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VICTOR CALONI DE OLIVEIRA

Cenário atual e perspectivas do ferro fundido

Guaratinguetá - SP
2021
Victor Caloni de Oliveira

Cenário atual e perspectivas do ferro fundido

Trabalho de Graduação apresentado ao


Conselho de Curso de Graduação em
Engenharia de Materiais da Faculdade de
Engenharia do Campus de Guaratinguetá,
Universidade Estadual Paulista, como parte
dos requisitos para obtenção do diploma de
Graduação em Engenharia de Materiais.

Orientador: Prof. Dr. Peterson Luiz Ferranini

Guaratinguetá - SP
2021
Oliveira, Victor Caloni de
O48c Cenário atual e perspectivas do ferro fundido / Victor Caloni de
Oliveira – Guaratinguetá, 2021.
38 f. : il.
Bibliografia: f. 35 -38

Trabalho de Graduação em Engenharia de Materiais – Universidade


Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2021.
Orientador: Prof. Dr. Peterson Luiz Ferrandini

1. Ferro fundido. 2. Ferro - Metalurgia. 3. Metalurgia.


I. Título.

CDU 669.13
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus, a minha mãe Elizabeth e a meu pai José Luiz, que
nunca me deixaram faltar nada e sempre me incentivaram no decorrer da faculdade e da vida.
Que não me deixaram desistir nos momentos mais difíceis e que sempre estiveram ao meu
lado.
Gostaria de agradecer também à todos os professores que tive contato na Unesp,
principalmente aos professores do DMT. Um obrigado especial ao Prof. Dr. Miguel Angel
Ramirez Gil que desempenhou seu papel de coordenador com paixão ao longo dos anos em
que estive nessa faculdade, sempre abrindo portas não só para mim, mas para todos os alunos.
Ao Prof. Dr. Peterson Luiz Ferrandini do qual sempre vou me lembrar das aulas
interativas e marcantes e que também me ajudou de forma única na reta final da minha
graduação.
Aos professores que ensinaram pelo exemplo: alguns de como ser e outros de como não
ser, o meu mais sincero obrigado, levarei as lições aqui aprendidas para toda a vida.
À Regina Célia Ferreira da Silva Souza por sua extrema solicitude e amor aos alunos
que a ela recorrem na reta final do curso.
Aos meus colegas de turmas que estiveram dispostos a compartilhar conhecimento e
que se dispuseram a ajudar não só a mim como a outros alunos que tinham dúvida. Sem eles,
eu não chegaria aonde estou hoje. Um agradecimento especial a todos que deixaram o
egoísmo de lado e contribuíram para o crescimento de nosso grupo de estudos da Engenharia
de Materiais.
Aos meus amigos da República Taj Mahal que sempre estiveram ao meu lado durante
esses anos tão complicados e também tão gratificantes. Obrigado por todas as histórias que
passamos juntos.
À minha namorada que nunca deixou de me incentivar nos momentos mais difíceis.
E a todos os funcionários da Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá por
toda a dedicação e atendimento prestados com alegria.
“Eu sou uma parte de tudo, tal como a hora
é uma parte do dia.”
Epicteto
RESUMO

Um dos materiais mais antigos utilizado pelo homem, estima-se que o ferro fundido esteve
presente na história da humanidade há mais de trinta século. Com a chegada da tecnologia e
novos materiais, observou-se a necessidade de verificar a importância atual do ferro fundido
para o mundo.
Esse trabalho tem como objetivo trazer e discutir as perspectivas do ferro fundido ao redor do
mundo. A revisão bibliográfica foi feita através de literatura consolidada e os dados
levantados possuem como fonte periódicos atuais, relatório socioeconômicos e conversas com
profissionais do ramo.
Apesar de novas classes de materiais chegarem ao mercado, a partir das informações
levantadas observou-se que ainda há pesquisas sendo feitas pela indústria junto à academia
para desenvolver ainda mais esse material tradicional. Também foi notado que o volume de
produção desse material tem tido leve crescimento na última década, com algumas oscilações
devido às últimas crises econômicas em países emergentes.

PALAVRAS-CHAVE: Ferro fundido. Perspectiva futura. Indústria metalúrgica.


ABSTRACT

It is estimated that the cast iron, one of the oldest materials used by man, has been presente in
the history of mankind for more than thirty centuries. There was a need to verify the current
importance of cast iron for the world, with the arrival of technology and new materials.
This work aims to bring and discuss possibilities of cast iron arround the world. A
bibliographic review was made by a consolidated literature and the data survey has as source
current journals, socioeconomic reports and conversations with professional in the field.
From the information gathered, it was observed that there is still research being done by the
industry with the academy to further develop this traditional material, although new classes of
materials reach the market. It has also been noticed that the volume of this material
production has grown slighty over the past decade, with some fluctuations due to the last
economic crises in emerging countries.

KEYWORDS: Cast iron. Future perspective. Metallurgical industry.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Levantamento da produção acadêmica referente ao tema "ferro fundido”
Figura 1 – Sistema de classificação da grafita em ferros fundidos ......................................... 11
Figura 2 – Tipos de floco de grafita presentes no ferro fundido cinzento ............................... 13
Figura 3 – Relação entre microestrutura e resistência à tração entre diversos tipos de ferros
fundidos nodulares................................................................................................................... 16
Figura 4 - Ferro fundido vermicular com matriz perlítica ....................................................... 20
Figura 5 – Levantamento da produção acadêmica referente ao tema “ferro fudido”. ............. 27
Quadro 1 – Produtores, em escala global, de ferro fundido. .................................................. 23
Quadro 2 – Produtores, em escala nacional, de ferro fundido................................................. 23
Quadro 3 – Instituições de ensino vinculadas à Tupy para desenvolvimento de pesquisas
relativas à produção e aplicação de ferro fundido ................................................................... 26
Quadro 4 – Volume físico de vendas (toneladas). ................................................................... 30
Quadro 5 – Clientes nacionais e internacionais da Teksid. ..................................................... 32
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABIFA Associação Brasileira de Fundição


ASM American Society for Metals
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................10
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...............................................................................11
2.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DO FERRO FUNDIDO.........................................11
2.2 PRINCIPAIS PROPRIEDADES E APLICAÇÕES DO FERRO FUNDIDO..........12
2.2.1 Ferro fundido cinzento.............................................................................................12
2.2.2 Ferro fundido nodular..............................................................................................13
2.2.3 Ferro fundido branco...............................................................................................16
2.2.4 Ferro fundido maleável............................................................................................18
2.2.5 Ferro fundido vermicular........................................................................................19
2.3 PERSPECTIVA HISTÓRICA ACERCA DA PRODUÇÃO E APLICAÇÃO DO
FERRO FUNDIDO ..................................................................................................20
2.4 CONSTRUÇÃO DO CENÁRIO ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS ACERCA
DO FERRO FUNDIDO............................................................................................21
3 LEVANTAMENTO DE DADOS JUNTO À ACADEMIA................................27
4 LEVANTAMENTO DE DADOS JUNTO À INDÚSTRIA................................29
4.1 HARLO....................................................................... ............................................. 29
4.2 CARNEMI FUNDIÇÃO .......................................................................................... 29
4.3 INDIANÁPOLIS ...................................................................................................... 29
4.4 FUNDIÇÃO ALEA LTDA ...................................................................................... 29
4.5 TUPY.........................................................................................................................29
4.6 TEKSID.....................................................................................................................31
4.7 WHB..........................................................................................................................32
4.8 BENTLER.................................................................................................................32
4.9 BREMBO..................................................................................................................33
4.10 CNH..........................................................................................................................33
5 CONCLUSÃO.........................................................................................................34
REFERÊNCIAS.....................................................................................................35
10

