-benefício calculado.

8.4.5. AUXÍLIO-ACIDENTE
A Lei no. 8.213, de 1991, considera auxílio-acidente o benefício pago ao
trabalhador que sofre um acidente e fica com sequelas que reduzem sua capacidade de
trabalho que habitualmente exercia. É concedido para segurados que já recebiam auxílio-
doença.
Têm direito ao auxílio-acidente o trabalhador empregado, inclusive o doméstico, o
trabalhador avulso e o segurado especial. O contribuinte individual e o facultativo não
recebem o benefício.
Para concessão do auxílio-acidente não é exigido tempo mínimo de contribuição,
mas o trabalhador deve ter qualidade de segurado e comprovar a impossibilidade de
continuar desempenhando suas atividades, por meio de exame da perícia médica da
Previdência Social.

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 262

O auxílio-acidente, por ter caráter de indenização, pode ser acumulado com


outros benefícios pagos pela Previdência Social exceto aposentadoria. O benefício deixa
de ser pago quando o trabalhador se aposenta.
A renda mensal desse benefício corresponde a 50% do valor do salário de
benefício calculado.

8.4.6. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ


A aposentadoria por invalidez, de acordo com a Lei no. 8.213, de 1991, é o
benefício concedido aos segurados que, por doença ou acidente, seja oriundo do
trabalho ou não, forem considerados pela perícia médica da Previdência Social
incapacitados para exercer suas atividades ou outro tipo de serviço que lhes garanta o
sustento.
Não tem direito à aposentadoria por invalidez quem, ao se filiar à Previdência
Social, já tiver doença ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade
resultar no agravamento da enfermidade.
Quem recebe aposentadoria por invalidez tem que passar por perícia médica de
dois em dois anos, se não, o benefício é suspenso. A aposentadoria deixa de ser paga
quando o segurado recupera a capacidade e volta ao trabalho.
Para ter direito ao benefício, o trabalhador tem que contribuir para a Previdência
Social por no mínimo 12 meses, no caso de doença. Se for acidente, esse prazo de
carência não é exigido, mas é preciso estar inscrito na Previdência Social.
Se o segurado estiver recebendo auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez
será paga a partir do dia imediatamente posterior ao da cessão do auxílio-doença.
Se o segurado não estiver recebendo auxílio-doença:
• Empregados, exceto o doméstico: a partir do 16º dia de afastamento da
atividade ou a partir da data de entrada do requerimento, se entre o afastamento e
o pedido decorrerem mais de 30 dias.
• Demais segurados: a partir da data da incapacidade ou a partir da data de
entrada do requerimento, quando solicitado após o 30º dia de afastamento do
trabalho.
Se a Previdência Social for informada oficialmente da internação hospitalar ou do
tratamento ambulatorial, após avaliação pela perícia médica, a aposentadoria começa a
ser paga no 16º dia do afastamento ou na data de início da incapacidade,
independentemente da data do pedido.
A aposentadoria por invalidez consiste numa renda mensal calculada aplicando-se
100 % (cem por cento) do valor do salário de benefício calculado.

8.4.7. APOSENTADORIA ESPECIAL


De acordo com o Decreto no. 3.048, de 1999 e suas alterações, que regulamenta
a Lei no. 8.213, de 1991, a aposentadoria especial é o benefício concedido ao segurado
empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual, este somente quando cooperado
filiado à cooperativa de trabalho ou de produção que tenha trabalhado durante quinze,
vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso sujeito as condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 263

A concessão da aposentadoria especial depende de comprovação pelo segurado,


perante o Instituto Nacional do Seguro Social- INSS, do tempo de trabalho
permanente, não ocasional nem intermitente, exercido em condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado.
Considera-se trabalho permanente, aquele que é exercido de forma não
ocasional nem intermitente, no qual a exposição ao agente nocivo seja indissociável da
produção do bem ou da prestação do serviço.
É considerado período de trabalho sob condições especiais, para fins de
aposentadoria especial, os períodos de descanso determinados pela legislação
trabalhista, aos de afastamento decorrentes de gozo de benefícios de auxílio-doença ou
aposentadoria por invalidez acidentária, bem como aos de percepção de salário-
maternidade, desde que, à data do afastamento, o segurado estivesse exercendo
atividade considerada especial.
Consideram-se condições especiais que prejudiquem a saúde e a integridade física
aquelas nas quais a exposição ao agente nocivo ou associação de agentes presentes no
ambiente de trabalho esteja acima dos limites de tolerância estabelecidos segundo
critérios quantitativos ou esteja caracterizada segundo os critérios da avaliação qualitativa.
A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de
agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão
de aposentadoria especial, consta do Anexo IV, do Decreto no. 3.048, de 1999.
A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita
mediante formulário emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico
de condições ambientais do trabalho -LTCAT expedido por médico do trabalho ou
engenheiro de segurança do trabalho.
O referido LTCAT deve ser elaborado com base nas normas regulamentadoras
editadas pela Secretaria do Trabalho, metodologias publicadas pela Fundação Jorge
Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – FUNDACENTRO e
procedimentos estabelecidos pelo INSS. Deve fornecer informações sobre a existência
de tecnologia de proteção coletiva ou individual, e de sua eficácia.
O Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) é o formulário instituído pelo INSS
que deve ser preenchido pelo empregador para os trabalhadores que estejam expostos
aos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais
à saúde ou a integridade física. Este formulário contém, entre outras informações
administrativas, a descrição das atividades exercidas pelo trabalhador, os resultados das
avaliações ambientais e os responsáveis técnicos pelos dados.
A renda mensal da aposentadoria especial será equivalente a 100 % (cem por
cento) do salário de benefício calculado.
Cabe ressaltar que a concessão das aposentadorias especiais, a partir da Lei no.
9.732, de 1998, passou a ser financiada com recursos provenientes da contribuição do
empregador, cujas alíquotas são acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais,
conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão
de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição,
respectivamente. Esse acréscimo incide exclusivamente sobre a remuneração do
segurado sujeito às condições especiais referidas.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 264

8.5. TESTES

1. Assinale a alternativa INCORRETA:

a) A OIT é uma agência ligada a Organização das Nações Unidas (ONU).


b) A OIT tem como principal objetivo promover a justiça social por meio do fomento
de oportunidades de emprego e trabalho com saúde, em condições de liberdade,
igualdade e segurança.
c) O tripartimos é uma forma de tomada de decisão com representações iguais de
governos, empregadores e trabalhadores.
d) As Convenções da OIT são tratados multilaterais abertos, de caráter orientativo,
que podem ser ratificadas por qualquer dos Estados-Membros para aplicação legal
ou de outra maneira, conforme a prática de cada país.
e) A ratificação de uma Convenção da OIT indica o compromisso do Estado-Membro
em adotar medidas legais e outras que assegurem a aplicação desta em prazos
determinados, incluindo o estabelecimento de sanções apropriadas, mantendo
serviços de inspeção que zelem por seu cumprimento.
Feedback: item 8.1

2. A Convenção sobre a Segurança na Utilização de Produtos Químicos, 1990,


nº. 170, com relação aos direitos e obrigações dos trabalhadores e seus
representantes, coloca que:

I. O trabalhador deve afastar-se de situação que acredite ser grave e iminente


risco `a sua segurança ou saúde, indicando-a a seu supervisor.
II. O trabalhador deve obter todas as informações referentes aos produtos
químicos a serem utilizados.
III. Os trabalhadores que utilizam substâncias perigosas devem ter
conhecimento e acesso às fichas de segurança de cada produto com dados
sobre sua identificação, fornecedor, classificação, periculosidade, medidas
de precaução e procedimentos de emergência.
IV. A exposição dos trabalhadores a produtos químicos deve ser monitorada,
mantendo os dados obtidos conforme proposto pela legislação vigente.

a) Apenas as afirmativas II III e IV estão corretas.


b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d) Apenas as afirmativas I e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
Feedback: item 8.1.2

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 265

3. A Convenção sobre Prevenção de Acidentes Industriais Maiores (n°. 174) propõe


com relação uma das principais obrigações das autoridades competentes:

a) A criação de sistema documentado de controle de riscos.


b) A elaboração de relatório de segurança de acordo com o sistema de controle de
riscos periodicamente revisto e atualizado.
c) A adoção de procedimentos técnicos relativos à proteção dos trabalhadores,
contra riscos de acidentes maiores.
d) A garantia em caso de acidente maior informações sobre medidas de segurança
para a população.
e) A informação aos empregadores sobre o risco potencial de acidente maior.
Feedback: item 8.1.1

4. A definição de Saúde do Trabalhador apresentada na Lei nº. 8.080, de 1990,


abrange as seguintes atividades:

I. assistência ao trabalhador vítima de acidente do trabalho ou portador de doença


profissional e do trabalho;
II. participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em
estudos e pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde
existentes no processo de trabalho;
III. participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), de
normalização, fiscalização e controle das condições de produção, extração,
armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos,
de máquinas, e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador;
IV. informação ao trabalhador e a sua respectiva entidade sindical e as empresas
sobre os riscos do acidente de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem
como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde,
de admissão, periódicos, e de demissão, respeitados os preceitos da ética
profissional;

a) Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.


b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
Feedback: item 8.4.3

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Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 266

5. A Lei no. 8.213, de 1991, considera o auxílio-acidente:

a) um benefício a ser pago ao segurado empregado, que sofre um acidente e fica


com sequelas que reduzem sua capacidade de trabalho que habitualmente
exercia.
b) um valor a ser pago ao trabalhador, que sofre um acidente e torna-se incapaz
para o trabalho.
c) um valor a ser pago ao trabalhador, em casos de acidentes de trajeto, que embora
não causem incapacidade para o trabalho dificultam a locomoção.
d) um benefício a ser pago ao contribuinte individual, que sofre um acidente e fica
com sequelas que o impedem de continuar trabalhando.
e) todas as alternativas estão incorretas.

Feedback: 8.4.

Bibliografia consultada:

BRASIL, Lei nº. 8.080, 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos
serviços correspondentes e dá outras providencias.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm> Acesso em
9/06/2020.

BRASIL. Lei nº. 8.213, de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência
Social e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm>. Acesso em 10/06/2020.

BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 1.823, de 23 de agosto de 2012. Institui a


Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt1823_23_08_2012.html> Acesso
10/06/2020.
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT Brasília. Conheça a OIT.
Disponível em: <https://www.ilo.org/brasilia/conheca-a-oit/lang--pt/index.htm>. Acesso em
10/06/2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO – OIT Brasília. Temas. Normas


internacionais do trabalho - Disponível em:
<https://www.ilo.org/brasilia/temas/normas/lang--pt/index.htm> Acesso em 10/06/2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT (ILO home). Normas


trabalhistas. Introdução aos padrões. Acordos e recomendações. Tradução livre.
Disponível em: <https://www.ilo.org/global/standards/introduction-to-international-labour-
standards/conventions-and-recommendations/lang--es/index.htm> Acesso em
09/06/2020.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 8. Convenções da OIT, Proposições do Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência
Social. 267

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT no Brasil. Disponível em <


https://www.ilo.org/brasilia/conheca-a-oit/oit-no-brasil/lang--pt/index.htm> Acesso em
10/06/2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT Brasília, Convenções.


