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Os sotaques brasileiros, variação linguística, uma perspectiva sociolinguística.

A variação linguística é um termo técnico para se referir a um dos objetos de estudo


da sociolinguística. Sendo ela, uma ramificação do campo científico da Linguística,
responsável por explicar a nossa realidade por meio do estudo das interações sociais e
dialógicas entre os membros de uma cultura, bem como, a variabilidade desse fenômeno
chamado Linguagem.
Ao falar-se em variação linguística, a palavra ‘sotaque’ parece simplificar bem o que
esse termo científico quer transmitir. E, é sobre os sotaques brasileiros que discorreremos um
pouco nos próximos parágrafos.
Segundo o seu mapa político, o Brasil é um país de extensões continentais, o que
reflete, diretamente, na diversidade, miscigenação da sua língua e cultura. Sabe-se que dentro
de todo esse território, habitam povos de diferentes descendências étnicas. Dentre esses, estão
os nossos, queridos, povos originários ou, povos indígenas, como preferem ser chamados.
Falantes de um idioma materno próprio, o povo Kaingang está distribuído em boa parte da
região norte do Rio Grande do Sul, como, por exemplo, na cidade de Charrua, onde vivem
milhares deles.
Esse povo tem uma língua materna própria, chamada “Kaingang” que, por sinal, é
uma variação de uma outra língua indígena. Não é novidade nenhuma afirmar que a L.P.
(Língua Portuguesa) sofreu mudanças ocasionadas pela Influência da língua materna dos
povos indígenas do Brasil, por exemplo, os nomes de algumas cidades gaúchas, que levam
nomes indígenas, são uma representação da forte influência cultural e linguística desses
povos. A cidade de Erechim é um exemplo vivo disso, já que seu nome é advindo da Língua
Kaingang e, quer dizer, "campo pequeno”.
Porém, não foram apenas as línguas indígenas que definiram a nossa língua materna
como ela é hoje. Sabemos que a L.P. é nossa língua oficial porque, nosso país foi colonizado,
primeiramente, por Portugueses, que se declaram os grandes descobridores do país do Pau-
Brasil e, em seguida, por Negros escravizados e trazidos de navios negreiros, Alemãos,
Italianos, que vieram, em seguida, buscando refúgio no Novo Mundo. Mas o português que
falamos hoje, é bem diferente do falado em Portugal. Vamos entender o porquê.
À medida em que a Língua Portuguesa foi sendo adquirida pelos novos brasileiros e
ensinada aos povos nativos e não-nativos, ela foi sofrendo alterações, enquanto era
disseminada pelas grandes regiões, sul, sudeste, centro-oeste e nordeste. Hoje, sabemos que
cada uma dessas diferentes regiões possui um Português único, com diferentes formas de
pronúncia, entonação, economia linguística, supressão de sons, velocidade de fala, dentre
outras especificidades.
As variações linguísticas são, justamente, esses fenômenos de mudanças que a L.P
sofreu e sofre, explicados de uma forma científica. Para exemplificar isso, a sociolinguística
apresenta em linhas gerais, alguns tipos de variações linguísticas. Sendo a primeira:

“Variação Diatópica ou Geográfica: relaciona-se a diferenças linguísticas


distribuídas no espaço físico, observáveis entre falantes de origens
geográficas distintas, ou seja, são as responsáveis pelos chamados
regionalismos, provenientes de dialetos ou falares locais. As variedades
geográficas também conduzem à oposição entre linguagem urbana e
linguagem rural. Ex: Brasileiros e Portugueses; Cariocas, Gaúchos e
Baianos. (BORIN, M. A. SOCIOLINGUÍSTICA. UFSM. p. 13-14, 2010).”

Nesse sentido a variação linguística é explicada a partir da cultura local dos


indivíduos de uma certa região do país, como, mencionado acima, o Rio Grande do Sul. Nas
regiões do interior tem-se um dialeto totalmente diferente dos grandes centros, como Porto
Alegre. Passamos agora para o segundo tipo de variação:

“Variação Diastrática ou Social – relaciona-se a um conjunto de fatores


que têm a ver com a identidade dos falantes e também com a organização
sociocultural da comunidade de fala. (BORIN, M. A.
SOCIOLINGUÍSTICA. UFSM. p. 14, 2010).”

Esse tipo de variação ocorre devido alguns fatores individuais e sociais do falante,
como a sua escolaridade, idade, gênero, classe social. Ou seja, dependendo do nível de
escolaridade desse indivíduo ou a qual classe social ele pertence influenciarão diretamente na
forma em que ele se enuncia.
Para respondermos à pergunta suscitada na proposta do texto: “Existe ‘certo’ ou
‘errado’ na comunicação?”
Entende-se que, não existe certo ou errado durante o ato de comunicação, ou seja, na
fala, uma vez que a Língua é um Sistema Mutável em constante evolução na língua de seus
falantes. Não existe certo ou errado, desde que, sua mensagem seja recebida e decodificada
pelo receptor.
Em linhas gerais, a variação Linguística é um tema bastante explorado por diversas
áreas do conhecimento da Ciências Humanas. Já que, de fato, é uma temática que deve ser
explorada afundo por estudantes de Cursos que envolvem os conhecimentos das Ciências
Sociais.
REFERÊNCIAS

BORIN, M. A. SOCIOLINGUÍSTICA. Repositório UFSM. 2010. Disponível em:


https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/16413/Curso_Let-Portug-
Lit_Sociolinguistica.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso: 06 setembro de 2021.

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