1 INTRODUÇÃO

O ferro fundido é um dos materiais mais tradicionais utilizados pelo homem. Sua gama
de aplicação é extensa devido às ótimas propriedades e preços relativamente baixos
comparado com outros materiais. Apesar da falta de consenso, estima-se que sua descoberta
se deu cerca de 600 a.c. e até o século 18 não foi amplamente utilizado pela humanidade
quando, na Iglaterra, foi descoberto um método de fundir o ferro com carvão de modo que o
manganês conseguia retirar o enxofre que causava piora em suas propriedades. Em
aproximadamente 80 anos através de contínuas melhorias, a indústria foi capaz de produzir
ferro fundido de alta qualidade e com um preço viável economicamente.
Desde então, o ferro fundido passou a ser utilizado para diversas aplicações históricas
como granadas, armas, carros, caminhões, refrigeradores, ar condicionados e até mesmo
aplicado na indústria aeroespacial dos anos 60 (ASM HANDBOOK, vol 15.).
Sua impotância comercial atual se dá na indústria de máquinas e equipamentos,
automobilística, naval, ferroviária e construção civil. Exportado por países como China,
Brasil, Índia, Alemanha, Russia e Austrália, esse metal é responsável por uma fatia do PIB
desses países. Suas oscilações de preço afetam fortemente a economia brasileira que é a
segunda maior produtora de minério de ferro do mundo.
Com a chegada da tecnologia e novos materiais, a indústria recente do ferro fundido tem
visto novos concorrentes de classes distintas que prometem desempenho similares. Esse
trabalho tem como objetivo principal explorar as perspectivas desse material no século XXI e
compreender quais suas possíveis futuras aplicações e como ele se relacionará com a
tecnologia, além de trazer dados acerca do volume de produção atual no Brasil e no restante
do mundo. Como objetivo secundário será explorado um pouco de suas principais
propriedades e aplicações.
11

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DO FERRO FUNDIDO

De acordo com Callister (2002), o ferro fundido corresponde ao grupo de ligas de ferro-
carbono, cujo teor de carbono é superior a 1,8%. Os constituintes da liga afetam
características como a cor desta quando fraturada.
Chiaverini (2008) afirma que há tendência de o ferro fundido ser quebradiço, exceto
para aqueles produzidos com o intuito de serem maleáveis. No geral, o ferro fundido
apresenta ponto de fusão entre 1175 e 1290 ºC, boa fluidez, fundibilidade, excelente
usinabilidade, resistência à deformação, resistência ao desgaste e resistente aos danos de
oxidação.
O ferro fundido é desenvolvido a partir do ferro-gusa, sendo este produto da fusão do
minério de ferro em um alto-forno. Frequentemente, tem-se quantidades substanciais de ferro,
aço, calcário e carbono e são tomadas diversas medidas para remoção de contaminantes
indesejáveis. Via de regra, a liga de ferro fundido é composta por Carbono (C) variando de
1,8 a 4% em peso e silício (Si) 1–3%, sendo que as ligas de ferro com menor teor de carbono
são conhecidas como aço. Se desejado, outros elementos são adicionados ao fundido antes
que a forma final seja produzida por fundição (CALLISTER, 2002).
A classificação do ferro fundido pode ser feita de acordo com a forma, distribuição e
orientação de suas partículas de grafita, conforme a figura 1, sendo que estas afetam
diretamente nas suas propriedades térmicas e mecânicas (FRANCKIN, 2009).

Figura 1. Sistema de classificação da grafita em ferros fundidos.

Fonte: Francklin (2009).


12

2.2 PRINCIPAIS PROPRIEDADES E APLICAÇÕES DO FERRO FUNDIDO

2.2.1 Ferro fundido cinzento

De acordo com Chiaverini (2008) e Callister (2002), o ferro fundido cinzento é


caracterizado por sua microestrutura grafítica, que faz com que as fraturas do material tenham
um aspecto cinza. É o ferro fundido mais comumente usado, cuja utilidade baseia-se em seu
peso. A maioria dos ferros fundidos tem uma composição química de 1,8 – 4,0% de carbono,
1 – 3% de silício e o restante composto por ferro. O ferro fundido cinzento tem menos
resistência à tração e resistência ao choque do que o aço, mas sua resistência à compressão é
comparável ao aço de baixo e médio carbono. Essas propriedades mecânicas são passíveis de
controle em conformidade com a alteração das dimensões e formato dos flocos de grafita
existente na microestrutura e podem ser padronizadas de acordo com as diretrizes fornecidas
pela American Society for Testing and Materials (ASTM)1.
As propriedades do ferro fundido cinzento provêm do resultado do percentual de cada
componente somado ao processo de fundição. Assim, as características gerais e de
desempenho se alteram conforme estas escolhas bem como de acordo com a maneira que os
materiais são despejados no molde e processo usado para fundição e resfriamento, os quais
são determinados de acordo com a finalidade prevista. Quanto às possibilidades de aplicação
do ferro fundido cinzento podem ser desde tamponamentos de esgoto urbano, engrenagens,
componentes hidráulicos, componentes de suspensão automotiva, sistemas de bombeamentos,
ligações e peças de eletrodomésticos, juntas de direção, peças de automóveis de todos os
portes – peças de trator e de caminhão, por exemplo -, carcaças de turbinas eólicas, pesos e
contrapesos, além de bases de máquinas (CHIAVERINI, 2008; CALLISTER, 2002).
Dentre os ferros fundidos existentes no mercado, este é o mais conhecido, sendo esta
popularidade oriunda do baixo custo de produção e, por consequência, de comercialização.
Ademais, as características relativas à ductilidade, resistência à tração, resistência ao
escoamento e resistência ao impacto são aceitáveis para a maioria das aplicações. O ferro
fundido cinzento também é excelente em sua capacidade de amortecer as vibrações, tornando-
o ideal para uso industrial, como para bases de maquinários e para a construção civil.
Entretanto, o ferro fundido cinzento apresenta alta condutividade térmica, ou seja, move o

1
Tradução livre: Sociedade Americana de Testes e Materiais.
13

calor com mais facilidade através do metal, característica que limita suas aplicações
(CHIAVERINI, 2008; CALLISTER, 2002).
A estrutura do ferro fundido cinzento é composta por uma matriz com flocos de grafita
dispersas e essa concentração, tamanho e quantidade de grafita definem as propriedades finais
do ferro. De acordo com ASM International (1990), Há cinco tipos de flocos de grafita que
são subdivididas pelas letras de A até E conforme a figura abaixo:

Figura 2. Tipos de floco de grafita presentes no ferro fundido cinzento.

Fonte: ASM Handbook (1990).

O tipo A apresenta orientação aleatória e distribuição uniforme, o tipo B apresenta o


padrão rosette e orientação aleatória, o tipo C possui orientação aleatória e tamanho de floco
sobreposto, o tipo D apresenta segregação inter dendrítica e orientação aleatória e o tipo E
apresenta orientação definida e segregação inter dendrítica (ASM HANDBOOK, vol 1.).
As fundições de ferro cinzento também são comumente lembradas pela alta capacidade
em suportar ciclos térmicos, sendo que a ciclagem térmica é aquela em que componente vai e
volta entre as temperaturas extremas quentes e frias. Embora a ciclagem térmica possa criar
estresse e falha prematura em alguns tipos de peças fundidas de metal, o ferro cinzento possui
alto suporte à deformação oriunda da ciclagem térmica e não se deforma tanto quanto outros
tipos de ferro fundido. Apesar de o ferro fundido cinzento apresentar menos resistência à
tração e resistência ao choque do que a maioria das outras peças fundidas, este possui
resistência à compressão comparável ao aço de baixo e médio carbono, sendo estas
propriedades mecânicas controladas pelo tamanho e forma dos flocos de grafita presentes na
microestrutura (CHIAVERINI, 2008; CALLISTER, 2002).