Disponível em < https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/lang--pt/index.htm> Acesso em
10/06 2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Declaração da OIT sobre os


princípios e direitos fundamentais no trabalho, 1998. Disponível em:
<https://www.ilo.org/public/english/standards/declaration/declaration_portuguese.pdf>
Acesso em 9/06/2020.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Centro de Informações.


Documentos. Declaração da OIT sobre a Justiça Social para uma Globalização
Equitativa, 2008. Disponível em:<https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---americas/---
ro-lima/---ilo-brasilia/documents/genericdocument/wcms_336918.pdf> Acesso em
09/06/2020.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 268

CAPÍTULO 9. NORMAS REGULAMENTADORAS DO MINISTÉRIO DO TRABALHO


RELACIONADAS À HIGIENE OCUPACIONAL: NR 04; NR 05

OBJETIVOS DO ESTUDO

Conhecer as principais Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e


Emprego relacionadas à Higiene Ocupacional.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 269

9.1. NR 4 – SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E


EM MEDICINA DO TRABALHO (SESMT)
A seguir é apresentada uma transcrição do texto da NR4, preservados os seus
itens originais:
4.1 As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e
indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, manterão, obrigatoriamente,
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho, com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do
trabalhador no local de trabalho. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro
de 1983)
4.2 O dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e
em Medicina do Trabalho vincula-se à gradação do risco da atividade principal e
ao número total de empregados do estabelecimento, constantes dos Quadros I e
II, anexos, observadas as exceções previstas nesta NR. (Alterado pela Portaria
SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.1 Para fins de dimensionamento, os canteiros de obras e as frentes de trabalho com


menos de 1 (um) mil empregados e situados no mesmo estado, território ou
Distrito Federal não serão considerados como estabelecimentos, mas como
integrantes da empresa de engenharia principal responsável, a quem caberá
organizar os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.1.1 Neste caso, os engenheiros de segurança do trabalho, os médicos do trabalho e


os enfermeiros do trabalho poderão ficar centralizados. (Alterado pela Portaria SSMT
n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.1.2 Para os técnicos de segurança do trabalho e auxiliares de enfermagem do


trabalho, o dimensionamento será feito por canteiro de obra ou frente de trabalho,
conforme o Quadro II, anexo. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 34, de 11 de dezembro
de 1987)

4.2.2 As empresas que possuam mais de 50% (cinquenta por cento) de seus
empregados em estabelecimentos ou setor com atividade cuja gradação de risco
seja de grau superior ao da atividade principal deverão dimensionar os Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, em
função do maior grau de risco, obedecido o disposto no Quadro II desta NR.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.3 A empresa poderá constituir Serviço Especializado em Engenharia de Segurança


e em Medicina do Trabalho centralizado para atender a um conjunto de
estabelecimentos pertencentes a ela, desde que a distância a ser percorrida entre
aquele em que se situa o serviço e cada um dos demais não ultrapasse a 5.000
(cinco mil metros), dimensionando-o em função do total de empregados e do

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 270

risco, de acordo com o Quadro II, anexo, e o subitem 4.2.2. (Alterado pela Portaria
SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.4 Havendo, na empresa, estabelecimento(s) que se enquadre(m) no Quadro II,


desta NR, e outro(s) que não se enquadre(m), a assistência a este(s) será feita
pelos serviços especializados daquele(s), dimensionados conforme os subitens
4.2.5.1 e 4.2.5.2 e desde que localizados no mesmo Estado, Território ou Distrito
Federal. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 34, de 20 de dezembro de 1983)

4.2.5 Havendo, na mesma empresa, apenas estabelecimentos que, isoladamente, não


se enquadrem no Quadro II, anexo, o cumprimento desta NR será feito através de
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho centralizados em cada estado, território ou Distrito Federal, desde que o
total de empregados dos estabelecimentos no estado, território ou Distrito Federal
alcance os limites previstos no Quadro II, anexo, aplicado o disposto no subitem
4.2.2. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.5.1 Para as empresas enquadradas no grau de risco 1 o dimensionamento dos


serviços referidos no subitem 4.2.5 obedecerá ao Quadro II, anexo, considerando-
se como número de empregados o somatório dos empregados existentes no
estabelecimento que possua o maior número e a média aritmética do número de
empregados dos demais estabelecimentos, devendo todos os profissionais
integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho, assim constituídos, cumprirem tempo integral. (Alterado pela
Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.2.5.2 Para as empresas enquadradas nos graus de risco 2, 3 e 4, o dimensionamento


dos serviços referidos no subitem 4.2.5 obedecerá ao Quadro II, anexo,
considerando-se como número de empregados o somatório dos empregados de
todos os estabelecimentos. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de
1983)

4.3 As empresas enquadradas no grau de risco 1 obrigadas a constituir Serviços


Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho e que
possuam outros serviços de medicina e engenharia poderão integrar estes
serviços com os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho constituindo um serviço único de engenharia e medicina.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.3.1 As empresas que optarem pelo serviço único de engenharia e medicina ficam
obrigadas a elaborar e submeter à aprovação da Secretaria de Segurança e
Medicina do Trabalho, até o dia 30 de março, um programa bienal de segurança e
medicina do trabalho a ser desenvolvido. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27
de outubro de 1983)

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NR 05 271

4.3.1.1 As empresas novas que se instalarem após o dia 30 de março de cada exercício
poderão constituir o serviço único de que trata o subitem 4.3.1 e elaborar o
programa respectivo a ser submetido à Secretaria de Segurança e Medicina do
Trabalho, no prazo de 90 (noventa) dias a contar de sua instalação. (Alterado pela
Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.3.1.2 As empresas novas, integrantes de grupos empresariais que já possuam serviço


único, poderão ser assistidas pelo referido serviço, após comunicação à DRT.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.3.2 À Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho fica reservado o direito de


controlar a execução do programa e aferir a sua eficácia. (Alterado pela Portaria
SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.3.3 O serviço único de engenharia e medicina deverá possuir os profissionais


especializados previstos no Quadro II desta NR. (Alterado pela Portaria MTPS n.º
510, de 29 de abril de 2016)

4.3.4 O dimensionamento do serviço único de engenharia e medicina deverá obedecer


ao disposto no Quadro II desta NR, no tocante aos profissionais especializados.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.4 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho devem ser compostos por Médico do Trabalho, Engenheiro de
Segurança do Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do
Trabalho e Auxiliar ou Técnico em Enfermagem do Trabalho, obedecido o Quadro
II desta NR. (Alterado pela Portaria MTE n.º 590, de 28 de abril de 2014)

4.4.1 Os profissionais integrantes do SESMT devem possuir formação e registro


profissional em conformidade com o disposto na regulamentação da profissão e
nos instrumentos normativos emitidos pelo respectivo Conselho Profissional,
quando existente. (NR) (Alterado pela Portaria MTE n.º 590, de 28 de abril de 2014 -
Vide prazo na Portaria MTE n.º 2.018, de 23 de dezembro de 2014).

4.4.1.1 Em relação ao Engenheiro de Segurança do Trabalho e ao Técnico de Segurança


do Trabalho, observar-se-á o disposto na Lei n.º 7.410, de 27 de novembro de
1985. (Alterado pela Portaria MTE n.º 2.018, de 23 de dezembro de 2014)

4.4.2 Os profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia de


Segurança e em Medicina do Trabalho deverão ser empregados da empresa,
salvo os casos previstos nos itens 4.14 e 4.15. (Alterado pela Portaria DSST n.º 11,
de 17 de setembro de 1990)
4.5 A empresa que contratar outra(s) para prestar serviços em estabelecimentos
enquadrados no Quadro II, anexo, deverá estender a assistência de seus Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho aos

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NR 05 272

empregados da(s) contratada(s), sempre que o número de empregados desta(s),


exercendo atividade naqueles estabelecimentos, não alcançar os limites previstos
no Quadro II, devendo, ainda, a contratada cumprir o disposto no subitem 4.2.5.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.5.1 Quando a empresa contratante e as outras por ela contratadas não se


enquadrarem no Quadro II, anexo, mas que pelo número total de empregados de
ambos, no estabelecimento, atingirem os limites dispostos no referido quadro,
deverá ser constituído um serviço especializado em Engenharia de Segurança e
em Medicina do Trabalho comum, nos moldes do item 4.14. (Alterado pela Portaria
SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.5.2 Quando a empresa contratada não se enquadrar no Quadro II, anexo, mesmo
considerando-se o total de empregados nos estabelecimentos, a contratante deve
estender aos empregados da contratada a assistência de seus Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, sejam
estes centralizados ou por estabelecimento. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de
27 de outubro de 1983)

4.5.3 A empresa que contratar outras para prestar serviços em seu estabelecimento
pode constituir SESMT comum para assistência aos empregados das contratadas,
sob gestão própria, desde que previsto em Convenção ou Acordo Coletivo de
Trabalho. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1o de agosto de 2007)

4.5.3.1 O dimensionamento do SESMT organizado na forma prevista no subitem 4.5.3


deve considerar o somatório dos trabalhadores assistidos e a atividade econômica
do estabelecimento da contratante. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1o de
agosto de 2007)

4.5.3.2 No caso previsto no item 4.5.3, o número de empregados da empresa contratada


no estabelecimento da contratante, assistidos pelo SESMT comum, não integra a
base de cálculo para dimensionamento do SESMT da empresa contratada.
(Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1o de agosto de 2007)

4.5.3.3 O SESMT organizado conforme o subitem 4.5.3 deve ter seu funcionamento
avaliado semestralmente, por Comissão composta de representantes da empresa
contratante, do sindicato de trabalhadores e da Delegacia Regional do Trabalho,
ou na forma e periodicidade previstas na Convenção ou Acordo Coletivo de
Trabalho. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1o de agosto de 2007)

4.6 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho das empresas que operem em regime sazonal deverão ser
dimensionados, tomando-se por base a média aritmética do número de
trabalhadores do ano civil anterior e obedecidos os Quadros I e II anexos. (Alterado
pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

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4.7 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho deverão ser chefiados por profissional qualificado, segundo os requisitos
especificados no subitem 4.4.1 desta Norma Regulamentadora. (Alterado pela
Portaria DSST n.º 11, de 17 de setembro de 1990)

4.8 O técnico de segurança do trabalho e o auxiliar de enfermagem do trabalho


deverão dedicar 8 (oito) horas por dia para as atividades dos Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, de
acordo com o estabelecido no Quadro II, anexo. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 34,
de 11 de dezembro de 1987)