2.2.2 Ferro fundido nodular

Segundo Cardoso et al. (2010), o ferro fundido nodular, também conhecido como ferro
fundido com grafita esferoidal, é um tipo de ferro fundido rico em grafita, cuja descoberta
14

datou o ano de 1943 e foi feita por Keith Millis. Enquanto a maioria das variedades de ferro
fundido possuem baixa resistência à tensão, o nodular, em geral, apresenta maior resistência
ao impacto e à fadiga, devido às inclusões de grafita nodular em forma de esferóides. Sabe-se
que os esferóides possuem melhor fluidez na matriz da microestrutura grafítica quando
comparados aos flocos de grafita, de forma a proporcionar maior resistência e tenacidade
quando comparado ao ferro fundido cinzento. A formação de nódulos ou esferóides ocorre
quando a grafita da mistura eutética se separa do ferro fundido, durante a solidificação, em
formato nodular. Esta segmentação é semelhante à separação da grafita no ferro fundido
cinzento, exceto nos casos em que os aditivos facilitam a grafita a assumir esta forma.
Já Konoplyuk (2010) ressalta que o ferro fundido nodular é um material que tem
encontrado número crescente de aplicações na indústria automotiva durante a última década,
já que possui resistência estática comparável aos aços fundidos e maior resistência à fadiga e
ductilidade do que os ferros fundidos cinzentos. A moldabilidade e a usinabilidade são
características positivas deste material, correspondendo à alternativa econômica para
componentes de tensão média e para casos em que há aplicações críticas de segurança. Além
disso, pode haver a acréscimo de 30% ou mais no custo do componente quando o ferro
nodular é substituído por aço fundido ou forjado.
O ferro nodular é, no entanto, um material que pode apresentar avarias em sua estrutura,
como escória, defeitos de superfície e microporos de retração, os quais podem levar a
rachaduras de maior proporção. O grau em que esses diferentes defeitos influenciam na vida
útil de um componente ainda é aspecto a ser investigado, abrindo, inclusive, precedentes para
pesquisas acadêmicas e científicas. O ferro fundido nodular é produzido diretamente do ferro
fundido, a partir do acréscimo de magnésio ou cério na fundição e não requer tratamento
térmico. Sua matriz pode ser composta por ferrita, perlita, austenita, martensita ou bainita,
dando assim subclassificações para esse tipo de ferro fundido. O mais recente avanço no
assunto trouxe que a matriz do ferro fundido nodular do tipo perlita pode ser substituído pela
bainita, microconstituinte obtida por transformação isotérmica da austenita em temperaturas
abaixo das quais a perlita se forma, propiciando mais uma opção de componente matricial
(CARDOSO et al., 2010; KONOPLYUK, 2010).
Segundo Maluf (2006), os ferros fundidos nodulares podem ser subclassificados de
acordo com a fase de sua matriz podendo ser:

i) Nodular Ferrítico: Caracterizados por nódulos de grafitas em uma matriz


ferrítica, costumam apresentar boa ductilidade, alta resistência ao impacto e
15

resistência à tração e ao escoamento similares à um aço baixo carbono.


Durante o processamento desse ferro fundido, é aconselhado realizar o
tratamento térmico de recozimento a fim de otimizar as propriedades de
ductilidade e tenacidade a baixas temperaturas.
ii) Nodular Perlítico: O ferro fundido nodular perlítico é um ferro fundido em
que seus nódulos estão envolvidos por uma matriz perlítica, que conferem alta
resistência à tração, ao desgaste, moderada ductilidade e resistência ao impacto
e melhor usinabilidade do que aços de propriedades similares.
iii) Nodular Ferrítico-Perlítico: É o tipo de ferro fundido nodular mais comum e
são frequentemente obtidos sem a realização de tratamentos térmicos. Seus
nódulos de grafita estão contidos em uma matriz de ferrita e perlita e suas
propriedades são intermediárias entre os tipos ferríticos e perlíticos,
apresentando boa usinabilidade e como não necessitam de tratamentos
térmicos, baixo custo de produção.
iv) Nodular Martensítico: Pode ser obtido através da adição de elementos de liga
que evitam a formação de perlita e deslocam a curva TTT para a direita.
Também é possível fabricar ferros fundidos nodulares martensíticos através de
tratamentos térmicos como a têmpera e o revenimento. A matriz martensítica
confere elevada resistência à tração e ao desgaste ao passo que abaixa
drasticamente a ductilidade e tenacidade do material.
v) Nodular Bainítico: Da mesma forma que o nodular martensítico, o ferro
fundido nodular bainítico pode ser obtido através de tratamentos térmicos e/ou
adição de elementos de liga. Tudo depende dos parâmetros em que são
realizados os tratamentos térmicos. Essa fase confere alta dureza e uma
excelente resistência ao desgaste.
vi) Nodular Austenítico: Ao se adicionar elementos de liga e aumentar a
velocidade de resfriamento durante a cristalização, é possível obter o ferro
fundido nodular austenítico. Esse tipo de ferro fundido apresenta boas
resistências à corrosão, oxidação e tração, não são magnéticos e não se dilatam
à altas temperaturas, sendo estáveis dismensionalmente.
vii) Nodular Austemperado: A ultima subclasse de ferro fundido nodular é o
nodular austemperado, que possuí esse nome devido à presença de uma
microestrutura particular denominada ausferrita, que se expressa em ferrita
acicular e austenita retida. Essa microestrutura, confere ao ferro fundido uma
16

particular e excelente combinação de altas resistências à tração, fadiga,


desgaste ao mesmo tempo em que possui boa tenacidade. Para se obter esse
tipo de ferro fundido, é necessário submeter um ferro fundido nodular
tradicional ao processo de austempera.

Figura 3. Relação entre microestrutura e resistência à tração entre diversos tipos de ferros
fundidos nodulares.

Fonte: Maluf (2006).

Quanto à aplicação do ferro fundido nodular, nota-se sua presença com recorrência na
construção civil e urbana, para a produção de tubos hidráulicos e de esgoto. Concorre com
materiais poliméricos como policloreto de vinila (PVC), polietileno de alta densidade
(HDLE), polietileno de baixa densidade (LDPE) e polipropileno que, apesar de serem muito
mais leves que o aço ou o ferro fundido nodular – aspecto positivo –, possuem maior
fragilidade e requerem proteção contra danos físicos – aspecto negativo. Nota-se a presença
também, como já citado, em componentes automotivos, onde a resistência supera a do
alumínio e em peças de alta resistência, como bombas de poços de petróleo. Na indústria de
energia eólica, o ferro fundido nodular também é bastante presente, já que, de forma geral, é
um material adequado para formas grandes, complexas e altas cargas (ibid.)