4.9 O engenheiro de segurança do trabalho, o médico do trabalho e o enfermeiro do


trabalho deverão dedicar, no mínimo, 3 (três) horas (tempo parcial) ou 6 (seis)
horas (tempo integral) por dia para as atividades dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, de acordo com o
estabelecido no Quadro II, anexo, respeitada a legislação pertinente em vigor.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.9.1 Relativamente ao médico do trabalho, para cumprimento das atividades dos


Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho em tempo integral, a empresa poderá contratar mais de um profissional,
desde que cada um dedique, no mínimo, 3 (três) horas de trabalho, sendo
necessário que o somatório das horas diárias trabalhadas por todos seja de, no
mínimo, 6 (seis) horas. (Inserido pela Portaria MTE n.º 590, de 28 de abril de 2014)

4.10 Ao profissional especializado em Segurança e em Medicina do Trabalho é vedado


o exercício de outras atividades na empresa, durante o horário de sua atuação
nos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.11 Ficará por conta exclusiva do empregador todo o ônus decorrente da instalação e
manutenção dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.12 Compete aos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em


Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho: (Alterado pela Portaria SSMT
n.º 33, de 27 de outubro de 1983)
a) aplicar os conhecimentos de engenharia de segurança e de medicina do trabalho
ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e
equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do
trabalhador;
b) determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos para a eliminação do
risco e este persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo trabalhador, de
Equipamentos de Proteção Individual - EPI, de acordo com o que determina a NR

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NR 05 274

6, desde que a concentração, a intensidade ou característica do agente assim o


exija;
c) colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas instalações
físicas e tecnológicas da empresa, exercendo a competência disposta na alínea
"a";
d) responsabilizar-se tecnicamente, pela orientação quanto ao cumprimento do
disposto nas NR aplicáveis às atividades executadas pela empresa e/ou seus
estabelecimentos;
e) manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de suas
observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme dispõe a NR 5;
f) promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação
dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças
ocupacionais, tanto através de campanhas quanto de programas de duração
permanente;
g) esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes do trabalho e
doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção;
h) analisar e registrar em documento(s) específico(s) todos os acidentes ocorridos na
empresa ou estabelecimento, com ou sem vítima, e todos os casos de doença
ocupacional, descrevendo a história e as características do acidente e/ou da
doença ocupacional, os fatores ambientais, as características do agente e as
condições do(s) indivíduo(s) portador(es) de doença ocupacional ou
acidentado(s);
i) registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do trabalho, doenças
ocupacionais e agentes de insalubridade, preenchendo, no mínimo, os quesitos
descritos nos modelos de mapas constantes nos Quadros III, IV, V e VI, devendo
o empregador manter a documentação à disposição da inspeção do trabalho;
(Alterado pela Portaria MTE n.º 2.018, de 23 de dezembro de 2014)
j) manter os registros de que tratam as alíneas "h" e "i" na sede dos Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho ou
facilmente alcançáveis a partir da mesma, sendo de livre escolha da empresa o
método de arquivamento e recuperação, desde que sejam asseguradas condições
de acesso aos registros e entendimento de seu conteúdo, devendo ser guardados
somente os mapas anuais dos dados correspondentes às alíneas "h" e "i" por um
período não inferior a 5 (cinco) anos;
l) as atividades dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho são essencialmente
prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento de emergência, quando
se tornar necessário. Entretanto, a elaboração de planos de controle de efeitos de
catástrofes, de disponibilidade de meios que visem ao combate a incêndios e ao
salvamento e de imediata atenção à vítima deste ou de qualquer outro tipo de
acidente estão incluídos em suas atividades.
4.13 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho deverão manter entrosamento permanente com a CIPA, dela valendo-se
como agente multiplicador, e deverão estudar suas observações e solicitações,

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 275

propondo soluções corretivas e preventivas, conforme o disposto no subitem


5.14.1. dá NR 5. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.14 As empresas cujos estabelecimentos não se enquadrem no Quadro II, anexo a


esta NR, poderão dar assistência na área de segurança e medicina do trabalho a
seus empregados através de Serviços Especializados em Engenharia de
Segurança e em Medicina do Trabalho comuns, organizados pelo sindicato ou
associação da categoria econômica correspondente ou pelas próprias empresas
interessadas. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.14.1 A manutenção desses Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e


em Medicina do Trabalho deverá ser feita pelas empresas usuárias, que
participarão das despesas em proporção ao número de empregados de cada uma.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.14.2 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho previstos no item 4.14 deverão ser dimensionados em função do
somatório dos empregados das empresas participantes, obedecendo ao disposto
nos Quadros I e II e no subitem 4.2, desta NR. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33,
de 27 de outubro de 1983)

4.14.3 As empresas de mesma atividade econômica, localizadas em um mesmo


município, ou em municípios limítrofes, cujos estabelecimentos se enquadrem no
Quadro II, podem constituir SESMT comum, organizado pelo sindicato patronal
correspondente ou pelas próprias empresas interessadas, desde que previsto em
Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1o
de agosto de 2007)

4.14.3.1 O SESMT comum pode ser estendido a empresas cujos estabelecimentos não
se enquadrem no Quadro II, desde que atendidos os demais requisitos do subitem
4.14.3. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1º de agosto de 2007)

4.14.3.2 O dimensionamento do SESMT organizado na forma do subitem 4.14.3 deve


considerar o somatório dos trabalhadores assistidos. (Aprovado pela Portaria SIT n.º
17, de 1º de agosto de 2007)

4.14.3.3 No caso previsto no item 4.14.3, o número de empregados assistidos pelo


SESMT comum não integra a base de cálculo para dimensionamento do SESMT
das empresas. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1º de agosto de 2007)
4.14.3.4 O SESMT organizado conforme o subitem 4.14.3 deve ter seu funcionamento
avaliado semestralmente, por Comissão composta de representantes das
empresas, do sindicato de trabalhadores e da Delegacia Regional do Trabalho, ou
na forma e periodicidade previstas na Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho.
(Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1ºde agosto de 2007)

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 276

4.14.4. As empresas que desenvolvem suas atividades em um mesmo polo industrial ou


comercial podem constituir SESMT comum, organizado pelas próprias empresas
interessadas, desde que previsto nas Convenções ou Acordos Coletivos de
Trabalho das categorias envolvidas. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1º de
agosto de 2007)

4.14.4.1 O dimensionamento do SESMT comum organizado na forma do subitem 4.14.4


deve considerar o somatório dos trabalhadores assistidos e a atividade econômica
que empregue o maior número entre os trabalhadores assistidos. (Aprovado pela
Portaria SIT n.º 17, de 1º de agosto de 2007)

4.14.4.2 No caso previsto no item 4.14.4, o número de empregados assistidos pelo


SESMT comum não integra a base de cálculo para dimensionamento do SESMT
das empresas. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1º de agosto de 2007)

4.14.4.3 O SESMT organizado conforme o subitem 4.14.4 deve ter seu funcionamento
avaliado semestralmente, por Comissão composta de representantes das
empresas, dos sindicatos de trabalhadores e da Delegacia Regional do Trabalho,
ou na forma e periodicidade previstas nas Convenções ou Acordos Coletivos de
Trabalho. (Aprovado pela Portaria SIT n.º 17, de 1º de agosto de 2007)

4.15 As empresas referidas no item 4.14 poderão optar pelos Serviços Especializados
em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho de instituição oficial ou
instituição privada de utilidade pública, cabendo às empresas o custeio das
despesas, na forma prevista no subitem 4.14.1. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33,
de 27 de outubro de 1983)

4.16 As empresas cujos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em


Medicina do Trabalho não possuam médico do trabalho e/ou engenheiro de
segurança do trabalho, de acordo com o Quadro II desta NR, poderão se utilizar
dos serviços destes profissionais existentes nos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho mencionados no item 4.14
e subitem 4.14.1 ou no item 4.15, para atendimento do disposto nas Normas
Regulamentadoras. (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.16.1 O ônus decorrente dessa utilização caberá à empresa solicitante. (Alterado pela
Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)
4.17 Os serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho de que trata esta NR deverão ser registrados no órgão regional do MTb.
(Alterado pela Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.17.1 O registro referido no item 4.17 deverá ser requerido ao órgão regional do MTb e o
requerimento deverá conter os seguintes dados: (Alterado pela Portaria SSMT n.º 33,
de 27 de outubro de 1983)

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 277

a) nome dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia


de Segurança e em Medicina do Trabalho;
b) número de registro dos profissionais na Secretaria de Segurança e Medicina do
Trabalho do MTb;
c) número de empregados da requerente e grau de risco das atividades, por
estabelecimento;
d) especificação dos turnos de trabalho, por estabelecimento;
e) horário de trabalho dos profissionais dos Serviços Especializados em Engenharia
de Segurança e em Medicina do Trabalho.

4.18 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho, já constituídos, deverão ser redimensionados nos termos desta NR e a
empresa terá 90 (noventa) dias de prazo, a partir da publicação desta Norma,
para efetuar o redimensionamento e o registro referido no item 4.17. (Alterado pela
Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.19 A empresa é responsável pelo cumprimento da NR, devendo assegurar, como um


dos meios para concretizar tal responsabilidade, o exercício profissional dos
componentes dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho. O impedimento do referido exercício profissional, mesmo
que parcial e o desvirtuamento ou desvio de funções constituem, em conjunto ou
separadamente, infrações classificadas no grau I4, se devidamente comprovadas,
para os fins de aplicação das penalidades previstas na NR-28. (Alterado pela
Portaria SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

4.20 Quando se tratar de empreiteiras ou empresas prestadoras de serviços,


considera-se estabelecimento, para fins de aplicação desta NR, o local em que os
seus empregados estiverem exercendo suas atividades. (Alterado pela Portaria
SSMT n.º 33, de 27 de outubro de 1983)

9.2. COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES – CIPA


A PORTARIA Nº. 08 DE 23 DE FEVEREIRO DE 1999 apresenta a Norma
Regulamentadora NR 5, que dispõe sobre a Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes – CIPA, revisada e dá outras providências.

O SECRETÁRIO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO, no uso da


atribuição que lhe confere o artigo 2° da Portaria n°. 3.214, de 08 de junho de 1978,
considerando as propostas de regulamentação apresentadas no Grupo de Trabalho
Tripartite – GTT/CIPA, constituído através da Portaria SSST/MTb n°. 12, de 20 de junho
de 1996, e na Comissão Tripartite Paritária Permanente – CTPP, instituída pela Portaria
SSST n°. 2, de 10 de abril de 1996, resolve:

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 278

Artigo 1°. Alterar a Norma Regulamentadora –NR 5, que dispõe sobre Comissão
Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, aprovada pela Portaria n°. 3214, de 08 de
junho de 1978, de acordo com o disposto no Anexo a esta Portaria.
Artigo 2°. O Grupo de Trabalho Tripartite – GTT/CIPA, instituído pela Portaria
SSST/MTb n°. 12, de 20 de junho de 1996, acompanhará a implementação das
disposições contidas na nova redação da Norma Regulamentadora, pelo prazo de um
ano a contar do início da vigência desta Portaria.
Artigo 3°. A SSST receberá, até 15 de abril de 1999, as propostas de alterações do
dimensionamento previsto no Quadro I, anexo à Norma Regulamentadora nº. 5,
formuladas pelo GTT/CIPA ou por instâncias bipartites permanentes de negociação.
§ 1º. As propostas serão apreciadas pela Comissão Tripartite Paritária Permanente,
instituída pela Portaria SSST nº. 2, de 10 de abril de 1996, antes da manifestação
conclusiva da SSST.
§ 2º. Transcorrido o prazo estabelecido neste artigo os critérios para recepção das
propostas de alterações relativas a NR 5 seguirá o estabelecido em portaria específica.
Artigo 4°. As alterações da NR 5, aprovadas por esta Portaria, entrarão em vigor
no prazo de noventa dias.
Artigo 5°. Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.
ZUHER HANDAR
Secretário

9.3. NR 5 – COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES


A seguir é apresentada uma transcrição do texto da NR5, preservados os seus
itens originais:

DO OBJETIVO
5.1 A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA - tem como objetivo a
prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar
compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção
da saúde do trabalhador.

DA CONSTITUIÇÃO
5.2 Devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em regular
funcionamento as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista,
órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações
recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam
trabalhadores como empregados.

5.3 As disposições contidas nesta NR aplicam-se, no que couber, aos trabalhadores


avulsos e às entidades que lhes tomem serviços, observadas as disposições
estabelecidas em Normas Regulamentadoras de setores econômicos específicos.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 279

5.4 A empresa que possuir em um mesmo município dois ou mais estabelecimentos,


deverá garantir a integração das CIPA e dos designados, conforme o caso, com o
objetivo de harmonizar as políticas de segurança e saúde no trabalho. (Revogado pela
Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

5.5 As empresas instaladas em centro comercial ou industrial estabelecerão, através


de membros de CIPA ou designados, mecanismos de integração com objetivo de
promover o desenvolvimento de ações de prevenção de acidentes e doenças
decorrentes do ambiente e instalações de uso coletivo, podendo contar com a
participação da administração do mesmo.

DA ORGANIZAÇÃO
5.6 A CIPA será composta de representantes do empregador e dos empregados, de
acordo com o dimensionamento previsto no Quadro I desta NR, ressalvadas as
alterações disciplinadas em atos normativos para setores econômicos específicos.
5.6.1 Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes, serão por eles
designados.

5.6.2 Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em


escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de filiação sindical,
exclusivamente os empregados interessados.

5.6.3 O número de membros titulares e suplentes da CIPA, considerando a ordem


decrescente de votos recebidos, observará o dimensionamento previsto no
Quadro I desta NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos
de setores econômicos específicos.

5.6.4 Quando o estabelecimento não se enquadrar no Quadro I, a empresa designará


um responsável pelo cumprimento dos objetivos desta NR, podendo ser adotados
mecanismos de participação dos empregados, através de negociação coletiva.

5.7 O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida
uma reeleição.

5.8 É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para
cargo de direção de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes desde o
registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato.

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 280

5.9 Serão garantidas aos membros da CIPA condições que não descaracterizem
suas atividades normais na empresa, sendo vedada a transferência para outro
estabelecimento sem a sua anuência, ressalvado o disposto nos parágrafos
primeiro e segundo do artigo 469, da CLT.

5.10 O empregador deverá garantir que seus indicados tenham a representação


necessária para a discussão e encaminhamento das soluções de questões de
segurança e saúde no trabalho analisadas na CIPA.

5.11 O empregador designará entre seus representantes o Presidente da CIPA, e os


representantes dos empregados escolherão entre os titulares o vice-presidente.

5.12 Os membros da CIPA, eleitos e designados serão empossados no primeiro dia útil
após o término do mandato anterior.

5.13 Será indicado, de comum acordo com os membros da CIPA, um secretário e seu
substituto, entre os componentes ou não da comissão, sendo neste caso
necessária a concordância do empregador.

5.14 A documentação referente ao processo eleitoral da CIPA, incluindo as atas de


eleição e de posse e o calendário anual das reuniões ordinárias, deve ficar no
estabelecimento à disposição da fiscalização do Ministério do Trabalho e
Emprego. (Alterado pela Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

5.14.1 A documentação indicada no item 5.14 deve ser encaminhada ao Sindicato dos
Trabalhadores da categoria, quando solicitada. (Inserido pela Portaria SIT n.º 247, de
12 de julho de 2011)

5.14.2 O empregador deve fornecer cópias das atas de eleição e posse aos membros
titulares e suplentes da CIPA, mediante recibo. (Inserido pela Portaria SIT n.º 247, de
12 de julho de 2011)

5.15 A CIPA não poderá ter seu número de representantes reduzido, bem como não
poderá ser desativada pelo empregador, antes do término do mandato de seus
membros, ainda que haja redução do número de empregados da empresa, exceto
no caso de encerramento das atividades do estabelecimento. (Alterado pela Portaria
SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 281

DAS ATRIBUIÇÕES
5.16 A CIPA terá por atribuição:
a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com a
participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde
houver;
b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de
problemas de segurança e saúde no trabalho;
c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de
prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos
locais de trabalho;
d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho
visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança
e saúde dos trabalhadores;
e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu
plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas;
f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho;
g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo
empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de
trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores;
h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de
máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e
saúde dos trabalhadores;
i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros
programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como
cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e
saúde no trabalho;
l) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador, da
análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de
solução dos problemas identificados;
m) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham
interferido na segurança e saúde dos trabalhadores;
n) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas;
o) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
p) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de
Prevenção da AIDS.

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 282

5.17 Cabe ao empregador proporcionar aos membros da CIPA os meios necessários


ao desempenho de suas atribuições, garantindo tempo suficiente para a
realização das tarefas constantes do plano de trabalho.

5.18 Cabe aos empregados:


a) participar da eleição de seus representantes;
b) colaborar com a gestão da CIPA;
c) indicar à CIPA, ao SESMT e ao empregador situações de riscos e apresentar
sugestões para melhoria das condições de trabalho;
d) observar e aplicar no ambiente de trabalho as recomendações quanto à
prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho.

5.19 Cabe ao Presidente da CIPA:


a) convocar os membros para as reuniões da CIPA;
b) coordenar as reuniões da CIPA, encaminhando ao empregador e ao SESMT,
quando houver, as decisões da comissão;
c) manter o empregador informado sobre os trabalhos da CIPA;
d) coordenar e supervisionar as atividades de secretaria;
e) delegar atribuições ao Vice-Presidente;

5.20 Cabe ao Vice-Presidente:


a) executar atribuições que lhe forem delegadas;
b) substituir o Presidente nos seus impedimentos eventuais ou nos seus
afastamentos temporários;
5.21 O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA, em conjunto, terão as seguintes
atribuições:
a) cuidar para que a CIPA disponha de condições necessárias para o
desenvolvimento de seus trabalhos;
b) coordenar e supervisionar as atividades da CIPA, zelando para que os objetivos
propostos sejam alcançados;
c) delegar atribuições aos membros da CIPA;
d) promover o relacionamento da CIPA com o SESMT, quando houver;
e) divulgar as decisões da CIPA a todos os trabalhadores do estabelecimento;
f) encaminhar os pedidos de reconsideração das decisões da CIPA;
g) constituir a comissão eleitoral.

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 283

5.22 O Secretário da CIPA terá por atribuição:


a) acompanhar as reuniões da CIPA e redigir as atas apresentando-as para
aprovação e assinatura dos membros presentes;
b) preparar as correspondências; e
c) outras que lhe forem conferidas.

DO FUNCIONAMENTO
5.23 A CIPA terá reuniões ordinárias mensais, de acordo com o calendário
preestabelecido.

5.24 As reuniões ordinárias da CIPA serão realizadas durante o expediente normal da


empresa e em local apropriado.

5.25 As reuniões da CIPA terão atas assinadas pelos presentes com encaminhamento
de cópias para todos os membros.

5.26 As atas devem ficar no estabelecimento à disposição da fiscalização do Ministério


do Trabalho e Emprego. (Alterado pela Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

5.27 Reuniões extraordinárias deverão ser realizadas quando:


a) houver denúncia de situação de risco grave e iminente que determine aplicação
de medidas corretivas de emergência;
b) ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal;
c) houver solicitação expressa de uma das representações.

5.28 As decisões da CIPA serão preferencialmente por consenso.


5.28.1 Não havendo consenso, e frustradas as tentativas de negociação direta ou
com mediação, será instalado processo de votação, registrando-se a ocorrência
na ata da reunião.
5.29 Das decisões da CIPA caberá pedido de reconsideração, mediante requerimento
justificado.

5.29.1 O pedido de reconsideração será apresentado à CIPA até a próxima reunião


ordinária, quando será analisado, devendo o Presidente e o Vice-Presidente
efetivar os encaminhamentos necessários.

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 284

5.30 O membro titular perderá o mandato, sendo substituído por suplente, quando
faltar a mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa.

5.31 A vacância definitiva de cargo, ocorrida durante o mandato, será suprida por
suplente, obedecida a ordem de colocação decrescente que consta na ata de
eleição, devendo os motivos ser registrados em ata de reunião. (Alterado pela
Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

5.31.1 No caso de afastamento definitivo do presidente, o empregador indicará o


substituto, em dois dias úteis, preferencialmente entre os membros da CIPA.

5.31.2 No caso de afastamento definitivo do vice-presidente, os membros titulares da


representação dos empregados, escolherão o substituto, entre seus titulares, em
dois dias úteis.

5.31.3 Caso não existam suplentes para ocupar o cargo vago, o empregador deve
realizar eleição extraordinária, cumprindo todas as exigências estabelecidas para
o processo eleitoral, exceto quanto aos prazos, que devem ser reduzidos pela
metade. (Inserido pela Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

5.31.3.1 O mandato do membro eleito em processo eleitoral extraordinário deve ser


compatibilizado com o mandato dos demais membros da Comissão. (Inserido pela
Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

5.31.3.2 O treinamento de membro eleito em processo extraordinário deve ser realizado


no prazo máximo de trinta dias, contados a partir da data da posse. (Inserido pela
Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

DO TREINAMENTO
5.32 A empresa deverá promover treinamento para os membros da CIPA, titulares e
suplentes, antes da posse.
5.32.1 O treinamento de CIPA em primeiro mandato será realizado no prazo máximo de
trinta dias, contados a partir da data da posse.

5.32.2 As empresas que não se enquadrem no Quadro I, promoverão anualmente


treinamento para o designado responsável pelo cumprimento do objetivo desta
NR.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 285

5.33 O treinamento para a CIPA deverá contemplar, no mínimo, os seguintes itens:


a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados
do processo produtivo;
b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho;
c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos
riscos existentes na empresa;
d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS, e medidas de
prevenção;
e) noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à segurança e
saúde no trabalho;
f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos;
g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições
da Comissão.