2.2.3 Ferro fundido branco

Santos (2000) coloca que ferro fundido branco é um tipo de liga de ferro-carbono que
contém teor de carbono superior a 2% na forma de cementita. Sua nomenclatura deriva da
presença de superfície branca causada por impurezas de carboneto e permite rachaduras em
todo o metal. O menor teor de silício, responsável pela grafitização do carbono, combinado
com resfriamento mais rápido torna possível a precipitação de cementita do ferro fundido
17

branco, na fase metaestável, como produto substituto à grafita. A cementita precipitada cria
grandes partículas na forma de mistura eutética; enquanto em fase secundária a austenita que
pode se transformar em martensita ao resfriar.
Este tipo de ferro fundido é considerado bastante frágil para ser usado em componentes
estruturais, mas, devido às propriedades de dureza, resistência à abrasão e baixo custo, é uma
escolha aceitável para aquelas aplicações onde a resistência ao desgaste é desejável. O ferro
fundido branco tem alta resistência à compressão e ao desgaste. Aqueles de alta liga são
usados, principalmente, para condições severas de abrasão e erosão, já que demonstram
resistência à corrosão de razoável a excelente quando níveis relativamente altos de cromo e
outros elementos de liga estão presentes (SANTOS, 2000).
Guesser (2009) O ferro fundido branco pode ser classificado em três categorias:

i) Ferro fundido branco normal, que contém os elementos Si, C, Mn, S e P, sem
outros elementos de liga;
ii) Ferro fundido branco de alta liga, onde a fração de massa total dos elementos de
liga é superior a 5%;
iii) Ferro fundido branco de baixa liga, onde a fração de massa total dos elementos de
liga presentes é inferior a 5%.

Aqueles da categoria relativa aos “normais” apresentam estrutura de carboneto de ferro


duro e quebradiço e são limitados em aplicações pela falta de resistência ao impacto e
dificuldade de manutenção da estrutura em seções mais espessas. Em alguns casos, as peças
fundidas são projetadas e produzidas para ter estrutura branca em certas áreas e estrutura de
ferro fundido cinzento ou nodular em outros pontos para melhorar a tenacidade. Nesses casos,
as aplicações restringem-se a componentes resistentes à abrasão sem requisitos de fundição,
especialmente com resistência ao desgaste, e fabricação de peças fundidas maleáveis
(SANTOS, 2000; GUESSER, 2009).
O ferro fundido branco de alta e baixa liga apresentam maior dificuldade de
solidificação durante o resfriamento rápido e portanto, costuma utilizar esse tipo de
resfriamento apenas na superfície, enquanto o núcleo é resfriado mais lentamente. A fundição
resultante apresenta benefícios que incluem superfície rígida e interior mais resistente e,
portanto, encontra aplicação em bombas de polpa - bombas centrífugas pesadas e robustas,
capazes de lidar com tarefas difíceis e abrasivas -, anéis em pulverizadores de carvão, bombas
de dragagem, peças de triturador de mineração, forros de moinho de bolas para moagem,
18

triturador de rolo, formas de britagem, grelhas de jateamento e dentes da caçamba de


escavação de retroescavadeira (SANTOS, 2000; GUESSER, 2009).

2.2.4 Ferro fundido maleável

O ferro fundido maleável é obtido a partir do ferro fundido branco, quando submetido
tratamento térmico de grafitização (CHIAVERINI, 2002). Santos (2000) afirma que o ferro
fundido maleável é uma liga de ferro-carbono tratada termicamente, que solidifica na
condição de fundido com uma estrutura livre de grafita, ou seja, o teor total de carbono está
presente na forma de cementita (Fe3C). São especificados dois grupos de ferro fundido
maleável (ferro fundido maleável de coração branco e coração negro), diferenciados pela
composição química, temperatura e ciclos de tempo do processo de recozimento, a atmosfera
de recozimento e as propriedades e microestrutura daí resultantes.
A composição química do ferro maleável, geralmente, é de carbono com presença de
2,16 - 2,90%; silício, 0,90 - 1,90%; manganês, 0,15% - 1,25%; enxofre, 0,02% - 0,20%;
fósforo, 0,02% - 0,15%. Além disso, pequenas quantidades de cromo (0,01 a 0,03%), boro
(0,0020%), cobre (≤ 1,0%), níquel (0,5 a 0,8%) e molibdênio (0,35 a 0,5%) também podem
estar presentes (GUESSER, 2009).
Quanto às características, o ferro fundido maleável, como o ferro fundido nodular,
possui ductilidade e tenacidade consideráveis devido à combinação de grafita nodular e matriz
metálica de baixo carbono. Devido à forma como a grafita é formada no ferro maleável, os
nódulos não são verdadeiramente esféricos como no ferro dúctil, mas são agregados de forma
irregular. O ferro maleável e ferro dúctil são usados para algumas das aplicações nas quais a
ductilidade e a tenacidade são importantes. Em muitos casos, a escolha entre eles é baseada na
economia ou disponibilidade, e não nas propriedades em si. Em certas aplicações, entretanto,
o ferro maleável tem uma vantagem distinta que o faz ser preferível para fundições de seção
fina, como nos casos de peças que devem ser perfuradas, cunhadas ou moldadas a frio, peças
que requerem máxima usinabilidade, peças que devem reter boa resistência ao impacto em
baixas temperaturas, e peças que requerem resistência ao desgaste (SANTOS, 2000;
GUESSER, 2009).
Já as características da composição para componentes resistentes à abrasão são alto
carbono e baixo silício, de modo a aumentar a quantidade de carbonetos para melhorar a
resistência ao desgaste. No entanto, o produto químico da composição para gerar fundições de
19

ferro maleável contêm maior silício e menor teor de carbono, de forma a acelerar a
grafitização durante o processo de recozimento e melhorar a morfologia resultante.

2.2.5 Ferro fundido vermicular

Conforme colocado por Guesser (2009), o ferro fundido vermicular, comumente


chamado de Compacted Graphite Iron (CGI), foi obtido em decorrência de erros na
composição química na produção do ferro fundido nodular. No ferro fundido vermicular,
patenteado em 1965, encontram-se microestruturas com grafitas em forma de veios ao invés
da forma esférica esperada dispostas em matriz perlítica ou ferrítica/ perlítica. Devido à
composição da perlita, composta por lamelas de Fe3C, a matriz é reforçada, dura e resistente.
A ausência de processo confiável para produção do ferro fundido vermicular em grande
escala fez com que, até a década de 90, o uso industrial deste material não fosse recorrente.
No início dos anos 90, com a criação de processos de controle do metal líquido, permitiu-se a
ascensão do uso deste material. Com isso, nos dias atuais, nota-se grande presença do ferro
fundido vermicular na indústria automobilística, principalmente para a fabricação de coletores
de escapamento, cabeçote e blocos de motores diesel (GUESSER, 2009).
Segundo as normas ASTM A247 e ISSO 945: 2008, suas características são
intermediárias entre o ferro fundido cinzento e o ferro fundido nodular, conferindo melhor
usinabilidade e maior resistência mecânica do que o ferro fundido cinzento ao mesmo tempo
que apresenta certa ductilidade. Em comparação com o ferro fundido nodular, ele apresenta
maior capacidade de amortecimento, condução térmica e melhor usinabilidade
(CHIAVERINI, 2002)
Ainda segundo CHIAVERINI (2002), as características se devem à grafita que aparece
de forma mais arredondada e grosseira (Figura 4), de tal modo em que se pode considerar sua
estrutura como uma intermediária entre os ferros fundidos cinzento e nodular.
20

Figura 4. Ferro fundido vermicular com matriz perlítica a) aumentado 500 vezes e b)
aumentado 1000 vezes.

Fonte Massirer Junior do autor (2011).