5.34 O treinamento terá carga horária de vinte horas, distribuídas em no máximo oito
horas diárias e será realizado durante o expediente normal da empresa.

5.35 . O treinamento poderá ser ministrado pelo SESMT da empresa, entidade patronal,
entidade de trabalhadores ou por profissional que possua conhecimentos sobre aos temas
ministrados. (Revogado pela Portaria SEPRT n.º 915, de 30 de julho de 2019)

5.36 A CIPA será ouvida sobre o treinamento a ser realizado, inclusive quanto à
entidade ou profissional que o ministrará, constando sua manifestação em ata,
cabendo à empresa escolher a entidade ou profissional que ministrará o
treinamento.

5.37 Quando comprovada a não observância ao disposto nos itens relacionados ao treinamento, a
unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Emprego, determinará a complementação
ou a realização de outro, que será efetuado no prazo máximo de trinta dias, contados da data
de ciência da empresa sobre a decisão. (Revogado pela Portaria SEPRT n.º 915, de 30 de
julho de 2019)

DO PROCESSO ELEITORAL
5.38 Compete ao empregador convocar eleições para escolha dos representantes dos
empregados na CIPA, no prazo mínimo de 60 (sessenta) dias antes do término do
mandato em curso.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 286

5.38.1 A empresa estabelecerá mecanismos para comunicar o início do processo eleitoral


ao sindicato da categoria profissional.

5.39 O Presidente e o Vice Presidente da CIPA constituirão dentre seus membros, no


prazo mínimo de 55 (cinquenta e cinco) dias antes do término do mandato em
curso, a Comissão Eleitoral – CE, que será a responsável pela organização e
acompanhamento do processo eleitoral.

5.39.1 Nos estabelecimentos onde não houver CIPA, a Comissão Eleitoral será
constituída pela empresa.

5.40 O processo eleitoral observará as seguintes condições:


a) publicação e divulgação de edital, em locais de fácil acesso e visualização, no
prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias antes do término do mandato em
curso;
b) inscrição e eleição individual, sendo que o período mínimo para inscrição será de
quinze dias;
c) liberdade de inscrição para todos os empregados do estabelecimento,
independentemente de setores ou locais de trabalho, com fornecimento de
comprovante;
d) garantia de emprego para todos os inscritos até a eleição;
e) realização da eleição no prazo mínimo de 30 (trinta) dias antes do término do
mandato da CIPA, quando houver;
f) realização de eleição em dia normal de trabalho, respeitando os horários de
turnos e em horário que possibilite a participação da maioria dos empregados.
g) voto secreto;
h) apuração dos votos, em horário normal de trabalho, com acompanhamento de
representante do empregador e dos empregados, em número a ser definido pela
comissão eleitoral;
i) faculdade de eleição por meios eletrônicos;
j) guarda, pelo empregador, de todos os documentos relativos à eleição, por um
período mínimo de cinco anos.
5.41 Havendo participação inferior a cinquenta por cento dos empregados na votação,
não haverá a apuração dos votos e a comissão eleitoral deverá organizar outra
votação, que ocorrerá no prazo máximo de dez dias.

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 287

5.42 As denúncias sobre o processo eleitoral deverão ser protocolizadas na unidade


descentralizada do MTE, até trinta dias após a data da posse dos novos membros
da CIPA.

5.42.1 Compete a unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Emprego,


confirmadas irregularidades no processo eleitoral, determinar a sua correção ou
proceder a anulação quando for o caso.

5.42.2 Em caso de anulação a empresa convocará nova eleição no prazo de cinco dias,
a contar da data de ciência, garantidas as inscrições anteriores.

5.42.3 Quando a anulação se der antes da posse dos membros da CIPA, ficará
assegurada a prorrogação do mandato anterior, quando houver, até a
complementação do processo eleitoral.

5.43 Assumirão a condição de membros titulares e suplentes, os candidatos mais


votados.

5.44 Em caso de empate, assumirá aquele que tiver maior tempo de serviço no
estabelecimento.

5.45 Os candidatos votados e não eleitos serão relacionados na ata de eleição e


apuração, em ordem decrescente de votos, possibilitando nomeação posterior, em
caso de vacância de suplentes.

DAS CONTRATANTES E CONTRATADAS


5.46 Quando se tratar de empreiteiras ou empresas prestadoras de serviços,
considera-se estabelecimento, para fins de aplicação desta NR, o local em que
seus empregados estiverem exercendo suas atividades.

5.47 Sempre que duas ou mais empresas atuarem em um mesmo estabelecimento, a


CIPA ou designado da empresa contratante deverá, em conjunto com as das
contratadas ou com os designados, definir mecanismos de integração e de
participação de todos os trabalhadores em relação às decisões das CIPA
existentes no estabelecimento.

5.48 A contratante e as contratadas, que atuem num mesmo estabelecimento, deverão


implementar, de forma integrada, medidas de prevenção de acidentes e doenças

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 288

do trabalho, decorrentes da presente NR, de forma a garantir o mesmo nível de


proteção em matéria de segurança e saúde a todos os trabalhadores do
estabelecimento

5.49 A empresa contratante adotará medidas necessárias para que as empresas


contratadas, suas CIPA, os designados e os demais trabalhadores lotados
naquele estabelecimento recebam as informações sobre os riscos presentes nos
ambientes de trabalho, bem como sobre as medidas de proteção adequadas.

5.50 A empresa contratante adotará as providências necessárias para acompanhar o


cumprimento pelas empresas contratadas que atuam no seu estabelecimento, das
medidas de segurança e saúde no trabalho.

DISPOSIÇÕES FINAIS
5.52 (Revogado pela Portaria SIT n.º 247, de 12 de julho de 2011)

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 289

QUADRO I
Dimensionamento da CIPA

n.º de
Empregados
no Estabele- Acima de
* GRU- cimento 0 20 30 51 81 101 121 141 301 501 1001 2501 5001 10.000
POS a a a a a a a a a a a a a para cada
N.º de 19 29 50 80 100 120 140 300 500 1000 2500 5000 10000 grupo
Membros de 2.500
da Cipa acrescentar

Efetivos 1 1 3 3 4 4 4 4 6 9 12 15 2
C-1
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 3 4 7 9 12 2

Efetivos 1 1 3 3 4 4 4 4 6 9 12 15 2
C-1a
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 4 5 8 9 12 2

Efetivos 1 1 2 2 3 4 4 5 6 7 10 11 2
C-2
Suplentes 1 1 2 2 3 3 4 4 5 6 7 9 1

Efetivos 1 1 2 2 3 3 4 5 6 7 10 10 2
C-3
Suplentes 1 1 2 2 3 3 4 4 5 6 8 8 2

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-3a
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1

Efetivos 1 1 1 1 1 2 2 2 3 5 6 1
C-4
Suplentes 1 1 1 1 1 2 2 2 3 4 4 1

Efetivos 1 1 2 3 3 4 4 4 6 9 9 11 2
C-5
Suplentes 1 1 2 3 3 3 4 4 5 7 7 9 2

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 6 7 1
C-5a
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1

Efetivos 1 1 2 3 3 4 5 5 6 8 10 12 2
C-6
Suplentes 1 1 2 3 3 3 4 4 4 6 8 10 2

Efetivos 1 1 2 2 2 2 3 4 5 6 1
C-7
Suplentes 1 1 2 2 2 2 3 3 4 4 1

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 290

n.º de
Empregados
no Estabele- Acima de
* GRU- cimento 0 20 30 51 81 101 121 141 301 501 1001 2501 5001 10.000
POS a a a a a a a a a a a a a para cada
N.º de 19 29 50 80 100 120 140 300 500 1000 2500 5000 10000 grupo
Membros de 2.500
da Cipa acrescentar

Efetivos 1 1 2 2 3 3 4 5 6 8 9 10 2
C-7a
Suplentes 1 1 2 2 3 3 3 4 5 7 8 8 2

Efetivos 1 1 2 2 3 3 4 5 6 7 8 10 1
C-8
Suplentes 1 1 2 2 3 3 3 4 4 5 6 8 1

Efetivos 1 1 1 2 2 2 3 5 6 7 1
C-9
Suplentes 1 1 1 2 2 2 3 4 4 5 1

Efetivos 1 1 2 2 3 3 4 4 5 8 9 10 2
C-10
Suplentes 1 1 2 2 3 3 3 4 4 6 7 8 2

Efetivos 1 1 2 3 3 4 4 5 6 9 10 12 2
C-11
Suplentes 1 1 2 3 3 3 3 4 4 7 8 10 2

Efetivos 1 1 2 3 3 4 4 5 7 8 9 10 2
C-12
Suplentes 1 1 2 3 3 3 3 4 6 6 7 8 2

Efetivos 1 1 3 3 3 3 4 5 6 9 11 13 2
C-13
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 4 5 7 8 10 2

Efetivos 1 1 2 2 3 4 4 5 6 9 11 11 2
C-14
Suplentes 1 1 2 2 3 3 4 4 5 7 9 9 2

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-14a
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 4 1

Efetivos 1 1 3 3 4 4 4 5 6 8 10 12 2
C-15
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 4 4 6 8 10 2

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 291

n.º de
Empregados
no Estabele- Acima de
* GRU- cimento 0 20 30 51 81 101 121 141 301 501 1001 2501 5001 10.000
POS a a a a a a a a a a a a a para cada
N.º de 19 29 50 80 100 120 140 300 500 1000 2500 5000 10000 grupo
Membros de 2.500
da Cipa acrescentar

Efetivos 1 1 2 3 3 3 4 5 6 8 10 12 2
C-16
Suplentes 1 1 2 3 3 3 3 4 4 6 7 9 2

Efetivos 1 1 2 2 4 4 4 4 6 8 10 12 2
C-17
Suplentes 1 1 2 2 3 3 3 4 5 7 8 10 2

Efetivos 2 2 4 4 4 4 6 8 10 12 2
C-18
Suplentes 2 2 3 3 3 4 5 7 8 10 2

Efetivos 3 3 4 4 4 4 6 9 12 15 2
C-18a
Suplentes 3 3 3 3 3 4 5 7 9 12 2

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-19
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 4 1

Efetivos 1 1 3 3 3 3 4 5 5 6 8 2
C-20
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 4 4 5 6 1

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-21
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1

Efetivos 1 1 2 2 3 3 4 4 6 8 10 12 2
C-22
Suplentes 1 1 2 2 3 3 3 3 5 6 8 9 2

Efetivos 1 1 2 2 2 2 3 4 5 6 1
C-23
Suplentes 1 1 2 2 2 2 3 3 4 5 1

Efetivos 1 1 2 2 4 4 4 4 6 8 10 12 2
C-24
Suplentes 1 1 2 2 3 3 4 4 5 7 8 10 2

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 292

n.º de
Empregados
no Estabele- Acima de
* GRU- cimento 0 20 30 51 81 101 121 141 301 501 1001 2501 5001 10.000
POS a a a a a a a a a a a a a para cada
N.º de 19 29 50 80 100 120 140 300 500 1000 2500 5000 10000 grupo
Membros de 2.500
da Cipa acrescentar