2.3 PERSPECTIVA HISTÓRICA ACERCA DA PRODUÇÃO E APLICAÇÃO DO FERRO


FUNDIDO

De acordo com Monticelli (1994), para que se compreenda o histórico da produção e


aplicação do ferro fundido, seja na indústria como na construção civil, é necessário que se
conheça o histórico relativo ao processo de fundição, sendo este correspondente à “fabricação
de peças metálicas por meio do preenchimento, com metal líquido, de um molde cuja
cavidade apresenta dimensões similares às da peça que se deseja produzir.” (MONTICELLI,
2004, p. 12).
Loper (2003) destaca que, apesar da forte presença do minério de ferro na natureza, a
primeira fundição de ferro corresponde a um tripé com quase 300 kg, data 600 a.C. e foi
encontrado na China. Já Ribeiro (2008) afirma que em 1000 a.C, os chineses já produziam
inúmeras peças de ferro fundido por meio de fornos de carvão à sopro. Nesta época, o ferro
fundido apresentava baixa resistência à fratura; característica que, com a inserção de carvão
durante a fusão, foi superada.
Entre 250 e 100 a.C., a fundição do ferro tornou-se mais corriqueira e usada para
produtos do cotidiano, como machados, ferramentas, canos e armamento. Apesar desta
expansão no uso, não fora notada mudanças evolutivas no processo de fundição nos séculos
seguintes (RIBEIRO, 2008).
Com o advento da Ciência, no início do século XVII, ocorreram os primeiros estudos
científicos e promoveu o aumento da resistência dos metais à ruptura bem como inovações no
método produtivo, com a inserção de carbono do ferro gerando o aço. Já no século XVIII,
houve o aprimoramento de técnicas de enriquecimento de carbono, tratamento a quente, por
21

exemplo, promovendo a melhoria das propriedades do ferro, além da criação de novos tipos,
como o ferro fundido maleável, ferro fundido branco e ferro fundido cinzento (RIBEIRO,
2008).
Já no século XX, principalmente no período da Segunda Grande Guerra, houveram
avanços emblemáticos na produção do ferro fundido, como a possibilidade de controle da
morfologia da grafita na solidificação propiciando melhores e distintas propriedades ao
produto final, de forma a ampliar as possibilidades de uso (RIBEIRO, 2008).
No Brasil, assim como em outros países, o ferro fundido teve grande papel para a
economia perpassando o período da mineração e até o predomínio industrial. Nota-se forte
atuação também no campo referente à construção civil urbana e estrutural. De acordo com
Bethell (2002), as primeiras casas de fundição eram destinadas à comercialização de ouro
com presença em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia, as quais, com o passar do
tempo, foram substituídas pelos altos-fornos. A demanda para construção de ferrovias e
portos fez com que se expandisse a construção de oficinas metalúrgicas, estabelecendo a
importância deste setor. Por fim, nos anos 1950, com a indústria automobilística e a
construção de Brasília, a metalurgia tomou espaço na economia nacional.

2.4 CONSTRUÇÃO DO CENÁRIO ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS ACERCA DO


FERRO FUNDIDO

Para que se compreendam as perspectivas futuras da indústria do ferro fundido, é crucial


que se entenda a situação atual desta. Conforme informações do Modern Casting (2018)2, a
produção global de fundidos é de 90.000.000 de toneladas por ano, sendo que, desde 2006, a
produção tem alcançado valores superiores a este número, com exceção do ano de 2009 em
decorrência da crise financeira. No período entre 2000 e 2008, notou-se crescimento de 4,5%
ao ano; valor reduzido a 2,5% em 2009 por motivos econômicos, mas que tomou forças no
ano subsequente atingindo o patamar de 90 milhões de toneladas produzidas.
Esta retomada está diretamente relacionada à recuperação econômica dos países
emergentes, já que estes possuem uma fatia significativa na produção mundial. A queda havia
sido ocasionada pelas consequências da crise econômica, as quais afetaram diretamente a
indústria automotiva e metal-mecânica, grande cliente da indústria metalurgica. Como
exemplo, pode-se citar a redução da produção comercial de veículos pesados, no qual o ferro

2
Disponível em: https://www.moderncasting.com/issues/december-2018. Acesso em: 10 jan. 2021.
22

fundido é componente basilar, em 40% nos Estados Unidos da América, 50% no Japão e 65%
na Europa (MODERN CASTING, 2018).
Nesse sentido, vale destacar a importância desempenhada pelos países emergentes na
produção de ferros fundidos, tanto pela ascensão econômica como pelas restrições de cunho
ambiental e fiscal existente nos países desenvolvidos. Este cenário propiciou o crescimento da
indústria de ferro fundido na China, com predomínio de mais de 1/3 da produção, tomando
frente a Rússia e aos Estados Unidos - líder até final da década de 1990. Além da exportação,
os ferros fundidos oriundos da China são aplicados na infraestrutura urbana, siderurgia e
indústria automotiva. Conforme dados trazidos pela Associação Brasileira de Fundição
(ABIFA)3, o ferro fundido chinês apresenta alta qualidade e preço competitivo, em
decorrência dos investimentos para melhoria produtiva, mão de obra barata e percentual de
carga tributária menor.
Quanto ao mercado consumidor, sabe-se que, em escala global, a indústria automotiva
representa 40% do consumo total das vendas; já no Brasil, este percentual corresponde a 58%
do consumo do ferro fundido. Em decorrência deste uso intensivo, as montadoras automotivas
têm fundições cativas - produção em série, automatizada e em grandes quantidades de cada
item - que possuem como prioridade a demanda com esta finalidade. O consumo destinado
aos blocos e cabeçotes também é bastante expressivo: no Brasil, 41% da demanda possui este
fim (ABIFA, 2019).
No que se refere ao porte das empresas atuantes, cabe ressaltar que, de acordo com a
ABIFA (2019), cerca de 90% da indústria de fundição é composta por micro, pequenas e
médias empresas, sendo 97% de capital nacional. Entretanto, estas empresas de menor porte
retornam parcela produtiva pequena e nota-se a detenção da produção global em baixa
quantidade de produtores globais, os quais seguem listados no Quadro 1, em conformidade
com a modalidade de atuação. A nível nacional, destacam-se as empresas listadas no Quadro
2.

3
De acordo com o site eletrônico da ABIFA, esta corresponde à entidade representativa do setor de fundição no
Brasil desde 1969. A entidade “compromete-se com o desenvolvimento das empresas de fundição em todo o
território nacional, intercedendo junto a órgãos do governo em prol de políticas econômicas e sociais que
favoreçam toda a cadeia de fundição. Para a promoção do desenvolvimento técnico e comercial do setor,
mantém um estreito relacionamento com câmaras setoriais e entidades de classe que representam os interesses
dos potenciais compradores de fundidos no Brasil e no exterior, sendo inclusive uma das associadas à BRICS
Foundry Association (BFA)” (ABIFA, s.p.). Disponível em: https://www.abifa.org.br/. Acesso em: 10 jan. 2020.
23

Quadro 1 - Produtores, em escala global, de ferro fundido.


Blocos e cabeçotes Veículos de passeio/ peças de suspensão
Tupy Fagor
Teksid WHB
Intercast Sada
WHB Balancins
Veículos comerciais e agrícolas/ peças Veículos de passeio/ peças de freio
Schulz Hubner WHB
Frum Fagor Sada
BR Metals Intercast Brembo
Ferrabras Romi
Fundimisa
Fonte: Elaborado pelo autor com base em levantamento realizado pela ABIFA (2019).

Quadro 2 - Produtores, em escala nacional, de ferro fundido.