Efetivos 1 1 2 2 2 2 3 4 5 6 1
C-24a
Suplentes 1 1 2 2 2 2 3 3 4 4 1

Efetivos 1 1 3 3 4 4 4 4 6 9 12 15 2
C-24b
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 3 4 7 9 12 2

Efetivos 1 1 2 2 2 2 3 4 5 6 1
C-25
Suplentes 1 1 2 2 2 2 3 3 4 5 1

Efetivos 1 2 3 4 5 1
C-26
Suplentes 1 2 3 3 4 1

Efetivos 1 1 2 3 4 5 6 6 1
C-27
Suplentes 1 1 2 3 3 4 5 5 1

Efetivos 1 1 2 3 4 5 6 6 1
C-28
Suplentes 1 1 2 3 4 5 5 5 1

Efetivos 1 2 3 4 5 1
C-29
Suplentes 1 2 3 3 4 1

Efetivos 1 1 1 2 4 4 4 5 7 8 9 10 2
C-30
Suplentes 1 1 1 2 3 3 4 4 6 7 8 9 1

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-31
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1

Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-32
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 293

n.º de
Empregados
no Estabele- Acima de
* GRU- cimento 0 20 30 51 81 101 121 141 301 501 1001 2501 5001 10.000
POS a a a a a a a a a a a a a para cada
N.º de 19 29 50 80 100 120 140 300 500 1000 2500 5000 10000 grupo
Membros de 2.500
da Cipa acrescentar

Efetivos 1 1 1 1 2 3 4 5 1
C-33
Suplentes 1 1 1 1 2 3 3 4 1

Efetivos 1 1 2 2 4 4 4 4 6 8 10 12 2
C-34
Suplentes 1 1 2 2 3 3 3 4 5 7 8 9 2

Efetivos 1 1 2 2 2 2 3 4 5 6 1
C-35
Suplentes 1 1 2 2 2 2 3 3 4 5 1

OBS: Os membros efetivos e suplentes terão representantes dos Empregadores e Empregados.

* As atividades econômicas integrantes dos grupos estão especificadas por CNAE nos QUADROS II e III.

QUADRO II
Agrupamento de setores econômicos pela Classificação Nacional de Atividades
Econômicas-CNAE (versão 2.0), para dimensionamento de CIPA
(Dado pela Portaria SIT n.º 14, de 21 de junho de 2007)

Grupo C1 Minerais
05.00-3 06.00-0 07.10-3 07.21-9 07.22-7 07.23-5 07.24-3 07.25-1 07.29-4 08.10-0
08.91-6 08.92-4 08.93-2 08.99-1 09.10-6 09.90-4 19.10-1 23.20-6 23.91-5

Grupo C-1a Minerais'


19.21-7 19.22-5 19.31-4

Grupo C-2 Alimentos


10.11-2 10.12-1 10.13-9 10.20-1 10.31-7 10.32-5 10.33-3 10.41-4 10.42-2 10.43-1
10.51-1 10.52-0 10.53-8 10.61-9 10.62-7 10.63-5 10.64-3 10.65-1 10.66-0 10.69-4
10.71-6 10.72-4 10.81-3 10.82-1 10.91-1 10.92-9 10.93-7 10.94-5 10.95-3 10.96-1
10.99-6 11.11-9 11.12-7 11.13-5 11.21-6 11.22-4 12.10-7 12.20-4

Grupo C-3 Têxteis


13.11-1 13.12-0 13.13-8 13.14-6 13.21-9 13.22-7 13.23-5 13.40-5 13.59-6

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 294

Grupo C-3a Têxteis


13.30-8 13.51-1 13.52-9 13.53-7 13.54-5 13.59-6 14.21-5 14.22-3

Grupo C-4 Confecção


14.11-8 14.12-6 14.13-4 14.14-2 32.92-2

Grupo C-5 Calçados e Similares


15.10-6 15.31-9 15.32-7 15.33-5 15.39-4 15.40-8

Grupo C-5a Calçados e Similares


15.21-1 15.29-7

Grupo C-6 Madeira


16.10-2 16.21-8 16.22-6 16.23-4 16.29-3 31.01-2

Grupo C-7 Papel


17.31-1 17.32-0 17.33-8 17.41-9 17.42-7 17.49-4

Grupo C-7a Papel


17.10-9 17.21-4 17.22-2

Grupo C-8 Gráficos


18.11-3 18.12-1 18.13-0 18.21-1 18.22-9 58.11-5 58.12-3 58.13-1 58.19-1
58.21-2 58.22-1 58.23-9 58.29-8 63.91-7

Grupo C-9 Som & Imagem


18.30-0 59.11-1 59.12-0 59.13-8 59.14-6 59.20-1 60.10-1 60.21-7 60.22-5 74.20-0
90.01-9 90.02-7 90.03-5

Grupo C-10 Químicos


19.32-2 20.11-8 20.12-6 20.13-4 20.14-2 20.19-3 20.21-5 20.22-3 20.29-1 20.31-2
20.33-9 20.40-1 20.51-7 20.52-5 20.61-4 20.62-2 20.63-1 20.71-1 20.72-0 20.73-8
20.91-6 20.93-2 20.94-1 20.99-1 21.10-6 21.21-1 21.22-0 21.23-8 22.21-8 22.22-6
22.23-4 22.29-3 26.80-9 27.21-0 27.22-8 31.04-7

C-11 - Borracha
22.11-1 22.12-9 22.19-6

Grupo C-12 Não Metálicos


23.11-7 23.12-5 23.19-2 23.30-3 23.41-9 23.42-7 23.49-4 23.92-3 23.99-1 32.11-6
38.32-7 38.39-4

Grupo C-13 Metálicos


24.11-3 24.12-1 24.21-1 24.22-9 24.23-7 24.24-5 24.31-8 24.39-3 24.41-5 24.42-3
24.43-1 24.49-1 24.51-2 24.52-1 25.11-0 25.13-6 25.31-4 25.32-2 25.39-0 25.92-6

Grupo C-14 Equipamentos/Máquinas e Ferramentas


25.12-8 25.21-7 25.22-5 25.41-1 25.42-0 25.43-8 25.91-8 25.93-4 25.99-3 26.10-8
26.21-3 26.22-1 26.31-1 26.32-9 26.40-0 26.51-5 26.52-3 26.60-4 26.70-1 27.10-4
27.31-7 27.32-5 27.33-3 27.40-6 27.51-1 27.59-7 27.90-2 28.11-9 28.12-7 28.13-5
28.14-3 28.15-1 28.21-6 28.22-4 28.23-2 28.24-1 28.25-9 28.32-1 28.33-0 28.40-2
28.51-8 28.52-6 28.54-2 28.61-5 28.62-3 28.63-1 28.64-0 28.65-8 28.66-6 28.69-1
29.45-0 31.02-1 31.03-9 32.30-2 32.40-0 32.50-7 33.11-2 33.12-1 33.13-9 33.14-7
33.19-8 33.21-0 38.31-9 95.12-6 95.21-5

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 295

Grupo C-14a Equipamentos/Máquinas e Ferramentas


28.29-1 32.12-4 32.20-5 32.99-0 32.91-4 33.29-5 95.11-8

Grupo C-15 Explosivos e Armas


20.92-4 25.50-1

Grupo C-16 Veículos


28.31-3 28.53-4 29.10-7 29.20-4 29.30-1 29.41-7 29.42-5 29.43-3 29.44-1 29.49-2
29.50-6 30.11-3 30.12-1 30.31-8 30.32-6 30.41-5 30.42-3 30.50-4 30.91-1 30.92-0
30.99-7 33.15-5 33.16-3 33.17-1 45.20-0 45.43-9

Grupo C-17 Água e Energia


35.11-5 35.12-3 35.13-1 35.14-0 35.20-4 35.30-1 36.00-6 37.01-1 37.02-9 38.11-4
38.12-2 38.21-1 38.22-0 39.00-5

Grupo C-18 Construção


42.22-7 42.23-5 42.91-0 42.99-5 43.21-5 43.22-3 43.29-1 43.30-4 43.99-1

Grupo C-18a Construção


41.20-4 42.11-1 42.12-0 42.13-8 42.21-9 42.92-8 43.11-8 43.12-6 43.13-4 43.19-3
43.91-6

Grupo C-19 Intermediários do Comércio


46.11-7 46.14-1 46.15-0 46.16-8 46.17-6 46.18-4 46.19-2

Grupo C-20 Comércio Atacadista


46.13-3 46.21-4 46.22-2 46.23-1 46.31-1 46.32-0 46.33-8 46.34-6 46.35-4 46.36-2
46.37-1 46.39-7 46.41-9 46.42-7 46.43-5 46.44-3 46.45-1 46.47-8 46.49-4 46.51-6
46.52-4 46.61-3 46.62-1 46.63-0 46.64-8 46.65-6 46.69-9 46.71-1 46.72-9 46.73-7
46.74-5 46.79-6 46.85-1 46.86-9 46.89-3 46.91-5 46.92-3 46.93-1

Grupo C-21 Comércio Varejista


45.11-1 45.12-9 45.30-7 45.41-2 45.42-1 47.11-3 47.12-1 47.13-0 47.21-1 47.22-9
47.23-7 47.24-5 47.29-6 47.41-5 47.42-3 47.43-1 47.44-0 47.51-2 47.52-1 47.53-9
47.54-7 47.55-5 47.56-3 47.57-1 47.59-8 47.61-0 47.62-8 47.63-6 47.71-7 47.72-5
47.73-3 47.74-1 47.81-4 47.82-2 47.83-1 47.85-7 47.89-0 47.90-3

Grupo C-22 Comércio de Produtos Perigosos


46.12-5 46.46-0 46.81-8 46.82-6 46.83-4 46.84-2 46.87-7 47.31-8 47.32-6 47.84-9

Grupo C-23 Alojamento e Alimentação


55.10-8 55.90-6 56.11-2 56.12-1 56.20-1 88.00-6

Grupo C-24 Transporte


49.40-0 49.50-7 50.22-0 50.91-2 50.99-8 51.11-1 51.12-9 51.20-0 52.11-7 52.12-5
52.40-1

Grupo C-24a Transporte


50.30-1 52.21-4 52.22-2 52.23-1 52.29-0 52.31-1 52.32-0 52.39-7 52.50-8

Grupo C-24b Transporte


50.11-4 50.12-2 50.21-1 51.30-7

Grupo 24c Transporte


49.21-3 49.22-1 49.23-0 49.24-8 49.29-9 49.30-2

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 296

Grupo 24d Transporte


49.11-6 49.12-4

Grupo C-25 Correio e Telecomunicações


53.10-5 53.20-2 61.10-8 61.20-5 61.30-2 61.41-8 61.42-6 61.43-4 61.90-6

Grupo C-26 Seguro


65.11-1 65.12-0 65.20-1 65.30-8 65.41-3 65.42-1 65.50-2

Grupo C-27 Administração de Mercados Financeiros


66.11-8 66.12-6 66.19-3 66.21-5 66.22-3 66.29-1 66.30-4

Grupo C-28 Bancos


64.10-7 64.21-2 64.22-1 64.23-9 64.24-7 64.31-0 64.32-8 64.33-6 64.34-4 64.35-2
64.36-1 64.37-9 64.40-9 64.50-6 64.61-1 64.63-8 64.70-1 64.91-3 64.92-1 64.93-0
64.99-9 66.13-4 77.40-3