INDEPENDENTES CATIVAS
Blocos e cabeçotes Blocos e cabeçotes
Cifunsa Ford (Cleveland)
Technocast GM (Defiance)
Teksid
NAFTA

Dalton Foundries
Outros Outros
Waupaca Caterpillar
Motor Casting John Deer
Blocos e cabeçotes Blocos e cabeçotes
Fritz Winter Daimler
Eisenwerk Bruhl Peugeot
Halberg Guss MAN
EUROPA

Luzuriaga Scania
Teksid Volvo Powertrain
Corra
Doktas
Erkunt

Fonte: Elaborado pelo autor com base em levantamento realizado pela ABIFA (2019).
24

Quanto à indústria brasileira de ferros fundidos, esta corresponde a, em média,


3.000.000 de toneladas anuais, fazendo com que o Brasil ocupe a décima posição no ranking
mundial. Esta indústria propicia cerca de 55.000 empregos diretos com incremento de,
aproximadamente, 0,1% ao ano (ABIFA, 2019).
Entre a década de 70 e 80, o Brasil apresentou forte crescimento produtivo - de 700.000
toneladas em 1970 para 1.800.000 toneladas em 1980 - em decorrência dos investimentos em
infraestrutura urbana e crescimento da indústria automotiva. Apesar desta crescente, a crise da
dívida externa, reduziu em demasia os investimentos nacionais, fazendo com que a produção
de ferro fundido interna se mantivesse em, aproximadamente, 1.500.000 de toneladas ao ano
(ibid).
Este cenário alterou-se a partir do século XXI, em que o crescimento constante fez com
que a produção atingisse os patamares atuais. Como já mencionado, a crise financeira de
2008, afetou diretamente a produção brasileira, retornando aos valores anteriores ao ano 2000.
A causa principal deste cenário foi a queda do mercado automotivo mundial, gerando pressão
em seus fornecedores - indústria de ferro fundido - para redução de preços e suspensão de
encomendas. Vale destacar que este cenário trouxe consequências para a oferta de mão de
obra que, desde 1970, acompanha o ritmo produtivo e os investimentos em inovações e
automatização para ganho de produtividade e redução de mão de obra humana (ibid).
A partir de 2010, com o reaquecimento da economia, o desempenho da produção da
indústria de ferro fundido cresceu em 45% com crescimento do faturamento em 47%. Além
disso, o total de empregos na metalurgia foi de 52.000, em 2009, para 61.000, em 2010.
Conforme dados da ABIFA (2019), este incremento teve como estímulo principal o aumento
da produção de caminhões e ônibus, oriundos das linhas de crédito, com abastecimento dos
fabricantes de componentes automotores, autopeças e as próprias montadoras de automóveis,
caminhões, ônibus e tratores Já nos dias atuais, pode-se notar a constância no crescimento da
indústria de ferro fundido, fato notório ao se analisar as taxas relativas ao incremento da
produção: em 2019, houve crescimento de 7% da produção em relação ao ano anterior; em
2018, de 9,4%; já em 2017, de 3%.
Sabe-se que, nos dias atuais, o Brasil ocupa a posição de 10º lugar no ranking
internacional de produção de fundidos. A liderança é ocupada pela China seguida da Índia e
EUA, os quais corresponde ao total de 70% da produção mundial e 73.000.000 t/ ano. A
produção brasileira de peças fundidas passou por forte aumento pelo terceiro ano consecutivo,
com produção anual de 2.280.000 t em 2019. Este valor evidencia o crescimento produtivo de
8,8% em relação a 2016, 6,5% sobre 2017 e de 0,8% em relação a 2018. A liderança no setor
25

pertence ao ferro fundido com produção de 1.840.000 t, seguido do aço - 259, 2 mil t - e dos
metais não ferrosos - 192 mil t. Ao comparar com o ano anterior, o principal crescimento
decorreu da produção do aço (+6,6%), seguido do ferro fundido (+0,5%); já a produção de
metais não ferrosos caiu em 3,7%. (ibid).
Notou-se também que as exportações de ferro fundido caíram 9% em peso e 13,1% em
valores; entretanto, estas têm permanecido constantes tendo como os EUA o principal cliente
externo brasileiro, cujo destino é a indústria automobilística (ibid).
Já, conforme o Relatório de Desempenho do Setor de Fundição da ABIFA (2020), o ano
de 2020, assolado pela crise suscitada pelo Coronavírus, apresentou produção total de ferro
equivalente a 1.622.153 t, 11,7% menor do que a quantidade produzida em 2019 - 1.837.766
t. Esta redução foi também reflexo na queda da demanda externa, cuja exportação reduziu em
29,7%, de 228.872 para 325.549 no mesmo período (ABIFA, 2020). Nota-se, portanto, que as
taxas de crescimento constantes foram impactadas pelo contexto contemporâneo ao
desenvolvimento desta pesquisa, seja para o mercado interno como externo. Apesar disso, o
cenário mantém-se positivo, principalmente, em decorrência dos investimentos por parte do
governo federal bem como a desoneração da folha de pagamentos e Reforma Previdenciária
(USINAGEM BRASIL, 2020).
Além dos aspectos gerais, anteriormente à pandemia do Covid-19, as perspectivas
futuras acerca da indústria e aplicação do ferro fundido concentram-se nas novas
possibilidades de uso. Como exemplo, pode-se citar que, de acordo com Feres (2018), a
substituição do aço carbono por barras de ferro fundido nodular tem se mostrado excelente
alternativa para obtenção de menores custos de fabricação e maior produtividade. Esta vem
em decorrência da melhor usinabilidade do ferro fundido nodular, pela presença de carbono
livre em forma de grafita, o que facilita a quebra do cavaco, bem como atua como lubrificante
da ferramenta de corte. A presença de grafita também é responsável pela menor densidade
(10% menor que a do aço), pela maior condutividade térmica e pela maior absorção de
vibrações (menor ruído) (ibid).
Neste sentido, vale destacar o forte desempenho de grandes empresas nacionais na
busca de aprimoramentos quanto à produção e aplicação do ferro fundido. Na empresa Tupy,
por exemplo, este ímpeto é notado através do setor de Inovação da empresa, responsável pela
promoção de parcerias com o meio acadêmico em prol da associação da pesquisa à produção
industrial, através, principalmente, do desenvolvimento tecnológico. Esta junção de
potencialidades vem de longa data: a parceria entre a companhia e o Centro de Pesquisas e
Desenvolvimento da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (CPD/ POLI-USP)
26

ocorre desde 1972 com enfoque nos aprimoramentos em metalurgia e tecnologia da fundição.
Esta parceria deu origem, em 1996, ao citado setor, cujo cerne fora construído com time de
profissionais oriundos do CPD/ POLI-USP (TUPY, 2017).
Nos dias atuais, a empresa possui parcerias com 10 entidades de pesquisas nacionais e
12 internacionais (Quadro 3), além da participação de mais de 50 pesquisadores, dentre
mestres e doutores, no quadro de funcionários. Ademais, vale destacar que se encontra em
andamento o pedido de 12 patentes no Brasil e 9 no exterior, além da solicitação de concessão
de 6 novas marcas no Brasil e 8 no exterior.

Quadro 3 - Instituições de ensino vinculadas à Tupy para desenvolvimento de pesquisas


relativas à produção e aplicação de ferro fundido.

PAÍS INSTITUIÇÃO DE PESQUISA PAÍS INSTITUIÇÃO DE PESQUISA


Universidade de São Paulo - Campus
The Ohio State University
São Paulo
USA
Universidade de São Paulo - Campus
University of Nothern Iowa
São Carlos
Universidade Federal de Uberlândia França Université de Toulouse
Universidade do Estado de Santa
Suécia Jönköping University
Brasil

Catarina
Universidade Técnica Federal do
BAM
Paraná Alemanha
Instituto Tecnólogo de Aeronáutica Fraunhofen Institute
Universidade Estadual de Campinas Inglaterra Cranfield University
Instituto de Pesquisas Tecnológicas Universidad Autónoma de Coahuila
México
Instituto SENAI Cinvestav
México Instituto Tecnológico de Saltillo
TQC Technologies Espanha
Espanha
Azterlan Espanha

Fonte: Elaborado pelo autor com base no Relatório Socioeconômico e Ambiental da Empresa Tupy (2017)
27

3 LEVANTAMENTO DE DADOS JUNTO À ACADEMIA

A partir de levantamento realizado por meio da plataforma de pesquisa científica


nacional e internacional Google Scholar, desenvolveu-se o gráfico contido na Figura 5 com a
quantificação de publicações referentes a estudos atrelados ao tema “ferro fundido”. Notou-se
que, no escopo analisado – artigos científicos de publicação que se enquadram no padrão
Qualis Periódicos, dissertações de Mestrado e teses de Doutorado –, a predominância de
estudos refere-se à aplicação desta liga de ferro em âmbito industrial.