Grupo C-29 Serviços


41.10-7 64.62-0 68.10-2 68.21-8 68.22-6 69.11-7 69.12-5 69.20-6 70.10-7 70.20-4
73.20-3 77.21-7 77.22-5 77.23-3 77.29-2 79.11-2 79.12-1 79.90-2 81.11-7 85.50-3
94.11-1 94.12-0 94.20-1 94.30-8 94.91-0 94.92-8 94.93-6 94.99-5

Grupo C-30 Locação de Mão-de-Obra e Limpeza


80.11-1 80.12-9 80.20-0 80.30-7 81.21-4 81.22-2 81.29-0 81.30-3 96.01-7

Grupo C-31 Ensino


85.11-2 85.12-1 85.13-9 85.20-1 85.31-7 85.32-5 85.33-3 85.41-4 85.42-2 85.91-1
85.92-9 85.93-7 85.99-6 91.01-5 91.02-3 91.03-1 93.11-5 93.12-3 93.13-1 93.19-1

Grupo C-32 Pesquisas


71.20-1 72.10-0 72.20-7

Grupo C-33 Administração Pública


84.11-6 84.12-4 84.13-2 84.21-3 84.22-1 84.23-0 84.24-8 84.25-6 84.30-2 99.00-8

Grupo C-34 Saúde


75.00-1 86.10-1 86.21-6 86.22-4 86.30-5 86.40-2 86.50-0 86.60-7 86.90-9 87.11-5
87.12-3 87.20-4 87.30-1 96.03-3

Grupo C-35 Outros Serviços


62.01-5 62.02-3 62.03-1 62.04-0 62.09-1 63.11-9 63.19-4 63.99-2 71.11-1 71.12-0
71.19-7 73.11-4 73.12-2 73.19-0 74.10-2 74.90-1 77.11-0 77.19-5 77.31-4 77.32-2
77.33-1 77.39-0 78.10-8 78.20-5 78.30-2 81.12-5 82.11-3 82.19-9 82.20-2 82.30-0
82.91-1 82.92-0 82.99-7 92.00-3 93.21-2 93.29-8 95.29-1 96.02-5 96.09-2 97.00-5

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 297

QUADRO III
Relação da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE (Versão 2.0),
com correspondente agrupamento para dimensionamento da CIPA (Dado pela
Portaria SIT n.º 14, de 21 de junho de 2007)

CNAE Descrição Grupo


05.00-3 Extração de carvão mineral C-1
06.00-0 Extração de petróleo e gás natural C-1
07.10-3 Extração de minério de ferro C-1
07.21-9 Extração de minério de alumínio C-1
07.22-7 Extração de minério de estanho C-1
07.23-5 Extração de minério de manganês C-1
07.24-3 Extração de minério de metais preciosos C-1
07.25-1 Extração de minerais radioativos C-1
07.29-4 Extração de minerais metálicos não-ferrosos
não especificados anteriormente C-1
08.10-0 Extração de pedra, areia e argila C-1
08.91-6 Extração de minerais para fabricação de adubos,
fertilizantes e outros produtos químicos C-1
08.92-4 Extração e refino de sal marinho e sal-gema C-1
08.93-2 Extração de gemas (pedras preciosas e semipreciosas) C-1
08.99-1 Extração de minerais não-metálicos não
especificados anteriormente C-1
09.10-6 Atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural C-1
09.90-4 Atividades de apoio à extração de minerais, exceto
petróleo e gás natural C-1
10.11-2 Abate de reses, exceto suínos C-2
10.12-1 Abate de suínos, aves e outros pequenos animais C-2
10.13-9 Fabricação de produtos de carne C-2
10.20-1 Preservação do pescado e fabricação de
produtos do pescado C-2
10.31-7 Fabricação de conservas de frutas C-2
10.32-5 Fabricação de conservas de legumes e outros vegetais C-2
10.33-3 Fabricação de sucos de frutas, hortaliças e legumes C-2
10.41-4 Fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto
óleo de milho C-2
10.42-2 Fabricação de óleos vegetais refinados, exceto
óleo de milho C-2
10.43-1 Fabricação de margarina e outras gorduras vegetais
e de óleos não-comestíveis de animais C-2
10.51-1 Preparação do leite C-2
10.52-0 Fabricação de laticínios C-2
10.53-8 Fabricação de sorvetes e outros gelados comestíveis C-2
10.61-9 Beneficiamento de arroz e fabricação de produtos
do arroz C-2
10.62-7 Moagem de trigo e fabricação de derivados C-2
10.63-5 Fabricação de farinha de mandioca e derivados C-2
10.64-3 Fabricação de farinha de milho e derivados,
exceto óleos de milho C-2
10.65-1 Fabricação de amidos e féculas de vegetais e de
óleos de milho C-2
10.66-0 Fabricação de alimentos para animais C-2
10.69-4 Moagem e fabricação de produtos de
origem vegetal não especificados anteriormente C-2

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 298

10.71-6 Fabricação de açúcar em bruto C-2


10.72-4 Fabricação de açúcar refinado C-2
10.81-3 Torrefação e moagem de café C-2
10.82-1 Fabricação de produtos à base de café C-2
10.91-1 Fabricação de produtos de panificação C-2
10.92-9 Fabricação de biscoitos e bolachas C-2
10.93-7 Fabricação de produtos derivados do cacau, de
chocolates e confeitos C-2
10.94-5 Fabricação de massas alimentícias C-2
10.95-3 Fabricação de especiarias, molhos, temperos
e condimentos C-2
10.96-1 Fabricação de alimentos e pratos prontos C-2
10.99-6 Fabricação de produtos alimentícios não
especificados anteriormente C-2
11.11-9 Fabricação de aguardentes e outras bebidas destiladas C-2
11.12-7 Fabricação de vinho C-2
11.13-5 Fabricação de malte, cervejas e chopes C-2
11.21-6 Fabricação de águas envasadas C-2
11.22-4 Fabricação de refrigerantes e de outras bebidas
não alcoólicas C-2
12.10-7 Processamento industrial do fumo C-2
12.20-4 Fabricação de produtos do fumo C-2
13.11-1 Preparação e fiação de fibras de algodão C-3
13.12-0 Preparação e fiação de fibras têxteis naturais, exceto
algodão C-3
13.13-8 Fiação de fibras artificiais e sintéticas C-3
13.14-6 Fabricação de linhas para costurar e bordar C-3
13.21-9 Tecelagem de fios de algodão C-3
13.22-7 Tecelagem de fios de fibras têxteis naturais,
exceto algodão C-3
13.23-5 Tecelagem de fios de fibras artificiais e sintéticas C-3
13.30-8 Fabricação de tecidos de malha C-3a
13.40-5 Acabamentos em fios, tecidos e artefatos têxteis C-3
13.51-1 Fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico C-3a
13.52-9 Fabricação de artefatos de tapeçaria C-3a
13.53-7 Fabricação de artefatos de cordoaria C-3a
13.54-5 Fabricação de tecidos especiais, inclusive artefatos C-3a
13.59-6 Fabricação de outros produtos têxteis
não especificados anteriormente C-3a
14.11-8 Confecção de roupas íntimas C-4
14.12-6 Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas C-4
14.13-4 Confecção de roupas profissionais C-4
14.14-2 Fabricação de acessórios do vestuário, exceto para
segurança e proteção C-4
14.21-5 Fabricação de meias C-3a
14.22-3 Fabricação de artigos do vestuário, produzidos
em malharias e tricotagens, exceto meias C-3a
15.10-6 Curtimento e outras preparações de couro C-5
15.21-1 Fabricação de artigos para viagem, bolsas e
semelhantes de qualquer material C-5a
15.29-7 Fabricação de artefatos de couro
não especificados anteriormente C-5a
15.31-9 Fabricação de calçados de couro C-5
15.32-7 Fabricação de tênis de qualquer material C-5

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 299

15.33-5 Fabricação de calçados de material sintético C-5


15.39-4 Fabricação de calçados de materiais
não especificados anteriormente C-5
15.40-8 Fabricação de partes para calçados, de qualquer material C-5
16.10-2 Desdobramento de madeira C-6
16.21-8 Fabricação de madeira laminada e de
chapas de madeira compensada, prensada e aglomerada C-6
16.22-6 Fabricação de estruturas de madeira e de artigos de
carpintaria para construção C-6
16.23-4 Fabricação de artefatos de tanoaria e de embalagens
de madeira C-6
16.29-3 Fabricação de artefatos de madeira, palha, cortiça,
vime e material trançado não especificados
anteriormente, exceto móveis C-6
17.10-9 Fabricação de celulose e outras pastas para a
fabricação de papel C-7a
17.21-4 Fabricação de papel C-7a
17.22-2 Fabricação de cartolina e papel-cartão C-7a
17.31-1 Fabricação de embalagens de papel C-7
17.32-0 Fabricação de embalagens de cartolina e papel-cartão C-7
17.33-8 Fabricação de chapas e de embalagens de
papelão ondulado C-7
17.41-9 Fabricação de produtos de papel, cartolina, papel-cartão
e papelão ondulado para uso comercial e de escritório C-7
17.42-7 Fabricação de produtos de papel para usos doméstico
e higiênico-sanitário C-7
17.49-4 Fabricação de produtos de pastas celulósicas,
papel, cartolina, papel-cartão e papelão ondulado não
especificados anteriormente C-7
18.11-3 Impressão de jornais, livros, revistas e
outras publicações periódicas C-8
18.12-1 Impressão de material de segurança C-8
18.13-0 Impressão de materiais para outros usos C-8
18.21-1 Serviços de pré-impressão C-8
18.22-9 Serviços de acabamentos gráficos C-8
18.30-0 Reprodução de materiais gravados em qualquer suporte C-9
19.10-1 Coquerias C-1
19.21-7 Fabricação de produtos do refino de petróleo C-1a
19.22-5 Fabricação de produtos derivados do petróleo, exceto
produtos do refino C-1a
19.31-4 Fabricação de álcool C-1a
19.32-2 Fabricação de biocombustíveis, exceto álcool C-10
20.11-8 Fabricação de cloro e álcalis C-10
20.12-6 Fabricação de intermediários para fertilizantes C-10
20.13-4 Fabricação de adubos e fertilizantes C-10
20.14-2 Fabricação de gases industriais C-10
20.19-3 Fabricação de produtos químicos inorgânicos
não especificados anteriormente C-10
20.21-5 Fabricação de produtos petroquímicos básicos C-10
20.22-3 Fabricação de intermediários para plastificantes,
resinas e fibras C-10
20.29-1 Fabricação de produtos químicos orgânicos
não especificados anteriormente C-10
20.31-2 Fabricação de resinas termoplásticas C-10