Figura 5 - Levantamento da produção acadêmica referente ao tema "ferro fundido".

Fonte: Elaborado pelo autor com base em pesquisa e depuração de dados obtidos
através do site eletrônico Google Scholar (2021).

Para compreensão das perspectivas futuras acerca do ferro fundido, de acordo com o
viés das pesquisas científicas e acadêmicas, foram encontradas diversas frentes, sendo que a
principal delas refere-se às diversas possibilidades de melhorias no desempenho e aplicação
do ferro fundido nodular. As principais abordagens a respeito deste tipo de ferro tangem a
28

possibilidade da nitretação do ferro fundido nodular por descargas elétricas bem como a
iônica (MAJEROVÁL et al., 2006); desenvolvimento de software para cálculo da densidade
da grafita do ferro nodular através de Processamento Digital de Imagens além da análise das
mudanças da grafita em aplicações específicas, como discos de freios (PEIXOTO et al.,
2015); avaliações de tratamentos térmicos de austêmperas com adições de outros elementos
químicos e ferro fundido nodulares de classes específicas (FEISTE et al., 2002); estudos da
morfologia e dureza a partir da microindentação Vickers do ferro fundido nodular
(TEIXEIRA et al., ‘2015); dentre outros aspectos.
Além disso, há abordagens que estudam o desenvolvimento de ferro fundido
austemperado (ADI) em banho de zinco-alumínio (FRANÇA ei al., 2015); estudo da
aplicabilidade de ferramentas refrigeradas internamente na usinagem de ferro fundido
cinzento (GUESSER et al., 2016); estudo da soldabilidade do ferro fundido dúctil SiboDur®
700 (BAZON, 2020); estudo do processo de rosqueamento interno de ferro fundido cinzento
utilizando diferentes sistemas de indexação de machos de corte (DINIZ, 2018); avaliação da
influência exercida pelo estágio de vida de uma ferramenta precidor sobre os esforços de
usinagem e qualidade de furos em ferro fundido (FREITAS, 2018); dentre outras temáticas.
29

4 LEVANTAMENTO DE DADOS JUNTO À INDÚSTRIA

4.1 HARLO

A empresa Harlo, com atuação desde 1938, é pioneira na fundição de ferro fundido
cinzento e nodular com capacidade de produção de peças com até 5 e 1,5 toneladas,
respectivamente. Já a capacidade produtiva anual alcança a 50.000 toneladas (HARLO, s.d.).

4.2 CARNEMI FUNDIÇÃO

Carnemi Fundição, fundada em 1976, inicialmente atuando no setor de usinagem,


desenvolveu-se na década de 80 atuando também no seguimento de fundição de ferro fundido
nodular e cinzento (CARNEMI, s.d.). A capacidade instalada é superior a 400 toneladas /mês,
sendo esta atingida nos 3 últimos anos (informação verbal)4.

4.3 INDIANÁPOLIS

A empresa Indianápolis possui mais de 50 anos no mercado de usinagem de ferro


fundido. A capacidade instalada corresponde a 120 toneladas/mês de peças usinadas, por
turno de trabalho (INDIANÁPOLIS, s.d.).

4.4 FUNDIÇÃO ALEA LTDA

A Fundição Álea Ltda, fundada em 1991 possui planta com total de 10000 m², sendo
5000 m² cobertos, com capacidade produtiva de 600 toneladas por mês (ALEA, s.d.).

4.5 TUPY

A empresa TUPY destaca-se, nacional e internacionalmente, pela alta capacidade


produtivo de peças de ferro fundido, com capacidade produtiva de 835 mil toneladas anuais
(TUPY, s.d.).

4
Fala do funcionário na empresa Carnemi Fundição, telefone (16) 3761-5976, em 08 fev. 2021.
30

Com base no Relatório Socioeconômico e Ambiental da Empresa TUPY, fora notado


forte avanço nos resultados de 2017 em decorrência, principalmente, do crescimento em 13%
do volume físico de vendas em relação a 2016, gerando o total de 554,5 mil de toneladas e R$
3,7 bilhões de receitas líquidas. No mercado interno esta expansão ocorreu pelo incremento
das exportações das montadoras brasileiras, além do incremento de licenciamentos no
mercado domésticos, gerado pela redução de juros, melhoria na relação de confiança com os
consumidores finais e reposição dos bens duráveis. Já no mercado externo, o crescimento é
justificado pelo aumento da demanda pela produção de veículos comerciais leves e utilitários,
em primeiro lugar, e aumento, em menor proporção, da produção de veículos comerciais
médios e pesados. Notou-se também a elevação dos investimentos na área da mineração que
repercutiu na venda de material base para renovação dos maquinários e equipamento; o
mesmo foi notado para segmento de óleo e gás.
No Quadro 4, seguem os números referentes ao ano de 2017 e 2016, expressos pelo
volume físico em toneladas, além da taxa de variação comparando-os.

Quadro 4 - Volume físico de vendas (toneladas).

VOLUME FÍSICO DE VENDAS - EM TONELADAS


2017 2016 VARIAÇÃO
MERCADO INTERNO 109.805 98.525 11,4%
Transporte, infraestrutura e agricultura 91.306 80.724 13,10%
Hidráulico 18.499 17.801 3,90%
MERCADO EXTERNO 444.674 391.979 13,40%
Transporte, infraestrutura e agricultura 427.564 391.979 13,40%
Hidráulico 17.110 14.347 19,30%
VENDAS FÍSICAS TOTAIS 554.479 490.504 13,00%
Fonte: Elaborado pelo autor com base no Relatório Socioeconômico e Ambiental da Empresa Tupy (2017).

Ao se estudar, geograficamente, a distribuição do volume físico de vendas e, por


consequência, a origem da receita da empresa, nota-se que 63% destas decorreram de
negócios na América do Norte. Na sequência, Américas do Sul e Central - 18,5% - e Europa -
11,5% -, com o complemento de 7,0% proveniente de transações com países da Ásia, África e
Oceania (TUPY, 2017).
Vale destacar que a receita por unidade de negócios relativos a ferro fundido, ano-base
2018, possui o seguinte predomínio: produtos hidráulicos e industriais correspondem a 8%; já
o automotivo detém grande parcela equivalente a 92%, sendo esta dividida em carros de
passeio, veículos comerciais, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, máquinas de
31

construção, geração de energia, marítimo e ferroviário. Já quanto à diversificação do ferro


fundido por produto final e área de atuação, tem-se que 44% destinado aos veículos
comerciais; 23%, carros de passeio; 25%, máquinas; 8%, hidráulica e produtos (TUPY,
2017).