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 300

20.32-1 Fabricação de resinas termofixas C-10


20.33-9 Fabricação de elastômeros C-10
20.40-1 Fabricação de fibras artificiais e sintéticas C-10
20.51-7 Fabricação de defensivos agrícolas C-10
20.52-5 Fabricação de desinfetantes domissanitários C-10
20.61-4 Fabricação de sabões e detergentes sintéticos C-10
20.62-2 Fabricação de produtos de limpeza e polimento C-10
20.63-1 Fabricação de cosméticos, produtos de perfumaria
e de higiene pessoal C-10
20.71-1 Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes e lacas C-10
20.72-0 Fabricação de tintas de impressão C-10
20.73-8 Fabricação de impermeabilizantes, solventes e
produtos afins C-10
20.91-6 Fabricação de adesivos e selantes C-10
20.92-4 Fabricação de explosivos C-15
20.93-2 Fabricação de aditivos de uso industrial C-10
20.94-1 Fabricação de catalisadores C-10
20.99-1 Fabricação de produtos químicos não
especificados anteriormente C-10
21.10-6 Fabricação de produtos farmoquímicos C-10
21.21-1 Fabricação de medicamentos para uso humano C-10
21.22-0 Fabricação de medicamentos para uso veterinário C-10
21.23-8 Fabricação de preparações farmacêuticas C-10
22.11-1 Fabricação de pneumáticos e de câmaras-de-ar C-11
22.12-9 Reforma de pneumáticos usados C-11
22.19-6 Fabricação de artefatos de borracha
não especificados anteriormente C-11
22.21-8 Fabricação de laminados planos e tubulares de
material plástico C-10
22.22-6 Fabricação de embalagens de material plástico C-10
22.23-4 Fabricação de tubos e acessórios de material plástico
para uso na construção C-10
22.29-3 Fabricação de artefatos de material plástico
não especificados anteriormente C-10
23.11-7 Fabricação de vidro plano e de segurança C12
23.12-5 Fabricação de embalagens de vidro C12
23.19-2 Fabricação de artigos de vidro C-12
23.20-6 Fabricação de cimento C-1
23.30-3 Fabricação de artefatos de concreto, cimento,
fibrocimento, gesso e materiais semelhantes C-12
23.41-9 Fabricação de produtos cerâmicos refratários C-12
23.42-7 Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários
para uso estrutural na construção C-12
23.49-4 Fabricação de produtos cerâmicos
não-refratários não especificados anteriormente C-12
23.91-5 Aparelhamento e outros trabalhos em pedras C-1
23.92-3 Fabricação de cal e gesso C-12
23.99-1 Fabricação de produtos de minerais
não-metálicos não especificados anteriormente C-12
24.11-3 Produção de ferro-gusa C-13
24.12-1 Produção de ferroligas C-13
24.21-1 Produção de semiacabados de aço C-13
24.22-9 Produção de laminados planos de aço C-13
24.23-7 Produção de laminados longos de aço C-13

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 301

24.24-5 Produção de relaminados, trefilados e perfilados de aço C-13


24.31-8 Produção de tubos de aço com costura C-13
24.39-3 Produção de outros tubos de ferro e aço C-13
24.41-5 Metalurgia do alumínio e suas ligas C-13
24.42-3 Metalurgia dos metais preciosos C-13
24.43-1 Metalurgia do cobre C-13
24.49-1 Metalurgia dos metais não-ferrosos e suas ligas
não especificados anteriormente C-13
24.51-2 Fundição de ferro e aço C-13
24.52-1 Fundição de metais não-ferrosos e suas ligas C-13
25.11-0 Fabricação de estruturas metálicas C-13
25.12-8 Fabricação de esquadrias de metal C-14
25.13-6 Fabricação de obras de caldeiraria pesada C-13
25.21-7 Fabricação de tanques, reservatórios metálicos e
caldeiras para aquecimento central C-14
25.22-5 Fabricação de caldeiras geradoras de vapor,
exceto para aquecimento central e para veículos C-14
25.31-4 Produção de forjados de aço e de metais não-ferrosos
e suas ligas C-13
25.32-2 Produção de artefatos estampados de metal;
metalurgia do pó C-13
25.39-0 Serviços de usinagem, solda, tratamento e
revestimento em metais C-13
25.41-1 Fabricação de artigos de cutelaria C-14
25.42-0 Fabricação de artigos de serralheria, exceto esquadrias C-14
25.43-8 Fabricação de ferramentas C-14
25.50-1 Fabricação de equipamento bélico pesado,
armas de fogo e munições C-15
25.91-8 Fabricação de embalagens metálicas C-14
25.92-6 Fabricação de produtos de trefilados de metal C-13
25.93-4 Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e
pessoal C-14
25.99-3 Fabricação de produtos de metal não especificados
anteriormente C-14
26.10-8 Fabricação de componentes eletrônicos C-14
26.21-3 Fabricação de equipamentos de informática C-14
26.22-1 Fabricação de periféricos para equipamentos
de informática C-14
26.31-1 Fabricação de equipamentos transmissores
de comunicação C-14
26.32-9 Fabricação de aparelhos telefônicos e de
outros equipamentos de comunicação C-14
26.40-0 Fabricação de aparelhos de recepção, reprodução,
gravação e amplificação de áudio e vídeo C-14
26.51-5 Fabricação de aparelhos e equipamentos de
medida, teste e controle C-14
26.52-3 Fabricação de cronômetros e relógios C-14
26.60-4 Fabricação de aparelhos eletromédicos e
eletroterapêuticos e equipamentos de irradiação C-14
26.70-1 Fabricação de equipamentos e instrumentos ópticos,
fotográficos e cinematográficos C-14
26.80-9 Fabricação de mídias virgens, magnéticas e ópticas C-10
27.10-4 Fabricação de geradores, transformadores e motores
elétricos C-14

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Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 302

27.21-0 Fabricação de pilhas, baterias e acumuladores elétricos,


exceto para veículos automotores C-10
27.22-8 Fabricação de baterias e acumuladores para
veículos automotores C-10
27.31-7 Fabricação de aparelhos e equipamentos para
distribuição e controle de energia elétrica C-14
27.32-5 Fabricação de material elétrico para instalações
em circuito de consumo C-14
27.33-3 Fabricação de fios, cabos e condutores elétricos isolados C-14
27.40-6 Fabricação de lâmpadas e outros equipamentos de
iluminação C-14
27.51-1 Fabricação de fogões, refrigeradores e máquinas de
lavar e secar para uso doméstico C-14
27.59-7 Fabricação de aparelhos eletrodomésticos não
especificados anteriormente C-14
27.90-2 Fabricação de equipamentos e aparelhos
elétricos não especificados anteriormente C-14
28.11-9 Fabricação de motores e turbinas, exceto para
aviões e veículos rodoviários C-14
28.12-7 Fabricação de equipamentos hidráulicos e
pneumáticos, exceto válvulas C-14
28.13-5 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos
semelhantes C-14
28.14-3 Fabricação de compressores C-14
28.15-1 Fabricação de equipamentos de transmissão para
fins industriais C-14
28.21-6 Fabricação de aparelhos e equipamentos para
instalações térmicas C-14
28.22-4 Fabricação de máquinas, equipamentos e aparelhos
para transporte e elevação de cargas e pessoas C-14
28.23-2 Fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e
ventilação para uso industrial e comercial C-14
28.24-1 Fabricação de aparelhos e equipamentos de
ar condicionado C-14
28.25-9 Fabricação de máquinas e equipamentos para
saneamento básico e ambiental C-14
28.29-1 Fabricação de máquinas e equipamentos de uso
geral não especificados anteriormente C-14a
28.31-3 Fabricação de tratores agrícolas C-16
28.32-1 Fabricação de equipamentos para irrigação agrícola C-14
28.33-0 Fabricação de máquinas e equipamentos para a
agricultura e pecuária, exceto para irrigação C-14
28.40-2 Fabricação de máquinas-ferramenta C-14
28.51-8 Fabricação de máquinas e equipamentos para a
prospecção e extração de petróleo C-14
28.52-6 Fabricação de outras máquinas e equipamentos para
uso na extração mineral, exceto na extração de petróleo C-14
28.53-4 Fabricação de tratores, exceto agrícolas C-16
28.54-2 Fabricação de máquinas e equipamentos para
terraplenagem, pavimentação e construção,
exceto tratores C-14
28.61-5 Fabricação de máquinas para a indústria
metalúrgica, exceto máquinas-ferramenta C-14
28.62-3 Fabricação de máquinas e equipamentos para as

eHO – 101- Introdução à Higiene Ocupacional e Legislação Ocupacional / 1o ciclo de 2020.


Capítulo 9. Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho relacionadas à Higiene Ocupacional: NR 04;
NR 05 303

indústrias de alimentos, bebidas e fumo C-14


28.63-1 Fabricação de máquinas e equipamentos para a
indústria têxtil C-14
28.64-0 Fabricação de máquinas e equipamentos para as
indústrias do vestuário, do couro e de calçados C-14
28.65-8 Fabricação de máquinas e equipamentos para as
indústrias de celulose, papel e papelão e artefatos C-14
28.66-6 Fabricação de máquinas e equipamentos para a
indústria do plástico C-14
28.69-1 Fabricação de máquinas e equipamentos para uso
industrial específico não especificados anteriormente C-14
29.10-7 Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários C-16
29.20-4 Fabricação de caminhões e ônibus C-16
29.30-1 Fabricação de cabines, carrocerias e reboques para
veículos automotores C-16
29.41-7 Fabricação de peças e acessórios para o sistema motor
de veículos automotores C-16
29.42-5 Fabricação de peças e acessórios para os sistemas de
marcha e transmissão de veículos automotores C-16
29.43-3 Fabricação de peças e acessórios para o sistema de
freios de veículos automotores C-16
29.44-1 Fabricação de peças e acessórios para o sistema de
direção e suspensão de veículos automotores C-16
29.45-0 Fabricação de material elétrico e eletrônico para
veículos automotores, exceto baterias C-14
29.49-2 Fabricação de peças e acessórios para veículos
automotores não especificados anteriormente C-16
29.50-6 Recondicionamento e recuperação de motores para
veículos automotores C-16
30.11-3 Construção de embarcações e estruturas flutuantes C-16
30.12-1 Construção de embarcações para esporte e lazer C-16
30.31-8 Fabricação de locomotivas, vagões e outros materiais
rodantes C-16
30.32-6 Fabricação de peças e acessórios para veículos
ferroviários C-16
30.41-5 Fabricação de aeronaves C-16
30.42-3 Fabricação de turbinas, motores e outros componentes
e peças para aeronaves C-16
30.50-