4.6 TEKSID

A empresa Teksid possui duas plantas fabris brasileiras destinadas à fundição de ferro e
de alumínio com capacidade instalada para produção de 270 mil toneladas de peças de
ferro/ano. Em processo de compra pela TUPY desde 2019 (TUPY, 2019), a Teksid apresenta
relevância internacional e é “parte integrante da Teksid SpA, um dos maiores grupos de
fundição de autopeças do mundo, com capacidade produtiva de 620 mil toneladas/ano e
presente em países como Itália, Portugal, Polônia, China, Estados Unidos, Alemanha e
México” (TEKSID, s.d., s.p.). No mercado brasileiro, a empresa atende, montadoras de
automóveis, veículos industriais, além de fábricas de tratores e motores, através de catálogo
de produtos composto por bloco para motor diesel, cabeçote para motor diesel, motor
automotivo, cabeçote de alumínio, girabrequim, volante de motor, eixo comando de válvula,
capa de mancal, bed late, braço de suspensão, ponta de eixo, tambor de freio, disco de freio e
afins. Os principais clientes nacionais e internacionais encontram-se listados no Quadro 5
(TEKSID, s.d.).
Juntas, a TEKSID e a TUPY detém 60% a 70% do total do mercado (NSCTOTAL,
2020).
32

Quadro 5 - Clientes nacionais e internacionais da Teksid.

BRASIL EUA ALEMANHA


Autometal GM Cummins Deutz
Benteler International Volvo FRANÇA
Brembo OMR Navistar FPT
CNH PSA ARGENTINA ITÁLIA
Cummins Renault Fiat FPT
Dana Scania GM JAPÃO
Eaton Smb PSA KCEC
Federal Mogul Streparava SUÉCIA
Fiat Volvo Scania
Ford FPT Volvo
Fonte: Teksid (2020).

4.7 WHB

A empresa WHB Fundição de Ferro tem como campo de atuação a produção de ligas de
ferro de alta resistência no segmento automotivo e ferroviário. Atualmente, conta com duas
linhas de modulagem vertical com capacidade anual de 250 mil toneladas/ano (WHB, s.d.).
Apesar da empresa consta na lista de empresas significativas para a produção de peças
de ferro fundido, notou-se que esta se encontra em processo de recuperação de falência. De
acordo com VALUUP (2020), nos meses de novembro e dezembro de 2019, a capacidade
produtiva total era de 16.667 t, mas sua produção foi de 2.952 t e 1.647 t, respectivamente,
apresentando, portanto, alto percentual de ociosidade. O mesmo pode ser observado para as
receitas brutas de 2019 com redução de 39,53% em relação ao mesmo período do ano
anterior, em que os custos fixos representaram 101,71% da receita líquida. O mercado da
empresa é composto por 34% de clientes internos e 6%, externos com destaque dado à
Volkswagen do Brasil Ltda., correspondendo a 57% das vendas.

4.8 BENTLER

Como um dos clientes diretos das empresas de fundição do ferro, pode-se citar a
Benteler, instituição alemã de fabricação de componentes automotivos com 170 pontos de
atuação distribuídos em 38 países, inclusive no Brasil, e faturamento global de € 7,7 bilhões
em 2019 contra € 7,8 bilhões em 2017, demonstrando que a empresa teve faturamento estável.
33

A empresa atende as principais montadoras existentes no país com destaque à planta


instalada no Complexo Industrial Ford Nordeste (CIFN), onde a Benteler é responsável pela
montagem de peças como motor, freios, suspensão traseira e dianteira no setor de montagem
final de todos os carros modelo EcoSport e Fiesta produzidos pela Ford no Brasil
(BENTELER, s.d.). Conforme noticiado pela Automotive Bussiness (2021), já no início de
2021, a empresa passou a integrar o parque de fornecedores da Stellantis com nova instalação
em Pernambuco.

4.9 BREMBO

A Brembo S.p.A. é uma fabricante italiana de sistemas de freio automotivo,


especialmente para carros e motocicletas de alto desempenho. A sede corporativa está
localizada em Stezzano, e a empresa tem mais de 10.634 funcionários na Itália e em filiais no
Brasil, China, Japão, México, EUA, Polônia, Espanha, Suécia e Reino Unido. A empresa é
especializada em sistemas e componentes de frenagem de desempenho, bem como em
pesquisas sobre sistemas de frenagem. A Brembo vende mais de 1.300 produtos em todo o
mundo e é conhecida por seus componentes de freio automotivo de reposição, incluindo
pinças, tambores, rotores e linhas de freio. No ano de 2019, houve o aumento da receita em
3,4% chegando a € 2.640 milhões (BREMBO, 2019).

4.10 CNH

A CNH Industrial é uma empresa multinacional também italiana com atuação nos
segmentos da construção civil, com produção de equipamentos de construção, como tratores,
escavadeiras; da área agrícola, com produção de colheitadeiras e tratores agrícolas; de
veículos comerciais, como caminhões e ônibus; e equipamentos marítimos. No levantamento
realizado em 2019, a empresa atingiu faturamento de US$ 26,378 bilhões, com mais de 60
unidades industriais, inclusive com 7 delas no Brasil, e 50 centros de pesquisa e
desenvolvimento, enfatizando a importância da concatenação entre pesquisa científica e
produção industrial. A atuação da empresa nas unidades brasileira dedica-se ao setor agrícola
com 75% da receita oriunda deste setor em 2018. (CNH, 2019).
34

5 CONCLUSÃO

Com vistas ao entendimento geral acerca do ferro fundido bem como da posição deste
elemento no contexto da produção industrial e científica, o presente trabalho dedicou-se, a
priori, à construção de revisão bibliográfica com a abordagem das características,
propriedades e aplicações, além de apontamentos sobre a perspectiva histórica da produção e
aplicação do ferro fundido e concepção do cenário atual e perspectivas futuras.
Baseado nestes levantamentos bibliográficos, pode-se compreender a variabilidade de
tipos e aplicações de ferro fundido, os quais evoluíram em demasia ao longo da trajetória
histórica com alavancagem a partir do século XVII, por meio do advento da Ciência. Esta foi
responsável pela promoção dos estudos científicos a respeito do tema, o que propiciou
aumento da resistência à ruptura e inovações nos métodos produtivos. Forte movimento pode-
se notar também no século XX, no período da Segunda Guerra Mundial, em que a aplicação
do ferro fundido foi massiva, além da criação de métodos para maior controle sobre sua
morfologia e, por consequência, ampliação das possibilidades de uso.
Estes movimentos evidenciam que a liga de ferro estudada corresponde a material, cujas
potencialidades são inúmeras e muitas delas ainda não exploradas. A continuidade nas buscas
por inovações na área segue em forte ritmo, o que pode ser observado pela alta produção
acadêmica e científica a respeito do tema, cuja abordagem varia desde desenvolvimento de
softwares para cálculo de densidade da grafita à associação do ferro fundido a outros
elementos químicos para melhoria de suas características.
A academia caminha em parceria com grandes empresas, como o caso da CPD/ POLI-
USP e empresa Tupy, responsáveis pela criação de novas marcas e patentes tendo o ferro
fundido como matéria-prima. No que tange a produção desta liga metálica pelas indústrias,
ressaltou-se o papel de destaque desempenhado pelo Brasil, ocupando a 10ª posição no
ranking internacional de produção de fundidos, com liderança pertencente ao ferro fundido
apresentando produção de 1.840.000 t.
Notou-se também que apesar das recentes crises, a produção e consumo de ferro
fundido, em termos gerais, tem aumentando nos últimos anos, inclusive no Brasil que é um
forte produtor .
Portanto, no que se refere à produção e aplicações do ferro fundido, pode-se afirmar
que, apesar de ser um campo bastante explorado, possui ainda alta potencialidade para
inovações e apresenta positivas perspectivas futuras, principalmente, quando há a associação
entre o conhecimento científico, empírico e produção industrial.
35

REFERÊNCIAS

ABIFA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FUNDIÇÃO. Relatório de desempenho do


setor de fundição - dezembro/ 2020. Disponível em: https://www.abifa.org.br/wp-
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